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gabi_fran_ Gabrielle França, CESUPA 2021 Anatomia e histologia O sistema urinário é composto pelos rins e por outras estruturas acessórias. Os rins são o local de produção da urina. Cada rim situa-se em um lado da coluna vertebral ao nível da décima primeira e décima segunda costelas, logo acima da cintura, sendo parcialmente protegidos pelas vértebras flutuantes e circundados por tecido adiposo. Cada polo superior é recoberto pela Glândula Suprarrenal/ Adrenal. Embora eles estejam abaixo do diafragma, eles estão tecnicamente fora da cavidade abdominal, entre o peritônio membranoso, que reveste o abdome, e os ossos e os músculos do dorso. Devido à sua localização atrás da cavidade peritoneal, os rins são algumas vezes descritos como órgãos retroperitoneais. A superfície côncava de cada rim está voltada para a coluna vertebral. Próximo do centro da margem côncava encontra-se uma fissura vertical profunda, chamada de hilo renal, pela qual o ureter emerge do rim junto com vasos sanguíneos, linfáticos e nervos. A posição na cavidade abdominal é mantida: (1) pelo peritônio sobrejacente, (2) pelo contato com vísceras adjacentes e (3) pelos tecidos conectivos de sustentação. O rim direito é normalmente um pouco mais baixo que o esquerdo, o que reflete sua relação com o fígado, já o esquerdo é um pouco maior e mais estreito que o direito e se encontra mais próximo do plano mediano. Cada rim possui um polo superior e um inferior, que são bastante evidentes, já que a margem convexa externa deixa a margem interna côncava apontando medialmente. O córtex é a camada externa do rim, enquanto a medula é a área interna do tecido renal, sendo dividida em pirâmides medulares. Finalmente, o seio renal é a dilatação inicial do ureter, que é separado em três grandes cálices. Os cálices se dividem novamente em cálices menores, cada qual envolvendo uma papila renal ou a ponta de uma pirâmide medular. Camada Profunda A Cápsula Fibrosa é uma Lâmina transparente lisa de Tec. conjuntivo denso não modelado, contínua com a túnica externa do ureter. Serve como barreira contra traumas e ajuda a manter o formato do rim. Possui 2 camadas distintas: Camada Externa: constituída de fibroblastos e fibras de colágeno. Camada Interna: constituída por tecido celular contendo miofibroblastos, cuja contração auxilia na resistência às variações de volume e pressão que atingem a função renal. Ela penetra no hilo, onde forma a cobertura de TC do seio renal e se torna contínua, formando as paredes dos cálices e da pelve renal. Camada média Massa de tecido adiposo que envolve a cápsula fibrosa. Além disso, protege o rim contra trauma, mantendo-o firmemente no lugar, dentro da cavidade abdominal. Camada superficial Camada fina de TC denso não modelado, que ancora o rim às estruturas adjacentes e à parede do abdomen. Na face anterior dos rins, a fáscia renal encontra-se profundamente ao peritônio. Córtex renal É a camada mais externa do rim, caracterizada por apresentar textura lisa e que está em contato com a cápsula fibrosa. É caracterizado pelos corpúsculos renais e seus túbulos associados. Zona Cortical (Externa): Contém néfrons localizados quase inteiramente no córtex, com alças néfricas curtas. São 85% dos néfrons que desempenham maior parte das funções de filtração e reabsorção. Zona Justamedular (Interna): Contém néfrons que estão localizados em uma região mais próxima da medula renal e apresentam longas alças que se estendem para o interior das pirâmides renais. É demarcada da medula por vasos sanguíneos tangenciais (artérias e veias arqueadas, que se encontram na junção das 2 zonas. Medula Renal Consiste em diversas estruturas coniformes, chamadas pirâmides renais. A base (extremidade mais larga) das pirâmides está OBS: Nefroptose, ou rim flutuante, é um deslocamento inferior ou um prolapso do rim. Ocorre quando saem de sua posição normal, por não estarem presos firmemente no lugar pelos órgãos adjacentes ou por seus revestimentos adiposos. voltada para o córtex renal e seu ápice (extremidade mais estreita), chamado de papila renal, aponta para o hilo renal. A extremidade da papila renal, conhecida como área cribiforme, é perfurada pela abertura dos ductos coletores. As Pirâmides Renais se dividem em: Medula Externa e Interna. As coberturas de tecido cortical que estão sobre as pirâmides se estendem perifericamente em torno da porção lateral da pirâmide formando as colunas renais. Juntos, o córtex e a medula renal, formada pelas pirâmides renais, constituem o parênquima do rim. No interior do parênquima, encontram-se as menores unidades funcionais dos rins, aproximadamente 1 milhão de néfrons. Pelve Renal A cápsula renal cobre a face externa do rim e se continua através do hilo para delinear o seio e se fundir com a adventícia que reveste os cálices renais menores. Cada cálice menor circunda 1 papila ou, mais raramente, grupos de 2 ou 3 papilas esses menores se unem com seus vizinhos para formar 2 ou possíveis 3 grandes câmaras, os cálices renais maiores. Estes drenam para o infundíbulo A pelve renal é normalmente formada da junção de 2 infundíbulos. A pelve renal é normalmente formada da junção de 2 infundíbulos, 1 do cálice polar superior e 1 do cálice polar inferior, mas pode haver um 3º, o qual drena os cálices na porção média do rim. A pelve renal em forma de funil afila-se quando passa inferomedialmente e atravessa o hilo renal para se tornar contínua com o ureter. O Néfron Um rim é dividido em: um córtex externo e uma medula interna. As camadas são formadas pelo arranjo organizado de túbulos microscópicos, chamados de néfrons. Cerca de 80% dos néfrons de um rim estão presentes quase que completamente no interior do cortex (néfrons corticais), ao passo que os outros 20% são os chamados de néfrons justamedulares. O néfron é a unidade funcional do rim. Cada um dos cerca de 1 milhão de néfrons de cada rim é dividido em segmentos, e cada segmento é intimamente associado com vasos sanguíneos. O sangue entra no rim pela artéria renal, antes de seguir para as artérias menores, e, depois, para as arteríolas no córtex. Nesse ponto, o arranjo dos vasos sanguíneos forma um sistema porta, um dos três presentes no corpo. No sistema porta renal, o sangue flui das artérias renais para uma arteríola aferente. Das arteríolas aferentes, o sangue passa para uma primeira rede de capilares, uma rede em forma de novelo, chamada de glomérulo. O sangue que deixa os glomérulos passa para uma arteríola eferente, e, então, para uma segunda rede de capilares, os capilares peritubulares, que cercam o túbulo renal. O túbulo renal é formado por uma camada única de células epiteliais conectadas entre si, próximas à sua superfície apical. As superfícies apicais apresentam microvilosidades ou outras dobras para o aumento da superfície, ao passo que a superfície basal do epitélio polarizado repousa sobre uma membrana basal, ou lâmina basal. As junções célula a célula são em sua maior parte apertadas, mas algumas apresentam permeabilidade seletiva para íons. O néfron inicia em uma estrutura oca globular, chamada de cápsula de Bowman, a qual envolve o glomérulo, revestida por um epitélio escamoso simples em sua parede externa (parietal) e sua parede glomerular, justacapilar (visceral) é composta de podócitos epiteliais especializados nas fendas. Entre as 2 paredes da cápsula está um espaço urinário achatado (de Bowman), contínuo com o túbulo contorcido proximal. O endotélio do glomérulo é unido ao epitélio da cápsula de Bowman, de modo que o líquido filtrado dos capilares passa diretamente para dentro do lúmen tubular. Aqui há2 polos, Urinário e Vascular. O conjunto formado pelo glomérulo e pela cápsula de Bowman é chamado de corpúsculo renal. A partir da cápsula de Bowman, o filtrado flui para o interior do túbulo proximal e, após, para a alça de Henle, um segmento em forma de grampo que desce até a medula e, posteriormente, retorna para o córtex. A alça de Henle é dividida em dois ramos, um ramo descendente fino e um ramo ascendente com segmentos fino e grosso. O fluido, então, chega até o túbulo distal. Os túbulos distais de até oito néfrons drenam para um único tubo maior, chamado de ducto coletor e para a pelve renal, esse conjunto forma os lóbulos renais. Irrigação A artéria renal, após penetrar o seio renal, ramifica-se em artérias segmentares. O ramo anterior irrigará o ápice do rim, os segmentos superior e médio da superfície anterior e todo polo inferior, respectivamente. Já o posterior, nutre o restante do órgão. Cada artéria segmentar dá origem a diversos ramos que entram no parênquima e passam pelas colunas renais entre os lobos dos rins, as artérias interlobares. Nas bases das pirâmides renais, as artérias interlobares curvam-se entre o córtex e a medula renais, originando as artérias arqueada e essas as interlobulares. Conforme as arteríolas aferentes entram nos glomérulos elas formam uma intrincada rede de capilares comunicantes. Os capilares são revestidos por um epitélio fenestrado, que permite a passagem seletiva de pequenas partículas para os túbulos renais, e mantém no interior dos vasos as células sanguíneas, que são maiores. Os capilares glomerulares, então, se reúnem para formar uma arteríola eferente, que transporta o sangue para fora do glomérulo e se dividem para formar os capilares peritubulares, que circundam as partes tubulares do néfron, no córtex renal. Esses capilares se reúnem para formar as vênulas peritubulares e, em seguida, as veias interlobulares, que também recebem sangue proveniente das arteríolas retas. Em seguida, o sangue drena por meio das veias arqueadas para as veias interlobares, correndo entre as pirâmides renais. O sangue deixa o rim por meio de uma única veia renal, que deixa o hilo e leva sangue venoso para a veia cava inferior. Nos néfrons superficiais, capilares peritubulares se ramificam das arteríolas eferentes e distribuem nutrientes para as células epiteliais, já nos néfrons justamedulares, os capilares peritubulares têm a especialização chamada de vasos retos que são longos vasos sanguíneos em forma de grampo que seguem o mesmo curso da alça néfrica. Inervação Muitos nervos renais se originam no gânglio renal (plexo celíaco) e passam pelo plexo renal para os rins, juntamente com as artérias renais. A maior parte das fibras nervosas são fibras pós- ganglionares simpáticas do gânglio mesentérico superior. Um ramo renal penetra em cada rim pelo hilo e acompanha a ramificação da artéria renal para alcançar os néfrons individuais A maior parte consiste em nervos vasomotores. As funções conhecidas da inervação simpática incluem (1) a regulação da pressão e do fluxo sanguíneo renal, (2) a estimulação de liberação de renina e (3) a estimulação direta da reabsorção de água e sódio. Drenagem Linfática Os vasos linfáticos superficiais formam plexos sob a cápsula renal (fina camada que recobre os rins), sendo conhecidos como plexo linfático subcapsular. Juntamente com os vasos linfáticos medulares, eles se comunicam com os vasos linfáticos corticais e cursam junto com as artérias. Os vasos linfáticos renais então drenam diretamente para os troncos linfáticos lombares, que drenam para o ducto torácico e a cisterna do quilo e para os linfonodos/gânglios linfáticos para-aórticos, incluindo os linfonodos/gânglios linfáticos pré-cavais, lombares e retrocavais. Funções Renais De maneira geral os rins tem função de Excreção de produtos e subprodutos, regulação hidroeletrolítica, auto regulação da P.A, equilíbrio ácido-base e efeitos endócrinos (como vitamina D e etc). Três processos básicos ocorrem nos néfrons: FILTRAÇÃO é o movimento de líquido do sangue para o lúmen do néfron. A filtração ocorre apenas no corpúsculo renal, onde as paredes dos capilares glomerulares e da cápsula de Bowman são modificadas para permitir o fluxo do líquido. Uma vez que o filtrado chega ao lúmen do néfron, ele se é destinado à excreção na urina, a não ser que seja reabsorvido. A REABSORÇÃO é um processo de transporte de substâncias presentes no filtrado, do lúmen tubular de volta para o sangue através dos capilares peritubulares. A SECREÇÃO remove seletivamente moléculas do sangue e as adiciona ao filtrado no lúmen tubular. Embora a secreção e a filtração glomerular movam substâncias do sangue para dentro do túbulo, a secreção é um processo mais seletivo. Os 180 litros de fluido que são filtrados para a cápsula de Bowman a cada dia são quase idênticos ao plasma em sua composição e quase isosmóticos – cerca de 300 mOsM. À medida que este filtrado flui pelo túbulo proximal, cerca de 70% do seu volume é reabsorvido, restando 54 L no lúmen tubular. A reabsorção ocorre quando as células do túbulo proximal transportam solutos para fora do lúmen, determinando a reabsorção de água por osmose. O filtrado que deixa o túbulo proximal passa para a alça de Henle, o local principal para a produção de urina diluída. À medida que o filtrado passa pela alça de Henle, proporcionalmente é reabsorvido mais soluto do que água, e o filtrado torna-se hiposmótico com relação ao plasma. A partir da alça de Henle, o filtrado passa para o túbulo distal e para o ducto coletor. Nesses dois segmentos, ocorre uma regulação fina do balanço de sal e de água sob o controle de vários hormônios. A reabsorção e a secreção (em um menor grau) determinam a composição final. Filtração A filtração do plasma para dentro dos túbulos renais é o primeiro passo na formação da urina. Esse processo relativamente inespecífico gera um filtrado, cuja composição é igual à do plasma menos a maioria das proteínas plasmáticas. Sob condições normais, as células sanguíneas permanecem no capilar, de modo que o filtrado é composto apenas de água e de solutos dissolvidos. Apenas cerca de um quinto do plasma que flui ao longo dos rins é filtrado para dentro dos néfrons. Os quatro-quintos restantes do plasma, juntamente com a maior parte das proteínas plasmáticas e das células sanguíneas, passa para os capilares peritubulares. A porcentagem do volume total do plasma que é filtrada para dentro do túbulo é denominada fração de filtração. A filtração ocorre no corpúsculo renal, que consiste na rede de capilares glomerulares envolta pela cápsula de Bowman. As substâncias que deixam o plasma precisam passar através de três barreiras de filtração antes de entrarem no lúmen tubular. A PRIMEIRA BARREIRA é o endotélio capilar. Os capilares glomerulares são capilares fenestrados com grandes poros, que permitem que a maioria dos componentes plasmáticos sejam filtrados através do endotélio, os poros são pequenos o bastante, contudo, para impedir que as células do sangue deixem o capilar. A SEGUNDA BARREIRA de filtração é a lâmina basal, uma camada acelular de matriz extracelular que separa o endotélio do capilar do epitélio da cápsula de Bowman. A TERCEIRA BARREIRA de filtração é o epitélio da cápsula de Bowman. A porção epitelial da cápsula que envolve cada capilar glomerular é formada por células especializadas, chamadas de podócitos. Os podócitos possuem longas extensões citoplasmáticas, denominadas pés, ou pedicelos, que se estendem a partir do corpo principal da célula. Esses pedicelos envolvem os capilares glomerulares e se entrelaçam uns com os outros, deixando estreitas fendasde filtração fechadas por uma membrana semiporosa. A membrana da fenda de filtração contém diversas proteínas exclusivas, incluindo a nefrina e a podocina. A esquerda há o POLO VASCULAR e a direita seu oposto, o POLO URINÁRIO, entre elas o novelo capilar que permite a passagem do filtrado, facilitada pelos podócitos. As três pressões que determinam a filtração gloumerular: A PRESSÃO HIDROSTÁTICA (PH) do sangue que flui através dos capilares glomerulares força a passagem de fluido através do seu endotélio fenestrado. A pressão sanguínea nos capilares é de 55 mmHg, em média, e favorece a filtração para dentro da cápsula de Bowman. A PRESSÃO COLOIDOSMÓTICA no interior dos capilares glomerulares é mais alta do que a no fluido da cápsula de Bowman. Esse gradiente de pressão é devido à presença de proteínas no plasma. O gradiente de pressão osmótica é, em média, de 30 mmHg e favorece o movimento de líquido de volta para os capilares. A cápsula de Bowman é um espaço fechado (diferentemente do líquido intersticial), de forma que a presença de fluido no interior dessa cápsula cria uma PRESSÃO HIDROSTÁTICA DO FLUIDO (PFluido), que se opõe ao fluxo de fluido para o interior da cápsula. O líquido filtrado para fora dos capilares deve deslocar o líquido já presente no lúmen da cápsula. A pressão hidrostática capsular é, em média, de 15 mmHg, opondo-se à filtração. A força motriz resultante é de 10 mmHg na direção que favorece a filtração. Essa pressão pode não parecer alta, mas quando combinada com a grande permeabilidade dos capilares glomerulares fenestrados, ela resulta em uma rápida filtração para o interior dos túbulos. O volume de fluido que é filtrado para dentro da cápsula de Bowman por unidade de tempo é a taxa de filtração glomerular (TFG). A TFG média é de 125 mL/min, ou de 180 L/dia, uma taxa impressionante, considerando-se que o volume plasmático total é de apenas cerca de 3 litros. A TFG é influenciada por dois fatores: a pressão de filtração resultante, já descrita, e o coeficiente de filtração. A pressão de filtração é determinada primeiro pelo fluxo sanguíneo renal e pela pressão arterial. O coeficiente de filtração possui dois componentes: a área de superfície dos capilares glomerulares, disponível para a filtração e a permeabilidade da interface entre capilar e cápsula de Bowman. Se a resistência aumenta na arteríola aferente, a pressão hidrostática diminui no lado glomerular da constrição. Isso se traduz em uma diminuição na TFG. Se a resistência aumenta na arteríola eferente, o sangue acumula antes da constrição, e a pressão hidrostática nos capilares glomerulares aumenta e consequentemente a TFG também. A AUTO REGULAÇÃO DA TFG é um processo de controle local, no qual o rim mantém uma TFG relativamente constante frente às flutuações normais da pressão arterial. Uma função importante da auto regulação da TFG é proteger as barreiras de filtração da pressão arterial alta que pode danificá-las. O processo da auto regulação ainda não está completamente elucidado, mas vários mecanismos atuam dentro desse processo. A resposta miogênica está relacionada à habilidade intrínseca do músculo liso vascular de responder a mudanças na pressão. A retroalimentação tubuloglomerular é um mecanismo de sinalização parácrina pelo qual mudanças no fluxo de líquido na alça de Henle alteram a TFG. Embora mecanismos locais dentro do rim tentem manter constante a TFG, a importância dos rins na homeostasia da pressão arterial sistêmica significa que centros integradores externos ao rim podem superar os controles locais. Os hormônios e o sistema nervoso autônomo alteram a TFG de duas maneiras: mudando a resistência das arteríolas e alterando o coeficiente de filtração. Reabsorção Mais de 99% do líquido que entra nos túbulos é reabsorvido para o sangue à medida que o filtrado percorre os néfrons. A maior parte dessa reabsorção ocorre no túbulo proximal. A reabsorção no néfron distal é finamente regulada, possibilitando aos rins reabsorverem seletivamente íons e água de acordo com as necessidades do organismo para a manutenção da homeostasia. Ressalta-se, ainda, que a reabsorção pode ser ativa ou passiva. Como o filtrado que flui da cápsula de Bowman ao túbulo proximal apresenta a mesma concentração de solutos que o líquido extracelular, as células tubulares realizam transporte ativo de substâncias. Desse modo, temos O TRANSPORTE ATIVO PRIMÁRIO, no qual a energia derivada da hidrólise do ATP é usada para “bombear” a substância através da membrana plasmática, como ocorre na bomba de Na+ K+ ATPase; e o TRANSPORTE ATIVO SECUNDÁRIO, no qual a energia armazenada devido ao gradiente eletroquímico do íon - não mais do ATP - desloca as substâncias através da membrana. Ele une o movimento de um íon, ao longo de seu gradiente eletroquímico, ao movimento “ascendente” de uma 2ª substância, contra o seu gradiente eletroquímico. As proteínas simporte movem 2 ou mais substâncias na mesma direção; as proteínas antiporte movem 2 ou mais substâncias em direções opostas. Além disso, ocorrem, ao nível histológico, 2 tipos de transporte: transepitelial/ transcelular (substâncias atravessam as membranas apical e basolateral das células tubulares epiteliais para chegar ao líquido intersticial) e paracelular (substâncias passam por junções celulares entre as células vizinhas e retornam à corrente sanguínea). Reabsorção na+ (ativo): É reabsorvido por diversos mecanismos. Na 1ª metade do túbulo contorcido proximal, é reabsorvido com o bicarbonato (HCO3), glicose, aminoácidos e lactato. Na 2ª metade, é reabsorvido com o cloro (Cl-). Essa diferença se da devido às diferenças nos sistemas de transporte e devido às diferenças na composição do fluido tubular. 1ª METADE DO TÚBULO CONTORCIDO PROXIMAL: O trocador/antitransporte Na+ H+ (NHE) medeia a entrada de Na+ na célula através da membrana apical e secreção de H+, o resultado da secreção do H+ é a reabsorção de bicarbonato de sódio (NaHCO3). Além disso, ocorrem os mecanismos de transporte simporte, que inclui, por exemplo, o cotransportador/simportador de Na+ glicose (SGLT). A glicose, assim como outros solutos orgânicos que entram na célula com o Na+, deixa a célula através da membrana basolateral via mecanismos de transporte passivo (difusão facilitada) e se difundem aos capilares peritubulares. 2ª METADE DO TÚBULO CONTORCIDO PROXIMAL: O Na+ é reabsorvido, principalmente, com íons cloreto (Cl-). O fluido tubular, na 2ª metade, tem concentração relativamente elevada de cloreto, devido à reabsorção preferencial, na 1ª metade, de outras substâncias, como glicose, aminoácidos e Na+ com HCO3-. Dessa forma, o Na+ entra na célula através de sua membrana apical, principalmente pela operação paralela entre antitransportadores de Na+ H+ e de Cl-. O Na+ deixa a célula via Na+, K+ ATPase, e o Cl– deixa a célula e entra no sangue via antitransporte de K+Cl–, na membrana basolateral via transporte transcelular. A operação dos antitransportadores é equivalente à captação de NaCl do fluido tubular para a célula tubular. Além disso, o NaCl também é reabsorvido, na 2ª metade do túbulo proximal por transporte paracelular. Devido ao aumento da [Cl-] no fluido tubular, cria-se um gradiente de 140mEq/L no lúmen tubular e 105mEq/L no interstício, o que favorece a difusão de Cl-, do lúmen tubular para o espaço intercelular lateral. Reabsorção de água (passiva): O túbulo proximal reabsorve 67% da água filtrada. A força propulsora para a reabsorção de água é o gradiente osmótico transtubular estabelecido previamente pela reabsorção de solutos como a glicose e o NaCl. Devido à presença de canaisde água de aquaporinas nas membranas laterais e basolaterais das células tubulares proximais, o movimento de água através desses canais de membrana não necessita da alta energia das bombas de Na+ K+ ATPase. O principal canal é o de aquaporina-1 (AQP-1). Reabsorção passiva de ureia: A ureia, um resíduo nitrogenado, não possui mecanismos de transporte ativo no túbulo proximal, porém, desloca-se através das junções celulares epiteliais por difusão, caso haja um gradiente de concentração da ureia. Reabsorção de proteínas: A maior parte das proteínas plasmáticas são removidas nos glomérulos renais, entretanto, algumas proteínas menores e peptídeos podem passar através da barreira de filtração. A maioria das proteínas filtradas é, então, removida do filtrado no túbulo proximal. Os endossomos são destinados a se tornar lisossomos, e as proteínas que sofreram endocitose são degradadas pelas hidrolases ácidas, aminoácidos são reciclados. OBS: Quando a concentração plasmática de glicose ultrapassa 180mg/dL, a capacidade de reabsorção é excedida e a glicose passa para a urina. Quando a concentração ultrapassa 200mg/dL, os simportadores renais não trabalham com rapidez suficiente para reabsorver toda a glicose que entra no filtrado glomerular, desse modo, tem-se uma condição chamada glicosúria (Diabetes Mellitus). Reabsorção no túbulo contorcido distal: Porção Inicial do TCD é impermeável a H2O; maior reabsorção de NaCl (cerca de 7%), a reabsorção de Na+ e Cl- ocorre por meio dos simportadores Na+ Cl- presentes nas membranas apicais das células. O Na+ deixa a célula via bombas de Na+ K+ e o Cl– deixa a célula via difusão pelos canais de condução de Cl- nas membranas basolaterais. Na porção final e em todo o ducto coletor existem 2 tipos celulares: as células principais e as células intercaladas. As células principais reabsorvem Na+ e secretam K+ ; enquanto que as células intercaladas reabsorvem K+ e HCO3 - e secretam H.+ Secreção Corresponde à transferência de moléculas do líquido extracelular para o lúmen do néfron, e ocorre, assim como a reabsorção, dependendo de sistemas de transporte de membrana. A secreção torna o néfron capaz de aumentar a excreção de uma substância. É um processo ativo, uma vez que requer transporte de substratos contra seus gradientes de concentração. A maioria dos compostos orgânicos é secretada através do epitélio do túbulo proximal para o interior do lúmen tubular por transporte ativo secundário. Os transportadores responsáveis pela secreção de solutos orgânicos apresentam pouca especificidade. Por exemplo, a família do transportador de ânions orgânicos (OAT) é capaz de transportar uma grande variedade de ânions endógenos e exógenos, que é um exemplo de transporte ativo terciário, em que o uso da energia do ATP é removido em duas etapas do OAT. As células do TCP produzem amônia por desaminação do aminoácido glutamina, em uma reação que também gera HCO3. A NH3 rapidamente se liga ao H+ para se tornar um íon amônio (NH4 +), que substitui o H+ nos simportadores Na+ H+ na membrana apical das células e é secretado para o líquido tubular. AÇÃO NO SISTEMA RAA: A angiotensina II e altos níveis de potássio são o 1º estímulo para liberação de aldosterona que possui ação mais específica no túbulo distal do néfron, produzindo a troca de Na+ por K+, reabsorvendo o Na+ e liberando o K+, mantendo assim o volume hídrico do sistema circulatório. VASOPRESSINA: é responsável pelo aumento da osmolaridade e pela diminuição da volemia. A diminuição no volume urinário é rápida; esse efeito se dá pelo aumento da permeabilidade à água nas células do ducto coletor. Urina A urina, nada mais é, do que um ultrafiltrado do plasma, do qual foram reabsorvidos glicose, aminoácidos, água e íons. A excreção de diferentes substâncias na urina representa a soma de 3 processos renais: filtração glomerular (-) reabsorção de substâncias dos túbulos renais para o sangue (+) secreção de substância do sangue para túbulos renais. Composição Em geral, é constituída por ureia (resíduo metabólico produzido no fígado a partir da utilização da proteínas e aminoácidos) e outras substâncias químicas orgânicas (como a creatinina e o ácido úrico) e inorgânicas (como o cloreto, sódio e potássio) dissolvidas em água. Alterações micro e macro COLORAÇÃO: Sua cor característica se deve à presença do urobilinogênio originado nos pigmentos biliares (bilirrubina) formado a partir da hemoglobina. ODOR: Deve-se à presença de amônia, a urina tem um cheiro característico analisado em exames, chamado de sul generis e sua s alterações podem indicar substancias anormais encontradas. PH: As células tubulares proximais e distais secretam íons H+. A reação responsável pela secreção de H+ no túbulo proximal é um exemplo de transporte ativo secundário, baseado na troca de Na+ por H+. Nos humanos, o pH é de cerca de 5 o que corresponde a uma concentração de H+, na urina, 1000 vezes a concentração deste íon no plasma sanguíneo. Alterações podem indicar acidoses ou alcaloses metabólicas. DENSIDADE: É a relação entre o peso e o volume de uma substância com o peso de um volume igual de água destilada. Na urina, varia de 1,001 a 1,0035. Quanto maior a concentração de solutos, maior a gravidade específica. GLICOSE: A glicose tende, assim como outros solutos, a ser totalmente reabsorvida por transporte simporte, sendoválido citar o cotransportado de Na+ glicose (SGLT). Quando presente e levando em conta o histórico do paciente, indica diabetes. CÉLULAS EPITELIAIS: Podem indicar descamação do trato urinário e a consequente contaminação da amostra, que deve ser orientada ao paciente colher corretamente. Valo de ref.: 15/20 por campo. HEMÁCIAS: O comum seriam 2 hemácias por campo e ate 5 em mulheres, ao passo que um numero muito alto pode indicar infecções ou outras alterações no trato.