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J Aula 12 Compressibilidade e adensamento nos solos MECÂNICA DOS SOLOS Prof. Thiago Fernandes da Silva Compressibilidade e adensamento nos solos CONTEÚDO DA AULA 1. Conceitos iniciais Todos os materiais sofrem uma variação de volume quando submetidos a um estado de tensão. Compressibilidade dos grãos Compressibilidade da água e do ar nos vazios Em condições adequadas, o solo sofre uma redução de volume devido a 3 fatores: Expulsão da água e do ar dos vazios CONCEITOS INICIAIS Adens ament o Compre ssibilid ade Recalq ue Adensamen to → redução de volume no solo ao longo do tempo Compressibilidad e → redução de volume sem consideração com relação ao tempo → deformação vertical devida à ação de uma tensão CONCEITOS INICIAIS Fatores que influenciam a compressibilidade dos solos Tipo de solo Estrutura dos solos Nível de tensões Grau de saturação Granulares Argilosos Granulares Argilosos Floculado DispersoFofa Compacta 𝜎𝑣 ′ 𝜎𝑣 ′ 𝜎ℎ ′ 𝜎ℎ ′ CONCEITOS INICIAIS Causas de recalque Acréscimo de tensões Rebaixament o do lençol freático Solos colapsíveis Escavações de fundações adjacentes Vibrações no terreno Escavações de túneis Peso próprio do solo Ruptura de tubulações Formação de cavernas de animais Dissoluçõe s químicas CONCEITOS INICIAIS Recalques diferenciais Desuniforme sem distorção Desuniforme com distorção Uniforme R E C A L Q U E S CONCEITOS INICIAIS wA wB lAB A B dwAB AB AB AB BA l w l ww d Recalques diferenciais em edifícios CONCEITOS INICIAIS Exemplos de recalques Edifícios na orla de Santos (SP). CONCEITOS INICIAIS Exemplos de recalques Edifícios na orla de Santos (SP). CONCEITOS INICIAIS Exemplos de recalques Edifícios na orla de Santos (SP). CONCEITOS INICIAIS Exemplos de recalques Edifícios na orla de Santos (SP). CONCEITOS INICIAIS Após 4 dias de macaqueamento, o prédio voltou ao prumo e as novas fundações foram integradas à estrutura. Exemplos de recalques Edifícios na orla de Santos (SP). CONCEITOS INICIAIS Exemplos de recalques Torre de Pisa (Itália) CONCEITOS INICIAIS Estabilização do recalque após estaqueamento de fundações. Exemplos de recalques Cidade do México (México) CONCEITOS INICIAIS Recalques médios de 8 a 12 cm por ano Exemplos de recalques CONCEITOS INICIAIS A capital do Império Asteca: Tenochtitlán. Atual cidade do México Exemplos de recalques CONCEITOS INICIAIS Imediat o 01 Primário 02 Secundári o 03 01 02 Também chamado de elástico. Causado pela deformação rápida do solo após acréscimo de tensão.Também chamado de recalque por adensamento, que ocorre devido a dissipação do excesso de poro-pressão, típico de argilas moles saturadas. Causado pela plasticidade do solo após a dissipação da poro-pressão. 03 Recalqu es 𝑹𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 = 𝑹𝒊 + 𝑹𝒂 + 𝑹𝒔 ← D e fo rm a ç ã o Tempo (log) 𝑹𝒊 𝑹𝒂 𝑹𝒔 Rápidos Lentos CONCEITOS INICIAIS 2. Teoria do adensamento É um processo lento e gradual de redução do índice de vazios de um solo por expulsão do fluido intersticial e transferência da pressão do fluido (água) para o esqueleto sólido, devido a cargas aplicadas ou ao peso próprio das camadas sobrejacentes. Karl von Terzaghi 1883-1963 TEORIA DO ADENSAMENTO 15 N 1 0 N Analogia mecânica de Terzaghi 15 N 2 3 4 5 5 N 10 N 15 N 15 N 10 N 0 N5 N 15 N 15 N TEORIA DO ADENSAMENTO O desenvolvimento da Teoria do Adensamento se baseia nas seguintes hipóteses: - O solo é homogêneo e completamente saturado; - A água e os grãos são incompressíveis; - O escoamento obedece à Lei de Darcy e se processa na direção vertical; - O coeficiente de permeabilidade se mantém constante durante o processo; - O índice de vazios varia linearmente com o aumento da tensão efetiva durante o processo do adensamento. - A compressão é unidirecional e vertical e deve-se à saída de água dos espaços vazios; - As propriedades do solo não variam durante o adensamento. Teoria do Adensamento Unidimensional - Hipóteses TEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Grau de Adensamento (U) É a relação entre a deformação (ε) ocorrida num elemento numa certa posição ou profundidade z, num determinado instante de tempo t e a deformação deste elemento quando todo o processo de adensamento tiver ocorrido (εf), ou seja: f U A deformação final do elemento devida ao acréscimo de tensão pode ser expressa pela equação seguinte: 1 1 1 e ee 21 1 ee ee U 1 21 1 e ee f TEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Grau de Adensamento (U) • Um elemento de solo que está submetido à tensão vertical efetiva σ1’, com seu índice de vazios e1, ao ser submetido a um acréscimo de tensão Δσ, surge instantaneamente uma pressão neutra de igual valor (ui), e não há variação no índice de vazios. • Progressivamente, a pressão neutra vai se dissipando, até que todo o acréscimo de pressão aplicado seja suportado pela estrutura sólida do solo (σ2’= σ1´+ Δσ) e o O Grau de Adensamento é equivalente ao Grau de Acréscimo de Tensão Efetiva, que também é proporcional ao Grau de Dissipação de Pressão Neutra. TEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Coeficiente de Compressibilidade (av) Considerando linear o comportamento da curva índice de vazios x tensão vertical efetiva, pode-se definir a inclinação da reta correspondente como um coeficiente que dá indicações da compressibilidade do solo. Esse coeficiente é denominado Coeficiente de Compressibilidade vertical, av, definido conforme a equação: Como a cada variação de tensão efetiva corresponde uma variação de pressão neutra, de mesmo valor mas de sentido contrário, pode-se dizer que: TEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Dedução da Teoria de Terzaghi O objetivo é determinar, para qualquer instante de tempo e em qualquer posição da camada que está adensando, o Grau de Adensamento, ou seja, as deformações, os índices de vazios, as tensões efetivas e as pressões neutras correspondentes. (1) O fluxo tridimensional num solo saturado, sem variação volumétrica, é dado por:Z X Y Direção de fluxo dx dy dz TEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Variação do volume com o tempo (2) d x .d y. d z Vv=e.Vs Vs e 1 + e dx. dy. dz 1 1 + e dx. dy. dz 1 + e 1 + e dx. dy. dzVolume total = Volume dos sólidos = invariável com o tempo TEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Só a carga em excesso à hidrostática provoca fluxo: Substituindo h pela pressão na água (u) dividido pelo peso específico da água (γ0). Igualando (1) e (2), têm-se: (3) (4) (5) Da fórmula do Coeficiente de compressibilidade: 𝒅𝒆 = 𝒂𝒗. 𝒅𝒖 Ao introduzir esses dois fatores na equação 3, obtemos: Coeficiente de adensamento TEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Equação diferencial do Adensamento: • A variação de pressão neutra é a indicação da própria variação das deformações. • Indica a variação da pressão ao longo da profundidade através do tempo. TEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Fator Tempo (T) para o Adensamento Unidimensional O símbolo “T” é denominado de Fator Tempo. T é adimensional, t é expresso em segundos, Hd em cm e Cv em cm2/s. TEORIA DO ADENSAMENTO Para o problema do adensamento unidimensional, as condições limites são as seguintes: a) Existe completa drenagem nas duas extremidades da amostra; b) A pressão neutra inicial, em t = 0, é constante ao longo de toda a altura, sendo μ = σ . E para t = ∞ tem-se σ ' = σ , constante ao longo da altura. Numa extremidade z = 0 e na outra z= 2⋅Hd , sendo Hd a metade da espessura da amostra H. Teoria do Adensamento Unidimensional Grau de Adensamento em Função da Profundidade e do Fator TempoTEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Curva de Adensamento – porcentagem de recalque em função do Fator Tempo TEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Tabela do fator tempo em função do grau de adensamento TEORIA DO ADENSAMENTO Teoria do Adensamento Unidimensional Relações Aproximadas entre os Recalques e o Fator Tempo TEORIA DO ADENSAMENTO Duas equações ajustam-se muito bem à equação teórica do adensamento de Terzaghi, cada uma a um trecho dela. São elas: 3. Ensaio de adensamento Ensaio de adensamento unidimensional NBR 16.853/2020D2435/2020 Aparelho utilizado: edômetro Amostra geralmente indeformada com altura pequena em relação ao diâmetro. ENSAIO DE ADENSAMENTO UNIDIMENSIONAL Solo Ensaio de adensamento unidimensional Consiste na compressão do solo contido dentro de um molde que impede qualquer deformação lateral. As condições de drenagem são estabelecidas pela presença de pedras porosas nas duas faces. O ensaio simula o comportamento do solo quando comprimido pela ação do peso de novas camadas que sobre ele se depositam. ΔhA célula de compressão é colocada numa prensa para aplicação de cargas. ENSAIO DE ADENSAMENTO UNIDIMENSIONAL Ensaio de adensamento unidimensional O carregamento é feito por etapas. Para cada carga aplicada, registra-se a deformação a diversos intervalos de tempo (0, 15, 30 s, 1, 2, 4, 8, 16, 32 min...), até que as deformações tenham praticamente cessado. Ao final de cada estágio, as tensões são praticamente efetivas (σ’ ≅ σ). Cessadas as deformações, as cargas são elevadas, geralmente ao dobro da anterior. Os índices de vazios finais de cada estágio de carregamento são calculados a partir do índice de vazios inicial do corpo de prova e da redução da altura. ENSAIO DE ADENSAMENTO UNIDIMENSIONAL Ensaio de adensamento unidimensional A cada estágio de carga corresponde uma redução de altura da amostra, a qual se expressa segundo a variação do índice de vazios. (1) Quando o material é retirado do campo, sofre um alívio de tensões. No laboratório, reconstitui-se as condições de campo iniciais. (2) Corresponde à primeira compressão do material em sua forma geológica. ENSAIO DE ADENSAMENTO UNIDIMENSIONAL (3) Ocorre quando o excesso de pressão neutra é praticamente nulo μ ≅ 0 e a tensão efetiva é praticamente igual a tensão total σ ' ≅ σ . Ensaio de adensamento unidimensional A maneira convencional de apresentar os resultados é pelo gráfico do índice de vazios (e) em função da tensão aplicada (σ). e σ’ (log) A variação da deformação com as tensões não é linear. e1 e2 σ1' σ2' Curva de recompressão Reta de compressão virgem Adensament o secundário ENSAIO DE ADENSAMENTO UNIDIMENSIONAL Ensaio de adensamento unidimensional Escala Natural Escala Logarítmica ' e av o v v e1 a m if c '/'log e C 𝐷 = ∆𝜎𝑣 ∆𝜀𝑣 Coeficiente de variação volumétrica: Módulo de compressão edométrica: Coeficiente de compressibilidade: Índice de compressão: ENSAIO DE ADENSAMENTO UNIDIMENSIONAL Ensaio de adensamento unidimensional ENSAIO DE ADENSAMENTO UNIDIMENSIONAL Deformação ENSAIO DE ADENSAMENTO UNIDIMENSIONAL 4. Tensão de pré-adensamento e cálculo de recalques e Log σv’ Curva de recompressão Reta de compressão virgem Adensament o secundário𝜎𝑣 ′ 𝜎𝑣 ′ “O solo tem memória ” Carregamento Argilas saturadas Descarregamen to Recarregament o TENSÃO DE PRÉ-ADENSAMENTO E CÁLCULO DE RECALQUES e Log σv’ Tensão efetiva de pré-adensamento (𝝈′𝒂) Estabelecida a tensão de pré- adensamento, pode-se determinar o razão de sobreadensamento (RSA) ou over consolidation ratio (OCR): σ’v0 : tensão efetiva atuante na amostra σ’a : tensão de pré-adensamento Tensão de pré-adensamento é a máxima tensão a que um solo foi submetido no seu passado. TENSÃO DE PRÉ-ADENSAMENTO E CÁLCULO DE RECALQUES e Log σv’ 𝝈′𝒂 Método de Casagrande 1) Prolongar a reta virgem; 2) Pelo ponto de curvatura máxima, traçar horizontal, tangente e bissetriz; 3) A tensão σ’a é dada pela interseção de r e b. r h t b TENSÃO DE PRÉ-ADENSAMENTO E CÁLCULO DE RECALQUES Método de Pacheco e Silva a) Prolongar a reta virgem até a horizontal correspondente ao índice de vazios inicial da amostra; b) Do ponto de interseção, baixa-se uma vertical até a curva de adensamento e deste traça uma horizontal; c) A interseção desta horizontal com o prolongamento da reta virgem é considerada o ponto de pré-adensamento. e Log σv’ 𝝈′𝒂 r h TENSÃO DE PRÉ-ADENSAMENTO E CÁLCULO DE RECALQUES BULBO DE TENSÃOσ'a = Tensão de pré-adensamento σ' = tensão determinada através do perfil do terreno 𝑶𝑪𝑹 > 𝟏 (𝝈′𝒂 > 𝝈 ′) 𝑶𝑪𝑹 = 𝟏 (𝝈′𝒂 = 𝝈 ′) O solo já esteve sujeito a cargas maiores do que as atuais, sendo chamado de pré- adensado. A camada argilosa é dita normalmente adensada. Trata-se de um solo que ainda não atingiu as suas condições de equilíbrio, sendo chamado de sub-adensado. A argila ainda não terminou de adensar sob efeito de seu próprio peso. 𝑶𝑪𝑹 < 𝟏 (𝝈′𝒂 < 𝝈 ′) TENSÃO DE PRÉ-ADENSAMENTO E CÁLCULO DE RECALQUES DETERMINAÇÃO DO RECALQUE TOTAL Quando uma camada de solo sofre o efeito de uma sobrecarga, ela se deforma em consequência da diminuição do valor de seu índice de vazios inicial (e0) para um valor final (ef), motivada pela sua compressibilidade. Sua espessura passa, portanto, de um valor inicial H0 para um valor final Hf, cuja diferença (ΔH = H0 - Hf) corresponde ao recalque total sofrido. TENSÃO DE PRÉ-ADENSAMENTO E CÁLCULO DE RECALQUES DETERMINAÇÃO DO RECALQUE TOTAL – Solos Normalmente Adensados (OCR = 1) TENSÃO DE PRÉ-ADENSAMENTO E CÁLCULO DE RECALQUES DETERMINAÇÃO DO RECALQUE TOTAL – Solos Pré- Adensados (OCR > 1) TENSÃO DE PRÉ-ADENSAMENTO E CÁLCULO DE RECALQUES DETERMINAÇÃO DO RECALQUE TOTAL – SOLOS SUB- ADENSADOS (OCR < 1) TENSÃO DE PRÉ-ADENSAMENTO E CÁLCULO DE RECALQUES 4. Exercícios EXERCÍCIO 1 Uma amostra indeformada de solo foi retirada na Baixada Santista, a 8 m de profundidade, e a tensão efetiva calculada nessa profundidade era de 40 kPa. Moldou-se um corpo de prova para ensaio de adensamento, ,com as seguintes características: altura = 38 mm, volume = 341,05 cm³, massa = 459,8 g, umidade = 125,7% e densidade dos grãos = 2,62 g/cm³. O corpo de prova foi submetido ao ensaio de adensamento, e registraram-se os seguintes valores de altura do corpo de prova ao final de cada estágio de carregamento, determinados por meio de um deflectômetro, a partir da altura inicial do corpo de prova: Tensão Altura do (mm) Tensão Altura do (mm) Tensão Altura do (mm) 10 37,786 56 36,845 1280 24,786 14 37,746 80 35,966 640 24,871 20 37,698 160 32,786 160 25,197 28 37,585 320 29,530 40 25,684 40 37,315 640 26,837 10 26,461 EXERCÍCIO 1 Efetue os cálculos correspondentes a esse ensaio e determine os seguintes parâmetros: a) A tensão de pré-adensamento (σvm) b) A razão de sobreadensamento (OCR); c) O índice de compressão (Cc) d) O índice de recompressão (Cr) EXERCÍCIO 1 Resposta: Gráfico da índice de vazios x tensão aplicada EXERCÍCIO 2 Para o solo nas condições do Exercício 1, planeja-se executar uma obra que provocará um acréscimo de tensão de 80 kPa, na profundidade da qual foi retirada a amostra. Determine, para essa condição, os seguintes parâmetros: a) O coeficiente de compressibilidade (av); b) O coeficiente de variação volumétrica (mv); c) O módulo de compressão edométrica (D). EXERCÍCIO 3 A amostra referida no Exercício 1 correspondia ao ponto médio de um terreno constituído de 16 m de argila mole. No terreno, com um carregamento de 80 kPa, que recalque deve ocorrer? Estime o recalque com base nos dados dos Exercícios 1 e 2. Aterro EXERCÍCIO 4 Qual será o tempo necessário para que ocorra um recalque por adensamento de 33 cm, causado pelo aterro construído recentementenuma extensa área, esquematizado no perfil abaixo. Dados da camada de argila: CC = 0,6; CV = 10-4 cm²/seg; e0 = 1,2. 0 m -5 m -13 m -15 m Areia Argila normalmente adensada 𝜸𝒏 = 𝟏𝟕 𝒌𝑵/𝒎³ 𝜸𝒏 = 𝟏𝟗 𝒌𝑵/𝒎³ Areia N.A. Rocha 𝜸𝒏 = 𝟏𝟔, 𝟓 𝒌𝑵/𝒎³ 𝜸𝒏 = 𝟏𝟖, 𝟓 𝒌𝑵/𝒎³ 4 m