Logo Passei Direto
Buscar

impressao

Aula 1 de Administração da Produção e Serviços (Prof. Emerson da Silva Seixas) sobre a evolução histórica da gestão da produção, desde ferramentas pré‑históricas e era do artesão até as Revoluções Industriais e a Indústria 4.0, com marcos e mudanças produtivas.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

ADMINISTRAÇÃO DA 
PRODUÇÃO E SERVIÇOS 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Emerson da Silva Seixas 
 
 
2 
 CONVERSA INICIAL 
Conhecendo a história da administração da produção 
A manufatura tem suas raízes na pré-história, quando as primeiras 
ferramentas foram criadas para auxiliarem em atividades voltadas para atender 
às necessidades mais básicas da vida humana, como caça e pesca. Durante a 
era do artesão, a produção era realizada de forma manual e artesanal e o 
conhecimento e a habilidade do artesão eram valorizados. Com o passar do 
tempo e o avanço da tecnologia, houve uma divisão do trabalho, o que permitiu 
a especialização das tarefas e aumentou a eficiência da produção. Essa divisão 
do trabalho foi fundamental para as revoluções industriais que aconteceram ao 
longo da história. 
A Primeira Revolução Industrial, no século XVIII, foi marcada pelo 
surgimento da máquina a vapor e pela utilização de matérias-primas como 
carvão e ferro para a produção em larga escala. A Segunda Revolução Industrial, 
no século XIX, destacou-se pelo surgimento de novas tecnologias, como a 
produção em série, pelo uso de energia elétrica e pela invenção da linha de 
montagem. A Terceira Revolução Industrial, no século XX, foi marcada pelo uso 
da automação, da robótica e da informática na indústria, o que permitiu uma 
produção ainda mais eficiente e aumentou a qualidade dos produtos. Já a Quarta 
Revolução Industrial, atualmente em curso, é caracterizada pelo uso da 
inteligência artificial, da internet das coisas (IoT) e da robótica avançada, que 
estão transformando a manufatura e a forma como trabalhamos. 
Para compreender melhor os fundamentos e princípios da administração 
da produção, convidamos você a estudar esse tema e nos acompanhar nesta 
etapa. 
TEMA 1 – EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA GESTÃO DA PRODUÇÃO 
Ao longo da história, as formas de produção foram evoluindo, desde a pré-
história, quando as ferramentas eram fabricadas na Idade da Pedra, na Idade do 
Bronze e na Idade do Ferro; até a Idade Antiga, com a construção de grandes 
obras como as Pirâmides do Egito, o Parthenon da Grécia, o Fórum e as 
estradas do Império Romano. Esses sistemas de produção estão bem 
documentados no Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhague. 
 
 
3 
1.1 Era do artesão 
O período medieval (476-1453) foi marcado por vários eventos como a 
invenção da pólvora, a Queda do Império Romano e a Conquista de 
Constantinopla (hoje Istambul, na Turquia). As guerras e obstruções de rotas por 
parte dos bárbaros e outros povos tiveram um grande impacto na economia e no 
comércio da Ásia e da Europa. Como resultado, surgiram novas técnicas, para 
o desenvolvimento, que conhecemos hoje como gestão da produção. 
A Idade Moderna, que vai desde a conquista de Constantinopla, em 1453, 
até a Revolução Francesa, em 1789, é conhecida pelo domínio marítimo 
português, com grandes descobertas como a do continente americano, por 
Cristóvão Colombo (1492), a viagem de Vasco da Gama às Índias (1498) e a 
chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil (1500). Durante esse período, houve 
inúmeros avanços tecnológicos, com invenções como o astrolábio, a bússola e 
a imprensa tipográfica, que resultaram em uma revolução no desenvolvimento 
técnico e científico. O dinheiro passou a ter mais valor e as cidades e a vida 
urbana começaram a ser mais valorizadas pela burguesia, graças às feiras ao 
ar livre e ao comércio de artesanatos. 
1.2 Decadência da produção artesanal 
A Idade Contemporânea, que vai da Revolução Francesa até os dias 
atuais, começou com a corrente filosófica iluminista e o fortalecimento do 
capitalismo no Ocidente. Essa época também foi marcada pelas disputas 
territoriais entre as grandes potências europeias, incluindo as Guerras 
Napoleônicas, no século XVIII. Devido às guerras e epidemias, houve a 
necessidade de encontrar processos de produção mais eficientes e baratos, isso 
resultando na criação de processos de manufatura seriados, nos quais os 
artesãos trabalhavam por jornadas e seguiam critérios de divisão de tarefas. 
1.3 A Primeira Revolução Industrial 
A fábrica com ênfase na inspeção dos produtos surgiu na Grã-Bretanha, 
por volta de 1750, e se espalhou rapidamente para outros países, incluindo 
Portugal, França, Bélgica, Itália, Alemanha, Rússia, Japão e Estados Unidos. 
Durante esse período, várias inovações surgiram, como a máquina de fiar de 
James Hargreaves, o tear hidráulico de Richard Arkwright e o tear mecânico de 
 
 
4 
Edmund Cartwright. A máquina a vapor foi tornada viável economicamente por 
James Watt, que descobriu que poderia melhorar seu desempenho com a adição 
de um condensador de vapor. Essa inovação foi crucial para a Revolução 
Industrial, que aumentou significativamente a demanda por produtos 
manufaturados e, consequentemente, a produção. A principal forma de 
manufatura na Revolução Industrial inglesa era a tecelagem de lã, e o tear 
mecânico, inventado em 1785, substituiu rapidamente o tear manual. As 
matérias-primas eram levadas das colônias e cerca de 90% dos tecidos 
produzidos eram exportados, o que ajudou a impulsionar a economia industrial 
inglesa. Alguns autores consideram essa época como a transição da 
manufatura para a maquinofatura. 
Essa revolução resultou em mudanças significativas na sociedade, tais 
como: 
• criação de muitas fábricas; 
• utilização intensiva de máquinas; 
• organização de movimentos sindicais; 
• separação do trabalho manual do intelectual; 
• agravamento de problemas sociais; 
• mudanças na maneira como os produtos eram fabricados; 
• padronização de produtos; 
• padronização de processos; 
• mais treinamento e habilitação de mão de obra; 
• criação de hierarquias de comando interno; 
• desenvolvimento de técnicas de administração. 
TEMA 2 – DIVISÃO DO TRABALHO 
Em 1776, o início do capitalismo ocorreu, com Adam Smith sendo um dos 
principais teóricos do liberalismo econômico. Ele era professor de lógica e 
filosofia moral na Escócia e é considerado o pai da economia moderna. Sua 
obra A riqueza das nações defendia que a iniciativa privada só poderia prosperar 
se houvesse liberdade econômica total, como com a redução de custos para 
aumento da demanda, sem interferência do Estado. Outros argumentos também 
reforçavam a ideia de que a produção é resultado direto da divisão do trabalho. 
Smith descreve como a divisão do trabalho pode aumentar a produtividade. Para 
 
 
5 
isso, ele usa como exemplo uma fábrica de alfinetes, onde, antes uma pessoa 
produzia cerca de 20 unidades por dia; mas, depois que o processo de produção 
foi dividido em várias etapas e cada tarefa passou a ser realizada por uma 
pessoa diferente, o número de unidades produzidas aumentou para 48 mil por 
dia. Cada operário se especializava em uma tarefa e, com aprimoramentos no 
processo, mesmo com máquinas rudimentares, a produção aumentou 
consideravelmente. 
Além disso, Smith propôs a teoria da lei da oferta e da procura, pela qual 
ele defendeu que o mercado se autorregulava por uma mão invisível e que a 
livre concorrência entre os empresários levaria a essa regulação do mercado, a 
uma queda dos preços e a inovações tecnológicas para melhorar a qualidade 
dos produtos e aumentar a velocidade de produção. Esses conceitos deram 
origem ao modo de produção capitalista, caracterizado por um sistema político, 
econômico e social específico, que contempla: 
• fabricação destinada aos mercados; 
• sistema fabril; 
• substituição da força humana e da água pela força mecanizada; 
• relações monetárias; 
• lucro; 
• livre-iniciativa; 
• produção assalariada; 
• peças intercambiáveis; 
• linhas de montagem flexíveis. 
Smith argumenta que o trabalho coletivo de muitos é fundamental para 
atender às necessidades da sociedade, mesmo da classe mais baixa, em um 
país civilizado. Segundo ele, a produção de bens é a principal fonte de sustento 
da comunidadee a divisão do trabalho permite que os trabalhadores aumentem 
suas habilidades ao se concentrarem em uma tarefa específica. Isso também 
levaria a uma realização mais rápida das tarefas e incentivaria a invenção de 
máquinas e dispositivos para ajudar no trabalho, fortalecendo todas as áreas da 
produção e gerando prosperidade para as camadas mais pobres da população. 
A divisão do trabalho teve sua origem na diferenciação de habilidades na 
produção e na motivação de fazer mais do que a necessidade exige, se 
produzindo bens de forma mais eficiente. Isso leva a uma tendência de preços 
 
 
6 
mais baixos se o produto está disponível em abundância ou se é escasso ou 
difícil de encontrar, por isso angariar compradores dispostos a pagar mais por 
ele. 
2.1 A Segunda Revolução Industrial 
Em 1832, o renomado cientista, matemático, filósofo, engenheiro 
mecânico e inventor inglês, Charles Babbage, concebeu a ideia de um 
computador programável. Ele escreveu a obra On the economy of machinery 
and manufactures, que ampliou as ideias de Adam Smith, e apresentou 
situações interessantes para a organização e a economia da produção. 
Como o mundo dependia dos produtos industrializados produzidos por 
países como Inglaterra, França, Bélgica, Itália, Alemanha, Rússia, Japão e 
Estados Unidos, tornou-se necessário encontrar novas fontes de energia para 
suportar a produção em larga escala. Entre 1850 e 1945 (aproximadamente), 
houve então a Segunda Revolução Industrial, marcada pela invenção do motor 
a combustão usando derivados de petróleo, por usinas elétricas baseadas na 
água e usinas nucleares que utilizavam o urânio. Essas inovações 
transformaram ainda mais a produção industrial. 
As suas principais características são as seguintes: 
• mecanização e automação; 
• divisão do trabalho com mecanização e criação de ferramentas e 
dispositivos para substituir as mãos; 
• motorização para substituir a energia manual; 
• melhorias focadas na operação. 
TEMA 3 – ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA 
No final do século XIX, nos Estados Unidos, depois da Guerra da 
Secessão (também conhecida como Guerra Civil Americana), surgiu o trabalho 
da administração científica, liderado pelo engenheiro mecânico Frederick 
Winslow Taylor (1856-1915), que é considerado até hoje como o pai da 
administração científica. Ele acreditava que a administração era uma ciência. 
Taylor nasceu na Pensilvânia, Estados Unidos, e teve uma educação rigorosa e 
disciplinada, em que adquiriu conhecimentos de francês e alemão. Aos 18 anos, 
ele se matriculou na faculdade de Direito, mas acabou trabalhando como 
 
 
7 
operário em uma metalúrgica na Filadélfia. Lá, ele se formou no Instituto de 
Tecnologia de Nova Jersey, estudando Engenharia Mecânica por 
correspondência. Ele começou sua carreira na linha de produção e assim seguiu 
até se tornar engenheiro na indústria Midvale Steel, na Filadélfia. Em 1903, 
Taylor publicou o livro Shop management, no qual apresentou pela primeira vez 
um estudo sobre tempos e movimentos. 
A teoria de Taylor surgiu de suas observações do desempenho dos 
trabalhadores na Midvale Steel, em que ele percebeu que cada funcionário 
pensava que, se trabalhasse mais rapidamente, outros funcionários perderiam o 
emprego, o que resultava em um sistema administrativo falho e em trabalhadores 
obrigados a produzir mais lentamente para proteger seus interesses próprios. 
Taylor acreditava que isso resultava em cada trabalhador produzindo apenas um 
terço de sua capacidade e chamou esse processo de vadiagem sistemática. 
Concentrava-se sua teoria em analisar cada tarefa individualmente, bem como 
a execução de cada uma delas em uma hierarquia de baixo para cima. Ele 
buscava identificar pontos de melhoria e otimizar o processo produtivo, a fim de 
maximizar a eficiência e a eficácia. 
A teoria, que acabaria conhecida como administração científica, buscava 
maximizar a eficiência na execução de tarefas em uma empresa. Taylor concluiu 
que a vadiagem sistemática estava impedindo que os trabalhadores por ele 
observados alcançassem sua máxima produtividade. A teoria de Taylor tinha 
duas fases: uma de análise (rejeição de movimentos inúteis e observação de 
trabalhadores habilidosos) e outra de construção (seleção de movimentos 
elementares e definição do tempo padrão). O seu objetivo era aumentar a 
eficiência no nível operacional e maximizar a relação entre entradas e saídas, ou 
seja, input/output. Essa teoria mudou o conceito de produtividade e estabeleceu 
o melhor modo de se realizar um trabalho, com o menor custo possível. 
Em 1911, seu livro The principles of scientific management foi publicado, 
apresentando estudos sobre a administração geral e discutindo a falta de 
eficiência dos trabalhadores, o desconhecimento dos gestores sobre as rotinas 
de trabalho, o tempo gasto em uma tarefa específica e a falta de padronização 
nas técnicas e métodos de trabalho. O objetivo principal da obra era aumentar a 
eficiência dos processos por intermédio de uma análise científica sistemática do 
trabalho, garantindo a prosperidade tanto para o empregador quanto para o 
empregado. 
 
 
8 
De acordo com Taylor, os quatro princípios-chave da administração 
científica consistem nos seguintes princípios: 
1. princípio do planejamento, pelo que se visa substituir métodos 
improvisados e baseados em experiência por métodos comprovados 
cientificamente; 
2. princípio da preparação dos trabalhadores, que se concentra em 
selecionar os trabalhadores com as melhores habilidades para cada cargo 
e treiná-los adequadamente; 
3. princípio da execução, pelo que se procura distribuir atribuições e 
responsabilidades de maneira disciplinada, para maximizar a eficiência do 
trabalho; 
4. princípio do design de cargos e tarefas, que envolve separar o 
processo de montagem do produto em etapas individuais, com cada 
trabalhador ficando responsável por uma etapa específica. 
Devido aos princípios da administração científica, por cinco décadas as 
empresas americanas tiveram vantagem competitiva em comparação com as 
estrangeiras, fortalecendo a produção e o lucro de suas organizações. Essas 
ideias básicas ficaram conhecidas como taylorismo e tinham como objetivo 
principal aumentar a eficiência da produção e a quantidade de produtos 
produzidos, sem prejudicar a qualidade. O enfoque não era no avanço 
tecnológico, mas sim na administração do trabalho em todos os níveis 
tecnológicos. Algumas das propostas desse estudo incluíam que: 
• A administração tinha o controle sobre o horário de trabalho dos 
funcionários, supervisionando-os e mantendo-os sem interrupções, 
permitindo somente descansos em horários específicos, pois se 
acreditava que o ritmo lento de trabalho e a falta de eficiência eram 
prejudiciais à produção. 
• A administração tinha que entender todo o processo e estabelecer o 
tempo necessário para cada tarefa (distribuição de tempo de trabalho, e 
não permitir que os funcionários controlassem o trabalho a ser realizado. 
A organização racional do trabalho foi desenvolvida visando eliminar 
movimentos desnecessários e permitir que o trabalhador executasse suas 
tarefas de maneira mais fácil e rápida. Isso levou ao surgimento do tempo 
padrão ou standard time, o tempo médio necessário para se executar uma 
 
 
9 
atividade com qualidade e aumentar a produção, de maneira eficiente. Além 
disso, outras ideias de Taylor versavam sobre temas como: 
• Estudo da fadiga humana: o ritmo desgastante do trabalho causava 
cansaço ao operário, o que resultava em perda de concentração, erros, 
baixa eficiência de produtividade, baixa qualidade, alto índice de 
acidentes, doenças ocupacionais e rotatividade de funcionários. 
• Divisão especializada dos operários: a análise do trabalho e dos 
tempos e movimentos permitiu que cada trabalhador se especializasse 
em uma função, para executá-la com maior habilidade. 
• Divisão de cargose tarefas: cada cargo deveria ter suas próprias 
especificações, incluindo a descrição das atribuições a serem 
desempenhadas e a sua relação com os outros cargos. 
• Incentivos salariais, condições de trabalho e prêmios por 
produtividade: salários fixos, mas com um acréscimo variável, foram 
estabelecidos como estímulo para aumentar a produção e se iniciou o 
estudo ergonômico, valorizando o conforto do trabalhador e o ambiente 
físico. 
• Padronização: métodos científicos foram empregados para obter 
uniformidade nos produtos e reduzir os custos. 
• Supervisão funcional: os trabalhadores eram gerenciados por 
supervisores especializados, em vez de uma autoridade centralizada. 
• Homem econômico: o ser humano é motivado por gratificações salariais, 
econômicas e materiais. 
Antigamente, as organizações eram vistas como sistemas fechados, ou 
seja, sem influências externas. No entanto, atualmente, devido à globalização e 
à intensa concorrência, é necessário que as empresas adotem um sistema 
aberto e dialético, que considera tanto as condições internas quanto as externas 
que afetam seus negócios. Essa é a visão da teoria geral dos sistemas e da 
gestão por processos. 
Os seguidores dos estudos de Taylor são listados na Figura 1 e abordados 
a seguir. 
 
 
 
 
10 
Figura 1 – Seguidores de Taylor 
 
Carl Georg Lange Barth foi um matemático e engenheiro mecânico 
nascido em Oslo, Noruega. Ele aperfeiçoou e tornou popular o uso da régua de 
cálculo logarítmico na administração científica. Ele trabalhou com Taylor, que o 
considerava um gênio na matemática, para aplicar problemas matemáticos 
complexos a experimentos de corte de metais na Bethlehem. Barth ensinou 
administração científica na Universidade de Chicago de 1914 a 1916, em 
Harvard de 1911 a 1916 e de 1919 a 1922. Ele tinha orgulho de ser chamado de 
discípulo mais ortodoxo de Taylor. 
Henry Laurence Gantt era um engenheiro mecânico que trabalhava com 
Taylor no Departamento de Engenharia da Midvale Steel. Ele patenteou seis 
invenções com Taylor, incluindo o gráfico de Gantt para o sistema de pagamento 
por incentivo tarefa-bônus. O gráfico de Gantt destacava as tarefas específicas 
e as recompensas adequadas a cada trabalhador da organização e controlava o 
desempenho e o tempo de execução de cada um em relação ao que havia sido 
planejado. Atualmente, o gráfico de Gantt é amplamente utilizado em muitas 
aplicações e variações em empresas de produção ou serviços. 
Harrington Emerson foi um engenheiro ferroviário americano e um dos 
principais seguidores de Taylor. Embora seja pouco conhecido atualmente, ele 
é considerado o precursor da administração por objetivos de Peter F. Drucker. 
Ele procurou simplificar métodos de trabalho, padronizar operações e enfatizar 
a importância da disciplina, do respeito e do planejamento para o sucesso 
organizacional. Além disso, ele desenvolveu os primeiros trabalhos sobre 
seleção e treinamento de funcionários, conhecidos como princípios de 
rendimento ou eficiência de Emerson, que são: 
a. Planejamento claro e de acordo com objetivos 
b. Prevalência do bom-senso 
c. Liderança e supervisão competentes 
d. Disciplina 
Administração Científica
Frederick Winslow Taylor
Carl Barth
(1860-1939)
Henry 
Lawrence Gantt
(1861-1919)
Harrington 
Emerson
(1853-1931)
Frank Gilberth
(1868-1924)
Lilian Gilberth
(1878-1961)
Morris L. Cooke
(1872-1960)
 
 
11 
e. Honestidade e justiça social 
f. Registros precisos e atualizados 
g. Remuneração proporcional ao desempenho 
h. Normas padronizadas para as condições de trabalho 
i. Normas padronizadas para as tarefas 
j. Normas padronizadas para as operações 
k. Instruções claras 
l. Concessão de incentivos para aumentar o desempenho e a eficiência no 
trabalho 
Frank e Lillian Gilbreth foram um casal pioneiro na utilização dos 
estudos dos tempos e movimentos (ETMs). Eles estudaram os trabalhadores e 
investigaram a fadiga humana por meio de uma equação: 
e = p
r
 onde: 
 
e = eficiência 
p = produtos resultantes 
r = recursos utilizados 
Os Gilbreths usaram 18 therbligs para estudar a eficiência dos 
movimentos dos trabalhadores e para identificar maneiras de aumentar a sua 
produtividade e reduzir a sua fadiga. Eles também se concentraram em como o 
design do trabalho afeta a eficiência e em como melhorar o projeto do trabalho 
para maximizar a eficiência. Os 18 therbligs consistem em: 
1. Buscar 
2. Selecionar 
3. Agarrar 
4. Alcançar 
5. Mover 
6. Segurar 
7. Soltar 
8. Posicionar 
9. Preposicionar 
10. Inspecionar 
11. Montar 
12. Desmontar 
13. Usar 
14. Demora evitável 
 
 
12 
15. Demora inevitável 
16. Planejar 
17. Descansar 
18. Encontrar 
Morris Cooke aplicou os princípios da administração científica tanto na 
administração pública quanto na educação, tendo realizado um trabalho notável 
na prefeitura de Filadélfia. Isso mostrou que essa abordagem podia ser aplicada 
em diferentes tipos de organizações. Cooke também fez algumas observações 
sobre as administrações universitárias, sugerindo que elas deveriam dar maior 
importância à qualidade do ensino e estimular a participação dos trabalhadores 
na criação de novos métodos de realização de tarefas, diferentemente da visão 
de Taylor, que afirmava que apenas especialistas em análise de trabalho 
poderiam ter tal ideia. 
TEMA 4 – TEORIA CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO 
Outro importante teórico da ciência da administração foi Jules Henri Fayol, 
um engenheiro de minas francês nascido em Constantinopla, em 1841. Ele é 
considerado o fundador da teoria clássica da administração e publicou a obra 
Administração industrial e geral em 1916 (em francês, Administration industrielle 
et générale). Fayol desenvolveu 14 princípios básicos da administração, que 
podem ser estudados em conjunto com os princípios propostos por Taylor e são 
considerados fundamentais na compreensão da teoria clássica da 
administração. 
Os 14 princípios de Faiol são: 
1. Divisão do trabalho: especialização de todos os funcionários para 
aumentar a eficiência e a produtividade da empresa. 
2. Autoridade e responsabilidade: autoridade para dar ordens e 
responsabilidade para cumpri-las. 
3. Disciplina: capacidade de se manter focado(a) nas tarefas estabelecidas, 
para alcançar resultados. 
4. Unidade de comando: cada funcionário deve receber ordens de apenas 
um chefe ou líder. 
5. Unidade de direção: controle único na direção de todas as operações 
com um mesmo objetivo. 
 
 
13 
6. Subordinação dos interesses particulares aos gerais: os interesses 
da organização devem ser priorizados em relação aos interesses 
individuais dos funcionários. 
7. Remuneração do pessoal: uma remuneração justa para funcionários e 
empregadores, incluindo pagamentos diários por tarefa, por peça 
produzida, prêmios, participação nos lucros e subsídios. 
8. Centralização: concentração de autoridade no topo da hierarquia 
organizacional. 
9. Hierarquia: a estrutura hierárquica vai do nível mais alto ao mais baixo 
da organização. 
10. Ordem: deve-se manter a ordem material e social na organização, 
preservando um lugar para cada coisa. 
11. Equidade: precisa-se reconhecer os direitos de todos, com bom-senso e 
justiça. 
12. Estabilidade do pessoal: a estabilidade dos funcionários é importante 
para a performance da organização e um moral elevado dos funcionários. 
13. Iniciativa: capacidade de estabelecer planos e garantir o sucesso. 
14. União do pessoal: o trabalho deve ser realizado de forma harmônica e 
unida, facilitado pela comunicação dentro da equipe. 
Figura 2 – Diferenças entre as teorias de Fayol e Taylor 
Abordagem Clássica da Administração 
 
Administração Científica 
 
Teoria Clássica 
 
Taylor 
 
Fayol 
 
Centra-se no método, para 
que o trabalho seja mais 
eficiente 
 
Centra-se na organização geral 
 
Ênfase nas tarefas, com 
estudo dos recursos 
humanos envolvidos 
 
Ênfase na estrutura,com estudo da 
administração e da direção da empresa 
 
 
14 
No início do século XX, a produção em massa começou e, durante a 
Primeira Guerra Mundial, houve problemas com a qualidade dos produtos, 
devido à grande demanda de material bélico, o que levou à criação da figura do 
inspetor de qualidade. No entanto, isso aumentou o custo e o tempo de 
produção. Antes de 1913, a indústria automobilística era inteiramente feita à 
mão, mas Henry Ford mudou isso ao dividir tarefas em operações 
especializadas. Durante a Segunda Guerra Mundial, a qualidade tornou-se 
crítica e a inspeção foi 100% substituída pelo controle por amostragem. Isso 
levou à criação do controle estatístico da qualidade (CEQ) e do controle 
estatístico de processo (CEP), baseados em técnicas de amostragem. A 
intercambialidade de peças também foi resultado dessas mudanças na indústria 
bélica. 
A qualidade total surgiu, nos Estados Unidos, como resposta à revolução 
da qualidade no Japão, após a Segunda Guerra Mundial. Joseph M. Juran, W. 
Edwards Deming e Armand V. Feigenbaum trabalharam com Kaoru Ishikawa 
para aplicar conceitos do controle de qualidade à indústria japonesa. 
4.1 A Terceira Revolução Industrial 
Durante a Segunda Guerra Mundial, surgiu a administração baseada nas 
relações humanas, também conhecida como behaviorismo, uma abordagem que 
enfatiza o comportamento e o respeito pelos aspectos humanos. O psicólogo 
australiano George Elton Mayo, entre outros, argumentou que é preciso prestar 
atenção ao fator humano para alcançar bons resultados na produção e 
administração. Mayo ficou famoso com sua pesquisa Hawthorne studies, 
realizada em Hawthorne, Chicago, nos Estados Unidos. 
Atualmente, alguns princípios estudados em épocas passadas ainda são 
aplicados, tais como: 
• Produção como resultado da integração social 
• Importância do comportamento dos funcionários para a sociedade 
• Concessão de incentivos e punições sociais 
• Concepção de grupos informais 
• Prática de relações interpessoais 
• Relevância dos cargos 
• Ênfase nas dimensões emocionais 
 
 
15 
Durante os anos 1940, a administração se concentrou em melhorar os 
sistemas de produção. Foi então que surgiu a pesquisa operacional 
(operational research) e as ciências administrativas (management science), 
que utilizavam métodos quantitativos para solucionar problemas. Das teorias 
mais populares na área de gestão de pessoas são as teorias X e Y de Douglas 
McGregor (1960), descritas no livro The human side of enterprise. 
A teoria X, também conhecida como hipótese da mediocridade das 
massas, sustenta que os trabalhadores do tipo X apresentam os seguintes 
traços: 
• serem preguiçosos e desanimados; 
• precisarem de incentivos, punições e fiscalização; 
• mostrarem-se rresponsáveis e sem ambições. 
De acordo com a teoria Y, os trabalhadores do tipo Y enxergariam suas 
tarefas cotidianas como algo agradável e partiriam do princípio de que as 
pessoas não são preguiçosas. Assim esses trabalhadores: 
• naturalmente usam seus corpos e mentes; 
• operam de forma voluntária; 
• só trabalham mediante pagamento adequado; 
• são responsáveis; 
• possuem habilidades para solucionar problemas. 
A fábrica automotiva da Volvo localizada em Gotemburgo, na Suécia, 
instalada em 1927, passou por muitas transformações ao longo dos anos. Em 
1968, o engenheiro Emti Chavanmco desenvolveu o sistema de produção 
reflexivo, conhecido também como sistema Volvo, volvismo ou sistema de 
produção pós-fordista. Seus objetivos centrais são: 
• eliminar a monotonia e a sensação de opressão; 
• atingir um alto nível de automação. 
A introdução da estatística na indústria resultou no CEQ, baseado em 
técnicas de amostragem em vez de em uma inspeção completa. Walter A. 
Shewhart (1931) foi um dos primeiros a fornecer um caráter científico a essa 
proposta, em sua obra Economic control of manufactured product. William 
Edwards Deming, que treinou as indústrias americanas durante a Segunda 
Guerra Mundial, convidou Shewhart para ensinar sobre o CEQ. Durante a 
 
 
16 
ocupação aliada no Japão, Deming se reuniu com a União de Cientistas e 
Engenheiros Japoneses (Juse) para introduzir o CEQ na indústria japonesa, o 
que resultou na grande transformação dessa indústria após a Segunda Guerra 
Mundial. Shewhart também introduziu o ciclo plan, do, check, act (PDCA), que 
é uma abordagem cíclica e ordenada para a melhoria contínua de processos e 
produtos. 
Esse processo de análise de problemas consiste em quatro fases: 
1. Planejamento – onde há um planejamento, treinam-se os profissionais e 
definem-se as variáveis relevantes. 
2. Execução – coletam-se medidas. 
3. Verificação – verificam-se e analisam-se os dados coletados e suas 
causas. 
4. Ação – corrigem-se ou eliminam-se as causas dos dados coletados e o 
processo começa novamente, com uma nova etapa de planejamento. 
 
Crédito: Maxx-Studio/Shutterstock. 
A versão mais recente do PDCA enfatiza a observação e o monitoramento 
da situação atual e é amplamente utilizada no sistema de produção Toyota lean 
manufacturing. Durante a Guerra Fria, a qualidade se tornou uma questão 
gerencial, pois 80% dos problemas de qualidade eram devidos a falhas 
gerenciais na comunicação. A escola de recursos humanos, que estudou a 
https://www.shutterstock.com/g/maxxyustas
http://www.shutterstock.com/subscribe?clicksrc=inline_thumb
 
 
17 
motivação humana, produziu novos conceitos e técnicas gerenciais na área da 
qualidade. A teoria da administração da qualidade de sistemas e os princípios 
do controle total da qualidade levaram à garantia de qualidade para o cliente. 
Armand V. Feigenbaum defendia a criação de um departamento de engenharia 
da qualidade, nas empresas, para coordenação e assessoria aos outros setores. 
Ele acreditava que era crucial fazer as coisas certas desde o início. Com essa 
filosofia, houve uma evolução nos conceitos de qualidade. Em 1961, 
Feigenbaum apresentou uma versão aprimorada das proposições publicadas 
dez anos antes, no que chamou de total quality control engineering and 
management (TQC), que abrange de maneira sistêmica todas as áreas de uma 
empresa, incluindo: 
• marketing; 
• projeto; 
• desenvolvimento; 
• aquisição; 
• fabricação; 
• inspeção e testes; 
• expedição; 
• instalação; 
• assistência técnica. 
Na era do TQC, o cliente foi colocado no centro das atenções das 
organizações, que passaram a atender às suas necessidades e expectativas. 
Toda a empresa tornou-se responsável pela garantia da qualidade dos produtos 
e serviços, incluindo a confiabilidade e a manutenibilidade. Dessa forma, todos 
trabalhavam juntos para garantir a qualidade dos produtos e serviços. A gestão 
japonesa enfatizava a preparação filosófica dos profissionais. A qualidade foi 
vista como algo fundamental, encontrando-se: 
• na visão tradicional; 
• na conformidade com as especificações; 
• embutida nos produtos e serviços; 
• nos desejos e interesses do cliente. 
Após a Segunda Guerra Mundial, a economia japonesa estava devastada. 
Nesse contexto, o engenheiro japonês Eiji Toyoda, proprietário da Toyota Motor 
 
 
18 
Company, juntamente com o engenheiro industrial Taiichi Ohno, destacaram três 
pilares fundamentais na filosofia de gestão: 
1. Ênfase na qualidade do processo 
2. Luta incansável contra o desperdício 
3. Respeito ao ser humano 
Além desses três pilares, Eiji Toyoda e Taiichi Ohno definiram sete tipos 
de desperdício e implementaram uma estratégia para eliminá-los. Essa 
abordagem para eliminar desperdícios tornou-se a base do sistema Toyota de 
produção (STP), que foi introduzido no Ocidente com o nome lean 
manufacturing. A seguir estão os sete tipos de desperdícios identificados pela 
Toyota: 
1. Superprodução 
2. Espera (tempo sem trabalho) 
3. Processamento desnecessário 
4. Excesso de processos ou realização de processos incorretos 
5. Excesso de estoque 
6.Movimento desnecessário 
7. Defeitos (retrabalho) 
A lean manufacturing é uma metodologia que visa à eliminação de 
desperdícios no processo produtivo. É um sistema de gerenciamento da 
produção que busca aumentar o lucro por intermédio da redução de custos, 
identificando e eliminando atividades que não agregam valor (NAV) ao produto, 
permitindo assim destacar as atividades que realmente agregam valor (AV). 
Apresentado em 1990 pelos pesquisadores do Instituto de Tecnologia de 
Massachusetts (MIT) Womack, Jones e Roos, no livro A máquina que mudou o 
mundo, a lean manufacturing é uma alternativa mais eficiente, flexível, ágil e 
inovadora do que a produção em massa fordista, mais apta a um mercado em 
constante mudança. 
Atualmente, uma empresa precisa reduzir seus prejuízos para obter lucro. 
Além disso, outros princípios foram adotados na manufatura enxuta, tais como: 
• Just-in-time (JIT): é um sistema de gestão de produção que visa 
minimizar custos e estoques, que parte do princípio de se produzir ou 
adquirir somente o necessário, quando se fizer necessário e a um preço 
justo. É aplicável tanto em indústrias quanto em empresas de serviços. 
 
 
19 
• Engenharia simultânea (concurrent engineering – CE): é uma técnica 
para aumentar a eficiência produtiva e aplicar os princípios do JIT para 
melhorar a qualidade, o tempo de ciclo produtivo e a rentabilidade desde 
a fabricação do produto até a sua entrega ao consumidor, requerendo 
parcerias estratégicas entre fabricantes e fornecedores. 
• Tecnologia de grupo: filosofia produtiva que maximiza a eficiência na 
produção de peças e componentes similares. 
• Células de produção: são grupos de estações de trabalho unidas para 
integrar operadores e postos de apoio, no processo produtivo. 
• Consórcio modular: é uma forma de terceirizar processos e mão de obra 
em que diferentes empresas trabalham juntas, em uma mesma fábrica. 
• Desdobramento da função qualidade (QFD): também conhecido como 
casa da qualidade, é um método que tem como objetivo projetar a 
qualidade de um produto ou serviço, de forma sistêmica. 
• Comakership: em português, significa cofabricação, e se trata de uma 
parceria entre cliente e fornecedor para gerenciamento ativo de produtos 
e projetos, garantindo contratos de fornecimento de longo prazo. 
• Manufatura integrada por computador (computer integrated 
manufacturing – CIM): é a integração completa da operação de 
fabricação em sistemas de computadores. 
• Benchmarking: é o processo de encontrar e aprender com as melhores 
práticas, em empresas que têm desempenho superior. 
• Produção customizada: é a produção de produtos personalizados, para 
atender às necessidades do consumidor. 
• TQC: busca satisfazer tanto os clientes quanto as empresas. 
• Sistemas flexíveis de manufatura: são conjuntos de máquinas 
interligadas e versáteis, voltadas para vários propósitos de produção. 
Nas décadas de 1980 e 1990, houve um aumento na preocupação com a 
qualidade e o envolvimento humano nesse esforço. Isso resultou na criação de 
prêmios de qualidade, na adoção das normas ISO 9000, no uso da tecnologia 
da informação para controle de qualidade e na criação de leis de proteção ao 
consumidor. 
 
 
 
 
20 
TEMA 5 – A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 
Em 2010, a procura por produtos personalizados e a facilidade de acesso 
às tecnologias habilitadoras começaram a ser observadas. O surgimento das 
fábricas inteligentes, conhecidas como smart factories, levou à Quarta 
Revolução Industrial, também conhecida como indústria 4.0. Essa revolução 
tecnológica é descrita como a mudança fundamental na forma como vivemos, 
trabalhamos e nos relacionamos, sendo diferente de qualquer coisa 
experimentada antes. Ela produziu uma grande mudança nas áreas da 
industrialização, da engenharia genética e da neurotecnologia, que eram, antes, 
áreas desconhecidas para muitos. A revolução não é definida como um conjunto 
de tecnologias emergentes, mas sim como a interferência na velocidade, no 
alcance e no impacto da tecnologia em quase todas as indústrias do mundo. A 
automação total das fábricas é uma tendência e pode levar à produção 
independente da ação humana, graças a tecnologias como internet móvel, 
sistemas ciberfísicos, nanotecnologia, neurotecnologia, biotecnologia, sistemas 
de armazenamento de energia, drones e impressoras em terceira dimensão 
(3D). Tudo isso é possível graças à IoT e à computação na nuvem. 
Embora algumas dessas tecnologias tenham sido desenvolvidas na 
Terceira Revolução Industrial, como softwares, hardwares e internet, elas ainda 
estão em constante evolução, adaptando-se. De acordo com relatório do Boston 
Consulting Group (BCG), as nove tecnologias principais da indústria 4.0 são: 
1. Robôs automatizados (robôs colaborativos – cobots): possibilidade 
de interação entre máquinas e humanos, com uso de robôs flexíveis e 
cooperativos. 
2. Manufatura aditiva: produção de peças complexas com impressoras 3D, 
sem necessidade de moldes físicos. 
3. Simulação: teste, correção e otimização de processos e produtos ainda 
na sua fase de concepção. 
4. Integração horizontal e vertical de sistemas: automação de cadeia de 
valor, por meio da digitalização de dados. 
5. Internet industrial das coisas (IIoT): conexão de máquinas por sensores 
e dispositivos, com centralização e automação do controle e produção. 
6. Big data & analytics: detecção de falhas, otimização de produção, 
controle de consumo de energia e eficiência no uso de insumos. 
 
 
21 
7. Computação na nuvem (cloud computing): manutenção de bancos de 
dados acessíveis em qualquer lugar do mundo, por meio de dispositivos 
conectados à internet. 
8. Segurança cibernética (cyber security): comunicação mais segura e 
confiável. 
9. Realidade aumentada (augmented reality): sistemas que executam 
vários serviços, como seleção de produtos e instruções de reparação. 
Além dos benefícios de aumento da produtividade e substituição do 
trabalho humano por recursos tecnológicos, a indústria 4.0 também terá diversos 
outros impactos. Além dos já mencionados, há ainda outros aspectos a serem 
considerados, tais como: 
a. Rastreabilidade: é a utilização de tecnologias como identificação por 
radiofrequência (Rfid), código de barras, 2D Datamatrix e QR Code para 
gerenciamento de ativos nas fábricas, cadeias de suprimentos e sistemas 
de fabricação. Isso gera segurança, confiabilidade e transparência desde 
a criação do produto até o seu descarte. 
b. Visão artificial: são tecnologias ópticas usadas para processos de 
controle de qualidade e assistência na fabricação de produtos. 
c. Cyber physical system (CPS): são sistemas complexos que permitem a 
comunicação digital no processo industrial e controle de produção, 
melhorando desempenho e eficiência. 
d. Manutenção preditiva: é a monitoração periódica de máquinas ou 
equipamentos com o objetivo de prever possíveis paradas para 
manutenção. 
5.1 Organizações 
O Brasil segue as diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU) e, 
como resultado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) adota a 
Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae), que identifica três 
setores principais na economia: o setor primário, o setor secundário e o setor 
terciário. 
• Setor primário: envolve organizações relacionadas à exploração de 
recursos naturais, incluindo terra, água e recursos minerais. 
 
 
22 
• Setor secundário: consiste em organizações relacionadas à manufatura, 
o que envolve a transformação de produtos e serviços em bens finais. 
Alguns exemplos disso incluem as indústrias metalúrgica, alimentícia, do 
vestuário e da cerâmica. 
• Setor terciário: é composto por organizações de serviços que podem 
fornecê-los para empresas dos setores primário e secundário ou 
diretamente aos consumidores. Esse setor é subdividido em categorias, 
incluindo comércio, alojamento e alimentação, transportes, 
comunicações,serviços financeiros, atividades imobiliárias, 
Administração Pública e outros serviços. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, procurou-se demonstrar, de forma clara, que a manufatura 
teve sua origem na pré-história e evoluiu com o passar do tempo e as quatro 
Revoluções Industriais que abordamos. A Primeira Revolução Industrial, no 
século XVIII, nos legou a máquina a vapor e a utilização de matérias-primas. A 
Segunda Revolução Industrial, no século XIX, produziu novas tecnologias como 
de produção em série e uso de energia elétrica. A Terceira, no século XX, teve 
como destaque o uso da automação, da robótica e da informática na indústria. 
Já a Quarta Revolução Industrial, em curso, é marcada pelo uso da inteligência 
artificial, da IoT e da robótica avançada, transformando a manufatura. 
	CONVERSA INICIAL
	Conhecendo a história da administração da produção
	FINALIZANDO

Mais conteúdos dessa disciplina