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Estoques II APRESENTAÇÃO As decisões relacionadas ao estoque são de alto risco e de alto impacto para a cadeia de suprimentos. O estoque comprometido com o apoio a vendas futuras impulsiona diversas atividades antecipatórias na cadeia de suprimentos. Sem a quantidade adequada de estoque, podem ocorrer a perda de vendas e a insatisfação do cliente. Da mesma forma, o planejamento de estoques é fundamental para a produção. A falta de materiais ou componentes pode interromper a produção ou forçar modificações na programação de produção, o que envolve custos adicionais e uma potencial escassez de produtos. Assim como a escassez pode atrapalhar os planos de marketing e de produção, o excesso de estoque também pode gerar problemas operacionais. Ele aumenta os custos e reduz a lucratividade por causa do armazenamento adicional, capital de giro, seguros, impostos e obsolescência. O gerenciamento dos recursos de estoque exige conhecimento sobre sua funcionalidade, princípios, custos, impacto e dinâmica. Nesta Unidade de Aprendizagem, discutiremos os aspectos relacionados à administração de incertezas que envolvem os estoques, as políticas e as práticas de gerenciamento de estoques. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a importância da administração de incerteza na gestão de estoques.• Identificar e discutir as políticas de gerenciamento de estoques.• Demostrar as práticas de gerenciamento de estoques.• DESAFIO Muitos varejistas, e em alguns casos atacadistas, estão provocando seus fornecedores a disponibilizarem o estoque gerenciado pelo fornecedor e o estoque consignado sem custo adicional para o cliente. Na verdade, o cliente está tentando transferir o risco e a responsabilidade do estoque para o fornecedor, sem ter que pagar por isso. Seu desafio é, portanto, apontar as iniciativas que o fornecedor pode utilizar para recuperar parte do valor quando tiver que atender aos requisitos do cliente. INFOGRÁFICO O infográfico a seguir apresenta os principais aspectos dos estoques. CONTEÚDO DO LIVRO Para aprofundar seus conhecimentos sobre os estoques, leia o capítulo Estoques II, do livro Gestão Patrimonial e Logística no Setor Público. Boa leitura. GESTÃO PATRIMONIAL E LOGÍSTICA NO SETOR PÚBLICO Giancarlo Giacomelli Estoques II Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a importância da administração de incerteza na gestão de estoques. Identi� car e discutir as políticas de gerenciamento de estoques. Demostrar as práticas de gerenciamento de estoques. Introdução As decisões relacionadas ao estoque são de alto risco e de alto impacto para a cadeia de suprimentos. O estoque comprometido com o apoio a vendas futuras impulsiona diversas atividades antecipatórias na cadeia de suprimentos. Sem a quantidade adequada de estoque podem ocorrer perda de vendas e insatisfação do cliente. Dessa forma, o planejamento de estoques é fundamental para a produção. A falta de materiais ou componentes pode interromper a produção ou forçar modificações na programação de produção, o que envolve custos adicionais e uma potencial escassez de produtos. Assim como a escassez pode atrapalhar os planos de marketing e de produção, o excesso de estoque também pode gerar problemas operacionais, uma vez que aumenta os custos e reduz a lucratividade em razão do armazenamento adicional, capital de giro, seguros, impostos e obsolescência. O gerenciamento dos recursos de estoque exige conhecimento sobre sua funcionalidade, princípios, custos, impacto e dinâmica. Neste texto, você irá conhecer os aspectos relacionados à administração de incertezas que en- volvem os estoques, as políticas e as práticas de gerenciamento de estoques. Administrando a incerteza A formulação da política de estoque deve considerar a incerteza. Há dois tipos de incertezas que exercem impacto direto sobre a política de estoque: a incerteza da demanda, que envolve a variação de vendas durante o reabastecimento do estoque; e a incerteza do ciclo de atividades, que envolve a variação do tempo de reabastecimento do estoque. Incerteza da demanda A previsão de vendas estima a demanda durante o ciclo de reabastecimento do estoque. Mesmo com uma boa previsão, a demanda durante esse ciclo geralmente ultrapassa ou fi ca abaixo do planejado. Para se proteger contra a falta de estoque, quando a demanda ultrapassa a previsão, um estoque de segurança é acrescentado ao estoque base. Em condições de incerteza da demanda, o estoque médio repre- senta metade do tamanho do pedido de compra mais o estoque de segurança. A Figura 1 ilustra o ciclo de abastecimento em condições de incerteza da demanda. Figura 1. Ciclo de abastecimento em condições de incerteza de demanda. Fonte: Bowersox et al. (2013, p. 175). A linha pontilhada representa a previsão. A linha cheia indica o estoque disponível ao longo de diversos ciclos de atividades. A tarefa de planejar o estoque de segurança requer três etapas: Primeira etapa – deve-se prever a probabilidade de falta de estoque. Segunda etapa – a demanda durante um período de falta de estoque deve ser estimada. 209Estoques II Terceira etapa – é necessária uma decisão sobre a política em relação ao nível desejado de proteção contra faltas de estoque. Suponha que o ciclo de abastecimento é de 10 dias. O histórico indica vendas diárias em uma faixa de 0 a 10 unidades, com média de vendas diárias de 5 unidades. Supõe-se que o lote econômico é de 50, logo, o ponto de reposição é 50, o estoque médio planejado é 25 e a previsão de vendas durante o ciclo de atividades é de 50 unidades. Durante o primeiro ciclo, embora a demanda diária tenha variado, a média de 5 unidades por dia foi mantida. A demanda total durante o ciclo 1 foi de 50 unidades, como esperado. Durante o segundo ciclo, a demanda totalizou 50 unidades nos primeiros oito dias, resultando em falta de estoque. Portanto, não foi possível vender nos dias 9 e 10. Durante o terceiro ciclo, a demanda alcançou um total de 39 unidades. O terceiro ciclo de atividades terminou com 11 unidades ainda no estoque. Ao longo do período de 30 dias, as vendas totais foram de 139 unidades, com uma média de vendas diárias de 4,6 unidades. O histórico poderia ser traduzido em dados como o da Tabela 1, em que se observa a falta de estoque em dois dos 30 dias totais. Como as vendas nunca ultrapassam 10 unidades por dia, não existe possibilidade alguma de falta de estoque nos primeiros cinco dias do ciclo de reabastecimento. Fonte: Bowersox et al. (2013, p. 175). Ciclo 1 – Conforme previsto Ciclo 2 – Falta de estoque Ciclo 3 – Excesso de estoque Dia Demanda Acumulada Demanda Acumulada Demanda Acumulada 1 9 9 0 0 5 5 2 2 11 6 6 5 10 3 1 12 5 11 4 14 4 3 15 7 18 3 17 5 7 22 10 28 4 21 6 5 27 7 35 1 22 7 4 31 6 41 2 24 8 8 39 9 50 8 32 9 6 45 Falta de estoque 50 3 35 10 5 50 Falta de estoque 50 4 39 Tabela 1. Demandas tí picas durante trê s ciclos de reabastecimento. Estoques II210 A falta de estoque poderia ocorrer nos dias 6 a 10, na remota possibilidade de a demanda média dos primeiros cinco dias do ciclo terem sido de 10 unidades por dia, e de nenhum estoque ter sido reposto no período anterior. Uma vez que durante os três ciclos de atividades só́ foram vendidas 10 unidades em uma ocasião, é evidente que o risco real da falta de estoque só́ ocorra nos últimos poucos dias do ciclo de atividades, apenas quando as vendas ultrapassarem a média por uma margem substancial. É possível fazer uma aproximação do potencial de vendas nos dias 9 e 10 do ciclo 2. Poderiam ter sido vendidas no máximo 20 unidades se houvesse estoque disponível. Por outro lado, é remotamente possível que, mesmo que o estoque estivesse disponível, não ocorresse demanda nenhuma nos dias 9 e 10. Para uma demanda média de 4 a5 unidades por dia, uma avaliação razoável das vendas perdidas é de 8 a 10 unidades. Deve estar claro que o risco de falta de estoque criado pelas variações nas vendas é limitado a um curto período e inclui um pequeno percentual das vendas totais. Embora a análise de vendas apresentada na Tabela 2 ajude a entender a oportunidade, o curso de ação apropriado ainda não está claro. É possível usar probabilidade estatística para ajudar no planejamento do estoque de segurança. Fonte: Bowersox et al. (2013, p. 176). Demanda diária (em unidades) Frequência (dias) Falta de estoque 2 0 1 1 2 2 2 3 3 4 4 5 5 6 3 7 3 8 2 9 2 10 1 Tabela 2. Distribuiç ã o de frequê ncia da demanda. 211Estoques II O histórico de vendas para o período de 30 dias foi agregado na Tabela 2 como uma distribuição de frequência. O principal objetivo de uma distribuição de frequência é observar as variações em torno da média da demanda diária. Determinada uma média esperada de 5 unidades por dia, a demanda ul- trapassou a média em 11 dias e ficou abaixo da média em 12 dias. Esses dados ajudarão a traçar alguns padrões no comportamento da demanda, que permitirão planejar o estoque, como você verá a seguir. As definições referentes aos estoques são impactadas por uma série de variáveis, como a disponibilidade de matérias-primas, a ocupação dos espaços de ar- mazenagem e o histórico de demanda. Porém, além de todos esses dados históricos, ainda é fundamental que a empresa consiga projetar, com algum grau de assertividade, a demanda futura, que pode mudar radicalmente de um trimestre para outro. No link e no código a seguir, você poderá conhecer um caso de como as previsões de vendas afetam as decisões no ramo da moda (LAIER, 2016): https://goo.gl/Wu1vgE Definindo as políticas de estoque: estoques de segurança e ciclos de atividades Com a frequência histórica da demanda, é possível calcular o estoque de segurança necessário para fornecer um grau específi co de proteção contra a falta de estoque. A teoria da probabilidade se baseia na possibilidade aleatória de uma ocorrência específi ca entre várias. A situação ilustrada anteriormente usa uma amostra de 28 dias. Na aplicação real, seria desejável uma amostra maior. A probabilidade das ocorrências pressupõe um padrão em torno de uma medida de tendência central, que é o valor médio de todas as ocorrências. Embora inúmeras distribuições de frequência possam ser usadas no gerenciamento de estoque, a mais comum é a distribuição normal. Uma distribuição normal é caracterizada por uma curva simétrica em formato de sino, como ilustrado na Figura 2. Estoques II212 Figura 2. Distribuição normal. Fonte: Bowersox et al. (2013, p. 177). A característica essencial de uma distribuição normal é que as três medidas de tendência central têm valor igual. O valor da média, a observação da mediana (meio) e a moda (observação com maior frequência) têm todos o mesmo valor. Quando essas três medidas são quase idênticas, a distribuição de frequência é normal. A base para prever a demanda durante um ciclo de atividades usando uma distribuição normal é o desvio padrão das observações em torno das três medidas de tendência central. Ele é a dispersão das observações dentro de áreas específicas sob a curva normal. Para a aplicação de gerenciamento de estoque, a observação é a venda unitária por dia, e a dispersão é a variação nas vendas diárias. Em um desvio padrão ocorrem 68,27% de todos os eventos, ou seja, 68,27% dos dias durante um ciclo de atividades apresentarão vendas diárias a ± 1 desvio padrão da média de vendas diárias. Dessa forma: A ± 2 desvios-padrão ocorrem 95,45% de todas as observações. A ± 3 desvios-padrão são incluídas 99,73% de todas as observações. Em termos de política de estoque, o desvio padrão oferece um método de estimar o estoque de segurança necessário para atingir um grau específico de 213Estoques II proteção contra faltas de estoque. Assim, a primeira etapa no estabelecimento do estoque de segurança é calcular o desvio padrão. Para isso serão necessários alguns dados, como os da tabela da Figura 3. Figura 3. Cá lculo do desvio padrã o da demanda diá ria. Fonte: Bowersox et al. (2013, p. 178). Neste caso, considere que o desvio padrão dos dados esteja arredondado para 3 unidades. Ao se estabelecer o estoque de segurança, dois desvios- -padrão, ou 6 unidades, protegeriam contra 95,45% de todas as observações incluídas na distribuição. No entanto, as únicas situações preocupantes na determinação das necessidades de estoque de segurança seriam observações que ultrapassassem o valor médio. Não existem problemas relativos ao estoque para satisfazer a demanda igual ou inferior à média. Portanto, em 50% dos dias, não é necessário um estoque de segurança. A proteção do estoque de segurança no nível de 95%, na verdade, protegerá contra 97,72% de todas as observações possíveis. A cobertura de 95% abrangerá todas as situações quando a demanda estiver a ± 2 desvios-padrão da média mais os 2,72% referente ao tempo em que a demanda for mais de 2 desvios-padrão abaixo da média. Esse benefício adicional é consequência do que se costuma chamar de aplicação estatística unilateral. O exemplo citado ilustra como a probabilidade estatística pode auxiliar na quantificação da incerteza da demanda, mas as condições da Estoques II214 demanda não são a única fonte de incerteza. Os ciclos de atividades também podem variar. A incerteza do ciclo de atividades significa que as operações não podem assumir uma entrega consistente. O planejador deve esperar que a experiência real do ciclo de atividades fique perto do valor esperado e tenha um desvio, devido às variações na entrega. A tabela da Figura 4 apresenta uma amostra de distribuição de frequência ao longo de diversos ciclos de atividades. Figura 4. Cá lculo do desvio padrã o da duraç ã o do ciclo de reabastecimento. Fonte: Bowersox et al. (2013, p. 179). Embora 10 dias seja o mais frequente, a experiência de reabastecimento varia de 6 a 14 dias. Se o ciclo de atividades segue uma distribuição normal, seria possível esperar que um ciclo de atividades individual ficasse entre 8 e 12 dias, 68,27% das vezes. Do ponto de vista prático, quando os dias do ciclo ficam abaixo de 10, não há necessidade de estoque de segurança. Se o ciclo de atividades ficasse constantemente abaixo do ciclo de atividades planejado, seria válido um ajuste na duração esperada. A situação de preocupação mais imediata ocorre quando o ciclo de ativi- dades ultrapassa 10 dias. Do ponto de vista da probabilidade de ultrapassar 10 215Estoques II dias, a frequência dessas ocorrências, segundo os dados da tabela da Figura 4, pode ser reapresentada em razão dos ciclos de atividades maiores que 10 dias e iguais ou menores que 10 dias. Nos dados do exemplo, o desvio padrão não se alteraria porque a distribuição é normal. O ciclo de atividades é como chamamos todas as ações necessárias para que os produtos pedidos sejam entregues, quando citamos a duração do ciclo de atividades estamos nos referindo a todo o tempo transcorrido desde o momento em que o pedido é realizado até o ponto em que os itens são entregues. Planejamento das necessidades de estoque Os métodos de planejamento de estoque usam um banco de dados comparti- lhado para coordenar as necessidades de estoque em diversos locais ou etapas da cadeia de suprimentos. As atividades de planejamento podem ocorrer no nível do depósito da fábrica, para coordenar a alocação de estoques e a entrega a vários destinos. O planejamento também pode coordenar as necessidades de estoque de diversos parceiros do canal, como fabricantes e varejistas. Os sistemas de Planejamento e Programação Avançados (APS, Advanced Planning Sche- duling) ilustram a capacidade de planejamento de aplicações. Embora esses sistemas automatizem o processo, é importante que os gerentes de logística entendama lógica e os pressupostos fundamentais. Dois métodos de planejamento de estoque são a alocação proporcional e o Planejamento de Necessidades de Distribuição (DRP, Distribution Requirements Planning). Veja mais sobre esses dois métodos a seguir. Alocação proporcional A alocação proporcional é um método simplifi cado de planejamento de estoque que fornece a cada instalação de distribuição uma parte equitativa do estoque disponível. A Figura 5 ilustra a estrutura da rede, o nível atual de estoque e as necessidades diárias de três depósitos atendidos por um depósito de fábrica. Usando a alocação proporcional, o planejador do estoque determina Estoques II216 a quantidade de produtos que pode ser alocada para cada depósito a partir do estoque disponível na fábrica. Para este exemplo, suponha que é desejável manter 100 unidades no depósito da fábrica, portanto 500 unidades estão disponíveis para ser alocadas. Figura 5. Exemplo de alocação proporcional. Fonte: Bowersox et al. (2013, p. 189) O cálculo para determinar a quantidade de dias de suprimento é : Onde: DS = dias de suprimento para o estoque dos depósitos AQ = unidades de estoque a serem alocadas a partir do depósito da fábrica Ij = estoque em unidades no depósito j Dj = demanda diária do depósito j No exemplo apresentado: 217Estoques II Assim, segundo a alocação proporcional, cada depósito deve ter estoque para 9,67 dias de demanda. A quantidade a ser alocada para cada depósito é determinada desta maneira: Onde: Aj = quantidade alocada para o depósito j DS = dias de suprimento que cada depósito deve ter Ij = estoque em unidades no depósito j Dj = demanda diária do depósito j Neste exemplo, a quantidade alocada para o depósito 1 é : As alocações para os depósitos 2 e 3 podem ser determinadas de modo semelhante e representam 383 e 70 unidades, respectivamente. Embora a alocação proporcional coordene os níveis de estoque em diferentes locais, ela não considera fatores específicos como diferenças na duração do ciclo de atividades, LEC ou necessidades de estoque de segurança. Os métodos de alocação proporcional, portanto, são limitados quanto à capacidade de gerenciar múltiplos estoques. Estoques II218 Planejamento das necessidades O planejamento das necessidades integra toda a cadeia de suprimentos levando em consideração necessidades únicas. Ele normalmente é classifi cado como Planejamento das Necessidades de Material (MRP) ou Planejamento das Necessidades de Distribuição (DRP). Existe uma diferença fundamental entre as duas técnicas. O MRP é orien- tado por uma programação de produção, e o DRP é orientado pela demanda da cadeia de suprimentos. Por muito tempo, o MRP foi mais comum nas rotinas empresariais, mas o avanço dos métodos ágeis vem tornando o DRP mais relevante. Então, enquanto o MRP geralmente opera em uma situação de demanda dependente, o DRP é aplicável em um ambiente de demanda independente em que necessidades incertas dos clientes orientam as necessidades de estoque. O MRP coordena a programação e a integração de materiais para transformá -lós em produtos acabados e, assim, controlar o estoque até que a produção ou a montagem sejam completadas. O DRP assume responsabilidade pela coordenação depois que os produtos acabados são recebidos no depósito da fábrica. Na Figura 6 você pode ver o projeto conceitual de um sistema combinado MRP/DRP que integra o planejamento de produtos acabados, produtos em processo e matérias-primas. 219Estoques II Figura 6. Projeto conceitual de sistema integrado MRP/DRP. Fonte: Bowersox et al. (2013, p. 191). A metade superior da figura mostra um sistema MRP que divide em etapas as chegadas da matéria-prima para apoiar a programação de produção. O resultado da execução do MRP é um estoque de produtos acabados no local de fabricação. A metade inferior da figura mostra o sistema DRP que aloca o estoque de produtos acabados do local de fabricação para os depósitos de distribuição e, por fim, para os clientes. Ele divide em etapas os movimentos para coordenar as chegadas de estoque visando atender as necessidades dos clientes e seus compromissos. Os sistemas MRP e DRP interagem no local de fabricação. Uma boa coordenação entre os dois sistemas resulta em um nível mínimo de neces- Estoques II220 sidade de estoque de segurança. O DRP coordena os níveis de estoque, as programações e, quando necessário, reprograma a movimentação de estoque entre os níveis da cadeia. 221Estoques II BOWERSOX, D. J. et al. Gestão logística da cadeia de suprimentos. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. LAIER, P. A. Varejo de moda trabalha estoques com cautela ante incerteza sobre vendas de fim de ano. New York: Reuters, 2016. Disponível em: <http://br.reuters.com/article/ businessNews/idBRKCN11L26B>. Acesso em: 22 ago. 2017. 223Estoques II DICA DO PROFESSOR Neste vídeo, apresenta-se a importância do gerenciamento de riscos e as políticas e práticas de estoques. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) (ENADE - 2006) A Cia. Alonso de Auto Peças Ltda. distribui peças para oficinas de reparo de automóveis localizadas em grande área metropolitana. Embora se trate de um mercado competitivo, a Cia. Alonso gostaria de oferecer níveis de estoque adequados às oficinas atendidas, ao mesmo tempo em que deseja maximizar seus lucros. Ela é sabedora de que, à medida que aumenta a percentagem média de atendimentos aos clientes (nível de serviço), maior é seu custo de estoques. A fim de determinar a influência dos níveis de estoque no percentual de atendimento aos clientes, a Alonso fez um levantamento dos principais itens de seu estoque nos últimos seis meses. A seguinte tabela foi preparada: A partir dos dados apresentados nessa tabela, pode-se concluir que o maior lucro ocorrerá quando o nível de serviço for equivalente a: A) 80%. B) 85%. C) 90%. D) 95%. E) 98%. 2) (ENADE - 2006) A Cia. Goiás Velho S.A., fabricante de conectores, recebeu uma encomenda de 1.200 conjuntos extensão-tomada, cuja árvore de estrutura é a seguinte: Os números entre parênteses referem-se às quantidades utilizadas na produção de cada conjunto. A Goiás Velho possui em estoque: extensão-tomada = 200; tomada = 100; extensão = 500; fio = 2.000. A nova política de estoques da empresa é a de não manter saldos em estoque, quer em conjuntos, quer em componentes. A partir das informações apresentadas, pode-se concluir que a quantidade do componente fio (especificação 2 x 16 AWG) que precisa ser adquirido para atender a encomenda de 1.200 conjuntos extensão-tomada (utilizando todo o estoque existente) é: A) 1400. B) 1.000. C) 12.700. D) 10.000. E) 10.700. 3) (ENADE - 2009) A Brás Eletrônicos Ltda. monta computadores pessoais. Uma das peças utilizadas na montagem é a placa de memória RAM. No gráfico abaixo são mostradas as quantidades dessas placas em estoque ao final de cada dia, nos últimos 30 dias, e o nível de ressuprimento. Ao final do dia, o administrador de compras verifica a necessidade de realizar um pedido de peças e, quando necessário, realiza-o imediatamente no sistema on- line do fornecedor. Sabendo-se que o lead time é o tempo entre o pedido de suprimento e sua entrada no estoque da empresa (considere que não existe perda de tempo entre a entrega e a entrada em estoque), conclui-se que o lead time médio no período é de: A) 1 dia. B) 2 dias. C) 3 dias. D) 9 dias. E) 10 dias. 4) (TRT - 9a REGIÃO - PR - Adaptada) Inventário rotativo ou inventário físico é um processo de recontagem física e contínua de todo o estoque. Uma vantagem considerável da técnica de inventário rotativo para empresas que trabalham com estoque grande e variado é o(a): A) possibilidade de realizar a contagem da cada item independentemente do respectivo código de inventário. B) estabelecimento de intervalo variável para a contagem de todo o estoquede uma só vez, mantendo o almoxarifado em funcionamento. C) determinação de intervalo fixo para a contagem dos itens sem que seja preciso classificar o material. D) facilidade de contagem contínua do material, além da definição variável do intervalo para cada tipo de material. E) contagem realizada em períodos curtos, já que o almoxarifado tem de ficar fechado. (CESAGRANRIO - RJ - Adaptada) Uma empresa está com problemas na área de estoque, pois um de seus equipamentos está paralisado há um mês, em manutenção. O setor de manutenção justifica a 5) demora alegando que depende da aquisição de uma determinada peça, que está em falta. Entretanto, a área de suprimentos informa que existem três peças em estoque, pois a planilha do banco de dados identifica a existência dessas peças, muito embora o responsável pelo setor de estoque não encontre nenhuma dessas peças na prateleira. Desse modo, o departamento de compras não efetiva nova compra de peças tendo em vista a potencial existência da mesma em estoque. Nessa situação, duas técnicas de controle de estoque que não foram utilizadas pelo setor de estoques e poderiam ter prevenido o impasse em questão são: A) Acurácia dos controles e análise ABC. B) Gráfico de pareto e benchmarking. C) Teste de consistência e romaneio. D) Análise ABC e roteirização. E) Fluxograma e romaneio. NA PRÁTICA Veja a seguir um exemplo da utilização da curva ABC. Leia a seguir sobre como montar uma curva ABC: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: SLACK, Nigel et al. Gerenciamento de operações e de processos: princípios e práticas de impacto estratégico. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013. (Capítulo 9).