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INVENTÁRIO DIMENSIONAL CLÍNICO
DA PERSONALIDADE
MANUAL TÉCNICO
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Lucas de Francisco Carvalho
Ricardo Primi
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MANUAL TÉCNICO
INVENTÁRIO DIMENSIONAL CLÍNICO DA PERSONALIDADE
Lucas de Francisco Carvalho
Ricardo Primi
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 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
 Angélica Ilacqua CRB-8/7057
Carvalho, Lucas de Francisco
 IDCP-2 online e IDCP-2 triagem / Lucas de Francisco Carvalho e Ricardo Primi. –-- São Paulo : 
Pearson Clinical Brasil, 2018. 
 73 p.
Bibliografia
ISBN 978-85-8040-866-9 (IDCP-2 online)
ISBN 978-85-8040-867-6 (IDCP-2 triagem)
1. Personalidade 2. Testes psicológicos 3. Testes de personalidade 4. Personalidade - Avaliação 
5. Disturbios da personalidade I. Título II. Primi, Ricardo
18-2047 CDD 155.23 
 
Índices para catálogo sistemático:
 1. Testes psicológicos: Avaliação de personalidade 
© 2018 Casapsi Livraria e Editora Ltda
É proibida a reprodução total ou parcial desta publicação, para qualquer finalidade, 
sem autorização por escrito dos editores.
Responsabilidade editorial Ana Carolina Neves
Coordenação editorial Brunna Pinheiro Cardoso
Assistência editorial Karoline de Oliveira Cussolim
Preparação e revisão de texto Nathalia Ferrarezi
Diagramação eletrônica, projeto e capa Plinio Ricca
Casapsi Livraria e Editora Ltda.
Avenida Francisco Matarazzo, 1500 – Conjunto 51
Edifício New York – Centro Empresarial Água Branca
Barra Funda – São Paulo/SP – CEP 05001-100
www.pearsonclinical.com.br
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Sumário
Apresentação �������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������� 5
Capítulo 1� Escopo, propósitos, limitações e público-alvo ����������������������������������������������������������� 7
1.1 Escopo do IDCP-2 ............................................................................................................................................... 7
1.2 Propósitos relacionados ao IDCP-2 ...................................................................................................................... 7
1.3 Limitações para o uso do IDCP-2 ......................................................................................................................... 8
1.4 Público-alvo do IDCP-2....................................................................................................................................... 8
Capítulo 2. Bases teóricas e conceituais .................................................................................... 10
2.1 Sistema diagnóstico do DSM-IV-TR para TP .......................................................................................................... 10
2.2 Teoria de Millon ................................................................................................................................................11
Capítulo 3. Construção e propriedades psicométricas do IDCP ...................................................... 16
3.1 Construção do IDCP .......................................................................................................................................... 16
3.2 Propriedades psicométricas do IDCP .................................................................................................................. 17
Capítulo 4. Revisão do IDCP: bases teóricas e conceituais do IDCP-2 .............................................23
4.1 Lógica para a revisão .......................................................................................................................................23
4.2 Modelos de base para a revisão ........................................................................................................................24
4.3 IDCP-2 ............................................................................................................................................................26
Capítulo 5. Propriedades psicométricas do IDCP-2 ....................................................................... 31
5.1 Evidências de validade e fidedignidade do IDCP-2 ................................................................................................ 31
5.2 Análises complementares com o IDCP-2 .............................................................................................................35
Capítulo 6. Padronização da aplicação e correção do IDCP-2 ........................................................48
6.1 Aplicação ........................................................................................................................................................48
6.2 Correção e resultados ......................................................................................................................................49
Capítulo 7. Normatização e interpretação ...................................................................................50
7.1. Normas e diretrizes para interpretação
7.2 Casos ilustrativos ............................................................................................................................56
Capítulo 8. IDCP versão triagem (IDCP-triagem) ........................................................................... 61
8.1 Escopo, propósitos, limitações e público-alvo do IDCP-triagem ............................................................................. 61
8.2 Desenvolvimento do IDCP-triagem .....................................................................................................................63
8.3 Propriedades psicométricas do IDCP-triagem .....................................................................................................64
8.4 Aplicação, correção e interpretação do IDCP-triagem ..........................................................................................65
Referências .............................................................................................................................68
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Apresentação
No Brasil, os instrumentos para avaliação da personalidade disponíveis para a atua-
ção profissional não são escassos, isto é, há um número expressivo de instrumen-
tos disponíveis para avaliação desse construto. Contudo, vale ressaltar que a maior 
parte deles foi desenvolvida em uma perspectiva da avaliação de traços saudáveis da 
personalidade. O Inventário Dimensional Clínico da Personalidade 2 (IDCP-2), é um 
instrumento desenvolvido para avaliação de traços patológicos da personalidade, 
que podem configurar um transtorno da personalidade (TP). Esse teste de autorre-
lato foi desenvolvido tendo como base inicial seu antecessor, o IDCP, cujos aportes 
foram a proposta teórica de Theodore Millon e os critérios diagnósticos da quar-
ta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-IV-TR) 
(American Psychiatry Association [APA], 2003). Além dessas bases, o IDCP-2 é 
pautado na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 
(DSM-5) (APA, 2013) e em propostas avaliativas contemporâneas, como o Personality 
Inventory for DSM-5 (PID-5), o Shedler-Westen Assessment Procedure (SWAP-200), en-
tre outras. Partindo dessas fontes, entende-se que o IDCP-2 é uma ferramenta que 
contempla uma perspectiva teórica e empírica contemporânea relacionada aos traços 
patológicos da personalidade e aos TP.
O IDCP-2 é um teste de autorrelato composto por 206 itens que se distribuem em 
12 dimensões da personalidade. Esse instrumento é de natureza dimensional para ava-
liação da personalidade, de modo que um sujeito deve apresentar um perfil único com 
base na análise das dimensões que compõem o instrumento. Cada item do IDCP-2 
deve ser respondido em uma escala tipo Likertde quatro pontos, variando entre “não 
tem nada a ver comigo” até “tem muito a ver comigo”. As doze dimensões que com-
põem o IDCP-2 são: Dependência, Agressividade, Instabilidade de humor, Excentrici-
dade, Necessidade de atenção, Desconfiança, Grandiosidade, Isolamento, Evitação a 
críticas, Autossacrifício, Conscienciosidade e Inconsequência. Vale notar que, tal qual 
detalhado neste manual, a 12ª dimensão do IDCP-2 é nomeada de Inconsequência, o 
que difere do nome original dessa dimensão (i.e., Impulsividade) na versão prévia do 
teste (Carvalho & Primi, 2015). O estudo de revisão dessa dimensão (Carvalho, 2018) 
apontou que os itens estão mais relacionados aos traços de inconsequência, caracteri-
zando essa dimensão mais que a impulsividade (apesar de o traço de impulsividade ser 
mensurado pelo instrumento). 
Ainda no que se refere às dimensões do IDCP-2, ressalta-se que elas foram encon-
tradas empiricamente a partir de amostras compostas por pessoas sem diagnósticos 
psiquiátricos conhecidos e pessoas com diagnósticos psiquiátricos conhecidos. Es-
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sas dimensões se subdividem em fatores e, por isso, com base em cada uma delas, é 
possível estabelecer um subperfil da pessoa avaliada. Nesse sentido, com a aplicação do 
IDCP-2, pode-se estabelecer o perfil da pessoa nas doze dimensões e também subper-
fis em cada uma delas, possibilitando uma avaliação mais detalhada. Considerando que 
os itens do IDCP-2 foram desenvolvidos para avaliar os atributos patológicos da per-
sonalidade, é esperado que pacientes da clínica psicológica e/ou psiquiátrica tendam a 
apresentar pontuações mais elevadas no instrumento quando comparados à população 
geral. Assim, recomenda-se que o profissional focado no perfil amplo, ou seja, forneci-
do pelas dimensões do IDCP-2, não se paute somente no escore de uma dimensão, mas 
considere o perfil da pessoa nas doze dimensões. Para casos em que se justifique o foco 
em uma ou outra dimensão, é recomendável que se observem os subperfis.
Também faz parte deste manual a versão de triagem do IDCP (IDCP-triagem), que 
foi desenvolvida com base nos itens do antecessor do IDCP-2 e, por isso, comparti-
lha alguns itens com o IDCP-2, mas não todos. Trata-se também de um instrumento 
de autorrelato, composto por um conjunto único de quinze itens. Diferentemente do 
IDCP-2, o objetivo do IDCP-triagem é detectar pessoas potencialmente positivas para 
TP, isto é, com diagnóstico de TP, e pessoas negativas para esses transtornos, ou seja, 
sem esse diagnóstico. Dada a importância do IDCP-triagem e de suas características 
próprias, e também como modo de facilitar a leitura do manual para seu usuário, o Ca-
pítulo 8 é destinado somente para o IDCP-triagem, condensando ali toda a informação 
necessária para seu uso.
Tanto as bases teóricas e empíricas do IDCP-2 e do IDCP-triagem quanto suas cons-
truções e seus modos de funcionamento são detalhadamente explicitados ao longo des-
te manual. Espera-se que o usuário dessas ferramentas seja capaz de realizar uma ava-
liação de características patológicas da personalidade, de modo a produzir informações 
compreensivas acerca da pessoa avaliada. Este manual está organizado em seções divi-
didas em oito capítulos, além desta apresentação geral, que mostra do que se tratam o 
IDCP-2 e suas aplicações, e as referências utilizadas. O Capítulo 1 apresenta as especi-
ficidades sobre o uso profissional do IDCP-2; o Capítulo 2 traz os modelos teóricos e 
empíricos que deram base para o antecessor do IDCP-2; o Capítulo 3 é relacionado ao 
desenvolvimento da primeira versão do IDCP e às suas propriedades psicométricas; o 
Capítulo 4 mostra a lógica para a revisão do IDCP, as bases que foram utilizadas para 
revisão e as especificidades do IDCP-2; o Capítulo 5 é relacionado aos estudos que ve-
rificam as propriedades psicométricas das dimensões do IDCP-2 e também os dados 
normativos; o Capítulo 6 é relativo à padronização do instrumento; o Capítulo 7 trata 
da normatização e traz casos ilustrativos; já o Capítulo 8 é inteiramente dedicado à ver-
são triagem do IDCP, o IDCP-triagem; por fim, há as referências.
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Capítulo 1� Escopo, propósitos, limitações e 
público-alvo
1�1 Escopo do IDCP-2
Tal qual seu antecessor, o IDCP-2 tem como objetivo avaliar traços patológicos da 
personalidade, que tipicamente caracterizam os TP descritos na Seção 2 do DSM-5 
(APA, 2013). Contudo, traços patológicos da personalidade não estão relacionados 
somente aos TP, mas às demais condições psiquiátricas, de modo geral (Harford 
et al., 2013; Krueger, McGue & Iacono, 2001). Por isso, a avaliação dos traços pato-
lógicos, que pode ser realizada com a aplicação do IDCP-2, não somente auxilia o 
profissional no mapeamento de tendências patológicas da personalidade, mas pode 
auxiliar também na compreensão de perfis psicopatológicos relacionados a outras 
condições psiquiátricas.
Ainda no que concerne ao escopo do instrumento, apesar de o escopo das dimensões 
do IDCP-2 tratar de traços intimamente relacionados aos TP, é necessário o cuidado do 
profissional em não utilizar essa ferramenta de maneira isolada para diagnóstico de TP 
ou para qualquer outro diagnóstico de transtornos psiquiátricos. Em outras palavras, o 
IDCP-2 não é uma ferramenta diagnóstica, mas um instrumento para mapeamento dos 
traços patológicos da personalidade, que, para casos específicos, podem ser indicativos 
de TP ou mesmo de outras psicopatologias.
1�2 Propósitos relacionados ao IDCP-2
No que tange aos propósitos para aplicações do IDCP-2, estas são predominante-
mente descritivas. Nesse caso, a aplicação dos itens do IDCP-2 visa auxiliar o profis-
sional no mapeamento acerca da presença de níveis elevados de determinados traços 
patológicos da personalidade. Essas informações, quando integradas a outras vindas de 
diversas fontes, podem auxiliar o profissional no estabelecimento de diagnósticos psi-
quiátricos e, mais especificamente, de TP. Nesse sentido, os dados integrados também 
devem direcionar o profissional para o planejamento adequado de intervenções e/ou 
tomada de decisões de modo geral. O IDCP-2, portanto, pode ser aplicado em distintas 
áreas, como a clínica e a hospitalar (ou da saúde, de maneira mais ampla). Contudo, o 
profissional não deve utilizar essa ferramenta em casos em que há suspeita evidente da 
possibilidade de manipulação por parte de quem está sendo avaliado, como é típico dos 
contextos de seleção (e.g., para processos seletivos em empresas).
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1�3 Limitações para o uso do IDCP-2
As limitações quanto ao uso do IDCP-2, como para qualquer ferramenta avaliati-
va, são inúmeras. Estão aqui apresentadas as principais, que devem ser cuidadosa-
mente consideradas pelo profissional. A primeira delas se refere ao escopo do ins-
trumento, que, tal qual mencionado anteriormente, não se trata de uma ferramenta 
diagnóstica, mas pode auxiliar o profissional a compor um diagnóstico, desde que 
outras fontes de avaliação sejam acessadas. Assim, o escore de uma pessoa em uma 
ou diversas dimensões do IDCP-2 não significa diretamente, portanto, diagnóstico 
de qualquer TP.
Outra importante limitação do IDCP-2 diz respeito à sua natureza, qual seja, autor-
relato. A avaliação via autorrelato, embora largamente utilizada em saúde mental e 
outras áreas, pode apresentar vieses importantes em determinados contextos, sobre-
tudo contextos implicando desejabilidade social, que se refere à resposta de uma pes-
soa diante de determinada demanda de acordo com o que é esperado pela sociedade, 
e não necessariamente aquilo que ela acredita ser verdadeiro. Situações de processo 
seletivo ou de avaliação compulsória são exemplos em que a desejabilidade social ti-
picamente pode implicar vieses importantes para avaliação via autorrelato. Por isso, 
por um lado, recomendam-se estudos de aplicação do IDCP-2 para esses casos e, por 
outro, desencoraja-se a aplicação profissionaldo IDCP-2 nessas situações, já que a 
avaliação sobre a pessoa pode ficar comprometida.
Por último, cabe ressaltar a limitação, também relacionada ao autorrelato, que diz 
respeito ao nível de escolaridade do avaliado. É necessário que o profissional se asse-
gure que o avaliado tenha compreensão adequada mínima do texto apresentado nas 
instruções e dos itens do teste. Recomenda-se que, para responder ao IDCP-2, a pes-
soa tenha ao menos completado a educação primária, isto é, os cinco primeiros anos 
do Ensino Fundamental. Em casos em que isso não ocorra, é possível que o profissio-
nal utilize o procedimento da avaliação assistida, ou seja, leia os itens para o avaliado 
e marque a resposta que ele verbalizar. Contudo, ainda não foram realizados estudos 
investigando a padronização do procedimento de avaliação assistida para o IDCP-2.
1�4 Público-alvo do IDCP-2
O IDCP-2 foi desenvolvido para avaliação de traços patológicos da personalidade 
em adultos; nesse sentido, os estudos com essa ferramenta foram realizados com 
amostras a partir de 18 anos de idade. Não se recomenda a aplicação do instrumen-
to em crianças, contudo é possível que seu funcionamento em adolescentes com 
idade próxima aos 18 anos seja bastante similar ao que já foi observado em adul-
tos. Assim, em situações em que exista a necessidade de se avaliarem adolescentes 
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com idades próximas à adulta (e.g., 16 ou 17 anos), o profissional deve ponderar 
a aplicação do IDCP-2, mas, de todo modo, manter em mente a não existência de 
estudos específicos com essa população, ainda que a idade seja muito próxima à da 
população-alvo.
Também é possível o uso do IDCP-2 não somente com a população geral, mas com 
populações em condições médicas e, mais especificamente, condições psiquiátricas. 
Em outras palavras, não foram encontradas limitações para aplicação desse instrumen-
to em relação a diagnósticos médicos. Contudo, é conhecido que determinadas condi-
ções podem prejudicar severamente a compreensão aos itens do instrumento (e.g., ca-
sos graves de psicose em situação de surto psicótico), situações nas quais o bom senso 
indica a não aplicação do IDCP-2.
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Capítulo 2� Bases teóricas e conceituais
Para o antecessor do IDCP-2, o IDCP, as duas fontes primordiais de embasamento 
foram os critérios diagnósticos para TP, apresentados no eixo II do manual, e as carac-
terísticas que tipicamente compõem os funcionamentos patológicos apresentados na 
proposta teórica de Theodore Millon. É importante notar que as duas propostas são 
complementares, já que Millon usa também o DSM para compor seu modelo teórico. 
Além disso, buscou-se utilizar uma fonte mais padronizada e enraizada em categorias, 
como é o caso do DSM-IV-TR, e, ao mesmo tempo, abarcar a perspectiva clínica e sua 
complexidade, tal qual na teoria de Millon.
2�1 Sistema diagnóstico do DSM-IV-TR para TP
Os TP podem ser compreendidos como representações de diversos estilos ou pa-
drões em que a personalidade funciona de maneira mal-adaptada em relação ao seu 
ambiente, trazendo prejuízos importantes à vida do indivíduo (Millon, 1999; Millon & 
Davis, 1996; Millon, Grossman & Tringone, 2010). Essa definição está de acordo com 
a proposta da força-tarefa para o DSM-5, responsável pelos TP (Skodol et al., 2011).
Além disso, os TP se distinguem de outros diagnósticos por meio de três atribu-
tos globais: inflexibilidade adaptativa, círculo vicioso e estabilidade tênue (Millon, 
Millon, Meagher, Grossman & Ramanath, 2004). A inflexibilidade adaptativa se refere 
a um número pequeno e pouco eficaz de estratégias empregadas para atingir objeti-
vos, relacionar-se com outros ou lidar com o estresse; o círculo vicioso diz respeito 
às percepções, às necessidades e aos comportamentos que perpetuam e intensificam 
as dificuldades preexistentes no indivíduo; e a estabilidade tênue se relaciona à baixa 
resiliência do indivíduo diante de condições psicoestressoras.
A classificação e o diagnóstico desses transtornos dependem do modelo subjacente 
utilizado pelo profissional (Carvalho & Primi, 2013). O modelo vigente em psicopato-
logia é chamado de categórico e é caracterizado por se basear em categorias distintas e 
fechadas, compostas por sintomas específicos chamados de critérios (Widiger & Trull, 
2007). Um indivíduo recebe um diagnóstico, ou seja, é enquadrado em determinada ca-
tegoria, quando atinge um número mínimo de critérios. Por exemplo, para que uma pes-
soa receba o diagnóstico de TP narcisista, é necessário que ela atinja cinco dos nove crité-
rios estabelecidos para esse transtorno. Nesse sentido, trata-se de um modo dicotômico 
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de diagnóstico: ou o sujeito atinge o número mínimo de critérios e é diagnosticado ou 
considera-se a ausência daquele funcionamento (Widiger & Frances, 2002).
É o modelo categórico que dá base ao DSM-IV-TR e ao DSM-5 (APA, 2013).1 Espe-
cificamente em relação ao DSM-IV-TR, o manual foi desenvolvido com base em uma 
perspectiva multiaxial, isto é, está subdivido em diferentes eixos. Os TP compõem o 
eixo II e se tratam de um grupo de categorias diagnósticas definido como “um padrão 
persistente de vivência íntima ou comportamento que se desvia acentuadamente das 
expectativas da cultura do indivíduo, é generalizado e inflexível, tem início na adoles-
cência ou no começo da idade adulta, é estável ao longo do tempo e provoca sofrimento 
ou prejuízo” (APA, 2013, p. 641).
Já o DSM-5 não apresenta uma composição multiaxial, e os TP, bem como os demais 
transtornos apresentados no manual, são apresentados na Seção II. Na página 645, é 
apresentada uma definição de TP muito similar à presente na edição anterior do manual.
Esses transtornos são apresentados no manual por meio de dez categorias distin-
tas, além de uma categoria “sem outra especificação”. São as categorias: paranoide, 
esquizoide, esquizotípico, antissocial, borderline, histriônico, narcisista, esquiva, de-
pendente e obsessivo-compulsivo. Cada uma delas apresenta um conjunto próprio de 
critérios e é compreendida como comórbida quando o paciente apresenta diagnósti-
co em mais de uma.
Especificamente para o desenvolvimento do IDCP-2 e de seu antecessor (IDCP), os 
critérios diagnósticos das categorias de TP foram utilizados como base para o desen-
volvimento dos itens. Já o sistema diagnóstico categórico não é utilizado pelo IDCP-2, 
mas se utiliza um sistema dimensional, em que a pessoa deve apresentar determina-
da intensidade de cada um dos traços patológicos da personalidade. Em consonância 
com essa visão, foi também utilizada como base para o IDCP-2 a proposta teórica de 
Theodore Millon.
2�2 Teoria de Millon
São encontrados diversos modelos e teorias na literatura científica para avaliação 
e diagnóstico dos TP. Entre essas propostas, a teoria de Theodore Millon (Millon & 
Davis, 1996; Strack & Millon, 2007) pode ser considerada um modelo integrativo e 
evolutivo, englobando perspectivas da aprendizagem individual (ontogenéticas) e 
cultural, e da espécie humana (filogenética), na qual a avaliação e o diagnóstico das 
características patológicas da personalidade se baseiam extensamente nos critérios 
diagnósticos do DSM-IV-TR. Além disso, para compreensão dos TP, são considerados 
1 Vale ressaltar que, na Seção III do DSM-5, há um tópico tratando de uma proposta distinta para os TP, mas que ainda requer 
mais estudos.
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atributos do diagnóstico categórico e do diagnóstico dimensional, do qual se deriva a 
perspectiva prototípica e sindrômica desses transtornos (Millon et al., 2004).
A proposta de protótipos de Millon (Millon & Grossman, 2007a; 2007b; Millon et al., 
2010) busca integrar os modelos categórico e dimensional para as características da 
personalidade, considerando que determinadas características tendem a covariar mais 
que outras e, por isso, podem ser agrupadas (perspectiva categórica), mas não háuma 
característica absoluta que defina um grupo de categorias e, portanto, todas as caracte-
rísticas devem ser avaliadas (perspectiva dimensional). Cabe ressaltar que, apesar do 
caráter prototípico da teoria de Millon, o sistema de avaliação e diagnóstico proposto 
pelo autor se aproxima de uma versão contínua do modelo categórico, o que pode 
ser observado, por exemplo, no instrumento para avaliação dos TP desenvolvido por 
Millon, Millon e Davis (1994), o Millon Clinical Multiaxial Inventory-III (MCMI-III), 
que apresenta os resultados em uma escala contínua (escores T), bem como nas cate-
gorias (dependente, paranoide, entre outras) propostas pelo DSM-IV-TR (APA, 2003).
Partindo das bases ontogenética, cultural e filogenética, Millon (& Grossman, 
2007a; 2007b) propõem que os funcionamentos (ou estilos) patológicos da persona-
lidade sejam compreendidos por meio de três esferas que se baseiam nos princípios 
evolutivos - as fases evolutivas -, cada uma representada por uma bipolaridade. São 
elas: orientações para existência, modos de adaptação e estratégias para replicação 
(Davis, 1999; Millon & Davis, 1996; Millon et al., 2004; Millon et al., 2010; Strack & 
Millon, 2007).
A primeira fase – orientações para existência – está relacionada à tendência da pes-
soa em expressar mecanismos que favoreçam a melhoria da qualidade de vida, ou bus-
ca pelo prazer, e a preservação da qualidade de vida, ou evitação da dor. A melhoria 
da qualidade de vida diz respeito a indivíduos cujo foco é na busca por experiências 
prazerosas e ganhos, enquanto a preservação da qualidade de vida trata de indivíduos 
cujo foco é na evitação de ações ou situações que sejam perigosas e tragam danos. 
A bipolaridade (prazer-dor) que representa esta fase é, de um lado, a busca pelo prazer 
(aumento da qualidade de vida) e, de outro, a evitação da dor (preservação da quali-
dade de vida).
Uma vez que o indivíduo esteja orientado, ele precisa manter sua existência por meio 
de uma complexa relação com o ambiente. 
A segunda fase evolutiva – modos de adaptação – está relacionada aos modos de 
se adaptar que tornam as trocas entre indivíduo e ambiente possíveis. Algumas pes-
soas tendem a modificar o ambiente ao redor, caracterizando uma tendência mais 
ativa, e outras são mais propensas a acomodar-se ao ambiente em que vivem, o que 
está mais relacionado a uma tendência passiva. Assim, a bipolaridade (ativo-passivo) 
representante desta fase se refere, em um polo, à tendência a modificar o meio em 
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que se vive (ativo) e, em outro polo, à tendência à adaptação ao meio em que se está 
inserido (passivo).
Após a adaptação ao ambiente em que se vive, a terceira fase evolutiva – estratégias 
de replicação – trata da continuidade do indivíduo, que é limitada pelo tempo. Por isso, 
as pessoas desenvolvem estratégias para lidar com essa limitação. Esta fase diz respeito 
às estratégias desenvolvidas pelas pessoas para ultrapassar a limitação da própria exis-
tência. Essas estratégias podem ser de autopropagação, isto é, ações que maximizem a 
autorreprodução, sendo mais voltadas para o eu; ou voltadas para o cuidado com o ou-
tro, representadas por ações de proteção e de sustento à prole. Com base nisso, a bipo-
laridade (eu-outro) que diz respeito a esta fase aponta, em um extremo, à perpetuação 
de si (eu) e, em outro extremo, ao cuidado e à proteção dos filhos (outro). 
Nos próximos parágrafos, estão brevemente descritos os estilos patológicos propos-
tos na teoria de Millon (Millon & Davis, 1996; Millon et al., 2004; Millon, 2011), que 
apresentam correspondente direto no sistema categórico do DSM-IV-TR (APA, 2003) 
e do DSM-5 (APA, 2013). São eles: esquizoide, esquizotípico, evitativo, dependente, 
histriônico, narcisista, paranoide, antissocial, borderline e compulsivo.
O estilo esquizoide se refere a um padrão de reações que, basicamente, podem ser 
entendidas como ausência de necessidade de se relacionar. São indivíduos que não têm 
ganhos com os relacionamentos e, por isso, procuram passar pelas pessoas sem serem 
notados. Podem ser percebidos pelos outros como desapegados emocionalmente, dis-
tantes, introvertidos, despreocupados e indiferentes, e são frequentemente apontados 
como pessoas que se guardam para si.
Não é raro que o estilo esquizoide seja confundido com o esquizotípico, já que ambos 
são caracterizados pela ausência de vínculos interpessoais. Contudo, se, por um lado, 
no estilo esquizoide a escassez de relacionamentos está relacionada à pouca vontade de 
se relacionar, por outro, no esquizotípico está mais relacionada a um desconforto exi-
bido ao se relacionar com os outros. Amplamente, o estilo esquizotípico se caracteriza 
por excentricidade, estranheza e mistério, de modo a haver um desconforto agudo em 
relacionamentos íntimos, assim como a manifestação de distorções cognitivas, ou da 
percepção, e comportamentos excêntricos.
Indivíduos que apresentam um funcionamento esquizotípico podem ser percebi-
dos como excêntricos, diferentes, estranhos, esquisitos e misteriosos. Essas pessoas 
se mostram excessivamente ansiosas diante de outras, independentemente do grau de 
intimidade, e, por isso, mantêm-se isoladas. Geralmente, voltam-se para seu próprio 
mundo interno, o que pode levar a uma ruminação de seus pensamentos, aumentando 
a probabilidade do desenvolvimento de crenças “estranhas” acerca do mundo.
Outro funcionamento patológico da personalidade que também é caracterizado por 
ausência de relacionamentos é o estilo evitativo. É representado por inibição social e 
sentimento de inadequação, com sensibilidade exagerada à possibilidade de críticas, 
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desaprovação e humilhação. São pessoas extremamente sensíveis à desaprovação so-
cial e, por isso, raramente se engajam em relações interpessoais e se relacionam, com 
mais frequência, apenas com os familiares. Contudo, essas pessoas desejam relações 
sociais e sofrem com a solidão e o isolamento.
Ao lado disso, alguns estilos patológicos da personalidade apresentam caracterís-
ticas que podem ser relacionadas a um alto grau de dependência para com os outros. 
O estilo dependente se refere a um funcionamento de submissão e aderência ao outro, 
em virtude da necessidade excessiva de proteção e cuidados, de modo a haver preo-
cupação demasiada em errar e decepcionar as pessoas ao redor.
Esses indivíduos baseiam suas vidas em uma busca constante por cuidado e direção 
fornecidos pelo ambiente, e, portanto, o bem-estar do outro sempre vem em primei-
ro lugar. São pessoas que vivem por meio dos outros e para os outros, assumindo 
papéis mais passivos nos relacionamentos, com submissão às opiniões e aos desejos 
alheios. É importante ressaltar que a literatura aponta que a maior parte das pessoas 
que exibe características do funcionamento dependente são mulheres (Millon et al., 
2004). Esse dado pode ser explicado pelo reforço da sociedade a comportamentos 
mais submissos da mulher em relação ao homem.
Nessa mesma linha, o estilo histriônico é caracterizado por indivíduos que expres-
sam um extremo sentimento de desamparo e necessidade de ser o centro das aten-
ções. Por isso, essas pessoas tendem a chamar a atenção de maneira exagerada, sendo 
tipicamente dramáticas e sedutoras. Basicamente, são indivíduos que fazem qualquer 
coisa para manterem a atenção dos outros neles próprios. Usualmente, aqueles diag-
nosticados com TP histriônica são do sexo feminino.
Diferentemente, indivíduos com um estilo narcisista, distinto daqueles estilos nos 
quais a dependência aos outros é fortemente evidenciada, exibem superioridade, de 
modo a portarem uma arrogância inviolável, falta de empatia e necessidade de serem 
admirados. Essas pessoas tendem a se perder em suas fantasias de “poder divino”, 
considerando-se gênios intelectuais ou celebridades inigualáveis. Percebem-se me-
lhores que os outros e julgam as pessoas com desprezo. 
Ao lado disso, também exibindo padrõesindependentes, o estilo paranoide diz res-
peito a indivíduos que questionam toda e qualquer mensagem que lhes é passada, 
com desconfiança e suspeitas, de modo a interpretar as intenções alheias como mal-
dosas. A desconfiança tem suas raízes no temor de que os outros lhes tomem vanta-
gem, temor esse que se manifesta na relação com pessoas desconhecidas ou íntimas. 
Em síntese, o funcionamento paranoide considera tudo ao seu redor comum um “ca-
valo de Troia”.
O estilo antissocial se refere a um padrão de reações que envolvem inconsequência 
e, especialmente, desconsideração e violação dos direitos alheios. Não é raro que 
pessoas com funcionamento antissocial cometam atos que violem as leis, sem que 
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haja culpa pelas consequências desses atos. Elas se veem como altamente indepen-
dentes e são interpretadas pelos outros como impulsivas, irresponsáveis, depravadas 
e incontroláveis. Usualmente, indivíduos diagnosticados com TP antissocial são do 
sexo masculino.
Já o estilo borderline retrata indivíduos instáveis e excessivamente irritáveis tanto 
sozinhos quando em relacionamentos, e com relação a si (autoconceito). Também 
são pessoas frequentemente impulsivas, que podem exibir comportamentos auto-
destrutivos (como mutilação, uso de drogas, tentativas de suicídio, entre outros). 
Quando deixadas sozinhas, sentem-se extremamente solitárias e vazias, e costumam 
exibir um padrão “ama o outro quando está por perto e o odeia quando está longe”.
O estilo compulsivo se refere a pessoas extremamente preocupadas com organiza-
ção, perfeccionismo e controle, de modo a evitar os menores erros ou falhas, pois, de 
outro modo, há muita culpa. São indivíduos muito eficientes, trabalhadores e organi-
zados, que se esforçam para conter um conflito interno entre obediência total e desa-
cato exagerado. Qualquer erro ou falha faz que experienciem intensa culpa. É comum 
que os outros os percebem como extremamente teimosos, rígidos e inflexíveis.
Os domínios estruturais são compreendidos como substratos e ações disposicio-
nais de natureza semipermanente. A autoimagem diz respeito a como o indivíduo 
se percebe como um objeto distinto do mundo externo; a representação objetal está 
relacionada a representações internalizadas de figuras e relacionamentos significa-
tivos; a organização morfológica é compreendida como força estrutural, congruên-
cia interna e eficácia funcional do sistema da personalidade; e o humor/tempera-
mento se refere aos estados afetivos predominantes do indivíduo, mais intensos e 
frequentes.
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Capítulo 3� Construção e propriedades 
psicométricas do IDCP
3�1 Construção do IDCP
A primeira versão do IDCP foi desenvolvida por Carvalho e Primi (2015); trata-se 
de um instrumento para avaliação de características patológicas da personalidade com 
base na teoria de Millon (Millon & Davis, 1996; Millon & Grossman, 2007a; 2007b; 
Millon et al., 2004; Millon et al., 2010) e nos critérios diagnósticos das categorias apre-
sentadas no eixo II do DSM-IV-TR (APA, 2003). Consideraram-se também os dados 
apresentados na literatura com base no MCMI-III (Millon et al., 1994) e em um instru-
mento nacional construído com base na teoria de Millon, o Inventário Dimensional dos 
Transtornos da Personalidade (IDTP) (Carvalho & Primi, 2016a).
Para a construção do instrumento, foram desenvolvidos itens operacionalizando os 
critérios do eixo II do DSM-IV-TR referentes aos TP. Além disso, outros itens ante-
riormente estabelecidos foram revisados. Partindo dos itens desenvolvidos, formou-se 
um grupo de estudo sistemático ao longo de um semestre, com encontros semanais e 
duração de aproximadamente três horas cada. Os encontros foram realizados por cin-
co integrantes, sendo eles: os autores do instrumento, dois doutorandos em psicologia 
com trabalhos realizados na área de saúde mental e psicometria, e um mestrando em 
psicologia com conhecimento em psicometria. O objetivo desses encontros foi apro-
fundar os conhecimentos sobre o modelo dos TP com base nas referências de Millon 
e no DSM-IV-TR, e selecionar os itens considerados como mais adequados entre os 
desenvolvidos pelos autores desta pesquisa. Além disso, buscou-se classificar os itens 
nos domínios estruturais e funcionais de Millon e dos critérios do DSM-IV-TR.
Como resultado dos encontros, foi elaborado um banco composto por 541 itens, to-
dos eles caracterizados conforme o conteúdo, nos seguintes critérios: respectivo TP de 
acordo com Millon e DSM-IV-TR, respectivo critério do DSM-IV-TR, item do MCMI-III 
compatível (quando existente), item do IDTP compatível (quando existente) e respec-
tivo domínio funcional ou estrutural compatível (de acordo com os domínios apre-
sentados anteriormente). Buscou-se desenvolver ao menos dois itens por critério do 
DSM-IV-TR, e, na maior parte dos casos, desenvolveu-se um número superior ao mí-
nimo estabelecido. Como ilustração dos itens desenvolvidos, destaca-se aqui o item 
“Não me importo em exagerar para chamar a atenção dos outros.”, avaliando o funcio-
namento histriônico, e o item “Normalmente as pessoas não são confiáveis.”, avaliando 
o funcionamento paranoide.
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Com base nos itens elaborados pelos autores deste estudo, foram selecionados aque-
les que, de acordo com o grupo de pesquisadores, melhor representassem as caracte-
rísticas e os sintomas dos diferentes TP. Como resultado, chegou-se a um número de 
215 itens representando o IDCP.
Finalizando a construção do IDCP, formularam-se o cabeçalho e as instruções. Foram 
parte do cabeçalho: nome do participante, sexo, data de nascimento, data da aplicação, 
e-mail, informações profissionais do participante e dos responsáveis, bem como esco-
laridade, objetos indicativos de nível econômico, etnia, felicidade no trabalho, renda 
mensal e questões acerca de tratamento psiquiátrico, psicológico e uso de medicamen-
tos. As instruções indicam o que o respondente deve fazer com os itens apresentados 
no instrumento e como respondê-los. Cabe ressaltar que se optou por uma escala tipo 
Likert de quatro pontos para as respostas dadas ao IDCP, sendo um para “nada – não 
tem nada a ver comigo”, dois para “pouco – tem pouco a ver comigo”, três para “mode-
radamente – tem a ver comigo” e quatro para “muito – tem muito a ver comigo”.
3�2 Propriedades psicométricas do IDCP
Neste tópico, são apresentados estudos com a primeira versão do IDCP, buscando 
verificar evidências de validade para suas dimensões, além dos índices de fidedignida-
de. Esses estudos estão apresentados aqui de maneira sumária, de modo que porme-
nores podem ser observados nas publicações (Abela, Carvalho, Cho & Yazigi, 2015; 
Carvalho, Oliveira Filho, Pessotto & Bortolotti, 2014; Carvalho & Primi, 2015; 2016b; 
Carvalho, Primi & Stone, 2014; Miguel, Finoto & Miras, 2013).
3.2.1  Evidências de validade e fidedignidade do IDCP
3.2.1.1 Evidências de validade com base na estrutura interna
Os estudos de estrutura interna foram realizados na perspectiva da análise por ei-
xos principais (Carvalho & Primi, 2015) e pela verificação no nível dos itens, partindo 
do modelo de Rasch (Carvalho, Primi & Stone, 2014) e do unfolding model (Carvalho, 
Oliveira Filho, Pessotto & Bortolotti, 2014). No estudo realizado por Carvalho e Primi 
(2015), que contou com 561 adultos com média de idade igual a 28,8 (desvio-padrão 
[DP] = 11,4), dos quais 127 eram diagnosticados com transtornos psiquiátricos, foram 
encontradas 12 dimensões com eigenvalue superior a 2. O número de doze dimensões foi 
estabelecido, a priori, por meio da análise paralela. Estas dimensões foram nomeadas na 
sequência: Dependência (TP dependente; 20 itens), Agressividade (TP sádico; 27 itens), 
Instabilidade de humor (TP borderline; 27 itens), Excentricidade (TP esquizotípico; 20 
itens), Necessidade de atenção (TP histriônico; 16 itens), Desconfiança (TP paranoide; 
13 itens), Grandiosidade (TP narcisista; 12 itens),Isolamento (TP esquizoide; 11 itens), 
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Evitação a críticas (TP evitativo; 7 itens), Autossacrifício (TP masoquista; 7 itens), Cons-
cienciosidade (TP obsessivo-compulsivo; 11 itens) e Impulsividade (TP antissocial; 5 
itens). Cada uma das dimensões está especificamente descrita neste manual. Dentro dos 
parênteses estão reportados os TP mais representativos em relação ao conteúdo dos itens 
em cada dimensão e também o número de itens de cada dimensão.
De maneira complementar, a estrutura interna das dimensões do IDCP foi investi-
gada por Carvalho, Stone e Primi (2014), utilizando uma amostra composta por 1.281 
participantes adultos, com idade variando entre 18 e 90 anos (média [M] = 26,64; DP 
= 8,94), sendo 431 homens (33,6%), 792 mulheres (61,8%) e 58 (4,5%) casos missing. 
Entre esses, 127 eram pacientes diagnosticados com transtornos psiquiátricos (núme-
ro [N] = 127) do eixo I e/ou do eixo II, de acordo com o DSM-IV-TR (APA, 2003). 
Parte dessa amostra se refere à utilizada por Carvalho e Primi (2015). 
Os dados coletados foram submetidos à análise por meio do modelo de Rasch, espe-
cificamente o modelo de resposta gradual, utilizando o software estatístico Winsteps 
(Linacre, 2009) e verificando os parâmetros dos itens e dos respondentes. Para fins das 
análises, a média de dificuldade dos itens (b) foi fixada em zero. Todas as dimensões apre-
sentaram unidimensionalidade suficiente para as análises, e os valores de infit e outfit ten-
deram a ser adequados, tanto para a amostra quanto para as dimensões. Também se testou 
a adequação das categorias de resposta para as doze dimensões, e um padrão adequado 
progressivo foi observado. O índice de dificuldade dos itens variou entre –2,86 e 2,62, que 
são o mínimo e o máximo, respectivamente, da dimensão Conscienciosidade, e as escalas 
com as menores médias de theta (–1,37 e –1,35) foram Agressividade e Evitação a críticas, 
respectivamente, indicando que os itens dessas escalas foram os menos endossados pe-
los participantes. Os dados apresentados no estudo realizado por Carvalho, Primi e Stone 
(2014) sugerem evidências de validade com base na estrutura interna para as dimensões 
do IDCP, sob a perspectiva do modelo de Rasch.
Utilizando outro modelo com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), Carvalho, 
Oliveira Filho, Pessotto e Bortolotti (2014) investigaram a possibilidade de aplicação do 
unfolding model para a dimensão Agressividade do IDCP. Esse modelo pressupõe que não 
necessariamente a concordância a itens mais fáceis deve aumentar a probabilidade de 
concordância para os próximos mais difíceis. Diferentemente, sugere que um indivíduo 
tende a concordar com itens que estão próximos em termos de dificuldade, na métrica 
estabelecida entre sujeitos e itens. Nesse caso, em geral, os itens usados para esse modelo 
tendem a ser neutros, e não extremos. Para verificar a possibilidade de uso desse modelo 
para os itens do IDCP, participaram 975 indivíduos, com idades que variam dos 18 até 
os 81 anos (M = 29,82; DP = 12,28), sendo 58,9% mulheres. A análise com o unfolding 
model indicou a exclusão de quinze itens em virtude do padrão de erro. Os resultados 
mostraram melhor ajuste para o modelo tradicional, também chamado de dominação. 
Esse resultado pode ser devido à natureza da construção, porque os itens avaliaram 
aspectos patológicos da personalidade, o que representa uma extremidade do continuum.
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3.2.1.2 Fidedignidade por consistência interna
Uma vez que a estrutura interna tenha sido investigada e evidências de validade 
tenham sido encontradas, verificaram-se também coeficientes de fidedignidade por 
consistência interna das doze dimensões. Essas verificações foram feitas com base na 
Teoria Clássica dos Testes (TCT) por Carvalho e Primi (2015) e por Carvalho, Primi e 
Stone (2014), com base no modelo de Rasch, tal qual apresentado na Tabela 3.1.
Tabela 3.1  Descritivo dos índices de fidedignidade para cada uma das dimensões
Dimensão Carvalho e Primi (2015) Carvalho, Primi e Stone (2014)a
Dependência 0,92 0,92
Agressividade 0,91 0,92
Instabilidade de humor 0,94 0,93
Excentricidade 0,92 0,93
Necessidade de atenção 0,84 0,89
Desconfiança 0,83 0,89
Grandiosidade 0,86 0,89
Isolamento 0,85 0,89
Evitação a críticas 0,86 0,89
Autossacrifício 0,85 0,88
Conscienciosidade 0,69 0,81
Impulsividade 0,72 0,86
Nota. a = refere-se à média da precisão em Rasch na faixa de theta variando entre –2 e 2 para 10 das 12 dimensões, e entre –1 e 
1 para Conscienciosidade e Impulsividade.
Como é possível observar, em praticamente todos os casos, os coeficientes de consistên-
cia interna foram superior a 0,70 para o estudo com base na TCT e ainda mais altos quando 
se considera o estudo com base no modelo Rasch. Neste último caso, uma das vantagens do 
uso da TRI é compreender a fidedignidade condicionada à escala, isto é, saber em que região 
da escala o teste apresenta maior índice de precisão. Isso é feito por meio da curva de infor-
mação, que mostra a informação disponível em relação aos níveis de theta. Uma forma de 
expressar a curva em uma escala padronizada de 0 a 1 é a precisão local (Daniel, 1999). Por 
meio desse índice, é possível verificar para quais níveis de theta (traço latente) o conjunto 
de itens (dimensão) é mais livre de erro de medida, isto é, mais fidedigno. Assim, por exem-
plo, um fator com um índice moderado de fidedignidade pode ser altamente fidedigno em 
determinada faixa de traço latente, mas pouco fidedigno em outra faixa. Cabe ressaltar que, 
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para o cálculo da precisão local, foram considerados 477 sujeitos, aqueles que responderam 
à maior parte dos itens de cada escala (utilizou-se como critério o número de respondentes 
na dimensão Instabilidade de humor, que obteve o menor número de respondentes para 
todos itens). Os dados referentes à precisão local podem ser verificados na Figura 3.1.
Figura 3.1  Índice de fidedignidade das dimensões de acordo com as faixas de theta.
Theta - Dependência
Theta - Excentricidade
Theta - Grandiosidade
Theta - Autossacrifício Theta - Conscienciosidade
-2,00 -2,00
-2,00 -2,00-2,00
-2,00-2,00
-2,00 -2,00 -2,00
-2,00
-3,00 -3,00-3,00
-3,00-3,00
-3,00 -3,00 -3,00
-3,00
-4,00 -4,00-4,00
-4,00
-4,00 -4,00 -4,00
-4,00
-5,00
-5,00-5,00
-5,00 -5,00
-5,00
-4,00-5,00
-1,00
-1,00
-1,00
-1,00
-1,50
-2,00
-2,50
-3,00
-1,00
-1,00
-1,00
-1,00
-2,00
-3,00
0,00
0,00
1,00
1,50
2,00
0,50
-0,50
1,00 1,00
-1,50
-1,50
-1,50
-1,50
-2,00
-2,00
-2,00
-2,00
-1,00 -1,00
-0,50
-0,50
-0,50
-0,50
-0,50
-0,50
-0,50
-0,50 -0,50
-4,00 -3,00 -2,00 -1,00 ,00 1,00 2,00 3,00 5,00 -1,00 -1,00
-1,00 -1,00-1,00
-1,00-1,00
-1,00 -1,00 -1,00
-1,00
,00 ,00
,00 ,00,00
,00,00
,00 ,00 ,00
,00
1,00 1,00
1,00 1,001,00
1,001,00
1,00 1,00 1,00
1,00
2,00 2,00
2,00 2,002,00
2,002,00
2,00 2,00 2,00 3,00
2,00
3,003,00
3,00 3,00 5,00
4,00
3,00
Theta - Impulsividade
Theta - Isolamento Theta - Evitação a críticas
Theta - Necessidade de atenção
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ign
ida
de
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Fid
ed
ign
ida
de
Fid
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Fid
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ign
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de
Theta - Desconfiança
Theta - Agressividade Theta - Instabilidade de humor
0,00
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1,00 1,00
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Considerando os dados apresentados, pode-se observar que a faixa de theta em que 
as dimensões apresentam a menor quantidade de erro é entre –2,00 e 2,00 para 10 
das 12 dimensões do IDCP, sendo exceção a isso as dimensões Conscienciosidade e 
Impulsividade, cuja faixa com menor quantidade de erro está entre –1,00 e 1,00. Nes-
sas faixas,o menor índice de fidedignidade por consistência interna encontrado foi de 
0,81, e o máximo é igual a 0,97. Em todos os casos, pode-se considerar que o nível de 
fidedignidade é aceitável e, mais que isso, satisfatório (Nunnally, 1978).
3.2.1.3 Critérios e variáveis externas
São apresentados três estudos investigando evidências com base em variáveis exter-
nas para as dimensões do IDCP e perfis de pacientes com diagnóstico de TP (Abela 
et al., 2015), verificando a relação com o modelo dos cinco grandes fatores (CGF) e, 
especificamente, perfis prototípicos estabelecidos com base nesse modelo (Carvalho 
& Primi, 2016b), além de uma pesquisa verificando evidências de validade divergente 
para as dimensões do IDCP (Miguel et al., 2013).
Em relação ao estudo de Abela et al. (2015), foram comparadas as pontuações no 
IDCP entre pacientes psiquiátricos com distintos diagnósticos de TP. O estudo foi rea-
lizado com uma amostra de 105 pacientes de um ambulatório de hospital universitário 
da cidade de São Paulo, cuja maior parte era do sexo feminino (78%). Além disso, 
83,8% dos pacientes receberam diagnóstico de TP, de acordo com a versão brasileira 
da Structured Clinical Interview for DSM-IV-TR (SCID-II). Os TP mais prevalentes fo-
ram evitativo (59,8%), paranoide (35,6%), borderline (34,5%), obsessivo-compulsivo 
(29,9%) e dependente (24,1%). Os dados apresentados no estudo sugerem a capacidade 
de identificação pelo IDCP dos diferentes funcionamentos da personalidade, com base 
nas categorias diagnósticas do IDCP, ainda que perfis claramente distintos não tenham 
sido observados, provavelmente em decorrência de comorbidade. Vale notar que, 
complementarmente, em uma dissertação (Abela, 2013) que deu base para o estudo 
referido, a amostra do estudo foi comparada a uma amostra de não pacientes. O perfil 
encontrado para os pacientes com TP foi claramente mais intenso em quase todos os 
traços patológicos da personalidade, com exceção à dimensão Necessidade de atenção. 
Os dados apresentados por Abela et al. (2015) e Abela (2013) trazem evidências de 
validade favoráveis para as dimensões do IDCP na avaliação de perfis de pacientes com 
TP e na comparação de pacientes com a população geral.
Também no estudo de Carvalho e Primi (2016b), relações entre as dimensões do 
IDCP e as variáveis externas foram verificadas, contudo, neste caso, foram com cate-
gorias para TP (APA, 2003) com base no modelo CGF. Para tanto, hipóteses sobre as 
relações esperadas foram geradas considerando a literatura de acordo com o modelo 
CGF especificamente a partir do Inventário de Personalidade NEO (Revised NEO Per-
sonality Inventory [NEO-PI-R]). Utilizou-se a análise de correspondência de protóti-
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pos, buscando verificar semelhanças entre variáveis para a análise de perfis intrapes-
soais e entre elas e a definição de categorias diagnósticas a partir de um procedimento 
empírico (Primi, 2010). Isso é chamado de correspondência de protótipos (prototype 
matching). No estudo, foram recrutados 94 adultos com idade variando entre 19 e 55 
anos (M = 25,5; DP = 7,35), sendo 59,6% do sexo masculino. Também são apresentadas 
as correlações entre as dimensões do IDCP e as dimensões e as facetas do NEO-PI-R.
Grande parte das maiores magnitudes positivas se deram entre as dimensões do 
IDCP e o neuroticismo do NEO-PI-R, o que era esperado, já que neuroticismo é o fator 
do CGF mais relacionado aos funcionamentos patológicos da personalidade (Samuel 
& Widiger, 2008). Grande parte das magnitudes entre as dimensões do IDCP e do 
NEO-PI-R foram negativas, o que também era esperado, já que os itens que compõem 
as dimensões do IDCP foram desenvolvidos para avaliar o polo patológico da perso-
nalidade. Por fim, a maior parte das dimensões do NEO-PI-R está mais relacionada 
ao polo saudável (Widiger, Costa & McCrae, 2002). No que se refere às correlações 
encontradas entre as dimensões do IDCP e as facetas do NEO-PI-R, de acordo com os 
autores, essas favorecem a validade das interpretações realizadas por meio das pontua-
ções obtidas por respondentes nas dimensões do IDCP. Ainda no mesmo estudo, são 
apresentadas as correlações das dimensões do IDCP com os índices de similaridade 
de perfis dos sujeitos com as categorias diagnósticas do DSM-IV-TR. Com base nessa 
análise, verificou-se que as principais relações evidenciadas entre as dimensões do 
instrumento e as categorias diagnósticas foram coerentes e de acordo com o esperado.
Ainda no âmbito de evidências de validade com base em variáveis externas, Miguel 
et al. (2013) realizaram um estudo no qual o IDCP foi correlacionado ao Teste Infor-
matizado de Percepção de Emoções Primárias (PEP). Participaram dele 223 adultos 
com média de idade igual a 26,31 anos (DP = 9,86), dos quais 78,5% eram do sexo fe-
minino. A maior parte das correlações encontradas não foi significativa, e as que foram 
obtiveram magnitudes inferiores a 0,20. Segundo os autores, os dados estão de acordo 
com a literatura na área, que sugere baixa relação entre inteligência emocional e carac-
terísticas da personalidade. No caso da pesquisa, a discrepância entre os construtos é 
ainda mais evidente, conferindo evidências de validade convergente para as dimensões 
do IDCP, quando se considera que o PEP é um instrumento destinado a avaliar habi-
lidades mais comuns na população, e o IDCP, traços mais atípicos na população geral.
Considerando os estudos aqui apresentados, pode-se verificar que, além de evidên-
cias consistentes de validade com base na estrutura interna, bem como coeficientes 
adequados de fidedignidade por consistência interna, as dimensões do IDCP apresen-
taram relações coerentes com variáveis externas (instrumentos e grupos amostrais). 
A partir disso, pode-se afirmar que o IDCP apresenta condições adequadas para o uso 
profissional do ponto de vista psicométrico.
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Capítulo 4� Revisão do IDCP: bases teóricas e 
conceituais do IDCP-2
As bases e os estudos realizados com o IDCP já foram apresentados. Partindo des-
sas pesquisas, revisões para algumas das dimensões do IDCP foram propostas, bem 
como se buscou atualizar o instrumento com modelos no campo dos TP e ampliar 
o conjunto de traços abarcados pelo instrumento pelo uso de modelos que contêm 
perspectivas distintas às utilizadas em sua primeira versão. Detalhes sobre a revisão 
são fornecidos a seguir. 
4�1 Lógica para a revisão
Nos estudos que verificaram as propriedades psicométricas das doze dimensões do 
IDCP, identificaram-se evidências favoráveis de validade e coeficientes satisfatórios de 
fidedignidade, tal qual apresentado neste manual. Contudo, deve-se considerar que há 
sempre espaço para melhoria das ferramentas avaliativas, assim como uma constante 
necessidade de atualização desses instrumentos de acordo com a literatura científi-
ca (American Educational Research Association [AERA], APA & National Council on 
Measurement in Education [NCME], 2014; Urbina, 2004). No caso específico das di-
mensões do IDCP, quatro foram os pontos principais que impulsionaram as revisões 
realizadas, que culminaram no IDCP-2. Estes pontos se referiam ao instrumento como 
um todo:
1. atualização com propostas teóricas e empíricas atuais; 
2. ampliação do conjunto de características patológicas abarcadas em cada uma das 
dimensões; 
3. equilíbrio em relação ao número de itens compondo as dimensões; 
4. estabelecimento de subperfis em cada dimensão.
Para a revisão, no que tange aos dois primeiros pontos, visando à atualização e à 
ampliação da avaliação realizada pelo IDCP, foram considerados os traços patológicos 
apresentados na Seção 3 do DSM-5 (APA, 2013), os fatores e as facetas componentes 
do Personality Inventory for DSM-5 (PID-5) (Krueger, Derringer, Markon, Watson, & 
Skodol, 2011), os fatores encontrados para o Shedler-Westen Assessment Procedure-200 
(SWAP-200) (Shedler & Westen, 2004) e as dimensões propostas por Clark (1990). 
Essas bases estãodescritas no próximo tópico.
O terceiro ponto que impulsionou a revisão do IDCP foi a discrepância em relação 
ao número de itens de suas dimensões. Nesse sentido, algumas dimensões apresenta-
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ram mais de vinte itens (e.g., Instabilidade de humor), e outras, menos de dez (e.g., 
Impulsividade). Mais que simetria estética para o instrumento, o equilíbrio quanto ao 
número de itens visa assegurar uma avaliação equilibrada dos diversos traços mensu-
rados por ele.
Em relação ao quarto e último ponto, buscando o refinamento da avaliação realiza-
da pelas dimensões do IDCP para a versão revisada, verificou-se a possibilidade de 
estabelecer fatores compondo cada uma das dimensões, que teve por objetivo aumen-
tar a capacidade discriminativa do instrumento na avaliação dos traços patológicos da 
personalidade. Assim, duas pessoas com pontuações altas em determinada dimensão 
podem apresentar subperfis distintos nessa mesma dimensão.
Para além dos argumentos gerais que levaram ao refinamento do IDCP para o IDCP-2, 
justificativas pormenorizadas – verdadeiras somente para algumas das dimensões do 
instrumento – foram sinalizadas. Como apontado por Carvalho, Sette, Capitão e Primi 
(2014) e por Carvalho, Souza e Primi (2014a; 2014b), identificou-se uma tendência 
para avaliação de traços da personalidade em níveis menos patológicos para as dimen-
sões Necessidade de atenção e Conscienciosidade, em comparação às demais. Por isso, 
apontou-se a necessidade de revisão dessas dimensões, no sentido de torná-las mais 
patológicas quanto à avaliação realizada.
Também se apontou a necessidade de revisão para as dimensões Evitação a críticas, 
Autossacrifício e Impulsividade, no que se refere ao número relativamente pequeno de 
itens compondo essas dimensões (Carvalho, 2018; Carvalho & Silva, 2016; Carvalho & 
Sette, 2017). Não apenas apresentavam no IDCP um número menor de itens em com-
paração às demais dimensões (sete, sete e seis itens, respectivamente), mas também 
um número possivelmente insuficiente em relação às características que necessitam 
ser cobertas pelas dimensões do IDCP. Assim, sugeriu-se a revisão dessas dimensões, 
no sentido de aumentar o número de variáveis (i.e., itens) representando as caracterís-
ticas dos funcionamentos patológicos relacionados a elas.
4�2 Modelos de base para a revisão
Anteriormente, foram apresentados os modelos de base para atualização do IDCP 
que levaram ao desenvolvimento do IDCP-2. Cada uma dessas bases apresenta carac-
terísticas próprias, suscintamente explicadas aqui, de modo que o leitor deve buscar as 
referências caso haja interesse e/ou necessidade de se aprofundar na área.
No que diz respeito à Seção 3 do DSM-5 (APA, 2013), que trata de modelos e medi-
das emergentes, um dos tópicos apresentados é o modelo alternativo para TP. Ele não 
é vigente em psiquiatria, contudo foi o modelo proposto pela força-tarefa dos TP para 
o DSM-5. Para a revisão do IDCP, foram utilizados os 25 traços patológicos discrimi-
nados no critério B desse modelo: Anedonia, Ansiedade, Busca por atenção, Indiferen-
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ça, Falsidade, Depressividade, Distratibilidade, Excentricidade, Labilidade emocional, 
Grandiosidade, Hostilidade, Impulsividade, Evitação de intimidade, Irresponsabilida-
de, Manipulação, Desregulação perceptual, Perseveração, Restrição afetiva, Perfeccio-
nismo rígido, Tomada de risco, Insegurança de separação, Submissividade, Suspicio-
sidade, Experiências e crenças incomuns, e Evitação. Assim, buscou-se aumentar a 
representatividade dos construtos avaliados pelo IDCP, investigando se os traços pa-
tológicos do PID-5 já estavam contemplados, e, nos casos em que isso não aconteceu, 
novos itens foram desenvolvidos e testados empiricamente.
Complementar ao que é apresentado na Seção 3 do DSM-5 quanto aos TP, os fa-
tores e as facetas do PID-5 (Krueger et al., 2011) foram utilizados como base para a 
atualização e a ampliação. O PID-5 é um teste de autorrelato composto por 220 itens 
distribuídos em 25 fatores, que se agrupam em 5 dimensões, para avaliação de traços 
patológicos da personalidade, tal qual o critério B do modelo alternativo apresentado 
na Seção 3 do DSM-5. Seu uso de maneira complementar ao material da Seção 3 au-
xiliou no desenvolvimento de novos itens para o IDCP-2, já que o PID-5 serviu como 
uma proposta de operacionalização do que é apresentado no critério B do DSM-5.
O SWAP-200, diferentemente do DSM-5 e do PID-5, refere-se a um modelo com-
preensivo e empírico, com orientação psicodinâmica para compreensão e avaliação 
dos TP. É um instrumento avaliativo, clínico, no qual o profissional deve organizar um 
conjunto de duzentos cartões de acordo com os sintomas apresentados pelo paciente. 
Shedler e Westen (2004) realizaram uma análise fatorial da ferramenta e chegaram a 
doze fatores distintos, dos quais onze eram patológicos e um se referia à saúde psico-
lógica. Os onze fatores patológicos foram utilizados como base para ampliação do al-
cance das dimensões do IDCP-2, sendo eles: Psicopatia, Hostilidade, Narcisismo, Des-
regulação emocional, Disforia, Orientação esquizoide, Obsessividade, Transtorno do 
pensamento (esquizotipia), Conflito edípico (sexualização histriônica), Dissociação e 
Conflito sexual.
Por fim, foram também utilizadas as dimensões apresentadas por Clark (1990), a 
partir de uma revisão realizada por quinze avaliadores com experiência na área de TP. 
A revisão foi feita com base em 167 sintomas extraídos das versões 2 e 3 do DSM, além 
de outras referências. Como resultado, 23 dimensões ou agrupamentos foram estabe-
lecidos, compostos por categorias diagnósticas e seus respectivos critérios, e utilizados 
na revisão das dimensões do IDCP, permitindo ampliar a faixa abarcada pelo instru-
mento em sua segunda versão.
A revisão que culminou no IDCP-2 se deu na perspectiva teórica, com o desenvol-
vimento de bancos de itens por juízes e na perspectiva empírica, com a verificação 
prática dos novos itens para avaliação de traços patológicos da personalidade. Os dados 
encontrados nos estudos realizados, explicitados neste manual, sugerem a adequação 
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das dimensões do IDCP-2 e, mais que isso, reforçam a superioridade dessa versão do 
instrumento em comparação ao seu antecessor.
4�3 IDCP-2
Em termos de estrutura, o IDCP-2 reflete as características de seu antecessor, o 
IDCP, uma ferramenta de autorrelato composta por 206 itens que devem ser respondi-
dos em uma escala tipo Likert de 4 pontos, variando entre “não tem nada a ver comigo” 
até “tem muito a ver comigo”. Os itens são distribuídos em 12 dimensões, que, por sua 
vez, se decompõem em 47 fatores. A distribuição dos itens e dos fatores nas dimensões 
pode ser observada na Tabela 4.1.
Tabela 4.1  Dimensões, número de fatores e itens do IDCP-2
No Dimensão No de fatores No de itens
1 Dependência 3 18
2 Agressividade 2 16
3 Instabilidade de humor 3 16
4 Excentricidade 6 18
5 Necessidade de atenção 4 13
6 Desconfiança 5 18
7 Grandiosidade 4 18
8 Isolamento 4 18
9 Evitação a críticas 3 18
10 Autossacrifício 4 18
11 Conscienciosidade 6 23
12 Impulsividade 3 18
O número de fatores para as dimensões do IDCP-2 varia entre 2 e 6, com média igual 
a aproximadamente 4 (DP = 1,24), com a maior parte das dimensões apresentando en-
tre 3 e 5 fatores. Já o número de itens varia entre 13 e 23, com média igual a 17,66 (DP 
= 2,27), sugerindo que a maior parte das dimensões tem entre 15 e 20 itens. De fato, 8 
delas são compostas por 18 itens. Ainda, observa-se clara tendência a um ligeiramente 
aumento no número de itens de acordo com o número de fatores (r = 0,50). 
Na Tabela 4.2, as definições de cada uma das dimensões são apresentadas.
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Tabela 4.2  Definições das doze dimensões do IDCP-2
No Dimensão Definição
1 Dependência Sentimento de ser menos capaz que os outros, temor em ser abandonado 
pelas pessoasde que gosta e posicionamento submisso com necessidade de 
que os outros tomem decisões importantes para si
2 Agressividade Condutas física e moralmente agressivas, com interesse por violência, além 
de raiva e comportamentos repressores e de imposição
3 Instabilidade de 
humor
Oscilação no humor, com tendências para impulsividade, sentimento de 
culpa, descontrole, ansiedade e tristeza
4 Excentricidade Desinteresse interpessoal, crença em fenômenos paranormais, estar sendo 
vigiado e perseguido, e sobre os outros o perceberem como estranho, 
incluindo distanciamento da realidade e rebaixamento nas emoções
5 Necessidade de 
atenção
Comportamentos de manipulação e sedução, com exagero na expressão dos 
sentimentos, buscando ser o centro das atenções, além de necessidade de 
estar entre as pessoas e crenças sobre ter facilidade em estabelecer relações 
interpessoais íntimas de maneira fácil e rápida
6 Desconfiança Suspeita exagerada aos outros, crença de que as pessoas sempre querem 
prejudicá-lo, busca ativa por evitar novas relações interpessoais, 
necessidade de ter controle e irritabilidade explícita
7 Grandiosidade Necessidade de ter atenção e reconhecimento das pessoas, acreditando que 
os outros o invejam, com desinteresse pelas questões alheias, buscando 
sempre conseguir que as coisas sejam do seu jeito
8 Isolamento Preferência por não se relacionar com as pessoas, intimamente ou não, 
esboçando irritação quando em situações sociais, além de dificuldade para 
se entusiasmar com os eventos cotidianos
9 Evitação a críticas Exagerada preocupação com o futuro, constrangimento em situações 
sociais e dificuldade em estabelecer relações sociais ou envolvimento 
emocional
10 Autossacrifício Preferência em ajudar os outros mais que a se ajudar, acarretando prejuízos 
para si, além de exibir humor triste, autodesvalorização e submissão aos 
outros
11 Conscienciosidade Dificuldades para lidar com mudanças no cotidiano, além de preocupação 
com detalhes, necessidade de sempre obter perfeição, foco excessivo 
em questões laborais, restrição e formalidade interpessoal, emocional e 
financeira
12 Inconsequênciaa Impulsividade e imprudência para tomada de decisão, com preferência 
por situações perigosas, bem como por controlar, enganar e mentir para 
atingir seus objetivos
Nota. a = o nome dessa dimensão foi alterado de Impulsividade para Inconsequência, com base nos apontamentos realizados por 
Carvalho (2018) e também nos dados apresentados na literatura, relativos ao antecessor do IDCP-2.
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Cada uma das dimensões se refere a um conjunto de tendências patológicas espe-
cíficas, isto é, modos específicos de funcionar que trazem prejuízos ao indivíduo e às 
pessoas que se relacionam com ele. As tendências apresentadas nessas dimensões se 
agrupam em fatores, cujas definições estão apresentadas na Tabela 4.3.
Tabela 4.3  Definições dos fatores compondo as dimensões do IDCP-2
Fator Definição
1. DEP
Autodesvalorização
Autodesvalorização de si em relação aos outros e demonstração 
de sentimentos de incapacidade e culpa
Evitação de 
abandono
Ansiedade de separação e medo de ser abandonado ou ficar só
Insegurança
Submissão e necessidade constante de que os outros tomem 
decisões e decidam direções pela pessoa
2. AGR
Antagonismo
Conduta agressiva e interesse por agressividade de forma geral, 
com iniciativas de repressão e imposição
Violência
Agressividade física, incluindo intensa vivência e descontrole de 
raiva, com comportamentos física e moralmente agressivos aos 
outros
3. IH
Vulnerabilidade
Oscilação de humor, imprudência gerando sentimento de culpa e 
tendência a perda do controle com capacidade para se ferir
Preocupação ansiosa
Ansiedade e preocupação exagerada com o futuro e sobre ter 
alguém que lhe dê apoio
Desesperança Sentimento de tristeza, desânimo e pensamentos suicidas
4. EXC
Desapego 
interpessoal
Desapego, desinteresse e desadaptação aos relacionamentos 
interpessoais
Estilo excêntrico Percepção de que os outros o veem como alguém estranho
Paranormalidade Crenças em experiências e fenômenos sobrenaturais
Persecutoriedade
Sentimentos e crenças sobre ser alvo de planos secretos e/ou 
sobre ser secretamente monitorado
Despersonalização
Distanciamento da realidade, incluindo sentimentos de 
irrealidade e confusão de identidade
Inexpressividade 
emocional
Rebaixamento nas vivências e nas expressões emocionais
5. NA
Sedução e 
manipulação
Comportamentos de manipulação para ter atenção das pessoas, 
utilizando, muitas vezes, a sedução
Intensidade 
emocional
Crença em ter sentimentos mais extremos que a maioria das 
pessoas e necessidade em demonstrá-los aos outros
Busca por atenção
Necessidade exagerada em ser o centro das atenções, estar 
sempre entre pessoas e ter muitos amigos
Superficialidade 
interpessoal
Crenças em conseguir, em pouco tempo e com facilidade, 
estabelecer vínculos interpessoais íntimos
(continua)
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Tabela 4.3  Definições dos fatores compondo as dimensões do IDCP-2
Fator Definição
6. DESC
Suspiciosidade Suspeita exacerbada de que os outros irão prejudicá-lo
Desconfiança nas 
relações
Falta de confiança no outro, sempre evitando novas relações
Controle Necessidade de ter controle sobre as pessoas e as situações
Enganosidade alheia
Crença de que os outros sempre irão enganar, explorar e 
prejudicar
Desconfiança 
irritada
Irritabilidade e falta de paciência, derivadas da falta de confiança 
que tem nas pessoas
7. GRA
Necessidade de 
reconhecimento
Necessidade de estar no centro das atenções e ser reconhecido 
por suas qualidades
Superioridade
Crença de que os outros invejam suas qualidades e de ser melhor 
que as pessoas
Dominância
Crença e uso da manipulação para conseguir as coisas do seu 
jeito
Indiferença
Falta de interesse pelos problemas dos outros e crença de que 
somente seus problemas/dificuldades são importantes
8. ISO
Individualismo
Preferência por realizar atividades sozinho, podendo envolver 
irritação quando colocado em situações que envolvem contato 
com as pessoas
Isolamento social Preferência por não ter contato com as pessoas
Evitação de 
intimidade
Não estabelecimento de relações íntimas e não 
compartilhamento de informações sobre si
Apatia emocional Dificuldade para se entusiasmar com as situações do cotidiano
9. EC
Ansiedadea
Preocupação com a possibilidade de ocorrência de eventos 
desagradáveis e com o futuro
Evitação 
generalizada
Sentimento de constrangimento ao falar em público e de estar 
em situações sociais, dificuldade em estabelecer relacionamento 
interpessoal e medo de ser o foco das atenções
Evitação de relações 
íntimas
Dificuldade de se envolver emocionalmente e pouco interesse 
em amizades íntimas
10. AS
Masoquismo
Preferência por ajudar os outros mais que a se ajudar, implicando 
prejuízos a si mesmo
Depressividade Sentimentos de autodesvalia e humor triste
Desesperança 
autodirigidab
Crenças de que as próprias ações não trarão frutos favoráveis por 
culpa própria
Submissividade
Crença de que os outros são melhores que si e tendência a se 
rebaixar perante os outros
(continua)
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Tabela 4.3  Definições dos fatores compondo as dimensões do IDCP-2
Fator Definição
11. CON
Necessidade de 
rotina
Dificuldades para lidar com mudanças no cotidiano e nas tarefas 
do dia a dia
Preocupação com 
detalhes
Preocupação expressiva com detalhes que, no geral, não são 
percebidos pelos outros
Meticulosidade Necessidade de sempre obter perfeição ao lidar com as tarefas
Compulsão ao 
trabalhoc
Foco excessivo no trabalho e rigidez interpessoal
Perfeccionismo 
autodirecionado
Necessidade de fazer tudo com perfeição, levando a se focar em 
si e nas atividades, com pouca importância quanto às pessoas
Constrição 
emocional
Restrição e formalidade interpessoal, emocional e financeira
12. INC
Impulsividaded
Impulsividade, imprudência e tomada rápida de decisão,de 
maneira pouco ponderada
Tomada de risco
Estilo aventureiro e imprudente, com tendência a tomada de 
risco e busca por situações perigosas
Enganosidade
Busca por atingir os objetivos usando controle, mentiras e 
ludibriações com os outros
Nota. DEP = Dependência; AGR = Agressividade; IH = Instabilidade de humor; EXC = Excentricidade; NA = Necessidade de 
atenção; DESC = Desconfiança; GRA = Grandiosidade; ISSO = Isolamento; EC = Evitação a críticas; AS = Autossacrifício; CON 
= Conscienciosidade; INC = Inconsequência. a = o nome original dado a esse fator foi Preocupação ansiosa (Carvalho & Sette, 
2017), igualmente ao segundo fator da dimensão Instabilidade de humor. Seguindo estritamente o que é avaliado pelos itens 
desse fator da dimensão Evitação a críticas, mas distinguindo-o do fator da outra dimensão, o nome foi alterado para Ansiedade. 
b = o nome original dado a esse fator foi Desesperança com autodesvalorização (Carvalho & Silva, 2016). Considerando a 
complexidade do nome originalmente atribuído, ele foi alterado, seguindo estritamente o que é avaliado pelos itens desse fator, 
para Desesperança autodirigida. c = o nome original dado a esse fator foi Workaholic (Carvalho, Souza & Primi, 2014b). Com 
finalidade de adequação, ele foi alterado para Compulsão ao trabalho. d = o nome original dado a esse fator foi Inconsequência 
(Carvalho, 2018). Em função do nome presentemente atribuído para a dimensão, isto é, de Impulsividade para Inconsequência, 
e seguindo estritamente o que é avaliado pelos itens do fator, o nome foi alterado para Impulsividade.
Pode-se notar que alguns fatores de diferentes dimensões se aproximam mais (e.g., 
Autodesvalorização da dimensão Dependência e Desesperança autodirigida da dimen-
são Autossacrifício), enquanto outros apresentam tendências opostas (e.g., Intensidade 
emocional da dimensão Necessidade de atenção e Constrição emocional da dimensão 
Conscienciosidade). No entanto, cabe ressaltar que não há restrições quanto ao perfil 
a ser exibido pelas pessoas. Em outras palavras, a pontuação alta em uma dimensão ou 
em um fator não implica pontuação alta em qualquer outra dimensão ou outro fator.
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Capítulo 5� Propriedades psicométricas do IDCP-2
Neste capítulo serão apresentados estudos investigando propriedades psicométri-
cas, evidências de validade e coeficientes de fidedignidade das dimensões do IDCP-2. 
Cada um desses estudos se refere à revisão das dimensões estabelecidas na versão 
anterior do IDCP. Eles foram divididos em duas etapas: a primeira consistiu na revisão e 
na ampliação teórica das dimensões, utilizando como base as propostas já apresen-
tadas neste manual – os traços patológicos apresentados na Seção 3 do DSM-5 (APA, 
2013), os fatores e as facetas componentes do PID-5 (Krueger et al., 2011), os fatores 
encontrados para o SWAP-200 (Shedler & Westen, 2004) e as dimensões propostas 
por Clark (1990); a segunda etapa tratou da verificação empírica, em amostras vindas 
da população geral, das propriedades psicométricas da versão revisada da dimensão, 
comparando-a também com a versão original. 
Em cada um desses estudos, foi estabelecida a versão revisada da dimensão, isto é, 
a versão que compõe o IDCP-2. Eles estão apresentados aqui de maneira sumária, de 
modo que pormenores podem ser observados nas publicações (Carvalho & Pianowski, 
2015; Carvalho, Pianowski & Miguel, 2015; Carvalho & Sette, 2015; 2017; Carvalho, 
Pianowski, Bacciotti, Silveira & Vieira, 2016; Carvalho, Sette, Capitão & Primi, 2014; 
Carvalho & Martins, 2017; Carvalho, Sette & Ferrari, 2016; Carvalho & Arruda, 2016; 
Carvalho & Silva, 2016; Carvalho, Souza & Primi, 2014a; 2014b; Carvalho, 2018).
5.1 Evidências de validade e fidedignidade do IDCP-2
5�1�1 Dependência (Carvalho & Pianowski, 2015)
Foi desenvolvido um banco de dados com 188 itens, dos quais 37 foram selecio-
nados de acordo com critérios estabelecidos pelos autores. Esses itens foram aplica-
dos junto com os 20 originais da dimensão Dependência, totalizando 57 itens. Além 
disso, os 199 participantes adultos (71,4% mulheres) também responderam a itens 
selecionados do NEO-PI-R e do PID-5. Como resultado, a dimensão ficou composta 
por 18 itens distribuídos em 3 fatores. Foram observados coeficientes satisfatórios 
de fidedignidade por consistência interna para o escore total da dimensão (α = 0,89) 
e para seus fatores (entre 0,79 e 0,91). Além disso, foram encontradas correlações 
coerentes entre o escore total da dimensão revisada e seus fatores com os instrumen-
tos aplicados.
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5�1�2 Agressividade (Carvalho, Pianowski & Miguel, 2015)
Entre os 354 itens elaborados para verificação da possibilidade de compor a nova 
dimensão Agressividade, 20 foram selecionados e aplicados junto com os 27 itens ori-
ginais da dimensão. Conjuntos de itens do NEO-PI-R e PID-5 foram também aplicados 
na amostra, composta por 230 adultos (76,4% mulheres). A versão final da dimensão 
ficou composta por 16 itens, cujo α foi igual a 0,89, similar aos coeficientes observados 
para os 2 fatores da dimensão (ambos, α = 0,82). Além dos satisfatórios coeficientes 
de fidedignidade, as correlações com os testes psicológicos aplicados foram conceitual-
mente coerentes.
5�1�3 Instabilidade de humor (Carvalho & Sette, 2015)
Para a revisão desta dimensão, foram aplicados 54 itens, sendo 27 vindos da versão ori-
ginal e 27 desenvolvidos para a revisão. Ressalta-se que os 27 novos itens foram selecio-
nados a partir de um banco de dados composto por 306 itens. Os 230 adultos (76,5% mu-
lheres) que participaram da pesquisa também responderam a alguns itens do NEO-PI-R 
e do PID-5. Os 3 fatores encontrados para a dimensão revisada apresentaram α satisfató-
rio, variando entre 0,78 e 0,81, e o escore total, α igual a 0,85 para o conjunto de 16 itens. 
Também foram satisfatórias as correlações encontradas entre os escores da dimensão 
revisada Instabilidade de humor e os demais instrumentos aplicados.
5�1�4 Excentricidade (Carvalho, Pianowski, Bacciotti, Silveira & Vieira, 2017)
Foram participantes 225 adultos (70,1%), que responderam à dimensão, a itens do 
NEO-PI-R, PID-5 e à Magical Ideation Scale (MIS), que avalia pensamento mágico. Para 
a revisão, um banco com 652 itens foi desenvolvido; 22 novos itens foram selecionados 
e aplicados junto com os 20 originais da dimensão Excentricidade. A versão final ficou 
composta por 18 itens, com α variando entre 0,60 e 0,82 (média igual a 0,71) para os 6 
fatores e igual a 0,85 para o escore total. Os coeficientes de fidedignidade foram satisfa-
tórios sobretudo considerando o número de itens por fator, assim como as correlações 
encontradas entre o escore total e os fatores da dimensão com os testes aplicados.
5�1�5 Necessidade de atenção (Carvalho, Sette, Capitão & Primi, 2014)
Para a revisão desta dimensão, os pesquisadores desenvolveram um banco de dados 
com 245 itens, dos quais 32 foram selecionados de acordo com critérios estabelecidos 
pelos autores. Esses itens foram aplicados junto com os 16 itens originais da dimensão 
Necessidade de atenção, em um total de 48 itens. Ainda, os 120 participantes adultos 
(80% mulheres) também responderam a itens selecionados do NEO-PI-R e itens-critério 
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elaborados pelos autores (e.g., “quantas vezes você costuma ir a eventos sociais por 
semana?”, “quantos relacionamentos amorosos você já teve?” e “quantos amigos ínti-
mos/próximos você tem?”). Como resultado, a dimensão ficou composta por 13 itens 
agrupados em 4 fatores. Observaram-se coeficientes satisfatórios de fidedignidade por 
consistência interna para o escore total da dimensão (α = 0,83) e para seus fatores (en-
tre 0,73 e 0,96). Além disso, foram encontradas correlações coerentes entre o escore 
total da dimensão revisada e seus fatores com os instrumentos aplicados.
5.1.6 Desconfiança (Carvalho & Martins, 2017)
Para verificação da possibilidade de compora nova dimensão Desconfiança, entre os 
115 itens elaborados, 35 foram selecionados e aplicados em conjunto aos 13 originais 
da dimensão. Também itens do NEO-PI-R e do PID-5 foram aplicados na amostra de 
230 adultos (76,4% mulheres). A versão final da dimensão ficou composta por 18 itens, 
cujo α foi igual a 0,90, similar aos coeficientes observados para os 5 fatores da dimensão 
(α variando entre 0,73 e 0,83). Além dos satisfatórios coeficientes de fidedignidade, as 
correlações com os testes psicológicos aplicados foram conceitualmente coerentes.
5�1�7 Grandiosidade (Carvalho, Sette & Ferrari, 2016)
Para a revisão da dimensão Grandiosidade, 45 itens foram aplicados, sendo 12 vindos 
da versão original e 33 desenvolvidos para a revisão. Os novos foram selecionados a 
partir de um banco de dados composto por 285 itens. Para verificação das propriedades 
psicométricas desse novo conjunto, participaram 225 adultos (70,1% mulheres), que 
também responderam a alguns itens do NEO-PI-R e do PID-5. Os 4 fatores encontra-
dos para a dimensão revisada apresentaram α satisfatório, variando entre 0,73 e 0,84, 
e o escore total, α igual a 0,87 para o conjunto de 18 itens. Também foram satisfatórias 
as correlações encontradas entre os escores da dimensão revisada Grandiosidade e os 
demais instrumentos aplicados.
5�1�8 Isolamento (Carvalho & Arruda, 2016)
Foram participantes da pesquisa 213 adultos (74,3%), que responderam à dimensão 
e também a itens do NEO-PI-R e do PID-5. Para a revisão, um banco com 145 itens 
foi desenvolvido, e 28 novos foram selecionados e aplicados junto com os 11 originais 
da dimensão Isolamento. A composição final da dimensão ficou com 18 itens, cujo α 
variou entre 0,79 e 0,87 para os 4 fatores e foi igual a 0,88 para o escore total. Os coe-
ficientes de fidedignidade foram satisfatórios, assim como as correlações encontradas 
entre o escore total e os fatores da dimensão com os testes aplicados.
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5�1�9 Evitação a críticas (Carvalho & Sette, 2017)
Foi desenvolvido pelos pesquisadores um banco de dados com 470 itens, dos quais 
39 foram selecionados de acordo com critérios previamente estabelecidos pelos auto-
res. Esses itens foram aplicados junto com os 7 originais da dimensão Evitação a crí-
ticas, em um total de 46 itens. Ainda, os 213 participantes adultos (74,3% mulheres) 
também responderam a itens selecionados do NEO-PI-R e do PID-5. Como resultado, 
a dimensão ficou composta por 18 itens agrupados em 3 fatores. Observaram-se coe-
ficientes satisfatórios de fidedignidade por consistência interna para o escore total da 
dimensão (α = 0,87) e para seus fatores (entre 0,80 e 0,91). Além disso, foram encon-
tradas correlações coerentes entre o escore total da dimensão revisada e seus fatores 
com os instrumentos aplicados.
5.1.10 Autossacrifício (Carvalho & Silva, 2016)
Entre os 189 itens elaborados para a verificação da possibilidade de compor a di-
mensão revisada Autossacrifício, 34 itens foram selecionados e aplicados junto com os 
7 originais da dimensão. Conjuntos de itens do NEO-PI-R e do PID-5 foram também 
aplicados na amostra, composta por 199 adultos (71,4% mulheres). A versão final da 
dimensão ficou composta por 18 itens, cujo α foi igual a 0,89 e variou entre 0,78 e 0,87 
para os 4 fatores. Além dos satisfatórios coeficientes de fidedignidade, as correlações 
com os testes psicológicos aplicados foram conceitualmente coerentes.
5.1.11 Conscienciosidade (Carvalho, Souza & Primi, 2014a; 2014b)
Foi desenvolvido um banco de dados composto por 164 itens, dos quais 34 foram sele-
cionados de acordo com critérios preestabelecidos pelos pesquisadores. Eles foram apli-
cados junto com os 11 originais da dimensão Conscienciosidade, totalizando 45 itens. 
Além disso, os 120 participantes adultos (56,7% mulheres) responderam a itens selecio-
nados do NEO-PI-R. Como resultado, a dimensão ficou composta por 22 itens distribuí-
dos em 6 fatores. Observaram-se coeficientes satisfatórios de fidedignidade por consis-
tência interna para o escore total da dimensão (α = 0,84) e seus fatores (entre 0,61 e 0,77 
com média igual a 0,71). Além disso, foram encontradas correlações coerentes entre o 
escore total da dimensão revisada e seus fatores com o instrumento aplicado.
5�1�12 Inconsequência (Carvalho, 2018)
Como já reportado neste manual, o nome original desta dimensão é Impulsividade, 
contudo, considerando seu conteúdo geral e, consequentemente, sua definição, bem 
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como as definições de seus fatores, compreendeu-se como mais adequado renomeá-la 
para Inconsequência, e um de seus fatores foi denominado Impulsividade. No que se 
refere ao estudo de revisão, entre os 430 itens elaborados para a verificação da possi-
bilidade de compor a nova dimensão Inconsequência, 38 itens foram selecionados e 
aplicados junto com os seus 6 originais. Conjuntos de itens do NEO-PI-R e do PID-5 
também foram aplicados na amostra, composta por 225 adultos (70,1% mulheres). 
A versão final da dimensão ficou composta por 18 itens, cujo α foi igual a 0,89, e o α dos 
fatores variou entre 0,78 até 0,87. Além dos satisfatórios coeficientes de fidedignidade, 
as correlações com os testes psicológicos aplicados foram conceitualmente coerentes.
Partindo dos estudos brevemente apresentados, é possível notar algumas característi-
cas que ocorreram para todas ou quase todas as dimensões. Entre elas, verifica-se que as 
correlações com o PID-5 tenderam a ser maiores quando comparadas com outros testes, 
como o NEO-PI-R, identificando o IDCP-2 como um instrumento que, além de avaliar 
traços da personalidade, o faz em níveis patológicos. Ainda nesse sentido, em compa-
ração ao seu antecessor, os achados sugerem que o IDCP-2 tende a avaliar traços mais 
patológicos da personalidade, o que é desejável diante do escopo dessa ferramenta.
Outro objetivo atingido a partir das revisões foi o equilíbrio entre os itens das 
dimensões, sem que houvesse discrepâncias expressivas. Além disso, para todas as di-
mensões, foi possível estabelecer fatores, de modo que fica como opção ao profissional 
que aplicar o IDCP-2 a verificação de subperfis em cada uma delas. Vale notar que, 
tanto para o escore total de cada dimensão quanto para os fatores, a maior parte dos 
coeficientes de consistência interna foi igual ou maior que 0,70, o que é mais observá-
vel para o primeiro caso, inclusive por conta do número de itens.
5�2 Análises complementares com o IDCP-2
Adicionalmente, foram investigadas evidências de validade para o IDCP-2 consi-
derando todas as dimensões nas mesmas análises. Para tanto, foi utilizado um ban-
co de dados composto por 1.656 participantes da população geral, que responde-
ram ao IDCP-2 em formato on-line, com idade variando entre 18 e 70 anos de idade 
(M = 27,03; DP = 9,65), sendo 65,4% mulheres. Quanto à escolaridade, 59,3% estava 
cursando Ensino Superior, já o havia finalizado, estava cursando uma Pós-graduação 
ou já a havia finalizado; 20,1% havia terminado o Ensino Médio; e 1,2%, o Ensino Fun-
damental. Quanto ao estado de origem, quase 30% dos respondentes eram de São Paulo 
(n = 452), seguido por Minas Gerais (10,7%), Paraná (9,3%), Rio de Janeiro (8,4%), Rio 
Grande do Sul (6,8%), Bahia (4,5%), Santa Catarina (3,7%), Pernambuco (3,6%), entre 
outros. Ressalta-se que foram abarcados participantes de todos os estados brasileiros.
Procedeu-se a duas análises para verificação de evidências de validade com base na 
estrutura interna par o IDCP-2, a primeira no nível das dimensões e a segunda no nível 
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dos fatores que as compõem. Para essas análises, foram seguidas as recomendações 
reportadas por Damásio (2012).
A análise se deu por principais eixos fatoriais, já que o IDCP-2 avalia traços atípicos 
na população geral e, portanto, tende a uma distribuição não normal. Utilizou-se rota-
ção oblíqua (direct oblimin). O KMO encontrado foi igual a 0,85, e o teste deesfericidade 
de Bartlett foi significativo (X2 = 14301,916; gl = 66; p < 0,001), ambos pressupostos 
desejáveis para a análise. Foram observados três fatores com eigenvalue superior a 1 – 
F1 = 5,59 (46,63% variância explicada), F2 = 2,03 (16,91) e F3 = 1,54 (12,86) –, e, com 
base nas interpretações dos modelos de um, dois e três fatores, na literatura da área que 
sugere a persistência de dois deles (internalizante e externalizante) englobando os TP 
(Krueger, Markon, Patrick & Iacono, 2005; Markon, Krueger & Watson, 2005; James & 
Taylor, 2008; Harford et al., 2013) e na possibilidade de não recuperação do terceiro fator, 
já que possui cargas mais baixas, o modelo de escolha foi o composto por dois fatores. 
Na Figura 5.1 está o scree plot da análise.
Scree plot
Au
to
va
lor
Número de fator
6
5
4
3
2
1
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Figura 5�1 Scree plot da análise por principais eixos fatoriais no nível das dimensões.
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Na Tabela 5.1 está apresentado o modelo de dois fatores e as respectivas cargas, com 
marcação em cinza para as variáveis que compõem cada um deles. 
Tabela 5.1  Cargas fatoriais para os fatores encontrados no nível das dimensões
Dimensões Externalizante Internalizante
Grandiosidade 0,89
Desconfiança 0,84
Agressividade 0,79
Excentricidade 0,66
Inconsequência 0,62
Isolamento 0,62
Conscienciosidade 0,55
Necessidade de atenção 0,39
Dependência –0,93
Autossacrifício –0,88
Instabilidade de humor –0,74
Evitação a críticas 0,37 –0,57
Nota. Cargas apresentadas a partir de 0,30; r
fator1*fator2
 = –0,39.
Tal qual é possível observar, dimensões relacionadas a funcionamentos que tendem a 
exibir comportamentos mais do que a não se manifestar, sendo tendências mais agres-
sivas, agruparam-se no primeiro fator (e.g., Agressividade e Inconsequência), apesar 
de nem todas terem a agressão como foco (e.g., Necessidade de Atenção), mas uma 
postura mais ativa e não passiva. Já no segundo fator, agruparam-se dimensões relacio-
nadas a tendências mais depressivas (e.g., Autossacrifício e Evitação a críticas). Ambos 
os agrupamentos se aproximam, respectivamente, ao que a literatura aponta como ex-
ternalizante e internalizante.
Na sequência, a mesma análise foi realizada, contudo, no nível dos fatores compondo 
as dimensões. O KMO encontrado foi igual a 0,94, e o teste de esfericidade de Bartlett 
também foi significativo (X2 = 49304,073; gl = 1081; p < 0,001). Utilizou-se rotação 
oblíqua (direct oblimin). Foram encontrados eigenvalue superiores a dois para os quatro 
fatores iniciais, que, juntos, somaram 54% da variância explicada. O mesmo mode-
lo (i.e., externalizante e internalizante) foi esperado para o presente caso, contudo, a 
análise interpretativa dos modelos de um, dois, três e quatro fatores suportou o último 
modelo em detrimento dos demais. O scree plot está apresentado na Figura 5.2.
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Número de fator
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47
0,0
2,5
5,0
7,5
10,0
12,5
Scree plot
Au
to
va
lor
Figura 5�2 Scree plot da análise por principais eixos fatoriais no nível dos fatores.
Na Tabela 5.2 estão apresentados os quatro fatores encontrados e as cargas fatoriais 
para cada um deles. Similarmente ao que foi encontrado na análise anterior, dois fato-
res (segundo e terceiro) se referem, respectivamente, aos agrupamentos internalizante 
e externalizante. Entretanto, outros dois fatores foram observados. Ao que concerne o 
quarto fator, Conscienciosidade, não é incomum que traços patológicos relacionados a 
ele formem um terceiro (e.g., O’Connor, 2005). Já quanto ao primeiro fator observado, 
claramente o que foi agrupado se refere a uma tendência de evitação e apatia quanto às 
relações interpessoais e às próprias emoções. Esse fator parece refletir o que Skodol et al. 
(2011) apontam como a dimensão de dificuldades interpessoais dos TP.
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Tabela 5.2  Cargas fatoriais para os fatores encontrados no nível dos fatores
Fatores Evitação e apatia interpessoal/emocional Internalizante Externalizante Conscienciosidade
Evitação de intimidade 0,79
Inexpressividade emocional 0,74
Desapego interpessoal 0,72
Isolamento social 0,69
Apatia emocional 0,65
Evitação generalizada 0,64 –0,52
Evitação de relações íntimas 0,62
Constrição emocional 0,56 0,34
Indiferença 0,55 0,33
Individualismo 0,48
Desconfiança nas relações 0,45 0,27
Suspiciosidade 0,44 0,34
Estilo excêntrico 0,41
Enganosidade alheia 0,36
Desconfiança irritada 0,35
Autodesvalorização –0,84
Evitação de abandono –0,80
Preocupação ansiosa –0,77
Desesperança autodirigida –0,75
Depressividade –0,71
Insegurança –0,65
Vulnerabilidade –0,65
Masoquismo –0,63
Ansiedade –0,62
Submissividade –0,60
Desesperança –0,56
Intensidade emocional –0,49 0,40
(continua)
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Tabela 5.2  Cargas fatoriais para os fatores encontrados no nível dos fatores
Fatores Evitação e apatia interpessoal/emocional Internalizante Externalizante Conscienciosidade
Busca por atenção -0,49 0,35
Necessidade de rotina –0,38
Sedução e manipulação 0,75
Dominância 0,73
Enganosidade 0,69
Violência 0,63
Antagonismo 0,38 0,62
Tomada de risco 0,59
Controle 0,55
Superioridade 0,54 0,41
Impulsividade –0,33 0,53 -0,39
Superficialidade 
interpessoal
–0,426 0,51
Necessidade de 
reconhecimento
0,42 0,31
Persecutoriedade 0,36
Despersonalização –0,30 0,35
Paranormalidade 0,33
Meticulosidade 0,68
Preocupação com detalhes 0,60
Workaholic 0,46
Perfeccionismo 
Autodirecionado
0,40 0,44
Nota. Cargas apresentadas a partir de 0,30; r
fator1*fator2
 = –0,23; r
fator1*fator3
 = 0,22; r
fator1*fator4
 = 0,16; r
fator2*fator3
 = –0,20; r
fator2*fator4
 = –0,08; 
r
fator3*fator4
 = 0,17.
Na continuidade, ainda na busca por evidências de validade, mas agora com base 
nas relações com variáveis externas, procedeu-se a sete comparações entre médias, 
todas no nível das dimensões do IDCP-2. As variáveis utilizadas para as comparações 
foram: realização de tratamento psiquiátrico, realização de tratamento psicológico, uso 
de psicotrópico, tentativa passada de suicídio, ideação suicida passada ou atual e ter 
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diagnóstico psiquiátrico, além de uma variável composta pelas variáveis de suicídio 
e diagnóstico psiquiátrico. Em todos os casos, o esperado era que as pessoas que res-
ponderam afirmativamente a essas variáveis também apresentassem maiores médias 
nas dimensões do IDCP-2. 
Na Tabela 5.3 está a comparação (teste t) entre quem reportou já ter feito e quem 
reportou nunca ter feito tratamento psiquiátrico.
Tabela 5.3  Comparação entre médias para grupo que já fez tratamento psiquiátrico  
(n = 297) e grupo que não fez (n = 1.329)
Dimensões Psiquiatra Média DP t (gl) d (p)
Dependência
Não 2,10 0,65
–5,821 (1.624) 0,37 (< 0,001)
Sim 2,34 0,69
Agressividade
Não 1,85 0,58
–3,390 (1.624) 0,22 (0,001)
Sim 1,98 0,67
Instabilidade de humor
Não 2,14 0,61
–7,631 (1.624) 0,49 (< 0,001)
Sim 2,44 0,66
Excentricidade
Não 2,04 0,57
–3,771 (1.624) 0,24 (< 0,001)
Sim 2,18 0,62
Necessidade de atenção
Não 2,31 0,60
–3,429 (1.624) 0,22 (0,001)
Sim 2,45 0,62
Desconfiança
Não 2,13 0,55
–3,147 (1.624) 0,20 (0,002)
Sim 2,25 0,62
Grandiosidade
Não 2,05 0,56
–1,765 (1.624) 0,11 (0,078)
Sim 2,11 0,56
Isolamento
Não 2,06 0,57
–1,784 (1.624) 0,11 (0,075)
Sim 2,13 0,62
Evitação a críticas
Não 2,05 0,59
–5,002 (1.624) 0,32 (< 0,001)
Sim 2,24 0,65
Autossacrifício
Não 2,19 0,63
–5,386 (1.624) 0,35 (< 0,001)
Sim 2,41 0,67
Conscienciosidade
Não 2,18 0,45
–1,476 (1.624) 0,09 (0,140)
Sim 2,22 0,50
Inconsequência
Não 1,84 0,59
–2,306 (1.624) 0,15 (0,021)
Sim 1,93 0,63
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Nem todas as comparações foram significativas ou apresentaram efeito expressivo 
(i.e., igual ou superior a 0,20). Contudo, a média mais alta foi para o grupo que respon-
deu afirmativamente para todosos casos. 
Na Tabela 5.4 está apresentada a comparação entre grupos positivo e negativo em 
relação ao tratamento psicológico.
Tabela  5.4  Comparação  entre  médias  para  grupo  que  já  fez  tratamento  psicológico  
(n = 665) e grupo que não fez (n = 961).
Dimensões Psicológico Média DP t (gl) d (p)
Dependência
Não 2,08 0,64
–4,810 (1.624) 0,24 (< 0,001)
Sim 2,24 0,67
Agressividade
Não 1,86 0,58
–1,506 (1.624) 0,08 (0,132)
Sim 1,90 0,61
Instabilidade de humor
Não 2,10 0,59
–6,896 (1.624) 0,35 (< 0,001)
Sim 2,32 0,64
Excentricidade
Não 2,04 0,55
–1,811 (1.624) 0,09 (0,070)
Sim 2,10 0,60
Necessidade de atenção
Não 2,29 0,60
–4,203 (1.624) 0,21 (< 0,001)
Sim 2,41 0,60
Desconfiança
Não 2,14 0,56
–0,841 (1.624) 0,04 (0,400)
Sim 2,17 0,57
Grandiosidade
Não 2,06 0,57
–0,084 (1.624) 0,00 (0,933)
Sim 2,06 0,54
Isolamento
Não 2,07 0,58
–0,165 (1.624) 0,01 (0,869)
Sim 2,07 0,58
Evitação a críticas
Não 2,03 0,58
–4,263 (1.624) 0,21 (< 0,001)
Sim 2,16 0,61
Autossacrifício
Não 2,18 0,62
–4,069 (1.624) 0,21 (< 0,001)
Sim 2,31 0,66
Conscienciosidade
Não 2,18 0,45
0,060 (1.624) 0,00 (0,952)
Sim 2,18 0,46
Inconsequência
Não 1,84 0,58
–1,345 (1.624) 0,07 (0,179)
Sim 1,88 0,61
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Similarmente ao que foi observado na Tabela 5.3, nessa comparação, praticamente 
em todas as dimensões foi observado que o grupo positivo para tratamento apresentou 
maior média em relação ao outro grupo. Contudo, neste caso, em três dimensões os 
grupos apresentaram a mesma média. 
Na Tabela 5.5 está apresentada a comparação entre grupos positivo e negativo em 
relação ao uso de psicotrópicos.
Tabela 5.5  Comparação entre médias para grupo que já utilizou psicotrópicos (n = 339) e 
grupo que não utilizou (n = 1.287)
Dimensões Psicotrópico Média DP t (gl) d (p)
Dependência
Não 2,09 0,64
–6,345 (1.624) 0,39 (< 0,001)
Sim 2,35 0,69
Agressividade
Não 1,85 0,58
–2,866 (1.624) 0,17 (0,004)
Sim 1,96 0,65
Instabilidade de humor
Não 2,12 0,60
–9,023 (1.624) 0,55 (< 0,001)
Sim 2,46 0,63
Excentricidade
Não 2,04 0,57
–2,901 (1.624) 0,18 (0,004)
Sim 2,15 0,60
Necessidade de atenção
Não 2,31 0,59
–4,206 (1.624) 0,26 (< 0,001)
Sim 2,46 0,62
Desconfiança
Não 2,14 0,56
–2,274 (1.624) 0,14 (0,023)
Sim 2,22 0,59
Grandiosidade
Não 2,05 0,56
–1,533 (1.624) 0,09 (0,126)
Sim 2,10 0,56
Isolamento
Não 2,06 0,58
–1,056 (1.624) 0,06 (0,291)
Sim 2,10 0,59
Evitação a críticas
Não 2,04 0,59
–5,581 (1.624) 0,34 (< 0,001)
Sim 2,24 0,62
Autossacrifício
Não 2,18 0,63
–6,590 (1.624) 0,40 (< 0,001)
Sim 2,43 0,64
Conscienciosidade
Não 2,18 0,45
–0,708 (1.624) 0,04 (0,479)
Sim 2,20 0,48
Inconsequência
Não 1,84 0,58
–2,437 (1.624) 0,15 (0,015)
Sim 1,93 0,65
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De maneira mais evidente em relação às duas comparações anteriores, em todos os 
casos, na Tabela 5.5, o grupo que respondeu positivamente também apresentou maior 
média; em cinco dimensões, o efeito foi superior a 0,20. 
Na Tabela 5.6 está apresentada a comparação entre grupos positivo e negativo em 
relação à tentativa de cometer suicídio.
Tabela 5�6 Comparação entre médias para grupo que já tentou cometer suicídio (n = 250) 
e grupo que não tentou cometer suicídio (n = 1�374)
Dimensões Suicídio Média DP t (gl) d (p)
Dependência
Não 2,10 0,65
–7,174 (1.624) 0,49 (< 0,001)
Sim 2,42 0,64
Agressividade
Não 1,85 0,59
–4,947 (1.624) 0,34 (< 0,001)
Sim 2,05 0,65
Instabilidade de humor
Não 2,11 0,59
–13,920 (1.624) 0,96 (< 0,001)
Sim 2,68 0,61
Excentricidade
Não 2,02 0,57
–7,971 (1.624) 0,55 (< 0,001)
Sim 2,33 0,56
Necessidade de atenção
Não 2,30 0,60
–6,346 (1.624) 0,44 (< 0,001)
Sim 2,56 0,57
Desconfiança
Não 2,13 0,56
–4,076 (1.624) 0,28 (< 0,001)
Sim 2,29 0,57
Grandiosidade
Não 2,05 0,56
–1,908 (1.624) 0,13 (0,057)
Sim 2,12 0,59
Isolamento
Não 2,06 0,58
–3,094 (1.624) 0,21 (0,002)
Sim 2,18 0,58
Evitação a críticas
Não 2,05 0,60
–6,393 (1.624) 0,44 (< 0,001)
Sim 2,31 0,60
Autossacrifício
Não 2,17 0,62
–9,247 (1.624) 0,64 (< 0,001)
Sim 2,57 0,66
Conscienciosidade
Não 2,18 0,46
–0,849 (1.624) 0,06 (0,396)
Sim 2,21 0,48
Inconsequência
Não 1,82 0,59
–6,615 (1.624) 0,45 (< 0,001)
Sim 2,09 0,63
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Com exceção de duas dimensões, Grandiosidade e Conscienciosidade, todos os efei-
tos foram superiores a 0,20, identificando tendência a uma clara discriminação entre 
os grupos de acordo com a tentativa de cometer suicídio. 
Na Tabela 5.7 está apresentada a comparação entre grupos positivo e negativo em 
relação à presença de ideação suicida.
Tabela 5�7 Comparação entre médias para grupo que relatou ter ideação suicida (n = 
826) e grupo que relatou não ter (n = 800)
Ideação suicida Média DP t (gl) d (p)
Dependência
Não 1,93 0,60
–13,657 (1.624) 0,68 (< 0,001)
Sim 2,36 0,65
Agressividade
Não 1,73 0,55
–10,494 (1.624) 0,52 (< 0,001)
Sim 2,03 0,61
Instabilidade de humor
Não 1,87 0,48
–24,200 (1.624) 1,20 (< 0,001)
Sim 2,51 0,59
Excentricidade
Não 1,88 0,54
–13,421 (1.624) 0,67 (< 0,001)
Sim 2,25 0,57
Necessidade de atenção
Não 2,22 0,58
–8,346 (1.624) 0,41 (< 0,001)
Sim 2,46 0,61
Desconfiança
Não 2,03 0,54
–9,424 (1.624) 0,47 (< 0,001)
Sim 2,29 0,57
Grandiosidade
Não 2,01 0,54
–3,797 (1.624) 0,19 (< 0,001)
Sim 2,11 0,58
Isolamento
Não 1,96 0,55
–8,151 (1.624) 0,40 (< 0,001)
Sim 2,19 0,59
Evitação a críticas
Não 1,90 0,55
–13,205 (1.624) 0,65 (< 0,001)
Sim 2,27 0,59
Autossacrifício
Não 2,00 0,55
–15,816 (1.624) 0,78 (< 0,001)
Sim 2,47 0,64
Conscienciosidade
Não 2,15 0,45
–3,165 (1.624) 0,16 (0,002)
Sim 2,22 0,46
Inconsequência
Não 1,71 0,55
–10,255 (1.624) 0,51 (< 0,001)
Sim 2,01 0,61
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Novamente, apenas duas dimensões não apresentaram efeito superior a 0,20, de 
modo que a tendência para discriminação dos grupos foi observada, também, com bas-
tante clareza. 
Na Tabela 5.8 está apresentada a comparação entre grupos positivo e negativo em 
relação ao diagnóstico psiquiátrico.
Tabela 5�8 Comparação entre médias para grupo que relatou ter diagnóstico psiquiátrico 
(n = 207) e grupo que relatou não ter (n = 1�419)
Diagnóstico psiquiátrico Média DP t (gl) d (p)
Dependência
Não 2,11 0,65
–6,347 0,47 (< 0,001)
Sim 2,42 0,69
Agressividade
Não 1,86 0,59
–3,850 0,29 (< 0,001)
Sim 2,03 0,68
Instabilidade de humor
Não 2,14 0,61
–8,731 0,65 (< 0,001)
Sim 2,54 0,65
Excentricidade
Não 2,05 0,57
–4,271 0,32 (< 0,001)
Sim 2,23 0,60
Necessidade de atenção
Não 2,32 0,60
–3,319 0,25 (0,001)
Sim 2,47 0,66
Desconfiança
Não 2,15 0,56
–2,487 0,18 (0,013)
Sim 2,25 0,60
Grandiosidade
Não 2,05 0,56
–1,503 0,11 (0,133)
Sim 2,12 0,59
Isolamento
Não 2,06 0,58
–2,102 0,16 (0,036)
Sim 2,15 0,59
Evitação a críticas
Não 2,05 0,59
–5,554 0,41 (< 0,001)
Sim 2,30 0,62
Autossacrifício
Não 2,20 0,63
–6,393 0,47 (< 0,001)
Sim 2,50 0,67
Conscienciosidade
Não 2,18 0,46
–0,929 0,07 (0,353)
Sim 2,22 0,48
Inconsequência
Não 1,85 0,59
–2,791 0,21 (0,005)
Sim 1,97 0,66
Um pouco menos evidente que as duas comparações anteriores, mas, ainda assim, 
com a maior parte dos efeitos superiores a 0,20, a tendência observada é para que pes-
soas que relataram ter algum diagnóstico psiquiátrico apresentem maiores médias em 
comparação ao grupo que relatou não ter diagnóstico psiquiátrico. 
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Na Tabela 5.9 está apresentada a comparação entre grupos positivo e negativo em 
relação ao diagnóstico psiquiátrico.
Tabela 5�9 Comparação entre médias para grupo positivo para tentativa de suicídio, ideação 
suicida e diagnóstico psiquiátrico (n = 75) e grupo que relatou não para os três casos (n = 722)
Dimensões Grupo Média DP t (gl) d (p)
Dependência
Não 1,91 0,58
–10,023 (795) 1,22 (< 0,001)
Sim 2,63 0,65
Agressividade
Não 1,72 0,55
–5,583 (795) 0,68 (< 0,001)
Sim 2,11 0,73
Instabilidade de humor
Não 1,84 0,47
–17,494 (795) 2,12 (< 0,001)
Sim 2,87 0,63
Excentricidade
Não 1,86 0,53
–7,782 (795) 0,94 (< 0,001)
Sim 2,37 0,55
Necessidade de atenção
Não 2,21 0,58
–5,534 (795)0,67 (< 0,001)
Sim 2,60 0,63
Desconfiança
Não 2,01 0,53
–4,736 (795) 0,57 (< 0,001)
Sim 2,32 0,58
Grandiosidade
Não 2,00 0,54
–1,801 (795) 0,22 (0,072)
Sim 2,13 0,60
Isolamento
Não 1,95 0,55
–3,189 (795) 0,39 (0,001)
Sim 2,16 0,55
Evitação a críticas
Não 1,87 0,54
–8,087 (795) 0,98 (< 0,001)
Sim 2,40 0,55
Autossacrifício
Não 1,97 0,54
–11,476 (795) 1,39 (< 0,001)
Sim 2,74 0,67
Conscienciosidade
Não 2,14 0,46
–1,354 (795) 0,16 (0,176)
Sim 2,22 0,51
Inconsequência
Não 1,71 0,55
–6,202 (795) 0,75 (< 0,001)
Sim 2,13 0,69
Ao que concerne a última comparação, como poderia se esperar, já que foram discri-
minados grupos mais extremos, observa-se uma clara tendência, com efeitos bastante 
altos para muitas das dimensões, sendo inferior somente para a dimensão Conscien-
ciosidade, padrão observado para todas as comparações, bem como a dimensão Ins-
tabilidade de humor apresentando a maior discrepância, padrão também obtido em 
todos os casos.
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Capítulo 6. Padronização da aplicação  
e correção do IDCP-2
Neste capítulo estão apresentados os modos de aplicação das dimensões do IDCP-2, 
além de informações sobre como as dimensões e os fatores são corrigidos. Como o 
sistema é totalmente informatizado e o teste é de autorrelato, essas informações são 
breves, pela sua natureza facilitada.
6�1 Aplicação
A aplicação informatizada pode ser realizada de forma individual ou coletiva, com 
qualquer número de sujeitos. Contudo, sugere-se que esse número não seja superior 
a trinta, pois, assim, o profissional pode resolver dúvidas com mais facilidade. O teste 
não tem limite de tempo e usualmente não ultrapassa 40 minutos.
Além das recomendações relativas aos procedimentos para aplicação na plataforma 
em que o teste é hospedado, é importante que o profissional esteja atento a alguns 
atributos quanto ao ambiente de coleta: espaço físico suficiente e confortável para o 
avaliado; iluminação; temperatura; higienização; proteção quanto à individualidade de 
cada avaliado; e ambiente minimamente neutro.
Antes de iniciar o teste, o próprio avaliado deve preencher seus dados sociodemo-
gráficos, conforme solicitado. Logo após, são apresentadas as seguintes instruções:
A seguir, existe uma série de frases sobre como as pessoas se comportam e pensam. Responda o 
quanto estas frases se aplicam a você da maneira mais sincera possível. Não existem respostas certas 
ou erradas. Não se preocupe se algumas lhe parecerem pouco comuns, pois elas representam ações 
que podem servir a outras pessoas.
Leia atentamente as frases e atribua pontos de 1 a 4, conforme o quanto elas são verdadeiras para 
você, de acordo com a seguinte escala:
1. Nada (não tem nada a ver comigo).
2. Pouco (tem um pouco a ver comigo).
3. Moderadamente (tem a ver comigo).
4. Muito (tem muito a ver comigo).
Logo após as instruções aparecerem ao avaliado, há o botão para continuar, iniciando 
o teste. O profissional deve fazer toda a orientação necessária, garantindo que o avalia-
do somente inicie o teste após não restarem mais dúvidas.
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6�2 Correção e resultados
No que se refere ao cálculo para a pontuação total de cada uma das dimensões do 
IDCP e dos fatores que as compõem, todo o procedimento é realizado pelo sistema. As-
sim, ao finalizar a aplicação on-line, o sistema automaticamente retorna ao profissional 
os resultados obtidos pelo avaliado na plataforma.
No manual do IDCP-2, não consta como cada dimensão e cada fator devem ser calcu-
lados, mas a lógica para esse cálculo é simples e está apresentada aqui. Cada dimensão 
é composta por um número específico de itens; por exemplo, a dimensão Dependência 
tem dezoito itens. O cálculo dessa dimensão se refere, portanto, à soma da pontuação 
em cada um desses dezoito itens, e, na sequência, o resultado da soma é dividido pelo 
número de itens, no caso, dezoito. Esse procedimento de divisão tem como consequên-
cia todas as dimensões e todos os fatores do IDCP-2 apresentarem como pontuação 
mínima um e pontuação máxima quatro.
Quando os resultados são transformados em um relatório informatizado via platafor-
ma, são apresentados ao profissional gráficos com os percentis e a respectiva categoria 
interpretativa. O relatório gerado pela plataforma possibilita que o profissional elabore 
um relatório pormenorizado, agregando as informações obtidas via IDCP-2 com outras 
fontes relevantes.
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Capítulo 7. Normatização e interpretação2
7.1. Normas e diretrizes para interpretação
Neste capítulo estão apresentados os dados normativos das dimensões do IDCP-
2 e dos fatores que as compõem. Para esse cálculo, foi utilizada a mesma amostra 
(n = 1.656) reportada nas análises complementares para a verificação das propriedades 
psicométricas. Ressalta-se que estão apresentadas tabelas normativas somente para a 
amostra total, e não separadamente, por dados sociodemográficos, já que (a) foram ve-
rificadas tendências para não diferenças expressivas entre grupos e (b) não se sustenta 
uma comparação de traços da personalidade para grupos específicos.
No que se refere à primeira justificativa, na comparação entre médias (teste t ou Anova 
com post hoc), observou-se uma tendência para obtenção de médias similares entre gru-
pos por sexo, escolaridade e região do país. Especificamente, os efeitos (demonstrados 
com base no d de Cohen) encontrados para as comparações foram sempre inferiores a d 
= 0,40 para a variável sexo, de modo que as pequenas diferenças brutas entre médias não 
implicam mudanças entre faixas (ver Tabela 7.1 para verificar as faixas); as diferenças para 
as oito categorias de escolaridade (i.e., Ensino Fundamental, Ensino Médio Incompleto, 
1o ano do Ensino Médio, 2o ano do Ensino Médio, 3o ano do Ensino Médio, Ensino Superior 
Incompleto, Ensino Superior Completo e Pós-graduação) tenderam a não apresentar dife-
renças significativas pela análise post hoc (p < 0,05) para a maior parte dos casos, também 
sem implicar mudanças nas faixas; por último, a ausência de diferenças expressivas (p < 
0,05) para os estados foi observada com pequenas diferenças, não implicando mudanças 
nas categorias interpretativas. Além disso, com relação ao segundo critério, uma avaliação 
de traços da personalidade deve ser realizada pela comparação da pessoa com a população 
do país mais do que em relação a um subgrupo específico. Para a normatização dos escores, 
foi utilizado o percentil, isto é, a conversão do escore bruto para percentil, de acordo com 
cinco categorias, tal qual apresentado na Tabela 7.1.
Tabela 7.1  Categorias normativas, respectivas faixas de percentis e interpretações gerais
Faixas Categorias Interpretação geral
0-25 Ausente Demonstra não possuir aquele funcionamento e, portanto, as dificuldades relacionadas a ele
26-40 Baixo Tendência a não apresentar os traços patológicos da dimensão ou do fator, com presença pouco clara do funcionamento
41-60 Moderado Alguma tendência a apresentar as dificuldades típicas do funcionamento avaliado
61-75 Alto Demonstra possuir aquele funcionamento e, portanto, parte das dificuldades relacionadas a ele
2 Este capítulo é de autoria de Lucas de Francisco Carvalho, Ricardo Primi e Fabiano Koich Miguel.
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76-100 Extremo
Clara tendência relacionada ao funcionamento patológico, exibindo os traços 
patológicos típicos da dimensão ou fator
As cinco categorias que correspondem às faixas dos percentis se referem ao nível 
em que os funcionamentos patológicos estão presentes, podendo variar entre ausência 
de determinado funcionamento patológico, baixo nível do funcionamento patológico, 
nível moderado, nível alto e nível extremo. As interpretações na tabela são gerais e 
devem ser cuidadosamente aplicadas pelo profissional para cada uma das dimensões e 
dos fatores do IDCP-2. A seguir, são apresentadas consecutivamente as tabelas norma-
tivas das dimensões e dos fatores do instrumento.
Tabela7�2 Dados normativos para as pontuações nas dimensões do IDCP-2
Faixas Categorias Dependência Agressividade Instabilidade de humor Excentricidade
0–25 Ausência Até 1,6 Até 1,4 Até 1,7 Até 1,6
26–40 Baixa 1,7 a 1,9 1,5 a 1,6 1,8 a 2 1,7 a 1,8
41–60 Média 2 a 2,3 1,7 a 1,9 2,1 a 2,3 1,9 a 2,1
61–75 Alta 2,4 a 2,6 2 a 2,2 2,4 a 2,6 2,2 a 2,4
76–100 Extremo 2,7 a 4 2,3 a 4 2,7 a 4 2,5 a 4
Necessidade de atenção Desconfiança Grandiosidade Isolamento
0–25 Ausência Até 1,9 Até 1,7 Até 1,6 Até 1,6
26–40 Baixa 2 a 2,1 1,8 a 1,9 1,7 a 1,8 1,7 a 1,8
41–60 Média 2,2 a 2,4 2 a 2,2 1,9 a 2,1 1,9 a 2,1
61-75 Alta 2,5 a 2,7 2,3 a 2,5 2,2 a 2,4 2,2 a 2,4
76-100 Extremo 2,8 a 4 2,6 a 4 2,5 a 4 2,5 a 4
Evitação a críticas Autossacrifício Conscienciosidade Inconsequência
0–25 Ausência Até 1,6 Até 1,7 Até 1,8 Até 1,3
26–40 Baixa 1,7 a 1,9 1,8 a 2 1,9 a 2 1,4 a 1,6
41–60 Média 2 a 2,1 2,1 a 2,4 2,1 a 2,2 1,7 a 1,9
61–75 Alta 2,2 a 2,5 2,5 a 2,7 2,3 a 2,5 2 a 2,2
76–100 Extremo 2,6 a 4 2,8 a 4 2,6 a 4 2,3 a 4
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Tabela 7.3  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão Dependência do IDCP-2
Faixas Categorias Autodesvalorização Evitação de abandono Insegurança
0–25 Ausência Até 1,4 Até 1,7 Até 1,4
26–40 Baixa 1,4 a 1,8 1,8 a 2 1,5 a 1,6
41–60 Média 1,9 a 2,3 2 a 2,5 1,7 a 2
61–75 Alta 2,4 a 2,7 2,6 a 2,8 2,1 a 2,4
76–100 Extremo 2,8 a 4,0 2,9 a 4,0 2,5 a 4,0
Tabela 7.4  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão Agressividade do IDCP-2
Faixas Categorias Antagonismo Violência
0–25 Ausência Até 1,3 Até 1,4
26–40 Baixa 1,4 1,5 a 1,6
41–60 Média 1,5 a 1,8 1,7 a 2
61–75 Alta 1,9 a 2,1 2,1 a 2,3
76–100 Extremo 2,2 a 4,0 2,4 a 4,0
Tabela 7.5  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão Instabilidade 
de humor do IDCP-2
Faixas Categorias Vulnerabilidade Preocupação ansiosa Desesperança
0–25 Ausência Até 1,6 Até 2,0 Até 1,0
26–40 Baixa 1,7 a 2,0 2,1 a 2,3 1,1 a 1,2
41–60 Média 2,1 2,3 2,4 a 2,6 1,3 a 1,7
61–75 Alta 2,4 a 2,6 2,7 a 3,0 1,8 a 2,2
76–100 Extremo 2,7 a 4,0 3,1 a 4,0 2,3 a 4,0
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Tabela 7.6  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão Excentricidade 
do IDCP-2
Faixas Categorias Desapego interpessoal
Estilo 
excêntrico Paranormalidade Persecutoriedade Despersonalização
Inexpressividade 
emocional
0–25 Ausência Até 1,6 Até 1,6 1,0 Até 1,3 Até 1,0 Até 1,3
26–40 Baixa 1,7 a 2,0 1,7 a 2,0 1,1 a 1,3 1,4 a 1,6 1,1 a 1,3 1,4 a 1,6
41–60 Média 2,1 a 2,6 2,1 a 2,6 1,4 a 2,0 1,7 a 2,0 1,4 a 2,0 1,7 a 2,0
61–75 Alta 2,7 a 3,0 2,7 a 3,3 2,1 a 2,3 2,1 a 2,3 2,1 a 2,3 2,1 a 2,3
76–100 Extremo 3,1 a 4,0 3,4 a 4,0 2,4 a 4,0 2,4 a 4,0 2,4 a 4,0 2,4 a 4,0
Tabela 7.7  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão Necessidade 
de atenção do IDCP-2
Faixas Categorias Sedução e manipulação
Intensidade 
emocional
Busca por 
atenção
Superficialidade 
interpessoal
0–25 Ausência Até 1,6 Até 1,6 Até 1,5 Até 1,6
26–40 Baixa 1,7 a 2,0 1,7 a 2,0 1,6 a 2,0 1,7 a 2,0
41–60 Média 2,1 a 2,3 2,1 a 2,6 2,1 a 2,5 2,1 a 2,6
61–75 Alta 2,4 a 3,0 2,7 a 3,3 2,6 a 2,7 2,7 a 3,0
76–100 Extremo 3,1 a 4,0 3,4 a 4,0 2,8 a 4,0 3,1 a 4,0
Tabela 7.8  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão Desconfiança 
do IDCP-2
Faixas Categorias Suspiciosidade Desconfiança nas relações Controle
Enganosidade 
alheia
Desconfiança 
irritada
0–25 Ausência Até 1,0 Até 2,5 Até 1,6 Até 1,6 Até 1,3
26–40 Baixa 1,1 a 1,2 2,6 a 2,7 1,7 a 2,0 1,7 a 2,0 1,4 a 1,7
41–60 Média 1,3 a 1,6 2,8 a 3,0 2,1 a 2,3 2,1 a 2,6 1,8 a 2,0
61–75 Alta 1,7 a 2,0 3,1 a 3,2 2,4 a 2,6 2,7 a 3,0 2,1 a 2,3
76–100 Extremo 2,1 a 4,0 3,3 a 4,0 2,7 a 4,0 3,1 a 4,0 2,4 a 4,0
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Tabela 7.9  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão Grandiosidade do IDCP-2
Faixas Categorias Necessidade de reconhecimento Superioridade Dominância Indiferença
0–25 Ausência Até 1,5 Até 1,4 Até 2,0 Até 1,0
26–40 Baixa 1,6 a 1,7 1,5 a 1,6 2,1 a 2,2 1,1 a 1,2
41–60 Média 1,8 a 2,2 1,7 a 2,2 2,3 a 2,6 1,3 a 1,7
61–75 Alta 2,3 a 2,7 2,3 a 2,6 2,7 a 2,8 1,8 a 2,0
76–100 Extremo 2,8 a 4,0 2,7 a 4,0 2,9 a 4,0 2,1 a 4
Tabela 7.10  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão Isolamento do IDCP-2
Faixas Categorias Individualismo Isolamento social
Evitação de 
intimidade
Apatia 
emocional
0–25 Ausência Até 2,1 Até 1,5 Até 1,0 Até 1,0
26–40 Baixa 2,2 a 2,5 1,6 a 1,7 1,1 a 1,2 1,1 a 1,2
41–60 Média 2,6 a 2,8 1,8 a 2,2 1,3 a 1,5 1,3 a 1,7
61–75 Alta 2,9 a 3,1 2,3 a 2,7 1,6 a 2,0 1,8 a 2,0
76–100 Extremo 3,2 a 4,0 2,8 a 4,0 2,1 a 4,0 2,1 a 4,0
Tabela 7.11  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão Evitação a 
críticas do IDCP-2
Faixas Categorias Ansiedade Evitação generalizada
Evitação de relações 
íntimas
0–25 Ausência Até 1,8 Até 1,5 Até 1
26–40 Baixa 1,9 a 2,2 1,6 a 1,7 1,1
41–60 Média 2,3 a 2,7 1,8 a 2,1 1,2 a 1,7
61–75 Alta 2,8 a 3,2 2,2 a 2,5 1,8 a 2,2
76–100 Extremo 3,3 a 4,0 2,6 a 4,0 2,3 a 4,0
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Tabela 7.12  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão Autossacrifício  
do IDCP-2
Faixas Categorias Masoquismo Depressividade Desesperança autodirigida Submissividade
0–25 Ausência Até 1,8 Até 1,5 Até 1,2 Até 1,5
26–40 Baixa 1,9 a 2,1 1,6 a 1,7 1,3 a 1,7 1,6 a 1,7
41–60 Média 2,2 a 2,6 1,8 a 2,5 1,8 a 2,2 1,8 a 2,2
61–75 Alta 2,7 a 3,0 2,6 a 3,0 2,3 a 2,7 2,3 a 2,5
76–100 Extremo 3,1 a 4,0 3,1 a 4,0 2,8 a 4,0 2,6 a 4,0
Tabela 7.13  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão  
Conscienciosidade do IDCP-2
Faixas Categorias Necessidade de rotina
Preocupação 
com detalhes Meticulosidade
Compulsão 
ao trabalho
Perfeccionismo 
autodirecionado
Constrição 
emocional
0–25 Ausência Até 1,3 Até 2,0 Até 2,2 Até 1,2 Até 1,5 Até 1,8
26–40 Baixa 1,4 a 1,7 2,1 a 2,3 2,3 a 2,5 1,3 a 1,5 1,6 1,9 a 2,0
41–60 Média 1,8 a 2,0 2,4 a 2,7 2,6 a 3,0 1,6 a 1,8 1,7 a 2,0 2,1 a 2,4
61–75 Alta 2,1 a 2,3 2,8 a 3,3 3,1 a 3,3 1,9 a 2,3 2,1 a 2,3 2,5 a 2,6
76–100 Extremo 2,4 a 4,0 3,4 a 4,0 3,4 a 4,0 2,4 a 4,0 2,4 a 4,0 2,7 a 4,0
Tabela 7.14  Dados normativos para as pontuações nos fatores da dimensão  
Inconsequência do IDCP-2
Faixas Categorias Impulsividade Tomada de risco Enganosidade
0–25 Ausência Até 1,3 Até 1,2 Até 1,2
26–40 Baixa 1,3 a 1,7 1,3 a 1,4 1,3 a 1,5
41–60 Média 1,8 a 2,0 1,5 a 1,8 1,6 a 1,8
61–75 Alta 2,1 a 2,3 1,9 a 2,3 1,9 a 2,3
76–100 Extremo 2,4 a 4,0 2,4 a 4,0 2,4 a 4,0
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7�2 Casos ilustrativos
Neste tópico, estão apresentados dois casos para ilustrar modos interpretativos a 
partir das pontuações nas dimensões e nos fatores do IDCP-2. Buscou-se contemplar 
diferentes níveis de funcionamento mais ou menos patológicos, abarcando possibilida-
des amplas de interpretação. Ressalta-se que os casos ilustrativos aqui relatados foram 
inspirados em casos de pacientes reais, participantes de pesquisas realizadas com o 
IDCP-2.
7�2�1 Caso 1: mulher, 32 anos, iniciando tratamento psicológico
G. havia sido demitida de seu trabalho, pouco tempo depois de sofrer um acidente 
moderadamente grave no trânsito. Sua demissão foi por justa causa, implicando algu-
mas tentativas de G. para enganar seu chefe, e o acidente no trânsito foi considerado 
sua culpa. Também por conta de um histórico de outras demissões e envolvimento em 
acidentes ou outras situações de risco, a irmã de G. insistiu para que ela fizesse psico-
terapia. Os resultados de G. no IDCP-2 foram os seguintes:
Tabela 7�15 Pontuações da paciente G�
Dimensões Pontos Classificação
Dependência 1,7 Baixo
Agressividade 1,3 Ausente
Instabilidade de humor 1,9 Baixo
Excentricidade 1,4 Ausente
Necessidade de atenção 2,2 Médio
Desconfiança 1,3 Ausente
Grandiosidade 1,8 Baixo
Isolamento 1,9 Médio
Evitação a críticas 1,5 Ausente
Autossacrifício 1,8 Baixo
Conscienciosidade 1,9 Baixo
Inconsequência 3,1 Extremo
As mesmas informações apresentadas na Tabela7.15 podem ser visualizadas na Fi-
gura 7.1, cujas cores se referem aos diferentes níveis de classificação. As classificações 
baixo e ausente são apresentadas em variações da cor verde, indicando que merecem 
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pouca atenção do profissional; a classificação moderado está em amarelo, sugerindo 
que o profissional deve ficar alerta, isto é, é uma classificação que merece atenção; e 
as classificações alto e extremo são apresentadas em tons de vermelho, indicando a 
necessidade de atenção profissional.
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Extremo 
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Alto 
61—75
Moderado 
41—60
Baixo 
26—40
Ausente 
0—25
Figura 7.1  Gráfico com as pontuações obtidas pela paciente G. nas dimensões do IDCP-2.
A paciente G. apresentou uma pontuação extrema (Inconsequência) e duas médias 
(Necessidade de atenção e Isolamento). Pode-se considerar que, nas demais dimensões 
patológicas da personalidade, que representam conjuntos de traços patológicos, a pa-
ciente demonstra adequação em seu funcionamento. Especificamente, G. apresentou 
pontuação extrema nos três fatores de Inconsequência, e em todos eles a pontuação 
foi superior a 3,0. Essas pontuações indicam a tendência da paciente para ser impul-
siva e imprudente em diversas situações, bem como frequentemente tomar decisões 
de maneira rápida e pouco pensada, colocando-se, por vezes, em situações de risco e 
até mesmo perigosas fisicamente. Além disso, também se observa uma clara tendência 
pela busca de seus objetivos usando controle, mentiras e ludibriações com os outros.
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De maneira menos evidente, mas, ainda assim, com relevância clínica, observam-se 
as pontuações em Necessidade de atenção. Corroborando as pontuações em Incon-
sequência, o fator em que se deu pontuação mais alta em Necessidade de atenção foi 
Sedução e manipulação (3,1), e nos demais as pontuações foram ao redor de 2,0. Isso 
sugere que G. tende a usar comportamentos para manipular, além de sedução para esse 
fim, na busca por atingir seus objetivos.
Similarmente ao que foi encontrado para Necessidade de atenção, G. apresentou pon-
tuação média na dimensão Isolamento. Entretanto, dos quatro fatores dessa dimensão, 
apenas no fator Individualismo a pontuação foi alta e, nos demais (Isolamento social, 
Apatia emocional e Evitação de intimidade), foi ausente, isto é, ausência de funciona-
mento patológico. A pontuação alta em Isolamento social sugere tendência a predile-
ção por G. em fazer suas atividades e seus trabalhos sozinha, não em grupos, de modo 
que situações na qual G. é obrigada a trabalhar em grupo podem deixá-la irritada.
7�2�2 Caso 2: homem, 27 anos, buscou tratamento psiquiátrico
C. buscou um psiquiatra quando precisou procurar trabalho, mas não conseguiu ir 
a nenhuma entrevista, por ter dificuldade em se relacionar com os outros. Sua mãe, 
única pessoa com quem tinha um relacionamento mais próximo, incentivou-o a buscar 
tratamento, pois considerava que o filho estava cada vez mais isolado e com comporta-
mentos esquisitos. O psiquiatra continuou o tratamento com C. e o encaminhou a um 
psicólogo. Com base nisso, o IDCP-2 foi aplicado. Os resultados de C. no IDCP-2 foram 
os seguintes:
Tabela 7�16 Pontuações do paciente C
Dimensões Pontos Classificação
Dependência 1,8 Baixo
Agressividade 1,4 Ausente
Instabilidade de humor 2,5 Alto
Excentricidade 3,0 Extremo
Necessidade de atenção 1,9 Ausente 
Desconfiança 1,8 Baixo
Grandiosidade 1,6 Ausente
Isolamento 2,3 Alto
Evitação a críticas 1,8 Baixo
Autossacrifício 1,9 Baixo
Conscienciosidade 1,9 Baixo
Inconsequência 1,2 Ausente
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As mesmas informações apresentadas na Tabela 7.16 podem ser visualizadas na Figu-
ra 7.2, cujas cores se referem aos diferentes níveis de classificação. Tal qual já explica-
do, as classificações são apresentadas em tons de verde (ausente ou baixo; sem ou com 
pouca relevância profissional), amarelo (moderado; com relevância profissional) e ver-
melho (alto ou extremo; com muita relevância profissional), indicando a necessidade 
de atenção que deve ser dado pelo profissional.
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Extremo 
76—100
Alto 
61—75
Moderado 
41—60
Baixo 
26—40
Ausente 
0—25
Figura 7.2  Gráfico com as pontuações obtidas pelo paciente C. nas dimensões do IDCP-2.
O paciente C. apresentou uma pontuação extrema (Excentricidade) e duas altas (Ex-
centricidade e Isolamento). A pontuação em Excentricidade sugere que C. é visto pelos 
outros como alguém estranho, esquisito, e também indica que ele tem crenças em ex-
periências e fenômenos sobrenaturais. Esse funcionamento é indicado pelas pontua-
ções extremas nos fatores Estilo excêntrico e Paranormalidade, mas baixas em Perse-
cutoriedade, Despersonalização e Inexpressividade emocional. Complementarmente 
ao funcionamento indicado por dois fatores da dimensão Excentricidade, C. obteve 
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pontuações altas em três fatores (Individualismo, Isolamento social e Evitação de inti-
midade), indicando ser uma pessoa com preferência clara por ficar sozinho, fazer suas 
tarefas e atividades sem incluir outras pessoas, e ter muita dificuldade em estabelecer 
relações interpessoais mais íntimas.
Também foi alta a pontuação de C. na dimensão Instabilidade de humor; em dois 
fatores a pontuação foi alta (Vulnerabilidade e Preocupação ansiosa) e baixa em outro 
(Desesperança). As pontuações altas nos fatores indicam que C. é uma pessoa ansiosa, 
com preocupação exagerada sobre o futuro, além de demonstrar oscilações no humor 
diante de situações do cotidiano, com tendência a perder o controle.
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Capítulo 8� IDCP versão triagem (IDCP-triagem)
8�1 Escopo, propósitos, limitações e público-alvo do IDCP-triagem
O usuário do IDCP-2 e do IDCP-triagem deve ter clareza da distinção entre essas 
ferramentas e da relação entre elas quanto à aplicabilidade. Uma avaliação de traços 
patológicos da personalidade tem como objetivo inerente mapear o funcionamento pa-
tológico de uma pessoa, em relação à personalidade. A avaliação deve levar o profissio-
nal a uma tomada de decisão, muitas vezes com base na presença ou na ausência de um 
diagnóstico, isto é, com base no estabelecimento de um perfil, que pode ser ou não psi-
copatológico. Em uma visão mais ampla, realizar um diagnóstico pode se referir a ve-
rificar se uma pessoa tem ou não determinada condição (e.g., diabetes ou depressão); 
pode também se referir a verificar se uma pessoa é adequada ou não para determinada 
função em uma empresa; se apresenta os requisitos necessários para porte de arma; se 
é apta a ter a carteira nacional de habilitação; entre outras possibilidades. Esse é um 
conceito amplo de diagnóstico, em que este é compreendido como um procedimento 
para estabelecer se determinada condição é ou não presente, ou, ainda, se determinada 
condição é mais ou menos presente.
O IDCP-2 e o IDCP-triagem estão nesse contexto, mas têm funções distintas e são 
utilizados em momentos diferentes. Especificamente, o IDCP-triagem é uma ferramen-
ta para triagem de TP, e o resultado que ele fornece para o profissional a partir de sua 
aplicação é “positivo” ou “negativo”. O resultado positivo indica que a pessoa avaliada 
tem potencial para ser diagnosticada com um ou mais TP, ou seja, não significa que a 
pessoa tenha um TP, mas é um indicador de que essa condição deve ser investigada. 
Já o resultadonegativo indica que a pessoa avaliada não preenche os critérios gerais 
mínimos para TP, isto é, diferentemente do resultado positivo, que é um indicador de 
potencial, o negativo é um indicador da ausência de TP.
O IDCP-triagem segue a lógica das triagens em saúde mental, que são desenvolvi-
das para obterem alta sensibilidade e moderada especificidade (Andreoli, Blay & Mari, 
1998; Fletcher, Fletcher & Wagner, 1996; Germans, Van Heck, & Hodiamont, 2012; 
Klein & Costa, 1987; Morse & Pilkonis, 2007). A sensibilidade se refere à capacidade 
da ferramenta em indicar corretamente quem é positivo em uma condição, isto é, tem 
o transtorno; e a especificidade se refere à capacidade da ferramenta em indicar corre-
tamente quem é negativo em uma condição, ou seja, quem não tem o transtorno. Alta 
sensibilidade e moderada especificidade visam aumentar a chance em indicar todos os 
verdadeiros positivos – quem tem o transtorno –, bem como têm como efeito colateral 
o aumento de falsos positivos – indicar que algumas pessoas têm o transtorno quando, 
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na verdade, não o têm. Deve-se ressaltar que, apesar de as triagens serem desenvolvi-
das para identificar todos os positivos como positivos e, por isso, acabam por identi-
ficar alguns negativos como positivos, também existe a chance, ainda que se busque 
diminuí-la ao máximo, de algumas pessoas positivas serem identificadas como negativas.
Em suma, o IDCP-triagem visa indicar se uma pessoa é um potencial positivo para 
TP ou é negativo para TP. Sendo de triagem, sua aplicação é breve, além de ser autoapli-
cável. Assim, por um lado, o IDCP-triagem não fornece ao profissional um mapeamen-
to de traços patológicos da personalidade, mas indica pessoas potencialmente com TP. 
Nesse sentido, o IDCP-triagem tem sua aplicação predominantemente relacionada à 
predição, já que visa prever se a pessoa avaliada tem ou não um ou mais TP. Uma vez 
que se tenha suspeita de que a pessoa tem um TP, isto é, o resultado foi positivo, outras 
ferramentas devem ser utilizadas, buscando mapear e diagnosticar o TP em poten-
cial. Entre essas ferramentas, encontra-se o IDCP-2, especificamente desenvolvimento 
para mapear traços patológicos da personalidade.
É importante que o profissional observe a natureza do IDCP-triagem, qual seja, au-
torrelato, assim como o IDCP-2. Por isso, ele não deve utilizar essa ferramenta em 
casos em que há suspeita evidente da possibilidade de manipulação por parte de quem 
está sendo avaliado, como é típico dos contextos de seleção (e.g., para processos seleti-
vos em empresas). Assim, ao mesmo tempo em que o autorrelato é um facilitador para 
avaliação, sendo de rápida e fácil aplicação, também é uma limitação para uso da ferra-
menta em determinados contextos. O autorrelato pode apresentar vieses importantes 
em determinados contextos, sobretudo naqueles que impliquem desejabilidade social. 
Situações de processo seletivo ou de avaliação compulsória são exemplos em que a 
desejabilidade social tipicamente pode implicar vieses importantes para avaliação via 
autorrelato. Ainda como fragilidade decorrente do autorrelato, o nível de escolarida-
de do avaliado, quando não suficiente para permitir que ele compreenda as questões, 
pode se tornar um elemento dificultador na avaliação. Nesses casos, é possível que o 
profissional utilize o procedimento da avaliação assistida, isto é, leia os itens para o 
avaliado e marque a resposta que ele verbalizar.
Por último, outra limitação importante das triagens se refere à possibilidade em atri-
buir um resultado “negativo”, ou seja, não tem o transtorno, para uma pessoa que, na 
verdade o tem. Esses casos são chamados de falsos negativos e são extremamente inde-
sejáveis para uma triagem, já que o encaminhamento para uma avaliação mais aprofun-
dada não é realizado, o que pode prejudicar a pessoa que está passando pelo processo. 
O desenvolvimento e a verificação das propriedades psicométricas do IDCP-triagem 
tiveram entre seus principais objetivos diminuir a chance para ocorrência de falsos 
positivos, contudo eliminar essa chance não é possível com os conhecimentos atuais 
em saúde mental e psicometria. 
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Quanto ao público-alvo do IDCP-triagem, pode-se considerar a mesma informação 
apresentada para o IDCP-2, isto é, a partir dos 18 anos de idade, ainda que possivelmente 
pessoas com idade inferior e próximas (e.g., 16 e 17 anos) apresentem funcionamento 
bastante similar ao que já foi observado em adultos. Além disso, o IDCP-triagem pode 
ser aplicado na população geral e em pessoas vindas de contextos específicos ou de 
risco (como populações psiquiátricas, com condições médicas, entre outros).
8�2 Desenvolvimento do IDCP-triagem
O IDCP-triagem foi desenvolvido diretamente com base nos itens do IDCP e do 
IDCP-2. Assim, suas bases teóricas são as mesmas descritas para o IDCP-2 neste ma-
nual. Tal qual descrito por Carvalho, Pianowski e Reis (2017), o estudo de desenvolvi-
mento do IDCP-triagem contou com 1.196 indivíduos, com idades entre 18 e 73 anos 
(M = 26,32; DP = 8,69), 64,1% (n = 767) do sexo feminino, sendo 88,9% (n = 1.063) 
cursando Ensino Superior ou graduados. Compuseram a amostra um grupo não clíni-
co (n = 1.093) e um grupo clínico (n = 105), este último diagnosticado com base na 
Structured Clinical Interview for DSM-IV axis II (SCID-II); todos apresentaram diagnós-
tico de ao menos um TP.
Para a seleção final de itens do IDCP-triagem, isto é, para determinar sua compo-
sição final, foi utilizado um procedimento similar ao adotado no desenvolvimento do 
Minnesota Multiphasic Personality Inventory (MMPI), considerado como uma aborda-
gem empírica com base em critério (Buchanan, 1994; Gregory, 2013). Nessa aborda-
gem, a relação entre itens (i.e., estrutura interna) é menos relevante em comparação 
à capacidade do conjunto de itens em discriminar grupos. No caso, esperava-se que o 
conjunto final de itens do IDCP-triagem fosse capaz de discriminar pessoas com TP 
daquelas sem esses transtornos.
Com base nessa lógica, Carvalho, Pianowski e Reis (2017) realizaram quatro grupos 
de análises: 
1. análise de regressão logística com todos os itens (método forward wald), excluin-
do inicialmente os que apresentaram multicolinearidade, verificando o peso e a 
significância de cada item na discriminação entre grupos (grupos clínico e não 
clínico); 
2. análise de regressão logística, utilizando os métodos enter e forward (wald), so-
mente com os itens que foram mantidos entre o IDCP e o IDCP-2; 
3. análise de regressão logística, somente com os itens da dimensão Instabilidade 
de humor; 
4. comparação padronizada (d de Cohen) entre grupos no nível dos itens.
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Para a primeira análise de regressão, com todos os itens, foi utilizado unicamente o 
método forward (wald), já que muitas variáveis preditoras foram inseridas. A análise 
abarcando somente os 61 itens mantidos entre o IDCP e o IDCP-2 foi realizada conside-
rando que (a) os itens mantidos na versão revisada são empiricamente os que apresen-
taram maior adequação psicométrica em estudos anteriores e, (b) apesar de alguns itens 
compartilhados com a análise anterior, abarcando o IDCP de modo geral, trata-se de 
um agrupamento diferente de variáveis preditoras. Similarmente, no terceiro grupo 
de análises, foram utilizados somente os 27 itens compondo a dimensão Instabilidade de 
humor, já que dados apresentados em estudos anteriores sugeriram essa dimensão como 
subjacente a funcionamentos patológicos da personalidade em geral (e.g., Carvalho & 
Primi, 2016b; Abela et al., 2015). Por fim, em uma especificidade para o quarto grupo de 
análises (i.e., d de Cohen), estabeleceu-se arbitrariamente o percentil 75 (d = 0,60) como 
ponto de corte para a seleção dos itens mais discriminativos.
O critério utilizado para determinar a versão final do IDCP-triagem foi manter so-
mente os itens que foram encontrados em pelo menosdois dos quatro conjuntos de 
análises realizadas. Os itens que se mantiveram por esse escrutínio foram testados em 
uma última análise de regressão logística.
Com base nesses conjuntos, os pesquisadores encontraram um grupo de 21 itens. 
Tal qual descrito anteriormente, aplicou-se a análise de regressão logística a esse gru-
po de itens, resultando em r2
cox & snell ajustado
 igual a 39,3% e r2
nagelerke ajustado
 igual a 62,7%; 
foram acertados 96,1% dos não pacientes e 65,7% dos pacientes, com média de 90,2%. 
Entretanto, optou-se por excluir alguns itens que não apresentaram significância na 
predição, o que resultou em um conjunto final de 15 itens, que obtiveram como resul-
tado na regressão logística, r2
cox & snell
 ajustado = 38,5 e r2
nagelerke
 ajustado igual a 61,7%, 
com 96,2% de acertos para os não pacientes e 62,9% de acertos para os pacientes, com 
média igual a 89,8%.
Portanto, o IDCP-triagem, em sua versão final, ficou composto por quinze itens, sendo 
alguns com carga positiva e outros com carga negativa para composição do escore total. 
O IDCP-triagem, então, passou pela verificação de suas propriedades psicométricas.
8�3 Propriedades psicométricas do IDCP-triagem
Também no estudo realizado por Carvalho, Pianowski e Reis (2017), a acurácia diag-
nóstica do IDCP-triagem foi verificada. Estudos de acurácia diagnóstica visam descrever 
as propriedades de um teste no que diz respeito à correta identificação de casos verdadei-
ros (sensibilidade) e falsos (especificidade) da doença. A partir dessa verificação, foi es-
tabelecido o ponto de corte ideal para discriminar casos positivos de negativos, utilizan-
do o procedimento da curva ROC. Encontrou-se uma area under the curve (AUC) igual 
a 0,90, sugerindo boa capacidade discriminativa aos grupos. Além disso, estabeleceu-se 
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o valor bruto igual a dez como ponto de corte ideal, que resultou em sensibilidade igual a 
89,5% e especificidade igual a 67,2%, indicando acurácia diagnóstica para o IDCP-triagem. 
Esses dados significam que a probabilidade de identificar como positivos casos realmen-
te positivos é de quase 90%, e a chance de identificar como negativos casos realmente 
negativos é de quase 70%. Como apontado anteriormente, alta sensibilidade e moderada 
especificidade são o desejável para ferramentas de triagem.
Outro estudo para verificação das propriedades psicométricas do IDCP-triagem foi 
realizado por Carvalho (2017) em uma amostra de 804 participantes da população ge-
ral, sendo 65,4% do sexo feminino, 83% universitários e com idade entre 18 e 69 anos 
(M = 29,65; DP = 10,73). Os participantes responderam, além do IDCP-triagem, ao 
Iowa Personality Disorder Screen (IPDS), à Escala Baptista de Depressão - versão tria-
gem (EBADEP-triagem), à Escala de Motivos para Viver (EMVIVER) e à SCID-PQ-II.
Resultados favoráveis para o IDCP-triagem foram encontrados, incluindo a discrimi-
nação entre casos potencialmente positivos e casos negativos, que se mostrou similar 
à de outras ferramentas de triagem para TP; a comparação entre grupos estabelecidos 
pelo IDCP-triagem e comparados nos demais testes aplicados demonstrou coeficien-
tes d altos em diversos casos e com praticamente todas as comparações significativas; 
também as comparações utilizando variáveis-critério (e.g., estar ou não em tratamento 
psicológico, estar ou não em tratamento psiquiátrico, histórico de tentativa de suicí-
dio, entre outros) demonstraram alta capacidade discriminativa pelo IDCP-triagem; 
e, por último, o perfil de casos identificados como positivos versus o perfil de casos 
identificados como negativos no IDCP-triagem se distinguiram, sobretudo, quantitati-
vamente, de modo que os casos positivos apresentaram maiores escores em depressão 
(EBADEP-triagem), menores escores em motivos para viver (EMVIVER) e maiores es-
cores nas categorias de TP representadas na SCID-PQ-II. Assim, observam-se evidên-
cias favoráveis de validade com base em critérios externos (e.g., tratamento psiquiátri-
co e tentativa de suicídio) e variáveis externas (e.g., EBADEP-triagem e SCID-PQ-II).
8�4 Aplicação, correção e interpretação do IDCP-triagem
Neste tópico, é apresentado como devem ser realizadas a aplicação e a correção do 
IDCP-triagem. De fato, ambas são similares ao que já foi descrito para o IDCP-2, dada 
a natureza dessas ferramentas. Como o sistema é totalmente informatizado e o teste é 
de autorrelato, essas informações são breves.
8�4�1 Aplicação
A aplicação informatizada pode ser realizada de forma individual ou coletiva, com 
qualquer número de sujeitos. Contudo, sugere-se que esse número não seja superior a 
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trinta, pois, assim, o profissional pode resolver dúvidas com mais facilidade. A ferra-
menta não tem limite de tempo e usualmente não ultrapassa 5 minutos.
Além das recomendações relativas aos procedimentos para aplicação na plataforma 
em que o teste é hospedado, é importante que o profissional esteja atento a alguns 
atributos quanto ao ambiente de coleta: espaço físico suficiente e confortável para o 
avaliado; iluminação; temperatura; higienização; proteção quanto à individualidade de 
cada avaliado e ambiente minimamente neutro.
Antes de iniciar o teste, o próprio avaliado deve preencher seus dados sociodemo-
gráficos, conforme solicitado. Logo após, são apresentadas as seguintes instruções:
A seguir, existe uma série de frases sobre como as pessoas se comportam e pensam. Responda o 
quanto estas frases se aplicam a você da maneira mais sincera possível. Não existem respostas certas 
ou erradas. Não se preocupe se algumas delas lhe parecerem pouco comuns, pois elas representam 
ações que podem servir a outras pessoas.
Leia atentamente as frases e atribua pontos de 1 a 4, conforme o quanto elas são verdadeiras para 
você, de acordo com a seguinte escala:
1 – Nada (não tem nada a ver comigo).
2 – Pouco (tem um pouco a ver comigo).
3 – Moderadamente (tem a ver comigo).
4 – Muito (tem muito a ver comigo).
Logo após as instruções aparecerem ao avaliado, há o botão para continuar, iniciando 
o teste. O profissional deve fazer toda a orientação necessária, garantindo que o avalia-
do somente inicie o teste após não restarem mais dúvidas.
8�4�2 Correção e resultados
No que se refere ao cálculo para a pontuação total do IDCP-triagem, todo o procedi-
mento é realizado pelo sistema. Assim, ao finalizar a aplicação on-line, o sistema auto-
maticamente retorna ao profissional os resultados obtidos pelo avaliado na plataforma.
No manual, não consta como o escore total deve ser calculado, mas a lógica para 
esse cálculo é simples e está apresentada aqui. Com base nos estudos realizados, dez 
dos quinze itens que compõem o IDCP-triagem devem ser somados, e os outros cinco 
somente são somados após serem invertidos. O resultado corresponde ao escore da 
pessoa avaliada pelo IDCP-triagem.
Quando os resultados são transformados em um relatório informatizado via platafor-
ma, apresentam ao profissional a respectiva categoria interpretativa, isto é, potencial-
mente positivo ou negativo para TP. O relatório gerado pela plataforma possibilita que 
o profissional elabore um relatório pormenorizado, agregando as informações obtidas 
de outras fontes relevantes.
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8.4.3 Diretrizes para interpretação
Diferentemente do IDCP-2, ao qual dados normativos são apresentados, para a ferra-
menta de triagem, os dados utilizados para interpretar a pontuação obtida pela pessoa 
avaliada se baseiam no ponto de corte determinado para a ferramenta. No caso do 
IDCP-triagem, esse ponto de corte foi determinado no estudo realizado por Carvalho, 
Pianowski e Reis (2017), e testado no estudo conduzido por Carvalho (2017).
Como já relatado anteriormente, o ponto de corte do IDCP-triagem é igual a dez, isto 
é, pessoas com pontuações inferiores a dez são consideradas casos negativos na tria-
gem, e aquelas com pontuações iguais ou superioresa dez, casos positivos (Tabela 8.1).
Tabela 8�1 Pontuações, categorias e interpretações para o IDCP-triagem
Pontuação final Categoria Interpretação
Pontuação < 10 Negativo
A pessoa é um caso negativo para TP, ou seja, não há 
indicativo no teste de que a pessoa tenha um TP
Pontuação ≥ 10 Positivo
A pessoa é um caso potencialmente positivo para TP, ou seja, 
há indicativo no teste da possibilidade de a pessoa ter um ou 
mais TP
Na Tabela 8.1 estão indicadas as duas faixas de pontuações finais possíveis no 
IDCP-triagem e suas respectivas interpretações. É altamente relevante que o profissio-
nal tenha a clareza de que o resultado “negativo” no IDCP-triagem se refere a algo mui-
to próximo a uma confirmação de que o avaliado não tem indicadores que justifiquem 
um diagnóstico para TP. Já o resultado “positivo” no IDCP-triagem indica a possibilida-
de de que a pessoa avaliada tenha um ou mais TP. Contudo, pela lógica inerente às fer-
ramentas de triagem, no caso do IDCP-triagem, espera-se que algo aproximado a 30% 
dos casos identificados como positivos na verdade seja de falsos positivos, isto é, casos 
negativos. Portanto, a pontuação “caso positivo” no IDCP-triagem indica que a pessoa 
avaliada deve ser, então, submetida a procedimentos avaliativos mais aprofundados.
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