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1 FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ CURSO DE DIREITO GABRIEL BONIFÁCIO COSTA As cartas psicografadas como meio de obtenção de prova para absolvição do réu MACEIÓ 2023.1 2 AS CARTAS PSICOGRAFADAS COMO MEIO DE OBTENÇÃO DE PROVA PARA ABSOLVIÇÃO DO RÉU Gabriel Bonifácio Costa1 RESUMO. O presente trabalho de conclusão de curso propósito inicial demonstrar a importância da admissibilidade das cartas psicografadas como meio de obtenção de prova no processo criminal. E como objetivo geral este artigo buscou fazer uma análise jurídica sobre o uso da carta psicografada como meio de prova no processo penal brasileiro. E como problema de pesquisa, indaga-se: As cartas psicografadas podem ser admitidas como meio de prova em processos criminais? Sendo assim, a metodologia adotada foi a pesquisa teórica, realizada através do levantamento bibliográfico e jurisprudencial que serviu como base para todo o estudo aqui apresentado. É importante ressaltar que esta pesquisa não pretende esgotar o assunto, porém almeja promover a discussão acerca desta temática. Palavras-chave. Carta Psicografada. Meio de Prova. Absolvição do réu. SUMÁRIO. Introdução. 1 Teoria da prova. 1.1 Princípios constitucionais relativos à prova. 1.2 Tipos de provas e sua classificação. 1.2.1 Prova testemunhal. 1.2.2 Prova pericial. 1.2.3 Prova documental. 2. Meios de obtenção de provas. 3. As cartas psicografadas como meio de prova no processo penal. 3.1 Argumentos a favor e contra a admissibilidade das cartas psicografadas. Conclusão. Referências. INTRODUÇÃO As cartas psicografadas é uma forma de comunicação do mundo espiritual com o mundo físico, segundo a doutrina espírita. Elas são normalmente aplicadas no consolo de amigos e familiares de pessoas falecidas, no entanto, também servem de aprendizado de lições tiradas de alguma experiência de vida. A psicografia é um fenômeno muito antigo e desde a história da humanidade tem muitos registros de comunicação escrita de espíritos advindos das primeiras civilizações no mundo, embora muitos médiuns daquela época desconhecessem a própria mediunidade ou mesmo a origem de seus conteúdos manuscritos, sem saber que se tratavam de um fenômeno da Psicologia. Convém ressaltar que o instituto da prova é algo extremamente necessário para reconstituição dos fatos, e a aproximação com a cena crime, para que se tenha um desenho do local, pessoas e suspeitos. É inegável sua importância na fase pré-processual e processual, seja para condenar ou inocentar. A prova é um mecanismo usado para determinar a verdade sobre 1 Bacharelando em Direito pela Faculdade Estácio de Sá. 3 um determinado fato. Esse mecanismo pode assumir diversas formas, como um documento escrito, uma fotografia ou até mesmo o relato de uma testemunha ocular. Sendo assim, a metodologia adotada foi a pesquisa teórica, realizada através do levantamento bibliográfico e jurisprudencial que serviu como base para todo o estudo aqui apresentado. E para tanto foram utilizados como instrumento de pesquisa: livros, artigos e publicações de sites diretamente ligados à área do Direito Penal trazendo aspectos relevantes para o desenvolvimento deste trabalho. E como pergunta norteadora deste artigo, indaga-se: As cartas psicografadas podem ser admitidas como meio de prova em processos criminais? O objetivo geral deste artigo visa trazer para esta análise a visão jurídica sobre o uso da carta psicografada como meio de prova no processo penal brasileiro. É importante ressaltar que esta pesquisa não pretende esgotar o assunto, porém almeja promover a discussão acerca desta temática. Para tanto, foi feita uma breve explanação sobre o que seria a prova no processo penal, os princípios constitucionais que regem as provas, quais as provas são usadas e como são classificadas, os tipos de prova previstos na legislação penal. Abordou-se ainda as cartas psicografadas como meio de prova, argumentos contra e a favor da admissibilidade da carta psicografada. Deste modo, tem-se que a carta psicografada já esteve presente em processos criminais no Brasil, com foco na absolvição do réu e a aplicação da lei de forma justa. 1 TEORIA DA PROVA O vocábulo prova vem do latim probatio, probare, com o significado de examinar, convencer, comprovar. Neste sentido, cabe ao instituto da prova noticiar um fato a alguém, em se tratando de um litígio caberá ao magistrado analisar o fato objetivando sua convicção (NUCCI, 2021). Sob a ótica do Direito Processual Penal, a prova possui o papel crucial de conferir veracidade aos fatos alegados pelas partes. É através dela que os acontecimentos citados são trazidos ao processo, permitindo assim a reprodução das alegações formuladas e a verificação de sua conformidade com o Direito (SILVA, 2018). A comprovação de alegações pode ser considerada uma das maiores causadoras de problemas, isso explica-se, pois em se tratando de acontecimentos passados, não é possível trazer os fatos ao processo. Entretanto, para resgatar o que ocorreu de modo a permitir a reprodução do que foi afirmado, é necessária a apresentação de elementos que produziram 4 marcas capturáveis. Em suma, apenas poderão ser provados fatos que deixaram rastros. (LOPES JÚNIOR, 2019). Segundo Gomes (2008), a prova apresenta três sentidos básicos, são eles: demonstração, que trata da exposição de informações sobre um acontecimento a fim de definir a verdade sobre ele, experimentação que faz referência à forma de se apurar se determinada afirmação foi corrigida e por fim o desafio, que representa os contratempos a serem superados como condição de reconhecimento. Hoffmeister (2021), afirma que no processo os fatos não podem ser simplesmente alegados, mas sim expressos por meio de provas, sendo essas as responsáveis por proporcionar ao juiz a certificação acerca da realidade do fato apresentado. Porém, simplesmente apresentar uma prova, não assegura a veracidade dos fatos alegados, visto que, os materiais utilizados como tentativa de provar um fato, não são considerados por si sós elementos probatórios, a menos que possuam a capacidade de convencer o juiz do que se alega. É possível entender a prova como uma forma de demonstrar a verdade sobre o que se alega. Nucci (2021, p. 262) discorre acerca da finalidade e objeto da prova: A finalidade da prova é convencer o juiz a respeito da verdade de um fato litigioso. Busca-se a verdade processual, ou seja, a verdade atingível ou possível (probable truth, do direito anglo americano). O objeto da prova são, primordialmente, os fatos que as partes pretendem demonstrar. Excepcionalmente, a parte deve fazer prova quanto à existência e ao conteúdo de um preceito legal, desde que se trate de norma internacional, estadual ou municipal (nestes últimos dois casos, caso se trate de unidade da Federação diversa daquela onde está o magistrado), bem como no que toca a estatutos e regras internas de pessoas ou personalidades jurídicas. Embora possua o papel crucial de influenciar o convencimento do juiz, por vezes a prova poderá dificultar o contraditório, nesses casos, devem ser utilizadas as provas cautelares, as não repetíveis e as antecipadas (SILVA, 2018). De acordo com o art. 155 do Código de Processo Penal, o juiz formará sua convicção diante das provas produzidas em contraditório judicial, não podendo se fundamentar exclusivamente nos elementos obtidos através da investigação, salvo as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. A prova judiciária tem um objetivo claramente definido: a reconstrução dos fatos investigados no processo, buscando a maior coincidência possível com a realidade histórica,isto é, com a verdade dos fatos, tal como efetivamente ocorridos no espaço e no tempo. 5 Badaró (2016) diz que a prova terá papel essencial no contexto da valoração, servindo de fundamento para embasar a decisão final sobre os fatos. Esse é o ponto principal onde o tratamento da prova poderá evoluir e ser enriquecido com a epistemologia. De nada valeria a interpretação do direito e aplicação da norma ao caso concreto, se as partes litigantes não pudessem dispor do instituto da prova, para demonstrar em juízo, os fatos trazidos aos autos processuais, com o fito de evidenciar as alegações e ao final receber a prestação jurisdicional. Outrossim, percebe-se que o instituto da prova corresponde ao conjunto dos meios empregados pelas partes, que visa admitir a existência de um ato jurídico, tendo em vista a finalidade precípua de alcançar a convicção íntima do juiz, ante os fatos alegados pelos litigantes. No que diz respeito ao âmbito penal, a legislação brasileira traduz, através do Código de Processo Penal, os meios admitidos como provas no curso de uma ação, estando, entre elas, o depoimento do ofendido e das testemunhas. As provas atípicas são aquelas que não possuem previsão na lei ou é produzida por modelo procedimental diverso do legal. A fase de produção de provas, pode-se considerar o momento mais relevante do processo penal, isso porque os elementos obtidos nessa fase influenciam diretamente na decisão do juiz sobre a existência ou não do fato criminoso (AVENA, 2016). É nessa etapa que as partes apresentam as evidências e argumentos que irão sustentar suas teses. Por isso, é fundamental que sejam respeitados o direito à ampla defesa e o contraditório, para que haja um julgamento justo e imparcial. Além disso, é importante que os meios de obtenção de provas sejam lícitos, para que não haja prejuízo à integridade do processo e dos direitos fundamentais dos envolvidos. 1.1 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS RELATIVOS À PROVA Os princípios servem como base para diversas ciências e com a Ciência Jurídica não poderia ser diferente. Eles são responsáveis por fundamentar e nortear diferentes áreas e institutos, sendo fundamentais ao Direito. Isso também pode ser observado nas provas que possuem princípios próprios, tornando-se os pilares para a aplicação e fundamentação das mesmas (ARAÚJO; FÉLIX, 2012). Capez e Colnago (2015) lista os sete princípios da prova: autorresponsabilidade, audiência contraditória, aquisição da prova, oralidade, concentração, publicidade e livre convencimento motivado. 6 Dentre os sete princípios citados por Capez (2020), o princípio da autorresponsabilidade pode ser considerado um dos mais importantes, pois, de acordo com ele, as partes possuem toda a responsabilidade pelas provas que elas trouxeram em juízo, estando suscetíveis a sofrer as devidas consequências pela produção de provas que possuam ilegalidade, ilicitude, erro ou atos intencionais de má-fé. Oliveira (2021, p. 417) afirma que: “o exame acerca dos meios de prova disponíveis, bem como da idoneidade e da capacidade de produção de certeza que cada um deles pode oferecer, deve ser precedido da identificação dos princípios e das regras gerais a eles aplicáveis”. Todavia, no mundo processual, a atividade de admissão da prova é regida por outros fatores que justificam que a lei estabeleça limites de admissão ou casos de inadmissibilidade probatória. Ramalho (2023) afirma que o processo penal é uma relação jurídica de atos complexos que visa à decisão final de um processo penal condenatório, reunindo elementos para que o magistrado ao final do processo possa formular uma sentença com base na verdade real. Sendo assim, tem-se que a finalidade primordial da prova é a reconstituição das ações investigadas no processo em busca da verdade dos fatos, e como foi que o ato ilícito aconteceu no tempo e no espaço, configurando uma das atividades mais difíceis no processo penal (OLIVEIRA, 2021). Na opinião de Tourinho (2013) o processo penal é conduzido por uma série de princípios e normas, constituindo regramentos fundamentais da política processual penal de um Estado. Ressalte-se que a Constituição Federal estabelece alguns princípios relativos aos direitos de prova, que tem como finalidade fundamentar os demais diplomas legais do ordenamento jurídico brasileiro. O Princípio da Ampla Defesa encontra-se definido no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Neste artigo consta que aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados de uma maneira em geral são garantidos o princípio do contraditório e da ampla defesa, mediante os meios e recursos cabíveis (BRASIL, 1988). Segundo Badaró (2016) o acusado tem o direito à autodefesa, assim como a defesa técnica, e à produção de provas, além disso tem direito à defesa oferecida pelo Estado. Na opinião de Oliveira (2021) é possível afirmar, deste modo, que a ampla defesa é efetivada mediante defesa técnica, autodefesa, defesa efetiva e por qualquer meio de prova hábil a evidenciar a inocência do réu. 7 Trata-se de um direito garantido a todos as pessoas em processos jurídicos e administrativos. Ele determina que toda pessoa tem o direito de se defender, apresentando argumentos e provas, contra acusações ou sanções que possam atingir sua liberdade, propriedade, dignidade ou outros direitos. Estabelece também que é dever do Estado assegurar ao réu os recursos indispensáveis para a sua defesa, como por exemplo, o acesso aos autos do processo, a possibilidade de apresentação de provas, a escolha de um advogado e a realização de interrogatório. Além disso, necessita garantir que o processo seja efetivado de modo imparcial e que o réu não seja prejudicado por eventuais erros ou arbitrariedades. Enfim, pode-se dizer que a ampla defesa é uma das bases fundamentais do estado de direito e é indispensável para a proteção dos direitos e garantias fundamentais dos indivíduos, assegurando que todas as pessoas tenham um julgamento justo e equitativo. Já o Princípio do Contraditório é uma garantia processual que garante o direito das partes de contradizerem as alegações e provas apresentadas pelo adversário, assim como de apresentarem suas próprias alegações e provas. Esse princípio é um dos fundamentos do processo justo e da ampla defesa, pois permite que as partes exerçam plenamente o seu direito de defesa, influenciando no convencimento e na decisão do magistrado (DANTAS; FONSECA, 2018). Em outras palavras, este princípio significa que ambas as partes devem ser ouvidas e ter a oportunidade de se manifestar em todas as etapas do processo, de forma que todas as provas e argumentos relacionados à solução da controvérsia sejam levados em consideração. Tal garantia se aplica a todos os tipos de litígio, independentemente de causa, julgamento ou tribunal. Assim, o princípio do contraditório é parte integrante do devido processo legal e deve ser observado em todas as fases do processo, desde a contestação inicial até a decisão final. Isso garante que a decisão do tribunal seja baseada nos argumentos e fatos apresentados pelas partes, de modo que seja imparcial e justa. No que diz respeito ao Princípio do Livre Convencimento Motivado trata-se de um dos pilares do sistema acusatório e do processo penal democrático. Ele estabelece que o juiz tem a liberdade de avaliar o conjunto de provas apresentadas pelas partes no processo, formando sua convicção a partir de sua própria análise de fatos, sem se submeter a qualquer crença ou presunção (LEITE, 2020a). 8 Os autores Mello, Pinto e Jacintho (2022) compreendem que essa liberdade de formação de convencimento do juiz está condicionada à fundamentação de suas decisões. Isso significa que o juiz necessita expor claramente os motivos que o levaram a decidir de determinada forma, esclarecendoos motivos pelos quais aceitou ou rejeitou uma determinada prova apresentada no processo (MANUS, 2019). Desse modo, entende-se que o referido princípio tem como propósito garantir a imparcialidade e a transparência do processo judicial. O magistrado precisa ser livre para avaliar as provas e formar sua convicção, entretanto, deve sempre justificar seus fundamentos, de maneira clara e objetiva, para que as partes envolvidas possam entender e questionar a decisão tomada. O Princípio do in dubio pro reo é proveniente do princípio da presunção de inocência e defende que apenas a certeza da culpa justifica uma condenação (BONFIM, 2014). Encontra- se elencado no artigo 5º, inciso LVII da Constituição Federal que determina: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. (BRASIL, 1988). Diante da existência de dúvidas, o réu será beneficiado e deverá ser mantido seu estado de inocência. Em outros termos, quando a insuficiênciade de provas gerar dúvidas no tocante à culpabilidade do acusado, deve prevalecer o jus libertatis do acusado em face do jus puniendi do Estado (DIAS, 2015). O princípio da vedação à obtenção de provas ilícitas é uma garantia constitucional que visa resguardar os direitos fundamentais do indivíduo frente ao Estado. Em conformidade com esse princípio, as provas obtidas de forma ilícita não devem ser aceitas como meio de prova em um processo judicial. Isso significa que, se uma prova foi obtida em desrespeito às regras legais, como por exemplo, através de tortura, coerção ou invasão de privacidade, ela não poderá ser usda para incriminar ou prejudicar o acusado. Isso porque, o Estado não deve se valer de meios ilegais para obter provas em prejuízo do indivíduo. Pode-se dizer que as provas ilícitas são aquelas obtidas fora dos limites da legalidade, infringindo direitos e garantias fundamentais. O objetivo da vedação do uso dessas provas é impedir que o Estado atue de modo arbitrário, assegurando, portanto, a proteção dos direitos individuais. Ressalte-se que o legislador constituinte considerou a ilicitude em seu sentido amplo. O Princípio da Verdade Real é uma das bases do processo judicial e refere-se à busca 9 da verdade objetiva dos fatos em litígio. Isso significa que o juiz deve buscar a verdade real, e não apenas a verdade formal apresentada pelas partes (JARDIM, 2018). Este princípio tem como propósito assegurar que haja justiça nos julgamentos, buscando evitar que uma das partes seja prejudicada por não ter seus argumentos devidamente analisados e considerados. Para tanto, o magistrado pode e deve realizar as diligências necessárias para elucidar os fatos em questão, ouvir testemunhas, requerer perícias ou juntar provas que permitam a produção da verdade real (JARDIM, 2018). Entretanto, para que esse princípio seja aplicado corretamente, é preciso que o magistrado tenha imparcialidade em relação ao caso, evitando agir com parcialidade ou preconceito. Além disso, é importante que a produção da verdade real seja realizada dentro dos prazos legais, respeitando o devido processo legal e os direitos fundamentais do acusado (LEITE, 2020b). Com base nesse princípio, pode-se dizer que o juiz não deve deixar o processo judicial sem solução e sem fundamento, alegando que as provas foram insuficientes para formar sua convicção. 1.2 TIPOS DE PROVAS E SUA CLASSIFICAÇÃO As provas podem ter diversas classificações e variam de acordo com o objeto, efeito ou valor, sujeito ou causa, forma ou aparência. Quanto ao objeto: a prova nada mais é do que o fato cuja existência carece ser demonstrada. Assim, a prova pode ser: direta: quando, por si, demonstra um fato [...]; indireta: quando alcança o fato principal por meio de um raciocínio lógico-dedutivo, levando-se em consideração outros fatos de natureza secundária, porém relacionados com o primeiro [...]. Em razão de seu efeito ou valor, a prova pode ser: plena: trata-se de prova convincente ou necessária para a formação de um juízo de certeza no julgador [...]; não plena ou indiciária: trata-se de prova que traz consigo um juízo de mera probabilidade, vigorando nas fases processuais em que não se exige um juízo de certeza [..]. (NUCCI, 2021, p. 155). As provas podem ser reais caracteriza-se por serem consistentes em uma coisa externa e distinta do indivíduo, e que comprovam determinada afirmação. Pode-se dizer que são aquelas baseadas na origem da pessoa humana e, normalmente são obtidas por meio de interrogatório, depoimentos e conclusões periciais. 10 Quanto à forma prevalece a prova testemunhal a qual resulta do depoimento prestado por indivíduo estranho ao processo, sobre fatos de seu conhecimento pertinentes ao - litígio; documental: produzida por meio de documentos; material: obtida por meio químico, físico ou biológico. Dentro dessas variadas classificações, se faz necessário um estudo detalhado acerca daquelas que são consideradas pelo direito, as principais espécies de provas: a prova testemunhal, a prova pericial e a prova documental, para que se entenda a relevância e o momento de utilização de cada uma delas. 1.2.1 Prova testemunhal A prova testemunhal versa sobre a declaração feita por um terceiro estranho ao processo, mas tem conhecimento dos fatos discutidos em juízo, sendo de grande relevância que a testemunha evidencie sua capacidade para a efetivação de atos civis. A prova testemunhal, assim como o próprio nome já diz, trata-se de uma prova obtida através de um testemunho. Cristo (2017) entende como prova testemunhal, a maneira pela qual uma pessoa alheia ao processo, comunica em juízo e de forma oral, informações sobre o que está sendo debatido no processo, por saber alguma informação relevante sobre o ocorrido. Tal espécie probatória é muito antiga e bastante utilizada, porém a forma como ela se dá é muito questionada pelos juristas e doutrinadores, pois aceita apenas alegações fundadas na memória e ótica da testemunha, sendo bastante desafiador para o magistrado (ARAÚJO; FÉLIX, 2012). 1.2.2 Prova pericial Este tipo de prova também é conhecida como prova constituída, pois a mesma é geralmente constituída no decorrer do processo. Quando surgem fatos controversos no caminho processual, pode existir também a necessidade de solicitar uma prova pericial como forma de defesa (ARAÚJO; FÉLIX, 2012). A prova pericial é produzida por perito através de uma investigação. O perito eleito é aquele que tem conhecimento técnico e de causa para o determinado serviço investigativo, especialmente para acertar e proceder ao melhor juízo. Por exemplo, se uma parte em um processo perpetra um print de mensagens de texto em desfavor da outra parte, essa, fazendo uso do princípio do contraditório pedirá uma perícia para comprovar que aquela prova digital é lícita. À vista desse exemplo, nota-se a importância de uma perícia de excelência no direito processual quando se fala de provas digitais (OLIVEIRA, 2021). 11 Em suma, a perícia trata-se de uma atividade realizada por um perito e é fruto de um processo investigativo e técnico, que auxilia o juiz na busca da verdade dos fatos e no mérito do processo, proferindo o melhor juízo (CRISTO, 2017). 1.2.3 Prova documental A prova documental trata-se de instrumento representativo de um fato ou evento. As partes em litígio podem dispor de inúmeras espécies de documentos dentre os quais se têm: comprovantes de pagamento de salário, fichas, registros de ponto, contratos, carteira de trabalho, declarações, atestados, etc. A prova documental é aquela produzida através de documentos, sendo um meio bastante utilizado e confiável, visto que não se trata de um meio volátil. Rodrigues (2014, p.238) diz que “os efeitos probatórios decorrentes do registro, que podem ou não ter efeito jurídico legal, impões aos documentosde arquivo, a marca do sigilo e do segredo”. Esse tipo de prova é também conhecido como prova escrita ou prova concreta, tornando essa espécie a mais utilizada e de maior credibilidade no Direito Processual, pois é dotada de materialidade. Capez (2020) afirma em sentido estrito, que a prova documental é um escrito que representa de forma gráfica o pensamento de uma pessoa, mediante o qual pode ser provado e demonstrado a relevância jurídica de um determinado ato. É o papel no qual são inseridas informações através da escrita, entretanto, os meios tecnológicos foram evoluindo e consequentemente surgiram novas formas de expressar pensamentos, ideias e opiniões, são as novas formas de se escrever, que devem também ser contempladas pelos doutrinadores e legisladores. 2 MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVAS Inicialmente, acerca do estudo cumpre ressaltar que a expressão “meios de prova” possui sentido ambíguo, podendo ser empregado no momento de produção de provas tanto pelo magistrado, como pelas partes envolvidas, além de servir como instrumento no processo objetivando o convencimento do magistrado. Há, porquanto, uma classificação doutrinária concernente ao instituto da prova, fala-se da prova quanto ao seu objeto, que corresponde à existência de prova direta, aquela voltada para os fatos contestados e a indireta nesta há uma presunção de que fatos apontados possam ser avaliados como fatos principais. 12 No que concerne à natureza da prova, esta pode ser pessoal ou real, a primeira quando for proveniente de ato humano e a segunda procedente do exame de coisas. Já com relação à forma a prova pode ser oral ou escrita. Com relação à função fala-se em provas históricas, críticas ou lógicas. Quanto aos sujeitos proponentes, podendo ocorrer de ofício sendo de iniciativa do juiz, ou requeridas pelas partes litigantes e, por fim as provas que necessitam de terceiros. Diante da função determinante da questão probatória no processo em busca da verdade real, a doutrina compreende a necessidade de diferenciar e classificar os tipos de provas que existem (CRISTO, 2017). Diz ainda que, dentre a gama de classificações conhecidas, maior respaldo se dá a qual diferencia os meios probatórios, sendo uma forma do magistrado obter conhecimento do que seria o objeto de prova. Segundo Nucci (2021) o meio de prova compreende tudo que tenha a possiblidade de ajudar, direta ou indiretamente, à demonstração da verdade pretendida no processo. Como a título de exemplo tem-se a prova documental, testemunhal, pericial, dentre outras. Neste sentido Rangel (2013, p. 107) explica o meio de prova são todos aqueles que o magistrado, seja direta ou indiretamente, usa para identificar a verdade dos fatos, estejam ou não previstos em lei. Visando construir sua convicção a respeito dos fatos ou coisas que as partes envolvidas venham declarar em juízo. Compreende-se que tudo aquilo que o magistrado usa para atingir um fim justo no processo judicial é denominado meio de prova. É preciso estar atento ao fato de que toda restrição a determinados meios de prova deve estar atrelada (e, assim, ser justificada) à proteção de valores reconhecidos e positivados na ordem jurídica (OLIVEIRA, 2021). Nota-se, portanto, que as restrições podem ocorrer tanto em relação ao meio da obtenção da prova, no ponto em que esse meio implicaria a violação de direitos e garantias, quanto em referência ao grau de convencimento resultante do meio de prova utilizado. 3. AS CARTAS PSICOGRAFADAS COMO MEIO DE PROVA NO PROCESSO PENAL No entendimento de Allan Kardec (2006), considerado um grande colaborador da Doutrina Espírita, a palavra ‘Psicografia’ é de origem de grega a palavra psykê significa borboleta, alma; e a palavra grapho significa escrever. Através das cartas psicografadas é possível transmitir o pensamento dos desencarnados através da escrita feita pela mão de um médium. Kardec afirma que a mão é apenas um instrumento, porém sua alma ou Espírito nele 13 encarnado é o intercessor do Espírito que se comunica. A psicografia é um fenômeno mediante o qual os desencarnados possam se comunicar seus pensamentos, por meio da escrita mediúnica, utilizando para isso pessoas que apresentam faculdade peculiar chamada de médium psicógrafo. Na psicografia o desencarnado manda a mensagem neuronal mediante a glândula pineal, presente no cérebro do médium, para que a mão dele transforme em escrita o seu pensamento, tendo como resultado uma carta, um bilhete, um relatório, um livro, uma coletânea ou até mesmo algo escrito que seja capaz de codificar o pensamento que se almeja transmitir (GARCIA, 2010). No entendimento de Ahmad (2008, p. 127) no formato psicográfico existem três classes de médiuns, quais sejam: médium mecânico, médium semimecânico e médium sensitivo. Importante destacar que as cartas psicografadas pelos médiuns normalmente apresenta uma alteração de caligrafia, em virtude de vários espíritos que se comunicam. Sendo notório quando uma certa caligrafia se reproduz frequentemente com um espírito, sendo às vezes semelhante ao tipo de caligrafia que aquele espírito tinha em vida (NINOMIA JÚNIOR, 2010). A mediunidade refere-se à capacidade dos seres humanos de se comunicarem com o mundo espiritual e à capacidade pela qual os espíritos se apresentam aos encarnados. Tal comunicação é independente de qualquer crença ou religião. Os médiuns podem ser localizados em membros de quaisquer religiões, assim como por quem não possui religião ou mesmo fé. A mediunidade é uma capacidade instrínseca ao ser humano e não a um certo grupo religioso de certa religião. Outra questão de grande relevância no entendimento de Garcia (2010, p. 66) diz respeito à análise das mensagens psicografadas, que podem ser realizadas de duas formas: análise técnica e análise de conteúdo. A análise técnica é feita por meio de peritos grafotécnicos, os quais são responsáveis por verificar os pontos característicos da mensagem recebida. Já a análise de conteúdo é comumente feita por algum parente ou amigo do desencarnado, objetivando indentificar características do espírito que se comunicou. Convém ressaltar que, no Brasil existem casos concretos que ficaram conhecidos, sendo admitido o uso da carta psicografada como meio de prova no processo criminal. Importante destacar o primeiro caso penal julgado pela justiça brasileira e que ficou bastante conhecido. Foi o caso do jovem Henrique Emmanuel Gregóris, morto em 10 de fevereiro de 1976, com 23 anos à época. O caso aconteceu numa terça-feira numa roleta-russa com o amigo João Batista França. Os rapazes estavam em uma festa com mais duas jovens consumindo bebidas alcólicas e “brincando” de roleta russa. Foi quando acidentalmente João 14 atirou em Gregóris em meio à brincadeira, vindo a falecer no local (BASTOS, 2010). O réu foi procunciado por homicidio culposo e o caso foi levado ao Poder Judiciário. O juiz Orima de Bastos foi o responsável por julgar o processo. Os noticiários da época o magistrado era católico e tinha convicção de que havia feito justiça. Segundo relatos do próprio juiz do caso, ele teve uma experiência incrível quando redigia a sentença em 1979, no Fórum da pequena cidade de Piracanjuba (BASTOS, 2010). Ele tinha datilografado as considerações iniciais à maquina, quando o relógio da cidade bateu exatamente às 21 horas e, nesse instante a sentença só continha 3 páginas. Em seguida, ocorreu um fenômeno estranho, ele seguiu datilografando por mais 3 horas, no entanto, ele diz não se lembrar de nada nem do que tinha escrito ou realizado até a meia-noite, foi quando novamente o relógio da cidade soou alto. Em seu relato ele afirma não saber se ficou em transe, todavia, logo percebeu que a sentença já se encontrava datilografada por inteiro, totalizando 9 páginas (BASTOS, 2010). No dia seguinte,ao ler a sentença o magistrado percebe que da quarta à noma página não existia nenhum erro sequer de datilografia, o que era impossível de acontecer quando se escreve um texto à maquina. Isso ele pode constatar porque nas três primeiras páginas feita por ele continham inúmeros erros. Ao final o magistrado Orimar decide que naquele processo não havia dolo ou culpa, vindo a inocentar João França, réu confesso de Henrique (BASTOS, 2010). Inconformada com a decisão a mãe de Henrique, pediu ao advogado Wanderley de Medeiros que recorresse da decisão mediante recurso de apelação. Somente dois dias depois de interpor recurso contra a decisão que beneficiava João França, Chico Xavier recebeu uma mensagem de Emanuel Gregóris em Uberaba - MG onde morava – pedindo à mãe que perdoasse o seu amigo, vale ressaltar que o médium desconhecia o fato, assim como a mídia local também não tinha conhecimento desse processo de assassinato até então. Logo, o médium Chico Xavier foi pessoalmente à cidade de Hidrolândia em Goiás e fez um pedido a D. Augustinha em nome de seu filho, relatando as seguintes palavras da carta de Henrique: “Avise a mamãe para suspender o processo contra João França. Ele é inocente e essa história tem prejudicado o meu crescimento” (BASTOS, 2010, p. 117). Ela então pediu ao advogado que concluísse o caso completamente e desistiu do recurso. O tribunal considerou João França completamente inocente. Após algum tempo, o espírito de Henrique reaparece com uma carta, agradecendo à mãe por ter acolhido seu pedido, conforme o trecho a seguir: “…Véia, sou eu que peço que não esquente a cabeça. Tudo passou. Fico muito grato por seu esforço, esforço de não guardar ressentimento. 15 Realmente seu filho estava brincando com a vida. Perdoe se isso aconteceu. Não tinha ideia de que o final seria aquele, foi uma zebra sem tamanho, que me surpreendeu, mas não há de ser nada. Mãe, não culpe a ninguém, peço. Eu agradeço o seu pedido ao nosso advogado, Dr. Wanderley. E peço que transmita aos nossos, principalmente ao nosso Mário, o amor, o carinho e respeito que me deram a paz…” (BASTOS, 2010, p.117). O magistrado Orimar deu declaração ao Jornal Opção no ano de 2006, dizendo que a carta teve valor subsidiário, pois corroborou para a sua íntima convicão. Nos autos constam provas, indícios de que o réu não praticou com dolo ou culpa, sobretudo, ao analisar as provas constantes nos autos (BASTOS, 2010). Após analisar as perícias realizadas pela polícia, em seguida o surgimento da carta psicografada, a qual troxxe um pequeno subsídio, visto que ela colidia com o depoimento do réu no interrogatório, e isso permitiu a convicção de que o acusado estava de fato falando a verdade (BASTOS, 2010). No decorrer vieram outros casos semelhantes e que também ficaram bastante conhecidos, como por exemplo, o caso Maurício Garcez Henrique (1976); o caso Gleide Maria Dutra (1980); caso Ercy da Silva Cardoso (2003) e o caso Iara Marques Barcelos (2006). Em janeiro de 2013, durante o julgamento de um dos casos do incêndio na Boate Kiss, que ocasionou a morte de 242 pessoas. No momento da defesa a advogada Tatiana Borsa em defesa do réu Marcelo de Jesus dos Santos, fez uso de uma carta psicografada em plenário (VIAPIANA, 2021). O Direito é a área que se dedica a estudar e aplicar normas que regem a sociedade, estabelecendo padrões de comportamento e garantindo os direitos e deveres de cada indivíduo. Em relação ao meio de prova, o Direito tem uma grande responsabilidade em definir e validar os métodos usados para comprovar fatos em processos judiciais. Deste modo, cabe ao Direito determinar a validade e a forma de uso de cada um desses meios de prova, garantindo que sejam aplicados de maneira ética e justa para a resolução de conflitos. 3.1 ARGUMENTOS QUE PODEM SER USADOS A FAVOR E CONTRA A ADMISSIBILIDADE DAS CARTAS PSICOGRAFADAS A doutrina têm inúmeros argumentos sobre a questão da admissibilidade das cartas psicografadas, conteúdo, para fins desta pesquisa foi importante trazer os argumentos elencados pelo autor Dantas (2018, p. 5). Não há vedação expressa no ordenamento jurídico brasileiro; A doutrina espírita é também uma ciência, tendo explicações racionais; Dizer que o Estado é laico é o mesmo que dizer que ele não possui 16 religião oficial, e que ele não admite a religião; A carta psicografada deve ser considerada um documento, consoante o art. 408 do Código de Processo Penal, podendo trazer à tona novos fatos e novas provas; O teor da psicografia necessita ser afrontado com outras provas. É uma prova como outra qualquer, devendo ter sua autenticidade avaliada; A autoria do documento pode ser demonstrada cientificamente pelo exame grafotécnico; Admite o cumprimento do princípio da ampla defesa, nos moldes da Constituição Federal; É garantida a busca pela verdade real; É assegurado ao juiz a livre apreciação das provas, devendo sua decisão ser motivada. Sobre os principais pressupostos oferecidos pela doutrina sobre a inadmissibilidade deste tipo de prova no processo judicial, têm-se como argumentos contrários: Não encontra-se prevista na lei brasileira; Como ciência, o Direito não deve admitir provas baseadas em princípios religiosos; Por ser um Estado laico, é inaceitável provas advindas de uma questão religiosa; Trata-se de uma prova ilícita ou ilegal; Não é possível juramentar o “espírito” em um tribunal e nem sancioná-lo por falsidade documental; A admissibilidade fere o Estado de Direito e a segurança jurídica; A previsão de quem pode ser testemunha, estabelecida no art. 202 do CPP, não faz referência direta a espíritos (DANTAS, 2018, p. 5). O Direito enquanto Ciência não deve ser estático; necessita ser um processo dinâmico e em constante evolução, visto que ele visa disciplinar o modus vivendi da sociedade e complementar as formas existentes de alcançar a justiça e a verdade. Diante de uma nova situação jurídica, ele precisa acompanhar o desenvolvimento social, a ciência, a tecnologia e os costumes, e perguntar qual a melhor forma de sanar a disputa apresentada; resolver novas circunstâncias predispostar a origem a relações jurídicas, devem ser constantemente avaliadas de forma a desenvolver o processo, especialmente no tocante à introdução de novos meios de prova, com o objectivo de aproximar-se cada vez mais da verdade real e resolver o caso de modo justo e apropriado (DANTAS, 2018). No entanto, pode-se dizer que a jurisprudência brasileira ainda não tem uma resposta concreta sobre a possibilidade ou não de aplicação das cartas psicografadas como meio de prova no Tribunal do Júri. Sendo assim, o réu pode inserir o documento como prova a seu favor, ficando os jurados a se valer ou não da carta psicografada, dentro do seu vasto campo de convencimento consentido (EVANGELISTA, 2021). 17 CONCLUSÃO Este estudo permitiu afirmar que a prova psicográfica não fere as garantias constitucionais, especialmente o princípio da proteção adequada e do contraditório, ou a moral e a boa conduta, ou quaisquer normas processuais. Como evidenciado, portanto, não se qualifica como prova ilegal ou ilegítima. Quando um magistrado está envolvido no processo, ele é livre para avaliar a carta psicografada e formar suas próprias convicções. E como prova documental, está sujeita a todas as limitações previstas na legislação processual penal. É claro que esta única evidência não garante, por si só, a veracidade dos fatos. Não tem caráter absoluto, como nenhuma evidência tem. A tarefa do juiz é aferir o peso que considera justo e analisar a proporcionalidade das provas com as demais provas apresentadas, de forma que cada prova individual seja analisada na macroárea do processo. Além disso, o conteúdo da carta psicográfica deve ser comparadocom declarações relevantes, competência, análise e outras evidências. Em primeiro lugar, sem esquecer que pode ser virado e pode ser feito um exame grafotécnico. Nesses casos, o caráter do especialista que faz a pesquisa grafotécnica é muito sério e valioso. Desprezar a fidedignidade do conhecimento pericial e toda a sua capacidade técnica e científica significa o fim da assistência judiciária e toda a sua importância no processo judicial, pois se coloca diretamente entre a prova e o julgamento. O direito necessita, portanto, manter-se dinâmico e evolutivo, procurando acompanhar as mudanças sociais e, assim, aceitar novos métodos de prova com o objetivo de se aproximar cada vez mais da real verdade dos fatos, para que a justiça seja feita de forma totalmente convincente, sem medo de absolvição. . ao considerar os acusados inocentes e culpados. Conclui-se que alguns tribunais permitem que a carta psicografada seja usada como prova, desde que atenda a certos requisitos, como a autenticidade e a competência do médium. Outros tribunais, no entanto, podem não reconhecer a carta psicografada como prova válida, devido à falta de evidência científica sobre a validade da psicografia. Em resumo, o uso da carta psicografada como meio de prova dependerá da jurisdição e das regras estabelecidas pelos tribunais em cada caso. É importante consultar um advogado qualificado para obter mais informações e orientações específicas sobre como lidar com a carta psicografada em um caso legal. 18 REFERÊNCIAS AHMAD, Nemer da Silva. Psicografia: o novo olhar da justiça. São Paulo: Editora Aliança, 2008. ARAÚJO, Caroline. FELIX, Yuri. Breves linhas a respeito da prova no Processo Penal. Revista Arquivo Jurídico-ISSN 2317-918X jul./dez de 2012. AVENA, Noberto, Processo penal esquematiza. 8ª ed. Editora Método: São Paulo, 2016. BADARÓ, Gustavo Henrique. Processo Penal. 4ª ed. rev. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016. BASTOS, Orimar de. O justo juiz – História de uma sentença. Goiânia: Kelps, 2010. BRASIL, Código Penal. Lei de 7 de dezembro de 1940. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em 10 mar. 2023. CAPEZ, Fernando; COLNAGO, Rodrigo. Código de processo penal comentado. Editora Saraiva, São Paulo, 2015. CRISTO, Thiago Rodolfo Tosin de. 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LEITE, Gisele. 2020. A verdade real, formal e processo penal brasileiro. Disponível em: https://www.jornaljurid.com.br/colunas/gisele-leite/a-verdade-real-formal-e-processo-penal- brasileiro. Acesso em 22 mar. 2023b. LOPES JÚNIOR, Aury. Direito Processual Penal. 16 ed. São Paulo: Saraiva, 2019. MELO, Cecília; PINTO, Flávia Silva; JACINTHO, Júlia Dias. O livre convencimento do juiz na valoração das provas no processo. Disponível em: https://www.ceciliamelloadvogados.com.br/artigos/o-livre-convencimento-do-juiz-na- valoracao-das-provas-no-processo/. Acesso em 18 abr. 2023. NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal Comentado. 19. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. NINOMIA JÚNIOR, Akira. A psicografia como prova subsidiária no processo penal. Goiânia: Editora Vieira, 2010. OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de. Curso de Processo Penal. 25 ed. São Paulo: Atlas, 2021. RAMALHO, Ana Maria Martins. Cartas psicografadas como meio de prova no processo penal e sua utilização no Tribunal do Júri. 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