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Controle de Infecção – Precauções Padrão 
Equipamentos e EPIs 
 
 
Controle de Infecção 
 Recursos materiais e protocolos que 
visam a prevenção, vigilância, 
diagnóstico e tratamento de 
infecções. 
 Segurança da equipe e dos pacientes, 
em quaisquer situações ou local onde 
se prestam cuidados de saúde. 
 
Transmissão 
 É a transmissão de microrganismos de 
uma fonte susceptível. 
 A fonte é o local onde os 
microrganismos são encontrados, sem 
ocorrer necessariamente 
desenvolvimento e multiplicação. 
 
Fonte de Transmissão 
 Contato direto - transmissão em 
consequência de um contato físico, 
pela justaposição entre a fonte e o 
hospedeiro. 
 Contato indireto - os microrganismos 
são transmitidos da fonte ao 
hospedeiro por meio de fômite. 
 Aerização - transferência de 
microrganismos nos aerossóis 
provenientes da turbina de alta 
rotação, jato de bicarbonato e outros. 
 
Transmissão: Respingos de sangue, 
saliva e outros líquidos diretamente 
em feridas de pele e mucosa. 
 
Precauções Padrão 
 
 
Conjunto de medidas de controle de 
infecção a serem adotadas 
universalmente como forma eficaz de 
redução do risco ocupacional e de 
transmissão de agentes infecciosos nos 
serviços de saúde. 
 
Princípios de Controle de Infecção 
 Princípio 1: os profissionais 
devem tomar medidas que visam 
proteger a sua saúde da equipe. 
 Princípio 2: os profissionais 
devem evitar contato com 
matéria orgânica. 
 Princípio 3: os profissionais 
devem tomar seguro o uso de 
artigos. 
 Princípio 4: os profissionais 
devem limitar a propagação de 
microrganismos no meio 
ambiente. 
 
Princípio 1 Precauções Padrão 
Medida que protegem a saúde do 
profissional e da equipe 
 Imunização; 
 Higienização e/ou Antissepsia das 
mãos; 
 Medidas de quimioprofilaxia em 
casos de acidentes ocupacionais. 
 
Princípio 2 Precauções Padrão 
Medidas que evitam contato direto 
com matérias orgânicas 
 
 
Controle de Infecção – Precauções Padrão 
Equipamentos e EPIs 
 
 Uso de equipamentos de Proteção 
Individual (EPIs). 
 
Princípio 3 Precauções Padrão 
Medidas que devem tornar seguro o 
uso de artigos 
 Esterilização e Desinfecção de artigos 
 
Princípio 4 Precauções Padrão 
Medida que limitam a propagação de 
microrganismos no ambiente 
 Uso de barreiras físicas 
 Tratamento das superfícies 
 Controle da qualidade do ar 
 Controle da qualidade da água 
 Gerenciamento de resíduos 
 Desinfecção de moldes 
 
Artigos Críticos 
É aquele que penetra na pele e nas 
mucosas do paciente, atingindo tecidos 
subepiteliais. 
 Agulhas 
 Lâminas de bisturi 
 Sondas periodontais 
 Instrumentos cirúrgicos 
 Fios de sutura 
 Brocas e outros 
Devem se ESTERELIZADOS, uso ÚNICO 
(descartáveis). 
 
Artigos Semicríticos 
 
 
 
Entram em contato apenas com a 
mucosa íntegra, capaz de impedir a 
invasão dos tecidos. Os exemplos são: 
 Pinça clínica 
 Espelho bucal 
 Condensadores de amálgama 
 Espátula pedras 
 Pontas montadas 
 Cânulas de sucção 
 Taças de borracha 
Artigos não Críticos 
São aqueles que entram em contato 
com a pele íntegra do paciente 
 Prendedor de babador (jacaré) 
 Grau e espátula 
 Placa de vidro 
 Arco facial 
Requer LIMPEZA e DESINFECÇÃO. 
 
Campos Cirúrgicos 
 Campos cirúrgico 
 Campos para o paciente 
 Revestimento para o equipamento 
 Procedimentos críticos 
 Procedimentos semi - críticos 
 
Precauções Padrão 
Equipamentos e EPIs 
 
EPI é todo dispositivo ou produto, de 
uso individual, utilizado pelo 
trabalhador, destinado à proteção de 
riscos susceptíveis de ameaçar a 
segurança e a saúde no trabalho. O 
documento no qual está redigida essa 
 
Controle de Infecção – Precauções Padrão 
Equipamentos e EPIs 
 
 
definição é a Norma Regulamentadora 
6, que define que, para ser 
comercializado ou utilizado, todo EPI 
deve ter Certificado de Aprovação (CA), 
emitido pela Secretaria do Trabalho da 
Ministério da Economia. 
 
 
Avental/jaleco 
O avental ou jaleco é a barreira 
destinada ao profissional de saúde com 
a finalidade de oferecer proteção ao 
tronco, braços, antebraços e coxas 
contra riscos de origem térmica, 
biológica, mecânica, química e 
umidade. A equipe de saúde bucal, sob 
a responsabilidade do cirurgião-
dentista, deve fazer o uso apropriado 
das vestimentas, uma vez que essas 
roupas servirão de proteção contra 
bioaerossóis, respingos de sangue e/ou 
saliva, ou até mesmo substâncias 
químicas empregadas no atendimento 
ao paciente. 
 
 
 
As roupas de proteção devem ser 
produzidas em material direcionado ao 
risco ao qual o profissional estará 
exposto, sendo classificadas como 
reutilizáveis (em tecido) e descartáveis 
(em não tecido). 
Máscaras/respiradores 
As máscaras e respiradores são 
equipamentos de segurança que 
promovem uma barreira contra a 
inalação/ingestão de bioaerossóis 
(gotículas e/ou aerossóis), protegendo 
as regiões da boca e nariz, além de 
proteger o paciente das partículas de 
saliva provenientes do profissional ao 
falar. 
Óculos de proteção 
Os óculos de proteção são os EPI 
empregados para a proteção dos olhos 
do profissional e do paciente durante 
os procedimentos odontológicos, 
conferindo barreira contra respingos de 
material infectante, substâncias 
químicas, partículas e luzes de 
diferentes comprimentos de onda. 
Estudos têm demonstrado que a 
incidência de injúrias oculares na 
odontologia pode variar de 10 a 40%. 
 
Posicionamento de trabalho segundo ISO/FDI 
 
Desinfecção e esterilização 
 
 
O QUE É ERGONOMIA? 
A palavra ergonomia é resultado da 
junção dos termos gregos ergon 
(trabalho) e nomia (regras), sendo o 
ramo da ciência que estuda as 
interações do homem com a máquina e 
o ambiente a fim de que o trabalho seja 
realizado em boas condições de saúde, 
conforto funcional e eficiência. 
As primeiras percepções acerca da 
ergonomia datam do século XVIII, em 
que Ramazzini intuiu e demonstrou as 
relações entre o ambiente e as 
ferramentas de trabalho com os 
problemas de saúde decorrentes de seu 
uso e relacionados a movimentos 
repetitivos das mãos, postura 
inadequada do corpo e estresse mental. 
Entretanto, apenas no século seguinte o 
termo ergonomia foi criado como 
resposta à necessidade da sociedade, 
que vivia a Revolução Industrial, de 
potencializar a produção e oferecer 
segurança aos trabalhadores das 
fábricas. Contudo, visava-se inicialmente 
adequar o homem ao trabalho impondo 
movimentos especializados de forma 
robótica e repetitiva sem adequações 
do ambiente, como temperatura e 
luminosidade. 
“Quase certo” está errado. Crescimento 
da mecanização durante a Revolução 
Industrial levou à preocupação com a 
segurança e a produtividade do 
trabalhador. Almost Right’ is Wrong, 
Frank Beatty – Litografia; 1929. 
 
 
A ergonomia pode atuar de formas 
distintas, porém interligadas, em 
diferentes fases do processo de 
trabalho. A Figura 2 sumariza a 
classificação da ergonomia de acordo 
com Wisner e Iida. Além dessa 
classificação, Wisner ainda conceitua 
dois campos de atuação da ergonomia 
a depender do enfoque no produto ou 
na produção: 
Ergonomia do produto - foca na 
concepção dos produtos de modo que 
favoreçam o bem-estar do usuário, 
priorizando seu conforto e segurança. 
Ergonomia da produção - direciona 
para a organização dos métodos de 
trabalho, distribuição de tarefas, bem 
como a padronização e criação de 
protocolos para capacitação 
frequente. 
 
O QUE PRECISAMOS PESAR SOBRE O 
RISCO ERGONÔMICO? 
A ergonomia aplicada à odontologia 
tem como objetivo racionalizar o 
Posicionamento de trabalho segundo ISO/FDI 
 
Desinfecção e esterilização 
 
 
trabalho, eliminar manobras não 
produtivas, produzir mais e melhor, 
proporcionar maior conforto e 
segurança ao paciente,obter meios e 
sistemas para diminuir o estresse 
físico e cognitivo e prevenir as 
doenças relacionadas à prática 
odontológica, buscando uma 
produtividade mais expressiva. 
 
A ergonomia tem papel relevante em 
todos os processos de trabalho por 
buscar o melhor aproveitamento 
possível dos recursos, sejam eles 
humanos ou materiais, de forma efetiva 
e segura. Na odontologia, por se tratar 
de uma área profissional sabidamente 
insalubre, é essencial que o cirurgião-
dentista e equipe auxiliar estejam 
conscientes e apliquem as normas de 
ergonomia na prática diária, reduzindo 
os possíveis danos à saúde e 
aumentando a produtividade. 
Postura 
 
 
A postura corresponde à posição 
espacial do corpo e a sua 
manutenção. A manutenção de 
posturas inadequadas rotineiramente 
pode alterar propriedades do sistema 
musculoesquelético causando danos 
permanentes, como perda de 
curvatura da região lombar, desvios 
na coluna e rompimento do disco 
intervertebral. 
A coluna vertebral apresenta quatro 
curvas naturais quando vista de lado: 
concavidade cervical, convexidade 
torácica, concavidade lombar e 
convexidade sacral. Além disso, a 
coluna possui as propriedades de 
rigidez e mobilidade. 
A primeira garante a sustentação, 
enquanto a segunda permite a 
rotação para os lados e os 
movimentos para frente e para trás. 
A curva sacral é composta por cinco 
vértebras fundidas, logo seu 
movimento é extremamente limitado. 
No entanto, as curvas restantes – 
especialmente as curvas lombar e 
cervical – são mais móveis e podem 
ser influenciadas com mais facilidade. 
Tais curvas são interdependentes, ou 
seja, uma mudança em uma curva 
resultará em uma mudança na curva 
acima ou abaixo dela. Quando essas 
curvas se tornam exageradas ou 
achatadas, a coluna vertebral 
depende cada vez mais dos músculos 
e ligamentos para se manter ereta e 
proteger a medula. 
Posicionamento de trabalho segundo ISO/FDI 
 
Desinfecção e esterilização 
 
 
Posicionamento 
O posicionamento refere-se à posição do 
paciente na cadeira odontológica. É 
comum os dentistas posicionarem o 
paciente em uma altura elevada, o que 
resulta da elevação dos ombros e 
abertura dos braços, tensionando 
pescoço e ombros. O ideal é que o 
paciente esteja em posição supina, ou 
seja, em decúbito dorsal com a cabeça e 
joelhos no mesmo plano. Essa posição 
favorece o relaxamento e dificulta 
movimentos bruscos do paciente. Além 
disso, devido ao posicionamento da 
cabeça, a língua tende a ficar 
posteriorizada, obliterando parcialmente 
a entrada da garganta (istmo das fauces) 
e diminuindo o risco de aspiração ou 
deglutição acidental. 
A exceção para essa posição é em caso 
de gestantes a partir do sexto mês. Isso 
porque a posição supina pode comprimir 
a artéria aorta abdominal e veia cava 
inferior conduzindo para síndrome 
hipotensiva supina. Nesses casos, deve-
se colocar o encosto da cadeira em 
ângulo de 45° e posicionar uma 
almofada sob a região lombar direita à 
uma altura de 10 a 12 cm, favorecendo a 
rotação do corpo para a Trabalhar na 
posição sentada coloca a equipe de 
saúde bucal como apta ao like no 
quesito ergonomia. Ao exercer 
atividades de trabalho em pé, os 
profissionais colocam-se em situação 
vulnerável, com possíveis complicações 
músculoesqueléticas. 
 
 
 
Outra observação importante refere-
se à liberdade de movimento das 
pernas do dentista e auxiliar. O 
paciente deve estar em posição 
supina e a uma altura em que o 
encosto não trave ou pressione as 
pernas do dentista, permitindo a sua 
movimentação. A distância média do 
chão ao encosto confortável para a 
maioria dos dentistas é de 86 cm, 
podendo variar de acordo com a 
altura do profissional Desinfecção e 
Esterilização 
Agentes de desinfecção odontológicos 
de superfícies inanimadas: 
 Hipoclorito de Sódio a 1%; 
 
 
 
esquerda, evitando a compressão 
vascular. 
Posicionamento de trabalho segundo ISO/FDI 
 
Desinfecção e esterilização 
 
 
• Quaternário de amônio e biguanida; 
• Glucoprotamina; 
• Álcool 70%. O álcool 70% e o 
hipoclorito de sódio exigem a limpeza 
das superfícies prévias com toalhas de 
papel, água e detergentes dos locais 
com sujeira visível para posterior 
desinfecção que no caso do álcool 
deve ser repetida no mínimo 3 vezes. 
 Esses agentes são contra indicados para 
acrílicos, borrachas e plásticos pois 
endurecem e tornam amarelas. 
No caso do uso do quaternário de 
amônio e biguanida ou glucoprotamina, 
o profissional limpa e desinfecta 
simultaneamente com esses produtos. 
Os instrumentos odontológicos são 
usados para que o dentista possa 
aperfeiçoar o tratamento 
oferecido ao paciente. E ao fim de 
cada atendimento, é impreterível 
que ele realize a desinfecção e 
esterilização deles. 
 
A desinfecção e esterilização são 
maneiras de mantê-los longe de 
bactérias e germes. Dessa forma, é 
impedido que os microrganismos 
remanescentes do atendimento anterior 
sejam transmitidos para o próximo 
paciente. 
 
Desinfecção e esterilização odontológica 
são protocolos de biossegurança. No 
entanto, diferem no modo que atuam. A 
desinfecção pretende eliminar 
microrganismos, com exceção de 
esporos. Já a esterilização, extingue com 
qualquer micróbio ali presente. 
• limpeza, 
• desinfecção 
esterilização: 
Limpeza 
A limpeza é o primeiro processo de 
higiene, mas também é o menos 
efetivo. Ela deve ser feita com água e 
detergente. Assim, todo resíduo de 
matéria orgânica será removido. 
O detergente pode ser o 
desincrustante, que retiram qualquer 
substância orgânica. 
Ou o enzimático, que amolece a 
sujeira e faz com que ela saia mais 
facilmente, atuando bem na 
eliminação de resquícios de sangue, 
por exemplo. No entanto, ambos não 
são germicidas. 
Desinfecção 
A desinfecção é o próximo passo 
depois da limpeza. Ela consegue 
eliminar a maioria dos 
microrganismos, exceto os esporos. 
Esporos são unidades de reprodução 
de plantas, algas e fungos que se 
descolam. 
Assim, podem contaminar os 
pacientes, causando doenças. Uma 
das mais conhecidas é a 
histoplasmose. 
Fatores da Desinfecção 
https://simpatio.com.br/instrumentos-odontologicos/
https://simpatio.com.br/instrumentos-odontologicos/
https://simpatio.com.br/instrumentos-odontologicos/
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Posicionamento de trabalho segundo ISO/FDI 
 
Desinfecção e esterilização 
 
 
Alguns fatores influenciam na eficiência 
da desinfecção: 
• Limpeza anterior mal realizada; 
• Tempo de exposição ao germicida; 
• Solução germicida inapropriada à 
ocasião; Temperatura; pH do 
processo. 
 
Classificação da Desinfecção 
A desinfecção pode ser classificada 
em níveis: 
Baixo 
 
• Bactéricas em forma vegetativa, 
alguns vírus e fungos são 
desintegrados; 
• Esporos bacterianos, vírus da 
hepatite B, da tuberculose e vírus 
lentos sobrevivem; 
• Soluções usadas: álcool etílico, 
hipoclorito de sódio, álcool 
isopropílico e quaternário de 
amônia. Médio 
• Retira os mesmos microrganismo 
que a de baixo nível. Mas, agora, 
consegue também eliminar a 
bactéria da tuberculose e de 
outros vírus e fungos. 
• Esporos e vírus lentos ainda 
sobrevivem; 
• Soluções usadas: álcool propílico, 
isopropílico, hipoclorito de sódio, 
fenólicos e iodóforos. Alto 
• Destrói bactérias, fungos e alguns 
esporos; 
• Sobrevivem vírus lentos e outros 
tipos de esporos; 
• Soluções: hipoclorito de sódio, 
glutaraldeido, solução de peróxido 
de hidrogênio, cloro, ácido 
peracético, orthophtalaldeído, e 
água superoxidada. 
 
Esterilização 
Dos três, a esterilização é o 
método que possui melhor êxito. 
Utilizando de agentes físicose 
químicos, ela consegue extinguir 
todos os microrganismos, até 
mesmo os esporos. 
A esterilização funciona da seguinte 
forma: 
• O dentista coloca os materiais 
imersos em detergente enzimático 
por cerca de 
10 minutos; 
• Em seguida, remove todo o 
detergente; 
• Esfrega sabão bactericida; 
• Enxágua com água corrente; 
• Faz a secagem do material; 
• Verifica se restou alguma 
impureza a olho nu; 
• Depois, embala os instrumentos 
em papel grau cirúrgico; 
• Coloca os instrumentos na 
autoclave por 60 minutos; 
• Retira o material da máquina 
utilizando luvas resistentes ao 
calor, já que ela atinge 
temperaturas de 134ºC. 
 
https://simpatio.com.br/esterilizacao/
https://simpatio.com.br/esterilizacao/
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https://simpatio.com.br/esterilizacao/
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 Microbiologia da cárie 
 
A cárie dentária é uma doença 
complexa causada pelo desequilíbrio no 
balanço entre o mineral do dente e o 
fluido do biofilme.1 O 
microecossistema bacteriano do 
biofilme dental apresenta uma série de 
características fisiológicas. 
A produção de ácido por meio da 
metaboli- zação de nutrientes pelas 
bactérias do biofilme e consequente 
baixa do pH é o fator responsável pela 
desmineralização do tecido dentário 
que pode resultar na formação da lesão 
de cárie. 
O controle da cárie dentária, assim 
como o da maioria das doenças 
crônicas como câncer, doenças 
cardiovasculares e diabetes, deve 
incluir estratégias múltiplas 
direcionadas aos determinantes no 
nível do indivíduo, da família e da 
população. Sempre que possível, tais 
estratégias devem abordar fatores de 
risco comuns à doença cárie e a outras 
doenças crônicas,4 por exemplo, o 
consumo racional de açúcar. Apesar da 
importância desta abordagem que 
considera a relevância dos 
determinantes distais do processo de 
doença cárie, o estudo dos fatores 
biológicos e o monitoramento de seus 
sinais clínicos são imprescindíveis para 
o controle do processo da doença. 
 
 
 
 
Entretanto, que, embora a presença de 
biofilme seja considerada um fator 
causal necessário para o 
desenvolvimento da lesão de cárie, ela 
não é um fator causal suficiente para 
que esse tipo de lesão ocorra.5 Como 
dito anteriormente, o tipo de nu- 
trientes (determinado pela dieta do 
indivíduo) a que as bactérias do 
biofilme estão expostas pode resultar 
em flutuações de pH que irão 
determinar ou não a formação da lesão 
de cárie. 
O biofilme dental, um ecossistema 
microbiano aderido às superfícies 
dentárias, é formado por bactérias que 
mantêm uma estabilidade dinâmica 
com a superfície do dente (estágio de 
estabilidade dinâmica). 
 
 
 
 Microbiologia da cárie 
 
Na presença frequente de carboidratos 
fermentáveis e consequente produção 
de ácidos, observa-se uma adaptação 
microbiana que leva à seleção de 
microrganismos acidogênicos. Ocorre, 
então, o rompimento da homeostase 
microbiana do biofilme, e a proliferação 
de microrganismos cariogênicos resulta 
no desequilíbrio do balanço dos 
processos de des-remineralização. 
Dessa forma, há o predomínio de 
eventos de desminerali- zação com 
resultante perda mineral do dente 
(estágio de desmineralização). 
 
Uma vez que o ambiente acidúrico fica 
estabelecido, o número de 
microrganismos acidogênicos aumenta, 
promoven- do o desenvolvimento da 
lesão (estágio acidúrico).7 Inicialmente, 
a superfície do esmalte mostra-se 
rugosa e opaca, e clinicamente é visível 
como uma mancha branca (lesão de 
cárie não cavitada ativa). 
Esta lesão tem sido denominada de 
mancha branca devido ao seu aspecto 
clínico. Entretanto, várias outras lesões 
não cariosas podem também causar 
manchas brancas no esmalte, como a 
fluorose dentária. 
Se o processo de desmineralização 
persistir, a lesão de cárie progride, 
ocasionando a quebra da camada 
superficial da lesão com formação de 
uma cavida- de (lesão de cárie com 
cavidade). A lesão com cavidade que 
está sofrendo perda mineral, ou seja, 
em processo de progressão, é 
denominada lesão cavitada ativa. Em 
um primeiro estágio, ela pode se limitar 
ao esmalte, apresentando aspecto 
rugoso e opaco (cavidade em esmalte) 
ou pode progredir atingindo a dentina, 
que se mostra amolecida, com aspecto 
úmido e geralmente de coloração 
amarelada (lesão cavitada em dentina). 
O mesmo processo de desequilíbrio 
entre os eventos de des-remine- 
ralização que ocorrem na interface 
entre o biofilme e o esmalte/ dentina 
coronária pode também ocorrer na raiz 
do dente, na interfa- ce entre o 
biofilme e o cemento/dentina radicular, 
formando uma lesão de cárie radicular. 
Para que este tipo de lesão se 
desenvolva, é necessário que a raiz 
dentária esteja exposta ao ambiente 
bucal (recessão gengival). 
 
 
Gerenciamento de resíduos 
 
 
A prática odontológica gera quantias 
significativas de resíduos clínicos e 
perigosos, além dos materiais 
potencialmente recicláveis, resíduos 
semelhantes aos domiciliares e restos de 
alimentos. 
 
OBS: Os resíduos de diversos grupo 
gerados na odontologia devem ser 
primeiramente classificados - o 
profissional deve ficar atento à 
classificação, assim como para não 
misturar os materiais. 
 
 
OS RESÍDUOS GERADOS NA 
ODONTOLOGIA SÃO REGULADOS PELA 
LEGISLAÇÃO? 
A Resolução da Diretoria Colegiada – 
RDC n. 222, publicada em 28 de março 
de 2018, veio regulamentar as boas 
práticas de gerenciamento dos resíduos 
de serviços de saúde (RSS), e refere-se a 
todos os serviços geradores de RSS cujas 
atividades envolvam qualquer etapa do 
gerenciamento, sejam instituições 
públicas ou privadas, civis ou militares, 
com fins filantrópicos, incluindo as que 
exercem ações de ensino e pesquisa. 
Uma vez que as atividades da 
odontologia estão relacionadas à 
atenção à saúde humana, os materiais 
descartados devem ser regulados 
conforme a legislação federal. Deve-se, 
ainda, consultar e estar sempre atento às 
legislações estaduais e municipais, caso 
existam. Os manuais governamentais 
vigentes e as atualizações da legislação 
devem ser também conhecidos pelos 
profissionais de saúde, incluindo os da 
odontologia. 
OS PROFISSIONAIS DA ODONTOLOGIA 
DEVEM ELABORAR UM PLANO PARA 
GERENCIAR OS RESÍDUOS GERADOS? 
Conforme a legislação em vigor, todos os 
serviços geradores devem dispor de um 
Plano de Gerenciamento de RSS (PGRSS), 
que deve obedecer às regulamentações 
federais, estaduais, municipais ou do 
Distrito Federal. 
 
O PGRSS é o documento que aponta e 
descreve as ações relacionadas ao 
gerenciamento dos RSS, observando suas 
características e riscos. Todas as etapas, 
iniciando com a geração dos resíduos e 
passando pela identificação, segregação, 
acondicionamento, coleta, 
armazenamento, transporte, destinação 
e disposição final ambientalmente 
adequada devem ser contempladas no 
plano. Deve, também, incluir as ações de 
proteção à saúde pública, do trabalhador 
e do meio ambiente. 
Identificação 
Gerenciamento de resíduos 
 
 
Inclui as medidas que permitem o 
reconhecimento dos riscos presentes nos 
resíduos acondicionados, de forma 
bastante clara e legível e em tamanho 
proporcional aos sacos, coletores e seus 
ambientes de armazenamento. 
 
Segregação 
É a separação dos diversos resíduos, de 
acordo com a classificação citada na 
Tabela 1, conforme as características 
físicas, químicas, biológicas, o estado 
físico e, especialmente, os riscos 
envolvidos. 
 
Acondicionamento 
Refere-se à ação de embalar os resíduos, 
separadamente, em sacos ou recipientes 
que evitemvazamentos. Quando 
indicado, o vasilhame deve ser resistente 
à punctura, ruptura e tombamento. 
Devem, também, ser física e 
quimicamente adequados ao conteúdo 
acondicionado. 
 
Coleta 
Consiste na remoção dos RSS, usando 
técnicas que asseguram a preservação 
das condições de acondicionamento. 
 
Armazenamento 
É a guarda de coletores de resíduos. 
Pode ser externa (em ambiente exclusivo 
com acesso facilitado para a coleta 
externa), interna (para resíduos 
contendo substâncias químicas, em 
condições estabelecidas na legislação e 
nas normas aplicáveis) e temporária 
(para os RSS, em ambiente vizinho aos 
pontos de geração, com objetivo de 
agilizar a coleta no interior dos serviços e 
otimizar o deslocamento dos coletores 
do ponto gerado ao ponto de 
apresentação para a coleta externa). 
 
Transporte 
Interno: transferência interna dos RSS, 
dos pontos gerados até o abrigo 
temporário ou o abrigo externo. 
 
Externo: retirada dos RSS do abrigo 
externo até a unidade de tratamento ou 
outro destino; ou ainda disposição final 
ambientalmente adequada, empregando 
técnicas que preservem as condições de 
acondicionamento. 
 
Destinação 
Abrange a reutilização, reciclagem, 
compostagem, recuperação e o 
aproveitamento energético ou outras 
destinações admitidas pelos órgãos 
competentes, entre elas a disposição 
final ambientalmente adequada, 
observando normas operacionais 
específicas de modo a evitar danos ou 
riscos à saúde pública e à segurança e a 
minimizar os impactos ambientais 
adversos. 
 
Disposição final 
Consiste no arranjo ordenado de rejeitos 
em aterros, considerando as normas 
operacionais específicas de modo a 
evitar danos ou riscos à saúde pública e à 
Gerenciamento de resíduos 
 
 
segurança e também a minimizar os 
impactos ambientais adversos. 
 
 
 
 
QUAIS OS CUIDADOS COM A 
CLASSIFICAÇÃO E O GERENCIAMENTO 
DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE 
INCLUÍDOS NO GRUPO A? 
Os resíduos do grupo A possuem uma 
subclassificação e, na odontologia 
podem ser gerados os resíduos descritos 
a seguir. Para a classificação completa, 
consultar a legislação vigente. 
 
Subgrupo A1 
Culturas e estoques de microrganismos; 
resíduos resultantes da atividade de 
ensino e pesquisa ou atenção à saúde de 
indivíduos com suspeita ou certeza de 
contaminação biológica por agentes 
classe de risco 4 (agentes biológicos que 
representam elevado risco individual, 
com grande possibilidade de 
transmissibilidade de um indivíduo a 
outro, não existindo medidas preventivas 
e de tratamento para esses agentes), 
microrganismos com relevância 
epidemiológica e risco de disseminação 
ou causador de doença emergente que 
se torne epidemiologicamente 
importante ou cujo mecanismo de 
transmissão seja desconhecido; 
recipientes e materiais resultantes do 
processo de assistência à saúde, 
contendo sangue ou líquidos corpóreos 
na forma livre. 
 
Subgrupo A2 
Carcaças, peças anatômicas, vísceras e 
outros resíduos provenientes de animais 
submetidos a processos de 
experimentação. 
Não gerados na odontologia. 
 
Subgrupo A3 
Peças anatômicas (membros) do ser 
humano. 
Produto de fecundação sem sinais vitais. 
Não gerados na odontologia. 
 
Subgrupo A4 
Recipientes e materiais resultantes do 
processo de assistência à saúde, que não 
contenham sangue ou líquidos corpóreos 
na forma livre. 
Órgãos (p. ex.: dentes) e tecidos, e 
outros resíduos provenientes de 
procedimentos cirúrgicos. 
 
Subgrupo A5 
Tecidos de alta infectividade para príons. 
Bioquímica da Cárie e Saliva 
 
 
 
Desenvolvimento da lesão de cárie do 
ponto de vista bioquímico 
A cárie dentária é uma das principais 
doenças bucais que acometem 
diferentes populações ao longo da vida, 
com cunho comportamental e sob 
grande influência das condições 
socioeconômico-culturais das 
populações. 
Atualmente, entende-se que os 
microrganismos podem ser 
transferidos, mas isso não é sinônimo 
de transferência da doença, a cárie 
dentária tem um forte cunho 
comportamental, o qual é influenciado 
por questões sociais. 
Como definido por Pitts et al.,3 a cárie 
dentária é uma doença dinâmica, 
multifatorial e mediada por biofilme, 
que resulta em processos de 
desmineralização e remineralização dos 
tecidos dentários, culminando com o 
sinal clínico – a lesão cariosa. Além 
disso, a doença cárie é influenciada por 
outros fatores de risco, como genética, 
estilo de vida e aspectos 
socioeconômico-culturais 
O biofilme dentário nada mais é que 
um aglomerado de microrganismos que 
colonizam a superfície dentária, 
incorporados em uma matriz rica em 
polímeros de carboidratos produzidos 
pelos próprios microrganismos, além 
de proteínas, DNAe, íons e água, 
também conhecido como placa 
dentária. Quando em simbiose 
(equilíbrio) com o hospedeiro, esse 
 
biofilme traz poucas consequências às 
estruturas dentárias ou aos tecidos de 
suporte, pois tem, 
predominantemente, espécies inócuas 
ao hospedeiro como Streptococcus 
salivarius e S. oralis (teoria da placa 
ecológica de Marsh, 1994)5. No 
entanto, mediante mudanças nas 
condições ambientais locais, por 
exemplo, pelo consumo frequente de 
açúcar (em especial a sacarose), há 
alteração no balanço da microbiota 
residente no biofilme supragengival, 
processo chamado disbiose 
(desequilíbrio), o que pode levar ao 
desenvolvimento da doença – a cárie 
dentária. 
 
Essa disbiose do biofilme dentário vem 
acompanhada pelo domínio de 
bactérias acidogênicas (produtoras de 
ácidos a partir do metabolismo 
anaeróbico do açúcar), acidúricas 
(vivem bem em ambiente ácido) e 
produtoras de polissacarídios 
extracelulares (PECs). Os PECs 
aumentam o potencial de aderência 
entre bactérias, servem como reserva 
energética, protegem as bactérias 
contra agentes antimicrobianos e 
dificultam a sua remoção mecânica 
Bioquímica da Cárie e Saliva 
 
pela escovação. Com as técnicas 
microbiológicas existentes, bem como 
com os avanços nas técnicas 
moleculares (microbioma), algumas 
espécies já têm sido associadas com o 
desenvolvimento da cárie dentária, 
entre elas Streptococcus mutans, 
Scardovia wiggsiae, Slackia exigua, 
Bifidobacteriaceae, algumas espécies 
de Lactobacilos e Candida albicans6,7. 
Os ácidos são os principais produtos 
metabólicos dessas espécies (como 
ácido lático, ácido acético, ácido 
propiônico, ácido fórmico), sendo esse 
produto metabólico causador dos 
danos ao tecido dentário. 
 
Em condições fisiológicas, as 
concentrações de cálcio e fosfato, 
precursores de hidroxiapatita, 
(lembrando que sua fórmula é: 
Ca10(PO4)6OH2, podendo haver 
substituições iônicas que conferem 
maior coesão ou não ao cristal), estão 
dentro de valores em torno de 1 a 3 
mM Ca2+ e 3 a 8 mM PO43– na saliva 
(podendo essas concentrações ser 2 a 3 
vezes maiores no biofilme dentário). 
Nessas condições, o processo de 
remineralização é favorecido, porém, 
em condições em que o ambiente tem 
pH reduzido, devido à presença de 
ácidos microbianos por exemplo, a 
desmineralização pode acontecer. 
Produto de solubilidade (Kps): refere-se 
às concentrações de Ca2+, PO43–, OH– 
presentes em solução saturada, 
elevadas às respectivas potências, 
necessárias para a formação da 
hidroxiapatita (HA), cujo valor é 
específico para uma dada temperatura 
e valor de pH. Para a HA pura, o cálculo 
simplificado é feito da seguinte forma: 
(Ca2+)5 × ([PO4]3–)3 × ([OH]1–)1 = 7,41 
× 10–60 mol9/L9 (pH 7,0). Esse valor 
pode variar conforme as trocas iônicas 
que ocorrem na hidroxiapatita: KpsHA = 
7,41 × 10–60 mol9/L9; 
KpsFA(fluorapatita) = 3,2 × 10–61 
mol9/L9; KpsHAc(hidroxiapatita 
carbonatada) = 5,5 × 10–55 mol9/L9. 
Em outras palavras, o valor de Kps para 
fluorapatita é o menor, isto é, a 
concentração de íons necessários para 
a sua formação é menor comparada às 
outras apatitas(hidroxiapatita pura ou 
carbonatada). Isso se deve à grande 
afinidade que o F– tem pelo Ca2+. Por 
outro lado, para a formação da 
hidroxiapatita carbonatada (HAc), 
precisa-se de uma maior quantidade de 
íons que para hidroxiapatita pura (HA). 
Dessa forma, a susceptibilidade à 
dissolução segue este padrão: HAc > HA 
> FA. 
 
Bioquímica da Cárie e Saliva 
 
Produto de atividade iônica (PAI): é a 
quantidade de íons presentes de fato 
no meio aquoso, que pode ser saliva 
e/ou biofilme (fluido), potencialmente 
capaz de formar as apatitas. O valor 
pode variar conforme o valor de pH do 
meio. Quanto menor o valor de pH, 
menor tende a ser quantidade de cálcio 
e fosfato disponíveis para a formação 
das apatitas (PAI = 9,31 × 10–67 
mol9/L9 pH 5,0; PAI = 1,35 × 10–53 
mol9/L9 pH 7,0). 
Quando o pH do biofilme é igual ao pH 
crítico, o Kps é igual ao PAI, isto é, não 
há nem ganho nem perda mineral – há 
o equilíbrio mineral. Como a 
quantidade de íons para formar a 
fluorapatita (FA) é menor (Kps é 
menor), o pH crítico também é menor 
comparado ao valor para a HA (pH 
crítico da FA: 4,5), o que caracteriza 
esse mineral como mais ácido-
resistente que a HA pura (pH crítico: 
5,5). 
Por outro lado, o pH crítico para apatita 
carbonatada (HAc) é ao redor de 6,2, 
por isso esse cristal é perdido mais 
facilmente mediante situações de 
queda de pH, que ocorrem como 
consequência do metabolismo do 
açúcar pelas bactérias. 
No caso da cárie dentária, o valor de pH 
do biofilme, após a produção de ácido 
pelos microrganismos, fica em torno de 
4,5 e 5,0, isto é, abaixo do pH crítico 
para a hidroxiapatita pura (pH crítico 
5,5) ocorrendo a desmineralização 
(Figura 3). Quanto maior a frequência 
de consumo do açúcar, mais frequentes 
são as quedas de pH, o que tem 
consequências mais danosas à 
estrutura dentária, pois o 
desenvolvimento da lesão cariosa é 
consequência do efeito cumulativo dos 
episódios de desmineralização (perda 
da HA dentária devido ao pH do 
biofilme < pH crítico para HA, isto é, PAI 
< Kps. 
Outro fator, além da frequência de 
ingestão do açúcar, que afeta o tempo 
em que o pH do biofilme fica abaixo do 
crítico, é a presença de PECs. Os PECs 
reduzem o efeito tampão da saliva, por 
impedirem a penetração de 
componentes salivares no interior do 
biofilme. Os PECs são formados a partir 
da ação de algumas espécies, em 
especial S. mutans, que expressam 
glicosiltransferases na membrana, as 
quais polimerizam glicose 
especialmente a partir de sacarose, 
formando polímeros insolúveis como o 
mutano, que conferem adesão e 
proteção aos microrganismos do 
biofilme. 
 Algumas espécies podem ainda 
produzir polímeros extracelulares 
solúveis de glicose e frutose, assim 
como intracelulares de glicose, que 
servem como reserva extracelular e 
intracelular, respectivamente. 
Bioquímica da Cárie e Saliva 
 
 
Quando o consumo de açúcar é 
frequente, o pH do biofilme dentário 
(pH entre 4,5 e 5,5) fica geralmente 
abaixo do pH crítico para hidroxiapatita 
pura (HA) e carbonatada (HAc), mas 
igual ou acima do crítico para 
fluorapatita (FA), isto é, há perda de HA 
e HAc dentária para o meio. Por outro 
lado, há o equilíbrio ou favorecimento 
do ganho de FA dependendo do valor 
exato de pH. As reações químicas que 
ocorrem entre a HA e o H+ oriundo dos 
ácidos microbianos (entre eles o ácido 
lático, acético, fórmico e propiônico, a 
depender das condições atmosféricas, 
da concentração de açúcar e espécie 
microbiana), responsáveis pela queda 
de pH, estão representadas na Figura 
4B. O H+ liberado pela dissociação do 
ácido reage com a HA, liberando ao 
meio Ca2+, fosfato nas suas diferentes 
fases (HPO42–, H2PO4– e H3PO4) e 
água, o que pode induzir à perda de 
mineral do dente até que a ação do H+ 
seja neutralizada, especialmente pelo 
HCO3– (bicarbonato – responsável pelo 
efeito tampão salivar), mediante 
contato da saliva com o biofilme. 
 
Como consequência das frequentes 
quedas do pH (entre 4,5 e 5,0), os 
cristais de HA e HAc são perdidos, ao 
passo que os cristais de FA são 
depositados sobre a superfície da 
estrutura dentária, devido à rápida 
reação que o fluoreto tem com os 
cristais parcialmente desmineralizados 
na superfície dentária, o que gera, 
como sinal clínico inicial, alterações de 
cor e textura do tecido (mancha branca 
evidente para o esmalte dentário) e, 
microscopicamente, uma lesão de 
subsuperfície. 
 
 
Particularidades da formação da lesão 
cariosa em dentina (complexo 
dentino-pulpar) 
A microbiota da cárie dentinária 
consiste em bactérias 
acidogênicas/acidúricas, como 
Streptococcus mutans, Lactobacillus e 
Bifidobacterium e bactérias 
proteolíticas, como espécies Prevotella 
e Propionibacterium, apresentando 
variações entre a superfície oclusal e 
radicular devido à influência da saliva 
Bioquímica da Cárie e Saliva 
 
e/ou do fluido gengival. A invasão 
polimicrobiana da dentina e sua 
degradação disparam respostas 
inflamatórias na polpa resultando em 
diferentes tipos de pulpite e, em lesões 
muito profundas, ocorre infecção 
polimicrobiana na polpa dentária e 
risco de morte pulpar. 
 
 
 
 
Orientação de Dieta 
 
 
Dieta 
Apesar da grande importância da dieta 
no processo carioso, muitas vezes esse 
aspecto do tratamento é negligenciado. 
Mudanças de hábitos alimentares são 
frequentemente necessárias no 
tratamento da doença cárie, e isso por 
si só é um desafio para a equipe de 
saúde. 
O efeito das intervenções dietéticas na 
mudança de hábitos tem sido discutido 
atualmente e colocado como limitação 
no tratamento dos pacientes. 
A dieta tem um papel-chave no 
processo carioso, e basear o 
tratamento da atividade da doença 
somente na higiene bucal acaba sendo 
um equívoco comum na prática 
odontológica. 
A cárie dentária, como doença de 
causalidade complexa, é resultado da 
interação de um conjunto de 
determinantes biológicos e 
psicossociais. 
Crianças com diabetes controlada 
possuem menor experiência de cárie 
que crianças saudáveis. 
 
•Pessoas que trabalham em 
confeitarias e padarias possuem 
prevalência de cárie relativamente alta. 
•Pacientes portadores da Síndrome de 
Intole- rância Hereditária à Frutose, na 
qual os pacientes devem abster-se do 
uso da frutose e sacarose, 
apresentavam uma baixa experiên- cia 
de cárie, com 59% livres da doença. 
 
 
Além destas evidências observacionais, 
alguns estudos de intervenção também 
demonstraram a estreita relação entre 
consumo de açúcar e cárie dentária. 
•O fator mais importante para a 
ocorrência de cárie não é a quantidade 
total ingerida, mas a frequência de 
consumo de açúcar. 
•A consistência do alimento 
desempenha um papel relevante: 
quanto maior o tempo em que o 
alimento permanecer na cavidade 
bucal, mais cariogênico ele será. 
•Existe uma variabilidade individual, 
com alguns indivíduos sendo mais 
suscetíveis ao desenvolvimento da 
cárie dentária do que outros, mesmo 
sob condições alimentares 
semelhantes. 
 
 O consumo de sacarose aumenta a 
ocorrência de cárie, porém de maneiras 
diferentes, de acordo com a forma de 
consumo. 
 
OBS: É importante lembrar que as 
quedas de pH utilizando-se a frutose e 
a sacarose são semelhantes. 
O EFEITO DO FLÚOR NA RELAÇÃO 
ENTRE DIETA E CÁRIE DENTÁRIA 
 
 
 
Orientação de Dieta 
 
 
 
Com a disseminação do flúor por meios 
de abrangência coletiva (água de 
abastecimento público fluoretada e sal 
fluoretado) e com a larga oferta de 
dentifrícios fluoretados, a relação entre 
dieta e flúor passou a se alterar 
gradualmente. No Brasil, observamos 
modificações significativas na 
prevalência de cárie a partir da década 
de 70, com a adição do flúor na água de 
abastecimentopúblico de algumas 
cidades, e a partir da década de 90, 
com a oferta de dentifrícios fluoretados 
no mercado nacional. 
Em relação ao consu-mo de açúcar, não 
pode ser utilizado no manejo dos 
pacientes com atividade de cárie. 
Embora o flúor tenha tido um efeito 
importante na redução da prevalência 
de cárie, ele não eliminou a doença, 
não tendo o poder de anular fatores 
causais importantes, como a dieta 
cariogênica e a presença de biofilme 
dental. Assim, a restrição do consumo 
de açúcar continua sendo uma parte 
justificável do controle da doença cárie. 
 
METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS 
 
Os carboidratos podem ser 
classificados, quanto à sua composição 
química, em monossacarídeos, 
dissacarídeos e polissacarídeos. Do 
ponto de vista nutricional, os 
monossacarídeos e dissacarídeos são 
classificados como açúcares, e os 
polissacarídeos, como ami- dos. Os 
carboidratos mais fortemente 
associados à cárie dentária são os 
açúcares, por serem facilmente 
fermentados pelas bactérias, embora 
os amidos, alimentos com alto peso 
molecular, possam ser degradados em 
moléculas menores, servindo como 
fonte potencial de nutrientes para as 
bactérias do biofilme. 
 
Diversas espécies bacterianas 
presentes no biofilme são capazes de 
metabolizar carboidratos e gerar ácidos 
que causam a desmineralização dos 
tecidos dentários. Após o consumo de 
açúcar, o pH do biofilme bacteriano cai 
bruscamente, alcançando o nível 
mínimo em aproximadamente 10 
minutos, quando começa a retornar 
vagarosa- mente à neutralidade, até 
atingir seus valores basais em 
aproxima- damente 30 minutos. 
 
Sintetizar diversos tipos de 
polissacarídeos, sendo os polímeros de 
glicose e os polímeros de frutose os 
principais: 
 
POLÍMEROS DE GLICOSE (GLICANOS): 
formados pela enzima 
glicosiltransferase, apresentando-se 
como uma massa gelatinosa 
extracelular sobre a superfície da 
bactéria. Podem apresentar a maioria 
das ligações na posição α-1.6, sendo 
denominados “dextra- nos”, ou 
 
Orientação de Dieta 
 
 
predominância de ligações α-1.3, sendo 
chamados “muta- nos”. Os mutanos 
são altamente insolúveis e rígidos e 
podem formar agregados fibrosos 
enquanto os dextranos formam cadeias 
flexíveis, sendo mais solúveis. 
 
POLÍMEROS DE FRUTOSE (FRUTANOS): 
 formados pela enzima 
frutosiltransferase, são polímeros 
extracelulares de frutose bastante 
solúveis, com ligações β-2.6. Estes 
polímeros são formados em uma 
extensão menor do que os glicanos. 
 
CARIOGENICIDADE DOS ALIMENTOS 
AÇÚCARES E AMIDOS 
 
Diferentemente dos açúcares, os 
amidos são moléculas grandes e 
complexas que necessitam da ação 
enzimática para serem degrada- das em 
moléculas menores, passíveis de 
utilização no metabolismo bacteriano. 
Dessa forma, sua cariogenicidade 
depende da forma de preparo dos 
alimentos. 
Durante o processamento industrial, as 
moléculas de amido sofrem uma série 
de modificações denominada 
gelatinização, como resultado do calor 
e dos processos mecânicos aos quais 
elas são submetidas. 
Quanto maior o grau de gelatiniza- ção 
do amido, mais suscetível ele estará à 
degradação enzimática, aumentando o 
seu potencial cariogênico. Por esta 
razão, o amido cru promove uma 
menor queda de pH do que o amido 
cozido. 
ALIMENTOS PROTETORES 
 
Enquanto alguns alimentos são vistos 
como “vilões” por apresentarem um 
alto potencial cariogênico, outros são 
considerados protetores, como é o caso 
do leite. 
Além de possuir lactose, um açúcar 
menos cariogênico, o leite é conhecido 
por apresentar fatores de proteção 
contra cárie como cálcio, fosfato e 
caseína. Estudos epidemiológicos 
recentes demonstraram o efeito 
positivo ou nulo do consumo de leite 
na ocorrência de cárie. 
ADOÇANTES 
 
Em virtude do reconhecido potencial 
cariogênico dos açúcares, uma série de 
adoçantes está disponível no mercado, 
podendo ser classifi- cados em não 
calóricos e calóricos. 
Adoçantes não calóricos, como 
sacarina, ciclamato e aspartame são 
comumente utilizados para adoçar 
refrigerantes, sorvetes e geleias. Por 
não serem metabolizados pelas 
bactérias do biofilme, não apresentam 
potencial cariogênico. 
 
DIAGNÓSTICO: COMO REGISTRAR AS 
INFORMAÇÕES 
 
 Existem diferentes métodos para 
registrar as informa- ções referentes à 
dieta dos pacientes: o diário alimen- 
tar, a entrevista de 24 horas e 
questionários específi- cos. No diário 
alimentar, um formulário é entregue ao 
paciente e solicita-se que ele registre 
 
Orientação de Dieta 
 
 
todos os alimentos e bebidas 
consumidos por um período que varia 
de 3 a 7 dias. Deve ser registrado o 
horário de ingestão e as porções 
ingeridas de cada alimento. 
 
Método comumente utilizado para o 
registro dos hábitos alimenta- res é a 
entrevista de 24 horas. Neste caso, o 
paciente relata verbalmente ao 
profissional todos os alimentos e 
bebidas consumidos nas últimas 24 
horas. Por ser realizado sem aviso 
prévio, reduz-se o risco de o paciente 
modificar sua dieta previamente ao 
registro.

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