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CENTRO TEOLÓGICO FATAD 
CURSO EM TEOLOGIA MODULAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OOSS EEVVAANNGGEELLHHOOSS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROF.º JALES BARBOSA 
 
 
LIVROS DE EVANGELHOS 
FATAD Prof. Jales Barbosa 
 
2 
 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
 
Amados e queridos estudantes, amigos da verdade, povo adquirido, nação eleita. 
 
Graça e paz, da parte de Deus nosso pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo. 
 
Grande é a nossa responsabilidade do servo e salvo em Jeová, de anunciar, 
apresentar, fazer chegar claramente à todos, da infinita bondade e grandeza, de tão 
grande salvação em Cristo Jesus. 
 
Conscientes dessa grande, esplendida, árdua e laboriosa tarefa do ensino da 
palavra. E te convidamos para estudar a Santa e maravilhosa palavra de Deus. 
 
Numa serie de apostilas andaremos juntos, passo a passo com, o Senhor Jesus. 
Nos evangelhos; seremos missionário com os apóstolos em atos; profetizaremos com 
Isaias, Ezequiel, e outros profetas; caminharemos com Moisés pelo deserto, passaremos 
o Jordão com Josué; venceremos todos os Golias ao lado de Davi em nome de Jeová; 
salmodiaremos canções ao nosso Deus com “Asafe”, teremos a coragem de Débora, a 
sabedoria de Salomão, a graça de Jesus, a visão de Paulo, a fidelidade de Samuel, 
amaremos e reclinaremos nosso rosto no peito de Cristo, tal qual João. 
 
Venha conosco, seja como os crentes de Beréia (At, 17.10-12), examinando cada 
dia as escrituras, você estará tomando posse das bênçãos do Senhor, fortalecendo-se, 
aprendendo e falando dessa palavra, você salvará tomando a ti mesmo como seus 
ouvintes. 
(1 Tm 4:16). 
 
Em Cristo Jesus, 
 
 
A Diretoria 
 
 
 
 
LIVROS DE EVANGELHOS 
FATAD Prof. Jales Barbosa 
 
3 
 
 
 
COMO ESTUDAR ESTE LIVRO 
 
Às vezes estudamos muito e aprendemos ou retemos pouco ou nada. 
Isto em parte acontece pelo fato de estudarmos sem ordem nem método. 
Embora sucintas as orientações que passamos a expor ser-lhe-á muito útil. 
 
1. Busque a ajuda divina 
 
Ore a Deus dando-lhe graças e suplicando direção e iluminação do alto. Deus 
pode vitalizar e capacitar nossas faculdades mentais quanto ao estudo da Palavra de 
Deus. Nunca execute qualquer tarefa de estudo ou trabalhos da palavra de Deus sem 
primeiro orar. 
 
2. Além da matéria a ser estudada , tenha à mão as seguintes fontes de consulta e 
refe-rência: 
 
• Bíblia. Se POSSÍVEL em mais de uma versão. 
• Dicionário Bíblico. 
• Atlas Bíblico. 
• Concordância Bíblica. 
• Livro ou caderno de apontamentos -individuais. 
• Habitue-se a sempre tomar notas de seus estudos e meditações. 
 
3. Seja ORGANIZADO ao estudar 
 
A. Ao primeiro contato com a matéria procure obter uma visão global da mesma 
isto é como um todo. Não sublinhe nada. Não faça apontamentos. Não procure 
referências na Bíblia. Procure sim descobrir o propósito da matéria em estudos, 
isto é o que deseja ela comunicar-lhe. 
 
B. Passe então ao estudo de cada lição observando a SEQÜÊNCIA dos Textos que 
a englobam. Agora sim à medida que for estudando sublinhe palavras frases e 
trechos-chaves. Faça anotações no caderno a isso destinado. 
 
C. Ao final de cada lição encontra-se uma revisão geral de cada parte do livro 
perguntas e EXERCÍCIO que deverão ser respondidas ao termino de cada parte, 
que deverão ser respondidas sem consulta ao texto correspondente. responda 
todas as perguntas que for POSSÍVEL, logo em seguida volte ao texto e confira 
as suas respostas. Fazendo assim VOCÊ chegara a um final do seu estudo, com 
um bom aprendizado quanto no conhecimento intelectual e ESPIRITUAL. 
 
 
 
 
 
 
LIVROS DE EVANGELHOS 
FATAD Prof. Jales Barbosa 
 
4 
 
 
ÍNDICE 
 
I. INTRODUCÃO............................................................................................................................. 6 
1. REINO DE DEUS – REINO DOS CÉUS.................................................................................. 6 
1.1. Na Pregação De João Batista............................................................................................ 6 
1.2. No Ensinamento De Jesus ................................................................................................ 6 
2. O REINO E A IGREJA............................................................................................................. 7 
3. NO RESTANTE DO NOVO TESTAMENTO ............................................................................ 7 
4. NO PENSAMENTO TEOLÓGICO ........................................................................................... 7 
II. O PROBLEMA SINOTICO .......................................................................................................... 9 
1. O CONTEXTO HISTORICO DO NASCIMENTO DE JESUS ................................................... 9 
1.1. A Palestina sob o Império Persa........................................................................................ 9 
1.2. A Palestina sob o domínio grego ....................................................................................... 9 
1.3. A Palestina independente sob os Macabeus: 167-63 a.C................................................ 10 
1.4. O início da revolta dos Macabeus, 167 a.C. .................................................................... 11 
1.5. A Palestina sob o domínio romano: 63 a.C., .................................................................... 12 
III. OS AUTORES DOS EVANGELHOS ....................................................................................... 16 
1. MARCOS............................................................................................................................... 16 
2. MATEUS................................................................................................................................ 16 
3. LUCAS .................................................................................................................................. 16 
IV. A INDEPENDÊNCIA DOS SINÓTICOS................................................................................... 18 
V. A DATA RESPECTIVA DOS EVANGELHOS SINÓTICOS....................................................... 20 
VI. CARACTERÍSTICAS PECULIARES DOS EVANGELHOS SINÓTICOS ................................. 20 
1. MARCOS............................................................................................................................... 20 
2. MATEUS................................................................................................................................ 20 
3. LUCAS .................................................................................................................................. 20 
4. EVANGELHO DE JOÃO........................................................................................................ 21 
4.1. A Evidência Externa ........................................................................................................ 21 
4.2. Evidência Interna:............................................................................................................ 22 
VII. A VIDA DE CRISTO ............................................................................................................... 26 
1. INTRODUÇÃO À VIDA DE CRISTO NOS EVANGELHOS.................................................... 26 
1.1. A Importância do Contexto Histórico, Geográfico e Cultural ............................................ 26 
2. PRIMEIRA PARTE DA VIDA DE CRISTO: “TRINTA ANOS PREPARATÓRIOS”.................. 27 
2.1. Prenúncio do Nascimento de Jesus (Mt 1:1-17; Lc 3:23-28)............................................27 
2.2. A Anunciação do Nascimento de João Batista (Lc 1.5-25)............................................... 28 
2.3. O Nascimento de Jesus Anunciado à Virgem Maria (Lc 1.2638) ..................................... 29 
2.4. O Nascimento De João Batista (Lc 1.57-80).................................................................... 29 
2.5. Anunciação a José do Nascimento de Jesus (Lc 1.18-23)............................................... 30 
2.6. A Virgem Maria Visita Isabel............................................................................................ 31 
2.7. O Nascimento e Infância de Jesus (Lc 2.1-7) .................................................................. 32 
2.8. Sua Vida em Nazaré........................................................................................................ 35 
2.9. Lição I – Referencias em Cadeias de Comando. ............................................................. 37 
2.10. Lição II – Cadeia de Comando ...................................................................................... 38 
2.11. Lição III – Cadeia de Comando...................................................................................... 39 
2.12. Lição IV – Cadeia de Comando ..................................................................................... 43 
VIII. O PROPÓSITO DO EVANGELHO ........................................................................................ 56 
IX. EVANGELHO SEGUNDO ESCREVEU MATEUS ................................................................... 57 
1. O Nascimento e Infância de Jesus Cristo 1.1-2.23 ................................................................ 57 
2. A Preparação para o Ministério Público de Jesus (3.1-4.17).................................................. 59 
3. O Começo do Ministério Público (4.18-25)............................................................................. 61 
4. Primeiro Discurso: O Sermão da Montanha 5.1-7.29............................................................. 62 
5. Os Milagres 8.1-9.34.............................................................................................................. 67 
6. A Missão dos Doze 9.35-10.4 ................................................................................................ 70 
7. Segundo Discurso. A Comissão dos Doze 10.5-11.1............................................................. 70 
8. João Batista e Cristo 11.2-24................................................................................................. 72 
9. O Convite do Evangelho 11.25-30 ......................................................................................... 73 
 
LIVROS DE EVANGELHOS 
FATAD Prof. Jales Barbosa 
 
5 
 
 
10. Disputa com os Fariseus 12.1-45......................................................................................... 73 
11. Jesus e sua Família 12.46-50 .............................................................................................. 74 
12. Terceiro Discurso. Os Ensinos Parabólicos 13.1-53 ............................................................ 74 
13. Jesus em sua Pátria 13.54-58 ............................................................................................. 76 
14. A Morte de João Batista 14.1-12.......................................................................................... 76 
15. Milagres 14.13-36 ................................................................................................................ 76 
16. Controvérsias com os Fariseus sobre Rituais 15.1-20 ......................................................... 77 
17. Mais Milagres 15.21-39........................................................................................................ 77 
18.Controvérsias Com Fariseus E Saduceus 16.1-12................................................................ 78 
19. A Confissão de Simão Pedro 16.13-20 ................................................................................ 78 
20. Primeiro Aviso dos Sofrimentos de Cristo 16.21-28 ............................................................. 79 
21. A Transfiguração 17.1-13..................................................................................................... 79 
22. A Cura dum Menino Lunático 17.14-21................................................................................ 79 
23. Segundo aviso dos Sofrimentos de Cristo 17.22-23............................................................. 80 
24. O Tributo do Templo 17.24-27 ............................................................................................. 80 
25. Quarto Discurso. Ensinamentos Sobre a Humildade e o Perdão 18.1-19.2 ......................... 80 
26. Ensinamentos sobre o Divórcio, como resposta aos Fariseus 19.3-12 ................................ 81 
27. A Bênção Sobre as Crianças 19.13-15 ................................................................................ 82 
28. Riquezas e Salvação 19.16-20.16 ....................................................................................... 82 
29. Terceiro Aviso dos Sofrimentos De Cristo 20.17-19............................................................. 83 
30. O Pedido de Tiago e João 20.20-28 .................................................................................... 83 
31. A Cura dos dois Cegos 20.29-34 ......................................................................................... 83 
32. Os Acontecimentos da Última Semana do Ministério 21.1-23.39......................................... 83 
33. Quinto Discurso. Os Últimos Tempos 24.1-25.46 ................................................................ 86 
34. A Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo 26.1-28.20.......................................................... 89 
X. O EVANGELHO SEGUNDO S. MARCOS................................................................................ 95 
INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 95 
1. AUTORIA............................................................................................................................... 95 
2. DATA E LUGAR DA OBRA.................................................................................................... 95 
3. MARCOS E PEDRO.............................................................................................................. 95 
4. FONTES................................................................................................................................ 96 
5. TEOLOGIA ............................................................................................................................ 96 
6. PLANO DO LIVRO ................................................................................................................ 97 
7. COMENTÁRIO ...................................................................................................................... 98 
7.1. A Preparação 1.1-13........................................................................................................ 98 
7.2. O Ministério na Galiléia 1.14-9.50.................................................................................... 99 
7.3. Em Caminho Para Jerusalém 10.1-52 ........................................................................... 118 
7.4. A Semana da Paixão 11.1-15.47 ................................................................................... 122 
7.5. A Consumação 16.1-20 ................................................................................................. 134 
XI. O EVANGELHO SEGUNDO S. LUCAS................................................................................. 137 
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................137 
1. AUTORIA............................................................................................................................. 137 
2. DATA E LUGAR EM QUE FOI ESCRITO............................................................................ 137 
3. O ALVO DO ESCRITOR...................................................................................................... 137 
4. PLANO DO LIVRO .............................................................................................................. 138 
5. COMENTÁRIO .................................................................................................................... 139 
5.1. Prefácio 1.1-4 ................................................................................................................ 139 
5.2. O Advento do Salvador 1.5-2.52.................................................................................... 139 
5.3. A Preparação do Salvador para seu Ministério 3.1-4.13 ................................................ 142 
5.4. O Ministério na Galiléia 4.14; 9.50................................................................................. 144 
5.5. A Viagem a Jerusalém (9.51; 19.28).............................................................................. 151 
5.6. O Ministério Em Jerusalém 19.29; 21.38 ....................................................................... 161 
5.7. A Partida do Salvador 22.1; 24.53 ................................................................................. 164 
XII. NOTA RELATIVA AOS APARECIMENTOS DE NOSSO SENHOR APÓS A RESSURREIÇÃO
................................................................................................................................................... 171 
BIBLIOGRAFIA.......................................................................................................................................................... 173 
 
LIVROS DE EVANGELHOS 
FATAD Prof. Jales Barbosa 
 
6 
 
 
II.. IINNTTRROODDUUCCÃÃOO 
 
Dos quatro livros canônicos que narram a BOA NOVA, Sentido do termo 
(“EVANGELION”), que Jesus Cristo veio trazer, os três primeiros apresentam entre si tais 
semelhanças que muitas vezes, podem ser postas em colunas paralelas e abarcados com um só 
olhar, daí o seu nome de “sinóticos”. 
A tradição eclesiástica, atestada desde o século lI, atribui-os respectivamente a Marcos, 
Lucas e Mateus. Aplica-se aos evangelhos de Mateus Marcos e Lucas pelo fato de seguirem o 
mesmo plano geral para Narrativa da vida de Jesus. 
Nenhum dos três, no entanto, pretende contar a história completa da vida do Mestre. Não 
sendo biografias propriamente ditas. Marcos fala quase exclusivamente do ministério, enquanto 
que Mateus e Lucas acrescentam alguns dados sobre o nascimento e a meninice de Jesus como 
matéria introdutória. 
O quarto evangelho será discutido separadamente, pois a sua narrativa não corre paralela 
com a dos sinóticos, senão em diminuta proporção. 
Mas todos eles evidenciam o Reino de Deus. 
1. REINO DE DEUS – REINO DOS CÉUS 
O reino dos céus ou reino de Deus e o tema central da �T�t�ção de Jesus, segundo os 
Evangelhos Sinóticos. Enquanto que Mateus, que se dirige aos judeus, na maioria das vezes fala 
em reino dos céus. 
Marcos e Lucas falam sobre o reino de Deus, expressão essa que tem o mesmo sentido 
daquele, ainda que mais inteligível para os que não eram judeus. O emprego de reino dos céus, 
em Mateus, certamente é devido à tendência, no judaísmo, de evitar o uso direto do nome de 
Deus. Seja como for, nenhuma distinção quanto ao sentido, deve ser suposta entre essas duas 
expressões (por exemplo, �T 5:3 com Lc.6:20). 
1.5. Na Pregação De João Batista 
João Batista apareceu primeiramente anunciando que o reino dos Céus estava próximo 
(�T. 3: 2), e Jesus deu prosseguimento a essa mensagem depois que João Batista foi aprisionado 
(�T.4:17). A expressão reino dos céus, em hebraico malekhuth shamaym se originou com a 
posterior expectativa judaica sobre o futuro, na qual denotava a intervenção decisiva de Deus, 
ardentemente aguardada por Israel, a qual restauraria a sorte de Seu povo e os livraria do poder 
dos seus inimigos. A vinda do reino era a grande, perspectiva do futuro, preparada pela vinda do 
rei messias, que pavimentaria o caminho para o reino de Deus. 
Quando João Batista e, depois dele, o próprio Jesus, proclamaram que o reino estava 
próximo, essa proclamação envolvia um grito de despertamento dotado de uma sensacional e 
universal significação. 
Proclama-se a aproximação do pondo decisivo divino, da história humana que já era tão 
almejado, embora que seja com expectativas diversas. Portanto, reveste-se da maior importância 
a pesquisa do conteúdo dá pregação neotestamentária no tocante à vinda do reino. 
1.2. No Ensinamento De Jesus 
a) O Aspecto Presente 
A proclamação do reino por Jesus seguia a pregação de João palavra por palavra; no 
entanto, tem um caráter muito mais abarcador, compreensivo. Depois que João Batista havia 
observado a aparência de Jesus por um tempo considerável, começou a duvidar se Jesus, afinal 
de contas, era aquele que viria, conforme ele mesmo havia anunciado (�T.11:2 e seg.). A 
proclamação de Jesus sobre o reino diferia em dois particulares da pregação de João Batista. Em 
primeiro lugar, apesar de reter, sem qualquer qualificação, o anuncia sobre o julgamento vindouro 
e o convite ao arrependimento, é a significação salvadora do reino que aparece em primeiro 
plano. Em segundo lugar e aqui temos o cerne mesmo da questão – Ele anunciava o reino não 
 
LIVROS DE EVANGELHOS 
FATAD Prof. Jales Barbosa 
 
7 
 
 
simplesmente como uma realidade que esta preste a realizar-se, algo que apareceria em futuro 
imediato, mas como uma realidade que já se fizera presente, manifestada em Sua própria pessoa 
e ministério. Embora as passagens em Jesus se referem explicitamente ao reino como realidade 
já presente não sejam numerosas (vide especialmente �T. 12:8 e paralelos), Sua pregação e 
ministério inteiros são assinalados por essa realidade dominante. Nele o grande futuro se tomara 
tempo presente, O reino dos céus havia penetrado nos domínios do maligno. O poder de satanás 
estava quebrado. Jesus o via caindo do céu como um relâmpago. Jesus possuía e proporcionava 
o poder de pisar aos pés o domínio do adversário. 
O segredo de pertencer ao reino jaz no fato de pertencer a Jesus (�T. 7:23, 25:41). Em 
resumo, a pessoa de Jesus, como Messias, e o centro de tudo aquilo que se anuncia no 
Evangelho acerca do reino. O reino, tanto nos seus aspectos atuais, como nos seus aspectos 
futuros se concentra em Jesus. 
b) Aspecto Futuro 
Há também o aspecto futuro. Pois, embora que se declare claramente que o reino esta 
manifestado aqui e agora no Evangelho, também se declara que por enquanto o reino ainda se 
manifesta na terra de uma maneira provisória. O evangelho do reino continua a se revelar como 
sendo apenas uma semente que esta sendo semeada. A ressurreição inaugura uma nova era; a 
pregação do reino e do Rei atinge ate os confins da terra. A decisão já fora resolvida; mas o seu 
cumprimento ainda se prolonga pelo futuro adentro. 
O que a primeira vista parece ser uma e a mesma vinda do reino, o que é anunciado como 
uma indivisível realidade, como algo próximo, em realidade se projeta para cobrir novos períodos 
de tempo até a distancias longínquas. Pois as fronteiras desse reino não equivalem aos limites de 
Israel ou da Historia: o reino abarca em seu escopo todas as nações e preenche todas as eras até 
que cheque o fim do presente século. 
2. O REINO E A IGREJA 
O reino é dessa maneira relacionado com a história da igreja e do Mundo. Existe certa 
conexão entre o reino e a Igreja, mas não coisasidênticas, nem mesma na era presente. O reino 
e a totalidade da atividade remidora de Deus, em Cristo, neste mundo. A igreja é a assembléia 
daqueles que pertencem a Jesus Cristo. 
3. NO RESTANTE DO NOVO TESTAMENTO 
A expressão reino dos céus ou reino de Deus, não aparece com tanta freqüência, no Novo 
Testamento, fora dos Evangelhos Sinópticos, entretanto, é tão somente uma questão de 
terminologia. Como indicação da grande revolução na historia da salvação que já foi inaugurada 
por ocasião da vinda de Cristo, e como a esperada consumação de todos os atos de Deus, o reino 
dos céus e o tema central da revelação total de Deus no Novo Testamento. 
4. NO PENSAMENTO TEOLÓGICO 
No que diz respeito à concepção do reino dos céus na teologia, isso tem sido 
poderosamente sujeitado a todas as espécies de influências e Pontos de vista durante os vários 
períodos e tendências do pensamento teológico. 
Na teologia católica romana, uma característica distintiva e a identificação do reino de 
Deus com a igreja, na dispensação terrena, identificação essa devida principalmente a influencia 
de Agostinho. Por meio da hierarquia eclesiástica, Cristo e atualizado ou materializado como Rei 
do reino de Deus. 
Enquanto que a reforma, em seus primeiros dias não perdia de vista as grandes 
dimensões da historia salvadora do reino, o reino de Deus, sob a influencia de iluminação e do 
pietismo, passou a ser crescentemente concedido num sentido individualista – passou a ser 
exclusivamente a soberania da graça e da paz no coração do individuo. Na teologia liberal 
posterior esse conceito se desenvolveu tomando uma direção moralista (especialmente devido a 
influencia de �T�t), o reino de Deus seria o reino da paz, do amor e da justiça. 
 
 
 
LIVROS DE EVANGELHOS 
FATAD Prof. Jales Barbosa 
 
8 
 
 
 
 
QUESTIONÁRIO 
1. Quais são os Evangelhos Sinóticos? 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
2. Que Evangelho enfoca o reino dos céus? E a quem se dirige? 
3. Diferencie Reino dos Céus de Reino de Deus? 
4. Qual o enfoque da pregação de João Batista? 
5. A proclamação de Jesus sobre o reino diferia da pregação de João Batista? Justifique. 
,______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
6. Qual a interpretação do Reino de Deus na teologia católica? 
7. Que sentido foi dado ao Reino de Deus, na época da Reforma, sob a influencia de iluminação e 
do pietismo? 
8. Complete as lacunas: 
a) A _____________ é a assembléia daqueles que _____________________________________ 
b) _______________________________ falam sobre o reino de Deus. 
c) O _______ e a totalidade da atividade remidora de Deus, em Cristo, ___________. A ________ 
é a assembléia daqueles que ________________________________. 
 
LIVROS DE EVANGELHOS 
FATAD Prof. Jales Barbosa 
 
9 
 
 
IIII.. OO PPRROOBBLLEEMMAA SSIINNOOTTIICCOO 
O que os investigadores das origens evangélicos chamam de problema sinótico surge da 
aparente relação de independência desses três evangelhos quando sujeitos a um estudo 
comparativo, pois apresentam muitas semelhanças e não poucas diferenças que pedem 
aplicação. Ao processar-se a comparação surgem certas perguntas que merecem uma cuidadosa 
resposta, antes que se dê por segura qualquer conclusão no tocante ao problema. 
Ei-las – Qual é a explicação de tantas diferenças? E sendo tão diferentes, como é quem 
em outras coisas apresentam tantas semelhanças, como, por exemplo, no caso de usarem as 
mesmíssimas palavras em muitos lugares? Qual deles é o mais antigo? Os autores dos outros 
dois conheciam o primeiro quando escreveram? Teriam os autores usado documentos escritos 
além dos evangelhos que conhecemos? São estas algumas das perguntas que um estudante, 
cuidadoso dos evangelhos deseja ver respondidas e, bem assim, saber em que se baseiam as 
respostas. 
1. O CONTEXTO HISTORICO DO NASCIMENTO DE JESUS 
1.1. A Palestina sob o Império Persa. 
Após Neemias e Malaquias, toda a Palestina continuou sob os Persas por mais quase 100 
Anos, Até 330, quando A Grécia venceu A Pérsia. 
Judá esteve sob os persas em 536-330 a.C. O centro do Império Persa ficava onde é hoje 
o Irã. Suas capitais foram primeiramente Babilônia e logo depois Suga, construída por Cambises, 
especialmente para esse fim. Susa é mencionada em Neemias 1.1; Ester 1.2; Daniel 8.2. A Bíblia 
menciona o fim do período persa em Neemias 12.22. O “Dario, o Persa” aí mencionado é o Dario 
Codómano da História: o último rei persa. Reinou em 336-330 a.C Foi derrotado por Alexandre 
Magno, da Grécia, em 330, na famosa batalha de Arbela, perto de Nínive. 
O “Jádua” aí mencionado foi o sumo sacerdote que recebeu Alexandre em Jerusalém 
quando ele submeteu a Palestina, em 332, na sua marcha de conquista do Oriente. Como império 
mundial, os persas dominaram 200 anos. 
Nessa ocasião já assomava no horizonte: a sombra ameaçadora do que mais tarde viria a 
ser o maior império do mundo – Roma. 
1.2. A Palestina sob o domínio grego 
Tempo: 330-167 mais de 150 anos. Em 330, Alexandre, o monarca grego, tinha o mundo 
todo a seus pés, após seis anos de conquistas e doze de reinado. Em 332, como já dissemos, na 
sua investida para o Oriente, ele submeteu a Palestina, sendo tolerante e benevolente para com 
os judeus. Com a ampliação do domínio grego, começa a espalhar-se e a predominar a língua 
grega com sua imensa cultura, preparando, assim, o caminho para o surgimento da Bíblia em 
grego (a Septuaginta), e para a vinda do Salvador, o qual encontrou o grego predominando em 
todos os contornos do Mediterrâneo e outras regiões. Tempos após a morte de Alexandre, cada 
país, além de sua língua, conhecia também o grego. Isso fazia parte do preparo para a vinda do 
Salvador. 
Em 323 morre Alexandre, em Babilônia, aos 33 anos de idade. O governo do Império ficara 
nas mãos de um só homem por pouco tempo. Houve lutas entre os diversos pretendentes, e, com 
elas, as divisões. Finalmente, o vasto império foi dividido entre quatro dos famosos generais de 
Alexandre: 
1.�. SELEUCO I – NICATOR, ficou com a Síria, Ásia Menor e Babilônia. Capital: 
Antioquia da Síria. A dinastia de reis gregos, da qual foi fundador, teve 18 reis até o 
ano 65 a.C., quando a Síria foi convertida em província romana. 
II. PTOLOMEU I SOTER I, PTOLOMEULAGOS (aparece na História com esses nomes) 
ficou com o Egito. Capital: Alexandria, que fora fundada por Alexandre, em 32. Fundou a dinastia 
dos Ptolomeus, os reis gregos do Egito. Houve 15 Ptolomeus até o ano 30 a.C., quando o Egito foi 
convertido em província romama. Cleópatra VII (famosa na história), foi rainha co-regente, em 52-
30 a.C.; 
 
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III. CASSANDRO ficou com a Macedônia e a Grécia. Capitais: Pela e Atenas. Não teve 
dinastia, como os dois mencionados. 
IV. LISÍMACO ficou com a Trácia. .Não teve dinastia. 
Resumo Histórico da Palestina sob o Domínio Grego. Sob a Grécia propriamente dita, isto 
é, sob Alexandre: 332-323 – 9 anos. Sob a Síria e Egito, alternadamente: 323-101. Na divisão do 
império de Alexandre, a Palestina ficou inicialmente sob a Síria (323-320). Em seguida sob o Egito 
(320-314). E assim passou de uma a outra mão, por várias vezes até o ano 301 a.C., quando o 
Egito e a Síriafizeram de seu território campo de batalha, onde mediam forças. 
Sob o Egito 301-198. Um dos reis deste período foi Ptolomeu lI, Filadelfo que reinou de 
285-247 a.C. Foi ele que providenciou a tradução em grego das Escrituras Sagradas. Construiu 
também o célebre farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do Mundo Antigo, na Ilha de 
Faros, de onde vem à palavra “farol”. 
Esta fase foi de progresso para os judeus, que tinham boa recepção no Egito. Os apócrifos 
do Antigo Testamento começaram a surgir nesse tempo. Todos eles foram escritos entre 270-50 
a.C. 
Sob a Síria 198-167. Um dos reis deste período foi o monstro Antíoco Epifânio reinou de 
175-167 a.C. 
Este homem decidiu exterminar o povo judeu e sua religião. É comparável a Herodes, 
Nero, Hitler e outros da mesma estirpe. Proibiu o culto a Deus. Recorreu a todo tipo de tortura 
para forçar os judeus a renunciarem sua crença em Deus. Isto deu lugar à revolta dos irmãos 
Macabeus. 
Durante a época dos ptolomeus e Selêucidas, a língua grega foi implantada na Palestina. 
O poder civil passou a ser exercido pelo sumo sacerdote, que exercia também o poder religioso. 
Sua divisão política nesse tempo constava de cinco províncias ou distritos: JUDÉIA – GALILEIA – 
SAMARIA – TRACONITES – PERÉIA. 
Surgiram também na fase acima as seguintes seitas religiosas: 
a) Os Fariseus. (Em hebreu: “separados”). Inicialmente, primavam pela pureza religiosa. 
Seu objetivo era conservar viva e ativa a fé em Jeová. Depois, tornaram-se secos, ritualistas e 
hipócritas, como Jesus os classificou Eram nacionalistas. 
b) Os Saduceus. (Em hebreu: “justos”). Eram os aristocratas da época, adeptos do que 
chamamos hoje racionalismo (At 5.17; 23.8). Eram helenistas, isto é, partidários dos gregos, dos 
seus sistemas, etc. 
c) Os Essênios. Eram uma ordem monástica, verdadeira irmandade. Praticavam o 
ascetismo. Viviam nas vizinhanças do mar Morto. A raiz, da qual deriva a palavra “essênio”, 
significa “piedoso”. Pareciam uma seita oriental com mistura de judaísmo. Até hoje não está 
plenamente esclareci da a origem dos essênios. 
1.3. A Palestina independente sob os Macabeus: 167-63 a.C. 
O nome “Macabeu” vem de Judas, que tinha este nome. Como declaramos acima, a partir 
de 198, a Palestina passou ao controle da Síria. Os primeiros 30 anos foram toleráveis, mas, em 
175 a.C., subiu ao trono da Síria um homem excessivamente mau – Antíoco Epifânio, também 
conhecido corno Antíoco IV. Foi violentamente rancoroso para com os judeus. 
Resolveu exterminar este povo e sua religião. Em 168 ele arrasou Jerusalém, profanou o 
templo, erigiu nele um altar a Júpiter e imolou uma porca no altar dos holocaustos. Decretou pena 
de morte para quem praticasse a circuncisão e adorasse a Deus destruiu quantas cópias 
encontrou das Escrituras. 
Quem fosse encontrado lendo a Bíblia era morto também. Cumpriram-se as profecias de 
Daniel 8.13, mas, de modo parcial, pois o pleno cumprimento é ainda futuro, conforme Mateus 
24.15 
 
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11 
 
 
Antíoco recalcado pelos insucessos contra o Egito vinga-se nos judeus. No seu assalto a 
Jerusalém, mata jovens, velhos, mulheres e crianças, chegando a 80.000 o número de mortos. 
Levou 40.000 cativos e vendeu outro tanto como escravos. Os dois anos seguintes foram de 
desolação e humilhação. Em seguida começaram novas atrocidades. 
Chega da Síria um exército de mais de 20.000 homens, e, num sábado quando o povo em 
obediência à Lei adorava a Deus, o exército de Antíoco, comandado por Apolônio, lançou-se 
sobre os indefesos judeus e houve então um dos maiores massacres da História, Jerusalém foi 
incendiada. 
Antíoco decretou como religião oficial dos judeus o paganismo grego, obrigando-os a 
observa-la. 
1.4. O início da revolta dos Macabeus, 167 a.C. 
Ardia no peito dos judeus o sentimento de revolta. A perseguição religiosa atingia 
agora todo o país. O sentimento patriótico toma conta do povo. Falta apenas um líder para dar o 
grito de revolta. Todos estavam em torno de um mesmo ideal – independência. O velho sacerdote 
Matatias, que vivia em Modim (entre Jope e Jerusalém), foi o herói que deu o brado de guerra e 
desfraldou a bandeira da revolta. Tinha ele cinco filhos, todos valorosos: JOÃO, SIMÃO, JUDAS, 
ELEAZAR, JONATAS. Eram fariseus verdadeiros. O velho sacerdote dirigiu a luta com muita 
bravura, obtendo sempre vitórias. Morreu no mesmo ano da revolta: 167. 
Trataremos agora dos cinco irmãos Macabeus, individualmente. A palestina experimentou 
independência sob eles por 100 anos. 
JUDAS. 166-161. Ao falecer o velho pai, Judas assumiu a direção da luta. A vitória 
continuou com os judeus. Ainda em 167, Judas retomou Jerusalém e começou a reparar o templo. 
As batalhas continuaram. Os judeus saíam sempre vitoriosos. Em 25 do mês de Quisleu (nosso 
dezembro) de 165 a.C., Judas reedificou o templo com uma grande festa denominada “Festa da 
Dedicação”, a qual continuou sendo comemorada pelas gerações através dos tempos. O Senhor 
Jesus esteve presente a uma dessas festas (�T 10.22,23). Judas fez aliança com Roma, o que 
mais tarde foi muito útil para os judeus. Antíoco morreu em 164, mas a Síria continuou lutando. 
Judas prosseguiu dando combate aos sírios. Foi um guerreiro de admirável gênio militar. Morreu 
em combate em 161. 
ELEAZAR. Morreu em combate antes de 161 a.C. 
JONATAS. 161-142. Foi também guerreiro notável, conduzindo o exército de vitória em 
vitória. Morreu numa traição urdida por um pretenso amigo seu, um general sírio, em 142. Foi ele 
o primeiro judeu a exercer as funções de rei e sacerdote a um só tempo. 
JOÃO. Morreu antes de Jônatas. 
SIMÃO. 142-134. É o último Macabeu sobrevivente. Morreu à traição em 134. Consolida a 
vitória e é feito por seus compatriotas governador e sumo sacerdote. A Síria continuou atacando. 
Agora, os governantes que se seguem são também descendentes dos Macabeus. 
JOÃO HIRCANO. 134-104. Era filho de Simão. Hircano cercou e destruiu a cidade de 
Samaria, arrasando o templo dos samaritanos, construído sobre o monte Gerizim, por permissão 
de Alexandre, o Grande, quando imperador. Isso ocorreu no ano 128 a.C. Os idumeus, que 
habitavam ao sul da Palestina, também atormentavam constantemente os judeus. Hircano os 
conquistou e fê-los aceitar a religião judaica. Isto não os transformou em verdadeiros judeus, 
como veremos mais adiante. Hircano morre em 104. Nesse tempo a divisão política da Palestina 
era: JUDEIA, SAMARIA; GALILEIA, IDUMEIA, PEREIA. 
ARISTOBULO I. 104-103. Era filho de João Hircano I. Morreu em 103. No seu breve 
governo, conquistou a Ituréia e outras regiões a leste do Jordão. Enfermidade foi à causa de sua 
morte. Ele usurpara o trono de sua mãe, a quem Hircano deixara no governo. 
ALEXANDRE JANEU. 103- 76. Era irmão de Aristóbulo I. Obteve várias conquistas visando 
alargar as fronteiras da Palestina. Cometeu vários desmandos. Houve tumultos internos, 
verdadeira guerra civil, devido aos desmandos de Janeu. 
 
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12 
 
 
ALEXANDRA. 76-67. Fora esposa de Aristóbulo I. Após a morte deste, casou com 
Alexandre Janeu morto Alexandre, ela ascendeu ao trono. Seu reino foi pacífico e próspero. 
ARISTOBULO lI. 67-63 a.C. Foi o último rei do período independente. Era filho de Alexandre 
Janeu. Tinha um irmão chamado Hircano mais velho que ele. Alexandre, ao morrer, deixou a 
coroa a seu filho mais velho, Hircano, Todavia, Aristóbulo, sendo mais novo, usurpou o poder 
pelas armas. Hircano deixou o governo pacificamente. 
A esta altura, entra em cena o aventureiro ANTIPATER governador militar da lduméia, 
constituído por Alexandre Janeu. Antípater não era judeu, e sim idumeu. Lembremo-nos de que alduméia fora subjugada por Hircano I. 
Antípater instigou Hircano a vingar-se de seu irmão Aristóbulo. Resultado: Hircano foi a 
Nabatéia, na Arábia, e junto ao rei Aretas obteve um exército para lutar contra Aristóbulo. Irrompe 
a guerra civil. O exército romano encontra-se em operações em Damasco, conquistando nações. 
Tanto Aristóbulo como Hircano enviam emissários ao exército romano. Pompeu, o general 
romano, intervém. Corria o ano 63 a.C. Captura a cidade de Jerusalém e entrega o poder a 
Hircano II. (Recordemo-nos, de que Judas Macabeu fizera aliança com Roma.) Mesmo assim, 
Antípater continuou instigando e orientando Hircano II para o prosseguimento da luta. 
Portanto, a partir de 63 a.C., a Palestina passa ao domínio romano, fazendo parte da 
província romana da Síria, ficando a sede da província neste último país. 
1.5. A Palestina sob o domínio romano: 63 a.C., 
Como já vimos na letra “c”, Roma ocupou a Palestina em 63 a.C. Nesse ano Pompeu 
arrebatou o poder das mãos de Aristóbulo II e entregou-o a Hircano II, que fora despojado por 
Aristóbulo. Este e seus dois filhos (Alexandre I e Antígono II) foram levados cativos a Roma. 
Tempos depois, pai e filho (Aristóbulo II e Alexandre I) foram mortos em circunstâncias e ocasiões 
diferentes, sobrevivendo apenas Antígono II, Alexandre I deixara dois filhos: Aristóbulo e Mariana, 
a qual mais tarde foi esposa da fera chamada Herodes o Grande, filho de Antípater, o idumeu 
perturbador, de que estamos falando. 
Veremos agora a lista, dos governantes da Palestina durante o período romano, partindo 
do ano 63 a.C, até o início da Era Cristã. 
HIRCANO II. 63-40 a.C. Já falamos desse homem na letra “c”. Hircano começou a 
governar a Palestina por delegação de Pompeu, o general romano. Em 47 a.C. César nomeia 
Hircano II etnarca da Judéia. Todavia, Hircano era um rei apenas titular; quem de fato o dirigia em 
tudo era o idumeu Antípater. 
Ainda em 47 a.C. César nomeia Antípater como Procurador Geral da Judéia, isto é, 
encarregado do fisco, com reconhecimento aos seus serviços, pois Antípater auxiliara César na 
campanha deste contra o Egito, fornecendo tropas a Pompeu, [o general] de César. 
César nomeia também Herodes, filho de Antípater, Governador da Galiléia. Após a morte 
de César, em 44 a.C., Antípater morre envenenado por um cortesão de Hircano II. 
Herodes governava a Galiléia, mas se imiscuía em toda a vida do país, urdindo intrigas e 
perfídias com a conivência do próprio pai que era Procurador Geral da Judéia. 
Vendo Herodes o antagonismo dos judeus devido ao seu modo de proceder arbitrário, 
abusivo e ditatorial, procura abranda-los, noivando com Mariana, neta de Hircano lI. (Era filha de 
Alexandre I; irmã de Aristóbulo III). Herodes já era casado com uma filha do rei Aretas, de 
Nabatéia. 
Ele com isso visava galgar a todo custo o trono de toda a Palestina. 
ANTÍGONO II. 40-37 a.C. Por volta do ano 40, a Síria rebelou-se contra o domínio romano, 
auxiliada pelos poderosos partos. Em seguida, partos e sírios atacaram e saquearam a Palestina. 
Antígono buscava vingar a morte de seu pai Aristóbulo II e seu irmão Alexandre II, como já 
descrevemos Com a ajuda dos partos e sírios ele marcha sobre Jerusalém. Herodes, governador 
da Galiléia, mas que se intrometia na vida de todo o país, foge para Roma. 
 
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13 
 
 
Antígono apodera-se de Jerusalém, destrona Hircano II e governa de 40-37 a.C. Hircano é 
levado cativo pelos partos. Tempos depois volta. 
Herodes chega a Roma. Perante o Senado e os triúnviros consegue ser nomeado rei da 
Judéia no mesmo ano – 40 a.C. O exército romano ataca os invasores de Jerusalém, partos e 
sírios. Herodes regressa à Palestina, procura ganhar o favor dos judeus e casa-se com Mariana, 
como já fizemos menção. Herodes, auxiliado pelas tropas romanas que acabavam de vencer os 
partos, sitia Jerusalém. Os soldados romanos tomam a cidade de assalto e fazem grande 
matança. Antígono é destronado e enviado a Roma, onde é morto por instigação de Herodes. 
Assim, Herodes apodera-se do trono da Palestina. 
HERODES O GRANDE. 37-4 a.C. Herodes, como já vimos “governava a Galiléia, mais sua 
ambição era o trono do país todo, o que conseguiu mediante esperteza e astúcia. Diz Watson mui 
sabiamente: Herodes era idumeu por nascimento, judeu por profissão, romano por necessidade e 
grego por cultura”. Praticou o paganismo grego. Uma vez no trono, mandou matar todos os 
partidários de Antígono e os membros do Sinédrio. 
Em certos detalhes, foi um segundo Epifânio. Do seu casamento com Mariana, nasceram 
dois filhos: Alexandre II e Aristóbulo IV. Temendo conspiração do remanescente hasmoneano, 
Herodes, tendo já ocasionado a morte de Antígono, mandou matar o sumo sacerdote Aristóbulo 
III, irmão de Mariana. Matou também o velho Hircano II, tio de Mariana. A esta altura, Herodes 
ganha o favor de Otávio. (Otávio é o César mencionado em Lc 2.1, que reinou de 31 a.C. a 14 
d.C.) Otávio dirigia-se para a campanha do Egito, quando Herodes foi encontrá-lo em Ptolemaida 
levando suprimentos para suas tropas. Otávio derrotara Antônio em Acio (31 a.C.), e este fugira 
para o Egito com Cleópatra VII, sua amante. 
A Palestina estava agora dividida em 6 distritos: JUDÉIA, SAMARIA, IDUMÉIA, GALlLÉIA, 
PERÉIA, ITURÉIA. Herodes continuou a molestar os judeus. Dando ouvido a denúncias falsas, 
manda matar sua esposa favorita, Mariana, em 20 a.C. Este foi um crime aterrador. Teve ao todo 
10 esposas. Também mandou matar a mãe de Mariana, Alexandra. Matou certa vez 10 zelotes. 
Outra vez mandou matar 45 judeus porque quebraram uma asa de uma águia de prata do seu 
palácio. Matou muitos outros. Foi grande administrador. Reconstruiu Jerusalém, seus muros e 
edifícios. Construiu palácios, inclusive o Forte Antônia, na área Noroeste do templo. 
O ódio dos judeus aumentava contra Herodes. Para evitar que os judeus apelassem para 
César, prometeu-lhes um novo templo, o qual foi iniciado em 19 a.C. e concluído em 64 d.C. Foi o 
templo conhecido pelo Senhor Jesus. 
Toda a Palestina beneficiou-se com a administração herodiana. Reconstruiu a cidade de 
Samaria com o nome de Sebasta (palavra grega equivalente à augusta, em alusão a César). 
Procurava ele assim relevar seus crimes. Temendo sempre conspiração contra o trono, mantinha 
uma prisão de torturas. Era desconfiado de todos e extremamente ciumento. Não se sabe quantos 
morreram naquela prisão. Seus dois filhos Alexandre II e Aristóbulo IV estudaram em Roma. 
Temendo conspiração dos dois, mandou matá-los. Morreram assim, os últimos descendentes dos 
Macabeus. 
Tinha Herodes, pela força, imposto a paz. Estava agora muito velho. O remorso o 
persegue. Chega o ano 5 a.C. o ano do nascimento do Senhor Jesus. Desde 10 anos antes, há 
paz na Palestina. No mesmo ano 5 a.C. é descoberta uma conspiração por parte de seu irmão 
Féroras e seu filho Antipater, filho de Dóris, outra esposa. Féroras é morto. Enquanto corre o 
processo para a morte de Antípater chegam a Jerusalém uns magos vindo do Oriente, e 
perguntando: “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus?” (�T 2.1,2). Herodes, que como já 
vimos, vivia atormentado pelo fantasma da conspiração, sofreu grande perturbação (�T 2.3). 
Fingidamente desejou adorar o recém-nascido, que era o Messias prometido nas profecias do 
Antigo Testamento. Deus via o seu plano maligno e guiou os magos a regressarem por outro 
caminho. Herodes, vendo seus planos desfeitos, ordena matança dos inocentes de Belém. Matar 
já era coisa natural para ele. 
Deus então conduz José, Maria e o menino ao Egito, cumprindo-se, assim, as profecias 
(Os 11.1). No ano seguinte – 4 a.C. morre Herodes de terrível enfermidade em Jericó. Determina 
 
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grande massacre para o dia da sua morte, para que haja muito pranto. Felizmente tal plano não 
foi cumprido. Apesar de suas crueldades, Herodes contribuiu para o bem noutros sentidos. 
Todos o reconhecem como grande administrador. Possuía muita tenacidade. Liquidou com 
o banditismo no país, isso desde quando governou a Galiléia. Nesse particular, ele entrava em 
choque com o Sinédrio, porque não dependia do processo formal daquela corte para matar 
bandidos. Proscreveu os hasmoneus. Estes após o último macabeu (Simão), enveredaram pelo 
caminho das intrigas, vinganças, lutas políticas, deixando em segundo plano o ideal de liberdade e 
independência do jugo estrangeiro. Se tais coisas prevalecessem, seriam um estorvo à vinda e 
ministério do Senhor Jesus Cristo. 
Breve nota sobre o Império Romano A cidade-reino de Roma. Foi fundada em 753 a.C. na 
região do Lácio, Itália, donde vem o vocábulo “latim”. Em 509 passou de reino a república, tendo 
assim nova forma de governo, e, necessariamente, novos cargos e funções tais quais aparecem 
através do Novo Testamento. 
Dois séculos antes de Jesus nascer, Roma iniciou sua fase de supremacia sobre os 
diversos povos de então. Assim submeteu a Itália (266 a.C.), Espanha e Portugal (201 a.C.), 
Mesopotâmia (195), Macedônia e Grécia (168), Cartago, na África (146), Ásia Menor (133), 
Inglaterra (54, invasão; 42 conquistas) Síria (64, mas a penetração começou em 190 a.C.) Norte e 
Centro da Europa (58-50) etc.” 
Em 31 a.C., surge o Império. Otávio é o primeiro imperador universal. Era sobrinho de Júlio 
César, que fora um grande general, conquistador e por último ditador de 46-44 a.C. Em 44 foi 
Júlio assassinado em pleno Senado Romano, por seu filho adotivo Júnio Bruto. Otávio reinou de 
31 a.C. a 14 d.C. O Senhor Jesus nasceu quando ele dominava o mundo todo. Ele podia de fato 
determinar que “todo o mundo” fosse recenseado (Lc 2.1). Otávio aparece no texto bíblico como 
“César Augusto”. “César” era o nome de família. “Augusto” foi-lhe conferido pelo Senado; equivale 
a “sublime”. Seu nome completo era CAIO JÚLIO CÉSAR OTAVIO. Ele concluiu as conquistas do 
Império. Pacificou o mundo pelas armas. Manteve exércitos por toda parte. 
O latim era a língua da metrópole e das tropas romanas. O grego era falado nos meios 
culturais do império. O aramaico era a língua materna da liturgia. O império abre grandes estradas 
para uso de suas legiões e intercâmbio em geral. As estradas logo depois seriam utilizadas pelos 
pregoeiros do Evangelho. Dez anos antes de Jesus nascer, as portas do templo de Jano são 
fechadas, indicando paz. 
Quando Jesus nasceu, portanto, reinava paz em todo o mundo. Chegara a plenitude dos 
tempos, conforme diz a Escritura em Gálatas 4.4. É a “Pax Romana” da História. 
O período que vai de Malaquias a Mateus é de aproximadamente 400 anos, chamado 
período interbiblico. Nas condições acima descritas, estava tudo preparado por Deus, nasce em 
Belém o Messias prometido. 
 
Anotações: 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
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______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
 
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QUESTIONÁRIO 
 
1. O vasto império de Alexandre foi dividido entre os seus quatro famosos generais. Cite os 
nomes. 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
2. Defina a seita dos Fariseus, Saduceus e Essênios? 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
 
3. O velho sacerdote Matatias tinha 5 filhos. Mencione o nome de cada um. 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
4. Quais os seis distritos que a Palestina estava agora dividida, no período de Herodes? 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
 
5. Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira: 
1 HIRCANO II 40-37 a.C 
2 ANTÍGONO II 63-40 a.C 
3 HERODES O GRANDE 37-4 a.C 
 
6. Complete as lacunas: 
a) __________decretou como religião oficial dos judeus o paganismo grego, obrigando-os a 
observa-la. 
b) ____________ instigou Hircano a vingar-se de seu irmão ___________________ 
c) __________________ é o primeiro imperador universal. 
d) O ___________ era a língua da metrópole e das tropas romanas. O ___________ era falado 
nos meios culturais do império. O _____________ era a língua materna da liturgia. 
 
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IIIIII.. OOSS AAUUTTOORREESS DDOOSS EEVVAANNGGEELLHHOOSS 
 
1. MARCOS 
A Tradição é concorde em atribuir a João Marcos a autoria do segundo evangelho do 
nosso Cânon, como também na opinião de que era companheiro e auxiliar do apóstolo Pedro; 
Pápias, cerca de 130 d.C. cita o testemunho de alguém relacionado com o círculo apostólico que 
declarava que Marcos, tendo-se tomado intérprete de Pedro, escreveu o seu evangelho baseado 
nas pregações desse apóstolo, o que fez com todo cuidado, mas sem se preocupar com a 
cronologia dos fatos, pois ele próprio não havia ouvido Jesus nem o acompanhara. 
Não há para se duvidar que isso represente mais ou menos a verdade no caso. Marcos 
não menciona o próprio nome no evangelho, nem sequer corno autor do mesmo, embora haja 
talvez uma referência à sua pessoa; Mc. 14:51, no incidente que o moço que fugiu deixando o 
lençol em que se achava envolvido nas mãos dos que queriam prende-lo. Marcos era filho de 
Maria em cuja casa estavam os crentes orando por Pedro; At. 12: 12. Era parente de Barnabé, e 
companheiro e colaborador de Paulo. 
2. MATEUS 
Aqui surge uma dificuldade. A Tradição liga o nome de Mateus com o primeiro evangelho, 
mas declara que Mateus escrevera em Hebraico (isto é, aramaico) e que cada um interpretava 
como podia. Um estudo comparativo revela que o evangelho grego chamado de Marcos, por 
muitas vezes repete verbalmente a mensagem deste. Houve quem alegasse que foi Marcos quem 
lançou mão não só de Mateus como também de os princípios de criticismo, literário quando 
aplicados à comparação dos três evangelhos sinóticos, mostraram claramente que Lucas e o 
Autor de Mateus (em grego) usaram o Evangelho de Marcos, ou um a fonte escrita anterior a este 
e muito semelhante. A maior vivacidade da narrativa de Marcos é uma das provas. 
Outra é que quando nas passagens quase idênticas Mateus e Lucas divergem da 
linguagem de Marcos, geralmente o fazem a propósito de melhoramento literário, para suavizar as 
expressões, ou para resumir pela omissão de pormenores. 
Se, pois, Mateus, como o temosagora, usou de Marcos como uma das suas fontes, como 
explicar o fato de afirmar que Mateus, o apóstolo escreveu em aramaico? E se fosse Mateus, 
testemunha ocular que era autor do evangelho grego que traz o seu nome, por que teria usado o 
documento de Marcos que não era testemunha ocular? A conclusão mais ou menos satisfatória a 
que os pesquisadores têm chegado teve que satisfazer estas indagações. Pápias, na sua 
referência ao documento aramaico de Mateus o chama de "logia" isto é "oráculos" ou "ditos” de 
Jesus. 
Com efeito, se Mateus tomou notas sobre os discursos de Jesus em aramaico ou os 
assentou de memória mais tarde, este documento seria de inestimável valor para qualquer pessoa 
que quisesse escrever a vida de Cristo. Seria muito natural que alguém traduzisse o mesmo para 
grego e é possível que o próprio Mateus o tenha feito. Quando o autor do atual Evangelho de 
Mateus se preparou para escrever, ajuntou os: documentos que pode encontrar e que julgava 
fidedignos, como o Evangelho de Marcos, a "logia" de Mateus, e outros, à semelhança do que 
Lucas declara que ele próprio fez. Depois de estuda-los cuidadosamente e de definir o plano que 
queria seguir, e de acordo com o seu propósito em escrever, elaborou o livro que queria, elaborou 
o livro maravilhoso e divinamente inspirado que hoje conhecemos como obra de Mateus. Este 
nome justifica por ser obra baseada, na parte que trata dos ensinos de Jesus, na "logia" ou sejam 
os discursos do Mestre escritos pelo apóstolo. 
Segundo os costumes literários da época, isso seria razão bastante para chama-lo 
"EVANGELHO SEGUNDO MATEUS”. 
3. LUCAS 
O pranteado sábio e profundo conhecedor do Novo Testamento grego e da literatura que 
relaciona como mesmo Dr. A. T. Robertson na sua introdução ao comentário sobre sua introdução 
 
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ao comentário sobre Lucas em "Word Pictures in the New Testament” dá sérios argumentos pela 
autoria de Lucas para o evangelho que traz o nome deste. 
Os passos no argumento são os seguintes: Em primeiro lugar, o evangelho e o livro de 
Atos têm mesmo autor, como se vê pela comparação das palavras introdutórias dos dois, e pelo 
estilo literário de um e outro. O segundo passo é o, fato bem patente que o autor de Atos era um 
dos companheiros de Paulo. Isso se conclui do emprego da primeira pessoa do plural de verbos 
em diversas partes deste livro. Robertson cita várias obras de Harnack em que este argumento é 
elaborado pormenorizadamente. Em terceiro lugar, este companheiro de Paulo era médico, como 
se verifica do seu emprego de vocábulos próprios a essa profissão. O médico dentre os 
companheiros de Paulo era Lucas. Cf. Col 4:14, "O médico amado". Afinal, todos os manuscritos 
gregos deste evangelho o atribuem a Lucas, enquanto a tradição eclesiástica é unânime no 
mesmo sentido. Plummer acha tão certa a autoria de Lucas para terceiro evangelho quanto à de 
Paulo para I e II Corintios, Gálatas e Romanos. Até Rénan admitia não haver forte razão para não 
acreditar que fosse Lucas o autor deste evangelho. 
QUESTIONÁRIO 
1. A quem a tradição atribui a autoria do segundo evangelho do nosso Cânon? 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
2. Um companheiro de Paulo era médico. Cite o nome e qual evangelho ele escreveu. 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
3. Quem a apostila indica ser o moço que fugiu deixando o lençol em que se achava envolvido nas 
mãos dos que queriam prende-lo? 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
4. Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira: 
1 Marcos É o mesmo autor do evangelho e do livro de Atos 
2 Plummer Acha tão certa a autoria de Lucas para terceiro evangelho quanto à 
de Paulo para I e II Corintios, Gálatas e Romanos 
3 Lucas Era parente de Barnabé, e companheiro e colaborador de Paulo 
 
5. Complete as Lacunas: 
a) ____________era filho de _________ em cuja casa estavam os crentes orando por Pedro; At. 
12: 12. 
b) _____________, na sua referência ao documento aramaico de Mateus o chama ____________ 
isto é ___________________ ou _______________________ de Jesus. 
c) Segundo os costumes literários da época, isso seria razão bastante para chama-lo 
_________________________________________________. 
d) O ____________________ de _________________ era um dos companheiros de Paulo. 
e) A ________________ liga o nome de _____________ com o primeiro evangelho, mas declara 
que ____________________escrevera em _____________________ 
f) Os ___________________________, literário quando aplicados à comparação dos três 
evangelhos sinóticos, mostraram claramente que _________________________________ (em 
grego) usaram o _________________________________, ou um a fonte escrita anterior a este e 
muito semelhante. 
 
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IIVV.. AA IINNDDEEPPEENNDDÊÊNNCCIIAA DDOOSS SSIINNÓÓTTIICCOOSS 
Já se fez menção disto na discussão da autoria de Mateus, mas é um ponto digno de 
maior estudo. Uma comparação dos três revela que praticamente o todo de Marcos foi incluído em 
Mateus, ou em Lucas, ou mesmo nos dois. A parte não usada por eles é calculada entre trinta e 
quarenta versículos apenas. Lucas na sua introdução diz que muitos tinham "empreendido fazer 
uma narração coordenada dos fatos" do evangelho. 
Declara ainda que esses fatos haviam sido transmitidos pelos "que foram deles 
testemunhas oculares desde o princípio". Mas continua que lhe pareceu bem escrever uma 
narração em ordem, a fim de que Teófilo conhecesse a verdade das coisas em que fora instruído. 
Estas palavras de Lucas muito nos dizem do estudo que ele fez do assunto antes de começar a 
escrever; do seu profundo interesse nos fatos de que tratava; dos seus hábitos literários e 
cuidados de historiador de responsabilidade. Aqui ele não somente afirma ter usado, como fontes 
de informação, as narrativas que já existiam em forma escrita; ainda sugere e implica que usou 
todas as fontes de tradição oral ao seu alcance. 
É certo que o evangelho de Marcos estava entre muítas narrativas que examinou e é 
provável que tenha usada a "logia" de Mateus, embora não aja tanta certeza aí. Fora da matéria 
comum aos três ainda há uns duzentos versículos que são comuns a Lucas e Mateus. A opinião 
dos investigadores varia quanto ao grau de dependência de um documento comum para esta 
parte da matéria de Mateus e Lucas; diverge também quanto a ser este documento a tal "logia" 
unicamente, ou mais de um documento, É inegável, todavia, que, embora tivessem um ou mais 
documentos em comum, havia ainda outros inteiramente independentes. 
Prova disto se encontra nos capítulos 1 e 2 destes evangelhos na diferença entre as 
genealogias; e ainda na matéria peculiar a Lucas compreendia nos capítulos 10 a 18:14 e que 
abrange o ministério anterior de Jesus na Judéia e na Peréia. Além disso, o sermão da montanha 
é bem mais extenso em Mateus do que em Lucas. Diante do exposto, surgem naturalmente 
algumas interrupções. Uma delas é como explicar o desaparecimento da "logia" de Mateus se de 
fato existiu. A resposta é que sendo transferida praticamente na sua inteireza para os evangelhos 
de Mateus e Lucas, aquela se tomou desnecessária. 
Mas pergunta alguém: Se isso se deu com a "logia" como não aconteceu o mesmo com o 
evangelho de Marcos, uma vez que se encontra quase completo nos outros dois sinóticos?Respondemos que a "logia" era principal, senão inteiramente composta de doutrinas (ensinos), e 
em vez de perder ganharia força com o ser colocada no seu ambiente próprio dentro da narrativa 
do ministério do Mestre. 
O Evangelho de Marcos, pelo contrário, é principalmente narrativa, escrito com um 
propósito definido, em estilo vigoroso e cheio de característicos peculiares. Não é tão polido como 
os outros dois, mas por isso mesmo, e porque se preocupa mais com os efeitos de Jesus, 
demorando pouco sobre os discursos a impressão criada pela sua leitura e bem diferente. 
Isto basta, humanamente falando, para justificar a sua sobrevivência e a sua inclusão no 
Cânon, sendo como era, embora por meio indireto, a história do ministério de Jesus pela boca do 
seu impetuoso e ardente apóstolo, Simão Pedro. Afinal, apesar de qualquer grau de semelhança 
ou de interdependência, as diferenças é que estabelecem os evangelistas como testemunhas 
independentes quanto à vida e as obras de Cristo. 
O fato de todos estarem a testemunhar das mesmas realidades garante de modo geral 
concordância do seu testemunho. A sua variedade na apresentação dos pormenores e mesmo 
sua escolha da matéria diversa apresentada nos interessam tanto quanto o fazem as 
semelhanças. Se os três nos dissessem coisa idêntica do princípio ao fim, não os tomaríamos por 
testemunhas independentes nem por um instante. 
Bastava-nos um só deles, pois seria bem evidente que dois eram cópias mais ou menos 
exatas do terceiro, ou que todos os três haviam lançado mão das mesmíssimas fontes. Damos 
graças a Deus pelas diferenças mesmo quando, devido aos nossos poucos recursos, não nos é 
possível harmoniza-las inteiramente. A maior parte das diferenças que existem é perfeitamente 
 
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explicável, se tomamos em consideração os diferentes pontos de vista dos evangelistas, a 
variedade de leitores para o qual escreviam, e ainda o fato que as fontes de evidência por eles 
consultadas, quer orais quer escritas, não eram de todo idênticas. 
Não queremos, de maneira alguma, desprezar o fator divino, aquele "Espírito da Verdade" 
que movia os respectivos escritores. Indubitavelmente foram inspirados e isto seria bastante para 
explicar a, sobrevivência dos três evangelhos sinóticos. Marcos foi impressionante na história de 
Jesus, maravilhoso, que tantas vezes ouvira Pedro contar. Era o homem talhado para levar aos 
súditos e aos cidadãos do Império Romano uma justa compreensão do poder e da autoridade de 
Jesus, o divino Filho de Deus. 
A Mateus, porém, o Espírito Santo escolheu para empregar os seus dotes em registrar os 
discursos do Mestre em língua aramaica para que servissem mais tarde de fonte preciosíssima 
aos que como Lucas e o autor do Evangelho segundo Mateus em língua grega, empreendessem 
a gloriosa tarefa de escrever uma narrativa coordenada tanto dos feitos como dos ensinos de 
Jesus. 
O evangelho de Mateus, baseado nesse documento aramaico, era dirigido principalmente 
ao povo israelita e apresenta Jesus como o Messias prometido pelos profetas e cita as escrituras 
do Antigo Testamento noventa e tantas vezes. Ainda o Espírito de Deus levou Lucas, o médico 
amado, quando na sua viagem à Palestina com Paulo, a colecionar todo o material sobre a vida 
de Jesus que pudesse encontrar já escrito, a consultar as testemunhas oculares que encontrasse 
vivas, e a escrever o seu evangelho, para que não somente Teófilo, mas também o mundo inteiro, 
conhecesse a verdade das coisas em que fora instruído. 
 
QUESTIONÁRIO 
1. O fato de todos os evanmgelhos sinóticos estarem a testemunhar das mesmas realidades 
garante a concordância do seu testemunho. Explique. 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
2. As diferenças que existem entre os evangelhos sinóticos são explicáveis? Justifique? 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
3. Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira: 
1 Evangelho de Marcos Era principal, senão inteiramente composta de doutrinas (ensinos) 
2 "logia" Impetuoso e ardente apóstolo 
3 Simão Pedro Não é tão polido como os outros dois 
4. Complete as Lacunas: 
a) Fora da matéria comum aos três ainda há uns ____________________ que são comuns a 
________ _____________________________________ 
b) ________ foi impressionante na história de Jesus, maravilhoso, que tantas vezes ouvira 
__________ contar. 
c) O __________________, pelo contrário, é principalmente narrativa, escrito com um propósito 
definido, em ____________________ e ___________________________ peculiares. 
d) O ______________________________ é bem mais extenso em Mateus do que em 
_____________ 
e) _______________ na sua introdução diz que muitos tinham 
"______________________________" do evangelho. 
 
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VV.. AA DDAATTAA RREESSPPEECCTTIIVVAA DDOOSS EEVVAANNGGEELLHHOOSS SSIINNÓÓTTIICCOOSS 
É mais fácil tratar dos três em conjunto. Tornar-se patente, logo de início, que se Marcos 
foi usado pelos outros, forçosamente os precedeu, mas o pior que espaço de tempo o fez é uma 
indagação que não se responde tão facilmente. Quanto a Lucas, temos certeza que foi escrito 
antes de Atos dos apóstolos. Robertson concorda com Harnack em atribuir a Atos a data de 63 no 
máximo. Assim Lucas teria escrito Atos em Roma enquanto Paulo, ali preso, esperava a solução 
do seu caso pelo Imperador. É possível que tenha escrito o seu evangelho também em Roma. 
Parece mais provável que o tenha feito quanto quando em Cesaréia, antes da viagem para Roma. 
Podia ter consultado ali algumas das "testemunhas oculares" ou tê-Ias visitado em outras 
partes da Palestina, no seu afã de colecionar material. Sir W. Ramsay sugere a possibilidade de 
Lucas ter-se encontrado com alguém do círculo íntimo da família de Jesus. Em todo caso, sua 
narrativa da anunciação e do nascimento é feita do ponto de vista de Maria. 
Afinal, concluímos que este evangelho foi escrito em 60 ou antes e, se isto é verdade, 
então o de Marcos devia tê-lo precedido por tempo suficiente para ser divulgado e assim chegar 
ao conhecimento e as mãos de Lucas antes dele começar a escrever. 
Robertson acha que a data seria não muito depois de 50 d.C, e possivelmente nesse ano, 
mas sempre antes de 60. Quanto à data de Mateus, já vimos que segue a Marcos, mas não há 
meio de sabemos exatamente quanto anos depois. Diríamos, ainda com o apoio do Dr. 
Robertson, que o ano 60 não estaria longe da verdade. 
 
VVII.. CCAARRAACCTTEERRÍÍSSTTIICCAASS PPEECCUULLIIAARREESS DDOOSS EEVVAANNGGEELLHHOOSS SSIINNÓÓTTIICCOOSS 
 
1. MARCOS 
Dos três evangelhos, Marcos é o menos literário. A linguagem que ele emprega é a do uso 
comum e tem por finalidade simplesmente reproduzir o que o autor sabia de Jesus, mormente do 
seu ministério, e isso sem qualquer esforço para efeito literário. 
Não obstante a sua linguagem, por vezes um tanto rude, e uma certa tendência para o 
pleonasmo, o seu estilo é vigoroso e cativante. A própria redundância muitas vezes toma a 
narrativa mais viva. 
O uso de pormenores na descrição ajuda o leitor a reconstruir na imaginação as cenas que 
se descrevem. A preferência de Marcos pelas orações diretas faz com que os protagonistas 
dessas cenas se movam diante dos olhos e falem para os ouvidos dos que lêem este evangelho. 
Está salpicado de perguntas e exclamações de surpresa ou de indignação. Comefeito, Marcos 
sabia contar uma história. Dos três evangelhos, é este o que mais cativa a imaginação das 
crianças quando elas o ouve ler com o devido cuidado e expressão. 
2. MATEUS 
Como vimos, Mateus dá mais atenção do que Marcos aos ensinos do Mestre. A ordem em 
que ele dispõe o seu material revela um fim didático, pois reúne por tópicos; estes por sua vez se 
relacionam ao tema geral; dos seu evangelho, a saber "O Rei Messiânico e o seu Reino". Começa 
com a genealogia real e termina com a declaração do Rei, já vencedor sobre a morte, de que 
possui toda autoridade no céu e na terra, pelo que ordena os seus súditos a conquista do mundo 
para seu Reino. Entre estes dois pontos o escritor se preocupa em apresentar as realizações e os 
ensinos de Jesus que provam ser ele o Rei Messias profetizado no Antigo Testamento, e que 
revelam a natureza do reino dos céus. É lógica a sua colocação no princípio do Novo Testamento 
por causa da sua íntima relação com o Antigo Testamento embora não fosse o primeiro a ser 
escrito. O grego de Mateus é melhor do que o de Marcos, apresentado poucas peculiares, como 
por exemplo o freqüente emprego do adverbio então. 
3. LUCAS 
Sobre o caráter deste livro citamos as palavras de um dos seus melhores intérpretes. Dr. 
A. T. Robertson: "Aqui há, indiscutivelmente, encanto literário. É um livro que somente um homem 
 
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de cultura e de gênio literários genuínos poderia escrever. Tem a mesma graça da simplicidade 
que possuem Marcos e Mateus e mais uma qualidade indefínível não encontrada pelos 
maravilhosos embora sejam. 
Há um acabamento delicado quanto às minúcias e uma proporção entre as suas partes 
que o dotam de equilíbrio e precisão, característicos estes que resultam de um conhecimento 
profundo do assunto; e é isso, segundo o Dr. James Stalker, o elemento principal de um bom 
estilo. 
Lucas, o médico de espírito científico, este homem das escolas, gentio convertido, amigo 
devotado de Paulo, aproxima-se da vida de Cristo com um intelecto disciplinado, com o método de 
pesquisa de historiador, com o poder de discriminação e de diagnóstico próprio ao médico, com 
atrativos de estilo todo seu, e acompanhado tudo isso, de reverência e de lealdade para com a 
pessoa de Jesus como o seu Senhor e Salvador. Não dispensaríamos, de certo, nenhum dos 
quatro evangelhos. Eles se suplementam de modo maravilhoso. O de João é o maior Livro do 
mundo, alcançando as mais sublimes alturas. Entretanto, se tivéssemos apenas o Evangelho de 
Lucas, mesmo assim, teríamos um retrato adequado de Jesus Cristo como Filho de Deus e Filho 
do Homem. 
Se é que Marcos escreveu para os Romanos e Mateus para os Judeus, Lucas por sua vez 
visava o mundo gentio. Ele manifesta compaixão pelos pobres e pelas classes desprezadas. 
E ele que tão bem compreende as mulheres e as crianças, de modo que seu é o 
evangelho universal da humanidade. Foi a obra de Ramsay que tanto fez para restaurar Lucas ao 
seu lugar merecido na estima dos pesquisadores modernos. Certos criticos alemães tinham por 
costume citar Lucas 2: 1-7, como trecho que mais erros históricos apresenta dentre todos os 
escritos de historiadores, levada em conta a sua extensão. 
A história de como papiros e as inscrições têm corroborado com Lucas item por item, 
encontra-se bem elaborada nos vários livros já escritos. Tantos casos, em que outrora Lucas se 
achava só, já foram comprovados pelas descobertas recentes, que quem duvida agora das suas 
declarações está na obrigação de prová-las insubsistentes". 
Segundo a tradição, Lucas era pintor. Não se sabe se há verdade nisto. O que é certo é 
que nos deixou quadros bem vivos dos incidentes na vida de Jesus relatados no seu evangelho. 
Uma das histórias mais lindas contadas em toda literatura é a parábola do filho pródigo. Outro é o 
relato do encontro dos dois discípulos com o Cristo ressurrecto no caminho de Emaus. 
4. EVANGELHO DE JOÃO 
As questões de autoria, data, natureza e finalidade do quarto evangelho então de tal 
maneira relacionadas entre si que é difícil, quando não impossível discuti-las separadamente. 
Trataremos, pois, das últimas três quando nos parecer conveniente, no decorrer da discussão da 
primeira. Cremos firmemente que foi autor deste evangelho o apóstolo João, irmão de Tiago e 
filho de Zebedeu. Surgem algumas dificuldades para os que defendem esta tese, oriundas, porém 
do nosso conhecimento fragmentário dos fatos; não é que a autoria joanina seja incompatível com 
esses fatos. 
Há duas categorias de evidências a serem consideradas: a externa e a interna. Vejamos 
em primeiro lugar. 
4.1. A Evidência Externa 
No "Dicionário da Bíblia" de J.D.Davis, páginas 519-20, há um resumo do testemunho 
tradicional que com quase absoluta unanimidade atribui o nosso quarto Evangelho ao apóstolo 
João. Discussões mais extensas se encontram nos diversos comentários críticos. O que 
passamos a expor é colhido destas e de outras fontes. 
Testemunho de Irineu: Exercendo o seu ministério em Leão, na Gália, no ano 180 
(aproximadamente), escreveu que depois da publicação dos outros três evangelhos "João o 
discípulo do Senhor, o mesmo que se reclinou sobre o seu peito, também publicou o evangelho, 
quando residia em Éfeso, na Ásia". O testemunho de lrineu é bastante significativo porque ele 
conhecia a Policarpo que formava um elo pessoal entre a última parte do período apostólico e o 
 
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segundo século. Policarpo nasceu em 70 d.C. ou pouco antes e foi martirizado em 156, de modo 
que a sua mocidade coincidia com a velhice de João, que morreu no fim do primeiro século; por 
sua vez a mocidade de Irineu, nascido entre 130-135, coincidiu com os últimos 20 ou 25 anos da 
vida de Policarpo. Uma das cartas de Irineu, preservada nos escritos de Eusébio, descreve as 
experiências da sua meninice quando ouvia Policarpo contar da sua convivência com João e com 
os outros que haviam visto o Senhor. 
Emprega uma expressão significativa, "a vida do verbo" que claramente alude ao quarto 
evangelho, e diz a respeito de Policarpo que "o seu relato das coisas que tinha ouvido das 
testemunhas oculares da vida do Verbo, harmonizava em tudo com as escrituras. É quase 
inconcebível que lrineu se tenha enganado quanto à autoria do evangelho a que ele alude. 
b) Testemunho de Teofilo de Antioquia - Teófilo, escrevendo cerca do ano 170, cita o 
Evangelho de João e enumera o seu autor entre os homens inspirados, nas seguintes palavras: 
"Um dos quais, João, declara: No princípio era o Verbo". 
c) O Cânon Muratoriano - Este traz uma lista dos livros aceitos como canônicos pelas igrejas 
do Ocidente e, embora não aja unanimidade de opiniões quanto à sua data, pertence 
seguramente ao segundo século. Não somente inclui o Evangelho de João, mas também registra 
uma tradição interessante a respeito das circunstâncias em que o apóstolo o escreveu, Quanto a 
esta parte apresenta feição de lenda; mostra porém que este evangelho era largamente, ou 
mesmo quase universalmente aceito como sendo do apóstolo João. 
d) O_Diatessaron (palavra grega que significa: Por meio de quatro). Taciano (cerca de 160) 
confeccionou um a espécie de harmonia dos evangelhos em que usou o Evangelho de João 
juntamente com os três sinóticos. Isto prova que o quarto era aceito a par dos outros e que 
somente estes quatros eram considerados como escritura sagrada. O Profº Sanday pelo estudo 
crítico do manuscrito do Diatessaron, prova que o mesmo original, e que, aparentemente, fora 
reproduzido várias vezes. Se isto é verdade, a data do original seria forçosamente bem anterior a 
160. 
e) Justino o Mártir - A data do seu martírio, segundoHort, foi o ano de 149. Nos seus 
escritos cita várias vezes, e que nas mesmíssimas palavras, a linguagem do quarto evangelho. 
Haja vista "Pois Cristo também disse: Se não nascerdes de novo, de modo algum entrareis no 
reino dos céus". Refere-se a Cristo como "O Filho Unigênito" e o Verbo. É verdade que não cita o 
livro por nome, costume este que se firmou posteriormente. 
f) Pápias - Pápias era contemporâneo de Policarpo, tendo alcançado, como este, os últimos 
anos da vida do apóstolo João. Escreveu uma espécie de comentário chamado: "Exposição dos 
Oráculos do Senhor" que infelizmente se perdeu, mas existem referências ao mesmo. Um 
manuscrito do século nono contém em um prefácio ao quarto evangelho a seguinte declaração: 
"O evangelho de João foi revelado e foi entregue às igrejas por João enquanto ainda estava no 
corpo, conforme um certo Pápias, de Hierápole, discípulo querido de João, relatou nos seus cinco 
livros de exposições". 
g) Inácio - Nas cartas de Inácio, cerca do ano 110, há aparentes alusões ao Evangelho de 
João nas Expressões: "água viva", "filhos da luz", "pão de Deus", a "carne de Cristo", Cristo como 
o "Verbo" e a "porta". 
Não adianta multiplicar exemplos. Os que negam a autenticidade do Evangelho de João, o 
fazem e muitas vezes, confessadamente, porque ou não podem ou não querem crer o que nele 
está escrito. Isto nos leva agora ao estudo da evidência interna. Será que encontraremos nela 
base para rejeitar a autoria joanina deste maravilhoso livro? Examinemo-la. 
4.2. Evidência Interna: 
Já vimos que é praticamente unânime a tradição quanto à autoria joanina do quarto 
evangelho e que suas raras objeções se basearam em motivos subjetivos, como no caso Marcion 
(cerca do ano 140) e no dos "Alogoi", seita herética que surgiu cerca do ano 160. Foi Epifânio que 
lhes deu o apelido de "Alogoi"(irracionais), porque rejeitavam tanto o quarto evangelho como o 
Apocalipse e , para cúmulo de tudo os atribuíram a Cerinto, herege gnóstico. Certamente 
 
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mereciam o apelido de "irracionais" os que julgassem encontrar no Evangelho de João os erros do 
gnosticismo. O testemunho deles realmente não merece ser classificado como evidência externa 
por motivo de ser apoiado apenas na sua opinião mal acertada da doutrina desse evangelho. 
Tanto os"Alogoi" como Marcion eram hereges que consideravam como herético o evangelho de 
João; logo, para eles não podia ser de João, e daí o declararem que não era mesmo de sua 
autoria. 
Mas, deixando de lado, como insubsistentes, essas objeções subjetivas, examinemos a 
evidência interna. Vejamos se o próprio livro derrama alguma luz sobre a questão de sua autoria. 
Será útil alistarmos em primeiro lugar os fatos que apareceram a olhos vistos ao processarmos 
um estudo dele, embora superficial. 
1) O autor não declara abertamente ser ele o apóstolo JOÃO. 
2) O nome de João nem sequer aparece no livro. 
3) Entretanto dá a entender que é testemunha de vista dos acontecimentos que narra, e que 
é mesmo do círculo mais íntimo dos apóstolos "O discípulo amado". 
4) O escritor revela um conhecimento da Palestina e dos costumes dos judeus que seria 
quase impossível a alguém que não fosse palestino; entretanto, fale de "os judeus" tão 
objetivamente que muitos afirmam que o livro não podia ter escrito por um judeu. 
5) Apresenta matéria muito diferente da dos sinóticos, havendo pontos de contato somente 
nos casos da alimentação dos cinco mil e de modo geral dos fatos da última semana da vida 
terrena de Jesus, a sua morte e ressurreiçao. 
6) Há também uma diferença sensível quanto ao método e o estilo de ensino usados por 
Jesus. Este ponto, aliás, está intimamente ligado ao anterior. 
7) No evangelho de João há grande semelhança entre o estilo dos discursos de Jesus e o 
da narrativa do autor. Estes são os fatos que havemos de tomar em consideração em um estudo 
da evidência interna em busca da identidade do escritor do quarto evangelho. Será que militam 
contra a autoria Joanina? Pois vejamos! Examinemo-los por ordem para vermos se apontam para 
o apóstolo João como autor, ou se indicam o contrário. 
8) Se João escreveu o evangelho que a ele atribuímos, por que não o declarou? Resposta: 
Os outros evangelistas também não, subscreveram nominalmente a sua obra. Não vinha ao caso; 
o costume não exigia; não lhes interessava. Era Cristo que desejavam exaltar e não a si mesmos. 
9) O fato de não haver menção do nome de João, nem do seu irmão Tiago, neste 
evangelho, longe de militar contra a autoria joanina, é por si quase concludente a favor dela. 
Quem não faria questão de não mencioná-los (salvo por circunlóquio), a não ser mesmo um dos 
dois? Entre os dois, porém não há que duvidar, pois sabemos que Tiago foi morto a espada antes 
de ser escrito, qualquer dos evangelhos. O apóstolo João com toda a naturalidade omitira, por 
motivo de modéstia, o seu próprio nome, mas um embusteiro seria psicologicamente incapaz de 
usar de artifício tão sutil como o de omitir esse nome, para crer que o livro tivesse sido escrito por 
João. 
10) O autor do livro, fosse quem fosse, era declaradamente testemunha ocular das coisas 
que narra. Era tão intimamente relacionado no enredo da sua história que, por vezes, lhe era 
inevitável uma referência pessoal, mas sabia faze-Ia com modéstia e simplicidade. Mesmo que 
não o declarasse, saberíamos que o autor fora testemunha de vista dos acontecimentos que 
relata, porque freqüentemente dá pormenores que seriam difíceis, se não impossíveis, a qualquer 
outro. Notai, por exemplo, a menção da hora em 1:39, do lugar em 5:2, da ordem em 20:1-9, do 
número exato em 21:11 e ainda outros muitos indícios de ter o autor presenciado aquilo que 
descreve. Se foi testemunha de vista nos casos apontados, só podia ser um dos doze. E se foi um 
dos doze, só podia ser aquele cujo nome ele mesmo, de propósito, omite. A força deste ponto 
juntamente com o segundo, é quase impossível exagerar. Para nós é quanto basta. 
11) O Conhecimento que o autor revela da geografia da Palestina e dos costumes dos 
judeus seria extraordinário para alguém que não fosse palestino. Ele distingue os lugares com 
 
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cuidado, como no caso de: "Betânia além do Jordão"; "Caná da Galiléia"; "João também estava 
batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas"; "Sicar, perto das terras que 
Jacó deu a seu filho José"; e outros casos que se podiam mencionar. 
Conhece bem os costumes e crenças do povo da Palestina. Por exemplo: 
a) o conhecimento da língua - "Cefas (que quer dizer Pedro)", 1:42; "no lugar chamado 
Pavimento, e em hebraico Gabatá 19:13; 
b) o conhecimento de crença locais - a opinião de Natanael a respeito de Nazaré, 1:46; a 
crença dos samaritanos quanto ao lugar de culto, 4:20; a crença do povo a respeito do tanque de 
Betesda 5:7; o fanatismo judaico, 9.2; 
c) o conhecimento dos costumes judaicos - o de meditarem debaixo das figueiras, 1:48; as 
purificações cerimoniais, como na ocasião da festa de casamento, 2:6, e no caso de os judeus 
não entrarem no pretório de Cesár durante a festa da Páscoa, 18:28; a circuncisão em dia de 
sábado, 7:22; etc. Outros casos podiam ser mencionados se o espaço o permiitisse. Mas, dizem 
alguns, se o autor era palestiniano, ou seja Judeu, Porque é que emprega a expressão “dos 
judeus" como se nada tivesse de comum com eles? 
À primeira vista parece muito forte esta objeção, mas perde a força em grande parte 
quando lembramos que João, como Galileu, podia estar usando o termo no sentido mais restrito, 
isto é, de habitantes na Judéia. Além disso, é mister levar em conta que João, ao escrever o seuevangelho, já em idade avançada, havia passado muitos anos fora da Palestina e escrevia para o 
povo da Ásia Menor, de modo que era muito natural ele se referir a "os judeus" objetivamente. 
Muito menos se há de estranhar esse uso, lembrando-se de que nessa época a separação 
entre o judaísmo e o cristianismo era mais pronunciada do que nos primórdios deste, quando os 
crentes judeus consideravam o novo movimento como o judaísmo verdadeiro. 
12) Não há dúvida alguma de que o quarto evangelho apresente matéria diversa daquela 
que os sinóticos contém, havendo pontos de contato direto só nos casos já mencionados, a saber, 
a primeira multiplicação dos pães, a última semana da vida de Jesus, sua morte e ressurreição. 
Será que este fato milita contra a veracidade e valor do livro, e contra as probabilidades de ser 
João o seu autor? Os investigadores do assunto se dividem pela maneira de responder a esta 
pergunta. Dizem alguns que é impossível harmonizar o quadro de Jesus e seu ministério pintado 
pelos sinóticos com aquele que encontramos no evangelho atribuído tradicionalmente ao apóstolo 
João. Afirmam que Mateus, Marcos e Lucas representam o ministério do Mestre como realizado 
na região em torno do mar da Galiléia, ao passo que três ignoram; relata o trabalho entre 
samaritanos; especifica duas festas da Páscoa, não mencionadas por eles, com possível 
referência a mais outra; dá a história da ressurreição de Lázaro, da qual os sinóticos nada dizem. 
Declara ainda este grupo de críticos que as narrativas da última semana e da ressurreição diferem 
tanto que as duas não podem ser aceitas ou harmonizadas. 
Cremos nós, entretanto, que a razão está com outro grupo de investigadores, que não 
encontra tropeços nestes fenômenos, achando-os, ao contrário, muito naturais quando se tomam 
na devida conta as circunstâncias em que João escreveu. Ei-Ias: Os evangelhos sinóticos 
estavam circulando havia já muitos anos. João certamente estava ciente disto e os conhecia, 
reconhecendo-os como valiosos e dignos de todo o crédito. Ele, porém, como testemunha ocular 
e íntimo companheiro de Jesus, era conhecedor de muitos acontecimentos e conversações que 
os autores dos outros três não relataram, ou por não os conhecerem, ou por outro motivo 
razoável. 
De tudo quanto sabia (e que encheria muitos livros) João precisava escolher o que, nas 
circunstâncias, mais convinha relatar. Mui naturalmente evitaria uma repetição desnecessária 
daquilo que já estava suficientemente divulgado pelos "evangelhos sinóticos. Tinha em vista, ao 
escrever o livro", um fim importante o de convencer os seus leitores que Jesus era o Cristo, o 
Salvador do Mundo, e para isto possuía material em fatura. Não havia necessidade de cingir-se ali 
os mesmos fatos já contados pelos outros evangelistas, nem utilidade havia nisto. Há quem objete 
que seria impossível os autores dos sinóticos ignorarem o caso da ressurreição de Lázaro. É 
 
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verdade que seria difícil, embora não diríamos impossível, mas bem poderia haver outro bom 
motivo por que eles não relatassem. 
A cena deste milagre foi em Betânia na Judéia, e os sinóticos, como acima foi dito, 
preocupam-se menos do que João com ministério judeu. Deve ser notado também que dentre os 
três foi Lucas somente que narrou a ressurreição do filho da viúva em Naim. Ele podia ter deixado 
de mencionar a ressurreição de Lázaro por ter já mencionado um caso semelhante. Mateus e 
Marcos não contam nem um nem outro destes dois casos, mas só o da filha de Jairo. Outra 
possível razão para os sinóticos não mencionarem a ressurreição de Lázaro transparece da 
narrativa de João. Ele nos declara que, depois deste milagre, os principais sacerdotes (que eram 
dos saduceus e portanto descrentes na ressurreição), procuravam meio não só para matar Jesus 
como também a Lázaro, pois muitos dos judeus, por causa dele, criam em Jesus. Ora, como os 
autores primeiros três evangelhos escreviam antes da destruição de Jerusalém, enquanto Lázaro 
e suas irmãs provavelmente ainda viviam e eram ainda objeto do ódio dos principais sacerdotes, 
seria simplesmente prudência da parte deles passarem por cima deste para não causar; maiores 
dificuldades e perigos a essa família. 
Devemos lembrar também que, dentre todos os prodígios operados por Jesus, um caso de 
ressurreição dum morto não era essencialmente mais estranho do que o ato de multiplicar os pães 
e peixes ou de andar sobre as águas. Pelo contrário, estes parecem ter causado maior espanto 
entre os discípulos do que aquele. 
Não seria, pois, impossível que os evangelistas optassem por omitir da sua narrativa a 
ressurreição de um morto, sendo mesmo conhecedores diretos do caso, pois certamente todos 
eles omitem muitos dos milagres de Jesus sem acabar, entretanto, com a possibilidade de 
diferenças de estilo entre os evangelistas. João apresenta, é verdade, diferenças muito mais 
sensíveis do que as dos sinóticos entre si, mas há razões bastantes para isso. João escreveu em 
idade avançada, depois de longa e abençoada experiência na vida cristã. Era do círculo mais 
íntimo entre os apóstolos e assim eminentemente preparado palra escrever um "evangelho 
espiritual", e revelar fases do ministério de Jesus e do próprio caráter do divino Mestre, a que os 
sinóticos não deram atenção suficiente. Os sinóticos se preocupam principalmente com o 
ministério Galileu, ou Pereu (Lucas), enquanto João no intuito de completar o trabalho deles e 
inteirar o retrato evangélico de Jesus dá muito mais atenção ao ministério judeu e as palestras ou 
conversas mais ou menos particulares com indivíduos ou pequenos grupos (cap. 3-4-9-10- 1) ou 
ainda no seio do grupo apostólico (cap. 13-17). Isto basta para justificar uma considerável 
diferença em estilo e em método de ensinar. 
Entretanto, é possível que os que advogam autoria não joanina tenham exagerado a 
diversidade de estilo. Robertson aponta um trecho em Mateus (11:25-30) e Lucas (10:21-24) que 
tem bastante semelhança com o chamado estilo joanino, quer na expressão, quer no método. 
Convém notar que este passo depende da "logia” de Mateus e foi escrito cerca de um 
quarto de século antes do Evangelho de João. Daí se vê dos próprios sinóticos que, em certas 
ocasiões, Jesus usava o estilo "joanino". Torna-se mais significativo este caso por tratar-se de 
palavras dirigidas por Jesus a um grupo restrito dos seus discípulos (os setenta), pois confirma o 
que foi dito atrás quanto à variedade de estilo de acordo com a ocasião e a natureza do auditório. 
Não é necessário limitar a versatilidade de Jesus a um só estilo, nem a dois; pelo contrário há 
muitos indícios de ter ele sempre adaptado seu discurso às condições e atitudes dos seus 
ouvintes. 
13) Finalmente, o fato de: haver grande semelhança entre o estilo dos discursos de Jesus e 
o da narrativa do autor leva alguns a duvidarem que este evangelho seja obra de uma testemunha 
de vista. Não se pode negar que existe essa semelhança. No terceiro capitulo é difícil ou mesmo 
impossível discernir com certeza onde terminam as palavras do Mestre e começam as do autor 
(cf. 3 :16-21). Entretanto isso não nos deve causar admiração. 
O mesmo aconteceria freqüentemente hoje em dia se não houvesse o emprego de aspas, 
dois pontos, parêntesis, etc. É natural também que haja assimilação de estilo, mormente tomando-
se em consideração que o autor escrevia muitos anos depois, e de memória e não apoiado em 
 
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documentos como era o caso de Mateus e Lucas, quando não de Marcos também. Já vimos que, 
mesmo segundo os sinóticos, Jesus por vezes usava um estilo parecido com o do quarto 
evangelho. Isto nossugere a possibilidade de uma dupla assimilação, isto é, João podia ter 
assimilado o seu estilo para o de Jesus tanto quanto o de Jesus para o seu. Por três anos viveu 
na mais íntima comunhão com o mestre era talvez o mais jovem entre os doze; era de índole mais 
espiritual; e depois da crucificação hospedou a mãe do Senhor em sua casa, como se fosse sua 
própria mãe. É de admirar que em tais circunstâncias o seu estilo fosse influenciado em grau 
sensível por aquele que o Mestre usava? 
As objeções levantadas contra João como autor do quarto evangelho são inconcludentes, 
sendo suscetíveis de explicação razoável que as toma em alguns pontos argumentos de apoio em 
vez de contradição. Admitimos que o idoso apóstolo tenha usado de amanuense ou secretariado 
ao transferir para o pergaminho o "evangelho espiritual", que era uma realidade tão viva na sua 
memória e no seu coração. Mas não encontramos na evidência interna coisa alguma que nos 
mova da posição tradicional, a saber, que João, o apóstolo, foi humanamente falando, o autor do 
quarto evangelho. 
Se estamos certos nessa conclusão, estão resolvidas também as questões de data, lugar e 
finalidade, pois aceitamos juntamente com a autoria joanina, a resposta tradicional a essas 
indagações: a saber o apóstolo João, perto do fim do primeiro século, e pouco antes da sua 
morte, escreveu de Éfeso (pela mão de um auxiliar) o evangelho que traz o seu nome, afim de 
induzir os seus leitores a uma fé viva em Jesus como filho de Deus e Salvador de todo aquele que 
crê. 
VVIIII.. AA VVIIDDAA DDEE CCRRIISSTTOO 
 
1. INTRODUÇÃO À VIDA DE CRISTO NOS EVANGELHOS 
1.1. A Importância do Contexto Histórico, Geográfico e Cultural 
a) Governadores Romanos no Período de Cristo: OTÁVIO: conhecido como Augusto, 
governou ate 14 d. C.; TIBÉRIO: governou de 14 d.C. a 37 d.C. 
Obs.: Quando Jesus nasceu, Otávio reinava, porém na sua crucificação já era TIBÉRIO 
b) Divisão Política da Palestina (Tetrarquias) 
Localidade Governante 
Galileia e Peréia Herodes Antipas 
Auranites e Traconites Felipe 
Judéia, Samaria e Iduméia Arquelau 
Decápolis era subordinada diretamente a Síria. 
Obs.: Por ser Arquelau um mau governante e tendo sido reclamado pelos judeus ao imperador, foi 
retirado do governo e substituído por “PROCURADORES”. Na época de Jesus, quem ocupava 
este cargo era PONCIO PILATOS. 
c) A Relaçao da Palestina com o Imperio Romano 
- ECONOMICAMENTE: Os romanos cobravam uma série de impostos: 
(1) TRIBUTO: o imposto pessoal sobre a terra; 
(2) CONTRlBUIÇÃO anual para a manutenção dos soldados romanos; 
(3) IMPOSTO sobre compra e venda de todos os produtos. 
- POLITICAMENTE: Havia regiões no império nas quais Roma permitia governo próprio, 
mas submetido à aprovação e nomeação imperial. Nas regiões onde havia constantes conflitos o 
imperador intervinha de modo mais direto, nomeando um procurador. O procurador tinha como 
funções: 
 
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(1) O comando das tropas militares; 
(2) Administração da cobrança dos impostos; 
(3) Autoridade exclusiva sobre as penas capitais. 
Obs.: Apesar da presença de uma representação romana, os países que podiam geriam suas 
questões internas. Para a Judéia e Samaria, o órgão administrativo era o Sinédrio, chefiado pelo 
sumo sacerdote, o qual era nomeado pelo procurador. 
- IDEOLOGICAMENTE: Roma permitia que os judeus seguissem seus costumes e religião 
de acordo com a estrutura interna do Judaísmo. 
d) A Sociedade - Esta se dividia em diversos tipos de reações diante do império indo da 
aceitação e colaboração, até a revolta armada. 
SADUCEUS: Eram os maiores colaboradores do dominador e tendo uma política de 
reconciliação, com medo de perder seus cargos e privilégios. Era formado por grandes 
proprietários de terras e pelos membros da elite sacerdotal. Tinham o poder nas mãos e 
controlavam a administração da justiça no tribunal superior (SINÉDRIO). Eram intolerantes com o 
povo e viviam preocupados com a ordem pública. 
HERODlANOS: Formado pela corte de Herodes Antipas da Galiléia. Colaboravam para 
dependência dos judeus em relação aos romanos. Eram fortes opositores dos Zelotes, viviam 
preocupados em capturar agitadores políticos na Galiléia. 
FARISEUS: São nacionalistas e hostis ao domínio romano, mas sua resistência era do tipo 
passivo. O grupo era formado por leigos vindos de toda as camadas sociais, principalmente 
artesãos e pequenos comerciantes. A maioria do clero pobre, que se opunha à elite sacerdotal, 
também começava a pertencer a este grupo. 
ZELOTES: Enquanto os fariseus se mantinham em uma resistência passiva, os Zelotes 
partiam para a luta armada. Por isso as autoridades os consideravam criminosos e terroristas, 
eram perseguidos pelo poder romano. Formado pela classe dos pequenos camponeses e a 
camada mais pobre da sociedade. Eram massacrados pelo sistema fiscal impiedoso. Oriundos da 
Galiléia, Eram movidos por um nacionalismo extremo e desejavam à expulsão dos romanos, para 
formarem um Estado democrático, governado por um descendente de Davi. 
e) A Cidade de Jerusalém - Centro político e espiritual do judaísmo. Tinha em média 50 mil 
habitantes. Por ocasião das grandes festas, chegava a receber 180 mil peregrinos. Nesta ocasião 
o procurador romano que normalmente residia em Cesaréia, deslocava-se para Jerusalém, afim 
de evitar tumultos e revoltas. A guarda romana era reforçada. 
2. PRIMEIRA PARTE DA VIDA DE CRISTO: "TRINTA ANOS PREPARATÓRIOS" 
2.1. Prenúncio do Nascimento de Jesus (Mt 1:1-17; Lc 3:23-28) 
As duas Genealogias de Jesus: 
a) A Genealogia de Mateus - Tudo indica que é a de José, isto pode ter ele escrito para 
judeus e feito assim uso da descendência legal de Jesus, e esta só poderia vir de José. Mateus dá 
a linhagem real de Jesus, passando por Davi (Mt 1.1), para mostrar aos judeus o cumprimento 
das profecias (Gn 12.3; I Sm 7.12-16). 
A genealogia divide-se em 3 grupos, ou seja, 3 gerações de: 
(1) Abraão a Davi = Teocracia; 
(2) Davi à deportação para a Babilônia = Monarquia; 
(3) Deportação à Cristo = Hierarquia. 
Quatro mulheres se destacam nesta genealogia e alguns crêem que o alvo de Mateus em 
citá-las foi desarmar os críticos judeus sobre o nascimento de Jesus, mostrando que uniões 
irregulares eram divinamente aceitas na ascendência legal do Messias, O argumento é que, 
embora nascido de mãe virgem, Jesus fazia parte da verdadeira linhagem de Davi, porque José 
 
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estava de fato legalmente casado com Maria, a qual veio ser a mãe de Jesus (Mt 1.16). Convém 
salientar que todas as mulheres citadas na genealogia de Mateus tiveram problemas de conduta: 
(1) TAMAR - coabitou com o sogro Judá para suscitar descendência (Gn 38; Mt 1.3); 
(2) RAABE - meretriz (Js 6; Mt 1.5); 
(3) RUTE- ofereceu.-se a Boaz (Rt 1.4; Mt 1.5); 
(4) BETSEBA - adúltera (II Sm 11; Mt 1.6. 
b) A genealogia de Lucas - Tudo indica ser a genealogia de Maria, visto que Lucas escreve 
para todos e faz então uso da genealogia natural e esta só poderia vir de Maria. Se alguém 
objetar que por motivo especiais outras mulheres são mencionadas na lista de Mateus, ainda que 
não contadas, e que Maria não é mencionada na lista. A genealogia chega até o pai dela, e dando 
a "FILHO" o significado de "NETO" (Lc :3.23). E não é mencionado o nome de Maria, mas sim, de 
José. José não é filho de Eli e sim, filho de Jacó (Mt 1,16). Verificamos aqui a substituição do 
nome Maria por José. Observar a ausência do artigo no nome que é fundamental. Filho de Eli 
significa na realidade Neto de Eli, pai de Maria. 
Nesta genealogia vemos a origem de Jesus em Deus; é uma genealogia regressiva. Lucas 
revela serJesus o Filho de Deus, direta e indiretamente (concepção natural, sem a participação 
de José, e o ter vindo de Adão, o qual veio de Deus). 
2.2. A Anunciação do Nascimento de João Batista (Lc 1.5-25) 
ZACARIAS: "Jeová lembrou-se". Fazia parte das 24 turmas de sacerdotes que o rei Davi 
havia instituído. Era um sacerdote do interior (Lc 1.39-40) que revezava com os demais no 
ministério do templo. Havia muitos sacerdotes, mas somente um templo, por esta razão serviam 
em turnos (1 Cr 24.1-6). Os sacerdotes eram divididos em 24 turmas, das quais a de Abias era a 
oitava (1 Cr 24.10). Cada divisão estava de plantão duas vezes por ano, durante uma semana em 
cada ocasião. 
Havia muitos sacerdotes, e não havia deveres sagrados em número suficiente para todos 
eles; lançavam-se sortes, portanto, para ver quem cumpriria cada função (Lc 1.8-9). Oferecer o 
incenso era considerado um grande privilégio. Um sacerdote não poderia oferecer o incenso mais 
de uma vez em sua vida inteira (Lc 1.9). Verificamos que foi num momento muito especial que 
Deus se revelou a Zacarias. 
A dúvida de Zacarias (Lc 1.11-13): "A tua oração foi ouvida". O papel do sacerdote na hora 
que oferecia o incenso era orar pela nação. O verbo empregado aqui para "a tua oração foi 
ouvida", está no tempo aoristo significando que ele orou uma única vez, dando a idéia que fora 
durante a queima do incenso. 
A dúvida de Zacarias foi pecaminosa porque era oriunda de uma falta de fé, e como 
castigo, ele ficou mudo e permaneceu assim até o nascimento de João Batista. 
A mudez de Zacarias foi logo notada por todos, pois era costume, depois da queima do 
incenso, os sacerdotes se reunirem para pronunciar a bênção sobre o povo (Nm 6.22-27). Tudo 
indica que Zacarias além de mudo ficou surdo (Lc 1.52). 
ISABEL - "Deus faz um pacto ou Deus do pacto": descendente do sumo sacerdote Arão, 
era estéril, apesar de temente a Deus. Na sociedade onde vivia, a esterilidade era vista como a 
falta de bênção da parte de Deus. 
GABRIEL - ''Homem de Deus": anjo de alta categoria, enviado a Daniel, Zacarias e Maria. 
Ele era responsável em transmitir as mensagens do coração de Deus. Ele anunciava que a 
concepção de João seria fruto de um milagre e não sobrenatural, como foi o de Jesus, pois em 
Isabel já havia cessado o costume das mulheres e com Maria não houve a participação do varão. 
Esse nascimento foi predito em Isaías 40.3. 
Gabriel Anuncia a Missão do Precursor (Lc 1.5-17). Prepararia o caminho do Messias; 
Assemelhar-se-ia com Elias no ESPÍRITO, no que se refere ao caráter, vontade e ministério. E no 
PODER, no que se refere a força, ação e realizações. 
 
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2.3. O Nascimento de Jesus Anunciado à Virgem Maria (Lc 1.2638) 
Descendente da tribo de Judá, tribo do louvor. Nascida em Nazaré, noiva de José, moça 
piedosa e temente a Deus. 
O mesmo anjo que falou a Zacarias sobre o nascimento de João, falou a Maria sobre o 
nascimento de Jesus, porém, Maria reage diferente de Zacarias. No caso de Zacarias o milagre foi 
decorrente da oração, com Maria foi uma escolha divina. Maria foi um "vaso escolhido". 
Diálogo do anjo com Maria (Lc 1.28-29): Maria turbou-se, não pela aparição do anjo, mas 
pela saudação que ele fez a ela, pois a exaltou: "...Salve agraciada" SHARITÓS, que significa 
dom gratuito, graça outorgada, cerco de favor divino com bênção. Provém de SHARIS, que é 
graça. 
Ao contrário do que os católicos dizem, Maria não é a fonte da graça, mas sim, o alvo da 
graça. 
A pergunta de Maria difere da de Zacarias (Lc 1.18): "Como eu terei certeza disso?" (o que 
me garante que você está falando a verdade?) perguntou Zacarias, enquanto Maria: "Como se 
fará isto, visto que não conheço varão?"; com esta pergunta Maria queria saber o método que 
Deus usaria, pois certamente Deus faria o que prometeu. Ela não compreendeu a concepção 
impossível ao homem, mas não descreu do cumprimento daquele evento. 
Cântico de Maria (Lc 1.46-56): "...minha alma... minhas emoções se derramam em louvor; 
a minha mente e a minha vontade quebram-se no cantar. Meu espírito exulta em Deus meu 
Salvador... o que eu sou realmente, minha parte imortal te louva". 
Maria diz ser Deus Santo porque suas obras são de um padrão moral perfeito. Ela realça a 
misericórdia de Deus e enaltece a aliança de Deus com Israel. 
A visita de Maria terminou pouco antes do nascimento de João, durou 03 (três) meses. 
Regressou e não foi imediatamente ver José. 
2.4. O Nascimento De João Batista (Lc 1.57-80) 
Lc 1.14 - cumpre-se em Lc 1.58 
Lc 1.59 -"oitavo dia": De acordo com Lv 12.3, o menino era circuncidado (Gn 17.9-14). No 
caso das meninas, isto não acontecia, mas as Escrituras não afirmam que elas ficavam fora da 
aliança de Deus com Abraão. Elas tinham o direito por causa do pai. 
O nome da criânça: Os nomes eram muito importantes no mundo do A.T. Cada nome 
hebreu tinha um significado, e ele se tomava parte importante da vida da criança. Os judeus 
acreditavam que primeiro deviam conhecer o nome de uma pessoa antes que pudessem 
conhecer a própria pessoa. Basta que olhemos para o nome "Jacó", que quer dizer: "agarrador de 
calcanhar" ou "suplantador", para vermos a importância de um nome. Conhecer o nome de Jacó 
era conhecer-lhe o caráter. Portanto, o ato de escolher um nome para a criança era de grande 
responsabilidade. 
O nome da criança era escolhido por um dos pais, ou por ambos. A Bíblia indica que 
geralmente a mãe dava nome à criança. Em parte alguma a Bíblia diz especificamente quando a 
criança devia receber o nome. Em alguns casos, a mãe deu nome à criança no dia do seu 
nascimento (ISm 4.21). Nos dias do N.T., o menino geralmente recebia o nome no oitavo dia, no 
momento da circuncisão (Lc 1.59; 2.21). 
Na antigüidade as pessoas não costumavam ter sobrenomes, além de seu nome pessoal. 
Mas, com o aumento da população, começaram a surgir problemas. Já na época do N.T. muitos 
colocavam acréscimos ao nome para facilitar a identificação do indivíduo. Eis porque encontramos 
nomes como José de Arimatéia, Paulo de Tarso, Jesus de Nazaré, Simão . Barjonas (bar = filho - 
filho de Joanes), e outros. Alguns eram identificados por sua atividade, por exemplo: João Batista; 
outros por seu posicionamento político, como Simão Zelote. 
Verificamos então que para se dar nome a uma criança, levava-se em conta: 
a) A sua posição social; 
 
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b) Circunstância do nascimento; 
c) Aspirações dos pais; 
d) Tradição da família. 
A alteração destas características era como quebrar a tradição. O nome João deriva-se do 
hebraico JEHOCHANAM "graça de Jeová". João tinha a missão de atrair a graça celestial aos 
homens. 
2.5. Anunciação a José do Nascimento de Jesus (Lc 1.18-23) 
Como José soube da gravidez? Para compreendermos as colocações que serão feitas a 
seguir, devemos antes compreender que do período de Moisés até chegarmos ao período de 
Cristo, a sociedade judaica soma muitas mutações, muitas delas provocadas pelo surgimento do 
"JUDAÍSMO" período de Esdras e Neemias, quando houve uma reformulação, ou seja, uma 
reestruturação dentro da sociedade judaica, a qual havia saído de um período de 70 anos de 
cativeiro. 
Com o judaísmo, surgiram os intérpretes da lei, rabinos e estes se tomaram os legítimos 
intérpretes da lei. Eles porém, encontravam na lei pontos difíceis de serem compreendidos e 
nestes casos surgiram Correntes "teológicas" com pontos de vista diferentes sobre certas 
passagens. Por exemplo: Dt 24.1. 
Os estudiosos da lei encontravam dificuldades em interpretar que seria "coisa 
vergonhosa", por esta razão existia vários posicionamentos, tais como: 
a) Uma escola, um tanto liberal,considerava que só a infidelidade se achava envolvida; 
b) Outros pensavam tratar-se de algo repugnante ou desagradável; 
c) Porém, outra escola dizia que se uma mulher estragasse regularmente o alimento que 
cozinhava, isto bastava para estabelecer o fato de que ela era desagradável e repugnante; 
d) O rabino AKKUBA julgava até mesmo a idéia de procurar uma mulher de melhor 
aparência como razão suficiente para o repúdio da esposa. 
Podemos, com certeza afirmar que a maioria dos rabinos estabelecia que "a mulher 
culpada de adultério deve ser repudiada" e alguns garantiam ser este um dever religioso. 
Verificamos no relato bíblico o próprio Jesus referindo-se ao adultério como motivo para o 
divórcio (Mt 5.32; 19.9). Concluímos então, que no tempo de Jesus, a mulher adúltera poderia ser 
preservada do apedrejamento. 
Após as considerações feitas, retomaremos então à questão: como José ficou sabendo da 
gravidez de Maria. 
Naquele tempo, ou seja, no período de Jesus, a noiva quando engravidava deveria 
procurar o sacerdote ou rabino e contar-lhe o ocorrido (Dt 22.23-27). O sacerdote ou rabino dava 
ciência ao noivo e este decidia o que se faria com a noiva (Jo 8.3-11). Alguns acreditavam que 
Maria tenha feito assim. A outra linha, porém, diz que Maria tenha acreditado na compreensão de 
José, ele provavelmente entrou em um estado psicológico de abatimento moral. E justamente 
neste momento em que ponderava a decisão a ser tomada o anjo aparece a ele. 
A intervencão de Deus nesta comunicação - No V.T. não era raro Deus comunicar-se por 
sonhos, por esta razão, José creu de imediato na fidelidade da mensagem. Até hoje, no Oriente 
Médio, os sonhos são considerados meios importantes da revelação divina. Caso não fosse esta 
revelação divina, José teria todo o direito de duvidar, julgar e condenar a Maria, pelo ato 
pressuposto de adultério. 
"...JOSÉ FILHO DE DAVI..." Esta é a forma hebraica para expressar "descendente de 
Davi". Isto faria com que José recordasse que a linhagem e as profecias relacionadas à ela (Gn 
49.8-12; II Sm 7.16). Esta expressão denota o direito que José possuía para criar o Messias. 
Nos versos 21 e 23 o anjo faz referência à profecia de Isaías 7. Podemos entender estes 
versos da seguinte maneira: os pais do Messias colocariam o nome de Jesus, cujo significado faz 
 
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referência à sua função - "SALVAR O POVO DO PECADO". Agora, o povo em geral conhecia-o 
como EMANUEL, cujo significado é ''DEUS CONOSCO", implicando no reconhecimento de que 
ele era o Filho do Deus vivo (Hb 1.2-3; Mt 27.54). 
O verso 24 revela que as dúvidas de José cederam lugar à confiança, após a intervenção 
divina. E o verso 25 revela que José recebeu o direito de dar o nome ao filho como todo pai. 
É bom lembrar que a palavra justo no verso 19, não indica que José era justo no sentido 
absoluto, isto é, sem pecado. Para os judeus, justo era aquele que zelava peja observância dos 
mandamentos da lei de Deus. O sentido da palavra justo no grego é INOCENTE. No texto de 
Mateus, a palavra está indicando que José era inocente quanto à gravidez, isto é, não houve 
participação dele. 
 
Estágio da Experiência de Maria: 
a) Lc 1.29 - Temeu; 
b) Lc 1.34 - Ficou Perplexa; 
c) Lc 1.37 - Apossou-se da Graça Divina; 
d) Lc 1.38 - Obedeceu Resignadamente. 
O nome de Jesus - Forma grega que eqüivale ao hebraico Josué, significa "O Senhor é 
Salvação" - IESHUA. 
2.6. A Virgem Maria Visita Isabel 
O noivado: geralmente durava um ano. Muitas vezes para se oficializar o compromisso, 
realizava-se. uma cerimônia, seguida de um dote e troca de presentes. Neste período o rapaz era 
dispensado do serviço militar, para não correr o risco de morrer antes de casar (Dt 20.7). 
Era pago o dote pela noiva e combinada a quantia a ser restituída, caso isso fosse 
necessário, por ter sido dissolvido o casamento ou morto o marido. 
Após o noivado, os jovens eram chamados de esposo e esposa (não poderia mais voltar 
atrás, pois a noiva já estava comprometida, casada). (Mt 19). 
Entretanto, só depois de um ano eles passavam a viver juntos e consumavam o 
matrimônio. 
Se um homem viesse a ter relações sexuais com a noiva de outro, poderia ser apedrejado 
até a morte por adultério (Dt 22.23-27). 
Quando Maria ficou grávida, estava legalmente desposada de José e as negociações 
necessárias para o casamento já haviam sido feitas. 
Era costume das noivas em Israel não viajarem sozinhas, elas deveriam se fazer 
acompanhar de um parente seu ou do noivo. Maria, provavelmente viajou sem a companhia 
destes referidos parentes, pois se isto tivesse acontecido, com certeza seria registrado nas 
narrativas bíblicas, pois isto era de grande importância para o povo de Israel. 
Maria foi verificar pessoalmente a gravidez de Isabel (Lc 1.31-37), sua prima. Ela queria 
compartilhar com Isabel as experiências similares. 
Cântico de Isabel (Lc 1.41-45). Foi um cântico inspirado pelo Espírito Santo (ela não tinha 
o Espírito Santo, pois Ele não havia vindo ainda), cheia do Espírito Santo era o precursor, porém 
sua missão era impossível sem a plenitude do Espírito Santo (Lc 1.15). 
Isabel reconhece em Maria a mãe do Messias. A presença do Espírito Santo neste canto 
profético fortaleceu a fé de ambas e confirmou o ditado do anjo. Isabel não sabia que Maria estava 
grávida e sua atitude em profetizar foi consolo para Maria. 
- As Quatro vezes Que Deus intervém na vida de Jesus: 
(1) Revelando a José que a concepção de Maria era divina; 
 
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(2) O sonho dos magos (Mt 2.12); 
(3) O sonho da esposa de Pilatos (Mt 27.19); 
(4) O outro sonho de José (Mt 2.13; 19,22). 
- Licões para hoie: A mensagem que vem de Deus não deixa dúvida sobre aquele que 
ousa crer e receber com abnegação o peso de tal mensagem. Teremos sempre resolução do céu 
se buscarmos a direção do céu. 
2.7. O Nascimento e Infância de Jesus (Lc 2.1-7) 
a) CÉSAR AUGUSTO - Este não era um nome composto e sim duas designações usadas 
pelo imperador romano. A palavra imperador signífica "aquele que possui todos os poderes civis e 
militares" (IMPERERIUM). 
 
AUGUSTO: Esta palavra tem uma consonância religiosa e significa mais ou menos 
"abençoado", foi esse o título recebido do Senado romano por OTAVIANO, em 16 de janeiro de 27 
a.C. César era nome de um ramo da família aristocrática. O imperador Otaviano foi filho adotivo 
de Júlio César. Ele e seus sucessores fizeram de "CÉSAR" seu nome de família. Por isso, o termo 
CÉSAR foi o mais usado para designar a função imperial. Podemos dizer então, que Augusto está 
ligado com a função religiosa e César com a função política. 
O recenseamento: Os imperadores faziam questão de conhecer regularmente a situação 
do império, por causa da cobrança dos impostos e do recrutamento militar. Para isso, reuniam os 
dados parciais fornecidos pelos recenseamentos feitos em diversas províncias. 
Há papiros do Egito que atestam esse tipo de operação, como há inscrições que revelam 
recenseamento nas numerosas outras províncias. 
O recenseamento consistia: 
a) Na declaração dos nomes das pessoas 
b) Sua ocupação; 
c) Esposas e filhos; 
d) Servos e propriedades. 
Cada homem deveria dirigir-se ao local onde estivesse o registro de sua família paterna 
Mais uma vez é provada a descendência davídica de Jesus (Lc 2.4). 
A cidade de Belém, casa do pão, ficava a 8km de Jerusalém. É chamada Belém Efrata 
para diferenciar da Zebulom (Js 19: 15 16) cidade fértil. 
Expressão "chegou o tempo que Maria começou a sentir as primeiras dores", ou seja, as 
contrações. 
A manjedoura: alguns crêem ter Jesus nascido em um estábulo, mas também é possível, 
que o nascimentotenha ocorrido num lugar muito pobre, onde os animais compartilhavam do 
mesmo teto com a família. Há argumentos também no sentido de que naquela cidade, ou seja, 
naquela região existiam muitas cavernas de pedras calcárias que eram usadas como celeiro ou 
estábulo onde o gado se abrigava. Para o povo da época servia também como estalagem nos 
períodos de férias, quando a cidade superlotava, por isso, não era um lugar desprezível. 
" ...envolveu-o em faixas..." Imediatamente após o parto, o cordão umbilical era cortado e 
amarrado, depois esfregava-se sal, água e óleo por todo o corpo da criança e a envolvia 
apertadamente em tecido durante sete dias, e então se repetia o processo durante quarenta dias 
(Ez 16:4). MISHINA era código das leis cerimoniais de Israel. 
b) O Nascimento de Jesus Proclamado aos Pastores pelos Anjos (Lc 2:8-20). 
Provavelmente os pastores estavam pastoreando rebanhos, deviam ser guardados apenas no 
ermo (lugar deserto, despovoado). 
 
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Os pastores como classe, tinham má reputação. A natureza do seu emprego impedia-os 
de observarem as leis cerimoniais de Israel, que tanto significava para as pessoas religiosas. Não 
eram considerados fidedignos e não lhes era permitido dar testemunho nos tribunais. Não há 
razão para se pensar que os pastores em Lucas deixassem de ser homens devotos, se não, 
porque Deus lhes teria dado tal privilégio? Mesmo assim, pertenciam a uma classe desprezada. O 
sinal (Lc 2: 12), de fácil distinção: 
Primeiro porque nenhuma criança seria deitada numa manjedoura. A caverna 
provavelmente era conhecida e servia de abrigo para viajantes. Verso 14 indica que a paz entre 
os homens não é o começo da geração de esperança da vida. O começo é grande adoração ao 
príncipe da paz. 
A atitude dos Pastores: 
(1) Largaram tudo e foram até onde estava Jesus (Lc 2: 15). 
(2) Contemplaram a glória de Jesus pessoalmente (Lc 2: 15). 
(3) Divulgaram a notícia (Lc 2: 17-18). 
c) A Circulação de Jesus e sua apresentação no Templo (Is 2:21-38). Era este o sinal da 
aliança de Deus com Abraão (Gn 17:10). Ela consistia na remoção do prepúcio (pele que envolve 
a glande do pênis). Deveria ser realizada no oitavo dia após o nascimento. Era costume neste dia 
dar o nome à criança (Gl 4:4-5) "nasceu sob a lei para resgatar o que estava sob lei". 
A lei levítica estipula que, depois do nascimento de um filho, a mãe ficaria impura durante 
os sete dias até a circuncisão do menino, e que por mais trinta e três dias deveria manter-se 
afastadas de todas as coisas sagradas (no caso da criança ser sexo feminino, o tempo era 
dobrado: 66 dias). Na ocasião de sua purificação, deveria sacrificar um cordeiro e uma pomba ou 
rola. 
Se fosse pobre demais para um cordeiro, bastariam uma segunda pomba ou rola (Lv 12: 1-
8). A oferta de Maria, portanto foi a pobre. 
A apresentação da criança no templo era determinada pela lei (Nm 18: 15-16). Os pais 
deveriam pagar 5 ciclos, cada ciclo eqüivalia a 1/2 denário, para a remissão do filho (Ex 13:2; Nm 
3: 14; Nm 3:40-47). No momento apresentação o sacerdote pegava a criança nos braços e 
proferia duas bênçãos: uma de ações de graça pela lei da redenção e outra pela oferta do 
primogênito ao Senhor. 
SIMEÃO: Sua presença no templo na hora da apresentação de Jesus, bem como sua 
profecia não nos dá margem para afirmar que ele era um sacerdote. O que o texto nos informa é 
que era homem justo, temente a Deus, tinha o Espírito Santo e aguardava a consolação de Israel. 
A oracão ou cântico de Simeão - Um cântico missionário onde é realçada a glória de Israel 
e o alcance dos gentios; Reafirmação da profecia de Isaías 8.14 (Lc 2.34); ''Traspassará a tua 
alma", esta frase diz respeito a Maria, referindo-se a dor que ela sentiria pela morte do filho. 
Cremos que José falecera antes do ministério público de Jesus. Maria então, acompanhou todo o 
seu sofrimento. 
O cântico de Ana (Lc 2.36-38) - Ana era profetiza e pertencia à tribo de Aser. Esta tribo 
tinha por território a região da Galiléia. Ana era viúva. Sua presença constante no templo faz 
alguns crerem que ela residia ali mesmo, isto é, morava nas dependências do templo; outros 
crêem que a expressão só pretende dizer que ela não perdia os cultos do templo. 
Lucas não revela o conteúdo do cântico de Ana, presume-se que ela fazia referência ao 
envio do Seu Messias por parte de Deus. 
d) Magos do Oriente Visitam o Menino (Mt 2.1-12) - Magos é a tradução da palavra grega 
MAGOI, usada tanto no sentido de astrólogo erudito, como no sentido dos que praticam a magia. 
MAGOS: estudiosos do firmamento e perscrutadores dos segredos da natureza; ocupavam-se 
também com a medicina e o ocultismo e eram freqüentemente conselheiros dos reis (Dn 1.20). 
Estes magos estudavam os astros com base na Astrologia (Ciência que lê nos astros os 
 
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acontecimentos futuros) e não na Astronomia (Ciência que se ocupa da constituição e 
movimentos dos astros). 
Historiadores do Século I, como Tácito e Sueutônio, dizem que no tempo destes magos, 
todo o Oriente esperava o advento de um rei que devia aparecer entre os judeus. 
Não podemos nos esquecer que os judeus estavam espalhados por todo o mundo da 
época. Eles passavam a esperança da vinda do Messias para os povos. Não podemos esquecer 
também os prosélitos, que eram os estrangeiros que aderiam ao judaísmo e com certeza 
conheciam e divulgavam as profecias messiânicas (Mt 23.15; At 13.43; 8.26-28). 
Possivelmente estes magos tinham conhecimentos de profecias como (Nm 24.17; Is 9 e 
11). Neste periodo, havia uma crença de que quando aparecesse no céu uma nova estrela, esta 
simbolizava o nascimento de um novo rei. Por essa razão, um dos deveres dos magos era estudar 
as estrelas para antecipar a notícia do nascimento de qualquer governante que ameaçasse os 
poderes correntes (Mt 2.2). 
Quanto ao número dos magos: A Bíblia não revela. Todavia, os orientais julgam terem sido 
doze, por causa das 12 tribos de Israel. Outros, sete, por causa do número da perfeição; e outros, 
onze, o número dos apóstolos. 
Desde o século VI d.C. a igreja ocidental estabeleceu: três, por causa da Trindade e, 
também devido ao número dos presentes. 
Vindos do Oriente (Mt 2.1): Os países do Oriente que existiam na época eram: Arábia, 
Pérsia, Caldéia ou Pártia. 
Os possíveis nomes dos magos: Melchior, Gaspar e Baltazar. 
"E o rei Herodes ouvindo isto, perturbou-se..." Herodes era filho de Antípater, um judeu de 
descendência iduméia (é a forma grega do hebraico Edom). Havia tido muita mistura de judeus 
com outras nações (Ed 9.1-2). Herodes com certeza tinha conhecimento das profecias judaicas. 
Ele tinha receio de perder o poder. 
"...E com ele toda a Judéia..." Os judeus temiam o que Herodes poderia fazer contra eles 
num momento de furia. E também estavam na expectativa da possível chegada do Messias tão 
esperado pela nação. 
Nos versículos 4-6, Herodes indaga ao grupo de autoridades judaicas e possíveis 
membros do Sinédrio, onde havia de nascer o Cristo. Responderam-lhe usando Mq 5.2. 
A seriedade com que Herodes encarou os problemas que o menino poderia lhe causar, 
reflete-se nos métodos que adotou para se livrar dele. 
Os questionamentos de Herodes para com os magos tem uma teoria hipócrita em sua 
atitude de indagar o tempo exato em que haviam visto a estrela pela primeira vez, revela-nos sua 
má intenção quanto à matança das crianças, relatada no v. 16. 
A duração da viagem dos magos foi de aproximadamente de 4 a 5 meses (vs. 9-11). Lucas 
não faz referência alguma sobre os magos e tão pouco a fuga para o Egito, ele diz simplesmente 
que após a apresentação, eles retomaram paraa cidade de Nazaré da Galiléia. 
- Os presentes: Com o passar do tempo, os presentes foram considerados como símbolo 
das verdades cristãs: 
(1) OURO: símbolo da realeza de Jesus. Fala de sua humanidade; 
(2) INCENSO: Divindade ou sumo sacerdócio. Fala de sua natureza divina; 
(3) MIRRA: Sofrimento e morte. Fala do caráter do ministério de Cristo. 
O incenso é uma substância resinosa de árvores que crescem na Arábia, Índia e outros 
países, era odorífera. Fonte de riqueza comercial. No passado, era usada em purificação de 
ambientes. Símbolo de oração. 
Mirra é uma substância resinosa de certas árvores da Arábia e partes da África. Usada 
 
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como perfume por muitos e também nos preparativos para o sepultamento. Simbolizava também a 
morte. 
e) O Menino Jesus Levado para o Egito e a Matança dos Infantes (Mt 2.13-18). Egito: 
província romana fora do domínio de Herodes (ele era governador da Palestina). Nesta época, 
muitos judeus residiam no Egito, visto não ser este muito distante da Palestina. 
Não era bastante para José fugir, mas fugir para um lugar seguro. Vemos neste contexto, a 
providência divina e a obediência humana caminhando juntas. Possivelmente José fez uso do 
ouro dado pelos magos para custear a viagem. Cumpriu-se Oséias 11.2. 
- Licão para hoie: Deus sempre nos guia por vias legais e seguras. 
- A matanca dos infantes: para quem matou a própria esposa e filhos, esse fato não foi o 
mais cruel da vida de Herodes. Ele tinha 70 anos quando isto aconteceu. 
A linguagem poética do verso 18 de Mateus, relembra o cativeiro babilônico mencionado 
pelo profeta Jeremias (Jr 31. 15). Sendo Raquel a mãe de Israel, lamentou o cativeiro e agora a 
nação lamenta o massacre dos infantes. Crêem que na cidade de Belém foram mortos 30 a 40 
crianças. 
- Ramá: cidade que distava 8 Km de Jerusalém, onde o povo de Israel foi reunido para ser 
deportado para a Babilônia. 
- Licão para hoie: o preço de uma vida com a qual Deus tem um concerto é superior a 
qualquer valor. 
f) A Volta do Egito para Nazaré (Mt 2.19-23; Lc 2.39). "...tendo morrido Herodes..." (Mt 2.19). 
Muitos crêem que ele morreu logo depois da matança dos infantes. A tradição conta que ele 
morreu com hidropisia (inchaço no corpo) e gangrena (apodrecimento do corpo). 
Pela terceira vez José é avisado de como agir em relação a Jesus (Mt 2.20). "José tomou 
o menino e sua mãe": esta expressão revela que José estava exercendo o papel de guardião de 
sua família como cabe a todo homem. 
A morte de Herodes resultou na divisão de seu reino em 4 partes. No v. 23 mais uma vez o 
anjo instrui a José como proceder. 
NAZARÉ: cidade de Maria (Lc 1.26). Cumpre-se Isaías 11.1. Não há profecia que traz 
literalmente a expressão: ''Ele será chamado Nazareno". Os eruditos entendem que o evangelista 
está jogando com a semelhança verbal entre a palavra NAZÕRAIOS, traduzida NAZARENO, e a 
palavra hebraica NEZER que significa RAMO. 
- Licão para hoje: as circunstâncias estavam fora do controle de José, mas não fora da 
soberania de Deus. 
2.8. Sua Vida em Nazaré 
a) A SUA MENINICE (Lc 2.40). Crescimento tridimensional: 
(1) CORPO: crescia e se fortalecia; 
(2) ALMA: cheio de sabedoria; 
(3) ESPÍRITO: a graça sobre Ele. 
Jesus foi educado como todo menino judeu. Compartilhou de nossa natureza e nossa 
existência (Hb 4.15; 5.2). A fim de podermos compartilhar de sua natureza e vida celestial. 
"...Enchendo-se de sabedoria..." Esta expressão no original, revela uma aprendizagem 
progressiva. Seu desenvolvimento fisico, intelectual e espiritual não foi resultado de um milagre. 
Quanto a sua vida espiritual, como menino, teve de aprender a orar, a confiar e a depender da 
graça de Deus que sobre Ele estava. Seu crescimento, pois, foi normal, equilibrado, completo, 
diante de Deus e dos homens. 
Períodos distintos do crescimento segundo os judeus: 
 
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(1) Aos 3 anos, ocorria o desmame e pela primeira vez era permitido o uso de vestes 
especiais (Nm 15.38-40). Elas deveriam ser usadas em ocasiões especiais. Ex.: nas festas de 
Jerusalém. Eram vestes memoriais, traziam lembranças dos feitos de Deus à nação israelita. 
Neste período, dava-se início a educação da criança. 
(2) Aos 5 anos, a criança começava a aprender a lei mediante o ensino catequético 
(explicação curta e metódica de doutrinas) nas escolas. 
(3) Aos 10 anos iniciava-se o estudo da MISHNA (código das leis cerimoniais). Eram 613 
leis (interpretações) que os judeus acrescentaram, na intenção de explicar a lei (Mt 23.4) 
(4) Aos 12 anos (alguns acreditam ser aos 13), o menino Jesus se tomava filho da lei, 
ficando responsável pessoalmente pela observância das ordenanças(uma espécie de recebimento 
a vida religiosa de Israel, como o nosso batismo aos 11 anos de idade, para a criança participar 
das cerimônias da igreja, tais como: ceia, cantar no coro, nos conjuntos, etc. Dá-se o nome de 
BART MITVAH (filho do mandamento) 
(5) Aos 18 anos poderia iniciar o estudo do GEMARA (coleção mais ampliada das tradições 
e declarações judaicas). 
b) Jesus aos 12 anos assiste a Páscoa e é achado no meio dos Doutores no Templo em 
Jerusalém (Lc 2.41-50) 
Todo varão judeu, a partir dos 13 anos, tinha obrigação de freqüentar o templo 3 vezes por 
ano: na Páscoa, no Pentecostes e na festa dos Tabernáculos. As mulheres não eram obrigadas, 
mas poderiam, se assim o desejassem. 
Era difícil a presença dos judeus em todas as festas, por estarem espalhados por todo 
mundo da época. Entretanto, muitos faziam esforço para irem pelo menos uma vez por ano. 
José e Maria tinham o costume de subirem na Páscoa, festa que comemora a libertação 
da nação do Egito (Ex 12). 
A MISHNA estipulava que o menino deveria ser levado ao templo 1 a 2 anos antes de 
completar 13 anos de vida, de modo que pudesse ser preparado. Talvez fossem estas as 
circunstâncias vividas por Jesus no momento. 
As viagens eram feitas em caravanas e as mulheres seguiam na frente com as crianças 
pequenas, enquanto os homens seguiam atrás com os maiores. É possível que tanto José como 
Maria pensassem que Jesus estava com o outro (Lc 2.44). 
"...passados três dias..." Não significa necessariamente que passaram todo esse tempo 
procurando em Jerusalém. Cremos que estes dias foram computados desde o momento em que 
os pais deram por falta do menino. Isto porque Jerusalém não era uma cidade muito grande, e 
Jesus não estava escondido, mas sim, em lugar de destaque, no recinto do templo, no lugar 
comumente usado para o ensino. 
"...negócios de meu Pai..." Os judeus só usavam este termo acrescentando "DO CÉU", ou 
então no plural "NOSSO PAI". Com a expressão Jesus estava indicando que possuía um 
relacionamento sem igual, Jesus declara pela primeira vez a consciência que estava tendo uma 
revelação de sua missão (tratar dos negócios de meu Pai). José e Maria não entendiam, mas tudo 
havia sido predito pelo anjo (Lc 1.35). Esta é a última referência que Lucas faz a José. 
c) Jesus ainda em Nazaré dos 12 aos 30 anos de idade - O preparo de Jesus foi 
influenciado por várias circunstâncias: 
a) Seu lar; 
b) A Sinagoga 
c) As Escrituras; 
d) Seu trabalho. 
Como homem autêntico, Jesus aprendeu e amadureceu. É provável que José tivesse 
 
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falecido nesse período, ficando Jesus responsável por sua família, sendo o primogênito, pois a 
Mishna estabelecia que o primogênito deveria assumir as responsabilidades da casa, cuidando da 
mãe e dos irmãos, até que os mesmos pudessem assumiras responsabilidades, esta idade do 
primogênito, variava, indo até aos 30 anos de idade do primogênito. 
2.9. Lição I - Referencias em Cadeias de Comando. 
TRINTA ANOS PREPARATÓRIOS 
I - INTRODUÇÃO 
1 - Prefácio do Evangelho de Lucas. 
Lucas 1: 1-4 ( Estudar) 
2 - Prólogo do Evangelho de João. (O Cristo Preexistente) 
João 1: 1-18 
II - PRENÚNCIOS DO NASCIMENTO DE JESUS. 
3 - Duas Genealogias de Jesus (A genealogia em Mateus é de José e a em Lucas talvez 
de Maria). 
Mateus 1:1-17 
Lucas 3 :23-38 
4 - Anunciação do nascimento de João Batista (ao sacerdote Zacarias) em Jerusalém, no 
tempo em 6 ou 7 a.C. 
Lucas 1 :5-25 
5 - O nascimento de Jesus anunciado a virgem Maria (Nazaré em 6 ou 7 antes de Cristo). 
Lucas 1:26-38 
6 - Visita da virgem Maria a Isabel (cântico de Isabel e magnificação de Maria). 
Lucas 1:57-80 
7 - Nascimento de João Batista, profecia de Zacarias e vida de João no deserto (região 
montanhosa da Judéia, durante 30 anos). 
Lucas 1:57-80 
8 - O nascimento de Jesus anunciado a José (Nazaré 5 meses, mais ou menos antes do 
nascimento de Jesus). 
Mateus 1: 18-25 
lII - O NASCIMENTO E INFÂNCIA DE JESUS. 
9 - O nascimento de Jesus 5 a 6 a.C. 
Lucas 2: 1-7 
10 - O nascimento de Jesus proclamado (pelos anjos aos pastores de Belém). 
Lucas 2:8-20 
11 - A circuncisão de Jesus (Belém aos 8 dias de idade). 
Lucas 2: 21 
12 - A apresentação d Jesus no Templo (Jerusalém aos 40 dias de idade). 
Lucas 2: 22-38 
13 - Magos do Oriente visitam o recém nascido Rei dos Judeus (Jerusalém e Belém, talvez 
pouco antes da morte de Heródes). 
Mateus 2: 1-12 
14 - O menino Jesus levado para o Egito e a matança dos infantes em Belém 
 
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(provavelmente em 5 a.C.) 
Mateus 2: 13-18 
15 - O menino Jesus trazido do Egito para Nazaré (talvez no mesmo ano da ida para lá, ou 
no ano seguinte). 
Mateus 2:19-26 
Lucas 2:39 
IV - SUA VIDA EM NAZARÉ 
16 - A meninice de Jesus em Nazaré (talvez em d.C. ) 
Lucas 2:40 
17 - Jesus aos doze anos, assiste a Páscoa e é anunciado no meio dos doutores no 
Templo em Jerusalém (talvez 7 ou 8 d.C.). 
Lucas 2:41-50 
18 - Jesus ainda em Nazaré dos 12 aos 30 anos de idade. 
Lucas 2: 51,52 
2.10. Lição II - Cadeia de Comando 
INÍCIO DO MINISTÉRIO DE JESUS 
V - O COMEÇO DA PREGAÇÃO DO EVANGELHO 
19 - João Batista inicia o seu ministério 
Mateus 3:1-12 (no deserto da Judéia e as margens do rio Jordão). 
Lucas 3: 11-18 (talvez durante 6 meses do ano de 25 ou 26 d. C) 
20 - O Batismo de Jesus (Jordão perto de Betânia 26 ou 27 d.C) 
Marcos 1: 9-11 
Mateus 3: 13-17 
Lucas 3 :21,22 
21 - A tentação de Jesus (região deserto da Judéia talvez 26 ou 27 d. C.) 
Marcos 1.12,13 
Mateus 4:1-11 
Lucas 4:1-13 
22 - Testemunho de João perante a comissão vinda de Jerusalém (Betânia de além-
Jordão. Talvez 26 ou 27 d.C.) 
João 1: 19-28 
23 - João identifica Jesus como sendo o Cordeiro de Deus (Betânia de além-Jordão. 
Talvez 26 ou 27 d.C.) 
João 1:2 9-34 
24 - Os primeiros discípulos de Jesus (Betânia de além...Jordão. Talvez 26 ou 27 d.C.) 
João 1: 35-51 
25 - O primeiro milagre de Jesus (Caná na Galiléia. Talvez 26 ou 27 d. C). 
João 2:1-11 
26 - A primeira estada de Jesus em Cafarnaum (acompanhado de seus parentes e 
primeiros discípulos. Talvez 26 ou 27 d.C.). 
 
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João 2:12 
VI - MINISTÉRIO INICIAL DE JESUS NA JUDÉIA 
27 - Jesus efetua a primeira purificação do templo (Jerusalém. A Páscoa talvez 27 d.C.) 
João 1: 13-22 
28 - A situação de Jesus em Jerusalém durante a primeira Páscoa do seu ministério. 
João 2: 2-25 
29 - Nicodemos em entrevista com Jesus (durante a primeira Páscoa do seu ministério). 
João 3: 1-21 
30 - Os ministérios de Jesus e João em paralelo. (compara-se a atitude de Jesus João 4:1-
13, Judéia e Emon, perto de Salim mais ou menos 27 d. C.) 
João 3.22-36 
VII - RAZÕES PELAS QUAIS JESUS DEIXOU A JUDÉIA 
31- Razões pelas quais Jesus deixou a Judéia 
Mateus 1 :14 
Mateus 4:12 
Lucas 3:19 e 4:14 
João 4:1-3 
32 - Jesus evangeliza a mulher samaritana e a cidade de Sicar (Poço de Jacó e Sicar mais 
ou menos 27 d. C. ) 
João 4: 4-12 
33 - Jesus, chegado a Galiléia é recebido de boa mente pelo povo 
João 4: 43-45 
2.11. Lição III - Cadeia de Comando 
SEU GRANDE MINISTÉRIO NA GALILÉIA 
VIII - O INÍCIO DO MINISTÉRIO GALILEU. 
34 - Os prefácios sinóticos do grande ministério de Jesus na Galiléia. 
Marcos 1: 14,15 
Mateus 4:12,17 
Lucas 4:14,15 
35 - Jesus, estando em Caná, cura em Cafarnaum o filho de um oficial do Rei. 
João 4:46-54 
36 - A primeira rejeição de Jesus pelo povo de Nazaré. 
Lucas 4: 16-30 
37 - Deixando Nazaré, fixa residência em Cafarnaum. 
Mateus 4:13-16 
Lucas 4:31 
38 - Jesus chama definitivamente quatro pescadores e promete fazer deles pescadores de 
homens (junto ao mar da Galiléia perto de Cafarnaum). 
Marcos 1: 16-20 
 
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Mateus 4: 18-22 
Lucas 5: 1-11 
39 -"... Jesus”, pelos seus ensinos ou pela cura de um endemoninhado, causa grande 
admiração em Cafarnaum. 
Marcos 1 :21-28 
Lucas 4:31-37 
40 - Jesus cura a sogra de Pedro e muitos outros. 
Marcos 1:29-34 
Mateus 8:14-17 
Lucas 4:38-41 
IX - CRESCE SUA FAMA E AUMENTA A HOSTILIDADE CONTRA JESUS 
41 - Jesus, acompanhado dos seus quatro discípulos, inicia sua primeira viagem 
eclesiástica pela Galiléia 
Marcos 1 :35-39 
Mateus 4:23-25 
Lucas 4:42-44 
42 - Cura de um leproso; grande excitação popular. 
Marcos 1:40-45 
Mateus 8:2-4 
Lucas 5:12-16 
43 - Apertado pela multidão em Cafarnaum, Jesus cura um paralítico descido pelo telhado 
da casa. 
Marcos 2:1-12 
Mateus 9:1-18 
Lucas 5:17-26 
44 - A chamada de Levi o publicano e o banquete por ele ofertado a Jesus. 
Marcos 2:13-17 
Mateus 9:9-13 
Lucas 5:27-32 
45 - Jesus profere três parábolas em defesa dos discípulos quando criticados por não 
jejuarem. 
Marcos 2:18-22 
Mateus 9:14-17 
Lucas 5:33-39 
46 - Havendo curado um enfermo em Jerusalém por ocasião da Páscoa, Jesus teve que 
defender-se por tê-lo feito no Sábado. 
João 5:1-47 
47 - Os discípulos colhem espigas num Sábado e Jesus os defende. 
Marcos 2:23-28 
Mateus 12:1-18 
 
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Lucas 6:1-5 
48 - Jesus cura num Sábado a mão mirrada de um homem. 
Marcos 3: 1-6 
Mateus 12 :9-14 
Lucas 6: 6-11 
X - JESUS DÁ UM NOVO PASSO: FUNDA UMA ORGANIZAÇÃO E PROCLAMA UM 
CÓDIGO 
49 - Jesus a beira do mar da Galiléia, acompanhado de Hostes volúveis que atestam sua 
larga fama. 
Marcos 3:7-12 
Mateus 12:15-21 
50 - Depois de passar uma noite em oração Jesus escolhe os doze apóstolos. 
Marcos 3: 13-19 
Lucas 6:12-16 
 
51 - No Sermão no Monte, Jesus proclama o código do Reino Messiânico (um lugar plano 
no monte perto de Cafarnaum). 
Mateus 5:1-8:1 
Lucas 6:17-49 
XI - TRANSIÇÃO: JESUS AGE AINDA SOZINHO, EMBORA TENDO CHAMADO OS 
DOZE 
52 - Jesus cura em Cafarnaum o servo de um Centurião. 
Mateus 8:5-13 
Lucas 7: 1-10 
53 - Jesus ressuscita o filho duma viuva na cidade de Naim. 
Lucas 7: 11-17 
54 - Grande questionamento de João o Batista. 
Mateus 11 :2-19 
Lucas 7:18-35 
55 - Jesus lança ais sobre três cidades impenitentes. 
Mateus 11:20-30 
56 - Uma mulher pecadora unge os pés de Jesus em casa de Simão o fariseu. (na 
Galiléia). 
Lucas 7:36-50 
XII - JESUS INTENSIFICA A PROPAGANDA DO REINO, VIAJANDO, CURANDO E 
INSTRUÍNDOPOR MEIO DE PARÁBOLAS 
57 - Jesus na sua segunda viagem pela Galiléia, é acompanhado pelos doze apóstolos e 
por algumas mulheres que o serviam com os seus bens. 
Lucas 8:1-3 
58 - Jesus, acusado pelos fariseus de estarem em aliança com Belzebu, rebate esta 
 
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blasfemia, classificando-a de pecado imperdoável. 
Marcos 3:20-30 
Mateus 12:22-37 
59 - Os escribas e fariseus repugnando os ensinos de Jesus, exigem-lhe um sinal. (ainda 
no mesmo dia na Galiléia). 
Mateus 12:38-45 
60 - A grande família espiritual de Jesus.(ainda na Galiléia). 
Marcos 3:31-35 
Mateus 12:46-50 
Lucas 8: 19-21 
61 - Primeiro grande grupo de parábolas em que Jesus faz frente a oposição dos fariseus e 
instrui os discípulos quanto a natureza e ao crescimento de Reino Messiânico 
Marcos 4:1-34 
Mateus 13:1-53 
Lucas 8 :4-18 
 
62 - Jesus acalma uma tempestade (no mesmo dia). 
Marcos 4:35-41 
Mateus 8:18,23-27 
Lucas 8:22-25 
63 - Jesus cura dois endemoninhados gadarenos. 
Marcos 5:1-20 
Mateus 8:28-34 
Lucas 8:26-39 
64 - Jesus, tendo voltado de Gergesa, ressuscita a filha de Jairo e cura uma mulher. 
Marcos 5:21-43 
Mateus 9:18-26 
Lucas 8:40-56 
65 - Jesus cura dois cegos e um mudo, outra acusação blasfema. 
Mateus 9:27-37 
Lucas 8:40-56 
66 - A última visita de Jesus a Nazaré. 
Marcos 6: 1-6 
Mateus 13:54-58 
67 - Tendo instruído os doze os enviou dois a dois pela Galiléia (esta é sua terceira viagem 
a Galiléia). 
Marcos 6:6-13 
Mateus 9:35 - 11:1 
Lucas 9: 1-6 
 
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68 - A intranqüilidade de Herodes Antipas ao ouvir a notícia dos milagres feitos por Jesus. 
Marcos 6:14-29 
Mateus 14:1-12 
Lucas 9:7-9 
2.12. Lição IV - Cadeia de Comando 
A ÉPOCA DAS RETIRADAS (Um período de instrução especial aos doze) 
69 - A primeira tentativa de retirada e multiplicação dos pães e peixes. 
Marcos 6:30-44 
Mateus 14:13-21 
Lucas 9:10-]7 
João 6:1-14 
70 - Jesus desvia as multidões do propósito de o fazerem Rei. 
Marcos 6:45,46 
Mateus 14 :22,23 
João 6:15 
 
71 - Jesus andando sobre o mar. 
Marcos 6:47-52 
Mateus 14:24-33 
Lucas 9: 10-17 
João 6: 16-21 
72 - Tendo chegado a Genezaré, continua fazendo muitas curas. 
Marcos 6:53-56 
Mateus 14 :34-36 
João 6:16-21 
73 - Jesus ensina em Cafarnaum; o discurso sobre o pão da vida. (na sinagoga em 
Cafamaum). 
João 6:22-71 
74 - Os discípulos acusados de transgredirem as leis cerimoniais. 
Mateus 7:1-23 - 15:1-21 
XV - VIAGEM AO NORTE PELA FENÍCIA E A VOLTA A DECÁPOLIS 
75 - A segunda retirada, na qual vai a região de Tiro e Sidom e cura da filha da Sírio-
fenícia. 
Marcos 7:24-30 
Mateus 15:21 -28 
76 - Jesus prossegue na viagem, rodeando para o norte o leste e o sul até Decápolis, 
curando muitos e fazendo a Segunda multiplicação dos pães e dos peixes. (conserva-se assim 
afastado do território de Heródes Antipas). 
Marcos 7:31- 8:9 
Mateus 15:29-38 
 
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77 - Voltando a Galiléia, Jesus encontra forte oposição da parte dos fariseus e saduceus. 
Mateus 8: 10-12 
Marcos 15:39 - 16:4 
XVI - RETIRADA PARA A REGIÃO DE CESARÉIA DE FILIPE 
(Nessa Segunda viagem ao norte, Jesus se achava no território de Heródes Filipe, a 
nordeste do mar da Galiléia) 
78 - Iniciando a terceira retirada Jesus adverte aos discípulos quanto ao fermento dos 
fariseus e cura um cego em Betsaida. 
Marcos 8: 13-26 
Mateus 16:5-12 
79 - Jesus põe a prova a fé dos discípulos; a grande confissão. 
Marcos 8:27-30 
Mateus 16:13-20 
Lucas 9:18-21 
80 - Jesus previne os discípulos quanto a sua paixão, morte e ressurreição; exorta-os a 
renúncia própria e promete-Ihes que há de voltar em grande glória. 
Marcos 8:31 -- 9:1 
Mateus 16:21-28 
Lucas 9:22-27 
81 - A transfiguração de Jesus (num monte, talvez Hermom. Perto de Cesaréia de Filipe). 
Marcos 9:2-13 
Mateus 17:1-3 
Lucas 9:28-36 
82 - Jesus cura um jovem endemoninhado que os discípulos não puderam curar. 
Marcos 9:14-29 
Mateus 17:14-20 
Lucas 9:37-43 
83 - Voltando secretamente pela Galiléia, Jesus prediz novamente a sua morte e 
ressurreição. 
Marcos 9:30-32 
Mateus 17 :22,23 
Lucas 9:43-45 
XVIII - DE VOLTA DA TERCEIRA RETIRADA, JESUS PASSA ALGUNS DIAS EM 
CAFARNAUM COM OS DOZE, ANTES DE SUBIR A FESTA DOS TABERNÁCULOS 
84 - Jesus paga o sagrado tributo do templo com um estáter encontrado na boca do peixe 
(em Cafarnaum ). 
Mateus 17 :24-27 
85 - Os doze contendem pela preeminência no Reino e Jesus lhe dá uma lição de 
humildade. 
Marcos 9:33-37 
 
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Mateus 18:1-5 
Lucas 9:46-48 
86 - O zelo imprudente de João suscita do mestre lições sobre tropeços. 
Marcos 9:38-50. 
Mateus 18:6-14 
Lucas 9:49,50 
87 - O Espírito de conciliação e perdão com que se deve tratar um irmão ofensor (em 
Cafarnaum). 
Mateus 18:15-35 
88 - Jesus requer renúncia própria de seus seguidores (de viagem na Galiléia). 
Mateus 8: 19-22 
Lucas 9:57-62 
89 - Jesus rejeita o conselho de seus irmãos incrédulos quanto a publicidade de sua obra. 
João 7:2-9 
90 - Jesus, indo a Jerusalém, passa secretamente por Samaria, onde a oposição dos 
Habitantes irrita os discípulos. 
Lucas 9:51-56 
João 7:10 
O MINISTÉRIO NA JUDÉIA 
(Desde a festa dos Tabernáculos até a da Dedicação no ano 29 ou 28 d.C., 
aproximadamente três meses). 
OS ENSINOS DE JESUS POR OCASIÃO DA FESTA DOS TABERNÁCULOS. 
91 - Estando a festa já em meio, chega Jesus e se põe a ensinar no templo, causando 
assim grande sensação. 
João 7:11-52 
92 - O caso da mulher adúltera. 
João 7:53 - 8:11 
93 - Jesus se declara luz do mundo, os fariseus, encolerizados pelas suas pretensões 
messiânicas, travam com ele forte controvérsia e acabam procurando matá-Io. (no templo) 
João 8:12-59 
94 - A cura do cego de nascença (em Jerusalém ao sair do templo). 
João 9:1-41 
95 - A parábola do bom pastor (em Jerusalém durante a festa). 
João 10:1-21 
XIX - MINISTÉRIO NA JUDÉIA FORA DE JERUSALÉM 
96 - A missão dos setenta. (provavelmente na Judéia) 
Lucas 10: 1-24 
97 - Jesus, pela parábola do bom samaritano, interpreta, a lei do amor ao próximo para o 
doutor da lei que o tentava. (provavelmente na Judéia). 
Lucas 10:25-37 
 
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98 - Durante a queixa de Marta, Jesus defende Maria. (em Betânia, perto de Jerusalém). 
Lucas 10:38-42 
99 - Pela Segunda vez Jesus ensina os discípulos a orar. (compare-se Mateus 6:7-12, 
Jesus repete freqüentemente os ensinos ministrados). 
Lucas 11:1-13 
100 - Uma cura sensacional e uma acusação blasfema (confronte-se Mt. 12:38-43). 
Lucas 11: 14-36 
101 - Jesus, estando à mesa de um fariseu, lança veementes ais contra os escribas, 
fariseus e doutores da lei. (provavelmente na Judéia). 
Lucas 11:37-54 
102 - Tendo-se ajuntado muitos milhares de pessoas, Jesus pronuncia um poderoso 
discurso.(provavelmente na Judéia). 
Lucas 12:1-59. 
103 - Jesus aproveita dois acontecimentos contemporâneos e a parábola da figueira para 
ensinar a urgente necessidade de arrependimento (provavelmente na Judéia). 
Lucas 13:1-9 
104 - Jesus, num Sábado, cura uma mulher encurvada e defende o ato diante da crítica do 
príncipe da sinagoga. (provavelmente na Judéia). 
Lucas 13:10-21105 - Jesus, na festa da dedicação, ainda é acussado pelos judeus e retira-se de 
Jerusalém. 
João 10:22-39 
MINISTÉRIO DE JESUS NA PERÉIA 
(Desde a festa da dedicação em 29 d.C. até a semana antes da Páscoa de 30 d.C.) 
XX - O TRABALHO DE JESUS NA PERÉIA ATÉ A MORTE DE LAZARO 
106 - Jesus retira-se de Jerusalém para Betânia de além-Jordão, onde João batizava no 
princípio do seu ministério. 
João 10:40-42 
107 - Depois de certa demora em Betânia, Jesus percorre as cidades e aldeias da Peréia, 
ensinando e caminhando novamente rumo a Jerusalém. 
Lucas 13 :22-30 
108 - Avisado de que Heródes Antipas o quer matar, responde com santa altivez e 
conhecimento de causa. 
Lucas 13:31-35 
109 - Jesus cura no Sábado um hidrópico (provavelmente na Peréia). 
Lucas 14:1-24 
110 - Jesus ensina a uma grande multidão o custo de ser discípulo. 
Lucas 14:25-35 
111 - Três parábolas sobre a graça, a ovelha perdida, a moeda perdida e filho perdido. 
(talvez na Peréia). 
Lucas 15:1-32. 
 
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112 - Duas parábolas sobre mordomia: A do mordomo infiel e a do rico e Lázaro. 
Lucas 16:1-31 
113 - Três virtudes recomendadas, magnanimidade, fé e modéstia cristã. (provavelmente 
ainda na Peréia) 
Lucas 17:1-10 
XXI - O MINISTÉRIO PEREU INTERROMPIDO PELA MORTE DE LÁZARO 
114 - Jesus ressuscita a Lázaro. 
João 11: 1-44 
115 - A trama contra a vida de Jesus. 
João 11 :45,54 
116 - Jesus cura dez leprosos. 
Lucas 17:11-19 
117 - O advento do Reino Messiânico. (Jesus prossegue com as multidões para assistir a 
Páscoa). 
Lucas 17:20,37 
118 - Duas parábolas sobre a oração: A da viúva importuna e a do fariseu e o publicano. 
Lucas18:l-14 
 
XXII - FINAL DO MINISTÉRIO PEREU. 
119 - A questão do divórcio. 
Marcos 10:1-12 
Mateus 19:1-12 
120 - Jesus abençoa algumas crianças de tenra idade. 
Marcos 10:13:16 
Mateus 19: 13: 15 
Lucas 18: 15-17 
121 - O jovem rico suscita de Jesus ensinos sobre o perigoso apego as riquezas. 
Marcos 10:17-31 
Mateus 19:16 - 20:16 
Lucas 18:18-30 
122 - Jesus prediz pela terceira vez sua paixão. 
Marcos 10:32-34 
Mateus 20 17-19 
Lucas 18:31- 34 
123 - A ambição descabida de Tiago e João. 
Marcos 10:35-45 
Mateus 20:20-28 
124 - Jesus cura dois cegos perto de Jericó. 
Marcos 10:46-52 
 
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Mateus 20:29-34 
Lucas 18:35-43 
125 - Jesus visita Zaqueu 
Lucas 19:1-10 
126 - A parábola das dez minas 
Lucas 19: 11-28 
ÚLTIMA SEMANA DO MINISTÉRIO DE JESUS E SUA CRUCIFICAÇÃO 
(Primavera de 30 d.C.) 
XXIII - JESUS TERMINA SEU MINISTÉRIO PÚBLICO 
127 - Cochicham em Jerusalém a respeito de Jesus, e em Betânia procuram-no e a Lázaro 
para o matarem. (talvez Sexta-feira) 
João 11:55;12:1,9-11 
128 - Com a sua entrada triunfal em Jerusalém, Jesus se declara o Messias. (Domingo) 
Marcos 11: 1-11 
Mateus 21 :1-11 
Lucas 19:29-44 
João 12:12-19 
 
129 - A figueira infrutífera amaldiçoada. (Segunda-feira). 
Marcos 11:12-14 
Mateus 21:18,19 
Lucas 19:29-44 
130 - A segunda purificação do Templo. 
Marcos 11:15-19 
Mateus 21;12-17 
Lucas 19:45-48. 
131 - Alguns gregos procuram entrevista com Jesus.(Segunda-feira). 
João 12:20-36 
132 - A figueira infrutífera achada seca. (Terça-feira). 
Marcos 11 :20-25 
Mateus 21: 20-22 
Lucas 21 :37,38 
133 - Jesus responde aos principais sacerdotes e anciãos quanto a autoridade com que 
ele agia. (Terça-feira) 
Marcos 11:27.- 12:12 
Mateus 21:23 -- 22:14 
Lucas 20:1-19 
134 - Jesus responde a seu segundo interrogatório malicioso sobre o tributo. (Terça- feira) 
Marcos 12;13..17 
 
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Mateus 22: 15-22 
Lucas 20:20-26 
135 - Jesus responde ao terceiro interrogatório: sobre a ressurreição. (Terça-feira) 
Marcos 12:18-27 
Mateus 22:23-33 
Lucas 20:27-40 
136 - Jesus responde o quarto interrogatório sobre o primeiro mandamento. (Terça-feira) 
Marcos 12:28-34 
Mateus 22:34-40 
137 - Jesus ainda confunde os inimigos com uma pergunta a respeito dele mesmo.(Terça-
feira) 
Marcos 12;35-37 
Mateus 22:41-46 
Lucas 20:41-44 
138 - Jesus denuncia fortemente os escribas e fariseus no seu último discurso público. 
(Terça-feira). 
Marcos: 12:38-40 
Mateus 23:1-39 
Lucas 20:45-47 
139 - Jesus destaca com louvor a pequena oferta duma viúva pobre. (Terça-feira). 
Marcos 12:41-44 
Lucas 21:1-4 
140 - Jesus é rejeitado pelos judeus. 
João 12:37-50 
XXIV - JESUS A SOMBRA DA CRUZ ESFORÇA-SE NO SENTIDO DE PREPARAR OS 
DISCÍPULOS PARA O QUE HAVIA DE ACONTECER. 
141 - O grande discurso escatológico de Jesus: A destruição de Jerusalém. 
Marcos 13:1-13 
Mateus 24:1-14 
Lucas 21:5-19 
142 - O grande discurso escatológico de Jesus: Transição da destruição de Jerusalém 
para sua Segunda vinda. 
Marcos 13:14-37 
Mateus: 24:15-44 
Lucas 21 :20-35 
143 - O grande discurso escatológico de Jesus: A segunda vinda; galardão e retribuição. 
Mateus 24:25 - 25:46 
144 - Jesus prediz que está próxima a sua crucificação, enquanto membros do Sinédrio 
tramam a sua morte. (Noite de Terça-feira). 
Marcos 14:1,2 
 
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Mateus 26:1-5 
Lucas 22: 1,2 
145 - Jesus ungido para a sepultura numa festa em Betânia. (Noite de Terça-feira). 
Marcos 14: 3-9 
Mateus 26:6-13 
João 12:2-8 
146 - Judas combina com os principais sacerdotes a traição de Jesus (Noite de Terça-
feira). 
Marcos 14:10,11 
Mateus 26:14-16 
Lucas 22:3-6 
147 - A Páscoa: Jesus manda fazer os preparativos (Quinta-feira a tarde) . 
Marcos 14:12-16 
Mateus 26:17-19 
Lucas 22:7-13 
148 - A Páscoa: Jesus a celebra com os doze. 
Marcos 14:17 
Mateus 26:20 
Lucas 22:14-16 
149 - A Páscoa: Jesus resolve a contenda ambiciosa entre os discípulos. 
Lucas 22:24 -30 
150 - A Páscoa: Jesus à mesa com os discípulos, lava-lhes os pés. 
João 13:1-20 
151 - A Páscoa: Jesus prediz a sua traição por Judas. 
Marcos 14:18-21 
Mateus 26:21-25 
Lucas 22:21-23 
João 13:21-30 
152 - A Páscoa: Jesus prediz que Pedro o negará. 
Marcos 14:27-31 
Mateus 26:31-35 
Lucas 22:31-34 
João 13:36-38 
153 - A Páscoa: Jesus dá alguns rápidos ensinos, inclusive o novo mandamento. 
João 13:31-35 
154 - A Páscoa: Jesus dá uma lição enigmática sobre a espada e as coisas materiais. 
Lucas 22:35-38 
155 - A Páscoa: Jesus instrui a ceia memorial. 
 
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Marcos 14:22-25 
Mateus 26:26-29 
Lucas 22: 17-20 
1Co. 11:23-26 
156 - Jesus, o mestre, faz o discurso de despedida aos discípulos. 
João 14:1 - 16:33 
157 - Jesus, o Divino mediador, faz uma grande oração intercessória. 
João 17:1-26 
XXV - SOFRIMENTO E MORTE DE JESUS PELO PECADO DO MUNDO 
158 - Jesus no Getsêmane sofre horrenda agonia. (cerca de meia noite de Quinta-feira 
para Sexta-feira). 
Marcos 14: 32-42 
Mateus 26 :36-46 
Lucas 22:4-46 
João 18:1 
159 - Jesus no Getsêmane é traído, preso e abandonado. 
Marcos 14:43-52 
Mateus 26:47-56 
Lucas 22:47:53 
João 18:2-12 
160 - Jesus sendo processado: Perante as autoridades judaicas diante de Anás, 
interrogado e ferido. 
João 18:13,14,19-23 
161 - Jesus sendo processado: Perante as autoridades judaicas, diante de Caifás diante 
do Sinédrio; interrogado, zombado, esbofeteado e condenado. (na madrugada de Sexta-feira).Marcos 14:53,56-65 
Mateus 26:57 -68 
Lucas 22:54,63-65 
João 18:24 
162 - Jesus sendo processado: Perante as autoridades; negado por Pedro. 
Marcos 14:54,66-72 
Mateus 26:58,69-75 
Lucas 54 :62 
João18: 15-18,25-27 
163 - Jesus sendo processado diante das autoridades judaicas: condenado para ser 
entregue a Pilatos. 
Marcos 15:1 
Mateus 27: 1 
Lucas 22 :66-71 
 
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164 - Jesus sendo processado: sendo ele conduzido a pilatos, Judas roído de remorsos, 
suicida-se 
Mateus 27 :3-10 
Atos 1:18,19 
165 - Jesus sendo processado: perante as autoridades romanas, diante de Pilatos, pela 
primeira vez é interrogado. 
Marcos 15:1-5 
Mateus 27:2,11-14 
Lucas 23:1-5 
João 18:28-38 
166 - Jesus sendo processado: diante de Herodes Antipas, interrogado e escarnecido. 
Lucas 23 :6-12 
167 - Perante as autoridades romanas diante de Pilatos pela Segunda vez, finalmente 
Jesus é açoitado, escarnecido, condenado e sentenciado. (Sextafeira). 
Marcos 15 :6-15 
Mateus 27:15:26 
Lucas 23:13-25 
João 18:39 - 19:16 
168 - Jesus sofre, mal tratado pelos soldados romanos. (Sexta-feira entre 6 e 9 da manhã). 
Marcos 15:16-19 
Mateus 27:27-30 
169 - Jesus sofre pela via dolorosa desde o pretório (Fórum) até o calvário.(antes das 9 da 
manhã). 
Marcos 15:20:23 
Mateus: 27 :31-34 
Lucas 23 :26-33 
João 19:17 
170 - Jesus é crucificado. (das 9 às 12 horas de Sexta-feira). 
Marcos 15:24-32 
Mateus 27:35-44 
Lucas 23:33-43 
João 19: 18-27 
171 - Jesus crucificado (as três últimas horas na cruz; reina a escuridão morrendo Jesus 
as 15 horas.) 
Marcos 15:33-37 
Mateus 27 :45-50 
Lucas 23:44,46 
João 19:28-30 
172 - Jesus morto, ainda pendurado no madeiro; assinalam-se fenômenos sobrenaturais. 
Marcos 15: 38-41 
 
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Mateus 27:51-56 
Lucas 23:45,47-49 
173 - Jesus sepultado no sepulcro novo de José de Arimatéia. 
Marcos 15:42-46 
Mateus 27:57-60 
Lucas 23:50-54 
João 19:31-42 
174 - Jesus sepultado, o sepulcro é oficialmente selado e guardado. (durante 24 horas, isto 
é, da tarde de sexta-feira até o sábado judaico.) 
Marcos 15:47 
Mateus 27 :61-66 
Lucas 23 55,56 
RESSURREICÃO APARECIMENTOS E ASCENSÃO DE JESUS 
XXVI - JESUS RESURGE NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA: O SEPULCRO É 
ENCONTRADO VAZIO. 
175 - O sepulcro é visitado pela primeira vez por algumas mulheres. 
Marcos 16:1 
Mateus 28:1 
176 - O sepulcro descerrado por um anjo durante o terremoto. 
Mateus 28:2-4 
 
177 - Sepulcro é visitado pela segunda vez pelas mesmas mulheres. (Domingo pela 
manhã). 
Marcos 16: 2-4 
Lucas 24:1-3 
João 20: 1 
178 - Jesus ressurreto 
Marcos 16:5-8 
Mateus 28 5-8 
Lucas 24:4-8 
179 - A notícia é contada aos discípulos. 
Lucas 24:9-12 
João 20:2-10 
XXVII - JESUS APARECE AOS FIÉIS CINCO VEZES NO DOMINGO 
180 - Jesus aparece a Maria Madalena. 
Marcos 16:9-11 
João 20:11-18 
181 - Jesus aparece a diversas mulheres. 
Mateus 28:9,10 
 
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182 - O suborno dos guardas pelo príncipe dos sacerdotes para encobrir o fato da 
ressurreição de Jesus. 
Mateus 28:11-15 
183 - Jesus aparece a dois discípulos no caminho para Emaús. 
Marcos 16:12,13 
Lucas 24: 13-33 
184 - Jesus aparece a Simão Pedro (ainda no Domingo) 
Lucas 24:34-35 
185 - Jesus aparece ao grupo de discípulos, Tomé está ausente. 
Marcos 16:14 
Lucas 24:36-43 
João 20:19,20 
XXVIII - JESUS ENCARREGA OS DISCIPULOS DA EVANGELIZAÇÃO DO MUNDO. 
186 - A primeira das comissões finais que Jesus dá aos discípulos. 
João 20:21-23 
187 - Jesus aparece de novo aos discípulos. 
João 20:24 -29 
188 - Jesus aparece a sete dos discípulos. 
João 21 : 1-14 
189 - Jesus reabilita a Pedro. 
João 21:15-17 
190 - Jesus prevê a morte de Pedro e João. 
João 21 :18-23 
191 - Jesus aparece aos discípulos e a uma grande multidão. 
Mateus 28:16,17 
192 - A Segunda das comissões finais que Jesus dá aos discípulos. 
Marcos 16:15-18 
Mateus 28:18-20 
193 - Jesus aparece a Tiago. 
Lucas 24:36 
194 - Jesus aparece pela décima vez dando a terceira das comissões finais aos discípulos. 
Lucas 24: 44-49 
195 - Jesus ressurreto é elevado aos céus. (A ascensão se verificou entre Jerusalém e 
Betânia no fim de 40 dias) 
Marcos 16:19,20 
Lucas 24:50-53 
Atos 1:9-12 
196 - A conclusão do evangelho de João. 
João 20:30,31 - 21:24,25. 
 
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QUESTIONÁRIO 
1. Cite os nomes dos Governadores Romanos no Período de Cristo? 
______________________________________________________________________________ 
2. Que mulheres são mencionadas na genealogia de Cristo? 
______________________________________________________________________________ 
3.Diferencie os Herodianos dos Zelotes. 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
 
4. Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira: 
1 Herodes Antipas Judéia, Samaria e Iduméia 
2 Felipe Auranites e Traconites 
3 Arquelau Galileia e Peréia 
 
5. Completas as Lacunas: 
a) Dos três evangelhos, __________________ é o menos literário 
b) ______________________dá mais atenção do que Marcos aos ensinos do Mestre 
c) Se é que _________________escreveu para os Romanos e ___________________para os 
Judeus, _________________________ por sua vez visava o mundo gentio. 
d) ________________ era contemporâneo de Policarpo, tendo alcançado, como este, os últimos 
anos da vida do _________________________. 
 
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56 
 
 
VVIIIIII.. OO PPRROOPPÓÓSSIITTOO DDOO EEVVAANNGGEELLHHOO 
 
É patente que o propósito do evangelista Mateus é apresentar em ordem a história do 
nascimento, ministério, paixão e ressurreição de Jesus Cristo. Ele agrupa seus fatos a redor de 
cinco grandes discursos de Nosso Senhor: o Sermão da Montanha (Mt 5.1-7.27); a comissão aos 
apóstolos (10.5-42); as parábolas (13.1-53); o discurso sobre a humildade e o perdão (18.1-35); e 
o discurso apocalíptico (24.1-25.46). O evangelista indica esta divisão pela repetição da mesma 
fórmula, ao fim de cada discurso: «E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso...». Os 
trechos que intervêm contam dos milagres e outros acontecimentos que seguem certa ordem, que 
facilita ao leitor fixá-los de memória. O trecho inicial, antes do primeiro discurso (Cap. 1 a 4) 
consiste da narrativa do nascimento e infância de Jesus, o ministério de João Batista, o batismo e 
tentação do Senhor, e uma introdução geral ao seu ministério. O clímax da paixão e ressurreição 
segue logo o último dos cinco discursos. O evangelista cita freqüentemente versículos tirados das 
profecias do Velho Testamento e, de fato, interpreta essas profecias como tendo cumprimento em 
Jesus Cristo; tudo é interpretado de um modo que seria para o judeu palestino do I século prova 
incontestável, a qual a igreja cristã tem adotado. 
Os trechos seguintes são peculiares S. Mateus: a narrativa do nascimento e da infância 
(1.18 a 2.23); a introdução geral ao ministério na Galiléia (4.23-25); a referência a Is 53.4 (8.17); a 
cura dos dois cegos e ummudo endemoninhado e a alusão às ovelhas que não têm pastor (9.27-
38); o convite aos cansados e oprimidos (11.28-30); a referência a Is 42.1-4 (12.15-21); a parábola 
do trigo e do joio e do tesouro escondido, a da pérola de grande valor, e a da rede lançada ao mar 
(13.24-30,34-50); a referência geral ao ministério da cura (15.29-31); a descoberta do dinheiro na 
boca dum peixe (17.24-27); o ensino sobre as crianças e anjos de guarda (18.10-11); os ensinos a 
respeito da reconciliação, oração e perdão (18.15-35); o ensino sobre eunucos (19.10-12); a 
parábola dos trabalhadores na vinha (20.1-16); a parábola dos dois filhos (21.28-32); a censura 
aos fariseus (23); certos trechos do discurso apocalíptico, que é muito mais amplo neste do que 
nos outros Evangelhos sinóticos (24); a parábola das dez virgens (25.1-13); o juízo dos bodes e 
ovelhas (25.31-46); o suicídio de Judas (27.1-10); a ressurreição dos santos (27.52-53); a guarda 
posta ao sepulcro (27.62-66); o boato falso do roubo do corpo de Jesus e a grande comissão 
(28.11-20). 
O evangelista exibe um estilo literário que lhe é peculiar, cuja característica mais notável é 
a falta de pormenores na descrição dos feitos. As narrativas são geralmente sumárias e os 
detalhes se entrosam. Vê-se claramente esta tendência comparando as histórias da cura do 
criado do centurião (8.5-13); e da ressurreição da filha de Jairo (9.18-26), com os trechos 
paralelos em Lucas. A formação e a apresentação de Mateus são fundamentalmente simétricas. 
QUESTIONÁRIO 
1. De acordo com o texto acima qual o propósito do evnagelista Mateus? 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
2. Mateus agrupa seus fatos a redor de cinco grandes discursos de Nosso Senhor, quais são? 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
3. Qual a característica mais notável do estilo literário de Mateus? 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
4. Existe alguma simetria entra a formação e a apresentação de mateus? 
______________________________________________________________________________ 
 
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57 
 
 
 DESENVOLVIMENTO ANALITICO DOS EVANGELHOS 
 
IIXX.. EEVVAANNGGEELLHHOO SSEEGGUUNNDDOO EESSCCRREEVVEEUU MMAATTEEUUSS 
1. O Nascimento e Infância de Jesus Cristo 1.1-2.23 
a) A genealogia de Jesus (1.1-17) 
Livro da geração (1), isto é, sua árvore genealógica. Davi (1). Em descrevendo as origens 
de Nosso Senhor até Davi, vê-se que o propósito era o de mostrar que as promessas feitas a 
Davi, como progenitor do Messias, são cumpridas em Jesus Cristo (ver 2Sm 7.12-16; Sl 89.29,36-
37; Sl 132.11). Abraão (1). Promessas semelhantes foram dadas a Abraão (ver Gn 12.7; 13.15; 
17.7; 22.18 e Gl 3.16). 
Tamar (3). Estrangeira e mulher de moral duvidosa (ver Gn 38). Raaabe (5). Estrangeira 
também e originalmente prostituta (ver Js 2.1; Hb 11.31). Rute (5). Moabita. Ver o livro de Rute 
para sua história. Aquela que foi mulher de Urias (6), isto é, Bate-Seba (ver 2Sm 12.10-24). O 
fato que o texto a descreve nesta maneira sugere uma recordação intencional da sua relação 
ilícita com Davi. 
Salomão (7) é provável que esta genealogia não delineia a descendência natural, a qual 
se encontra em Lc 3.23-38, mas a linha real e legal, em virtude de que Jesus Cristo era herdeiro 
do trono de Davi. Ozias (8), isto é, Uzias (Is 6.1 e 2Cr 26.1), também chamado Azarias (2Rs 
14.21). Três gerações são omitidas aqui (ver 1Cr 3.11-12), a fim de adaptar a genealogia ao plano 
do evangelista (ver vers. 17). Esta prática com genealogias era aceita, e não se admite por isto 
inexatidão. É possível que haja omissões também na primeira e terceira seções da genealogia 
(vers. 2-6,12-16). Jeconias (11), chamado também Joaquim (2Rs 24.8) e Conias (Jr 22.24-28); foi 
privado de descendência sobre o Trono de Davi (Jr 22.30). Desse modo Jesus Cristo não era 
descendente natural dele. A deportação para a Babilônia (11), se refere aos setenta anos do 
cativeiro. 
José, marido de Maria (16). As palavras são escolhidas com muito cuidado para evitar 
qualquer impressão de que José fosse o pai natural de Jesus Cristo. Como esposo de Maria, era 
pai legal, de sorte que o direito ao trono de Davi foi transmitido por ele. O casamento de José e 
Maria teve lugar depois da conceição, mas antes do nascimento de Jesus Cristo. Catorze 
gerações... catorze gerações... catorze gerações... (17). A genealogia foi agrupada 
propositadamente deste modo pelo evangelista, para facilidade de aprendê-la. A palavra grega 
oun, traduzida «de sorte que», implica uma ordem artificial. O sentido da frase é: «isto completa 
as gerações... entre as catorze gerações». 
b) O nascimento de Jesus (1.18-25) 
Desposada (18). Isto quer dizer que já era noiva de José sem ser casada. Infidelidade 
depois do noivado era considerada adultério. Do Espírito Santo (18). A conceição foi operação 
miraculosa de Deus, o Espírito Santo, pela qual «o verbo se fez carne». Não queria infamar... 
intentou deixá-la secretamente (19). Estas duas possibilidades se ofereciam a José, conforme 
as leis e costumes judaicos. Um homem do caráter de José escolheria naturalmente a segunda. 
Projetando ele isso (20). Conhecendo o caráter impecável de Maria, naturalmente ficou perplexo, 
com tal situação. O anjo (20). A intervenção dum anjo não faz a história inverossímil. Foi 
essencial nas circunstâncias, de vez que nenhum esposo acreditaria na veracidade do fato da 
conceição duma virgem, se não lhe fosse revelada de modo sobrenatural. Em sonho (20). Até 
hoje, no oriente, os sonhos são considerados meio importante de revelação divina. Filho de Davi 
(20). Esta é a forma hebraica para expressar «descendente de Davi». Jesus (21). É a forma 
grega do nome hebraico Josué, que significa «o Senhor salva». Ele salvará o seu povo dos 
seus pecados (21), isto é, da culpa e do castigo do pecado, tanto como da sua influência e poder. 
Eis a grande declaração fundamental do evangelho no inicio do Novo Testamento. 
Para que se cumprisse (22). Isto quer dizer que a declaração do profeta fez os 
acontecimentos inevitáveis. Da parte do Senhor pelo profeta (22). Nota-se que o Senhor é o 
autor da profecia. O profeta é o porta-voz. Foi assim que os judeus compreenderam a inspiração. 
A Igreja Cristã aceitou este ponto de vista até o advento do liberalismo do século XIX. Todas as 
 
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58 
 
 
vezes que o texto utiliza a frase «pelo profeta» a tradução mais exata seria «por intermédio do 
profeta». Eis que a virgem conceberá... Emanuel (23). Esta é uma citação da versão grega dos 
LXX, de Alexandria, de Is 7.14. No grego, a frase Deus conosco é tirada da versão dos LXX de Is 
8.8, onde é a tradução da palavra hebraica Emanuel. Esta é a segunda de duas declarações 
importantíssimas a respeito do evangelho, todas as duas no espaço de três versículos (ver nota 
sobre o vers. 21). A segunda revela que Jesus é Deus. Podemos dizer que toda a revelação cristã 
se baseia nestes três versos. 
E não a conheceu (25). Esta descrição conserva perfeitamente o fato do nascimento de 
Cristo pela Virgem. É implícito, entretanto, que, depois do nascimento de Jesus, José e Maria 
coabitavam normalmente. Seu Filho primogênito (25). Estas palavrasnão existem nos melhores 
e mais exatos manuscritos e deviam ser omitidas. Porém, sugerem que Maria tinha outros filhos 
mais novos e pelo menos é prova de que sua presença no texto não constituiu dificuldade na 
aceitação deste fato pelos cristãos da Igreja primitiva. Os nomes dos irmãos do Senhor são 
citados em Mc 6.3. 
c) Os magos do Oriente (2.1-12) 
Belém (1). É a mesma aldeia onde o rei Davi nasceu. Não era a cidade de José e Maria. O 
motivo da sua residência ali é dado em Lc 2.1-5. A aldeia era ao sul de Jerusalém. Judéia (1), isto 
é, a província romana da Judéia, das três províncias palestinas a oeste do Jordão é a que fica 
mais a sul. O rei Herodes (1). Da família Iduméia, era rei, sob os romanos, de toda a Palestina. 
Cognominado geralmente Herodes, o Grande. Os magos, talvez astrólogos pertencentes á 
mesma classe de homens chamados caldeus em Dn 2.2. É provável que vieram da Mesopotâmia. 
Embora existindo muitas lendas a respeito, nada se sabe das circunstâncias da sua viagem, além 
dos pormenores dados neste Evangelho. Aquele nascido Rei dos Judeus (2). Esta frase 
constitui eco das esperanças messiânicas dos judeus. Sua estrela (2). Não há evidência 
suficiente para sabermos se era fenômeno astronômico ou uma manifestação sobrenatural. A 
adorá-lo (2). É patente que os magos já o consideraram como Ser divino. 
Os príncipes dos sacerdotes e escribas (4). Era natural que os magos se referiam aos 
chefes religiosos. Os escribas (heb. sopherim, gr. grammateis) eram os intérpretes oficiais da lei 
mosaica e constituíam uma espécie de ordem de religiosos eruditos. Cristo (4). Tradução grega 
da palavra hebraica Messias. Ambas significam «o ungido». Os reis e sacerdotes judeus eram 
ungidos como sinal de consagração e a cerimônia lhes dava uma santidade especial. E tu 
Belém... meu povo de Israel, (6). Referência a Miquéias (5.2), sem ser citação exata dos LXX, 
nem tradução literal do hebraico. Sem dúvida, os chefes religiosos compreendiam o trecho como 
profecia a respeito do nascimento do Messias e com esta interpretação a Igreja Cristã concorda. 
A casa (11). A santa família não se achava mais no estábulo da estalagem de Belém. 
Visto que este incidente tomou lugar a um tempo indeterminado durante o período de dois anos 
depois do nascimento de Jesus (ver o vers. 16), há possibilidade de que a família estivesse na 
Galiléia. A matança dos inocentes em Belém, por Herodes, numa data posterior foi baseada na 
profecia e não nas informações que lhe foram dadas a respeito do lugar onde o menino Jesus fora 
encontrado. Adoraram (11). Os magos teriam recebido uma revelação ampla a respeito da 
pessoa de Cristo. Dádivas (11). As três qualidades de dádivas são consideradas usualmente 
como símbolos do ofício tríplice de Cristo, como rei, sacerdote e profeta. 
d) A fugida para o Egito (2.13-23) 
O anjo (13), melhor, «um anjo». Herodes há de procurar o menino (13). Se a família 
tinha mudado já de Belém, escapou assim da matança ali. Porém, ainda seria difícil ficar 
escondida, permanecendo na Palestina. A morte de Herodes (15). Ocorreu no ano 4 a. C. Devido 
ao erro no cálculo dos anos da era cristã, que foi adotada só no IV século, esta era começou 
realmente uns 4 a 6 anos depois do nascimento de Cristo. Do Egito chamei o meu Filho (15). 
Citação do hebraico de Os 11.1. No contexto original, o trecho se refere à redenção de Israel do 
Egito pela mão de Moisés. Sua significação oculta, introduzida pelo Espírito Santo, é patenteada 
aqui pelo evangelista. 
Segundo o tempo (16). A implicação aqui é que a visita dos magos teve lugar quando o 
 
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59 
 
 
Senhor tinha quase dois anos de idade. A citação do vers. 18 é tirada em grande parte dos LXX e 
talvez em parte do hebraico de Jr 31.15. O contexto de Jeremias encadeia a promessa da 
ressurreição e restauração das crianças mortas por Herodes a suas mães. Ramá era cidade da 
tribo de Benjamim (ver Js 18.25), cujo território se achava logo ao norte de Jerusalém. Raquel -- 
esposa de Jacó e mãe de Benjamim, serve como símbolo das mães benjamitas. 
A terra de Israel (20), isto é, a Palestina. Arquelau (22). Filho de Herodes, o Grande. Na 
morte de seu pai, em 4 A. C., Arquelau assumiu o poder nas províncias da Judéia, Samaria e 
Iduméia, enquanto os outros filhos de Herodes dividiram os demais domínios restantes entre si. 
Era tirano notório. As partes da Galiléia (22). Das três seções da Palestina, a Galiléia era situada 
mais ao norte. Fizera parte dos domínios de Herodes, o Grande, mas na sua morte não passou a 
Arquelau, mas ao seu irmão Herodes Ántipas, outro filho de Herodes, o Grande. Ántipas não era 
rei, mas tetrarca, título grego que significa «governador da quarta parte».Uma cidade chamada 
Nazaré (23). Situada no centro da Galiléia, nos morros do norte da planície de Esdraelom. Este 
não foi o primeiro contato da sagrada família com Nazaré. Lc 1.26 revela que a virgem Maria 
morava ali. A narrativa dada por Lucas mostra também que ela tinha parentes na Judéia. Em Mt 
13.55, José é chamado «o carpinteiro», traduzido do gr. tekton, que significa tanto «pedreiro» 
como «carpinteiro». Pesquisas recentes revelam que Belém era o centro dum grêmio de pedreiros 
que praticavam sua profissão em todo o país. Este fato pode explicar a conexão que José tinha 
com Belém e Galiléia. É possível que sentiu que, depois do nascimento do Senhor, seu dever era 
ficar em Belém, para Criá-lo ali, mas foi obrigado a mudar de intenção, em consideração aos fatos 
supramencionados. Se ele tinha compromissos em Nazaré, seria a coisa mais natural fixar-se ali. 
Ele será chamado nazareno (23). O evangelista emprega este termo para significar habitante de 
Nazaré. Esta expressão não é citada duma profecia do Velho Testamento; por isso, o modo de 
apresentá-la não é muito positivo. Pode ser que o evangelista se refira à profecia de Isaías a 
respeito de Cristo, como rebento (heb. netser, cfr. Is 11.1). O termo não tem conexão alguma 
como nazireus mencionados em Nm 6. 
2. A Preparação para o Ministério Público de Jesus (3.1-4.17) 
a) O ministério de João Batista (3.1-12) 
Ver notas sobre Mc 1.1-8; Lc 3.1-20. Cfr. Jo 1.6-34. Naqueles dias (1), quer dizer, uns 
vinte e oito ou trinta anos depois dos acontecimentos descritos por último. João Batista (1), filho 
de Zacarias e Isabel e primo de Nosso Senhor, chamado e consagrado desde seu nascimento 
para ser o precursor de Cristo (ver. Lc 1.5-25,57-80). O deserto de Judéia (1). Banda oriental da 
província da Judéia, a leste da serra principal e a oeste do Mar Morto. Não era deserto arenoso, 
mas não permitia cultivo rendoso. Arrependei-vos (2). O sentido radical desta grande palavra 
evangélica significa uma mudança de coração e de pensamento quanto ao pecado. O termo 
«conversão» acentua a mesma mudança na relação com Deus. O Reino dos Céus (2). Esta 
expressão é peculiar a Mateus, que a adota onde os outros evangelistas escrevem «Reino de 
Deus». Explica-se esta diferença na origem e mentalidade judaica de Mateus, de vez que os 
judeus consideravam blasfêmia qualquer referência ao nome de Deus. Por esta razão substituíam 
o termo «Céus». O reino de Deus significava a soberania ou domínio divino que os judeus 
esperavam no reino de Israel, em cumprimento das suas esperanças messiânicas. Utilizando a 
expressão «é chegado o reino», João Batista indicou que o advento de Jesus ia introduzir a nova 
ordem. Voz do que clama no deserto... endireitai as suas veredas (3). Citação dos LXX de Is 
40.3 que confirma que aquela passagem fala profeticamente de João Batista. João era uma 
«voz», o único fim de sua pregação era o de mostrar Jesus Cristo aos homens. Sua tarefa era a 
de preparar o caminho, chamando os homens ao arrependimento, para que pudessem aceitar o 
Senhor. Gafanhotos (4). Alguns pensam que se refere a certa qualidade de feijãodo mesmo 
nome. Entretanto, era uma comida típica do povo, eles comiam gafanhotos. Eram batizados (6). 
O modo de batismo, no tempo de João Batista ou depois, é assunto nunca resolvido por 
expositores e comentaristas. Ver notas sobre Mc 1.4 e Mc 1.9-11. Confessando seus pecados 
(6), não necessariamente a João, mas a Deus. 
Os fariseus (7). A mais importante das seitas religiosas entre os judeus, que apareceram 
no período entre os dois Testamentos. Seu objetivo era acentuar e defender as noções religiosas 
judaicas em oposição ao helenismo, desde que este estava crescendo no Oriente, mercê da 
 
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influência dos reis gregos da casa Selêucida da Síria. O nome é a forma helenística do hebraico 
perushim, «os separados». O nome que adotavam por si mesmos era hasidim, «os piedosos». 
Mantinham uma observância escrupulosa da letra da lei mosaica, mas consideravam a tradição 
rabínica igual às escrituras do Velho Testamento. Saduceus (7). Segunda, em ordem, das seitas 
judaicas, depois dos fariseus; é provável que se originaram como reação àquele partido. É 
possível que o nome se derive do hebraico saddiq, «justos». Ensinavam que a virtude deve ser 
praticada por amor à própria virtude, sem visar a recompensa. Aceitando essa premissa, 
chegaram a negar a existência do mundo futuro. Eram os racionalistas da igreja judaica. 
A ira futura (7), isto é, o dia de juízo. Frutos (8), como evidência de genuíno 
arrependimento. A mensagem do evangelho declara que a participação no Reino de Deus não é 
privilégio de uma só raça ou nação, mas é acessível a todos, mediante o arrependimento e a fé. O 
privilégio dos judeus pertencia somente ao período do Velho Testamento (ver Gl 3.28-29). Estas 
pedras (9), quer dizer, as pedras que estavam ali no chão. O Batista ensinava que a nação 
judaica não possuía mais privilégio perante Deus, por razão de sua descendência de Abraão, do 
que aquelas pedras. E agora... (1). Desta maneira impressionante e vivida é expressa a doutrina 
de Jo 3.18 «já está condenado». O fogo (10). A fogueira que consome o lixo. Cujas alparcas não 
sou digno de levar (11). João se sentia indigno de fazer o menor serviço para o Senhor Jesus. 
Sua conhecida humildade é bem ilustrada em Jo 3.30. Com o Espírito Santo e com fogo (11). O 
Espírito Santo caiu sobre a Igreja no dia de Pentecostes e é acessível a todo crente desde aquele 
dia. É provável que Pentecostes constituiu o batismo vaticinado pelo Batista (ver At 2.33). A 
característica que distingue o crente é que ele é guiado pelo Espírito de Deus (ver Rm 8.14). 
Limpará a sua eira (12). A pá era utilizada para joeirar o grão. Durante o período do evangelho 
este juízo continua, semelhante à separação do trigo e da palha, que corresponde à aceitação ou 
rejeição do evangelho. Terá sua consumação no último dia. Recolherá seu trigo (12). Ver 24.31. 
Fogo que nunca se apagará (12). Aquele fogo queimará até o fim, até que cumpra todo o seu 
propósito (ver. Is 34.10; Jr 7.20; 17.27; Ez 20.47-48). 
b) O batismo de Jesus (3.13-17) 
Ver nota sobre Mc 1.9-11; Lc 3.21-22. Cumprir toda a Justiça (15). Seu batismo era um 
passo necessário para cumprir todos os justos propósitos de Deus. Embora não precisando de 
arrepender-se e não tendo pecado para confessar, Jesus, pelo ato de submeter-se ao batismo, 
ocupou o lugar do pecador. Este ato simbólico ilustrou outro batismo maior (ver 20.22) que o 
esperava no Calvário, onde Ele cumpriu cabalmente a vontade divina, pela qual veio ao mundo 
corno substituto do pecador. (16). Omitido em alguns manuscritos. Viu (16). Parece que Jesus viu 
a pomba, símbolo da paz, mas Jo 1.31-34 mostra que João a viu também. O Espírito de Deus 
(16). Naquele momento sagrado, todas as três pessoas da Santíssima Trindade, eram ou visíveis 
ou audíveis aos sentidos humanos. Não significa este ato que Jesus não era um com o Espírito 
desde seu nascimento, melhor, desde a eternidade. Agora veio o Espírito para revesti-lo de poder 
para seu ministério público. Meu filho amado (7). Isto não quer dizer que o Pai estava 
proclamando que Jesus era seu filho, pela primeira vez, nem que Jesus chegou a compreender só 
naquele momento sua única relação com o Pai. Era cônscio dessa relação desde sua infância (ver 
Lc 2.49). A mesma proclamação foi reiterada pelo Pai na ocasião da transfiguração (17.5). 
c) A tentação de Jesus (4.1-11) 
Ver notas sobre Lc 4.1-13; Mc 1.12-13. Então (1). Imediatamente depois do seu batismo. 
Há uma relação íntima entre o batismo e a tentação. No primeiro, Jesus se dedicou ao caminho 
da cruz. No segundo, o diabo lhe apresentou meios pelos quais Ele podia efetuar seu ministério 
sem ir à cruz. Conduzido pelo Espírito (1). Foi pela expressa vontade de Deus que esta crise se 
produziu na vida de Jesus. Não é que Deus queria ver se Jesus cairia ou não, mas uma 
demonstração da impossibilidade da Sua queda. Ele foi ao deserto (1) porque era preciso 
enfrentar esta terrível prova a sós. 
O diabo (1). Um dos nomes da serpente primitiva do Jardim do Éden, que ocasionou a 
queda do homem (Ap 12.9). É o «príncipe deste mundo» (Jo 16.11), «o príncipe das potestades 
do ar» (Ef 2.2). Nestes dias científicos, alguns acham dificuldade em acreditar na realidade do 
mundo dos espíritos, mas não ofende nosso raciocínio o ensino bíblico quanto ao mundo invisível 
 
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habitado por inteligências que, duma maneira que ignoramos, exercem o poder de sugestão sobre 
nossa mente. Desde Gênesis até o Apocalipse, a Bíblia ensina que o diabo tem personalidade. 
Tendo jejuado (2). A necessidade do jejum não é explicada. Talvez fosse para demonstrar que, 
quando mais fraco fisicamente, o Senhor era capaz de enfrentar e vencer o diabo em toda a sua 
força. O jejum acompanharia um tempo de oração fervorosa. Manda que estas pedras se 
tornem em pães (3). O escopo da tentação era maior do que um simples apelo à fome. Parece 
que havia a sugestão que pudesse evitar a cruz, tornando-se um reformador social popular. Está 
escrito (4). Cada vez que foi tentado, o Senhor se apoiou na Escritura, dando exemplo 
fundamental do uso «da espada do Espírito» (ver Ef 6.17). Não só de pão viverá o homem... (4). 
Citação dos LXX de Dt 8.3. A citação serve para indicar que o homem sente necessidade tanto 
espiritual como material e que, conseqüentemente, o primeiro dever de Jesus era o de pregar a 
palavra de Deus. A palavra «só» indica que as necessidades materiais não haviam de ser 
completamente esquecidas. Não era então incoerente quando Nosso Senhor operou prodígios 
como o sustento dos cinco mil (14.13-21). 
O transportou (5). Sem duvida, em pensamento, por sugestão. Ver o vers. 8. A cidade 
santa (5). Esta frase ocorre duas vezes neste Evangelho e nenhuma vez nos outros três. Talvez 
indique que o Evangelho fosse dirigido aos habitantes de Jerusalém. Pináculo (5). É provável que 
seja referência ao terraço da ala do templo. Lança-te daqui (6). A tentação era a de impressionar 
as massas com milagres. Está escrito (6). O diabo sabe citar a Escritura quando lhe convém. 
Entendemos que a Escritura, que era conhecida de Jesus, veio a sua memória, e a tentação 
consistiu em sua aplicação errônea. A citação dos LXX de Sl 91.11-12. É notável que este Salmo, 
o único trecho da Escritura citado pelo diabo, promete, nos versículos que se seguem, a vitória 
sobre ele. Não tentarás o Senhor teu Deus (7). Citado dos LXX de Dt 6.16. Neste caso, tentar a 
Deus quer dizer obrigá-Lo a evitar o desastre. Um homem podia pôr a mão no fogo e queixar-se 
que Deus não evitou que se queimasse. Um monte muito alto (8). O fato de não existir montanha 
alguma de onde se possa ver o mundo inteiro prova queestas experiências eram subjetivas. 
Tudo isto te darei (9). Em diversos lugares a Bíblia revela que o diabo é responsável pelo 
governo dos impérios mundiais. Me adorares (9). Aqui a tentação era evitar a cruz e estabelecer 
um reino pela força, um procedimento que teria tido muita aceitação dos judeus, que assim 
entendiam o reino. Satanás (10). O nome em hebraico significa adversário. Satanás é o advogado 
de acusação contra os filhos de Deus, nos tribunais do céu. Quanto a seu nome, ver Ap 12.9. 
Quanto a sua atividade, ver 1Cr 21.1; Jó 1.2 e Zc 3. Ao Senhor teu Deus adorarás... (10). 
Citação dos LXX de Dt 6.13. Estabelece um dos princípios fundamentais da religião. 
d) A residência de Jesus em Cafarnaum (4.12-17) 
João estava preso (12). Para circunstâncias de sua prisão e morte, ler 14.1-12. A cidade 
de Cafarnaum, onde Jesus foi habitar nessa época, era colônia romana, perto do Mar da Galiléia e 
o centro do Governo romano na Galiléia. Zebulom e Naftali (13). As regiões limítrofes são 
mencionadas em Js 19.10-16,32-39. A citação nos vers. 15 e 16 é adaptada dos LXX de Is 9.1-2. 
Grande luz (16). Cfr. Lc 2.32; Jo 8.12 e 12.46. Arrependei-vos (17). O Senhor continuou a 
mensagem de João Batista. Cfr. 3.2 e 10.7. 
3. O Começo do Ministério Público (4.18-25) 
a) A chamada dos quatro discípulos (4.18-22) 
Ver nota sobre Mc 1.16-20; cfr. Lc 5.1-11. Simão, chamado Pedro (18). As prováveis 
circunstâncias da mudança do nome se encontram em Jo 1.42; cfr. Mt 16.18. Eu vos farei 
pescadores de homens (19). Esta promessa é ligada à primeira de todas as chamadas do 
Evangelho, o que sugere que a tarefa principal do cristão, no mundo, é ganhar outros para Cristo. 
Consertando (21), ou, talvez preparando as redes para pescar. Deixando imediatamente o 
barco e seu Pai (22). Seguir a Jesus às vezes significa o abandono da profissão e separação da 
família. A chamada do Evangelho requer lealdade absoluta. 
b) Um ministério de pregação e de curas (4.23-25) 
Nas suas sinagogas (23). Salões, nas cidades provinciais, onde as congregações dos 
judeus se reuniam para oração e louvor, no sábado, e para instrução e administração da justiça, 
 
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nos outros dias da semana. Seu uso começou nos dias de Esdras e Neemias. O Evangelho do 
Reino (26). As boas notícias que o Reino de Deus já ia estabelecer-se. Curando todas as 
enfermidades (23). Nosso Senhor cumpriu este ministério de curas pelo motivo de pura 
compaixão, em cumprimento da profecia, e assim evidenciou suas credenciais como o Messias. 
Síria (24). Província romana ao norte da Palestina. Endemoninhados (24). O estado de ser 
possuído por demônios era comum no tempo de Nosso Senhor. A natureza do caso é misteriosa, 
mas ainda existe em certos países pagãos e alguns consideram que certos casos nos manicômios 
das nações civilizadas podem ser atribuídos a este mal. Não obstante as objeções dos 
racionalistas, o crente na Bíblia só pode aceitá-lo como fato, como fez o Senhor. Esta obra não é 
adequada para tratar do assunto satisfatoriamente. Decápolis (25). Comarca de dez cidades 
gregas, a maior parte estando a leste do Jordão e atingindo, no Norte, até Damasco. A frase 
«além do Jordão» significa o distrito de Peréia, que é a Gileade do Velho Testamento. 
4. Primeiro Discurso: O Sermão da Montanha 5.1-7.29 
A forma abreviada deste sermão se encontra em Lc 6.20-29. É bem provável que os 
ensinos do sermão fossem repetidos em diversas ocasiões. 
a) O caráter cristão (5.1-12) 
Subiu (1). O fim de subir seria de evitar as multidões e estar a sós com os discípulos para 
ensiná-los. Ver Lc 6.17 n. Bem-aventurados (3). «felizes». Os pobres de espírito (3). Alusão a 
Is 57.15. No início, o Evangelho apela aos que compreendem sua necessidade e estão prontos a 
depender de outrem para as necessidades da vida espiritual. O vers. 4 refere-se a Is 61.3 e Sl 
126.5. Refere-se aos que estão convictos do pecado ou que lamentam a condição pecaminosa do 
mundo. Tem também sua aplicação para os cristãos que sofrem perseguição ou desprezo por 
causa de sua fé. O conforto nos é dado agora no coração e será manifesto abertamente no 
mundo vindouro. A palavra eles, nos vers. 4-9, é enfática. Os mansos (5), isto é, os altruístas. A 
palavra herdarão (5) indica uma posição na família de Deus. A terra (5). «A nova terra em que 
habita a justiça» (2Pe 3.13), cfr. Sl 37.11. Os limpos de coração (Sl 24.4; 51.10; 73.1). Deus 
requer a pureza na alma, o que é somente possível por meio do novo nascimento. Verão a Deus 
(8). Agora pela fé, mais tarde face a face (cfr. Jo 14.9; 1Jo 3.2). Os pacificadores (9). O primeiro 
sentido é que estes são os que efetuam a paz entre Deus e o homem, por meio de Cristo, pela 
proclamação aos homens da reconciliação do evangelho. Há também referência aqui à paz 
estabelecida entre homem e homem. Os vers. 10-12 não deixariam os ouvintes em dúvida quanto 
à atitude do mundo para com o evangelho. O Novo Testamento sempre representa o cristão como 
alvo de possível perseguição. 
b) Testemunho cristão (5.13-16) 
No original dos vers. 13 e 14, a palavra vós é enfatizada. A utilidade mais evidente do sal é 
a de conservar da corrupção. Vós sois a luz do mundo (14), refletindo a luz que iluminou o 
coração. Ver vers. 16 e cfr. Jo 8.12 e 2Co 4.5-6. Alqueire (15). Toda casa possuía essa medida. 
Candeia (15), melhor, «castiçal». Glorifiquem (16). Dá a idéia de render louvor a Deus. 
c) A relação entre o evangelho e a lei (5.17-48) 
A lei (17). Termo comum entre os judeus para a primeira das três divisões das Escrituras 
hebraicas, isto é, os cinco livros do Pentateuco. Contudo, o termo tinha, às vezes, um uso mais 
amplo (ver vers. 18). Os profetas (17). Esta referência é propriamente à segunda das divisões 
das Escrituras hebraicas, que consiste nos livros de Josué a 2Reis e de Isaías a Malaquias. Mas, 
quando Nosso Senhor emprega as palavras «a lei ou os profetas» é bem provável que se refere a 
todo o Velho Testamento (cfr. 7.12). Jesus cumpriu cabalmente a lei, em Sua vida, pela 
observação constante de seus preceitos; em Seus ensinos, pela pregação da ética do amor que 
cumpre a lei (Rm 13.10) e em Sua morte, pela satisfação de suas exigências. 
Jota (18). A letra hebraica é yod, a menor do alfabeto. O til era um pequeno sinal como a 
cedilha, cuja presença em certas palavras podia alterar o sentido. A lei, aqui, seria uma referência 
a todo o Velho Testamento, Nosso Senhor apresenta nesta passagem um conceito muito sublime 
da inspiração bíblica e indica claramente que o evangelho é baseado no Velho Testamento. O 
menor no reino dos céus (19). Não é possível concluir se o Senhor se refere aqui aos que não 
 
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têm valor no reino e que nele nunca entrarão ou se está indicando que haverá diferenças de 
posição e galardão entre os salvos no estado final. Ver 18.1-6. A primeira alternativa talvez seja a 
mais provável. Se a vossa justiça não exceder (20). Nestes termos o Senhor aponta a 
necessidade de honestidade e realidade na vida espiritual. Entrareis no reino dos céus (20). 
Sinônimo de receber a vida eterna (ver Jo 3.16). Não matarás (21). O sexto mandamento do 
decálogo, citado dos LXX de Êx 20.13. O grego do original refere-se somente à vida humana. Réu 
de Juízo (22). Quer dizer, comparecer perante a assembléia local que se reunia na sinagoga e 
que era sujeita ao grande concílio dos setenta, o Sinédrio, em Jerusalém. Qualquer que se 
encolerizar (22). Nosso Senhor ensina que o pecado é realmente cometido no coração antes de 
ser exteriorizado. Aos olhos de Deus essa ofensa é a mesma como a do homem que mata. A lei 
mosaica podia refrear as ações externas. Jesus, tratando como coração corrupto do homem, 
transforma-o (ver Rm 8.3-4). Neste sentido, sua ética cumpre a lei, porque soluciona o problema 
básico, permitindo, assim, que a lei se cumpra. Sem motivo (22). Omitido em diversos 
manuscritos. Raca (22). «Néscio», expressão hebraica de desprezo (ver 2Sm 6.20). Sinédrio 
(22). O grande concílio dos setenta. O Senhor menciona essa suprema autoridade para indicar a 
enormidade da ofensa. Louco (22). Tradução da palavra grega more. É mais provável que a 
palavra original fosse a hebraica moreh, expressão de condenação, cujo uso significaria um ódio 
mortal. Fogo do inferno (22), gr. ten geennan tou pyros. Geena é a forma helenizada do nome 
do Vale de Hinom, em Jerusalém, onde fogueiras queimavam continuamente o lixo da cidade. 
Ilustra bem a perdição final. 
Tua oferta (23). Refere-se ao sacrifício dado a Deus, de acordo com a lei mosaica. Vai 
reconciliar-te primeiro (24). Deus não pode receber nem o culto nem a pessoa daquele que não 
vive em perfeita comunhão com o seu próximo. Concilia-te depressa (25). Os princípios severos 
enunciados nos vers. 25-26 têm sua expressão ainda mais forte em Mt 6.14-15 e Mt 18.23-25. 
Não cometerás adultério (27). Sétimo mandamento do decálogo, tirado dos LXX de Êx 
20.14. O adultério é o ato de coabitar maritalmente com a mulher de outrem. Na Bíblia, este termo 
nunca se refere exclusivamente à infidelidade do marido para com sua esposa. Qualquer que 
atentar numa mulher para a cobiçar (28). É patente que o Senhor não condena aqui a atração 
natural entre os sexos, mas o olhar licencioso, talvez com referência especial às mulheres 
casadas. Em seu coração (28). A sede do pecado. As ações iníquas têm sua origem no coração 
corrupto. Como no caso do sexto mandamento, a lei mosaica julga apenas os atos exteriores, 
enquanto Jesus trata do motivo interior. Escandalizar (29), isto é, servir de cilada. Este sentido da 
palavra original deve ser lembrado no momento da tentação. Arranca-o e atira-o (29). Custe o 
que custar, o pecado há de ser extirpado. A linguagem dos vers. 29 e 30 fornece uma ilustração 
impressionante. Tua mão direita (30). A mão simboliza a ação, enquanto o olho representa o 
desejo. 
Qualquer que repudiar sua mulher (31-32). O vers. 31 repete resumidamente a instrução 
dada em Dt 24.1. Em contraste com Moisés, Nosso Senhor proíbe absolutamente o divórcio. No 
Seu ensino sobre o mesmo assunto em 19.3-9, se vê que a provisão mosaica se acomodava à 
natureza caída do homem. De vez que Jesus veio com o propósito de transformar a natureza 
humana, Ele repudia tal acomodação e restaura o quinhão primitivo. A não ser por causa da 
prostituição (32). Muitas vezes esta frase é mal compreendida. A infidelidade da parte da mulher 
não constitui motivo legítimo para divórcio e, então, não pode ser considerada como motivo para a 
proibição absoluta de Mc 10.11 e Lc 16.18. Não há, porém, contradição alguma entre estes três 
trechos. Prostituição (não adultério) refere-se à infidelidade da parte da mulher antes do 
casamento. Caso fosse descoberta depois do casamento, as palavras do Senhor obrigam o 
homem a repudiar a mulher, porque aos olhos de Deus, o casamento era nulo. O escritor destas 
linhas crê que a Escritura ensina que toda mulher pertence, pelas leis da natureza estabelecidas 
por Deus, ao primeiro homem com quem tenha relações sexuais e que qualquer cerimônia de 
casamento com outrem, celebrada durante a vida daquele homem, constitui adultério. Faz que ela 
cometa adultério (32), isto é, apresenta-a publicamente no papel de uma mulher adúltera. 
Consoante este ensino, o marido que se divorciasse de sua esposa declararia abertamente que 
ela teria pertencido a outrem antes de casar com ele. Não perjurarás (33). Esta exortação 
abrange as leis mencionadas em Êx 20.7; Lv 19.12; Nm 30.2. De maneira nenhuma jureis (34). 
 
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É a proibição contra qualquer juramento. A lei mosaica introduziu o juramento, sob condições bem 
definidas, como proteção contra a desonestidade do coração humano. Mas o Senhor veio 
transformar o coração do homem, de sorte que o juramento não é mais necessário. Ele pode 
restaurar o quinhão primitivo e, assim, proíbe por completo o juramento e cumpre plenamente o 
propósito da lei. Ver Tg 5.12. Nem pelo céu... nem pela terra (34-35). Citação de Is 66.1. 
Jerusalém (35). Neste Evangelho a cidade capital ocupa um lugar significativo. A cidade do 
Grande Rei (35). Frase tirada do Sl 48.2. Jerusalém, na Palestina, ainda desfrutava desta 
prerrogativa até a morte e ressurreição do Senhor. Agora existe a nova Jerusalém (Gl 4.26). É de 
procedência maligna (37). A necessidade de juramento tinha sua origem na natureza 
pecaminosa do homem, como no caso do divórcio supra, sendo a lei impotente para remediar a 
situação (Rm 8.3). Olho por olho... (38). Citação dos LXX de Lv 24.20, é a lei de retaliação. 
Servia não tanto como mandamento, permitindo que a pessoa injuriada exigisse o máximo direito 
perante os juízes, antes que estes guardassem dentro dos seus limites legais a vingança do 
pleiteando. Que não resistais ao mal (39). Outra tradução: «que não resistais ao homem mau». 
A lei mosaica de retaliação ilustra a justiça e juízo inerrantes de Deus. O Senhor manda que uma 
injúria não há de ser repelida. O escritor interpreta este ensino, tomando como base moral desta 
exortação o fato que Ele satisfez cabalmente, no Calvário, todo e qualquer requerimento da lei, 
cumpriu toda a justiça, endireitou todo o mal e, na sua própria pessoa, sofreu toda vingança e 
retribuição. Sua ética de não resistência é ligada indissoluvelmente a sua morte expiatória. Se Ele 
não tivesse satisfeito uma vez para sempre a justiça divina, tal ética não teria base moral. Se a 
ética de justiça e retidão, em distinção ao amor e não-resistência, fosse mantida depois do 
Calvário (como muitos ainda praticam e ensinam), o resultado seria uma negação da obra 
consumada por Cristo. Obrigar (41). Referência à prática romana de fornecer um sistema postal, 
obrigando os membros da população civil a carregar as cartas. 
Amarás o teu próximo (43). Ver Lv 19.18. Aborrecerás o teu inimigo (43). Esta última 
frase não existe no Velho Testamento, mas expressa seu espírito, por exemplo, Dt 23.6. Amai os 
vossos inimigos (44). O mandamento chamando ao amor existia em Lv 19.18, mas é patente do 
contexto que sua aplicação entre os israelitas era limitada. No evangelho, não há mais separação 
entre os homens (Gl 3.28; Cl 3.11). Remove-se, então, esta limitação e o mandamento tem uma 
aplicação universal. O Novo Testamento ensina que sua aplicação é internacional (Lc 10.25-37), 
social (Tg 2.1-9) e pessoal (Rm 8.10). Filhos (45). Dando implicação de semelhança. A 
regeneração é moral. Publicano (46), gr. telonai, significando «cobradores de impostos», 
traduzido inexatamente, na Vulgata, publicani, daí «publicanos». Os publicani eram realmente 
funcionários que ofereciam em leilão os impostos de diversas regiões de um país. Os funcionários 
subordinados vendiam novamente o direito de cobrança aos agentes locais, que exploravam ao 
máximo o povo. Estes cobradores eram considerados traidores pelos judeus, e seu nome 
representava tudo o que é vil. Que fazeis de mais? (47). A implicação contida nesta pergunta é o 
segredo da ética cristã. O amor faz mais do que sua obrigação. Publicanos (47). Uma versão 
alternativa dá ethnikoi «gentios». O termo dá a entender que estes não possuem concerto divino 
e não se pode esperar deles coisa melhor. Sede vós pois perfeitos (48). Adaptado de Lv 19.2. O 
argumento é que o crente deve ser guiado pelo quinhão perfeito da ética do evangelho, em 
contraste com o nível menos elevado da lei. 
d) Esmolas, oração e jejum (6.1-18) 
Esmolas (1). Também pode ser traduzido «justiça». Para serdes vistos (1). Refere-se 
aos fariseus e suareligião hipócrita. Já receberam seu galardão (2); tendo agora seu galardão, 
irão sentir falta no futuro. Não saiba a tua mão esquerda... (3). Quer dizer, esconde tais atos 
mesmo dos amigos mais chegados. Publicamente (4). Omitido em algumas versões. 
Hipócritas (5). O sentido literal dá a entender atores. A palavra não significa 
necessariamente impostura intencional. Descreve uma religião exteriorizada e ritualista. O vers. 6 
é uma adaptação dos LXX de 2Rs 4.33 e Is 26.20. Não useis de vãs repetições (7). Refere-se a 
muitas rezas formais adotadas pelos fariseus, que pouco importavam com sua significação. 
Vosso Pai sabe (8). Alguns textos dizem Deus Vosso Pai. A oração não consiste em dar a Deus 
informações a respeito de nossas necessidades. 
 
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Vós orareis assim (9). Ver nota sobre Lc 11.1-4. Neste trecho paralelo de Lucas, lemos 
«quando orardes dizei» (Lc 11.2). A oração que segue serve como modelo e como oração a ser 
repetida. Pai nosso (9). Somente um filho de Deus, uma pessoa que nasceu de novo, pode fazer 
uso corretamente desta oração. Santificado (9), isto é, considerado com toda a reverência santa. 
Teu nome (9). Subentende o caráter ou essência de Deus, e que Ele realmente é. Venha o teu 
reino (10). O reino virá quando o último inimigo estiver destruído, à volta do Senhor (ver 1Co 
15.24-28). Assim na terra como no céu. Cumprir-se-á «nos novos céus e nova terra» (cfr. 2Pe 
3.13). Cada dia (11), gr. epiousion. Esta palavra é desconhecida fora de seu uso aqui e no trecho 
paralelo de Lucas. Não significa «cotidiano». Os teólogos não concordam ainda se significa para 
hoje ou para amanhã. Ver Lc 11.3 n. Dívidas (12). Todo pecado constitui uma dívida perante 
Deus. Como nós perdoamos (12). O perdão divino não é concedido por perdoarmos aos outros 
e o perdão humano deve imitar o divino. Não nos induzas... (13). A mesma idéia ocorre em Lc 
21.36. Teu reino... amém (13). Esta frase é omitida em alguns textos. Constitui uma afirmação de 
fé completando assim a oração. 
É notável que a única frase na oração, que merecesse comentário especial de Nosso 
Senhor, é aquela que trata do perdão (14-15). Como em Mc 11.21-26, a ética de amor e de 
perdão é inseparável da justificação pela fé. Para aceitar a graça de Deus livremente, com 
consciência pura, é imprescindível compreender que Cristo sofreu a pena de pecado na cruz. Isto 
significará que nunca mais podemos insistir sobre o castigo de outrem ou a retribuição do mal, 
mas deveremos mostrar o amor e o perdão a todos livremente. Compare-se Mt 18.32,35. Quando 
jejuardes (16). No contexto, há uma conexão entre o jejum e a oração e aquele, como esta, é 
uma prática secreta entre o indivíduo e seu Deus. 
e) Advertência contra preocupações mundanas (6.19-34) 
Cfr. Lc 12.13-21,33-34. Aí estará também o vosso coração (21). Quando o coração está 
nos céus, todo o ser se consagra aos interesses de Cristo. Os olhos (22). Representam aqui os 
interesses, desejos, ambições e o que prende nossa atenção. A frase significa que estas coisas 
representam todo o caráter do homem. Bons (22). Inteiramente entregues aos interesses de 
Cristo e ao serviço de Deus. Se os teus olhos forem maus (23). Quer dizer, quando o espírito se 
preocupa com coisas más. Para a expressão «olho maligno», ver Dt 15.9; Pv 28.22. Se porém a 
luz que em ti há são trevas... (23). Uma descrição gráfica do coração que não responde às 
coisas de Deus. Não podeis servir a Deus e a Mamom (24). É impossível manter uma atitude 
ambígua. Não há terreno neutro na guerra espiritual. O serviço que não é devotado não é 
realmente o serviço de Deus. Mamom é palavra aramaica que significa «riquezas» e, neste 
contexto, representa o dinheiro e interesses mundanos. Não andeis cuidadosos (25) ou, não 
sejais preocupados. Cfr. Lc 12.22-31. Vida (25) é o gr. psyche, «alma». A palavra «alma», na 
Bíblia, tem um sentido diferente do atual, que é derivado da filosofia de Platão. O uso bíblico 
origina-se do hebraico nephesh, que quer dizer personalidade ou ego. Às vezes se refere à vida 
natural do eu, em contraste com a vida espiritual, ver Hb 4.12. A alma é o centro das emoções e 
dos apetites. Em toda a Bíblia, o comer e o beber são considerados como função da alma, como 
aqui. Olhai (26), ou estudai. Poderá acrescentar um côvado (27). A frase é difícil. A palavra 
grega helikia, traduzida «estatura», deve ser «idade». O côvado é aproximadamente meio metro; 
então, se fosse questão de estatura, seria necessário empregar um termo como «meia polegada». 
Uma interpretação da passagem é que ninguém passa, nem por meio metro, o determinado fim da 
jornada de sua vida. 
Olhai (28), ou estudai, como no vers. 26. Salomão em toda a sua glória (29). Quanto a 
sua vida, ver 1Rs 1-11; 1Cr 28; 2Cr 9. Os pormenores de sua glória são relatados em 1Rs 10.4-7. 
Buscai primeiro o reino de Deus... (33). Eis uma das frases fundamentais mais características 
deste Evangelho. Buscar o reino de Deus quer dizer confiar de entrar nele pessoalmente e, então, 
convidar outros. A justiça de Deus é aquela perfeita justiça de Cristo que Ele imputa a todo 
crente (ver Rm 3.21-22). Todas estas coisas vos serão acrescentadas (33). «Estas coisas» se 
refere principalmente às necessidades da vida, mencionadas nos vers. 25 e 31, que tão facilmente 
se tornam a maior preocupação do homem. Os gentios (32). Estão citados aqui como exemplo 
daquela atitude mundana e profana. Deus garante o sustento material de todos quantos 
cumprirem as condições ditadas por Ele e, muitas vezes, provê ainda mais (vers. 30). Em 
 
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consideração deste fato, o cristão não deve preocupar-se com o futuro, como o vers. 34 indica. O 
presente lhe dará uma suficiência de dificuldades e tentações. 
f) Perfeitas relações para com o próximo (7.1-12) 
Cfr. Lc 6.37-42 com os vers. 1-5. Não julgueis (1). Ou, não façais críticas. Não é para 
apontarmos responsabilidades nem discriminarmos, em nossa atitude para com os outros, mas 
devemos tratar a todos, especialmente os inconversos, com perfeito amor. Porém, dentro da 
família e dentro da igreja existe um julgamento que é legítimo (ver 1Co 5, especialmente os vers. 
3,12-13). Aqui, o Senhor estabelece um princípio geral. O vers. 2 concorda com 6.14-15, ver 
notas. Argueiro (3) ou cisco. Trave, ou tábua. O exagero é propositado, para dar ênfase ao 
ensino. O vers. 6 seria uma advertência contra a pregação irrefletida do evangelho. É preciso ter 
cuidado em discernir a vontade de Deus quanto às pessoas a quem deveríamos testificar. O 
mesmo ensino se encontra em Pv 9.7-8; 23.9. Os vers. 7-8 constituem uma das mais notáveis 
promessas do Novo Testamento, quanto à oração. Cfr. Lc 11.9-13. Se vós, pois, sendo maus 
(11). Aqui o Senhor confirma a doutrina do pecado original. Boas coisas (11). O trecho paralelo 
em Lucas substitui «o Espírito Santo» (Lc 11.13). O vers. 12 proclama o grande princípio, «a lei 
dourada». É a manifestação, na prática, do amor cristão. Na palavra inicial «portanto», vê-se a 
conexão entre uma perfeita relação entre Deus e o homem e do homem para com seu próximo. A 
bondade de Deus, que dá as boas coisas àqueles que lhas pedirem, exige que este princípio seja 
posto em prática, como conseqüência lógica. Esta é a lei e os profetas. Cfr. Rm 13.8-10. Ver 
também Mt 5.17 n. 
g) A chamada do evangelho (7.13-23) 
Estreita (13). A porta é estreita devido ao fato de que, na vida cristã, não há lugar para 
coisa alguma que não represente devoção singela à causa do Mestre e dedicação total do homem 
e de todos os seus bens àquele fim. A exclusão de interesse próprio e a separação do mundo com 
seus cuidados e diversões tornam aporta e o caminho estreitos. Espaçoso (13). Cômodo para a 
multidão. Vida (14). Aqui, como em inúmeros casos na Bíblia, é o contraste de perdição (13). São 
os dois destinos do homem. Poucos (14). Aqui encontramos um dos mistérios da providência 
divina cuja verdade é provada na experiência, em cada geração sucessiva da raça. É a minoria 
que alcança a salvação. Na sua totalidade, porém, haverá «uma grande multidão» (Ap 7.9). 
Falsos profetas (15). Estes são os que ensinam o erro e que pretendem autoridade divina 
para seus ensinos. Vestidos como ovelhas (15). Quer dizer, apresentando-se como verdadeiros 
cristãos e talvez pensando que o são de fato. Lobos devoradores (15). Pelo seu zelo em desviar 
os homens do caminho da salvação, eles os destroem com sua propaganda falsa. Por seus 
frutos os conhecereis (16). Muitos que ensinam erros têm uma vida exterior exemplar. São 
reconhecidos, todavia, não pela conduta, como pelo ensino. Corta-se e lança-se no fogo (19). 
Eles serão cortados da igreja de Cristo e, finalmente, destruídos na segunda morte. 
Nem todo... entrará no reino dos céus (21). Mesmo nesse período de ministério de 
Nosso Senhor, haveria muitos fazendo uma profissão pública de discípulo, embora insinceros e 
interesseiros. É possível ter uma relação com Jesus Cristo que não seja a que proporciona a 
salvação. É o grande perigo de uma profissão sem possessão. Aquele que faz (21). Uma vida de 
serviço e santidade é a única prova final de genuína regeneração. Naquele dia (22). O dia do 
juízo. Não profetizamos nós em teu nome? (22). Alusão a Jr 14.14; 27.15. É possível ocupar 
uma posição de destaque e responsabilidade na igreja de Cristo e ser enganado a respeito de sua 
própria salvação. Este fato explica muita história cristã. Expulsamos demônios (22). O mesmo 
fato é verdade no caso de reformadores moralistas. Muitas maravilhas (22) - gr. dynameis, 
«obras poderosas». Homens de grande influência e poder não escapam desta condenação. Direi 
(23) - gr. homologeso, «admitirei» ou «confessarei». Apartai-vos de mim, vós que praticais a 
iniqüidade (23). Citação do Sl 6.8, sendo a maior parte dos LXX. A conduta pecaminosa 
evidencia um coração irregenerado. 
h) Aceitação ou rejeição do evangelho (7.24-27) 
Cfr. Lc 6.46-49. E as pratica (24). Como no vers. 21, o tema principal é sempre a 
obediência. A rocha (24). Cfr. 1Co 3.9-11. A parábola descreve o contraste entre a perdição 
 
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eterna do falso e a estabilidade e triunfo final do verdadeiro. Cfr. as duas casas, a da sabedoria e 
a da tolice de Pv 9. 
i) O efeito do sermão (7.28-29) 
Concluindo Jesus este discurso (28). Todos os cinco discursos em que se baseia este 
Evangelho terminam com esta fórmula. Ver. 11.1; 13.53; 19.1; 26.1. Consultar também a nota a 
respeito das origens do Evangelho na Introdução. A multidão (28). Nesta referência ao povo e 
também aos escribas, no vers. 29, vê-se a implicação duma diferença de atitude entre o povo e 
seus dirigentes. Ver Jo 7.47-49. Tendo autoridade (29). Era patente que Ele era Mestre nesses 
assuntos e não se interessava na mera repetição de interpretações tradicionais da lei. Não como 
os escribas (29). A interpretação comum é que Jesus não era da mesma classe como os 
escribas. Existem, porém, certas indicações de que Jesus era, de fato, considerado como escriba 
e, neste caso, as palavras significam «não conforme ao modo geral dos escribas». Certos textos 
gregos acrescentam a palavra auton, que daria o sentido de «seus escribas». No caso de ser 
parte do texto original, esta interpretação, seria a correta. Caso não fosse, o fato de ser 
intercalada em outra versão indica, pelo menos, que, nos tempos primitivos ou a primeira 
interpretação era considerada autêntica, ou que se impôs no texto. 
5. Os Milagres 8.1-9.34 
a) A purificação do leproso (8.1-4) 
Ver notas sobre Mc 1.40-45; Lc 5.12-14. Podes tornar-me limpo (2). Conforme a lei de 
Moisés, a imundícia cerimonial era aplicável aos casos de lepra. Ver Lc 13, especialmente Lc 
13.45-46. Jesus tocou-o... (3). Por tal gesto notável normalmente se tornava imundo 
cerimonialmente o agente. Porém, no caso de Jesus, Ele purificou o leproso pelo contacto. Olha 
não o digas a alguém (4). Há diversas interpretações desta ordem de Jesus, que Ele manifestou 
em outras ocasiões também. Provavelmente Ele não queria atrair a multidão por meio de milagres 
somente, nem tão pouco apresentar-se no papel de um pregador popular, fazendo propaganda 
com curas miraculosas. Mostra-te ao sacerdote (4). Em obediência à lei mosaica (ver Lv 13). 
Apresenta a oferta que Moisés determinou (4). As instruções mosaicas para a purificação do 
leproso, que tipificam a redenção de Cristo encontram-se em Lv 14.2-32. Para lhes servir de 
testemunho (4), isto é, como evidência ao sacerdote que o leproso foi curado. 
b) A cura do criado do centurião (8.5-13) 
Uma narração mais completa deste milagre é dada em Lc 7.2-10 (ver notas). Centurião 
(5). O posto de centurião era entre sargento e tenente, que correspondia a subtenente e era de 
muita responsabilidade. Criado (6) - gr. país, lit. «rapaz». Esta palavra tinha diversos sentidos, 
como no português, às vezes significando menino e outras, criado. Paralítico e violentamente 
atormentado (6). Não significa necessariamente que sentia muita dor. O centurião, 
respondendo, disse (8). O centurião não assistiu pessoalmente como se vê no trecho paralelo de 
Lc 7.1-10. A resposta foi dada por intermédio de mensageiros. Uso semelhante da palavra 
«disse» se acha em 11.3. Criado (9). Aqui significa escravo. Maravilhou-se (10). Uma indicação 
da perfeita humanidade de Cristo. Tanta fé (10). O centurião compara Jesus a si mesmo, no 
sentido de que Ele está sob autoridade. Indica assim que crê que Jesus tem todo o poder de 
Deus a seu dispor, e que sua palavra será obedecida incontinenti, mesmo em questões de doença 
e de morte. Do oriente e do ocidente (11). Citação dos LXX do Sl 107.3. Cfr. também Is 49.12; 
59.19; Ml 1.11. O Senhor se refere à entrada dos gentios no reino, mercê do evangelho, e à vasta 
assembléia final, quando Ele voltar. Assentar-se-ão (11) - lit. reclinar-se-ão à mesa. Os antigos 
tomavam as refeições reclinados num divã, apoiados no cotovelo esquerdo. O Senhor pinta o 
quadro oriental de um grande banquete para ilustrar o mundo vindouro, não somente aqui como 
nas parábolas das bodas (Mt 22.1-14) e da grande ceia (Lc 14.15-24). Filhos do reino (12). Os 
judeus, a quem o reino pertencia em realidade. Trevas exteriores (12). Quer dizer a perdição, a 
segunda morte. Ali haverá pranto e ranger de dentes (12). A palavra ali é enfática. A frase 
alude ao Sl 112.10. Como creste (13). A nossa fé é sempre a medida da bênção almejada. 
c) A cura da sogra de Pedro (8.14-17) 
Ver notas sobre Mc 1.29-34; cfr. Lc 4.38-41. Jazendo (14). No chão, num colchão de 
 
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palha. Serviu-os (15). Este pormenor é incluído para chamar a atenção à natureza imediata e 
completa da cura. Expulsou os espíritos (16). Esses espíritos eram maus, diabólicos. Tais seres 
pertencem a outro mundo invisível, cuja natureza e características ignoramos, apesar do 
progresso científico. Ver notas em 4.24 n. e 9.32 n. 
Com a sua palavra (16). Melhor, «com uma palavra». Ele tomou sobre si as nossas 
enfermidades e levou as nossas doenças (17). Esta citação, tirada do hebraico de Is 53.4, é 
importante pela razão que estabelece o sentido da primeira frase desse verso. Refere-se ao 
ministério de curas e não ao Calvário. A frase não está bem traduzida nos LXX. Mc 5.30 e Lc 8.46 
dão a entender que as curas feitas pelo Senhor custaram-lhe caro, fisicamente. 
d) O preço do discipuladoe uma tempestade apaziguada (8.18-27) 
Ver notas sobre Mc 4.35-41; Lc 8.22-25; 9.57-62. Ordenou que passassem (18). Muitas 
vezes o Senhor desejou evitar as massas, para estar a sós com Deus ou com os discípulos. Um 
escriba (19). Quase sempre os escribas são mencionados no plural. Mestre... eu te seguirei 
(19). Tais palavras têm uma significação tanto espiritual como literal. Ver Ap 14.4. Mestre, lit. 
«professor». É notável que o Senhor não faz do discipulado uma coisa fácil, mas exige que cada 
um pague o preço. O Filho do homem (20). O título que o Senhor adotava com mais freqüência 
quando falava de Si mesmo. Talvez se origine em Dn 7.13, onde o título leva uma significação 
messiânica. Na visão de Daniel, o reino do Filho do homem segue os remos dos quatro animais 
grandes e os substitui. Nas escolas apocalípticas, no tempo do Senhor, o título era aplicado ao 
Messias. Outro de seus discípulos (21). Por isso concluímos que aquele que achou dificuldade 
em aceitar Cristo incondicionalmente era um discípulo professo. Sepultar meu pai (21). Significa 
que desejava ficar em casa até a morte de seu pai. Deixa aos mortos sepultar os seus mortos 
(22). Uma resposta difícil. Temos que deixar, em certo sentido, o mundo aos que são do mundo, 
para que sigam a vida comum do mundo e nos dediquemos à tarefa urgente do reino. Notem que 
a chamada de Cristo há de ter precedência sobre todos os deveres da vida, inclusive os da 
família. Ver Mt 10.37 n. Tempestade (24). Gr. seismos, «perturbação». Seus discípulos (25). 
Mais exato «eles». Os melhores textos omitem também a palavra «nos» de «salva-nos». Temeis 
(26) -- gr. deiloi, «covardes». 
e) A cura dos endemoninhados gergesenos (8.28-34) 
Ver notas sobre Mc 5.1-20; Lc 8.26-39. Gergesenos (28). Melhor, gadarenos. Gergesa era 
uma cidade da banda oriental do mar da Galiléia, cujo sítio consta ser o de algumas ruínas 
descobertas recentemente, de nome Kersa. A cidade pertencia ao distrito de Gádara, tendo o 
mesmo nome como o de uma das cidades de Decápolis. Tanto a cidade como o distrito de 
Gádara formavam parte da maior região administrativa de Gerasa, cujo centro era a cidade de 
Gerasa, em Gileade. Dois endemoninhados (28). Somente Mateus faz menção de dois 
endemoninhados; os trechos paralelos dos outros evangelistas sinóticos falam de um apenas. 
Uma possível explicação é que o caso de um deles era mais notável devido a sua conversação 
com Cristo e testemunho subseqüente naquela região. Assim seria provável que ele seria o único 
dos dois sobre quem os evangelistas Marcos e Lucas tinham informações. Mesmo se o 
evangelista Mateus não tivesse assistido à cura, e sua chamada é narrada no cap. 9, ele era 
íntimo daqueles que testemunharam este duplo feito. Ver notas sobre 20.30; 21.7. Que temos 
nós contigo (29) -- gr. ti heimin kai soi. O sentido é «o que há de comum entre nós». A pergunta 
expressa ressentimento com a intromissão. Atormentar-nos antes do tempo (29). No Novo 
Testamento a palavra grega basanisai não se limita ao uso primitivo de «torturar», mas tem o 
sentido mais amplo de «causar sofrimento ou perda de qualquer maneira». É notável que os 
espíritos malignos sabem que a futura retribuição os espera. Uma grande manada de porcos 
(30). Estes animais eram imundos pelas ordenanças da lei mosaica. Era proibido aos judeus 
possuí-los. Toda aquela manada se precipitou... e morreu (32). Este é o único milagre em que 
Nosso Senhor destruiu vida animal. Não é fácil compreender porque Ele cedeu ao desejo dos 
demônios. Pode ser que o princípio, neste caso, seja que os que desobedecem com 
conhecimento de erro, como no caso dos porqueiros, privam-se da proteção divina e se expõem à 
vontade das forças maléficas. Talvez sirva como exemplo aos que tentaram a Deus (Sl 78.41). 
Ver Mc 5.11-13 n. Rogaram-lhe que se retirasse (34). O incidente terminou em tragédia. O povo 
 
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preferiu seus negócios ao Salvador. 
f) A cura do paralítico (9.1-8) 
Ver notas sobre Mc 2.1-12; Lc 5.17-26. Entrando no barco passou (1). Jesus nunca fica 
onde não é bem-vindo. Sua cidade (1). Cafarnaum. Ver Mc 4.13. Vendo a fé deles (2). A fé ativa 
traz benefícios para outros. Perdoados te são os teus pecados (2). Jesus atendeu primeiro à 
necessidade espiritual do homem, sendo maior do que sua necessidade física. Ele blasfema (3). 
A suposta blasfêmia consistiu na pretensão de perdoar pecado. Jesus, sem ser informado, sabia 
instintivamente, em seu coração, o que era a natureza dos pensamentos ímpios deles. E fez uma 
pergunta aguda. Não houve resposta e, de fato, não era fácil responder. Pode ser que os 
escribas, que consideravam Jesus como enganador pensassem mais fácil dizer insinceramente 
«perdoados te são os teus pecados», visto que não se observaria resultado exterior. Tal atitude 
daria a entender que é mais fácil restaurar fisicamente do que espiritualmente. Outra resposta 
seria que ambas as coisas são fáceis com Deus. Maravilhou-se (8). Os melhores textos dizem 
«teve medo». 
g) A vocação de Mateus (9.9-13) 
Ver notas sabre Mc 2.13-17; Lc 5.27-32. Na alfândega (9). Era um abrigo na rua, onde os 
cobradores de impostos, sentados, recebiam as taxas e emolumentos. Em casa (10). Gr. en te (i) 
oikia(i). Podia significar a casa de Jesus, mas os outros sinóticos mostram que a casa era de 
Mateus (Mc 2.15; Lc 5.29, onde o gr. eu te (i) oikia(i) autou, «na casa dele»). A única 
interpretação possível que se apresente no Evangelho de Mateus é que o dono da casa era o 
mesmo escritor deste Evangelho. É parte da evidência interna que Mateus é o autor do 
Evangelho. Publicanos (10). Ver. 5.46 n. Sãos (12), gr. «fortes». Misericórdia quero e não 
sacrifício (13). Citação dos LXX de Os 6.6. E não (13). Quer dizer «em preferência a». O mesmo 
princípio foi enunciado por Samuel na conhecida passagem de 1Sm 15.22. O mesmo trecho 
recebe um novo refulgor de glória enquanto Jesus o interpreta à luz da salvação para os 
pecadores. Os justos (13). O uso da palavra é irônico e se refere aos que se justificavam a si 
mesmos. A escritura declara «não há um justo nem um sequer», Rm 3.10. Ao arrependimento 
(13). Os melhores textos omitem estas palavras; entretanto, sua omissão deixa uma lacuna. 
h) O jejum (9.14-17) 
Ver nota sobre Mc 2.18-22; Lc 5.33-39. Muitas vezes (14). Alguns textos omitem estas 
palavras. O ensino de Nosso Senhor é que o jejum não é um fim em si mesmo e há de ser 
praticado somente nas circunstâncias convenientes. O jejum dos fariseus formava parte daquela 
justiça que o Senhor acabou de condenar (ver vers. 13). Os filhos das bodas (15). Os convivas. 
Enquanto o esposo está com eles (15). Enquanto continuavam as festividades das bodas, que 
às vezes ocupavam alguns dias. Lhes será tirado o esposo (15). Jesus refere-se aqui à sua 
própria morte e ascensão. Os vers. 16 e 17 anunciam o princípio que Jesus Cristo veio 
estabelecer uma dispensação inteiramente nova, que de modo algum se adaptaria aos moldes da 
antiga economia judaica. O império da lei tem de ceder para que a graça tenha lugar. Pano novo 
(16). Pano cru. Odres (17). Sacos feitos de pele, muito usados no Oriente para transportar 
líquidos. O processo de fermentação do vinho novo rebentaria odres velhos que teriam perdido 
sua elasticidade. 
i) A cura da mulher que tinha um fluxo de sangue e a ressurreição da filha de um governador 
(9.18-26) 
Ver notas sobre Mc 5.22-43; Lc 8.41-56. Um chefe (18). Um juiz. Sabemos dos outros 
sinóticos que seu nome era Jairo. Adorou (18). O ato é sugestivo, por sua compreensão da 
divindade de Jesus. Faleceu agora (18). Os outros Evangelhos contam que a filha de Jairo estava 
moribunda quando o pai chegou e como, na volta para casa, encontrou mensageiros informando 
que ela morrera. Mateus combina as duas fases numa só. 
Ficarei sã (21) - gr. sothesomai, «serei salva». O usodo verbo «salvar», num caso de 
restauração física, facilmente faz-nos entender que tais milagres têm o fim de ilustrar a 
restauração espiritual. Filha (22). Era costume um rabi dirigir-se assim a uma mulher. Tua fé te 
 
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salvou (22). Ver nota supra. O incidente é uma ilustração notável da fé em ação. 
O vers. 23 descreve a situação comum numa casa oriental, onde haja morte. Eram pagas 
pessoas para lamentarem o falecido. Os instrumentistas tocavam flautas. A menina não está 
morta, mas dorme (24). O Senhor quis dizer que sua morte se tornara um sono passageiro 
devido ao fato que, dentro em breve, ia ressuscitá-la. Pegou-lhe na mão (25). Talvez fez isto para 
que não se assustasse pelo despertar brusco. 
j) A cura de dois cegos e um mudo (9.27-34) 
Cfr. 12.22-23; 20.30-34. Ver também Lc 11.14-26. Filho de Davi (27). Naquela época, 
usava-se este termo falando-se do Messias. A casa (28). Talvez na casa de Jesus em 
Cafarnaum, ou na casa de Mateus, como no vers. 10. Credes vós... (28). Aqui, como nos outros 
milagres, é a necessidade de fé que é sublinhada. Olhai que ninguém o saiba (30). Ver nota 
sobre 8.4 e, para o vers. 31, cfr. Mc 1.45; 7.36. É bem possível que essa desobediência dificultou 
o ministério do Senhor, atraindo a seu lado muita gente sem fome espiritual, assim contribuindo 
para a necessidade de ensinar por meio de parábolas (ver cap. 13). 
O vers. 33 salienta uma conexão entre os espíritos malignos e a incapacidade física. O 
príncipe dos demônios (34). Satanás. Ver 12.24-37. 
6. A Missão dos Doze 9.35-10.4 
Ver notas sobre Mc 3.13-19; Lc 6.12-19. Como ovelhas que não têm pastor (36). Citação 
de Nm 27.17. As palavras seguem, com certa divergência, os LXX. Ver também Ez 34.5. Os vers. 
37-38 constituem uma das passagens missionárias mais importantes do Novo Testamento. Cfr. Lc 
10.2; Jo 4.35-38. 
Poder sobre os espíritos imundos (1). Autoridade sobre os demônios. Apóstolos (2). 
Gr. Apostolon. No original a palavra não goza da significação especial que lhe foi dada no 
decorrer da história cristã, mas apenas «missionários». Os doze, que são chamados pelo termo 
mais comum de discípulos, no vers. 1, aqui são denominados apóstolos em virtude da comissão 
especial que lhes fora cometida. Notem que os nomes dos doze são agrupados aos pares, o que 
bem podia corresponder à organização dada pela sua missão. 
O primeiro, Simão (2). O nome de Pedro se encontra no primeiro lugar em todas as 
quatro listas dos doze, (cfr. Mc 3.16; Lc 6.14; At 1.13). Nos Evangelhos e nos Atos ele é o mais 
destacado dos doze e provavelmente era o líder natural entre eles. Não se segue, porém, que sua 
liderança jamais tenha sido transmitida a seus sucessores. Bartolomeu (3). Geralmente é 
considerado idêntico a Natanael, de Jo 1.45-51. Lebeu, apelidado Tadeu (3). Os melhores textos 
citam apenas «Tadeu». Lucas dá-lhe o nome Judas (6.16; At 1.13). Simão Cananita (3). Não 
quer dizer que habitava em Canaã. Simão era outrora membro do partido nacionalista, cujos 
membros se chamavam «zelotes» (hebraico qanna, daí o gr. kananaios, «cananeu», termo mais 
exato). O partido tinha resistido a Herodes, o Grande, e estava prestes a opor-se a qualquer 
governo estrangeiro pela força das armas. Era como o «Maquis». Judas Iscariotes (4). O nome 
Iscariotes pode significar membro da tribo de Issacar ou habitante de Queriote (Js 15.25), ou 
aquele que levava a bolsa (do aramaico secariota, «bolsa»), ou aquele que foi estrangulado (do 
hebraico iscara, «estrangulação»). A segunda hipótese é a mais provável. 
7. Segundo Discurso. A Comissão dos Doze 10.5-11.1 
Ver nota sobre Mc 6.7-13; Lc 9.1-6. Pelo caminho das gentes (5). Havia, na Galiléia, 
cidades gregas que seguiam uma vida separada dos judeus. Os apóstolos haviam de limitar-se às 
cidades dos judeus. Os samaritanos (5). Eles ocupavam a região central da Palestina, entre a 
Judéia e a Galiléia. Eram descendentes dos povos orientais importados pelos assírios, depois da 
destruição do reino israelita no norte, que se misturaram com os nativos israelitas. Desde o tempo 
de Neemias, eram inimigos ferrenhos dos judeus. Cfr. Jo 4.9. A casa de Israel (6). Nem no Velho 
Testamento, nem no Novo, limita-se este termo somente às dez tribos do norte. É chegado o 
reino dos céus (7). Esta era a mensagem tanto de João Batista (ver 3.2 n.) como de Jesus 
(4.17). Cintos (9). A dobra do cinto servia como bolso para guardar dinheiro. Túnicas (10). Gr. 
chitônas, túnica exterior semelhante à toga romana. Bordão (10). Cfr. Mc 6.8, que dá a entender 
que havia apenas um bordão entre dois. Parece que o Senhor não queria que fossem como 
 
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viajantes comuns. Digno é o operário do seu alimento (10). Eles haviam de depender das 
ofertas e da hospitalidade daqueles a quem iam pregar. Estas palavras são citadas em 1Tm 5.18, 
na forma dada por Lucas. 
Procurai saber (11). No Oriente, era tão comum oferecer hospitalidade que muito 
provavelmente receberiam muitos convites para serem hospedados; entretanto, eles não deviam 
aceitar hospedagem da parte dos que rejeitassem sua mensagem. Saudai-a (12). A saudação 
comum era «paz seja convosco», o que explica o vers. 13. Sacudi o pó dos vossos pés (14). 
Este ato simbólico significava rejeição e condenação. Nem o pó da cidade ímpia havia de 
permanecer em contacto com eles. Em verdade (15) -- gr. amen, transliteração da palavra 
hebraica para ,«em verdade», que dava ênfase ao que segue. Sodoma e Gomorra (15). A 
história da destruição destas cidades se encontra em Gn 19. Ver também Ez 16.49-50; Jd 7. 
Aplica-se este ensino a Cafarnaum, em Mt 11.23-24. O vers. 16 se refere à mansidão e à vida 
exteriormente indefesa dos cristãos em face dos seus inimigos no mundo. Prudentes como as 
serpentes (16). Cfr. Gn 3.1, a frase revela quão necessária seria a sabedoria, de vez que a 
serpente era universalmente considerada a mais prudente de todos os animais. A natureza 
daquela virtude seria bem diferente, como a seguinte frase indica. Vê-se o exemplo desta 
sabedoria na prática, em 1Co 9.19-23. É sugestivo que estas qualidades deviam manifestar-se em 
face da terrível oposição que haviam de encontrar. Com o vers. 17, cfr. Mc 13.9-13; Lc 12.11-12; 
21.12-19. Vos será ministrado (19). O vers. seguinte revela que isto seria pelo ministério pessoal 
do Espírito Santo. O irmão (21). O grego omite o artigo definido. Os filhos se levantarão (21). 
Esta frase é um resumo de Mq 7.6. Por causa do meu nome (22). Porque pertencem a Mim. 
Aquele que perseverar até o fim será salvo (22), isto é, que perseverar numa vida de fé. 
Alguns têm interpretado a última parte do vers. 23 no sentido de que o Senhor se referia a 
um encontro com os apóstolos, mais tarde, no Seu ministério. Porém, esta interpretação não 
consoa com a noção dada neste Evangelho e em todo o Novo Testamento, a respeito da vinda do 
Filho do homem. Parece que este trecho difícil amplia a comissão apostólica, que se refere aqui a 
circunstâncias puramente locais, para incluir a obra missionária da igreja universal em todos os 
séculos. Como fato histórico, ainda é verdade que existem judeus que precisam do Evangelho e 
que estão dispostos a aceitá-lo. No vers. 24, o Senhor ensina aos discípulos que se ocupem do 
mesmo trabalho com que Ele se ocupou, não esperando melhor tratamento do que o que Ele 
mesmo recebeu. Belzebu (25) -- gr. Beelzeboul ou Beezeboul. O nome refere-se a um demônio 
e é, provavelmente, um termo de desprezo para Satanás. A origem do termo não é conhecida. A 
primeira parte do vocábulo vem do hebraico baal, «senhor». Talvez a segunda se derive do 
hebraico zebul, «casa». Assim, Satanás seria chamado «senhorda casa» (dos demônios). Este 
sentido concorda bem com o contexto. Outros têm achado uma conexão com o nome Baal-
Zebube, «senhor das moscas», divindade pagã mencionada em 2Rs 1. Neste caso, a mudança da 
consoante final para «l» sugere o hebraico zebel, «esterco» ou «lixo». 
Não temais... (28). A pior coisa que nossos inimigos podem fazer é destruir a vida 
corporal, o que não impede a bendita ressurreição para a vida eterna. A Deus, porém, pertence o 
poder da «segunda morte», que é eterna destruição. Alma (28). Personalidade ou entidade 
pessoal. O contraste aqui feito é entre este mundo e o que há de vir. Inferno (28). Geena, 
sinônimo da segunda morte. Ver vers. 5.22 n. Ceitil (29) -- gr. assariou. A moeda romana «asse», 
que valia no tempo de Nosso Senhor a décima sexta parte de um denário, tendo hoje o valor de 
cinco cruzeiros ou menos. Sem vosso Pai (29). Sem que Ele se interesse. 
Me confessar (32). Testificar que pertence a Mim. No final de contas, o discipulado 
secreto é impossível. Como se vêem nos vers. 34 e 39, esta confissão pública de fé em Cristo 
acarreta divisão e conflitos, primeiramente na vida da família. Ver o trecho paralelo de Lc 12.49-
53. A mensagem angélica de «paz na terra», que foi proclamada quando Jesus nasceu, não tem 
seu cumprimento exterior neste mundo. Cumpre-se, agora, no coração e caráter daquele que crê, 
mais perfeitamente, no mundo vindouro, na «nova terra». Espada (34). Apto símbolo da divisão, 
assim interpretada por Lc 12.51. Os vers. 35-36 são uma citação de Mq 7.6, traduzida do 
hebraico, que leva a influência dos LXX. O vers. 37 ensina que todo homem deve escolher entre 
as obrigações muito íntimas para com os parentes mais chegados e as de Cristo. Cfr. Mt 15.4. ver 
Lc 14.26 n. Digno de mim (37). Idôneo para meu serviço. Os vers. 38-39 repetem-se em 16.24-
 
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25. Ver também Mc 8.34-35; Lc 11.23; 14.26-27; Jo 12.25. Não toma a sua cruz (38). Esta é a 
primeira menção da cruz no Evangelho, bem como no Novo Testamento. Era costume o 
condenado carregar sua cruz até o lugar da execução. Há muita evidência de que o Senhor já 
antecipara a maneira de sua morte. Estas palavras são o ponto culminante da sua advertência 
aos apóstolos, que sua missão atrairia prisões e perseguições e até a morte como em Seu caso. 
Estas palavras importantes têm também uma significação profundamente espiritual, que constitui 
a base do ensino do apóstolo Paulo a respeito da identificação do crente com a cruz de Cristo (ver 
Gl 2.20). Quem achar a sua vida (39). Refere-se àqueles que vivem de modo egoísta. Vida -- ver 
6.25 n. Aqui a palavra significa a vida do ego, ou vida natural, em contraste com a vida espiritual. 
Achá-la-á (39). No mundo vindouro. A vida gasta totalmente no serviço de Cristo, neste mundo, 
achará sua máxima expressão e contentamento depois, na vida eterna. 
Galardão de profeta... galardão de justo (41). Refere-se à recompensa merecida por ter 
recebido um profeta ou um justo. Estes pequenos (42). Uma provável referência aos discípulos 
fracos, ou talvez aos discípulos em geral. Cfr. o vers. 11.1 com 7.28 n. 
8. João Batista e Cristo 11.2-24 
Os vers. 2-19 constituem trecho paralelo de Lc 7.18-35 (ver notas). No cárcere (2). Já foi 
mencionado este aprisionamento em 4.12, mas as circunstâncias são descritas no cap. 14.3-12, 
onde os pormenores da morte de João são relatados. Feitos de Cristo (2). Seus milagres. Dois 
(2). Gr. duo. Alguns textos trazem dia, que deve ser traduzida «por». Aquele que havia de vir 
(3). O Messias profetizado no Velho Testamento, cuja vinda João havia proclamado. Os cegos 
vêem (5). Alusão a Is 35.5; 61.1, onde este e mais outros milagres citados neste verso são 
mencionados, como obras que o Messias deveria efetuar. João entenderia tal alusão. Aos pobres 
é anunciado o evangelho (5). Mais outra alusão à profecia de Is 61.1, concernente ao Messias, 
que João entenderia. Uma cana agitada pelo vento (7). Uma coisa tão comum que ninguém 
prestaria atenção nela. Muito mais (9). A citação, no vers. 10, vem de Ml 3.1, somente as 
primeiras palavras seguem os LXX. João Batista era o precursor de Cristo, como estava 
predestinado, e como o vers. 11 sugere, era último dos profetas do Velho Testamento. Ver 
também o vers. 13. Ele pertence à dispensação do Velho Testamento. Há diversas interpretações 
do vers. 11. O crente mais fraco, tendo a luz do conhecimento da Glória de Deus na face de Jesus 
Cristo ressurreto, é mais privilegiado do que era João. Os que de mulher têm nascido (11). A 
frase quer dizer «homens mortais» e enfatiza a vida neste mundo. Ainda que João fosse o maior 
de todos nesta vida, não há posição aqui na terra que se compare à glória da vida vindoura. É 
lícito perguntar em que sentido era João o maior entre os mortais. Talvez seja que, de toda a 
humanidade, só ele percebeu, com suas faculdades, no mesmo instante, as três pessoas da 
santíssima Trindade (3.16-17). Neste caso, a interpretação poderia ser que, na vida futura esta 
será a experiência comum do mais pequeno no reino. 
Se faz violência ao reino dos céus (12) -- gr. biazetai. O problema do sentido desta frase 
e o da conexão dos vers. 12-14 com o contexto é muito grande. Parece que o desenvolvimento do 
pensamento é o seguinte: João, pelo seu batismo de pecadores, abriu o reino dos céus àqueles 
que, de modo algum, teriam sido considerados idôneos para obtê-lo. Ele representa o ponto 
culminante do testemunho do Velho Testamento. Era ele o cumprimento da profecia da vinda de 
Elias. Se tomamos biazetai no sentido passivo, então a frase, com a seguinte, significa que desde 
João os arautos e mensageiros do reino são recebidos com violenta perseguição. Não apoiamos a 
interpretação segundo a qual estas não teriam sido as palavras do Senhor, mas de um redator 
que escreveu sobre a vida de João, depois de decorridos os primeiros anos da igreja primitiva. A 
expressão «desde os dias de João Batista até agora» pode ser traduzida «desde os dias quando 
João pregava». Do outro lado, no trecho paralelo de Lc 16.16, o verbo biazetai está na voz média. 
Neste caso, a frase podia significar que o reino dos céus está impondo sua influência ao mundo e 
comunicando sua força e entusiasmo aos que o recebem e nele entram. É este Elias que havia 
de vir (14). Ver Ml 4.5-6. Aqui o Senhor declara positivamente que a profecia a respeito da vinda 
de Elias foi cumprida na pessoa de João Batista. É importante notar que não é preciso tomar 
literalmente toda profecia do Velho Testamento. Parece que o sentido de Ml 4.6 é que João havia 
de ligar o Velho com o Novo Testamento. Esta geração (16). Recusou abrir os seus ouvidos e se 
excusou a atender a João e a Jesus. O Senhor os assemelha a crianças que brincam nas ruas. 
 
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Alguns interpretam o vers. 17 como descrição de brincadeira de criança - brincando de casamento 
e de enterro. Outros consideram que era brincadeira popular em que cantavam os responsos nas 
palavras deste verso. Os ouvintes de Jesus opuseram-se primeiro a João (18) e depois a Ele (19) 
e, assim, a aplicação do ensino é patente. A sabedoria é justificada por seus filhos (19). Alguns 
textos substituem «filhos» por obras. No trecho paralelo de Lucas, lê-se «filhos», o que talvez 
influa no texto aqui. De outro lado, «obras» pode ser uma glosa sobre filhos. Em todo caso, o 
sentido é o mesmo, referindo-se aos frutos da sabedoria. A sentença quer dizer tanto a sabedoria 
de João como a de Jesus, que se expressa na pregação de um novo modo de viver, tendo sido 
justificada pelos resultados. 
As denúncias contra as cidades da Galiléia (20-24) são mencionadas por Lucas, mas com 
outra conotação.Ver Lc 10.13-16. Corazim (21). Distava uma hora de viagem a norte de 
Cafarnaum. Betsaida. Situava-se na banda ocidental do Mar da Galiléia, a uns cinco quilômetros 
a sudeste de Corazim. Tiro e Sidom (22). Cidades situadas na costa mediterrânea da Síria, além 
da fronteira setentrional da Palestina. O vers. 23 refere-se a Is 14.13-15, onde a frase se aplica ao 
rei da Babilônia e tem uma possível alusão a Satanás. Inferno (23) - gr. haidou, que corresponde 
ao hebraico sheol, «sepulcro». Cfr. vers. 24 com 10.15. 
9. O Convite do Evangelho 11.25-30 
Respondendo (25). As palavras que se seguem expressam a resposta do coração de 
Jesus às circunstâncias descritas nos vers. que precedem. Graças te dou (25). Gr. 
exomologoumai, «reconheço». Pequeninos (25). No sentido espiritual. Refere-se aos que 
recebem a revelação divina com simplicidade de fé. O vers. 27 cfr. com Jo 3.35; 17.2. A figura 
empregada nos vers. 28-30 teria imediata aceitação numa comunidade agrícola. O Jugo (29). 
Bem pode representar o ensino de Cristo, o que, por implicação, contrasta com os ensinos 
opressivos dos fariseus (ver Mt 23.4). Encontrareis descanso para vossas almas (29). Estas 
palavras são tiradas de Jr 6.16. Os LXX trazem: «encontrareis purificação das vossas almas» - 
sendo corrigida no Evangelho conforme o sentido hebraico. Suave (30) - gr. chrestos, «bom» ou 
«simpático». O trecho é peculiar ao Evangelho de Mateus. 
10. Disputa com os Fariseus 12.1-45 
a) O sábado (12.1-21) 
Ver nota sobre Mc 2.23-3.6; Lc 6.1-11. Um sábado (1). O sétimo dia da semana começava 
ao pôr do sol de sexta-feira e terminava ao pôr do sol, no sábado. O que não é lícito (2). Os 
fariseus haviam carregado o dia do sábado com uma multidão de minuciosas observâncias não 
prescritas por Moisés. Parece que eles protestaram neste caso contra o ato de debulhar espigas 
com as mãos. Não tendes lido (3). Uma referência a 1Sm 21.1-6. O argumento aqui é que, em 
caso de necessidade, as provisões da lei cerimonial não eram insuperáveis. Pães da proposição 
(4). Ver Lv 24.5-9. Os colocados na mesa do lugar santo do tabernáculo, cada sábado, e depois 
de tirados de lá, o sacerdote e sua família os comiam. O vers. 5 alude a Nm 28.9. Os sacerdotes 
preparavam os sacrifícios no sábado, não obstante a proibição geral do trabalho. Se as 
necessidades do culto no templo permitiam que o sacerdote profanasse o sábado, com tanto mais 
razão o serviço de Cristo sanciona a mesma liberdade. Misericórdia quero e não sacrifício (7). 
Ver nota sobre 9.3. O princípio anunciado aqui é que a ética é mais importante que o ritual. Não é 
difícil perceber a aplicação do princípio no contexto. O vers. 8 assevera que Jesus Cristo tem o 
direito de interpretar as ordenanças mosaicas, que não devem interferir em seu serviço. 
O vers. 13 aponta o fato que o poder para obedecer acompanhou o mandamento. Os vers. 
18-21 são tirados de Is 42.1-4. A última parte é um pouco abreviada, seguindo o hebraico, mas na 
última frase segue os LXX. Meu servo (18). No trecho original do Velho Testamento refere-se a 
Israel, isto é, o verdadeiro Israel é corporalmente representado na pessoa do Messias. Ver 
também Is 41.9. Anunciará aos gentios o Juízo (18\). Esta é uma profecia que a justiça de Deus 
seria revelada aos gentios por meio do evangelho. Os vers. 19-20 revelam a mansidão de Jesus. 
Ele nunca clamou em voz alta, nem combateu em debate amargamente. Ele nunca desprezou 
nem ofendeu a fé mais fraca que seja e nem a consciência pesada. Até que faça triunfar o juízo 
(20). Ou, até o triunfo final da justiça. 
b) Exorcismo e a blasfêmia dos fariseus (12.22-37) 
 
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Ver nota sobre Mc 3.22-30; Lc 11.14-22. Não é este o Filho de Davi? (23) - título 
messiânico, ver. 9.27 n. Belzebu (24). Ver 10.25 n. Aqui Belzebu é identificado com Satanás. 
Jesus conhecendo os seus pensamentos (25) - gr. eidos. Ele percebeu, ou compreendeu, o 
verdadeiro sentido de seus pensamentos. Vossos filhos (27). Talvez uma referência aos 
discípulos dos fariseus. Um exemplo de exorcismo entre os judeus é citado em At 19.13-16. 
O reino de Deus (28). Mateus adota geralmente o termo «o reino dos céus», cuja 
significação é idêntica. Ver 3.2 n. É chegado a vós (28). O reino os achou desprevenidos. O 
poder do Senhor sobre os demônios era evidência da sua identidade messiânica. O vers. 29 é 
difícil de interpretar. Uma interpretação é que este poder do Senhor sobre os demônios mostra 
que Satanás já estava «manietado». Esta limitação da atividade de Satanás podia ter acontecido 
quando o reino de Deus veio, talvez quando o Senhor venceu as tentações de Satanás no 
deserto, antes de iniciar seu ministério público. Satanás é «furtado» todas as vezes que as almas 
são tomadas presas pelo evangelho de Cristo. Quem não é comigo é contra mim (30). Não há 
meio termo. Ou ganhamos almas para Cristo ou afugentamo-las de Deus. Em Mc 9.40 o inverso 
desta verdade é ensinado. Este trecho se aplica a qualquer ensino positivamente antibíblico, ao 
passo que o de Marcos se refere mais aos casos como de divergências denominacionais. 
A blasfêmia contra o Espírito (31\). Este pecado, a rejeição propositada de Cristo e sua 
salvação é o único que, pela natureza, priva o homem da possibilidade de perdão. Ver Nm 15.27-
31, onde há referência à oferta para expiação do pecado cometido por ignorância e não do 
pecado intencional. Cometer pecado intencionalmente era blasfêmia contra o Senhor. Ver Mc 
3.28-29 n. e cfr. Lc 12.10. O vers. 32 apresenta um contraste que à primeira vista parece 
estranho. A explicação é que o Espírito Santo é quem oferece a salvação ao coração do homem. 
Pelo fruto se conhece a árvore (33). O argumento aqui é que as boas obras de Cristo eram 
evidência de sua bondade e em conseqüência não deram lugar à blasfêmia cometida pelos 
fariseus. A ilustração da árvore é de sentido duplo, porque o vers. 34 mostra tanto a malevolência 
dos fariseus quanto a bondade de Cristo. Por tuas palavras (37). Palavras não são a causa, mas 
a evidência de justificação ou de condenação. 
c) O sinal (12.38-45) 
Ver também Lc 11.29-32 e cfr. Mc 8.11-12. Tomaram a palavra (38). E a continuação do 
pensamento dos versos anteriores. Apresentada a afirmação do Senhor, os fariseus pedem 
evidência, apesar de tudo o que tinham visto de milagres. A palavra adúltera (39) significa infiel a 
Deus; esta metáfora se usa muito no Velho Testamento. O profeta Jonas (39). Consultar o livro 
de Jonas para pormenores. O vers. 40 é tirado dos LXX de Jn 1.17. Três dias e três noites (40). 
O período em apreço era da sexta-feira de tarde até o domingo de manhã. A expressão quer dizer 
que três períodos de vinte e quatro horas, da sexta-feira, sábado e domingo, eram parcial e 
completamente cumpridos. Ventre da baleia (40). A palavra grega traduzida «baleia» quer dizer 
um grande monstro do mar. Os ninivitas (41). É significativo que o Senhor dá aos ninivitas a 
mesma historicidade como os seus próprios ouvintes têm. A rainha do meio dia (42). A rainha de 
Sabá. Ver 1Rs 10. O Senhor compara sua sede de sabedoria humana com a atitude dos que 
recusaram ouvir aquele que é mais do que Salomão (42). Notem as afirmações semelhantes 
quanto à importância de Jesus, nos vers. 6 e 41. 
Os vers. 43-45 servem como ilustração do fato que os judeus, embora purificados da 
idolatria durante o cativeiro babilônico, mostraram uma incredulidade e dureza de coração que 
produziram um pior estado moral do que aquele que antes possuíam, quando eram idólatras, 
antes do cativeiro. Cfr. Lc 11.24-26. 
11. Jesus e sua Família 12.46-50 
Ver notas sobre Mc 3.21,31-35; Lc 8.19-21. 
12. Terceiro Discurso. Os Ensinos Parabólicos 13.1-53 
a) A parábola do semeador (13.1-23) 
Ver notas sobre Mc 4.1-20; Lc 8.4-10. Por parábolas (3). Uma parábola ilustra uma 
verdade espiritual na forma de uma história.O vers. 11 revela que originalmente eram dadas aos 
que ignoravam por completo as verdades espirituais. Ver notas sobre os vers. 13-14 abaixo. Os 
 
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discípulos, porém, compreenderam e, assim, não precisavam de parábolas para atrair sua 
atenção. A palavra vós, no vers. 11, é enfática e serve de contraste. A interpretação desta 
parábola foi dada pelo Senhor nos vers. 18-23. 
Os mistérios (11). A palavra dá a idéia de segredos, que só os iniciados poderiam 
compreender. O vers. 12 anuncia um princípio do mundo espiritual. Cfr. o pai do pródigo que 
correu ao encontro do filho quando este regressou (Lc 15.20); também o endurecimento do 
coração de Faraó por Deus, depois de ter recusado o aviso de Moisés (Êx 8.32-9.12). Vendo não 
vêem (13). As coisas espirituais não têm significação para aqueles dotados somente de 
compreensão natural. Mesmo quando as contemplam eles não entendem, na mesma maneira que 
os animais não entendem as coisas do nosso mundo. Ver 1Co 2.14. Os vers. 14 e 15 são 
copiados, palavra por palavra, dos LXX de Is 6.9-10, que descreve a chamada do profeta, o 
estado do povo a quem foi enviado, e cita a mensagem que ele havia de comunicar-lhe. Como no 
tempo de Isaías, assim também no tempo do Senhor, os judeus fecharam os olhos 
propositadamente contra a verdade espiritual. Ver Mc 4.12 n. A bem-aventurança mencionada no 
vers. 16 explica-se no fato de que nasceu uma Luz, com a vinda de Cristo, que era desconhecida 
nos tempos do Velho Testamento. 
A palavra do reino (19). A mensagem do evangelho. Se ofende (21). Cai na cilada de 
satanás. Os cuidados deste mundo (22). Refere-se às preocupações que os interesses 
mundanos quase sempre trazem. Dá fruto (23). Note-se mais uma vez que é preciso dar fruto 
para provar a realidade da fé (cfr. 7.24). Compreende (19). Significa perceber, crer e apropriar. 
b) Outras parábolas (13.24-53) 
(1) A PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO (13.24-30) - O reino dos céus (24). Aqui, esta 
frase aplica-se ao método pelo qual Deus opera durante o tempo do evangelho. O propósito, 
nesta parábola é o de revelar aquele método, como se vê da interpretação dada pelo Senhor nos 
vers. 37-43. Joio (25). Uma espécie de centeio falso que cresce como erva daninha no meio do 
trigo. É muito parecida ao verdadeiro centeio até que as espigas se formam. Farinha de trigo feita 
com a mistura deste centeio falso é venenosa. 
(2) A PARÁBOLA DO GRÃO DE MOSTARDA (13.31-32) - Cfr. Mc 4.30-32; Lc 13.18-19. A 
mais pequena (32). A semente de mostarda é normalmente muito pequena. Plantas (32) --gr. 
lachanon, «plantas» ou «legumes». Na Palestina, a mostarda atinge a altura de alguns metros. 
Vêm as aves dos céus e se aninham nos seus ramos (32). Esta frase se encontra em diversos 
trechos do Velho Testamento (cfr. Ez 17.23; 31.5; Sl 104.12; Dn 4.12-21), é semelhante aos LXX 
de Dn 4.21. Estas referências fornecem a explicação da parábola. Em Ez 17, a «árvore» é o novo 
Israel. Isto é o reino dos céus mencionado na parábola. Mas, em Ez 31 e Dn 4, a árvore 
representa os impérios do mundo gentio, da Assíria e da Babilônia, respectivamente. Desta 
maneira, a parábola antecipa o desenvolvimento da igreja como poder universal, o que se cumpriu 
em sua plenitude na idade média. Ora, a interpretação das aves, dada no vers. 19 acima, como 
figura do maligno, completa o quadro da igreja visível em sua apostasia. Esta interpretação é mais 
provável do que aquela que vê nessa série de parábolas somente o crescimento benéfico do 
evangelho. Cfr. Mc 4.30-32 n. 
(3) A PARÁBOLA DO FERMENTO (13.33) - Fermento. Em todos os casos, na Bíblia, 
onde o fermento é mencionado simbolicamente, representa o mal. Este fato conforma com a 
interpretação dada acima, da parábola da mostarda. Uma medida - gr. sata, corresponde ao 
hebraico seah - aproximadamente seis litros. 
(4) A EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA DO JOIO (13.34-43) - A citação do vers. 35 é tirada 
do Sl 78.2. A primeira parte é citada dos LXX, a segunda do hebraico. É notável que o evangelista 
interpreta o Salmo como profecia de Cristo. Filhos (38). Este termo é empregado para significar 
os que pertencem ou ao reino, ou ao maligno, respectivamente. O que causa escândalo e os 
que cometem iniqüidades (41). Alusão ao texto hebraico de Sf 1.3. O grego da palavra 
«iniqüidade» é anomian, ilegalidade. Os justos resplandecerão (43). Alusão a Dn 12.3. Não é 
que a parábola nem sua explicação implicam dever o cristão tolerar o mal. Antes apresenta esta 
vida terrestre, na qual tantas vezes o mal predomina, na luz do último triunfo da justiça, aqui 
 
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descrita. 
(5) AS PARÁBOLAS DO TESOURO ESCONDIDO E DA PÉROLA DE GRANDE VALOR 
(13.44-46) - Também (44). Omitido em alguns textos. Uns interpretam o vers. 44 como referência 
a Nosso Senhor, que deu tudo o que tinha para comprar o tesouro, que era o seu povo. Outros o 
interpretam como o pecador dando tudo para conseguir a salvação. Sem dúvida, há elementos de 
verdade nas duas interpretações. Esta dupla interpretação também se aplica à parábola da pérola 
de grande valor. 
(6) A PARÁBOLA DA REDE (13.47-50) - Neste caso, uma interpretação da parábola é 
dada logo. Sua significação é muito semelhante à da parábola do joio. Quando a rede é lançada 
pelo evangelista, apanha os que são realmente convertidos e também os que somente fazem uma 
profissão. Na consumação dos séculos (49). Haverá naquele tempo a aceitação e a rejeição de 
muitos 7. FIM DO DISCURSO (13.51-53) - Instruído (52), ou, que se tornou discípulo. Coisas 
novas e velhas (52). De sua vez, os discípulos iam tornar-se responsáveis pelos ensinos do 
Mestre, ressaltando novas verdades de tudo que aprenderam Dele e, ao mesmo tempo, revelando 
a beleza da verdadeira significação escondida dos ensinos do Velho Testamento. Para o vers. 53, 
ver nota sobre 7.28. 
13. Jesus em sua Pátria 13.54-58 
Ver notas sobre Mc 6.1-6, cfr. Lc 4.16-30. Sua pátria (54). Mais provavelmente Nazaré e 
não Cafarnaum (cfr. 4.13). Maravilhavam-se (54). A palavra no original é muito forte: «ficavam 
atônitos». O filho do carpinteiro (55). A palavra no grego significa também pedreiro. Ver nota 
sobre 2.23. Como o nome de José não é mencionado, muitos comentaristas concluem que já 
morrera. Seus irmãos (55). Não há razão para supor que estes irmãos, tanto como as irmãs 
mencionadas no verso seguinte, não eram filhos de José e Maria. A incredulidade (58). Daqueles 
que pensavam conhecê-lo melhor, o que limitou o poder de Deus 
14. A Morte de João Batista 14.1-12 
Ver notas sobre Mc 6.14-29; Lc 9.7-9. Herodes, o tetrarca (1). Este é Herodes Antipas, 
filho de Herodes, o Grande. Tinha governado a Galiléia e a Peréia desde a morte de seu pai. A 
significação de tetrarca é dada na nota sobre 2.2. Criados (2). Gr. paisin, «rapazes». João 
Batista ressuscitou dos mortos (2). Parece que esta superstição tinha muita aceitação. Lc 9.7 
dá a idéia que Herodes não era o autor desta idéia. Cfr. Mt 16.14. 
Herodias (3). Mulher de Filipe, irmão de Herodes. Este não é Filipe, o tetrarca (Lc 3.1), 
mas outro irmão do mesmo nome. Não se sabe quais eram os pais dela. A filha de Herodias (6). 
Salomé, filha de Herodias e de Filipe. Casou-se depois com seu tio Filipe, o tetrarca. Note-se que 
os acontecimentos deste cap. não são dados em ordem cronológica, mas na ordem que facilita a 
retenção na memória do leitor. 
15. Milagres 14.13-36 
a) A primeira multiplicação dos pães (14.13-21) 
Este é o único milagre que todos os evangelistas registram. Ver notas sobre Mc 6.30-46; 
Lc 9.10-17; Jo 6.1-15. Jesus ouvindo isto (13). Esta frase liga os milagres, que seguem, com a 
morte de João, quanto a ordem cronológica. Vê-se dos vers.1-2 que Mateus narra sua história no 
passado. Aqui, como em outros trechos, o propósito do escritor não é contar a história na sua 
ordem cronológica, mas apresentá-la de um modo que fique gravada na memória. O povo (13), 
melhor a multidão. A hora é já avançada (15). Indicação de que era a hora do jantar. Pães (17), 
melhor, pãezinhos. Se assentasse (19). Iam reclinar-se sobre o cotovelo esquerdo, pois era o 
costume daquela época, para comerem. Alcofas (20) -- gr. kophinous, «cesta para comprar». 
Ver notas sobre Lc 9.17. Este milagre ilustra o valor de alimentar-nos com Cristo no coração, 
mediante fé na sua palavra. Ver Jo 6.27-59, que relata o discurso do Senhor, sobre o «pão da 
vida», que seguiu, como resultado direto da multiplicação miraculosa. 
b) Jesus anda por cima do mar (14.22-36) 
À quarta vigília da noite (25). Quer dizer, entre três e seis horas da madrugada. Sou eu 
(27) -- gr. ego eimi. Esta frase representa o nome de divindade. Ver Êx 3.14. Respondeu-Lhe 
 
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Pedro (28). Só Mateus conta esta ação de Pedro. O incidente é muito característico daquele 
discípulo impulsivo. És... o Filho de Deus (33). No aramaico o uso dessa expressão dava a 
entender que Jesus era divino. Genesaré (34). A planície a noroeste do Mar da Galiléia. A ação 
de Pedro descendo do barco respondendo à chamada de Jesus, ilustra claramente a fé que 
responde à chamada do evangelho e também o conflito entre a fé e a dúvida que surge tantas 
vezes na experiência do cristão. 
16. Controvérsias com os Fariseus sobre Rituais 15.1-20 
Ver nota sobre Mc 7.1-23. De Jerusalém (1). Parece que os principais chefes religiosos 
vieram para investigar o ministério e doutrina de Jesus. A tradição dos anciãos (2). No tempo do 
Senhor, os judeus criam que, além da lei escrita de Moisés, havia uma lei oral que lhe fora dada 
no Sinai, e que esta lei lhes fora transmitida verbalmente até o tempo da grande sinagoga ou 
concílio dos anciãos, que sucedeu a Esdras, depois da volta do cativeiro. Aquele concílio 
continuava até 91 A. C. e seria o autor dos muitos acréscimos à lei de Deus, que se encontram no 
Judaísmo, tanto antigo como moderno. 
Não lavam as mãos (2). Este ato consistia em derramar um pouquinho de água fria sobre 
as mãos estendidas. Os judeus não se interessavam em limpeza, mas no ritual. Por que 
transgredis vós também (3). O Senhor mostra que os acréscimos à palavra de Deus chegam a 
contradizê-la no fim. Honra a teu pai e a tua mãe (4). Quinto mandamento do decálogo. Ver Êx 
20.12; Dt 5.16. Quem maldisser... morra de morte (4). Citação dos LXX de Êx 21.17. É oferta 
(5). Era possível para o judeu, aproveitando-se de uma falsa interpretação da lei, dedicar seus 
bens ao templo e assim fugir da responsabilidade de sustentar os pais e continuar a desfrutar de 
seus bens. Note-se que o Senhor interpreta o mandamento de honrar aos pais num sentido 
prático. Para as crianças, o significado é a obediência (Ef 6.1-3) e para os adultos, o sustento dos 
pais. O Senhor condenou aquela prática comum, baseado na tradição, posto que destruiu por 
completo o propósito da lei (vers. 6). O mandamento (6) gr. entolen. Outros manuscritos dizem 
nomon «lei» e logon «palavra». Talvez seja a última a mais provável. Os vers. 8-9 citam Is 29.13 
e seguem os LXX, onde difere do hebraico. 
Contamina (11). Profana o homem. É termo técnico, que ilustra a idéia judaica segundo a 
qual o comer certos alimentos vedados priva o homem de santidade e, por último, de sua 
aceitação por Deus. Os chefes dos judeus ofenderam-se com esta contradição propositada de 
seus próprios ensinos. Nos vers. 13-14 o Senhor ensina luminosamente aos discípulos que os 
fariseus não têm missão de Deus, sendo eles mesmos cegos. Eles e tudo o que sua religião 
representava seriam destruídos. 
Pedro, falando da parte dos outros, pede uma explanação do ditado que tanto ofendera. 
Então o Senhor, mais pormenorizadamente, continuou o ensino, para benefício deles. Ventre (17) 
gr. aphedrona, vocábulo raro que significa «esgoto» ou «cloaca». Isso contamina (18). «Isso» é 
enfático. Maus pensamentos (19). Quer dizer desígnios ímpios. Blasfêmias (19). Não somente a 
blasfêmia no sentido estrito, mas também a crítica ou difamação de outrem. 
17. Mais Milagres 15.21-39 
a) A mulher cananéia (15.21-28) 
Ver notas sobre Mc 7.24-30. Tiro e Sidom (21). Ver notas sobre 11.22. Esta é a única 
ocasião, de que sabemos, em que o Senhor saiu fora das fronteiras da Palestina, durante seu 
ministério. Uma mulher cananéia (22). A mulher era uma gentia, descendente dos cananeus, que 
habitavam a Síria e a Palestina, antes da conquista de Josué. Filhos (26). Por este termo Nosso 
Senhor se refere aos judeus. Os cachorrinhos são os gentios. O Senhor mostrou esta atitude a 
fim de provar a fé da mulher. 
b) A segunda multiplicação dos pães (15.29-39) 
Ver notas sobre Mc 7.31-8.10. É uma perversidade sugerir que este milagre é o mesmo 
referido em Mt 14.13-21, sendo esta uma segunda versão de um acontecimento só. Se um 
Evangelho tivesse mencionado os cinco mil somente, e outro quatro mil somente, então teria sido 
mais difícil refutar esta opinião. Mas não somente Mateus, mas também Marcos, refere-se aos 
dois acontecimentos e de um modo tão claro que se torna patente que para eles havia dois 
 
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milagres diferentes. Glorificava (31). Ver nota sobre 9.8. Cestos (37) -- gr. spyridas, o que se 
usava no mercado, então maiores do que as cestas de 14.20. Ver nota sobre 16.9-10. Magdala 
(39). Mais correto seria Magadan. Alguns pensam que fosse subúrbio de Tiberíades. Estes 
milagres de multiplicação de pães revelam claramente a compaixão do Senhor e sua prontidão em 
satisfazer as necessidades do homem, quer sejam materiais, quer espirituais. Tiago oferece um 
ótimo comentário sobre este ponto (Tg 2.14-17). 
18.Controvérsias Com Fariseus E Saduceus 16.1-12 
Ver notas sobre Mc 8.11-21. Adúltera (4). Aqui a palavra tem o sentido espiritual de 
infidelidade a Deus. O sinal do profeta Jonas (4). Ver nota sobre 12.39-41. A outra banda (5). 
Refere-se ao Mar da Galiléia. Para o vers. 9, cfr. 14.17-21; para o vers. 10, cfr. 15.3-38. É 
importante notar que as diferentes palavras «alcotas» e «cestos», utilizadas nestes versos, são 
um ponto de diferença, que põe em relevo o fato de serem descritos dois acontecimentos 
independentes. 
19. A Confissão de Simão Pedro 16.13-20 
Ver notas sobre Mc 8.27-33; Lc 9.18-21. As partes de Cesaréia de Filipos (13). Esta 
cidade era situada no Nordeste da Galiléia, perto da nascente do Jordão. Partes, quer dizer «o 
distrito». O vers. 14 revela que a opinião pública deu ao Senhor uma posição de maior destaque, 
identificando-o com os heróis nacionais do passado. João Batista (14). O próprio Herodes deu 
crédito a esta superstição. Ver nota sobre 14.2. Sabemos, de 21.26, que João era muito estimado 
pelo povo, como profeta. A vinda de Elias foi profetizada por Malaquias (4.5) e os judeus ligavam 
muitas vezes o nome de Jeremias com o profeta prometido em Dt 18.15. Tu és Cristo (16). Simão 
Pedro reconheceu e declarou abertamente a divindade do Senhor. É possível que tenha falado da 
parte de todos os discípulos. O vers. 20 dá a entender que era uma convicção que todos 
aceitavam. 
Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (18). A palavra grega traduzida 
«pedra» é petra e serve de trocadilho ao nome de Pedro, que em grego é Petros. A interpretação 
católico-romana desta passagem é que Pedro é a pedra fundamental da igreja, que gozava de 
uma primazia entre os apóstolos e se tornou bispo de Roma, passando esta primazia a seus 
sucessores, os papas. Era difícil sustentar a primeiraproposição e impossível defender as outras. 
Uns comentaristas, apoiados por alguns pais da igreja, tendem a identificar a pedra ou com a 
confissão de Pedro ou com o Senhor mesmo. A interpretação mais simples é que Pedro é 
indicado como a pedra, sem ser o único fundamento. Os doze fundamentos da igreja são 
mencionados em Ef 2.20 e Ap 21.14. Esta interpretação é apoiada pelo fato de que as mesmas 
palavras são dirigidas a todos os discípulos em 18.18, como a Pedro em 16.19. 
A palavra traduzida igreja, gr. ekklesian, significa uma assembléia escolhida. Nunca se 
usa em referência à organização exterior da igreja, mas refere-se a toda a companhia dos fiéis 
para incluir toda a alma regenerada. Esta é a primeira menção da palavra no Novo Testamento. 
Seu uso nos LXX corresponde ao hebraico qahal, «congregação». As portas do inferno não 
prevalecerão contra ela (18). A interpretação comum deste trecho sempre era que os poderes do 
mal nunca poderão prevalecer contra a igreja de Cristo. Embora verdade, o sentido mais real é 
que a morte nunca vencerá finalmente os crentes, visto que todos ressuscitarão um dia. A palavra 
inferno, gr. haidês, significa sepulcro, hebraico sheol. As chaves do reino (19). Isto significa 
que Pedro tinha o direito de entrar no reino por si mesmo, onde teria autoridade geral, simbolizada 
pelas chaves que lhe foram confiadas. Pela pregação do evangelho, Pedro abriu o reino dos céus 
para todo o crente e fechou-o aos descrentes. O livro dos Atos relata o desenvolvimento dessa 
passagem. Quando Pedro pregou, no dia de Pentecostes (At 2.1-40), ele abriu a porta do reino 
pela primeira vez. Ver At 8.14-17; 15.7. As expressões ligar e desligar eram uma parte do 
vocabulário legal dos judeus e se referem às coisas proibidas e às permitidas pela lei. Pedro e os 
demais discípulos iam continuar na terra a obra de Cristo, pregando o evangelho e revelando a 
vontade de Deus aos homens, sendo revestidos com a mesma autoridade que o Mestre possuía. 
No céu, Cristo sanciona o que é feito no seu nome, em obediência a sua palavra, aqui na terra. 
Que a ninguém dissessem (20). A revelação ficou restrita aos discípulos até depois da 
ressurreição do Senhor. Cfr. 17.9 n. 
 
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20. Primeiro Aviso dos Sofrimentos de Cristo 16.21-28 
Ver notas sobre Mc 8.34-38; Lc 9.22-27. Desde então (21). A fé dos discípulos, que a 
confissão de Pedro evidenciou, tinha chegado ao ponto de justificar o prenúncio dos sofrimentos 
de Cristo. Desde este momento, o ministério do Senhor assume outro caráter, enquanto Ele 
procura preparar seus discípulos a aceitar o fato que Ele tinha que sofrer, mesmo contra as 
expectativas deles. Anciãos (21). Os chefes religiosos. É provável que se refira aos membros do 
Sinédrio. O terceiro dia (21). Os três dias eram sexta-feira, sábado e domingo, contando-se os 
dias conforme o uso dos judeus. De modo nenhum te acontecerá isso (22). A reação imediata 
de Pedro ao novo ensino do Senhor mostra que eles estavam longe de compreender o significado 
do sofrimento do Mestre. Satanás (23). O Senhor reconheceu nas palavras de Pedro uma 
repetição das tentações que sofreu no deserto, cujo fim era evitar a cruz. Escândalo (23). 
Armadilha ou cilada. Compreendes (23) -- gr. phroneis. É difícil traduzir esta palavra, que ocorre 
também em Rm 8.5 e Fp 2.5. Significa adotar uma atitude sobre a qual se baseia a vida e as 
ações. Os vers. 24 e 25, confronte-os com 10.38-39. Renuncie-se a si mesmo (24). Renunciar as 
imposições da própria vontade. Tome sobre si (24). O original quer dizer «levantar». A palavra é 
mais forte do que é usada em 10.38 e implica que a cruz deve ser levantada para que todos 
possam vê-la. Sua alma (26) -- gr. ten psychen autou, a mesma palavra que é traduzida «vida» 
no verso anterior. Perder a alma ou a vida significa perecer. Ver nota sobre 6.25 e 10.39. Então 
dará a cada um segundo as suas obras (27). As palavras são tiradas dos LXX do Sl 62.12 e Pv 
24.12, substituindo-se kata ten praxin por kata ta erga. Esta mudança dá ênfase à direção da 
vida, mais do que aos atos individuais. Este grande princípio fundamental do Velho Testamento 
torna-se mais explícito pelo Senhor, ao esclarecer que terá cumprimento na Sua volta. O conteúdo 
de ambos estes trechos do Velho Testamento é significativo, levando-nos o de Provérbios a 
examinar os nossos corações. 
O vers. 28 tem causado dificuldades. Talvez possa referir-se a qualquer das seguintes 
manifestações do reino de Cristo, principalmente a Transfiguração (que já ocorrera. Cfr. 2Pe 1.16, 
onde o apóstolo Pedro afirma ter presenciado a vinda de Cristo), o dia de Pentecostes ou a 
destruição de Jerusalém. 
21. A Transfiguração 17.1-13 
Ver notas sobre Mc 9.2-13; Lc 9.28-36. Pedro, Tiago e João (1). Estes três discípulos 
testemunharam em certas ocasiões acontecimentos a que os demais não assistiram. O fato de 
serem três cumpriu cabalmente a lei de Moisés a respeito de testemunhas. Transfigurou-se (2). 
Sua forma e aparência mudaram-se. Moisés e Elias (3). Eles representam a lei e os profetas, 
respectivamente. Ver Jd 9, onde há uma alusão à ressurreição de Moisés e 2Rs 2.11, que conta a 
história do arrebatamento de Elias. Bom é estarmos aqui (4). Pedro queria perpetuar a visão 
daquela situação e propôs a construção de tabernáculos ou tendas. Uma voz (5). A voz do Pai, as 
palavras faladas nessa ocasião se comparam às de 3.17. A ninguém conteis a visão (9). 
Supomos que os outros discípulos estavam incluídos nessa proibição. Cfr. 16.20. Quanto mais 
perto da cruz o Senhor chegava, tanto mais evitava, propositadamente, qualquer manifestação 
popular em seu favor, que bem podia ter acontecido se os discípulos tivessem proclamado o que 
sabiam. Cfr. Jo 6.14-15. 
A pergunta dos discípulos no vers. 10 tem sua explicação na suposição de que a 
ressurreição de Jesus significaria o fim do mundo e a inauguração do reino. Assim concluíram que 
seria necessário Elias voltar e manifestar-se publicamente primeiro. Sua aparição no monte 
justificaria essa espera. O Senhor respondeu com as palavras de Ml 4.5-6, que vaticina a vinda de 
Elias. Restaurará todas as coisas (11). Ver Lc 1.17. Aqui o Senhor reitera que a profecia da 
vinda de Elias fora cumprida com João Batista. Ver nota sobre 11.14. Jesus não fala dele por 
nome, mas lembra seu sofrimento que é comparado ao que ele mesmo vai passar (12). 
22. A Cura dum Menino Lunático 17.14-21 
Ver nota sobre Mc 9.14-29; Lc 9.37-42. Sofre muito (15) -- gr. kakos echei, «está muito 
doente». Fé como um grão de mostarda (20). Isto significa que a fé, uma vez implantada no 
coração, cresce normalmente como qualquer outro organismo. Este monte (20). Refere-se a 
qualquer obstáculo ou dificuldade que parece ser impossível na vida do cristão. Talvez seja uma 
alusão indireta ao desaparecimento da economia judaica e, mais tarde, do Império Romano 
 
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pagão. Os melhores manuscritos omitem o vers. 21, que é uma interpolação de Mc 9.29. 
23. Segundo aviso dos Sofrimentos de Cristo 17.22-23 
Ver notas sobre Mc 9.30-32. Cfr. Lc 9.43-45. Achando-se eles (22). Neste período o 
Senhor viajou de um lugar para outro sem alarde, ao mesmo tempo preparando seus discípulos 
para a última viagem a Jerusalém, a qual começa em 19.1. Este segundo aviso do seu futuro 
sofrimento não é mais bem compreendido pelos discípulos do que o primeiro. As narrativas de 
Marcos e Lucas revelam que eles começaram a manifestar certa apreensão quanto ao futuro, mas 
não ousaram pedir explicações. 
24. O Tributo do Templo 17.24-27 
Didracmas (24). Gr. ta didrachma, «duas dracmas», que era a taxa de meio siclo que 
cada judeu maior de vinte anos deveriarecolher para a manutenção do templo. Valeria cerca de 
vinte centavos americanos. Os alheios (26). Os povos subjugados sempre pagavam uma taxa 
mais pesada e pagavam primeiro. Os filhos, isto é, o povo do rei era livre. O Senhor Jesus Cristo 
era senhor e dono do templo e não lhe cabia pagar a taxa. Entretanto, sua recusa em pagá-la bem 
podia ser mal entendida e, nesta circunstância, o Senhor não quis ofender. De outro lado, quando 
um princípio fundamental estava em jogo, o Senhor não modificava sua mensagem para não 
ofender. Cfr. 15.10-14. Um estáter (27). Esta moeda de prata era a tetradracma -- gr. statera -- 
que equivalia ao siclo e era a quantia exata para o pagamento da taxa de duas pessoas. 
25. Quarto Discurso. Ensinamentos Sobre a Humildade e o Perdão 18.1-19.2 
Este é o último grande discurso antes de Jesus viajar a Jerusalém. Marcos observa que foi 
dado em casa, referindo-se provavelmente à casa de Pedro (Mc 9.33 - cfr. Mt 17.25). O discurso 
foi proferido em conseqüência do ciúme que se manifestou entre os discípulos no caminho para 
Cafarnaum. 
a) A humildade (18.1-20) 
Ver também Mc 9.33-37; Lc 9.46-48. Um menino (2). Talvez um membro da família de 
Pedro. Vos converterdes (3) -- gr. straphete, «virar». O termo significa que a vida toda, e não 
somente a pessoa, torna-se para Deus, o que acontece numa genuína conversão. Vos fizerdes 
como meninos (3). A conversão não significa somente a fé, humildade e simplicidade de 
crianças, mas também o novo começo da vida por meio da regeneração. Receber em meu nome 
(5), isto é, pelo fato de a criança me pertencer. 
Os vers. 8-9 constituem um parêntese no tema geral e falam dos escândalos, lit. «ciladas». 
Repetem substancialmente os vers. 29-30. Mão, pé e olho, respectivamente, as ações, a conduta 
e os desejos. O fogo eterno.... o fogo do Inferno (8-9). A segunda morte. Ver 5.22 n. 
No vers. 10 o tema da humildade continua, onde se expressa a idéia de que a falta de 
humildade constitui uma ofensa. Seus anjos sempre vêem a face de meu Pai (1). Esta é mais 
uma razão para honrar e não desprezar as crianças. É uma alusão aos anjos de guarda que 
acompanham a toda criança, pelo menos de toda criança piedosa. Seu ministério é explicado em 
Hb 1.14, que descreve os anjos na presença do Pai dos Céus, onde esperam suas ordens a 
respeito das crianças. Alguns consideram que se refere à representação exata da criança, já 
presente no mundo espiritual da realidade. O termo é empregado neste sentido em At 12.15, onde 
o vocábulo moderno seria «é seu espírito». Entretanto, não há evidência de que os cristãos 
mencionados em At 12.15 acreditavam nesta idéia mais do que as pessoas modernas crêem 
seriamente em fantasmas. 
Os melhores manuscritos omitem o vers. 11. É lamentável perder do contexto este lindo 
verso tão bem conhecido, mas a omissão é justa. Se fosse parte do original, teria sido difícil omiti-
lo. De outro lado, não é difícil compreender que este verso, tirado de Lc 19.10 foi intercalado para 
fazer uma conexão mais natural entre os vers. 10 e 12. Uma versão mais completa da parábola da 
ovelha perdida se encontra em Lc 15.3-7. Se perca (14). Este verso não exclui a possibilidade da 
perdição, mas observa somente que Deus não a deseja. 
Teu irmão (15). É provável que esta palavra não se limita ao irmão na fé, mas tem um 
sentido mais amplo. Repreende-o (15). É preciso que reconheça o seu erro. A última parte do 
 
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vers. 16 vem de Dt 19.15, seguindo os LXX em geral. O Senhor incorpora este justo e razoável 
princípio da lei mosaica no Novo Testamento, onde serve para o benefício da Igreja Cristã. Um 
gentio e publicano (17). Tais pessoas não seriam aceitas na igreja. O pecador obstinado deve 
ser cortado da comunhão cristã, ao menos provisoriamente. Exemplos disso são dados em 1Co 
5.4-5 e 1Tm 1.20. Para o vers. 18, cfr. 16.19 n. Aqui a promessa é dirigida a todos os discípulos. 
O vers. 19 é uma das grandes promessas do evangelho com respeito à oração. É preciso notar a 
conexão do verso com todo o contexto. A promessa é dada propriamente aos discípulos reunidos, 
com Cristo no meio (20), com o fim de disciplinar um irmão no erro (17). Repete-se sua autoridade 
para exercer esta função (18) e a promessa é cumprida porque agem da parte do Pai, no nome do 
Filho. Em meu nome (20). Esta frase subentende o direito a sua autoridade. 
b) O perdão (18.21-19.2) 
Pedro aproximando-se (21). O tema dos versos seguintes naturalmente segue o dos 
versos 14-17, visto que, para ganhar um irmão, é preciso perdoá-lo quando se arrepende. Este 
trecho é peculiar a Mateus. Setenta vezes sete (22). Esta frase significa inúmeras vezes ou, 
simplesmente, «sempre». A expressão é um grande contraste com o perdão limitado de Pedro. 
Dez mil talentos (24). Uma quantia muito elevada que corresponderia aproximadamente a cinco 
milhões de dólares americanos. Para que Se lhe pagasse (25). Naturalmente a venda do servo e 
de sua família não seria suficiente para pagar a enorme dívida. Este não é o ponto importante da 
parábola. Cem dinheiros (28). Refere-se aos dinheiros romanos, cujo valor total seria de 
aproximadamente oito dólares, num contraste notável com os dez mil talentos do vers. 24. 
Atormentadores (34) gr. basanistais. Uma tradução desta palavra é «carrascos». Uma 
explicação da parábola é dada nas notas sobre 6.14-15. O verdadeiro perdão vem do coração que 
já foi purificado e regenerado. O perdão é um dos sinais duma fé verdadeira. Outro aspecto dessa 
verdade é dado em Ef 4.32. 
O vers. 19.1 indica o fim da seção XXV, deste Comentário. Ver nota sobre 7.28. Os vers. 
1-2 descrevem sucintamente uma viagem da Galiléia à região da Judéia, além do Jordão, isto é, 
Peréia. Tal viagem levaria muito tempo, no qual se passaram os acontecimentos descritos em Lc 
9.15-18.34. Também pertencem a este período na Peréia os ensinos e incidentes de Mt 19.3-
20.34. 
26. Ensinamentos sobre o Divórcio, como resposta aos Fariseus 19.3-12 
Por qualquer motivo (3). O motivo da pergunta era que existiam dois ensinamentos entre 
os rabis judaicos sobre o divórcio. Um recusava o divórcio, a não ser por infidelidade ou 
imoralidade; o outro o permitia por qualquer pretexto trivial. Aquele que os fez no princípio (4). 
Referência a Gn 1.27 dos LXX. E disse (5). Em Gênesis, a frase que segue não é atribuída a 
Deus, mas constitui parte da narrativa (ver Gn 2.24). Porém o Senhor a atribui ao Criador. Este 
fato revela sua compreensão da inspiração das Escrituras. Uma só carne (6). Os dois se tornam 
um pelo ato sexual. Na sua explicação do assunto, o Senhor deixou Moisés de lado e se referiu à 
revelação primitiva no Éden. 
A segunda pergunta dos fariseus (7) alude a Dt 24.1. Jesus respondeu que a lei mosaica 
se acomodava, em certas coisas, à natureza pecaminosa do homem. Prostituição (9). Ver nota 
sobre 5.32. Comete adultério (9). Melhor, faz dela uma adúltera. Esta tradução alternativa é 
comparável com o trecho paralelo em 5.32 (ver notas). 
Não convêm casar (10). O pensamento dos discípulos era este, que é mais prudente para 
o homem não se casar, uma vez que este ato o liga indissoluvelmente a sua mulher. É difícil 
seguir a conexão de pensamento entre os vers. 9-10 e os que precedem. Esta palavra (11). 
Talvez uma referência à indissolubilidade do casamento do vers. 9. Neste caso, suas observações 
sobre eunucos, no vers. 12, têm o propósito de mostrar a possibilidade de disciplina que o cristão 
pode exercer sobre si. Se ele pode disciplinar-se a ponto de se abster do casamento, pode, 
também, disciplinar-se no sentido de guardar suas promessas de fidelidade conjugal. Esta 
palavra pode ser também uma referência ao comentário dos discípulos, no vers. 10. Neste caso, 
os vers. 11,12 querem dizer que há alguns que são capazes de se conformar com a idéia dos 
discípulos, nãose casando. Se castraram (12). A má compreensão destas palavras, que foram 
tomadas literalmente nos tempos de ascetismo, acarretou tragédias, de quando em quando, no 
 
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decurso da história cristã. As palavras referem-se a abstenção do casamento por causa do 
evangelho. O princípio em apreço é explicado em 1Co 7.25-38. Quem pode receber isto, 
receba-o (12). Parece que o Senhor se refere à observação dos discípulos, no vers. 10, e não à 
indissolubilidade do casamento. Este verso não glorifica a vida celibata, mas implica que somente 
os que são verdadeiros eunucos podem aceitar o pensamento dos discípulos. Aqueles que podem 
abandonar todo o desejo de casamento por causa do reino dos céus podem ser chamados a uma 
vida celibata. Caso não possa fazer isso, o homem deve casar-se normalmente. 
27. A Bênção Sobre as Crianças 19.13-15 
Ver notas sobre Mc 10.13-16; Lc 18.15-17. Meninos (13). Parece que não eram crianças, 
mas meninos de uma idade tal que podiam responder à chamada de Cristo. Dos tais (14). 
Pessoas com a disposição de crianças. 
28. Riquezas e Salvação 19.16-20.16 
Para os vers. 16-29. Cfr. notas sobre Mc 10.17-31; Lc 18.18-30. Bom Mestre (16). Muitos 
manuscritos omitem a palavra «bom». A tradução alternativa do vers. 17, conforme esta 
modificação, diz: «Por que me perguntas a respeito do que é bom?». A frase «não há bom senão 
um só» concorda com Marcos e Lucas. Não é que o Senhor negue sua divindade por estes 
termos, mas aponta ao seu interrogador as implicações contidas no adjetivo bom. Se queres, 
porém, entrar na vida, guarda os mandamentos (17). A força do argumento é que o mancebo 
supunha que os guardava. A frase não é uma declaração do Evangelho. As Escrituras sempre 
afirmam que ninguém é capaz de guardar os mandamentos. Para os vers. 18.19. Cfr. Êx 20.12-
16; Dt 5.16-20; Lv 19.18. A citação vem dos LXX. O mancebo errou supondo que tinha guardado 
os mandamentos (20), especialmente o do amor ao próximo. Contudo ele percebeu que tinha 
necessidade. Se queres ser perfeito (21). Cfr. 5.48 n. Vai vende tudo o que tens e dá-o aos 
pobres (21). Tirado do contexto, este mandamento não é uma instrução geral que obriga a todo 
crente seguir uma vida de pobreza. O Senhor chamou o homem a este passo, posto que seria a 
prova mais certa de sua sinceridade. O mandamento concorda com o princípio bíblico que o 
cristão deve possuir somente o que é necessário para a vida diária e para o trabalho de Deus em 
que se ocupa. Há três interpretações do vers. 24. Primeira, o camelo e o fundo da agulha podem 
ser considerados literalmente. Segunda, a palavra camelo significaria «corda» e o fundo da agulha 
considerar-se-ia ainda literalmente. Terceira, a palavra camelo seria considerada literalmente, mas 
o fundo da agulha referir-se-ia a uma pequena porta ao lado da porta principal de Jerusalém, pela 
qual um camelo somente depois de descarregado podia passar e, mesmo assim, ajoelhado e 
empurrado. Esta última interpretação parece a mais razoável. Em todo caso, o sentido é 
compreensível e os discípulos logo o entenderam (25). A Deus tudo é possível (26). Uma alusão 
a Gn 18.14; Jó 42.2; Zc 8.6. A salvação não é possível pelo esforço humano. É ato sobrenatural. 
Nós deixamos tudo (27). Aqui Pedro se compara ao mancebo rico que tinha recusado a 
renunciar seus haveres. Que receberemos? Refere-se à promessa do Senhor de «um tesouro no 
céu» (21). O Senhor responde bondosamente a pergunta, mas na parábola seguinte (20.1-16) 
adverte-os do perigo de julgar o assunto por um padrão terreno. Ver notas sobre o vers. 30. Na 
regeneração (28) -- gr. palingenesia. Esta frase tem relação com o mundo renovado do futuro, 
«o novo céu e a nova terra». Vos assentareis para julgar (28). Cfr. 1Co 6.2-3. Ap 3.21. Ou 
mulher (29). Alguns manuscritos omitem estas palavras. Cem vezes tanto (29). Alguns textos 
trazem pollaplasiona, «muitas vezes». 
O argumento do vers. 30, que se repete em 20.16, é que a recompensa, no mundo 
vindouro, depende da graça de Deus e da fé em Cristo, e não da qualidade nem da quantidade do 
serviço feito. Esta parábola, que está só em Mateus, sublinha este fato. Um dinheiro (2). Moeda 
romana que valia uns poucos cruzeiros. Ociosos na praça (3). Os que queriam empregar-se 
soíam reunir-se na praça. As horas mencionadas nos vers. 5-6 são meio-dia, três da tarde e cinco 
da tarde, respectivamente. Recebereis o que for justo (7). Alguns manuscritos omitem esta 
frase. Começando pelos derradeiros (8). Há uma conexão entre esta frase e 19.30-20.16. Este 
é o tema principal da parábola. O vers. 15 mostra que tudo depende da graça de Deus que tem 
direito de dar ou de negar como ele quiser. É preciso cuidar que esta bondade divina não produza 
em nós uma mágoa. O vers. 16 ensina que todos os crentes receberão igualmente a recompensa, 
sendo a vida eterna que a morte de Cristo lhes conseguiu. Esta atitude divina, quando julgada do 
 
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ponto de vista material, como nos vers. 11-12, será considerada assim: os derradeiros serão os 
primeiros e os primeiros serão os derradeiros. Muitos serão chamados, mas poucos 
escolhidos (16). Omitido em alguns manuscritos. Entretanto, cabe bem no texto e se refere às 
palavras do Senhor em 19.23-26, onde ele fala da dificuldade que muitos experimentam em crer e 
obedecer ao evangelho, pelo fato de se acharem preocupados com o que podem ganhar para si 
quer no mundo presente, quer no mundo futuro. 
29. Terceiro Aviso dos Sofrimentos De Cristo 20.17-19 
Ver notas sobre Mc 10.32-34; Lc 18.31-34. A viagem para Jerusalém continua agora 
depois da visita à Peréia (ver 19.1-2 n). Como os acontecimentos finais da vida do Senhor se 
aproximam. Ele procura mais uma vez instruir seus discípulos. E mais uma vez eles não podem 
compreender, como se vê no pedido dos filhos de Zebedeu, que segue. Contudo, o cumprimento 
desta profecia minuciosa fortaleceria sua fé na hora da realização. Cfr. a mensagem do anjo em 
28.6. 
30. O Pedido de Tiago e João 20.20-28 
Ver notas sobre Mc 10.35-45. Filhos de Zebedeu (20). Mt 4.21 revela que os dois filhos 
eram os apóstolos Tiago e João. Dize (21) - melhor, «manda». Tanto o pedido como a indignação 
dos outros discípulos (24) mostram que todos os discípulos ainda esperavam o estabelecimento 
do reino terrestre, apesar da profecia tão clara da paixão e morte do Senhor, que Ele acabara de 
anunciar. 
Alguns manuscritos omitem a última parte da pergunta do Senhor, no vers. 22. É possível 
que fora adaptada do trecho paralelo, Mc 10.38. Esta nota aplica-se também ao vers. 23. Tanto o 
cálice como o batismo referem-se ao sofrimento e morte do Senhor. Seja vosso serviçal (26). 
Como no vers. 27, uma tradução melhor, «será vosso serviçal». 
Para ser servido (28). Não devemos rejeitar o serviço de outrem. Mesmo Cristo aceitou, 
mas Ele não ambicionou tal serviço e nós devemos seguir seu exemplo. A sua vida (28) - gr. ten 
psychen autou, «sua alma». Resgate (28) - gr. lytron. Esta frase importante fornece uma das 
poucas ocasiões em que a doutrina duma redenção vicária é mencionada nos Evangelhos 
sinóticos. A palavra significa o preço pago para libertar cativos. Naturalmente, nem Deus nem o 
diabo receberam um lucro material pela morte do Senhor, como alguns têm imaginado no 
passado. O preço consistia na necessidade de dar a sua vida. Dessarte sua vida se tornou o 
preço de nossa redenção. 
31. A Cura dos dois Cegos 20.29-34 
Ver notas sobre Mc 10.46-52; Lc 18.35-43. Dois cegos (30). Marcos e Lucas mencionam 
apenas um. Ver nota sobre 8.28. 
32. Os Acontecimentos da Última Semana do Ministério 21.1-23.39 
a) A entrada triunfal em Jerusalém (21.1-11) 
Ver notas sobreMc 11.1-10; Lc 19.29-39; Jo 12.12-15. Betfagé (1). Uma aldeia perto de 
Betânia, situada a uns dois quilômetros a leste de Jerusalém, do outro lado do cume do Monte das 
Oliveiras. O Senhor os há de mister (3). A narrativa dos últimos acontecimentos na vida do 
Senhor revela que havia em Jerusalém e circunvizinhanças pessoas que reconheciam Jesus 
como o Senhor. É possível que eles se tornaram discípulos durante o tempo do primeiro ministério 
em Jerusalém, que João descreve. A citação do vers. 5 é uma combinação de Is 62.11 e Zc 9.9 e 
adota em geral os LXX. Hosana (9). Palavra hebraica que quer dizer «salve Senhor». Encontra-se 
em 2Sm 14.4 e Sl 118.25. Deste mesmo Salmo, vers. 26, é tirada a aclamação bendito o que 
vem em nome do Senhor. Há um contraste notável nos vers. 10 e 11, entre os homens da 
cidade, que ignoravam a identidade do Senhor, e a multidão que sabia responder à pergunta 
deles. É muito provável que dentro da multidão houvesse muitos galileus que tinham ido ali para 
assistir à festa e que já conheciam o Senhor, em conseqüência de suas pregações e ministério de 
curas no Norte. 
b) A purificação do templo (21.12-17) 
Ver notas sobre Mc 11.15-19; Lc 19.45-47. O templo (12) - gr. to hieron. O termo indica 
 
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toda a área em cima do monte Moriá que o templo, seus recintos e corte ocupavam. De Deus 
(12). Omitido em alguns textos. Cambistas (12). As taxas do templo só se pagavam com moedas 
sagradas e, por esta razão, era necessário cambiar dinheiro. A venda de pombas tinha por fim o 
sacrifício. Na sua censura (13), o Senhor cita os LXX de Is 56.7 e Jr 7.11. Indignaram-se (15). 
Não era somente a popularidade do Senhor que provocava sua ira, mas também o uso pelos 
meninos do título de Filho de Davi, que implicava em Jesus ser o Messias. Os sofismas de seus 
inimigos silenciaram perante os louvores dos meninos, cumprimento da profecia do Salmo que o 
Senhor citou (Sl 8.2). Betânia (17). Uma aldeia no declive oriental do Monte das Oliveiras, a uns 
dois quilômetros a leste de Jerusalém. Ali morava Lázaro e suas irmãs. 
c) A figueira infrutífera (21.18-22) 
Ver notas sobre Mc 11.12-14,20-26. Senão folhas (19). O fruto da figueira aparece em 
fevereiro, antes das folhas que só nascem em abril ou maio. Era natural, então, esperar que a 
árvore desse fruto. Nunca mais nasça fruto de ti (19). O contexto indica que a figueira infrutífera 
foi escolhida pelo Senhor para ilustrar as dificuldades e obstáculos no caminho do evangelho ou 
da vida espiritual. 
d) Disputa com os fariseus, no templo (21.23-22.14) 
Obs.: Ver notas sobre Mc 11.27-12.12; Lc 21.1-19. 
(1) O SENHOR SILENCIA SEUS INTERROGADORES (21.23-27) - Aqui o Senhor 
raciocina que a pregação de João Batista foi feita sem a autoridade deles e que Ele podia ensinar 
do mesmo modo. 
(2) A PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS (21.28-32) - Esta parábola está ligada aos vers. 
anteriores pela referência a João (32). Os sacerdotes e anciãos não tinham crido nEle (25), ao 
passo que o povo o considerava profeta (26). É notável que no vers. 32 o Senhor dá a resposta à 
pergunta que ele mesmo fizera. Reino de Deus (31). Ver notas sobre 12.28. No caminho da 
justiça (32), quer dizer, João veio dirigi-los no caminho da justiça. Nem vos arrependestes (32). 
Os fariseus eram semelhantes ao filho que professou obediência sem praticá-la. Os publicanos se 
assemelham aos que primeiro desobedeceram e depois se arrependeram e foram aceitos por 
Deus. 
(3) A PARÁBOLA DOS LAVRADORES MAUS (21.33-46) - Ver nota sobre Mc 12.1-12. 
Plantou uma vinha... edificou uma torre (33). Estas palavras são adaptadas dos LXX de Is 5.1-
2. Os lavradores representam os chefes religiosos dos judeus; os servos são os profetas do Velho 
Testamento. Deste modo, a parábola descreve a perseguição e a rejeição dos profetas pelos 
dirigentes civis e eclesiásticos da nação, que dentro em breve iam rejeitar o próprio Filho de Deus. 
No vers. 42 o Senhor cita exatamente os LXX do Sl 108.22-23. A pedra é Jesus Cristo. 
Esta história ilustra sua rejeição pelos judeus, pela qual Ele se tornou a pedra angular da Igreja 
Cristã, quando Deus o ressuscitou dentre os mortos. Devido à incredulidade e desobediência os 
judeus são rejeitados e seu privilégio é dado a uma nação (i.e a Igreja Cristã) que dê os seus 
frutos (43). Há uma explanação do trecho em apreço em 1Pe 2.4-10. 
Uma interpretação do vers. 44 é a seguinte: A primeira frase refere-se aos que estão 
despedaçados, quando vieram a Cristo para serem reconstituídos novas criaturas nEle; a segunda 
frase refere-se àqueles que serão destruídos finalmente por Ele no dia do juízo. 
(4) A PARÁBOLA DAS BODAS (22.1-14) - Cfr. Lc 14.16-24. Esta parábola ilustra a 
dispensação do evangelho, a graça de Deus, a rejeição da mesma pelos judeus e a chamada dos 
gentios. Celebrou as bodas (2). Era o costume oriental que as festividades eram celebradas no 
lado do noivo e não da noiva. Os pais do noivo responsabilizavam-se para as bodas. As saídas 
dos caminhos (9) - gr. tas diexodous ton hodon, «encruzilhada». Tanto maus como bons 
(10). Encontram-se ambos dentro da igreja visível. Vestido de núpcias (11). Este vestido, que era 
apropriado para as bodas, foi providenciado pelo dono da festa para cada convidado. Levai-o 
(13). Os melhores manuscritos omitem. Haverá pranto e ranger de dentes (13). Ver 8.12 n. O 
contexto dá a entender que o vers. 14 ensina que há muitos ouvintes do evangelho e membros da 
igreja visível e apenas poucos corações estão em comunhão com Deus. 
 
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e) A questão do tributo a César (22.15-22) 
Ver notas sobre Mc 7.13-17; Lc 20.20-26. Os herodianos (16). Membros do partido que 
favorecia à dinastia de Herodes e apoiava a autoridade romana. Seu interesse na religião era 
mínimo e geralmente eles se opunham amargamente aos fariseus. O recado deles, citado no vers. 
16, era insincero, cheio de palavras hipócritas e lisonjeiras. A finalidade da pergunta no vers. 17 
era embaraçar o Senhor. Se ele respondesse afirmativamente, seria denunciado perante o povo 
como traidor. Respondendo negativamente, podia ser denunciado às autoridades romanas. César 
(17). Título do imperador romano e chefe de estado. César era o sobrenome de Júlio César, o 
primeiro que aspirou à autocracia, adotada por seu filho adotivo, que foi depois o Imperador 
Augusto. Logo chegou a ser considerado título. Dinheiro (19). Ver 20.2 n. Dai pois a César... 
(21). O Senhor ensina que devemos dar aos magistrados civis tudo o que lhes é devido, contanto 
que não interfiram no que pertence a Deus. 
f) Os saduceus e a ressurreição (22.23-33) 
Ver notas sobre Mc 12.18-27; Lc 20.27-40. Os saduceus (23). Ver nota 3.7. Moisés disse 
(34). Ver Dt 25.5-6. Esta ordenança se chama a Lei do Levirato. Um caso primitivo ocorre em Gn 
38.8. Os LXX desse verso são a base da citação em apreço. Conhecendo (29), isto é, 
entendendo o sentido. O poder de Deus (29). A ressurreição é a evidência máxima desse poder. 
Cfr. Rm 1.4 e Ef 1.19-20. Nem são dados em casamento (30) - gr. oute gamizontai, quando o 
sujeito do verbo é a mulher, como pode ser o caso aqui, o sentido é «dar-se em casamento». O 
sentido literal do verso é que nem os homens nem as mulheres se casam. Os anjos de Deus 
(30). Melhor, «os anjos» simplesmente. O argumento é que os anjos não reproduzem suas 
espécies. A resposta do Senhor não é uma inferência que as famílias não estarão unidas no 
mundo vindouro. 
g) Controvérsia com os fariseus continuada (22.34-46) 
Ver notas sobre Mc 12.28-37. Para o experimentar (35). A resposta do Senhor à pergunta 
do vers. 37 é adaptada de Dt 6.5, onde se encontra o mandamento original. Aqui a citação vemem parte dos LXX e em parte do hebraico. Obediência a Deus é a primeira obrigação do homem. 
Primeiro e grande (38). Melhor, grande e primeiro. Semelhante a este (39). A semelhança 
consiste na necessidade de evidenciar o amor, com sua devoção absoluta ao bem-estar de 
outrem. A citação é tirada de Lv 19.18. Para o vers. 40, cfr. Rm 13.10. 
Em espírito (43). Talvez uma referência a uma inspiração do Espírito Santo. A citação no 
vers. 44 vem dos LXX do Sl 110.1. A força da citação repousa na expressão «Meu Senhor». O 
trecho profetizou a presença atual de Cristo sentado à destra do Pai. A resposta à pergunta do 
Senhor significa que Cristo é tanto Deus como Homem, implicando assim sua divindade. 
h) A denúncia dos fariseus (23.1-39) 
Cfr. Mc 12.38-40; Lc 20.45-47. Na cadeira de Moisés (2). Sinônimo da autoridade de 
Moisés. Observai pois... o que vos disserem (3). Em consideração das censuras que se 
seguem, é patente que o Senhor se refere às coisas lícitas. Muito depende do sentido em que 
ocupam a cadeira de Moisés. Não se pode incluir, por exemplo, a tradição dos anciãos, 
condenada em 15.1-20. Como o texto revela, o pecado dos fariseus consistia mais em suas 
práticas más do que nos seus ensinamentos, visto que eles mesmos não praticavam o que 
pregavam. Alargam as franjas dos seus vestidos (5). A franja era um amuleto que consistia 
numa fita de pergaminho em que foram inscritos certos trechos do Pentateuco. A franja era 
enrolada e colocada dentro de um pequeno cilindro de metal, levado num estojo quadrado, de 
couro. Os judeus prendiam esses estojos à testa e no dorso da mão direita, com correias, como 
interpretação literalíssima de Dt 6.8-9. Normalmente eram usados somente durante a oração, mas 
parece que os fariseus os usavam sempre com muita ostentação. Alargam as franjas (5). 
Usavam tais franjas em obediência a Nm 15.38-39. 
Rabi (7-8) - gr. Rabbei, que significa literalmente do hebraico «meu professor». Mestre 
(8), isto é, professor. O Cristo, omitido nos melhores textos, provavelmente uma glosa. 
A ninguém chameis vosso Pai (9), isto é, no sentido espiritual. Este mandamento 
 
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condena o uso da palavra Padre, com referência ao Clero ou Capelão. Mestres (10) - gr. 
kathegetai, lit. guias ou dirigentes - professores. Servo (11) - gr. diakonos, ministro ou servidor. 
Os vers. 10,12 são muito típicos dos ensinos de Nosso Senhor. Cfr. Lc 14.11; 18.14. 
Fechais aos homens o reino dos céus (13). Dificultavam o progresso do pecador em 
busca do arrependimento e conversão. Devorais as casas das viúvas (14). Extorquiam dinheiro 
dos indefesos, de forma que estes contraíam dívidas embaraçosas, enquanto eles mesmos 
exibiam sua religião. Mais rigoroso juízo (14). Frase omitida nos melhores textos. Prosélito (15). 
Os judeus reconheciam duas classes de prosélitos: os que aceitavam os chamados sete preceitos 
de Noé e os que se submetiam à circuncisão, tornando-se, pela religião, autênticos judeus. 
Os vers. 16,22 ilustram bem os sofismas dos fariseus quanto aos juramentos. Templo (16) 
- gr. naos, «santuário». O Senhor ensina que todos os juramentos são de igual valor e que 
ninguém pode fugir das conseqüências perante Deus, sob os pretextos citados neste versículo. 
Dizimais (23). Pela lei mosaica, a décima parte de toda a produção devia ser dada para 
uso dos sacerdotes e levitas. Ver Lv 27.30. Diversas qualidades da hortelã crescem na Palestina 
Endro, gr. anethon, planta da Palestina que nasce sem cultivo, cuja fruta é usada na medicina. A 
semente do cominho tinha valor como especiaria. Os fariseus observavam minuciosamente a lei 
a respeito dessas coisinhas e se esqueciam por completo dos preceitos mais importantes. 
Coais um mosquito (24). Os judeus coavam vinho antes de o tomar, a fim de evitar 
qualquer contato com coisas imundas. O interior está cheio de rapina e de iniqüidade. Os fariseus 
viviam do que extorquiam de outrem. 
Sepulcros caiados (27). Desde que qualquer contato com um cadáver produzia imundície 
na pessoa, conforme a lei de Moisés, era costume caiar os sepulcros para serem bem visíveis e 
assim evitar qualquer contato com os mesmos. Condenação do Inferno (33). Seriam 
considerados dignos do Geena. Ver 5.22 n. 
Para que sobre vós caia (35). A geração à qual estas palavras foram dirigidas representa 
o auge na história pecaminosa da nação, começando com o assassínio de Abel, por seu irmão 
Caim (ver Gn 4 e Hb 11.4) e continuando até a morte de Zacarias, filho de Baraquias. Em 2Cr 
24.20-21 lemos a narrativa do homicídio de Zacarias, filho de Jeoiada, «no pátio da casa do 
Senhor». Sabemos que os livros de Crônicas encerram o Cânon Hebraico do Velho Testamento. 
Então, se este é o incidente ao qual o Senhor alude, a menção de Abel e Zacarias pode ser 
considerada como uma referência a todo o Velho Testamento. É problema que o Zacarias que foi 
morto em 2Cr 24, não era filho de Baraquias. O Zacarias em apreço era o profeta (Zc 1.1). Este 
viveu depois do cativeiro, na época que encerra a história do Velho Testamento. Contudo, não há 
tradição nem evidência de que fosse assassinado. Outra possibilidade é que este Zacarias é 
idêntico ao Zacarias, filho de Jeberequias, mencionado em Is 8.2. Deste último não há outros 
dados. Este trecho de Mateus é também incluído no Evangelho de Lucas (11.49-51). 
Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta (38). Referência a 1Rs 9.7-8; Jr 12.7; 22.5. 
Aqui o Senhor prediz a destruição do templo. O ministério do Senhor aos judeus termina com o 
vers. 39, que prenuncia sua morte, ressurreição e ascensão à presença do Pai. Dali em diante Ele 
seria conhecido somente pelo novo nascimento. Bendito o que vem... (39). Estas palavras são 
tiradas dos LXX do Sl 118.26. 
33. Quinto Discurso. Os Últimos Tempos 24.1-25.46 
Para 24.1-51 ver notas sobre Mc 13.1-37 e Lc 21.5-38. 
a) A aproximação do fim (24.1-14) 
Templo (1) - gr. hierou, significa «recintos do templo». A profecia do vers. 2 foi cumprida 
no tempo do Imperador Juliano, que, num esforço vão de reconstruir o templo, mandou tirar até 
aquelas pedras que foram deixadas no tempo da destruição de Tito. Tua vinda (3) - gr. 
parousias, palavra que expressa uma visita real. As perguntas dos discípulos revelam que eles 
associavam a destruição de Jerusalém com o clímax do fim do mundo, e que eram convencidos 
de que Jesus era o Messias cuja manifestação futura, em glória, no fim do mundo, ia inaugurar o 
eterno estado messiânico. Em parte, suas convicções eram corretas, quanto à primeira convicção, 
 
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só parcialmente. A destruição de Jerusalém era o sinal de que a velha ordem já era obsoleta e 
que a nova havia começado. Os discípulos ainda ignoravam a crucificação e ressurreição, as 
profecias a respeito das quais eles não tinham crido. Compreenderam que a nova era seria 
inaugurada pela ressurreição do Senhor, que marcava a transição. Muitos virão (5). Durante os 
quarenta anos entre a ressurreição do Senhor e a destruição de Jerusalém, apareceram diversos 
falsos cristos que conseguiram muitos adeptos. É mister que tudo isso aconteça (6). Frase 
tirada dos LXX de Dn 2.28; cfr. Ap 1.1; 4.1. Os melhores manuscritos omitem a palavra «tudo». Se 
levantar reino contra reino (7). Alusão a Is 19.2; 2Cr 15.6. O texto segue mais o hebraico do que 
os LXX. É instrutivo consultar o contexto de ambos os trechos do Velho Testamento, para 
compreender melhor seu sentido. Fomes e pestes (7). Gr. limoi kai loimoi. A semelhança entre 
estas duas palavras gregas causaria omissão da segunda palavra em alguns textos. Dores (8). 
Dores de parto que caracterizarão o início da época messiânica. Surgirão muitos falsos 
profetas (11).Ver notas sobre 7.15-16. O vers. 12 indica que a influência do mundo ser forte 
demais para muitos cristãos professos. É notável que a perseverança é um requisito que 
acompanha a verdadeira conversão (13). Mundo (14) - gr. oikoumene(i), o mundo habitado ou 
civilizado. 
b) A grande tribulação (24.15-28) 
A abominação da desolação... no lugar santo (15). Esta frase misteriosa constitui parte 
do vocabulário técnico apocalíptico. A frase tem sua origem em Dn 9.27; 12.11. No trecho paralelo 
em Lc 21.20, a explicação é dada como o cerco de Jerusalém por exércitos vitoriosos e da 
subsequente destruição da cidade e do Santuário. O profeta Daniel (15). O Senhor confirma a 
autoria do livro de Daniel, o profeta. Seus vestidos (18) - gr. himation, «manto». Nem no 
sábado (20). Refere-se à tradição legal dos judeus, que proibia viagem que excedesse uma curta 
distância. 
O vers. 21 é adaptado de Jl 2.2 e Dn 12.1. Os horrores do cerco de Jerusalém cumpriram 
amplamente a predição. Cerca de um milhão de judeus foram mortos, a maioria sendo crucificada 
e uns dois milhões vendidos como escravos miseravelmente. 
Escolhidos (22). Ver 22.14. Farão tão grandes sinais e prodígios (24). Referência a Dt 
13.1-4. A explicação dada em Deuteronômio quanto à função de falsos profetas revela muito do 
ensino profundo contido nas palavras do Senhor. No interior da casa (26) - gr. tameiois, lit. 
«armazéns». O verso é uma advertência para aqueles que correm atrás de qualquer falso profeta 
que pretenda ser o Cristo, nas regiões rurais. Também adverte do perigo de crer nos rumores 
falsos de que Cristo vive clandestinamente na cidade. Quando o Filho do homem vier, será 
manifesto abertamente a todos (27). A força do vers. 28 é que as aves de rapina logo aparecem 
quando há um cadáver na rua, sendo guiadas pelo instinto ou por um olfato sensível, sem outra 
advertência. Do mesmo modo, todos os verdadeiros crentes perceberão a vinda do Senhor, ainda 
que tenha a rapidez de um relâmpago (27) e serão arrebatados à sua presença. 
c) A vinda do Filho do homem (24.29-31) 
Logo depois da aflição daqueles dias (29). A tribulação não terminou com a destruição 
de Jerusalém. O comentarista pensa que inclui a subsequente era cristã. Talvez terá uma 
intensificação da tribulação no fim da era. As expressões utilizadas no vers. 29 são mais uma vez 
exemplos da linguagem técnica das profecias. São tiradas de Is 13.10; 34.4, com algumas 
variações dos LXX. O primeiro trecho refere-se à destruição do Império Babilônico e o outro ao 
Juízo Final, no fim do mundo. O sinal do Filho do homem (30). Quer dizer que o Filho do homem 
é o sinal. Todas as tribos da terra se lamentarão (30). Alusão a Zc 12.10-14. Agora, os homens 
lamentam em arrependimento; no dia do juízo será o pranto de desespero. O Filho do homem, 
vindo sobre as nuvens do céu (30). Alusão a Dn 7.13, que parece ser também urna profecia da 
ascensão. As palavras referem-se, sem dúvida, à volta de Cristo, em glória. No verso 31, notem 
as alusões a Is 27.13; Dt 30.4; Zc 2.6. O Senhor comenta o acontecimento que se chama o 
arrebatamento dos santos. O apóstolo Paulo amplia suas palavras em 1Ts 4.15-17. Notem em 
dois trechos a presença do Senhor em pessoa, a dos anjos ou do arcanjo, a trombeta, o 
arrebatamento dos santos e as nuvens. 
 
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d) Exortação à vigilância (24.32-51) 
Esta parábola (32). A força da parábola é que os acontecimentos descritos pelo Senhor, 
nos vers. 5-28 constituem sinais da certeza e iminência da vinda do Senhor. Parece que não há 
base bíblica neste contexto, para comparar a figueira com os judeus, nem para formular outras 
interpretações fantásticas. O vers. 34 oferece dificuldades e tem diversas explicações, como a 
seguinte: Esta geração - seria uma referência aos que vêem sinais do fim; outros pensam que a 
geração é a raça dos judeus; outros ainda consideram que a palavra tem o mesmo sentido como 
em Fp 2.15, onde se refere aos descrentes em geral. Estas coisas (34). Refere-se ao cerco de 
Jerusalém e contrasta com «aquele dia e hora» (36), que fala do fim do mundo. Cfr. Lc 21.32 n. O 
vers. 35 revela o contraste entre a natureza temporal do universo criado e o caráter eterno da 
verdade espiritual. 
Mas unicamente meu Pai (36). Os melhores manuscritos conservam as palavras que 
antecedem, «nem o filho». Ver trecho paralelo em Mc 13.32. É difícil compreender esta oração do 
Senhor quanto à limitação dos seus conhecimentos. Não podemos concluir disso que seu 
conhecimento era limitado por causa da encarnação. At 1.7 revela que tais assuntos constituem 
ainda a prerrogativa do Pai. Os dias de Noé (37). Ver a destruição em Gn 7.7. Será levado um e 
deixado o outro (40). Não é claro se um é levado à glória e o outro deixado para o juízo, ou se 
um é levado à destruição e o outro deixado vivo. O fato importante é que haverá no fim a 
separação das duas classes que irão para seus destinos diferentes. Ver 13.49. 
A pequena parábola do vers. 43 serve como advertência para aqueles que querem 
interpretar as alusões das parábolas muito literalmente. A vinda do Filho do homem é comparada 
às circunstâncias de como vem um ladrão à noite. É patente que a história serve somente para 
ilustrar a necessidade de vigiar. O trecho dos vers. 42-51 é comparável a Lc 12.36-48 e também a 
passagem paralela em Mc 13. Pranto e ranger de dentes (51). Ver 8.12 n. 
e) A parábola das dez virgens (25.1-13) 
A parábola mostra a diferença entre os verdadeiros cristãos e os nominais e reforça a 
chamada à vigilância, antes da vinda do Senhor. Saíram ao encontro do esposo (1). Ao 
anoitecer, no dia do casamento, o noivo levava a noiva para casa, acompanhado dos amigos de 
ambos. Em caminho, outros os encontravam levando lâmpadas para homenagear os nubentes. 
As bodas (10). Às vezes as festividades continuavam até sete dias. Em que o Filho do homem 
há de vir (13). Os melhores manuscritos omitem esta frase, que é provavelmente uma glosa. 
f) A parábola dos dez talentos (25.14-30) 
Ver notas sobre Lc 19.11-28. Esta parábola ilustra bem o estado da igreja antes da vinda 
de Cristo e naquela mesma hora. Talentos (15). Seu valor era de aproximadamente 750 dólares. 
Capacidade (15) - gr. dynamin, «poder». Logo (15). Esta palavra deve ser a primeira palavra do 
vers. 16. Duro (24). Severo ou sem misericórdia. Ceifas onde não semeaste (24). O escravo 
julgou mal o caráter de seu patrão e por isso não podia conhecê-lo bem. Atemorizado (25). O 
escravo calculava que seu mestre o trataria injustamente, fizesse o que fizesse. O vers. 26 não 
constitui uma aceitação da parte do patrão de que o julgamento do escravo em relação a seu 
caráter fosse exato. Diz apenas: «se pensaste assim, deverias ter feito assim...». Para o vers. 29, 
cfr. 13.12 n. 
g) O juízo final (25.31-46) 
O vers. 31 alude a Zc 14.5 sendo a maior parte tirada dos LXX. Os melhores manuscritos 
omitem a palavra «santo». Talvez fosse intercalada para concordar mais exatamente a citação 
com o original. Os LXX de Zc 14.5 dizem pantes hoi hagioi, «todos os santos». O evangelista 
glosa hagioi por angeloi, «anjos». Todas as nações (32). Todos os gentios. A mesma expressão 
ocorre em 24.9 e 28.19. Duas dificuldades surgem com respeito a este julgamento das nações. 
Primeiro, temos que perguntar se «todas as nações» quer referir-se aos que são de fora e, caso 
sim, aos que não são judeus ou aqueles que não são cristãos. Se forem aqueles, a interpretação 
é difícil, visto que a distinção entre judeus e gentios tem sido removida pelo evangelho. Em 
consideração do fato que os justos aparecem no juízo, é difícil concluir que os cristãos são 
 
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excluídos.É provável então que o termo seja sinônimo de mundo inteiro, tendo este sentido em 
24.9 e 28.19. Em segundo lugar, temos que perguntar se este juízo é o mesmo como aquele 
descrito em Ap 20.11-15. Os vers. de Ap 20.12-13 declaram claramente que este juízo é dos 
mortos. Mas no trecho em apreço nem se fala de vivos e mortos, como tais. Parece que não há 
solução certa ao problema, sendo natural supor que o juízo descrito neste trecho inclui os vivos e 
os mortos. É provável que os dois trechos descrevem os mesmos acontecimentos e que a 
menção dos mortos em Ap 20 seria parte do contexto ao qual dá ênfase. 
Sobre o problema da base do juízo em apreço, em que as obras podem ser consideradas 
por alguns como fator decisivo no destino eterno, é preciso notar primeiro que as obras são 
evidências da natureza e da atitude e não são, em si mesmas, meritórias. Em segundo lugar, 
vemos em Ap 20.12-13 que as obras constituem evidência do destino eterno. Em terceiro lugar, 
toda atmosfera do espetáculo apresentado neste trecho concorda inteiramente com a do 
Evangelho de Mateus em sua totalidade, de vez que enfatiza constantemente a realidade da 
religião. Esta realidade manifesta-se na vida pela autocrucificação, em contraste com a justiça 
própria dos fariseus. A ênfase joanina é um pouco diferente da de Mateus, sem porém contradizê-
la. Possuí por herança (34). É significativo que o direito à herança é devido ao fato de ser 
membro da família e não um direito que depende de ações. Preparado desde a fundação do 
mundo (34). Preparado muito antes de as ações serem feitas. O ponto de suprema importância 
nos vers. 35 e 36 é a relação com Cristo. Meus irmãos (40). Os irmãos de Cristo são os crentes, 
membros da verdadeira Igreja (ver Hb 2.10-12). Não podemos concluir que os cristãos não 
assistirão a este juízo, do mesmo modo, não concluímos que as virgens prudentes (vers. 2), por 
não serem idênticas à noiva, não representam os verdadeiros cristãos. Fogo eterno preparado 
para o diabo e seus anjos (41). Não foi preparado para os homens, que sempre tiveram 
oportunidade de serem salvos do perigo. Ver nota sobre 18.8. Nos vers. 42-45 a falha daqueles 
que foram condenados consistiu inteiramente na sua negligência. Falharam devido ao fato de não 
haver amor em suas vidas. O vers. 46 alude aos LXX de Dn 12.2, que se refere à ressurreição dos 
mortos. Isto dá a entender que os mortos, tanto como os vivos, presenciarão o juízo final. 
Estes capítulos contêm a descrição dos acontecimentos seguintes: a trama dos 
sacerdotes, a unção do Senhor em Betânia, a traição, a instituição da Ceia do Senhor, o 
julgamento perante os sacerdotes, a negação de Pedro, o julgamento perante Pilatos e, 
finalmente, a crucificação e ressurreição. 
34. A Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo 26.1-28.20 
Ver notas sobre Mc 14.1-2; Lc 22.1-2. O primeiro verso indica o fim do quinto discurso do 
Senhor. Ver nota sobre 7.28. A páscoa (2). Esta grande festa inaugurava o ano religioso dos 
judeus e comemorava a libertação nacional do jugo egípcio (ver Êx 12). Milhares de peregrinos se 
ajuntavam em Jerusalém naquela data. A morte do Senhor era o cumprimento daquilo que a festa 
anual representava. Sala (3). O pátio do palácio. Caifás (3). Era saduceu e havia sido eleito sumo 
sacerdote no ano anterior ao ministério do Senhor. 
a) A consulta dos sacerdotes (26.1-5) 
Cfr. 6.13 com Mc 14.3-9 n. e Jo 12.1-8. Simão, o leproso (6). É mencionado somente aqui 
e no trecho paralelo de Mc 14.3. Comparando Jo 12.1-8, parece provável que este era o pai de 
Lázaro, Marta e Maria. Preparando-me para o meu sepultamento (12). A significação da ação 
era que seu sepultamento se achava próximo e deste modo simbolizou profeticamente sua 
sepultura. Este evangelho (13). As boas novas da morte e ressurreição do Senhor. 
b) A unção e a traição (26.6-16) 
Para os vers. 14-16 cfr. notas sobre Mc 14.10-11; Lc 22.3-6. Judas Iscariotes (14). Ver 
notas em Mc 3.19. Eles lhe pesaram 30 moedas de prata (15). A maior parte destas palavras 
são tiradas dos LXX de Zc 11.12. 
c) A última ceia (26.17-35) 
Ver notas sobre Mc 14.12-31; Lc 22.7-38; cfr. Jo 13.1-38. No primeiro dia da festa dos 
pães asmos (17). A páscoa durava oito dias ao todo. O dia em apreço é quinta-feira, 13 de Nisã, 
 
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quando começavam as disposições para remover a massa levedada das casas. Assim chegou a 
ser chamado popularmente «o primeiro dia dos pães asmos». Comeres a páscoa (17). As 
famílias dos judeus celebravam a páscoa com uma refeição ritual, na noite do dia 14 do mês de 
Nisã, que corresponde aproximadamente a abril. Parece que os discípulos supunham que o 
Senhor ia observá-lo assim. Entretanto, parece que celebraram a última ceia na noite do dia 13, 
isto é, no dia 14 conforme o calendário judaico que conta o dia desde o pôr do sol (cfr. Introdução 
ao comentário de João e também a nota preliminar sobre Jo 13.1-38, a respeito da cronologia 
joanina). O que mete comigo a mão no prato (23). Todos os que comiam juntos faziam isto. A 
força das palavras do Senhor é que o traidor estava presente à mesa naquele momento. Tu o 
disseste, que significa, «sim, o que disseste é verdade». 
Jesus tomou o pão (26). O cabeça da família judaica tinha o costume de fazer isto 
durante a páscoa. Jesus deu à ação uma significação nova. Isto é o meu corpo (26). Se o 
Senhor tivesse desejado indicar por estas palavras que o pão se transformaria em seu corpo, Ele 
teria dito «isto se tornou em meu corpo». Durante a festa da páscoa o pai de família tomava o pão 
na mão e dizia: «isto é o pão de aflição que nossos pais comiam na terra do Egito», significando 
que uma coisa representava a outra. As palavras do Senhor mudaram completamente a 
significação de ênfase da festa. Em vez de recordar a redenção típica do Egito, agora a festa 
expressa a fé na redenção do pecado, consumada pela sua morte. Gl 4.25 fornece um exemplo 
luminoso deste uso do vocábulo «é» estin, no sentido de «representa». Ver também o vers. 28. O 
cálice (27). Durante a celebração da páscoa pelos judeus, o pai de família fazia circular três 
cálices, dos quais o terceiro era chamado o cálice da bênção. É provável que este verso se refira 
ao terceiro. Meu sangue do Novo Testamento (28). A frase é tirada dos LXX de Êx 24.8, com 
alusões a Jr 31.31 e Zc 9.11. O concerto de Êx 24.8 foi selado com sangue. Alguns textos omitem 
a palavra «Novo», mas, sem dúvida, a frase é o cumprimento da predição de Jr 31.31. 
A palavra Testamento, gr. Diathekes, não significa um concerto que implica um acordo 
entre dois iguais, mas um dote de um rico em beneficio de outrem, como a forma mais comum de 
doar um dote, era, e ainda é, por testamento. Esta palavra tornou à ter este sentido quase 
exclusivamente. Derramado por muitos para a remissão dos pecados (28). Eis uma 
declaração clara que a morte de Jesus era necessária para que Deus pudesse perdoar pecados. 
Aquela morte proporcionou a Deus a base moral pela qual poderia justificar o homem. 
Aquele dia (29). O dia em que ele voltar em glória. 
A citação do vers. 31 é tirada dos LXX de Zc 13.7, a primeira palavra gr. pataxon, «firo», é 
mudada para gr. pataxo, «ferirei». Irei adiante de vós (32). Ele ia guiá-los, na maneira de um 
pastor de ovelhas oriental, que anda na frente. Isto não significa que o Senhor iria primeiro à 
Galiléia para os discípulos irem ali ao seu encontro, mas que ele lhes apareceria em Jerusalém, 
de onde os guiaria à Galiléía. Ainda que me seja mister (35). Melhor, «ainda que eu deva 
morrer». 
d) A agonia em Getsêmani e a prisão de Jesus (26.36-56) 
Ver notas sobre Mc 14.32-52; Lc 22.39-53; Jo 18.1-12. Um lugar chamado Getsêmani 
(36). Era uma propriedade particular situada do outro lado do ribeiro de Cedrom, à base do Monte 
das Oliveiras. A minha alma está cheia de tristeza (38). Citaçãodos LXX do Sl 43.5. Velai (38). 
Eles deviam ficar acordados para enfrentar qualquer eventualidade. Este cálice (39). Referência a 
sua morte e paixão. Cfr. 20.22. Parece que o vers. 41 expressa o que o Senhor mesmo estava 
sentindo naquele momento. A palavra tentação tem um sentido mais amplo no Novo Testamento 
do que em português e abrange toda qualidade de prova de fé e obediência. O Senhor foi tentado 
a retirar-se da plena vontade de Deus, em face do preço tremendo que haveria de pagar para 
cumpri-la. Era sua natureza humana, sua carne, que era imaculada, que repelia a cruz. Seu 
espírito estava pronto e desejoso. Este conflito ocorre, em certa forma, em cada discípulo. Dormi 
agora e repousai (45). É difícil resolver o problema destas palavras. Se era um conselho literal 
para que tomassem o repouso de que necessitavam, neste caso houve um intervalo considerável 
entre esta hora e a do verso que se segue. Alguns comentaristas dão a estas palavras um sentido 
irônico. Em ambos os casos estas palavras dão uma idéia de consumação do conflito no 
Getsêmani, do qual Ele saiu vitorioso. Partamos (46). Não para fugir, mas para encontrar-se com 
 
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os oficiais. Amigo (50) - gr. hetaire. A palavra encontra-se também em 20.13 e 22.12. A palavra 
sublinha o fato de Judas ser condiscípulo. A que vieste? (50), melhor, faça aquilo para que 
vieste, ou pode ser que fosse uma exclamação: «que papel estás cumprindo». Neste caso o gr. 
ho equivale a hoion. Um dos que estavam com Jesus (51). Jo 18.10 revela que era Pedro. 
Puxou da espada (51). Trouxeram a espada do cenáculo onde celebraram a Ceia do Senhor (Lc 
22.38). Todos os que lançarem mão à espada, a espada morrerão (52). Isto é o princípio geral. 
O Senhor não quer dizer que cada pessoa que usa a força perecerá pela força, mas que a força 
sempre reage contra aqueles que dela lançarem mão. Alguns vêem neste verso, que proíbe o uso 
da força mesmo no único caso de justiça absoluta, a proibição do uso de armas em quaisquer 
circunstâncias. Legiões (53). A legião era a maior unidade do exército romano, contando uns seis 
mil homens. O Senhor ensina a Pedro que o uso da força é um erro, como também é 
desnecessário. O vers. 54 indica que o Senhor estava cônscio do fato de que sua submissão à 
paixão e morte seria o cumprimento das profecias do Velho Testamento. 
e) O julgamento perante Caifás e a negação de Pedro (26.57-75) 
Ver notas sobre Mc 14.53-72; Lc 22.54-65; Jo 18.13-27. Pátio (58). Os principais edifícios 
eram construídos ao redor desse pátio. Criados (58). Melhor, oficiais. No depoimento das 
testemunhas falsas (61) estas se basearam nas palavras do Senhor citadas em Jo 2.19-21. 
Conjuro-te pelo Deus vivo (63). Esta declaração obrigava a um homem a responder, sob 
juramento, e requeria resposta. O sumo sacerdote procurava uma confissão que seria a base de 
acusação de blasfêmia. Tu o disseste (64). Isto indica afirmação. Em breve (64). Jesus 
assentou-se à destra de Deus desde a sua ascensão ou, talvez, desde a ressurreição. Notem a 
alusão ao Sl 110.1 e Dn 7.13, na resposta do Senhor. A segunda parte da frase referir-se-ia tanto 
à ascensão como à segunda vinda de Cristo. Os chefes religiosos entre os judeus seriam 
testemunhas das virtudes de Cristo após sua ressurreição e assistiriam também à sua segunda 
vinda. A pergunta do vers. 68 e o pedido irônico quanto ao nome e identidade das pessoas que 
ele não podia ver, era-lhe exigido para que demonstrasse seu poder sobrenatural. 
Pedro estava assentado fora (69). Dos outros evangelistas sabemos que ele se 
aquentava junto a uma fogueira, no pátio. Não sei o que dizes (70). Quer dizer, «não tenho a 
mínima idéia do que queres dizer». A tua fala te denuncia (73). Os galileus falavam um dialeto 
nortista. 
f) O julgamento perante Pilatos (27.1-26) 
Cfr. notas sobre Mc 15.1-15; Lc 23.1-25; Jo 18.28-19.16. O presidente Pôncio Pilatos (2). 
Este era procurador romano da Judéia, de 26 a 37 A.D., cujo cargo dependia do prefeito da Síria e 
tinha sua residência em Cesaréia, mas esteve em Jerusalém para a festa, a fim de controlar 
qualquer revolta ou distúrbio. 
O sangue inocente (4). O artigo deve ser omitido. Foi-se enforcar (5). At 1.18 diz que ele 
precipitou-se e supomos que isso aconteceu quando quis enforcar-se. Compraram (7). Em tal 
caso a aquisição era feita no nome do homem de onde provinha o dinheiro. A lei considerava a 
coisa adquirida pelo falecido. 
A menção de Jeremias neste trecho (vers. 9) tem dado muita dificuldade, dada a suposição 
de que a citação vem de Zacarias. Diversas teorias engenhosas existem para solucionar o 
problema. De fato, há uma alusão a Zc 11.12-13, mas as palavras não concordam 
pormenorizadamente nem com o hebraico nem com os LXX. O acréscimo mais importante é a 
palavra «campo», sobre a qual depende o cumprimento da profecia citada pelo evangelista. Tanto 
esta palavra, como as idéias relacionadas a ela, são oriundas de Jr 32.6-9, onde ocorre a 
transação de um campo por tantas moedas de prata. A relação entre a profecia e seu 
cumprimento, ao qual o evangelista chama a atenção, depende dos dois trechos do Velho 
Testamento. É compreensível então que dos dois profetas, o evangelista escolheria Jeremias, 
sendo ele o maior e o mais antigo dos dois e que também fornece a palavra essencial da citação. 
Barrabás (16). No aramaico a palavra significa «filho do pai». Constitui um contraste propositado 
com Jesus, o Filho do Pai. Mas que mal fez ele? (23). Esta pergunta de Pilatos, no fim do 
julgamento admite indiretamente a inocência de Cristo. Não é de admirar que Pilatos quisesse 
 
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transferir a culpa da execução de si mesmo para os ombros dos judeus. A resposta dramática do 
vers. 25 marca a tragédia final na história dos judeus. A maldição invocada sobre eles mesmos 
pesa sobre eles até hoje. Ouvindo esta declaração dos judeus, Pilatos permitiu que sua 
pusilanimidade e medo de distúrbios superassem seus sentimentos de justiça. 
g) A crucificação e morte do Senhor (27.27-56) 
Ver notas sobre Mc 15.16-41; Lc 23.26-49; Jo 19.2,3,17-37. A audiência (27) - gr. to 
praitorion, transliteração do termo latino praetorium. Refere-se à residência do governador. 
Coorte (27). A unidade consistia de 360 homens. No caso em apreço é possível que a unidade 
fosse um manípulo, ou seja, uma fração da coorte. Capa de escarlata (28) - gr. chlamyda 
kokkinen. Esta capa ou clâmide era o manto dos oficiais do exército e que um broche segurava 
no ombro direito. Era também um sinal de realeza. 
Um homem cirineu, chamado Simão (32). Cirene era uma região da Africa do Norte, 
habitada por muitos judeus. Estes mantinham uma sinagoga em Jerusalém (At 6.9), de forma que 
haveria sempre muitos deles na cidade. Os dois filhos de Simão, Alexandre e Rufo, tornaram-se 
cristãos bem conhecidos mais tarde (ver Mc 15.21). Constrangeram (32) - gr. engareusan. Ver 
notas sobre 5.41 a respeito desta palavra. Levar sua cruz (32). O prisioneiro carregava sua 
própria cruz e o Senhor, no início, seguiu este costume (Jo 19.17), mas, evidentemente, era 
demasiado para suas forças. A viga transversal da cruz era geralmente ligada com cordas até que 
chegasse ao lugar da execução, quando era fixada em seu lugar. Lugar da Caveira (33). Não se 
sabe porque o lugar foi assim chamado. É possível que a Igreja do Santo Sepulcro esteja erigida 
em cima do lugar, visto que antigamente, mas não agora, a área estava fora do muro da cidade. 
Um sítio alternativo é a colina ao norte de Jerusalém, que é geralmente chamada «o Calvário do 
Gen. Gordon». À luz das últimas pesquisas, a primeira hipótese é mais provável. 
Deram-lhe a beber vinhomisturado com fel (34). Alusão ao Sl 69.21. Esta bebida era 
dada aos condenados como anodino. Não quis beber (34). O Senhor recusou qualquer mitigação 
de seus sofrimentos. Repartiram os seus vestidos lançando sortes (35). Citação dos LXX do Sl 
22.18. As roupas dos condenados eram divididas entre a soldadesca, como gratificação. É notável 
que a última parte do verso é omitida nos melhores textos. 
Meneando as cabeças (39). Alusão aos Sl 22.7 e 109.25, seguindo os LXX. Tu que 
destróis o templo (40). Ver notas sobre 26.61. Os príncipes dos sacerdotes (41). Se o sítio da 
crucificação fosse o da Igreja do Santo Sepulcro, os sacerdotes poderiam do recinto do templo 
insultá-Lo. Salvou os outros e a si mesmo não pode salvar-se (42). Esta era uma profunda 
verdade no sentido oposto ao que os sacerdotes queriam dizer. Se é o rei (42). Uma melhor 
tradução diz «Ele é o Rei» e neste caso a afirmação é zombaria. Confiou em Deus; livre-o (43). 
Estas palavras são uma citação do Sl 22.8, tirada em parte dos LXX e em parte do hebraico. É 
possível que os sacerdotes se lembravam da citação do livro apócrifo de Sabedoria (2.13,18-20). 
A hora sexta (45), isto é, meio-dia. Trevas (45). Naturalmente, eclipse do sol no tempo do 
luar não era possível. Não podemos afirmar se o fenômeno era meteorológico ou sobrenatural. 
Eli, Eli, lamá sabactani (46). É provável que esta frase em aramaico representa as 
palavras que saíram da boca do Senhor. O vocábulo Eli, sugere o hebraico Deus meu, Deus 
meu, por que me desamparaste (46). Citação do Sl 22.1, tirada principalmente dos LXX, mas 
substituindo o grego «Tu» em lugar de ho Theos dos LXX. Neste brado alcançamos as 
profundezas da redenção. Cristo foi maldito por Deus como sacrifício para os pecados (ver Gl 
3.13). Elias (47). Alusão ao profeta Elias. O vers. 48 refere-se ao Sl 69.21. É possível que a ação 
descrita neste verso tinha o fim de zombar dEle. 
O véu do templo se rasgou em dois de alto a baixo (51). O acontecimento simboliza 
lucidamente o fim da separação entre Deus e o homem. O estranho incidente descrito nos vers. 
52-53 é peculiar a este Evangelho. Há possibilidade de que o evangelista mesmo se encontrou 
com um destes santos ressurretos. A história se torna mais estranha pelas suas omissões. Não 
diz o que aconteceu aos santos entre a morte e ressurreição do Senhor, nem narra o fim da 
história deles. É de supor que os sepulcros ficaram vazios e que foram trasladados aos céus. 
Alguns pensam que as palavras «a ressurreição dele» devem ser traduzidas «sua ressurreição 
 
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por ele». Isto dá a entender que os santos apareceram em Jerusalém, na tarde do dia da 
crucificação, mas não explica o que aconteceu com eles depois. Maria, mãe de Tiago e de José 
(56). A tradição representa-o como irmão de Maria, mãe de Jesus. 
h) A sepultura do Senhor (27.57-66) 
Ver notas sobre Mc 15.42-47; Lc 23.50-56; Jo 19.38-42. Arimatéia (57). Provavelmente 
um lugar nas serras de Efraim, na Palestina central. Lençol (59). Mortalha. No seu sepulcro 
novo (60). Muitos ricos mandavam construir sepulcros ainda durante sua vida. Era costume 
fechar sepulcros na maneira descrita aqui, rodando uma pedra para a porta. Os vers. 62-66 são 
peculiares a Mateus. No dia seguinte (62). O sábado dos judeus. Preparação (62). Sexta-feira. 
De noite (64). Estas palavras são omitidas nos melhores manuscritos. Seguraram o sepulcro 
(66). O original deste verso é um pouco obscuro. Talvez as palavras signifiquem que o sepulcro 
fosse segurado na presença da guarda. 
i) A ressurreição (28.1-20) 
Ver notas sobre Mc 16.1-20; Lc 24.1-12; Jo 20.1-31. No fim do sábado (1). Há duas 
interpretações sobre o tempo mencionado aqui. Pode ser uma referência ao sábado à noite, na 
hora do pôr do sol, quando, no calendário judaico o primeiro dia da semana começava. Cfr. Lc 
23.54 onde a palavra grega epiphoskein tem o mesmo sentido. Neste caso a visita das mulheres 
tomou lugar na noite do sábado, o terremoto e a descida do anjo durante a mesma noite e, 
embora não mencionado, as mulheres teriam voltado no domingo cedo, de manhã (vers. 5). A 
segunda interpretação é que a frase «no fim do sábado» refere-se ao levantar do sol no domingo. 
Neste caso o terremoto ocorreu enquanto as mulheres se aproximaram, na alvorada. 
Chegando ao sepulcro, as mulheres viram os guardas prostrados em terra e o anjo assentado na 
pedra. É preciso chamar a atenção ao fato que a pedra não foi removida com o fim de libertar o 
Senhor, o que seria desnecessário, mas para permitir que as mulheres entrassem. Das duas 
alternativas a segunda é a mais aceitável. 
Respondendo (5). Ele lhes respondeu para acalmar o medo das mulheres. Tenhais, 
melhor, «tenhais vós». No original «vós» é enfático. O Senhor (6). Os melhores manuscritos 
omitem estas palavras. Ele vai adiante.... o vereis (7). As palavras significam que o Senhor irá na 
frente de seus discípulos como Pastor de oveIhas. A declaração não exclui sua manifestação em 
Jerusalém. Ver 26.32 n. Eu vos saúdo (9) - gr. chairete, a saudação comum daqueles tempos. 
Cfr. o nosso «bom dia». 
Poder (18) - gr. exousia, «autoridade». Ensinai (19) - gr. matheteusate, «fazei 
discípulos» ou «ajuntai discípulos». Ensinando-as a guardar (20). Isto significa mais do que 
conhecimento intelectual. Até a consumação dos séculos (20), ou «fim da era», quer dizer «até 
sua vinda». Quão vagarosos e displicentes somos para cumprir esta missão. A existência, no 
mundo moderno, de milhões que nunca ouviram o nome do Salvador é uma vergonha para nós. 
 
Anotações: 
______________________________________________________________________________
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______________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
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QUESTIONÁRIO 
1. Como você entende o nascimento virginal de Cristo? 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
2. Nas Bem-aventuranças o que quer dizer “limpos de coração”. 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
3. O que Cristo quis dizer com vãs repetições. 
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________ 
 
4. Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira: 
1 Tamar Estrangeira também e originalmente prostituta 
2 Rute Aquela que foi mulher de Urias 
3 Raabe Estrangeira e mulher de moral duvidosa 
4 Bate-Seba Moabita. 
 
5. Complete as Lacunas 
a) ________________ . A palavra dá a idéia de segredos, que só os iniciados poderiam 
compreender. 
b) __________________. Mulher de Filipe, irmão de Herodes 
c) _______________________ reconheceu e declarou abertamente a divindade do Senhor 
d) _____________________, significa uma assembléia escolhida 
e) _________________________________, que era a taxa de meio siclo que cada judeu maior 
de vinte anos deveria recolher para a manutenção do ________________________. 
f) __________________________, que significaliteralmente do hebraico «meu professor». 
g) _________________________. Esta grande festa inaugurava o ano religioso dos judeus e 
comemorava a libertação nacional do jugo egípcio 
 
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XX.. OO EEVVAANNGGEELLHHOO SSEEGGUUNNDDOO SS.. MMAARRCCOOSS 
INTRODUÇÃO 
Ver o Artigo Geral «Os Quatro Evangelhos». 
1. AUTORIA 
Este evangelho não menciona o seu autor. Entretanto, a autoria de Marcos, assistente de 
Pedro, nunca foi seriamente posta em dúvida. Não se duvida tampouco que este Marcos seja 
aquele «João, que tinha por sobrenome Marcos», a quem o Novo Testamento se refere oito 
vezes. Era parente de Barnabé (Cl 4.10); a afirmação de 1Pe 5.13 pode significar que ele se 
converteu por meio de Pedro. Nos escritos patrísticos dos primeiros quatro séculos há abundante 
evidência para a autoria marcana. Papias, Justino Mártir, Irineu, Clemente de Alexandria, 
Tertuliano, Orígenes, Eusébio e Jerônimo se referem à autoria de Marcos. 
2. DATA E LUGAR DA OBRA 
Quanto à data do segundo evangelho, as opiniões variam muito dentro dos 35 anos entre 
40 A. D. e 75 A. D. Marcos é agora aceito, quase universalmente, como o mais antigo dos quatro 
evangelhos. Por um lado, a declaração de Irineu que Marcos compõs seu evangelho «depois da 
saída (exodos) de Pedro e Paulo», indica uma data não anterior a 68. A. D., e não posterior a 70 
A. D., ano da destruição de Jerusalém, se aceitarmos a hipótese, não absolutamente segura, de 
que esta «saída» significa a morte. Dr. Vincent Taylor apóia a data 65 a 67 A. D. e considera 
precárias as teorias de uma data mais antiga. Por outro lado, a relação de Marcos com os outros 
sinóticos, especialmente com Lucas que precede os Atos dos Apóstolos (Ver At 1.1), sugere uma 
data nos meados do século. Uma data entre 50 e 55 A. D. nos daria uma posição entre os dois 
extremos. 
A maioria dos eruditos, seguindo evidências antigas, apontam Roma como o lugar em que 
foi escrito. Dr. Graham Scroggie considera que 1Pe 5.13 tende a confirmar esta idéia, caso 
Babilônia significasse Roma. Outros sugerem Alexandria, Cesaréia e Antioquia da Síria. 
É provável que este evangelho fosse escrito para leitores gentílicos em geral e mais 
particularmente para os romanos. Há relativamente poucas citações e alusões tiradas do Velho 
Testamento; expressões aramaicas são interpretadas (v.g. 5.41); os costumes dos judeus são 
explicados (v.g. 7.3-11); algumas palavras latinas aparecem. O teor geral da obra, que representa 
a incessante atividade do Senhor e Seu poder sobre os demônios, a enfermidade e a morte, 
atrairia o leitor romano, interessado mais em atividade do que em palavras. 
3. MARCOS E PEDRO 
Uma tradição oriunda de Papias (70-130 A. D.) reconhece, atrás da narrativa de Marcos, a 
pregação e autoridade do apóstolo Pedro. Esta afirmação de Papias é conservada por Eusébio da 
seguinte maneira: «Marcos, sendo o intérprete de Pedro, escreveu acuradamente tudo quanto ele 
se lembrou das coisas ditas e feitas pelo Senhor, porém não as colocou em ordem». Outros 
escritores patrísticos confirmam esta tradição que, segundo Dr. Vincent Taylor, «é tão segura que, 
ainda não a possuíssemos, seríamos obrigados a postular algo parecido». Isto não quer dizer que 
Marcos era apenas um secretário ou amanuense, nem tampouco que não usou material de outras 
fontes, inclusive as suas próprias reminiscências. É patente que o autor, embora não um dos doze 
apóstolos, possuía conhecimento muito íntimo dos fatos narrados, em que se revelam todos os 
sinais de originalidade. A ordem e classificação de material adotadas por Marcos são certamente 
criticadas pela tradição de Papias. Aparentemente, o evangelho segue uma ordem homilética, em 
vez de cronológica. 
As evidências internas da influência petrina são as seguintes: 
a) O evangelho começa com a chamada de Pedro, sem referência alguma à natividade de 
Cristo. 
b) O evangelho focaliza o ministério na Galiléia, e mais especialmente nos arredores de 
Cafarnaum, cidade de Pedro. 
c) A vividez das descrições indica que são as experiências pessoais de uma testemunha 
ocular. 
 
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São omitidos alguns pormenores que destacam a pessoa de Pedro, em a narração da 
confissão de Pedro, em Cesaréia de Filipe, e do seu andar sobre o mar. São relatadas 
minuciosamente as suas derrotas, como a negação do Mestre. 
4. FONTES 
Uma vez aceita a prioridade de Marcos, as pesquisas quanto às fontes deste evangelho 
não têm obtido o mesmo êxito como no caso de Mateus e de Lucas. 
A tradição oral tornou-se o objeto de intensos estudos nos últimos cinqüenta anos, estudos 
estes que deram origem à Crítica de Forma propalada por Martin Dibelius. A Crítica de Forma 
propõe a existência, antes de serem escritos os evangelhos que possuímos, de pequenos círculos 
de tradição. Estes círculos conservariam o evangelho pelo método oral, embora houvesse alguns 
evangelhos escritos, como o prefácio de Lucas indica. A nomenclatura desses círculos difere 
conforme o crítico. B. S. Easton divide o material da maneira seguinte: Ditados, Parábolas, 
Diálogos, Narrativas Miraculosas e Narrativas da Paixão. V. Taylor distingue Histórias 
Declarativas, Histórias Miraculosas e Histórias sobre Jesus. A evidente diversidade entre as 
diferentes análises aponta para o perigo inerente nelas, a saber, a pura subjetividade que as 
determina, tendo em vista a impossibilidade de verificação externa, que se usa para a Crítica 
Textual. Uma vez que se propõem investigações além dos documentos escritos, qualquer 
hipótese razoável pode ser sugerida. Por outro lado, há valor na insistência dos críticos da forma 
que o evangelho era pregado antes de ser escrito. Com o decorrer do tempo, muito material 
assumiu forma mais definida para os fins mnemónico e catequético, e disto há indicações na 
ordem tópica que Marcos adota. 
Quanto à sua forma e caráter, esta tradição oral é em grande parte semítica. A presença 
de uma considerável influência aramaica no grego de Marcos indica isto, sem porém levar-nos a 
conclusão, mantida por C. C. Torrey e outros, de que o evangelho fosse tradução de um original 
aramaico. O importante é que este fato aumenta incontestavelmente o valor histórico da obra, 
visto que Marcos, embora gentílico nas suas simpatias, se coloca perto da tradição dos cristãos 
judeus. Quanto às fontes documentárias, a questão principal é se Marcos conheceu e utilizou o 
duvidoso documento «Q». Na opinião do Cônego Streeter é quase certo que «Q» precede 
Marcos; outros pretendem reconhecer vestígios de «Q» no seu evangelho. Além desta 
possibilidade indecisa, não há mais para dizer. Alguns procuram provar a existência duma edição 
preliminar, uma espécie de ensaio, conhecida como Ur-Markus, isto é, Marcos Original, mas esta 
sugestão altamente subjetiva pode ser considerada apenas uma hipótese. Em síntese, podemos 
dizer que a fonte principal deste evangelho é a pregação e ensino de Pedro, cujo sermão em 
Cesaréia constitui realmente um resumo do evangelho (At 10.34-43). A esta fonte principal seriam 
acrescentadas uma parte geral da tradição oral, as reminiscências pessoais de Marcos, e talvez 
material tirado de outros documentos. 
5. TEOLOGIA 
a) A Pessoa de Cristo 
Consta que Marcos apresenta a pessoa de Cristo como Servo de Jeová (Is 52.13-53.12), 
enquanto Mateus o descreve como Rei, Lucas como Homem, e João como Filho de Deus. 
Diversos aspectos deste evangelho, como a ausência de uma genealogia e a predominância da 
ação sobre o ensino, apóiam esta descrição. O uso do titulo «Filho do Homem» ocorre quatorze 
vezes neste evangelho, e se interpreta na maioria dos casos (8.31; 9.9,12,31; 10.33,45; 14.21,41) 
de acordo comeste conceito. Entretanto, desde o primeiro versículo do livro, Marcos identifica o 
humilde Servo como o próprio Filho de Deus, cujo ministério é autenticado por suas obras 
poderosas. É inequívoca a atestação divina desta identidade na hora do batismo e da 
transfiguração (1.11; 11.7). Dr. V. Taylor a considera como o elemento mais fundamental da 
cristologia marcana, «uma cristologia tão sublime como se encontra em qualquer parte do Novo 
Testamento, sem excluir o evangelho de S. João». 
O ministério messiânico de Jesus, segundo Marcos, se vê como segredo bem guardado, 
pelo menos até a confissão de Pedro (8.30). Sem dúvida, o motivo para sigilo seria de evitar o 
perigo inerente nos conceitos populares nacionalistas e materialistas, com que as expectativas 
dos judeus investiram o título. Ao mesmo tempo, o autor desejava assegurar-lhe uma significação 
 
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tanto ética como apocalíptica. O termo «Cristo» se usa apenas sete vezes, e Jesus nunca o usa 
com referência a si mesmo. 
b) A Obra de Cristo 
As duas metáforas usadas em 10.45 e 14.24 indicam quais são as doutrinas principais 
enunciadas. A vida do Nosso Senhor, dada como sacrifício, se descreve como «resgate de 
muitos», e como o «sangue do Novo Testamento». Aquele efetua libertação do pecado e do juízo, 
enquanto este estabelece um novo pacto e comunhão entre Deus e o homem. Estes conceitos em 
Marcos não são elaborados num sistema de doutrina. Há menos razão ainda para supor que a 
referência ao «resgate» indique influência paulina. Diz o Dr. James Denney: «Se achamos o 
mesmo pensamento em Paulo, não digamos que o evangelista fosse exposto à influência paulina, 
mas antes que S. Paulo aprendeu aos pés de Jesus. Todos os sinóticos mencionam as três 
ocasiões em que Jesus procurou, propositadamente, advertir os discípulos de sua paixão próxima. 
Mas é Marcos que observa mais especialmente as diferentes atitudes dos discípulos (8.31 e seg.; 
9.31 e seg.; 10.32). 
c) Escatologia 
A escatologia do evangelho se encontra principalmente nas duas passagens 8.38-9.31 e 
13.1-37, em que Jesus discursa sobre dois acontecimentos bem separados em tempo, a saber: a 
destruição de Jerusalém em 70 A. D., e Sua segunda vinda em glória. Contudo, é preciso 
reconhecer que Marcos escreve do Reino de Deus em termos predominantemente escatológicos. 
As idéias básicas deste conceito são, primeiro, o governo real dum Deus soberano, e em segundo 
lugar, de um reino ou comunidade em que se ingressa (9.47; 10.23). As declarações sobre este 
segundo conceito podem conter uma possível significação futura, também, mas outras 
referências, como 14.25 e 15.43, se aplicam, inegavelmente, a um cumprimento futuro. 
d) Afinidade com o ensino paulino 
Foi mencionada acima a sugestão que Marcos fosse sujeito à influência paulina. É assunto 
de importantes debates desde muito tempo. É verdade que há muito em comum tanto no 
vocabulário como nas idéias entre este evangelho e os escritos de Paulo. Entretanto, esta 
semelhança é verificável em quase todos os escritos da igreja primitiva. Por outro lado, é verdade 
também que muitas das expressões e conceitos doutrinários tipicamente paulinos, como por 
exemplo «justiça», «justificação pela fé», «união com Cristo», «vida no Espírito» etc., são 
inteiramente ausentes em Marcos. Só podemos dizer que Marcos viveu e escreveu num ambiente 
romano e paulino e, mais ainda, que talvez conhecesse algumas das epístolas mais primitivas. 
Como observa o Dr. V. Taylor: «Marcos nem refaz, nem ofusca a tradição histórica. Seu Jesus é o 
Jesus da Galiléia». 
6. PLANO DO LIVRO 
I. PREPARAÇÃO - 1.1-13 
a) João Batista (1.1-8) 
b) O batismo de Jesus (1.9-11) 
c) A tentação de Jesus (1.12-13) 
II. MINISTÉRIO NA GALILÉIA - 1.14-9.50 
a) A chamada dos primeiros discípulos (1.14-20) 
b) O primeiro sábado em Cafarnaum (1.21-45) 
c) O começo da oposição (2.1-3.6) 
d) A eleição dos Doze (3.7-19) 
e) Acusações contra Jesus (3.20-35) 
f) Ensino por parábolas (4.1-34) 
g) Obras poderosas (4.35-5.43) 
 
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h) Rejeição em Nazaré e a missão dos Doze (6.1-13) 
i) Herodes e João Batista (6.14-29) 
j) Milagres e ensinos na Galiléia e além (6.30-8.26) 
l) O Messias e Seus sofrimentos (8.27-9.29) 
m) Censuras e advertências (9.30-50) 
III. EM CAMINHO PARA JERUSALÉM - 10.1-52 
a) Sobre o casamento e o divórcio (10.2-12) 
b) Sobre a Infância (10.13-16) 
c) Sobre as riquezas (10.17-31) 
d) Terceira predição da paixão (10.32-34) 
e) O pedido de Tiago e João (10.35-45) 
f) A cura do cego Bartimeu (10.46-52) 
IV. A SEMANA DA PAIXÃO - 11.1-15.47 
a) A entrada em Jerusalém e início da semana (11.1-26) 
b) Ensino em Jerusalém (11.27-12.44) 
c) O sermão profético (13.1-37) 
d) A história da paixão (14.1-15.47) 
V. A CONSUMAÇÃO - 16.1-20 
a) A ressurreição (16.1-8) 
b) O epílogo (16.9-20) 
7. COMENTÁRIO 
7.1. A Preparação 1.1-13 
a) João Batista (1.1-8) 
Ver notas sobre Mt 3.1-12; Lc 3.1-20. Cfr. Jo 1.6-34. É provável que Marcos queria que o 
primeiro versículo servisse como título da obra. O evangelho (1): não apenas o livro, mas o seu 
conteúdo das «boas novas concernentes a Jesus Cristo». Os vers. 2 e 3 podem ser considerados 
como parênteses e, neste caso, o primeiro versículo é ligado ao vers. 4 assim: «Princípio do 
evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus...; apareceu João no deserto». Esta sugestão atraente 
dá relevo ao fato de que as boas novas da vinda do Messias começaram num reavivamento 
espiritual e não, como se esperava, numa revolução política. Entretanto, este arranjo do texto 
tende a subordinar a importância da citação do Velho Testamento. É preferível a ARA no primeiro 
verso, onde termina com ponto, deixando-o como título do livro. 
No profeta Isaías (2). Realmente uma citação de Ml 3.1, e não de Isaías. A frase mais 
importante, no deserto (3), tem sua aplicação no vers. 4. Marcos cita Isaías como autor desta 
frase (cfr. Is 40.3) e talvez incorpore a citação de Malaquias, por ser tão apropriada. As duas 
profecias são apresentadas a fim de mostrar a natureza da missão de João Batista, corno 
preparação para a vinda do Messias. Ambas as citações, no seu significado primitivo, se referem 
ao povo de Deus à procura de Jeová. Aqui se aplicam, muito sugestivamente, a Jesus Cristo. 
São indicadas também a índole e influência do ministério preparatório de João. O que se 
prepara é o coração humano. O ministério de João se caracteriza pelo seu poder moral. O 
batismo de arrependimento tem em mira a remissão dos pecados (4). Arrependimento: O 
grego (metanoia) significava originalmente «mudança de pensamento». Porém, em o Novo 
Testamento o seu sentido denota um ato deliberado pelo qual se recobra o juízo, com a resultante 
mudança de conduta. Os pormenores deste aspecto do ministério de João Batista são 
apresentados em Lc 3.1-20 (ver notas). Toda a província da Judéia sentiu o seu impacto. Jesus 
 
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mesmo veio da Galiléia (9), mas mede-se a influência da missão de João Batista pelo fato de a 
Judéia ser profundamente tocada por sua mensagem. A confissão de pecados era oral, uma 
pública confissão, após o que eram mergulhados (baptizo, forma intensiva de bapto) nas águas 
do rio, como um ato simbólico. 
O vestido e a alimentação de João (6) revelam sua austeridade e separação dos 
interesses materiais. Seu indumento era típico dos profetas e relembra Elías (2Rs 1.8), a quem 
João se assemelha em diversos aspectos (Mc 9.13). Gafanhotos: alimento somente da classe 
maishumilde. Consta que os beduínos ainda os comem tostados ou salgados. O testemunho de 
João focaliza aquele que é mais forte do que eu (7), cuja vinda estava próxima, e que ia batizar 
não com água, mas com o Espírito Santo (8). O ensino do Velho Testamento concordava que 
estas seriam as características dos dias do Messias (Is 44.3; Ez 36.26; Jl 2.28). 
b) O batismo de Jesus (1.9-11) 
Ver notas sobre Mt 3.13-17; Lc 3.21-22. Jesus se apresenta à beira do Jordão em toda 
simplicidade, como um da multidão que deseja o batismo de João. Mateus narra a surpresa e a 
desconfiança de João (3.14-15), na ocasião em que este entrou em contato com o corpo sagrado 
do Senhor para batizá-lo. João O batizou somente depois da insistência do Senhor. Logo (10): o 
primeiro uso desta palavra predileta de Marcos, que ocorre quarenta e uma vezes nesta obra. 
Quando Jesus subiu do Rio Jordão, uma tríplice experiência O destacou entre os demais, 
identificando-O na sua única relação com Deus. Em primeiro lugar, ele viu os céus abertos (10), 
ou melhor, rasgarem-se (schizomenous), facultando a vista desembaraçada das coisas 
celestiais (cfr. Jo 3.12-13; Is 44.1). Em segundo lugar, ele viu o Espírito que como pomba 
descia sobre ele. É patente que a forma de pomba era visível, e não apenas um símile de ternura 
para descrever o fenômeno, pois Lucas elucida a experiência com as palavras «em forma 
corpórea» (Lc 3.22). Alguns fazem a sugestão interessante de uma alusão a Gn 1.2, onde o 
Espírito paira sobre as águas primevas. Em terceiro lugar, brada a voz do Pai dos céus, 
testemunhando que este é Seu Filho (11). Cfr. 11.7 e Jo 12.28. As palavras relembram Sl 9.7 e Is 
42.1. Revela-se numa luz claríssima a Santa Trindade, focalizando a Pessoa do Filho. Para o 
homem conhecer o trino Deus, é preciso que o primeiro encontro sempre seja com a pessoa de 
Cristo, o Filho. 
É notável que Jesus, embora batizado por João, não confessou pecado, e a Igreja primitiva 
sempre ficou firme quanto à imaculabilidade absoluta dEle. Para Jesus, Seu batismo significa 
primeiro o cumprir de toda a justiça (cfr. Mt 3.15 n.); em segundo lugar, um ato de identificação 
com o povo, sendo «contado com os transgressores» (Is 53.12); e em terceiro lugar, um ato de 
consagração ao Seu ministério. 
c) A tentação de Jesus (1.12-13) 
Cfr. notas sobre Mt 4.1-11; Lc 4.1-14. Sem dúvida foi o próprio Jesus que divulgou os 
pormenores deste incidente. O relatório de Marcos é brevíssimo, o que é muito curioso, tendo em 
consideração o evidente interesse do autor no triunfo do Filho de Deus sobre as potestades das 
trevas. Todos os sinóticos concordam em dar relevo à íntima relação entre o batismo e a tentação 
de Cristo. Na sua obra Life and Times of Jesus the Messiah, Edersheim sugere que Jesus, 
impelido pelo Espírito, fosse ativo no Seu batismo e passivo na tentação. Pelo batismo Ele 
cumpriu toda a justiça, e pela tentação Sua justiça foi provada. Antes de iniciar Seu ministério, 
cujo propósito foi raptar e destruir de uma vez o poder de Satanás em vidas humanas, foi-lhe 
mister encontrar e vencer aquele inimigo no campo de batalha da Sua própria vida. Cfr. Hb 2.18; 
4.15. A solidão do lugar se faz sentir pela frase estava com as feras (13, ARA) - uma minúcia 
incluída somente por Marcos. A severidade da luta se vê no fato de que os anjos o serviam (13. 
cfr. Lc 22.43). Uma explicação puramente psicológica desta história não é satisfatória. Tudo foi 
real - tanto o encontro, como a pessoa de Satanás e os anjos. Em menor grau, cada discípulo que 
se sente chamado a uma tarefa penosa só pode esperar um conflito semelhante, em que uma 
vitória parecida é possível. Marcos julga desnecessário mencionar quem foi o vencedor. 
7.2. O Ministério na Galiléia 1.14-9.50 
a) A chamada dos primeiros discípulos (1.14-20) 
 
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(1) O MINISTÉRIO DE JESUS (1.14-15) - Cfr. Mt 4.12-17; Lc 4.14-44. Segundo Marcos, o 
ministério começou depois de João ter sido preso (14), o que implica um intervalo entre o 
batismo de Jesus e seu ministério na Galiléia. Marcos não revela nada a respeito da atividade de 
Jesus naquele período. Neste como em outros assuntos, o evangelho de S. João completa a 
narrativa sinótica (cfr. Jo 1.19-4.42). Jesus começou a proclamar as boas novas de Deus, que já 
passara o tempo de esperança, e que já tinha chegado o anelado Reino de Deus. À luz do 
advento deste reino, era mister que todos os homens se arrependessem e cressem (15). A 
responsabilidade humana em relação ao evangelho se expressa nestas duas palavras. O reino 
de Deus (15): o governo divino no coração humano e na sociedade. 
(2) A CHAMADA DE PEDRO, ANDRÉ, TIAGO E JOÃO (1.16-20) - Veja Mt 4.18-22. 
Compare Lc 5.1-11. Era fundamental no ministério de Jesus a escolha e preparação dos Doze, 
que iam compartilhar com Ele a responsabilidade de proclamar as boas novas, durante Sua vida, 
e de continuar a disseminá-las depois da Sua ascensão. Os dois pares de irmãos mencionados 
aqui já conheciam Jesus (veja Jo 1.15-42) e criam que fosse o Messias. Agora Ele os chama ao 
passo definitivo de deixarem a pescaria para segui-lO incondicionalmente. A vida de pescador os 
preparava bem nas qualidades de paciência e persistência necessárias para o serviço de ganhar 
os homens para Cristo. No entanto, precisava-se de mais ainda, e se estivessem dispostos a 
segui-lO naquela hora, Ele prometia fazer deles pescadores de homens. Quando Cristo os 
chama, Ele tem em mira, não tanto no que são agora, como no que se tornarão mais tarde pela 
obediência à Sua direção. 
b) O primeiro sábado em Cafarnaum (1.21-45) 
Foi com interesse muito particular que Pedro teria relatado os pormenores da história do 
primeiro dia em que Jesus apareceu na Sua cidade e ministrou na Sua própria casa. A narrativa 
possui todas as evidências de recordação pessoal de uma testemunha ocular. Um trecho paralelo 
se encontra em Lc 4.31-44. 
(1) A CURA DE UM ENDEMONINHADO NA SINAGOGA (1.21-28) - Salientam-se neste 
evangelho os ensinos de Jesus; veja 2.13; 4.1; 6.2,6,34. Sinagoga (21): etimologicamente, uma 
reunião, ou assembléia. Por extensão, significa o lugar em que a congregação se reúne. Pouco se 
sabe das origens da sinagoga. As reuniões eram mormente para instrução; o edifício se usava 
também como tribunal de justiça, (Lc 12.11; 21.12), onde se aplicavam penalidades. Era costume 
o presidente da sinagoga (gr. archisynagogos) resolver quem lesse e expusesse as Escrituras 
aos sábados. Este costume ofereceu muitas oportunidades a Jesus, nesta fase inicial do Seu 
ministério, pois, por onde quer que aparecesse, foi-lhe facultado o ensino. Mais tarde, Paulo 
aproveitaria o mesmo ensejo. A autoridade intrínseca no ensino de Jesus oferece vivo contraste 
com as declarações dos mestres judeus, que se baseavam invariavelmente na tradição ou no 
parecer dos famosos rabinos. 
Enquanto Jesus estava falando, ou Sua presença ou Sua mensagem, ou ambas, 
provocaram uma manifestação por um homem endemoninhado. O fenômeno de possessão 
diabólica dá relevo especial ao período da vida terrestre do nosso Senhor. Há apenas dois casos 
no Velho Testamento, e dois no Novo fora dos evangelhos. Distingue-se nitidamente de 
desordens psíquicas. Os demônios eram reais, e sabiam da missão messiânica de Jesus antes 
dos discípulos, fato este que não lhes foi permitido divulgar. (vers. 34; Tg 2.19). Jesus vinha do 
Seu recente encontro com o Príncipe do Mal (13). Não admira que os espíritos inferiores de 
maldade reconhecessem nEle seu vencedor (24). A autoridade da palavra de Cristo se revela não 
tão somente na excelência da Sua doutrina mas também na força do Seu comando. Pronunciada 
Sua palavra, logo o espírito imundo convulsiona o homem e sai dele. Lucas, como médico, 
acrescenta o fato que saiu dele «sem lhe fazer mal» (Lc 4.35). Jesus nunca deitou as mãosnum 
endemoninhado para libertá-lo. Bastava a palavra falada. O povo se admirou e logo se ouviu o 
zunzum de conversação (27). A fama de Jesus espraiou-se rapidamente em toda aquela região. 
(2) A CURA DA SOGRA DE PEDRO (1.29-31) - Veja Mt 8.14-15; Lc 4.38-39. A casa de 
Simão e André (29): desde agora torna-se o centro de operações de Jesus na Galiléia (veja 2.1; 
3.19; 9.33; 10.10). Segundo Jo 1.44, estes dois irmãos eram de Betsaida. Uma hipótese sugere 
que mudaram de casa no intervalo. Outra propõe que Betsaida fosse o bairro dos pescadores em 
 
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Cafarnaum. 1Co 9.5 confirma o fato de Pedro ser casado e, mais ainda, que sua mulher o 
acompanhava no seu ministério subseqüente. Para Pedro, esta ocasião no seu próprio lar foi 
inolvidável. Nota-se quão rápida e completa foi a cura, pelo fato de a sogra restaurada servi-los 
(31) à refeição sabática, sem o menor sinal do cansaço e debilidade que normalmente seguem a 
febre. 
(3) CURAS DEPOIS DE PÔR-SE O SOL (1.32-34) - Veja Mt 8.16-17; Lc 4.40-41. O 
sábado findava ao sol posto. Tornou-se lícito então carregar os doentes, sem infração da lei. Os 
que sofriam doenças físicas não eram classificados com os endemoninhados (32-34). O povo 
começou a correr para a porta da casa, e logo uma multidão formou. Jesus não desapontou as 
massas, pois a compaixão e poder divinos sempre se manifestam a favor dos que O buscam na 
sua necessidade. 
(4) RETIRO À SOLIDÃO E UMA VOLTA NA GALILÉIA (1.35-39) - Cfr. Lc 4.42-43. 
Surpreendentemente, Jesus, no meio desta atividade, se levantou alta madrugada (35) e se 
afastou à surdina da cidade, antes de todo mundo acordar. A história é narrada do ponto de vista 
dos que, dentro de casa, descobriram sua ausência, e logo sentiram que Ele estava perdendo 
maravilhosas oportunidades em Cafarnaum, sem apreciar o alcance do Seu êxito. Imediatamente 
Simão Pedro assume a liderança, e junto com seus amigos, procuravam-nO diligentemente (36, 
ARA). No original, o verbo usado aqui ocorre só esta vez no Novo Testamento, embora usado 
freqüentemente nos LXX, v. g. Sl 33.6. Os motivos que levaram Jesus a retirar-se eram o desejo 
para comunhão com o Pai (35) e a necessidade de pregar em outros lugares (38). Cafarnaum não 
podia gozar do monopólio do Seu ministério. Para Isso é que eu vim (38): refere-se, não a Sua 
saída da cidade, mas à Sua missão outorgada pelo Pai (Lc 4.43). 
(5) PURIFICAÇÃO DE UM LEPROSO (1.40-45) - Veja notas sobre Mt 8.1-4 e Lc 5.12-14. 
As curas milagrosas evidentemente suscitaram muito entusiasmo popular, ao ponto que houve 
perigo, tão comum também em nossos dias, que este tipo de ministério ofuscasse a obra mais 
espiritual e fundamental do evangelho. Não se encontra menção de curas no verso 39, por esta 
razão. Este caso de um leproso, porém, suscitou a compaixão do Senhor, e sua cura não se 
explica, de maneira nenhuma, por auto-sugestão, nem pelos métodos usados nas curas «pela fé». 
A lepra da Bíblia varia muito quanto à sua malignidade, algumas dermatites sendo incluídas nesta 
classificação. Se quiseres (40): compare a expressão semelhante «se tu podes» em 9.22. A 
Escritura nunca diz que o leproso fosse restaurado, mas purificado. Jesus, profundamente 
compadecido, estendeu a mão (41). «A compaixão de Cristo se expressa por meio daquela mão 
que nos segura» (Plummer). Depois de experimentar primeiro o poder de Cristo, o homem pôde 
cumprir as exigências da lei (Lc 14.2-20). A experiência cristã segue esta ordem (Rm 8.1-4). O 
fato que o homem podia cumprir a lei serviu de testemunho (44) tanto para os sacerdotes como 
para o povo. Para conservar aquela ordem, o leproso recebeu a rigorosa instrução de guardar 
silêncio (44). Sua desobediência fez com que o Senhor mudasse, temporariamente, Seu 
ministério da cidade para o campo (45). 
c) O começo da oposição (2.1-3.6) 
(1) O PARALÍTICO E O PERDÃO (2.1-12) - Veja notas sobre Mt 9.2-8. Cfr. Lc 5.18-26. 
Este incidente é o primeiro duma série nesta seção, em que a crescente hostilidade a Jesus se 
manifesta gradativamente entre os escribas e os fariseus. Correu a notícia em Cafarnaum que 
Jesus tinha voltado e estava novamente em casa. Em casa (1): é quase certo que se refere à de 
Pedro, já mencionada em 1.29. Esta, como a maioria das casas na Palestina, teria uma escada 
exterior subindo para o eirado. A palavra (3): sinônimo de «boas novas»; cfr. 4.14,33; At 8.4; 
11.19, etc. Dentro da casa, Jesus anunciava a palavra à multidão. Entrementes quatro homens 
chegaram conduzindo um amigo paralítico, e estes com louvável resolução e sinceridade 
venceram todos os obstáculos subindo ao eirado, em que abriram um buraco. Lucas menciona 
que o eirado foi de ladrilhos (Lc 5.19). Então desceram o homem no leito diante de Jesus. A 
situação de certas almas necessitadas é tal que se precisa da fé e da simpatia de amigos crentes 
para levá-los a Cristo (cfr. 5.36; 9.24). O simples ato de misericórdia criou entre os quatro amigos 
um precioso laço. 
Jesus, vendo a fé deles (5): isto é, a fé de todos os cinco, respondeu-lhes incontenti, 
 
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mas de uma maneira inesperada. É certo que Ele não ensinava que em todos os casos a aflição 
resulta do pecado (cfr. Jo 9.2; Lc 13.1-5), mas como Grande Médico faz Seu diagnóstico inerrante. 
A condição física do homem se originou de uma causa fundamentalmente espiritual. Antecipou-se 
assim a conclusão de muita psicoterapia moderna. Os teus pecados estão perdoados (5): é o 
próprio Jesus que perdoa. Sua autoridade é o ponto principal do incidente. Os escribas tinham 
razão quando perguntaram Quem pode perdoar pecados, senão um que é Deus? (7). Esta 
pergunta foi repto à divindade de Cristo. Ele lhes respondeu primeiro, apontando para seus 
pensamentos (8). Aquele que conhece os corações pode perdoar o pecado. Em segundo lugar, 
Ele lhes submete um teste. A pretensão de perdoar os pecados não podia ser averiguada. Porém, 
a autoridade para curar podia ser demonstrada logo. Se Ele fizer com que o homem ande, então 
que saibam que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (10). 
Filho do homem: título adotado exclusivamente pelo Senhor, referindo-se a si mesmo, e tirado 
provavelmente de Dn 7.13. As opiniões diferem muito quanto ao sentido exato do termo, mas a 
maioria dos expositores considera-o de significação messiânica. Ao menos salienta a essencial 
humanidade e representação de Cristo. O fato de o Filho do homem ter sobre a terra autoridade 
para perdoar indica que Ele não se esvaziou, na encarnação, de todas as Suas prerrogativas. O 
homem perdoado recebeu a força de se levantar e andar, pois o perdão divino é sempre 
acompanhado pelo poder para deixar o pecado e andar em novidade de vida (Rm 6.4). 
(2) A CHAMADA DE LEVI (2.13-17) - Veja notas sobre Mt 9.9-13; Lc 5.27-32. Não há 
realmente dúvida que Levi fosse Mateus, o publicano (Mt 9.9), autor do primeiro Evangelho, 
embora o nome Levi não figure nas quatro listas dos nomes apostólicos. De novo saiu Jesus 
para junto do mar (13). A frase sugere uma repetição das circunstâncias descritas em 1.16, para 
a chamada de mais um membro do colégio apostólico. Levi foi funcionário no serviço do tetrarca 
da Galiléia, Herodes Antipas. Alfândega (14): melhor coletoria (ARA), onde sem dúvida outros 
colegas profissionais se achavam naquela hora. Sua renúncia de um cargo lucrativo foi maior do 
que a dos pescadores, sendo irreversível, enquanto para estes havia possibilidade de exercer sua 
arte de vez em quando. Vê-se na escolha de Levi a graça do Senhor que aceita um desprezado 
cobrador de impostos como apóstolo, e também a sabedoria divina que precisa do seu 
conhecimento doaramaico e do grego. «As únicas coisas que Levi não renunciou em deixar sua 
velha vida foram a pena e o tinteiro» (A. Whyte). 
O primeiro ato missionário de Levi foi o de preparar uma recepção para Jesus em sua 
casa, à qual foram convidados seus colegas e conhecidos. Lc 5.29 confirma que a casa era de 
fato a residência de Levi, e dá-se a impressão de que era mais espaçosa do que o humilde lar de 
Pedro. No oriente, a mesa é reconhecida como o lugar de mais íntima amizade. Tornou-se 
escândalo aos olhos dos fariseus que Jesus estava identificando-se desta maneira com pessoas 
moral e socialmente réprobas. Esta vez eles protestaram diante dos discípulos (16). A resposta de 
Jesus revela a diferença irreconciliável entre Si e eles, e provoca o conflito que O levará 
finalmente á morte. A mensagem do Cristo é essencialmente salvadora, mensagem esta para as 
massas na sua imundície, ignorância e desregramento. É Ele o médico da alma enferma de quem 
Ele espera a atitude de confiança absoluta. (Rm 3.21-24). 
(3) SOBRE O JEJUM (2.18-22) - Veja notas sobre Mt 9.14-17; Lc 5.33-39. A lei ordenou 
apenas um dia de jejum, a saber, o grande dia de expiação (Lv 23.27-29; At 27.9). Outros dias 
tinham sido acrescentados ao ponto de o jejum tornar-se um dos elementos principais da vida 
religiosa no tempo de Cristo (cfr. Lc 18.12). Jejuavam (18), melhor estavam jejuando (ARA); os 
discípulos de João estavam observando um jejum possivelmente enquanto Jesus estava 
festejando (15). A réplica de Jesus aponta para a incoerência dos seus críticos. Seu 
companheirismo com os discípulos representa uma experiência tão festiva que se compara ao 
casamento. Filhos das bodas (ARC) (19): termo hebraico que significa ou os convidados (ARA), 
ou o paraninfo e outros amigos íntimos do noivo. Impor sobre a nova situação do evangelho as 
observâncias religiosas do vetusto Judaísmo seria tão incôngruo como costurar um remendo de 
pano novo em veste velha, ou deitar vinho novo em odres ressecados e imprestáveis. O resultado 
em todos os casos seria prejuízo. Isto foi justamente o erro dos mestres judaizantes contra quem 
S. Paulo dirige mais tarde sua polêmica na Epístola aos Gálatas (Gl 4.9-10). Dias virão em que 
(Jesus) lhes será tirado (20). «Tirado» é tradução do grego aparthe que significa tirar com 
 
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violência, e assim constitui a primeira alusão à cruz. A palavra se encontra somente aqui e em 
passagens paralelas. A respeito do jejum, nota-se que Jesus o sanciona sem impô-lo. (Mt 6.16-
18). O valor do jejum reside na auto-disciplina; não no formalismo da vida ascética ou monástica, 
mas na subordinação voluntária do físico ao espiritual (cfr. 1Co 9.24-27). 
(4) JESUS E O SÁBADO (2.23-3.6) - Veja notas sobre Mt 12.1-14; Lc 6.1-11. Dois 
incidentes enquadram o quarto protesto farisaico, que freqüentemente se dirige contra Jesus nos 
evangelhos (cfr. Lc 13.10-17; 14.1-6; Jo 5.1-19; 9.1-41). Relacionam-se à atitude de Jesus para 
com o sábado. Em colherem espigas enquanto atravessavam as searas, os discípulos faziam o 
que era perfeitamente lícito nos outros dias da semana (Dt 23.25), mas os fariseus consideraram-
no como ato de ceifar, que era vedado aos sábados (Êx 24.21). Jerus replicou, citando como 
razão justificativa o caso de Davi, cujo prestígio era indiscutível. 
O quarto mandamento, como os demais, existe não para impor restrições religiosas, mas 
para satisfazer a necessidade física e espiritual do homem. No tempo de Abiatar (26): muitos 
comentários consideram esta frase errônea, e possivelmente um acréscimo posterior, visto que o 
sumo sacerdote em apreço era realmente Aimeleque, pai de Abiatar (1Sm 21.1). A evidência 
textual contra o nome Abiatar não é definitiva. O contexto da passagem no Velho Testamento 
sugere que Abiatar fosse um entre muitos que exerceram o sacerdócio em Nobe no tempo do 
sumo sacerdote Aimeleque, quase todos eles sofrendo o martírio pela ordem de Saul, pouco 
depois do incidente aludido. E disse-lhes (27): o ditado de Jesus indica a conclusão do incidente 
das espigas, e Marcos o insere aqui como de aplicação geral. O sábado foi estabelecido para 
beneficiar o homem. Portanto, cabe ao Homem Representativo pontificar sobre seu uso. Sob Sua 
influência mudou-se para outro dia da semana e se observa entre todas as nações. A não 
observância do dia acarreta prejuízos perigosos. 
O segundo incidente apresenta o lado positivo. O sábado foi estabelecido não apenas para 
repouso e passividade, mas para obras de amor e misericórdia (cfr. Jo 5.16-17). Salvar a vida ou 
tirá-la? (3.4): a frase leva uma dupla significação. Os rabinos concediam que se oferecesse 
socorro para quem estivesse em perigo, e a interpretação desta lei era liberal. Por outro lado, eles 
estavam aproveitando o sábado para urdir tramas a Jesus, tendo em mira seu assassínio. Surge a 
pergunta: o que é mais conveniente no sábado, a cura de Jesus ou a maquinação dos fariseus? 
Com indignação (5): a única referência a esta emoção na vida de Jesus. Marcos dá relevo às 
emoções humanas de Cristo, o que indica o testemunho ocular do narrador. Jesus não se 
entregou ao rancor pessoal, mas ficou indignado e condoído com a dureza dos seus corações 
(ARA). A cura deste homem marcou o rompimento final entre Jesus e as autoridades 
eclesiásticas. Dali em diante os seus caminhos se separam. A hostilidade se tornou tão áspera 
que os fariseus, embora nacionalistas ardentes, estavam prestes a unir-se com os seus 
adversários mais acerbos, os entreguistas herodianos, para alcançarem seu objetivo de destruir 
Jesus (6). 
d) A eleição dos Doze (3.7-19) 
Veja notas sobre Mt 10.1-4; Lc 6.13-16. Devido a um perigo iminente, Jesus se retirou com 
seus discípulos para o mar da Galiléia. Ele nunca se expôs desnecessariamente ao perigo, uma 
atitude apropriada tendo em vista Seu ministério. Segue-se uma descrição pitoresca e viva da 
multidão que se sentiu atraída pelas Suas curas milagrosas (7-12). Parece que havia duas turmas, 
uma da Galiléia e outra de regiões mais distantes. Na segunda, quase toda a Palestina foi 
representada, menos Samaria. Este fato revela quão extensas eram a fama e a influência de 
Jesus já neste tempo. E com efeito, a multidão se arrojava a Ele para O tocar, especialmente os 
que padeciam de qualquer enfermidade (gr. mastigas, lit. flagelos. Esta palavra se usa 
novamente em 5.29,34; Lc 7.21 e Hb 11.36 e sugere doenças físicas enviadas como castigo 
divino). É salutar quando tais aflições levam as almas a buscar Cristo. O uso do barquinho (9) era 
uma solução muito prática do problema em que Ele se encontrava. Nesta ocasião Ele não o usou, 
aparentemente, como púlpito. Cfr. 4.1. Refere-se mais uma vez ao exorcismo e pela terceira vez a 
narrativa recorda que foi proibido aos demônios que reconheceram Jesus de revelar sua 
identidade (11-12; cfr. 1.24-25,34). Grandes acontecimentos atraem uma multidão sempre e, onde 
a necessidade humana encontra a satisfação, nunca faltam almas sequiosas. Jesus era sempre 
 
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suficiente para as exigências cada vez mais insistentes do Seu ministério. 
Deixando o mar, Jesus subiu aos outeiros circunvizinhos, onde segundo Lucas (6.12) Ele 
passou a noite inteira orando, para se preparar antes da tarefa portentosa de escolher os Doze. 
Isto foi o primeiro passo na organização da Igreja, e dali em diante o ensino e preparação desses 
homens se tornou assunto de capital importância para o Senhor. O termo «os Doze» logo se 
converte em título oficial, usado mesmo em casos quando nem todos estão presentes (1Co 15.5). 
A escolha deles foi absolutamente soberana: Jesus chamou os que ele quis (13). Esta escolha 
dependiada Sua vontade, não da deles. Do seu livre arbítrio eles responderam e vieram a ele 
(13). Vêem-se as diferentes facetas do seu novo cargo: comunhão e companheirismo - para que 
estivessem com ele; comissão - para que mandasse a pregar (14); autoridade delegada - para 
que tivessem poder de curar (15). Certos manuscritos importantes intercalam no verso 14 as 
palavras «os quais chamou apóstolos», um fragmento talvez interpolado de Lc 6.13. Veja Mt 10.2 
n. 
A lista apostólica aparece quatro vezes no Novo Testamento (cfr. Mt 10.2-4; Lc 6.14-16; At 
1.13), evidenciando-se ligeiras variações quanto à ordem. Três grupos se distinguem, chefiados 
por Pedro, Filipe e Tiago filho de Alfeu. Judas Iscariotes é sempre o último. Cinco dos doze 
(Pedro, André, Tiago, João e Mateus) já foram mencionados na narrativa (1.16,19; 2.14). A origem 
do nome Boanerges (17) é incerta. A maioria das explanações procura elucidá-lo por sua relação 
à frase marcana filhos do trovão, um apelido muito apropriado à luz de Lc 9.54. 
O primeiro encontro entre Filipe e Jesus é mencionado em Jo 1.43. «Bartolomeu» é 
patronímico significando filho de Talmai, nome encontrado em 2Sm 3.3. 
Há uma tradição antiga que identifica Bartolomeu com Natanael (Jo 1.45). João nunca 
menciona Bartolomeu, e os sinóticos não falam de Natanael. Embora provável, a identificação não 
é certa. Tudo o que sabemos de Tomé deriva-se do quarto Evangelho. Tiago filho de Alfeu se 
distingue de Tiago filho de Zebedeu. Aquele pode ser o mesmo que Tiago o menor (15.40). Nada 
se sabe de Tadeu, e na lista de Lucas o nome Judas toma seu lugar (Lc 6.16; At 1.13). Supõe-se 
que seja uma e a mesma pessoa. Simão o cananeu (ARC). A palavra «cananeu» pode originar-
se do hebraico qanna, zeloso, dando a tradução correta da ARA «o Zelote». Veja nota sobre Mt 
10.4. Judas Iscariotes. O vocábulo Iscariotes significa homem de Keriote, um lugar não 
identificado ainda. Sua aplicação a Judas indica que ele era o único apóstolo não oriundo da 
Galiléia. São escolhidos doze homens típicos, todos diferentes, e todos imperfeitos. Contudo, 
havia lugar para cada um, com uma exceção, na comunhão de Cristo. 
e) Acusações contra Jesus (3.20-35) 
Deixando o mar (7) e o monte (13), Jesus e Seus discípulos entram numa casa (20). Agora 
a oposição vem de dois lados bem diferentes: da Sua família (20-21,31-35) e dos escribas (22-
30). Os vers. 22-30 constituem um interlúdio dentro da casa, enquanto Seus parentes O procuram 
de fora. Esta é a explicação mais natural e satisfatória da redação do trecho pelo evangelista. A 
oposição da família toma a forma de um protesto bem intencionado mas errado. Está fora de si 
(21): a oração não quer dizer que ele se desvairava, mas que Ele se entregava a uma mania 
religiosa, tornando-se excêntrico. Mais de uma vez Paulo foi suspeito semelhantemente, e o 
crente sincero se expõe a esta mesma insinuação. 
Seus irmãos (31): a literatura sobre o assunto é extensa. Há três principais interpretações. 
Eles podem ser os Seus verdadeiros irmãos da parte dos dois país; ou podem ser meio-irmãos, 
filhos de José por uma primeira esposa; ou podem ser Seus primos, filhos de Maria, mulher de 
Cleopas e Irmã da Virgem Maria. A segunda e terceira hipóteses são apresentadas principalmente 
por escritores católico-romanos que querem defender o dogma da perpétua virgindade de Maria. 
Infelizmente a evidência disponível não é conclusiva. Entretanto, a inferência mais natural de 
outros trechos como Mt 1.25 e Lc 2.7 é que Jesus tinha irmãos. Do ponto de vista doutrinal, este 
conceito dá relevo à realidade e perfeição da encarnação. Veja também Lc 8.19 n. e Mt 12.46-50. 
Neste Evangelho, Maria, a mãe do nosso Senhor, aparece somente aqui; a ausência de 
referências a José sugere que já fosse morto. Quando, finalmente, Jesus recebeu o recado do 
lado de fora, Ele respondeu de uma maneira que não desprestigia, nem por um momento, a 
 
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santidade das relações familiais. Ele asseverou que os laços que unem espiritualmente a família 
de Deus são mais seguros e mais preciosos, pois se baseiam na obediência à vontade divina. 
Esta verdade é o germe de onde nasceu a novel Igreja. 
Era mais séria a oposição dos escribas (22) que nasceu do amargo ódio e inveja. Veja 
notas sobre Mt 12.22-37; Lc 1.14-22. Atribuíram a Satanás a obra do Espírito Santo. Belzebu: 
nome de ortografia e derivação incertas. Pode originar-se de Baal-zebube, Senhor das moscas 
(2Rs 1.2,16). Não podemos dizer se o nome é sinônimo de Satanás ou representa outra potestade 
inferior do mal. Parece que a acusação dos escribas foi feita na ausência do Mestre, pois Ele os 
chamou (23) para lhes replicar. Sua resposta patenteia o contrassenso da alegação (23-27) e 
então os adverte das tremendas conseqüências dela (28-30). O pior ilogismo é aquele que resulta 
da descrença. Há uma progressão gradativa nos versos 24-26: um reino, uma casa, Satanás. 
Quanto menor a unidade, tanto pior a divisão. A divisão de um indivíduo é contradição de termos. 
A declaração de Jesus sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo é das mais solenes. Mal 
compreendida, ela pode causar incalculável angústia. Por outro lado, não deve ser tida em pouca 
conta. O pecado imperdoável não é um ato nem uma palavra isolada, mas a persistente atitude de 
oposição e rejeição da luz, da parte dos que amam mais as trevas do que a luz (Jo 3.19). Jesus 
não disse especificamente que os escribas já tinham cometido aquele pecado; porém ficavam em 
iminente perigo. 
Réu de eterno juízo (ARC 29). Envolvido num (gr. enochos) eterno pecado. Sua atitude 
de deliberada incredulidade bem podia cristalizar-se até o ponto de impossibilitar o 
arrependimento, e conseqüentemente o perdão. «De todos os mestres de religião não há outro 
menos disposto do que Ele a limitar as possibilidades de perdão e de restauração mediante os 
tesouros inexauríveis da divina graça» (Vincent Taylor). 
f) Ensino por parábolas (4.1-34) 
Veja notas sobre Mt 13.1-23; Lc 8.4-10. Este capítulo introduz um novo método didático no 
ministério de Jesus com o uso de parábolas. É sugestivo que a mudança de método se manifesta 
no momento em que Jesus transfere Sua atenção principal das massas para os Doze, cujo ensino 
e preparação agora O preocupam. O povo não se perde da vista, mas até aqui a multidão é mais 
atraída pelas Suas obras do que pelos Seus ensinos. Buscaram curas, mas ainda não 
responderam ao Seu ensino espiritual. A beira-mar (1): Mais uma vez, Jesus se separa da 
multidão, entrando num barquinho, talvez o mesmo que usou em 3.9, e faz dele Seu púlpito, de 
onde prega a palavra para o povo reunido na praia. A palavra «parábola» contém a idéia básica 
de comparação, e dali da ilustração de verdades espirituais por meio de uma história tirada da 
experiência terrestre e natural. Porém, a parábola não é apenas uma ilustração edificante. A 
exortação Ouvi (3), preservada somente em Marcos, e outras parecidas nos vers. 8,23-24, 
indicam que o propósito da parábola é estimular séria reflexão. A parábola cumpre o papel de 
arma moral que desperta e anima a consciência. 
A parábola de Natã para Davi (2Sm 12.1-14) é exemplo clássico no Velho Testamento 
desta função. A parábola do semeador (3-8) narrado por todos os três sinóticos reflete a situação 
imediata em que se encontrava Jesus e Seu ensino. Ao mesmo tempo enuncia princípios que são 
válidos quanto à pregação da palavra em todos os tempos. Pedregais (5, ARC); melhor, solo 
rochoso (ARA), isto é, terreno raso com subsolo de pedra. Verifica-se na Galiléia esta feição 
geográfica. Salienta-se na parábola a colheita abundante (8), não obstante os primeiros resultados 
desanimadores (cfr. Jo 4.35; Mt 9.37). Dos evangelistas somente Marcos dá relevo a esta ênfase, 
utilizando no original grego o singular quando se refere aos insucessos,e o plural quando 
descreve os bons resultados: gr. homem (4); allo (5), allo (7); alla (8). A semente mais abundante 
foi aquela que caiu em boa terra. 
Antes de explanar a parábola aos Doze particularmente (10), Jesus comenta Seu uso do 
ensino parabólico, para responder a uma pergunta. O vers. 12 sempre apresenta dificuldades para 
expositores. Cita-se aqui Is 6.9-10, que sugere um duplo propósito no método parabólico de 
ensino. Primeiro, revela-se a verdade aos discípulos, e em segundo lugar, se esconde dos que 
estão de fora (11) como juízo ou castigo por sua cegueira. 
 
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A referência ao mistério do reino do Deus (11) dá apoio a esta idéia, pois o uso do 
vocábulo «mistério» no Novo Testamento indica um «segredo revelado», antanho escondido, mas 
agora conhecido por revelação (cfr. Ef 3.3-4; Cl 1.27). Alguns expositores acham esta 
interpretação tão inaceitável que preferem rejeitar o ditado como não sendo um ensino autêntico 
de Jesus, e consideram isto e a seguinte explicação nos vers. 13-20 como um acréscimo de 
tradição cristã secundária, de data posterior. Outra interpretação considera o julgamento contra os 
ouvintes insensíveis um ato de misericórdia que os poupa da culpa de rejeitar a simples verdade. 
Mais outra aponta para o estilo resumido de Marcos, e sugere que as palavras «para que» do 
verso 12 equivalem «para que a Escritura se cumpra» (cfr. Mt 13.14). 
A premissa aceita por todos os expositores é que o propósito principal duma parábola 
consiste em facilitar e não impedir a apreensão da verdade. Além disto, podemos observar que a 
natureza intrínseca da revelação é tal que a capacidade de recebê-la depende em primeiro lugar 
da renúncia da vontade individual e em seguida da obediência. «Vinde e vede» (Jo 1.39) é 
sempre a seqüência na experiência cristã: a conquista moral há de preceder a iluminação 
intelectual. Os discípulos já se renderam à soberania de Jesus e portanto podiam compreender 
(11), se as parábolas escondem temporariamente dos que estão de fora as verdades do reino no 
nível intelectual, é somente para o fim de conseguir primeiro uma convicção moral que os leva 
depois ao esclarecimento intelectual. Há muitos que no seu orgulho queriam inverter esta ordem 
inalterável (cfr. Mt 11.25). A interpretação da parábola do semeador (13-20) serve como modelo 
para entender as outras parábolas, da mesma maneira que um professor demonstra um teorema 
no quadro-negro. O reino se estenderá, semeando a palavra (14). Esta idéia é fundamental ao 
evangelismo. A tarefa do evangelista não é apenas a de apresentar argumentos convincentes, e 
de induzir outros por eloquência sedutora a pensar de sua maneira, mas de semear a semente 
viva da Palavra de Deus no solo do coração humano. O germe da nova vida se encontra na 
Palavra, sem a implantação da qual ninguém jamais se torna cristão (1Pe 1.23). As coisas que 
impedem a aceitação da Palavra são as seguintes: indiferença (15); falta de espiritualidade (16); 
preocupação com os cuidados e riquezas do mundo (18). Onde a palavra for ouvida, 
compreendida e aceita, a ceifa é certa (20). Satanás (20): esta referência mostra patentemente 
que Jesus ensinava a existência de um poder pessoal do mal. De outra maneira, Ele bem podia 
ter interpretado as aves do céu (4) como tentações impessoais. 
Dois grupos de ensinos (21-23 e 24-25), iniciados pela fórmula «E disse-lhes», dão mais 
pormenores quanto ao método parabólico de ensino, com referência especial à responsabilidade 
moral dos ouvintes. A parábola da candeia (21) confirma a observação acima (12) que a grande 
finalidade da parábola é iluminar e revelar, embora tenha o efeito temporário de ofuscar. Alqueire: 
vasilha usada para medir cereais. O segundo grupo (24-25) ensina a necessidade de abraçar a 
verdade como condição para receber maior revelação de verdade. Quando o indivíduo não aceita 
a verdade, diminuem-se seus poderes de percepção, que se atrofiam por falta de uso, exatamente 
como as faculdades físicas. Veja Lc 8.16 n. e cfr. Mt 5.15; 10.26. 
A parábola da semente que cresce misteriosamente (26-29) é a única que se encontra 
somente em Marcos. Salienta-se o fato que a palavra de Deus operará de si mesma no coração 
humano, dadas as condições favoráveis, justamente da mesma maneira em que a terra por si 
mesma frutifica (28; cfr. Is 40.10; 1Co 3.6). De si mesma: grego - automate. A instrumentalidade 
humana se limita a duas atividades, o semear e o ceifar (Jo 4.35,38). O que acontece entre estas 
duas atividades depende da vitalidade da semente e da interação frutífera entre a semente e a 
terra. 
É singular a expressão que se usa para introduzir a terceira parábola do reino, a do grão 
de mostarda: A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o 
representaremos? (30, ARC). Melhor com a ARA: Com que parábola o apresentaremos? Como 
se a parábola fosse uma espécie de embrulho contendo a verdade. Há duas maneiras de 
interpretar esta parábola. A primeira vê nela a expansão do reino desde um começo insignificante. 
A segunda, apoiada por Dr. Campbell Morgan, aponta para o desenvolvimento do reino até 
proporções anormais, permitindo que as aves do céu, símbolo de espíritos maus, se aninhassem 
nele. Esta segunda interpretação tem o mérito de conformidade quanto ao uso de símbolos, visto 
que as aves do céu representam o mal não somente aqui mas também na parábola do semeador. 
 
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A própria história da igreja o confirma, pois ela se corrompeu sob o imperador Constantino que lhe 
deu uma posição e patronato imperiais que lhe eram impróprios. Veja Mt 13.32 n. Por outro lado, a 
exposição tradicional é mais natural, e consona melhor com os sentimentos gerais do capítulo que 
exalam otimismo e confiança no triunfo final da Palavra de Deus. 
Uma declaração do evangelista ultima os ensinos sobre o propósito e os princípios 
parabólicos. O reino de Deus era completamente diferente do que muitos pensavam, e as 
parábolas serviam muito bem para desarraigar aquelas noções erradas, onde ensinos diretos não 
teriam sido aceitos. Revelou-se a natureza do reino ao povo mais por comparação do que por 
definição. Aos discípulos, porém, Jesus explicava em particular seus ensinos mais 
minuciosamente. 
g) Obras Poderosas (4.35-5.43) 
À série de parábolas segue outra de milagres, assim sugerindo que as obras de Jesus 
justificam Seus ditados. Suas ações confirmam Suas palavras. Mateus arranja o texto de modo 
semelhante, narrando estes e mais outros milagres depois do Sermão da Montanha (Mt 8). 
(1) JESUS ACALMA UMA TEMPESTADE (4.35-41) - Veja notas sobre Mt 8.18-27; Lc 
8.22-25. Jesus resolveu atravessar o lago da margem ocidental para a oriental. Talvez o Seu 
motivo fosse despedir a multidão, talvez achar um novo campo para Seu ministério. Assim como 
estava (36): refere-se ao vers. 1. Depois de ensinar o povo e os discípulos por algumas horas, Ele 
estava cansado demais para ajudar em despedir a multidão. O repentino temporal é característico 
da região do mar da Galiléia, onde correntes de ar turbilhonam, descendo violentamente da serra 
pelos barrancos íngremes até o mar. É somente Marcos que conserva o pormenor vivido que 
Jesus estava na popa dormindo sobre o travesseiro (38). O travesseiro seria um assento de 
madeira ou de couro, usado nesta ocasião como almofada. Há ressentimento e censura no que 
disseram os discípulos: Mestre, não te importa que pereçamos! (38). Jesus, despertando, disse ao 
mar, Acalma-te, emudece! O gr. pephimoso é forte: cala-te; literalmente, ponha mordaça. Usa-se 
também em 1.25. Este incidente ilustra a autoridade divina de Jesus sobre as forças da natureza. 
Ele

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