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WBA0150_v2.0 GESTÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL APRENDIZAGEM EM FOCO 2 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Autoria: Ana Carolina de Moraes Luccarelli Leitura crítica: Juliana Fontes Lima Collaço Olá aluno! Bem-vindo à disciplina! Nas aulas que seguiremos juntos, estudaremos os principais conceitos sobre desenvolvimento sustentável, seus fundamentos e seus desafios, além de conhecermos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e a Agenda 2030, assim como as organizações envolvidas e interessadas na execução dessas ações. Em seguida, entenderemos as definições de responsabilidades social e ambiental das empresas e sua importância para as empresas. Veremos como o tema se tornou estratégico nas agendas das organizações por todo o mundo e tem ganhado cada vez mais espaço nos ambientes corporativos, tornando-se uma prática comum a todas as organizações mundiais. A partir desse ponto, conheceremos os principais Instrumentos de Responsabilidade Social Empresarial, concentrando nossas atenções na NBR 16001, ISO 26000, no Balanço Social e Environmental Social and Governmental (ESG), abordando os conceitos e aplicações comuns em pequenas, médias e grandes organizações. Ao final, veremos que tão importante quanto ter ações sustentáveis é informar às partes interessadas nas atividades da organização (aos stakeholders) o que se tem feito e qual o impacto dessas ações nos âmbitos local e mundial. Dessa forma, com as ações coordenadas de múltiplos órgãos e setores, a mudança de comportamento poderá afetar beneficamente os padrões de produção de bens e serviços mundiais. 3 Para você, aluno, será uma oportunidade de entender a importância da gestão da responsabilidade social e ambiental nas organizações, conhecer suas principais ferramentas, permitindo que seja possível aplicá-las nas diversas situações da rotina profissional em que virá a atuar, visto que este tema é transversal a todos os setores e de interesse comum à sociedade. Vamos juntos? INTRODUÇÃO Olá, aluno (a)! A Aprendizagem em Foco visa destacar, de maneira direta e assertiva, os principais conceitos inerentes à temática abordada na disciplina. Além disso, também pretende provocar reflexões que estimulem a aplicação da teoria na prática profissional. Vem conosco! TEMA 1 Desenvolvimento sustentável ______________________________________________________________ Autoria: Ana Carolina de Moraes Luccarelli Leitura crítica: Juliana Fontes Lima Collaço TE M A 4 TE M A 1 TE M A 2 TE M A 3 IN ÍC IO 5 DIRETO AO PONTO O desenvolvimento sustentável é um conceito que apareceu com mais intensidade a partir da década de 1970, vindo de vários eventos mundiais que passaram a tratar o assunto do cuidado com o meio ambiente. O primeiro grupo a se reunir para discutir esse tema foi chamado de Clube de Roma e foi composto por membros de dez países. Em pouco tempo, o grupo já contava com mais de 100 membros e publicou dois importantes documentos intitulados: The limits to growth (Os limites para o crescimento) e Mankind at the turning poin (A humanidade no ponto de mudança), ambos tratavam do impacto humano no planeta, o consumo desenfreado de recursos, o desenvolvimento econômico e o crescimento populacional (MOTA, 2008). Estimulados por esses documentos, houve o crescimento de pesquisas e análises de longo prazo sobre os problemas globais. Neste cenário, aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, presidida pela médica Gro Brundtland e que gerou o importante relatório Our common future (Nosso Futuro Comum), publicado em 1987 e que trazia os primeiros conceitos e objetivos globais para o desenvolvimento sustentável (ONU, 2020). O Brasil teve papel fundamental na construção dessas discussões ao sediar a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente de 1992, intitulada de Rio-92. Neste evento foram criados documentos importantes como: a Carta da Terra e a Agenda 21, que traziam critérios éticos-políticos de responsabilidade social e ambiental entre os povos. Os acordos firmados nessa reunião são reafirmados pelos países em novos encontros que acontecem a cada cinco anos (Rio+5, 1997; Cúpula da Terra sobre a Sustentabilidade e Desenvolvimento, 2002; e a 6 Rio+20, 2012). Em 1997, com base no Fundo para o Meio Ambiente criado na Rio-92, foi elaborado o Protocolo de Kyoto (1997), que trazia mecanismos financeiros para incentivar os países a reduzirem suas emissões de gases de efeito estufa (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2020). Ao mesmo tempo, a ONU por meio do PNUD criou a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que estabelecem 17 metas para serem alcançadas pelos países até 2030 como forma de atuar na resolução de problemas globais como a fome, a preservação de espécies, a construção de cidade sustentáveis, entre outros. Da mesma forma, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas – COP21 estabeleceu o Acordo de Paris, um tratado ambiental entre 195 países que se comprometiam em ações efetivas para impedir o aumento da temperatura global em mais 2 ºC até 2100. Os Estados Unidos saíram do Acordo em 2017, gerando um enorme impacto na sua eficiência, visto que o país é um dos principais emissores de gases de efeito estufa no mundo (FIA, 2020). Assim, com o crescimento do interesse internacional sobre as questões ambientais, e com o fortalecimento do conceito de desenvolvimento sustentável para que as empresas fossem sensibilizadas do seu papel no equilíbrio ambiental, foi criado o termo Triple Bottom Line, que une os aspectos ambientais, sociais e econômicos em um novo modelo de negócios que considera estes fatores na avaliação empresarial e na análise de performance de uma companhia. Acompanhando a tendência, em 1999 criou-se o Dow Jones Sustainability Index (DJSI) com o objetivo de avaliar o desempenho financeiro das empresas líderes em sustentabilidade. Já em 2005, foi criado o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) no Brasil, que estimula as atividades socioambientais e avalia a performance 7 das empresas listadas na B3 (Bovespa). Essas ações empresariais fornecem vantagens competitivas no mercado a partir do momento que suas ações geram valor na sociedade e no meio ambiente (BENITES, 2013). É importante relembrar que foi com as revoluções industriais que os meios de produção ganharam velocidade e aumentaram a exploração dos recursos naturais. Antes dessa descoberta, os impactos negativos causados pelos humanos no planeta eram inexpressivos. Após a Primeira Revolução Industrial houve uma explosão do crescimento populacional e consequente aumento do consumo de capital natural devido aos novos modelos de consumo. Por isso, é necessário que as empresas entendam seu papel na transformação global que passamos. Figura 1 – Linha do tempo dos principais eventos ambientais mundiais Fonte: elaborada pelo autor. As conferências mundiais ambientais continuam existindo e são atualizadas conforme os desafios mundiais enfrentados pelos países na época, apesar de muitos acordos não serem cumpridos e muitas metas não serem alcançadas, cada vez mais as discussões são pressionadas pelo povo, mais consciente de suas escolhas de consumo e seu papel na sociedade, que exige de seus governantes ações efetivas. 8 Referências bibliográficas ONU. A ONU e o meio ambiente. Disponível em: https://brasil.un.org/ pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente#:~:text=Aproveitando%20a%20 energia%20gerada%20pela,nome%20do%20meio%20ambiente%20global. Acesso em: 21 dez. 2020. PARA SABER MAIS Muitos foram os acordos que antecederam o Acordo de Paris, entre eles podemos citar: O Protocolo de Kyoto (1997), com o objetivo de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, com duração de 2008 a 2013 com a inclusão do Mercado de Carbono, que financiava projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo em países ditos “em desenvolvimento”, como o Brasil. O Protocolofoi estendido até 2020 com a Emenda de Doha, em 2012. Foi a partir de 2020 que o Protocolo foi substituído pelo Acordo de Paris, que contava com 194 países signatários (FIA, 2020). A Plataforma de Durban (2011) foi criada durante a COP21 com o objetivo de negociar e reger as medidas efetivas de mitigação da mudança climática, a partir de 2020. Referências bibliográficas ACORDO de Paris: o que é, como surgiu e tratados ambientais. FIA, 2020. Disponível em: https://fia.com.br/blog/acordo-de-paris/. Acesso em: 15 set. 2020. 9 TEORIA EM PRÁTICA Quando o Brasil assumiu o compromisso do Acordo de Paris e enviou suas metas para o documento global se comprometendo que em 2030 as emissões de gases de efeito estufa serão 43% menores do que em 2005, já tinha emitido naquele ano (2017), 2,03 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. A proposta, então, é de que, até 2030, deverão ser emitidos pelo país 1,15 bilhões de toneladas desses gases. Assim, na época, já existia a noção de que um esforço nacional deveria ser feito para que houvesse reduções expressivas nas emissões de gases de efeito estufa. Após a divulgação dos últimos relatórios do IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, fica clara a necessidade de colocar em prática as ações o mais rápido possível, visto que há necessidade de não somente reduzir as emissões dos gases de efeito estufa, mas sim retirar esses gases da atmosfera. Reflita sobre o papel do Brasil nesse contexto: qual a principal forma de emissão de gases de efeito estufa no país? Como a emissão de gases no país está interligado com a retirada de gases da atmosfera? Qual o papel do Brasil no avanço do controle climático global? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. 10 Lorem ipsum dolor sit amet Autoria: Nome do autor da disciplina Leitura crítica: Nome do autor da disciplina LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 Este artigo corresponde a uma pesquisa de caráter descritivo- exploratória, voltada para o desenvolvimento sustentável em seus aspectos conceituais e históricos, fazendo uma revisão literária. A autora concluiu que é nítida a preocupação e difusão do desenvolvimento sustentável para a perpetuação das espécies e que é preciso que a sociedade trabalhe a sustentabilidade de maneira prática e objetiva. Para realizar a leitura, acesse a plataforma online do Brazilian Journal of Development e busque pelo volume e número da revista para acessar o artigo. SANTA RITA, A. E. C. et al. Desenvolvimento sustentável no Brasil/Sustainable development in Brazil. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 2, p. 8205-8213, 2020. Indicação 2 Este artigo traz noções de desenvolvimento local e desenvolvimento sustentável, comparando duas iniciativas como ponto central, a participação cidadã e o envolvimento da comunidade, juntamente com a administração pública por meio da coordenação eficiente de governos locais. Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título do artigo na página principal da BV. Indicações de leitura 11 BIER, C. A. et al. Promoção do desenvolvimento local sustentável: estudo comparativo das iniciativas do Brasil e da União Europeia. Revista Grifos, v. 29, n. 50, p. 7-29, 2020. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. O primeiro relatório internacional sobre as questões ambientais e que trouxe a definição de desenvolvimento sustentável pela primeira vez foi: a. A humanidade no ponto de mudança. b. Os limites para o crescimento. c. Nosso futuro comum. d. A Carta da Terra. e. A Agenda 2030. 2. As Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente propuseram uma série de acordos que buscavam equilibrar a existência humana no planeta com seu tempo de resiliência. Assinale a alternativa que contém o nome do acordo que substituiu o Protocolo de Kyoto. 12 a. Emenda de Doha. b. Plataforma de Durban. c. COP21. d. ODS. e. Acordo de Paris. GABARITO Questão 1 - Resposta C Resolução: A definição de desenvolvimento sustentável como sendo “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” consta na publicação Our common future (Nosso futuro comum) (CMMAD, 1991), unindo pela primeira vez o meio ambiente, a sociedade e a economia. Fonte: CMMAD. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. 2. ed. Tradução de Our common future. 1988. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1991. Questão 2 - Resposta E Resolução: O Acordo de Paris foi criado para substituir o Protocolo de Kyoto a partir do ano de 2020, contemplando um acordo internacional de 194 países para a junção de esforços para o controle das emissões de gases de efeito estufa e consequente aumento da temperatura global. TEMA 2 Definições de responsabilidades social e ambiental das empresas ______________________________________________________________ Autoria: Ana Carolina de Moraes Luccarelli Leitura crítica: Juliana Fontes Lima Collaço TE M A 4 TE M A 1 TE M A 2 TE M A 3 IN ÍC IO 14 DIRETO AO PONTO O mundo tem mudado muito rápido após o advento da globalização, a tecnologia tem feito com que as empresas se reinventem cada dia mais rápido de acordo com os anseios dos clientes. Para ter um negócio de sucesso, hoje, é necessário que a empresa entregue ao seu consumidor muito mais do que bons produtos, ou seja, atividades e ações em prol da sociedade e do meio ambiente. Os clientes estão cada vez mais atentos e conscientes do seu papel como investidor financeiro em um negócio. Assim, buscam segurança em saber de onde os seus produtos vêm e como seu consumo impacta o ambiente. Por isso, a gestão desses negócios parte de gestores responsáveis e alcançam resultados positivos, incluindo a melhor reputação e posicionamento no mercado. As ações de responsabilidade social empresarial foram amparadas pelo crescente interesse nas questões ambientais e no desenvolvimento sustentável, que passou a englobar as áreas sociais e econômicas. As empresas se uniram com Organizações Não Governamentais (ONG) para financiar projetos, implantaram certificações da International Organization for Standardization (ISO) em suas operações e passaram a produzir e divulgar relatórios de sustentabilidade. A responsabilidade social empresarial possui diversos entendimentos de acordo com o setor envolvido. Um dos entendimentos está na percepção da necessidade do outro, da empatia com a sociedade e a natureza. Dessa forma, baseiam-se em princípios e valores éticos, compartilhados de forma transparente com os stakeholders, diferenciando-se do filantropismo por serem ações contínuas. 15 A história da responsabilidade social empresarial segue lado a lado com os períodos históricos do surgimento do capitalismo, das revoluções industriais e dos eventos ambientais, apoiando-se na publicação de obras que compartilharam e divulgaram o tema, como pode ser observado na Figura 1, a seguir: Figura 1 – Linha do tempo da Responsabilidade Social Empresarial Fonte: adaptada de Busch e Ribeiro (2009). A Responsabilidade Social Empresarial pode ser dividida entre o período anterior à década de 1990 e após este período, sendo: a Abordagem Tradicional compreendida pelas empresas fazia apenas filantropia, doações para projetos sem relação ao core da empresa com controle total da alta direção e com o intuito de vender umaimagem de “bom samaritano”. Já a Nova Abordagem promovia os objetivos e a estratégia das empresas, com integração de diversos setores, relatando as ações e mensurando seu impacto (KOTLER; HESSEKIEL; LEE, 2012). 16 Referências bibliográficas BORGER, F. G. Responsabilidade social empresarial e sustentabilidade para a gestão empresarial. Ethos, 19 jun. 2013. Disponível em: https:// edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4545635/mod_resource/content/1/2013_ INSTITUTO%20ETHOS_Responsabilidade%20social%20empresarial%20 e%20sustentabilidade%20para%20a%20gest%C3%A3o%20empresarial.pdf. Acesso em: 27 set. 2020. BUSCH, S. E.; RIBEIRO, H. Responsabilidade socioambiental empresarial: revisão da literatura sobre conceitos. Interfacehs – Revista de Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente, São Paulo, v. 4, n. 2, 2009. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001774207. Acesso em: 21 dez. 2020. KOTLER, P.; HESSEKIEL, D. L.; LEE, Nancy R. Boas ações: uma abordagem empresarial. Como integrar o marketing a ações corporativas que gerem dividendos sociais e retorno financeiro sustentável. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. PARA SABER MAIS A empresas que atuam na responsabilidade social podem se beneficiar com a participação em bolsas de valores não convencionais, que avaliam as empresas pelas suas ações de responsabilidade social e ambiental. A primeira bolsa de valores do tipo a ser criada foi o Índice Dow Jones de Sustentabilidade, na Bolsa de Nova York, em 1999 e, no Brasil, foi criado em 2005 o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) pela Bovespa (BUSCH; RIBEIRO, 2009). A atuação da empresa na área de Responsabilidade Social Empresarial é definida com a análise dos custos da atividade e a verificação permanente do atingimento das metas propostas. Além disso, é de extrema importância definir qual a área de atuação e os stakeholders a se beneficiarem, seguidos de uma conversa para levantar os seus principais interesses. A partir daí, deve-se avaliar como será feita a divulgação: por relatórios sociais em modelos e critérios específicos, produzidos pela própria 17 empresa ou por meio das certificações, em que uma organização faz o papel de avaliar e conceder o selo para as empresas. Na prática, as empresas podem aplicar o RSE por meio de algumas ações (CHILDFUND, 2020), como: • Reduzir o impacto ambiental de suas atividades, verificando seu processo produtivo para identificar possíveis oportunidades de ações menos agressoras à natureza. • Educar os stakeholders em assuntos que sejam da área da empresa. • Estimular a criação de líderes ambientais por meio de programas de treinamento e incentivo de seus funcionários. • Optar pelo uso de produtos naturais em substituição aos processos químicos adicionados aos seus produtos, estimulando o comércio sustentável com produtores locais. • Estimular os funcionários a participarem de ações voluntárias em atividades assistenciais da comunidade vizinha à empresa. • Fazer doações financeiras e de produtos para instituições sociais sérias, que atuam em setores comuns da atividade empresarial ou da comunidade local. Para isso, é recomendado pesquisar sobre a ONG a ser ajudada, fazendo uma visita presencial, verificando a demonstração contábil e, se possível, uma certificação de que a doação foi destinada corretamente. Referências bibliográficas 6 EXEMPLOS de responsabilidade social para empresas. Childfund. Disponível em: https://www.childfundbrasil.org.br/blog/6-exemplos-de- responsabilidade-social-para-empresas/. Acesso em: 25 set. 2020. 18 BUSCH, S. E.; RIBEIRO, H. Responsabilidade socioambiental empresarial: revisão da literatura sobre conceitos. Interfacehs – Revista de Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente, São Paulo, v. 4, n. 2, 2009. Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/001774207. Acesso em: 21 dez. 2020. TEORIA EM PRÁTICA Uma empresa de fabricação de produtos de limpeza pretende ampliar suas atividades em responsabilidade social atuando diretamente na comunidade ao redor das suas unidades fabris. Com a pandemia do coronavírus impactando diretamente a população, a empresa identificou uma oportunidade para colocar em prática seu planejamento. Algumas ONGs entraram em contato com a empresa solicitando diversas formas de auxílio, desde doações em dinheiro até doações de produtos químicos. Para que a empresa não perca dinheiro e não caia em golpes, como a organização deve agir? Quais informações devem ser coletadas? E qual a melhor estratégia de atendimento à população, levando em consideração a área de atuação da empresa? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 Nesta obra, são abordadas as teorias que baseiam a responsabilidade social empresarial, apresentando resumos sobre Indicações de leitura 19 suas origens e influências. Assim, são apresentados os principais modelos da responsabilidade social empresarial em dimensões econômicas, sociais, éticas e filantrópicas, atualizando as visões sobre os modelos de organização sustentável. Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da Kroton e clique em “Minha Biblioteca”. BARBIERI, J. C.; CAJAZEIRA, J. E. R. Responsabilidade social empresarial e empresa sustentável. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. Indicação 2 O livro aborda o conceito de sustentabilidade e o papel da gestão socioambiental nas empresas, para isso, é feita uma retomada histórica sobre a sociedade para entender como suas atividades diárias influenciam no meio ambiente, assim como, o papel das empresas no desenvolvimento sustentável. Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da Kroton e acesse a “Minha Biblioteca”. MIRANDA, T. Responsabilidade socioambiental. 2. ed. Porto Alegre: Sagah, 2017. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. 20 Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. O Pacto Global é uma ferramenta que tem por objetivo auxiliar as organizações para o desenvolvimento de ações de responsabilidade social. Os princípios universais abordados levam em consideração quais temas? a. Erradicação da pobreza, cidades sustentáveis e saúde global. b. Igualdade de gênero, segurança e direitos humanos. c. Direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção. d. Cidades sustentáveis, meio ambiente, segurança e igualdade de gênero. e. Saúde global, trabalho, anticorrupção e cidades sustentáveis. 2. A responsabilidade social apareceu pela primeira vez no mundo empresarial como: a. Princípios da igreja, que poderiam ser aplicados pelas empresas na sociedade. b. Teoria humanista de desenvolvimento de comunidades do entorno das fábricas. c. Leis balizadoras do trabalho ao longo da Primeira Revolução Industrial. d. Publicação de um livro que trazia as primeiras definições sobre o assunto em 1953. e. Filantropia por meio de doações em dinheiro de empresas na Alemanha em 1980. 21 GABARITO Questão 1 - Resposta C Resolução: Os princípios universais em que o Pacto Global se baseia, são: Declaração Universal de Direitos Humanos, Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Direitos Fundamentais no Trabalho, Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção e Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e Desenvolvimento. Questão 2 - Resposta A Resolução: Alguns princípios religiosos foram aplicados às atividades empresariais no início do século XX, dando início às discussões sobre o tema, como o princípio dacaridade e o princípio do gerenciamento (BUSCH, 2009). TEMA 3 Instrumentos e ferramentas da RSE ______________________________________________________________ Autoria: Ana Carolina de Moraes Luccarelli Leitura crítica: Juliana Fontes Lima Collaço TE M A 4 TE M A 1 TE M A 2 TE M A 3 IN ÍC IO 23 DIRETO AO PONTO Alguns instrumentos importantes para implantar ações de responsabilidade social corporativa nas suas atividades compreendem ABNT NBR 16001:2012, ISO 26000, Balanço Social, Governança Corporativa e o Índice de Sustentabilidade Empresarial. Vamos conhecer cada um deles? A ABNT NBR 16001 teve seu lançamento em 2004 e passou por revisão em 2012, tem como função orientar a implantação do Sistema de Gestão da Responsabilidade Social e oferecer certificação. A norma atende à demanda de consumidores por ações éticas e responsáveis das empresas e utiliza o método de gestão PDCA. Os resultados esperados são melhores práticas de governança corporativa, combater discriminações estimulando a diversidade e proteger as novas gerações e o meio ambiente. A ISO 26000 é uma norma internacional de adesão voluntária que estimula o desenvolvimento sustentável, considera as expectativas das partes interessadas e integra toda a organização. A implantação da ISO fornece melhoria na gestão de riscos e crises, além de aumentar a credibilidade e transparência, sua diferença para a NBR 16001 é que os requisitos são obrigatórios para quem deseja segui-la. O Balanço Social é um instrumento que analisa os dados qualitativos e quantitativos de uma organização, auxiliando na tomada de decisões e prevendo problemas para a estratégia empresarial. Além disso, reúne informações das organizações e comunica para os investidores e os acionistas interessados, aumentando a transparência das atividades e prevendo os valores e objetivos com relação aos resultados atuais (BRAVIN et al., 2019). 24 A governança corporativa é o conjunto de regras e atividades que definem a forma da operação empresarial, garantindo que as decisões sejam tomadas de forma eficaz, maximizando os resultados, trazendo benefícios tanto externos quanto internos, baseando a atividade da empresa em ações transparentes, equalitárias, prestação de conta e éticas. O Índice de Sustentabilidade Empresarial é estruturado pela B3, sendo uma ferramenta de análise da performance corporativa das empresas, baseada na resposta de um questionário sobre suas ações. É baseado nos conceitos do Triple Bottom Line, de Governança Corporativa, características gerais e natureza do produto (MACHADO; MACHADO; CORRAR, 2009). A atividade socialmente responsável é capaz de reforçar a ligação da empresa com a comunidade local e seus colaboradores, de acordo com Fombrun (2000). Assim, com uma boa reputação no mercado, a empresa consegue melhorar sua capacidade de negociar bons contratos com fornecedores e o governo, conseguindo maior valor agregado para seus produtos. Portanto, ações de RSE bem executadas e amparadas nas ferramentas e instrumentos de gestão são capazes de causar aumento do capital reputacional da empresa, ou seja, melhorar a reputação da empresa, dando início a uma cadeia de benefícios, conforme pode ser observado na Figura 1 (MACHADO FILHO, 2002). 25 Figura 1 – O modelo de criação de valor a partir de ações de responsabilidade social Fonte: adaptada de Machado Filho (2002). Conforme representado na Figura 1, entendemos que as empresas com atividades de responsabilidade social bem estruturadas com gestões empresariais podem obter ganhos de capital reputacional, aumentando as oportunidades de negócios, reduzindo riscos potenciais aos investidores, de sua conduta no mercado, preservando ou gerando aumento do valor da empresa. Referências bibliográficas BRAVIN, R. J. et al. A relevância do balanço social e a evidenciação de resultados nas empresas. Anais do Seminário Científico do UNIFACIG, Manhuaçu-ES, n. 5, 2019. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar_ url?url=http://pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/ article/view/1215&hl=pt-BR&sa=T&oi=gsb&ct=res&cd=0&d=38751939 81753888520&ei=mW-fX-eVAv2Jy9YPzpmXqAs&scisig=AAGBfm12kyZt_ Gmb4ayGnYsDHyv5uKlYzg. Acesso em: 15 out. 2020. MACHADO FILHO, C. A. P. Responsabilidade social corporativa e a criação de valor para as organizações: um estudo multicasos. Tese (Doutorado). Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2002. Disponível em: http:// 26 pensaqa.fia.com.br/wp-content/uploads/2018/06/Responsabilidade_ social_corporativa_e_criacao_de_valor_para_as_organizacoes_um_estudo_ multicasos_2002.pdf. Acesso em: 21 dez. 2020. MACHADO, M. R; MACHADO, M. A. V; CORRAR, L. J. Desempenho do índice de sustentabilidade empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo. Revista Universo Contábil, v. 5, n. 2, p. 24-38, 2009. Disponível em: https://proxy.furb.br/ojs/index.php/universocontabil/article/view/1401/0. Acesso em: 21 dez. 2020. PARA SABER MAIS Um estudo do European Sustainability Forum (Eurosif) (2010) mostrou que o crescimento do Investimento Sustentável e Responsável (ISR) não desacelerou nos momentos de crise e que a indústria europeia continua apoiando esses investimentos. Ao mesmo tempo, os investidores de varejo não apresentaram o mesmo interesse, o que aponta o déficit na comunicação clara dos benefícios desses investimentos, fazendo com que passem a considerar esses elementos nas tomadas de decisão, assim como fazem os investidores institucionais. No relatório de 2012 lançado pelo MIT Sloan Management Review (HAANAES et al., 2012) consta uma pesquisa com mais de 4 mil executivos de 113 países. Destes, 70% indicaram ter adotado a sustentabilidade de forma permanente na sua estratégia empresarial, em seguida, 55% dos que responderam disseram que consideram a sustentabilidade necessária para ter competitividade no mercado atual e, 41% afirmam que o principal indutor de mudança de postura empresarial são as demandas de seus clientes por produtos e serviços sustentáveis. O mesmo estudo mostra que 72% dos gestores de ativos americanos que incorporaram o Environmental, Social and Governance nas suas decisões, tiveram a demanda dos seus clientes e valores próprios como principal motivo. 27 Além disso, houve aumento por parte dos investidores institucionais na procura por informações do desempenho das empresas nessas áreas, indo contra a hipótese de que as empresas só investem em sustentabilidade quando há sobra de recursos. Ademais, um terço dos respondentes disse que as práticas de sustentabilidade estão causando aumento da rentabilidade da empresa, sendo as mais atingidas localizadas na Ásia, América do Sul e África. No final, o relatório informa que, além de reconhecer a necessidade das práticas de sustentabilidade, as empresas passaram a usufruir dos benefícios financeiros associados. Referências bibliográficas EUROSIF. European SRI Study. Revised Edition. Paris, 2010. HAANAES, K. et al. Sustainability nears a tipping point. MIT Sloan Management Review. Research Report. Hollywood, Winter 2012. TEORIA EM PRÁTICA Imagine que você é gerente da área de sustentabilidade de uma indústria de plásticos que atua no sudeste do Brasil, contribuindo com 20% da economia da cidade, mas tem sua matriz instalada em Amsterdã, na Holanda. A matriz possui uma forte política de responsabilidade social empresarial adaptada ao contexto social em que está inserida e, por isso, há uma cobrança grande para que a unidade brasileira tenha uma forte atuação nesta área. Como gerente, você precisa decidir como informar ao público interessado sobre as ações que têm sido feitas no último ano e o impacto dos investimentos no público interno e externo. • Quais instrumentos são os mais indicados para a sua tarefa? • Como os instrumentos poderão ser utilizados como estratégia para outros fins? 28 • Que tipo de projetosde RSE podem ser desenvolvidos pela empresa? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 Este artigo tem como objetivo verificar, na seleção de empresas que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), a influência dos investimentos ambientais e de indicadores econômico-financeiros ao longo do ano de 2014, utilizando uma amostra de 178 empresas elegíveis do período de 2015 usando o ano-base de 2014. Foi utilizada a regressão logística como técnica estatística e a verificação das variáveis que influenciam na seleção de empresas para compor o ISE. O resultado mostrou que influenciam a seleção: o tamanho, rentabilidade do ativo, grau de endividamento e investimento ambiental quantitativo. Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra na página principal da BV. TONOLLI, B. B.; ROVER, S.; FERREIRA, D. D. M. Influência dos investimentos ambientais e dos indicadores econômico- financeiros na seleção de empresas para compor o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Revista Catarinense da Ciência Contábil, v. 16, n. 48, 2017. Indicações de leitura 29 Indicação 2 Este artigo faz uma discussão em torno da avaliação da conformidade e a certificação de sistema da gestão da responsabilidade social, utilizando a ABNT NBR 16001:2004. São avaliados os requisitos da norma, levantando as dificuldades em evidenciar a conformidade durante auditoria. São feitas sugestões para aumentar a confiabilidade e credibilidade no processo de certificação, propiciando melhor avaliação e demonstração de seu comprometimento com o desenvolvimento sustentável para as partes interessadas em ações sociais e ambientais. Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título da obra na página principal da BV. SORATTO, A. N. et al. Sistema da gestão da responsabilidade social: desafios para a certificação NBR 16001. Revista Gestão Industrial, v. 2, n. 4, p. 13-25, 2006. QUIZ Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 30 1. A responsabilidade social empresarial conta com duas ferramentas orientadoras para a implantação de sistemas de gestão empresarial baseados nessas ações, uma internacional e outra nacional. Assinale a alternativa que contém o nome delas. a. NBR14001 e OHSAS 18001. b. Balanço Social e ISE. c. Governança corporativa e Balanço Social. d. NBR16001 e ISO 26000. e. Governança corporativa e ISE. 2. Uma das ferramentas de RSE tem como função demonstrar ao público interessado quanto, em valores monetários, uma organização tem de despesas com cuidados ao meio ambiente, bem-estar dos funcionários e da comunidade local. O nome desse instrumento é: a. ISE. b. Balanço social. c. NBR 16001. d. ISO 26000. e. Governança corporativa. GABARITO Questão 1 - Resposta D Resolução: A ABNT NBR 16001 é uma norma brasileira e foi revisada em 2012. Tem como função orientar a implantação do Sistema de Gestão da Responsabilidade Social e oferecer uma certificação. Já a ISO 26000 é uma norma internacional 31 voluntária que estimula o desenvolvimento sustentável, considera as expectativas das partes interessadas e integra toda a organização. Questão 2 - Resposta B Resolução: O balanço social é uma ferramenta que gera um relatório informativo para as partes interessadas sobre a contribuição da empresa com o meio ambiente e a sociedade, muitas vezes é entregue junto com o balanço contábil. TEMA 4 Relatórios de responsabilidade socioambiental – relato integrado e GRI ______________________________________________________________ Autoria: Ana Carolina de Moraes Luccarelli Leitura crítica: Juliana Fontes Lima Collaço TE M A 4 TE M A 1 TE M A 2 TE M A 3 IN ÍC IO 33 DIRETO AO PONTO Os relatórios empresariais de sustentabilidade ganharam espaço nas agendas estratégicas das empresas a partir do momento em que houve o posicionamento dos stakeholders para ter acesso a mais informações sobre as decisões tomadas e os investimentos feitos para minimizar os impactos positivos e negativos de suas atividades na sociedade e no meio ambiente. A princípio, uma série de relatórios foram copilados pelas organizações de forma a suprir a demanda por informações vindas dos stakeholders, porém as constantes inconsistências e a dificuldade de comparação entre os relatórios fizeram com que surgisse a necessidade de desenvolver um modelo padronizado, com elementos comuns e dados mínimos esperados. É nesse cenário que foi criado o Relato Integrado (RI) em 2009, com a intenção de unir os componentes financeiros e não financeiros das organizações e que fosse aceito universalmente. Em 2010, foi criada a International Integrated Reporting Council (IIRC), entidade responsável por criar as bases do relato, envolvendo entidades reguladoras, empresas, investidores, entre outros. O grupo analisou diversos tipos de relatórios, criando um modelo em que a essência está em integrar informações com base nos processos de controle e gestão, tendo foco nos aspectos de geração de valor e se estruturando nos pilares de governança, estratégias e desempenho da organização. O RI propicia que seja feita a conferência da estabilidade financeira e das ações de desenvolvimento sustentável, informando onde podem ser alocados mais recursos. Os temas que envolvem recursos e relacionamentos que podem ser afetados por uma organização são chamados de capitais, sendo compostos por: financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, de relacionamento e natural (IIRC, 2013). 34 Espera-se que a longo prazo a adoção dos princípios e do pensamento integrado seja responsável por garantir uma melhor abordagem dos relatos, facilitando o processo de elaboração e informando a geração de valor para os stakeholders. A elaboração do relato é gratuita e pode ser feita em atendimento à legislação ou de forma autônoma. Já o relatório de sustentabilidade modelo GRI foi criado com o objetivo de auxiliar as organizações a elaborar relatos sobre o impacto dos seus negócios em temas como direitos humanos, mudanças climáticas e corrupção. A Global Reporting Initiative (GRI) foi criada em 1997 e ganhou notoriedade ao se aliar ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), tornando-se uma organização independente em 2002. O modelo GRI é composto por diretrizes, suplementos setoriais e protocolos, que têm como função auxiliar a identificar os impactos da atividade nos aspectos socioambientais (FIESP, 2020). As versões dos indicadores do GRI passaram por atualizações ao longo dos anos. Na versão G4 foram gerados padrões que facilitaram a implantação do modelo dividindo os indicadores em módulos inter-relacionados, representando as melhores práticas para os relatos. Não é necessário utilizar de todos os padrões, mas os que forem utilizados precisam conter a inclusão da declaração de uso. Os indicadores GRI são divididos em três grupos, sendo eles: ambientais (emissões de efluente, resíduos, água etc.), sociais (direitos humanos, legislação trabalhista etc.) e econômicos (fluxo de caixa, desempenho econômico e impactos indiretos) (FIESP, 2020). As organizações começaram a se organizar para suprir a demanda de orientar e divulgar as ações de sustentabilidade nas empresas. A primeira organização a ser criada com esse fim foi a fundação GRI em 1997, que conseguiu produzir seu primeiro 35 modelo deindicadores em 1999. Já em 2002, a GRI se tornou uma organização independente, ganhando espaço devido a sua parceria com o PNUMA e lançando em 2006 a versão G3 dos seus indicadores. Em 2013 aconteceu a padronização do relatório, com o lançamento da G4, vigente até hoje. Ao mesmo tempo, o Relato Integrado produzia o seu primeiro protótipo no ano de 2012, estabelecendo seu modelo final em 2013 com o objetivo de unir os dados financeiros com os aportes nas áreas sociais e ambientais. A Figura 1 apresenta a cronologia do desenvolvimento dos indicadores dos relatórios integrado e GRI. Figura 1 – Linha do tempo da evolução dos relatórios empresariais Fonte: elaborada pelo autor. Analisando a cronologia, fica claro como os dois modelos foram criados de forma independente, porém, caminhando para um único modelo que fornece um padrão para a construção de relatos e divulgação de relatórios de sustentabilidade. Referências bibliográficas CONTAS. TCU. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/contas/contas-e- relatorios-de-gestao/relato-integrado.htm. Acesso em: 14 out. 2020. IIRC. International Integrated Reporting Council. A estrutura internacional para relato integrado. 2013. Disponível em: https://integratedreporting. org/wp-content/uploads/2015/03/13-12-08-THE-INTERNATIONAL-IR- FRAMEWORK-Portugese-final-1.pdf. Acesso em: 6 out. 2020. 36 SILVEIRA, K. P. Entrevista: Glaucia Terreo, representante da Global Reporting Initiative (GRI) no brasil, fala sobre a evolução dos relatórios de sustentabilidade. Fiesp. Disponível em: https://www.fiesp.com.br/indices- pesquisas-e-publicacoes/entrevista-glaucia-terreo-representante-da-global- reporting-initiative-gri-no-brasil-fala-sobre-a-evolucao-dos-relatorios-de- sustentabilidade/. Acesso em: 14 out. 2020. PARA SABER MAIS Muitas vezes, as ações de sustentabilidade empresariais não precisam seguir um padrão de conformidade como acontece com as demonstrações financeiras, e é por isso que as organizações padronizadoras não impõem que suas estruturas sejam seguidas com base em um único critério, e sim de forma que se adeque da melhor forma em suas atividades. Por isso, os investidores possuem a dificuldade de conciliar as demonstrações de sustentabilidade entre as empresas para poder compará-las. Ainda há a necessidade de aprimorar os relatórios de sustentabilidade. De acordo com a pesquisa produzida pela McKisey & Company (BERNOW et al., 2020), existe apoio para que haja a redução da quantidade de padrões existentes para os relatórios de sustentabilidade, pois se imagina que assim, é possível agir de forma rápida às tendências de atuação em mudanças climáticas, escassez hídrica, engajamento e alocação de capital. Para se ter uma ideia, a prática atual de elaboração de relatórios de sustentabilidade vem da década de 1990 com a mobilização da sociedade civil, governos e outras organizações, para que as empresas assumissem seus impactos ao meio. Nos anos 2000, a Global Reporting Initiative (GRI) estreou com a publicação das diretrizes para a preparação de relatórios, em seguida, foi lançado o Protocolo de Gases de Efeito Estufa pelo World Business Council 37 for Sustainable Development (Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável) e o World Resources Institute (Instituto de Recursos Mundiais). Neste mesmo período, foram lançadas iniciativas como o Pacto Global da ONU e o Carbon Disclosure Project (Projeto de Divulgação de Emissões de Carbono – CDP), que também estimulavam as empresas a comunicarem suas ações de sustentabilidade. A partir das últimas crises financeiras, foram criadas estruturas e padrões adicionais para que as empresas estivessem de acordo com boas práticas de Environmental, Social and Governance (ESG), como o International Integrated Reporting Council (Conselho Internacional de Relatório Integrado ou IIRC) e o Sustainability Accounting Standards Board (Conselho de Normas de Contabilidade de Sustentabilidade, ou SASB), que tem como missão identificar os fatores de sustentabilidade entre os setores. O Embankment Project for Inclusive Capitalism (Projeto Embankment para o Capitalismo Inclusivo) busca definir um conjunto enxuto de métricas capazes de mensurar e demonstrar, no longo prazo, o valor das atividades de ESG para os mercados financeiros. Dado a esse grande número de opções de métricas e indicadores para a elaboração de relatórios, as empresas decidem de forma autônoma sobre quais serão adotados por elas. Para basear as escolhas, muitas empresas escutam a opinião de seus stakeholders para ranquear os impactos que mais os atingem, além de levantar os interesses por temas relevantes na área. Da mesma forma, devido à grande diversidade de demonstrações e da sua escolha subjetiva, o escopo e a profundidade do tema diferem grandemente, assim como a escolha dos stakeholders e dos impactos que serão tratados. Por isso, imagina-se que em um futuro próximo, os relatórios irão converter para um modelo em comum. 38 Referências bibliográficas BERNOW, S. et al. Mais do que valores: os relatórios de sustentabilidade baseados em valor desejados pelos investidores. McKinsey & Company, 20 jan. 2020. Disponível em: https://www.mckinsey.com.br/business-functions/ sustainability/our-insights/more-than-values-the-value-based-sustainability- reporting-that-investors-want/. Acesso em: 13 abr. 2020. TEORIA EM PRÁTICA Você faz parte de uma empresa que está começando no mercado brasileiro comercializando itens de higiene pessoal, como shampoo, condicionador, pasta de dente e desodorante sólidos. Toda a embalagem é minimalista e feita de papel, os produtos são quase artesanais e a empresa pratica comércio justo com seus fornecedores e funcionários. Com base nesse cenário, você recebe uma mensagem de uma empresa francesa interessada no negócio e com planos de levar os produtos para serem comercializados na Europa. Porém, para isso, os investidores pedem um resumo das atividades da empresa. Para atender essa demanda, qual forma de relato você escolheria? Quais os indicadores envolvidos e os conceitos relacionados? Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de aprendizagem. 39 LEITURA FUNDAMENTAL Indicação 1 Este livro aborda o tema do Relato Integrado e Sustentabilidade, como disciplina oferecida na FEA/USP, tendo o suporte de parceiros atuantes em favor do desenvolvimento sustentável, como: o International Integrated Reporting Council (IIRC), a Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato Integrado (CBARI), o Global Reporting Initiative (GRI) e a Bolsa de Valores (Brasil, Bolsa, Balcão – B3). O novo padrão de relatos corporativos permite que as organizações gerem comunicações enxutas, conectadas e dinâmicas, comunicando a geração de valor para o futuro sustentável. Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo título no parceiro “Minha Biblioteca”. KASSAI, J. R.; CARVALHO, N.; MÚRCIA, F. D. R. Contabilidade ambiental: relato integrado e sustentabilidade. São Paulo: Atlas, 2019. Capítulos 8 e 9. Indicação 2 O Relatório Integrado (RI) teve lançamento em diversos países, apresentado pelo International Integrated Reporting Council (IIRC), tendo como integrar no mesmo relatório informações financeiras e não financeiras, permitindo que os stakeholders tomem decisões relativas ao investimento baseadas em informações confiáveis. O RI também permite o planejamento do panorama futuro e a geração de valor influenciada ao longo do tempo. Indicações de leitura 40 Para realizar a leitura, acesse a plataforma Biblioteca Virtual da Kroton e busque pelo parceiro “Minha Biblioteca”. PEREZ JÚNIOR, J. H.; OLIVIERI NETO, R. O.; SILVA, C. A. S. Relatório integrado: integração entre as informações financeiras, de sustentabilidade e de governança em relatórios corporativos. São Paulo: Atlas, 2014. QUIZ Prezadoaluno, as questões do Quiz têm como propósito a verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste Aprendizagem em Foco. Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de questões de interpretação com embasamento no cabeçalho da questão. 1. Após a crescente demanda por assumir a responsabilidade de suas atividades no meio ambiente, as empresas passaram a informar as partes interessadas sobre as ações sustentáveis que tomavam. O primeiro formato de indicador foi: a. O relato integrado 1. b. O modelo PNUD. c. O G3, lançado pela GRI. d. O G1, lançado pela GRI. e. O relato em partes, lançado pelo IIRC. 41 2. As empresas produzem seus relatórios para informar as ações de minimização de impactos das suas atividades. Por isso, a principal missão do Relato Integrado é: a. Garantir a coerência do balanço financeiro. b. Unir os dados financeiros aos de sustentabilidade. c. Avaliar os riscos de uma atividade ao meio ambiente. d. Buscar acordos entre diferentes stakeholders. e. Comprovar a atuação da empresa conforme a legislação atual. GABARITO Questão 1 - Resposta D Resolução: O primeiro modelo de indicador de relatório de sustentabilidade foi o G1, lançado pela GRI. Questão 2 - Resposta B Resolução: A principal função do RI é unir as informações sobre as finanças das empresas com as atividades de impacto socioambiental, de forma a indicar os valores que são destinados para esse fim. BONS ESTUDOS!