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Lista Filosofia Helenística (Ceticismo e
Estoicismo)
Exercícios: Filosofia Helenística - Lista
2
1. XI. Jamais, a respeito de coisa alguma, digas:
“Eu a perdi”, mas sim: “eu a restituí”. O filho
morreu? Foi restituído. A mulher morreu? Foi
restituída. “A propriedade me foi subtraída”, então
também foi restituída. “Mas quem a subtraiu é
mau”. O que te importa por meio de quem aquele
que te dá a pede de volta? Na medida em que ele
der, faz uso do mesmo modo de quem cuida das
coisas de outrem. Do mesmo modo como fazem
os que se instalam em uma hospedaria.
EPICTETO. Encheirídion. In: DINUCCI, A.
Introdução ao Manual de Epicteto. São Cristóvão:
UFS, 2012 (adaptado).
A característica do estoicismo presente nessa
citação do filósofo grego Epicteto é
a) explicar o mundo com números.
b) identificar a felicidade com o prazer.
c) aceitar os sofrimentos com serenidade.
d) questionar o saber científico com veemência.
e) considerar as convenções sociais com
desprezo.
2. O trecho a seguir expõe parte do pensamento
de Sêneca, o mais importante pensador estoico,
no período romano do estoicismo:
“O fato é o seguinte: não recebemos uma vida
breve, mas a fazemos; nem somos dela carentes,
mas esbanjadores. Por que nos queixamos da
Natureza? Ela mostrou-se benevolente: a vida, se
souberes utilizá-la, é longa. Mas uma avareza
insaciável apossa-se de um e de outro, uma
laboriosa dedicação a atividades inúteis, um
embriaga-se de vinho, outro entorpece-se na
inatividade; alguns não definiram para onde dirigir
sua vida, e o destino surpreende os esgotados e
bocejantes, de tal forma que não duvido ser
verdadeiro o que disse, à maneira de oráculo, o
maior dos poetas: ‘Pequena é a parte da vida que
vivemos’. Pois todo o restante não é vida, mas
tempo”.
Sêneca. Sobre a brevidade da vida. Coleção
L&PM Pocket – Literatura clássica internacional.
Cap 1-2. Versículo 2-4. Adaptado.
Considere as seguintes afirmações a respeito da
doutrina estoica:
I. Para o estoicismo, o homem é um microcosmo
no macrocosmo; é parte do universo, do cosmo.
Uma conduta ética deve estar de acordo com os
princípios da natureza para, assim, atingir-se a
felicidade.
II. Para o estoicismo, a felicidade consiste no
abandono de todo autocontrole e austeridade
com a negação de qualquer determinação
natural. O comportamento ético impõe
conquista e não aceitação.
III. A ética estoica carrega um forte
determinismo e um certo fatalismo: por esta
razão, teve imensa influência na ética cristã em
sua aceitação dos acontecimentos.
Está correto o que se afirma em
a) I, II e III.
b) I e III apenas.
c) II e III apenas.
d) I e II apenas.
3. Em meados do século IV a.C., Alexandre
Magno assumiu o trono da Macedônia e iniciou
uma série de conquistas e, a partir daí, construiu
um vasto império que incluía, entre outros
territórios, a Grécia. Essa dominação só teve fim
com o desenvolvimento de outro império, o
romano. Esse período ficou conhecido como
helenístico e representou uma transformação
radical na cultura grega. Nessa época, um
pensador nascido em Élis, chamado Pirro,
defendia os fundamentos do ceticismo. Ele fundou
uma escola filosófica que pregava a ideia de que:
a) seria impossível conhecer a verdade.
b) seria inadmissível permanecer na mera
opinião.
1
c) os princípios morais devem ser inferidos da
natureza.
d) os princípios morais devem basear-se na
busca pelo prazer.
4. Sobre a ética na Antiguidade, é CORRETO
afirmar que
a) o ideal ético perseguido pelo estoicismo era
um estado de plena serenidade para lidar com
os sobressaltos da existência.
b) os sofistas afirmavam a normatização e
verdades universalmente válidas.
c) Platão, na direção socrática, defendeu a
necessidade de purificação da alma para se
alcançar a ideia de bem.
d) Sócrates repercutiu a ideia de uma ética
intimista voltada para o bem individual, que, ao
ser exercida, se espargiria por todos os
homens.
5. Pirro afirmava que nada é nobre nem
vergonhoso, justo ou injusto; e que, da mesma
maneira, nada existe do ponto de vista da
verdade; que os homens agem apenas segundo a
lei e o costume, nada sendo mais isto do que
aquilo. Ele levou uma vida de acordo com esta
doutrina, nada procurando evitar e não se
desviando do que quer que fosse, suportando
tudo, carroças, por exemplo, precipícios, cães,
nada deixando ao arbítrio dos sentidos.
LAÉRCIO, D. Vidas e sentenças dos filósofos
ilustres. Brasília: Editora UnB, 1988.
O ceticismo, conforme sugerido no texto,
caracteriza-se por:
a) Desprezar quaisquer convenções e
obrigações da sociedade.
b) Atingir o verdadeiro prazer como o princípio e
o fim da vida feliz.
c) Defender a indiferença e a impossibilidade de
obter alguma certeza.
d) Aceitar o determinismo e ocupar-se com a
esperança transcendente.
e) Agir de forma virtuosa e sábia a fim de
enaltecer o homem bom e belo.
6. A filosofia helenística é profundamente marcada
por uma preocupação central com a ética,
entendida em um sentido prático, como o
estabelecimento de regras do bem viver, da ‘arte
de viver’. É ilustrativo disso o famoso Manual de
Epicteto, filósofo estoico do período romano.
Considere as seguintes afirmações sobre a
doutrina ética das principais correntes de
pensamento helenísticas:
I. Para se ter uma conduta ética que assegure a
felicidade, o estoicismo propõe o agir de acordo
com os princípios da natureza, em equilíbrio
com o cosmo e em busca da tranquilidade –
ataraxia.
II. Agir eticamente, segundo o epicurismo,
significa dar vazão aos desejos naturais de
forma intensa e total. A vida ética requer o
exercício pleno da paixão que não se opõe à
razão, mas a complementa.
III. A ética estoica influenciou fortemente a
ética cristã em virtude de seu caráter
determinista e por sua valorização do
autocontrole e da submissão.
É correto o que se afirma em
a) I e III apenas.
b) I, II e III.
c) II e III apenas.
d) I e II apenas.
7. Sexto Empírico, em Hipotiposis Pirrônicas,
escreve:
Se, portanto, as coisas que nos afetam por
natureza afetam todos do mesmo modo, mas os
assim chamados bens não nos afetam todos do
mesmo modo, então nada é bom por natureza.
Não é possível ser convencido por todas as
opiniões apresentadas (...), por causa do conflito,
2
nem por alguma delas. Pois aquele que diz que
devemos achar convincente esta e não aquela,
tem contra si opostos os argumentos daqueles
que sustentam concepções diferentes e se torna
parte da disputa. Assim, ele precisará, como os
demais, antes ser julgado do que ser juiz dos
outros. Uma vez, então, que não há critério ou
prova, em razão da disputa indecidível a respeito
destes, ele terminará suspendendo o juízo e assim
não será capaz de afirmar acerca do que é por
natureza bom (...).
Hipotiposis Pirrônicas III, 192.
Com base no texto de Sexto Empírico, examine,
agora, as afirmações abaixo e assinale a
alternativa CORRETA.
a) Sexto Empírico argumenta que somente
mediante o critério racional podemos resolver
com certeza as divergências filosóficas.
b) Sexto nos diz que contra um mesmo
argumento podemos opor, indefinidamente,
outros argumentos contrários.
c) Sexto afirma que, como desconhecemos o
que é por bom por natureza, não podemos
suspender o juízo.
d) Conforme Sexto, somente um juiz pode dizer
o que é bom por natureza.
e) Todas as alternativas estão corretas.
8. Lembre-se, que se você imagina que aquilo que
é naturalmente escravo está livre e aquilo que
naturalmente pertence a uma outra pessoa é
propriedade sua, então você estará prejudicado,
você irá lamentar e ser colocado em (um estado
de) confusão, você irá culpar deuses e homens;
mas se você pensa que somente aquilo que lhe
próprio é que lhe pertence e aquilo que é próprio
de outrem realmente pertence aquele outrem,
ninguém jamais irá colocar imposições ou
limitações sobre você, você não irá culpar a
ninguém, não fará nada contra a sua própria
vontade, não terá nenhum inimigo, pois nenhum
mal pode alcançá-lo.
EPICTETO. O Encheirídion. UFS, 2012.
No trecho acima podemos observar uma
dualidade essencial para o pensamento estoico,dualidade entre:
a) aquilo que podemos saber e aquilo que não
podemos saber.
b) aquilo que devemos fazer e aquilo que não
devemos fazer.
c) aquilo que podemos controlar e aquilo que não
podemos controlar.
d) aquilo que podemos pensar e aquilo que
podemos sentir.
e) aquilo que devemos desejar e aquilo que não
devemos desejar.
9. Buscando uma entrada de dicionário sobre a
palavra “ceticismo”, temos a seguinte definição:
“Característica de quem é cético; comportamento
da pessoa que duvida de tudo ou tende a não
acreditar em nada; descrente.”
(https://www.dicio.com.br/ceticismo/)
Essa definição, apesar de parcialmente correta,
não captura completamente o ceticismo pirrônico
do período helenista pois:
a) o ceticismo pirrônico abre uma exceção para as
certezas da vida religiosa.
b) o ceticismo pirrônico pode ser definido como
uma doutrina dogmática e por isso não coloca
tudo em dúvida.
c) o ceticismo pirrônico deve ser principalmente
compreendido como uma tese epistemológica, ou
seja, sobre o que devemos conhecer.
d) o ceticismo pirrônico é acima de tudo uma tese
ética, que busca orientar a nossa vida prática.
e) o ceticismo pirrônico aceita que pelo menos
aquelas verdades necessárias, tais como as
verdades matemáticas, devem ser preservadas.
10. A respeito da relação entre estoicismo e
cinismo, podemos dizer que:
a) assim como os cínicos, os estoicos defendem a
impossibilidade do conhecimento.
b) diferente de filósofos cínicos como Antístenes e
Diógenes, os estoicos defendem que a felicidade
3
https://www.dicio.com.br/ceticismo/
só pode ser alcançada por meio do prazer
moderado.
c) os estoicos, assim como os cínicos, defendem
que devemos viver uma vida completamente de
acordo com os princípios da natureza, não
deixando nossa conduta ser restringida pelas
convenções humanas.
d) os estoicos abominam o modo de vida cínico
por considerarem esse modo de vida irracional.
e) tanto os cínicos quanto os estoicos defendem
que uma vida verdadeiramente feliz envolve o uso
da racionalidade e um agir virtuoso de acordo com
a natureza.
Gabarito:
Resposta da questão 1:
[C]
O texto representa a concepção da doutrina
filosófica do estoicismo de que o autodomínio e o
controle das paixões, a partir de uma postura
apática, ou seja, do equilíbrio emocional em
relação a tudo que não é passível de domínio pelo
indivíduo, levaria a uma vida virtuosa e, portanto,
mais feliz. A aceitação passiva do sofrimento é,
dessa forma, a característica do estoicismo
presente no texto.
Resposta da questão 2:
[B]
O estoicismo não compreende a vida humana
como separada da natureza, mas como parte
dela, exposta a mesma lógica natural. A ética
estoica compreende que o homem é impotente
para mudar a realidade e a natureza e que a
felicidade está na aceitação do fluxo da vida, com
a sua justiça ou crueldade.
O estoicismo não nega a determinação natural,
nem o comportamento ético impõe a conquista,
em oposição, a ética estoica orienta o indivíduo a
se tornar indiferente ao que não pode ser
controlado, seja o incontrolável doloroso ou
prazeroso.
A ética estoica, ao orientar a indiferença e a
aceitação harmônica de forças superiores,
tornou-se uma base importante para a ética cristã,
que igualmente reconhece a existência de forças
superiores aos indivíduos e orienta a vida para a
aceitação harmônica do poder superior.
Resposta da questão 3:
[A]
Também chamado de ceticismo prático, o
pirronismo baseia-se na ideia de que é impossível
conhecer a realidade, que é sempre contingente e
mutável. Assim, o que restaria ao homem seria
renunciar a busca pela verdade, exatamente como
se afirma na alternativa A.
Resposta da questão 4:
[A]
Há aqui a necessidade de esclarecer que
sistematicamente a ética estoica é enunciada de
acordo com a física, quer dizer, dado que o
estoicismo constrói uma física da causalidade
necessária (as leis da natureza são necessárias e
de certo evento ocorrerá uma consequência
inevitável), a ética lida com a ideia de destino e,
por conseguinte, não há contingência caso um
evento seja, e se faça, sempre verdadeiro. Isto
estabelecido, temos:
“De acordo com Diógenes de Laércio, os estoicos
distinguiam na ética, enquanto parte da filosofia,
“lugares” ou objetos de estudos: o impulso ou
tendência, hormé; os bens e males; as paixões,
páthé; a virtude, areté; o sumo bem, télos; as
ações; as condutas conveniente, kathekonta; e o
que convém aconselhar ou impedir. A ética é
elaborada em dois movimentos: um que vai da
psicologia da tendência aos valores (bem e mal)
que orientam positiva ou negativamente as ações,
passa pelas perturbações que podem afetá-las
(paixões) e chega à perfeição (virtude, bem) e às
especificações concretas ações morais
(convenientes); e outro, que vai do ideal do sábio
às especificações concretas de conduta e à
pedagogia moral.
Toda ação ética é orientada por um fim único
(télos), em vista do qual todo o resto é meio ou fim
parcial. O fim último é a felicidade (eudaimonía)
4
daquele que vive bem porque realiza plenamente
sua natureza. Os estoicos consideram que a
virtude basta para a felicidade, da qual ela é a
causa, mas não é ela o télos ou o sumo bem, que
é viver em conformidade (homología) com a
natureza, isto é, consigo mesmo e com o mundo.
A infelicidade, portanto, é o desacordo ou o
conflito consigo mesmo e com a natureza”.
(M. Chaui. Introdução à história da filosofia: as
escolas helenísticas, vol. II. São Paulo:
Companhia das Letras, 2010, p. 156)
Resposta da questão 5:
[C]
O ceticismo pode ser caracterizado como a
consciência da impossibilidade humana de
encontrar verdades universais. Assim é que o
filósofo não mais se preocupa em buscá-la,
preferindo uma vida fundada na dúvida.
Resposta da questão 6:
[A]
O estoicismo foi uma das correntes filosóficas
helenísticas que entendia a filosofia como um
exercício prático e não apenas como uma
atividade intelectual abstrata, além de se basear
nas leis da natureza. Propunha uma ética que
enfatizava o equilíbrio das paixões, a
autossuficiência e a paz da alma como virtudes
necessárias para a felicidade. A valorização
dessas virtudes se relaciona com a concepção de
que as forças dos cosmos determinam a
causalidade das coisas, de modo que a única
postura verdadeiramente virtuosa seria a
aceitação diante do que não se pode controlar. Tal
postura, também chamada de ataraxia, implica a
rejeição da influência dos sentimentos e desejos
frente ao que é condicional, considerado
secundário e supérfluo. A ética estoica influenciou,
ainda, a ética cristã, que também valoriza a
designação frente ao destino. Partindo dessas
considerações, o aluno deve identificar os itens [I]
e [III] como corretos.
Já de acordo com a ética epicurista, que também
concebe a filosofia como um exercício prático, a
moral a ser seguida é a moral hedonista. Na
perspectiva hedonista, a busca pelo prazer não
necessariamente está dissociada da razão, mas,
pelo contrário, deve associar-se à ela para a
fruição do prazer refletido, dominado pela razão.
Com efeito, a ética epicurista busca os prazeres
comedidos, mas não se deixa dominar por ele,
recusando as paixões exacerbadas e supérfluas.
Assim, o aluno deve indicar o item [II] como
incorreto.
Resposta da questão 7:
[B]
O trecho apresentado na questão expõe um
raciocínio de um dos mais importantes
representantes do ceticismo pirroniano. A reflexão
parte de uma valorização da natureza como uma
força superior, por ser capaz de atingir a todos da
mesma forma, e segue desvalorizando raciocínios
e juízos, visto que todo argumento pode ser
oposto por outros argumentos, que não tendem a
alcançar acordos ou uma realidade capaz de
atingir a todos, já que se fundamentam em
percepções da realidade que se alteram entre as
pessoas.
Resposta da questão 8:
[C]
Os estoicos preocupam-se acima de tudo com a
diferença entre aquilo que podemos e aquilo que
não podemos controlar, defendendo que a
verdadeira racionalidade consiste em
compreendermos a diferença entre as duas
coisas.
Resposta da questão 9:
[D]
O ceticismopirrônico, tal como as outras escolas
do período helenista, está principalmente
preocupado com a vida prática e a busca da
felicidade humana, algo que não aparece na
definição apresentada pelo texto da questão.
Resposta da questão 10:
[E]
A escola estoica foi fundada a partir da escola
cínica, e preservou desta a concepção de que
uma vida verdadeiramente feliz só pode ser
alcançada com uma adequação da nossa
racionalidade à racionalidade da natureza, sendo
a virtude como finalidade última da vida humana.
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