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TREINAMENTO EM MÉDIA ALTITUDE E OUTRAS SITUAÇÕES ESPECIAIS DO MEIO AMBIENTE526 capacidade integral de trabalho somente entre o sétimo e o décimo dia. De maneira geral, propõe-se que para cada hora de diferença é necessário um dia de adaptação. Klein (1977), citado por Platonov, refere que, quando se voa em direção oeste, a adaptação é 30 a 50% mais rápida do que na direção leste. Essa assimetria na influência dos vôos transoceânicos deve-se ao fato de que o ritmo circa- diano natural na direção oeste supera as 24 horas e, na direção leste, diminui. Como em algumas ocasiões a alteração no fuso horário está acompanhada de alteração no clima, na temperatura e na alimentação, recomenda-se que, no caso de competi- ções fundamentais (como olimpíadas e campeonatos mun- diais), os esportistas com possibilidade de medalha partam, junto com seus treinadores e equipe médica, 2 a 3 semanas antes do evento, a fim de garantir uma adaptação completa. A defasagem de horário é também conhecida como jet- lag, expressão inglesa que se refere ao desequilíbrio que acompanha as viagens de avião através das diferentes zonas de fusos horários no mundo. Isto é, voando transversal- mente sobre o globo terrestre no sentido leste-oeste ou vice- versa. Possíveis recomendações: � Quando se voa na direção oeste: o dia fica maior, assim, o mais provável é que haja interesse em man- ter-se acordado, o que é o melhor para a adaptação. É importante uma dieta rica em proteínas (carne, peixe, ovos, derivados do leite), o que ajuda a man- ter-se desperto. � Quando se voa na direção leste: o dia se torna mais curto, de forma que é melhor descansar no avião. Para dormir, é conveniente uma dieta rica em car- boidratos (massa, arroz, frutas, vegetais, etc.). De maneira geral: � Antes e durante o vôo, pensar positivamente em rela- ção ao próprio vôo e a futura permanência. � Beber em abundância água mineral ou sucos para evitar a perda de líquidos que ocorre nos vôos. Não é conveniente ingerir bebidas alcoólicas, nem bebi- das com cafeína (café, chá, bebidas à base de cola). � Durante as escalas nos terminais de aeroporto, apro- veitar para andar e realizar alongamentos. � No local de destino: estabelecer um cronograma aco- plado ao novo horário, sendo muito rigoroso com os horários de treinamento, de alimentação e de des- canso. Evitar comer ou dormir fora de horário. O primeiro treinamento deve ser uma sessão curta com caráter aeróbio (corrida contínua, não mais de 30 min), realizando aquecimento e resfriamento apro- priados. As reações do esportista ao calor: adaptação Sabemos que aproximadamente 75% da energia produzida durante um treinamento intenso ou uma competição é li- berada para o meio externo sob a forma de calor. O meio mais ativo dessa liberação de calor é a exalação durante a ventilação e a difusão de líquidos através da pele. Produto disso, se a temperatura ótima do ar para a atividade vital do ser humano oscila entre 18 e 22oC, a atividade física intensa requer uma diminuição na temperatura ótima. Por exemplo, para uma atividade física que requeira uma fre- qüência cardíaca de 140 bpm, a temperatura ideal seria entre 16 e 17oC e, para 170 a 180 bpm, a realização ótima de trabalho seria a uma temperatura de 13 a 14oC. O aumento da temperatura externa acima de um nível relativamente suportável elimina a diferença útil, do ponto de vista fisiológico, entre a temperatura interna do corpo e a externa, o que dificulta seriamente a liberação de calor e gera uma ameaça por meio do superaquecimento do corpo. A evaporação do suor da superfície do corpo torna-se mais difícil quando ocorre aumento na umidade. Com a pressão dos vapores de água do ar ambiente superior a 40 mm rrtst, a evaporação do suor é quase nula. Por isso, o esportista suporta melhor uma temperatura do ar muito alta quando a umidade não é significativa em relação a uma temperatura relativamente baixa mas com grande umidade. O aumento da temperatura e da umidade do ar em rela- ção ao nível de bem-estar (Tabela 19.5) está relacionado com uma diminuição importante do nível de consumo de oxigênio com o qual o ser humano mantém a temperatura corporal constante. O treinamento ou a competição em temperaturas muito elevadas sem que haja aumento da temperatura do corpo exige uma forte diminuição da inten- sidade da atividade, o que produz uma diminuição do VO2máx em aproximadamente 33% e uma marcada dimi- nuição do rendimento esportivo, de forma mais notória nas modalidades de tempo prolongado. A partir dos 37oC de temperatura seca ou dos 29oC de temperatura úmida, o esportista apresenta sérias dificulda- des fisiológicas, e a manutenção da atividade física prolon- gada provoca uma diminuição no rendimento e, em tempe- raturas extremamente elevadas, como observado na Tabela 19.5, pode colocar em perigo a saúde do atleta. Essas si- tuações influenciam negativamente os sistemas circulató- rio e respiratório, alteram a formação do suor e a transpi- ração, assim como o balanço salino e hídrico. Por exemplo, o fluxo de sangue e o VO2 não são diferenciados do nível alcançado no início do trabalho em condições normais e em condições de calor, porém são diferenciados em qualida- de, já que com o calor há aumento da circulação da pele (cutânea) até 20% do fluxo cardíaco (cerca de quatro vezes 527MEDICINA DO ESPORTE mais que em condições normais). Esse aumento em direção à rede capilar cutânea é necessário para impedir um supera- quecimento do corpo. Uma das conseqüências mais negativas da desidratação é a diminuição do volume do plasma sangüíneo. Durante a desidratação, como conseqüência do trabalho prolongado em altas temperaturas secas e/ou úmidas, perde-se aproxi- madamente 4% do peso corporal, e o volume do plasma diminui em 16 a 18%. Também há diminuição do volume sangüíneo circulante e do volume sistólico, observando-se uma hemoconcentração com um aumento do hematócrito e da viscosidade do sangue, aumentando a carga de traba- lho que o coração pode suportar e diminuindo a sua produ- tividade. Isso leva a uma diminuição da circulação nos mús- culos que estão sendo utilizados devido ao aumento da por- centagem do fluxo cardíaco dirigido aos vasos cutâneos para intensificar a perda de calor, diminuindo o volume de sangue circulante. Isso leva a um acúmulo de lactato e, por conseguinte, diminui o ritmo de trabalho. Uma conse- qüência da desidratação é, inclusive, a diminuição do volu- me de líquido intercelular e intracelular. Nas células com baixo conteúdo de água e com um equilíbrio alterado de eletrólitos, a atividade normal altera-se. Esse desvio do flu- xo sangüíneo em direção à pele também afeta o suprimento para o fígado, para os rins e para o intestino. Essa situação crítica de insuficiência coronariana aumenta a freqüência cardíaca, a qual é insuficiente. Se isso persistir por um tem- po prolongado, em condições de competição, pode provo- car no esportista um choque térmico e colocar sua vida em perigo. Pode ser típico da maratona. O treinamento e a competição do esportista com altas temperaturas e umidade ambiental provocam, pouco a pou- co, o desenvolvimento de reações de adaptação, fazendo com que a atividade do organismo seja mais efetiva e o rendimento aumente. As pessoas que vivem em países quentes caracterizam- se por um limiar menor de perda de calor, não só por adap- tação, mas também por um aumento de 0,2oC na tempera- tura corporal e, inclusive, um acentuado aumento na quan- tidade de glândulas sudoríparas por cada cm2 de superfície corporal em comparação com as pessoas que vivem em paí- ses de temperaturas moderadas. Tem-se observado que pessoas de climas moderados e de olhos negros e castanhos adaptam-se, de forma geral, mais facilmente. Pessoas de olhos claros, em algumas oca- siões, são acometidas no período de aclimatação com irri- tabilidade, insônia, hipertensão arterial, etc. Quando os atletas devem deslocar-se de países frios para competir em países quentes, é necessário organizar uma aclimatação prévia, entre 7 e 14 dias,com sessões diárias de 2 ou 3 horas, inicialmente com baixa intensidade. Se não for possível treinar nessas condições, é preciso utilizar uma roupa que bloqueie a liberação de calor e limite a eva- poração do suor, com a finalidade de ir criando mecanismos de adaptação. Os esportistas jovens suportam menos o calor do que os adultos, já que se aclimatam mais lentamente a um clima quente. De maneira geral, são dadas algumas recomendações para a adaptação ao calor: � Quando nos deslocamos em direção a um país com temperaturas e/ou umidade elevada, a adaptação an- tes da competição deve ser, no mínimo, de 7 a 14 dias. � É preciso, no início, diminuir a duração e a intensida- de e aumentar progressivamente as cargas. Realizar mais de uma sessão diária de treinamento. Não pas- sar de 2 a 3 horas de treinamento nos primeiros dias. � Os esportistas devem estar bem-hidratados antes de treinar e de competir. É preciso repor as necessida- des hidreletrolíticas mediante bebidas isotônicas e, em algumas ocasiões, somente água, durante o treinamento e a competição, em uma proporção de 150 a 200 mL a cada 20 a 30 minutos. � Essas condições críticas de temperatura fazem o or- ganismo consumir de 2 a 2,5 vezes mais do que em condições normais, devido à grande quantidade de água absorvida. � A alimentação deve ser balanceada e com poucas calorias no início da adaptação. � Utilizar roupas leves, as quais devem ter apenas uma camada de tecido para permitir a evaporação da água e abrir o máximo possível a superfície da pele. � Ainda devemos ser mais cuidadosos com crianças e adolescentes, já que sua adaptação é mais lenta, es- pecialmente as crianças. � Lembrar que a resposta é individual e que alguns se recuperam mais rapidamente. � A adaptação do esportista ao calor seco não é garan- tia de adaptação ao calor úmido. � A adaptação ao trabalho de baixa intensidade (25% do VO2máx ou um pouco mais) em condições de calor não garante a adaptação a um trabalho de maior intensidade nas mesmas condições. Tabela 19.5 Condições de temperatura e rendimento Temperatura Temperatura Classificação seca (oC) úmida (oC) Agradável 27 22 Quente 37 29 Muito quente 40 32,5 TREINAMENTO EM MÉDIA ALTITUDE E OUTRAS SITUAÇÕES ESPECIAIS DO MEIO AMBIENTE528 � Em algumas ocasiões, as alterações de adaptação nas modalidades esportivas de tempo prolongado, como é o caso de algumas modalidades de resistência em clima quente, são bastante complexas e necessitam de 3 a 4 semanas. � Os esportistas de países mais quentes e úmidos adap- tam-se melhor ao treinamento e à competição nessas condições. � O aumento da temperatura retal do corpo é um índi- ce que informa sobre a ação da carga no organismo do esportista, e há uma elevação considerável dessa temperatura quando estamos realizando trabalho em condições de alta temperatura. Tem sido proposta como um indicador para classificar a intensidade de trabalho, segundo os registros da temperatura, em: leve até 38,1oC; difícil de 38,1 até 39,4ºC; ex- tremamente difícil (crítica) em mais de 39,4°C. Tem- se demonstrado, em um seguimento de esportistas, durante um trabalho intenso e durante a recupe- ração, a relação desse indicador (temperatura retal) com a freqüência cardíaca, com o fluxo sangüíneo e com a ventilação pulmonar. As reações do esportista ao frio: adaptação A adaptação aguda e crônica do esportista ao frio é muito menos complexa. Não obstante, para os esportistas de paí- ses quentes, é mais lenta e um pouco arriscada para a saúde, observando-se o aumento da incidência de lesões esporti- vas. As reações de adaptação aguda do organismo a certas temperaturas estão condicionadas pela necessidade de de- fesa do corpo ante a perda de calor. O aumento da capacidade de isolamento por meio de vasoconstrição cutânea é fundamental. Isso provoca uma diminuição da temperatura cutânea, pela qual é produzida uma diferença de temperatura entre a superfície do corpo e o meio ambiente. A vasoconstrição mais importante é produzida nas ex- tremidades, especialmente nos dedos das mãos e dos pés. A circulação entre os dedos das mãos e dos pés pode dimi- nuir cerca de cem vezes, enquanto os tecidos das partes distais das extremidades podem diminuir até a temperatura do meio ambiente. Por isso, a capacidade de isolamento da pele pode aumentar 5 ou 6 vezes. É importante conservar o calor do corpo em temperatu- ras baixas. Para que isso seja garantido, deve-se: � Utilizar roupas adequadas. Utilizar roupa e calçado esportivos durante o treinamento e a competição, para garantir a manutenção de uma temperatura ótima e proteger as áreas do corpo que podem ser mais afetadas. Por exemplo, utilizar luvas nos dedos das mãos e, se possível, durante a prática do esporte, como pode ocorrer no futebol, atletismo de fundo, etc. É fundamental evitar doenças respiratórias, as- sim como lesões do esporte, incluindo fraturas devi- das a quedas após nevar. � Dieta balanceada, com um maior aporte de calorias do que o habitual em esportistas que não tenham dificuldades com sobrepeso, com um pequeno au- mento das proteínas e dos lipídeos a fim de garantir um maior aporte calórico e enfrentar os gastos extras devidos ao frio. � Realizar um ótimo aquecimento para garantir o au- mento e a manutenção do calor corporal por meio do aumento do metabolismo, evitando também fu- turas lesões. O não-cumprimento dessas medidas conduz à diminui- ção da temperatura corporal abaixo do normal, devido ao resfriamento, o que diminui o VO2máx, o fluxo cardíaco, a capacidade de trabalho e a recuperação. Também decrescem significativamente os índices de força e velocidade, cujo nível está diretamente relacionado com a temperatura mus- cular. A capacidade de resistência também diminui. A adap- tação crônica ao frio diminui a vasoconstrição cutânea, in- tensificando a circulação sangüínea periférica e diminuindo menos a temperatura cutânea e muscular. Aumenta a coor- denação dos esportistas, assim como a força-velocidade, a mobilidade articular e a resistência. A adaptação deve durar entre 7 e 14 dias, lembrando que as crianças se adaptam mais lentamente do que os adultos. Influência das condições climáticas sobre o rendimento esportivo As condições climáticas também influenciam o treinamen- to, a competição e a preparação do esportista para o desen- volvimento da competição. A informação sobre o tempo real permite aumentar a qualidade da preparação do es- portista e a realização das competições, assim como permite resolver melhor os problemas envolvendo o treinamento e a competição. Para organizar o treinamento e a competição, convém conhecer a previsão do tempo em curto prazo (segurança de 80 a 90%), em médio prazo (70 a 75%) e em longo prazo (60 a 65%). Quando o tempo é agradável e quente, pode-se reduzir a duração do aquecimento e diminuir um pouco a sua in- tensidade. Quando, por exemplo, sopra um vento forte, deve-se corrigir a técnica e a tática da atividade competitiva em esportes que dependem do tempo, como vela, remo, canoagem, esqui, ciclismo, triatlo, futebol e vôlei de praia. 529MEDICINA DO ESPORTE As temperaturas baixas podem modificar os programas das sessões de treinamento e alterar os programas das com- petições; por exemplo, quando chove forte são adiadas as corridas do ciclismo em pista aberta, beisebol, etc. Influência das condições de poluição ambiental sobre o rendimento esportivo Existem muitos compostos químicos que, isoladamente ou em combinação com outros compostos, produzem efeitos danosos sobre a saúde, afetando principalmente o sistema respiratório por meio da diminuição ou alteração de sua função. Essas substâncias tóxicas terão uma maior ou menor repercussão no rendimento físico do esportista que compete ou treina sob condições atmosféricas adversas, dependendo de diferentes fatores, como a concentração do produto químico no meio e a combinação com outros produtos químicos, ocasionando uma soma por adição de efeitos tóxicos; o nível de ventilação do esportista; o estado prévio da árvore brônquicado atleta; o estado de saúde e a forma física do esportista; a combinação com outros fatores atmosféricos (altitude, temperatura, umidade, etc.). Os agentes contaminantes são classificados em primá- rios e secundários. Os secundários são muito mais prejudi- ciais. Formam-se por meio de reações químicas de precurso- res naturais ou emitidos por fontes artificiais; estes incluem o ozônio (O3), o HNO3, o H2SO4, o peroxiacetil nitrato e uma grande quantidade de compostos inorgânicos que pode existir em forma gasosa ou de partículas. A principal fonte dos agentes de poluição, tanto primários quanto se- cundários, é a combinação de produtos derivados do pe- tróleo pelos meios de transporte nas cidades e nas áreas industriais. É preocupante que esportistas treinem em áreas onde existe contaminação ambiental, correndo por grandes ave- nidas em que a contaminação ambiental é elevada devido aos produtos da combustão dos meios de transporte, ou tenham parte de seu circuito de treinamento em zonas in- dustriais. Drobnic (1996) propõe uma série de recomendações para o esporte em um meio ambiente com contaminação ambiental, que citaremos a seguir: Organizadores do evento: � Estudar os locais onde se vai competir. � Avaliar os locais de treinamento. � Estabelecer um horário compatível com os horários de menor contaminação. � Estabelecer medidas oportunas para limitar a poluição durante a atividade física (indústrias, transportes). Equipe esportiva (técnicos do esporte, equipe médica e esportistas): � Colaborar, oportunamente, na avaliação da organiza- ção do evento. � Prever a chegada para ao menos três dias antes do evento. � Pode ser útil manter um tratamento com uma fór- mula antioxidante via oral. � Usar uma medicação preventiva da tosse induzida pelo esforço após exercício em indivíduos sensíveis, como o Nedocromil, o qual produz efeitos benéficos nessas situações e não é um produto proibido. � Avaliar a presença de outros possíveis contaminantes e, conseqüentemente, fazer profilaxia da bronco- constrição em indivíduos hiper-reativos, sejam ou não asmáticos. Devem ser utilizados medicamentos simpaticomiméticos que não se encontrem na lista de substâncias proibidas pelo COI. � Se a área estiver muito contaminada, deve-se avaliar seriamente a possibilidade de não competir, sobretu- do atletas de esportes de moderada e alta intensida- de e duração, como ciclismo, provas de fundo no atletismo, marcha, triatlo, e, fundamentalmente, es- portistas com maior sensibilidade. Asma e hiper-reatividade brônquica nos esportistas de rendimento A presença de asma no esportista deve ser avaliada com certa cautela e deve-se estar preparado para atendê-la e preveni-la durante as competições. Em condições de conta- minação ambiental, esses esportistas são mais suscetíveis. Em condições ambientais normais, a porcentagem de espor- tistas asmáticos é similar à da população em geral, oscilando entre 5 e 10%; porém, nos atletas, existe uma hiper-rea- tividade brônquica superior à da população em geral. O motivo ainda não está claro, mas suspeita-se de que a hi- perventilação durante períodos longos, desde idades muito jovens, em muitos casos, provoca o envio de certas subs- tâncias irritantes e/ou hipersensibilizantes em maior quan- tidade e intensidade. Além do efeito do exercício, há o próprio efeito do ar frio e seco sobre a mucosa brônquica. Devemos lembrar que um atleta de maratona ventila, em duas horas e meia, o mesmo volume que ventilaria em 5 ou 6 dias levando uma vida sedentária. Como hiper-reatividade brônquica entende-se um esta- do de maior sensibilidade dos brônquios ante um determi- nado estímulo físico (exercício) ou químico (substâncias provocadoras), resultando em uma diminuição da capaci- dade brônquica. O esportista hiper-reativo pode jamais apresentar uma crise, porém, em condições de gripe ou durante um clima muito frio ou seco, pode apresentar sinto- mas leves de “sufoco”, tosse ou sensação de aperto no peito TREINAMENTO EM MÉDIA ALTITUDE E OUTRAS SITUAÇÕES ESPECIAIS DO MEIO AMBIENTE530 e sibilos. A diferença em relação à asma é que esta é uma doença crônica, caracterizada pela presença de dispnéia e revertida com a ajuda de um broncodilatador. A população esportista que sofre de asma ou de hiper- reatividade brônquica é mais sensível à contaminação am- biental. Lembrar de utilizar os medicamentos estabelecidos pelo COI. Não devemos esquecer que atletas fumantes apresentam um risco maior, já que sofrem com maior intensidade os efeitos da contaminação ambiental. Substâncias químicas tóxicas próprias do esporte � Altos níveis de monóxido de carbono estão relaciona- dos com a patinação sobre o gelo, juntamente com outro gás, o NO2. São convertidos em irritantes do sistema respiratório dos esportistas. Seus efeitos são parecidos aos efeitos do tabagismo. � O cloro, o qual é utilizado na esterilização dos depósi- tos de água e nas piscinas, é um poderoso irritante do sistema respiratório. Os nadadores, ao estarem expostos desde idades muito precoces, podem apre- sentar obstruções repentinas das vias aéreas com hi- per-reatividade brônquica. REFERÊNCIAS ALVIRA, R. et al. Análisis de la patología de las alturas, adaptación cardiorrespiratoria y su relación con radicales libres y especies acti- vas de oxígeno. Consideraciones Bioquímicas y Fisiológicas. Apuntes, v. 27, p.103-125, 1990. CÓRDOBA, A. et al. Aspectos básicos de biomedicina. Soria: Universidad Internacional Alfonso VIII, 1995. ETIENNE, J.L. Medicine et sports de Montagne. Paris: Acal, 1987. KARIKOSK, O. Altitude: problems. Athlete and Coach, n. 21, p. 25-27, 1983. MANNO, R. Fundamentos del entrenamiento deportivo. Barcelona: Paidotribo, 1991. NAVARRO, F. 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