Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Disciplina: Microbiologia e Imunologia
Aula 5: Interações microbianas com o homem
Apresentação
O limite entre a colonização de micro-organismos no nosso corpo e o aparecimento de uma doença depende de inúmeros
fatores, entre eles o estado imune do hospedeiro e as características dos micro-organismos que permitem ultrapassar essas
defesas.
 
Nesta aula, conheceremos os mecanismos patogênicos e saberemos por que a transferência de genes em micróbios é
fundamental para a consciência das medidas de ações individuais preventivas.
Objetivos
Identi�car os tipos de relações entre micro-organismos e o homem;
De�nir patogenicidade, infectividade e virulência;
Reconhecer as bases �siológicas dos micro-organismos patogênicos.
Relações do micro-organismo e o hospedeiro
Se alguém pedir para um grupo dar exemplos de micro-organismos conhecidos, provavelmente a grande maioria só se lembraria
daqueles que provocam doenças. Isso é bem compreensível.
Desde os primeiros agrupamentos em pequenas sociedades, o homem precisou se proteger de muitas epidemias e fatalidades.
Isso contribuiu para essa sensação coletiva de que existem muito mais micro-organismos perigosos do que podemos sequer
contabilizar.
Não é verdade: a maioria dos micro-organismos não é patogênica ao homem. Eles conseguem manter relações bené�cas com
várias espécies de animais.
Dependendo do tipo de relação com o homem e os outros seres vivos, os micro-organismos, ao compartilharem o mesmo
ecossistema, são classi�cados em diferentes níveis de cooperação. Esse compartilhamento é conhecido como simbiose.
A simbiose é uma relação a longo prazo entre dois organismos de espécies distintas.
Essa relação pode ser bené�ca ou não para ambos os indivíduos envolvidos.
As relações simbióticas consideradas bené�cas são de três tipos:
Clique nos botões para ver as informações.
É quando uma das espécies se bene�cia dessa relação sem causar danos à outra.
Comensalismo 
Exemplo
É o caso das bactérias localizadas na rizosfera, a zona das raízes das plantas, que se bene�ciam dos produtos do metabolismo
das plantas.
Relação bilateral em que ambas se bene�ciam. No entanto, essa associação não é obrigatória, ou seja, cada espécie pode
viver separadamente.
Protocooperação 
No mutualismo microbiano, o fungo está associado a alga ou bactéria, que atua como produtor primário, enquanto ele
fornece um anteparo e proteção.
Dessa forma, dois organismos distintos se bene�ciam e dependem dessa relação, ou seja, só conseguem viver na presença
do outro.
Mutualismo 
Exemplo
Líquens encontrados nas folhas, árvores e rochas.
Microbioma intestinal: anatomia do sistema digestivo humano e bactérias entéricas
Escherichia coli. | Fonte: shutterstock
Na espécie humana, a presença da microbiota na pele e no
intestino é um bom exemplo de relação comensal, embora ela
também possa ser considerada um mutualismo,
especialmente a Escherichia coli produtora de vitamina K.
A relação simbiótica na qual uma das espécies é bene�ciada enquanto a outra é prejudicada é o Parasitismo.
É fácil, por exemplo, reconhecer essa propriedade em vírus.
Staphylococus epidermidis: bactéria que vive na pele humana. | Fonte:
Wikipédia
Se uma bactéria vive na pele e penetra em tecidos mais
profundos através de um poro ou até mesmo um pequeno
corte, ela será capaz de desenvolver uma doença bacteriana.
São por isso chamadas de oportunistas .1
É importante perceber que um mesmo micro-organismo pode se comportar
como comensal ou parasita dependendo de condições como a troca do habitat e
a capacidade de resposta imune do hospedeiro.
Atenção
http://estacio.webaula.com.br/cursos/go0070/aula5.html
É importante conseguir diferenciar os agentes potencialmente patogênicos dos patógenos primários.
O patógeno primário obrigatório desenvolve uma doença mesmo em indivíduos saudáveis e normalmente não faz parte da
microbiota, enquanto os potencialmente patogênicos aparecem em indivíduos com algum nível de imunode�ciência.
Diferenças entre infectividade, patogenicidade e virulência
É preciso saber a diferença entre infectividade, patogenicidade e virulência, o que geralmente provoca muitas dúvidas.
Clique nos botões para ver as informações.
Capacidade de um micro-organismo de causar infecção. Ele consegue penetrar, se desenvolver e se multiplicar no
hospedeiro.
Infectividade 
Atenção
Isso não signi�ca necessariamente a aparição de uma doença. Muitos micro-organismos que conseguem penetrar no
hospedeiro são eliminados pelo sistema imunológico sem que ele apresente sinais de qualquer doença.
 
A infectividade é quanti�cada pela ID50, dose necessária para infectar 50% da população.
O tamanho do inóculo é um fator importante para o desenvolvimento de uma doença.
É a capacidade de um micro-organismo provocar uma doença.
Alguns serão considerados de alta patogenicidade quando sempre suscitarem o aparecimento dela no hospedeiro.
Patogenicidade 
Capacidade de gerar uma doença grave ou letal. Isso é medido pela LD50, dose letal que corresponde à necessária para
matar 50% da população.
Virulência 
Atenção
A virulência está associada ao nível de agressividade da doença.
 
A gravidade de uma doença depende da cepa bacteriana . Nesse tipo de micro-organismo, são identi�cados vários genes que
levam à produção de proteínas especializadas na aderência, invasão e destruição do tecido do hospedeiro como também à
manipulação da resposta imune. Esses genes são denominados fatores de virulência.
2
http://estacio.webaula.com.br/cursos/go0070/aula5.html
Eventos da patogênese. | Fonte: (MADIGAN et al., 2016)
 Fonte: Shutterstock
Troca Genética
Provavelmente, você deve estar pensando como esses micro-organismos se
tornaram patogênicos.
Está pensando em mutações?
No entanto, elas não explicam a transferência de informações entre as bactérias.
 
Estrutura bacteriana. | Fonte : Shutterstock
Antes disso, é preciso lembrar que o genoma bacteriano se divide em
uma �ta de DNA altamente condensada em várias cópias de DNA
circulares chamados de plasmídeos.
Os plasmídeos podem receber ou doar genes.
Existem muitos tipos de plasmídeos, mas os plasmídeos de virulência são
bem conhecidos por conter genes para proteínas associadas à
patogenicidade, como as enterotoxinas .
No cromossomo bacteriano, existem sequências chamadas de
transposons que são excluídas e também transferidas, mas geralmente
esse DNA está associado a mecanismos de resistência aos antibióticos.
3
Recombinação
As bactérias realizam recombinações que favorecem a aquisição de uma nova característica. É um processo horizontal que
depende de mecanismos intercelulares de transformação, transdução e conjugação.
Os plasmídeos e transposons são elementos genéticos transferidos pela conjugação de duas bactérias por meio de pili. O gene é
duplicado, enquanto uma cópia é transferida para a bactéria receptora.
http://estacio.webaula.com.br/cursos/go0070/aula5.html
Mecanismo de transferência de genes entre bactérias por meio de conjugação. |
Fonte: Shutterstock
A transformação é o mecanismo de captação de material genético de bactérias mortas que estão espalhados no meio. Este DNA
exógeno é incorporado na bactéria viva.
 
A transdução depende da transferência com o auxílio de bacteriófagos, que são vírus bacterianos.
Os genes que serão transferidos são localizados no genoma em trechos denominados ilhas
de patogenicidade .4
Como os patógenos acessam o hospedeiro?
Fonte: Shutterstock
http://estacio.webaula.com.br/cursos/go0070/aula5.html
Para um micro-organismo ter sucesso no processo infeccioso, ele precisará de:
 Longas cadeias;
 Conseguir se �xar no local de infecção, obtendo
nutrientes;
 Escapar ou suportar os mecanismos de defesa imune;
 Provocar as lesões no tecido do hospedeiro;
 Interferir nos mecanismos de sinalização e
citoesqueleto da célula;
 Disseminar-se para outras células e órgãos.
As vias de entrada são as membranas mucosas que revestem o trato respiratório,
gastrointestinal e geniturinárioe a membrana conjuntiva. A maioria acessa pelo trato
gastrointestinal e respiratório.
Trato respiratório
O micro-organismo pode estar na cavidade nasal e na boca ou alcançar a mucosa através de perdigotos, aquilo que expelimos
quando falamos, e partículas de pó.
Atenção
No caso de Infecções virais, talheres e objetos de uso pessoal também podem transmitir. Por isso, é muito importante higienizar
as mãos para evitar o contato quando estiver infectado.
Micro-organismos que desenvolvem doenças no trato respiratório
inferior. | Fonte : Shutterstock
Algumas doenças com origem bacteriana: tuberculose (Mycobacterium
tuberculosis), pneumonia (Streptococcus pneumoniae), resfriado comum
(rinovírus), vírus sincicial respiratório em crianças com menos de dois
anos de idade e sarampo.
Trato gastrointestinal
Para acessá-lo, os micro-organismos precisam ultrapassar a barreira química natural do ácido clorídrico estomacal e as enzimas
liberadas pela bile e pelo intestino delgado. Como muitas são proteases, elas atuam sobre as proteínas da superfície do patógeno,
inativando-o.
Ultrapassam esses obstáculos, entre outros, os vírus da hepatite A e rotavírus e as bactérias do gênero Shigella que provocam a
disenteria bacteriana. Esses patógenos são transmitidos por via fecal-oral através de:

Contato pessoal

Ingestão de água
 
Consumo de alimentos contaminados
Comentário
Após o ciclo de divisão e destruição do epitélio absortivo, os patógenos são liberados nas fezes, podendo contaminar a água
(caso de esgoto aberto) que será consumida ou utilizada por outro indivíduo. Também é importante manter a limpeza das mãos
nesse tipo de transmissão. Nas rotaviroses, é comum que mãos contendo partículas virais propiciem a autoinoculação ou a
transmissão através do adulto cuidador.
Transmissão sexual
Depende do contato com as mucosas integradas ou abrasão. As chamadas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são
monitoradas nos boletins epidemiológicos da Secretaria de Vigilância em Saúde para que sejam programadas ações de
prevenção e tratamento nas unidades de atenção básica dos municípios.
5
Atenção
Tem chamado a atenção o número de casos de sí�lis nos últimos anos. Esta doença (ou qualquer IST) facilita a transmissão
sexual do HIV. Além disso, a transmissão da sí�lis durante a gestação pode provocar cegueira, pneumonia, de�ciência mental e
surdez, entre outras sequelas, no bebê.
http://estacio.webaula.com.br/cursos/go0070/aula5.html
Pele
Formada por uma camada rígida e espessa de células mortas, ela com certeza protege o corpo de infecções. Além disso, a
superfície da pele está sujeita à desidratação - e isso não favorece o crescimento abundante de micro-organismos. A maioria dos
micro-organismos está associada a glândulas sudoríparas e folículos pilosos, fatores que levam à multiplicação deles.
Entradas pela pele normalmente ocorrem por pequenos cortes acidentais e cateteres que fornecem um meio para as bactérias
terem acesso aos tecidos mais profundos.
Na via parenteral , o agente patogênico alcança a circulação quando as barreiras forem rompidas. Ocorre em:
 Infecções;
Ferimentos;
Cortes profundos;
Agulhas (caso do HIV e HBV);
 Expressão correta no meio.
6
Exemplo
A bactéria Staphylococcus aureus pertence à microbiota e penetra na pele através de rupturas nela. Já alguns fungos, como o
Trichophyton mentagrophytes, causador da tinea, se alimentam de queratina, causando o aparecimento de manchas na pele.
Perceba que a porta de entrada nada mais é do que uma escolha evolutiva com base nas
vantagens que esse ambiente pode fornecer ao micro-organismo em termos de acesso a
tecidos especí�cos e possibilidade de nutrição. No caso de vírus, são células que devem
possuir componentes disponíveis para a replicação viral.
Formas de atuação dos micro-organismos patogênicos
Adesinas
Independentemente do acesso ao hospedeiro, o patógeno deve apresentar mecanismos que permitam a aderência aos tecidos.
Em bactérias, essa aderência ocorre com o auxílio de adesinas, glicoproteínas ou lipoproteínas presentes em glicocálice, pili,
fímbrias e �agelos.
As adesinas mudam a sua estrutura conforme a cepa bacteriana.
http://estacio.webaula.com.br/cursos/go0070/aula5.html
 A placa bacteriana representa a ação conjunta
de vários micro-organismos que propiciam a
desmineralização do dente e à lesão cariosa. |
Fonte: Shutterstock
Sua ação ocorre na formação da cárie.
A Streptococcus mutans possui a enzima glicosiltransferase para converter a glicose presente no açúcar da dieta em um
polissacarídeo bem aderente (dextrana) que se �xa na superfície dos dentes.
Após a fímbria da Actinomycetos, uma outra bactéria, se ligar ao glicocálice de Streptococcus mutans, gradativamente vai sendo
formado um consórcio de bactérias e seus produtos chamado de bio�lme.
A atividade metabólica dessas células bacterianas gera a redução do pH e a perda da integridade do esmalte dos dentes, formando,
assim, a lesão cariosa.
 Aderência de bactérias à borda em escova
das microvilosidades: (a) Escherichia coli
enteropatgênica e sua cápsula; (b) Vibrio cholerae,
que não possui cápsula. | Fonte: (HACKER et al.,
1990)
Cepas de Escherichia coli enteropatogênica também utilizam adesinas para regiões especí�cas do intestino delgado. A aderência das
bactérias promove uma resposta da célula hospedeira que leva à sua endocitose.
O micro-organismo é engolfado pelo fato de as bactérias possuírem uma proteína de superfície (invasina) que causa um rearranjo nos
�lamentos de actina do citoesqueleto no local do contato.
Ainda manipulando os �lamentos de actina a seu favor, as bactérias do gênero Shigella e Listeria são capazes de organizar esses
�lamentos em uma das suas extremidades, provocando propulsão pelo citoplasma. Quando alcançarem as junções entre as células,
elas usarão a caderina dessas junções para passar de uma célula para outra.
Atenção
 
 
As toxinas são classi�cadas como endotoxinas e exotoxinas.
Os vírus, por sua vez, não possuem adesinas, e sim outras proteínas localizadas na superfície do capsídeo que são especí�cas do
tecido alvo. Os receptores virais, entre outros exemplos, são:
Ácido siálico (para o vírus in�uenza);
Integrinas (para rotavírus);
Molécula CD4 da célula T (HIV).
Agora que você provavelmente já está impressionado com a capacidade das bactérias de manipular as células do hospedeiro,
repare o que elas podem fazer para utilizar os nutrientes.
O ferro é muito importante para a maioria das bactérias, mas
temos muito pouco ferro livre na circulação.
As bactérias secretam sideróforos que roubam o ferro, muitas
vezes internalizando a proteína transportadora desse nutriente.
Elas também matam as células para liberar o ferro .
Isso explica a anemia provocada nas infecções bacterianas.
7
 Nível normal de glóbulos vermelhos | Nível de glóbulos vermelhos na Anemia | Fonte:
Shutterstock
Toxina
A maior parte dos danos causados por bactérias ocorre pela ação de toxinas. Essas proteínas são consideradas os principais
fatores de patogenicidade .8
Muitas vezes, a liberação na circulação ou linfa dessas toxinas é fatal.
http://estacio.webaula.com.br/cursos/go0070/aula5.html
http://estacio.webaula.com.br/cursos/go0070/aula5.html
Clique nos botões para ver as informações.
As exotoxinas são secretadas pelas bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. Muitas são enzimas que, mesmo em
pequenas quantidades, são bem perigosas.
Exotoxinas 
Exemplo
Toxina botulínica propicia a paralisia de alguns membros;
Esta�locócica é responsável pela intoxicação alimentar.
Além da associação do nome da toxina com a doença, muitas estão associadas ao tecido alvo, como, por exemplo:
Neurotoxinas - atingem as células nervosas;
Cardiotoxinas - afetam as células cardíacas;
Leucocidinas - destroem os leucócitos;
Enterotoxinas - atacam as células que revestem o trato gastrintestinal.
Acredito que você se lembre da composição da parede celular de Gram-negativas.
Na membrana externa, localiza-se o lipopolissacarídeo(LPS) que contém a porção lipídeo A considerada endotoxina.
Como não é secretada pela bactéria, o LPS �ca livre quando a bactéria morrer ou em objetos contaminados.
Seu efeito é sobre macrófagos, as células fagocitárias de defesa, que, ao processar os restos bacterianos, libera muitos
fatores que provocam no hospedeiro um quadro clinico de calafrios, febre, fraqueza generalizada e choque.
O uso de antibióticos contra essas infecções pode provocar sintomas de febre e aparente piora, mas são esperados e
transitórios.
Essas endotoxinas também ativam os fatores de coagulação do sangue. Isso gera o aparecimento de pequenos coágulos
que obstruem os capilares, levando à morte do tecido, uma condição denominada Coagulação Intravascular Disseminada.
No entanto, essa condição grave pode também aparecer na presença da toxina esta�locócica.
Endotoxinas 
 Exotoxinas e endotoxinas.
Superantígenos
Muitas proteínas bacterianas são chamadas de superantígenos. O superlativo no nome já dá uma dica de que é algo grave.
Essas proteínas bacterianas são perigosas porque possuem um sítio de ligação nos linfócitos T, um tipo de célula especial que
organiza e regula a resposta imunológica.
Linfócitos ativados dessa forma iniciam a produção de muitas proteínas citocinas para
ativar outras células da resposta imunológica. Essa situação é muito grave. O sistema imune
provoca muitos efeitos malé�cos ao hospedeiro, como febre, náusea, vômito, diarreia,
choque e até morte.
Exemplo
As mais bem conhecidas são as toxinas esta�locócicas da intoxicação alimentar que provocam a síndrome do choque tóxico.
No início da aula, foi mostrado que os micro-organismos patogênicos deveriam
também ser capazes de ultrapassar ou escapar das defesas do hospedeiro,
lembra?
Como já vimos em morfologia bacteriana, a presença de cápsulas é um fator de sobrevida para algumas bactérias.
Sua natureza química impede a fagocitose, processo no qual algumas células engolfam e destroem os micro-organismos.
Exemplo
Algumas bactérias produtoras de capsula são:
Streptococcus pneumoniae;
Klebsiella pneumoniae;
Haemophilus in�uenzae .9
A presença de cápsula normalmente está associada à cepa patogênica, mas pode-se encontrá-la também em bactérias não
patogênicas. A defesa imune contra elas depende da presença de anticorpos que atuam como uma ponte entre a bactéria e o
fagócito.
Enzimas
Como você já deve ter percebido, são muitas as estratégias dessas bactérias para permanecer no hospedeiro. Assim como a
presença de uma cápsula controla o mecanismo de fagocitose, algumas bactérias produzem enzimas que degradam anticorpos.
Exemplo
São as proteases IgA, que destroem o principal anticorpo de mucosas. Daremos dois exemplos dessas bactérias: Neisseria
gonorrhoeae (gonorreia) e Neisseria meningitidis (agente causador da meningite).
Outros fatores de virulência são as exoenzimas. A coagulase produzida por algumas bactérias do gênero Staphylococcus está
envolvida na formação dos abscessos das infecções de pele.
Ela converte o �brinogênio em �brina, formando uma estrutura sólida que impede o acesso de células de defesa.
Já a hialuronidase é secretada por estreptococos e hidrolisa o ácido hialurônico, que une as células do tecido conjuntivo,
permitindo o acesso a tecidos mais profundos.
Outra enzima é a estreptoquinase produzida por Streptococcus pyogenes, que degrada a �brina dos coágulos. Sua ação é tão
e�caz que a indústria farmacêutica padronizou o seu uso em infartos produzidos por obstrução das artérias coronárias.
 Fonte: Shutterstock
Variação antigênica
Uma das características mais comuns entre todos os patógenos que infectam o homem é a variação genética.
Na próxima aula, você começará a estudar imunologia.
Uma das propriedades da resposta imune especí�ca é a memória imunológica. Ela
representa um grupo de linfócitos circulantes que já reconheceu o patógeno em um
encontro anterior, ativando, dessa forma, uma resposta imunológica mais rápida contra esse
patógeno. Para evitar esse reconhecimento, é muito comum os patógenos produzirem novas
proteínas com substituições no sítio de ligação dos receptores dos linfócitos.
http://estacio.webaula.com.br/cursos/go0070/aula5.html
Exemplo
Vírus: In�uenza e o HIV (apesar de muitos vírus com genoma RNA possuírem tal capacidade);
Bactérias: Streptococcus pneumoniae (possui 84 variações de cápsulas) e Neisseria gonorrhoeae (44 variantes ilustram a
dimensão que as variabilidades antigênicas têm sobre o homem).
Com esta aula, você �naliza os conhecimentos básicos sobre microbiologia desde a diversidade dos micro-organismos presentes
no planeta e no homem até os mecanismos que podem propiciar o aparecimento de doenças.
A partir da próxima aula, iremos ministrar as informações sobre a resposta imunológica e quais mecanismos de defesa serão
ativados para eliminação de patógenos.
Atividade
1. Em relação ao tipo de relação simbiótica entre espécies, assinale a opção que representa uma interação na qual uma espécie é
bene�ciada sem, no entanto, provocar qualquer dano à outra:
a) Parasitismo
b) Simbiótica benéfica
c) Comensalismo
d) Parasitismo facultativo
e) Oportunista
2. A presença de algumas cepas de Escherichia coli produtoras de vitamina K na microbiota intestinal é um bom exemplo de que
tipo de interação?
a) Oportunista
b) Mutualismo
c) Simbiótica
d) Parasitismo
e) Comensalismo
3. A diferença entre patogenicidade e virulência pode ser identi�cada na seguinte opção:
 A virulência está associada à capacidade de resposta imune do hospedeiro; a patogenicidade, à resistência do micro-organismo.
a) A patogenicidade indica a gravidade da infecção; a virulência, os fatores que promovem a doença.
b) A virulência está associada a micro-organismos patogênicos; a patogenicidade, aos não patogênicos.
c) A virulência indica a gravidade da doença cujas condições definem a patogenicidade.
d) A patogenicidade é o resultado da capacidade de defesa do hospedeiro, enquanto a virulência é o resultado das características do
micro-organismo.
4. Assinale um componente presente em algumas células bacterianas que impede a ação dos fagócitos.
a) Lipopolissacarídeo
b) Cápsula
c) Fímbrias
d) Pili
e) Protease IgA
Notas
oportunistas1
Com certeza, você já leu sobre as infecções oportunistas em pacientes que desenvolvem AIDS. São infecções provocadas por
organismos de baixa virulência em indivíduos saudáveis, mas tornam-se graves nos pacientes imunosuprimidos pelo HIV.
Outro exemplo é a bactéria Pseudomonas aeruginosa, que infecta vítimas de queimaduras.
cepa bacteriana2
Em bacteriologia, cepas são variações dentro de uma espécie. Algumas cepas são consideradas mais virulentas que outras.
Todas derivam de um mesmo ancestral, retendo as principais características morfológicas ou �siológicas. Cepa é o mesmo que
estirpe.
enterotoxinas3
toxinas produzidas por diversos microrganismos que agem no intestino, causando principalmente dores abdominais, diarreias e
vômitos. É uma das causas de intoxicação alimentar.
patogenicidade4
O conceito de ilha de patogenicidade foi introduzido na década de 1990 para estudar a virulência de amostras da Escherichia coli
produtora de hemolisina.
Essa proteína promove a lise de eritrócitos e do epitélio intestinal, provocando o processo diarreico.
Hoje, com as técnicas de sequenciamento de genes, muitas ilhas de patogenicidade são identi�cadas, auxiliando tanto no
entendimento dos mecanismos de lesão como na produção de vacinas.
infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)5
As principais ISTs são:
HIV;
HPV;
Herpes genital;
Sí�lis;
Clamídia;
Gonorreia.
Via parenteral6
Qualquer via que não seja a oral e a intestinal.
ferro7
Está associado a proteínas transportadoras de ferro, como a lactoferrina e a transferrina, ou faz parte da hemoglobina.
fatores de patogenicidade8
O nome é intoxicação porque muitas doenças são provocadas pelo efeito das toxinas - e não da bactéria.
Haemophilus in�uenzae9
Responsável pela pneumonia e meningite, daí a enorme importânciada vacina Hib em crianças por elas serem naturalmente mais
suscetíveis a esse fator de virulência.
Referências
_______.Boletim epidemiológico de sí�lis. Brasília: Ministério da Saúde/Secretaria de Vigilância em Saúde, 2018. Disponível em:
//www.aids.gov.br/pt-br/pub/2018/boletim-epidemiologico-de-si�lis-2018 <//www.aids.gov.br/pt-br/pub/2018/boletim-
epidemiologico-de-si�lis-2018> . Acesso em: 14 mar. 2019.
HACKER, J. et al. Deletions of chromosomal regions coding for �mbriae and hemolysin occur in vitro and in vivo in various
extraintestinal Escherichia coli. In: Microbial pathogenesis. n. 8. 1990. p. 213-225.
MADIGAN, M. T. et al. Microbiologia de Brock. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2018/boletim-epidemiologico-de-sifilis-2018
Próxima aula
Sistema imunológico: a não reação natural contra nossas estruturas;
Células participantes do reconhecimento desses patógenos.
Explore mais
Assista a documentário  sobre vírus mutantes:
 Vírus mutantes: assassinos microscópicos (dublado). <https://www.youtube.com/watch?v=yUojmY7sNhk> .
https://www.youtube.com/watch?v=yUojmY7sNhk

Mais conteúdos dessa disciplina