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Queimaduras e trauma elétrico Fontes de queimaduras: Calor (óleo, explosões) ou gelo, radiação (UV, césio, QT), álcool, ácidos, eletricidade. Epiderme, derme= pele Mais comum: acidental, mas também pode ser laboral e por violência. Mais comum em homens, nos extremos de idades. Classificação - 1º grau: zona central (irreversível), zona de jackson, zona de coagulação Acomete a epiderme NÃO TEM BOLHAS/flictenas Dolorosa (nociceptores da epiderme) Hiperêmica Regeneração completa em 7 dias → Ex: queimadura de sol - 2º grau superficial Acomete a epiderme e espessura parcial da derme (derme papilar) Aumento da permeabilidade vascular + epiderme íntegra = transudação/exsudação (células além do plasma) e FORMAÇÃO DE BOLHAS. Hiperêmica Extremamente dolorosa (terminações nervosas livres) Empalidece à digitopressão Restauração em 14 dias - 2º Grau profunda Parte da derme reticular (possui vasos sanguíneos) O calor coagula o sangue dos vasos reticulares, gerando necrose ou isquemia de capilares regionais, causando hipocromias E EMPALIDECIMENTO DIGITAL. Presença de bolhas rotas ou íntegras. Aspecto úmido de transudato e geralmente sem bolhas Moderadamente dolorosa (queima as terminações nervosas) Empalidece pouco a digitopressão Necessita de TRATAMENTO CIRÚRGICO- Excisão tangencial da área hipocromica (raspagem) e enxertia para a regeneração. -3º grau Acomete a epiderme e toda a espessura da derme (reticular e papilar completas) Aspecto nacarado-branco Ramificação de galho= vasos coagulados Sem bolhas Pele seca e inelástica Indolor ou minimamente dolorosa Necessita de TRATAMENTO CIRÚRGICO (debridamento e enxertia) Se lesionar músculos= perda de propriocepção Resposta metabólica Liberação de prostaglandinas, histaminas, → aumento da permeabilidade capilar→ extravasamento de líquidos para o interstício. Queimaduras com extensão superior a 20% → resposta sistêmica semelhante à hipovolemia (necessita de reposição de fluidos) Queimadura com extensão >40% → depressão miocárdica Esses eventos levam ao choque: O aumento das catecolaminas, glucagon e cortisol→ elevação da taxa metabólica e do catabolismo. Anabolicos estarão reduzidos. Resposta hipermetabólica com aumento expressivo do catabolismo e desnutrição (extravasamento de proteínas)→ Coagulopatia induzida por trauma (perda de proteínas e queimadura de vasos), acidose, hipotermia= tríade letal do trauma!! Manejo pré-hospitalar: Oferecer O2 em máscara não reinalante com reservatório, com 10-15L no fluxometro, FiO2 próxima a 100%. Caso haja suspeita de lesão da via aérea, considerar intubação. Parar o processo de queimadura: remover roupas (desde que não esteja grudada no paciente) e joias. Em queimaduras químicas pode ser necessária a irrigação imediata com SF 0,9%. • Não jogar líquido, devido ao agravamento de hipotermia Transferir o paciente para unidade de emergência o quanto antes, evitando qualquer medida não urgente que possa retardar o transporte. Cobrir o paciente com cobertores Controle da dor, sem causar RNC. Manejo hospitalar (ABCDE) Proteção das VAS, indícios de queimadura das VAS: vibrices do nariz, barba queimada, queimadura do supercilio e cílios, escarro carbonáceo (inalação de fuligem = risco aumentado de queimadura das VAS), ROUQUIDÃO/ESTRIDOR, queimadura em ambiente confinado, intoxicação por monóxido de carbono. Irrigação, se: Queimaduras pequenas (até 5%) 20-30 minutos imediatamente após a queimadura com fluido em temperatura acima de 8º C Adotar medidas para prevenção da hipotermia Se infusão de Ringer Lactato, não fazer mais de 500mL/h. Apenas em casos de transporte superior a 1h. Via aérea (A) Lesão térmica de via aérea: ambientes fechados, chamuscamento de anexos faciais, escarro carbonáceo (tosse), rouquidão e estridor (certeza de lesão de VA), queimaduras de face em geral. Quando intubar? - Sinais de obstrução: rouquidão, estridor, uso de mm. Acessória (IrpA) -Sinais de comprometimento respiratório: fadiga respiratória (batimento de asa de nariz), oxigenação insuficiente (O2 100% em máscara com dessaturação) - Extensão de queimadura >40—50% - Queimadura no interior da boca→ Eritema e edema de orofaringe na visualização direta - Edema facial importante - Queimaduras faciais extensas e profundas -Glasgow <9 - Queimaduras cervicais circunferenciais (3º- aperta o pescoço como um colar) Se não conseguir intubar: crico Ventilação e respiração (B) - Deve ser suspeitada em vitimas de queimaduras em locais fechados Se queimadura circunferencial de tórax: faz escarotomia (incisão nas feridas até o subcutâneo) Pode estar associado: PTX, fraturas de costelas, contusão miocárdica, etc. Nesse caso= ATLS Fisiopatologia: monóxido de carbono tem mais afinidade pela hemoglobina em relação ao O2 10% carboxemoglobina: fumantes de vape, narguilé, >2 maços/dia, etc. >10%: cefaleia intensa, náusea, vômito, sonolência 20-30% sonolência e letargia 30-40% confusão e agitação 40-50% coma e depressão respiratória >60% morte →Dosagem feita no sangue: COHB (gasometria e oximetria não diagnosticam) Tratamento: Adm de oxigênio maciça para deslocar a COHB (Até 25% de COHB: máscara. >25% Câmara hiperbárica: Níveis de COHB acima de 25%; evidencia de isquemia orgânica secundária a intoxicação, acidose metabólica com pH <7,1; RNC, Gestantes com COHB >20% ou evidencia de sofrimento fetal. Oxigenioterapia sob máscara: Níveis de COHb <25% Circulação- estimativa de área corpórea queimada e reposição volêmica ( C ) Regra dos 9 de Wallace 18= 9 região anterior e 9 região posterior 9= 4,5 região anterior e 4,5% região posterior Reposição de fluidos: >20% SCQ Adultos: 2 mL x Area queimada x peso em kg em 24h. ½ em 8h e outras ½ em 16h. Hora zero é a que ocorreu a queimadura. Ex: 40% área queimada, 70 kg = 4x70x40= 11,2 L em 24h, sendo metade em 8h e metade em 16h Trauma elétrico: 4 x SCX x peso (24h) Criança: 3 x SCQ x peso (24h) Grande queimado: >20% Soma as de segundo grau e terceiro grau. Verifica a diurese (sonda) Criança menor de 30kg deve receber solução de manutenção de 5% SG) Cuidados adicionais: Escarotomia, analgesia (fentanil/morfina EV, BZP com cuidado para RNC), descompressão gástrica (SE SCQ >20% É INDICADA; hipovolemia/estase gástrica/ passa a sonda gástrica), vacinação antitetânica, profilaxia para TVP (contraindicado no trauma). • Escarotomia (permite a expansão torácica ou de membros para evitar síndrome compartimental) • ATB tópicos: (geralmente sufadiazina de prata 1%. Diminui a dor por impedir que o ar entre em contato com o local gerando dor) Transferencia para unidade de queimados: Goiânia e Anápolis Tratamento definitivo da área queimada 1 grau: pomada, hidratação, etc. A cirurgia habitualmente é realizada dentro de 24 a 72 horas após o evento • Cirurgia → Debridamento da área queimada + reconstrução (enxertia) Nutrição • Grande queimado → Translocação bacteriana e estado hipercatabólico. • Dieta precoce por via oral, gástrica ou enteral → reduz translocação bacteriana e favorece o processo de cicatrização e cura. • Principais vias para administração de dieta: *ORAL *NASOGÁSTRICA *ENTERAL *PARENTERAL Trauma elétrico: Choque elétrico de alta voltagem (acima de 1000V) é o de interesse, gerando queimaduras e lesões. O corpo conduz a eletricidade com resistências diferentes: Hierarquia de resistência/efeito joule/ produção de calor: ossos>tendões>pele>músculos>vasos>nervos). Destruição dos rabdomiócitos (componente mais abundante é o potássio. Ocorre liberação de potássio na corrente sanguínea gerando arritmias cardíacas; mioglobina do musculo vai para corrente sanguínea gerando LTA/IRA - azotermia. Urina acastanhada pela mioglobinúria; síndrome compartimental por edema muscular). Lesão muscularintensa → Edema muscular → fáscias musculares são indistensíveis → Feixes vasculonervosos entre os músculos (parestesias distais, tensão muscular/rigidez muscular intensa, dor muscular)→ Síndrome compartimental (mesmos sinais e sintomas). Pode ocorrer, devido a compressão vascular, áreas de isquemia, devido a síndrome compartimental muscular: Dor intensa a palpação, edema tenso do compartimento, parestesia, palidez, poiquilotermia (extremidades frias), fraqueza muscular e paresia, alteração de pulso (casos avançados) Escarotomia da pele e se estende até a fascia (fasciotomia), em casos de queimadura com síndrome compartimental. Se indivíduo suado/úmido: queimaduras de terceiro grau. Sempre cogitar lesões internas e encaminhar para centro de queimados. Progressão: Queimaduras cutâneas são a ponta do iceberg→Lesões secundárias podem ser observadas em até 7-14 dias do evento. Lesão muscular extensa é a principal responsável pelas complicações graves (frequentemente cobrados em provas) Reposição volêmica Parkland: 4xSCQxpeso (24h), sendo ½ nas primeiras 6h e ½ nas próximas 18h → Trauma elétrico Muito volume é oferecido para “desentupir” os túbulos renais obstruídos pela mioglobina. Essa resposta é dada pela diurese mínima de 100mL/h Diurese alvo de adultos queimados: 0,5 mL/kg/h Diurese alvo para crianças <30kg e <14 anos é de 0,1 mL/kg/h Como existe risco de arritimia secundaria ao acometimento cardíaco, está indicada monitorização por ECG para TODOS OS PACIENTES que apresentem lesão por alta voltagem (>1000V). O Local de entrada da corrente elétrica (ponta do iceberg) vai evoluindo e necrosando, gerando ulcera → contaminação secundária. Secreção com odor fétido nos curativos, secreção amarelada, borda da lesão hiperemiada (semelhante a celulite). Faz biopsia de pele, sendo positiva se >10^5 por grama de tecido. Nesse caso o tratamento consiste em ATB + debridamento de tecidos desvitalizados. Outros focos de infecção (incluindo pneumonia): PAV, infecção relacionada a dispositivos (IOT) Complicações precoces de queimaduras: - Sindrome de Ogilve (pseudo-obstrução intestinal por paresia da parede do CÓLON, gerando distensão gasosa, principalmente no ceco- drenagem cecal pela FID-cecostomia) - ulcera de Curling (ulcera acido-peptica pela diminuição de volume, gerando perda da barreira mucobicarbonato, que é dependente de volume/boa irrigação estomacal. Ocorrem proximalmente) - íleo aDinâmico (obstrução funcional do intestino DELGADO) Complicações tardias das queimaduras: - Contraturas e bridas (fasciotomia leva a deposição de colágeno, formando as bridas, principalmente em região de dobras/articulações) - Ulcera de marjolin (ocorre décadas após a queimadura. Surge uma ulcera na região da queimadura, caracterizando lesão maligna de CEC); Ocorre 20-30 anos. Características clínicas da transformação maligna: - Margens elevadas ou invertidas, tecido de granulação exuberante, odor fétido, secreção purulenta, aumento progressivo de tamanho, friabilidade com fácil sangramento.