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dentalovesdentaloves INTRODUÇÃO AINTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENORCIRURGIA ORAL MENOR APOSTILA FEITA POR @DENTALOVES Apostila de 1 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Um Recadinho Pra Você! © Obrigada por ter adquirido essa apostila! Saiba que ela foi confeccionada com muito carinho pra auxiliar seus estudos e aprendizado. © Durante os seus estudos, caso apareça alguma dúvida ou você encontre algum possível erro, pode entrar em contato comigo através do e-mail, direct ou WhatsApp. © Todo o conteúdo dessa apostila foi baseado em bibliografia específica, aulas e pesquisas na internet. © É proibida a venda ou distribuição gratuita deste material por outra pessoa que não seja eu, a autora. © No mais, espero que você goste e que te ajude bastante! © Não se esquece de registrar seus estudos com essa apostila e marcar no Instagram @dentaloves, eu vou amar acompanhar! Sumário Avaliação Pré-Operatória........................................................................................................02 Exames Complementares.......................................................................................................17 Princípios de Cirurgia...............................................................................................................21 Princípios de Exodontia...........................................................................................................39 Infecções Odontogênicas........................................................................................................59 Anestesia Odontológica...........................................................................................................85 Técnicas Anestésicas: Considerações Anatômicas...............................................................95 Técnicas Anestésicas na Maxila............................................................................................103 Técnicas Anestésicas na Mandíbula.....................................................................................121 Terapêutica Medicamentosa em Cirurgia Bucodental......................................................132 Emergências Médicas em Odontologia...............................................................................143 Complicações em Cirurgia Oral............................................................................................151 2 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Avaliação Pré-Operatória Anamnese Exame físico Tratamento Odontológico em pacientes com condições médicas comprometidas: o Problemas cardiovasculares o Problemas renais o Distúrbios endócrinos o Distúrbios neurológicos o Problemas pulmonares o Distúrbios hepáticos o Problemas hematológicos Tratamento em grávidas e lactentes Anamnese Dados pessoais Queixa principal (colocar com as palavras do paciente) Histórico da doença atual e familiar História clínica Revisão de sistemas (“você tem algum problema de coração? Nos rins?”) Exame físico Exame Físico Avaliação de dentes Língua Mucosa jugal Lábios Palato Tonsilas Glândulas salivares Palpar toda a cadeia ganglionar do complexo maxilofacial e pescoço Palpação da ATM: o Averiguação de crepitação e estalidos o Palpação dos músculos mastigatórios Palpação da Tireóide Aferição da PA (aferir no braço esquerdo): o Posiciona o manguito ao redor do braço, de 1 a 4cm da fossa antecubital o Palpa a artéria braquial, na fossa. Medição da Pulsação: o É medida com a ponta dos dendos médio e indicador, palpando a artéria radial, durante 30 segundos. o Multiplica esse valor por 2 para determinar o número de palpações por minuto. Saturação de oxigênio no sangue 3 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR História Clínica O cirurgião-dentista deve estar preparado para prever como problemas clínicos podem alterar a resposta do paciente com relação aos agentes anestésicos planejados e à cirurgia. A entrevista para obter a história clínica e o exame físico deve ser feita de acordo com cada paciente, levando em consideração os problemas clínicos, a idade, o nível de instrução, as circunstâncias sociais, a complexidade do procedimento programado e os métodos anestésicos previstos 1. Dados Pessoais Esses dados são: nome completo, endereço residencial, idade, sexo e profissão, assim como o nome do médico da atenção primária. O dentista usa essas informações, junto com suas impressões sobre a personalidade e o nível de instrução do indivíduo, para avaliar a confiabilidade do paciente. Isso é importante porque o valor da história clínica fornecida pelo paciente depende, principalmente, de sua credibilidade como um transmissor de seus dados clínicos. Se os dados pessoais do paciente e a entrevista derem razões ao profissional para suspeitar que a história clínica possa não ser confiável, devem-se tentar métodos alternativos para se obterem as informações necessárias. 2. Queixa Principal Pode ser feito por meio de um formulário a ser preenchido ou a resposta do paciente deve ser transcrita (preferencialmente de maneira literal), no prontuário odontológico. Essa declaração ajuda o profissional a estabelecer prioridades durante a obtenção da história e a planejar o tratamento. Além disso, formular a queixa principal incentiva os pacientes a esclarecer, tanto para eles mesmos quanto para o profissional, o motivo pelo qual desejam tratamento. 3. História da Queixa Principal O paciente deve ser questionado a descrever a história da queixa atual ou doença, especialmente quando ela apareceu, se houve mudanças desde a primeira aparição e se é influenciada por outros fatores. Por exemplo, descrições de dor devem incluir data de início, intensidade, duração, local e radiação, assim como fatores que pioram e amenizam a dor. Além disso, uma investigação deve ser feita sobre sintomas sistêmicos como febre, calafrios, letargia, anorexia, mal-estar e qualquer fraqueza associada à queixa principal. 4. História Clínica 4 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Questionários de saúde devem ser escritos de modo claro, em uma linguagem que não seja técnica e de maneira concisa. O formulário também deve incluir um espaço (p. ex., uma linha para ser assinada) para o paciente expressar ter entendido as questões e a necessidade de ser preciso em suas respostas. Além dessas informações básicas, convém investigar especificamente sobre problemas clínicos comuns que possam alterar o tratamento odontológico do paciente. Esses problemas são angina, infarto do miocárdio, sopros cardíacos, cardiopatia reumática, distúrbios hemorrágicos (incluindo uso de anticoagulantes), asma, doença pulmonar crônica, hepatite, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), diabetes, uso de corticosteroide, distúrbio convulsivo, acidente vascular encefálico (AVE) e qualquer prótese implantada como articulação artificial e válvulas cardíacas. Os pacientes devem ser perguntados especificamente sobre alergias a anestésicos locais, ácido acetilsalicílico e penicilina. Pacientes do sexo feminino, no grupo etário apropriado, devem ser indagadas, em cada consulta, se estão ou podem estar grávidas Uma breve história familiar pode ser útil e deve se concentrar nas doenças hereditárias relevantes, como a hemofilia. 5. Revisão dos Sistemas A revisão dos sistemas é um método sequencial e detalhado de esclarecer os sintomas do paciente com base em investigações de órgão por órgão. Ela pode revelar alterações de saúde não diagnosticadas. Por exemplo, a revisão do sistema cardiovascular em um paciente com história de doença isquêmica do coração inclui perguntas sobre desconforto no peito (durante esforço, refeições ou momento de descanso), palpitações, desmaios e inchaço do tornozelo. espera-se que o dentista realize uma rápida verificaçãode cabeça, orelhas, olhos, nariz, boca e garganta de todo paciente, independentemente se os outros sistemas foram revisados. Condições comuns de saúde para perguntar verbalmente ou em questionário de saúde. © Amamentação © Alergias a antibióticos ou anestésicos locais © Angina © Anticoagulantes em uso © Asma © Convulsão © Diabetes © Dispositivos protéticos implantados © Distúrbios hemorrágicos © Doença renal © Doença reumática cardíaca © Doenças pulmonares © Doenças sexualmente transmissíveis © Gravidez © Hepatites © Hipertensão © Infarto agudo do miocárdio © Sopros cardíacos © Osteoporose © Tuberculose © Uso de corticosteroides 6. Exame Físico O exame físico do paciente odontológico concentra-se na cavidade bucal e, em menor grau, em toda a região maxilofacial. 5 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Qualquer exame físico deve começar com a aferição dos sinais vitais. Geralmente, a avaliação física de várias partes do corpo envolve um ou mais dos seguintes meios primários de avaliação: (1) inspeção, (2) palpação, (3) percussão e (4) auscultação. Na região bucomaxilofacial, deve ser sempre realizada a inspeção. O odontólogo deve notar a distribuição e a textura dos pelos, a simetria e a proporção facial, os movimentos oculares e a cor da conjuntiva, a permeabilidade nasal em cada lado, a existência ou a ausência de lesões cutâneas ou descoloração e massas na face e no pescoço. É necessária uma inspeção minuciosa da cavidade bucal, contemplando a orofaringe, a língua, o assoalho da boca e a mucosa bucal. A palpação é importante quando examinamos o funcionamento da articulação temporomandibular (ATM); o tamanho e a função da glândula salivar; o tamanho da glândula tireoide; a existência ou a ausência de linfonodos aumentados e sensíveis; e o endurecimento dos tecidos moles da cavidade bucal, bem como determinamos a dor ou a presença de flutuações nas áreas inchadas Exame de rotina ® Região da articulação temporomandibular o Palpar e auscultar as articulações o Medir a variação de movimento da mandíbula e o padrão de abertura ® Região nasal e paranasal o Fechar cada narina, individualmente, para checar permeabilidade o Inspecionar a mucosa nasal anterior ® Boca o Retirar todas as próteses removíveis o Inspecionar a cavidade bucal em busca de lesões orais, nos dentes e na mucosa da faringe. o Avaliar visualmente as tonsilas e a úvula o Segurar a língua fora da boca com uma gaze seca enquanto as bordas laterais são inspecionadas o Palpar a língua, os lábios, o assoalho da boca e as glândulas salivares (observar a saliva) ® Palpar o pescoço para verificar o tamanho dos linfonodos e da glândula tireoide. Inspecionar as veias jugulares Classificação do estado físico pela American Society of Anesthesiologists (ASA) ASA I paciente normal, saudável ASA II paciente com doença sistêmica leve ou com um significante fator de risco à saúde ASA III paciente com doença sistêmica grave não incapacitante ASA IV paciente com doença sistêmica grave que oferece risco constante à vida ASA V paciente moribundo que, provavelmente, não sobreviverá sem a cirurgia ASA VI paciente com morte cerebral declarada que está passando por remoção de órgãos para doá-los 6 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Atitudes a Tomar: Modificar os planos habituais do tratamento com medidas de redução de ansiedade, técnicas farmacológicas de controle de ansiedade, monitoramento cuidadoso do paciente durante o procedimento ou a combinação desses métodos (é o que costuma ser necessário para ASA III) Solicitar uma consulta médica para orientação e preparação dos pacientes que serão submetidos a cirurgias bucais ambulatoriais (não reclinar totalmente um paciente com insuficiência cardíaca congestiva) ou cardiomiopatia hipertrófica Recusar-se a tratar o paciente em ambiente ambulatorial Encaminhar o indivíduo para um cirurgião bucomaxilofacial Angina Pectoris Dor substernal que pode ser irradiada para ombro e braço esquerdos e para região mandibular. É mais comum em homens acima dos 40 anos e em mulheres após a menopausa É causada pela isquemia do miocárdio e revertida pelo uso de nitroglicerina O processo básico da doença consiste em um estreitamento progressivo ou um espasmo (ou ambos) de uma ou mais artérias coronárias. Isso leva a um descompasso entre a demanda miocárdica de oxigênio e a capacidade das artérias coronárias de suprir o corpo com o sangue arterial. A demanda de oxigênio do miocárdio pode ser aumentada, por exemplo, pelo esforço ou pela ansiedade. A angina é um sintoma reversível de cardiopatia isquêmica produzido quando o suprimento sanguíneo do miocárdio não aumenta suficientemente para suprir o aumento de oxigênio necessário que resulta de uma doença arterial coronariana. O miocárdio torna-se isquêmico, produzindo uma pressão pesada ou uma sensação de aperto na região subesternal que pode se irradiar ao ombro e ao braço esquerdo e até a região mandibular. O paciente pode reclamar de uma intensa sensação de dificuldade de respirar adequadamente. O desconforto costuma desaparecer quando se reduzem as exigências de trabalho do miocárdio e se aumenta o suprimento de oxigênio para o músculo cardíaco. Se a angina surgir apenas durante um esforço moderadamente vigoroso e responder imediatamente ao descanso e à administração de nitroglicerina oral e se não tiver ocorrido um agravamento recente, os procedimentos de cirurgia bucal ambulatorial costumam ser seguros 7 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR quando realizados com as precauções apropriadas. No entanto, se os episódios de angina ocorrerem com mínimos esforços, se várias doses de nitroglicerina forem necessárias para aliviar o desconforto no peito ou se o paciente tiver angina instável, a cirurgia eletiva deve ser postergada até que uma consulta médica seja realizada. O aumento da demanda de oxigênio durante a cirurgia bucal ambulatorial é resultado, em primeiro lugar, da ansiedade do paciente. Portanto, um protocolo de redução de ansiedade deve ser iniciado. A anestesia local profunda é o melhor meio de limitar a ansiedade do paciente. Antes e durante a cirurgia, os sinais vitais devem ser monitorados periodicamente. Além disso, deve ser mantido contato verbal regular com o paciente. O uso de óxido nitroso ou outros métodos de sedação consciente para controle de ansiedade em pacientes com cardiopatia isquêmica deve ser considerado. A estimulação da atividade vagal provoca: o Náusea o Sudorese o Bradicardia (diminuição dos batimentos cardíacos) Surge durante esforços físicos Pode surgir com o aumento da ansiedade Evitar usar mais que 4ml de solução de anestésica que contenha epinefrina 1:100.000 Consultar o médico do paciente Usar o protocolo de redução de ansiedade Protocolo de Redução de Ansiedade Antes da cirurgia: o Agente hipnótico na noite anterior (opcional) o Agente sedativo antes da cirurgia (opcional) o Consulta matinal Durante a cirurgia: o Meios não farmacológicos: o Tranquilização verbal frequente o Conversa para distrair o paciente o Não fazer surpresas (o profissional da saúde avisa o paciente antes de fazer qualquer coisa que possa causar ansiedade) o Não fazer barulhos desnecessários o Instrumentos cirúrgicos longe do campo de visão do paciente o Música de fundo relaxante o Meios farmacológicos: § Anestésicos locais de duração e intensidade suficientes § Óxido nitroso § Ansiolíticos intravenosos § Evitar momentos bruscos § Não manter instrumentais a mostra do paciente Após a cirurgia: o Instruções e cuidados pós-operatórios o Analgésicos eficazes (a dor provoca a liberação de adrenalina, que gera ansiedade) o Contato para dúvidas 8 APOSTILAINTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR o Informar o paciente sobre sequelas pós-cirúrgicas esperadas (p. ex., inchaço ou leve gotejamento de sangue) o Tranquilização adicional Infarto do Miocárdio É normalmente causado por um coágulo que dificulta o fluxo sanguíneo. O tecido necrosado perde a função O infarto agudo do miocárdio (IAM) ocorre quando a isquemia não é aliviada e causa disfunção celular miocárdica e morte. Normalmente, o infarto do miocárdio acontece quando uma área estreita de uma artéria coronária tem um coágulo que bloqueia todo ou a maior parte do fluxo sanguíneo. A área infartada do miocárdio para de funcionar e, por fim, torna-se necrótica. Cirurgias bucais mais simples, tipicamente realizadas no consultório dentário, podem ser concretizadas antes de 6 meses após o IAM, se for pouco provável que o procedimento provoque ansiedade significativa e se o paciente tiver uma recuperação do IAM sem intercorrências. Pacientes que tiveram IAM tomam ácido acetilsalicílico ou outros antiplaquetários ou anticoagulantes para diminuir a trombogênese coronariana. Deve-se adotar um programa de redução de ansiedade. A utilização de anestésicos locais contendo epinefrina é segura, se administrados em quantidades adequadas usando-se uma técnica de aspiração. Os sinais vitais devem ser monitorados durante o período peroperatório Procedimento cirúrgico simples com consulta ao médico do paciente Tomam anticoagulante ou antiplaquetário É recomendado só fazer qualquer procedimento cirúrgico após 6 meses do infarto Acidente Vascular Cerebral A esses indivíduos, frequentemente são prescritos anticoagulantes ou medicação antiplaquetária. AVEs são tipicamente um resultado de um êmbolo a partir de história de fibrilação atrial, um trombo devido a um estado de hipercoagulabilidade ou vasos estenóticos. O indivíduo deve ser tratado por um protocolo de redução de ansiedade não farmacológico e ter seus sinais vitais cuidadosamente monitorados durante a cirurgia. Se a sedação farmacológica for necessária, podem ser utilizadas baixas concentrações de óxido nitroso. Paciente toma antiagregante plaquetário ou remédio para hipertensão Avaliar a PA do paciente Consultar o médico sobre suspensão temporária do anticoagulante Protocolo de redução de ansiedade não medicamentoso 9 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Considerar a opção do óxido nitroso Arritmias As arritmias cardíacas manifestam-se como contrações descoordenadas das câmaras do coração, secundárias aos déficits de condução iniciados por problemas na geração ou na propagação do impulso. A fibrilação atrial é a arritmia mais comum em pacientes com mais de 50 anos. Muitos defendem que se deve limitar a administração de epinefrina à quantidade de 0,04 mg, mas isso deve ser equilibrado com o risco geral do paciente para um evento cardíaco e sua capacidade de obter uma anestesia profunda para minimizar a dor e a ansiedade intraoperatórias. Além disso, os pacientes podem estar recebendo anticoagulantes ou ter um marca-passo cardíaco permanente. Equipamentos elétricos como o eletrocautério e o micro-ondas não devem ser usados perto do paciente. Os sinais vitais devem ser cuidadosamente monitorados, e convém considerar todas as outras comorbidades. Pode ser em consequência a outras doenças cardíacas preexistentes ou idiopática Utilizar protocolo de controle de ansiedade Insuficiência Cardíaca Congestiva Anomalia cardíaca que predispõe à endocardite infecciosa A ICC ocorre quando um miocárdio doente é incapaz de fornecer o débito cardíaco exigido pelo corpo ou quando demandas excessivas sobrecarregam um miocárdio normal. A redução do débito cardíaco causa fraqueza generalizada e deficiência na eliminação renal, levando ao excesso de fluido, o que proporciona a sobrecarga vascular. Os sintomas de insuficiência cardíaca congestiva são: o Ortopneia (transtorno respiratório que exibe encurtamento da respiração quando o paciente está em posição supina) o Dispneia paroxística noturna (paciente tem dificuldade respiratória uma ou duas horas depois de se deitar) o Edema no tornozelo (geralmente aparece como um inchaço do pé, do tornozelo ou de ambos, é causado pelo aumento do líquido intersticial. Normalmente, o líquido aumenta por causa de qualquer problema que eleve a pressão venosa ou reduza a proteína sérica) Pacientes com ortopneia normalmente dormem com a parte superior do corpo apoiada em vários travesseiros. Pacientes com ICC que estejam bem compensados por meio de dietas e terapia medicamentosa podem, com segurança, submeter-se a uma cirurgia bucal ambulatorial. Um protocolo de redução de ansiedade e oxigênio suplementar também ajuda. Pacientes com ortopneia não devem ser postos em posição supina durante qualquer procedimento. É melhor que a cirurgia para pacientes com insuficiência cardíaca congestiva descompensada seja adiada até que seja possível compensá-los ou os 10 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR procedimentos possam ser realizados em ambiente hospitalar. Fraqueza generalizada e deficiência na eliminação renal, provocando sobrecarga vascular Compromete a circulação de retorno O paciente acorda sufocado após 2 horas Dieta com baixo teor de sódio Evitar posição supina Asma A asma verdadeira envolve o estreitamento episódico de pequenas inflamações das vias respiratórias, que produzem sibilos e dispneia como resultado de estimulações químicas, infecciosas, imunológicas ou emocionais ou a combinação de todas. Pacientes com asma devem ser perguntados sobre fatores precipitantes, frequência e gravidade dos ataques, medicações usadas e resposta a essas medicações. A gravidade dos ataques pode, normalmente, ser avaliada pela necessidade de visitas ao pronto- socorro e internações hospitalares. Tais pacientes devem ser questionados especificamente sobre alergia ao ácido acetilsalicílico por causa da relativa alta frequência generalizada de alergia a anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em pessoas com asma, rinite crônica ou sinusite. Pacientes com asma grave precisam de broncodilatadores derivados de xantina, como teofilina, bem como da inalação de corticosteroides ou cursos de curta duração de altas doses de corticosteroides sistêmicos. Inalação de altas doses de corticosteroides, ociprenalinas e salbutamol Asma provocada por ansiedade deve analisar a possibilidade de uso do óxido nitroso Evitar uso de AINES Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) Antigamente, os termos enfisema e bronquite eram usados para descrever manifestações clínicas de DPOC, mas foi reconhecido que a DPOC é um espectro de problemas pulmonares patológicos. DPOC costuma ser causada por longa exposição a irritantes pulmonares, como fumaça de tabaco, o que acarreta a metaplasia do tecido das vias respiratórias pulmonares. As vias respiratórias ficam inflamadas, rompem-se, perdem suas propriedades elásticas e tornam-se obstruídas por causa de edema da mucosa, secreções excessivas e broncospasmo. Os pacientes com DPOC frequentemente se tornam dispneicos de modo leve ou moderado. Apresentam tosse crônica que produz grandes quantidades de secreções grossas, infecções frequentes do sistema respiratório e tórax em forma de barril e podem franzir os lábios para respirar e ter sibilo audível durante a respiração. Broncodilatadores, como teofilina, beta- agonistas ou anticolinérgicos inalatórios, são normalmente prescritos para pacientes com DPOC significativa. Sedativos, hipnóticos e narcóticos que deprimem a respiração devem ser evitados. 11 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Os pacientes podem precisar ser mantidos sentados de modo ereto na cadeira odontológica para conseguir lidar com suas secreções pulmonares normalmente copiosas.Deve manter o paciente ereto na cadeira para controlar as secreções Adiar o tratamento sempre que ele estiver na fase aguda Auscultar o tórax para averiguar sibilos Usar protocolo de redução da ansiedade Insuficiência Renal Crônica Pacientes com insuficiência renal crônica necessitam de diálises renais periódicas. É melhor realizar a cirurgia bucal eletiva 1 dia após o tratamento por diálise. Medicações que dependam do metabolismo renal ou da excreção devem ser evitadas ou usadas em doses modificadas para evitar a toxicidade sistêmica. Medicações relativamente nefrotóxicas, como AINEs, devem também ser evitadas em pacientes com rins seriamente comprometidos. Devido à alta incidência de hepatite em pacientes que passam por diálise renal, os cirurgiões-dentistas devem tomar precauções necessárias. A aparência alterada do osso causada por hiperparatireoidismo em pacientes com insuficiência renal também deve ser observada. Uso de heparina (evitar coagular) Evitar medicação pós-operatória (AINES) Uso de antibioticoterapia profilática Monitorar frequência cardíaca e PA Transplantes Esse indivíduo recebe corticosteroides A maioria desses pacientes também recebe agentes imunossupressores que podem causar o agravamento de infecções autolimitadas, tornando-as graves. Portanto, é justificado o uso mais agressivo de antibióticos. A ciclosporina A, um fármaco imunossupressor administrado depois do transplante de órgão, pode causar hiperplasia gengival. O cirurgião-dentista que realiza a cirurgia bucal deve saber disso para não cometer o erro de atribuir a hiperplasia gengival inteiramente a problemas de higiene. Ocasionalmente, pacientes que receberam transplantes renais têm problemas com hipertensão grave. Devem fazer antibioticoterapia profilática Possibilidade de hipertensão Rastrear vírus da hepatite B 12 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Hipertensão Arterial A pressão sanguínea cronicamente alta por causa desconhecida é chamada de hipertensão. A hipertensão leve ou moderada não costuma ser um problema na realização de um tratamento cirúrgico bucal ambulatorial. O cuidado com pacientes com hipertensão pouco controlada inclui o uso de um protocolo de redução de ansiedade e monitoramento de sinais vitais. Anestésicos locais contendo epinefrina devem ser usados com cautela. A cirurgia bucal eletiva para pacientes com hipertensão grave deve ser adiada até a pressão estar mais bem controlada. Cirurgias bucais de emergência em pacientes hipertensos graves devem ser realizadas em um ambiente bem controlado, ou em um hospital, para que o indivíduo seja monitorado com cuidado durante o procedimento, controlando-se a pressão sanguínea subsequentemente. A cirurgia bucal deve ser adiada até que a pressão seja controlada Hipertensão moderada: 140mmHg/90mmHg Hipertensão grave: maior ou igual a 20mmHg Diabetes Mellitus Caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia) É causado pela baixa produção de insulina, pela resistência dos receptores de insulina nos órgãos terminais a seus efeitos ou por ambos. O diabetes é dividido em dependente de insulina (tipo 1) e não dependente de insulina (tipo 2). O diabetes tipo 1 tem início durante a infância ou a adolescência. o O maior problema desse tipo de diabetes é a baixa produção de insulina, que resulta na inabilidade do paciente de usar a glicose apropriadamente. A glicose sérica sobe acima do nível que a reabsorção renal de toda a glicose pode realizar, causando glicosúria. Normalmente, os pacientes com diabetes tipo 2 produzem insulina, mas em quantidades insuficientes, por causa de sua baixa atividade, da resistência do receptor de insulina ou ambos. Esse tipo de diabetes tipicamente tem início na fase adulta, é exacerbado pela obesidade e, normalmente, não precisa de terapia insulínica. Procedimentos cirúrgicos bucais ambulatoriais devem ser realizados no começo do dia, usando-se um programa de redução de ansiedade. O paciente deve ser orientado a se alimentar normalmente e a tomar a quantidade matinal habitual de insulina regular. Os sinais vitais do paciente devem ser monitorados. Se sinais de hipoglicemia (hipotensão, fome, sonolência, náuseas, sudorese, taquicardia ou mudança de humor) ocorrerem, um suprimento oral ou intravenoso de glicose deve ser administrado. Pessoas com o diabetes bem controlado não são mais suscetíveis a infecções do que aquelas sem diabetes, mas 13 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR apresentam maior dificuldade em contê- las. Isso é causado pela alteração da função leucocitária ou por outros fatores que afetam a habilidade do corpo de controlar uma infecção. Portanto, cirurgias bucais eletivas devem ser adiadas em pacientes com diabetes mal controlado até que esse controle seja alcançado. Entretanto, se houver uma situação de emergência ou uma infecção bucal grave em qualquer pessoa com diabetes, deve- se considerar uma internação hospitalar para o controle agudo da hiperglicemia e o tratamento agressivo da infecção. A insulina tem a função de metabolizar a glicose para produção de energia Ela é produzida pelo pâncreas Tipo 1: baixa produção de insulina Tipo 2: pouca insulina ou resistência do receptor de insulina ou ambos Risco de hipo ou hiperglicemia Antibioticoterapia profilática Consulta ao médico Manter contato verbal para avaliar hipoglicemia Doenças do Córtex da Suprarrennal As doenças do córtex suprarrenal podem causar insuficiência suprarrenal. Os sintomas primários de insuficiência suprarrenal são: o Fraqueza o Perda de peso o Fadiga o Rosto redondo, pele fina o Hipotensão, náusea e febre o Hiperpigmentação da pele e das mucosas (manchas cor café-com- leite) Entretanto, a causa mais comum da insuficiência suprarrenal é a administração terapêutica crônica de corticosteroides (insuficiência suprarrenal secundária). Frequentemente, pacientes que recebem corticosteroides apresentam rostos redondos (em formato de lua), gibosidade nas costas e pele fina e translúcida. Em geral, procedimentos simples precisam apenas de um protocolo de redução de ansiedade. Por conseguinte, esteroides suplementares não são necessários para a maioria dos procedimentos odontológicos. O profissional deve monitorar o paciente de perto para quaisquer sinais ou sintomas de crise suprarrenal. Procedimentos mais complicados, como cirurgias ortognáticas em pacientes com supressão suprarrenal, normalmente requerem suplementação de esteroides 14 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Hipertireioidismo As primeiras manifestações da produção excessiva de hormônios da tireoide são cabelos finos e quebradiços, hiperpigmentação da pele, sudorese excessiva, taquicardia, palpitações, perda de peso e instabilidade emocional. Os pacientes frequentemente, embora não invariavelmente, têm exoftalmia (abaulamento ou saliência do globo ocular causado por aumento de gordura na órbita). Normalmente, os pacientes tireotóxicos são tratados com agentes que bloqueiam a síntese e a secreção de hormônios da tireoide, com tireoidectomia ou ambos. Se houver suspeita de hipertireoidismo após o histórico e a inspeção, a glândula não deve ser palpada porque essa manipulação isolada pode iniciar uma crise. Pacientes com doença da glândula tireoide devidamente tratada podem passar por cirurgia bucal ambulatorial de modo seguro. Atropina e quantidades excessivas de soluções que contêm epinefrina devem ser evitadas, se houver desconfiança de que o paciente apresenta hipertireoidismo tratado inadequadamente. Adenoma da tireóide causa excesso de hormônios da tireóide Excesso do hormônio causa: o Palpitação o Sudorese excessiva o Perda de peso o Instabilidade emocionalo Exoftalmia o Pode causar insuficiência cardíaca o Paciente devidamente tratado, faz cirurgia normalmente Hipotireoidismo O cirurgião-dentista pode ter papel importante no reconhecimento inicial do hipotireoidismo. Os primeiros sintomas do hipotireoidismo são: o Fadiga o Constipação intestinal o Ganho de peso o Rouquidão o Dores de cabeça o Artralgia o Distúrbios menstruais o Edema o Pele seca e cabelos e unhas quebradiças. Se os sintomas do hipotireoidismo forem leves, nenhuma modificação no tratamento odontológico é necessária. Crises Convulsivas Pacientes com histórico de convulsões devem ser questionados sobre a frequência, o tipo, a duração e as sequelas dessas convulsões. As convulsões podem ser consequência de síndrome de abstinência do álcool, febre alta, desequilíbrio eletrolítico, hipoglicemia ou dano cerebral traumático ou ser idiopáticas. O cirurgião-dentista deve perguntar sobre os medicamentos usados. 15 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Se o distúrbio convulsivo estiver bem controlado, o tratamento cirúrgico bucal padrão pode ser realizado sem nenhuma precaução adicional (exceto pelo uso do protocolo de redução da ansiedade. Consultar o médico do paciente Se bem compensado, tratar como qualquer paciente ASA II Etilismo Pacientes que voluntariamente relatam um histórico de abuso de álcool ou que são suspeitos de etilismo, requerem considerações especiais antes da cirurgia. Os problemas primários que os etilistas têm com relação a tratamentos odontológicos são insuficiência hepática, interação de medicamentos com álcool, anormalidades eletrolíticas e efeitos da abstinência. O álcool interage com muitos dos sedativos usados para o controle da ansiedade durante a cirurgia bucal. Geralmente, a interação potencializa o nível de sedação e suprime o reflexo de vômito. Pacientes que necessitam de cirurgia bucal e que apresentam sinais de grave doença alcoólica do fígado ou sinais de abstinência de álcool devem ser tratados em ambiente hospitalar. Em pacientes que podem ser tratados em regime ambulatorial, a dose de medicações metabolizada no fígado deve ser alterada. Gravidez A preocupação primária, quando se trata de fornecer tratamento para uma paciente grávida, é a prevenção de danos genéticos ao feto. As duas áreas do tratamento cirúrgico bucal com potencial para criar danos fetais são: (1) exames de imagem odontológicos e (2) administração de fármacos. É praticamente impossível realizar um procedimento cirúrgico bucal com sucesso sem o uso de radiografias ou medicamentos; portanto, uma opção é adiar qualquer cirurgia bucal eletiva até depois do parto para evitar riscos ao feto. No entanto, se o procedimento durante a gravidez não puder ser adiado, devem ser realizados esforços para diminuir a exposição fetal aos fatores teratogênicos. Para cirurgias bucais, acredita-se que as seguintes medicações sejam menos prováveis de causar danos ao feto quando usadas em quantidades moderadas: lidocaína, bupivacaína, paracetamol, codeína, penicilina e cefalosporinas. A utilização de AINEs, como salicilatos e ibuprofeno, não deve ser feita durante a gravidez, especialmente ao fim do terceiro trimestre, devido às suas propriedades antiplaquetárias e ao potencial para causar o fechamento prematuro do ducto arterioso. Todas as medicações sedativas devem ser evitadas em pacientes grávidas. 16 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR O óxido nitroso não deve ser usado durante o primeiro trimestre. Proteger mãe e feto Adiar o máximo que puder Infecção é risco à mãe e ao feto Pode usar: lidocaína, bupivacaína, paracetamol, codeína, penicilina e cefalosporina Recomenda-se um protocolo de redução de ansiedade. Os sinais vitais da paciente devem ser obtidos, com atenção particular a qualquer elevação na pressão sanguínea (um possível sinal de pré-eclâmpsia). Pausas frequentes para que a paciente urine costumam ser necessárias ao fim da gravidez, por conta da pressão fetal na bexiga. Antes de realizar qualquer cirurgia bucal em uma gestante, o médico deve consultar o obstetra da paciente. Medicamentos que devem ser evitados em pacientes grávidas: Salicilatos e outros AINES: © Carbamazepina © Clordiazepóxido © Cloridrato de difenidramina (se usado cronicamente) © Corticosteroides © Diazepam e outros benzodiazepínicos © Hidrato de cloral (se usado cronicamente) © Morfina © Óxido nitroso Agentes anti-inflamatórios não esteroides: © Cloridrato de pentazocina © Cloridrato de prometazina © Fenobarbital © Tetraciclinas 17 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Após a anamnese e o exame físico, e com base na queixa principal do paciente, o profissional irá determinar os exames complementares necessários para o planejamento do caso. Para cirurgias ambulatoriais extensas ou cirurgias em ambiente hospitalar, costuma-se solicitar hemograma, coagulograma completo, glicemia em jejum, ureia, creatinina e urina I, com o objetivo de descartar alterações graves que possam interferir no tratamento proposto. Biópsia e Citologia Esfoliativa A biópsia é um exame que serve para analisar a saúde e a integridade de diversos tecidos do corpo O objetivo da biópsia é observar qualquer mudança. Como alteração da forma e do tamanho das células, sendo útil até mesmo para identificar a presença de células cancerígenas e outras anormalidades. Exames de Imagem Radiografias panorâmicas Radiografia periapical Radiografia oclusal Tomografia Ressonância magnética Exames Laboratoriais Hemograma Série vermelha Série branca Plaquetas Leucócitos (Leucopenia) Normal: 4500 – 11000/mm3 Pode ser causada por: o Anemia o Uso de antibióticos e diuréticos o Má nutrição ou sistema imune fraco o HIV o Leucemia o Lúpus o Quimioterapia o Covid Neutrófilos Sua principal função é a fagocitose Netropenia Baixa resistência (risco de infecção) Neutrofilia Infecções bacterianas agudas Traumatismo Linfócitos e Monócitos Combate a vírus e tumores Linfocitose: infecções virais e câncer Eosinófilos Doenças alérgicas e doenças parasitárias Basósfilos Processos inflamatórios e vacinas EXAMES 18 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Série Vermelha Hematócrito Massa total de células no sangue Hemoglobina Célula responsável de levar oxigênio aos tecidos do corpo. A anemia tem como característica a diminuição dos glóbulos vermelhos. Avaliação clínica (petéquias e equimoses na pele) História pregressa de hemorragias do paciente Causa aparente da hemorragia; surgimento de hematomas Antecedentes familiares A avaliação dos dados obtidos, norteará a decisão do profissional para solicitar ou não os exames adequados ao laboratório clínico. Se o paciente não apresentar nenhuma anormalidade, segue-se ao procedimento cirúrgico, normalmente. Doença de Von Willebrand Prolongamento do tempo de sangramento Escassa adesividade das plaquetas Ausência do fator VIII Suspeita de Coagulopatia: Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) A ausência de alguns fatores pode indicar aumento do TTPa Valores entre 2 e 3 são patológicos Normal: de 35 a 50 segundos Tempo de atividade de protrombina (TAP) o É utilizado no setor de hemostasia para avaliar, por meio de seus fatores, a integridade da via extrínseca e comum da cascata de coagualação o INR (International Normalized Ratio), ou razão normalizada intercionalizada o INR = TP do paciente em segundos/TP médio normal em segundos o Detecta o tempo de coagulação o Varia de 10 a 12 segundos o Esse tempo estará alterado quando há alteração de alguns fatores de coagulação ou quando há excesso de heparina, varfarina ou uso de outro anticoagulante (Clopitogrel, Clexane)o INR: utilizada para avaliar a ação do anticoagulante o INR entre 2 e 3, pode realizar cirurgia Tempo de trombina (TT) o Relativo à quantidade e reatividade da transformação do fibrinogênio em fibrina o O tempo normal é próximo de 18 segundos (2 segundos a mais ou menos, aceitável) 19 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Tempo de sangramento (TS) o Tempo necessário para estancar uma ferida menor que 4mm o 1 a 4 minutos o Avaliar as funções capilares e plaquetárias o Isoladamente, não é um método seguro o Contagem de plaquetas Plaquetometria Estudo do número de plaquetas Plaquetas = trombócitos Taxa normal entre 1500 e 450.000 por mm3 de sangue Plaquetose/Trombocitose - Causas o Perda de sangue o Policitemia primária o Cardiopatias e doenças autoimunes Trombocitopenia - Causas o Abuso de drogas o Linfossarcoma o Tuberculose o Mieloma o Hiperesplenismo Retração do Coágulo Eficiente forma de avaliar o mecanismo plaquetário Inicia-se aos 20 minutos e apresenta em 50%, em 3 minutos O tempo de retração aumenta nas anemias. Tempo de Coagulação Permite avaliação global dos fatores de coagulação O aumento pode indicar deficiência de fibrinogênio e hemofilia Manejo do Paciente com Coagulopatia Solicitar testes de coagulação indicados Marcar a cirurgia para pouco tempo depois de qualquer medida de correção de coagulação ter sido tomada pelo médico do paciente Aumentar a coagulação durante a cirurgia com o uso de substâncias tópicas que a promovam Aplicar firmemente suturas e compressas Monitorar a ferida por 2h para assegurar que uma boa coagulação inicial esteja se formando Aconselhar o paciente a evitar o deslocamento do coágulo e orientá-lo sobre o que fazer se a hemorragia recomeçar 20 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Evitar prescrever AINEs Pacientes que fazem hemodiálise, fazer a cirurgia 1 dia após a mesma Exame Interpretação Eritrograma Hemácias (milhões/mm3) Diminuição sinaliza anemias; aumento em doenças hematológicas, desidratação ou queimaduras Hemoglobina (g/dℓ) Hematócrito (%) Leucócitos totais Aumentados nas infecções agudas, especialmente bacterianas Neutrófilos (bastonetes) Neutrófilos (segmentados) Eosinófilos Aumento sugere parasitoses ou alergias Basófilos Alergia ou processo inflamatório prolongado Linfócitos Reduzidos em doenças da medula óssea como anemia aplásica ou leucemia, ou infecção pelo HIV; aumentados em quadros infecciosos, especialmente infecções virais Monócitos Aumentados nas infecções bacterianas subagudas Linfócitos atípicos Plaquetas/mm3 Diminuídas ou aumentadas em estados que afetam a produção; diminuídas em alguns distúrbios hereditários, lúpus eritematoso sistêmico, anemia perniciosa, hiperesplenismo, leucemia e quimioterapia Tempo de sangramento (TS) Avalia eficiência das plaquetas na formação do coágulo Tempo de coagulação (TC) Avalia a via intríseca da coagulação. Tempo de coagulação aumentado sinaliza deficiência de fatores ou uso de anticoagulantes Tempo de protrombina (TP) Avalia a via extrínseca da coagulação (fatores II, V, VII, X e fibrinogênio). Aumentado na deficiência de fatores, deficiência de vitamina K ou uso de anticoagulantes orais Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA) Avalia a via intrínseca da coagulação (fatores VIII, IX, XI, XII) e da via comum (I, II e X) Plaquetas/mm3 Razão normalizada internacional (INR) Avalia os valores de TP quando comparados com padrões do pool normal de pacientes. Muito utilizado no acompanhamento da terapia com anticoagulantes orais Glicose (em jejum) Detectar hipoglicemia ou hiperglicemia; investigação de diabetes melito; monitoramento de pacientes diabéticos Ureia Níveis aumentados indicam redução da função renal Creatinina Urina Avaliar presença de inflamação ou lesão das vias urinárias, doenças renais, diabetes melito 21 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Princípios de Cirurgia Princípio: proposição de elementos e fundamentos que serve a uma ordem de conhecimento Cirurgia: arte de curar doenças por processos operatórios Fundamentos da Cirurgia Moderna: 1. Uma técnica atraumática; (retirar apenas a causa do possível problema) 2. O cuidadoso controle da hemorragia; 3. A delicadeza e o cuidado no manejo dos tecidos; 4. Um absoluto respeito à assepsia cirúrgica (quanto mais descontaminada a cirurgia, menor a chance de infecções e maior a chance de previsibilidade do resultado final) Necessidades Básicas para a Cirurgia 1. Instrumental adequado 2. Boa visibilidade (garantir um acesso adequado àquela região): a. Acesso apropriado b. Iluminação suficiente c. Campo cirúrgico sem excesso de sangue e fluidos 3. Bom auxílio (reduzindo o tempo cirúrgico) a. Treinamento e conhecimento do procedimento que será realizado pelo cirurgião O acesso adequado requer, além da capacidade do paciente de abrir bem a boca, uma exposição cirúrgica suficientemente ampla. Obtém-se melhor acesso pela criação de retalhos cirúrgicos. A fonte de luz deve ser reposicionada continuamente. O cirurgião-dentista ou o assistente devem evitar obstruí-la. Um campo cirúrgico livre de fluidos e debris também é necessário para uma visibilidade adequada. Um aspirador cirúrgico de alta potência com uma ponta de sucção relativamente pequena pode rapidamente remover o sangue e outros fluidos do campo. Técnica Asséptica Manutenção da cadeia asséptica Antissepsia é diferente de assepsia Assepsia: ausência completa de microrganismos (objetos inanimados) – Ex: esterilizar os instrumentais, limpar a bancada Antisspesia: redução da quantidade de microrganismos (realizar à pessoas, seres) – Ex: limpeza do paciente com gaze embebida em clorexidina A assepsia médica é a tentativa de manter os pacientes, a equipe de saúde e os 22 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR objetos o mais livres possível de agentes que causem infecção. Já a assepsia cirúrgica é a tentativa de impedir que os agentes patogênicos tenham acesso às feridas criadas cirurgicamente. Antisséptico e desinfetante são termos muitas vezes utilizados de maneira equivocada. Ambos se referem a substâncias que podem impedir a multiplicação de organismos capazes de causar infecção. A diferença é que antissépticos são aplicados a tecidos vivos, enquanto desinfetantes são projetados para o uso em objetos e superfícies. A esterilidade consiste na eliminação total das formas viáveis de microrganismos. A esterilidade representa um estado absoluto; não há graus de esterilidade. Desinfecção é a redução do número de microrganismos viáveis para níveis considerados seguros pelos padrões da saúde pública. Cadeia Asséptica O rompimento de um desses itens, permite a entrada de microrganismos e quebra essa cadeia. Assim a previsibilidade final do processo pode ser alterada Aspectos a serem observados previamente ao procedimento cirúrgico: Esterilização do instrumental e do material Preparo do operador e de seus auxiliares Preparo do paciente o Antissepsia do paciente o Intraoral: § bochecho com gluconato de clorexidina 0,12% o Extra-oral: § Apreender gaze em pinça pean (é a pinça para antissepsia); § Embeber em gluconato de clorexidina 0,2% Ausência de Contaminação Paciente InstrumentosProfissional Microrganismos 23 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR § Aplicar de maneira centrípeta a partir da linha de selamento labial, no terço médio da face (ou seja, do centro da boca para a periferia). (primeiro limpar os lábios, descarta a gaze e depois limpa ao redor da boca, em cada hemiface) § Colocar o campo protetor estéril sobre a cabeça Preparo da mesa cirúrgica Destino do material contaminado (lixo comum: papéis que não tiveram contato com o paciente; lixo contaminado: elementos que tiveramcontato com o paciente; lixo perfurocortante: agulhas, fios de sutura) Preparo do Operador e de seus Auxiliares: o Paramentação com gorro, máscara e óculos (+grosso) – bloqueio físico o Antissepsia Manobras Fundamentais 1. Diérese (incisão e descolamento dos tecidos) 2. Exérese (retirada de tecido) 3. Hemostasia (parar o sangramento) 4. Síntese (unir os tecidos) Incisões O osso e os tecidos ligamentares cegam as lâminas muito mais rapidamente que a mucosa bucal. Portanto, o cirurgião-dentista deve trocar a lâmina sempre que o bisturi não estiver fazendo a incisão com facilidade. Repetições e tentativas de incisar aumentam a quantidade de dano tecidual e de sangramento em uma ferida cirúrgica. Incisões longas e contínuas são preferíveis a incisões curtas e intermitentes O cirurgião deve fazer incisões apenas em profundidade suficiente para definir o próximo plano maior, quando fará cortes próximos a vasos maiores, ductos e nervos. Importantes nervos também costumam poder ser separados dos tecidos adjacentes e afastados da área a ser incisada. Princípio I Lâmina afiada e tamanho adequado (trocar a lâmina ao notar que ela não está afiada) Princípio II Golpe firme e contínuo deve ser usado ao fazer uma incisão (a incisão não deve apresentar irregularidades) Princípio III Deve ser realizado cuidadosamente para evitar cortar estruturas vitais ao fazer uma incisão Princípio IV Incisões em superfície epitelial, que se deseja reaproximar, devem ser feitas com a lâmina em posição perpendicular a superfície epitelial 24 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Tal ângulo produz bordas quadradas no corte, mais fáceis de reorientar apropriadamente durante a sutura, e menos suscetíveis à necrose nas bordas da incisão como resultado da isquemia Incisões em gengivas inseridas e sobre ossos saudáveis são mais desejáveis que aquelas em gengivas não inseridas e em ossos doentes e ausentes. O osso saudável deve estar, pelo menos, a alguns milímetros de distância do osso danificado, o que oferece suporte para a cicatrização da incisão. É melhor evitar incisões sobre proeminências, como a eminência canina, porque a pressão na ferida fechada em uma proeminência pode interferir na cicatrização. Incisões posicionadas próximo ao dente a ser extraído devem ser feitas no sulco gengival, a não ser que haja a necessidade de incisar a gengiva marginal ou deixar a gengiva marginal intacta. Bisturi A lâmina de bisturi mais frequentemente usada para a cirurgia intrabucal é a de nº 15 Ela é pequena e usada para fazer incisões em torno dos dentes e nos tecidos moles. Outras lâminas empregadas em cirurgia intrabucal são as de n° 11 e de n° 12. A n° 11 é uma lâmina pontiaguda utilizada, principalmente, para fazer pequenas incisões, como para incisar um abscesso e drená-lo. A lâmina em forma de gancho n° 12 é útil para procedimentos nas áreas mucogengivais em que as incisões são feitas sobre as faces posteriores dos dentes ou na área da tuberosidade maxilar. A lâmina de bisturi deve ser cuidadosamente colocada no cabo que prende a lâmina com um porta-agulha Cabo de bisturi nº4: utilizado para incisões médias (lâminas da sequência 20) Cabo de bisturi nº 3: acoplado nas lâminas da série 10 (10, 11, 12, 15) Cabo de bisturi 11: ex – drenagem de abcesso Cabo de bisturi 12: ex – incisão em que há algum impedimento para realizar a inclinação... tuber ou área de distal de molar Cabo de bisturi 15: ex – chamada de lâmina geral (mais usada na cavidade oral) Tem uma variação: lâmina 12C Princípio V Incisões na cavidade oral devem ser devidamente aplicadas (preservar tecidos com menor vascularização/regeneração – ex: papilas gengivais) 25 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Bisturi Frio Acesso a uma região onde precisamos ter precisamos ter união das bordas Bisturi Elétrico Cirurgias com muito sangramento (potencial sangrante) Ele corta e cauteriza ao mesmo tempo Permite um menor sangramento transoperatório Postura de Uso Manusear o bisturi com uma pega de pena Incisões curtas e precisas: em formato de pena, ângulo de 90° Colocar ele até sentir o osso e após isso, correr com ele e fazer a incisão. Segurar a lâmina em qualquer ângulo que não seja 90° cria um corte oblíquo na superfície do tecido que é difícil de fechar apropriadamente e compromete o fornecimento de sangue para a borda da ferida. 26 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Quando eu faço uma incisão perpendicular ao plano gengival, garantimos uma ruptura do tecido em que as bordas do ferimento terão volumes semelhantes. Aproximação dos bordos do ferimento de maneira uniforme Maior previsibilidade do resultado final da incisão Incisão biselada: presença de pontos que não terão uma nutrição adequada. Risco da área que não está inserida em um ponto de nutrição, necrosar e com isso, haver um retardo na cicatrização. Corte com lâmina bem afiada e incisão única (de golpe único): resultado da imagem 1 Se realizo diversas incisões ou uso um instrumental que não está afiado, teremos irregularidades nos bordos como na imagem 2 Resultado final não satisfatório ao unir os bordos Planejamento da Incisão Os retalhos que são confeccionados para dentro da cavidade oral, em sua maioria, são retalhos mucoperiostiais, em que devemos fazer uma inserção do bisturi até atingir o periósteo e fazer a incisão do periósteo junto com a mucosa Um corte apenas na gengiva, acaba por esgaçar o periósteo, levando a sangramento e dificuldade de cicatrização. As margens da incisão devem ser feitas em local com osso sadio Garantindo boa nutrição/vascularização ao tecido e uma boa regeneração Retalho em tecido ósseo sadio 27 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR O retalho deve ser amplo o suficiente para proporcionar um bom campo operatório Manter uma boa vascularização ao retalho para favorecer a rápida cicatrização (colocar o afastador em superfícies ósseas, para evitar o interrompimento da circulação) Bordas bem definidas possibilitando uma aproximação prevenindo a necrose, deiscência e dilacerações Nutrição adequada Prevenção de necrose no retalho O ápice do retalho nunca deve ser maior que a base, a não ser que a artéria principal esteja presente na base. Os retalhos devem ter lados paralelos um ao outro ou convergir da base para o ápice do retalho. Geralmente, a altura de um retalho deve ter não mais que duas vezes a largura da base. A largura da base deve ser preferivelmente maior que a altura do retalho A base dos retalhos não deve ser excessivamente torcida, esticada ou pressionada com qualquer coisa que danifique os vasos, pois essas manobras podem comprometer a alimentação do suprimento sanguíneo e drenar o retalho, assim como os delicados vasos linfáticos. Prevenção de Deiscência do Retalho Deiscência: separação que leva à abertura de uma incisão suturada Através da aproximação das bordas do retalho sobre o osso saudável, pela delicada manipulação das bordas e pelo não posicionamento das margens do retalho sob tensão. A deiscência expõe o osso subjacente e outros tecidos, produzindo dor, perda óssea e aumento da cicatriz. Prevenção da dilaceração do retalho É preferível criar um retalho no começo da cirurgia que seja amplo o suficiente para evitar a dilaceração ou interromper o procedimento para estender mais a incisão. Retalhos em envelope são aqueles criados por incisões que produzem um retalho de apenas uma face (ex: uma incisão feita ao redor do colo de vários dentes para expor o osso alveolar sem quaisquer incisões relaxantes verticais) No entanto, se um retalho em envelope não oferecer acesso suficiente, ele deve ser aumentado ou outra incisão (uma relaxante) deve ser realizada a fim de evitara dilaceração do retalho. Em geral, incisões relaxantes verticais (oblíquas) devem ser posicionadas envolvendo o espaço de um dente inteiro anterior à área de qualquer remoção óssea planejada. A incisão costuma ser iniciada no ângulo linear de um dente ou na papila interdental adjacente e é realizada obliquamente e para apical na gengiva não inserida. 28 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR O retalho deve ter base ampla em relação a altura X = 2Y (retalho com largura 2 vezes maior que a altura) A incisão relaxante/de alívio deve preservar a papila (aliviar a pressão na borda do tecido e melhorar o acesso) Incisão de alívio: feta no local em que possivelmente o tecido iria romper Forçar o tecido gera isquemia, que gera dificuldade de reparação Quanto mais evitar músculo inserido no retalho, melhor Lembrar que o suprimento sanguíneo vem de baixo para cima Uma relaxante errada, provoca necrose do tecido, gerando um novo tecido. Com isso pode haver retardo na cicatrização, deiscência ou cicatrização insuficiente. A.Incisões horizontais e verticais únicas realizadas para criar retalho de dois lados. B. Duas incisões verticais e uma horizontal costumam gerar retalhos de três lados. C. Incisão horizontal única para proporcionar retalho (em envelope) de um lado. 29 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Manipulação do tecido Puxar ou apertar excessivamente, temperaturas extremas, dissecção ou uso de produtos químicos não fisiológicos danificam facilmente o tecido. Portanto, o cirurgião deve ser cuidadoso sempre que manipular o tecido. Quando usar pinças, não se deve apertar com muita força, usar delicadamente. Quando possível, devem-se usar pinças denteadas ou ganchos de tecido. Além disso, os tecidos não devem ser afastados com força para se conseguir maior acesso cirúrgico. Quando o osso é cortado, deve ser empregada irrigação abundante para diminuir a quantidade de osso danificado devido ao calor da fricção. O tecido mole também deve ser protegido do calor da fricção ou do traumatismo direto do equipamento de perfuração. cortes abertos devem ser umedecidos frequentemente ou cobertos com uma gaze úmida, se o cirurgião não estiver trabalhando neles por um tempo. apenas substâncias fisiológicas devem entrar em contato com tecido vivo. Hemostasia Motivo para manter a hemostasia: diminuição da visibilidade, ocasionada por sangramento incontrolável. Outro problema que causa sangramento é a formação de hematomas (coleções de sangue sob tecido mole). o Os hematomas pressionam as feridas, diminuindo a vascularização. o Eles aumentam a tensão nas bordas da ferida e agem como meios de cultura, potencializando o desenvolvimento de infecções. Obtém-se hemostasia da ferida por quatro meios. o O primeiro é auxiliando mecanismos hemostáticos naturais. § Isso costuma ser realizado utilizando-se uma esponja de gaze para pressionar os vasos que estão sangrando ou colocando um hemostático em um vaso. o Um segundo meio é pelo uso do calor para fundir a ponta dos vasos cortados (coagulação térmica/eletrocoagulação). § O calor costuma ser aplicado por meio de uma corrente elétrica que o cirurgião-dentista concentra no vaso em sangramento, segurando o vaso com um instrumento de metal, como uma pinça hemostática, ou tocando o vaso diretamente com a ponta do bisturi elétrico. o O terceiro meio é pela ligadura por sutura. § Se um vaso de tamanho considerável for cortado, segura-se cada ponta com uma pinça hemostática. § O cirurgião-dentista, então, amarra suturas não absorvíveis ao redor do vaso. 30 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR § Uma vez que o vaso esteja cortado, suturas são amarradas em volta de cada ponta e as pinças hemostáticas são removidas. o A quarta maneira é colocar substâncias vasoconstritoras na ferida, como a epinefrina, ou aplicar pró-coagulantes, como trombina ou colágeno. § A epinefrina funciona como um vasoconstritor mais efetivamente quando colocada no local em que se deseja a vasoconstrição por, pelo menos, 7 minutos antes de a cirurgia começar. Manejo do Espaço Morto Espaço morto em uma ferida é qualquer área que permaneça desprovida de tecido após o fechamento da ferida. Pode ser gerado pela remoção de tecido na profundidade de uma ferida e pela não reaproximação de todos os planos teciduais durante o fechamento. Costuma ser preenchido com sangue, o que cria um hematoma com grande potencial para infecção. Pode ser eliminado de quatro maneiras. o (1) suturar por meio de planos teciduais para minimizar o vazio pós-operatório. o (2) colocar um curativo compressivo sobre a ferida suturada. o (3) colocar uma compressa no espaço até que o sangramento pare e, então, remover a compressa. § Essa técnica costuma ser usada quando o cirurgião não pode suturar o tecido ou colocar curativos compressivos (p. Ex., quando uma cavidade óssea permanece após a remoção do cisto). § O material de compressa deve estar impregnado com medicação antibacteriana para diminuir a chance de infecção. o (4) usar drenos, isoladamente ou com curativos compressivos. § Na maioria dos procedimentos cirúrgicos bucais de rotina realizados por cirurgiões- dentistas, a criação de um espaço morto não é um grande problema. Tipos de Incisão Intra-bucais Duplo Y (acesso de tórus palatino) Incisão reta no centro do palato 2 de alívio na região de divisa de palato duro e palato mole, e a outra na região de pré-maxila Após o descolamento, tem acesso ao tórus Envelope (interpapilar) Mucoperiosteal Corte intrapapilar Para ter acesso a uma área mais profunda, há um maior deslocamento de papilas, e isso dificulta em relação a sutura 31 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Deve ser realizada quando queremos evitar áreas com estruturas anatômicas inseridas (ex: remoção de dente incluso, desgaste ósseo perto da região de colo do dente) Geralmente no palato, faz-se esse tipo de incisão Melhor reparação por estar em mucosa inserida Intrasulcular mucoperiosteal com 1 alívio Sempre vai partir da incisão em envelope, daí faz o alívio Ter o cuidado de não interferir na papila Pode ser um alívio para anterior ou para posterior, desde que a nutrição sanguínea seja garantida em todo o retalho Incisão oblíquia, de maneira que a área a ser descolada garanta um bom suporte sanguíneo ao retalho Intrasulcular mucoperiosteal com 2 alívios (maior altura e menor extensão) Mucoperiosteal Descolar a partir da regiaõ intrasulcular e intrapapilar até a área mais profunda Menor extensão, mas maior altura de abordagem Wassmund (submarginal) Porque não é feita na linha mucogengival Com 2 relaxantes Muito usada quando se quer ter acesso a área de cistos Pode apresentar potencial sangrante grande e de deiscência também Indicada para quando há uma peça protética na região 32 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Partsch (semilunar ou submarginal curva) Triangular ou de Mead Geralmente é realizada para quando será feita a remoção de molar incluso Começa na região do túber, circula intrasulcularmente o 2° molar e faz um alívio, a partir daí faz o descolamento para ter acesso ao 3° molar Hemostasia Meios para manter a hemostasia do corte Mecanismos hemostáticos naturais Calor Ligaduras (só deve ser realizada se o vaso está devidamente identificado) Curativo compressivo Coagulantes locais o Substâncias vasoconstritoras (adrenalina, noradrenalina, felipressina) o Materiais reabsorvíveis (fibrina, membrana de colágeno) o Cera óssea Realizada com a pinça hemostática Só deve ser feita se o vaso estiver facilmente localizado Procedimento: o Apreender o vaso com a pinça hemostática o Lançar mão de um fio de sutura não reabsorvível para fazer uma laçada e uma ligadura dovaso (pode ser com a mão ou com um porta-agulha) o Após a ligadura, solta a pinça o Verifica se há sangramento ativo o Se não houver sangramento, corta o fio e finaliza-se a ligadura 33 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Quando há uma área do acesso em que precisamos cruzar o vaso: Fazer uma ligadura bilateral (dupla pinçagem) Efetua o corte Uso do bisturi elétrico – calor o Coma pinça, faz a preensão do vaso o Com o bisturi elétrico, faz-se a cauterização do vaso Em casos de ligadura da carótida externa, há uma iniciação do sistema de compensação. Nisso, os vasos que estão na outra hemiface, passam a nutrir os tecidos que seriam nutridos pelo vaso que foi ligado. Após a ligadura, os vãos vão se formar novamente e se refaz essa circulação, após a cicatrização. Hemostasia por pressão direta o Ex: cirurgias em região de ângulo da mandíbula, pacientes lesionados Síntese Manobras que visam aproximar os tecidos divididos/separados durante o ato cirúrgico de incisão ou divulsão É fundamental na reparação tecidual Hemostasia 34 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A síntese tem que garantir de que haja a formação da fibra colágena no local, que ela esteja no processo inicial de reparação (em torno de 7 a 10 dias), por isso que o paciente fica com a sutura por esse período de tempo. Fio de sutura Características de um fio ideal Segurança do nó Resistência tênsil adequada Fácil manuseio Baixa reação tecidual Não possuir ação carcinogênica Não provocar ou manter infecção Ser resistente ao meio ao qual atua Baixo custo Quanto a capacidade de absorção: Absorvíveis o Naturais: catgut simples e catgut cromado o Sintéticos: vicryl (poligalactina) e dexon (ac. Poliglicólico) Não absorvíveis: o Biodegradáveis: seda, mononylon (são os mais utilizados) e algodão o Não biodegradável: polycot, aciflex e prolene (são fios bem resistentes) o Seda: multifilamentado o Mononylon: monofilamentado Classificação quanto ao calibre: Os fios mais utilizados na odontologia são o 3-0 e o 4-0 Agulhas As mais utilizadas são ½ ou 3/8 Utiliza-se mais fios de sutura agulhados 35 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Suturas Os 4 objetivos básicos de uma sutura são: o Evitar infecção da ferida, o Promover a hemostasia, o Diminuir o tempo de cicatrização e o Favorecer um resultado estético. Tipos de Suturas: 1. Simples É um dos mais utilizados, sendo considerado ponto universal. É ótimo para sutura de pele. 36 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR 2. U vertical É a associação de dois pontos simples. Cada lado da borda é perfurado duas vezes. É um ponto que promove boa hemostasia, sendo mais utilizado quando há hemorragia subdérmica e dérmica. Reduz tensão e promove boa coaptação das bordas, evitando sua invaginação, entretanto, o resultado estético é inferior. 3. U horizontal É usado para produzir hemostasia e em suturas com alguma tensão (como cirurgia de hérnias, suturas de aponeurose), que impede a coaptação perfeita das bordas. 4. X ou 8 Executado para que fique duas alças cruzadas. Esse ponto aumenta a superfície de apoio de uma sutura para hemostasia ou aproximação. É usado em fechamento de paredes e suturas de aponeurose, músculos, e até em couro cabeludo. 5. Contínua simples 37 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR 6. Contínua festonada 7. Contínua em U horizontal 8. Intradérmica É um tipo de sutura que tem um ótimo resultado estético. Nessa técnica a agulha passa horizontalmente através da derme superficial, paralelo à superfície da pele, aproximando as bordas. Por isso não deixa impressões de sutura no tecido externo. Deve ser usado em feridas com pouca tensão. 38 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Incisões com alívio: primeiro ponto é no ângulo do alívio (pra suportar o tecido). Segunda entre os dentes. Terceira entre os dentes. Quarta e quinta no alívio Remoção de Sutura 39 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Avaliação Pré-Operatória Paciente com condições clínicas para suportar o procedimento cirúrgico Em caso de adaptações do protocolo, realiza-las para um melhor desempenho Indicações Cárie Necrose pulpar ou pulpite irreversível Indicações ortodônticas e protéticas o Extração para gerar espaço para alinhamento dentário o Os dentes mais comumente extraídos são os pré-molares superiores e inferiores Dentes mal posicionados o Caso traumatizem tecido mole e não possam ser reposicionados por tratamento ortodôntico o Um exemplo disso é o terceiro molar superior, que erupciona em posições vestibulares e causa ulceração e traumatismo do tecido mole e da bochecha Doença periodontal o Dente com excesso de mobilidade deve ser extraído Dentes fraturados Dentes supranumerários Dentes inclusos o Se estiver claro que um dente parcialmente incluso não esteja apto a irromper em oclusão funcional devido a espaço inadequado, interferência de dentes adjacentes ou alguma outra razão Fraturas maxilares Radioterapia o Pacientes que estão recebendo radioterapia para câncer bucal, na cabeça ou no pescoço devem considerar a remoção dos dentes que estão na direção da radiação, sobretudo se estes estiverem comprometidos de alguma maneira. Questões financeiras Raízes e fragmentos dentais Dentes associados a lesões patológicas o Ex: cistos odontogênicos Contraindicações Para Extrações Dentárias: Sistêmicas: Diabetes mellitus descompensada Hipertensão artérial descompensada Discrasias sanguíneas severas Princípios de 40 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Locais: A mais importante e mais crítica é a história de radiação terapêutica por câncer. o Extrações feitas em área de radiação podem resultar em osteorradionecrose e, por isso, a extração deve ser feita com extremo cuidado Área irradiada terapêuticamente Dente localizado em tumor maligno o Extração pode disseminar células malignas, despertando, assim, metástases locais Paciente com pericoronarite grave (infecção associada a dente incluso) o Paciente com trismo, limitação de abertura bucal, dor. Primeiro faz-se uma antibioticoterapia o Não devem ter o dente extraído até a condição ter sido tratada o O tratamento não cirúrgico deve incluir irrigações e remoção do terceiro molar o Se o terceiro molar for removido durante pericoronarite grave, a incidência de complicações aumenta. Paciente com abcesso periapical agudo (primeiro drenar o abcesso, e só depois fazer a extração = tirar o paciente do quadro agudo) o Talvez seja difícil extrair tal dente, pois o paciente pode apresentar trismo ou pode ser difícil conseguir a anestesia local profunda o Se acesso e anestesia forem viáveis, o dente deve ser removido o mais rapidamente possível o Também deve ser iniciada antibioticoterapia, além de se planejar a extração o mais brevemente possível. Avaliação Clínica Dos Dentes Para Remoção Acesso ao dente: Extensão de abertura bucal o O cirurgião deve procurar pela causa da redução da abertura. o As causas mais comuns são trismo associado a infecção ao redor dos músculos de mastigação, disfunção de articulação temporomandibular (ATM) e fibrose muscular. Localização e posição do dente no arco dental Mobilidade do dente Se os dentes forem excessivamente moles, deve-se esperar uma remoção não complicada, porém o manejo do tecido mole após a extração pode ser mais complexo Dentes com mobilidade menor que o normal devem ser avaliados pela presença de hipercementose ou anquilose das raízes A anquilose costuma ser vista em 1ºm que estão retidos e se tornaram submergidos ou em dentes não vitais A hipercementose pode criar raízesbulbosas mais difíceis de se remover. Condição da coroa (devido à dificuldade de inserção da coroa no fórceps) A avaliação da coroa antes da extração deve ser relacionada à presença de grandes cáries ou restaurações na coroa Se grandes partes da coroa foram destruídas pela cárie, a probabilidade dela se quebrar durante a extração é maior, 41 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR causando mais dificuldade na remoção do dente A existência de grandes restaurações de amálgama gera fraqueza da coroa, e a restauração provavelmente irá fraturar durante a extração Dente tratado endodonticamente torna-se ressecado e frágil e desmorona facilmente quando se aplica alguma força Nessas três situações, é fundamental que o dente seja elevado o máximo possível e que o fórceps só então seja aplicado o mais apicalmente possível para agarrar uma porção radicular intacta do dente em vez da coroa. Se o dente a ser extraído tiver grande acúmulo de tártaro, tal acúmulo deve ser removido com uma cureta ou um limpador ultrassônico antes da extração. As razões para isso são que o tártaro interfere na colocação apropriada do fórceps e que o cálculo fraturado pode contaminar o alvéolo vazio do dente quando este for extraído. Se os dentes adjacentes tiverem restaurações grandes, o cirurgião-dentista deve usar as alavancas com extremo cuidado, pois podem ocorrer fratura ou deslocamento das restaurações Toda extração necessita de um exame clínico e de um exame de imagem prévio Radiografias periapicais ou panorâmicas geralmente são suficientes para o planejamento Em casos de proximidade com estruturas nobres, a tomografia é necessária Estruturas que temos que ter cuidado na maxila: seio maxilar, nervos, vasos, fossas nasais e túber Estruturas que temos que ter cuidado na mandíbula: canal mandibular, forame mentual, orofaringe e língua Osso compacto = menor condição de mobilidade Dentes hígidos em pacientes idosos são mais complicados de extrair pois qualquer movimento pode levar a fratura óssea Raiz cônica facilita a extração (menos força para luxar o dente) 42 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Avaliação Radiográfica Dente com doença periodontal grave com perda óssea e espaço do ligamento periodontal alargado. Esse tipo de dente é fácil de ser extraído. Segundo molar inferior decíduo retido sem o respectivo dente permanente. O molar está parcialmente submerso, e a probabilidade de anquilose das raízes mostra-se grande. Dentes com grandes lesões de cárie são mais suscetíveis à fratura durante a extração, tornando sua remoção mais difícil Dentes com grandes restaurações de amálgama são mais propensos a serem frágeis e a fraturarem quando se aplicam forças para extração. Primeiro molar inferior. Se o molar for removido, o cirurgião deve tomar cuidado para não fraturar o amálgama no segundo pré-molar com elevadores ou fórceps. Pneumatização do seio maxilar O dente molar superior imediatamente adjacente ao seio apresenta perigo maior de exposição sinusal Apesar de parecer que a raiz está dentro do seio, ela está circundada por osso Essa extração pode causar uma comunicação do seio com a cavidade oral 43 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Dentes molares inferiores próximos ao canal alveolar inferior. A remoção do terceiro molar é um procedimento com maior probabilidade de resultar em lesão do nervo Osso muito denso Proximidade com o canal mandibular Possibilidade de parestesia Antes da extração de pré-molares que necessitam de um retalho cirúrgico, é essencial saber a relação entre o forame mentoniano e os ápices das raízes. Área radiolúcida no ápice do segundo pré-molar, que representa o forame mentoniano. Raiz com formato cilíndrico, o que vai dificultar a extração Raízes pouco divergentes Canino com duas raízes Raízes longas, que dificultam a luxação As raízes amplamente divergentes desse primeiro molar superior tornam a extração mais difícil. A curvatura das raízes deste dente é inesperada. A hipercementose aumenta a dificuldade dessas extrações, pois as raízes são maiores no ápice que na região cervical. Provavelmente, a extração cirúrgica será necessária. Cáries radiculares no primeiro pré-molar tornam a extração mais difícil, pois a fratura do dente é provável. Percebe-se a hipercementose no segundo pré-molar.necessária. 44 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Exame Radiográfico Do Dente A Ser Removido Relação com estruturas vitais Quando estiver fazendo extrações dos molares superiores, é essencial estar ciente quanto à proximidade das raízes dos molares no assoalho do seio maxilar. Se apenas uma fina camada de osso existir entre o seio e as raízes dos molares, o potencial de perfuração do seio maxilar durante a extração aumenta. Assim, o plano de tratamento cirúrgico pode ser alterado para uma técnica de cirurgia aberta, com a divisão das raízes do molar superior em raízes individuais antes que o procedimento prossiga O canal alveolar inferior pode se aproximar das raízes dos molares inferiores. Configuração das raízes O primeiro fator a se avaliar é o número de raízes do dente a ser extraído Conhecer a curvatura das raízes e o grau de divergência Raízes pequenas, de formato cônico, são mais fáceis de remover Raízes longas com curvaturas grandes e abruptas ou ganchos na região apical são mais difíceis de remover Raízes pequenas são mais fáceis de remover, em comparação com os de raízes longas Uma raiz longa e bulbosa, resultado de hipercementose, é ainda mais difícil de ser removida. A reabsorção interna da raiz torna a extração fechada quase impossível porque é quase certo que ocorra fratura de raiz. Percebe-se a hipercementose no segundo pré-molar.necessária. A relação do dente a ser extraído com os dentes adjacentes irrompidos e não irrompidos deve ser percebida. Na extração do dente decíduo, pode ser possível danificar ou deslocar o dente que está embaixo. Se a remoção cirúrgica de uma raiz ou parte de uma raiz for necessária, deve-se saber a relação entre a estrutura da raiz ou de dentes adjacentes. A remoção de osso deve ser feita criteriosamente sempre que necessário, mas é importante, acima de tudo, ser cuidadoso se as raízes adjacentes estiverem próximas à raiz que será removida. 45 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR As cáries radiculares podem enfraquecer substancialmente a raiz e deixá-la mais propensa à fratura quando a força do fórceps for aplicada A reabsorção radicular enfraquece a estrutura da raiz e a deixa mais propensa à fratura. Se houve tratamento endodôntico muitos anos antes da extração, pode haver anquilose do dente e a raiz pode estar frágil. Condição do osso circundante O osso que está mais radiolúcido é, provavelmente, menos denso, o que torna a extração mais fácil. Entretanto, se o osso parece ser radiograficamente opaco (indicando densidade aumentada), com evidência de osteíte condensante ou outro processo similar de esclerose, a extração será mais difícil. Dentes com polpas não vitais podem ter radiolucidez apical, que significam granulomas ou cistos. Tais lesões devem ser removidas na hora da cirurgia Preparo do Paciente e do Cirurgião Todos os pacientes devem ser encarados como portadores de doenças transmissíveis pelo sangue que possam infectar a equipe cirúrgica e os outros pacientes. Para evitar essa transmissão, luvas cirúrgicas, máscaras cirúrgicas e óculos com vedamento lateral são necessários. Se o cirurgião-dentista tiver cabelos compridos, é essencial prendê-los e cobri-los com gorro cirúrgico. Um campo estéril deve ser colocado sobre o peito do paciente para diminuiro risco de contaminação Enxague bucal com clorexidina. Isso reduz a contaminação bacteriana na boca do paciente até certo grau. Princípios mecânicos envolvidos na extração dentária Alavanca, elevadores o Coloca-se um pequeno elevador dentro do espaço do ligamento periodontal, que desloca a raiz na direção oclusal e, assim, para fora do alvéolo Cunha o Usa-se a raiz como uma cunha para expandir o osso; como as pontas do fórceps são pressionadas apicalmente na raiz, vão ajudar a forçar o dente para fora da cavidade o O princípio da cunha é também útil quando se usa o elevador reto para luxar um dente do alvéolo. Roda o O cabo serve, então, como eixo; a ponta do elevador triangular age como roda e encaixa- se e levanta a raiz do dente para fora do alvéolo Eixo 46 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Princípios Do Uso Dos Elevadores E Fórceps Os principais instrumentais usados para remover um dente do processo alveolar são os extratores do tipo elevadores e o fórceps. Os elevadores podem ajudar na luxação de um dente; o fórceps continua o processo por meio de expansão óssea e de rompimento dos ligamentos periodontais. O objetivo do uso do fórceps é triplo: o expansão do alvéolo ósseo pelo uso das pontas em forma de cunha e dos movimentos do próprio dente com o fórceps; o torção de raízes cônicas para romper ligamentos periodontais; o remoção do dente do alvéolo. O elevador consiste em um cabo, uma haste e uma lâmina. A haste conecta o cabo à lâmina. As lâminas podem ser retas, triangulares (Cryer), curvas (Potts) ou pontiagudas (Crane Pick). Fórceps Pressão apical e deslocamento do centro do fulcro apicalmente Força Vestibular Força Lingual Pressão Rotacional (Dentes unirradiculares ou raízes individualizadas) Tração Quando os fórceps são usados, deve haver um esforço consciente para forçar as pontas dentro do espaço do ligamento periodontal na crista óssea. O fórceps deve ser acoplado o mais apical possível, para evitar uma fratura da raiz Força dos Fórceps Podem executar cinco grandes movimentos para luxar dentes: O primeiro é a pressão apical, que consegue dois objetivos: o Apesar de o dente se mover em direção apical minimamente, o alvéolo dental é expandido pela inserção das pontas para baixo no espaço do ligamento periodontal o Assim, a pressão apical do fórceps no dente causa expansão óssea. Um segundo efeito da pressão apical é que ela desloca o centro e a rotação do dente apicalmente. o Como o dente está se movendo em resposta à força exercida pelo fórceps, ele se torna o instrumental de expansão. 47 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR o Se o ponto de fulcro for alto, aplica-se uma quantidade maior de força na região apical do dente, o que aumenta a chance de fratura no terço apical da raiz. o Se as pontas do fórceps forem forçadas no espaço do ligamento periodontal, mexe-se no centro de rotação apicalmente, o que resulta em maior movimento das forças de expansão na crista e menos força no ápice do dente no sentido lingual. Este processo diminui a chance de fratura apical da raiz. o Pressão apical e deslocamento do centro do fulcro apicalmente O segundo movimento, aplicada pelo fórceps é a força vestibular. o As pressões vestibulares resultam em expansão da lâmina vestibular, sobretudo na crista óssea o Apesar de a pressão vestibular causar forças de expansão na crista óssea, é importante lembrar que isso também causa pressão lingual apical o Força excessiva pode fraturar o osso vestibular ou causar fratura da porção apical da raiz. O terceiro movimento é a pressão lingual/palatina, similar ao conceito da pressão vestibular, mas tem como objetivo expandir o osso da crista lingual e, ao mesmo tempo, evitar pressão excessiva no osso apical vestibular o Como o osso lingual tende a ser mais espesso do que o osso vestibular em áreas posteriores da boca, ocorre uma expansão óssea limitada. O quarto movimento (pressão rotacional) roda o dente, o que causa alguma expansão interna do alvéolo dental e rompimento dos ligamentos periodontais. o Os dentes com raízes únicas, cônicas (como incisivos, caninos e pré-molares inferiores) e aqueles com raízes que não são curvas são os mais fáceis de luxar com essa técnica o Os dentes que têm outras raízes que não sejam cônicas ou aqueles com múltiplas raízes – especialmente se elas forem curvas – são mais passíveis de fratura sob esse tipo de pressão. As forças de tração são úteis para tirar o dente do alvéolo, uma vez sendo alcançada a expansão óssea adequada. Os dentes não devem ser puxados de seus alvéolos As forças de tração devem ser limitadas à porção final do processo de extração e ser delicadas Na remoção do pré-molar inferior, colocou-se o ponto de apoio no dente, o que cria uma situação de alavanca de primeira classe. Quando se insere a alavanca apical de Crane no ponto de apoio e se abaixa o cabo apicalmente (A), eleva-se o dente oclusalmente para fora do alvéolo com o osso alveolar vestibular sendo usado como fulcro (B). Uma cunha pode ser empregada para expandir, dividir e deslocar porções onde ela é usada. 48 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR As pontas dos fórceps atuam como cunhas para expandir o osso alveolar e deslocar o dente na direção oclusal. Alavanca pequena e reta usada como cunha para deslocar a raiz do dente de seu alvéolo, dirigindo a alavanca apicalmente no espaço do ligamento periodontal. Alavanca triangular na função de eixo e roda usada para remover a raiz do alvéolo. O fórceps de extração deve ser ajustado com forte pressão apical para expandir a crista óssea e deslocar o centro de rotação o mais apicalmente possível Se o centro de rotação (asterisco) não for apicalmente distante o bastante, ele é muito oclusal, o que resulta em excesso de movimento do ápice do dente. B. O excesso de movimento do ápice da raiz causado por um centro de rotação alto resulta em fratura do ápice da raiz. Se o fórceps for ajustado apicalmente, o centro de rotação (asterisco) desloca-se apicalmente e geram-se menores pressões apicais. B. Isso resulta em maior expansão do córtex vestibular, menor movimento do ápice do dente e, assim, menor chance de fratura da raiz. 49 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A pressão vestibular aplicada ao dente expandirá a cortical vestibular na crista óssea, com alguma expansão lingual na parte apical da raiz. O asterisco indica o centro de rotação. A pressão lingual irá expandir a cortical lingual na crista alveolar e expandir levemente o osso vestibular na área apical. O asterisco indica o centro de rotação. As forças rotacionais são úteis para os dentes com raízes cônicas, como os incisivos superiores e os pré-molares inferiores. As forças de tração são úteis para a remoção final do dente do alvéolo. Essas forças devem sempre ser pequenas, pois os dentes não são puxados. Como o osso maxilar vestibular costuma ser mais fino e o palatino é uma cortical mais espessa, normalmente os dentes maxilares são removidos por forças vestibulares mais intensas e forças palatinas menos vigorosas. Na mandíbula, o osso vestibular é mais fino a partir da linha média posterior à área dos molares. Assim, incisivos, caninos e pré-molares são removidos, principalmente, como resultado de uma força vestibular contínua maior e pressão lingual menos vigorosa. As forças rotacionais são úteis para dentes unirradiculares que têm raízes cônicas e sem curvaturas no fim da raiz. Os incisivos maxilares, especialmente o incisivo central e os pré-molares mandibulares, são mais suscetíveis a forças rotacionais. 50 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Elevadores Alavanca Rotação e eixo Cunha Os elevadores são utilizados, principalmente, como alavancas. Uma alavancaé um mecanismo para transmitir uma força Um exemplo do uso da alavanca é quando se insere a ponta de um elevador de Crane dentro de um ponto criado no dente e depois se usa o instrumento para elevar o dente 51 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Uma alavanca de primeira classe transforma uma pequena força e um grande movimento em um pequeno movimento e uma grande força. Procedimento Para Extração Fechada A técnica fechada é a mais frequentemente usada e a primeira considerada para quase todas as extrações. Utiliza-se a técnica aberta quando o clínico acredita que seria necessário aplicar força excessiva para remover o dente, quando uma quantidade substancial da coroa está ausente ou coberta por tecido ou quando uma coroa frágil está presente. A técnica correta para qualquer situação deve levar a uma extração atraumática. Três fundamentos requeridos para uma boa extração: 1. Acesso e visualização adequados do campo cirúrgico; 2. Um caminho sem impedimentos para a remoção do dente; 3. O uso de força controlada para luxar e remover o dente. Para o dente ser removido do alvéolo ósseo, costuma ser necessário expandir as paredes do alvéolo ósseo para abrir um caminho livre para a raiz do dente, e é necessário romper as fibras do ligamento periodontal que prendem o dente ao alvéolo ósseo. Cinco etapas gerais formam o procedimento de extração fechada. Etapa 1: envolve a divulsão do tecido mole inserido da porção cervical do dente. O primeiro passo é soltar o tecido mole ao redor do dente com um instrumental afiado, como lâmina de bisturi e a ponta afiada de um elevador de periósteo n° 9 O propósito da divulsão do tecido mole é duplo: o Primeiro, isso faz com que o cirurgião tenha certeza de que a anestesia profunda foi alcançada. o Procedimento de descolamento, delicadamente no início e depois aumentando a força. o A segunda razão pela qual o tecido mole é solto é para possibilitar que o elevador e o fórceps de extração sejam posicionados mais apicalmente, sem interferência ou impedimento da gengiva. o A papila gengival adjacente do dente deve também ser divulsionada para evitar lesão pela inserção do elevador reto. Etapa 2: consiste na luxação do dente com um elevador dental A luxação do dente começa com um elevador, normalmente o reto. A elevação deve ocorrer nas faces vestibulares mesial e distal da raiz. Não se deve tentar elevação ao longo da vestibular do osso, pois pode ser facilmente fraturada, ou o dentista pode perder o controle e causar lesão nos tecidos moles. 52 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A expansão e a dilatação do osso alveolar e o rompimento do ligamento periodontal requerem que o dente seja luxado de muitas maneiras. Insere-se o elevador reto perpendicularmente ao dente dentro do espaço interdental, após a divulsão da papila interdental Move-se o elevador para direcionar a lâmina apicalmente. O elevador é, então, girado em pequenos movimentos para trás e para frente, enquanto se faz pressão apical para avançar a lâmina para o espaço do ligamento periodontal. Inicialmente, deve ser usado um elevador reto com uma pequena lâmina. Uma vez que algum movimento dentário seja notado, um elevador reto maior deve ser inserido e usado de maneira similar. A utilidade desse passo é maior se o paciente não tiver dente posterior ao dente que está sendo extraído ou se estiver quebrado a uma extensão que as coroas não impeçam o movimento dele ou se o adjacente também estiver planejado para extração na mesma consulta. A luxação do dente com elevador reto deve ser feita com cuidado Forças excessivas podem prejudicar ou, até mesmo, deslocar os dentes adjacentes àqueles que estão sendo extraídos. Principalmente se o dente adjacente tiver uma restauração grande ou lesão cariosa. Em seguida, insere-se um pequeno elevador reto no espaço do ligamento periodontal no ângulo da linha mesiovestibular. Posiciona-se o elevador apicalmente enquanto se gira para trás e para a frente, ajudando a luxar o dente com ação de sua ponta enquanto se avança apicalmente. Uma ação similar com o elevador pode ser feita na linha do ângulo distovestibular. Quando um pequeno elevador reto gira facilmente, usa-se um elevador de maior tamanho para fazer o mesmo avanço apical. Geralmente, o dente irá se afrouxar o suficiente para ser removido facilmente com o fórceps. Etapa 3: consiste na adaptação do fórceps ao dente. Os fórceps adequados são escolhidos para o dente a ser extraído. As pontas do fórceps devem apresentar formato adequado para se adaptarem anatomicamente ao dente, apicalmente à margem cervical, ou seja, na superfície radicular. O fórceps é ajustado ao dente para que suas pontas agarrem a raiz abaixo do tecido mole descolado A ponta lingual costuma ser ajustada primeiro e, depois, a ponta vestibular. o Tomar cuidado para confirmar que as pontas do fórceps estejam embaixo do tecido mole e não encostando no dente adjacente. Apertar os cabos do instrumental nas extremidades para maximizar a vantagem mecânica e o controle o Se a raiz for mal posicionada de tal modo que o fórceps normal não possa agarrar o dente sem lesionar o dente adjacente, deve ser usado outro fórceps com pontas mais estreitas. o Podem ser utilizados fórceps para raízes superiores a fim de abordar de dentes anteriores inferiores apinhados. 53 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR As pontas do fórceps devem ser posicionadas paralelamente ao longo do eixo do dente para que a força gerada pela aplicação de pressão no cabo seja distribuída ao longo do eixo do dente para maior efetividade na dilatação e na expansão do osso alveolar. o Se as pontas não estiverem paralelas ao longo do eixo do dente, é muito provável que a raiz frature. O fórceps é impulsionado apicalmente o máximo possível para agarrar a raiz do dente o mais apicalmente possível. Com isso, conseguem-se duas coisas: o As pontas do fórceps agem como cunhas para dilatar a crista óssea nas faces lingual e vestibular; o Forçando as pontas apicalmente, o centro de rotação (ou fulcro) do fórceps aplicado ao dente é deslocado na direção do ápice do dente, o que resulta em maior efetividade da expansão óssea e menor probabilidade de fratura da parte apical da raiz do dente. Etapa 4: envolve a luxação do dente com o fórceps. O cirurgião começa a luxar o dente usando os movimentos anteriores. A maior parte da força é feita na direção do osso mais fino e, portanto, mais fraco. o Assim, em todos os dentes da maxila e todos os mandibulares, menos o molar, o movimento será labial e vestibular. O movimento é controlado e lento, e gradualmente aumenta-se sua força. Em seguida, o dente é movido na direção oposta com pressão ponderada, lenta e forte. Enquanto o osso alveolar começa a se expandir, posiciona-se o fórceps apicalmente com um movimento firme e controlado que causa expansão adicional do osso alveolar e depois desloca o centro de rotação apicalmente. Etapa 5: a remoção do dente do alvéolo. Uma vez que o osso alveolar tenha sido suficientemente expandido e o dente luxado, pode ser usada uma força de tração leve, geralmente de direção vestibular. Forças de tração devem ser minimizadas, pois se usa esse último movimento quando o processo alveolar é suficientemente expandido e o ligamento periodontal está completamente rompido. Direciona-se a luxação para a expansão do osso e o rompimento do ligamento periodontal O dente não é removido do osso até que esses dois objetivos sejam alcançados. O principal papel do fórceps não é remover o dente, mas expandir os ossos para que a(s) raiz(raízes) possa(m) ser removida(s). Elevador de periósteo, usado para divulsionar a inserção gengival e a papila interdental. 54 APOSTILA INTRODUÇÃO ACIRURGIA ORAL MENOR Elevador pequeno e reto inserido perpendicularmente no dente depois de a papila ser divulsionada. O cabo do elevador reto pequeno é girado de modo que o lado oclusal de sua lâmina esteja virado na direção do dente. O cabo também é movido apicalmente para ajudar a elevar o dente. O cabo do elevador pode ser girado na direção oposta para deslocar o dente para fora do alvéolo. Isso pode ser conseguido apenas se não houver nenhum dente adjacente posterior. Pontas dos fórceps, forçados apicalmente embaixo do tecido mole Cabo do fórceps, segurado na porção final para otimizar a vantagem mecânica e o controle do instrumental. A. Fórceps superior universal. B. Fórceps inferior universal. O fórceps deve estar ajustado o mais apicalmente possível e reajustado periodicamente durante a extração; As forças aplicadas nas direções lingual e vestibular devem ser lentas, controladas, e não com manobras bruscas; A força deve ser mantida por alguns segundos para que o osso tenha tempo para expandir. 55 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Quando optar pela técnica aberta? ü Destruição coronária extensa ü Dente coberto ü Acesso a raiz difícil ü Falha da técnica fechada (fraturada coroa) ü Osso denso (idoso, bruxismo) ü Raízes divergentes Princípios de Exodontia a Retalho Parâmetros para o delineamento dos retalhos de tecido mole Tipos de retalhos mucoperiosteais Envelope ou intrasulcular; Intrasulcular com 1 relaxante; Intrasulcular com 2 relaxantes; Em Y ou Duplo Y; Semilunar; Técnicas para a realização de um retalho mucoperiosteal Realizar a incisão com planejamento para repouso em osso sadio; Conhecer as estruturas anatômicas e o potencial de lesão e sangramento; Cuidados com o alvéolo pós-extração Manutenção do coágulo no alvéolo Prevenção de hemorragia pós-exodôntica; Orientações ao paciente quanto aos cuidados póscirúrgicos. o Higiene; o Alimentação; o Eventuais eventos adversos e normais pós-cirurgia Se uma lesão periapical for visível na radiografia pré-operatória e não houver granuloma preso ao dente quando este for removido, a região periapical deve ser cuidadosamente curetada com uma cureta periapical para remover o granuloma ou o cisto. Se algum resíduo for evidente, como cálculo ou amálgama, ou algum fragmento de dente permanecer no alvéolo, ele deve ser delicadamente removido com a cureta ou a ponta do aspirador. Entretanto, se não houver nem lesão periapical nem debris, o alvéolo não deve ser curetado. Os remanescentes do ligamento periodontal e o das paredes ósseas sangrantes estão nas melhores condições para gerar cura rápida As corticais ósseas bucolinguais e linguais expandidas devem ser comprimidas de volta à configuração original. Deve-se aplicar pressão digital às corticais vestibulolinguais para comprimir as corticais delicadamente, mas firmemente em sua posição original. Isso ajuda a evitar espículas ósseas que podem ter sido causadas por expansão excessiva da lâmina vestibular, especialmente depois da extração do primeiro molar. 56 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Por fim, o osso deve ser palpado através da mucosa que o cobre para procurar qualquer projeção óssea afiada. o Se encontrar alguma, a mucosa deve ser divulsionada e as pontas afiadas devem ser alisadas criteriosamente com uma lima para osso ou aparadas com pinça goiva. É possível alcançar o controle inicial da hemorragia usando uma gaze úmida [5 × 5 cm] colocada sobre o alvéolo da extração. o A gaze deve ser posicionada de modo que o paciente consiga ocluir os dentes. o Ela se encaixa no espaço previamente ocupado pela coroa do dente. o A pressão da oclusão do dente junto com a pressão feita pela gaze é transmitida para o alvéolo, o que resulta em hemostasia. Função da mão oposta A mão esquerda é responsável pelo afastamento dos tecidos moles das bochechas, dos lábios e da língua para gerar visualização adequada da área da cirurgia. Ajuda a proteger outros dentes do fórceps, caso ele se solte repentinamente do alvéolo dentário. A mão, e às vezes o braço, ajudam a estabilizar a cabeça do paciente durante o processo de extração. o Em algumas situações, grande quantidade de força é necessária para expandir osso alveolar denso. o Assim, a cabeça do paciente precisa de ajuda ativa para se manter estável. A mão oposta tem importante papel no apoio e na sustentação da mandíbula quando os dentes mandibulares estão sendo extraídos. A mão oposta costuma ser necessária para aplicar considerável pressão a fim de expandir o osso mandibular denso, e tais forças podem causar desconforto e até mesmo lesão à ATM, a menos que se atue com mão firme de modo oposto a elas. Um bloco de mordida no lado contralateral também é usado para ajudar a abrir a mandíbula nessa situação. Por fim, a mão oposta suporta o processo alveolar e dá informação tátil ao cirurgião no que diz respeito à expansão do processo alveolar durante o período de luxação. 57 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Posição da cadeira para extração; Em pé: Maxila; Mandíbula; Sentado: Maxila; Mandíbula; Posição de Melhor Visualização Arsenal de Trabalho 1. Mesa cirúrgica 2. Instrumentais Necessários para Exodontia 58 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR FÓRCEPS DENTE A EXTRAIR Nº 1 Incisivos e caninos superiores Nº 150 Universal superior Ideal para incisivos, caninos e pré-molares superiores Nº 18R Molares superiores do lado direito Nº 18L Molares superiores do lado esquerdo Nº 65 ou em baioneta Restos radiculares com impedimento direto Preferencial superior Nº 151 Universal inferior Ideal para incisivos, caninos e pré-molares inferiores Nº 17 Molares inferiores Nº 16 ou “chifre de boi” ou “garra de touro” Molares com comprometimento coronário, raízes divergentes e molares inferiores Nº 69 Restos radiculares superior e inferior Leve pressão vestibular e palatina no osso crestal ELEVADORES Alavanca Seldin Reta Alavanca Seldin 1 R Alavanca Seldin 1 L Jogo De Alavancas Apicais 59 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR As infecções odontogênicas são a fonte mais comum de infecções na cabeça e no pescoço entre adultos e podem variar de infecções bem localizadas e de baixa intensidade a infecções graves que se disseminam pelos espaços fasciais, atingindo áreas distantes do foco original. Elas podem se apresentar clinicamente como uma doença localizada e de baixa intensidade e de simples tratamento, até infecções graves, generalizadas e que causem risco à vida do paciente. Cáries, doenças periodontais e pulpites são infecções iniciais que podem se disseminar além do local de origem em direção aos tecidos alveolares e para tecidos profundos da face, da cavidade oral, da cabeça e do pescoço. Microbiologia das Infecções Odontogênicas Infecções odontogênicas (IO) são causadas principalmente pela microbiota bacteriana bucal normal Inclui cocos aeróbios e anaeróbios gram-positivos Bastonetes anaeróbios gram-negativos (geralmente são as que provocam patologias) As infecções odontogênicas mostram-se quase invariavelmente polimicrobianas As bactérias aeróbias mais comuns nas IO são Streptococcus tipo viridans. As bactérias anaeróbias mais comuns são Bacteroides spp., seguidas por Prevotella e Peptostreptococcus spp. Adesão Bacteriana Uma vez infiltradas nos tecidos moles mais profundos, as bactérias penetram nos espaços fasciais e se espalham por meio da produção de hialuronidase (enzima que cliva o ácido hialurônico e possibilita a propagação da infecção pelos tecidos subcutâneos) À medida que a infecção se espalha para os tecidos mais profundos, os subprodutos do metabolismo bacteriano criam um ambiente ácido,o que facilita o crescimento de anaeróbios. Como os anaeróbios predominam, existem ainda a quebra do tecido e a necrose por liquefação, assim como a quebra dos leucócitos (glóbulos brancos). Isso resulta em microabscessos, que podem coalescer e manifestar-se clinicamente como um abscesso. Além disso, a expansão do abscesso eleva a pressão hidrostática sobre os vasos sanguíneos adjacentes, comprometendo o fluxo sanguíneo que leva à isquemia, e, assim, aumenta ainda mais a zona de necrose no interior da cavidade do abscesso. Fisiopatologia das Infecções Odontogênicas Cárie, doença periodontal ou pericoronarite (principais causas) Surgem de fontes endodônticas ou periodontais relacionadas ao dente. INFECÇÕES 60 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Tais etiologias podem envolver uma polpa necrótica de um dente cariado ou fraturado, a pericoronite de um dente parcialmente incluso ou bolsas periodontais profundas. o Uma infecção odontogênica decorrente de uma polpa necrótica de um molar inferior geralmente atravessa a cortical lingual, pois os ápices dentários tendem a estar na face lingual da mandíbula e a cortical lingual tende a ser mais fina do que na superfície vestibular o A infecção da polpa necrótica de um molar superior tende a atravessar a cortical vestibular porque o osso facial é fino, o que oferece pouca resistência à reabsorção e representa o caminho de menor resistência. Depois de atravessar o osso, a infecção continua a se espalhar pelo caminho de menor resistência pelos espaços potenciais. o Esses espaços só são criados quando infiltrados por uma infecção ou manipulação cirúrgica. o A localização do espaço envolvido depende principalmente da localização da trepanação óssea com relação aos ligamentos musculares adjacentes. o Quando o ápice da raiz estiver próximo à cortical vestibular, a perfuração ocorrerá por vestibular o Quando o ápice estiver próximo da cortical lingual, a perfuração ocorrerá nesta direção o Se uma infecção de um molar superior perfurar a cortical vestibular, abaixo do músculo bucinador, resultará numa drenagem do lado vestibular o Se perfurar a cortical acima de sua inserção, resultará em infecção do espaço bucal o As infecções de origem periodontal raramente envolvem uma perfuração óssea grave e, em geral, irão se espalhar diretamente por meio desses espaços potenciais. Origem periapical: A infecção se propaga por meio de lesão cariosa através do esmalte, da dentina, do cemento e da polpa dental. À medida que alcança a região periapical, essas bactérias se disseminam em direção ao periápice e ao osso alveolar. Origem periodontal: As bactérias causadoras da placa subgengival e da periodontite, por meio da liberação de toxinas, causam destruição óssea, chegando ao osso alveolar. Origem pericoronária: Bactérias colonizam o tecido gengival que recobre dentes semierupcionados, como, por exemplo, os terceiros molares, propagando-se, então, aos tecidos gengival e ósseo circunjacentes. Cárie dental originando infecção odontogênica. Pericoronarite do terceiro molar inferior. 61 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Espaços Fasciais Primários: Na maxila: o Canino o Infra-temporal Na mandíbula o Submentual (abaixo do músculo milo-hióideo) o Sublingual (acima do músculo milo-hióideo) o Submandibular Secundários Aqueles relacionados à musculatura da mastigação Espaço massetérico Pterigomandibular Temporais profundo Temporal superficial Espaço Bucal É limitado superficialmente pela pele sobrejacente e pelos tecidos subcutâneos, e profundamente pelo músculo bucinador Uma infecção nesse espaço não é tão grave Grande facilidade de comunicação com o espaço submandibular, submentoniano e sublingual Devido à íntima relação das raízes do primeiro molar superior com o seio maxilar, pode ocorrer drenagem para o sinus, causando empiema do seio maxilar. Na mandíbula, as infecções originadas dos incisivos, caninos e pré-molares geralmente drenam pela cortical óssea vestibular acima da inserção do músculo mentoniano, resultando em drenagens vestibulares. Se a infecção caminhar profundamente para este músculo, rompendo a cortical lingual, a infecção atingirá o espaço submentoniano, o que resultará em drenagem extrabucal. As raízes dos incisivos laterais apresentam inclinação no sentido palatino, o que torna sua fistulação do lado palatino Drenagem para o espaço submentoniano. 62 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Espaço Canino O canino tem sua raiz alta, podendo sua infecção drenar acima do músculo elevador do ângulo da boca, segundo e direção ao espaço canino Localiza-se entre a parede anterior maxilar e o músculo elevador do lábio superior. Clinicamente a infecção extrabucal é caracterizada por aumento de volume flutuante do canto interno do olho As infecções originadas dos pré-molares superiores localizam-se mais frequentemente em fundo de vestíbulo intrabucal As infecções dos molares superiores drenam preferentemente pela cortical vestibular. À semelhança do que ocorre com o 1°PMS, a infecção poderá localizar-se pelo palato se a origem for a raiz palatina. Se a infecção perfurar a cortical vestibular abaixo da inserção do bucinador, a drenagem ocorrerá no fundo de vestíbulo intrabucal; se ocorrer acima da inserção do bucinador, a drenagem se dará no espaço bucal Infecções no espaço canino e periorbital são muito perigosas devido à proximidade com a veia angular que se relaciona com o espaço cavernoso Possibilidade de disseminação da infecção odontogênica. A. Veia angular. B. Veia oftálmica inferior. C. Veia facial. D. Plexo pterigóideo. E. Veia oftálmica superior. F. Seio cavernoso. Espaço Submentoniano Limites: o Superior: músculo milo-hióideo o Lateral: ventre anterior do digástrico o Inferior: pele e músculo platisma o Causa: infecção dos incisivos e caninos inferiores Espaço Sublingual Projeta a língua para cima Paciente com dificuldade de respirar e deglutir: obstrução das vias aéreas e da cavidade oral Infecção severa 63 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Limites: o Inferior: pelo músculo milo-hióideo o Lateral e anterior: pela porção interna do corpo da mandíbula o Superiormente: pela mucosa bucal o Medialmente: pelos músculos genioglosso, gênio-hióideo e estiloglosso O ápice dental do molar inferior está localizado acima da inserção do músculo milo-hióideo. Espaço Submandibular Limites: o Lateral: fáscia cervical profunda o Medialmente: pelos músculos milo- hióideo, hipoglosso e estiloglosso o Inferior: músculo digástrico o Superior: face interna da mandíbula e inserção do músculo milo-hióideo Possibilidade de disseminação da infecção odontogênica dos molares. A. Vestíbulo. B. Palato. C. Espaço sublingual. D. Espaço submandibular. E. Espaço bucal. F. Seio maxilar. Infecção do espaço submandibular. O ápice dental do molar inferior está localizado abaixo da inserção do músculo milo-hióideo. 64 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Possibilidades de infecção do terceiro molar irrompido e semi- incluso. A. Espaço submandibular. B. Espaço massetérico. C. Espaço pterigomandibular. D. Espaço retrofaríngeo. E. Espaço laterofaríngeo. F. Espaço bucal. Espaço Pterigomandibular Limitado lateralmente pela porção interna do ramo ascendente da mandíbula e medialmente pelo músculo pterigoideo medial Pericoronarite geralmente é a causa da infecção desse espaço facial Infecção Perirradicular Em geral, as infecções periapicais dos molares inferiores evoluem através da cortical lingual (esquerda), enquanto as infecções dos molares superiores geralmente evoluem por meio da fina cortical vestibular (direita). Uma perfuração corticalinferior à inserção do bucinador em um molar superior levará ao envolvimento do espaço vestibular. Quando a perfuração cortical for inferior à inserção do bucinador na mandíbula, o espaço vestibular será envolvido. 65 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A perfuração lingual superior à inserção do milo-hióideo resultará no envolvimento do espaço sublingual (em laranja). Quando a perfuração cortical for inferior à inserção do milo- hióideo, o espaço submandibular estará envolvido (em verde) Angina de Ludwig A celulite é uma extensão aguda e edemaciada de um processo inflamatório agudo através dos planos faciais. Uma de suas formas é a Angina de Ludwig Essa angina é uma celulite envolvendo os espaços submentonianos, sublingual e submandibular entre os tecidos conjuntivos e os músculos. A origem dental é de geralmente 70 a 90%, envolve principalmente os molares inferiores. Ocorre após infecção (abcesso) ou trauma oral O diagnóstico deve ser feito através dos seguintes exames: inspeção do pescoço e da cabeça (vermelhidão) Inflamação da parte superior do pescoço, abaixo do queixo, que pode se estender até o assoalho bucal. A língua pode apresentar inchaço e estar deslocada para cima e/ou para trás Sintomas Dor no pescoço Inchaço no pescoço Vermelhidão no pescoço Febre Fraqueza, fadiga, cansaço excessivo Confusão ou alterações mentais Dificuldade respiratória (este sintoma indica uma situação de emergência 66 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Quando as infecções atingem os tecidos moles, isso costuma se manifestar em quatro fases: Inoculação (edema) A fase de inoculação (edema) refere-se à fase em que as bactérias invasoras começam a colonizar e ocorre, tipicamente, durante os primeiros 3 dias após o início dos sintomas. Tal fase caracteriza-se por edema vermelho difuso, mole e pastoso, moderadamente macio. Celulite A fase de celulite ocorre entre o 3° e o 5° dias e indica a resposta inflamatória intensa provocada pela microbiota mista infectante. Caracteriza-se pela presença de edema vermelho firme, difuso e mal definido extremamente doloroso à palpação. Abscesso À medida que a infecção evolui e os anaeróbios começam a predominar, a liquefação dos tecidos ocorre com a formação de pus, que é o marco da fase de abscesso. Quando se forma a purulência, o edema e a vermelhidão ficam mais bem definidos e localizados, e a consistência muda de firme para flutuante. Resolução Quando uma infecção é drenada, tanto espontaneamente quanto por meio de cirurgia, o mecanismo de defesa do hospedeiro destrói as bactérias envolvidas e a cura começa a ocorrer. É o início da fase de resolução. Características de inoculação, celulite e abscesso. Característica Inoculação Celulite Abscesso Duração 0 a 3 dias 1 a 5 dias 4 a 10 dias Dor, bordas Leve, difusa Difusa Localizada Tamanho Variável Grande Pequeno Coloração Normal Vermelha Centro brilhante Consistência Gelatinosa Endurecida Centro mole Progressão Aumentada Aumentada Reduzida Secreção purulenta Ausente Ausente Presente Bactéria Aeróbia Mista Anaeróbia Gravidade Baixa Maior Menor Na prática clínica, a infecção odontogênica mais comumente encontrada consiste em um abscesso vestibular de origem endodôntica. 67 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Tais infecções podem, às vezes, romper e drenar espontaneamente, o que resulta na resolução temporária, evitando a disseminação de espaços potenciais mais profundos. As infecções que drenam permanentemente continuarão a drenar e formar uma fístula na cavidade oral ou um trato sinusal para a pele ou fechar de novo e resultar na reformatação de um abscesso. Estágios da Infecção Odontogênica Osteíte periapical Infecção confinada ao osso Sensação de extrusão dentária e dor Celulite ou Fleimão Disseminação da infecção aos tecidos adjacentes Intensa resposta inflamatória Maior risco pela probabilidade de rápida de disseminação Consistência endurecida Abcesso Menos perigoso Representa o estágio de cronificação do processo infeccioso Osteíte Periapical É uma massa de tecido de granulação cronicamente inflamado no ápice de um dente desvitalizado Pode ter origem de um abcesso periapical ou desenvolver-se como uma alteração periapical inicial Essas lesões ainda podem sofrer exacerbações agudas com a formação de abcessos Progressões das Infecções Odontogênicas A infecção propaga-se extensamente pelo osso medular e dissemina-se até encontrar o periósteo e a lâmina óssea cortical. A localização da infecção é determinada por dois fatores principais: o a espessura da cortical óssea, adjacente ao dente envolvido o a relação do local de perfuração do osso com as várias inserções musculares na maxila e mandíbula. Quando a infecção odontogênica se dissemina pelo osso medular, ela buscará o ponto de menor resistência para perfurar a cortical óssea. Quando o ápice dental está mais próximo da cortical vestibular, a perfuração ocorrerá por vestibular; estando o ápice dental mais próximo da cortical lingual ou palatina, a perfuração ocorrerá nessa direção. Edema e eritema flutuante do vestíbulo anterior maxilar esquerdo associados à polpa necrótica do incisivo lateral superior esquerdo. 68 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Assim que a infecção perfura a cortical óssea, a localização de sua exteriorização nos tecidos será determinada pela posição da perfuração em relação às inserções musculares locais. Por exemplo, se uma infecção oriunda de um molar superior perfurar a cortical óssea abaixo da inserção do músculo bucinador, resultará em drenagem pelo lado vestibular; se perfurar a cortical acima de sua inserção, resultará em infecção do espaço bucal A infecção odontogênica seguirá o trajeto de menor resistência para que ocorra a drenagem. (A) Ápice dental mais próximo à tábua óssea vestibular (drenagem por vestibular). (B) Ápice dental mais próximo à tábua óssea palatina (drenagem por palatino). A localização da drenagem da infecção odontogênica será determinada pela relação do ápice dental com a inserção muscular local. (A) Localizada em fundo de vestíbulo. (B). Localizada no espaço bucal. Na maioria dos dentes maxilares o local de drenagem é a cortical óssea vestibular. A localização do ápice do dente maxilar em relação à inserção muscular determinará se a drenagem ocorrerá em fundo de vestíbulo intraoral ou externamente no espaço bucal. Os ápices dos incisivos centrais geralmente localizam-se mais próximo à cortical óssea vestibular, possuindo via de drenagem intrabucal. Já as raízes dos incisivos laterais apresentam frequentemente uma inclinação no sentido palatino, o que torna o ápice radicular mais próximo da tábua óssea palatina. Devido à localização do canino superior no rebordo alveolar, sua infecção drenará mais frequentemente pela cortical vestibular A relação do ápice radicular com a inserção do músculo elevador do ângulo da boca determinará se a drenagem ocorrerá intra ou extrabucal (espaço canino ou infraorbitário). 69 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Drenagem por palatino originada do incisivo lateral. Infecção originada do canino maxilar. Observar drenagem localizada pelo lado vestibular. Avaliação do Paciente com Infecção Odontogênica História clínica e evolução da infecção Presença de sinais sistêmicos de infecção Estágio da infecção História médica do paciente Fatores que influenciam a instalação e disseminação das infecções Avaliar a gravidade da infecção Avaliar a Gravidade da Infecção Infecção de progressão rápida Dificuldade respiratória Dificuldade de deglutição Envolvimento dos espaços faciais Aumento da temperatura corpórea (acimade 39°) Trismo acentuado Toxemia: olhos lacrimejantes, boca entreaberta, desidratação, febre e fadiga Paciente sistemicamente comprometido Princípios de Tratamento Controle da fonte de infecção Drenagem da coleção purulenta Mobilização do sistema de defesa do paciente O tratamento de infecções odontogênicas envolve três fatores: o controle da fonte da infecção; o drenagem; o mobilização do sistema de defesa do hospedeiro Enquanto a fonte da infecção (ou seja, dente envolvido de maneira endodôntica ou periodontal) estiver presente, nunca ocorrerá a resolução permanente. Em outras palavras, as infecções odontogênicas são tratadas, principalmente, com a remoção da etiologia, da incisão cirúrgica e da drenagem, e os antibióticos não devem ser considerados como a forma principal ou única de tratamento para infecções. 70 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Princípio 1: determinação da gravidade da infecção O primeiro objetivo do profissional é determinar a gravidade e intervir em conformidade. Isso possibilita o controle da infecção e a prevenção da progressão para os espaços potenciais teciduais mais profundos. A determinação da gravidade começa com uma história completa, seguida de exame físico e quaisquer testes auxiliares necessários (p. ex., exames radiográficos, exames laboratoriais). Anamnese completa O objetivo da anamnese é reunir o máximo possível de informações pertinentes e orientar o profissional de maneira mais precisa e eficiente. Componentes da anamnese e sua importância. Componente Importância Queixa principal (p. ex., sintomas) •Origem, etiologia da infecção •Espaço(s) anatômico(s) envolvido(s) •Gravidade da infecção História da doença atual (p. ex., início, cronicidade e duração, evolução dos sintomas, história de tratamento) •Origem, etiologia da infecção •Espaço(s) anatômico(s) envolvido(s) •Agressividade da infecção História clínica e medicamentos •Outras comorbidades que podem afetar o tratamento História social •Fatores sociais que podem afetar o tratamento (p. ex., abuso de substâncias, acesso aos tratamentos odontológico e clínico) Análise dos sistemas •Espaço(s) anatômico(s) envolvido(s) •Gravidade •Outras comorbidades que podem afetar o tratamento (além daquelas indicadas na história clínica) Queixas vagas como “meu dente dói”, “meu queixo dói” e “meu rosto está inchado” devem ser aprofundadas para incluir detalhes como a localização, a gravidade, a duração e a qualidade da dor e/ou do edema. Certos sintomas estão associados a infecções graves com envolvimento de espaços mais profundos. Tais sintomas são febre e mal-estar, dificuldade respiratória (dispneia), dificuldade ou dor na deglutição (disfagia ou odinofagia), mudança na voz (disfonia) e abertura limitada da boca (trismo). 71 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR História da Doença Atual As perguntas comuns são: “Você teve alguma dor ou outros sintomas antes de isso ocorrer?” “Você passou por algum tratamento dentário ou teve lesões antes de esses sintomas aparecerem?” “Há quanto tempo você tem esses sintomas?” “A dor mudou de característica, intensidade ou localização?” “Você buscou qualquer tratamento para esse problema? Em caso afirmativo, qual tratamento?” Se o paciente tinha uma história de dor dental crônica na área da queixa principal, necrose ou doença periodontal grave desse dente podem ser a causa suspeita. o Isso possibilitará ao dentista concentrar-se em tal área durante o exame físico completo. Mudanças de características e localização da dor podem indicar a progressão da infecção. o Por exemplo, se a dor a partir de um molar inferior mudou para dor no maxilar e no pescoço, o profissional deve ter uma elevada suspeita de disseminação para um espaço mais profundo. A duração dos sintomas pode ajudar a determinar a agressividade da infecção. o Em geral, os sintomas constantes e persistentes por um longo período (> 30 dias) indicam uma infecção crônica que está sendo contida pelo sistema de defesa do hospedeiro. o Por outro lado, os sintomas de início agudo com exacerbação rápida costumam indicar uma infecção mais agressiva, comprometimento do sistema de defesa do hospedeiro ou ambos. Análise Completa Dos Sistemas Este é o passo na anamnese quando outros sintomas são indicados, incluindo não apenas os da cavidade bucal, da cabeça e do pescoço, mas também os de todo o corpo (como sintomas sistêmicos, dor no peito, falta de ar, poliúria, polidipsia e polifagia). É essencial na busca de possíveis problemas clínicos (comorbidades) que possam impactar a cura e a resolução da infecção, não indicados na história clínica (como diabetes melito não diagnosticado ou vírus da imunodeficiência humana [HIV] ou outro estado imunocomprometido). Exame físico Recomenda-se que o dentista comece do “maior para o menor” ou “de fora para dentro”. Isso começa com a obtenção dos sinais vitais o Temperatura o Pressão arterial o Frequência cardíaca o Taxa respiratória o Oximetria Exame intrabucal Determinar a severidade Avaliar as defesas do hospedeiro Decidir ambiente de tratamento (drenagem o ponto de flutuação) Tratar cirurgicamente Suporte sistêmico Escolher e prescrever terapia antibiótica Administrar antibióticos corretamente (amoxicilina, clavulin, metronidazol) Avaliar paciente com frequência 72 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Em seguida, um exame de cabeça e pescoço deve ser realizado Procurar por qualquer expansão ou assimetria, assim como eritema (vermelhidão) da região da cabeça e do pescoço Se houver quaisquer um desses achados, ele pode indicar envolvimento do(s) espaço(s) circundante(s), sobretudo se corresponder à área de sintomas do paciente. As áreas comuns do edema de cabeça e de pescoço são as regiões: o Temporal o Orbital o Nasolabial, da bochecha o Do ângulo da mandíbula e o Ao longo da borda inferior da mandíbula Áreas de edema devem ser examinadas com palpação suave e caracterizada de acordo. o A consistência pode ser mole e normal, pastosa, firme e rígida (endurecida) ou flutuante. o Consistência pastosa costuma ser observada na fase de inoculação (edema) da infecção. o O endurecimento é uma característica da celulite e difuso e delicadamente macio à palpação o A flutuação indica uma coleção de fluidos (ex: pus), característica da fase de abscesso o Nessa fase, a infecção está mais bem localizada do que a fase de celulite e menos macia, devido à menor pressão do tecido. A abertura bucal deve ser avaliada, pois se mostra de particular importância por três razões principais: Muitas vezes, os pacientes com infecções odontogênicas têm frequência cardíaca elevada (taquicardia), taquipneia e hipertensão. Embora a dor e a ansiedade possam elevar tais sinais vitais, esses achados devem trazer preocupações para o profissional. Uma temperatura elevada a 38,3°C ou mais indica bacteriemia e envolvimento sistêmico e, invariavelmente, exige a saturação do oxigênio (SpO2) deve ser determinada com a oximetria de pulso para assegurar a oxigenação adequada dos tecidos. o saturações abaixo de 95% em um paciente saudável devem levantar preocupações para a possibilidade de comprometimento ou obstrução das vias respiratórias. se o paciente parecer fatigado e letárgico, aparentar aumento do esforço respiratório, tiver uma alteração no padrão de voz e for incapaz de lidar com secreções (babar), é altamente provável haver uma grave infecção presente. Paciente com infecção do espaço canino esquerdo com extensão do espaço periorbital, com mal-estar e “aparência tóxica” característica, indicando defesas do hospedeiro comprometidas 73 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR o A abertura limitada da boca (trismo) podeindicar o envolvimento de espaços profundos, sobretudo os espaços mastigatórios (que envolvem os músculos da mastigação o Geralmente, o grau de trismo corresponde à gravidade da infecção. o Pelo acesso intraoral § A abertura mandibular limitada impede um exame intraoral completo ou uma intervenção cirúrgica intraoral. o É que, quando um paciente com a abertura limitada recebe anestesia geral, considerações e medidas especiais devem ser feitas para proteger as vias respiratórias com um tubo endotraqueal, geralmente por meio de técnicas de intubação nasal o Uma abertura limitada da boca pode indicar o envolvimento dos espaços mastigatórios, e o trismo inferior a 15 mm normalmente indica a existência de uma infecção grave. Áreas Comuns De Edema Extraoral Nas Infecções Odontogênicas. Região Espaço(s) comumente envolvido(s) Têmpora Espaço temporal superficial, espaço temporal profundo Órbita Espaço periorbital Nasolabial Espaço dos caninos Bochecha Espaço bucal Ângulo da mandíbula Espaço massetérico, espaço lateral da faringe Borda inferior da mandíbula e pescoço (lateral) Espaço submandibular Borda inferior da mandíbula e pescoço Espaço submentual (linha média) Após examinar a cabeça e o pescoço, a atenção é dirigida para a cavidade bucal. 1. Analisar paredes da faringe, a úvula e o assoalho da boca 2. Em seguida, o palato duro, o palato mole, o vestíbulo facial e a gengiva devem ser inspecionados, palpados e caracterizados. 3. A dentição deve ser examinada quanto a cárie, doença periodontal, restaurações extensas, quaisquer defeitos ao redor de restaurações existentes, fraturas de dentes, mobilidade, sensibilidade à percussão e vitalidade. 4. Quando um dente gravemente cariado ou periodontalmente envolvido está nas imediações de um edema intraoral, muitas vezes ele pode ser considerado a fonte da infecção. Exames de imagem periapicais, radiografias panorâmicas e tomografia computadorizada (TC) de feixe cônico. O dentista deve ponderar os riscos e os benefícios de cada modalidade de imagem e fornecer uma avaliação mais abrangente com a menor morbidade ao paciente As infecções dos espaços fasciais profundos que representam um risco para o comprometimento das vias respiratórios podem beneficiar-se da obtenção de uma TC. 74 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Exames Laboratoriais O principal objetivo dos exames laboratoriais é avaliar a resposta sistêmica do hospedeiro à infecção, por meio da bacteriemia, assim como monitorar a recuperação após qualquer tratamento fornecido. Como as infecções localizadas (p. ex., abscessos vestibulares) costumam não resultar em sintomas sistêmicos significativos, os exames laboratoriais raramente, ou nunca, são necessários. Infecções dos espaços mais profundos costumam ser associadas a sintomas sistêmicos significativos, como febre e mal-estar. O mais utilizado é o hemograma completo, com foco na contagem de leucócitos e, mais especificamente, na contagem diferencial de leucócitos. Número elevado de leucócitos representa uma forte resposta imune à infecção Um aumento nessas células imaturas indica que a medula óssea está aumentando a produção das mesmas, a fim de combater uma infecção sistêmica. Avaliação Geral Determinar a localização e a fase da infecção, assim como sua etiologia e gravidade. No geral, a celulite, que aparece nas fases iniciais da infecção, indica maior gravidade com progressão incerta, enquanto um abscesso indica que o sistema de defesa do hospedeiro localizou efetivamente a infecção por meio de contenção. Determina-se a etiologia da infecção pela integração de história, exame físico e exames de imagem. É importante observar que o profissional sempre deve considerar etiologias não odontogênicas (ex: tumor) no diagnóstico diferencial e não presumir que todos os edemas ou dor ao redor de cabeça, pescoço e região bucal sejam odontogênicos por natureza. Princípio 2: avaliação do estado dos mecanismos de defesa do paciente Uma parte fundamental da cura após uma infecção odontogênica consiste na presença de um sistema de defesa do hospedeiro intacto. Isso porque, em última análise, são as defesas do hospedeiro do paciente que combatem uma infecção após o tratamento cirúrgico, quando indicado. Quando o mecanismo de defesa do hospedeiro é comprometido, isso deve ser compensado pela abordagem agressiva da infecção com o tratamento cirúrgico e, na maioria dos casos, por uma terapia antibiótica adjuvante. Comorbidades médicas que alteram os mecanismos de defesa: diabetes melito mal controlado está altamente associado ao comprometimento da cura. alcoolismo grave, que costuma ser acompanhado por desnutrição. Cânceres hematológicos, como leucemia e linfoma, afetam adversamente a função dos leucócitos. infecções graves por HIV (linfócitos B e T são afetados) os agentes quimioterápicos para condições malignas causam depressão da medula óssea, enfraquecendo o sistema imunológico. Imunossupressores e corticosteroides. 75 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Princípio 3: determinação de quando o paciente deve ser tratado por um clínico geral ou um cirurgião bucomaxilofacial A maioria das infecções odontogênicas pode ser tratada com segurança pelo dentista clínico geral. A decisão deve ter como base a localização, a gravidade, o acesso cirúrgico e o estado de defesas do hospedeiro Localização E Gravidade Como regra geral, as infecções odontogênicas graves e que envolvem espaços profundos requerem um tratamento imediato por um cirurgião bucomaxilofacial, normalmente em um ambiente hospitalar. Infecções localizadas, como as que envolvem o processo alveolar e o vestíbulo, são passíveis de pequenos procedimentos cirúrgicos em um ambiente de consultório odontológico. Infecções próximas de estruturas vitais importantes, como os feixes neurovasculares mentuais e infraorbitais, geralmente devem ser tratadas por um cirurgião bucomaxilofacial. Acesso Cirúrgico O acesso cirúrgico deve ser adequado para possibilitar a drenagem e o controle apropriados da etiologia da infecção. Muitas vezes, os pacientes com infecções odontogênicas apresentam trismo, o que limita o acesso intraoral (e frequentemente representa infecções graves). Esses pacientes necessitam de cuidados cirúrgicos sob anestesia geral, com monitoramento e tratamento clínico subsequentes em um ambiente hospitalar. Estado Das Defesas Do Hospedeiro Os pacientes com comorbidades clínicas subjacentes que afetem as defesas do hospedeiro requerem tratamento rápido e agressivo por um cirurgião bucomaxilofacial. Princípio 4: tratamento cirúrgico da infecção Os antibióticos só têm papel coadjuvante, se forem indicados. O método de controle da origem depende da etiologia específica (endodôntica ou periodontal), assim como da gravidade. o Se uma infecção for endodôntica por natureza, como em uma polpa necrótica decorrente de cáries ou fratura do dente, o controle da origem envolve a extirpação da polpa com tratamento subsequente do canal radicular. o Se a fonte for considerada periodontal, então a raspagem e o alisamento radicular com desbridamento seriam os métodos de tratamento típico. o Sempre que possível, o controle da origem deve ser realizado imediatamente. 1° Eliminação Da Causa/ Controle Da Origem. 2° Drenagem Cirúrgica da Infecção 76 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A incisão e a drenagem facilitam a cura por dois mecanismos principais: o Diminuição da carga bacteriana o Redução da pressão dos tecidos infectados. § Quando a pressão hidrostática dos tecidos infectados for descomprimida com drenagem cirúrgica, o fornecimento de sangue local melhora, e isso possibilita que o sistema de defesa do hospedeiro e os antibióticos adjuvantes alcancem melhor a área infectada. A incisão e a drenagem não são apenasreservadas para abscessos, mas podem facilitar a cura da celulite por meio do mesmo mecanismo – reduzindo a carga bacteriana e a pressão tecidual local. Deve-se compreender que o propósito da drenagem cirúrgica não é simplesmente “remover pus”, mas também descomprimir os tecidos moles e fornecer uma saída (trato) para evitar um possível novo acúmulo da infecção no mesmo local. As situações clínicas que não necessitam de um procedimento de incisão e drenagem são a ausência de edema ou a fase da inoculação inicial, em que o edema é mole, difuso e apenas levemente sensível. Técnica Cirúrgica Para Abcesso Vestibular 1° passo é determinar a via mais adequada de acesso cirúrgico para incisão e drenagem. O dentista deve ter certeza de que o paciente tenha amplitude de movimento mandibular adequada para possibilitar acesso suficiente para incisar, explorar e drenar a área infectada. Quando o acesso for considerado insuficiente, analgésicos e ansiolíticos poderão ser usados, pois a limitação da abertura mandibular com infecção do espaço vestibular é quase sempre decorrente da proteção contra a dor. 2º determinar a necessidade de análise e cultura microbiológicas e testes de sensibilidade Com relação ao procedimento específico de incisão e drenagem intrabucal, após a antissepsia do sítio cirúrgico com bochecho de solução de clorexidina a 0,12%, deve-se escolher o método de analgesia e controle da dor. o Para infecções vestibulares odontogênicas, a analgesia adequada pode ser obtida com técnicas de anestesia local padrão. o A anestesia regional de bloqueio dos nervos é sempre preferível às técnicas de infiltração por duas razões: § a penetração do anestésico local é difícil quando se injeta o agente diretamente em uma área infectada, porque o ambiente local é ácido, dificultando a difusão do agente anestésico nos tecidos e afetando o bloqueio dos canais de sódio do nervo; § a anestesia por infiltração acarreta risco de disseminar a infecção para locais vizinhos ou espaços teciduais não afetados, se a agulha avançar através da área de infecção para os tecidos adjacentes. o Assim que a área estiver anestesiada, obtém-se uma amostra de cultura, normalmente por meio de uma pequena seringa estéril. o Insere-se a agulha no edema e aspira-se o pus ou o fluido tecidual. 77 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Para um abscesso vestibular maxilar, posicionar a incisão inferiormente pode evitar a drenagem incompleta do acúmulo de pus na face inferior da cavidade do abscesso. Técnica de incisão e drenagem do abscesso vestibular. A. Infecção periapical de um pré- molar inferior (observa-se a erosão cortical vestibular acima da inserção do músculo bucinador). B. Incisão feita em um edema flutuante na profundidade da cavidade do abscesso. C. Pinça hemostática curva utilizada no movimento de abertura em várias direções para quebrar as loculações de pus dentro da cavidade do abscesso. D. Inserção de um dreno na profundidade da cavidade do abscesso. E. Sutura do dreno com apenas uma sutura. Uma seringa com ponta fina ou uma seringa com um angiocateter fixado pode ser usada para irrigar completamente a cavidade do abscesso com soro fisiológico estéril após a incisão e a drenagem. 3° Passo É A Incisão Em geral, ela é feita diretamente sobre a área de edema máximo para tornar a drenagem possível. evitar a incisão na região de estruturas vitais, como o feixe neurovascular mentual na região dos pré-molares inferiores convém considerar a colocação da incisão na face inferior de uma infecção vestibular superior para possibilitar o máximo de drenagem dependente da gravidade Para procedimentos de incisão e drenagem extrabucais em infecções odontogênicas complexas, há outros fatores que devem ser considerados, como cicatriz facial e possível lesão do nervo vestibular e facial. O comprimento da incisão – pelo menos 10 a 15 mm – e a profundidade devem ser suficientes para atravessar as camadas dos tecidos mucosos e submucosos. 78 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Um erro comum é fazer a incisão muito superficial, muito curta ou ambas. o Uma incisão superficial não possibilita a drenagem adequada do pus subjacente ou do fluido tecidual e impede a descompressão eficaz dos tecidos infectados. o Uma incisão curta não torna possível a exploração completa dos espaços envolvidos para realizar o rompimento das loculações (pequenas aglomerações de pus dentro da cavidade de um abscesso) e pode causar dilaceração dos tecidos já frágeis durante a manipulação, o que prejudicará a cicatrização adequada. o A dilaceração dos tecidos não só leva a um aumento da formação de cicatrizes, mas também envolve o risco de danos às estruturas adjacentes, como o feixe neurovascular mentual. Irrigar a cavidade do abscesso com soro fisiológico normal estéril usando uma seringa de ponta fina Um dreno também pode ser colocado se houver preocupação quanto a um novo acúmulo de purulência. Princípio 5: suporte clínico ao paciente O suporte sistêmico é um componente indispensável, pois são as defesas do hospedeiro do paciente que, em última análise, combatem a infecção. Assim que a fonte da infecção é eliminada e drenada, a carga bacteriana diminui. O papel do dentista é otimizar a capacidade do paciente em eliminar a infecção residual por meios de suporte. Tais medidas de suporte são: o Hidratação o Melhora Da Nutrição o Controle Da Dor o Terapia Antibiótica Adjuvante o Controle Da Glicose No Sangue Deve estar claro que os antibióticos sempre devem ser considerados como um complemento, não uma substituição, para o tratamento cirúrgico. Determinação Da Necessidade De Administração De Antibióticos Três fatores principais devem ser considerados ao se determinar a adequação de utilização de antibióticos adjuvantes: o A gravidade da infecção; o A capacidade para tornar o tratamento cirúrgico; o O sistema de defesa hospedeiro do paciente Infecções graves, sobretudo aquelas que envolvem os espaços fasciais mais profundos e aquelas com celulite, beneficiam-se da terapia com antibióticos após o controle completo da origem, além de incisão e drenagem agressivas. o Portanto, o papel da terapia antibiótica adjuvante é mais significativo nas infecções graves que envolvem espaços mais profundos. Se uma infecção aguda não propiciar um controle da origem e a incisão e a drenagem mais simples, a terapia antibiótica empírica pode ocasionalmente preceder o tratamento cirúrgico. Em última instância, se um paciente for imunocomprometido, podem ser considerados os antibióticos adjuvantes para compensar o sistema de defesa do hospedeiro deficiente. 79 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Sempre que possível os antibióticos devem ser precedidos pelo tratamento cirúrgico agressivo, com controle de origem e incisão e drenagem. Uso rotineiro da terapia empírica As infecções odontogênicas são quase invariavelmente causadas pela microbiota bucal normal (predominantemente estreptococos orais facultativos, estreptococos anaeróbios e espécies de Prevotella e Fusobacterium) e costumam ter uma composição bacteriana previsível. Antibióticos mais utilizados: penicilina, amoxicilina, clindamicina e azitromicina, eficazes contra os estreptococos aeróbios e facultativos e anaeróbios orais. A frequência da administração de um fármaco é inversamente relacionada com a adesão. o Por exemplo, administra-se a clindamicina por via oral 4 vezes/dia, enquanto se oferece a amoxicilina-clavulanato 2 vezes/dia, com uma taxa de conformidade mais elevada e, por conseguinte, um meio mais eficaz de tratamento antibiótico. Uso Apropriado Uso Inapropriado Edema que se estende além do processo alveolar Demanda do paciente Celulite (com ou sem abscesso concomitante) Dor grave (não atribuível à infecção)Trismo Dor de dente Linfadenopatia Periodontite periapical ou abscesso Febre (mais de 38,3°C) Osteíte alveolar (alveolite seca) Pericoronite grave Administração pós-operatória em um paciente imunocompetente após várias extrações dentárias Osteomielite Pericoronite leve Paciente imunocomprometido Abscesso drenado limitado ao processo alveolar Uso de antibiótico de espectro reduzido Os antibióticos de amplo espectro podem: o Alterar a microbiota bacteriana normal de vários sistemas orgânicos, como a pele e o sistema gastrintestinal o Levar a efeitos indesejáveis, como o desenvolvimento de superinfecções ou infecções oportunistas o Ao desenvolvimento de resistência bacteriana aos antibióticos Antibióticos de espectro reduzido e de amplo espectro. De Espectro Reduzido Para O Tratamento De IO Simples De Espectro Amplo Para O Tratamento De IO Complexas Penicilina Amoxicilina com ácido clavulânico (para infecções sinusais) Amoxicilina Azitromicina Clindamicina Moxifloxacino Metronidazol 80 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Princípio 7: administração adequada do antibiótico A dose, o tempo e a duração apropriados da administração de antibióticos são tão importantes quanto sua seleção adequada. O objetivo é conseguir um nível alto o suficiente no plasma para eliminar ou deter as bactérias sensíveis ao antibiótico, enquanto se minimizam os efeitos colaterais adversos. o regime típico consiste em um período de 4 a 5 dias. Princípio 8: avaliação frequente do paciente Uma vez administrado corretamente o tratamento cirúrgico (controle de origem e drenagem), com ou sem terapia antibiótica, o paciente deve ser cuidadosamente monitorado para uma resposta clínica adequada. Na maioria dos casos de infecções odontogênicas em indivíduos imunocompetentes, a cura ocorre sem complicações dentro de 1 semana. O período de acompanhamento típico é de 2 a 3 dias após o tratamento cirúrgico. Nesse momento, um paciente respondendo de maneira apropriada terá melhora significativa da dor, do edema intrabucal e do bem-estar em geral. Se o paciente tiver edema persistente, dor, drenagem e até mesmo sintomas sistêmicos, o profissional deve avaliar a causa da resposta clínica inadequada. Como regra geral, o tratamento cirúrgico inadequado (controle da origem, drenagem ou ambos) deve ser presumido como a principal razão, até que se prove o contrário. É especialmente importante determinar a remoção completa da fonte da infecção. Outra razão para a resposta inadequada são as defesas comprometidas do hospedeiro. Outra razão são os problemas com a administração de antibióticos. Isso pode ocorrer devido à falta de conformidade ou à escolha inadequada de antibióticos. Princípios de prevenção das infecções Administração de antibióticos pré-operatórios ou profiláticos para dois cenários clínicos: o Prevenção da infecção da ferida após a cirurgia e prevenção da infecção metastática. O antibiótico deve ser administrado de modo que a concentração plasmática esteja em seu pico durante o ato cirúrgico, com o pico sendo mais alto do que quando os antibióticos são administrados para fins terapêuticos. Geralmente, isso equivale a cerca de duas vezes a dose terapêutica habitual – pelo menos, 2 horas (de preferência 1 hora) antes da cirurgia para os antibióticos orais. Profilaxia Contra Endocardite Infecciosa As vantagens da prevenção da morbidade e da mortalidade graves no grupo selecionado de pacientes de risco são consideradas superiores aos riscos de reações adversas aos antibióticos. Manter a higiene oral ideal deve ser o objetivo principal na prevenção da endocardite infecciosa Antes e durante os procedimentos dentários invasivos, devem ser realizadas a assepsia cirúrgica (como lavagens com clorexidina antes do procedimento) e a técnica cirúrgica cuidadosa 81 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Algumas situações especiais justificam a consideração de antibióticos intra ou pós-operatórios para a prevenção de endocardite infecciosa. o São exemplos um paciente em situação de risco cuja condição específica não tenha sido divulgada até após o início do procedimento dentário ou um indivíduo em situação de risco com sangramento inesperado durante um procedimento dentário minimamente invasivo. A profilaxia contra endocardite infecciosa é recomendável antes de procedimentos dentários que envolvam a manipulação do tecido gengival, a manipulação da região periapical dos dentes ou a perfuração da mucosa oral em pacientes com o seguinte: Valvas cardíacas protéticas, como próteses implantadas transcateter e homoenxertos. Material protético usado para o reparo das valvas cardíacas, como anéis de anuloplastia e cabos Doença cardíaca congênita cianótica não reparada ou doença cardíaca congênita reparada, com shunts residuais ou regurgitação valvar no local, ou adjacente ao local, de um emplastro protético ou dispositivo protético. Transplante cardíaco com regurgitação da valva decorrente de uma valva estruturalmente anormal. Endocardite infecciosa anterior. Drenagem cirúrgica intrabucal da infecção odontogênica: a. Infecção em fundo de vestíbulo. b. Incisão com bisturi e lâmina no 15. c. Divulsão com pinça hemostática. d. Colocação de dreno. 82 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR e. Estabilização do dreno com sutura. A. Odontogênico originado do pré-molar superior. B. Incisão em fundo de vestíbulo e divulsão para drenagem da infecção. C. Drenagem com auxílio de uma pinça hemostática curva. A pinça deve entrar fechada e abrir no interior da loja do abscesso. D. Dreno de penrose estabilizado com sutura A drenagem é a saída da coleção purulenta e dos restos celulares necróticos. A saída do pus é realizada com o auxílio da pinça hemostática e pode ser auxiliada mediante compressão manual realizada pelo operador. Assim que todas as áreas da cavidade do abscesso forem abertas e a coleção purulenta drenada, deve ser inserido um dreno cirúrgico para manter a abertura e permitir a manutenção da drenagem do pus e dos restos celulares necróticos que não foram eliminados no ato operatório 83 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A. Primeiro molar extensamente destruído por cárie. B. Radiografia periapical. C. Abscesso bem localizado em região submandibular. D. Anestesia infiltrativa local. E. Incisão com bisturi e lâmina no 15. Deve-se buscar a área mais inferior e de maior flutuação do abscesso. F. Divulsão e drenagem com pinça hemostática curva. G. A drenagem deverá ser auxiliada manualmente. H. Colocação de dreno de Penrose. I. Elemento dental causador da infecção foi extraído no mesmo momento da drenagem cirúrgica. 84 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Infecções Odontogênicas Complexas Grande parte das infecções odontogênicas pode ser tratada ambulatorialmente mediante remoção da causa, drenagem da infecção e antibioticoterapia. Alguns casos, porém, podem tomar um curso mais sério, tornando-se infecções mais complexas e necessitando abordagem por profissionais especializados e com maior experiência. Estas infecções complexas envolvem e se disseminam pelos espaços fasciais, sendo sua localização determinada pela espessura da cortical óssea, comprimento radicular e sua relação com a inserção muscular adjacente. A maioria das infecções odontogênicas penetra a lâmina cortical vestibular do osso para tornar-se um abscesso vestibular. Em alguns casos as infecções podem penetrar diretamente dentro dos espaços fasciais profundos. Os espaços fasciais são compartimentos teciduais revestidos por fáscias, preenchidos por tecido conjuntivo frouxo areolar, que pode tornar-se inflamado quando invadido por microrganismos. Na infecção odontogênica pode haver penetração de exsudato e secreção purulenta nestes espaços, causando distensãoe aumento de volume. Os espaços fasciais podem ser invadidos inicialmente pela infecção (espaços primários) ou, posteriormente (espaços secundários), por continuidade a partir do envolvimento inicial dos espaços primários. À medida que os espaços fasciais secundários são envolvidos, a infecção torna-se com frequência mais grave, apresentando maiores complicações e morbidade. Principais espaços fasciais secundários o Submassetérico o Pterigomandibular o Temporal superficial e profundo o Faríngeo lateral o Retrofaríngeo. A. Espaço pterigomandibular. B. Espaço temporal profundo. C. Espaço temporal superficial. D. Espaço massetérico. 85 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A anestesia local é definida como uma perda de sensibilidade, causada por uma depressão da excitação nas terminações nervosas ou uma inibição do processo de condução nos nervos periféricos em determinada área do corpo. Não há perda de consciência Anestésicos Locais X Outros Medicamentos Medicamentos comuns, necessitam entrar no sistema circulatório para começar a fazer efeito. Anestésicos Locais terminam sua ação ao entrar no sistema vascular (sangue) AÇÕES SISTÊMICAS DOS ANESTÉSICOS LOCAIS Os anestésicos locais são compostos químicos que bloqueiam de maneira reversível os potenciais de ação em todas as membranas excitáveis. O sistema nervoso central (SNC) e o sistema cardiovascular (SCV) são, portanto, particularmente suscetíveis a suas ações. Quanto maior o nível do anestésico, mais intensa será a ação clínica. O nível sanguíneo do anestésico local depende: Da velocidade de sua absorção Do local de administração para o sistema circulatório (aumentando o nível sanguíneo) Da velocidade de distribuição tecidual Velocidade de biotransformação (no fígado), que remove a substância do sangue (reduzindo o nível sanguíneo) AMIDA ÉSTER Lidocaína Cocaína Mepivacaína Benzocaína Prilocaína Tetracaína Articaína Procaína Bupivacaína Ropivacaína Etidocaína ANESTESIA 86 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Farmacocinética Anestésicos Do Tipo Éster São hidrolisados no plasma pela enzima pseudocolinesterase A hidrólise transforma o anestésico em ácido paraminobenzóico (paba) Está relacionado a reações alérgicas Anestésicos do tipo Amida São metabolizados no fígado (citocromo p450) A prilocaína tem parte da metabolização no pulmão (exceção) A articaína é uma molécula mista, uma parte é metabolizada no fígado e outra no sangue Tipos de Anestésicos Cloridrato de Lidocaína LIDOCAÍNA Vasodilatação Intermediária Potência 2/4 (intermediária) Dose Máxima 7mg/kg 500mg Duração na Polpa 60 min Duração nos Tecidos Moles 3 a 5h Início de Ação Rápido (3 a 5min) Concentração Eficaz 2% a 3% Classificação Gravidez Classificação B (é o escolhido para gestantes) Apresentações Lidocaína 2% Lidocaína 2% + Noradrenalina 1:50.000 Lidocaína 2% + Fenilefrina 1:2500 Lidocaína 2% + adrenalina 1:100.000 Lidocaína 2% + adrenalina 1:200.000 Lidocaína 3% + Noradrenalina 1:50.000 Metabolismo: No fígado Excreção: Pelos rins Reações alérgicas verdadeiras são extremamente raras 87 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Cloridrato de Mepivacaína mepivacaína Vasodilatação Leve Potência 2/4 (intermediária) Dose Máxima 6,6mg/Kg 400mg Duração na Polpa 60 min Duração nos Tecidos Moles 3 a 5h Início de Ação Rápido (2 a 5min) Concentração Eficaz 2% a 3% Classificação Gravidez Classificação C (não pode ser usada em gestantes) Apresentações Mepivacaína 3% Mepivacaína 2% + Adrenalina 1:100.000 Mepivacaína 2% + Noradrenalina 1:50.000 A propriedade vasodilatadora branda proporciona duração mais longa da anestesia pulpar Lidocaína sem vaso.: 5 a 10min Mepivacaína sem vaso.: 20 a 40min o Indicada para pacientes: § Pediátricos § Com complicações cardiológicas graves (ASA III ou ASA IV) Menor ação vasodilatadora = maior ação anestésica Metabolismo: No fígado Excreção: Pelos rins; Mepivacaína a 3% sem Vasoconstritor Essa é recomendada para pacientes aos quais o uso de vasoconstritor não está indicado e para procedimentos odontológicos que não requeiram anestesia pulpar de longa duração ou com grande profundidade o Pacientes pediátricos o Pacientes geriátricos Cloridrato de Prilocaína prilocaína Vasodilatação Leve Potência 2/4 (intermediária) Dose Máxima 8mg/Kg 600mg Duração na Polpa 60 a 90min Duração nos Tecidos Moles 3 a 5h Início de Ação Rápido (2 a 5min) Concentração Eficaz 3% ou 4% Classificação Gravidez Classificação B Apresentações Prilocaína + Felipressina 88 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Em altas concentrações, pode causar metamoglobinemia Metabolização hepática (rins e pulmões) o Produção de ortotoluidina o Que induz a formação de metemoglobina o A metamoglobina não carrega O2 o Reduzindo a capacidade de transporte de O2 o Causando cianose Reversão: azul de metileno intravenoso Cloridrato de Articaína ARTICAÍNA Vasodilatação Intermediária Potência 2/4 (intermediária) Dose Máxima 7mg/Kg 700mg Duração na Polpa 60 a 75min Duração nos Tecidos Moles 3 a 6h Início de Ação Rápido (1 a 2min) Concentração Eficaz 4% Classificação Gravidez Classificação C Apresentações Articaína 4% + Adrenalina 1:100.000 Ela penetra bem no osso Metabolismo: tanto no fígado quanto no plasma Excreção: Pelos rins Propriedades Vasodilatadoras: A articaína apresenta um efeito vasodilatador equivalente ao da lidocaína. A procaína é ligeiramente mais vasoativa. Seleção de Um Anestésico Local Ideal Leva em consideração de vários fatores: O período pelo qual se faz necessário o controle da dor; A necessidade de controle da dor após o tratamento; A necessidade de hemostasia; A existência de qualquer contraindicação à administração do anestésico local selecionado. Um anestésico local de longa duração pode ser administrado quando se espera dor pós-operatória (ex: bupivacaína) Anestésicos locais que proporcionem anestesia de curta duração dos tecidos moles podem ser utilizados em procedimentos não traumáticos. Pacientes crianças pequenas, pacientes com idade avançada e indivíduos com deficiência física ou mental, os quais podem morder ou mastigar acidentalmente os lábios ou a língua, bem como pessoas que não podem perder uma refeição (p. Ex., pacientes com diabetes tipo 1), por causa da anestesia residual dos tecidos moles. É recomendado o uso de mepivacaína a 3% para os procedimentos curtos. Entretanto, nas situações em que esses pacientes necessitam de anestesia pulpar mais profunda e/ou de maior duração, é necessário o uso de um anestésico local contendo um vasoconstritor. 89 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Quando a hemostasia é considerada necessária, são recomendadas infiltrações no local da cirurgia de soluções anestésicas contendo adrenalina na concentração de 1:50.000 ou 1:100.000. Cálculo da Dose Máxima Caso: 1º Passo: Calcular quantos mg de lidocaína tem no tubete 2% = 2 gramas/100ml 2 gramas/100ml = 2000mg/100ml 1000mg/100ml = 200mg/ml Tubete: 1,8ml 1ml --------- 20mg 1,8ml -------36mg Um tubete de lidocaína 2 tem 36mg de anestésico 2° Passo Calcular quantos mg de lidocaína 2% o paciente pode receber Dose Máxima: 7mg/Kg Peso do paciente: 53Kg Dose Máxima do Paciente: 7 X 53 = 371mg 3° Passo Calcular quantos tubetes de lidocaína 25 o paciente pode receber Dose máxima do Paciente: 371mg Mg/tubete = 36mg Número de Tubetes = 10,3 (sempre arredonda para baixo) Farmacologia dos Vasoconstritores Todos os anestésicos locais injetáveis clinicamente eficazes são vasodilatadores. O grau de vasodilatação varia de significativo (procaína) a mínimo (prilocaína, mepivacaína) etambém pode variar de acordo com o local de injeção e a resposta individual do paciente. Paciente: 22 anos, saudável, mulher, 53kg Anestésico Local: Lidocaína 2% + Adrenalina 1:100.000 Dose Máxima: 7mg/Kg Dose Máxima Absoluta: 500mg 90 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Após injeção de um anestésico local nos tecidos, os vasos sanguíneos da área dilatam-se, resultando em um aumento da perfusão no local e levando às seguintes reações: 1. Aumento da taxa de absorção do anestésico local pelo sistema cardiovascular, que por sua vez o remove do local de infiltração (redistribuição). 2. Maiores níveis plasmáticos do anestésico local, com consequente aumento do risco de toxicidade (intoxicação por dose excessiva) do anestésico local. 3. Diminuição da profundidade e da duração da anestesia devido à difusão mais rápida da solução anestésica para fora do local de injeção. 4. Aumento do sangramento no local do tratamento devido ao aumento da perfusão. VASOCONSTRITORES Os vasoconstritores são fármacos que contraem os vasos sanguíneos e, portanto, controlam a perfusão tecidual. Eles são adicionados às soluções anestésicas locais para equilibrar as ações vasodilatadoras intrínsecas dos anestésicos locais. Por meio da constrição de vasos sanguíneos, os vasoconstritores diminuem o fluxo sanguíneo (a perfusão) para o local de administração do anestésico. A absorção do anestésico local (AL) para o sistema cardiovascular torna-se mais lenta, resultando em níveis sanguíneos menores do anestésico. Os níveis sanguíneos do AL são reduzidos, diminuindo assim o risco de toxicidade do anestésico local. Maiores quantidades de AL penetram no nervo, onde permanecem por períodos mais longos, aumentando a duração de ação da maioria dos AL. Os vasoconstritores diminuem o sangramento no local da administração; portanto, eles são úteis quando é previsto sangramento elevado. Os vasoconstritores comumente utilizados em conjunto com os AL injetáveis são quimicamente idênticos aos mediadores do sistema nervoso simpático adrenalina e noradrenalina. Agentes Vasoconstritores Específicos CATECOLAMINAS NÃO CATECOLAMINAS Adrenalina Anfetamina Noradrenalina Metanfetamina Levonordefrina Efedrina Isoprotenerol Mefentermina Dopamina Hidroxianfetamina Metaraminol Metoxamina Fenilefrina 91 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Receptores Adrenérgicos São encontrados na maioria dos tecidos do corpo. Há dois tipos de receptores adrenérgicos: alfa (α) e beta (β), com base nas ações inibitórias ou excitatórias das catecolaminas no músculo liso. A ativação dos receptores α por um agente simpaticomimético comumente produz uma resposta que inclui a contração do músculo liso dos vasos sanguíneos (vasoconstrição). A ativação dos receptores β produz: o Relaxamento do músculo liso (vasodilatação e broncodilatação) o Estimulação cardíaca (aumento da frequência cardíaca e da força de contração). Os receptores β1 são encontrados no coração e no intestino delgado e são responsáveis pela estimulação cardíaca e pela lipólise; os receptores β2 são encontrados nos brônquios, leitos vasculares e no útero, produzindo broncodilatação e vasodilatação. A potência relativa dos fármacos é indicada da seguinte forma: +++ = alta, ++ = intermediária e + = baixa Adrenalina/Epinefrina É o vasoconstritor mais potente e o mais amplamente usado da odontologia Ação direta sobre os receptores alfa e beta Predominância sobre beta É usada com frequência como vasoconstritor para hemostasia durante procedimentos cirúrgicos É um potente dilatador (efeito β2) do músculo liso dos bronquíolos A ação geral da adrenalina no coração e no sistema cardiovascular é a estimulação direta: o Aumento das pressões sistólica e diastólica. o Aumento do débito cardíaco. o Aumento do volume sistólico. o Aumento da frequência cardíaca. o Aumento da força de contração. o Aumento do consumo miocárdico de oxigênio. o Essas ações levam a uma redução geral da eficiência cardíaca. Aplicações Clínicas o Tratamento das reações alérgicas agudas. o Tratamento de episódios asmáticos agudos (broncoespasmo). o Tratamento da parada cardíaca. o Como um vasoconstritor, para hemostasia. o Como um vasoconstritor em anestésicos locais, para diminuir a absorção para o sistema cardiovascular. o Como um vasoconstritor em anestésicos locais, para aumentar a profundidade da anestesia. o Como um vasoconstritor em anestésicos locais, para aumentar a duração da anestesia. o Para produzir midríase. 92 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Doses Máximas Recomendadas de Adrenalina Noradrenalina/Levartenerol São quase que exclusivamente sobre os receptores alfa (90%) Apresenta ¼ da potência da adrenalina É associada a um índice de efeitos colaterais 9 vezes maior do que a adrenalina Não disponível em tubetes de odontologia nos EUA (ela é contra-indicada por vários autores) Por não possuir ações no beta2, produz intensa vasoconstrição, o que pode causar necrose do palato!! A noradrenalina produz uma redução na frequência cardíaca Há aumento das pressões sistólica e diastólica, principalmente da sistólica A ação da noradrenalina no coração e no sistema cardiovascular é a seguinte: o Aumento da pressão sistólica o Aumento da pressão diastólica o Diminuição da frequência cardíaca o Débito cardíaco inalterado ou ligeiramente diminuído o Aumento do volume sistólico o Aumento da resistência periférica total produz constrição dos vasos sanguíneos cutâneos. Fenilefrina É o vasoconstritor mais fraco utilizado na Odontologia 20x menos potente (5%) que a adrenalina Apresentação: Lidocaína + Fenilefrina 1:2500 Felipressina É um análogo sintético do hormônio antidiurético vasopressina. Ação mais proeminente na circulação venosa (veias) Semelhante ao hormônio ocitocina 93 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Só encontramos felipressina associada a prilocaína Prilocaína + Felipressina 0,03 unidades internacionais por ml Indicado para Pacientes Especiais o Doença cardiovascular (até 5 tubetes) o Hipertireoidismo o Pacientes que usam antidepressivos tricíclicos Em gestante é contraindicado (devido ao risco de aborto, já que a felipressina simula a ocitocina) Concentrações dos vasoconstritores Uma concentração de 1:1.000 significa que há 1 g (1.000 mg) de soluto (fármaco) contido em 1.000 ml de solução. Portanto, uma concentração de 1:1.000 contém 1.000 mg em 1.000 ml, ou seja, 1 mg/ml de solução (1.000 μg/ml). Seleção de um vasoconstritor Na seleção de um vasoconstritor apropriado para o uso com anestésico local, vários fatores devem ser considerados: Duração Do Procedimento Odontológico A adição de qualquer agente vasoativo a um anestésico local prolonga a duração (e a profundidade) da anestesia pulpar e dos tecidos moles da maioria dos anestésicos locais. Necessidade De Hemostasia A adrenalina é eficaz em prevenir ou minimizar a perda de sangue durante procedimentos cirúrgicos. Entretanto, ela também produz um efeito vasodilatador rebote à medida que o nível tecidual da adrenalina diminui. o Isso leva a possível sangramento pós-operatório, com potencial de interferir na consolidação da ferida. A perda total de sangue é geralmente menor quando se utiliza a fenilefrina. Os vasoconstritores utilizados para atingir hemostasia devem ser depositados localmente na área cirúrgica (área de sangramento) para serem eficazes. Eles agem diretamente nos receptores α no músculo liso vascular. Apenas pequenos volumes de soluções anestésicas locais com vasoconstritor são necessários para atingir hemostasia. Condição Médica Do Paciente Para todos os pacientes, e para alguns em particular, os benefícios e os riscos da inclusão do vasopressor na solução anestésica local devem ser avaliados em relação aos benefíciose riscos da utilização de uma solução anestésica “pura”. Esses grupos são: Pacientes com doença cardiovascular mais significativa (ASA 3 e 4). Pacientes com certas doenças não cardiovasculares (p. ex., disfunção da tireoide, diabetes, alergia a sulfito). Pacientes que fazem uso de inibidores da MAO, antidepressivos tricíclicos e fenotiazínicos. Por ter uma ação estimulante cardiovascular mínima, a adrenalina é o agente recomendado para pacientes com risco cardiovascular ASA 3 ou 4. 94 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A adrenalina também é contraindicada para pacientes que apresentam evidência clínica de hipertireoidismo. As soluções de anestésicos locais contendo vasoconstritor também contêm um antioxidante (para retardar a oxidação do vasoconstritor). o O bissulfito de sódio é o antioxidante mais utilizado nos tubetes anestésicos odontológicos. o Ele prolonga o tempo de validade da solução anestésica com vasoconstritor para aproximadamente 18 meses. o Entretanto, torna o AL mais ácido do que a mesma solução sem um vasoconstritor. o resultando em um retardo (leve) do início da anestesia quando são injetados anestésicos locais contendo bissulfito de sódio (e vasoconstritores). 95 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR CONSIDERAÇÕES ANATÔMICAS Nervo Trigêmeo É o maior dos 12 nervos cranianos Constituído de uma pequena raiz motora e de uma raiz sensorial (tripartida) consideravelmente maior A raiz motora supre os músculos da mastigação e outros músculos da região Os três ramos da raiz sensorial suprem a pele de toda a face e a membrana mucosa das vísceras cranianas e da cavidade oral, exceto pela faringe e a base da língua As fibras motoras do nervo trigêmeo suprem os seguintes músculos: Mastigatórios o Masseter o Temporal o Pterigoide medial o Pterigoide lateral Milo-hióideo Ventre anterior do digástrico Tensor do tímpano Tensor do véu palatino TÉCNICAS 96 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Raiz Sensitiva A divisão oftálmica (V1) A divisão maxilar (V2) A divisão mandibular (V3) segue quase que diretamente para baixo para sair do crânio, juntamente com a raiz motora, pelo forame oval. Essas duas raízes se misturam então, formando um tronco neural que entra na fossa infratemporal. Divisão Oftálmica (V1) Ela é puramente sensorial e é a menor das três divisões. Supre o globo ocular, a conjuntiva, a glândula lacrimal, partes da membrana mucosa do nariz e dos seios paranasais e a pele da testa, das pálpebras e do nariz. Nervo Nasociliar Nervo Frontal o O nervo frontal segue anteriormente pela órbita, dividindo-se em dois ramos: supratroclear e supraorbital. O nervo supratroclear supre a conjuntiva e a pele sobre os aspectos inferior e mesial da fronte. O nervo supraorbital é sensorial à pálpebra superior, ao couro cabeludo até o osso parietal e à sutura lambdoide. Nervo Lacrimal supre a parte lateral da pálpebra superior e uma pequena área de pele adjacente. Divisão Maxilar (V2) Inervação: Pele o Parte média da face o Pálpebra inferior o Lateral do nariz o Lábio superior Membrana mucosa o Nasofaringe o Seio maxilar o Palato mole o Tonsila o Palato duro Dentes maxilares e tecidos periodontais 97 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Distribuição da divisão maxilar (V2). 1, Ramos alveolares superoposteriores; 2, nervo infraorbital; 3, nervo maxilar; 4, forame redondo; 5, nervo palatino maior; 6, nervo nasopalatino Ramos na Fossa Pterigopalatina O nervo zigomático se divide nos nervos zigomatotemporal e zigomatofacial: § o zigomaticotemporal supre a inervação sensorial da pele na lateral da fronte § zigomaticofacial supre a pele sobre a proeminência da bochecha. Os ramos dos nervos pterigopalatinos incluem aqueles que suprem quatro áreas: órbita, nariz, palato e faringe. Os ramos orbitais suprem o periósteo da órbita. Os ramos nasais suprem as membranas mucosas da concha nasal superior e da média, o revestimento dos seios etmoidais posteriores e a parte posterior do septo nasal Nervo Nasopalatino o Ele passa pelo canal incisivo, pelo qual segue até a cavidade oral passando pelo forame incisivo, localizado na linha média do palato a cerca de 1 cm posteriormente aos incisivos maxilares centrais. o Os nervos nasopalatinos direito e esquerdo emergem juntos por esse forame e proporcionam sensação à mucosa do palato na região pré-maxilar (caninos até os incisivos centrais) Ramos de V2 na fossa pterigopalatina. 1, Nervo maxilar; 2, ramos alveolares superoposteriores 98 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Os ramos palatinos incluem o nervo palatino maior e os nervos palatinos menores O nervo palatino maior emerge no palato duro através do forame palatino maior (que se localiza geralmente num ponto em torno de 1 cm da linha média palatina, imediatamente distal ao segundo molar) Inervação sensorial aos tecidos moles e ossos palatinos anteriormente até o primeiro pré-molar, ponto em que se comunica com fibras terminais do nervo nasopalatino O nervo palatino menor dá inervação sensorial à membrana mucosa do palato mole; O nervo alveolar superior posterior (ASP) proporciona inervação sensorial à gengiva bucal na região molar maxilar e nas superfícies mucosas faciais adjacentes, inervação sensorial aos alvéolos, aos ligamentos periodontais e aos tecidos pulpares do terceiro, do segundo e do primeiro molar maxilar (com exceção [em 28% dos pacientes] da raiz mesiovestibular do primeiro molar). 99 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Ramos do Canal Infraorbital No canal infraorbital, a divisão maxilar (V2) emite dois ramos: o nervo alveolar superior médio e o nervo alveolar superior anterior e o alveolar superior médio. Enquanto no sulco e no canal infraorbital, a divisão maxilar é designada como nervo infraorbital. O nervo alveolar superior médio (ASM) fornece inervação sensorial aos dois pré- molares maxilares e, talvez, à raiz mesiovestibular do primeiro molar e aos tecidos periodontais, aos tecidos moles bucais e ao osso na região pré-molar. O nervo alveolar superior anterior (ASA) proporciona a inervação pulpar aos incisivos centrais e laterais e ao canino e inervação sensorial aos tecidos periodontais, ao osso bucal e às membranas mucosas desses dentes Ramos para a Face O nervo infraorbital emerge na face atravessando o forame infraorbital e se divide a seus ramos terminais: o Palpebrais inferiores (suprem a pele da pálpebra inferior de inervação sensorial) o Nasais externos (fornecem inervação sensorial à pele no aspecto lateral do nariz) o Labiais superiores (fornecem inervação sensorial à pele e às membranas mucosas do lábio superior) 100 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Nervo ASA; 1, Ramos do nervo ASA; 2, plexo dentário superior; 3, ramos dentários; 4, ramos interdentários e inter-radiculares Divisão Mandibular (V3) Constitui um nervo misto com duas raízes: uma grande raiz sensorial e uma raiz motora menor Ramos da Divisão Anterior Inervação motora aos músculos da mastigação e inervação sensorial à membrana mucosa da bochecha e à membrana mucosa bucal dos molares mandibulares. O nervo bucal: sensibilidade da mucosa jugal, gengiva vestibular dos molares. o A anestesia do nervo bucal é importante para procedimentos odontológicos requerendo a manipulação dos tecidos moles sobre a superfície bucal dos molares mandibulares. Ramos da Divisão Posterior O nervo lingual traz sensibilidade geral aos 2/3 anteriores da língua, membranas mucosas do assoalho da boca e à gengiva na parte lingual da mandíbula O nervo milo-hióideo se ramifica do nervo alveolar inferior antes da entrada desse último no canalmandibular, sendo motor ao músculo milo-hióideo e ao ventre anterior do digástrico. O nervo alveolar inferior inerva os dentes inferiores e periodonto Ele se divide a seus dois ramos terminais: o nervo incisivo e o nervo mentual no forame mentual o O nervo incisivo permanece no canal mandibular e forma um plexo nervoso que inerva os tecidos da polpa dos primeiros molares, incisivos e caninos mandibulares pelos ramos dentários. o O nervo mentual sai do canal pelo forame mentual e se divide em três ramos principais que inervam a pele do queixo e a pele e a membrana mucosa do lábio inferior. 101 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR 102 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Maxila Mandíbula 1. Parte Alveolar; 2. Ângulo; 3. Borda Anterior Do Ramo; 4. Base; 5. Corpo; 6. Processo Coronoide; 7. Fossa Digástrica; 8. Cabeça; 9. Borda Inferior Do Ramo; 10. Língula; 11. Forame Mandibular; 12. Incisura Mandibular; 13. Forame Mentual; 14. Protuberância Mentual; 15. Tubérculo Mentual; 16. Sulco Milo-Hióideo; 17. Linha Milo-Hióidea; 18. Colo; 19. Linha Oblíqua; 20. Borda Posterior Do Ramo; 21. Fóvea Pterigoide; 22. Ramo; 23. Fossa Sublingual; 24. Fossa Submandibular; 25. Espinhas Mentuais Superior E Inferior (Espinhas Genianas) 103 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Há três tipos principais de injeção de anestésico local: infiltração local, bloqueio do campo e bloqueio de nervo. Infiltração Local Pequenas terminações nervosas na área do tratamento odontológico são infiltradas com solução de anestésico local. Injeção na qual a solução anestésica local é depositada no ápice do dente a ser tratado ou acima dele. A anestesia por infiltração pode ser suficiente para o tratamento de pequenas áreas isoladas, como na provisão da hemostasia para procedimentos nos tecidos moles A área de tratamento é inundada com anestésico local. Uma incisão é feita na mesma área (seta). Bloqueio de Campo O anestésico local é infiltrado próximo aos ramos nervosos terminais maiores, de modo que a área anestesiada será circunscrita, impedindo a passagem de impulsos do dente para sistema nervoso central (SNC). Injeções maxilares administradas acima do ápice do dente a ser tratado são apropriadamente denominadas de bloqueios de campo (embora o uso comum as identifique como infiltrações ou supraperiosteais). O bloqueio de campo é indicado quando dois ou três dentes estão sendo restaurados, enquanto a anestesia por bloqueio regional é indicada para o controle da dor O anestésico local é depositado próximo ao tronco nervoso principal, localizado distante do local da incisão (seta). Técnica Básica de Anestesia Deposite lentamente a solução anestésica: Fator de segurança Menos traumática TÉCNICAS ANESTÉSICAS NA 104 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR O indicado é um tubete por minuto Lembre-se sempre de aspirar: reduz drasticamente a possibilidade de uma injeção intravascular. Técnicas de injeção maxilar As seguintes técnicas estão disponíveis: 1. Supraperiosteal (infiltração), recomendada para um número limitado de protocolos de tratamento 2. Injeção no ligamento periodontal (LPD, intraligamentar), recomendada como adjuvante às outras técnicas ou para um número limitado de protocolos de tratamento 3. Injeção intrasseptal, recomendada basicamente para técnicas cirúrgicas periodontais 4. Injeção intracrista, recomendada para o tratamento de dentes isolados (basicamente molares mandibulares) quando outras técnicas forem malsucedidas 5. Injeção intraóssea (IO), recomendada para o tratamento de dentes isolados (basicamente molares mandibulares) quando outras técnicas forem malsucedidas 6. Bloqueio do nervo alveolar superoposterior (ASP), recomendado para o tratamento de vários dentes molares em um quadrante 7. Bloqueio do nervo alveolar superior médio (ASM), recomendado para o tratamento de pré-molares em um quadrante 8. Bloqueio do nervo alveolar superior anterior (ASA), recomendado para o tratamento de dentes anteriores em um quadrante 9. Bloqueio do nervo maxilar (V2, segunda divisão), recomendado para tratamento vestibular, palatino e pulpar extensos em um quadrante 10. Bloqueio do nervo palatino maior, recomendado para o tratamento dos tecidos moles e ósseos palatinos distais ao canino em um quadrante 11. Bloqueio do nervo nasopalatino, recomendado para o tratamento dos tecidos moles e ósseos palatinos de canino a canino bilateralmente 12. Bloqueio do nervo alveolar superior médio anterior (ASMA), recomendado para o tratamento extenso de dentes anteriores, tecidos moles e ósseos palatinos e vestibulares Injeção Supraperiosteal É a técnica de anestesia local usada com mais frequência para a obtenção da anestesia pulpar nos dentes superiores. Anestesia dos dentes superiores, quando o tratamento é limitado a 1 ou 2 dentes É indicada sempre que os procedimentos odontológicos são confinados a uma área relativamente circunscrita, seja na região dos incisivos maxilares ou mandibulares. Outros nomes comuns: infiltração local, injeção paraperiosteal. Nervos anestesiados: grandes ramos terminais do plexo dentário. Áreas anestesiadas: polpa e ligamento periodontal, periósteo vestibular, tecido conjuntivo e mucosa. Injetar aproximadamente 1/3 (0,6ml) em 20 segundos 105 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A seringa deve ser mantida paralela ao eixo longo do dente e inserida na parte alta da prega mucovestibular sobre o dente Indicações 1. Anestesia pulpar dos dentes superiores, quando o tratamento é limitado a um ou dois dentes 2. Anestesia dos tecidos moles, quando indicada para procedimentos cirúrgicos em área circunscrita Contraindicações 1. Infecção ou inflamação aguda na área da injeção. 2. Osso denso recobrindo os ápices dentários Vantagens 1. Alta taxa de sucesso (>95%) 2. Injeção tecnicamente fácil 3. Em geral é totalmente atraumática Desvantagens Não recomendada para grandes áreas devido à necessidade de múltiplas introduções da agulha e de administração de volumes totais maiores do anestésico local. Técnica 1. Área de introdução: altura da prega mucovestibular acima do ápice do dente a ser anestesiado 2. Área-alvo: região apical do dente a ser anestesiado 3. Pontos de referência: a. Prega mucovestibular b. Coroa do dente 106 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR c. Contorno da raiz do dente 4. Orientação do bisel: voltado para o osso 5. Procedimento: a. Preparar o tecido no local de injeção. (1) Limpar com gaze seca estéril. (2) Aplicar um antisséptico tópico (opcional). (3) Aplicar anestésico tópico por, no mínimo, 1 minuto. b. Orientar a agulha de modo que o bisel esteja voltado para o osso. c. Levantar o lábio e tensionar o tecido. d. Segurar a seringa paralela ao longo eixo do dente e. Introduzir a agulha na altura da prega mucovestibular sobre o dente-alvo. f. Avançar a agulha até que o bisel esteja na região apical do dente ou acima desta Como a agulha está no tecido mole (não tocando o osso), não deve haver resistência ao seu avanço nem deve haver qualquer desconforto para o paciente com esta injeção. g. Aspirar duas vezes. (1) Caso a aspiração seja negativa, injetar aproximadamente 0,6 ml (um terço de um tubete) lentamente em 20 segundos. (Não deixe os tecidos inflarem como um balão.) h. Retirar a seringa lentamente. i. Proteger a agulha. j. Aguardar de 3 a 5 minutos antes de começar o procedimento odontológico. Bloqueio Do Nervo Alveolar Superior Posterior Outros Nomes Comuns: Técnica da Tuberosidade Baixa, Bloqueio da tuberosidade, bloqueio zigomático. Nervos Anestesiados: Alveolar superoposterior e seus ramos. Áreas Anestesiadas: a. Polpas do terceiro, segundo e primeiro molares superiores (todo odente = 72%; raiz mesiovestibular do primeiro molar superior não anestesiada = 28%) b. Tecido periodontal vestibular e osso sobrejacente a estes dentes Indicações: o Tratamento de 2 ou mais molares o Quando a injeção supraperiosteal é contra-indicada (infecção) 16mm de penetração Injetar ½ tubete (0,9ml) Aspiração = 3,1% 107 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Contraindicação Quando o risco de hemorragia é muito grande (como no hemofílico), caso no qual é recomendada a injeção supraperiosteal ou do LPD. Vantagens 1. Atraumático 2. Taxa de sucesso elevada (> 95%) 3. Número mínimo de injeções é necessário 4. Minimiza o volume total de solução anestésica local administrada Desvantagens 1. Risco de hematoma, que geralmente é difuso; também é muito desconfortável e embaraçoso para o paciente 2. Técnica até certo ponto arbitrária: não há pontos de referência ósseos durante a injeção 3. É necessária uma segunda injeção para o tratamento do primeiro molar (raiz mesiovestibular) em 28% dos pacientes Alternativas 1. Injeções supraperiosteais ou do LPD para a anestesia da polpa e raiz 2. Infiltrações para os tecidos vestibulares periodontais e para os tecidos duros 3. Bloqueio do nervo maxilar Técnica 1. Área de introdução: altura da prega mucovestibular acima do segundo molar superior 2. Área-alvo: nervo ASP 3. Pontos de referência a. Prega mucovestibular b. Tuberosidade da maxila c. Processo zigomático da maxila 2. Orientação do bisel: voltado para o osso durante a injeção 3. Procedimento: b. Preparar os tecidos na altura da prega mucovestibular para a introdução. (1) Secar com gaze estéril. (2) Aplicar um antisséptico tópico (opcional). (3) Aplicar um anestésico tópico por, no mínimo, 1 minuto. c. Orientar o bisel da agulha voltado para o osso. d. Abrir parcialmente a boca do paciente, puxando a mandíbula para o lado da injeção. e. Retrair a bochecha do paciente com seu dedo (para melhorar a visibilidade). 108 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR f. Tensionar os tecidos no local da injeção. g. Introduzir a agulha na altura da prega mucovestibular sobre o segundo molar h. Avançar a agulha lentamente para cima, para dentro e para trás em um só movimento (não em três movimentos). i. Avançar lentamente através dos tecidos moles j. Avançar a agulha até a profundidade desejada (1) No adulto de tamanho normal, a penetração até uma profundidade de 16 mm colocará a ponta da agulha muito próxima do forame através do qual o nervo ASP entra na face posterior da maxila. k. Aspirar em dois planos. l. Caso ambas as aspirações sejam negativas: (1) Lentamente, durante 30 a 60 segundos, depositar 0,9 a 1,8 ml de solução de anestésico. (2) Aspire algumas vezes (em um plano), durante a administração do fármaco. (3) A anestesia do nervo ASP é geralmente atraumática, devido ao grande espaço tecidual disponível para acomodar a solução de anestésico e ao fato de que o osso não é tocado. m. Retirar a seringa lentamente. n. Proteger a agulha. o. Aguardar no mínimo, de 3 a 5 minutos antes de começar o procedimento odontológico. Bloqueio do nervo alveolar superoposterior (ASP). Tecido afastado no local da penetração. Observe a orientação da agulha: para dentro, para cima e para trás. 109 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A: Com uma agulha odontológica “longa” (>32 mm de comprimento) no adulto de tamanho médio, a profundidade da penetração é de metade de seu comprimento. B: Bloqueio do nervo ASP com a utilização de uma agulha odontológica “curta” (aproximadamente 20 mm de comprimento). A introdução excessiva é menos provável. Bloqueio do Alveolar Superior Anterior/Infraorbitário Nervos anestesiados: Alveolar Superior Anterior, Alveolar Superior Médio e Nervo Infraorbital Áreas Anestesiadas: o Polpas do incisivo central superior até o canino superior o Pré-molares superiores e a raiz mesiovestibular do 1°MS o Pálpebra inferior, aspecto lateral do nariz e lábio superior Injetar 1,2ml (2/3) Manter pressão firme por 1min Aspiração = 0,7% A agulha não deve ser palpável Indicações 1. Procedimentos odontológicos envolvendo mais de dois dentes superiores e os tecidos vestibulares sobrejacentes 2. Inflamação ou infecção (que contraindica a injeção supraperiosteal): se houver celulite, pode estar indicado o bloqueio do nervo maxilar no lugar do bloqueio do nervo ASA. 110 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR 3. Quando as injeções supraperiosteais forem ineficazes devido ao osso cortical denso Alternativas 1. Injeção supraperiosteal, LPD ou IO para cada dente 2. Infiltração para os tecidos periodontais e duros 3. Bloqueio do nervo maxilar Técnica 1. Área de inserção: altura da prega mucovestibular diretamente sobre o primeiro pré-molar superior Nota: O primeiro pré-molar geralmente proporciona o menor trajeto até esta área-alvo. 2. Área-alvo: forame infraorbitário (abaixo da incisura infraorbitária). 3. Pontos de referência: a. Prega mucovestibular b. Incisura infraorbitária c. Forame infraorbitário 4. Orientação do bisel: voltado para o osso 5. Procedimento: a. Preparar os tecidos no local de injeção (altura da prega mucovestibular) para a penetração. (1) Secar com gaze estéril. (2) Aplicar um antisséptico tópico (opcional). (3) Aplicar um anestésico tópico por no mínimo 1 minuto. b. Localizar o forame infraorbitário c. Manter o dedo sobre o forame ou marcar a pele neste ponto d. Afastar o lábio do paciente, tensionando os tecidos na prega mucovestibular e aumentando a visibilidade. e. Introduzir a agulha na altura da prega mucovestibular sobre o primeiro pré-molar, com o bisel voltado para o osso f. Orientar a seringa em direção ao forame infraorbitário. g. A agulha deve ser mantida paralela ao eixo longitudinal do dente enquanto é avançada, para evitar contato prematuro com o osso h. Avançar a agulha lentamente até que toque suavemente o osso. (1) O ponto de contato deve ser a borda superior do forame infraorbitário. (2) A profundidade aproximada da penetração da agulha será de 16 mm 111 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR i. Posicionar a ponta da agulha durante a injeção com o bisel voltado para o forame infraorbitário e a ponta da agulha tocando o teto do forame j. Aspirar em dois planos. k. Depositar lentamente de 0,9 a 1,2 ml (por 30 a 40 segundos). Pouca ou nenhuma tumefação deve ser observada enquanto a solução é depositada. l. Manter pressão firme com o dedo sobre o local de injeção, durante a injeção e por pelo menos 1 minuto depois (para aumentar a difusão da solução de anestésico local para o forame infraorbitário). m. Retirar a seringa lentamente e proteger a agulha imediatamente. n. Manter a pressão digital direta sobre o local da injeção durante 1 minuto, de preferência por 2 minutos, após a injeção. o. Aguardar no mínimo 3 a 5 minutos após o término da injeção antes de iniciar o procedimento odontológico. Introduzir a agulha para bloqueio do nervo ASA na prega mucovestibular acima do primeiro pré-molar superior. 112 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Anestesia do Palato A anestesia do palato duro é necessária para procedimentos odontológicos envolvendo manipulação dos tecidos moles ou duros do palato. As etapas da administração atraumática da anestesia do palato são as seguintes: 1. Produzir anestesia tópica adequada no local de penetração da agulha. 2. Usar anestesia por pressão no local antes e durante a introdução da agulha e a deposição da solução. 3. Manter controle sobre a agulha. 4. Injetar a solução de anestésico lentamente é ainda mais importante. 5. Confiar em si próprio. Você pode completar o procedimento de maneira atraumática. Se eu quero anestesiar apenas a mucosade um dente, deve-se introduzir o anestésico 3mm acima da margem gengival A anestesia tópica adequada no local da injeção pode ser obtida, permitindo-se que o anestésico tópico permaneça em contato com os tecidos moles durante pelo menos 2 minutos. O palato é a única área da boca onde uma haste de algodão deve ser mantida na posição pelo administrador durante todo o tempo. A haste de algodão deve ser pressionada com firmeza suficiente para produzir a isquemia (palidez) dos tecidos A anestesia coompressiva deve ser mantida durante a penetração dos tecidos moles pela agulha e deve ser mantida durante todo o tempo em que a agulha permanecer nos tecidos moles do palato. Avançar a agulha paralela ao longo eixo do dente para impedir o contato prematuro com o osso. Observe como o osso da maxila se torna côncavo entre a eminência da raiz e o forame infraorbitário (note a sombra). Posição da extremidade da agulha antes da injeção de anestésico local no forame infraorbitário. 113 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Estabilização da agulha para um bloqueio do nervo palatino maior (A) e nasopalatino (B). Em ambas as injeções, o corpo da seringa deve estar apoiado no lábio inferior do paciente. A injeção rápida da solução produz uma pressão tecidual elevada, que lacera os tecidos palatinos e acarreta tanto dor à injeção como uma sensibilidade localizada ao terminar o efeito do anestésico. O bloqueio do nervo palatino maior, que produz anestesia das porções posteriores do palato duro; O bloqueio do nervo nasopalatino, que produz anestesia do palato duro anterior; Infiltração local do palato duro — são utilizadas basicamente para obter anestesia do tecido mole e hemostasia antes de procedimentos cirúrgicos. Nenhuma produz qualquer anestesia pulpar dos dentes superiores. Bloqueio Do Nervo Palatino Maior Áreas Anestesiadas: o Palato duro e os tecidos moles o Molares até o 1°pm e medialmente até a linha média Profundidade de 5mm Injeta 0,6ml (1/3) Não entrar no forame Nervos Anestesiados: Palatino maior. Técnica 1. Área de introdução: tecidos moles levemente anteriores ao forame palatino maior 2. Pontos de referência: forame palatino maior e junção do processo alveolar maxilar e osso palatino 3. Trajeto da introdução: avançar a seringa a partir do lado oposto da boca formando um ângulo reto com a área-alvo 4. Orientação do bisel: voltado para os tecidos moles palatinos 5. Procedimento: a. Solicitar ao paciente, que está em posição supina para: (1) Abrir bem a boca. (2) Estender o pescoço. (3) Girar a cabeça para a esquerda ou para a direita (para melhorar a visibilidade). 114 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR b. Localizar o forame palatino maior (1) Colocar uma haste de algodão na junção do processo alveolar maxilar com o palato duro. (2) Começar na região do primeiro molar superior e palpar posteriormente pressionando firmemente os tecidos com a haste de algodão. (3) A haste de algodão “cairá” na depressão formada pelo forame palatino maior c. Preparar o tecido no local de injeção, apenas 1 a 2 mm anterior ao forame palatino maior. (1) Limpar e secar com gaze estéril. (2) Aplicar antisséptico tópico (opcional). (3) Aplicar anestésico tópico por 2 minutos. d. Após 2 minutos de aplicação do anestésico tópico, mova a haste de algodão posteriormente, de forma que fique diretamente sobre o forame palatino maior. (1) Aplicar pressão considerável na área do forame com o cotonete na mão esquerda (caso seja destro). (2) Observar a isquemia (palidez dos tecidos moles) no local da injeção. (3) Aplicar pressão por, no mínimo, 30 segundos, e, enquanto isso, fazer o seguinte: e. Direcionar a seringa para a boca a partir do lado oposto, com a agulha aproximando-se do local de injeção em ângulo 45° f. Colocar o bisel (não a ponta) da agulha delicadamente contra os tecidos moles previamente pálidos (isquêmicos) no local de injeção. g. Com o bisel situado contra o tecido: (1) Aplicar pressão suficiente para curvar lentamente a agulha. (2) Depositar um pequeno volume do anestésico. A solução será forçada contra a membrana mucosa e se formará uma gotícula h. Retificar a agulha e permitir que o bisel perfure a mucosa. (1) Continuar a injetar pequenos volumes de anestésico durante todo o procedimento. (2) A isquemia se propagará para os tecidos adjacentes enquanto o anestésico (usualmente associado a um vasoconstritor) é depositado i. Continuar a aplicar anestesia compressiva durante toda a deposição de solução anestésica j. Avançar lentamente a agulha até que toque suavemente o osso palatino. (1) A profundidade de penetração é em geral de aproximadamente de 5 mm. (2) Continuar a injetar pequenos volumes de anestésico. À medida que o tecido é perfurado, haverá aumento da resistência à deposição da solução, o que é absolutamente normal no bloqueio do nervo palatino maior. k. Aspirar em dois planos. 115 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR l. Caso a aspiração seja negativa, injetar lentamente (no mínimo durante 30 segundos) não mais do que um quarto a um terço de um tubete (0,45 a 0,6 ml). m. Retirar a seringa. n. Proteger a agulha. o. Aguardar 2 a 3 minutos antes de iniciar o procedimento odontológico. Bloqueio Do Nervo Nasopalatino Indicações: Tratamento em tecidos moles e duros palatinos em mais de dois dentes Não deve entrar no forame. Ter cuidado para não perfurar o assoalho nasal Penetração lateralmente à papila incisiva Aplicar 0,45ml (1/4) A primeira técnica envolve apenas uma penetração tecidual, lateralmente à papila incisiva na face palatina dos incisivos centrais superiores. A segunda técnica envolve três punções de agulha, porém, quando executada corretamente, é significativamente menos traumática que a técnica de perfuração única direta. Nervos Anestesiados: Nervos nasopalatinos bilateralmente Áreas Anestesiadas: Porção anterior do palato duro (tecidos moles e duros) bilateralmente desde a face mesial do primeiro pré-molar direito à face mesial do primeiro pré-molar esquerdo. Indicações 1. Quando for necessária anestesia dos tecidos moles palatinos para tratamento restaurador em mais de dois dentes (p. ex., restaurações subgengivais e inserção de matriz subgengival) 2. Controle da dor durante procedimentos periodontais ou cirúrgicos orais envolvendo os tecidos moles e duros do palato Contraindicações 1. Inflamação ou infecção no local da injeção 2. Pequenas áreas de tratamento (um ou dois dentes) Vantagens 1. Minimiza as perfurações da agulha e o volume de solução 2. Minimiza o desconforto para o paciente oriundo de múltiplas perfurações da agulha Desvantagens 1. Não há hemostasia, exceto na área próxima da injeção 2. Potencialmente a injeção intraoral mais traumática; Aspiração Positiva 116 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Menos de 1%. Alternativas 1. Infiltração local em regiões específicas 2. Bloqueio do nervo maxilar (apenas unilateral) 3. Bloqueio do nervo alveolar superior médio anterior (ASMA) (apenas unilateral) Técnica (Injeção Única no Palato) 1. Área de introdução: mucosa palatina imediatamente lateral à papila incisiva 2. Área-alvo: forame incisivo, sob a papila incisiva 3. Pontos de referência: incisivos centrais e papila incisiva 4. Trajeto de introdução: aproximar o local de injeção em um ângulo de 45° em direção à papila incisiva 5. Orientação do bisel: voltado para os tecidos moles do palato 6. Procedimento: a. Solicitar ao paciente para fazer o seguinte: (1) Abrir bem a boca. (2) Estender o pescoço. (3) Girar a cabeça para a esquerda ou para a direita para melhorar a visibilidade b. Preparar o tecido imediatamente lateral à papila incisiva (1) Limpar e secar com gaze estéril. (2) Aplicar antisséptico tópico (opcional). (3) Aplicar anestésicotópico por 2 minutos. c. Após 2 minutos de aplicação do anestésico tópico, mover a haste de algodão diretamente sobre a papila incisiva (1) Comprimir a área da papila com a haste de algodão em sua mão esquerda (caso seja destro). (2) Observar a isquemia no local da injeção. d. Colocar o bisel contra os tecidos moles isquêmicos no local da injeção. e. Com o bisel situado sobre o tecido: (1) Aplicar pressão suficiente para curvar ligeiramente a agulha. (2) Depositar um pequeno volume do anestésico. A solução será forçada contra a membrana mucosa. f. Retificar a agulha e permitir que o bisel perfure a mucosa. (1) Continuar a injetar pequenos volumes de anestésico durante todo o procedimento. (2) Observar a isquemia propagando-se para os tecidos adjacentes enquanto a solução é depositada. g. Continuar a aplicar pressão com a haste de algodão enquanto injeta o anestésico. h. Avançar a agulha lentamente em direção ao forame incisivo até que toque suavemente o (1) A profundidade de penetração é de aproximadamente 5 mm. 117 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR (2) Injetar pequenos volumes de anestésico enquanto avança a agulha. À medida que o tecido é perfurado, haverá aumento da resistência à injeção da solução, o que é normal no bloqueio do nervo nasopalatino. i. Retirar a agulha 1 mm (para evitar a injeção subperiosteal). O bisel agora se situa sobre o centro do forame incisivo. j. Aspirar. k. Caso a aspiração seja negativa, injetar lentamente (no mínimo durante 15 a 30 segundos) não mais que um quarto a um terço de um tubete (0,45 ml). l. Retirar a seringa lentamente m. Proteger a agulha n. Aguardar 2 a 3 minutos antes de iniciar o procedimento odontológico. Técnica do Bloqueio do Nervo Alveolar Superior Posterior, Alveolar Superior Médio e Infiltrativa do Palato 118 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Técnica (Múltiplas Perfurações da Agulha) 1. Área de introdução: a. Freio labial na linha média entre os incisivos centrais superiores b. Papila interdentária entre os incisivos centrais superiores c. Se necessário, os tecidos moles palatinos laterais à papila incisiva 2. Área-alvo: forame incisivo, sob a papila incisiva 3. Pontos de referência: incisivos centrais e papila incisiva 4. Trajetória de introdução: a. Primeira injeção: infiltração no freio labial b. Segunda injeção: agulha mantida em ângulo reto com a papila interdentária c. Terceira injeção: agulha mantida em um ângulo de 45° em relação à papila incisiva 5. Orientação do bisel: a. Primeira injeção: voltado para o osso b. Segunda injeção: irrelevante c. Terceira injeção: irrelevante 6. Procedimento: a. Primeira injeção: infiltração de 0,3 ml no freio labial (1) Preparar o tecido no local da injeção. a. Limpar e secar com gaze estéril. b. Aplicar antisséptico tópico (opcional). c. Aplicar anestésico tópico por 1 minuto (2) Retrair o lábio superior para distender os tecidos e melhorar a visibilidade. (3) Introduzir delicadamente a agulha no freio e depositar 0,3 ml do anestésico em aproximadamente 15 segundos. (4) A anestesia dos tecidos moles ocorre imediatamente. O objetivo dessa injeção é anestesiar a papila interdental entre os dois incisivos centrais. b. Segunda injeção: penetração através da face vestibular da papila entre os incisivos centrais superiores em direção à papila incisiva (1) Retrair delicadamente o lábio superior para aumentar a visibilidade. (2) Segurando a agulha em ângulo reto em relação à papila interdentária, introduzi- la na papila logo acima do nível do osso da crista. (a) Direcioná-la para a papila incisiva (na face palatina da papila interdentária). (b) Os tecidos moles na superfície vestibular foram anestesiados previamente, de modo que não haverá desconforto. Entretanto, à medida que a agulha avança em direção à face palatina não anestesiada, tornar-se-á necessário administrar pequenas quantidades do anestésico local para evitar o desconforto. (c) Com a cabeça do paciente estendida para trás, você pode observar a isquemia produzida pelo anestésico e ver a extremidade da agulha se aproximando da face palatina da papila incisiva. Deve-se tomar cuidado 119 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR para evitar que a agulha atravesse a papila até a cavidade oral no lado palatino. (5) Aspirar em dois planos ao notar a isquemia na papila incisiva ou quando a ponta da agulha for visível logo abaixo da superfície tecidual. Caso a aspiração seja negativa, administrar não mais do que 0,3 ml de solução anestésica em aproximadamente 15 segundos. Haverá resistência considerável à deposição de solução, mas nenhum desconforto para o paciente. (6) A estabilização da seringa nesta segunda injeção é um pouco incômoda, mas fundamental. O uso de um dedo da outra mão para estabilizar a agulha é recomendado. No entanto, o corpo da seringa deve ser segurado de forma a permanecer na linha de visão do paciente e isso é potencialmente desconcertante para alguns pacientes. (7) Retirar a seringa lentamente. (8) Proteger a agulha. (9) A anestesia na distribuição dos nervos nasopalatinos direito e esquerdo geralmente ocorre em 2 a 3 minutos. (10) Se a área de anestesia clinicamente eficaz for menor que a adequada (como ocorre frequentemente), prosseguir com a terceira injeção. c. Terceira injeção: (1) Secar o tecido imediatamente lateral à papila incisiva. (2) Solicitar ao paciente para abrir bem a boca. (3) Estender o pescoço do paciente. (4) Colocar a agulha nos tecidos moles adjacentes à papila incisiva (em forma de diamante), dirigida à parte mais distal da papila. (5) Avançar a agulha até fazer contato com o osso. (6) Retirar a agulha 1 mm para evitar a injeção subperiosteal. (7) Aspirar em dois planos. (8) Caso a aspiração seja negativa, depositar lentamente não mais de 0,3 ml do anestésico em aproximadamente 15 segundos. (9) Retirar a seringa. (10) Proteger a agulha. 120 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR (11) Aguardar no mínimo 2 a 3 minutos para o início da anestesia antes de começar o tratamento odontológico. A: O anestésico tópico é aplicado na mucosa do freio. B: Primeira injeção, no freio labial. C: Segunda injeção, na papila interdentária entre os incisivos centrais. D: Terceira injeção, quando a anestesia da área nasopalatina é inadequada após as duas primeiras injeções. Exemplos: Restauração do dente 24 Técnica Supraperiosteal Nervo alveolar superior médio anestesiado Exodontia do dente 27 Técnica Supraperiosteal e Infiltrativa do Palato Nervos anestesiados: alveolar superior posterior e palatino maior Exodontia dos dentes 26, 27 e 28 Técnica do Bloqueio do Nervo Alevolar Superior Posterior e do Nervo Palatino Maior 121 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR BLOQUEIO DO NERVO ALVEOLAR INFERIOR Taxa de insucesso: 31% a 81% Técnica Direta É a segunda técnica de injeção mais utilizada Nervos Anestesiados: Nervo Alveolar Inferior, Nervo Mentual, Nervo Incisivo e Nervo Lingual Áreas Anestesiadas: o Dentes mandibulares até a linha média o 2/3 anteriores da língua o Mucosa vestibular de pré-molares a incisivos e mucosa lingual Técnica que exige contato ósseo Angulação correta: a partir do 2°PM Profundidade de penetração: 20 a 25mm Se não houver contato = agulha muito posterior Contato superficial = agulha muito anterior TÉCNICAS ANESTÉSICAS NA 122 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Sinais e sintomas de que a técnica funcionou: quando o paciente relata formigamento e dormência no lábio inferior, mento e 2/3 anteriores da língua Áreas Anestesiadas. 1. Dentes mandibulares até a linha média 2. Corpo da mandíbula, parte inferior do ramo da mandíbula 3. Mucoperiósteo bucal, membrana mucosaanteriormente ao forame mentual (nervo mentual) 4. Dois terços anteriores da língua e assoalho da cavidade oral (nervo lingual) 5. Periósteo e tecidos moles linguais (nervo lingual) Desvantagens: o Ampla área anestesiada o Alta taxa de insucesso (30 a 80%) o Aspiração 10 a 15% o Anestesia do lábio e língua Utilizar agulha longa (35mm) já que deve-se introduzir a agulha em torno de 22mm Técnica 1. Área de inserção: membrana mucosa do lado medial (lingual) do ramo da mandíbula, na interseção de duas linhas — uma horizontal, representando a altura de inserção da agulha, e a outra vertical, representando o plano anteroposterior de injeção 2. Área-alvo: nervo alveolar inferior ao descer em direção ao forame mandibular, porém antes de ele entrar no forame 3. Marcos a. Incisura coronoide (concavidade maior na borda anterior do ramo da mandíbula) b. Rafe pterigomandibular (parte vertical) c. Plano oclusal dos dentes mandibulares posteriores 4. Orientação do bisel da agulha: importância menor do que em outros bloqueios nervosos, porque a agulha se aproxima do nervo alveolar inferior aproximadamente em ângulo reto 123 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR 5. Procedimento a. Posicionar o paciente em decúbito dorsal (recomendado) b. Localizar o ponto de penetração da agulha (1) Altura da injeção: colocar o dedo indicador ou o polegar de sua mão esquerda na incisura coronoide. (a) Uma linha imaginária se estende posteriormente da ponta do dedo na incisura coronoide até a parte mais profunda da rafe pterigomandibular (no ponto em que esta se volta verticalmente para cima em direção à maxila), determinando a altura da injeção. Essa linha imaginária deve ser paralela ao plano oclusal dos dentes molares mandibulares. Em muitos pacientes, ela está de 6 a 10 mm acima do plano oclusal. (b) O dedo na incisura coronoide é usado para puxar lateralmente os tecidos, distendendo-os sobre o local de injeção e esticando-os, possibilitando que a inserção da agulha seja menos traumática e também proporcionando melhor visibilidade. (c) O ponto de inserção da agulha se situa a três quartos da distância anteroposterior da incisura coronoide de volta até a parte mais profunda da rafe pterigomandibular. Nota: A linha deve se iniciar no ponto médio da incisura e terminar na parte mais profunda (mais posterior) da rafe pterigomandibular, no ponto em que esta se curva verticalmente para cima em direção ao palato. (d) A borda posterior do ramo da mandíbula pode ser aproximada intraoralmente usando-se a rafe pterigomandibular no ponto em que ela se curva verticalmente para cima em direção à maxila (e) Preparar o tecido no local da injeção: (1) Secar com gaze estéril. (2) Aplicar um antisséptico tópico (opcional). (3) Aplicar o anestésico tópico por 1 a 2 minutos. 6. Colocar o corpo da seringa no canto da boca do lado contralateral i. (2) Local anteroposterior de injeção: A penetração da agulha se dá na interseção de dois pontos. (f) O ponto 1 se situa ao longo de uma linha horizontal da incisura coronoide até a parte mais profunda da rafe pterigomandibular, no ponto em que ela ascende verticalmente em direção ao palato, como acabamos de descrever. (g) O ponto 2 está numa linha vertical através do ponto 1, a cerca de três quartos da distância da borda anterior do ramo da mandíbula. Isso determina o local anteroposterior de injeção. 124 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR (2) Profundidade de penetração: no terceiro parâmetro do BNAI, deve haver o contato com o osso. Avançar a agulha devagar até poder sentir que ela encontra uma resistência óssea. (a) A profundidade média de penetração até o contato com o osso vai ser de 20 a 25 mm, aproximadamente de dois terços a três quartos do comprimento de uma agulha dentária longa (b) A ponta da agulha deve estar localizada agora num ponto ligeiramente superior ao forame mandibular (em que o nervo alveolar inferior penetra [desaparece] no osso). O forame não pode ser visto nem palpado clinicamente. c. Introduzir a agulha. Ao fazer contato com o osso, retrair aproximadamente 1 mm para evitar a injeção subperiosteal. d. Aspirar em dois planos. Caso a aspiração seja negativa, depositar lentamente 1,5 ml de anestésico num período mínimo de 60 segundos. e. Retirar lentamente a seringa e aspirar novamente quando aproximadamente metade de seu comprimento permanecer nos tecidos. Caso a aspiração seja negativa, depositar parte da solução restante (0,2 ml) para anestesiar o nervo lingual. f. Retirar a seringa lentamente e tornar a agulha segura. g. Depois de aproximadamente 20 segundos, fazer o paciente retornar à posição ereta ou semiereta. h. Aguardar de 3 a 5 minutos antes de testar quanto à anestesia pulpar. 125 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Erros: A. A agulha está localizada demasiado anteriormente (lateralmente) no ramo da mandíbula. B. Para corrigir: retirar a agulha ligeiramente dos tecidos (1) e levar o corpo da seringa anteriormente em direção ao incisivo ou canino lateral (2); reinserir até a profundidade adequada. 126 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR A. Introdução excessiva sem contato com o osso. A agulha está geralmente posterior (medial) ao ramo. B. Para corrigir: retirar a agulha ligeiramente dos tecidos (1) e reposicionar o corpo da seringa sobre os pré-molares (2); reinserir. Bloqueio do nervo bucal Não é necessária para muitos procedimentos restaurativos dentários. Proporciona inervação sensitiva aos tecidos moles bucais adjacentes tão somente aos molares mandibulares. Introduz 1 a 4mm da agulha Cerca de 0,3ml Atenção para o escape do anestésico! Anestesia na região do trígono retromolar A única indicação da administração de um bloqueio do nervo bucal, portanto, é nos casos em que se considera a manipulação desses tecidos. Nervo anestesiado: bucal (um ramo da divisão anterior de v3 Área anestesiada: tecidos moles e periósteo bucal dos dentes molares mandibulares Técnica 1. É recomendada uma agulha longa de calibre 25 ou 27. 2. Área de inserção: membrana mucosa distal e bucal em relação ao dente molar mais distal no arco. 3. Área-alvo: nervo bucal ao passar sobre a borda anterior do ramo da mandíbula 4. Marcos: molares mandibulares, prega mucobucal 127 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR 5. Orientação do bisel: em direção ao osso durante a injeção 6. Procedimento: a. Assuma a posição correta: b. Posicionar o paciente em decúbito dorsal (recomendado) ou em semidecúbito. c. Preparar os tecidos para a penetração num ponto distal e bucal ao molar mais posterior. (1) Secar com gaze estéril. (2) Aplicar um antisséptico tópico (opcional). (3) Aplicar o anestésico tópico por 1 a 2 minutos. d. Com seu dedo indicador esquerdo (caso destro), puxar lateralmente os tecidos moles bucais na área de injeção, para melhorar a visibilidade. Tecidos esticados permitem uma penetração atraumática da agulha. e. Dirigir a seringa para o local de injeção com o bisel com a face para baixo em direção ao osso e a seringa alinhada paralelamente ao plano oclusal do lado da injeção, porém em posição bucal em relação aos dentes f. Penetrar a membrana mucosa no local de injeção, em posição distal e bucal relativamente ao último molar g. Avançar a agulha devagar até fazer contato de leve com o mucoperiósteo. (1) Para evitar a dor ao contato da agulha com o mucoperiósteo, depositar algumas gotas de anestésico local imediatamente antes do contato. h. Aspirar. i. Caso a aspiração seja negativa, depositar lentamente 0,3 ml em 10 segundos. (1) Caso o tecido no local da injeção infle como um balão (fique tumefeito durante a injeção), interromper o depósito da solução. j. Retirar a seringa devagar e tornar a agulha segura imediatamente. k. Aguardar aproximadamente 3 a 5 minutos antesde iniciar o procedimento dentário planejado. Alinhamento da seringa. A: Paralelamente ao plano oclusal no lado da injeção, mas bucal a ele. B: Distal e bucalmente ao último molar. 128 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Bloqueio do Nervo Incisivo/Mentual Áreas Anestesiadas: o Dentes mandibulares o Mucosa bucal dos pré-molares aos incisivos o Lábio inferior e mento Agulha entre os pré-molares Aplicar na região de ápice do 2°PM Não precisa entrar no forame, basta manter a pressão Técnica 1. É recomendada uma agulha curta de calibre 25 ou 27. 2. Área de inserção: prega mucobucal no forame mentual ou imediatamente anterior ao mesmo 3. Área-alvo: nervo mentual à saída do forame mentual (geralmente localizado entre o ápice do primeiro pré-molar e o do segundo) 4. Marcos: pré-molares mandibulares e prega mucobucal 5. Orientação do bisel: em direção ao osso durante a injeção a. Assumir a posição correta. b. Posicionar o paciente. c. Localizar o forame mentual. (1) Colocar seu dedo indicador na prega mucobucal e fazer pressão contra o corpo da mandíbula na área do primeiro molar. (2) Mover seu dedo devagar em sentido anterior até que o osso sob seu dedo tenha uma aparência irregular e algo côncava d. Preparar o tecido no local da penetração. (1) Secar com gaze estéril. (2) Aplicar um antisséptico tópico (opcional). (3) Aplicar o anestésico tópico por um período mínimo de 1 minuto. e. Com seu dedo indicador esquerdo, puxar lateralmente o lábio inferior e os tecidos moles bucais. (1) A visibilidade melhora. (2) Tecidos bem esticados permitem uma penetração atraumática. f. Orientar a seringa com o bisel dirigido ao osso. g. Penetrar a membrana mucosa no local de injeção, no canino ou no primeiro pré-molar, dirigindo a seringa ao forame mentual h. Avançar a agulha bem devagar até chegar ao forame. A profundidade de penetração é de 5 a 6 mm. i. Aspirar em dois planos. 129 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR j. Retirar a seringa e tornar a agulha segura imediatamente. (1) Aguardar de 2 a 3 minutos antes de iniciar o procedimento. Técnicas Suplementares São frequentemente usadas para suplementar técnicas de injeção malsucedidas ou apenas parcialmente bem- sucedidas. Intraligamentar É usada principalmente na mandíbula O anestésico se difunde na medular Área de inserção: longo eixo de cada raiz Existem seringas especiais para essa técnica, mas não são necessárias. 130 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Indicações: 1. Anestesia pulpar de um ou dois dentes num quadrante 2. Tratamento de dentes isolados em dois quadrantes mandibulares (para se evitar um BNAI bilateral) 3. Pacientes nos quais não é desejável a anestesia residual dos tecidos moles 4. Situações em que uma anestesia regional em bloco está contraindicada 5. Como um possível auxiliar no diagnóstico de desconfortos pulpares 6. Como uma técnica adjuvante após uma anestesia nervosa em bloco caso esteja presente uma anestesia parcial Contraindicações: 1. Infecção ou inflamação no local da injeção 2. Dentes primários nos quais está presente o broto do dente permanente a. A hipoplasia do esmalte foi relatada como ocorrendo num dente permanente em 3. Paciente que necessite de uma sensação “amortecida” para conforto psicológico Vantagens: 1. Não há anestesia do lábio, da língua e de outros tecidos moles, facilitando assim o tratamento em múltiplos quadrantes durante a mesma consulta. 2. Dose mínima do anestésico local necessária para a obtenção da anestesia (0,2 ml por raiz) 3. Como alternativa a uma anestesia nervosa regional em bloco parcialmente bem-sucedida 4. Início rápido de uma anestesia profunda da polpa e dos tecidos moles (30 segundos) 5. Menos traumática que as injeções em bloco convencionais 6. Bem adequada a procedimentos em crianças, a extrações e a procedimentos periodontais e endodônticos em um dente único e em múltiplos quadrantes Desvantagens: 1. A colocação correta da agulha é difícil de ser efetuada em algumas áreas (p. ex., áreas distais ao segundo ou terceiro molar). 2. O vazamento da solução anestésica local para a boca do paciente produz um gosto desagradável no local. 3. Uma pressão excessiva ou uma injeção demasiado rápida pode quebrar o cartucho de vidro. 4. Pode haver necessidade de uma seringa especial. 5. Uma pressão excessiva pode produzir danos teciduais focais. 6. O desconforto pós-injeção pode persistir por vários dias. 7. Existe o potencial de extrusão de um dente caso se use uma pressão excessiva ou volumes excessivos. 131 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Área de inserção para uma injeção no ligamento periodontal. A: Bucal. B: Lingual. Intrapulpar Geralmente feita em molares mandibulares durante endodontia ou exodontia Controle da dor mediante a ação farmacológica do anestésico e da pressão aplicada Anestesia traumática Difícil de penetrar em certos canais da raiz, pode ser necessário entortar a agulha. Nervos Anestesiados: Extremidades nervosas terminais no local da injeção na câmara e nos canais da polpa do dente envolvido. Áreas Anestesiadas: Tecidos dentro do dente injetado. Indicação: Quando o controle da dor é necessário para extirpação pulpar ou algum outro tratamento endodôntico na ausência de anestesia adequada proveniente de outras técnicas. Contraindicação: Nenhuma. A injeção intrapulpar pode ser a única técnica anestésica local disponível em algumas situações clínicas Vantagens: 1. Ausência de anestesia do lábio e da língua (apreciada pela maioria dos pacientes) 2. Necessidade de um volume mínimo da solução anestésica 3. Início de ação imediato 4. Muito poucas complicações pós-operatórias Desvantagens 1. Traumática: 2. Gosto amargo do fármaco anestésico (se ocorrer vazamento) 3. Pode ser difícil penetrar em certos canais da raiz a. Pode ser necessário entortar a agulha 4. Uma pequena abertura na câmara da polpa é necessária para se alcançar uma eficiência ótima. a. Grandes áreas com cáries fazem que seja mais difícil a anestesia profunda pela injeção intrapulpar 132 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Princípios de Cirurgia Medicamentos são substâncias prescritas com o intuito de controlar, prevenir ou erradicar a sensação dolorosa, inflamações, infecções, medo ou ansiedade. Analgésicos Antibióticos Anti-inflamatórios Ansiolíticos Tópica: quando o medicamento não entra na corrente sanguínea Enteral/Interna: quando o medicamento entra em contato com o sistema gastrointestinal Parenteral/Externo: Dor: experiência sensorial e emocional desagradável. No entanto, é fundamental para a espécie humana em razão do seu caráter defensivo. Sinais Cardinais da Inflamação: o Calor o Rubor o Tumor/aumento de volume o Dor o Perda de função Uma das maiores preocupações de todo cirurgião-dentista diz respeito a prevenção e controle da dor de seus pacientes. Toda intervenção cirúrgica causará uma resposta inflamatória aguda., assim é previsto que o paciente apresentará dor, edema e limitação da função. O tratamento da dor instalada é mais difícil, pois já foram desencadeados os mecanismos envolvidos na sensibilidade dolorosa. Portanto, é melhor tratar a dor antes que ela inicie. O esquema de tratamento deve ser de doses fixas. Analgesia preemptiva: prescrever um analgésico antes do procedimento cirúrgico. Analgesia preventiva: uso do analgésico após o procedimento cirúrgico, quando o paciente ainda está sob o efeito da anestesia. Possuem ação analgésica, anti-inflamatória e antipirética (controle da temperatura) Após um procedimento cirúrgico, a dor dura 48h, tendo pico em 6 a 8h após (dor aguda) O edema, alcança pico máximo em 72h Em cirurgia bucodental, a prescrição de aines e analgésicos não deve ultrapassar 3 dias. TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA EM133 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Se o paciente relatar dor intensa e aumento de edema após esse período, o profissional deverá suspeitar de alguma complicação. Efeitos Adversos e Interações: Gastrointestinais: náuseas, vômitos, úlceras gástricas Hepatotóxico: em altas doses tem risco de causar doença hepática fulminante Nefropata: retenção de água, diinuindo a taxa de filtração glomerular Anticoagulante: potencializa o efeito = risco de hemorragia A duração na odontologia quase sempre é curta, portanto, a incidência de efeitos adversos significativos é rara. O analgésico mais usado no mundo Tem atividade analgésica e antitérmica em doses de 500mg de 6/6h Ação anti-inflamatória em doses de 1000mg de 6/6h Em pequenas doses (40 – 100mg), inibe a agregação plaquetária Pouco usado na cirurgia devido a sua ação antiagregante plaquetária pronunciada. Ação analgésica e antitérmica Praticamente não tem ação anti-inflamatória (ele não diminui o edema por exemplo) Seguro para gestantes e lactantes Dose máxima de 3,25g 750mg de 6/6h 500mg de 4/4h Não possui efeitos gastrointestinais nem plaquetários Hepatotóxico! Evitar uso concomitante com bebidas alcóolicas Ação analgésica e antitérmica Evitar em pacientes com doenças sanguíneas pois pode causar anemia aplástica e agranulocitose Deve ser evitada em gestantes e lactantes Diminuição da pressão arterial 500mg ou 1g de 6/6h Dose máxima de 4g/Kg Mais eficiente que o paracetamol em pós-operatório de exodontias Deprimem os nociceptores É mais eficaz no controle da dor já instalada 134 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Derivado do ácido propiônico Doses baixas (200mg) não tem ação anti-inflamatória Dos que possuem ação anti-inflamatória, é o único liberado para o uso infantil são distribuídos em postos de saúde 600mg de 6/6h Derivado do ácido propiônico Naproxeno: 500mg de 12/12h Cetaprofeno: 50mg de 8/8h Anti-inflamatório com ação analgésica muito boa Comercialmente temos o Toragesic Controle da dor moderada a intensa Possui razoável ação anti-inflamatória e antipirética Administrado via sublingual Possui potência analgésica semelhante aos opioides 10mg de 2 a 4 vezes dia (mais comum de 8/8h) Efeito gastrointestinal mais intenso: Risco de úlcera gástrica Não usar por mais de 5 dias Cuidado com idosos Diclofenaco o Possui efeitos gastrointestinais em 20% dos pacientes o Não recomendado para gestantes o Bloqueia e deprimem os nociceptores o 50mg de 8/8h o Tenoxicam o Pode ser usado intravenoso e via oral o 20mg de 12/12h Nimesulida o Menos efeitos adversos devido a seletividade COX-2 (relacionada com a inflamação) o Possui ação analgésica, anti0inflamatória e antipirética o Retirado do mercado em alguns países devido à alta hepatotoxicidade Em uma cirurgia de 3°Molar, podemos prescrever Dipirona + Nimesulida Não se deve prescrever nimesulida + paracetamol devido a hepatotoxicidade de ambos Para pacientes alérgico, podemos substituir a dipirona por paracetamol Outros AINES preferencialmente COX-2 Meloxicam: 7,5mg de 12/12h ou 15mg diário Etodolaco: 400mg de 8/8h ou 500mg de 12/1h (flancox) 135 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR São altamente seletivos COX-2 Possui poucos efeitos gastrointestinais No entanto, o uso crônico pode aumentar o risco de eventos cardiovasculares como infarto, AVC e hipertensão arterial Não possui ação anti-inflamatória superior aos não seletivos COX-2 Apenas para pacientes com risco elevado de úlcera gástrica (única indicação) Não deve ser usado nos pacientes que usam AAS, stents, ou que possuem história de infarto Exemplo: celebra, arcoxia São da família da morfina Os mais usados na odontologia são a codeína e o tramadol Receituário especial Tramadol: 100mg de 6/6h Codeína (tylex): 30mg ou 7,5mg de 6/6h (máximo de 240mg por dia) Efeitos adversos: Náuseas e vômitos Constipação Depressão respiratória Antitussígenos Causa dependência e tolerância Possuem as mesmas indicações dos AINES Mais seguros para: o Gestantes o Diabéticos o Hipertensos o Nefropatas o Hepatopatas Não são tão efetivos no controle da dor quanto os AINES Indicados em casos de alergias aos AINES Possuem o uso em dose única ou por tempo restrito Usados preferencialmente pela manhã: o Maiores níveis de cortisol o Menor interferência no eixo hipotálamo – hipófise – adrenal Contra-indicações: o Herpes o Doenças fúngicas o Doenças psicóticas o Tuberculose Dexametasona: 4mg de 12/12h Predinisona: 20mg de 8/8h Uso prolongado: o Síndrome de Cushing o Face da lua o Ganho de peso o Hipertensão o Osteoporose o Glaucoma Para pacientes alérgicos a AINES, pode-se prescrever Paracetamol + Dexametasona ou Prednisona Para redução do edema: dexametasona 8mg 1h antes da cirurgia Os antibióticos são substâncias químicas que têm a propriedade de inibir o crescimento de microrganismos patogênicos ou destruí-los. Bactericida: mata as bactérias Bacteriostático: inibe o crescimento 136 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR É uma conduta importante apenas quando o paciente apresentar sinais indicativos de que as defesas imunológicas do hospedeiro não estão conseguindo, por si só, controlar a infecção. Sinais e sintomas: o Edema importante o Limitação da abertura bucal o Linfadenite o Febre o Taquicardia o Falta de apetite o Disfagia o Mal-estar geral Amoxicilina São betalactâmicos, bactericidas e atuam na parede celular Ação contra cocos gram-positivos e bacilos gram-negativos Primeira escolha na odontologia Exemplos: o Penicilina G procaína o Penicilina G Benzatina o Penicilina V o Ampicilina Na odontologia, a mais utilizada é a Amoxicilina Posologia: 500mg de 8/8h ou 875mg de 12/12h Profilaxia Antibiótica = prevenir uma infecção: 2g 1 hora antes do procedimento Efeitos adversos: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarréias. Alergias são raras Amoxicilina + Clavulonato de Potássio (clavulin): usado quando se espera bactérias resistentes produtoras de betalactamases (destrói o anel betalactâmico das penicilinas) São betalactâmicos, bactericidas e atuam na ´parede celular Possuem espectro de ação um pouco maior que as penicilinas Mais resistentes a betalactmase Exemplos: o 1ª Geração: cefadroxil, cefalexina, cefalotina, cefazolina o 2ª geração: cefaclor, cefuroxima, cefoxitina o 3ª geração: ceftriaxona, ceftazidima o 4ª geração: cefepima, cefpiroma São bacteriostáticos: espectro de ação similar as penicilinas Opção para alérgicos a penicilina Baixa toxicidade (atuam nos ribossomos 70s) Claritromicina, Eritromicina e Azitromicina 137 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Posologia: 500mg de 24/24h Efeitos adversos: podem causar arritmias cardíacas Faz parte da família das lincosaminas São bacteriostáticos: espectro de ação similar as penicilinas Ação contra staphylococcus aureus e outras bactérias produtoras de betalactmases Opção para alérgicos a penicilina (1ª opção) Posologia: 300mg de 8/8h Profilaxia: 600mg 1 h antes do procedimento Efeitos adversos: colite pseudomembranosa (inflamação intestinal) Nome comercial: flagyl Utilizado também como antiparasitário Bactericidas e extremamente eficaz contra os bacilos anaeróbios gram-negativos Pode ser associado a amoxicilina quando há uma infecção com muitas bactérias anaeróbicas (presença de muita secreção purulenta, por exemplo) Posologia: 400mg de 8/8h Efeitos adversos: dor estomacal, náuseas, gosto metálico, efeito dissulfiram A inicidência de infecção nas cirurgias de 3º molares, quando executadas por especialista é de menos de 1% Se as medidas de assepsia forem seguidas à risca, a profilaxia parece não estar indicada Deve-se analisar as particularidades do caso: Anamnesedo perfil do paciente Grau de complexidade e tempo de duração História prévia de pericoronarite Uso de antibiótico em cirurgia odontológica não deve ser instituía de forma rotineira Ou seja, não se deve utilizar antibióticos após todas as exodontias Tata-se de uma infecção grave do endocárdio e que afeta sobretudo as válvulas cardíacas, podendo levar a morte. Alguns procedimentos odontológicos podem causar bacteremia (aumento da quantidade de bactérias na corrente sanguínea) Pacientes que devem receber profilaxia antibiótica antes de procedimentos odontológicos: 1. Portador de válvulas cardíacas protéticas 2. Material protético usado nos reparos de válvulas cardíacas 3. Endocardite bacteriana prévia 4. Cardiopatia congênita cianótica complexa 5. Transplante cardíaco com válvulas anormais 138 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Todo procedimento que manipule o tecido dentogengival, pode provocar endocardite em pacientes susceptíveis. Procedimentos: 1. Exodontia 2. Procedimentos periodontais 3. Colocação de bandas ortodônticas 4. Anestesia intraligamentar 5. Profilaxia dentaria Protocolo De Profilaxia Antibiótica Para Endocardite situação Esquema antibiótico Esquema Padrão Adulto: Amoxicilina 2g 1h Antes Criança: Amoxicilina 50mg/Kg 1h Antes Incapacidade De Tomar Medicação Oral Adulto: Ampicilina EV/IM 2g 30min Antes Criança: Ampicilina 50mg/Kg 30min Antes Alergia À Penicilina Claritromicina (Adulto: 500mg 1h Antes); (Criança: 15mg/Kg 1h Antes) Cefalexina (Adulto: 2g 1h Antes); (Criança: 50mg/Kg 1h Antes) Clindamicina (Adulto: 600mg 1h Antes); (Criança: 20mg/Kg 1h Antes) Alergia À Penicilina E Incapacidade De Tomar Medicação Oral Clindamicina EV (Adulto: 600mg 30min Antes); (Criança: 20mg/Kg 30min Antes) Cefazolina EV (Adulto: 1g 30min Antes); (Criança: 25mg/Kg 3omin Antes) Fatores que geram ansiedade na odontologia: 1. Experiências negativas anteriores 2. Intercorrências com amigos e parentes 3. Visão de sangue, agulha, instrumental 4. Sons e vibrações do “motor” 5. Sensação inesperada de dor Benzodiazepínicos Apesar da comprovada eficácia e segurança clínica, muitos dentistas ainda apresentam certa resistência e insegurança ao prescrever benzodiazepínicos O principal motivo provavelmente é a falta de conhecimento da sua farmacologia Além de controlar a ansiedade, tornando o paciente mais cooperativo: o Reduz fluxo salivar o Reflexo de vômito o Causa relaxamento muscular o Mantém a pressão arterial controlada Efeitos Colaterais Os benzodiazepínicos apresentam baixa incidência de efeitos colaterais, particularmente quando empregados em dose única ou por temo restrito. Sonolência 139 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Amnésia anterógrada Efeito paradoxal (o paciente ficar muito agitado) Exemplos de Benzodiazepínicos: Diazepam Lorazepam Alprazolam Midazolam (7,5mg ou 15mg) Triazolam Cuidados Adicionais Os pacientes devem ser orientados a comparecer às consultas acompanhados. Protocolo 1 Exodontia simples de resto radicular do 14 Cirurgia sem intercorrências, com pouca morbidade Paciente com história de AVC, hipertensão e ansiedade ao ir no dentista Pré-Operatório 1. Midazolam antes do procedimento e/ou uso do óxido nitroso Pós-Operatório 2. Dipirona 500mg (tomar um comprimido de 6/6h por 3 dias) 3. Clorexidina 0,12% (bochechar 5ml de 12/12h por 7 dias) Como é uma cirurgia simples, não precisa prescrever antibiótico nem anti-inflamatório. Em todos os casos é necessário prescrever o bochecho de Clorexidina. Protocolo 2 Exodontia simples de resto radicular do 14 Cirurgia sem intercorrências, com pouca morbidade Paciente com doença cardíaca congênita e alérgico a dipirona Pré-Operatório: 1. Amoxicilina 500mg (tomar 4 comprimidos 1h antes) Pós-Operatório: 2. Paracetamol 750mg (tomar 1 comprimido de 6/6h por 3 dias) 3. Clorexidina 0,12% (bochechar 10ml de 12/12hpor 7 dias) Protocolo 3 Exodontia 3º molar horizontal incluso Precisou realizar osteotomia A cirurgia durou 1h Pré-Operatório: 140 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR 1. Dexametasona 4mg (tomar 02 comprimidos 1h antes da cirurgia) – não é obrigatório, porém reduz bastante o edema pós-operatório Pós-Operatório: 1. Dipirona 500mg (tomar 1 comprimido de 6/6h por 3 dias) 2. Nimesulida 100mg (tomar 1 comprimido de 12/12h por 3 dias) 3. Amoxicilina 500mg (tomar 1 comprimido de 8/8h por 3 a 7 dias) 4. Clorexidina 0,12% (bochechar 10ml de 12/12h por 7 dias) Para cirurgia de 3° molar é imprescindível prescrever analgésico, anti-inflamatório e o bochecho com clorexidina! Protocolo 4 Exodontia simples dos dentes 14, 15 e 16 Cirurgia sem intercorrências, morbidade moderada História médica sem alterações importantes 1. Dipirona 500mg (tomar 1 comprimido de 6/6h por 3 dias) 2. Etodolaco 500mg (tomar 1 comprimido de 12/12h por 3 dias) 3. Clorexidina 0,12% (bochechar 10ml de 12/12h por 7 dias) – uso tópico em cavidade oral Protocolo 5 Exodontia simples dos dentes 14, 15 e 16 Cirurgia sem intercorrências, morbidade moderada Paciente alérgico a dipirona e todos os AINES 1. Paracetamol 500mg (tomar 1 comprimido de 6/6h por 3 dias) 2. Prednisona 20mg (tomar 1 comprimido de 8/8h por 3 dias) ou Dexametasona (tomar 1 comprimido de 12/12h por 3 dias) 3. Clorexidina 0,12% (bochechar 10ml de 12/12h por 7 dias) Exodontias por via alveolar (unitárias ou múltiplas) e pequenas cirurgias de tecidos moles Expectativa do operador: desconforto ou dor de intensidade leve no período pós-operatório. Cuidados pré-operatórios: remoção de cálculos grosseiros e de placa dentária por meio de raspagem e aplicação de jato de bicarbonato de sódio (ou com o auxílio de pedra-pomes e taça de borracha). 141 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Sedação mínima: considerar para pacientes cuja ansiedade e apreensão não podem ser controladas por métodos não farmacológicos. Administrar midazolam 7,5 mg ou alprazolam 0,5 mg, 30 min antes do atendimento. Antissepsia intrabucal: Orientar o paciente a bochechar vigorosamente com 15 ml de uma solução aquosa de digluconato de clorexidina 0,12%, por ~ 1 min. Antissepsia extrabucal: Solução aquosa de digluconato de clorexidina 2%. Anestesia local: Na maxila: infiltração com lidocaína 2% ou articaína 4%, associadas a epinefrina 1:100.000. Evitar a articaína nos bloqueios regionais. Na mandíbula: bloqueio regional com lidocaína 2% com epinefrina 1:100.000, que pode ser complementado pela infiltração local de articaína 4% com epinefrina 1:200.000. Na contraindicação da epinefrina, optar pela solução de prilocaína 3% com felipressina 0,03 ui/ml. Analgesia preventiva: Administrar dipirona 500 mg a 1 g (20-40 gotas) ao término da intervenção, ainda no ambiente do consultório. Prescrever as doses de manutenção, com intervalos de 4 h, por um período de 24 h pós-operatórias. Caso a dor persista, orientar o paciente para que entre em contato com o dentista e receba novas orientações ou compareça ao consultório. O paracetamol 750 mg (a cada 6 h) ou o ibuprofeno 200 mg (a cada 6 h) são analgésicos alternativos no caso de intolerância à dipirona. Exodontias por via não alveolar (ostectomia e odontossecção) e cirurgias pré- protéticas com descolamento tecidual extenso, remoção de dentes inclusos e/ou impactados Expectativa do operador: Dor moderada a intensa, acompanhada de edema inflamatório e limitação da função mastigatória. Cuidados pré-operatórios: Remoção de cálculos grosseiros e de placa dentária por meio de raspagem e aplicação de jato de bicarbonato de sódio (ou com o auxílio de pedra-pomes e taça de borracha). Sedação mínima: Considerar para pacientes cuja ansiedade e apreensão não podem ser controladas por métodos não farmacológicos. Administrar midazolam 7,5 mgou alprazolam 0,5 mg, 30 min antes do atendimento. 142 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Profilaxia antibiótica sistêmica: Não é necessária para a grande maioria dos pacientes imunocompetentes. Pode ser indicada quando há relato de história prévia de pericoronarite. Nesse caso, administrar 1g de amoxicilina, 1 h antes da intervenção. Clindamicina 300 mg para alérgicos à penicilina. Antissepsia intrabucal: Orientar o paciente a bochechar vigorosamente com 15 ml de uma solução aquosa de digluconato de clorexidina 0,12%, por ~ 1 min. Antissepsia extrabucal: Solução aquosa de digluconato de clorexidina 2%. Analgesia perioperatória: Prescrever 4-8 mg de dexametasona (1-2 comprimidos de 4 mg), a serem tomados 1 h antes da intervenção. Administrar 1 g (40 gotas) de dipirona sódica imediatamente após o final do procedimento. Prescrever 500 mg (20 gotas) a cada 4 h, pelo período de 24 h. Caso a dor persista após esse período, prescrever nimesulida 100 mg por via oral ou cetorolaco 10 mg sublingual, a cada 12 h, pelo período máximo de 48 h. Anestesia local: Intervenções na maxila técnica infiltrativa ou bloqueio regional com solução de lidocaína 2% com epinefrina 1:100.000. A anestesia pode ser complementada pela infiltração de articaína 4% com epinefrina 1:200.000. Intervenções na mandíbula – bloqueio regional com lidocaína 2% com epinefrina com 1:100.000, complementado pela infiltração local de articaína 4% com epinefrina 1:200.000. Cuidados pós-operatórios: Orientar a higienização do local, por meio de escovação cuidadosa. Orientar o paciente a bochechar 15 ml de uma solução aquosa de digluconato de clorexidina 0,12%, pela manhã e à noite, até a remoção da sutura (~ 5-7 dias). 143 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Princípios de Cirurgia Procedimentos eletivos: que são marcados antecipadamente Procedimentos de urgência: casos em que o paciente deve ser atendido o mais rápido possível, mas sem risco de vida. Procedimentos de emergência: situações que colocam a vida do paciente em risco Anamnese + Exame físico + exames complementares: evitam 90% das emergências médicas Quando mais acontece é durante as cirurgias ou durante a anestesia Síncope/Lipotimia Hipotensão ortostática Hipoglicemia Asma Alergia Hiperventilação Obstrução das vias aéreas Convulsões Angina/Infarto Crise hipertensiva AVE/AVC Causa mais comum de perda da consciência no consultório Incidência maior em homem, adultos jovens. Raros em crianças Tipos De Síncope: Vasovagal o A mais comum o Desencadeada por fatores emocionais (ansiedade aguda, dor repentina e inesperada, visão de sangue, visão da seringa ou agulha, etc.) ou não emocionais (fome, debilidade física, ambiente quente e úmido). o É precedida de sinais sugestivos de reação vagal, tais como palidez cutânea, sudorese fria, fraqueza, bradicardia, respiração superficial, pulso fino e queda da pressão arterial. Do seio carotídeo o Certos indivíduos apresentam alta sensibilidade do seio carotídeo e, diante de uma leve compressão (causada por estímulos externos, como o ajustar da gravata ou o abotoar de um botão da camisa), podem sofrer queda brusca da pressão arterial e desmaio. o Pode ocorrer na clínica odontológica, caso o profissional apoie sua mão ou cotovelo na região do pescoço. o Esse tipo de síncope é raro e incide predominantemente em idosos Vasodepressora o Ocorre em indivíduos com “pavor” à cadeira do dentista. o A reação de adaptação ao estresse prepara o organismo para “lutar ou fugir”, aumentando o fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos. o Quando a vasodilatação periférica é acompanhada de uma diminuição da frequência cardíaca o débito cardíaco inadequado resulta na perda de consciência Associada a arritimias e insuficiência cardíaca Emergências médicas 144 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Lipotimia: Mal estar generalizado, palidez, sudorese Impressão angustiante de que vai desmaiar Não há perda da consciência Pode ser chamado de pré-síncope Síncope: Há queda na pressão arterial (sangue na periferia) Decréscimo do fluxo sanguíneo cerebral Palidez intensa, taquicardia, perda da consciência Como Prevenir: Avaliar o grau de ansiedade do paciente Protocolo de redução de ansiedade Evitar estímulos visuais Tranquilizar verbalmente Orientar o paciente a se alimentar antes das consultas, pois o estado de jejum predispõe à hipoglicemia Sempre que possível, posicione a cadeira de modo que o paciente fique deitado de costas (posição supina) ou ao menos com a cadeira semi-inclinada Evite estímulos visuais estressores (sangue, seringas e agulhas, instrumental cirúrgico, limas endodônticas, brocas, componentes de implantes, etc.) Faça com que a anestesia local seja o menos traumática possível, evitando a dor no local da punção pelo uso correto do anestésico tópico Escolha a solução anestésica e a técnica que proporcionem anestesia local perfeita, Como Agir? Interromper o atendimento Avalie o grau de consciência por meio de estímulo físico Colocar o paciente em posição supina e pernas elevadas Afrouxe as roupas Monitorize a respiração e o pulso Aguarde 2 a 3 minutos para que haja a melhora do mal-estar ou mesmo a recuperação da consciência. Após a recuperação, aguarde 10 a 15 minutos para poder dispensá-lo, Se a recuperação da consciência não ocorrer após 3 minutos, solicite samu Enquanto aguarda, administre oxigênio e monitorize os sinais vitais. Monitorar os sinais vitais: o Oximetria o Pressão arterial o Vias aéreas e frequência respiratória o Oxigênio Segunda maior causa de perda da consciência Ocorre quando o paciente fica muito tempo na posição supina (acumulando sangue nos membros inferiores), e ao se levantar o sangue não é redirecionado suficientemente rápido, causando uma queda brusca da pressão arterial (isquemia cerebral). 145 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Tontura ou perda da consciência Como Prevenir? Mais atenção e cuidado nos pacientes de risco Coloque a cadeira semi inclinada e aguarde 2min Peça para se levantar lentamente e fique por perto Como Agir? Colocar o paciente na posição supina elevando as pernas Verificar os sinais vitais Hiperglicemia Não é uma situação de emergência (problemas a longo prazo, mas pode causar cetoacidose) Causas da hiperglicemia: o Insulina insuficiente o Dieta com excessos de doces o Infecção o Estresse Hipoglicemia Glicose sérica abaixo de 60mg/dL (é considerado uma emergência) Embora provoque vários sintomas, o problema da hipoglicemia é o fornecimento inadequado de glicose ao cérebro, com prejuízo em suas funções, variando desde um discreto mal-estar até o coma e, mais raramente, a morte. Pode ocorrer com pessoas saudáveis Mais comum em pessoas com diabetes tipo 1 (insulino-dependente) – doses de insulina mais altas que a quantidade de glicemia do paciente naquele momento Causas Da Hipoglicemia: Excesso de insulina Paciente que não se alimentou corretamente Consumo excessivo de álcool Sinais E Sintomas: Cefaléia Alterações de humor Perda de consciência Visão turva Confusão mental Náuseas Diaforético Letárgico Palidez Fome Salivação Ronco Convulsão Dificuldade de respirar Coma Não há ordem cronológica. As manifestações variam de acordo com idade e severidade da hipoglicemia Como Prevenir? 146 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Certifique-se que o paciente se alimentou No atendimento de diabéticos, procure obter o máximo de informações sobre o controle da doença: resultados do último exame de glicemia ou da hemoglobina glicada, medicação de uso contínuo, história de complicações recentes, etc. Investigue episódiosanteriores de hipoglicemia Conheça o controle da doença (peça exames antigos, conheça os medicamentos que ele usa, pergunte sobre última consulta com médico) Nunca modifique a dose ou posologia das medicações do paciente Atenda pela manhã e em sessões curtas Confirmação do diagnóstico de hipoglicemia por glicosímetro Como Agir? Paciente consciente: o Oferecer alguma fonte de glicose o Aferir glicemia Paciente inconsciente: o Avalie sinais vitais e libere as vias aéreas o Chamar o samu o Colocar alguma fonte de glicose líquida sublingual ou nos lábios inferiores o Pode ser aplicada glicose intravenosa: 10ml de glicose 25%IV o 1mg de Glucagon IM Resposta exagerada do sistema imunológico à exposição de algum antígeno Durante a consulta inicial, os pacientes devem ser questionados sobre seu histórico de alergias a medicamentos. Perguntar especificamente sobre os medicamentos que pretendem utilizar nos procedimentos. Choque Anafilático: Uma reação sistêmica aguda geralmente explosiva, mediada por igE Ocorre quando indivíduos previamente sensibilizados entram novamente em contato com o antígeno, sendo os mais comuns: soros heterólogos, enzimas parenterais, derivados sanguíneos, antibióticos β-lactâmicos (penicilinas e cefalosporinas) e picadas de insetos. Como Prevenir? Identificar os pacientes de risco à alergia por meio da anamnese; 147 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Solicitar avaliação médica no caso de pacientes com história de alergia a medicamentos ou portadores de doenças de fundo alérgico; Em pacientes com história de alergia a fármacos específicos, fazer a substituição por medicamentos alternativos (alergia às penicilinas, usar clindamicina, claritomicina ou azitromicina) Quando for prescrever penicilinas e cefalosporinas, dar preferência às preparações para uso por via oral, pois os fenômenos alérgicos estão mais associados às formas injetáveis desses antibióticos; Nos asmáticos, evitar prescrever a aspirina e os anti-inflamatórios não esteroides, substituindo-os por dipirona sódica e corticosteroides, como a dexametasona ou betametasona; No caso de sensibilidade ao látex, substituir as luvas, o lençol de borracha e outros materiais por opções que não contenham esse produto; Podem Causar Alergias: Látex (das luvas) Bissulfito de sódio (conservante dos vasoconstritores) Hipoclorito de sódio Contaminantes dos anestésicos locais Sinais E Sintomas Urticária/eritema Angioedema (inchaço dos lábios e pálpebras) Choque anafilático (alergia mais dramática, geralmente ocorre em minutos) Alergia aos AL: Alergias aos anestésicos do tipo amida (lidocaína) são raríssimas ou inexistentes Geralmente são reações psicogênicas ou de superdosagem Alergias são frequentes em anestésicos do tipo éster: procaína, tetracaína e benzocaína COMPONENTES PROPRIEDADES Base anestésica Bloqueia a condução nervosa Vasoconstritor Diminui a velocidade de absorção e toxicidade do anestésico local Metilparabeno Preserva a solução (bacteriostático) Metabissulfito de sódio Impede a oxidação dos vasoconstritores adrenérgicos Cloreto de sódio Mantém a isotonicidade da solução Água destilada estéril É diluente Como Agir Em Alergias Leves A Moderadas? Fornecer um comprimido antialérgico (50mg de prometazina IM ou VO): Imediatamente Prescrever 2mg de Dexclorfeniramina (Polaramine ou Alegra) VO 8/8h por 24h Administre carboidratos por via 148 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Mantenha-o sob observação por 20 a 30 minutos, antes de dispensá-lo. Como Agir Em Alergias Severas – Choque Anafilático? Ligar para o samu imediatamente Mantenha-o deitado de costas, com os pés elevados. Libere as vias aéreas e avalie a respiração e o pulso. Coloque um sachê de açúcar líquido instantâneo debaixo da língua, ou entre o lábio e os dentes anteriores inferiores Aplicação de adrenalina 0,5ml IM (a ampola tem 1ml, mas só se aplica metade) na coxa do paciente (músculo vastolateral – ação mais rápida- no deltóide, via sublingual) Epipen (caneta com adrenalina) Corpo estranho deglutido: Maior frequência a epiglote serve como um tampão das vias aéreas Geralmente passam pelo trato gastrointestinal sem danos Radiografia de abdômen Corpo estranho aspirado: O reflexo imediato é a tosse Pode causar obstrução parcial ou total Radiografia de tórax Pacientes De Risco: Crianças e idosos Obesos e gestantes Sedados Etilista Desordens convulsivas Deficiência mental Macroglossia Como Agir? Pedir pra tossir Manobra de Heimlich o Essa manobra não está indicada em gestante, obesos e crianças abaixo de 1 ano 149 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR É uma contratura muscular involuntária, provocada pelo aumento da atividade cerebral Causas: Epilepsia Hipoglicemia Febre alta Abstinência Overdose de anestésicos Pontos De Gatilhos: Luz (foco) Barulhos (caneta) Ansiedade Privação de sono Como Agir? Contenção e proteção de objetos próximos Colocar o paciente em posição loteral (evitar aspiração de vômitos) Aspiração potente (na face vestibular) Liberar as vias aéreas (hiperextensão e tracionamento da mandíbula) Colocar oxigênio (6 a 8 litros de oxigênio/minuto) Chamar o samu Para convulsões persistentes, aplicar Dormonid/Midazolam 2ml (10mg) IM Atomizador nasal: 1ml em cada narina ou 0,2mg/Kg 150 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR MEDICAMENTOS Ampola de Midazolam 5mg/ml Crise convulsiva, hiperventilação, crise de pânico, crise de ansiedade Ampola de Adrenalina 1:1000 Anafilaxia, hipoglicemia Ampola de Prometazina 50mg/2 ml Alergias moderadas a severas Comprimido de Prometazina 25mg Alergias cutâneas leve a moderada Captopril 25mg Crise hipertensiva Salbutamol Spray (aerolim) ------------- Crise asmática Fonte de glicose (ampola de glicose 25% mel) ------------- Hipoglicemia Glucagon 1mg Inconsciência em hiperglicemia Asprina 100mg Infarto EQUIPAMENTOS E MATERIAIS Glicosímetro Oxímetro Monitor de P.A Garrote (para punção intravenosa) Máscara de ventilação Seringa de 1/3 e 5ml Atomizador nasal Cilindro de oxigênio Cânulas de Guedel 151 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Princípios de Cirurgia Procedimentos eletivos: que são marcados antecipadamente Procedimentos de urgência: casos em que o paciente deve ser atendido o mais rápido possível, mas sem risco de vida. Procedimentos de emergência: situações que colocam a vida do paciente em risco Anamnese + Exame físico + exames complementares: evitam 90% das emergências médicas Quando mais acontece é durante as cirurgias ou durante a anestesia Síncope/Lipotimia Hipotensão ortostática Hipoglicemia Asma Alergia Hiperventilação Obstrução das vias aéreas Convulsões Angina/Infarto Crise hipertensiva AVE/AVC Causa mais comum de perda da consciência no consultório Incidência maior em homem, adultos jovens. Raros em crianças Tipos De Síncope: Vasovagal o A mais comum o Desencadeada por fatores emocionais (ansiedade aguda, dor repentina e inesperada, visão de sangue, visão da seringa ou agulha, etc.) ou não emocionais (fome, debilidade física, ambiente quente e úmido). o É precedida de sinais sugestivos de reação vagal, tais como palidez cutânea, sudorese fria, fraqueza, bradicardia, respiração superficial, pulso fino e queda da pressão arterial. Do seio carotídeo o Certos indivíduos apresentam alta sensibilidade do seio carotídeo e, diante de uma leve compressão (causada por estímulos externos, como o ajustar da gravata ou o abotoar de um botão da camisa), podem sofrer queda brusca da pressão arterial e desmaio. o Pode ocorrer na clínica odontológica, caso o profissional apoie sua mão ou cotovelo na região do pescoço. o Esse tipo de síncope é raro e incide predominantementeem idosos Vasodepressora o Ocorre em indivíduos com “pavor” à cadeira do dentista. o A reação de adaptação ao estresse prepara o organismo para “lutar ou fugir”, aumentando o fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos. o Quando a vasodilatação periférica é acompanhada de uma diminuição da frequência cardíaca o débito cardíaco inadequado resulta na perda de consciência Associada a arritimias e insuficiência cardíaca Emergências médicas 152 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Lipotimia: Mal estar generalizado, palidez, sudorese Impressão angustiante de que vai desmaiar Não há perda da consciência Pode ser chamado de pré-síncope Síncope: Há queda na pressão arterial (sangue na periferia) Decréscimo do fluxo sanguíneo cerebral Palidez intensa, taquicardia, perda da consciência Como Prevenir: Avaliar o grau de ansiedade do paciente Protocolo de redução de ansiedade Evitar estímulos visuais Tranquilizar verbalmente Orientar o paciente a se alimentar antes das consultas, pois o estado de jejum predispõe à hipoglicemia Sempre que possível, posicione a cadeira de modo que o paciente fique deitado de costas (posição supina) ou ao menos com a cadeira semi-inclinada Evite estímulos visuais estressores (sangue, seringas e agulhas, instrumental cirúrgico, limas endodônticas, brocas, componentes de implantes, etc.) Faça com que a anestesia local seja o menos traumática possível, evitando a dor no local da punção pelo uso correto do anestésico tópico Escolha a solução anestésica e a técnica que proporcionem anestesia local perfeita, Como Agir? Interromper o atendimento Avalie o grau de consciência por meio de estímulo físico Colocar o paciente em posição supina e pernas elevadas Afrouxe as roupas Monitorize a respiração e o pulso Aguarde 2 a 3 minutos para que haja a melhora do mal-estar ou mesmo a recuperação da consciência. Após a recuperação, aguarde 10 a 15 minutos para poder dispensá-lo, Se a recuperação da consciência não ocorrer após 3 minutos, solicite samu Enquanto aguarda, administre oxigênio e monitorize os sinais vitais. Monitorar os sinais vitais: o Oximetria o Pressão arterial o Vias aéreas e frequência respiratória o Oxigênio Segunda maior causa de perda da consciência Ocorre quando o paciente fica muito tempo na posição supina (acumulando sangue nos membros inferiores), e ao se levantar o sangue não é redirecionado suficientemente rápido, causando uma queda brusca da pressão arterial (isquemia cerebral). 153 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Tontura ou perda da consciência Como Prevenir? Mais atenção e cuidado nos pacientes de risco Coloque a cadeira semi inclinada e aguarde 2min Peça para se levantar lentamente e fique por perto Como Agir? Colocar o paciente na posição supina elevando as pernas Verificar os sinais vitais Hiperglicemia Não é uma situação de emergência (problemas a longo prazo, mas pode causar cetoacidose) Causas da hiperglicemia: o Insulina insuficiente o Dieta com excessos de doces o Infecção o Estresse Hipoglicemia Glicose sérica abaixo de 60mg/dL (é considerado uma emergência) Embora provoque vários sintomas, o problema da hipoglicemia é o fornecimento inadequado de glicose ao cérebro, com prejuízo em suas funções, variando desde um discreto mal-estar até o coma e, mais raramente, a morte. Pode ocorrer com pessoas saudáveis Mais comum em pessoas com diabetes tipo 1 (insulino-dependente) – doses de insulina mais altas que a quantidade de glicemia do paciente naquele momento Causas Da Hipoglicemia: Excesso de insulina Paciente que não se alimentou corretamente Consumo excessivo de álcool Sinais E Sintomas: Cefaléia Alterações de humor Perda de consciência Visão turva Confusão mental Náuseas Diaforético Letárgico Palidez Fome Salivação Ronco Convulsão Dificuldade de respirar Coma Não há ordem cronológica. As manifestações variam de acordo com idade e severidade da hipoglicemia Como Prevenir? 154 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Certifique-se que o paciente se alimentou No atendimento de diabéticos, procure obter o máximo de informações sobre o controle da doença: resultados do último exame de glicemia ou da hemoglobina glicada, medicação de uso contínuo, história de complicações recentes, etc. Investigue episódios anteriores de hipoglicemia Conheça o controle da doença (peça exames antigos, conheça os medicamentos que ele usa, pergunte sobre última consulta com médico) Nunca modifique a dose ou posologia das medicações do paciente Atenda pela manhã e em sessões curtas Confirmação do diagnóstico de hipoglicemia por glicosímetro Como Agir? Paciente consciente: o Oferecer alguma fonte de glicose o Aferir glicemia Paciente inconsciente: o Avalie sinais vitais e libere as vias aéreas o Chamar o samu o Colocar alguma fonte de glicose líquida sublingual ou nos lábios inferiores o Pode ser aplicada glicose intravenosa: 10ml de glicose 25%IV o 1mg de Glucagon IM Resposta exagerada do sistema imunológico à exposição de algum antígeno Durante a consulta inicial, os pacientes devem ser questionados sobre seu histórico de alergias a medicamentos. Perguntar especificamente sobre os medicamentos que pretendem utilizar nos procedimentos. Choque Anafilático: Uma reação sistêmica aguda geralmente explosiva, mediada por igE Ocorre quando indivíduos previamente sensibilizados entram novamente em contato com o antígeno, sendo os mais comuns: soros heterólogos, enzimas parenterais, derivados sanguíneos, antibióticos β-lactâmicos (penicilinas e cefalosporinas) e picadas de insetos. Como Prevenir? Identificar os pacientes de risco à alergia por meio da anamnese; 155 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Solicitar avaliação médica no caso de pacientes com história de alergia a medicamentos ou portadores de doenças de fundo alérgico; Em pacientes com história de alergia a fármacos específicos, fazer a substituição por medicamentos alternativos (alergia às penicilinas, usar clindamicina, claritomicina ou azitromicina) Quando for prescrever penicilinas e cefalosporinas, dar preferência às preparações para uso por via oral, pois os fenômenos alérgicos estão mais associados às formas injetáveis desses antibióticos; Nos asmáticos, evitar prescrever a aspirina e os anti-inflamatórios não esteroides, substituindo-os por dipirona sódica e corticosteroides, como a dexametasona ou betametasona; No caso de sensibilidade ao látex, substituir as luvas, o lençol de borracha e outros materiais por opções que não contenham esse produto; Podem Causar Alergias: Látex (das luvas) Bissulfito de sódio (conservante dos vasoconstritores) Hipoclorito de sódio Contaminantes dos anestésicos locais Sinais E Sintomas Urticária/eritema Angioedema (inchaço dos lábios e pálpebras) Choque anafilático (alergia mais dramática, geralmente ocorre em minutos) Alergia aos AL: Alergias aos anestésicos do tipo amida (lidocaína) são raríssimas ou inexistentes Geralmente são reações psicogênicas ou de superdosagem Alergias são frequentes em anestésicos do tipo éster: procaína, tetracaína e benzocaína COMPONENTES PROPRIEDADES Base anestésica Bloqueia a condução nervosa Vasoconstritor Diminui a velocidade de absorção e toxicidade do anestésico local Metilparabeno Preserva a solução (bacteriostático) Metabissulfito de sódio Impede a oxidação dos vasoconstritores adrenérgicos Cloreto de sódio Mantém a isotonicidade da solução Água destilada estéril É diluente Como Agir Em Alergias Leves A Moderadas? Fornecer um comprimido antialérgico (50mg de prometazina IM ou VO): Imediatamente Prescrever 2mg de Dexclorfeniramina (Polaramine ou Alegra) VO 8/8h por 24h Administre carboidratospor via 156 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR Mantenha-o sob observação por 20 a 30 minutos, antes de dispensá-lo. Como Agir Em Alergias Severas – Choque Anafilático? Ligar para o samu imediatamente Mantenha-o deitado de costas, com os pés elevados. Libere as vias aéreas e avalie a respiração e o pulso. Coloque um sachê de açúcar líquido instantâneo debaixo da língua, ou entre o lábio e os dentes anteriores inferiores Aplicação de adrenalina 0,5ml IM (a ampola tem 1ml, mas só se aplica metade) na coxa do paciente (músculo vastolateral – ação mais rápida- no deltóide, via sublingual) Epipen (caneta com adrenalina) Corpo estranho deglutido: Maior frequência a epiglote serve como um tampão das vias aéreas Geralmente passam pelo trato gastrointestinal sem danos Radiografia de abdômen Corpo estranho aspirado: O reflexo imediato é a tosse Pode causar obstrução parcial ou total Radiografia de tórax Pacientes De Risco: Crianças e idosos Obesos e gestantes Sedados Etilista Desordens convulsivas Deficiência mental Macroglossia Como Agir? Pedir pra tossir Manobra de Heimlich o Essa manobra não está indicada em gestante, obesos e crianças abaixo de 1 ano 157 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR É uma contratura muscular involuntária, provocada pelo aumento da atividade cerebral Causas: Epilepsia Hipoglicemia Febre alta Abstinência Overdose de anestésicos Pontos De Gatilhos: Luz (foco) Barulhos (caneta) Ansiedade Privação de sono Como Agir? Contenção e proteção de objetos próximos Colocar o paciente em posição loteral (evitar aspiração de vômitos) Aspiração potente (na face vestibular) Liberar as vias aéreas (hiperextensão e tracionamento da mandíbula) Colocar oxigênio (6 a 8 litros de oxigênio/minuto) Chamar o samu Para convulsões persistentes, aplicar Dormonid/Midazolam 2ml (10mg) IM Atomizador nasal: 1ml em cada narina ou 0,2mg/Kg 158 APOSTILA INTRODUÇÃO A CIRURGIA ORAL MENOR MEDICAMENTOS Ampola de Midazolam 5mg/ml Crise convulsiva, hiperventilação, crise de pânico, crise de ansiedade Ampola de Adrenalina 1:1000 Anafilaxia, hipoglicemia Ampola de Prometazina 50mg/2 ml Alergias moderadas a severas Comprimido de Prometazina 25mg Alergias cutâneas leve a moderada Captopril 25mg Crise hipertensiva Salbutamol Spray (aerolim) ------------- Crise asmática Fonte de glicose (ampola de glicose 25% mel) ------------- Hipoglicemia Glucagon 1mg Inconsciência em hiperglicemia Asprina 100mg Infarto EQUIPAMENTOS E MATERIAIS Glicosímetro Oxímetro Monitor de P.A Garrote (para punção intravenosa) Máscara de ventilação Seringa de 1/3 e 5ml Atomizador nasal Cilindro de oxigênio Cânulas de Guedel dentalovesdentaloves APOSTILA FEITA POR @DENTALOVES