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Controle de Infecção – Precauções Padrão Equipamentos e EPIs Controle de Infecção Recursos materiais e protocolos que visam a prevenção, vigilância, diagnóstico e tratamento de infecções. Segurança da equipe e dos pacientes, em quaisquer situações ou local onde se prestam cuidados de saúde. Transmissão É a transmissão de microrganismos de uma fonte susceptível. A fonte é o local onde os microrganismos são encontrados, sem ocorrer necessariamente desenvolvimento e multiplicação. Fonte de Transmissão Contato direto - transmissão em consequência de um contato físico, pela justaposição entre a fonte e o hospedeiro. Contato indireto - os microrganismos são transmitidos da fonte ao hospedeiro por meio de fômite. Aerização - transferência de microrganismos nos aerossóis provenientes da turbina de alta rotação, jato de bicarbonato e outros. Transmissão: Respingos de sangue, saliva e outros líquidos diretamente em feridas de pele e mucosa. Precauções Padrão Conjunto de medidas de controle de infecção a serem adotadas universalmente como forma eficaz de redução do risco ocupacional e de transmissão de agentes infecciosos nos serviços de saúde. Princípios de Controle de Infecção Princípio 1: os profissionais devem tomar medidas que visam proteger a sua saúde da equipe. Princípio 2: os profissionais devem evitar contato com matéria orgânica. Princípio 3: os profissionais devem tomar seguro o uso de artigos. Princípio 4: os profissionais devem limitar a propagação de microrganismos no meio ambiente. Princípio 1 Precauções Padrão Medida que protegem a saúde do profissional e da equipe Imunização; Higienização e/ou Antissepsia das mãos; Medidas de quimioprofilaxia em casos de acidentes ocupacionais. Princípio 2 Precauções Padrão Medidas que evitam contato direto com matérias orgânicas Controle de Infecção – Precauções Padrão Equipamentos e EPIs Uso de equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Princípio 3 Precauções Padrão Medidas que devem tornar seguro o uso de artigos Esterilização e Desinfecção de artigos Princípio 4 Precauções Padrão Medida que limitam a propagação de microrganismos no ambiente Uso de barreiras físicas Tratamento das superfícies Controle da qualidade do ar Controle da qualidade da água Gerenciamento de resíduos Desinfecção de moldes Artigos Críticos É aquele que penetra na pele e nas mucosas do paciente, atingindo tecidos subepiteliais. Agulhas Lâminas de bisturi Sondas periodontais Instrumentos cirúrgicos Fios de sutura Brocas e outros Devem se ESTERELIZADOS, uso ÚNICO (descartáveis). Artigos Semicríticos Entram em contato apenas com a mucosa íntegra, capaz de impedir a invasão dos tecidos. Os exemplos são: Pinça clínica Espelho bucal Condensadores de amálgama Espátula pedras Pontas montadas Cânulas de sucção Taças de borracha Artigos não Críticos São aqueles que entram em contato com a pele íntegra do paciente Prendedor de babador (jacaré) Grau e espátula Placa de vidro Arco facial Requer LIMPEZA e DESINFECÇÃO. Campos Cirúrgicos Campos cirúrgico Campos para o paciente Revestimento para o equipamento Procedimentos críticos Procedimentos semi - críticos Precauções Padrão Equipamentos e EPIs EPI é todo dispositivo ou produto, de uso individual, utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos susceptíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. O documento no qual está redigida essa Controle de Infecção – Precauções Padrão Equipamentos e EPIs definição é a Norma Regulamentadora 6, que define que, para ser comercializado ou utilizado, todo EPI deve ter Certificado de Aprovação (CA), emitido pela Secretaria do Trabalho da Ministério da Economia. Avental/jaleco O avental ou jaleco é a barreira destinada ao profissional de saúde com a finalidade de oferecer proteção ao tronco, braços, antebraços e coxas contra riscos de origem térmica, biológica, mecânica, química e umidade. A equipe de saúde bucal, sob a responsabilidade do cirurgião- dentista, deve fazer o uso apropriado das vestimentas, uma vez que essas roupas servirão de proteção contra bioaerossóis, respingos de sangue e/ou saliva, ou até mesmo substâncias químicas empregadas no atendimento ao paciente. As roupas de proteção devem ser produzidas em material direcionado ao risco ao qual o profissional estará exposto, sendo classificadas como reutilizáveis (em tecido) e descartáveis (em não tecido). Máscaras/respiradores As máscaras e respiradores são equipamentos de segurança que promovem uma barreira contra a inalação/ingestão de bioaerossóis (gotículas e/ou aerossóis), protegendo as regiões da boca e nariz, além de proteger o paciente das partículas de saliva provenientes do profissional ao falar. Óculos de proteção Os óculos de proteção são os EPI empregados para a proteção dos olhos do profissional e do paciente durante os procedimentos odontológicos, conferindo barreira contra respingos de material infectante, substâncias químicas, partículas e luzes de diferentes comprimentos de onda. Estudos têm demonstrado que a incidência de injúrias oculares na odontologia pode variar de 10 a 40%. Posicionamento de trabalho segundo ISO/FDI Desinfecção e esterilização O QUE É ERGONOMIA? A palavra ergonomia é resultado da junção dos termos gregos ergon (trabalho) e nomia (regras), sendo o ramo da ciência que estuda as interações do homem com a máquina e o ambiente a fim de que o trabalho seja realizado em boas condições de saúde, conforto funcional e eficiência. As primeiras percepções acerca da ergonomia datam do século XVIII, em que Ramazzini intuiu e demonstrou as relações entre o ambiente e as ferramentas de trabalho com os problemas de saúde decorrentes de seu uso e relacionados a movimentos repetitivos das mãos, postura inadequada do corpo e estresse mental. Entretanto, apenas no século seguinte o termo ergonomia foi criado como resposta à necessidade da sociedade, que vivia a Revolução Industrial, de potencializar a produção e oferecer segurança aos trabalhadores das fábricas. Contudo, visava-se inicialmente adequar o homem ao trabalho impondo movimentos especializados de forma robótica e repetitiva sem adequações do ambiente, como temperatura e luminosidade. “Quase certo” está errado. Crescimento da mecanização durante a Revolução Industrial levou à preocupação com a segurança e a produtividade do trabalhador. Almost Right’ is Wrong, Frank Beatty – Litografia; 1929. A ergonomia pode atuar de formas distintas, porém interligadas, em diferentes fases do processo de trabalho. A Figura 2 sumariza a classificação da ergonomia de acordo com Wisner e Iida. Além dessa classificação, Wisner ainda conceitua dois campos de atuação da ergonomia a depender do enfoque no produto ou na produção: Ergonomia do produto - foca na concepção dos produtos de modo que favoreçam o bem-estar do usuário, priorizando seu conforto e segurança. Ergonomia da produção - direciona para a organização dos métodos de trabalho, distribuição de tarefas, bem como a padronização e criação de protocolos para capacitação frequente. O QUE PRECISAMOS PESAR SOBRE O RISCO ERGONÔMICO? A ergonomia aplicada à odontologia tem como objetivo racionalizar o Posicionamento de trabalho segundo ISO/FDI Desinfecção e esterilização trabalho, eliminar manobras não produtivas, produzir mais e melhor, proporcionar maior conforto e segurança ao paciente,obter meios e sistemas para diminuir o estresse físico e cognitivo e prevenir as doenças relacionadas à prática odontológica, buscando uma produtividade mais expressiva. A ergonomia tem papel relevante em todos os processos de trabalho por buscar o melhor aproveitamento possível dos recursos, sejam eles humanos ou materiais, de forma efetiva e segura. Na odontologia, por se tratar de uma área profissional sabidamente insalubre, é essencial que o cirurgião- dentista e equipe auxiliar estejam conscientes e apliquem as normas de ergonomia na prática diária, reduzindo os possíveis danos à saúde e aumentando a produtividade. Postura A postura corresponde à posição espacial do corpo e a sua manutenção. A manutenção de posturas inadequadas rotineiramente pode alterar propriedades do sistema musculoesquelético causando danos permanentes, como perda de curvatura da região lombar, desvios na coluna e rompimento do disco intervertebral. A coluna vertebral apresenta quatro curvas naturais quando vista de lado: concavidade cervical, convexidade torácica, concavidade lombar e convexidade sacral. Além disso, a coluna possui as propriedades de rigidez e mobilidade. A primeira garante a sustentação, enquanto a segunda permite a rotação para os lados e os movimentos para frente e para trás. A curva sacral é composta por cinco vértebras fundidas, logo seu movimento é extremamente limitado. No entanto, as curvas restantes – especialmente as curvas lombar e cervical – são mais móveis e podem ser influenciadas com mais facilidade. Tais curvas são interdependentes, ou seja, uma mudança em uma curva resultará em uma mudança na curva acima ou abaixo dela. Quando essas curvas se tornam exageradas ou achatadas, a coluna vertebral depende cada vez mais dos músculos e ligamentos para se manter ereta e proteger a medula. Posicionamento de trabalho segundo ISO/FDI Desinfecção e esterilização Posicionamento O posicionamento refere-se à posição do paciente na cadeira odontológica. É comum os dentistas posicionarem o paciente em uma altura elevada, o que resulta da elevação dos ombros e abertura dos braços, tensionando pescoço e ombros. O ideal é que o paciente esteja em posição supina, ou seja, em decúbito dorsal com a cabeça e joelhos no mesmo plano. Essa posição favorece o relaxamento e dificulta movimentos bruscos do paciente. Além disso, devido ao posicionamento da cabeça, a língua tende a ficar posteriorizada, obliterando parcialmente a entrada da garganta (istmo das fauces) e diminuindo o risco de aspiração ou deglutição acidental. A exceção para essa posição é em caso de gestantes a partir do sexto mês. Isso porque a posição supina pode comprimir a artéria aorta abdominal e veia cava inferior conduzindo para síndrome hipotensiva supina. Nesses casos, deve- se colocar o encosto da cadeira em ângulo de 45° e posicionar uma almofada sob a região lombar direita à uma altura de 10 a 12 cm, favorecendo a rotação do corpo para a Trabalhar na posição sentada coloca a equipe de saúde bucal como apta ao like no quesito ergonomia. Ao exercer atividades de trabalho em pé, os profissionais colocam-se em situação vulnerável, com possíveis complicações músculoesqueléticas. Outra observação importante refere- se à liberdade de movimento das pernas do dentista e auxiliar. O paciente deve estar em posição supina e a uma altura em que o encosto não trave ou pressione as pernas do dentista, permitindo a sua movimentação. A distância média do chão ao encosto confortável para a maioria dos dentistas é de 86 cm, podendo variar de acordo com a altura do profissional Desinfecção e Esterilização Agentes de desinfecção odontológicos de superfícies inanimadas: Hipoclorito de Sódio a 1%; esquerda, evitando a compressão vascular. Posicionamento de trabalho segundo ISO/FDI Desinfecção e esterilização • Quaternário de amônio e biguanida; • Glucoprotamina; • Álcool 70%. O álcool 70% e o hipoclorito de sódio exigem a limpeza das superfícies prévias com toalhas de papel, água e detergentes dos locais com sujeira visível para posterior desinfecção que no caso do álcool deve ser repetida no mínimo 3 vezes. Esses agentes são contra indicados para acrílicos, borrachas e plásticos pois endurecem e tornam amarelas. No caso do uso do quaternário de amônio e biguanida ou glucoprotamina, o profissional limpa e desinfecta simultaneamente com esses produtos. Os instrumentos odontológicos são usados para que o dentista possa aperfeiçoar o tratamento oferecido ao paciente. E ao fim de cada atendimento, é impreterível que ele realize a desinfecção e esterilização deles. A desinfecção e esterilização são maneiras de mantê-los longe de bactérias e germes. Dessa forma, é impedido que os microrganismos remanescentes do atendimento anterior sejam transmitidos para o próximo paciente. Desinfecção e esterilização odontológica são protocolos de biossegurança. No entanto, diferem no modo que atuam. A desinfecção pretende eliminar microrganismos, com exceção de esporos. Já a esterilização, extingue com qualquer micróbio ali presente. • limpeza, • desinfecção esterilização: Limpeza A limpeza é o primeiro processo de higiene, mas também é o menos efetivo. Ela deve ser feita com água e detergente. Assim, todo resíduo de matéria orgânica será removido. O detergente pode ser o desincrustante, que retiram qualquer substância orgânica. Ou o enzimático, que amolece a sujeira e faz com que ela saia mais facilmente, atuando bem na eliminação de resquícios de sangue, por exemplo. No entanto, ambos não são germicidas. Desinfecção A desinfecção é o próximo passo depois da limpeza. Ela consegue eliminar a maioria dos microrganismos, exceto os esporos. Esporos são unidades de reprodução de plantas, algas e fungos que se descolam. Assim, podem contaminar os pacientes, causando doenças. Uma das mais conhecidas é a histoplasmose. Fatores da Desinfecção https://simpatio.com.br/instrumentos-odontologicos/ https://simpatio.com.br/instrumentos-odontologicos/ https://simpatio.com.br/instrumentos-odontologicos/ https://simpatio.com.br/instrumentos-odontologicos/ https://simpatio.com.br/instrumentos-odontologicos/ https://simpatio.com.br/instrumentos-odontologicos/ Posicionamento de trabalho segundo ISO/FDI Desinfecção e esterilização Alguns fatores influenciam na eficiência da desinfecção: • Limpeza anterior mal realizada; • Tempo de exposição ao germicida; • Solução germicida inapropriada à ocasião; Temperatura; pH do processo. Classificação da Desinfecção A desinfecção pode ser classificada em níveis: Baixo • Bactéricas em forma vegetativa, alguns vírus e fungos são desintegrados; • Esporos bacterianos, vírus da hepatite B, da tuberculose e vírus lentos sobrevivem; • Soluções usadas: álcool etílico, hipoclorito de sódio, álcool isopropílico e quaternário de amônia. Médio • Retira os mesmos microrganismo que a de baixo nível. Mas, agora, consegue também eliminar a bactéria da tuberculose e de outros vírus e fungos. • Esporos e vírus lentos ainda sobrevivem; • Soluções usadas: álcool propílico, isopropílico, hipoclorito de sódio, fenólicos e iodóforos. Alto • Destrói bactérias, fungos e alguns esporos; • Sobrevivem vírus lentos e outros tipos de esporos; • Soluções: hipoclorito de sódio, glutaraldeido, solução de peróxido de hidrogênio, cloro, ácido peracético, orthophtalaldeído, e água superoxidada. Esterilização Dos três, a esterilização é o método que possui melhor êxito. Utilizando de agentes físicose químicos, ela consegue extinguir todos os microrganismos, até mesmo os esporos. A esterilização funciona da seguinte forma: • O dentista coloca os materiais imersos em detergente enzimático por cerca de 10 minutos; • Em seguida, remove todo o detergente; • Esfrega sabão bactericida; • Enxágua com água corrente; • Faz a secagem do material; • Verifica se restou alguma impureza a olho nu; • Depois, embala os instrumentos em papel grau cirúrgico; • Coloca os instrumentos na autoclave por 60 minutos; • Retira o material da máquina utilizando luvas resistentes ao calor, já que ela atinge temperaturas de 134ºC. https://simpatio.com.br/esterilizacao/ https://simpatio.com.br/esterilizacao/ https://simpatio.com.br/esterilizacao/ https://simpatio.com.br/esterilizacao/ https://simpatio.com.br/esterilizacao/ https://simpatio.com.br/esterilizacao/ Microbiologia da cárie A cárie dentária é uma doença complexa causada pelo desequilíbrio no balanço entre o mineral do dente e o fluido do biofilme.1 O microecossistema bacteriano do biofilme dental apresenta uma série de características fisiológicas. A produção de ácido por meio da metaboli- zação de nutrientes pelas bactérias do biofilme e consequente baixa do pH é o fator responsável pela desmineralização do tecido dentário que pode resultar na formação da lesão de cárie. O controle da cárie dentária, assim como o da maioria das doenças crônicas como câncer, doenças cardiovasculares e diabetes, deve incluir estratégias múltiplas direcionadas aos determinantes no nível do indivíduo, da família e da população. Sempre que possível, tais estratégias devem abordar fatores de risco comuns à doença cárie e a outras doenças crônicas,4 por exemplo, o consumo racional de açúcar. Apesar da importância desta abordagem que considera a relevância dos determinantes distais do processo de doença cárie, o estudo dos fatores biológicos e o monitoramento de seus sinais clínicos são imprescindíveis para o controle do processo da doença. Entretanto, que, embora a presença de biofilme seja considerada um fator causal necessário para o desenvolvimento da lesão de cárie, ela não é um fator causal suficiente para que esse tipo de lesão ocorra.5 Como dito anteriormente, o tipo de nu- trientes (determinado pela dieta do indivíduo) a que as bactérias do biofilme estão expostas pode resultar em flutuações de pH que irão determinar ou não a formação da lesão de cárie. O biofilme dental, um ecossistema microbiano aderido às superfícies dentárias, é formado por bactérias que mantêm uma estabilidade dinâmica com a superfície do dente (estágio de estabilidade dinâmica). Microbiologia da cárie Na presença frequente de carboidratos fermentáveis e consequente produção de ácidos, observa-se uma adaptação microbiana que leva à seleção de microrganismos acidogênicos. Ocorre, então, o rompimento da homeostase microbiana do biofilme, e a proliferação de microrganismos cariogênicos resulta no desequilíbrio do balanço dos processos de des-remineralização. Dessa forma, há o predomínio de eventos de desminerali- zação com resultante perda mineral do dente (estágio de desmineralização). Uma vez que o ambiente acidúrico fica estabelecido, o número de microrganismos acidogênicos aumenta, promoven- do o desenvolvimento da lesão (estágio acidúrico).7 Inicialmente, a superfície do esmalte mostra-se rugosa e opaca, e clinicamente é visível como uma mancha branca (lesão de cárie não cavitada ativa). Esta lesão tem sido denominada de mancha branca devido ao seu aspecto clínico. Entretanto, várias outras lesões não cariosas podem também causar manchas brancas no esmalte, como a fluorose dentária. Se o processo de desmineralização persistir, a lesão de cárie progride, ocasionando a quebra da camada superficial da lesão com formação de uma cavida- de (lesão de cárie com cavidade). A lesão com cavidade que está sofrendo perda mineral, ou seja, em processo de progressão, é denominada lesão cavitada ativa. Em um primeiro estágio, ela pode se limitar ao esmalte, apresentando aspecto rugoso e opaco (cavidade em esmalte) ou pode progredir atingindo a dentina, que se mostra amolecida, com aspecto úmido e geralmente de coloração amarelada (lesão cavitada em dentina). O mesmo processo de desequilíbrio entre os eventos de des-remine- ralização que ocorrem na interface entre o biofilme e o esmalte/ dentina coronária pode também ocorrer na raiz do dente, na interfa- ce entre o biofilme e o cemento/dentina radicular, formando uma lesão de cárie radicular. Para que este tipo de lesão se desenvolva, é necessário que a raiz dentária esteja exposta ao ambiente bucal (recessão gengival). Gerenciamento de resíduos A prática odontológica gera quantias significativas de resíduos clínicos e perigosos, além dos materiais potencialmente recicláveis, resíduos semelhantes aos domiciliares e restos de alimentos. OBS: Os resíduos de diversos grupo gerados na odontologia devem ser primeiramente classificados - o profissional deve ficar atento à classificação, assim como para não misturar os materiais. OS RESÍDUOS GERADOS NA ODONTOLOGIA SÃO REGULADOS PELA LEGISLAÇÃO? A Resolução da Diretoria Colegiada – RDC n. 222, publicada em 28 de março de 2018, veio regulamentar as boas práticas de gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde (RSS), e refere-se a todos os serviços geradores de RSS cujas atividades envolvam qualquer etapa do gerenciamento, sejam instituições públicas ou privadas, civis ou militares, com fins filantrópicos, incluindo as que exercem ações de ensino e pesquisa. Uma vez que as atividades da odontologia estão relacionadas à atenção à saúde humana, os materiais descartados devem ser regulados conforme a legislação federal. Deve-se, ainda, consultar e estar sempre atento às legislações estaduais e municipais, caso existam. Os manuais governamentais vigentes e as atualizações da legislação devem ser também conhecidos pelos profissionais de saúde, incluindo os da odontologia. OS PROFISSIONAIS DA ODONTOLOGIA DEVEM ELABORAR UM PLANO PARA GERENCIAR OS RESÍDUOS GERADOS? Conforme a legislação em vigor, todos os serviços geradores devem dispor de um Plano de Gerenciamento de RSS (PGRSS), que deve obedecer às regulamentações federais, estaduais, municipais ou do Distrito Federal. O PGRSS é o documento que aponta e descreve as ações relacionadas ao gerenciamento dos RSS, observando suas características e riscos. Todas as etapas, iniciando com a geração dos resíduos e passando pela identificação, segregação, acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte, destinação e disposição final ambientalmente adequada devem ser contempladas no plano. Deve, também, incluir as ações de proteção à saúde pública, do trabalhador e do meio ambiente. Identificação Gerenciamento de resíduos Inclui as medidas que permitem o reconhecimento dos riscos presentes nos resíduos acondicionados, de forma bastante clara e legível e em tamanho proporcional aos sacos, coletores e seus ambientes de armazenamento. Segregação É a separação dos diversos resíduos, de acordo com a classificação citada na Tabela 1, conforme as características físicas, químicas, biológicas, o estado físico e, especialmente, os riscos envolvidos. Acondicionamento Refere-se à ação de embalar os resíduos, separadamente, em sacos ou recipientes que evitemvazamentos. Quando indicado, o vasilhame deve ser resistente à punctura, ruptura e tombamento. Devem, também, ser física e quimicamente adequados ao conteúdo acondicionado. Coleta Consiste na remoção dos RSS, usando técnicas que asseguram a preservação das condições de acondicionamento. Armazenamento É a guarda de coletores de resíduos. Pode ser externa (em ambiente exclusivo com acesso facilitado para a coleta externa), interna (para resíduos contendo substâncias químicas, em condições estabelecidas na legislação e nas normas aplicáveis) e temporária (para os RSS, em ambiente vizinho aos pontos de geração, com objetivo de agilizar a coleta no interior dos serviços e otimizar o deslocamento dos coletores do ponto gerado ao ponto de apresentação para a coleta externa). Transporte Interno: transferência interna dos RSS, dos pontos gerados até o abrigo temporário ou o abrigo externo. Externo: retirada dos RSS do abrigo externo até a unidade de tratamento ou outro destino; ou ainda disposição final ambientalmente adequada, empregando técnicas que preservem as condições de acondicionamento. Destinação Abrange a reutilização, reciclagem, compostagem, recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes, entre elas a disposição final ambientalmente adequada, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos. Disposição final Consiste no arranjo ordenado de rejeitos em aterros, considerando as normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à Gerenciamento de resíduos segurança e também a minimizar os impactos ambientais adversos. QUAIS OS CUIDADOS COM A CLASSIFICAÇÃO E O GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE INCLUÍDOS NO GRUPO A? Os resíduos do grupo A possuem uma subclassificação e, na odontologia podem ser gerados os resíduos descritos a seguir. Para a classificação completa, consultar a legislação vigente. Subgrupo A1 Culturas e estoques de microrganismos; resíduos resultantes da atividade de ensino e pesquisa ou atenção à saúde de indivíduos com suspeita ou certeza de contaminação biológica por agentes classe de risco 4 (agentes biológicos que representam elevado risco individual, com grande possibilidade de transmissibilidade de um indivíduo a outro, não existindo medidas preventivas e de tratamento para esses agentes), microrganismos com relevância epidemiológica e risco de disseminação ou causador de doença emergente que se torne epidemiologicamente importante ou cujo mecanismo de transmissão seja desconhecido; recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde, contendo sangue ou líquidos corpóreos na forma livre. Subgrupo A2 Carcaças, peças anatômicas, vísceras e outros resíduos provenientes de animais submetidos a processos de experimentação. Não gerados na odontologia. Subgrupo A3 Peças anatômicas (membros) do ser humano. Produto de fecundação sem sinais vitais. Não gerados na odontologia. Subgrupo A4 Recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde, que não contenham sangue ou líquidos corpóreos na forma livre. Órgãos (p. ex.: dentes) e tecidos, e outros resíduos provenientes de procedimentos cirúrgicos. Subgrupo A5 Tecidos de alta infectividade para príons. Bioquímica da Cárie e Saliva Desenvolvimento da lesão de cárie do ponto de vista bioquímico A cárie dentária é uma das principais doenças bucais que acometem diferentes populações ao longo da vida, com cunho comportamental e sob grande influência das condições socioeconômico-culturais das populações. Atualmente, entende-se que os microrganismos podem ser transferidos, mas isso não é sinônimo de transferência da doença, a cárie dentária tem um forte cunho comportamental, o qual é influenciado por questões sociais. Como definido por Pitts et al.,3 a cárie dentária é uma doença dinâmica, multifatorial e mediada por biofilme, que resulta em processos de desmineralização e remineralização dos tecidos dentários, culminando com o sinal clínico – a lesão cariosa. Além disso, a doença cárie é influenciada por outros fatores de risco, como genética, estilo de vida e aspectos socioeconômico-culturais O biofilme dentário nada mais é que um aglomerado de microrganismos que colonizam a superfície dentária, incorporados em uma matriz rica em polímeros de carboidratos produzidos pelos próprios microrganismos, além de proteínas, DNAe, íons e água, também conhecido como placa dentária. Quando em simbiose (equilíbrio) com o hospedeiro, esse biofilme traz poucas consequências às estruturas dentárias ou aos tecidos de suporte, pois tem, predominantemente, espécies inócuas ao hospedeiro como Streptococcus salivarius e S. oralis (teoria da placa ecológica de Marsh, 1994)5. No entanto, mediante mudanças nas condições ambientais locais, por exemplo, pelo consumo frequente de açúcar (em especial a sacarose), há alteração no balanço da microbiota residente no biofilme supragengival, processo chamado disbiose (desequilíbrio), o que pode levar ao desenvolvimento da doença – a cárie dentária. Essa disbiose do biofilme dentário vem acompanhada pelo domínio de bactérias acidogênicas (produtoras de ácidos a partir do metabolismo anaeróbico do açúcar), acidúricas (vivem bem em ambiente ácido) e produtoras de polissacarídios extracelulares (PECs). Os PECs aumentam o potencial de aderência entre bactérias, servem como reserva energética, protegem as bactérias contra agentes antimicrobianos e dificultam a sua remoção mecânica Bioquímica da Cárie e Saliva pela escovação. Com as técnicas microbiológicas existentes, bem como com os avanços nas técnicas moleculares (microbioma), algumas espécies já têm sido associadas com o desenvolvimento da cárie dentária, entre elas Streptococcus mutans, Scardovia wiggsiae, Slackia exigua, Bifidobacteriaceae, algumas espécies de Lactobacilos e Candida albicans6,7. Os ácidos são os principais produtos metabólicos dessas espécies (como ácido lático, ácido acético, ácido propiônico, ácido fórmico), sendo esse produto metabólico causador dos danos ao tecido dentário. Em condições fisiológicas, as concentrações de cálcio e fosfato, precursores de hidroxiapatita, (lembrando que sua fórmula é: Ca10(PO4)6OH2, podendo haver substituições iônicas que conferem maior coesão ou não ao cristal), estão dentro de valores em torno de 1 a 3 mM Ca2+ e 3 a 8 mM PO43– na saliva (podendo essas concentrações ser 2 a 3 vezes maiores no biofilme dentário). Nessas condições, o processo de remineralização é favorecido, porém, em condições em que o ambiente tem pH reduzido, devido à presença de ácidos microbianos por exemplo, a desmineralização pode acontecer. Produto de solubilidade (Kps): refere-se às concentrações de Ca2+, PO43–, OH– presentes em solução saturada, elevadas às respectivas potências, necessárias para a formação da hidroxiapatita (HA), cujo valor é específico para uma dada temperatura e valor de pH. Para a HA pura, o cálculo simplificado é feito da seguinte forma: (Ca2+)5 × ([PO4]3–)3 × ([OH]1–)1 = 7,41 × 10–60 mol9/L9 (pH 7,0). Esse valor pode variar conforme as trocas iônicas que ocorrem na hidroxiapatita: KpsHA = 7,41 × 10–60 mol9/L9; KpsFA(fluorapatita) = 3,2 × 10–61 mol9/L9; KpsHAc(hidroxiapatita carbonatada) = 5,5 × 10–55 mol9/L9. Em outras palavras, o valor de Kps para fluorapatita é o menor, isto é, a concentração de íons necessários para a sua formação é menor comparada às outras apatitas(hidroxiapatita pura ou carbonatada). Isso se deve à grande afinidade que o F– tem pelo Ca2+. Por outro lado, para a formação da hidroxiapatita carbonatada (HAc), precisa-se de uma maior quantidade de íons que para hidroxiapatita pura (HA). Dessa forma, a susceptibilidade à dissolução segue este padrão: HAc > HA > FA. Bioquímica da Cárie e Saliva Produto de atividade iônica (PAI): é a quantidade de íons presentes de fato no meio aquoso, que pode ser saliva e/ou biofilme (fluido), potencialmente capaz de formar as apatitas. O valor pode variar conforme o valor de pH do meio. Quanto menor o valor de pH, menor tende a ser quantidade de cálcio e fosfato disponíveis para a formação das apatitas (PAI = 9,31 × 10–67 mol9/L9 pH 5,0; PAI = 1,35 × 10–53 mol9/L9 pH 7,0). Quando o pH do biofilme é igual ao pH crítico, o Kps é igual ao PAI, isto é, não há nem ganho nem perda mineral – há o equilíbrio mineral. Como a quantidade de íons para formar a fluorapatita (FA) é menor (Kps é menor), o pH crítico também é menor comparado ao valor para a HA (pH crítico da FA: 4,5), o que caracteriza esse mineral como mais ácido- resistente que a HA pura (pH crítico: 5,5). Por outro lado, o pH crítico para apatita carbonatada (HAc) é ao redor de 6,2, por isso esse cristal é perdido mais facilmente mediante situações de queda de pH, que ocorrem como consequência do metabolismo do açúcar pelas bactérias. No caso da cárie dentária, o valor de pH do biofilme, após a produção de ácido pelos microrganismos, fica em torno de 4,5 e 5,0, isto é, abaixo do pH crítico para a hidroxiapatita pura (pH crítico 5,5) ocorrendo a desmineralização (Figura 3). Quanto maior a frequência de consumo do açúcar, mais frequentes são as quedas de pH, o que tem consequências mais danosas à estrutura dentária, pois o desenvolvimento da lesão cariosa é consequência do efeito cumulativo dos episódios de desmineralização (perda da HA dentária devido ao pH do biofilme < pH crítico para HA, isto é, PAI < Kps. Outro fator, além da frequência de ingestão do açúcar, que afeta o tempo em que o pH do biofilme fica abaixo do crítico, é a presença de PECs. Os PECs reduzem o efeito tampão da saliva, por impedirem a penetração de componentes salivares no interior do biofilme. Os PECs são formados a partir da ação de algumas espécies, em especial S. mutans, que expressam glicosiltransferases na membrana, as quais polimerizam glicose especialmente a partir de sacarose, formando polímeros insolúveis como o mutano, que conferem adesão e proteção aos microrganismos do biofilme. Algumas espécies podem ainda produzir polímeros extracelulares solúveis de glicose e frutose, assim como intracelulares de glicose, que servem como reserva extracelular e intracelular, respectivamente. Bioquímica da Cárie e Saliva Quando o consumo de açúcar é frequente, o pH do biofilme dentário (pH entre 4,5 e 5,5) fica geralmente abaixo do pH crítico para hidroxiapatita pura (HA) e carbonatada (HAc), mas igual ou acima do crítico para fluorapatita (FA), isto é, há perda de HA e HAc dentária para o meio. Por outro lado, há o equilíbrio ou favorecimento do ganho de FA dependendo do valor exato de pH. As reações químicas que ocorrem entre a HA e o H+ oriundo dos ácidos microbianos (entre eles o ácido lático, acético, fórmico e propiônico, a depender das condições atmosféricas, da concentração de açúcar e espécie microbiana), responsáveis pela queda de pH, estão representadas na Figura 4B. O H+ liberado pela dissociação do ácido reage com a HA, liberando ao meio Ca2+, fosfato nas suas diferentes fases (HPO42–, H2PO4– e H3PO4) e água, o que pode induzir à perda de mineral do dente até que a ação do H+ seja neutralizada, especialmente pelo HCO3– (bicarbonato – responsável pelo efeito tampão salivar), mediante contato da saliva com o biofilme. Como consequência das frequentes quedas do pH (entre 4,5 e 5,0), os cristais de HA e HAc são perdidos, ao passo que os cristais de FA são depositados sobre a superfície da estrutura dentária, devido à rápida reação que o fluoreto tem com os cristais parcialmente desmineralizados na superfície dentária, o que gera, como sinal clínico inicial, alterações de cor e textura do tecido (mancha branca evidente para o esmalte dentário) e, microscopicamente, uma lesão de subsuperfície. Particularidades da formação da lesão cariosa em dentina (complexo dentino-pulpar) A microbiota da cárie dentinária consiste em bactérias acidogênicas/acidúricas, como Streptococcus mutans, Lactobacillus e Bifidobacterium e bactérias proteolíticas, como espécies Prevotella e Propionibacterium, apresentando variações entre a superfície oclusal e radicular devido à influência da saliva Bioquímica da Cárie e Saliva e/ou do fluido gengival. A invasão polimicrobiana da dentina e sua degradação disparam respostas inflamatórias na polpa resultando em diferentes tipos de pulpite e, em lesões muito profundas, ocorre infecção polimicrobiana na polpa dentária e risco de morte pulpar. Orientação de Dieta Dieta Apesar da grande importância da dieta no processo carioso, muitas vezes esse aspecto do tratamento é negligenciado. Mudanças de hábitos alimentares são frequentemente necessárias no tratamento da doença cárie, e isso por si só é um desafio para a equipe de saúde. O efeito das intervenções dietéticas na mudança de hábitos tem sido discutido atualmente e colocado como limitação no tratamento dos pacientes. A dieta tem um papel-chave no processo carioso, e basear o tratamento da atividade da doença somente na higiene bucal acaba sendo um equívoco comum na prática odontológica. A cárie dentária, como doença de causalidade complexa, é resultado da interação de um conjunto de determinantes biológicos e psicossociais. Crianças com diabetes controlada possuem menor experiência de cárie que crianças saudáveis. •Pessoas que trabalham em confeitarias e padarias possuem prevalência de cárie relativamente alta. •Pacientes portadores da Síndrome de Intole- rância Hereditária à Frutose, na qual os pacientes devem abster-se do uso da frutose e sacarose, apresentavam uma baixa experiên- cia de cárie, com 59% livres da doença. Além destas evidências observacionais, alguns estudos de intervenção também demonstraram a estreita relação entre consumo de açúcar e cárie dentária. •O fator mais importante para a ocorrência de cárie não é a quantidade total ingerida, mas a frequência de consumo de açúcar. •A consistência do alimento desempenha um papel relevante: quanto maior o tempo em que o alimento permanecer na cavidade bucal, mais cariogênico ele será. •Existe uma variabilidade individual, com alguns indivíduos sendo mais suscetíveis ao desenvolvimento da cárie dentária do que outros, mesmo sob condições alimentares semelhantes. O consumo de sacarose aumenta a ocorrência de cárie, porém de maneiras diferentes, de acordo com a forma de consumo. OBS: É importante lembrar que as quedas de pH utilizando-se a frutose e a sacarose são semelhantes. O EFEITO DO FLÚOR NA RELAÇÃO ENTRE DIETA E CÁRIE DENTÁRIA Orientação de Dieta Com a disseminação do flúor por meios de abrangência coletiva (água de abastecimento público fluoretada e sal fluoretado) e com a larga oferta de dentifrícios fluoretados, a relação entre dieta e flúor passou a se alterar gradualmente. No Brasil, observamos modificações significativas na prevalência de cárie a partir da década de 70, com a adição do flúor na água de abastecimentopúblico de algumas cidades, e a partir da década de 90, com a oferta de dentifrícios fluoretados no mercado nacional. Em relação ao consu-mo de açúcar, não pode ser utilizado no manejo dos pacientes com atividade de cárie. Embora o flúor tenha tido um efeito importante na redução da prevalência de cárie, ele não eliminou a doença, não tendo o poder de anular fatores causais importantes, como a dieta cariogênica e a presença de biofilme dental. Assim, a restrição do consumo de açúcar continua sendo uma parte justificável do controle da doença cárie. METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS Os carboidratos podem ser classificados, quanto à sua composição química, em monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos. Do ponto de vista nutricional, os monossacarídeos e dissacarídeos são classificados como açúcares, e os polissacarídeos, como ami- dos. Os carboidratos mais fortemente associados à cárie dentária são os açúcares, por serem facilmente fermentados pelas bactérias, embora os amidos, alimentos com alto peso molecular, possam ser degradados em moléculas menores, servindo como fonte potencial de nutrientes para as bactérias do biofilme. Diversas espécies bacterianas presentes no biofilme são capazes de metabolizar carboidratos e gerar ácidos que causam a desmineralização dos tecidos dentários. Após o consumo de açúcar, o pH do biofilme bacteriano cai bruscamente, alcançando o nível mínimo em aproximadamente 10 minutos, quando começa a retornar vagarosa- mente à neutralidade, até atingir seus valores basais em aproxima- damente 30 minutos. Sintetizar diversos tipos de polissacarídeos, sendo os polímeros de glicose e os polímeros de frutose os principais: POLÍMEROS DE GLICOSE (GLICANOS): formados pela enzima glicosiltransferase, apresentando-se como uma massa gelatinosa extracelular sobre a superfície da bactéria. Podem apresentar a maioria das ligações na posição α-1.6, sendo denominados “dextra- nos”, ou Orientação de Dieta predominância de ligações α-1.3, sendo chamados “muta- nos”. Os mutanos são altamente insolúveis e rígidos e podem formar agregados fibrosos enquanto os dextranos formam cadeias flexíveis, sendo mais solúveis. POLÍMEROS DE FRUTOSE (FRUTANOS): formados pela enzima frutosiltransferase, são polímeros extracelulares de frutose bastante solúveis, com ligações β-2.6. Estes polímeros são formados em uma extensão menor do que os glicanos. CARIOGENICIDADE DOS ALIMENTOS AÇÚCARES E AMIDOS Diferentemente dos açúcares, os amidos são moléculas grandes e complexas que necessitam da ação enzimática para serem degrada- das em moléculas menores, passíveis de utilização no metabolismo bacteriano. Dessa forma, sua cariogenicidade depende da forma de preparo dos alimentos. Durante o processamento industrial, as moléculas de amido sofrem uma série de modificações denominada gelatinização, como resultado do calor e dos processos mecânicos aos quais elas são submetidas. Quanto maior o grau de gelatiniza- ção do amido, mais suscetível ele estará à degradação enzimática, aumentando o seu potencial cariogênico. Por esta razão, o amido cru promove uma menor queda de pH do que o amido cozido. ALIMENTOS PROTETORES Enquanto alguns alimentos são vistos como “vilões” por apresentarem um alto potencial cariogênico, outros são considerados protetores, como é o caso do leite. Além de possuir lactose, um açúcar menos cariogênico, o leite é conhecido por apresentar fatores de proteção contra cárie como cálcio, fosfato e caseína. Estudos epidemiológicos recentes demonstraram o efeito positivo ou nulo do consumo de leite na ocorrência de cárie. ADOÇANTES Em virtude do reconhecido potencial cariogênico dos açúcares, uma série de adoçantes está disponível no mercado, podendo ser classifi- cados em não calóricos e calóricos. Adoçantes não calóricos, como sacarina, ciclamato e aspartame são comumente utilizados para adoçar refrigerantes, sorvetes e geleias. Por não serem metabolizados pelas bactérias do biofilme, não apresentam potencial cariogênico. DIAGNÓSTICO: COMO REGISTRAR AS INFORMAÇÕES Existem diferentes métodos para registrar as informa- ções referentes à dieta dos pacientes: o diário alimen- tar, a entrevista de 24 horas e questionários específi- cos. No diário alimentar, um formulário é entregue ao paciente e solicita-se que ele registre Orientação de Dieta todos os alimentos e bebidas consumidos por um período que varia de 3 a 7 dias. Deve ser registrado o horário de ingestão e as porções ingeridas de cada alimento. Método comumente utilizado para o registro dos hábitos alimenta- res é a entrevista de 24 horas. Neste caso, o paciente relata verbalmente ao profissional todos os alimentos e bebidas consumidos nas últimas 24 horas. Por ser realizado sem aviso prévio, reduz-se o risco de o paciente modificar sua dieta previamente ao registro.