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Contents Title Page Copyright 1 - Dallas 2 - Dallas 3 - Dallas 4 - Maddox 5 - Dallas 6 - Dallas 7 - Austin 8 - Dallas 9 - Dallas 10 - Dallas 11 - Dallas 12 - Dallas 13 - Kane 14 - Dallas 15 - Dallas 16 - Dallas 17 - Dallas 18 - Dallas 19 - Dallas 20 - Maddox 21 - Dallas 22 - Dallas 23 - Dallas 24 - Austin 25 - Dallas 26 - Dallas 27 - Dallas 28 - Dallas 29 - Maddox 30 - Dallas 31 - Dallas 32 - Dallas 33 - Dallas 34 - Dallas 35 - Kane 36 - Dallas 37 - Dallas 38 - Dallas 39 - Dallas 40 - Dallas 41 - Dallas 42 - Dallas 43 - Austin 44 - Dallas 45 - Dallas 46 - Dallas 47 - Dallas 48 - Dallas 49 - Dallas 50 - Kane 51 - Dallas 52 - Dallas 53 - Dallas 54 - Dallas 55 - Dallas 56 - Maddox 57 - Dallas 58 - Dallas 59 - Dallas 60 - Dallas 61 - Austin 62 - Dallas 63 - Kane 64 - Maddox 65 - Dallas 66 - Dallas Epílogo Uma Amante Secreta para os Navy SEALs Sobre a Autora ~ Protegendo Dallas ~ Um Romance Militar de Harém às Avessas Krista Wolf Copyright © 2019 Krista Wolf Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida de nenhuma forma sem o consentimento prévio da autora. Imagem da capa: bancos de imagens - a história não tem relação com os modelos. ~ Other Livros de Krista Wolf ~ Uma Noiva de Sorte Uma Babás para os Comandos O Acordo com meu Ex Uma Amante Secreta para os Navy SEALs Esposa dos Fuzileiros Protegendo Dallas (em inglês) Quadruple Duty Quadruple Duty II - All or Nothing Snowed In Unwrapping Holly The Arrangement Three Alpha Romeo What Happens in Vegas Sharing Hannah Unconventional Saving Savannah The Christmas Toy The Wager Theirs To Keep Corrupting Chastity Stealing Candy http://www.amazon.com.br/dp/B0B23Y5GLQ http://www.amazon.com.br/dp/B0B5JMJNRM http://www.amazon.com.br/dp/B0B7RZJ4BQ http://www.amazon.com.br/dp/B0BBHBDXJT http://www.amazon.com.br/dp/B0BH59C6DZ http://www.amazon.com/dp/B07GJF9HNB http://www.amazon.com/dp/B07KB7B53L http://www.amazon.com/dp/B07HQLFDNZ http://www.amazon.com/dp/B07L7NL2W3 http://www.amazon.com/dp/B07PQS5HZV http://www.amazon.com/dp/B07QY16HMX http://www.amazon.com/dp/B07SRCWS9X http://www.amazon.com/dp/B07VLF4CLR http://www.amazon.com/dp/B07XTKK6NB http://www.amazon.com/dp/B083XTG9KT http://www.amazon.com/dp/B082YGSFK9 http://www.amazon.com/dp/B084H1MRY5 http://www.amazon.com/dp/B08BLQR9N6 http://www.amazon.com/dp/B08FBDH7SJ http://www.amazon.com/dp/B08J49WN2Y The Boys Who Loved Me Three Christmas Wishes Trading with the Boys Surrogate with Benefits The Vacation Toy The Switching Hour Secret Wife to the Special Forces Given to the Mercenaries Sharing Second Chances http://www.amazon.com/dp/B08ML2KR28 http://www.amazon.com/dp/B08R67BD1F http://www.amazon.com/dp/B08V4QLR8Q http://www.amazon.com/dp/B08YLDRSG3 http://www.amazon.com/dp/B095FH8CJF http://www.amazon.com/dp/B09JQRNSGP http://www.amazon.com/dp/B09N7ZHS8Z http://www.amazon.com/dp/B0B8JZLQNS Capítulo 1 DALLAS Acordei na escuridão, um calafrio me percorreu. Desceu pela minha espinha, arrepiando cada um dos pelos da minha nuca. Você não está sozinha. O pensamento veio instantaneamente, sem sequer um momento de consideração. Era um pressentimento. Um instinto. Era aterrorizante. Dallas, levante-se! Lentamente, meus olhos se ajustaram e eu não via mais o teto. No entanto, permaneci paralisada. Se eu estivesse sendo observada, ou perseguida, ou qualquer coisa assim, apenas um movimento poderia... Meu coração deu um pulo quando o vi: uma figura escura, de pé ao lado da minha cama. “QUE P...” Ele se endireitou, e eu soltei um grito de gelar o sangue. Isso deu a ele um instante de pausa, este homem de preto. Este homem vestido como a noite, dos pés à cabeça, misturando-se com as sombras. Um instante era tudo de que eu precisava. Eu rolei na cama, tocando o chão frio primeiramente com um pé. Então, sem perder o ritmo, balancei a outra perna para cima... ... e dei um chute direto no seu saco. “Unnnfff!” Foi um grito abafado, mas, ainda assim, foi o suficiente. Isso interrompeu sua investida no meio do caminho, levando-o para cima e para trás. Eu pude ouvi-lo cair de joelhos atrás de mim, mas não podia mais vê-lo por que já havia alcançado a porta do meu quarto e estava correndo pelo corredor. “SOCORRO!” Eu me atrapalhei procurando as luzes pelo caminho. Acho que até apertei um interruptor, mas, por alguma razão, tudo continuou escuro. “SOCOOOOORRO!” Seu telefone! Droga. Ele havia ficado no quarto. Eu podia tê-lo pegado, podia estar com ele em mãos agora. Só teria levado um segundo a mais, talvez dois. Tempo que eu definitivamente tinha, considerando o quão forte meu pé acertou a virilha do meu invasor. “SOCOOOOOOOR...” Meu terceiro grito foi interrompido, quando uma mão tapou minha boca com força. Isso parou abruptamente meu movimento, me interceptando enquanto me atirava para a cozinha. “Shhhh!” Era um chiado, em algum lugar perto do meu ouvido. Um segundo agressor. Mais alguém na minha casa... alguém que agora estava com os dois braços em volta de mim enquanto eu me agitava, chutava e lutava para me libertar. “CALMA,” a voz no meu ouvido cochichou. “Você não precisa...” Eu mordi... com força. “PORRA!” Meu novo agressor me soltou por reflexo, me empurrando para longe de seu corpo. Eu me virei para encará-lo, assim que o gosto quente e acobreado do sangue encheu minha boca... CRASH! Cobri o rosto com os dois braços para me proteger quando a janela da minha cozinha de repente explodiu. Vidro e pedaços quebrados da moldura choveram por toda parte. Tudo se espalhou pelo chão e pelas bancadas, brilhando sobre elas como diamantes pontiagudos ao luar. “AGARRE-A!” Outro homem segurou meus braços, vindo de algum lugar do lado de fora. Assim como o homem que eu havia mordido, ele não estava usando luvas. Não estava vestindo preto... “Leve-a para fora daqui! Agora, antes que...” Ele não conseguiu acabar a frase. O homem do quarto jogou- se sobre ele, atacando-o por trás. Eu vi chutes e socos, enquanto as duas figuras se atracavam no chão. Um deles puxou uma faca. O outro... uma elegante pistola preta. Dallas! Eu me contorci com força, mas estava totalmente dominada. Quem quer que estivesse me segurando era forte – incrivelmente forte – talvez até mais que meu irmão, Connor. Mas meu irmão não estava aqui. Porque meu irmão estava morto. POW! Um tiro foi disparado. Foi alto e incrivelmente desagradável na minha pequena cozinha, a explosão de faíscas amarelas do cano da pistola brilhando intensamente. Por um segundo iluminou a cozinha inteira, e pude ver mais dois homens. Eles também estavam brigando, jogando um ao outro contra a parede enquanto os outros se engalfinhavam no chão cheio de detritos… POW! POW! POW! A escuridão reinou novamente por um momento, e então subitamente eu estava do lado de fora. Podia sentir o vento frio do deserto, a algidez do ar. Eu ainda estava lutando, ainda chutando e gritando, mas já era tarde demais. Estava sendo arrastada. Arrastada pelo meu gramado lateral... ... para um grande caminhão preto que estava esperando, as portas já abertas. “NÃÃÃO!” Chutei novamente, desta vez direcionando meu pé para baixo. Acertei forte na bota do homem que estava me segurando, e senti o aperto relaxar um pouco. “DEIXE-ME SAIR...” Outra batida, e desta vez eu me lembrei de encolher os dedos dos pés. O osso do meu calcanhar bateu com muita força, com sorte quebrando o metatarso de quem quer que fosse o dono daquela bota grande de estilo militar. “AAAAI... CARALHO!” As mãos segurando meus braços ficaram mais apertadas, os dedos se retraindo em garras dolorosas. De repente, eu não estava mais presa ao chão — estava sendo erguida no ar, carregada pelos últimos três ou cinco metros antes de ser jogada, como um saco de batatas, na traseira do caminhão de aparência sinistra. “Filho da pu...” Fui jogada para dentro, assim que mais dois homens saíram correndo da casa, perseguidos pelos homens de preto. Eles entraram rapidamente, um bemao meu lado, o outro no banco do passageiro. Ambos fecharam as portas, nos separando do caos lá fora. “VAMOS VAMOS VAMOS!” Com o cantar de pneus e uma chuva de cascalho, descemos a rua. Eu estava cercada pelos meus captores agora. Três deles e eu. É isso, a voz em minha cabeça me falou. Você já era. Resisti uma última vez, tentando me libertar. Mas eu ainda estava imobilizada. Presa pelos pulsos. Você nunca mais vai ver sua casa. Meus dentes rangeram enquanto eu cuspia no chão. A voz interior estava me deixando furiosa! Me deixando rebelde. Dallas... De alguma forma eu consegui olhar para trás por cima do ombro, e toda a coragem foi embora de uma vez. Eu podia sentir um nó do tamanho de um punho se formando na minha garganta. Meu coração, despedaçado. Minha casa inteira estava sendo consumida pelas chamas. Capítulo 2 DALLAS “Todos bem? Alguém ferido?” O homem no banco do passageiro enxugou o suor com um antebraço gigante. Ele ajeitou para trás uma mecha de cabelo loiro espesso e se virou para olhar para nós. “Negativo,” disse o homem sentado ao meu lado. “E acho que acertei um deles em cheio algumas vezes.” O motorista apenas balançou a cabeça. “Eles estavam com coletes?” “Ah sim.” “Então não serviu para nada.” O loiro virou seus lindos olhos azuis para mim, me olhando de cima a baixo. Me avaliando. Talvez até tentando verificar se eu estava ferida também. “Minha casa!” grunhi. “Por que minha casa...” De repente eu estava livre, e tinha controle sobre meus braços novamente. Comecei esfregando meus pulsos, que doíam demais, enquanto olhava venenosamente de volta para o cara de cavanhaque sentado ao meu lado. “Dallas...” Tentei não apertar os olhos com a menção do meu nome, mas era muito difícil. Olhando para trás novamente, pude ver a fumaça escura subindo à distância, bloqueando toda uma grande faixa de estrelas brilhantes e cintilantes. “Dallas, ouça,” disse o loiro, sua voz apaziguadora. “Preciso que você saiba...” Aconteceu em um flash, e exatamente do jeito que eu planejei. Em um momento eu estava distraindo o cara ao meu lado com uma mão perto de seu rosto, no próximo eu puxava sua arma do coldre. “Ei... EI!” Tirei a trava da Glock 19 em um movimento suave e deslizei meu dedo pelo guarda-mato. A partir daí, foi apenas um movimento rápido do braço... e eu tinha o cano encostado na parte de trás da cabeça do motorista. “PARE,” eu disse com firmeza. “Ou eu pinto o para-brisa com o cérebro desse cara.” O cara do cavanhaque levantou as mãos lentamente. O loiro também. “Calma, Dallas. Nós estamos do seu la...” “Foda-se!” gaguejei. “Se estivessem realmente do meu lado, estariam de volta na minha casa, me ajudando a apagar o incêndio.” Eles se entreolharam, depois viraram de volta para mim. “Acredite em mim,” eu disse. “Está destravada. E se vocês acham que eu estou brincando...” Mais rápido do que meus olhos pudessem acompanhar, o loiro no banco da frente me desarmou. Suas mãos deslizaram sobre as minhas, viraram meu pulso de lado até doer e arrancaram a pistola do meu punho aberto. Merda. Inacreditavelmente, ele puxou o ferrolho para trás até ouvir um clique, então me devolveu a arma. “Pronto,” ele disse. “Uma bala na câmara agora. Ainda está destravada, então tenha cuidado.” Por meio segundo fiquei ali sentada, boquiaberta de espanto. Então coloquei a arma na parte de trás da cabeça do motorista, desta vez pressionando o cano na carne de seu pescoço grosso. “PARE. AGORA.” Para minha surpresa, ele parou. Diminuindo a velocidade suavemente, parou o caminhão no acostamento da estrada. “Dallas,” o homem na frente disse novamente. “Não estamos aqui para machucar você...” Meus dentes estavam cerrados. “Minha casa está em chamas!” “Nós não fizemos isso,” o homem disse. “Então por que estão me sequestrando?” “Não estamos sequestrando você,” disse o cara do cavanhaque. “Estamos salvando você.” Eu dei uma gargalhada alta. Parecia uma doida. “Salvando-me de quê? E a energia que vocês cortaram da minha casa? E o fogo que vocês atearam para me matar?” “Como eu disse, não fomos nós,” disse o loiro. “Pense nisso. Nós somos os mocinhos. Agora, quem são os bandidos?” Minha boca se torceu a contragosto. Não respondi. “Aqueles de preto eram os bandidos,” o cara do cavanhaque continuou. “Aqueles vestidos da cabeça aos pés com roupas táticas noturnas e equipamentos de visão infravermelha.” “Com os quais estávamos lutando,” disse o cara na frente. “Aqueles de quem afastamos você, tirando-a de lá.” Eu pensei em toda a maldita confusão, começando com o idiota de pé sobre a minha cama. Ele definitivamente era um dos bandidos. Idem para aquele que entrou pela minha janela, também vestido de preto. Não o cara com a mão na minha boca, no entanto. Aquele era um desses babacas. Olhei para o motorista. Suas mãos ainda descansavam no volante. Uma delas estava sangrando. Eu podia ver uma impressão perfeita dos meus dentes superiores… “Sim, nós pegamos você,” disse o loiro. Era como se ele estivesse lendo minha mente. “Mas fizemos isso para tirá-la de lá. Para mantê-la a salvo.” Ele apontou com a cabeça para baixo, em direção à arma. “Por que você acha que suas mãos estão livres? Ou até mesmo por que você está consciente, para início de conversa?” A boca dele se curvou em um meio sorriso. “Se nós realmente fôssemos os bandidos, eu lhe devolveria uma arma de fogo carregada?” Eu hesitei... então muito lentamente baixei a arma. No segundo que fiz isso, o motorista soltou o freio e o caminhão começou a se mover novamente. “Você é Dallas,” o homem na frente disse novamente. “Eu sou Maddox. O cara perto de você é o Austin.” Ele tocou no motorista. “Ele é o Kane.” O motorista, que ainda não havia dito nada, olhou de volta para o trânsito. “Nós servimos com o Connor. Todos nós.” Meus ombros caíram enquanto meu corpo relaxava. A maneira como eles agiam, como se moviam... tudo fazia sentido agora. Eles são SEALs! Como meu irmão... “Pronto,” disse o cara do cavanhaque, estendendo a mão com expectativa. “Dá para entregar?” PLIM-PLIM! Com o movimento do meu pulso eu puxei o ferrolho para trás, ejetando a primeira bala para cima. Ela girou no ar, dando uma cambalhota, até que eu a peguei agilmente em meu outro punho. “Tudo bem, então,” resmunguei. “Vamos conversar.” Devolvi-lhe a arma pela coronha, a câmara aberta e vazia. O menino bonito na frente olhava, tão fascinado quanto impressionado. “Caralho,” ele xingou baixinho. “Eu acho que ela realmente é irmã do Connor...” Capítulo 3 DALLAS O grande caminhão adentrou mais fundo no deserto, onde a poluição luminosa deu lugar a um bilhão de estrelas. Eu gostava de dirigir aqui às vezes, quando não tinha nada para fazer. Para fugir dos subúrbios de Las Vegas, ou simplesmente dirigir na direção oposta da Strip, a região dos cassinos. “Água?” Eu neguei balançando a cabeça quando o cara na frente – Maddox, como ele disse que era seu nome – abriu a tampa de um grande frasco de aço inoxidável. Ele o guardou e eu voltei a olhar pela janela. Connor. Fazia mais de um ano agora. Mais de quatorze meses desde que meu único irmão foi morto em ação. Esse era o relatório oficial da Marinha, pelo menos. Quaisquer outras respostas que tentei obter deles foram vagas e frustrantes. Ah, Connor... Com as mãos apertando os punhos, esperei até que minhas unhas cavassem profundamente minhas palmas. Isso permitia que eu me concentrasse na dor. Distraindo-me do que eu realmente queria fazer, que era desmoronar e chorar. Mas eu não iria chorar na frente desses caras. De jeito nenhum. O que diabos aconteceu com você? Esqueça dessa baboseira de a vida lhe dar limões. Na minha, ocorreram três verdadeiras explosões atômicas. Três tremendos “foda-se” espaçados de maneira bastante uniforme ao longo da minha existência, começando aos dez anos, quando minha mãe contraiu câncer. Ela estava morta no meu décimo segundo aniversário, e meu pai morreu três anos depois disso... presumivelmente de desgosto. Nossa pequena famíliade quatro tinha sido reduzida pela metade bem a tempo dos meus doces dezesseis anos, que eram tão doces quanto morder um limão. Mas apesar de tudo, e mesmo após tudo isso, pelo menos eu tinha Connor. AAAI! Olhei para baixo, para as palmas das minhas mãos. Eu as havia machucado até tirar sangue novamente. Desta vez das duas. Lambuzando minha calça de moletom com as mãos, eu olhei para fora. A Lua estava apenas três quartos cheia, mas era o suficiente para envolver todo o horizonte do deserto em uma luz azul nebulosa. Connor tinha sido o melhor irmão do mundo, antes e depois da morte de nossos pais. Foi uma figura paterna também. Ele tinha idade suficiente para assumir a minha tutela, e pudemos ficar na casa em que fomos criados. A casa trazia lembranças para nós. Memórias de alegria e de família, de férias, mamãe, papai... Meu irmão não me criou realmente, nós criamos um ao outro. Éramos uma equipe – completamente inseparáveis. Unidos pelo sangue, mas também pelo nosso batismo de fogo. Tudo que eu passei, ele passou... e vice-versa. Generosamente e de maneira altruísta, Connor deixou de lado seus sonhos de alistamento até depois do meu aniversário de dezoito anos. Ele tinha 21 anos quando chegou ao campo de treinamento e se saiu tão facilmente nos testes de triagem física que foi encaminhado rapidamente para o curso de formação do Grupo de Operações Especiais da Marinha. Connor se tornou um SEAL, e eu me tornei inteiramente independente. Não que eu não fosse independente antes, mas agora eu estava completamente, inteiramente sozinha. No entanto, eu ainda tinha meu irmão. Nós ainda conversávamos por mensagens de texto e pelo Skype sempre que tínhamos uma chance. Às vezes, ele até passava um tempo em casa, entre missões ou temporadas distantes. Entre as coisas incrivelmente perigosas que ele fazia e sobre as quais nunca queria falar, e os lugares onde eu não conseguia ter contato com ele. Essas eram minhas lembranças favoritas de todas – as vezes em que ficávamos em casa assistindo a filmes antigos. Falando sobre mamãe e papai, enquanto queimávamos diferentes refeições juntos. Nós dois éramos terríveis na cozinha. Felizmente, éramos ótimos em fazer pedidos. Quando você é uma crupiê de blackjack, nada mais lhe atrai na Strip. Torna-se trabalho. Torna-se padrão. As únicas vezes que realmente gostava de sair em Las Vegas era quando Connor estava em casa. Porque quando nos cansávamos de relembrar – ou perseguir os fantasmas do nosso passado pela casa – nós dois saíamos e ‘tocávamos o terror’ juntos, seja o que for que essa expressão queira dizer. Mas agora... Agora Connor estava morto. Se foi para sempre, como todos na minha vida. Era algo do qual eu nunca me recuperaria, nem queria, e nem mesmo estava tentando. Mas, de alguma forma, eu ainda acordava todos os dias. Ainda me arrastava para o trabalho, distribuía cartas por nove horas e aguentava vários graus de besteira do supervisor apenas para chegar em casa e cair na minha cama. E agora a minha cama se foi também... Eu esqueci de como estavam minhas mãos. As lágrimas começaram a escorrer, independentemente de eu querer, e a próxima coisa que eu percebi era que estava soluçando em minhas mãos cobertas de sangue. “Ei…” Uma grande mão pousou no meu ombro. Eu a empurrei. “Você... você está bem?” Não, eu não estava bem. Estava longe pra caralho de estar bem. Meus pais se foram, meu irmão estava morto, e agora tudo o que eu possuía havia virado uma pilha de cinzas fumegantes. Eu podia ver agora: as luzes piscando, as sirenes, os paramédicos, os bombeiros e a polícia... todos parados, coçando a cabeça. Tentando descobrir se eu estava lá ou não. Merda, eu realmente poderia estar. “Chegamos,” disse o motorista, sua voz chegando aos meus ouvidos pela primeira vez. Ele se virou para olhar para mim, todo robusto e masculino..., mas o olhar em seu rosto era gentil e terno. “Vou fazer um pouco de café.” Capítulo 4 MADDOX Ela estava sentada no centro da nossa cozinha, mas não como um cachorrinho assustado ou um gatinho indefeso. Não, Dallas Winters dominava seu espaço. Da mesma forma que seu irmão faria, se estivesse aqui. “Você chama isso de café?” Ela cuspiu de volta na caneca que lhe demos e a empurrou. O líquido preto ficou na beirada da mesa, balançando para frente e para trás com o movimento. “É café fresco,” Austin protestou. “É café instantâneo, isso sim,” ela praticamente zombou. “Um monte de porcaria que você dissolveu em água fervente.” “E daí?” Ela riu, mas eu poderia dizer que era uma daquelas risadas para não mostrar outra coisa. Um disfarce. Uma máscara, mantendo o resto de suas emoções sob controle. “Não importa,” ela disse, mais para si mesma do que para nós. “Três marmanjos. Militares. E nenhuma cafeteira à vista.” Sentei-me em frente a ela, absorvendo tudo. Dallas Winters. Em carne e osso. Na nossa cozinha. Puta merda. Do outro lado da sala, Kane se encostou no balcão, os braços cruzados. Seu olhar estava fixo nela. Olhando para ela com a mesma intensidade que ele tinha feito mil vezes antes, só que nunca pessoalmente. Nunca tão perto... “Então vamos lá,” disse Dallas. “Como vocês poderiam saber?” “Saber o quê?” perguntou Austin. “Saber que esses caras iriam invadir minha casa às duas da manhã, porra.” Nós nos entreolhamos, um por um. Ninguém disse uma palavra. Não estávamos preparados para este momento. “Vocês sabiam, obviamente,” disse Dallas, “que eles estavam vindo.” Mais silêncio. “Por acaso vocês estavam de bobeira pela rua, os três? Verificando as casas?” ela perguntou de maneira prepotente. “Pensando se talvez aquela casa precisasse de ajuda diante de intrusos armados que podiam ver no escuro? Homens vestidos de preto, vestindo... como foi mesmo que você chamou? ‘Roupas táticas noturnas’?” “Certo, certo,” eu disse. “Nós sabíamos.” “Sim, mas como vocês poderiam saber?” “Porque nós estávamos observando você.” As palavras foram ditas por Kane. Ele as pronunciou lentamente, no mesmo tom. Sem um pingo de cerimônia. “Me observando?” “Sim,” respondeu Austin. “E foi ótimo que estivéssemos, porque...” “E exatamente como vocês estavam me observando?” perguntou Dallas. “Não, esperem...” ela se sentou na sua cadeira. “Podemos começar com por que estavam me observando?” Austin estava de pé, mas nesse momento puxou uma cadeira. Ele virou-a e sentou-se ao contrário, descansando os braços nas costas. “Estávamos observando você porque seu irmão nos disse para fazer isso,” ele disse. Dallas se encolheu visivelmente com a menção de Connor. Ela fechou a cara. “Meu irmão está morto.” “Sim,” disse Austin, tentando ser paciente. “Mas ele disse isso para nós antes de morrer. Sua última mensagem para nós...” Ele olhou para mim e eu balancei minha cabeça apenas um pouquinho. Fiz quase imperceptivelmente, esperando que Dallas não notasse. “De qualquer forma,” Austin continuou, “ele nos disse para cuidar de você. Para ter certeza de que você ficaria bem, porque ele poderia...” ele se atrapalhou. “Porque ele poderia...” “Ele poderia ser morto,” Dallas disse, mal-humorada. Austin assentiu. “Sim.” O silêncio se abateu sobre a cozinha por um longo momento. Em seguida, quase como se uma lâmpada se apagasse, todo o comportamento de Dallas mudou. “Então vocês sabem o que aconteceu com ele,” ela disse esperançosa. “Vocês podem me dizer o quê... quando ele...” Eu podia ver sua luta. A busca por respostas, a curiosidade eterna... confrontada com a vozinha no fundo de sua mente, gritando que ela não queria saber. Não de verdade. Porque uma vez que ela cruzasse esse limiar, nunca poderia voltar. “Esperem,” disse Dallas. “Quando ele disse isso para vocês? Faz um ano que ele se foi.” Austin parou de falar. Kane raspou a garganta. “Vocês estão me dizendo que estão me observando há mais de um ano?” Cruzei os braços sobre o peito. A essa altura, a honestidade era a única opção real. “Sim.” “Vocês estiveram observando a minha casa por um ano? Passando por lá no meio da noite? Procurando por sinais deproblemas, esperando que alguém que entrasse no meu quarto enquanto eu estivesse dormindo, apenas para...” “Não foi assim,” disse Austin. “Não passamos pela sua casa porque não precisávamos passar pela sua casa.” Ela parecia confusa. Totalmente perplexa. Mas eu podia sentir uma raiva também, crescendo dentro dela. Brotando, logo abaixo da superfície. Uh uh. “Há câmeras,” disse Kane, como quem não quer nada, “instaladas em sua casa.” Ele nem se abalou quando a cabeça de Dallas virou em sua direção. Ela ficou boquiaberta. “Estávamos observando você remotamente.” Capítulo 5 DALLAS “Vocês estavam me VIGIANDO?” gritei, pulando da minha cadeira. “Na minha CASA?” “Calma,” disse Maddox. “Não é bem assim...” “Por um ANO inteiro?” Eu fiquei chocada. Atordoada. Absolutamente furiosa. Mas também... Eu também estava confusa. “Não acredito que vocês colocaram câmeras na minha casa!” exclamei. “Não acredito...” “Não na sua casa inteira,” disse Austin, suas mãos para cima defensivamente. “Não no seu quarto, é óbvio. Nem no banheiro.” “E então tudo bem?” perguntei ainda sem acreditar. “Vocês estão falando sério?” Esse é o raciocínio de vocês: não no meu quarto, nem no meu banheiro... apenas em todos os outros lugares?” “E não fomos nós que colocamos as câmeras lá,” ele continuou. “Foi o seu irmão. Elas já estavam instaladas – uma medida de segurança, colocada lá por Connor.” Puxei pela minha memória. Não consegui lembrar de nada. “Connor nunca me falou nada sobre câmeras,” eu disse. “Ele nunca teve a chance,” disse Maddox. Ele se inclinou para frente rápido demais, e uma mecha de cabelo loiro caiu sobre um olho azul cristalino. “Seu irmão as colocou lá pouco antes... bem...” Olhei para baixo, para o meu colo. Felizmente ele não continuou. “Isso ainda não lhe dá o direito de explorá-las,” respondi com desprezo. “Apenas porque elas estavam lá, apenas porque...” “Dallas, pare.” Nós todos viramos de uma vez. O cara que eles chamavam de Kane ainda estava encostado no balcão. Ainda estava com os braços cruzados. Mas agora, estava olhando para nós. “Ouça-os,” disse Kane em sua voz grave e rouca. “Seu irmão era nosso irmão também. Muito mais do que você sabe.” Ele me encarou, e por alguma estranha razão isso me acalmou. Havia verdade nos olhos dele. E também algo mais... Algo como tristeza. “Seu irmão queria isso de nós,” Kane continuou. “Cuidar de você foi o último pedido dele.” As palavras foram pronunciadas de maneira lenta e uniforme. Chegavam a ser perturbadoras. Mecanicamente, eu me sentei. O último pedido dele... “Mas eu...” “Nós não estávamos apenas cuidando de você,” disse Maddox. “Estávamos monitorando o exterior da sua casa procurando sinais deles.” Levantei minha cabeça. “Os caras de preto?” “Sim.” Agora estávamos indo a algum lugar. “Quem são eles?” “Não temos certeza absoluta. Mas sabemos que eles têm algo a ver com o desaparecimento do Connor. Algo a ver com o que aconteceu com ele por último.” Eu apontei para a porta. “Então por que diabos estamos aqui? Se eles têm as respostas, por que nós corremos, em primeiro lugar?” “Porque estávamos em menor número,” disse Maddox. “E provavelmente com menos armas. Nós pulamos da cama e voamos para sua casa o mais rápido que pudemos,” ele explicou. “No exato segundo em que Kane os notou nos monitores, reunidos do lado de fora de sua casa.” “Mesmo assim...” “Nós também fugimos por sua causa,” disse Austin. “Tínhamos que tirar você de lá. Ter certeza de que você estaria segura. Isso era a prioridade número 1.” O restante do grupo assentiu junto. “Devíamos isso ao Connor.” De repente, eu queria voltar – enfrentar os homens que invadiram e incendiaram minha casa. Queria sacudi-los violentamente. Fazê-los me dizer quem eles eram e o que queriam. E acima de tudo, precisava saber o que havia acontecido com Connor... “Nós vamos lidar com eles,” disse Austin, movendo-se em sua cadeira. “Confie em nós. Mas por enquanto...” “Por enquanto você precisa ficar quieta,” disse Maddox. “Nós não fomos seguidos até aqui, e isso é uma coisa boa. Mas esse pessoal é persistente. Eles são bem financiados. E têm acesso a recursos que nós não temos.” Meus olhos se estreitaram. “Então vocês sabem quem eles são?” “Não totalmente. Mas sabemos algumas coisas. E estamos desvendando outras.” “Assim como seu irmão estava fazendo,” disse Kane, de forma sinistra. “Quando eles o pegaram.” Engoli em seco. De repente, eu estava muito consciente de mim e do meu entorno. A casa era grande e velha, por dentro e por fora. Eu estava sentada em sua cozinha decadente, vestindo um moletom manchado de sangue e uma camiseta. Além do pequeno pingente em forma de diamante que eu sempre usava no pescoço – que ganhei do Connor – era a soma total de todas as minhas posses mundanas. Graças a Deus eu parei de dormir nua. “Há quanto tempo vocês moram aqui?” perguntei. A pergunta deve ter parecido aleatória. Os rapazes não responderam imediatamente. “Pouco mais de um ano.” “Desde a morte do Connor...” Lentamente eles assentiram. “Isso mesmo,” disse Maddox. “Então vocês estão fazendo isso...” gesticulei ao redor, “só por mim?” “Estamos fazendo pelo Connor,” disse Austin. “Cada um de nós tem uma grande dívida com o seu irmão. Então sim, com você também. Proteger você é grande parte do pagamento.” Os rapazes me encararam por mais meio minuto, como se estivessem se acostumando com a minha presença ali. Percebi que devia ser estranho para eles, me verem pessoalmente. Ter-me aqui entre eles, depois de ter me observado nos monitores por tanto tempo. “Você acha que consegue dormir?” perguntou Maddox. “Claro que não.” Ele olhou em volta da sala. Os outros balançaram a cabeça também. Maddox deu de ombros, sem poder fazer nada, e sorriu. “Então vamos preparar o café da manhã.” Capítulo 6 DALLAS Os rapazes tinham uma porcaria de café e uma porcaria de acomodações. Até a cozinha tinha uma porcaria de iluminação. Mas quando veio o café da manhã... A primeira refeição do dia era a especialidade do meu irmão, e a única que ele realmente conseguia cozinhar sem queimá-la. A pasta colocada diante de mim agora me lembrava exatamente disso: pilhas de ovos mexidos, salsicha em rodelas, waffles frescos, batatas fritas crocantes e um copo alto e gelado de suco de laranja para acompanhar tudo. Isso me fez pensar quantas vezes eles comeram isso com Connor, assim como eu. Achei que não conseguiria comer, mas descobri que estava errada. Comi tudo. Limpei meu prato e me servi imediatamente pela segunda vez, e quando o segundo prato terminou, comecei a olhar em volta, procurando bacon. “Você estava faminta.” Balancei a cabeça. Não havia muito mais a dizer. Encher minha barriga era uma distração bem-vinda na minha situação, e eu usei o silêncio relativo (apesar de facas e garfos raspando contra placas de cerâmica) para fazer um balanço dos meus possíveis salvadores. Maddox parecia ser o 'líder' dos três, por assim dizer. Ele era alto e estava extremamente em boa forma, com uma quantidade sexy de barba por fazer e cabelos loiros grossos muito mais longos do que o permitido pelo quartel. O que queria dizer que ele era um ex-SEAL, quando muito. Ou talvez ele estivesse tão no alto da cadeia de comando da Marinha que eles pararam de incomodá-lo com seu corte de cabelo. Quanto a Austin, todo o seu comportamento parecia um pouco mais tenso e certinho. Ele era o único a limpar as coisas e guardá- las, até mesmo lavando e guardando as panelas quando Maddox terminava de usá-las. Seus cabelos escuros e pele morena o tornavam incrivelmente atraente, e a precisão militar com que ele cuidava de seu cavanhaque impecavelmente mantido me disse tudo o que eu precisava saber sobre seus hábitos diários. E então havia Kane, que era muito mais difícil de desvendar. Ele era absolutamente encorpado, com um peito largo e poderoso e ombros semelhantes a Atlas, nos quais você podia apoiar o mundo. Seus grandes braços mal cabiam em sua camisa de uma cor verde apagada, esticandoo tecido até os limites absolutos enquanto ele comia ovos e salsichas com seu rosto belo e rústico. Mas, ao contrário dos outros, Kane era calado. Ele não falou a refeição inteira, contentando-se apenas em comer, ouvir e observar. A certa altura, ele me pegou olhando para ele, e eu esperava algum tipo de olhar rápido para longe. Em vez disso, ele me encarou com confiança e um certo ar de superioridade, sua boca se alargando no mesmo sorriso gentil de antes. De alguma forma, apesar de tudo o que aconteceu comigo, eu me encontrei sorrindo de volta para ele. O sol finalmente rachou o céu, e um por um os rapazes desapareceram um pouco. Eles voltaram completamente vestidos e bem barbeados. Prontos para o que quer que eles estivessem prestes a fazer a seguir. “Kane e eu temos algumas coisas para verificar,” disse Maddox. “Estaremos perto da cidade, mas voltaremos antes do pôr do sol.” Esfreguei meus olhos. Eu só podia imaginar como eu estava. “Se você fizer uma lista, Austin vai providenciar tudo o que você precisar. Em primeiro lugar, roupas, é claro. Xampu, escova de dentes... quaisquer outros produtos de higiene pessoal, apenas anote-os e...” “Não vou escrever porra nenhuma.” Maddox olhou para mim como se eu tivesse acabado de falar com ele em latim. Ele coçou a cabeça. “Ehh... o quê?” “Por que diabos eu escreveria alguma coisa?” perguntei. “Eu simplesmente vou com ele.” Os rapazes se entreolharam desconfortavelmente. “Você não vai com ele.” “Ah não?” eu ri. “Tudo o que eu já tive é uma pilha incandescente de cinzas agora. Existem coisas das quais eu preciso. Muitas coisas. Preciso de um telefone novo, em primeiro lugar. Tenho que ligar para o meu chefe, ver se ele pode me conseguir um novo uniforme antes de hoje à noite…” “Seu chefe?” “Sim. No cassino.” Cruzei os braços sobre o peito. “Vocês estão me observando tempo suficiente para saber que sou uma crupiê de blackjack, certo?” “Claro,” disse Austin. “Mas...” “Você não vai trabalhar,” interveio Maddox. Coloquei minhas mãos nos quadris agora, dedos abertos. “Porra nenhuma que eu não vou.” “Dallas, você não pode voltar ao trabalho. Esse pessoal vai encontrar você. Porra, eles provavelmente já estão no cassino, esperando você aparecer. Assim como eles provavelmente estão sentados em uma das extremidades do seu quarteirão, esperando você passar e vasculhar as cinzas... Quero dizer, os restos de…” Sua voz sumiu. Austin lhe deu uma cotovelada nas costelas. “Olha, me diga tudo que você precisa e eu vou conseguir para você,” ele disse. “Vou fazer algumas compras também. Vou comprar comida, mantimentos, esse tipo de coisa. Qualquer coisa que você quiser, é só me dizer e eu vou conseguir.” “Nós vamos conseguir,” eu o corrigi. “Quando nós formos.” Ele respirou fundo. “Dallas, não é seguro.” “Nada é seguro,” eu disse. “Olhe para a minha casa.” “Sim, mas...” “Mas nada. Não vou ficar sentada aqui enquanto vocês três resolvem isso.” Girei meu braço ao redor da cozinha simples e caiada de branco. “Há quanto tempo mesmo vocês disseram que estavam aqui?” Kane respondeu desta vez. “Treze meses.” Depois de um curto período de silêncio, eu ri. “Vocês estão fora de si se acham que...” “Dallas, por favor,” Maddox implorou. “Pelo menos por enquanto, deixe Austin pegar...” “Eu preciso de coisas de garota também, sabe,” dei uma risadinha, arruinando os planos deles. “Coisas que eu tenho que escolher para mim. Vou precisar de tamanhos diferentes para tipos de camisetas diferentes, calças de diferentes estilos... ah, e vou precisar de sutiãs... lingeries...” Os ombros de Austin caíram. Ele parecia desconfortável. Maddox parecia preocupado. Kane, no entanto, apresentava um mínimo indício de um sorriso. “Produtos femininos,” continuei. “Um monte deles. E ainda...” “Mas...” “Vejam bem,” eu falei em voz alta, com um suspiro. “Vou colocar meu cabelo para cima. Colocar um chapéu. Usar óculos de sol e a porra de um bigode falso se vocês quiserem, mas definitivamente não vou ficar aqui sozinha o dia inteiro.” Antes que pudessem responder, passei por eles, entrando no que parecia ser a sala de estar. Era grande e vazia, tão esparsa quanto a cozinha com as paredes e o chão quase inteiramente vazios. Mas pelo menos eles tinham sofás. “Alguém pode me dizer onde fica o chuveiro?” perguntei por cima do ombro. Cheguei à escada em silêncio e olhei fixamente para cima. “Ou terei que sair abrindo portas até achá-lo?” Capítulo 7 AUSTIN Ela era teimosa pra caralho, eu tinha que admitir. Forte, inteligente e incapaz de aceitar um não como resposta. Resumindo, era exatamente como Connor. Não pude deixar de olhar para ela durante a viagem de volta, uma perna no painel enquanto pintava as unhas dos pés. Dallas me arrastou para nove lojas diferentes, incluindo três mercearias e uma parada para o almoço. Após três tacos de peixe para cada um, estávamos quase em casa, sãos e salvos. Deus, ela é maravilhosa. Ela realmente era. Quer dizer, nós a conhecemos desde sempre... primeiro pelas fotos que Connor nos mostrou, depois por observá-la no monitor por tanto tempo. Mas agora ela estava aqui. Aqui de verdade! Sentada ao meu lado no banco do passageiro, janela abaixada, seu cabelo loiro esvoaçando tão descontroladamente que estava chicoteando em torno de seu lindo rosto. “Parada para uma cervejinha?” Balancei minha cabeça. Já estávamos muito perto de casa, e ela já tinha ficado muito tempo fora. No que diz respeito a manter as coisas discretas, falhamos miseravelmente no primeiro dia. Além disso, embora não tivéssemos exatamente um estoque completo de suprimentos na casa, cerveja era a única coisa que tínhamos de sobra. “Temos algumas caixas no porão,” eu disse, usando a conversa como uma desculpa para olhar para a direita. “Vou pegar algumas para nós, quando chegarmos.” Pare de olhar para ela! No entanto, era impossível. Ela era tão linda quanto Connor tinha sido irritantemente bonitão só que com bochechas mais bonitas e lábios carnudos e beijáveis. Ela tinha os olhos dele. Aqueles mesmos globos azuis deslumbrantes que queimavam com um fogo interno único. Um carisma marcante que te convertia sem palavras; uma magia que automaticamente fazia você querer agradá-la, sem que ela tivesse que dizer uma única maldita coisa. Dallas estava vestindo short e um top agora, e um par de óculos de sol espelhados de alta qualidade que provavelmente nos custou uma pequena fortuna. Eu não tinha ideia, realmente. Não olhei nenhum recibo. Apenas dei o cartão a ela – um que todos compartilhávamos – e poderíamos nos preocupar com a conta depois, quando a fatura chegasse. “Por quanto tempo vocês serviram com meu irmão?” Fiquei surpreso por ela ter esperado tanto para perguntar. Até agora, nossas conversas tinham sido bastante limitadas: compras e o clima. “Todos os oito anos que ele esteve lá.” Ela voltou o olhar para mim. Tudo o que eu podia ver era meu próprio reflexo nas lentes dos óculos dela. “Então você o conhecia bem?” “Ele era como um irmão para mim,” eu disse sinceramente. “Para todos nós, na verdade. E sim. Passamos pelo PST, o teste físico básico, juntos. Depois pelos outros, bem mais difíceis, o pre- BUDS, o BUDS...” fiz uma pausa. “Você sabe o que são essas coisas?” “Curso Básico de Neutralização de Obstáculos Submarinos,” ela respondeu, desviando o olhar. Seu olhar se voltou casualmente para fora da janela do passageiro. “Sim. Eu sei.” Meus olhos vagaram novamente, e eu tive que arrastá-los à força das pernas dela. Propositalmente, pensei em Connor. A culpa instalou-se. “Sim, nós saímos juntos do treinamento depois,” eu disse. “Foi aí que encontramos Maddox e Kane. “Comunicação tática, escola de atiradores, certificação de equipes de invasão… nós três passamos por todo o desafio, inserções aéreas em paraquedas e tudo.” “Vocês foram designados para a mesma unidade?” “Sim. Tivemos sorte,” eu disse. “Sorte de verdade.” Dallas trocou de perna, e eu apertei minha pegada no volante. Desta vez fiquei firme o suficiente para manter meus olhosapontados para frente. “Em todos os lugares que fomos, seu irmão arrebentava, sabe.” “Ah,” ela disse casualmente, “tenho certeza disso.” Eu ri. “Nunca vi ninguém tão em forma como ele. Ele sempre nos fazia parecer mal, não importa o que fizéssemos. O cara era uma aberração da natureza.” Eu poderia ter continuado. Poderia ter dito a ela como Connor Winters sempre corria mais rápido, ia mais longe e pulava mais alto do que qualquer um de nós. Que eu achava que, em todo o tempo que convivemos, nunca o vi perder o fôlego. Que ele podia ficar debaixo d'água quase um minuto inteiro a mais do que qualquer outra pessoa... Em vez disso, eu disse simplesmente: “Nós o amávamos.” “Todos nós.” Dallas permaneceu em silêncio, ajustando seus óculos escuros. Eu poderia dizer que minhas palavras atingiram um determinado ponto, no entanto. Se era um ponto bom ou ruim, eu não sabia. “Eu... eu sinto muito por tudo que aconteceu com você.” O sol se afundou um pouco mais no horizonte, e os quilômetros se estendiam sem resposta. Não que eu precisasse de uma resposta. Precisava apenas falar para ela. “Foda-se,” eu disse de repente, saindo da estrada principal. “Vamos parar para uma cerveja.” Ao meu lado, notei minha passageira se animar um pouco. A boca dela até se curvou no mais leve indício de um sorriso. “Aquela merda que está no porão provavelmente está velha demais de qualquer maneira.” Capítulo 8 DALLAS “Ok, então preciso dizer algumas coisas...” Havíamos acabado de comer uma hora atrás e agora estávamos apenas descansando ao redor da mesa. A cerveja estava gelada e descia com muita facilidade. Pensando bem, atingir o fundo do poço tendia a fazer tudo descer facilmente, querendo ou não. Segura firme, Dallas. A má notícia é que eu havia perdido tudo... e eu quero dizer tudo. Provavelmente até meu trabalho no cassino, porque eu não tinha ideia de quanto tempo precisaria ficar longe. No entanto, a boa notícia é que, a partir daqui, não havia outra direção a não ser para cima. “Em primeiro lugar, quero agradecer,” eu disse, tentando ser sincera. “Sei que fui um pouco grosseira ontem, mas tive uma noite ruim. Uma noite realmente ruim.” “Totalmente compreensível,” disse Maddox. Ele parecia tonto. Suas bochechas estavam vermelhas, como se ele não estivesse acostumado a beber assim. Talvez fosse a disciplina das Forças Especiais da Marinha e tudo o mais. “Sim,” disse Austin. “E pode estar certa de que não tem nada o que nos agradecer.” “Ah, mas eu tenho,” continuei. “Percebo agora que estaria morta se vocês não tivessem aparecido. Que, para manter a promessa ao meu irmão, mesmo que isso significasse me perseguir por um ano inteiro…” eu sorri um pouco nessa parte, “vocês três, total e desinteressadamente, salvaram minha pele.” Os rapazes estavam olhando para mim um pouco diferente agora. Muito mais relaxados. Austin ergueu sua garrafa em saudação, e os outros brindaram. “Em seguida, quero agradecer por me acolherem na casa de vocês. Sei que deve ser um pé no saco, me ter aqui...” “De jeito nenhum,” disse Austin. “De fato...” “É só me dar uns dias,” interrompi, “e eu juro que estarei na sua lista negra. Tenho certeza de que farei alguma coisa para irritar vocês: entupir o ralo do chuveiro com meu cabelo, deixar o vaso sanitário abaixado o tempo todo… coisas divertidas assim.” Eles apenas olharam, deixando-me continuar. Dando-me a palavra, por assim dizer. “Preciso que vocês me façam algumas promessas, no entanto,” eu disse, “se eu for ficar aqui. E preciso que todos os três concordem.” Eles pareciam intrigados agora, ou pelo menos Maddox e Austin pareciam. Kane apenas olhou impassível, torcendo a tampa de sua quinta ou sexta cerveja. “Primeiro, preciso de total transparência. O que quer que estejam fazendo para descobrir quem está atrás de mim ou quem machucou Connor. Preciso estar por dentro disso.” Maddox apertou os olhos, confuso. “O que você quer dizer com ‘estar por dentro disso’?” “Quero dizer que vocês têm que compartilhar os informes comigo,” eu disse, usando intencionalmente o jargão militar. “Vocês me manterão informada. Nada dessa porcaria de 'não contamos para sua própria segurança'. Se vocês souberem de algo – não importa quão ruim ou assustador seja – eu preciso saber. E é uma via de mão dupla.” “Uma... via?” perguntou Austin. “Olha, já decidi que, não importa o que vocês digam, eu vou ajudar,” respondi. “Posso não ter suas habilidades de campo ou seu treinamento físico, mas quatro cabeças são sempre melhores que três. Vocês me passam seus informes, suas teorias, o que quer que tenham, e juntos vamos tentar entender o que está acontecendo.” Eu virei minha garrafa novamente e terminei antes de colocá-la na mesa. “Vocês podiam não imaginar quando me viam desfilar pela minha casa de calcinha, mas eu sou altamente precisa quando se trata da internet.” Os três coraram instantaneamente, sabendo que o que eu dizia era verdade. Depois de longos turnos em um uniforme de cassino abafado, ficar só de calcinha sempre foi meu jeito de relaxar. Surpreendentemente, foi Kane quem ficou com o tom mais evidente de vermelho. Terei que lembrar que no futuro... “Então estão todos acompanhando?” perguntei. Lentamente, eles trocaram olhares, cada um acenando com algum tipo de aprovação eventual. “Sim,” Maddox disse por último. “Estamos prontos para isso.” Ele parou por um momento, antes de me dar um encolher de ombros com o olhar cansado. “Parece justo.” Eu balancei a cabeça por alguns bons segundos, para voltar ao ponto onde parei. “Bom. Agora vamos para o próximo item...” “Você é muito exigente, sabia?” Austin ironizou. “Eu sei.” “Sem querer ofender.” “Não ofendeu.” Inclinei-me para trás na minha cadeira. “Agora, vamos falar sobre a casa...” Levou várias horas de reflexão olhando para o teto até perceber que os rapazes estavam certos; se eu não ficasse aqui escondida, as chances eram grandes de que eu fosse um alvo fácil. Admitir isso doeu, mas também era algo que eu tinha que engolir e seguir em frente, se quisesse ajudar a encontrar os assassinos de Connor. E eu definitivamente queria encontrar os assassinos de Connor. “Não levem a mal,” comecei, “mas de cima abaixo este lugar precisa de uma repaginada séria.” “Repaginada?” exclamou Austin, parecendo indignado. “Saiba que...” “Sim, sim,” eu o interrompi. “Eu sei que está impecavelmente limpo. É excelente, no que diz respeito à limpeza, mas não muito... aconchegante.” Eles pareciam ainda mais confusos agora, e não era apenas pelo barulho que estavam fazendo. Basicamente, eles eram homens. Militares. Utilitaristas como eram, não tinham ideia do que eu queria dizer. “Olhem em volta,” dei um suspiro. “Este lugar parece uma casa pela metade. Mal tem mobília. Nada nas paredes. Sem luminárias, nem tapetes, nem nada para torná-lo um lar. É como se tivesse sido decorado com um kit básico para solteiros. Como vocês saíram e compraram um sofá, uma televisão e alguns sacos de Pretzels, então acharam que estava tudo resolvido.” Nenhum dos três disse nada. Eu não podia dizer se estavam chocados ou ofendidos. Talvez os dois. “Meti minha cabeça na geladeira essa manhã e minha voz ecoou. Abri uma gaveta e as mariposas voaram para fora.” “Então o que você está dizendo?” perguntou Maddox. Desviei meu olhar para Austin. “O cartão de crédito que usamos hoje. De quem é ele?” “De todos nós,” ele disse. “Para as contas da casa.” “Então vocês dividem as despesas.” “Sim. Nós dividimos... praticamente tudo,” ele deu de ombros. “Tudo bem,” eu disse. “Se eu for ficar aqui o dia todo, vou precisar de um adicional desse cartão. Isso porque vou precisar de algo para fazer.” Maddox coçou a barba. “Fazer?” “Sim.” “Como o quê?” “Ah vamos ver...” eu disse, contando nos meus dedos. “Comida, para começar. E não apenas alguns dias de mantimentos, mas um estoque de alguns de itens essenciais.” “O que mais?” “Seu papel higiênico é de uma folha,” eu disse, fazendo uma careta. Inaceitável. Metade das lâmpadas da casa estão queimadas. Édeprimente aqui. As paredes precisam de uma nova camada de tinta.” “De que cômodo você está falan...” “Todos os cômodos!” exclamei. “Tudo é branco. Ou cinza. Ou um marrom de merda. E eu não sei sobre seus quartos, mas a roupa de cama do quarto de hóspedes é áspera pra caralho. A contagem de fios é tão baixa que deveria ser um crime.” “Uau,” Maddox deu uma risadinha. “Você realmente está dizendo como se sente.” “Tudo está desorganizado,” continuei. “Vocês se mudaram há um ano e ainda há pilhas de caixas encostadas nas paredes. Vocês precisam de prateleiras, estantes, porta-retratos…” Austin levantou uma mão. “Porta-retratos?” “Cortinas, toalhas melhores no banheiro…” Kane riu. “Eu disse que aquelas toalhas eram uma droga.” “Um sistema estéreo, ou pelo menos alguns alto-falantes para que pudéssemos conectar em algum aplicativo de música …” “Isso,” Austin assentiu, “com isso eu concordo.” “Algumas almofadas. Talvez algumas velas perfumadas…” Fiquei sem dedos para continuar contando. Quando eu acabei, estavam todos me encarando. “Olha, se vocês vão tomar conta de mim por um tempo, o mínimo que posso fazer é contribuir,” eu disse. “Não estou tentando dificultar nada. Mas se eu não tiver mais nada para fazer…” Eu balançava minhas mãos ansiosamente, tentando fazer o nervosismo passar. Nada disso era fingimento, de verdade. Eu tendia a ficar agitada muito mais rápido do que a maioria das pessoas que eu conhecia. “Aqui.” Kane enfiou a mão no bolso de trás e me jogou um cartão de crédito, que veio girando como uma carta de baralho. Todos os três pareceram surpresos quando eu o peguei agilmente entre meus dedos. “Você lida com um monte de cartas,” Maddox supôs. “Não é mesmo?” “Pode crer,” eu disse, colocando-o no meu bolso. Capítulo 9 DALLAS As semanas seguintes foram interessantes, para dizer o mínimo. Justamente por estar escondida em uma casa velha, em algum lugar no deserto. No que diz respeito aos companheiros de alojamento, os rapazes eram extremamente tranquilos. Aprendi muito mais sobre eles e eles sobre mim, compartilhando refeições, histórias e bebidas – tanto na cozinha quanto fora. Eu até mesmo soube mais sobre meu irmão. Muito, muito mais. Foi maravilhoso, ouvir tudo sobre o outro lado da vida de Connor. Eu não me cansava de ouvir as histórias dos lugares exóticos que ele esteve, e todas as coisas incríveis que ele fez enquanto estava lá. E os rapazes não deixaram por menos. Eles nunca se cansavam de me contar. E nunca ficavam sem histórias também. Acontece que meu irmão era absolutamente um fodão, o que eu já sabia. Mas, aparentemente, ele era o rei de todos os fodões, e depois de algumas das merdas que ele passou com Maddox, Austin e Kane, eles o reverenciavam quase como uma divindade ou um deus. “Se não fosse pelo seu irmão,” eles me contaram em uma ocasião, “nenhum de nós estaria aqui.” Eles disseram isso solenemente. Seriamente. Sem orgulho, ostentação ou sequer um traço de um sorriso. E embora nenhum deles fosse muito especializado nas particularidades das missões de combate reais que executaram com Connor, cada um deles tinha suas próprias histórias de sacrifício e bravura inabalável. Soube que Maddox havia se aposentado do serviço e estava trabalhando no setor privado. Austin e Kane ainda estavam tecnicamente alistados, mas estavam em uma licença temporária remunerada por serem altamente especializados, participando apenas de missões específicas. “Nós não vamos voltar até descobrirmos isso,” Austin me assegurou gentilmente. “E nem você.” Quanto a mim, estava me mantendo ocupada. O 'trabalho' em casa consistia em tudo o que eu havia dito e muito mais, incluindo pintar, redesenhar e montar o lugar. A casa estava maior e mais brilhante agora, com lâmpadas mais potentes e luminárias de destaque que iluminavam todos os cômodos com uma luz quente e acolhedora. Eu pedi cadeiras, mesas, tapetes. Armários, caixas e prateleiras. E é claro que eu caprichei na pintura... pintei todos os cômodos e todos os tetos – incluindo os quartos dos rapazes. Eu até limpei e remodelei a velha lareira, que aparentemente havia sido usada uma vez e que aquecia a casa inteira. Foi um grande sucesso na primeira vez que a acendi; todos foram jantar na sala de estar enquanto observavam as chamas. Havia um computador no canto da sala, conectado à internet por meio de uma VPN criptografada. Austin era o cara técnico, e ele mantinha as câmeras e os sistemas de alarme também. Foi ele foi quem grampeou o sistema de segurança de Connor, onde todos se revezavam me observando. E me observando. E me observando... Fui atendida em tudo o que eu quis. Quando havia qualquer coisa que precisasse ver pessoalmente, eu era levada para a cidade. Os rapazes se revezavam cuidando de mim, às vezes dois de cada vez enquanto o terceiro estava fora. Era a única regra não negociável deles: que eu nunca tivesse permissão para ficar sozinha. Isso, e o telefone que eles me fizeram carregar comigo o tempo todo. Não havia nenhum contato além deles, mas permitia que eles identificassem minha localização e entrassem em contato comigo sempre que quisessem. Foi estranho no começo, não ter minha antiga vida. Mas com o passar do tempo, percebi o quão desconectada do mundo eu realmente estava. Não tinha família, nem emprego, nem chefe. E os poucos amigos que eu tinha eram colegas de trabalho do cassino. Curiosamente, mesmo depois de três semanas, eu ainda não sentia falta deles. “Precisamos sair,” eu disse inúmeras vezes. “Vocês têm que me levar para jantar, ou talvez um bar, ou talvez...” “Muito perigoso,” eles sempre respondiam. “Estes são lugares onde os homens que procuram por você esperam que você apareça. Lugares que eles pagaram para que as pessoas ficassem de olho e estivessem prontas para ligar para eles a qualquer momento.” Essa parte era uma merda, sempre ter que ficar em 'casa'. Meu único consolo era continuar dizendo a mim mesma que era temporário. Os rapazes estavam fazendo algum progresso, mesmo que fosse devagar. Eles estavam aprendendo mais sobre o tipo de organização que apareceu na minha casa naquela noite, e nenhuma das notícias era boa. “Eles são militares,” Austin disse uma noite, assim do nada. “E há uma boa chance de Connor ter descoberto algo que não deveria...” Isso me deixou com raiva, a ponto de chorar. Lágrimas que eu não pude mostrar, no entanto, porque não queria correr o risco de parecer fraca. De parecer incapaz de lidar com qualquer coisa que eles jogassem no meu caminho. Em vez disso, eu chorei à noite, no meu travesseiro. Lágrimas de muita raiva e frustração que, quando finalmente o sono me vencia, sempre acabavam resultando em alguns sonhos muito ruins. Ainda assim, me aproximei de cada um deles com o passar do tempo. Austin e eu nos unimos em todas as coisas de tecnologia, nós dois montando um sistema de som caseiro que me deixou com um pouco de medo para dizer a eles quanto eu paguei. Maddox e eu compartilhamos nosso profundo amor por Connor, trocando histórias sobre meu irmão uma por uma. Ele adorava ouvir como Connor era durante nossa infância e adolescência. Eu gostava de rir de todas as coisas engraçadas que ele fazia na Marinha, desde pregar peças nos caras de sua unidade até alguns dos detalhes mais pessoais sobre meu irmão que eu nunca soube. Quanto a Kane... ele e eu de alguma forma compartilhamos uma conexão ainda mais profunda e íntima. Ele falava muito menos do que os outros, então, quando falava, suas palavras tinham muito mais peso para eles. Sempre que estávamos sozinhos, o que quer que estivéssemos fazendo, parecíamos nos comunicar em algum nível silencioso e pessoal. Havia camadas de semelhança entre nós – especialmente entre nossas infâncias – que uniam Kane e eu. Compartilhávamos a aflição da insônia também, era algo sobre o qual conversávamos nas primeiras horas da manhã, em mais de algumas noites sem dormir. Com o tempo, os rapazes deixaram de me tratar como uma irmã mais nova (pelo menos a irmã mais nova de Connor) para me ver maiscomo uma colega de alojamento e igual. O amplo espaço pessoal que eles me deram no início também estava diminuindo rapidamente. Nós nos cruzávamos nos corredores usando cada vez menos roupas, os caras murmurando desculpas aqui e ali por estarem sem camisa, ou usando apenas bermuda ou até mesmo uma toalha. E, eventualmente, as desculpas também caíram, pois até eu comecei a fazer isso. Para mim não era grande coisa; todos nós compartilhávamos o mesmo banheiro, então um pouco mais de pele à mostra era praticamente inevitável. E fisicamente, não havia absolutamente nada de errado com meus companheiros também. Pelo contrário, todos os três estavam em magnífica forma, com corpos magros e poderosos, aperfeiçoados por anos do treinamento físico mais duro do planeta. Eles converteram parte da sala em uma academia doméstica – o único lugar em toda a casa que eu não tinha permissão para reorganizar ou reformar. E cada um deles passava por uma rotina diária de exercícios e levantamento de peso que me cansava só de observá-los. E caramba, eu adorava observá-los… Era mais uma coisa inevitável: minha própria atração por eles, mostrando suas garras. Eu estava presa sozinha em uma casa com três homens lindos, todos sarados e definidos, esculpidos da maneira mais parecida com Adonis. Então, como eu poderia deixar de babar pelo abdômen de Maddox? Pelo peito e ombros magníficos de Kane, ou os braços fortes de Austin e a deliciosa pele morena? Bem, uma garota não pode realmente se sentir culpada. Capítulo 10 DALLAS Eu sonhei, e no meu sonho eu estava de volta em casa. Eu era criança novamente. Talvez oito ou nove anos. Minha casa era aconchegante e convidativa, e de alguma forma estava cheia de um monte de gente que eu não conhecia. Todo mundo estava conversando e rindo, só que não comigo. E não importa o quanto eu procurasse, não importava em quais quartos eu entrasse, eu não conseguia encontrar minha mãe, nem meu pai, nem Connor também. Fui entrando cada vez mais, cheguei ao centro da minha casa de infância, e as coisas começaram a mudar. Pessoa por pessoa, os rostos desapareciam, os estranhos se esvaindo a cada passo, até que apenas suas vozes permaneceram. E então suas vozes também se foram... e eu estava total e completamente sozinha. Uma luz chamou minha atenção e me vi olhando por uma janela que não deveria estar lá. Não era bem uma janela, mas uma piscina cintilante de escuridão líquida, cheia de ponta a ponta com um bilhão de estrelas cintilantes. Eu vi estrelas brilhantes. Estrelas infinitas, estendendo-se em todas as direções. Mas então as estrelas também desapareceram. Uma por uma todas elas se afastaram, áreas inteiras de uma vez, até que no final eu estava olhando para o nada. No meu sonho eu me virei, e minha casa também se fora. Tudo se tornou um vazio. Um vazio frio e ilimitado de pura escuridão... e quando abri minha boca para gritar, a escuridão se derramou em minha alma. DALLAS! Algo sussurrou meu nome, tão frio e sinistro que repercutiu em cada centímetro quadrado da minha pele com arrepios instantâneos. Acordei congelada e tremendo, com a pele fria. É apenas um sonho, só isso. Fiquei ali por vários longos momentos, olhando para o teto, tentando me convencer. Então, com os dentes praticamente batendo, juntei o cobertor em volta de mim e me sentei. Um sonho, ou talvez o vento. Dormir não era mais uma opção. Não nesta noite. Talvez não a semana toda, se eu estivesse fadada a ter pesadelos assim... Eu inclinei minha cabeça em direção a um som – o vento, chacoalhando minha janela. Eu podia ouvi-lo gritando alto lá fora. Girando e uivando contra o vidro. Alguns passos depois eu estava no corredor, que parecia de alguma forma ainda mais frio do que o quarto. Eu estava arrastando meu cobertor. Pegando o caminho em direção à escada, meu corpo e minha mente agora totalmente acordados. Talvez o fogo não esteja apagado. Era apenas uma hora da manhã. Se ainda houvesse brasas, talvez eu pudesse reacendê-lo. Eu poderia me enrolar no sofá. Tentar ficar confortável o suficiente para... Meu corpo congelou no meio do caminho. No fundo do meu peito, meu coração parou e depois começou de novo. Alguém estava parado na janela. “K...Kane?” Ele estava no outro extremo do corredor, olhando para a escuridão azul pálida. Usava uma calça de moletom folgada. E nada mais. Segurei uma mão contra meu peito batendo acelerado. “Você me assustou pra caralho.” Ele se virou quando me aproximei, movendo-se para que eu ficasse ao lado dele. Então ele voltou a olhar, enquanto o vento uivava lá fora. “Grande tempestade, hein?” O enorme SEAL assentiu, coçando o queixo. Quase na hora, uma rajada de vento agitou-se. Ela sacudiu a janela em suas emendas, jogando uma onda de areia contra o vidro. “Isso me lembra das tempestades de poeira que costumávamos ver,” ele disse calmamente. “As ferozes, lá no Afeganistão.” Ele ficou em silêncio por alguns segundos. “Na Somália também.” Me aproximei dele, segurando o cobertor em volta do meu queixo. Movendo-me mecanicamente, ofereci-lhe uma ponta e ele a pegou. “Obrigado,” disse ele, passando um grande braço em volta de mim. Entre o frio e meu pesadelo prolongado, seu toque era imensamente bom. Um momento depois eu estava na dobra de seu braço. Seu peito nu estava maravilhosamente quente. “Noite fria,” eu disse. “Esta casa tem muitas correntes de ar.” “Tem mesmo.” A areia rodopiava do lado de fora, formando pequenos redemoinhos que dançavam e se desfaziam com a mesma rapidez. Contra a paisagem enluarada, tudo parecia estranhamente bonito. “Não consegue dormir?” perguntei, ainda meio sonolenta. “Não,” ele admitiu. Então, após uma longa pausa: “Pesadelos.” Assenti seriamente. Com Maddox ou Austin, eu precisaria de mais. Eu teria perguntado tudo sobre os detalhes do sonho, e talvez até falado sobre o meu. Não com Kane, no entanto. Entre mim e ele, nenhum de nós precisava dizer uma palavra. Em vez disso, permanecemos ali em silêncio. Lá fora, a areia soprava tanto que era difícil ver o horizonte, mesmo ao luar. A casa em que morávamos era da virada do século passado, no final de um quarteirão comprido e quase abandonado. Era um bairro que já tinha visto seus dias de glória irem e virem, e agora estava em profundo declínio. A maioria das propriedades próximas já havia sido demolida. “Durma comigo.” As palavras eram simples. Eles saíram dos meus lábios sem pensar. Kane mudou de um pé para o outro, então olhou nos meus olhos. Um mar inteiro de informações passou entre nós, silenciosamente, sem palavras… “Vamos,” eu disse, deslizando minha mão na dele. Eu o puxei gentilmente na direção do seu quarto, e ele me seguiu. “Vamos nos manter aquecidos.” Capítulo 11 DALLAS O mundo sob os cobertores de Kane era macio e quente, a presença de seu corpo extremamente reconfortante. Estávamos nos braços um do outro. Cara a cara nas sombras azul-noite, aproveitando o calor combinado do nosso corpo. “Está bom aqui,” eu suspirei, aconchegando-me nele. Ele grunhiu sua concordância, deslizando uma grande perna entre as minhas. Era um pouco louco, como parecia não haver barreiras entre nós. Com que facilidade nos tornamos totalmente íntimos, tanto no aspecto físico quanto no emocional. “Então...” sussurrei, “sou tudo o que você pensou que eu seria?” De seu travesseiro, Kane levantou uma sobrancelha. “Ao vivo,” eu disse, cutucando-o. “Depois de me observar por um ano inteiro em todas aquelas câmeras... eu estava me perguntando se talvez você...” Os lábios de Kane se aproximaram dos meus, e de repente estávamos nos beijando. Ele me beijando. Eu beijando de volta. Nossos corpos se contorcendo juntos, pele contra pele. Nossas bocas se agitando, rolando apaixonadamente uma na outra... Dallas! Seu corpo virou, e de repente ele estava me beijando forte e profundamente. A paixão instantânea e a química foram incríveis. Eu podia sentir o calor de seu peito pressionando o meu. Seus lábios se movendo insistentemente, separando os meus paradar espaço para sua língua... Você realmente deveria estar fazendo isso? Eu aceitei em minha boca de boa vontade, até mesmo com fome, deslizando minha língua contra a dele. Gemi baixinho em sua boca enquanto sua mão escorregou para baixo, invadindo o cós da minha confortável calça de dormir. Sua palma da mão era grande e áspera. O contraste foi incrível quando deslizou sobre um lado quente da minha bunda… Mmmmmm... A outra mão de Kane se moveu para acariciar meu rosto, afastando meu cabelo suavemente para que ele pudesse continuar me beijando adequadamente. A mão na minha bunda eram agora cinco dedos distintos, apertando e amassando minha carne macia e flexível. Seu toque era dominante e insistente. Deliciosamente possessivo. Em resposta, eu me contorci ainda mais forte em seu peito, saboreando o tamanho e o poder de seus peitorais maciços. Isso é louco. Era louco. Foi ainda pior do que loucura, porque eu sabia com absoluta certeza que estava prestes a cometer um erro colossal. Tem três deles, Dallas. Três. Os dedos de Kane sondaram para cima, deslizando ao longo da parte inferior das minhas costas e sobre meu quadril. Então eles foram para o outro lado... sobre meu estômago tenso e trêmulo... Três deles na mesma casa. Na melhor das hipóteses, eu estava prestes a causar uma enorme quantidade de ressentimento e ciúme. Na pior delas, eu estaria criando uma barreira entre três homens que estavam ligados para sempre como irmãos. Uma barreira que poderia até ferir seu vínculo. Uma barreira que iria... “Ahhhh...” Engoli em seco quando a mão de Kane deslizou entre minhas pernas. Um de seus dedos puxou minha calcinha para o lado. Os outros... Os outros encontraram minha fenda quente e molhada. Ah Deus que bom... Era muito tarde. Muito tarde para recuar. Eu estava sem namorado há muito tempo, em abstinência sexual, a ponto de explodir. Perdi tudo no fogo, inclusive meus brinquedos sexuais. E durante a maior parte do último mês, estive cercada por três dos mais bonitos, lindos e musculosos... “Eu queria você,” Kane grunhiu em meu ouvido, “desde a primeira vez que te vi...” Dois dedos grossos entraram lindamente em mim. Ou era apenas um? Jesus, suas mãos eram tão grandes que eu nem sabia dizer. “Ah é”? eu me contorci. Ele assentiu, mordiscando meu ombro. Penetrando-me com a mão. Enchendo-me repetidamente com aqueles dedos grossos e maravilhosos. Curvando-os suavemente, para massagear meu ponto G. “M... Minha nossa...” Minhas mãos agarraram os lençóis de cada lado do meu corpo. Eu estava absolutamente encharcada. “Caralho... caralho...” Era inacreditável a rapidez com que cheguei ao ponto de quase gozar. Quão rápido eu fui de beijar para tirar um sarro e perder totalmente o controle. Ah meu DEUS! Meu orgasmo geralmente começava na minha barriga, subindo e se expandindo pelo meu corpo enquanto eu ficava mais e mais excitada. Mas não agora. Não desta vez. “CARAAAAAALHO...” Desta vez meu clímax surgiu como uma onda rebelde, caindo sobre mim em uma fração de segundo de pura euforia incandescente. “AH CARAAAALHO!” Kane girou sobre mim, apertando uma mão gigante sobre minha boca para me manter em silêncio. Isso apenas me fez ficar com mais tesão. Mordi a palma de sua mão, forte o suficiente para machucar, mas não para romper a pele. Os olhos dele brilharam. Eles encontraram os meus, e nós trocamos olhares, nós dois estávamos exatamente na mesma sintonia sobre o que precisava acontecer. “Fique quieta,” ele grunhiu no meu rosto. “A menos que você queira os outros aqui.” Assenti entorpecida, minha boceta ainda se contraindo em torno de seus dedos penetrantes e sondadores. Eu estava no final de um orgasmo colossal. Ainda rebolando meus quadris, latejando com força em sua mão. Caralho caralho caralho caralho... Seus dedos roçavam meu clitóris com cada movimento. Repetidas vezes eles enviaram deliciosos tremores secundários, disparando para cima e para o centro de prazer do meu cérebro. Jesus Cristo, Dallas... Estendi a mão para ele, e ela se aproximou de algo grande, quente e duro. De alguma maneira ele já estava nu. Ou havia tirado o moletom e não estava usando cueca, ou... Ah... ah uau... Kane arrancou minha calcinha enquanto eu o acariciava. Da ponta à base, seu pênis era longo, grosso e absolutamente incrível. Isso vai te machucar. Parte de mim realmente queria que ele fizesse isso. A outra parte de alguma forma sabia que ele seria gentil. Isso... Isso é... Kane virou sobre mim, afastando minhas coxas facilmente com um joelho enorme. Ele estava entre minhas pernas agora. Pronto para me possuir. Eu estava esfregando a cabeça redonda do seu pau enorme para cima e para baixo na minha fenda encharcada, olhando para ele com admiração. Era tão grande! E eu estava molhada pra caralho... A mão sobre minha boca deslizou para minha bochecha. Kane se inclinou, empurrando sua testa contra a minha. Seus olhos eram incrivelmente escuros, com cílios longos e arrebatadores. “É isso que você quer?” Suas pupilas estavam focadas nas minhas. Elas estavam olhando dentro de mim. Olhando através de mim, como se estivessem vendo minha alma. “Sim,” murmurei. Nossos lábios roçaram e ele se moveu para frente, me penetrando lentamente. Eu podia sentir a cabeça do seu pau, inchada e latejando. Seu coração batendo através dele, enquanto ele separou minha flor. “SIM…” eu disse novamente, desta vez com um aceno de cabeça. Outro centímetro. Outro gemido. Eu estava em um frenesi agora, desesperada para tê-lo dentro de mim. Empurrando meus quadris para baixo, tentei enfiá-lo em mim... só que Kane tinha o controle completo e total. “Diga,” ele grunhiu, prendendo meus ombros na cama. “Diga que você...” “EU QUERO!” Eu fervia de tesão em seu rosto. “Kane, por favor! Eu preciso...” O resto da minha frase terminou em um murmúrio, quando ele se enfiou até o fim. Era como ser espetada até o âmago. “AHHHhhhHHHhhhHHHhhh...” Minhas mãos se curvaram instintivamente em garras, minhas unhas cavando na carne de suas costas maciças. Então ele começou a dar estocadas. Lentamente no início, para eu me acostumar com sua circunferência, então mais rapidamente dentro e fora do meu corpo enquanto todo o comprimento de seu pau estava encharcado com a minha umidade. “Ah meu Deus...” exclamei. Lágrimas estavam se formando nos cantos dos meus olhos literalmente. “Ah meu Deus, ah meu Deus, ah meu Deus...” A mão de Kane voltou, pressionando meus lábios. Desafiando- me a mordê-lo novamente quando ele me esmagou profundamente na cama, me levando às lágrimas enquanto me fodia sem piedade. Isso... Isso é... Eu podia senti-lo dentro de mim, tão incrivelmente profundo que quase doía. Quase, mas não exatamente. Isso não é errado, isso não é um erro… Não poderia ser. Era maravilhoso. Como uma coceira insaciável sendo finalmente atendida. Como uma longa sede sendo saciada, tão plena e satisfatoriamente que minhas lágrimas estavam escorrendo em ambos os lados de seu travesseiro. “Kane…” Coloquei seu nome na minha boca, saboreando-o na minha língua. Se encaixava perfeitamente nele. Sua personalidade, seu comportamento... todo seu corpo magnífico. “Ah caralho, Kane...” Eu estava murmurando em sua boca porque ele estava me beijando novamente, nossas línguas duelando calorosamente enquanto transávamos. E eu o estava beijando como um amante agora. O tipo de beijo reservado apenas para alguém que ficava dentro de você, preenchendo você, conectando você no mais íntimo e irrevogável de todos os níveis possíveis. Isso... é incrível... Minha boceta latejava quando ele me penetrou profundamente, balançando a cama embaixo de nós. Cada estocada tirava o ar dos meus pulmões. Cada beijo o colocava de volta. Eu estava gemendo. Engasgando... Chorando de alegria e prazer... Eu poderia fazer isso por semanas. A voz da razão tinha desaparecido totalmente agora. Foi porque eu a mandei se foder. Foi porque, a essa altura, não havia como nenhum de nós recuar. “Kane...,” gaguejei. “Eu...” Ele me levantou abruptamente e deitou de costasna cama, me puxando para cima dele. Eu estava montando nele agora. Montando-o tão forte e profundamente quanto eu queria. Minha mente girou com todo o novo prazer enquanto eu me deleitava no controle, correndo minhas mãos sobre seu incrível peito duro como pedra... Senti um súbito lampejo de dor. Uma dor crescente, em algum lugar dentro de mim, quando percebi que ele tinha alcançado lugares aonde ninguém tinha ido antes. A admissão foi dura, até mesmo humilhante. Isso só me fez apertar com mais força. “Você parece... parece...” Suas mãos envolveram meus seios, segurando seu peso. Ele os segurou amorosamente por um momento antes de passar suavemente as palmas das mãos sobre meus mamilos endurecidos. Eu era supersensível aí, e o toque enviou arrepios pelo meu corpo. Apertei minhas coxas em resposta, abraçando seus lados enquanto ele me penetrava por baixo. “tão... pra caralho...” Eu estava totalmente incoerente. Perdida no momento, a ponto de delirar. Em vez de dizer qualquer outra coisa, apenas fechei os olhos e deixei rolar, saboreando a sensação de suas mãos no meu corpo... E com a mesma rapidez fui virada. Colocada bruscamente sobre minhas mãos e joelhos... Em um flash Kane agarrou meus quadris e voltou a entrar em mim por trás. Era a melhor coisa em todo o mundo. “Ahhhhhhhhhh...” Foi primitivo, o jeito que ele me possuiu. Animalesco. Ele estava usando seus braços tanto quanto usava seus quadris e bunda, me puxando para trás com aqueles grandes bíceps e tríceps para atender a cada estocada que parecia chegar ao meu estômago. Parecia ainda mais profundo, se isso era possível. A penetração ainda melhor. Ele me fodeu assim por um longo tempo, me penetrando até o fim de seu pau magnífico enquanto eu grunhia e gemia e murmurava uma torrente de palavrões ininteligíveis. Ah meu Deus isso é... Eu gritei quando ele colocou as duas mãos em volta do meu queixo por trás. Kane se afastou, forçando minha cabeça para cima. Me prendendo contra ele. Me dominando completamente... De repente, abruptamente, tudo parou. A bunda de Kane parou de apertar. Seu corpo parou de se mover. Ele segurou firme no meu queixo, seu pau enterrado todo dentro de mim. Que p... Meus olhos se abriram. Eu me vi olhando para frente... ... para o outro lado da sala, onde duas figuras estavam olhando para mim com grande decepção. Capítulo 12 DALLAS Maddox e Austin estavam meio nas sombras, meio ao luar. Eu podia ver suas expressões, no entanto. Podia ler sua linguagem corporal também. “Caralho, Kane.” Nós quatro permanecemos congelados, todos nos encarando. Eu com o queixo puxado para trás, apoiada nas mãos e nos joelhos. Kane pressionado com força contra o meu corpo, ainda enterrado dentro de mim por trás... Os outros dois parados ali sem camisa, vestindo apenas cuecas. Era como se o tempo houvesse parado. Por vários longos segundos ninguém disse uma palavra. Ninguém se moveu ou mesmo respirou. Era quase como se um feitiço tivesse sido lançado, e mesmo o menor movimento poderia quebrá-lo e fazer com que tudo desaparecesse. Então, inacreditavelmente... Kane começou a me penetrar novamente. Puta merda. Meu corpo, que estava quente e corado de nosso ato de amor, permaneceu totalmente imóvel. Fiquei exatamente onde estava, olhando para Maddox e Austin. Apreciando o movimento suave do meu amante me fodendo por trás, mesmo enquanto o resto da sala permanecia envolto em um silêncio estranho e misterioso. O olhar de Maddox mudou de Kane para mim. O movimento foi quase imperceptível. Mas eu sabia que havia acontecido. Dallas... espere... Coração acelerado, sangue bombeando... eu acenei para ele. Dallas! Foi o menor dos movimentos. Um movimento dos olhos, um empurrão para cima do meu queixo. Mas ele se moveu. Lentamente, sem hesitar, ele caminhou até a beirada da cama. Atrás de mim, Kane continuou me fodendo. Ele soltou meu queixo, mas manteve uma mão ainda enrolada no meu cabelo. A outra caiu sobre meu quadril, apertando suavemente, me guiando para frente e para trás contra ele. Maddox chegou à beira da cama, onde eu estava meus olhos estavam no nível de sua virilha. Eu podia ver uma protuberância ali, estendendo o material. Lutando contra o tecido com aparência de seda, enquanto ele estava ali paralisado. Estendi uma mão... e deslizei meu pulso pelo buraco na frente. Minha mão se aproximou de algo quente e duro. Ele gemeu baixinho quando eu o puxei para fora. Puta merda Dallas… O pau dele era bonito. Longo, reto e perfeitamente delineado. Eu o acariciei para cima e para baixo algumas vezes, pegando o jeito. Olhando em seus olhos azuis de gelo, eu o trouxe lentamente na direção da minha boca. “Porra...” A voz de Maddox falhou quando fechei meus lábios ao redor dele. Ouvi uma forte entrada de ar. Um chiado de prazer. De jeito nenhum você está fazendo isso! Mais uma vez, a voz na minha cabeça estava errada. Eu estava fazendo isso. E iria gostar, também. Suspirei baixinho quando Kane pegou o ritmo novamente. Ele diminuiu a velocidade temporariamente, dando-me tempo para me ajustar. Permitindo a Maddox e eu nosso momento juntos; o contato visual, a conexão física e até emocional quando a gravidade do que estávamos prestes a fazer realmente se revelou. Você está trepando com dois caras. Dois caras ao mesmo tempo. A voz em minha cabeça estava certa. Eu definitivamente estava fazendo isso. E era tão incrível quanto pensei que seria. Tão excitante e sensual e sim, até mesmo bonito, como eu fantasiava que poderia ser... por todos os anos que eu fantasiei e imaginei. Kane revirou os dedos, seu punho apertado no meu cabelo. Eu me senti maravilhosamente obscena. Foi incrivelmente excitante quando ele aplicou uma pressão suave para a frente, empurrando minha cabeça para baixo em torno do pau de seu amigo. Cristo, eles já haviam feito isso antes? Não importava para mim de qualquer maneira. No fundo eu sempre quis experimentar. Eu até tive um namorado que sugeriu isso alguns anos antes, brincando com a ideia várias vezes enquanto trepávamos até cansar. Só que ele nunca seguiu adiante. Sempre se acovardava. Nossa busca por um terceiro havia morrido antes mesmo de começar, e não importava quantas vezes fodêssemos quando falávamos sobre isso, tudo nunca passou de uma fantasia. Mas não agora... Não, definitivamente não. Exatamente agora eu estava vivendo o momento. Apreciando a safadeza de um amante perfurando minha boceta enquanto outro deslizava pela minha garganta. Eu estava sendo lentamente espetada dos dois lados; a terminologia era algo com o qual eu estava estranhamente familiarizada. Espetada entre dois homens incrivelmente gostosos, sentindo um tesão incrível... Maddox saiu da minha boca com um barulho molhado. Olhei para cima, imaginando se eles iriam trocar de posição... … e me vi olhando diretamente nos olhos azul-esverdeados de Austin. AUSTIN! Eu não podia acreditar que tinha esquecido dele! Mas com toda a excitação... Meu terceiro SEAL sexy havia tirado sua cueca. Ele ficou de lado, acariciando lentamente seu pau liso e impecável. Seu pênis era da cor do crepúsculo, como sua pele morena. Grosso, duro e tão lindo quanto ele. Eu virei em sua direção. Maddox deu um passo para o lado, abrindo espaço para ele. “Puta merda, Dallas...” Sua voz estava mais grave do que o normal, praticamente sufocada de luxúria. Ele estava nos assistindo foder. Esperando pacientemente sua vez. E aqui estava eu, encaixando-o. Encaixando todos os três… “Você quer pegá-la por trás?” Uma conversa estava ocorrendo em algum lugar atrás de mim; Kane e Maddox. Debatendo sobre mim. Decidindo meu destino... “Não. Eu quero fodê-la assim.” Senti a cama se mexer abruptamente, e então as mãos de Maddox foram para meus quadris. Ele empurrou seu pau coberto de saliva contra minha entrada brilhante, e com um único impulso de seus quadris, mergulhou todo em mim. “MMMmmMMMmmm…” Se eu estava tentando formar uma palavra, ela se perdeu em Austin. Seu pau estava no fundo da minha garganta, deslizando suavemente contraa parte de trás da minha língua. Eu estava chupando forte, mantendo meus lábios apertados. Tentando tornar isso bom para ele. Então Maddox começou a me penetrar com força por trás, e todo o meu corpo ficou mole de prazer. Capítulo 13 KANE Não foi algo que eu planejei, simplesmente aconteceu. Só que tinha acontecido tão alto que chamou a atenção dos outros, apesar de serem quase duas da manhã. E agora estava acontecendo com eles também. Eu pensei em estar com ela mil vezes. Brinquei com isso várias vezes na minha cabeça, tentando imaginar como poderia acontecer. Às vezes era romântico; a culminação de um namoro ou uma conexão cuidadosamente construída. Mas outras vezes... Outras vezes tinha sido assim. Bruto, instintivo e cheio de luxúria irreprimível. Eu a observava agora, esticada como um gato na minha cama. Rosto para baixo, bunda para cima. Trazendo seu traseiro magnífico para trás em círculos lentos e agitados que fizeram os olhos de Maddox rolarem para trás em sua cabeça dura... Deus, era excitante pra caralho. Bem, você com certeza a queria, a voz na minha cabeça soou sarcasticamente. Agora você a possuiu. Sim, acho que sim. Mas Maddox também. E Austin... Nós três. Puta merda. Era uma confusão com certeza. Mas, ao mesmo tempo, também resolvia muitos problemas. Por um lado, eu não teria que esconder o que tínhamos feito. Eu já estava temendo acordar e ter que manter uma cara séria, especialmente com Dallas. Teria sido difícil, se não impossível, manter os caras no escuro. Excluí-los do que tínhamos feito. Bem, eles estão incluídos agora, com certeza. Eles mudaram novamente, e Austin se moveu para tomar o lugar de Maddox. Desta vez, eles a viraram de costas. O maravilhoso cabelo loiro de Dallas se espalhou sobre a cama, seu rosto todo corado, seus lábios carnudos, molhados e lindos. Inclinei-me para beijá-los novamente. Para sentir o calor deles contra os meus. Suas pernas se abriram, e Austin a penetrou facilmente enquanto ela gritava em minha boca. Mas seguimos em frente. Continuamos beijando e gemendo e compartilhando a mesma respiração. Quantas vezes eu a imaginei na minha cama? Porra, perdi as contas. Pensei em todas as noites longas e sem dormir sentado na frente dos monitores. Incontáveis horas mudando constantemente de uma visão para outra, de fora para dentro, olhando para ela com a mesma atenção que eu olhava para sinais de problemas. Você se apaixonou por ela, Kane. Bem desse jeito. Sim, bem desse jeito. Olhando para ela remotamente, até mesmo seguindo-a para o trabalho de vez em quando. Vendo-a dar as cartas na mesa de blackjack a milhares de estranhos. Vendo-a chegar em casa sozinha, às vezes abraçada com um livro, ou sentada na frente à televisão. E outras vezes... Outras vezes nós a pegamos em momentos mais íntimos. Dallas Winters estava longe de ser recatada e gostava de dançar seminua por todos os cômodos de sua casa. E eu assistia. Eu tinha feito isso descaradamente, sem vergonha alguma. Fiz isso sabendo que ela era irmã de Connor, mas, ao contrário dos outros, isso era algo que de alguma forma não me incomodava. Talvez seja porque eu a vi pelo que ela era: uma mulher. Uma mulher forte e bonita, tão sexy quanto independente, e eu não ia me sentir nem um pouco mal por qualquer atração que sentisse por ela. “Mmmmm...” Ela virou para o lado, quando Austin realmente começou a fodê-la. Então, de repente, a boca dela estava em mim. Era incrível olhar para baixo e ver seu lindo rosto. Observando-a chupar ansiosamente, deslizando a língua ao longo da parte inferior do meu pau e piscando para mim quando finalmente chamou minha atenção. Deus, ela é maravilhosa. Eu a segurei firme enquanto Austin a fodia, prendendo seu corpo feminino contorcido entre nós. Sua pele era como leite derramado. Suave e perfeito. Nós nos revezamos tirando o cabelo do rosto dela, ajustando seus quadris, ou qualquer coisa que precisássemos fazer para ter o maior prazer possível com ela. E estávamos dando prazer a ela também. Eu podia ver em seus olhos semicerrados, todos vidrados e cheios de entrega devassa. Ela estava gostando tanto quanto nós, como se já tivesse feito isso antes, ou estivesse querendo a vida toda. Ela também tinha sido a pessoa que fez um sinal para eles... Durou para sempre, ou pelo menos parecia assim. O vento uivava e o céu permanecia escuro e nós três continuamos transando com ela, beijando-a, devorando seu corpo avidamente. Dallas respondeu na mesma moeda, recusando-se a entregar os pontos. Ela devolveu tudo o que recebeu, não importa quantas vezes trocássemos de lugar ou de posição. Ela empurrava seu quadril em nossa direção enquanto nos revezávamos, enchendo seu calor e umidade em ambas as extremidades ansiosas. Maddox terminou primeiro, gozando em sua garganta quente e gananciosa. Senti uma onda de excitação ao vê-la engoli-lo, bombeando-o com o punho, drenando-o até a última gota. Finalmente ele caiu para trás, totalmente exausto, seus lábios formando um palavrão e um sorriso. Austin o seguiu quase imediatamente, empurrado para o limite pelo que acabamos de ver. Ele se derramou sobre seu belo corpo, borrifando seus seios e seu pescoço. Em última análise, ele permitiu que ela assumisse o controle com uma mão graciosa, direcionando para onde seu gozo ia e terminando espalhando-o sensualmente ao longo de sua aréola rosa. Dallas estava com uma linda perna por cima do meu ombro, e eu estava afundado até as bolas em suas dobras aquecidas. Eu já estava perto. Tendo os outros já gozado e caído exaustos, eu tinha toda a atenção dela agora. Ela olhou para mim com um sorriso malicioso e sensual. Dentro de mim, ela murmurou silenciosamente. Puta merda, era tudo o que precisava. Seu lindo rosto olhando para mim. Aqueles olhos penetrantes, presos nos meus. A ideia de gozar dentro dela, de finalmente explodir depois de todo esse tempo... “UNGHHH!” Eu dei uma última estocada, então explodi como um vulcão furioso. Os olhos azuis de Dallas se arregalaram quando ela sentiu meu gozo quente, espirrando dentro dela. Pintando as paredes de seu útero, enchendo-a com um fluxo constante e eufórico do meu sêmen quente que escorreu, enquanto eu grunhi, gemi e estiquei meu rosto para o céu. “PORRA!” Era o paraíso incandescente – um milhão de explosões brilhantes – todas acontecendo de uma vez. Todo um universo de necessidade e desejo... o culminar de uma obsessão de um ano, finalmente se concretizando entre suas belas pernas estendidas. Eu desabei em cima dela, ainda gozando. Enchendo-a até transbordar, até que eu pudesse sentir nossa umidade combinada encharcando nós dois. Dallas respondeu jogando seus braços em volta de mim e me fodendo de volta. Enredando os dedos de ambas as mãos contra a parte de trás da minha cabeça, me puxando para ela, sussurrando tão ardentemente em meu ouvido o tempo todo que pensei que ia enlouquecer de prazer. “Isso, baby...” ela murmurou. “Me encha toda. Mmmmmm... Isso mesmo, baby. Bem desse jeito…” Eu nem ligava se os outros estavam olhando. O momento era nosso, e só nosso. Eu podia sentir seu corpo se contorcendo embaixo de mim, sua boceta se contraindo ao redor do meu pau, ordenhando-me do jeito que eu merecia. “ISSO...” Minha visão ficou turva, as bordas cinzas se fechando ao meu redor. Eu terminei em uma névoa, vagamente consciente de Dallas beijando meu rosto. Ela estava me abraçando agora, uma mão em cada uma das minhas bochechas. Ajustando-me para que eu pudesse olhar nos olhos dela, ou melhor, para que ela pudesse ver diretamente nos meus. “Você está bem?” ela sorriu maliciosamente. Eu balancei a cabeça, entorpecido. “Nós eh... achamos que havíamos perdido você por um minuto.” No fundo, eu podia ouvir Maddox e Austin rindo. Eles poderiam até mesmo bater palmas, eu estaria bem de qualquer maneira. Alguns segundos nublados se passaram, e eu estava vagamente ciente deles saindo do quarto. “Isso foi incrível pra caralho,” Dallas respirou, flexionando suas coxas em ambos os lados do meu corpo. Ela me beijoumais uma vez, desta vez na testa. “Acho que estou pronta para dormir agora.” Capítulo 14 DALLAS “Bom dia!” Fui direto para a cozinha, passei por Maddox e por Kane. Logo passei por Austin, já limpando sua tigela de cereal na pia. Foi como arrancar um band-aid. “Humm... bom dia,” respondeu Maddox fracamente. Percebi que sua linguagem corporal já havia mudado. Ele parecia tenso e desconfortável enquanto segurava uma panela. “Você quer ovos?” “Se você está fazendo, com certeza.” Peguei uma caneca e me servi de uma boa xícara de café. Café de verdade. Moído na hora e fumegante, pingado de uma cafeteira de verdade, selecionada por mim. “Nós poderíamos fazer bacon também,” Austin disse hesitante. “Se você gostar.” “Bacon cairia bem.” Eu sentei em minha cadeira de costume, prendendo meu cabelo enquanto andava. Todos os três estavam olhando para baixo agora. Olhando para cima. Olhando para qualquer lugar, exceto para mim. “Então, vamos falar sobre isso?” Minhas palavras caíram ruidosamente na sala silenciosa. Eles pareciam ainda mais desconfortáveis, como se isso fosse possível. Só que agora estavam ficando vermelhos também. “Falar sobre o quê?” “Sobre a noite passada,” eu disse, colocando meus pés para cima. “Vocês já fizeram aquilo antes?” Eu decidi, ao acordar, que havia duas maneiras de isso acontecer: a maneira estranha ou a maneira realmente estranha. Não tinha certeza de qual era qual, mas esse caminho definitivamente era mais meu estilo. “Fazer o q...” “Se revezar transando com uma garota,” eu disse, cortando Austin abruptamente. “Sabe, juntos.” A cozinha não poderia estar mais silenciosa se o mundo lá fora tivesse acabado. Por um longo tempo, ninguém falou. “Você já fez algo assim?” perguntou Maddox. “Não,” respondi com um encolher de ombros. “Mas eu estaria mentindo se dissesse que não queria. Obviamente, era uma fantasia minha… embora eu sempre imaginava que aconteceria com dois caras antes de acontecer com três.” Austin soltou uma risada curta e nervosa. “Você eh... parecia muito bem com isso.” “Ei,” eu disse. “Quando a vida te der limões...” Maddox começou a quebrar os ovos na frigideira. “Nós não estávamos exatamente fazendo limonada na noite passada,” ele sorriu. “Não,” concordei. “Definitivamente não. Mas quando a vida te dá três colegas de alojamento gostosos que dormem praticamente nus, e dois deles invadem o quarto enquanto você está fodendo com o terceiro…” Kane tossiu sobre sua caneca, quase cuspindo seu próprio café no chão. Porra, eu era uma boba por estar nervosa. Eu estava realmente gostando disso. “Sim, bem, Kane fodeu tudo ontem à noite,” disse Maddox, seus olhos passando para dar a seu amigo um olhar de advertência. “Ele quebrou nossa única regra. A única regra.” Levantei uma sobrancelha. “E qual é?” “Nós juramos não nos envolvermos com você,” ele respondeu. “Nós três.” “Ah,” eu disse, tendo dificuldade em reprimir um sorriso. Eles olharam um para o outro novamente, talvez pedindo ajuda. Foi meio fofo. “Quando você se mudou para cá,” Maddox continuou, “todos nós fizemos uma promessa de que nenhum de nós iria dar em cima de você. Nenhum de nós iria nem flertar com você. Certamente nenhum de nós jamais...” “Treparia comigo?” perguntei por cima da minha caneca. Os três ficaram em silêncio novamente. Austin parecia estar tentando engolir uma bola de beisebol. Maddox estava cozinhando demais os ovos. Kane, no entanto, parecia estar gostando da conversa tanto quanto eu. Talvez mais. “Ele deveria ter deixado você em paz,” disse Maddox, brigando com a espátula. “Ele nunca deveria ter...” “Tecnicamente,” Kane interrompeu, “mantive minha promessa.” Seus olhos viraram em minha direção. “Foi Dallas quem se convidou para minha cama ontem à noite.” Eles olharam para mim e eu assenti. “Me declaro culpada.” “Ainda assim,” Austin interrompeu. “Você não precisava...” “Olha,” eu disse, colocando meus pés no chão novamente. “Vocês são soldados. SEALs. Irmãos de armas. Vocês passaram por um treinamento físico exaustivo juntos, viram combates juntos. Vocês até moram juntos, dividindo a mesma casa, as mesmas despesas, até os mesmos objetivos comuns.” Austin olhou para mim. Ocorreu-me de repente que ele tinha esquecido tudo sobre o bacon. “Aonde você quer chegar?” “Meu ponto é,” continuei, “vocês dividem tudo.” Minha ênfase na última palavra caiu como um martelo. Os únicos sons na cozinha eram o estalo de bacon fritando e o barulho de ovos borbulhando. Eu dei de ombros para eles. “E agora vocês estão me dividindo.” Era mais do que um pouco insano, quão lógico eu tinha acabado de fazer tudo soar. Caramba, até parecia racionalizado na minha própria cabeça. Tudo bem, eu tive algum tempo para pensar sobre isso. Algum tempo de lembrança muito sonhador e sobretudo divertido, enquanto adormecia, olhando para o teto. “Ninguém fez nada de errado aqui,” eu disse, me levantando. “Na verdade, tudo parecia meio... certo.” Atravessei a cozinha com meu pequeno short de dormir, que estava muito curto. A camiseta que eu estava vestindo só vinha até a metade, era quase um top. Ela mostrava o plano do meu estômago, meu umbigo... Claro que eu tinha vestido essas coisas de propósito, antes de descer. Mas eles não sabiam disso. Ou talvez soubessem. “Talvez a noite passada tenha sido uma coisa única,” dei de ombros casualmente. “Nós quatro extravasamos. Tivemos um pouco de diversão.” Kane raspou a garganta ruidosamente. “Um pouco de diversão?” “Certo, MUITA diversão,” eu sorri. “Mais diversão do que uma pobre garota sem-teto e três SEALs da Marinha provavelmente deveriam ter juntos. Pensando melhor... talvez não. Talvez a noite passada fosse exatamente o que precisávamos. E talvez tenha sido o começo de outra coisa.” Aproximei-me de Austin, usando um dedo para traçar uma linha lenta em seu peito. Seus olhos seguiram como se ele estivesse em transe. “Algo... mais?” perguntou Maddox. Balancei a cabeça e saltei para onde Kane estava sentado. “Hum-rum,” eu disse. “Algo legal. Algo divertido. Algo... apenas entre nós.” Dando meia volta, deixei-me cair no colo de Kane. Seus braços deslizaram ao meu redor protetoramente. Eu me contorci um pouco, esmagando minha bunda em sua virilha por alguns segundos, antes de saltar novamente. “Talvez até façamos isso de novo,” eu disse tentadoramente. “Isto é, sabe... se vocês quiserem.” Todos os olhos estavam previsivelmente em mim. Eles rastejavam pelas minhas pernas, vasculhavam meu abdômen. Seguiam todos os meus passos saltitantes. Permaneciam em cada curva. “Claro que poderíamos voltar a fazer cumprir sua promessa. É uma outra opção.” Kane estendeu a mão para mim, mas eu me afastei. Me aproximei de Maddox agora. Correndo minha mão por sua camisa, eu podia sentir seu coração batendo estrondosamente, no fundo de seu peito. “Não precisam responder agora,” eu disse com uma piscadela. “Vocês terão algum tempo, pensem sobre isso. Mas pelo menos agora vocês sabem minha posição. E sabem onde eu estou.” Minha 'posição' foi decidida dois minutos depois de sair do quarto de Kane na noite passada. Eu ainda podia sentir as mãos deles no meu corpo, sentir o cheiro deles na minha pele. Podia senti-los dentro de mim! Me abrindo. Me enchendo toda… Me espetando entre eles. Me esmagando... Não havia dúvida em minha mente. Eu queria aquilo de novo. Com destreza, peguei a panela entre os dedos de Maddox. Jogando a bagunça queimada direto no lixo, peguei uma toalha e comecei a limpá-la. “Por enquanto, porém,” eu disse, virando minha bunda para eles. “É melhor vocês deixaram eu fazer os ovos.” Capítulo 15 DALLAS Os rapazes desapareceram pelo resto do dia, me dando tempo para descansar e relaxar. Também lhes deu tempo para processar o que eu disse e pensar em como queriam lidar com nosso futuro, todos sob o mesmo teto. A boa notícia era que não parecia haver nenhum ciúme, pelo menos exteriormente. Minha maior preocupação era que um ou mais deles realmente “gostassem” de mim e, considerando o que tínhamos feito,agora poderiam estar ressentidos com os outros. A última coisa que eu queria era ficar entre eles. Exceto fisicamente, é claro. No entanto, esse sempre seria o perigo quando os rapazes chegassem tão perto quanto estavam. Esses homens eram irmãos, em todos os sentidos da palavra. Irmãos brigavam por coisas o tempo todo, e eu jurei que não seria assim. Se o que tínhamos feito fosse realmente acontecer de novo, havia uma única maneira de lidar com isso. Eu estaria disponível para todos os três... ou para nenhum deles. A outra coisa que me preocupava era que eles me tratassem de forma diferente porque eu era a irmã de Connor. Que, de alguma forma estranha, me levar para a cama pudesse representar uma traição à memória do meu irmão. Fiquei feliz que não parecia ser o caso também, porque eu sabia que esses homens amavam Connor tanto quanto eu. Eles o respeitavam e admiravam o suficiente para dedicar o último ano de suas vidas a me proteger, mesmo depois que ele se foi. Como eu poderia não amar isso neles? Amor. Era uma palavra tão estranha, e com a qual eu não estava familiarizada. Eu amava meus pais, é claro, e amava meu irmão mais do que qualquer outro homem em toda a minha vida. Mas, no que diz respeito aos relacionamentos, eu nunca senti amor de verdade antes. Eu tive namoros curtos e até alguns de longa duração. Tudo, desde parceiros de transa a amigos com benefícios e até um cara de sorte com quem eu realmente comemorei um aniversário de dois anos de relacionamento. Mas nunca foi amor. Pensei em tudo isso enquanto mergulhava na banheira, observando o vapor vagarosamente subir em direção ao teto. A água estava tão quente que eu mal podia suportar – mais um grau e escaldaria minha pele. Mas era assim que eu gostava. Em relação a chuveiros também. Esses caras realmente amavam Connor. Distraidamente, esfreguei o pingente do meu irmão com o polegar. Eles o amavam, e talvez fosse por isso que eu estava tão atraída por eles, mesmo além do sentido óbvio. Fisicamente eles eram lindos, cada um à sua maneira. Maddox era o cara gostoso de juba loira por quem eu sempre fui atraída, com abdominais nos quais eu poderia me perder por dias. Austin era moreno e simpático, tão bonito e estiloso quanto um homem poderia ser. Mesmo Kane, com seu tamanho, força e natureza sombria, me deixou indescritivelmente atraída por ele. A maneira como ele acabou por assumir o controle me deixou mais excitada do que jamais estive em minha vida, mesmo antes de os outros se juntarem. Mas além do físico, eu podia sentir uma conexão emocional se formando ali também. Um vínculo invisível entre os três e eu. Um parentesco especial... tudo por causa de Connor. Suspirei e levantei uma perna, passando a bucha ensaboada sobre minha panturrilha. Os rapazes torciam imediatamente o nariz para minha bucha, ao encontrá-la pendurada na torneira do chuveiro. Eu tive que explicar a eles o que era, rindo o tempo todo. Eles são tão toscos, pensei comigo mesmo. Tão pouco refinados. Talvez por isso eu gostasse tanto deles. Eu namorei homens... e namorei verdadeiros homens. Os três rapazes com quem eu estava vivendo agora eram definitivamente os últimos. Como soldados, eles eram polidos, disciplinados, mortais. Mas como homens... Como homens, eles eram grandes e belos pedaços de barro, prontos para serem moldados por minhas mãos excessivamente ansiosas. Sim, certo. Eu ri alto novamente na banheira, então me perguntei se estava ficando louca. Talvez, pensei. Definitivamente isso era possível. Pensando bem, quando alguém perdeu tanto quanto eu, em tão pouco tempo? Eu tinha que ter qualquer prazer que pudesse. E eu ah... então planejei ter meus prazeres. Gradualmente, meus pensamentos voltaram para a noite passada. O que nós quatro fizemos juntos foi indescritivelmente excitante. Ficaria para sempre na minha memória: as sombras azuis pálidas, o uivo da tempestade de areia lá fora... Os três militares musculosos, jogando você no esquecimento... Sim, isso também. Definitivamente isso também. Tudo tinha sido tão obsceno, tão picante, tão inesperado. E tinha sido muita sacanagem, também. Mas sacanagem de uma maneira gloriosamente poderosa. Eles adoraram você. Te trataram como uma deusa. Eles realmente fizeram isso. Todos os três tinham sido dominadores, mas carinhosos. Fortes e insistentes, ainda assim gentis onde importava. Eles cuidaram de mim. Certificaram-se de que eu estava bem, durante todo o nosso pequeno ato pervertido, e me fizeram gozar pelo menos quatro vezes separadas que eu tenha contado, para começar. Larguei a bucha e deixei minha mão deslizar sob a água. Ela deslizou pelo meu estômago, minha respiração travando na minha garganta enquanto vagava pelo vale macio entre minhas coxas. Você trepou com os três. Sim, eu fiz isso. E foi incrível. Um por um. Dois de uma vez... Fechei os olhos, imaginando como eu devia estar. Desejando que houvesse um espelho no quarto de Kane, para que eu pudesse me ver me contorcendo entre eles. Eu queria um visual melhor de seus corpos me apertando e me penetrando. Precisava me ver sendo fodida pelos dois lados. Preguiçosamente eu arrastei meu dedo médio para cima e para baixo na minha fenda quente. Sim, talvez fosse sacanagem. Mas sacanagem de todas as melhores maneiras. “Mmmmm...” Meu lento ronronar de satisfação ecoou contra as paredes de azulejos brancos. Continuei me explorando, me aprofundando. Minha respiração ficando mais rápida quando a parte inferior do meu polegar bateu tortuosamente contra meu clitóris dolorido... BIP BIP! Sentei-me ao som distante da porta da frente. O bipe duplo indicando que alguém havia entrado depois de inserir com sucesso o código de alarme. “Dallas?” “Aqui em cima!” A voz de Maddox foi precedida por seus passos pesados na escada. Ou botas. Ou o que quer que fosse. “Ah, aqui está você.” Eu deixei a porta do banheiro aberta intencionalmente. Sem necessidade de pudor, na verdade. Não mais. Não depois da noite passada. Caramba, andar pela casa de calcinha estava de volta ao menu também. Eu estava de costas para a porta quando senti sua presença. Estiquei meu pescoço sobre a borda da banheira e sorri para ele de cabeça para baixo. “E aí?” Ele fez uma pausa sem jeito, tentando não olhar. Então ele percebeu que podia olhar, e eu vi seus olhos começarem a vagar. “Nós eh… nós precisamos de você lá embaixo. Para falar sobre algumas coisas.” Merda. “É sobre a noite passada?” perguntei com hesitação. Eu estava torcendo, com a esperança de que eles não tivessem mudado de ideia. Maddox pensou por um momento, então toda a sua expressão mudou. “Ah não, não! Não sobre isso,” ele disse apressadamente. “Queríamos falar com você sobre outras coisas.” “Outras coisas...” “Sim,” disse ele, dando um passo à frente. Droga, ele parecia bem. Cheirava bem também. Camuflado e uma camiseta branca. Elegante. Simples. Bonito. “É sobre algo que encontramos,” ele disse, sua voz soando subitamente animada. Meus olhos se arregalaram. Peguei uma toalha. “É sobre Connor.” Capítulo 16 DALLAS Meu cabelo ainda estava molhado quando me aproximei da mesa da cozinha, vestindo nada além de um roupão de banho macio. Aos poucos fui adquirindo coisas novamente. Um bom roupão era apenas mais um dos meus confortos. “Você... humm... quer se trocar ou algo assim?” Austin perguntou. Ele me deu um olhar rápido, de cima a baixo. “Nós podemos esperar se você quiser...” “Não. Estou bem.” Os três estavam à mesa, sentados ao redor de um laptop. Maddox tinha alguns papéis na frente dele. Fotografias também. “Tudo bem,” ele disse, “então você já sabe que estamos tentando descobrir quem destruiu sua casa.” Balancei a cabeça, inclinando-me para a frente. Estava escuro lá fora, já era tarde. Mesmo assim, eu podia ouvir o café sendo preparado. Podia sentir o cheiro também. Bons garotos. “Depois do show de horrores na sua casa,” ele continuou, “nós verificamos todos os lugares óbvios em busca de pontas soltas. Relatórios policiais. Atendimentos de ambulância e bombeiros.Austin vasculhou os registros de hospital em busca de qualquer sinal de que alguém pudesse ter sido ferido, talvez com alguns buracos de bala ou algo do tipo.” Ele balançou a cabeça. “Mas não conseguimos nada em tudo isso.” “Que pena,” eu concordei. “Sim. Era um tiro no escuro, mas tínhamos que verificar. Esses caras eram profissionais. Eles tinham coletes e armaduras balísticas, provavelmente a mais recente fibra de carbono flexível.” Eu não tinha ideia do que isso significava, mas entendi a essência. Balancei a cabeça para ele continuar. “Então voltamos e revisamos todas as imagens de vigilância,” disse Austin, assumindo. “O que aconteceu dentro da casa nós obviamente perdemos, porque eles cortaram a energia do poste no caminho. Mas aqui, veja isso.” Ele apertou algumas teclas no teclado, e uma série de fotos apareceram. Eu as reconheci como uma vista externa da minha casa. Uma vista da rua. À noite. “Estava muito escuro para ver muito, mas conseguimos uma placa parcial.” Ele apontou para uma SUV muito grande e muito escura. “Beeeeeem... aqui.” Apertei os olhos. Eu mal conseguia distinguir qualquer coisa. “Não consigo...” Austin apertou outra tecla, e tudo se iluminou. Eu podia ver as bordas escuras das letras agora. Números. “É uma placa militar,” disse Maddox. “Eram veículos militares.” Senti um puxão lento e desagradável na boca do estômago. Meu rosto deve ter ficado sombrio também. “Então... Connor foi morto pelo seu próprio pessoal?” “Bem, não vamos pular para essa conclusão,” Austin disse apressadamente. “Tudo o que sabemos com certeza é que os caminhões eram militares. Vinculados à Base Militar de Nellis.” Ele colocou algumas fotografias na mesa. SUVs pretos, exatamente como os das imagens de vigilância. Eu ainda estava confusa. “Kane tem conexões que puxaram registros dos veículos para nós,” disse Maddox. “Nenhum desses caminhões registrou saída naquela noite. O que significa que os logs foram apagados ou as saídas nunca foram registradas.” “O que significa que alguém está encobrindo a merda,” eu disse friamente. “Sim.” Eles ficaram em silêncio por um momento, enquanto Kane me servia uma caneca. Ele colocou o açúcar e o creme na minha frente e me deu uma colher. “Eu já te disse que você é ‘o cara’?” brinquei. “Não,” ele disse, afundando de volta em sua cadeira. “Mas eu já tinha percebido.” Austin deu um chute na canela dele. Maddox sorriu antes de continuar. “Agora vamos falar sobre Connor...” Parei no meio do gole. Sentei-me mais reta. “Os pertences pessoais do seu irmão sumiram quase imediatamente depois que ele desapareceu,” disse Maddox. “O celular dele, o laptop e até o carro.” “Eles levaram o carro dele?” perguntei ainda sem acreditar. “Aquela coisa velha?” “Como parente mais próxima, você nunca se perguntou o que aconteceu com isso?” Balancei minha cabeça devagar. “Eu... apenas assumi que eles haviam jogado no lixo. Quero dizer, era realmente velho.” “Não era velho,” disse Kane, cruzando os braços. “Um clássico. Não se joga um clássico no lixo.” Droga, ele parecia quase ofendido. Dei de ombros novamente. “De qualquer forma, os registros telefônicos de seu irmão finalmente chegaram,” disse Austin. “Mais um dos contatos de Kane foi capaz de fazer um clone, uma cópia digital, apenas algumas horas antes...” ele se deteve bem a tempo. “Antes do último registro de uso.” Ele pegou um smartphone e o abriu. Ele piscou, e eu engasguei quando reconheci a tela inicial imediatamente. Era uma imagem de Connor e eu. “Esse... é o telefone dele?” “Sim e não,” disse Austin. “É uma cópia do celular dele, gravada em um cartão SIM, instalado em um modelo basicamente igual.” Ele o deslizou em minha direção. “Ele contém todas as informações do celular original, os contatos, as mensagens de texto. E as fotos também, se você as quiser.” Um nó se formou na minha garganta. Definitivamente eu iria chorar. “P... por que você está me dando isso?” “Porque você disse que queria participar disso, Dallas. Você disse que queria nos ajudar.” Engoli em seco, e as lágrimas caíram. De alguma forma, desta vez, estava tudo bem. Não era como da primeira vez, onde eu estava tentando não mostrar fraqueza diante de três praticamente estranhos. Não, as coisas eram muito, muito diferentes entre nós agora. “Não se apresse,” disse Maddox, “mas examine tudo nesse dispositivo.” Ele estendeu a mão e a pousou suavemente sobre a minha. “Mesmo se for difícil, Dallas. Mesmo se machucar. Ninguém conhece Connor melhor do que você, nem mesmo nós. Talvez você consiga achar algo que nós tenhamos deixado passar. Algo importante.” Olhei para ele com olhos vidrados. Não havia pena em sua expressão agora, nenhuma tentativa de pacificação. Apenas simpatia. Simpatia e amor. “C... certo,” eu disse. Eles me deram um momento. Kane me deu um lenço. Peguei dois, agradecida, e assoei o nariz. “Finalmente, você precisa saber disso,” disse Austin. “De acordo com o telefone do seu irmão, ele foi ao deserto várias vezes. No meio do deserto, onde não há nada para ver e ninguém por perto.” Olhei para cima com curiosidade. “E não é só isso,” ele continuou. “Seu irmão estava usando um aplicativo de nível militar para rastrear códigos de transponder. E um par desses transponders está de alguma forma ligado a dois desses três SUVs.” Ele mostrou as fotografias novamente. “Esses veículos normalmente não teriam transponders, a menos que alguém como Connor os colocasse lá.” Meu café olhou para mim com ressentimento, totalmente intocado. Nada disso fazia sentido. “Essas SUVs também estiveram no deserto,” Maddox interrompeu. “E elas pararam exatamente no mesmo lugar que seu irmão, nas mesmas datas. Exatamente nos mesmos horários.” Outro período de silêncio caiu sobre a cozinha. De repente, minhas sobrancelhas se uniram. “Então o que você está dizendo?” quase surtei de raiva. “Que meu irmão estava trabalhando com esses caras?” Maddox parecia realmente desapontado. “Claro que não,” ele disse. “Todos nós sabemos que Connor nunca faria algo assim.” Os outros se mexeram, assentindo fervorosamente. Me senti uma boba. “Então o quê?” “Exatamente o oposto.” Austin entrou na conversa. “Que o que quer que estivesse acontecendo lá fora, seu irmão estava observando. Reunindo informações por conta própria. Talvez até se preparando para repassar essa informação.” “O que quer que fosse,” disse Maddox, “estamos pensando que Connor estava tentando impedir.” Senti um calafrio percorrer meu corpo. Minhas mãos começaram a tremer. “E talvez,” acrescentou Kane de forma sinistra, “tenha sido o que o matou.” Capítulo 17 DALLAS Eles me deixaram sozinha naquela noite, relativamente falando. Ficamos em casa, devoramos vorazmente algumas quentinhas de comida italiana e provavelmente comemos mais do que devíamos. Então ficamos um tempo em frente à televisão, até que, um por um, cada um dos meus lindos SEALs companheiros de alojamento se retiraram para a cama. Bem, droga, não era isso o que eu esperava. Fiquei sentada no sofá, analisando o conteúdo do telefone de Connor. Folheando cada foto meia dúzia de vezes, voltando a quase dois anos atrás e mais. Cada fotografia sorridente dele machucava meu coração. Droga, Connor. Durante a primeira hora, mais ou menos, eu fiquei chateada com ele. Ele obviamente subestimou os homens que o mataram. Como homem, soldado, um SEAL da Marinha, pelo amor de Deus, ele, acima de todas as pessoas, conhecia a força e o valor de uma equipe. Eu o odiei por se colocar lá sozinho, por conta própria, no deserto no fim do mundo. Por que meu irmão tinha que ser o justo? Ele não poderia ter deixado as coisas como estavam? Era enlouquecedor. Eu me peguei olhando para nossas últimas fotos, dois verões atrás, quando ele veio para casa antes de sair. Fizemos paraquedismo juntos – algo que ele me apresentou assim que eu tive idade suficiente para ir. Lá estávamos nós, sorrindo alegremente. Ainda usando nossos paraquedas e mochilas. Fazendo joinha com o polegar para cima… Meu irmão... Meu únicoirmão. As lágrimas fluíram, e desta vez eu as deixei cair. Não foi culpa dele, eu finalmente decidi. Era qualquer coisa de diabólico que fez isso com ele. E quem quer que diabos isso fosse, iria sofrer um mundo inteiro de dor. Connor... Eu funguei, enxugando as lágrimas caídas na tela do celular. Na foto em que parei, meu irmão ainda parecia forte, feliz, confiante. Totalmente indestrutível. Se isso fosse verdade... Não, enfim concluí. Se meu irmão estava metido em alguma confusão, simplesmente não fazia sentido que ele não tivesse ido buscar ajuda. Ele teria feito alguma coisa. Teria algum tipo de proteção contra ser apanhado, especialmente se ele estivesse dirigindo para o meio de Deus sabe-onde para prender ou expor as pessoas que o mataram. Morto. Pronto. Você finalmente disse isso. Foi um reconhecimento difícil – algo que eu estava evitando dizer em voz alta, por medo do que poderia significar. Morto significava que alguém finalmente encontrou o calcanhar de Aquiles do meu irmão. Que o legado de força e invencibilidade do meu irmão mais velho tinha finalmente sido manchado pela sombra de algo – ou alguém – que levou a melhor em cima dele. Morto significava que Connor precisava ser vingado. Eu chorei um pouco mais, me enrolando em posição fetal. Puxando minhas pernas contra meu peito, joguei o telefone para o outro lado do sofá como se fosse feito de ácido. “Ei…” Minha cabeça se levantou, e lá estava Maddox. Ele estava ajoelhado diante do sofá. De alguma forma, atravessou a sala sem que eu notasse. “Está tudo bem?” Ele colocou a mão no meu ombro, e mais uma vez eu não vi isso acontecendo. Eu me encolhi por uma fração de segundo, até que percebi o que realmente era. “O que você é, um ninja?” eu funguei. Maddox apenas deu de ombros na escuridão. “Talvez.” Seu sorriso pateta era o quebra-gelo perfeito. Me fez rir. Me fez finalmente jogar meus braços em volta dele e abraçá-lo, quando vi que ele já havia esticado os braços para mim. “Vamos,” ele disse. “Vamos lá.” Ele pegou minha mão e entrelaçou os dedos dele nos meus. O gesto foi simples, mas incrivelmente doce. Significativo de maneiras que eu não percebi imediatamente. Caminhamos pelo corredor, em direção ao meu quarto. Antes de chegarmos lá, no entanto, ele me arrastou para o dele. “Psssiu...” ele murmurou. “Nós deveríamos deixá-la sozinha esta noite.” Eu o segui para dentro, praticamente na ponta dos pés quando ele fechou a porta. Parecia que éramos crianças de novo, nos esgueirando pela casa durante uma festa do pijama à meia-noite. “Por quê?” perguntei. Maddox deu de ombros. “Acho que porque não queríamos sobrecarregar você.” Meu coração suavizou. “Ooouuu. Isso é…” “Estúpido?” “Não, na verdade é meio que meigo.” Um minuto depois estávamos debaixo dos cobertores, pele contra pele. Maddox me aconchegou por trás, de conchinha, fazendo-me sentir segura, aquecida e protegida, toda embrulhada em seus dois braços muito fortes. “Você não é a única que amou Connor,” ele me assegurou com um suspiro. Meus olhos ficaram cada vez mais pesados enquanto eu me contorcia em direção a ele. “Nós todos amamos.” Capítulo 18 DALLAS “E estou te dizendo, seu irmão adorava sushi.” Austin empurrou a barra acima da cabeça mais três vezes, seus ombros sofrendo com o esforço. Eu poderia dizer que as últimas repetições foram dolorosas. Mas tudo valeu a pena. Seus músculos deltoide e trapézio estavam bombados e bonitos. “Connor odiava peixe,” eu reiterei. “Ele costumava escondê-lo em um saco debaixo da mesa, toda vez que minha mãe preparava.” Por aí, Austin riu. “E você o dedurava, não é?” “Claro. Para que mais as irmãs mais novas servem?” “Linguaruda.” “Vai à merda.” Foi muito divertido falar sobre a vida do meu irmão com as pessoas que passaram mais tempo com ele. Não importa quantas conversas tivéssemos sobre Connor, eu sempre parecia estar aprendendo algo novo. “Sem chance de ele ter comido sushi,” eu disse. “Talvez por acidente, ou...” “Quer apostar?” Eu sorri e dei outra empurrada, deixando os pesos pendurados frouxamente em meus braços. Minhas coxas já estavam queimando. A dor era realmente boa. “O que exatamente estamos apostando?” perguntei maliciosamente. “Você é quem sabe.” Hummm, pensei comigo mesma. Agora isso está ficando interessante. Resmunguei pelo resto da minha série, então me levantei com uma longa expiração. Agarrando um pé e segurando-o em direção a minha bunda, estiquei meus quadríceps um de cada vez. “Eu aposto qualquer coisa com você que Connor não comia peixe cru,” eu disse. Austin parou temporariamente de girar o braço na altura da articulação do ombro. Ele levantou uma sobrancelha. “Tudo o que eu quiser?” Revirei meus olhos. “Claro.” Ele estendeu a mão. Eu suspirei e a apertei. Era impossível não ficar hipnotizada por sua parte superior do corpo. Cada centímetro da pele exposta que preenchia sua regata estava coberta por uma fina camada de suor. “Lembre-se,” ele piscou. “Você disse...” “Ei!” Nós dois viramos, ao encontrar Maddox pendurado na porta. Ele parecia acelerado. Apressado. Seus olhos estavam apenas em Austin. “Nós eh... temos que ir.” Austin deu um passo à frente sem hesitar, nem mesmo parando para pegar uma toalha. Era incrível a rapidez com que os SEALs conseguiam se mover quando realmente queriam. Eu tinha visto Connor fazer isso, e era sempre um nítido lembrete de que esses homens não eram apenas soldados. Eles eram soldados de elite. Limpei-me rapidamente e fui para a cozinha. Quando cheguei lá, os três estavam vestidos e quase prontos. “O que diabos está havendo?” perguntei com firmeza. Maddox e Kane trocaram olhares preocupados. Austin estava ocupado amarrando suas botas. “Sabe aqueles transponders sobre os quais falamos?” disse Maddox. “O que têm eles?” “Um deles se moveu.” Eu voei escada acima, subindo dois degraus de cada vez. Em um flash estava de volta, vestindo calças escuras e um moletom preto com capuz. “O que você pensa que está fazendo?” perguntou Austin. “Indo junto.” Calcei minhas botas, que não eram tão diferentes das deles. Connor as deu para mim anos atrás, como as dele. “Eh... não.” “Ah não?” eu surtei. “E por que não...” “Porque é muito perigoso,” disse Maddox. “Nós vamos atrás das pessoas que vieram atrás de você, Dallas. Nós juramos proteger você, não a entregar diretamente para eles.” “Mas vocês nem mesmo sabem se eles me querem!” eu gritei. “Pelo que sabemos, eles queriam algo de Connor. Algo na casa.” “Não há tempo para discutir,” Austin disse com firmeza. “Você fica.” Eles usavam camuflagem noturna do deserto, com coletes e cintos. Armas laterais em seus quadris. Rifles pendurados, todos os três. Isso era meio que excitante. Dallas! “Então vocês vão me deixar aqui sozinha?” perguntei timidamente. “Por minha própria conta?” Maddox parecia preparado para minha argumentação. Ele verificou a trava de segurança e então me passou uma Glock – uma das três pistolas diferentes que eles compraram para substituir a que eu perdi no incêndio. “Ligue o alarme quando sairmos,” ele ordenou. “Não saia de casa, não faça nada além de sentar e esperar pela nossa ligação.” Zombei dele. “Acha que isso vai ajudar se eles vierem atrás de mim?” “Eles não estão vindo atrás de você. Você está aqui há semanas e ninguém veio para...” “Sim, mas agora vocês estão investigando,” continuei. “Vocês mesmos disseram, esses caras são profissionais. Eles têm laços militares – os mesmos laços que vocês têm. E sabe o que acontece quando vocês investigam?” Maddox olhou para seu cronômetro, depois baixou os ombros desanimado. “O quê?” “Vocês deixam marcas.” Eu olhei para Kane. Ele já estava sorrindo. “Você sabe que ela provavelmente está certa.” Maddox balançou a cabeça indignado. Ele parecia chateado. “Não podemos protegê-la se não estivermos perto dela,” continuou Kane. “E não podemos nos dar ao luxo de deixar um de nós para trás. Talvez seja melhor apenas...” “TUDO BEM.” Maddox praticamente cuspiu a palavra e saiu da sala rapidamente. Quando voltou,jogou algo em mim: um colete tático. “Coloque isso,” ele grunhiu. “Então fique atrás, sente-se bem embaixo e mantenha a cabeça baixa o tempo todo. Entendeu?” Deslizei meus braços pelos buracos e ajustei o sofisticado material firmemente ao meu redor. “Sim, senhor,” eu disse, fazendo uma continência. Capítulo 19 DALLAS Era um pouco surreal, andar na traseira do caminhão. Tipo como estar em um filme. Eu estava cercada por soldados completamente preparados e fortemente armados, seguindo um sinal de GPS que se movia rápido na calada da noite. “Eles viraram de novo,” disse Austin, guiando Maddox pelas ruas escuras. “Vá para oeste.” Olhei pela janela enquanto passávamos por Rock Springs e direto por Monterrey. Era emocionante. Emocionante no sentido de que estaríamos recebendo respostas, sim. Mas também apenas por ser uma parte de tudo. Eles são uma equipe, eu ficava me lembrando. Você vai precisar ficar fora do caminho deles. Era um bom conselho, exceto porque eu também tinha interesse nisso. Esses homens de preto – os que estávamos perseguindo agora – tiveram algo a ver com a morte do meu irmão. Eles me deixaram sem Connor; sem-teto, sem dinheiro e sem nada a perder. E havia algo muito imprudente, muito perigoso nisso. “Devagar,” disse Austin. “Eles pararam.” Estávamos em Summerlin agora: uma comunidade magistralmente planejada com um centro circular e central. Um antigo ex tinha me trazido aqui algumas vezes. O centro da cidade estava sempre limpo, iluminado e movimentado, mas de uma maneira muito diferente da principal área de Las Vegas. Menos extravagante. Mais real. “Lembrem-se,” advertiu Maddox. “Pode não ser nada. Essa SUV faz parte da frota da base de Nellis. Pode ser que apenas tenha sido levada por nada mais do que dois recrutas voadores esta noite, para uma balada na cidade.” “Sim,” disse Austin. “Exceto que este veículo em particular continua indo para os mesmos três pontos, repetidamente. Este é um deles.” Um clique ao meu lado me disse que Kane havia deixado uma bala na agulha. Seu comportamento casual habitual foi substituído por um muito mais frio. Ele estava em silêncio, mas observando. Totalmente consciente e alerta. “Ali.” Estávamos serpenteando por uma série de becos quando o caminhão de repente desacelerou. Maddox apagou as luzes enquanto parávamos. Tudo estava quieto. Podíamos literalmente ouvir um alfinete cair. Mais à frente, dois veículos estavam estacionados frente a frente. Reconheci um dos grandes SUVs pretos das fotos instantaneamente. O outro era um jipe cor de areia. “Prontos?” Austin e Kane assentiram. Aparentemente, eles abriram as portas antes que o motor fosse desligado, e agora saíram com um silêncio cirúrgico. Maddox permaneceu atrás do volante, a janela aberta, ouvindo. “O que eles...” Ele me calou com um dedo sobre meus lábios. Esforçando-me para ver, subi desafiadoramente no banco da frente. “Você deveria ficar na parte de trás!” ele cochichou. Balancei minha cabeça. “Foda-se.” Senti sua mão na minha cabeça, me empurrando para baixo. Ele continuou até que apenas meus olhos estivessem no nível do painel. “Eu ouço vozes,” murmurei. Ele assentiu. “O que estão dizen...” “Você não entende o conceito de ficar quieta?” Corei pela estupidez, mas Maddox nem estava olhando. Ele estava focado em Kane e Austin, que agora estavam saltando entre os carros estacionados enquanto subiam a avenida. Era fascinante observá-los. Eles deslizavam com movimentos treinados, cada um avançando com precisão militar. Ambos sacaram seus fuzis. Eles estavam prontos para qualquer coisa. Segundos longos e agonizantes se passaram. A certo ponto, não conseguíamos ver mais nada. Maddox e eu sentados lá, orelhas levantadas, tentando focar nos sons distantes de vozes, até mesmo risos. De repente, o riso parou. “Dallas, eu...” O sussurro de Maddox foi quebrado por uma rajada de tiros, e tudo parecia acontecer ao mesmo tempo. A luz cintilou dos canos dos rifles. Havia homens correndo, gritando. Berrando. “ABAIXE-SE!” A caminhonete deu partida e avançou, me jogando de volta no banco. Tomei meu lugar no lado do passageiro, Maddox muito ocupado para discutir enquanto pisava no acelerador, correndo em direção à ação. “EU DISSE...” Três homens correram em direção a um beco secundário, atirando no caminho. Eu podia ver Kane atirando de volta de uma posição fixa. Austin avançando pela lateral, atirando enquanto corria em direção ao lado de um prédio de tijolos. SCRIIIIIIICH! Ambos os veículos arrancaram em alta velocidade. E moveram-se em direções diferentes. O SUV passou por nós, e Maddox trocou tiros com ele pela janela. “Vá atrás deles!” Austin gritou para Maddox. Um momento depois, ele e Kane foram embora, ambos correndo a toda velocidade pelo beco escuro. Maddox me olhou de lado, então partiu na direção que o jipe tinha ido. “Ponha seu cinto,” ele disse. “Mas...” “AGORA!” Capítulo 20 MADDOX O jipe estava com uma vantagem muito boa. Quem estava dirigindo era rápido e decidido, e a diferença de tamanho entre nossos veículos tornou ainda mais fácil para eles enquanto entrávamos e saíamos do trânsito. “Eles foram para a esquerda!” Apertei os olhos com força enquanto segurava o volante. Ter um segundo par de olhos era sempre uma coisa boa. Ter aquele segundo par de olhos como os de Dallas Winters… Você é um babaca, Maddox. Eu podia ouvir isso na minha cabeça tão claro quanto o dia. A voz de Connor. Você deveria protegê-la, não a envolver! “Vá à merda,” xinguei com raiva. “Você nunca nos disse nada! Você se envolveu em algo que deveria...” “O quê?” Dallas estava olhando para mim como se eu fosse um fantasma. “Nada.” “Com quem diabos você estava falando?” “Ninguém,” grunhi. “Eu estava...” POW! POW! Eu me abaixei instintivamente ao som de tiros. Dallas estava olhando para frente, de boca aberta. Olhos paralisados. “ABAIXE-SE!” Eu puxei o volante com força, desviando para a esquerda e para a direita. Tentando nos tornar um alvo mais difícil, enquanto com minha mão esquerda… POW! POW! POW! POW! A pistola girava na minha mão com cada batida e solavanco. Era impossível mirar e desviar. Todos os ângulos eram ruins. POW! POW! Eu vi o brilho das faíscas contra o para-choque traseiro do jipe, e não muito longe. Mais à frente, eu podia ver o cara no banco do passageiro recarregando… “Deixe-me dirigir!” Dallas já tinha uma perna sobre a minha. Ela agarrou a maçaneta 'puta-que-pariu' acima da janela do lado do motorista e a usou para vir na minha direção. “VOCÊ ESTÁ FICANDO LOU...” “Deixe-me dirigir para que você possa atirar!” ela gritou. Eu ainda estava firme no meu lugar. Ela estava quase completamente sentada no meu colo agora. “Mas...” “Sai daí, porra!” Aconteceu por reflexo, como se eu estivesse obedecendo a uma ordem. Merda, ela disse isso com firmeza suficiente. “Dallas...” “NÃO TEMOS TEMPO,” ela gritou de volta. Ela apertou um botão e a janela do passageiro baixou. “Vamos lá!” Inacreditavelmente, eu atendi. Puxei para trás o receptor do meu rifle SCAR e estiquei meu torso inteiro para fora da janela para impulsionar. “Fique firme por um segundo!” eu gritei. “Me dê uma boa...” A primeira bala atingiu meu ombro logo acima da clavícula. A segunda e a terceira passaram raspando, rasgando duas listras na minha jaqueta bem na parte de cima do meu braço. Eu podia sentir uma umidade instantânea vinda das minhas feridas. Isso só me fez cerrar os dentes com mais força quando apertei o gatilho... POW-POW-POW-POW-POW! O passageiro recuou com o impacto, seus braços voando para frente quando ele largou a arma. O veículo foi derrapando pela calçada, enquanto o motorista ficou mole contra a lateral do jipe. Quase imediatamente, alguém puxou meu alvo de volta para dentro. “Você o pegou!” Viramos novamente, desta vez tão bruscamente que imaginei o jipe capotando. Não capotou, mas chegou bem perto. E de alguma forma Dallas ganhou terreno na curva. O que ela é, uma motorista profissional ou... O jipe virou para o lado novamente,desta vez na via principal. O centro da vila era formado por um grande círculo, cujos raios terminavam em um grande eixo central. Havia pessoas por toda parte, andando pelas calçadas. Eu vi multidões, velhos e jovens. Casais de mãos dadas… Baixei meu rifle. “Aproxime-se dele!” eu gritei. Meu braço doeu. Meu orgulho doeu mais. O vermelho tinha florescido através da minha camisa e estava pingando em direção ao meu cotovelo. “VOCÊ ESTÁ FERIDO?” O rosto de Dallas estava totalmente branco – cheia de preocupação. Ela continuou olhando para o meu ombro ferido. “Não é nada. Estou bem,” eu disse a ela. “Ei, mantenha seus olhos na estr...” Eu empurrei o volante para ela... bem a tempo de evitar bater de lado em uma van. Dallas colocou a cabeça para frente, ombros curvados. Senti o caminhão subir abaixo de nós quando ela apertou o pedal no chão. Porra, isso é loucura... Era loucura. As ruas estavam cheias de carros, as calçadas fervilhando de pessoas. Eu podia ouvir o guincho dos pneus do jipe enquanto ele passava ao redor do Village Center Circle, quase subindo em duas rodas quando nos aproximamos dele. A expressão de Dallas era de uma determinação sombria. Ela estava escorregando entre as brechas no trânsito. Derrapando de pista em pista. Cada movimento que ela fazia estava a centímetros do desastre. A essa altura eu estava com medo até de falar com ela, por medo de quebrar sua concentração. Puta merda, estamos alcançando. Chegando ao lado do jipe, nossos para-choques estavam ficando perigosamente próximos. Tirei minha arma do coldre. Eu nem sabia o que ia fazer com ela... Dallas afastou o cabelo de seu rosto com um movimento rápido. Sua expressão estava pálida. Eu vi seus lábios se curvarem em um rosnado, e de repente eu sabia o que ela ia fazer. “Dallas, NÃO!” Ela puxou o volante violentamente, e houve uma colisão abrupta e irreversível. Nosso para-choque bateu forte na traseira do jipe… … e ele virou perpendicular à estrada a uns 110 km/h. CARAAAAAAALHO... Eu engasguei horrorizado, observando os pneus do veículo travarem. Ele virou de lado, de ponta a ponta... dando cambalhotas no trânsito como um projétil infernal, soltando pedaços de metal e plástico ao longo do caminho. Ela pisou no freio, e nós dois cambaleamos para a frente. O jipe não parava de capotar, repetidamente. Impulsionado pela enorme dinâmica, e pelo fato de ter praticamente sido despedaçado no espaço de meio segundo. “FILHOS DA PUTA.” Olhei para ela enquanto paramos derrapando. Os olhos de Dallas eram selvagens e venenosos. E eles não continham nem o menor sinal de remorso. “Dallas...” Ela não respondeu, pelo menos não imediatamente. Eu havia visto olhares parecidos com os dela no campo de batalha. Ao olhar nos rostos de aliados e camaradas que perderam pessoas antes e que agora exigiam algum tipo de vingança por seus entes queridos. “DALLAS!” Ela mal reagiu quando eu peguei sua mão. Coloquei-a de volta no volante. “Temos que ir,” eu disse. O tráfego já estava se acumulando ao nosso redor. Em alguns momentos, estaríamos engavetados. “AGORA, Dallas!” Ela piscou rapidamente algumas vezes, e eu a trouxe de volta. Virando rapidamente para o acostamento, nos afastamos, aproveitando a curva. Pegamos a primeira saída, bem a tempo de evitar as luzes e sirenes: meia dúzia ou mais de veículos de emergência, correndo em direção ao local do acidente. Meu telefone começou a tocar no segundo em que o puxei novamente. Apertei o botão do viva-voz. “Me fale alguma coisa boa.” “Não posso,” Austin respondeu, com a voz baixa. Eu até podia ouvir a decepção em sua voz. “Nós os perdemos.” Capítulo 21 DALLAS A volta para casa no banco de trás foi de silêncio e sombra. Tudo era pólvora e aço, suor e adrenalina. Ah sim, e sangue. Maddox estava ostentando três ferimentos de bala distintos, mas felizmente nenhum deles era nem remotamente ameaçador à vida. Dois eram superficiais: arranhões paralelos na borda de um músculo deltoide. O terceiro foi um buraco aberto em seu ombro, mas a bala entrou e saiu acima do osso, bem abaixo do músculo. “Filho da mãe sortudo,” Kane zombou, do banco da frente desta vez. Austin dirigia, enquanto eu mantinha a pressão sobre a lesão. “Ele sempre tem sorte,” disse Austin com uma risada. “Lembra daquela vez em Kosovo...” Eu escutava sem entusiasmo enquanto eles se lançavam em outra de suas longas histórias. Eram tantas que eu estava perdendo a conta. Ainda assim, fiquei feliz em ouvi-los de bom humor. Mesmo que nossa missão geral tivesse sido um fracasso. Uma missão, Dallas? “É assim que estamos chamando?” Para dizer a verdade, sim, era. Eu participei de uma situação de combate completa com eles agora. Como Connor. Senti como se tivesse conseguido sucesso em algum tipo de rito de passagem. Que eu tinha sido colocada em uma situação de alta pressão e saído por cima. Por outro lado, fiz com que perdêssemos a única chance que tínhamos de obter algumas respostas. Talvez se eu tivesse me controlado um pouco mais... “Como eles notaram vocês, afinal de contas?” Maddox perguntou. “O pé enorme do Kane,” Austin resmungou. “Eles provavelmente pensaram que o Pé Grande estava se aproximando deles.” O grande homem no banco da frente zombou. “Vai contar a eles sobre aquela pedra que você chutou por acidente?” “Aquilo não era bem uma pedra. Era um pedregulho de nada. Um pedacinho de concreto pouco maior do que uma moeda de um dólar.” “Mentira! Você a chutou e ela foi derrapando pelo chão,” continuou Kane, “e foi aí que eles olharam para cima.” Eles continuaram discutindo por vários minutos, Kane culpando Austin por sua abordagem fracassada, Austin culpando Kane por perder a perseguição. “Você não conseguiu acompanhar,” disse Austin enquanto dirigia. “Se você não estivesse tão lento agora…” Do reino sombrio do banco de trás, troquei o curativo de Maddox por um novo. O sangramento diminuiu quase até parar. A princípio, tentei levá-lo ao médico, mas ele disse para eu esquecer disso. Os outros também. Pessoalmente, acho que eles só queriam ver a cara dele quando o costurassem. “Então a noite foi uma perda,” suspirou Austin. “Não conseguimos nada.” “Não, não totalmente.” Os olhares de todos se voltaram para mim. Não de uma forma acusatória, como fizeram quando Maddox contou a eles como eu havia batido na traseira do jipe em fuga. Era mais curiosidade desta vez. “Então... sobre aquele veículo que perseguimos?” “Sim?” disse Kane com ceticismo. “Aquele que você enviou para o céu dos jipes?” Balancei a cabeça. “Eu consegui o número da placa.” Tudo era silêncio por um momento. O estremecimento de dor de Maddox se transformou em um sorriso. “Puta merda, de verdade?” “A7X-271” Kane soltou um longo suspiro. “Bem, foda-se. Isso é... isso é...” “Muito útil?” sugeri. “Sim.” Pouco menos de um quilômetro depois fizemos o retorno, vários quarteirões antes do que precisávamos. Austin seguiu por estradas secundárias até ficar convencido de que não estávamos sendo seguidos. Então fomos para casa. “Ah sim,” disse Austin abruptamente. “Lembram de quando Connor nos arrastou para aquele restaurante de sushi?” Maddox riu. “Qual deles?” “Aquele em que ele pediu tudo no menu,” Austin continuou. “E eles trouxeram...” “Eles trouxeram aquele maldito barco de madeira,” Kane riu. “Todo coberto de arroz e peixe. Tinha mastros, velas e tudo. Jesus, aquela coisa ocupou a mesa inteira.” “Foi mesmo,” disse Maddox, rindo. “Só que nenhum de nós nem ao menos tocou naquilo. Apenas Connor.” Sorrindo derrotada, meu olhar disparou para Austin. Ele estava olhando por cima do ombro já sorrindo. Seus olhos estavam exultantes. Tudo bem, tudo bem, murmurei silenciosamente enquanto entramos na garagem. Você ganhou. Kane tentou ajudar Maddox a entrar e foi imediatamente ignorado. Eles marcharam pela porta da frente juntos, de pé. “Os níveis de machismo nesta casa estão fora dos gráficos,” eu disse, revirando os olhos para Austin. “Você acha que isso é ruim? Espere até que nós o costuremos e ele finja que nemdói.” Eu ri alto, imaginando tudo perfeitamente em minha mente. Era exatamente o que aconteceria. Enquanto subíamos juntos pela passarela de cimento rachada, Austin passou o braço ao meu redor. Ele me puxou para junto dele. “Ei, lembra da nossa aposta?” ele murmurou. “Qualquer coisa que eu quiser?” Ele tinha uma voz aveludada. Um toque suave, mas insistente. “Sim,” respondi hesitante. Notei seu cheiro; almiscarado, viril e delicioso. Meu coração já estava batendo mais rápido. “Por quê? “Você já sabe o que quer?” A mão de Austin deslizou para baixo, segurando minha bunda. Quando ele encostou os lábios perto da minha orelha, deu um aperto promissor. “Eu quero você no meu quarto esta noite,” ele sussurrou com voz rouca. “Mais tarde. Depois que todos tiverem deitado.” Um arrepio elétrico disparou pelo meu corpo. Isso me encheu de sentimentos de nervosismo e excitação. Alegria... e ansiedade. “C...certo.” “Afinal de contas,” ele murmurou, virando-se com um sorriso, “acordo é acordo.” Capítulo 22 DALLAS A casa estava mortalmente silenciosa quando fui para o corredor do andar de cima. Maddox estava todo costurado e havia tomado algo para a dor. Ele e Kane estavam dormindo profundamente, suas portas fechadas. Já passava da meia-noite quando entrei no quarto de Austin. As luzes estavam agradavelmente fracas. A temperatura, quente e acolhedora. “Ei…” Meu coração estava acelerado quando fechei a porta e me virei. Austin estava descansando em uma cadeira macia de encosto alto. Seu corpo incrível estava gloriosamente nu, exceto por uma cueca boxer apertada. “Tire isso,” ele disse casualmente, apontando com um copo curto de uísque. Ele apontou para meu short de dormir. “Mesmo?” provoquei. “Ah sim.” Movendo-me sedutoramente, tirei meu short e o deixei cair. Então eu enganchei os dois polegares em cada lado da minha tanga, puxando as tiras dos meus quadris alguns centímetros. “Essa também?” Ele pareceu considerar isso por um momento, enquanto tomava um pequeno gole do líquido âmbar. Cubos de gelo chacoalhavam no copo. “Não,” ele disse finalmente. “Essa pode ficar.” Eu encaixei as tiras de volta no lugar. Colocando as mãos em meus quadris, esperei pelo próximo conjunto de instruções. Isso está divertido… “Você está pronta para fazer o que eu quiser?” ele perguntou, levantando uma sobrancelha. “É por isso que estou aqui.” “Ótimo. Agora fique de joelhos.” Dei dois passos em direção a um fino tapete persa antes de cair obedientemente no chão. Em meio a tudo isso, mantive contato visual constante. “O que agora?” perguntei docemente. “Rasteje até aqui,” ele disse. “Lentamente.” Um lado da minha boca se curvou em um sorriso. Ele ainda estava olhando. Ainda olhando através de mim com aqueles incríveis olhos azul-esverdeados, que de alguma forma pareciam incrivelmente brilhantes e bonitos contrastando com seu cabelo e pele mais escuros. “Agora, Dallas.” Eu fui. Aconteceu sem pensar; em um segundo eu estava ajoelhada diante da porta, no próximo eu estava rastejando lentamente até onde ele estava sentado. Austin abriu as pernas, revelando duas coxas tonificadas, cor de jambo. Eram coxas viris – incrivelmente fortes e musculosas. Caramba, nunca as pernas de um cara pareceram tão sexy antes. Isso é porque ele está no nível dos seus olhos, disse a vozinha na minha cabeça. Você está praticamente ajoelhada entre as pernas dele. Eu estava, e tudo estava perfeitamente bem. Especialmente considerando a protuberância entre suas pernas, esticando com força o tecido de sua cueca boxer cinza. “Você quer tocá-lo?” Ele me viu olhando. Aparentemente eu tinha perdido nosso pequeno concurso de encarar. “Fique à vontade.” Austin se moveu um pouco para frente, relaxando ainda mais em sua cadeira. Ouvi o tilintar do gelo novamente enquanto ele tomava outro gole de sua bebida. Suspirei internamente, deixando meus olhos se arrastarem sobre seu corpo. Ele era literalmente perfeito. Silenciosamente, agradeci a qualquer instrutor SEAL que havia aperfeiçoado e esculpido seu corpo magnífico, dando-lhe um vigor esculpido que me fez querer saborear cada centímetro delicioso. Eu adorava o cheiro da pele dele. A forma de seu abdômen perfeito... Ele era maravilhoso. Deslizei para cima ao longo de seu corpo, beijando suavemente aquela bela barriga. Eu me encontrei beijando seu peito, circulando um mamilo escuro com minha língua. Beijei seu pescoço, alcançando aquele cavanhaque impecavelmente aparado, e então de repente eu estava pressionando meus lábios contra os dele. Respirando sua respiração enquanto acariciava seu rosto, nossas línguas movendo-se juntas. Deus... Sua boca estava doce e deliciosa do bourbon, uísque ou o que quer que estivesse bebendo. De qualquer forma eu adorei; cada centímetro quadrado dele tinha gosto de homem. Eu me senti ficando tonta. Minha mente, tonta e flutuando... Eu poderia beijá-lo assim para sempre. A mão de Austin passou sobre minha cabeça e de repente ele estava me empurrando de volta para baixo. Firmemente. Insistentemente... Um lembrete não tão sutil – eu estava lá para ele. “Aí está minha garota...” Ele gemeu quando eu enterrei minha cabeça em seu colo. Por um momento eu o provoquei, esfregando meu rosto contra seu pau quente e duro. Segurando e apertando suavemente através do tecido que ainda o restringia, enquanto beijava o caminho para cima e para baixo no interior de suas coxas. “Dallas, eu...” Sua frase terminou em um gemido quando eu o engoli. “Ahhhhhh...” Foi uma coisa simples puxar o pau dele pelo buraco da frente da cueca. Enfiá-lo na minha garganta era algo completamente diferente. O pau de Austin era quente e grosso, e se encaixava perfeitamente na parte de trás da minha garganta. Eu o levei o mais fundo possível, deixando-o descansar lá por alguns segundos gloriosos antes de apertar a base e arrastar meus lábios com força ao longo de todo o comprimento de seu eixo, de baixo para cima. “Ah me foda.” Eu ri para mim mesma. Era o que eu queria, com certeza. Mas não exatamente o que ele quis dizer com as palavras. Ainda não, de qualquer maneira. Pelos próximos minutos eu me concentrei em fazer o melhor boquete da minha vida. Chupei Austin habilmente, de todos os ângulos, em todas as velocidades. Eu o segurei com força, na base. Acariciando suas bolas suavemente com minha mão livre. Ele tem um gosto tão bom... Minha boca foi ainda mais para baixo, mantendo tudo liso, molhado e bonito. Gemendo ao redor dele enquanto meu cabelo batia em seu colo. Quando o peguei olhando, segurei seu olhar. Fodi-o com os olhos enquanto continuei arrastando a parte plana da minha língua lentamente para cima ao longo da parte inferior de seu pau. Deus, você deve estar parecendo uma completa puta! Eu me sentia como uma também, e essa parte era incrível. Estava me divertindo com todo o belo ato. Aproveitando o prazer dele... Quando o latejar e a pulsação começaram, eu sabia que ele estava perto. Aumentei a velocidade, chupando e punhetando, mas Austin tinha outros planos. “Sua vez...” Capítulo 23 DALLAS De repente meu amante se levantou, me levantando com ele. Meus braços ficaram sobre seus ombros. Minhas pernas deslizaram em torno de seus flancos, montando em sua cintura. Eu estava admirando seu corpo, seu peito, seu lindo rosto. Tentando descobrir onde beijar em seguida, enquanto seu pau pulsava e latejava, preso firmemente entre nós. “AH!” Ele me jogou na cama antes que eu soubesse que estava deixando seus braços. Eu saltei com força, minha cabeça parando em algum lugar perto de seus travesseiros. Antes que eu percebesse, Austin tinha uma grande mão envolvendo meus tornozelos ao mesmo tempo. O que... Eu engasguei quando ele empurrou minhas pernas acima da minha cabeça, coxas firmemente presas juntas. Ele me esticou maravilhosamente. Levantando minha bunda da cama... “AhhhHHHhhhHHHhhh...” O ar deixou meus pulmões em um gemido quando ele puxou minha calcinha para um lado... e enterrou seu rosto na minha boceta. Ah, CARAAAAALHO.A língua de Austin estava em toda parte, banhando meu sexo de cima a baixo. Me arrepiei quando ele plantou uma série de beijos suaves ao redor do meu clitóris inchado. Estremeci quando sua língua se moveu para cima e para baixo em movimentos largos e deliberados. Ele enfiou um dedo em mim e começou a deslizar lentamente para dentro e para fora. Meus olhos reviraram. Minha cabeça se apoiou no travesseiro... Deus... Eu estava gostando de tudo; desde a sensação de seu cavanhaque roçando minha pele sensível, até o quão incrivelmente apertado seu dedo parecia dentro de mim. Minhas pernas ainda estavam pressionadas firmemente juntas, meus tornozelos no ar. Eu estava sendo estirada e devorada. Beijada, lambida e sugada... Isso é tão.... incrivelmente.... bom! De repente, senti um solavanco... e engasguei alto quando uma sensação totalmente nova atingiu meu cérebro. Era uma dormência gelada. Uma rajada de frio contra uma área que estava tão incrivelmente quente. Ouvi o tilintar de seu copo sendo colocado novamente e percebi o porquê: Meu amante tinha um cubo de gelo na boca. “Mmmmmmmm...” Era incrível a intensidade do contraste. Todos os novos arrepios balançaram meu corpo enquanto Austin apertava o cubo entre os dentes, arrastando-o para cima e para baixo através do meu canal aquecido. Ele continuou me penetrando com o dedo. Usando o cubo de gelo que derretia rapidamente para circular e provocar o capuz sensível do meu clitóris. “Ah porra, baby...” Eu me contorci e girei involuntariamente, tentando me desvencilhar. Tentando escapar do frio entorpecente, apesar de o meu cérebro me dizer ao mesmo tempo que era bom. Logo eu estava esfregando minha boceta nele. Acolhendo a frígida, mas maravilhosa dormência que haviam se tornado seus lábios e língua, em seguida, mergulhando-a de volta para baixo, onde eu podia sentir o cubo derretendo dentro de mim. “ISSO.” Eu já estava me acostumando a isso quando ele finalmente me soltou. A mão livre de Austin empurrou minhas coxas, dando-lhe maior acesso enquanto ele continuava lambendo. Um dedo havia se tornado dois, entrando e saindo de mim. E eu estava me esfregando de volta em seus lábios e rosto. Latejando na sua língua sondadora e penetrante... PORRA! Eu estava a meio caminho de gozar quando suas mãos deslizaram sob minha bunda. De repente, ele estava me virando de bruços. Abrindo minhas nádegas com duas mãos fortes, enquanto eu agarrava seu travesseiro em antecipação ao que viria a seguir. Austin enterrou o rosto entre as minhas pernas mais uma vez. Só que desta vez... por trás. Uau... A sensação era absolutamente deliciosa. Indescritivelmente excitante. “AHHH...” O rosto de Austin estava enterrado na minha bunda agora. Sua língua viajou para cima e para baixo, das profundezas da minha boceta semiadormecida até o meu pequeno rabo apertado. Eu podia senti-lo lá atrás, empurrando e cutucando. Banhando-me com calor e saliva, e a sensação suave e deliciosa de sua língua quente se contorcendo. Ah UAU... As sensações eram inacreditáveis. Como nada que eu já tivesse experimentado. Como nada que eu jamais imaginei que experimentaria, mas de alguma forma, no fundo, eu sabia que sempre quis. Isso... Isso é... Engasguei novamente quando ele enfiou dois dedos de volta em mim por trás. Austin estava lambendo meu cu e me fodendo ao mesmo tempo. Passando sua língua molhada por toda parte, enquanto deslizava dois dedos longos dentro e fora da minha boceta encharcada. Caralho, isso é uma totalmente uma loucura! Minhas mãos se curvaram, segurando seu travesseiro como garras. Meus braços estavam esticados no alto enquanto eu desloquei meu peso para trás, tentando enfiá-lo ainda mais no meu lugar mais obsceno e travesso de todos os possíveis… “Mais fundo!” A palavra forçou seu caminho da minha garganta. Eu não podia acreditar que eu tinha dito isso. “Assim... assim...” eu engasguei, totalmente fora de controle. “Por favor!” Meu amante ouviu e obedeceu. Ele colocou as mãos na parte da frente das minhas coxas e puxou, me forçando para trás. Puxando-me com mais força contra sua língua se contorcendo. “Ah DEUS!” Eu vi estrelas. Flashes literais de branco e prata, riscando os cantos da pouca visão que eu tinha. “PUTA MERDA!” Meu orgasmo foi uma explosão que começou no mais profundo do meu corpo. Senti Austin empurrar com força uma última vez, talvez com três dedos ou mesmo quatro... e então de repente eu estava gozando... e gozando... e gozando... por todo o rosto dele. Ah Dallas... Minha mente deixou meu corpo, e por um bom meio minuto eu perdi até o último resquício de controle. Meu clímax foi total – meu corpo inteiro tremendo com a pura euforia branca da liberação final. “AhhhhHHHHHhhhhh...” Eu gritei quando minha boceta se contraiu em seus dedos, assim como o resto de mim apertou sua linda língua. Austin segurou a pressão, mantendo-se firme em mim enquanto eu passava por cada contração maravilhosa. Cada último estremecimento e espasmo, cada último gemido gutural e grito magnífico de vitória, ou êxtase, ou qualquer maldito plano de nirvana que meu cérebro tinha acabado de visitar graças a seus talentosos dedos, boca e língua. Eu me esparramei de lado, totalmente exausta, tendo experimentado o primeiro orgasmo de corpo inteiro da minha vida. Cada superfície da minha pele estremecia de prazer. Mesmo exausta, eu me sentia carregada e viva. “Eu...” Minha voz falhou. Eu não tinha palavras, porque realmente não havia nada a dizer. Só podia olhar de volta para Austin, amando-o com meus olhos. Suspirando suavemente enquanto meu corpo arfava, meu peito subia e descia enquanto meus sentidos, um por um, voltavam lentamente. “Eu...” engasguei quando finalmente consegui falar novamente. “Não acredito...” “Que você nunca teve isso que eu fiz com você antes?” Austin sorriu de volta para mim. Eu ri. Assenti. Caída de costas, mole e exausta. “É isso o que eu queria,” ele deu de ombros, deslizando para frente novamente. Ronronei com satisfação quando ele afastou minhas pernas. Suas mãos prenderam meus pulsos na cama enquanto ele me montava facilmente. “Parte do que eu queria, pelo menos.” Capítulo 24 AUSTIN Ela prendeu a respiração novamente quando eu afundei nela, esticando-a desta vez por dentro. Parecia o paraíso derretido. Tudo quente e molhado, inchado e indescritivelmente confortável. Olhei para ela, balançando a cabeça em pura descrença. Essa garota... Não uma garota, uma mulher. Certo, tudo bem. Essa mulher. Essa maravilhosa, incrivelmente sexy, além de linda mul... E não é qualquer mulher também, a voz na minha cabeça me lembrou. Você está olhando para Dallas Winters. Puta merda. Você está fodendo Dallas Winters. Um grunhido escapou da minha garganta quando cheguei ao mais fundo possível, sentindo o calor de suas profundezas mais íntimas. Era uma loucura, quando eu pensava sobre isso. A irmã do nosso melhor amigo. Nosso irmão de armas. Era quase proibido. Totalmente tabu. Eu deveria estar me sentindo culpado, mas por algum motivo eu simplesmente não conseguia. Talvez fosse porque Connor havia ido há muito tempo. Ele ainda estava em nossas mentes, ainda em nossos corações... Mas sua irmã estava bem aqui, agora, deitada na minha cama. Olhando nos meus olhos enquanto eu a esmagava de cima, as pernas bem abertas. Gemendo baixinho em meu ombro. Agarrando- me desesperadamente enquanto eu a perfurava. Dallas... Nós a observamos por um ano! Tinha realmente passado tanto tempo? A observávamos, a protegíamos e sim, alguns de nós até a desejavam. Kane com certeza. Eu também, embora nunca tenha admitido isso para os outros. Até mesmo Maddox... Puta merda. Quando eu pensei sobre isso, todos nós a queríamos. E talvez seja por isso que fizemos o acordo, nivelamos o campo de jogo ao decidir não jogar. Ninguém vai atrás dela. Ninguém toca nela. Ninguém nem ao menos flerta com ela. Palavras de Maddox. Todo mundo fica tranquilo. Ficamos tranquilos, pelo menos por um tempo. Mas então tudo isso aconteceu. Poderíamos culparKane se tentássemos o suficiente, mas foi somente um desvio no plano inicial. Resumindo, todos nós a queríamos. Sabíamos disso. E a razão era simples: Ela era Dallas Winters. Pensei sobre isso agora enquanto ela se contorcia nua debaixo de mim, arranhando minha bunda para me puxar para mais fundo. Rebolando os quadris no ponto mais profundo de cada estocada, para me colocar mais completamente dentro dela. Caralho. Ela era a mulher perfeita. Forte, esperta, bonita. Inteligente e independente, mas também um dínamo sexual, com curvas femininas e cabelos macios e perfumados. Lábios deliciosos de boquete, em um lindo rosto de porcelana. Mas mesmo além disso, Dallas Winters tinha um ar de superioridade. Uma atitude autoconfiante e sem amarras que todos reconhecemos imediatamente, porque a vimos milhares de vezes em cem missões diferentes. Ela era exatamente como seu irmão. Só que também não era. Nós amávamos Connor profundamente, nós três. Tanto que, quando ele morreu, foi como se um pedaço de nós morresse com ele. Droga, Connor. Os soldados eram assim, especialmente à medida que envelhecíamos. Cada vez que perdíamos alguém, ficava um buraco onde essa pessoa costumava estar. Às vezes você consegue preencher esse buraco, pelo menos temporariamente. Outras vezes, era deixado para sempre aberto, uma ferida profunda que você só podia tentar ignorar ao máximo. Sim, eu queria Dallas como os outros. Eu queria tê-la. Para possuí-la. Para fazê-la se encaixar de alguma forma naquela parte de nossa vida onde Connor costumava estar, até porque ela era muito parecida com ele de muitas maneiras. Continuei a penetrá-la, pregando-a na cama com estocadas profundas e poderosas. Suas íris estavam presas nas minhas. Seu toque era gentil, seus movimentos ternos e suaves quando ela acariciava meu rosto. Eu poderia fazer isso para sempre. Era triste, de certa forma. Eu não tinha uma namorada fixa há anos. E mesmo quando eu tinha... Eu poderia até amá-la. O pensamento era perigoso. Sirenes de alerta soaram na minha cabeça, desviando minha atenção de volta para o que eu estava fazendo. Comecei a fodê-la ainda mais forte. Abrindo suas pernas ainda mais, para que eu pudesse tirar tudo que eu precisava dela. Dallas gemeu baixinho enquanto eu a fodia e chegava além do ponto sem retorno. Meus olhos brilharam, suplicantes. Ela mordeu o lábio, concordando com a cabeça... Três estocadas depois eu estava inundando sua boceta, explorando violentamente cada pedacinho dela enquanto descarregava profundamente em seu útero. POOOORRA! Eu a enchi quase imediatamente, meu gozo borbulhando nas profundezas de sua feminilidade. Verdade seja dita, Dallas continuou me fodendo com o mesmo abandono selvagem e louco. Nossos fluidos foram misturados em um creme espumoso que desceu por todos os lados do meu pau. Eu nunca tinha ficado com tanto tesão, tanta loucura para me liberar. Tão dolorosamente desesperado para gozar. Talvez seja porque eu nunca me senti tão conectado antes também. Esquece, Austin. Eu estava e não estava. Esquecer, é isso. Ela não é para você. Ela não é para ninguém. Eu desabei nela, querendo acreditar. Precisando acreditar que era apenas sexo – sexo e apenas sexo – nada mais do que duas pessoas usando os corpos uma da outra para gratificação e liberação. “Sim, certo.” Dallas me apertou com força contra ela, meu rosto enterrado entre seus seios. Estava quente e maravilhoso. Perfumado, seguro e cheio do ritmo constante e reconfortante de seu coração batendo rapidamente. “Eu posso ver por que meu irmão amava você,” ela sussurrou suavemente, correndo os dedos distraidamente pelo meu cabelo. A palavra pairou pesadamente no ar entre nós. “Todos vocês.” Capítulo 25 DALLAS “Bem, olá, bela adormecida,” disse Maddox, empurrando uma caneca de café em minhas mãos. “Sente-se, você chegou bem na hora.” Pisquei por causa da claridade da cozinha, tropeçando na direção da minha cadeira. Kane a puxou para mim. Balancei a cabeça com gratidão. Maddox tinha um braço na tipoia. Com o outro, estava operando a máquina de waffles. Os demais tinham pratos vazios, onde se viam restos de waffle com calda. Eu poderia dizer pelo nível da cafeteira que eles já estavam no segundo bule. “Cheguei na hora para quê?” perguntei, ainda grogue. “Reunião de família.” “Então somos uma família agora?” apertei os olhos, levantando uma sobrancelha. “Bem, certamente somos alguma coisa, você não concorda?” Em vez de responder, tomei um gole de café. Surpreendentemente, foi feito exatamente do jeito que eu gostava. Aparentemente, meus meninos estavam cuidando muito bem de mim... em todos os sentidos. “Certo, então estávamos falando sobre ontem...” Um waffle foi colocado na minha frente, bem quente. Austin me empurrou a calda. “Estamos monitorando os noticiários e ligando para os hospitais, mas até agora não apareceu nenhum relato sobre o acidente,” continuou Maddox. “O que todos sabemos que é impossível, considerando o que aconteceu. E isso só pode significar uma coisa.” “Um acobertamento.” Ele assentiu e veio para o assento ao meu lado. “Você pega rápido.” “Não é preciso ser do NCIS para descobrir isso,” eu disse. Austin se recostou na cadeira. “Por favor, me diga que ela acabou de fazer uma referência ao NCIS …” Maddox assentiu. “Ela fez.” “Deus, eu amo essa garota.” Devolvi o sorriso de Austin com uma risadinha. NCIS era um dos muitos programas de televisão que assistimos juntos, Connor e eu. Vimos todas as temporadas, todos os episódios. Era um pouco antigo, mas atemporal. “De qualquer forma,” continuou Maddox, “estamos saindo hoje para rastrear mais informações. Já temos alguém verificando o número da placa que você nos deu. Kane e Austin estão indo para alguns dos hospitais e clínicas perto de Summerlin, e estou indo para a base para fazer algumas perguntas. “Você vai para Nellis?” perguntei. “Sim.” “Então eu vou com Kane e Austin.” “Desculpe, mas não,” Maddox franziu a testa. “Você fica aqui desta vez.” “O caralho que vou...” “Dallas.” A voz de Kane era firme, mas não prepotente. Ele me encarou por baixo de duas sobrancelhas escuras. “Isso vai ser muito mais fácil se estivermos sozinhos, pelo menos por hoje. E quanto mais rápido sairmos, mais rápido voltaremos.” “Mas...” “Eu sei que você quer vir. Eu sei que você quer ajudar...” seus olhos castanhos suavizaram no meio da frase. “Mas, por enquanto, precisamos que você fique firme. Tudo bem?” Minha boca abriu e depois fechou. Relutantemente eu assenti. “Tudo bem,” eu disse finalmente. Meus olhos se voltaram para Austin. “Estou meio cansada de qualquer forma.” A boca de Austin se curvou em um meio sorriso. Se os outros notaram, não disseram nada. “A propósito, como está seu ombro?” perguntei a Maddox. “O ombro está bem,” ele disse. “A tipoia é só para apoio.” “Tem certeza de que não posso ir com você?” insisti. “Eu poderia dirigir para você até a base, pelo menos.” “Eles não vão deixar você entrar na base,” disse ele. “Não aonde nós vamos. Além disso, você não dirigiu o suficiente na noite passada?” A pergunta era meio sarcasmo, meio admiração. Não exigia realmente uma resposta. “Por favor, não tente algo assim de novo, a propósito.” Eu acenei para ele. “Funcionou, não foi?” “Sim, mas...” “Sim, mas nada. Eu os peguei, eu os parei.” “Você os destruiu,” Maddox respondeu. “Você não pegou ninguém. Aquele jipe deve ter capotado dez, doze... talvez quinze vezes.” “Então?” “Então alguém definitivamente se machucou. Talvez tenha até morrido.” Ele estava me analisando agora, e percebi que todos estavam. Eles observavam minha postura. Esperando para ver minha reação. “Você está bem com isso?” insistiu Maddox. Empurrando a calda para longe, mordi meu waffle. Estava crocante e delicioso. “Você tem certeza de que esses caras estavam envolvidos no que aconteceu com Connor?” Maddox assentiu seriamente. “Com certeza estavam.” “Então sim. Estou bem pra caralho com isso.” Austin passou um braço sobre a mesa e entregou algo para Kane. Incrível, percebi queera uma nota de vinte dólares. “Eu te falei,” disse Kane, embolsando o dinheiro. “Puta merda, vocês estão apostando em mim agora?” Kane riu roucamente. “Agora?” Ele cruzou seus dois antebraços grandes e peludos e os descansou sobre a mesa. “Apostamos em você desde antes mesmo de você chegar aqui.” Levei um momento para absorver o significado daquilo. Eles estão observando você há um ano inteiro, a voz na minha cabeça me lembrou. Em todo esse tempo... quem sabe em que diabos eles apostaram? Tentei ficar com raiva, ou até mesmo me ofender. Nada disso, no entanto, encaixava bem no que eu estava sentindo. Pelo contrário, eu sorri. “Que outras apostas vocês andam fazendo?” sorri. “Talvez eu queira participar.” Austin deu uma gargalhada. Kane também riu. “Você não gostaria de saber…” Capítulo 26 DALLAS Foi um dia horroroso, de grande inquietação. O tipo de dia que te deixa pra baixo, e que você realmente só quer que acabe. Com os rapazes fora e o alarme acionado, não havia muito o que fazer além de esperar. Tentei ocupar meu tempo fazendo faxina, começando pelo andar de cima e trabalhando metodicamente em todos os cômodos da casa. A questão, claro, era que eu estava vivendo com três SEALs da Marinha. Como militares, tudo o que possuíam já estava em seu devido lugar. Eu lavei os pratos, mas o resto da cozinha estava irritantemente impecável. Um subproduto de Austin ser um doente por limpeza, levemente germofóbico e um caso incurável de TOC. Na verdade, eu não podia culpá-lo. Eu mesma tinha sido assim durante a maior parte da minha vida – uma série de hábitos adquiridos ao viver com Connor. Fiquei me perguntando distraidamente quantos dos traços dos rapazes teriam sido adquiridos do meu irmão. Quanto, como eu, suas vidas foram moldadas por viver com ele. Ao meio-dia eu estava no sofá, navegando entre os canais da TV. Quanto mais eu ficava sentada lá, mais insatisfeita eu ficava, então me levantei e andei um pouco pela casa para espairecer. Talvez eu devesse ligar para um deles? Era uma ideia egoísta. Embora eles não tivessem me dito especificamente para não fazer isso, eu realmente queria deixá-los em paz. Eles já tinham um trabalho importante com o qual se preocupar, para que eu ficasse bancando a carente. E carente era a última coisa que eu queria ser. O computador! Liguei a máquina do jeito que Austin me mostrou; fazendo login por meio de uma série de conexões remotas projetadas para mascarar meu histórico de pesquisa e localização. Então comecei a trabalhar, tentando descobrir qualquer coisa que pudesse sobre o que havia acontecido ontem, em Summerlin e arredores. Você pode ter machucado alguém. Está bem com isso? Eu disse que estava, e com certeza quis dizer isso. Quem quer que tenha tirado meu irmão de mim não era alguém de quem eu deveria sentir pena ou culpa por machucar. Ainda assim... Pesquisei bastante, procurando algum registro do acidente que causei. Quando as buscas óbvias ficaram vazias, fui atrás de fóruns locais e quadros de mensagens na área. Grupos de mídia social da comunidade, tipo observadores de bairro. Eu até encontrei uma página de serviços de emergência apenas para Las Vegas e arredores. Mesmo assim... nada. Esses caras estão mais ligados do que pensávamos. Eles tinham que estar, e era por isso que ir para Nellis parecia tão perigoso. Ou as pessoas que estavam verificando o SUV na frota da base sabiam como evitar deixar um rastro, ou eram de uma posição tão alta na hierarquia que um rastro não importava. E eu não tinha certeza de qual opção era pior. Desliguei o computador no meio da tarde e comecei a preparar o jantar cedo. Cozinhar era outra tarefa que eu poderia usar para passar o tempo, só que o sol se pôs, o dia acabou, a comida esfriava no fogão… … e ainda não havia sinal de nenhum deles. Foda-se. Peguei o telefone e estava pronta para começar a digitar os números quando vi um flash de faróis do lado de fora. Eles viraram na minha direção, vindo para o nosso quarteirão vazio. Graças a Deus. Um alívio percorreu todo o meu corpo. Felicidade mesmo. Foi um pouco louco, o quanto eu estava ansiosa para vê-los no final do dia. Meus rapazes. Meus SEALs. Meus amores. Desativei o alarme e abri a porta... mas a entrada estava vazia. A rua também. Tudo estava escuro. Saindo para a varanda para dar uma olhada melhor, uma sensação de frio tomou conta de mim. Luzes de alerta piscaram em meu cérebro. Dallas... Ainda assim, não vi nada em todas as direções. A estrada estava silenciosa e vazia. Talvez alguém tenha feito um retorno errado. Dei meia volta… “Cadê você?” A voz era baixa e grave, trazida pelo vento. Eu não poderia dizer imediatamente de que direção estava vindo. Mas eu sabia de uma coisa. Não pertencia a nenhum dos meus rapazes. “Estou lhe dando uma chance,” disse a voz ameaçadoramente. “Venha aqui... ou eu pego você.” Um homem saiu das sombras. Ele era absurdamente alto, talvez uns dois metros, com cabelos totalmente brancos e um rosto que não parecia pertencer ao seu corpo. “Dallas, escute...” Virei para trás e fui correndo para a segurança da porta. Pelo canto do olho, vi o intruso dar um pulo para a frente. Ele se lançou na minha garganta... “DALLAS!” De alguma forma eu escapei. Girei em um círculo apertado, empurrando a porta para fechá-la. Jogando meu quadril com tanta força contra ela que uma pontada de dor percorreu meu corpo, mesmo quando eu alcancei a trava com minha mão oposta. Mas eu não ouvi o clique da fechadura se encaixando. Com horror crescente, percebi que a porta estava voltando. Havia um pé de bota preso nela. “Tudo o que eu quero é...” Sem pensar, pisei com força, esmagando os dedos do pé do intruso com o calcanhar. Houve um grito de dor, mas o pé não saiu da porta. Ficou exatamente onde estava, quando eu bati meu calcanhar ainda mais forte contra ele. “Vadia!” Empurrei novamente com meu quadril, e agora com meu ombro também. A porta se mexeu. Ela se deslocou milímetros em direção à posição fechada, mas ainda não fez diferença. Então ele empurrou de volta... e eu quase fui derrubada de bunda. Aguente firme! A voz da autopreservação gritou. Se você cair, já era! Rangendo os dentes, ampliei minha posição. Meus olhos vasculharam desesperadamente em torno de algo para empurrar através da abertura. Algo afiado. Algo comprido... Mas não havia nada... então eu pisei novamente. “PORRA!” Desta vez ouvi um estalo, ou melhor, senti. O pé saltou para trás. A porta se fechou. Meu coração estava aos pulos. Meus dedos me traíram três vezes tentando encontrar a trava... CLICK. Suspirei de alívio, caindo contra a porta. Ele chacoalhou com força do outro lado. Eu podia ouvir gritos, chutes... Então, de repente, tudo parou. As janelas! Elas eram baixas e largas, fáceis de quebrar. Se esse cara realmente quisesse entrar, não havia como mantê-lo de fora. Vá! Pegue sua arma! Corri de volta para a cozinha, abrindo a penúltima gaveta. Talheres voaram por toda parte, tilintando ruidosamente contra o piso de ladrilhos. Minha mão se estendeu, rastejando até o fundo… ... e tirei minha Glock. Encostei na geladeira, segurando a arma diante de mim com as duas mãos. Desbloqueei a trava de segurança. Deixei uma bala na agulha. O aço inoxidável estava frio contra a minha pele enquanto eu esperava. Um minuto se passou. Então dois minutos. Três. Eu me esforcei para ouvir até mesmo o menor som; o vidro se quebrando, o ranger de uma porta ou uma janela deslizando na sua moldura. Mas não ouvi nada. Nem vi ninguém. “DALLAS!” Uma voz veio da porta novamente. Estavam batendo. Agitando. A voz estava mais alta do que antes. “Dallas, ABRA!” Eu inclinei minha cabeça para o lado. “MADDOX?” “Sim! Sou eu!” A maçaneta da porta balançou violentamente. “Abra!” Voei de volta para a porta e abri o ferrolho. Maddox entrou na sala com um olhar selvagem em seus olhos, peito arfando, sem fôlego. “Você está bem?” Eu voei para seus braços, tomando cuidado para manter a arma apontada para longe da sua direção. Então comecei atremer. Chacoalhando toda, enquanto desabava nele. “Ei, ei...” ele disse, me apertando forte em seus grandes braços. “Está tudo bem. Estou com você.” Ele alisou meu cabelo com as mãos. “Estou com você…” Cautelosamente, ele pegou a arma e a desengatilhou antes de entregá-la de volta para mim. Pousou a mão em um dos meus ombros. “Era... era aquele cara,” desabafei rapidamente. “Ele veio do nada! E estava...” “Eu sei. Eu o vi.” Seus olhos fizeram uma varredura em nível de especialista em todas as direções. “Eu o persegui três quarteirões pelo menos, talvez mais. Ele se foi agora.” “Certo...” “Mais alguma coisa?” Balancei minha cabeça. “Não. Acho que não.” “Tudo bem,” ele disse, ainda olhando para todos os lugares ao mesmo tempo. “Pegue o que você precisar. Estamos indo. Agora.” “Indo para onde?” “Qualquer lugar, menos aqui,” ele respondeu, ficando bem ao meu lado. Capítulo 27 DALLAS Dez minutos e vários quilômetros depois, meu pulso ainda estava acelerado. A postura fria de Maddox, no entanto, estava me acalmando. “Quem era aquele cara?” “Um escoteiro.” “Um escoteiro?” Deve ter saído um pouco grosseiro, porque Maddox franziu a testa. “Ele estava procurando você, Dallas.” “Eu poderia dizer que ele me encontrou.” “Sim,” ele assentiu. “Ele encontrou você e ficou um pouco animado demais. O que é bom para nós.” “Bom para...” minha testa franziu. “Espere. Por que bom?” “Porque se ele tivesse esperado por reforços primeiro, nós dois estaríamos ferrados.” Meu herói nos levou adiante, serpenteando por um nexo de becos e ruas laterais para garantir que não fôssemos seguidos. Olhei entorpecida pela janela, observando enquanto passávamos pela pista em direção ao extremo da cidade. “Eles nos encontraram por causa da noite passada, não foi?” “Hum-rum.” “Então agora eles sabem onde moramos...” “Sim.” Eu ainda estava entorpecida, mas recuperei a compostura o suficiente para pegar meu telefone. Maddox notou imediatamente. “O que você está fazendo?” “Ligando para Kane e Austin,” respondi. “Obviamente temos que avisá-los. Se eles aparecerem...” “Kane e Austin não vão voltar para casa esta noite,” ele disse, aproximando sua mão da minha. “Além disso, depois desta noite, nós vamos precisar de telefones novos. Tudo novo.” Antes que eu soubesse o que estava acontecendo, ele pegou o telefone da minha mão e o jogou pela janela. Então ele balançou a cabeça desanimado. “Eu devia ter feito isso quilômetros atrás.” Era insano, viver dessa maneira. Eu sabia o que era não ter um lugar, uma casa, uma família. Mas nas últimas semanas, de alguma forma havia encontrado todas essas coisas novamente. “Então é isso?” perguntei com raiva. “Nós apenas abandonamos tudo? Nunca vamos voltar para...” “Eu não disse isso,” Maddox interrompeu. “Não vamos nos antecipar.” Ele olhou para mim por um momento, então apertou minha mão de forma tranquilizadora. “Confie em mim, Dallas, vamos resolver tudo isso. Mas esta noite? Nós ficamos quietos.” Meus ombros relaxaram, mas só um pouco. Se ele estava tentando me mostrar que havia uma luz no fim do túnel, parecia mais uma alfinetada. “Então o que ele disse para você?” Pensei. Passei todo o cenário aterrorizante pela minha cabeça novamente, tentando manter a calma. “Eu o ouvi falando. Na verdade, gritando.” “Eu esmaguei o pé dele,” eu disse. “Eu sei. Quase o alcancei por causa disso.” “Quase?” “Sim,” ele admitiu com vergonha. “O filho da puta tinha pernas de um metro e meio de comprimento. A cada dois passos que ele dava eram três meus.” Balancei a cabeça consoladoramente. “Deve ser muito fácil descobrir quem ele é,” salientei. “Não há muitas pessoas daquele tamanho.” “Bem pensado,” Maddox admitiu. “Então... o que ele disse?” “Ele... eu acho que ele estava procurando alguma coisa.” “Algo na casa?” Balancei minha cabeça. “Não. Por algum motivo eu acho que não.” “Então o quê?” Forcei um pouco a memória, mas era difícil. A cada quilômetro que passava, tudo ficava cada vez mais nebuloso. “Parecia ser algo que eu teria,” respondi mecanicamente. “Como se ele estivesse me interrogando. Como se eu soubesse onde isso estava.” Maddox agarrou o volante enquanto se virava novamente. Eu vi seus olhos, como sempre, irem para o espelho retrovisor. “Alguma ideia do que poderia ser?” “Não faço a mínima ideia.” “Pense, Dallas. É importante.” Eu ri, e a risada não foi exatamente boa. “Que porra eu poderia ter, Maddox?” zombei. “Eu vim até vocês praticamente nua naquela noite, com nada além das roupas que eu estava dormindo. Todo o resto da minha casa foi destruído pelo fogo.” A boca dele ficou apertada. Eu podia vê-lo se segurando. “Se há algo que esses caras estão procurando, não vai ser meu,” eu disse. “Talvez algo de Connor, com certeza. Mas agora todas as coisas dele se foram.” Andamos em silêncio por um tempo, o que provavelmente foi bom. Isso me deu uma chance de me acalmar. “Olha,” eu disse, me desculpando. “Eu não queria explodir assim.” “Está bem.” “Não, sério. Geralmente eu não sou assim. É só que... é que fiquei frustrada pra caralho.” Baixei a cabeça assim que Maddox passou um braço em volta de mim. Ele me puxou para o seu lado do veículo no banco. “Está tudo bem,” ele disse, me segurando perto dele. Houve um salto suave quando entramos em um estacionamento. “Vamos esquecer sobre essa noite. Chegamos.” Forcei meu queixo para cima. O hotel que ele escolheu era bom: alto, elegante e bonito. Eu nunca tinha ficado aqui, mas conhecia pessoas que tinham. Era muito caro. Maddox me notou boquiaberta e riu. “Não se anime,” ele disse. “Nós só vamos estacionar aqui.” Olhei para ele curiosamente. “Estacionar aqui?” “Isso,” ele disse. “Como uma distração.” Eu ainda estava confusa. “Por que precisaríamos de dist...” “Porque eles conhecem o carro,” ele disse simplesmente. “Não podemos correr o risco.” Suspirei, simulado uma frustração. Ou talvez fosse uma frustração real, eu mal podia dizer mais. “Tudo bem, então onde diabos vamos ficar?” Maddox estendeu a mão e eu a peguei. Ele sorriu maliciosamente. “Eu vi um pulgueiro a cerca de um quilômetro e meio naquela direção.” Capítulo 28 DALLAS Maddox estava certo: era um verdadeiro pulgueiro. Um quarto de merda em um pulgueiro, em uma estrada de merda, na pior parte de... “Toma, vá buscar gelo.” Ele me entregou um balde de plástico fino com uma rachadura em um dos lados. Eu ri na cara dele. “Tudo bem,” ele suspirou, pegando o balde de volta. “Eu vou pegar o gelo.” No momento em que ele saiu do quarto eu me joguei na cama. Estávamos em um daqueles motéis temáticos. O quarto que pegamos era um dos dois últimos que restavam: o ‘Refúgio havaiano’. Olhei para mim mesma no teto espelhado, então virei minha cabeça para ver o resto das instalações. As paredes foram revestidas com lindas cenas de praia e horizontes oceânicos. Ou pelo menos eram lindas... talvez vinte anos atrás. Agora estavam desbotadas pela ação do tempo e descascando nas bordas. Refúgio havaiano, eu ri para mim mesma. Puta merda. Havia um Tiki bar malfeito em uma extremidade da sala. Uma palmeira falsa no canto mais distante. Era tão artificial e de aparência surrada que eu não sabia se ria alto ou torcia o nariz para toda a poeira. Ei. Pelo menos você está a salvo aqui. Disso eu tinha quase certeza. O quarto havaiano do motel Fantasy Eighteen era provavelmente o último lugar na Terra que alguém esperaria nos encontrar, inclusive nós mesmos. Se os bandidos pudessem de alguma forma nos rastrear até aqui, eles mereciam nos pegar. “A máquina de gelo está quebrada,” Maddox anunciou, voltando a entrar. Ele fechou a porta e acionou a trava. “As coisas da máquina de venda automática estão frias, pelo menos.” Ele ergueu um par de garrafas de água e meia dúzia de saquinhos de pretzels e batatas fritas. Era isso ou nada. “Obrigada.” Dividimos o que tínhamos. Enchemos nossas barrigas. Dez minutos depois estávamos deitados de costas, olhando para nós mesmos no teto espelhado. Nós nos olhamos… e ambos começamos a rir ao mesmotempo. “Nós estamos realmente fodidos, não estamos?” perguntei afinal. “Parece que sim, estamos.” Dei um suspiro, grata pela honestidade. “Bem, pelo menos estamos no paraíso.” Foi uma quebra no stress. Uma mudança de humor. Entre isso e a caminhada de quinze minutos que acabamos de suportar, eu estava me sentindo um pouco melhor novamente. “Este é de longe o melhor quarto ‘Refúgio havaiano’ em que já estive,” brincou Maddox. Ele tossiu. “E o mais limpo também.” Eu me virei para ele e ri. “Bem, você ainda não viu a roupa de cama.” “Hã?” Balancei a cabeça. “Até as manchas têm manchas.” Ele riu novamente. “Isso é nojento pra caralho.” “Então por que você está rindo?” Ele continuou, incapaz de se controlar. Eu o observei rir até que as lágrimas se formassem nos cantos de seus olhos. “Merda, nem eu sei.” A risada dele era contagiante, e logo estávamos os dois rindo juntos como adolescentes. De certa forma, foi catártico. Uma liberação de emoções e adrenalina, no final de um dia muito longo, muito estranho. Ele estava fazendo isso para me animar. Para me fazer sentir segura novamente, apesar da merda horrível que eu tinha acabado de passar. E estava funcionando. Por fim, Maddox se apoiou em um cotovelo. O riso morreu, e ele olhou para mim com seriedade sombria do seu lado da cama. “Olhe, Dallas. Eu quero que você saiba que eu sinto muito.” Meu Deus, ele era tão lindo! Especialmente assim. Eu não conseguia parar de olhar para aquelas maçãs do rosto salientes. Essa quantidade perfeita de barba por fazer. A curva do seu queixo... “Sinto muito pelo quê?” “Por você ter que passar por tudo isso,” ele respondeu. Lentamente, balançou a cabeça. “Eu não consigo nem imaginar como deve ser para você, perder tudo. Sua casa, suas coisas...” Ele mordeu o lábio antes de continuar. “Seu irmão...” Eu podia ver a profundidade da compaixão em seus olhos. Empatia legítima, não pena. Mas havia uma dor implícita ali também. Uma dor que eu conhecia muito bem. “Você passou um pouco por isso,” eu disse consoladoramente. “Você também perdeu Connor. Vocês todos perderam.” Eu me aconcheguei nele. Tudo fora do escopo do nosso pequeno quarto de hotel ficou de repente irrelevante. Tudo além do silêncio parecia muito distante. “Sim, mas eu sempre tive Austin e Kane. Eu tinha alguém para compartilhar essas memórias dele, para mantê-las vivas. Mas você...” Ele parou, seu olhar encontrando o meu. “Você tinha apenas a si mesma,” ele continuou. “Nem mesmo seus pais...” Eu vi seus olhos ficarem vidrados. Ele estava engasgando de verdade! Caramba, era a coisa mais meiga em todo o mundo. “Eu quero que você saiba que você tem a nós agora,” ele disse. “Você já nos tinha, mas não sabia disso, e agora... bem, agora...” Estendi a mão para tocar seu rosto duro, mas terno. A essa altura, eu o consolava tanto quanto ele a mim. “Eu sei.” Ele se moveu para frente e plantou seus lábios sobre os meus, derretendo o resto do mundo. Maddox me beijou lenta e profundamente, enviando raios de excitação através de mim que revigoraram meu corpo cansado. Caramba... Nada havia sido como isso há muito tempo – talvez nunca, na verdade. Não uma conexão como essa. Não alguém que eu deixaria chegar tão perto do meu coração... alguém com quem eu ficava bem em me abrir de mente, corpo e alma. Muito menos três alguéns. Suspirei quando minha cabeça bateu no travesseiro. Em um instante, Maddox estava em cima de mim, me beijando mais forte enquanto minhas mãos vasculhavam vastos campos de cabelos loiros macios. Sua boca separou a minha, conduzindo sua língua para dentro com beijos profundos e cheios de sentimento que me fizeram suspirar por mais. Você nos tem agora. As palavras eram incríveis, embora eu não ousasse acreditar totalmente nelas. E, no entanto, até agora, esses homens me protegeram. Eles dedicaram o último ano de suas vidas a cuidar de mim, por nada mais do que a promessa a um irmão falecido, e já salvaram minha vida em mais de uma ocasião. E eles eram firmes. Tão próximos e unidos como quaisquer três homens jamais poderiam ser. Na vida, na guerra... ... no quarto... Eu ainda estava gemendo na boca de Maddox, minha mente girando vertiginosamente em um esquecimento feliz enquanto eu acariciava suas costas. Nossos olhos se encontraram e, após um momento compartilhado de compreensão, nossas mãos se moveram rapidamente para nossos próprios corpos. Roupas voavam por toda parte, em um turbilhão de atividade frenética. Elas se espalharam pela cama. Pelo chão... Então eu estava em cima dele, montando suas coxas quentes e musculosas. “Você está realmente bem com isso?” perguntei, meus lábios roçando os dele. Eu podia sentir seu pau pulsando entre minhas pernas. Esbarrando na minha entrada... “Bem com o quê?” “Me dividir,” eu disse sem fôlego. “Com os outros.” Meu cabelo caiu em ambos os lados de nós dois, nos prendendo. Ele balançou suavemente quando Maddox empurrou para cima, provocando um suspiro estrangulado quando ele perfurou meu núcleo. Ahhhhhhh... “Sim,” disse Maddox, enquanto se enterrava totalmente dentro de mim. “Plena e completamente.” Eu gemi alto quando suas mãos foram para meus seios, me empurrando para trás para suportar o peso do meu corpo. Isso o levou até o fundo, me derrubando enquanto minhas mãos foram para seu peito magnífico. “Compartilhar é o que fazemos melhor,” disse ele suavemente. “E ter você conosco abriu todas as novas portas a esse respeito.” Em algum lugar dentro de mim seu pau pulsava e se contorcia... como se ele já fosse gozar. Eu podia sentir o quão absurdamente duro ele estava. Quão incrivelmente, lindamente duro. “Nós queremos você, Dallas,” ele disse, me balançando suavemente. “Todos nós. Cada parte de nós.” Suas mãos deslizaram pelo meu corpo, se arrastando deliciosamente sobre meus mamilos antes de pousar em meus quadris nus. De lá, ele me guiou para cima e para baixo, assumindo com seus dois braços impossivelmente fortes. “Cada parte de você.” Eu gritei quando ele empurrou com força no final da declaração, me esticando por dentro. Ele puxou meus quadris para maximizar a penetração, simultaneamente enfiando o resto de seu corpo em mim. Deus... “Nós vamos proteger você, Dallas,” ele sussurrou com voz rouca. “Nós três.” “Ele estava tão profundo! Tão dolorosamente, maravilhosamente no fundo da minha barriga. Sem fôlego, eu podia senti-lo latejando. Pulsando. Se contraindo... “E você nunca terá que ficar sozinha...” Capítulo 29 MADDOX Fodê-la com os outros tinha sido nada menos que incrível. Vê- la se contorcer embaixo de nós. Observando sua expressão de êxtase enquanto a pegávamos juntos, nós três, fazendo amor com seu corpo de todos os lados, todos os ângulos. Mas possui-la sozinho... Puta merda. Bem, era prazeroso também. Era tudo que eu podia fazer para me segurar, observar Dallas deslizar ritmicamente para cima e para baixo no meu pau duro. Seu corpo estava quente e maravilhoso, seus seios saltando firme e hipnoticamente com cada estocada para cima. Isso me fez querer consumar imediatamente nossa união explodindo gloriosamente dentro dela. Eu queria enchê-la... para então ver o restante dos meus fluidos escorrendo pelos lados de sua linda boceta rosa. Eu podia imaginar em minha mente: o êxtase doce e ofuscante do meu orgasmo inevitável. Meu grito de vitória que sacudiria as paredes do nosso pequeno quarto de motel de merda. No entanto, por mais incrível que fosse, seria ainda mais prazeroso esperar. Melhor fazer com que ela goze primeiro, antes de eu gozar naquela que vinha a ser a amante mais apertada e molhada que eu já tive o prazer de desfrutar. “Devagar...” Eu grunhi as palavras mais do que as disse. Dallas apenas sorriu, então deslocou seu peso para que ela pudesse alcançar e acariciar minhas bolas. Jesus Cristo! Foi um lento e árduo tormento. Observando seu lindo cabelo, caindo em cascata ao redor de seu magnífico rosto. A sensação de suas unhas, passando levemente sobre minha pele mais sensível. Continuei com minhas estocadas, entrandocada vez mais fundo nos recantos quentes e úmidos de seu corpo feminino e flexível... Então ela fechou a mão, dando um aperto suave em minhas bolas. “Deixa vir,” ela piscou. Minha expressão de espanto foi recebida por outro sorriso, ou mais precisamente, um sorriso malicioso. Eu estava a segundos de inundá-la. Milésimos de segundos... Não. Não ainda. Eu a tirei de mim bruscamente como um ogro, então a empurrei de volta contra a cama. Um momento depois eu tinha seus tornozelos em minhas mãos, suas pernas abertas em um ‘V’. Entrei nela com um grunhido, empurrando e estocando em ângulos onde eu sabia que teria todo o controle. Onde eu poderia fodê-la convenientemente, e vê-la desfrutar disso. Ou todos nós a temos ou nenhum de nós a tem. Não há meio- termo. Minhas próprias palavras, como eu disse aos outros. Depois do que aconteceu naquela primeira noite, nossa pequena reunião improvisada foi necessária. Todos concordamos que o que aconteceu foi espontâneo e livre de culpa. Totalmente não planejado. E sim, talvez até um pouco desastroso. Especialmente quando incluíamos Connor na equação. Quero dizer... merda, afinal de contas... “Foda-me...” Dallas gemeu, me puxando ainda mais para dentro dela. Suas unhas estavam cravando na minha bunda agora, e eu não me importei nem um pouco. “Vá mais forte, meu bem. Por favor...” Eu peguei o ritmo, coincidindo com ela estocada por estocada até que sua cabeça pendeu para trás com um suspiro. Com os olhos fechados e os lábios carnudos entreabertos, ela parecia uma deusa. Ela tinha as características perfeitas de uma estátua grega que ganhou vida; uma escultura de pedra com carne rosada. Todos nós precisamos estar bem com isso. Cada um de nós. Minhas palavras novamente, austeras e imponentes. Embora eu estivesse falando principalmente comigo mesmo. Todos nós ou nenhum de nós. Kane concordou imediatamente, com um grunhido e um aceno de cabeça. Ele a desejava por tanto tempo que não havia como ele recuar. Austin estava um pouco mais relutante, mas só porque ainda estava chocado com o que aconteceu. Uma vez que conversamos… discutimos as regras e as razões por trás delas… É mais natural do que parece, a voz interior na minha cabeça me assegurou. Para vocês três, de qualquer maneira. Nada mais do que uma extensão de milhares de outras coisas que vocês compartilharam juntos como soldados. Como irmãos de armas… Sim, isso pode ser verdade. Mas era uma pessoa. Uma pessoa com emoções, uma pessoa com sentimentos. Nós vamos apenas até onde ela estiver confortável, e nem um centímetro além, eu me lembrei de dizer. Inferno, ela poderia acabar com isso imediatamente. Ela poderia fingir que nunca aconteceu. Era um risco com certeza. Um desfecho óbvio. Se Dallas quisesse isso, ela teria – sem ressentimentos, sem perguntas. E se ela quiser isso, temos que respeitar. Acaba imediatamente... para nós três. Quatro na verdade, mas quem estava contando? A parte importante era deixar Dallas confortável. Atribuindo nosso pequeno ato lascivo a apenas isso: uma só noite de devassidão única. Uma curiosidade cumprida. Talvez até uma fantasia satisfeita. Só que que ela gostou. Enfrentou e abraçou, mesmo. E ela queria fazer isso novamente. “MmmmMMmMMMMM!” Eu olhei de volta para os olhos dela, no último momento de seu clímax. As pernas de Dallas tremeram violentamente. Suas costas arquearam, sua boca se abriu, e de repente ela gozou. Incrível pra caralho. Era, de verdade. Ela era tão apertada, tão linda de tirar o fôlego, que não pude deixar de gozar ao mesmo tempo. Sua boceta se contraiu ao meu redor, me apertando forte enquanto eu dava uma última estocada. Então eu gozei também – esguichando e jorrando, pintando-a de dentro para fora com jato após jato do meu sêmen quente que escorria. Quatro ondas... cinco... seis... Cada batida era puro êxtase branco. Cada pulsação enviava uma nova onda de prazer, deixando meu cérebro cheio de endorfinas. Eu gritei, então comecei a mergulhar dentro e fora dela novamente. Continuei transando com ela... beijando-a... esmagando-a sob meu peito duro enquanto abria tanto suas pernas que pensei que ela poderia se dividir em duas. Mas não. Dallas Winters aproveitou tudo que eu dei a ela, gritando e gemendo e me agarrando de volta. Ela não parou de foder nem por um único segundo, me apertando contra seu corpo até que cada última gota de mim tivesse sido drenada dentro dela. Cristo, eu quero isso. Eu já sabia disso naquela época, na primeira vez que estivemos juntos. Inferno, de alguma forma, eu sabia disso mesmo antes. É melhor que os outros estejam na mesma sintonia, pensei comigo mesmo seriamente. Porque... bem, porque... “Puta merda...” Dallas engasgou enquanto desabamos juntos. Nossos corpos permaneceram maravilhosamente emaranhados. O quarto inteiro cheirava a sexo. “Isso... isso foi...” “Transformador?” Uma risada bonitinha escapou de sua linda garganta. Ela assentiu. “Eu ia dizer uma experiência religiosa.” Eu sorri e a beijei novamente. “Quase isso.” Capítulo 30 DALLAS Ele me pegou novamente no meio da noite, me virando de costas. Me fodendo na semiescuridão, sob a luz cor-de-rosa do letreiro de neon do motel. Meio adormecida, ainda pingando do nosso ato de amor anterior, eu abri minhas pernas para ele. Maddox afundou em mim como um torpedo sexy, me perfurando em minhas calorosas e acolhedoras – mas ainda muito doloridas – profundezas. E eu adorei. Era tudo maravilhoso demais, ser usada assim. Ficar satisfeita assim. Em todos os anos de solidão, eu simplesmente não estava acostumada com a proximidade. A intimidade física de dormir nua com alguém; a proximidade de um namorado caloroso, ou amante, ou o que diabos ele fosse. No momento, eu estava em êxtase demais para me importar. Eu estava olhando sonhadoramente para o teto espelhado, apenas minha cabeça visível acima de seu ombro maciço. Assisti aos músculos de suas costas largas torcendo em uníssono enquanto ele me fodia na cama. Permaneci irremediavelmente capturada por cada movimento de sua bunda perfeita, redondinha, enquanto ia e vinha, enfiando-se entre minhas coxas estendidas. Eles queriam me compartilhar. Todos os três. Era como um sonho. Um sonho muito molhado, muito obsceno, muito proibido. E ainda assim... Você poderia realmente fazer isso? Inferno, eu estava fazendo. A única questão que restava era se eu poderia ou não fazer isso dar certo. Ou melhor, se poderíamos ou não fazer dar certo: meus três SEALs sensuais e eu. Mas você poderia realmente manter todos os três satisfeitos? Nesse quesito eu nem precisava pensar, disso eu tinha certeza. Mas com certeza seria prazeroso tentar fazer com que desse certo. Eles se preocupam com você, Dallas. Eles se preocupam de verdade. Disso eu tinha absoluta certeza. E melhor ainda, eles se importavam comigo de uma maneira que ninguém realmente se importou antes. Não os namorados anteriores. Não os amigos com benefícios. Nem mesmo Mark, o vizinho fofo e engraçado, que vinha jantar uma vez por mês no ano passado e que não costumava sair antes de acabar nu na minha cama. Mark, que se mudou quando lhe ofereceram um emprego melhor em uma cidade mais legal. Que foi arrebatado além do meu controle... como todos na minha vida. Sim, mas esses caras ainda estão aqui, Dallas. Era como se a voz na minha cabeça quisesse me atormentar. Ou, pelo menos, alimentava minhas falsas esperanças. E eles estavam aqui para você, mesmo quando você não sabia. O sol nasceu, e eu me peguei olhando para Maddox por um longo tempo. Passei uma boa meia hora apenas observando sua respiração lenta e rítmica. Gravando cada linha e curva de seus ombros largos, os braços tensos e musculosos erguidos acima de sua cabeça enquanto ele estava deitado de bruços no travesseiro. Você poderia ser feliz com eles? Era uma fantasia pensar que eu podia. Ou melhor, que eles pudessem ser felizes comigo. Todos os três. Dividindo a mesma namorada. Eu ri do falso pôr do sol havaiano. Eu era uma namorada muito foda, isso era certo. Apenas...talvez não tão foda. “Bom dia,” Maddox disse de repente, seus olhos ainda fechados. Ele virou de lado, então se espreguiçou e sorriu. “Como foi seu sono?” “Interrompido,” sorri de volta para ele. “Ah sim,” ele disse. “O ronco.” “Entre outras coisas, sim.” Ele sentou-se rápida e facilmente, os músculos de seu estômago curvando-se em ondas deliciosas. Deus, eu queria enfiar minha cabeça no seu colo. Olhar para esses músculos de perto, estudando-os com atenção antes de estender a mão para... “Você fez café?” Virei minha cabeça em direção ao Tiki bar e zombei. “Naquela geringonça?” Maddox grunhiu. “É uma cafeteira, não é?” “Não pelo meu conceito.” Meu amante soltou um longo chiado de insatisfação. Então ele se levantou, pegou sua cueca e começou a vesti-la. “Que pena,” eu disse, tirando a tampa de uma garrafa de água morna. “O quê?” “Você cobrindo essa bunda.” Ele parou com os polegares ainda na cintura. “Quer que eu pare?” Eu considerei isso por um momento. mas a dor agradável entre minhas pernas falou por mim. “Não agora,” eu disse. “Porém, mais tarde, com certeza.” Ele assentiu e continuou se vestindo, virando para um lado e para o outro para vestir o resto de suas roupas. Caramba, não consegui encontrar um grama de gordura em todo o seu corpo. “Eles têm um quarto do Imperador aqui ou algo assim?” ele perguntou casualmente. “Nós poderíamos representar César e Cleóp...” TOC. TOC TOC TOC. Eu despertei imediatamente. Olhando para a porta, passei de um estado meio sonolento para um totalmente alerta. “Relaxe,” Maddox disse. “É apenas Austin.” Uma onda de alívio passou por mim, então outra de confusão. Eu não o tinha visto fazer nenhuma ligação ou checar suas mensagens de texto. Inferno, ele nem tinha pegado o telefone. “Acredite em mim.” Levantei-me e abri a porta. Austin entrou, seguido por Kane. Os dois me deram um breve abraço, então olharam ao redor do quarto desarrumado. “Havaí?” “Sim,” resmungou Maddox, enquanto amarrava as botas. “Era isso ou a ‘Suíte Nupcial’.” “Suíte Nupcial?” eu ri. “Você quer dizer que poderíamos ter...” “Sim.” “Caramba,” dei outra risadinha, pegando minhas roupas. “Na próxima vez nós vamos votar!” Eu me levantei, deixando os lençóis caírem do meu corpo seminu. Podia sentir o peso dos olhos deles sobre mim. Curiosamente, não parecia nada estranho. “Não vai ter uma próxima vez,” disse Kane, sua voz soando distraída. “Ah não?” “Não,” Kane disparou de volta. “Eles nos fizeram fugir por muito tempo agora. Foram nos fodendo a cada passo; na sua casa, na nossa casa…” Eu me contorci em minha calça, sem sentir vergonha. Na verdade, foi meio divertido. “Mas deste ponto em diante,” Kane continuou, “depois do que descobrimos ontem à noite?” Seu olhar era sério, mas com um traço de um sorriso. “Nós vamos fodê-los.” Capítulo 31 DALLAS “Bem aqui. Isso é o mais próximo que podemos chegar.” O caminhão parou silenciosamente, a três quartos de um quarteirão da casa em questão. Parecia com todas as outras casas do bairro. Nem maior, nem menor. Inclinei-me para frente do meu lugar no banco de trás, me esforçando para ver. “Então, o que estamos olhando?” “Aquela casa pertence a Evan Miller,” disse Austin. “E quem é esse?” “Lembra do jipe que você tirou da estrada duas noites atrás?” perguntou Maddox. “Você quer dizer eliminei? Sim.” “Bem, estava registrado no nome dele.” Fiquei olhando em silêncio, por cima do grande ombro de Kane. A casa estava escura, a calçada vazia. Eram apenas nove horas, muito cedo para dormir. “Então onde ele está?” “Provavelmente em um necrotério,” Kane resmungou. O pensamento era um pouco mórbido, até mesmo para mim. “Talvez um hospital,” Austin sugeriu, “mas, baseado em nossas investigações, teria que estar em algum lugar fora do radar.” “Há também uma terceira possibilidade,” disse Maddox. “E qual é?” “Ele deixou a cidade.” Maddox me cutucou com a perna, de onde ele estava sentado ao meu lado. “Dallas, pense bem. Evan Miller.” Seus olhos estavam pregados nos meus. “Você conhece o nome?” Balancei minha cabeça devagar, pensando. Minha memória estava totalmente em branco. “Talvez Connor o tenha mencionado? Falado sobre ele de passagem?” “Não que eu consiga me lembrar. Sinto muito.” Os dois homens no banco da frente olharam um para o outro. Eu poderia dizer que eles estavam escondendo algo. “Vamos lá,” eu disse. “Desembuchem.” “O quê?” “Vocês sabem de algo. Algo que não estão me dizendo.” Era quase enfurecedor que eles escondessem qualquer coisa de mim. Que mesmo agora, depois de tudo que passamos – depois de tudo que eu passei – eles pudessem tentar me deixar no escuro sobre alguma coisa. “Miller é um SEAL da Marinha, como nós,” disse Maddox. “Operações especiais. Coisa realmente secreta.” “E daí?” “E daí que ele pode estar envolvido em coisas que não saberíamos. Apenas Connor talvez soubesse.” Ele parecia desconfortável. “Porque...” “Porque ele e Connor ficaram alojados juntos,” Kane disse friamente. “Quando eles estavam baseados em Nova Orleans.” Minha garganta apertou um pouco. A ideia de Connor ser traído por um amigo... ainda mais por um colega soldado? Simplesmente não era algo que já houvesse passado pela minha cabeça. “Você se lembra quando Connor estava em Nova Orleans?” “Sim,” eu disse entorpecida. Austin coçou o queixo. “Era uma missão desconhecida, alguns anos atrás. Ele ficou lá seis meses, eu acho.” “Oito,” eu o corrigi. “Foi uma das poucas vezes em que ele ficou separado de nós,” acrescentou Kane. “Talvez a única vez.” “Eu... eu não sei o que ele estava fazendo lá,” eu disse. “Se você está me perguntando qual era sua missão, ele nunca me disse.” Fiz uma pausa. “E eu realmente nunca perguntei.” Aprendi a não perguntar, na verdade. A única vez que Connor me contou uma história de operações, fiquei assustada com as coisas que ele fazia. Não com medo das pessoas que ele machucou ou matou; presumi que eram todos inimigos, e o inimigo naturalmente merecia. Não. Em vez disso, eu estava com medo do perigo que ele corria. Isso me deixou louca de preocupação, sabendo o quão perto eu estava de perdê-lo. Saber que meu irmão estava a uma bala ou uma granada ou um movimento terrível de ser tirado de mim para sempre, como todo mundo. Como SEAL da Marinha, sempre estive ciente da possibilidade de ele se machucar. Mas essa era uma realidade dura e detalhada… Aquilo me manteve acordada por noites a fio, aquela única história. E mesmo que ele tenha saído vitorioso, eu pedi a ele para não me contar coisas assim novamente. Fiel à sua palavra, ele não falou. E agora isso vai se voltar contra mim. “PORRA.” A mão de Maddox se fechou sobre a minha. “O quê?” “Eu não sei!” exclamei. “Merda, eu não sei nada sobre o que ele fez, ou para onde ele foi, ou o que diabos aconteceu com ele!” Eu estava ficando com raiva agora. Podia sentir um ressentimento familiar brotando daquele lugar vazio dentro de mim. Um ressentimento que eu não sentia desde a morte de Connor. “Eu sou inútil,” resmunguei. “Ele nunca me disse nada. Nunca me disse...” Eu parei congelada, no meio da frase. Minha cabeça inclinou para um lado. “O quê?” perguntou Austin. “O que foi?” “Eu... acho que me lembro...” Maddox abriu a boca para falar, mas o olhar de Kane o deteve. Ele permaneceu em silêncio, enquanto eu vasculhava a grande gaveta bagunçada do meu cérebro. “Connor trocou de apartamento duas vezes,” eu disse, “enquanto ele estava baseado lá. Ele disse que era porque estava acompanhando seu colega de quarto.” Austin apertou os olhos. “Acompanhando?” “Sim.” “Foi essa a palavra que ele usou?” “Eu... acho que sim. Lembro-me de ter achado estranho na época. Mas apenas assumi que ele conheceu um cara com quem tenha se dado bem. Alguém que ele tenha gostado o suficiente para trocar de apartamento,” dei de ombros. “Talvez para pegar um lugar maior, ou eles tiveram um problema com o proprietário, ou...” “Sim, mas duas vezes?” perguntou Maddox. “Então ele se mudou para três lugares em oito meses?” Eu ainda estava assentindo, aindalembrando. Os rapazes estavam se comunicando silenciosamente, do jeito que soldados que passavam muito tempo uns com os outros costumavam fazer. Por olhares. Por expressões. “Eu não me lembro de ele ter mencionado alguma vez o nome desse cara,” eu disse. “Mas Connor falou sobre o seu colega de quarto algumas vezes. Ele disse que estavam na mesma missão. Eles tinham permissão para morar fora da base, mas passavam muito tempo fazendo o mesmo tipo de coisa.” “O Connor estava atrás dele,” disse Kane. “O quê?” “Esse cara, Miller. Seu irmão não estava apenas nisso só de onda, ele estava acompanhando esse cara para ficar de olho nele.” Olhei para além dele, fazendo uma careta para a casa novamente. A raiva se esvaiu com a lembrança, mas o ressentimento ainda estava lá. ‘Você acha que esse cara... é a razão...” apertei minha mandíbula. Engoli o nó crescente na minha garganta. “De Connor estar morto?” Ninguém disse uma palavra. Finalmente, Austin assentiu. “Uma delas, sim.” Era tudo o que eu precisava. Abri a porta do carro e saí. “Então vamos foder o mundo dele.” Capítulo 32 DALLAS Eu estava a meio caminho da casa quando eles finalmente me alcançaram. Senti uma mão no meu pulso e outra no meu ombro. Fiquei surpresa com a facilidade com que me desvencilhei. “Dallas!” Foi um chiado e um grito ao mesmo tempo. Um comando dado com severidade enquanto tentava ficar em silêncio. “Não podemos apenas...” “Não podemos apenas o quê?” Gritei, girando ao redor. Todos os três pularam um pouco para trás, surpresos. Foi estranhamente satisfatório. “Se esse cara souber que estamos atrás dele, as coisas ficarão ainda mais difíceis,” implorou Austin. “E se...” “Ela está certa.” Todos se viraram para Kane, inclusive eu. “Ou esse cara está morto,” disse Kane, “ou não está em casa. De qualquer forma, vamos descobrir alguma coisa.” “E se ele estiver em casa?” Austin perguntou. As mãos de Kane se fecharam em dois punhos gigantes. “Melhor ainda.” Meu coração se encheu de amor. Amor verdadeiro. Aquele que você sente quando está perto de alguém há tempo suficiente para saber que quer estar muito mais perto dele. “Tudo bem,” Maddox disse, examinando ao redor. “Vamos sair da porra da rua, pelo menos.” Eles se moveram novamente, desta vez passando por mim, desta vez com um propósito. E agora eles se moviam como soldados também. Percebi isso quando vi a maneira como eles se esgueiraram no beco. Deixando a porta da frente, fomos para o quintal. Depois de examinar cada centímetro da moldura de uma janela baixa, Maddox tirou sua jaqueta camuflada e começou a enrolá-la em uma mão. “Sem alarme,” disse ele, com antipatia óbvia. “Ou esse cara é estúpido ou superconfiante.” “Ou os dois,” Austin destacou. Um minuto depois, estávamos lá dentro, com as armas na mão, passando cuidadosamente por todos os vidros quebrados. A casa estava limpa e bem conservada. Não havia muitos móveis, ou desordem, ou realmente nada. “Os balcões estão limpos,” disse Maddox, varrendo a cozinha. “Sem correspondência. Sem nada.” Kane já estava no corredor, sua pistola erguida. Descemos, passamos por um banheiro e entramos em um escritório. A mesa estava limpa — as gavetas praticamente vazias. Não havia nem mesmo um computador. “Alguém já esteve aqui,” disse Austin. Ele se abaixou e segurou quatro ou cinco cabos. Um deles estava conectado a um monitor, virado com a tela para o chão. Ele tocou em outra coisa. Um modem sem fio. “Quarto,” disse Maddox, acenando com a cabeça. Meu coração estava batendo tão forte que eu podia senti-lo em meu pescoço. De certa forma, era emocionante estar aqui com eles. Vendo como eles trabalhavam. Observando seus movimentos e sinais de mão, a maneira como eles entravam em cada sala, abaixando e verificando os cantos. Eles eram incríveis. Era algo que eu tinha pensado várias vezes nas últimas semanas. E principalmente, nos últimos dias. Eles são homens incríveis... assim como Connor. Curiosamente, eu nunca tinha namorado um militar antes. Eu estive com vários, graças a Connor, mas imaginei que eles sempre me viam como fora dos limites. Ainda assim, esses caras eram diferentes. Eles não eram apenas pretendentes, eram protetores. Eles não apenas gostavam de mim ou me admiravam, eram dedicados a mim de uma maneira que nenhum outro cara poderia ser. Só por esse motivo, eu já os admirava. Sim..., mas você os ama? Eu os desejava, isso era certo. Seus corpos rígidos e esguios, desfilando seminus pelos corredores da casa que dividíamos. A maneira que eles me beijavam. Me tocavam. A maneira como eles me tratavam no quarto, me passando para lá e para cá entre eles... Mas e o amor, Dallas? Eu amava, é claro. Amava-os, é isso. Amava cada um deles da mesma forma que amava meu irmão, mas agora havia algo além disso também. Algo estranho e intangível, arranhando o fundo da minha mente. Algo que disparava alarmes e apitos de alerta..., mas que registrava outras emoções mais excitantes também. “O armário está limpo,” disse Maddox do seu lado do quarto. “Banheiro também,” disse Austin, entrando novamente. Kane estendeu um braço grande e levantou o colchão. Ele subiu facilmente, e seu sorriso instantâneo fez meu coração disparar. “Macacos me mordam!” Todos nós olhamos para baixo. Sobre a mola da caixa havia um laptop, todo elegante e escuro. “Filhos da puta desleixados,” resmungou Kane, pegando-o. Ele o entregou a Austin, então colocou o colchão de volta do jeito que estava. Maddox balançou a cabeça. “Não acredito que eles esqueceram disso.” “Eles?” perguntei. “Os outros caras envolvidos com Miller. Provavelmente os mesmos que perseguimos no beco.” Austin já estava virando o computador em suas mãos com luvas. Ele abriu e fechou, então assentiu com firmeza. “Estamos felizes?” Kane perguntou. “Porra, estamos em êxtase!” Austin sorriu. Capítulo 33 DALLAS Demorou apenas uma hora para Austin invadir o laptop desconhecido. Passamos mais três olhando por cima do ombro dele, observando enquanto ele vasculhava seu conteúdo, examinando arquivos e fotos e informações do histórico de pesquisa. No final, havia muito pouco para ligar Evan Miller a Connor. Muito menos a Marinha. “Infelizmente, é uma máquina relativamente nova,” suspirou Austin. “Poucos meses de uso.” “Então... nada?” “Não ainda, pelo menos.” Ele esfregou as têmporas. Já passava da meia-noite. “Além de alguns logins .gov, dos quais precisarei fazer engenharia reversa para descobrir a senha. Se eu entrar na base do sistema com as credenciais dele, posso te contar um monte de coisas sobre o que esse cara está fazendo. Mas quanto ao resto do que está aqui…” Ele clicou rapidamente mais algumas vezes, então parou de repente. Toda a expressão de Austin mudou. Seus olhos se estreitaram. “O que foi?” “Eu... ele raspou a garganta. “Pensei ter visto alguma coisa, mas não.” Ele começou a fechar o laptop. “Não é nad...” Minha mão disparou tão rápido que ele pulou em sua cadeira. Agarrei a máquina por uma borda arredondada, impedindo-o de fechá-la. “Mentira.” “Não, de verdade,” ele fingiu bocejar. “É só que...” Tentei abrir o laptop novamente. A outra mão de Austin me parou. “Deixa pra lá.” “Dallas, escute. Você precisa saber de algo...” Eu desloquei minha mão para frente. Os outros estavam subitamente em alerta novamente. “Eu disse DEIXE ESSA PORRA PRA LÁ.” Austin olhou para Kane pedindo ajuda, então para Maddox. Maddox parecia confuso. “O que diabos está havendo?” “Há um... arquivo aqui,” Austin disse desconfortavelmente. As sobrancelhas de Maddox se juntaram. “Que tipo de arquivo? É algo que poderíamos...” ele respirou fundo e parou. O que quer que fosse, ele de repente entendeu, e tentou mudar no meio da frase. “Ah sim. C...certo. Talvez fosse melhor se...” “Mostre a ela.” A voz de Kane era baixa e incisiva. Não deixava espaço para discussão. “Isso?” perguntou Austin. “Você acha que é uma boa ideia?” “Ela merece ver,” Kane disse com um encolher de ombros. Lentamente, seus olhos castanhos se voltaram para mim. “Masvai ser difícil,” acrescentou. “Difícil para você ver.” Uma sensação de afundamento tomou conta de todo o meu corpo. A sensação no meu estômago parecia que eu tinha engolido algo azedo. “O... o que é?” “É uma cópia da última coisa que seu irmão nos enviou,” disse Maddox gravemente. “Uma mensagem... do Connor.” Me senti débil. Fraca. Tonta. O braço que eu estava usando para manter o laptop aberto estava tremendo. “É... é ruim?” “Não é bom,” Austin admitiu. Soltei o computador e afundei na cadeira. Minha pele estava eriçada. Todos os pelos dos meus braços se arrepiaram. Uma mensagem. Do Connor. Tentei respirar, mas não consegui. Parecia que alguém estava sentado no meu peito. A última mensagem… Por um longo tempo, ninguém falou. “Ouça,” disse Kane, quebrando o silêncio. “Se você quiser, podemos contar para você o que está aí. Palavra por palavra, podemos contar o que foi dito.” “Dito?” Minha voz falhou. “Isso mesmo,” disse Maddox. Havia verdadeira compaixão nos olhos dele. “É uma mensagem de vídeo. E ela... bem...” ele engoliu em seco. “É melhor você ver.” Os outros estavam olhando para mim, como se estivessem tentando me fazer entender. Não estavam exatamente tentando me convencer a desistir. Mais como... me preparando. Connor... Pensei no meu irmão, corajoso e forte. Meu irmão, que enfrentou a morte várias vezes sem piscar. Que entregou a si mesmo à morte, sem hesitação, sem meio-termo. Que salvou a vida desses mesmos homens que agora estavam tentando me proteger. Meu irmão, o guerreiro, que não tinha medo de nada. “Tudo bem,” eu disse, inalando uma respiração longa e trêmula. Com as costas das minhas mãos, limpei todas as lágrimas que ameaçavam se acumular nos cantos dos meus olhos. “Mostre para mim.” Capítulo 34 DALLAS Eu não esperava que o vídeo começasse no escuro, mas começou. Essa parte foi chocante. Eu esperava ver Connor, e havia me preparado mentalmente para a imagem do rosto do meu irmão. O som de sua voz... Fique calma, Dallas. Eu tive que me forçar a parar de tremer. Para evitar que meu corpo estremecesse todo. Não é isso que Connor gostaria. Enquanto a câmera ajustava sua luz, pude distinguir uma pequena sala indefinida. Não havia detalhes, nenhuma marca distintiva. Poderia ser qualquer sala, em qualquer lugar. Mas pelas reações dos outros, eu sabia que não era bem assim. Esta seria a sala. Puta merda. A sala onde meu irmão morreu. Senti uma mão tranquilizadora em meu ombro. Os dedos de Maddox estavam quentes, sua pegada firme. Austin sentou-se ao meu lado. Kane estava encostado nele. Você tem certeza de que quer fazer isso? Afastei o pensamento. Olhei para a sala, para a tela. Quem configurou a câmera deve tê-lo feito fora do enquadramento. Eu podia ouvir barulho agora. O som de portas batendo. Vozes. Tiros. Engoli em seco quando Connor entrou na sala. Ele entrou se arrastando, movendo-se com a rápida urgência de quem está sendo perseguido, ou caçado, ou em um grande, grande problema. Ele correu direto para a câmera. Quase ao ponto em que parecia que ele iria agarrá-la e sacudi-la. Em vez disso, ele parou de repente, com as mãos nos joelhos, respirando fundo. Parecia sem fôlego. Estava coberto de sujeira, graxa, ou algo igualmente estranho... Connor! As lágrimas ameaçaram cair, mas eu as sufoquei. Concentrei- me em me sentar ereta, mantendo as costas retas, as pernas juntas. Qualquer coisa, menos as emoções que eu estava sentindo agora. “Escute...” Sua cabeça se ergueu quando ele começou a falar, ainda ofegante. De repente, ele estava olhando para mim com aqueles grandes olhos azuis. Meus olhos. “Eu não tenho muito tempo,” Connor disse. Sua voz era tensa e apressada. “Quando vocês acessarem isso…” ele engoliu em seco, “eu já terei ido. Portanto, não sejam estúpidos. Não pensem que qualquer um de vocês pode simplesmente sair correndo e salv...” BANG! A cabeça de Connor virou para a direita. Em algum lugar fora da tela, eu podia ouvir o som inconfundível de uma porta sendo batida... Batida por várias pessoas. “Se vocês me amam,” disse Connor rapidamente, “encontrem e protejam minha irmã.” Ele estava coberto de sangue. Eu podia ver isso agora. Poderia não ser necessariamente o sangue dele, mas era sangue do mesmo jeito. “Minha irmã tem...” As vozes estavam mais altas agora. Houve mais batidas, mais gritos. Alguém disparou uma pistola várias vezes, tornando o resto de sua frase ininteligível. “Encontrem e protejam Dallas,” Connor estava dizendo enfaticamente. “Não importa o que aconteça, vocês têm que encontrá-la!” Então ele pegou a câmera. Ele a agarrou e a sacudiu. “Vão até ela e mantenham-na segura...” BUM! A porta se abriu com a explosão. Uma chuva de poeira e detritos passou, voando pelo meu irmão ao fundo. Houve mais berros. Mais gritos... Cobri meu rosto com as mãos. “Eu...” Nesse ponto, algo entrou em cena – uma pessoa talvez, ou algo mais. Atingiu meu irmão com força suficiente para derrubar a câmera – e ele – direto no chão. CONNOR! Tudo girou vertiginosamente quando meu irmão desapareceu de vista. O barulho parou. A gritaria parou. A câmera estava virada para baixo, ou desligada, ou não funcionava mais. Então tudo ficou escuro. O símbolo de 'pausa' apareceu na tela, sinalizando o fim do vídeo. Foi realmente misericordioso. Eu estava a apenas alguns segundos de começar a chorar. Austin estendeu a mão e fechou a janela de visualização. Ele pegou o laptop de volta e o fechou, e desta vez eu não o impedi. “Eu sinto muito, Dallas.” Maddox me apertou suavemente. Ele abaixou o rosto para dar um beijo na minha bochecha... imediatamente eu me joguei no abraço combinado de todos os três. Lágrimas fluíram agora, e não apenas de mim. Eu podia vê-las riscando o rosto de Austin. De Maddox. Até os olhos de Kane ficaram vidrados. Foi inesperadamente reconfortante. Compartilhar minha dor com as únicas outras pessoas na Terra que diziam respeito a isso. “Todos nós sentimos muito.” Capítulo 35 KANE Eu estava em algum lugar quente e úmido, cercado de calor e conforto. Flutuando. Girando. Feliz. Não havia estresse, nenhuma preocupação. Essas coisas eram de alguma forma estranhas para mim, embora eu soubesse que deveria senti-las. De alguma forma, eles simplesmente se dissolveram, na esteira da complacência e gratificação. Eu estava além de todo relaxamento. Total e absolutamente livre. E foi aí que eu soube que estava em um sonho. Acordei devagar, consciente do movimento. Consciente do calor e do contentamento. Consciente da boca quente, movendo-se lentamente para cima e para baixo, entre minhas pernas... Ah... porra... Estiquei meu pescoço para olhar para baixo, e lá estava ela. Dallas estava me chupando, da ponta à base, com sua boca molhada, seus lábios apertados e seu lindo cabelo loiro, roçando meu estômago. Bom dia para MIM. Por um tempo eu apenas a observei, totalmente paralisado. Apreciando o calor de sua boca talentosa. A sensação de sua língua quente deslizando contra a parte inferior do meu pau totalmente ereto. Eu me mexi, e ela olhou para mim. Eu a vi sorrir maliciosamente. Então ela abaixou a boca e voltou para o que estava fazendo. Bem, isso é novidade. Eu deixei minhas mãos irem para sua cabeça, meus dedos vasculhando seu cabelo sedoso. Eu não a guiei, mas sim segui seus movimentos. Permaneci contente em deixá-la ir em seu próprio ritmo, lentamente me deixando louco com cada empurrão e puxão febril. Caramba. Qualquer um definitivamente poderia ficar viciado nisso. Eu poderia, com certeza. Só que não era apenas eu. Havia três de nós, e apenas uma dela. E ainda assim... E ainda assim você adora. Você ainda está bem com isso, não está? Na verdade, eu estava. E não só eu estava bem com isso, mas eu ficaria totalmente desapontado se de alguma forma chegasse ao fim. Se, por algum motivo, todos nós decidíssemos parar de fazer o que estávamos fazendo. Ou se Dallas... Se Dallas decidisse que isso não era para ela. Quero dizer ‘que merda’, certo? Era loucura. Quem realmentefaz algo assim? Três homens apaixonados pela mesma mulher? Cada um deles disposto a compartilhá-la com os outros, sem sentir inveja ou ciúme ou qualquer outra das emoções mais básicas que poderiam destruir um arranjo tão delicado? Mas então havia essa outra parte de mim. A parte me dizendo que não era tão louco. Que para nós – Maddox, Austin e eu – as regras eram de alguma forma diferentes. Que por causa de nosso treinamento, nossas experiências, nossa longa história de viver e trabalhar e sobreviver juntos através de algumas das merdas mais infernais imagináveis, conseguir um relacionamento como esse seria realmente fácil. “Mmmmmm...” Dallas gemeu, sua boca vibrando comigo enterrado profundamente em sua garganta. Olhei para ela novamente e ela piscou. Deus! Tudo bem, talvez ‘fácil’ não fosse a palavra. Aceitável. Era melhor. Talvez até provável. Inferno, nós compartilhamos todo o resto. Nós até escolhemos viver juntos depois do nosso serviço militar, quando poderíamos facilmente seguir nossos caminhos separados. Apenas nós éramos melhores como uma unidade. Melhor em equipe. Na Marinha, no mundo civil… E agora, aparentemente, em um relacionamento também. É isso que é isso? Um relacionamento? Bem, certamente era algo. E eu estava disposto a levá-lo tão longe quanto Dallas quisesse. Em última análise, caberia a ela decidir quanto tempo isso duraria e quando terminaria. Ou mesmo se acabaria tudo. Senti uma pontada aguda de ansiedade com o pensamento. Com a mesma rapidez eu o afastei. Não. Eu não ia ter esperanças. O que tivesse que acontecer, aconteceria. Meu corpo ficou tenso. Minhas pernas travaram quando minha excitação atingiu seu pico, a sensação de sua boca maravilhosa me levando ao limite... “UNGHHH!” O grito foi arrancado do meu corpo, em algum lugar bem perto do meu núcleo. Então eu gozei... enchendo sua boca repetidamente com o que com certeza pareciam galões do meu sêmen quente e pegajoso. Jesus Cristo! A cabeça de Dallas parou de se mover perto da ponta, levando tudo que eu dei direto para sua garganta. Ela me agarrou com força enquanto engolia uma vez, depois duas e, finalmente, uma terceira vez antes de baixar os lábios novamente e limpar o resto de mim. Meu orgasmo foi apocalíptico. A pureza do prazer era assombrosa. Caraaaaaaalho… eu gemi por dentro, enquanto ela continuava subindo e descendo em cima de mim. Dallas me chupou por mais um minuto, como se estivesse muito gulosa para parar. Quando ela finalmente o fez, eu deixei sua boca com um 'pop' de satisfação. Nossos olhos se encontraram, através de um emaranhado de cabelos loiros desgrenhados. Seus lábios estavam cheios e inchados agora. Eles pareciam ainda mais incríveis do que o normal. “Bom dia, querido,” ela sorriu, prendendo uma mecha em uma orelha. “Porra, com certeza é,” sorri de volta. “Você está sonhando,” disse Dallas. “Pelo menos, estava quando eu cheguei aqui.” Balancei a cabeça entorpecido. Depois do orgasmo de apagar a mente que ela acabou de me dar, foda-se se eu sabia sobre o que era qualquer um dos meus sonhos. “Então... o que exatamente foi isso?” perguntei, gesticulando para o meu pau gasto. “Não que eu esteja reclamando, veja bem.” Dallas riu suavemente. “Um presente de despedida?” Minhas sobrancelhas se uniram, mas apenas por um momento. Então eu lembrei. “Ah, sim,” eu disse, lamentando. “Nova Orleans.” “Hum-rum.” Ela subiu e deu um beijo no meu peito. Então outro. Depois um terceiro, e um quarto. Seu toque era tão doce quanto elétrico. “O voo sai em duas horas,” Dallas lamentou, gemendo em um mamilo. “Eu provavelmente deveria tomar banho.” Ela foi se levantar, mas eu tinha uma mão em sua bunda nua agora. Dei um aperto forte que fez seus olhos se arregalarem. “Então, quando eu recebo este presente?” perguntei. Dallas gemeu ao meu toque. Ela passou sua língua lentamente em torno de um mamilo, fazendo-me relaxar meu aperto. Em seguida, me mordeu de brincadeira, e saltou agilmente, ficando de pé. “Quando você me receber em casa,” ela piscou, e saltou para fora da quarto. Capítulo 36 DALLAS Eu estava sentada entre Austin e Maddox, navegando confortavelmente a trinta e cinco mil pés. Contemplando como minha vida estava radicalmente diferente agora do que um mês atrás, e como de alguma forma eu não a trocaria por nada no mundo. Caramba, se eu soubesse que isso significaria chegar aonde eu estava agora, eu mesma teria queimado a casa. Exceto pelo perigo iminente de ser morta, viver com meus três SEALs da Marinha encheu minha vida de ação, excitação e, claro, quantidades quase ilimitadas de sexo obsceno e indecente. Só que não era apenas sexo, e eu estaria mentindo se dissesse que era. Havia sentimentos agora também; emoções e apegos que vieram de mãos dadas com estar tão perto deles. Os rapazes eram divertidos e engraçados, adoráveis e lindos. E eram ferozmente protetores em relação a mim. Doces e gentis, mas também alfas o suficiente para devolver cada gota de sarcasmo e problemas que eu dei a eles. E Deus, eles eram tão gostosos... Ir para Nova Orleans foi ideia de Maddox, com base nas informações que eles haviam reunido até agora. Precisávamos descobrir mais sobre Evan Miller. E isso significava mergulhar onde ele estava baseado e os comandantes acima dele. Até mesmo os lugares em que ele morava, o que, claro, significava uma coisa: Eu estaria seguindo os passos de Connor. Havia muita coisa que poderíamos descobrir em Nova Orleans, e esperávamos dar sentido aos últimos dias do meu irmão. A gravação de sua aparente morte me derrubou um pouco, mas eu me levantei rapidamente. Tanto pelo bem de Connor quanto pelo meu. Proteger a mim mesma – e agora meus três amantes incríveis – era algo que todos devíamos a Connor. Precisávamos descobrir quem o machucou e o que eles queriam. Acima de tudo, eu queria saber por quê. Limpar-nos dessa bagunça andava de mãos dadas com vingar a morte do meu irmão: matar dois coelhos com uma cajadada só. E se cavássemos fundo o suficiente para causar um pouco mais de problemas? Chutar o ninho das vespas provavelmente seria necessário para descobrir exatamente onde queimar tudo. “Outra, senhorita?” Sorri docemente quando a comissária de bordo me entregou uma nova garrafa de vodca. Eu ainda tinha suco de cranberry suficiente para misturar e me deixar feliz pela próxima hora ou assim. Austin estava olhando pela janela como um zumbi, e Maddox apagou completamente. Sua cabeça descansava tão adoravelmente no meu ombro que eu nem me importei com a baba. Deixar Kane foi uma decisão difícil, mas ainda havia muito a ser feito em Las Vegas. Ele tinha pistas sobre quem poderia estar verificando o SUV preto de Nellis, e planejava monitorar qualquer pessoa associada a Miller também. E embora estivéssemos preocupados em torná-lo um alvo fácil, ele prometeu dormir na base pelo tempo que estivéssemos fora. Mas quem ele acha que estava realmente enganando, no entanto? Se eu sabia alguma coisa sobre Kane, era que ele nunca recuaria. Ele não se esconderia com o rabo enfiado entre as pernas – especialmente com tantas informações ainda a serem coletadas. O mais provável é que ele ficasse acordado todas as noites, olhando para as câmeras externas enquanto limpasse suas pistolas e um rifle M4A1 totalmente carregado em seu colo. A imagem trouxe um sorriso ao meu rosto. Assim como a memória do boquete de despedida desta manhã. Suspirei satisfeita, acomodando-me em meu assento enquanto a terceira garrafinha de vodca deslizou facilmente pela minha garganta. Sim, eu era uma garota feliz. Mesmo com a confusão furiosa ao nosso redor. Capítulo 37 DALLAS Nova Orleans era ainda mais fantástica, mais deslumbrante do que eu poderia imaginar. E na minha mente, já seria muito bonito para início de conversa. Nós pousamos no meio da tarde e fomos direto para o nosso quarto de hotel, que era limpo, agradável e ostentava duas camas queen size. Meu estômago deu uma cambalhota sexy quando pensei para qual delas eu acabaria indo até o final danoite. Ou muito possivelmente, ambas. “Vocês dormem aí,” eu ri, apontando para o segundo colchão enquanto reivindicava o primeiro. “Ele ronca,” eu disse a Maddox, antes de mover meu dedo de Austin para ele. “E ele monopoliza os cobertores.” Os rapazes apenas se entreolharam e balançaram a cabeça. Os planos deles eram obviamente diferentes. Eu concordaria com o que eles quisessem, é claro, mas eles não precisavam saber disso. Não agora, pelo menos. Eu resmunguei, joguei minha bolsa no chão, então caí pesadamente de volta na suavidade da cama. Nova Orleans, suspirei para mim mesma, olhando para o teto. Legal pra caralho. Era, de verdade. A cidade estava na minha lista de lugares para visitar antes de eu me lançar no planeta, e eu não estava nem perto de começar ainda. Aliás, muito longe. “Levante sua linda bunda daí,” Austin ordenou, oferecendo sua mão. Eu a peguei e deixei que ele me puxasse até que ficasse de pé. “Temos trabalho a fazer.” Nós nos refrescamos rapidamente e voltamos para o saguão. Então, em trio, passamos o resto do dia explorando o extremo norte da cidade. Nosso carro alugado era pequeno e discreto; apesar de todas as minhas tentativas de fazer os rapazes escolherem um conversível, acabamos com um pequeno sedã de quatro portas. “Que chato,” lamentei, mostrando minha língua para Maddox. Sua cara fingida de mal-humorado era meio fofa, mas eu gostei especialmente de Austin colocando as mãos nos meus quadris... e praticamente me empurrando para dentro do carro. “Dirija,” disse Maddox, me deixando totalmente chocada quando ele entregou as chaves. “E nada de aprontar uma porcaria de corrida de carro como aquela do outro dia.” Eles mexiam em seus telefones enquanto eu dirigia, percorrendo o caminho pela ‘Big Easy’. Nossa primeira parada foi um empreiteiro do governo para o qual Connor havia trabalhado, e com quem Maddox estava conversando por meio de mensagens de texto. Os contatos de lá nos guiaram em outra direção, e acabamos bem longe do nosso hotel quando a noite caiu. A cidade parecia ainda melhor à noite. A mistura de arquitetura antiga e iluminação moderna dava a tudo um ar sombrio e arrepiante. Algumas partes da cidade eram mais escuras do que outras, principalmente quando entrávamos em uma área mais antiga. E era agitada. Muitas pessoas, muitos carros. Toneladas de barulho também, para um lugar tão antigo e histórico. “O primeiro apartamento de Connor é bem aqui,” disse Maddox, apontando pelo para-brisa. “Mais três quarteirões, depois vire à esquerda.” Fiz isso, e paramos diante da casca enegrecida de uma estrutura de três andares muito grande, muito velha e muito destruída. “Caramba.” Um incêndio se alastrou aqui, e não um particularmente amigável. Ele consumiu todo o complexo para o qual fomos guiados e parte do prédio ao lado também. “Beco sem saída,” Maddox suspirou decepcionado. Embora ele parecesse distraído, seus olhos ainda estavam examinando astutamente em todas as direções. “Certo, o que vem a seguir?” “Lado leste,” respondeu Austin, apontando. “Cinco quilômetros naquela direção.” Ele digitou um novo endereço, em seguida, prendeu o telefone no suporte do painel. Todos nós pegamos novos, imediatamente após nosso primeiro encontro com o SUV preto. Droga, eu ainda estava me acostumando com o antigo. “Seu irmão morava aqui e ele nunca falou com você sobre isso?” Maddox perguntou. “Não.” “Então devia estar em uma baita confusão,” ele respondeu. “Connor sempre falava sobre você.” Ele sorriu alegremente. “E ele sempre ansiava por voltar para casa.” Devolvi o sorriso, desejando poder voltar no tempo. Desejando poder fazer as coisas diferentes com um simples aviso, algo que pudesse mudar o triste caminho que acabou com sua vida. Sufocando a emoção, eu segui as instruções na tela nos direcionando para o segundo apartamento do meu irmão. Dirigi intencionalmente devagar, para que pudesse absorver o máximo possível da cidade. “Puta que pariu,” Austin disse abruptamente do banco de trás. “Eu realmente gostaria que seu irmão tivesse contatado um de nós.” Maddox assentiu. “Ou todos nós,” ele disse. “O que quer que ele estivesse fazendo, foi tolice dele tentar tomar tudo para si mesmo.” Ele pareceu se arrepender das palavras imediatamente, olhando para mim com mais do que um pouco de medo. Mas eu apenas ri. “Você conhecia mesmo Connor?” brinquei. “Desde quando você teve notícia de que ele tenha pedido ajuda para qualquer coisa?” Maddox deu uma risadinha. A cabeça de Austin balançou em concordância. “Seu irmão estava sempre oferecendo ajuda em vez de pedir,” ele disse. “Provavelmente é por isso que foi tão difícil para ele estender a mão.” Continuamos, e a conversa derivou com carinho para Connor. As pequenas coisas que ele fazia. As manias e idiossincrasias que ele tinha, como sempre deixar a televisão ligada, ou não fechar a porta do banheiro sempre que a usava. Foi emocionante saber que eu não era a única que tinha que sofrer essas coisas. Eles também viveram isso. De uma forma estranha, mas distante, isso manteve sua memória viva. “Ele enfiava todos os condimentos em gavetas aleatórias da geladeira?” perguntou Austin. “Sempre,” eu ri. “Eu não conseguia achar nada nunca.” “Eu acho que ele fazia isso de propósito,” sorriu Maddox. “Ele nem usava ketchup, mas sempre o guardava em algum lugar. Escondendo-o e...” Sua frase parou tão abruptamente que eu realmente me virei para encará-lo. Sua expressão ficou repentinamente séria. Pior ainda, seus olhos estavam fixos no espelho retrovisor. “Você vê o que eu estou vendo?” “Sim,” Austin disse do banco de trás. Ouvi o clique de uma trava de segurança sendo liberada. O barulho de uma bala sendo trazida para a câmara. Ai, merda. Eu verifiquei o espelho também. Havia outro veículo, talvez três carros atrás de mim, sendo guiado na mesma velocidade lenta. Agarrei o volante com força por um momento, então me lembrei de relaxar. Se eu tivesse que agir rápido, ter meus braços travados e meus ombros tensos poderia ser um grande problema. “O que eu devo fazer?” “Nada ainda,” disse Maddox. Ele abandonou o espelho e estava olhando por cima do ombro agora. “Vire à direita, no entanto. Assim que você puder.” Eu fiz isso, e sem dar seta. Metodicamente, o outro veículo fez o mesmo. “Esta rua atravessa,” disse Austin, olhando para a tela de seu telefone. “Mas ela se estreita primeiro.” Os dois se encararam, e toda uma conversa se passou entre eles. Austin sorriu. Maddox assentiu. Eu dei um pequeno pulo quando uma terceira arma foi cuidadosamente colocada no meu colo. Eu poderia dizer que já estava armada e carregada. “Acione os freios com força quando mandarmos,” disse Maddox, “e pare rapidamente.” Eu estava nervosa. Assustada. Um pouco confusa. Mas também empolgada. “É hora de algumas malditas respostas.” Capítulo 38 DALLAS Esperamos até passarmos pelo ponto de estrangulamento, até que a rua lateral terminasse de se estreitar e estivesse prestes a se abrir novamente. Foi quando Maddox bateu duas vezes no meu joelho e eu parei o carro. Uma fração de segundo depois, tudo aconteceu de uma vez. Os caras deixaram o carro de ambos os lados, as portas se abriram enquanto eles se aproximavam do veículo atrás de nós. Tiros soaram — dois rápidos disparos para o ar em vez de contra um alvo. Saí pelo meu lado, encurvada atrás da porta e segurando minha arma. Movendo-se rapidamente, Maddox e Austin avançaram no carro que nós prendemos no beco. Não havia para onde ir, a não ser voltar. Apenas espaço suficiente em ambos os lados do veículo para abrir as portas sem bater nos tijolos. “Devagar, devagar!” O veículo parou e dois homens desceram, imediatamente erguendo as mãos no ar. Meus SEALs pegaram cada um com uma arma, revistando-os, certificando-se de que não estavam armados antes de empurrá-los com a face para baixo no capô do que parecia ser um velho Ford Bronco. “Por que vocês estão nos perseguindo?” Maddox perguntou, agarrando um cara pelo colarinho. “O que vocês estão tentando...” “Ordens.”Lentamente, baixei minha arma. Meus dois amantes olharam um para o outro. “Estamos apenas seguindo ordens, senhor,” disse o mais baixo dos agora prisioneiros. “O Suboficial Chefe Woodward nos enviou para encontrá-los. Para dar um aviso, e...” Maddox girou o punho dele e o forçou para baixo. O motorista do outro veículo gritou de dor. “Um aviso?” ele desabafou com raiva. “Quem diabos é Woodward para...” “Não de nós, senhor! De... de...” “Mano, relaxe.” As palavras de Austin fizeram Maddox olhar para cima. Ele deu-lhe um aceno firme. “Eu conheço Woodward,” disse Austin. “Pelo menos parcialmente. Ele é uma boa pessoa. Se enviou esses caras, eles são honestos.” Lentamente nós relaxamos. Meio minuto depois, todos estavam de pé, o cara que dirigia o Bronco ainda esfregando o pescoço. “Desculpe se assustamos vocês,” disse o passageiro. Ele era mais alto que o motorista e estava bem barbeado, cabeça raspada e tudo. Ambos os homens usavam roupas casuais. “Woodward disse que vocês viriam. Nos disse para rastreá-los, marcar uma reunião com ele.” Maddox parecia confuso. “Quem é Woodward?” ele perguntou, mais para Austin do que para os outros. “Um dos oficiais que cuida de algumas coisas aqui,” Austin respondeu. “Programas especiais. Biodinâmica, eu acho.” Ele olhou para o passageiro. “Estou certo?” “Sim senhor,” o homem disse. “O Laboratório de Biodinâmica Naval está praticamente fechado, mas há muitos remanescentes. O Suboficial Chefe Woodward está encarregado de organizar as coisas. No entanto, ele não está aqui agora. Não por alguns dias.” “É por isso que eles nos enviaram,” acrescentou o outro soldado. “Nós deveríamos encontrar vocês. Entregá-los isto.” Ele enfiou a mão no bolso da camisa e tirou um telefone. Não era um smartphone. Era um daqueles modelos pré-pagos com abertura de flip, sem nenhum recurso. Exatamente o que a polícia e os traficantes de drogas nos filmes sempre chamavam de “celulares descartáveis.” “O Suboficial Chefe Woodward precisa se encontrar com vocês,” disse o motorista. “Ele vai ligar quando estiver tudo certo. Até lá, ele nos disse para instruí-los a ficarem quietos. Vocês já estão sendo observados…” Com isso, todos os quatro examinaram o pequeno beco sombrio. Tudo estava quieto, e o som do ruído ambiente da cidade, bem distante. “Vigiados?” Austin perguntou com ceticismo. “Acabamos de chegar aqui.” “Nós sabemos. Vocês deram entrada no hotel Sierra algumas horas atrás.” Maddox xingou vigorosamente, uma torrente de palavrões que terminou com ele balançando a cabeça para o chão. “O carro não é bom também,” disse um dos soldados. “Recebemos ordens para mudar.” Ele jogou um molho de chaves para Austin, e ele as pegou habilmente. Os dois SEALs olharam para mim, depois um para o outro. “E agora?” perguntou Maddox. “Nós ficamos de mãos atadas até que Woodward ligue?” “Mais ou menos disso,” disse o careca se desculpando. “Woodward disse que vocês deveriam mudar as investigações. Mudem-se para o French Quarter, onde as multidões facilitam a mistura. Conseguimos um local onde vocês podem desaparecer pelas próximas 36 a 48 horas, até que o telefone toque.” “Relaxe um pouco,” disse o outro cara. Ele até mesmo sorria. “Aproveite o Mardi Gras.” Minha boca se abriu. “Mardi Gras?” De repente fazia sentido. O barulho. O trânsito. O grande número de pessoas. Ficamos na parte alta da cidade, então não estávamos realmente nas áreas de festas maiores. Mas agora... “Mardi Gras... o Carnaval de Nova Orleans...” eu repeti com admiração. Todos os quatro rapazes estavam olhando para mim agora. A boca de Austin se curvou em um sorriso. “O que, você realmente não se deu conta de que mês era?” Capítulo 39 DALLAS Uma vez que chegamos ao coração da cidade, foi como estar imerso em esplendor. Por um lado, era sexta-feira à noite. O final de semana antes da ‘Terça-feira gorda’. O GRANDE final de semana, ou assim eu li, ou então vi em dezenas de vídeos online espetaculares. Nenhum deles, no entanto, fazia a esta festa uma verdadeira justiça. O French Quarter era uma impressionante variedade de arquitetura em estilo espanhol do século XVIII, salpicada com um toque moderno. Andar por suas ruas de trezentos anos era inspirador o suficiente, sem esbarrar em dragões, zumbis e belos rapazes e moças com máscaras pintadas. Tudo o que eu via me tirava o fôlego; a diversão e emoção do carrossel despreocupado, a explosão de imagens, cheiros e sons que compunham a festa de uma semana do Mardi Gras. Era tudo incrível pra caralho. A melhor parte era o anonimato. Nós nos misturávamos perfeitamente em uma multidão de milhares, e podíamos usar disfarces para sair. Depois de pegar uma rodada de bebidas e um pouco de comida de rua, subimos a Bourbon Street. Caminhamos de mãos dadas para não nos separarmos, eu feliz no meio. “Máscaras?” perguntou Austin, aproximando-se de um vendedor. “Só para ficarmos mais seguros?” Maddox deu de ombros. “Por que não?” Alguns minutos depois, ambos os meus amantes usavam meias-máscaras cuidadosamente confeccionadas que cobriam os olhos e o nariz. A de Austin era algum tipo de demônio preto e vermelho, que parecia tanto feroz quanto legal. A máscara de Maddox foi pintada para parecer metal, com todos os parafusos, rebites e placas de aço entrelaçados, congelados na careta de um guerreiro. “Agora você,” disse um deles. “Já estamos um passo à sua frente.” Eu os puxei para uma segunda vendedora, que estava pintando rostos. Sentei-me enquanto ela colocava cor após cor sobre mim, ao redor dos meus olhos e bochechas. Quando ela finalmente me entregou um espelho, eu estava olhando de volta para uma máscara de pavão azul e dourado, toda fina, emplumada e linda. “Tudo bem,” disse Maddox, deslizando sua mão de volta na minha. Seu aperto era forte, seu sorriso caloroso. “Agora podemos nos divertir um pouco.” Caminhamos mais um pouco, abrindo caminho por entre a multidão festiva e feliz. Teria sido difícil para mim, evitar as pessoas bêbadas prontas para pisar em meus pés... se não fosse por Maddox e Austin no final de cada braço. Como ambos tinham mais de um metro e oitenta e eram imponentes pra caramba, me foi dado muito espaço. Mesmo na Praça Central, onde o grande número de corpos ondulantes amontoados teria dado um ataque cardíaco até mesmo ao mais firme bombeiro. Era tudo bom, porém, e tudo parte da cena. Vimos três desfiles diferentes, cada um mais bonito e maravilhoso que o anterior. Eles passaram lentamente pela multidão de bêbados aplaudindo, jogando contas em todas as direções como serpentinas. Peguei mais do que minha cota e nem precisei levantar minha camisa. Não que eu não pudesse fazer isso. Depois de mergulhar em alguns bares diferentes para drinques e doses, certamente não faria diferença para mim. “Você ainda está feliz?” Austin sorriu, me beijando enquanto a multidão aplaudia outro carro alegórico passando. “Estou na porra do Paraíso,” praticamente gritei em seu ouvido, antes de mordê-lo de brincadeira. Ambos estavam me beijando constantemente. Os dois me agarrando, me segurando, me puxando contra seus corpos rígidos e esbeltos. Em qualquer outra circunstância, teria sido totalmente ultrajante – dois homens fortes compartilhando a mesma mulher entre eles, dando uns amassos com ela publicamente, andando com uma mão em cada lado de sua bunda. Mas aqui no Carnaval... ninguém nem piscou. Caramba, eu queria morar aqui. Bebemos mais um pouco, e os rapazes foram disciplinados o suficiente para manter sempre o controle. Eu mesma fui inteligente o suficiente para me manter hidratada também. Eu carregava uma garrafa de água comigo em todos os lugares que íamos e a enchia sempre que podia. Também ajudou quando finalmente pegamos um 'jantar' muito atrasado, sentando para comer petiscos em algum café fofo ao ar livre que estava prestes a fechar. A noite foi passando. As ruas se estreitaram. Já passava da meia-noite, mas eu nem estava cansada! Meu coração estava acelerado, minha pele corada com o sangue bombeando em minhas veias. Eunão queria que isso parasse nunca. Que nunca tivesse fim. Era tudo perfeito demais. “Nosso hotel,” Maddox apontou com o queixo, tentando não derramar sua última cerveja, “é bem ali.” Virei-me para olhar para o edifício antigo e retorcido. Séculos de idade, era absolutamente lindo. Varandas de ferro forjado entrelaçavam a estrutura de vários níveis, que ficava no meio de uma rua lateral, logo após a via principal. O braço de Austin deslizou em volta de mim por trás, me puxando para ele. Ele colocou seus lábios bem na minha orelha. “Vamos continuar a festa lá dentro?” ele murmurou sugestivamente. A essa altura eu estava absolutamente excitada. O álcool tinha me soltado, assim como todos os beijos e toques. Meu encontro matinal com Kane me deixou com tesão como o inferno. Se nosso avião não estivesse partindo, eu teria me virado e o deixado duro de novo... pulado em cima dele e montado até que ambos víssemos estrelas. Deus, isso foi realmente esta manhã? Este foi o dia mais longo e glorioso da minha vida. Em resposta eu me virei, jogando meus braços ao redor de ambos. Eu os beijei cada um de uma vez, com calor e paixão, deslizando minha língua em cada uma de suas bocas. Quatro mãos foram para o meu corpo. Vinte dedos exploraram para baixo, deslizando sobre minhas costelas, meus quadris, minha barriga... Ah meu Deus. … e ainda mais para baixo. “Isso...” eu suspirei, minha voz engolida pelo barulho da multidão. Austin me puxou mais apertado contra ele. Uma mão entrou pelo meu cós, dois dedos deslizando para baixo para pairar sobre o meu clitóris. Minha calcinha já estava encharcada. “Nós não estamos escutando você.” “Ah porra...” eu gemi, me contorcendo em seus braços. Então, mais alto, “eu disse ISSO.” “Você a escutou, mano?” Austin brincou. “Eu acho que ela disse alguma coisa.” Maddox pegou meu rosto com as mãos. Ele baixou seus lábios nos meus e me deu o beijo de boca aberta mais quente e molhado da minha vida. Puta merda. Um dedo deslizou para dentro de mim. Ele entrou tão facilmente que eu podia sentir a umidade se acumulando ao longo do interior das minhas coxas. Se eu não fizesse algo logo eles iam me foder na rua. “Levem-me de volta para o nosso quarto,” eu disse para os dois. “AGORA.” Austin levantou uma sobrancelha. Maddox riu abertamente. “Levar você de volta e o quê?” Eu coloquei uma mão entre cada uma de suas pernas. Os dois estavam duros. “Leve-me de volta para o nosso quarto,” eu grunhi, dando um aperto em cada um deles. “E me fodam sem dó.” Capítulo 40 DALLAS Nosso segundo hotel era menor e mais aconchegante que o primeiro. Fornecido pelos homens de Woodward – que também mandaram buscar nossas coisas – também era mais antigo e muito mais histórico. Mais apertado em termos de espaço, tinha uma grande vantagem: somente uma cama king size. “É melhor vocês estarem sem roupas,” gritei do banheiro minúsculo. A voz de Maddox flutuou em uma risada. “Saia e veja.” Eu ajustei minhas meias arrastão até a coxa. Elas terminavam em rendas, presas a uma liga vermelha e preta por cintas liga de encaixe. Um sutiã de cetim vermelho cereja e uma calcinha fio dental combinando completavam minha roupa, junto com minhas contas de carnaval. Muitas contas. “Entre aqui ou vamos atrás de você!” “Isso aí,” ouvi Austin concordar. “Até você chegar aqui, somos apenas dois caras deitados desconfortavelmente juntos na cama!” Essa última parte me fez rir. Apaguei a luz e cambaleei para a frente, parando na porta. Movendo meus quadris para a esquerda e para a direita, dei um giro lento para que eles pudessem obter o efeito completo. “CARALHO...” Austin exclamou. Maddox assobiou. Os dois estavam deitados de cada lado da cama, nus, exceto por suas cuecas. Suas boxers volumosas. Dessa parte eu mal conseguia tirar os olhos. “Vocês trocaram as máscaras?” sorri, me aproximando da cama. Maddox era o demônio agora, Austin o guerreiro. “Acharam que eu não iria notar?” Ou eles fizeram isso por diversão ou estavam realmente tentando me enganar. O que era ridículo, claro, porque eu já conhecia cada centímetro delicioso de seus corpos. “Nada passa batido por você,” disse Maddox. “Não.” Meus joelhos bateram na cama, e agora eu estava rastejando em direção a eles. Rastejando entre eles. Meus amantes pareciam incríveis na meia-luz cintilante – todo o conjunto de pele, tendões e músculos, quentes e deliciosos. O brilho mais fino de suor mostrava cada ondulação magnífica de suas barrigas chapadas, cada uma com seu próprio conjunto de seis gomos. Puta merda, Dallas! minha mente exclamou. Austin puxou a cueca para baixo, e seu pênis saltou livre. Ele fechou a mão sobre ele e começou a acariciá-lo lentamente para cima e para baixo... um visual que me deixou instantaneamente molhada. O que diabos você fez para merecer isso? Do lado de fora da nossa pequena varanda pitoresca, os sons de risos e festas distantes ainda estavam diminuindo. Os rapazes chegaram até mim juntos, cada um aproximando a mão de um lado do meu rosto. A palma da mão de Maddox estava quente, acariciando suavemente minha bochecha. Fechei os olhos e inclinei- me contente para ele, assim que Austin deslizou o polegar lentamente, sensualmente, em minha boca. Uau... Senti minha respiração ficar fraca. As últimas vinte e quatro horas foram o auge da minha existência; meu melhor dia de todos. E estava prestes a melhorar... Eles me puxaram para frente entre os dois, para baixo na suavidade da cama. Então começaram a me beijar. Fizeram isso repetidamente, suas mãos explorando livremente meu corpo, minha pele, o cetim e a seda da minha lingerie. Eles se revezaram me beijando até eu ficar tonta; até que minha cabeça estivesse nadando de luxúria, necessidade e desejo. E havia outra coisa também. Algo que me deixou quente e formigando. Quase até tonta por dentro. Você está se apaixon....— Uma mão deslizou entre minhas pernas e minhas coxas se separaram automaticamente. Eu estava de costas, olhando para cima. Olhando para dois dos rostos mais bonitos e esculpidos que eu já conheci. Austin estava arrastando sua língua no meu pescoço. Plantando beijos em todos os pontos mais sensíveis, enquanto seu hálito quente provocava arrepios na minha pele. E Maddox... Ah Deus. Maddox estava mordiscando meu estômago. Beijando cada vez mais embaixo, até que ele alcançou a fina faixa de pele entre minha liga e minha calcinha, tão úmida que já estava dois tons mais escura do que quando eu a coloquei. Sua boca se aproximou do meu monte. Então minhas costas arquearam, minhas mãos agarrando os lençóis debaixo de mim enquanto ele soprava um fluxo constante de ar quente direto através do meu fio dental e diretamente na minha boceta. “Unnnnghhhhhhh!” Saiu como um gemido – cru, alto e totalmente puro. Não havia necessidade de discrição. Sem necessidade de ficar quieta. Eu poderia berrar se quisesse; poderia deixá-los me bater, me espremer e me esmagar sob seus corpos. Poderia gritar alto enquanto me prendiam entre eles, ‘destruindo-me’ completamente de ambos os lados... E ninguém no mundo inteiro saberia, além de nós. Meu sutiã desceu e uma boca quente se aproximou de um mamilo. Austin beijava um seio enquanto apalpava o outro. Girando uma protuberância dura com firmeza entre os dedos, enquanto traçava círculos ao redor da minha aréola com a ponta de sua língua quente. E lá embaixo… “MmmmMMmMMMMM...” Maddox estava me deixando louca. Ele ainda estava soprando, mas agora estava sussurrando também. Comendo-me através da minha calcinha, lambendo, beijando e chupando minha boceta com nada além da menor e mais úmida tira de tecido separando sua boca ansiosa da minha fenda dolorida e latejante. Como diabos eu cheguei aqui? Era uma pergunta válida. Se eu tivesse conhecido esses homens um ano e meio atrás, teria sido como irmãos de armas de Connor. Haveria apertos de mão educados e sorrisos calorosos, talvez algumas bebidas e algumas histórias. Mas seria apenas isso. Essa teria sido a extensão total do nosso relacionamento porque eramos amigos do meu irmão... e os amigos do meu irmão sempre estiveram fora dos limites. Mas agora... Engasguei quando a língua de Maddox deslizou dentro de mim. Ele finalmente puxou minha calcinha para um lado, então mergulhou para me devorar adequadamente. Suas mãos foram para minhas pernas cobertas pelas meias, abrindo-as ainda mais. Engoli em seco, passando pela pulsação do meu batimento cardíaco frenético. Não, agora as coisas eram diferentes. Agora eu estava tão perto desses homens quanto Connor esteve, se não através do combate, pelo menos mental e emocionalmente. E fisicamente... Bem, fisicamente eu o venci. Isso é loucura isso é loucura isso é loucura... Minha cabeça se debateu de um lado para o outro enquanto eu prendia meus punhos no cabelo de Maddox. Eu o estava chupitando agora. Rebolando meus quadris nele como uma prostituta gananciosa e carente. Olhei para baixo e vi que estava sendo comida por um demônio. A imagem era tão excepcionalmente excitante que eu queria gravá-la em meu cérebro… Minhas contas deslizaram ruidosamente enquanto Austin as tirava do caminho. Ele estava provocando meus mamilos, alternando entre lamber um e puxar o outro. A maneira como pegava e esfregava meus seios era maravilhosa. Suas mãos e dedos pareciam perfeitos em mim, tão fortes, tão masculinos. Deus, eu realmente poderia viver minha vida assim... O pensamento flutuou aleatoriamente, através da minha névoa de euforia. Pela primeira vez eu realmente considerei isso. Poderia ser assim, se os rapazes me quisessem do jeito que eu os queria. Nós quatro poderíamos fazer isso funcionar... talvez. Pelo menos por um tempo. Você poderia, no entanto? Suspirei, mordendo o lábio, enquanto todos os novos níveis de excitação surgiam de dentro. Sem aviso, eu estava me contorcendo, me contraindo, gozando por todo o rosto do meu amante. Regando seus lábios e língua com um fluxo de líquido quente, quando esguichei pela primeira vez desde minhas tentativas fracassadas na época da faculdade. “DEEEEEUS!” Eu fiquei literalmente fora de mim. Minha cabeça caiu para trás no travesseiro enquanto meu corpo se contorcia, minhas mãos apertando incontrolavelmente em torno de punhados grossos do lindo cabelo loiro de Maddox. Ainda agarrada a ele, gritei para um céu imaginário, ainda gozando, ainda esguichando. Apenas vagamente consciente do calor e da umidade, em algum lugar além da pura euforia branca do meu orgasmo arrasador. Quando voltei a mim, meu peito arfava. Meu estômago vibrava para dentro e para fora com cada respiração irregular. Olhei para baixo apreensiva, e tudo estava encharcado. Incluindo Maddox. “Desculpe pela bagunça,” sorri me desculpando. “Eu...” “Não se desculpe.” Minhas coxas se abriram quando ele deslizou entre elas. A ereção que Maddox segurava em seu punho era massivamente dura, a cabeça inchada e enorme. Parecia uma pequena maçã à medida que ele a guiava contra meu sexo pulsante e brilhante... enquanto Austin embalava minha cabeça em seu colo quente e nu. “Isso nem começa a descrever a bagunça que estamos prestes a fazer com você…” Capítulo 41 DALLAS Eu já estava delirando quando ele começou a me foder. Meus gemidos de prazer se transformaram em suspiros quando Maddox enfiou seu pênis profundamente, a cabeça latejante arrastando maravilhosamente contra minhas paredes internas. Olhei para ele e vi uma nova fome em seus olhos, uma necessidade incontrolável de me possuir. Ele não estava brincando em serviço agora. Totalmente dedicado à tarefa em mãos, que no momento incluía entrar e sair do meu corpo macio, de maneira rápida e forte. Mmmmm... Distraidamente eu me perguntei se sua expressão era assim no campo de batalha. Aquele Maddox amante da diversão… de repente estava intensamente focado, desprovido de humor. Ele estava me estocando agora com golpes fortes e poderosos, sem se dar conta que seus dedos estavam se transformando em garras enquanto ele prendia meus joelhos de cada lado da minha cabeça. Eu estava batendo lindamente contra seu corpo duro como pedra. Olhando para ele com fascínio e admiração, com felicidade e luxúria e sim... até mesmo amor. Amor. Caramba, aí estava aquela palavra novamente. Um sentimento quente e formigante tomou conta de mim, percebendo todas as novas borboletas que vibravam pelo meu estômago. Resolvi ignorar essas emoções por enquanto. Colocá-las de lado e me concentrar na tarefa em questão. “Droga mano,” Austin riu. “Assim você vai quebrá-la.” A dor agradável dentro de mim teria me dito que isso era verdade, mesmo se eu não estivesse assistindo ao vivo Maddox me foder. Um dedo – não, um polegar – entrou na minha boca, e eu virei minha cabeça para chupar. Austin segurava os dois lados do meu rosto. Ele prendeu meu cabelo para trás sobre minhas orelhas enquanto eu chupava seu dedo grosso em minha boca faminta e ansiosa. E continuou, Maddox me fodendo cada vez mais fundo até que eu pude sentir lágrimas de alegria se acumulando nos cantos dos meus olhos. Em algum lugar no fundo da minha mente, minhas pernas doíam. Seus dedos estavam, sem dúvida, deixando hematomas na parte inferior das minhas coxas, e os músculos das minhas pernas estariam doloridos amanhã por serem esticados além de todos os limites normais. Nossa... nossa mãe... Jesus Cristo, eu iria gozar novamente. Se ele continuar me fodendo assim... “Você vai dar licença em algum momento?” Austin zombou: “Ou eu vou ter que tirar você daí?” Maddox me deu mais umas duas dúzias de estocadas antes de reagir à declaração de seu amigo. Ele parecia realmente frustrado quando se retirou. “Vire-a,” disse Austin. “Eu tive uma ideia.” Eles me viraram juntos, com a mesma facilidade com que jogavam um travesseiro. Austin me pegou pelos pulsos, puxando meus braços sobre minha cabeça. Então ele me arrastou para baixo, para um canto da cama. “Abaixe a cabeça.” Eu fiz o que ele disse. Eu estava de bruços, com a bunda para cima e toda molhada. De joelhos com minha boceta ainda latejando, pronta para qualquer coisa. De repente, senti um puxão. Um momento depois, Austin estava pegando minhas contas e puxando-as sobre minha cabeça. Devia haver algumas dúzias delas, formando colares de carnaval de plástico baratos pintados em todos os estilos e cores imagináveis. Ele juntou alguns e começou a envolvê-los em volta dos meus pulsos... Ah uau. Sozinhos eles eram finos e frágeis. Juntos, tornavam-se um tipo forte de corda trançada. Austin enrolou alguns juntos, amarrando meus pulsos esquerdo e direito até que eles estivessem apertados um contra o outro. Então enrolou mais colares neles e amarrou tudo no canto da cabeceira da cama. “Concluído. Agora ela está pronta.” Eu torci um pouco, testando minhas amarras. Elas estavam firmes. Muito mais firmes do que eu pensei que estariam para um monte de contas de plástico. “Vamos,” ele disse. “Tente sair dessa.” Eu puxei com mais força, mas o resultado foi o mesmo. Eu estava irremediavelmente amarrada à cama, de bruços, meus braços acima da cabeça. Uma mão calejada foi para minha bunda. Esfregou minha pele lentamente, em círculos tentadores. O toque foi maravilhoso... até que a mão me deixou e desceu com força com um tapa alto. “AHHH!” “Prepare-se,” grunhiu Austin, enquanto se posicionava atrás de mim. “Você está prestes a se divertir.” Não tanto quanto você, eu queria dizer, mas não disse. Eu já estava sem fôlego. Totalmente excitada pelo que iria acontecer comigo. Sua mão desceu uma segunda vez, depois uma terceira. Cada vez eu me encolhia, mas agora comecei a apertar minha mandíbula com a dor maravilhosamente requintada. Eu não apanhava há séculos. E nunca desse jeito... Nunca desse... “POOORRA.” Austin despejou a palavra como um xingamento quando afundou em mim. Parecia que eu estava sendo dividida ao meio. Ele estava maior e mais duro do que nunca, e o ângulo para baixo deixou minha boceta tão apertada que ele mal conseguia completar a estocada. Se eu não estivesse tão excitada, molhada pra caralho... Ele enfiou-se confortavelmenteem mim, até que eu pudesse sentir a ondulação dura de seu abdômen contra a minha bunda. Eu estava tentando engolir, mas era como se houvesse uma bola de beisebol na minha garganta. “Você gosta de ser preenchida assim, não é?” Sua voz estava tensa e irregular, como cascalho. Seus dois lábios quentes estavam pressionados contra minha orelha. “Sim.” Saiu um pouco fraco demais, manso demais para ele. Ele trouxe sua mão para baixo novamente, batendo na minha bunda, e eu gritei de dor e prazer. “SIM!” Eu repeti, desta vez balançando a cabeça e mordendo meu lábio. Austin aceitou minha resposta desta vez, e veio direto me foder. Cada puxão era puro prazer. Cada golpe de retorno me esticava contra minhas amarras. As contas batiam umas contra as outras, em ritmo constante com nosso ato de amor. Só que isso não era fazer amor. Eu estava sendo total e completamente fodida. Era isso o que você queria, não era? Caralho, sim, era. Eu até pedi isso. Tenha cuidado com o que você deseja... De repente me dei conta da presença do meu outro amante, de pé diante de mim junto à cama. Estendi a mão para ele e tive folga suficiente para puxá-lo pela base do seu pau. Minha boca abriu. Esperei até que o momento fosse perfeito, então o deslizei entre meus lábios. “Lá vamos nós,” Austin grunhiu. Ele me deu outro tapa, mas este foi mais um incentivo do que uma advertência. “Porra, ver você juntos assim...” Ele veio em mim com força, levando seu amigo profundamente em minha garganta. “É excitante pra caralho.” Continuei assim, chupando um amante, sendo fodida pelo outro. Ambos mergulhando em meu corpo, de novo e de novo, pela frente e por trás. Eu estava maravilhosamente presa entre eles. Vivendo a fantasia mais profunda e sombria de toda garota. Tão bom... Tudo era incrivelmente excitante. Tão além do alcance da realidade, eu mal conseguia manter meus sentidos. Eu estava gritando na coxa de Maddox enquanto Austin me fodia. Segurando a base de seu pênis, mais para impulsionar do que por verdadeiro prazer. Bom pra caralho! Minha pele estava corada, meus olhos selvagens. Maddox de repente deu um passo para trás e me agarrou pelos cabelos, puxando minha cabeça para encará-lo. Seus olhos muito azuis perfuraram os meus. “Olhe.” Ele pegou meu queixo e guiou minha cabeça. Havia um espelho de corpo inteiro no quarto, e só agora percebi que eles o haviam mudado. Do ângulo em que eu estava, eu podia ver nós três perfeitamente centrados. “Quanta elegância,” dei uma risadinha, balançando a cabeça. Maddox riu maliciosamente. “Nós achamos que você iria gostar disso.” Ele me deu um beijo molhado, em seguida, mergulhou de volta em minha boca. Meus olhos ainda estavam no espelho, porém, me observando enquanto eu estava como um espetinho de churrasco entre eles. Suspirei, deleitando-me com a obscenidade de me deixar levar, de me prostrar diante desses dois homens fortes e poderosos. Permitindo que eles me pegassem da maneira que quisessem. Eu diria qualquer coisa por eles. Faria qualquer coisa... Você é tão puta! A palavra não tinha nenhuma conotação negativa aqui. Era a sensação mais incrível do mundo, ser compartilhada livremente assim. Liberação total; prazer sem julgamento, ou expectativas, ou... “Estou quase...” A voz de Austin veio flutuando atrás de mim, onde ele ainda estocava. Seu ritmo era o mesmo, mas sua respiração havia mudado. Por alguma razão, isso me deixou orgulhosa. Orgulho de poder cansar alguém como ele. Um SEAL da Marinha, em ótimas condições físicas… Você vai... gozar novamente... Na frente eu estava fazendo o melhor que podia. Mantendo meus lábios firmemente em torno de Maddox enquanto seu amigo, seu irmão de armas, me penetrava lindamente por trás. “Eu não consigo... não consigo segurar...” “Então não segure,” eu disse, virando minha cabeça para encarar Austin. Sorri para ele maliciosamente. “Venha, baby. Goze em mim.” As mãos de Austin esmagaram meus quadris e lá estava – seu grunhido de prazer, de triunfo, de última liberação. Ele deu uma última estocada e então ficou total e completamente imóvel, enterrado até o fim na minha boceta. “NNNNGHHH!” Eu podia senti-lo latejando e pulsando, explodindo dentro de mim. Enchendo-me com seu fogo líquido. Isso desencadeou meu próprio clímax, que percorreu meu corpo. Me fez gozar. Dissolveu, por alguns breves segundos brilhantes, tudo o mais no universo... a cama, o quarto, o pau de Maddox, ainda agarrado com força em uma mão. Tudo simplesmente desapareceu, como poeira no furacão do meu próprio orgasmo violento. E então, no meio de tudo, começou a chover. Chovendo gotas grossas e quentes em todos os lugares, quando o gozo de Maddox espirrou quente por todas as minhas bochechas, meu queixo, meu pescoço e testa. Ahhhhhh... Algumas das contas que formavam minhas amarras haviam se quebrado, dando-me folga suficiente para me tocar. Abaixando-me, consegui deslizar uma mão entre minhas pernas. Dois dedos mergulhando nas profundezas da minha boceta bagunçada, estendendo meu orgasmo enquanto Austin continuava me fodendo, seu pau deslizando contra meus dedos. Nós desabamos ao mesmo tempo, em um monte de suor, sexo e gozo. Cada um de nós esgotados. Cada um de nós sorrindo. “Bem...” Maddox grunhiu quando conseguiu respirar novamente. Ele inclinou a cabeça na minha direção e sorriu fracamente. “Você disse sem dó.” Capítulo 42 DALLAS Eles me compartilharam novamente, e novamente depois disso. O tempo passou e o barulho do lado de fora diminuiu, mas dentro do nosso pequeno quarto de hotel as coisas estavam apenas esquentando. De certa forma, era quase como uma competição. Parecia que cada um dos meus amantes estava tentando provar algo para o outro: quão duro ou profundo eles poderiam ir, quão rápido eles poderiam se recuperar. Ou isso, ou eles simplesmente não se cansavam de mim. Perdi a conta de quantas vezes eles me pegaram. Eu fui fodida na cama, no chão e até mesmo de pé contra a parede. Austin colocava a mão sobre a minha boca enquanto Maddox me enroscava no braço de algum sofá vintage de dois lugares... só para eles trocarem de lugar, e começarem tudo de novo. De tudo o que fizemos, no entanto, a varanda foi a minha favorita. Já era tarde — muito tarde — quando eles me arrastaram para fora e me curvaram sobre a grade de ferro forjado. O ar estava frio, as vistas e cheiros da cidade finalmente se extinguiram. A multidão da praça principal havia se dispersado, exceto por alguns retardatários bêbados vagando pelas ruas laterais como a nossa. Era tão ousado quanto divertido, trepar do lado de fora à vista de todos. Parada ali com minha pintura no rosto toda manchada, minhas meias arrastão esfarrapadas penduradas nas minhas pernas enquanto eles se revezavam me preenchendo por trás. Deus, Dallas! Olhe para você! Meu corpo estava tremendo por causa de toda a adrenalina. Minhas ligas e a calcinha há muito haviam desaparecido. Minhas mãos estavam presas ao corrimão com contas novamente, só que agora a maioria delas estava quebrada ou quebrada. Apenas imagine isso, pensei comigo mesmo. Todo. Santo. Dia. Sim, todo dia... desse jeito. Só que mais ainda, porque Kane estaria lá também. Satisfazer as necessidades físicas e emocionais de três robustos especialistas da Marinha parecia um sonho tornado realidade. Só que não era um sonho, e poderia se tornar realidade, e perceber essas coisas de uma vez me deixou com medo de repente. O jorro de orgasmo que tive na varanda foi muito parecido com o primeiro, só que este me drenou completamente. Eu gemi como uma prostituta, fazendo com que um trio de espectadores olhasse para cima do beco. O que estávamos fazendo era inconfundível, mas nosso público estava muito embriagado para se importar. Além disso, era Mardi Gras. E também, já eram três ou quatro da manhã. Um por um, meus amantes gozaram dentro de mim, empurrando com tanta força que pensei que poderia cair a qualquer momento. Em vez disso, agarrei o corrimão de ferro retorcido e segurei com força, meu aperto tão forte que tive certezade que dobraria as barras. Então desabamos na cama. Caímos exaustos nos cobertores e no edredom macio. O sono me pegou antes que minha bochecha pudesse encontrar o travesseiro. Acordei de bruços na semiescuridão do amanhecer iminente, com a sensação de um pau duro entrando lentamente em mim. Deste ângulo eu não sabia se era Maddox ou Austin. Mas não importava. Eu abri minhas pernas de bom grado, deixando escapar um gemido grogue e satisfeito enquanto eu era facilmente preenchida por trás. “MMMMmmmm…” Tudo estava tão molhado. Tão quente, aconchegante e confortável. O amante atrás de mim estava pressionado firmemente contra minhas costas, pele com pele, me esmagando com força na suavidade da cama. Eu podia sentir minha boceta jorrando ao redor dele. Gotejando com o sexo. Eu ainda quero. Era mais do que óbvio pela forma como meu corpo reagiu. Por mais cansada que eu estivesse, tudo ainda vibrava. Meus mamilos ficaram duros. Deus, eu ainda preciso disso. “Abra para mim,” uma voz grunhiu. “O quanto puder.” Eu ainda não sabia quem era, e essa parte foi a mais emocionante de todas. O anonimato de ser fodida assim... de fingir que poderia até ser um completo estranho. Alguém que eu nem conhecia, me devastando, apenas se aproveitando do meu corpo quente e privado de sono. Um par de lábios mordiscou minha orelha. Um braço deslizou ao redor da minha barriga, arqueando minha bunda para cima, ajustando o ângulo de penetração. Meu amante enfiou-se em mim, por todo o caminho, todo o caminho. Era lento. Preguiçoso. Bonito. Eu gemi baixinho, minha cabeça pendeu para um lado. Meus olhos se ajustaram o suficiente para distinguir a pele lisa e escura do homem ao meu lado. Austin dormindo em paz, felizmente inconsciente do que estava acontecendo a apenas alguns centímetros de seu corpo semicoberto. Então era Maddox. Ele era quem estava dentro de mim. Eu mexi minha bunda de brincadeira, enroscando-a de volta nele. Foi tão bom que eu estava praticamente ronronando. Ele continuou voltando sempre que seu corpo duro batia contra minha bunda macia e flexível. Ele estava perto de gozar. Perto de adicionar mais uma carga dentro de mim, misturando-se com as outras. Misturar com meus próprios fluidos quentes, até que... De repente ele saiu de mim. Esperei que ele entrasse novamente, ou mesmo a sensação quente de seu gozo jorrando em todas as minhas costas nuas. Em vez disso, fui surpreendida com algo muito diferente: Ele estava pressionando a ponta de seu pau contra meu cu enrugado e contraído. Eu engasguei, meus olhos se arregalaram de surpresa. Foi apenas a pontinha. Apenas o suficiente para me penetrar um pouquinho. Minha boca abriu... … e então de repente ele estava gozando. Ah meu DEUS! Todo o ar foi sugado dos meus pulmões quando eu o senti sair, atirando longos e pesados jatos de sêmen quente diretamente na minha bunda. Era quente e pegajoso. Totalmente sórdido, obsceno e proibido. E de alguma forma eu adorei. Era incrivelmente indecente ser preenchida assim. Deitada ali empurrada de cara no travesseiro, enquanto meu amante segurava seu pau pressionado contra mim... enchendo minha bunda com seu sêmen quente fervente. Bom... pra... caralho. Maddox continuou masturbando-se, drenando suas bolas completamente. Bombeando até terminar, momento em que ele afastou a ponta do seu pau da minha bunda. Ele grunhiu de satisfação antes de virar, me deixando usada e tremendo. Eu estava na mesma posição de quando ele me acordou... só que agora, um fluxo constante de gozo quente estava vazando do meu cu. Eu adormeci, olhando para o amanhecer. Imaginando como nos levantaríamos para enfrentar o dia, ou se poderíamos fechar as cortinas e dormir durante todo o calor, embrulhados e aninhados juntos. A umidade continuou pingando por trás, escorrendo pela minha boceta quente e dolorida. Fechei os olhos, saboreando o momento. Foi de longe a coisa mais excitante que alguém já fez comigo. Capítulo 43 AUSTIN Caminhamos sob uma chuva leve, passando pelo que poderiam ser escritórios, quartéis ou qualquer outra coisa. A base era uma miscelânea de velho e novo. De estruturas modernas, mais recentes, bem como edifícios de tijolo e cimento já existentes. “Tem um gazebo aqui em cima,” disse o homem que estávamos seguindo. “Podemos conversar lá.” O suboficial Woodward era um homem baixo e atarracado, com a estrutura subjacente de alguém de constituição mais poderosa na juventude. Usava seu cabelo ralo com orgulho, em um estilo que ele não tentava esconder. Também andava mais rápido do que a maioria dos homens com pernas duas vezes mais longas que eu conhecia. Maddox estava se arrastando, o que era engraçado para mim. Eu teria rido dele, mas eu estava me arrastando também. Nós dois estávamos exaustos, ambos totalmente acabados pelas nossas atividades das duas últimas noites. Também estávamos nos habituando a dormir a primeira metade do dia e festejar a noite toda. Mas ei, era Mardi Gras. “Tudo bem,” disse Woodward, finalmente chegando ao nosso destino. “Podemos conversar livremente aqui.” O Laboratório de Biodinâmica Naval dos EUA existia desde o início dos anos 1970, principalmente como um centro de pesquisa médica. Foi parcialmente convertido na década de 90 para acomodar outros escritórios navais, incluindo os de Woodward. Agora mesmo estávamos em um velho gazebo, de pé desafiadoramente ereto, mesmo que em um ângulo ligeiramente torto. Antigamente, há muito tempo, teria sido muito bonito. No entanto, no momento estava extremamente negligenciado. Mais tinta do que madeira a essa altura. “Se você vai nos dizer que seu escritório está grampeado...” começou Maddox. “Quer que eu seja honesto?” perguntou Woodward. “Quem diabos sabe? Hoje em dia não confio em ninguém. Estou apenas cumprindo o resto do meu tempo, terminando meus trinta e cinco anos de serviço.” Ele deu de ombros, recostando-se contra uma das velhas grades de madeira. Mas não antes de testá-la com a mão primeiro. “Há muita merda assustadora acontecendo,” disse Woodward. “Pessoas em lugares onde não deveriam estar. Promoções repentinas, rebaixamentos ainda mais rápidos. Pessoas se destacando sem mais nem menos.” Ele esquadrinhou ao redor, olhando por cima de ambos os ombros. Não era exatamente um olhar nervoso, mas também não era bom. “Para encurtar a história, eu nem faria isso, exceto pessoalmente. E eu não faria isso por ninguém, exceto pessoas que eu soubesse que fossem boas.” Maddox coçou a cabeça. “E, hummm... como você sabe que somos bons?” “Porque Winters garantiu que vocês eram,” disse Woodward com firmeza. “E Winters era sério pra caralho.” Um longo momento de silêncio e respeito se passou entre nós. Uma pausa silenciosa entre soldados. Em um momento, o velho veterano tirou algo do bolso e bateu com força várias vezes contra o polegar. Ele abriu o recipiente verde e tirou uma pitada de tabaco rico e preto. “Seu amigo Connor esbarrou em uma coisa,” ele murmurou, enfiando o pequeno chumaço entre a bochecha e as gengivas. “Algo que ele não deveria.” “Nós já sabíamos dessa parte,” eu disse impacientemente. “E onde a maioria das pessoas teria recuado lentamente,” continuou Woodward, me ignorando, “ele prosseguiu mais do que nunca.” Maddox me deu uma olhada de lado. De quão apertada sua boca tinha ficado, ele estava pensando a mesma coisa que eu. “Você está dizendo que fez vista grossa?” provoquei. “Que você o deixou fazer isso sozinho?” “Estou dizendo que ele foi muito fundo, muito rápido,” o homem cuspiu. “E que quando ele trouxe o assunto para mim, já era tarde demais.” Fiquei ali no frio, abrindo e fechando meus dedos, tentando manter a calma olhando para a chuva. Tentei imaginar como era a base em seu apogeu, quando estava cheia de pessoas. Como as árvores e os gramados podiam ter sido verdes. Como eram lisas e cheias de gente as calçadas hoje rachadas. Os vastos estacionamentos vazios, cheios de veículos. “Eu tentei ajudá-lo,” disse Woodward. “Na verdade, eu o ajudei, mas ele continuou voltando. Continuouinvestigando mesmo depois de cobrir seus rastros, continuou abrindo caminho através das camadas de lama.” Ele balançou a cabeça lentamente. “Eu tinha uma família. Esposa, filhos – alguns deles na faculdade. Não havia maneira de eu...” “Nós entendemos,” eu grunhi. “Você o deixou lá, por conta própria. Você o largou para...” “EU TENTEI, porra!” O suboficial cuspiu de novo, e desta vez sua saliva tinha uma gota de líquido preto gorduroso. “Eu o protegi! Quando descobri que o estavam vigiando, arrumei um novo lugar para ele. Quando ele veio até mim com o que tinha, eu cheguei até a levar para meus superiores.” Eu me aproximei com expectativa. “E?” “E eles ignoraram,” disse o homem impotente. “Tão rápido quanto ele elaborou, eles... eles...” Maddox me cutucou quando o homem deixou cair a cabeça em suas mãos. Ele estava quase em lágrimas. Quase. Para mim, isso não era bom o suficiente. “Conte-nos o que aconteceu,” eu grunhi. “E diga-nos tudo. Não deixe passar nada.” Woodward se aproximou do meio do gazebo, nos impelindo a avançar. Uma brisa soprou e sua voz ficou mais baixa. “Há muito hardware antigo por aqui,” disse ele confidencialmente. “Tecnologia de alto nível, descansando em lugares antigos, instalada em discos antigos. Enterradas nos fundos de prédios desativados,” continuou ele, “informações que foram copiadas e esquecidas…, mas não por todos.” “Então... segredos?” Maddox perguntou. “Sim.” “Alguém está roubando segredos,” repeti. O homem assentiu. “Roubando e vendendo-os, embora eu não saiba de tudo. Winters manteve a maior parte dos detalhes para si mesmo. Quando percebeu o quão perigoso era, ele não me queria mais envolvido. Mesmo quando fui atrás dele, tentei fazê-lo falar comigo, ele basicamente me dispensou.” Por mais que eu quisesse ficar com raiva, soava como Connor. Seria algo que ele faria; colocar as necessidades dos outros em primeiro lugar, bem antes de si mesmo. Ele tinha feito isso no campo de batalha, com certeza. E parecia que ele estava fazendo isso aqui, com Woodward, até morrer. “Que tipo de informação você pode nos dar?” perguntei. “Ainda melhor,” Maddox interveio, “quem está nos observando?” “Essa parte eu não sei,” disse Woodward, olhando ao redor novamente. “Mas quem quer que estivesse atrás de Winters o seguiu de volta a Nevada. E eles eram da Força Aérea, não da Marinha. Baseados em Nellis. Connor me disse isso, pelo menos.” Eu inclinei minha cabeça em direção a Maddox. Ele tirou o telefone do bolso e puxou uma foto. “Conhece esse cara?” Woodward respondeu imediatamente. “Claro. É o Evan Miller.” “Ele se envolveu nisso?” Observei atentamente enquanto o homem dava de ombros. O gesto parecia sincero. “Eu... eu não posso imaginar que ele pudesse estar. Ele era amigo de Connor. O colega de quarto dele também, se bem me lembro.” “Ele já disse alguma coisa ruim sobre ele?” “Quem?” “Connor.” “Não que eu lembre.” Ele pensou por um momento, então colocou um dedo no queixo. “Mas...” “Mas o quê?” “Mas eu lembro que Miller ficou meio zangado quando Connor saiu. Ele pediu uma transferência quase imediatamente. Eu sempre assumi que eles tiveram algum tipo de briga, mas a transferência foi para Fallon, então…” Maddox deu um passo lento para trás. Fallon era uma base aérea no condado de Churchill, em Nevada. O treinamento de Busca e Resgate em Combate ocorria lá, apenas para os SEALs. Uma transferência como essa fazia sentido. Só que isso o colocou dentro de seis ou sete horas de acesso de Connor. “Ouçam-me,” disse Woodward, sua voz tão baixa que era quase inaudível. “O que quer que esses caras quisessem, Connor já tinha. E era importante para eles. Eles estavam procurando por isso, pressionando-o e tentando encontrar.” Apertei os olhos. “E como você sabe disso?” “Porque eles reviraram a casa dele duas vezes tentando encontrar.” E porque eles colocaram Miller com ele para procurar também, pensei em silêncio. Uma rajada de vento aumentou, surgindo através do velho gazebo. Assobiava assustadoramente através dos dentes quebrados das sofisticadas sancas superiores. “Agora Connor está morto,” disse Maddox. “Acha que eles ainda estão procurando por isso?” O suboficial cuspiu novamente. Ele olhou além de nós, para algo no horizonte invisível, então assentiu lentamente. “Você pode apostar que até que eles encontrem, não vão parar.” Capítulo 44 DALLAS Os rapazes apareceram pouco depois de eu pedir o serviço de quarto. Foi difícil pra caralho não comer até eles chegarem, mas de alguma forma eu consegui. “Como foi?” “Conto daqui a pouco,” disse Austin. Ele esfregou o estômago. “Enquanto comemos, é claro.” Estávamos todos famintos. E cansados. Exaustos na verdade, mas mantendo o controle. Maddox entrou atrás dele, farejando o ar. Eu estava com as portas da varanda bem abertas. Os sons e cheiros da multidão crescente vinham do lado de fora. “Lençóis novos,” sorriu Maddox, olhando ao redor com aprovação. “Cobertores novos também.” “Precisávamos deles,” eu ri. “Com certeza.” “Vocês abusaram de mim ontem à noite,” eu disse, com um sorriso. “Na noite anterior também, pensando bem.” Austin estalou os dedos antes de pegar uma colher. Sentou-se à mesinha diante de uma grande tigela de Jambalaya. “Se bem me lembro, você foi bastante abusada.” “Talvez,” dei de ombros. “Definitivamente,” insistiu Maddox. “Não que estejamos reclamando, é claro.” Ele começou a levantar as tampas de metal e espiar em cada prato. Depois de quinze minutos de agonia com o menu, eu pedi quase de tudo. Nos primeiros minutos eu não disse nada, só deixei eles comerem. Maddox pegou dois hambúrgueres, enquanto afastava os anéis de cebola que os acompanhavam. Austin pegou um pouco de tudo, comendo um pouco deste prato, um pouco daquele. “Sem cerveja?” Acenei para um balde de aço inoxidável perto do chão. Estava cheio de garrafas geladas, cercadas por um mar inteiro de gelo derretido. “Você é a melhor, sabia disso?” “Eu sei.” Austin torceu a tampa de três garrafas. Ele entregou uma para mim e outra para Maddox. Inclinei a cabeça para trás, deixando o líquido frio deslizar pela minha garganta. Minha mente vagou de volta para os eventos da noite anterior, que foram de alguma forma ainda mais obscenos e carnais do que na primeira noite em que chegamos. Minha cerveja estava pela metade quando eu bati a garrafa de volta na nossa mesinha. O gás da bebida ainda queimava na minha garganta. “Então... sobre Connor...” Maddox respirou fundo e me informou sobre os eventos do dia. Ele falou sobre Woodward, seu encontro, sua volta da base naval. Sobre como Connor estava em perigo iminente, e ninguém havia feito nada para ajudá-lo. Isso me deixou chateada, depois com raiva, depois triste. Tentei manter as aparências, para entender por que meu irmão fez o que fez. Ficar com raiva, não de Connor, ou mesmo de Woodward por não poder ajudá-lo; mas nas pessoas que tiraram da minha vida a última pessoa que me amava. “Não foi culpa dele,” disse Maddox, ecoando meus próprios pensamentos. “Digo, de Woodward. Pelo que podíamos dizer, ele fez o que pôde. Tentou proteger Connor. Temos certeza disso.” Tristemente eu assenti. Estava tudo fodido, do início ao fim, de cabo a rabo. Eu não precisava saber os detalhes do que Connor estava fazendo, apenas que ele valorizava o suficiente para arriscar sua vida por isso. A única pergunta real que eu precisava que fosse respondida era quem era o responsável. “Estamos chegando lá, Dallas,” disse Austin. “Só vai levar um tempinho.” Coloquei alguns ovos mexidos em um pedaço de torrada e coloquei tudo na minha boca. Embora já passasse do meio-dia, eu ainda estava com vontade de tomar o café da manhã. Caramba, eu só tinha acordado há um pouco mais de uma hora. A noite passada foi... bem..., agitada. “O que foi agora?” perguntei. “Temos algumas coisas para resolver,” disse Maddox. Havia um duplo sentido ali em algum lugar. Ele gesticulou para o nosso não tão pequeno banquete. “Logo após isso.” “Como o quê?” Ele lançou um olhar rápido para Austin.“Como verificar o último apartamento de Connor novamente,” ele disse. “Ainda não conseguimos ver tudo. Pode ser que tenhamos deixado passar algo.” Eu mastiguei um pouco de bacon e me levantei. “Tá bom. Deixe-me tomar um banho, e...” “Banho, sim,” Maddox interrompeu. “Vir conosco? Não. Você fica aqui.” “O caralho que eu...” “Dallas,” disse Austin, você não pode ir para todos os lugares conosco. Além disso, precisamos que você arrume nossas malas. “Temos que ser rápidos, temos menos de uma hora.” Minhas sobrancelhas se levantaram. “Estamos indo embora?” “Provavelmente, sim,” Maddox confirmou. “Não há mais nada para nós aqui. Devemos ir para casa, ver o que Kane conseguiu descobrir.” Casa. De repente, era uma boa palavra novamente. Uma palavra acolhedora. A ideia de ver Kane novamente me animou também. Eu ainda queria ir com eles. Abri minha boca, um protesto já armado e carregado em minha mente. Mas eu estava muito cansada. Exausta demais até mesmo para argumentar. “Tudo bem,” suspirei, caindo de volta na cama. “Vou ficar e fazer as malas.” Austin sorriu. “Como eu disse, você é a...” “Melhor,” eu grunhi, minha boca me traindo com um mínimo indício de um sorriso. “Entendido. Seja lá o que diabos isso signifique.” Voltei para a maciez do nosso edredom mais recente, o cheiro fresco de amaciante ainda pairando sobre a superfície. Esticando meus braços e pernas em quatro direções diferentes, gemi satisfeita. “Quando vocês voltarem...” Ambos pararam de comer ao mesmo tempo. De repente, eu tinha toda a atenção deles. “Vão abusar de mim novamente?” Austin casualmente enxugou o queixo com um guardanapo. Maddox deu uma risadinha. “Afinal,” eu ronronei. “Não podemos deixar que esses lençóis frescos sejam desperdiçados.” Capítulo 45 DALLAS A ducha foi batismal; uma corrente quase escaldante de água abençoadamente quente que me limpou, mente, corpo e alma. Pena que não poderia lavar meus pecados. Não com essa pressão da água, com certeza. Que pecados, Dallas? Eu ri enquanto desligava a água, então me inclinei para sacudir meu cabelo. Certamente eu havia feito algo errado. Por outro lado, devo ter feito algo certo também. Por pior que eu fosse, uma garota não acabava na posição em que eu estava sem fazer algumas boas escolhas ao longo do caminho também. Era uma coisa engraçada, ter escolhas novamente. Finalmente ser capaz de tomar minhas próprias decisões, em vez de jogar os dados do destino. Desde que perdi Connor, as coisas meio que aconteceram comigo. A morte do meu irmão, a perda da minha casa, meu emprego, minha vida... a ilusão do livre arbítrio se foi, substituída por uma série de eventos terríveis além do meu controle. E agora... Agora eu tinha Maddox, Austin e Kane. Três homens que eu ousava dizer que me amavam, ou que, pelo menos, estavam apaixonados pela ideia de me manter a salvo do mal. E eu os amava também. A plena realização veio a mim na noite passada, olhando para o teto. Aninhada entre eles, sentindo o ritmo lento de sua respiração em cada lado de mim... todo o sofrimento que passei provocou alguns pensamentos muito profundos. Estava tudo bem em amá-los? Connor amava, com certeza. Ele os amava como amigos, como camaradas, como irmãos. E, no entanto, para nós quatro, era tarde demais. Já estávamos longe demais para voltar. Muito profundamente entrelaçados no sentido físico e emocional para fingir que não nos conectamos nos níveis mais profundos... ou trepamos incontrolavelmente em uma varanda com vista para um beco, no fundo do French Quarter. E sim, eu os amava por quem eles eram e pelo que compartilhamos. Eu suspeitava que fosse assim com Connor também, eu só queria poder ter visto meu irmão perto deles. Pensei em todas essas coisas enquanto entrava em nosso quartinho pitoresco, vestindo o roupão velho e áspero que o hotel havia nos dado. Eu tinha uma toalha enrolada no meu cabelo também, quando saí para a varanda e olhei para a Praça Central. Mesmo agora, as multidões eram enormes. Era domingo, o dia do desfile de Orfeu. O dia anterior à Segunda-feira de Carnaval. Dois dias antes da chamada ‘Terça-feira gorda’, quando tudo, incluindo o beco abaixo de mim, ficaria absolutamente louco. Caramba. Eu meio que gostaria que estivéssemos aqui para ver isso. Inclinei-me alegremente contra a varanda, dando-me alguns minutos finais de relaxamento antes de me preparar para fazer as malas. Queria me lembrar desse lugar. Caramba, eu queria lembrar desta varanda. Este corrimão... Este... Meu processo de pensamento se dissipou quando avistei alguém no meio da multidão. Era um homem. Um homem muito alto e esguio, usando o que parecia ser uma estranha máscara de animal. Ele se parecia com cada uma das outras cem pessoas que o cercavam em todas as direções. Só que este homem estava olhando diretamente para mim. Não, ele não pode estar olhando para... Eu tive certeza disso. Engoli em seco e dei um passo para trás, ainda sem tirar os olhos do estranho mascarado. Ele ficou lá olhando para trás, completamente imobilizado. Totalmente imóvel e deslocado, enquanto a multidão subia, se contorcia e serpenteava ao redor dele. Então ele começou a andar em minha direção, e meu coração acelerou. Ele não está vendo você, a vozinha na minha cabeça ponderou. Isso é impossível. Com certeza não parecia impossível. Especialmente porque ele estava ganhando velocidade. E ainda estava andando incisivamente em minha direção. Vindo direto exatamente para o meu beco, quando provavelmente tinha uma dúzia de outros para escolher. Dallas... O homem continuou vindo, e percebi que meu corpo estava congelado de terror. Meus pés estavam grudados no chão da varanda. Todos os músculos das minhas pernas de repente pararam de funcionar ao mesmo tempo. Dallas! O homem mascarado chegou à beira da praça, então irrompeu no beco. Meu beco. Ele estava praticamente correndo agora, ainda subindo a rua lateral. Ainda seguindo com determinação sombria diretamente em direção à porta do nosso hotel. Ele bateu em seu rosto, e sua máscara voou. Minha respiração ficou presa na garganta. Era ele. Quando o reconheci, ele já estava lá dentro, já havia desaparecido pela entrada principal do hotel. Eu podia imaginá-lo correndo, saltando pelo saguão. Irrompendo na escada, suas longas pernas subindo três degraus de cada vez. Vindo atrás de mim... Era tarde demais para ficar ali xingando minha inércia. Nosso hotel era pequeno, os corredores apertados. Pior ainda, o elevador era lento e antigo. Havia uma chance de eu conseguir subir as escadas..., mas uma chance igual de ele estar subindo, pronto para me levar. Em vez disso, tranquei a porta e acionei o ferrolho. Era um pedaço frágil de corrente de aço, mas era melhor do que nada. Minhas mãos me traíram, deixando cair a corrente três vezes antes que eu finalmente a deslizasse. Quando o fiz, meu coração estava batendo forte no meu peito. Eu tinha menos de um minuto para me preparar para ele. Com dedos trêmulos, vasculhei a gaveta da mesa de cabeceira. Sabendo, com noventa e nove por cento de certeza, que havia deixado minha arma no porta-luvas do Bronco. Ela se abriu... totalmente vazia. MERDA! Eu podia ouvir passos agora, vindos do corredor. Eu tinha apenas alguns segundos. Corri para o banheiro, então freneticamente de volta para a sala principal novamente. A arma que escolhi era muito ridícula, mas, novamente, era melhor que nada. Fiquei atrás da porta, observando a maçaneta, esperando que ela se movesse. Uma boa parte de mim estava paralisada pelo medo. Mas outra parte – a parte que estava ficando cada vez mais irritada por sempre ter que correr ou se esconder – estava apenas se aquecendo. A maçaneta de vidro vintage balançou com força, mas apenas por um momento. Então, após dois segundos de silêncio, a porta explodiu para dentro em uma chuva de lascas de tinta e fragmentos de madeira. Capítulo 46 DALLAS O homem com o cabelo totalmente branco irrompeu pela porta com a perna primeiro, o impulso de seu chute o carregando.O barulho foi alto. Violento. Em sua pressa, ele tropeçou em alguns pedaços da porta centenária, que o desequilibrou por um momento. Mas um momento era tudo que eu precisava. Eu gritei como uma alma penada quando bati a tampa do vaso sanitário contra a parte de trás do crânio do intruso. Ela o atingiu firmemente, com um barulho repugnante, mas que alcançou o objetivo. O golpe o acertou antes que ele pudesse se recuperar, fazendo-o girar pela sala e bater de cabeça na parede oposta. Então ele desmoronou em um monte de sangue e poeira. Olhei para baixo, segurando um pedaço irregular de porcelana. Os dois terços superiores da tampa do vaso sanitário haviam sumido agora – quebrados em um milhão de pedaços. Larguei minha arma improvisada. O homem estava imóvel. Sem vida. Encostei na parede para me apoiar, imaginando que talvez eu tivesse matado mais uma pessoa que estava tentando me matar. Deus, eu esperava que sim. Fechei os olhos por um momento, deleitando-me com um estranho sentimento de superioridade. O triunfo vanglorioso de ter vencido um inimigo, em uma disputa no mais alto de todos os níveis possíveis: vida ou morte. A adrenalina subiu por mim, fazendo meus membros tremerem. Eu me perguntei se era assim para meus SEALs da Marinha também. Se Maddox, Austin e Kane haviam experimentado o mesmo tipo de sentimentos no campo de batalha. A mesma euforia, alívio e exultação por um adversário, e até mesmo compartilhado esses sentimentos com meu irmão. Droga, Connor. Agora você me faz matar pessoas também? Eu joguei meu cabelo para trás com uma mão, meus dedos abertos. Não importava o que eu fizesse, ele continuava caindo de volta no meu rosto. Você deveria ter ficado conosco. Com o passar do tempo, percebi que sentia cada vez mais falta do meu irmão. Talvez isso tivesse algo a ver com os rapazes. Eles estavam mantendo sua memória viva para mim, constantemente falando sobre ele, trazendo-o à tona. Não me permitindo esquecê-lo. Não deixando as memórias – ou a dor que vinha com elas – desaparecerem. E talvez isso também não fosse uma coisa tão ruim. Peguei o pingente do meu irmão, para obter alguma medida de conforto e segurança. Parecia quente na palma da minha mão. Connor, eu desejo... Uma mão se fechou sobre a minha! Meus olhos se abriram, e o que vi foi aterrorizante. O homem estava em cima de mim! De alguma forma ele se arrastou, seus olhos estavam selvagens, seu cabelo grudado na cabeça por um capacete de sangue coagulado. “AHHH!” Tentei empurrá-lo, mas ele era muito forte. Tentei escapar debaixo dele, mas ele era muito grande. Eu bati meus punhos contra suas costas. Então suas mãos foram para o meu pescoço, dedos abertos, trêmulos... alcançando... Eu chutei, e consegui me afastar apenas o suficiente para ele errar. Mas seus olhos, desfocados como estavam, ganhavam força e coerência. De repente, ele estava de pé. “DALLAS!” Eu virei, e houve um borrão de movimento. Alguém voou sobre mim, colidindo com o homem de cabeça. Eles se esparramaram pela sala, na direção da sacada. O que... Eu vi Austin ao meu lado. Ele estava com a pistola, mas não a estava mirando. Em vez disso, ele a estava virando na mão, com a coronha para a frente. Ele deu um passo à frente, com a intenção de usá-la como um bastão e… Zás! O intruso escorregou das mãos de Maddox. Sem olhar para trás, ele saltou sobre o parapeito e caiu dois andares na rua, caindo com um baque surdo – PAM! Um alarme de carro disparou. Corremos para a beirada da sacada, bem a tempo de ver o homem se levantar. De alguma forma, incrivelmente, um carro amorteceu sua queda. Ou ele quebrou o carro, ou eles quebraram um ao outro, ou... “Não!” A mão de Maddox interveio, assim que Austin estava prestes a atirar. Ele a fechou sobre o braço de Austin e o empurrou para baixo, desviando o cano da arma para o chão da varanda. “Não faça isso, cara,” ele engasgou. “Muita gente.” Austin urrou de frustração, gritando para o céu. Ainda assim, ele sabia que Maddox estava certo. Juntos, observamos o homem de cabelos brancos fugir pelo beco, deixando um rastro de gotas de sangue vermelho vivo atrás dele. Ele dirigiu-se imediatamente para o grupo de foliões mais próximo. Chegou à beira da rua e mancou no meio da multidão, apenas mais um rosto estranho derretendo no caos. “PORRA!” Austin ainda estava possesso. Ele se virou para Maddox, sua expressão cheia de ira. “Não deu para segurá-lo,” disse Maddox, como um pedido de desculpas. Ele ergueu um par de mãos manchadas de sangue. “Escorregadio demais.” Algumas pessoas estavam olhando para nós. Alguns deles até aplaudiram, provavelmente bêbados, sem dúvida pensando que nossa luta era parte de algum pequeno ato. Finalmente, fechamos as portas da varanda. Demorou mais um minuto ou dois para nos acalmarmos, e então os rapazes estavam em cima de mim imediatamente. “Você está ferida?” “Não,” eu disse, balançando a cabeça. “Não, estou bem. Ele... ele entrou, quero dizer, ele invadiu, e nós lutamos, e...” “O que aconteceu com ele?” Maddox perguntou, olhando ao redor. “Eu bati nele.” Os rapazes ainda estavam incrédulos. Havia detritos por toda parte. Lascas de madeira, pedaços da moldura da porta. Centenas de lascas irregulares de porcelana branca pura… “Com que diabos você bateu nele?” Austin perguntou. “Tampa do vaso sanitário.” “Jesus Cristo,” ele exclamou com admiração. Seu sorriso finalmente voltou. “Boa!” “Obrigada,” respirei aliviada. “Eu vi isso em um filme uma vez.” Um jovem casal passou no corredor. Eles deram uma olhada pela porta quebrada – para mim ainda de roupão, para os rapazes parados no meio do campo de detritos – e continuaram andando. “Precisamos sair daqui,” disse Maddox. “E rápido.” Eu balancei a cabeça, olhando para o meu roupão salpicado de sangue. Virei-me na direção do banheiro, quando fui atingida no peito por uma pequena pilha de roupas. “Você provavelmente deveria vestir algo,” sorriu Austin. Capítulo 47 DALLAS Saímos de Nova Orleans às pressas, pegando um táxi diretamente para o terminal e o primeiro voo disponível de volta a Las Vegas. Chegamos ao portão quando o avião estava prestes a se desprender da rampa de embarque e nos acomodamos em nossos assentos assim que a aeronave começou a taxiar para a decolagem. Nem vinte minutos depois disso, os dois rapazes estavam dormindo profundamente em cada um dos meus ombros. Eu me contorci para trás em meu assento, aceitando uma água da comissária de bordo desta vez, em vez de álcool. Tinha sido um final de semana louco. Um turbilhão de sexo e libertinagem, de ziguezaguear entre as multidões, de correr, rir e fugir, de luta e derramamento de sangue. Exatamente como sempre imaginei que o Mardi Gras poderia ser. “Você deveria estar aqui, Connor,” eu suspirei, levantando meu copo de plástico e brindando ao meu irmão invisível. Então, depois de olhar para a esquerda e para a direita para meus dois amantes adormecidos: “Hummm... pensando melhor... talvez não.” O voo foi tranquilo e acabou rápido. Depois de pegar nossas malas, voltamos para casa, o ar frio do deserto revigorando nossos corpos cansados enquanto descíamos nosso quarteirão e entrávamos na garagem. Kane estava lá para nos receber, descansando confortavelmente em uma das cadeiras na varanda da frente. Um rifle descansava casualmente em seu colo, sua mão acariciando-o distraidamente como se fosse um gato. Isso me fez pensar se ele ficou sentado assim o tempo todo que estivemos fora. Ele se levantou apenas quando cheguei à porta, pegando-me em seus braços grandes e fortes. Apertando-me com força, mas ao mesmo tempo suavemente contra seu lindo peito, antes de pegar minhas malas e carregá-las para dentro. “O café está pronto,” disse ele, deslizando uma das cadeiras da cozinha. Eu podia ver que ele já havia se servido de uma xícara. “Você primeiro?” Maddox perguntou a ele. Kane coçou o queixo, que estava coberto por três dias de barba por fazer. “Claro,” ele grunhiu finalmente. “Por que não?” Nós nos sentamos e ouvimos enquanto ele narravaseu final de semana, que incluía tempo igual passado em casa e na base. Aparentemente, ele estava 'farto de fugir', e que qualquer um que quisesse um pedaço dele poderia 'vir logo e pegá-lo'. Austin riu. Maddox deu uma risadinha. No entanto, nós três sabíamos, todo o humor à parte, que ele quis dizer tudo o que disse com uma seriedade mortal. “Foi tudo morto por aqui,” disse ele, apontando a cabeça para a parede mais próxima. “Todo o final de semana. Nem um pio, nem um puxão, nem nada.” “Mesmo durante o período em que você estava fora?” perguntou Austin. “Na base?” Kane assentiu do seu canto da cozinha. “Verifiquei as câmeras e todas estavam vazias. Cada sequência de imagens, cada ângulo.” Ele cruzou os braços e se recostou na cadeira. “A menos que eles tenham feito um túnel, ninguém veio à casa.” Os caras se entreolharam. Maddox levantou uma sobrancelha. “Você sabe o que isso significa.” Kane assentiu novamente. Mas agora eu estava confusa. “O quê?” perguntei. “O que isso quer dizer?” “Significa que quem veio aqui,” disse Austin, “perdeu todo o interesse depois que você se foi.” Minhas sobrancelhas se uniram. Eu ainda não havia entendido. “Por que eles perderiam...” “Porque eles estão atrás de você, Dallas,” disse Maddox. “Você é o objetivo principal deles. Eles nos seguiram até Nova Orleans, e com certeza nos seguirão de volta.” A confusão se transformou em percepção. De repente me senti enjoada. Você os está colocando em perigo. As palavras eram arrepiantes, mas também eram a verdade. Esses homens com quem de repente eu me importava tanto... eu estava colocando suas vidas em risco. O que quer que essas pessoas queiram, tem a ver com você. “O que eles querem de mim?” eu supliquei. “Eles já pegaram Connor. Por que eles continuariam vindo atrás de mim, mesmo depois que meu irmão estava morto?” “Vingança?” Austin arriscou. Mas Kane balançou a cabeça. “Não é vingança.” “Como você sabe?” “Acredite em mim,” disse meu maior protetor. “Eu apenas sei.” Austin não parecia convencido. Ele torceu o nariz em descrença. Mas foi Maddox quem deslizou sua cadeira em minha direção. “Pense, Dallas,” ele disse, e não pela primeira vez. “Eles querem você... ou querem algo de você.” Eu estava lutando arduamente para manter o controle, para evitar que os sentimentos mais fortes tomassem conta de cada extremidade do meu espectro emocional. Eu queria rir. Queria chorar. Queria fazer um buraco em cada parede da casa. “O que você poderia ter que eles pudessem querer?” Austin entrou na conversa. “Alguma coisa. Qualquer coisa...” “Eu não tenho absolutamente nada!” gritei, caindo em lágrimas. “Ou vocês não se lembram?” Os três ficaram em silêncio agora, olhando para mim com pena. Eu não queria a pena deles. Eu queria amassar a pena deles em uma bola e enfiá-la de volta em suas gargantas. “Vocês estavam lá, vocês três. Vocês me viram perder tudo! Minha casa, minhas coisas, todos os meus últimos bens!” eu funguei com força, tentando respirar. “Não sobrou nada,” continuei. “Perdi meu telefone, meu computador… até os álbuns de fotos da minha família.” Essa última parte foi como um picador de gelo no coração. Uma pontada de dor lancinante, me lembrando de algo que eu tentei tanto esquecer. “Eu... eu não tenho mais nem fotos deles,” chorei. “Minha mãe, meu pai – eles se foram há tanto tempo que estão desaparecendo na minha cabeça. Desaparecendo em meu coração.” engoli em seco. “Eu não quero que isso aconteça com Connor! Eu preciso lembrar do meu irmão. E vocês precisam me ajudar. Mas eu... eu acho...” Todo o desamparo foi embora abruptamente. A raiva transbordou. Eu estava absolutamente furiosa com tudo e todos ao mesmo tempo. Levantei-me tão rápido que derrubei minha cadeira. “Dallas...” “Não me venha com ‘DALLAS’!” Eu gritava para qualquer um deles que dissesse isso. “Vocês têm um ao outro, pelo menos. Vocês sempre terão um ao outro. Mas Connor... Connor se foi. Desapareceu para sempre da minha vida, assim como todos os outros.” Olhei de volta para eles acusadoramente, sua pena só aumentando minha raiva. “Dallas, escute...” “Não, escutem vocês!” eu gritei. “Vocês nem imaginam como é. Vocês não têm como...” “DALLAS!” alguém exclamou subitamente. Parei no meio do meu discurso, meu corpo inteiro tremendo, lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. Duas caíram simultaneamente de cada lado do meu rosto, correndo uma contra a outra no chão. “Dallas,” disse Kane novamente, sua voz apenas um pouco mais baixa desta vez. “Você disse que veio para cá com nada além da roupa do corpo?” Não era uma afirmação, era uma pergunta... e uma que fazia pouco sentido. Eu inclinei minha cabeça e olhei para ele friamente. Havia um questionamento em meus olhos. “Sim,” eu praticamente cuspi a palavra. “Aonde você quer chegar?” Lentamente Kane levantou seu braço. Ele estendeu um dedo grosso e apontou diretamente para mim. “Então o que é isso em volta do seu pescoço?” Capítulo 48 DALLAS Estendi a mão sem pensar, minha mão se fechando reflexivamente sobre o pequeno pingente em forma de diamante. O pingente do meu irmão. “Connor deu para mim,” eu disse defensivamente. “Quando?” Tive que pensar por um momento. “No meu aniversário,” eu disse, me lembrando. “Ele... ele me enviou isso no meu aniversário.” “Enviou para você?” “Sim,” eu disse, abaixando minha cabeça. A tristeza ameaçava tomar conta de novo. “Foi... foi...” “A última coisa que ele enviou para você antes de morrer,” Kane terminou para mim. Balancei a cabeça tristemente. Alguns momentos de silêncio se passaram e Maddox pegou minha cadeira. O único ruído em toda a cozinha era o tique-taque do relógio de parede de plástico barato. Eu realmente deveria ter comprado um melhor. “Havia um bilhete quando ele o enviou?” perguntou Kane. “Um cartão ou algo assim?” Eu funguei novamente. As lágrimas ainda vinham. “Não.” “Mano,” Maddox interveio. “Chega com as perguntas de Connor, né? Ela está chateada. Ela está...” Kane interrompeu a frase de seu amigo com um olhar duro e assustador. Relutante, mas definitivamente, Maddox recuou. “Sem bilhete, sem cartão,” respondi, pensando. “Apenas o pingente.” Pensando bem, foi algo que eu achei estranho na época. Connor sempre me mandava cartões de aniversário. Ele também gostava de escrever bilhetes, dando pistas de onde estava ou o que poderia estar fazendo. “Um pingente...” Kane perguntou, apertando os olhos, “ou um medalhão?” Levei um momento para reagir ao que ele estava dizendo. Quando percebi o que ele estava querendo dizer, pisquei. “Posso vê-lo?” Lentamente, estendi a mão e soltei a fina corrente de prata. O pingente brilhava, balançando pesadamente na minha mão. Pela primeira vez desde que o coloquei, eu realmente olhei para ele. Nunca foi particularmente bonito, mas também não era feio. Era mais grosso do que parecia, com bordas lisas e arredondadas. E talvez não fosse uma forma de diamante, no final das contas. Talvez fosse quadrado em uma das bordas. Meu braço tremeu um pouco quando o entreguei a Kane. Todos se aproximaram um pouco mais enquanto ele o virava na palma da mão. “Olhem. Tem dobradiças.” Ele tentou abri-lo, gentilmente no início, depois adicionando mais pressão. Mas seus dedos eram muito grandes, grossos e calejados. “Aqui,” disse Austin. “Deixe-me tentar.” Ficamos ali na cozinha, esperando em silêncio enquanto Austin enfiava duas unhas em um vinco quase invisível em frente às dobradiças ocultas. Ele empurrou com força por alguns segundos... CLICK. O pingente – agora medalhão – se abriu. Nós quatro quase batemos de cabeça tentando ver o interior. Ele balançou o medalhão suavemente contra a palma da mão. No terceiro golpe, algo apareceu. “Puta merda,” Austin xingou. ‘É um chip!” Maddox apertou os olhos. “Um o quê?” “Um chip de memória!” ele exclamou. “Você quer dizer como um SIM card?” “Não, nada disso,” disse Austin. Ele segurou o chip para que todos pudessem ver. “Este é um chip de memória flash NOR, frequentemente utilizado no meio militar.” Kane pegou o pingentedele e o fechou. Com um sorriso gentil, ele o colocou de volta na minha mão. “O que você acha que tem nele?” “Quem diabos sabe?” disse Austin. “Algo bom, no entanto. Algo grande.” Eu raspei minha garganta. “Algo pelo qual meu irmão morreu…” A cozinha ficou mortalmente silenciosa novamente. Eu não estava tentando ser dramática, apenas saiu dessa maneira. “Falei por falar.” Todos assistiram enquanto eu colocava o medalhão em volta do meu pescoço. Quando eles tiveram certeza de que eu estava bem, voltaram a olhar para o pequeno chip preto. “Espere um minuto!” Maddox gritou de repente. “É isso!” Minhas sobrancelhas se uniram em confusão. “O quê?” “Isso é o que Connor quis dizer na gravação!” ele desabafou. “A parte que é cortada. A parte em que ele diz ‘minha irmã tem’…” Todos nós nos entreolhamos. Uma a uma, nossas expressões cruzaram com a mesma percepção sombria. “Então você teve isso o tempo todo,” Austin exclamou. “Todo esse tempo. Isso é o que seu irmão estava tentando nos dizer. Esfreguei meus olhos com força. Tudo estava acontecendo tão rápido. “Vamos colocar no computador,” disse Maddox animadamente. “Ver o que está nele.” Mas Austin balançou a cabeça. “Não funciona assim.” “Por quê?” perguntei, alarmada. “Não podemos ver o que tem nele?” “Não com a configuração que tenho atualmente,” ele disse. “Esta é uma tecnologia mais antiga. Final dos anos 80.” Ele revirou os olhos para o teto. Era algo que ele sempre fazia quando estava pensando. “Mas eu conheço um cara…” “Um cara?” “Sim. Ele é da velha guarda. Um ex-hacker, da época dos modems, sistemas BBS e... “Onde está esse cara?” Kane interveio. “Chame-o. Traga-o aqui.” Austin riu. “Ah, acredite em mim. Ele não sai muito de casa.” Maddox deu de ombros. “Então nós vamos até ele. Agora mesmo, se ele ainda estiver acordado.” “Ele provavelmente está,” disse Austin. “Só que... ele está em Los Angeles.” Os ombros de todo mundo caíram. “Eu vou amanhã,” disse Austin. “Primeira tarefa da manhã.” “Bom,” eu disse. “Todos nós vamos.” Austin fez uma careta. Não era uma cara boa. Era o tipo de cara que sempre precedia as más notícias. “O quê?” perguntei. “Vocês estão me dizendo que eu tenho que ficar aqui?” “Não, não apenas você,” ele disse. “Todos.” “Por quê?” perguntou Maddox. “Isso é importante pra caralho. Agora que sabemos o que esses idiotas estão procurando, devemos todos ir. Juntos nós podemos...” “Esse cara,” Austin o interrompeu. “Ele se assusta facilmente. Ele confia em mim, mas vai recusar se eu levar alguém. Ele não é exatamente... bem...” “Mentalmente são?” perguntei. “Isso,” Austin reconheceu. “Além de algumas outras coisas também.” Soltei um suspiro longo e trêmulo. “Então ele é o hacker paranoico por excelência que mora no porão da mãe dele e só fala com você, e apenas você sozinho?” perguntei habilmente. “Tudo isso, exceto a parte do porão da mãe,” disse Austin. “Este cara tem dinheiro. Muito dinheiro.” ele balançou a cabeça. “Também não é exatamente dinheiro legítimo, e é por isso que ele é tão cuidadoso.” Maddox esfregou o pescoço. “Certo, tudo bem.” “Além do mais,” acrescentou Austin, “ele tem uma longa lista de razões para ser paranoico. Razões legítimas.” “Já chega,” disse Kane. “Entendemos. Você vai sozinho.” Austin colocou o chip na palma da mão e assentiu. “É uma viagem de seis horas. Sairei cedo e estarei de volta ao anoitecer.” Ele apertou a mão que segurava o chip. “Talvez no dia seguinte, dependendo se os dados estiverem criptografados ou não.” Tudo isso era grego para mim. E se você me perguntasse, teria sido grego para Connor também. Pensando bem, havia muitas coisas sobre meu irmão que eu ainda não sabia. “E se estiver criptografado?” perguntei. Austin abriu um sorriso largo. A animação em seus olhos era meio fofa. “Então meu cara conhece um cara…” Capítulo 49 DALLAS Já passava da meia-noite quando saí do meu quarto, caminhando silenciosamente para o corredor. Eu estava irremediavelmente inquieta. Nem sequer cansada. Principalmente porque ficamos acordados até tarde nas últimas noites e eu estava me acostumando com um horário noturno. Mas era mais que isso, também. Eu queria ver Kane. Fiquei chocada ao encontrá-lo no final do corredor, mais uma vez olhando pela mesma janela grande. A luz estava estranha esta noite. Mais roxa do que azul, com menos luar do que antes. Aproximando-me dele lentamente, eu me perguntei se deveria falar. Ele estava sem camisa novamente. E parecia estar em transe, quase dormindo enquanto se encostava na velha moldura. Mas então eu o vi mudar, e sua cabeça virou na minha direção. Eu ri silenciosamente de mim mesma por ter pensado que poderia me aproximar de um SEAL da Marinha sem ser percebida. “Alguma coisa boa lá fora esta noite?” Me encostei nele, e ele deslizou o braço em volta de mim. O movimento era familiar, como se fizéssemos há anos. “Areia. Poeira. Deserto.” Olhei para fora com ele. “Meio chato.” “Sim.” Eu me perguntei o que era, o que o mantinha acordado à noite. Com que tipos de demônios ele poderia estar lutando em sua cabeça. Poderia ter sido simples insônia, é claro. Mas poderia ser pior. De qualquer maneira, eu não iria perguntar. Ele me diria se quisesse. Em vez disso, suspirei baixinho e mudei de rumo. “Acha que vamos pegá-los antes que eles nos peguem?” O enorme soldado mal registrou a pergunta, exceto pela sua boca se esticando em um meio sorriso apertado. “Ah sim.” A maneira como ele disse isso foi reconfortante. Com confiança, não bravata. “A questão é pegar todos eles,” disse Kane. Os músculos de seu ombro se encolheram um pouco, enquanto eu os admirava. “De um jeito ou de outro.” Abri a boca e depois a fechei, percebendo que minha próxima pergunta era tola. Eu sabia exatamente o que ele quis dizer. “Você está bem com isso?” ele perguntou. Apertei meu corpo contra o dele. “Mais do que bem.” “Boa garota.” Deus, ele era tão incrível! Tão grande, forte e seguro de si. Fisicamente, ele era um guerreiro. Emocionalmente, ele e eu tínhamos conexões silenciosas que eu jamais poderia esperar entender. Eu me sentia muito segura com ele. Segura estando ao redor dele. E ele era sensato, também. Falava tão raramente que fazia cada palavra que dizia ter muito mais peso. Você o ama. Eu realmente amava! Assim como amava os outros também, mas de uma forma diferente. Com Kane, nosso vínculo não era algo que precisava ser ratificado ou constantemente reafirmado. Por dentro e por fora, ele era o homem perfeito. “Eu nunca vou me perdoar,” ele disse abruptamente, ainda olhando pela janela, “pelo que aconteceu com Connor.” Meu coração ficou despedaçado. Eu queria abraçá-lo! Deslizar meus braços firmemente ao redor dele e fazê-lo perceber que eu estava lá, que ninguém o culpava, e que Connor tinha feito suas escolhas de merda por conta própria. “Kane,” eu disse. “Você não pode...” “Eu sei,” ele disse rapidamente. “E eu entendo isso. Ainda assim...” Todo o seu corpo ficou tenso ao mesmo tempo, cada músculo se contraindo em uma demonstração assustadora de força e poder. Até sua mandíbula ficou apertada. As próximas palavras que saíram de sua boca foram concisas e inflexíveis. “Eu vou pegar todos que o traíram,” ele rosnou ameaçadoramente. “Cada um desses filhos da puta.” Eu balancei a cabeça em seu peito, indicando que eu entendia. Que eu estava atrás dele. Ao lado dele. Independentemente do que acontecesse. Não tenho certeza de quanto tempo ficamos ali. Se foram mais cinco minutos, quinze ou cinquenta. A parte importante era estarmos abraçados. Olhar para aquele horizonte escuro onde não se via nada, enquanto nossas almas falavam longamente uma com a outra. “Falei com Maddox e Austin,” ele disse finalmente. “Parece que vocês... se divertiram neste final de semana.” Olhei para cima e vi seu sorriso maroto. Eu só pude sorrir de volta para ele. “Sim,” eu disse com uma risadinha. “Acho que você e eu temos que conversar.” “Um tipo de boas-vindas, na verdade,” Kane assentiu. “A menos que você tenha esquecido?” Eu ri novamente.“Esquecido? Por favor.” Fiquei na ponta dos pés e me apertei contra ele. “É por isso que eu saí do meu quarto esta noite para começar.” Os olhos de Kane encontraram os meus, então ele me levantou no ar como se eu não fosse nada. Meus braços foram para cima dos seus ombros, minhas pernas deslizando ao redor de seu torso quente e nu. Então nós nos beijamos, com fome e intensidade. Repetidas vezes, na silenciosa santidade do nosso pequeno salão sombrio. “Leve-me para o seu quarto,” sussurrei, quando finalmente me libertei de seus lábios. Meu amante balançou a cabeça e sorriu. “Seu quarto desta vez,” ele disse, nos levando naquela direção. “Cheira como você, e é muito mais suave e agradável lá dentro.” Capítulo 50 KANE Era quente pra caralho dentro dela. Quente, úmido e espetacularmente bom. Ela estava absolutamente incrível com seu corpo colado ao meu, meu braço firmemente ao redor de sua cintura, prendendo-a firmemente contra mim enquanto eu mordiscava seu ombro. Era muito confortável transar com ela de ladinho. Desse jeito, eu podia beijá-la tanto quanto eu quisesse. Beijá-la enquanto me enfiava profundamente dentro dela, inclinando seu queixo para trás em minha direção enquanto continuava entrando e saindo. “Baby…” Os gemidos dela eram suaves. Meros sussurros de palavras. Cada vez que um hálito quente deixava seus pulmões, eu podia senti-lo em meus próprios lábios. “Ah honey...” Ficamos transando por muito tempo. Fazendo isso devagar, preguiçosamente, meus braços em volta dela enquanto eu a penetrava por trás. Minhas mãos estavam livres para percorrer seus seios perfeitos. Elas trilharam o caminho até seu pescoço, onde apliquei pressão suficiente para deixá-la ofegante de prazer, mesmo enquanto ela chupava, um por um, os dedos da minha mão livre em sua boca molhada e desesperada. “Porra, Kane,” ela ofegava avidamente. “Me foda...” Deus, como eu senti falta dela. Muito mais do que eu queria. Muito mais do que eu pensei que iria sentir, até mesmo porque ela só esteve fora poucos dias. Parte de mim continuava dizendo a mim mesmo que isso era um problema. Que eu estava entrando nisso muito fundo, muito rápido. Ficando muito apegado a alguém que poderia, a qualquer momento, ser literalmente arrancada da minha vida. Assim como Connor. Eu grunhi e empurrei mais forte, deixando de lado todas as minhas frustrações, preocupações e medos. Dallas respondeu gemendo ainda mais alto e me pedindo para fodê-la ainda mais profundamente do que eu já estava. Depois do que aconteceu com seu irmão, nada me impediria de protegê-la. Eu confiava em Maddox e Austin o suficiente para cuidar dela enquanto eu ficava para trás. E, no entanto, pelas histórias que me contaram, ela quase foi... quase foi... “Ahhhhhhhhhhhhhhhh...” Flexionei meu braço quando ela gozou, puxando-a para mim com tanta força que tirei o ar de seus pulmões. Eu podia sentir sua bunda macia e flexível se esfregando em mim. As contrações rítmicas de sua boceta me ordenhando, repetidamente, através de uma série inesquecível de palpitações e pulsações orgásticas. Não Goze. Não ainda. Caramba, é mais fácil falar do que fazer! Cada terminação nervosa do meu corpo estava de pé, me dizendo para entrar em erupção. Dando-me total permissão para explodir dentro dela, enchendo-a com três dias agonizantes do meu gozo quente e suculento. De alguma forma, por algum milagre, consegui não gozar. E isso foi apenas porque eu estava aproveitando demais. Saboreando a sensação de estar dentro dela enquanto a segurava, de deixar meu pau latejante apenas marinar feliz, no fundo de seu ventre. “Baby...” Dallas suspirou. Ela virou a cabeça para me encarar novamente, com sua pele perfumada de jasmim e seus cabelos loiros macios. “Apenas deixe fluir...” Seus lábios eram carnudos e cheios, e estavam apenas ligeiramente molhados quando ela mordeu o inferior. Eu me inclinei e a beijei, e meu corpo inteiro explodiu com calor e amor. Vá em frente. Fale. Eu queria tanto gozar dentro dela. Eu já tinha feito isso uma vez e não foi o suficiente. A última vez tinha sido uma espécie de vale-tudo, uma orgia de desejo e luxúria e necessidade sexual crua. Mas isso... agora... Agora eu queria consumar nossa união. Queria preenchê-la, sim, mas queria beijá-la enquanto o fizesse. Eu queria que ela soubesse como eu realmente me sentia. Precisava que ela percebesse toda a extensão dos meus sentimentos. Diga a ela. Minha mente estava gritando para eu parar de ser ridículo. Que não poderia ser assim. Mas meu coração estava dizendo a minha mente para calar a boca. Apenas diga a ela. Eu não pude segurar mais. O gozo estava fervendo nas minhas bolas. Em segundos ele iria avançar, correndo para fora de mim. Seria derramado nela em um momento glorioso de puro êxtase, enchendo-a até transbordar. DIGA! Nossas bocas estavam presas uma na outra, nossas línguas ainda dançando quentes. Mas no último momento eu puxei minha cabeça para trás. Naqueles últimos segundos, enquanto meu pau pulava no primeiro pulso eufórico, as palavras que eu não conseguia dizer em voz alta ainda se formavam em meus lábios e língua. Eu te am... Eu congelei... e lá estava Dallas, seus olhos grudados nos meus. Seu rosto estava resplandecente. Sua expressão emocionada, sorrindo. “Eu também te amo,” ela sorriu, então me beijou. “Agora goze em mim...” Eu não apenas explodi, eu detonei. Ela agarrou minha cabeça enquanto eu me empurrava para frente, perfurando-a até o núcleo. Cada contração era uma alegria totalmente nova, cada pulsação me trazendo agonizantemente para mais perto do céu. Nossas línguas dançaram novamente e nos beijamos com força, meu pau inchado inundando sua boceta, devorando um ao outro em uma tempestade de calor e paixão. Continuei disparando jatos e convulsionando, atirando-me tão profundamente, tão completamente dentro dela, que se o universo terminasse naquele exato momento, nenhum de nós teria se importado em toda a porra do mundo. Parecia que nunca iria acabar. Eu continuei me derramando nela através da intimidade de nossa conexão, e Dallas me abraçando rápido, me beijando enquanto o mundo girava ao nosso redor. Quando finalmente acabou, não nos movemos um centímetro. Eu a mantive presa firmemente contra mim, enrolando meu corpo ao redor do dela sem quebrar nossa conexão. Eu podia sentir o calor de sua feminilidade pulsando ao meu redor. Segurei-me dentro dela enquanto nossos batimentos cardíacos desaceleravam e nossa respiração se tornava regular e adormecíamos rapidamente, juntos, com ela em meus braços. Capítulo 51 DALLAS A luz que entrava pelas janelas da cozinha era brilhante pra caralho, fazendo com que eu cobrisse meus olhos com o braço como um vampiro. Maddox riu enquanto me entregava uma xícara de café. Kane me deu outra coisa: um saco de papel branco simples. “O que é isso?” eu grunhi. “Almoço.” Percebi que ele estava lendo um jornal, enquanto mastigava um cheeseburger grosso e suculento. Era um dos bons, de um dos melhores restaurantes de fast-food. Franzi o nariz. “Que horas são essas?” “Já está de tarde,” disse Maddox. Ele apontou para cima enquanto afundava de volta em sua cadeira. O relógio de parede de plástico marcava uma e meia. Puta merda! “Você vai comer isso?” Kane perguntou, apontando para o resto das batatas fritas de Maddox. “Não.” “Mais para mim então.” Era incrível que eu tivesse dormido até tão tarde. Que eu tivesse dormido tão bem, porque me sentia viva, acordada e revigorada. Mesmo com apenas alguns goles de café. Você tem que agradecer a Kane por isso. Essa parte era verdade, sem dúvida. Depois do que compartilhamos juntos, tanto na janela quanto na minha cama, eu dormi como um bebê em seus braços. “Então, as crianças se divertiram na noite passada?” Maddox riu, jogando os pés para cima. Eu mostrei minha língua para ele e continuei no meu café. Eu não tinha interesse no que estava no saco branco. Ainda. Um pensamento de repente me ocorreu. “Austin deu notícias?” “Nada ainda,” disse Maddox. “Elesaiu por volta das 5 horas. Já deve estar lá. Mas, pensando bem, tem o trânsito de Los Angeles.” Ele balançou a cabeça indignado. “A autoestrada deve estar como um dos sete níveis do inferno. Não consigo imaginar como alguém pode viver lá.” “Nove níveis,” disse Kane. “Nove?” Maddox apertou os olhos. “Você tem certeza disso?” Kane continuou mastigando sem tirar os olhos do jornal. “Sim.” “Círculos,” eu disse eventualmente, aumentando a conversa sem sentido. “O quê?” “São círculos do inferno, não níveis. Pelo menos, de acordo com Dante.” Maddox olhou para mim de um modo estranho. “Quem diabos é Dant...” “Vocês querem ir para o deserto hoje à noite?” Era a pergunta mais estranha, especialmente vindo de Kane. Maddox e eu olhamos um para o outro com curiosidade, depois olhamos de volta para ele. “Para o deserto? Por quê?” “Porque eu fiz algumas pesquisas enquanto vocês três estavam fora,” disse ele. “E eu descobri algumas coisas.” “Descobriu?” perguntou Maddox, incrédulo. Kane assentiu, colocando batatas fritas na boca. “Bem, por que você não disse nada?” Ele deu de ombros. “Ninguém perguntou.” Maddox olhou para mim, sua boca aberta. Ele estava tão engraçado que eu realmente ri. “Então... você vai nos esclarecer?” perguntei. Kane enxugou a boca com o guardanapo e empurrou os restos de sua refeição. “Claro.” Pelos minutos seguintes, ele falou mais sobre seu final de semana. Sobre como ele passou um tempo em Nellis, obtendo todas as informações que podia. Os contatos de Kane eram impressionantes; mesmo na base da Força Aérea, ele tinha muitas pessoas que lhe deviam favores. Ele explicou que havia pessoas ainda mais altas na hierarquia que também deviam favores aos seus contatos e que, ao final, todos acertaram suas contas. Isso me lembrou de algo que Connor disse uma vez, sobre como salvar a vida de alguém poderia mudar o protocolo. Quando você percebe que sua própria existência no planeta Terra é devida a outra pessoa, você tende a cuidar das necessidades dessa pessoa, não importa quais sejam. Mesmo que isso significasse quebrar as regras. Especialmente se isso significasse quebrar as regras. “Eu consegui entrar no estacionamento da frota,” disse ele. “Sabem aquele SUV que Connor estava rastreando – o que perseguimos? O dispositivo já se foi. Eles o encontraram.” “É o que parece,” disse Maddox. “Eu ia plantar outro,” disse Kane. “Na verdade, eu ia colocar um em cada maldito veículo naquela garagem. Mas então um amigo meu arranjou uma coisa melhor. Algo muito mais útil.” Ele se abaixou e tirou um tablet de uma caixa preta plana. Depois de apertar alguns botões, ele o virou para que ficasse de frente para nós. “Eu tinha isso carregado com os últimos três anos de dados do GVT,” disse Kane “e então, fiz uma tonelada de café e revisei.” Inclinei minha cabeça. “GVT?” “É um sistema de rastreamento de veículos do governo,” respondeu Kane. “Mantém um registro de funcionamento de todos os veículos do governo equipados com um sistema GPS, que agora está em praticamente todos eles.” Maddox soltou um assobio baixo. “Caramba, que merda.” “Sim.” A tela que ele estava segurando para nós parecia algo saído de Matrix – um monte de letras e números organizados em colunas verticais aparentemente intermináveis. “Bem, isso é tudo muito bom,” eu ri, “mas para o que estamos olhando?” “Aqui,” disse Kane, batendo na tela. Eu vi mais números, mais letras. Ainda estava confusa. “Este veículo,” disse ele, “foi para o mesmo local no deserto que o SUV que perseguimos.” Ele moveu o dedo um pouco. “As coordenadas batem exatamente.” “Quantas vez...” “Uma vez a cada duas semanas,” disse Kane. “Pelos últimos dois anos. Sempre no mesmo dia da semana – o dia de hoje – e sempre à mesma hora da noite.” Maddox se aproximou da mesa. Ele estendeu a mão e apontou com o dedo. “Estes são os números de identificação do serviço.” “Sim.” Os olhos de Maddox se arregalaram de animação. “Para que possamos procurar quem é esse cara!” Kane balançou a cabeça lentamente para cima e para baixo. De alguma forma, no entanto, ele não parecia tão animado quanto seu companheiro. “Já temos.” Lentamente Maddox afundou de volta em sua cadeira. “Puta merda.” “É exatamente o que estou pensando.” Meu coração estava batendo rápido novamente, meu sangue bombeando. Eu podia realmente sentir o progresso agora, como se estivéssemos finalmente chegando mais perto da verdade sobre Connor. “Então... quem é esse cara?” perguntei com hesitação. Eu vi os olhos de Kane se moverem para baixo, na direção do chão. Soube que algo estava errado imediatamente. Kane nunca olhava para baixo. Mas eu não era a única pessoa na sala que sentia isso. “É alguém que conhecemos,” disse Maddox seriamente. “Não é?” Kane raspou a garganta desconfortavelmente. Seus braços estavam cruzados sobre o peito agora. “Alguém com quem servimos...” Maddox continuou. Muito lentamente, quase dolorosamente, Kane assentiu. “Diga,” exigiu Maddox. Sua expressão estava torcida de verdadeira fúria agora. “Diga-me quem é o maldito traíra filho da...” “É o Dietz.” Capítulo 52 DALLAS A viagem até o deserto foi sombria e estranha. Sentei-me sozinha no banco de trás, em silêncio a maior parte do tempo, ouvindo a conversa entre Maddox e Kane. Eles conversaram longamente sobre um homem chamado Dietz. Dietz... Dietz... Por alguma razão, o nome disparou um alerta. Ou Connor o mencionou diretamente, ou eu ouvi meu irmão falar sobre ele de passagem. Qualquer que fosse o caso, o homem era um soldado que todos conheciam e aparentemente gostavam muito. Pior, era uma pessoa em que todos confiavam. “Como diabos Dietz poderia ter sido mal?” Maddox disse. Ele se sentou no banco do passageiro, parecendo tão magoado quanto confuso. “E como ele poderia ter ficado contra Connor?” Kane não disse muita coisa, mas fez um monte de apertos de mandíbula e flexões de punhos. Antes do final da viagem eu tinha certeza de que ele iria esfarelar os pontos do volante nos quais ele estava com as mãos. Saímos cedo, horas antes dos horários indicados frequentemente nos logs do GPS. Não havia rastreamento em tempo real dos nossos alvos, e nenhuma maneira de ter certeza de que eles estavam vindo. Mas, se eles seguissem o padrão já estabelecido, e as coordenadas previamente visitadas, chegaríamos lá bem antes deles. Kane já havia inserido o local no rastreador do seu telefone. Era um pontinho em um mapa digital – um lugar que se aproximava infinitesimalmente a cada pedra e seixo que passava. Havíamos saído da estrada meia hora antes. As colinas e cumes sob nossos pneus eram areia compactada, quase como concreto, enquanto descíamos para o que parecia ser um pequeno vale de pedra. “Pronto,” disse Maddox, quando nos aproximamos do fim de nossa jornada. “Esse morro parece bom.” “Bom não,” murmurou Kane. “É perfeito.” Nós subimos, enquanto eles falavam mais sobre a aparente traição de seu ex-irmão de armas. Eu poderia dizer que eles estavam se segurando um pouco. Às vezes, a conversa descia para uma frase ou duas, como se estivessem dizendo algo que não queriam que eu ouvisse. Normalmente, isso teria me deixado com raiva. Agora, porém, eu estava entorpecida demais para isso. Connor veio aqui. Era tudo que eu conseguia pensar enquanto olhava ao redor. Para tudo o que estava ao alcance da minha vista. O que quer que tenha matado meu irmão, tudo começou bem aqui, neste pequeno trecho de deserto. Esta porra de estrada estúpida de nada, onde ele enfiou o nariz onde não havia sido chamado. Não fique assim, uma voz interior me advertiu severamente. Seu irmão era um maldito herói. No banco da frente, a conversa dos rapazes estava baixa novamente. Embora eu soubesse que eles estavam apenas tentando proteger meus sentimentos, talvez fosse o momento de lembrá-los novamente sobre como todos nós concordamos em manter tudo transparente. Finalmente, chegamos à parte final da subida, e Kane nos levou até uma parada empoeirada. Ele estacionou um pouco atrás do limite do nosso penhasco, uns bonstrinta ou mais passos da borda. “Vamos dar uma olhada,” disse Maddox. Caminhei com eles sem palavras, ouvindo o silêncio maçante do deserto. O sol poente estava bom no meu rosto. O vento tinha um leve aroma de baunilha quando batia no meu cabelo. Ambos os homens pegaram binóculos militares que pareciam ser muito caros, fazendo pequenos ajustes enquanto os apontavam para o a parte de baixo do vale. “Pronto,” disse Kane. “Ali, perto da saliência.” Apertei os olhos com força, esforçando-me para ver. “Você poderia ter trazido três binóculos, sabe.” Kane me ignorou completamente. Maddox girou um dos mostradores com o dedo indicador. “Sim,” ele disse de forma distante. “Desculpe.” Comecei a pensar em Connor. Imaginando se meu irmão estava neste exato ponto de observação, olhando para a mesma seção do vale. Decidi que provavelmente estava. Todos eles tiveram o mesmo treinamento, compartilharam as mesmas táticas e conhecimentos básicos. Ele pode ter sido meu irmão de sangue... mas também era irmão deles em todos os outros sentidos da palavra. Senti um toque, e era Kane me entregando seu binóculo. Ele era três vezes mais pesado do que realmente parecia. Olhei através dele, tentando ver as mesmas coisas que eles viam. “Está vendo esse ponto,” ele murmurou em meu ouvido, “onde a areia está um pouco mais escura?” Estou vendo. Balancei a cabeça. “O que mais você vê?” Eu foquei. Verifiquei. Me concentrei. “Marcas de pneus.” “Sim.” Suspirei e devolvi o equipamento para Kane. “E agora?” Maddox baixou seu binóculo e esfregou a ponta do nariz. “Agora... nós esperamos.” Capítulo 53 DALLAS O primeiro conjunto de faróis apareceu bem depois de escurecer. Na noite clara do deserto, podíamos vê-lo chegando a quilômetros de distância, saltando para o vale abaixo. “Picape Chevy,” disse Maddox, espiando pelo visor. Ele já havia mudado para uma configuração de visão noturna. “Marrom. Talvez azul.” Kane e eu nos amontoamos no morro frio, ao lado dele, mas um pouco atrás. O caminhão se aproximou lentamente. Quando passou por baixo da formação rochosa, parou e as portas se abriram. “Três homens,” disse Maddox. “Todos armados.” Sua voz ficou mais baixa. “Eles estão verificando ao redor. Fique absolutamente imóvel.” Segundos se passaram, com apenas o clique lento dos binóculos para marcar a passagem do tempo. E então: “Eles estão descarregando alguma coisa,” continuou Maddox. “Quatro pacotes. Agora seis...” Eu estava tentando não tremer. A princípio, pensei que meu corpo estava ganhando vida com a emoção do perigo, a adrenalina, mas rapidamente percebi algo totalmente diferente: Estava um frio congelante lá fora. “Entre no caminhão,” Kane me pediu. “Não, estou bem.” “Pelo menos você fica fora do vento.” “Eu disse que estou bem.” Ele poderia argumentar o quanto quisesse. Eu não perderia isso por nada. “Você está tremendo feito vara verde.” Eu apertei minha mandíbula com força para evitar que meus dentes batessem. “Vá se foder.” Kane me deu um raro meio sorriso. “Mais tarde,” o grande SEAL bufou. Maddox continuou assistindo, continuou contando. Ele alcançou trinta e oito pacotes e parou. “Certo, lá vem outra pessoa.” Todos nós assistimos juntos quando um segundo veículo chegou, desta vez vindo do norte. Ou era o mesmo SUV de antes, ou um modelo muito semelhante. Era da mesma cor. Devia ser da frota. “Eles estão todos juntos agora,” confirmou Maddox. “Estão conversando.” Calar a boca tornou-se um esforço de equipe, pois todos prendíamos a respiração e nos esforçávamos para ouvir. Vozes subiam do pequeno desfiladeiro. Até mesmo uma gargalhada profunda e ameaçadora. Em algum momento, a porta traseira do SUV se abriu e um homem saiu. Ele parecia significativamente maior do que os outros. Também se portava de maneira muito diferente. Kane, que estava olhando através de seu binóculo, de repente enrijeceu. “É ele?” Maddox levantou uma mão. Ele usava esse gesto para fazer o símbolo 'afirmativo'. “Isso é suficiente.” Kane torceu a cintura... e de repente voltou com um rifle sniper longo e bege. Era sofisticado e corrugado, com uma luneta de aparência sinistra montada ao longo de todo o comprimento superior. “Espere, não!” Maddox girou ao som da minha voz. Sua mão agiu rápido e agarrou o cano no momento em que Kane estava ajustando sua mira. “Mano, espere!” ele cochichou. “O que você está fazendo?” “Exatamente o que precisa ser feito.” Maddox deslizou para baixo, até que ele e seu companheiro ficaram cara a cara. Ele balançou a cabeça, mas os lábios de Kane se curvaram em um rosnado. “Larga isso. Deixa comigo.” “E Austin?” “Austin já é bem grandinho,” Kane estava possesso. “Ele pode tomar conta de si mesmo.” “Mas prometemos não fazer nenhum movimento sem ele.” Kane deslizou o ferrolho para trás, em seguida, empurrou-o para a frente, colocando uma bala na agulha. “Kane!” Maddox cochichou. “Vamos embora cara, isso é loucura! Você não pode matar Dietz, nós nem mesmo temos...” “No que me diz respeito, ele já está morto.” As coisas estavam indo mal, e muito rapidamente também. Os olhos de Kane estavam mortíferos. Eles me diziam que se Maddox não largasse o rifle logo, Kane iria arrancar um por um os dedos que estavam no cano. “Então, e ela?” Maddox implorou. Kane congelou por um momento, então seu olhar mudou relutantemente para mim. “Não podemos fazer isso agora,” disse Maddox. “Não com ela aqui, e não sem Austin.” “Há apenas cinco lá embaixo,” grunhiu Kane. “Tenho certeza de que posso pegar todos eles.” “Seis,” disse Maddox. “Mais um acabou de sair daquele SUV.” Lentamente, ele tirou a mão do cano da arma. “E sim, talvez você possa pegar todos eles. Ou talvez você não consiga. Talvez um desses veículos escape.” Ele deu de ombros. “Mesmo se você acertar todos eles, não saberemos de absolutamente nada.” Algo na parte de trás dos olhos de Kane mudou. Eu podia vê-lo refletido no luar. “Nós vamos pegar Dietz,” Maddox o assegurou, “mas não agora. É um risco muito grande.” Soltei um suspiro longo e aliviado quando a tensão saiu dos ombros de Kane. Ele deslizou o ferrolho para trás. Tirou a bala da agulha. No momento em que ele dobrou o rifle, o negócio no desfiladeiro havia terminado. Os veículos partiram em direções diferentes, o ruído dos pneus no cascalho desaparecendo lentamente. “Foi a decisão certa,” disse Maddox, dando um tapinha em seu ombro. “Vamos conseguir uma oportunidade melhor.” Mas Kane não parecia tão convencido. “Eu me pergunto se Connor esperou muito tempo,” o grande homem disse ameaçadoramente. “Esperando por uma oportunidade melhor para si mesmo.” Capítulo 54 DALLAS Esperamos cinco minutos após o último sinal de suas lanternas traseiras. Dez minutos depois, descemos a colina e paramos sob a formação rochosa. “Este é o local,” apontou Maddox. As marcas de pneus eram fracas; tanto que você tinha que saber que elas estavam lá para vê-las. O chão ao redor de toda a área estava duro como cimento. “Olhem em volta,” dei um suspiro. “Talvez eles tenham deixado algo para trás.” “Provavelmente não,” disse Kane. “Por quê?” “Foi simplesmente uma troca,” ele disse. “Eles se encontraram aqui anonimamente, para não serem vistos.” “Então por que estavam descarregando coisas?” Kane olhou para mim e deu de ombros. “Produto por dinheiro?” ele supôs. “O comprador teve que contar. Tinha que ver o que eles estavam recebendo.” “Sim, mas o caminhão deles tinha uma caçamba,” eu disse. “E uma porta traseira.” “E daí?” “Então, por que eles descarregariam tudo no chão?” Todos nós olhamos para baixo ao mesmo tempo. Essa parte foi estranha, eu poderia dizer pelo fato de nenhum deles ter uma resposta real. “E aquele primeiro caminhão,” eu disse. “Vimos as luzes de ré. Na verdade, ele apoiou-se em algo.” Kane e Maddox deram um ao outro um olhar de 'puta merda'. Senti outra onda de orgulho. Todos aqueles episódios de NCIS… finalmente valendo a pena. “Onde estava estacionado o primeiro caminhão?” Maddox perguntou. Nós três nos arrastamos, procurando comnossas lanternas. Demorou um pouco, mas eventualmente encontramos um conjunto de rastros que era mais profundo do que os outros, quase o dobro. Também terminou abruptamente. “Aqui.” Kane se ajoelhou e começou a cutucar o chão. Maddox também. Eu também. Cinco minutos se passaram. Dez. Estávamos de quatro, alisando o cascalho compactado. Batendo na terra do deserto com nossos punhos nus, que estavam começando a ficar esfolados. “Eu estava olhando mais para os rostos deles,” disse Maddox. “Tentando reconhecer alguém. Não estava olhando para baixo e...” Ele parou de falar quando todo o seu corpo congelou. Então ele olhou para cima. “O quê?” Maddox levantou a mão da terra. Trazia apertado em seu punho um pequeno pedaço de corda cor de areia. “Caramba.” Kane se aproximou e os dois o pegaram. Eles se juntaram fazendo força, e de repente todo o chão do deserto se moveu. Ou pelo menos, um parte de um metro e meio quadrado. Caralho, puta merda! Era um buraco. Esculpido no arenito, lascado no barro, tinha cerca de um metro de profundidade com cantos quadrados. “Tá de brincadeira!” Maddox estava segurando o cabelo para não cair sobre seus olhos. No buraco havia algumas dúzias de pacotes, todos embrulhados em papel pardo. Eles estavam empilhados ordenadamente, como tijolos, todos amarrados com barbante. “O que é?” perguntei, mas já sabendo a resposta. “Drogas.” “Tem certeza? Talvez seja dinheiro.” Kane bufou indignado. “Nunca é dinheiro,” ele disse. “É sempre drogas.” “Não estou acreditando nisso,” Maddox foi dizendo. “O que fazemos agora?” “Deixamos isso aí.” Kane e eu murmuramos a mesma frase ao mesmo tempo. Olhamos um para o outro com cumplicidade. “Pelo menos por enquanto,” acrescentou. Um guincho agudo soou ao longe – um animal talvez, ou um eco de mais longe. Trazendo uma súbita urgência ao clima geral. “Não acredito que nós encontramos isso,” disse Maddox. “Nós não encontramos porra nenhuma,” disse Kane. Ele acenou com a cabeça na minha direção. “Ela encontrou.” “Tanto faz.” Maddox se virou para mim. “Porra Dallas,” ele exclamou. “Eu poderia te beijar agora.” “Mais tarde,” respondi de volta, e Kane balançou a cabeça concordando. “Depois de enterrarmos isso de volta exatamente do jeito que encontramos. Capítulo 55 DALLAS A televisão estava ligada, mas nenhum de nós estava realmente assistindo. Era algum drama obscuro cujo enredo exigia atenção total, não as divagações inquietas de três mentes cansadas. “Outra cerveja?” perguntou Maddox. Kane e eu balançamos nossas cabeças. Já tínhamos tomado algumas, mas não a ponto de ficarmos tontos. Ainda estávamos muito ligados, muito pilhados. A adrenalina ainda não tinha saído de nossos corpos. Então ficamos lá sentados nas primeiras horas da manhã, esticados juntos no sofá. Austin não voltava para casa. Ele ligou para avisar antes mesmo de partirmos para o deserto; aparentemente seu 'cara' ainda precisava de mais tempo. Eu estava, como sempre, pensando em Connor. Mas Maddox e Kane... Eles estavam pensando em Dietz. Eu tentei fazê-los falar sobre isso, para me contar mais sobre esse cara que possivelmente traiu meu irmão. No entanto, cada história, cada passagem – só parecia torná-los mais tensos, estressados e zangados. E não apenas por Dietz, mas por si mesmos também. Infelizmente, era algo com o qual eu estava familiarizada: a culpa do sobrevivente. A constante destruição do seu cérebro, pensando no que você poderia ter feito diferente. Como se você pudesse voltar para esse dia, ou aquele dia, você poderia de alguma forma fazer tudo novamente, mas desta vez da maneira certa. Tudo era um labirinto sem saída. Maddox voltou, afundando pesadamente em sua extremidade do sofá. Sentada entre eles, me estiquei... e deitei meu corpo sobre os dois. “Vem cá.” Meu braço subiu, minha mão acariciando o cabelo de Maddox. Eu o puxei para mim e o beijei, enfiando minha língua em sua boca, demonstrando uma necessidade emocional de estar perto, de estar com ele, mesmo dessa forma simples. Ele me beijou de volta... e eu sabia o que tinha que fazer. Sentei-me e coloquei minha mão em seu peito maravilhoso. Então eu o empurrei de volta contra o sofá, e deslizei para o chão. “Relaxe,” sorri, desafivelando seu cinto enquanto Kane olhava. E coloquei uma mão em cada um deles. “Vocês dois.” Na escuridão lenta e bruxuleante, massageei duas protuberâncias crescentes da minha posição no chão. Era muito excitante, só os ver esticados ali. Observando a tensão sair de seus corpos grandes e fortes, enquanto a inquietação se transformava em curiosidade e depois em excitação total. Ambos estavam duros quando baixei as calças de Maddox até seus tornozelos. Eu puxei seu pau através do buraco em sua cueca... então me inclinei para frente para engoli-lo inteiro. Mmmmmm... Ele estava uma mistura de perfume, sal e suor. Verdadeiro ‘cheiro de homem’, mas não era desagradável. Eu balançava para cima e para baixo sobre ele, desfrutando da minha segunda parte favorita de qualquer boquete: a sensação de um homem ficando duro e firme na minha boca. Meus olhos vagaram até Kane. Desviei meu olhar para sua virilha, que eu ainda estava tocando e esfregando. Ele entendeu a dica e desafivelou o cinto. Através dos dentes cerrados, Maddox soltou um suspiro longo e acalorado. Suas coxas se separaram. Sua mão foi para a minha cabeça, me acariciando suavemente enquanto eu o chupava. Então eu mudei para Kane, que já estava com seu pau para fora. Jesus, Dallas... Foi incrível, o quão poderosa eu podia me sentir de joelhos. Como eu estava no controle total sobre esses dois homens imparáveis; o objeto imóvel posicionada entre eles, com a força irresistível de seus corpos firmes e sarados. Chupava um enquanto acariciava o outro, alternando entre os dois sempre que queria. Então fui aumentando o grau de safadeza. Eu piscava para Maddox enquanto chupava Kane. Olhando nos olhos de Kane enquanto colocava minha língua para fora e lambia para cima e para baixo todo o pau de seu amigo. Para frente e para trás, para frente e para trás, acariciando-os e chupando-os até que cada uma de suas ereções já consideráveis estivesse dura o suficiente para martelar um prego. Ou, de preferência, martelar a mim. Mas por mais maravilhoso que isso soasse, eu não queria ser ‘martelada’. Não ainda, pelo menos. Foi um momento arrastado e preguiçoso. E ei, eu queria ser a única a dar as cartas. Queria fazê- los gozar. Kane se moveu para levantar primeiro, e eu antecipei o movimento. Antes que ele pudesse sair do sofá eu já estava pressionando minha mão contra seu peito, dedos abertos, empurrando-o de volta contra as almofadas. Então eu me levantei, virei meu traseiro e me sentei... no pau brilhante e duro como pedra de Maddox. Ele deslizou todo o caminho dentro de mim com um suspiro agradecido. As duas mãos sexy do SEAL foram para meus quadris. Eu as afastei, colocando-as de volta em ambos os lados do sofá. Eu poderia colocá-las em meus seios ansiosos e ofegantes. Poderia ter gostado da sensação de seus dedos apalpando meus mamilos enquanto eu deslizava para cima e para baixo nele, profundamente, esfregando em seu corpo a cada estocada. Em vez disso, joguei meus braços sobre seus ombros e o fodi como uma puta carente e gananciosa. Kane sentou-se lá e observou. Seus olhos viajaram famintos pelo meu corpo enquanto eu transava com seu amigo, observando cada movimento meu, ouvindo cada gemido e suspiro. Sua mão ia para cima e para baixo em seu pau, a cabeça tão inchada e pulsante que parecia prestes a explodir. Deus... Eu mal podia esperar para sentar nele. Mal podia esperar para subir em seu colo e fodê-lo em seguida. Mas não até que eu terminasse com Maddox. Não até que eu tivesse feito o que pretendia alcançar. “CARALHO, Dallas...” Só que não demorou muito. A bunda de Maddox saiu do sofá enquanto ele me inundava com seu gozo, subindo para cima e para dentro de mim da maneira mais deliciosa. No fundo, eu ainda podia sentir a dor do Mardi Gras. A dor de dois dias de satisfaçãoininterrupta, seguidos pelo incrível encontro da noite passada na minha cama. Eu finalmente permiti suas mãos no meu corpo quando meu primeiro amante terminou, seus dedos abrindo e fechando contra minha bunda nua enquanto ele cavalgava suas últimas contrações eufóricas. Então, ainda vazando seu gozo, subi no colo de Kane... … e afundei até as bolas em sua ereção, que era como uma haste de aço. Ahhh... Ahhh... CARALHO... Não estava nos planos eu gozar. Eu só estava interessada no prazer deles, apreciando a sensação dos dois se arrastando dentro de mim. De repente, porém, as coisas mudaram. “Deus, você está fazendo uma bagunça do caralho...” Kane estava beijando meu pescoço, mordiscando meu ombro. Segurando-me contra ele enquanto eu cavalgava para cima e para baixo. Eu não conseguia pará-lo. Caramba, eu não poderia nem se eu quisesse. Dallas... Meu orgasmo estava se acumulando como uma tempestade que se aproximava. Quase fervendo enquanto meu amante me perfurava por baixo, fodendo para cima e dentro de mim, enquanto eu me enroscava nele. Eu estava com a cabeça inclinada para trás, meu rosto virado para o teto. Uma boca se aproximou da minha e então Maddox me beijou... me beijava enquanto a língua de Kane percorria meu pescoço, enquanto seu pau estava enterrado profundamente na minha boceta encharcada, todo quente, molhado, obsceno e... “AHHHHHHHHH!” Eu gritei a palavra em voz alta. Ou melhor, ela foi arrancada das profundezas da minha garganta. “CARAAAAAAAALHO!” Aconteceu bem no meio do meu clímax: as mãos de Kane se fecharam e ele me inundou. Seu pau pulava, latejava e pulsava, me deixando cheia de seu sêmen. Adicionando sua carga à de Maddox, enchendo-me com tanto gozo que eu podia senti-lo descendo pelas minhas coxas, pelas coxas dele, pelo sofá... em todos os lugares, tudo de uma vez. Eu virei e me acomodei em seu pau, balançando meu cabelo para frente e para trás. De alguma forma ainda beijando Maddox, que estava com seus braços em volta de mim. Meu Deus... Alguém estava apalpando meus seios sob minha camisa, arrastando suas mãos calejadas sobre meus mamilos. Poderia ser qualquer um deles. Ou poderiam ser os dois. Eu estava tão perdida em êxtase que não me importava se era o próprio diabo... e baseado no meu comportamento ultimamente, essa era uma possibilidade que eu não descartava. O delírio e a euforia deram lugar ao prazer, que deu lugar à realidade. Eu deslizei do colo de Kane, caindo entre eles. Apertando minhas coxas firmemente juntas enquanto ambos os gozos escorriam para fora de mim e meu peito arfava com o esforço de foder os dois. “Pois é... eu precisava quebrar a tensão,” respirei, sorrindo enquanto repetia uma frase de um dos meus filmes favoritos, ‘Curso de Verão’.” Capítulo 56 MADDOX O alarme do perímetro tocou por volta do meio-dia. Foi estranho, porque não havíamos percebido sinais de movimento. Não havia ninguém do lado de fora, nada para ser visto em qualquer lugar da propriedade. Depois de verificar as imagens gravadas, nenhum dos monitores também mostrou atividade no bloco. TOC TOC TOC. Kane já estava na porta, pistola em punho. Desliguei a trava de segurança da minha submetralhadora MP5, logo depois da janela sul. Em perfeita posição para utilizá-la. Por alguns longos segundos não fizemos nada. Então, logo após a segunda batida, Kane deu uma espiada pelo olho mágico. “Caralho... inacreditável!” Ele agarrou a maçaneta e abriu a porta. Antes mesmo que eu soubesse o que estava acontecendo, ele agarrou a pessoa na nossa porta e a atirou para dentro da casa, batendo-a contra a parede mais próxima. “CALMA! CALMA!” O homem ficou na ponta dos pés, as mãos erguidas sobre a cabeça. Ele era grande. Grande como nós. Cabelo loiro, ombros quadrados. Eu não podia ver seu rosto ainda, porque a pistola de Kane estava tão presa sob seu queixo que sua língua foi praticamente forçada para fora de sua boca. “Puta que pariu, RELAXA!” o homem grunhia. Aquela voz... Eu já estava em cima dele. Então parei e espetei o cano da minha arma violentamente em suas costelas. Ele se dobrou de dor, e em um piscar de olhos Kane chutou a porta e acertou o homem na mandíbula com a coronha de sua Sig Sauer. “Estou vendo um monte de merda,” Kane rosnou, apoiando o joelho nas costas do homem. Kane segurou os braços dele. Prendeu-os atrás de seu torso. “E posso dizer que nunca um tive um desejo de matar tão forte como este!” “Filho da puta,” o homem grunhiu do chão. Todo o ar havia estava sendo arrancado de seus pulmões. Ele estava ofegante, tentando recuperar o fôlego. “Cale já a porra da boca... e escute.” Puta merda. Dietz. “Ouvir o quê?” Kane grunhiu. “Como você pôde nos trair? E como você pode matar Winters?” “Eu não...” “E a merda sinistra que você tem feito no deserto com seus amigos?” continuei. Peguei um par de braçadeiras brancas grossas. Kane amarrou o homem em segundos, mãos e pés, ainda tossindo enquanto estava deitado de lado. “Reviste-o.” Fizemos isso juntos. Tudo aconteceu rapidamente, cirurgicamente. Como já tivéssemos feito isso mil vezes. O que, claro, realmente fizemos. “Ele está limpo. Nem mesmo um punhal.” Dietz tossiu novamente, e desta vez havia sangue em seus lábios. Kane deslizou uma cadeira e juntos nós o levantamos e o colocamos na posição vertical. “Seus idiotas,” Dietz cuspiu, e um dente saiu, deslizando ruidosamente pelo chão de ladrilhos. “É assim que vocês atendem a porta?” “É... quando um traidor aparece.” Karl Dietz estava com um aspecto horrível. Parte de seu rosto mostrava um pedaço de barba por fazer, que estava a meio caminho entre um rosto imberbe e uma barba bem cuidada. A outra parte era um rosto manchado de sujeira. Seu cabelo empoeirado. A espuma rosada do sangue, pingando de seu lábio inferior partido... Bem, acho que a última parte foi por nossa conta. “Como diabos você ainda tem coragem de dar as caras por aqui?” perguntei. Eu ainda estava com muita raiva. Uma boa parte de mim queria bater a coronha do meu rifle direto em sua mandíbula, reivindicar outro dente para mim. Dietz cuspiu novamente. No chão da nossa cozinha, veja bem. Puta merda, ele estava me deixando com raiva. “Eu vim para avisar vocês,” ele resmungou. “Por que diabos vocês acham que eu estou aqui?” “Quem vai saber?” perguntou Kane. “Muitas pessoas têm vindo aqui, incluindo alguns de seus amigos. Você não tem estado em boa companhia ultimamente.” “Eu vim sozinho,” Dietz disse. “Desarmado. No meio da porra do dia.” “E daí?” “E daí... use a cabeça!” ele praticamente gritou. “Vá se foder.” Ele balançou a cabeça e riu. “Inacreditável.” Seus olhos encontraram os de Kane. “Você nunca foi o esperto, se fosse...” O segundo tiro veio do punho de Kane, em vez de sua pistola. A cabeça de Dietz virou para o lado tão rápido que deixou seu cabelo exatamente onde estava. Eu poderia dizer que Kane estava se segurando, já que ele não quebrou o pescoço do nosso refém. “CARALHO!” Dietz gritou de dor. “Merda, PARE, já chega!” Ele estremeceu, e um pouco do ar desafiador se dissipou agora. “E um de vocês me dê uma maldita aspirina!” Nenhum de nós se moveu. Ninguém disse nada. “O que você quer dizer com nos avisar?” Kane e eu nos viramos ao som da voz de Dallas. Ela estava no meio do corredor, seu cabelo ainda molhado do chuveiro. E ela estava fuzilando com os olhos o homem amarrado em nossa cozinha. “Eles vão chegar em breve,” disse Dietz ameaçadoramente. “Todos eles. De uma vez só.” Kane me lançou um olhar preocupado. “Agora?” perguntei. “Não. Não agora. Mas pode ser essa noite, talvez amanhã. Não tenho certeza, e...” ele fez uma pausa e estremeceu novamente. “Você pode pegar um copo de água pelo menos?” Para minha surpresa, Dallas foi buscar um para ele. Ela se moveu descalça pela cozinha, ainda de roupão. Ela até tirou a toalha da cabeça e a usou para limpar o sangue dos lábios dele antes de virar o copo para que ele pudesse beber. “Obrigado,” Dietz grunhiu. “Porra, pelo menos alguém aqui tem algum bom senso.” “Você tem sorte de que ela nãoter despejado água sanitária na sua garganta,” avisei. “Esta é Dallas Winters. Irmã de Connor.” Dietz riu, mostrando o lugar do dente perdido. “Eu sei quem ela é.” “Você é a razão da morte do irmão dela!” Kane gritou. Ele estava a meio segundo de bater no homem por rir. “Você e seus amig...” “Não!” Dietz pulou de raiva. “Eu NÃO! Eu nunca machuquei Winters.” Os olhos dele se moveram brevemente para Dallas, então de volta para nós novamente. “Vocês entenderam tudo errado.” “Ah?” eu ri. “Então você não estava no deserto ontem à noite?” “Claro que eu estava. E caralho, vocês deveriam ter vergonha. Uma banda do ensino médio poderia ter feito menos barulho naquele morro.” Fechei meus olhos. Caramba. “O que, vocês acham que ninguém notou?” Kane chiou com os dentes cerrados e se mexeu desconfortavelmente. O movimento foi sutil, mas aconteceu. “Eu notei,” Dietz continuou. No entanto, eles não. Apenas eu.” Ele deu de ombros. “Esta é a única razão de vocês ainda estarem vivos. A única razão pela qual eu vim aqui. De fato...” “Você machucou meu irmão?” As palavras de Dallas saíram com uma calma mortal. Mas havia uma tensão subjacente, uma sensação de que a qualquer momento sua determinação poderia ser quebrada. “Não.” “Você sabe quem fez isso?” Karl Dietz baixou o queixo até o peito. Sua expressão suavizou. Ele parecia perturbado. Dallas se aproximou. Ela se ajoelhou, agachando-se até seu rosto ficar a poucos centímetros do dele. O braço que ainda segurava o copo de água tremia. “Eu disse,” ela rosnou, “você sabe quem...” “ESPERA ESPERA ESPERA...” Austin entrou como um raio na cozinha, surpreendendo a todos nós. Ele estava com as duas mãos estendidas, parecendo apressado, acelerado. Ele nem se deu ao trabalho de fechar a porta atrás de si. “Parem,” ele disse. “Todo mundo apenas pare.” Ele puxou sua faca. Observei enquanto ele se aproximava do nosso refém, sentado em sua cadeira... Com um movimento rápido, ele serrou as braçadeiras, cortando-as. O homem no meio da nossa cozinha começou a esfregar os pulsos. “Confiem em mim,” disse Austin, enquanto embainhava sua faca. “Dietz está limpo.” Capítulo 57 DALLAS Eu não tinha certeza do que estava acontecendo, de onde Austin tinha vindo ou como as coisas chegaram a esse ponto. Havia apenas uma coisa que eu tinha certeza, no entanto. O homem em nossa cozinha parecia furioso. “Tem alguma coisa aqui além de água?” ele resmungou, ainda segurando minha toalha contra sua boca. Maddox foi até a geladeira e voltou com uma cerveja. Dietz pegou sem agradecer, torcendo a tampa com sua grande mão. Todos os outros permaneceram de pé, enquanto cumprimentávamos Austin. Quando ele chegou perto de mim, dei- lhe o maior abraço que pude. “Tudo certo?” Ele assentiu e sorriu. “Sim. Melhor do que certo.” Meu corpo relaxou um pouquinho. Isso era uma boa notícia, pelo menos. “Quem fala primeiro?” Kane perguntou, braços cruzados. “Parece que não temos muito tempo.” “Não, não têm,” Dietz confirmou. “Então... eu falo.” Ele baixou sua garrafa na mesa. Metade da cerveja já tinha ido. Ele respirou fundo, então começou sua história imediatamente. “Tudo começou cerca de dois anos atrás...” O estranho em nossa cozinha falou, e nós quatro ouvimos. A maior parte do que ele disse no início foi jargão militar; coisas que eu só conseguia entender por alto. A essência disso era que ele tinha caído com algumas pessoas más. Ou melhor, cair era uma palavra ruim. Ele foi inserido em algo para ganhar confiança e obter informações, a mando de um de seus comandantes. E então no meio de tudo... seu oficial superior foi morto. “A essa altura eu estava muito envolvido,” disse Dietz. “Muito envolvido para sair. Pelo menos não imediatamente. Não sem chamar atenção.” “Que tipo de atenção?” perguntou Kane. “O tipo que matou meu chefe.” O homem assassinado era Wesp. Sua morte foi oficialmente considerada um acidente. Dietz quase contou toda a sujeira para o homem acima dele na hierarquia, mas então percebeu que esse homem também fazia parte do círculo de bandidos. “Eles estavam comercializando segredos,” disse Dietz. “Projetos fracassados de armas biológicas. Inteligência de alto nível do antigo laboratório de Nova Orleans que as pessoas haviam esquecido. Mas não esses caras. Havia um veterano do laboratório – um cara chamado Cameron – que mostrou a todos o que eles tinham. Ele pensou que poderia ser útil. Mas eu não acho que esse cara percebeu o que eles fariam com isso.” “Você está falando sobre ele no passado,” disse Maddox. “Sim,” Dietz assentiu seriamente. “Bom palpite.” Ele continuou, falando em detalhes sobre como as coisas progrediram. A história só piorou a partir daí. “Com Cameron fora de cena, ninguém sabia o que eles estavam fazendo. Eles tinham domínio livre sobre o antigo banco de dados. Dois caras começaram a analisá-lo e dividi-lo, enquanto um terceiro começou a procurar compradores. Eles fizeram um acordo com alguém além da fronteira. Começaram a fornecer pequenas partes do banco de dados para alguns personagens muito ruins, em troca de...” “Drogas,” Kane finalizou. Dietz balançou a cabeça, confirmando. “Eles têm um grande negociante de Vegas que compra tudo a granel. Ele pega as drogas no deserto e sua rede as distribui para os turistas.” Seu lábio se curvou em um rosnado. “Se eu te dissesse quanto dinheiro eles estão arrecadando, você faria...” “Eu não me importo com isso,” Kane grunhiu. “Eu me importo apenas com os caras que colhem e vendem segredos de armas biológicas.” “Os caras que mataram Connor,” acrescentou Austin. Dietz assentiu em reconhecimento. Ele fez sinal para outra cerveja, e Maddox trouxe-lhe uma. “Então o que você está dizendo?” perguntou Maddox. “Por que você estava lá embaixo ontem à noite?” “Porque eu tenho autorização de segurança total,” disse Dietz, “para o laboratório e outros. Isso me torna inestimável para eles.” Kane zombou dele. “E quando diabos você ia parar de trocar segredos militares por drogas?” “Ele já parou,” Austin interrompeu, erguendo um pequeno pen drive cinza. “De acordo com Connor.” Todo mundo se virou na direção de Austin. Dietz inclinou sua garrafa para ele com gratidão. “O chip do colar de Dallas contém um relatório completo de tudo o que aconteceu,” disse Austin. “Toda a operação secreta, incluindo os arquivos de Wesp até sua morte.” A sala ficou em silêncio por um momento. Os detalhes estavam chegando rápido e havia algumas perguntas para as quais eu não tinha certeza se queria as respostas. Eu dei um passo à frente de qualquer maneira e soltei um suspiro trêmulo. “Então, onde meu irmão entra?” Dietz deu uma olhada para mim e sua expressão mudou completamente. Ele parecia genuinamente triste. “Eu trouxe Connor,” ele lamentou. “Ele já havia descoberto algumas coisas por si mesmo e estava ficando confuso. Os outros notaram. Eles falavam sobre... sobre...” “Nós sabemos do que eles estavam falando,” eu disse calmamente. “Vá em frente.” Dietz assentiu com gratidão. “Eu cheguei a Connor antes que eles pudessem,” ele disse. “Foi quando contei tudo a ele. Dei tudo a ele, tudo o que se passava, e pedi para repassar para alguém longe o suficiente na cadeia que realmente se importasse.” Maddox assentiu. “Ele tentou. Apenas não deu certo.” “Woodward,” Dietz confirmou. “Sim.” “Então o que aconteceu depois?” Dietz esfregou o cabelo cortado curto. Ele estava firme o tempo todo que esteve aqui, mas essa parte foi difícil. Eu poderia dizer que ele estava de luto. “Connor voltou com uma ideia,” disse ele. “Nós continuaríamos com a operação, e ele continuaria me alimentando com os dados do laboratório. Ele tinha a mesma autorização que eu. Conseguia as mesmas coisas que eu, então foi transferido para Nova Orleans.” Kane balançou a cabeça gravemente. “De jeito nenhum você vai me convencer que Connor desistiu dos segredos.” Não desistiu,” disse Dietz. “Ele zoneou os dados. Pegou o que estava lá e embaralhou tudo o suficiente para que se tornasse inútil.” Ele sorriu um pouco com a lembrança.“Porra, foi genial. Eles nunca souberam. Até hoje, eles ainda não sabem.” “Mas eles vão descobrir,” disse Austin. Era uma afirmação, não uma pergunta. “Sim. Muito em breve.” “É por isso que você está querendo sair.” Dietz deixou cair a cabeça nas mãos. “Eu tenho tentado sair o tempo todo,” disse ele. “Vocês não percebem? Uma vez que Wesp se foi, eu estava fodido. Connor e eu tentamos revelar tudo, mas com Woodward não conseguindo e então... e então eles chegaram a Connor... “Ei.” A voz de alguma forma não parecia minha. Dietz olhou para baixo e percebeu que eu coloquei minha mão sobre a dele. O contato físico pareceu relaxá-lo, mesmo que só um pouquinho. “Quem matou meu irmão?” O homem olhou para mim, seus olhos carregados de tristeza. “Um cara alto. Cabelo branco. Quase albino, eu acho.” Fechei meus olhos. Um calafrio percorreu meu corpo. “Um cara chamado Alacard.” Capítulo 58 DALLAS Este acabou sendo o dia mais estranho. Passei a maior parte dele no telhado, vigiando a vizinhança com Austin. Falando sobre as coisas no chip de memória do meu irmão – toda uma seleção de segredos digitais que o mataram. Eu não tinha certeza do que era mais irônico: que eu tinha a resposta para a morte do meu irmão o tempo todo, ou que de alguma forma eu a usava no pescoço sem saber. “Você tem certeza de que está bem?” Assenti pela quinta e última vez. “Acredite em mim,” eu disse, puxando o cobertor em volta dos meus ombros. “Depois da merda que passei, é bom finalmente ter respostas.” Estava muito frio no telhado. Eu estava cansada. Dolorida. Com fome. Além disso, ainda por cima, minha bunda estava dormente. “Quando você acha que os outros vão voltar?” Austin deslocou o rifle que estava em seu colo, apenas o tempo suficiente para uma rápida olhada na tela do telefone. Depois voltou a ficar vigilante. “Maddox e Dietz já estão quase de volta,” disse ele. “Kane... eu não sei.” Eu me virei e coloquei minhas costas contra as dele. Olhei para as outras casas outrora agradáveis do nosso quarteirão que já fora movimentado. “O que vai acontecer quando tudo isso acabar?” O tempo passava. O vento jogava meu cabelo para trás no meu rosto. Austin permaneceu em silêncio, até que finalmente disse: “Não sei.” Era uma pergunta que ele não esperava. Ou talvez estivesse apenas pensando em uma resposta ponderada. De qualquer forma, tudo estava vindo à tona. A vigilância deles sobre mim se transformou em proteção, que se transformou em uma investigação completa que nos levou até aqui, até este momento. E agora... Agora estávamos prestes a resolver as coisas, de uma forma ou de outra. Ou as pessoas envolvidas na morte de Connor seriam trazidas ao maior de todos os acertos de contas... Ou nós o faríamos. “Quer metade?” Ele me passou uma barra Hershey embrulhada em papel alumínio. Ou melhor, parte de uma. “Metade? Você já comeu uns três quartos.” “Me processe.” Por alguma razão isso me fez rir, e Austin começou a rir junto comigo. Foi bom, rindo ao vento, suas costas largas se movendo para cima e para baixo contra as minhas. Porra, foi catártico pra caralho. “Você acha que vamos conseguir levar essa?” perguntei, ficando subitamente séria. Austin fez uma pausa. “Talvez.” “Dê-me as probabilidades.” “Sessenta-quarenta.” “Para nós ou para eles?” Eu o senti mudar para olhar de volta para mim. “Você quer saber de verdade?” Suspirei sem me virar. “De verdade... não.” “Então é isso.” O céu estava meio roxo agora, o sol quase nivelado com o horizonte. No deserto, as coisas esfriam rapidamente. O aquecimento às vezes demorava um pouco, mas o frio… “Dallas.” Eu me mexi novamente, desta vez para que pudesse vê-lo. Austin estava de frente para mim agora. Ignorando completamente a metade do bairro que ele foi encarregado de vigiar. “Eu te amo...” Eu pisquei, sem palavras. Não por causa da admissão, mas porque veio no mais estranho de todos os momentos possíveis. “Também te amo,” eu disse a ele. Estávamos quase cara a cara agora. Bochecha contra bochecha. O vento enviou uma rajada de frio sobre mim, fazendo- me estremecer. “Quando você soube?” ele perguntou. Eu pensei por alguns segundos. “Quando você me disse o quanto amava meu irmão.” O silêncio reinou. Um clima rolou entre nós... de sentimentos compartilhados, emoções, amor. “Aquela vez na varanda também não foi ruim,” eu sorri. Ele me beijou, e de repente não estava mais tão frio. Éramos apenas nós dois, sentados no topo do mundo. Olhando para o esquecimento e abraçando um ao outro, enquanto o resto do universo poderia se acabar ao nosso redor. Você o ama, Dallas. Foi fantástico, mesmo que por um minuto, esquecer tudo o mais. Pressionar meus lábios contra os dele, sentir o fogo e o calor de seu corpo contra o meu. Você ama todos eles. Acordei meio grogue, me perguntando como de repente ficou tão escuro. Imaginando se de alguma forma havíamos estragado tudo, ou se ninjas haviam caído das árvores do deserto e estavam agora escalando as paredes para nos pegar de todos os lados. Faróis apareceram e ainda estávamos de costas um para o outro. O aperto de Austin no rifle aumentou... então relaxou no espaço de um único batimento cardíaco. “Vamos lá,” ele disse, levantando. Ele me ofereceu sua mão e eu aceitei. “Maddox está em casa.” Capítulo 59 DALLAS “E aí, encontrou alguém da lista?” Austin perguntou. Maddox balançou a cabeça negativamente de sua ponta da mesa, onde estava limpando uma variedade de armas. Não era um bom sinal. Ou um bom começo. “E Flynn?” “Fora da cidade.” “Sully?” “Não.” Dietz estava na geladeira de novo, vasculhando nossos escassos mantimentos. Achei que ele estava procurando outra cerveja, mas ele saiu com um recipiente de leite em vez disso. “Nós verificamos o que você nos disse, no entanto,” ele disse a Austin. “Como foi mesmo que você chamou?” “Um detonador que, uma vez acionado, vai me transformar em um homem morto.” “Sim,” ele assentiu. “Isso.” Arrepiei quando Dietz bebeu nosso leite direto da caixa. Era quase tão terrível quanto a ideia de sermos eliminados e ter que depender de um computador para liberar as informações que meu irmão compilou. “Então, como vamos fazer isso?” ele perguntou. “De preferência em uma emboscada,” disse Austin. “Obviamente.” “Nós não vamos ficar sentados esperando que eles venham,” Maddox continuou. “Atacamos primeiro. Batemos forte.” Dietz limpou a boca com a parte de trás de um braço e colocou o leite de volta. Arrepiei novamente. “Sim, mas...” “Nós os atrairemos de volta para o deserto novamente,” disse Austin. “Os compradores, os vendedores, os traficantes… todos eles.” Dietz riu. “Com o quê? Queijo?” “Melhor do que queijo,” disse Maddox. “Você vai levá-los para lá.” “Acho que não,” disse Dietz. “Eu não tenho nem de longe esse poder para atrai-los do jeito que vocês pensam. Eles não virão.” A porta se abriu e Kane entrou na cozinha. Ele já estava vestindo sua camuflagem de deserto. Além disso, vestia roupas táticas de Kevlar e estava armado e blindado até os dentes. “Eles vão se você falar com eles,” disse Kane. Dietz balançou a cabeça novamente, como se estivesse tentando explicar algo simples para uma criança pequena. Uma criança que simplesmente não estava entendendo. “E o que diabos faria você pensar isso?” O braço de Kane balançou para cima e dois grandes tijolos caíram na mesa. Estavam todos amarrados e embrulhados em papel pardo, e uma nuvem de poeira os precedeu. “Porque você vai dizer a eles que as drogas desapareceram,” disse Kane. Ele sacudiu um polegar sujo de terra por cima do ombro. “E isso é algo que eles provavelmente vão querer verificar por si mesmos.” A pele de Karl Dietz já era clara. Mas agora ele estava branco como um fantasma. “Puta merda,” ele resmungou. “Estamos todos mortos.” Maddox riu de onde estava recolocando a coronha de seu rifle. Austin deu um tapinha consolador no ombro dele. “Você realmente queria viver para sempre?” Seu ex-companheiro ainda estava olhando sem ver para a mesa, parecendo estar em choque.“Bem... eu meio que queria um pouco mais de tempo.” “Então siga o plano,” disse Austin. “Não se desvie. Não vacile. E, aconteça o que acontecer, não pisque ou entre em pânico.” A câmera do telefone de Kane fez um clique quando ele tirou uma foto em close dos dois tijolos empoeirados. Ele apertou alguns botões e outro bipe soou, vindo do quadril de Dietz. “Concluído. Acabei de enviar essa foto para você.” “E... e o que tenho que fazer?” A voz de Dietz ainda estava embargada. “Em cerca de uma hora, você enviará isso para eles. Diga que veio de um número desconhecido.” Eu assisti o pomo de Adão do homem balançar com força enquanto ele engolia. Dietz estava apavorado. Legitimamente assustado. “E depois?” “E depois nós esperamos,” disse Maddox. “Em posição, é claro.” “Eles virão me buscar imediatamente,” disse Dietz. “Eles vão me arrastar para o deserto com eles.” “Isso é bom. Você enviará a mensagem da sua casa.” Os olhos de Dietz se arregalaram absurdamente. “BOM? Como você pode chamar essa porra de ‘bom’?” “Porque você vai fazer isso com calma,” disse Kane. “Calma de verdade.” “Faça sua melhor cara de pau, bem tranquila,” disse Austin. “Vida ou morte tranquila,” acrescentou Maddox, pousando sua escova de limpeza. A essa altura, Dietz parecia um cervo sob faróis. Em meio a tudo isso, ele continuou balançando a cabeça. “Não está certo,” ele disse. “Mesmo que eles não me matem imediatamente, vão atirar em mim como se eu fosse um cachorro quando chegarmos lá e as drogas estiverem desaparecidas.” “Não se você agir direito,” resmungou Kane. “Não,” Dietz zombou. “Vocês não entendem! Vocês não conhecem essas pessoas...” O estalo agudo de uma arma sendo engatilhada virou a cabeça de todos na direção de Maddox. Ele colocou seu Barrett totalmente montado em cima da mesa. Era tão longo, que o cano quase raspou o teto. “Não estamos querendo entendê-los,” disse Maddox. Capítulo 60 DALLAS O deserto estava de alguma forma mais quente desta vez, ou talvez porque eu tenha me preparado para isso. O céu noturno estava cristalino. Olhando para cima de nossa posição no morro, era como estar preso sob uma redoma com um milhão de estrelas. “Você se lembra do que lhe dissemos?” disse Maddox. Era mais uma ordem do que uma pergunta. “Sim.” “Você deve ficar para trás, não importa o que aconteça. Fique completamente fora da linha de fogo.” “Eu sei.” “Não se envolva a menos que as coisas fiquem feias.” Sua voz ficou sinistramente baixa. “Feias de verdade. Como todos nós já estarmos...” “Pare, já chega. Eu entendi.” Ele me encarou duramente, o vento soprando seu cabelo loiro sobre uma bochecha barbada. Eu queria beijar aquela bochecha. Queria senti-la quente contra meus lábios, enquanto ainda estava seguro, ainda meu... “Certo,” disse Maddox. “Com isso em mente, venha comigo.” Ele voltou para a caminhonete e eu o segui solenemente. Éramos apenas nós dois no morro. O nó ainda estava na minha garganta por dizer adeus aos outros. Dallas... não. Era difícil não pensar assim, não imaginar o que poderia acontecer. Mas se eu ia ser de alguma utilidade, tinha que tirar isso da minha mente. Maddox puxou uma mala preta achatada da parte de trás do veículo. Ele a destrancou com dois cliques agudos e a abriu. “Você sabe o que é isso?” Olhei para a arma. Como um fantasma do passado, ela estava diante de mim. ‘É um SCAR.” Ele assentiu lentamente, parecendo impressionado. “Muito bem. É um rifle de combate SCAR-H, MK 17. Já atirou com um?” Agora era a minha vez de admitir. “Sim, um monte de vezes. Eu costumava atirar com o do Connor.” “Este é o do Connor.” A pele ao longo de meus braços arrepiou-se toda. Por uma fração de segundo, tentei me convencer de que era o vento. Não era. “Eu... eu não percebi...” Maddox levantou a arma com facilidade adquirida com a prática e a colocou em meus braços. Por alguma razão, parecia quente. A empunhadura se encaixou perfeitamente na palma da minha mão, como se fosse feita para ela. “Seu irmão salvou minha vida com esse rifle,” disse Maddox seriamente. “A de Kane e a de Austin também” O rifle do Connor... Olhei para a arma com novos olhos. Eu estava segurando um pedaço do meu irmão. Uma extensão de sua vida, um artefato que viveu mais que seu corpo, mas não viveria mais que sua lenda. “Havia outros também,” Maddox continuou. “Nomes que você deveria conhecer. Irmãos nossos pelos quais Connor estava disposto a se sacrificar e...” BZZZ! Um estalo de estática explodiu no rádio que estava no quadril de Maddox. Ele o arrancou de seu cinto, assim que a voz de Austin veio. “FARÓIS. A CERCA DE TRÊS QUILÔMETROS.” Maddox olhou de volta para mim. Nossos olhos se encontraram. “Só se for necessário,” disse ele com firmeza. “Promete?” Eu balancei a cabeça lentamente enquanto fazia a revista na arma do meu irmão. Meu amante jurou baixinho. “Isso não é o suficiente. Diga, Dallas.” “Eu prometo.” Ele me arrastou e me beijou, me puxando com força contra ele. Ele cheirava a guerra — como couro, ferro e fogo. “Você não é apenas a irmã do Connor,” ele murmurou. “Você é muito mais que isso para nós.” Minha testa estava pressionada contra a dele. O olhar de Maddox era penetrante, suas íris brilhantes e vivas enquanto encaravam as minhas. “Nós estamos apaixonados por você, Dallas.” O nó na minha garganta estava de volta. Desta vez era do tamanho de uma bola de beisebol. Eu queria falar, mas mal conseguia respirar. Havia tantas coisas para dizer... “DOIS QUILÔMETROS,” o rádio disparou. Ele estava me encarando como ninguém nunca havia me encarado na minha vida. Olhando para mim não apenas como Dallas Winters, mas como uma mulher. Uma amante. “Nós vamos superar isso,” Maddox me assegurou. “Todos nós.” De alguma forma eu engoli a bola na minha garganta. “Por Connor,” eu consegui murmurar. Estávamos perdidos juntos em um mar de vento, estrelas e o ar fresco da noite. Apontando nossas armas para baixo com um braço, segurando um ao outro com o outro. “Por Connor,” Maddox concordou. Capítulo 61 AUSTIN A coluna se estendia para trás na noite; três caminhões, depois quatro, depois cinco. Mais veículos do que imaginávamos inicialmente. Muitos mais. Eu assisti de bruços, espiando por cima do morro com meu binóculo de visão noturna. Os veículos juntaram-se aos que já estavam lá, vindos do oeste. Os que vinham do norte também, embora essa ‘coluna’ consistisse em um único Escalade que chegou antes de qualquer outro. Era engraçado, como tudo estava escuro. Cada carro, cada caminhão, cada SUV – todos eles eram nas cores preta ou azul escura. Como se estivessem telegrafando seu próprio mal, sob a cobertura da noite. Eles não podem pensar que assim se misturam melhor. Eu ri dessa parte. Provavelmente era isso que eles imaginavam. No entanto, sob o luar do deserto, cada um deles se destacava como formigas escuras em uma colina cor de areia. “FIQUEM DE OLHO NO DIETZ.” A voz de Maddox me chamou do outro morro, do lado oposto do cânion. Nós mudamos para fones de ouvido agora. Todo o resto estava em silêncio, exceto pela conversa no vale abaixo. Deus, deve haver vinte deles. Eu constatei através da multidão crescente. Pelo menos uma dúzia de homens tinha rifles pendurados. Alguns outros tinham pistolas também. Eles já haviam tirado a cobertura do compartimento oculto e estavam no processo de abri-lo. “TAMBÉM ESTOU VENDO DIETZ,” murmurei de volta, embora não houvesse uma grande necessidade de manter minha voz baixa. Com todas as conversas e discussões acontecendo lá embaixo, eu poderia começar a assobiar se quisesse. Eu assisti ao último dos veículos parar em meio à poeira. A fumaça se dissipou, deixando-os em um semicírculo irregular. Encontrei Dietz na multidão novamente, afastando um pouco o zoom para segui-lo. “KANE ESTÁ EM POSIÇÃO.” Essa parte eu tive que confiar a Maddox. Kane estava posicionado a trezentos metros diretamente abaixo de mim, enfiado no terreno. Da posição original, Maddox podia vê-lo. Eu não. Espero que isso dê certo... Certamentenão era o ideal. “Ter esperanças” em algo não estava em nossa cartilha – o planejamento estava. Esperança era para os fracos, os preguiçosos, os mal preparados. Claro que sempre podíamos orar, mas era a última opção, o último recurso. Mas geralmente não havia nada melhor do que ter esperanças quando se tratava de determinação de resultados. Pessoa por pessoa, examinei a multidão, pressionando o botão 'salvar' na minha câmera para cada um. Eu estava tirando fotos dos bandidos. Imagens digitais que se tornariam registros provando seu envolvimento esta noite... desde que alguém um dia fizesse o download das digitalizações. Isso tudo, claro, dependeria de quem ganhasse e de quem perdesse. Qual era o velho ditado? A história é sempre escrita pelos vencedores? Meus olhos voltaram-se para Dietz. Ele parecia tenso. Nervoso. Agitado... Droga Dietz, fique frio. Mentalmente projetei as palavras. Se ele as ouviu, não mostrou em sua linguagem corporal. Fiquei feliz em ver que ainda estava carregando sua arma. Se ainda não haviam pegado, é porque não suspeitavam muito do envolvimento dele. Então... próximo ao Dietz... “ESTOU VENDO O ALACARD.” Eu disse as palavras em voz baixa, como se tentasse mantê- las longe de Dallas. Mas é claro que isso era uma bobagem. Dallas tinha um fone de ouvido também. Era estranho como ela ficou calma depois de saber quem matou Connor. Como se o conhecimento tivesse aliviado a raiva, em vez de liberar toda a fúria reprimida, tristeza e outras emoções. No entanto, eu achava que assim era melhor. Por outro lado, ela estava represando esses sentimentos ainda mais. Era algo sobre o qual ela eventualmente teria que falar, ou pelo menos deixar escapar. E quanto mais ela ficava em silêncio... “DIETZ ESTÁ SE MOVENDO...” A última frase de Maddox me fez largar meu binóculo. Peguei minha arma e olhei pela mira, onde tudo parecia menor e mais distante, mas igualmente claro. Finalmente, ter um retículo de alvo nesses idiotas era muito bom. Mudei de alvo para alvo, atribuindo a cada um deles um valor. Avaliando cada um em termos de nível de ameaça. Basicamente descobrindo qual deles eu acertaria primeiro. “ESTEJA PRONTO…” Eu estava pronto há meses. Por pouco mais de um ano, para ser mais preciso. “ESPERE PELO SINAL...” Eu não poderia estar mais pronto. “DIETZ ESTÁ...” BUM! Uma explosão sacudiu o áspero vale de pedra, levantando uma espessa nuvem de poeira. Foi seguida por outro som mais familiar: RATATATATATATATATATATA! Tiros! Disparos em modo automático. A agitação inquieta no desfiladeiro de repente se tornou frenética, quando metade dos homens caiu instantaneamente de barriga no chão. A outra metade correu para se proteger. “CARALHO!” Ouvi Maddox xingar pelo nosso canal. Mais poeira subiu, chicoteando no ar. Muita poeira. Alguém havia disparado algo — uma granada de concussão, ou talvez um pequeno dispositivo explosivo. Na confusão perdi todos: Dietz, Alacard, o cara com a Kord 12,7 mm que eu queria acertar primeiro. Não, retificando. O cara que eu precisava pegar primeiro, porque se eu não o pegasse, a pesada metralhadora russa nos faria em pedaços. PORRA! Meu sentimento ecoou exatamente o de Maddox. Eu só esperava que ele ainda estivesse vendo Kane. Que ele tivesse uma visão muito melhor do que eu, e que, de alguma forma, em meio a todo o caos, ele cobriria nosso amigo. Lá embaixo, a confusão estava armada. O enxame de pessoas estava se espalhando, sem que ninguém estivesse realmente certo para qual direção correr. Os espertos fugiram de volta para seus veículos para se proteger. Os burros... Eu varri a área com minha mira. Ela deu uma panorâmica bem a tempo de ver Dietz derrubando alguém com a coronha de seu rifle. Eu não poderia dizer quem, mas o homem estava vestindo um terno. Um terno. Bem no meio do deserto. POW! POW! O som agudo do calibre .50 de Maddox soou de cima. Olhei para cima, tentando visualizar o outro do cânion. Murmurando baixinho que não importava o que ele tenha feito, não importava o que aconteceu, era melhor que ele estivesse mantendo Dallas segura. Então eu vi o que estava acontecendo lá... e uma pontada de terror passou direto por mim. Capítulo 62 DALLAS Eu fiz o caminhão funcionar em segundos. Com um giro rápido da chave, ele rugiu para a vida, levantando poeira ao meu redor quando eu engatei a marcha. Meu coração quase explodiu de terror quando ele avançou... direto para a beira do penhasco. Ah MEEEERRRDA! Pisei no freio com os dois pés. Os pneus pararam ruidosamente, mas o impulso me manteve em movimento, fazendo com que eu deslizasse, derrapasse inexoravelmente para a frente. Empurrando-me para a borda da queda aterrorizante de novecentos metros de altura… “DALLAS!” O grito de Austin quase arrancou meu tímpano. Estendi a mão por reflexo para retirar o fone de ouvido, mas minha mão se prendeu de volta ao volante. É isso… No último segundo, o caminhão derrapou até parar. Eu podia ver Maddox pela janela do passageiro, deitado de bruços, segurando seu rifle. Ele virou a cabeça, um olhar de total incredulidade congelado em seu rosto. “DALLAS, QUE P...” Eu não pude ouvir nada mais. Já havia engatado a ré, os pneus girando para trás, derrapando no barranco enquanto olhava loucamente por cima do ombro. Eu não podia acreditar que estava fazendo isso! Mas ainda mais inacreditável, quase caí de um penhasco no processo. .”..VOLTE AQUI! NEM PENSE EM...” Agora eu puxei o fone de ouvido, jogando-o por cima do ombro. Era alto, uma distração, e nada que eles pudessem dizer iria me parar de qualquer maneira. Depois de testemunhar o pandemônio lá embaixo, meus únicos pensamentos estavam com Kane. Ele ainda estava lá, sozinho, com apenas Dietz como um aliado em potencial. E a última coisa que eu tinha visto antes da explosão... meia dúzia de homens, armas em punho, aproximando-se de sua posição. Rápido! O caminhão rugiu morro abaixo, ganhando velocidade. O veículo já estava tremendo, cada solavanco ampliado por um fator de dez. Eu estava metendo o pé. Balançando para a esquerda e para a direita, para cima e para baixo... Vá mais rápido! “Ooooouuuu!” Gritei quando minha cabeça bateu no telhado. Eu já estava ultrapassando os limites. Cada seixo era um pedregulho nessa velocidade. Cada pedaço de detrito era... PAF! Eu nem vi o primeiro cara que eu atropelei. Tudo o que vi foi seu rifle caído no para-brisa, enquanto ele ia direto para o teto. Puta merda puta merda puta merda! Outra pancada, desta vez do lado. Eu vi dois bandidos muito surpresos literalmente serem lançados do meu para-choque. Os olhares de choque total congelados em seus rostos realmente me fizeram rir alto. Do que diabos você está rindo? Meu coração estava quase para fora do peito. Meu corpo inteiro estava inundado de medo, adrenalina e uma série de outras emoções que eu não conseguia nem parar para considerar. Como você vai encontrá-lo? Não tenho a mínima ideia. Agora era dirigir em meio a uma tempestade de poeira, virando cegamente para a esquerda e para a direita. Apontei o nariz do caminhão na direção que imaginei ter visto Kane pela última vez. Mas se eu estava certa ou não... RATATATATATATATATATATA! Algo alto e desagradável explodiu em algum lugar à minha esquerda. Afastei-me, apenas vagamente ciente de que agora provavelmente estava contornando a face do penhasco. Eu tinha que desacelerar. Só que não conseguia desacelerar porque havia pessoas em todos os lugares. Não podia vê-los, mas podia ouvi-los; berrando, gritando, de alguma forma até atirando, embora não pudesse nem imaginar se eles estavam tão cegos quanto eu. E então, de repente… ZÁS! Eu estava fora da nuvem de poeira. Ao ar livre. Vi três homens reagirem imediatamente, levantando suas armas até ficarem no nível do meu caminhão. MERDA! Eu me abaixei, puxando o volante com força. Silvos altos e ricochetes ecoaram em um lado do meu veículo. Em seguida, ouvi dois estalos agudos, vindos de longe. Quando olhei para cima novamente, dois deles tinham caído. Uau! O terceiro estavacorrendo pra caralho na direção oposta. “EITA PORRA!” Eu girei, e de repente lá estava Kane. Ele estava deitado de costas, coberto de poeira. Contorcendo-se... com outra pessoa presa em seu corpo. Abri a porta e corri para ele, sem nem pensar. Ao me aproximar, pude ver o que estava acontecendo. Ele tinha um homem em uma chave de braço, enquanto outros dois estavam chutando-o nas costelas. Um terceiro estava parado sobre meu amante, com a coronha de seu rifle erguida. Pronto para batê-la em seu crânio a qualquer momento… “KANE!” Eles viraram, e me ocorreu instantaneamente que gritar provavelmente não era a melhor opção. Eu nem tinha desarmado a trava de segurança da minha arma ainda. “Dallas?” Eu vi as costas largas de Kane girarem violentamente, e o cara com quem ele estava lutando de repente parou de se mover. Metade dos homens se virou para mim. Alguns deles ergueram seus rifles. POW! Uma bala rasgou o ombro de um inimigo. Desta vez veio do lado, em vez de acima. Outro homem avançava calmamente, seus dentes brancos contrastando com a escuridão sombria de seu rosto. Era Dietz. Graças a Deus! O outro homem cambaleou para o lado, atirando enquanto corria. Enquanto ele e Dietz trocaram tiros, eu avancei... bem quando Kane agarrou a perna de seu oponente mais próximo e o puxou para o chão. Restou o homem que segurava a coronha do rifle, que se virou para mim. Seu olhar encontrou o meu e houve um instante de choque... então reconhecimento. ALACARD. Seu rosto ainda estava machucado, sua testa marcada por nossa briga em Nova Orleans. Ele não parecia afetado por isso. Na verdade, sua boca se curvou no mais perverso dos sorrisos. Dallas... Ele se movia lentamente agora, como uma cobra. Não... como um encantador de serpentes, me mantendo presa em seu olhar de transe. Mantendo-me prisioneira com seus olhos negros redondos, incapaz de me mover, fazer qualquer coisa ou... DALLAS! Em uma fração de instante, ele abaixou sua arma e apontou para mim. Aconteceu roboticamente, como se o braço dele fosse hidráulico… POW! O rifle ganhou vida em minhas mãos. Porra, foi como se tivesse atirado por conta própria. Alacard olhou para baixo, para o buraco vermelho em seu peito. Uma mancha escura estava se espalhando, parecendo negra ao luar. O melhor de tudo, seu rosto estava contorcido em uma máscara de completa surpresa. POW! POW! POW! Ele balançou algumas vezes, tropeçando para trás. Então desabou assim que Kane ficou de pé. “Dallas!” POW-POW-POW-POW-POW! “DALLAS!” De alguma forma, parei antes que meu pente estivesse vazio. Mas apenas um pouco. “Puta merda, Dallas.” A mão de Kane se aproximou do cano, empurrando-o para baixo. “Eu nunca vi você se mover tão rápido,” ele exclamou. Você nunca me viu jogar blackjack. O pensamento mal estava registrado nos recantos mais distantes da minha mente. Eu ainda estava como que anestesiada. Sem palavras. Formigando por toda parte. O braço do meu amante deslizou ao redor da minha cintura, me puxando na direção do penhasco. “Vamos lá.” “M... mas o caminhão...” eu consegui dizer. “Está naquela direção.” Kane disse alguma coisa, mas eu mal podia ouvir agora. Achei que talvez tivesse ficado surda com o som dos tiros, mas então percebi que o som ensurdecedor estava acima de mim. E foi ficando cada vez mais alto. “Esqueça o caminhão,” Kane estava praticamente gritando no meu ouvido. “Venha por aqui, precisamos nos proteger.” “O que está acontecendo?” eu gritei. A poeira estava girando novamente, só que desta vez era uma tempestade. Ou pelo menos parecia assim quando olhei para cima, tentando encontrar trechos reconhecíveis do céu claro. Meu corpo inteiro tremia. Até meus tímpanos vibravam. “O que diabos está havendo?” eu gritei. A respiração de Kane estava quente na minha orelha. Sua voz estava alta, mas calma. “Helicópteros.” Capítulo 63 KANE Foi lindo, ver como tudo se desenrolou. Observar todo o pelotão descer dos dois Sikorskys, inserindo-se suavemente e sem esforço na luta. Apenas lamentei que tenha acabado tão rápido. Menos de cinco minutos após a chegada do primeiro helicóptero, que pousou em segurança no barro compactado, treze SEALs e dois oficiais estavam sobre uma fila de prisioneiros espalhados, todos desarmados, algemados e com o rosto para baixo na poeira. “Medina, certo?” O homem que se dirigia a mim pelo meu sobrenome era tão veterano quanto possível. Ele pisou confiante, o cabelo escuro espreitando sob o chapéu todo listrado de cinza. “Sim, Chefe,” eu cumprimentei. Ele estendeu a mão. Sacudi-a, enquanto ele me media com os olhos. “Chefe Rogan. Equipe Quatro, terceiro pelotão.” “Sei quem você é, senhor.” “Bom. Agora, por que diabos você está sorrindo?” Eu nem sabia que estava. Enquanto o homem esperava por uma resposta, não pude fazer nada além de dar de ombros. “Eu realmente não achei que vocês viriam.” O Chefe fez uma careta e tirou o chapéu. “Você está de brincadeira comigo, filho? Depois do que você nos disse?” Eu queria rir. Não do homem, mas da situação. Era tudo tão absurdo, tão totalmente insano. Levaria um dia inteiro para explicar, e mais uma semana para... “Claro que nós viríamos! Woodward foi muito insistente. Entre ele e o que li de seu registro de serviço, não poderíamos deixar de vir.” Ele fez uma pausa por um momento. “Embora tenha havido alguma oposição…” Por alguns segundos ele pareceu pensativo, como se estivesse considerando algo desagradável. Então balançou a cabeça. “Essa é uma confusão do caralho, filho,” o Chefe exclamou, olhando ao redor. “Você sabe disso?” “Ah eu sei, senhor.” “Pare com essa merda de ‘senhor’ e me diga o que diabos está acontecendo.” À medida que os motores dos helicópteros diminuíam, repassei o básico. Os detalhes podiam vir depois. Levei um minuto para identificar as partes envolvidas, apontando homens, chefes, veículos… “Dois caminhões fugiram,” eu disse abruptamente. “Acho que eles foram para o leste, enquanto estávamos no meio da…” “Da confusão?” ele terminou para mim. “Não se preocupe, nós sabemos tudo sobre isso. Já temos interceptações. Caramba, essa é uma operação conjunta, entre o Exército, a base de Nellis e...” “SENHOR!” Nós dois viramos a cabeça ao mesmo tempo. Dois homens haviam puxado a tampa de proteção contra poeira escondida e estavam de pé sobre um poço inteiro de tijolos de papel pardo perfeitamente empilhados. O Chefe ergueu uma sobrancelha. “Cocaína?” “Presumimos que sim.” “Isso é sobre drogas, então?” Balancei minha cabeça. “Muito mais que isso.” O homem fez uma pausa, colocando as mãos nos quadris. Ele soltou um suspiro longo e profundo. “Então...” ele olhou para mim. “Aquilo que Woodward nos contou…” “Tudo verdade, Chefe. Cada pedacinho.” Ele olhou ao redor novamente, olhando para todos, tudo. Seus olhos varreram os homens de bruços. Seu rosto se contorceu em uma careta. “Jesus Cristo,” ele exclamou alto. “E Maria e José,” acrescentei. Capítulo 64 MADDOX Passaram-se várias horas antes que tudo acabasse. Antes que todos os suspeitos saíssem na traseira de um carro da polícia, ou pior, acorrentados nos pés e mãos e arrastados pela Polícia das Forças Armadas. O Departamento de Polícia de Las Vegas queria que nós os seguíssemos para obter declarações, é claro, mas o Chefe nos tirou de lá alegando que éramos “seu pessoal.” No final, apenas um dos helicópteros foi deixado. “Relatório completo,” Rogan grunhiu, enquanto caminhava de volta para o transporte. “Meu escritório, todos vocês. Quando eu estiver pronto.” Kane respondeu com um aceno curto. Isso pareceu satisfazer o homem. “Por enquanto,” disse o Chefe, “descanse um pouco.” Ele desapareceu ao entrar no transporte, dois homens se movendo rapidamente para o lado dele. Fiquei maravilhada com a forma como ele parecia quase surreal. Como um personagem saído de um filme. “Então foi isso que você fez, hein?” cutuquei Kane. Foi a primeira conversa real que tivemos desde que o caos começou. “Sim.” “Tudo bem, então. Como você conseguiu?” Austin e Dietz avançaram.Ambos estavam bastante interessados. Dallas já estava ao meu lado, pendurada em um ombro. Provavelmente já tentando fazer as pazes pelo incidente do caminhão. “Bem, primeiro eu entrei em contato com Woodward na base,” disse Kane. “Disse a ele que a merda estava prestes a atingir o ventilador, e ele estava muito perto para não ser respingado.” A analogia me fez rir. “Então, por que ele simplesmente não ficou quieto?” “Eu não dei a ele a opção,” respondeu Kane. “Eu disse a ele que, se caíssemos, ele seria o próximo. Sem dúvida.” “E ele acreditou em você?” “Teve que acreditar. Especialmente quando eu disse a ele que Dietz estava ouvindo coisas. Coisas ruins. Ou seja, que ele estava tagarelando conosco em Nova Orleans.” Austin esfregou a mandíbula. “Caramba, isso foi sacanagem.” “Tempos sacanas,” reconheceu Kane. “Então o que aconteceu depois?” perguntou Dallas. “Woodward entrou em contato com todos os novos superiores. Cá entre nós, para não mencionar que Dietz estava envolvido, mexemos os pauzinhos o suficiente para implicar todo o pelotão.” “E acabamos chegando em Rogan.” “Isso,” Kane disse novamente. “Tivemos sorte,” disse Dietz. “Sorte de ele ser uma boa pessoa.” “Com certeza tivemos,” Kane concordou. “Porque isso quase não aconteceu. Há oficiais envolvidos que nem estão aqui agora. Pessoas que tentariam evitar isso a cada centímetro do caminho.” “Se não fosse por Rogan,” Dallas teorizou. Kane assentiu lentamente. “Sim. Se não fosse por Rogan.” A coisa toda era um verdadeiro vespeiro. Um vespeiro enorme e cheio de vespas agressivas, que ninguém realmente queria tocar. Mas ele havia sido atiçado agora. E não havia como acalmá-lo. “Já havia pensado em nos contar?” alfinetei Kane. “Contar o quê?” “Ah, não sei...” zombei. “Que talvez a Equipe Quatro do SEAL aparecesse?” “Não.” “Porra, e por que não?” “Não queria aumentar suas esperanças.” Eu ainda não podia acreditar. Ainda não conseguia compreender como tudo podia ficar tão confuso tão rapidamente. “Há o suficiente no chip de dados de Connor para derrubar alguns operadores de altíssimo nível,” disse Austin. “E muitas pessoas aqui esta noite, querendo que isso seja varrido para debaixo do tapete.” Obrigado Deus, pensei comigo mesmo. “Então, a merda está prestes a ficar mais fedida?” Dallas apontou com o polegar por cima do ombro. “Isso já não está fedido o suficiente?” ela exclamou. “Claro que não,” provoquei. “Tínhamos tudo sob controle... isto é, até você assumir o volante novamente.” Austin não conseguiu reprimir uma risadinha. Até Kane sorriu. “Sim, alguém já pegou as chaves dela?” Enquanto o riso morria, estudei a expressão de Dallas. Mesmo agora ela ainda estava cheia de calor e adrenalina. E não estava triste. Ela não estava chateada, ou em estado de choque, ou angustiada, ou qualquer coisa assim. Considerando o que ela passou e o que acabou de fazer, era quase um milagre. E é exatamente por isso que você a ama. Percebi que realmente amava. Dallas tinha cérebro, coragem e força. Uma combinação rara e maravilhosa em qualquer pessoa, menos ainda em uma alma gêmea. E isso sem levar em conta o resto de suas qualidades. “Então é isso?” Dietz finalmente perguntou. “Acabou?” Nós nos encaramos por um momento, nós cinco em um círculo. O único som era o zumbido baixo do Sikorsky passando em seu pré-voo. “Parece que sim,” Austin deu de ombros. Kane cuspiu uma gota de sangue através de um lábio rachado. “É melhor que tenha acabado,” acrescentou. Dallas estava chutando o chão. Sem dizer muita coisa. “Posso ir para casa,” disse Dietz. A voz dele estava diferente agora. Mais leve. “Finalmente estou fora disso.” Estendi a mão e a coloquei em seu ombro. “Haverá algumas pontas soltas,” adiantei. “Ou muitas, provavelmente. Mas nada que não possa ser resolvido.” No horizonte, o primeiro indício de rosa estava rachando o céu. O amanhecer estava chegando. Meu estômago roncou. Foi Austin quem falou no final. “Alguém quer panquecas?” Capítulo 65 DALLAS Duas semanas. Foi o tempo que levou para analisar tudo. Duas semanas de reuniões, depoimentos e interrogatórios limítrofes. A polícia queria respostas, é claro. Mas com o Departamento de Polícia de Las Vegas recebendo crédito por uma das maiores apreensões de drogas da história de Nevada, suas entrevistas resultaram todas em um bom café e sorrisos ainda melhores. Quando se tratava da polícia das Forças Armadas, no entanto, as coisas eram muito mais complicadas. Não tivemos notícias de Rogan até que uma série abrangente de prisões foi feita. Era tudo coisa interna. Muito sórdido. O tipo de merda de alto nível que a Marinha e a Força Aérea queriam manter em segredo. Até que finalmente fôssemos chamados, todo o processo já estava rolando há vários dias. Mas entre Woodward, Dietz e os arquivos que meu irmão tinha guardado, as últimas peças de um quebra-cabeça realmente fodido finalmente começaram a se juntar. Alacard, felizmente, se foi. Assim como Evan Miller, embora ninguém nunca tenha me dito se isso aconteceu por minha mão ou como resultado de outra pessoa. De qualquer forma, três capitães e dois subtenentes estavam literalmente atrás das grades. Haveria mais do que apenas cortes marciais – haveria tribunais militares. E isso, me garantiram, aconteceria a portas muito fechadas. Estávamos a poucos dias de abril quando tudo terminou. Dietz finalmente foi para casa em Norfolk, levando até mesmo o dente com ele. Meus cheques de seguro chegaram; indenização pela estrutura e conteúdo perdidos no fogo. Números e vírgulas em dois pequenos pedaços de papel... tudo o que restou da minha casa de infância. Uma noite eu estava olhando para os rapazes, observando-os vagar pela casa. Eles pareciam inquietos agora. Como se estivessem lutando para encontrar algo para fazer. Eles estão protegendo você há muito tempo, a vozinha na minha cabeça me disse. Não sabem o que vem a seguir. Foi uma constatação gritante. Uma que eu nem tinha considerado, ou para a qual não me preparei. Então, o que vem a seguir, Dallas? Acho que precisava seguir em frente, talvez começar de novo. Eu provavelmente conseguiria meu emprego de volta, mas por algum motivo dar cartas não parecia mais tão atraente. Nem Vegas. Havia apenas muitas memórias aqui. Muitos fantasmas. Muitas coisas de alguma forma tão doces quanto amargas... “Dallas?” Olhei ao redor e Maddox estava encostado na minha porta, parecendo mais incrível do que o normal. Seus braços estavam todos inflados. Provavelmente por ele ter acabado de malhar. Caramba. Deixei meus olhos rastejarem sobre ele por alguns segundos felizes. O tempo estava curto ultimamente. Nas últimas duas semanas, realmente não havia muito espaço para... “Você pode vir comigo por um minuto?” Eu sorri enquanto o segui pelo corredor. Ele estendeu a mão, e eu a peguei alegremente enquanto ele me levava para a cozinha. Os outros também estavam lá. Nenhum deles estava sentado. Austin estava de pé de um lado da mesa, com os braços cruzados. Kane estava do outro lado, recostado em seu lugar habitual no balcão. “Outra reunião de família?” brinquei. “Algo do tipo.” Olhei para baixo e notei que havia uma caixa sobre a mesa. Uma caixa de presente vermelha e branca, amarrada com uma fita. “Bem, não é meu aniversário,” eu disse. “Nós sabemos.” A caixa parecia uma caixa de bolo, só que mais chique. Eu corei um pouco quando me aproximei. Austin puxou uma cadeira para mim. “Ah, então eu vou precisar me sentar para isso?” Os rapazes se entreolharam, os três. “Provavelmente,” Kane arriscou. “Sim.” Eu sentei. Puxei a fita. Ela caiu e eu levantei a tampa, me perguntando o que diabos eles estavam me dando coletivamente. Dentro da caixa havia um lindo livro encadernado em couro. Eu o peguei, surpresa com seu peso. Como era pesado e quente em minhas mãos. “Abra.” Abri a capa e lá estava ele: Connor. Olhando para mim através do tempo. Me iluminando com o sorriso mais lindo e maravilhoso... um sorriso que eu quase esqueci que ele tinha. Quase, mas não exatamente. Eu