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PROB 1Os Rins e seus processos

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gabi_fran_ 
Gabrielle França, CESUPA 2021 
Anatomia e histologia 
O sistema urinário é composto pelos rins e por 
outras estruturas acessórias. 
Os rins são o local de produção da urina. Cada 
rim situa-se em um lado da coluna vertebral ao 
nível da décima primeira e décima segunda 
costelas, logo acima da cintura, sendo 
parcialmente protegidos pelas vértebras 
flutuantes e circundados por tecido adiposo. 
Cada polo superior é recoberto pela Glândula 
Suprarrenal/ Adrenal. 
Embora eles estejam abaixo do diafragma, eles 
estão tecnicamente fora da cavidade abdominal, 
entre o peritônio membranoso, que reveste o 
abdome, e os ossos e os músculos do dorso. 
Devido à sua localização atrás da cavidade 
peritoneal, os rins são algumas vezes descritos 
como órgãos retroperitoneais. 
 
A superfície côncava de cada rim está voltada 
para a coluna vertebral. Próximo do centro da 
margem côncava encontra-se uma fissura 
vertical profunda, chamada de hilo renal, pela 
qual o ureter emerge do rim junto com vasos 
sanguíneos, linfáticos e nervos. 
A posição na cavidade abdominal é mantida: (1) 
pelo peritônio sobrejacente, (2) pelo contato 
com vísceras adjacentes e (3) pelos tecidos 
conectivos de sustentação. 
O rim direito é normalmente um pouco mais 
baixo que o esquerdo, o que reflete sua relação 
com o fígado, já o esquerdo é um pouco maior e 
mais estreito que o direito e se encontra mais 
próximo do plano mediano. Cada rim possui um 
polo superior e um inferior, que são bastante 
evidentes, já que a margem convexa externa 
deixa a margem interna côncava apontando 
medialmente. 
 
 
 
O córtex é a camada externa do rim, enquanto 
a medula é a área interna do tecido renal, sendo 
dividida em pirâmides medulares. Finalmente, o 
seio renal é a dilatação inicial do ureter, que é 
separado em três grandes cálices. Os cálices se 
dividem novamente em cálices menores, cada 
qual envolvendo uma papila renal ou a ponta de 
uma pirâmide medular. 
 
 
 
 
 
 
Camada Profunda 
A Cápsula Fibrosa é uma Lâmina transparente 
lisa de Tec. conjuntivo denso não modelado, 
contínua com a túnica externa do ureter. Serve 
como barreira contra traumas e ajuda a manter o 
formato do rim. Possui 2 camadas distintas: 
 Camada Externa: constituída de 
fibroblastos e fibras de colágeno. 
 
 Camada Interna: constituída por tecido 
celular contendo miofibroblastos, cuja 
contração auxilia na resistência às 
variações de volume e pressão que 
atingem a função renal. 
Ela penetra no hilo, onde forma a cobertura de 
TC do seio renal e se torna contínua, formando 
as paredes dos cálices e da pelve renal. 
Camada média 
Massa de tecido adiposo que envolve a cápsula 
fibrosa. Além disso, protege o rim contra trauma, 
mantendo-o firmemente no lugar, dentro da 
cavidade abdominal. 
Camada superficial 
Camada fina de TC denso não modelado, que 
ancora o rim às estruturas adjacentes e à parede 
do abdomen. Na face anterior dos rins, a fáscia 
renal encontra-se profundamente ao peritônio. 
Córtex renal 
É a camada mais externa do rim, caracterizada 
por apresentar textura lisa e que está em 
contato com a cápsula fibrosa. É caracterizado 
pelos corpúsculos renais e seus túbulos 
associados. 
 Zona Cortical (Externa): Contém néfrons 
localizados quase inteiramente no córtex, 
com alças néfricas curtas. São 85% dos 
néfrons que desempenham maior parte 
das funções de filtração e reabsorção. 
 
 Zona Justamedular (Interna): Contém 
néfrons que estão localizados em uma 
região mais próxima da medula renal e 
apresentam longas alças que se estendem 
para o interior das pirâmides renais. É 
demarcada da medula por vasos 
sanguíneos tangenciais (artérias e veias 
arqueadas, que se encontram na junção 
das 2 zonas. 
 
Medula Renal 
Consiste em diversas estruturas coniformes, 
chamadas pirâmides renais. A base 
(extremidade mais larga) das pirâmides está 
OBS: Nefroptose, ou rim flutuante, é um 
deslocamento inferior ou um prolapso do rim. 
Ocorre quando saem de sua posição normal, por 
não estarem presos firmemente no lugar pelos 
órgãos adjacentes ou por seus revestimentos 
adiposos. 
voltada para o córtex renal e seu ápice 
(extremidade mais estreita), chamado de papila 
renal, aponta para o hilo renal. 
A extremidade da papila renal, conhecida como 
área cribiforme, é perfurada pela abertura dos 
ductos coletores. As Pirâmides Renais se dividem 
em: Medula Externa e Interna. 
As coberturas de tecido cortical que estão 
sobre as pirâmides se estendem perifericamente 
em torno da porção lateral da pirâmide 
formando as colunas renais. Juntos, o córtex e a 
medula renal, formada pelas pirâmides renais, 
constituem o parênquima do rim. No interior do 
parênquima, encontram-se as menores unidades 
funcionais dos rins, aproximadamente 1 milhão 
de néfrons. 
 
Pelve Renal 
A cápsula renal cobre a face externa do rim e se 
continua através do hilo para delinear o seio e se 
fundir com a adventícia que reveste os cálices 
renais menores. 
Cada cálice menor circunda 1 papila ou, mais 
raramente, grupos de 2 ou 3 papilas esses 
menores se unem com seus vizinhos para formar 
2 ou possíveis 3 grandes câmaras, os cálices 
renais maiores. Estes drenam para o infundíbulo 
A pelve renal é normalmente formada da junção 
de 2 infundíbulos. 
A pelve renal é normalmente formada da 
junção de 2 infundíbulos, 1 do cálice polar 
superior e 1 do cálice polar inferior, mas pode 
haver um 3º, o qual drena os cálices na porção 
média do rim. A pelve renal em forma de funil 
afila-se quando passa inferomedialmente e 
atravessa o hilo renal para se tornar contínua 
com o ureter. 
O Néfron 
Um rim é dividido em: um córtex externo e 
uma medula interna. As camadas são formadas 
pelo arranjo organizado de túbulos 
microscópicos, chamados de néfrons. Cerca de 
80% dos néfrons de um rim estão presentes 
quase que completamente no interior do cortex 
(néfrons corticais), ao passo que os outros 20% 
são os chamados de néfrons justamedulares. 
O néfron é a unidade funcional do rim. Cada 
um dos cerca de 1 milhão de néfrons de cada rim 
é dividido em segmentos, e cada segmento é 
intimamente associado com vasos sanguíneos. O 
sangue entra no rim pela artéria renal, antes de 
seguir para as artérias menores, e, depois, para 
as arteríolas no córtex. Nesse ponto, o arranjo 
dos vasos sanguíneos forma um sistema porta, 
um dos três presentes no corpo. 
 
No sistema porta renal, o sangue flui das 
artérias renais para uma arteríola aferente. Das 
arteríolas aferentes, o sangue passa para uma 
primeira rede de capilares, uma rede em forma 
de novelo, chamada de glomérulo. O sangue que 
deixa os glomérulos passa para uma arteríola 
eferente, e, então, para uma segunda rede de 
capilares, os capilares peritubulares, que cercam 
o túbulo renal. 
O túbulo renal é formado por uma camada 
única de células epiteliais conectadas entre si, 
próximas à sua superfície apical. As superfícies 
apicais apresentam microvilosidades ou outras 
dobras para o aumento da superfície, ao passo 
que a superfície basal do epitélio polarizado 
repousa sobre uma membrana basal, ou lâmina 
basal. As junções célula a célula são em sua 
maior parte apertadas, mas algumas apresentam 
permeabilidade seletiva para íons. 
O néfron inicia em uma estrutura oca globular, 
chamada de cápsula de Bowman, a qual envolve 
o glomérulo, revestida por um epitélio escamoso 
simples em sua parede externa (parietal) e sua 
parede glomerular, justacapilar (visceral) é 
composta de podócitos epiteliais especializados 
nas fendas. Entre as 2 paredes da cápsula está 
um espaço urinário achatado (de Bowman), 
contínuo com o túbulo contorcido proximal. O 
endotélio do glomérulo é unido ao epitélio da 
cápsula de Bowman, de modo que o líquido 
filtrado dos capilares passa diretamente para 
dentro do lúmen tubular. Aqui há2 polos, 
Urinário e Vascular. O conjunto formado pelo 
glomérulo e pela cápsula de Bowman é chamado 
de corpúsculo renal. 
A partir da cápsula de Bowman, o filtrado flui 
para o interior do túbulo proximal e, após, para 
a alça de Henle, um segmento em forma de 
grampo que desce até a medula e, 
posteriormente, retorna para o córtex. 
A alça de Henle é dividida em dois ramos, um 
ramo descendente fino e um ramo ascendente 
com segmentos fino e grosso. O fluido, então, 
chega até o túbulo distal. Os túbulos distais de 
até oito néfrons drenam para um único tubo 
maior, chamado de ducto coletor e para a pelve 
renal, esse conjunto forma os lóbulos renais. 
 
Irrigação 
A artéria renal, após penetrar o seio renal, 
ramifica-se em artérias segmentares. O ramo 
anterior irrigará o ápice do rim, os segmentos 
superior e médio da superfície anterior e todo 
polo inferior, respectivamente. Já o posterior, 
nutre o restante do órgão. 
 Cada artéria segmentar dá origem a diversos 
ramos que entram no parênquima e passam 
pelas colunas renais entre os lobos dos rins, as 
artérias interlobares. Nas bases das pirâmides 
renais, as artérias interlobares curvam-se entre o 
córtex e a medula renais, originando as artérias 
arqueada e essas as interlobulares. Conforme as 
arteríolas aferentes entram nos glomérulos elas 
formam uma intrincada rede de capilares 
comunicantes. Os capilares são revestidos por 
um epitélio fenestrado, que permite a passagem 
seletiva de pequenas partículas para os túbulos 
renais, e mantém no interior dos vasos as células 
sanguíneas, que são maiores. 
Os capilares glomerulares, então, se reúnem 
para formar uma arteríola eferente, que 
transporta o sangue para fora do glomérulo e se 
dividem para formar os capilares peritubulares, 
que circundam as partes tubulares do néfron, no 
córtex renal. Esses capilares se reúnem para 
formar as vênulas peritubulares e, em seguida, 
as veias interlobulares, que também recebem 
sangue proveniente das arteríolas retas. 
 Em seguida, o sangue drena por meio das veias 
arqueadas para as veias interlobares, correndo 
entre as pirâmides renais. O sangue deixa o rim 
por meio de uma única veia renal, que deixa o 
hilo e leva sangue venoso para a veia cava 
inferior. 
 
Nos néfrons superficiais, capilares 
peritubulares se ramificam das arteríolas 
eferentes e distribuem nutrientes para as células 
epiteliais, já nos néfrons justamedulares, os 
capilares peritubulares têm a especialização 
chamada de vasos retos que são longos vasos 
sanguíneos em forma de grampo que seguem o 
mesmo curso da alça néfrica. 
Inervação 
Muitos nervos renais se originam no gânglio 
renal (plexo celíaco) e passam pelo plexo renal 
para os rins, juntamente com as artérias renais. 
A maior parte das fibras nervosas são fibras pós-
ganglionares simpáticas do gânglio mesentérico 
superior. Um ramo renal penetra em cada rim 
pelo hilo e acompanha a ramificação da artéria 
renal para alcançar os néfrons individuais 
A maior parte consiste em nervos vasomotores. 
As funções conhecidas da inervação simpática 
incluem (1) a regulação da pressão e do fluxo 
sanguíneo renal, (2) a estimulação de liberação 
de renina e (3) a estimulação direta da 
reabsorção de água e sódio. 
Drenagem Linfática 
Os vasos linfáticos superficiais formam plexos 
sob a cápsula renal (fina camada que recobre os 
rins), sendo conhecidos como plexo linfático 
subcapsular. Juntamente com os vasos linfáticos 
medulares, eles se comunicam com os vasos 
linfáticos corticais e cursam junto com as artérias. 
Os vasos linfáticos renais então drenam 
diretamente para os troncos linfáticos lombares, 
que drenam para o ducto torácico e a cisterna do 
quilo e para os linfonodos/gânglios linfáticos 
para-aórticos, incluindo os linfonodos/gânglios 
linfáticos pré-cavais, lombares e retrocavais. 
Funções Renais 
De maneira geral os rins tem função de 
Excreção de produtos e subprodutos, regulação 
hidroeletrolítica, auto regulação da P.A, 
equilíbrio ácido-base e efeitos endócrinos (como 
vitamina D e etc). 
Três processos básicos ocorrem nos néfrons: 
FILTRAÇÃO é o movimento de líquido do sangue 
para o lúmen do néfron. A filtração ocorre 
apenas no corpúsculo renal, onde as paredes dos 
capilares glomerulares e da cápsula de Bowman 
são modificadas para permitir o fluxo do líquido. 
Uma vez que o filtrado chega ao lúmen do 
néfron, ele se é destinado à excreção na urina, a 
não ser que seja reabsorvido. A REABSORÇÃO é 
um processo de transporte de substâncias 
presentes no filtrado, do lúmen tubular de volta 
para o sangue através dos capilares 
peritubulares. 
A SECREÇÃO remove seletivamente moléculas 
do sangue e as adiciona ao filtrado no lúmen 
tubular. Embora a secreção e a filtração 
glomerular movam substâncias do sangue para 
dentro do túbulo, a secreção é um processo mais 
seletivo. 
Os 180 litros de fluido que são filtrados para a 
cápsula de Bowman a cada dia são quase 
idênticos ao plasma em sua composição e quase 
isosmóticos – cerca de 300 mOsM. À medida que 
este filtrado flui pelo túbulo proximal, cerca de 
70% do seu volume é reabsorvido, restando 54 L 
no lúmen tubular. 
A reabsorção ocorre quando as células do 
túbulo proximal transportam solutos para fora 
do lúmen, determinando a reabsorção de água 
por osmose. 
O filtrado que deixa o túbulo proximal passa 
para a alça de Henle, o local principal para a 
produção de urina diluída. À medida que o 
filtrado passa pela alça de Henle, 
proporcionalmente é reabsorvido mais soluto do 
que água, e o filtrado torna-se hiposmótico com 
relação ao plasma. 
A partir da alça de Henle, o filtrado passa para 
o túbulo distal e para o ducto coletor. Nesses 
dois segmentos, ocorre uma regulação fina do 
balanço de sal e de água sob o controle de vários 
hormônios. A reabsorção e a secreção (em um 
menor grau) determinam a composição final. 
 
Filtração 
A filtração do plasma para dentro dos túbulos 
renais é o primeiro passo na formação da urina. 
Esse processo relativamente inespecífico gera 
um filtrado, cuja composição é igual à do plasma 
menos a maioria das proteínas plasmáticas. Sob 
condições normais, as células sanguíneas 
permanecem no capilar, de modo que o filtrado 
é composto apenas de água e de solutos 
dissolvidos. 
Apenas cerca de um quinto do plasma que flui 
ao longo dos rins é filtrado para dentro dos 
néfrons. Os quatro-quintos restantes do plasma, 
juntamente com a maior parte das proteínas 
plasmáticas e das células sanguíneas, passa para 
os capilares peritubulares. A porcentagem do 
volume total do plasma que é filtrada para 
dentro do túbulo é denominada fração de 
filtração. 
A filtração ocorre no corpúsculo renal, que 
consiste na rede de capilares glomerulares 
envolta pela cápsula de Bowman. As 
substâncias que deixam o plasma precisam 
passar através de três barreiras de filtração 
antes de entrarem no lúmen tubular. 
A PRIMEIRA BARREIRA é o endotélio 
capilar. Os capilares glomerulares são 
capilares fenestrados com grandes poros, 
que permitem que a maioria dos 
componentes plasmáticos sejam filtrados 
através do endotélio, os poros são pequenos o 
bastante, contudo, para impedir que as células 
do sangue deixem o capilar. 
A SEGUNDA BARREIRA de filtração é a lâmina 
basal, uma camada acelular de matriz 
extracelular que separa o endotélio do capilar do 
epitélio da cápsula de Bowman. 
A TERCEIRA BARREIRA de filtração é o epitélio 
da cápsula de Bowman. A porção epitelial da 
cápsula que envolve cada capilar glomerular é 
formada por células especializadas, chamadas de 
podócitos. 
Os podócitos possuem longas extensões 
citoplasmáticas, denominadas pés, ou pedicelos, 
que se estendem a partir do corpo principal da 
célula. Esses pedicelos envolvem os capilares 
glomerulares e se entrelaçam uns com os outros, 
deixando estreitas fendasde filtração fechadas 
por uma membrana semiporosa. A membrana da 
fenda de filtração contém diversas proteínas 
exclusivas, incluindo a nefrina e a podocina. 
 
A esquerda há o POLO VASCULAR e a direita seu 
oposto, o POLO URINÁRIO, entre elas o novelo 
capilar que permite a passagem do filtrado, 
facilitada pelos podócitos. 
 
As três pressões que determinam a filtração 
gloumerular: A PRESSÃO HIDROSTÁTICA (PH) do 
sangue que flui através dos capilares 
glomerulares força a passagem de fluido através 
do seu endotélio fenestrado. A pressão 
sanguínea nos capilares é de 55 mmHg, em 
média, e favorece a filtração para dentro da 
cápsula de Bowman. 
A PRESSÃO COLOIDOSMÓTICA no interior dos 
capilares glomerulares é mais alta do que a no 
fluido da cápsula de Bowman. Esse gradiente de 
pressão é devido à presença de proteínas no 
plasma. O gradiente de pressão osmótica é, em 
média, de 30 mmHg e favorece o movimento de 
líquido de volta para os capilares. 
A cápsula de Bowman é um espaço fechado 
(diferentemente do líquido intersticial), de forma 
que a presença de fluido no interior dessa 
cápsula cria uma PRESSÃO HIDROSTÁTICA DO 
FLUIDO (PFluido), que se opõe ao fluxo de fluido 
para o interior da cápsula. O líquido filtrado para 
fora dos capilares deve deslocar o líquido já 
presente no lúmen da cápsula. A pressão 
hidrostática capsular é, em média, de 15 mmHg, 
opondo-se à filtração. 
 
A força motriz resultante é de 10 mmHg na 
direção que favorece a filtração. Essa pressão 
pode não parecer alta, mas quando combinada 
com a grande permeabilidade dos capilares 
glomerulares fenestrados, ela resulta em uma 
rápida filtração para o interior dos túbulos. 
O volume de fluido que é filtrado para dentro 
da cápsula de Bowman por unidade de tempo é 
a taxa de filtração glomerular (TFG). A TFG 
média é de 125 mL/min, ou de 180 L/dia, uma 
taxa impressionante, considerando-se que o 
volume plasmático total é de apenas cerca de 3 
litros. 
 
 
 
A TFG é influenciada por dois fatores: a 
pressão de filtração resultante, já descrita, e o 
coeficiente de filtração. A pressão de filtração é 
determinada primeiro pelo fluxo sanguíneo renal 
e pela pressão arterial. O coeficiente de filtração 
possui dois componentes: a área de superfície 
dos capilares glomerulares, disponível para a 
filtração e a permeabilidade da interface entre 
capilar e cápsula de Bowman. 
Se a resistência aumenta na arteríola aferente, 
a pressão hidrostática diminui no lado 
glomerular da constrição. Isso se traduz em uma 
diminuição na TFG. Se a resistência aumenta na 
arteríola eferente, o sangue acumula antes da 
constrição, e a pressão hidrostática nos capilares 
glomerulares aumenta e consequentemente a 
TFG também. 
A AUTO REGULAÇÃO DA TFG é um processo de 
controle local, no qual o rim mantém uma TFG 
relativamente constante frente às flutuações 
normais da pressão arterial. Uma função 
importante da auto regulação da TFG é proteger 
as barreiras de filtração da pressão arterial alta 
que pode danificá-las. 
O processo da auto regulação ainda não está 
completamente elucidado, mas vários 
mecanismos atuam dentro desse processo. A 
resposta miogênica está relacionada à 
habilidade intrínseca do músculo liso vascular de 
responder a mudanças na pressão. A 
retroalimentação tubuloglomerular é um 
mecanismo de sinalização parácrina pelo qual 
mudanças no fluxo de líquido na alça de Henle 
alteram a TFG. 
 
Embora mecanismos locais dentro do rim 
tentem manter constante a TFG, a importância 
dos rins na homeostasia da pressão arterial 
sistêmica significa que centros integradores 
externos ao rim podem superar os controles 
locais. Os hormônios e o sistema nervoso 
autônomo alteram a TFG de duas maneiras: 
mudando a resistência das arteríolas e alterando 
o coeficiente de filtração. 
 
Reabsorção 
Mais de 99% do líquido que entra nos túbulos é 
reabsorvido para o sangue à medida que o 
filtrado percorre os néfrons. A maior parte dessa 
reabsorção ocorre no túbulo proximal. A 
reabsorção no néfron distal é finamente 
regulada, possibilitando aos rins reabsorverem 
seletivamente íons e água de acordo com as 
necessidades do organismo para a manutenção 
da homeostasia. 
Ressalta-se, ainda, que a reabsorção pode ser 
ativa ou passiva. Como o filtrado que flui da 
cápsula de Bowman ao túbulo proximal 
apresenta a mesma concentração de solutos que 
o líquido extracelular, as células tubulares 
realizam transporte ativo de substâncias. 
Desse modo, temos O TRANSPORTE ATIVO 
PRIMÁRIO, no qual a energia derivada da 
hidrólise do ATP é usada para “bombear” a 
substância através da membrana plasmática, 
como ocorre na bomba de Na+ K+ ATPase; e o 
TRANSPORTE ATIVO SECUNDÁRIO, no qual a 
energia armazenada devido ao gradiente 
eletroquímico do íon - não mais do ATP - desloca 
as substâncias através da membrana. Ele une o 
movimento de um íon, ao longo de seu gradiente 
eletroquímico, ao movimento “ascendente” de 
uma 2ª substância, contra o seu gradiente 
eletroquímico. As proteínas simporte movem 2 
ou mais substâncias na mesma direção; as 
proteínas antiporte movem 2 ou mais 
substâncias em direções opostas. 
Além disso, ocorrem, ao nível histológico, 2 
tipos de transporte: transepitelial/ transcelular 
(substâncias atravessam as membranas apical e 
basolateral das células tubulares epiteliais para 
chegar ao líquido intersticial) e paracelular 
(substâncias passam por junções celulares entre 
as células vizinhas e retornam à corrente 
sanguínea). 
 
 
Reabsorção na+ (ativo): É reabsorvido por 
diversos mecanismos. Na 1ª metade do túbulo 
contorcido proximal, é reabsorvido com o 
bicarbonato (HCO3), glicose, aminoácidos e 
lactato. Na 2ª metade, é reabsorvido com o cloro 
(Cl-). Essa diferença se da devido às diferenças 
nos sistemas de transporte e devido às 
diferenças na composição do fluido tubular. 
1ª METADE DO TÚBULO CONTORCIDO 
PROXIMAL: O trocador/antitransporte Na+ H+ 
(NHE) medeia a entrada de Na+ na célula através 
da membrana apical e secreção de H+, o 
resultado da secreção do H+ é a reabsorção de 
bicarbonato de sódio (NaHCO3). Além disso, 
ocorrem os mecanismos de transporte simporte, 
que inclui, por exemplo, o 
cotransportador/simportador de Na+ glicose 
(SGLT). 
A glicose, assim como outros solutos orgânicos 
que entram na célula com o Na+, deixa a célula 
através da membrana basolateral via 
mecanismos de transporte passivo (difusão 
facilitada) e se difundem aos capilares 
peritubulares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
2ª METADE DO TÚBULO CONTORCIDO 
PROXIMAL: O Na+ é reabsorvido, principalmente, 
com íons cloreto (Cl-). O fluido tubular, na 2ª 
metade, tem concentração relativamente 
elevada de cloreto, devido à reabsorção 
preferencial, na 1ª metade, de outras 
substâncias, como glicose, aminoácidos e Na+ 
com HCO3-. 
 Dessa forma, o Na+ entra na célula através de 
sua membrana apical, principalmente pela 
operação paralela entre antitransportadores de 
Na+ H+ e de Cl-. O Na+ deixa a célula via Na+, K+ 
ATPase, e o Cl– deixa a célula e entra no sangue 
via antitransporte de K+Cl–, na membrana 
basolateral via transporte transcelular. A 
operação dos antitransportadores é equivalente 
à captação de NaCl do fluido tubular para a 
célula tubular. 
Além disso, o NaCl também é reabsorvido, na 
2ª metade do túbulo proximal por transporte 
paracelular. Devido ao aumento da [Cl-] no fluido 
tubular, cria-se um gradiente de 140mEq/L no 
lúmen tubular e 105mEq/L no interstício, o que 
favorece a difusão de Cl-, do lúmen tubular para 
o espaço intercelular lateral. 
 
Reabsorção de água (passiva): O túbulo 
proximal reabsorve 67% da água filtrada. A força 
propulsora para a reabsorção de água é o 
gradiente osmótico transtubular estabelecido 
previamente pela reabsorção de solutos como a 
glicose e o NaCl. Devido à presença de canaisde 
água de aquaporinas nas membranas laterais e 
basolaterais das células tubulares proximais, o 
movimento de água através desses canais de 
membrana não necessita da alta energia das 
bombas de Na+ K+ ATPase. O principal canal é o 
de aquaporina-1 (AQP-1). 
Reabsorção passiva de ureia: A ureia, um 
resíduo nitrogenado, não possui mecanismos de 
transporte ativo no túbulo proximal, porém, 
desloca-se através das junções celulares 
epiteliais por difusão, caso haja um gradiente de 
concentração da ureia. 
Reabsorção de proteínas: A maior parte 
das proteínas plasmáticas são removidas nos 
glomérulos renais, entretanto, algumas proteínas 
menores e peptídeos podem passar através da 
barreira de filtração. A maioria das proteínas 
filtradas é, então, removida do filtrado no túbulo 
proximal. Os endossomos são destinados a se 
tornar lisossomos, e as proteínas que sofreram 
endocitose são degradadas pelas hidrolases 
ácidas, aminoácidos são reciclados. 
 
OBS: Quando a concentração plasmática de 
glicose ultrapassa 180mg/dL, a capacidade de 
reabsorção é excedida e a glicose passa para a 
urina. 
Quando a concentração ultrapassa 200mg/dL, os 
simportadores renais não trabalham com rapidez 
suficiente para reabsorver toda a glicose que 
entra no filtrado glomerular, desse modo, tem-se 
uma condição chamada glicosúria (Diabetes 
Mellitus). 
Reabsorção no túbulo contorcido distal: 
Porção Inicial do TCD é impermeável a H2O; 
maior reabsorção de NaCl (cerca de 7%), a 
reabsorção de Na+ e Cl- ocorre por meio dos 
simportadores Na+ Cl- presentes nas membranas 
apicais das células. O Na+ deixa a célula via 
bombas de Na+ K+ e o Cl– deixa a célula via 
difusão pelos canais de condução de Cl- nas 
membranas basolaterais. 
Na porção final e em todo o ducto coletor 
existem 2 tipos celulares: as células principais e 
as células intercaladas. As células principais 
reabsorvem Na+ e secretam K+ ; enquanto que 
as células intercaladas reabsorvem K+ e HCO3 - e 
secretam H.+ 
Secreção 
Corresponde à transferência de moléculas do 
líquido extracelular para o lúmen do néfron, e 
ocorre, assim como a reabsorção, dependendo 
de sistemas de transporte de membrana. 
A secreção torna o néfron capaz de aumentar a 
excreção de uma substância. É um processo 
ativo, uma vez que requer transporte de 
substratos contra seus gradientes de 
concentração. A maioria dos compostos 
orgânicos é secretada através do epitélio do 
túbulo proximal para o interior do lúmen tubular 
por transporte ativo secundário. 
Os transportadores responsáveis pela secreção 
de solutos orgânicos apresentam pouca 
especificidade. Por exemplo, a família do 
transportador de ânions orgânicos (OAT) é 
capaz de transportar uma grande variedade de 
ânions endógenos e exógenos, que é um 
exemplo de transporte ativo terciário, em que o 
uso da energia do ATP é removido em duas 
etapas do OAT. 
 
 
 
As células do TCP produzem amônia por 
desaminação do aminoácido glutamina, em uma 
reação que também gera HCO3. A NH3 
rapidamente se liga ao H+ para se tornar um íon 
amônio (NH4 +), que substitui o H+ nos 
simportadores Na+ H+ na membrana apical das 
células e é secretado para o líquido tubular. 
 AÇÃO NO SISTEMA RAA: A angiotensina II 
e altos níveis de potássio são o 1º estímulo 
para liberação de aldosterona que possui 
ação mais específica no túbulo distal do 
néfron, produzindo a troca de Na+ por K+, 
reabsorvendo o Na+ e liberando o K+, 
mantendo assim o volume hídrico do 
sistema circulatório. 
 
 VASOPRESSINA: é responsável pelo 
aumento da osmolaridade e pela 
diminuição da volemia. A diminuição no 
volume urinário é rápida; esse efeito se dá 
pelo aumento da permeabilidade à água 
nas células do ducto coletor. 
 
Urina 
A urina, nada mais é, do que um ultrafiltrado 
do plasma, do qual foram reabsorvidos glicose, 
aminoácidos, água e íons. A excreção de 
diferentes substâncias na urina representa a 
soma de 3 processos renais: filtração glomerular 
(-) reabsorção de substâncias dos túbulos renais 
para o sangue (+) secreção de substância do 
sangue para túbulos renais. 
 
Composição 
Em geral, é constituída por ureia (resíduo 
metabólico produzido no fígado a partir da 
utilização da proteínas e aminoácidos) e outras 
substâncias químicas orgânicas (como a 
creatinina e o ácido úrico) e inorgânicas (como o 
cloreto, sódio e potássio) dissolvidas em água. 
Alterações micro e macro 
 COLORAÇÃO: Sua cor característica se deve 
à presença do urobilinogênio originado nos 
pigmentos biliares (bilirrubina) formado a 
partir da hemoglobina. 
 ODOR: Deve-se à presença de amônia, a 
urina tem um cheiro característico analisado 
em exames, chamado de sul generis e sua s 
alterações podem indicar substancias 
anormais encontradas. 
 
 PH: As células tubulares proximais e distais 
secretam íons H+. A reação responsável 
pela secreção de H+ no túbulo proximal é 
um exemplo de transporte ativo 
secundário, baseado na troca de Na+ por 
H+. Nos humanos, o pH é de cerca de 5 o 
que corresponde a uma concentração de 
H+, na urina, 1000 vezes a concentração 
deste íon no plasma sanguíneo. Alterações 
podem indicar acidoses ou alcaloses 
metabólicas. 
 
 DENSIDADE: É a relação entre o peso e o 
volume de uma substância com o peso de 
um volume igual de água destilada. Na 
urina, varia de 1,001 a 1,0035. Quanto 
maior a concentração de solutos, maior a 
gravidade específica. 
 
 GLICOSE: A glicose tende, assim como 
outros solutos, a ser totalmente 
reabsorvida por transporte simporte, 
sendoválido citar o cotransportado de Na+ 
glicose (SGLT). Quando presente e levando 
em conta o histórico do paciente, indica 
diabetes. 
 
 CÉLULAS EPITELIAIS: Podem indicar 
descamação do trato urinário e a 
consequente contaminação da amostra, 
que deve ser orientada ao paciente colher 
corretamente. Valo de ref.: 15/20 por 
campo. 
 
 HEMÁCIAS: O comum seriam 2 
hemácias por campo e ate 5 em mulheres, 
ao passo que um numero muito alto pode 
indicar infecções ou outras alterações no 
trato.

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