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Hipertensão Portal e Cirrose 01- Revisar morfofisio do fígado e sistema porta 02- Compreender a epidemio, etiologia, fisiopato, complicações, MC, diagnostico, tratamento da hipertensão nervosa portal e cirrose hepática 03- Entender os efeitos do alcoolismo nas relações sociais e familiares revisão morfofisio do fígado e sistema porta maior órgão interno do corpo, maior glândula – 1,36kg -Com exceção da gordura, todos os nutrientes absorvidos pelo SD são levados primeiro ao fígado, pelo sistema venoso porta. é responsável pela secreção de bile e armazenamento de glicogênio. -Bile: sai do fígado pelos ductos biliares ductos hepáticos direito e esquerdo ducto hepático comum ducto cístico ducto colédoco - Produção continua e armazena-se na vesícula biliar Anatomia -Fica do QUADRANTE SUPERIOR DIREITO, abaixo da superfície inferior do diafragma. -QSD é protegido pela caixa torácica – c 7-9 – e diafragma, sendo que sai do lado direito e chega ao mamilo esquerdo Faces do fígado: Face DIAFRAGMÁTICA: anterior, superior e posterior. -é lisa e tem formato de cúpula, se relaciona com o diafragma, separada em dois pelo ligamento falciforme. -Recoberta por peritônio, menos na área nua do fígado que este está em contato direto com o diafragma. -Tem nele o sulco da veia cava Face VISCERAL: inferior -Recoberta por peritônio, menos na fossa da vesícula biliar e porta do fígado, tem muitas fissuras por causa do seu contato com outros órgãos. -Recesso hepatorrenal = bolsa de Morison: situada entre a face visceral e o rim, recebe o liquido drenado da bolsa omental e se relaciona anteriormente com o recesso subfrenico direito. -Recessos são espaços virtuais Ligamento coronário é o que sustenta o fígado. Que é uma parte inferior do diafragma. Fissuras e ligamentos Fissura Sagital direita: sulco contínuo, formado pela fossa da vesícula biliar (anteriormente), e pelo sulco da veia cava (posteriormente) Fissura Umbilical (sagital esquerda): sulco continuo, formado anteriormente pela fissura do ligamento redondo e posteriormente pela fissura do ligamento venoso. Ligamento Redondo: É um cordão fibroso que representa a veia umbilical fetal degenerada. Ligamento venoso: remanescente fibroso do ducto venoso fetal, que desviava o sangue da veia umbilical para a VCI lobos · 2 lobos anatômicos e 2 lobos acessórios LOBOS: direito e esquerdo, separados por um septo de tecido conectivo = ligamento falciforme -Lobo direito é o maior. Lobos quadrado e caudado, são d’ do lobo direito do fígado, funcionalmente distintos. -Lobo quadrado: situa-se entre a vesícula biliar e o ligamento redondo do fígado. - Lobo caudado: situa-se entre a veia cava inferior (VCI), o ligamento venoso e a veia porta do fígado. É considerado um 3º fígado, pois possui vascularização independente da bifurcação da tríade portal e drenado diretamente para a veia cava inferior. Subdivisão funcional -Cada parte recebe seu próprio ramo primário da artéria hepática e veia porta. Sendo drenado pelo seu próprio ducto hepático. Divido em direito e esquerdo - Tem 8 regiões cirurgicamente ressecáveis, servidos por ramos diferentes da tríade portal. Drenagem linfática -Linfa é drenada pelas tríades portais intralobulares. E é produzida nos espaços perissinusoidais. -Vasos linfáticos Superficiais -Vasos linfáticos Profundos Inervação - Vão se derivar do plexo hepático, que teve origem nas fibras simpáticas do plexo celíaco e parassimpáticas dos troncos vagais posteriores e anteriores. -O plexo hepático acompanha os ramos da artéria hepática e da veia porta até o fígado. -Acompanham a tríade portal. Ductos hepáticos -Os ductos hepáticos transportam a bile pra fora do fígado. - Ductos hepáticos direito e esquerdo unem-se para formar um ducto hepático comum. -Ducto cístico da vesícula biliar + ducto hepático comum ducto biliar comum - Ducto biliar comum + ducto pancreático = ampola hepatopancreatica vai se abrir na papila duodenal maior Sistema porta TRÍADE PORTAL: ducto colédoco, artéria hepática e veia porta -Vascularização dupla -Venosa dominante e arterial menor -sangue portal tem 40% + oxigênio que o sangue que retorna ao coração. -1/3 sangue é da arteria hepática pra dar O2, outros 2/3 vem da veia que é para dar nutrientes e outras substancias que vem do intestino. -Veia porta e artéria hepática se bifurcam formando o ramo direito e esquerdo, suprindo as regiões respectivas do fígado Veia porta -Formada pela união das veias mesentéricas superior e esplênica. -Todo o sangue do TGI vai pro fígado. Artéria hepática -é um ramo do tronco celíaco - artéria hepática comum - do tronco celíaco até a origem da artéria gastroduodenal, - e artéria hepática própria (da origem da artéria gastroduodenal até a bifurcação da artéria hepática própria) HISTOLOGIA -Cápsula de tecido conectivo. -Placas de Hepatócitos: irradiam a partir da veia central de cada lóbulo – raios de uma roda. -Hepatócitos são as células funcionais do fígado. -sinusoides hepáticos: são os espaços entre as placas de hepatócitos, que são canais sanguíneos. -Sinusoides hepáticos: são capilares sanguíneos, permeáveis entre fileiras de hepatocitos. Vão receber sangue oxigenado de ramos da artéria hepática, e nutrientes dos ramos da veia porta. -nos sinusoides temos os fagócitos fixos = células estreladas- destroem eritrócitos e leucócitos envelhecidos, bactérias e outras substancias. -hepatócitos formam arranjos tridimensionais – lâminas hepáticas bem ramificadas -os sulcos entre hepatocitos vizinhos possuem canalículos pra onde os hepatócitos secretam bile. -canaliculos de bile: pequenos ductos entre os hepatócitos que coletam bile produzida pelos hepatocitos. FISIOLOGIA metabolismo nutrientes – ciclo de Krebs – gliconeogênese... Produz proteínas, hormônios (sexuais, androgênios...) desintoxicação, metabolização medicamentos, álcool metaboliza a bile metabolismo da bile -Hemácias velhas – destruição no baço = hemocaterese -O grupo heme – possui Fe e bilirrubina (vem da hemoglobina) -Bilirrubina vai pro fígado – não conjugada/indireta -No fígado vai ser conjugada = bilirrubina direta – liberada junto da bile -bilirrubina no intestino é convertida em urobilinogênio, pela ação das bactérias, parte volta ao fígado, outra na urina, e outra é oxidada = urobilina estercobilina – fezes cor escura. CIRrose hepática -é o mais alto grau da fibrose; é uma via final de uma lesão hepática crônica e persistente em individuo geneticamente predisposto. Na qual acarretará fibrose e formação nodular difusa, com desorganização da arquitetura lobular e vascular do órgão -Temos nela nódulos parenquimatosos circundados por faixas densas de fibrose em todo o fígado, convertendo a capsula hepática que era lisa em superfície irregular, com áreas deprimidas de cicatrização e nódulos regenerativos protuberantes. epidemiologia -Independe de raça, idade e gênero -40% assintomático (BRITO,2022) -Datasus: maior incidência de mortalidade na região sudeste do Brasil (BRITO, 2022) -maior número de mortes: homens etiologia Dç hepática alcoólica – 70% Hepatites virais crônicas – 10% doenças metabólicas -10% doenças autoimunes, hereditárias ( Wilson, hemocromatose), obstrução biliar, hepatite medicamentasoa e toxica, doenças vasculares. -Estima-se que a hepatite C crônica e a doença hepática alcoólica sejam responsáveis por cerca de 80% dos casos de cirrose no Brasil! DOENÇA HEPÁTICA ALCOÓLICA - A DHA evolui através de três estágios sucessivos: esteatose (gordura), esteato-hepatite (inflamação pela gordura) e cirrose; - Excesso de etanol absorvido pela circulação porta é metabolizado na região centrolobular (onde há mais enzimas álcooldesidrogenase) → alto consumo de oxigênio → hipóxia centrolobular → prejudica o funcionamento das mitocôndrias → acumulo de ácidos graxos → esteatose. - O principal metabólito do etanol é o acetaldeído → neoantígenos → resposta imune → processo necroinflamatório → hepatite → fibrose e cirrose. EHNA- esteatose hepática não alcóolica: - Síndrome metabólica → Resistenciaà insulina; - Acúmulo de gordura dentro da célula: A RI- resistência insulina induz: -aumento da lipólise periférica; -aumento da captação hepática de lipídios; - aumento na biossíntese de triglicerídeos. - diminuição na beta oxidação mitocondrial; Desenvolvimento de inflamação: - Ácidos graxos em excesso são verdadeiras toxinas! - Disfunção mitocondrial → Esteatose hepática fisiopatologia entre o hepatócito e o capilar, espaço de Disse (temos as células estreladas/ito) -nas células estreladas tem a função, normal de armazenar vitamina A. Só que se tivermos uma inflamação, elas são ativadas e começam a produzir colágeno I e III. Isso ocorre devido aos efeitos de citocinas, que são próprias do efeito inflamatório, e vem dos macrófagos, que chamamos de células de Kupffer. deposição de colágeno capilarização dos sinusoides membrana de colágeno nos sinusoides, que acaba fechando aquele espaço de disse. -daí, a metabolização e secreção no sangue, vai diminuindo, fica comprometida. Função hepática vai diminuindo. -Sinusoides, mais estreitos, capilares mais estreitos, passagem de sangue mais dificicil, levando a uma resistência vascular intra-hepatica hipertensão portal – aumenta pressão na circulação hepática nódulos de regeneração: hepatócitos buscam se multiplicar, para tentar compensar a falta de oxigenação decorrente da fibrose, e fica cheio dos nódulos. nodulo de regeneração são massas de hepatócitos desprovidos de funcionalidade. E não possui relação com a veia centro lobular. Por isso o sangue fica ali por volta, mas daí não tem quem o retire. -o fígado tem alta capacidade de regeneração. Mas quando se instala o grau 4 de fibrose, ficar irreversível – cirrose cirrose = fibrose+ rearranjo da arquitetura lobular/nódulos de regeneração. RESUMO Os processos patogênicos centrais da cirrose consistem na deposição de matriz extracelular (colágeno I e III, proteoglicanos sulfatados e glicoproteínas), morte dos hepatócitos e reorganização vascular. A deposição de colágeno tipo I e III ocorre no espaço de Disse e é consequência da ativação das células estreladas hepáticas pela lesão. Essa deposição forma tratos septais fribróticos e é acompanhada pela perda das fenestrações das células endoteliais dos sinusoides hepáticos, impedindo a troca de solutos entre os hepatócitos e o plasma, uma vez que os sinusóides são responsáveis por realizar essa troca . Durante todo o processo de lesão hepática e fibrose, a regeneração dos hepatócitos sobreviventes é estimulada e estes se proliferam dando origem a nódulos esféricos circundados por septos fibrosos (SANAR). O resultado é um fígado nodular e com muitas fibroses, com comprometimento severo do suprimento de sangue para os hepatócitos e da secreção de substâncias no plasma pelos hepatócitos. A degeneração da interface entre o parênquima e os tratos portais também pode obliterar os canais biliares, levando ao desenvolvimento de icterícia. Manifestações clínicas e complicações -historia natural tem uma fase assintomática = COMPENSADA -outra fase progressiva = DESCOMPENSADA – onde há desenvolvimento das complicações relacionadas com a hipertensão portal ou insuficiência hepática. compensada: fase incial da doença. Paciente assintomático ou com sintomas inespecíficos como fadiga, perda de peso, fraqueza. descompensada: ictérico, prurpido, ascite, edema de MMII, diarreia, sangramento gastrointestinal, confusão mental. mas todas as manifestações decorrem da hipertensão porta e da insuficiência hepatocelular -Eritema palmar e telangiectasias- comum nas mulheres grávidas Diagnóstico -padrão-ouro: biopsia. Mas nem sempre é diagnostica cirrose avançada macroscopicamente: -nódulos, diminuição do tamanho; -dado patognomônico: redução do lobo hepático direito <7cm à hepatimetria de percussão + lobo esquerdo aumentado, palpável abaixo do gradil costal, de superfície nodular e consistência endurecida. EXAMES LABORATORIAIS Aminotransferases: - Aumentam quando há atividade inflamatória; - Hepatopatia sem cirrose: ALT > AST e vice-versa. Fosfatase alcalina e gama-GT: - Aumentam mais nas hepatopatias colestáticas; - Sugere etiologias como cirrose biliar primária e colangite esclerosante. -mais relacionada com falhas na bile Bilirrubinas: - hiperbilirrubinemia é um fator de mau prognóstico na cirrose hepática; - Fração direta; Hipoalbuminemia: - Denota insuficiência crônica de síntese hepatocelular; - Alargamento do tempo de protrombina e diminuição da atividade de protrombina; Hipergamaglobulinemia; - Pct cirrótico tem maior chance de translocação intestinal bacteriana; microbiota extravasa e vai pra circulação sitemina – estimula linfócitos b muita produção de anticorpos, dentre eles a gama-globulina – em excesso causa vasculite. HIPERESTROGENISMO/HIPOANDROGENISMO - Hiperestrogenismo → alterações vasculares → eritema palmar e telangiectasias; - Hipoandrogenismo → queda da libido, impotência masculina, atrofia testicular, redução importante da massa muscular (evidenciada pela atrofia dos músculos interósseos das mãos) e rarefação de pelos; - Ginecomastia. BAQUETEAMENTO DIGITAL ENCEFALOPATIA HEPÁTICA - Síndrome neuropsiquiátrica que pode surgir na hepatopatia crônica ou na insuficiência hepática aguda; - Passagem de substâncias tóxicas (provenientes do intestino) para o cérebro, que em uma pessoa normal seriam depuradas pelo fígado; - A hipertensão portal também contribui pois desvia o sague mesentérico; - Uma das substâncias mais implicadas na gênese da encefalopatia hepática é a amônia (NH3). DEFICIT DE SINTESE PROTEICA - Os hepatócitos possuem a importante funçã de sintetizar proteínas e fatores da coagulação; - Hipoalbuminemia: principal responsável pela pressão oncótica ou coloidosmótica do plasma → edema - Coagulopatia; MANIFESTAÇÕES HEMATOLÓGICAS - Anemia por hemodiluição; - Hiperesplenismo: função de hemocaterese e armazenamento de plaquetas e leucócitos; - Hemólise extravascular → Intensifica anemia; - Trombocitopenia (sequestro esplênico) SÍNDROME HEPATORRENAL - perda progressiva da função renal, secundária à vasoconstrição renal - A SHR reflete um desequilíbrio entre os fatores vasodilatadores e vasoconstritores, resultando no aumento significativo da resistência vascular renal, diminuição da TFG e uma ávida retenção de sódio e água; SÍNDROME HEPATOPULMONAR - O termo Síndrome Hepatopulmonar (SHP) se refere a uma tríade clínica composta por: 1) Doença hepática crônica; 2) Hipoxemia: com gradiente alvéolo arterial aumentado (indicando a presença de shunt arteriovenoso) e; 3) Evidências de alterações vasculares intrapulmonares, referidas como “Dilatações Vasculares IntraPulmonares (DVIP)”. DIAGNÓSTICO POR EXAMES DE IMAGEM (1) avaliar as alterações morfológicas da doença; (2) avaliar a vascularização hepática e extra-hepática; (3) detectar e estimar os efeitos da hipertensão portal; e (4) Identificar tumores hepáticos, diferenciando o Carcinoma Hepatocelular (CHC) de outros tipos de tumor nas fases mais avançadas, a USG, TC e a RM costumam detectar alterações sugestivas da doença; • Nodularidade da superfície hepática. • Heterogeneidade (cor) do parênquima hepático. • Alargamento da porta hepatis e da fissura interlobar. • Redução volumétrica do lobo hepático direito e do segmento médio do lobo hepático esquerdo. • Aumento volumétrico do lobo caudado e do segmento lateral do lobo hepático esquerdo. • Identificação de nódulos regenerativos. Neste caso, a RM constitui método superior aos demais Hipertensão portal -aumento da pressão venosa na veia porta >10mmHg -exame difícil de fazer, dai usamos o gradiente de pressão venosa >5 mmHg -não drena sangue do figado; baço – esplenomegalia; varizes esofágicas, circulação colateral (intenstino não consegue drenar) Classificação por onde ta a obstrução HP INTRA-HEPÁTICA Problema dentro do fígado. HP INTRA-HEPÁTICA SINUSOIDAL - Cirrose hepática (os nódulos de regeneração comprimem os sinusoides);- Hepatites agudas e crônicas; HP INTRA-HEPÁTICA PRÉ SINUSOIDAL - Esquistossomose → A esquistossomose é a causa mais comum de HP intra-hepática Pré-Sinusoidal! HP INTRA-HEPÁTICA PÓS SINUSOIDAL - Doença hepática veno-oclusiva HP PRÉ-HEPÁTICA -problema nas veias esplênicas, ou veia porta - Trombose de veia porta: - Mais comum em crianças a partir de infecções na veia umbilical; - Tambem pode ser causada por CA - Fístula arteriovenosa esplâncinca; - Trombose de veia esplênica. HP PÓS-HEPÁTICA -problema circulação depois do figado - Qualquer doença que eleve as pressões em câmaras cardíacas direitas pode estar envolvida; - Obstrução da veia cava inferior (trombose, tumores, cistos, abscessos...); - Doenças cardíacas. DIAGNÓSTICO - Devemos suspeitar de hipertensão porta em todo paciente que apresente uma combinação dos seguintes achados: ascite, esplenomegalia, encefalopatia ou varizes esofagogástricas; - USG c/ Doppler: Método tradicionalmente usado na avaliação inicial; - Endoscopia digestiva alta: varizes esofágicas; - AngioTC e RM: não apresentam limitações devido à obesidade, experiência do examinador e presença de gás intestinal, embora sejam exames de alto custo 2