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UNIVERSIDADE POSITIVO 
CURSO DE PEDAGOGIA 
 
 
FLÁVIA ROBERTA DE LIMA SIQUEIRA 
LORENA DOS SANTOS MACIEL 
VICTÓRIA REBEKA ROJAS JUK 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AS INFLUÊNCIAS DAS EMOÇÕES NO PROCESSO DE ENSINO E 
APRENDIZAGEM ENTRE 3 E 6 ANOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURITIBA 
2020
 
FLÁVIA ROBERTA DE LIMA SIQUEIRA 
LORENA DOS SANTOS MACIEL 
VICTÓRIA REBEKA ROJAS JUK 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AS INFLUÊNCIAS DAS EMOÇÕES NO PROCESSO DE ENSINO E 
APRENDIZAGEM ENTRE 3 E 6 ANOS 
 
 
 
Artigo de Conclusão de Curso 
apresentado ao Curso de Pedagogia, da 
Universidade Positivo, como requisito 
parcial à obtenção do título de licenciado 
(a) em Pedagogia. 
 
 Orientador: Prof. Dr. Gustavo Luiz Gava 
 
 
 
 
 
 
 
CURITIBA 
2020 
 
AS INFLUÊNCIAS DAS EMOÇÕES NO PROCESSO DE ENSINO E 
APRENDIZAGEM ENTRE 3 E 6 ANOS 
 
 
 Autor (a): SIQUEIRA, Flávia Roberta de Lima; 
 Autor (a): MACIEL, Lorena dos Santos; 
 Autor (a): JUK, Victória Rebeka Rojas. 
 
Orientador (a): Prof° (a). GAVA, Gustavo Luiz. 
 
 
RESUMO – Está pesquisa tem como proposta apresentar a influência das emoções 
no processo de ensino e aprendizagem de crianças entre 3 e 6 anos, chamado de 
fase do personalismo para Henry Wallon. O tema se deu ao fato de as autoras 
compreenderem a necessidade do assunto, diante de uma educação voltada ao 
ensino de conteúdos sem levar em consideração de um olhar atento as 
necessidades emocionais de cada criança, que interferem no aprendizado. O 
objetivo desse artigo é promover um conhecimento aprofundado a respeito do 
assunto para educadores, estudantes e familiares interessados em auxiliar no 
desenvolvimento de crianças com idades entre 3 e 6 anos. A metodologia usada 
será a pesquisa bibliográfica de autores como Henry Wallon e Lev Vygotsky. Diante 
da pesquisa, compreende-se que a emoção e os sentimentos da criança deve ser 
valorizado para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de forma 
significativa e prazerosa. 
Palavras-chave: Emoção. Aprendizagem. Vygotsky. Wallon. Personalismo. 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A presente pesquisa tem como escopo principal, analisar teoricamente a 
influência das emoções, tanto as denominadas positivas como negativas, dentro do 
processo de ensino e aprendizagem de crianças entre 3 e 6 anos, também 
conhecido como a fase de desenvolvimento “Personalismo” para Henri Wallon. 
O tema escolhido se deu ao fato de as autoras buscarem melhor compreensão 
do fenômeno emocional tendo como mote as experiências no ambiente escolar. 
 
Entendemos que as emoções no processo de ensino e aprendizagem das crianças 
ocorrem principalmente, quando passam a experienciar a realidade escolar, a sala 
de aula. Por isso, o motivador temático foi investigar quanto a afetividade e as 
emoções, afetam o aprender das crianças. 
Atualmente, sabemos que algumas crianças ao iniciarem seu processo de 
aprendizagem podem apresentar fatores que às vezes prejudicam seu 
desenvolvimento. Como por exemplo, a família mal estruturada, o histórico de 
bullying ou até mesmo uma baixa autoestima, que a impede de se desafiar e 
aprender coisas novas. 
A emoção, algumas vezes minimizada, tem um papel crucial para o educando 
quanto o desenvolvimento do saber. A criança, ao ingressar na escola, já vem com 
seus conhecimentos prévios, gerados por suas emoções e seu histórico pessoal. E 
essas emoções, tanto as geradas em casa, quanto na escola, afetam o 
aprendizado. Isso se deve ao fato de o ser humano, ser um ser social e afetivo, ou 
seja, necessita estabelecer relacionamentos, se sentir aceito e querido. Vygotsky 
(2003), afirma que a emoção não é menos importante que o pensamento, 
carecendo de estímulos e provocando mudanças nos sentimentos e a reeducação 
das emoções a partir das direções emocionais na direção da reação emocional que 
se pertence. 
A Escola, sendo uma extensão do lar, tem um papel crucial no 
desenvolvimento socioemocional das crianças. Além disso, frequentemente, o 
próprio professor ou pedagogo ao se deparar com um educando com dificuldades 
de aprendizado, desconhece o histórico individual da criança e por isso não 
consegue desenvolver meios de auxiliá-la. 
Diante disso, investigaremos qual o papel do professor e pedagogo para 
promover um processo de ensino e aprendizagem prazeroso e proveitoso, tendo 
em vista que cada criança é um ser humano único, com uma história e vivências 
individuais, sendo que desde seu nascimento já é possível perceber sentimentos 
que são programados biologicamente (como o nojo, a felicidade, a tristeza, 
interesse etc.). 
Analisaremos quais são as principais emoções que surgem nas crianças de 3 
a 6 anos no processo de ensino e aprendizagem e qual o papel do professor e/ou 
pedagogo para auxiliá-la a se desenvolver considerando seu potencial. 
 
 A partir desta pesquisa, pretendemos auxiliar nossos colegas, outros 
pedagogos e até aos pais a compreenderem melhor como se dá o processo de 
ensino e aprendizagem, considerando que cada criança é um ser único, com 
dificuldades próprias e potenciais exclusivos que podem ser estimulados, levando 
em conta as emoções de cada criança frente aos novos desafios enfrentados na 
escola. 
Além disso, buscamos entender mais detalhadamente a importância que cada 
emoção tem de causar um efeito positivo ou negativo na descoberta de novos 
conhecimentos. 
A metodologia utilizada para o desenvolvimento do estudo em questão foi a 
pesquisa bibliográfica. Tendo como base Henry Wallon, Lev Vygostky, bem como a 
utilização de investigações publicadas contemporaneamente sobre a influência das 
emoções no processo de ensino aprendizagem entre crianças de 3 a 6 anos. 
O artigo foi dividido em quatro sessões, a primeira sessão se desenvolve a 
respeito do personalismo na perspectiva de Henry Wallon, que contempla o 
pensamento sobre as emoções, a segunda sessão apresenta o desenvolvimento e 
as emoções na perspectiva de Lev Vygotsky que analisa e entende que as emoções 
se relacionam com o comportamento e desenvolvimento das crianças, a terceira 
sessão representa a importância das emoções na aprendizagem, citamos alguns 
autores como Wallon e Vygotsky que falam sobre a relação professor aluno e a 
convivência com as famílias, e pôr fim a última sessão discorre sobre a emoção e o 
processo de aprendizagem: uma perspectiva em sala de aula de 3 a 6 anos, 
apresentando uma pesquisa de estudo de caso com práticas usadas dentro de sala 
de aula com a faixa etária de cinco anos. 
 
2.0 PERSONALISMO NA VISÃO DE HENRY WALLON 
Na visão de Henry Wallon, geralmente, quando uma criança tem seus 3 anos 
de idade, entra na fase do personalismo, que se seguirá até que ela complete seus 
6 anos. Durante esse período, a criança tem contato com o mundo e desenvolve a 
linguagem simbólica. Nessa fase a criança inicia o processo de construção de sua 
personalidade e constituição do eu-psíquico, fase em que contraria o adulto para 
adquirir sua própria personalidade. Essa fase de desenvolvimento, personalismo, é 
dividida em três momentos: Oposição, Sedução e Imitação. 
 
 
Essa constituição da pessoa é permeada por conquistas e conflitos, 
contradições, crises, que aparecem e reaparecem ao longo do 
desenvolvimento, jamais findam; apenas se modificam, reduzem-
se, espaçam-se e tomam diferentes coloridos emocionais 
(BASTOS; DÉR, 2009, p. 40) 
 
No primeiro momento, oposição, que se inicia por volta dos três anos de 
idade, é possível perceber que em algumassituações a criança passa a impor sua 
vontade própria para se diferenciar do outro. Esse primeiro período é marcado pelo 
prazer que a ela tem em demonstrar imposição e independência. O desejo de 
propriedade e o sentimento de competição também são formas de a criança se auto 
afirmar como indivíduo. 
Após esse período, ocorre o de sedução, ou também chamado “idade da 
graça”. Nesse momento é importante que as conquistas individuais da criança 
sejam valorizadas. A criança está em constante processo de desenvolvimento do 
conceito que a mesma tem a respeito de si mesma, portanto busca aprovação de 
seus feitos, sempre chamando atenção, tendo necessidade de ser admirada e de 
assim obter uma satisfação narcísica. 
Por fim, há a imitação. Nessa fase a criança reproduz algo que viu, como 
uma atitude, uma palavra ou até mesmo uma cena de um filme, que ela assimila e 
vai reproduzir depois de uns dias. Portanto as brincadeiras de faz de conta estão 
presentes nessa fase em que repetem a cena da professora ao brincar de escolinha 
e até mesmo ao brincar de mamãe e filhinho baseando-se nos momentos que elas 
obtiveram uma vivência (MAHONEY; ALMEIDA, 2009). 
Além disso, às vezes a criança poderá reproduzir essas atitudes a partir de 
pessoas que admira, fazendo uma modificação de si mesma, como se suas 
qualidades não fossem suficientes, sendo necessário se “inspirar” em outras 
pessoas para terem total aprovação das pessoas. É importante, tanto os pais 
quando os educadores estarem atentos a fim de sondar quando essa última 
situação está ocorrendo, pois muitas das vezes a criança não está se sentindo 
aceita ou afirmada e é importante descobrir os motivos disso. No ato da imitação, 
ocorre o processo de interiorização e exteriorização, a partir do momento que a 
criança interioriza uma situação intensa ou uma vivência que admira e exterioriza 
após o ocorrido, por meio da reprodução de falas ou atitudes. 
 
Diante disso, percebemos que o professor deve administrar o modo como 
expressa seus sentimentos e suas atitudes. Se a relação entre o aluno e o professor 
for autoritária a criança vai sempre se expor negativamente, no entanto se a relação 
for de afeto e carinho, o professor vai conseguir ter uma relação boa, sempre 
exigindo paciência, pois sabemos que nessa fase as crianças requerem bastante 
atenção e tempo para se sentirem acolhidas. 
Nessa fase, a criança está em constante processo de construção e de 
desenvolver um conceito a respeito de si mesma. Esse indivíduo em construção, na 
fase dos 3 aos 6 anos, começa a perceber a realidade social e se apropriar e 
interiorizar a realidade objetiva, como os fatores objetivos (como situações 
socioeconômicas) e fatores subjetivos (como as singularidades dos indivíduos e 
suas vidas pessoais), (CERISARA, 1997). 
Além disso, durante esse período é muito relativo, as crianças absorvem 
constantemente todas as emoções que fluem ao seu redor. Sendo assim, o 
professor que atua com escolares nessa idade (3 a 6 anos), necessita aprender a 
lidar com esses indivíduos que estão iniciando o aprendizado e instruindo-os a como 
lidar e compreender tanto suas próprias emoções, como os sentimentos dos outros 
indivíduos que os cercam. Só assim, o processo de ensino e aprendizagem se 
construirá de forma saudável. 
O processo de aprender a identificar e nomear os sentimentos e emoções 
também é extremamente importante nessa etapa. O desenvolvimento infantil é 
marcado por descontinuidades, crises e conflitos, fazendo parte do 
desenvolvimento normal da criança e que não necessariamente necessitam da 
intervenção do professor. 
O professor deve ser capacitado para auxiliar seus discentes a compreender 
as pluralidades e suas singularidades, compreendendo que cada indivíduo é único 
e especial. Wallon estabelece uma divisão entre a afetividade e as emoções. 
Segundo ele, as emoções se manifestam pelo domínio da consciência, ou seja, 
cada atitude corresponde a uma determinada situação. Wallon (1986, p. 146) 
aponta que: 
[...] a coesão de reações, atitudes e sentimentos, que as emoções 
são capazes de realizar em um grupo, explica o papel que elas 
devem ter desempenhado nos primeiros tempos das sociedades 
humanas: ainda hoje são as emoções que criam um público, que 
animam uma multidão, por uma espécie de consentimento geral que 
 
escapa ao controle de cada um. Elas suscitam arrebatamentos 
coletivos capazes de escandalizar, por vezes, a razão individual. 
 
Já a afetividade relaciona-se com o mundo interno e externo, seja elas por 
sensações agradáveis ou desagradáveis. A afetividade envolve maiores 
manifestações, pois envolve sentimentos e emoções. 
O ato de afeto ocorre quando alguma situação interna ou externa influencia 
o indivíduo. Para Wallon (1986), é a afetividade que irá impulsionar a inteligência, a 
partir de uma situação de conflito. Wallon propõe três campos funcionais que ainda 
na infância não estão completamente formados e são indissociáveis, a afetividade, 
o ato motor e a inteligência. É a partir desses três que a pessoa como indivíduo é 
formada. O avanço nesses campos ocorre diante das relações entre as pessoas 
que estão ao redor dessa criança e ao amadurecimento neurológico. A emoção é 
constituída como um fenômeno orgânico, psíquico e emocional e por isso deve ter 
sua importância reconhecida e aprofundada, como será realizado no próximo 
capitulo. 
 
3.0 DESENVOLVIMENTO E EMOÇÃO NA PERSPECTIVA DE LEV VYGOTSKY 
Segundo Vygotsky (1984), os indivíduos compreendem por meio de três 
momentos durante o processo de ensino aprendizagem. 
Há a zona de desenvolvimento real que é o qual as ações já foram 
processadas no cérebro e que já podem ser reproduzidas sem auxilio e de forma 
completamente independente. 
O segundo é a zona de desenvolvimento potencial, em que são observadas 
as potencialidades de desenvolvimento, a partir de seu desenvolvimento real, 
levando em consideração as capacidades de desenvolvimento da criança neste 
momento. 
E há por último a zona de desenvolvimento proximal que ainda está em 
processo de amadurecer no qual o cérebro está sempre progredindo, e é nesse 
momento que a mediação do professor é necessária, pois o desenvolvimento 
potencial só se tornará real a partir do estimulo e de estratégias que cabem ao 
professor realizar. 
Para Vygotsky (1991) o brincar são atitudes simbólicas da realidade da 
criança. O brincar segundo Vygotsky (1991) contribui muito para o processo de 
desenvolvimento e aprendizagem da criança, pois é neste momento que o 
 
brinquedo provoca a zona de desenvolvimento proximal na criança. Podemos dizer 
que as emoções também estão ligadas ao comportamento e o desenvolvimento da 
criança. As emoções influenciam muito na forma de agir do ser humano, como 
exemplo se uma criança está irritada, certamente o comportamento dela irá 
influenciar na forma que ela for brincar. 
Atualmente algumas crianças apresentam dificuldade na sua forma de lidar 
com suas emoções, não sabendo as controlar, nem as expressar, podendo afetar o 
processo de aprendizagem. A teoria de Vygotsky relata que a aprendizagem guia 
ao desenvolvimento, pois tal comportamento funciona como uma transformação 
obstinada ao aprendizado, ou seja, Vygotsky acredita que todo o conhecimento e 
desenvolvimento já adquirido, poderia ser dominado pela criança com a ajuda de 
outras pessoas mais capazes. 
Sabemos que quando a criança conhece o mundo, ela tem acesso a diversas 
linguagens, sendo um fator essencial para o desenvolvimento e as emoções da 
criança. Segundo Vygotsky (1998) a criança mesmo tão nova é um ser social, ou 
seja, ela faz parte da sociedade. Seu desenvolvimento e suas emoções dependem 
do meio em que está inserido, podendo ser interferidos. 
Em concordância com Vygotsky a emoção é algo que sempre está em 
constante mudança, conforme o desenvolvimento cognitivo da criança. Como 
exemplo,o medo é algo que surge do instinto de auto conservação. Segundo 
Vygotsky (2001, p. 143): 
Nenhuma forma de comportamento é tão forte quanto aquela ligada 
a uma emoção. Por isso, se quisermos suscitar no aluno as formas 
de comportamento de que necessitamos teremos sempre de nos 
preocupar com que essas reações deixem um vestígio emocional 
nesse alunado. 
 
Dessa forma, o professor tem papel importante em auxiliar a criança a 
compreender os sentimentos e emoções que a mesma irá sentir. A compreensão 
da emoção é de extrema importância, além de ensinar a lidar com a saúde 
emocional é fundamental para a saúde e bem-estar do mesmo. 
 
3.1 A IMPORTÂNCIA DAS EMOÇÕES NA APRENDIZAGEM 
Durante o seu processo de desenvolvimento, a criança necessita estar em 
contato com outros adultos e outras crianças que não as do seu contexto familiar, a 
 
fim de que diversas situações ocorram e que a mesma entre em contato com os 
diversos tipos de emoções, ao passo que tenha que lidar com elas, tais como 
aceitação, atuar em grupo, superações de conflitos e frustrações. 
Muito se discute o trabalho emocional com jovens e crianças. Há pessoas 
que levam esse lado das emoções como algo relacionado à “autoajuda”. Cada país 
tem sua forma de lidar com a base educativa. Como profissionais da área da 
educação, devemos realizar trabalhos emocionais com as crianças desde cedo. A 
emoção antecipa a linguagem, ou seja, não é apenas pelo educando estar 
emocionalmente bem, que ele vai se sair bem nos conteúdos escolares, emoção 
por si só não faz com que o educando desenvolva e se saia bem em todos os 
conteúdos. É necessário o estímulo por parte do professor para que a criança se 
desenvolva com completude. Algumas crianças mesmo sendo tão novas já tem 
desenvolvido uma estabilidade emocional com suas dúvidas interiormente e 
exteriormente. Uma criança que não é emocionalmente equilibrada, geralmente não 
se desenvolve com integridade, não interage, não assimila os conteúdos e não 
desenvolve a criatividade. 
Dessa forma, a teoria walloniana traz grandes contribuições para o 
entendimento das relações entre educando e educador, além de situar a escola 
como um meio fundamental no desenvolvimento desses sujeitos. A noção de 
domínios funcionais “entre os quais vai se distribuir o estudo das etapas que a 
criança percorre serão, portanto, os da afetividade, do ato motor, do conhecimento 
e da pessoa” (WALLON; 1995, p. 117). 
 Segundo Vygotsky (2004) as emoções partem de funções psicológicas, ou 
seja, caracterizam o comportamento consciente do indivíduo. Para Bercht (2001, p. 
59): 
[...] a afetividade pode ser conceituada como todo o domínio das 
emoções, dos sentimentos das emoções, das experiências 
sensíveis e, principalmente, da capacidade de entrar em contato 
com sensações, referindo-se às vivências dos indivíduos e às 
formas de expressão mais complexas e essencialmente humanas. 
O papel da família é muito importante para as crianças também, no decorrer 
das vivências, pois o que cada indivíduo viveu vai refletir dentro da sala de aula. As 
emoções podem se manifestar de várias maneiras, principalmente na relação com 
o outro. Wallon (1986) acredita que o ambiente e outras pessoas são concepções 
 
diferentes, no entanto elas se relacionam. O ambiente pode durar por algum tempo 
dependendo da situação em que apresentam vivências distintas. 
Por essas diferenças, os professores percebem as particularidades de cada 
aluno, observando e compreendendo o que cada educando já aprendeu e o que 
está em desenvolvimento. O educador por outro lado norteia, encaminha e se 
relaciona com seus alunos, desse modo se desenvolve os aspectos motor, afetivo, 
intelectual, relação interpessoal e pedagógica. 
Os educadores precisam estar sempre se preparando, planejando, 
percebendo o desenvolvimento de seus alunos, e estimulando para que eles 
consigam assimilar todo o conhecimento que o professor está compartilhando. 
Mahoney (1993) diz que, as crianças estão desenvolvendo suas vivências e 
emoções quando convivem com outras pessoas, é a partir das conivências que as 
crianças vão criar oportunidades no meio que vivem e escolhas que a sociedade 
proporciona, estando livres para poder planejar o que podem se tornar um dia. 
Podemos então perceber que os profissionais que se tornaram educadores, 
são seres humanos, com sonhos, medos, desejos, princípios que foram criados ao 
longo da vida que o faz um ser individual. 
Wallon dá muita importância à formação do professor, visto que, como adulto, 
é capaz de voltar-se para fora de si e em condições de acolher o outro 
solidariamente e continuar a desenvolver-se com ele (MAHONEY, 2004). 
A aprendizagem está sempre em desenvolvimento, quanto para o professor 
ou para qualquer profissão que é escolhida, atualmente adultos, mas que já foram 
crianças passando por várias experiências, e a partir dos conhecimentos e o 
convívio com a sociedade, podemos ensinar as crianças a serem pessoas 
melhores, respeitando o próximo, tendo empatia e construindo uma aprendizagem 
significativa. 
 
 
4.0 A EMOÇÃO E O PROCESSO DE APRENDIZAGEM: UMA PERSPECTIVA EM 
SALA DE AULA 3 A 6 ANOS. 
 
Ao analisarmos um estudo de caso realizado em uma escola pública do 
município de São Leopoldo com crianças da faixa etária de cinco anos, observamos 
que as atividades lúdicas as quais causam uma sensação de confiança, 
 
comunicação e principalmente o companheirismo entre a educadora e o educando. 
Podemos entender que a rotina é importante para poder orientar, proporcionando 
que a criança se sinta segura, colabore, tenha mais dedicação e concentração no 
momento da aprendizagem. Por isso é fundamental que o educador conte para os 
educandos como será o seu dia e quais as atividades irão realizar. Saltini (2008, 
p.102), afirma que: 
 
O que regra a vida quotidiana é a sequência dos acontecimentos. A 
duração de cada atividade pode mudar, aumentar ou diminuir (roda, 
lanche, pátio, história e etc.), porem não a sua ordem.... O habito e 
os rituais em sequencia são essenciais pra a segurança psicológica 
da criança; estes são um porto seguro para o novo. 
 
Percebe-se que a brincadeira está relacionada ao dia a dia das crianças, os 
educadores em algum momento da rotina vão permitir o momento da diversão, 
sabemos que a maioria das escolas autoriza que as crianças tragam brinquedos de 
casa pelo menos uma vez por semana, muitos educadores consideram que o dia 
do brinquedo seja um tempo desperdiçado, mas ao contrário é através disso que 
podemos observar seus comportamentos, brincadeiras de faz de conta, a interação 
e o compartilhamento de seus brinquedos com as outras crianças. É no momento 
da diversão que é compreendido as regras e por meio da imitação a criança se 
aproximam da realidade. Ferreira (2002), afirma que aparece a regra do brinquedo. 
A ação individual deve ser inteligível para os companheiros; assim o faz-de-conta e 
a representação tendem para imitação cada vez mais perfeita do real e acaba sendo 
o melhor meio de as crianças se entenderem. 
Em relação ao dia do brinquedo na escola, a professora propôs uma 
atividade de faz de conta junto com a boneca “Bebê Carol” nome escolhido pelas 
crianças, a bebê adoraria descobrir coisas novas e se divertir muito com eles, porém 
eles teriam que ter cuidado e dar muito amor e carinho. A educadora então mandou 
um bilhete aos pais, a fim de que possam entender a proposta dada, entendendo 
que o simbolismo é fundamental nessa faixa etária. Na proposta estava descrito que 
toda sexta-feira a “Bebê Carol” iria para a casa de uma criança, criança que seria 
escolhida através de um sorteio. 
A educadora então teve a ideia de fazer um caderno de registros que seria 
como um portfólio, para as famílias descreverem de forma criativa como foi o final 
de semana, retornando assim na segunda-feira para a escola. O portfólio então 
 
serviriapara a professora fazer uma avaliação diagnostica e avaliatória. Segundo 
Villas Boas (2004, p.46-47) 
O portfólio serve para veicular a avaliação ao trabalho pedagógico 
em que o aluno participa da tomada de decisão, de modo que ele 
formule suas próprias ideias, faça escolhas e não apenas formule 
prescrições do professor e da escola. Nesse contexto, a avaliação 
deixa de ser classificatória e unilateral. 
 
Em razão disso, a professora teve outra ideia, conforme a “Bebê Carol” fosse 
para a casa das crianças, cada uma iria escolher uma roupinha ou acessório para 
colocar na boneca. O propósito era que as crianças contassem para os amigos e 
muitos amigos tiveram emoções similares referentes às roupas e acessórios 
trazidos pelas crianças, muitos por exemplos: por ser a primeira roupinha, primeiro 
sapatinho, por ter ganhado de algum parente próximo, entre outros, a maioria deles 
escreveram no caderno de registros. Analisando a atividade percebemos quantas 
emoções podem se desenvolver, bem como conhecimento, vivências, com tantos 
aprendizados é nítido que as escolas devem ser receptivas a fim de que as crianças 
tenham vontade de ir à escola e se sintam seguras para questionar e assim 
adquiram conhecimento. 
 
 
 Em sala de aula é possível observar duas posturas que o professor tem 
perante seus educandos. Em alguns casos o professor é autoritário e age com 
insensibilidade, elevando sua voz, a fim de manter a imagem de superior e de ser 
respeitado. Em outros casos o professor promove tamanha liberdade, que acaba 
por se igualar ou até por elevar a criança para um lugar de autoridade acima ao 
dele, perdendo a autoridade. 
 Sabemos que Paulo Freire, mesmo sendo um educador voltado para a 
educação de jovens e adultos, deixou inúmeros ensinamentos para todos os 
profissionais da área da educação e que podem inspirar modelos práticos para a 
educação infantil. Em uma de suas obras, em que dizia respeito às crianças em 
situação de vulnerabilidade, ele aponta especificamente a forma equilibrada que o 
educador deve agir em sua prática educacional. 
 Para Paulo Freire (1989, p. 21-22): 
Na relação educando-educador a liberdade precisa de parâmetro. 
No momento em que some o parâmetro, desaparece a possibilidade 
de formação [...] E liderança implica autoridade. Essa questão da 
relação autoridade-liberdade precisa ser muito bem pensada [...] 
 
Não nos esqueçamos jamais de que o educador deve ir sendo mais 
e mais uma presença afirmada em quem os educandos podem 
confiar, a quem os educandos podem procurar para obter respostas 
às suas dúvidas. 
 
 Com isso, podemos perceber que é necessário que a criança tenha a 
possibilidade de expressar seus sentimentos e que o papel do professor é o de 
valorizar suas conquistas, bem como auxiliá-la a compreender quais emoções ela 
está sentindo. O carinho e o sentimento de importância são necessários para que a 
criança se desenvolva. Porém, também é imprescindível que o professor demonstre 
sua autoridade, para que em seus momentos de dificuldade, a criança também 
compreenda que no professor ela encontrará auxilio. Toda criança precisa de 
limites, e estes devem ser explicitados para que a criança se desenvolva com 
completude. 
Sendo assim, o papel do professor e também dos pais é demonstrar esses 
limites, de forma firme e afável, a fim de que a infância e o desenvolvimento dela se 
constituam com segurança e integridade. 
Compreende-se assim a importância de cada um de nós, professores, 
exercer seu papel com responsabilidade e compromisso, visando que cada ação 
isolada, afeta as crianças, inclusive na faixa etária de 3 e 6 anos. Nossa intenção 
com esse artigo foi adentrar essa relevância e demostrar o dever que cada educador 
tem, de gerar lembranças positivas para que o desenvolvimento se concretize com 
um conhecimento significativo. 
Futuramente, pretendemos aprofundar nossos estudos na área de psicologia 
e psicopedagogia, bem como estudar e analisar o desenvolvimento infantil como 
um todo, por meio de outra graduação ou pós-graduação na área, com um novo 
artigo e até uma monografia. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Em geral esta pesquisa teve como escopo principal apresentar como as 
emoções influenciam o processo de aprendizagem e o desenvolvimento das 
crianças entre 3 e 6 anos de idade. Para isso, apresentamos na seção 2.0. As 
especificidades teóricas do personalismo de Henry Wallon e a sua respectiva 
divisão explicada em três momentos: a oposição, a sedução e a imitação. Ainda 
 
nessa seção, foi explanado que nesse período começa a construção da identidade 
da criança e a partir do meio que está inserida. 
Posteriormente, na segunda sessão descrevemos o desenvolvimento e a 
emoção na visão de Lev Vygotsky, apresentando as minuciosidades teóricas sobre 
as zonas de desenvolvimento real, desenvolvimento potencial e desenvolvimento 
proximal, pois a emoção está em constante mudança à medida que as crianças se 
desenvolvem. 
A terceira sessão relata a importância das emoções na aprendizagem, a 
relação professor-aluno e o bom relacionamento com a família na perspectiva de 
Vygotsky e Wallon. 
Na quarta sessão apresentamos um estudo de caso em que mostramos que 
através do lúdico as crianças também aprendem e conseguem lidar com as 
emoções, demostrando assim a importância de brincar nessa fase dos 3 aos 6 anos. 
Em síntese, buscamos destacar nessa pesquisa a importância do 
entendimento e valorização das emoções no processo de ensino e aprendizagem 
das crianças entre 3 a 6 anos. E, de como a emoção pode influenciar tanto positiva 
quanto negativamente. 
De fato, por experiências no dia a dia com crianças, nos relatos e nos estudos 
e embasamento teórico mostrado, sabemos que o fenômeno emocional ocorre 
antes de a criança começa a frequentar o ambiente escolar e que ele cresce à 
medida que o convívio com pessoas diferentes se intensifica, como é o caso da 
escola. 
É considerável ressaltar a importância que o professor tem na trajetória 
escolar da criança e entender quais os interesses do mesmo. Todas as emoções 
têm uma motivação, algumas vêm de uma família mal estruturada, bullying, ou uma 
baixa autoestima. Com isso, é interessante compreender as necessidades 
emocionais de cada criança, como elas surgiram e ajudar a mesma a identificar e 
reconhecer as emoções, atribuindo e influenciando na qualidade do processo de 
ensino aprendizagem. 
 Vamos, através de futuras pesquisas, aprofundar este estudo, por meio de 
uma segunda graduação em Psicologia e também numa especialização, como uma 
pós-graduação em Psicopedagogia. 
 
Por meio desse artigo, desejamos apontar a possibilidade de buscas por 
análises e estudo de caso para cada aluno. Tendo em vista a importância da 
educação emocional, não só na vida da criança, mas inclusive da família. 
Com os resultados apresentado até aqui, esperamos que esse artigo possa 
ter causado um efeito positivo aos leitores e interessados em desenvolvimento 
infantil, educação e qualidade de ensino e aprendizagem, uma vez que urge a 
existência de outros modelos práticos de um ensino baseado em um aprendizado 
não apenas conteudista, mas também um aprendizado emocional. Pois, 
considerando a realidade e os fatos apresentados, não há como uma criança 
aprender se o emocional dela não for compreendido e valorizado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ANEXO E/OU APÊNDICE (se houver) – TÍTULO

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