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Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana Autor: Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana 24 de Dezembro de 2021 Sumário Considerações iniciais ........................................................................................................................................ 3 Habeas Corpus.................................................................................................................................................... 6 Objeto/cabimento .......................................................................................................................................... 6 Do processo .................................................................................................................................................... 9 Habeas Data ..................................................................................................................................................... 13 Objeto/cabimento ........................................................................................................................................ 13 Do processo .................................................................................................................................................. 16 Mandado de Segurança ................................................................................................................................... 19 Objeto/cabimento ........................................................................................................................................ 19 Do processo .................................................................................................................................................. 22 Mandado de Segurança Coletivo ................................................................................................................. 30 Mandado De Injunção ...................................................................................................................................... 33 Objeto/cabimento ........................................................................................................................................ 34 Do processo .................................................................................................................................................. 36 Mandado de Injunção Coletivo .................................................................................................................... 39 Ação Popular .................................................................................................................................................... 41 Objeto/cabimento ........................................................................................................................................ 41 Objeto/cabimento ........................................................................................................................................ 43 Resumo ............................................................................................................................................................. 49 Destaques da Legislação .................................................................................................................................. 51 Destaques da jurisprudência ............................................................................................................................ 57 Considerações Finais ........................................................................................................................................ 59 Questões Comentadas ..................................................................................................................................... 59 Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 55659 Realce 2 191 Lista de Questões ........................................................................................................................................... 146 Gabarito.......................................................................................................................................................... 190 Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 3 191 REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS CONSIDERAÇÕES INICIAIS Nesta aula, estudaremos cada uma das ações constitucionais. Os remédios administrativos já foram tratados na aula anterior. O assunto é de extrema relevância para as provas de concursos públicos, pois o índice de cobrança é bastante alto, independentemente da banca examinadora. Abordaremos texto constitucional, doutrina, legislação infraconstitucional e jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Não filtre nada. Tudo é importante. A aula foi preparada exatamente para contemplar as abordagens das provas. Bom ânimo! Introdução Os “remédios constitucionais” são garantias dos direitos e liberdades apregoados na Constituição Federal. São meios colocados à disposição dos indivíduos para salvaguarda de seus direitos. Objetivam, precipuamente, atacar atos ilegais ou abusivos praticados pelo Poder Público. A doutrina aponta que, na vigente Constituição brasileira, há dois tipos de remédios constitucionais: remédios administrativos e remédios judiciais. Os remédios administrativos são o direito de petição e o direito de certidão, ambos previstos no artigo 5º, inciso XXXIV, da Constituição Federal. Brasileiros, estrangeiros e pessoas jurídicas, independentemente de pagamento de taxas, têm a prerrogativa de: a) peticionar aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder (direito de petição) e b) o direito de obter certidões em repartições públicas, a fim de esclarecer situações de interesse pessoal. O direito de petição surgiu na Inglaterra, fruto das Revoluções inglesas, em 1628, e foi consolidado em 1689, após a declaração de direitos (Bill of Rights). Esse direito se materializou como sendo aquele que é dado a todo indivíduo de invocar a atenção do Poder Público sobre alguma questão de seu interesse. Possui dois aspectos: a) pode ser uma queixa, uma reclamação não jurisdicional, formulada perante autoridades representativas; b) pode ser manifestação da liberdade de opinião consubstanciada em uma aspiração formulada a uma determinada autoridade. O direito de certidão é líquido e certo de qualquer indivíduo titular das informações, de obter documento emitido pelo Poder Público, que possa comprovar algo a seu respeito. Os remédios judiciais são ações judiciais colocadas à disposição do indivíduo para atacar ora atos comissivos ou omissivos, ora omissões legislativas, capazes de ferir os seus direitos. São eles: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção e ação popular. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 4 191 Habeas Corpus O habeas corpus tem origem, em que pese alguma divergência doutrinária, na Magna Carta, de 1215. Essa garantia individual da liberdade de locomoção também esteve presente durante o reinado de Carlos II, conhecida como “Habeas Corpus Act” (1679). No Brasil, embora já presente desde D. João VI (Decreto de 23/05/1821) e implicitamente admitido pela Constituição de 1824 (a Constituição proibia prisões arbitrárias), expressamente, constou pela primeira vez em diploma jurídico no Código de Processo Criminal, de 29/11/1932. No texto constitucional,apareceu em 1891 e foi mantido em todas as demais cartas que se seguiram, ora com maior, ora com menor amplitude. A expressão “habeas corpus” significa: “tomai o corpo do detido e vinde submeter ao Tribunal o homem e o caso.” Tratava-se de expressão utilizada por Tribunal para determinar que aquele que tivesse em seu poder ou guarda homem detido o apresentasse à justiça. O habeas corpus é garantia individual do direito de liberdade de locomoção. É meio idôneo para garantir todos os direitos do acusado e do sentenciado relacionados ao direito de ir e vir. Habeas Data A ação de habeas data é destinada a assegurar ao impetrante o conhecimento e/ou a retificação de informações sobre a sua pessoa, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. Trata-se de remédio constitucional criado pela Constituição de 1988, para impedir que o Estado, como era de costume, arquive e guarde sigilo, a seu critério, de dados pessoais de alguém. Mandado de Segurança O mandado de segurança é ação judicial destinada a proteger direito líquido e certo não amparado por habeas corpus (liberdade de locomoção) e nem por habeas data (acesso e/ou retificação de informação pessoal). Trata-se de ação de natureza cível e rito especial, que objetiva combater ato ilegal ou abusivo praticado por autoridade pública, criada pelo Brasil, presente pela primeira vez em texto constitucional em 1934. Mandado de Injunção O mandado de injunção foi introduzido no Direito brasileiro, em 1988, com a promulgação da Constituição Federal. Sua destinação é a garantia de aplicabilidade de normas constitucionais de eficácia limitada, aquelas que dependem de regulamentação trazida pela lei infraconstitucional para que possam produzir Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 5 191 todos os seus efeitos. Trata-se de ação cível, de procedimento especial, que visa suprir uma omissão do Poder Público, com o intuito de tornar viável o exercício de um direito, uma liberdade, ou uma prerrogativa prevista na Constituição. Ação Popular A primeira Constituição brasileira a dispor sobre a ação popular foi a de 1934. Com exceção da Constituição de 1937, em todas as demais esteve presente, inclusive na atual Constituição. Trata-se de importante instrumento da democracia, porque possibilita a participação direta do cidadão na política. A ação popular tem o propósito de proteger direitos difusos, quais sejam: o patrimônio público, a moralidade administrativa, o meio ambiente e o patrimônio histórico e cultural. Os processos de habeas corpus, habeas data, mandado de segurança e mandado de injunção têm procedimentos especiais. A ação popular, rito comum. Os processos de habeas corpus têm prioridade sobre quaisquer outros. Os processos de mandado de segurança e os respectivos recursos terão prioridade sobre todos os atos judiciais, salvo habeas corpus. Os processos de habeas data terão prioridade sobre todos os atos judiciais, exceto habeas- corpus e mandado de segurança. Das ações constitucionais, a única que dispensa advogado é habeas corpus. Essa ação é também a única de natureza penal. São gratuitas as ações de habeas corpus, habeas data e ação popular (em caso de má-fé, o cidadão será condenado a pagar custas processuais e honorários advocatícios de sucumbência). Habeas corpus, mandado de segurança e ação popular admitem a modalidade preventiva. (2018/CONSULPLAN/TJ-MG/Juiz de Direito Substituto) A Constituição prevê ações específicas de controle da Administração Pública, às quais a doutrina se refere com a denominação de remédios constitucionais. Quais seriam os remédios constitucionais passíveis de serem utilizados, individualmente, por qualquer pessoa física? A) Habeas corpus e querela nullitatis. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 6 191 B) Ação rescisória e mandado de injunção. C) Mandado de segurança individual e habeas data. D) Ação popular e mandado de segurança individual. Gabarito: C Comentários: São remédios constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção e ação popular. Dentre essas ações, a única que não pode ser utilizada por qualquer pessoa é a ação popular, que requer o exercício dos direitos políticos na condição ativa. HABEAS CORPUS “LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.” Habeas Corpus é ação judicial constitucionalizada desde 1891. Todas as Constituições brasileiras posteriores mantiveram esse remédio, embora na vigência do Ato Institucional nº 5, a garantia tenha sido suspensa. A atual Constituição dispõe sobre o assunto no artigo 5º, inciso LXVIII. Os artigos de 647 a 667 do Código de Processo Penal regulamentam o habeas corpus. Trata-se de ação de natureza penal, de procedimento especial, gratuita, em defesa da liberdade de locomoção. É utilizada para combater ilegalidade ou abuso de poder que possam violar o direito de ir e vir do indivíduo. Tem prioridade sobre todas as demais ações, inclusive as ações constitucionais. Por se tratar de garantia individual, não poderá ser suprimido nem por emenda. Todavia, decretado o estado de defesa (artigo 136 da CF) e o estado de sítio (artigo 136 da CF), tal garantia tem sua abrangência diminuída (nunca suprimida), já que as prisões poderão ser decretadas por autoridades administrativas. OBJETO/CABIMENTO O habeas corpus tem por objeto a liberdade de locomoção, que compreende o direito de ir, vir e o de permanecer. O objetivo é a proteção contra cerceamentos ilegais ou decorrentes de abuso de poder. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 7 191 Considera-se ilegal a restrição de liberdade de locomoção quando, dentre outras hipóteses, decorrente de ordem de autoridade incompetente ou não houver justa causa ou quando a prisão ultrapassar o tempo determinado por lei. O habeas corpus admite duas modalidades: preventiva e liberatória. Quando o propósito é o de liberar o paciente depois de já consumada a coação, tem-se a modalidade liberatória. Por outro lado, poderá ser impetrado também para impedir a perpetração da violência ou coação à liberdade de liberdade de locomoção. Nesse caso, a modalidade será preventiva. Nota-se, então, que a garantia constitucional não só é utilizada para combater violência ou coação já consumada à liberdade de locomoção, mas também já a tão somente ameaça de ofensa ao direito de ir e vir. O Supremo Tribunal Federal tem admitido a ação constitucional não só em caso de ameaça direta ao direito de liberdade de locomoção, mas também nos casos de ameaça indireta, provável ou até mesmo remota ao direito de ir e vir. A liberdade de locomoção deve ser entendida de forma ampla, afetando toda e qualquer medida de autoridade que possa em tese acarretar constrangimento da liberdade de ir e vir. São exemplos: a) o habeas corpus impetrado para trancar inquérito policial ou ação penal, dada a atipicidade da conduta, ou a absoluta falta de provas da materialidade e indícios da autoria ou a ocorrência de alguma causa extintiva da punibilidade (STF. 95.058/ES); b) contra ato de Comissão Parlamentar de Inquérito que requisita a presença de alguém para depor como testemunha, quando há risco de que a pessoa seja obrigada a produzir prova contra si, dado o envolvimento no caso apurado (STF. HC 71.193);c) para impedir a quebra de sigilo de dados em investigações criminais ou processos penais (STF. AI 573.623 QO/RJ); d) para retirar dos autos provas obtidas por meios ilícitos (STF. HC 138.565); Por outro lado, ainda de acordo com o Supremo Tribunal Federal, o habeas corpus não poderá ser utilizado para correção de qualquer inidoneidade que não implique coação ou ameaça de ofensa ao direito de ir e vir. Abaixo, segue jurisprudência da Corte Constitucional nesse sentido: 1. “Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade.” (Súmula 695). 2. “Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública.” (Súmula 694). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 8 191 3. “Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.” (Súmula 693). 4. “Não se conhece de habeas corpus contra omissão de relator de extradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provocado a respeito.”(Súmula 692). 5. “O habeas corpus não é o meio adequado para impugnar ato alusivo a sequestro de bens móveis e imóveis bem como a bloqueio de valores.” (STF. HC 103.823). 6. “O afastamento ou a perda do cargo de juiz federal não são ofensas atacáveis por habeas corpus.” (STF. HC 99.829). 7. “O habeas corpus, garantia de liberdade de locomoção, não se presta para discutir confisco criminal de bem.” (STF. HC 99.619) 8. “O habeas corpus não é instrumental próprio a questionar a sequência de processo administrativo.” (STF. HC 100.664) 9. “O habeas corpus não se presta à revisão, em tese, do teor de súmulas da jurisprudência dos tribunais. (STF. RHC 92.886 AgR). 10. “Habeas corpus não é remédio processual adequado para tutela do direito de visita de menor cuja guarda se disputa judicialmente.” (STF. HC 99.369 AgR). 11. “Não cabe habeas corpus contra ato normativo em tese.” (STF. HC 90.364). 12. Não cabe habeas corpus para combater o mérito de punição disciplinar militar (artigo 142, parágrafo 2º, da Constituição Federal). Para atacar a ilegalidade do ato, sim. 13. O habeas corpus não é instrumento adequado para o trancamento de processo de impeachment (HC 134.315). (2020/CONTEMAX/Prefeitura de Pedra Lavrada – PB/Procurador Jurídico) O habeas corpus, a despeito de seu histórico amplo de defesas de uma série de direitos e liberdades, vem sendo tratado no Brasil de maneira mais restrita. Entende-se que, por sua natureza, cuida-se de ação sumaríssima e, por isso, não é possível, por meio da via processual estreita do habeas corpus, o revolvimento do conjunto fático- probatório do feito, devendo haver prova pré-constituída. Assim sendo, não sendo possível utilizar o remédio constitucional para algumas situações, essas listadas abaixo, exceto: Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 9 191 A) examinar questão relativa à incidência de causa excludente de culpabilidade. B) para a análise de comprovação de indícios de autoria e materialidade do crime. C) para se aferir a importância ou não da prova para o caso concreto. D) verificar-se a decisão dos jurados é ou não manifestamente contrária à prova dos autos. E) o cabimento do writ em caráter coletivo. Gabarito: E Comentários: O Supremo Tribunal Federal entendeu pelo cabimento do HC coletivo impetrado pela Defensoria Pública em defesa de presidiárias gestantes, mães de crianças até doze anos e deficientes, desde que os crimes por elas praticados não tenham sido mediante emprego de violência (STF, HC n. 143.641). Assim, a letra E é correta. Nas demais hipóteses, não se admite o habeas corpus. DO PROCESSO Legitimidade ativa Qualquer pessoa tem legitimidade para impetrar habeas corpus, em benefício próprio ou de terceiro: brasileiros e estrangeiros, independentemente de capacidade para estar em juízo ou de capacidade postulatória, independentemente de idade, de grau de escolaridade, de condição mental. De igual modo, pessoas jurídicas poderão ser impetrantes de habeas corpus, mas sempre em benefício de uma pessoa física, já que não têm como sofrer violação à liberdade de locomoção, liberdade corporal própria de pessoas naturais (STF. HC 92.921/BA). O Ministério Público tem legitimidade ativa em habeas corpus, conforme disposto na Lei nº 8.625/1993, mas sempre em favor do paciente, de modo que não pode utilizar a ação constitucional como tutela dos direitos estatais na persecução penal sem que o paciente tenha autorizado expressamente. Por outro lado, o magistrado não pode ser impetrante de habeas corpus, embora possa concedê-lo de ofício, na qualidade de juiz da causa, pois, evidentemente, o órgão destinado a decidir não pode também requerer algo a si mesmo. Paciente O paciente em habeas corpus é aquele que sofreu ou está na iminência de sofrer a restrição de sua liberdade de locomoção. É a pessoa beneficiada pela decisão. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 10 191 O texto constitucional assegura a qualquer pessoa, nos termos da lei, a liberdade de locomoção no território nacional. Esse direito, por sua própria natureza, é garantido a pessoas naturais, pois, evidentemente, pessoas jurídicas não possuem liberdade corporal. Assim, paciente de habeas corpus é apenas a pessoa física (brasileira ou estrangeira), embora a pessoa jurídica possua legitimidade ativa para pedir em defesa de um de seus sócios, empregados, ou quaisquer outras pessoas. Vale destacar que a ação constitucional também não pode ser utilizada em defesa de coisas. Só de pessoas. Não integra o campo do habeas corpus, por exemplo, a sua utilização para liberação de mercadoria apreendida pelo Fisco ou a liberação de veículo apreendido por órgãos de trânsito. Legitimidade passiva Em caso de ilegalidade ou abuso de poder, o habeas corpus poderá ser impetrado contra autoridade pública, isto é, contra o coator, aquele que executou o ato atacado ou que determinou a sua prática (delegado, promotor, juiz, tribunal, etc.). Na hipótese de ilegalidade, é cabível ainda habeas corpus contra o particular, embora os casos sejam poucos, já que a restrição à liberdade de locomoção de alguém, quando feita por um particular, implicará na prática de crime. Mesmo assim, ainda é possível a utilização dessa garantia constitucional em casos de internação em hospital ou em clínicas psiquiátricas, por exemplo. Legitimação ativa Legitimação passiva Paciente ✓ Brasileiros e estrangeiros, independentemente de capacidade civil; ✓ Pessoas jurídicas; ✓ Ministério Público. Autoridades públicas; Particulares. Somente pessoa natural, brasileira ou estrangeira. Nunca pessoa jurídica e nem coisa. Da inicial/procedimento A ação constitucional dispensa formalidades processuais e procedimentais, porque resulta do direito de petição e do direito de defesa apregoados no artigo 5º da Lei Maior. Basta ser procedimento escrito (manuscrito ou digitado; em meio físico ou digital; em papel ou tecido), em português (ainda que o impetrante seja estrangeiro) e assinado (ainda que a rogo, quando o impetrante não souber ou não puder escrever). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 11191 Na inicial, deverá constar o nome da pessoa que sofre ou está ameaçada de sofrer restrição em sua liberdade de locomoção, bem como a informação a respeito do constrangimento ou a demonstração das razões em que se funda o temor. Não há a necessidade de que advogado subscreva a petição de habeas corpus. A ação é gratuita. O órgão julgador, quando da apreciação do pedido, não ficará vinculado nem ao pedido e nem à causa de pedir. Percebida a ilegalidade ou o abuso, ainda que não apontados pelo impetrante, caberá ao magistrado afastá-lo, mesmo que isso implique em concessão de ordem em sentido diverso ao formulado, ou ainda habeas corpus de ofício. Se a ordem em habeas corpus for proferida com base em motivos que não forem de ordem exclusivamente pessoal, deverá ser estendida aos corréus, conforme preceitua o artigo 580 do CPP. Admite-se liminar em habeas corpus, independentemente da modalidade, embora não prevista em lei, bastando a comprovação da evidência do direito e do perigo da demora. Não há compatibilidade entre o rito do habeas corpus e os tipos de intervenção de terceiros, exceto no caso de querelante (STF. HC 83.170). (2018/FCC/DPE-AP/Defensor Público) Adolescente, que se encontra em internação provisória por prazo muito superior ao máximo estabelecido em lei, aguarda processamento do feito perante Vara da Infância e da Juventude no qual responde pelo suposto cometimento de ato infracional mediante violência. Por estar o processo estacionado na fase de defesa prévia, sem previsão de conclusão, o Defensor Público que nele atua pretende que o adolescente aguarde ao sentenciamento em liberdade assistida. Ocorre que, tanto no Tribunal de Justiça estadual, quanto no Superior Tribunal de Justiça, foram indeferidos, por decisões dos respectivos Relatores, pedidos de concessão de liminar em sede de habeas corpus impetrados nas referidas instâncias. Nessa hipótese, à luz da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a adoção de medida perante o STF, neste momento, é A) viável, a despeito de entendimento sumulado em sentido contrário, sendo cabível impetrar mandado de segurança contra o ato do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, desde que observado o prazo legal para sua impetração. B) viável, sendo cabível interpor recurso ordinário, conforme expressa previsão constitucional. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 12 191 C) viável, sendo cabível ajuizar arguição de descumprimento de preceito fundamental, para tutela dos direitos à proteção especial e à razoável duração do processo. D) viável, sendo cabível impetrar habeas corpus, em caso de manifesto constrangimento ilegal, prontamente identificável, de modo a excepcionar a aplicação de súmula que obstaria seu conhecimento. E) inadmissível, uma vez que não compete ao STF, sob circunstância alguma, conhecer de qualquer meio de impugnação de decisão monocrática que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar, sob pena de indevida supressão de instância. Gabarito: D Comentários: A Súmula 691 do STF assevera que “não compete ao STF conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Todavia, a súmula será excepcionalmente afastada quando a decisão atacada se mostrar teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF (STF. HC 118684). 1. Não cabe habeas corpus contra decisão de Turma do STF. (STF. Súmula 606.) 2. Compete aos Tribunais de Justiça processar e julgar habeas corpus contra ato de Turma Recursal de Juizado Especial Criminal. Superada a Súmula 690. (HC 86.834/SP) 3. Se houver empate em habeas corpus, será proclamada a decisão mais favorável ao paciente. (HC 115.518/GO). A Constituição Federal e o Código de Processo Penal não fazem nenhuma referência à hipótese de cabimento de habeas corpus coletivo. Porém, em fevereiro de 2018, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, entendeu cabível a impetração, por parte da Defensoria Pública da União, em substituição processual, de habeas corpus coletivo preventivo, para determinar a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar de todas as mulheres gestantes, puerpérias, mães de crianças ou de deficientes sob sua guarda, exceto nos casos de crimes praticados com emprego de violência ou grave ameaça ou contra seus descendentes. (HC 143.641) Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 13 191 HABEAS DATA “LXXII - conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo.” Habeas Data é ação judicial criada pela Constituição de 1988 em defesa do direito líquido e certo ao conhecimento e/ou retificação de dados pessoais constantes de registros públicos ou privados. Esse remédio constitucional visa à proteção da privacidade contra abuso no registro e/ou revelação de dados pessoais falsos ou equivocados. Trata-se ação de natureza cível, de rito sumário, que tramita com total preferência de distribuição e de julgamento, salvo habeas corpus e mandado de segurança. Habeas Data é remédio constitucional previsto no artigo 5º, inciso LXXII, da Constituição. A Lei 9.507/1997 disciplina o seu rito processual. OBJETO/CABIMENTO O habeas data configura remédio jurídico-processual, de natureza constitucional, que tem por objeto a tutela da privacidade e do direito de informação pessoal. O objetivo dessa ação é a garantia, em favor da pessoa interessada, do exercício de pretensão jurídica de acesso, retificação ou complementação de informações pessoais que constam de registros de dados, sempre que não se opte por processo sigiloso judicial ou administrativo. É de se notar que o habeas data não se presta a solicitar informações relativas a terceiros, pois, nos termos do inciso LXXII do artigo 5º da Constituição Federal, sua impetração deve ter por objetivo "assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante”. Todo registro ou banco de dados que contenha informações que sejam ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que não sejam de uso privativo do órgão ou entidade produtora ou depositária das informações é considerado de caráter público. Todavia, é preciso sempre ter em mente que o direito de Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 14 191 informação não é absoluto, de maneira que a própria Constituição ressalvou aquelas cujo sigilo seja indispensável à segurança do Estado e da sociedade (artigo 5º, inciso XXXIII). O artigo 7° da Lei 9.507/1997, ao definir o cabimento de habeas data, ampliou a sua destinação, quando se compara com a definição constitucional. É de se notar que a Lei Maior fala de acesso e de retificação de informações. Já a lei infraconstitucional, de acesso, retificação e complementação. Nesses termos, conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; c) para a anotação nos assentamentos dointeressado, de contestação ou explicação sobre dado que, embora verdadeiro, possa ser justificado, porque ainda sob pendência judicial ou amigável. A Constituição Federal expõe a finalidade de assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, razão por que habeas data não está apto a obter informações de interesse coletivo, informações que não sejam pessoais. As informações de interesse público, caso negadas pelo Estado, poderão ser requeridas via mandado de segurança. O direito de acesso às informações pessoais constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público não está condicionado à demonstração prévia de qualquer motivo que justifique o seu requerimento. Basta a simples vontade da pessoa titular de conhecer tais informações. O acesso ao habeas data pressupõe, entre outras condições de admissibilidade, a existência do interesse de agir. Ora, se as informações são pessoais e a Constituição federal assegura o seu conhecimento, no prazo da lei (artigo 5º, XXXIII), cabe ao titular interessado utilizar primeiro a via administrativa para requerê-las. Apenas após a recusa ou a demora para o acesso, retificação ou complementação das informações, poderá ser impetrado habeas data, do contrário estará ausente o interesse legitimador da ação. Com efeito, a prova do anterior indeferimento do pedido de informação de dados pessoais, ou da omissão em atendê-lo, constitui requisito indispensável para que se concretize o interesse de agir no habeas data. Sem que se configure situação prévia de pretensão resistida, há carência da ação constitucional. Não há na exigência de comprovação da recusa ou da demora de fornecimento dos dados infringência à garantia constitucional da inafastabilidade de jurisdição. Há apenas a verificação de um dos requisitos da ação, qual seja, o interesse de agir, e não o esgotamento prévio de via administrativa. Esse é o posicionamento do Supremo Tribunal Federal (RHD 24/DF) e do Superior Tribunal de Justiça (Súmula 2). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 15 191 1. O habeas data é via processual inadequada para sustar publicação de matéria em sítio eletrônico (STF. HD 100 AgR). 2. O habeas data não se revela meio idôneo para se obter vista de processo administrativo. (STF. HD 90 AgR). 3. “O habeas data é garantia constitucional adequada para a obtenção dos dados concernentes ao pagamento de tributos do próprio contribuinte constantes dos sistemas informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da administração fazendária dos entes estatais.” (Repercussão geral reconhecida com julgamento de mérito. RE 673.707). (2017/CESPE/DPU/Defensor Público Federal) A respeito da teoria e do regime jurídico dos direitos fundamentais, julgue o item que se segue à luz das disposições da CF. Sob o aspecto da legitimidade ativa, por meio de habeas data é possível obter informações relativas a qualquer pessoa, desde que as informações sejam classificadas como públicas. Gabarito: E. Comentário: Habeas data é utilizado para requerer conhecimento e/ou retificação de informações pessoais. (2019/VUNESP/Prefeitura de Birigui – SP/Advogado) José teve o seu nome inserido no cadastro de inadimplente do SERASA pelo Banco XPTO. À época da negativação, foi informado pelo órgão de proteção ao crédito das anotações, através do envio de “comunicado”. Posteriormente, José ingressou com diversas ações de desconstituição de dívida, contra o Banco XPTO, o qual alega, em suas contestações, que o cliente não prova o alegado, tendo em vista que somente juntou o “comunicado” do SERASA, sem apresentar o extrato fornecido pelo órgão com as anotações. Então, José requereu oficialmente ao Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 16 191 SERASA, o seu “histórico de restrições retroativas”. Em resposta à solicitação do consumidor, o SERASA enviou ofício informando que “somente presta informações sobre anotações que constem no seu banco de dados cadastrais, no momento da consulta, para o CPF/CNPJ consultado (...), exceto em casos de ofício judicial que determine a exibição de histórico das anotações em nossa base de dados.”. Assim, para ver assegurado o seu direito de acessar as informações contidas no banco de dados do SERASA, nos últimos cinco anos, visto que o próprio SERASA informa que somente por meio de determinação judicial presta tais informações, não resta outra alternativa a José senão recorrer ao remédio constitucional A) do mandado de segurança. B) da prestação de informações. C) do mandado de injunção. D) da ação popular. E) do habeas data. Gabarito: E Comentários: O SERASA, na qualidade de serviço de proteção ao crédito, é classificado como entidade de caráter público, de forma que perfeitamente cabível a utilização de habeas data para assegurar a José o conhecimento de informações sobre a sua pessoa, uma vez que a via administrativa foi utilizada e as informações lhe foram negadas. DO PROCESSO Legitimidade ativa A lei que regulamentou habeas data nada dispôs sobre legitimação ativa. A doutrina admite a sua ampla destinação, de maneira que pessoas físicas (brasileiras ou estrangeiras) bem como pessoas jurídicas (de direito público ou de direito privado), poderão impetrar a ação constitucional, para obtenção ou correção de informações ao seu respeito. Por meio de habeas data, apenas informações relativas ao impetrante poderão ser requeridas. Essa ação é personalíssima e não poderá ser utilizada para obtenção de informações de terceiros. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça admitiu a legitimação ordinária superveniente de herdeiros e sucessores do titular do interesse em caso de falecimento. Foi o caso de cônjuge sobrevivente, em defesa da honra e da imagem do falecido, a fim de que seus dados não fossem utilizados indevidamente (STJ. HD 147/DF). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 17 191 O Ministério Público até pode ser impetrante de habeas data, mas apenas para requerer informações relacionadas ao próprio órgão, nunca para defesa de interesses de terceiros. Legitimidade passiva O artigo 2° da Lei 9.507/1997 dispõe que “o requerimento será apresentado ao órgão ou entidade depositária do registro ou banco de dados”. Depreende-se do dispositivo que a legitimação passiva de habeas data é de órgão ou entidade detentora da informação que se pretende obter. Note: a legitimidade recai sobre o órgão ou a entidade e não sobre a autoridade coatora, porque esta é mera representante da pessoa jurídica. Outro cuidado: o órgão ou entidade não precisa ter natureza pública. O que tem que ter natureza publica é a informação pretendida, considerada esta a que possa ser transmitida a terceiros. Não há, pois, nenhum impedimento de impetração de habeas data contra o SPC, SERASA, partido político, universidades particulares, dentre outros. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal, no RE 165.304, não reconheceu a legitimidade passiva do Banco do Brasil S.A. para a revelação, a ex-empregada, do conteúdo da ficha de pessoal, por não se tratar, no caso, de registro de caráter público, nem atuar o impetrado na condição de entidade governamental. Da inicial A petição inicial, no caso de processo físico, será apresentada em duas vias, que deverão conter os mesmos documentos. A segunda via será entregue ao coator, para que no prazo de dez dias se manifeste. O artigo 8º, parágrafo único, daLei 9.507/1999, determina que a petição inicial seja instruída com prova da recusa ao pedido de acesso, de retificação ou de complementação das informações pessoais do impetrante por parte do órgão ou bancos de dados. Caso não haja recusa expressa, mas seja ultrapassado o prazo legal para o fornecimento (10 dias), a correção (15 dias) ou a complementação (15 dias) das informações, será cabível o habeas data, devendo o decurso de prazo ser demonstrado na inicial. Tal qual acontece no mandado de segurança, ao ingressar com o habeas data, o impetrante já deve juntar toda a prova que assegure o seu direito líquido e certo ao acesso, retificação ou complementação de suas informações, pois não há nesse processo a dilação probatória. A inicial será indeferida, quando o habeas data não for o instrumento adequado, ou se lhe faltar algum dos requisitos previstos em Lei. Do despacho de indeferimento caberá apelação, no caso de decisão proferida por juiz de primeira instância. Se por tribunal, agravo. Uma vez admitida a inicial, a autoridade coatora será notificada a apresentar esclarecimentos em dez dias. Após esse prazo, o Ministério Público será ouvido dentro de cinco dias. Em seguida, os autos serão conclusos ao julgador. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 18 191 Na petição inicial deve constar o valor da causa, não obstante o fato de a ação ser gratuita. A petição deve ser subscrita por advogado. Habeas Data é ação gratuita, razão por que está isenta de custas e taxas judiciárias e não há a necessidade de preparo em caso de recurso. Não há ainda condenação em honorários advocatícios. É gratuito também o procedimento administrativo para acesso a informações e retificação de dados e para anotação de justificação (artigo 21 da Lei 9.507/1997). Não se admite intervenção de terceiros em habeas data. Liminar e mérito A Lei 9.507/1997 não prevê liminar em habeas data. Todavia, doutrina e jurisprudência admitem sua utilização em situações excepcionais, já que o rito da ação constitucional já é bastante célere. Se o habeas data for julgado procedente, o juiz marcará data e horário para que o coator apresente ao impetrante as informações a seu respeito ou apresente em juízo a prova da retificação ou da anotação feita nos assentamentos do impetrante. Da sentença que conceder ou negar o habeas data cabe apelação. Se o habeas data for julgado por tribunal superior, originariamente, e a decisão for denegatória, caberá recurso ordinário ao Supremo Tribunal Federal (artigo 102, II, “a”da CF). (2017/FUNDEP/MPE-MG/Promotor de Justiça Substituto) Em relação ao Habeas Data, é CORRETO o que se afirma em: A) O Habeas Data pode ser utilizado para a obtenção de cópia de processo administrativo. B) Pessoa física estrangeira não tem legitimidade para impetrar Habeas Data. C) O Habeas Data não pode ser impetrado com a finalidade de obter dados referentes ao pagamento de tributos do próprio contribuinte constantes de sistemas informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos tributários da administração fazendária dos entes estatais. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 19 191 D) O Habeas Data, assim como o Mandado de Segurança, não prevê fase probatória e, portanto, não pode ser impetrado quando controversa a matéria. Gabarito: D Comentários: Não há dilação probatória em mandado de segurança e nem em habeas data. Assim se controversa a matéria de fato, as ações não poderão ser utilizadas. Embora o item não tenha sido bem formulado, a banca não está fazendo referência à matéria de direito, mas de fato. Controversa sobre matéria de direito não impede a utilização das ações. A) Errado. Não cabe HD para obtenção de cópia de processo administrativo. STF-HD 90 AgR. B) Errado. Brasileiros e estrangeiros têm legitimação ativa em habeas data. C) Errado. Vide RE 673.707 (repercussão geral com julgamento de mérito). MANDADO DE SEGURANÇA “LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.” O mandado de segurança é uma ação de natureza cível, que tramita em rito sumário especial, destinada a combater ato ilegal ou abusivo praticado por autoridade pública (ou por agente de pessoa jurídica no exercício de atribuição do Poder Público) capaz de violar direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, tanto de pessoas físicas quanto de pessoas jurídicas. O mandado de segurança é ação constitucional que objetiva tutelar direitos subjetivos ameaçados ou já prejudicados por ato de autoridade pública ou no exercício de função dessa natureza. Essa ação, como garantia constitucional individual, está prevista no artigo 5º, inciso LXIX, da Lei Maior. A Lei nº 12.016/2009 disciplina o assunto. OBJETO/CABIMENTO Direito líquido e certo O objeto do mandado de segurança é direito líquido e certo subjetivo não contemplado pela ações de habeas corpus (liberdade de locomoção) e habeas data (acesso/retificação a informações pessoais). Tal direito pode ser pessoal ou real. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 1 20 191 Entende-se por direito líquido e certo aquele que pode ser demonstrado de pronto, sem a necessidade de produção de outras provas, tão somente a partir dos fatos narrados pelo impetrante. O direito pode ser demonstrado com certeza, porque delineado em lei, sendo, pois, manifesto em sua própria existência. Trata-se de direito autoexercitável, não dependente de regulamentação ou de política pública para ser aplicado. Nota-se a partir da definição do objeto da ação, que o mandamus não é destinado a questionar a inaplicabilidade de uma norma constitucional de eficácia limitada não regulamentada, porque embora seja capaz de criar direito, tem-se que este não tem liquidez e certeza. Vale dizer ainda que se a existência do direito for duvidosa, em razão de sua extensão não ter sido previamente delimitada, não será cabível mandado de segurança. Quando o direito é indeterminado, pendente ainda de situações, fatos ou leis, a pessoa supostamente prejudicada poderá utilizar outras ações judiciais, mas não a via estreita do mandado de segurança. Com efeito, é preciso observar que a exigência de liquidez e certeza recai apenas sobre a matéria de fato e não sobre a matéria de direito. Dito de outra forma, os fatos alegados na inicial pelo impetrante devem ser de pronto comprovados por meio de documentos, mas a matéria de direito, por mais complexa e controversa que seja, poderá ser arguida via mandado de segurança. Esse é o posicionamento do Supremo Tribunal Federal, contido na Súmula 625: “Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de segurança.” Direito liquido e certo é o que resulta de fato certo capaz de ser comprovado por documento. É de se notar então que o direito é sempre líquido e certo, porque previsto em alguma norma jurídica. O que pode gerar incertezas são os fatos, razão por que devem ser comprovados na inicial. Destarte, se a comprovação dos fatos depender de dilação probatória, não será cabível o mandado de segurança. A impetração da ação constitucional não pode ser baseada em conjecturas; antes, as provas do direito líquido e certo devem ser pré-constituídas. A dilação probatória é incompatívelcom o rito do mandado de segurança. A juntada de provas, de todas as provas, deve ser feita na inicial. É preciso ressaltar, todavia, que se o documento necessário à prova do alegado se achar em repartição ou estabelecimento público ou em poder de autoridade que se recuse a fornecê-lo, a autoridade judicial ordenará a exibição de tal documento. Essa ordem deve ser cumprida no prazo de dez dias (Lei 12.016, artigo 6º, parágrafo 1º). Da definição de mandado de segurança contida no texto constitucional (“conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data”), extrai- se a sua natureza residual, subsidiária, pois o remédio somente poderá ser utilizado se ao caso não puderem ser aplicadas as ações de habeas corpus ou habeas data. Liberdade de locomoção e conhecimento de informações pessoais constantes de bancos de dados de natureza pública também podem ser caracterizados como direitos líquidos e certos, nos termos do que aqui já se explicou, mas não poderão ser resguardados por mandado de segurança, já que a Constituição Federal criou ações próprias com esse objetivo. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 3 21 191 De igual maneira, mesmo não havendo proibição expressa na Constituição Federal, o mandado de segurança não poderá ser interposto se couber ação popular. Nesse sentido, tem-se a Súmula 101 do Supremo Tribunal Federal: “o mandado de segurança não substitui a ação popular.” Conforme veremos ainda nesta aula, a ação popular é instrumento de proteção do meio ambiente, do patrimônio público, do patrimônio histórico e cultural da humanidade e da moralidade administrativa. Tais direitos são difusos. No mandado de segurança, o direito líquido e certo deve ser subjetivo, ainda que milhares de pessoas tenham sido prejudicadas pelo mesmo ato ilegal ou abusivo. (2019/Quadrix/CRA-PR/Advogado I) De acordo com a Constituição Federal de 1988 (CF) e a jurisprudência do STF, julgue o item a seguir quanto ao mandado de segurança. Embora o mandado de segurança pressuponha, como regra geral, provas pré‐constituídas, é admissível a requisição pelo impetrante de documentos constantes de repartições públicas. Gabarito: C Comentários: Caso o documento necessário à prova do alegado se encontre em repartição ou estabelecimento público ou em poder de autoridade que se recuse a fornecê-lo, a autoridade judicial ordenará a exibição de tal documento (Lei 12.016, artigo 6º, parágrafo 1º). Cabimento O objetivo do mandado de segurança é a proteção ou reparação in natura de direito líquido e certo. A ação constitucional incide sobre ato ilegal ou abusivo, comissivo ou omissivo, praticado por autoridade, que viola ou pode vir a violar direito liquido e certo de pessoa física ou jurídica. Nos termos do artigo 5º da Lei 12.016/2009, o mandado de segurança não será admitido quando se tratar: a) de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução. Nesse caso, se o administrado já tiver interposto recurso administrativo com efeito suspensivo, não poderá concomitantemente impetrar o mandado de segurança. Por outro lado, se o recurso administrativo com efeito suspensivo não tiver sido utilizado pelo administrado, uma vez escoado o seu prazo, não haverá nenhum impedimento de impetração do mandado de segurança. Cabe ainda enfatizar o posicionamento sumulado pelo Supremo Tribunal Federal, segundo o qual “a existência de recurso administrativo com Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 2 22 191 efeito suspensivo não impede o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade” (Súmula 429). Por fim, nos termos da Súmula 267 do STF, “não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição”. b) de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo. c) de decisão judicial transitada em julgado. Decisões judiciais transitadas em julgado, nos termos da lei, poderão ser atacadas por ações próprias (revisão criminal ou ação rescisória) Interessante apontar o cabimento da ação constitucional para atacar decreto do Executivo, desde que este, evidentemente, seja materialmente ato administrativo, de efeitos concretos. Todavia, se o decreto tiver efeito normativo, genérico, por isso mesmo sem operatividade imediata, necessitando, para a sua individualização, da expedição de ato administrativo, contra ele não caberá mandado de segurança (STF. Súmula 266). É o caso, por exemplo, dos decretos autônomos (artigo 84, VI, da CF). Na mesma toada, “não cabe mandado de segurança contra lei em tese” (STF. Súmula 266) e não cabe mandado de segurança contra ato do presidente do STF (uma portaria, por exemplo) quando dotado de caráter normativo, para disciplinar situações gerais e abstratas, porque tal ato possuirá efeitos análogos aos de lei. Por último, o mandado de segurança não substitui a ação de cobrança (STF. Súmula 269) e nem quando o direito está fundamentado em lei cujos efeitos foram anulados por outra declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF. Súmula 474). DO PROCESSO Legitimidade ativa O artigo 1º da Lei 12.016/2009 define como legitimados ativos do mandado de segurança pessoas físicas e jurídicas. Todavia, embora não expressas no diploma jurídico, outras pessoas têm legitimação ativa, não obstante o fato de os remédios constitucionais regularem a relação Estado versus indivíduo. São elas: a) qualquer pessoa física (brasileira ou estrangeira); b) pessoas jurídicas (de direito público ou de direito privado); c) por pessoas formais (espólio, condomínio, massa falida); d) por entes despersonalizados, mas dotados de personalidade judiciária (Presidente da República, governador, Mesa da Câmara, Mesa do Senado); e) Ministério Público; f) órgãos públicos de grau superior, em defesa de suas prerrogativas. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 7 23 191 O artigo 1º, § 3º, da Lei 12.016/2009, expõe que quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá requerê-lo via mandado de segurança. O artigo 3º da mesma lei assevera que o titular do direito líquido e certo decorrente de direito de terceiro poderá impetrar mandado de segurança a favor do direito originário, se o seu titular não o fizer, no prazo de 30 (trinta) dias, quando notificado judicialmente. É o caso, por exemplo, de segundo colocado em concurso público que, em razão da convocação antecipada do terceiro colocado, com preterição da ordem de colocação, impetra mandado de segurança em favor do primeiro colocado que se manteve inerte. O mandado de segurança admite desistência, em qualquer tempo, independentemente da competência para julgá-lo, mesmo que já tenha sido proferida a decisão de mérito, bastando apenas não ter ocorrido o trânsito em julgado. A desistência não depende do consentimento da autoridade coatora. (Informativo 704 do STF). Legitimidade passiva O mandado de segurança poderá ser impetrado contra ato comissivo ou omissivo de autoridade pública ou de ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerçam. Assim, são legitimados passivos: a) autoridades de quaisquer dos Poderes (Executivo, Legislativo ou Judiciário), no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, independentemente da função por eles exercida;b) os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, c) os dirigentes de pessoas jurídicas de direito privado ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. O mandado de segurança não pode ser utilizado contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. (Lei 12.016/2009, artigo 1º, parágrafo 2º). O STF, no julgamento da ADI 4296, em junho de 2021, declarou a constitucionalidade do dispositivo. Assim, se o assunto já era cobrado nas provas, agora a cobrança será dobrada. Cuidado! Em se tratando de atribuição delegada, a autoridade coatora será o agente delegado e não a autoridade delegante (STF. Súmula 510). A ação constitucional é utilizada contra quem, de fato, praticou o ato ilegal ou abusivo, ou de quem emanou a ordem. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 ==13272f== 2 24 191 Nos termos da lei que disciplina o mandado de segurança (artigo 2º), se as consequências de ordem patrimonial do ato atacado forem suportadas pela União ou entidade por ela controlada, a autoridade coatora será considerada federal, de maneira que a competência para julgar a ação constitucional será de juiz federal, ressalvada a competência do Supremo Tribunal Federal, dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Regionais Federais. Segundo posicionamento do Supremo Tribunal Federal, a errônea indicação da autoridade coatora pelo impetrante impede que o juiz, agindo de ofício, venha a substituí-la por outra, eis que não é dada ao Judiciário a prerrogativa de alterar os sujeitos que compõem a relação processual e nem de consequentemente modificar a competência para julgamento da causa. Verificada a ilegitimidade passiva ad causam do impetrado, impõe-se ao juiz declarar extinto o processo mandamental, sem julgamento de mérito, por ausência de uma das condições da ação. (MS 28.549 AgR-ED). Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça (Súmula 628) tem admitido a aplicação da denominada “teoria da encampação”, para evitar o cerceamento da busca pelo direito líquido e certo do impetrante ocasionado por uma imprecisão técnica-processual. Dessa sorte, mesmo que o impetrante indique equivocadamente a autoridade coatora, a ilegitimidade passiva poderá ser suprimida, por emenda à inicial (ou, na hipótese de erro escusável, de ofício, pelo julgador) quando atendidos os seguintes requisitos: a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado (há vínculo hierárquico entre encampante e encampado); b) manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas (as informações prestadas pela autoridade encampada esclareceram a questão); c) ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal (o ingresso do encampante não modifica a competência para julgar a ação constitucional). (2019/CESPE/TJ-SC /Juiz Substituto) Segundo entendimento do STJ, para a aplicação da teoria da encampação em mandado de segurança, é suficiente que se demonstrem nos autos, cumulativamente, A) a existência das informações prestadas pelo órgão de representação judicial, a manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas e a ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 f 25 191 B) o vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou as informações e a que ordenou a prática do ato impugnado, a manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas e a ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal. C) a manifestação do órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada e as informações prestadas pela autoridade indicada como coautora. D) o vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado e a não configuração de qualquer das hipóteses de incompetência absoluta estabelecidas na Constituição Federal. E) a manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas nos autos e a não configuração de qualquer das hipóteses de incompetência absoluta estabelecidas na Constituição Federal. Gabarito: B Súmula 628-STJ: A teoria da encampação é aplicada no mandado de segurança quando presentes, cumulativamente, os seguintes requisitos: a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b) manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas; e c) ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal. (2021/CESPE/CEBRASPE/TC-DF/Procurador) Acerca de sistemas administrativos, de administração pública e de organização administrativa do Estado, julgue o item a seguir. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, é cabível mandado de segurança contra ato praticado em licitação promovida por sociedade de economia mista ou empresa pública. Gabarito: Certo. Comentário: Consoante posicionamento sumulado do STJ, cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação por sociedade de economia mista ou empresa pública (Súmula 333). Modalidades O artigo 1º da lei 12.016/2009 dispõe que o mandado de segurança será concedido quando uma pessoa física ou jurídica “sofrer violação” a direito líquido e certo ou “houver justo receio de sofrer”. Nesses Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 26 191 termos, conclui-se que a ação constitucional tanto combate o ato que já prejudicou (ou está prejudicando) direito líquido e certo quanto também aquele capaz de provocar a ofensa. Conforme o momento da impetração, o mandado de segurança será classificado. Se utilizado para reparar lesão já ocorrida, será classificado como repressivo; se utilizado para evitar que a lesão chegue a acontecer, será preventivo. (2019/Quadrix/CRA-PR/Advogado I) De acordo com a Constituição Federal de 1988 (CF) e a jurisprudência do STF, julgue o item a seguir quanto ao mandado de segurança. O mandado de segurança preventivo impetrado contra ameaça de lesão conserva seu objeto e interesse processual ainda quando o risco se traduza em efetiva violação. Gabarito: C Se o mandado de segurança tiver sido impetrado preventivamente e antes de seu julgamento a ofensa a direito líquido e certo chegar a se materializar, não haverá prejuízo, de maneira que o mérito deverá ser julgado. Prazo para impetração O artigo 23 da Lei 12.016/2009 estabelece que o direito de requerer mandado de segurança será extinto após decorridos 120 dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Trata-se de prazo decadencial não passível de suspensão e nem de interrupção, contado em dias corridos (e não em dias úteis!). Findo o prazo, o mandado de segurança não mais poderá ser impetrado, mas nada impede que o prejudicado ingresse com a ação judicial do rito comum, pois a decadência recai sobre o instrumento (o mandado de segurança) e não sobre o direito líquido e certo. Caso o ato impugnado seja de trato sucessivo (prestações mensais de um contrato, por exemplo), o prazo de 120 dias será renovado, mês a mês, a cada ato. No mandado de segurança preventivo, evidentemente, não há prazo, já que o ato ilegal ou abusivo ainda não foi praticado, de maneira queo termo inicial de contagem não poderá ser marcado. O dispositivo legal que fixou prazo para impetração da ação constitucional foi questionado ao Supremo Tribunal Federal, para que fosse declarado inconstitucional, vez que restringe importante garantia constitucional. Todavia, a Corte Constitucional (Súmula 632) entendeu ser constitucional a lei que fixa Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 27 191 prazo de decadência para impetração de mandado de segurança, porque não há direitos e garantias fundamentais de natureza absoluta. O pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o mandado de segurança (STF. Súmula 430). Caso o mandado de segurança seja denegado sem julgamento de mérito, o pedido poderá ser renovado, desde que dentro do prazo de cento e vinte dias. (2019/Quadrix/CRA-PR/Advogado I) De acordo com a Constituição Federal de 1988 (CF) e a jurisprudência do STF, julgue o item a seguir quanto ao mandado de segurança. No caso de prestações continuadas que protraiam no tempo, o prazo decadencial para impetração de mandado de segurança tem início com a data em que for aperfeiçoada a primeira lesão. Gabarito: E O prazo será renovado a cada novo ato. (2021/CESPE/CEBRASPE/TC-DF/Procurador) Considerando a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca de mandado de segurança, ação civil pública e reclamação, julgue o item subsequente. Renova-se mensalmente o prazo decadencial para que o servidor com vantagem remuneratória suprimida ou reduzida em seu contracheque possa impetrar mandado de segurança. Gabarito: Errado. Comentário: Segundo posicionamento do STJ (Info 517), no caso de prestações continuadas que se protraem no tempo, o prazo decadencial para impetração de mandado de segurança renova-se periodicamente, ou seja, mês a mês. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 28 191 Da inicial A petição inicial, no caso de o processo ser físico, deve ser apresentada em duas vias, que devem conter os mesmos documentos. A segunda via será enviada ao coator, que terá prazo de dez dias para prestar as informações necessárias ao julgamento da causa. A petição inicial, sob risco de indeferimento, deve indicar a autoridade coatora e a pessoa jurídica a que esta integra (ou se vincula) ou em nome da qual exerce atribuições. A peça preambular do mandado de segurança será indeferida quando intempestiva, ou incabível, ou ainda lhe faltar qualquer dos requisitos legais. Dessa decisão caberá apelação, quando proferida juiz de primeira instância, ou agravo, quando proferida originariamente por tribunal. O artigo 7º da Lei do Mandado de Segurança elenca os passos que devem ser seguidos pelo Magistrado quando da análise da inicial, quais sejam: 1) a notificação da autoridade coatora, para que se manifeste em 10 dias; 2) ciência ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada; 3) a suspensão do ato que deu motivo ao pedido quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida. Nos termos do artigo 12 da Lei 12.016/2009, após a manifestação da autoridade coatora, o Ministério Público deve ser ouvido no prazo de dez dias e, em seguida, os autos serão conclusos para decisão. Só será admitido ingresso de litisconsórcio ativo antes do despacho da petição inicial (artigo 10, parágrafo 2º, da Lei 12.016/2009). O rito procedimental do mandado de segurança é incompatível com a intervenção de terceiros, nos termos do artigo 24 da Lei nº 12.016/09, ainda que na modalidade de assistência litisconsorcial. (2019/Quadrix/CRA-PR/Advogado I) De acordo com a Constituição Federal de 1988 (CF) e a jurisprudência do STF, julgue o item a seguir quanto ao mandado de segurança. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 29 191 O rito especial do mandado de segurança é compatível com as variadas modalidades de intervenção de terceiros. Gabarito: E Não cabe intervenção de terceiros na via estreita do mandado de segurança. Liminar O órgão julgador, quando da análise da inicial, poderá conceder, em juízo sumário e peremptório, percebendo a plausibilidade das alegações e o risco de dano irreparável ou de difícil reparação causado pela na prestação jurisdicional, liminar para suspender o ato que deu motivo ao pedido. No caso de suspensão liminar do ato impugnado, é facultado ao magistrado exigir do impetrante caução, fiança ou depósito, com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica (artigo 7º, III, da Lei 12.016/2009). Se a liminar for deferida, o processo terá prioridade para julgamento. Os efeitos da medida liminar persistirão até a prolação da sentença, desde que evidentemente não seja revogada por quem a concedeu e nem cassada por instancia superior. A Lei do Mandado de Segurança impedia a concessão de liminar nos seguintes casos (artigo 7º, parágrafo 2º): a) compensação de créditos tributários; b) entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior; c) reclassificação ou equiparação de servidores públicos; d) concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. Entretanto, esse dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em junho de 2021, quando do julgamento da ADI 4296. O Tribunal também declarou a inconstitucionalidade do parágrafo segundo do artigo 22 da Lei 12.016/2009, que exigia a oitiva prévia do representante da pessoa jurídica de direito público como condição para a concessão de liminar em MS coletivo, em razão de considerar haver restrição do poder geral de cautela do magistrado. Do mérito A decisão proferida em mandado de segurança tem natureza mandamental. Caso seja concedida a segurança, será dada uma ordem corretiva ou impeditiva à autoridade coatora, a fim de que o direito líquido e certo do impetrante seja resguardado. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 30 191 A sentença que conceder o mandado de segurança poderá ser executada provisoriamente, salvo nos casos em que for vedada a concessão da medida liminar. A respeito da possibilidade de recorrer de decisão proferida em mandado de segurança, será necessário observar o seguinte: a) da sentença que denega ou concede o mandado, cabe apelação; b) caso a decisão seja denegatória e proferida originariamente por tribunal, caberá recurso ordinário; c) se a decisão for concessiva ou denegatória proferida por tribunal, originariamente, caberá recurso especial ou extraordinário, conforme a situação, obedecidos os ditames constitucionais e legais. d) não cabem embargos infringentes no processo de mandado de segurança. Concedida a segurança por juiz de primeira instância, a sentença estará sujeita obrigatoriamente ao duplo grau de jurisdição. Ainda que a autoridade coatora não recorra, o reexame será necessário, de forma que os autos serão encaminhados ao tribunal, de ofício. Caso a segurança seja concedida por tribunal em processo de sua competência originária, não se falará em duplo grau de jurisdição obrigatório. Os efeitos patrimoniais resultantes da concessão de mandado de segurança somente abrangem os valores devidos a partir da data da impetração mandamental, excluídas, em consequência, as parcelas anteriores ao ajuizamento da ação de mandado de segurança,que poderão, no entanto, ser vindicadas em sede administrativa ou demandadas em via judicial própria (artigo 14, parágrafo 4º, da Lei 12.016/2009. STF, Súmula 271). Não cabe, no processo de mandado de segurança, a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem prejuízo da aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé (STF. Súmula 512). É preciso atribuir à causa valor. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO O mandado de segurança coletivo, ao lado do mandado de segurança individual, constitui espécie da ação mandamental destinada a viabilizar a tutela jurisdicional de direito líquido e certo não amparável pelos remédios constitucionais do habeas corpus e do habeas data. Essa ação está prevista no artigo 5º, LXX, da Constituição Federal e foi regulamentada pela Lei 12.016/2009. “LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados.” Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 31 191 Os princípios básicos que regem o mandado de segurança individual informam e condicionam, no plano jurídico-processual, a utilização do writ mandamental coletivo. A diferença essencial no mandado de segurança coletivo para o mandado de segurança individual é a substituição processual, que tem por finalidade alcançar, por uma só decisão, a várias pessoas. O inciso LXX do artigo 5º da CF encerra o instituto da substituição processual. As entidades e pessoas jurídicas nele mencionadas atuam, em nome próprio, na defesa de interesses que se irradiam, encontrando-se no patrimônio de pessoas diversas. Nos termos do artigo 21, parágrafo único, da Lei 12.016/2009, entende-se por direito líquido e certo protegido por mandado de segurança coletivo os seguintes: a) direitos coletivos, assim entendidos os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; b) individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. A Constituição Federal enumerou um rol taxativo de legitimados ativos do mandado de segurança coletivo. São eles: a) partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária. Entende-se por “finalidade partidária”os objetivos em geral dos partidos políticos e não apenas os interesses de seus membros ou da própria pessoa jurídica. Quanto à necessidade de representação no Congresso Nacional, basta que tenha conseguido eleger um deputado ou um senador. A perda superveniente de representação não acarreta a perda da legitimação, de maneira que se o partido político tinha representante no Congresso Nacional quando da impetração da ação, se no momento do julgamento constatar-se que o partido já não tem mais nenhum deputado ou senador, a ação deverá ser julgada ainda assim. b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, um ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança coletivo ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria (STF. Súmula 630). Não há a necessidade de que todos os seus membros tenham sido afetados pelo ato combatido. Vale dizer que a entidade de classe pode congregar categoria única e não precisa ser de âmbito nacional. A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes (STF. Súmula 629), mas como é próprio de toda substituição processual, a legitimação para agir está condicionada à defesa dos direitos ou interesses jurídicos da categoria que representa. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 32 191 A associação regularmente constituída e em funcionamento há um ano pode postular em favor de seus membros ou associados, não carecendo de autorização especial em assembleia geral, bastando a constante do estatuto. A legitimidade de sindicato para atuar como substituto processual no mandado de segurança coletivo pressupõe tão somente a existência jurídica, ou seja, o registro no cartório próprio. Não há a necessidade de estar em funcionamento há um ano, pois tal exigência é só para associações e entidades de classe (RE 198.919). Estado membro não pode impetrar mandado de segurança coletivo, porque não é órgão de gestão e nem de representação de sua população. O rol de legitimados do writ é taxativo. (STF. MS 21.059) “No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante” (artigo 22 da Lei 12.016/2009). O mandado de segurança coletivo não representa obstáculo para que o interessado, favorecido pela sentença mandamental coletiva, promova, ele próprio, desde que integrante do grupo ou categoria processualmente substituídos pela parte impetrante, a execução individual desse mesmo julgado. (RE 601.914 AgR) O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais. Todavia, para que os efeitos da coisa julgada beneficiem o impetrante a título individual, este deverá requerer a desistência de seu mandado de segurança individual no prazo de trinta dias, a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. (2018/CONSULPLAN/Juiz de Direito Substituto) Em se tratando de mandado de segurança coletivo, é correto afirmar que A) o mandado de segurança coletivo induz litispendência para as ações individuais. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 33 191 B) a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados depende da autorização destes. C) a entidade de classe não tem legitimação para o mandado de segurança coletivo quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. D) configura particularidade procedimental do mandado de segurança coletivo, a necessidade de oitiva prévia da pessoa jurídica de direito público para o deferimento da medida liminar. Gabarito: D Conforme artigo 22, parágrafo 2º, da Lei 12.016/2009. A) Errado. Artigo 22, parágrafo 1º, da Lei 12.016/2009. B) Errado. Não há necessidade de autorização dos associados. C) Errado. Súmula 630 do STF. MANDADO DE INJUNÇÃO “LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.” A Constituição Federal de 1988 contém uma série de dispositivos que carecem de regulamentação para que possam produzir os seus efeitos. São as chamadas normas constitucionais não autoexecutáveis ou normas de eficácia limitada. Em defesa de tais dispositivos, a Lei Maior criou o mandado de injunção, de maneira que a pessoa prejudicada pela falta de regulamentaçãodas normas constitucionais poderá, por meio desse remédio, requerer que uma decisão judicial supra a omissão legislativa. O inciso LXXI do artigo 5º da Constituição Federal, que criou o mandado de injunção, é norma de eficácia plena, de aplicabilidade imediata e direta. Não se pode confundir o mandado de injunção com a sua finalidade. A ação constitucional, para ser aplicada, não depende de regulamentação. Tanto é assim que a lei infraconstitucional regulamentadora só surgiu em 2016, vinte e oito anos depois da promulgação da Constituição, não obstante o fato de a ação, até então, já ter sido amplamente utilizada. O mandado de injunção é ação judicial de natureza cível, de rito especial, regulamentada pela Lei 13.300/2016. Subsidiariamente, aplicam-se as normas da Lei do Mandado de Segurança e do Código de Processo Civil. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 34 191 OBJETO/CABIMENTO Cabimento O artigo 2º da Lei 13.300/2016 dispõe que o mandado de injunção poderá ser impetrado sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. A falta de regulamentação das normas constitucionais pode ser total ou parcial. A regulamentação será parcial quando forem insuficientes as normas editadas pelo órgão legislador competente. É ainda possível haver omissão administrativa, quando não são tomadas as devidas providências por parte de órgão responsável para garantir a aplicabilidade de norma constitucional (falta um decreto, por exemplo). O objetivo do mandado de injunção é garantir ao impetrante o uso de direitos que, embora previstos na Constituição, não podem ser aplicados em razão da ausência de regulamentação infraconstitucional. O objeto desse remédio constitucional é a omissão do Poder Público em relação à tutela dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Com efeito, deve ser considerada omissão capaz a ensejar o uso do mandado de injunção, a ausência total ou parcial de medida de caráter normativo geral e abstrata, legal ou infralegal, de natureza legislativa, regulamentar, material ou processual. Note que foge do campo de atuação do mandado de injunção o ato materialmente administrativo, vez que não pode ser considerado “norma regulamentadora”. O cabimento do mandado de injunção está condicionado à demonstração de omissão capaz de inviabilizar o direito do impetrante. É também necessário ter transcorrido prazo suficiente para a criação da lei, pois do contrário, não haverá como declarar a mora legislativa. Assim, o cabimento do mandado de injunção está condicionado à demonstração concomitante de três pontos: 1) ausência de norma regulamentadora da Constituição; 2) decurso de prazo suficiente para a elaboração da lei; 3) inviabiliade de aplicação da norma constitucional sem que a regulamentação seja feita. É de se notar que o mandado de injunção não se destina a questionar qualquer tipo de omissão. É necessário demonstrar que a Constituição Federal criou um direito que carece de regulamentação para ser aplicado. Sendo assim, o direito à legislação só pode ser invocado pelo interessado, quando também existir, simultaneamente imposta pelo próprio texto constitucional, a previsão do dever estatal de emanar normas legais. Isso significa que o direito individual à atividade legislativa do Estado apenas se evidenciará Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 35 191 naquelas estritas hipóteses em que o desempenho da função de legislar refletir, por efeito de exclusiva determinação constitucional, uma obrigação jurídica indeclinável imposta ao poder público. Nesse passo, inexistente a previsão do direito na Constituição Federal, tampouco do dever de regulamentação, não há que se falar em omissão legislativa que possa ser imputada às autoridades impetradas. Dessa sorte, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal negou provimento ao MI 6.591 AgR, em que se requeria a regulamentação dos direitos do nascituro, vez que não há norma constitucional que exija a regulamentação do assunto. Na mesma linha, a Corte Constitucional também indeferiu o MI 766 AgR, em que os impetrantes objetivavam a regulamentação da atividade de jogos de bingo, mas sem indicar o dispositivo constitucional que expressamente enuncia esse suposto direito. Não existe norma constitucional que confira o direito aos impetrantes, de modo que a União não está obrigada a legislar sobre a matéria, porque não existe, na CF, qualquer preceito consubstanciador de determinação constitucional para se que legisle, especificamente, sobre exploração de jogos de bingo. Para o cabimento do mandado de injunção, é imprescindível a existência de um direito previsto na Constituição que não esteja sendo exercido por ausência de norma regulamentadora. O mandado de injunção não é remédio destinado a fazer suprir lacuna ou ausência de regulamentação de direito previsto em norma infraconstitucional, e muito menos de legislação que se refere a eventuais prerrogativas a serem estabelecidas discricionariamente pela União. Normas constitucionais definidoras de princípios institutivos ou organizativos de natureza facultativa não são questionáveis por mandado de injunção, vez que criam mera faculdade ao legislador e não uma obrigação. É preciso ficar claro que se a lei regulamentadora da norma constitucional existir, ainda que seja inconstitucional, não poderá ser arguida por mandado de injunção. Para combater inconstitucionalidade de lei, não cabe mandado de injunção. Não cabe mandado de injunção para questionar falta de regulamentação de dispositivos contidos em leis infraconstitucionais. O Supremo Tribunal Federal admite a utilização de mandado de injunção para questionar a falta de regulamentação de qualquer norma constitucional e não apenas pertinentes a direito fundamental. Foi o que ocorreu por exemplo no MI 361, que questionou a norma constitucional que fixava juros reais de 12% ao ano. 1. Cabe mandado de injunção para questionar falta de regulamentação de normas da Constituição estadual. De igual maneira, o mandado de injunção também pode ser utilizado para requerer a aplicação de normas da Lei Orgânica do Distrito Federal, que tem valor de Constituição estadual. 2. Cabível é o mandado de injunção quando a autoridade administrativa se recusa a examinar requerimento de aposentadoria especial de servidor público, com fundamento na ausência da norma regulamentadora do art. 40, § 4º, da Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 36 191 Constituição da República. (STF. MI 4.842 AgR). DO PROCESSO Legitimação ativa Pessoas naturais (brasileiras ou estrangeiras) ou jurídicas (de direito público ou privado) titulares dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas referidos constitucionais podem ser impetrantes de mandado de injunção. A Lei 13.300/2016, artigo 2º, dispõe que pessoas jurídicas têm legitimidade ativa em mandado de injunção e não faz qualquer referência às pessoas jurídicas de direito público. Note que a lei não restringe a pessoa jurídica de direito privado; antes, apenas cita “pessoa jurídica”, do que se depreende a de direito público e a de direito privado. O Supremo Tribunal Federal, mesmo antes da publicação da lei que regulamentou o mandado de segurança já admitiu que município pudesse utilizar o remédioconstitucional, como se nota no MI 537/SC. Legitimação passiva São legitimados passivos em mandado de injunção o Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar a norma regulamentadora. A depender da situação, figurará, por exemplo, no polo passivo, o Congresso Nacional (porque deixou de editar a lei) ou o Presidente da República (porque deixou de encaminhar projeto de sua iniciativa privativa), ou outras autoridades ou órgãos. Particulares não podem ser impetrados em mandado de injunção, já que somente ao Poder Público é dada a prerrogativa de regulamentação de normas constitucionais. Dessa sorte, não há possibilidade de formação de litisconsórcio passivo, em sede de mandado de injunção, entre a autoridade competente para a elaboração da norma regulamentadora de dispositivo constitucional e particulares (MI 1.007 AgR). Da inicial A petição inicial, nos termos da Lei 13.300/2016, deverá preencher os requisitos estabelecidos pela lei processual e indicará, além do órgão impetrado, a pessoa jurídica que ele integra ou aquela a que está vinculado. Quando não for transmitida por meio eletrônico, a petição inicial e os documentos que a instruem serão acompanhados de tantas vias quantos forem os impetrados. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 37 191 Quando o órgão julgador recebe a petição inicial, determina a intimação do impetrado, que tem prazo de dez dias para prestar esclarecimentos. Tanto o impetrado, quanto o órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, após ciência, recebem cópia da inicial e dos documentos juntados aos autos. Findo o prazo para apresentação das informações, será ouvido o Ministério Público, no prazo de dez dias, após o que, com ou sem parecer, os autos serão conclusos para decisão. Quando o documento necessário à prova do alegado encontrar-se em repartição ou estabelecimento público, em poder de autoridade ou de terceiro, havendo recusa em fornecê-lo, ainda que por cópia ou certidão, o órgão julgador ordenará, a pedido do impetrante, a exibição do documento no prazo de dez dias. A petição inicial será desde logo indeferida quando a impetração for manifestamente incabível ou manifestamente improcedente. Dessa decisão, caberá agravo. Liminar Não cabe liminar em mandado de injunção dada a falta de previsão em norma legal e em razão da orientação do Supremo Tribunal Federal nesse sentido. Para a Corte Constitucional, não cabe liminar em mandado de injunção, porque a ação se destina à verificação da ocorrência ou não de omissão da autoridade ou do Poder que deveria ter feito a regulamentação (MI-MC 4.060/DF). Mérito A Lei 13.300/2016, ao regulamentar o mandado de injunção, pacificou grande controversa doutrinária a respeito dos efeitos da decisão. O legislador passou a adotar o posicionamento concretista ao mandado de injunção julgado procedente. Diz-se posicionamento concretista aquele em que o Poder Judiciário, ao reconhecer a mora legislativa ou administrativa, permite que a norma não regulamentada seja aplicada, nos termos da decisão judicial, até que a regulamentação seja feita. A decisão judicial supre, para as partes, a ausência de lei. Em sentido diverso, tem-se o posicionamento não concretista, adotado pelo Supremo Tribunal Federal por quase duas décadas, até o ano de 2007, segundo o qual cabe ao Judiciário apenas, ao reconhecer a mora legislativa, dar ciência de sua decisão ao órgão competente para que este, ao seu tempo, faça a regulamentação. Da análise do artigo 8º da Lei 13.300/2016, conclui-se que o legislador adotou o posicionamento concretista, tendo em vista que uma vez reconhecida a mora legislativa, a injunção será deferida para: 1) determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 38 191 2) estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado. Quanto ao alcance da decisão, o artigo 9º da Lei 13.300/2016 estabelece que a decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes e produzirá efeitos até o advento da norma regulamentadora. Todavia, poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes à decisão, quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração. Nota-se, no ponto, que a lei adotou, em regra, a posição concretista individual intermediária, porque após julgar procedente o mandado de injunção, o tribunal não concretiza imediatamente a eficácia da norma constitucional para o impetrante, mas dá ciência ao órgão omisso (impetrado) para que faça, no prazo fixado, a regulamentação. Ao final do prazo estabelecido, se a omissão persistir, o Judiciário fixará as condições necessárias ao exercício do direito por parte do impetrante. Agora, poderá o tribunal adotar o posicionamento concretista geral, quando entender indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da ação constitucional. Nesse caso, a decisão judicial produzirá efeito erga omnes, de forma a permitir que todos os titulares do direito possam exercê- lo, até a regulamentação. Uma vez transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão ser estendidos aos casos análogos por decisão monocrática do relator (artigo 9º da Lei 13.300/2016). Se houver indeferimento do pedido por insuficiência de prova, novo mandado de injunção poderá ser impetrado com fundamento em outros elementos probatórios. A decisão poderá ser revista, a pedido de qualquer interessado, quando sobrevierem relevantes modificações das circunstâncias de fato ou de direito. Por último, caso a norma regulamentadora seja editada antes do julgamento do mandado de injunção, este ficará prejudicado. A decisão proferida em mandado de injunção é temporária, vez que terá duração até que a lei regulamentadora da norma constitucional seja criada. Uma vez editada a lei, a decisão judicial expirará. A norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos “ex nunc” em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável (artigo 11 da Lei 13.300/2016). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 39 191 (2019/VUNESP/TJ-AC/Juiz de Direito Substituto) Assinale a alternativa correta a respeito do mandado de injunção. A) Sem prejuízo dos efeitos já produzidos, a decisão poderá ser revista, a pedido do interessado, se sobrevierem relevantes modificações das circunstâncias de fato ou de direito. B) A decisão proferida no mandado de injunção terá eficácia subjetiva limitada às partes, mas ganhará eficácia ultra partes ou erga omnes se não cumprida no prazo estabelecido. C) Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora no prazo de trinta dias. D) Não será cabível o mandado de injunção quando houver regulamentação da matéria por normas editadas pelo órgão legislador competente, ainda que insuficientes. Gabarito: A. Conforme artigo 10 da Lei 13.300/2016 B) Errado. A decisão ganhará eficácia ultra partes ou erga omnes se o tribunal entender indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração.C) Errado. O prazo será determinado pelo Tribunal competente para julgar a ação, que poderá ser maior, igual ou menor do que trinta dias. D) Errado. O mandado de injunção poderá ser impetrado para questionar omissões parciais. Assim, caso a lei seja insuficiente para o exercício do direito, caberá o remédio constitucional. MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO A Lei 13.300/2016 regulamentou em seu artigo 13 o mandado de injunção coletivo. Não há nenhuma previsão constitucional a respeito dessa ação, mas antes mesmo da edição da Lei 13.300/2016, como ao mandado de injunção era aplicada a lei do mandado de segurança, já se admitia a impetração do mandado de injunção coletivo. No mandado de injunção coletivo, há a substituição processual, de modo que o impetrante requer, em nome próprio, direito de terceiro. Os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por mandado de Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 40 191 injunção coletivo são os pertencentes, indistintamente, a uma coletividade indeterminada de pessoas ou determinada por grupo, classe ou categoria. A estrutura dessa ação é a mesma do mandado de injunção individual, havendo diferença quanto aos impetrantes. Podem promover mandado de injunção: “I - pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses sociais ou individuais indisponíveis; II - por partido político com representação no Congresso Nacional, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a finalidade partidária; III - por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial; IV - pela Defensoria Pública, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados.” Os impetrantes de mandado de segurança coletivo não são os mesmos do mandado de injunção coletivo. Observe que Ministério Público e Defensoria Pública também têm legitimidade ativa em mandado de injunção coletivo. A sentença em mandado de injunção coletivo também tem, assim como na ação individual, em regra, efeito concretista individual intermediário, salvo nos casos em que o efeito ultra partes ou erga omnes for indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração, caso em que o efeito será concretista geral. O mandado de injunção coletivo não induz litispendência em relação aos individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante que não requerer a desistência da demanda individual no prazo de trinta dias contados da ciência comprovada da impetração coletiva. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 41 191 AÇÃO POPULAR “LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.” A doutrina aponta que a ação popular tem origem no direito romano. A nomenclatura da ação é justificada pelo fato de o legitimado ativo ser o indivíduo, alguém do povo, que atua com a finalidade de defesa da coletividade e da coisa pública. No Brasil, foi constitucionalizada em 1934. Em 1937, foi retirada do texto constitucional, mas em 1946, ressurgiu e permaneceu até os dias de hoje. A Constituição Federal, promulgada em 1988, ampliou o seu objetivo, eis que as anteriores apenas dispuseram sobre atos lesivos ao patrimônio público. Por outro lado, a atual Constituição legitima o cidadão a, mediante ação popular, agir em defesa do patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, da moralidade administrativa, do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural. Trata-se de ação constitucional, de natureza cível, que tramita em rito comum, regulamentada pela Lei 4.717/1965, em defesa de direitos difusos. Além de ser garantia fundamental, a ação popular é uma das formas de manifestação da soberania popular, que permite ao cidadão o exercício, de forma direta, da função fiscalizadora. A democracia adotada no Brasil é a semidireta, de forma que o povo tanto elege representantes para a tomada de decisões, quanto preserva mecanismos de participação direta. Plebiscito, referendo e iniciativa popular (artigo 14 da CF) são apenas exemplos de exercício direto da democracia. Esse rol não é taxativo. A ação popular permite que o cidadão, no exercício dos direitos políticos, também participe diretamente da fiscalização da coisa pública, razão por que também deve ser classificada como meio de manifestação da soberania popular. OBJETO/CABIMENTO A ação popular tem por objeto ato de natureza administrativa (ou a ele equiparado) lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 42 191 Considera-se ato de natureza administrativa aquele com efeitos concretos (comissivo ou omissivo) praticados pela Administração Pública, inclusive os que são realizados sob a regência do direito privado. Os atos de conteúdo jurisdicional, por possuírem sistema específico de impugnação (recurso ou ação rescisória), não são abrangidos pelo campo de incidência da ação popular. Atos normativos genéricos não podem ser objeto de ação popular, que não se destina a atacar lei em tese. Com efeito, a ação popular não pode ser utilizada como alternativa à não propositura de uma ação direta de inconstitucionalidade, sob pena de uma ampliação indevida do rol de legitimados previsto no art. 103 da Constituição da República. Tal instrumento processual tem como objetivo anular atos administrativos lesivos ao Estado, e não a anulação de atos normativos primários (STF. AO 1.725 AgR). O artigo 2º da Lei 4.717/1965 elenca exemplos de atos lesivos ao patrimônio público que podem ser atacados por ação popular. Nos termos da lei, são nulos os atos praticados nos casos de incompetência; vício de forma; ilegalidade do objeto; inexistência dos motivos e desvio de finalidade. O objetivo da ação constitucional disponibilizada ao cidadão é a defesa de direitos difusos, pertencentes a toda a sociedade, por meio da invalidação de atos lesivos a bens públicos materiais (patrimônio público ou de entidade que o Estado participe) e bens imateriais (moralidade administrativa, meio ambiente e patrimônio histórico e cultural). A ação popular admite tanto a modalidade preventiva quanto a modalidade repressiva, não obstante a falta de previsão constitucional e legal expressa a respeito da primeira espécie (“anular ato lesivo”). Com efeito, a ação constitucional poderá ser utilizada para impedir a consumação de um ato lesivo ao patrimônio público, ao meio ambiente, ao patrimônio histórico e cultural ou à moralidade administrativa. Nesse caso, será preventiva. Poderá ser proposta também após o ato lesivojá ter sido praticado, com a finalidade de fazê-lo cessar ou de exigir reparação. Nesse caso, a modalidade é a repressiva. O cabimento da ação está condicionado à observância, em regra, do binômio ilegalidade-lesividade. Há sobre o assunto divergência doutrinária. Da redação do texto constitucional (“anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural”), são extraídas três interpretações: 1) a necessidade de comprovação da lesividade do ato; 2) necessidade de comprovação de lesividade apenas quando o ato incidir sobre meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural; 3) a lesividade abarca a ilegalidade, porque todo ato lesivo ao patrimônio público é ilegal. O entendimento que tem prevalecido na doutrina é o de que não basta comprovar a lesividade do ato, mas também a sua ilegalidade. Todavia, conforme o bem jurídico tutelado, o binômio deverá ou não ser observado, nos termos abaixo: a) A respeito da proteção ao patrimônio público: é preciso demonstrar na inicial da ação popular a lesividade e a ilegalidade do ato atacado; b) Quanto à moralidade administrativa: não há a necessidade de comprovação de dano material ao patrimônio público (RE 170.768/SP); Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 43 191 c) Na tutela do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural: é preciso demonstrar tanto a ilegalidade quanto a lesividade do ato. O Supremo Tribunal Federal dispensa a comprovação, na peça exordial, de prejuízo aos cofres públicos como condição de propositura da ação popular. Para o Tribunal, basta a ilegalidade ou a imoralidade (ARE 824.781). O posicionamento adotado pela Corte Constitucional vai muito além da mera anulação de atos lesivos materiais a patrimônio público, mas contempla bens imateriais como moralidade administrativa e meio ambiente. Muito cuidado nas questões de prova, pois o assunto foi tratado em tese com repercussão geral. A propositura da ação popular independe de comprovação de prejuízo aos cofres públicos. OBJETO/CABIMENTO Legitimidade ativa A legitimidade ativa da ação popular é somente de cidadão. Entende-se por cidadão o brasileiro capaz de exercer direitos políticos na condição ativa, isto é, o brasileiro que pode votar. A Constituição Federal não atribuiu a qualquer pessoa ou a qualquer brasileiro a condição de propor ação popular. Nem todos os brasileiros são cidadãos. De igual maneira, estrangeiros, pessoas jurídicas e Ministério Público não podem ser autores de ação popular. Apenas o cidadão (sentido estrito) tem a condição de uso desse remédio constitucional. Nos termos do artigo 1º, § 3º, da Lei 4.717/1965, a prova da cidadania, para ingresso em juízo, deve ser feita quando da propositura da inicial, por meio de título eleitoral ou documento correspondente, como por exemplo, uma certidão emitida pela Justiça Eleitoral. Se após a propositura da ação o cidadão sofrer suspensão de direitos políticos, não haverá obstáculos ao prosseguimento do feito. A propositura da ação popular não tem dependência de o cidadão ter domicílio eleitoral no município (ou comarca) em que foi ou está na iminência de ser praticado o ato combatido. Assim, poderá um cidadão domiciliado em Salvador ingressar com ação popular para combater ato lesivo ao meio ambiente praticado por governador do Amazonas, por exemplo. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 44 191 Segundo posicionamento majoritário na doutrina, o autor de ação popular atua em substituição processual da sociedade, de modo que age em nome próprio em defesa da coletividade. Não se pode confundir a legitimação ativa com a capacidade postulatória. A condição de cidadão é um dos requisitos da ação, sem o qual a inicial não será conhecida. O cidadão não tem capacidade postulatória, de forma que a petição da ação popular deverá ser subscrita por advogado (a não ser que o cidadão seja advogado e esteja atuando em causa própria). O Ministério Público, embora não tenha legitimidade ativa, deverá acompanhará a ação, cabendo-lhe apressar a produção da prova e promover a responsabilidade, civil ou criminal, dos que nela incidirem, sendo-lhe vedado, em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores (artigo 6º, § 4º, da Lei 4.717/1965). A ação popular admite desistência. Se o autor desistir da ação, qualquer cidadão, bem como ao representante do Ministério Público, dentro do prazo de noventa dias da última publicação de edital feita para apontar a desistência, poderá promover o prosseguimento da ação. 1. Qualquer cidadão poderá habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação popular. 2. Portugueses beneficiados pela equiparação, nos termos do artigo 12, § 1º, da Constituição Federal, podem propor ação popular. Na inicial, o título de leitor e o comprovante de equiparação deverão ser apresentados. 3. A doutrina admite que o brasileiro maior de 16 anos e menor de 18 anos possa propor a ação popular sem a necessidade de assistência, já que a condição para a propositura da ação é o exercício dos direitos políticos e não o exercício da capacidade civil plena. 4. “Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular.” (STF. Súmula 365). 5. “O mandado de segurança não substitui a ação popular.” (STF. Súmula 101). (2020/Itame/Câmara de Caldazinha – GO/Advogado) O princípio da moralidade administrativa está expresso no caput do art. 37 da CF, sendo que tal fonte do direito encontra-se intimamente ligada à ideia de probidade e boa-fé. Um dos meios de controle judicial da moral administrativa se dá por meio da Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 45 191 propositura da ação popular, remédio constitucional este previsto no inciso LXXIII do art. 5° da Carta Magna. Com base nos conhecimentos acerca da ação popular, é correto afirmar que: A) qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. B) pessoas jurídicas são partes legítimas para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. C) qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência em quaisquer situações. D) pessoas jurídicas são partes legítimas para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando a parte autora isenta de custas judiciais e do ônus da sucumbência em quaisquer situações. Gabarito: A Comentário: Nos termos do artigo 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal, qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivoao” patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.” Legitimidade passiva Nos termos do artigo 6º da Lei 4.717/1965, a ação popular será proposta contra: 1) União, Distrito Federal, Estados, Municípios e respectivos entes da Administração Indireta (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações) e Direta; 2) autoridades, funcionários ou administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e contra os beneficiários diretos do mesmo. Nesses casos, exige-se, no polo passivo, a inclusão da pessoa jurídica de direito público a que pertencer a autoridade que deflagrou o ato impugnado. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 46 191 Segundo posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, todos os entes introduzidos ao Direito Administrativo brasileiro que podem gerir verba pública podem figurar no polo passivo da ação popular. É o caso, por exemplo, de agência executiva ou reguladora ou de organização social (RESP 453.136/PR). Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal entendeu o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público, por não serem pessoas jurídicas, não poderão ser réus em ação popular (STF. Pet. 3674 QO). Da inicial Na ação popular, diferente das demais ações constitucionais, o procedimento obedecido é o comum, previsto no Código de Processo Civil. Assim, há a formação de lide típica, de forma que há autor, réu, citação, audiência de conciliação, contestação, dilação probatória e audiência de instrução e julgamento. Ao despachar a inicial, o juiz ordenará a citação dos réus, a intimação do Ministério Público para acompanhar a causa e requisição de documentos às entidades citadas na inicial, quando necessário. A ação popular é gratuita, isenta de custas processuais, de maneira que o cidadão não terá que fazer preparo prévio. Todavia, deverá o autor atribuir à causa valor e requerer que o réu pague as despesas judiciais e extrajudiciais relacionadas diretamente com a ação, bem como a condenação em honorários de sucumbência. Se o autor agir com má-fé e esta restar comprovada nos autos, haverá condenação em custas e honorários de sucumbência. Competência Conforme a origem do ato impugnado, será competente para processar e julgar ação popular o juiz estadual ou o juiz federal, de acordo com a organização judiciária de cada Estado e da Justiça Federal (artigo 5º da Lei 4717/1965). É de se notar que tribunais não têm competência para julgar ação popular originariamente. A competência é do juízo de primeiro grau estadual ou federal. Se a causa envolver a União ou qualquer de suas autoridades, a competência será de juiz federal do lugar de domicílio do autor, ou de onde foi praticado o ato ou do lugar em que se encontrar a causa objeto do litígio (artigo 109, parágrafo 2º, da Constituição Federal). Nos demais casos, a competência será de juiz estadual. O Supremo Tribunal Federal poderá processar e julgar originariamente a ação popular em três hipóteses: a) quando houver conflito entre os entes federativos (União e estados; União e Distrito Federal; estado e outro estado; estado e Distrito Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 47 191 Federal), conforme disposto no artigo 102, I, “f”, da CF, inclusive as respectivas entidades da Administração Indireta; b) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados (artigo 102, I, “n”, da CF); c) ação em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados (artigo 102, I, “n”, da CF). Não há prerrogativa de foro na ação popular, de forma que se, por exemplo, o Presidente da República for réu nessa ação, a competência será de juiz federal (por se tratar de autoridade da União) e não do Supremo Tribunal Federal, até por que a competência deste Tribunal está fixada taxativamente no artigo 102, I, da Lei Maior (STF. AO 859 QO). Para fins de competência, equiparam-se atos da União, do Distrito Federal, do Estado ou dos Municípios aos atos das pessoas criadas ou mantidas por essas pessoas jurídicas de direito público. A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações, que forem posteriormente intentadas contra as mesmas partes e sob os mesmos fundamentos. Mérito/Liminar O artigo 5º, §4º, da Lei 4.717/1965 prevê a utilização de liminar para suspender o ato impugnado. A sentença de mérito é desconstitutiva e condenatória, porque visa à anulação do ato impugnado e à condenação dos réus em perdas e danos. A sentença que, julgando procedente a ação popular, decretar a invalidade do ato impugnado, condenará ao pagamento de perdas e danos os responsáveis pela sua prática e os beneficiários dele. O artigo 18 da Lei 4.717/1965 dispõe que a sentença terá eficácia de coisa julgada oponível "erga omnes", salvo no caso de haver sido a ação julgada improcedente por deficiência de prova. Neste caso, qualquer cidadão poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova. Da sentença que julgar o pedido procedente, caberá apelação. A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal (artigo 19 da Lei 4.717/1965). Qualquer cidadão e também o Ministério Público poderá recorrer da sentença e/ou decisão contrária ao autor da causa. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 48 191 A decisão proferida em ação popular é desprovida de força vinculante, em sentido técnico. Nesses termos, os fundamentos adotados pelo julgador não se estendem, de forma automática, a outros processos em que se discuta matéria similar (STF. Pet. 3.388 ED). (2018/FUNDEP/MPE-MG/Promotor de Justiça Substituto) Assinale a alternativa INCORRETA: A) Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. B) O Ministério Público, quando não for autor da ação popular, oficiará como custos legis, cabendo-lhe acompanhar a ação, apressar a produção da prova e promover a responsabilidade, civil ou criminal, dos que nela incidirem, sendo-lhe vedado, em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores. Além disso, no caso em que o autor popular desistir da ação ou der motivo à absolvição de instância, caberá ao Ministério Público promover o prosseguimento da ação. C) De acordo com a Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, são nulos os atos lesivos ao patrimônio, nos casos de incompetência, vício de forma, ilegalidade do objeto, inexistência dos motivos e desvio de finalidade. Segundo a referida Lei, a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; a ilegalidadedo objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. D) O sujeito ativo da ação popular é o cidadão, ou seja, o eleitor, que é a pessoa natural no gozo de sua capacidade eleitoral ativa. A comprovação da condição de eleitor deve ser feita por meio do título de eleitor. Gabarito: B A. Certo. Literalidade do artigo 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal. B. Errado. O Ministério Público não pode propor ação popular. O Ministério Público, quando não for autor da ação popular, oficiará como custos legis, cabendo-lhe acompanhar a ação, apressar a produção da prova e promover a responsabilidade, civil ou criminal, dos Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 49 191 que nela incidirem, sendo-lhe vedado, em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores. Além disso, no caso em que o autor popular desistir da ação ou der motivo à absolvição de instância, caberá ao Ministério Público promover o prosseguimento da ação. C. Certo. Conforme artigo 2º da Lei 4.717/1965. D. Certo. Conforme artigo 1º, parágrafo 3º, da Lei 4.717/1965. RESUMO Finalidade Legitimados ativos Legitimados passivos Modalidade Habeas Corpus Combater ato ilegal ou abusivo capaz de causar violência ou coação à liberdade de locomoção. Brasileiros e estrangeiros; Pessoa jurídica (em defesa de pessoa física); Ministério Público Autoridade pública; Particulares. Preventiva; Liberatória; Individual; Coletivo (de acordo com o STF). Habeas Data Assegurar o conhecimento, a retificação ou a complementação de de informações relativas à pessoa do impetrante. Brasileiros e estrangeiros; Pessoas jurídicas; Ministério Público. Órgão ou entidade detentora da informação. Individual Mandado de Segurança Proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data. Brasileiros e estrangeiros; Pessoas jurídicas, formais e entes despersonalizados. Autoridade pública e pessoa jurídica a ela vinculada. Ministério Público; Preventiva; Liberatória; Individual; Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 50 191 Partido Político Coletivo. Mandado de Injunção Tornar viável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania, prejudicados pela falta de norma regulamentadora. Brasileiros e estrangeiros; Pessoas jurídicas. Autoridades ou órgãos responsáveis pela elaboração da norma regulamentadora da Constituição. Individual; Coletivo. Ação Popular Anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Somente o cidadão. Autoridade pública e pessoa jurídica de direito público a que pertencer a autoridade que praticou o ato combatido. Preventiva; Represiva. Natureza Procedimento Gratuidade Liminar Habeas Corpus Penal Especial (CPP). Tem total preferência de distribuição e julgamento. Sim Sim Habeas Data Cível Especial (Lei 9.507/1997). Preferência de distribuição e julgamento após habeas corpus e mandado de Sim. Sim. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 51 191 segurança. Mandado de Segurança Cível Especial (Lei 12.016/2009). Preferência de distribuição e julgamento após habeas corpus. Sim. Mandado de Injunção Cível Especial (Lei 13.300/2016. Não. Ação Popular Cível Comum (CPC) Sim, salvo comprovada má-fé do didadão. Sim. Legitimados ativos Mandado de Segurança Coletivo a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. Mandado de Injunção Coletivo I - pelo Ministério Públicos; II - por partido político com representação no Congresso Nacional, III - por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano. IV - pela Defensoria Pública. DESTAQUES DA LEGISLAÇÃO Habeas Corpus - CPP Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar. Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 52 191 § 1o A petição de habeas corpus conterá: a) o nome da pessoa que sofre ou está ameaçada de sofrer violência ou coação e o de quem exercer a violência, coação ou ameaça; b) a declaração da espécie de constrangimento ou, em caso de simples ameaça de coação, as razões em que funda o seu temor; c) a assinatura do impetrante, ou de alguém a seu rogo, quando não souber ou não puder escrever, e a designação das respectivas residências. § 2o Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal. Habeas Data – Lei 9.507/1997 Art. 1º: Parágrafo único. Considera-se de caráter público todo registro ou banco de dados contendo informações que sejam ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que não sejam de uso privativo do órgão ou entidade produtora ou depositária das informações. Art. 7° Conceder-se-á habeas data: I - para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público; II - para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável. Art. 8°, parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova: I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão; II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, sem decisão; ou III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão. Art. 15. Da sentença que conceder ou negar o habeas data cabe apelação. Parágrafo único. Quando a sentença conceder o habeas data, o recurso terá efeito meramente devolutivo. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 53 191 Art.18. O pedido de habeas data poderá ser renovado se a decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito. Art. 19. Os processos de habeas data terão prioridade sobre todos os atos judiciais, exceto habeas- corpus e mandado de segurança. Na instância superior, deverão ser levados a julgamento na primeira sessão que se seguir à data em que, feita a distribuição, forem conclusos ao relator. Art. 21. São gratuitos o procedimento administrativo para acesso a informações e retificação de dados e para anotação de justificação, bem como a ação de habeas data. Mandado de Segurança Lei 12.016/2009 Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. § 1o Equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. § 2o Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. § 3o Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança. Art. 5o Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; III - de decisão judicial transitada em julgado. § 6o O pedido de mandado de segurança poderá ser renovado dentro do prazo decadencial, se a decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito. Cuidado! Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 54 191 No julgamento da ADI 4296, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 2º do artigo 7º da Lei 12.016/2009 Art. 7o , § 2o Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. Art. 14. Da sentença, denegando ou concedendo o mandado, cabe apelação. § 1o Concedida a segurança, a sentença estará sujeita obrigatoriamente ao duplo grau de jurisdição. § 2o Estende-se à autoridade coatora o direito de recorrer. Art. 19. A sentença ou o acórdão que denegar mandado de segurança, sem decidir o mérito, não impedirá que o requerente, por ação própria, pleiteie os seus direitos e os respectivos efeitos patrimoniais. Art. 20. Os processos de mandado de segurança e os respectivos recursos terão prioridade sobre todos os atos judiciais, salvo habeas corpus. Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1o O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. Atenção! O § 2 do artigo 22 foi declarado inconstitucional pelo STF (ADI 4296) § 2o No mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá ser concedida após a audiência do representante judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no prazo de 72 (setenta e duas) horas. Art. 23. O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 120 (cento e vinte) dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 55 191 Mandado de Injunção – Lei 13.300/2016 Art. 2º Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Parágrafo único. Considera-se parcial a regulamentação quando forem insuficientes as normas editadas pelo órgão legislador competente. Art. 3º São legitimados para o mandado de injunção, como impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas referidos no art. 2º e, como impetrado, o Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar a norma regulamentadora. Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para: I - determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora; II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado. Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se refere o inciso I do caput quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma. Art. 9º A decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes e produzirá efeitos até o advento da norma regulamentadora. § 1º Poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes à decisão, quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração. § 2º Transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão ser estendidos aos casos análogos por decisão monocrática do relator. Art. 11. A norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável. Art. 12. O mandado de injunção coletivo pode ser promovido: I - pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses sociais ou individuais indisponíveis; II - por partido político com representação no Congresso Nacional, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a finalidade partidária; Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 56 191 III - por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano, para asseguraro exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial; IV - pela Defensoria Pública, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal . Ação Popular – Lei 4.717/1965 Art. 1º Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades de economia mista , de sociedades mútuas de seguro nas quais a União represente os segurados ausentes, de empresas públicas, de serviços sociais autônomos, de instituições ou fundações para cuja criação ou custeio o tesouro público haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita ânua, de empresas incorporadas ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios, e de quaisquer pessoas jurídicas ou entidades subvencionadas pelos cofres públicos. § 3º A prova da cidadania, para ingresso em juízo, será feita com o título eleitoral, ou com documento que a ele corresponda. Art. 5º Conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação, processá-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para as causas que interessem à União, ao Distrito Federal, ao Estado ou ao Município. Art. 6º A ação será proposta contra as pessoas públicas ou privadas e as entidades referidas no art. 1º, contra as autoridades, funcionários ou administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e contra os beneficiários diretos do mesmo. § 4º O Ministério Público acompanhará a ação, cabendo-lhe apressar a produção da prova e promover a responsabilidade, civil ou criminal, dos que nela incidirem, sendo-lhe vedado, em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores. § 5º É facultado a qualquer cidadão habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação popular. Art. 7º A ação obedecerá ao procedimento ordinário, previsto no Código de Processo Civil, observadas as seguintes normas modificativas: Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 57 191 Art. 18. A sentença terá eficácia de coisa julgada oponível "erga omnes", exceto no caso de haver sido a ação julgada improcedente por deficiência de prova; neste caso, qualquer cidadão poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova. Art. 19. A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal; da que julgar a ação procedente caberá apelação, com efeito suspensivo. DESTAQUES DA JURISPRUDÊNCIA Habeas Corpus 1) O STJ não admite que o remédio constitucional seja utilizado em substituição ao recurso próprio (apelação, agravo em execução, recurso especial), tampouco à revisão criminal, ressalvadas as situações em que, à vista da flagrante ilegalidade do ato apontado como coator, em prejuízo da liberdade da paciente, seja cogente a concessão, de ofício, da ordem de habeas corpus. 2) O conhecimento do habeas corpus pressupõe prova pré-constituída do direito alegado, devendo a parte demonstrar de maneira inequívoca a pretensão deduzida e a existência do evidente constrangimento ilegal. 3) O trancamento da ação penal pela via do habeas corpus é medida excepcional, admissível apenas quando demonstrada a falta de justa causa (materialidade do crime e indícios de autoria), a atipicidade da conduta ou a extinção da punibilidade. 4) O reexame da dosimetria da pena em sede de habeas corpus somente é possível quando evidenciada flagrante ilegalidade e não demandar análise do conjunto probatório.. 5) O habeas corpus é ação de rito célere e de cognição sumária, não se prestando a analisar alegações relativas à absolvição que demandam o revolvimento de provas. 6) É incabível a impetração de habeas corpus para afastar penas acessórias de perda de cargo público ou graduação de militar imposta em sentença penal condenatória, por não existir lesão ou ameaça ao direito de locomoção. 7) O habeas corpus não é a via adequada para o exame aprofundado de provas a fim de averiguar a condição econômica do devedor, a necessidade do credor e o eventual excesso do valor dos alimentos, admitindo-se nos casos de flagrante ilegalidade da prisão civil. 8) Não obstante o disposto no art. 142, § 2º, da CF, admite-se habeas corpus contra punições disciplinares militares para análise da regularidade formal do procedimento administrativo ou de manifesta teratologia. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 58 191 9) A ausência de assinatura do impetrante ou de alguém a seu rogo na inicial de habeas corpus inviabiliza o seu conhecimento, conforme o art. 654. § 1º, “c”, do CPP. 10) É cabível habeas corpus preventivo quando há fundado receio de ocorrência de ofensa iminente à liberdade de locomoção. 11) Não cabe habeas corpus contra decisão que denega liminar, salvo em hipóteses excepcionais, quando demonstrada flagrante ilegalidade ou teratologia da decisão impugnada, sob pena de indevida supressão de instância, nos termos da Súmula 691/STF. 12) O julgamento do mérito do habeas corpus resulta na perda do objeto daquele impetrado na instância superior, na qual é impugnada decisão indeferitória da liminar. 13) Compete aos Tribunais de Justiça ou aos Tribunais Regionais Federais o julgamento dos pedidos de habeas corpus quando a autoridade coatora for Turma Recursal dos Juizados Especiais. 14) A jurisprudência do STJ admite a reiteração do pedido formulado em habeas corpus com base em fatos ou fundamentos novos. 15) O agravo interno não é cabível contra decisão que defere ou indefere pedido de liminar em habeas corpus. 16) O habeas corpus não é via idônea para discussão da pena de multa ou prestação pecuniária, ante a ausência de ameaça ou violação à liberdade de locomoção. 17) O habeas corpus não pode ser impetrado em favor de pessoa jurídica, pois o writ tem por objetivo salvaguardar a liberdade de locomoção. 18) A jurisprudência tem excepcionado o entendimento de que o habeas corpus não seria adequado para discutir questões relativas à guarda e adoção de crianças e adolescentes. Mandado de Segurança Súmula nº 41 – O Superior Tribunal de Justiça não tem competência para processar e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de outros tribunais ou dos Respectivos órgãos. Súmula nº 105 – Na ação de mandado de segurança não se admite condenação em honorários advocatícios. Súmula nº 169 – São inadmissíveis embargos infringentes no processo de mandado de segurança. Súmula nº 177 – O Superior Tribunal de Justiça é incompetente para processar e julgar, originariamente, mandado de segurança contra ato de órgão colegiado presidido por Ministro de Estado. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 59 191 Súmula nº 202 – A impetração de segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona à interposição de recurso.Súmula nº 206 – A existência de vara privativa, instituída por lei estadual, não altera a competência territorial resultante das leis de processo. Súmula nº 376 – Compete a turma recursal processar e julgar o mandado de segurança contra ato de juizado especial. CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final do longo estudo sobre o artigo 5º da Constituição Federal. Discorremos sobre os diferentes tipos de direitos e garantias individuais e nesta aula enfatizamos as ações constitucionais. Na próxima lição, estudaremos os capítulos II, III, IV e V dos direitos e garantias fundamentais, que dispõem, respectivamente, de direitos sociais, direitos de nacionalidade, direitos políticos e partidos políticos. Avancemos com ânimo! QUESTÕES COMENTADAS 1. ( 2019/FCC/DPE-SP/Defensor Público) Em relação ao mandado de segurança, considere as assertivas abaixo. I. A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados depende da autorização destes. II. Admite-se a impetração de mandado de segurança perante os Tribunais de Justiça para o exercício do controle de competência dos juizados especiais. III. A impetração de mandado de segurança interrompe a fluência do prazo prescricional no tocante à ação ordinária, o qual somente tornará a correr após o trânsito em julgado da decisão. IV. O impetrante pode desistir da ação mandamental a qualquer tempo antes do trânsito em julgado, independentemente da anuência da autoridade coatora. V. Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre processamento e pagamento de precatório não têm caráter jurisdicional e, por isso, podem ser combatidos pela via mandamental. Estão de acordo com as teses firmadas pelos tribunais superiores APENAS o que se afirma em A) I e IV. B) II, III, IV e V. C) I, II, III e V. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 60 191 D) I, IV e V. E) II, III e IV. Gabarito: Resposta: Letra B I – Errado. O STF possui entendimento em sentido contrário, conforme disposto na Súmula n° 629: “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes”. Além disso, o entendimento do Supremo vai ao encontro do disposto no art. 21, CAPUT, da Lei n° 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança). II – Certo. É o que está disposto na Tese 9 da edição 89 da Jurisprudência em Teses do STJ: “Admite-se a impetração de mandado de segurança perante os Tribunais de Justiça e os Tribunais Regionais Federais para o exercício do controle de competência dos Juizados Especiais Estaduais ou Federais, respectivamente, excepcionando a hipótese de cabimento da Súmula n. 376/STJ”. III – Certo. É o que está disposto na Tese 14 da edição 91 da Jurisprudência em Teses do STJ: “A impetração de mandado de segurança interrompe a fluência do prazo prescricional no tocante à ação ordinária, o qual somente tornará a correr após o trânsito em julgado da decisão”. IV – Certo. É o que está disposto na Tese 2 da edição 85 da Jurisprudência em Teses do STJ: “O impetrante pode desistir da ação mandamental a qualquer tempo antes do trânsito em julgado, independentemente da anuência da autoridade apontada como coatora”. V – Certo. O STJ já havia disposto, na Súmula n° 311, que: “Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre processamento e pagamento de precatório não têm caráter jurisdicional”. Dessa forma, tal entendimento foi complementado por meio da Tese 1 da Jurisprudência em Teses do STJ, mencionada na edição 91: “Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre processamento e pagamento de precatório não têm caráter jurisdicional (Súmula n. 311/STJ) e, por isso, podem ser combatidos pela via mandamental”. 2. (2019/CETREDE/Prefeitura de Acaraú – CE/Procurador) Em relação às ações constitucionais, em especial, mandado de segurança, ação popular e ação civil pública, marque a alternativa CORRETA. A) No mandado de segurança, havendo o deferimento de medida liminar contra o Poder Executivo Municipal perante o juiz de primeiro grau, poderá o Município apresentar pedido de suspensão de liminar para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas, junto ao presidente do tribunal ao qual couber o conhecimento do respectivo recurso, e, no caso do deferimento da suspensão da execução da liminar pelo presidente do tribunal, caberá agravo no prazo de 15 (quinze) dias. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 61 191 B) Na ação popular, o prazo de contestação é peremptório de 20 (vinte) dias, improrrogáveis, facultando-se a qualquer cidadão habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação popular. C) As associações constituídas, há pelo menos 1 (um) ano que incluam, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, possuem legitimidade para proporem ação civil pública e, em caso de desistência infundada ou abandono da ação, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. D) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por qualquer partido político na defesa de seus interesses legítimos, relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 2 (dois) anos, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte dos seus membros ou associados. E) É cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional, cujos beneficiários podem ser individualmente determinados. Gabarito: A) Errado. O exposto difere da redação do art. 15 da Lei n° 12.016/09 (Lei do Mandado de Segurança), o qual dispõe que: “Quando, a requerimento de pessoa jurídica de direito público interessada ou do Ministério Público e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas, o presidente do tribunal ao qual couber o conhecimento do respectivo recurso suspender, em decisão fundamentada, a execução da liminar e da sentença, dessa decisão caberá agravo, sem efeito suspensivo, no prazo de 5 (cinco) dias, que será levado a julgamento na sessão seguinte à sua interposição”. B) Errado. Segundo a Lei de Ação Popular, o prazo de contestação da AP é de 20 dias, prorrogáveis por mais 20, a requerimento do interessado (art. 7°, IV, Lei 4.717/65). C) Certo. É o que está exposto nas alíneas a, b do inciso V e no § 3°, ambos do art. 5° da Lei 7.347/85 (Lei da Ação Civil Pública). D) Errado. O MS coletivo pode ser impetrado por partido político, desde que este possua representação no Congresso Nacional, para defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária. Além disso, outro erro da alternativa reside no fato de que a associação tem de estar legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 ano e não 2, conforme apontado (art. 21, CAPUT, Lei 12.016/09). E) Errado. Nesta hipótese abordada pela alternativa, não será cabível a ação civil pública (art. 1°, Lei 7.347/85). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 62 191 3. (2019/UPENET/ IAUPE /Advogado) Em relaçãoao Mandado de Segurança, assinale a alternativa CORRETA. A) A impetração de Mandado de Segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona à interposição de recurso, ainda que o impetrante tenha ciência da decisão que o prejudicou e não tenha utilizado o recurso cabível. B) Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a teoria da encampação no Mandado de Segurança tem aplicabilidade nas hipóteses em que são atendidos os seguintes pressupostos: subordinação hierárquica entre a autoridade efetivamente coatora e a apontada na petição inicial, discussão do mérito nas informações e ausência de modificação da competência. C) A inobservância do prazo de cento e vinte dias para a sua impetração importa na decadência, e a sentença que a reconhece, após transitar em julgado, impede a formulação do mesmo pedido, amparado na mesma causa petendi, ainda que venha a ser adotado o rito comum. D) A decisão concessiva da medida liminar na primeira instância é impugnável pelo recurso de agravo de instrumento, não o sendo, todavia, a decisão que a indefere. E) O termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança, na hipótese de exclusão do candidato do concurso público nas hipóteses em que a causa de pedir envolva questionamento de critério do edital, é contado a partir da publicação de referido edital. Gabarito: A) Errado. Num primeiro momento, nota-se que a alternativa está de acordo com o disposto na Súmula n° 202 do STJ: “A impetração de segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona à interposição de recurso”. No entanto, recentemente, foi estabelecido, na Tese 9 da edição 43 da Jurisprudência em Teses do STJ, que a Súmula n° 202 é afastada quando, na impetração de MS por terceiro, restar caracterizada a hipótese em que a impetrante teve ciência da decisão que lhe prejudicou e não utilizou o recurso cabível; o que, portanto, vai de encontro ao disposto na parte final da alternativa. B) Certo. É o que dispõe a recente Súmula 628 do STJ. C) Errado. Apesar de o prazo de 120 dias para a impetração do MS ser, de fato, decadencial (Súmula n° 632, STF), não há impedimento para que a parte promova uma ação na justiça comum, em rito ordinário, com formulação do mesmo pedido, amparado na mesma causa de pedir (causa petendi), sem a celeridade contida no rito do MS, estando de acordo, dessa maneira, com o Princípio da Inafastabilidade de Jurisdição (art. 5°, XXXV). D) Errado. O recurso de agravo de instrumento também é cabível contra indeferimento da medida liminar (art. 7°, § 1°, Lei 12.016/09), uma vez que se trata de decisão interlocutória e não encerra o processo. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 63 191 E) Errado. O termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança na hipótese de exclusão do candidato do concurso público nas hipóteses em que a causa de pedir envolva questionamento de critério do edital, é a data do ato administrativo que exclui o candidato, conforme estabelecido na Tese 10 da edição 43 da Jurisprudência em teses do STJ. 4. (2019/Quadrix/CRA-PR /Advogado) De acordo com a Constituição Federal de 1988 (CF) e a jurisprudência do STF, julgue o item a seguir quanto ao mandado de segurança. O mandado de segurança pressupõe direito líquido e certo, de modo que a controvérsia acerca de matéria jurídica não autorizará a concessão da segurança. Gabarito: Resposta: Errado. Direito líquido e certo, pressuposto por MS, é aquele comprovável de plano, fundamentado em prova, exclusivamente, documental. Dessa forma, nota-se que o fato sobre o qual se funda o direito alegado pelo autor é que tem de ser líquido e certo, conforme reconhecido pelo Supremo na Súmula n° 625, segundo a qual “controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de segurança”. 5. (2019/MPE-PR/MPE-PR/Promotor Substituto) Sobre o mandado de segurança, é correto afirmar: A) O pagamento de vencimentos e vantagens pecuniárias assegurados em sentença concessiva de mandado de segurança a servidor público da administração direta ou autárquica federal, estadual e municipal somente será efetuado relativamente às prestações que se vencerem a contar do trânsito em julgado, não produzindo efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria. B) O mandado de segurança não constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária. C) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. D) A errônea indicação da autoridade coatora pode ser corrigida mediante utilização da teoria da encampação, quando presentes, cumulativamente, os seguintes requisitos: a) existência de vínculo Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 64 191 hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b) manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas; e c) ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal. E) É de 5 (cinco) dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do Presidente do Tribunal de Justiça, que defere pedido de suspensão de liminar, a requerimento de pessoa jurídica de direito público interessada ou do Ministério Público e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas. Gabarito: A) Errado. O pagamento de vencimentos e vantagens pecuniárias assegurados em sentença concessiva de MS, nesta hipótese, somente será efetuado relativamente às prestações que se vencerem a contar da data do ajuizamento da inicial (art. 14, § 4°, Lei 12.016/09). B) Errado. O MS constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária (Súmula n° 213, STJ). C) Errado. As organizações sindicais, entidades de classe ou associações também podem impetrar MS coletivo para obter a tutela de direitos líquidos e certos de parte dos seus membros ou associados (art. 21, Lei 12.016/09) e não apenas da totalidade, conforme afirma a alternativa. D) Certo. Está de acordo com a Súmula 628 do STJ. E) Errado. Apesar de o disposto na alternativa estar de acordo com o art. 15 da Lei 12.016/09, com o advento do novo Código de Processo Civil, o prazo para interposição de qualquer agravo passou a ser de 15 dias (art. 1070, NCPC). 6. (2018/FUNRIO-AL-RR/Procurador) Intimado a depor em uma CPMI do Congresso Nacional, José, empresário do ramo de publicidade, ingressou com uma demanda junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e conseguiu uma liminar que lhe garantia permanecer sem responder aos questionamentos dos parlamentares. José compareceu à sessão e entregou o documento que ele chamou de salvo conduto. Considerando ser esse o nome popular do instrumento, o CORRETO é que José do conseguiu uma liminar em A) mandado de segurança preventivo. B) habeas-corpus preventivo. C) mandado de segurança. D) habeas-data. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 125521565 191 Gabarito: A) Errado. O MS preventivo tem por objetivo evitar determinada lesão grave, séria e objetiva a direito líquido e certo, não amparado por HC ou HD. B) Certo. Utiliza-se o HC preventivo (salvo conduto) quando alguém é convocado para depor em CPI como testemunha, tratando-se, na verdade, de investigado (acusado). Dessa forma, será garantido, no caso em comento, ao José o direito de ficar em silêncio, ao contrário do que acontece com testemunha, que pode ser presa em flagrante se mentir ou ficar em silêncio durante seu depoimento (crime de falso testemunho). C) Errado. O MS serve para proteger direito líquido e certo, não amparado por HC ou HD, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (art. 5°, LXIX). D) Errado. O HD visa tanto proteger o direito ao acesso a informações de cunho pessoal que estejam de posse governamentais ou de caráter público, como, também, o direito à retificação de dados pessoais (art. 5°, LXXII). 7. (2018/VUNESP/TJ-RJ/Juiz Leigo) Assinale a assertiva correta sobre o Mandado de Segurança. A) Os processos de mandado de segurança e os respectivos recursos terão prioridade sobre todos os atos judiciais, salvo habeas data. B) O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 90 (noventa) dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. C) Desde que renovado dentro do prazo decadencial, o pedido de mandado de segurança poderá ser renovado, mesmo se a decisão denegatória houver apreciado o mérito. D) Não se concederá mandado de segurança, dentre outras hipóteses, quando se tratar de ato do qual caiba recurso administrativo dotado de efeito suspensivo, independentemente de caução. E) É cabível mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. Gabarito: A) Errado. Os processos de mandado de segurança e os respectivos recursos terão prioridade sobre todos os atos judiciais, salvo habeas corpus (art. 20, CAPUT, Lei 12.016/09). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 66 191 B) Errado. De acordo com o art. 23 da Lei do MS, o prazo, nesta hipótese, será de 120 dias. C) Errado. O pedido de mandado de segurança poderá ser renovado dentro do prazo decadencial, se a decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito (art. 6°, § 6°, Lei 12.016/09). D) Certo. É o disposto no inciso I do art. 5° da Lei do MS. E) Errado. Na hipótese abordada, é incabível MS (art. 1°, § 2°, Lei 12.016/09). 8. (2018/CESPE/TJ-CE/Juiz Substituto) Acerca do mandado de segurança relativamente à tutela de interesses individuais, difusos e coletivos, assinale a opção correta. A) O exercício do direito de petição e o pedido de reconsideração interrompem o prazo para a impetração do mandado de segurança. B) Salvo nos procedimentos regulados pela lei dos juizados especiais, não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso. C) É cabível mandado de segurança para arguição de inconstitucionalidade de veto presidencial. D) Não cabe mandado de segurança contra decretos do Poder Executivo, salvo aqueles que sejam materialmente atos administrativos. E) O parlamentar tem legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança em defesa de prerrogativa do Congresso Nacional. Gabarito: A) Errado. A alternativa diverge da Súmula n° 430 do STF, a qual dispõe que: “Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o mandado de segurança". B) Errado. Em ambos os casos, a Corte Suprema não admite MS, conforme expressa previsão na Súmula n° 267: “Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição". C) Errado. Os vetos presidenciais a Projetos de Lei aprovados pelo Congresso não podem ser questionados por meio de Mandados de Segurança, por se tratarem de atos políticos sujeitos ao exame de deputados e senadores (MS 33.694). D) Certo. Está de acordo com o disposto na Súmula n° 266 do STF: “Não cabe mandado de segurança contra lei em tese”. E) Errado. Conforme o STF, o parlamentar que pretende defender prerrogativa do Congresso Nacional não tem legitimidade ativa ad causam para impetrar mandado de segurança, uma vez que não é titular Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 67 191 do direito invocado (RMS 28.251). Além disso, ressalta-se que o parlamentar individualmente tem legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança contra ato de processo legislativo, em controle concreto (Informativo n° 711) (MS 24.642). 9. (2018/FCC/DPE-AM/Defensor Público) Servidora pública, ocupante de cargo efetivo em órgão de Administração direta estadual, obtém guarda de criança de dois anos de idade, em sede de processo de adoção. Ao requerer licença maternidade, a ela é deferido prazo de 60 dias, com base em previsão específica constante de lei estadual que dispõe sobre o estatuto do servidor público respectivo. Ao perquirir as razões pelas quais não lhe teria sido concedida a licença em prazo de 120 dias, igual ao reconhecido às gestantes pelo mesmo estatuto, obteve a informação de que o tratamento diferenciado se justificaria pelo fato de ser a criança adotada, e não filho natural, além de não ser recém-nascida. Interpostos os recursos administrativos cabíveis, foram indeferidos, mantida a decisão inicial, por seus próprios fundamentos. Já em gozo da licença concedida, a servidora adotante pretende questionar judicialmente a decisão administrativa. Considerando o disposto na Constituição Federal e na legislação processual pertinente, bem como a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, caberá à servidora em questão A) impetrar mandado de segurança, de competência da justiça estadual, para ver reconhecido direito líquido e certo a gozar de licença maternidade em prazo não inferior a 120 dias, independentemente de ser adotante e da idade da criança adotada. B) impetrar mandado de segurança, de competência da justiça do trabalho, para ver reconhecido direito líquido e certo a gozar de licença maternidade em prazo não inferior a 120 dias, independentemente de ser adotante e da idade da criança adotada. C) ajuizar reclamação perante o STF, pelo descumprimento de súmula vinculante segundo a qual os prazos da licença adotante não podem ser inferiores aos prazos da licença gestante, não sendo possível fixar prazos diversos em função da idade da criança adotada. D) promover representação perante o Ministério Público Estadual, para que o Procurador-Geral de Justiça ajuíze ação direta de inconstitucionalidade em face da lei estadual perante o STF. E) promover representação perante o Ministério Público da União, para que o Procurador-Geral da República ajuíze arguição de descumprimento de preceito fundamental em face da lei estadual perante o STF. Gabarito: A) Certo. O Supremo já decidiu que os prazos da licença-adotante não podem ser inferiores ao prazo da licença maternidade, o que vale, também, para as respectivas prorrogações. Além disso, em relação à licença adotante, não é possível fixar prazos diversos em função da idade da criança Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 68 191 adotada (RE 778.889) (Informativo n° 817). Já, em relação a competência para julgamento da ação, o STF, por meio da técnica de interpretaçãoconforme à Constituição, suspendeu toda e qualquer interpretação que inserisse no âmbito da competência da Justiça do Trabalho causas inauguradas entre o Poder Público e seus servidores, a ele vinculados pela relação estatutária, casos em que a competência é da Justiça Comum, seja ela federal ou estadual (ADI-MC 3.395-6). B) Errado. A competência é da Justiça Comum Estadual, uma vez que se trata de vínculo estatutário. C) Errado. Não há súmula vinculante sobre o assunto, mas, sim, repercussão geral, não cabendo, portanto, o ajuizamento da reclamação. D) Errado. A servidora até poderia promover a referida representação, todavia, o melhor seria impetrar mandado de segurança, uma vez que possui rito muito mais célere, já que se trata de direito líquido e certo. Além disso, o Procurador-Geral de Justiça não ajuíza ADI diretamente perante o STF, ele representa ao Procurador-Geral da República, o qual aceita ou não ajuizar a ação. E) Errado. Não cabe ADPF, porque ela é ação subsidiária da ADI, sendo essa cabível no caso em comento, uma vez que é o meio hábil a reconhecer a inconstitucionalidade da Lei. 10. (2018/FCC/SABESP/Advogado) Considere apenas as informações fornecidas abaixo: I. Mariana, a fim de obter a expedição do seu diploma pela instituição particular de ensino superior na qual se formou, pretende impetrar Mandado de Segurança, uma vez que não há qualquer impedimento para a referida expedição. II. O Partido Político “X”, sem representação no Congresso Nacional, para proteger direito líquido e certo de seus integrantes, deseja impetrar Mandado de Segurança em face de determinada autoridade pública. III. A Ordem dos Advogados do Brasil deseja impetrar Mandado de Segurança em defesa dos interesses dos advogados, em face de autoridade pública, para proteger determinado direito líquido e certo. De acordo com a Constituição Federal, o Mandado de Segurança poderá ser impetrado A) por Mariana, na modalidade individual e, na modalidade coletiva, apenas pela Ordem dos Advogados do Brasil. B) apenas pela Ordem dos Advogados do Brasil, na modalidade coletiva, mas não poderá sê-lo por Mariana. C) pelo Partido Político “X” e pela Ordem dos Advogados do Brasil na modalidade coletiva, mas não poderá sê-lo por Mariana. D) por Mariana, na modalidade individual, e pelo Partido Político “X” e pela Ordem dos Advogados do Brasil na modalidade coletiva. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 69 191 E) apenas pelo Partido Político “X” na modalidade coletiva, mas não poderá sê-lo por Mariana. Gabarito: A) Certo. Mariana poderá impetrar o MS se a recusa em expedir seu diploma for ilegal ou abusiva, uma vez que tal ação se destina a proteger direito líquido e certo (no caso, a expedição do diploma) e sempre que o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (art. 5°, LXIX). Além disso, devido expressa previsão das alíneas a, b do inciso LXX do art. 5° da CF, o MS apenas poderá ser impetrado, na modalidade coletiva, pela OAB, pois é entidade de classe destinada a proteger interesses dos advogados, mas não pelo Partido Político “X”, já que este não possui representação no Congresso Nacional. B) Errado. O MS poderá ser impetrado por Mariana na modalidade individual. C) Errado. O Partido Político “X” não poderá impetrar o MS, mas Mariana poderá, individualmente. D) Errado. O Partido Político “X” não poderá impetrar o MS. E) Errado. O Partido Político “X” não poderá impetrar o MS, mas a OAB poderá, na modalidade coletiva, e Mariana, na individual. 11. (2018/MPE-MS/Promotor de Justiça Substituto) Tratando-se de ação popular, é correto afirmar que: A) A ação popular pode ser utilizada para anular atos normativos genéricos. B) O mandado de segurança é instrumento hábil e pode ser usado como sucedâneo de ação popular. C) A pessoa jurídica de direito público é legitimada para propor ação popular. D) A improcedência da ação popular, ausente comprovação de má-fé do autor, impede condenação ao ônus da sucumbência, porém não o isenta do pagamento das custas judiciais. E) É imprescindível a comprovação do binômio ilegalidade-lesividade como pressuposto elementar para a procedência da Ação Popular. Gabarito: A) Errado. A primeira turma do STF já firmou entendimento de que a ação popular não se presta a anular atos normativos genéricos, apenas atos efetivamente lesivos ao Estado (AO 1.725). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 70 191 B) Errado. O MS não substitui a ação popular (Súmula n° 101, STF). C) Errado. Conforme a CF, só quem pode propor ação popular é o cidadão, ou seja, brasileiro em pleno gozo dos direitos políticos. D) Errado. A improcedência da ação popular, ausente comprovação de má-fé do autor, impede condenação ao ônus da sucumbência e o isenta do pagamento das custas judiciais (art. 5°, LXXIII). E) Certo. Está de acordo com a decisão da primeira turma do STJ, no julgamento do REsp 1.447.237: “Tem-se como imprescindível a comprovação do binômio ilegalidade-lesividade, como pressuposto elementar para a procedência da ação popular e consequente condenação dos requeridos no ressarcimento ao erário em face dos prejuízos comprovadamente atestados ou nas perdas e danos correspondentes”. 12. (2018/CESPE/DPE-PE/Defensor Público) A respeito dos mecanismos de proteção aos direitos humanos previstos na Constituição Federal de 1988 e dos remédios constitucionais, assinale a opção correta. A) A ação popular é remédio constitucional para assegurar o conhecimento de informações relativas ao impetrante, constantes de registros ou de bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. B) O mandado de segurança coletivo caracteriza-se por ter dois ou mais impetrantes, que sejam pessoas físicas ou jurídicas, no polo ativo. C) O habeas data visa anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa e ao patrimônio histórico e cultural. D) Mandado de injunção é o instrumento constitucional a ser utilizado na hipótese de a ausência de norma inviabilizar o exercício de direito ou de liberdade constitucional referente à cidadania ou à soberania. E) A finalidade do habeas corpus é proteger direito líquido e certo quando o responsável pela ilegalidade ou pelo abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público. Gabarito: A) Errado. O habeas data é remédio constitucional para assegurar o conhecimento de informações relativas ao impetrante, constantes de registros ou de bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público (art. 5°, LXXII). B) Errado. O MS coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso e por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 71 191 pelo menos um ano (art. 5°, LXX). Além disso, pessoa física não possui legitimidade para impetrar MS coletivo. C) Errado. A ação popular visa anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa e ao patrimônio histórico e cultural (art. 5°, LXXIII). D) Certo. A alternativa se mostra de acordo com o expresso no inciso LXXI do art. 5° da CF e no art. 2° da Lei n° 13.300/16 (Lei do Mandadode Injunção). E) Errado. A finalidade do mandado de segurança é proteger direito líquido e certo quando o responsável pela ilegalidade ou pelo abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público (art. 5°, LXIX). 13. (2017/FAUEL/Prev. São José – PR/Advogado) Com base na Lei nº 13.300/2016, que regulamentou o mandado de injunção, é INCORRETO afirmar que: A) a regulamentação insuficiente não impede, por si só, a concessão de mandado de injunção. B) pessoas jurídicas podem figurar no pólo ativo em mandado de injunção. C) a Defensoria Pública é uma das legitimadas a propor mandado de injunção coletivo. D) o mandado de injunção coletivo não induz litispendência em relação aos mandados de injunção individuais. E) a decisão em mandado de injunção, terá, como regra, eficácia ultra partes ou erga omnes. Gabarito: A) Certo. Está de acordo com o CAPUT do art. 2° da Lei 13.300/16. B) Certo. Está de acordo com o art. 3° da Lei 13.300/16. C) Certo. Está de acordo com o inciso IV do art. 12 da Lei 13.300/16. D) Certo. Está de acordo com o parágrafo único do art. 13 da Lei 13.300/16. E) Errado. Em regra, a decisão em MI terá eficácia subjetiva limitada às partes (eficácia inter partes). Como exceção, poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes, quando for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou prerrogativa objeto da impetração (art. 9°, §1°, Lei 13.300/16). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 72 191 14. (2017/MPE-SP/Promotor de Justiça Substituto) Quanto ao mandado de segurança coletivo, assinale a alternativa INCORRETA. A) Os direitos individuais homogêneos protegidos por mandado de segurança coletivo devem ser líquidos e certos. B) A sentença proferida em mandado de segurança coletivo faz coisa julgada apenas quanto aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. C) A entidade de classe pode impetrar mandado de segurança quando a pretensão interessar a toda a categoria ou apenas a uma parte dela. D) O partido político com representação no Congresso Nacional tem legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária. E) Para ajuizamento de mandado de segurança coletivo, por entidade de classe em favor de seus associados, é necessária autorização especial. Gabarito: A) Certo. A alternativa está em conformidade com o CAPUT do art. 1° da Lei 12.016/09. Ademais, os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser coletivos ou individuais homogêneos (art. 21, I, II, Lei 12.016/09). B) Certo. É exatamente o que está expresso no CAPUT do art. 22 da Lei 12.016/09. C) Certo. Está de acordo com o disposto no CAPUT do art. 21 da Lei 12.016/09. Além disso, o Supremo já reforçou tal entendimento (Súmula n° 630). D) Certo. Está de acordo com o disposto no CAPUT do art. 21 da Lei 12.016/09. E) Errado. O ajuizamento de MS coletivo, por entidade de classe em favor de seus associados, independe da autorização destes (Súmula n° 629, STF) (art. 21, CAPUT, Lei 12.016/09). 15. (2017/MPE-SP/Promotor de Justiça Substituto) Com relação à ação popular em defesa do patrimônio público, é correto afirmar que A) a pessoa jurídica de direito público ou de direito privado cujo ato seja objeto de impugnação não poderá atuar ao lado do autor. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 73 191 B) qualquer pessoa, responsável ou beneficiada pelo ato impugnado, cuja existência ou identidade venha a ser conhecida no curso do processo, será incluída no polo passivo da relação processual, desde que no feito não tenha sido proferida a decisão de saneamento do processo. C) o autor popular não precisa estar representado por advogado. D) qualquer cidadão pode habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação popular. E) a ação popular que objetive a defesa do patrimônio público municipal não pode ser proposta por eleitor inscrito em município diverso. Gabarito: A) Errado. A pessoa jurídica de direito público ou privado cujo ato seja objeto de impugnação poderá, sim, atuar ao lado do autor, desde que essa atuação seja útil ao interesse público (art. 6°, § 3°, Lei 4.717/65). B) Errado. Qualquer pessoa, responsável ou beneficiada pelo ato impugnado, cuja existência ou identidade venha a ser conhecida no curso do processo, será incluída no polo passivo da relação processual, desde que antes de ser proferida a sentença final em primeira instância (art. 7°, § 2°, III, Lei 4.717/65). C) Errado. É indispensável que o cidadão seja representado por advogado (art. 133, CF), exceto quando ele próprio for detentor desta condição. D) Certo. Está de acordo com o disposto no § 5º do art. 6º da Lei 4.717/65. E) Errado. Não existe tal vedação trazida na alternativa na Lei 7.717/65 (Lei de Ação Popular), tampouco restrição jurisprudencial nesse sentido, podendo, portanto, ser proposta por qualquer cidadão independentemente de sua circunscrição. 16. (2017/MPE-SP/Promotor de Justiça Substituto) Assinale a alternativa INCORRETA quanto ao mandado de segurança. A) Em mandado de segurança, o pagamento de vencimentos e vantagens pecuniárias assegurados em sentença a servidor público da Administração direta ou autárquica federal, estadual ou municipal somente será efetuado com relação a prestações que se vencerem desde o ajuizamento da ação. B) A denegação de mandado de segurança sem decisão de mérito não impede que o impetrante pleiteie os seus direitos e respectivos efeitos patrimoniais em ação própria. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 74 191 C) Se, concedida a medida liminar em mandado de segurança, o impetrante criar obstáculo ao normal andamento do feito ou deixar de promover, no prazo legal, os atos e diligências que lhe competirem, o juiz decretará a perempção ou caducidade da medida. D) A autoridade coatora não pode recorrer da sentença concessiva de segurança. E) Não impede a concessão de mandado de segurança a existência de controvérsia sobre questão de direito. Gabarito: A) Certo. Está conforme o disposto no § 4° do art. 14 da Lei 12.016/09. Além disso, o STF também já se manifestou sobre o assunto, conforme expresso na Súmula n° 271: “Concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria”. B) Certo. Está conforme o disposto no art. 19 da Lei 12.016/09. C) Certo. Está conforme o disposto no art. 8° da Lei 12.016/09. D) Errado. É possível que a autoridade coatora recorra da sentença concessiva de segurança. Há autorização legal para tanto no § 2° do art. 14 da Lei 12.016/2009. E) Certo. Está conforme a Súmula n° 625 do STF. 17. (2017/VUNESP/DPE-RO/Defensor Público Substituto) De acordo com os entendimentos sumulados no STJ e STF, assinale a alternativa correta. A) O mandado de segurança individual pode ser utilizado como sucedâneo de ação popular. B) Se a pretensão veiculada interessar apenas a uma parte da respectiva categoria, a entidade de classe não terá legitimidade para impetrar mandado de segurança. C) O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares. D) A impetração de mandado de segurança coletivo porentidade de classe em favor dos associados somente pode ser feita com expressa autorização destes. E) O Ministério Público tem legitimidade exclusiva para propor ação civil pública em defesa do patrimônio público. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 75 191 Gabarito: A) Errado. O STF já firmou o entendimento de que o MS não substitui a AP (Súmula n° 101). B) Errado. O disposto na alternativa vai de encontro ao entendimento do Supremo, conforme expresso na Súmula n° 630: “A entidade de classe tem legitimação para o Mandado de Segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria”. C) Certo. É o que está expresso na Súmula n° 643 do STF. D) Errado. A impetração de MS coletivo por entidade de classe em favor dos associados não precisa de autorização específica destes (Súmula n° 629, STF). E) Errado. Extrai-se da leitura do art. 5° da Lei 7.347/85 que a legitimação na ação civil pública não é exclusiva do MP, estando este legitimado, assim como outros entes para a tutela dos interesses difusos. Ademais, a Súmula n° 329 do STJ também traz previsão expressa da legitimidade do MP, mas não de maneira exclusiva. 18. (2017/VUNESP/DPE-RO/Defensor Público Substituto) Quanto à legitimidade ativa para a propositura de ações coletivas, considerando também as súmulas dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa correta. A) É concorrente e disjuntiva a legitimação para a propositura de ações civis públicas ou coletivas em defesa de interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos disponíveis. B) O Ministério Público não tem legitimidade para promover ação civil pública, buscando indenização decorrente do DPVAT em benefício do segurado. C) A Defensoria Pública do Estado de Rondônia tem legitimidade para a propositura de ação popular, desde que autorizado pelo Conselho Superior da Defensoria Pública. D) Para ter legitimidade para mandado de segurança coletivo, entidades de classe, sindicatos e associações devem estar constituídas há pelo menos um ano, sendo desnecessário que exista a pertinência entre o objeto da impetração e as finalidades do impetrante. E) Prevê a Lei do Mandado de Segurança que o Ministério Público e a Defensoria Pública são legitimados para propor mandado de segurança coletivo. Gabarito: A) Certo. Está conforme entendimento do STJ no REsp. 869.583, do qual se extrai que a legitimação é concorrente porque a lei prevê diversos legitimados (MP, DP, União, Estados, Municípios, entre outros) Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 76 191 e ela é disjuntiva porque cada um desses legitimados pode agir sozinho, caso queira. B) Errado. O disposto na alternativa corresponde ao exato teor da Súmula n° 470 do STJ, cancelada em 2015. O Plenário do Supremo entendeu que o MP possui, sim, legitimidade para defender contratantes do seguro obrigatório DPVAT (RE 631.111). Atualmente, tanto o STF como o STJ entendem que o MP possui legitimidade para ajuizar ação coletiva em defesa dos direitos individuais homogêneos dos beneficiários do seguro DPVAT, dado o interesse social qualificado presente na tutela dos referidos direitos subjetivos. C) Errado. A Defensoria não tem legitimidade para propor ação popular, uma vez que é exclusiva do cidadão (art. 5°, LXXIII). Inclusive a prova da cidadania é feita com o título de eleitor (art. 1°, §3°, Lei 4.717/65). D) Errado. A exigência de constituição há pelo menos um ano diz respeito apenas às associações. Além disso, é necessária a pertinência temática para todos, pois o objeto da ação é direito líquido e certo (art. 21, CAPUT, Lei 12.016/09). E) Errado. O Ministério Público e a Defensoria Pública não se encontram no rol de legitimados a propor MS coletivo (art. 21, CAPUT, Lei 12.016/09). 19. (2017/VUNESP/DPE-RO/Defensor Público Substituto) Sobre o mandado de segurança, assinale a alternativa correta. A) Não deve ser admitida a emenda à petição inicial para corrigir equívoco na indicação da autoridade impetrada em mandado de segurança. B) O impetrante não pode desistir de mandado de segurança sem a anuência do impetrado, mesmo antes da sentença de mérito. C) É aceitável, quando for o caso, a sucessão de partes em processo de mandado de segurança. D) É possível a habilitação de herdeiro nos autos da execução promovida em mandado de segurança. E) Compete à Justiça Estadual processar e julgar qualquer mandado de segurança impetrado contra presidente de subseção da OAB. Gabarito: A) Errado. Nos casos de equívoco facilmente perceptível na indicação da autoridade coatora, o juiz competente para julgar o mandado de segurança pode autorizar a emenda da petição inicial (RMS 45.495, STJ). B) Errado. É lícito ao impetrante desistir da ação de MS, independentemente da aquiescência da Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 77 191 autoridade apontada como coatora e a qualquer tempo, mesmo após sentença de mérito, ainda que lhe seja desfavorável (RE 669.367) (Informativo 533, STJ). C) Errado. Tanto o STJ, como o STF entendem que o MS tem caráter personalíssimo, não sendo cabível, portanto, a sucessão processual de partes na fase de conhecimento, ficando ressalvada aos sucessores a possibilidade de acesso às vias ordinárias. Ademais, somente é cabível a habilitação dos herdeiros em MS quando o feito se encontrar já na fase de execução (AgInt no RE nos EDcl no MS 13.452). D) Certo. Vide comentários da letra C. E) Errado. Compete à Justiça Federal julgar as ações em que figure na relação processual quer o Conselho Federal da OAB, quer seccional (RE 595.332). 20. (2017/FCC/TST/Juiz do Trabalho Substituto) Sobre direitos e garantias fundamentais de natureza processual, a Constituição Federal de 1988 prevê que A) o mandado de injunção objetiva tornar viável o exercício de direitos inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania, não sendo cabível quando a obrigação de prestar o direito deva ser cumprida por particulares. B) qualquer pessoa é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas processuais e do ônus da sucumbência. C) a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação não alcançam o âmbito administrativo. D) o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político sem representação no Congresso Nacional. E) cabe mandado de segurança individual para proteger direito líquido e certo não amparado por habeas corpus quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Gabarito: A) Errado. O STF já decidiu que cabe MI inclusive quando particular for responsável por cumprir a obrigação que eventualmente será regulamentada pela norma faltante (MI 323). B) Errado. O erro está na expressão qualquer pessoa, pois o correto seria dizer que qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio Equipe MateriaisCarreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 78 191 histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas processuais e do ônus da sucumbência (art. 5°, LXXIII, CF). C) Errado. A razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação alcançam tanto o âmbito judicial, como o administrativo (art. 5°, LXXVIII, CF). D) Errado. Para impetração do MS coletivo, é necessário que o partido político tenha representação no Congresso Nacional (art. 5°, LXX, a, CF). E) Certo. Embora esteja incompleta, a informação está consoante ao disposto no inciso LXIX do art. 5° da CF. 21. (2016/FEPESE/Prefeitura de Criciúma – SC/Advogado) Assinale a alternativa correta acerca das ações constitucionais. A) Qualquer cidadão poderá impetrar habeas corpus contra ato administrativo que torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania . B) O habeas data permite somente o conhecimento e a retificação de informações relativas à pessoa constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais. C) A ação popular, que visa anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, somente poderá ser proposta por maior de dezoito anos. D) São gratuitas as ações constitucionais de habeas corpus, habeas data, mandado de injunção, mandado de segurança coletivo e ação popular. E) O ato ilegal ou praticado com abuso de poder por agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público que ferir direito líquido e certo poderá ser objeto de mandado de segurança. Gabarito: A) Errado. O MI será concedido sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 5°, LXXI, CF). B) Errado. O HD permite o conhecimento e a retificação de informações relativas à pessoa constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público (art. 5°, LXXII, a, b, CF). C) Errado. Qualquer cidadão é legitimado para propor ação popular que visa anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe (art. 5°, LXXIII, CF). Dessa forma, a maioria Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 79 191 da doutrina entende que maiores de 16 anos, em pleno gozo dos seus direitos políticos, já estão aptos a impetrar AP. D) Errado. Somente HC e HD são ações gratuitas e, sob determinadas condições, a AP (art. 5°, LXXVII, CF). E) Certo. A alternativa encontra-se de acordo com o disposto no inciso LXIX do art. 5° da CF. 22. (2016/RHS Consult/Prefeitura de Paraty – RJ/Procurador) Em linhas gerais, com relação à ação popular, assinale a alternativa INCORRETA. A) Permite que o povo, diretamente, exerça a função fiscalizatória do Poder Público. B) Para o seu ajuizamento, exige os requisitos subjetivo e objetivo. C) O objeto da ação popular é o combate ao ato ilegal ou imoral e lesivo ao patrimônio público. D) A natureza da decisão na ação popular é desconstitutiva-condenatória. E) Tanto o brasileiro nato quanto o estrangeiro possuem legitimação constitucional para a sua propositura. Gabarito: A) Certo. Adda Pellegrini Grinover relata que “a ação popular garante, em última análise, o direito democrático de participação do cidadão na vida pública, baseando-se no princípio da legalidade dos atos administrativos e no conceito de que a coisa pública é patrimônio do povo; já nesse ponto nota-se um estreito parentesco com as ações que visam à tutela jurisdicional dos interesses difusos, vistas como expressão de participação política e como meio de apropriação coletiva de bens comuns”. B) Certo. O requisito objetivo refere-se à natureza do ato do Poder Público a ser impugnado, que deve ser ilegal e lesivo. Já o requisito subjetivo diz respeito ao autor da AP, que deve ser cidadão. C) Certo. Está de acordo com a CF e com a Lei de Ação Popular. D) Certo. A AP tem como objeto ato ilegal e lesivo. A sentença, se procedente a ação, terá natureza desconstitutiva, na medida em que decreta a invalidade do ato impugnado e condena ao pagamento de perdas e danos os responsáveis pela sua prática e seus beneficiários (art. 11, Lei 4717/65), além de implicar efeito erga omnes. E) Errado. Somente o cidadão (brasileiro no pleno gozo dos direitos políticos) é legitimado para propor AP. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 80 191 23. (2016/MPE-PR/MPE-PR/Promotor Substituto) Assinale a alternativa incorreta: A) A Lei n. 13.300/2016 estabeleceu que a decisão em mandado de injunção terá, em regra, eficácia subjetiva limitada às partes. No entanto, poderá lhe ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração; B) O mandado de injunção coletivo não induz litispendência em relação aos individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante que não requerer a desistência da demanda individual no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração coletiva; C) A norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado proferida em mandado de injunção, salvo se a aplicação das regras da decisão judicial lhes for mais favorável; D) Após o recebimento da petição inicial do mandado de injunção é obrigatório dar-se ciência do ajuizamento da ação ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, devendo-lhe ser enviada cópia da petição inicial, para que, querendo, ingresse no feito; E) Quando o documento necessário à prova do alegado em mandado de injunção encontrar-se em repartição ou estabelecimento público, em poder de autoridade ou de terceiro, havendo recusa em fornecê-lo por certidão, no original, ou em cópia autêntica, será ordenada, a pedido do impetrante, a exibição do documento no prazo de 10 (dez) dias, devendo, nesse caso, ser juntada cópia à segunda via da petição. Gabarito: A) Certo. Está conforme o § 1° do art. 9° da Lei 13.300/16. B) Certo. Está conforme o parágrafo único do art. 13 da Lei 13.300/16. C) Errado. A assertiva diverge do disposto no art. 11 da Lei 13.300/16, que dispõe: “A norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável”. D) Certo. Está conforme o inciso II do art. 5° da Lei 13.300/16. E) Certo. Está conforme o § 2° do art. 4° da Lei 13.300/16. 24. (2016/TRT 4º Região/TRT 4º Região/Juiz do Trabalho Substituto) Considere as assertivas abaixo sobre tutelas constitucionais das liberdades. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 81 191 I - A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. II - Sobrevindo norma regulamentadora, quando em curso mandado de injunção, prestar-se-á a via eleita para sanar a lacuna normativa do período pretérito à edição da lei regulamentadora. III - É cabível a utilização de habeasdata para a obtenção de vista de processo administrativo, na medida em que tal ação constitucional visa a assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante. Quais são corretas? A) Apenas I B) Apenas II C) Apenas III D) Apenas II e III E) I, II e III Gabarito: Resposta: A. I – Certo. É o disposto na Súmula n° 630 do STF. II – Errado. Nesta hipótese trazida pelo item, o julgamento do MI deverá ser declarado prejudicado ante a perda superveniente do objeto (Art. 11, Lei 13.300/16). III – Errado. Para a obtenção de vista de processo administrativo é cabível o MS, uma vez que se trata de direito líquido e certo. Além disso, o STF já reconheceu que o HD é incabível neste caso (HD 90). 25. (2016/VUNESP/TJM-SP/Juiz de Direito Substituto) Assinale a alternativa que corretamente examina características dos instrumentos à disposição do direito processual constitucional. A) A legitimidade ativa compete ao titular do direito líquido e certo violado, mas o mandado de segurança não é ação personalíssima, visto que o Supremo Tribunal Federal já assentou a possibilidade da habilitação de herdeiros por morte do impetrante. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 82 191 B) O inquérito civil constitui procedimento investigatório e será instaurado pelo Ministério Público ou pelos entes federativos, União, Estados, Distrito Federal e Municípios para apurar fato que, em tese, autoriza o exercício da tutela de interesses coletivos ou difusos. C) Não existindo lacuna que torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais, não há necessidade de mandado de injunção; portanto, o mandado de injunção não pode ser concedido verificando-se a existência de norma anterior à Constituição devidamente recepcionada. D) O Supremo Tribunal Federal entende que para o cabimento de ação popular, não basta a ilegalidade do ato administrativo a invalidar, sendo necessária também, cumulativamente, a demonstração de prejuízo material aos cofres públicos. E) O Supremo Tribunal Federal já decidiu que a prova do anterior indeferimento do pedido de informação de dados pessoais, previsto na Lei Federal no 9.507/97, constitui requisito dispensável para que se concretize o interesse de agir no habeas data. Gabarito: A) Errado. MS é ação personalíssima, não cabendo, portanto, sucessão (informativo n° 528, STJ). B) Errado. Inquérito Civil é procedimento exclusivo do Ministério Público (art. 129, III, CF). C) Certo. Segundo a Suprema Corte, o reconhecimento da existência e da aplicabilidade de norma infraconstitucional regulamentadora do direito constitucional pleiteado evidencia o não cabimento do MI, por inexistir omissão legislativa inviabilizadora do exercício de direito constitucionalmente assegurado (MI 4.753). D) Errado. Há jurisprudência firme no sentido de que não é condição para o cabimento de ação popular a demonstração de prejuízo material aos cofres públicos (ARE 824.781). E) Errado. Conforme o STF, a prova do anterior indeferimento do pedido de informação de dados pessoais, ou da omissão em atendê-lo, constitui requisito indispensável para que se concretize o interesse de agir no habeas data (RHD 22). Trata-se de um caso de jurisdição condicionada, sendo uma exceção ao princípio da inafastabilidade da tutela judicial. 26. (2016/IOBV/Câmara de Barra Velha – SC/Advogado) No disposto às questões jurídicas sobre o mandado de segurança é correto deduzir: A) Na ação de mandado de segurança é preciso indicar o valor da causa, para fim do cálculo das custas processuais e para a eventual condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem prejuízo ainda do cálculo para aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 83 191 B) No mandado de segurança coletivo, uma liminar inaudita altera parte poderá ser concedida se feita a garantia do juízo, e a sentença no caso de favorável fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo impetrante. C) O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, contudo, os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se este não requerer a desistência de seu próprio mandado de segurança. D) Num mandado de segurança interposto junto à uma Turma de Recursos, da decisão que vir a ser prolatada, quando não unânime, será cabível a interposição de embargos infringentes. Gabarito: A) Errado. A alternativa vai de encontro ao disposto no art. 25 da Lei n° 12016/09: “Não cabem, no processo de mandado de segurança, a interposição de embargos infringentes e a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem prejuízo da aplicação de sansões no caso de litigância de má-fé”. B) Errado. A liminar inaudita altera parte representa um meio de antecipação da tutela concedida no início do processo, mas sem que a parte contrária seja ouvida. Ela somente é concedida desta forma (antes da justificação prévia), se a citação do réu puder tornar sem eficácia a medida antecipatória ou se o caso for de tamanha urgência que não possa esperar a citação e a resposta do réu. Não se pode impor a contracautela ao impetrante que não tenha condições financeiras ou creditícias de oferecer garantia patrimonial ou pessoal, bem como em qualquer outro caso concreto em que possa representar restrição ao acesso à proteção jurisdicional. Além disso, ao contrário do que afirma a alternativa, no MS coletivo, a sentença, no caso de favorável, fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante (art. 22, CAPUT, Lei 12.016/09). C) Certo. Está conforme o disposto no § 1° do art. 22 da Lei n° 12.016/09. D) Errado. Não pode o impetrante de MS interpor recurso ordinário para o Supremo, nem, tampouco, para o STJ, quando o MS impetrado, em face de decisão interlocutória proferida por juiz integrante de juizado especial, diretamente ante as turmas recursais, for por elas denegado, seja por qualquer motivo. Portanto, nota-se que decisão denegatória de MS de competência originária de Turma Recursal é irrecorrível, conforme entendimento do STF e do STJ (RMS 10.110, STJ). 27. (2016/VUNESP/IPSMI/Procurador) A ação popular, assim como o voto, a iniciativa popular, o plebiscito e o referendo, configura-se como relevante instrumento de democracia direta e de participação política. A respeito da ação popular, assinale a alternativa correta. A) Pode ser proposta por qualquer brasileiro nato ou naturalizado Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 84 191 B) Esse remédio constitucional tem por escopo anular ato lesivo ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. C) O autor da ação popular é isento de custas judiciais, salvo se a ação for julgada improcedente. Nesse caso, dispensa-se o recolhimento retroativo dos valores, sendo obrigatório, porém, o pagamento das custas judiciais a partir de então. D) A propositura de ação popular, como forma de dar maior efetividade ao direito de petição e ao acesso à Justiça, tal qual o caso excepcional das ações propostas perante os juizados especiais cíveis, pode ocorrer sem a presença de advogado. E) Trata-se de remédio constitucional que pode ser utilizado pelo Ministério Público em razão de pedido subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, comnão menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. Gabarito: A) Errado. Somente cidadãos (aqueles que se encontram em pleno gozo dos direitos políticos) são legitimados para a propor ação popular (art. 5°, LXXIII). B) Certo. Está conforme o inciso LXXIII do art. 5º da C. C) Errado. O autor da ação popular é isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência, salvo comprovada má-fé (art. 5°, LXXIII). D) Errado. Conforme já decidido pelo STF, a ação popular deve ser subscrita por advogado (Rcl. 8.427) (art. 133, CF). E) Errado. A ação popular é de exclusiva legitimidade dos cidadãos. 28. (2016/MPE-GO/Promotor de Justiça Substituto) A respeito do Mandado de Segurança, assinale a alternativa incorreta: A) Será decretada a perempção ou caducidade da medida liminar ex officio ou a requerimento do Ministério Público quando, negada a medida liminar, o impetrante criar obstáculos à normal tramitação do Mandado de Segurança ou deixar de promover, por mais de 15 (quinze) dias úteis, os atos e as diligências que lhe cumprirem. B) A teoria da encampação no mandado de segurança tem aplicabilidade nas hipóteses em que atendidos os seguintes pressupostos: subordinação hierárquica entre a autoridade efetivamente coatora e a apontada na petição inicial, discussão do mérito nas informações e ausência de modificação da competência. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 85 191 C) O Mandado de Segurança deve ser extinto, sem resolução do mérito, no caso de ocorrer o falecimento do impetrante, por não ser permitido que os herdeiros se habilitem. D) Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. Gabarito: A) Errado. A alternativa diverge do art. 8° da Lei n° 12016/09, o qual dispõe que: “Será decretada a perempção ou caducidade da medida liminar ex officio ou a requerimento do Ministério Público quando, negada a medida liminar, o impetrante criar obstáculos à normal tramitação do Mandado de Segurança ou deixar de promover, por mais de 3 (três) dias úteis, os atos e as diligências que lhe cumprirem”. B) Certo. Está conforme o exposto no julgado, no qual o STJ firmou entendimento no sentido de ser aplicável a teoria da encampação quando a autoridade apontada como coatora, ao prestar as informações, não se limita a alegar a sua ilegitimidade, mas defende a prática do ato impugnado (MS 015114). Além disso, o disposto também está contido na Súmula n° 628 do Tribunal. C) Certo. No caso de falecimento do impetrante durante o processamento do Mandado de Segurança, o entendimento do STJ é firme no sentido de que não é cabível a sucessão de partes, devido o caráter mandamental e a natureza personalíssima da demanda (EDcl no MS 11.581) (MS 17.372). D) Certo. Está conforme o disposto no § 2° do art. 7° da Lei n° 12016/09. 29. (2021/AMEOSC/Prefeitura de São José do Cedro – SC/Procurador Municipal) Considerando o disposto no direito brasileiro, assinale a alternativa CORRETA sobre o mandado de segurança. A) Cabe mandado de segurança contra lei em tese. B) Cabe recurso ordinário ao Superior Tribunal de Justiça em face de decisão denegatória proferida em mandado de segurança decidido em única instância pelos tribunais de justiça dos Estados. C) A concessão de mandado de segurança produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito. D) É cabível o writ para declaração do direito a compensação de créditos tributários, e nesse caso, não é vedada a liminar. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 86 191 Gabarito: A) Errado. Não é cabível mandado de segurança contra lei em tese (Súmula n° 266, STF). B) Certo. É exatamente o que prevê a CF (art. 105, II, “b”) e o art. 18 da Lei n° 12.016/09. C) Errado. A concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria (Súmula n° 271, STF). D) Errado. O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária (Súmula n° 213, STJ). Além disso, a compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória (Súmula n° 212, STJ). 30. (2021/AMAUC/Prefeitura de Ipumirim – SC/Advogado) O art. 5º da Constituição Federal de 1988 trata de Direitos e Garantias fundamentais, assinale a assertiva correta: A) O Município prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos. B) Qualquer pessoa é parte legítima para propor ação popular, bem como detém legitimidade para propositura da ação civil pública. C) Mandado de Segurança Coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, organização sindical, União, Estado-Membro, Distrito Federal e Municípios. D) São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei, o registro civil de nascimento e a certidão de óbito. E) São gratuitas as ações de Habeas Corpus, Habeas Data e Mandado de Segurança. Gabarito: A) Errado. Não compete ao Município. O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos (art. 5°, LXXIV, CF). B) Errado. Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência (art. 5°, LXXIII, CF). Além disso, os únicos legitimados a propor ação civil pública são: o Ministério Público, a Defensoria Pública, a União, Estados, DF e os Municípios, a Administração Indireta e as Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 87 191 associações, desde que cumpridos os requisitos previstos na Lei da AP, nos termos do art. 5° da Lei n ° 7.347/85. C) Errado. O MS coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados (art. 5°, LXX, CF). Portanto, não há que se falar em União, Estados, DF e Municípios como legitimados. D) Certo. Está conforme o inciso LXXVI do art. 5º da CF. E) Errado. MS não é gratuito. São gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania (art. 5°, LXXVII, CF). 31. (2021/CESPE/CEBRASPE/TC-DF/Procurador) Acerca de direitos e garantias fundamentais e mandado de segurança no âmbito do Poder Legislativo, julgue o item a seguir, considerando o entendimento do STF. Partidos políticos com representação no Congresso Nacional têm legitimidade para impetrar mandado de segurança a fim de coibir atos praticados no processo de aprovação de leis e emendas constitucionais em que o vício de inconstitucionalidade esteja diretamente relacionado a aspectos formais e procedimentais da atuação legislativa. Gabarito: ERRADO Tal legitimidade é apenas dos parlamentares, e não dos partidos políticos como afirma a questão. Este éo entendimento do STF: “a legitimidade do parlamentar - e somente do parlamentar - para impetrar mandado de segurança com a finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou emenda constitucional incompatíveis com disposições constitucionais que disciplinam o processo legislativo” (MS 24.667, Pleno, Min. Carlos Velloso, DJ de 23.04.04). 32. (2021/Quadrix/CRECI - 14ª Região (MS)/Advogado) Quanto às normas atinentes aos processos ordinários e aos recursos, no âmbito do processo do trabalho, julgue o item. O mandado de segurança é o meio próprio para se obter efeito suspensivo a recurso ordinário interposto de sentença que ratifique a antecipação de tutela. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 88 191 Gabarito: ERRADO A ação cautelar é o meio próprio para se obter o efeito suspensivo de recurso ordinário interposto, em face de decisão que concede a antecipação da tutela em sentença (Súmula n ° 414, I, TST). 33. (2020/IPEFAE/Prefeitura de Campos do Jordão – SP/Procurador Municipal) Os remédios constitucionais, conforme lição de Rui Barbosa, são normas de conteúdo assecuratório, ou seja, são instrumentos previstos no ordenamento jurídico brasileiro para garantir às pessoas a aplicação e a efetividade dos direitos fundamentais. Com relação ao mandado de segurança e a proteção dos direitos fundamentais são feitas as seguintes afirmações: I - Qualquer pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira, poderá impetrar o mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. II - Os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições, serão equiparados à autoridade coatora para o fim de impetração do mandado de segurança. III - O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 180 (cento e oitenta) dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Após a leitura é possível concluir que: A) As afirmações I, II e III estão corretas. B) Apenas as afirmações I e II estão corretas. C) Apenas as afirmações II e III estão corretas. D) Apenas a afirmação III está correta. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 89 191 Gabarito: B I – Certo. É o que está disposto no art. 1º, caput, da Lei nº 12.016/09, segundo o qual, conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. II - Certo. Está conforme o art. 1º, § 1º, da Lei nº 12.016/09, que prediz que se equiparam às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. III - Errado. O prazo decadencial do MS não é de 180 dias, mas sim 120 dias, conforme o art. 23 da Lei nº 12. 016/09. 34. (2020/FUNDATEC/Prefeitura de Panambi – RS/Procurador) Acerca do Mandado de Segurança, considerando o disposto na Lei nº 12.016/2009 e o entendimento sumulado pelo STF, analise as assertivas abaixo: I. Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. II. O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança. III. Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. IV. Cabe mandado de segurança contra lei em tese. V. Controvérsia sobre matéria de direito impede concessão de mandado de segurança. Quais estão corretas? A) Apenas I, II e III. B) Apenas I, II e V. C) Apenas I, III e IV. D) Apenas II, III e IV. E) Apenas III, IV e V. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 90 191 Gabarito: A I – Certo. É o que dispõe o §2°, do art. 1°, da Lei n° 12.016/09. II - Certo. É o que dispõe a Súmula n° 269 do STF. III - Certo. É o exato teor da Súmula n° 405 do STF. IV – Errado. Não é cabível mandado de segurança contra lei em tese (Súmula n° 266, STF). V – Errado. Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de segurança (Súmula n° 625, STF). 35. (2020/CPCON/Câmara de Bayeux – PB/Procurador Jurídico) Acerca dos Remédios Constitucionais, assinale a alternativa CORRETA. A) A impetração do habeas data está sujeita a prazo decadencial. B) O mandado de injunção é gratuito. C) É possível a impetração de habeas corpus contra ato de agente privado. D) Não há previsão de custas e de ônus de sucumbência para a ação popular. E) A sentença que julga procedente a ação popular está sujeita ao duplo grau de jurisdição. Gabarito: A) Errado. Segundo o art. 23 da Lei nº 12.016/2009, não é a impetração do habeas data que está sujeita a prazo decadencial, mas sim a do MS. B) Errado. No MI há custas. Conforme o inciso LXXVII, do art. 5º da CF, são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. C) Certo. À luz do inciso LXVIII, do art. 5º da CF, conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Nesse caso, a autoridade coatora pode ser autoridade pública ou agente privado, como, por exemplo, hospitais. D) Errado. Caso comprovada a má-fé, não ficará o autor isento de custas judiciais e do ônus Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 91 191 da sucumbência. (art. 5º, LXXIII, CF). E) Errado. A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação está sujeita ao duplo grau de jurisdição (art. 19, Lei nº 4.717/65). 36. (2020/CPCON/Câmara de Bayeux – PB/Procurador Jurídico) No que se refere ao mandado de segurança, assinale a opção CORRETA: A) A concessão da liminar não prioriza o julgamento perante os mandados de segurança com liminares denegadas. B) A teoria da encampação pode ser aplicada no mandado de segurança, quando não existir vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado. C) A autoridade coatora, por ser quem presta as informações, é quem detém capacidade processual. D) A competência tributária, por seu turno, sob o enfoque fiscal não irá determinar a Justiça ou o Juízo a ser distribuído o mandamus. E) A doutrina diverge sobre quem efetivamente deve configurar no polo passivo da demanda: se a “autoridade coatora”, ou a pessoa jurídica, ou o órgão público a quem esta pertence. Gabarito:A) Errado. Deferida a medida liminar, o processo terá prioridade para julgamento (art. 7º, § 4 º, Lei nº 12.016/09). B) Errado. A Súmula nº 628 do STJ dispõe que: “A teoria da encampação é aplicada no mandado de segurança quando presentes, cumulativamente, os seguintes requisitos: a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b) manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas; e c) ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal.” C) Errado. A autoridade coatora, via de regra, não detém capacidade processual nem personalidade judiciária. É apenas a responsável pelo ato que faz reclamar a impetração do writ, cabendo, assim, a capacidade processual à pessoa jurídica a qual está vinculada a autoridade coatora que prestou informações. D) Errado. É necessário analisar a matéria veiculada no MS para definição da competência, uma vez que até mesmo a competência tributária pode fixar a competência no processo. E) Certo. Existe divergência doutrinária a respeito de quem é o legitimado passivo na Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 92 191 interposição do MS. Existem entendimentos no sentido de que a legitimidade passiva se encontra apenas na autoridade coatora. Por outro lado, há os que alegam que a legitimidade passiva está na pessoa jurídica a qual está alocada a autoridade coatora. Também há os que defendem que ambos são legitimados, formando um litisconsórcio passivo necessário. 37. (2020/Instituto Consulplan/Câmara de Amparo – SP/Procurador Legislativo) Zózimo, eleitor no Município de Amparo/SP, pretende mover uma ação com o intuito de anular um ato praticado pelo secretário municipal de governo que, no seu entendimento, é lesivo ao patrimônio cultural local. Para exercer seu direito de cidadão sem pagamento de custas judiciais e ônus de sucumbência, Zózimo deverá propor: A) Habeas data. B) Ação popular. C) Ação civil pública. D) Mandado de segurança. Gabarito: B Zózimo, como cidadão, estará exercendo seu direito de propor AP. Conforme o inciso LXXIII, do art. 5º, da CF, qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. 38. (2020/IBADE/Câmara de Ji-Paraná – RO/Procurador) De acordo com as previsões constitucionais inerentes aos remédios constitucionais, suponha que uma pessoa jurídica pretende obter informações acerca de situações de interesse pessoal junto à Secretaria de Receita Federal, bem como a obtenção de uma certidão em repartição pública para defesa de direitos, sendo que em ambos os casos os requerimentos foram negados. Diante do contexto apresentado, o interessado poderá impetrar: A) mandado de segurança e habeas data, respectivamente. B) habeas data e direito de petição, respectivamente. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 93 191 C) direito de petição e mandado de injunção, respectivamente D) habeas data e mandado de segurança, respectivamente. E) habeas data em ambos os casos. Gabarito: D O interessado poderá impetrar um HD e um MS, respectivamente. Conforme a alínea “a” do inciso LXXII, do art. 5º, da CF, conceder-se-á habeas data para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais (como é o caso da Secretaria da Receita Federal) ou de caráter público. Além disso, o direito de certidão, entendido como um direito líquido e certo é assegurado pelo mandado de segurança, uma vez que a sua negativa configura ilegalidade ou abuso de poder de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (art. 5°, LXIX, CF). 39. (2020/IBADE/Câmara de Ji-Paraná – RO/Procurador) O Mandado de Segurança está previsto na Constituição Federal como o instrumento que tem por finalidade proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou por habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. De acordo com as regras constitucionais e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a opção que se apresenta correta. A) Partido político somente tem legitimidade para impetrar mandado de segurança quando houver, no Congresso Nacional, representação. B) É inconstitucional lei que fixa prazo de decadência para impetração de mandado de segurança. C) A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. D) Não cabe mandado de segurança contra lei em tese, embora seja cabível contra decisão judicial transitada em julgado. E) O pedido de reconsideração na via administrativa interrompe o prazo para impetração do mandado de segurança. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 94 191 Gabarito: A) Errado. Para impetração de MS coletivo é que o partido político precisa ter representação no Congresso Nacional (art. 5°, LXX, CF). B) Errado. É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração do mandado de segurança (Súmula nº 632, STF). C) Certo. Nos termos do art. 21, da Lei nº 12.016/09, o MS coletivo pode ser impetrado por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados. D) Errado. Não é cabível mandado de segurança contra lei em tese (Súmula nº 266, STF) e não é cabível mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado (Súmula nº 268, STF). E) Errado. Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o mandado de segurança (Súmula nº 430, STF). 40. (2020/FAUEL/Prefeitura de Assis Chateaubriand – PR/Advogado) Assinale a alternativa INCORRETA, a respeito do mandado de segurança, da ação civil pública, da ação popular e do mandado de injunção. A) No mandado de injunção, a edição de norma regulamentadora antes da decisão é causa de extinção do processo com resolução de mérito. B) Das decisões em mandado de segurança proferidas em única instância pelos tribunais cabe recurso especial e extraordinário, nos casos legalmente previstos, e recurso ordinário, quando a ordem for denegada. C) A fim de subsidiar eventual ação civil pública, o Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer organismo público ou particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não poderá ser inferior a 10 (dez) dias úteis. D) Na ação popular, as partes só pagarão custas e preparo a final. Gabarito: A) Errado. Segundo o art. 11 da Lei nº 13.300/16, no MI, a edição de norma regulamentadora antes da decisão é causa de extinção do processo sem resolução de Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 95 191 mérito. B)Certo. Está conforme o art. 18 da Lei nº 12.016/09, segundo o qual, das decisões em mandado de segurança proferidas em única instância pelos tribunais cabe recurso especial e extraordinário, nos casos legalmente previstos, e recurso ordinário, quando a ordem for denegada. C) Certo. É o que dispõe o art. 8º, §1º, da Lei nº 7.374/85: o MP poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer organismo público ou particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não poderá ser inferior a 10 dias úteis. D) Certo. Na AP, as partes somente pagarão custas e preparo a final, conforme o art. 10 da Lei nº 4.717/65. 41. (2020/FUNDATEC/Prefeitura de Santo Augusto – RS/Advogado) Sobre o Mandado de Segurança Individual e Coletivo, assinale a alternativa INCORRETA. A) Cabe mandado de segurança contra ato de administrador de entidade autárquica, no que diz respeito às atribuições de poder público. B) Não cabe mandado de segurança contra lei em tese. C) Não se concederá mandado de segurança quando se tratar de ato contra o qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, exceto se realizada caução. D) Será decretada a perempção ou caducidade da medida liminar ex officio ou a requerimento do Ministério Público quando, concedida a medida, o impetrante criar obstáculo ao normal andamento do processo ou deixar de promover, por mais de três dias úteis, os atos e as diligências que lhe cumprirem. E) Das decisões em mandado de segurança proferidas em única instância pelos tribunais cabe recurso especial e extraordinário, nos casos legalmente previstos, e recurso ordinário, quando a ordem for denegada. Gabarito: A) Certo. É o disposto no art. 1º, §1º, da Lei nº 12.016/2009, segundo o qual, é cabível MS contra ato de administrador de entidade autárquica, no que diz respeito às atribuições de poder público. B) Certo. Não é cabível mandado de segurança contra lei em tese (Súmula nº 266, STF). C) Errado. Segundo o art. 5º, I, da Lei nº 12.016/2009, não se concederá MS quando se Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 96 191 tratar de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução. D) Certo. Será decretada a perempção ou caducidade da medida liminar ex officio ou a requerimento do MP quando, concedida a medida, o impetrante criar obstáculo ao normal andamento do processo ou deixar de promover, por mais de 3 dias úteis, os atos e as diligências que lhe cumprirem, nos termos do art. 8º da Lei nº 12.016/2009. E) Certo. Conforme o art. 18 da Lei nº 12.016/2009, Das decisões em mandado de segurança proferidas em única instância pelos tribunais cabe recurso especial e extraordinário, nos casos legalmente previstos, e recurso ordinário, quando a ordem for denegada. 42. (2020/IBADE/Câmara de São Felipe D'Oeste – RO/Advogado) O remédio constitucional que é concedido “para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público” e “para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo” é o(a): A) Habeas Corpus. B) Mandado de segurança. C) Habeas data. D) Mandado de injunção. E) Liberdade provisória. Gabarito: C O remédio constitucional descrito é o habeas data, conforme o disposto nas alíneas “a” e “b”, do inciso LXXII, do art. 5º, da CF. Assim, conceder- se-á habeas-data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. 43. (2020/Dédalus Concursos/COREN-SC/Advogado) A ação popular consiste em meio de controle judicial da atividade administrativa para demandar anulação ou declaração de nulidade de atos que Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 97 191 ameacem ou lesem valores constitucionalmente protegidos. Sobre esse remédio constitucional, é correto afirmar que: A) O mandado de segurança não substitui a ação popular, sendo idôneo, contudo, utilizar o mandado de segurança para veicular uma ação popular. B) O autor sempre é subordinado a ônus de provar a lesão ao patrimônio material ou imaterial da sociedade, uma vez que o ordenamento jurídico pátrio não traz casos de lesividade presumida. C) Os Juízos Federais são competentes para a ação popular contra atos de entidades, políticas ou administrativas, federais, estaduais ou municipais. D) As pessoas jurídicas, como, por exemplo, os partidos políticos, detêm legitimidade para promover a ação popular. E) Sob o aspecto processual, a ação popular é revestida da natureza jurídica de ação cível, pela qual pretensão jurídica, pública ou difusa, pode ser deduzida em juízo ou tribunal. Gabarito: A) Errado. O MS não substitui a ação popular (Súmula nº 101, STF), tampouco é idôneo utilizá-lo para veicular uma AP. Além disso, o MS não pode ser usado como meio sucedâneo de AP, conforme o STF. B) Errado. Não é preciso comprovar o prejuízo material aos cofres públicos como condição para a propositura de ação popular, conforme entendeu o STF em decisão tomada recentemente na análise do RE com Agravo 824781 de repercussão geral reconhecida. C) Errado. O art. 5º da Lei nº 4.717/65 dispõe que conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação, processá-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para as causas que interessem à União, ao Distrito Federal, ao Estado ou ao Município. D) Errado. Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular. (Súmula nº 365, STF). E) Certo. A AP é revestida da natureza jurídica de ação pública cível, sujeitando-se, enquanto tal, às garantias e pressupostos processuais inerentes a toda ação. 44. (2020/VUNESP/AVAREPREV-SP/Procurador Jurídico) Considerando o disposto no direito brasileiro, assinale a alternativa correta sobre o mandado de segurança. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 98 191 A) O writ não pode ser concedido quando se tratar de ato do qual caiba recurso administrativo, com efeito suspensivo, exceto se exigida caução. B) É cabível o mandado de segurança contra atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas e de sociedade de economia mista. C) A lei admite a impetração do writ contra decisão judicial transitada em julgado, mas, nessa hipótese, não será concedida liminar. D) Não se concederá o mandado de segurança que tenha por objeto a discussão sobre imposto de importação de bens do exterior. E) É cabível o writ na hipótese em que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, mas, nesse caso, é vedada a liminar. Gabarito: A) Errado. Não será concedido MS quando se tratar de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução (art. 5°, I, Lei n° 12.016/09). B) Errado. Não é cabível MS contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economias mista e de concessionárias de serviço público (art. 1°, §2º, Lei n° 12.016/09). C) Errado. Não se concederá MS quando se tratar de decisão judicial transitada em julgado (art. 5°, III, Lei n° 12.016/09).D) Errado. O MS poderá ser concedido no caso narrado na alternativa, desde que tal situação diga respeito à proteção de direito líquido e certo. E) Certo. Está conforme o disposto na Lei do MS, segundo a qual, não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza (art. 7°, §2º, Lei n° 12.016/09). 45. (2020/VUNESP/Valiprev – SP/Procurador) A respeito do mandado de segurança coletivo, é correto afirmar que A) poderá ser impetrado pelos mesmos legitimados para a propositura de ação civil pública. B) se caracteriza pela pluralidade de partes no polo ativo ou passivo. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 99 191 C) não se sujeita ao prazo de 120 dias para sua impetração. D) induz litispendência para as ações individuais. E) sua impetração independe de autorização especial dos associados. Gabarito: A) Errado. Os legitimados para o MS coletivo são: partido político com representação no Congresso Nacional; organização sindical, entidade de classe e associação em funcionamento há pelo menos 1 ano. (CF, Art. 5, LXX). Já os legitimados para a ACP são: o Ministério Público, a Defensoria Pública, a União, Estados, DF e os Municípios, a Administração Indireta e as associações, desde que cumpridos os requisitos previstos na Lei de Ação Popular, nos termos do art. 5° da Lei n ° 7.347/85. B) Errado. A pluralidade de partes no MS coletivo se dá somente no polo ativo. C) Errado. O direito de requerer MS extinguir-se-á decorridos 120 dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado (art. 23, Lei n° 12.016/09). D) Errado. O MS coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva (art. 22, §1º, Lei n° 12.016/09). E) Certo. Está conforme o disposto na Lei do MS, segundo a qual, o MS coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial (art. 21, Lei n° 12.016/09). 46. (2020/VUNESP/Valiprev – SP/Procurador) Das decisões em mandado de segurança proferidas em única instância pelos tribunais cabe recurso especial e extraordinário, nos casos legalmente previstos. E quando, nessa mesma hipótese, a ordem for denegada pelo Tribunal, A) cabe recurso ordinário. B) cabe agravo de instrumento. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 100 191 C) não cabe recurso. D) cabe apelação. E) cabe agravo regimental. Gabarito: A A questão traz a literalidade do art. 18 da Lei n° 12.016/09, o qual aduz que: “Das decisões em mandado de segurança proferidas em única instância pelos tribunais cabe recurso especial e extraordinário, nos casos legalmente previstos, e recurso ordinário, quando a ordem for denegada". 47. (2020/Itame/Câmara de Caldazinha – GO/Advogado) Acerca dos remédios constitucionais previstos na Constituição Federal, é correto afirmar que: A) conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, desde que seja amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. B) o mandado de segurança coletivo não pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional. C) conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. D) são gratuitas as ações de habeas corpus, habeas data e mandado de segurança individual e coletivo e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. Gabarito: A) Errado. MS será concedido para proteger direito líquido e certo, não amparado por HC ou HD , quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (art. 5°, LXIX, CF). Portanto, o MS é remédio constitucional utilizado quando não for caso de HC ou de HD. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 101 191 B) Errado. O MS coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional (art. 5°, LXX, CF). C) Certo. É o exato teor do inciso LXXI, do art. 5°, da CF. D) Errado. MS não é gratuito. São gratuitas as ações de HC e HD, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania (art. 5°, LXXVII, CF). 48. (2019/PGE-MS/Procurador do Estado) Sobre os direitos e garantias individuais e os remédios constitucionais assinale a alternativa incorreta: A) O STF entende que o habeas corpus não constitui instrumento adequado para postular o trancamento do processo de impeachment em face do Presidente da República. B) Na doutrina se admite a impetração do Mandado de Segurança em face de atos ilegais praticados com abuso de poder e, portanto, caberia a impetração do remédio constitucional mencionado ainda quando se tratar de ato discricionário, submetido aos critérios de conveniência e oportunidade. C) Somente é cabível a impetração de Mandado de Segurança Coletivo para a proteção de direitos coletivos. D) A obtenção de informações sobre terceiros não autoriza a impetração do habeas data, ainda quando haja recusa injustificada em fornecê-las. E) As ações de habeas corpus e habeas data se submetem a regra de imunidade tributária por serem gratuitas. Gabarito: A) Certo. HC não é o instrumento adequado para pleitear trancamento de processo de “impeachment”. Com base nessa orientação, o Plenário, por maioria, negou provimento a agravo regimental em que se pretendia trancar o aludido processo movido em face da Presidente da República. Vencido o Ministro Marco Aurélio, que provia o agravo por não considerar cabível a negativa de seguimento a HC por força de decisão monocrática tendo em conta a manifesta improcedência do pedido (RISTF, art. 21; e CPC, art. 557), (HC 134315 AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki, 16.6.2016). B) Certo. O MS pode ser utilizado para confrontar atos vinculados ou atos discricionários. Segundo a doutrina, ao se referir à ilegalidade como hipótese de cabimento de MS, a CF reporta-se atos vinculados; ao se referir ao abuso de poder, reporta-se aos atos discricionários. C) Errado. O MS coletivo não serve só para a proteção de direitos coletivos, mas também Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 102 191 direitos individuais homogêneos (art.21, parágrafo único, I, II, Lei n° 12.016/09). D) Certo. O remédio correto para obtenção de informações sobre terceiros é o MS. Nesse sentido, a decisão do STF sobre HD: “O habeas data não se presta para solicitar informações relativas a terceiros, pois, nos termos do inciso LXXII do art. 5º da Constituição da República, sua impetração deve ter por objetivo "assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante" (AgR HD 87, DF). E) Certo. Só existe imunidade tributária, em regra, quanto aos impostos. Excepcionalmente, porém, no art. 5°, incisos XXIV, LXXVI e LXXVI da CF está prevista a imunidade de taxas em relação ao direito de petição e certidão, ao registro de nascimento e à certidão de óbito para os reconhecidamente pobres e para as ações de HC e HD. 49. (2019/FUNDATEC/Prefeitura de São Borja – RS/Advogado) A ação popular: A) Somente pode ser proposta em relação a entes públicos. B) Tem por objeto direitos individuais homogêneos. C) Não terá cabimento em caso de dano ao meio ambiente. D) Terá o recolhimento de custas no momento da propositura da ação. E) Será proposta por cidadão. Gabarito: A) Errado. “A ação será proposta contra as pessoas públicas ou privadas e as entidades referidas no art. 1º, contra as autoridades, funcionários ou administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão, e contra os beneficiários diretos do mesmo” (art. 6°, Lei n° 4.717/65). B) Errado. O objeto da AP é a anulação de ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, anulação de ato lesivo à moralidade administrativa, anulação de ato lesivo ao meio ambiente ou anulação de ato contra o patrimônio histórico e cultural (art. 5°, LXXIII, CF). C) Errado. Conforme visto no item anterior, a AP é cabível em caso de dano ao meio ambiente. D) Errado. Em regra, não há custas na ação popular, salvo comprovada má-fé (art. 5°, LXXIII, Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 103 191 CF). E) Certo. Está conforme o disposto no art. 5°, LXXIII, da CF, segundo o qual, “qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”. 50. (2019/FUNDATEC/Prefeitura de Coronel Bicaco – RS/Procurador) O mandado de injunção: A) Somente admite a forma coletiva. B) É admitido quando houver a falta total de norma regulamentadora que torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania, não sendo admitido nos casos de falta parcial de norma regulamentadora. C) Poderá ser impetrado tanto na forma individual como coletiva. D) Poderá ser impetrado em relação à omissão de tribunais superiores na edição de enunciado de súmula vinculante. E) É impetrado por pessoa jurídica, sendo vedada a sua utilização por pessoa natural. Gabarito: A) Errado. É também admitida a forma individual do MI (art. 1º, Lei nº 13.300/2016). B) Errado. Será concedido MI sempre que a falta total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 2º, Lei nº 13.300/2016). C) Certo. É o que está expresso no art.1º da Lei nº 13.300/2016: “Esta Lei disciplina o processo e o julgamento dos mandados de injunção individual e coletivo, nos termos do l.” D) Errado. O MI é o remédio constitucional usado para defesa de direitos, liberdades constitucionais e prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania quando não houver norma que os torne viáveis (art. 5º, LXXI, CF). E) Errado. O MI pode ser impetrado tanto por pessoa física como por pessoa jurídica (art. 3º, Lei nº 13.300/2016). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 104 191 51. (2019/IBGP/Câmara de Perdizes – MG/Advogado) Sobre a Ação de Mandado de Injunção, assinale a alternativa INCORRETA: A) No mandado de injunção coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente às pessoas integrantes da coletividade, do grupo, da classe ou da categoria substituídos pelo impetrante e não induzirá litispendência em relação aos individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante que não requerer a desistência da demanda individual no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração coletiva. B) No mandado de injunção individual, a decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes e produzirá efeitos até o advento da norma regulamentadora, podendo, todavia, ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes à decisão, quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração. C) Transitada em julgado a decisão proferida no mandado de injunção individual, seus efeitos poderão ser estendidos aos casos análogos por decisão monocrática do relator. D) A norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos ex tunc em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável. Gabarito: A) Certo. É o que dispõe o art. 13, parágrafo único da Lei nº 13.300/2016. Assim, não se configura a litispendência entre MI coletivo e MI individual. B) Certo. É o que dispõe o art. 9º, §1º da Lei nº 13.300/2016. Assim, a eficácia da decisão proferida em sede de MI poderá ter sua eficácia estendida quando inerente ou indispensável ao exercício dos direitos que causaram o manejo da ação. C) Certo. É o exato teor do art. 9º, §2º da Lei nº 13.300/2016. D) Errado. A norma regulamentadora superveniente terá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado. (art. 11, Lei nº 13.300/2016). 52. (2019/FUNDATEC/Prefeitura de Salto do Jacuí – RS/Procurador Jurídico) Determinado cidadão, objetivando acesso a informações relativas à sua pessoa, constantes de banco de dados de caráter público, impetra habeas data. O que caberá ao julgador fazer? A) Ao despachar a petição inicial, ordenará que se notifique o coator do conteúdo da petição, a fim de que, no prazo de trinta dias, preste as informações que julgar necessárias. B) Se verificar que não é caso de habeas data, indeferirá a petição inicial, em decisão que poderá ser atacada por recurso de agravo de instrumento. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 105 191 C) Se verificar que não é caso de habeas data, indeferirá a petição inicial, em decisão que poderá ser atacada por recurso de apelação. D) Após o processamento do feito, proferirá sentença deferindo ou denegando o habeas data, que poderá ser atacada por apelação, a ser recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo. E) Realizará o processamento do pedido, sendo, de regra, dispensável a intervenção do ministério público no processo. Gabarito: A) Errado. Ao despachar a petição inicial, o juiz ordenará que se notifique o coator do conteúdo da petição, entregando-lhe a segunda via apresentada pelo impetrante, com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de dez dias, preste as informações que julgar necessárias (art. 9º, Lei nº 9.507/97). B) Errado.A inicial será desde logo indeferida, quando não for o caso de HD, ou se lhe faltar algum dos requisitos previstos na Lei do HD. Dessa forma, do despacho de indeferimento caberá recurso previsto no art. 15 da Lei, sendo que este dispõe sobre apelação (arts. 10 e 15, Lei nº 9.507/97). C) Certo. É o que foi disposto no item anterior. D) Errado. O recurso correto é mesmo a apelação, porém, seu efeito é tão somente devolutivo, nos termos do parágrafo único, do art. 15, da Lei nº 9.507/97. E) Errado. A atuação do MP é indispensável no rito do HD, sendo que esse órgão deve ser ouvido, no prazo de cinco dias, após o processamento do feito (art. 12, Lei nº 9.507/97). 53. (2019/FUNDEP (Gestão de Concursos)/Prefeitura de Lagoa Santa – MG/Advogado) A respeito do mandado de segurança, assinale a alternativa correta. A) O prefeito tem legitimidade para impetrar mandado de segurança que objetive impugnar ato da Câmara Municipal que não se compatibiliza com devido processo regimental. B) A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade sindical independe da autorização específica dos sindicalizados. C) cabível a impetração de mandado de segurança contra atos regulamentares, ainda que gerais e abstratos. D) Caberá recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça contra a decisão final proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado que conceder mandado de segurança. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 106 191 Gabarito: A) Errado. O STF admite a legitimidade do parlamentar - e somente do parlamentar - para impetrar MS com a finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou emenda constitucional incompatíveis com disposições constitucionais que disciplinam o processo legislativo. (MS 24.667 DF). B) Certo. A impetração de MS coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes (Súmula n° 629, STF). C) Errado. Não é cabível MS contra lei em tese (Súmula n° 266, STF). D) Errado. Compete ao STJ julgar, em recurso ordinário, os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão (art. 105, II, “b”, CF) 54. (2019/FADESP/Prefeitura de Marabá – PA/Procurador Municipal) Ronaldo Santos ingressou no doutorado do Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPA. Três anos depois, conseguiu finalizar a sua tese com aproximadamente 400 laudas. Assim, decidiu depositar sua tese na secretaria e, em conjunto com sua orientadora, indicou que fariam parte da banca de avaliação da tese, além da orientadora, mais quatro professores com doutorado em direitos humanos, tema central de sua pesquisa, totalizando cinco membros, conforme determina o Regimento Interno: Art. 55 A tese será julgada por banca examinadora de cinco (5) membros. § 1º Os membros da banca examinadora deverão possuir o grau de Doutor. § 2º Sempre que possível, dois (2) membros titulares da banca examinadora deverão não pertencer ao corpo docente do Programa. Considerando que todos os membros pertenceriam à própria instituição (UFPA), o Diretor do Instituto de Ciências Jurídicas decidiu negar o pedido de realização da banca de defesa de doutorado, afirmando que deveria haver ao menos dois professores externos, de modo a garantir a imparcialidade no julgamento da tese. Após recurso administrativo, o Colegiado da Instituição manteve a decisão, ignorando que no Estado do Pará os únicos professores com doutorado em Direitos Humanos pertencem ao quadro docente da UFPA e que Ronaldo Santos e a UFPA não têm recursos para pagar passagem para professores virem de fora, conforme provas anexadas de pedidos negados de outros doutorandos. Considerando que todos os recursos administrativos foram interpostos e a decisão de indeferimento foi mantida, a ação judicial mais adequada para a defesa dos interesses de Ronaldo Santos é o/a A) habeas data. B) mandado de injunção. C) ação popular. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 107 191 D) mandado de segurança. Gabarito: A) Errado. O HD objetiva garantir ao impetrante o conhecimento e/ou retificação de informações pessoais que estejam em registros ou dados de entes do Governo ou que tenham caráter público. (art. 5º, LXXII, CF). B) Errado. O MI é o remédio constitucional destinado à defesa de direitos, liberdades constitucionais, prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania quando não houver norma que os torne viáveis (art. 5º, LXXI, CF). C) Errado. A AP tem por finalidade a defesa de direitos difusos, como o patrimônio público histórico e cultural, o meio ambiente e a moralidade administrativa (art. 5º, LXXIII, CF). D) Certo. O MS é ação judicial mais adequada para a defesa dos interesses de Ronaldo Santos, uma vez que é o remédio constitucional usado para defender o direito líquido e certo de pessoas físicas ou jurídicas quando há ilegalidade ou abuso de poder por uma autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público, nos casos em que não caiba HC ou HD (art. 5º, LXIX, CF). 55. (2019/UNESPAR/FOZTRANS/Advogado) De acordo com a jurisprudência do STF sobre os remédios constitucionais, analise as proposições a seguir: I. O habeas data não serve para a obtenção de vista de processo administrativo. II. Uma vez impetrado o mandado de segurança, é vedada a desistência do impetrante sem a anuência da parte contrária. III. É inviável o uso de habeas corpus para pleitear o trancamento de processo de impeachment. Após a análise das proposições acima, assinale a alternativa CORRETA: A) Todas as proposições estão corretas. B) Somente a III está correta. C) Somente I e III estão corretas. D) Somente I e II estão corretas. E) Nenhuma proposição está correta. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 108 191 Gabarito: C I – Certo. O plenário do STF ratificou o entendimento da Corte no sentido de que o HD não é o instrumento jurídico adequado para que se tenha acesso a autos de processos administrativos. A decisão foi tomada por unanimidade no julgamento do agravo regimental em HD nº 90. II – Errado. A decisão do STF no RE 669367 aduz que: “É lícito ao impetrante desistir da ação de mandado de segurança, independentemente de aquiescência da autoridade apontada como coatora ou da entidade estatal interessada ou, ainda, quando for o caso, dos litisconsortes passivos necessários, a qualquer momento antes do término do julgamento, mesmo após eventual sentença concessiva do 'writ' constitucional, não se aplicando, em tal hipótese, a norma inscrita no art. 267, § 4º, do CPC/1973”. III - Certo. É o que ficou decidido no julgamento do HC 136.067: “Inadequação, ademais, do “habeas corpus” para obter-se a extinção do processo de “impeachment” em razão da inexistência, em tal procedimento, de qualquer dano, atual ou potencial, à liberdade de locomoção física da paciente”. 56. (2019/IBFC/FSA-SP/Advogado I) No que se refere aos chamados remédios constitucionais ou ações constitucionais, assinale a alternativa correta. A) O habeas corpus suspensivo (ou repressivo) tem por finalidade impedir a perpetração da violência ou coação ilegal, hipótese na qual é concedido o "salvo-conduto". B) Constatada a inexatidão de qualquer dado a seu respeito, o interessado, em petição acompanhada de documentos comprobatórios, poderá requerer atravésdo habeas data a sua retificação. C) Quando o direito líquido e certo for amparado por habeas corpus, é possível impetrar mandado de segurança. D) O prazo decadencial para impetração do mandado de segurança é de 60 dias contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Gabarito: A) Errado. O HC suspensivo (repressivo) é impetrado quando o indivíduo já está com a sua liberdade e locomoção comprometida; já o HC trazido pela questão trata-se do salvo- conduto, que só existe no HC preventivo, uma vez que há um risco eminente de coação da liberdade. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 109 191 B) Certo. Conceder-se-á HD: b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo (art. 5º, LXXII, CF). C) Errado. Conceder-se-á MS para proteger direito líquido e certo, não amparado por HC ou HD, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (art. 5º, LXIX, CF). D) Errado. O prazo decadencial do MS é de 120 dias, conforme art. 23 da Lei n º 12.016/09. 57. (2019/VUNESP/DAEM/Procurador Jurídico) Conforme o texto constitucional, sobre Habeas corpus, Habeas data, Mandado de injunção e Mandado de segurança, é correto afirmar: A) são passíveis de custas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. B) conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. C) o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político sem representação no Congresso Nacional. D) conceder-se-á mandado de segurança para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. E) conceder-se-á mandado de segurança para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. Gabarito: A) Errado. São gratuitas as ações de HC e HD, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania (art. 5º, LXXVII, CF). B) Certo. É o teor do art. 5º, inciso LXXI. C) Errado. O MS coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional (art. 5º, LXX, “a”, CF). D) Errado. O item traz a exata definição não do MS, mas sim do HD (art. 5º, LXXII, “a”, CF). E) Errado. O item traz a exata definição não do MS, mas sim do HD (art. 5º, LXXII, “b”, CF). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 110 191 58. (2019/CESPE/CEBRASPE/Prefeitura de Campo Grande – MS/Procurador Municipal) Entidade sindical constituída há menos de um ano e sediada em município da Federação tem legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo a fim de garantir direito líquido e certo de seus filiados que tenha sido lesado por ato de autoridade da administração fazendária federal. Gabarito: Certo Há que se ficar atendo para não cair no peguinha da questão. O MS coletivo pode ser impetrado por: b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados (art. 5º, LXX, CF). Portanto, nota-se que o requisito de 1 ano de constituição e funcionamento apenas é exigido para as associações. 59. (2019/VUNESP/UNIFAI/Procurador Jurídico) As ações constitucionais, também conhecidas por construção doutrinária como remédios constitucionais, fazem parte do grupo das garantias constitucionais e são: A) o mandado de segurança, o mandado de injunção, o habeas data, o habeas corpus, a ação civil pública e a ação declaratória de inconstitucionalidade por omissão. B) o mandado de segurança, o habeas data, a ação popular, o habeas corpus, a ação civil pública e a ação direta de inconstitucionalidade interventiva. C) o mandado de segurança, o mandado de injunção, a ação popular, o habeas corpus, a ação civil pública e a ação direta de inconstitucionalidade interventiva. D) o mandado de segurança, o mandado de injunção, o habeas data, a ação popular, o habeas corpus e a ação civil pública. E) o mandado de segurança, o mandado de injunção, o habeas data, a ação popular, o habeas corpus e a arguição de descumprimento de preceito fundamental. Gabarito: A) Errado. A assertiva erra ao incluir a ação declaratória de inconsticucionalidade por omissão, uma vez que esta é uma ação de controle de constitucionalidade pela via abstrata e não um remédio constitucional. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 111 191 B) Errado. A assertiva erra ao incluir a ação direta de constitucionalidade interventiva, uma vez que esta é uma ação constitucional que objetiva a decretação de uma intervenção federal, nos termos do art. 34 da CF. C) Errado. A assertiva erra ao incluir a ação direta de constitucionalidade interventiva, conforme explicação do item anterior. D) Certo. A assertiva traz de forma completa todos os remédios previstos na CF. E) Errado. A assertiva erra ao incluir a arguição de descumprimento de preceito fundamental, que é uma ação constitucional que visa reparar uma lesão no ordenamento jurídico e não em direitos fundamentais. 60. (2019/FAFIPA/Prefeitura de Foz do Iguaçu – PR/Procurador do Município) Antônio é detentor de cargo público federal e impetrou mandado de segurança para garantir seu direito líquido e certo de perceber gratificação em razão da função que exerce, benefício que foi suprimido em razão de alteração inconstitucional das atribuições do cargo que ocupa. Em análise do caso concreto, o tribunal competente concedeu a segurança no sentido de declarar devida a percepção da gratificação, permanecendo silente, contudo, em relação à percepção dos pagamentos retroativos, anteriores à decisão. Considerando o caso hipotético acima relatado e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal atinente aos remédios constitucionais, assinale a alternativa CORRETA: A) Antônio poderá receber, após a concessão da segurança, todos pagamentos retroativos relativos ao período anterior ao ajuizamento da inicial, sem a necessidade de ajuizamento de qualquer outra demanda. B) O Mandado de Segurança não produz efeitos patrimoniais relacionados a período pretérito, devendo Antônio perceber os valores reconhecidos relativos unicamente ao período posterior à concessão da segurança. C) O Mandado de Segurança não alcança os efeitos patrimoniais da questão debatida, de modo que, concedida a segurança, deverá Antônio ajuizar ação ordinária para recebimento de quaisquer valores reconhecidos. D) O Mandado de Segurança alcançará os efeitos patrimoniais relativos ao período de até 180 (cento e oitenta) dias antes do ajuizamento da inicial, sem a necessidade de que Antônio ajuíze demanda judicial para recebê-los. E) Serão devidos os pagamentos retroativos somente a partir da data de ajuizamento da inicial, já que o Mandado de Segurança não produz efeitos patrimoniais relacionados a período pretérito, podendo Antônio requerer os valores relativos ao período anterior ao ajuizamento da inicial por via judicial própria. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional- Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 112 191 Gabarito: A) Errado. Antônio poderá receber, após a concessão da segurança, todos pagamentos retroativos relativos ao período após o ajuizamento da inicial, conforme a Súmula nº 271, STF. B) Errado. O MS não produz efeitos patrimoniais relacionados a período pretérito, devendo Antônio perceber os valores reconhecidos relativos a partir do momento do ajuizamento da ação inicial. C) Errado. O MS produz efeitos patrimoniais relacionados a período pretérito, desde que a partir do momento do ajuizamento da ação inicial. D) Errado. O MS alcançará os efeitos patrimoniais relativos ao período a partir do ajuizamento da inicial. E) Certo. Concessão de MS não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria (Súmula nº 271, STF). 61. (2019/CESPE/CEBRASPE/DPE-DF/Defensor Público) André e Joana realizaram a pré-matrícula do filho Pedro, de três anos de idade, em creche da secretaria de educação municipal. Após meses de espera, Joana, não tendo recebido resposta a respeito da vaga na creche, procurou auxílio da Defensoria Pública, a qual oficiou a creche, solicitando que a instituição efetuasse a matrícula da criança. Em resposta, o diretor da creche informou não haver vaga disponível; que a pré-matrícula havia sido feita junto à secretaria de educação; que o secretário o havia delegado competente para efetivar as matrículas; e, por fim, que Pedro não poderia ser matriculado — mesmo que houvesse vaga — porquanto deveria ter quatro anos completos até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula para o ingresso na pré- escola, conforme norma do Ministério da Educação. A Defensoria Pública impetrou mandado de segurança contra a autoridade delegante, visando impugnar o ato não concessivo da matrícula de Pedro. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue, tendo em vista o entendimento do STF e considerando que a competência do secretário não é exclusiva. Se, em vez de uma, várias famílias tivessem procurado a Defensoria Pública para se insurgir contra o respectivo ato administrativo, este órgão estaria legitimado para impetrar mandado de segurança coletivo com vistas a promover a tutela judicial de interesses coletivos. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 113 191 Gabarito: Errado A Defensoria Pública não possui legitimidade para impetrar MS Coletivo. O MS coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial (art. 21, Lei n º 12.016/09). 62. (2019/CESPE/CEBRASPE/DPE-DF/Defensor Público) André e Joana realizaram a pré-matrícula do filho Pedro, de três anos de idade, em creche da secretaria de educação municipal. Após meses de espera, Joana, não tendo recebido resposta a respeito da vaga na creche, procurou auxílio da Defensoria Pública, a qual oficiou a creche, solicitando que a instituição efetuasse a matrícula da criança. Em resposta, o diretor da creche informou não haver vaga disponível; que a pré-matrícula havia sido feita junto à secretaria de educação; que o secretário o havia delegado competente para efetivar as matrículas; e, por fim, que Pedro não poderia ser matriculado — mesmo que houvesse vaga — porquanto deveria ter quatro anos completos até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula para o ingresso na pré- escola, conforme norma do Ministério da Educação. A Defensoria Pública impetrou mandado de segurança contra a autoridade delegante, visando impugnar o ato não concessivo da matrícula de Pedro. Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue, tendo em vista o entendimento do STF e considerando que a competência do secretário não é exclusiva. Desde que não tenha havido trânsito em julgado da decisão, a Defensoria Pública poderá desistir da ação mandamental a qualquer tempo, ainda que proferida decisão de mérito a ela favorável, e mesmo sem anuência da parte contrária. Gabarito: Certo Conforme o entendimento do STF, a desistência em MS independe da concordância da autoridade impetrada. “É lícito ao impetrante desistir da ação de mandado de segurança, independentemente de aquiescência da autoridade apontada como coatora ou da entidade estatal interessada ou, ainda, quando for o caso, dos litisconsortes passivos necessários” (RE 669367 / RJ, Pleno, Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 114 191 Rel. para acórdão Min. Rosa Weber, DJ 30/10/2014). 63. (2019/VUNESP/DAEM/Procurador Jurídico) Sobre os efeitos da decisão que concede o mandado de injunção, é correto afirmar: A) a decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes, não podendo ser conferida eficácia erga omnes, sob pena de ofensa ao Princípio da Separação dos Poderes, que impede a atividade legislativa pelo juiz. B) se comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma, poderá a decisão imediatamente estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos reclamados. C) poderá, por decisão discricionária do magistrado, ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes à decisão que terá validade até que o impetrado edite a norma regulamentadora a qual poderá contrariar o teor da decisão judicial. D) transitada em julgado a decisão, os efeitos da decisão estendem-se aos casos análogos, podendo os titulares de direitos apenas se habilitarem no processo de mandado de injunção que primeiramente decidiu a questão. E) reconhecida a mora legislativa, a injunção irá determinar que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora em até 180 dias, sob pena de configuração de crime de responsabilidade das autoridades legislativas omissas. Gabarito: A) Errado. Poderá ser conferida à decisão a eficácia erga omnes (art. 9º, §1º, Lei nº 13.300/2016). B) Certo. Uma vez reconhecido o estado de mora legislativa, será fixado prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora. Entretanto, quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em MI anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma, serão estabelecidas as condições em que se dará o exercício dos direitos (art. 8º, Lei nº 13.300/2016). C) Errado. Os efeitos ultra partes ou erga omnes da decisão poderão ser conferido, quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração, e não por decisão discricionária do magistrado (art. 9º, §1º, Lei nº Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 115 191 13.300/2016). Ademais, a norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável (art. 11, Lei nº 13.300/2016). D) Errado. Quando transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão ser estendidos aos casos análogos por decisãomonocrática do relator. E) Errado. O prazo será razoável e não de até 180 dias, como afirma o item (art. 8º, I, Lei nº 13.300/2016). 64. (2019/VUNESP/Câmara de São Miguel Arcanjo – SP/Procurador Legislativo) A ação popular será proposta contra as pessoas públicas ou privadas, contra as autoridades, funcionários ou administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, ou que, por omissão, tiverem dado oportunidade à lesão, e contra os beneficiários diretos do ato lesivo. Em relação à legitimidade da Ação Popular, assinale a alternativa correta. A) Se houver benefício direto do ato lesivo, ou se for ele indeterminado ou desconhecido, a ação será proposta somente contra as outras pessoas indicadas na Lei n° 4.717/65. B) As pessoas jurídicas de direito público ou de direito privado, cujo ato seja objeto de impugnação, não poderá se abster de contestar o pedido, todavia podem atuar ao lado do autor, desde que isso se afigure útil ao interesse público, a juízo do respectivo representante legal ou dirigente. C) O Ministério Público acompanhará a ação, cabendo-Ihe apressar a produção da prova e promover a responsabilidade, civil ou criminal, dos que nela incidirem, sendo-lhe permitido em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores. D) É facultado a qualquer cidadão se habilitar como litisconsorte ativo, mas nunca como assistente do autor da ação popular. E) Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular. Gabarito: A) Errado. Se não houver benefício direto do ato lesivo, ou se for ele indeterminado ou desconhecido, a ação será proposta somente contra as outras pessoas indicadas neste artigo (art. 6º, §1º, Lei nº 4.717/65). B) Errado. A pessoas jurídica de direito público ou de direito privado, cujo ato seja objeto de impugnação, poderá abster-se de contestar o pedido (art. 6º, §3º, Lei nº 4.717/65). C) Errado. É vedado ao MP assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores (art. 6º, Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 116 191 §4º, Lei nº 4.717/65). D) Errado. É facultado a qualquer cidadão habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da AP (art. 6º, §5º, Lei nº 4.717/65). E) Certo. Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular (Súmula nº 365, STF). 65. (2019/FUNDATEC/Prefeitura de Chuí – RS/Advogado) Nos termos da Constituição Federal, são ações gratuitas: A) Habeas corpus e mandado de segurança. B) Habeas corpus e habeas data. C) Habeas data e mandado de segurança. D) Mandado de segurança e ação civil pública. E) Habeas corpus e ação civil pública. Gabarito: B São gratuitas as ações de HC e HD, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania (art. 5º, LXXVII, CF). 66. (2019/VUNESP/ESEF – SP/Procurador Jurídico) A respeito do Habeas Corpus, é correto afirmar que A) os estrangeiros também gozam de legitimidade para a propositura da ação de habeas corpus na sua língua materna. B) na hipótese de abuso de poder, tanto as autoridades públicas, quanto as particulares podem ser autoridades coatoras, o que não ocorre no caso de ilegalidade. C) não cabe liminar em habeas corpus, seja preventivo ou repressivo, ainda que, no caso concreto, estejam presentes os pressupostos de toda medida dessa natureza. D) os membros do Ministério Público não podem ajuizar a ação em favor de terceiros, perante as instâncias jurisdicionais superiores. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 117 191 E) na condição de particular, poderá um membro do Poder Judiciário interpor a ação, desde que não se refira a uma situação já sujeita à sua apreciação. Gabarito: A) Errado. Estrangeiros gozam de legitimidade para a propositura de HC, mas este deve ser impetrado em língua portuguesa, conforme decisão do STF (HC 72.391 QO, rel. min. Celso de Mello, j. 08/03/1995, Dj de 17/03/1995) B) Errado. A hipótese de ilegalidade alcança tanto autoridades públicas quanto autoridades particulares, ao passo que a hipótese de abuso de poder alcança somente as autoridades públicas. C) Errado. Ainda que não haja previsão em lei, a jurisprudência admite liminar pra HC preventivo ou repressivo, desde que no caso concreto estejam presentes os pressupostos de toda medida dessa natureza, quais sejam o periculum in mora e o fumus boni iuris. D) Errado. Segundo o art. 654 do Código de Processo Penal, o HC poderá ser impetrado por qualquer pessoa em seu favor ou de outrem, assim como pelo Ministério Público. E) Certo. Magistrado, na condição de particular, pode interpor a ação de HC, desde que não se refira a uma situação já sujeita à sua apreciação, caso em que deverá conceder a ordem de ofício, atuando na sua qualidade de juiz (Princípio da Indisponibilidade da Liberdade). 67. (2019/VUNESP/Câmara de Mauá – SP/Procurador Legislativo) Acerca das ações constitucionais, assinale a alternativa correta. A) O mandado de segurança é a ação constitucional que visa atacar ato ilegal praticado por autoridade, admitindo o seu procedimento uma ampla produção probatória. B) Poderá, excepcionalmente, ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes à decisão proferida na ação de mandado de injunção, quando inerente ou indispensável ao exercício do direito. C) A ação de habeas data será cabível unicamente quando houver a demonstração da indevida recusa com relação à retificação de dados relativos ao impetrante. D) Não há a previsão no ordenamento jurídico brasileiro da ação de mandado de injunção coletivo. E) Pode impetrar mandado de segurança coletivo associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa dos interesses dos associados e condicionada à autorização especial destes últimos. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 118 191 Gabarito: A) Errado. No MS não se admite dilação probatória. Conforme o STF, o MS exige a comprovação de plano do quanto alegado, mediante provas pré-constituídas. Não é admitida a dilação probatória incidental nessa via processual (MS 28.785/DF-AgR, Pleno, Ministra Cármen Lúcia, DJe de 6.4.2011). B) Certo. É o que está disposto no §1º do art. 9º da Lei n º 13.300/2016 (Lei do Mandado de Injunção). C) Errado. Há mais hipóteses que admitem impetração de HD. Conceder-se-á HD: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo (art. 5º, LXXII, CF). D) Errado. Há previsão. A Lei n º 13.300/2016 disciplina o processo e o julgamento dos mandados de injunção individual e coletivo e dá outras providências. E) Errado. Consoante o art. 21 da Lei do MS (Lei n º 12.016/09), é dispensada a autorização especial dos membros ou associados para a impetração do MS coletivo pelas associações. 68. (2019/VUNESP/TJ-RO/Juiz de Direito Substituto) Considere que Joseph, estrangeiro residente no Brasil há 4 anos, tenha solicitado formalmente perante a Prefeitura de Rondônia que lhe fosse permitido alterar seus dados pessoais registrados no referido órgão, pois um de seus sobrenomes estaria incorreto. A Prefeitura de Rondônia, no entanto, indeferiu o pedido de Joseph, sob o fundamento de que, por não se tratar de brasileiro, não havia a necessidade de que os seus dados pessoaisestivessem integralmente corretos. Nessa hipótese, caso não concorde com a situação mencionada, e a partir da disciplina constitucional sobre os remédios constitucionais, Joseph A) poderá ajuizar ação popular, mecanismo constitucional assegurado a qualquer pessoa quando constado abuso do poder do Estado. B) poderá impetrar mandado de injunção, mas apenas poderá fazê-lo após interpor recurso administrativo em face da decisão que indeferiu o seu pedido de retificação de dados. C) poderá impetrar mandado de segurança, uma vez que teve violado direito líquido e certo amparado pela Constituição brasileira, ainda que na condição de estrangeiro. D) poderá impetrar habeas data, remédio constitucional destinado a qualquer pessoa – física ou jurídica – nacional ou estrangeira, para assegurar a retificação de seus dados pessoais, vez que se encontram em banco de dados públicos. E) não poderá se valer de nenhum dos remédios constitucionais previstos pela Constituição, pois esses são reservados apenas aos brasileiros, natos ou naturalizados. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 119 191 Gabarito: A) Errado. Apenas o cidadão pode ajuizar AP (art. 5º, LXXIII, CF). B) Errado. O remédio não seria MI e sim HD, além disso, interposição de recurso administrativo não configura requisito prévio à impetração do HD (art. 5º, LXXII, CF). C) Errado. O MS é remédio constitucional residual, ou seja, só se aplica quando não for cabível outro remédio (art. 5º, LXIX, CF). D) Certo. A doutrina e a jurisprudência entendem que a legitimidade para propositura do HD é ampla. Conceder-se-á HD: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo (art. 5º, LXXII, CF). E) Errado. A assertiva vai de encontro ao caput do art. 5º da CF. Além disso, o STF já firmou o entendimento de que a legitimidade para a propositura dos remédios constitucionais estende-se aos estrangeiros em trânsito (Informativo 554). 69. (2019/IBFC/Emdec/Advogado Jr) As ações constitucionais ou remédios constitucionais são abordados pela Constituição Federal e são instrumentos essenciais para o pleno exercício dos direitos fundamentais. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta. A) Caso haja prejuízo a um direito líquido e certo amparado pelo “habeas corpus”, caberá mandado de segurança. B) O mandado de segurança coletivo poderá ser impetrado por qualquer pessoa integrante de uma fundação na defesa dos interesses pessoais. C) Não é possível impetrar “habeas data” para a retificação de dados pessoais. D) Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Gabarito: A) Errado. O MS é remédio constitucional residual, ou seja, só se aplica quando não for cabível outro remédio (art. 5º, LXIX, CF). B) Errado. O MS coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 120 191 Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados (art. 5º, LXX, CF). C) Errado. Conceder-se-á HD: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo (art. 5º, LXXII, CF). D) Certo. É o que dispõe o inciso LXVIII do art. 5º da CF. 70. (2019/CESPE/CEBRASPE/TCE-RO/Procurador do Ministério Público de Contas) Determinado cidadão solicitou acesso a documentos presentes em processo administrativo de prestação de contas de convênio celebrado entre a União e o município onde ele residia. A autoridade competente para analisar o pedido decidiu-se pelo seu indeferimento, com base no fato de que os documentos solicitados não eram relacionados a dados pessoais do solicitante. Irresignado, o cidadão ajuizou uma ação judicial. Nessa situação hipotética, a ação adequada ao caso é o A) habeas corpus. B) mandado de injunção. C) direito de petição. D) mandado de segurança. E) habeas data. Gabarito: A) Errado. Não foi caso de coação na liberdade de locomoção. Conceder-se-á HC sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder (art. 5º, LXVIII, CF). B) Errado. Não se trata de ausência de norma regulamentadora. Conceder-se-á MI sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 5º, LXXI, CF). C) Errado. Não se trata de ilegalidade ou abuso de poder. São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 121 191 em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder (art. 5º, LXXIV, CF). D) Certo. O cidadão já teve o seu direito de petição (acesso aos autos) negado. Assim, como o acesso a informação, de interesse público, é direito constitucional, líquido e certo, não cabendo HC e HD, é cabível MS (art. 5º, LXIX, CF). E) Errado. As informações constam de processo administrativo e não se relacionam ao impetrante. Conceder-se-á HD: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público (art. 5º, LXXII, CF). 71. (2019/FCC/TJ-AL/Juiz Substituto) Quanto ao remédio constitucional mandado de segurança, A) permite-se a fungibilidade com a ação civil pública ou como sucedâneo da ação popular, na proteção de direitos coletivos. B) não admite o litisconsórcio ativo, sendo o litisconsórcio passivo causa de extinção da ação mandamental. C) o pedido de reconsideração na esfera administrativa interrompe o prazo decadencial para sua impetração. D) os representantes ou órgãos de partidos políticos e os dirigentes de estabelecimento de ensino superior são considerados autoridade coatora para o fim de legitimidade passiva do mandado de segurança. E) denegada a segurança, é descabido o uso de ação própria pelo requerente. Gabarito: A) Errado. O MS não substitui a AP (Súmula n° 101, STF). B) Errado. É possível o litisconsórcio ativo, desde que ingresso ocorra antes do despacho da petição inicial (art. 10, §2º, Lei n° 12.016/09). C) Errado. Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o MS (Súmula n° 430, STF). D) Certo. Equiparam-se às autoridades, para os efeitos desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições (art. 1º, §1º, Lei n° 12.016/09). E) Errado. Permite-se o uso de ação própria. A sentença ou o acórdão que denegar mandado de segurança, sem decidir o mérito, não impediráque o requerente, por ação Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 122 191 própria, pleiteie os seus direitos e os respectivos efeitos patrimoniais (art. 19, Lei n° 12.016/09). 72. (2019/CESPE/CEBRASPE/MPC-PA/Procurador de Contas) A respeito de mandado de injunção, assinale a opção correta. A) É cabível mandado de injunção para exigir do Poder Legislativo a edição de regulamentação dos direitos do nascituro. B) Mandado de injunção é instrumento do sistema de controle concreto e difuso da omissão inconstitucional. C) É cabível mandado de injunção para questionar a efetividade de lei que regulamente disposição constitucional. D) Mandado de injunção não é o meio próprio para requerer a concessão de aposentadoria especial em função do exercício de atividade insalubre. E) Sentença de mandado de injunção não tem o efeito de estabelecer as condições em que se dará o exercício do direito pleiteado. Gabarito: A) Errado. Neste caso, o MI é incabível. “Embora a Constituição Federal confira à família especial proteção do Estado, mediante assistência a cada um de seus membros, e imponha ao Estado, à família e à sociedade o dever de assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem todos os direitos elencados no art. 227, não é possível extrair, dos dispositivos do texto constitucional anteriormente transcritos, especial proteção aos direitos do nascituro, tampouco a imposição, ao legislador, do dever de regulamentar esses direitos, como quer o impetrante, o que torna incabível o writ” (STF - MI 6591 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 16/06/2016). B) Errado. A assertiva generalizou o cabimento do MI, que possui finalidade mais específica, não sendo pertinente em qualquer tipo de omissão inconstitucional (diferente do que ocorre com a ADI por omissão), mas tão somente para os casos que se enquadrem nas hipóteses do 5º, LXXI, CF. C) Errado. O MI não é o meio processual adequado para questionar a efetividade da lei regulamentadora, segundo o STF (MI nº 2.182/DF-AgR, Plenário, Relator o Ministro Teori Zavascki, DJe de 9/5/13). D) Certo. Está conforme o entendimento do STF. “A concessão do mandado de injunção não gera o direito da parte impetrante à aposentadoria especial. Remanesce o dever da Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 123 191 autoridade competente para a concessão da aposentadoria especial de, no caso concreto, verificar o efetivo preenchimento dos requisitos legais para a percepção do benefício” (MI 4.579 AgR, rel. min. Ricardo Lewandowski, P, j. 1º-8-2014, DJE 213 de 30-10-2014.) E) Errado. Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para: I – determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora; II – estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado (art. 8º da Lei n º 13.300/2016). 73. (2019/VUNESP/Prefeitura de Ribeirão Preto – SP/Procurador do Município) A respeito do Habeas Data, assinale a alternativa correta. A) Não se admite a impetração de habeas data por estrangeiros, eis que, embora titulares de restritos direitos fundamentais no Brasil, não fazem jus ao uso das garantias constitucionais. B) Para a impetração de habeas data, exige-se a comprovação de que houve negativa, pela via administrativa, do acesso aos dados pessoais ou retificação de dados pretendida pelo impetrante, sob pena de extinção da ação por falta de interesse processual. C) Via de regra, também é admitida a impetração de habeas data em favor de terceiros, considerando a importância da tutela do direito de informação prevista na Constituição. D) O habeas data é instrumento constitucional cabível para assegurar a efetivação de direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou mandado de segurança, e deve ser impetrado no prazo máximo de 120 dias. E) No caso de prolação de sentença concedendo habeas data, será cabível recurso de apelação dotado de efeitos suspensivo e devolutivo. Gabarito: A) Errado. Não há vedação quanto à impetração de HD por estrangeiro, já que também é sujeito de direitos, conforme art. 5º, Caput, CF. B) Certo. Está conforme o parágrafo único do art. 8º da Lei nº 9.507/97: “A petição inicial deverá ser instruída com prova: I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão; II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, sem decisão; ou III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão”. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 124 191 C) Errado. Via de regra, o HD tutela direito personalíssimo do titular dos dados, excepcionando-se o caso de falecimento do titular dos dados, hipótese em que o manejo de tal remédio ficará com o cônjuge sobrevivente ou com herdeiros. D) Errado. O conceito trazido pela assertiva refere-se ao MS, e não ao HD. E) Errado. Caso a sentença conceda o Habeas Data, o recurso terá apenas efeito devolutivo (art. 15, parágrafo único, Lei nº 9.507/97). 74. (2019/VUNESP/Prefeitura de Cerquilho – SP/Procurador Jurídico) Com relação aos Writs constitucionais, é correto afirmar: A) considerando ser o habeas corpus meio idôneo para garantir todos os direitos do acusado e do sentenciado, pode ser utilizado para questionamento de pena pecuniária decorrente de sentença criminal. B) a ação popular pode ser impetrada por qualquer do povo ou pessoa jurídica, para obter a invalidação de atos ou contratos administrativos ilegais e lesivos do patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. C) o habeas data é meio adequado para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público e/ou para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. D) são legitimados ativos para impetrar o mandado de segurança coletivo os partidos políticos que tenham o registro deferido no Tribunal Superior Eleitoral, organização sindical, entidade de classe ou associação, desde que estejam legalmente constituídos e pleiteiem a defesa de seus membros ou associados. E) o mandado de injunção é ação constitucional sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício das prerrogativas inerentes à nacionalidade e à soberania e não admite interpretação extensiva para efeito do exercício de outros direitos constitucionais. Gabarito: A) Errado. HC é utilizado em caso de violência, ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção, que não é afetada pela pena pecuniária (art. 5º, LXVIII, CF). Além disso, não HC contra decisão condenatória a pena de multa, ou em processo que apura infração penal que só pode resultar em pena pecuniária (Súmula nº 693, STF). B) Errado. Somente o cidadão é parte legítima para propor AP (art. 5º, LXXIII, CF). C) Certo. É o exato teor do inciso LXXII do art. 5º da CF. D) Errado. O MS coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª NelmaFontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 125 191 Congresso Nacional, e não com registro deferido no TSE, como afirma a assertiva (art. 5º, LXX, “a”, CF). E) Errado. Conceder-se-á MI sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 5º, LXXI, CF). 75. (2018/GUALIMP/Câmara de Nova Venécia – ES/Procurador Jurídico) Assinale a alternativa INCORRETA, de acordo com o Artigo 5º da Constituição Federal: A) Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. B) Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. C) Conceder-se-á habeas data para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades de caráter público e privado. D) Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Gabarito: A) Certo. É o exato teor do art. 5º, inciso LXIX, da CF. B) Certo. É o exato teor do art. 5º, inciso LXXI, da CF. C) Errado. HD não pode ser concedido para acesso a banco de dados de caráter privado (art. 5º, LXXII, CF). D) Certo. É o exato teor do art. 5º, inciso LXVIII, da CF. 76. (2018/INDEPAC/Câmara de Guarujá – SP) Nos termos da Constituição Federal a respeito da ação popular, é INCORRETO afirmar que poderá ser proposto A) anular ato lesivo ao patrimônio Público ou entidade de que o Estado participe. B) anular ato lesivo à moralidade administrativa. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 126 191 C) anular ato lesivo ao meio ambiente. D) anular ato lesivo ao patrimônio histórico e cultural. E) anular ato lesivo às relações de consumo. Gabarito: Conforme o inciso LXXIII do art. 5º da CF: “qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”. A) Certo. É a literalidade do artigo já mencionado. B) Certo. É a literalidade do artigo já mencionado. C) Certo. É a literalidade do artigo já mencionado. D) Certo. É a literalidade do artigo já mencionado. E) Errado. Não há essa previsão na CF. 77. (2018/OBJETIVA/Câmara de Balsa Nova – PR) Segundo a Constituição Federal, sobre a ação popular, pode-se afirmar que: A) Qualquer cidadão poderá propor ação popular que vise anular ato lesivo ao meio ambiente e terá isenção quanto à custa judicial e os ônus sucumbenciais se agir de boa-fé. B) Somente poderá propor ação popular que vise anular ato lesivo ao meio ambiente o cidadão que tiver vínculo com partido político, e as custas judiciais e o ônus sucumbencial serão por conta do partido. C) Mesmo o cidadão de boa-fé que propuser ação popular com a finalidade de anular ato lesivo ao meio ambiente será submetido às custas judiciais e aos ônus sucumbenciais. D) Os partidos políticos com representação no Congresso Nacional e os sindicatos são as únicas partes legítimas para propor ação popular que visem anular ato lesivo ao meio ambiente, pois eles representam o povo e somente serão isentos das custas judiciais e dos ônus sucumbenciais se comprovarem a boa-fé. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 127 191 Gabarito: A) Certo. É o que dispõe inciso LXXIII do art. 5º da CF. B) Errado. Não há exigência de vínculo com partido político para propositura de AP e, tampouco, há a previsão de as custas judiciais e ônus sucumbenciais ficarem a cargo do partido (art. 5º, LXXIII, CF e art. 1º, §3º, da Lei 4.717/65). C) Errado. Cidadão de boa fé que propuser a AP não será submetido às custas judiciais e ônus sucumbenciais (art. 5º, LXXIII, CF). D) Errado. O titular da AP é somente o cidadão (art. 5º, LXXIII, CF). 78. (2018/CESPE/CEBRASPE/PGE-AM /Procurador do Município) A concessão do mandado de injunção está condicionada à ausência de norma regulamentadora para o exercício de um direito, ainda que esta omissão seja parcial. Gabarito: Certo A questão traz o previsto no art. 2º da Lei nº 13.300/2016: "Conceder- se-á mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania." 79. (2017/FAU/Câmara de Mato Rico - PR /Advogado) Habeas Corpus, Habeas Data, Mandado de Segurança, Mandado de Injunção e Ação Popular são considerados: A) Remédios Constitucionais. B) Poderes da União. C) Princípios Fundamentais. D) Princípios Administrativos. E) Controle de Exceção. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 128 191 Gabarito: A Habeas Corpus, Habeas Data, Mandado de Segurança, Mandado de Injunção e Ação Popular são considerados remédios constitucionais e estão previstos respectivamente no art. 5º, incisos LXVIII, LXXII, LXVIII, LXXI e LXXIII da CF. 80. (2017/CPCON/Câmara de Ouro Branco – RN/Advogado) A noção de Estado constitucional democrático está indissociavelmente ligada à realização efetiva dos direitos fundamentais, com vistas à implementação de níveis reais de igualdade e liberdade. Nesse sentido, a CF/88 foi generosa na consagração de instrumentos para a efetiva proteção dos direitos fundamentais. Sobre as ações constitucionais, analise as afirmativas a seguir: I- Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. II- O habeas data será concedido sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. III- O mandado de injunção tem como objetivo a defesa de interesses difusos, pertencentes à sociedade, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. IV- O mandado de segurança serve para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. V- Não é cabível habeas corpus sempre que for possível ao interessado utilizar a revisão criminal. Está CORRETO apenas o contido em A) III e IV. B) II. C) II e IV. D) II e V. E) I e IV. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 129 191 Gabarito: E I – Certo. É o que dispõe inciso LXXIII do art. 5º da CF. II – Errado. Conceder-se-áMI sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 5º, LXXI, CF). III – Errado. A AP visa a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural (art. 5º, LXXIII, CF). IV – Certo. É o que dispõe inciso LXIX do art. 5º da CF. V – Errado. HC não se confunde com revisão criminal, mas, em situações excepcionais a doutrina admite o uso de HC como sucedâneo da revisão criminal. 81. (2017/CESPE/CEBRASPE/DPE-AL/Defensor Público) Com o intuito de exercer o controle popular das contas públicas, determinado cidadão solicitou, com base no seu direito constitucional à informação, cópias de documentos relacionados à execução de convênio celebrado entre determinado estado e uma associação, referente à capacitação dos professores da rede estadual de ensino. Ao analisar o requerimento, o secretário de Educação indeferiu o pedido, alegando que as informações requeridas eram sigilosas. Com base nessa situação hipotética e nas normas constitucionais, o indeferimento do pedido A) poderá ser questionado por meio da ação constitucional de habeas data. B) foi correto, pois o direito à petição aos poderes públicos não abrange a defesa de informações de interesse público. C) poderá ser questionado por meio de mandado de segurança, pois configura ato estatal ilegal violador de direito líquido e certo. D) baseou-se em motivo impertinente, uma vez que a Constituição não admite a atribuição de sigilo a documentos públicos. E) não violou o princípio da publicidade, pois as informações requeridas só poderiam ser divulgadas após a aprovação das contas do convênio. Gabarito: A) Errado. O HD deve ser impetrado apenas para assegurar informações ou retificar dados Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 130 191 do próprio impetrante. Para buscar informações públicas, deve-se exercer o direito à petição, que não se confunde com HD (Art. 5°, LXXII, CF). B) Errado. A CF assegura o direito de receber dos órgãos públicos informações pessoais e também de interesse público, resguardado o sigilo imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (art. 5º, XXXIII, CF). C) Certo. O MS deve ser impetrado quando não há dilação probatória na ação, ou seja, quando o direito é líquido e certo, havendo provas pré-constituídas. Também só pode ser impetrado se o direito requerido não for amparado por HD ou por HC (Art. 5°, LXIX, CF). D) Errado. O sigilo a documentos públicos é, sim, possível, desde que seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (art. 5º, XXXIII, CF). E) Errado. Não há previsão desta condição na CF. 82. (2017/IMA/Prefeitura de Penalva – MA/Procurador Municipal) Nos termos da Constituição Federal de 1988, acerca dos direitos e garantias individuais e coletivos, é CORRETO afirmar que: A) Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à igualdade, à soberania e à cidadania. B) São gratuitas as ações de habeas corpus e mandado de segurança, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. C) As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação mediata. D) A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem. Gabarito: A) Errado. Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (Art. 5°, LXXI, CF). B) Errado. São gratuitas as ações de HC e HD, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania (art. 5º, LXXVII, CF). C) Errado. As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 131 191 imediata (art. 5º, § 1º, CF). D) Certo. É o que dispõe inciso XLIII do art. 5º da CF. 83. (2016/VUNESP/Prefeitura de Presidente Prudente – SP/Procurador Municipal) No que se refere aos remédios constitucionais, é correto afirmar que A) a ação popular pode ser interposta por qualquer pessoa física ou jurídica. B) conceder-se-á mandado de segurança quando se tratar de ato judicial ou administrativo, ainda que caiba recurso com efeito suspensivo, independentemente de sanção. C) o pedido de mandado de segurança poderá ser renovado dentro do prazo decadencial, se a decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito. D) a ação popular somente pode ser ajuizada pelo Ministério Público, segundo determina o art. 5° da Constituição Federal. E) quando a sentença conceder o habeas data, o recurso terá efeito devolutivo e suspensivo. Gabarito: A) Errado. Somente cidadão pode propor AP (art. 5º, LXXIII, CF). B) Errado. O MS não será concedido quando se tratar de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo (art. 5º, II, Lei nº 12.016/09). C) Certo. É o disposto no art. 6º, § 6º da Lei nº 12.016/09. D) Errado. Vide assertiva A. E) Errado. Quando a sentença conceder o HD, o recurso terá efeito meramente devolutivo (art. 15, parágrafo único, Lei nº 9.507/97). 84. (2016/VUNESP/Câmara Municipal de Poá – SP/Procurador Jurídico) A empresa X é autuada por suposta infração administrativa. Ao consultar os autos do processo administrativo para elaboração de seu recurso, constata a existência de outro processo relacionado ao seu ao qual lhe é negado acesso, sob o fundamento de que está sob sigilo. Porém, toda a base fática que deu causa à autuação administrativa da empresa X consta desse processo “sigiloso”. Visando ter acesso a esse processo administrativo anterior, o remédio constitucional adequado a ser utilizado pela empresa X é Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 132 191 A) o habeas data. B) o habeas corpus. C) o mandado de segurança. D) o mandado de injunção. E) a ação popular. Gabarito: A) Errado. O HD não se revela meio idôneo para se obter vista de processo administrativo, conforme o STF (HD 90 AgR, rel. min. Ellen Gracie.). B) Errado. O HC é o remédio que protege a liberdade de locomoção do indivíduo, por ilegalidade ou abuso de poder (art. 5º, LXVIII, CF). C) Certo. O MS protege direito líquido e certo, isto é, sem dilação probatória, não amparado por HC ou HD (art. 5º, LXIX, CF). Dessa forma, ele é o remédio adequado para ser utilizado pela empresa X. D) Errado. O MI é aplicado quando a falta de norma regulamentadora tornar inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 5º, LXXI, CF). E) Errado. A AP serve para anular ato lesivo ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural (art. 5º, LXXIII, CF). 85. (2015/CONSULPAM/Prefeitura de Nova Olinda – CE/Procurador) É o instrumento processual adequado conferido ao Ministério Público para o exercício do controle popular sobre os atos dos poderes públicos,exigindo tanto a reparação do dano causado ao patrimônio público por ato de improbidade, quanto a aplicação das sanções do artigo 37, § 4°, da Constituição Federal, previstas ao agente público, em decorrência de sua conduta irregular. Trata-se do conceito de: A) Mandado de Segurança. B) Ação popular. C) Ação civil pública. D) Mandado de injunção. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 133 191 Gabarito: C A questão descreve o conceito de Ação Civil Pública. Há que se ter cuidao para não confundir AP com ACP. Apenas o cidadão com pleno gozo dos seus direitos políticos (e não o MP) pode ingressar com a AP; já a ACP é inerente ao Ministério Público. Dispositivos Constitucionais: Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; [...] Art. 5º: LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. 86. (2015/FAUEL/Câmara de Jaguapitã – PR/Advogado) A ação popular e a ação civil pública são duas espécies de Ações Constitucionais importantes para a defesa dos direitos coletivos, respectivamente disciplinadas pelas Leis 4.717/65 e 7.347/85. A respeito do tema, assinale a alternativa correta: A) Qualquer cidadão é legitimado para propor a ação civil pública contra ato lesivo ao patrimônio público, tais como os atos que gerem a degradação do meio ambiente, devendo o proponente, no momento da propositura, apresentar o título de eleitor e comprovante de cumprimento das obrigações eleitorais. B) Cabe a declaração de nulidade, via ação popular, do ato lesivo ao patrimônio público consistente na aquisição, pela administração pública direta, de bens móveis ou imóveis em valor superior ao corrente no mercado, apurado conforme a época da operação, nos casos em que não cabível concorrência pública ou administrativa. C) Nas ações civis públicas cuja lide decorra de discriminação ética, havendo condenação em dinheiro, o valor será rateado proporcionalmente para cada uma das pessoas físicas que sofreram diretamente o dano moral. D) Não poderá ser intentada nova ação, com o mesmo fundamento, quando a ação civil pública for julgada improcedente, ainda que por insuficiência de provas, em razão da eficácia erga omnes da sentença. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 134 191 Gabarito: A) Errado. Qualquer cidadão é parte legítima para propor AP que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência (art. 5º, LXXIII, CF). De outro modo, a ACP só pode ser proposta pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela União, os estados, municípios, autarquias, empresas públicas, fundações, sociedades de economia mista e associações interessadas, desde que constituídas há pelo menos um ano (art. 5º, Lei nº 7.347/85). B) Certo. Nos termos do art. 4º da Lei nº 4.717/65: “São também nulos os seguintes atos ou contratos, praticados ou celebrados por quaisquer das pessoas ou entidades referidas no art. 1º. V - A compra e venda de bens móveis ou imóveis, nos casos em que não cabível concorrência pública ou administrativa, quando: a) for realizada com desobediência a normas legais, regulamentares, ou constantes de instruções gerais; b) o preço de compra dos bens for superior ao corrente no mercado, na época da operação; c) o preço de venda dos bens for inferior ao corrente no mercado, na época da operação”. C) Errado. Nos termos do art. 13 da Lei nº 7.347/85: “Havendo condenação em dinheiro, a indenização pelo dano causado reverterá a um fundo gerido por um Conselho Federal ou por Conselhos Estaduais de que participarão necessariamente o Ministério Público e representantes da comunidade, sendo seus recursos destinados à reconstituição dos bens lesados. (...) §2º Havendo acordo ou condenação com fundamento em dano causado por ato de discriminação étnica nos termos do disposto no art. 1º desta Lei, a prestação em dinheiro reverterá diretamente ao fundo de que trata o caput e será utilizada para ações de promoção da igualdade étnica, conforme definição do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, na hipótese de extensão nacional, ou dos Conselhos de Promoção de Igualdade Racial estaduais ou locais, nas hipóteses de danos com extensão regional ou local, respectivamente”. D) Errado. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova (art. 16, Lei nº 7.347/85). 87. (2015/FMP Concursos/MPE-AM /Promotor de Justiça Substituto) Tendo em consideração o sistema de direitos e garantias jusfundamentais estabelecido na Constituição Federal atualmente em vigência, Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 135 191 I – não se exige capacidade postulatória para o ajuizamento da Ação Popular. II – uma vez eleitoralmente alistados e no pleno gozo dos direitos políticos, os menores de 18 anos de idade podem validamente propor Ação Popular. III – o Habeas Corpus dispensa a capacidade postulatória, podendo ser impetrado sem a necessidade de advogado devidamente habilitado ao exercício da profissão que subscreva a petição inicial. IV – as ações constitucionais contempladas no art. 5º da CF podem, em algumas circunstâncias, caracterizar hipóteses de controle difuso de constitucionalidade. Quais das assertivas acima estão corretas? A) Apenas a I e IV. B) Apenas a IV. C) Apenas a II e III. D) Apenas a II, III e IV. E) I, II, III e IV. Gabarito: D I – Errado. Segundo o art. 7° da lei n° 4.717/65, a AP obedecerá o procedimento ordinário do CPC, de forma que a ação só poderá ser proposta por advogado, o que foi confirmado pelo STF (AO 1.531-AgR, voto da Min. Cármen Lúcia, j. 03.06.2009, Plenário, DJE de 1.º.07.2009). II – Certo. Qualquer cidadão poderá propor a AP, sendo considerado como cidadão a pessoa em pleno gozo dos seus direitos políticos (art. 5º, LXXIII, CF). Portanto, conforme previsto no art. 14, parágrafo 1°, II, "c" da CF, os maiores de 16 anos e menores de 18 podem propor AP. III – Certo. O impetrante não precisará possuir capacidade postulatória, tampouco deverá obedecer qualquer formalidade processual (art. 5º, LXVII, CF). IV – Certo. As ações constitucionais podem ser utilizadas para o controle difuso de constitucionalidade, desde que a tese constitua a causa de pedir e não o pedido principal. Foi o que o STJ entendeu no julgamento do REsp 1487032/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/03/2015, DJe 09/03/2015. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 136 191 88. (2015/VUNESP/SAEG/Advogado)Em relação aos remédios constitucionais previstos na Constituição Federal, é correto afirmar que A) cabe mandado de injunção tanto nas relações de natureza pública como nas relações privadas, como por exemplo, nas relações de emprego privado. B) o habeas corpus é circunscrito aos casos de constrangimento corporal. C) o direito de petição cabe a qualquer pessoa física, desde que tenha nacionalidade brasileira. D) o direito de petição pode ser formulado pelas forças militares, enquanto grupo. E) o mandado de segurança é cabível contra lei em tese, mas não tem cabimento quando se tratar de lei de efeito concreto. Gabarito: A) Certo. Conforme José Afonso da Silva (2008, p. 450): "Vale dizer, cabe mandado de injunção tanto nas relações de natureza pública como nas relações privadas, como, por exemplo, nas relações de emprego privado, hipótese que envolve os direitos previstos no art. 7º do texto constitucional". B) Errado. O HC serve não só para constrangimento corporal, como também para constrangimento na locomoção. Conceder-se-á HC sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder (art. 5º, LXVIII, CF). C) Errado. O direito de petição cabe a qualquer pessoa física, seja nacional ou estrangeiro, conforme o caput do art. 5º da CF. Além disso, o STF já firmou o entendimento de que a legitimidade para a propositura dos remédios constitucionais estende-se aos estrangeiros em trânsito (Informativo 554). D) Errado. Conforme José Afonso da Silva (2007, p. 443): “O direito de petição cabe a qualquer pessoa. Pode ser, pois, utilizado por pessoa física ou por pessoa jurídica; por indivíduo ou por grupos de indivíduos; por nacionais ou por estrangeiros. Mas não pode ser formulado pelas forças militares, como tais, o que não impede reconhecer aos membros das Forças Armadas ou das polícias militares o direito individual de petição, desde que sejam observadas as regras de hierarquia e disciplina. Pode ser dirigido a qualquer autoridade do Legislativo, do Executivo ou do Judiciário”. E) Errado. Não é cabível mandado de segurança contra lei em tese (Súmula n° 266, STF). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 137 191 89. (2015/VUNESP/Prefeitura de Caieiras – SP/Procurador Geral) Considerando o disposto no Texto Constitucional a respeito dos direitos e garantias individuais e coletivos, assinale a alternativa correta. A) Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de prisão, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. B) É a todos assegurado, mediante o pagamento das respectivas taxas, o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder C) Conceder-se-á mandado de injunção para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas-- corpus ou habeas-data, quando o responsável pela ilegalidade ou pelo abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público D) O partido político sem representação no Congresso Nacional e a organização sindical, entidade de classe ou associação em funcionamento há menos de um ano não poderão impetrar o mandado de segurança coletivo. E) Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação civil pública que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Gabarito: A) Errado. Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (art. 5º, XXXIII, CF). B) Errado. São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal (art. 5º, XXXIV, CF). C) Errado. Conceder-se-á MS para proteger direito líquido e certo, não amparado por HC ou HD, quando o responsável pela ilegalidade ou pelo abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (art. 5º, LXIX, CF). D) Certo. O MS coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados (art. 5º, LXX, CF). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 138 191 E) Errado. Qualquer cidadão é parte legítima para propor AP que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência (art. 5º, LXXIII, CF). 90. (2014/FUNDEP (Gestão de Concursos)/TJ-MG/Juiz de Direito Substituto) Sobre a forma como deve ser exercida a tutela constitucional das liberdades individuais, assinale a alternativa CORRETA. A) Mediante o uso da ação popular. B) Mediante o uso da ação civil pública. C) Mediante o uso do Habeas Corpus, Habeas Data ou do Mandado de Segurança. D) Mediante o uso das ações populares e civis que, dada a sua amplitude, melhor ampara os interesses dos cidadãos. Gabarito: A) Errado. A AP destina-se à defesa de um interesse da coletividade e não pessoal (liberdade individual), conforme art. 5º, LXXIII da CF. B) Errado. A ACP não se destina à tutela das liberdades individuais, conforme a doutrina. C) Certo. O remédio constitucional é uma espécie de ação judiciária que visa a proteger categoria especial de direitos públicos subjetivos (interesses individuais). A tutela constitucional das liberdades individuais se dá mediante o HC (art. 5º, LXVIII, CF), o MS (art. 5º, LXIX, CF) e o HD, (art. 5º, LXXII, CF). D) Errado. A AP não se destina à tutela de liberdades individuais. As ações civis, por sua vez, não se enquadram nas chamadas tutelas constitucionais de liberdades (ações constitucionais). 91. (2018/FUNDEP (Gestão de Concursos)/INB/Advogado) Dispõe o artigo 5.º, inciso LXXI da Constituição Federal: “LXXI – conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.” De acordo com as disposições aplicáveis ao mandado de injunção, assinale a alternativa CORRETA. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 139 191 A) A legitimidade ativa é atribuída ao titular de um direito constitucionalmente assegurado, pessoa física ou jurídica de direito público ou privado, entes federativos ou órgãos públicos, titulares de um direito constitucionalmente assegurado, cujo exercício esteja inviabilizado pela ausência da norma regulamentadora. B) Na hipótesede elaboração da norma regulamentadora ou de adoção da providência administrativa necessária após o ajuizamento do mandado de injunção, este deve ser remetido à casa legislativa responsável pela omissão, que providenciará parecer elucidativo acerca das providências adotadas e reencaminhará para julgamento do mérito pelo Superior Tribunal de Justiça. C) Quanto ao provimento jurisdicional a ser adotado, segundo a corrente concretista individual, com efeito inter partes, o Poder Judiciário deve apenas reconhecer formalmente a inércia legislativa e comunicar a omissão ao órgão competente para a elaboração da norma regulamentadora. D) Cabe ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar mandado de injunção quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, com exceção dos casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal. Gabarito: A) Errado. São legitimados para o MI, como impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas referidos no art. 2º e, como impetrado, o Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar a norma regulamentadora (art. 3º, Lei nº 13.300/2016) B) Errado. A norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável. Parágrafo único. Estará prejudicada a impetração se a norma regulamentadora for editada antes da decisão, caso em que o processo será extinto sem resolução de mérito (art. 11, Lei nº 13.300/2016) C) Errado. A assertiva traz a definição da corrente não concretista, a qual a decisão somente decreta a mora do poder omisso, reconhecendo formalmente a sua inércia. Já a corrente concretista individual pode ser de duas formas: Concretista individual intermediária, na qual deferido o MI, o Poder Judiciário primeiramente fixa um prazo para que o órgão competente elabore a norma e, após o término desse prazo, caso a mora legislativa persista, o impetrante passa a ter aquele direito garantido; Concretista individual direta, na qual a decisão concede o direito de plano, sem estipular um prazo para que a autoridade competente edite aquela norma regulamentadora, efeitos “inter partes”. D) Certo. Consoante art. 105. Da CF: Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: h) o MI, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 140 191 excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal. 92. (2013/CESPE/CEBRASPE/MPE-AC) No que concerne aos denominados remédios constitucionais, assinale a opção correta. A) Compete aos juízes estaduais processar e julgar mandado de segurança contra ato de autoridade federal sempre que a causa envolver o INSS e segurados. B) No âmbito do mandado de injunção, a atual jurisprudência do STF adota a posição não concretista em defesa apenas do reconhecimento formal da inércia do poder público para materializar a norma constitucional e viabilizar o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. C) O habeas corpus pode ser impetrado contra ato de coação ilegal à liberdade de locomoção, seja ele praticado por particular ou agente público. D) São da competência originária do STF o processamento e o julgamento dos habeas corpus quando o coator ou paciente for governador de estado. E) O ato estatal que nega, ilegalmente, o fornecimento de informações englobadas pelo direito de certidão não pode ser questionado por meio de mandado de segurança, ante o seu caráter subsidiário frente ao habeas data. Gabarito: A) Errado. Os juízes estaduais poderão processar e julgar MS contra autoridade federal do INSS sempre que a comarca não for sede do juízo federal. Todavia, a competência originária é da Justiça Federal (art. 109, VIII e § 3º, CF). B) Errado. O STF adota a posição concretista, como ficou claro no entendimento sobre o art. 37, VII, da CF. O direito de greve foi estendido aos servidores públicos depois de vários mandados de injunção. C) Certo. A CF não faz distinção, no polo passivo, da autoridade do particular, de maneira que é possível impetrar HC contra qualquer pessoa que constranja a liberdade de locomoção de outrem. D) Errado. São da competência originária do STJ o processamento e o julgamento do HC quando o coator ou paciente for governador de estado (art. 105, I, “a” e “c”, CF). E) Errado. O remédio constitucional que tutela o direito de certidão é o MS, e não o HD. O HD é cabível contra ato de autoridade que possua registros ou banco de dados de caráter Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 141 191 público e serve: para o conhecimento de informações; para a retificação de dados; ou para a complementação de dados (art. 5º, LXXII, CF). 93. (2013/DIRECTA/Prefeitura de Angatuba – SP/Procurador Jurídico) Dentre os direitos e as garantias há os chamados remédios constitucionais. Sobre eles é correto afirmar: A) O Órgão competente para apreciar a ação de habeas corpus será determinado de acordo com a autoridade coatora. Compete ao STJ julgar, em recurso ordinário, os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos TRFs ou pelos Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória. B) O cabimento do mandado de segurança dá-se quando perpetrada ilegalidade ou abuso de poder por autoridade pública na prática somente de função administrativa. C) Os três requisitos constitucionais para o mandado de injunção são: norma constitucional de eficácia limitada, prevendo direitos, liberdade constitucionais e prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; falta de norma regulamentadora, tornando inviável o exercício dos direitos, liberdades e prerrogativas e; abuso de poder. D) A legitimidade ativa para a propositura de habeas datas é exclusiva das pessoas jurídicas e tem como objeto o acesso às informações a seu respeito. Gabarito: A) Certo. É o que entende a doutrina e a CF. Compete ao STJ: II - julgar, em recurso ordinário: a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória (art. 105, CF). B) Errado. A assertiva peca ao fazer tal restrição, na medida em que exclui a expressão "agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público", conforme o art. 5º, LXIX, CF. C) Errado. A CF não exige abuso de poder, conforme o art. 5º, LXXI, CF. D) Errado. Pessoas físicas e jurídicas possuem legitimidade para a propositura de HD, conforme o art. 5º, LXXII, CF/88. 94. (2013/CESPE/CEBRASPE/TJ-RN – Juiz) A respeito do mandado de segurança, assinale a opção correta. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 142 191 A) A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor de seus associados depende de autorização expressa destes. B) A entidadede classe não tem legitimidade para propor mandado de segurança coletivo se a pretensão veiculada interessar a apenas parte da categoria representativa. C) Não cabe mandado de segurança contra ato praticado em concurso público promovido por sociedade de economia mista ou empresa pública. D) O pedido de reconsideração na via administrativa interrompe o prazo decadencial para a propositura do mandado de segurança. E) A interposição de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede que se interponha mandado de segurança contra omissão da autoridade. Gabarito: A) Errado. A impetração de MS coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes (Súmula nº 629, STF). B) Errado. A entidade de classe tem legitimação para o MS ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria (Súmula nº 630, STF). C) Errado. Cabe MS contra ato de dirigente de Sociedade de Economia Mista ou Empresa Pública, conforme o STJ: “MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. ATO DE AUTORIDADE E NÃO ATO DE MERA GESTÃO. CABIMENTO DO WRIT. PRECEDENTES. DECISÃO MONOCRÁTICA FUNDAMENTADA EM JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO” (STJ - AgRg no REsp: 921429 RJ 2007/0020869-8, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 06/04/2010, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 16/04/2010). D) Errado. Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o MS (Súmula nº 430, STF). E) Certo. A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade (Súmula nº 429, STF). 95. (2013/FCC/TRT - 1ª REGIÃO (RJ)/Juiz do Trabalho Substituto) Suponha que esteja circulando na internet um texto, de autoria desconhecida, que desabona a honra de determinado político e de seu filho. Rastreou-se que a primeira postagem do texto, na internet, adveio de um computador localizado em uma empresa privada denominada “Conectus”. Com base na situação apresentada e nas dis- posições da Constituição da República, analise as afirmações a seguir: Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 143 191 I. A Constituição da República expressamente determina que é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. II. O remédio constitucional adequado para deter a circulação do texto, na internet, é o mandado de segurança em face da empresa “Conectus”. III. O referido político e também seu filho têm direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente da violação à honra. Está correto o que se afirma em; A) I e III, apenas. B) I, II e III. C) I, apenas. D) III, apenas. E) I e II, apenas. Gabarito: A I – Certo. É o que dispõe o inciso IV, do art. 5°, da CF; II – Errado. Não cabe MS contra empresa privada (art. 5º, LXIX, CF); III – Certo. É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem (art. 5º, V, CF). 96. (2013/IBFC/IDECI/Advogado) Assinale a alternativa correta com relação a remédios constitucionais previstos na Constituição Federal de 1988. A) Qualquer pessoa é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. B) Conceder-se-á mandado de injunção para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 144 191 C) Conceder-se-á "habeas-data" para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo. D) São a todos assegurados, após o pagamento da correspondente taxa, a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. Gabarito: A) Errado. Apenas o cidadão pode propor AP (art. 5º, LXXIII, CF). B) Errado. Conceder-se-á HD para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. (art. 5º, LXXII, CF). C) Certo. É o que dispõe art. 5º, LXXII, “b”, CF. D) Errado. A obtenção de certidões em repartições públicas independe do pagamento de taxas (art. 5º, XXXIV, “b”, CF). 97. (2013/CESPE/CEBRASPE/DPE-DF/Defensor Público) No que se refere à ACP, ao mandado de segurança coletivo e à ação popular, julgue os itens seguintes à luz do entendimento do STJ. Para que a legitimidade de entidade de classe seja reconhecida em sede de mandado de segurança coletivo, é imprescindível a demonstração de que a pretensão tenha sido veiculada no interesse de toda a categoria, e não de apenas parte dela. Gabarito: Errado A entidade de classe tem legitimação para o MS ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria (Súmula nº 630, STF). 98. (2013/CESPE/CEBRASPE/DPE-DF/Defensor Público) Em relação aos direitos e deveres individuais e coletivos, ao habeas data e aos princípios de interpretação das normas constitucionais, julgue os itens subsequentes. Qualquer pessoa é parte legítima para impetrar habeas data, em seu favor ou de outrem, visando conhecer ou retificar informações constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público Gabarito: Errado Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 145 191 Qualquer Pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira tem legitimidade para impetrar HD para acessar, retificar ou complementar informações relativas à sua pessoa constantes de banco de dados público ou de caráter público (art. 5°, LXXII, CF). Assim, não se pode impetrar HD para terceiros, mas sim MS. 99. (2013/TRT 15R/Juiz do Trabalho) Na ordem jurídica brasileira, à luz da Constituição da República, das leis complementares que a regulamentam e da jurisprudência dominante no Supremo Tribunal Federal, é incorreto afirmar: A) o rol do artigo 5o da Constituição, por tratar de direitos e garantias individuais, não contempla direitos ou posições jurídicas extensíveis a pessoas jurídicas; B) o mandado de segurança pode ser impetrado em face de pessoa jurídica de direito privado; C) o habeas data é remédio constitucional afeto à competência material da Justiça do Trabalho; D) o mandado de injunção pode ser impetrado pelo Ministério Público do Trabalho; E) o rol do artigo 5o da Constituição não exaure os direitos e garantias individuais no âmbito constitucional. Gabarito: A) Errado. Os direitos fundamentais também são extensíveis às pessoas jurídicas, desde que haja compatibilidade junto aos respectivos dispositivos constitucionais, como, por exemplo, o direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF) e o direito à existência dos partidos políticos (art. 17, CF). B) Certo. O MS também poderá ser impetrado contra a pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (art. 5º, LXIX, CF). C) Certo. Compete à Justiça do Trabalho as ações de mandado de segurança, habeas corpus e habeas data, conforme as matérias sujeitas a sua jurisdição (art. 114, IV, CF). D) Certo. O Ministério Público doTrabalho possui competência para ingressar com o MI junto a justiça trabalhista, desde que de acordo com a sua atuação (art. 83, X, Lei Complementar nº 75/93). E) Certo. O STF já decidiu que os direitos individuais não estão restritos ao art. 5°, da CF, por se tratar de cláusula pétrea a garantia constitucional prevista no art. 150, III, “b”, declarando que a EC nº 3/93, ao pretender subtraí-la da esfera protetiva dos destinatários da norma, estaria ferindo o limite material previsto no art. 60, § 4.º, IV, da CF (O relator, Ministro Sydney Sanches — medida cautelar, RTJ 150/68 da ADI 939-7/DF). Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 146 191 100. (2013/CESPE/CEBRASPE /TJ-MA /Juiz) Assinale a opção correta a respeito das ações constitucionais. A) Tal como ocorre no mandado de segurança, há, no procedimento do habeas data, o denominado reexame necessário ou recurso de ofício. B) Conforme entendimento do STF, não se admite a impetração de habeas corpus para o trancamento de ação de improbidade administrativa. C) Quando praticados por administradores de empresas públicas e de sociedades de economia mista, os atos de gestão comercial podem ser objeto de mandado de segurança. D) Tratando-se de mandado de segurança impetrado contra nomeação de magistrado de competência do presidente da República, o chefe do Poder Executivo não poderá ser considerado, de acordo com o STF, autoridade coatora quando o fundamento da impetração for nulidade ocorrida em fase anterior do procedimento. Gabarito: A) Errado. O MS realmente admite reexame necessário em caso de concessão da segurança, conforme o art. 14, §1º da Lei nº 12.016/09. Contudo, não existe essa previsão para o HD no ordenamento jurídico. B) Certo. Conforme jurisprudência do STF, o HC não é meio hábil para o trancamento de ação de improbidade administrativa, em razão de não acarretar ameaça à liberdade de locomoção. C) Errado. Os atos de gestão comercial não podem ser objeto de MS (art. 1º, §2º, Lei nº 12.016/09). D) Errado. No MS contra a nomeação de magistrado da competência do Presidente da República, este é considerado autoridade coatora, ainda que o fundamento da impetração seja nulidade ocorrida em fase anterior do procedimento (Súmula nº 627, STF). LISTA DE QUESTÕES 1. (2019/FCC/DPE-SP/Defensor Público) Em relação ao mandado de segurança, considere as assertivas abaixo. I. A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados depende da autorização destes. II. Admite-se a impetração de mandado de segurança perante os Tribunais de Justiça para o exercício do controle de competência dos juizados especiais. III. A Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 147 191 impetração de mandado de segurança interrompe a fluência do prazo prescricional no tocante à ação ordinária, o qual somente tornará a correr após o trânsito em julgado da decisão. IV. O impetrante pode desistir da ação mandamental a qualquer tempo antes do trânsito em julgado, independentemente da anuência da autoridade coatora. V. Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre processamento e pagamento de precatório não têm caráter jurisdicional e, por isso, podem ser combatidos pela via mandamental. Estão de acordo com as teses firmadas pelos tribunais superiores APENAS o que se afirma em A) I e IV. B) II, III, IV e V. C) I, II, III e V. D) I, IV e V. E) II, III e IV. 2. (2019/CETREDE/Prefeitura de Acaraú – CE/Procurador) Em relação às ações constitucionais, em especial, mandado de segurança, ação popular e ação civil pública, marque a alternativa CORRETA. A) No mandado de segurança, havendo o deferimento de medida liminar contra o Poder Executivo Municipal perante o juiz de primeiro grau, poderá o Município apresentar pedido de suspensão de liminar para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas, junto ao presidente do tribunal ao qual couber o conhecimento do respectivo recurso, e, no caso do deferimento da suspensão da execução da liminar pelo presidente do tribunal, caberá agravo no prazo de 15 (quinze) dias. B) Na ação popular, o prazo de contestação é peremptório de 20 (vinte) dias, improrrogáveis, facultando-se a qualquer cidadão habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação popular. C) As associações constituídas, há pelo menos 1 (um) ano que incluam, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, possuem legitimidade para proporem ação civil pública e, em caso de desistência infundada ou abandono da ação, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. D) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por qualquer partido político na defesa de seus interesses legítimos, relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 2 (dois) anos, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte dos seus membros ou associados. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 148 191 E) É cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional, cujos beneficiários podem ser individualmente determinados. 3. (2019/UPENET/ IAUPE /Advogado) Em relação ao Mandado de Segurança, assinale a alternativa CORRETA. A) A impetração de Mandado de Segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona à interposição de recurso, ainda que o impetrante tenha ciência da decisão que o prejudicou e não tenha utilizado o recurso cabível. B) Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a teoria da encampação no Mandado de Segurança tem aplicabilidade nas hipóteses em que são atendidos os seguintes pressupostos: subordinação hierárquica entre a autoridade efetivamente coatora e a apontada na petição inicial, discussão do mérito nas informações e ausência de modificação da competência. C) A inobservância do prazo de cento e vinte dias para a sua impetração importa na decadência, e a sentença que a reconhece, após transitar em julgado, impede a formulação do mesmo pedido, amparado na mesma causa petendi, ainda que venha a ser adotado o rito comum. D) A decisão concessiva da medida liminar na primeira instância é impugnável pelo recurso de agravo de instrumento, não o sendo, todavia, a decisão que a indefere. E) O termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança, na hipótese de exclusão do candidato do concurso público nas hipóteses em que a causa de pedir envolva questionamento de critério do edital, é contado a partir da publicação de referido edital. 4. (2019/Quadrix/CRA-PR /Advogado) De acordo com a Constituição Federal de 1988 (CF) e a jurisprudência do STF, julgue o item a seguir quanto ao mandado de segurança. O mandado de segurança pressupõe direito líquido e certo, de modo que a controvérsia acerca de matéria jurídica não autorizará a concessão da segurança. 5. (2019/MPE-PR/MPE-PR/Promotor Substituto) Sobre o mandado de segurança, é correto afirmar: A) O pagamento de vencimentose vantagens pecuniárias assegurados em sentença concessiva de mandado de segurança a servidor público da administração direta ou autárquica federal, estadual e municipal somente será efetuado relativamente às prestações que se vencerem a contar do trânsito em julgado, não produzindo efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 149 191 B) O mandado de segurança não constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária. C) O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. D) A errônea indicação da autoridade coatora pode ser corrigida mediante utilização da teoria da encampação, quando presentes, cumulativamente, os seguintes requisitos: a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b) manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas; e c) ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal. E) É de 5 (cinco) dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do Presidente do Tribunal de Justiça, que defere pedido de suspensão de liminar, a requerimento de pessoa jurídica de direito público interessada ou do Ministério Público e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas. 6. (2018/FUNRIO-AL-RR/Procurador) Intimado a depor em uma CPMI do Congresso Nacional, José, empresário do ramo de publicidade, ingressou com uma demanda junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e conseguiu uma liminar que lhe garantia permanecer sem responder aos questionamentos dos parlamentares. José compareceu à sessão e entregou o documento que ele chamou de salvo conduto. Considerando ser esse o nome popular do instrumento, o CORRETO é que José do conseguiu uma liminar em A) mandado de segurança preventivo. B) habeas-corpus preventivo. C) mandado de segurança. D) habeas-data. 7. (2018/VUNESP/TJ-RJ/Juiz Leigo) Assinale a assertiva correta sobre o Mandado de Segurança. A) Os processos de mandado de segurança e os respectivos recursos terão prioridade sobre todos os atos judiciais, salvo habeas data. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 150 191 B) O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 90 (noventa) dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. C) Desde que renovado dentro do prazo decadencial, o pedido de mandado de segurança poderá ser renovado, mesmo se a decisão denegatória houver apreciado o mérito. D) Não se concederá mandado de segurança, dentre outras hipóteses, quando se tratar de ato do qual caiba recurso administrativo dotado de efeito suspensivo, independentemente de caução. E) É cabível mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. 8. (2018/CESPE/TJ-CE/Juiz Substituto) Acerca do mandado de segurança relativamente à tutela de interesses individuais, difusos e coletivos, assinale a opção correta. A) O exercício do direito de petição e o pedido de reconsideração interrompem o prazo para a impetração do mandado de segurança. B) Salvo nos procedimentos regulados pela lei dos juizados especiais, não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso. C) É cabível mandado de segurança para arguição de inconstitucionalidade de veto presidencial. D) Não cabe mandado de segurança contra decretos do Poder Executivo, salvo aqueles que sejam materialmente atos administrativos. E) O parlamentar tem legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança em defesa de prerrogativa do Congresso Nacional. 9. (2018/FCC/DPE-AM/Defensor Público) Servidora pública, ocupante de cargo efetivo em órgão de Administração direta estadual, obtém guarda de criança de dois anos de idade, em sede de processo de adoção. Ao requerer licença maternidade, a ela é deferido prazo de 60 dias, com base em previsão específica constante de lei estadual que dispõe sobre o estatuto do servidor público respectivo. Ao perquirir as razões pelas quais não lhe teria sido concedida a licença em prazo de 120 dias, igual ao reconhecido às gestantes pelo mesmo estatuto, obteve a informação de que o tratamento diferenciado se justificaria pelo fato de ser a criança adotada, e não filho natural, além de não ser recém-nascida. Interpostos os recursos administrativos cabíveis, foram indeferidos, mantida a decisão inicial, por seus próprios fundamentos. Já em gozo da licença concedida, a servidora adotante pretende questionar judicialmente a decisão administrativa. Considerando o disposto na Constituição Federal e na legislação processual pertinente, bem como a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, caberá à servidora em questão Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 151 191 A) impetrar mandado de segurança, de competência da justiça estadual, para ver reconhecido direito líquido e certo a gozar de licença maternidade em prazo não inferior a 120 dias, independentemente de ser adotante e da idade da criança adotada. B) impetrar mandado de segurança, de competência da justiça do trabalho, para ver reconhecido direito líquido e certo a gozar de licença maternidade em prazo não inferior a 120 dias, independentemente de ser adotante e da idade da criança adotada. C) ajuizar reclamação perante o STF, pelo descumprimento de súmula vinculante segundo a qual os prazos da licença adotante não podem ser inferiores aos prazos da licença gestante, não sendo possível fixar prazos diversos em função da idade da criança adotada. D) promover representação perante o Ministério Público Estadual, para que o Procurador-Geral de Justiça ajuíze ação direta de inconstitucionalidade em face da lei estadual perante o STF. E) promover representação perante o Ministério Público da União, para que o Procurador-Geral da República ajuíze arguição de descumprimento de preceito fundamental em face da lei estadual perante o STF. 10. (2018/FCC/SABESP/Advogado) Considere apenas as informações fornecidas abaixo: I. Mariana, a fim de obter a expedição do seu diploma pela instituição particular de ensino superior na qual se formou, pretende impetrar Mandado de Segurança, uma vez que não há qualquer impedimento para a referida expedição. II. O Partido Político “X”, sem representação no Congresso Nacional, para proteger direito líquido e certo de seus integrantes, deseja impetrar Mandado de Segurança em face de determinada autoridade pública. III. A Ordem dos Advogados do Brasil deseja impetrar Mandado de Segurança em defesa dos interesses dos advogados, em face de autoridade pública, para proteger determinado direito líquido e certo. De acordo com a Constituição Federal, o Mandado de Segurança poderá ser impetrado A) por Mariana, na modalidade individual e, na modalidadecoletiva, apenas pela Ordem dos Advogados do Brasil. B) apenas pela Ordem dos Advogados do Brasil, na modalidade coletiva, mas não poderá sê-lo por Mariana. C) pelo Partido Político “X” e pela Ordem dos Advogados do Brasil na modalidade coletiva, mas não poderá sê-lo por Mariana. D) por Mariana, na modalidade individual, e pelo Partido Político “X” e pela Ordem dos Advogados do Brasil na modalidade coletiva. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 152 191 E) apenas pelo Partido Político “X” na modalidade coletiva, mas não poderá sê-lo por Mariana. 11. (2018/MPE-MS/Promotor de Justiça Substituto) Tratando-se de ação popular, é correto afirmar que: A) A ação popular pode ser utilizada para anular atos normativos genéricos. B) O mandado de segurança é instrumento hábil e pode ser usado como sucedâneo de ação popular. C) A pessoa jurídica de direito público é legitimada para propor ação popular. D) A improcedência da ação popular, ausente comprovação de má-fé do autor, impede condenação ao ônus da sucumbência, porém não o isenta do pagamento das custas judiciais. E) É imprescindível a comprovação do binômio ilegalidade-lesividade como pressuposto elementar para a procedência da Ação Popular. 12. (2018/CESPE/DPE-PE/Defensor Público) A respeito dos mecanismos de proteção aos direitos humanos previstos na Constituição Federal de 1988 e dos remédios constitucionais, assinale a opção correta. A) A ação popular é remédio constitucional para assegurar o conhecimento de informações relativas ao impetrante, constantes de registros ou de bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. B) O mandado de segurança coletivo caracteriza-se por ter dois ou mais impetrantes, que sejam pessoas físicas ou jurídicas, no polo ativo. C) O habeas data visa anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa e ao patrimônio histórico e cultural. D) Mandado de injunção é o instrumento constitucional a ser utilizado na hipótese de a ausência de norma inviabilizar o exercício de direito ou de liberdade constitucional referente à cidadania ou à soberania. E) A finalidade do habeas corpus é proteger direito líquido e certo quando o responsável pela ilegalidade ou pelo abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público. 13. (2017/FAUEL/Prev. São José – PR/Advogado) Com base na Lei nº 13.300/2016, que regulamentou o mandado de injunção, é INCORRETO afirmar que: A) a regulamentação insuficiente não impede, por si só, a concessão de mandado de injunção. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 153 191 B) pessoas jurídicas podem figurar no pólo ativo em mandado de injunção. C) a Defensoria Pública é uma das legitimadas a propor mandado de injunção coletivo. D) o mandado de injunção coletivo não induz litispendência em relação aos mandados de injunção individuais. E) a decisão em mandado de injunção, terá, como regra, eficácia ultra partes ou erga omnes. 14. (2017/MPE-SP/Promotor de Justiça Substituto) Quanto ao mandado de segurança coletivo, assinale a alternativa INCORRETA. A) Os direitos individuais homogêneos protegidos por mandado de segurança coletivo devem ser líquidos e certos. B) A sentença proferida em mandado de segurança coletivo faz coisa julgada apenas quanto aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. C) A entidade de classe pode impetrar mandado de segurança quando a pretensão interessar a toda a categoria ou apenas a uma parte dela. D) O partido político com representação no Congresso Nacional tem legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária. E) Para ajuizamento de mandado de segurança coletivo, por entidade de classe em favor de seus associados, é necessária autorização especial. 15. (2017/MPE-SP/Promotor de Justiça Substituto) Com relação à ação popular em defesa do patrimônio público, é correto afirmar que A) a pessoa jurídica de direito público ou de direito privado cujo ato seja objeto de impugnação não poderá atuar ao lado do autor. B) qualquer pessoa, responsável ou beneficiada pelo ato impugnado, cuja existência ou identidade venha a ser conhecida no curso do processo, será incluída no polo passivo da relação processual, desde que no feito não tenha sido proferida a decisão de saneamento do processo. C) o autor popular não precisa estar representado por advogado. D) qualquer cidadão pode habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor da ação popular. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 154 191 E) a ação popular que objetive a defesa do patrimônio público municipal não pode ser proposta por eleitor inscrito em município diverso. 16. (2017/MPE-SP/Promotor de Justiça Substituto) Assinale a alternativa INCORRETA quanto ao mandado de segurança. A) Em mandado de segurança, o pagamento de vencimentos e vantagens pecuniárias assegurados em sentença a servidor público da Administração direta ou autárquica federal, estadual ou municipal somente será efetuado com relação a prestações que se vencerem desde o ajuizamento da ação. B) A denegação de mandado de segurança sem decisão de mérito não impede que o impetrante pleiteie os seus direitos e respectivos efeitos patrimoniais em ação própria. C) Se, concedida a medida liminar em mandado de segurança, o impetrante criar obstáculo ao normal andamento do feito ou deixar de promover, no prazo legal, os atos e diligências que lhe competirem, o juiz decretará a perempção ou caducidade da medida. D) A autoridade coatora não pode recorrer da sentença concessiva de segurança. E) Não impede a concessão de mandado de segurança a existência de controvérsia sobre questão de direito. 17. (2017/VUNESP/DPE-RO/Defensor Público Substituto) De acordo com os entendimentos sumulados no STJ e STF, assinale a alternativa correta. A) O mandado de segurança individual pode ser utilizado como sucedâneo de ação popular. B) Se a pretensão veiculada interessar apenas a uma parte da respectiva categoria, a entidade de classe não terá legitimidade para impetrar mandado de segurança. C) O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares. D) A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados somente pode ser feita com expressa autorização destes. E) O Ministério Público tem legitimidade exclusiva para propor ação civil pública em defesa do patrimônio público. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 155 191 18. (2017/VUNESP/DPE-RO/Defensor Público Substituto) Quanto à legitimidade ativa para a propositura de ações coletivas, considerando também as súmulas dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa correta. A) É concorrente e disjuntiva a legitimação para a propositura de ações civis públicas ou coletivas em defesa de interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos disponíveis. B) O Ministério Público não tem legitimidade para promover ação civil pública, buscando indenização decorrente do DPVAT em benefício do segurado. C) A DefensoriaPública do Estado de Rondônia tem legitimidade para a propositura de ação popular, desde que autorizado pelo Conselho Superior da Defensoria Pública. D) Para ter legitimidade para mandado de segurança coletivo, entidades de classe, sindicatos e associações devem estar constituídas há pelo menos um ano, sendo desnecessário que exista a pertinência entre o objeto da impetração e as finalidades do impetrante. E) Prevê a Lei do Mandado de Segurança que o Ministério Público e a Defensoria Pública são legitimados para propor mandado de segurança coletivo. 19. (2017/VUNESP/DPE-RO/Defensor Público Substituto) Sobre o mandado de segurança, assinale a alternativa correta. A) Não deve ser admitida a emenda à petição inicial para corrigir equívoco na indicação da autoridade impetrada em mandado de segurança. B) O impetrante não pode desistir de mandado de segurança sem a anuência do impetrado, mesmo antes da sentença de mérito. C) É aceitável, quando for o caso, a sucessão de partes em processo de mandado de segurança. D) É possível a habilitação de herdeiro nos autos da execução promovida em mandado de segurança. E) Compete à Justiça Estadual processar e julgar qualquer mandado de segurança impetrado contra presidente de subseção da OAB. 20. (2017/FCC/TST/Juiz do Trabalho Substituto) Sobre direitos e garantias fundamentais de natureza processual, a Constituição Federal de 1988 prevê que A) o mandado de injunção objetiva tornar viável o exercício de direitos inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania, não sendo cabível quando a obrigação de prestar o direito deva ser cumprida por particulares. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 156 191 B) qualquer pessoa é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas processuais e do ônus da sucumbência. C) a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação não alcançam o âmbito administrativo. D) o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político sem representação no Congresso Nacional. E) cabe mandado de segurança individual para proteger direito líquido e certo não amparado por habeas corpus quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 21. (2016/FEPESE/Prefeitura de Criciúma – SC/Advogado) Assinale a alternativa correta acerca das ações constitucionais. A) Qualquer cidadão poderá impetrar habeas corpus contra ato administrativo que torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania . B) O habeas data permite somente o conhecimento e a retificação de informações relativas à pessoa constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais. C) A ação popular, que visa anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, somente poderá ser proposta por maior de dezoito anos. D) São gratuitas as ações constitucionais de habeas corpus, habeas data, mandado de injunção, mandado de segurança coletivo e ação popular. E) O ato ilegal ou praticado com abuso de poder por agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público que ferir direito líquido e certo poderá ser objeto de mandado de segurança. 22. (2016/RHS Consult/Prefeitura de Paraty – RJ/Procurador) Em linhas gerais, com relação à ação popular, assinale a alternativa INCORRETA. A) Permite que o povo, diretamente, exerça a função fiscalizatória do Poder Público. B) Para o seu ajuizamento, exige os requisitos subjetivo e objetivo. C) O objeto da ação popular é o combate ao ato ilegal ou imoral e lesivo ao patrimônio público. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 157 191 D) A natureza da decisão na ação popular é desconstitutiva-condenatória. E) Tanto o brasileiro nato quanto o estrangeiro possuem legitimação constitucional para a sua propositura. 23. (2016/MPE-PR/MPE-PR/Promotor Substituto) Assinale a alternativa incorreta: A) A Lei n. 13.300/2016 estabeleceu que a decisão em mandado de injunção terá, em regra, eficácia subjetiva limitada às partes. No entanto, poderá lhe ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração; B) O mandado de injunção coletivo não induz litispendência em relação aos individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante que não requerer a desistência da demanda individual no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração coletiva; C) A norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado proferida em mandado de injunção, salvo se a aplicação das regras da decisão judicial lhes for mais favorável; D) Após o recebimento da petição inicial do mandado de injunção é obrigatório dar-se ciência do ajuizamento da ação ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada, devendo-lhe ser enviada cópia da petição inicial, para que, querendo, ingresse no feito; E) Quando o documento necessário à prova do alegado em mandado de injunção encontrar-se em repartição ou estabelecimento público, em poder de autoridade ou de terceiro, havendo recusa em fornecê-lo por certidão, no original, ou em cópia autêntica, será ordenada, a pedido do impetrante, a exibição do documento no prazo de 10 (dez) dias, devendo, nesse caso, ser juntada cópia à segunda via da petição. 24. (2016/TRT 4º Região/TRT 4º Região/Juiz do Trabalho Substituto) Considere as assertivas abaixo sobre tutelas constitucionais das liberdades. I - A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. II - Sobrevindo norma regulamentadora, quando em curso mandado de injunção, prestar-se-á a via eleita para sanar a lacuna normativa do período pretérito à edição da lei regulamentadora. III - É cabível a utilização de habeas data para a obtenção de vista de processo administrativo, na medida em que tal ação constitucional visa a assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante. Quais são corretas? Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 158 191 A) Apenas I B) Apenas II C) Apenas III D) Apenas II e III E) I, II e III 25. (2016/VUNESP/TJM-SP/Juiz de Direito Substituto) Assinale a alternativa que corretamente examina características dos instrumentos à disposição do direito processual constitucional. A) A legitimidade ativa compete ao titular do direito líquido e certo violado, mas o mandado de segurança não é ação personalíssima, visto que o Supremo Tribunal Federal já assentou a possibilidade da habilitação de herdeiros por morte do impetrante. B) O inquérito civil constitui procedimento investigatório e será instaurado pelo Ministério Público ou pelos entes federativos, União, Estados, Distrito Federal e Municípios para apurar fato que, em tese, autoriza o exercício da tutela de interesses coletivos ou difusos. C) Não existindo lacuna que torne inviável o exercíciodos direitos e liberdades constitucionais, não há necessidade de mandado de injunção; portanto, o mandado de injunção não pode ser concedido verificando-se a existência de norma anterior à Constituição devidamente recepcionada. D) O Supremo Tribunal Federal entende que para o cabimento de ação popular, não basta a ilegalidade do ato administrativo a invalidar, sendo necessária também, cumulativamente, a demonstração de prejuízo material aos cofres públicos. E) O Supremo Tribunal Federal já decidiu que a prova do anterior indeferimento do pedido de informação de dados pessoais, previsto na Lei Federal no 9.507/97, constitui requisito dispensável para que se concretize o interesse de agir no habeas data. 26. (2016/IOBV/Câmara de Barra Velha – SC/Advogado) No disposto às questões jurídicas sobre o mandado de segurança é correto deduzir: A) Na ação de mandado de segurança é preciso indicar o valor da causa, para fim do cálculo das custas processuais e para a eventual condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem prejuízo ainda do cálculo para aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé. B) No mandado de segurança coletivo, uma liminar inaudita altera parte poderá ser concedida se feita a garantia do juízo, e a sentença no caso de favorável fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo impetrante. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 159 191 C) O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, contudo, os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se este não requerer a desistência de seu próprio mandado de segurança. D) Num mandado de segurança interposto junto à uma Turma de Recursos, da decisão que vir a ser prolatada, quando não unânime, será cabível a interposição de embargos infringentes. 27. (2016/VUNESP/IPSMI/Procurador) A ação popular, assim como o voto, a iniciativa popular, o plebiscito e o referendo, configura-se como relevante instrumento de democracia direta e de participação política. A respeito da ação popular, assinale a alternativa correta. A) Pode ser proposta por qualquer brasileiro nato ou naturalizado B) Esse remédio constitucional tem por escopo anular ato lesivo ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. C) O autor da ação popular é isento de custas judiciais, salvo se a ação for julgada improcedente. Nesse caso, dispensa-se o recolhimento retroativo dos valores, sendo obrigatório, porém, o pagamento das custas judiciais a partir de então. D) A propositura de ação popular, como forma de dar maior efetividade ao direito de petição e ao acesso à Justiça, tal qual o caso excepcional das ações propostas perante os juizados especiais cíveis, pode ocorrer sem a presença de advogado. E) Trata-se de remédio constitucional que pode ser utilizado pelo Ministério Público em razão de pedido subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. 28. (2016/MPE-GO/Promotor de Justiça Substituto) A respeito do Mandado de Segurança, assinale a alternativa incorreta: A) Será decretada a perempção ou caducidade da medida liminar ex officio ou a requerimento do Ministério Público quando, negada a medida liminar, o impetrante criar obstáculos à normal tramitação do Mandado de Segurança ou deixar de promover, por mais de 15 (quinze) dias úteis, os atos e as diligências que lhe cumprirem. B) A teoria da encampação no mandado de segurança tem aplicabilidade nas hipóteses em que atendidos os seguintes pressupostos: subordinação hierárquica entre a autoridade efetivamente coatora e a apontada na petição inicial, discussão do mérito nas informações e ausência de modificação da competência. C) O Mandado de Segurança deve ser extinto, sem resolução do mérito, no caso de ocorrer o falecimento do impetrante, por não ser permitido que os herdeiros se habilitem. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 160 191 D) Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. 29. (2021/AMEOSC/Prefeitura de São José do Cedro – SC/Procurador Municipal) Considerando o disposto no direito brasileiro, assinale a alternativa CORRETA sobre o mandado de segurança. A) Cabe mandado de segurança contra lei em tese. B) Cabe recurso ordinário ao Superior Tribunal de Justiça em face de decisão denegatória proferida em mandado de segurança decidido em única instância pelos tribunais de justiça dos Estados. C) A concessão de mandado de segurança produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito. D) É cabível o writ para declaração do direito a compensação de créditos tributários, e nesse caso, não é vedada a liminar. 30. (2021/AMAUC/Prefeitura de Ipumirim – SC/Advogado) O art. 5º da Constituição Federal de 1988 trata de Direitos e Garantias fundamentais, assinale a assertiva correta: A) O Município prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos. B) Qualquer pessoa é parte legítima para propor ação popular, bem como detém legitimidade para propositura da ação civil pública. C) Mandado de Segurança Coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, organização sindical, União, Estado-Membro, Distrito Federal e Municípios. D) São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei, o registro civil de nascimento e a certidão de óbito. E) São gratuitas as ações de Habeas Corpus, Habeas Data e Mandado de Segurança. 31. (2021/CESPE/CEBRASPE/TC-DF/Procurador) Acerca de direitos e garantias fundamentais e mandado de segurança no âmbito do Poder Legislativo, julgue o item a seguir, considerando o entendimento do STF. Partidos políticos com representação no Congresso Nacional têm legitimidade para impetrar mandado de segurança a fim de coibir atos praticados no processo de aprovação de leis e emendas constitucionais em que o vício de inconstitucionalidade esteja diretamente relacionado a aspectos formais e procedimentais da atuação legislativa. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 161 191 Gabarito: Errado. 32. (2021/Quadrix/CRECI - 14ª Região (MS)/Advogado) Quanto às normas atinentes aos processos ordinários e aos recursos, no âmbito do processo do trabalho, julgue o item. O mandado de segurança é o meio próprio para se obter efeito suspensivo a recurso ordinário interposto de sentença que ratifique a antecipação de tutela. Gabarito: Errado. 33. (2020/IPEFAE/Prefeitura de Campos do Jordão – SP/Procurador Municipal) Os remédios constitucionais, conforme lição de Rui Barbosa, são normas de conteúdo assecuratório, ou seja, são instrumentos previstos no ordenamento jurídico brasileiro para garantir às pessoas a aplicação e a efetividade dos direitos fundamentais. Com relação ao mandado de segurança e a proteção dos direitos fundamentais são feitas as seguintes afirmações: I - Qualquer pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira, poderá impetrar o mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quandoo responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. II - Os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições, serão equiparados à autoridade coatora para o fim de impetração do mandado de segurança. III - O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 180 (cento e oitenta) dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Após a leitura é possível concluir que: A) As afirmações I, II e III estão corretas. B) Apenas as afirmações I e II estão corretas. C) Apenas as afirmações II e III estão corretas. D) Apenas a afirmação III está correta. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 162 191 34. (2020/FUNDATEC/Prefeitura de Panambi – RS/Procurador) Acerca do Mandado de Segurança, considerando o disposto na Lei nº 12.016/2009 e o entendimento sumulado pelo STF, analise as assertivas abaixo: I. Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. II. O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança. III. Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. IV. Cabe mandado de segurança contra lei em tese. V. Controvérsia sobre matéria de direito impede concessão de mandado de segurança. Quais estão corretas? A) Apenas I, II e III. B) Apenas I, II e V. C) Apenas I, III e IV. D) Apenas II, III e IV. E) Apenas III, IV e V. 35. (2020/CPCON/Câmara de Bayeux – PB/Procurador Jurídico) Acerca dos Remédios Constitucionais, assinale a alternativa CORRETA. A) A impetração do habeas data está sujeita a prazo decadencial. B) O mandado de injunção é gratuito. C) É possível a impetração de habeas corpus contra ato de agente privado. D) Não há previsão de custas e de ônus de sucumbência para a ação popular. E) A sentença que julga procedente a ação popular está sujeita ao duplo grau de jurisdição. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 163 191 36. (2020/CPCON/Câmara de Bayeux – PB/Procurador Jurídico) No que se refere ao mandado de segurança, assinale a opção CORRETA: A) A concessão da liminar não prioriza o julgamento perante os mandados de segurança com liminares denegadas. B) A teoria da encampação pode ser aplicada no mandado de segurança, quando não existir vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado. C) A autoridade coatora, por ser quem presta as informações, é quem detém capacidade processual. D) A competência tributária, por seu turno, sob o enfoque fiscal não irá determinar a Justiça ou o Juízo a ser distribuído o mandamus. E) A doutrina diverge sobre quem efetivamente deve configurar no polo passivo da demanda: se a “autoridade coatora”, ou a pessoa jurídica, ou o órgão público a quem esta pertence. 37. (2020/Instituto Consulplan/Câmara de Amparo – SP/Procurador Legislativo) Zózimo, eleitor no Município de Amparo/SP, pretende mover uma ação com o intuito de anular um ato praticado pelo secretário municipal de governo que, no seu entendimento, é lesivo ao patrimônio cultural local. Para exercer seu direito de cidadão sem pagamento de custas judiciais e ônus de sucumbência, Zózimo deverá propor: A) Habeas data. B) Ação popular. C) Ação civil pública. D) Mandado de segurança. 38. (2020/IBADE/Câmara de Ji-Paraná – RO/Procurador) De acordo com as previsões constitucionais inerentes aos remédios constitucionais, suponha que uma pessoa jurídica pretende obter informações acerca de situações de interesse pessoal junto à Secretaria de Receita Federal, bem como a obtenção de uma certidão em repartição pública para defesa de direitos, sendo que em ambos os casos os requerimentos foram negados. Diante do contexto apresentado, o interessado poderá impetrar: A) mandado de segurança e habeas data, respectivamente. B) habeas data e direito de petição, respectivamente. C) direito de petição e mandado de injunção, respectivamente Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 164 191 D) habeas data e mandado de segurança, respectivamente. E) habeas data em ambos os casos. 39. (2020/IBADE/Câmara de Ji-Paraná – RO/Procurador) O Mandado de Segurança está previsto na Constituição Federal como o instrumento que tem por finalidade proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou por habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. De acordo com as regras constitucionais e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, assinale a opção que se apresenta correta. A) Partido político somente tem legitimidade para impetrar mandado de segurança quando houver, no Congresso Nacional, representação. B) É inconstitucional lei que fixa prazo de decadência para impetração de mandado de segurança. C) A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. D) Não cabe mandado de segurança contra lei em tese, embora seja cabível contra decisão judicial transitada em julgado. E) O pedido de reconsideração na via administrativa interrompe o prazo para impetração do mandado de segurança. 40. (2020/FAUEL/Prefeitura de Assis Chateaubriand – PR/Advogado) Assinale a alternativa INCORRETA, a respeito do mandado de segurança, da ação civil pública, da ação popular e do mandado de injunção. A) No mandado de injunção, a edição de norma regulamentadora antes da decisão é causa de extinção do processo com resolução de mérito. B) Das decisões em mandado de segurança proferidas em única instância pelos tribunais cabe recurso especial e extraordinário, nos casos legalmente previstos, e recurso ordinário, quando a ordem for denegada. C) A fim de subsidiar eventual ação civil pública, o Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer organismo público ou particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não poderá ser inferior a 10 (dez) dias úteis. D) Na ação popular, as partes só pagarão custas e preparo a final. Equipe Materiais Carreiras Jurídicas, Nelma Fontana Aula 03 Carreira Jurídica 2022 (Curso Regular) Direito Constitucional - Prof ª Nelma Fontana www.estrategiaconcursos.com.br 1255215 165 191 41. (2020/FUNDATEC/Prefeitura de Santo Augusto – RS/Advogado) Sobre o Mandado de Segurança Individual e Coletivo, assinale a alternativa INCORRETA. A) Cabe mandado de segurança contra ato de administrador de entidade autárquica, no que diz respeito às atribuições de poder público. B) Não cabe mandado de segurança contra lei em tese. C) Não se concederá mandado de segurança quando se tratar de ato contra o qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, exceto se realizada caução. D) Será decretada a perempção ou caducidade da medida liminar ex officio