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INTRODUÇÃO 
ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E 
POLÍTICAS
PROF. MARÍLIA GABRIELLA 
BORGES MACHADO
“A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma 
ação integrada de suas atividades educacionais, visando à 
geração, sistematização e disseminação do conhecimento, 
para formar profissionais empreendedores que promovam 
a transformação e o desenvolvimento social, econômico e 
cultural da comunidade em que está inserida.
Missão da Faculdade Católica Paulista
 Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo.
 www.uca.edu.br
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma 
sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, 
salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a 
emissão de conceitos.
Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
PROF. MARÍLIA GABRIELLA 
BORGES MACHADO
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 3
SUMÁRIO
AULA 01
AULA 02
AULA 03
AULA 04
AULA 05
AULA 06
AULA 07
AULA 08
AULA 09
AULA 10
AULA 11
AULA 12
06
15
24
33
42
51
61
70
79
88
97
106
INTRODUÇÃO: O QUE SÃO AS CIÊNCIAS 
SOCIAIS? OBJETIVOS, METODOLOGIA E 
IMPORTÂNCIA
A ANTROPOLOGIA E SEUS AUTORES
A SOCIOLOGIA E SEUS AUTORES
A CIÊNCIA POLÍTICA E SEUS AUTORES
CONSOLIDAÇÃO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS COMO 
CAMPO DE PESQUISA E CONHECIMENTO
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: A DIVISÃO 
SOCIAL DO TRABALHO
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: AS FORMAS DE 
PODER AUTORITÁRIAS E DITATORIAIS
TEMA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: AS FORMAS DE 
PODER DEMOCRÁTICAS E REVOLUCIONÁRIAS
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: O QUE É 
CULTURA ?
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: SENSO COMUM 
E IDEOLOGIA
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: A QUESTÃO DA 
ECONOMIA
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: A QUESTÃO DA 
HISTÓRIA
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
PROF. MARÍLIA GABRIELLA 
BORGES MACHADO
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 4
SUMÁRIO
AULA 13
AULA 14
AULA 15
115
124
134
A ANÁLISE DO BRASIL A PARTIR DAS CIÊNCIAS 
SOCIAIS 
INDIVÍDUO E SOCIEDADE: AS MARCAS QUE 
EXIBIMOS NA NOSSA ATUAÇÃO NA SOCIEDADE
OS DESAFIOS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS NO 
MUNDO CONTEMPORÂNEO
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
PROF. MARÍLIA GABRIELLA 
BORGES MACHADO
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 5
INTRODUÇÃO
Caro aluno, seja bem-vindo a nossa disciplina de Introdução à Ciências Sociais e 
Políticas!
Essa disciplina tem como objetivo principal introduzir em sua formação as Ciências 
Sociais, pois essa é uma ciência muito importante para entendermos o mundo em 
que vivemos, bem como a nossa atuação profissional e pessoal. Dessa maneira, 
aguçamos o pensamento crítico conforme conhecemos as metodologias dessa área 
e seus fundamentais autores que nos auxiliam a compreender um pouco mais da 
nossa sociedade.
As nossas 15 aulas serão suficientes para que você conheça de maneira introdutória 
o que são as Ciências Sociais, quais são os objetivos dessa ciência, o que é antropologia 
e os autores mais importantes, bem como a sociologia, a Ciência Política, a história, 
a economia e as temáticas que as Ciências Sociais refletem. Com as nossas aulas 
você também terá a oportunidade de compreender qual foi e como foi o processo de 
consolidação das Ciências Sociais enquanto campo de pesquisa que atua nas mais 
diversas áreas do conhecimento.
Sobre os temas das Ciências Sociais, a divisão social do trabalho, as formas de poder 
e de governos, sejam elas autoritárias, ditatoriais, revolucionárias ou democráticas, 
com certeza, irão te auxiliar a compreender mais sobre o funcionamento da nossa 
sociedade e de questões políticas.
Temas atuais como a cultura, senso comum e ideologia também irão te auxiliar no 
seu processo formativo enquanto profissional, acadêmico, e futuro pesquisador, pois 
são problemas das Ciências Sociais essenciais em qualquer área do conhecimento.
As nossas últimas três aulas foram realizadas para você com objetivo de desvendar 
os mistérios e as análises sobre a formação histórica, política, cultural e econômica do 
Brasil. Assim como te abrirá a possibilidade de pensar a atuação dos seres humanos 
na relação entre indivíduo e sociedade, bem como a importância das Ciência Sociais 
em nosso mundo, sempre em movimento e transformação.
 Espero que você goste muito das nossas aulas e que utilize a nossa disciplina em 
sua formação acadêmica e profissional
Agora é com você, boa leitura e boa aula!
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
PROF. MARÍLIA GABRIELLA 
BORGES MACHADO
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 6
AULA 1
INTRODUÇÃO: O QUE SÃO AS 
CIÊNCIAS SOCIAIS? OBJETIVOS, 
METODOLOGIA E IMPORTÂNCIA
Lupa - pessoas
Fonte:https://pixabay.com/pt/illustrations/lupa-pessoas-cabe%c3%a7a-rostos-1607208/ 
Olá, caro estudante! Tudo bem?
É muito bom tê-lo aqui conosco e participar contigo deste trajeto tão importante 
em sua vida! Não tenho dúvidas de que estudar Ciências Sociais será fundamental 
para sua vida acadêmica. Utilizaremos noções básicas, introdutórias, mas também 
categorias e conceitos das Ciências Sociais e de suas subáreas: a Antropologia, a 
Sociologia e a Ciência Política, de forma que você desenvolva os requisitos necessários 
para sua atuação acadêmica e profissional.
Com o passar das nossas aulas e dos seus estudos, você será capaz de entender 
que as Ciências Sociais são fundamentais para qualquer formação acadêmica, 
independentemente da área de atuação, pois você estará sempre em contato com 
https://pixabay.com/pt/illustrations/lupa-pessoas-cabe%c3%a7a-rostos-1607208/
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
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pessoas, com a sociedade e estabelecendo relações sociais, políticas, econômicas 
e culturais.
Primeiramente, gostaria de propor para vocês um breve momento de reflexão. 
Vamos lá!
Fonte:https://pixabay.com/pt/vectors/pergunta-quest%c3%b5es-homem-cabe%c3%a7a-2519654/ 
Gostaria que você refletisse sobre as questões abaixo:
Para você, o que é sociedade?
Em sua opinião, o que são relações sociais?
Qual a relação entre indivíduo e sociedade?
O que é cultura?
Qual a nossa importância, enquanto indivíduos, e atuação no mundo contemporâneo?
Por fim, você sabe o que são as Ciências Sociais?
Agora que você refletiu bastante sobre as Ciências Sociais, espero que consiga 
compreender que nosso objeto de estudo é a sociedade e as formas em que os seres 
humanos se relacionam no mundo que habitam.
https://pixabay.com/pt/vectors/pergunta-quest%c3%b5es-homem-cabe%c3%a7a-2519654/
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
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Para tanto, nosso material e nossas aulas possuem o objetivo principal de trazer a 
você, estudante, as principais noções, categorias, termos e conceitos utilizados nas 
Ciências Sociais para que você compreenda melhor como a sociedade funciona, assim 
como as diversidades culturais e políticas dos diversos grupos sociais existentes em 
nosso planeta.
1.1 O que são as Ciências Sociais?
As Ciências Sociais possuem grande importância para a humanidade, mas muitas 
pessoas não sabem ao certo o que significam e qual sua relevância. Então, vamos 
a fundo sobre o que são as Ciências Sociais e seu surgimento! As Ciências Sociais 
estão dentro das Ciências Humanas e também se subdividem em outras áreas: a 
Antropologia, a Sociologia e a Ciência Política. 
Cada uma dessas áreas serve para que você consiga compreender e analisar como se 
organizam as sociedades, assim como investigar eventos históricos, políticos, culturais, 
crises econômicas, bem como investigar as estruturas e os fenômenos que regem a 
nossa sociedade e as atuais condições do mundo, de um país, de um Estado, de uma 
cidade ou de um grupo social.
ANOTE ISSO
Além disso, o objeto de estudo das ciências sociais mescla indivíduos 
e comunidades, classes e grupos sociais, gêneros e raças/etnias, 
religiosidades e ecologia, identidadese diversidade, realidades e 
imaginários, regiões e nacionalidades. Confronta e agrupa indivíduo e 
sociedade, natureza e sociedade. Percorre as diversas forças e formas 
de divisão social, sexual e técnica do trabalho e da produção. Diferencia 
a parte do todo, o singular do universal, o público do privado, assim 
como a democracia, da tirania e da revolução. Confronta as guerras de 
classe, fundamentalismos religiosos, as guerras étnicas, promovendo 
tanto a destruição como a criação de riquezas entre os indivíduos e as 
nações (CAVALCANTE; SILVA, 2011, p.03-06).
Agora, vamos descobrir como as Ciências Sociais se consolidaram como ciência, ou 
seja, qual seu surgimento e consolidação no campo científico e dentro das Universidades. 
Para isso, é preciso que voltemos a nossa atenção para o século XIX, principalmente 
para as transformações sociais, políticas, econômicas e culturais causadas pela 
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
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Revolução Industrial e os processos de urbanização, expansão e colonização de países 
periféricos (que não fossem os grandes centros imperiais da Europa).
Caro estudante, te convido a voltarmos um pouquinho na história para relembrar 
sobre a Revolução Industrial. Nosso objetivo é que você compreenda como os processos 
de industrialização da sociedade e o contexto histórico, ambos possibilitadores do 
desenvolvimento social, bem como a necessidade de investigação de pesquisadores 
sobre as transformações do mundo para uma nova sociedade capitalista. 
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-da-roda-dentada-dourada-em-fundo-preto-3785935/ 
A Revolução Industrial foi um marco muito importante para a história da humanidade, 
sendo que seus desdobramentos e desenvolvimentos afetaram todo o mundo. Ocorreu 
quando a sociedade européia, especificamente a Inglaterra, mudou seu modo de 
produção para o capitalismo, para uma sociedade utilizadora de máquinas. Ou seja, 
o processo passou de manufaturado para faturado, sendo que mais mercadorias 
passaram a surgir no mercado, bem como preços atrativos. (CAVALCANTE; SILVA, 
2011, pp.03-06). Nesse caso é possível afirmar que
https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-da-roda-dentada-dourada-em-fundo-preto-3785935/
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
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ANOTE ISSO
a Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra no século XVIII foi o grande 
precursor do capitalismo, ou seja, a passagem do capitalismo comercial 
para o capitalismo industrial. É fascinante, como a revolução industrial 
mudou a vida das pessoas daquela época e como até hoje seus reflexos 
continuam transformando o nosso dia a dia com a revolução tecnológica. 
[...] Escritores consagrados como Adam Smith, Karl Marx, Eric Hobsbawm 
entre outros exploram a importância da Revolução Industrial e o surgimento 
do capitalismo moderno (CAVALCANTE; SILVA, 2011, pp.03-06).
Como a Revolução Industrial foi responsável por concentrar muitos trabalhadores nas 
fábricas que recebiam salários, temos como um dos principais resultados o desenvolvimento 
urbano e o aumento de pessoas nas cidades que também aumentaram. Londres chegou a 
ter 1 milhão de habitantes no ano de 1800, e o progresso que se desenvolvia, desenvolvia 
também uma massa de trabalhadores em condições precárias e muito miseráveis. 
ANOTE ISSO
Os artesãos acostumados a controlar o ritmo de seu trabalho, agora 
tinham de submeter-se à disciplina da fábrica. Passaram a sofrer a 
concorrência de mulheres e crianças. Na indústria têxtil do algodão, as 
mulheres formavam mais de metade da massa trabalhadora. Crianças 
começavam a trabalhar aos seis anos de idade. Não havia garantia contra 
acidente nem indenização ou pagamento de dias parados neste caso 
(CAVALCANTE; SILVA, 2011, p.03-06).
ISTO ESTÁ NA REDE
O trabalho infantil é um problema muito sério e a ser combatido em nossa sociedade. 
Sobre o assunto, é possível verificarmos o seguinte trecho de uma redação escolar, 
escrita por um menino de 12 anos, que trabalhava. “Assim que me levanto pela manhã, 
tenho que descer as escadas até o porão, para começar minha jornada. São mais ou 
menos cinco e meia da manhã. Aí eu tenho que enfiar as linhas nas agulhas dos teares 
até às sete horas e só então tomo o café-da-manhã. Depois volto ao trabalho até a 
hora de ir para a escola. Quando a escola termina, às onze horas, vou para casa e volto 
para as agulhas até às doze horas. Almoço e volto a trabalhar até pouco antes da uma 
da tarde. Retorno à escola, onde aprendo muitas coisas úteis. Quando chego em casa, 
trabalho até escurecer. Aí janto. Depois da janta, trabalho novamente até às dez da noite. 
Às vezes, quando o trabalho é urgente, fico até às onze da noite no porão. Depois digo 
aos meus pais boa noite e vou dormir. É assim todos os dias.”
Veja a matéria na íntegra no site: https://www.swissinfo.ch/por/trabalho-infantil-na-su%C3%AD%C3%A7a_a-inf%C3%A2ncia-roubada-dos-
oper%C3%A1rios--fabriklerkinder-/43508762 
https://www.swissinfo.ch/por/trabalho-infantil-na-su%C3%AD%C3%A7a_a-inf%C3%A2ncia-roubada-dos-oper%C3%A1rios--fabriklerkinder-/43508762
https://www.swissinfo.ch/por/trabalho-infantil-na-su%C3%AD%C3%A7a_a-inf%C3%A2ncia-roubada-dos-oper%C3%A1rios--fabriklerkinder-/43508762
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
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Como notamos, portanto, com a revolução industrial, muitas coisas foram modificadas 
de forma muito rápida, tanto para o mundo do trabalho, como para a política e para 
questões econômicas e culturais. Isso originou novos comportamentos sociais, novas 
formas de sociabilidade e de modelos de sociedade. (CAVALCANTE; SILVA, 2011, p.03-
06).
Desde então, surgiu o interesse de muitos filósofos e pensadores em analisar e 
compreender o funcionamento da sociedade e explicar os fenômenos, as contradições 
e os complexos movimentos da nossa sociedade contemporânea. As Ciências Sociais, 
então, começou a ter sua existência enquanto uma ciência que possibilitava a formulação 
de novos conhecimentos, assim como a sistematização de teorias e práticas que já 
existiam e que explicavam, e para explicar, as transformações em curso da sociedade.
Portanto, as Ciências Sociais é uma ciência que possibilita ao profissional contribuir 
para a análise de fatos e fenômenos históricos, mas também atuais, pois é uma 
área destinada à análise da sociedade e de seus problemas que entende a causa (a 
origem) e o desenvolvimento de diversas questões, bem como pode pensar e planejar 
a melhoria e soluções, já que estuda os fenômenos da sociedade.
1.1.1 Objetivos e importância das Ciências Sociais
Caro aluno, agora que você já conhece o principal fundamento das Ciências Sociais: 
estudar os fenômenos da nossa sociedade, convido você a explorar os objetivos e a 
importância dessa ciência. 
Como as Ciências Sociais têm por objetivo e principal importância de ser uma 
ciência crítica, analítica, interpretativa e que oferece possibilidades de intervenção na 
realidade social.
Elencamos seus principais objetivos:
• Reflexão crítica da sociedade;
• Reflexão crítica das relações sociais, culturais e políticas;
• Analisar a complexidade da sociedade e da vida social;
• Analisar a complexidade das culturas e das relações culturais;
• Reflexão sobre o conhecimento, a cultura, os processos históricos e políticos;
• Possibilitar o exercício da cidadania e da autonomia;
• Reflexão sobre as práticas cotidianas e relação com teorias sistematizadas;
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
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Caro aluno, agora você consegue compreender, portanto, que o objeto de estudo das 
Ciências Sociais é muito dinâmico e está sempre em movimento? Pois bem, a partir 
disso compreendemos que são vários recursos a serem utilizados para a reflexão, 
bem como inúmeras estratégiasmetodológicas e técnicas para analisar o que se é 
pesquisado e entendido.
É dessa maneira que as Ciências Sociais não é apenas importante para o cientista 
social ou para o antropólogo, sociólogo e cientista político, mas para todas as áreas do 
saber, pois é imprescindível que os profissionais, das diversas áreas do conhecimento, 
se dediquem à compreensão da sociedade em que vivemos e das relações sociais 
que nós, seres humanos, estabelecemos ao longo de nossas vidas.
ANOTE ISSO
Portanto, as Ciências Sociais,
Configura-se com novos significados, alargando suas fronteiras para 
outros campos disciplinares, articula-se e desarticula-se com as ciências 
da natureza e do espírito. Combinam-se diferentes temporalidades e 
lugares, revelando desenvolvimentos desritmados, descompassados e 
desiguais. Articulam-se as tradições e a história com os tempos futuros 
e mediáticos (ROSSO, BANDEIRA, COSTA, 2020, p.238).
Dessa forma, podemos frisar que o objeto de estudo das Ciências Sociais 
abrange os indivíduos, comunidades, grupos sociais, classes, gêneros, raças e 
etnias, religiosidades e ecologia, as diversidades, as realidades e os imaginários 
sociais, também as regiões e as nacionalidades. Sendo assim, as Ciências Sociais 
é uma ciência que “Confronta e agrupa indivíduo e sociedade, natureza e sociedade. 
Percorre as diversas forças e formas de divisão social, sexual e técnica do trabalho 
e da produção”, pois “diferencia a parte do todo, o singular do universal, o público do 
privado, assim como a democracia, da tirania e da revolução” conforme “Confronta 
as guerras de classe, fundamentalismos religiosos, as guerras étnicas, promovendo 
tanto a destruição como a criação de riquezas entre os indivíduos e as nações” 
(ROSSO, BANDEIRA, COSTA, 2020, p.238).
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Como vimos, a pesquisa e a prática de pessoas ligadas com a área das Ciências 
Sociais é muito importante. Na dissertação de mestrado, intitulada Adoecimento 
no trabalho, a metamorfose do trabalhador do campo na cidade e os reflexos 
da reestruturação produtiva em uma fábrica de confecções têxteis no interior do 
Estado de São Paulo, o pesquisador sociólogo Vitor Luiz Carvalho da Silva (2020) 
realizou um trabalho de campo, por meio de entrevistas e fundamentações teóricas, 
com trabalhadores da fábrica têxtil Ares Confecções. Em seu trabalho, o sociólogo 
aborda questões relacionadas ao mundo do trabalho e à saúde dos trabalhadores.
Conheça o trabalho do pesquisador: https://repositorio.unesp.br/bitstream/
handle/11449/202698/silva_vlc_me_mar.pdf?sequence=3&isAllowed=y 
Fonte: Repositório UNESP:https://repositorio.unesp.br/handle/11449/202698 
1.1.1.1 Metodologia das Ciências Sociais
Como vimos, as Ciências Sociais é uma ciência que nasceu com o desenrolar da 
revolução industrial, no século XIX, e que tem como principal objetivo realizar uma 
reflexão crítica da sociedade, das relações sociais, culturais e políticas, assim como 
analisar a complexidade da sociedade e da vida social; das culturas e das relações 
culturais; também sobre o conhecimento, a cultura, os processos históricos e políticos, 
de forma que possibilita o exercício da cidadania e da autonomia por meio da reflexão 
e da possibilidade de mudanças de práticas cotidianas fundamentadas em teorias 
sistematizadas, podendo ser utilizada como instrumento para as diversas áreas do 
conhecimento.
Assim sendo, as Ciências Sociais, por ser uma ciência, é constituída por métodos 
e metodologias. Convido você, aluno, a compreender um pouquinho mais sobre isso, 
iniciando nosso trajeto sobre o que é metodologia e depois sobre as metodologias 
utilizadas nas Ciências Sociais.
Entendemos a metodologia científica como uma ciência que estuda os métodos, ou 
seja, os caminhos necessários para que o pesquisador percorra e que consiga, da melhor 
forma possível, alcançar seus objetivos propostos, assim como demonstrar/comprovar 
sua hipótese de pesquisa. Então, a ciência, enquanto acúmulo de conhecimentos 
sistematizados, precisa possuir métodos, técnicas e metodologias adequadas para se 
chegar ao resultado final daquilo que se estuda ou que se quer comprovar/demonstrar.
https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/202698/silva_vlc_me_mar.pdf?sequence=3&isAllowed=y
https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/202698/silva_vlc_me_mar.pdf?sequence=3&isAllowed=y
https://repositorio.unesp.br/handle/11449/202698
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Nas Ciências Sociais, temos três principais pensadores que articularam métodos 
diferentes para compreendermos o mundo. A partir desses três pensadores, Karl 
Marx (1818-1883), Émile Durkheim (1858-1917) e Max Weber (1864-1920), outros 
pensadores, sociólogos, antropólogos, cientistas sociais e cientistas políticos passaram 
a desenvolver novas metodologias de estudos e de análise da sociedade.
Vamos agora conhecer um pouquinho mais sobre a metodologia de cada um deles:
• Karl Marx e o método materialista histórico dialético. 
O método em Marx compreende uma posição do pesquisador em relação ao 
seu objeto de estudo, analisando as contradições e as formas de modificação e de 
transformação da realidade voltada para todos os aspectos: econômicos, culturais e 
políticos. (PIMENTEL; SILVA, 2019, pp.34-40).
• Émile Durkheim e o método sociológico.
Já o método sociológico, desenvolvido por Durkheim, é bastante diferente do método 
de Marx e de Weber, pois o objeto já traz características dadas, que garantem sua 
objetividade. Para Durkheim, o fato social é fator mais relevante da nossa sociedade, 
pois o fato social são as “entidades reais, autônomas, passíveis de constatação empírica 
e não redutíveis a qualquer outra ordem de fatos”, podendo ser “captados de forma 
cristalizada no modo de pensar, agir e sentir que são regularmente adotados pelos 
indivíduos em sociedade.”. Dessa maneira, Durkheim compreende que a ciência social 
deve explicar as coisas, mas não se envolver ou atuar na sociedade, ou seja, ser neutro 
(REIS, 2016, p.10).
• Max Weber e a sociologia compreensiva: 
Para Weber, as diferentes esferas da vida social são autônomas. A relação entre 
elas está expressa no agente individual. É através dele que as diferentes esferas 
entram em contato. Em Weber, o objeto do conhecimento não se impõe à análise, mas 
é constituído pelo cientista através de procedimentos edificados pelo pesquisador. 
A partir do caos fenomênico, que é o mundo social, o cientista seleciona aspectos 
e imputa uma ordem racional estabelecendo as causas e consequências de forma 
compreensiva e neutra (COHN, 2017).
Em síntese, cabe ao pesquisador, independentemente da área, enfrentar as 
dificuldades de caracterizar sua pesquisa e a melhor metodologia e método a ser 
aplicado. Mas sendo de grande importância que compreenda as Ciências Sociais e 
sua importância no mundo.
INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS 
SOCIAIS E POLÍTICAS
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AULA 2
A ANTROPOLOGIA 
E SEUS AUTORES
Arte. Trabalhos Manuais Africanos
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/arte-trabalhos-manuais-africano-1219116/ 
Caro aluno, agora que você já compreendeu o que é as Ciências Sociais, seus objetos 
de estudo, suas metodologias mais importantes e sua relevância para a sociedade, 
começaremos a aprofundar sobre as subáreas das Ciências Sociais.
Normalmente, cada um de nós nos identificamos com uma área específica e, por 
muitas vezes, acabamos dividindo todas elas, como se fossem muito distintas umas 
das outras, mas você verá que a Antropologia, a Sociologia e a Ciência Política perfazem 
o universo crítico e teórico das Ciências Sociais e que caminham juntas para que 
consigamos analisar da melhor forma possível o mundo que vivemos e as relações 
que estabelecemos com outras pessoas.Compreendemos, portanto, a antropologia como o estudo do homem e seu interesse 
em específico sobre as diversas culturas. Imagine só como foi o processo de chegada 
https://pixabay.com/pt/photos/arte-trabalhos-manuais-africano-1219116/
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SOCIAIS E POLÍTICAS
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dos europeus no continente americano: o espanto dos povos nativos. O espanto ocorreu 
de ambos os lados, chegando a ponto dos espanhóis e portugueses se perguntarem 
se os habitantes daqui eram realmente seres humanos. 
Podemos perceber, no entanto, que diferenças culturais não são apenas quando 
nos deparamos com povos completamente diferentes de nós, mas com diferenças 
culturais e costumes distintos dos quais estamos acostumados. Isso ocorre no nosso 
cotidiano, em alguma viagem para outra cidade, outro estado, outro país! Até mesmo 
em algum bairro que você tenha ido pela primeira vez, ou também quando isso ocorre 
com questões religiosas; ao conhecer e ter contato com um colega de religião diferente 
da sua. Ou seja, vivemos diferenças culturais diariamente.
Portanto, caro aluno, convido você a adentrar esse universo teórico e científico 
incrível das Ciências Sociais. Começaremos pela Antropologia e, nas aulas seguintes, 
abordaremos a Sociologia e também a Ciência Política.
2.1 O que é e o que estuda a Antropologia?
Caro estudante, provavelmente você já ouviu falar ou já se interessou em aprender 
um pouco sobre a Antropologia. Nesta aula, iremos nos aprofundar um pouco sobre 
os estudos dessa ciência, seus principais conceitos e autores.
A primeira coisa é que devemos entender que a Antropologia é uma subárea das 
Ciências Sociais muito importante para compreendermos o mundo, pois ela é um estudo 
do homem como ser social, cultural e biológico. A Antropologia é vista, portanto, como 
uma ciência que trabalha com dicotomias. Veremos que é muito importante entender 
o contexto em que os autores estão inseridos, as condições sociais de produção do 
conhecimento e o contexto intelectual.
A Antropologia, pode, muitas vezes, ser entendida erroneamente como uma área que 
estuda apenas os povos primitivos, considerados “atrasados”, enquanto a sociologia 
seria uma área que estudaria apenas o mundo civilizado, contemporâneo e urbano, e 
a Ciência Política as formas de governo.
A Antropologia surgiu como uma ciência que refletia e se perguntava sobre quem 
e o que era o homem. Significa, inclusive, a partir da etimologia da palavra de origem 
grega: Anthropos (homem) e logos (estudo, conhecimento, ciência). Sendo assim, 
definimos que a busca por conhecimento, por fazer ciência, por descobertas sobre 
quem é o homem, acabou por ser base fundamental de estudos para a Antropologia, 
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principalmente no contexto da colonização, em que homens brancos e europeus se 
colocaram em contato com as denominadas sociedade primitivas e passou a colonizá-
las, mas também estudá-las.
A Antropologia surgiu, portanto, com o interesse de conhecer e saber como eram 
os homens em seu estado de natureza, para as populações nativas, para a formação 
tribal e comunitária, e para territórios pouco conhecidos.
Para o antropólogo Claude Lévi - Strauss, no artigo “A crise moderna da antropologia” 
(1962), a Antropologia lança o olhar para a questão da diferença:
Enquanto as maneiras de ser ou de agir de certos homens forem 
problemas para outros homens, haverá lugar para uma reflexão sobre 
essas diferenças que, de forma sempre renovada, continuarão a ser 
o domínio da antropologia (LÉVI-STRAUSS, 1962, p.26).
 
Sendo muito importante que entendamos que os conceitos elaborados pela 
Antropologia são socialmente e historicamente produzidos e que o antropólogo ou o 
estudante da Antropologia deve aprender a desnaturalizar, sendo possíveis as distintas 
formas de análise do mundo.
Portanto, definimos a antropologia, de maneira simplificada, como uma ciência que 
tem como principal objeto de estudo o ser humano em todas as suas dimensões, ou 
seja, essa ciência estuda o ser humano em todas as particularidades da vida social. 
Os principais focos de estudo e de interesse da Antropologia são:
• Estudar o cotidiano de determinado grupo social;
• Estudar a cultura, o modo de vida, as festas e tradições;
• Estudar a religiosidade, as relações entre o sagrado e o profano;
• Estudar os movimentos sociais, os movimentos migratórios, as relações entre 
campo e cidade, área rural e urbana;
• Estudar as diversas formas de comunicação, organização e produções culturais, 
políticas e sociais.
Portanto, podemos afirmar que o campo principal de estudo da Antropologia é a 
diversidade e os modos distintos de viver em sociedade com o objetivo de buscar 
respostas para compreendermos o que somos e o que os outros são, pois é uma 
forma de verificarmos e analisarmos a maneira que os outros são, como vivem, como 
se sentem. Sendo assim, alargamos os diversos mundos culturais, políticos e sociais 
que estão colocados na sociedade. 
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O trabalho do antropólogo é muito importante para a nossa sociedade. Foram vários os 
antropólogos que ficaram muito conhecidos e famosos com relevantes trabalhos sobre 
a sociedade e diversos grupos sociais, bem como sobre a diversidade cultural. 
Na prática antropológica, a etnografia é essencial, assim como a observação 
participante e as pesquisas de campo. Nessa lógica de conhecer o outro e 
realizar pesquisa de campo, muitos antropólogos foram à Ilha Sentinela do Norte, 
considerado o povo mais isolado do nosso planeta.
O objetivo desses estudiosos era o de compreender a forma de vida social daquele 
povo, assim como a cultura e as relações sociais.
Veja mais sobre a Ilha Sentinela do Norte e a importância dos antropólogos:
Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/impressionante-saga-dos-sentinelenses-o-povo-que-vive-em-total-isolamento.phtml 
2.1.1 As principais escolas antropológicas
A Antropologia possui diversos autores que fundaram ou que são oriundos de 
diversas escolas antropológicas. Nas seleções de imagens abaixo, vocês poderão 
notar com facilidade cada uma delas. 
Os primeiros apontamentos que podemos observar, que formam uma literatura 
etnográfica voltada para a diversidade cultural, remonta os séculos XVI ao século XIX, 
o período histórico de colonização do Brasil e da América do Sul.
Na Imagem 01, é possível observarmos que as principais características etnográficas 
foram relatos de viagens por meio de cartas, diários e relatórios feitos por missionários, 
viajantes, comerciantes, exploradores, militares, administradores coloniais para a Coroa.
Imagem 01 
Fonte: https://antropologia.fflch.usp.br/antropologia 
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/impressionante-saga-dos-sentinelenses-o-povo-que-vive-em-total-isolamento.phtml
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Logo abaixo, na imagem 02, observamos que durante o século XIX, a escola do 
Evolucionismo Social entra em cena e começa a sistematizar o conhecimento sobre 
os chamados povos primitivos por meio do estudo de relatórios, cartas e documentos 
oficiais.
 
Imagem 02
Fonte:https://antropologia.fflch.usp.br/antropologia 
Na imagem 03 veremos um pouco sobre o funcionalismo, uma escola oriunda 
dos anos 20 do século XX, influenciou muitos antropólogos nos anos seguintes e 
foi muito importante para a Antropologia. O modelo de trabalho mais utilizado pelos 
pesquisadores sobre o funcionamento da sociedade era o de monografias sobre a 
funcionalidade da vida cultural.
Imagem 03
Fonte:https://antropologia.fflch.usp.br/antropologiahttps://antropologia.fflch.usp.br/antropologia
https://antropologia.fflch.usp.br/antropologia
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O importante antropólogo Bronislaw Malinowski foi um importante articulador da 
antropologia como objeto de estudo que possui métodos, teorias e objetivos próprios 
da área. Em seu importante trabalho “Os argonautas do pacífico ocidental”, Malinowski 
desenvolveu um estudo sobre o kula, uma prática de trocas, com caráter intertribal, 
que as comunidades da Nova Guiné realizavam.
Abaixo, na imagem 04, conhecemos sobre o culturalismo norte-americano, mais 
uma importante escola antropológica desenvolvida nos anos de 1930, que tinha como 
principal objetivo compreender os padrões culturais e os estilos de cultura.
Imagem 04
Fonte: https://antropologia.fflch.usp.br/antropologia 
Franz Boas, diferente dos diretores do Museu em que trabalhou, buscava evidenciar 
a escala evolutiva dos povos, por materiais coletados de viajantes. Boas, acreditava no 
relativismo, onde um comportamento só pode ser entendido e analisado no contexto 
cultural que ocorre. Outro elemento importante, que revigora o trabalho de Franz Boas 
– o trabalho de campo, ou seja, o método etnográfico e a busca por captar o ponto 
de vista do outro, através de filmagens, diários e fotografias, dessemelhante, dos 
antropólogos de gabinete, dos antropólogos evolucionistas, que, cujo trabalho, pauta-
se, nos relatos e materiais coletados dos viajantes – dando ressonância como um 
dos (pais) fundadores da antropologia moderna juntamente com a então chamada 
Escola Cultural Americana. 
 Na imagem 05, observamos questões relativas ao estruturalismo, desenvolvido 
durante os anos de 1940, fundamentado principalmente nas regras que norteiam e 
estruturam a sociedade, com principais abordagens acerca da dicotomia natureza x 
cultura.
https://antropologia.fflch.usp.br/antropologia
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Imagem 05 
Fonte: https://antropologia.fflch.usp.br/antropologia 
Claude Lévi-Strauss é um dos mais conhecidos antropólogos da modernidade. Para 
o antropólogo, os debates acerca dos conceitos de cultura e natureza constituem 
problema fundamental para o pensamento antropológico, visto que enquanto ciência 
do homem é preciso se ter claro o que é biologicamente natural ao homem e o que 
é culturalmente construído. 
Na imagem 06, observamos alguns elementos sobre a antropologia interpretativa, 
desenvolvida nos anos 60, que teve como principal representante e pesquisador Clifford 
Geertz.
Imagem 06 
Fonte: https://antropologia.fflch.usp.br/antropologia 
Geertz, antropólogo insatisfeito com as abordagens positivistas das representações 
etnográficas e da antropologia, se firmou para construir uma nova metodologia. 
Marcado pela interdisciplinaridade, Geertz não exprimiu suas reflexões de maneira 
https://antropologia.fflch.usp.br/antropologia
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sistemática e fundou a denominada antropologia hermenêutica ou interpretativa. Para 
o antropólogo, a antropologia está voltada para a natureza da experiência etnográfica. 
Na imagem 07, mais recentemente com estudos sobre os modelos das etnográficas 
e na relação politizada entre observador e observado, a antropologia pós-moderna 
surge com o objetivo principal de contestar os padrões e os paradigmas das outras 
escolas antropológicas.
Imagem 07 
Fonte: https://antropologia.fflch.usp.br/antropologia 
James Clifford foi um dos principais representantes dessa escola antropológica que 
se desenvolve principalmente a partir da multidisciplinaridade: a história, a literatura e 
a antropologia. Para os antropólogos pós-modernos, a crítica e as descrições culturais 
que estão presentes na etnografia clássica devem servir para que se avalie a própria 
forma de fazer etnográfica e a relação entre observador e observado. Portanto, questões 
sociais, de dominação e políticas são parte do diálogo e do encontro etnográfico e 
não podem ser deixados de lado.
2.1.2 Cultura e etnocentrismo
Na história da constituição da Antropologia enquanto uma área do conhecimento 
científico, dois conceitos sempre foram centrais para sua epistemologia: Natureza e 
Cultura. Se passarmos por todas as grandes correntes teóricas que tiveram hegemonia 
no pensamento antropológico euro-ocidental, encontraremos esses dois conceitos 
servindo de base para suas legitimações, se excluindo, ou se modificando, porém 
sempre estando nos centros das discussões entre os teóricos. O conceito não está 
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separado do momento histórico em que é produzido, podemos historicizar esses 
conceitos de acordo com sua definição e utilização por determinadas correntes do 
pensamento antropológico. 
Você pode estar se perguntando os motivos de o conceito de cultura ser tão 
importante para a antropologia. Como vimos ao longo da nossa aula, o conceito de 
cultura possibilita uma explicação do mundo e das relações sociais que o fundamentam. 
Sendo assim, a antropologia se desenvolveu a partir deste conceito chave, na tentativa 
de interpretar a sociedade, principalmente, por meio dele, de forma que o homem 
passa a ser mais do que puramente biológico e ligado à raça.
Claro que ao estudarmos as diversas escolas antropológicas, concluímos que o 
conceito de cultura é muito diverso para cada autor e para cada momento da nossa 
sociedade, de forma que são vinculados aos cursos da sociedade, às suas modificações, 
transformações e contradições. 
O conceito de etnocentrismo dialoga muito com o conceito de cultura, sendo também 
fundamental para o desenvolvimento da antropologia enquanto ciência, pois é quando 
entramos em contato com o outro, com o diferente que podemos sentir sentimentos 
de rejeição, de estranhamento, de curiosidade ou de fascínio.
Em síntese,
Etnocentrismo é uma visão do mundo com a qual tomamos 
nosso próprio grupo como centro de tudo, e os demais grupos 
são pensados e sentidos pelos nossos valores, nossos modelos, 
nossas definições do que é a existência. No plano intelectual pode 
ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano 
afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade, etc. 
Perguntar sobre o que é etnocentrismo é, pois, indagar sobre um 
fenômeno onde se misturam tanto elementos intelectuais e racionais 
quanto elementos emocionais e afetivos. No etnocentrismo, estes 
dois planos do espírito humano – sentimento e pensamento – vão 
juntos compondo um fenômeno não apenas fortemente arraigado 
na história das sociedades como também facilmente encontrável no 
dia-a-dia das nossas vidas (ROCHA, 1984, p.07).
Ou seja, o etnocentrismo é uma forma de demonstrar a incapacidade de compreensão 
da cultura do outro a partir de parâmetros que são estranhos para nós. Atualmente, 
nas pesquisas antropológicas contemporâneas, a questão de superar o etnocentrismo 
se tornou regra metodológica, pois não é possível realizar uma pesquisa sobre um 
grupo diferente do qual eu pertenço, caso eu não conseguir compreender o outro e me 
manter preso aos meus valores, crenças e formas de pensar em que estou acostumado.
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AULA 3
A SOCIOLOGIA E SEUS AUTORES
Indivíduos, pessoas, lupa
Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/indiv%c3%adduo-pessoas-lupa-exame-5131429/
Caro aluno, já percorremos bastante conteúdos das Ciências Sociais e da Antropologia. 
Agora, chegou o momento de você refletir sobre a sociologia. Uma ciência, também 
subárea das CiênciasSociais e que está muito presente no nosso dia a dia. 
Com certeza você já teve aulas de Sociologia no Ensino Médio e talvez se lembre de 
algumas delas, bem como dos conteúdos que seus professores trabalharam. De toda 
forma, nosso objetivo agora é o de aprofundar na teoria dos principais pensadores da 
https://pixabay.com/pt/illustrations/indiv%c3%adduo-pessoas-lupa-exame-5131429/
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sociedade que auxiliaram outros pesquisadores, por meio de suas teorias, a refletirem 
sobre a sociologia, as relações sociais e a sociedade.
Como vimos em nossa primeira aula (caso você não se lembre, volte um pouquinho 
conteúdo, pois é muito importante que você já conheça a metodologia de Karl Marx, 
Max Weber e Émille Durkheim), as Ciências Sociais é uma ciência bastante ampla que 
serve para interpretar, compreender e intervir na realidade social. Portanto, a partir 
de agora, aprofundaremos um pouco mais nas teorias de Auguste Comte, Émille 
Durkheim, Max Weber e Karl Marx.
Espero que ao final da nossa aula você seja capaz de compreender as diferenças 
teóricas e conceituais de cada desses três importantes autores e que eles te auxiliem 
a analisar, a partir da sociologia, o mundo em que vivemos.
3.1 O que é sociologia e quais os objetivos dessa ciência?
Primeiramente, gostaria que você refletisse sobre algumas questões importantes 
da sociologia.
• O que é fato social?
• O que é dominação?
• O que é luta de classes?
• Por fim, o que é sociologia?
A Sociologia é uma das ciências mais complexas, pois tem como objeto de estudo 
a sociedade. O sociólogo tem em si a busca de explicações das coisas. Como cada 
área do conhecimento, que se desenvolve em ciência, tem como objeto de estudo algo 
bastante específico, por exemplo, questões biológicas e o funcionamento de um órgão 
vital ou a matemática, a sociologia surgirá com o objetivo de compreender, analisar, 
interpretar e, se for possível, dependendo do viés teórico, intervir na realidade social 
de maneira a transformá-las. 
Por ser uma ciência, é necessário entendermos que a sociologia é expressada através 
de categorias, termos e conceitos, bem como de fundamentos teóricos e metodológicos. 
Para tanto, a sociologia tem como objetivo principal explicar a realidade por meio da 
observação, análise e estudo dos fatos. Portanto, a sociologia não especula sobre as 
relações sociais e na observação simples dos fatos, entendemos, portanto, que não se 
faz sociologia nos gabinetes e que os sociólogos não devem possuir juízos de valores.
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Objetivos da Sociologia:
• Analisar e compreender diferentes culturas e sociedades;
• Compreender o funcionamento do Estado, governo, instituições, movimentos 
sociais, partidários e sindicais, bem como movimentos do campo e questões 
educacionais;
• Pesquisas quantitativas e qualitativas, bem como de campos e teóricas;
• Análise da sociedade e de sua formação social, bem como das relações sociais 
que a envolvem (trabalho, cultura, política, história, economia, arte, literatura). 
3.2 Auguste Comte, Émille Durkheim e a Sociologia
Caro aluno, agora que você já conhece um pouco o que é a sociologia e os objetivos 
principais desta ciência, chegou o momento de você compreender as reflexões teóricas 
que envolvem a sociologia, principalmente o desenvolvimento dessa ciência e suas 
contribuições para a humanidade.
Começaremos com Auguste Comte (1798-1857), conhecido como o pai da sociologia 
e grande influenciador de Émille Durkheim. Como vimos nas aulas anteriores, conforme a 
sociedade foi se transformando e desenvolvendo seu modo de produção para o capitalismo, 
os pensadores passaram a questionar e buscar entender o novo paradigma social, político 
e cultural da sociedade moderna. Isidore-AugusteMarie-François-Xavier Comte, mais 
conhecido como Comte, nasceu em 19 de janeiro de 1798, em Montpellier, e faleceu no 
dia 5 de setembro de 1857, em Paris. O filósofo e líder religioso foi quem nomeou essa 
ciência como sociologia e foi o primeiro a transformá-la em disciplina científica.
Auguste Comte
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia
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Até o ano de 1839, a sociologia era chamada de Física Social, ano em que Comte 
passa a chamar essa ciência de sociologia, com o significado de Societas, do latim= 
sociedade, e logos, do grego= estudo, razão.
Conforme os anos foram se passando e as sociedades se transformando em 
estruturas muito complexas, a sociologia passou a ser a ciência capaz de analisar o 
que ocorria. Muito bem, agora já temos uma compreensão maior do que é a sociologia 
e como ela surge: de um momento de transformação para a sociedade capitalista. 
Como muitos pensadores passaram a tentar analisar essas mudanças, Comte foi 
muito importante na fundação da sociologia enquanto ciência. Agora já deu para 
entender um pouco mais, vamos adentrar mais um pouco no pensamento de Émille 
Dukrheim (que já abordamos um pouquinho na nossa primeira aula).
Durkheim foi muito influenciado pelas ideias positivistas de Auguste Comte. Foi, no 
entanto, o primeiro a teorizar sobre a sociedade. O autor nasceu na França, no dia 15 
de abril de 1858 e faleceu em Paris, em 15 de novembro de 1917. Ele é considerado 
um dos principais fundadores da sociologia moderna, sendo visto como o primeiro 
sociólogo, pois formulou as primeiras regras da sociologia, pensando também no 
método sociológico.
Émille Durkheim
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia
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ANOTE ISSO
O fato social é uma das principais reflexões de Durkheim. Para o autor, o fato 
social é uma forma de a sociedade agir, pensar ou sentir. Ou seja, quer dizer que os 
comportamentos são sociais (BITENCOURT; BEZERRA, 2011). Vamos descobrir um 
pouquinho mais sobre o fato social e suas principais características:
• A generalidade, entendida como algo comum para a maioria em uma sociedade;
• A exterioridade, significa que não depende do indivíduo para acontecer;
• A coercitividade, ou seja, a pressão que a sociedade exerce sobre o indivíduo.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O casamento é um exemplo de fato social, pois ele possui uma generalidade, 
já que muitas pessoas em nossa sociedade pensam em casar. O casamento 
também é algo externo, ou seja, possui a característica da exterioridade, que 
Durkheim desenvolve em relação ao fato social, pois há pessoas que não pensam 
em se casar. No entanto, os casamentos continuam ocorrendo. Ainda assim, a 
característica da coercitividade é bastante presente, pois há pressões de diversos 
tipos, em nossa sociedade, para que as pessoas se casem.
Anéis de casamento
Fonte:https://pixabay.com/pt/photos/an%c3%a9is-de-casamento-an%c3%a9is-de-noivado-3611277/ 
3.3 Max Weber e as formas de dominação
Ao estudarmos um pouco das reflexões de Durkheim, já conseguimos entender que 
a sociedade e os fatos sociais são elementos de interesse da sociologia. Agora, espero 
que vocês compreendam um pouco mais da sociologia e de suas bases fundamentais. 
https://pixabay.com/pt/photos/an%c3%a9is-de-casamento-an%c3%a9is-de-noivado-3611277/
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Para isso, iniciaremos um trajeto no pensamento de Marx Weber e veremos que esse 
autor, também muito importante da sociologia, interpreta a sociedade de outra maneira.
Weber foi um importante intelectual, jurista e economista alemão; é considerado 
também um dos pais e autores mais importantes da sociologia. Ao pensarsobre 
a sociedade, também a organização capitalista, desenvolveu inúmeros conceitos e 
uma metodologia específica, a sociologia compreensiva, para explicar o mundo e as 
relações sociais. Um dos conceitos de grande importância no pensamento sociológico 
weberiano é o de dominação. Vamos agora aprofundar e entender um pouco mais 
sobre o que é dominação.
Para Weber, dominação é a probabilidade de encontrar obediência para ordens 
específicas em determinado grupo de pessoas. A dominação pode ser encontrada 
em diversos hábitos, tanto racionais, quanto inconscientes. A vontade de obedecer, 
ou seja, de interesse na obediência, faz parte da relação de dominação.
É dessa maneira que o autor entende que o quadro de dominação com pessoas 
deve estar vinculado à obediência do senhor ou senhores, por costume, afeto, ou 
interesses materiais, ou motivos ideais (racionais referentes a valores). Para Weber 
(2015), a natureza desses motivos é que determina o grau e o tipo de dominação. 
Max Weber
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia 
Todas as dominações procuram despertar e cultivar a crença em sua legitimidade 
e dependendo da natureza da legitimidade é que diferem o tipo de obediência, além 
do caráter de três tipos de dominação legítima.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia
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Caro aluno, agora que compreendemos o que é dominação para Weber, vamos 
entender um pouquinho sobre as formas de dominação para esse importante autor.
ANOTE ISSO
• racional: baseada na crença da legitimidade das ordens estatuídas e do direito 
de mando de quem está nomeado para exercer a dominação legal.
• tradicional: baseada na crença cotidiana na santidade das relações vigentes e na 
legitimidade daqueles que representam a autoridade.
• carismática: baseada na veneração extracotidiana da santidade, do poder 
heroico e do caráter de uma pessoa exemplar e das ordens reveladas por ela.
Nas dominações baseadas em estatutos, é obedecida a ordem impessoal, objetiva 
e legalmente estatuída, em virtude da legalidade formal. 
Na dominação tradicional, obedece a pessoa do senhor nomeada pela tradição e 
vinculada aos hábitos dos costumes.
Na dominação carismática, obedece ao líder carismaticamente qualificado em virtude 
do exemplo ou do heroísmo.
Weber diz que esses são tipos ideais e puros, mas que não devem ser encaixados 
puramente na realidade histórica empírica. Os efeitos também partem disso, portanto, é 
necessário diferenciar as classes de dominação e suas pretensões para a legitimidade. 
3.4 Karl Marx e a luta de classes
Caro aluno, agora iniciaremos nossa reflexão acerca da teoria política de Karl Marx. 
Assim como Comte, Durkheim e Weber, Marx é um pensador muito importante para a 
sociologia que se colocou no objetivo de compreender a sociedade capitalista e refletir 
sobre as possibilidades de transformação desse sistema. Karl Marx (1818 – 1883) 
nasceu em Treves, no reino da Prússia, atual Alemanha. Escreveu muitos livros e foi 
de grande importância para entendermos a sociedade moderna capitalista. Em sua 
grande obra, Marx, desenvolveu vários conceitos para explicar como as relações de 
trabalho ocorrem no capitalismo. O diferencial de Marx e de seu companheiro Engels, 
foi o de compreender as contradições desse sistema político e econômico e buscar 
soluções para sua superação, ou seja, transformar a sociedade por sua base, pelos 
trabalhadores. 
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Ao longo da nossa aula notamos que a teoria de todos esses autores estudados, 
é muito mais ampla e que nossas aulas trazem a introdução de conceitos, termos, 
categorias e reflexões teóricas desenvolvidas por esses pensadores. Sendo assim, 
em Comte vimos a formação da sociologia como ciência; em Durkheim entendemos 
o conceito de fato social; em Weber estudamos sobre as formas de dominação e, 
agora, em Marx, refletiremos sobre a luta de classes.
Vamos começar por dois elementos essenciais: o primeiro é desfazendo uma 
interpretação equivocada a respeito das classes sociais. Para Marx, e para os marxistas, 
a classe não é definida pela renda, mas pelo o que ela possui, ou seja, os meios de 
produção. O exemplo presente em um dos principais textos de Marx e de seu camarada 
Engels, O Manifesto Comunista, é de que no feudalismo, os senhores feudais eram os 
donos de produção e no capitalismo, os burgueses possuem os meios de produção, 
não os operários (classe trabalhadora assalariada). 
Antes de Marx muitos economistas e estudiosos pensaram também a questão das 
classes sociais como uma forma de compreensão e de divisão da sociedade. Mas, 
a inauguração, “a novidade”, trazida por esse autor alemão foi de que a existência 
das classes sociais está ligada à forma que a sociedade se desenvolve e, conforme 
o sistema capitalista se desenvolveu e se consolidou, os trabalhadores passaram a 
ser mais explorados, principalmente com os adventos tecnológicos.
Karl Marx
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia
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ANOTE ISSO
Segundo Marx, a sociedade é dividida em classes sociais: os trabalhadores e os 
patrões (a classe dominada e a classe dominante), e isto é uma relação desigual 
que gera conflitos e contradições. No capitalismo, a classe dominante é a burguesia 
(aquela que possui os meios de produção, as fábricas, as indústrias e o controle 
do Estado e do Governo), os trabalhadores fazem parte da classe dominante, são 
assim chamados de proletariado (são os operários e os camponeses), diferente dos 
patrões que possuem os meios de produção, a classe trabalhadora possui apenas 
a força de trabalho, a vontade e a necessidade de trabalhar. O trabalhador vende 
a sua força de trabalho para o patrão como se fosse uma mercadoria, no final do 
mês, recebe um salário (MARTINS, 1994).
Portanto, a luta de classes é mais do que uma oposição de ideias de diferentes 
grupos sociais. É a consequência do capitalismo e da divisão de classe no 
próprio sistema em que define quem é a burguesia e quem é o operariado (classe 
trabalhadora assalariada). 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
A greve é uma das manifestações mais conhecidas e que configura a luta de 
classes na sociedade capitalista, pois é o reflexo das contradições desse sistema: 
dos lucros, diferenças de salários, a desigualdade social e miséria para alguns e 
riqueza para outros. Veja na notícia abaixo um exemplo de greve em São Paulo. 
Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/greve-dos-professores-atinge-93-das-escolas-municipais-de-sp.ghtml 
https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/greve-dos-professores-atinge-93-das-escolas-municipais-de-sp.ghtml
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AULA 4
A CIÊNCIA POLÍTICA 
E SEUS AUTORES
Europa
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Caro aluno, chegamos em mais um momento muito importante da nossa disciplina: 
aprofundar em mais uma subárea das Ciências Sociais, agora, a Ciência Política. 
Muitas vezes ouvimos dizer que política não se discute, ou temos a visão de que 
política significa propaganda eleitoral, candidatos, dissimulação por parte de alguns 
políticos, voto e cidadania.
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Agora iremos compreender que política é muito mais do que isso e que, inclusive, 
é uma ciência. Como a Ciência Política está presente no nosso dia a dia muito mais 
do que imaginamos e não apenas em época eleitoral, uma das definições possíveis de 
CiênciaPolítica é que ela é o estudo que envolve método, prática, teoria e metodologia 
da política.
Começaremos nossa abordagem com o surgimento dessa ciência e com alguns 
dos principais autores da Ciência Política com o objetivo de compreendermos o que é 
a Ciência Política e como ela foi se consolidando como campo de pesquisa, mas, além 
disso, sobre como, assim como a Antropologia e a Sociologia, ela é muito importante 
para entendermos o mundo em que vivemos, os sistemas políticos e as relações sociais 
que a Sociologia e a Antropologia visam analisar. É dessa maneira que, compreendendo 
as três áreas que envolvem as Ciências Sociais, você estará muito bem preparado 
para sua formação e também atuação profissional.
4.1 Maquiavel e a arte da política
Nicolau Maquiavel nasceu em Florença, na Itália, no ano de 1469 e faleceu na mesma 
cidade no ano de 1527. Um homem de seu tempo, com formação bastante ampla, 
Maquiavel é considerado um dos pensadores mais importantes para o nascimento 
da Ciência Política.
Nicolau Maquiavel
Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Maquiavel 
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Maquiavel foi autor de muitos textos. Dentre eles estão: Comentários sobre 
a Primeira Década de Tito Lívio, Arte da Guerra, a peça Mandrágora, História de 
Florença, e O Príncipe, um pequeno livro muito famoso e que iremos conhecer um 
pouquinho!
O livro O Príncipe é na verdade um aglomerado de relatórios de trabalho do 
florentino que demonstram ampla preocupação com o desaparecimento da Igreja e 
dos Estados com tendências democráticas, além de buscar transformar a sociedade, 
por meio de uma nova figura, a fim de propor uma união dos Estados. Para tanto, 
a política do período em que Maquiavel está inserido fortifica o nacionalismo e 
as monarquias.
Devido aos interesses dos senhores, a unificação italiana perdeu espaço, somado 
ao fato da ausência de um grande líder que desse fim aos estrangeiros que colocavam 
estados uns contra os outros, em intensa oposição que aumentou e fortificou o 
nacionalismo e as monarquias. Para tanto, é possível notarmos que a preocupação de 
Maquiavel é a Independência da Itália e a restauração do Estado forte e da prosperidade 
(MAQUIAVEL, 2019).
Maquiavel é um homem de seu tempo e simpatizante de monarquias e de Repúblicas 
constitucionais. Compreendeu muito bem a política do contexto a qual esteve inserido 
e foi o primeiro teórico a elaborar uma teoria do Estado moderno.
ANOTE ISSO
Nessa teoria é possível notar o caráter historicista e não racionalista. O autor 
preocupou-se em desenvolver uma teoria de Estado realista, entendendo que 
o Estado deve ser fundado nas leis ou na força, todavia, a forma coercitiva é 
mais importante do que a forma legal. Para Maquiavel, o Estado deve ser forte 
e próspero, pois significa que há um exército competente e disciplinado, fiel ao 
governante, que deve ser antes temido do que amado, pois deve despertar temor e 
respeito. (MAQUIAVEL, 2019).
Para Ames (2014, p.89), em Maquiavel percebemos que a ação política é igual a 
ação estratégica, mas isso é incerto e o contingente se defronta com a fortuna: o 
imprevisível e aleatório que interfere no êxito das ações, isto torna necessário a virtù, 
que é um complexo de aptidões que permite aos homens impor as coisas ao rumo 
decidido. 
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4.2 Hobbes e o Leviatã
Caro aluno, agora que você conheceu um pouco do pensamento e das reflexões políticas 
de Nicolau Maquiavel, te convido para adentrarmos no campo da ciência política que 
foi formulado por autores contratualistas. O que isso quer dizer? Bom, esses autores 
contratualistas compreendem que apenas é possível viver em sociedade, harmoniosamente, 
se houver um Estado (aquele que organiza racionalmente a sociedade).
ANOTE ISSO
Os contratualistas compreendem a sociedade como um conjunto de indivíduos 
isolados que precisam conviver em sociedade; esses indivíduos isolados viviam no 
estado de natureza, um momento de guerra de todos contra todos, e decidiram 
abrir mão de suas liberdades e transferir para um poder centralizado que garantirá 
a vida social, a liberdade, a propriedade e que desenvolve todas as possíveis 
liberdades. Dessa forma, para os autores contratualistas, esses indivíduos realizam 
um pacto social e decidem criar uma sociedade que possua um governo, Estado, 
direitos, propriedades e deveres. 
Ainda no debate sobre o Estado, temos a obra Leviatã, de Thomas Hobbes, um 
pensador inglês que viveu entre os anos de 1588 e 1679. Hobbes foi influenciado por 
Maquiavel para constituir suas reflexões teóricas em relação ao Estado e à sociedade. 
Além disso, um dos aspectos essenciais em sua obra é que abriu espaço para que o 
racionalismo e o empirismo convivessem.
Thomas Hobbes
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Hobbes
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Hobbes (2003) também um dos autores mais importantes da ciência política, 
analisou qual a melhor forma de governo em seu país. Compreendeu que o Estado 
autoritário, para o autor, absorve a liberdade e os direitos individuais, acreditando, 
portanto, na monarquia absoluta.
O Leviatã, livro publicado em 1651, contexto histórico de guerra civil inglesa em que 
o Estado era muito questionado. Em seu livro, aborda um sistema de ética, psicologia, 
antropologia, educação, método, economia política e uma forma de jurisprudência 
analítica. Hobbes compreende que há o pacto social, ou seja, o momento em que os 
homens, ao desistirem do seu direito natural, submetem-se a um soberano visando 
apenas a salvação dos indivíduos em sociedade.
ANOTE ISSO
Portanto, Hobbes (2003) defende o poder absoluto do Estado sob a sociedade. 
O Estado serve para dar ordem à sociedade e limitar a liberdade individual, como 
se o Estado fosse um “mal necessário”, mas de forma que qualquer ação contra 
o Estado seria uma ação injusta, pois, para Hobbes (2003), o Estado deve trazer 
consigo a força para que os indivíduos obedeçam.
E se alguém não obedecer o Estado, o que Hobbes pensaria? O pensador inglês 
compreende que caso alguém não obedeça, o Estado pode fazer uso da força para 
que os indivíduos obedeçam, de forma que a força será fundamental e legítima para 
garantir o pacto social.
4.3 John Locke
John Locke, também um pensador contratualista, nasceu em 1632 e faleceu em 
1704, no Reino Unido. É considerado o pai do liberalismo político, sendo, portanto, 
muito importante para nossa aula de Ciência Política. Suas principais reflexões foram 
colocadas nos livros: “Cartas sobre a tolerância”, “Ensaio sobre o entendimento humano” 
e os “Dois tratados sobre o Governo Civil”.
John Locke
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke 
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
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Com a sua filosofia, Locke influenciou a Revolução Gloriosa Inglesa e a Revolução 
Norte-Americana, que proclamou a Independência dos Estados Unidos, a Constituição 
dos Estados Unidos, assim como muitos pontos da nossa Constituição Federal possuem 
influências de suas ideias. Esse pensador também foi importante para os filósofos 
iluministas franceses, principalmente Voltaire e Montesquieu. 
Agora que você já conhece um pouquinho sobre quem foi John Locke, vamos 
aprofundar alguns conceitos desse autor.
ANOTE ISSO
• Estado de Natureza: Para Locke, é a situação em que vivia o homem antes de 
qualquer organização social, ou seja, antes do Estado existir, antes da sociedade 
civil;
• Para Locke, a existência do indivíduo é anterior à sociedade e ao Estado;
• Em sua concepção, no Estadode Natureza os homens eram livres, iguais e 
independentes. Inclusive eram dotados de razão e desfrutavam da propriedade 
que designava simultaneamente a vida, a liberdade e os bens como direitos 
naturais do ser humano;
• Para Locke, os homens poderiam viver harmoniosamente nesse estado de 
natureza, se não houvessem os criminosos, os transgressores, aqueles que não 
seguem o que determina a razão e são a causa do estado de guerra entre os 
homens;
• Há o perigo também da miséria e da fome, sempre presentes. É a falta de 
alimentos em certo estágio do estado de natureza que leva o homem a mudar 
seu procedimento mais solidário levando-o a ser individualista e preocupado 
com a acumulação. Isto propicia as trocas, a propriedade privada e o 
aparecimento do dinheiro. Mas também leva às disputas e às lutas, gerando o 
estado de guerra entre os homens.
Devido a todos esses conflitos e problemas, para John Locke, os homens se 
uniram e estabeleceram livremente entre si o contrato social. Esse momento, que 
não é determinado com datas, realiza a passagem do estado de natureza para a 
sociedade política ou civil, único estado onde o homem pode ser efetivamente livre 
podendo preservar a si mesmo e à sua propriedade. Esse momento é denominado, 
para o autor, como o contrato social. Vamos aprofundar um pouquinho sobre o que 
isso significa para o pai do liberalismo.
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ANOTE ISSO
Para Locke, o contrato social é um pacto de consentimento em que os homens 
concordam livremente em fundar a sociedade civil para preservarem e consolidarem 
ainda mais os direitos que possuem no estado de natureza.
• Através deste pacto os indivíduos aceitam limitar sua liberdade, seu poder 
de fazer justiça com as próprias mãos, em troca da preservação da sua 
propriedade;
• Estabelecido o estado civil o passo seguinte é a escolha pela comunidade de 
uma determinada forma de governo;
• Para Locke, o governo pode ser de um só indivíduo ou de vários, mas o que 
importa é concentrar para si todo o direito de julgar e de castigar os criminosos 
de modo a assegurar para toda a comunidade e para cada um de seus 
membros a segurança, o conforto, a vida, a propriedade, os bens, a liberdade e a 
paz. 
4.4 Jean-Jacques Rousseau
Caro aluno, seguiremos na nossa jornada de conhecimento em relação à ciência 
política e as reflexões de alguns de seus mais importantes teóricos. Agora, iniciaremos 
nossa jornada para compreendermos um pouco sobre o pensamento iluminista, pois 
percorremos o pensamento de Maquiavel e sua visão de Estado; Hobbes e o Estado 
Monárquico; John Locke e o liberalismo.
Nossa tarefa mais importante nesse momento é compreender quais as contribuições 
de Jean-Jacques Rousseu, que viveu entre os anos de 1712 e 1778, para a Ciência 
Política e para interpretarmos um pouquinho mais da sociedade em que vivemos.
Primeiramente, vamos contextualizar o período histórico em que Rousseau escreveu 
um de seus mais importantes livros: O contrato social. Vocês irão perceber que esse 
autor não possui uma concepção semelhante com os outros que já estudamos, pois 
ele defende aspectos como a participação política dos indivíduos explorados e a 
soberania do povo.
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Jean-Jacques Rousseau
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Jacques_Rousseau 
Rousseau viveu e escreveu durante o “século das luzes”, um período de destituição 
das monarquias absolutistas e de ascensão da burguesia. Sua obra reflete justamente 
o contexto histórico em que esteve inserido, além de ter influenciado a Revolução 
Francesa e causar muitas controvérsias em relação ao que antes já havia sido publicado 
por importantes pensadores.
Vamos lembrar rapidamente o que foi o iluminismo? Segundo Ersching et al (2018, 
p.54):
O Iluminismo, como movimento intelectual do século XVIII, buscava 
desenvolver a razão e a criticidade buscando liberdade e justiça, visto 
que a sociedade da época era hierárquica, sendo o Rei o detentor 
do poder e a Igreja responsável por influenciar e guiar a sociedade 
(ERSCHING et al, 2018, p.54).
Ao escrever neste período de mudanças significativas para a estrutura da sociedade 
como um todo: política, cultura e economia, Rousseau “defendia uma sociedade justa, 
na qual as relações seriam baseadas na liberdade e na justiça”. (ERSCHING et al, 
2018, p.54).
Sendo assim, Rousseau entende que a soberania do povo é o que garante o Estado. 
Sua formulação teórica sobre Estado teoriza que esse é um ente administrativo que 
deve expressar a liberdade do povo e que todas as ações devem reproduzir a liberdade 
do povo (que é o alicerce do contrato social).
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Jacques_Rousseau
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Como o povo exerce seu papel? Por meio do que Rousseau chama de vontade 
geral, que significa
que um indivíduo é livre, mesmo quando submetido a uma autoridade 
política, porque obedece a leis às quais ele próprio deu seu 
consentimento. É nesse ponto que repousa a questão da autonomia, 
isto é, o indivíduo é livre, porque obedece a uma vontade que é a 
sua própria vontade, a qual está abarcada pela lei à qual ele está 
submetido. Não se trata da submissão a qualquer autoridade, mas 
à autoridade da lei, considerada legítima. Por essa razão, a liberdade 
não está igualmente atrelada a qualquer Estado, mas a um Estado 
legítimo, que é o republicano (CONSANI, 2018, p.99).
Portanto, votar é de grande importância para Rousseau, pois demonstra uma questão 
de autonomia, de liberdade, de vontade própria que está permeada no Estado, não 
mais monárquico, mas um Estado que pertence a todos e que realiza a manutenção 
do pacto social; algo que deve envolver uma participação política de quem o criou.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
No site da Câmara dos Deputados do Brasil, é possível verificar uma análise de 
um cientista político a respeito do voto como importante instrumento para a 
democracia brasileira. Segundo Oliveira,
“O que é importante é o eleitor ver quais são os problemas de política pública que 
afetam a vida dele, o lugar, as pessoas que estão próximas dele e aquilo que ele 
acredita ser importante para o país. E, a partir daí, identificar quais os candidatos e, 
especialmente, quais os partidos. O voto - especialmente, o voto proporcional, o voto 
na eleição para deputado federal - leva em consideração o partido ou a coligação. 
Então, é fundamental o eleitor ver não apenas quem é o candidato, mas o partido 
para o qual ele está dando o voto”. (OLIVEIRA, 2018).
Fonte:https://www.camara.leg.br/radio/radioagencia/541329-cientista-politico-destaca-importancia-do-voto-como-instrumento-de-mudanca-politica-e-
social/
https://www.camara.leg.br/radio/radioagencia/541329-cientista-politico-destaca-importancia-do-voto-como-instrumento-de-mudanca-politica-e-social/
https://www.camara.leg.br/radio/radioagencia/541329-cientista-politico-destaca-importancia-do-voto-como-instrumento-de-mudanca-politica-e-social/
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AULA 5
CONSOLIDAÇÃO DAS CIÊNCIAS 
SOCIAIS COMO CAMPO DE 
PESQUISA E CONHECIMENTO
Livros, conhecimento
Fonte:https://pixabay.com/pt/photos/biblioteca-livros-educa%c3%a7%c3%a3o-869061/ 
Caro aluno, chegamos a um estágio muito importante das Ciências Sociais e das 
nossas aulas, pois agora você já conhece muito bem sobre o que são as Ciências 
Sociais, sua importância e para quais grandes áreas ela se desenvolve: a Antropologia, a 
Sociologia e a Ciência Política. No decorrer das nossas aulas iremos entender também 
a relação das Ciências Sociais com outras áreas do conhecimento. 
Este é um momento muito importante, pois agora iremos nos aprofundarsobre questões bastantes teóricas e sua relação com as Ciências Sociais. Para 
https://pixabay.com/pt/photos/biblioteca-livros-educa%c3%a7%c3%a3o-869061/
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compreendermos o debate em torno da consolidação das Ciências Sociais como 
campo de pesquisa e de conhecimento, é necessário refletirmos sobre o que é ciência, 
o que é o conhecimento científico e, para isso, utilizaremos diversas abordagens, com 
autores muito influentes em questões teóricas e científicas desta área de estudo.
5.1. A questão do conhecimento científico
Quando pensamos em conhecimento científico, principalmente na área das Ciências 
Humanas e Sociais, Lucien Goldmann (1913-1970) é um autor de grande importância 
e que coloca problemas acerca da objetividade nas Ciências Humanas.
Goldmann nasceu na Romênia e adentrou na área da filosofia e da sociologia. Muito 
influenciado por Durkheim, Weber e Gyorgy Lukács, passa a constatar que Durkheim 
retirou de Marx dois pontos centrais: “a) O estudo científico dos fatos humanos não 
pode fundar logicamente por si só nenhum juízo de valor” e que “b) O pesquisador 
deve esforçar-se por chegar à imagem adequada dos fatos, evitando toda deformação 
provocada por suas simpatias ou por suas antipatias pessoais”. (GOLDMANN, 1978, np).
Dessa forma, o autor coloca dois pontos para refletirmos: o primeiro é a pergunta 
que nos fazemos: Afinal, o que é o conhecimento científico? E, a segunda, a questão 
é o problema da objetividade nas Ciências Humanas, de forma que pensaremos nas 
Ciências Sociais.
ANOTE ISSO
Primeiramente, devemos compreender que o conhecimento científico é na verdade 
um processo e que é próprio do ser humano. Para tanto, se torna um processo 
humano, histórico e social e,
O processo do conhecimento científico é ele próprio um fato humano, 
histórico e social; isso implica, ao estudar a vida humana a identidade 
parcial entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Eis porque o problema 
da objetividade se coloca diferentemente nas ciências humanas do que 
na física ou na química.” (GOLDMANN, 1978, np).
Dessa maneira, compreendemos que as ciências humanas são a análise da 
ação, da estrutura e “das aspirações que animam e das alterações que sofre”. 
(GOLDMANN, 1978, np).
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Para tanto, a questão da objetividade nas Ciências Humanas e Sociais é uma questão 
de método e de organização metodológica e teórica, bem como pode ser voltado para 
a história. Por ser esse um problema que sempre chamou a atenção das Ciências 
Sociais e de seus cientistas, “poderiam ser as Ciências Sociais objetivas?”, muitos 
foram os pesquisadores que passaram a responder essa questão. 
Como o objetivo das Ciências Sociais é o de apreender e analisar a realidade concreta, 
os pesquisadores acabam enxergando a possibilidade de analisar diferentes aspectos 
da realidade a ser pesquisada. A importância da objetividade, portanto, está no fato de 
compreender a relação com o real e a análise do todo, ou de uma parte específica de 
grande importância e que esteja estritamente relacionada com aquilo que se analisa.
Para Goldmann, a objetividade está relacionada com a interpretação de que o 
comportamento é 
um fato total (de uma totalidade relativa, claro está; não é senão um 
elemento da totalidade homens-natureza), as tentativas de separar 
seus aspectos “material” e “espiritual” não podem ser, no melhor 
dos casos, senão abstrações provisórias, sempre implicando grande 
perigo para o conhecimento. É a razão pela qual o investigador sempre 
deve esforçar-se por encontrar a realidade total e concreta, ainda 
que saiba não poder alcançá-la a não ser de uma maneira parcial 
e limitada, e para isso esforçar-se por integrar no estudo dos fatos 
sociais a história das teorias a respeito desses fatos, assim como por 
ligar o estudo dos fatos de consciência à sua localização histórica 
e à sua infra-estrutura econômica e social”. (GOLDMANN, 1978, np). 
É dessa maneira que o autor passa a interpretar que os maiores e principais problemas 
colocados para as Ciências Sociais, assim como os valores sociais, os interesses, são 
muito divergentes. Para ele, estando todo pensamento intimamente ligado à ação, não 
se tem mais legitimamente o direito de falar de “ciência” da sociedade ou de sociologia; 
seria, portanto, um processo de conscientização, de consciência que se exprime “no 
plano da descrição ou da explicação dos fatos humanos”. 
Para tanto, o autor constata que 
todo pensamento histórico ou sociológico sofre profundas influências 
sociais, no mais das vezes, não explícitas para o pesquisador 
individual, influências que ele nunca poderá eliminar mas que, ao 
contrário, deverá tornar conscientes e integrá-las na investigação 
científica para evitar ou para reduzir ao mínimo sua ação deformante 
(GOLDMANN, 1978, np).
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5.2 A produção das Ciências Humanas e Sociais
Caro aluno, a nossa perspectiva central é de que o pensamento científico e novas 
teorias sempre surgem em novos tempos e devido às mudanças das sociedades, de 
paradigmas: sejam elas econômicas, culturais ou políticas. 
ANOTE ISSO
A emergência de novas teorias é geralmente precedida por um período 
de insegurança profissional pronunciada, pois exige a destruição em 
larga escala de paradigmas e grandes alterações nos problemas e 
técnicas da ciência normal (KUHN, 2011, p.95).
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Como exemplo prático do assunto que estamos falando, a questão de Marte 
aparece como essencial. Marte é um assunto que tem mexido com pesquisadores 
em todo o mundo e desenvolvido muitas pesquisas científicas, nas mais diversas 
áreas. Com esse exemplo, é possível observarmos na prática o que Kuhn (2011) 
compreende sobre a relação entre ciência e a emergência de novas práticas e 
teorias junto com mudanças de paradigmas.
Na reportagem abaixo é possível observar indagações de cientistas e as tentativas 
de respondê-las, de forma que isso causa transformações em diferentes, múltiplos 
e variados aspectos da esfera da vida social. 
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/mundo/robo-da-nasa-inicia-trajeto-a-marte-para-buscar-rastros-de-vida/
ANOTE ISSO
Portanto, compreendamos os pontos essenciais:
As ciências são construções humanas, de tal maneira são também construções 
sociais e históricas. O resultado é um entendimento sobre os processos científicos;
Ciência é a complexa relação entre teorias, dados e paradigmas, e não é neutra, 
pois define o que pode ou não ser possível;
A partir da observação há o que se pode ver;
https://www.cartacapital.com.br/mundo/robo-da-nasa-inicia-trajeto-a-marte-para-buscar-rastros-de-vida/
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De forma muito semelhante (ao que ocorre nas revoluções políticas), 
as revoluções científicas iniciam-se com um sentimento crescente, 
também seguidamente restrito a uma pequena subdivisão da 
comunidade científica, de que o paradigma existente deixou de 
funcionar adequadamente na exploração de um aspecto da natureza, 
cuja exploração fora anteriormente dirigida pelo paradigma. [...] o 
sentimento de funcionamento defeituoso, que pode levar à crise, é 
um pré-requisito para a revolução (KUHN, p.2011, 126).
ANOTE ISSO
Nesse sentido, a questão do progresso está voltada para o desenvolvimento 
capitalista e tudo que “conduz ao capitalismo e à industrialização fabril, esta 
visão da história desqualificava qualquer forma alternativa de organização como 
retrógrada ou inviável (utópica)”. (FONTANA, 2004, p.159). Compreendendo, 
portanto, o contexto histórico que o desenvolvimento do pensamento científico 
e a produção das ciências humanase sociais está inscrita, observamos que o 
advento está justamente no processo de transição do capitalismo, e, politicamente, 
inscrita a partir dos antigos ideais da revolução burguesa, bem como destruição da 
monarquia e de tal ordem social vigente.
a nova sociedade necessitava de um modelo explicativo que, por um 
lado, se expressasse em termos de governo representativo nascido 
da revolução de 1688 e, por outro, que associasse o interesse com a 
consciência, tornando possível estabelecer a base de “confiança” – de 
“trust” -, sem a qual seria impossível o funcionamento do mundo dos 
negócios (FONTANA, 2004, p.149).
Para tanto, é possível verificar, de acordo com Fontana (2004, p.147), que nesse 
contexto “a nova ordem social e a nova estrutura do estado necessitavam de uma 
nova legitimação que já não podia ser das monarquias divinas assentadas no direito 
divino”, articulando, portanto, uma nova visão de mundo, “uma tarefa em que ciência 
e história atuaram intimamente associadas” (FONTANA, 2004, p.147).
5.3 Consolidação das Ciências Sociais
Como vimos com decorrer da nossa aula, a ciência e a produção do conhecimento 
científico sempre irão surgir com um processo de renovação, conforme a mudança 
dos paradigmas sociais demonstra a necessidade de explicar com teorias científicas, 
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fundamentos metodológicos, hipóteses, observações e fundamentações os novos 
aspectos que se quer compreender.
O processo de consolidação das Ciências Sociais, como já vimos em aulas 
anteriores, foi iniciado no final do século 19 e no começo do século 20, quando a 
Europa e os Estados Unidos acabaram vivenciando o processo de surgimento de 
muitas ciências que se tornaram independentes da filosofia. A partir de então, as 
contribuições de autores como Comte, Marx, Durkheim e Max Weber colocaram 
as Ciências Sociais, principalmente a Sociologia, no cenário internacional. Nesse 
contexto histórico, essa área do conhecimento científico passou a conquistar 
cadeiras universitárias pelo mundo todo, bem como passou a ganhar espaço além 
das discussões e publicações em jornais.
ANOTE ISSO
No Brasil, essa nova ciência surgiu pouco depois de uma década do 
desenvolvimento e consolidação a nível internacional. Os primeiros cursos de 
Ciências Sociais em nosso país foram abertos entre os anos 30 no estado de 
São Paulo e no Rio de Janeiro. Cabe lembrar que esse foi um período conturbado 
politicamente e economicamente para o país.
Esse período pode ser denominado, portanto, como processo de constituição e de 
delimitação do campo científico das Ciências Sociais, principalmente da sociologia, por 
essa ciência possuir teorias, metodologias, técnicas e métodos para que se tratasse 
dos problemas da sociedade. Ou seja, dos problemas das estruturas sociais, culturais, 
políticas e econômicas.
Por volta dos anos 50, autores muito importantes como Antonio Candido (1918-
2017) e Florestan Fernandes (1920-1995) começaram a vir à tona como os primeiros 
sociólogos do nosso país. A produção cultural e política dos anos 50 e dos anos 60 
surgiu como um fio condutor por trazer as temáticas importantes para o Brasil e 
para se pensar a sociedade e os processos de modificação que passava: questões 
como:
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ANOTE ISSO
• o campo e a cidade;
• a industrialização;
• as relações trabalhistas;
• os movimentos sociais;
• a educação e a importância da sociologia;
• o Brasil e sua inserção nas relações internacionais;
• o Brasil e sua lógica de dependência;
• o desenvolvimento do capitalismo brasileiro;
• o processo de revolução no Brasil.
É nesse momento que se consolidava no Brasil as Ciências Sociais, principalmente 
a sociologia e a antropologia com um tipo de ecletismo teórico em que se seguia e 
aproveitava os pontos positivos dos principais nomes da Sociologia: Weber, Durkheim 
e Marx.
Será a partir dos anos 50 até os anos 70 que o principal sociólogo brasileiro, Florestan 
Fernandes, formado pela USP, irá produzir diversos textos, artigos e ensaios científicos 
sobre os fundamentos da sociologia. Fernandes desenvolve em sua obra uma “mistura 
teórica” em que aborda autores como Marx, Durkheim e Weber para conseguir consolidar 
aos poucos a sua própria teoria do que é a sociologia, bem como sua visão de Brasil.
Florestan Fernandes
Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Florestan_Fernandes
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Florestan_Fernandes
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Na reportagem abaixo, de julho de 2020, você pode conhecer um pouquinho mais 
sobre esse importante sociólogo brasileiro.
“Simples como os sábios, bondosos e afáveis no convívio diário, um dos mais 
portentosos pensadores brasileiros, Florestan Fernandes era antes de tudo um ser 
humano exemplaríssimo. Diferenciado. Qual o professor emérito da USP, professor 
nas universidade…” Carta Capital, 2020.
Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/opiniao/cem-anos-de-florestan-
fernandes-um-intelectual-do-povo/. O conteúdo da CartaCapital está protegido pela 
legislação brasileira sobre direito autoral. Essa defesa é necessária para manter o 
jornalismo corajoso e transparente de CartaCapital vivo e acessível a todos 
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/opiniao/cem-anos-de-florestan-fernandes-um-intelectual-do-povo/ 
No âmbito escolar, a Sociologia passou por inúmeros trajetos tortuosos para se 
manter como disciplina obrigatória na Educação básica, sendo retirada inúmeras vezes 
por ser compreendida como uma área crítica do saber, mesmo que seja essencial para 
a formação humana e para a formação de qualquer profissional, independentemente 
da área de atuação. 
Segundo Silva e Silva (2012, p.98), com a nova realidade de obrigatoriedade da 
sociologia no ensino médio, enquanto disciplina, acabou se tornando urgente a 
necessidade de discutir o processo de institucionalização e também de consolidação, 
não só das análises sociológicas do Brasil, mas do quão importante são as Ciências 
Sociais e a sociologia.
É dessa maneira que compreende-se que a institucionalização das Ciências 
Sociais no Brasil “ocorreu em meio períodos distintos e teve seu processo um 
primeiro grupo de intelectuais que ocuparam o lugar de intérpretes do Brasil, 
configurando certo modo de pensar e analisar os problemas sociais do país”. 
(SILVA & SILVA, 2012, p.98).
Portanto, compreendemos que o processo de institucionalização e de consolidação 
das Ciências Sociais no Brasil, assim como da sociologia, acompanhou o processo 
de desenvolvimento industrial e de modernização do nosso país. Isso foi de grande 
importância e influência para a compreensão e análise dos acontecimentos políticos 
e econômicos, assim como culturais, sobre a realidade brasileira. 
https://www.cartacapital.com.br/opiniao/cem-anos-de-florestan-fernandes-um-intelectual-do-povo/
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ANOTE ISSO
É dessa forma que vemos a importância de pesquisadores e profissionais 
engajados na área das Ciências Sociais para o processo de consolidação dessa 
ciência em nosso país, assim como para seu desenvolvimento em nosso dia a 
dia. Compreende-se por fim que a Sociologia e as Ciência Sociais são de grande 
importância para a formação de qualquer profissional e, de qualquer área, desde a 
rede básica de ensino até a formação em um curso superior.
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AULA 6
TEMAS DAS CIÊNCIAS 
SOCIAIS: A DIVISÃO 
SOCIAL DO TRABALHO
Faz tudo. Local de construção
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/faz-tudo-local-de-constru%c3%a7%c3%a3o-3094035/ 
Caroaluno, a cada aula você está mais familiarizado com as Ciências Sociais. 
Espero que esteja gostando de conhecer essa ciência, pois, com certeza, as Ciências 
Sociais terão muita utilidade na sua vida acadêmica e profissional.
https://pixabay.com/pt/photos/faz-tudo-local-de-constru%c3%a7%c3%a3o-3094035/
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Como já estudamos o que são as Ciências Sociais e as três principais áreas que 
ela abrange, Antropologia, a Sociologia e a Ciência Política, agora daremos um foco 
para as principais temáticas trabalhadas e analisadas nessa grande área do saber.
Nosso principal objetivo é que você consiga cada vez mais compreender as 
Ciências Sociais de modo teórico e prático, em suas diversas metodologias, teorias 
e possibilidades analíticas.
É dessa maneira que nossa aula de hoje tratará sobre um tema muito importante 
nas Ciências Sociais: a divisão social do trabalho. Para nossa introdução, precisamos 
primeiro entender o que é trabalho. Para essa tarefa, nada melhor do que voltarmos 
aos clássicos Émille Durkheim, Max Weber e Karl Marx para nossa jornada.
Você pode estar se perguntando os motivos de voltarmos aos autores clássicos. A 
primeira dica é que os clássicos sempre nos servem para analisar a atualidade. Sobre 
isso, temos a reflexão aprofundada de Fernandes (2021, p.122):
a leitura dos clássicos não se trata de um processo fechado, na 
verdade, implica em observarmos novos elementos que serão 
superados a cada leitura, a cada contato. Afinal, um clássico é um 
livro que tinha para dizer, sobretudo pelo fato de que, quando chega 
a nossas mãos, está carregado de interpretações anteriores. toda 
releitura de um clássico é uma leitura de descoberta como a primeira 
e toda primeira leitura de um clássico é, na realidade, uma releitura 
(FERNANDES, 2021, p.122-123).
 
Então, mãos à obra!
6.1 Afinal de contas, o que é trabalho?
Todos nós possuímos, ou iremos possuir, uma relação com o trabalho. Seja ela 
uma boa ou má relação. Mas, a verdade é que é impossível viver em sociedade sem 
trabalharmos e sem desfrutarmos do trabalho de outras pessoas, pois o trabalho 
é uma atividade fundamental para desenvolver a nossa sociedade e também nos 
desenvolvermos.
Você pode estar pensando agora: Por que o trabalho é tão importante para 
as Ciências Sociais sendo que é algo “natural”, que todos fazem ou farão em 
algum momento da vida? Pois bem, ao focarmos nosso olhar nas Ciências Sociais, 
precisaremos ir à fundo para ver o trabalho como algo para além de comum, 
“normal”, e “natural”.
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ISTO ESTÁ NA REDE
A Sociologia possui uma área específica que se chama Sociologia do Trabalho e 
que reflete sobre as contradições, estruturas e conflitos no mundo do trabalho. Essa 
ciência acompanha também o desenvolvimento da nossa sociedade. 
Veja que interessante um trecho da entrevista do pesquisador Dr. Ricardo Antunes 
sobre o trabalho uberizado e questões digitais, principalmente no cenário da 
pandemia da Covid-19. Algo muito interessante e presente no nosso cotidiano!
“Portanto, o trabalho uberizado – e isso em si já é trágico – não se restringe 
aos trabalhadores que trabalham em plataformas como Uber ou iFood. Há 
hoje plataformas de diversas modalidades de trabalho: médicos, engenheiros, 
empregadas domésticas, jornalistas, professores. Todos os trabalhadores desse 
amplo campo dos serviços tendem a se converter em trabalhadores uberizados”.
Fonte:http://abet-trabalho.org.br/ricardo-antunes-a-expansao-do-trabalho-uberizado-nos-levara-a-escravidao-digital/
Certamente, algum dia todos nós precisamos e precisaremos trabalhar, mas, 
que tal compreendermos o conceito de trabalho a partir de algumas abordagens 
teóricas? Você verá que trabalho é também um conceito nas Ciências Sociais 
e que muitos pesquisadores e pensadores importantes já refletiram sobre isso. 
Você verá que 
As diferenças de interpretação da categoria trabalho estão associadas, 
como veremos, à forma com que esses cientistas procuraram 
estabelecer seus métodos sociológicos para compreensão da 
sociedade capitalista (FERNANDES, 2021, p.124).
A partir desse ponto de vista, devemos compreender que um dos pontos mais 
importantes é a análise e a compreensão da nossa sociedade atual, ou seja, do sistema 
capitalista. Para isso, observemos a reflexão de Machado (2020, p.12-13):
em cada período histórico o ser humano se adapta de acordo à 
realidade determinada e possui determinado perfil no ambiente de 
trabalho. No período feudal há o servo da gleba, no capitalismo existe 
o trabalhador assalariado [..]. (MACHADO, 2020, p.12-13).
As diferenças entre as duas formações sociais está justamente na forma de trabalho, 
na passagem da manufatura para as fábricas, para um aglomerado de trabalhadores 
que produzem mercadorias e que recebem um salário para isso, pois vendem a sua 
força de trabalho.
http://abet-trabalho.org.br/ricardo-antunes-a-expansao-do-trabalho-uberizado-nos-levara-a-escravidao-digital/
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Para Silva (2020, p.17), no capitalismo, há uma mudança
No âmbito do processo de trabalho, o emprego de novas técnicas 
e métodos organizacionais que estimula a polivalência, tem 
resultado em intensificação dos ritmos de trabalho e sobrecarga 
para os trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo porque há uma 
mescla entre: novas técnicas e métodos de trabalho [...]. (SILVA, 
2020, p.17).
ANOTE ISSO
Definimos que o trabalho como algo que é modificado dependendo da sociedade 
em que ele está inserido. No feudalismo o trabalho era um; no capitalismo, com o 
advento das máquinas e do salário, o desenvolvimento é outro. Portanto, trabalho é 
uma atividade intelectual ou física que é realizada pelo ser humano com o objetivo 
de transformar algo.
6.2 Durkheim e a divisão do trabalho
Émille Dukheim, autor que já conhecemos alguns conceitos e concepção de 
sociedade, escreveu sobre o trabalho e, principalmente, sobre a divisão do trabalho. 
Para o sociólogo, isso é algo normal e um fato social (se você não se lembra o que é 
o fato social, volte um pouquinho nas nossas aulas anteriores). Mas, como todos os 
fatos sociais e biológicos, a divisão do trabalho apresenta formas patológicas. Para 
o autor (2001), normalmente, com a divisão do trabalho, se produz a solidariedade 
social, um tipo de harmonia.
No entanto, pode ocorrer que tenha resultados opostos. Um desses é o que o 
autor denomina como a profissão do criminoso, entre outras do mesmo sentido, que 
são a negação da solidariedade. As crises, as falências, entre outras, são vistas por 
Durkheim como rupturas parciais da solidariedade orgânica e testemunham que certas 
funções sociais não se ajustam às outras e conforme o trabalho se divide mais, tais 
fenômenos tornam-se mais frequentes.
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ANOTE ISSO
Conforme o mercado se estende, a grande indústria surge e tem como efeito 
transformar as relações entre patrões e operários. O trabalho mecânico substitui 
o trabalho do homem, ou seja, da manufatura. As condições novas da vida social 
requerem uma nova organização da vida, mas como foi tudo muito rápido e a partir 
de interesses isto não teve tempo de se equilibrar. Portanto, a divisão do trabalho é 
uma fonte de solidariedade.
A divisão do trabalho pressupõe que o trabalhador, bem longe de permanecer curvado 
sobre a sua tarefa, não perca de vista os seus colaboradores, aja sobre eles e receba 
a sua influência. Não é portanto uma máquina que repete movimentos de que não 
apercebe a direcção, mas sabe que tendem para algum lado, para uma finalidade que 
ele concebe mais ou menosdistintamente.
Conforme a especialização foi introduzida no espaço científico, na visão de Durkheim, 
cada cientista se fechou mais em uma ordem especial de problemas. A divisão do 
trabalho tornou-se fonte de desintegração entre os operários. O autor entende que a 
diversidade das funções é útil e necessária (DURKHEIM, 2001, p.151).
ANOTE ISSO
Ou seja, como a divisão do trabalho possui efeitos de dispersão, devem se 
desenvolver sem resistência. Contudo, a unidade das sociedades organizadas é 
a solidariedade interna que também é necessária. As partes devem ser solidárias 
umas às outras para o todo tomar consciência de si. É necessário o espírito do 
conjunto e o sentimento da solidariedade em comum.
Trabalho em equipe - cooperação
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/trabalho-em-equipe-coopera%c3%a7%c3%a3o-debate-3213924/ 
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Na sociedade há uma maior distância entre as disposições hereditárias do indivíduo 
e a função social que ele preenche. Para que a divisão do trabalho tenha solidariedade 
não basta que cada um tenha sua tarefa, mas que a tarefa lhe seja conveniente. 
Segundo Durkheim (2001), a instituição das classes têm conflitos porque a distribuição 
das funções sociais não responde aos talentos naturais. 
ANOTE ISSO
Pode-se dizer que a divisão do trabalho produz a solidariedade quando é 
espontânea e por espontaneidade deve ser entendida a ausência de tudo que 
pode entravar o livre desenvolvimento da força social que cada um traz. O trabalho 
não se divide espontaneamente senão quando a sociedade estiver constituída de 
maneira que as desigualdades sociais expressam as desigualdades naturais. 
• Para a divisão do trabalho ocorrer são necessárias certas circunstâncias e 
normalmente não se desenvolve a atividade funcional;
• O trabalho é mais contínuo conforme melhor dividido;
• Conforme se avança, o trabalho se torna uma atividade de ocupação 
permanente, um hábito e uma necessidade, portanto a divisão do trabalho se 
torna uma fonte de coesão social;
• Conforme a divisão do trabalho se torna a fonte da solidariedade social, ela 
torna-se a base da ordem moral.
6.3 Weber e a ética do trabalho
Weber, como já vimos ao longo das nossas aulas, criou o método compreensivo. 
Em seu método, o autor propõe uma compreensão do sistema capitalista partindo de 
questões culturais e religiosas ao invés de questões econômicas e políticas.
Para o autor (2004), o capitalismo surge com as Revoluções Industriais e possui sua 
origem nas religiões protestantes, especificamente na ideologia puritana e calvinista. 
Com a queda da Igreja Católica, devido a Reforma Protestante no século XVI, a Igreja 
perdeu o monopólio de poder e abriu espaço para novas religiões protestantes. A 
presença nas fábricas, dos capitalistas, era em sua maioria de protestantes e Weber 
compreende uma relação entre os valores calvinistas e a gênese do capitalismo 
moderno.
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ANOTE ISSO
É dessa maneira que o autor apontou mudanças na esfera religiosa quando 
relacionadas com as transformações na economia, que, em sua análise, é espírito 
do capitalismo. Para Weber (2004), o trabalho está conectado com mudanças de 
valores e de atitudes, e isto causou uma predisposição ao trabalho como salvação 
da alma. Dessa forma, o trabalho, para Weber, é uma fonte de glorificação e de 
salvação, já que é entendido um valor em si. 
Na concepção desse autor, os seguidores da religião protestante deveriam desenvolver 
a vocação para o trabalho, que é um comportamento social comedido, uma busca 
para o desenvolvimento espiritual. A partir de então, Weber passou a racionalizar uma 
explicação para o surgimento das relações capitalistas, de forma que o trabalho se 
tornou, em sua visão, uma vocação.
Arquiteto homem pulando
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/arquiteto-homem-pular-pulando-1080592/ 
Para Weber, a explicação da desigualdade social está relacionada em como os ricos 
seriam disciplinados e possuíam um espírito empreendedor, já os pobres acabariam 
por se deixar levar pela preguiça e pela imprevidência, o que explicaria o motivo por 
não prosperarem. 
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ANOTE ISSO
Portanto, a riqueza seria o sinal da salvação e a ética o nexo de causalidade entre 
a conduta humana e a prosperidade, a ética do trabalho serviria para que os frutos 
do trabalho fossem direcionados para a acumulação e não gastos com luxos e 
consumos, o que significa ser um fator cultural determinante para o capitalismo e 
seu desenvolvimento. 
6.4 Marx e a divisão social do trabalho
Para Marx, o trabalho é uma atividade sócio-metabólica, ou seja, o homem estabelece 
uma relação com a natureza e a transforma em mercadorias e bens de consumo. Para 
Marx, o trabalho transforma o homem conforme transforma a natureza. Observou 
outras questões que estão relacionadas com o trabalho. Os conceitos de luta de classes, 
exploração, alienação e fetichismo, que irão demonstrar como ocorre o processo de 
trabalho no capitalismo. 
Segundo o autor, o trabalho estranhado emerge de mãos dadas com o surgimento 
da propriedade privada, pois os trabalhos pré-capitalistas, manufaturados, em que não 
havia a detenção dos meios de produção por uma só pessoa, não gerava tamanho 
estranhamento, afastamento, diante da produção que o trabalhador realizava. Apenas 
a partir das revoluções industriais é que se intensifica a produção e a força de trabalho 
precisa ser constante e universal, fazendo com que essa servidão ao trabalho traga 
fortes consequências às potencialidades humanas. 
ANOTE ISSO
Para Marx, as sociedades nunca estiveram tão unidas e tão separadas, pois o 
trabalhador não se reconhece nos produtos que fabrica, pois a divisão social 
do trabalho se encarrega de dar pequenas funções a cada trabalhador nessa 
grande estrutura que é o capitalismo. E essas pequenas funções acabam sendo 
tão mecanicamente realizadas que o próprio homem não se identifica no que 
faz, realiza seu trabalho apenas para receber seu salário ao fim do mês, não se 
importando se realiza algo de importância social, política, econômica, apenas 
reproduzindo o que lhe é comandado.
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E é aí que encontramos vários problemas, pois ao assalariado só lhe cabe reproduzir, 
mesmo que seja o produto final, algo extremamente nocivo a ele mesmo, como trabalhos 
veemente prejudiciais à saúde dele e de outros que a produção atinja. Mas, tudo é 
superado pelo salário a ser recebido, já que a propriedade agora é privada e sem o 
assalariamento, não existiriam condições de alimentação, moradia, até de sobrevivência.
Para Marx, grande parte dos problemas na sociedade contemporânea tem a ver 
com o estranhamento do trabalhador com seu próprio trabalho e produção, esse 
estranhamento ao produto final faz com que o trabalhador veja esse trabalho como 
sacrifício, flagelo, não mais uma satisfação interna do indivíduo, mas uma necessidade 
externa que mantém a sua subsistência e a de outros. 
ANOTE ISSO
A exploração, a alienação e o fetichismo são relações de exploração estabelecidas 
no capitalismo com a retirada da chamada mais-valia do trabalhador. Segundo 
Marx, a classe trabalhadora é explorada pelos patrões ao vender sua força de 
trabalho, ter uma longa jornada de trabalho e receber um salário menor do que 
deveria. A exploração do trabalhador começa com as expropriações dos meios 
de produção. As relações de exploração no trabalho separa o trabalhador da sua 
mercadoria,do fruto do seu trabalho, que é produzido pelo trabalhador. 
Sapatos, abandono
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/sapatos-abandono-preto-e-branco-1731131/ 
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No entanto, os trabalhadores muitas vezes não percebem essa condição de 
exploração. Durante o processo de trabalho, o trabalhador não percebe que a mercadoria 
é fruto de seu trabalho e se aliena daquele trabalho gerando o que chamamos de 
fetichismo. A alienação é decorrente da divisão social do trabalho, além do grande 
poder e propriedade do Estado e dos mais ricos.
 O trabalhador não percebe as relações de trabalho que são envolvidas na produção da 
mercadoria, as relações entre pessoas são como relações entre coisas, e as mercadorias 
acabam se relacionando como pessoas. Portanto, é como se as mercadorias tivessem 
um valor a mais do que já possuem, estivessem enfeitiçadas por valores humanos. 
Qual a contradição do trabalho? Para Marx, o aumento de trabalho não melhora a 
vida dos trabalhadores, o que ocorre é um processo de pauperização, de pobreza e 
miséria, do proletariado, com a maior consequência: desigualdade social.
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AULA 7
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: 
AS FORMAS DE PODER 
AUTORITÁRIAS E DITATORIAIS
Homem silenciado
Fonte:https://pixabay.com/pt/illustrations/homem-silencioso-cobrindo-a-boca-6054357/ 
Caro aluno, fico muito feliz que você tenha chegado até aqui com as nossas aulas. 
Espero que você esteja gostando de conhecer o universo teórico das Ciências Sociais 
e suas possíveis áreas de atuação enquanto uma ciência que analisa a sociedade.
Agora, iremos adentrar alguns temas muito importantes das Ciências Sociais: temas 
que estão presentes no nosso dia a dia, no nosso cotidiano. Começaremos refletindo 
sobre as formas de poder e de governos em uma sociedade. Para isso, precisaremos 
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recorrer também a autores muito importantes das Ciências Sociais, da Sociologia, da 
Ciência Política e da Antropologia.
Caro aluno, nesta aula, nosso objetivo é entender o que é autoritarismo e o que é 
ditadura. Para isso, precisamos compreender primeiramente o que é o poder para o 
filósofo clássico da Ciência Política, Montesquieu (1689-1755) e, também, para um 
dos sociólogos mais importantes da Sociologia, o francês Michael Foucault (1926-
1984) e, também.
7.1 Montesquieu e poder
Com nosso objetivo de compreender o que é poder, traçamos a necessidade de 
entender a concepção de Montesquieu, autor importante que vislumbrou a importância 
de separar os três poderes: legislativo, e duas formas de poder executivo, questão de 
suma importância e vigente em diversas sociedades.
Charles Louis de Secondat, o Barão de Montesquieu
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Montesquieu 
Charles Louis de Secondat, o Barão de Montesquieu, foi um importante filósofo 
e ficou muito conhecido pela sua teoria de separação dos três poderes. É por isso, 
caro aluno, que para compreendermos o que é poder, na análise da Ciência Política, 
entraremos no debate acerca do poder despótico para Montesquieu. Nossa principal 
referência é o cientista político Dr. Marcos Del Roio e seu artigo “Montesquieu e o 
poder despótico”, de 2017.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Montesquieu
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Em seu artigo, Del Roio (2017, p.172) compreende que 
Montesquieu é continuador do liberalismo de Locke, enquanto 
crítico do absolutismo, embora discorde de sua visão jusnaturalista 
/ contratualista, buscando na teoria política anterior os elementos 
para compor a representação do Oriente construída na modernidade 
(DEL ROIO, 2017, p.172).
Ou seja, esse autor foi um iluminista muito importante e suas ideias influenciaram, 
inclusive, a formação de Estados modernos e democráticos. As reflexões de Montesquieu 
encontraram boa receptividade devido ao contexto histórico ser de “recomposição 
e expansão da monarquia absolutista no Ocidente”. O momento que Montesquieu 
escreve, na França, era de “concentração do poder político nas mãos do monarca” 
(DEL ROIO, 2017, pp.173-174).
ANOTE ISSO
Contrário ao despotismo, Montesquieu entendia a República e também a Monarquia 
como uma forma de governo moderado, pois o despotismo demonstrava “a 
degeneração dos governos moderados”, de forma que, para o autor, “o Ocidente, havia 
já sido vítima do despotismo no seu passado remoto” (DEL ROIO, 2017, p.178).
Portanto, para Montesquieu, formar e dividir três poderes significa “a divisão entre as 
funções de legislar, de executar e de se manifestar, julgando os conflitos, bem como entre 
as atividades necessárias à gestão do Estado”, pois essa é uma maneira em que se evita 
“qualquer forma de tirania, e hoje é considerada um mandamento básico e elemento 
estrutural ao Estado democrático e de direito.” (PINHEIRO; VIEIRA; MOTTA, 2011, p.1735). 
7.2 O que é poder para Foucault?
Foucault
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_Foucault 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_Foucault
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Michel Foucault foi um importante pesquisador, com ampla formação intelectual, 
que muito nos auxiliou a compreender o que é Foucault. Para o autor, que analisa a 
sociedade contemporânea, sujeitos e objetos, assim como a história, são formados 
por discursos que contêm interesses particulares e próprios. É dessa forma que as 
relações de poder são construídas de forma histórica e particular.
Foucault discute a teoria política sobre o poder e o soberano. Para o autor (2006), 
o poder aumenta cada vez que um soberano decide questões. O poder é algo que 
se exerce sobre a vida. Um exemplo pode ser encontrado nas guerras e nas ações 
violentas. Para o autor, a modernidade é algo brutal e que estabelece relações verticais: 
de baixo para cima. Para tanto, há uma questão de poder social e de hierarquias.
As relações sociais são relações de poder, relações políticas e que estão presentes 
nas relações dos indivíduos, pois são relações de poder. Ou seja, todas as relações 
são relações de poder. Mesmo que contenha liberdade, não se elimina, para o autor, 
o fato de ter relações de poder, pois a liberdade é uma estratégia de poder. Dessa 
forma, para o autor (2006), não existem homens livres, mas mecanismos liberais. 
ANOTE ISSO
Para o autor, as relações de poder é o que constituem as práticas de discursos que 
irão construir saberes e estratégias que legitimam determinado discurso. Portanto, 
é necessário “reencontrar as diferentes cenas onde eles desempenharam papéis 
distintos” (FOUCAULT, 2006, p. 15).
Compreendemos, portanto, poder, para Foucault como algo que não é homogêneo, 
pois ele é uma prática, de forma que é construído historicamente e é exercido de 
formas diversas e variadas. Poder:
• Não é algo concentrado apenas nas mãos de um indivíduo;
• Não é algo concentrado apenas em uma instituição;
• O poder é encontrado e disseminado em diversos focos;
• É uma questão de exercício, não apenas de posse;
• Para Foucault, são práticas de poder que obedecem, quando exercidas, diversos 
e variados interesses para legitimar algo.
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ISTO ESTÁ NA REDE
Um exemplo prático e que está na rede, sobre as formulações teóricas de Foucault 
é sobre o corpo. Para o autor, há técnicas de disciplina, de controle, de atividades 
que as instituições criame que são necessárias de obedecimento.
Na visão do autor, as instituições fabricam corpos dóceis, que são submissos e 
educados para a vida em sociedade. Um exemplo prático seria a maneira que os 
estudantes permanecem nas salas de aulas.
Veja abaixo um pouco sobre os corpos e a questão do poder em Foucault: https://
colunastortas.com.br/corpos-doceis/
7. 3 Formas de poder: autoritarismo, totalitarismo e ditadura
Raiva, batalha, punho
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/raiva-batalha-punho-disputa-m%c3%a3o-1564031/ 
Caro aluno, agora que já compreendemos o que é poder para dois diferentes 
intérpretes da sociedade: Montesquieu e Foucault, iremos percorrer um novo trajeto. 
Nosso objetivo principal é que você entenda as formas de poder e de governo. Para 
tanto, iniciaremos nossa reflexão sobre o que é autoritarismo para compreendermos, 
em seguida, o que é ditadura.
https://colunastortas.com.br/corpos-doceis/
https://colunastortas.com.br/corpos-doceis/
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Lembro você que estes dois assuntos são de grande importância para as Ciências 
Sociais, assim como para sua formação profissional e atuação acadêmica, pois as 
formas de poder são questões muito presentes no nosso cotidiano, algo que é discutido 
para além de períodos eleitorais. Então, vamos lá!
O autoritarismo é uma forma de poder político utilizado durante muitos anos na 
história da humanidade; tanto em governos monárquicos absolutistas, como em 
ditaduras e Repúblicas. Uma importante pensadora que muito refletiu sobre o que é 
autoritarismo e também sobre totalitarismo foi Hanna Arendt (1906-1975).
.
Hanna Arendt
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hannah_Arendt 
ANOTE ISSO
Para Arendt (1989), o regime totalitário tem como principal característica a função 
de terror que causa uma insegurança generalizada e que cria propagandas 
para se manter no poder com diversas propagandas. Esses regimes totalitários 
são diferentes de ditaduras, pois há uma penetração de partidos em torno das 
dimensões da vida, mesmo que elas sejam privadas.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hannah_Arendt
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Assim, para Arendt (1989), é necessário que se exerça o culto ao partido e ao 
Estado, de forma que seja realizada uma propaganda massiva e doutrinária para 
partidos, pessoas (líderes autoritários) e a verdade é aquilo que o partido político 
ou o líder diz.
Dessa forma, a autora (1989) compreende que os líderes totalitários são facilmente 
substituídos, de forma que mesmo Hitler (ditador nazista da Alemanha de 1934-1945), 
já foi esquecido e mal representa algo nos grupos neofascistas e neonazistas da 
Alemanha.
ANOTE ISSO
Os movimentos totalitários só conseguem permanecer no poder enquanto 
estiverem em movimento e transmitirem movimento a tudo que rodeia, de forma 
que também há apoio das massas para o líder autoritário e/ou democrático. Um 
exemplo da autora, foi o apoio que as massas deram para Mussolini, Stálin e Hitler. 
Sobre isso, observemos o seguinte:
• O líder se preocupa em manter seu status sempre intacto;
• Os movimentos totalitários conseguem organizar as massas, não as classes, 
dependem de força numérica;
• Os movimentos totalitários são possíveis onde quer que existam massas que, 
por um motivo ou outro, desenvolveram certo gosto pela organização política. 
As massas não se unem pela consciência de um interesse comum e falta-
lhes aquela específica articulação de classes que se expressa em objetivos 
determinados, limitados e atingíveis.
Portanto, em sua obra, Arendt (1989) busca explicar as origens dos regimes 
totalitários que se espalharam pelo século XX. Explica a Rússia stalinista, o nazismo 
e como o imperialismo e o pensamento racial levaram a tais movimentos. Entende 
que no totalitarismo a política volta para si mesma e não para o bem comum. A 
autora considera o totalitarismo como algo novo, tanto que não constata sua origem. 
Se apresenta como um movimento caótico, destruidor, não utilitário, dinâmico 
e que ataca todos os atributos da natureza humana e do mundo que possa se 
tornar política.
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
As concepções teóricas de Hanna Arendt, sobre o totalitarismo e o autoritarismo, 
aconteceram na nossa história da humanidade. Um dos períodos mais conhecidos 
foi o do nazismo (1934-1945), um período de grande horror para a humanidade, 
em que ideologias perversas foram colocadas em prática. Veja abaixo um pouco 
sobre o holocausto para melhor compreender as reflexões de Hanna Arendt. Fonte: 
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/nazismo-1.htm 
ANOTE ISSO
A autora compreende o totalitarismo como algo novo e que não possui precedentes, 
sendo diferente das outras tiranias políticas. Os regimes totalitários, implicam em ter 
um governante forte, mas o governante não procura, em primeiro plano, o aplauso.
• Primeiro o totalitarismo busca promover a ideologia do regime mais do que o 
ganho pessoal do governante;
• Nazismo: racismo e Stalinismo: erradicar o capitalismo e a burguesia;
• O governante fundamenta todas as suas ações na ideologia;
• O totalitarismo, diferente das tiranias, querem conquistas de modo internacional 
e não apenas nacional;
• O governo totalitário se mantém sem uma estrutura hierárquica, mas com níveis 
de administração e de burocracia.
Portanto, cabe frisar que, para Arendt (1989), o totalitarismo usa o terror para ter 
obediência das massas ao Estado, a polícia tem a tarefa de capturar as pessoas que 
foram visadas para a ideologia, prender ou aniquilar. As vítimas são grupos escolhidos 
e declarados inaptos para viver. O totalitarismo é individualista, as pessoas são leais 
ao governo, se transformam em inimigos para salvarem suas vidas. 
As ditaduras também possuem autoritarismo e, muitas vezes totalitarismo, em sua 
composição orgânica e desenvolvimento. Portanto, é possível afirmarmos que ditadura 
é uma forma de poder autoritária que se manifesta no governo seja por uma pessoa, 
por um grupo de pessoas, por uma classe social, por um partido ou por militares, em 
que os direitos individuais são suprimidos ou restritos. 
No Brasil, tivemos dois governos ditatoriais: o período conhecido como Era Vargas 
(1930-1945). No período da Era Vargas, o governo e o poder estavam centralizados 
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/nazismo-1.htm
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nas mãos do ditador Getúlio Vargas. No Estado Novo (período conhecido do governo 
de Vargas), o ditador muito se aproximou das massas, criando, inclusive, direitos 
trabalhistas importantes. 
A Ditadura Militar (1964-1985) também foi um período muito complexo para a 
história do Brasil. Em 1964 houve um golpe militar em que os avanços de direitos 
sociais e reformas sociais deram um passo atrás. 
Por meio da violência, os setores reacionários atuaram com prisões 
de lideranças, torturas, assassinatos, expulsão de líderes esquerdistas 
do país e intervenção em sindicatos. Sob o contexto da Guerra Fria e 
em nome do anticomunismo, as forças reacionárias do país instituíra 
uma ditadura civil-militar que objetivou promover a internacionalização 
da economia e a reconcentração de renda, poder e propriedade 
nas mãos de corporações transnacionais, monopólios estatais e 
privados e grandes latifundiários, aprofundando sua integração com o 
mercado mundial e suas ligações com o capital financeiro e industrial 
internacionais (LARA, SILVA, 2015, p.278).
É dessa forma que
Durante a ditadura, um dos elementos centrais de sua busca pelo 
reconhecimento era o empenho em atestar,a partir dos valores sociais, 
principalmente, que havia uma suposta identificação perfeita entre 
os militares no poder e o povo. O seu pretenso ideário de democracia 
situava-se constantemente diante do desafio de garantir para os 
diversos segmentos sociais que sua realização era possível tendo 
em vista que aqueles primeiros tinham os seus desejos, objetivos e 
interesses estritamente vinculados aos segundos (REZENDE, 2013, 
p.04).
Observamos, portanto, caro aluno, como ocorre na prática as formas de governos 
autoritárias e totalitárias, bem como ditatoriais. Agora, nosso próximo passo é 
compreender como são as formas democráticas e revolucionárias de poder e de 
governo.
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AULA 8
TEMA DAS CIÊNCIAS 
SOCIAIS: AS FORMAS DE 
PODER DEMOCRÁTICAS E 
REVOLUCIONÁRIAS
Democracia - pessoas
Fonte:https://pixabay.com/pt/vectors/multid%c3%a3o-pessoas-democracia-296520/ 
Caro aluno, após compreendermos o que é poder e quais são as formas de poder 
e de governo, autoritárias, totalitárias e ditatoriais, o nosso objetivo neste momento é 
compreender o que é democracia e, portanto, o que é e como se consolidou a democracia 
no Brasil, nosso país. Também é importante que neste momento compreendamos o 
que é revolução e quais foram as tentativas revolucionárias do século XX.
https://pixabay.com/pt/vectors/multid%c3%a3o-pessoas-democracia-296520/
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ANOTE ISSO
Em primeiro lugar, gostaria de frisar a importância de discutirmos o que é 
democracia e o seu processo de constituição e de consolidação no Brasil, 
principalmente quando compreendemos que a democracia, perto das outras 
formas de poder que nós já estudamos durante as nossas aulas anteriores, tanto 
as formas totalitárias autoritárias e ditatoriais, a democracia se apresenta como a 
melhor forma de poder das massas e de governo. A democracia garante os direitos, 
a participação popular, o sufrágio universal, as instituições democráticas, a liberdade 
política e liberdade de expressão que essas outras formas de poder e de governo, 
ditatoriais, autoritárias e totalitárias, não oferecem.
8.1 O que é democracia?
A democracia é um tema bastante antigo e que já resultou em inúmeros estudos de 
grande importância para compreendermos o desenvolvimento das formas democráticas 
durante a história da humanidade. Dessa forma, entendemos então que a democracia, 
até os dias de hoje, mas, desde a antiguidade, traz em si um conjunto de contradições. 
Essas contradições que estão então incorporadas na compreensão da população 
sobre o que é ou não a democracia.
ANOTE ISSO
Portanto, entendemos que a democracia é uma forma histórica tanto de poder quanto 
de governo. Essa forma Histórica de poderes e de governo foi primeiramente expressa 
na experiência ateniense. Precisamos entender que a democracia ateniense foi muito 
diferente da forma democrática de poderes de governo que nós temos nos dias atuais.
Naquele período participavam apenas os cidadãos de classes mais altas. Esses 
acabavam, então, usufruindo dos direitos civis e dos direitos políticos, de forma 
que esses cidadãos poderiam portanto participar do governo e também das 
assembleias deliberativas. Essas pessoas, esses que eram considerados cidadãos, 
acabavam então tomando decisões políticas de grande importância (NETO, 1997).
Entendemos também que a democracia ateniense, mesmo que tenha sido 
um processo de um ótimo desenvolvimento político para a época, no campo 
democrático e também cultural, foi, de fato, marcada também por elementos 
de exclusão e desigualdade, pois não era toda a população e não era para toda 
a população que o direito a participar de questões políticas e organizativos da 
sociedade estavam incluídos(NETO, 1997).
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Portanto, compreendemos que a democracia surge, em primeiro momento, na Grécia 
antiga. Em segundo momento, devemos compreender então que foram vários os 
pensadores desse período que escreveram sobre a democracia e sobre a constituição 
dessa sociedade. Os nomes que podemos vislumbrar são Sócrates, Platão, Heródoto 
e Aristóteles. Esses foram autores e pensadores muito importantes que falaram e 
estudaram sobre a democracia ateniense.
ANOTE ISSO
Devemos entender, portanto, que no plano formal a democracia ateniense 
segurava de fato uma igualdade política e que era estendida para aqueles que 
eram considerados cidadãos. Durante esse período, no entanto, ela também 
caracterizava uma forma de desigualdade e de exclusão social daqueles que não 
eram considerados cidadãos nessas sociedades escravocratas (NETO, 1997).
Para compreendermos o processo de democracia de construção da democracia para 
a modernidade, para o nosso mundo contemporâneo e para nossa sociedade capitalista, 
devemos, então, voltar um pouquinho nos processos de revoluções democráticas, por 
exemplo, a Revolução Francesa e, também, na Revolução Industrial. Dessa forma, 
conseguiremos compreender as formas de democracia representativa e também de 
democracia direta.
Observamos, portanto, a importância dos estudos acerca dos autores Federalistas 
e de autores contratualistas (que já vimos no decorrer das nossas aulas), pois o 
pensamento liberal serve de fundamento de grande importância para compreensão 
sobre a democracia moderna a partir do momento que entende a democracia com 
valores da tradição liberal.
Devemos nos atentar ao processo de transformação do ambiente político e cultural 
que vai desencadear uma era de democracias liberais e de formação de estados 
liberais, pois os estados deixam de ser monárquicos e autoritários. Dessa forma, há 
uma relação com o declínio do feudalismo e a transição para o capitalismo.
Um dos autores importantes que podemos verificar acerca da democracia, algo 
relacionado com a liberdade e igualdade, é Alexis de Tocqueville (1805-1859), pensador 
francês.
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Alexis de Tocqueville
Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Alexis_de_Tocqueville 
Influenciado pelo jusnaturalismo e pelo contratualismo (lembrem-se que vimos nas 
nossas aulas anteriores bastante sobre os autores contratualistas, principalmente John 
Locke), Tocqueville (2005), ao falar sobre a democracia compreende que no mundo há 
povos que vão partir de concepções diferentes do mundo e que para avançar nesse 
tema possui também pontos de partidas diferentes, caminhos diferentes. O ponto 
central é o de encontrar a liberdade individual e a igualdade na política.
ANOTE ISSO
Era essa a forma que falar de liberdade e de igualdade, para Tocqueville (2005) se 
relaciona com a liberdade e a igualdade a partir do desenvolvimento da sociedade. 
Para o autor, é necessário falar de democracia. Portanto, identificamos igualdade e 
uma relação direta com democracia. Sobre a democracia, a partir de suas análises 
teóricas e reflexivas, há também uma relação com hábitos, costumes e valores 
democráticos que as instituições sociais e políticas do povo americano (o povo 
que Tocqueville (2005) está analisando) vão desenvolver. Ou seja, uma forma 
democrática de poder.
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Alexis_de_Tocqueville
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
A democracia norte-americana acontece na prática durante anos. A carta 
democrática interamericana demonstra que a democracia deve ser a única forma 
de governo nos Estados Unidos da América: com direitos humanos, cultura, eleições 
e combate à pobreza. Verifique mais no link abaixo!
Fonte: http://www.oas.org/pt/democratic-charter/
Caro aluno, você deve compreenderque as reflexões presentes na obra de Tocqueville 
(2005) foram desenvolvidas no contexto de expansão do ocidente para América do 
Norte, em fins do século 18. Nesse momento histórico, a discussão sobre o Estado, 
instituições políticas e a formação de novos Estados, liberais e democráticos, estava 
na ordem do dia. O fio condutor era um futuro com uma nova forma de se fazer política 
ocidental, frente às massas populares e aos trabalhadores manuais.
Compreendemos, portanto, que o pensamento liberal do século 19 preserva essas 
características e que Tocqueville (2005) pensa em democracia. Entende-a como 
a situação social que convive com o risco iminente do despotismo, portanto, com 
o perigo do retorno ao absolutismo ou da democracia radicalizada em socialismo; 
pontos que o autor era contrário.
ANOTE ISSO
Baruch Spinoza (1632-1677) também foi um 
autor muito importante para compreendermos o 
conceito de liberdade. Para esse autor, liberdade é 
o que fundamenta o estado civil. Portanto, é uma 
questão de concordância e legitimidade do Estado 
democrático de Direito com um número maior de 
pessoas, ou seja, um governo que fundamenta a 
sua existência na maioria com o Parlamento e que 
dá voz ao conjunto que representa.
No entanto, o pensamento teórico-político de 
Baruch Spinoza também possui contradições. 
Muito ligado à ideia divina, Spinoza exclui de seu 
ideal de democracia “os estrangeiros, as mulheres, 
as crianças, os servos e aqueles que estão 
encarcerados” (MIRANDA, MIRANDA, 2019, p.85). Baruch Spinoza (1632-1677)Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Baruch_Espinoza 
http://www.oas.org/pt/democratic-charter/
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Baruch_Espinoza
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O pacto democrático é, para Spinoza, o mais natural possível e o que 
mais aproxima da liberdade que a natureza concede a cada um. É pelo 
valor da liberdade que a democracia é mais perfeita que os demais 
regimes, pois ela é firmada por um compromisso transindividual. [...] A 
democracia tem, pois, uma função específica dentro da política 
de Spinoza. Ela produz as condições externas para a estabilidade 
do uso adequado da razão e, nisso, favorece a liberdade (MIRANDA; 
MIRANDA, 2019, pp.89-90). 
Compreendemos, por fim, que democracia, é também um conceito muito importante 
nas Ciências Sociais, possui diferenças nas concepções reflexivas de diversos autores. 
Todavia, enquanto definição, compreendem-na como um processo de caráter universal, 
oriundo dos processos de revoluções democráticas no contexto da Revolução Francesa e 
da Independência dos Estados Unidos e que se espalhará a outras formas a outros países. 
ANOTE ISSO
Portanto, a nossa definição de democracia é que essa é uma forma de governo, 
mas também de poder (do povo) e que está associado a um processo igualitário 
que não pode ser suprimido, pois desenvolve a questão da igualdade e da liberdade, 
mesmo com suas variações culturais. Portanto, a democracia é a construção 
de uma sociedade onde hábitos, valores e culturas possam ser definidos 
independentemente do governo.
8.1.1 A democracia no Brasil
Caro aluno, agora que você conhece mais sobre o que é a democracia, nosso 
objetivo é compreender um pouquinho sobre nosso país e o processo democrático 
aqui desenvolvido. Vamos lá!
ANOTE ISSO
• A democracia é um sistema de governo e de participação popular;
• Esse sistema de governo parte do ideário burguês e foi desenvolvido e 
centralizado pelo liberalismo econômico;
• Tanto a participação política, como o sufrágio universal e os direitos de 
cidadania popular foram submetidos ao capitalismo.
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Para compreendermos o processo de desenvolvimento e de consolidação da 
democracia brasileira, partimos dos anos de 1930, quando o liberalismo assumiu no 
Brasil o conceito de democracia em suas defesas. Para tanto, a questão democrática 
e o conceito de democracia no Brasil acabou generalizando o reconhecimento de que 
a democracia é uma virtude. 
Quando observamos a democracia do Brasil e a condição brasileira, precisamos 
entender suas especificações e o seu processo de formação social capitalista e também 
de construção da democracia. A partir das inúmeras reflexões que podem se fazer 
presentes, entendemos que o capitalismo brasileiro foi tardiamente desenvolvido e 
ocorreu por meio de um projeto de desenvolvimento das elites, um processo que 
ocorreu pelo alto. 
Esse processo de transformação e desenvolvimento da nossa sociedade não contou 
com grande participação popular, pois as mudanças ocorreram pelo alto de forma 
que as classes dominantes e a elite do país acabaram sendo as protagonistas de um 
processo que devia ser popular.
Avançando para o capitalismo e para uma formação social diversa, a caracterização 
do estado brasileiro foi de um estado forte e autoritário (lembrem-se da nossa aula em 
que falamos sobre a Era Vargas e a Ditadura Militar), também permeado de períodos 
ditatoriais e repressivos. É dessa forma que a particularidade brasileira é muito diferente 
de outros países.
ANOTE ISSO
A democracia é no Brasil, não tivemos uma revolução burguesa como no caso 
da França e dos EUA. A industrialização do nosso país também teve o seu 
desenvolvimento muito complexo e guiado pelo Estado, além de ser agravado por 
processos e períodos de seca no nordeste e também de crises na questão agrária. 
Ou seja, tivemos uma revolução pelo alto em que a construção e o desenvolvimento 
das nossas elites e das nossas classes dominantes impediram a direção por parte 
de camadas populares no Brasil, causando, inclusive, grande afastamento das 
classes populares nas questões políticas.
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8.2 O que é revolução?
ANOTE ISSO
Entendemos a revolução como uma transformação do Estado, do poder político, 
da economia, das relações sociais e políticas. É dessa forma que uma revolução 
social ocorre: em meio a transformação das contradições do desenvolvimento 
das relações de produção, das relações culturais e das relações políticas. Portanto, 
sendo uma disputa de poder de classes sociais.
Dentro universo teórico das Ciências Sociais, caro aluno, o pensador Karl Marx 
(já estudamos e nos debruçamos sobre as reflexões desse autor em nossas aulas 
anteriores), por meio de sua interpretação do mundo do trabalho e das contradições 
do sistema capitalista, compreendeu que a sociedade precisa transformar e superar o 
capitalismo por meio de um processo revolucionário do qual as condições de trabalho 
se transformam e as classes sociais passam a não existir. Ou seja, de forma que a 
nossa sociedade deixa de ser dividida entre pobres e ricos.
ANOTE ISSO
Como nosso objetivo neste momento é caracterizar o que é revolução e, aqui a 
caracterizamos como um processo de transformação das estruturas, de uma 
sociedade em que a partir de um movimento de baixo, ou seja, das camadas 
populares, é capaz de modificar tudo e criar novas instituições, nova economia e 
nova política, observamos uma experiência clássica e muito conhecida: a revolução 
russa de 1917.
 Esse processo de revolução na Rússia, com a figura principal do teórico e 
político Vladmir Lenin (1870-1927), em que as estruturas foram completamente 
modificadas e onde o poder político foi amplamente desenvolvido e expandido 
para as massas populares, para os trabalhadores e para os camponeses, ficou 
conhecido como revolução socialista. Além da Rússia, a revolução muito chamou 
atenção dos outros países, das lideranças socialistas e das lideranças das massas 
dos trabalhadores, dos partidos e dos sindicatos, para que revoluções ocorressem 
em seus países.
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Caro aluno, no final de mais uma aula, gostaria que refletisse um pouquinho junto 
comigo. Aprendemos que as formas de governo e de poder político são muitas e que 
diversos autores se colocaram a analisar cada uma delas, sendo de grande importância, 
inclusive, para compreendermos a atualidade e as discussões que sempre estão em 
voga.
ISTO ESTÁ NA REDE
Nessa reportagem da Carta Capital, “Nove livros que retratam a revolução russa”, há 
um breve levantamento sobre livros que tratam sobre o levante popular de 1917. 
Fonte:https://www.cartacapital.com.br/educacao/livros-que-retratam-a-revolucao-russa/
https://www.cartacapital.com.br/educacao/livros-que-retratam-a-revolucao-russa/
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AULA 9
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: 
O QUE É CULTURA ?
Caro aluno, você já está bastante familiarizado 
com o universo teórico-científico das Ciências 
Sociais, também com a Antropologia, a Ciência 
Política e a Sociologia. Dessa forma, neste 
momento, iremos nos aprofundar um pouquinho 
na Antropologia e seus importantes autores. 
Nosso principal objetivo é compreender o que 
é cultura, algo que está presente em nosso 
cotidiano e que muitas pessoas falam.
Nas Ciências Sociais, quando pensamos 
o conceito de cultura muita coisa nos vem à 
mente, principalmente quando entendemos que 
a sociedade é muito diversa e que há diversos 
grupos sociais e políticos, assim como novas 
formas de manifestações culturais em uma 
sociedade.
Com o objetivo de compreender o processo 
de mudança, de transformação, da sociedade, 
assim como de compreender como os povos se 
organizam, aqui estamos falando de diferentes 
povos e das diferentes regiões do planeta, 
muitos sociólogos, antropólogos e até mesmo 
cientistas políticos se colocaram na tarefa de 
averiguar, analisar e compreender o que é o 
conceito de cultura.
Você provavelmente pode compreender a 
cultura como um conjunto de hábitos, costumes 
Cultura
Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Cultura#/media/Ficheiro%3ASri_
Mariamman_Temple_Singapore_3_amk.jpg 
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Cultura#/media/Ficheiro%3ASri_Mariamman_Temple_Singapore_3_amk.jpg
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Cultura#/media/Ficheiro%3ASri_Mariamman_Temple_Singapore_3_amk.jpg
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e normas, ou até mesmo pensar que cada país possui a sua cultura, cada povo possui a 
sua cultura. No entanto, nesta aula o nosso objetivo é ir além e compreender, portanto, 
a origem do conceito de cultura. Para isso, precisaremos passar por uma análise 
acerca do evolucionismo, também aprofundaremos nossos conhecimentos acerca do 
conceito de cultura a partir da interpretação de Franz Boas e também da antropóloga 
de grande importância Ruth Benedict.
É necessário também compreendermos a questão da natureza e cultura, pois é 
uma forma de explicar o mundo que vivemos e a forma que nos relacionamos com 
ele. Portanto, perceberemos que a cultura é um dos temas centrais da antropologia, 
mas que por estar relacionada com a sociedade, as outras das Ciências Sociais 
compreenderão e desenvolverão o conceito de cultura.
9.1 O que é cultura? A origem do conceito com o evolucionismo
Devemos compreender agora a cultura enquanto conceito científico que ganhou 
espaço nas discussões da Antropologia no momento de sua consolidação enquanto 
campo científico institucionalizado. Iniciando com o pensamento de Edward Tylor, 
autor que inaugurou os debates em torno da cultura no âmbito antropológico, 
no século XIX. Essas concepções inaugurais serão incorporadas e, ao mesmo 
tempo, superadas, por Franz Boas, do Culturalismo Norte-Americano, tendo seu 
pensamento ganhado uma ampliação e maiores consequências em sua discípula, 
Ruth Benedict. 
Voltemos brevemente ao contexto histórico da época:
A sociedade europeia vivia sob o impacto da revolução industrial inglesa e 
da revolução francesa. Nesse período a Europa começa a criar colônias, que 
desembocará na assinatura “em 1885, do Tratado de Berlim, que rege a partilha 
da África entre as potências europeias e põe um fim às soberanias africanas.” 
(LAPLATINE, 2003, p.63-64). A África, a Índia, a Nova Zelândia e a Austrália 
passam a ser povoadas por imigrantes europeus, sobretudo, administradores que 
enviaram relatos para a Europa, relatos estes que irão desdobrar as primeiras 
obras antropológicas, como a de Tylor em 1871, A Cultura Primitiva, a de Morgan 
em 1877, A sociedade Antiga, e os primeiros volumes da obra de Frazer em 1890, 
O ramo de ouro.
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ANOTE ISSO
Essas obras possuem um fio condutor em comum que se inspiram na perspectiva 
cientificista iluminista: “o estabelecimento de um verdadeiro corpus etnográfico da 
humanidade.” O “outro”, é compreendido como o “ancestral do civilizado”. Nesse 
sentido, a antropologia atuará com a finalidade de conhecer a origem, a gênese da 
humanidade, as formas mais simples de organização social que tendem a evoluir 
para as mais complexas. Em suma, daí surge a tese evolucionista, na qual existiria 
uma espécie humana idêntica que se desenvolve em ritmos desiguais, passando 
pelas mesmas etapas de desenvolvimento, atingindo seu ápice na “civilização”. A 
partir desta tese, cabe ao cientista procurar determinar a sequência desses estágios 
de transformação (LAPLATINE, 2003, p.65).
Os evolucionistas compreendem que a espécie humana se desenvolveu e foi marcada 
por traços em comum, portanto, através do estudo das diversas sociedades e culturas, o 
pesquisador poderia traçar leis gerais de desenvolvimento humano. Compreender essas 
leis possibilitaria também a compreensão das causas que retardam o desenvolvimento 
das sociedades mais simples. As sociedades passariam por três estados: a selvageria, 
a barbárie e a civilização.
ANOTE ISSO
O evolucionismo cultural é uma tentativa de responder o porquê das diferenças 
e variabilidades entre as sociedades e as culturas, mas salvaguardar a unidade 
psíquica humana, ou seja, a diferença é explicada através da unidade do tempo e 
dos traços em comum. Nesse sentido, essa perspectiva trata a cultura de forma 
singular, estudando-a através do método comparativo. 
Edward Tylor
Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Edward_Burnett_Tylor 
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Edward_Burnett_Tylor
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Edward Tylor, importante antropólogo, escreveu, em 1871, uma obra em contexto 
da Europa sob o impacto da obra de Darwin e do nascimento da Antropologia. Nessa 
perspectiva, todas as culturas e, consequentemente, todas as sociedades, teriam 
de passar pelo mesmo processo de desenvolvimento para chegar à civilização.
Tylor fora o autor que tornou a cultura um dos objetos de estudo da nascente 
Antropologia, percebendo que o ser humano é um ser cultural, pois tudo, para o 
homem, deve fazer um sentido, construído a partir de sua cultura. Para analisar a 
cultura, sua gênese e ordenação, buscou apoio nas ciências naturais, tratando-a 
como “um fenômeno natural que possui causas e regularidades” (LARAIA, 2010, 
p.30), ou seja, através de seu estudo seria possível a elaboração de leis sobre o 
processo cultural e sua evolução.
Na perspectiva de Tylor, a natureza humana é única, e através do estudo de seu 
desenvolvimento seria possível a compreensão dos estágios que sua evolução 
passaria. A diversidade é explicada pelo autor como “resultado da desigualdade 
de estágios existentes no processo de evolução.” (LARAIA, 2010, p.32) O autor 
toma a cultura como fator explicativo da diversidade humana, ao mesmo tempo 
em que a usa para explicar as desigualdades materiais e sociais em relação à 
cultura do investigador.Dessa forma, notamos que o evolucionismo está vinculado ao positivismo, e o 
tempo se torna dividido em etapas ou estágios. O positivismo e o evolucionismo 
entendem que o melhor está por vir em um futuro próximo e rompe com a história. 
A antropologia social discute o conceito de cultura dentro de uma perspectiva da 
ciência natural. Especificamente, para Edward Burnnet Tylor, cultura é o complexo 
que inclui conhecimento, moral, lei, arte, crenças e costumes, sendo tudo o que 
o homem construiu como membro da sociedade, portanto, não é algo inato. A 
cultura é construída socialmente. 
Portanto, o resultado dessa pesquisa é que os estágios da cultura “podem 
ser comparados sem se levar em conta o quanto tribos que usam o mesmo 
implemento, seguem o mesmo costume ou acreditam no mesmo mito podem 
diferir em sua configuração corporal e na cor de pele e cabelo” (CASTRO apud 
TYLOR, 2005).
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9.2 O que é cultura? A interpretação de Franz Boas
Franz Boas
Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Franz_Boas 
A principal reação ao evolucionismo, então denominado como método comparativo, 
foi iniciada com Franz Boas (1858-1949). Sua principal crítica ao evolucionismo, está 
em atribuir à antropologia duas funções: a reconstrução histórica de povos ou regiões 
particulares e a comparação da vida social de diferentes povos. São as investigações 
históricas – reafirma Boas – que convêm para descobrir a origem deste ou aquele 
traço cultural e para interpretar a maneira pela qual toma lugar num dado conjunto 
sociocultural. Boas desenvolveu o particularismo histórico (ou a chamada Escola 
Cultural Americana), segundo a qual cada cultura segue os seus próprios caminhos 
em função dos diferentes eventos históricos que enfrentou. A partir daí a explicação 
evolucionista da cultura só tem sentido quando ocorre em termos de uma abordagem 
multilinear (LARAIA, P.35-36).
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Franz_Boas
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ANOTE ISSO
A partir de 1920, antropólogos como, Boas, Wissler Kroeber, entre outros, refutaram 
este tipo de determinismo e demonstraram que existe uma limitação na influência 
geográfica sobre os fatores culturais, sendo possível e comum existir uma grande 
diversidade cultural localizada em um mesmo tipo de ambiente físico.
Não refletindo assim, como queria os evolucionistas, uma classificação 
eurocêntrica, evolutiva, unilinear, onde determina, por exemplo, que o negro 
está abaixo do branco, tendo este, não evoluído para civilizado, por conta da 
pigmentação da sua pele.
A cultura, mais do que a herança genética, determina o comportamento do 
homem e justifica as suas realizações, ou seja, o homem age de acordo com os 
seus padrões culturais. Os seus instintos foram parcialmente anulados pelo longo 
processo evolutivo por que passou, antes de diferenciar-se dos outros animais pela 
cultura. Assim sendo, a cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes 
ecológicos.
 Adquirindo cultura, o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que 
a agir através de atitudes geneticamente determinadas. Como já era do conhecimento 
da humanidade, desde o Iluminismo, é este processo de aprendizagem que determina 
o seu comportamento e a sua capacidade artística ou profissional. A cultura enquanto 
um processo acumulativo, resultante de toda a experiência histórica das gerações 
anteriores. Este processo limita ou estimula a ação criativa do indivíduo. 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Na reportagem abaixo é possível verificar a questão prática da cultura voltada para 
a língua de um povo. O processo de ocidentalização acaba por limitar as línguas 
faladas nas comunidades indígenas, uma vez que o idioma nativo é eliminado. 
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2014-12/brasil-pode-perder-30-de-suas-linguas-indigenas-nos-proximos-15-anos 
9.3 O que é cultura? A interpretação de Ruth Benedict
Ruth Benedict (1887 – 1948), influenciada por Boas, também foi uma importante 
antropóloga que juntamente com seu mestre, Boas, refutou a possível hierarquia da 
raça, linguagem e cultura. Ou seja, é incapaz de se aproveitar dessa crença para 
colonização e opressão de outros povos. 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2014-12/brasil-pode-perder-30-de-suas-linguas-indigenas-nos-proximos-15-anos
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Ruth Benedict
Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ruth_Benedict 
O livro Padrões de Cultura, publicado em 1934, explora a singularidade de cada 
cultura em relação a aceitar, considerar útil, um determinado tipo de características 
da personalidade e critica outras características. Por exemplo, na Grécia Antiga, os 
adoradores de Apolo consideravam a calma e a prudência adjetivos ótimos para a 
vivência enquanto os de Dionísio enfatizavam a despreocupação e displicência. 
ANOTE ISSO
Dessa forma, Benedict manifesta a confiança no relativismo cultural – ou seja, 
observar os sistemas culturais sem a visão etnocêntrica; realizar a análise sem 
privilegiar valores e costumes da cultura vigente. 
Há de se entender que os antropólogos, ao estudarem comunidades diferentes das 
quais são acostumados, podem ter o movimento arbitrário: aquela comunidade ser 
inferior por alguns motivos e insuficiências técnicas, ou/e, como homem ocidental, 
alegar superioridade. Esse comportamento traz em voga a questão de que a cultura 
do homem branco é suficiente em si mesma.
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ruth_Benedict
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9.4 A questão da natureza e cultura
Explicamos o mundo através da natureza e da cultura, isto faz parte de uma produção 
social. Um dos temas centrais da Antropologia, portanto, é a dicotomia entre natureza 
e sociedade. Algumas nações passaram por um processo civilizador e têm consciência 
de que a civilização é sinônimo de orgulho e de progresso. 
ANOTE ISSO
Para o autor Norbert Elias (1994), o conceito de civilização expressa a ideia que o 
ocidente tem de si mesmo: um local civilizado que está em constante movimento 
para frente, para o progresso. Entretanto, este conceito difere entre os ingleses e os 
alemães, sendo respectivamente, o orgulho pela importância de suas nações para o 
progresso do ocidente e da humanidade.
Para Elias (1994), é necessário analisar de forma dialética o comportamento do 
homem ocidental, como o que o levou a tais mudanças e no que este se constituiu. 
O método de análise é a observação de técnicas corporais dentro do cotidiano, como 
manuais de boas maneiras, poemas e cardápios, focando em elementos sociais. Isto 
molda o comportamento das pessoas dentro de padrões que a sociedade proíbe 
ou permite. Elias está analisando como naturalizamos questões do cotidiano para 
nos mostrar civilizados, entendendo, portanto, que a natureza do ser humano é a 
capacidade de se diferenciar entre si, pois o restante é uma construção social através 
de um processo civilizatório.
Os conceitos de indivíduo e sociedade estão, em sua obra (1994), numa relação de 
dependência e num processo que é base para a dicotomia natureza/cultura que se 
modifica constantemente num processo a caminho do progresso e do que se pensa 
civilizado. O conceito de cultura está sendo pensado a partir de relações cotidianas 
naturalizadas que se construíram num processo de civilização e que demonstram 
uma hierarquização entre as relações de poder.
Para tanto, Nobert Elias resgata de Marcel Mauss que a sociedade modela a 
consciência e que o corpo é um instrumento e retrato que apreende traços de civilização, 
se tornando um sistema simbólico. A cultura se tornou um tema de análise e está 
impregnado de questõeshistóricas. Elias coloca que estes conceitos são reflexos de 
história comum e sentimento coletivo e a cultura é o comportamento da corte.
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ANOTE ISSO
Compreendemos, assim, que o meio em que vivemos foi moldado por questões 
históricas e comportamentais e, que sim, a cultura é uma manifestação do homem, 
também impregnada por questões históricas, sociais, políticas e econômicas que 
revelam e interferem na natureza (meio em que vivemos), as relações de poder e 
consequentemente, as relações sociais. 
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AULA 10
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: 
SENSO COMUM E IDEOLOGIA
Romã. Simpatia.
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/rom%c3%a3-fruta-aberta-simpatia-ch%c3%a1-3349840/ 
Caro aluno, chegamos no momento em que começaremos a discutir o que é senso 
comum e ideologia, pois esses são dois conceitos essenciais das Ciências Sociais, 
além de serem trabalhados por autores da Sociologia, da Antropologia e da Ciência 
Política.
Para começo de conversa, você deve estar se perguntando os motivos de ter uma 
imagem da fruta romã em nossa aula. E eu te pergunto: alguma vez você já comeu 
romã na virada de ano para dar sorte? A romã é conhecida por ser uma fruta abundante, 
que simboliza a prosperidade. No entanto, não há nenhuma comprovação científica 
https://pixabay.com/pt/photos/rom%c3%a3-fruta-aberta-simpatia-ch%c3%a1-3349840/
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de que a romã é capaz de gerar prosperidade, assim como muitas simpatias, chás e 
receitas de nossas avós.
Agora que lançada a problematização inicial, vamos descobrir o que é senso comum 
e ideologia?
10.1 Afinal, o que é senso comum?
Muitas vezes pensamos no senso comum e acabamos entendendo isso como se 
fosse algo ruim. Mas gostaria que vocês compreendessem o senso comum de outra 
maneira. O senso comum é um conhecimento popular, ou seja, ele é adquirido pela 
observação, por questões do próprio dia a dia, por vivência de outras pessoas, mas 
que não foram testados metodicamente, cientificamente, por meio de métodos de 
técnicas e de teorias já estabelecidas anteriormente.
ANOTE ISSO
Para tanto, o senso comum é algo adquirido por meio do convívio coletivo, 
por experiências, histórias ouvidas durante o dia a dia e que estão diretamente 
relacionadas com a cultura, com as tradições, com os costumes e conhecimentos 
de muitas pessoas.
No entanto, o senso comum muitas vezes não entende a importância do 
conhecimento científico e até mesmo pode ser que refute a ciência, mesmo que tal 
conhecimento já tenha sido testado cientificamente. Portanto, o senso comum:
• contém tradições culturais específicas;
• passa a ser algo visto como verdade;
• pode utilizar vários conceitos, conhecimentos populares e sabedorias,
• mas não é testado cientificamente.
Dessa maneira, novamente as Ciências Sociais acabam sendo de grande importância 
para compreender as questões que envolvem a nossa sociedade nos diversos âmbitos 
e esferas da vida social. Sempre que o mundo está em processo de movimento de 
desenvolvimento e de evolução, tão rápido e turbulento, as Ciências Sociais retornam 
como uma ciência de grande importância para que as análises saiam do senso comum.
Entendemos, então, que senso comum é a expressão que muitas vezes aparece 
associada ao folclore, de maneira que existem vários sensos comuns que são diferentes 
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devido à condição geográfica e social. O senso comum é parte da concepção de vida 
e moral de estratos sociais e massas difusas, de forma que “não é algo rígido e imóvel, 
mas se transforma continuamente, enriquecendo-se de noções científicas e opiniões 
filosóficas introduzidas no costume” (GRAMSCI, Q.1, §65, p.76, 1977).
ANOTE ISSO
• O senso comum cria o folclore que é uma fase mais enrijecida de certo tempo 
e lugar; todo estrato social tem um senso comum e na sociedade vários deles 
existem. O senso comum é definido como a concepção de vida e a moral mais 
difusa de um tempo e lugar e é derivado da sedimentação deixada por outras 
correntes filosóficas; por se modificar incessantemente, há vários sensos 
comuns;
• O senso comum parece uma variação do conceito de ideologia, entendida como 
concepção do mundo. É a concepção do mundo de um estrato social, com 
frequência caracterizada como momento de recepção passiva se comparada à 
elaboração ativa de grupos científicos;
• Enquanto passivo, o senso comum evidencia atrasos, bem como momentos 
elementares de elaboração (LIGUORI, 2017, p.723).
• O senso comum não é concepção única, é o folclore da filosofia – filosofia não 
dos filósofos - e se apresenta de inúmeras formas, é concepção de mundo e, 
portanto, folclore da filosofia.
10.2 Questões práticas para fugir do senso comum
Agora que você já possui bastante conhecimento sobre o que é o senso comum, 
vamos pensar algumas questões práticas de como isso ocorre em nossa sociedade. 
O suícidio é um tema que não está apenas ligado às áreas específicas da saúde, como 
medicina e psicologia, mas também é problema e temática importante das Ciências 
Sociais. Você provavelmente já ouviu o senso comum tentar dar algumas explicações, 
ou fazendo julgamentos, dos motivos que levam uma pessoa a tirar a própria vida.
Mas, você sabia que como problema das Ciências Sociais, essa temática é 
frequentemente analisada? E essa análise já encontrou espaços, inclusive, na obra 
de Durkheim? Pois é! Esse autor já dedicou muito de suas análises para compreender 
essa questão. Vamos agora conhecer um pouquinho mais sobre essas análises. O 
autor classifica em três tipos: suícidio altruísta, anômico e egoísta.
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Classificadas as espécies e leis que caracterizam o suicídio, Durkheim define a 
necessidade de pesquisar a atitude que as sociedades devem adotar ao objeto analisado, 
o suicídio, para que solucione através de reformas necessárias e possíveis a fim de 
refrear o fenômeno ou aceitá-lo mesmo que continuemos a condená-lo (DURKHEIM, 
2010).
ANOTE ISSO
Entretanto, o senso comum julga como anormal tudo aquilo que é considerado 
imoral. Para entendermos esta premissa o autor explica que a palavra doença 
não nos causa nenhum incômodo, pois entendemos como algo que possa ser 
evitado, fazendo uma alusão ao mórbido e à criminalidade. Segundo Durkheim, 
“(...) não há sociedade conhecida em que, sob formas diferentes, não se manifeste 
uma criminalidade relativamente desenvolvida” (DURKHEIM, 2010, p.398). Dentro 
dessa perspectiva o autor procura demonstrar a criminalidade não como uma 
doença, mas algo normal dentro de uma sociedade ligada fundamentalmente pela 
organização social.
Portanto, é uma imperfeição necessária e não uma doença, em que há necessidade 
de punição do crime como uma forma de reprimir o ato criminal, defendendo um 
sistema repressivo como forma de exemplo; o afrouxamento do elo entre o crime e a 
punição causaria uma intensidade anormal do ato (DURKHEIM, 2010).
Para que a classificação fosse possível entre os países pesquisados foram 
necessárias informações jurídicas para tal comprovação; os países que não entraram 
na estatística dispuseram de informações insuficientes ou o suicídio não foi alvo 
de regulamentação jurídica, entretanto, a moral e o direito nunca foram indiferentes; 
teve importância suficiente para atrair a atenção da consciência pública. Durkheim 
conclui que o suicídio é um elemento de organização normal dos povos e de todas 
as organizações sociais (DURKHEIM, 2010).
O sociólogo passou a estudar profundamente essa questão e passou adividir os 
tipos de suicídios. Vamos conhecer um pouco mais!
• Suicídio egoísta: como o próprio nome diz, vem de uma extrema individualidade, 
podemos pensar que todos os tipos de suicídios são individuais, mas neste a 
causa é individual, é algo somente da pessoa.
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Muito diferente do suicídio anômico, onde a causa está relacionada aos fatores que 
permeiam a sociedade, ou o altruísta, onde a pessoa tem uma relação de honra com 
a sociedade pertencente (ligação extrema à sociedade). No suicídio egoísta a pessoa 
se sente desligada da sociedade, não consegue se identificar com ela e geralmente 
se encontra isolada de grupos sociais. Uma vez que o indivíduo não se sente ligado 
a sociedade, não há o que impeça sua morte e sua morte pouco é sentida pelas 
estruturas sociais (DURKHEIM, 2010).
Como observou Durkheim (2010), o índice de suicídio entre pessoas casadas é menor 
do que entre as solteiras, pois existe um laço familiar que para o teórico é imunizante 
aos suicídios, o coeficiente de suicídio é ainda menor entre pessoas casadas e quem 
têm filhos, pois os laços entre família estão ainda mais estreitos.
• Durkheim observa também os altos índices de suicídios durante a viuvez, 
principalmente da parte dos homens, e explica o motivo dizendo que após a 
morte da mulher, que na família é uma engrenagem fundamental, a sociedade 
doméstica fica entravada e o esfacelamento do laço familiar favorece o suicídio.
• Outra observação interessante de Durkheim, é o suicídio entre os celibatários, 
pois não existe laços que os prendam, o único laço que eles têm é com a religião, 
porém se cometerem suicídio, sua morte pouco será sentida pela estrutura 
religiosa.
Por fim, Durkheim analisa os números de suicídio entre países predominantemente 
católicos e países predominantemente protestantes, e conclui que nos países onde 
predomina a religião protestante o índice de suicídio é maior, pois é uma igreja menos 
integrada do que a católica. Entre os judeus, a taxa é ainda menor, pois eles vivem 
mais fortemente unidos devido aos hostis ataques de outros grupos religiosos que 
os cercam. Por isso, estes suicídios são chamados de egoístas, pois não remetem a 
fatores de ligação com a sociedade, muito pelo contrário, significa um afrouxamento 
nos laços que podem ligar a vida de uma pessoa à sociedade, desta forma não impede 
que ela cometa suicídio (DURKHEIM, 2010). Para fixar sobre o suicídio egoísta: 
• Suicídio entre pessoas casadas.
• Suicídio entre pessoas casadas e com filhos.
• Suicídio na viuvez.
• Suicídio entre celibatários.
• Suicídio nas religiões. 
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• Suicídio altruísta: é a classificação formulada por Durkheim para os indivíduos 
que se matam por sentirem-se no dever de fazê-lo, pois as questões externas 
e coletivas tornam-se maiores ou mais importantes do que as suas.
Apesar de subsistir na sociedade moderna e complexa, o autor aponta que esse 
tipo de suicídio ocorria com mais frequência nas sociedades primitivas, ou seja, nas 
sociedades simples e não industrializadas, nas quais o sentimento de integração e 
união entre as pessoas se configuravam de forma bastante abundante. Esse tipo de 
interação intensa entre as pessoas e as coisas diminui a individualização do indivíduo e 
inferioriza seus interesses pessoais diante da sociedade e de suas práticas e vivências 
(DURKHEIM, 2010).
• A teorização de Durkheim sobre o suicídio altruísta conta com uma série de três 
subgrupos: suicídio altruísta obrigatório, suicídio altruísta facultativo e suicídio 
altruísta agudo (DURKHEIM, 2010).
No primeiro subgrupo, o suicídio altruísta obrigatório se dá por uma clara imposição 
da sociedade que exerce a força de sua opressão em potência máxima. Uma mulher 
que se suicida após a morte de seu marido por não encontrar mais sentido em viver, 
já que era considerada socialmente uma extensão desse marido, assim como um 
servo perdia os sentidos com a morte de um patrão, ou um idoso que se suicida por 
não ser honroso se tornar um peso inútil ao grupo social ao qual ele pertence, são 
exemplos dessa classificação (DURKHEIM, 2010).
Sequencialmente tem-se o segundo subgrupo denominado suicídio altruísta 
facultativo, onde a sociedade não direciona de forma tão expressa sua opressão sobre 
o indivíduo, e os motivos das mortes ocorrem geralmente por motivações que parecem 
rasas ou por conta de ofensas pessoais como, broncas públicas em bares ou em jogos 
ou alguém que opta por saltar de uma janela em um incêndio (DURKHEIM, 2010).
Por fim, o último subgrupo, o suicídio altruísta agudo, em que o ato tem caráter 
religioso ou místico e as entidades ou representantes se tornam mais importantes 
que a vida da pessoa, assim como em seitas que praticam suicídios coletivos por 
figuras messiânicas ou por crenças apocalípticas, os kamikazes na segunda guerra 
mundial ou homens bomba (DURKHEIM, 2010).
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ANOTE ISSO
Por fim, Dukrheim entende que as consequências da tentativa ou do ato 
consumado tornam o suicídio passível de indulgência pela consciência comum, 
como um ato ofensivo à moral. Para o autor necessitaria de medidas de punição 
mais enérgicas, atenuar tal ato seria um fenômeno anormal, entretanto punições 
severas não seriam toleradas pela consciência pública. O fato da morte inspira 
demasiada piedade, diferentemente do homicídio e o roubo que são atos explícitos 
sem objeções para punição. Penas morais que condenaram o ato, recusaram ao 
suicida as honras de uma sepultura regular; e ao autor da tentativa, certos direitos 
cívicos, políticos ou familiares negando o pátrio poder e a elegibilidade para funções 
públicas (DURKHEIM, 2010).
Entretanto, Durkheim conclui dizendo que tais medidas seriam insuficientes para 
refrear uma corrente de tamanha violência. “(...) quando a lei pune atos que o sentimento 
público considera inofensivos, acaba por ser ela que suscita a nossa indignação, e não 
o ato punido.” (DURKHEIM, 1897, p.409). Sendo assim, a punição de qualquer natureza 
não teria utilidade como forma de coibir o suicídio. Uma das soluções seria o de agir 
incisivamente nas correntes pessimistas trazendo ao seu leito natural preservando as 
consciências e fortificando-as como forma de obter êxito (DURKHEIM, 2010).
10.3 Ideologia 
O conceito de ideologia, mais um de grande importância nas Ciências Sociais, foi 
inventado por Destrutt de Tracy, um filósofo francês que, em 1801, publicou o livro Eléments 
d’Idéologie, que seguia uma análise de cientificismo materialista. Segundo o filósofo, a 
ideologia é o estudo científico das ideias e elas são o resultado da interação entre natureza 
e organismo vivo - se tornando um subcapítulo da Zoologia. Em 1812, Destrutt e seu grupo 
de enciclopedistas entraram em conflito com Napoleão, que os chamava de ideólogos. A 
partir disso, percebe-se a diferença de sentido que a palavra ideologia terá para Napoleão, 
pois para ele, os ideólogos são metafísicos, que vivem em um mundo especulativo e 
que, na realidade, fazem abstrações. Como Napoleão tinha mais intensidade ideológica, 
o termo obteve sucesso no linguajar francês (LOWY, 2010).
Marx ao encontrar o termo no sentido napoleônico, utiliza-o a partir de 1846, na 
Ideologia Alemã como falsa consciência, o que traz novas mudanças no sentido da 
palavra. Posteriormente, amplia o conceito, intensificando-o nas formas ideológicas 
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das quais os indivíduos tomam consciência, sendo a religião, a moral, o direito e as 
doutrinas políticas – que são ideologias dominantes na sociedade (LOWY, 2010). 
Percebe-se que para Marx, ideologiaé um conceito pejorativo que se dá pela classe 
dominante, intensificando no indivíduo a ilusão e a consciência deformada e distorcida 
dos fatos. Ele observa que quem cria ideologias são as classes sociais e quem lhes 
dá forma teórica são os representantes literários ou políticos. Ele utiliza o termo: “uma 
maneira de pensar” para caracterizar essa visão de mundo (LOWY, 2010).
Lenin também difere o sentido de ideologia mesmo pertencendo ao marxismo. 
Diz que a ideologia vem como qualquer concepção da realidade social ou política, 
estando em vínculo com a classe social que exercerá um interesse. Tanto que, para 
o discípulo de Marx, existe a ideologia burguesa e a ideologia proletária. Em sua luta 
comunista o conceito foi utilizado no movimento operário, que fala de luta ideológica 
e de trabalho ideológico (LOWY, 2010).
• Em 1988, vemos a popularização que a palavra ideologia ganhou, mesmo 
tardiamente “chegou ao Brasil”, pois o cantor Cazuza, lançou seu terceiro álbum 
com o nome de Ideologia – “ Ideologia, eu quero uma pra viver! ” E a ideologia 
ganhou para aquela geração o desejo de aderir a uma bandeira e a uma ideia.
Percebemos como o sentido da palavra vai se transformando e antropologicamente 
a mesma palavra vai ganhando um conceito distinto (percebe-se a diferença entre 
conceito e palavra), mais aprofundado ou não e coerente com o período em que cada 
autor vivia.
ANOTE ISSO
Entretanto, surge Karl Mannheim, com seu livro Ideologia e Utopia, com a finalidade 
sociológica de colocar “ordem” nessas diferenças. Diferenciando-se dos outros já 
citados, Mannheim diferenciará Ideologia de Utopia (LOWY, 2010).
Na obra desse autor, ideologia terá dois sentidos: ideologia total, que será o conjunto 
das formas de pensar, pontos de vista, estilos de pensamento, que são vinculados a 
interesses diversos; e ideologia em seu sentido estrito, que será a forma conservadora 
que a ideologia total irá tomar, fazendo oposição à forma crítica – que ele chamou de 
Utopia. Mannheim, mostra uma semelhança entre os conceitos de utopia e de ideologia, 
pertencendo ao mesmo fenômeno - é a existência de um conjunto estrutural de teorias 
que são expressões de interesses sociais, sendo segundo o caso utópico ou ideológico - 
porém, se manifestando diferentemente (LOWY, 2010).
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Michael Lowy (2010) usa o termo “visão social de mundo” para deixar ainda mais 
claro a distinção que Mannheim faz entre utopia e ideologia. Para Lowy, visões sociais 
de mundo seriam, todos os conjuntos estruturados de valores, ideias e orientações 
cognitivas, que serão vistos por diferentes perspectivas, sendo tais determinadas pelo 
ponto de vista social que a classe social do indivíduo exercerá. As visões sociais de 
mundo podem ser de dois tipos:
ANOTE ISSO
Visões ideológicas, quando servissem para legitimar, justificar, 
defender ou manter a ordem social do mundo; visões sociais 
utópicas, quando tivessem uma função crítica, negativa, 
subversiva, quando apontassem para uma realidade ainda não 
existente (LOWY, 2010, p.14). 
Esse princípio se aplica também às ideologias, às utopias e às visões sociais de 
mundo, pois todas são produtos sociais que devem ser analisadas em sua historicidade, 
no seu contexto histórico, na sua transformação histórica e na sua limitação histórica. 
No caso do conceito de Ideologia, compreendemos, portanto, como a visão social do 
mundo e sua relação com o conjunto da vida social. (LOWY, 2010).
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AULA 11
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: 
A QUESTÃO DA ECONOMIA
Título: Estoque. Negociação. 
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/estoque-negocia%c3%a7%c3%a3o-monitor-1863880/ 
Caro aluno, em nossa jornada nas Ciências Sociais, o campo da economia é altamente 
explorado por essa nossa grande ciência, pois dialoga diretamente com as questões 
da nossa sociedade e com o desenvolvimento do sistema, além de explicar inúmeras 
questões sobre lucratividade, trabalho, movimentações do mercado, desigualdade 
social, entre outros.
Nosso objetivo é que você tenha as noções básicas da economia. Portanto, 
iniciaremos um caminho bastante interessante sobre os principais conceitos dessa 
área e sua relação com as Ciências Sociais. Espero que você goste de me acompanhar 
nessa jornada! Vamos lá!
https://pixabay.com/pt/photos/estoque-negocia%c3%a7%c3%a3o-monitor-1863880/
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11.1 Conceitos básicos de economia nas Ciências Sociais
11.1.1 A questão da moeda
Começamos por entender o que é moeda e qual seu funcionamento em nossa 
sociedade. Dessa forma, para melhor compreensão sobre as funções da moeda 
é necessário entender seu surgimento e importância para o crescimento junto da 
consolidação do sistema capitalista. 
ANOTE ISSO
A moeda é um meio de troca que em nossa economia usamos para comprar. 
Ganhamos a moeda, dinheiro ou salário, como resultado da venda da força de 
trabalho. Consequentemente, a nossa economia de mercado é uma economia de 
troca. O capital existe como uma fonte de poder que gera cada vez mais riqueza.
Existiram economias de mercado chamadas de economia de escambo – a troca de 
mercadoria por mercadoria-, antes da consolidação do capitalismo, essa economia existiu. 
Muitas mercadorias já desempenharam o papel de moeda - sal, gado, ouro, cobre, bronze, 
prata, escravos, entre outros – entretanto, seria necessário para a persistência desse meio 
de troca eficaz, algo que possuísse uma maior durabilidade. O ouro e a prata tiveram sua 
vez, pois tinha uma maior durabilidade, facilitava o uso e o transporte; o ferro oxidava e 
seria desvalorizado. A chamada moeda passou por inúmeras fases de “adaptação” para 
se consolidar da forma que a conhecemos (SINGER, 1983). 
ANOTE ISSO
Portanto, as funções da moeda são: meio de troca, unidade de compra, reserva de 
valor (poder de comprar usado futuramente, principalmente nos períodos de crise) 
e crédito (o crédito é o oxigênio do capitalismo; sem crédito a economia para). 
Atualmente, a moeda é utilizada como papel moeda. O cheque não é dinheiro, ele 
exerce um papel de moeda como forma de riqueza. (SINGER, 1983). 
A moeda é uma criação do Estado, que passa a ter controle sobre os bancos. Nos 
últimos trinta anos, os bancos começaram a ter mais individualidade, mas o Estado 
continua fiscalizando, pois se os bancos emprestarem demais pode causar uma 
crise – lembrando que as crises são inerentes ao capitalismo.
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Notamos a tendência ao monopólio e a distância entre banco e Estado, pois o 
Estado usa um poder coercitivo para impor suas moedas e o banco exerce sua função 
fundamental para o poder do capital, a geração de moedas. Em outras palavras, o 
banco central fiscaliza os bancos privados e tem o poder de emitir moedas; “salva” os 
outros bancos emprestando dinheiro através da cobrança de juros e o Estado acaba 
criando uma dívida pública, que nada mais é do que empréstimos feitos ao longo dos 
anos. Esses empréstimos terão efeitos sobre a população através do corte de políticas 
públicas e gerando mais desigualdades sociais. (SINGER, 1983).
11.1.2 A questão da inflação e deflação
Quando há período de inflação nem as pessoas e nem as empresas poupam dinheiro, 
pois este se desvaloriza. A inflação é um mecanismo perverso para a acumulação de 
riquezas e a variação do valor da moeda é o que causará a inflação ou a deflação. Ou 
seja, temos de forma clara a moeda como causa da inflação.
ANOTE ISSO
Distingue-se:
• Inflação: a moeda vale mais, ou seja, há uma perda de poder de compra da 
moeda e mais se deseja dinheiro;
• Deflação: grande queda de preços onde a moedaperde o seu valor. É mais 
eminente nos períodos de crise capitalista.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Na reportagem abaixo é possível verificarmos como a questão da economia é de 
grande importância e atualidade para compreendermos o mundo em que vivemos, 
pois ela fere diretamente questões que são debatidas e analisadas nas Ciências 
Sociais, por exemplo, o desemprego. Veja abaixo sobre o assunto. Fonte: https://
g1.globo.com/economia/noticia/2020/09/01/zona-do-euro-registra-deflacao-e-
desemprego-em-leve-alta.ghtml 
Para a economia, a inflação irá agravar as consequências da crise, durante essas 
épocas é preciso reter a moeda; estar em uma situação de liquidez, pois é dado 
https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/09/01/zona-do-euro-registra-deflacao-e-desemprego-em-leve-alta.ghtml
https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/09/01/zona-do-euro-registra-deflacao-e-desemprego-em-leve-alta.ghtml
https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/09/01/zona-do-euro-registra-deflacao-e-desemprego-em-leve-alta.ghtml
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pela incerteza. A especulação entrará nesse contexto nos auxiliando a entender a 
moeda como causa da inflação. Esse é o caráter especulativo que a moeda exerce 
no capitalismo (SINGER, 1983).
Existe uma necessidade e procura de moeda – a demanda. Quanto maior a demanda, 
maior a reserva – mais uma vez nota-se a moeda como causa da inflação. É importante 
notar que, para os monetaristas, a inflação é culpa do Estado, pois houve excesso 
de moedas e permitiram maiores empréstimos, ou seja, não houve cuidado com a 
preservação das moedas, pois quanto mais lançado menor seu valor.
11.1.3 Taxa de câmbio
A taxa de câmbio é o preço de uma moeda em relação a outra, ou seja, é a medida 
pela qual a moeda de um país pode ser convertida em moeda de outro país. É por meio 
da taxa de câmbio que podemos relacionar dois sistemas de preços em dois países. A 
taxa de câmbio sofre uma influência pela oferta e pela demanda por divisas – ou seja, 
pela demanda e oferta por moeda estrangeira em um país. A demanda por divisas é 
realizada por indivíduos que desejam comprar através de moedas estrangeiras em 
outras nações. (SINGER, 1983). 
Quanto maior a taxa de câmbio, menor a quantidade que as firmas 
desejam importar e menor, portanto, a demanda por divisas; quanto 
menor a taxa de câmbio, maior a quantidade que as firmas desejam 
importar, portanto, maior a demanda por divisas. (SINGER, 1983, np).
Quando a taxa de câmbio está em equilíbrio, a quantidade de divisas que os 
exportadores querem vender é a mesma que querem comprar. Conecta-se com a taxa 
de câmbio flexível, onde o preço da moeda varia, sendo influenciada pela inflação, ou 
seja, pela demanda de dólares; ou quando a taxa de câmbio é fixa, a qual centraliza 
a compra de dólares para usar como “munição”, uma reserva. 
Observemos que o Estado compra e vende dólares para manter fixa a taxa de 
câmbio. Há um exemplo no cenário externo da Argentina, aliada aos Estados Unidos, 
começou a fixar a taxa de câmbio e houve grande desvalorização do peso. A China 
é exemplo de um país que possui a taxa de câmbio fixa e determinada pelo Banco 
Central. A vantagem é diminuir a especulação se tiver reserva. Entretanto, com o 
aumento da globalização não há meios de manter a taxa de câmbio fixa, ou seja, ela 
necessita ser variável. 
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Portanto, oferta e demanda; diferenças entre as taxas de câmbio, sendo tais variáveis 
ou fixas, representam desejos e comportamentos de exportadores e importadores, 
o que também implicará na relação da taxa de câmbio sobre a economia, devido às 
suas variações.
11.1.4 Para pensar o que é a balança de pagamentos
O balanço de pagamentos é o registro contábil de todas as transações de um país 
com outros países. Ou seja, estão nesse registro todas as importações e exportações 
que o Brasil faz de outros países, todos os fretes pagos, os empréstimos feitos pelo 
Brasil, o capital de firmas estrangeiras que são abertas no Brasil e que saem do 
Brasil. De forma simplificada, estão registradas todas as compras e vendas de moeda 
estrangeira.
Entrará como componentes da Balança de Pagamentos:
• A balança de transações correntes, que engloba todas as transações de bens 
e serviços, envolvendo a produção corrente anual, exportações e importações;
• A balança de pagamentos de capitais, sendo o fluxo de capitais, os pagamentos 
da dívida externa, a entrada e saída de dinheiro. Investimento estrangeiro líquido. 
Balança conta corrente: 
• Balança comercial: exportação e importação; o superávit e o déficit. O superávit 
vem caindo, sendo influenciado pela taxa de câmbio;
• Balança de serviços: viagens internacionais, receitas e despesas com cartão de 
crédito no exterior; os transportes, exemplo, os navios, também entram nessa 
balança – entretanto, o Brasil tem mais despesa do que ganho em relação aos 
navios.
11.2 A questão prática das Ciências Sociais e da Economia
Caro aluno, chegamos agora no momento em que nosso objetivo é o de contextualizar 
questões históricas econômicas do Brasil de forma a analisar com base em importantes 
intelectuais e pesquisadores: sociólogos, historiadores e economistas.
Para tanto, começaremos nossa reflexão acerca da economia e produção cafeeira 
no Brasil, de forma a compreendermos os conceitos básicos apresentados acima e 
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também a análise diversa de importantes pesquisadores relacionados com as Ciências 
Sociais.
ANOTE ISSO
Para compreendermos os motivos para que a economia cafeeira fosse o motor 
do desenvolvimento capitalista na Primeira República, é necessário buscar nas 
raízes históricas um pouco de tal relação com a maneira que se consolidava o 
desenvolvimento do café e da indústria, em um segundo plano. Como sabemos, 
no final do século XIX a situação do Brasil tornou-se adequada e favorável para 
a cultura de café e com o efeito da inflação de crédito tal período foi de grande 
benefício para a classe cafeicultora, pois as sacas aumentaram amplamente, junto 
à colaboração de crédito para financiar novas terras e elevar o preço do produto. 
A produção cafeeira teve grande crescimento no Brasil ao longo do século XX, a 
partir de 1880 atinge cerca de cinco milhões de sacas por ano, o que torna o café 
o grande motor para o desenvolvimento capitalista brasileiro. Durante os anos 80 
a produção de São Paulo ultrapassa a do Rio de Janeiro. O modo de produção foi 
modificado – o que torna compreensível tal mudança-, pois o trabalho ao subir os 
planaltos de SP, deixa de ser escravo e se constitui em assalariado/mecanizado, 
além das redes de estradas de ferro. 
Segundo Sérgio Silva, o trabalho assalariado no Brasil foi realizado devido à imigração 
massiva, fato que tornou o trabalho escravo deixado de lado e cedeu lugar ao trabalhador 
livre. O trabalhador europeu, chega a São Paulo e é empregado nas plantações de 
café, o contrato de trabalho é realizado pelo escritório de imigração, contrato de um 
ano, aviso prévio de um mês e pode ser rescindido pelas duas partes. O salário era 
atribuído ao trabalhador perante ao número de pés de café, além de juntar uma espécie 
de prêmio quando a colheita é positiva. De tal modo, o trabalhador podia cultivar um 
pedaço seu de terra, podendo plantar somente para a subsistência e uso da família, 
utilizando a cultura intercalada.
A migração é consequência das próprias relações capitalistas que tinham como 
centro a economia cafeeira. As estradas de ferro exerceram importante papel neste 
contexto, pois traziam trabalhadores de Minas Gerais e da Bahia para a conquista de 
trabalho em São Paulo, o que fez com que os salários baixassem. Em 1920, o número 
de estrangeiros é muito maiordo que de brasileiros, todavia, não aceitavam sem luta, 
a exploração, devido à divergências ideológicas e distintas, as lutas se expressavam 
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de diferentes formas, umas mais violentas do que outras, também pelo fato dos 
fazendeiros reprimirem e proibirem o direito à associação. As terras foram palco de 
muitas greves que acabavam, por vezes, em tiros e assassinatos. No começo do século 
XIX, devido à crise de superprodução e à repressão, muitos trabalhadores buscam 
lugar na Argentina ou voltam para a Europa. 
A indústria cafeeira, portanto, é o resultado da luta de muitos trabalhadores que não 
aceitavam as condições de trabalho e a mecanização tem ligação com estas questões. 
Vejamos que as operações de beneficiamento foram consequência da substituição 
do escravo pelo assalariado, o que acarretou em certa mecanização, que apresentou 
grande importância no sistema das grandes plantações dominadas pelo capital. 
O desenvolvimento da indústria de café não teria sido possível sem as estradas de 
ferro, a distância deixaria de ser um obstáculo e o interior de São Paulo estava preparado 
para ser conquistado pelos pioneiros do café. Junto à mecanização é possível assinalar 
que o processo de transformação das plantações de café é o processo de formação da 
burguesia cafeeira e o desenvolvimento da economia cafeeira é o desenvolvimento do 
capital cafeeiro. Os principais líderes da marcha pioneira financiavam o estabelecimento 
de novas plantações junto à modernização de seu equipamento e se estabeleceram 
nas grandes cidades, sobretudo em SP. Conforme a economia brasileira/cafeeira se 
desenvolviam, as casas de exportação centralizavam toda a compra da produção.
ANOTE ISSO
A importância desses capitais aplicados em tal esfera da economia está interligada 
ao surgimento dos primeiros bancos brasileiros, já que as operações comerciais 
explicam o nascimento e desenvolvimento dos bancos. O capital cafeeiro apresenta 
características do capital agrário, industrial, bancário e comercial. Os diferentes 
aspectos tendem ao desenvolvimento do capitalismo no Brasil. A economia cafeeira 
é caracterizada por um pequeno grau de capitalismo e não definem frações de 
classes autônomas (não havia uma burguesia agrária, cafeeira, comercial, etc.) e 
sim uma burguesia cafeeira que exerce várias funções.
 A análise das relações entre as funções dessa burguesia faz com que seja possível 
identificar e ressaltar a dominação das frações comerciais, que caracteriza o capital 
cafeeiro como capital dominantemente comercial. A importância do capital cafeeiro 
condiz com a sua importância nas funções comerciais. É possível identificar o 
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capital cafeeiro que representa a unidade dos dois sob o primeiro (grande capital). 
A preponderância do capital comercial é o resultado do desenvolvimento fraco das 
relações capitalistas no Brasil. A acumulação capitalista é realizada em torno do 
comércio e acarreta um lento desenvolvimento das forças produtivas. 
Portanto, notamos como a economia cafeeira foi importante para o desenvolvimento 
do capitalismo no Brasil, na Primeira República e inserimos a necessidade de 
compreender o desenvolvimento da indústria cafeeira no século XX e seus problemas de 
superprodução, valorização, questão das terras, pontos essenciais para compreensão 
do desenvolvimento industrial no Brasil e da consolidação capitalista.
Todavia, o preço cairia a longo prazo, devido às diversas ações como por exemplo, 
estradas de ferro, portos e ambientes marítimos, mão de obra, etc. “As condições 
excepcionais que oferecia o Brasil para essa cultura valeram aos empresários brasileiros 
a oportunidade de controlar três quartas partes da oferta mundial desse produto.” 
(FURTADO, p. 175, 1982)
É possível compreender que tal circunstância foi a chance de manipular a oferta 
mundial do café e que teria uma evolução dos preços deste produto. Durante a crise 
de superprodução nos primeiros anos do século XX, os empresários perceberam uma 
situação privilegiada e foram contrários à baixa de preços. Os estoques do produto 
deveriam ser mobilizados, segundo Celso Furtado, quando a “renda estivesse a altos 
níveis nos países importadores”.
Em 1906, na cidade de Taubaté, no interior paulista, foram celebradas as bases do 
que conhecemos como política de valorização do café. Os objetivos foram analisados 
por Furtado, sendo eles: o governo deveria comprar os excedentes, o que equilibrava 
a lei de oferta e demanda; as compras deveriam ser financiadas por empréstimos em 
bancos estrangeiros; o pagamento deste empréstimo deveria ser custeado através 
de um novo imposto sobre a exportação do café; medidas que desencorajaram a 
expansão das plantações.
Esta política foi aplicada pelo Estado de SP, o Governo Federal não aceitou logo de 
início, mas devido à autonomia concedida pela Constituição de 1889, aos governos 
dos estados federados, isto foi realizado pela burguesia cafeeira paulista. O governo 
federal acabou seguindo tal política, o que de fato, demonstrou o poder hegemônico 
crescente da burguesia cafeeira paulista. 
Esta política de valorização constituiu-se em uma indicação das transformações que 
operam a estrutura política do Brasil, que concebia poder aos Estados e descentralizou 
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o poder federal, servindo aos interesses da oligarquia cafeeira. Há o importante 
crescimento, neste período, da classe média urbana brasileira junto à burocracia civil 
e militar que foi afetada pela depreciação cambial. 
Portanto, temos um cenário em que a entrada de capital estrangeiro no país ocorre 
e acompanha a “valorização” do café e o desenvolvimento capitalista. É o momento 
de criação e desenvolvimento de um sistema bancário poderoso. No caso do Brasil, 
a entrada de capital estrangeiro influenciou muito a economia do país, a indústria, o 
açúcar, o café, o comércio, a exportação e a importação.
ANOTE ISSO
Este mercado nacional possibilitou o avanço no processo de industrialização e os 
produtos nacionais passaram a tornar-se produtos internacionais, em termos de 
consumo. Gerava também um aumento na demanda interna, pois com a política 
de defesa do café, houve um agravamento no desequilíbrio das forças externas e 
influenciou a compra nacional, imprimindo a aparência de uma crise mais amena.
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AULA 12
TEMAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS: 
A QUESTÃO DA HISTÓRIA
Título: Cartas antigas
Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/cartas-antigas-pena-fotos-antigas-1082299/ 
Caro aluno, você está cada vez mais familiarizado com noções das Ciências Sociais, 
portanto, falaremos sobre a importância da história e a sua relação com essa área 
de nossos estudos principais.
Como nas Ciência Sociais são variadas as pesquisas que se utilizarão de questões 
históricas, seja para contextualizar algo ou para fazer uma análise histórica, análise 
teórico-histórica ou então uma análise histórico-cultural, análise histórico-econômica 
sobre determinado fato, nada mais do que essencial aprendermos um pouco sobre 
a trajetória da história e sua relação com as Ciências Sociais.
https://pixabay.com/pt/photos/cartas-antigas-pena-fotos-antigas-1082299/
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Ao observarmos a relevância da história nas Ciências Sociais, assim como a 
importância daqueles que irão seguir a pesquisa científica e que abrangem alguma parte 
de conhecimento que esteja relacionado com as Ciências Sociais, necessariamente 
precisará utilizar um pouco de história.Afinal, a história é presente em todas as áreas do conhecimento e é essencial 
para compreendermos questões, fatos e eventos do nosso tempo presente, pois 
história é uma área do conhecimento que serve principalmente para compreendermos 
e analisarmos fatos passados, mas que também possui grande utilidade quando 
analisamos o tempo presente. Ou seja, a nossa contemporaneidade.
Assim como a antropologia e a sociologia tiveram um surgimento e um processo de 
desenvolvimento para serem consolidadas como campo científico, a história também 
passou por tais processos. É por isto que nesta aula iremos percorrer um pouco sobre 
a questão da história e o seu desenvolvimento. Alguns conceitos que já trabalhamos 
em aulas anteriores irão aparecer novamente, principalmente a necessidade de 
compreendermos a história a partir de uma perspectiva crítica e não positivista, assim 
como vimos na sociologia e também na antropologia.
Espero que você goste desse nosso novo trajeto e que você consiga cada vez mais 
em sua trajetória acadêmica ou científica utilizar-se das ciências sociais em sua vida 
profissional!
12.1 Questões introdutórias
A História nasceu há 4.000 mil anos, na Ásia Ocidental e na Europa. Na historiografia 
Greco-Romana os hebreus tinham a tendência de se afastarem do particularismo e 
manterem uma proximidade com o universalismo. No século V, a história grega é uma 
investigação; ela é humanista, tendo como assuntos coisas humanas e não coisas 
divinas. Os gregos viveram uma época de evolução rápida da história. A natureza era 
vista como espetáculo em constante mutação. A vida humana se transformava mais 
violentamente. Em seus teatros interpretavam o que ocorria na vida: a desgraça, a 
felicidade, o orgulho, a humilhação, entre os sentimentos distintos que existem dentro 
de nossos vícios e das nossas paixões.
Esse pequeno trecho serve para termos uma breve noção de como a história foi 
estudada e enxergada há séculos atrás, pois é importante pensarmos História, pois 
essa transição de pensar o “passado” e o presente nos auxilia muito em nossas vidas 
enquanto seres humanos, pesquisadores e profissionais.
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Os autores que conheceremos ao longo dessa aula pensaram a história, claro que 
dentro de suas contradições, perspectivas, ideologias e contextos distintos, porém 
alguns colaboraram para se fazer a história dos vencidos e mudar a metodologia da 
História Tradicional. Dessa maneira, perceberemos muitas distinções do método de 
cada autor.
12.2 História e Ciências Sociais
August Comte (1798-1857), o fundador da Sociologia, escreveu muito sobre a 
história e sua relação com a Sociologia. Devemos compreendê-lo e compreender 
sua influência dentro da História, como “filho do seu tempo” histórico, nascido do 
processo da Revolução Francesa, tendo vínculo com as ciências naturais e tendo como 
objetivo a necessidade da doutrina como princípio que rege a ciência, entendemos 
que o positivismo (nacionalismo europeu; onde a história se movimenta no sentido do 
progresso) teve seu início dentro da filosofia com grande laço nas Ciências Naturais.
ANOTE ISSO
Para os positivistas, primeiramente deveriam estabelecer os fatos para depois 
estabelecerem as leis. A partir disso, surgiu a Historiografia Positivista, que sofreu 
rupturas, mas que ainda é presente. Um exemplo são os documentos “chancelados” 
que possuem maior valor no Estado e nas relações sociais. No período positivista 
a história teve grande enriquecimento; o ideal literário foi transformado em 
monografia, tendo como foco o objeto fixo e determinado.
É importante colocar que Comte é visto como alguém que interpretava a história e a 
sociedade de maneira positiva, pois pretendia reformas na sociedade e enxergava que os 
avanços aconteceriam de forma linear. Ao falar sobre reforma, constrói uma lei da física: 
a dinâmica e estática: todo corpo celeste tem dois movimentos, a estática (o parado) e a 
dinâmica (possibilidade de movimento) para explicar a sociedade vista como progresso 
dentro dessas duas formas de equilíbrio que propunha uma reorganização. Criou a 
lei dos três Estados, colocando como sentido único da História: Estágio Teológico, 
Estágio Metafísico e Estágio Positivo. Entretanto, a evolução, o desenvolvimento e a 
superação me levam a entender essas passagens como construtivas e desconstrutivas. 
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Comte e Leopold Von Ranke recebem inúmeras críticas do Movimento dos Annales 
– A crítica de Fernand Braudel para Von Ranke parte de que sua teoria é ultrapassada 
por não abranger as concepções de tempo e de espaço para compreender o objeto - 
surgido no século XX, que tinha como princípios a renovação teórico-metodológico e a 
reconstrução da História no tempo presente. Há uma consideração da simultaneidade 
e a dominação da simetria entre passado e futuro; a história torna-se outra.
Título: Marc Bloch, um dos mais importantes historiadores da Escola dos Annales.
Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Escola_dos_Annales#/media/Ficheiro%3AMarc_Bloch.jpg 
ANOTE ISSO
Os Analles tinham como objetivo a revisão e reconstrução do conceito de homem, 
humanidade e história. Sendo o homem um sujeito livre, potente criador e resultado 
da história: 
• Um novo homem surge;
• O homem se emancipa;
• Para os Annales, o principal olhar do historiador deve ser a repetição, a 
permanência, a quantificação de movimentos reversíveis e a longa duração;
• A história se torna pesquisa e teoria, tendo grandes problematizações;
• A história problema.
A história tradicional existia, porém alguns autores quiseram fazer outra coisa; 
formalizado foi em 1929, mas antes já havia uma movimentação que fugia do 
tradicionalismo. March Bloch (lembrando que foi um escritor militante, resistente ao 
regime nazista, escreve seu livro “Apologia à História”, em 1944) e Lucien Febvre foram 
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Escola_dos_Annales#/media/Ficheiro%3AMarc_Bloch.jpg
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os líderes da Revolução da Historiografia, colocando o dever da história estudar os 
novos tipos de história, de comportamento e de cultura.
Título: Lucien Febvre.
Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Escola_dos_Annales#/media/Ficheiro:Lucien_Febvre-Strasbourg.jpg 
Bloch e Febvre foram diretores da revista Annales d’histórie économique et sociale, 
criada em 1929. Há uma interlocução da história com a psicologia, com as ciências 
sociais, com a geografia e com outras áreas para melhor entender a história do objeto 
escolhido. Colocaram o dever de utilizar todas as descobertas sobre a humanidade 
realizadas por sociólogos, psicólogos, antropólogos, geógrafos e economistas.
Nas palavras de Febvre:
[...] os únicos objetos da história – de uma história que se inscreve 
no grupo das disciplinas humanas de todas as ordens e de todos os 
graus, ao lado da antropologia, da psicologia, da lingüística, etc.; uma 
história que não se interessa por não sei que homem abstrato, eterno, 
de fundo imutável e perpetuamente idêntico a si mesmo. (FEBVRE 
apud SILVA, 2005, p.131).
ANOTE ISSO
• Bloch estuda o homem em sociedade e rebate a questão de estudar o homem 
somente no passado, pois compreende que a história é o resultado de um 
passado e do presente;
• Bloch critica o historicismo, o tempo linear e fontes documentais. Para o autor, 
fontes do Estado não são as únicas fontes para fazer história, a memória oral é 
um meio excelente para o historiador.
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Escola_dos_Annales#/media/Ficheiro:Lucien_Febvre-Strasbourg.jpg
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Dessa forma, a totalidade histórica começa a ser visualizadacomo meio de melhor 
compreensão da história, pois é o fenômeno e a essência que a compõem, tendo em 
seu núcleo o evento, o tempo e o espaço. É uma tentativa de fazer historicidade com 
o objeto escolhido – a tentativa de colocar um objeto dentro da história.
Segundo Silva (2005, p.132):
Com efeito, os fundadores dos Annales concentraram muito de seus 
combates no terreno mais sólido da escola metódica: a crítica dos 
testemunhos históricos. Ambos preconizaram a intervenção ativa 
do historiador diante dos documentos, alargando simultaneamente 
o diálogo com outras ciências. Erigindo a “história positivista” em 
inimigo comum, uniram diferentes disciplinas e intelectuais em torno 
de uma “escola”. (SILVA, 2005, p.132).
• Percebemos uma imensa distinção com Comte quando se pensa a história dentro 
da sucessividade, a história que vai do passado para o presente e propondo que 
o tempo não é linear; ao contrário, o tempo é múltiplo e muitas coisas estão 
acontecendo;
• Diferente do positivista, que pensava a história como um caminho positivo e 
progressista, organizando os fatos históricos em uma linha cronológica.
Após March Bloch, outros indivíduos darão sequência ao movimento dos Annales, dentre 
eles está Fernand Braudel e o político Jacques Le Goff. Jacques Le Goff, lança seu livro “A 
nova história” que, de forma contraditória ao que Bloch colocou sobre a não linearidade, 
divide os Annales em três gerações e se nomeia como parte dessa terceira geração. 
Em maio de 78, Le Goff e Norrá escreveram o texto “Nova história”, uma coletânea que 
reunia críticas à história linear e sobre as fontes. Estavam preocupados com o ensino da 
História, de certo que havia uma neutralidade com o governo e então não havia tensão, 
ou seja, não estavam preocupados com a militância e com os movimentos do maio de 
68. Percebe-se mais uma contradição do Movimento dos Annales.
ANOTE ISSO
• Diziam que a história que era vivida era a história que escreviam;
• A história nova tinha como objeto o fato histórico, o evento cotidiano, os 
acontecimentos regulares.
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12.3 A História crítica e as Ciências Sociais
Contudo, há um crítico do movimento dos Annales, sobretudo de Jacques Le Goff. 
O chamado Jean Chesneaux, escreveu seu livro, em 1976: “É possível fazer tabula 
rasa do passado?” e chama os historiadores para irem para a rua, ou para um debate:
ANOTE ISSO
• ele questiona a ordem colocada e a contradição de não ser possível fazer a 
separação do que se vive e do que se escreve;
• Coloca como pontos centrais o intelectual e a política, o engajamento do 
intelectual, os historiadores e a Política;
Enfim, para esse autor, a história que se escreve é a história que se vive. Há uma dialética 
das temporalidades, a história que se escreve é a história que se vive. Ele dizia que há 
uma relação entre passado e presente e que não podemos fazer a história em migalhas.
Em sua visão, é preciso entender os eventos através da longa duração, da totalidade 
histórica, da dialética das temporalidades. Seu pensamento sobre história é pautado 
na totalidade histórica.
A perspectiva crítica, de Karl Marx, é a interferência dentro da realidade para uma 
mudança radical;
• o homem como sujeito histórico em processo de emancipação que será base 
para a revolução;
• O homem com engajamento político ou o intelectual engajado.
Para Marx a história é o modo como conduzir a vida, há um movimento, uma 
relação, uma totalidade histórica, uma dialética que está em constante transformação 
e que terão imensas contradições : esse movimento histórico será de muitas rupturas 
e permanências.
12.4 A importância da História nas Ciências Sociais
Como vimos até o presente momento, a história e as Ciência Sociais possuem uma 
relação estrita e muito importante, pois essas duas áreas do conhecimento têm como 
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objetivo principal compreender e analisar questões voltadas para a vida social e as 
estruturas da sociedade. Ao longo de nossa aula observamos as questões introdutórias 
sobre a história, desde seu nascimento até o processo de desenvolvimento da história 
na área positivista, até a história crítica. Portanto, notamos como essas áreas dialogam 
diretamente com as Ciências Sociais.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Muitos cientistas sociais se utilizam da história, tanto de suas metodologias, 
materiais e documentos para comporem suas pesquisas acadêmicas. Assim como, 
muitos historiadores utilizam metodologias e técnicas, também teorias das Ciências 
Sociais para desenvolverem suas pesquisas.
Confira abaixo o trabalho de uma cientista social que utilizou a história, bem como 
estudou um fato histórico em seu mestrado.
Fonte:https://repositorio.unesp.br/handle/11449/193615 
Confira também um importante historiador que trabalha a questão da história e das 
Ciências Sociais.
Fonte:https://repositorio.unesp.br/handle/11449/128088 
Portanto, percebemos que estas relações entre História e Ciências Sociais remontam 
uma disputa dentro das Universidades, principalmente os embates conceituais, 
metodológicos e categoriais. Mas, mais do que isso, pois mesmo com termos cunhados 
tanto pela história, quanto pelas Ciências Sociais, ambos possuem objetos de análise 
em comum. Para tanto, observamos as relações de interdependência entre essas 
duas áreas.
As relações da história com as ciências sociais remontam ao 
momento em que ambas passaram a disputar posições no interior 
do establishment acadêmico por meio de embates conceituais que 
visavam a definir um estatuto de cientificidade para o conjunto de 
sua produção. Os termos dos debates iniciados há mais de um 
século marcaram profundamente os rumos tomados pelas duas 
disciplinas, fazendo-as oscilar entre movimentos de aproximação 
e distanciamento, confrontação e reciprocidade. Conceitos como 
evento e estrutura, sincronia e diacronia, ruptura e continuidade, 
narrativa e interpretação fundamentaram epistemologicamente as 
relações entre história e ciências sociais. (SILVA, 2005, p.127). 
https://repositorio.unesp.br/handle/11449/193615
https://repositorio.unesp.br/handle/11449/128088
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Foram vários os autores e intelectuais das Ciências Sociais e da História, interligados 
em torno das ciências humanas, pois se trata do passado e também da atualidade. 
Sendo, portanto, de grande importância por estarem no campo teórico-científico 
com metodologias em comuns e teorias comuns para compreender a história da 
humanidade.
Verificamos, então, que o encontro entre essas áreas do saber, não precisam 
necessariamente fazer com que cada uma perca sua autonomia. Ao contrário, o que 
se propõe e o que propuseram inúmeros pensadores, foi o encontro entre essas áreas, 
ainda que cada uma tivesse sua autonomia, mas que esse encontro promovesse 
trocas conceituais, de diálogos e intercâmbios institucionais, já que ambas possuem 
o mesmo objetivo que é analisar a questão da humanidade, das estruturas sociais, 
políticas, econômicas e culturais.
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AULA 13
A ANÁLISE DO BRASIL A PARTIR 
DAS CIÊNCIAS SOCIAIS 
Título: Brasil no mundo.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil 
Olá, aluno! Muito bom tê-lo por aqui, quase no final da nossa jornada de introdução 
às Ciências Sociais.
Essa nossa aula tem como assunto principal a discussão sobre o Brasil, pois agora 
você está pronto para compreender autores importantes que estão dentro do universo 
das Ciências Sociais e que analisaram questões importantes sobre o nosso país.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
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Portanto, nosso principal objetivo é compreender o Brasil a partir da perspectiva de 
historiadores, antropólogos, cientistas sociais, cientistas políticos e sociólogos. Aqui, 
como nosso objetivo é introduzir você ao debate, partiremos de vários pensadores 
que possuem diferentes visões de mundo, ou seja, que são provenientes de diferentes 
matrizes teóricas, conceituais e metodológicas.
Espero que você goste da aula, já que a nossa tarefa, nesse momento, é compreender 
um pouco sobre o desenvolvimento político histórico do Brasil, assim como cultural e 
econômico. Esses importantes autores são vistos nos cursos de Ciências Sociais do 
Brasil afora, por isso, espero que você aproveite muito nossa aula e que você consiga 
compreender o Brasil a partir de uma ótica mais aprofundada das Ciências Sociais. 
Espero também que você perceba a importância dessa ciência enquanto um campo 
de conhecimento que está cada vez mais aberto e no auge do nosso dia a dia.
Recordo você que durante as nossas aulas anteriores nosso objetivo foi acompanhar 
um pouco de cada conceito introdutório sobre as Ciências Sociais, assim como a sua 
história em relação a outras áreas do conhecimento e também temas de pesquisa 
mais importantes. Como o Brasil também é um tema de pesquisa das Ciências Sociais 
e, neste caso, ao contrário das aulas anteriores em que estudamos muitos autores 
europeus, nesta nossa aula apenas autores brasileiros de grande importância serão 
analisados. 
Conto com você nessa jornada e espero que goste muito de compreender um 
pouco mais sobre o país em que vivemos!
13.1 Um pouco de contexto histórico
O projeto que o Brasil visava a partir da segunda metade do século XIX era o 
modelo norte-americano ou europeu. Um país agrário, que tinha como poder político 
uma monarquia-escravista absolutista com grande aparato da Igreja. Um país desde 
sua história com as relações entre público e privado misturadas, ou seja, sem uma 
sociedade civil e um Estado, de fato, e sem uma burguesia nacional que tivesse um 
programa revolucionário, como nos países da Europa. 
O país foi alvo de uma revolução pelo alto, onde as classes populares não estavam 
dentro do governo político, segundo FHC, o Brasil não teve a herança de se discutir 
política como nos países europeus, trazidos pela revolução burguesa.
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Já segundo Nabuco, o país teve como grande problema a escravidão, que é 
uma mancha que corrompe o país. Visava como modelo político uma monarquia 
constitucional, aos moldes europeus. Seria necessário que o Imperador fizesse algo 
para modificar a situação escravista do país. 
Para Sérgio Buarque de Holanda o Brasil vive em condições patrimonialistas e 
patriarcais. Foi um país agrário-feudal com condições de servidão. A solução será 
um acordo entre a burguesia, a oligarquia e a burguesia já que não há uma burguesia 
nacional jacobina que faça uma revolução e o país tem a necessidade urgente de se 
industrializar. 
Bom, você já conseguiu observar um pouco sobre as principais e diferentes análises 
do Brasil. Certo?
13.2 Intérpretes do Brasil: Joaquim Nabuco
Filho da oligarquia de Pernambuco, Nabuco tinha um pai senador anti-escravista, do 
qual escreveu, em 1954, uma reafirmação de uma lei abolindo o tráfico negreiro, que 
já tinha sido aprovada (a Lei Eusébio de Queiroz em 1850). Nascido em 1849, depois 
das revoltas praieiras de Recife, Nabuco faleceu em 1910, em Washington. Durante sua 
vida, se bacharelou em direito, em São Paulo. Em 1878, foi eleito deputado por Recife. 
Em 1881, Nabuco viajou para Londres, quando escreveu o livro “O abolicionismo” 
publicado em 1883. Anos depois, em 1887, foi reeleito deputado, cumprindo seu 
mandato como defensor da monarquia e também defensor da reforma da monarquia. 
Se mostrava contra a escravidão e pensava que o processo de abolição deveria ser 
realizado por distribuição de terras e qualificação profissional, de escola e trabalho, 
aos ex-escravos. Ou seja, condições para que fossem produtivos por conta própria, 
tornando-os cidadãos.
Título: Joaquim Nabuco
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Nabuco 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Nabuco
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O contexto social em que Nabuco se desenvolvia, nos anos de 1870, demonstrava 
que o Brasil enfrentava inúmeros problemas:
• A grande distância do porto;
• Seria necessário a construção de estradas de ferro;
• Outro problema seria de que o afluxo de escravos não conseguia suprir a 
necessidade de força de trabalho e, ainda que os fazendeiros do café defendessem 
a manutenção da escravidão, essa estaria prestes a ser proibida.
Na década de 70 aparece um novo liberalismo, chamado de liberalismo democratizante, 
com o nome de destaque, Joaquim Nabuco. Aparece também o republicanismo, mas 
contrário do que se poderia imaginar, era liberal-conservador, muito forte em São Paulo, 
sendo uma ameaça na época que poderia derrubar a monarquia se for o caso, mas 
para preservar a economia, na gestão paulista, defendiam o escravismo.
Então tem-se um ambiente difícil para os intelectuais, para a cultura brasileira, do 
qual estes poucos elementos têm que sobreviver. No geral, os intelectuais tendem a 
viver sob a sombra do poder.
Os intelectuais na verdade eram cooptados pelo Estado e ganhavam emprego, 
prêmios. A rigor, o pensamento político e social estava voltado para a preservação 
da ordem social e isso implicava em uma distância das classes populares. Portanto, 
o fato de existir escravidão dificultava demais a geração de intelectuais críticos, além 
de a igreja católica ser uma instituição muito forte do Estado.
ANOTE ISSO
Os pontos essenciais para Nabuco eram:
• abolir a escravidão, mas fazer a reforma da monarquia, não extinguindo-a;
• devido a influência de Stuart Mill (grande papel nas reformas democráticas 
na Inglaterra), Nabuco entendia que o modelo inglês de sociedade poderia ser 
aplicado no Brasil;
• Fazer reformas na monarquia para que essa se tornasse uma monarquia 
democratizante, parlamentarista. Ou seja, com a ampliação do estatuto da 
cidadania;
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Entendemos, portanto, que a análise de Nabuco da sociedade brasileira está muito 
relacionada com a sociologia positivista, a qual, em nosso país teve uma tendência 
ao autoritarismo.
ANOTE ISSO
Observemos, então:
• como pensa Nabuco? O movimento abolicionista teria que ganhar força criando 
uma opinião pública contrária á escravidão, com escritores, militares, poetas;
• mas, ao fim das contas, quem pode fazer isso? Só o imperador. Nabuco contava 
com a figura do imperador. Para ele, o imperador deveria abolir a escravidão e 
tudo se libertaria, até o próprio imperador estaria liberto, tornando o Brasil uma 
monarquia republicana, parecido com a Inglaterra e os EUA; 
• Nabuco pensa em um país de cidadãos, independente da origem, cor, etc., tem 
um pensamento revolucionário, mesmo que truncado na medida em que se vê 
preso a ideia de monarquia e de estabilização do poder.
13.3 Intérpretes do Brasil: Sérgio Buarque de Holanda
O contexto histórico político que Sérgio Buarque de Holanda escrevia era bastante 
diferente do contexto em que Joaquim Nabuco esteve inserido. Perceberemos, portanto, 
muitas diferenças entre esses dois autores. Passados anos, por volta de 1928, a 
burguesia industrial brasileira era liberal e estava preocupada com seus próprios 
interesses: propriedade e negócios. Fazia política por meio dos partidos políticos. 
No entanto, como a pressão por direitos sociais começaram a ficar muito fortes, a 
burguesia industrial paulista aliou-se ao partido republicano paulista, sob a bandeira 
do liberalismo,da liberdade individual e contra os direitos sociais que, em suas visões, 
afetariam a liberdade individual. 
O que pensava a burguesia brasileira industrial?
• Industrializar o país; criar uma sociedade civil urbana industrial, mas continuar 
com o Estado liberal, fortemente composto de ideia de direitos sociais, direitos 
de trabalho;
• Controlar a força de trabalho a partir do processo produtivo; 
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No entanto, na vida prática da burguesia e das oligarquias agrárias o liberalismo 
não existiu e o projeto do autoritarismo corporativo, ou seja, o de imposição feita aos 
trabalhadores, como um modo de controlá-los, passou a vingar durante a Era Vargas.
Nota-se, portanto, que o liberalismo estava oscilando, às vezes se aproximava 
da democracia, às vezes do autoritarismo. Nesse momento, as comunicações se 
expressavam bastante: literatura política e ficção apareciam nas editoras, mas nos 
anos de 1930 deu um salto, pois, em termos de jornais, revistas, livros, traduções, as 
publicações eram maiores. Essa mudança pode ser compreendida como a expressão 
do capitalismo que estava se desenvolvendo em uma sociedade civil que se iniciava.
A maior expressão intelectual do liberalismo democrático foi Sérgio Buarque de 
Holanda. Esse intérprete do Brasil nasceu em 1902 em São Paulo.
Título: Sérgio Buarque de Holanda.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Buarque_de_Holanda 
Em sua formação na área do direito, acabou se interessando muito por estudos 
literários, além de ter, ao estudar na Alemanha, conhecido a filosofia e a sociologia, 
que têm autores importantes para sua formação: Kant, Simmel e Weber, além de seu 
interesse pela historiografia francesa (também com os Annales).
No Brasil, ele foi convidado para ser professor na universidade do Distrito Federal e 
se tornou professor de história, sendo depois também professor na Escola de Filosofia 
e Política de SP, além de outras universidades.
https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Buarque_de_Holanda
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ANOTE ISSO
Nesse período, Holanda escreveu seu principal livro, o conhecido “Raízes do Brasil”. 
Holanda escreve em seu livro de acordo com o método weberiano:
• buscando as raízes do processo histórico;
• distinção feita entre os diferentes tipos de legitimação; 
• A busca pelas raízes do Brasil se deve à busca pela identidade nacional, 
tratando-se de uma identidade de dualidades. Por exemplo, entre o trabalhador e 
o aventureiro; 
• Raízes do Brasil – clássico da historiografia e da sociologia - Livro composto 
por 7 capítulos em que o autor insere um contexto histórico, a busca de uma 
identidade nacional: “o que é ser brasileiro?”
• A resposta é em grande medida psicológica, pois, para o intérprete do Brasil, 
o brasileiro possui determinadas características psicológicas; no entanto, o 
português aventureiro no Brasil compõe uma sociedade agrária, rural, que gira 
em torno da família patriarcal no momento que constrói cidades;
• Para o autor, o problema do Brasil é que não havia a separação do público e do 
privado;
• Conceito do “homem cordial”: Para Holanda, essa é uma herança rural e 
patriarcal. Portanto, o homem cordial é um ser arcaico;
• mas, para o autor, o que é cordialidade afinal? São expressões legítimas de um 
fundo emotivo vinculado à família; o cordial não quer dizer que uma pessoa tem 
polidez, tem os bons costumes; o brasileiro faz esse papel, mas não tem essa 
polidez 
• Cordialidade é falta de regra; não tem norma nenhuma, vale tudo; é o contrário 
da polidez;
• Polidez é a cortesia, civilidade, urbanidade; organização de defesa ante a 
sociedade; você é um indivíduo conformado, você tem uma individualidade; o 
homem cordial não tem individualidade, ele é inseguro, ele não sabe bem quem 
é; 
ISTO ESTÁ NA REDE
No link abaixo você conhecerá um pouco mais sobre a obra de Sérgio Buarque de 
Holanda e sua importância para compreensão do Brasil. 
Fonte: https://www.jornaljurid.com.br/colunas/gisele-leite/saga-ingloria-do-homem-cordial
https://www.jornaljurid.com.br/colunas/gisele-leite/saga-ingloria-do-homem-cordial
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13.4 Intérpretes do Brasil: Caio Prado Jr.
Dos anos 30 até os anos 70, o principal assunto de debate no país era a formação 
do Estado brasileiro e seu processo revolucionário e de consolidação do capitalismo. 
A partir dessas análises, é possível trazermos a concepção crítica do importante 
historiador, que se debruça nas Ciências Sociais, Caio Prado Jr.
Título: Caio Prado Jr.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Caio_Prado_J%C3%BAnior 
Caio Prado Jr. compreendia que a revolução no Brasil deveria se constituir do 
complexo de transformações em curso ou potenciais que diziam respeito à estrutura 
econômica, social e política do país que se desenvolviam de forma lenta. 
ANOTE ISSO
Para o autor, o que se encontra é a progressiva transformação do Brasil colônia 
que vem desde o passado e se constitui do complexo de situações, estruturas e 
instituições em que ocorreu a colonização brasileira. Vejamos que é “na situação 
sócio-econômica presente no campo brasileiro que se encontram as contradições 
fundamentais e de maior potencialidade revolucionária na fase atual do processo 
histórico-social que o país atravessa.” (PRADO JR., 2014, p.136).
No campo, os trabalhadores têm suas reivindicações em torno de emprego, condições 
mais favoráveis de trabalho, salário, segurança, etc. Para o autor, nessas reivindicações 
se encontram a transformação da vida dos camponeses com elevação do padrão 
social e estatuto social. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Caio_Prado_J%C3%BAnior
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Prado Jr. colocava a questão da terra e a luta pelo campo. Para ele, “os movimentos 
e agitações que têm por base a reivindicação da terra são de pequena expressão [...]”. 
(PRADO JR., 2014, p.138). A conclusão de Caio Prado é que a reivindicação e luta pela 
terra não tem em nosso país a significação revolucionária que pretende atribuir com 
base na simples teoria.
Para o autor, a maioria da população rural brasileira não se constitui e nem se 
constituiu de camponeses na acepção própria do termo, ou seja, de trabalhadores e 
produtores autônomos que exploram por sua conta a terra que ocupam. No Brasil, a 
população se constitui de africanos e descendentes mesclados, diferente dos países 
andinos e do México, com índios. 
Portanto, para Prado JR., a luta pela terra não traz nenhuma nova forma de 
organização capaz de liberar as forças produtivas. Essa luta pela terra ainda não é 
proposta em primeiro plano nas atuais circunstâncias do processo histórico-social 
brasileiro. O que o autor pretende não é eliminar nem subestimar o debate, mas retirar 
a generalidade e vagueza com que está escrito nos programas da esquerda brasileira. 
Existe um problema agrário no Brasil e o autor verifica isto como a concentração da 
propriedade rural constitui um dos elementos de grande relevo na compressão dos 
salários e do padrão do trabalhador rural para outros. 
ANOTE ISSO
Segundo o autor, a luta por melhores condições de vida para os trabalhadores 
impulsionou o processo de transformação. Deve ser amparado e regularizado por uma 
política agrária que objetifica o desmembramento e efetive a utilização das grandes 
propriedades menos produtivas. 
• Programa: assegurar a efetiva aplicação e promover a ampliação e extensão da 
legislação rural trabalhista destinada a conceder ao trabalhador empregado um 
estatuto material e social que seja adequado;
• tratar de ampliar os horizontes de trabalho e emprego oferecidos pelas atividades 
econômicas dopaís para assegurar ao conjunto da população trabalhadora, 
ocupação e meios de subsistência. 
O primeiro ponto se refere à mobilização e organização da massa trabalhadora do campo 
para que ela lute efetivamente pela conquista de seus direitos, pois é a única maneira de 
assegurar sua ascensão econômica e social, pois esta é a tarefa, segundo o autor.
Portanto, a herança colonial ainda faz sentir no essencial os seus principais efeitos, 
sendo um deles, a hierarquização das categorias sociais com a marginalização de 
algumas parcelas da sociedade. Os problemas do Brasil se ligam às deficiências 
orgânicas da própria estrutura econômica e social do país que atingem o conjunto da 
vida brasileira. “São tais deficiências que se trata de superar. O que implica verdadeira 
reorganização e reorientação de nossa economia.” (PRADO JR., 2014, p.159).
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AULA 14
INDIVÍDUO E SOCIEDADE: 
AS MARCAS QUE 
EXIBIMOS NA NOSSA 
ATUAÇÃO NA SOCIEDADE
Título: Os gêmeos
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Grafito#/media/Ficheiro:OsGemeos.jpg 
Caro aluno, esse é momento muito importante da nossa disciplina de Introdução à 
Ciências Sociais, pois estudaremos um pouco mais sobre os conceitos de sociedade, 
assim como a dicotomia entre indivíduo e sociedade, tão essencial para Ciências 
Sociais independentemente da área; seja antropologia, sociologia ou a ciência política.
Além disso, compreender quais as nossas atuações na sociedade é de grande 
importância, pois o ser humano interage com o meio em que vive e o transforma, 
exemplo disso é a grande quantidade de movimentos sociais urbanos e agrários que 
temos em nosso país e no mundo inteiro, além da transformação de paisagens por 
meio da arte, da música, poesia, ou até mesmo da nossa atuação profissional. Tudo 
isso é capaz de transformar um pouquinho da nossa sociedade!
Sem mais conversa, vamos desvendar mais sobre esse universo das Ciências Sociais!
https://pt.wikipedia.org/wiki/Grafito#/media/Ficheiro:OsGemeos.jpg
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14.1 A relação indivíduo e sociedade
Com o passar das nossas aulas verificamos que o grande objetivo das Ciências 
Sociais é a compreensão do funcionamento da sociedade.
Entendemos que a vida em sociedade exige que os indivíduos se conformem e 
se comportem de acordo com os comportamentos, valores, tradições e culturas 
socialmente construídas em determinados momentos históricos. É essa relação entre 
indivíduo e sociedade, um dos temas mais importantes das Ciências Sociais, que 
possui amplo debate, oriundo desde Marx, Max Weber e Durkheim, mas também 
desenvolvido por inúmeros autores da antropologia, da sociologia e da Ciência Política.
Esses três autores clássicos deixaram as matrizes interpretativas para que outros 
autores pudessem desenvolver mais sobre essa relação entre indivíduo e sociedade.
ANOTE ISTO
• Para Durkheim, como já vimos em aulas anteriores, é a sociedade que 
determina a ação dos indivíduos, sendo isso evidenciado pelos fatos sociais. 
Durkheim compreende a sociedade como se fosse um organismo vivo. 
Como se fosse uma máquina em funcionamento. Os indivíduos seriam 
peças ou órgãos que contribuem para o funcionamento dessa máquina, para 
o funcionamento dessa ordem. A sociedade seria dotada de uma ordem 
que direciona os indivíduos para sua manutenção e reprodução, até o seu 
aperfeiçoamento;
• Para Max Weber, a partir da sociologia compreensiva, entendemos que a 
sociedade é o resultado da ação social dos indivíduos. Weber compreende a 
sociedade a partir dos tipos fundamentais da ação social, seja ação tradicional 
afetiva ou racional, assim como a irracional, orientada a valores ou orientada 
para determinados fins. Dessa forma, entende a sociedade e essa relação entre 
indivíduo como algo constituído com base sempre na ação individual, ou seja, 
na ação do indivíduo sobre a sociedade;
• Para Marx, a sociedade e os indivíduos são contradições das classes sociais e 
elas são determinadas de acordo com a formação social e histórica da época, 
portanto, no feudalismo há uma estrutura determinada e uma relação entre 
indivíduo e sociedade bastante diferente do que há no capitalismo. Marx vai se 
diferenciar dessa análise dos outros autores e tem como essencial o conceito 
de classe social para determinar a relação entre indivíduo e sociedade, pois, para 
o autor essa relação é determinada conforme a luta de classes acontece.
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Além dessas concepções clássicas sobre a relação entre indivíduo e sociedade, a 
perspectiva das Ciências Sociais contemporânea é bastante ampla. Teremos então 
a concepção do sociólogo alemão Norbert Elias, também a concepção do sociólogo 
britânico Anthony Giddens, entre outros autores como Richard Sennett. 
Compreendemos, portanto, que essa relação entre indivíduo e sociedade são questões 
muito importantes para compreendermos a questão da construção da identidade e a 
questão dos direitos sociais, bem como das estruturas que formam a nossa sociedade.
14.2 Sociedade em Eduardo Viveiros de Castro
Eduardo Viveiros de Castro é um importante antropólogo brasileiro e atual professor 
do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Título: Antropólogo Eduardo Viveiros de Castro.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Viveiros_de_Castro 
Em um de seus principais trabalhos, “O conceito de sociedade em Antropologia: 
um sobrevoo”, o autor analisa criticamente o conceito a partir da dicotomia natureza/
cultura. Primeiramente, sobre natureza e cultura, Viveiros possui uma interpretação 
muito relevante e crítica a outras escolas antropológicas. Veja abaixo:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Viveiros_de_Castro
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‘Sociedade’ e ‘cultura’ vieram ainda dividir o campo estruturado pela 
oposição jusnaturalista entre ‘(estado de) natureza’ e ‘sociedade 
(civil)’, com a diferenciação das duas antinomias basilares das 
ciências humanas, que lhes circunscrevem o campo discursivo e 
lhes fornecem os problemas característicos: ‘natureza/cultura’ e 
‘indivíduo/sociedade’. Ambas remetem para o mesmo dilema de 
fundo, a saber, o de decidir se as relações entre os termos opostos 
são de continuidade (solução ‘reducionista’) ou de descontinuidade 
(solução ‘autonomista’ ou ‘emergente’). (CASTRO, 2002, p.06).
É notável no texto de Viveiros de Castro um conhecimento antropológico que parte 
dos clássicos. Dessa maneira, o autor demonstra como a Escola Francesa trabalha a 
questão da natureza humana, assim como a Escola Inglesa trabalha com organização 
social, estrutura social e estrutura de grupos sociais a partir da noção ampla de 
parentesco. Já a escola culturalista que tem como ícone Franz Boas, trabalha com o 
conceito de cultura, sendo o principal tema da Antropologia.
ANOTE ISTO
Em Viveiros de Castro, há dois sentidos de sociedade:
• O primeiro é o atributo básico e não exclusivo da natureza humana que está 
predisposto à vida social e a outras espécies;
Nas palavras do autor:
a sociedade é uma condição universal da vida humana. Esta 
universalidade admite uma interpretação biológica ou instintual, 
e outra simbólicomoral, ou institucional. Assim, a sociedade 
pode ser vista como um atributo básico, mas não exclusivo, da 
natureza humana: somos geneticamente predispostos à vida 
social; a ontogênese somática e comportamental dos humanos 
depende da interação com seus conspecíficos; a filogênese de 
nossa espécie é paralela ao desenvolvimento da linguagem e 
do trabalho (da técnica), capacidades sociais indispensáveis à 
satisfação das necessidades do organismo. (CASTRO, 2002, 
p.01).
• O segundoparte de uma dimensão constitutiva e exclusiva da natureza 
humana, que significa viver em sociedade, sendo característica única da espécie 
humana.
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Vejamos que Castro compreende que esse segundo ponto a partir da visão de que 
a sociedade
também pode ser vista como dimensão constitutiva e exclusiva 
da natureza humana, definindo-se por seu caráter normativo: o 
comportamento humano torna se agência social ao se fundar, não 
em regulações instintivas selecionadas pela evolução, mas em regras 
de origem extra-somática historicamente sedimentadas. (CASTRO, 
2002, p.01).
O autor ao teorizar sobre regras utiliza um sentido historicamente construído e 
sedimentado. As regras são o princípio da ação e organização social, portanto, todas 
as sociedades teriam regras.
A noção de ‘regra’, aqui, pode ser tomada em sentido moral e 
prescritivo-regulativo (como no estrutural-funcionalismo) ou cognitivo 
e descritivo-constitutivo (como no estruturalismo e na ‘antropologia 
simbólica’); apesar desta importante diferença, em ambos os casos 
a ênfase nas regras exprime o caráter instituído dos princípios da 
ação e da organização sociais. (CASTRO, 2002, p.01).
Viveiros vê a sociedade como sinônimo de povo, um tipo de humanidade, um grupo 
humano que tem a noção de regra (cidadania, autoridade, hierarquia, modos de troca). 
Os problemas associados à noção de ‘sociedade’ em sentido particular 
dizem respeito principalmente ao estabelecimento de tipos históricos 
e morfológicos de sociedade e aos princípios de relação entre eles. 
(CASTRO, 2002, p.09).
Dessa maneira, para o autor, a palavra sociedade expressa um sentido atribuído 
à cultura, remetendo a características singulares que diferenciam um povo do outro. 
Viveiros de Castro trabalha a ideia que o social e o cultural estão acima do natural, 
ou seja, há um processo de continuidades e de rupturas.
ANOTE ISTO
Portanto, a sociedade é a cultura, o meio em que vivemos, limitados com regras 
e organização social e a cultura que, para o sociólogo, é o fenômeno humano 
também terá sentido no conceito de sociedade trabalhado por Viveiros de Castro.
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ISTO ESTÁ NA REDE
Na reportagem abaixo você pode conhecer um pouco mais sobre o trabalho de 
Eduardo Viveiros de Castro como antropólogo e também sobre sua concepção de 
sociedade. 
“Modelos são, por definição, uma simplificação da realidade. Modelos podem ser 
usados para entender a realidade (heurística) ou, de forma normativa, para moldar 
a realidade, o que sempre é uma simplificação violenta sobre o mundo e a vida 
em sociedade. O modelo normativo impõe e sempre esteve na raiz do projeto 
modernista de achatar os muitos mundos, de modo a produzir um único nomos 
global”, explicou Eduardo Viveiros.
Fonte:https://www.ufmg.br/90anos/viveiros-de-castro-sociedades-tradicionais-podem-servir-de-exemplo/
14.3 Comunidade e Sociedade em Tonnies
Ferdinand Tonnies foi um importante sociólogo que também refletiu sobre a questão 
da sociedade, mas a partir da noção de comunidade e sociedade. Seus escritos datam 
do século XIX, mas ainda possuem demasiada importância para a sociologia e a 
interpretação do que é sociedade. Nascido no reino da Dinamarca, o autor foi muito 
apegado ao campo e às frações camponesas, questões que irá apresentar em seus 
textos. (MIRANDA, 1995).
Título: Ferdinand Tonnies.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_T%C3%B6nnies 
https://www.ufmg.br/90anos/viveiros-de-castro-sociedades-tradicionais-podem-servir-de-exemplo/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_T%C3%B6nnies
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Tonnies caminhava para a sociologia conforme se interessava pelas obras de Comte, 
Spencer e de Hume. Trava um debate sobre a questão do marxismo e compreende o 
capitalismo como uma doença da essência social. Passa, portanto, a divulgar o pacifismo 
entre as nações e as classes, desenvolvendo uma sociologia muito impactante para 
a ciência social norte-americana.
Sua obra trata sobre a questão da comunidade e da sociedade, de forma que esses 
dois conceitos, de grande importância, aparecem como uma crítica à modernidade. 
No entanto, o autor elabora suas reflexões não no sentido de modificar a realidade 
social, mas no sentido interpretativo para compreender a modernização do ocidente 
devido ao processo de transição do feudalismo para o capitalismo.
ANOTE ISTO
Para o autor, a sociedade modificou os laços familiares da comunidade e, 
na sociedade capitalista, existem ainda formas comunitárias e societárias 
de convivência. O capitalismo, portanto, é uma formação social baseada na 
racionalização instrumental e também na vontade arbitrária. A vontade natural que 
fundamenta a comunidade aparece como uma linhagem romântica, até por conta 
de sua tradição de apego ao campo e às tradições camponesas.(MIRANDA, 1995).
• compreende o capitalismo como uma doença da essência social e como uma 
crítica à modernidade;
Conforme Tonnies pensa a questão da sociedade e da comunidade, é possível 
ver em sua obra uma recusa da antinomia natureza-história, mas a presença da 
compreensão sobre os riscos das posições e limites para a construção da Ciência e 
da própria noção de racionalidade (MIRANDA, 1995, p.27).
• Tonnies, assim como Weber (se não lembra, volte para a nossa aula sobre 
Weber), trabalha com tipos ideais. Os dois principais são os conceitos e noções 
de comunidade e sociedade;
• Comunidade e sociedade: uma forma que o autor interpreta a sociedade 
burguesa a partir do momento que cria conceitos para se aproximar da 
realidade.
Para tanto, algo de grande relevância em sua obra é a discussão de modernidade 
capitalista, ainda que na modernidade seja possível ver formas comunitárias e 
societárias.
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ANOTE ISTO
• Sociedade é o conjunto das ações;
• Capitalismo é uma forma social que reduz as relações comunitárias e a 
sociabilidade mercantilista;
• O capitalismo provoca o desenvolvimento de cidades e as trocas comerciais;
• O capitalismo modifica os laços familiares e os planos das relações sociais, de 
forma que o poder do capital legitima as estruturas do poder patriarcal e do 
patrimonialismo .
O sociólogo compreende e cria os conceitos - através de tipos ideais- de comunidade 
e sociedade para explicar a vida atual e fazer uma crítica à modernidade burguesa 
que vive, pois toda a reflexão de Tonnies é para entender o processo de modernização 
no ocidente.
14.4 Atuação na sociedade: os movimentos sociais urbanos
Caro aluno, você já conhece os conceitos de sociedade, comunidade, entre tantos. 
Como vimos, as Ciências Sociais analisam a sociedade e suas estruturas, bem como 
as relações políticas, econômicas e culturais. Agora, no momento em que falaremos 
sobre a atuação na sociedade, é muito importante compreendermos os movimentos 
sociais urbanos; também um tema de grande importância para as Ciências Sociais e 
para o conceito de sociedade.
ANOTE ISTO
Os movimentos sociais urbanos lutam pelos espaços como um direito 
soberanamente público e coletivo e são verdadeiros exemplos de resistência e de 
oposição ao sistema vigente, à segregação social e à especulação imobiliária. As 
grandes cidades formam uma fortaleza e isso impede que muitos residam nos 
grandes centros e se divirtam, de maneira que há uma segregação à margem 
periférica e que aos olhos de muitos tornam-se inimigos da ordem social.
Diz-se, equivocadamente, que a violência das cidades é decorrente dos bairros 
pobres e de seus moradores, quando na verdade é a periferia que mais sofre com essa 
violência, seja a violência da completa ausência das condiçõesbásicas de existência, 
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seja a violência da falta de opções, ou a violência do aparato do Estado e do sistema 
ao qual pertence.
As crises urbanas são consequências de um aumento populacional, cuja infraestrutura 
não acompanha e se torna, assim, defasada. Na cidade ideal, aparentemente sem 
conflitos e problemas, associa-se a desordem, causada pela infraestrutura ultrapassada 
e a violência aos pobres e o lugar onde eles vivem. É por esse motivo que, segundo 
muitos, os conjuntos habitacionais para os pobres localizam-se nas periferias, 
distanciando os pobres e a sua violência; projetos de ampliação das áreas urbanas 
visam afastar ainda mais os pobres desordeiros do espaço urbano. 
Muitos são os movimentos sociais que lutam por direitos sociais, moradias, o 
direito de ir e vir. Dessa forma, a cidade como direito atribui importância ao espaço, 
considerando-o fundamental para a compreensão dos processos de luta social e 
estratégico para as atividades econômicas, políticas, culturais e sociais. É no espaço 
que ocorrem as lutas que visam uma moradia adequada para todos os seres humanos.
ANOTE ISTO
Para as ciências sociais, o que é urbano?
• Urbano é o espaço que qualifica um modo de vida que contém a maioria da 
sociedade;
• Cidade é uma definição, pois é um projeto de sociedade urbana num local 
delimitado espacialmente; diferente de urbano. 
O processo de urbanização, a globalização, as redefinições de 
apropriação e propriedade do capital e predomínio de corporações 
financeiras internacionais, acirram e aceleram a desigualdade 
socioespacial.” (RODRIGUES, 2007, p.4).
Segundo Arlete, no final de 1960, num período onde os movimentos sociais urbanos 
adquirem maior visibilidade, moradores de bairros da periferia, organizados em grupos, 
se dirigem ao poder local reivindicando iluminação pública, água potável, creches, 
postos de saúde, postos policiais, financiamento para habitação dos moradores e o 
direito de se manterem no local em que estão instalados (RODRIGUES, 2007).
Vinte anos depois, no final de 1980, os movimentos populares brasileiros ganharam 
dimensões nacionais. Em consequência da mobilização nacional, diversos municípios 
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brasileiros iniciam projetos de aprovação de leis com o objetivo de facilitar o acesso à 
terra para moradia, todavia, somente em 2001, com o Estatuto da Cidade, as funções 
sociais da cidade e da propriedade se tornam normatizadas (RODRIGUES, 2007). 
Como consequência da II Conferência dos Assentamentos Humanos, a Agenda Habitat 
II determinou como direito humano o direito à moradia, esse como fruto das lutas 
sociais (RODRIGUES, 2007). Diferente do que acontece, o direito à moradia como 
direito humano “incluiria o fim de despejos forçados” (RODRIGUES, 2007). 
• Os avanços da globalização e do neoliberalismo formam o terreno onde 
verificamos interesses e atuações a favor das classes mais ricas;
• Onde o que é público se torna privado;
• A cidade e seus lugares, desde as ruas, praças e áreas para se habitar;
• A cidade e suas utilidades, como hospitais, ambientes de lazer, escolas e locais 
de trabalho integram um bem coletivo;
A valorização do que é individual em detrimento do que é coletivo expressa um dos 
principais objetivos da nossa sociedade, que é o lucro. As consequências deste cenário 
são muitas, e entre elas podemos apontar a crescente desigualdade socioespacial, 
com a precarização das relações de trabalho.
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AULA 15
OS DESAFIOS DAS 
CIÊNCIAS SOCIAIS NO 
MUNDO CONTEMPORÂNEO
Título: Favela em Jakarta, Indonésia.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pobreza#/media/Ficheiro:Jakarta_slumlife31.JPG 
Como já estamos no processo final da nossa disciplina, na aula de hoje nada mais 
importante do que falarmos sobre um dos principais problemas que encaramos em 
nossa sociedade: o consumo e a desigualdade.
Devido ao fato de vivermos no mundo capitalista, essa realidade é uma das questões 
mais estudadas nas Ciências Sociais. Dessa forma, a nossa aula tem como objetivo 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pobreza#/media/Ficheiro:Jakarta_slumlife31.JPG
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principal refletir sobre a questão do consumo e da desigualdade em nossa sociedade. 
Como em nosso trajeto analisamos autores clássicos e muito importantes das Ciências 
Sociais, em nossa jornada hoje quem nos acompanhará serão Fredric Jameson e Jean-
Jacques Rousseau. Será um autor chamado Jamison e outro autor muito importante 
para as Ciências Sociais. 
Espero que você goste muito da nossa aula e que consiga aproveitar um pouco 
mais sobre as Ciências Sociais, assim como ver a importância no desenvolvimento 
teórico científico dessa ciência e também para sua vida pessoal e profissional.
15.1 Sociedade de consumo e pós-modernidade
Pós-modernidade é um conceito muito importante nas Ciências Sociais, mas pouco 
estudado. Os casos de pós-modernismos aparecem em sua maioria como reações 
específicas a formas canônicas da modernidade e se opõem à predominância na 
universidade, nos museus, etc. O autor Fredric Jameson compreende que são tantas 
as formas de pós-modernismo quantas forem as formas modernas. As formas pós-
modernistas não passam de reações específicas e locais contra os seus modelos. A 
corrente da pós-modernidade não se fundamenta em si mesma, mas em relação ao 
próprio modernismo contra o qual ela investe. 
Outro traço dessa linha de pós-modernismos é a dissolução de algumas fronteiras e 
divisões fundamentais. Como, por exemplo, o desgaste entre cultura erudita e cultura 
popular; a cultura de massa. Segundo Jameson (1984), os pós-modernismos têm se 
fundamentado nessa cultura de massa, principalmente no meio universitário, que 
engloba seriados, livros de bolso, etc.
Este termo não é apenas algo para denominar este conceito, mas é conceito de 
periodização que tem a função de correlacionar a emergência de novos traços formais 
na vida cultural com a necessidade de compreender a emergência de uma nova ordem 
econômica e social, chamada de sociedade pós-industrial, modernização, sociedade 
de consumo, sociedade do espetáculo ou do capitalismo multinacional. 
Essa nova fase do capitalismo pode ser datada a partir do crescimento econômico 
do pós-guerra nos EUA, final dos anos 40, anos 50. Na França, a partir da Quinta 
República, em 1958. A década de 60 marca esse período de transição que a nova ordem 
internacional (neocolonialismo, revolução verde, informatização e mídia eletrônica) se 
funda e é abalada em suas condições internas e externas. 
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ANOTE ISSO
Um dos pontos essenciais trabalhados por Jameson é que a pós-modernidade é 
capaz de expressar a verdade interior do capitalismo tardio e dessa nova ordem 
emergente. Um dos fatores que oferecem a especificidade dessa experiência pós-
moderna, para o autor, é o pastiche ou paródia. 
• Pastiche ou paródia envolvem imitação ou mimetismo de outros estilos, 
particularmente dos maneirismos;
• Para o autor, a paródia se aproveita da singularidade destes estilos para 
incorporar suas idiossincrasias (reagir de modo pessoal) e singularidades ao 
criar uma imitação que simula o original.
A problemática estabelecida por Jameson aparece no sentido da linguagem, pois se 
cada grupo específico tratar a linguagem à sua maneira, disporemos da diversidade e 
da heterogeneidade estilísticas. Neste momento, segundo o autor, é quando o pastiche 
aparece e a paródia se torna impossível. 
• O pastiche, é como a paródia, a imitaçãode um estilo singular ou exclusivo, 
a utilização de uma máscara estilística, uma fala em língua morta: mas a sua 
prática desse mimetismo é neutra, sem as motivações ocultas da paródia, sem 
o impulso satírico, sem a graça, sem aquele sentimento ainda latente de que 
existe uma norma, em comparação com a qual aquilo que está sendo imitado 
é, sobretudo, cômico; (JAMESON, 1984).
Há duas correntes:
• A primeira que é mais radical e outra não que analisa isto. Vejamos que a 
primeira corrente diz que na era clássica do capitalismo, com o apogeu da 
família nuclear e na ascensão da burguesia existia o individualismo, todavia, 
hoje com o capitalismo corporativo, o homem da organização e de burocracias 
empresariais estatais, o que existe não é mais o sujeito individual burguês.
• A segunda corrente, mais radical, pode ser considerada como pós-estruturalista 
(lembrem-se das nossas aulas de Antropologia e as escolas antropológicas) e 
analisa que não existe e nunca existiu um sujeito individual burguês, que isto é 
um mito e isto não passa de uma mistificação filosófica e cultural para persuadir 
as pessoas de que elas tinham sujeitos individuais e possuíam uma identidade 
como pessoa singular. 
Segundo o autor, não há mais nada para inventar, pois tudo já foi inventado e 
repetimos então o pastiche, pois tudo que restou foi imitar estilos mortos, falar com 
máscaras e com as vozes dos estilos do museu imaginário. Entendemos que a 
emergência da pós-modernidade, para esse autor, está relacionada com o advento 
do capitalismo avançado, multinacional e consumista. 
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ANOTE ISSO
Portanto, dois traços importantes da pós-modernidade:
• a transformação da realidade em imagens, a fragmentação do tempo em uma 
série de presentes perpétuos;
• Existe um modo pelo qual a pós-modernidade repercute e reproduz reiterando a 
lógica do capitalismo da sociedade de consumo. 
15.2 A questão das classes sociais
Como vimos nos autores clássicos das Ciências Sociais, há várias interpretações 
sobre a sociedade e sua lógica estruturante. As concepções são diversas. Agora 
veremos um pouco da concepção sobre classes sociais e a forma que está relacionada 
com a desigualdade social.
Muitos autores, a partir de um viés crítico, compreendem que as determinações 
econômicas e políticas se reúnem para além da aparência superficial. Nesse caso, 
entendem que nas lutas sociais a fraseologia e as pretensões dos partidos e seus 
interesses podem ser diversos.
Entendemos que a representação política não é uma mera manifestação da natureza 
social, e a luta política das classes não é somente o reflexo de uma essência, ela opera 
pelas contradições e condensações sociais.
ANOTE ISSO
• Dessa forma compreendem que as relações de produção se articulam com 
o Estado. Esse é o lugar onde interferem as relações de classe e o corpo 
burocrático do Estado.
• A relação entre a estrutura social e a luta política é mediada pelas relações de 
dependência e de dominação entre as nações em escala internacional;
• A estrutura social de classe não determina mecanicamente a representação e 
os conflitos políticos. 
Vejamos abaixo alguns pontos essenciais sobre o capitalismo e a questão das 
classes sociais. Os fatores principais são:
• No processo de produção capitalista, muitas vezes o trabalhador se porta no 
trabalho como um castigo;
• Sociedade dividida em classes sociais devido ao processo produtivo;
• Exploração do trabalho;
• Concentração de renda por uma pequena parcela da população.
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A mitificação do universo mercantil apresenta as relações sociais como coisas, mas 
Marx as concebe como relações de conflito, penetra seu movimento íntimo e retira 
as linhas de polarização das massas, percorre um caminho da totalidade, parte dos 
enlaçamentos e de suas subversões amorosas ao invés de separar o sujeito do objeto. 
Existe a ideia de dialética de sua luta ao invés de classes como realidade separáveis. 
São heterogêneas e desiguais, a consciência é inerente ao conflito que surge com a 
força do trabalho e resistência à exploração. 
15.3 A desigualdade social
Em 1749 a Academia de Dijon propôs para prêmio do ano a seguinte questão: 
Qual a origem da desigualdade entre os homens e será ela permitida pela lei natural? 
Rousseau resolveu concorrer e publicou a obra em 1755, que apareceu impressa com 
o título de Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. 
Segundo alguns pesquisadores da época, o autor estava sob influência da filosofia 
enciclopédica e das ciências naturais e históricas.
O Discurso não foi premiado pela academia. A dedicatória foi uma descrição da 
cidade dos sonhos de Rousseau e não da própria realidade. O autor instaurou na 
literatura o mito do selvagem livre, feliz, robusto e puro, com uma superioridade da 
vida simples na natureza em oposição à vida doentia das cidades, voltando a dar 
forma no ideal de vida em comunidade. 
O método de Rousseau é do raciocínio, pois possui rigor lógico nas conclusões 
hipotéticas, conhece um estado – de natureza - que não existe mais, que talvez nunca 
tenha existido e não existirá. Esse método está de acordo com outro, do recurso à 
experiência. O autor afirma que seu Discurso traz o potencial de solucionar o problema 
do direito natural (Rousseau define direito natural não em função do estado social, mas 
do homem natural na origem). No Discurso é possível encontrar os dois fundamentos 
do direito natural: instinto de conservação, que prende o homem a si mesmo, e a 
piedade, que prende o homem a outro.
consiste em reconstruir racionalmente a história humana em lugar 
de basear-se exclusivamente nos dados da geografia, da erudição 
e da teologia; por ai pode-se fazer um julgamento dessa história, 
justificando-a ou condenando-a. (BASTIDE, 1999, p.137).
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No livro de Rousseau o contexto histórico fica muito claro. Ele se refere ao Estado 
perfeito de Genebra, as condições são divididas por razões morais e políticas.
• Por razões morais: virtude individual semelhante com a social, unidade entre 
os governantes e os governados, a liberdade dos homens. Entende que a lei é 
para todos e não reconhece privilégios;
• Por razões políticas: Direito é algo comum a todos e são os magistrados que 
propõem as leis. Há também razões de bom clima e solo, mulheres de bons 
costumes e paz, pastores da religião, entre outros. 
No prefácio, o autor expõe a ideia geral do Discurso. Dentre eles, o conhecimento do 
homem é o mais importante de todos. A dificuldade é diferenciar o homem do estado 
de natureza original, do homem que se transformou. No entanto, há no homem uma 
bondade original que foi corrompida pela evolução social. 
Quanto à desigualdade, para Rousseau, existe uma igualdade original inscrita no 
homem natural, causas físicas produziram as diversas desigualdades que são artificiais. 
O autor compreende que há uma diferença entre a desigualdade natural ou física, e 
a desigualdade moral e política.
• Rousseau rejeita os conhecimentos sobrenaturais e a evolução biológica do 
homem, pois compreende que no estado de natureza o homem está constituído 
biologicamente de acordo com o hoje;
• O homem no estado de natureza: organização fisiológica perfeita, necessidades 
facilmente satisfeitas, capaz de adquirir os instintos dos animais, temperamento 
robusto e reforçado pela seleção natural que elimina os fracos, é audacioso.
• O que nos distingue do animal é a liberdade, posteriormente a faculdade de 
se aperfeiçoar e também de retroceder; faculdades intelectuais superiores que 
nascem das faculdades inferiores;
• Conclui que a sociabilidade não está inscrita na natureza humana, ohomem não 
tem necessidade de outro, “O estado de natureza caracteriza-se pela suficiência 
do instinto, o estado de sociedade pela suficiência da razão.” (BASTIDE, p.142).
Para Rousseau, o estado de natureza proporciona mais felicidade do que o estado 
social, pois o primeiro princípio da moral natural é o instinto de conservação de si 
mesmo. No estado de natureza a desigualdade é quase nula, e em nenhuma de suas 
formas possui grande realidade ou influência.
Há dois tipos de desigualdade na espécie humana: a física ou natural, que por ser 
estabelecida pela natureza, consiste nas diferenças de idade, saúde, forças do corpo, 
qualidade do espírito; e a outra que é a desigualdade moral ou política, compreendida 
por depender de uma espécie de convenção e estabelecida ou autorizada pelo 
consentimento dos homens. A segunda consiste nos privilégios de alguns sobre outros.
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ANOTE ISSO
Primeira forma de desigualdade:
• Sobre a desigualdade Rousseau compreende que essa está relacionada com a 
propriedade. 
• O progresso da desigualdade está relacionado com a propriedade e suscita a 
existência da desigualdade que separa os ricos dos pobres desde a formação 
das primeiras sociedades civis, baseadas em leis;
• Primeira causa da desigualdade: o desenvolvimento da metalurgia e da 
agricultura. Uma das consequências, na análise de Rousseau, foi a cultura das 
terras e sua divisão, ou seja, a posse contínua por quem as trata, coisa que gera 
um direito à propriedade.
• Ocorre também uma desigualdade dos talentos naturais que é multiplicada pelo 
rendimento do trabalho, os mais corajosos são os mais ricos, desenvolvem as 
riquezas, artes e línguas;
• Formação da sociedade e das leis: os ricos imaginam dar aos pobres as 
instituições além das naturais, surge a formação de governantes, associações e 
a perda da liberdade e do direito natural;
• As sociedades começam a se multiplicar e o direito civil mantém a ordem no 
interior de uma sociedade.
ANOTE ISSO
Segunda forma de desigualdade:
• Magistrados: quando criou os magistrados, a sociedade criou também uma 
segunda parte de desigualdades, de poderosos;
• O primeiro pacto é que os indivíduos se constituem em sociedade e trazem a 
necessidade de outro pacto que a sociedade criar um governo;
• As várias formas de governo estão em função do grau de desigualdade, 
que com o lucro de um só resulta na monarquia, com lucro de outros, na 
aristocracia, e com lucro de maior número à democracia. 
Terceira forma de desigualdade:
• O terceiro progresso da desigualdade é o despotismo, pois a modificação do 
poder legítimo em poder arbitrário provoca o aparecimento da terceira forma de 
desigualdade: do senhor e do escravo.
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
As questões colocadas por Rousseau há muitos anos possuem relação explícita 
com a nossa sociedade capitalista, fundamentada no lucro e consumo. Com 
a pandemia, o Brasil e o mundo observaram a desigualdade social, problema 
retratado por Rousseau, aumentar gradativamente. Na reportagem abaixo é possível 
ler sobre mais um caso de desigualdade em nosso país.
Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-58879411
Concluímos que a desigualdade não é legítima do ponto natural, houve uma alteração 
da alma e das paixões humanas que transformou a natureza. O homem natural 
desapareceu gradualmente e cedeu lugar a um agrupamento de homens artificiais. 
ANOTE ISSO
Em um diálogo sobre as sociedades mais simples, Rousseau fala da desigualdade 
na maneira de viver: o excesso de ociosidade de uns, excesso de trabalho de outros, 
facilidade de satisfazer as necessidades, ricos com alimentos muito rebuscados, a 
má alimentação dos pobres, os transportes imoderados, etc., são indícios funestos 
de que a maioria dos nossos males é obra nossa e que poderia ter sido evitado.
Segundo Rousseau, a natureza nos destinou a sermos sãos, e o estado de reflexão 
é contrário ao estado de natureza, o homem que medita é um animal depravado. Entre 
a condição selvagem e doméstica, a diferença de homem para homem deve ser maior 
do que existe de animal para animal. 
15.4 Afinal, quais os desafios das Ciências Sociais?
Caro aluno, como você estudou ao longo das nossas aulas, com certeza percebeu 
que muitos são os desafios das Ciências Sociais. E devido a história da humanidade 
estar sempre em movimento, novas contradições, conflitos, hábitos, costumes, formas 
de fazer política, cultura, mudanças na economia, entre tantos, mudam as relações 
políticas e sociais, assim como são possíveis de modificar também as estruturas que 
regem nossa sociedade.
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-58879411
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É dessa forma que não seria possível elencarmos apenas um desafio para as 
Ciências Sociais, pois são vários e cada vez mais crescentes. Em um mundo cheio 
de mudanças e muito turbulento, as Ciências Sociais são muito necessárias. Mesmo 
que você não seja um antropólogo, cientista político, sociólogo ou cientista social, a 
formação nessa área, mesmo que introdutória, muito te auxiliará em sua trajetória 
acadêmica e profissional. Portanto, ao nosso ver, o maior desafio atualmente das 
Ciências Sociais é o de proporcionar uma visão múltipla, interdisciplinar e crítica de 
sociedade para que você, futuro profissional e pesquisador, seja capaz de possuir 
uma formação bastante ampla e completa para que consiga intervir diretamente na 
sociedade.
ISTO ESTÁ NA REDE
Na matéria abaixo, a professora Arminda do Nascimento Arruda, professora 
titular do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências 
Humanas (FFLCH) da USP, define a importância das Ciências Sociais em nossa 
sociedade. 
Fonte:https://jornal.usp.br/artigos/tempos-de-pandemia-a-essencialidade-das-ciencias-humanas-sociais-e-das-artes/
https://jornal.usp.br/artigos/tempos-de-pandemia-a-essencialidade-das-ciencias-humanas-sociais-e-das-artes/
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CONCLUSÃO
Caro aluno, chegamos agora ao final da nossa jornada nas Ciências Sociais!
Espero que você tenha conseguido apreender todas as nossas aulas. O nosso 
curso tratou de diversos assuntos e temas que muitas vezes estão presentes no nosso 
cotidiano, mas que passamos a vê-los como naturais, normais, muitas vezes comuns. 
É para isto que as Ciências Sociais possuem sua fundamentalidade: entender que 
muitos dos nossos comportamentos, culturas, formas de organização social, assim 
como a história e economia são construídas historicamente por meio da relação entre 
indivíduo e sociedade no processo de construção social. 
Como vimos ao longo de todo o nosso curso, as Ciências Sociais é uma ciência de 
grande importância para compreendermos o processo histórico de desenvolvimento 
de inúmeros países, assim como as formas em que as diversas sociedades, com 
diversos povos e culturas se estruturam.
Sabemos que estudar Ciências Sociais e a nossa sociedade não é tarefa fácil, mas 
espero ter conseguido facilitar um pouco para você que está iniciando os seus estudos. 
Espero também que você tenha conseguido compreender e aprender os conteúdos 
aqui trabalhados. O nosso objetivo principal é passar o pensamento crítico e desvendar 
os mistérios, as teorias, as metodologias, os autores, e as áreas específicas que se 
debruçam e que refletem sobre a vida social, tendo conquistado em sua profissão e 
formação acadêmica um espaço muito importante.
Torço para que você consiga chegar ao final da nossa disciplina entendendo as 
questões que trabalhamos ao longo da nossa jornada. Espero também que você tenha 
gostado das Ciências Sociais eque a utilize em sua profissão e em seus estudos.
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ELEMENTOS COMPLEMENTARES
LIVRO
Título: Germinal.
Autor: Émile Zola.
Editora: Seguinte. (Possível encontrar publicado 
por diversas editoras e na internet para Download).
Sinopse: Um dos grandes romances do século 
XIX, expressão máxima do naturalismo literário, 
Germinal baseia-se em acontecimentos verídicos. 
Para escrevê-lo, Émile Zola trabalhou como 
mineiro numa mina de carvão, onde ocorreu uma 
greve sangrenta que durou dois meses. Atuando 
como repórter, adotando uma linguagem rápida e 
crua, Zola pintou a vida política e social da época 
como nenhum outro escritor. Mostrou, como 
jamais havia sido feito, que o ambiente social 
exerce efeitos diretos sobre os laços de família, 
sobre os vínculos de amizade, sobre as relações 
entre os apaixonados. Germinal é o primeiro romance a enfocar a luta de classes no 
momento de sua eclosão. A história se passa na segunda metade do século XIX, mas 
os sofrimentos que Zola descreve continuam presentes em nosso tempo. É uma obra 
em tons escuros. Termina ensolarada, com a esperança de uma nova ordem social 
para o mundo. Adaptada para leitores jovens, esta edição é complementada por textos 
de apoio sobre a vida de Zola e sobre o contexto histórico e literário de suas obras.
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FILME
Título: Nigth Shyamala.
Ano: 2004.
Sinopse: O filme revela de forma cinematográfica 
justamente o que Tonnies procura explorar no seu 
texto; aspectos como o romantismo de viver em 
comunidade, os laços de fraternidade e claramente o 
fato de viver em uma comunidade se tornar uma crítica 
à modernidade. A Vila é um filme norte americano de 
suspense, de 2004. Em busca de viver melhor, um 
grupo de pessoas funda uma vila em uma área da 
Pensilvânia com a expectativa de manter os filhos longe 
da violência da cidade, entretanto, este local tem por 
proteção uma floresta – foi gerado um misticismo de 
que os habitantes da floresta eram seres malignos e 
misteriosos – e uma jovem cega vai até o outro lado da vila para buscar medicamentos 
para um rapaz, seu noivo, que foi ferido por uma facada. Todavia, apenas quem guarda 
os segredos sobre os seres misteriosos da floresta são os anciões. No decorrer do 
filme fica claro que os anciões criaram este mito para que os jovens amedrontados não 
saíssem do seu lugar de origem para à cidade. O interessante é que o filme expressa 
que a história é um processo de rupturas e de continuidades, focando principalmente 
em como o capitalismo reduz as relações comunitárias. Mesmo na modernidade 
capitalista existe a possibilidade de “pequenas manchas” de outro tempo, como no 
filme, onde pessoas criaram um misticismo para manter tal comunidade e não deixar 
que a sociedade interfira nos distintos valores e na formação social. 
WEB
A Revista Aurora é produzida por discentes de Pós-Graduação em Ciências Sociais, da 
Unesp de Marília-SP. Possui diversos artigos científicos escritos e publicados por professores 
estudantes das Ciências Sociais de todo o Brasil. Há muita coisa interessante!!!
<https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/aurora/about> 
https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/aurora/about
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