Prévia do material em texto
Sociologia Unidade 1 – Aula 1 Interação social: é ação recíproca de ideias, atos ou sentimentos entre indivíduos (podendo também ocorrer interação entre grupos ou entre indivíduos e grupos). Ela implica na modificação de comportamento dos indivíduos ou grupos que dela participam. Além disso, pressupõe um contato social (que é diferente do contato físico, por isso, aos estarmos em um ambiente virtual, também estamos estabelecendo um contato social). Podemos interagir cooperando, competindo, conflitando, assimilando ou nos acomodando a uma situação ou circunstância. Aristóteles (384 - 322 a.C.) foi um filósofo grego que estudou na Academia de Platão e tornou-se seu discípulo aos 17 anos. Sistematizou e analisou as formas de pensamento, da retórica à lógica, introduzindo um método sistemático e formal na filosofia. Já nos primórdios da filosofia, ele considerava que o homem se faz homem na coletividade. O homem é, por natureza, um animal social. Isso quer dizer que somos mais do que seres biologicamente constituídos: somos gregários (vivemos em grupo). O processo de vida gregária, grupal e interacional influenciou e influencia quem somos, impactando nossa identidade social. Grupo social: o conjunto de três ou mais indivíduos que estabelecem uma interação social, duradoura ou não, formando a partir dessa relação um padrão específico de sociabilidade (regras, normas, hábitos, rituais etc.). Os membros do grupo passam a ter um certo grau de interdependência, reciprocidade e objetivos comuns. Importante A sociabilidade dependerá do tipo de sociedade em que vivemos. Isso porque ao sermos introduzidos em uma sociedade, já encontramos determinados padrões de comportamento criados por outras gerações a serem seguidos e remodelados pelos novos membros da coletividade. Por essa razão, necessitamos de certas ferramentas, como competências, habilidades, atitudes, o conhecimento dos códigos, das ideias, valores, crenças, normas do grupo para estabelecermos relações sociais. Quanto mais complexa for a sociedade: • Mais diversas deverão ser as ferramentas para operacionalizarmos em nosso contexto social e histórico. • Maiores serão os desafios de sociabilidade para estabelecer diálogos polissêmicos com os outros subgrupos e subculturas do mesmo contexto social. Unidade 1 – Aula 2 Sociedade O indivíduo ao nascer em uma sociedade, produz e encontra uma cultura (ou culturas), isto é, determinados padrões de comportamento a serem seguidos por todos os indivíduos. Veja as definições do Dicionário de Sociologia: INDIVÍDUO: O ser apenas biológico, que se distingue de pessoa social. PRESSÃO SOCIAL: Conjunto das influências que se exerce sobre os indivíduos ou grupos com o propósito de modificar a sua conduta, para conseguir certos objetivos claramente definidos. Com um sentido mais restrito, entende-se que é uma forma de opinião pública, cujo peso se faz valer com frequência perante os funcionários públicos ou os corpos legislativos, para levar a cabo determinadas ações a respeito de problemas sociais concretos. SOCIEDADE: Estrutura formada pelos grupos principais, ligados entre si, considerados como uma unidade e participando todos de uma cultura comum. Instituição social As instituições sociais são fundamentais para organizar a nossa forma de vida, estruturar as nossas organizações formais (seja numa empresa, escola, universidade, igreja etc.) e atuam como guias ou parâmetros para nossas ações individuais. Socialização: · Concepção clássica: Processo em que ocorre a internalização da cultura e nos integra ao modo de vida de uma determinada sociedade. Nele, o indivíduo participa de um sistema complexo de interações e se adapta às tradições culturais dos diferentes grupos que participa. · Ponto de vista da sociedade: Supõe a construção da identidade social: compartilhar características, regras e procedimentos de uma coletividade. · Ponto de vista do indivíduo: Forma a nossa identidade individual (pessoal) – tomada de consciência de si mesmo. A socialização pode: • Ser realizada de diversas maneiras, por variados agentes e em diferentes contextos sociais. • Ser deliberada ou não intencional (acontece com um objetivo previamente planejado ou não). • Ser sistemática ou assistemática. Formal/sistemática: Quando obedece a um sistema, método ou planejamento. Ex: Na escola, cada ato tem um objetivo traçado. Desde a conduta do aluno até os valores e ideias presentes nos conteúdos programáticos das disciplinas. Informal/assistemática: Quando ocorre de forma mais ampliada e flexível, sem indicar um objetivo claro. Ex: Em alguns programas de televisão são transmitidos diversos valores e conhecimentos de maneira difusa. Primária: É a primeira socialização que o indivíduo experimenta na infância, quando se estabelece uma identificação emocional com o comportamento, maneirismos e valores dos indivíduos com quem tem uma relação mais próxima. Secundária: Compreende todos os outros grupos e instituições com os quais o indivíduo irá interagir ao longo de sua vida. • Exigir contatos pessoais ou a distância. • Ser em benefício do socializador ou do socializado. • Ser democrática ou autoritária e conflitiva. A socialização não é neutra. Tanto na formação da identidade social quanto pessoal, há uma relação de poder e de representação simbólica/ideológica sobre que tipo de sociedade se deseja, que tipo de indivíduo se quer perpetuar, que ações, relações e hierarquias se deseja manter. Cultura Cada grupo social adota uma cultura, uma forma de vivência normativa que é o conteúdo da socialização institucionalizada. A cultura não é algo natural. É produto de uma luta diária. Saiba mais Cultura (colere, cultivar; cultus, cultivo) - Edward B. Tylor (1871) foi o primeiro a formular que cultura “... é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. (Cultura Primitiva). Atualmente, podemos associar a essa definição a compreensão de antropólogos contemporâneos como Clifford Geertz e Roberto DaMatta de que cultura é um código, um mapa, através do qual as pessoas de um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas. Ela também deve ser vista numa relação de poder. Ao longo do tempo, cada grupo social procura impor a outros grupos o seu padrão cultural, sua maneira de viver e de interpretar o mundo. A partir da relação “cultura e poder” perpassam os estudos das relações entre cultura de massa, cultura erudita, popular, regional etc. Ou ainda os estudos sobre as subculturas imersas na sociedade capitalista contemporânea, como alguns denominam “as tribos” urbanas que buscam construir seus espaços. A presença de novos instrumentos de sociabilidade, como as “redes sociais virtuais”, agregam mais um elemento para se estabelecer investigações sobre os conflitos de poder e competitividade entre culturas, apesar do discurso formal da construção de uma grande teia integrada da diversidade cultural. Cultura: Artefatos: Bens materiais criados pelo homem (objetos e instrumentos práticos, domésticos, rituais, arquitetônicos e artísticos). Crença: Aceitação de uma proposição por indivíduos, que a utilizam para fundamentar suas ações. Conhecimento: O saber acumulado através de gerações. Hábitos: São formas peculiares para lidar com diferentes situações, desenvolvidas e transmitidas de geração para geração por indivíduos de um mesmo povo. Esses comportamentos só se tornam padrões de ação e, consequentemente, hábitos, se obtiverem bons resultados e passarem a ser repetidos pelos indivíduos. Divisão social: Todos os grupos estabelecem relações sociais e definem posições para seus membros, que podem variar ao longo do tempo. Valores: Elementos abstratos consagrados por um indivíduo, grupo ou sociedade, que orientam suas ações. Exemplos: liberdade, sucesso, eficiência. Normas: Regras – convenções – que definem o modo de agir dos indivíduos em certas situações. Símbolos: Elementos físicos (ex:uma cruz) ou sensoriais (ex: bater palmas) aos quais os indivíduos atribuem um significado específico, como a linguagem (sistema de sinais que incorpora a visão de mundo de cada grupo). Unidade 1 – Aula 3 Há diversas definições desta ciência em função das variadas correntes teóricas, mas, em geral, todas concordam que Sociologia refere-se ao: Estudo da estrutura, organização, funcionamento e transformação da sociedade humana, especialmente a sociedade contemporânea capitalista. Envolve o conhecimento dos fenômenos sociais e das relações sociais estabelecidas pelo Homem nesse ambiente. Visa, também, contribuir, através dos métodos e técnicas de investigação científica para a solução dos problemas enfrentados pelo homem em sociedade. Importante Já preocupado com essa questão, um dos clássicos das ciências sociais, T. H. Marshall, dizia em uma aula inaugural em Londres: “Os sociólogos não deviam despender todas as suas energias na procura de generalizações amplas, leis universais e uma compreensão total da sociedade humana como tal. Talvez cheguem lá mais tarde se souberem esperar. Nem recomendo o caminho arenoso das profundezas do turbilhão dos fatos que enchem os olhos e ouvidos até que nada possa ser visto ou ouvido claramente. Mas, acredito que haja um meio-termo que se localiza em chão firme. Conduz a uma região cujas características não são nem gargantuanas nem liliputianas, onde a sociologia pode escolher unidades de estudo de um escopo manejável, não a sociedade, progresso, moral e civilização, mas estruturas sociais específicas nas quais as funções e processos básicos têm significados determinados”. (MARSHALL, T. H. Cidadania, Classe Social e Status. Rio de Janeiro, Zahar Editores. P. 32). Os autores da Sociologia Clássica trabalhavam com o tema da sociedade industrial capitalista e por isso investigaram questões como condições de trabalho, divisão do trabalho, racionalidade, modernidade (presente nos clássicos Comte, Marx, Durkheim e Weber). Isso deu origem às Sociologias por áreas de estudo: sociologia do trabalho, sociologia política, sociologia econômica, sociologia do conhecimento. Na medida em que os temas se aprofundavam, surgiram a sociologia das organizações, sociologia jurídica, sociologia da infância, da religião, sociologia da comunicação e outros. Com a complexidade da vida contemporânea, outras áreas se estabeleceram: sociologia do corpo, do lazer, midiática, do esporte, da arte, ambiental, da linguagem, da cultura etc. A sociologia geral aborda as correntes clássicas que deram origem a esses estudos e os principais conceitos que ainda hoje orientam as investigações. Boa parte dos estudos sociológicos está em descobrir quais são os tipos de relações sociais que se estabelecem em uma sociedade. Ou seja, como as pessoas se relacionam em grupo, como se relacionam nas organizações sociais formais onde atuam diariamente (empresas, escolas, repartições governamentais), e que são extensões desses grupos. E de forma mais macrossocial, como as pessoas interagem, se relacionam no sistema político da sociedade onde vivem, no sistema econômico, no universo jurídico, no mundo rural, no contexto urbano, quais as formas de relações sociais ao longo do tempo e como essas relações podem ser comparadas entre sociedades diferentes. Acima de tudo, se busca entender as causas, as consequências e as soluções para o produto dessas relações sociais, que são o que se chama de fenômenos sociais ou fenômenos sociológicos. Ex: O desemprego é um fenômeno social, e como tal sociológico, produto da forma como os homens em determinada sociedade estabelecem as relações sociais no universo econômico para produzir. Por isso podemos entender porque há mais desemprego nos Estados Unidos do que na Dinamarca). Por que o homem é um ser social? Porque o homem é um ser que vive em grupos e somente se humaniza quando adquire sociabilidade. Depende do outro, direta ou indiretamente, para sobreviver, atender suas necessidades básicas, desenvolver a linguagem e criar novas formas de vida. Por que surgiu a Sociologia? Surgiu como uma forma de saber sistematizado para analisar as questões sociais provocadas pelo advento das revoluções econômicas, políticas e sociais dos séculos XVIII e XIX na sociedade capitalista. Qual a relação entre sociedade, cultura e instituições sociais? Para sua existência a sociedade precisa que todos os indivíduos que dela participam compartilhem, minimamente, determinados padrões culturais que a definem em diversos aspectos do cotidiano. Ou seja, os indivíduos precisam da cultura (ou culturas) de seu contexto social para sobreviver em grupo e para garantir a sobrevivência da própria sociedade. A cultura por sua vez é socializada pelas diversas instituições sociais que existem na sociedade.