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Júlia Assis Silva - Turma IV alfa ENTEROBACTÉRIAS Microbiologia INTRODUÇÃO ● São bacilos entéricos e gram-negativos. ● Maior família e mais heterogênea grupo de bacilos gram-negativos de importância médica, têm aspectos biológicos completamente diferentes entre os microrganismos. ● 50 gêneros diferentes e centenas de espécies e subespécies, porém a minoria causam doenças. ● Presentes em: trato intestinal de animais (as de maior importância e perigo estão nesses locais), na água, no solo, na vegetação. ○ São tão diversas que ocupam vários locais diferentes. ○ Como são muito sensíveis elas não sobrevivem a grandes temperaturas, morrendo no fervimento. ○ Localizadas no trato intestinal: Salmonella, Shigella, Escherichia e Yersinia. ● Nos seres humanos está presente causando doenças ou na microbiota normal e também coloniza diversos locais, apesar de o intestino ser o de maior prevalência. ○ Sistema nervoso central, sistema respiratório, corrente sanguínea, trato urinário e trato gastrointestinal. 1 ● ● Sintoma principal: diarreia. ● ⅓ de todas as bacteremias são causadas por enterobactérias. ● A maioria das infecções do trato urinário da mulher são causadas por enterobactérias. Além de muitas infecções intestinais. ○ A microbiota vaginal e anal na mulher são muito próximas. ● Algumas enterobactérias sempre causam doenças, mas outras são comensais e membros da microbiota normal, podendo causar infecções oportunistas. ● A relação de comensalismo é considerada mais uma relação de mutualismo, pois o hospedeiro se aproveita dessa relação com a bactéria também. ● Exemplos de bactérias “boas”: Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Proteus mirabilis. ○ São comensais, mas também podem causar infecções oportunistas devido a uma multiplicação exacerbada ou infecção por um vírus bacteriofágico. ○ Quando o seu sistema imune entende que uma bactéria comensal virou patogênica? Quando ela for infectada por um vírus bacteriofágo ou se multiplicam demais. ○ Mudanças no hospedeiro, como doenças imunossupressoras podem tornar uma espécie comensal em patógeno oportunista. ○ A maioria das E. coli são comensais, mas tem as enterohemorrágicas, 2 enterotoxinas que são patógenos primários. ● Exemplos de enterobactérias “ruins”: Salmonella, espécies de Shigella e Yersinia Pestis ○ Uma Salmonella sempre tem potencial patogênico, diferente da E. coli. ● ● Os patógenos primários sempre têm efeitos patogênicos, sejam maiores ou menores. ● Os oportunistas normalmente são comensais, mas podem causar doenças em determinadas condições ou em alguns do hospedeiro. ○ Se multiplicarem muito ou se tiverem muitos fatores de virulência. ● A E. coli e a K. pneumoniae podem ser tanto oportunistas quanto patógenos primários, depende da variação do microrganismo. ○ Podem ter alguma toxina e fator de virulência que outras não tem. CARACTERÍSTICAS GERAIS ● Bacilos gram negativos. ● Podem ser muito pequenas ou muito grandes, mas o macrófago consegue fagocitar. ● Não esporulados. ○ Porque é importante saber se é esporulado? Em um ambiente hospitalar é uma informação importante, pois define a higienização, uma mais simples consegue eliminar. ● A maioria é flagelada→ Fator de virulência pois causa uma facilidade de dispersão. 3 ○ Isso influencia na capacidade de causar bacteremia. ○ Exceção: Shigella, que é imóvel. ○ Peritríquios: o número de flagelos podem variar, os peritríquios têm flagelos no corpo inteiro e conseguem movimentar todos ao mesmo tempo. ■ A maioria das enterobactérias flageladas são caracterizadas por peritríquios. ● A maioria é capaz demetabolizar nitrato em nitrito devido a presença de enzimas. ○ Importante para caracterizar as espécies, verificando a rapidez de metabolismo, se metaboliza ou não. ■ Importante para cultivo, selecionando as enterobactérias. ● Fermentadoras de glicose, soltando gases ou não. ○ Também podem fermentar substâncias diferentes, varia conforme a espécie da enterobactéria, podendo ser outros carboidratos e até mesmo determinadas proteínas. ● Sensíveis ao meio exterior, o que facilita a descontaminação. ○ Mas também facilita a contaminação do local, pois o tempo inteiro estamos inoculando enterobactérias devido ao fato de contaminarem com a mesma facilidade com as quais são descontaminadas. ● Podem ser oxidases negativas ou positivas. ○ Por isso, a maioria é fermentadora de glicose, pois a maioria não tem oxidases. ○ Não possuem o citocromo C que faz o carregamento do oxigênio para a cadeia respiratória. ● Catalase positivas ou negativas. ○ A maioria é catalase positiva. ○ Peróxido de hidrogênio (H2O2)→ água + O2. ■ Tem gás. ● Aeróbios e anaeróbios facultativos, sobrevivem na presença de oxigênio mas não metabolizam ele. IDENTIFICAÇÃO DE ENTEROBACTÉRIAS ● Coloração de gram, fazer uma bacterioscopia→ identificar bacilos rosados, gram-negativos. ○ Se forem cocos, cocosbacilos ou vibrios não são do nosso interesse. ● Teste da oxidase: 4 ○ Oxidase negativo: a maioria. ■ Teste da lactose: verificar se fermentam a lactose. ● Positivo: divido conforme a rapidez com que fermentam. ○ Rápidos fermentadores de lactose: Klebsiella, E. coli, Enterobacter. ○ Fermentam lactose lentamente: Citrobacter, Serratia e outros. ● Negativo: Shigella, Salmonella, Proteus, Yersinia e outros. ● Para fazer o teste da lactose eu uso o Ágar MacConkey e rapidamente eles mudam a cor do meio. ○ ○ Oxidase positivo: Pseudomonas, Acinetobacter. ● Essa classificação não é rotina, só pedimos quando não há resposta contra o antibiótico, quando o microrganismo é resistente. ○ Esse microrganismo multirresistente vai se transmitir para outras pessoas. ● Porque eu uso o meio Ágar MacConkey? Presença de sais biliares que inibem as bactérias gram-positivas e tem marcador de acidez para testar a fermentação da lactose. ○ Indicador de pH: toda vez que o pH fica baixo (acidifica) é devido à fermentação de lactose, quando isso ocorre vai mudar a cor do meio, de um amarelo pálido para um rosa choque. ○ Por meio desse meio já sei que são gram-negativos e consigo saber se fermentam ou não a lactose. ● Quando o teste da oxidase der positivo não preciso fazer o teste da lactose. 5 FATORES DE VIRULÊNCIA ● A maior parte dos linfócitos ativados do nosso corpo ficam no intestino, por isso é um ambiente hostil, o que explica a necessidade de fatores de virulência para colonizar esse local. Sideróforos ● Proteínas (enzimas) queladoras de ferro. ● Inutilizam o ferro, podendo causar anemia. ○ Sem ferro não há a porção heme dos eritrócitos, podendo causar anemia. ● Enterobactérias e aerobactina. ● Nem todas conseguem fazer isso. Hemolisinas ● Fazem a lise das hemácias. Torna mais difícil eliminar os microrganismos, pois precisamos de muito sangue para inflamar. 6 ● Essas hemolisinas estão presentes principalmente nas bactérias que causam bacteremia, como forma de defesa na corrente sanguínea. Sistema de secreção ● Secreção de enzimas hidrolíticas e proteínas de patogenicidade (T3SS). ● Facilita o estabelecimento da bactéria em camadas mais profundas, pois são responsáveis pela degradação dessas camadas e interiorização no tecido. ● Essas enzimas causam diminuição das microvilosidades que provocam a diarréia e diminuição na absorção intestinal. ● Yersinia, Salmonella e Shigella. LPS (Endotoxinas) ● Comum em bactérias gram-negativas. ● Parte tóxica: parte lipídica, principalmente lipídeo A. ● Parte externa: polissacarídeo O, açúcar. Inibe a fagocitose, pois está em volta da bactéria, impedindo o reconhecimento da bactéria. ● Esse lipídio por si só não é tão tóxico assim, o problema é a excessiva multiplicação e consequente aumento da quantidade que gera graves efeitos no hospedeiro. ● ● Consequências no sistema imune: ativa o complemento (C5a - proteína inflamatória). 7 ○ Causa a liberação de citocinas, principalmente TNF. ● Manifestações sistêmicas: leucocitoses, trombocitopenia, coagulação intravascular disseminada (fluxo sanguíneo alterado), febre,diminuição da circulação periférica, choque e morte. ○ Causa inflamação do corpo inteiro. ○ Ativa muito o sistema imune. ● Pode causar bacteremia pois a bactéria é mais reativa e consegue sobreviver na circulação e tem muita chance de ele cair nessa corrente sanguínea. ● Quando essas bactérias morrem na nossa corrente sanguínea elas provocam o acúmulo desse LPS na circulação, estimulando a ativação do complemento e liberação de citocinas→manifestações sistêmicas. Fímbrias (adesinas) ou pili ● Os pili comuns ajudam na adesão aos receptores específicos presentes nas células dos hospedeiros. ● Quanto melhor as fímbrias (mais específicas ao trato intestinal) mais fácil ter a adesão e consequente colonização. ● Os pili conjugados ou sexuais facilitam a transferência genética entre bactérias. ○ Possibilidade de gerar produção de cepas mais virulentas. Variação de fase antigênica ● Na cápsula das enterobactérias existem antígenos capsulares K, e nos flagelos existem os antígenos H. ● Eles estão sob controle genético do microrganismo e podem ser expressos alternadamente, variando a fase. ● A bactéria consegue controlar a expressão desses antígenos. ● Tem também o antígeno O do LPS bacteriano. ● Isso protege a bactéria da morte mediada pelo anticorpo. ● Ao invés de mostrar todos os antígenos que ele tem, ele mostra um e quando o sistema imune cria uma resposta imune ela esconde esse antígeno e mostra um diferente, atrasando a resposta. ● Antígeno: tudo que ativa nosso sistema imune. Exotoxinas ● As exotoxinas em ambientes entéricos são chamadas de enterotoxinas. ● As principais enterotoxinas são chamadas LT e ST e pertencem a um sorotipo de E. coli. A característica principal da bactéria que as possui é causar uma diarreia 8 aquosa. ● Enterotoxinas LT e ST de um sorotipo da E. coli (ETEC) libera a secreção de água e cloretos e inibe a reabsorção de sódio→ diarreia aquosa. ● Já a bactéria Shigella dysenteriae tem enterotoxinas e neurotoxinas que causam dificuldade de contrair o esfíncter, fazendo com que o hospedeiro não consiga segurar as fezes e a urina. Fatores comuns ● Antígeno H, antígeno K, LPS e pili. ● A presença de antígenos flagelares e capsulares varia de uma bactéria para a outra. COLIFORMES FECAIS ● Grande parte dos coliformes são enterobactérias. ● Os coliformes são partículas de fezes. ● A E. coli vem do coco. ● Espécies bacterianas associadas a microbiota bacteriana intestinal. ● Grupo grande de bactérias gram negativas que utilizam a lactose como nutrientes e produzem gases, incubadas a temperatura de 35-37°C por 48 horas.. ○ E. coli, Enterobacter, Citrobacter, Klebsiella. Estão presentes em vegetais e solo, com exceção da E. coli que habita o trato intestinal do homem e animais. ○ A presença dessas bactérias em amostras de água e comida indicam contaminação por coliformes fecais. ● Ao dar descarga após defecar, tampe o vaso. Ao acionar a descarga, gera um spray de coliformes fecais no ambiente, que se espalham no ambiente com muita facilidade, e se sua escova estiver destampada do lado de fora de uma gaveta ou armário, poderá ser contaminada. ○ Não só escovas, mas também toalhas podem ser contaminadas. ○ Escova: por ser um utensílio que vai direto na boca, pode iniciar um ciclo de reinfecções com essas bactérias presentes em coliformes fecais que futuramente podem trazer problemas ao sistema do hospedeiro. 9