Prévia do material em texto
09/08/2023, 15:32 ana_dis_u2_s2_wa https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=geilmaarmil2019%40gmail.com&usuarioNome=GEILMA+AZEVEDO+DA+SILVA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3684115&atividadeDescri… 1/2 Você sabia que seu material didático é interativo e multimídia? Ele possibilita diversas formas de interação com o conteúdo, a qualquer hora e de qualquer lugar. Mas na versão impressa, alguns conteúdos interativos são perdidos, por isso, fique atento! Sempre que possível, opte pela versão digital. Bons estudos! Nesta webaula, compreenderemos a produção da evidência, o dito e não dito, o pré-construído e o discurso transverso, importantes conceitos da análise do discurso. Produção da evidência As Aventuras do Barão de Münchhausen Você já ouviu falar na série As Aventuras do Barão de Münchhausen? Suas histórias foram compiladas por Rudolf Erich Raspe e publicadas em Londres em 1785. Exemplo Em uma delas, o Barão de Münchhausen estava cavalgando, até que foi parar no meio do pântano e começou a chafurdar na lama com o seu cavalo. Como fazer para sair dessa enrascada? O herói não se deixa intimidar pelo perigo e encontra uma solução para o seu problema: puxa os próprios cabelos e, assim, tira a si próprio e o cavalo da lama. Interpretação O absurdo, o exagero e a fantasia dão a tônica da série. A história dessa espetacular fuga do pântano é uma das mais famosas e é a ela que Pêcheux alude para falar sobre a evidência do sujeito como causa de si, ou seja, o sujeito intencional como origem e criador do sentido. O autor afirma: é preciso […] compreender […] de que modo todos os indivíduos recebem como evidente o sentido do que ouvem e dizem, leem ou escrevem (do que eles querem e do que se quer lhes dizer), enquanto ‘sujeitos-falantes’: compreender realmente isso é o único meio de evitar repetir, sob a forma de uma análise teórica, o ‘efeito Münchhausen’, colocando o sujeito como origem do sujeito, isto é, no caso de que estamos tratando, colocando o sujeito do discurso como origem do sujeito do discurso — (PÊCHEUX, 2009, p. 144). “ ” A partir do evento do Barão de Münchhausen, podemos perceber que é impossível: Suspender o corpo com o próprio corpo Precisamos também de algo de fora, algo exterior, para içá-lo e movê-lo pelo ar. É a combinação entre gestos do corpo e outros, externos, que fazem com que esse movimento possa ser realizado. Significar as palavras por nós mesmos Participamos do processo de significação, mas o que dizemos não tem o significado que queremos, escolhemos intencionalmente e controlamos completamente. Há toda uma relação entre o sujeito, a linguagem e o mundo em que vivemos, que determina o modo como os sentidos (e o próprio sujeito) são constituídos. Análise do Discurso Pré-construídos do discurso Unidade 2 - Seção 2 09/08/2023, 15:32 ana_dis_u2_s2_wa https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=geilmaarmil2019%40gmail.com&usuarioNome=GEILMA+AZEVEDO+DA+SILVA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3684115&atividadeDescri… 2/2 Relação entre dito e não dito A relação entre o que é dito e o que não é dito pode ser compreendida discursivamente a partir do modo como o interdiscurso (o já dito) e o intradiscurso (o que se está dizendo) se articulam, noções fundamentais na análise do discurso. Intradiscurso Está no eixo horizontal (o da formulação). Interdiscurso Está no eixo vertical (o da constituição). O dizer se instala na confluência desses dois eixos – o vertical (constituição) e o horizontal (formulação) – e é a partir desse lugar que o sentido é produzido. É no jogo entre memória (constituição) e atualidade (formulação) que sua significância é construída. Por que/como essa ilusão referencial, que nos faz pensar que somos donos das nossas palavras e de seus significados, é produzida? Para que elementos podemos olhar para não incorrer nessa ilusão? O processo em que o indivíduo é interpelado em sujeito (processo de assujeitamento) se constitui a partir da identificação desse sujeito com determinada formação discursiva. Essa identificação funda uma unidade imaginária, apagando o fato de que o sujeito (e seu dizer) resulta de um processo histórico-social. Temos a impressão de que escolhemos nossas palavras e seus significados (como se fossem tudo uma coisa só, ou seja, como se houvesse uma relação termo a termo entre linguagem, pensamento e mundo). Os elementos que sustentam essa impressão, que a apoiam, são os do interdiscurso. Eles se apresentam sob uma dupla forma: pré-construído e processo de sustentação. Esses traços determinam o sujeito e são reinscritos em seu discurso, produzindo assim, a ilusão referencial. Pré-construído e discurso transverso Nas palavras de Pêcheux (2009, p. 158), “o sujeito se ‘esquece’ das determinações que o colocaram no lugar que ele ocupa”. Ao investigar o processo de assujeitamento, podemos identificar o funcionamento dessas determinações, que podem aparecer sob a forma de: Pré-construído (encaixe) Designa aquilo que remete a uma construção anterior e exterior (mas sempre independente), que se opõe ao que é construído pelo enunciado. É o efeito do discurso ligado ao encaixe sintático. Discurso transverso (sustentação do dizer) É formado pelo assujeitamento do sujeito ao pré-construído, sob a forma de articulação ao intradiscurso. Quando falamos em articulação, estamos nos referindo ao modo como esses dizeres retornam ao intradiscurso dando a ver, ao mesmo tempo, a posição-sujeito assumida por quem enuncia e sua formação discursiva. Para terminar, vale ressaltar que estas duas noções são muito importantes, pois é a partir delas que podemos passar do campo lógico-linguístico para o discursivo, o da teoria do discurso.