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Júlia Assis Silva - Turma IV alfa MICOSES SUBCUTÂNEAS Microbiologia INTRODUÇÃO ● Fungos residem no solo e na vegetação. ● Penetram na pele por inoculação traumática com material contaminado (tem que ter trauma, na superficiais era apenas encostar). ● Lesões granulomatosas (infecções granulomatosas) expandem-se a partir da área da implantação. ○ A resposta começa Th17, mas a maioria das lesões de micoses subcutâneas viram crônicas, mudando para a resposta Th1. ○ Lesões crônicas granulomatosas→ característica de micose subcutânea. ● Tem disseminação por vasos linfáticos, mas é lenta (com exceção da esporotricose). Nas superficiais eles nem tinham contato com os vasos. ● Em geral, as micoses limitam-se aos tecidos subcutâneos, raramente se tornam sistêmicas e causam doenças potencialmente fatais. ● Nesse caso não falamos de bolores e hifas e sim de leveduras. ● Diferença entre subcutânea e superficial? Local de infecção, lesão (a subcutânea tem lesões feias), resposta imune de perfil parecido mas é mais agressiva (camada mais vascularizada), fungo não necessita de queratina para sobreviver. CROMOBLASTOMICOSE ● Também pode ser chamada de cromomicose ● Agente etiológicos diversos, parasitos de coloração escura (demáceos ou dematiados→ parede celular repleta de melanina). ○ Fonsecaea pedrosoi é a principal. ● Geralmente dermoepidérmica. ● Infecção granulomatosa (gigantócitos) e que causam dor. ● Forma da lesão: papular, nodular, verrucosa, etc. ○ Geralmente as primeiras lesões são nodulares e com o tempo aparecem outras formas. 1 ● Com o decorrer de vários meses a anos a lesão se estende ao longo dos vasos linfáticos que drenam a área. ● A área fica coberta de nódulos semelhantes a uma couve-flor, com abscessos crostosos. ● É difícil eliminar o microrganismo, que normalmente está em sua forma de resistência. Epidemiologia ● São saprófitos na natureza, ficam na vegetação e no solo e quando você sofre um trauma ele pode entrar pela pele, é comum no pé. Não é contagiosa. ● Afeta principalmente as pernas de pessoas que trabalham em fazendas com os pés descalços após a introdução traumática do fungo. ● O uso de calçados e proteção das pernas devem evitar a infecção. ● Habitat: reino vegetal (reservatório natural e maneira como se processa a agressão humana) e reino animal (rato, camundongo, cão, coelho, cobaia, macaco, rã e pombo). Morfologia e identificação ● Hifas compactadas e com muita hifa, tornando a cultura compacta, de coloração acastanhado-escura a negra. ● Exibem uma superfície aveludada e frequentemente enrugada. ● Formas evolutivas mais importantes das subcutâneas e profundas: leveduras (as hifas são superficiais). ● Nos tecidos, exibem aspecto semelhante, produzindo células esféricas de coloração marrom, denominadas corpúsculos muriformes ou escleróticos (leveduras) que se dividem por septação transversa. ● São fungos termodimórficos, ficam em forma de hifas no solo e quando adentram no corpo se transformam em leveduras. ● Se dividem por fissão binária. ● Corpúsculo esclerótico dentro de gigantócitos→ fusão de vários macrófagos para tentar fagocitar. ○ Mesmo fazendo isso eles não conseguem eliminar, pois esse corpúsculo esclerótico é muito difícil de ser eliminado. ○ Isso explica a formação de lesões granulomatosas, devido ao acúmulo de células de defesa na tentativa de matar. ■ Isola o fungo, mas se o granuloma for muito grande pode atrapalhar a região, e precisa manter esse perfil Th1 para evitar que esse 2 granuloma se desfaça e o fungo escape. Patogênese e manifestações clínicas ● Na superfície verrucosa, são observadas pequenas ulcerações ou “pontos negros” de material hemopurulento. ● Histologicamente as lesões são granulomatosas podendo ser observados corpúsculos escleróticos escuros no interior dos leucócitos ou de células gigantes. ○ Célula redonda e naturalmente acastanhada. Diagnóstico ● Raspados e biópsias colocados em KOH (descoloração) e examinados ao microscópio à procura de células esféricas e escuras. ● Parasito em forma arredondada e castanho. ● A detecção dos corpúsculos escleróticos confirma o diagnóstico independentemente do agente etiológico. ○ Se quiser saber a espécie tem que fazer cultura. ● Histopatologia: pegar uma lâmina com tecido, corar e observar ao microscópio. Presença de granulomas e extensa hiperplasia do tecido dérmico. ○ A reprodução do parasito se faz por divisão direta podendo ver em alguns septos ou trabéculas, indicativos da sua reprodução→ cissiparidade. ● Cultura: cultivados em ágar inibidor de bolores ou em ágar de Sabouraud com antibióticos (a infecção bacteriana secundária é muito comum, podendo causar pus). ○ A espécie é identificada pelas suas estruturas características de conídios. ○ Existem bolores demácios saprofíticos semelhantes mas as essas espécies não patogênicas diferem das espécies patogênicas pela sua incapacidade de crescer a 37°C e capacidade de digerir gelatina. ○ As culturas despontam com uma coloração verde-escura no meio (camada de hifas) e o reverso é praticamente negro. ESPOROTRICOSE ● Inflamação crônica granulomatosa que evolui rapidamente. ● Micose gomosa (tumores que evoluem para supuração). ● Se dissemina mais facilmente, é comum ter manifestações extra-tegumentares. ● Agente causadores: Sporothrix schenckii e S. brasiliensis. ○ Diferenças: S. brasiliensismais agressivos, causam uma infecção maior. 3 ○ 9 fatores de virulência que explicam sua agressividade. ● Característica de viver no ambiente→ não é transmitido de pessoa a pessoa. Não tem transmissão antropofílica. Transmissão por lesão traumática. ● OBS: No caso de dermatofitoses ter lesão facilita a transmissão, mas não é subcutânea pois a espécie não sobrevive sem queratina. ● Pode se estender às mucosas, às vísceras, aos ossos e mesmo ao SNC. ● Calor, umidade e obscuridade constituem um habitat ótimo para este e outros fungos. ● Gatos têm mais chance de ter esporotricose→ saem mais, são mais curiosos, arranham uns aos outros (comum começar na narina). É incentivado a fazer corte na ponta unha do gato. ● Os gatos podem transmitir por meio de arranhadura. É muito mais fácil pegar numa árvore do que por arranhões de gatos, pois na natureza tem o bolor em grande quantidades. Formas tegumentares ● O principal local para encontrar as lesões:mãos. ● Pessoas que manipulam terra, vegetal, objetos cortantes --> perguntar profissão e se tem animais (pode ser transmitida por picada de cobra). ● Lesão ulcerada que não cicatriza facilmente. Após um período de alguns dias aparece um nódulo linfático, primeiro de uma série que aparecerá sucessivamente. ● Ao longo dos vasos linfáticos, aparecem diversos nódulos que, sem tratamento, abrem-se, drenando pus, supurando. ● Lesões dolorosas e úmidas→ diferente da leishmaniose que é indolor e seca. ● Lesão causada pelo próprio fungo e pela inflamação. ● É comum que surjam lesões e depois apareçam nódulos em sequência que também ulceram. ● Lesão gomosa: nódulo evoluindo para a supuração. ● As formas tegumentares podem estar localizadas na pele, nas mucosas, ou em ambas, raramente deixando de mostrar a reação ganglionar característica. ○ Dificilmente não forma um nódulo que não vai supurar. ● Diagnóstico diferencial de nocardiose: raspado da lesão e cultivo→ em meio para bactéria ou em ágar Sabouraud ● Na esporotricose as lesões tegumentares tem poucas leveduras, é comum encontrar mais leveduras em lesões extra-tegumentares. Formas extra tegumentares 4 ● Comum na esporotricose e tem chance de morte ● Ocorrem em pacientes que já tiveram a forma tegumentar e agora estão tendo manifestações em outros sítios devido ao dimorfismo do fungo. ● Podem ser localizadas ou disseminadas. ● Localizadas: formas que estão em um dos seguintes locais→ ósteo-articulares, pulmonares, oculares, genito-urinário, meningo-encefálicas. Morfologia e identificação ● É um fungo termicamente dimórfico que vive em vegetações, associado a uma variedade de plantas. A temperaturaambiente, crescem em forma de bolor. ● A cultura fica mais clara no centro e fica mais escuro na periferia (frigideira), mas tem outros fungos que ficam nesse aspecto também deve-se associar com as lesões. ● Nos tecidos in vitro (35 a 37°C) aparece como pequena levedura em brotamento. ○ Quando diminui a temperatura ele volta a ser hifa. Diagnóstico ● Exame direto: não utiliza, ao contrário das outras formas, não tem utilidade para o diagnóstico→ não usa raspado e biópsia. ○ Motivo: o parasito é dificilmente observável, tanto no exame a fresco, como nos preparados corados. ● Muitas vezes o diagnóstico é pela clínica. ● Cultura:método de escolha, apesar de também poder dar negativo. Ágar Sabouraud + antibióticos (penicilina e estreptomicina) para material de lesões abertas, infectadas. ○ Disposição dos conídios em forma de margarida, implantados sobre pequenos conidióforos, que se espalham abundantemente sobre as hifas ramificadas e septadas. ○ A hifa cresce mais. ● Em casos pulmonares observar no escarro, em esfregaços corados. ● Visualização difícil nas formas tegumentares e fácil nas viscerais. No sítio primário tem pouca levedura. ● No centro é mais jovem, as mais velhas ficam na borda pois são afastadas com o crescimento das outras. ● Quando dissemina é fácil observar→ em casos pulmonares é fácil observar-se o parasito no escarro, em esfregaços corados. 5 Histopatologi� ● Da mesma forma que ao exame direto: visualização difícil nas formas tegumentares e fácil nas viscerais. ● Na substância purulenta, cujo esfregaço for corado vai demonstrar células ovaladas e gemulantes características. ● Presença de corpo asteroide, que se admite que seja uma alternativa de o organismo enjaular o parasito. ○ O gigantócito, que é uma fusão de macrófagos em lesões granulomatosas, mas muitas vezes não consegue, alta atividade de macrófagos que tentam de alguma maneira não deixar a levedura multiplicar. ○ Corpo asteróide→ a levedura fica dentro dele. Auxilia no diagnóstico. ● ● A resposta imune é semelhante, com exceção dos queratinócitos e da agressividade da resposta. Tratamento ● Itraconazol (para mais profundas), cetoconazol e em casos graves utiliza anfotericina B. Não funciona muito bem o tratamento, mas não é causa de morte. BLASTOMICOSE QUELOIDIANA ● Parecido com a cromoblastomicose, só que hialino, diferente da cromoblastomicose que tinha vesículas com mielina. ● Infecção crônica granulomatosa. 6 ● Começa com um nódulo pequeno que evolui e é doloroso. ● Lesões de aspecto queloidiforme, podendo se apresentar ulceroso, cicatricial. ● Agentes etiológicos: Lacazia loboi. ● É antropofílico, o ser humano é quem mantém o ciclo da doença. ● Pouco contagiosa, como transmite? Não isolamos dos vegetais mas não quer dizer que não tenha, pois seu isolamento é difícil. ● O parasito localiza-se na derme, no qual provoca forte reação histiocitária ○ Histiócitos:macrófagos não reativos, não foi ativado, é ele que é contaminado pelo fungo. ● Causas: picadas de cobra Patogenia ● A massa tumoral é constituída pela grande quantidade de nódulos que adelgaça a pele→ deixa a pele fina. ● Torna-se muito vulnerável aos traumatismos, mesmo a simples atritos, ocasionando ulceração e fistulização dos nódulos. ● Infecções bacterianas são comuns→ tomar antibiótico o que faz os fungos prevalecerem e piorarem. ● Precisa de excisão dos nódulos, placas ou outros formatos de lesões. ● Não se dissemina facilmente dentro do próprio corpo, mas pode ocorrer. ● Pode doer ou não, mas quase sempre coça. Diagnóstico ● Direto: é importante para um diagnóstico imediato da infecção. ● Forma pontinhas além de ser hialino, se agrupa em no mínimo 3 e no max 8 e 10 → diferente da cromoblastomicose ● aspecto rosário→ fila indiana ● Quando vejo apenas uma eu tenho q fazer outras lâminas para observar o aspecto catenular (aspecto em rosário) ● Cultura: é sempre considerada negativa, para evitar falsos negativos sempre consideramos como negativa. ● Lesões antigas são difíceis de visualizar a levedura na lesão, e em lesões novas não há procura médica. ● Usa titulação para ver se houve eficácia do tratamento. ● ⇒ 1:32 – severidade da doença, se tiver baixa tratamento ta funcionando, se tiver alta é mau prognóstico ● Mesmo se retirar as lesões ainda tem chance de voltar. 7