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51 Movimentos retilíneos As linhas retas luminosas da foto indicam a trajetória de aviões pouco antes da aterrissagem. Em relação ao solo, todas essas trajetórias são praticamente retilíneas, condição necessá- ria para um pouso seguro. Movimentos em trajetórias retilíneas quase sempre ocorrem em distâncias relativamente curtas. Nas rotas aéreas, por exemplo, os aviões sempre voam acompanhando a curvatura da superfície terrestre. Por isso, em certos mapas, essas rotas costumam ser representadas por trajetórias curvas. A descrição de movimentos em trajetórias retilíneas pode ser realizada com recursos mate- máticos simples. Por esse motivo, iniciamos o capítulo pelo estudo desses movimentos, que também é o assunto dos dois capítulos seguintes. w w w .h o w to b e a re tr o n a u t. c o m /A rq u iv o d a e d it o ra capítulo 4 Foto em múltipla exposição momentos antes da aterrissagem de um avião, evidenciando sua trajetória. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 51 3/7/13 10:34 AM 52 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS 1. Movimentos retilíneos O estudo de um movimento real não é uma tarefa simples. Como vimos no capítulo anterior, pontos di- ferentes do mesmo corpo rígido podem ter trajetó- rias diferentes em relação ao mesmo referencial. Já as trajetórias curvas, bidimensionais, como a trajetória mostrada na figura abaixo, exigem descrições mate- máticas muito difíceis. Por essa razão, para possibili- tar o estudo dos mo vimentos, é necessário fazer al- gumas simplificações. Especialmente nesta fase inicial do nosso estudo, simplificamos o máximo pos- sível, pois os recursos teóricos de que dispomos, tanto em relação à Matemática como à própria Física, são ainda muito reduzidos. Veja as figuras. A figura a é uma representação esquemática de um pêndulo caótico: L é uma pequena lâmpada que dá origem a uma trajetória luminosa semelhante à da foto quando esse pêndulo é posto a oscilar (figura b). A descrição matemática dessa trajetória exige cálculos extrema- mente complexos. G e o rg e I o a n n id is /F li ck r/ G e tt y I m a g e s L L Figura a Figura b Em primeiro lugar, vamos nos restringir ao estudo de corpos rígidos de dimensões desprezíveis em rela- ção aos referenciais considerados, ou seja, só estuda- remos movimentos de pontos materiais. Desse modo, para um dado referencial será possível definir com pre- cisão a posição do móvel em cada instante e a trajetória por ele descrita. Em segundo lugar, vamos estudar apenas movi- mentos de trajetórias retilíneas. Essa restrição torna possível a utilização de apenas um eixo cartesiano como sistema de referência, o que simplifica consi- deravelmente o estudo de um movimento. Veja a fi- gura abaixo. O ponto 0 é a origem, e a seta indica o sentido positivo. Posições à direita de 0 são positivas e à esquerda, negativas. 0 2. Posição e deslocamento Vamos supor um ponto material movimentando-se numa trajetória retilínea onde se fixou o eixo x como sistema de referência, como mostra a figura a seguir. 0 x0 t 0 Dx = x t Iniciando a cronometragem desse movimento no instante inicial t 0 (t zero), a posição ocupada pelo ponto material nesse instante será a posição inicial, repre- sentada por x 0 (x zero). Qualquer outra posição em qualquer outro instante será chamada simplesmente de posição x. No intervalo de tempo Δ t 5 t 2 t 0 , o ponto material passa da posição inicial x 0 à posição x. Essa variação de posições do ponto material nesse intervalo de tempo é denominada deslocamento (Δx &), vetor que liga duas posições de um ponto material em movi- mento. Se a trajetória do ponto material é retilínea, o módulo do vetor deslocamento (Δx) num determina- do intervalo de tempo (Δt) é obtido pela diferença al- gébrica entre as posições sucessivas do ponto mate- rial nesse intervalo: Δx 5 x 2 x 0 A unidade de deslocamento é a mesma unidade de posição ou de comprimento — é o metro (m) no SI. Quando x , x 0 o módulo aparece precedido de um si- nal negativo, o que indica deslocamento em sentido oposto ao do eixo de coordenadas adotado para o es- tudo do movimento. posição x É comum utilizar a letra s, em geral minúscula, como símbolo de posição e o termo espaço em vez de posição — s é inicial de space, que, em portu- guês, significa ‘espaço’. Ambos os procedimentos são inadequa dos. Espaço não é sinônimo de posição nem em Física nem em Língua Portuguesa. Portanto, se espaço é um termo a ser evitado, a letra s a ele vinculada também deve ser evitada. Por essa razão, utilizamos x, símbolo empregado em Geometria analítica para indicar a abscissa de um ponto. É um símbolo preciso que será substituído por y quando estudarmos movimentos em trajetó- rias verticais. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 52 3/7/13 10:34 AM c A P í T U lO 4 – M OV I M E N TOS r E T I l í N E OS 53 E X E R C Í C I O R E S O LV I D O 1. No eixo de coordenada abaixo, estão representadas pelas letras A, B e C as posições, em metros, de um ponto material em movimento. Determine: a) as posições dos pontos A, B e C; b) o módulo do deslocamento entre as posições A e B; A e C; e B e C. resolução a) Basta escrever as abscissas desses pontos na figura dada: x A 5 2,0 m; x B 5 14 m; x C 5 24,0 m b) Entre A e B, da expressão Δx 5 x 2 x 0 escrita na forma Δx AB 5 x B 2 x A , obtemos o módulo do deslocamento: Δx AB 5 14 2 2,0 ⇒ Δx AB 5 12 m Entre A e C o módulo do deslocamento é: Δx AC 5 x C 2 x A ⇒ Δx AC 5 24,0 2 2,0 ⇒ ⇒ Δx AC 5 26,0 m Analogamente, entre B e C o módulo do deslo- camento é: Δx BC 5 x C 2 x B ⇒ Δx BC 5 24,0 2 14 ⇒ ⇒ Δx BC 5 218 m Observações 1·) No deslocamento AC, se o ponto material vai de A para B e volta para C, o espaço percorrido é 30 m (12 m de A para B e 18 m de B para C), enquanto o módulo do deslocamento AC é Δx AC 5 6,0 m (omitimos o sinal negativo por- que ele não se refere ao módulo do desloca- mento, mas ao seu sentido). 2·) O sinal positivo de Δx AB indica que o desloca- mento de A para B tem o mesmo sentido do eixo; os módulos dos deslocamentos de A para C e de B para C são precedidos de sinal negativo porque têm sentidos opostos ao do eixo. 3·) Os deslocamentos obtidos têm módulo, direção (do eixo x) e sentido (indicado pelo sinal), por- tanto, eles estão expressos vetorialmente. –6,0 –4,0 C A B –2,0 0 2,0 4,0 6,0 8,0 10 12 14 16 x (m) E X E R C Í C I O S 1. Por que a Física estuda movimentos retilíneos se eles são tão raros na natureza? 2. Dizer “posição de um ponto material” é o mesmo que dizer “espaço de um ponto material”? Explique. 3. Se um motorista deseja medir o consumo de com- bustível de seu automóvel, em qual dos conceitos ele deve se basear: deslocamento ou espaço per- corrido? Justifique. 4. Um garoto lança uma bola contra uma parede e ela volta à sua mão, mantendo-se na mesma direção. Se a mão do garoto se manteve na mesma posição em relação ao chão desde que a bola saiu da mão até voltar a ela de novo, qual o deslocamento da bola nesse intervalo de tempo? Qual o espaço per- corrido? Justifique. 5. No eixo de coordenada abaixo estão representadas pelas letras A, B e C as posições sucessivas, em metros, de um ponto material em movimento. –10 –5,0 A C B 0 5,0 10 15 20 25 30 35 40 45 x (m) Determine: a) as posições A, B e C; b) o módulo do deslocamento entre as posições A e B; A e C; e B e C. S é rg io D o tt a /A rq u iv o d a e d it o ra CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 53 3/7/13 10:34 AM 54 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS 3. Velocidade média e instantânea Já vimos o conceito de velocidade escalar média, definindo-o a partir do espaço percorrido por um mó- vel. O conceito de velocidade média é semelhante,mas é definido a partir do deslocamento de um ponto ma- terial. A velocidade média de um ponto material é, por definição, a razão entre o deslocamento Δx & de um mó- vel e o intervalo de tempo Δt correspondente. Assim, expressa em módulo, a velocidade média é: v m 5 ∆x t∆ No movimento retilíneo, sendo x 0 a posição do móvel no instante t 0 e x a posição no instante t, o deslocamen- to será Δx 5 x 2 x 0 no intervalo de tempo Δ t 5 t 2 t 0 . Portanto, o módulo da velocidade média no movimento retilíneo pode ser obtido pela razão: v m 5 x x t t x xx x t tt t 0 0 As unidades de velocidade média são as mesmas que as da velocidade escalar média, uma vez que des- locamento e espaço percorrido têm a mesma dimen- são (comprimento). A velocidade instantânea é definida do mesmo mo- do que a velocidade escalar instantânea. Quando o in- tervalo de tempo em que se mede o deslocamento é in- finitamente pequeno, ou seja, quando o intervalo de tempo é um instante (Δt → 0), a velocidade média é igual à velocidade nesse instante. Portanto, nesse caso, a velocidade instantânea é a velocidade média calcula- da em um intervalo de tempo infinitamente pequeno. VeLoCiDaDe esCaLaR MÉDia Da mesma forma que deslocamento e espa- ço percorrido são conceitos diferentes, velocidade média e velocidade escalar média — conceitos deri- vados de deslocamento e espaço percorrido — tam- bém são diferentes. Como o deslocamento, a veloci- dade média é um vetor, por isso é costume chamá-la de velocidade vetorial média. Neste livro, no estudo dos movimentos de cor- pos ou pontos materiais, não vamos utilizar o adje- tivo vetorial para velocidade média nem para velo- cidade instantânea. Isso porque em Física, quando nos referimos à velocidade de um corpo ou de um ponto material, só faz sentido falar em velocidade como vetor. Nesse caso, acrescentar o adjetivo veto- rial seria redundância. E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 2. Um ponto material percorre uma trajetória reti- línea à qual se associa um eixo coordenado. Seu movimento é descrito pela tabela abaixo, onde a linha t (s) representa os instantes em segundos, e a linha x (m), as posições em metros ocupadas pelo ponto material nesses instantes: t (s) 0 2,0 4,0 6,0 8,0 x (m) 10 30 40 40 20 Determine o módulo do deslocamento e da ve- locidade média desse móvel nos intervalos de tempo: a) de 0 a 2,0 s; b) de 2,0 a 4,0 s; c) de 4,0 a 6,0 s; d) de 6,0 a 8,0 s. resolução a) Da tabela, obtemos: t 0 5 0 ⇒ x 0 5 10 m; t 2 5 2,0 s ⇒ x 2 5 30 m Da expressão Δx 5 x 2 x 0 , obtemos: Δx (2, 0) 5 x 2 2 x 0 ⇒ Δx (2, 0) 5 30 2 10 ⇒ ⇒ Δx (2, 0) 5 20 m Para determinar o módulo da velocidade média, aplicamos a expressão v m 5 x x t t 2 2 0 0 : v m(2, 0) 5 x x t t 2 0 2 0 2 2 ⇒ v m(2, 0) 5 30 10 2,0 0 2 2 ⇒ ⇒ v m(2, 0) 5 10 m/s b) Da tabela, obtemos: t 2 5 2,0 s ⇒ x 2 5 30 m; t 4 5 4,0 s ⇒ x 4 5 40 m Portanto: Δx (4, 2) 5 x 4 2 x 2 ⇒ Δx (4, 2) 5 40 2 30 ⇒ ⇒ Δx (4, 2) 5 10 m E o módulo da velocidade média é: v m(4, 2) 5 x x t t 4 2 4 2 2 2 ⇒ v m(4, 2) 5 40 30 4,0 2,0 2 2 ⇒ ⇒ v m(4, 2) 5 5,0 m/s CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 54 3/7/13 10:34 AM c A P í T U lO 4 – M OV I M E N TOS r E T I l í N E OS 55 c) Da tabela, obtemos: t 4 5 4,0 s → x 4 5 40 m t 6 5 6,0 s → x 6 5 40 m Portanto: Δx (6, 4) 5 x 6 2 x 4 ⇒ Δx (6, 4) 5 40 2 40 ⇒ ⇒ Δx (6, 4) 5 0 m v m(6, 4) 5 x x t t 6 4 6 4 2 2 ⇒ v m(6, 4) 5 40 40 6,0 4,0 2 2 ⇒ ⇒ v m(6, 4) 5 0 m/s d) Da tabela, obtemos: t 6 5 6,0 s → x 6 5 40 m t 8 5 8,0 s → x 8 5 20 m Portanto: Δx (8, 6) 5 x 8 2 x 6 ⇒ Δx (8, 6) 5 20 2 40 ⇒ ⇒ Δx (8, 6) 5 220 m v m(8, 6) 5 x x t t 8 6 8 6 2 2 ⇒ v m(8, 6) 5 20 40 8,0 6,0 2 2 ⇒ ⇒ v m(8, 6) 5 210 m/s Observação: Como as posições foram obtidas di- retamente de um eixo coordenado, o sinal que pre- cede os módulos do deslocamento e da velocidade média é positivo quando os vetores corresponden- tes têm o mesmo sentido do referencial e negativo quando esses vetores têm sentido oposto. Em ou- tras palavras, quando se adotam os dados obtidos por meio de um referencial, os sinais aparecem na solução naturalmente. 3. O gráfico abaixo descreve o movimento retilíneo de um ponto material ao longo de uma trajetória associada a um eixo coordenado; x (m) são suas posições em metros e t (s), os instantes corres- pondentes em segundos. x (m) 100 100 20 30 40 200 300 t (s) Determine: a) as posições do ponto material nos instantes: t 5 0 s; t 5 10 s; t 5 20 s; t 5 30 s e t 5 40 s; b) o módulo das velocidades médias nos intervalos de tempo: de 0 a 10 s; de 10 a 20 s; de 20 a 30 s; e de 30 a 40 s. resolução a) Trata-se de uma leitura direta do gráfico, cujos resultados podem ser colocados na tabela abaixo: t (s) 0 10 20 30 40 x (m) 0 100 300 200 100 b) Basta aplicar a expressão do módulo da veloci- dade média v x x t t m 5 2 2 0 0 a cada intervalo: v m(0, 10) 5 x x t t 10 0 10 0 2 2 ⇒ v m(0, 10) 5 100 0 10 0 2 2 ⇒ ⇒ v m(0, 10) 5 10 m/s v m(10, 20) 5 x x t t 20 10 20 10 2 2 ⇒ v m(10, 20) 5 300 100 20 10 2 2 ⇒ ⇒ v m(10, 20) 5 20 m/s v m(20, 30) 5 x x t t 30 20 30 20 2 2 ⇒ v m(20, 30) 5 200 300 30 20 2 2 ⇒ ⇒ v m(20, 30) 5 210 m/s v m(30, 40) 5 x x t t 40 30 40 30 2 2 ⇒ v m(30, 40) 5 100 200 40 30 2 2 ⇒ ⇒ v m(30, 40) 5 210 m/s Observação: Do ponto de vista matemático é indi- ferente descrever um movimento por tabela ou gráfico. A vantagem do gráfico é a informação vi- sual, mais completa e imediata. Nesse caso, por exemplo, a simples observação do gráfico permite saber que o ponto material caminha em um senti- do, de 0 a 20 s, e no sentido oposto, de 20 a 40 s. Com um pouco mais de familiaridade com a lingua- gem gráfica pode-se concluir também que a velo- cidade média de 10 s a 20 s é maior do que a veloci- dade média de 0 a 10 s. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 55 3/7/13 10:34 AM 56 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS EXERC ÍC IOS 6. Qual a condição para que, num determinado inter- valo de tempo, a velocidade média seja igual à velo- cidade em qualquer instante? 7. O movimento retilíneo de um móvel é descrito pela tabela: t (s) 0 10 20 30 40 50 60 x (m) 100 300 700 700 400 200 0 onde t (s) são os instantes em segundos e x (m), as posições em metros ocupadas por esse móvel nes- ses instantes. Determine os módulos do desloca- mento e da velocidade média nos intervalos: a) de 0 a 20 s; b) de 20 a 30 s; c) de 30 a 50 s; d) de 50 a 60 s; e) de 0 a 60 s. 8. O gráfico abaixo descreve o movimento retilíneo de um ponto material, onde x (m) são suas posições em metros e t (s), os instantes correspondentes em segundos. x (m) 100 5,0 10 15 20 150 200 t (s) 50 Determine: a) as posições do móvel nos instantes: t 5 0 s; t 5 5,0 s; t 5 10 s; t 5 15 s e t 5 20 s; b) o módulo da velocidade média nos intervalos: de 0 a 5,0 s; de 5,0 a 10 s; de 10 a 15 s; de 15 a 20 s; e de 0 a 20 s. 4. Aceleração média e instantânea O conceito de aceleração está ligado à variação de velocidade: sempre que a velocidade do ponto material varia, dizemos que esse ponto material foi acelerado. Não é suficiente, porém, saber quanto variou a veloci- dade; é preciso saber também qual o intervalo de tem- po em que essa variação ocorreu. A aceleração, como a velocidade, é grandeza veto- rial, por isso ela exige um tratamento matemático mais complicado. Mas, para movimentos retilíneos, é possí- vel definir a aceleração de maneira simples, escalar- mente, considerando apenas os módulos da aceleração e das velocidades. Assim, se a velocidade do pontomaterial em traje- tória retilínea sofre a variação Δv, em módulo, no inter- valo de tempo Δt, a aceleração média (a m ), em módulo, pode ser definida pela razão: a m 5 ∆v t∆ Se o ponto material tem velocidades de módulo v 0 (v zero), no instante inicial t 0 , e v, no instante t, a variação de sua velocidade, em módulo, será Δv 5 v 2 v 0 no in- tervalo de tempo Δt 5 t 2 t 0 , como mostra a figura abaixo. t 0 t a &m v &v0& Representação esquemática da aceleração média a &m e das velocidades v & e v0 do ponto material nos instantes t e t0. Neste caso a definição de aceleração média, em módulo, pode ser expressa por: a m 5 v v t t v vv v t tt t 0 0 A unidade de aceleração é a razão entre a unidade de velocidade e a unidade de tempo. No SI é metro por segundo ao quadrado (m/s2). Dizer que um móvel tem uma aceleração média de 5 m/s2, por exemplo, equivale a dizer que, a cada se- gundo, a velocidade desse móvel varia 5 m/s. Na práti- ca, podem ser usadas outras unidades, como o quilô- metro por hora por segundo, km/h/s, por exemplo. A diferença entre aceleração média e ins tan- tânea é exatamente a mesma que existe entre velocidade média e velocidade instantânea. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 56 3/7/13 10:34 AM c A P í T U lO 4 – M OV I M E N TOS r E T I l í N E OS 57 Aceleração média é a aceleração do móvel calculada num intervalo de tempo, enquanto aceleração instan- tânea é a aceleração média num instante, ou seja, num intervalo de tempo infinitamente pequeno (Δt → 0). Também aqui, quando nos referimos simplesmente à ace leração, estamos nos referindo à aceleração ins- tantânea. Como curiosidade, veja na tabela abaixo al- guns valores aproximados de aceleração média: Descrição Aceleração (m/s2) Choque (freagem brusca) de carro a 100 km/h contra obstáculo rígido 1 103 Paraquedas abrindo (freagem na condição limite da resistência humana) 320 Aceleração da gravidade na superfície solar 270 Ejeção de assento em aeronave (na condição limite da resistência humana) 150 Aceleração máxima suportável pelo ser humano sem perda de consciência 70 Aceleração da gravidade terrestre 9,8 Aceleração produzida pelos freios de um automóvel comum em situação de emergência ≈ 8* Aceleração da gravidade na Lua 1,7 Aceleração de um elevador de passageiros 0,5 a 1 Aceleração da gravidade da Terra a 50 mil km de sua superfície 1,3 10–1 * O sinal ≈ indica uma estimativa do valor de determinada grandeza. MeTRo poR seGunDo ao quaDRaDo A unidade de aceleração no SI é metro por segun- do por segundo. No entanto, a Matemática permite que essa unidade seja expressa de uma forma mais sintética: metro por segundo ao quadrado. Esta últi- ma expressão, embora seja a unidade adotada pelo SI, não contribui para a compreensão do conceito de aceleração e isso ocorre porque a ideia de que há uma velocidade variando (metro por segundo) num intervalo de tempo (por segundo) se perde. Quando se usa uma unidade mista, que não per- tence ao SI, como o km/h/s, essa ideia é mais facil- mente resgatada. Se alguém diz que um automóvel tem uma aceleração de 2 km/h/s, é fácil perceber que a velocidade desse automóvel varia de 2 km/h por segundo. Por isso é interessante lembrar sempre que m/s2 é apenas uma forma compacta de repre- sentar m/s/s. E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 4. A foto mostra um dragster, carro construído espe- cialmente para competições curtas em que o fator predominante é a aceleração. Ele pode atingir a ve- locidade de 540 km/h em 4,5 s, a partir do repouso. Nesse caso, qual é o módulo da sua aceleração mé- dia, em m/s2? G e o rg e L e p p /S to n e /G e tt y I m a g e s resolução Transformando o módulo da velocidade v 5 540 km/h em m/s, temos: v 5 540 3,6 ⇒ v 5 150 m/s Sendo v 0 5 0 (o carro parte do repouso) e v 5 150 m/s para Δt 5 4,5 s, da definição de aceleração média, em módulo, temos: a m 5 ∆ ∆ v t ⇒ a m 5 v v t 2 0 ∆ ⇒ a m 5 150 0 4,5 2 ⇒ ⇒ a m 5 33 m/s2 Observação: Esta é uma aceleração muito maior do que a habitual. Um carro comum, nas mesmas con- dições, atinge a velocidade de 100 km/h em cerca de 10 s, o que corresponde a uma aceleração média de cerca de 2,8 m/s2, quase 12 vezes menor do que a de um dragster de alta potência. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 57 3/7/13 10:34 AM 58 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS 5. O módulo da velocidade de um ponto material em trajetória retilínea varia de 10 m/s a 30 m/s em 5,0 s. Qual o módulo da sua aceleração média nesse in- tervalo de tempo? De início, representamos esquematicamente o enun ciado: v & Dt v 0& Sendo v 0 5 10 m/s, v 5 30 m/s e Δt 5 5,0 s, pela definição de aceleração média, em módulo, temos: Δv 5 v 2 v 0 ⇒ Δv 5 30 2 10 ⇒ Δv 5 20 m/s a m 5 ∆ ∆ v t ⇒ a m 5 20 5,0 ⇒ a m 5 4,0 m/s2 6. Um automóvel está com velocidade de módulo 90 km/h quando é freado em linha reta, parando em 5,0 s. Determine o módulo da aceleração média ocorrida durante a freagem. O módulo da velocidade inicial é v 0 5 90 km/h ou 25 m/s no instante t 0 5 0. Como o automóvel parou, a velocidade final é v 5 0 no instante t 5 5,0 s. Representamos o esquema dessa situação, em que se admite o automóvel como um ponto material: v & = 0v0& a m& t 0 = 0 t Da definição de aceleração média, em módulo, vem: a v v t t a a m m m 5 2 2 5 2 2 5 2 0 0 0 25 5,0 0 5,0 m/s⇒ ⇒ 2 Observação: Apesar de ser costume associar a ace- leração negativa à frenagem, na verdade não é essa a razão de o módulo da aceleração média estar pre- cedido pelo sinal negativo. Nesse caso, isso ocorre porque ela está orientada no sentido oposto ao do eixo coordenado. EXERC ÍC IOS 9. A foto mostra um dos novos carros expostos em 2011 no Salão do Automóvel de Tóquio. Segundo o fabricante, “esse carro acelera de 0 a 100 km/h em 4,8 s e atinge velocidade de até 300 km/h”. D iv u lg a ç ã o /A rq u iv o d a e d it o ra Com base nesses dados, determine: a) o módulo da aceleração média desse automóvel quando a velocidade varia de 0 a 100 km/h; b) o intervalo de tempo gasto para o carro atingir sua velocidade máxima partindo do repouso e mantendo essa aceleração média. 10. O módulo da velocidade de um ponto material em movimento retilíneo reduz de 18 m/s a 6,0 m/s em 3,0 segundos. Qual a aceleração média desse móvel em módulo e sinal? 11. Um automóvel parte do repouso (v 0 5 0) e adqui- re uma velocidade de módulo 90 km/h depois de 10s, percorrendo uma trajetória retilínea. Determine: a) o módulo da aceleração média desse automóvel em km/h/s; b) o módulo da aceleração média em unidades do SI. 12. Um ponto material tem movimento retilíneo. Num determinado instante, o módulo da sua velocidade é de 5,0 m/s. Se o módulo da aceleração média desse ponto material é de 2,0 m/s2, qual o inter- valo de tempo necessário para que o módulo da velocidade por ele atingida seja 25 m/s? OS CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 58 6/20/14 8:47 AM c A P í T U lO 4 – M OV I M E N TOS r E T I l í N E OS 59 5. Funções e gráficos: a descrição matemática dos movimentos Das quatro grandezas relacionadas ao movimento do ponto material estudadas até aqui, tempo, posição, velo- cidade e aceleração, pode-se concluir, da própria defini- ção de movimento, que o tempo e a correspondente po- sição do ponto material, em relação a um determinado referencial, sempre variam. Mas podem variar também a velocidade e a aceleração desse ponto material. Se houver correspondência entre os valores ou mó- dulos dessas grandezas, poderemos obter funções que permitirão descrever matematicamente esses movi- mentos. Como o módulo e o sinal dessas grandezas de- pendem do referencialadotado, a expressão de cada função também depende desse referencial. Assim, do movimento do ponto material podem ser escritas, entre outras, as funções: • da posição em relação ao tempo; • da velocidade em relação ao tempo; • da aceleração em relação ao tempo; • da velocidade em relação à posição. Uma vez que a cada função matemática correspon- de um gráfico, a descrição dos movimentos pode ser feita também com a utilização de gráficos. funções e equações Função é uma relação matemática entre duas variáveis; a cada valor atribuído, ou assumido, por uma delas correspondem um ou mais valores as- sumidos pela outra. A expressão x 5 2 1 3t I é uma função, pois a cada valor de t corresponde um valor de x. Outro exemplo é v2 5 x II , função em que, a cada valor positivo de x, correspondem dois valores de v. Em ambas as expressões, existem infi- nitos pares de valores de t e x (em I ) e de x e v (em II ) que satisfazem a igualdade. Isso é o que distin- gue função de equação. A equação é uma igualdade que só pode ser sa- tisfeita por um número limitado de valores. Assim, a expressão x 1 3 5 7 é uma equação, pois a igual- dade só pode ser satisfeita para x 5 4. Quando se atribui um determinado valor a uma das variáveis de uma função, ela se torna uma equação. Atribuindo-se a t o valor 3, por exemplo, na função I , ela se torna a equação x 5 11. Na função II , quando x assume o valor 4, obtém-se a equação v2 5 4, só satisfeita pelos valores v 5 12 ou v 5 22. Lembremos que eixos cartesianos bidimensionais são duas retas orientadas, perpendiculares entre si, onde se representam as coordenadas corresponden- tes às variáveis independentes e dependentes de uma função. As variáveis independentes são aquelas às quais atribuí mos valores. As variáveis dependentes, como o próprio nome indica, têm valores que depen- dem daqueles atribuídos às variáveis independentes. Os valores da variável independente da função fi- cam no eixo das abscissas, enquanto os valores da va- riável dependente são colocados no eixo das ordena- das, por convenção. A cada par de valores corresponde um ponto, o gráfico (ou figura) formado por esses pon- tos é a “curva” da função. A partir do gráfico da função, é possível obter sua expressão matemática. Quando o gráfico é uma reta, essa expressão tem a forma: y 5 mx 1 n em que: • y é a variável dependente; • x é a variável independente; • m é o coeficiente angular, que pode ser obtido pela razão: m 5 y 2 2 y 1 x 2 2 x 1 em que x 2 , y 2 e x 1 , y 1 são as coordenadas de dois pontos P 2 e P 1 da reta (veja a figura a seguir); • n é o coeficiente linear, o valor numérico da ordena- da cortada pela reta. y x n y 1 x 1 x 2 y 2 P 1 (x 1 , y 1 ) P 2 (x 2 , y 2 ) Par de eixos cartesianos perpendiculares entre si. A partir do gráfico dessa função, é possível obter a sua expressão matemática. Para isso é preciso saber o seu coeficiente angular, determinado pelas coordena- das dos pontos P 2 e P 1 , e o seu coeficiente linear. Os exercícios resolvidos apresentados a seguir mos- tram como é possível descrever movimentos com fun- ções e gráficos. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 59 3/7/13 10:34 AM 60 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 7. A função da posição (x) em relação ao tempo (t) de um ponto material em movimento retilíneo, expres- sa em unidades do SI, é x 5 10 1 5,0t. Determine: a) a posição do ponto material no instante t 5 5,0 s; b) o instante em que a posição do ponto material é x 5 50 m; c) o gráfico posição 3 tempo correspondente a essa função. resolução a) Para t 5 5,0 s, temos: x 5 10 1 5,0t ⇒ x 5 10 1 5,0(5,0) ⇒ ⇒ x 5 10 1 25 ⇒ x 5 35 m b) Para x 5 50 m, temos: x 5 10 1 5,0t ⇒ 50 5 10 1 5,0t ⇒ ⇒ 50 2 10 5 5,0t ⇒ 40 5 5,0t ⇒ t 5 8,0 s c) Atribuímos valores a t, obtendo os correspon- dentes valores de x. Em seguida colocamos esses valores num sistema de eixos cartesia- nos. Neste caso, trata-se de uma função afim* — a variável t está no primeiro grau —, portanto o gráfico é uma reta. Para traçar a reta podem ser utilizados apenas dois pontos, por exemplo: • para t 5 0 → x 5 10 m • para t 5 5,0 s → x 5 35 m Esses valores, colocados num sistema de eixos cartesianos, permitem a construção do gráfico posição 3 tempo (x 3 t) desse movimento. É interessante incluir também mais alguns pon- tos para confirmar a linearidade da função: t 5 1,0 s → x 5 15 m t 5 3,0 s → x 5 25 m t 5 2,0 s → x 5 20 m t 5 4,0 s → x 5 30 m Veja o gráfico: x (m) 20 1,0 2,0 3,0 4,0 30 40 t (s) 10 50 5,0 6,0 * Em Física, costuma-se chamar essa função de linear, o que em Mate- mática só é correto quando n 5 0; para n ≠ 0, a função é denominada afim. 8. A função da posição (x) em relação ao tempo (t ) de um ponto material em movimento retilíneo, expressa em unidades do SI, é x 5 30t 2 5,0t 2. Determine: a) a posição do ponto material no instante t 5 3,0 s; b) o instante em que a posição do ponto material é x 5 40 m; c) o gráfico posição 3 tempo correspondente a essa função. resolução a) Para t 5 3,0 s, temos: x 5 30t 2 5,0t 2 ⇒ x 5 30(3,0) 2 5,0(3,0)2 ⇒ ⇒ x 5 90 2 45 ⇒ x 5 45 m b) Para x 5 40 m, temos: x 5 30t 2 5,0t 2 ⇒ 40 5 30t 2 5,0t 2 ⇒ ⇒ 5,0t 2 2 30t 1 40 5 0 ⇒ t 2 2 6,0t 1 8,0 5 0 Obtivemos uma equação do segundo grau cujas raízes são t ’ 5 2,0 s e t” 5 4,0 s. Ambas são válidas, ou seja, o ponto material passa duas vezes pela mesma posição. Pode- mos concluir, portanto, que o ponto material executa um movimento de vaivém. c) Atribuímos valores a t, obtendo os correspon- dentes valores de x. Colocamos os pontos re- presentados por esses valores numa tabela: t (s) 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 x (m) 0 25 40 45 40 25 Esses pontos permitem a construção do gráfi- co posição 3 tempo (x 3 t) desse movimento. Obtivemos uma parábola: x (m) 20 1,0 2,0 3,0 4,0 30 40 t (s) 10 5,0 Observação: A parábola tem a concavidade para baixo. A simples visualização do gráfico dá infor- mações importantes sobre o movimento. Neste caso, trata-se de um movimento de vaivém em que o ponto material atinge a distância máxima da origem no instante t 5 3,0 s, na posição x 5 45 m. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 60 3/7/13 10:34 AM c A P í T U lO 4 – M OV I M E N TOS r E T I l í N E OS 61 9. A função da velocidade (v) em relação ao tempo (t ) de um ponto material em movimento retilíneo, expressa em unidades do SI, é v 5 6,0 2 2,0t. Determine: a) o módulo da velocidade do ponto material no instante t 5 4,0 s; b) o instante em que o módulo da velocidade do ponto material é v 5 3,0 m/s; c) o gráfico velocidade 3 tempo correspondente a essa função. resolução a) Para t 5 4,0 s, temos: v 5 6,0 2 2,0t ⇒ v 5 6,0 2 2,0(4,0) ⇒ ⇒ v 5 22,0 m/s O sinal negativo que precede o módulo da velo- cidade indica que, nesse instante, o ponto material está se movendo no sentido oposto ao sentido positivo do referencial. b) Para v 5 3,0 m/s, temos: v 5 6,0 2 2,0t ⇒ 3,0 5 6,0 2 2,0t ⇒ ⇒ 2,0t 5 3,0 ⇒ t 5 1,5 s c) Atribuímos valores a t, obtendo os correspon- dentes módulos da velocidade (v). Colocamos os pontos representados por esses valores nu- ma tabela: t (s) 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 v (m/s) 6,0 4,0 2,0 0 22,0 24,0 Esses valores, colocados num sistema de eixos cartesianos, permitem a construção do gráfico velocidade 3 tempo (v 3 t ) desse movimento: v (m/s) Ð2,0 1,00 2,0 3,0 4,0 2,0 4,0 t (s) 6,0 Ð4,0 5,0 Observações 1·) Note que por meio da função da velocidade em relação ao tempo de um ponto material obtém- -se o módulo da velocidade desse ponto mate- rial precedido pelo sinal positivo ou negativo, que indica o seu sentido. Então, se for dada a direção do movimento, a função dá, em cada instante, o módulo, o sentido e a direção da velocidade; logo,podemos afirmar que, nesse caso, a função relaciona a velocidade vetorial- mente com o tempo. 2·) O gráfico nos mostra que até o instante t 5 3,0 s o módulo da velocidade é precedido de sinal posi- tivo, ou seja, o ponto material se move no mesmo sentido do referencial. No instante t 5 3,0 s ele para (v 5 0) e, desse instante em diante, o módulo da sua velocidade passa a ser precedido de sinal negativo — o ponto material passa a mover-se no sentido oposto ao eixo. Como no exemplo anterior, este também é um movimento de vaivém. 10. O gráfico do módulo da velocidade (v) em relação ao tempo (t ) de um ponto material em movimento retilíneo é representado a seguir: v (m/s) 1,0 2,0 3,0 4,0 6,0 8,0 t (s) 10 12 2,0 4,0 5,0 Determine: a) o módulo da velocidade do ponto material no instante t 5 4,0 s; b) o instante em que o módulo da velocidade do ponto material é v 5 4,0 m/s; c) o coeficiente linear dessa reta; d) o coeficiente angular dessa reta; e) a função da velocidade em relação ao tempo correspondente a esse gráfico. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 61 3/7/13 10:34 AM 62 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS EXERC ÍC IOS 13. O freio de um automóvel poderia ser chamado também de acelerador? Justifique. 14. Dadas as expressões 200 5 10 20t t 2 e x 5 10 20t t 2, qual é a função do segundo grau e qual é a equação do segundo grau? Explique. 15. A função da posição (x) em relação ao tempo (t ) de um ponto material em movimento retilíneo, expressa em unidades do SI, é x 5 20 2 4,0t. Determine: a) a posição do ponto material no instante t 5 5,0 s; b) o instante em que a posição do ponto material é x 5 12 m; c) o gráfico posição 3 tempo correspondente a essa função. 16. O gráfico da velocidade (v) em relação ao tempo (t) de um ponto material em movimento retilíneo é representado assim: v (m/s) 2,00 4,0 6,0 8,0 5,0 10 t (s) 15 20 –5,0 10 12 Determine: a) a velocidade do ponto material no instante t 5 10 s; b) o instante em que a velocidade do ponto mate- rial é v 5 15 m/s; c) o coeficiente linear dessa reta; d) o coeficiente angular dessa reta; e) a função da velocidade em relação ao tempo correspondente a esse gráfico. 17. A função da velocidade (v) em relação ao tempo (t) de um ponto material em movimento retilíneo, expressa em unidades do SI, é v 5 2,0 1 0,50t. Determine: a) o módulo da velocidade do ponto material no instante t 5 10 s; b) o instante em que o módulo da velocidade do ponto material é v 5 4,5 m/s; c) o gráfico velocidade 3 tempo correspondente a essa função. resolução a) Observando o gráfico, verificamos que o mó- dulo da velocidade do ponto material no ins- tante t 5 4,0 s é v 5 10 m/s. b) Pelo gráfico, o módulo da velocidade do ponto material é v 5 4,0 m/s no instante t 5 1,0 s. c) Para determinar o coeficiente linear n dessa re- ta, basta verificar a ordenada em que a reta cor- ta o eixo das ordenadas — neste caso, é o eixo das velocidades. Obtemos então n 5 2,0 m/s. d) Escolhemos os pontos do gráfico v 3 t de coor- denadas (1,0 s; 4,0 m/s) e (3,0 s; 8,0 m/s), por exemplo. v (m/s) 1,0 2,0 3,0 4,0 6,0 8,0 t (s) 10 12 2,0 4,0 5,0 Aplicando a expressão do coeficiente angular, obtemos: m y y x x m m5 2 2 5 2 2 5 2 1 2 1 28,0 4,0 3,0 1,0 2,0m/s⇒ ⇒ e) A função da velocidade em relação ao tempo correspondente a esse gráfico pode ser obti- da diretamente da expressão y 5 mx 1 n, lem- brando que, neste caso, y 5 v (ordenadas) e x 5 t (abscissas). Como m 5 2,0 m/s2 e n 5 2,0 m/s, temos: y 5 mx 1 n ⇒ v 5 2,0t 1 2,0 ou v 5 2,0 1 2,0t Observações 1·) A unidade do coeficiente angular é a unidade de aceleração, pois ele expressa a razão entre a va- riação da velocidade e o intervalo de tempo cor- respondente, que, como vimos, é a definição de aceleração. Em outras palavras, o coeficiente an- gular é o módulo da aceleração do ponto material. 2·) Em geral não há necessidade de colocar explicita- mente as unidades na função obtida. Basta dizer que as unidades pertencem ao SI, por exemplo. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 62 3/7/13 10:34 AM c A P í T U lO 4 – M OV I M E N TOS r E T I l í N E OS 63 Estudo de um movimento retilíneo O maior velocista da atualidade é o atleta jamai- cano Usain Bolt, que se tornou famoso na Olimpíada de Pequim ao conquistar três medalhas de ouro e bater dois recordes olímpicos e um recorde mundial. Na última edição dos Jogos Olímpicos, realizados em Londres, 2012, Bolt levou o ouro novamente nas três provas de atletismo. Na ocasião, ele quebrou seu próprio recorde de Pequim e mais um recorde mun- dial, no revezamento dos 4 3 100 m. Em 16 de agosto de 2008, durante a Olimpíada de Pequim, por ocasião do recorde mundial dos 100 m rasos, batido por Usain Bolt, foram divulgados os dados da tabela 1, abaixo, assinalando os instantes em que o atleta passou a cada 10 m durante a corrida. Tabela 1 x (m) 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 t (s) 0 1,85 2,87 3,78 4,65 5,50 6,32 7,14 7,96 8,79 9,69 Fonte: THE SCIENCE OF SPORT. Disponível em: <www.sportsscientists.com/2008/08/beijing-2008-men-100m-race-analysis.html>. Acesso em: 22 ago. 2012. A partir dos dados da tabela 1, reúnam-se em grupos para fazer a análise do movimento retilíneo de Usain Bolt, confor- me proposto a seguir: a) Em uma folha de papel milimetrado, construam o correspondente gráfico posição 3 tempo desse movimento. Para auxi- liar essa construção, apresentamos abaixo um recorte com dois pontos do início e com o ponto final desse gráfico. x (m) t(s) 30 20 10 0 100 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 10,0 t (s) D a v id J . P h il li p /A s s o c ia te d P re s s /G lo w I m a g e s Usain Bolt cruza a linha de chegada na prova masculina dos 4 x 100 m, durante os Jogos Olímpicos de Londres, em 11 de agosto de 2012. at i v i d a d e p r át i c a CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 63 3/7/13 10:34 AM 64 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS b) A partir da tabela 1, construam a tabela 2, abaixo, calculando a velocidade média do atleta em cada intervalo de 10 m por ele percorrido; t f e t i são os instantes final e inicial de cada intervalo de tempo; x f e x i são as posições final e inicial correspondentes. Para auxiliar e orientar o trabalho do grupo, já estão preenchidas as duas primeiras linhas, expri- mindo os dados com três algarismos significativos. Vocês devem completar a tabela 2 no caderno (não escrevam no livro): Tabela 2 Intervalos Δx 5 x f 2 x i (m) t i a t f (s) Δt 5 t f 2 t i (s) v m 5 Δx Δt (m/s) 1º- 10 0 a 1,85 1,85 5,41 2º- 10 1,85 a 2,87 1,02 9,80 [...] [...] [...] [...] [...] c) Usando as duas colunas destacadas em amarelo da tabela 2, construam o gráfico velocidade média 3 intervalo de tempo. Os intervalos de tempo devem ser repre- sentados por meio de semirretas horizontais. Para traçar a curva desse gráfico, sugerimos considerar o valor da velocidade instantânea do atleta igual ao valor da velocidade média no meio de cada intervalo de tempo. A rigor, isso só é correto quando a aceleração é constante, mas nesse caso e para cada intervalo, essa é uma aproximação aceitável. Como no item a, para auxiliar a construção desse gráfico, apresentamos um recorte dele com o seu início e o final. d) A partir da tabela 2, construam a tabela 3 a seguir, calculando a aceleração média do atleta em cada intervalo de 10 m por ele percorrido. Já estão preenchidas a primeira e a última linha. Vocês devem completar a tabela 3 no caderno (não escrevam no livro). Tabela 3 Intervalos t i a t f (s) Δt 5 t f 2 t i (s) Δv m 5 v f 2 v i (m/s) a m 5 Δx Δt (m/s2) 1º- 0 a 1,85 1,85 5,41 2,92 [...] [...] [...] [...] [...] 10º- 8,79 a 9,69 0,90 20,9021,0 e) Apesar de o estudo da Cinemática ser meramente descritivo, procurem fazer uma análise do esforço exercido por esse atleta durante a corrida. Em que intervalos de tempo ele é maior e por quê? Vocês verão que, a partir do capí - tulo 8, com o estudo das leis de Newton, essa resposta, que agora só pode ser dada de modo opinativo, sem funda- mentação teórica, poderá ser formulada adequadamente com base em leis da Física. t (s ) 0 1,00 2,00 9,00 10,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 8,0 9,0 10,0 t (s ) 11,0 12,0 vm (m/s) 13,0 t (s) CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_051a064_U2_C4.indd 64 3/7/13 10:34 AM 65 Movimento retilíneo uniforme N a foto acima, mesmo que todos os carros estejam com a mesma velocidade, em módulo, nenhum deles tem movimento retilíneo uniforme porque a trajetória de nenhum deles é retilínea. Apesar de na linguagem cotidiana esse trecho de estrada ser considerado “uma reta”, do ponto de vista da Física, pelo menos, essa afirmação é falsa: os carros nessa estrada têm uma trajetória de subidas e descidas claramente curvilínea. Por isso, dizemos que movimentos retilíneos uniformes são muito raros. No entanto, apesar de raros, é importante estudá-los porque, graças à sua simplicidade — neles há apenas duas variáveis: a posição e o tempo —, sua descrição matemática é acessível a todos que se iniciam no estudo da Física. Ao compreendermos a descrição do movimento retilíneo uniforme, objeto de estudo des- te capítulo, podemos compreender a descrição matemática de movimentos gradativamente mais complexos. F a b io C o lo m b in i/ A c e rv o d o f o tó g ra fo capítulo 5 Estrada em Monte Alto, SP. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_065a074_U2_C5.indd 65 3/7/13 10:35 AM 66 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS 1. Movimento retilíneo uniforme (MRU) Quando o ponto material em trajetória retilínea se move com velocidade constante, em relação a deter- minado referencial, seu movimento é retilíneo unifor- me (MRU). No MRU não há diferença entre velocidade média e instantânea, não existe aceleração e a única grandeza que varia com o tempo é a posição. Assim, o estudo do movimento retilíneo uniforme do ponto ma- terial se resume ao estudo da variação da posição desse ponto material com o tempo. 2. Função da posição em relação ao tempo Para estabelecer a função da posição em relação ao tempo do ponto material em MRU é necessário, inicial- mente, estabelecer o sistema de referência adequado. Veja a figura abaixo. tv & 0 xx0 t 0 Nesse sistema de referência estão fixadas a origem 0 e a posição inicial x 0 medida no instante t 0 a partir dessa origem. Estão representadas também a velocidade v & e a posição x do ponto material no instante t. Sendo constante, o módulo da velocidade (v) do ponto material é igual ao módulo da sua velocidade média (v m ) em qualquer intervalo de tempo. Assim, da definição de velocidade média [v m 5 x 2 x 0 t 2 t0 ] , pode- mos escrever: x 5 x 0 1 v(t 2 t 0 ) Essa é a função da posição em relação ao tempo do MRU. Ela permite obter a posição x (variável depen- dente) do ponto material para cada instante t (variável independente). Os termos v, x 0 e t 0 são constantes. Em geral, é possível admitir t 0 5 0 — basta supor que o início da cronometragem do movimento tenha si- do feito com o cronômetro zerado e, neste caso, essa função se torna mais simples: x 5 x 0 1 vt E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 1. Um ponto material percorre uma reta com veloci- dade constante. Estabelecido um eixo de coorde- nada sobre essa reta, como mostra a figura abaixo, verifica-se que a posição desse ponto material no instante t 0 5 0 é x 0 5 200 m e, no instante t 5 5,0 s, é x 5 500 m. t 0 = 0 t = 5,0 s 8007006005004003002001000 x (m) Determine: a) o tipo de movimento desse ponto material; b) a sua velocidade; c) a função da posição em relação ao tempo; d) a posição no instante t 5 20 s; e) o instante em que a posição é x 5 2 000 m. resolução a) Como a trajetória é retilínea e a velocidade, constante, o movimento é retilíneo uniforme. b) Da expressão da velocidade média, em módulo, podemos escrever: v 5 x 2 x 0 t 2 t 0 ⇒ v 5 500 2 200 5,0 2 0 ⇒ v 5 300 5,0 ⇒ ⇒ v 5 60 m/s c) Sendo t 0 5 0, x 0 5 200 m e v 5 60 m/s, a fun- ção torna-se: x 5 x 0 1 vt ⇒ x 5 200 1 60t (no SI) d) Sendo t 5 20 s, temos: x 5 200 1 60 · 20 ⇒ x 5 1 400 m e) Sendo x 5 2 000 m, temos: 2 000 5 200 1 60t ⇒ 1 800 5 60t ⇒ t 5 30 s Observação: Em b, a expressão da velocidade dá o módulo da velocidade e o sinal a ele associado; neste caso o sinal não aparece porque é positivo, o que sig- nifica que o sentido da velocidade coincide com o sentido do eixo, que indica também a sua direção. 2. Um ponto material, percorrendo uma reta com ve - locidade constante, está a 60 m da origem de um eixo de coordenada fixado a essa reta no instante inicial t 0 5 0. Depois de 5,0 s ele está a 10 m da origem. Veja a figura: t = 5,0 s t0 = 0 706050403020100 x (m) Determine, desse ponto material: a) a velocidade; b) a função da posição em relação ao tempo; c) a posição no instante t 5 10 s; d) o instante em que passa pela origem. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_065a074_U2_C5.indd 66 3/7/13 10:35 AM c A P í T U lO 5 – M OV I M E N TO r E T I l í N E O U N I FO r M E 67 resolução a) Da expressão da velocidade média, em módulo, podemos escrever: v 5 x 2 x 0 t 2 t 0 ⇒ v 5 10 2 60 5,0 2 0 ⇒ v 5 210 m/s b) Sendo x 0 5 60 m e v 5 210 m/s, a função da posição em relação ao tempo é: x 5 60 2 10t c) Sendo t 5 10 s, temos: x 5 60 2 10 ⋅ 10 ⇒ x 5 240 m d) Quando esse ponto material passar pela origem, a sua posição será x 5 0. Então temos: 0 5 60 2 10t ⇒ 10t 5 60 ⇒ t 5 6,0 s Observações 1·) O módulo da velocidade do ponto material está precedido do sinal negativo porque ela tem sen- tido oposto ao sentido do eixo coordenado; assim, como no exercício anterior, essa respos- ta dá todas as características do vetor velocida- de: módulo, sentido e direção. 2·) A posição no instante t 5 10 s é negativa por causa do ponto escolhido como origem desse eixo — nesse instante o ponto material está à esquerda da origem 0. 3. A função da posição em relação ao tempo de um ponto material em relação a um determinado refe- rencial, em unidades do SI, é x 5 800 2 20t. Desse ponto material, em relação a esse referencial, determine: a) a posição inicial e a velocidade; b) em que instante ele passa pela origem. resolução a) Basta identificar a função dada, x 5 800 2 20t, com a função da posição em relação ao tempo do MRU, x 5 x 0 1 vt. Como o termo indepen- dente de t é x 0 e o coeficiente de t é o módulo da velocidade, v, acrescido do sinal devido ao refe- rencial, temos x 0 5 800 m e v 5 2 20 m/s. b) Para x 5 0, temos: 0 5 800 2 20t ⇒ 20t 5 800 ⇒ t 5 800 20 ⇒ ⇒ t 5 40 s Observação: Não é preciso dizer que o movimento do ponto material é um MRU; a forma da função é suficiente para caracterizar esse movimento. EXERC ÍC IOS 1. Cite algum exemplo de movimento retilíneo unifor- me. Justifique a sua escolha. 2. Um ponto material, percorrendo uma reta com velocidade constante, está a 50 m de um ponto O dessa reta no instante t 0 5 0. No instante t 5 5,0 s ele está a 150 m desse ponto. Tomando o ponto O como origem do eixo das abs- cissas, determine: a) a velocidade desse ponto material; b) a função da posição em relação ao tempo, no SI; c) as posições do ponto material nos instantes: • t 5 0 s; • t 5 6,0 s; • t 5 2,0 s; • t 5 8,0 s. • t 5 4,0 s; d) o gráfico posição 3 tempo (utilize os dados ob- tidos no item c); e) o instante em que a posição é 1,0 km; f) o gráfico velocidade 3 tempo. 3. Um ponto material com velocidade constante percor- re uma reta à qual se fixou um eixo de coordenada.Sabe-se que no instante t 0 5 0 a sua posição é x 0 5 600 m e no instante t 5 20 s a posição é x 5 200 m. Determine: a) a velocidade do ponto material; b) a função da posição em relação ao tempo; c) a posição nos instantes: • t 5 0 s; • t 5 30 s; • t 5 10 s; • t 5 40 s. • t 5 20 s; d) o gráfico posição 3 tempo (utilize os dados do item c); e) o instante em que ele passa pela origem; f) o gráfico velocidade 3 tempo. 4. O movimento de um ponto material em relação a um determinado referencial é descrito pela função x 5 236 1 9,0t em unidades do SI. Desse ponto material, determine: a) a posição inicial e a velocidade; b) o instante em que ele passa pela origem desse referencial; c) a sua posição no instante t 5 50 s. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_065a074_U2_C5.indd 67 3/7/13 10:35 AM 68 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS 3. Estudo gráfico do MRU O estudo de um movimento pode ser feito tanto com o auxílio das funções que o descrevem, como por meio dos gráficos correspondentes. As funções permi- tem um tratamento matemático mais simplificado, en- quanto os gráficos permitem a melhor visualização da forma como variam as grandezas que descrevem o movimento. Gráfico posição versus tempo (x × t) A função da posição de um MRU é linear do primeiro grau em t, portanto o seu gráfico é uma reta. Observe o gráfico a seguir: Posição Tempo x0 t0 P0(t0, x0) P (t, x) t x Da expressão do coeficiente angular, m 5 y 2 2 y1 x 2 2 x 1 aplicada aos pontos P(t, x) e P 0 (t 0 , x 0 ), obtemos: m 5 x 2 x 0 t 2 t0 Como na expressão da velocidade do ponto mate- rial em MRU v 5 x 2 x 0 t 2 t0 , então, em módulo, temos: v 5 coeficiente angular do gráfico x × t Quando o ponto material se desloca no sentido po- sitivo do eixo, o módulo da sua velocidade é precedido do sinal positivo — o coeficiente angular da reta, repre- sentado pela inclinação α, está compreendido no inter- valo 0 , α , 90°. Quando o ponto material se desloca no sentido contrário, a inclinação α está compreendida no intervalo 90° , α , 180°. Nesse caso, o módulo da velo- cidade é precedido do sinal negativo. Veja os gráficos: x t a O ponto material tem velocidade positiva ( 0° , α , 90°). x a t O ponto material tem velocida- de negativa ( 90° , α , 180°). Gráfico velocidade versus tempo (v × t) Como no MRU a velocidade é constante, a função da velocidade em relação ao tempo também é cons- tante. Portanto o gráfico velocidade 3 tempo é uma re- ta paralela ao eixo do tempo. Essa reta estará acima do eixo se a velocidade for positiva ou abaixo do eixo se for negativa, como nos gráficos a seguir: Velocidade v Tempo Velocidade Tempo –v Pode-se demonstrar que o deslocamento no in- tervalo de tempo Δt, representado no gráfico abaixo por Δx, é igual à “área sob a curva” do gráfico veloci- dade 3 tempo nesse mesmo intervalo de tempo. Velocidade v t t 0 Tempo Dx 5 A “área sob a curva” Chama-se “área sob a curva” a região com- preendida entre a curva da função e o eixo das abscissas. Na figura abaixo, a “área sob a curva”, A, em amarelo, está compreendida entre a curva e as coordenadas x 1 e x 2 do eixo das abscissas. y x 2 x 1 x A Essa área é calculada da mesma forma que a área da figura plana correspondente, mas tem sig- nificado diferente, por isso sempre nos referimos a ela entre aspas. Assim, a “área sob a curva” do gráfico velocidade 3 tempo do MRU é a área de um retângulo, mas não tem a dimensão de superfície. A dimensão da “área sob a curva” é igual à dimensão do produto das dimensões das grande- zas representadas nos eixos cartesianos. No grá- fico velocidade 3 tempo, é igual à dimensão de velocidade (comprimento : tempo) multiplicada pela dimensão do tempo, resultando na dimensão de comprimento, pois: comprimento tempo tempo 5 comprimento CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_065a074_U2_C5.indd 68 3/7/13 10:35 AM c A P í T U lO 5 – M OV I M E N TO r E T I l í N E O U N I FO r M E 69 E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 4. A seguir temos os gráficos posição 3 tempo de dois pontos materiais A e B em MRU. x (m) t (s) 2,0 Ponto material A 10 0 20 4,0 30 x (m) t (s) 5,0 Ponto material B 50 0 100 10 Determine: a) a velocidade do ponto material A; b) a velocidade do ponto material B; c) a função da posição do movimento de cada ponto material. resolução a) Tomando os pontos: t 0 5 0 ⇒ x 0 5 10 m e t 5 2,0 s ⇒ x 5 20 m, temos: v 5 x 2 x o t 2 t 0 ⇒ v 5 20 2 10 2,0 2 0 ⇒ v 5 5,0 m/s b) Tomando os pontos: t 0 5 0 ⇒ x 0 5 100 m e t 5 5,0 s ⇒ x 5 50 m, temos: v 5 50 2 100 5,0 2 0 ⇒ 2 50 5,0 ⇒ v 5 210 m/s c) A: sendo x 0 5 10 m e v 5 5,0 m/s, a função da posição é: x A 5 10 1 5,0t B: sendo x 0 5 100 m e v 5 210 m/s, a função da posição é: x B 5 100 2 10t 5. A seguir estão representados os gráficos velocidade 3 tempo do movimento de dois pontos materiais A e B. v (m/s) t (s) 2,0 4,0 Ponto material A 20 0 6,0 v (m/s) t (s)10 20 –5,0 0 Ponto material B 30 Determine: a) o deslocamento do ponto material A no intervalo de 0 a 6,0 s; b) o deslocamento do ponto material B no intervalo de 10 a 30 s. resolução a) Como o deslocamento Δx é igual à “área sob a curva” correspondente a esse intervalo de tem- po, temos, para A: Δx A 5 20(6,0 2 0) ⇒ Δx A 5 120 m b) Calculando a “área sob a curva” correspondente ao intervalo de 10 a 30 s, temos, para B: Δx B 5 25,0(30 2 10) ⇒ Δx B 5 2100 m Observação: O sinal negativo que precede o des- locamento indica que o sentido do deslocamento é oposto ao sentido positivo do eixo. 6. Um ponto material percorre uma reta com velocida- de constante de módulo 5,0 m/s no sentido positi- vo do eixo. Sabe-se que no instante t 0 5 0 ele está na posição x 0 5 210 m. Determine: a) a função da posição em relação ao tempo do movimento desse ponto material; b) o gráfico posição 3 tempo; c) o gráfico velocidade 3 tempo. resolução a) Dados v 5 5,0 m/s e x 0 5 210 m, temos: x 5 x 0 1 vt ⇒ x 5 210 1 5,0t b) Como o gráfico é uma reta, bastam dois pontos para representá-lo. No entanto, vamos obter mais dois pontos e construir uma tabela para evidenciar a linearidade da função. Assim, para: t 5 0 ⇒ x 0 5 210 m t 5 2,0 s ⇒ x 5 210 1 5,0 · 2,0 ⇒ x 5 0 t 5 4,0 s ⇒ x 5 210 1 5,0 · 4,0 ⇒ x 5 10 m t 5 6,0 s ⇒ x 5 210 1 5,0 · 6,0 ⇒ x 5 20 m Agrupando esses valores numa tabela, temos: t (s) 0 2,0 4,0 6,0 x (m) 210 0 10 20 CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_065a074_U2_C5.indd 69 3/7/13 10:36 AM 70 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS A partir dessa tabela, construímos o gráfico: x (m) t (s) 2,00 10 4,0 Ð10 20 6,0 c) O gráfico é uma reta paralela ao eixo do tempo, (velocidade constante). Também é possível esco- lher alguns valores para t; os correspondentes módulos de v = são todos iguais a 5,0 m/s: v (m/s) t (s) 2,00 5,0 4,0 6,0 7. A função da posição em relação ao tempo do movi- mento de um ponto material, no SI, é x 5 100 2 20t. Determine: a) o módulo e sinal da velocidade e a posição inicial; b) o gráfico posição 3 tempo; c) o gráfico velocidade 3 tempo. resolução a) Identificando a função dada com a função da posição do MRU, x 5 x 0 1 vt, temos: x 0 5 100 m e v 5 220 m/s b) Montamos uma tabela para alguns valores de t: t (s) 0 2,0 4,0 6,0 x (m) 100 60 20 ]20 e construímos o gráfico: x (m) t (s) 2,00 20 –20 4,0 40 60 80 100 6,0 c) Como v 5 220 m/s constante, temos o gráfico: v (m/s) t (s)2,0 0 –20 4,0 6,0 8. Dois pontos materiais A e B percorrem a mesma re- ta no mesmo sentido com velocidades de módulo v A 5 15 m/s e v B 5 10 m/s. Num determinado instan- te, A está 100 m atrás de B. Determine a posição e o instante em que A alcança B. resolução Inicialmente estabelecemos um referencial único para o movimento dos doispontos materiais. Veja a figura a seguir: 100 m0 v & v & t 0 = 0 t 0 = 0 A B Dessa forma, A, no instante t 0 5 0, está na posição x0A 5 0 e B, no mesmo instante t0 5 0, está na posi- ção x0B 5 100 m. A partir daí podemos escrever as funções da posição do movimento de cada ponto material. Sendo x0A 5 0 e vA 5 15 m/s, a função da posição de A é: x A 5 0 1 15t ⇒ x A 5 15t I Sendo x0B 5 100 m e vB 5 10 m/s, a função da posi- ção de B é: x B 5 100 1 10t II Uma vez que foi estabelecido um referencial único para o movimento dos dois pontos materiais, no instante em que A alcançar B, ambos estarão na mesma posição, ou seja, x A 5 x B . Dessa forma, igualando as funções I e II , obte- mos: 15t 5 100 1 10t ⇒ t 5 20 s Substituindo este valor em I ou II , obtemos x 5 300 m. Portanto, A alcança B no instante t 5 20 s na posi- ção x 5 300 m. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_065a074_U2_C5.indd 70 3/7/13 10:36 AM c A P í T U lO 5 – M OV I M E N TO r E T I l í N E O U N I FO r M E 71 Observações 1ª) Só é possível afirmar que A alcança B quando passam pela mesma posição no mesmo ins- tante porque foi adotado o mesmo referencial e a mesma origem dos tempos para o movi- mento de ambos. 2ª) A posição é a mesma, mas os deslocamentos são diferentes. O deslocamento de A é: Δx A 5 v A t ⇒ Δx A 5 300 m O deslocamento de B é: Δx B 5 v B t ⇒ Δx B 5 200 m O ponto material A teve, como seria de esperar, um des locamento de 100 m a mais que o de B, que cor responde à distância entre eles no ins- tante t 0 5 0. 3ª) O resultado deste exercício pode ser obtido gra- ficamente pela construção, no mesmo plano coordenado, dos gráficos do movimento dos dois móveis a partir de suas funções da posição em relação ao tempo, como está representado na figura abaixo. O ponto material A, representa- do pela reta A, alcança o ponto material B, repre- sentado pela reta B, no instante t 5 20 s na posição x 5 300 m. x (m) 10 20 30 BA 300 400 t (s) 100 0 200 9. Dois pontos materiais A e B percorrem a mesma re- ta em sentidos opostos com velocidade de módu- los v A 5 6,0 m/s e v B 5 9,0 m/s. Num determinado instante a distância entre eles é de 450 m. Determi- ne a posição e o instante em que eles se cruzam. resolução Estabelecendo um referencial único para esses movimentos, como mostra a figura a seguir, e fixan- do as condições iniciais (posição e velocidade), podemos escrever as funções da posição de cada ponto material: 0 B A 450 m t 0 = 0 t 0 = 0 v &A v &B Sendo x0A 5 0 e vA 5 6,0 m/s, a função da posição de A é: x A 5 0 1 6,0t ⇒ x A 5 6,0t I Sendo x0B 5 450 m e vB 5 29,0 m/s (o módulo é precedido de sinal negativo porque o sentido da velocidade é oposto ao do referencial), a função da posição de B é: x B 5 450 2 9,0t II Como o referencial é único, A e B se cruzam na mes- ma posição: x A 5 x B . Então, de I e II , temos: 6,0t 5 450 2 9,0t ⇒ t 5 30 s Substituindo o valor de t em I ou II , obtemos a posição em que eles se cruzam: x 5 180 m. Observações Valem aqui as mesmas observações do exercício resolvido 8: 1ª) Só é possível afirmar que A e B se cruzam quan- do passam pela mesma posição no mesmo ins- tante se, para o movimento de ambos os pontos materiais, for adotado o mesmo referencial e a mesma origem dos tempos. 2ª) A posição é a mesma, mas os deslocamentos são diferentes (∆x A 5 180 m; ∆x B 5 270 m). 3ª) O resultado deste exercício também pode ser obtido graficamente. Os pontos materiais se cru- zam no instante t 5 30 s na posição x 5 180 m. x (m) 10 20 30 40 B A 300 400 500 t (s) 100 0 200 A solução gráfica permite a visualização do pro- blema: quando as duas retas se interceptam, A alcança B, no exercício 8, e ambos se cruzam, no exercício 9. Mostra também a conveniência da escolha de um referencial único para a solução desses problemas. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_065a074_U2_C5.indd 71 3/7/13 10:36 AM 72 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS EXERC ÍC IOS 5. O movimento retilíneo uniforme pode ser descrito matematicamente por uma só função — a função da posição em relação ao tempo —, já que a única grandeza que varia com o tempo é a posição. É pos- sível escrever funções para a velocidade e acelera- ção de um MRU em relação ao tempo? Como seriam essas funções? 6. Quando nos referimos ao coeficiente angular da reta correspondente à função da posição, restringi- mos os valores de α aos intervalos 0 ,, α ,, 90o e 90o ,, α ,, 180o. Por que foram excluídos os valores α 5 0, α 5 90o e α 5 180o? 7. Por que é importante estabelecer um referencial único para determinar a posição e o instante do encontro de dois pontos materiais? 8. Determine as velocidades dos pontos materiais cujo movimento é representado pelos gráficos posição 3 tempo abaixo. x (m) 5,0 10 300 t (s) 100 0 200 x (m) 10 60 t (s) 30 0 9. A função da posição de um ponto material, no SI, é x 5 60 2 12t. Determine: a) a posição inicial e a velocidade desse ponto ma- terial; b) os correspondentes gráficos posição 3 tempo e velocidade 3 tempo; c) o instante em que ele passa pela origem. 10. Nos gráficos velocidade 3 tempo do movimento de dois pontos materiais a seguir, determine o deslocamento de cada um no intervalo de tempo de 5,0 s a 15 s. v (m/s) 105,0 15 30 t (s) 0 v (m/s) 105,0 15 –8,0 t (s) 0 11. Em uma reta, na qual se estabeleceu um eixo de abscissas, um ponto material se movimenta com velocidade constante. Sabe-se que ele passa pela posição x 0 5 20,50 m no instante t 0 5 0 e pela posição x 5 0,50 m no instante t 5 10 s. Determine: a) o módulo da velocidade e o seu sentido em rela- ção ao referencial estabelecido; b) o gráfico posição 3 tempo; c) o gráfico velocidade 3 tempo. 12. Dois pontos materiais A e B percorrem a mesma re- ta, no mesmo sentido, com velocidades de módu- los v A 5 8,0 m/s e v B 5 2,0 m/s. Num determinado instante, A está 120 m atrás de B. Determine a posi- ção e o instante em que A alcança B. 13. Dois pontos materiais A e B percorrem a mesma reta em sentidos opostos com velocidades de módulos v A 5 20 m/s e v B 5 30 m/s. Num deter- minado instante t 5 0 a distância entre eles é 1 500 m. Determine a posição e o instante em que eles se cruzam. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_065a074_U2_C5.indd 72 3/7/13 10:36 AM c A P í T U lO 5 – M OV I M E N TO r E T I l í N E O U N I FO r M E 73 1. Estudo experimental de um movimento retilíneo uniforme E d u a rd o S a n ta lie s tr a /A rq u iv o d a e d it o ra Este é um dispositivo simples para o estudo de um movimento retilíneo uniforme. Uma haste cilíndrica com rosca (à venda em lojas de ferragens) de 30 ou 60 cm é fixada ao lado de uma régua de madeira de mesmo com- primento. Quando se coloca uma arruela ligeiramente maior do que o diâmetro da haste na sua extremidade superior, ela oscila e desce lentamente pela haste em movimento aproximadamente retilíneo uniforme. Para que isso aconteça, é importante experimentar algumas arruelas diferentes para obter o movimento mais uniforme (algumas arruelas se prendem na haste durante o movi- mento, outras escapam e descem aos saltos). Para você estudar um MRU com esse dispositivo basta um cronômetro e o auxílio de um colega, pois é preciso fazer medidas de posição e tempo simultaneamente. Colo- que a arruela no alto da haste e solte-a; assim que ela começar a descer uniformemente, inicie a cronometra- gem. O instante inicial é t 5 0 e a posição nesse instante, medida por meio da régua, é a posição inicial (x 0 ). Enquan- to a arruela desce, anote os valores das posições pelas quais ela vai passando e os instantes correspondentes. Você pode fazer as medidas em intervalos de tempos iguais, em instantes prefixados ou em posiçõespredeter- minadas medidas em centímetros. Desse modo, torna-se mais fácil a realização e a anotação das medidas. Obtenha pelo menos seis medidas (quanto mais, melhor). Coloque esses dados em uma tabela como esta: t (s) x (cm) Com essa tabela podemos construir em uma folha de papel milimetrado ou quadriculado o gráfico posi- ção 3 tempo do movimento da arruela. Esse gráfico nos permite determinar o módulo da velocidade de queda da arruela e a correspondente função da posição em relação ao tempo. É interessante notar que os pontos devem estar razoavelmente alinhados, caso contrário o movimento não terá sido uniforme. A figura abaixo é um exemplo de como você pode traçar uma reta por meio de pontos aproxima- damente alinhados. x (cm) + + + + + t (s) 0 + Agora você pode determinar a função da posição do movimento dessa arruela e a sua velocidade. Para isso, siga como exemplo o exercício resolvido 4. Observações 1·) Note que, pela função obtida do gráfico, você só pode obter um resultado para o módulo da velocidade, pois essa função supõe que a velocidade seja constante. Para que isso seja verdade é preciso que os pontos do gráfico estejam rigorosamente alinhados, o que dificilmente ocorre. O mais provável é que os pontos fiquem como no exemplo do gráfico acima e, nesse caso, o módulo da velocidade obtida deve ser entendido como um valor médio entre os valores obtidos. Para isso você deve esco- lher para o seu cálculo dois pontos da reta média, igno- rando os pontos da tabela. 2·) Atividades práticas como esta são importantes, mas não dão indicações sobre a validade das medidas feitas, ou seja, não há como saber se a velocidade obtida está correta. No entanto, há outras atividades experimen- tais que permitem essa avaliação. É o caso da atividade prática a seguir. at i v i d a d e s p r át i c a s CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_065a074_U2_C5.indd 73 3/7/13 10:36 AM 74 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS 2. Estudo experimental do encontro entre dois móveis C lá u d io P e d ro s o /A rq u iv o d a e d it o ra Numa régua de madeira de 60 cm prende-se uma manguei rinha de plástico transparente de 1 cm de diâme- tro junto a uma escala gra duada. Enche-se a mangueiri- nha com óleo de soja, por exemplo. Coloca-se, imersa no óleo, uma esfera de aço de 6 a 8 mm de diâmetro (à venda em lojas de peças de motos ou bicicletas). (O óleo é impor- tante porque diminui a velocidade da bolha de ar e da esfe- ra, o que facilita a coleta de dados, e preserva a esfera de aço da ferrugem.) Então vedam-se as extremidades da mangueirinha, se possível com rolhas de borracha, dei- xando uma pequena bolha de ar no interior do tubo. É importante que a bolha de ar tenha aproximadamente o mesmo diâmetro da esfera de aço. Bolhas muito grandes ficam alongadas e dificultam a determinação correta da posição do encontro. Inicialmente devemos deixar a bolha de ar e a esfera de aço nas extremidades opostas da mangueirinha. Em seguida, inclinamos a régua colocando a extremidade onde está a esfera de aço sobre um ou dois livros para manter a inclinação constante. Observamos então que a esfera desce enquanto a bolha de ar sobe; ambas com movimento aproximadamente retilíneo uniforme se cru- zam numa determinada posição e continuam o seu movi- mento. Trata-se de um típico encontro de dois móveis. Para estudar esse movimento, sugerimos o seguinte processo: 1) Estudar o movimento da esfera colocando a extremi- dade da régua onde está a esfera sobre um ou dois livros e, com um cronômetro e a escala da régua, mar- car os instantes e as correspondentes posições. Obter pelo menos seis pontos. Em seguida, repetir o proce- dimento da Prática 1: preencher uma tabela com as posições x (cm) e os instantes t (s) correspondentes, construir o respectivo gráfico posição 3 tempo e determinar a velocidade da esfera e a função da posi- ção em relação ao tempo do seu movimento. 2) Repetir o procedimento da mesma maneira, mas focali- zando a bolha de ar. Construir o gráfico posição 3 tempo do movimento da bolha e determinar a sua velocidade e a correspondente função da posição em relação ao tempo. É importante que as condições físicas sejam idênticas às do movimento da esfera de aço. Devemos adotar a escala da régua como referencial. Dessa forma um dos gráficos terá inclinação negativa. Veja um exemplo no gráfico da figura abaixo: a reta está voltada para baixo porque a bolha de ar se movimenta no sen- tido oposto à orientação dada pela escala da régua: x (cm) + + + + + t (s) 0 + 3) Agora podemos determinar a posição do encontro dos dois móveis. Isso pode ser feito graficamente, dese- nhando ambos os gráficos no mesmo plano cartesiano (veja o gráfico abaixo) ou igualando as funções da posição dos dois móveis. x (cm) t (s) 0 Repita o procedimento algumas vezes e anote a posi- ção x (cm) em que ocorre o encontro. Se você mantiver inalteradas as condições iniciais, ele deverá ocorrer sempre na mesma posição. Se houver alguma varia- ção, considere a média dos valores obtidos. Esse valor deve ser igual ao determinado pelo gráfico e pelas fun- ções dos movimentos. Observação: Esta atividade prática, ao contrário da pri- meira, permite uma avaliação experimental da sua validade, ou seja, a observação direta da posição do encontro. Note que o resultado dessa observação, se feito corretamente, não pode ser contestado, pois ele é a resposta dada “pela natureza”. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_065a074_U2_C5.indd 74 3/7/13 10:36 AM 75 Movimento retilíneo uniformemente variado O movimento retilíneo uniformemente variado, conhecido pela sigla MRUV, é quase sempre um movimento de curta duração em que um móvel é acelerado uniformemente na mesma direção, durante um determinado intervalo de tempo, variando o módulo e, às vezes, também o sentido de sua velocidade. Esse foi, aproximadamente, o movimento do veículo da foto acima nos seus 16 segundos ini- ciais quando, a partir do repouso, atingiu a velocidade de 965,5 km/h (268,2 m/s). Trata-se do Thrust SSC (Thrust Supersonic Car), uma espécie de carro-foguete que, em 15 de outubro de 1997, no deserto de Nevada, nos Estados Unidos, tornou-se o primeiro veículo terrestre a ultra- passar a velocidade do som, alcançando a fantástica velocidade de 1 228 km/h (341,1 m/s). É pouco provável que nesses 16 segundos a aceleração tenha sido constante, mas essa condição será sempre estabelecida neste capítulo para que tenhamos um movimento que possa ser estudado com recursos elementares de cálculo. D a v id M a d is o n /G e tt y I m a g e s O Thrust Supersonic Car, primeiro veículo terrestre a ultrapassar a velocidade do som. capítulo 6 CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 75 3/7/13 10:36 AM 76 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS 1. Movimento retilíneo uniformemente variado (MRUV) Um ponto material tem movimento retilíneo unifor memente variado (MRUV) quando sua trajetória é reti línea e a velocidade varia de maneira uniforme. Isso sig nifica que o módulo da velocidade aumenta ou diminui valores iguais em intervalos de tempo iguais. Observe a figura a seguir. A 0 A1 A2 A3 A4 a & t 5 0 t 5 1,0 s t 5 2,0 s t 5 3,0 s t 5 4,0 s v 1 5 2,0 m/sv 0 5 0 v 2 5 4,0 m/s v 3 5 6,0 m/s v &1 v &2 v &3 v &4 v 4 5 8,0 m/s x0 Posições sucessivas do ponto material A. O módulo da velocidade do ponto material A aumen ta 2,0 m/s a cada segundo, ou seja, ele se movimenta com uma aceleração constante de módulo 2,0 m/s2 no sentido do eixo. Quando a velocidade inicial tem o mesmo sentido do eixo, mas a aceleração tem sentido oposto, a descri ção do movimento exige também o uso adequado de sinais. Veja a figura: x a & v 4 5 28,0 m/s v 3 5 24,0 m/s t 5 1,0 s t 5 2,0 s t 5 4,0 st 5 3,0 s B 4 v 1 5 4,0 m/s v2 5 0 B 2B1B0 t 5 0 v &0 v &1 v &3 v &4 B 3 v 0 5 8,0 m/s 0 Posições sucessivas do ponto material B em MRUV. O eixo x está orientado no mesmo sentido de v &0 , oposto ao sentido de a &. A velocidade do ponto material B, considerando módulo e sinal, diminui 4,0 m/s a cada segundo. Esse ponto material tem, portanto, aceleração constante de módulo 4,0 m/s2, que, precedida do sinal devido ao eixo adotado, é expressa na forma a 5 24,0 m/s2. O ponto material B tem, portanto, aceleração negativa. Observe que no instante t 5 2,0 s o ponto mate rial B para e volta. Por isso, a partir daí, o módulo da velocidade também passa a ser precedido do sinal negativo, pois o sentido da velocidade também pas sa a ser oposto ao sentido do eixo x. No MRUV duas grandezas variam com o tempo — a velocidade e a posição —, enquanto a acelera ção é constante. Portanto, a descrição matemáti ca do MRUV se baseia, principalmente, nas funções e gráficos da velocidade e da posição em relação ao tempo. aceleração negativa ou desaceleração? Como já dissemos em relação à velocidade, em Física o adjetivo negativo está quase sempre re- lacionado ao sentido do referencial, e não à redu- ção ou diminuição do módulo de uma grandeza. A aceleração negativa, por exemplo, nem sempre reduz o módulo da velocidade do móvel — se a velocidade também for negativa, seu módulo au- mentará. Por essa razão, não vamos utilizar, neste livro, o termo desaceleração como sinônimo de aceleração negativa, pois desacelerar, segundo o Dicionário Aurélio eletrônico, é “reduzir a veloci- dade de; retardar”. parar Um dos significados do verbo parar, segundo o Dicionário eletrônico Houaiss, é “interromper, mo- mentânea ou definitivamente (uma atividade, uma operação, uma ocorrência, algo que se vinha fazen- do, etc.)”. É no sentido de interromper momenta- neamente que ele deve ser entendido aqui. Embo- ra na maioria das situações da vida cotidiana um móvel quando para se mantenha parado — é o que ocorre quando um automóvel para depois de freado —, na descrição matemática dos movimentos não é assim: se a aceleração for constante, no instante em que o módulo da velocidade se anula o móvel parará, mas não se manterá parado. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 76 3/7/13 10:36 AM C A p í T U lO 6 – M OV I M E N TO R E T I l í N E O U N I fO R M E M E N T E VA R I A D O 77 2. Função da velocidade em relação ao tempo A função da velocidade em relação ao tempo do ponto material em MRUV é a expressão matemática que fornece a velocidade vetorial v & desse ponto mate rial em qualquer instante t. Para obter essa função, é necessário inicialmente estabelecer o referencial ade quado. Veja a figura abaixo, na qual v & 0 é a velocidade inicial no instante t 0 e v &é a velocidade no instante t. t v & a & v 0& t 0 Sistema de referência para a função da velocidade em relação ao tempo t do ponto material em MRUV. Como a aceleração é constante, o módulo da acele ração a & do ponto material, em qualquer instante, é igual ao módulo da sua aceleração média a & m em qualquer intervalo de tempo. O módulo da aceleração média é a v v t t m 5 2 2 0 0 , então podemos escrever: a v v t t 5 v vv v t tt t 0v vv v 0 Desmembrando essa expressão, obtemos: v 5 v 0 1 a(t 2 t 0 ) Admitindose t 0 5 0, a expressão se reduz a: v 5 v 0 1 at Essa é a função da velocidade v & em relação ao tempo t de um ponto material em MRUV. A velocidade inicial v & 0 é a velocidade do ponto material no instan te inicial t 0 5 0. Por isso a velocidade inicial v & 0 e a ace leração a & são constantes que caracterizam o MRUV. velocidade vetorial Como estamos estudando movimentos retilí- neos, nos quais a direção da velocidade está im- plicitamente dada, a velocidade obtida por essas funções pode ser considerada vetorial, pois elas dão também o módulo da velocidade e o sentido, este por meio do sinal. Se o módulo vier precedi- do do sinal positivo, o sentido será o mesmo do referencial; se for negativo, será o oposto. Então, se conhecemos a direção, o módulo e o sentido da velocidade, conhecemos o vetor velocidade. E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 1. Um ponto material percorre uma reta, num determi nado sentido, com aceleração constante. No instan te t 0 5 0, o módulo da sua velocidade é v 0 5 5,0 m/s; no instante t 5 10 s, v 5 25 m/s. Determine: a) o tipo de movimento desse ponto material; b) a aceleração; c) a função da velocidade em relação ao tempo; d) a velocidade no instante t 5 8,0 s; e) o instante em que o módulo da velocidade é v 5 15 m/s. resolução De início representamos esquematicamente o enun ciado: t = 10 s v = 25 m/sv 0 = 5,0 m/s t 0 = 0 a) Como a trajetória é retilínea e a aceleração é constante, o movimento é retilíneo uniforme mente variado. b) Sendo v 0 5 5,0 m/s e v 5 25 m/s para t 5 10 s, temos: a v v t t a a5 2 2 5 2 2 5 0 0 25 5,0 10 0 2,0⇒ ⇒ m/s2 c) Sendo v 0 5 5,0 m/s e a 5 2,0 m/s2, obtemos: v 5 v 0 1 at ⇒ v 5 5,0 1 2,0t d) Para t 5 8,0 s, temos: v 5 5,0 1 2,0t ⇒ v 5 5,0 1 2,0 · 8,0 ⇒ ⇒ v 5 21 m/s e) Para v 5 15 m/s, em módulo, temos: v 5 5,0 1 2,0t ⇒ 15 5 5,0 1 2,0t ⇒ t 5 5,0 s 2. Um ponto material percorre uma reta com acele ração constante. Sabese que no instante t 0 5 0 a sua velocidade tem módulo v 0 5 12 m/s e no ins tante t 5 4,0 s a sua velocidade é zero. Determine, para esse ponto material: a) a aceleração; b) a função da velocidade em relação ao tempo; c) a velocidade no instante t 5 3,0 s; d) o instante em que o módulo da velocidade é v 5 4,5 m/s; e) a velocidade no instante t 5 6,0 s. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 77 3/7/13 10:36 AM 78 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS Inicialmente representamos o enunciado no esque- ma abaixo: t = 4,0 s v = 0 a & v 0 = 12 m/s t 0 = 0 a) Sendo v 0 5 12 m/s e v 5 0 para t 5 4,0 s, obte- mos o módulo e o sinal da aceleração: a v v t t a a5 2 2 5 2 2 2 0 0 20 12 4,0 0 3,0 m/s⇒ ⇒ b) Sendo v 0 5 12 m/s e a 5 23,0 m/s2, em módulo e sinal, obtemos: v 5 v 0 1 at ⇒ v 5 12 2 3,0t c) Para t 5 3,0 s, temos: v 5 12 2 3,0t ⇒ v 5 12 2 3,0 ? 3,0 ⇒ ⇒ v 5 3,0 m/s d) Nesse caso há duas possibilidades: a primeira quando a velocidade tem o mesmo sentido do eixo, em que v 5 14,5 m/s: v 5 12 2 3,0t ⇒ 4,5 5 12 2 3,0t ⇒ t 5 2,5 s a segunda quando a velocidade tem sentido oposto ao eixo, v 5 24,5 m/s (como discuti- mos no quadro da página 76, se a aceleração continua a existir, o ponto material para, mas não fica parado): v 5 12 2 3,0t ⇒ 24,5 5 12 2 3,0t ⇒ t 5 5,5 s e) Para t 5 6,0 s, temos: v 5 12 2 3,0t ⇒ v 5 12 2 3,0 ? 6,0 ⇒ ⇒ v 5 26,0 m/s 3. A função da velocidade em relação ao tempo do movimento de um ponto material, a partir de um determinado referencial, em unidades do SI, é v 5 12 2 3,0t. Determine a velocidade inicial e a aceleração desse ponto material. Basta identificar a função dada, v 5 12 2 3,0t, com a função da velocidade em relação ao tempo do MRUV, v 5 v 0 1 at. Como o termo indepen- dente de t é v 0 e o coeficiente de t é o módulo da aceleração, a, acrescido do sinal devido ao refe- rencial, temos: v 0 5 12 m/s e v 523,0 m/s2 E X E R C Í C I O S 1. Para escrever a função de um movimento é preciso estabelecer um referencial? Justifique. 2. Um ponto material percorre uma reta, sempre no mesmo sentido, com aceleração constante. No ins- tante t 0 5 0 o módulo da sua velocidade é 8,0 m/s; no instante t 5 10 s, é 48 m/s. Determine: a) a aceleração; b) a função da velocidade em relação ao tempo; c) a função da posição em relação ao tempo (admi- ta x 0 5 0); d) a velocidade nos instantes: 0 s; 2,0 s; 4,0 s; 6,0 s; 8,0 s; e 10 s; e) o gráfico velocidade 3 tempo; f) a posição nos instantes: 0 s; 2,0s; 4,0 s; 6,0 s; 8,0 s; e 10 s; g) o gráfico posição 3 tempo; h) o gráfico aceleração 3 tempo. 3. Um automóvel tem velocidade de módulo 72 km/h quando é freado, em linha reta, com aceleração cons- tante, até parar. Sabe-se que 5,0 s depois do início da freagem a sua velocidade é 54 km/h. Determine: R ic a rd o A zo u ry /P u la r Im a g e n s a) a aceleração (em m/s2); b) a função da velocidade; c) o gráfico velocidade 3 tempo; d) o instante em que o automóvel para; e) a função da posição (admita x 0 5 0); f) o gráfico posição 3 tempo; g) a distância percorrida durante a freagem. Observação: Em casos como esse, em que apare- cem no enunciado veículos reais, nem sempre é verossímil supor que eles sejam pontos materiais; podemos então supor que estamos considerando para estudo um ponto fixo localizado na frente des- ses veículos. O S CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 78 6/20/14 8:48 AM C A P Í T U LO 6 – M OV I M E N TO R E T I L Í N E O U N I FO R M E M E N T E VA R I A D O 79 3. Gráfico velocidade versus tempo A função da velocidade em relação ao tempo do MRUV é uma função do primeiro grau, linear. Portanto, o seu gráfico é uma reta. Observe o exemplo: Velocidade � Tempo t0 v0 v P0(t0, v0) P (t, v) t O coeficiente angular dessa reta, determinado a par- tir das coordenadas dos pontos P0 e P, é: m v v t t � � � 0 0 Como também a a v v t t � � � 0 0 , podemos afirmar que o coeficiente angular do gráfico velocidade � tempo do MRUV é igual à aceleração desse movimento em mó- dulo e sinal. Observe agora os gráficos a seguir. v � t v � t Aceleração positiva (0° � α � 90°). Aceleração negativa (90° � α � 180°). Quando o módulo da aceleração é precedido do sinal positivo, isto é, quando o sentido da aceleração coincide com o sentido do eixo, o coeficiente angular é positivo. Nesse caso, o ângulo α está compreendido no intervalo 0° � α � 90°. Quando a aceleração tem sentido oposto ao do eixo, seu módulo é precedido do sinal negativo, e α está compreendido no intervalo 90° � α � 180°. No MRUV, assim como no MRU, a “área sob a cur- va”, A, do gráfico velocidade � tempo no intervalo de tempo Δt é igual ao módulo do deslocamento Δx do ponto material nesse intervalo de tempo. (Reveja “Área sob a curva”, na página 68.) Veja a figura: Portanto: A � Δx Velocidade Tempo v v0 0 A t E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 4. Determine a aceleração em módulo e sinal de cada movimento retilíneo representado pelos gráficos: a) v (m/s) t (s) 1,0 5,0 0 2,0 10 3,0 15 20 b) v (m/s) t (s) 5,0 20 0 10 40 15 60 80 c) a) Tomando os pontos de coordenadas: t0 � 0; v0 � 5,0 m/s e t � 3,0 s; v � 20 m/s, temos: a v v t t a a� � � � � � �0 0 20 5,0 3,0 0 5,0⇒ ⇒ m/s2 b) Tomando os pontos de coordenadas t0 � 0; v0 � 80 m/s e t � 15 s; v � 20 m/s, obtemos: a v v t t a a� � � � � � ��0 0 20 80 15 0 4,0⇒ ⇒ m/s2 c) Como a reta é paralela ao eixo do tempo, a velocidade é constante, portanto a acelera- ção é nula. Podemos também aplicar a expressão a � v v t t � � 0 0 para os pontos de coordenadas t 0 � 0; v0 � 12 m/s e t � 6,0 s; v � 12 m/s, obtendo: a a� � � � 1 2 1 2 6,0 0 0⇒ E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S v (m/s) t (s) 2,00 4,0 6,0 12 CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 79 26/03/2013 14:01 80 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS 5. Veja a seguir os gráficos velocidade � tempo de dois movimentos retilíneos uniformemente variados: v (m/s) t (s) 2,00 4,0 20 6,0 8,0 40 Determine o módulo do deslocamento nos trechos coloridos. Sabemos que o módulo do deslocamento é igual à “área sob a curva” do gráfico velocidade � tempo. No primeiro gráfico, a área corresponde à área de um trapézio cuja base menor (b) é v0 � 20 m/s; a base maior (B) é v � 40 m/s e a altura (h) é t � 8,0 s. Então: Δx � área do trapézio Áreatrapézio � � � �( ) 2 (40 20)8,0 2 B b h x⇒ ∆ ⇒ ⇒ Δx � 240 m No segundo gráfico, o trecho colorido é um triân gulo cuja base (b) é t � 20 s e a altura (h) é v � 10 m/s. Então, temos: Δx � área do triângulo Áreatriângulo Área 2 20 10 2triângulo � � �bh x⇒ ∆ ⇒ Δx � 100 m E X E R C Í C I O 4. Determine o módulo e sinal da aceleração e do des- locamento do movimento de um ponto material representado pelos gráficos abaixo nos intervalos de 0 a 15 s (figura a) e de 0 a 30 s (figura b). a) v (m/s) t (s) 5,0 20 30 0 10 10 15 b) v (m/s) t (s) 5,00 10 15 20 10 E X E R C Í C I O v (m/s) t (s) 10 40 60 0 20 20 30 4. Função da posição em relação ao tempo Estabelecido o sistema de referência, como o repre- sentado abaixo, a função da posição em relação ao tempo do ponto material em MRUV possibilita a deter- minação da sua posição x em qualquer instante t. x t 0 x0 t0 v0& Sistema de referência para o MRUV: 0 é a origem; x0, v &0 e t0 são a posição, a velocidade e o instante iniciais; x é a posição no instante t. A função da posição x de um ponto material em re- lação ao tempo t é dada pela expressão: x x v t a t� � � 0 0 21 2 Essa relação matemática foi obtida e verificada experimentalmente por Galileu Galilei de forma sim- plificada no século XVI. GALILEU GALILEI Galileu Galilei (1564-1642) foi um físico, matemá- tico, astrônomo e filósofo italiano, um dos princi- pais representantes do Renascimento científico. Nasceu em Pisa e passou grande parte de sua vida em Pádua, onde desenvolveu a maior parte do seu trabalho. Publicou sua principal obra em 1634, em italiano: Discorsi e dimonstrazioni matema- tiche intorno a due nuove scienze, sobre o movi- mento dos corpos. Criador do “método experimental” nas ciências, aliando a hipótese teórica à sua verificação experi- mental, Galileu é muitas vezes chamado, por esse motivo, “pai da Ciência Moderna”. Galileu Galilei. Gravura de autoria desconhecida (c. 1630). A u to ri a d es co n h ec id a, c . 1 63 0/ H u lt o n A rc h iv e/ G et ty Im ag es CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 80 26/03/2013 14:01 C A p í T U lO 6 – M OV I M E N TO R E T I l í N E O U N I fO R M E M E N T E VA R I A D O 81 E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 6. Um ponto material tem MRUV. No instante t 0 5 0 ele está a 10 m da origem com velocidade de módulo v 0 5 5,0 m/s e aceleração de módulo a 5 4,0 m/s2 orientadas no mesmo sentido do eixo, como indica a figura abaixo: 0 x 0 = 10 m t 0 = 0 v 0& a & Determine: a) a função da posição em relação ao tempo, no SI; b) a posição no instante t 5 2,0 s; c) o instante em que a posição será x 5 85 m. resolução a) Sendo x 0 5 10 m; v 0 5 5,0 m/s e a 5 4,0 m/s2, temos: x x v t at x t t5 1 1 5 1 1 ? 0 0 2 2 1 2 10 5,0 1 2 4,0⇒ ⇒ ⇒x t t5 1 110 5,0 2,0 2 b) Sendo t 5 2,0 s, temos: x 5 10 1 5,0t 1 2,0t 2 ⇒ ⇒ x 5 10 1 5,0(2,0) 1 2,0 2,02 ⇒ x 5 28 m c) Sendo x 5 85 m, obtemos: x 5 10 1 5,0t 1 2,0t 2 ⇒ 85 5 10 1 5,0t 1 2,0t 2 ⇒ ⇒ 2,0t 2 1 5,0t 2 75 5 0 Resolvendo essa equação do 2‚ grau em t, obte mos t 5 5,0 s (desprezamos o valor de t negativo, que, neste caso, não tem significado físico). 7. Um automóvel tem velocidade de módulo de 108 km/h (30 m/s) quando freia e para depois de 5,0 s. Admitindo que o movimento seja retilíneo e a aceleração de freamento seja constante, determine: a) o módulo da aceleração do automóvel; b) a distância percorrida durante a freagem. resolução Veja o esquema: 0 v 0 = 30 m/s v = 0 t = 5 s t 0 = 0 v 0& a) Como v 0 5 30 m/s e o automóvel para em 5,0 s, no instante t 5 5,0 s, v 5 0. Então: a v v t t a a5 2 2 5 2 2 52 0 0 0 30 5,0 0 6,0⇒ ⇒ m/s2 b) Adotando x 0 5 0 no instante em que a freagem se inicia, a distância percorrida corresponde à posição x no instante t 5 5,0 s. Veja a figura abaixo: x 0 = 0 x t = 5,0 st = 0 v 0& Então, temos: x 5 x 0 1 v 0 t 1 ?1 2 2 at ⇒ ⇒ x 5 0 1 30 5,0 1 1 2 (26,0)(5,02) ⇒ ⇒ x 5 75 m Observação: Neste caso a velocidade nula garan te que o automóvel pare e fique parado porque nós sabemos que a causa desse movimento é a ação dos freios, que por sua vez só exercem força enquanto o automóvel está em movimento. As sim que o automóvel para, a força exercida pelos freios deixa de existir: o automóvel se mantém parado não porque sua velocidade se anula, mas porque não há mais força sendo exercida sobre ele depois que ele para. As relações entre força e movimento vão ser tra tadas a partir do capítulo 8, no estudo das leis de Newton; neste caso, como vamos ver nesse estudo, é preciso supor também que a pista seja horizontal. E X E R C Í C I O S 5. O MRU pode ser considerado um caso particular do MRUV. Que condição deve ser imposta para que isso se verifique? Mostre como é possível obter a função da posição do MRU a partir da função da posição do MRUV. 6. Um ponto material tem MRUV. No instante t 0 5 0 ele está a 50 m da origem, com velocidade de módu- lo v 0 5 10 m/s e aceleração de módulo a 5 8,0 m/s2 orientadas no mesmo sentido do eixo, como indica a figura abaixo: 0 x 0 t 0 = 0 v 0& x (m) a & Determine: a) a função da posição em relação ao tempo, no SI; b) a posição no instante t 5 4,0 s; c) o instante em que a posição será x 5 550 m. 7. Um trem percorre 200 m em 20 s durante a frea- gem. Admitindo que a aceleração fornecida pelos freios seja constante, determine, em módulo: a) a velocidade no início da freagem; b) a aceleração. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 81 3/7/13 10:36 AM 82 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS 5. Gráfico posição versus tempo A função da posição em relação ao tempo do MRUV é uma função do segundo grau em t. Seu gráfico é uma parábola com a concavidade para cima quando a acele ração é positiva ou com a concavidade para baixo quan do a aceleração é negativa. Veja os exemplos de gráfi cos abaixo: Posi•‹o Tempo Gráfico posição tempo do MRUV com aceleração positiva. Posi•‹o Tempo Gráfico posição tempo do MRUV com aceleração negativa. cONeXÕeS: MATEMÁTICA O gráfico da posição (x) em relação ao tempo (t) é uma parábola (tratase de função do segundo grau em t). Os segmentos de parábolas representados nos grá ficos das figuras acima são aqueles que aparecem com mais frequência nos gráficos de movimento estudados neste capítulo. Esses segmentos também podem incluir parábolas maiores, que indiquem a mudança do sentido do movimento representado. Nesses casos, os pontos em que a curva corta o eixo das abscissas (raízes da função) representam os instantes t em que o ponto ma terial passa pela origem (x 5 0). Os pontos de ordenada máxima (x máx. ) ou mínima (x mín. ) representam os instan tes t em que o ponto material está mais distante ou mais próximo da origem e indicam também que o movimento muda de sentido. 6. Gráfico aceleração versus tempo Como no MRUV a aceleração é constante, o seu gráfico é uma reta paralela ao eixo do tempo — acima do eixo se a aceleração for positiva; abaixo do eixo se for negativa. Veja a seguir: Aceleração Tempo a Gráfico aceleração tempo do MRUV com aceleração positiva. Acelera•‹o Tempo –a Gráfico aceleração tempo do MRUV com aceleração negativa. E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 8. A função da posição de um ponto material com MRUV, no SI, é x 5 10 1 2,0t 1 2,0t2. Determine: a) a posição inicial (x 0 ) e os módulos da velocidade inicial (v 0 ) e da aceleração desse ponto material; b) a função da velocidade; c) o gráfico posição tempo; d) o gráfico velocidade tempo; e) o gráfico aceleração tempo. resolução a) Comparando a função dada com a função gené rica, temos: x 5 x 0 1 v 0 t 1 1 2 at 2 ⇒ x 5 10 1 2,0 t 1 2,0t 2 Então: x 0 5 10 m v 0 5 2,0 m/s 1 2 a 5 2,0 ⇒ a 5 4,0 m/s2 b) Da função da velocidade, temos: v 5 v 0 1 at ⇒ v 5 2,0 1 4,0t c) Atribuindo valores a t na função da posição da da, x 5 10 1 2,0t 1 2,0t 2, obtemos os corres pondentes valores de x: t 5 0: x 5 10 1 2,0 · 0 1 2,0 · 02 ⇒ x 5 10 m t 5 1,0 s: x 5 10 1 2,0 · 1,0 1 2,0 · 1,02 ⇒ x 5 14 m t 5 2,0 s: x 5 10 1 2,0 · 2,0 1 2,0 · 2,02 ⇒ x 5 22 m CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 82 3/7/13 10:36 AM C A p í T U lO 6 – M OV I M E N TO R E T I l í N E O U N I fO R M E M E N T E VA R I A D O 83 t 5 3,0 s: x 5 10 1 2,0 · 3,0 1 2,0 · 3,02 ⇒ x 5 34 m t 5 4,0 s: x 5 10 1 2,0 · 4,0 1 2,0 · 4,02 ⇒ x 5 50 m t 5 5,0 s: x 5 10 1 2,0 · 5,0 1 2,0 · 5,02 ⇒ x 5 70 m Agrupamos os valores na tabela abaixo e cons truímos o gráfico: t (s) 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 x (m) 10 14 22 34 50 70 x (m) t (s) 10 1,00 2,0 3,0 4,0 5,0 20 30 40 50 60 70 d) Atribuindo valores a t na função da velocidade v 5 2,0 1 4,0t, obtemos os correspondentes valores de v: t 5 0: v 5 2,0 1 4,0 · 0 ⇒ v 5 2,0 m/s t 5 1,0 s: v 5 2,0 1 4,0 · 1,0 ⇒ v 5 6,0 m/s t 5 2,0 s: v 5 2,0 1 4,0 · 2,0 ⇒ v 5 10 m/s t 5 3,0 s: v 5 2,0 1 4,0 · 3,0 ⇒ v 5 14 m/s t 5 4,0 s: v 5 2,0 1 4,0 · 4,0 ⇒ v 5 18 m/s t 5 5,0 s: v 5 2,0 1 4,0 · 5,0 ⇒ v 5 22 m/s Agrupamos esses valores na tabela abaixo e construímos o gráfico: t (s) 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 v (m/s) 2,0 6,0 10 14 18 22 v (m/s) t (s) 4,0 2,0 1,00 2,0 3,0 4,0 5,0 8,0 6,0 12 10 16 14 20 22 18 e) Como a aceleração é constante, o gráfico é uma reta paralela ao eixo do tempo no ponto onde a 5 4,0 m/s2: a (m/s 2 ) t (s) 4,0 9. Um ponto material percorre uma reta no sentido po sitivo do eixo com aceleração constante. No instante t 0 5 0 ele passa pela origem com velocidade de mó dulo v 0 5 40 m/s; no instante t 5 4,0 s ele está com velocidade de módulo v 5 8,0 m/s. Determine: a) a aceleração desse ponto material; b) o gráfico velocidade tempo; c) o gráfico posição tempo. resolução a) Da expressão do módulo da aceleração a v v t t 5 2 2 0 0 apli cada ao esquema abaixo, temos: t = 4,0 st0 = 0 0 v &v0& a a5 2 2 52 8,0 40 4,0 0 8,0⇒ m/s2 O módulo da aceleração resulta precedido de si nal negativo porque ela tem sentido oposto ao sentido do eixo. b) Substituindo v 0 5 40 m/s e a 5 28,0 m/s2 na função da velocidade em relação ao tem po, temos v 5 40 2 8,0t. Atribuindo valores a t, obtemos os correspondentes valores de v, agrupados na tabela: t (s) 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 v (m/s) 40 32 24 16 8,0 0 28,0 216 A partir desses dados construímos o gráfico: v (m/s) t (s) 40 32 24 16 8,0 0 –8,0 –16 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 c) Sendo x 0 5 0 e substituindo as demais cons tantes na função da posição em relação ao tem po, temos: x t t x t t5 1 2 5 240 1 2 ( 8,0) 40 4,02 2⇒ CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 83 3/7/13 10:36 AM 84 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS Atribuindo valores a t, obtemos os correspon dentes valores de x e construímos o gráfico: t (s) 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 x (m) 0 36 64 84 96 100 96 84 x (m) t (s) 100 80 60 40 20 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 Observações 1·) A velocidade do ponto material é nula no ins tante t 5 5,0 s, mas, como já comentamos, isso não significa que o movimento cessou — ele para e volta. É o que mostra o gráfico posição tempo. 2·) Note que não há instante final para esse mo vimento. Do ponto de vista matemático, po dese atribuir qualquer valor a t e achar a cor respondente posição do ponto material. Isso não é uma condição irreal nem absurda: para corpos em movimento no espaço sideral, por exemplo, ela é perfeitamente aceitável. 3·) Pela mesma razão, os valores atribuídos a t podem ser negativos — isso não significa um recuo no tempo, mas permite determinar as posições que o móvel assumiu antes do início das medidas do tempo. EXERC ÍC IOS 8. A função da posição de um ponto material é x 5 5,0t1 4,0t2, no SI. Determine: a) a posição inicial e o módulo da aceleração desse ponto material; b) a função da velocidade; c) os gráficos velocidade 3 tempo e posição 3 tempo. 9. Um trem parte do repouso e, depois de 50 s de per- curso retilíneo com aceleração constante, sua velo- cidade tem módulo v 5 54 km/h. Determine: a) a aceleração; b) a distância percorrida pelo trem nesses 50 s. 7. Função da velocidade em relação à posição — “equação” de Torricelli A função da velocidade em relação à posição do ponto material em MRUV — conhecida como “equa- ção” de Torricelli, em homenagem ao físico e matemá tico italiano Evangelista Torricelli (16081647) — é ex pressa da seguinte forma: v 2 5 v 2 0 1 2a(x – x 0 ) ou, sendo Δx 5 x 2 x 0 : v 2 5 v 2 0 1 2aΔx Nessa função, as constantes são o módulo da velo cidade inicial (v 0 ), o módulo da aceleração (a) e a posi ção inicial (x 0 ). Veja abaixo a representação esquemáti ca do sistema de referência em que aparecem as constantes e as variáveis dessa função: x v 0& v & x 0 Observe que nessa função o tempo, t, não aparece. Por isso ela torna mais fácil a resolução de problemas em que essa variável não é conhecida. eQuação de torricelli? Como vimos no quadro Funções e equações da página 59, equação não é sinônimo de função. A equação de Torricelli deveria ser chamada função de Torricelli. No entanto, como o termo equação, nessa expressão, já é tradicional, optamos por mantê-lo, mas entre aspas. Embora homenageie Torricelli, não há referência explícita a essa equação em seus trabalhos. O que há é uma referência indireta na expressão por ele deduzida da velocidade de saída da água de um furo a uma profundidade h do nível da água em repou- so, contida em um recipiente, conhecida como lei de Torricelli: v 5 2gh2gh Esquema de Torricelli para a dedução da célebre lei de Torricelli. F o n te : T o k a ty . G . A . H is to ry a n d P h il o s o p h y o f F lu id M e ch a n ic s . C o u ri e r D o v e r P u b li c a ti o n s , 1 9 9 4 , p . 5 8 /F a c -s ím il e CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 84 3/7/13 10:36 AM C A P Í T U LO 6 – M OV I M E N TO R E T I L Í N E O U N I FO R M E M E N T E VA R I A D O 85 E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 10. Um automóvel parte do repouso e adquire movi- men to retilíneo com aceleração constante de mó- dulo a � 2,0 m/s2. Qual a velocidade desse auto- móvel, em km/h, após um percurso de 100 m? Veja o esquema: 100 m v0 = 0 0 a & v& Sendo v0 � 0, a � 2,0 m/s 2 (a aceleração tem o mesmo sentido do eixo) e Δx � 100 m, temos: v2 � v 20 � 2aΔx ⇒ v 2 � 02 � 2 � 2,0 � 100 ⇒ ⇒ v 2 � 400 ⇒ v � 20 m/s Para obter a velocidade em km/h: v � 20 � 3,6 ⇒ v � 72 km/h Observação: Apesar de a raiz quadrada admitir dois sinais, neste caso, por causa do referencial, só é válido o positivo. 11. O sistema de freios de um trem pode produzir uma aceleração constante de módulo 5,0 m/s2 em tra- jetória reti línea. Estando o trem com velocidade de módulo 54 km/h, a que distância da estação os freios devem ser acionados? Como o trem deve parar na estação, podemos repre- sentar esse movimento por meio do esquema abaixo, em que v � 0 na posição x onde fica a estação. Como o sentido da aceleração é oposto ao refe- rencial, o seu módulo é precedido de sinal negativo: a � �5,0 m/s2. Sendo v0 � 54 km/h � 15 m/s e v � 0, aplicando a “equação” de Torricelli, temos: v2 � v 20 � 2aΔx ⇒ 0 2 � 152 � 2(�5,0)Δx ⇒ ⇒ 10Δx � 230 ⇒ Δx � 23 m Observação: O uso correto dos algarismos signifi- cativos, em Física, às vezes dá a impressão de que erramos a conta. Mas não erramos. O resultado 225, que vem de 152, escrito com dois algarismos significativos, é 230. E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S v0 = 54 km/h a & v = 0 x0 = 0 x �x 12. Um ponto material tem MRUV. No instante t0 � 0 ele está a 50 m da origem com velocidade de módulo v0 � 10 m/s e aceleração de módulo a � 4,0 m/s 2, ambas no mesmo sentido. Determine: a) o módulo da sua velocidade a 150 m da origem; b) a posição desse ponto material quando o módu- lo da velocidade for 20 m/s. De início, adotamos o referencial representado no esquema abaixo: 50 m t0 = 0 v0 = 10 m/s 0 a & v0& a) Sendo v0 � 10 m/s, x0 � 50 m e a � 4,0 m/s 2, para x � 150 m, temos: v 2 � v 20 � 2a(x � x0) ⇒ ⇒ v 2 � 102 � 2 � 4,0(150 � 50) ⇒ ⇒ v 2 � 900 ⇒ v � 30 m/s (o sinal é positivo por- que a velocidade tem o mesmo sentido do eixo) b) Pela expressão v 2 � v 20 � 2a(x � x0), para v � 20 m/s, temos: 202 � 102 � 2 · 4,0(x � 50) ⇒ ⇒ 400 � 100 � 8,0x � 400 ⇒ 8,0x � 700 m ⇒ ⇒ x � 88 m (com dois algarismos significativos) E X E R C Í C I O S 10. Um avião a jato comercial deve atingir uma velocida- de de 360 km/h para decolar. Se a pista tem um comprimento de 2 000 m, qual deve ser o módulo da aceleração desse avião, suposta constante, para ini- ciar a decolagem? 11. O sistema de freios de um automóvel é capaz de produzir uma aceleração de módulo constante de 8,0 m/s2. Determine a distância que ele percorre em linha reta, até parar, quando freado com veloci- dade inicial de: a) 36 km/h; b) 144 km/h. 12. Um ponto material tem MRUV. Num determinado ins- tante t0 � 0 ele está a 100 m da origem com veloci- dade de módulo v0 � 5,0 m/s e aceleração de módulo 2,5 m/s2, ambas no mesmo sentido. Deter- mine, desse ponto material: a) o módulo da velocidade a 220 m da origem; b) a posição quando o módulo da sua velocidade for 15 m/s. E X E R C Í C I O S CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 85 26/03/2013 14:03 86 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS 8. Velocidade média no MRUV A definição do módulo da velocidade média para movimentos retilíneos uniformemente variados pode ser escrita na forma: v v v m 5 1v vv v 0 v vv v 2 Assim, no MRUV, o módulo da velocidade média de um ponto material num determinado intervalo de tempo é igual à média aritmética das velocidades inicial e final nes se intervalo, levando em conta o módulo e o sinal decor rente do referencial. Observe nas ilustrações abaixo que esse mesmo resultado pode ser obtido graficamente: (b) vm t 0 Dt v m (a) v t 0 Dt v 0 v “Áreas sob a curva” dos gráficos v t (a) e v m t (b). Da observação atenta dessas figuras podese per ceber, por simetria, que os triângulos hachurados trans formam o retângulo de b no trapézio de a. Então, con cluímos que as áreas do retângulo e do trapézio são iguais, o que nos permite escrever: A retângulo 5 A trapézio ⇒ v t (v v ) t 2m 0 ? D 5 1 D Como o intervalo de tempo, Δt, é o mesmo, temos v v v m 5 1 0 2 . velocidade MÉdia e MÉdia aritMÉtica das velocidades y a b m 5 a ba b 2 Já comentamos que não há relação entre velo- cidade média e média aritmética das velocidades. No entanto, o MRUV é uma exceção. Isso se deve à sua característica de variação uniforme, linear, da velocidade. O valor médio y m de uma função linear num determinado intervalo, de y 5 a a y 5 b, é igual à média aritmética dos valores extremos des- se intervalo, como mostra a figura. E X E R C Í C I O R E S O LV I D O 13. Um automóvel está com determinada velocidade quando freia com aceleração constante, percorren do 50 m em 5,0 s, em linha reta, até parar. Determi ne em módulo e sinal: a) a velocidade média do automóvel durante a freagem; b) a velocidade do automóvel no instante em que é freado; c) a aceleração produzida pelos freios. resolução Veja a figura abaixo: a) Da definição de velocidade média, em módulo, temos: v x t v v m m m 5 5 5 ∆ ∆ ⇒ ⇒ 50 5,0 10 m/s b) O módulo da velocidade nesse instante é v 0 . Então, da expressão da velocidade média no MRUV, em módulo, temos: v v v v v m 5 1 5 2 5 0 0 0 2 10 0 2 20 m/s⇒ ⇒ c) Sendo Δt 5 t 2 t 0 5 5,0 s, temos:a v v t t a a5 2 2 5 2 5 2 0 0 2 ⇒ ⇒ 0 20 5,0 4,0 m/s Observação: Nesse caso, não se conhece a velocida de inicial, v &0, nem a aceleração, a &. Como essas grande zas aparecem em todas as funções do MRUV, qual quer solução com base nessas funções exige a resolução de um sistema de equações, o que não ocorre quando se usa a expressão da velocidade mé dia. Ao longo do nosso estudo da Física haverá outras situações como esta, em que mais de uma expressão pode ser utilizada para a descrição da mesma realida de física, o que pode ser útil tanto como recurso para verificar a correção de cálculos, como para verificar a consistência entre duas ou mais abordagens teóricas. E X E R C Í C I O 13. Segundo uma revista especializada, um automóvel de determinada marca percorre 400 m em 20 s a partir do repouso. Admitindo que a aceleração seja constante, determine, em módulo, nesse caso: a) a velocidade média; b) a velocidade ao final dos 20 s; c) a aceleração. 0 t 0 = 0 v = 0 t = 5,0 s 50 m v 0& y x a b ym = a + b 2 CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 86 3/7/13 10:36 AM C A p í T U lO 6 – M OV I M E N TO R E T I l í N E O U N I fO R M E M E N T E VA R I A D O 87 Velocidade máxima à noite No artigo “Limitação da velocidade máxima à noite em função do alcance útil dos faróis”*, de Ventura Raphael Martello Filho e Valdir Florenzo, especialistas em perícia de acidentes, há o diagrama representado a seguir. F o rm a to C o m u n ic a ç ã o /A rq u iv o d a E d it o ra 0 10 20 40 60 80 100 120 m 15 15 m 10 10 5 5 0 I II III IV Trata-se de um diagrama de isoluminância** : cada curva (I, II, III e IV) delimita a área uniformemente abrangida por fonte de luz. Nesse caso, estão representadas as curvas de quatro pares de faróis altos de automóvel de diferentes especi- ficações. As distâncias indicadas no diagrama estão representadas em metros. Formem grupos e suponham que vocês estejam viajando em um carro cujo diagrama de isoluminância da luz do farol corresponda à curva IV, que é a do farol mais eficiente, e que o motorista esteja atento e enxergue bem toda a região repre- sentada. Respondam: 1. A que distância o motorista consegue ver um obstáculo no lado direito da pista? (Um cavalo, por exemplo.) 2. Segundo o artigo, o tempo médio de reação de uma pessoa (intervalo de tempo entre a visão do obstáculo e a ação efetiva de reação) é de 1,5 s. Supondo que, no instante em que o motorista vê o obstáculo, o carro esteja com velocidade constante de 108 km/h (30 m/s), a que distância do obstáculo estará o carro quando o motorista pisar nos freios? 3. Ainda de acordo com o artigo, se a estrada estiver seca e os pneus forem novos, a aceleração de freamento pode chegar a 7,5 m/s2. Supondo que essa aceleração constante seja aplicada aos freios, que distância o veículo tem de percorrer para conseguir parar? 4. Ocorrerá colisão? Se sim, qual deveria ter sido a velocidade inicial do carro para que não ocorresse colisão? 5. Considerando que as condições aqui apresentadas foram as melhores possíveis (faróis altos da melhor qualidade, motorista atento e com boa visão, estrada seca e máxima aceleração de freamento) – o que nem sempre ocorre –, que recomendações vocês dariam a alguém para que faça uma viagem segura durante a noite? * Extraído de <www.estradas.com.br/sosestradas/articulistas/martello/estudovelocidade.asp>. Acesso em: 28 ago. 2012. ** Diagramas de isoluminância são representações gráficas que delimitam regiões em que o nível de iluminação é uniforme. at i v i d a d e p r át i c a CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_075a087_U2_C6.indd 87 3/7/13 10:36 AM 88 Queda livre Q uando um corpo é solto de uma determinada altura, ele adquire um movimento de queda vertical, cuja velocidade aumenta continuamente. Numa queda “livre”, isto é, em que a resistência do ar é desprezível, todo corpo, seja qual for seu peso, sejam quais forem suas dimensões, cai sempre no mesmo intervalo de tempo se for solto da mesma altura. Sua veloci- dade sempre aumenta durante a queda, mas, em intervalos de tempo iguais, essa variação é sempre a mesma - todos caem com a mesma aceleração: a aceleração da gravidade. Essa é uma afirmação difícil de aceitar porque contraria nossa observação cotidiana. Por isso, para ilustrar essa afirmação, foi tirada esta foto em múltipla exposição com uma maçã e uma pena caindo dentro de uma câmara de vácuo. Esta foto mostra de modo eloquente a cons- tância da aceleração da gravidade em um movimento de queda livre, tema deste capítulo. J im S u g a r/ S c ie n c e F a c ti o n /G e tt y I m a g e s capítulo 7 Maçã e pena caindo simultaneamente dentro de uma câmara de vácuo. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 88 3/7/13 10:37 AM c a p í t u lo 7 – q u e da l i v r e 89 1. Introdução Se não houvesse a resistência do ar, todos os cor- pos, de qualquer peso ou forma, abandonados da mesma altura, nas proximidades da superfície da Ter- ra, levariam o mesmo tempo para atingir o solo. Esse movimento é conhecido como queda livre. A trajetória é retilínea, vertical, e a aceleração é a da gravidade (g &), constante, cujo módulo com dois algarismos signifi- cativos é g 5 9,8 m/s2. A rigor, o movimento de queda livre não existe na prática porque não é possível evitar a influência da re- sistência do ar. Em um ambiente como a Lua, por exemplo, onde a atmosfera é praticamente inexistente, isso é possível. Em 2 de agosto de 1971, o astronauta norte-americano David Scott, comandante da missão Apollo 15, fez uma experiência interessante que comprovou esse fato. Deixando cair, ao mesmo tempo, um martelo, com massa de 1,32 kg, e uma pena de falcão, com massa de 30 g, Scott comprovou que, na ausência da resistência do ar, a aceleração com que os corpos caem é a mes- ma, visto que o martelo e a pena atingiram o solo lunar no mesmo instante. Veja a foto: A la n B e a n /C o le ç ã o p a rt ic u la r O astronauta David R. Scott, na superfície da Lua, deixa cair um martelo e uma pena, comprovando que, na ausência da resistência do ar, a aceleração com que os corpos caem é a mesma. Já na Terra, no entanto, muitas vezes a resistência do ar pode ser considerada desprezível e, nesses ca- sos, o movimento de queda livre é possível. Um exem- plo é o movimento de uma pequena esfera maciça caindo de baixa altura. 2. Funções do movimento de queda livre No movimento de queda livre, a trajetória é retilí- nea, e a aceleração, constante. Trata-se, portanto, de MRUV e, como tal, as funções matemáticas que o descrevem são as mesmas vistas no capítulo ante- rior. No entanto, para caracterizar o estudo do movi- mento de queda livre, vamos dar a essas funções ca- racterísticas específicas: • Como a trajetória é sempre vertical, a variável x, que representa a posição, associada ao eixo horizontal das abscissas, será substituída pela variável y, asso- ciada ao eixo vertical das ordenadas. • A aceleração é a da gravidade, portanto vamos adotar sempre a& 5 g &. Vamos estabelecer um único sistema de referência: um eixo vertical, orientado para cima, com a origem fixada, em geral, no solo (veja a figura a seguir). Nessas condições, como a aceleração da gravidade é orientada verticalmente para baixo, o seu módulo será sempre precedido de sinal negativo. 0 g & Sistema de referência para o movimento de queda livre. • O deslocamento Δx 5 x 2 x 0 será substituído pela altura h ou Δy, expresso por Δy 5 y 2 y 0 . Assim, podemos reunir, na tabela abaixo, as princi- pais funções do MRUV ao lado das correspondentes funções “adaptadas” ao movimento de queda livre. Funções MRUV Queda livre Velocidade em relação ao tempo v = v 0 + at v = v 0 – gt Posição em relação ao tempo x = x 0 + v 0 t + 1 2 at2 y = y0 + v0t – 1 2gt2 Velocidade em relação à posição (“equação” de Torricelli) v2 = v2 0 + 2aΔx v2 = v2 0 + 2a(x – x 0 ) v2 5 v2 0 – 2gΔy v2 5 v2 0 – 2g(y – y 0 ) Na maioria dos exercícios e problemas, em vez de g 5 9,8 m/s2, costuma-se adotar g 5 10 m/s2, com dois algarismos significativos. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 89 6/20/14 8:49 AM 90 u N i da d E 2 – E St u d o d oS M ov i M E N toS E X E R C Í C I O S R E S O LV I D O S 1. Um corpo pequeno* é abandonado de uma altura de 80 m. Desprezando a resistência do ar e adotando g 5 10 m/s2, determine: a) a função da posição; b) a posição nos instantes t 5 0; t 5 1,0 s; t 5 2,0 s; t 5 3,0 s e t 5 4,0 s; c) o gráfico posição tempo; d) a função da velocidade; e) a velocidade nos instantes t 5 0; t 5 1,0 s; t 5 2,0 s; t 5 3,0 s e t 5 4,0 s; f) o gráfico velocidade tempo; g) o instante em que ele atinge o solo; h) a velocidade com que ele atinge o solo. resolução a) Fixando a origem do sistema de referência no solo, temos y 0 5 80 m. Como o corpo foi aban- donado, o módulo de sua velocidade inicial é nulo, v 0 5 0. Veja a figura abaixo. 0 y 0 = 80 m v0 = 0 g & Substituímos esses valores na função da posição: y 5 y 0 1 v 0 t 2 1 2 ? gt2 ⇒ ⇒ y 5 80 1 0t 2 1 2 ? 10t2 ⇒ y 5 80 2 5,0t2 b) Substituindo os valores de t nessa função, temos: t 5 0: y 5 80 2 5,0 ? 02 ⇒ y 5 80 m t 5 1,0 s: y 5 80 2 5,0 ? 1,02 ⇒ y 5 75 m t 5 2,0 s: y 5 80 2 5,0 ? 2,02 ⇒ y 5 60 m t 5 3,0 s: y 5 80 2 5,0 ? 3,02 ⇒ y 5 35 m t 5 4,0 s: y 5 80 2 5,0 ? 4,02 ⇒ y 5 0 m * O corpo precisa ser pequeno para que possa ser considerado um ponto material; não nos referimos diretamente a ponto material para não tornar o enunciado muito artificial. c) Agrupamos na tabela os valores de t (s) e y (m) e construímos o gráfico: t (s) 0 1,0 2,0 3,0 4,0 y (m) 80 75 60 35 0 y (m) t (s) 10 1,00 2,0 3,0 4,0 20 30 40 50 60 70 80 d) Da função da velocidade, temos: v 5 v 0 2 gt ⇒ v 5 0 2 10t ⇒ v 5 210t e) Substituindo os valores de t na função da velo- cidade, temos: t 5 0: v 5 210 ? 0 ⇒ v 5 0 t 5 1,0 s: v 5 210 ? 1,0 ⇒ v 5 210 m/s t 5 2,0 s: v 5 210 ? 2,0 ⇒ v 5 220 m/s t 5 3,0 s: v 5 210 ? 3,0 ⇒ v 5 230 m/s t 5 4,0 s: v 5 210 ? 4,0 ⇒ v 5 240 m/s f) Construímos o gráfico velocidade tempo a partir dos valores reunidos na tabela: t (s) 0 1,0 2,0 3,0 4,0 v (m/s) 0 –10 –20 –30 –40 v (m/s) t (s)1,00 2,0 3,0 4,0 –40 –30 –20 –10 CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 90 3/7/13 10:37 AM c a P í t u lo 7 – q u E da l i v r E 91 Como a origem foi fixada no solo, para t 5 2,0 s, y 5 0. Então, da função da posição, y 5 y 0 1 v 0 t 2 1 2 ? gt 2, temos: 0 5 40 1 v 0 ? 2,0 2 1 2 ? 10 ? 2,02 ⇒ ⇒ 2,0v 0 5 220 ⇒ v 0 5 210 m/s b) Para t 5 2,0 s, da função velocidade, temos: v 5 v 0 2 gt ⇒ v 5 210 2 10 ? 2,0 ⇒ ⇒ v 5 230 m/s 3. Um pequeno corpo é abandonado em queda livre de determinada altura. Depois de 2,0 s ele está a 60 m do solo. Adotando g 5 10 m/s2, pergunta-se: a) De que altura ele foi abandonado? b) Em que instante ele atinge o solo? c) Com que velocidade ele atinge o solo? resolução a) Adotando o referencial representado abaixo, conclui-se que a altura de onde o corpo foi abandonado é sua posição inicial y 0 . t 0 = 0 v 0 = 0 y 0 t = 2,0 s 60 m 0 g & Sabendo que v 0 5 0 e que, quando t 5 2,0 s, y 5 60 m, da função da posição, y 5 y 0 1 v 0 t 2 1 2 ? gt 2, temos: 60 5 y 0 1 0 ? 2,0 2 1 2 ? 10 ? 2,02 ⇒ ⇒ y 0 5 60 1 20 ⇒ y 0 5 80 m b) Para y 5 0, da função da posição y 5 y 0 1 v 0 t 2 1 2 ? gt 2, temos: 0 5 80 1 0t 2 1 2 ? 10t 2 ⇒ 0 5 80 2 5,0t 2 ⇒ ⇒ t 5 4,0 s g) No instante t em que o corpo atinge o solo, a posição é y 5 0. Então, temos: y 5 80 2 5,0t 2 ⇒ 0 5 80 2 5,0t 2 ⇒ t 5 16 ⇒ ⇒ t 5 4,0 s h) Fazendo y 5 0, temos: v 2 5 v 2 0 2 2g(y 2 y 0 ) ⇒ ⇒ v 2 5 02 2 2 ? 10(0 2 80) ⇒ v 2 5 1 600 ⇒ ⇒ v 5 240 m/s Observações 1·) Como a direção do movimento é conhecida — vertical —, pode-se considerar que o módulo da velocidade acrescido do sinal representa o vetor velocidade, pois sabemos sua direção, seu módulo e sentido. Essa mesma conside- ração é válida para os demais exercícios deste capítulo. 2·) No item g há duas respostas: t 5 14,0 s e t 5 24,0 s. Adotamos apenas o valor positi- vo, pois nesse caso é o único que tem signi- ficado físico. Esse resultado poderia ter sido obtido também com o auxílio do gráfico posição tempo. 3·) No item h também há duas respostas: v 5 140 m/s e v 5 240 m/s, mas agora o sinal que tem significado físico é o negativo, pois o sentido da velocidade é oposto ao do referen- cial. Essa resposta poderia ser obtida substi- tuindo-se t 5 4,0 s na função v 5 v 0 2 gt ou no gráfico velocidade tempo. 2. Um pequeno corpo é lançado verticalmente para baixo de uma altura de 40 m e atinge o solo em 2,0 s. Desprezando a resistência do ar e adotando g 5 10 m/s2, determine: a) a velocidade com que ele foi lançado; b) a velocidade com que ele atinge o solo. resolução a) Adotando o referencial da figura, temos que y 0 5 40 m. 0t = 2,0 s t = 0 40 m g & v 0& CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 91 3/7/13 10:37 AM 92 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS resolução a) Adotando o referencial abaixo com a origem fixada no solo, y 0 5 0 e a velocidade de lança- mento é v 0 5 30 m/s. v 0& y 0 = 0 0 g& Então, da função da posição y 5 y 0 1 v 0 t 2 1 2 gt 2, temos: y 5 0 1 30t 2 1 2 10t 2 ⇒ ⇒ y 5 30t 2 5,0t 2 b) Atribuindo valores a t na função anterior, obte- mos os correspondentes valores de y: t (s) 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 y (m) 0 25 40 45 40 25 0 c) A partir dos dados obtidos no item acima, cons- truímos o gráfico: y (m) t (s) 10 1,00 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 20 30 40 50 c) Para t 5 4,0 s, da função da velocidade v 5 v 0 2 gt, temos: v 5 0 2 10 4,0 ⇒ v 5 240 m/s Observação: Essa velocidade pode ser determina- da diretamente fazendo y 5 0 na função: v2 5 v2 0 2 2g(y 2 y 0 ) ⇒ v2 5 02 2 2 10(0 2 80) ⇒ ⇒ v 2 5 1 600 ⇒ v 5 240 m/s Nesse caso há duas respostas: v 5 140 m/s e v 5 240 m/s, mas o sinal é negativo porque a velo- cidade tem sentido oposto ao do sistema de refe- rência adotado. 4. Um projétil é lançado do solo verticalmente para cima com velocidade de 30 m/s. Adotando g 5 10 m/s2 e desprezando a resistência do ar, determine: a) a função da posição; b) a posição nos tempos t 5 0; t 5 1,0 s; t 5 2,0 s; t 5 3,0 s; t 5 4,0 s; t 5 5,0 s; e t 5 6,0 s; c) o gráfico posição tempo; d) a função da velocidade; e) o gráfico velocidade tempo; f) a altura máxima atingida; g) o instante em que o projétil atinge o solo; h) a velocidade com que ele atinge o solo. lançamento vertical Costuma-se chamar de lançamento vertical o movimento de um projétil lançado verticalmente para cima, desprezando-se a resistência do ar. Na realidade, trata-se de um movimento de queda livre. Pode-se dizer que ele começa a “cair”, ou seja, a sua velocidade se reduz desde o início do seu lançamento. A aceleração do movimento é, portanto, a mesma — a aceleração da gra- vidade, g &. Todas as funções que descrevem o movimento continuam sendo as mesmas, desde que se mantenha o mesmo referen- cial: eixo vertical orientado para cima com a origem fixada no solo. Veja a figura ao lado. Dessa forma, a velocidade do projétil será o módulo da velocidade e será precedido de sinal positivo na subida e negativo na descida, mas o módulo da aceleração da gravidade será sempre precedido de sinal negativo porque o sentido da aceleração é sempre orientado para baixo. É inte- ressante notar que, ao atingir a altura máxima, o projétil para, isto é, a sua velocidade é nula, mas a aceleração continua sendo a mesma. v 0& 0 g& CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd92 3/7/13 1:02 PM c a P í t u lo 7 – q u E da l i v r E 93 Obtemos uma equação do segundo grau incom- pleta, cujas raízes são t 5 0 e t 5 6,0 s. A primei- ra raiz, t 5 0, corresponde ao instante de lança- mento, portanto não é a resposta pedida. A resposta é a segunda raiz, t 5 6,0 s, instante em que o projétil atinge o solo, na volta. h) Para obter a velocidade com que o projétil atinge o solo basta determinar v para y 5 0 na “equa- ção” de Torricelli: v2 5 v2 0 2 2g(y 2 y 0 ) ⇒ ⇒ v2 5 302 2 2 ? 10(0 2 0) ⇒ ⇒ v 5 230 m/s Observações 1·) As respostas dos itens f e g podem ser obtidas diretamente do gráfico posição tempo do item c. 2·) No item h há duas respostas: v 5 130 m/s e v 5 230 m/s; o sinal é negativo por causa do referencial. Nesse caso, a resposta pode ser obtida também por meio do gráfico velocidade tempo do item e; note que, nesse caso, o sinal da velocidade aparece diretamente, não há necessidade de escolha. 3·) Se, em vez de ser lançado verticalmente, o pro- jétil for lançado com uma determinada inclina- ção θ em relação à horizontal, a sua trajetória será uma parábola. Essa parábola pode ser descrita por meio da composição de dois movimentos: um MRU na direção horizontal e um MRUV (lançamento ver- tical) na direção vertical (Veja o tópico Lança- mento oblíquo de projéteis, na página 95). 5. Uma criança joga uma pedra verticalmente para o alto e observa que ela volta às suas mãos depois de 4,0 s. Desprezando a resistência do ar e adotando g 5 10 m/s2, responda: a) Com que velocidade ela lançou a pedra? b) Qual a altura máxima atingida pela pedra? c) Em que instantes a pedra está a 15 m de altura? d) Com que velocidades a pedra passa pela altura de 15 m? d) Da função da velocidade, v 5 v 0 2 gt, temos: v 5 30 2 10t e) Substituindo na função da velocidade os valo- res de t, obtemos os correspondentes valores de v: t (s) 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 v (m/s) 30 20 10 0 –10 –20 –30 A partir desses valores, construímos o gráfico: v (m/s) t (s) Ð10 1,00 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 10 20 Ð20 30 Ð30 f) A altura máxima atingida corresponde à posição y em que v 5 0. Então, da “equação” de Torricelli, temos: v 2 5 v 2 0 2 2g(y 2 y 0 ) ⇒ 02 5 302 2 2 ? 10(y 2 0) ⇒ ⇒ 0 5 900 2 20y ⇒ y 5 45 m g) Quando o projétil atinge o solo, sua posição é y 5 0. Então, da função da posição, y 5 y 0 1 v 0 t 2 1 2 ? gt 2, temos: y 5 30t 2 5,0t 2 ⇒ 0 5 30t 2 5,0t 2 ⇒ ⇒ 5,0t 2 2 30t 5 0 CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 93 3/7/13 10:37 AM 94 u N i da d E 2 – E St u d o d oS M ov i M E N toS EXERC ÍC IOS 1. É possível um corpo com aceleração constante, não nula, ter velocidade nula? Justifique. 2. A foto da página 89, que mostra o astronauta David R. Scott deixando cair na Lua um martelo e uma pena, faz parte de um filme que você deve assistir pela internet, em casa ou na escola. Você pode encontrá-lo com as palavras-chave: Hammer and feather ou no endereço: <www.youtube.com/ watch?v=4mTsrRZEMwA>. Assista ao filme e meça o tempo de queda do martelo (o tempo de queda da pena é o mesmo, como o filme demonstra, mas o movimento do martelo é mais visível). Avalie a altura de queda do martelo e calcule o módulo da aceleração da gravidade na Lua. Em seguida, responda: a) O valor que você obteve é aceitável? Justifique. b) Até hoje há quem duvide de que o homem tenha ido à Lua. O resultado obtido pode ajudar você a convencer alguém que duvide de que isso de fato ocorreu? Explique como. 3. Um pequeno corpo é abandonado de uma altura de 180 m. Desprezando a resistência do ar e adotando g 5 10 m/s2, determine: a) a função da posição; b) o gráfico posição 3 tempo; c) a função da velocidade; d) o instante em que ele atinge o solo; e) a velocidade com que ele atinge o solo. 4. Um pequeno corpo é abandonado em queda livre de determinada altura. Depois de 1,0 s ele está a 40 m de altura. Adotando g 5 10 m/s2, pergunta-se: a) De que altura ele foi abandonado? b) Em que instante ele atinge o solo? c) Com que velocidade ele atinge o solo? 5. Um menino joga uma pedra para o alto e, depois de 3,0 s, ela volta às suas mãos. Desprezando-se a resis- tência do ar e adotando g 5 10 m/s2, pergunta-se: a) Com que velocidade ele lançou a pedra? b) Qual a altura máxima por ela atingida? c) Em que instantes ela está a 10 m de altura? d) Quais as velocidades da pedra a 10 m de altura? e) Com que velocidade ela atinge o solo? resolução a) Adotando o referencial da figura abaixo, temos y 0 5 0. v 0& 0 t 0 = 0 t = 4,0 s g & Como a pedra volta a essa posição (origem) depois de 4,0 s, então, para t 5 4,0 s, y 5 0. Da função da posição, y 5 y 0 1 v 0 t 2 1 2 ? gt 2, temos: 0 5 0 1 v 0 ? 4,0 2 1 2 ? 10 ? 4,02 ⇒ ⇒ 0 5 4,0v 0 2 80 ⇒ v 0 5 20 m/s b) Para v 5 0, na “equação” de Torricelli, v 2 5 v 2 0 2 2g (y 2 y 0 ), obtemos: 02 5 202 2 2 ? 10(y 2 0) ⇒ ⇒ 0 5 400 2 20y ⇒ y 5 20 m c) Para y 5 15 m, na função da posição, y 5 y 0 1 v 0 t 2 1 2 ? gt2, temos: 15 5 0 1 20t 2 5,0t2 ⇒ 5,0t 2 2 20t 1 15 5 0 Resolvendo a equação, obtemos: t 5 1,0 s e t 5 3,0 s. O primeiro valor é o instante em que a pedra passa por essa posição subindo; o segun- do é o instante em que ela passa pela mesma posição descendo. d) Para y 5 15 m, da “equação” de Torricelli, v 2 5 v 2 0 2 2g(y 2 y 0 ), temos: v 2 5 202 2 2 ? 10(15 2 0) ⇒ v 2 5 100 ⇒ ⇒ v 5 10 m/s Ambas as respostas são válidas: v 5 110 m/s (quando a pedra está subindo) e v 5 210 m/s (quando a pedra está caindo). Observação: Os mesmos resultados podem ser encontrados substituindo-se os instantes obti- dos no item c na função v 5 v 0 2 gt: Para t 5 1,0 s: v 5 20 2 10 · 1,0 ⇒ v 5 110 m/s Para t 5 3,0 s: v 5 20 2 10 · 3,0 ⇒ v 5 210 m/s CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 94 3/7/13 10:37 AM c a P í t u lo 7 – q u E da l i v r E 95 3. Lançamento oblíquo de projéteis O movimento de um projétil lançado obliquamente em relação à horizontal com uma velocidade v &0, desprezan- do-se a resistência do ar, pode ser descrito por meio da decomposição de sua velocidade inicial, v &0, em dois compo- nentes ortogonais: o horizontal, v &0x , e o vertical, v &0y , relacionados ao ângulo de lançamento θ (veja a figura abaixo). u v 0& v &0 x v &0 y Assim, pode-se supor que o movimento do projétil seja composto de dois movimentos, um horizontal com ve- locidade inicial v &0x de módulo: v 0x 5 v 0 ? cos θ e outro vertical com velocidade inicial v &0y de módulo: v 0y 5 v 0 ? sen θ A figura abaixo descreve detalhadamente esse procedimento. y x v &0 v &0 y v &0 x v &1 v &1y v &1x v &2 v &2y v &2x v &6 v &6y v &6x t0 t1 t2 t3 t4 t5 t6 v &5v &5y v &5x v &4v &4y v &4x v &3y = 0 v &3v &3x = u trajetória do projétil v &0 x t0 v &1x t1 v &2x t2 v &3x t3 v &4x t4 v &5x t5 v &6x t6 t6 t5 t0 v &6y v &5y t4 v &4y v &0 y t1 v &1y t2 t3 v &2y v &3y = 0 g & v &3y = 0 MRUV (LANÇAMENTO VERTICAL) MRU Desprezando-se a resistência do ar, à medida que o projétil sobe, os componentes verticais da sua velocidade em qualquer instante ( v &0y , v &1 y , v &2y , v &3y , v &4y , v &5y e v &6y ) variam apenas por causa da aceleração da gravidade, g &. Sendo essa aceleração constante (nas proximidades da superfície da Terra), esses componentes variam uniformemente. Portanto, o movimento do projétil na direção do eixo y é um MRUV (veja faixa amarela à esquerda). Como a acelera- ção da gravidade não tem componente horizontal, pode-se concluir que os componentes horizontais da sua velo- cidade ( v &0x , v &1 x , v &2x , v &3x , v &4x , v &5x e v &6x ) permanecem constantes. Logo, o movimento do projétil na direção do eixo x é um MRU (veja faixa verde na parte de baixo). Pode-se demonstrar que, nessas condições, a trajetória doprojétil é uma parábola. Podemos estudar esse movimento usando a sua trajetória real, mas, além de ser um procedimento matemático complexo, só é possível fazê-lo com recursos que estão fora do alcance do Ensino Médio. Por isso, vamos estudar esse movimento por meio de suas projeções nos eixos x e y: MRU, na direção do eixo x, e MRUV, na direção do eixo y. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 95 3/7/13 10:37 AM 96 u N i da d E 2 – E St u d o d oS M ov i M E N toS E X E R C Í C I O R E S O LV I D O 6. Um projétil é lançado do solo com uma velocidade de módulo 100 m/s numa direção que forma 53° com a horizontal. Desprezando a resistência do ar e adotando g 5 10 m/s2, determine (Dados: sen 53° 5 0,80 e cos 53° 5 0,60.) a) o módulo dos componentes horizontal (v &0x) e vertical (v &0y) da velocidade inicial; b) as funções da posição do projétil; c) a posição do projétil 3,0 s após o lançamento; d) a altura máxima atingida; e) o instante em que o projétil atinge o solo; f) o alcance; g) o módulo da velocidade do projétil ao atingir o solo. resolução Como v x é constante, vamos fazer sempre v0x 5 vx . a) Sendo v 0 5 100 m/s, obtemos: v x 5 v 0 ? cos α ⇒ v x 5 v 0 ? cos 53° ⇒ ⇒ v x 5 100 ? 0,60 ⇒ v x 5 60 m/s v y 5 v ? sen α ⇒ v0y 5 v0 ? sen 53° ⇒ ⇒ v0y 5 100 ? 0,80 ⇒ v0y 5 80 m/s v 0 = 100 m/s 53° 0 v &0 g & y x b) A coordenada x é dada pela função: x 5 v x t ⇒ x 5 60t I A coordenada y é dada pela função: y 5 y 0 1 v0yt 2 1 2 ? gt2 ⇒ y 5 80t 2 5,0t 2 II c) Substituindo t 5 3,0 s nas funções da posição, temos: • em I x 5 60 ? 3,0 ⇒ x 5 180 m • em II y 5 80 ? 3,0 2 5,0 ? 3,02 ⇒ y 5 200 m (195 m escrito com dois algarismos significativos) Portanto, a posição do projétil nesse instante fica definida pelas coordenadas: x 5 180 m e y 5 200 m. Assim, a posição do projétil em cada instante t é de- terminada pelas coordenadas x e y nesse instante. Sendo constante o componente horizontal da veloci- dade, a sua abscissa x é obtida pela função: x 5 v x t em que v x é calculado pela expressão: v x 5 v 0 ? cos α A ordenada y é obtida a partir da função do lança- mento vertical, na qual v 0 foi substituído por v 0y : y 5 y 0 1 v 0y t 2 1 2 ? gt2 em que v 0y é calculado pela expressão: v 0y 5 v 0 ? sen α O componente v &y da velocidade é variável devido à aceleração da gravidade. Seu módulo a cada instante t pode ser obtido pela função do lançamento horizon- tal acrescido do termo v 0y , que, neste caso, não é nulo. Portanto, temos: v y 5 v 0y 2 gt O módulo da velocidade v & do projétil num determi- nado instante pode ser determinado graficamente pela soma vetorial dos componentes v &x e v &y, enquanto seu valor numérico pode ser calculado pela expressão v v v x y 5 1 2 2 . Veja a figura a seguir: v & v & vx& vx& v & = vx& vy& vy& v &y = 0 Diferentes representações dos vetores v &, v &x e v &y em posições diferentes da trajetória do projétil. É interessante observar, ainda na figura acima, a variação do componente v &y sobretudo na altura máxi- ma, quando o módulo de v &y é 0. Esse dado, vy 5 0, colocado na “equação” de Torricelli, escrita na forma: v 2 y 5 v 2 0y 2 2g(y 2 y0), possibilita a determinação da altura máxima atingida pelo projétil, que é a coordena- da y para a qual v y 5 0. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 96 3/7/13 10:37 AM C A P Í T U LO 7 – Q U E DA L I V R E 97 E X E R C Í C I O S 6. Um projétil é lançado do solo numa direção inclina- da em relação à horizontal. Em que instante sua velocidade será mínima? E máxima? Justifique. 7. Um projétil é lançado do solo com uma velocidade de módulo 200 m/s numa direção que forma 37º com a horizontal. Desprezando a resistência do ar e adotando g � 10 m/s2, determine: (Dados: sen 37º � 0,60 e cos 37º � 0,80.) a) as funções da posição em relação ao tempo do projétil; b) a posição do projétil 10 s após o lançamento; c) a altura máxima atingida; d) o instante em que ele atinge o solo; e) o alcance; f) o módulo da velocidade do projétil ao atingir o solo. 8. Do alto de uma encosta, situada a 220 m de altu- ra, é lançado um projétil com uma velocidade de 200 m/s segundo uma direção que forma 30º com a horizontal (veja a figura abaixo). Pa u lo M an zi /A rq u iv o d a ed it o ra Desprezando a resistência do ar e adotando g � 10 m/s2, determine: (Dados: sen 30º � 0,50 e cos 30º � 0,87.) a) as funções da posição do projétil; b) a altura máxima atingida; c) o instante em que o projétil atinge o solo; d) o alcance; e) a velocidade com que o projétil atinge o solo. Dica: coloque o referencial com o eixo y passan- do pelo projétil e o eixo x no solo. Desse modo, as coordenadas da posição inicial serão x0 � 0 e y0 � 220 m. E X E R C Í C I O Sd) Fazendo vy � 0, obtemos a coordenada y da altura máxima: v2y � v 2 0y � 2g(y � y0) ⇒ 0 2 � 802 � 2 � 10(y � 0) ⇒ ⇒ 0 � 6 400 � 20y ⇒ y � 320 m e) Basta determinar o instante t para o qual y � 0 na função II : y � 80t � 5,0t 2 ⇒ 0 � 80t � 5,0t 2 ⇒ ⇒ 5,0t 2 � 80t � 0 Resolvendo essa equação, obtemos t � 0 e t � 16 s. Este último é o instante em que o projétil atin- ge o solo na volta. f) Basta determinar o valor de x para t � 16 s na função I : x � 60t ⇒ x � 60 � 16 ⇒ x � 960 m g) O módulo de v & é dado pela expressão v v vx y� � 2 2 ; o módulo vx � 60 m/s é cons- tante para qualquer instante. Resta calcular vy para t � 16 s pela expressão: vy � v0y � gt ⇒ vy � 80 � 10 � 16 ⇒ vy � �80 m/s Logo: v � � �60 802 ( )2 ⇒ v � 100 m/s Observações 1·) Note que, no item f, o alcance depende de v &x e do instante t em que o projétil atinge o solo. Mas esse instante t, como se vê no item e, depende da função da altura y em relação a t. E esta função é expressa por meio de v &y. Logo, o alcance depende de ambos os componentes da velocidade inicial que, por sua vez, dependem do ângulo de lançamento. Pode-se demonstrar que, na ausência da resis- tência do ar, o alcance máximo se dá quando o ângulo de lançamento for de 45º. 2·) No item g, como no lançamento vertical, a velo- cidade com que o projétil atinge o solo é igual à velocidade de lançamento, desde que a resis- tência do ar seja desprezível e o lançamento também tenha sido feito do solo, ao mesmo nível horizontal. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 97 26/03/2013 14:06 1. Queda dos corpos sem a resistência do ar Uma das formas mais simples de observar a influência da resistência do ar na queda dos corpos é impedir que o ar atue dire- tamente sobre eles enquanto caem. Isso pode ser feito colocando- -se um anteparo protetor sob os corpos, como a tampa de uma cai- xa de sapatos, por exemplo. Basta colocar em cima da tampa, na horizontal, objetos de formas e pesos diversos (que decerto caem em tempos diferentes quando abandonados livremente da mesma altura): esfera de aço, prego, porca, pedaço de papel amassado, pedaço de papel não amassado, pluma de espanador, chumaço de algodão, etc. Veja a figura ao lado. Em seguida, é só deixar cair a tampa com todos os objetos em cima. É claro que, se o peso influir, como afirmava Aris- tóteles, os mais leves devem cair depois dos mais pesados. Se a diferença no tempo de queda se deve apenas à resistência do ar, como afirmava Galileu, todos devem cair juntos porque a tampa impede que o ar exerça sua ação diretamente sobre os corpos. O que acontece? Faça a experiência e tire suas conclusões. 2. Queda livre O dispositivo experimental da figura é utilizado para o estudo dos movimentos. No caso de queda livre, ele permite determinar o valor da aceleração da gravidade. Trata-se de um “marcador de tempo”, uma espécie de vibrador elétrico com uma caneta, que bate e marca uma fita de papel que passa por ele em intervalos de tempo determinados. Para fazer a experiência, prende-se um corpo na fita, liga-seo marcador e deixa-se a fita cair puxada pelo corpo em queda livre. Vamos supor que você tenha utilizado um marcador de frequência 50 Hz (isto é, um marcador que dá 50 batidas por segundo e, portanto, marca 50 pontos na fita a cada segundo) e, depois de fazer a experiência, tenha obtido a fita marcada abaixo: Suponha que seu objetivo seja determinar a aceleração da gravidade. Vamos mostrar aqui como você deve proceder, simulando a experiência. Inicialmente, com a fita junto a uma régua graduada, meça as posições de cada ponto em cada instante correspondente. Como o marcador dá 50 batidas por segundo, pode-se concluir que o intervalo de tempo entre duas batidas é de 1 50 � 0,020 s. Desse modo você pode construir uma tabela no caderno escrevendo os instantes em segundos e as posições correspondentes em milímetros. Colocamos as quatro primeiras medidas para ajudá-lo; as demais você completa com as marcações da fita: Construa o gráfico posição � tempo correspondente. Você deve obter um resultado semelhante ao da página seguinte. t (s) 0 0,020 0,040 0,060 0,080 y (mm) 0 2,0 8,0 17 30 98 U N I DA D E 2 – E ST U D O D OS M OV I M E N TOS E d u ar d o S an ta lie st ra /A rq u iv o d a ed it o ra C lá u d io P ed ro so /A ce rv o d o f o tó g ra fo Montagem experimental. Pa u lo M an zi / A rq u iv o d a ed it o ra Fita marcada junto à régua (escala graduada). Por limitação de espaço a escala está reduzida. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 98 26/03/2013 14:06 c a P í t u lo 7 – q u E da l i v r E 99 Vamos construir agora o gráfico velocidade tempo. Como não podemos determinar a velocidade em cada instante, vamos determinar a velocidade média em cada intervalo. Para isso, com base na tabela da página anterior, vamos construir uma nova tabela no caderno que vai nos permitir determinar o módulo da velocidade média em cada interva- lo. Para facilitar sua tarefa, preenchemos os dois primeiros intervalos na tabela abaixo. Com esses valores, é possível construir o gráfico velocidade média tempo (abai- xo, à esquerda) e, com base nele, o gráfico velocidade tempo (abaixo, à direita): Observe que estamos admitindo que o ponto médio da barra que representa a velocidade média em cada intervalo é a veloci- dade instantânea. Como o coeficiente angular do gráfico veloci- dade × tempo é a aceleração do movimento, basta obter esse coeficiente para obter o módulo da aceleração da gravidade. Lembre-se de que o resultado encontrado estará em mm/s2. Você deve transformá-lo em m/s2. A reta está tracejada porque seu traçado definitivo depende dos demais pontos que você vai determinar. Note ainda que, a rigor, o movimento não é de queda livre: além da resistência do ar há o atrito entre a fita e o marcador, fatores que, nessa montagem experimental, em geral, não são desprezíveis. Δt (s) De 0 a 0,020 (0,020 – 0 = 0,020) De 0,020 a 0,040 (0,040 – 0,020 = 0,020) Δy (mm) 2,0 – 0 = 2,0 8,0 – 2,0 = 6,0 v m 5 y t (mm/s) 2 0 0,020 ,2 02 0 = 100 60 0,020 ,6060 = 300 3. Estudo da queda livre por foto de múltipla exposição A foto abaixo foi obtida por meio de uma técnica fotográfica que superpõe em um mesmo quadro múltiplas exposi- ções da imagem de um corpo em movimento. Sabendo o intervalo de tempo entre os flashes e a escala da foto (razão entre as dimensões da foto e as dimensões reais), você pode determinar a aceleração da gravidade no local. Basta obter as ordenadas y (m) correspondentes às posições sucessivas da maçã e os instantes t (s) correspondentes. Coloque uma tira de papel vegetal sobre a figura, escolha um ponto central da maçã como referência e marque as posições sucessivas da maçã (do mesmo modo que foi feito na atividade anterior). Para marcar a origem, avalie a posição inicial em que esta- va a maçã pela posição inicial da mão do experimentador que a segurou. Com uma régua milimetra- da, meça as posições sucessivas da maçã para preencher uma tabela igual à tabela abaixo. Você pode avaliar essas posições pelas dimensões da maçã. Uma maçã como essa tem, em média, 70 mm de “diâmetro”, que na foto aparece com cerca de 9 mm. Os intervalos de tempo já foram colocados a partir de uma avaliação nossa, para facilitar a sua tarefa (use dois algarismos significativos para todas as medidas): t (s) 0 0,030 0,060 0,090 0,12 0,15 0,18 0,21 0,24 0,27 0,30 y (m) 0 * A foto mostra 10 flashes, mas você só vai conseguir distinguir e medir 9 posições. Não é possível ver a primeira, marcada com o asterisco na tabela, porque os dois primeiros flashes praticamente se superpõem (para você fazer uma avaliação prévia de suas medidas, a distância real percorrida pela maçã é próxima de 0,43 m). É mais fácil marcar as medidas da última posição real da maçã, correspon- dente ao 10‚ flash, para trás. Obtida a tabela, refaça os passos da atividade anterior e determine o módulo da aceleração da gravidade. O gráfico posição tempo resulta em uma configuração aceitá- vel, mas o gráfico velocidade tempo é muito irregular, apesar de o resultado final (módulo de g &) ser bastante satisfatório. E d u a rd o S a n ta le s tr a /A rq u iv o d a e d it o ra y (mm) t (s) 5,0 0,0200 0,040 0,060 0,080 10 8,0 2,0 15 17 20 + + + v m (mm/s) t (s) 100 0,0200 0,040 0,060 200 300 v (mm/s) t (s) 0,0200 0,040 0,060 + + CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 99 3/7/13 10:37 AM 100 u N i da d E 2 – E St u d o d oS M ov i M E N toS 3. (Enem) Rua da Passagem Os automóveis atrapalham o trânsito. Gentileza é fundamental. Não adianta esquentar a cabeça. Menos peso do pé no pedal. o trecho da música, de lenine e arnaldo antunes (1999), ilustra a preocupação com o trânsito nas cidades, motivo de uma campanha publicitária de uma seguradora brasi- leira. considere dois automóveis, A e B, respectivamente conduzidos por um motorista imprudente e por um mo- torista consciente e adepto da campanha citada. ambos se encontram lado a lado no instante t 5 0 s, quando avistam um semáforo amarelo (que indica atenção, para- da obrigatória ao se tornar vermelho). o movimento de A e B pode ser analisado por meio do gráfico, que represen- ta a velocidade de cada automóvel em função do tempo. y (m/s) t (s)10 A B A B 30 20 10 20 30 40 as velocidades dos veículos variam com o tempo em dois intervalos: (i) entre os instantes 10 s e 20 s; (ii) entre os instantes 30 s e 40 s. de acordo com o gráfico, quais são os módulos das taxas de variação da velocidade do veí- culo conduzido pelo motorista imprudente, em m/s2, nos intervalos (i) e (ii), respectivamente? a) 1,0 e 3,0 c) 2,0 e 1,5 e) 10,0 e 30,0 b) 2,0 e 1,0 d) 2,0 e 3,0 4. (uEl-Pr – adaptada) conforme os dados da tabela, assi- nale a alternativa que apresenta a velocidade média apro- ximada, em km/h, para a modalidade nado livre 1 500 m. Nome da prova Espaço percorrido (m) Tempo de prova Atletismo / Corrida 100 9,69 s Nado livre 50 21,30 s Atletismo / Corrida 1 500 4 min 1,63 s Nado livre 1 500 14 min 41,54 s Volta de classificação de um carro de Fórmula 1 5 200 1 min 29,619 s a) 3 b) 6 c) 9 d) 12 e) 15 Testes 1. (Enem) Para medir o tempo de reação de uma pessoa, pode-se realizar a seguinte experiência: I. Mantenha uma régua (com cerca de 30 cm) suspensa verticalmente, segurando-a pela extremidade supe- rior, de modo que o zero da régua esteja situado na extremidade inferior. II. a pessoa deve colocar os dedos de sua mão, em for- ma de pinça, próximos do zero da régua, sem tocá-la. III. Sem aviso prévio, a pessoa que estiver segurando a régua deve soltá-la. a outra pessoa deve procurar segurá-la o mais rapidamente possível e observar a posição onde conseguiu segurar a régua, isto é, a dis- tância que ela percorredurante a queda. o quadro seguinte mostra a posição em que três pessoas conseguiram segurar a régua e os respectivos tempos de reação. Distância percorrida pela régua durante a queda (metro) Tempo de reação (segundo) 0,30 0,24 0,15 0,17 0,10 0,14 disponível em: <http: //br.geocities.com>. acesso em: 1o fev. 2009. a distância percorrida pela régua aumenta mais rapida- mente que o tempo de reação porque a: a) energia mecânica da régua aumenta, o que a faz cair mais rápido. b) resistência do ar aumenta, o que faz a régua cair com menor velocidade. c) aceleração de queda da régua varia, o que provoca um movimento acelerado. d) força-peso da régua tem valor constante, o que gera um movimento acelerado. e) velocidade da régua é constante, o que provoca uma passagem linear de tempo. 2. (Enem) uma empresa de transporte precisa efetuar a en- trega de uma encomenda o mais breve possível. Para tan- to, a equipe de logística analisa o trajeto desde a empresa até o local da entrega. Ela verifica que o trajeto apresenta dois trechos de distâncias diferentes e velocidades máxi- mas permitidas diferentes. No primeiro trecho, a velocida- de máxima permitida é de 80 km/h e a distância a ser per- corrida é de 80 km. No segundo trecho, cujo comprimento vale 60 km, a velocidade máxima permitida é 120 km/h. Supondo que as condições de trânsito sejam favoráveis para que o veículo da empresa ande continuamente na velocidade máxima permitida, qual será o tempo neces- sário, em horas, para a realização da entrega? a) 0,7 b) 1,4 c) 1,5 d) 2,0 e) 3,0 q u e s t õ e s d o e n e m e d e v e s t i b u l a r e s Este livro é não consumível. Faça todas as atividades no caderno. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 100 3/7/13 10:37 AM c a P í t u lo 7 – q u E da l i v r E 101 8. (uFG-Go) o sismograma apresentado na figura a seguir representa os dados obtidos durante um terremoto ocorrido na divisa entre dois países da américa do Sul, em 1997. N OCEANO ATLÂNTICO BOLêVIA PERU PARAGUAI ARGENTINA B R A S I L CHILE esta•‹oepicentro 70¼ W 60¼ W 50¼ W 40¼ W 20¼ S OCEANO ATLÂNTICO N OCEANO PACÍFICO 0 110 km ESCALA 0,05 200 Z N S E W P S 400 600 0,00 –0,05 –0,05 –0,05 0,05 0,00 0,05 0,00 Tempo desde origem (s) D e s lo c a m e n to d o c h ‹ o ( m m ) TEIXEIRA, Wilson; TOLEDO, M. Cristina Motta de; FARCHILD, Tomas Reich et al. (Org.). Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2001. [Adaptado]. a distância entre o epicentro e a estação sismográfica é de aproximadamente 1 900 km. Na figura tem-se o sis- mograma, em que o rótulo P é para as ondas sísmicas longitudinais, enquanto o rótulo S designa as ondas sís- micas transversais. com base no exposto, conclui-se que as velocidades aproximadas das ondas P e S em m/s e a causa desse fenômeno são, respectivamente: a) 8 500, 4 500 e movimento de ascendência das cor- rentes de convecção. b) 8 500, 4 500 e convergência das placas tectônicas. c) 7 600, 4 200 e convergência das placas tectônicas. d) 7 600, 4 200 e divergência das placas tectônicas. e) 7 600, 4 500 e convergência das placas tectônicas. 9. (Puc-rJ) No gráfico abaixo, observamos a posição de um objeto em função do tempo. Nós podemos dizer que a velocidade média do objeto entre os pontos inicial e final da trajetória em m/s é: Tempo (s) 0 60 120 1,0 0,5 0,0 –0,5 –1,0 180 240 300 360 P o s i• ‹ o ( m ) a) 0. b) 1 3 . c) 2 3 . d) 1. e) 3. 5. (Enem) Para melhorar a mobilidade urbana na rede me- troviária é necessária minimizar o tempo entre estações. Para isso a administração do metrô de uma grande cidade adotou o seguinte procedimento entre duas estações: a locomotiva parte do repouso com aceleração constante por um terço do tempo de percurso, mantém a velocida- de constante por outro terço e reduz sua velocidade com desaceleração constante no trecho final, até parar. qual é o gráfico de posição (eixo vertical) em função do tempo (eixo horizontal) que representa o movimento desse trem? tempo a) p o s i• ‹ o tempo b) p o s i• ‹ o tempo c) p o s i• ‹ o tempo e) p o s i• ‹ o tempo d) p o s i• ‹ o 6. (FGv-SP) Empresas de transportes rodoviários equipam seus veículos com um aparelho chamado tacógrafo, ca- paz de produzir sobre um disco de papel, o registro inin- terrupto do movimento do veículo no decorrer de um dia. 120 100 60 80 40 20 0 12 14 16 18 20 22 24 10 8 6 4 2 h km/h analisando os registros da folha do tacógrafo representa- da acima, correspondente ao período de um dia completo, a empresa pode avaliar que seu veículo percorreu nesse tempo uma distância, em km, aproximadamente igual a: a) 940. c) 1 120. e) 1 480. b) 1 060. d) 1 300. 7. (uFPB) um engenheiro automotivo projeta um carro eco- logicamente correto e eficiente que polui pouco e desen- volve altas velocidades. o carro é projetado de maneira que, quando acelerado maximamente em linha reta, a sua velocidade aumenta 10 km/h a cada segundo. Partindo de uma velocidade inicial de 20 km/h, ao final de 8 s de aceleração máxima, o carro terá atingido a velocidade de: a) 120 km/h. c) 80 km/h. e) 40 km/h. b) 100 km/h. d) 60 km/h. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 101 3/7/13 10:37 AM 102 u N i da d E 2 – E St u d o d oS M ov i M E N toS 13. (Fuvest-SP) Marta e Pedro combinaram encontrar-se em um certo ponto de uma autoestrada plana, para se- guirem viagem juntos. Marta, ao passar pelo marco zero da estrada, constatou que, mantendo uma velocidade média de 80 km/h, chegaria na hora certa ao ponto de encontro combinado. No entanto, quando ela já estava no marco do quilômetro 10, ficou sabendo que Pedro tinha se atrasado e, só então, estava passando pelo marco zero, pretendendo continuar sua viagem a uma velocidade média de 100 km/h. Mantendo essas velocidades, seria previsível que os dois amigos se encontrassem próximos a um marco da estrada com indicação de: a) km 20 b) km 30 c) km 40 d) km 50 e) km 60 14. (Puc-rJ) duas crianças disputam um saco de balas que se situa exatamente na metade da distância entre elas, ou seja d 2 , em que d 5 20 m. a criança P corre com uma velocidade constante de 4,0 m/s. a criança Q começa do repouso com uma aceleração constante a 5 2,0 m/s2. qual a afirmação verdadeira? a) P chega primeiro ao saco de balas, mas a velocidade de Q nesse instante é maior. b) Q chega primeiro ao saco de balas, mas a velocidade de P nesse instante é maior. c) P chega primeiro ao saco de balas, mas a velocidade de Q é igual à de P, nesse instante. d) Q chega primeiro ao saco de balas, mas a velocidade de Q é igual à de P, nesse instante. e) P e Q chegam ao mesmo tempo ao saco de balas, e a velocidade de Q é igual à de P. 15. (uEPG-Pr) o gráfico a seguir representa a posição de uma pedra, lançada verticalmente para cima, em função do tempo. considerando a aceleração da gravidade no lo- cal do lançamento igual a 10 m/s2 e desprezando o atrito da pedra com o ar, assinale o que for correto. 0 4 8 t (s) y (m) 01. No instante 4 s, a pedra atinge a altura máxima e a sua aceleração é nula. 02. a altura máxima atingida pela pedra é 80 m. 04. o movimento da pedra pode ser descrito pela função y 5 40t 2 5t2. 08. a aceleração sobre a pedra tem intensidade constan- te, porém o seu sentido é invertido quando a pedra inverte o sentido do seu movimento. 16. a velocidade de lançamento da pedra é 40 m/s. 10. (vunesp-SP - adaptada) No dia 11 de março de 2011, o Ja- pão foi sacudido por um terremoto com intensidade de 8,9 na Escala richter, com o epicentro no oceano Pacífico, a 360 km de tóquio, seguidode tsunami. a cidade de Sendai, a 320 km a nordeste de tóquio, foi atingida pela primeira onda do tsunami após 13 minutos. (O Estado de S. Paulo, 13 mar. 2011. adaptado.) OCEANO PACêFICO Sendai α T—quio 36 0 km 32 0 km JAPÌO epicentro 140¼ L 35¼ N Mar do Leste (Mar do Jap‹o) N 0 110 km ESCALA Baseando-se nos dados fornecidos e sabendo que cos α � 0,934, em que α é o ângulo Epicentro-tóquio- -Sendai, e que 28 ? 32 ? 93,4 � 215 100, a velocidade média, em km/h, com que a 1ª- onda do tsunami atin- giu a cidade de Sendai foi de: a) 10. b) 50. c) 100. d) 250. e) 600. 11. (Fatec-SP) um menino, na terra, arremessa para cima uma bolinha de tênis com uma determinada velocidade inicial e consegue um alcance vertical de 6 metros de al- tura. Se essa experiência fosse feita na lua, onde a gravi- dade é 6 vezes menor que a gravidade na terra, a altura alcançada pela bolinha arremessada com a mesma velo- cidade inicial seria, em metros, de: a) 1. b) 6. c) 36. d) 108. e) 216. 12. (uFPr) Em uma prova internacional de ciclismo, dois dos ciclistas, um francês e, separado por uma distância de 15 m à sua frente, um inglês, se movimentam com veloci- dades iguais e constantes de módulo 22 m/s. considere agora que o representante brasileiro na prova, ao ultra- passar o ciclista francês, possui uma velocidade cons- tante de módulo 24 m/s e inicia uma aceleração cons- tante de módulo 0,4 m/s2, com o objetivo de ultrapassar o ciclista inglês e ganhar a prova. No instante em que ele ultrapassa o ciclista francês, faltam ainda 200 m para a li- nha de chegada. com base nesses dados e admitindo que o ciclista inglês, ao ser ultrapassado pelo brasileiro, man- tenha constantes as características do seu movimento, assinale a alternativa correta para o tempo gasto pelo ci- clista brasileiro para ultrapassar o ciclista inglês e ganhar a corrida. a) 1 s. b) 2 s c) 3 s. d) 4 s. e) 5 s. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 102 3/7/13 10:37 AM c a P í t u lo 7 – q u E da l i v r E 103 19. (uerj) Galileu Galilei, estudando a queda dos corpos no vácuo a partir do repouso, observou que as distâncias percorridas a cada segundo de queda correspondem a uma sequência múltipla dos primeiros números ímpares, como mostra o gráfico abaixo. 5 3 5 5 25 m 3 3 5 5 15 m 7 3 5 5 35 m 1 3 5 5 5 m determine a distância total percorrida após 4 segundos de queda de um dado corpo. Em seguida, calcule a veloci- dade desse corpo em t 5 4 s. 20. (unicamp-SP) o gráfico da figura a a seguir representa o movimento de uma pedra lançada verticalmente para cima, de uma altura inicial igual a zero e velocidade inicial v 5 20 m/s. considere g 5 10 m/s2. Velocidade vertical (m/s) Tempo (s) –10 –20 0 1t 0 2t 0 0 10 20 Figura a Figura b Altura (m) Tempo (s) 0 1t 0 2t 0 a) reproduza os eixos da figura b e esboce o gráfico da altura da pedra em função do tempo. b) quanto tempo a pedra demora para atingir a altura máxima e qual é esta altura? Problemas 16. (uerj) uma partícula se afasta de um ponto de referência O, a partir de uma posição inicial A, no instante t 5 0 s, deslocando-se em movimento retilíneo e uniforme, sem- pre no mesmo sentido. a distância da partícula em relação ao ponto O, no instan- te t 5 3,0 s, é igual a 28,0 m e, no instante t 5 8,0 s, é igual a 58,0 m. determine a distância, em metros, da posição inicial A em relação ao ponto de referência O. 17. (unicamp-SP) a copa do Mundo é o segundo maior evento desportivo do mundo, ficando atrás apenas dos Jogos olímpicos. uma das regras do futebol que gera po- lêmica com certa frequência é a do impedimento. Para que o atacante A não esteja em impedimento, deve haver ao menos dois jogadores adversários a sua frente, G e Z, no exato instante em que o jogador L lança a bola para A (ver figura). considere que somente os jogadores G e Z estejam à frente de A e que somente A e Z se deslocam nas situações descritas abaixo. gol L A Z G a) Suponha que a distância entre A e Z seja de 12 m. Se A parte do repouso em direção ao gol com aceleração de 3,0 m/s2 e Z também parte do repouso com a mesma aceleração no sentido oposto, quanto tempo o jogador L tem para lançar a bola depois da partida de A antes que A encontre Z ? b) o árbitro demora 0,1 s entre o momento em que vê o lançamento de L e o momento em que determina as posições dos jogadores A e Z. considere agora que A e Z movem-se a velocidades constantes de 6,0 m/s, como indica a figura. qual é a distância mí- nima entre A e Z no momento do lançamento para que o árbitro decida de forma inequívoca que A não está impedido? 18. (uerj) dois carros, A e B, em movimento retilíneo acelera- do, cruzam um mesmo ponto em t 5 0 s. Nesse instante, a velocidade v 0 de A é igual à metade da de B, e sua aceleração a corresponde ao dobro da de B. determine o instante em que os dois carros se reencon- trarão, em função de v 0 e a. CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 103 3/7/13 10:37 AM CoNeXÕes 104 u N i da d E 2 – E St u d o d oS M ov i M E N toS Aquiles e a tartaruga P a u lo M a n zi /A rq u iv o d a e d it o ra Um dos paradoxos de Zenão: quando Aquiles chega a A, onde estava a tartaruga, ela já está em B — teoricamente, naquela época, seria impossível Aquiles alcançar a tartaruga. No século V a.C., o filósofo grego Zenão de Eleia (c. 495 a.C.-c. 430 a.C.) formu- lou quatro célebres paradoxos (contradições aparentes). Vamos discutir um deles, conhecido como “Aquiles e a tartaruga”. Por meio dele, você perceberá a dificul- dade que os gregos daquela época tinham para a análise teórica dos movimentos. No estudo do movimento retilíneo uniforme, vimos que, se houver dois pontos materiais, A e B, percorrendo uma mesma reta, no mesmo sentido, com velocida- des de módulos v A e v B , com v A v B , e com A a uma distância x atrás de B, é possível determinar facilmente a posição e o instante em que A alcança B (veja capítulo 5, exercício resolvido 8, página 70) por meio das funções da posição de cada ponto. No entanto, a possibilidade de um corpo que está atrás de outro vencer essa diferença inicial, enquanto o da frente também avança, trouxe, para os antigos filósofos gregos, sérias dificuldades para compreender e aceitar a possibilidade desse encontro. Exemplificando, Aquiles aposta uma corrida com uma tartaruga e é dez ve- zes mais veloz que ela. A tartaruga parte antes, de modo que está a uma distân- cia d à frente, quando ele parte. Quando Aquiles atinge a distância d, a tartaruga já terá percorrido uma distância adicional d —— 10 e continuará à frente dele. Quando Aquiles tiver percorrido d —— 10 , a tartaruga terá percorrido d —— 100 , e assim por diante. A conclusão do paradoxo é que Aquiles nunca conseguirá alcançar a tartaruga. A dificuldade básica dos gregos estava na capacidade de obter a soma de uma série infinita de intervalos de tempos que tendem a zero rapidamente (em progressão geométrica), ou, em outras palavras, obter um resulta- do finito quando a soma tem infinitos termos. Gravura representando busto do filósofo grego Zenão de Eleia (c. 495 a.C.-c. 430 a.C.). T h e G ra n g e r C o ll e c ti o n /O th e r Im a g e s CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 104 3/7/13 10:37 AM filosofia, matemática e língua portuguesa c a P í t u lo 7 – q u E da l i v r E 105 A mesma dificuldade aparece neste outro paradoxo proposto por Zenão, conhecido como paradoxo do estádio (na Grécia, estádio era um local onde se disputavam corridas): Para atravessar um estádio, antes de alcançar a chegada, um corredor deve chegar ao ponto médio da distância a ser percorrida; mas, antes de atingir esse ponto, ele deve atingir o ponto a meio caminho desse ponto médio; e as- sim por diante. Como o número desses pontos médios éinfinito, o corredor nunca conseguiria alcançar a chegada. Essa dificuldade só foi resolvida séculos depois, quando a Matemática construiu ferramentas de cálculo capa- zes de determinar o resultado de uma soma de infinitos termos, mostrando que, em muitos casos, é possível obter um resultado finito de uma soma de infinitas parcelas. 1. Faça uma pequena pesquisa sobre o filósofo grego Zenão de Eleia, suas ideias principais e sobre o contexto em que viveu. Elabore um pequeno texto para organizar essas informações. após a pesquisa e a leitura do texto acima, res- ponda: a) você acha que os questionamentos de Zenão de Eleia, como o paradoxo de aquiles e a tartaruga, foram importantes para o desenvolvimento de outras ciências, como, por exemplo, a Física e a Matemática? Justifique sua resposta. b) Na resolução do exercício resolvido citado no início do texto, foi levado em conta um conceito físico muito impor- tante no estudo dos movimentos, o que permitiu afirmar quando e onde o ponto material A alcança B. que conceito físico é esse? Zenão levou em conta esse conceito em seu paradoxo? 2. uma progressão geométrica (PG) é uma sequência de números não nulos na qual, dividindo-se cada termo (a partir do segundo) pelo termo anterior, obtém-se um quociente constante, chamado razão. Por exemplo, a sequência (2, 10, 50, 250) é uma PG de quatro termos em que o 1º- termo (a 1 ) é 2 e a razão (q) é 5. trata-se de uma PG finita, cuja soma dos termos é 312. converse com seu professor de Matemática e verifique como é possível calcular a soma dos termos de uma PG infinita. aplique esse cálculo na situação de aquiles e da tartaruga. Sugestão: substitua a distância d por um valor numérico e considere uma PG de razão menor que 1, pois a distância entre aquiles e a tartaruga diminui, tendendo a zero. 3. o personagem aquiles, citado no texto, é o protagonista da Ilíada, de Homero, poema épico que descreve um episódio da Guerra de troia, uma das mais famosas lendas da cultura grega clássica. Pesquise e discuta com seus colegas: a) quem foi Homero? quando escreveu a Ilíada? b) contem brevemente a lenda de aquiles e da Guerra de troia. c) Por que você acha que Zenão escolheu esse personagem para ilustrar o paradoxo? você acha que há característi- cas do herói mitológico aquiles que Zenão deve ter valorizado para escolhê-lo? Se sim, quais? A Ilíada em quadrinhos, de Homero. Adaptação de Walter Vetillo. São Paulo: Cortez, 2011. R e p ro d u ç ã o /E d . C o rt e z a m p l i a n d o o c o n h e c i m e n t o CompreendFisica_Fisica_vol1_PNLD2015_088a105_U2_C7.indd 105 3/7/13 10:37 AM