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WBA0150_v2.0
GESTÃO DA RESPONSABILIDADE 
SOCIAL E AMBIENTAL 
APRENDIZAGEM EM FOCO
2
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
Autoria: Ana Carolina de Moraes Luccarelli
Leitura crítica: Juliana Fontes Lima Collaço
Olá aluno! Bem-vindo à disciplina!
Nas aulas que seguiremos juntos, estudaremos os principais 
conceitos sobre desenvolvimento sustentável, seus 
fundamentos e seus desafios, além de conhecermos os 
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e a Agenda 
2030, assim como as organizações envolvidas e interessadas na 
execução dessas ações.
Em seguida, entenderemos as definições de responsabilidades 
social e ambiental das empresas e sua importância para as 
empresas. Veremos como o tema se tornou estratégico nas 
agendas das organizações por todo o mundo e tem ganhado cada 
vez mais espaço nos ambientes corporativos, tornando-se uma 
prática comum a todas as organizações mundiais.
A partir desse ponto, conheceremos os principais Instrumentos 
de Responsabilidade Social Empresarial, concentrando nossas 
atenções na NBR 16001, ISO 26000, no Balanço Social e 
Environmental Social and Governmental (ESG), abordando os 
conceitos e aplicações comuns em pequenas, médias e grandes 
organizações. Ao final, veremos que tão importante quanto 
ter ações sustentáveis é informar às partes interessadas nas 
atividades da organização (aos stakeholders) o que se tem feito e 
qual o impacto dessas ações nos âmbitos local e mundial. Dessa 
forma, com as ações coordenadas de múltiplos órgãos e setores, 
a mudança de comportamento poderá afetar beneficamente os 
padrões de produção de bens e serviços mundiais. 
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Para você, aluno, será uma oportunidade de entender a 
importância da gestão da responsabilidade social e ambiental nas 
organizações, conhecer suas principais ferramentas, permitindo 
que seja possível aplicá-las nas diversas situações da rotina 
profissional em que virá a atuar, visto que este tema é transversal 
a todos os setores e de interesse comum à sociedade. 
Vamos juntos?
INTRODUÇÃO
Olá, aluno (a)! A Aprendizagem em Foco visa destacar, de maneira 
direta e assertiva, os principais conceitos inerentes à temática 
abordada na disciplina. Além disso, também pretende provocar 
reflexões que estimulem a aplicação da teoria na prática 
profissional. Vem conosco!
TEMA 1
Desenvolvimento sustentável 
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Autoria: Ana Carolina de Moraes Luccarelli
Leitura crítica: Juliana Fontes Lima Collaço
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DIRETO AO PONTO
O desenvolvimento sustentável é um conceito que apareceu com 
mais intensidade a partir da década de 1970, vindo de vários 
eventos mundiais que passaram a tratar o assunto do cuidado 
com o meio ambiente. O primeiro grupo a se reunir para discutir 
esse tema foi chamado de Clube de Roma e foi composto por 
membros de dez países. Em pouco tempo, o grupo já contava com 
mais de 100 membros e publicou dois importantes documentos 
intitulados: The limits to growth (Os limites para o crescimento) e 
Mankind at the turning poin (A humanidade no ponto de mudança), 
ambos tratavam do impacto humano no planeta, o consumo 
desenfreado de recursos, o desenvolvimento econômico e o 
crescimento populacional (MOTA, 2008).
Estimulados por esses documentos, houve o crescimento de 
pesquisas e análises de longo prazo sobre os problemas globais. 
Neste cenário, aconteceu a Conferência das Nações Unidas 
sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, presidida pela médica 
Gro Brundtland e que gerou o importante relatório Our common 
future (Nosso Futuro Comum), publicado em 1987 e que trazia os 
primeiros conceitos e objetivos globais para o desenvolvimento 
sustentável (ONU, 2020).
O Brasil teve papel fundamental na construção dessas 
discussões ao sediar a Conferência das Nações Unidas sobre 
o Meio Ambiente de 1992, intitulada de Rio-92. Neste evento 
foram criados documentos importantes como: a Carta da 
Terra e a Agenda 21, que traziam critérios éticos-políticos de 
responsabilidade social e ambiental entre os povos. Os acordos 
firmados nessa reunião são reafirmados pelos países em novos 
encontros que acontecem a cada cinco anos (Rio+5, 1997; Cúpula 
da Terra sobre a Sustentabilidade e Desenvolvimento, 2002; e a 
6
Rio+20, 2012). Em 1997, com base no Fundo para o Meio Ambiente 
criado na Rio-92, foi elaborado o Protocolo de Kyoto (1997), 
que trazia mecanismos financeiros para incentivar os países a 
reduzirem suas emissões de gases de efeito estufa (NAÇÕES 
UNIDAS BRASIL, 2020).
Ao mesmo tempo, a ONU por meio do PNUD criou a Agenda 
2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que 
estabelecem 17 metas para serem alcançadas pelos países até 
2030 como forma de atuar na resolução de problemas globais 
como a fome, a preservação de espécies, a construção de cidade 
sustentáveis, entre outros. Da mesma forma, a Conferência das 
Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas – COP21 estabeleceu 
o Acordo de Paris, um tratado ambiental entre 195 países que 
se comprometiam em ações efetivas para impedir o aumento da 
temperatura global em mais 2 ºC até 2100. Os Estados Unidos 
saíram do Acordo em 2017, gerando um enorme impacto na sua 
eficiência, visto que o país é um dos principais emissores de gases 
de efeito estufa no mundo (FIA, 2020).
Assim, com o crescimento do interesse internacional sobre as 
questões ambientais, e com o fortalecimento do conceito de 
desenvolvimento sustentável para que as empresas fossem 
sensibilizadas do seu papel no equilíbrio ambiental, foi criado o 
termo Triple Bottom Line, que une os aspectos ambientais, sociais e 
econômicos em um novo modelo de negócios que considera estes 
fatores na avaliação empresarial e na análise de performance de 
uma companhia.
Acompanhando a tendência, em 1999 criou-se o Dow Jones 
Sustainability Index (DJSI) com o objetivo de avaliar o desempenho 
financeiro das empresas líderes em sustentabilidade. Já em 2005, 
foi criado o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) no Brasil, 
que estimula as atividades socioambientais e avalia a performance 
7
das empresas listadas na B3 (Bovespa). Essas ações empresariais 
fornecem vantagens competitivas no mercado a partir do 
momento que suas ações geram valor na sociedade e no meio 
ambiente (BENITES, 2013). 
É importante relembrar que foi com as revoluções industriais 
que os meios de produção ganharam velocidade e aumentaram 
a exploração dos recursos naturais. Antes dessa descoberta, os 
impactos negativos causados pelos humanos no planeta eram 
inexpressivos. Após a Primeira Revolução Industrial houve uma 
explosão do crescimento populacional e consequente aumento 
do consumo de capital natural devido aos novos modelos de 
consumo. Por isso, é necessário que as empresas entendam seu 
papel na transformação global que passamos.
Figura 1 – Linha do tempo dos principais 
eventos ambientais mundiais
Fonte: elaborada pelo autor.
As conferências mundiais ambientais continuam existindo e são 
atualizadas conforme os desafios mundiais enfrentados pelos 
países na época, apesar de muitos acordos não serem cumpridos 
e muitas metas não serem alcançadas, cada vez mais as 
discussões são pressionadas pelo povo, mais consciente de suas 
escolhas de consumo e seu papel na sociedade, que exige de seus 
governantes ações efetivas.
8
Referências bibliográficas
ONU. A ONU e o meio ambiente. Disponível em: https://brasil.un.org/
pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente#:~:text=Aproveitando%20a%20
energia%20gerada%20pela,nome%20do%20meio%20ambiente%20global. 
Acesso em: 21 dez. 2020. 
PARA SABER MAIS
Muitos foram os acordos que antecederam o Acordo de Paris, 
entre eles podemos citar: 
O Protocolo de Kyoto (1997), com o objetivo de reduzir a emissão 
de gases de efeito estufa, com duração de 2008 a 2013 com a 
inclusão do Mercado de Carbono, que financiava projetos de 
Mecanismos de Desenvolvimento Limpo em países ditos “em 
desenvolvimento”, como o Brasil. O Protocolofoi estendido até 
2020 com a Emenda de Doha, em 2012. Foi a partir de 2020 que o 
Protocolo foi substituído pelo Acordo de Paris, que contava com 
194 países signatários (FIA, 2020).
A Plataforma de Durban (2011) foi criada durante a COP21 com o 
objetivo de negociar e reger as medidas efetivas de mitigação da 
mudança climática, a partir de 2020.
Referências bibliográficas
ACORDO de Paris: o que é, como surgiu e tratados ambientais. FIA, 2020. 
Disponível em: https://fia.com.br/blog/acordo-de-paris/. Acesso em: 15 set. 
2020.
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TEORIA EM PRÁTICA
Quando o Brasil assumiu o compromisso do Acordo de Paris e 
enviou suas metas para o documento global se comprometendo 
que em 2030 as emissões de gases de efeito estufa serão 43% 
menores do que em 2005, já tinha emitido naquele ano (2017), 
2,03 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. A proposta, então, 
é de que, até 2030, deverão ser emitidos pelo país 1,15 bilhões de 
toneladas desses gases. 
Assim, na época, já existia a noção de que um esforço nacional 
deveria ser feito para que houvesse reduções expressivas nas 
emissões de gases de efeito estufa. Após a divulgação dos últimos 
relatórios do IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças 
Climáticas, fica clara a necessidade de colocar em prática as ações 
o mais rápido possível, visto que há necessidade de não somente 
reduzir as emissões dos gases de efeito estufa, mas sim retirar 
esses gases da atmosfera. 
Reflita sobre o papel do Brasil nesse contexto: qual a principal 
forma de emissão de gases de efeito estufa no país? Como a 
emissão de gases no país está interligado com a retirada de gases 
da atmosfera? Qual o papel do Brasil no avanço do controle 
climático global?
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo 
professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no 
ambiente de aprendizagem.
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Autoria: Nome do autor da disciplina
Leitura crítica: Nome do autor da disciplina
LEITURA FUNDAMENTAL
Indicação 1
Este artigo corresponde a uma pesquisa de caráter descritivo-
exploratória, voltada para o desenvolvimento sustentável em 
seus aspectos conceituais e históricos, fazendo uma revisão 
literária. A autora concluiu que é nítida a preocupação e difusão 
do desenvolvimento sustentável para a perpetuação das espécies 
e que é preciso que a sociedade trabalhe a sustentabilidade de 
maneira prática e objetiva. 
Para realizar a leitura, acesse a plataforma online do Brazilian 
Journal of Development e busque pelo volume e número da 
revista para acessar o artigo.
SANTA RITA, A. E. C. et al. Desenvolvimento sustentável no 
Brasil/Sustainable development in Brazil. Brazilian Journal of 
Development, v. 6, n. 2, p. 8205-8213, 2020.
Indicação 2
Este artigo traz noções de desenvolvimento local e 
desenvolvimento sustentável, comparando duas iniciativas 
como ponto central, a participação cidadã e o envolvimento da 
comunidade, juntamente com a administração pública por meio 
da coordenação eficiente de governos locais. 
Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da 
Kroton e busque pelo título do artigo na página principal da BV.
Indicações de leitura
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BIER, C. A. et al. Promoção do desenvolvimento local sustentável: 
estudo comparativo das iniciativas do Brasil e da União Europeia. 
Revista Grifos, v. 29, n. 50, p. 7-29, 2020. 
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes 
neste Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em 
Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, 
além de questões de interpretação com embasamento no 
cabeçalho da questão.
1. O primeiro relatório internacional sobre as questões 
ambientais e que trouxe a definição de desenvolvimento 
sustentável pela primeira vez foi: 
a. A humanidade no ponto de mudança. 
b. Os limites para o crescimento.
c. Nosso futuro comum.
d. A Carta da Terra.
e. A Agenda 2030. 
2. As Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente 
propuseram uma série de acordos que buscavam equilibrar 
a existência humana no planeta com seu tempo de 
resiliência. Assinale a alternativa que contém o nome do 
acordo que substituiu o Protocolo de Kyoto.
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a. Emenda de Doha.
b. Plataforma de Durban.
c. COP21.
d. ODS.
e. Acordo de Paris. 
GABARITO
Questão 1 - Resposta C
Resolução: A definição de desenvolvimento sustentável 
como sendo “o desenvolvimento que satisfaz as 
necessidades presentes, sem comprometer a capacidade 
das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” 
consta na publicação Our common future (Nosso futuro 
comum) (CMMAD, 1991), unindo pela primeira vez o meio 
ambiente, a sociedade e a economia. 
Fonte: CMMAD. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento. Nosso futuro comum. 2. ed. Tradução 
de Our common future. 1988. Rio de Janeiro: Fundação 
Getúlio Vargas, 1991. 
Questão 2 - Resposta E
Resolução: O Acordo de Paris foi criado para substituir o 
Protocolo de Kyoto a partir do ano de 2020, contemplando 
um acordo internacional de 194 países para a junção de 
esforços para o controle das emissões de gases de efeito 
estufa e consequente aumento da temperatura global. 
TEMA 2
Definições de responsabilidades 
social e ambiental das empresas 
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Autoria: Ana Carolina de Moraes Luccarelli
Leitura crítica: Juliana Fontes Lima Collaço
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DIRETO AO PONTO
O mundo tem mudado muito rápido após o advento da 
globalização, a tecnologia tem feito com que as empresas se 
reinventem cada dia mais rápido de acordo com os anseios dos 
clientes. Para ter um negócio de sucesso, hoje, é necessário que 
a empresa entregue ao seu consumidor muito mais do que bons 
produtos, ou seja, atividades e ações em prol da sociedade e do 
meio ambiente.
Os clientes estão cada vez mais atentos e conscientes do seu 
papel como investidor financeiro em um negócio. Assim, buscam 
segurança em saber de onde os seus produtos vêm e como seu 
consumo impacta o ambiente. Por isso, a gestão desses negócios 
parte de gestores responsáveis e alcançam resultados positivos, 
incluindo a melhor reputação e posicionamento no mercado.
As ações de responsabilidade social empresarial foram 
amparadas pelo crescente interesse nas questões ambientais e 
no desenvolvimento sustentável, que passou a englobar as áreas 
sociais e econômicas. As empresas se uniram com Organizações 
Não Governamentais (ONG) para financiar projetos, implantaram 
certificações da International Organization for Standardization (ISO) 
em suas operações e passaram a produzir e divulgar relatórios 
de sustentabilidade.
A responsabilidade social empresarial possui diversos 
entendimentos de acordo com o setor envolvido. Um dos 
entendimentos está na percepção da necessidade do outro, 
da empatia com a sociedade e a natureza. Dessa forma, 
baseiam-se em princípios e valores éticos, compartilhados de 
forma transparente com os stakeholders, diferenciando-se do 
filantropismo por serem ações contínuas.
15
A história da responsabilidade social empresarial segue lado a 
lado com os períodos históricos do surgimento do capitalismo, 
das revoluções industriais e dos eventos ambientais, apoiando-se 
na publicação de obras que compartilharam e divulgaram o tema, 
como pode ser observado na Figura 1, a seguir:
Figura 1 – Linha do tempo da Responsabilidade Social 
Empresarial
Fonte: adaptada de Busch e Ribeiro (2009).
A Responsabilidade Social Empresarial pode ser dividida entre o 
período anterior à década de 1990 e após este período, sendo: 
a Abordagem Tradicional compreendida pelas empresas fazia 
apenas filantropia, doações para projetos sem relação ao core 
da empresa com controle total da alta direção e com o intuito de 
vender umaimagem de “bom samaritano”. Já a Nova Abordagem 
promovia os objetivos e a estratégia das empresas, com 
integração de diversos setores, relatando as ações e mensurando 
seu impacto (KOTLER; HESSEKIEL; LEE, 2012).
16
Referências bibliográficas
BORGER, F. G. Responsabilidade social empresarial e sustentabilidade 
para a gestão empresarial. Ethos, 19 jun. 2013. Disponível em: https://
edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4545635/mod_resource/content/1/2013_
INSTITUTO%20ETHOS_Responsabilidade%20social%20empresarial%20
e%20sustentabilidade%20para%20a%20gest%C3%A3o%20empresarial.pdf. 
Acesso em: 27 set. 2020.
BUSCH, S. E.; RIBEIRO, H. Responsabilidade socioambiental empresarial: 
revisão da literatura sobre conceitos. Interfacehs – Revista de Gestão 
Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente, São Paulo, v. 4, n. 2, 
2009. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001774207. Acesso em: 
21 dez. 2020.
KOTLER, P.; HESSEKIEL, D. L.; LEE, Nancy R. Boas ações: uma abordagem 
empresarial. Como integrar o marketing a ações corporativas que gerem 
dividendos sociais e retorno financeiro sustentável. Rio de Janeiro: Elsevier, 
2012.
PARA SABER MAIS
A empresas que atuam na responsabilidade social podem 
se beneficiar com a participação em bolsas de valores não 
convencionais, que avaliam as empresas pelas suas ações de 
responsabilidade social e ambiental. A primeira bolsa de valores 
do tipo a ser criada foi o Índice Dow Jones de Sustentabilidade, 
na Bolsa de Nova York, em 1999 e, no Brasil, foi criado em 2005 
o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) pela Bovespa 
(BUSCH; RIBEIRO, 2009). 
A atuação da empresa na área de Responsabilidade Social 
Empresarial é definida com a análise dos custos da atividade e 
a verificação permanente do atingimento das metas propostas. 
Além disso, é de extrema importância definir qual a área de 
atuação e os stakeholders a se beneficiarem, seguidos de uma 
conversa para levantar os seus principais interesses. A partir 
daí, deve-se avaliar como será feita a divulgação: por relatórios 
sociais em modelos e critérios específicos, produzidos pela própria 
17
empresa ou por meio das certificações, em que uma organização 
faz o papel de avaliar e conceder o selo para as empresas.
Na prática, as empresas podem aplicar o RSE por meio de algumas 
ações (CHILDFUND, 2020), como: 
• Reduzir o impacto ambiental de suas atividades, verificando 
seu processo produtivo para identificar possíveis 
oportunidades de ações menos agressoras à natureza.
• Educar os stakeholders em assuntos que sejam da área 
da empresa.
• Estimular a criação de líderes ambientais por meio de 
programas de treinamento e incentivo de seus funcionários. 
• Optar pelo uso de produtos naturais em substituição 
aos processos químicos adicionados aos seus produtos, 
estimulando o comércio sustentável com produtores locais.
• Estimular os funcionários a participarem de ações 
voluntárias em atividades assistenciais da comunidade 
vizinha à empresa. 
• Fazer doações financeiras e de produtos para instituições 
sociais sérias, que atuam em setores comuns da 
atividade empresarial ou da comunidade local. Para isso, 
é recomendado pesquisar sobre a ONG a ser ajudada, 
fazendo uma visita presencial, verificando a demonstração 
contábil e, se possível, uma certificação de que a doação foi 
destinada corretamente.
Referências bibliográficas
6 EXEMPLOS de responsabilidade social para empresas. Childfund. 
Disponível em: https://www.childfundbrasil.org.br/blog/6-exemplos-de-
responsabilidade-social-para-empresas/. Acesso em: 25 set. 2020. 
18
BUSCH, S. E.; RIBEIRO, H. Responsabilidade socioambiental empresarial: 
revisão da literatura sobre conceitos. Interfacehs – Revista de Gestão 
Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente, São Paulo, v. 4, n. 2, 
2009. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001774207. Acesso em: 
21 dez. 2020.
TEORIA EM PRÁTICA
Uma empresa de fabricação de produtos de limpeza pretende 
ampliar suas atividades em responsabilidade social atuando 
diretamente na comunidade ao redor das suas unidades fabris. 
Com a pandemia do coronavírus impactando diretamente a 
população, a empresa identificou uma oportunidade para colocar 
em prática seu planejamento. Algumas ONGs entraram em 
contato com a empresa solicitando diversas formas de auxílio, 
desde doações em dinheiro até doações de produtos químicos. 
Para que a empresa não perca dinheiro e não caia em golpes, 
como a organização deve agir? Quais informações devem ser 
coletadas? E qual a melhor estratégia de atendimento à população, 
levando em consideração a área de atuação da empresa?
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo 
professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no 
ambiente de aprendizagem.
LEITURA FUNDAMENTAL
Indicação 1
Nesta obra, são abordadas as teorias que baseiam a 
responsabilidade social empresarial, apresentando resumos sobre 
Indicações de leitura
19
suas origens e influências. Assim, são apresentados os principais 
modelos da responsabilidade social empresarial em dimensões 
econômicas, sociais, éticas e filantrópicas, atualizando as visões 
sobre os modelos de organização sustentável. 
Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da 
Kroton e clique em “Minha Biblioteca”.
BARBIERI, J. C.; CAJAZEIRA, J. E. R. Responsabilidade social 
empresarial e empresa sustentável. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 
2017.
Indicação 2
O livro aborda o conceito de sustentabilidade e o papel da gestão 
socioambiental nas empresas, para isso, é feita uma retomada 
histórica sobre a sociedade para entender como suas atividades 
diárias influenciam no meio ambiente, assim como, o papel das 
empresas no desenvolvimento sustentável. 
Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da 
Kroton e acesse a “Minha Biblioteca”.
MIRANDA, T. Responsabilidade socioambiental. 2. ed. 
Porto Alegre: Sagah, 2017. 
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes 
neste Aprendizagem em Foco.
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Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em 
Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, 
além de questões de interpretação com embasamento no 
cabeçalho da questão.
1. O Pacto Global é uma ferramenta que tem por objetivo 
auxiliar as organizações para o desenvolvimento de 
ações de responsabilidade social. Os princípios universais 
abordados levam em consideração quais temas? 
a. Erradicação da pobreza, cidades sustentáveis e saúde global. 
b. Igualdade de gênero, segurança e direitos humanos.
c. Direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção.
d. Cidades sustentáveis, meio ambiente, segurança e 
igualdade de gênero. 
e. Saúde global, trabalho, anticorrupção e cidades 
sustentáveis. 
2. A responsabilidade social apareceu pela primeira vez no 
mundo empresarial como:
a. Princípios da igreja, que poderiam ser aplicados pelas 
empresas na sociedade.
b. Teoria humanista de desenvolvimento de comunidades do 
entorno das fábricas. 
c. Leis balizadoras do trabalho ao longo da Primeira 
Revolução Industrial.
d. Publicação de um livro que trazia as primeiras definições 
sobre o assunto em 1953.
e. Filantropia por meio de doações em dinheiro de empresas 
na Alemanha em 1980. 
21
GABARITO
Questão 1 - Resposta C
Resolução: Os princípios universais em que o Pacto 
Global se baseia, são: Declaração Universal de Direitos 
Humanos, Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e 
Direitos Fundamentais no Trabalho, Convenção das 
Nações Unidas Contra a Corrupção e Declaração da 
Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e 
Desenvolvimento. 
Questão 2 - Resposta A
Resolução: Alguns princípios religiosos foram aplicados às 
atividades empresariais no início do século XX, dando início 
às discussões sobre o tema, como o princípio dacaridade e o 
princípio do gerenciamento (BUSCH, 2009). 
TEMA 3
Instrumentos e ferramentas 
da RSE 
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Autoria: Ana Carolina de Moraes Luccarelli
Leitura crítica: Juliana Fontes Lima Collaço
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DIRETO AO PONTO
Alguns instrumentos importantes para implantar ações de 
responsabilidade social corporativa nas suas atividades 
compreendem ABNT NBR 16001:2012, ISO 26000, Balanço 
Social, Governança Corporativa e o Índice de Sustentabilidade 
Empresarial. Vamos conhecer cada um deles?
A ABNT NBR 16001 teve seu lançamento em 2004 e passou 
por revisão em 2012, tem como função orientar a implantação 
do Sistema de Gestão da Responsabilidade Social e oferecer 
certificação. A norma atende à demanda de consumidores por 
ações éticas e responsáveis das empresas e utiliza o método de 
gestão PDCA. Os resultados esperados são melhores práticas de 
governança corporativa, combater discriminações estimulando a 
diversidade e proteger as novas gerações e o meio ambiente.
A ISO 26000 é uma norma internacional de adesão voluntária 
que estimula o desenvolvimento sustentável, considera as 
expectativas das partes interessadas e integra toda a organização. 
A implantação da ISO fornece melhoria na gestão de riscos e 
crises, além de aumentar a credibilidade e transparência, sua 
diferença para a NBR 16001 é que os requisitos são obrigatórios 
para quem deseja segui-la.
O Balanço Social é um instrumento que analisa os dados 
qualitativos e quantitativos de uma organização, auxiliando na 
tomada de decisões e prevendo problemas para a estratégia 
empresarial. Além disso, reúne informações das organizações 
e comunica para os investidores e os acionistas interessados, 
aumentando a transparência das atividades e prevendo os valores 
e objetivos com relação aos resultados atuais (BRAVIN et al., 2019).
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A governança corporativa é o conjunto de regras e atividades 
que definem a forma da operação empresarial, garantindo que 
as decisões sejam tomadas de forma eficaz, maximizando os 
resultados, trazendo benefícios tanto externos quanto internos, 
baseando a atividade da empresa em ações transparentes, 
equalitárias, prestação de conta e éticas.
O Índice de Sustentabilidade Empresarial é estruturado pela B3, 
sendo uma ferramenta de análise da performance corporativa 
das empresas, baseada na resposta de um questionário sobre 
suas ações. É baseado nos conceitos do Triple Bottom Line, de 
Governança Corporativa, características gerais e natureza do 
produto (MACHADO; MACHADO; CORRAR, 2009).
A atividade socialmente responsável é capaz de reforçar 
a ligação da empresa com a comunidade local e seus 
colaboradores, de acordo com Fombrun (2000). Assim, com 
uma boa reputação no mercado, a empresa consegue melhorar 
sua capacidade de negociar bons contratos com fornecedores 
e o governo, conseguindo maior valor agregado para seus 
produtos. Portanto, ações de RSE bem executadas e amparadas 
nas ferramentas e instrumentos de gestão são capazes de 
causar aumento do capital reputacional da empresa, ou seja, 
melhorar a reputação da empresa, dando início a uma cadeia 
de benefícios, conforme pode ser observado na Figura 1 
(MACHADO FILHO, 2002).
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Figura 1 – O modelo de criação de valor a partir de ações de 
responsabilidade social
Fonte: adaptada de Machado Filho (2002).
Conforme representado na Figura 1, entendemos que as 
empresas com atividades de responsabilidade social bem 
estruturadas com gestões empresariais podem obter ganhos de 
capital reputacional, aumentando as oportunidades de negócios, 
reduzindo riscos potenciais aos investidores, de sua conduta no 
mercado, preservando ou gerando aumento do valor da empresa.
Referências bibliográficas
BRAVIN, R. J. et al. A relevância do balanço social e a evidenciação de 
resultados nas empresas. Anais do Seminário Científico do UNIFACIG, 
Manhuaçu-ES, n. 5, 2019. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar_
url?url=http://pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/
article/view/1215&hl=pt-BR&sa=T&oi=gsb&ct=res&cd=0&d=38751939
81753888520&ei=mW-fX-eVAv2Jy9YPzpmXqAs&scisig=AAGBfm12kyZt_
Gmb4ayGnYsDHyv5uKlYzg. Acesso em: 15 out. 2020.
MACHADO FILHO, C. A. P. Responsabilidade social corporativa e a 
criação de valor para as organizações: um estudo multicasos. Tese 
(Doutorado). Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade 
da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2002. Disponível em: http://
26
pensaqa.fia.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Responsabilidade_
social_corporativa_e_criacao_de_valor_para_as_organizacoes_um_estudo_
multicasos_2002.pdf. Acesso em: 21 dez. 2020.
MACHADO, M. R; MACHADO, M. A. V; CORRAR, L. J. Desempenho do índice 
de sustentabilidade empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo. 
Revista Universo Contábil, v. 5, n. 2, p. 24-38, 2009. Disponível em: 
https://proxy.furb.br/ojs/index.php/universocontabil/article/view/1401/0. 
Acesso em: 21 dez. 2020.
PARA SABER MAIS
Um estudo do European Sustainability Forum (Eurosif) (2010) 
mostrou que o crescimento do Investimento Sustentável e 
Responsável (ISR) não desacelerou nos momentos de crise e 
que a indústria europeia continua apoiando esses investimentos. 
Ao mesmo tempo, os investidores de varejo não apresentaram 
o mesmo interesse, o que aponta o déficit na comunicação clara 
dos benefícios desses investimentos, fazendo com que passem a 
considerar esses elementos nas tomadas de decisão, assim como 
fazem os investidores institucionais. 
No relatório de 2012 lançado pelo MIT Sloan Management 
Review (HAANAES et al., 2012) consta uma pesquisa com mais 
de 4 mil executivos de 113 países. Destes, 70% indicaram ter 
adotado a sustentabilidade de forma permanente na sua 
estratégia empresarial, em seguida, 55% dos que responderam 
disseram que consideram a sustentabilidade necessária para 
ter competitividade no mercado atual e, 41% afirmam que o 
principal indutor de mudança de postura empresarial são as 
demandas de seus clientes por produtos e serviços sustentáveis. 
O mesmo estudo mostra que 72% dos gestores de ativos 
americanos que incorporaram o Environmental, Social and 
Governance nas suas decisões, tiveram a demanda dos seus 
clientes e valores próprios como principal motivo.
27
Além disso, houve aumento por parte dos investidores institucionais 
na procura por informações do desempenho das empresas nessas 
áreas, indo contra a hipótese de que as empresas só investem 
em sustentabilidade quando há sobra de recursos. Ademais, um 
terço dos respondentes disse que as práticas de sustentabilidade 
estão causando aumento da rentabilidade da empresa, sendo as 
mais atingidas localizadas na Ásia, América do Sul e África. No final, 
o relatório informa que, além de reconhecer a necessidade das 
práticas de sustentabilidade, as empresas passaram a usufruir dos 
benefícios financeiros associados.
Referências bibliográficas
EUROSIF. European SRI Study. Revised Edition. Paris, 2010.
HAANAES, K. et al. Sustainability nears a tipping point. MIT Sloan 
Management Review. Research Report. Hollywood, Winter 2012.
TEORIA EM PRÁTICA
Imagine que você é gerente da área de sustentabilidade de uma 
indústria de plásticos que atua no sudeste do Brasil, contribuindo 
com 20% da economia da cidade, mas tem sua matriz instalada 
em Amsterdã, na Holanda. A matriz possui uma forte política de 
responsabilidade social empresarial adaptada ao contexto social 
em que está inserida e, por isso, há uma cobrança grande para 
que a unidade brasileira tenha uma forte atuação nesta área. 
Como gerente, você precisa decidir como informar ao público 
interessado sobre as ações que têm sido feitas no último ano e o 
impacto dos investimentos no público interno e externo. 
• Quais instrumentos são os mais indicados para a sua tarefa? 
• Como os instrumentos poderão ser utilizados como 
estratégia para outros fins? 
28
• Que tipo de projetosde RSE podem ser desenvolvidos 
pela empresa?
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo 
professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no 
ambiente de aprendizagem.
LEITURA FUNDAMENTAL
Indicação 1
Este artigo tem como objetivo verificar, na seleção de empresas 
que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), 
a influência dos investimentos ambientais e de indicadores 
econômico-financeiros ao longo do ano de 2014, utilizando 
uma amostra de 178 empresas elegíveis do período de 2015 
usando o ano-base de 2014. Foi utilizada a regressão logística 
como técnica estatística e a verificação das variáveis que 
influenciam na seleção de empresas para compor o ISE. 
O resultado mostrou que influenciam a seleção: o tamanho, 
rentabilidade do ativo, grau de endividamento e investimento 
ambiental quantitativo. 
Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da 
Kroton e busque pelo título da obra na página principal da BV.
TONOLLI, B. B.; ROVER, S.; FERREIRA, D. D. M. Influência dos 
investimentos ambientais e dos indicadores econômico-
financeiros na seleção de empresas para compor o Índice de 
Sustentabilidade Empresarial (ISE). Revista Catarinense da 
Ciência Contábil, v. 16, n. 48, 2017.
Indicações de leitura
29
Indicação 2
Este artigo faz uma discussão em torno da avaliação da 
conformidade e a certificação de sistema da gestão da 
responsabilidade social, utilizando a ABNT NBR 16001:2004. 
São avaliados os requisitos da norma, levantando as 
dificuldades em evidenciar a conformidade durante auditoria. 
São feitas sugestões para aumentar a confiabilidade e 
credibilidade no processo de certificação, propiciando melhor 
avaliação e demonstração de seu comprometimento com o 
desenvolvimento sustentável para as partes interessadas em 
ações sociais e ambientais. 
Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da 
Kroton e busque pelo título da obra na página principal da BV.
SORATTO, A. N. et al. Sistema da gestão da responsabilidade 
social: desafios para a certificação NBR 16001. Revista Gestão 
Industrial, v. 2, n. 4, p. 13-25, 2006. 
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes 
neste Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em 
Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, 
além de questões de interpretação com embasamento no 
cabeçalho da questão.
30
1. A responsabilidade social empresarial conta com duas 
ferramentas orientadoras para a implantação de sistemas 
de gestão empresarial baseados nessas ações, uma 
internacional e outra nacional. Assinale a alternativa que 
contém o nome delas. 
a. NBR14001 e OHSAS 18001. 
b. Balanço Social e ISE.
c. Governança corporativa e Balanço Social.
d. NBR16001 e ISO 26000.
e. Governança corporativa e ISE. 
2. Uma das ferramentas de RSE tem como função demonstrar 
ao público interessado quanto, em valores monetários, 
uma organização tem de despesas com cuidados ao meio 
ambiente, bem-estar dos funcionários e da comunidade 
local. O nome desse instrumento é:
a. ISE.
b. Balanço social.
c. NBR 16001.
d. ISO 26000.
e. Governança corporativa. 
GABARITO
Questão 1 - Resposta D
Resolução: A ABNT NBR 16001 é uma norma brasileira e foi 
revisada em 2012. Tem como função orientar a implantação 
do Sistema de Gestão da Responsabilidade Social e oferecer 
uma certificação. Já a ISO 26000 é uma norma internacional 
31
voluntária que estimula o desenvolvimento sustentável, 
considera as expectativas das partes interessadas e integra 
toda a organização. 
Questão 2 - Resposta B
Resolução: O balanço social é uma ferramenta que gera um 
relatório informativo para as partes interessadas sobre a 
contribuição da empresa com o meio ambiente e a sociedade, 
muitas vezes é entregue junto com o balanço contábil. 
TEMA 4
Relatórios de responsabilidade 
socioambiental – relato 
integrado e GRI 
______________________________________________________________
Autoria: Ana Carolina de Moraes Luccarelli
Leitura crítica: Juliana Fontes Lima Collaço
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 1
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DIRETO AO PONTO
Os relatórios empresariais de sustentabilidade ganharam espaço 
nas agendas estratégicas das empresas a partir do momento em 
que houve o posicionamento dos stakeholders para ter acesso a 
mais informações sobre as decisões tomadas e os investimentos 
feitos para minimizar os impactos positivos e negativos de suas 
atividades na sociedade e no meio ambiente. 
A princípio, uma série de relatórios foram copilados pelas 
organizações de forma a suprir a demanda por informações 
vindas dos stakeholders, porém as constantes inconsistências e a 
dificuldade de comparação entre os relatórios fizeram com que 
surgisse a necessidade de desenvolver um modelo padronizado, 
com elementos comuns e dados mínimos esperados. 
É nesse cenário que foi criado o Relato Integrado (RI) em 2009, 
com a intenção de unir os componentes financeiros e não 
financeiros das organizações e que fosse aceito universalmente. 
Em 2010, foi criada a International Integrated Reporting Council 
(IIRC), entidade responsável por criar as bases do relato, 
envolvendo entidades reguladoras, empresas, investidores, entre 
outros. O grupo analisou diversos tipos de relatórios, criando um 
modelo em que a essência está em integrar informações com 
base nos processos de controle e gestão, tendo foco nos aspectos 
de geração de valor e se estruturando nos pilares de governança, 
estratégias e desempenho da organização.
O RI propicia que seja feita a conferência da estabilidade 
financeira e das ações de desenvolvimento sustentável, 
informando onde podem ser alocados mais recursos. Os temas 
que envolvem recursos e relacionamentos que podem ser 
afetados por uma organização são chamados de capitais, sendo 
compostos por: financeiro, manufaturado, intelectual, humano, 
social, de relacionamento e natural (IIRC, 2013). 
34
Espera-se que a longo prazo a adoção dos princípios e do 
pensamento integrado seja responsável por garantir uma melhor 
abordagem dos relatos, facilitando o processo de elaboração e 
informando a geração de valor para os stakeholders. A elaboração 
do relato é gratuita e pode ser feita em atendimento à legislação 
ou de forma autônoma.
Já o relatório de sustentabilidade modelo GRI foi criado com o 
objetivo de auxiliar as organizações a elaborar relatos sobre o 
impacto dos seus negócios em temas como direitos humanos, 
mudanças climáticas e corrupção. A Global Reporting Initiative (GRI) 
foi criada em 1997 e ganhou notoriedade ao se aliar ao Programa 
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), tornando-se 
uma organização independente em 2002. O modelo GRI é 
composto por diretrizes, suplementos setoriais e protocolos, que 
têm como função auxiliar a identificar os impactos da atividade 
nos aspectos socioambientais (FIESP, 2020).
As versões dos indicadores do GRI passaram por atualizações 
ao longo dos anos. Na versão G4 foram gerados padrões que 
facilitaram a implantação do modelo dividindo os indicadores 
em módulos inter-relacionados, representando as melhores 
práticas para os relatos. Não é necessário utilizar de todos os 
padrões, mas os que forem utilizados precisam conter a inclusão 
da declaração de uso. Os indicadores GRI são divididos em três 
grupos, sendo eles: ambientais (emissões de efluente, resíduos, 
água etc.), sociais (direitos humanos, legislação trabalhista etc.) e 
econômicos (fluxo de caixa, desempenho econômico e impactos 
indiretos) (FIESP, 2020). 
As organizações começaram a se organizar para suprir a 
demanda de orientar e divulgar as ações de sustentabilidade nas 
empresas. A primeira organização a ser criada com esse fim foi 
a fundação GRI em 1997, que conseguiu produzir seu primeiro 
35
modelo deindicadores em 1999. Já em 2002, a GRI se tornou 
uma organização independente, ganhando espaço devido a sua 
parceria com o PNUMA e lançando em 2006 a versão G3 dos seus 
indicadores. Em 2013 aconteceu a padronização do relatório, 
com o lançamento da G4, vigente até hoje. Ao mesmo tempo, o 
Relato Integrado produzia o seu primeiro protótipo no ano de 
2012, estabelecendo seu modelo final em 2013 com o objetivo 
de unir os dados financeiros com os aportes nas áreas sociais e 
ambientais. A Figura 1 apresenta a cronologia do desenvolvimento 
dos indicadores dos relatórios integrado e GRI.
Figura 1 – Linha do tempo da evolução dos relatórios 
empresariais
Fonte: elaborada pelo autor.
Analisando a cronologia, fica claro como os dois modelos foram 
criados de forma independente, porém, caminhando para um 
único modelo que fornece um padrão para a construção de 
relatos e divulgação de relatórios de sustentabilidade.
Referências bibliográficas
CONTAS. TCU. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/contas/contas-e-
relatorios-de-gestao/relato-integrado.htm. Acesso em: 14 out. 2020.
IIRC. International Integrated Reporting Council. A estrutura internacional 
para relato integrado. 2013. Disponível em: https://integratedreporting.
org/wp-content/uploads/2015/03/13-12-08-THE-INTERNATIONAL-IR-
FRAMEWORK-Portugese-final-1.pdf. Acesso em: 6 out. 2020.
36
SILVEIRA, K. P. Entrevista: Glaucia Terreo, representante da Global 
Reporting Initiative (GRI) no brasil, fala sobre a evolução dos relatórios de 
sustentabilidade. Fiesp. Disponível em: https://www.fiesp.com.br/indices-
pesquisas-e-publicacoes/entrevista-glaucia-terreo-representante-da-global-
reporting-initiative-gri-no-brasil-fala-sobre-a-evolucao-dos-relatorios-de-
sustentabilidade/. Acesso em: 14 out. 2020.
PARA SABER MAIS
Muitas vezes, as ações de sustentabilidade empresariais não 
precisam seguir um padrão de conformidade como acontece com 
as demonstrações financeiras, e é por isso que as organizações 
padronizadoras não impõem que suas estruturas sejam seguidas 
com base em um único critério, e sim de forma que se adeque 
da melhor forma em suas atividades. Por isso, os investidores 
possuem a dificuldade de conciliar as demonstrações de 
sustentabilidade entre as empresas para poder compará-las. 
Ainda há a necessidade de aprimorar os relatórios de 
sustentabilidade. De acordo com a pesquisa produzida pela 
McKisey & Company (BERNOW et al., 2020), existe apoio para 
que haja a redução da quantidade de padrões existentes para 
os relatórios de sustentabilidade, pois se imagina que assim, 
é possível agir de forma rápida às tendências de atuação em 
mudanças climáticas, escassez hídrica, engajamento e alocação 
de capital.
Para se ter uma ideia, a prática atual de elaboração de relatórios 
de sustentabilidade vem da década de 1990 com a mobilização 
da sociedade civil, governos e outras organizações, para que as 
empresas assumissem seus impactos ao meio. Nos anos 2000, 
a Global Reporting Initiative (GRI) estreou com a publicação das 
diretrizes para a preparação de relatórios, em seguida, foi lançado 
o Protocolo de Gases de Efeito Estufa pelo World Business Council 
37
for Sustainable Development (Conselho Empresarial Mundial para 
o Desenvolvimento Sustentável) e o World Resources Institute 
(Instituto de Recursos Mundiais). Neste mesmo período, foram 
lançadas iniciativas como o Pacto Global da ONU e o Carbon 
Disclosure Project (Projeto de Divulgação de Emissões de Carbono 
– CDP), que também estimulavam as empresas a comunicarem 
suas ações de sustentabilidade. 
A partir das últimas crises financeiras, foram criadas estruturas e 
padrões adicionais para que as empresas estivessem de acordo 
com boas práticas de Environmental, Social and Governance 
(ESG), como o International Integrated Reporting Council 
(Conselho Internacional de Relatório Integrado ou IIRC) e o 
Sustainability Accounting Standards Board (Conselho de Normas 
de Contabilidade de Sustentabilidade, ou SASB), que tem como 
missão identificar os fatores de sustentabilidade entre os setores. 
O Embankment Project for Inclusive Capitalism (Projeto Embankment 
para o Capitalismo Inclusivo) busca definir um conjunto enxuto de 
métricas capazes de mensurar e demonstrar, no longo prazo, o 
valor das atividades de ESG para os mercados financeiros. 
Dado a esse grande número de opções de métricas e indicadores 
para a elaboração de relatórios, as empresas decidem de forma 
autônoma sobre quais serão adotados por elas. Para basear 
as escolhas, muitas empresas escutam a opinião de seus 
stakeholders para ranquear os impactos que mais os atingem, 
além de levantar os interesses por temas relevantes na área. 
Da mesma forma, devido à grande diversidade de 
demonstrações e da sua escolha subjetiva, o escopo e a 
profundidade do tema diferem grandemente, assim como a 
escolha dos stakeholders e dos impactos que serão tratados. 
Por isso, imagina-se que em um futuro próximo, os relatórios 
irão converter para um modelo em comum.
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Referências bibliográficas
BERNOW, S. et al. Mais do que valores: os relatórios de sustentabilidade 
baseados em valor desejados pelos investidores. McKinsey & Company, 20 
jan. 2020. Disponível em: https://www.mckinsey.com.br/business-functions/
sustainability/our-insights/more-than-values-the-value-based-sustainability-
reporting-that-investors-want/. Acesso em: 13 abr. 2020.
TEORIA EM PRÁTICA
Você faz parte de uma empresa que está começando no mercado 
brasileiro comercializando itens de higiene pessoal, como 
shampoo, condicionador, pasta de dente e desodorante sólidos. 
Toda a embalagem é minimalista e feita de papel, os produtos 
são quase artesanais e a empresa pratica comércio justo com 
seus fornecedores e funcionários. 
Com base nesse cenário, você recebe uma mensagem 
de uma empresa francesa interessada no negócio e com 
planos de levar os produtos para serem comercializados na 
Europa. Porém, para isso, os investidores pedem um resumo 
das atividades da empresa. Para atender essa demanda, 
qual forma de relato você escolheria? Quais os indicadores 
envolvidos e os conceitos relacionados?
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo 
professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no 
ambiente de aprendizagem.
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LEITURA FUNDAMENTAL
Indicação 1
Este livro aborda o tema do Relato Integrado e Sustentabilidade, 
como disciplina oferecida na FEA/USP, tendo o suporte de 
parceiros atuantes em favor do desenvolvimento sustentável, 
como: o International Integrated Reporting Council (IIRC), a 
Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato Integrado 
(CBARI), o Global Reporting Initiative (GRI) e a Bolsa de 
Valores (Brasil, Bolsa, Balcão – B3). O novo padrão de relatos 
corporativos permite que as organizações gerem comunicações 
enxutas, conectadas e dinâmicas, comunicando a geração de 
valor para o futuro sustentável. 
Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da 
Kroton e busque pelo título no parceiro “Minha Biblioteca”.
KASSAI, J. R.; CARVALHO, N.; MÚRCIA, F. D. R. Contabilidade 
ambiental: relato integrado e sustentabilidade. São Paulo: Atlas, 
2019. Capítulos 8 e 9.
Indicação 2
O Relatório Integrado (RI) teve lançamento em diversos países, 
apresentado pelo International Integrated Reporting Council (IIRC), 
tendo como integrar no mesmo relatório informações financeiras 
e não financeiras, permitindo que os stakeholders tomem decisões 
relativas ao investimento baseadas em informações confiáveis. 
O RI também permite o planejamento do panorama futuro e a 
geração de valor influenciada ao longo do tempo. 
Indicações de leitura
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Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da 
Kroton e busque pelo parceiro “Minha Biblioteca”.
PEREZ JÚNIOR, J. H.; OLIVIERI NETO, R. O.; SILVA, C. A. S. 
Relatório integrado: integração entre as informações 
financeiras, de sustentabilidade e de governança em relatórios 
corporativos. São Paulo: Atlas, 2014. 
QUIZ
Prezadoaluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes 
neste Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em 
Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, 
além de questões de interpretação com embasamento no 
cabeçalho da questão.
1. Após a crescente demanda por assumir a 
responsabilidade de suas atividades no meio ambiente, 
as empresas passaram a informar as partes interessadas 
sobre as ações sustentáveis que tomavam. O primeiro 
formato de indicador foi: 
a. O relato integrado 1.
b. O modelo PNUD.
c. O G3, lançado pela GRI.
d. O G1, lançado pela GRI.
e. O relato em partes, lançado pelo IIRC. 
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2. As empresas produzem seus relatórios para informar as 
ações de minimização de impactos das suas atividades. 
Por isso, a principal missão do Relato Integrado é:
a. Garantir a coerência do balanço financeiro.
b. Unir os dados financeiros aos de sustentabilidade.
c. Avaliar os riscos de uma atividade ao meio ambiente.
d. Buscar acordos entre diferentes stakeholders.
e. Comprovar a atuação da empresa conforme a 
legislação atual. 
GABARITO
Questão 1 - Resposta D
Resolução: O primeiro modelo de indicador de relatório 
de sustentabilidade foi o G1, lançado pela GRI. 
Questão 2 - Resposta B
Resolução: A principal função do RI é unir as informações 
sobre as finanças das empresas com as atividades de 
impacto socioambiental, de forma a indicar os valores 
que são destinados para esse fim. 
BONS ESTUDOS!

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