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09/08/2023, 15:32 ana_dis_u2_s2_wa
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Você sabia que seu material didático é interativo e multimídia? 
Ele possibilita diversas formas de interação com o conteúdo, a qualquer hora e de qualquer lugar. Mas na
versão impressa, alguns conteúdos interativos são perdidos, por isso, fique atento! Sempre que possível,
opte pela versão digital. Bons estudos! 
Nesta webaula, compreenderemos a produção da evidência, o dito e não dito, o pré-construído e o
discurso transverso, importantes conceitos da análise do discurso.
Produção da evidência
As Aventuras do Barão de Münchhausen 
Você já ouviu falar na série As Aventuras do Barão de Münchhausen? Suas histórias foram compiladas
por Rudolf Erich Raspe e publicadas em Londres em 1785. 
Exemplo
Em uma delas, o Barão de Münchhausen estava cavalgando, até que foi parar no meio do pântano e
começou a chafurdar na lama com o seu cavalo. 
Como fazer para sair dessa enrascada? 
O herói não se deixa intimidar pelo perigo e encontra uma solução para o seu problema: puxa os
próprios cabelos e, assim, tira a si próprio e o cavalo da lama.
Interpretação
O absurdo, o exagero e a fantasia dão a tônica da série. A história dessa espetacular fuga do pântano é
uma das mais famosas e é a ela que Pêcheux alude para falar sobre a evidência do sujeito como causa de
si, ou seja, o sujeito intencional como origem e criador do sentido. O autor afirma:
é preciso […] compreender […] de que modo todos os indivíduos recebem como evidente o sentido do
que ouvem e dizem, leem ou escrevem (do que eles querem e do que se quer lhes dizer), enquanto
‘sujeitos-falantes’: compreender realmente isso é o único meio de evitar repetir, sob a forma de uma
análise teórica, o ‘efeito Münchhausen’, colocando o sujeito como origem do sujeito, isto é, no caso de
que estamos tratando, colocando o sujeito do discurso como origem do sujeito do discurso
— (PÊCHEUX, 2009, p. 144).
“
”
A partir do evento do Barão de Münchhausen, podemos perceber que é impossível:
Suspender o corpo com o próprio corpo
Precisamos também de algo de fora, algo exterior, para içá-lo e movê-lo pelo ar. É a combinação
entre gestos do corpo e outros, externos, que fazem com que esse movimento possa ser realizado.
Significar as palavras por nós mesmos
Participamos do processo de significação, mas o que dizemos não tem o significado que queremos,
escolhemos intencionalmente e controlamos completamente. Há toda uma relação entre o sujeito,
a linguagem e o mundo em que vivemos, que determina o modo como os sentidos (e o próprio
sujeito) são constituídos.
Análise do Discurso
Pré-construídos do discurso
Unidade 2 - Seção 2
09/08/2023, 15:32 ana_dis_u2_s2_wa
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Relação entre dito e não dito
A relação entre o que é dito e o que não é dito pode ser compreendida discursivamente a partir do modo
como o interdiscurso (o já dito) e o intradiscurso (o que se está dizendo) se articulam, noções
fundamentais na análise do discurso.
Intradiscurso
Está no eixo horizontal (o da formulação). 
Interdiscurso
Está no eixo vertical (o da constituição). 
O dizer se instala na confluência desses dois eixos – o vertical (constituição) e o horizontal
(formulação) – e é a partir desse lugar que o sentido é produzido. É no jogo entre memória
(constituição) e atualidade (formulação) que sua significância é construída. 
Por que/como essa ilusão referencial, que nos faz pensar que somos donos das nossas palavras e de
seus significados, é produzida? Para que elementos podemos olhar para não incorrer nessa ilusão?
O processo em que o indivíduo é interpelado em sujeito (processo de assujeitamento) se constitui a
partir da identificação desse sujeito com determinada formação discursiva. Essa identificação funda
uma unidade imaginária, apagando o fato de que o sujeito (e seu dizer) resulta de um processo
histórico-social. 
Temos a impressão de que escolhemos nossas palavras e seus significados (como se fossem tudo uma
coisa só, ou seja, como se houvesse uma relação termo a termo entre linguagem, pensamento e mundo).
Os elementos que sustentam essa impressão, que a apoiam, são os do interdiscurso. Eles se apresentam
sob uma dupla forma: pré-construído e processo de sustentação. Esses traços determinam o
sujeito e são reinscritos em seu discurso, produzindo assim, a ilusão referencial.
Pré-construído e discurso transverso
Nas palavras de Pêcheux (2009, p. 158), “o sujeito se ‘esquece’ das determinações que o colocaram no
lugar que ele ocupa”. Ao investigar o processo de assujeitamento, podemos identificar o funcionamento
dessas determinações, que podem aparecer sob a forma de:
Pré-construído (encaixe)
Designa aquilo que remete a uma construção anterior e exterior (mas sempre independente), que
se opõe ao que é construído pelo enunciado. É o efeito do discurso ligado ao encaixe sintático. 
Discurso transverso (sustentação do dizer)
É formado pelo assujeitamento do sujeito ao pré-construído, sob a forma de articulação ao
intradiscurso. Quando falamos em articulação, estamos nos referindo ao modo como esses dizeres
retornam ao intradiscurso dando a ver, ao mesmo tempo, a posição-sujeito assumida por quem
enuncia e sua formação discursiva. 
Para terminar, vale ressaltar que estas duas noções são muito importantes, pois é a partir delas que
podemos passar do campo lógico-linguístico para o discursivo, o da teoria do discurso.

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