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2ºAula
O ato de ler
Objetivos de aprendizagem
Ao término desta aula, você será capaz de:
• Reconhecer a importância da leitura e do ato de ler, de compreender e de interpretar;
• Identificar os níveis de leitura em textos.
Caro(a) aluno(a),
Nesta aula trataremos sobre um assunto interessante para a 
maioria das sociedades: a leitura e os níveis de leitura.
Você já parou para pensar sobre as diversas formas de leitura 
que temos a oportunidade de realizar? E de como é importante 
sabermos ler verdadeiramente? Vamos entender o que é esse ato de ler 
verdadeiramente!!!
Esses questionamentos serão apenas algumas das reflexões que 
faremos nesta aula.
Lembre-se, você é o protagonista da sua aprendizagem, então, 
mãos à obra!
Bons estudos!
135
Linguagem e Argumentação 16
Nesse momento sugerimos que faça uma parada 
estratégica e siga até a ferramenta “ARQUIVOS” , na 
plataforma UNIGRANET para ler um texto da pesquisadora 
Flavia Susana KRUG, intitulado “A IMPORTÂNCIA DA 
LEITURA NA FORMAÇÃO DO LEITOR”, nesse texto ela 
chama a atenção dos profissionais da educação em relação à 
necessidade de estratégias e recursos adequados para que o ato 
de leitor de desenvolva .Creio que muitos de vocês recordarão 
de como se deu a introdução de cada um no mundo da leitura e 
poderão avaliar se foi adequada ou inadequada essa introdução.
Voltemos às nossas reflexões pontuais :
Como afirmar Gold (2010), o texto escrito deve ser 
percebido e articulado como um instrumento relacionado 
à função estratégia que venha a desempenhar , essa função 
tanto pode estar voltada à área de linguagem em geral, como 
ao meio específico em que se dá o próprio texto empresarial 
ou o texto da área da engenharia ,possibilitando a cada leitor 
intervir mediante três dimensões, sejam elas: da cultura, do 
aspecto motivacional e, também, do econômico , em que cada 
qual em seu meio de trabalho poderá usa-lo conforme lhe seja 
necessário.
E o que seria o contexto? Que tal pesquisar?
Mas antes voltem à ideia de Paulo Freire vista há pouco:
Veja bem, se você ainda não entendeu o que leu, não siga 
em frente com sua leitura, como sugestão retorne à citação 
de Paulo Freire e tente entendê-la, só assim você estará 
exercitando a leitura responsável e crítica no contexto em que 
estamos inseridos.
Uma compreensão crítica do ato de ler possibilita além 
da “tradução” dos significados das palavras, ela promove o 
desvendamento daquilo que está “por trás” delas. Assim, 
podemos observar que o vocabulário para a transmissão 
da mensagem faz com que todo esse contexto possa ser 
O que você entendeu acerca da declaração que o educador Paulo 
Freire fez?
1 - O ato de ler: o que ler?
2 - Níveis de leitura de um texto
O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a 
presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está 
continuando a viagem por conta própria (Mário Quintana).
Inspirados em Mario Quintana, iniciemos efetivamente 
nossa segunda aula! Vamos em frente!
Como primeiro passo para tratarmos sobre a leitura, 
vamos refletir sobre a prática da leitura na sociedade 
atual:
Embora estejamos no século da informação, 
a qual, em grande parte, ocorre por meio 
da imagem (uma imagem vale mais que 
mil palavras), é inegável a importância e a 
necessidade da leitura, pois desempenha 
funções informativa e recreativa, ao transmitir 
a História e a Cultura da humanidade. Até 
porque aqui , já no começo de nossa aula, 
temos que fazer uma pequena pausa re exiva 
no intuito de esclarecer que : TAMBÉM 
LEMOS IMAGENS, ou seja, não apenas 
lemos textos verbais escritos, pois a leitura 
sobre a qual nos referimos é aquela que volta-
se para o entendimento a re exão. 
A prática da leitura nos enreda desde o 
momento em que começamos a “entender” 
o mundo que nos envolve. Com a vontade de 
entender quem somos, buscamos na leitura 
(de textos escritos, orais e não-verbais) as 
respostas que almejamos, ou seja, a leitura 
nos abraça de forma a proporcionar um 
passeio pelo imaginário, pelo mundo mágico, 
pelas fantasias e pela realidade que nos cerca!
Diante do vasto mundo da leitura ,a leitura 
crítica é aquela que permite ir além do “dito”, 
além do “exposto”; ler nas “entrelinhas” 
é uma forma de ler criticamente. Mas será 
que estamos preparados para fazer tal leitura 
(EDUCADORES DE SUCESSO, 2010).
Nesse contexto, caro aluno, a leitura pode não ser 
encarada como simples decodificação ou descodificação 
de signos, ou seja, ela não é uma atividade mecânica que 
determina uma postura passiva diante do texto, mas pode e 
deve ir além. Para Paulo Freire (1985, p. 11-12):
A leitura do mundo precede a leitura da 
palavra, daí que a posterior leitura desta não 
possa prescindir da continuidade da leitura 
daquele. Linguagem e realidade se prendem 
dinamicamente. A compreensão do texto a ser 
alcançada por sua leitura crítica implica na 
percepção das relações entre o texto e o 
contexto.
Seções de estudo
1 - O ato de ler: o que ler?
Você Sabia?
“De maneira geral o leitor crítico irá conscientemente ou inconscientemente 
avaliar o original por diversos diferentes aspectos, como por exemplo:
• Coesão ou Continuidade: [...] se refere à integração entre frases, 
parágrafos, capítulos, e tramas do texto, indicando se o autor consegue 
manter uma narrativa ,por exemplo se for um livro que narre uma historia, 
onde os elementos estão sempre conectados.
• Consistência: a consistência se refere à qualidade da obra de manter 
a mesma “voz” ou forma narrativa em sua totalidade, ou dentro de cada 
trama que eventualmente justi que “vozes” diferentes.
• Coerência: a coerência se refere à capacidade do autor de criar uma 
realidade coerente para sua história, sem “surpresas” que pareçam não se 
encaixar na realidade apresentada.
• Concisão: a concisão se refere à qualidade do texto de ser conciso, 
não apresentando “pontas soltas” ou divagações que não contribuem 
para a história como um todo.
• Clareza: a clareza indica se o texto é ou não facilmente lido.
• Cadência: a cadência, ou ritmo, do texto é resultante da velocidade 
de leitura sugerida pela uidez e clareza do texto, e pela organização das 
tramas e capítulos” (UOL, 2014).
136
17
compreendido pelo interlocutor. Observe alguns exemplos que 
seguem:
Exemplo 1:
Figura 2.1 Exemplo de compreensão crítica.
FONTE: IPU – HISTÓRIAS E ATULIDADES. Charge seleção. Disponível em: <http:// ipu-
historia-atualidades.blogspot.com/2010/08/charge-eleicao-2010.html>.
Acesso em: 12 set. 2010.
Perceba que na imagem acima, há o contexto que 
determina a compreensão e a interpretação do texto. Dessa 
forma, o menino da imagem solicita ajuda da mãe em relação 
aquilo que ele está vendo/ouvindo na televisão, pois não 
condiz com o discurso proferido pela sua mãe sobre a mentira, 
gerando, assim, uma incoerência sobre a definição de mentira 
para a criança, a qual fica extremamente confusa, ou seja, sua 
mãe lhe ensina algo que , ao ele assistir alguma reportagem , 
não vai ao encontro com o que a mãe lhe expos. 
A maneira de ser expressar oralmente pode ser articulada 
de forma mais simples, mas com complexidade em sua 
escrita. A linguagem se dá com rebuscamento e leva ao leitor 
a compreensão, e assim, não deixa de ser apresentada a forma 
culta e coerente que deve ter um texto crítico sobre o qual 
estamos relatando no decorrer de nossa aula.
Por exemplo:
A média de produção do último ano fiscal foi maior do que 
a do ano anterior. Foram instaladas novas máquinas hidráulicas 
para a estamparia, automáticas e de alta velocidade aumentando 
o número de peças, e foi introduzida nova metodologia, a fim 
de gerar economia com tempo e mão de obra. (Gold, 2010, 
p.20).
Percebe-se que a escrita viabiliza uma clareza nas 
informações, não deixando de apresentar um vocabulário 
mais elaborado na transmissão da mensagem, a escrita esta 
coerente, não deixa nenhuma informação confusa. E com isso, 
a informação/ideia principal vai sobressair dentre as demais 
apresentadas para a articulação docomunicado aos seus 
interlocutores.
Para melhor compreensão, da clareza textual e da 
importância que ha em se fazer uma seleção vocabular 
apropriada vejamos como é organizada a letra da música 
“Admirável Gado Novo”, de Zé Ramalho:
Vocês que fazem parte dessa massa que passa 
nos projetos do futuro
é duro tanto ter que caminhar e dar muito mais 
que receber.
E ter que demonstrar sua coragem à margem 
do que possa parecer
e ver que toda essa engrenagem já sente a 
ferrugem te comer.
Eh!... ô... ô... vida de gado Povo marcado eh!... 
povo feliz!
Lá fora faz um tempo confortável a vigilância 
cuida do normal
os automóveis ouvem a notícia os homens 
a publicam no jornal e correm através da 
madrugada a única velhice que chegou 
demoram-se na beira da estrada e passam a 
contar o que sobrou.
O povo foge da ignorância apesar de viver tão 
perto dela
e sonham com melhores tempos idos 
contemplam essa vida numa cela esperam 
nova possibilidade
de verem esse mundo se acabar a Arca de Noé, 
o dirigível
não voam nem se pode utuar. Não voam 
nem se pode utuar...
Percebeu como essa letra nos conduz à reflexão? Notou 
como as palavras representam muito mais do que “parecem” 
representar? Viu que o texto é coerente e que os vocábulos 
foram selecionados para servirem a intenção do autor?
Observe as palavras que Zé Ramalho selecionou para 
compor a letra. Veja que as palavras não foram aleatoriamente 
dispostas; cada uma tem uma intenção, está no texto com 
finalidade determinada. 
Assim:
A coerência diz respeito à conexão entre as ideias 
apresentadas no texto. Pode ser que algumas vezes em seu 
percurso acadêmico tenha visto que seu professor escrevia 
em seu texto: CUIDADO COM A COERÊNCIA, ou ainda 
SEU TEXTO ESTÁ INCOERENTE, essas lembranças que 
seu professor elaborava na hora da correção eram para alertar 
a você sobre a questão do sentido, seu professor estava lhe 
indicando acerca da importância de se elaborar um texto com 
SENTIDO, ok??
Sem ela, sem a coerência ,as frases, as orações ficam 
perdidas e sem lógica. Evidentemente, essa característica 
não é apenas do texto moderno, mas de toda e qualquer 
comunicação escrita ao longo dos tempos. A língua escrita 
exige um rigor e uma disciplina de expressão muito maiores 
do que a língua falada, obrigando o emissor a expressar-se com 
harmonia tanto na relação de sentido entre as palavras quanto 
no encadeamento de ideias dentro do texto (Gold, 2010, p.10).
PORÉM: alerto que esse rigor em nenhum momento tem 
a intenção de expor que a língua escrita goza de maior prestigio 
que a língua falada , mas tem a intenção de mostrar que na 
língua escrita é possível ter-se o CERTO e /ou o ERRADO 
, enquanto na língua falada não há certo e/ou errado, mas 
adequado ou inadequado dependendo do contexto.
A decodificação/descodificação da palavra escrita é uma 
necessidade óbvia, porém constitui apenas a primeira etapa do 
processo da leitura criativa/crítica . A decodificação permite a 
intelecção, ou seja, a percepção do assunto, permite entender 
o significado do que foi lido. Assim, a linguagem escrita em 
137
Linguagem e Argumentação 18
detrimento ao ato de ler e compreender o enunciado, nos leva 
a uma reflexão e entendimento com significado.
Em seguida , após a decodificação faz-se a interpretação, 
que é a continuidade da leitura de mundo( tão divulgada por 
FREIRE), realizada pelo leitor. A interpretação, muitas vezes, 
extrapola a letra do texto, pois se baseia nas relações entre 
texto e contexto.
Na letra da música que acabou de ler, viu que a sua 
interpretação foi além da letra do texto, não é mesmo?
Sendo assim, interpretar é um ato que requer dedicação 
e seriedade por parte do leitor. Cumprida as etapas anteriores, 
está o leitor apto para empreender a aplicação do conteúdo 
da leitura, de acordo com o objetivo a que se propôs. Dessa 
forma , é muito interessante determinarmos objetivos quando 
vamos processar nossas leituras, ou seja: vamos ler para quê? 
E com que finalidade?
Que tal, agora, apreendermos como fazer uma leitura 
mais elaborada?
A técnica de sublinhar, conforme muitos autores 
destacam, é de grande utilidade para a intelecção e interpretação 
do texto, facilitando o trabalho de resumir, esquematizar ou 
fichar. Podemos afirmar que sem compreensão e interpretação 
do texto, torna-se impossível empregar com eficiência as 
técnicas de resumo, resenha esquema e/ou fichamento , 
ainda , sem interpretar é impossível realizar qualquer atividade 
voltada à escrita textual que objetive clareza e harmonia entre 
as partes de um texto.
A leitura é uma atividade necessária no mundo de hoje 
e não deve restringir-se às finalidades de estudo. É preciso ler 
para se informar, para participar, para ampliar conhecimentos 
e alcançar uma compreensão melhor da realidade atual. Na 
opinião de Ezequiel T. Silva (1983, p. 46):
Optar pela leitura é, então, sair da rotina, 
é querer participar do mundo criado pela 
imaginação de determinado escritor. Ler é 
basicamente, abrir-se para novos horizontes, é ter 
possibilidade de experenciar outras alternativas de 
existência, é concretizar um projeto consciente, 
fundamentando na vontade individual.
Segundo a mesma vertente de pensamento exposta por 
Silva (1983), a linguista Sgarbi (2009,p.88) nos lembra que:
Lemos, não só a linguagem verbal (fala e escrita), como, 
também a linguagem não verbal. Quando olhamos para uma 
pintura, uma escultura ou quando observamos as reações 
do nosso corpo ou, ainda, quando assistimos a um filme, 
também, estamos fazendo leituras.
É importante que amplie continuamente seus conhecimentos. Para 
tanto, sugerimos a leitura do seguinte artigo: CAMPOS, G. P. C. O 
processo de leitura: da decodi cação à interação. Disponível em:
<http://www.faculdadeobjetivo.com.br/arquivos/OProcessoDeLeitura. 
pdf>. Acesso em: 3 maio 2014.
E então, pronto para exercitar nossa Língua Portuguesa por meio da 
leitura? Espero que sim! Então, vamos em frente, pois temos mais 
uma seção nesta aula, a qual trata sobre as distintas formas em que 
um texto pode ser lido.
Para iniciar, reiteramos a importância de reforçar a ideia 
da importância do ato de ler e entender quais conhecimentos 
e objetivos devemos deter para nos tornarmos bons leitores, 
leitores de verdade.
Vamos começar?
Começamos, então, a perceber que um dos grandes desafios 
a ser enfrentado pela escola e pela sociedade é o de fazer com 
que os alunos aprendam a ler, mas a ler reflexivamente. Segundo 
Geraldi (2006), a leitura é um processo de interlocução entre 
leitor/autor mediado pelo texto, nisso vemos a importância do 
contato do aluno com o texto e obras literárias para que ele 
possa atribuir significado ao texto, e a partir disso conseguir 
relacioná-lo a outros textos, ou a realidade ou pensamento.
Assim, a leitura passa a ser fundamental para o domínio 
das múltiplas estruturas contidas nos textos, as quais são 
responsáveis pelo sentido. Nesse contexto, a pouca habilidade 
voltada à leitura reflete-se na escrita e, consequentemente, na 
fala, restringindo ao vocabulário.
IMPORTANTE : Jamais devemos pensar em leitura 
como hábito, pois a leitura crítica, interessante , que acrescenta 
conhecimentos não é a leitura mecânica , mas a leitura que 
conduz à reflexão ,portanto leitura não pode ser hábito ,mas 
desenvolvimento de habilidade.
Vamos em frente....
Dessa forma, a pouca habilidade leitora ,compromete o 
conhecimento prévio necessário à compreensão do texto, pois, 
segundo Ângela Kleiman (1995, p.13):
O leitor utiliza na leitura o conhecimento que 
ele já sabe, o conhecimento adquirido ao longo 
de sua vida. É mediante a interação de diversos 
níveis de conhecimento como o conhecimento 
linguístico, o textual, o conhecimento de 
mundo, que o leitor consegue construir o 
sentido do texto.
Entendemos que o conhecimento prévio é aquele que 
auxilia ao leitor em sua compreensão de algo que esta lendo,pois 
para entender ,por exemplo, determinada parte /trecho que 
esta lendo, se o leitor tiverum conhecimento anterior sobre o 
tema abordado , com certeza , a sua compreensão fluirá muito 
melhor.
É importante fazer uma distinção entre ler e aprender a 
ler. Ler é estabelecer uma comunicação com textos verbais ou 
não verbais, por meio da busca da compreensão, enquanto a 
aprendizagem da leitura constitui uma tarefa permanente, que 
se enriquece com novas habilidades, na medida em que se 
manejam adequadamente textos cada vez mais complexos. Por 
isso, a aprendizagem da leitura não se restringe ao primeiro ano 
da vida escolar. 
Essa leitura, na verdade, envolveria os métodos, referentes 
à determinada área a que se observa. O profissional (mediador) 
, geralmente o professor, terá a responsabilidade de mediar e 
extrair de uma determinada leitura sua finalidade, tendo nesse 
processo objetivo claro e definido.
Quando você futuro profissional da área de 
ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, por exemplo, vai ler um 
2 - Níveis de leitura de um texto
138
19
o valor dessa no contexto social. Por isso, a importância da 
leitura reside, principalmente, no ato de ensinar a ler. Para 
Reina e Durigan (2003, p. 21),
[...] ensinar leitura não é responsabilidade 
exclusiva do professor de língua, mas sim 
de todos aqueles que usam esse código, 
seja para a interação, para a transmissão de 
conhecimentos, para a atuação sobre o outro, 
seja para o relacionamento com o mundo 
sensível.
Outro aspecto importante no trabalho com a leitura é a 
interdisciplinaridade vinculada à intertextualidade, pois todas 
as disciplinas, sejam das áreas das ciências exatas, agrárias, 
humanas ou qualquer outra área são discursivas, requerem 
desempenho de linguagem, e a leitura e a escrita são o fim e o 
meio de todo trabalho escolar.
Pensando em você caro(a) aluno(a) é que deixei na 
ferramenta ARQUIVOS um texto intitulado “A importância 
da leitura no ensino superior” e gostaria muito que você 
o acessasse e fizesse uma leitura de verdade, uma leitura 
compreensiva e reflexiva ,ok??Nele muitas das ideias 
desenvolvidas nesta aula serão expandidas.
Quanto à Interdisciplinaridade e sua relação com a leitura:
A interdisciplinaridade deve ir além da mera justaposição 
de disciplinas e, ao, mesmo tempo, levar o aluno a pensar, a 
ser um aluno crítico, a buscar em vários meios o que possa 
ajudá-lo a compreender melhor seu universo de leitura e de 
vida. A leitura é compreensão, produção e interação com o 
meio. O aluno deve ser ativo na sociedade, capaz de expressar 
pensamentos e incorporar significações no processo social em 
que vive.
Se um “texto remete a outros textos e esses apontam 
para outros no futuro” (KLEIMAN, 1999, p. 62), a 
interdisciplinaridade permite que os contextos dos programas 
de diversas disciplinas sejam introduzidos em decorrência da 
leitura de um texto lido em sala de aula.
Entendeu o que é interdisciplinaridade ??
Se tem dúvidas, leia o parágrafo anterior novamente.
Entretanto, a questão do ensino da leitura é ampla e pode 
situar-se na própria conceituação do que é leitura, na forma 
como é avaliada pelos professores; no papel que ocupa na 
sociedade; nos meios que são oferecidos para que ela ocorra, 
na metodologia que o professor adota para ensiná-la e na 
maneira como o aluno a compreende e valoriza.
Cansados, não!!!!!!
 Eu sei que vocês ainda têm energia para aprender muito 
mais! Ok, a partir de agora, estudaremos o ato da leitura 
(conhecimentos prévios, objetivos e hipóteses), vejamos:
O ato de ler aciona uma série de ações no pensamento do 
leitor, por meio das quais ele pode extrair novas informações 
ou remetê-las às informações anteriores.
Na interação com essas informações, aqui denominadas 
de conhecimento prévio, como já vimos, o leitor pode mantê-
las, modificá-las ou desenvolvê-las durante a assimilação do 
conteúdo, pois “[...] quando um leitor é incapaz de chagar à 
Mas, de que precisamos para realizar uma boa leitura?
artigo científico que aborde as questões relativas à Transmissão 
de dados e redes é importantíssimo que tenha previamente 
alguns conhecimento sobre esse tema, pois dessa forma, com 
certeza, a compreensão será mais rápida.
Quanto ao papel do educador é importante citar novamente 
Sgarbi (2009,p.90),a autora indica sobre essa temática :
“Para capacitar os alunos [...] para o encontro com o texto; 
constatando-o, cotejando-o e transformando-o, há que se criar 
condições concretas para que esses alunos leiam de maneira 
significativa”.
Acompanhem, também, ainda com o olhar voltado aos 
educadores ,o pensamento da autora citada a seguir. Kleiman 
(1999, p. 16) exemplifica:
[...] Os professores que lembramos e admiramos 
e que tiveram alguma in uência nas nossas 
vidas são aqueles que demonstraram gostar 
de suas matérias e conseguiram transmitir esse 
entusiasmo pelo saber.
Outra autora ratifica esse pensamento ao mencionar que:
Em outras palavras, o professor é aquele que 
precisa ser leitor e que apresenta as diferentes 
possibilidades de leitura: livros, poemas, 
notícias, receitas, paisagens, imagens, partituras, 
sons, gestos, corpos em movimento, mapas, 
grá cos, símbolos, o mundo en m: “(...) Ou o 
texto dá um sentido ao mundo, ou ele não tem 
sentido nenhum” (LAJOLO, 1994, p. 14).
Contudo, é importante ficar atento para o fato de que o 
aluno também precisa fazer a sua parte! 
Claro que o profissional da educação deve estar próximo 
ao aluno no processo de aprendizagem, sanando dúvidas, 
fazendo observações e análises, mostrando o caminho a ser 
seguido, mas permitindo que o aluno caminhe sozinho na 
busca por novos horizontes que somente a leitura pessoal pode 
revelar, porém a parte do educando é extremamente necessária, 
há que se desejar aprender a LER DE VERDADE.
 Diante da palavra, do contato com os textos que os alunos 
podem compreender a funcionalidade das palavras e o uso da 
gramática, por isso é tão importante que o aluno descubra o 
mundo da leitura. 
O professor deve ser o orientador, aquele que mostra o 
caminho a ser seguido, ele fornece as ferramentas para que o 
leitor desvende o texto e extraia dele o máximo possível. Precisa 
demonstrar ao aluno segurança, estímulo e um caminho longo 
a ser seguido, porém prazeroso e com uma ótima recompensa.
Assim, a leitura importa quando o leitor transforma a 
linguagem escrita em linguagem oral e quando o leitor consegue 
captar e dar sentido ao conteúdo da mensagem, analisando 
Saber Mais
“À leitura como processo, sempre caberá estudo e aprofundamento, pois 
envolve leitor e texto e a interação entre esses dois. A investigação dos 
fatores que contribuem para a compreensão textual requer especial
atenção, uma vez que interfere em todas as áreas do conhecimento, 
sendo objeto de estudo interdisciplinar” (LER E COMPREENDER TEXTOS, 
2014).
139
Linguagem e Argumentação 20
compreensão através de um nível de informação, ele ativa 
outros tipos de conhecimentos para compensar as falhas 
momentâneas” (KLEIMAN, 1999, p. 17).
Assim, ao ler um texto qualquer, o leitor escolhe aspectos 
relevantes, ignora outros irrelevantes ou desinteressantes, 
dando atenção aos aspectos que interessam, ou seja, àqueles 
sem os quais seria impossível compreender o texto. Por isso,
[...] a ativação do conhecimento prévio 
é essencial à compreensão, pois é o 
conhecimento que o leitor tem sobre o assunto 
que lhe permite fazer as inferências necessárias 
para relacionar diferentes partes discretas do 
texto num todo coerente (KLEIMAN, 1999, 
p. 25).
Essas inferências são hipóteses que o leitor levanta, 
antecipando informações com base nas pistas que vai 
percebendo durante a leitura. Portanto, quando chega à 
escola, o aluno já é um leitor do mundo, pois desde muito 
novo começa a observar, antecipar, interpretar e interagir, 
dando significado a seres, objetos e situações que o rodeiam:
 
O conhecimento linguístico, o conhecimento 
textual, o conhecimento do mundo devem ser 
ativados durante a leitura para poder chegar 
ao momento da compreensão, momento este 
que passa desapercebido, em queas partes 
discretas se juntam para fazer um signi cado 
(KLEIMAN, 1999, p. 26).
Você e eu fazemos a leitura de tudo que nos cerca! Essa 
aprendizagem natural da leitura deve ser considerada pelo 
professor e incorporada às suas estratégias de ensino com o 
fim de melhorar a qualidade desse processo contínuo, iniciado 
no momento em que o aluno é capaz de captar e atribuir 
significado às coisas do mundo.
Assim, a ação de ler o mundo é enriquecida na medida 
em que o educando enfrenta progressivamente numerosos e 
variados textos, pois:
A forma do texto determina, até certo ponto, 
os objetivos de leitura: há um grande número 
de textos, como romances, contos, fábulas 
(...) notícias de jornal, artigos cientí cos (...): 
parece claro que o objetivo geral ao ler o 
jornal é diferente daquele quando lemos um 
artigo cientí co (KLEIMAN, 1999, p. 33).
Note que o trabalho de leitura na escola tem por 
objetivos levar o leitor à analise e à compreensão das ideais 
dos autores e a buscar no texto os elementos básicos e 
os efeitos de sentido. E é isso que esperamos que faça a 
partir deste momento que está aprendendo mais sobre a 
maravilhosa habilidade da leitura.
Para saborear um pouco este mundo da leitura, eis que 
cito um trecho de um texto/poema de Martha Medeiros, em 
que a autora expõe seu imenso prazer em ler:
Eu, por exemplo, gosto do cheiro dos livros. 
Gosto de interromper a leitura num trecho 
especialmente bonito e encostá-lo contra o 
peito, fechado, enquanto penso no que foi lido. 
Depois reabro e continuo a viagem. […] Gosto 
do barulho das paginas sendo folheadas. Gosto 
das marcas de velhice que o livro vai ganhando: 
[…] a lombada descascando, o volume cando 
meio ondulado com o manuseio. Tem gente 
que diz que uma casa sem cortinas é uma casa 
nua. Eu penso o mesmo de uma casa sem livros 
(Martha Medeiros).
Dessa forma, cremos que a caminhada para o aprendizado 
da leitura acontece lendo , da mesma forma que aprendemos 
a escrever ,escrevendo; vendo outras pessoas lerem e 
escreverem, tentando e errando, sempre nos guiando pela 
busca do significado mediante hipóteses ou pela necessidade 
de produzir algo que tenha sentido.
Nesse contexto e de acordo com Kleiman (1999, p. 36), 
“vários autores consideram que a leitura é, em grande medida, 
um jogo de adivinhação, pois o leitor ativo, realmente engajado 
no processo, elabora hipóteses e as testa, à medida que vai 
lendo”.
Assim, para elaborar hipóteses, o leitor precisa ter acesso 
ao texto cuja leitura foi transformada em objetivo, ou seja, ele 
deve prever o tema do texto com base nas pistas dadas; então, 
para ter acesso ao texto, é preciso ter acesso ao seu código e à 
mensagem escrita.
Enfim, é preciso que professor e alunos entendam que ler 
não é um ato mecânico de decodificação: é o estabelecimento 
de relações dentro de contextos, de vivências de mundo; não 
são frases ou palavras soltas que levam o leitor a entender que 
isso seja o ato de ler.
Vale salientar que, para que esse quadro mude, é preciso 
que professor e aluno estejam verdadeiramente envolvidos. 
Nesse sentido, pensamos que o processo ensino-aprendizagem 
da leitura na sala de aula situa-se dentro de dois objetivos 
fundamentais: serve como meio eficaz para aprofundamento 
dos estudos e aquisição de cultura geral.
E, então, está percebendo como a leitura é interessante, 
importante e indispensável em nossas vidas?Imagine na sua 
vida acadêmica como a leitura fara toda a diferença positiva!!!
Fique antenado!
Na internet você pode encontrar inúmeros sites sobre o tema em 
estudo. Sugiro que realize buscas utilizando termos com palavras-
chave e procure ler alguns artigos em relação ao conteúdo e procure 
fazer uma análise crítica das informações encontradas no site!
Retomando a aula
E então? Entendeu bem as questões iniciais relacionadas a 
leitura e sua importância? Em caso de resposta a rmativa: 
Parabéns! Mas, há muitos outros conhecimentos a serem 
agregados sobre o tema. Para tanto, sugerimos que consulte as obras, 
periódicos e sites indicados ao nal desta aula.
140
21
1 - O ato de ler: o que ler?
Na primeira seção, vimos que para que possamos efetuar 
uma leitura significativa, faz-se necessário construir sentido 
através dos conhecimentos prévios que você possui sobre o 
assunto e a interação com o suporte de leitura.
Assim, para de fato obter informações corretas sobre o 
texto lido e consequentemente construir um suporte de sentido 
para a compreensão e a interpretação do texto, é preciso, ainda, 
lançar mão dos conhecimentos culturais adquiridos ao longo 
da vida, tais como as crenças, as opiniões ou atitudes.
A motivação ou objetivos diferentes atuarão na construção 
da representação sobre o evento ou o enunciado presente no 
texto, o que faz com que, ao ler um mesmo texto, diferentes 
leitores construam significados diferenciados, produzindo 
diferentes tipos de inferências.
Finalmente, na seção inicial, tivemos a oportunidade de 
começar a perceber como a leitura é importante em nossas 
vidas, além de reconhecer que é interessante sabermos “ler” 
as diversas situações às quais somos expostos e o quanto é 
importante, também, sabermos interpretar devidamente os 
diferentes textos.
2 - Níveis de leitura de um texto.
Na seção 2, estudamos os níveis de leitura de um texto, 
os quais trazem a seguinte questão à tona: a diferença entre 
fazer uma leitura e aprender a fazer uma leitura. Tais ações são 
distintas, pois no ato de ler, estabelece-se uma comunicação 
com textos verbais e não verbais via compreensão holística.
No entanto, a aprendizagem da leitura compõe uma 
ação permanente, que se enriquece com novas habilidades, na 
medida em que se manejam adequadamente textos cada vez 
mais complexos.
Por isso, a aprendizagem da leitura não se restringe ao 
primeiro ano da vida escolar, mas, sim, e ,sobretudo, a caminhada 
do leitor. Somos nós que estabelecemos o nível de leitura que 
iremos ter, uma vez que a dedicação deve ser séria e permanente 
no processo de compreensão e interpretação textual.
Nas palavras de Paulo Freire: “A leitura de mundo precede 
a leitura da palavra”.
Vale a pena
Existem inúmeros cursos sobre os conteúdos tratados nas Seções 
desta aula, inclusive gratuitos, que podem ser encontrados e realizados 
pela internet. Assim, é importante que realize pesquisas em sites de 
busca, utilizando os termos curso junto à palavra que representa a 
conceituação do termo estudado, como por exemplo: “curso leitura”. 
Aproveite a oportunidade para aprofundar e/ou ampliar ainda mais 
seus conhecimentos!
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos 
Vale a pena ler
que se completam. São Paulo: Autores Associados, 1989.
GERALDI, João Wanderley (Org.) O texto na sala de 
aula. 3. ed. São Paulo: Ática, 2001.
KATO, Mary. No mundo da escrita: uma perspectiva 
psicolinguística. São Paulo: Ática, 1986. (Série Fundamentos)
ZILBERMAN, Regina; SILVA, Ezequiel Theodoro 
da. (Orgs.) Leitura: perspectivas interdisciplinares. 2ª ed. São 
Paulo: Ática, 1991.
CAMPOS, G. P. C. O processo de leitura: da 
decodificação à interação. Disponível em: <http://www.
faculdadeobjetivo. com.br/arquivos/OProcessoDeLeitura.
pdf>. Acesso em: 3 maio 2014.
EDUCADORES DE SUCESSO. Homepage. 
Disponível em: <http://educadoresdesucesso.blogspot. 
com/>. Acesso em 14 set. 2010.
IPU – HISTÓRIAS E ATULIDADES. Charge seleção. 
Disponível em: <http://ipu-historia-atualidades.blogspot. 
com/2010/08/charge-eleicao-2010.html>. Acesso em: 12 
set. 2010.
LER E COMPREENDER TEXTOS. A leitura e os 
diferentes níveis de interpretação. Disponível em: <http://
www.lerecompreendertextos.com.br/2012/09/a-leitura-e-
os- diferentes-niveis-de.html>. Acesso em: 3 maio 2014.
UOL. O que é leitura crítica? Disponível em: <http:// 
linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica- 
ortografia/37/artigo265053-1.asp>. Acesso em: 3 maio 
2014.
Vale a pena acessar
O Clube de Leitura de Jane Austen
Vale a pena assistir
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