Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE POSITIVO CURSO DE PEDAGOGIA FLÁVIA ROBERTA DE LIMA SIQUEIRA LORENA DOS SANTOS MACIEL VICTÓRIA REBEKA ROJAS JUK AS INFLUÊNCIAS DAS EMOÇÕES NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM ENTRE 3 E 6 ANOS CURITIBA 2020 FLÁVIA ROBERTA DE LIMA SIQUEIRA LORENA DOS SANTOS MACIEL VICTÓRIA REBEKA ROJAS JUK AS INFLUÊNCIAS DAS EMOÇÕES NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM ENTRE 3 E 6 ANOS Artigo de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Pedagogia, da Universidade Positivo, como requisito parcial à obtenção do título de licenciado (a) em Pedagogia. Orientador: Prof. Dr. Gustavo Luiz Gava CURITIBA 2020 AS INFLUÊNCIAS DAS EMOÇÕES NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM ENTRE 3 E 6 ANOS Autor (a): SIQUEIRA, Flávia Roberta de Lima; Autor (a): MACIEL, Lorena dos Santos; Autor (a): JUK, Victória Rebeka Rojas. Orientador (a): Prof° (a). GAVA, Gustavo Luiz. RESUMO – Está pesquisa tem como proposta apresentar a influência das emoções no processo de ensino e aprendizagem de crianças entre 3 e 6 anos, chamado de fase do personalismo para Henry Wallon. O tema se deu ao fato de as autoras compreenderem a necessidade do assunto, diante de uma educação voltada ao ensino de conteúdos sem levar em consideração de um olhar atento as necessidades emocionais de cada criança, que interferem no aprendizado. O objetivo desse artigo é promover um conhecimento aprofundado a respeito do assunto para educadores, estudantes e familiares interessados em auxiliar no desenvolvimento de crianças com idades entre 3 e 6 anos. A metodologia usada será a pesquisa bibliográfica de autores como Henry Wallon e Lev Vygotsky. Diante da pesquisa, compreende-se que a emoção e os sentimentos da criança deve ser valorizado para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de forma significativa e prazerosa. Palavras-chave: Emoção. Aprendizagem. Vygotsky. Wallon. Personalismo. 1 INTRODUÇÃO A presente pesquisa tem como escopo principal, analisar teoricamente a influência das emoções, tanto as denominadas positivas como negativas, dentro do processo de ensino e aprendizagem de crianças entre 3 e 6 anos, também conhecido como a fase de desenvolvimento “Personalismo” para Henri Wallon. O tema escolhido se deu ao fato de as autoras buscarem melhor compreensão do fenômeno emocional tendo como mote as experiências no ambiente escolar. Entendemos que as emoções no processo de ensino e aprendizagem das crianças ocorrem principalmente, quando passam a experienciar a realidade escolar, a sala de aula. Por isso, o motivador temático foi investigar quanto a afetividade e as emoções, afetam o aprender das crianças. Atualmente, sabemos que algumas crianças ao iniciarem seu processo de aprendizagem podem apresentar fatores que às vezes prejudicam seu desenvolvimento. Como por exemplo, a família mal estruturada, o histórico de bullying ou até mesmo uma baixa autoestima, que a impede de se desafiar e aprender coisas novas. A emoção, algumas vezes minimizada, tem um papel crucial para o educando quanto o desenvolvimento do saber. A criança, ao ingressar na escola, já vem com seus conhecimentos prévios, gerados por suas emoções e seu histórico pessoal. E essas emoções, tanto as geradas em casa, quanto na escola, afetam o aprendizado. Isso se deve ao fato de o ser humano, ser um ser social e afetivo, ou seja, necessita estabelecer relacionamentos, se sentir aceito e querido. Vygotsky (2003), afirma que a emoção não é menos importante que o pensamento, carecendo de estímulos e provocando mudanças nos sentimentos e a reeducação das emoções a partir das direções emocionais na direção da reação emocional que se pertence. A Escola, sendo uma extensão do lar, tem um papel crucial no desenvolvimento socioemocional das crianças. Além disso, frequentemente, o próprio professor ou pedagogo ao se deparar com um educando com dificuldades de aprendizado, desconhece o histórico individual da criança e por isso não consegue desenvolver meios de auxiliá-la. Diante disso, investigaremos qual o papel do professor e pedagogo para promover um processo de ensino e aprendizagem prazeroso e proveitoso, tendo em vista que cada criança é um ser humano único, com uma história e vivências individuais, sendo que desde seu nascimento já é possível perceber sentimentos que são programados biologicamente (como o nojo, a felicidade, a tristeza, interesse etc.). Analisaremos quais são as principais emoções que surgem nas crianças de 3 a 6 anos no processo de ensino e aprendizagem e qual o papel do professor e/ou pedagogo para auxiliá-la a se desenvolver considerando seu potencial. A partir desta pesquisa, pretendemos auxiliar nossos colegas, outros pedagogos e até aos pais a compreenderem melhor como se dá o processo de ensino e aprendizagem, considerando que cada criança é um ser único, com dificuldades próprias e potenciais exclusivos que podem ser estimulados, levando em conta as emoções de cada criança frente aos novos desafios enfrentados na escola. Além disso, buscamos entender mais detalhadamente a importância que cada emoção tem de causar um efeito positivo ou negativo na descoberta de novos conhecimentos. A metodologia utilizada para o desenvolvimento do estudo em questão foi a pesquisa bibliográfica. Tendo como base Henry Wallon, Lev Vygostky, bem como a utilização de investigações publicadas contemporaneamente sobre a influência das emoções no processo de ensino aprendizagem entre crianças de 3 a 6 anos. O artigo foi dividido em quatro sessões, a primeira sessão se desenvolve a respeito do personalismo na perspectiva de Henry Wallon, que contempla o pensamento sobre as emoções, a segunda sessão apresenta o desenvolvimento e as emoções na perspectiva de Lev Vygotsky que analisa e entende que as emoções se relacionam com o comportamento e desenvolvimento das crianças, a terceira sessão representa a importância das emoções na aprendizagem, citamos alguns autores como Wallon e Vygotsky que falam sobre a relação professor aluno e a convivência com as famílias, e pôr fim a última sessão discorre sobre a emoção e o processo de aprendizagem: uma perspectiva em sala de aula de 3 a 6 anos, apresentando uma pesquisa de estudo de caso com práticas usadas dentro de sala de aula com a faixa etária de cinco anos. 2.0 PERSONALISMO NA VISÃO DE HENRY WALLON Na visão de Henry Wallon, geralmente, quando uma criança tem seus 3 anos de idade, entra na fase do personalismo, que se seguirá até que ela complete seus 6 anos. Durante esse período, a criança tem contato com o mundo e desenvolve a linguagem simbólica. Nessa fase a criança inicia o processo de construção de sua personalidade e constituição do eu-psíquico, fase em que contraria o adulto para adquirir sua própria personalidade. Essa fase de desenvolvimento, personalismo, é dividida em três momentos: Oposição, Sedução e Imitação. Essa constituição da pessoa é permeada por conquistas e conflitos, contradições, crises, que aparecem e reaparecem ao longo do desenvolvimento, jamais findam; apenas se modificam, reduzem- se, espaçam-se e tomam diferentes coloridos emocionais (BASTOS; DÉR, 2009, p. 40) No primeiro momento, oposição, que se inicia por volta dos três anos de idade, é possível perceber que em algumassituações a criança passa a impor sua vontade própria para se diferenciar do outro. Esse primeiro período é marcado pelo prazer que a ela tem em demonstrar imposição e independência. O desejo de propriedade e o sentimento de competição também são formas de a criança se auto afirmar como indivíduo. Após esse período, ocorre o de sedução, ou também chamado “idade da graça”. Nesse momento é importante que as conquistas individuais da criança sejam valorizadas. A criança está em constante processo de desenvolvimento do conceito que a mesma tem a respeito de si mesma, portanto busca aprovação de seus feitos, sempre chamando atenção, tendo necessidade de ser admirada e de assim obter uma satisfação narcísica. Por fim, há a imitação. Nessa fase a criança reproduz algo que viu, como uma atitude, uma palavra ou até mesmo uma cena de um filme, que ela assimila e vai reproduzir depois de uns dias. Portanto as brincadeiras de faz de conta estão presentes nessa fase em que repetem a cena da professora ao brincar de escolinha e até mesmo ao brincar de mamãe e filhinho baseando-se nos momentos que elas obtiveram uma vivência (MAHONEY; ALMEIDA, 2009). Além disso, às vezes a criança poderá reproduzir essas atitudes a partir de pessoas que admira, fazendo uma modificação de si mesma, como se suas qualidades não fossem suficientes, sendo necessário se “inspirar” em outras pessoas para terem total aprovação das pessoas. É importante, tanto os pais quando os educadores estarem atentos a fim de sondar quando essa última situação está ocorrendo, pois muitas das vezes a criança não está se sentindo aceita ou afirmada e é importante descobrir os motivos disso. No ato da imitação, ocorre o processo de interiorização e exteriorização, a partir do momento que a criança interioriza uma situação intensa ou uma vivência que admira e exterioriza após o ocorrido, por meio da reprodução de falas ou atitudes. Diante disso, percebemos que o professor deve administrar o modo como expressa seus sentimentos e suas atitudes. Se a relação entre o aluno e o professor for autoritária a criança vai sempre se expor negativamente, no entanto se a relação for de afeto e carinho, o professor vai conseguir ter uma relação boa, sempre exigindo paciência, pois sabemos que nessa fase as crianças requerem bastante atenção e tempo para se sentirem acolhidas. Nessa fase, a criança está em constante processo de construção e de desenvolver um conceito a respeito de si mesma. Esse indivíduo em construção, na fase dos 3 aos 6 anos, começa a perceber a realidade social e se apropriar e interiorizar a realidade objetiva, como os fatores objetivos (como situações socioeconômicas) e fatores subjetivos (como as singularidades dos indivíduos e suas vidas pessoais), (CERISARA, 1997). Além disso, durante esse período é muito relativo, as crianças absorvem constantemente todas as emoções que fluem ao seu redor. Sendo assim, o professor que atua com escolares nessa idade (3 a 6 anos), necessita aprender a lidar com esses indivíduos que estão iniciando o aprendizado e instruindo-os a como lidar e compreender tanto suas próprias emoções, como os sentimentos dos outros indivíduos que os cercam. Só assim, o processo de ensino e aprendizagem se construirá de forma saudável. O processo de aprender a identificar e nomear os sentimentos e emoções também é extremamente importante nessa etapa. O desenvolvimento infantil é marcado por descontinuidades, crises e conflitos, fazendo parte do desenvolvimento normal da criança e que não necessariamente necessitam da intervenção do professor. O professor deve ser capacitado para auxiliar seus discentes a compreender as pluralidades e suas singularidades, compreendendo que cada indivíduo é único e especial. Wallon estabelece uma divisão entre a afetividade e as emoções. Segundo ele, as emoções se manifestam pelo domínio da consciência, ou seja, cada atitude corresponde a uma determinada situação. Wallon (1986, p. 146) aponta que: [...] a coesão de reações, atitudes e sentimentos, que as emoções são capazes de realizar em um grupo, explica o papel que elas devem ter desempenhado nos primeiros tempos das sociedades humanas: ainda hoje são as emoções que criam um público, que animam uma multidão, por uma espécie de consentimento geral que escapa ao controle de cada um. Elas suscitam arrebatamentos coletivos capazes de escandalizar, por vezes, a razão individual. Já a afetividade relaciona-se com o mundo interno e externo, seja elas por sensações agradáveis ou desagradáveis. A afetividade envolve maiores manifestações, pois envolve sentimentos e emoções. O ato de afeto ocorre quando alguma situação interna ou externa influencia o indivíduo. Para Wallon (1986), é a afetividade que irá impulsionar a inteligência, a partir de uma situação de conflito. Wallon propõe três campos funcionais que ainda na infância não estão completamente formados e são indissociáveis, a afetividade, o ato motor e a inteligência. É a partir desses três que a pessoa como indivíduo é formada. O avanço nesses campos ocorre diante das relações entre as pessoas que estão ao redor dessa criança e ao amadurecimento neurológico. A emoção é constituída como um fenômeno orgânico, psíquico e emocional e por isso deve ter sua importância reconhecida e aprofundada, como será realizado no próximo capitulo. 3.0 DESENVOLVIMENTO E EMOÇÃO NA PERSPECTIVA DE LEV VYGOTSKY Segundo Vygotsky (1984), os indivíduos compreendem por meio de três momentos durante o processo de ensino aprendizagem. Há a zona de desenvolvimento real que é o qual as ações já foram processadas no cérebro e que já podem ser reproduzidas sem auxilio e de forma completamente independente. O segundo é a zona de desenvolvimento potencial, em que são observadas as potencialidades de desenvolvimento, a partir de seu desenvolvimento real, levando em consideração as capacidades de desenvolvimento da criança neste momento. E há por último a zona de desenvolvimento proximal que ainda está em processo de amadurecer no qual o cérebro está sempre progredindo, e é nesse momento que a mediação do professor é necessária, pois o desenvolvimento potencial só se tornará real a partir do estimulo e de estratégias que cabem ao professor realizar. Para Vygotsky (1991) o brincar são atitudes simbólicas da realidade da criança. O brincar segundo Vygotsky (1991) contribui muito para o processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança, pois é neste momento que o brinquedo provoca a zona de desenvolvimento proximal na criança. Podemos dizer que as emoções também estão ligadas ao comportamento e o desenvolvimento da criança. As emoções influenciam muito na forma de agir do ser humano, como exemplo se uma criança está irritada, certamente o comportamento dela irá influenciar na forma que ela for brincar. Atualmente algumas crianças apresentam dificuldade na sua forma de lidar com suas emoções, não sabendo as controlar, nem as expressar, podendo afetar o processo de aprendizagem. A teoria de Vygotsky relata que a aprendizagem guia ao desenvolvimento, pois tal comportamento funciona como uma transformação obstinada ao aprendizado, ou seja, Vygotsky acredita que todo o conhecimento e desenvolvimento já adquirido, poderia ser dominado pela criança com a ajuda de outras pessoas mais capazes. Sabemos que quando a criança conhece o mundo, ela tem acesso a diversas linguagens, sendo um fator essencial para o desenvolvimento e as emoções da criança. Segundo Vygotsky (1998) a criança mesmo tão nova é um ser social, ou seja, ela faz parte da sociedade. Seu desenvolvimento e suas emoções dependem do meio em que está inserido, podendo ser interferidos. Em concordância com Vygotsky a emoção é algo que sempre está em constante mudança, conforme o desenvolvimento cognitivo da criança. Como exemplo,o medo é algo que surge do instinto de auto conservação. Segundo Vygotsky (2001, p. 143): Nenhuma forma de comportamento é tão forte quanto aquela ligada a uma emoção. Por isso, se quisermos suscitar no aluno as formas de comportamento de que necessitamos teremos sempre de nos preocupar com que essas reações deixem um vestígio emocional nesse alunado. Dessa forma, o professor tem papel importante em auxiliar a criança a compreender os sentimentos e emoções que a mesma irá sentir. A compreensão da emoção é de extrema importância, além de ensinar a lidar com a saúde emocional é fundamental para a saúde e bem-estar do mesmo. 3.1 A IMPORTÂNCIA DAS EMOÇÕES NA APRENDIZAGEM Durante o seu processo de desenvolvimento, a criança necessita estar em contato com outros adultos e outras crianças que não as do seu contexto familiar, a fim de que diversas situações ocorram e que a mesma entre em contato com os diversos tipos de emoções, ao passo que tenha que lidar com elas, tais como aceitação, atuar em grupo, superações de conflitos e frustrações. Muito se discute o trabalho emocional com jovens e crianças. Há pessoas que levam esse lado das emoções como algo relacionado à “autoajuda”. Cada país tem sua forma de lidar com a base educativa. Como profissionais da área da educação, devemos realizar trabalhos emocionais com as crianças desde cedo. A emoção antecipa a linguagem, ou seja, não é apenas pelo educando estar emocionalmente bem, que ele vai se sair bem nos conteúdos escolares, emoção por si só não faz com que o educando desenvolva e se saia bem em todos os conteúdos. É necessário o estímulo por parte do professor para que a criança se desenvolva com completude. Algumas crianças mesmo sendo tão novas já tem desenvolvido uma estabilidade emocional com suas dúvidas interiormente e exteriormente. Uma criança que não é emocionalmente equilibrada, geralmente não se desenvolve com integridade, não interage, não assimila os conteúdos e não desenvolve a criatividade. Dessa forma, a teoria walloniana traz grandes contribuições para o entendimento das relações entre educando e educador, além de situar a escola como um meio fundamental no desenvolvimento desses sujeitos. A noção de domínios funcionais “entre os quais vai se distribuir o estudo das etapas que a criança percorre serão, portanto, os da afetividade, do ato motor, do conhecimento e da pessoa” (WALLON; 1995, p. 117). Segundo Vygotsky (2004) as emoções partem de funções psicológicas, ou seja, caracterizam o comportamento consciente do indivíduo. Para Bercht (2001, p. 59): [...] a afetividade pode ser conceituada como todo o domínio das emoções, dos sentimentos das emoções, das experiências sensíveis e, principalmente, da capacidade de entrar em contato com sensações, referindo-se às vivências dos indivíduos e às formas de expressão mais complexas e essencialmente humanas. O papel da família é muito importante para as crianças também, no decorrer das vivências, pois o que cada indivíduo viveu vai refletir dentro da sala de aula. As emoções podem se manifestar de várias maneiras, principalmente na relação com o outro. Wallon (1986) acredita que o ambiente e outras pessoas são concepções diferentes, no entanto elas se relacionam. O ambiente pode durar por algum tempo dependendo da situação em que apresentam vivências distintas. Por essas diferenças, os professores percebem as particularidades de cada aluno, observando e compreendendo o que cada educando já aprendeu e o que está em desenvolvimento. O educador por outro lado norteia, encaminha e se relaciona com seus alunos, desse modo se desenvolve os aspectos motor, afetivo, intelectual, relação interpessoal e pedagógica. Os educadores precisam estar sempre se preparando, planejando, percebendo o desenvolvimento de seus alunos, e estimulando para que eles consigam assimilar todo o conhecimento que o professor está compartilhando. Mahoney (1993) diz que, as crianças estão desenvolvendo suas vivências e emoções quando convivem com outras pessoas, é a partir das conivências que as crianças vão criar oportunidades no meio que vivem e escolhas que a sociedade proporciona, estando livres para poder planejar o que podem se tornar um dia. Podemos então perceber que os profissionais que se tornaram educadores, são seres humanos, com sonhos, medos, desejos, princípios que foram criados ao longo da vida que o faz um ser individual. Wallon dá muita importância à formação do professor, visto que, como adulto, é capaz de voltar-se para fora de si e em condições de acolher o outro solidariamente e continuar a desenvolver-se com ele (MAHONEY, 2004). A aprendizagem está sempre em desenvolvimento, quanto para o professor ou para qualquer profissão que é escolhida, atualmente adultos, mas que já foram crianças passando por várias experiências, e a partir dos conhecimentos e o convívio com a sociedade, podemos ensinar as crianças a serem pessoas melhores, respeitando o próximo, tendo empatia e construindo uma aprendizagem significativa. 4.0 A EMOÇÃO E O PROCESSO DE APRENDIZAGEM: UMA PERSPECTIVA EM SALA DE AULA 3 A 6 ANOS. Ao analisarmos um estudo de caso realizado em uma escola pública do município de São Leopoldo com crianças da faixa etária de cinco anos, observamos que as atividades lúdicas as quais causam uma sensação de confiança, comunicação e principalmente o companheirismo entre a educadora e o educando. Podemos entender que a rotina é importante para poder orientar, proporcionando que a criança se sinta segura, colabore, tenha mais dedicação e concentração no momento da aprendizagem. Por isso é fundamental que o educador conte para os educandos como será o seu dia e quais as atividades irão realizar. Saltini (2008, p.102), afirma que: O que regra a vida quotidiana é a sequência dos acontecimentos. A duração de cada atividade pode mudar, aumentar ou diminuir (roda, lanche, pátio, história e etc.), porem não a sua ordem.... O habito e os rituais em sequencia são essenciais pra a segurança psicológica da criança; estes são um porto seguro para o novo. Percebe-se que a brincadeira está relacionada ao dia a dia das crianças, os educadores em algum momento da rotina vão permitir o momento da diversão, sabemos que a maioria das escolas autoriza que as crianças tragam brinquedos de casa pelo menos uma vez por semana, muitos educadores consideram que o dia do brinquedo seja um tempo desperdiçado, mas ao contrário é através disso que podemos observar seus comportamentos, brincadeiras de faz de conta, a interação e o compartilhamento de seus brinquedos com as outras crianças. É no momento da diversão que é compreendido as regras e por meio da imitação a criança se aproximam da realidade. Ferreira (2002), afirma que aparece a regra do brinquedo. A ação individual deve ser inteligível para os companheiros; assim o faz-de-conta e a representação tendem para imitação cada vez mais perfeita do real e acaba sendo o melhor meio de as crianças se entenderem. Em relação ao dia do brinquedo na escola, a professora propôs uma atividade de faz de conta junto com a boneca “Bebê Carol” nome escolhido pelas crianças, a bebê adoraria descobrir coisas novas e se divertir muito com eles, porém eles teriam que ter cuidado e dar muito amor e carinho. A educadora então mandou um bilhete aos pais, a fim de que possam entender a proposta dada, entendendo que o simbolismo é fundamental nessa faixa etária. Na proposta estava descrito que toda sexta-feira a “Bebê Carol” iria para a casa de uma criança, criança que seria escolhida através de um sorteio. A educadora então teve a ideia de fazer um caderno de registros que seria como um portfólio, para as famílias descreverem de forma criativa como foi o final de semana, retornando assim na segunda-feira para a escola. O portfólio então serviriapara a professora fazer uma avaliação diagnostica e avaliatória. Segundo Villas Boas (2004, p.46-47) O portfólio serve para veicular a avaliação ao trabalho pedagógico em que o aluno participa da tomada de decisão, de modo que ele formule suas próprias ideias, faça escolhas e não apenas formule prescrições do professor e da escola. Nesse contexto, a avaliação deixa de ser classificatória e unilateral. Em razão disso, a professora teve outra ideia, conforme a “Bebê Carol” fosse para a casa das crianças, cada uma iria escolher uma roupinha ou acessório para colocar na boneca. O propósito era que as crianças contassem para os amigos e muitos amigos tiveram emoções similares referentes às roupas e acessórios trazidos pelas crianças, muitos por exemplos: por ser a primeira roupinha, primeiro sapatinho, por ter ganhado de algum parente próximo, entre outros, a maioria deles escreveram no caderno de registros. Analisando a atividade percebemos quantas emoções podem se desenvolver, bem como conhecimento, vivências, com tantos aprendizados é nítido que as escolas devem ser receptivas a fim de que as crianças tenham vontade de ir à escola e se sintam seguras para questionar e assim adquiram conhecimento. Em sala de aula é possível observar duas posturas que o professor tem perante seus educandos. Em alguns casos o professor é autoritário e age com insensibilidade, elevando sua voz, a fim de manter a imagem de superior e de ser respeitado. Em outros casos o professor promove tamanha liberdade, que acaba por se igualar ou até por elevar a criança para um lugar de autoridade acima ao dele, perdendo a autoridade. Sabemos que Paulo Freire, mesmo sendo um educador voltado para a educação de jovens e adultos, deixou inúmeros ensinamentos para todos os profissionais da área da educação e que podem inspirar modelos práticos para a educação infantil. Em uma de suas obras, em que dizia respeito às crianças em situação de vulnerabilidade, ele aponta especificamente a forma equilibrada que o educador deve agir em sua prática educacional. Para Paulo Freire (1989, p. 21-22): Na relação educando-educador a liberdade precisa de parâmetro. No momento em que some o parâmetro, desaparece a possibilidade de formação [...] E liderança implica autoridade. Essa questão da relação autoridade-liberdade precisa ser muito bem pensada [...] Não nos esqueçamos jamais de que o educador deve ir sendo mais e mais uma presença afirmada em quem os educandos podem confiar, a quem os educandos podem procurar para obter respostas às suas dúvidas. Com isso, podemos perceber que é necessário que a criança tenha a possibilidade de expressar seus sentimentos e que o papel do professor é o de valorizar suas conquistas, bem como auxiliá-la a compreender quais emoções ela está sentindo. O carinho e o sentimento de importância são necessários para que a criança se desenvolva. Porém, também é imprescindível que o professor demonstre sua autoridade, para que em seus momentos de dificuldade, a criança também compreenda que no professor ela encontrará auxilio. Toda criança precisa de limites, e estes devem ser explicitados para que a criança se desenvolva com completude. Sendo assim, o papel do professor e também dos pais é demonstrar esses limites, de forma firme e afável, a fim de que a infância e o desenvolvimento dela se constituam com segurança e integridade. Compreende-se assim a importância de cada um de nós, professores, exercer seu papel com responsabilidade e compromisso, visando que cada ação isolada, afeta as crianças, inclusive na faixa etária de 3 e 6 anos. Nossa intenção com esse artigo foi adentrar essa relevância e demostrar o dever que cada educador tem, de gerar lembranças positivas para que o desenvolvimento se concretize com um conhecimento significativo. Futuramente, pretendemos aprofundar nossos estudos na área de psicologia e psicopedagogia, bem como estudar e analisar o desenvolvimento infantil como um todo, por meio de outra graduação ou pós-graduação na área, com um novo artigo e até uma monografia. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em geral esta pesquisa teve como escopo principal apresentar como as emoções influenciam o processo de aprendizagem e o desenvolvimento das crianças entre 3 e 6 anos de idade. Para isso, apresentamos na seção 2.0. As especificidades teóricas do personalismo de Henry Wallon e a sua respectiva divisão explicada em três momentos: a oposição, a sedução e a imitação. Ainda nessa seção, foi explanado que nesse período começa a construção da identidade da criança e a partir do meio que está inserida. Posteriormente, na segunda sessão descrevemos o desenvolvimento e a emoção na visão de Lev Vygotsky, apresentando as minuciosidades teóricas sobre as zonas de desenvolvimento real, desenvolvimento potencial e desenvolvimento proximal, pois a emoção está em constante mudança à medida que as crianças se desenvolvem. A terceira sessão relata a importância das emoções na aprendizagem, a relação professor-aluno e o bom relacionamento com a família na perspectiva de Vygotsky e Wallon. Na quarta sessão apresentamos um estudo de caso em que mostramos que através do lúdico as crianças também aprendem e conseguem lidar com as emoções, demostrando assim a importância de brincar nessa fase dos 3 aos 6 anos. Em síntese, buscamos destacar nessa pesquisa a importância do entendimento e valorização das emoções no processo de ensino e aprendizagem das crianças entre 3 a 6 anos. E, de como a emoção pode influenciar tanto positiva quanto negativamente. De fato, por experiências no dia a dia com crianças, nos relatos e nos estudos e embasamento teórico mostrado, sabemos que o fenômeno emocional ocorre antes de a criança começa a frequentar o ambiente escolar e que ele cresce à medida que o convívio com pessoas diferentes se intensifica, como é o caso da escola. É considerável ressaltar a importância que o professor tem na trajetória escolar da criança e entender quais os interesses do mesmo. Todas as emoções têm uma motivação, algumas vêm de uma família mal estruturada, bullying, ou uma baixa autoestima. Com isso, é interessante compreender as necessidades emocionais de cada criança, como elas surgiram e ajudar a mesma a identificar e reconhecer as emoções, atribuindo e influenciando na qualidade do processo de ensino aprendizagem. Vamos, através de futuras pesquisas, aprofundar este estudo, por meio de uma segunda graduação em Psicologia e também numa especialização, como uma pós-graduação em Psicopedagogia. Por meio desse artigo, desejamos apontar a possibilidade de buscas por análises e estudo de caso para cada aluno. Tendo em vista a importância da educação emocional, não só na vida da criança, mas inclusive da família. Com os resultados apresentado até aqui, esperamos que esse artigo possa ter causado um efeito positivo aos leitores e interessados em desenvolvimento infantil, educação e qualidade de ensino e aprendizagem, uma vez que urge a existência de outros modelos práticos de um ensino baseado em um aprendizado não apenas conteudista, mas também um aprendizado emocional. Pois, considerando a realidade e os fatos apresentados, não há como uma criança aprender se o emocional dela não for compreendido e valorizado. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Roselina. Às contribuições das emoções no processo de ensino aprendizagem. 2016. Disponível em: <http://uece.br/eventos/spcp/anais/trabalhos_completos/247-38145-28032016- 203404.pdf>. Acessado em: 5 de março de 2020. Bastos, A.B.B.I.; Dér, L.C.S. Estágio do Personalismo. cap. III. In.: Mahoney, A.A.; Almeida, L.R. de (orgs.). Henri Wallon: psicologia e educação. 9. ed. . São Paulo: Edições Loyola, 2009, p. 39-49 (Coleção Educação Personalizada).BERCHT, Magda. Em Direção a Agentes Pedagógicos com Dimensões Afetivas. Instituto de Informática. UFRGS. Tese de doutorado. Porto Alegre, dez 2001 CAPELO, Maria Regina. VARELA, John Miguel. DÍAZ, Noemí. PERCEÇÃO, EXPRESSÃO E VALORIZAÇÃO DAS EMOÇÕES DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR. Revista Exitu, Santarém/PA. Mai/ago. 2018. CALIL, Ana Maria Gimenes Corrêa. WALLON E A EDUCAÇÃO: uma visão integradora de professor e aluno. Contrapontos. Itajaí, mai/ago 2007 FACCI, Marilda G. D. Vigotski e o processo ensino-aprendizagem: a formação de conceitos. In: MENDONÇA, S. G. de L.; MILLER, S. (Orgs.). VYGOTSKY E A ESCOLA ATUAL: FUNDAMENTOS TEÓRICOS E IMPLICAÇÕES PEDAGÓGICAS. Araraquara: Junqueira & Marin, 2006. PIERETTI, Ana Alice Reis. SOUZA, Caroline Battistello Cavalheiro De. Psicologia da educação. Curitiba: Universidade Positivo, 2018 OLIVEIRA, Danilo. KOTTEL, AnneMaria. DETERMINANTES COMPORTAMENTAIS E EMOCIONAIS DO PROCESSO ENSINO- APRENDIZAGEM. Caderno Inter saberes. Jan/dez. 2016. WERLAN, Sandra Danieli. AFETIVIDADE E APRENDIZAGE, NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 2010. OLIVEIRA, Marta Kohl. O PROBLEMA DA AFETIVIDADE EN VYGOSTSKY. In: LA TAILLE, Y. (Org.) PIAGET, VYGOTSKY, WALLON: TEORIAS PSICOGENÉTICAS EM DISCUSSÃO. São Paulo: Summus, 1992. p. 75-84. FREIRE, Paulo. EDUCADORES DE RUA, UMA ABORDAGEM CRÍTICA: Alternativas de atendimento aos meninos de rua. Bogotá, Colombia: Editorial Gente Nueva, 1989. ANEXO E/OU APÊNDICE (se houver) – TÍTULO