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UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA 
FACULDADE DE MEDICINA 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARIANNE CARNEIRO BARONE BOMFIM 
 
 
 
 
 
3º CASO – GABRIELA ALBUQUERQUE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GUARUJÁ - SP 
2023
1. Demonstrar o exame físico da cabeça e pescoço. 
Resposta: 
1.1 Cabeça: 
• Regiões: 
o Anterior: parietal, frontal, nasal, oral, da bochecha, infraorbitáira, nasal, 
paratideomassterina, zigomática, temporal, mentoniana; 
o Posterior: parietal, temporal, occipital, posterior do pescoço, lateral do 
pescoço e retro-auricular; 
Devem ser analisados: forma e tamanho, deformações localizadas, depressões, 
posição e movimentos, couro cabeludo, inspeção geral da face e inspeção das 
sobrancelhas, pálpebras, conjuntiva, olhos e pavilhão auricular. 
 
1.1.1 Tamanho e forma: 
• Tamanho: 
o Normal; 
o Macrocefalia: crânio anormalmente grande, que ocorre, frequentemente, 
por hidrocefalia; 
o Microcefalia: crânio anormalmente pequeno em todos os diâmetros, 
podendo ser congênita, hereditária ou resultado de uma doença cerebral; 
• Forma: as alterações são decorrentes do fechamento precoce de suturas do 
crânio (cranioestenose); 
o Acrocefalia: crânio em torre (turricefalia). A cabeça é alongada para cima, 
pontuda; 
o Escafocefalia: a parte mediana do crânio fica levantada, dando uma 
aparência de “casco de navio invertido”; 
o Dolicocefalia: o diâmetro anteroposterior fica maior que o transverso; 
o Braquicefalia: aumento do diâmetro transverso; 
o Plagiocefalia: aspecto assimétrico do crânio por saliência anterior de um 
lado e posterior de outro. 
 
 
 
1.1.2 Couro cabeludo: 
• Tipo de implantação: 
o Mulheres: mais baixa; 
o Homens: “entradas” laterais; 
• Distribuição: alopecia ou calvície; 
• Quantidade: reparta o cabelo em vários locais para procurar lesões, descamação 
ou nódulos; 
• Coloração; 
• Consistência; 
• Brilho; 
• Espessura. 
 
1.1.3 Cavidade oral: 
• Deve-se analisar: lábios, mucosa bucal (bochechas), sulco vestibular, gengiva, 
língua, dentes, glândulas salivares, saliva (15mL/h), articulação 
temporomandibular, palato duro e mole, tonsilas, úvula e língua; 
• Lembrete: em exames físicos não se deve usar luvas, com exceção de casos de 
contato com mucosas; 
• Sempre remover próteses; 
• Avaliação geral: higiene bucal, estado dos dentes, aparelhos protéticos, lesões 
de partes moles, falta de dentes, tártaros, halitose; 
• Lábios: 
o Inspeção: alterações da cor, forma, fissura, lesões; 
o Palpação: textura, consistência e flexibilidade; 
• Língua: movimentação (ativa ou passiva), superfícies (lateral, dorso, base, 
ventral), lesões, tamanho e tipo (língua fendida, candidíase, candidíase aguda, 
língua geográfica, hemangioma, língua saburosa); 
• Articulação temporomandibular: abertura e fechamento da boca (35-55mm 
entre as arcadas); 
o Palpação: pré-tragus (rotação, translação, ruídos, uniformidade e dor) e 
pós-tragus (dedo mínimo no meato acústico); 
o Ausculta: em caso de crepitações. 
 
1.2 Faringe: 
• Deve-se observar: palato, úvula, pilar anterior, pilar posterior, amigdala e parede 
posterior da faringe; 
• Exame físico: deve-se colocar a espátula no terço anterior ou médio da língua, 
nunca no posterior, para evitar o reflexo nauseoso, aplicando uma pressão suave 
e constante para baixo. Deve-se observar as amígdalas e palato. 
 
1.3 Pescoço: 
Deve-se observar: forma, posição (possíveis contraturas), deformidades, ausculta 
carotídea, gânglios (localização, tamanho ou volume, consistência, mobilidade, 
sensibilidade, alterações da pele circunjacente e se são notadas massas em outros 
locais), tireóide, parótida, paratireoide, secreções e fístula. 
 
 
1.3.1 Tireóide: 
O exame físico da tireoide tem como base a inspeção, a palpação e a ausculta. Pode-
se definir a forma e o tamanho da glândula. Se houver aumento, deve-se esclarecer se é 
global ou localizado; 
Durante a inspeção e palpação, socilita-se que o paciente realize deglutições “em seco”, 
que permite caracterizar melhor o contorno e os limites da tireoide, que se eleva durante 
o ato de deglutir; 
• Inspeção: a tireoide não é muito visível. Deve-se estender a cabeça para trás, 
deglutir para não haver movimentação e observar quando possível; 
• Palpação: deve-se sempre deglutir durante a palpação, observando-se sempre 
contornos e limites, forma, volume, dimensões, consistência, temperatura e 
nódulos (únicos ou múltiplos, mensurar tamanho e diâmetro com fita métrica, 
mobilidade, superfície, consistência, sensibilidade e movimentação com 
deglutição e movimentação da língua) e auscultar se forem notados sopros, 
frêmitos (“som de estalo”) e em casos de tireotoxicose (hiper ou hipotireoidismo); 
 
 
o Abordagem posterior: paciente sentado e o examinador de pé atrás dele. 
As mãos e os dedos rodeiam o pescoço, com os polegares fixos na nuca e 
as pontas dos indicadores e médios quase a se tocarem na linha mediana 
(anteriormente), de forma que, a mão esquerda palpa o lobo esquerdo 
enquanto a mão direita afasta o músculo esternocleidomastóideo, e vice-
versa; 
 
o Abordagem anterior: paciente deve estar sentado ou de pé e o 
examinador em sua frente. Deve-se palpar a glândula com o polegar 
enquanto os outros dedos se fixam nas regiões supraclaviculares, podendo-
se flexionar ou rotar discretamente o pescoço para relaxar o músculo 
esternocleidomastóideo (facilitando a palpação da tireoide). 
 
1.3.2 Parótida: 
 
• Inspeção: orifício terminal (canal de Stensen), localizado a nível da coroa do 2º 
molar superior; 
• Palpação: deve-se palpar com os dedos indicador, médio e anular justapostos, 
colocados abaixo e ligeiramente à frente da orelha externa, comprimindo 
delicadamente e deslizando no sentido vertical. 
 
REFERÊNCIAS: Porto CC. Semiologia Médica. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2019. 
Moore K. L., Dalley A. F. Anatomia orientada para clínica. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Editora 
Guanabara 2001. 
 
2. Verificar os exames necessários para elucidar o diagnóstico de distúrbios 
tireoidianos. 
Resposta: 
2.1 Hipotireoidismo: 
No hipotireoidismo primário, caracteristicamente há falta do feedback dos hormônios 
tireoidianos sobre as células da tireoide e, assim, sempre se observa elevação do TSH, 
associada à redução dos níveis de T4 livre, enquanto o T3 pode estar baixo ou 
normal. 
No hipotireoidismo central, o TSH se mostra suprimido, normal ou, em até 15% dos 
casos, um pouco elevado (geralmente < 10 mUI/L). Porém, é um TSH com anomalias e 
apresenta baixa atividade biológica. 
O hipotireoidismo subclínico apresenta níveis elevados de TSH, sem alteração dos 
hormônios tireoidianos. 
 
2.2. Hipertireoidismo: 
É realizada a dosagem da concentração sérica de TSH, T3 e T4: inicialmente T3 e T4 
estão elevados e TSH diminuido por feedback negativo. 
Em casos de hipertireoidismo associados à hipófise (secundários) tem-se níveis de TSH 
estão normais ou aumentados, mesmo com T3 e T4 elevados. Ou seja, se em um 
exame for notado que T3 e T4 estão eleva- dos juntamente com TSH, induz-se que a hi- 
pófise que está alterada (hipertireoidismo central). O aumento normal no TSH após a 
administração de TRH exclui o hipertireoidismo secundário. 
Um valor baixo de TSH confirmado com a mensuração pode indicar: 
• T4 livre: esperadamente aumentado; 
• T3: ocasionalmente hipertireoidismo resulta predominantemente de níveis 
circulantes de T3 aumentados (“toxicose de T3”); 
Níveis de T4 livres podem estar diminuídos e a mensuração direta do T3 sérico pode ser 
útil. 
Em alguns casos de hipertireoidismo, o T4 pode estar normal, caracterizando a T3-
toxicose, situação ocasionalmente observada em casos não graves de bócio nodular 
tóxico ou na fase inicial da doença de Graves. 
Finalmente, o hipertireoidismo subclínico se caracteriza por TSH suprimido com T4 e 
T3 normais. 
A ingestão de doses excessivas de hormônios tireoidianos suprime o TSH, devidoao 
feedback negativo. O uso de T3 em doses elevadas causa tireotoxicose com um padrão 
hormonal único, caracterizado por TSH e T4 livre baixos, e T3 elevado. 
 
REFERÊNCIAS: Endocrinologia clínica, 7ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2020. 
3. Explicar a fisiopatologia da parotidite. 
Resposta: O vírus entra nas vias respiratórias superiores por inalação ou contato 
com gotículas respiratórias e, em seguida, é propagado para os linfonodos de 
drenagem, onde sofre replicação nos linfócitos (preferencialmente nas células T 
ativadas) e, em seguida, dissemina-se pelo sangue para as glândulas salivares e 
outras glândulas. Ele é capaz de infectar as células epiteliais dos ductos das 
glândulas salivares, resultando em descamação das células acometidas, edema e 
inflamação, que leva à dor e tumefação clássicas. 
A parotidite por caxumba é bilateral em 70% dos casos. As glândulas afetadas estão 
aumentadas, com consistência pastosa e são úmidas, brilhantes e marrom-
avermelhadas aos cortes transversais. 
Ao exame microscópico, o interstício da glândula é edematoso e difusamente infiltrado 
por macrófagos, linfócitos e plasmócitos, que comprimem os ácinos e os ductos. A luz 
dos ductos pode ser preenchida por neutrófilos e restos necróticos, causando dano focal 
ao epitélio de revestimento. 
 
REFERÊNCIAS: ROBBINS, S. L.; KUMAR, V. (ed.); ABBAS, A.K. (ed.); FAUSTO, N. 
(ed.). Patologia: Bases Patológicas das doenças. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014 
 
4. Descrever o tratamento de distúrbios tiroidianos. 
Resposta: 
4.1 Hipotireoidismo: 
A principal indicação é o tratamento através da reposição do hormônio tireoidiano. Pode 
ser feita através das seguintes preparações sintéticas: 
• Levotiroxina sódica: está disponível em comprimidos e em pó liofilizado para 
injeção (indicado para casos em que não é possível V.O. ou alterações intestinais), 
sendo a droga de escolha. Sua absorção ocorre no estômago e intestino 
delgado, de forma incompleta, em que cerca de 80% é absorvido e, por este 
motivo, deve-se realizar sua ingestão V.O. de estômago vazio. Atua normalizando 
os níveis séricos de TSH (hipotireoidismo primário) ou T4 livre (hipotireoidismo 
secundário/terciário), aliviando os sintomas da doença. A T4 sérica atinge o nível 
máximo após 2-4h da administração oral. A dose de reposição diária média de 
levotiroxina sódica para adultos é de 1,7 μg/kg de peso corporal; 
• Liotironina: é o sal da tri-iodotironina, podendo ser administrado V.O. e injetável. 
Sua absorção é de quase 100%, com níveis séricos máximos 2-4h após a ingestão 
oral, sendo indicada principalmente em casos de necessidade de início de seu 
mecanismo mais rápido, como no coma mixedematoso; 
Coma mixedematoso: é uma síndrome rara, que representa a expressão extrema do 
hipotireoidismo grave de longa duração. As principais manifestações do coma 
mixedematoso são: hipotermia, depressão respiratória e diminuição da consciência. 
Recomenda-se a administração intravenosa de hormônio tireoidiano. A terapia com 
levotiroxina é iniciada com uma dose de ataque de 250-500 μg, seguida de uma dose de 
reposição integral diária. 
 
4.2 Hipertireoidismo: 
A terapia do hipertireoidismo é feita através de fármacos que interferem (indireta ou 
diretamente) na síntese, liberação ou atuação dos hormônios tireoidianos. São eles: 
• Fármacos antitireoidianos: interferem diretamente na síntese dos hormônios da 
tireoide; 
• Inibidores iônicos: bloqueiam o mecanismo de transporte do iodeto; 
• Concentrações elevadas de iodo: diminuem a liberação dos hormônios 
tireoidianos da glândula e que também podem diminuir a síntese de hormônio; 
• Iodo radioativo: provoca lesão da glândula com radiação ionizante. 
 
REFERÊNCIAS: Brunton, L.L. Goodman & Gilman: As Bases Farmacológicas da 
Terapêutica. 13ª ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2018. 
 
 
 
 
 
 
5. Diferenciar nódulos benignos e malignos. 
Resposta: 
Critérios Benignos Malignos 
Encapsulação Frequente Geralmente ausente 
Crescimento Lento e bem delimitado Rápido, infiltrativo e com 
delimitação imprecisa 
Diferenciação e 
Anaplasia 
Bem diferenciadas, 
semelhantes ao tecido de 
origem 
Desde bem diferenciadas até 
anaplasicas 
Invasão local Não invade tecidos 
adjacentes 
Localmente infiltrativo, com 
invasão de tecidos vizinhos 
Mitoses Raras e típicas Frequentes e atípicas 
Metástases Não ocorrem Frequentes 
 
5.1 Nódulos benignos: 
São compostas por células bem diferenciadas e que se assemelham bastante das 
células normais que as originaram. Geralmente, as mitoses são raras e sua 
configuração é normal. 
Diz-se que um tumor é benigno quando suas características micro e macroscópicas 
são consideradas relativamente inocentes, indicando que permanecerá localizado, e 
é tratável com a remoção cirúrgica, com um bom prognóstico, geralmente. Em geral, não 
são reincidentes. 
Eles podem produzir mais do que massas localizadas e, algumas vezes, são 
responsáveis por doença grave, por causarem uma compressão de órgãos e vasos, 
produção em excesso de alguma substância e, por fim, pode levar ao óbito, dependendo 
de seu volume e localização. 
As neoplasias benignas, geralmente, apresentam crescimento lento (baixa atividade 
mitótica), são bem delimitados e diferenciados e possuem pouca ou nenhuma atipia 
celular (não tem muita irregularidade celular), com núcleos sem alterações. 
O seu crescimento lento garante o desenvolvimento de vasos, assegurando uma boa 
nutrição às células e garantindo que não ocorra necrose, degeneração e hemorragia. 
Há a presença de cápsula fibrosa e seu crescimento é não invasivo, estando bem 
delimitados (facilita a remoção cirúrgica e não causa metástase). 
 
5.2 Nódulos malignos: 
Os tumores malignos são referidos como cânceres, sendo que, “maligno” é 
empregado como a lesão que pode invadir e destruir as estruturas adjacentes, 
provocando metástase. 
Apresenta limites pouco definidos, com um alto índice mitótico e, assim, crescimento 
muito rápido (causa metástase por sua alta capacidade de mobilidade e disseminação). 
Tem muitas atipias celulares (pleomorfismo), com suas células não muito 
diferenciadas e pouco unidas (baixa adesividade). 
Os núcleos das células apresentam alteração causada pelo aumento celular, além 
de hipercromasia (grande quantidade de cromatina), mitoses atípicas e funções 
fisiológicas comprometidas. 
Por possuir um crescimento muito rápido, acaba impedindo o surgimento de vasos, 
causando necrose, degeneração e hemorragia por má nutrição celular. 
Não possui a cápsula fibrosa e tem um caráter infiltrativo. 
Tende a ser indiferenciado (anaplásicos), mas pode apresentar graus variáveis de di-
ferenciação (bem diferenciados, moderadamente ou pouco). 
 
REFERÊNCIAS: KUMAR, Vinay; ASTER, Jon C.; ABBAS, Abul K.. Robbins & Cotran 
Patologia: bases patológicas das doenças. 9 Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. 
 
6. Descrever sinais e sintomas de hipotireoidismo e hipertireoidismo. 
Resposta: 
6.1 Hipotireoidismo: 
Ocorre uma diminuição do metabolismo, com sinais e sintomas que variam em 
intensidade de acordo com a disfunção. 
As principais queixas relatadas são: cansaço, hipersensibilidade ao frio e tendência 
ao ganho de peso (tecido adiposo com distribuição universal). Com a evolução do 
quadro, apresentam-se como intenso cansaço, desânimo e dificuldade de raciocínio. 
Em grau mais avançado, surgem desatenção, desleixo com a aparência e com os 
próprios pertences, apatia, lentidão de movimento e da fala (voz arrastada, 
rouquenha), letargia e coma. 
Algumas outras queixas, que resultam da hipotrofia das glânculas sudoríparas e 
sebáceas, são diminuição da sudorese, pele seca e descamada, unhas são fracas e 
quebradiças, cabelos ressecados e também quebradiços, com queda abundante. 
Podem ocorrer: constipação, parestesias, dores musculares e articulares, osteoporose 
(pelo aumento da reabsorçãodo cálcio nos ossos), edema em 
membros inferiores e periorbital (pelo aumento da retenção 
hídrica). 
 
O paciente, em casos mais avançados, apresenta a fácies 
mixedematosa, caracterizada por fisionomia apática, pele 
infiltrada, com bolsas subpalpebrais, enoftalmia e, às vezes, língua protrusa 
(macroglossia). 
 
6.2 Hipertireoidismo: 
Os sinais e sintomas do hipertireoidismo resultam do aumento do metabolismo basal, 
causado pelo excesso de hormônio tireoidiano. 
As principais queixas relatadas são: hipersensibilidade ao calor, o aumento da 
sudorese corporal e a perda de peso (ainda que ocorra aumento de apetite). 
Podem ser queixas sugestivas de hipertireoidismo: nervosismo, irritabilidade, 
ansiedade, insônia, tremores, choro fácil e hiperexcitabilidade. Tais manifestações 
são produzidas por ação direta dos hormônios tireoidianos sobre o sistema nervoso. 
As queixas por sistemas são: 
• Sistema cardiovascular: taquicardia, palpitações, dispneia de esforço, fibrilação 
atrial, aumento do volume de ejeção, vasodilatação periférica, aumento da PAs e 
diminuição da PAd; 
• Sistema digestório: aumento da motilidade intestinal; 
• Sistema genital: nas mulheres ocorrem alterações menstruais (oligomenorreia, 
amenorreia ou polimenorreia). Nos homens, podem ocorrer perda de libido, 
impotência e ginecomastia; 
• Sistema locomotor: fraqueza muscular (pode resultar em dificuldade para 
levantar, ou comprometimento da dambulação); 
• Sintomas oculares: exoftalmia. O paciente relata lacrimejamento, fotofobia, 
sensação de areia nos olhos, dor retro-ocular, edema subpalpebral e diplopia. 
Além da exoftalmopatia, encontram-se olhar brilhante, retração palpebral superior 
e manifestações adrenérgicas (aumento do tônus simpático); 
• Sistema nervoso: irrequieto, hipercinético, fala rapidamente, demonstra 
apreensão e costuma segurar firmemente as mãos entre os joelhos, além de 
apresentar tremores finos nas mãos. Observa-se também hiper-reflexia, sendo o 
reflexo aquileu o que melhor traduz essa alteração; 
• Pele e fâneros: fina, sedosa, úmida e quente (vasodilatação). As unhas podem 
apresentar-se descoladas do leito, denotando onicólise (unhas de Plummer). Os 
cabelos são finos e lisos. O tecido adiposo escasso é consequência do 
emagrecimento, geralmente intenso. Nos casos mais graves, há ausência da bola 
de Bichat e aparência caquética; 
• Outros sintomas são: vitiligo, os sintomas produzidos pela doença de Addison, 
a anemia perniciosa e a miastenia grave. 
 
REFERÊNCIAS: Porto CC. Semiologia Médica. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2019. 
 
7. Conhecer os principais agentes etiológicos da parotidite. 
As possíveis etiologias do edema da parótida incluem, entre outras causas, infecções 
bacterianas e virais, doenças sistêmicas, tumores, obstruções e medicamentos. 
• Virais: mais comum é o da caxumba (vírus RNA, do gênero Paramyxovirus). 
Outras etiologias virais incluem: citomegalovírus, vírus Epstein-Barr, gripe A, 
parainfluenza, adenovírus e Coxsackievirus. 
• Bacterianas: mais comum é o Staphylococcusaureus, com relatos de casos de 
parotidite por agentes meticilino-resistentes. Outros patógenos bacterianos 
comuns incluem: bactérias da cavidade oral (como espécies de Streptococcus e 
anaeróbios) e bactérias Gram-negativas (Haemophilus influenza e Klebsiella 
pneumoniae). Elas ocorrem quando ocorre estase salivar, permitindo um fluxo 
retrógrado no ducto de Stensen, cursando com a proliferação dos 
microrganismos de flora mista oral; 
• Obstrução ductal por cálculo ou tumores: podem predispor a supuração e a 
formação de abscessos, que podem ocorrer porinfecção contígua ou 
disseminação hematogênica via linfonodos parotídeos. 
 
REFERÊNCIAS: SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Nota Técnica de 
Caxumba. Rio de Janeiro. 2012. Disponível em: 
https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2012/12/Nota-Tcnica-Caxumba-
SOPERJ-SBIm-SBP.pdf. Acesso em: 18 de Setembro de 2023. 
 
8. Propor um tratamento para parotidite e descrever o mecanismo de ação dos 
analgésicos. 
 
Resposta: O tratameno da parotidite é de suporte e sintomático. Trata-se de uma doença 
que pode ter causas virais, bacterianas, por obstrução das glândulas, dependendo, desta 
forma, da causa e gravidade dos sintomas para determinação do tratamento. São 
algumas indicações: 
• Repouso: descansar e evitar atividades extenuantes pode ajudar a reduzir o 
desconforto durante a fase aguda da infecção; 
• Hidratação: é importante a ingestão de água para evitar a desidratação, 
principalmente em casos de dificuldade para deglutir pela inflamação; 
• Analgésicos e anti-inflamatórios: medicamentos como ibuprofeno ou 
paracetamol podem ser usados para aliviar a dor e reduzir a inflamação; 
• Tratamento antiviral: se a parotidite for causada por um vírus, como a caxumba, 
o tratamento geralmente consiste em repouso e cuidados de suporte. Em alguns 
casos, se a caxumba for diagnosticada precocemente, o médico pode prescrever 
medicamentos antivirais específicos. 
• Antibióticos: se a parotidite for causada por uma infecção bacteriana secundária, 
https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2012/12/Nota-Tcnica-Caxumba-SOPERJ-SBIm-SBP.pdf
https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2012/12/Nota-Tcnica-Caxumba-SOPERJ-SBIm-SBP.pdf
como ocorre em casos de obstrução das glândulas salivares, o médico pode 
prescrever antibióticos. Deve-se avaliar a presença de febre e/ou secreção 
purulenta, e o tratamento cobrir a Streptococcus pneumoniae e Haemophilus 
influenzae, como Azitromicina, de preferência após coleta de material para cultura 
e antibiograma; 
• Alimentação suave: evitar alimentos ácidos, picantes e duros que possam irritar 
ainda mais as glândulas parótidas. Opte por alimentos macios e fáceis de 
mastigar; 
• Compressas mornas: aplicar compressas mornas na área inchada e dolorida 
pode aliviar o desconforto; 
• Boa higiene bucal: manter uma boa higiene oral, como escovar os dentes 
regularmente e usar enxaguante bucal, pode ajudar a prevenir complicações; 
Em casos graves de parotidite com complicações, como abscessos ou formação de 
pedras nas glândulas salivares, pode ser necessária a drenagem cirúrgica ou outros 
procedimentos médicos específicos. É importante consultar um médico para avaliar o seu 
caso e determinar o tratamento adequado, especialmente se os sintomas forem graves 
ou persistentes. Além disso, a vacinação contra a caxumba é uma medida preventiva 
importante para reduzir o risco de desenvolver parotidite viral (em crianças são 2 doses 
aos 12-15 meses, em adultos até 29 anos 2 doses com intervalo de 30 dias entre elas, e 
entre 30-59 anos dose única). 
 
REFERÊNCIAS: 
Brunton, L.L. Goodman & Gilman: As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 13ª ed. Rio 
de Janeiro: McGraw-Hill, 2018. 
BRICKS, L. F.; ROLLO, J. P. G. A.; SUGIMOTO, S. C.. Parotidite recorrente da infância. 
Revista Paulista de Pediatria, v. 25, n. 2, p. 190–192, jun. 2007. 
 
9. Propor um tratamento para asma. 
A paciente do caso clínico refere histórico de asma anterior (durante a infância, com 
abandono do tratamento) e, no momento da consulta, apresenta dois sinais de gravidade 
para a doença (sendo estes taquicardia com pulso de 110bpm e quadro de fadiga a 
medios esforços/dispneia), podendo, desta forma, ser considerada com asma não 
controlada. 
A indicação de tratamento seria: SABA (beta-2 agonista de curta duração) + LABA (beta-
2 agonista de longa duração) + corticoide inalatório (CI). 
• Beta-2 agonistas: ligam-se ao receptor beta-2 adrenérgico, causando aumento 
da produção de adenilciclase e, consequentemente, de AMP cíclico, promovendo 
broncodilação; 
o SABA: principais exemplos são Fenoterol, Salbutamol e Terbutalina, 
indicados em momentos de crise, principalmente, apresentando efeito entre 
4-6h; 
o LABA: são indicados em tratamentos a longo prazo, fornecendo 
broncoproteção, além de poderem ser utilizadosem crises. Os principais 
exemplos são Formoterol e Salmeterol, apresentando duração de até 12h, 
ou Vilanterol, Olodaterol e Indacaterol, que apresentam ação de até 24h; 
• CI: são anti-inflamatórios que se ligam nos receptores intracelulares de 
glicocorticoides. O complexo fármaco-receptor move-se até o núcleo (onde tem a 
fosfolipase-A2), aumentando da transcrição de genes anti-inflamatórios (bloqueia 
a fosfolipase A2) e supressão da transcrição de genes pró-inflamatórios. Os 
principais exemplos são Dipropionato de Beclometasona (Clenil) ou 
Betametasona. 
 
REFERÊNCIAS: Brunton, L.L. Goodman & Gilman: As Bases Farmacológicas da 
Terapêutica. 13ª ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2018.

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