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Introdução à Segurança Pública
Políticas de 
Segurança 
Pública
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
MARIANNA SALVÃO FELIPETTO
AUTORIA
Marianna Salvão Felipetto
Olá! Sou advogada no Brasil e Mestre em Ciências Jurídico-Criminais 
pela Universidade de Coimbra, a mais antiga de Portugal e uma das mais 
tradicionais de todo o mundo. Possuo experiência técnico-profissional, 
sobretudo nas áreas de direito e processo penal, com as quais trabalho 
há mais de oito anos. Durante a graduação, trabalhei em órgãos públicos 
como o Ministério Público do Estado do Paraná e Defensoria Pública 
do Estado do Paraná. No setor privado, presto serviços de escrita de 
conteúdo para a TransferWise, na qual treino diariamente a habilidade 
de síntese e objetividade na hora de tratar sobre assuntos nem sempre 
tão simples. Tudo o que faço, faço porque acredito piamente no poder 
da informação. É ela a ferramenta primordial para uma sociedade com 
pensamento crítico e independente. E assim, com cidadãos que pensam 
de forma autônoma e estruturada, todos os debates tornam-se mais 
produtivos e a evolução da sociedade como um todo é possível. Foi 
por esta forma de pensar que fui convidada pela Editora Telesapiens a 
integrar seu elenco de autores independentes e garanto-lhe que estou 
muito feliz em poder ajudá-lo nesta fase de muito estudo e trabalho. 
Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Noções de Segurança Pública .............................................................. 10
O que é Segurança Pública ..................................................................................................... 10
Conceito de Segurança e Segurança Privada ......................................... 11
Segurança Pública ...................................................................................................... 14
Segurança Nacional .................................................................................................. 15
O que são as Políticas de Segurança Pública ............................................................ 17
A Segurança Pública e os Direitos Humanos ................................. 21
O Contexto Histórico dos Direitos Humanos na Atualidade ............................ 21
Quais são os Direitos Humanos?..........................................................................................24
Os Direitos Humanos e a Segurança Pública .............................................................27
A Segurança Pública na Constituição Federal de 1988 .............. 32
O Direito Constitucional à Segurança Pública ...........................................................32
Função do Estado na Garantia da Segurança Pública .....................34
Função da População na Garantia da Segurança Pública ........... 36
Os Órgãos de Segurança Pública Previstos Constitucionalmente .............37
Polícia Federal .............................................................................................................. 38
Polícia Rodoviária Federal .................................................................................... 39
Polícia Ferroviária Federal..................................................................................... 39
Bombeiros e Polícia Militar ................................................................................... 39
Polícia Civil ....................................................................................................................... 39
Definições Importantes Sobre Segurança Pública no Brasil .... 41
Poder de Polícia não é Poder da Polícia ........................................................................ 41
O papel das Forças Armadas .................................................................................................43
A Segurança Pública como um Sistema ........................................................................44
Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP .................... 46
Conselho Nacional de Segurança Pública – CONASP .....................47
Departamento Penitenciário Nacional - DEPEN Nacional ............ 48
Departamento Penitenciário Local – DEPEN Local ........................... 50
7
UNIDADE
01
Políticas de Segurança Pública
8
INTRODUÇÃO
Seja nos jornais, na televisão ou nas redes sociais, sempre que 
se abordam os grandes problemas da atualidade, a Segurança Pública 
aparece como uma das principais questões. Afinal, qualidade de vida está 
diretamente relacionada à sensação de segurança e é por isso que se 
torna tão importante debater esta questão. Mas você sabe exatamente 
quais são as questões de Segurança Pública? Conhece os órgãos 
responsáveis e quais os mecanismos que o Estado possui para efetivá-la? 
As políticas de Segurança Pública representam um dos maiores 
e mais importantes desafios do século, e por isso é essencial que você 
saiba como a Constituição da República e o Sistema Brasileiro como um 
todo abordam e buscam respostas para este tema.
Está curioso? Então aproveite esta unidade letiva para mergulhar de 
cabeça neste universo!.
Políticas de Segurança Pública
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1 – Introdução à Segurança 
Pública. Nosso objetivo é auxiliar você no atingimento dos seguintes 
objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos:
1. Compreender os conceitos básicos que permeiam a noção de 
Segurança Pública.
2. Analisar a importância dos Direitos Humanos e entender em que 
sentido a Segurança Pública pode ser considerada um deles.
3. Identificar a forma como a Constituição Federal de 1988 trabalha 
esta questão e quais são os órgãos responsáveis pela Segurança 
Pública em território nacional.
4. Adentrar nas demais esferas do sistema de Segurança Pública no 
Brasil e analisar aspectos importantes para a obtenção de dados e 
na criação de ferramentas de Segurança Pública. 
E então? Ansioso para iniciar uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho!
Políticas de Segurança Pública
10
Noções de Segurança Pública
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
vários dos conceitos básicos sobre segurança, desde a 
privada, passando pela pública e chegando à nacional. 
Este primeiro passo é essencial para que se construa 
uma base firme, que te possibilite um raciocínio lógico e 
independente sempre que se tratar de Segurança Pública. 
E então? Animado para desenvolver esta competência? 
Avante!.
O que é Segurança Pública
No Brasil e em diversos outros países, a Segurança Pública 
aparece como uma das principais prioridades dos governos. Entretanto, 
embora muito se fale sobre ela, raramente os pormenores do termo são 
explicados para a população ou até mesmodebatidos com ela. Isso é 
importante, sobretudo porque o próprio conceito de “segurança” por si só, 
por mais óbvio que possa parecer, sempre irá possuir especificidades que 
variam conforme a posição da pessoa que está tratando sobre o tema e a 
interpretação dada por ela.
Nos tópicos a seguir, você irá analisar a expressão “Segurança 
Pública”, para que possa, ao final, chegar à conclusão sobre o seu próprio 
conceito – formado de forma racional e estruturada. 
Políticas de Segurança Pública
11
Conceito de Segurança e Segurança Privada
Segurança é um termo usado por quase todo mundo, quase que 
diariamente. Todos sabem que ter direito a ela é algo que a população 
clama nas eleições e é algo que está assegurado até mesmo na 
Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. Basicamente, 
depois da vida e da liberdade, a segurança é o bem mais precioso na vida 
de basicamente qualquer ser humano. Mas você já parou para pensar no 
que ele efetivamente se traduz? 
Se procurar no dicionário, você verá que as principais definições de 
segurança estão relacionadas a “estar afastado do perigo e dos riscos”, 
“acautelado e protegido” em uma situação de “certeza” e “sem medos”. 
Justamente por conta destes conceitos, é possível concluir que o que é 
seguro para alguns, na prática, não é seguro para outros. 
O perigo se mostra de formas muito diferentes para as pessoas. 
Quer alguns exemplos? Imagine a situação de uma mulher com menos 
de 30 anos, que vive na periferia, onde cria sozinha seus 3 filhos. E 
imagine, em contrapartida, um empresário bem sucedido, que tem seus 
filhos matriculados em escola integral e que, aos fins de semana, são 
cuidados pela babá. Se for perguntado a essas duas pessoas o que lhes 
faz sentir inseguros, a resposta certamente será diferente, e isso acontece 
precisamente por conta das experiências que cada um viveu durante a 
vida.
Na periferia, os problemas relacionados à segurança são certamente 
diferentes dos problemas de segurança vividos pela classe média/alta. No 
exemplo dado, a senhora que vive na periferia irá sentir insegurança por 
conta dos problemas intrínsecos à pobreza, à violência, à falta de certeza 
quanto ao dinheiro para dar de comer aos filhos ou ao medo de que, na 
primeira chuva mais forte que aconteça, sua casa não consiga ficar em pé. 
Para esta senhora, uma vida sem segurança está ligada propriamente ao 
medo de não ter as condições mínimas para viver e fazer viver os seus. 
Políticas de Segurança Pública
12
Figura 1 – Pobreza
Fonte: Pixabay.
Em contrapartida, para o empresário bem-sucedido, a insegurança 
pode aparecer na instabilidade do mercado financeiro, nas crises 
econômicas ou no medo de levar seus filhos à escola e eles serem 
sequestrados para que se peça um resgate, por exemplo.
Figura 2 – Empresário de sucesso
Fonte: Pixabay.
Políticas de Segurança Pública
13
As questões de gênero podem ser (e comumente são) fatores que 
diferenciam as noções de segurança para cada um. O maior exemplo 
disso é que, se você perguntar a um homem qual o seu maior medo na 
hora de voltar sozinho para casa, a pé, de madrugada, ele possivelmente 
responderá ter medo de ser assaltado. Em contrapartida, se esta mesma 
pergunta for feita a uma mulher, embora o medo de assalto também exista, 
certamente o medo de ser estuprada poderá ser maior. Isso não se deve a 
uma coincidência, mas sim ao fato de que, comprovadamente, mulheres 
são as principais vítimas deste tipo de criminalidade. Ou seja, noções de 
segurança por si só dizem respeito às noções de segurança privada de 
cada um e, nesse sentido, cada um sabe de si, dos seus medos e receios.
IMPORTANTE:
Tratar sobre as diferenças do conceito de segurança para 
cada um não é um exercício de julgar qual a noção mais 
importante. Não se busca com isso determinar uma noção 
como certa e outra como errada. O foco, neste momento, 
é apenas entender que “segurança” por si só é um conceito 
variável, que está absolutamente ligado à experiência 
pessoal de cada um e ao lugar ocupado no mundo.
Faça um exercício mental consigo mesmo: o que é 
segurança para você? Quais as situações do cotidiano que 
mais lhe fazem sentir na pele a insegurança?
Políticas de Segurança Pública
14
Segurança Pública
Ao contrário do conceito de segurança, que possui um significado 
completamente particular e variável conforme as condições e experiências 
de cada um, a noção de Segurança Pública é composta por contornos 
mais determinados (muito embora não sejam estáticos).
O primeiro tópico a ser abordado diz respeito à esfera de 
abrangência da Segurança Pública: ao contrário da segurança, quando se 
trata de Segurança Pública sai-se da esfera privada e passa-se à esfera 
comunitária. Aqui, mais do que os medos e as inseguranças de cada 
indivíduo, a sociedade é analisada como um todo, de forma a entender 
quais são as principais preocupações do coletivo, naquele lugar e tempo 
determinado.
Quer um exemplo? A alguns parágrafos atrás, ao pensar no que lhe 
faz sentir inseguro, você possivelmente sequer lembrou dos acidentes 
de trânsito. Entretanto, para o Brasil e para diversos outros países, esta é 
claramente uma preocupação concernente à Segurança Pública, já que, 
segundo a ONU, anualmente morrem cerca de 1 milhão e 350 mil pessoas 
em acidentes de trânsito ao redor do globo (uma média de 3.700 pessoas 
por dia, o equivalente a sete acidentes de avião). Ou seja, embora talvez 
essa não seja uma questão de segurança privada, na sua realidade, trata-
se de uma questão de Segurança Pública.
Ao entender um problema como sendo público, passa-se parte 
(ou toda) da responsabilidade ao Estado, que irá, com seus mecanismos, 
buscar formas de enfrentamento à questão.
DEFINIÇÃO:
Segurança pública é o termo utilizado para englobar o 
conjunto de questões que colocam em risco a comunidade 
como um todo. Geralmente, as matérias de Segurança 
Pública tendem a estar ligadas de alguma forma à questão 
da criminalidade.
Políticas de Segurança Pública
15
Segurança Nacional 
Embora possuam nomes parecidos, a Segurança Pública e a 
Segurança Nacional não podem ser confundidas. Nesse sentido, ambas 
são essenciais para o funcionamento de qualquer estado, mas enquanto a 
primeira diz respeito à efetividade do governo para com seus governados, 
a segunda refere-se muito mais às relações exteriores e à forma como a 
nação buscará manter-se segura e íntegra.
Por ser uma área específica e bastante importante para o Estado, 
no Brasil foi promulgada em 1983 a Lei nº 7.170, que dispõe sobre os 
crimes contra a segurança nacional, a ordem pública e social. Este 
dispositivo estabelece quais são esses crimes e como será seu processo 
e julgamento. Suas penas são sensivelmente mais altas do que a média 
dos crimes comuns, previstos no Código Penal, por exemplo. Nesse 
sentido, há penas máximas previstas de até 20 anos, o que denota a 
importância dada à temática. 
É importante perceber que, embora a noção de Segurança Nacional 
se insurja sobretudo em tempos de guerra, os crimes contra a Segurança 
Nacional podem ser praticados a qualquer momento. Analise na tabela a 
seguir alguns exemplos dos crimes abrangidos pela dita lei, com as suas 
respectivas penalidades., conforme pode ser observado no Quadro 1.
Políticas de Segurança Pública
16
Quadro 1 – Crimes previstos na Lei nº 7.170/83 e suas respectivas penalidades
Crimes previstos na Lei nº 7.170/83 Pena
Art. 8º: Negociar com governo ou grupos 
estrangeiros para provocar guerra no Brasil.
3 a 15 anos de 
reclusão.
Art. 9º: Tentar submeter parte do território 
nacional à soberania de outro país.
4 a 20 anos de 
reclusão.
Art. 10: Aliciar estrangeiros para invasão do 
território brasileiro.
3 a 10 anos de 
reclusão.
Art. 11: Tentar desmembrar parte do território 
brasileiro para formar outro país.
4 a 12 anos de 
reclusão.
Art. 13: Repassar informações sigilosas brasileiraspara governos ou indivíduos estrangeiros.
3 a 15 anos de 
reclusão.
Art.18: Usar de violência ou grave ameaça para 
tentar impedir o livre exercício do Legislativo, 
Judiciário e Executivo.
2 a 6 anos de 
reclusão.
Fonte: Elaborada pela autora, com base na Lei nº 7.170/83 (2021).
VOCÊ SABIA?
Um dos casos mais frequentes de crimes contra a 
Segurança Nacional é o do espião em tempos de guerra. 
Essa figura é retratada em dezenas de filmes e livros, pois 
de fato a guerra é um cenário propício para o surgimento 
de espiões. Nesse sentido, o filme “O Anjo do Mossad”, 
estreado em 2018 pela Netflix, baseia-se em fatos reais para 
contar a história de um egípcio que repassava informações 
confidenciais do seu país à inteligência israelense. Para 
aqueles que desejarem se aprofundar ainda mais nos 
pormenores desta história, o livro “The Angel: The Egyptian 
Spy Who Saved Israel”, escrito por Uri Bar Joseph e 
publicado em 2016, conta maiores detalhes sobre o caso 
de Ashraf Marwan.
Políticas de Segurança Pública
17
O que são as Políticas de Segurança 
Pública
A partir do momento em que entendemos o que são as questões 
de Segurança Pública, passa a ser possível identificá-las na sociedade 
e, na sequência, estudá-las de forma a encontrar melhores formas de 
solucionar ou abrandar os problemas.
Uma política de Segurança Pública nada mais é do que a ferramenta 
utilizada para enfrentar um problema social atual e importante que assola 
significativamente a população. Para isso, não é necessário que exista um 
número mínimo de casos, mas sim que o problema seja suficientemente 
relevante quando observado dentro do escopo social.
Política, nesse sentido, diz respeito à organização e ao sistema que 
será implementado para combater determinada situação. Por exemplo: 
a violência contra a mulher é sabida e notoriamente um problema de 
Segurança Pública. Como forma de enfrentar essa questão, há diversas 
possibilidades. Uma política pública nesse âmbito, por exemplo, foi a 
promulgação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06), com a criação de 
medidas protetivas de urgência para mulheres em situação de violência 
doméstica e familiar. 
IMPORTANTE:
Entretanto, nem sempre as políticas vêm do Estado - que, 
embora seja um ente importante na implementação de 
políticas sociais, não é detentor do seu monopólio.
Com esses conceitos em mente, e ainda com base no exemplo da 
violência contra a mulher, para que seja possível pensar em uma política 
que diminua os casos de violência doméstica, é imprescindível fazer um 
raciocínio que vá à origem do problema. Vamos a isso:
Políticas de Segurança Pública
18
A mulher, por questões históricas e culturais, foi durante séculos 
subjugada e colocada em um patamar inferior ao do homem, sem poder 
trabalhar, estudar e nem mesmo viajar sem a autorização do seu pai, 
se fosse solteira, ou do seu marido, se casada. Foram séculos de lutas 
incansáveis até que se obtivesse o direito ao voto, à autodeterminação e 
à liberdade efetiva.
Entretanto, é cediço que até os dias atuais ainda existem resquícios 
de um machismo estruturante e arraigado ao seio da grande maioria das 
sociedades. Por conta disso, embora já se tenha conquistado muito em 
termos de independência e autossuficiência, ainda é comum encontrar 
mulheres em casamentos abusivos, nos quais não é dada à mulher a 
possibilidade de escolher estudar, trabalhar ou obter seu próprio sustento. 
Por conta dessa situação, que pode vir somada a diversas variáveis 
(como a existência de filhos, ausência de apoio familiar, baixa instrução 
etc), muitas mulheres se encontram, ainda hoje, em relações das quais 
não conseguem sair, pois possuem dependência para com o parceiro. 
Essa dependência pode ser emocional/psicológica, mas é também, 
geralmente, financeira.
Pronto. Raciocínio feito. Por óbvio, tal situação poderia ser muitíssimo 
mais esmiuçada, pois se trata de um problema sério e que foi estruturado 
por séculos, sendo impossível resumi-lo satisfatoriamente em apenas 
algumas linhas. De qualquer forma, seu objetivo foi alcançado, visto que 
era o de contextualizar a situação da violência contra a mulher, já que 
somente a partir desse contexto é que se torna viável a busca por políticas 
de Segurança Pública.
EXEMPLO
Um caso prático de política que surge a partir dessa contextualização, 
por exemplo, é a criação de corporativas que ensinem mulheres a 
realizarem trabalhos de artesanato, em busca da liberdade financeira 
que lhes permitiria sair de um relacionamento abusivo e, assim, evitar 
a violência dos seus cônjuges. Outro exemplo poderia ser a realização 
de eventos em áreas mais periféricas (e onde o acesso à informação é 
mais difícil), com a presença de profissionais de diversas áreas, como 
advogados, médicos e psicólogos, que informassem às mulheres os seus 
Políticas de Segurança Pública
19
direitos e as fizessem perceber que, embora seu relacionamento sempre 
tenha tido toques de violência, não há nada de normal nessa situação. 
Muitas vezes, só o fato de mostrar que a realidade vivida não é a única 
realidade possível já acaba por ser o melhor mecanismo de funcionamento 
para uma política de Segurança Pública.
Feitas essas ressalvas, é possível perceber que qualquer 
implementação de política de Segurança Pública demanda muito estudo 
e bastante conhecimento da realidade e da história local. Para que uma 
medida seja efetiva, ela precisa saber exatamente em que ponto e como 
atuará. Além disso, também é possível perceber que nem sempre o 
Estado será o protagonista das políticas de Segurança Pública, muito 
embora seja certo que a sua presença se mostra como um combustível 
importante, aumentando a visibilidade, a potência e a credibilidade da 
política em questão.
SAIBA MAIS:
Ainda não conseguiu visualizar de que forma as políticas 
criadas por particulares são capazes de ajudar no 
enfrentamento de questões públicas? Clique aqui e acesse 
a reportagem “Mulheres se unem e criaram cooperativa 
em busca da independência financeira.” 
RESUMINDO:
Chegamos ao final do primeiro capítulo. E então? Entendeu 
tudinho? Consegue agora perceber a diferença entre 
segurança privada, Segurança Pública e segurança 
nacional? Entendeu a importância do Estado como órgão 
que possibilita e efetiva as políticas no que concerne à 
Segurança Pública? Aposto que sim, mas só para que 
não reste nenhuma dúvida quanto a todas as informações 
repassadas, faremos um resumo do que foi estudado até 
então. 
Políticas de Segurança Pública
http://g1.globo.com/ro/rondonia/videos/t/todos-os-videos/v/mulheres-se-unem-e-criaram-cooperativa-em-busca-da-independencia-financeira/7136349/
20
A segurança é um dos principais objetivos pessoais de qualquer ser 
humano. Por conta das diferentes realidades das pessoas, os significados 
de segurança na esfera privada podem variar (e definitivamente variam) 
conforme o interlocutor. 
Situações de segurança para alguns nem sempre são situações de 
segurança para outros. Entretanto, há uma parcela dos problemas sociais 
que ultrapassa a noção do indivíduo e passa a importar para o Estado 
como um todo. Essas questões, geralmente atreladas à criminalidade, 
dizem respeito à segurança pública, especificamente. Nesse sentido, 
quando algo deixa de ter importância apenas para alguns e passa a ser 
essencial para o todo, o Estado despende maior esforço e energia no 
enfrentamento da questão. 
Por fim, tem-se a ideia de segurança nacional, que em nada se 
confunde com Segurança Pública, já que busca proteger a nação e não 
seus cidadãos como sociedade que formam. A partir dessas noções, você 
construiu bases sólidas para entender que as políticas de Segurança 
Pública visam encontrar respostas palpáveis a problemas reais da 
população de um país e possuem muito mais força quando feitas com a 
contribuição e auxílio do próprio Estado.
Políticas de Segurança Pública
21
A Segurança Pública e osDireitos 
Humanos 
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você conhecerá a história 
do surgimento dos direitos humanos e o porquê da 
sua importância até os dias de hoje. Além disso, será 
capaz de entender sua função, seus destinatários e seus 
principais órgãos garantidores. Isto é essencial para 
que, posteriormente, seja possível analisar a relação da 
segurança pública com os direitos humanos. E aí? Ansioso 
por mais conhecimentos? Vamos lá!.
O Contexto Histórico dos Direitos 
Humanos na Atualidade
Nos moldes em que os conhecemos atualmente, os direitos 
humanos tiveram sua formação com o fim da Segunda Guerra Mundial. 
Isso mesmo! Foi dentro de um dos maiores conflitos já presenciados 
pela humanidade que a semente dos direitos humanos foi plantada e, se 
você parar para pensar, esta ideia faz total sentido, afinal, é justamente 
quando o homem percebe as atrocidades de que é capaz que surge a 
real percepção da importância de garantir um mínimo de dignidade para 
todos os seres humanos.
Quando em 1945 a Segunda Guerra Mundial teve fim, aconteceu em 
São Francisco a Conferência das Nações Unidas, onde representantes de 
50 países se reuniram no intuito de formar uma Organização Internacional 
que teria a função de evitar guerras futuras e promover a paz a nível global. 
O planeta já havia sido muito maltratado pela sequência da primeira e 
segunda grandes guerras. Era mais do que hora de evitar uma terceira. E 
assim nasceu a ONU - Organização das Nações Unidas, que em sua carta 
trazia um preâmbulo um tanto quanto inspirador.
Políticas de Segurança Pública
22
IMPORTANTE:
Trecho da Carta da ONU, mostrando o seu intuito de criação:
“NÓS, OS POVOS DAS NAÇÕES UNIDAS, RESOLVIDOS
a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, 
que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe 
sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos 
direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor 
do ser humano, na igualdade de direito dos homens e das 
mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e 
a estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito 
às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes 
do direito internacional possam ser mantidos, e a promover 
o progresso social e melhores condições de vida dentro de 
uma liberdade ampla.
E PARA TAIS FINS,
praticar a tolerância e viver em paz, uns com os outros, como 
bons vizinhos, e unir as nossas forças para manter a paz e 
a segurança internacionais, e a garantir, pela aceitação de 
princípios e a instituição dos métodos, que a força armada 
não será usada a não ser no interesse comum, a empregar 
um mecanismo internacional para promover o progresso 
econômico e social de todos os povos.
RESOLVEMOS CONJUGAR NOSSOS ESFORÇOS PARA A 
CONSECUÇÃO DESSES OBJETIVOS.
Em vista disso, nossos respectivos Governos, por 
intermédio de representantes reunidos na cidade de São 
Francisco, depois de exibirem seus plenos poderes, que 
foram achados em boa e devida forma, concordaram 
com a presente Carta das Nações Unidas e estabelecem, 
por meio dela, uma organização internacional que será 
conhecida pelo nome de Nações Unidas”.
Políticas de Segurança Pública
23
Figura 3 – Símbolo da ONU
Fonte: Pixabay.
Com a Carta da ONU, foram criados quatro órgãos internos, 
quais sejam: a Assembleia Geral (AG), o Conselho de Segurança (CS), 
a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e o Conselho Social e Econômico 
(ECOSOC). A este último órgão cabia a função de coordenar e promover 
todos os programas e trabalhos referentes ao melhor desenvolvimento 
das políticas econômicas e sociais a nível global. Foi o ECOSOC, então, 
que estabeleceu a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, 
num cenário de busca absoluta por um mundo mais igualitário, pacífico 
e harmonioso.
Para a Comissão, a guerra só acontecia em um contexto de profundo 
desprezo pelos direitos das pessoas e famílias por ela devastadas. 
Portanto, a partir do momento em que os países membros das Nações 
Unidas se comprometessem a reconhecer a importância dos direitos 
dos seus governados, não mais a população precisaria sofrer com esse 
terrível mal.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, oficialmente 
aprovada pela Assembleia Geral em 10 de dezembro de 1948, veio com o 
escopo de dar diretrizes precisas aos países signatários da Carta, para que 
dentro dos seus ordenamentos jurídicos fossem adotadas medidas que 
maximizassem a garantia dos direitos humanos e garantissem a existência 
dos Estados democráticos em sua plena forma, afinal, a democracia 
apenas consegue ser plena em um cenário no qual a população tem seus 
direitos garantidos e não se vê ameaçada pelo bel-prazer daqueles que 
estão no poder. 
Políticas de Segurança Pública
24
Quais são os Direitos Humanos?
Conforme você deve ter percebido anteriormente, os direitos 
humanos são para todos, homens e mulheres, das nações grandes ou 
pequenas, independente de classe social ou nível de estudo, para além 
de qualquer profissão, raça, nacionalidade, religião, etnia ou situação em 
que se encontre.
Figura 4 – Abrangência dos Direitos Humanos
Fonte: Pixabay.
Os Direitos Humanos são para você também! Por isso, mais do que 
nunca é importante que você tenha noção de pelo menos alguns dos 
seus principais direitos, observados no Quadro 2.
Políticas de Segurança Pública
25
Quadro 2 – Principais direitos
Direitos civis
Vida.
Dignidade.
Liberdade de ir e vir.
Liberdade de opinião.
Liberdade de expressão.
Privacidade.
Igualdade perante à lei.
Propriedade.
Direitos políticos
Nacionalidade.
Votar e ser votado.
Liberdade de reunião e associação 
pacífica.
Liberdade de manifestação pacífica.
Asilo político.
Direitos econômicos, 
sociais e culturais
Educação e instrução.
Saúde.
Moradia.
Segurança.
Liberdade de crença religiosa.
Previdência social.
Trabalho, em condições dignas.
Distribuição de renda.
Direitos difusos e 
coletivos
Paz.
Ordem.
Justiça.
Preservação do meio ambiente.
Proteção do consumidor.
Fonte: Elaborado pela autora, com base na Carta da ONU (2021).
Políticas de Segurança Pública
26
Como você pode perceber, são muitos os direitos garantidos aos 
seres humanos. Esses, elencados anteriormente, representam apenas 
alguns deles, que você possivelmente conseguirá identificar na sua 
realidade.
REFLITA:
Além dos direitos elencados no Quadro 1, existem outros 
especialmente importantes para algumas situações 
específicas. O direito à língua materna, por exemplo, é 
possivelmente algo sobre o qual você nunca parou para 
refletir, pois simplesmente não faz parte da sua realidade. 
Trata-se, porém, de um direito absolutamente essencial para 
os alunos indígenas das escolas de Rondônia, por exemplo, 
que além de precisarem aprender o português, também 
precisam aprender a ler e escrever em paiter-suruí (língua 
indígena da sua tribo). Diante dessa situação, a professora 
da escola encontrou uma alternativa interessante. Clique 
aqui e veja mais. 
Após todas essas informações, você com certeza deve ter em mente 
alguns exemplos de violações dos Direitos Humanos, e neste momento 
é quase inevitável concluir: o “mundo ideal” realmente seria um mundo 
em que todos esses direitos conseguissem ser garantidos ao máximo, 
para todos os seres humanos. Como isto ainda não foi alcançado, sigamos 
juntos na busca!
ACESSE:
Para entender mais sobre os direitos humanos, a melhor 
fonte é o próprio site das Nações Unidas. Portanto, se você 
quiser saber mais sobre a ONU, estudar mais a fundo as 
declarações e tratados de Direitos Humanos ou buscar 
informações sobre como denunciar violações, clique aqui.
Políticas de Segurança Pública
https://novaescola.org.br/conteudo/9021/direito-a-lingua-materna
https://novaescola.org.br/conteudo/9021/direito-a-lingua-materna
https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/
27
Os Direitos Humanos e a Segurança 
Pública
No artigo 3º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, está 
previsto o seguinte: “Todoser humano tem direito à vida, à liberdade e 
à segurança pessoal”. A segurança privada aparece, portanto, como um 
direito expressamente tutelado. Entretanto, a situação não é a mesma 
com a segurança pública. Você consegue imaginar o porquê?
A Segurança Pública, mais do que algo especificamente protegido, 
é algo que tem sua proteção diretamente proporcional à harmonia da 
sociedade como um todo. Quanto mais um Estado se preocupa em 
garantir o direito à vida, à saúde, à educação, ao trabalho digno e à 
igualdade de oportunidades para a sua população, menos esse mesmo 
Estado terá problemas relacionados à Segurança Pública. Portanto, 
embora a Segurança Pública não apareça de forma expressa como um 
direito humano fundamental, é bastante visível que a soma de todos os 
Direitos Humanos elencados na Declaração irá resultar em uma sociedade 
com nível elevado de Segurança Pública.
Outro ponto a ser ressaltado é que a Segurança Pública, para além 
de ser um direito, é também o resultado último buscado por diversos 
organismos de combate à criminalidade. Neste ponto, notadamente 
as polícias são um instrumento para que, ao fim do dia, a sociedade se 
sinta mais segura. Entretanto, uma má atuação policial pode acabar por 
proporcionar exatamente o sentimento contrário à população que, neste 
caso, se veria desprotegida por conta da criminalidade e ainda mais 
desprotegida pela forma de atuação equivocada de alguns policiais. 
Políticas de Segurança Pública
28
Figura 5 – Carro de polícia
Fonte: Pixabay.
O que se conclui disso é que, ao atuar em busca da Segurança 
Pública, é imprescindível que os agentes prestem atenção aos demais 
Direitos Humanos que estão envolvidos no procedimento. Por exemplo: ao 
realizar a prisão de um rapaz que está vendendo drogas com seu filho por 
perto, a polícia deve sim agir no sentido da sua detenção, mas é inviável, 
por exemplo, que aja com truculência ou excessos, pois isso significaria 
pôr em causa os demais Direitos Humanos existentes, protegidos pela 
Declaração Universal e ratificados pelo Brasil.
Basicamente, o que se precisa ter em mente é: o fato de alguém 
estar pondo em causa a Segurança Pública não se revela como motivo 
suficiente para que todos os demais Direitos Humanos lhe sejam alienados.
O Estado precisa buscar a Segurança Pública sem ignorar 
a existência dos demais direitos dos seus cidadãos para isso. São 
necessárias, portanto, medidas inteligentes e suficientes que ampliem 
ao máximo a segurança geral enquanto minimizam tanto quanto possível 
as intervenções em outras esferas de direito. Por óbvio, há esferas que 
necessariamente serão atingidas e, no caso da prisão, necessariamente 
será prejudicada a liberdade de ir e vir do sujeito. A perda temporária da 
sua liberdade, entretanto, não autoriza de forma alguma o Poder Público 
a restringir outros direitos que o sujeito possui. Sua saúde, sua integridade 
Políticas de Segurança Pública
29
física e até mesmo sua segurança pessoal não estão em negociação, e 
o Estado possui o dever legal de garanti-las. Este é um dos motivos que 
torna tão importante a formação da população e sobretudo dos agentes 
de segurança pública no que tange aos Direitos Humanos.
Figura 6 – Diversidade dos Direitos Humanos
Fonte: Pixabay.
Nos últimos anos, criou-se a falsa ideia de que os direitos humanos 
servem apenas para tutelar os direitos dos encarcerados ou daqueles que 
respondem por processos por conta do suposto cometimento de crimes. 
Essa é, entretanto, uma das maiores falácias já inventadas. A Declaração 
Universal deixa claro que os Direitos Humanos são para absolutamente 
todos, independente de quaisquer particularidades da vida de cada um. É 
justamente por isso, inclusive, que são também aplicáveis para as pessoas 
que estão cumprindo a pena pelo cometimento de delitos. 
Ao cometer um crime, o sujeito perde temporariamente a sua 
liberdade e diversos outros benefícios da vida em sociedade, mas 
jamais perderá a sua humanidade - no sentido de não deixar de ser 
um ser humano. Mesmo nos casos de crimes graves, mesmo quando a 
atitude deva ser absolutamente repudiada, o sujeito ainda possui Direitos 
Humanos. Assim como você, seus familiares e amigos, que independente 
de qualquer erro que venham a eventualmente cometer na vida, ainda 
serão detentores de Direitos Humanos.
Políticas de Segurança Pública
30
É importante ter em mente que os direitos sempre estão 
resguardados pela Declaração Internacional, mas é justamente nos 
momentos de violação mais explícita que sentimos a sua importância.
E você? Consegue imaginar outros casos de violação a Direitos 
Humanos? Uma fábrica clandestina, por exemplo, que trata seus 
funcionários em condições análogas à escravidão, viola os Direitos 
Humanos; um Estado que não permite a liberdade de reunião e proíbe a 
realização de passeatas pacíficas, viola os Direitos Humanos; um policial 
que extrapola os limites legais e agride um sujeito que já está preso e 
sem oferecer resistência, ofende os Direitos Humanos; um governo 
que é conivente com o trabalho infantil, viola os Direitos Humanos. E a 
sobreposição dessas violações todas acontecendo em diferentes esferas 
da sociedade, acaba por gerar efetivos problemas de Segurança Pública, 
na qual a população não tem as condições dignas de vida e busca seus 
próprios meios (nem sempre lícitos) de conseguir sobreviver. É neste 
cenário que nasce a maior parte da criminalidade no Brasil. 
RESUMINDO:
Chegamos ao final do segundo capítulo. Como foi para 
você? Obteve algumas respostas ou surgiram novas 
dúvidas? Não se preocupe! Isso faz parte da obtenção do 
conhecimento. Para esclarecer ainda melhor tudo que foi 
dito nas últimas páginas, fica aqui um resumo para facilitar 
a sua vida.
Políticas de Segurança Pública
31
Os Direitos Humanos, nos moldes em que os conhecemos hoje 
em dia, têm sua formação no final da Segunda Guerra Mundial, com a 
criação da Organização das Nações Unidas e com a posterior publicação 
da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Com este documento, 
ficou claro que o objetivo dos países signatários era o de tornar os Direitos 
Humanos algo igualitário e acessível à toda população mundial, que 
depois de dois conflitos gigantescos, precisava urgentemente de um 
período de paz - para que então fosse possível reconstruir tudo que a 
grande guerra havia destruído. 
Nesse sentido, as Nações Unidas entenderam que o único jeito do 
mundo prosperar era por meio da cooperação dos Estados no sentido de 
garantir à sua população as condições dignas de existência. São direitos 
de todos os seres humanos, portanto, a vida, a segurança, a liberdade em 
todos os seus níveis, a educação, o trabalho digno, o voto etc. 
A Segurança Pública, por sua vez, não é tratada expressamente 
como um direito humano autônomo, mas acaba por ser o bem máximo 
atingido quando todos os demais direitos são assegurados. Afinal, quanto 
mais bem tratada é a população, menos problemas de Segurança Pública 
são causados. Para além disso tudo, é importante ter em mente que os 
Direitos Humanos se aplicam à totalidade das pessoas. Ou seja, nenhuma 
circunstância ou situação faz com que a pessoa perca definitivamente 
os seus direitos. Nesse sentido, o que pode acontecer é a suspensão 
temporária de alguns direitos, a depender do caso em questão, mas isso 
só é possível mediante previsão legal expressa e apenas por um período 
determinado. 
Políticas de Segurança Pública
32
A Segurança Pública na Constituição 
Federal de 1988
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender de 
que forma a constituição brasileira se posiciona quanto à 
Segurança Pública, quais são os agentes escolhidos para 
garanti-la e como as diretrizes dadas pela Carta Magna 
devem ser interpretadas. Preparado para entender mais 
sobre a estruturação da Segurança Pública no nosso país? 
Vamos a isso!.
O Direito Constitucionalà Segurança 
Pública
Conforme vimos anteriormente, pensar em Segurança Pública 
nem sempre é um exercício tão óbvio: é preciso encarar a realidade 
local, analisar os problemas da população e o histórico de cada questão 
social que se levanta. É um tema notoriamente importante, você há de 
concordar e é justamente por ser tão importante assim que os legisladores 
reservaram um capítulo inteiro na Constituição Federal de 1988 para isso. 
Analise, a seguir, a íntegra do artigo 144, inserido no Título V (da Defesa do 
Estado e das Instituições Democráticas), Capítulo 3, da CF/88:
Art. 144. A Segurança Pública, dever do Estado, direito e 
responsabilidade de todos, é exercida para a preservação 
da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do 
patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - Polícia Federal;
II - Polícia Rodoviária Federal;
III - Polícia Ferroviária Federal;
IV - Polícias Civis;
V - Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares.
VI - Polícias Penais Federal, Estaduais e Distrital.
Políticas de Segurança Pública
33
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão 
permanente, organizado e mantido pela União e 
estruturado em carreira, destina-se a:
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social 
ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União 
ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, 
assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão 
interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, 
segundo se dispuser em lei; II - prevenir e reprimir o tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o 
descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros 
órgãos públicos nas respectivas áreas de competência; III - 
exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de 
fronteiras; IV - exercer, com exclusividade, as funções de 
polícia judiciária da União.
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, 
organizado e mantido pela União e estruturado em 
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento 
ostensivo das rodovias federais.
§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, 
organizado e mantido pela União e estruturado em 
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento 
ostensivo das ferrovias federais.
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de 
carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, 
as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações 
penais, exceto as militares.
§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a 
preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros 
militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a 
execução de atividades de defesa civil.
§ 5º-A. Às polícias penais, vinculadas ao órgão administrador 
do sistema penal da unidade federativa a que pertencem, 
cabe a segurança dos estabelecimentos penais.
§ 6º As polícias militares e os corpos de bombeiros militares, 
forças auxiliares e reserva do Exército subordinam-se, 
juntamente com as polícias civis e as polícias penais 
estaduais e distrital, aos Governadores dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Territórios.
§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos 
órgãos responsáveis pela Segurança Pública, de maneira 
a garantir a eficiência de suas atividades.
Políticas de Segurança Pública
34
§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais 
destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, 
conforme dispuser a lei.
§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes 
dos órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma 
do § 4º do art. 39.
§ 10. A segurança viária, exercida para a preservação da 
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do seu 
patrimônio nas vias públicas:
I - Compreende a educação, engenharia e fiscalização 
de trânsito, além de outras atividades previstas em lei, 
que assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana 
eficiente; e II - compete, no âmbito dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, aos respectivos órgãos 
ou entidades executivos e seus agentes de trânsito, 
estruturados em Carreira, na forma da lei (BRASIL, 1988, 
p. 90-91).
O artigo 144 é longo e denso, cheio de informações relevantes. Por 
isso, é importante analisá-lo por partes. É o que faremos na sequência.
Função do Estado na Garantia da Segurança 
Pública
Para a Constituição de 1988, Segurança Pública se revela na 
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do 
patrimônio. O Estado possui, portanto, o dever de garantir tudo isso à sua 
população, nomeadamente através dos órgãos de Segurança Pública. 
Não é algo opcional, mas sim um real objetivo, pois se trata de uma das 
funções primordiais pelas quais o Estado existe, e essa ideia está disposta 
expressamente no caput do art. 144; está longe de ser novidade.
Entre os séculos XVI e XVIII, ganharam força, sobretudo na Europa, as 
teorias contratualistas de criação do Estado. Para essa corrente, composta 
por nomes como Locke, Montesquieu e Rousseau, o ser humano, antes 
da criação do Estado, vivia no chamado “estado de natureza”, no qual 
usufruía plenamente da sua liberdade. Entretanto, com o passar dos anos 
e devido à existência de muitos conflitos entre os homens, estes acharam 
por bem que cada um cedesse uma parte da sua liberdade individual 
a um ente soberano, que seria o “legítimo depositário e administrador” 
Políticas de Segurança Pública
35
de todas as partes de liberdade cedidas, no intuito de que o restante da 
liberdade individual de cada um fosse assegurada ao máximo (BECCARIA, 
2014). 
Para os contratualistas, portanto, o Estado havia surgido 
propriamente de um “contrato” entre a população e um ente soberano, 
e a existência deste ente só faria sentido enquanto o contrato fosse 
cumprido. Ou seja, enquanto cumprir com suas funções e garantir que 
cada um usufrua o máximo possível da sua liberdade, o Estado é bom 
para a vida em sociedade. 
Voltando para os dias de hoje, embora a Constituição não se refira 
diretamente aos ideais contratualistas, traz intrinsecamente a ideia de 
que cabe ao Estado garantir a boa convivência entre sua população, pois 
só assim cada cidadão estará fazendo uso, ao máximo, da sua liberdade 
individual. 
EXEMPLO
Ficou difícil de entender? Então pense na seguinte situação, 
adaptada aos tempos de hoje: imagine se na nossa sociedade, de um dia 
para o outro, o Estado deixasse completamente de interferir na liberdade 
dos seus cidadãos. Cada um poderia fazer o que quisesse, da forma como 
achasse melhor. Assim, se alguém resolvesse dirigir seu carro a 200km/h, 
não haveria qualquer objeção estatal em contrário. Essa conduta, 
entretanto, interferiria diretamente na liberdade de um pedestre, por 
exemplo, que nessa situação se sentiria inevitavelmente mais inseguro.
Por óbvio, você consegue imaginar o caos que seria criado se todos 
fossem absolutamente livres, não só no trânsito, mas em todas as demais 
áreas da vida. Para os contratualistas, é justamente em um cenário como 
esse (de caos, no qual as liberdades de uns acabam por interferir nas 
liberdades dos outros) que o ser humano resolve abrir mão de parcela da 
sua liberdade. No exemplo dado, o sujeito abriria mão da liberdade que 
lhe permitia andar a 200km/h e a daria para o Estado, para que este se 
encarregasse de estabelecer limites a todos e, assim, fosse possível um 
convívio mais harmônico e funcional.
Políticas de Segurança Pública
36
O dever do Estado em garantir a Segurança Pública nada mais é 
do que uma das funções pelas quais ele existe. Isso restringe a liberdade 
individual de cada um (pois interfere diretamente na forma como as 
pessoas agem em sociedade), mas é essencial para que a liberdade de 
um não agrida a liberdade dos demais.
Função da População na Garantia da Segurança 
Pública
A Segurança Pública é um dever do Estado, e só dele. Entretanto, 
a ConstituiçãoFederal determina que é também um direito e uma 
responsabilidade de todos. Sobre este termo, “responsabilidade”, é 
importante esclarecer que ele não impõe à população o dever de garantir 
a Segurança Pública (pois esta é uma obrigação exclusiva do Estado), 
servindo apenas para afirmar que cada um é responsável pelos seus 
próprios atos. 
Portanto, se você agir no sentido de afetar a Segurança Pública, 
será responsabilizado pela sua atitude. Se agir no sentido de colaborar 
com ela, por outro lado favorecerá com que a Segurança Pública seja 
efetivamente possível.
Figura 7 – Necessidade de unir forças
Fonte: Pixabay.
Políticas de Segurança Pública
37
Os Órgãos de Segurança Pública Previstos 
Constitucionalmente
O artigo 144 da Constituição Federal traz um rol taxativo de órgãos 
de Segurança Pública composto exclusivamente por algumas polícias. 
Significa dizer que: 1 – nenhum ente federativo possui poder para criar novos 
órgãos de Segurança Pública (pois o rol é taxativo, e não exemplificativo); 
e 2 – nem todas as polícias existentes são órgãos de Segurança Pública 
(vide a polícia legislativa, que atua dentro do Congresso Nacional, mas 
não é órgão de Segurança Pública).
Quadro 3 – Polícias que compõem a Segurança Pública
Polícias que compõem a segurança pública
Polícia Federal 
Polícia Rodoviária Federal
Polícia Ferroviária Federal
Bombeiros e Polícia Militar
Polícia Civil
Fonte: Elaborado pela autora, com base na Constituição Federal de 1988 (2021).
Todas as polícias que vimos no quadro 2 fazem parte do Poder 
Executivo e, sendo assim, seus agentes respondem, em última instância, 
ao Presidente da República ou ao Governador do Estado – a depender de 
qual seja a esfera de atuação do órgão em questão.
No que tange à Guarda Municipal e ao Órgão de Trânsito (também 
previstos no artigo 144, nos seus últimos parágrafos), há dissonância quanto 
ao fato de serem ou não órgãos de Segurança Pública, mas a absoluta 
maioria dos estudiosos do tema entendem que eles não compõem a 
segurança pública, pois o legislador assim não quis e porque a Polícia 
Militar já exerce todas as funções de Segurança Pública que a Guarda 
Municipal poderia vir a exercer. A respeito deles, interessa saber que a 
Guarda Municipal é uma guarda patrimonial que cuida do patrimônio do 
município, enquanto o Órgão de Trânsito é responsável pela segurança 
das vias urbanas.
Políticas de Segurança Pública
38
Voltando aos órgãos de Segurança Pública com previsão 
constitucional, você precisa saber que as polícias podem ser 
administrativas ou judiciárias. A polícia administrativa possui função 
ostensiva (mostra que o Estado está ali, presente) e função preventiva (sua 
presença inibe a prática de ilícitos). A polícia judiciária, por sua vez, tem 
função investigativa (tem poder para investigar crimes) e repressiva (atua 
para reprimir o ilícito penal, quando só a atuação da polícia administrativa 
não foi suficiente). Feitas essas ressalvas, vamos analisar cada uma das 
polícias que compõem a Segurança Pública.
Polícia Federal 
Possui características de polícia administrativa, pois tem função 
ostensiva e preventiva, mas diferentemente das demais polícias federais, 
possui também função repressiva e função investigativa. É, portanto, 
conhecida como a Polícia Judiciária da União, responsável por cumprir as 
ordens judiciais vindas de Tribunais Federais (como, por exemplo, realizar 
buscas e apreensões, interceptar telefones e cumprir ordens de prisão).
Possui previsão constitucional, mas é instituída por lei federal 
(Decreto nº 73.332, de 19 de dezembro 1973), na qual se estabelecem sua 
estrutura interna e suas atribuições. A respeito disso, inclusive, atribui-se à 
Polícia Federal a responsabilidade de:
 • Apurar infrações penais conta a ordem política e social.
 • Apurar infrações penais cometidas contra a União, suas autarquias 
e empresas públicas.
 • Apurar infrações penais com repercussão interestadual ou 
internacional.
 • Prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes, o contrabando 
e o descaminho.
 • Exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de 
fronteiras.
Políticas de Segurança Pública
39
Polícia Rodoviária Federal
É a polícia administrativa responsável por garantir a ordem da 
Segurança Pública nas rodovias públicas federais ou das rodovias federais 
concedidas à iniciativa privada. 
Não é polícia judiciária e, sendo assim, no caso de prisão em 
flagrante em rodovia federal, o preso deve ser imediatamente levado à 
Polícia Federal mais próxima para a instauração de inquérito.
Polícia Ferroviária Federal
Também é polícia administrativa, mas até hoje, apesar da previsão 
constitucional, não foi implementada. Portanto, só existe no papel.
Bombeiros e Polícia Militar
São órgãos de polícia administrativa e são subordinados ao 
Governador do Estado (com exceção dos bombeiros e policiais militares 
do Distrito Federal, que respondem diretamente ao Poder Executivo da 
União). 
Em alguns estados, os bombeiros estão “dentro” da organização da 
PM, mas em outros possuem uma organização à parte. Independentemente 
da estrutura que possuam, a eles cabe a defesa civil da população.
Já a Polícia Militar é polícia ostensiva, responsável por realizar o 
patrulhamento das ruas e mostrar a presença do Estado. Possui, também, 
a função de patrulhar as rodovias estaduais (já que as federais estão sob 
a supervisão da PRF).
Polícia Civil
É a Polícia Judiciária subsidiária dos Estados e no Distrito Federal, e 
responde ao Governador. Ou seja, assim como a Polícia Federal, que em 
âmbito federal pode realizar buscas e apreensões, interceptar telefones e 
cumprir ordens de prisão, a Polícia Civil também pode, mas apenas nos 
processos de cunho estadual.
Políticas de Segurança Pública
40
RESUMINDO:
Aqui termina o terceiro capítulo. Gostou de entender um 
pouco mais como a Constituição Federal Brasileira se 
manifesta acerca da segurança pública? Esperamos que 
sim e, para que as informações sejam ainda mais bem 
fixadas, faremos um breve resumo do que foi visto.
A Constituição da República de 1988 reservou seu artigo 144 
inteiramente para tratar de segurança pública. Com isso, além de ficar 
claro o tamanho da importância dada à temática, o legislador também 
conseguiu deixar expressamente previsto o dever do Estado em garantir a 
Segurança Pública dos seus cidadãos. A sociedade, por sua vez, além de 
ter na Segurança Pública um direito, tem nela uma responsabilidade – no 
sentido de sermos, cada um, responsáveis pelos nossos atos. 
Por fim, foi possível analisar um pouco melhor quais são os órgãos 
que a Constituição de 1988 selecionou como sendo de Segurança Pública. 
São eles: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária 
Federal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil. Os agentes de 
trânsito e a Guarda Municipal, embora previstos nos parágrafos do art. 144, 
não se encontram-se rol taxativo de órgãos de Segurança Pública. 
Políticas de Segurança Pública
41
Definições Importantes Sobre Segurança 
Pública no Brasil
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você conseguirá diferenciar 
alguns termos e sujeitos que, embora aparentem, não 
estão diretamente relacionados à Segurança Pública. Além 
disso, compreenderá como funciona todo o sistema que 
existe em volta da temática, nutrido por meio de órgãos 
que, embora não sejam de Segurança Pública, colaboram 
muito para todas as discussões e políticas sobre o tema. E 
aí, animado para finalizar esta unidade em grande estilo? 
Então vamos lá!.
Poder de Polícia não é Poder da Polícia
Diferentemente do que se pode imaginar, o poder de polícia não é 
um poder possuído diretamente pelas polícias em si, mas antes disso, é 
um poder de todos os representantes da Administração Pública. Nesse 
sentido, o representante de determinado órgão público irá possui o 
poder de interferir, limitar e criar condiçõesao livre exercício de direitos 
individuais pela população (nomeadamente a liberdade e a propriedade) 
sob o fundamento da supremacia do interesse público sobre o individual, e 
apenas nas áreas de atuação que digam respeito ao órgão que represente. 
Ou seja, nas situações em que a ordem pública, a saúde pública ou a 
Segurança Pública estiverem em risco, é necessário que o Estado aja para 
garantir o bem do coletivo. 
O conceito legal de poder de polícia encontra-se no Código 
Tributário Nacional, no artigo 78, que determina que:
Considera-se poder de polícia atividade da administração 
pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse 
ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção 
de fato, em razão de interesse público concernente à 
segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina 
Políticas de Segurança Pública
42
da produção e do mercado, ao exercício de atividades 
econômicas dependentes de concessão ou autorização 
do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito 
à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. 
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder 
de polícia quando desempenhado pelo órgão competente 
nos limites da lei aplicável, com observância do processo 
legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como 
discricionária, sem abuso ou desvio de poder (BRASIL, 
1966, p. 72).
Com a leitura do artigo, algum exemplo de exercício de poder de 
polícia lhe vem à mente? Uma situação bastante comum em que o poder 
de polícia é visto na prática são justamente as multas de trânsito. Nesse 
caso, um fiscal de trânsito (representante do órgão de trânsito, que não 
faz parte dos órgãos de segurança pública) possui poder de polícia para 
aplicar uma multa e, assim, limitar sua plena fruição de direitos, tendo em 
vista a supremacia do interesse coletivo frente ao individual. 
EXEMPLO
Analise alguns outros exemplos de sujeitos que possuem poder de 
polícia e quais os exemplos de limitação de direito que eles podem gerar 
à população.
 • Um fiscal da vigilância sanitária pode fechar estabelecimentos que 
não cumpram com as regras de higiene.
 • Um fiscal da Receita Federal pode determinar o pedimento de 
mercadorias que não forem devidamente declaradas.
 • Um fiscal do IBAMA pode aplicar multa por atividade lesiva ao 
meio ambiente.
 • Um fiscal de Obras pode aplicar multas por prédios construídos 
sem licença ou em desconformidade com ela.
 • Um fiscal do INSS pode impor multa no caso do descumprimento 
de obrigações não tributárias, impostas pela lei previdenciária.
Feitas tais considerações e ressalvas, é importante que você tenha 
em mente que nem todos os órgãos que possuem poder de polícia são 
Políticas de Segurança Pública
43
órgãos de Segurança Pública, muito embora ajam, em alguns casos, no 
sentido de favorecê-la.
O papel das Forças Armadas
Retomando um conhecimento aprendido no primeiro capítulo 
desta unidade, será possível perceber que as Forças Armadas (Exército, 
Marinha e Aeronáutica) são responsáveis pela segurança nacional e não 
pela Segurança Pública, tanto é que respondem em última instância ao 
Ministério da Defesa, e não ao Ministério ou às Secretarias de Segurança.
As Forças Armadas estão diretamente ligadas à proteção da Nação 
e, portanto, só atuam nas operações em momentos de guerra ou em 
situações absolutamente excepcionais, tais como:
a. Declaração de Estado de Defesa: ocorre quando uma grave e 
iminente instabilidade institucional ou calamidades naturais de 
grandes proporções colocam em risco a ordem pública e a paz social.
b. Declaração de Estado de Sítio: ocorre quando a medida do Estado 
de Defesa é ineficaz, quando há comoção grave com repercussão 
nacional ou nos casos de guerra declarada ou de agressão armada 
vinda do exterior.
c. Intervenção Federal: representa a suspensão temporária da 
autonomia de um ente federativo. Com isso, um município ou 
estado deixa de ser autônomo e passa a ser gerido pela União, até 
que a situação de que determinou a intervenção acabe. Foi o caso 
visto da intervenção militar ocorrida em 2018 no Rio de Janeiro, 
com o objetivo de pacificar o cenário de insegurança que assolava 
o estado.
d. Operações cujo contexto seja de interesse nacional, com 
necessidade de policiamento ostensivo: é o caso, por exemplo, de 
uma das operações de patrulhamento com membros das Forças 
Armadas durante a abertura das Olimpíadas (na qual estavam 
presentes Chefes de Estado de vários países).
Políticas de Segurança Pública
44
Portanto, as Forças Armadas protegem o ideal de “nação”. Entretanto, 
às vezes, de forma absolutamente excepcional, podem atuar no sentido 
da garantia da segurança interna do país – mas tenha em mente: nem 
mesmo nesses casos as Forças Armadas podem ser consideradas como 
um órgão de segurança pública. 
A Segurança Pública como um Sistema
Logo na sequência da promulgação de 1988, diversos pesquisadores 
da época debruçaram seus estudos sobre o artigo 144, buscando formas 
de compreender a estrutura que foi formada por meio do caput, dos 
incisos, parágrafos e números.
Diogo de Figueiredo Moreira Neto, já em 1990, se manifestou no 
sentido de que a segurança pública não poderia mais ser interpretada 
apenas como um fim último, pois compõe antes disso um verdadeiro 
sistema formado por vários órgãos, todos eles definidos pela Constituição 
Federal. Para o autor:
Se a Segurança Pública compreende estrutura e funções 
para prática de atos para a garantia da ordem pública, 
ela é, em si mesmo, um sistema, com seus elementos 
definidos, em interrelação, com sua própria organização e 
com sua característica intrínseca; e aí temos o sistema da 
Segurança Pública.
Definidos os elementos do sistema, será fácil adentrar a 
organização de mais interrelações a partir de cada caso, 
pois ela variará de país para país e de época para época, 
existem, assim, incontáveis modalidades de Segurança 
Pública
(MOREIRA NETO, 1990, p. 152).
Segundo Moreira Neto, os sistemas de Segurança Pública são 
pensados e estruturados conforme o tempo e espaço em que se 
encontram. Disso concluímos que o sistema brasileiro não poderia 
simplesmente copiar o sistema argentino, da mesma forma que tampouco 
poderia simplesmente copiar o próprio sistema brasileiro de 100 anos 
atrás. Portanto, quando o legislador elaborou a Carta Magna da República 
Políticas de Segurança Pública
45
em 1988, entendeu que exatamente aqueles órgãos seriam vitais ao Brasil 
daquele momento.
REFLITA:
Como lidar, diante dessa situação, com as mudanças 
sociais que ocorrem diuturnamente? Porque é certo que 
elas mudam diversos fatos predeterminados e geram, 
consequentemente, novos problemas de Segurança 
Pública.
As mudanças sociais são absolutamente normais, sobretudo com 
o passar de mais de 30 anos. Justamente por isso, desde a sua criação, o 
artigo 144 já foi alterado por três emendas constitucionais que buscavam 
atualizar o texto da Carta Magna: EC nº 19/1998, EC nº 82/2014 e EC nº 
104/2019).
Para além das emendas, ainda, também organismos em nível 
municipal, estadual e federal são eventualmente criados – não com 
o intuito de serem órgãos oficiais de Segurança Pública (afinal, o rol 
constitucional é taxativo), mas na expectativa de colaborarem na busca 
por resultados melhores quando se falar de Segurança Pública no Brasil.
Tais organizações são diversas, e vão desde Secretarias até 
Departamentos e Conselhos. É como se utilizando de uma analogia, os 
órgãos constitucionais de segurança pública funcionassem como os 
órgãos vitais de um corpo, enquanto essas outras organizações funcionam 
como veias e artérias, que levam o sangue oxigenado (as informações) 
para os órgãos – permitindo assim que o corpo funcione como um todo. 
A seguir, serão apresentados alguns dos órgãos que, embora não 
sejam de segurança pública, trabalham diretamente com esta questão 
dentro do territórionacional.
Políticas de Segurança Pública
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Secretaria Nacional de Segurança Pública - 
SENASP
Criada pelo Decreto nº 2.315, de 4 de setembro de 1997, a SENASP 
é um órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública que tem como 
principal função a assessoria prestada ao Ministro no que tange à definição, 
implementação e acompanhamento da Política Nacional de Segurança 
Pública. Além disso, também ajuda no planejamento e implementação 
de propostas e programas referentes à Segurança Pública, promovendo a 
integração dos seus órgãos (polícias) e estimulando a realização de cada 
vez mais pesquisas e estudos na área.
Outra função importante é a manutenção do INFOSEG (Sistema 
Nacional de Informações de Justiça e Segurança Pública), por meio 
do qual as informações de Segurança Pública são interligadas. Isso é 
especialmente importante para as polícias judiciárias (Civil e Federal), que 
diariamente precisam de informações sobre suspeitos. 
Figura 8 – Interligação de informações gerada pelo INFOSEG
Fonte: Pixabay.
Políticas de Segurança Pública
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IMPORTANTE:
A importância do SENASP para a Segurança Pública, 
portanto, está diretamente ligada ao fato de que seu banco 
de dados e seus estudos sobre a temática são essenciais 
para que se pense qualquer política de melhoria da 
Segurança Pública.
SAIBA MAIS:
Se você ficou interessado e deseja saber quais são as 
exatas atribuições da SENASP, clique aqui.
Conselho Nacional de Segurança Pública – 
CONASP
O CONASP também é um órgão integrante do Ministério da 
Justiça, cujas competências estão previstas no Decreto nº 7.413, de 30 de 
outubro de 2010. Sua função é sobretudo consultiva e deliberativa, o que 
significa que suas reuniões têm o objetivo de analisar situações na área 
de Segurança Pública, desenvolver pesquisas acerca do tema e propor 
medidas a serem tomadas. 
Sua composição é formada pelo presidente, vice-presidente e 
secretário executivo. Entretanto, para que os debates, estudos e discussões 
sejam mais produtivas, há também os conselheiros. Os conselheiros são 
membros das mais diferentes áreas da sociedade – desde representantes 
de órgãos de Segurança Pública até representantes de coletivos sociais.
Políticas de Segurança Pública
https://www.justica.gov.br/sua-seguranca/seguranca-publica/senasp-1/a-senasp
48
SAIBA MAIS:
Para saber exatamente quais as competências e qual a 
formação atual do CONASP, com o nome dos conselheiros 
e a entidade que eles estão representando dentro do 
Conselho, clique aqui.
IMPORTANTE:
O CONASP é um órgão importantíssimo para o 
desenvolvimento de políticas de Segurança Pública, e 
isso se deve especialmente ao fato da sua composição: 
os conselheiros, ao representarem diferentes áreas da 
sociedade, conseguem trazer para o debate diversas 
especificidades sociais. Esse intercâmbio de realidades 
é fundamental para pensar em políticas de Segurança 
Pública efetivas, que se apliquem à realidade complexa e 
mista que existe no Brasil.
Departamento Penitenciário Nacional - DEPEN 
Nacional
O DEPEN é um órgão subordinado ao Ministério da Justiça (ao Poder 
Executivo Nacional, portanto), pelo qual transitam todas as questões que 
se referem à política nacional quanto ao sistema penitenciário.
Reconhecendo a importância do DEPEN, a Lei de Execução Penal 
(Lei nº 7.210/84) fixou desde logo algumas das suas principais atribuições:
1. Fiscalização quanto à aplicação da LEP (Lei de Execução Penal) e 
às diretrizes da Política Penitenciária Nacional nas prisões federais.
2. Inspeções aos estabelecimentos penais.
3. Ajuda às Unidades Federativas, no sentido de cumprirem as regras 
da LEP, implementarem estabelecimentos penais e realizarem 
cursos que aprimorem a formação dos agentes que trabalham nas 
penitenciárias.
Políticas de Segurança Pública
https://www.justica.gov.br/sua-seguranca/seguranca-publica/conasp/composicao
https://www.justica.gov.br/sua-seguranca/seguranca-publica/conasp/competencias
49
4. Supervisão dos estabelecimentos penais e de internamento 
federais.
Além da LEP, o regimento interno do DEPEN também elenca outras 
atribuições importantes:
1. Planejamento e coordenação da Política Penitenciária Nacional.
2. Encaminhamento dos pedidos de indulto individual de presos.
3. Gestão do FUNPEN (Fundo Penitenciário Nacional).
4. Apoio administrativo e financeiro ao Conselho Nacional de Política 
Criminal e Penitenciária.
IMPORTANTE:
A importância do DEPEN para os debates quanto à 
Segurança Pública se demonstra no fato de ser exatamente 
este o órgão que lida diretamente com as mazelas, 
dificuldades e insuficiências do sistema penitenciário. É ele, 
portanto, quem conhece de perto todos os tópicos que 
precisam ser melhorados, os programas que deram certo 
e as situações que precisam urgentemente de reforma 
dentro do âmbito penitenciário nacional, pois trata-se 
do órgão que mais possui dados para embasar qualquer 
política de Segurança Pública ligada à execução da pena.
Neste momento, você pode estar se perguntando: “E o que é que 
a execução da pena tem a ver com a Segurança Pública? Se os presos 
estão na penitenciária, não representam mais um problema de Segurança 
Pública, já que não podem mais praticar crimes”. Mas é aí que você muito 
se engana. Nas próximas unidades, haverá um capítulo inteiro para tratar 
dos pormenores da situação carcerária e os reflexos que ela gera para a 
Segurança Pública no Brasil. Por ora, basta que você perceba que a forma 
como os presos executam suas penas irá refletir diretamente no tipo de 
ser humano que, mais tarde, será reinserido na sociedade.
Políticas de Segurança Pública
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SAIBA MAIS:
Se você ainda ficou com dúvidas ou curiosidades quanto à 
atuação do DEPEN, clique aqui.
Departamento Penitenciário Local – DEPEN Local
Além do DEPEN Nacional, a LEP também previu, em seus artigos 
73 e 74, a possibilidade de implementação de DEPEN´s locais, cujas 
atribuições serão estabelecidas pelo próprio ente federativo que as criar. 
Como plano de fundo geral, a LEP se bastou em determinar que 
o DEPEN Local (que sequer precisa ter essa nomenclatura) terá como 
principal atribuição a supervisão e coordenação dos estabelecimentos 
penais da unidade federativa a que pertença. Além disso, deverá colaborar 
com o fornecimento de dados e resultados ao DEPEN Nacional.
IMPORTANTE:
A importância dos Departamentos Penitenciários 
Locais, portanto, no que tange à Segurança Pública, é 
a complementação do trabalho do DEPEN Nacional, 
aprimorando as estatísticas e dados, o que permite uma 
melhoria nas políticas eventualmente implantadas.
RESUMINDO:
E desta forma terminamos o quarto e último capítulo desta 
unidade! Como você se sente? Acredita que conseguiu 
absorver todos os conhecimentos transmitidos? Sabemos 
que são muitas as informações e, por isso, faremos um 
resumo do que vimos nestas últimas páginas.
Políticas de Segurança Pública
http://depen.gov.br/DEPEN/depen/quem-somos-1
51
Para evitar que você confundisse conceitos, foi primeiramente 
necessário esclarecer que poder de polícia não é um poder da polícia, 
mas sim uma ferramenta da Administração Pública no geral que permite 
que seus agentes limitem ou condicionem direitos individuais de uns, no 
intuito de garantir que prevaleça o interesse público. 
Outra questão que precisou ser esclarecida é o fato das Forças 
Armadas não fazerem parte dos órgãos de Segurança Pública, atuando 
neste âmbito apenas em situações muito excepcionais. Por fim, 
trabalhamos a ideia de Segurança Pública como um verdadeiro sistema 
composto pelos seus órgãos vitais (previstos constitucionalmente), mas 
também por outros elementos, como a SENASP, o CONASP e o DEPEN, 
que se mostram fundamentais para que a Segurança Pública funcione de 
forma mais harmônica e produtiva.
Políticas de Segurança Pública
52
REFERÊNCIAS
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policial. São Paulo em Perspectiva, São Paulo,v. 13, n. 4, p. 13-27, 1999. 
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mar. 2020.
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1988.
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Ministério da Justiça e Segurança Pública, [s. d]. Disponível em: http://
depen.gov.br/DEPEN/depen/quem-somos-1. Acesso em: 20 set. 2020.
BRASIL. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre 
o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito 
tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Brasília, DF, Diário 
Oficial da União, 1966. 
BRASIL. Lei nº 7.170, de 14 de dezembro de 1983. Define os crimes 
contra a segurança nacional, a ordem política e social, estabelece seu 
processo e julgamento e dá outras providências. Brasília, DF, Diário 
Oficial da União, 1983. 
BRASIL. SENASP. Ministério da Justiça e Segurança Pública, [s. 
d.]. Disponível em: https://www.justica.gov.br/sua-seguranca/seguranca-
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Políticas de Segurança Pública
https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/
https://nacoesunidas.org/carta/
https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Language.aspx?LangID=por
https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Language.aspx?LangID=por
	Noções de Segurança Pública
	O que é Segurança Pública
	Conceito de Segurança e Segurança Privada
	Segurança Pública
	Segurança Nacional 
	O que são as Políticas de Segurança Pública
	A Segurança Pública e os Direitos Humanos 
	O Contexto Histórico dos Direitos Humanos na Atualidade
	Quais são os Direitos Humanos?
	Os Direitos Humanos e a Segurança Pública
	A Segurança Pública na Constituição Federal de 1988
	O Direito Constitucional à Segurança Pública
	Função do Estado na Garantia da Segurança Pública
	Função da População na Garantia da Segurança Pública
	Os Órgãos de Segurança Pública Previstos Constitucionalmente
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	Polícia Rodoviária Federal
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	Definições Importantes Sobre Segurança Pública no Brasil
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	A Segurança Pública como um Sistema
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	Departamento Penitenciário Nacional - DEPEN Nacional
	Departamento Penitenciário Local – DEPEN Local

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