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Sandy Vanessa Medicina o8 – UFPE CAA
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Diarreia é o aumento da quantidade de água das
fezes causada por alguma alteração fisiopatológica.
• Evacuações amolecidas/líquidas;
• + de 3 evacuações ao dia.
• Ou mudança no padrão habitual de evacuações.
• Identificação de volume fecal superior a 10 ml/kg/dia,
em crianças
Lactentes podem apresentar fezes liquefeitas cerca
de 8-10x ao dia após cada mamada por um reflexo
gastrocólico exacerbado, sem que isto tenha
qualquer conotação patológica.
A diarreia aguda dura até 14 dias. A crônica dura mais
de 30 dias, e a persistente é entre 14 e 30 dias –
aumento da mortalidade/letalidade..
A aguda é relacionada a processos infecciosos e
autolimitados.
Nas crianças, o volume de líquido que chega ao trato
gastrointestinal é da ordem de 285 ml/kg/dia. Deste
modo, as doenças que cursam com desordens absortivas
do delgado produzem uma diarreia de grande volume,
ao passo que aquelas que comprometem o cólon cursam
com diarreia de menor volume.
Epidemiologia
• 1970 era de 70 óbitos por mil nascidos vivos →
20122 caiu para 15 óbitos por mil nascidos vivos.
• Causas de morte: 1980 era a 2ª maior causa (24,3%
dos óbitos) → 2005, passou para 4ª posição
• Motivos da melhora → melhorias da condição geral
de vida da população.
• Disseminação da identificação da desidratação e
tratamento da diarreia aguda.
• PNI com incorporação da vacina rotavírus.
• Avanços terapia de reidratação oral e uso de Zinco.
Complicações:
• Desidratação
• Desnutrição
Formas clínicas doença diarreica aguda:
• Diarreia aguda aquosa
• Disenteria = apresenta sangue, pus ou muco.
Mecanismos:
• Osmótica = acúmulo intraluminal de solutos -
osmolaridade intraluminal = impedimento absorção
intestinal pode ser causa = Melhora com jejum.
Ex de solutos: Mg, P, lactulose, sorbitol,
carboidratos.
Em geral, secundária a processos infecciosos
que lesam o enterócito.
No cólon, as bactérias intestinais fermentam os
açúcares presentes na luz, formando ácidos
orgânicos e gases, que irritam a mucosa e
deixam o pH fecal ácido.
Este tipo de diarreia, aparentemente, melhora
com o jejum. A diminuição do pH fecal é
responsável pela produção do eritema perianal
(dermatite). Os gases produzidos determinam
grande distensão abdominal, cólicas e fezes
explosivas.
• Secretória = secreção ativa de eletrólitos pelo
enterócito.. = Mantida no jejum.
Toxinas virais e bacterianas ou pela ação direta
de patógenos que aumentam a concentração
intracelular de nucleotídeos cíclicos, como AMP
eGMP, além de cálcio.
Maior volume fecal, com sódio elevado.
Desidratação ocorre rapidamente.
• Invasiva = inflamação; menor absorção. Geralmente
o resultado de uma colite, que impede a absorção
de nutrientes.. Nesta situação pode haver também
um componente secretor, uma vez que a mucosa
invadida produz substâncias (bradicinina e histamina)
que estimulam a secreção de eletrólitos para o
lúmen intestinal. As bactérias invadem a mucosa e
podem chegar à submucosa, com consequente
aparecimento de sangue e leucócitos nas fezes
• Aumento da motilidade = diminuição do tempo de
trânsito intestinal por aceleração da peristalse. As
fezes têm aspecto normal. Dentre as principais
causas, destaca-se a síndrome do intestino irritável
e o hipertireoidismo.
• Diminuição da motilidade = defeito na unidade
neuromuscular, com estase e supercrescimento
{Diarreia Aguda e Hidratação}
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bacteriano. Dentre as principais causas, tem-se a
pseudo-obstrução intestinal e a síndrome da alça
cega.
• Diminuição da área de superfícia = diminuição da
capacidade intestinal de absorção da água, eletrólitos
e nutrientes de uma forma geral. O aspecto das
fezes é aquoso. São exemplos a síndrome do
intestno curto e a doença celíaca.
Anamnese:
• Duração da diarreia,
• N° diário de evacuações,
• Sangue nas fezes.
• N° de episódios de vômitos, Febre ou outros
sintomas,
• Alimentação prévias e vigentes
• Outros casos de diarreia em casa ou na escola
• Ingesta hídrica, uso de medicamentos e o histórico
de imunizações
• Diurese e peso recente
Avaliação clínica = Exame físico:
• Estado de hidratação, estado nutricional, estado de
alerta (ativo, irritável, letárgico), capacidade de beber
e diurese.
• Perda de peso: até 5% - desidratação leve; entre
5% e 10% -› desidratação moderada; e > 10%
desidratação grave.
• Fator de risco: < 2 meses, DM, IRA, hepatopatias,
vómitos persistentes, diarreias volumosas e
frequentes (mais de oito episódios diários) e a
percepção dos pais de que há sinais de
desidratação.
Etiologia da diarreia
• Virais são a principal causa = coronavírus, calicivirus,
astrovírus.
• Bacterias = E. coli, aeromonas, pleisiomonas,
salmonella, shigella, campylobacter jejuni, vibrio
cholerae, yersinia
• Protozoários = Entamoeba histolytica, giardia
lambdia, Cryptosporidium, Isospora
• Fungos - Candida albicans
• Imunocomprometidos ou uso prolongado de ATB:
Klebsiella, Pseudomonas, Aereobacter, C. difficile.
Cryptosporidium,Isospora, HIV
• Outras etiologias: alergia ao leite de vaca, deficiência
de lactase. apendicite aguda, uso de laxantes o
antiblóticos, intoxicação por metals pesados,
invaginação intestinal
• Diagnóstico etiológico: tecnica de PCR
• Rotavírus
Mecanismo osmótico = achatamento vilositário
= dissacaridase, como a lactase. =
enterócitos maduros.
Mecanismo secretor = toxina NsP4
Grave em < 2 anos.
Vômitos e diarreia
Dura em média 1 semana
Incubação <48h
• Norovírus
Surtos
Incubação de 12-48h
Clínica semelhante à intoxicação alimentar,
com náuseas e vômitos.
Dura de 12-60 horas
• E. coli
Principal causa bacteriana
Enterotoxigênica = mecanismo secretório =
diarreia do viajante
Enteropatogênita = pode levar a quadros
persistentes, principalmente entre menores de
2 anos.
• Vibrião colérico
Surtos, comuns em trajédias ambientais.
Grave
Mecanismo secretor = toxina muito violenta
= muita perda de eletrólitos.
Fezes em água de arroz
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• Giardia
Etiologia da disinteria
• Qualquer agente que causa disenteria pode causar
diarreia aquosa
• Bactérias apenas
• Shigella
Principal no Brasil
Invasão = febre, dor abdominal, tenesmo
Sintomas neurológicos = convulsão
Síndrome hemolítico-urêmica = tríade = Injúria
Renal Aguda + trombocitopenia + anemia
microangiopática
Toxinas caem na corrente sanguínea e
causam lesão endotelial = endotelite no
glomérulo renal = formação de
microtrombos = outras alterações.
Petéquias
Semioclusão do glomérulo = hemólise =
anemia hemolítica microangiopática =
esquizócitos.
• Campylobacter
Síndrome de Guillain-Barré = poliradiculopatia
desmielinizante aguda. Anticorpos reagem de
maneira cruzada com bainha de mielina
• E. coli
Enteroinvasiva
Êntero-hemorrágica = sem febre.
SHU (O157:H7) = toxina de Shiga
• Salmonella
Pode ter bacteremia
Casos graves = hemoglobinopatia S/anemia
falciforme (osteomielite), imunodeprimidos, <3
meses = fazer cultura de fezes
• Entamoeba histolytica
Tratamento
• Prioridade = prevenção e tratamento da
desidratação
Soluções glicossalinas orais = absorção
acoplada a glicose se encontra preservada. =
Pode usar soro caseiro (40-50 meq/L de Na)
Solução de reidratação oral – SRO = padrão
(osmolaridade muito alta – 311 mOsm/L – bom
pra cólera), osmolaridade reduzida. (equimolar)
Soluções cristaloides EV = SF 0,9%.
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Avaliação complementar
• Hemograma: sua indicação é restrita, sendo
reservado para os casos suspeitos de disseminação
do processo infeccioso (sepse);
• Bioquímica: em crianças com desidratação grave
que necessitem de terapia de reposição intravenosa
solicita-se, quando possível, a dosagem sérica de
potássio, sódio e cloro. Porém, tais exames não
devem implicar em qualquer retardo para o início
do tratamento. A dosagem de creatinina, ureia e
glicose é solicitada de acordo com o quadro clínico
e as complicações que possam ocorrer;
• Gasometria arterial: solicitada na suspeita clínica de
acidose metabólica (perda de bicarbonato pelas
fezes, má perfusão tecidual e renal);
• Parasitológico de fezes: pode ser feito para a
identificação de ovos, cistos e parasitas, e sempre
que possível realizado a fresco para a pesquisa de
Giardia lamblia. Não é rotineiramente indicado;
• Pesquisa de rotavírus nas fezes (ELISA ou
aglutinação em látex);
• Cultura de fezes (coprocultura) para bactérias. É
solicitada em casos de infecções disseminadas,
epidemias em comunidades fechadas, diarreia em
imunodeprimidos e em crianças portadoras de
doenças crônicas. No caso de cultura positiva para E.
coli, há necessidade de tipagem sorológica, uma vez
que muitas cepas não são patogênicas;
• pH das fezes: valores inferiores a 5,6 indicam
participação de componente osmótico;
• Sangue e leucócitos nas fezes sugerem invasão do
epitélio intestinal;
• Substâncias redutoras maiores de 0,5% são
encontradas na diarreia osmótica.
• Dosagem de eletrólitos fecais. A osmolaridade fecal
é de 290 mOsm/L. Ela pode ser medida
diretamente ou calculada através da seguinte
fórmula:
Osmolaridade Fecal = (Na + K) × 2
Avaliação do estado de hidratação
• Grave
• Desidratação (algum grau)
• Sem hidratação
Para avaliar o enchimento capilar, a mão da criança deve
ser mantida fechada e comprimida por 15 segundos. Abrir
a mão da criança e observar o tempo no qual a
coloração da palma da mão volta ao normal. A avaliação
da perfusão periférica é muito importante,
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principalmente em desnutridos nos quais a avaliação dos
outros sinais de desidratação é muito difícil.
Obs: perda ponderal de peso
Grave > 9% C
Desidratação 3-9% B
Sem desidratação <3% A
Plano A
• Aumentar a ingestão hídrica (soluções caseiras).
Após cada evacuação diarreica
< 1 ano 50-100 mL
> 1 ano 100-200 mL
• Manter dieta habitual
• Orientar sinais de gravidade
• Zinco durante 10 dias
• Quando melhorar adicionar 1 refeição a mais por 2
semanas
Plano B
• TRO – Unidade de Saúde
Solução de reidratação oral
Volume: 75 mL/kg em 4h / 50-100 mL/kg em
4-6 ou 3-4h
• Alimentação = só mantém se for leite materno
• Reavaliação frequente
• Hidratada = alta com plano A com SRO
Plano C
• Hidratação venosa
CDC – 20 ml/kg
SF 0,9% - 100 mL/kg
> 1 ano por 3h
< 1 ano por 6 hora
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• TRO tão logo que possível
• Reavaliação após 3-6h
Antimicobrianos
• Shigelose = ceftriaxona IM; ciprofloxacina
• Salmonela com fator de risco = ceftriaxona IM,
amplicilina
• Cólera = azitromicina
• Ciprofloxacino (primeira escolha): crianças - 15mg/kg
2x dia por 3 dias e adultos - 500mg, 2x dia por 3
dias.
• Azitromicina (segunda escolha - ESPGHAN): 10 a
12mg/kg no primeiro dia e 5 a 6mg/kg por mais 4
dias,
via
oral)
para
o
tratamento dos casos de diarreia por Shigella (casos
suspeitos ou comprovados).
• Ceftriaxona: 50 -100mg/kg EV por dia por 3 a 5 dias
nos casos graves que requerem hospitalização.
• Cefotaxima: 100mg/kg de 6/6h por 3 a 5 dias
• Metronidazol: giardlase ou ameblase comprovada.
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Outras medidas
• Antieméticos = não recomendados. – Pode usar em
diarreia aguda com vômitos frequentes.
Obs: 1 dose de ondansetrona antes do plano B.
= 0,1 mg/kg (0,15-0,3/kg), até o máximo de 4
mg por via oral ou intravenosa. Apresentações
= comprimidos de 4 e 8 mg e ampolas de 4
mg/2mL
Outros, como plazil = reação extrapiramidal
• Probióticos = avaliar, pois encurta um pouco a
doença viral
Saccharomyces boulardil-250-750mg/dia (5-7
dias) - florax, repoflor
L reuteri - 108 a 4 x 108 (5-7 dias) - provance ou
colikids
L acidophhilus LB - min 5 doses de 1010 CFU
>48h; máximo 9 doses de 1010 CFU por 4 a 5
dias - Florabac
• Racecadotrila = inibidor da encefalinase =
absorção de água e eletrólitos. Terapia adjuvante
que reduz perdas e duração da diarreia e não
interfere na motilidade intestinal. Dose: 1,5 mg/kg 3x
dia – contraindicado em menores de 3 meses.
Apresentação: sachês com 100 mg e 30 mg ou
comprimidos com 100mg. Interromper quando
cessar diarreia. = Shirlene disse que não vê fazer
em ped
• Zinco = atua no crescimento celular e sistema
imunológico. Reduz tempo e quadro da diarreia e
recorrência. Usar de 10 a 14 dias. 10 mg/dia em
menores de 6 meses e 20 em maiores
• Vitamina A = reduz o risco de hospitalização e
mortalidade.
• Na diarreia persistente
Avaliar redução da lactose
Intolerância à lactose