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Prévia do material em texto

OTORRINOLARINGOLOGIA
Professor Dr. Frederico Miola Martinello
 REITOR Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
 DIRETOR DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Ms. Daniel de Lima
 DIRETORA DE ENSINO EAD Prof. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
 DIRETOR FINANCEIRO EAD Prof. Eduardo Luiz Campano Santini
 DIRETOR ADMINISTRATIVO Guilherme Esquivel 
 SECRETÁRIO ACADÊMICO Tiago Pereira da Silva
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Prof. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Prof. Ms. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Ms. Jeferson de Souza Sá
 COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE GESTÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS Prof. Dra. Ariane Maria Machado de Oliveira
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE T.I E ENGENHARIAS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
 COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE SAÚDE E LICENCIATURAS Prof. Dra. Katiúscia Kelli Montanari Coelho 
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Caroline da Silva Marques
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Kauê Berto
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO André Dudatt
 Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
 DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos 
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 
 
 
 FICHA CATALOGRÁFICA
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
M385o Martinello, Frederico Miola
 Otorrinolaringologia / Frederico Miola Martinello. Paranavaí:
 EduFatecie, 2023.
 96 p.
 
1. Otorrinolaringologia. 2. Ouvidos - Doenças. I. Centro 
 Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. 
 III. Título. 
 CDD: 23. ed. 617.51
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas dos bancos de imagens 
Shutterstock , Pexels e Freepik .
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
https://www.shutterstock.com/pt/
https://www.pexels.com/pt-br/
https://br.freepik.com/
3
AUTOR
Professor Dr. Frederico Miola Martinello
 
 ● Sou Frederico, médico otorrinolaringologista, residindo e atuando em Maringá-
PR, fellowship em Plástica Facial. 
 ● Sou médico formado em 2015 pela Fundação Universidade Regional de 
Blumenau, em Santa Catarina. 
 ● Realizei residência médica de Otorrinolaringologia pelo Hospital 
Otorrinolaringológico de Sorocaba e por fim realizei fellowship em Plástica Facial 
em Uberlândia-MG no Uberlândia Medical Center (UMC). 
 ● Atualmente sou co-orientador na residência médica da cadeira de plástica facial 
do Hospital Otorrinolaringológico de Sorocaba, orientando os residentes na 
realização de rinoplastia e outros procedimentos estéticos faciais. 
 ● Sou membro da equipe de otorrinolaringologistas do Hospital São Marcos em 
Maringá-PR. 
 ● Atuo no pronto-atendimento em otorrinolaringologia OPAH em Maringá-PR e em 
consultório. 
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/4896066675300729 
 http://lattes.cnpq.br/4896066675300729 
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É um prazer ter você aqui. Separei e preparei um material de fácil leitura, com 
temas importantes para o seu curso e para a sua formação acadêmica. Sugiro sempre as 
leituras extras que eu indicar e espero contribuir para o seu crescimento profissional. 
Estarei disponível para conversar e esclarecer dúvidas. Sinta-se à vontade para me 
procurar nas redes sociais que irei responder quando possível. 
Bom, vamos lá. Na unidade I, nós iremos abordar temas mais básicos e de início de 
curso, como anatomia e fisiologia da orelha, exame físico e anamnese do paciente auditivo. 
Na unidade II, abordaremos as doenças. Separei algumas patologias da orelha 
externa e média para você ter conhecimento e domínio sobre elas. 
Na unidade III, também abordaremos doenças, mas nesta unidade serão mais 
específicas e detalhadas a cada patologia. 
Por fim, na última unidade, a unidade IV, nós abordaremos temas diversos, deixei 
como uma miscelânea de assuntos importantes e que contribuirão para a sua formação na 
fonoaudiologia. No próprio texto da apostila deixarei dicas de prova. 
Leiam com atenção e bons estudos. 
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
SUMÁRIO
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Plano de Estudos
• A otologia no contexto da Fonoaudiologia;
• Anatomia e fisiologia da orelha;
• Anamnese e exame otológico.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar a anatomia e fisiologia
 da orelha externa, média e interna;
• Estabelecer a importância do conhecimento
 otológico na Fonoaudiologia.
1UNIDADEUNIDADEANATOMIA,ANATOMIA,FISIOLOGIA FISIOLOGIA E SEMIOLOGIAE SEMIOLOGIA Professor Dr. Frederico Miola Martinello
7
Olá, neste primeiro módulo, veremos alguns conceitos básicos em anatomia, fisio-
logia e semiologia da orelha humana. Este tema foi colocado no primeiro módulo de forma 
objetiva e proposital, pois para entendermos as doenças e alterações da orelha, devemos 
dominar este primeiro módulo. 
Não tenha preguiça em ler as referências bibliográficas e aprofundar seus conhe-
cimentos nesta parte. 
Este início é muito importante para o andamento do curso. Tome uma xícara de 
café e boa leitura. 
INTRODUÇÃO
UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
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Para todo profissional da saúde, o conhecimento básico do corpo humano é funda-
mental. Para nós aqui neste curso, abordaremos uma região em especial, a orelha humana. 
Todo otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo (a) deve ter um bom otoscópicoe 
saber fazer uma otoscopia. Diversas vezes recebi encaminhamento de outros colegas mé-
dicos com dúvida em otoscopia, descrição errada do exame, por exemplo, descrito como 
membrana timpânica perfurada, porém ao avaliar está totalmente íntegra, sem alterações. 
Antes da realização de audiometria e imitanciometria deve-se obrigatoriamen-
te avaliar o conduto auditivo do paciente. Uma rolha de cerume pode interferir no 
resultado audiométrico. 
Ao final do curso, quero que você tenha segurança em realizar uma otoscopia 
básica, saber dizer se tem alguma alteração no exame físico do seu paciente e ter o conhe-
cimento das diversas patologias da orelha humana. 
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 1 A OTOLOGIA NO CONTEXTO DA FONOAUDIOLOGIATÓPICO
UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
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A orelha externa inclui o pavilhão auricular e o conduto auditivo externo (CAE). O 
pavilhão é o que vemos como orelha, sendo constituído por cartilagem e pele. O conduto 
auditivo externo é o túnel que comunica o ambiente externo até o nosso tímpano, é por 
meio da otoscopia que avaliamos o CAE. 
O comprimento médio do CAE é de 2,5 centímetros, pois é bem curto, por isso toda 
manipulação desta região deve ser bem cuidadosa e com instrumentos delicados, a fim de 
evitar lesões no tímpano. Isso inclui o risco no uso de cotonete, qualquer movimento mais 
forte e profundo, pode causar alguma perfuração timpânica. 
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 2 ANATOMIA E FISIOLOGIA DA ORELHATÓPICO
UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
FIGURA 01 - ANATOMIA DA ORELHA
Podemos dividir o CAE em 3 partes, as 2 partes mais internas (mediais) são forma-
das por parede óssea e o terço externo (lateral) possui um esqueleto cartilaginoso. É nesse 
1/3 lateral que encontramos glândulas sebáceas e folículos pilosos e é nessa porção em 
que é fabricado o cerume. 
O cerume é uma substância hidrofóbica (repele água) e um pouco ácida (pH 6 a 
6,5), formada por secreções glandulares e epitélio descartado do conduto auditivo.
A membrana timpânica forma a parede medial ou o fundo do CAE e ao mesmo 
tempo é a parede lateral da orelha média. É uma estrutura côncava e contém 3 camadas 
de células (externa, intermediária e interna)
Para a fisiologia da audição, a orelha externa serve como um meio de condução 
sonora. Guarde bem esse conceito. A frequência de ressonância do som é determinada 
pelo comprimento do tubo. Assim, para um tubo de 2,5 cm a frequência de ressonância é 
de aproximadamente 3.5KHz. Nessa frequência os sons chegam a ter um ganho de 15 dB 
na membrana timpânica. 
10UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
2.1 Anatomia Da Orelha Média 
A orelha média é um espaço preenchido por ar, o qual possui os 3 ossículos da 
audição. Martelo, bigorna e estribo. Grave essa sequência, pois deixei ela da forma como 
eles estão posicionados anatomicamente de externo para interno.
FIGURA 02 - OSSÍCULOS DA ORELHA MÉDIA 
É com a orelha média que temos uma comunicação com a cavidade nasal. Faça 
um teste: pressione o nariz com os dedos e tente suavemente assoar o nariz. Sentiu 
algo no ouvido? Pois bem, você acabou de jogar ar para dentro da orelha média. Como 
isso é possível? Por meio da tuba auditiva. A tuba auditiva é um túnel que comunica a 
cavidade nasal com a orelha média. Tem como função equalessizar a pressão da orelha 
média com o ambiente. 
A orelha média serve como meio de amplificação sonora. Guarde também esse 
conceito. Mas porque amplificação? 
É por meio da cadeia ossicular que temos a amplificação sonora, pois com o siste-
ma de alavanca dos ossículos e a diferença de área entre a membrana timpânica e a janela 
oval, conseguimos ter um ganho sonoro de até 25dB. 
Temos 2 músculos na orelha média, o tensor do tímpano e o estapédio. Estes são 
os menores músculos do corpo humano. 
11UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
O músculo tensor do tímpano está ligado ao ossículo martelo, o qual está intima-
mente encostado ao tímpano. 
O músculo estapédio está ligado ao estribo, o ossículo mais interno/medial, o qual 
está encostado na janela oval. Curiosidade: Em sons a partir de 80dB ocorre reflexo de 
contração do músculo estapédio bilateralmente, isso ocorre para proteger a orelha interna 
da exposição sonora muito alta. Esse é o reflexo estapediano. 
2.2 Anatomia da Orelha Interna 
Embriologicamente a orelha interna é a primeira a se formar durante a nossa for-
mação como embrião. 
A orelha interna é constituída pela cóclea, vestíbulo e os canais semicirculares. 
A porção da orelha interna que é responsável pela audição é a cóclea e a porção 
que lida com a manutenção do equilíbrio são os canais semicirculares. 
O osso que forma a cóclea e o labirinto vestibular é o osso mais duro do corpo humano. 
É aqui que a audição é processada e codificada como nós ouvimos os sons que 
conhecemos. Portanto, quero que você anote o terceiro conceito a ser gravado: a orelha 
interna serve como um meio de codificação sonora. É nesse local que se converte a energia 
mecânica do som em impulsos elétricos ao nervo auditivo. Onde isso é feito? Na cóclea. 
Imagine a cóclea como um caracol com líquido dentro e células ciliadas em seu interior, 
a entrada desse caracol é a janela oval (onde o estribo está encostado) e a saída desse 
caracol é a janela redonda, a qual é uma saída fechada, maleável e permite com que o 
líquido dentro do caracol possa se movimentar para frente e para trás. Deixa eu te explicar 
como isso funciona: quando o som chega ao tímpano, o movimento do tímpano faz com 
que movimente os ossículos dentro da orelha média, e o movimento do estribo sob a janela 
oval faz com que empurra o líquido dentro da cóclea, e esse líquido promove o movimento 
de células ciliadas dentro da cóclea, o movimento dessas células ciliadas é que vai codificar 
o som para o nervo auditivo. Complexo né? 
12UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
FIGURA 03 - ORELHA INTERNA 
Então, é na cóclea que há a formação dos impulsos elétricos da audição que serão 
levados pelo nervo auditivo ao nosso cérebro e este por último irá interpretar o som. 
Nós temos 2 tipos de células ciliadas dentro da cóclea, as externas e as internas. 
Os estereocílios das células ciliadas internas são os verdadeiros receptores auditivos. Ano-
te isso, será questão de prova. Elas estão localizadas no órgão de Corti, que é a principal 
estrutura sensorial da cóclea. Todo esse complexo está localizado dentro da rampa média 
do labirinto. 
13UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
FIGURA 04 - ANATOMIA COCLEAR 
14UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
Nós temos 3 rampas labirínticas, a rampa vestibular, a rampa timpânica e a rampa média. 
A movimentação do líquido dentro do caracol, a onda hidromecânica coclear que 
comentei anteriormente, ocorre da rampa vestibular em direção a rampa timpânica, preen-
chidas por perilinfa e essa movimentação repercute na rampa média, a qual é preenchida 
por endolinfa. 
FIGURA 05 - FLUXO DA PERILINFA COCLEAR
Esta fisiologia da audição é muito importante e somente foi abordado resumida-
mente para você entender com mais facilidade o tema. É necessário você aprofundar sua 
leitura dessa fisiologia com os livros da referência bibliográfica. Faça isso em uma leitura à 
parte, em um dia tranquiloe com um café ao lado. 
15UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
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A perda auditiva é a redução da audição em qualquer grau que reduz a inteligi-
bilidade da mensagem falada ao som. A redução de audição pode diminuir o bem-estar 
emocional, físico e social do indivíduo e ter prejuízo na qualidade de vida, levando o pa-
ciente ao isolamento. Pessoas com redução auditiva são mais propensas a ter sintomas de 
depressão e transtorno de ansiedade. 
A alteração auditiva, quando não identificada na infância, pode comprometer o de-
senvolvimento da fala, linguagem, e também o desempenho escolar da criança, bem como 
prejudicar o desenvolvimento social e emocional. Então tenha isso em mente, em toda 
criança com atraso de fala ou linguagem, alteração no desenvolvimento escolar, devemos 
sempre investigar perda auditiva. 
A anamnese deve iniciar-se com a história informada pelo próprio paciente ou por 
seu acompanhante, devendo ser guiada por um interrogatório dirigido aos sintomas auditi-
vos pelo profissional da saúde. 
Dados como idade, gênero, etnia e profissão, devem ser usados para iniciar o 
raciocínio clínico. Por exemplo, em recém-nascidos, devemos investigar a presença de 
infecção perinatal, possibilidade de surdez genética, ototoxicidade com uso de medica-
ções e a anóxia sem sofrimento no momento do parto, pois estas são causas comuns de 
perda auditiva. Nas crianças pré-escolares e escolares, há uma maior prevalência de otite 
média, muitas vezes com hipertrofia de adenoide, levando a obstrução da tuba auditiva e 
prejuízo auditivo. No adulto, podemos encontrar a otosclerose, doença autoimune, doença 
de Ménière, otite média crônica, os distúrbios vasculares ou metabólicos como causas 
comuns. Nos idosos inicialmente devemos sempre suspeitar de presbiacusia. 
16
 3 ANAMNESE E EXAME OTOLÓGICOTÓPICO
UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
A perda auditiva é a principal queixa relacionada à audição. Esse sintoma deve ser 
bem detalhado: quando foi o início da perda auditiva e duração, lateralidade, intensidade, 
tipo de instalação (lenta, progressiva ou súbita), frequência (estável, progressiva ou flutuan-
te), se existem sintomas associados, como zumbido, tontura, plenitude aural, hiperacusia, 
ou alguma distorção auditiva. 
O zumbido pode ser a primeira manifestação da perda auditiva. Quando presente, 
devemos avaliar a lateralidade, intensidade, tipo de instalação, duração, frequência, ca-
racterística, se existem fatores de piora e/ou melhora. Sempre na avaliação de zumbidos, 
precisamos questionar o abuso dos derivados de chás, café, cola, guaraná, também abuso 
de açúcares, hábitos de tabagismo e etilismo, doenças atuais, antecedentes cirúrgicos e 
medicações de uso atual, pois muitas medicações podem levar ao surgimento de zumbido.
A tontura também pode ser um sintoma que eventualmente acompanha a quei-
xa de hipoacusia, principalmente em vestibulopatias periféricas, como na doença de 
Ménière, nas labirintopatias metabólicas ou vasculares, na otosclerose e na presença 
de substâncias ototóxicas.
Devemos lembrar que algumas doenças relacionadas à audição podem ter herança 
familiar, como disacusias genéticas, otosclerose, osteogênese imperfeita, presbiacusia, tem 
geralmente uma história familiar correlacionada. Sendo assim, é de grande importância ques-
tionar ao paciente quanto à presença de familiares acometidos por alguma perda auditiva. 
3.1 Exame Físico 
No exame físico devemos avaliar o CAE, a membrana timpânica, a aparência da 
cavidade timpânica e também a sensibilidade auditiva.
FIGURA 06 - OTOSCOPIA 
17UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
Em recém-nascidos, podemos avaliar a audição por meio do reflexo cocleopalpe-
bral, realizado por meio de instrumentos musicais ou ao bater palmas atrás do paciente. 
Ao realizar esta ação, devemos observar a presença ou ausência do reflexo de piscar em 
resposta ao som abrupto emitido. 
Na inspeção do pavilhão auricular, devemos observar a forma, tamanho e coloração 
da pele. Qualquer malformação de orelha externa, pode também estar correlacionada com 
outras malformações. 
FIGURA 07 - INSPEÇÃO DO PAVILHÃO AURICULAR 
No CAE, devemos observar coloração da pele, edema, presença de tumorações 
(osteomas, exostoses), descamações, vesículas, secreções, cerume, sangue, corpos 
estranhos, escoriações ou outras alterações. Deve-se valorizar a presença de dor à intro-
dução do espéculo auricular ou manipulação do pavilhão auricular durante o exame, pois 
se presente, pode indicar que exista inflamação local. 
Para a completa visualização do CAE, deve-se obrigatoriamente realizar a remoção 
de cerume ou de secreções. Podemos fazer uso de cureta, estilete, pinça ou até mesmo 
com aspirador auricular, sempre com muito cuidado e delicadeza. 
A membrana timpânica normal possui formato arredondado, semelhante a um cone. 
Possui coloração perolácea, e durante a otoscopia possui uma região anterior que reflete 
a luz do otoscópio, chamada de triângulo luminoso de Politzer. A presença desse reflexo 
luminoso garante uma membrana timpânica saudável. Por sua transparência, podemos 
visualizar alguns elementos da cadeia ossicular da orelha média, como o cabo do martelo, 
18UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
ramo longo da bigorna, parte do estribo e nicho da janela redonda. O cabo do martelo está 
disposto no sentido vertical e com a sua porção inferior ligeiramente inclinada para trás, 
terminando no umbo ou umbigo, a qual é a parte mais côncava da membrana timpânica. O 
ramo longo da bigorna encontra-se paralelo e posterior ao martelo. Dica de prova e de vida: 
Como saber qual orelha estou avaliando somente pela foto de uma membrana timpânica? 
Pois bem, você acabou de ler que o cabo do martelo tem sua porção inferior inclinada para 
trás, pense nisso como se fosse a haste dos óculos de leitura ou de sol, a semelhança em 
direção do ossículo e a haste dos óculos vai te dizer em qual orelha estamos avaliando. Se 
você entendeu isso, nunca mais vai errar qual orelha estamos avaliando somente olhando 
a foto de uma otoscopia. 
FIGURA 08 - MEMBRANA TIMPÂNICA 
A palpação do pavilhão auricular e da região retroauricular é útil na avaliação de tu-
morações, linfonodos, cistos, osteomas, displasias fibrosas, oto-hematomas ou abscessos 
na região. 
O diapasão é um instrumento utilizado na avaliação da audição. É uma ferramenta 
de aço, magnésio ou alumínio, de forma semelhante à da letra “Y”. Cada diapasão emite som 
de acordo com o número de ciclos por segundo. Existem diapasões de 128, 256, 512, 1.024 
e 2.048 Hz, porém os mais utilizados são utilizados os de frequência 256, 512 e 1.024 Hz. 
19UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
FIGURA 09 - DIAPASÃO
São descritos alguns testes com o diapasão para podermos avaliar o tipo de perda 
auditiva e também o lado acometido. Esses testes são de fácil execução e baixo custo, po-
dendo ser realizado já no momento da consulta, mas embora sejam fáceis, não substituem 
os testes de avaliação objetiva da audição. 
Os testes com diapasões são divididos em teste por via aérea, por via óssea e 
testes mistos.
No teste por via aérea, o diapasão é percutido e colocado a aproximadamente 1,5 
cm do trago, sem encostar o aparelho na pele do paciente.As hastes são mantidas livres e 
paralelas ao plano coronal. Durante a avaliação o paciente deve informar em qual dos lados 
escutou melhor. 
Em testes por via óssea, o teste de Weber é muito utilizado, sendo altamente sen-
sível para perdas auditivas condutivas, porém é pouco sensível para as perdas auditivas 
neurossensoriais leves. É mais útil na perda auditiva unilateral, sendo o objetivo identificar 
em qual orelha o paciente ouviu melhor. O diapasão é colocado na linha média do crânio 
do paciente, na testa, glabela ou entre incisivos superiores e inferiores. O paciente deve 
informar se escutou o som na linha média, ou teve lateralidade para a orelha direita ou 
esquerda. Em pacientes com via óssea normal, a vibração do diapasão é percebida igual-
mente em ambas as orelhas, mas, quando se trata de perda auditiva unilateral, a vibração 
pode se lateralizar para um dos lados. 
20UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
No caso de perda auditiva neurossensorial unilateral, a sensibilidade da vibração 
sonora é reduzida na orelha afetada, logo será mais bem percebida pela orelha sadia. Já 
nas perdas auditivas condutivas, isso se inverte e a vibração sonora é melhor percebida 
pela orelha afetada, pois com a vibração direta na via óssea, anula-se o fator auditivo 
condutivo problemático.
Em testes mistos (via óssea e via aérea) o Teste de Rinne é muito utilizado. É uma 
ferramenta para diferenciar perda auditiva, condutiva e neurossensorial. 
Nesse teste, iniciamos com a avaliação da via óssea, o diapasão é colocado na 
apófise da mastóide do paciente e aguardamos o desaparecimento da percepção sonora, 
quando o paciente relatar que não está mais ouvindo a vibração, colocamos o diapasão na 
região anterior ao trago, sem tocá-lo a pele do paciente, avaliando então a via aérea. 
Nos indivíduos com audição normal, a via aérea é sempre mais sensível à percep-
ção sonora do que a via óssea. Logo a percepção do som ainda estará presente quando 
o diapasão estiver posicionado à frente do trago (via aérea). Essa condição é denominada 
Rinne positivo. Observação: Não confunda, neste teste, um resultado positivo, significa que 
a audição está íntegra e normal. 
Veja bem, nas perdas auditivas neurossensoriais, o teste de Rinne também será 
positivo, pois existe um rebaixamento tanto da via aérea quanto da via óssea, porém ape-
nas o limiar de percepção será mais baixo que o normal, denominado assim, teste de Rinne 
positivo patológico. 
Por fim, nos casos de perdas auditivas condutivas, a percepção auditiva por via 
óssea passa a ser melhor do que pela via aérea, assim o paciente escuta melhor o som 
com o diapasão apoiado na mastóide do que quando colocado próximo ao trago. Esse 
resultado caracteriza o teste de Rinne negativo.
21UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
22UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
A otite média na infância ocorre em maior prevalência nos meninos. 
A presbiacusia ocorre mais em homens. 
A otosclerose, as doenças autoimunes e os paragangliomas são mais frequentes no gênero feminino.
Pacientes de etnia branca apresentam maior prevalência de otosclerose do que os das etnias negra ou 
amarela. 
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 746).
Aquele que sabe falar, é aquele mesmo que, antes de saber falar soube ouvir.
Alexandre K. Ono
Fonte: https://dicionariocriativo.com.br/citacoes/oral/citacoes/voz/19277-aquele-sabe-falar-que-saber-falar-soube
https://dicionariocriativo.com.br/citacoes/oral/citacoes/voz/19277-aquele-sabe-falar-que-saber-falar-soube
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Ao final deste módulo, vimos a anatomia da orelha externa, média e interna. Aborda-
mos a fisiologia básica da audição e orelha interna. Você aprendeu que é na cóclea que há 
a formação dos impulsos elétricos para o nervo auditivo e por fim interpretados no cérebro. 
Sugiro você a ver no Youtube alguns vídeos de otoscopia e treinar esse exame com 
seus familiares em casa. Observar o reflexo luminoso na membrana timpânica, visualizar os 
ossículos por meio da transparência. Eventualmente você poderá visualizar uma mancha 
branca na membrana timpânica de algum familiar, não se assuste, isso pode ser o que 
chamamos de timpanoesclerose, nada mais é do que uma cicatrização de uma perfuração 
timpânica prévia. 
O mecanismo de onda e a fisiologia da orelha interna está bem resumido neste 
módulo, para ser mais fácil o seu entendimento, mas você deverá se aprofundar na leitura 
desse tema e absorver informações mais detalhadas que estão contidas nas referências 
bibliográficas, isso ajudará muito no seu entendimento das doenças da audição. 
Procure por vídeos na internet dos testes de Weber e Rinne, vendo a execução do 
teste, fica mais fácil a sua compreensão. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
24
DESENVOLVIMENTO DA CÓCLEA
A cóclea, uma estrutura enrolada localizada na região ventral do ouvido interno, 
atua como estrutura primária para a percepção do som. Ao longo do comprimento da espiral 
coclear está o órgão de Corti, um epitélio sensorial altamente derivado e rigorosamente 
padronizado que atua para converter estímulos auditivos em impulsos neurais. O desenvol-
vimento do órgão de Corti requer uma série de eventos indutivos que especificam caracte-
rísticas celulares únicas e identidades axiais ao longo de seus três eixos principais. Aqui, 
revisamos estudos recentes dos processos celulares e moleculares que regulam vários 
aspectos do desenvolvimento coclear, como padrão axial, crescimento coclear e diferen-
ciação celular. Destacamos como a coordenação precisa de múltiplas vias de sinalização é 
necessária para a formação bem sucedida de um órgão de Corti completo.
Fonte: DRIVER, E. C; KELLEY, M. W. Desenvolvimento da Cóclea. The Com-
pany of Biologists Ltd, 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/
PMC7327997/ Acesso em: 10 jul. 2022. 
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7327997/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7327997/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7327997/
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LIVRO 
Título: Tratado de Otorrinolaringologia
Autor: Shirley Shizue Nagata Pignatari; Wilma Terezinha Anselmo-Lima.
Editora: Grupo Editorial Nacional.
Sinopse: Trata-se de uma ferramenta moderna e prática de 
aperfeiçoamento e atualização para todos os profissionais, 
sejam eles mais experientes ou jovens especialistas que se pre-
param para a prova de especialidade. Além disso, é uma fonte 
de suporte e informações pertinentes para casos do dia a dia. 
O Tratado abrange toda a especialidade: oferece capítulos com-
pletos sobre cada área da otorrinolaringologia e é ricamente 
ilustrado com fotos e vídeos. Escrito por especialistas de cada 
subárea, apresenta conhecimento especializado e referências 
relevantes nacionais e internacionais na prática da otorrinola-
ringologia.
FILME / VÍDEO
Título: O Funcionamento do ouvido humano - Legendado em 
Português
Ano: 2012.
Sinopse: Neste vídeo, você observará o mecanismo da audição 
em imagens e comentários. A fisiologia auditiva está bem re-
presentada. Observe os detalhes e tente processar o que foi 
lido anteriormente na apostila. 
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=84MSmSObgvQ 
MATERIAL COMPLEMENTAR
UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
https://www.youtube.com/watch?v=84MSmSObgvQ
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Plano de Estudos
• Doenças do ouvido externo;
• Doenças do ouvido médio.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar as patologias mais 
 comuns na clínica otológica;
• Compreender os tipos de otites;
• Estabelecer a importância do diagnóstico
 e avaliação correta. 
2UNIDADEUNIDADEDOENÇASDOENÇASCOMUNS COMUNS DO OUVIDODO OUVIDO Professor Dr. Frederico Miola Martinello
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Nesta unidade você irá aprender sobre os diversos tipos de otites, saber diferenciar 
uma otite média de uma otite externa e ter conhecimento sobre patologias comuns do 
ouvido. Deixei o material bem resumido e de fácil leitura, com os tópicos mais importantes 
de cada item. 
Boa leitura !!!
INTRODUÇÃO
UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
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Neste tópico iremos abordar as patologias mais comuns da orelha externa na 
prática clínica. 
1.1 Otite Externa Aguda 
A otite externa pode ser definida como, uma inflamação do conduto auditivo externo 
(CAE), mas pode atingir também o pavilhão auricular e a membrana timpânica. 
Geralmente está associado a banhos de mar, piscina, manipulação ou trauma do 
CAE, com cotonetes, grampos, unha etc. 
Os principais sintomas são dor (70%), prurido (60%), plenitude auricular (22%) e 
perda auditiva (32%). A dor à palpação do tragus, podendo ser intensa, faz o diagnóstico 
diferencial com a otite média aguda, a qual esta última não tem dor a palpação do tragus. 
Existem três estágios da otite externa: o pré inflamatório, o inflamatório agudo e o 
inflamatório crônico.
A bactéria mais frequentemente encontrada, é a Pseudomonas aeruginosa (38%), 
seguida do Staphylococcus epidermidis (9,1%), Staphylococcus aureus (7,8%).
Para o tratamento local, devemos usar preparações tópicas de antibiótico de am-
plo espectro, porém devem ser ativos contra a Pseudomonas aeruginosa. Considera-se 
suficiente o uso de de gota otológica por sete dias e duas a três vezes ao dia, para as 
quinolonas e aminoglicosídeos. 
 1 DOENÇAS DO OUVIDO EXTERNOTÓPICO
UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
Quando a membrana timpânica não está íntegra, devemos usar drogas não ototó-
xicas e que não contenham álcool ou baixo pH, devido ao risco de dor e ototoxicidade.
Antibióticos de uso oral não são comumente utilizados para otite externa aguda. 
1.2 Otite Externa Fúngica 
São mais comuns em regiões tropicais, devido ao calor e umidade, predispondo a 
maior ocorrência da otomicose. 
A diminuição das barreiras de defesa do conduto auditivo, como o uso constante de 
cotonetes, gotas otológicas, inflamação crônica, estenoses do CAE, facilitam as infecções 
por fungos. É importante salientar, que pacientes diabéticos ou com imunodeficiências 
apresentam uma maior predisposição a infecções fúngicas na orelha externa.
Dentre os fungos existentes, o Aspergillus é o agente etiológico mais frequente, em 
segundo lugar encontramos a Candida.
O paciente com otite externa fúngica, geralmente se queixa de um prurido intenso, 
sensação de ouvido tampado e otorreia.
Na otoscopia revela-se um conduto hiperemiado, sendo possível visualizar os 
micélios fúngicos, que apresentam diversas colorações. Nas infecções por Candida, os 
micélios são semelhantes a fibras de algodão.
FIGURA 01 - OTITE EXTERNA FÚNGICA
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 673).
29UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
O tratamento da otite fúngica primariamente é a limpeza delicada do CAE, con-
sistindo na remoção completa dos fungos e do macerado epitelial. O uso de antifúngicos 
tópicos específicos pode ser utilizado. Nos casos de perfuração da membrana timpânica ou 
cavidade mastóidea aberta após cirurgia, devem ser utilizados medicamentos que não são 
ototóxicos como o miconazol, clotrimazol, tolnaftato e nistatina.
1.3 Condrite Ou Pericondrite 
Pericondrite e condrite auricular, é a inflamação do pericôndrio e da cartilagem 
do pavilhão auricular. Podem ser causados por extensão de processos infecciosos ou por 
trauma local acidental, cirúrgico e uso de piercing. O uso de piercing na cartilagem da 
orelha é uma causa muito frequente de pericondrite. 
A presença de hematoma pós trauma, pode se tornar infectado e evoluir para um 
quadro de pericondrite.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa é o microrganismo mais encontrado. Nos 
estágios iniciais, o uso de antibióticos orais pode ser suficiente para a resolução do quadro. 
Quando existem coleções purulentas, o tratamento cirúrgico deve ser instituído, uma vez 
que os abscessos devem ser drenados e o material geralmente enviado para cultura.
Se não resolvido com certa urgência o processo, pode causar deformidade total e 
permanente da orelha (orelha de couve-flor ou de boxeador).
FIGURA 02 - PERICONDRITE CRÔNICA E DEFORMIDADE DO PAVILHÃO AURICULAR 
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 676).
30UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
1.4 Fístula Pré-Auricular 
Também chamado de coloboma auris ou sinus pré-timpânico. 
A localização dessas fístulas, geralmente, é na margem ascendente da hélice, 
caracterizado por um “furinho” local. 
O trajeto da fístula é geralmente tortuoso e muitas vezes forma prolongamentos, po-
dendo alcançar a parótida, pescoço ou passar sob o periósteo do osso temporal atrás da orelha.
Geralmente são sítios de infecção local e que se manifesta pela saída de pus no 
orifício da fístula ou então, pela formação de abscesso local. Nesses casos, está indicado 
tratamento cirúrgico da fístula pré-auricular.
1.5 Malformação do Ouvido Externo 
As malformações de orelha externa, são divididas em malformações do pavilhão da 
orelha e malformações do conduto auditivo externo.
Das malformações do pavilhão, a orelha de abano é a alteração estética mais co-
mum e caracteriza-se pelo aumento da distância entre a mastoide e a hélix. Outra patologia, 
são as orelhas constritas e que podem ser classificadas em leve (pequena alteração do 
contorno superior da hélice), moderada (alteração envolvendo a hélice e parte da escafa) e 
grave (envolve o terço superior e outros segmentos da orelha).
FIGURA 03 - ORELHA CONSTRITA
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 574).
31UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
Para algumas malformações, podemos lançar mão de tratamento não cirúrgico em 
casos selecionados. Moldes em orelha constrita ou de uma orelha de abano, podem ser 
usados nas primeiras 96 horas após o nascimento da criança, no intuito de ser tentada a 
sua correção, com o molde preso na orelha por uma fita adesiva e que será mantida no 
local por duas semanas.
Os apêndices pré-auriculares são tumefações congênitas cutâneo cartilaginosas, 
situadas geralmente em frente ao tragus. Elas podem estar relacionadas à surdez neuros-
sensorial ou a algumas síndromes genéticas.
FIGURA 04 - APÊNDICE PRÉ-AURICULAR 
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 575).
A estenose denomina-se, um estreitamento congênito ou adquirido do CAE que, em 
condições normais, tem diâmetro aproximado de 5,5 mm. A estenose pode ser leve, quandotem um diâmetro de conduto igual ou maior que 2 mm, ou severa, quando o diâmetro é 
menor que 2 mm. Nos casos leves, a estenose deve ser cuidada com limpezas frequentes 
e pouco contato com água. Já as estenoses severas, devem ser tratadas cirurgicamente 
por canaloplastia para evitar a formação de colesteatoma de conduto auditivo.
32UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
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2.1 Perfuração Timpânica 
As perfurações timpânicas são definidas, como qualquer quebra na integridade da 
membrana timpânica. 
Podem ser classificadas em centrais, quando observamos a presença de bordo 
remanescente timpânico ao redor da perfuração, ou marginais, quando houver ausência de 
bordo em algum ponto.
A avaliação audiométrica é mandatória nos casos de perfuração timpânica. Na 
grande maioria das vezes, a audiometria revelará uma perda auditiva condutiva de grau 
variável, dependendo do tempo de evolução e da severidade do caso. Pode existir o aco-
metimento da orelha interna, nos casos de perfuração timpânica crônica e, dessa forma, 
apresentará na audiometria a queda da via óssea, em especial nas altas frequências. 
A impedanciometria poderá ser utilizada nos casos de perfuração timpânica 
para o estudo da permeabilidade tubária, com a avaliação da pressão necessária para a 
abertura da tuba.
 2 DOENÇAS DO OUVIDO MÉDIOTÓPICO
UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
FIGURA 05 - PERFURAÇÃO TIMPÂNICA CENTRAL 
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 780).
FIGURA 06 - PERFURAÇÃO TIMPÂNICA MARGINAL 
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 775).
2.2 Otite Média Aguda 
A otite média aguda (OMA), é caracterizada pela inflamação do mucoperiósteo da 
orelha média com etiologia viral ou bacteriana. É caracterizada, como uma das patologias 
infecciosas mais prevalentes na pediatria. O pico de incidência da OMA ocorre entre 6 e 12 
34UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
meses de idade, diminuindo conforme o crescimento da criança. Estudos mostram, que aos 
12 meses até 62% das crianças já apresentaram pelo menos um episódio de OMA. Até 3 
anos de idade, esta incidência pode chegar a níveis próximos de 84%.
Os fatores de risco são infecções de vias aéreas superiores, frequentar creche/
escola, tabagismo passivo, uso de chupeta, ausência de aleitamento materno, idade, 
anormalidades craniofaciais, predisposição genética, alergia, refluxo gastroesofágico, 
gênero. O aleitamento materno exclusivo durante os 6 primeiros meses de vida, reduz 
43% a chance de OMA nos primeiros 2 anos de vida. 
Existem diferenças importantes entre a tuba auditiva da criança e do adulto, isso 
favorece com que a OMA seja mais comum em crianças. Nas crianças, a tuba auditiva 
é mais curta e mais horizontalizada, o que facilita a progressão de vírus e bactérias da 
nasofaringe para a orelha média. 
Frequentemente, a OMA é precedida de 3 a 4 dias por um quadro de IVAS. Os 
vírus mais encontrados na OMA são os vírus sinciciais respiratórios (15%), influenza A e 
B (5%) e adenovírus (5%). Em relação à infecção bacteriana, atualmente a frequência de 
Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae é igual.
Não existe sintoma patognomônico de OMA. Otalgia é um sintoma frequente e es-
pecífico, porém, pode não estar presente em uma pequena porcentagem dos pacientes. A 
febre, que pode estar presente em metade dos casos, não é um bom indicador da etiologia 
da OMA. Sintomas como irritabilidade, redução do apetite, vômitos, diarreia e fadiga podem 
estar associados à OMA na criança.
A OMA é diagnosticada pela otoscopia. As alterações da membrana timpânica 
encontradas na OMA são as mudanças de translucidez, forma, cor, vascularização e 
integridade. O achado de maior poder no diagnóstico de OMA, é o abaulamento da mem-
brana timpânica, com sensibilidade de 67% e especificidade de 97%. Quando existe a 
presença de otorréia no conduto auditivo, significa que houve drenagem espontânea por 
uma perfuração timpânica do processo da orelha média. Nesse caso o que podemos 
visualizar é um exsudato pulsátil. É importante lembrar, que a otorreia pode ocorrer tam-
bém em casos de otite externa, portanto, somente a presença de otorréia não é possível 
diferenciar uma patologia de outra. 
35UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
FIGURA 07 - ABAULAMENTO DA MEMBRANA TIMPÂNICA 
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 724).
A grande maioria das crianças apresenta uma evolução favorável no quadro de 
OMA. Não se observa diferença na frequência de complicações entre crianças tratadas 
com antibióticos e aquelas sem antibióticos, porém, deve-se salientar a importância deste 
acompanhamento, pois, se houver falha de resolução no período de observação, deverá 
ser iniciado antibiótico.
Existem algumas situações em que não podemos optar por observação inicial: 
crianças menores de 6 meses de idade, presença de otorréia, OMA com sintomas de 
gravidade, OMA bilateral em crianças menores de 2 anos de idade, falhas no tratamento 
da OMA, recidiva de OMA em menos de 30 dias do primeiro episódio, crianças com imuno-
deficiências, presença de anormalidades craniofaciais, outra infecção bacteriana associada 
como tonsilite ou sinusite.
Se for optado pelo uso de antibiótico, a amoxicilina é recomendada como tratamen-
to de primeira escolha na OMA.
36UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
2.3 Otite Média Serosa 
Define-se otite média serosa, a presença de fluido na orelha média na ausência de 
quaisquer sinais ou sintomas de infecção aguda. A presença de líquido na orelha média, 
reduz a mobilidade da membrana timpânica, formando uma barreira na condução da onda 
sonora e dificultando a audição. 
A otite média serosa apresenta diversos sinônimos como otite média secretora, 
otite média mucóide, otite média catarral, otite média crônica com efusão, otite média 
não supurativa.
Podemos classificar a otite serosa em: aguda (meenos de 3 semanas), subaguda 
(3 semanas a 3 meses) ou crônica (mais de 3 meses). A otite serosa crônica pode atra-
palhar no desenvolvimento da linguagem e da fala da criança, com potenciais alterações 
irreversíveis na orelha média. 
Mais da metade dos lactentes apresentam um episódio de otite serosa no primeiro 
ano de vida, ultrapassando 60% aos 2 anos. Até 90% das crianças apresentam otite serosa 
antes da idade escolar, ou seja, é muito comum. Essa patologia pode ocorrer pelo mau 
funcionamento da tuba auditiva, mas ocorre principalmente após quadros de otite média 
aguda (OMA) e infecções de vias aéreas superiores (IVAS). 
Temos como fatores de risco: infecções de vias aéreas superiores, frequentar 
creche/escola, tabagismo passivo, ausência de aleitamento materno, idade, presença de 
anormalidades craniofaciais.
Devemos suspeitar o diagnóstico em crianças com falta de atenção, alterações 
comportamentais, dificuldade em acompanhar uma conversa em volume normal ou uso 
de aparelhos com som excessivamente alto, redução do desempenho escolar, atraso no 
desenvolvimento de fala ou linguagem, referir sensação de ‘’ouvido tapado’’ ou estalidos, 
problemas de equilíbrio, falta de coordenação ou atraso no desenvolvimento motor. 
Na otoscopia, a membrana timpânica pode apresentar diminuição da transparên-
cia, tornando-se mais opaca, e a efusão da OM, geralmente uma coloração âmbar, que 
pode variar de acordo como tipo e a consistência do líquido. A visualização de bolhas na 
secreção ou presença de nível hidroaéreo, está associada a uma fase de resolução do 
processo, indicando que a tuba auditiva está pérvia. 
37UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
FIGURA 08 - OTITE MÉDIA COM EFUSÃO
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 746).
A timpanometria comparada à miringotomia (padrão-ouro), no diagnóstico da otite 
serosa, apresenta sensibilidade de 81% e especificidade de 74%.
Um teste auditivo é recomendado quando presente a otite serosa crônica (acima de 
3 meses) ou em qualquer momento em que se suspeite de atraso de linguagem, problemas 
de aprendizado ou deficiência auditiva significativa na criança. Sabemos que as conse-
quências da efusão sobre a audição são variáveis, podendo provocar perdas condutivas 
de até 55 dB. Em média, a perda auditiva condutiva é de 25 dB e essa redução já pode 
atrapalhar no desenvolvimento da linguagem da criança. 
A resolução espontânea da otite serosa é favorável, ocorrendo em 75% a 90% das 
crianças até três meses de seguimento. Apesar dessa porcentagem, a taxa de recorrência 
também é alta, ficando próximo de 65% em dois anos de seguimento. 
Na decisão por cirurgia, a timpanotomia para inserção de tubo de ventilação 
é o procedimento de escolha. O tubo de ventilação pode permanecer em média, 8 a 
14 meses na membrana timpânica e na maioria dos casos tem saída espontânea pelo 
conduto auditivo. 
38UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
2.4 Otite Média Crônica Simples 
É caracterizada pela perfuração timpânica cronicamente instalada. 
A perda auditiva associada a essa patologia é do tipo condutivo e pode variar consi-
deravelmente quanto à intensidade. Esta variação, correlaciona-se ao tamanho e posição da 
perfuração timpânica, grau de fixação da membrana e ossículos da orelha média, presença 
de erosões ossiculares maiores ou menores e presença de disjunção da cadeia ossicular
Eventualmente existe o envolvimento da orelha interna, que se mostrará pela queda 
da via óssea, em especial nas altas frequências.
O tratamento das otites médias crônicas, deve envolver 3 etapas igualmente impor-
tantes e complementares, com controle clínico pré-operatório; tratamento cirúrgico, quando 
necessário, e acompanhamento pós-operatório a longo prazo. 
Nas situações nas quais a perfuração timpânica permanece seca a longo prazo e a 
função auditiva não se apresenta comprometida, a cirurgia perde sua indicação, podendo 
ser optado apenas pela observação periódica se o paciente assim o desejar.
2.5 Otite Média Crônica Supurativa 
Nesses casos, encontram-se biofilmes bacterianos na mastóide e mucosa da orelha 
média de pacientes. Caracterizada por otorréia persistente e edema de mucosa de orelha média.
Em recente estudo com pacientes que foram submetidos à cirurgia otológica, 
identificaram-se biofilmes bacterianos em 85% dos pacientes com colesteatoma, em 92% 
daqueles que apresentavam otite média crônica supurativa e em 16% dos pacientes com 
perfuração de membrana timpânica.
2.6 Otite Média Colesteatomatosa 
O colesteatoma é o espectro mais agressivo da otite média crônica. 
É uma patologia progressiva que causa perda auditiva e otorreia, recorrente nos 
pacientes acometidos. Alguns pacientes podem apresentar complicações clínicas, devido 
ao crescimento do colesteatoma ou sua infecção, como formação de fístulas perilinfáticas, 
paralisia facial e até mesmo infecções do sistema nervoso central. As otites médias crônicas 
colesteatomatosas, são as otites de maior risco para complicações, devido ao seu potencial 
destrutivo e invasivo. Na otite média crônica colesteatomatosa, a erosão óssea é muito 
mais frequente e severa do que a presente na otite média crônica não colesteatomatosa. A 
destruição dos ossículos é observada em cerca de 80% dos pacientes com colesteatoma. 
39UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
A patogênese do colesteatoma adquirido da orelha média ainda é controversa. 
Existem quatro principais teorias: metaplasia (transformação da mucosa da orelha média 
inflamada em epitélio escamoso queratinizado), migração (crescimento do epitélio esca-
moso através de uma perfuração periférica preexistente), invaginação (retração progres-
siva da membrana timpânica devido à disfunção crônica da tuba auditiva) e proliferação 
papilar (infecção que levou à proliferação de cones epiteliais nas camadas basais da pars 
tensa ou pars flaccida).
A perda auditiva é um dos sintomas mais evidentes em pacientes com colesteato-
ma, devido à presença da lesão e sua destruição local. 
Dentre as complicações, a fístula labiríntica é a mais frequentemente associada a 
colesteatoma. 
O colesteatoma congênito é um tipo raro de queratoma. A incidência do colesteato-
ma congênito na infância, é estimada em 3 a 6 em 100.000 pessoas. 
O tratamento de escolha para o colesteatoma congênito é cirúrgico.
40UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
41UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA
A perda auditiva mais frequentemente observada durante episódios agudos de otite média aguda, é a 
perda auditiva do tipo condutiva. 
Alguns estudos recentes demonstraram também, diversos graus de sequela auditiva neurossensorial após 
episódios de otite média, especialmente nas frequências agudas (2 - 8 kHz) e altas frequências, principal-
mente em pacientes com história de otite média recorrente. 
Fonte: KASEMODEL, A. L. P., et al. Sensorineural hearing loss in the acute phase of a single episode of acute 
otitis media. Universidade Federal de São Paulo – UNIDESP, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
bjorl/a/ZJcmSS6gRrNWbT7g5wyhdwC/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 10 mai. 2022.
https://www.scielo.br/j/bjorl/a/ZJcmSS6gRrNWbT7g5wyhdwC/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/bjorl/a/ZJcmSS6gRrNWbT7g5wyhdwC/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/bjorl/a/ZJcmSS6gRrNWbT7g5wyhdwC/?format=pdf&lang=pt
42UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
“Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”.
Fernando Pessoa
Fonte: PESSOA, F. Às vezes ouço passar o vento. Pensador, 2022. Disponível em: 
https://www.pensador.com/frase/MzMz/ Acesso em: 10 jun. 2022.
https://www.pensador.com/autor/fernando_pessoa/
https://www.pensador.com/frase/MzMz/
https://www.pensador.com/frase/MzMz/
43
Encerramos mais um módulo. Aqui vimos os principais acometimentos da orelha. 
O profissional de saúde que atende audição, deve saber avaliar a presença de 
efusão em orelha média, diagnosticar um quadro de otite média aguda e ter em mente que 
uma criança com perda auditiva, não se desenvolve bem. 
Em toda criança com atraso no desenvolvimento de fala e linguagem, devemos 
realizar otoscopia e avaliar perda auditiva, em muitos casos podemos diagnosticar otite 
média serosa crônica presente. 
Você deve saber que a otorreia pode ocorrer, em otite média aguda ou otite externa 
aguda. Ou seja, vazamento de secreção purulenta no ouvido não é patognomônico de 
nenhuma patologia. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
44
Impacto das otites médias na aquisição da linguagem em crianças
Cerca de 80% das crianças têm pelo menos um episódio de OMS até os oito anos 
de idade, aproximadamente 55% têm perda auditiva leve nas frequências da fala. O caráter 
flutuante da perda auditiva nas otites médias, leva a uma estimulação sonora inconsistente 
do sistema nervoso auditivo central, dificultando a percepção dos sons da fala pela criança, 
a presença de fluido na orelha média pode provocar ruído junto à cóclea, distorcendo a 
percepção sonora e prejudicando o desenvolvimento de linguagem da criança. 
Fonte: BALBANI, A. P. S; MONTOVANI, J. C. Impacto das otites médias na aqui-
sição da linguagem em crianças. Jornal de Pediatria, Vol. 79, Nº5, 2003. Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/jped/a/cpHs4wv9vZ7KBPgvPtK4KLg/?format=pdf&lang=pt . Acesso 
em: 10 jul. 2022. 
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
https://www.scielo.br/j/jped/a/cpHs4wv9vZ7KBPgvPtK4KLg/?format=pdf&lang=pt
45
LIVRO 
Título: Color Atlas of Endo-Otoscopy
Autor: Mario Sanna et al 
Editora: Thieme Publishers 
Sinopse: Livro atlas para visualização das diversas patologias 
encontradas em orelha externa e orelha média. 
FILME / VÍDEO 
Título: Otite - causas, sintomas e tratamento | Sua Saúde na Rede
Ano: 2019.
Sinopse: Neste vídeo você irá revisar com a especialista Cleonice 
Hirata todos os detalhes sobre as otites. 
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=9yjvCOPXOyw
MATERIAL COMPLEMENTAR
UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO
https://www.youtube.com/watch?v=9yjvCOPXOyw
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Plano de Estudos
• Otosclerose;
• Zumbido;
• Doença de Meniére;
• Presbiacusia;
• Perda auditiva induzida por ruídos;
• Surdez súbita;
• Surdez de origem infecciosa;
• Surdez hereditária; 
• Schwannoma vestibular. 
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar e contextualizar as diversas 
 patologias da orelha humana;
• Compreender os tipos de surdez;
• Estabelecer a importância da história 
 e anamnese no diagnóstico das diversas patologias.
3UNIDADEUNIDADEPATOLOGIASPATOLOGIAS Professor Dr. Frederico Miola Martinello
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Olá querido (a) aluno (a), nesta unidade abordaremos algumas patologias da orelha 
humana. Estudaremos doenças comuns e ao final, vocês estarão aptos a reconhecer essas 
alterações e situações na prática clínica de vocês. 
Assim como nas unidades anteriores, o conteúdo está resumido e com os principais 
tópicos de cada patologia apontados no texto. 
Bons estudos !!!
INTRODUÇÃO
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
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A otosclerose é uma doença do metabolismo ósseo, caracterizada também como 
uma desordem da remodelação óssea, como vemos na osteoporose, na hiperostose e a 
também com displasia fibrosa. 
É a causa mais comum de perda auditiva condutiva progressiva em adultos. Con-
sideramos como um processo patológico primário da cápsula ótica, mas que raramente 
acomete os ossículos da orelha média, podendo gerar perda auditiva, zumbido e vertigem.
A localização inicial mais comumente encontrada é anterior à janela oval, local 
conhecido como fissura ante fenestram.
A presença de história familiar positiva e predisposição racial sugerem a participa-
ção de fator genético na etiologia da otosclerose, sendo caracterizada por ser de herança 
autossômica dominante e de penetração variável, entre 25% e 40%. 
É mais comum em individuos caucasianos, raramente encontrado em negros. Tam-
bém é mais frequente em mulheres. 
A otoscopia na otosclerose é frequentemente normal, em raros casos podemos 
visualizar uma mancha avermelhada retro-timpânica, caracterizada por anastomoses entre 
o foco de otosclerose e vasos da submucosa do promontório, este é o sinal de Schwartze. 
 1 OTOSCLEROSETÓPICO
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
FIGURA 01 - SINAL DE SCHWARTZE
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 888).
O envolvimento do osso temporal é bilateral na maioria dos casos, logo as manifes-
tações clínicas são bilaterais (70%). 
O início dos sintomas surgem em média aos 30 anos de idade. Zumbidos estão 
presentes em cerca de ¾ dos pacientes. 
A perda de audição pode ser condutiva, mista ou neurossensorial, sendo a perda 
condutiva a forma mais comum. 
Na maioria das vezes a perda condutiva é mais evidente em frequências graves, 
podendo também exibir um pequeno entalhe na via óssea, em 2.000 Hz, sinal este conhe-
cido como entalhe de Carhart. O reflexo estapediano estará ausente, mesmo em estágios 
iniciais da doença. 
FIGURA 02 - AUDIOMETRIA COM PERDA CONDUTIVA NA ORELHA DIREITA, 
COM PRESENÇA DO ENTALHE DE CARHART EM 2.000 HZ
 
Fonte: Piltcher (2015, p. 69).
49UNIDADE 3 PATOLOGIAS
Inicialmente na timpanometria, pode-se apresentar curva tipo A, porém ao evoluir 
da doença, teremos no exame curva tipo As. 
A tomografia computadorizada geralmente demonstra alterações de desmineraliza-
ção. A otosclerose provoca uma redução da densidade da cápsula ótica ou até mesmo um 
espessamento de contorno e irregularidades. 
O tratamento tem como objetivo principal melhorar ou manter os limiares auditi-
vos do paciente, associado ao controle de zumbidos. As opções terapêuticas disponíveis 
podem ser classificadas como cirúrgicas ou não cirúrgicas, como expectante, medica-
mentosa e a utilização de aparelhos de amplificação sonora individual. Quando indicada, 
a cirurgia é a estapedotomia. 
50UNIDADE 3 PATOLOGIAS
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O zumbido é um sintoma que pode estar associado a diversas doenças, sendo 
a maioria delas da via auditiva. O zumbido é definido como uma sensação de som na 
ausência de um estímulo sonoro externo correspondente. Sabemos que a prevalência do 
zumbido aumenta com a idade, chegando a prevalência de 30% na população idosa. 
Didaticamente, o zumbido é dividido em rítmico e não rítmico. Outra classificação 
muito utilizada separa o zumbido em objetivo e subjetivo. 
O zumbido objetivo é muito raro e é definido como a percepção de sons pro-
venientes do próprio corpo. Algumas vezes o zumbido objetivo pode ser percebido por 
outras pessoas. 
Já o zumbido subjetivo é o mais prevalente, associado à perda auditiva em até 90% 
dos casos. Cerca de 6%-20% dos adultos apresentam zumbido crônico, sendo incapaci-
tante em 1%-3% deles. O zumbido rítmico, corresponde a 4% dos casos, ocorre por origem 
muscular ou vascular. 
As alterações de células ciliadas internas e externas é uma das teorias mais 
aceitas para a origem do zumbido. Atualmente a hipótese mais aceita, é que mecanismos 
centrais desempenham um importante papel na etiologia do zumbido, ou seja, são altera-
ções de percepção cerebral.
 2 ZUMBIDOTÓPICO
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
Diversas patologiaspodem estar associadas ao surgimento de zumbido, como 
otite média, presença de cerume, alterações de cadeia ossicular, otosclerose, doença de 
Ménière, presbiacusia, schwannoma vestibular, perda auditiva induzida por ruído, trauma 
acústico, ototoxicidade, gravidez, menopausa, alterações de tireoide, AVC, traumas, menin-
gite, neurossífilis, entre outros. Algumas medicações também podem induzir zumbido, como 
salicilatos, antimaláricos, anti-inflamatórios não hormonais, aminoglicosídeos, diuréticos de 
alça, quimioterápicos e antidepressivos. 
Na anamnese devemos caracterizar o zumbido, se é único ou múltiplo, se é tipo 
chiado, apito, cigarra, ou mesmo contínuo ou intermitente. A existência de fatores agravan-
tes, como silêncio, exposição a ruído intenso, jejum prolongado, uso de cafeína, álcool, 
devem ser questionados. 
A avaliação audiológica do paciente com zumbido é essencial e inicialmente inclui 
audiometria tonal, vocal e imitanciometria. Alguns estudos demonstraram que em pacientes 
com audiometria convencional normal, é provável que haja perda nas frequências acima de 
8 kHz. Nesses casos, a audiometria com avaliação das frequências ultra-altas pode ser útil 
na investigação. 
O primeiro passo no tratamento do paciente com zumbido crônico é a orientação. 
Possíveis medidas preventivas devem ser erxplicadas. Medos e preocupações a respeito 
do zumbido devem ser abordadas e esclarecidas. O paciente deve ser instruído quanto 
à existência de várias opções de tratamento, muitas delas voltadas para a redução da 
percepção e do incômodo, e que a abolição completa do sintoma ocorre em raros casos. O 
tratamento da doença que provoca o zumbido é imprescindível. 
Preconiza-se o uso de aparelhos de amplificação sonora individual nos pacientes 
que apresentam perda auditiva. Além do efeito mascarador que exerce sobre o zumbido, o 
aparelho amplifica os sons existentes no ambiente, podendo atuar também na plasticidade 
cerebral que envolve a geração desse sintoma.
A TRT (tinnitus retraining therapy), é uma modalidade terapêutica que utiliza 
mecanismos de plasticidade cerebral que ocorrem naturalmente, para que a habituação 
a estímulos sensoriais repetitivos aconteça. Consiste em dois componentes: aconse-
lhamento e enriquecimento sonoro. A terapia sonora é feita em nível inconsciente com 
a utilização de um som neutro de menor intensidade que o zumbido, de modo que os 
dois possam ser percebidos pelo paciente. Após meses, o paciente percebe melhora 
considerável do zumbido. 
52UNIDADE 3 PATOLOGIAS
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A doença de Ménière é uma patologia crônica degenerativa da orelha interna. 
Caracterizada clinicamente por uma tétrade sintomática: 
1) Ataques de vertigem; 
2) Perda auditiva sensorioneural flutuante; 
3) Tinnitus na orelha afetada; 
4) Plenitude aural na orelha afetada. 
Os critérios para o diagnóstico da síndrome de Ménière definida são: dois ou mais 
episódios de vertigem espontânea, com duração entre 20 minutos e 12 horas, associado a 
exame audiométrico comprovando perda auditiva sensorioneural em frequências graves e 
médias (segundo a Bárany Society, perda auditiva em frequências graves é definida como 
perda nos limiares de condução aéreo-óssea de pelo menos 30dB em duas frequências 
sequenciais abaixo de 2000 Hz), em pelo menos uma orelha, ocorrida antes, durante ou 
após um episódio de vertigem, com sintomas auditivos flutuantes como zumbido e plenitude 
aural na orelha afetada e nenhum outro diagnóstico que justifique tais sintomas.
O início do quadro ocorre entre a terceira e quinta décadas de vida, em 70% dos 
casos são unilaterais. É mais predominante em mulheres. 
O primeiro aspecto que devemos considerar no tratamento da síndrome de Ménière 
é que até o momento não há consenso internacional. 
 3 DOENÇA DE MÉNIÈRETÓPICO
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
Medidas comportamentais devem ser oferecidas aos pacientes, evitando possí-
veis fatores de gatilho como estresse, desidratação, mudanças de pressão barométrica, 
privação de sono, fadiga e ingesta excessiva de sódio, açúcares refinados, carboidratos 
em excesso, álcool e tabaco. Uma orientação oferecida a muitos pacientes é o aumento 
da ingestão hídrica ao longo do dia, isso parece auxiliar muito em evitar crises. Dentre as 
diversas drogas utilizadas para tratamento, a mais utilizada em todo o mundo é a betaistina.
54UNIDADE 3 PATOLOGIAS
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É a diminuição da acuidade e capacidade auditiva conforme o avançar da idade. 
É um processo multifatorial. A presbiacusia é considerada a causa mais comum de surdez 
progressiva no ser humano. 
FIGURA 03 - ASPECTO AUDIOMÉTRICO COMUM DE PRESBIACUSIA 
Fonte: Piltcher (2015, p. 84).
 4 PRESBIACUSIATÓPICO
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
Classifica a presbiacusia em quatro tipos:
 ● Estrial (Metabólica): degeneração da estria vascular. Todas as frequências são 
afetadas, sendo observada perda auditiva com traçado audiométrico plano.
 ● Sensorial: atrofia do órgão de Corti. Observado no traçado audiométrico com 
queda abrupta em altas frequências.
 ● Mecânica ou presbiacusia condutiva coclear: ocorre por enrijecimento da 
membrana basilar. Observa-se traçado audiométrico descendente com lenta 
progressão nas baixas frequências.
 ● Neural: atrofia dos neurônios cocleares. Manifesta-se audiometricamente por 
uma perda auditiva decrescente, semelhante à que ocorre na presbiacusia 
mecânica, porém ocorre um grande comprometimento do índice de reconheci-
mento da fala. 
No envelhecimento, podem ocorrer diversas alterações em toda a via auditiva, 
desde a orelha externa até o córtex cerebral, que podem ser exacerbadas por fatores de 
riscos acumulados durante a vida, como infecções virais e bacterianas, exposição ao ruí-
do, comorbidades e alterações metabólicas, uso de medicações ototóxicas, barotraumas 
e traumatismos. 
A etnia negra está associada à menor probabilidade de presbiacusia quando 
comparada com indivíduos brancos. Alguns autores afirmam que a presbiacusia é pior em 
homens do que em mulheres. Fumantes também são mais susceptíveis à perda auditiva. 
O alcoolismo assim como o sedentarismo pode afetar a função auditiva periférica e central.
As queixas são escassas. Geralmente o paciente inicia com a queixa “eu escuto 
mas não entendo”. Relata-se maior dificuldade de entender a voz de mulheres e crian-
ças, conversar ao telefone, de localizar a fonte sonora e de escutar uma campainha, por 
exemplo. Geralmente a perda auditiva é progressiva, insidiosa, lenta, bilateral e simétrica, 
iniciando nas frequências altas, a partir dos 40 anos.
A otoscopia é normal, podendo ser observadasalterações próprias do envelheci-
mento, como membrana timpânica mais espessada e discretamente retraída.
A perda auditiva neurossensorial é bilateral e simétrica, com queda além de 25 
dBNA nos limiares tonais, pelo menos na frequência de 8 kHz evoluindo lenta e progressi-
vamente para as frequências médias.
O tratamento medicamentoso das doenças como distúrbios cardiovasculares e 
metabólicos e orientações quanto à relação destes com a audição, devem ser reforçados. 
Tratar a presbiacusia consiste primeiramente na aceitação da surdez a sua evolução na-
tural, posteriormente na adaptação do aparelho auditivo de amplificação sonora individual 
(AASI). O estímulo auditivo pode reduzir a deterioração da função auditiva. 
56UNIDADE 3 PATOLOGIAS
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A surdez profissional (PAIR) é uma alteração coclear irreversível, provocada pela 
exposição prolongada a níveis sonoros elevados, resultante do exercício da profissão. 
O diagnóstico de surdez profissional é realizado na maioria das vezes em triagem, em 
um paciente sintomático, nos exames periódicos, ou diante de uma queixa auditiva que surge.
O exame audiométrico revela a presença de perda auditiva neurossensorial pura, bi-
lateral, simétrica, com predomínio sobre as frequências agudas inicialmente, com um entalhe 
característico, centrado em uma das frequências agudas 3, 4 ou 6 kHz. Conforme se mantém 
a exposição sonora lesiva, o entalhe vai aumentando. Esta audiometria tonal liminar, que é o 
exame de referência, deve ser realizada 24 a 48 h após cessar a exposição ao ruído.
O exame audiométrico tonal é o meio mais simples e confiável para realizar uma 
triagem precoce da surdez profissional.
 5 PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDOSTÓPICO
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
FIGURA 04 - PAIR 
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 1060).
FIGURA 05 - EVOLUÇÃO DA PAIR 
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 1061).
58UNIDADE 3 PATOLOGIAS
A surdez é de aparecimento insidioso e só manifesta clínica após vários meses ou 
anos. Os zumbidos são encontrados em um terço dos pacientes. O déficit auditivo aparece 
nitidamente mais importante, quando os zumbidos estão presentes. A surdez é irreversível, 
porém não evolui por si só após cessação definitiva da exposição ao ruído.
É importante salientar, que qualquer posto de trabalho com níveis de ruído iguais 
ou superiores a 85 dB é considerado patogênico, independente do tempo de exposição 
do trabalhador. 
O risco da PAIR aumenta com a idade, porém a idade é muitas vezes correlacio-
nada fortemente à duração da exposição. O uso de protetores individuais limita as perdas 
auditivas e modera a marcha da evolução da surdez profissional. 
Por último, sabemos que os indivíduos negros apresentam menor chance de PAIR 
em relação aos individuos de cor branca. 
59UNIDADE 3 PATOLOGIAS
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A perda súbita da audição é uma urgência médica. É definida como uma perda 
auditiva neurossensorial de pelo menos 30 dB em 3 frequências contíguas e instalada em 
até 72 h de evolução.
A surdez súbita ocorre em qualquer idade, mas a maioria está acima de 45 anos, 
notando-se um pico de incidência na sexta década de vida. Em mais de 90% dos pacientes 
as perdas auditivas são unilaterais.
Outros sintomas podem estar presentes na instalação da surdez súbita, como zum-
bido, sensação de distorção auditiva, vertigem ou instabilidade, que sugerem uma lesão 
mais extensa da orelha interna. A perda auditiva neurossensorial na surdez súbita pode 
ser classificada quanto à forma da audiometria em frequências graves, agudas, plana e 
total. Em relação à intensidade, podemos utilizar a classificação em leve (30 a 40 dBNA), 
moderada (40 a 70 dBNA), severa (70 a 90 dBNA) e profunda (> 90 dBNA).
Apesar de 25% a 50% dos pacientes apresentarem recuperação espontânea 
dos limiares auditivos, existe evidência clínica de que a surdez súbita deve ser tratada 
precocemente.
 ● Sinais de Bom Prognóstico: jovem, masculino, perda auditiva em graves; 
perda menor que 50 dB, início do tratamento precoce, detecção da onda V do 
potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) na primeira semana 
de evolução. 
 6 SURDEZ SÚBITATÓPICO
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
 ● Sinais de Mau Prognóstico: curvas audiométricas do tipo descendente (pior 
em agudos) ou plana, má discriminação vocal, perdas severas, profundas ou 
anacusia, demora na recuperação dos limiares tonais e dos potenciais evo-
cados auditivos e vestibulares, acometimento em extremos de idade, ou seja, 
em crianças e idosos, crise vertiginosa, zumbido intenso e distorção auditiva 
associados. 
São três possibilidades de mecanismos fisiopatológicos descritos para a surdez 
súbita: distúrbios micro circulatórios, infecção viral inaparente e processo autoimune. 
As curvas audiométricas, são de forma plana em 41% dos casos, descendentes 
em 29%, ascendentes com queda em graves em 17% dos pacientes e anacusia em 13%.
61UNIDADE 3 PATOLOGIAS
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Agentes infecciosos, particularmente vírus e bactérias, são reconhecidos como 
causas de muitas alterações da orelha interna. 
Todo ano milhares de bebês nascem com algum grau de deficiência auditiva. Pelo 
menos 18% são causados por infecção congênita viral. 
Algumas etiologias virais de dsistúrbios da orelha interna estão mais bem estabele-
cidas como rubéola, sarampo e infecção por citomegalovírus. O Citomegalovírus (CMV) é 
a causa infecciosa mais comum de surdez congênita nos Estados Unidos, com incidência 
de 1 a 2 casos por 100 nascimentos vivos. A perda auditiva nesses casos é bilateral, relati-
vamente simétrica, e em geral, severa. A infecção materna pela rubéola, durante o primeiro 
trimestre de gestação, põe o feto em alto risco de infecção congênita e consequente, perda 
auditiva. 5 entre 10.000 pacientes com caxumba desenvolvem perda auditiva. O vírus do 
HIV também pode estar implicado em surdez neurossensorial. 
Outros agentes microbiológicos também podem atingir o labirinto ecausar altera-
ções vestibulares e auditivas. Este é o caso das bactérias e dos fungos. Em até 1/3 dos 
casos, a meningite bacteriana pode levar a surdez neurossensorial adquirida após o nas-
cimento. A sífilis na sua forma congênita ou adquirida pode levar à surdez neurossensorial, 
neste último caso nos estágios secundário e terciário da doença. 
 7 SURDEZ DE ORIGEM INFECCIOSATÓPICO
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
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A surdez é a mais comum das deficiências sensoriais do ser humano. 
Em países desenvolvidos cerca de 60% das perdas auditivas graves pré-linguais 
são genéticas. Saliente-se que em torno de 20% a 30% de todas as perdas neurossenso-
riais presentes ao nascimento, são causadas por mutações em um único gene, o gene da 
conexina 26, geralmente segregando herança autossômica recessiva.
A surdez é mais comum que qualquer das doenças pesquisadas no teste do pezi-
nho, tendo uma frequência cerca de 50 vezes maior que a fenilcetonúria e 12 vezes maior 
que o hipotireoidismo, por exemplo.
A surdez genética pode ser classificada em sindrômica, quando associada a outras 
alterações fenotípicas, e não sindrômica, quando isolada. As formas não sindrômicas são 
responsáveis pelos 70% dos casos. Aproximadamente 85% dos casos de surdez pré-lingual 
não sindrômica, se manifestam como formas autossômicas recessivas.
Dentre as síndromes associadas com perda de audição temos, Alport, Branquio-
-oto renal, Jervell e Lange- Nielsen, Norrie, Pendred, Stickler, Treacher Collins, Usher, 
Waardenburg. 
 8 SURDEZ HEREDITÁRIATÓPICO
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
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O VIII nervo craniano, ou nervo vestibulococlear, corresponde à origem de cerca 
de 80% dos tumores que acometem o ângulo pontocerebelar. Não se conhece inteiramen-
te a etiopatogenia do schwannoma do VIII nervo. É certo que existe uma base genética 
para a sua origem. 
É um tumor benigno de crescimento lento que se origina, na maior parte das vezes, 
da divisão superior do nervo vestibular. Os sintomas iniciais são otoneurológicos, sendo a 
hipoacusia, o zumbido e a tontura as principais queixas.
Hipoacusia é a queixa mais frequente, podendo chegar a 70% - 80% dos casos. 
Normalmente é uma queixa unilateral e progressiva. 
Não existe necessariamente uma relação direta entre o tamanho da lesão e o défi-
cit auditivo. O tinnitus ou zumbido em geral, é agudo, contínuo ou flutuante, unilateral. É o 
segundo sintoma mais comum. 
Exames audiológicos representam o ponto de partida do protocolo de avaliação do 
paciente, suspeito de ser portador de Schwannoma do VIII nervo. A audiometria tonal limiar, 
mostra classicamente a perda auditiva do tipo neurossensorial unilateral.
O achado mais característico na eletronistagmografia do indivíduo, é hipo ou arre-
flexia labiríntica nas provas calóricas, do lado comprometido, sem nenhuma outra altera-
ção. A sensibilidade da audiometria do tronco cerebral (BERA) no diagnóstico das lesões 
retrocoleares é de cerca de 95%. Os exames por imagem são, sem dúvida, a forma mais 
eficaz na propedêutica do schwannoma do VIII nervo. 
 9 SCHWANNOMA VESTIBULARTÓPICO
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
65UNIDADE 3 PATOLOGIAS
Bom, sobre a PAIR, sabemos que exposições diárias de ruído em níveis acima de 80dB causam a perda 
auditiva, porém não temos ideia das situações diárias e seus riscos intrínsecos. Aqui temos uma tabela 
para te exemplificar.
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 1073).
66UNIDADE 3 PATOLOGIAS
O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive.
Padre Antônio Vieira
Fonte: https://www.pensador.com/frase/MzQwOQ/
https://www.pensador.com/autor/padre_antonio_vieira/
https://www.pensador.com/frase/MzQwOQ/
67
Finalizamos mais uma unidade. Na unidade 3 você aprendeu algumas das patolo-
gias mais comuns da clínica otológica. 
É extremamente importante para qualquer profissional de saúde que aborde audio-
logia ou otologia que tenha o conhecimento sobre Meniére, PAIR, etc. Saber diferenciar ou 
ter a suspeita diagnóstica frente a anamnese e o exame complementar, diferencia o bom 
profissional dos demais. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
68
Sugiro a leitura deste breve artigo. O qual avalia a prevalência de PAIR em traba-
lhadores da indústria têxtil. Vemos, que existe uma porcentagem importante de funcioná-
rios acometidos. Não se pode negligenciar os danos auditivos causados pela exposição 
prolongada a ruídos. Isso não deve ser encarado apenas no ambiente de trabalho, mas 
lembre-se que o uso diário de fones de ouvido para música, filmes ou para outra função, 
pode provocar as mesmas lesões auditivas. Fique atento (a)!
Leitura: Prevalência da Perda Auditiva Induzida pelo Ruído em Trabalhadores de 
Indústria Têxtil
Na indústria têxtil, o trabalho das máquinas produz ruído que pode causar danos 
irreversíveis na audição dos trabalhadores.
O objetivo do estudo é determinar a prevalência de PAIR em trabalhadores de 
uma indústria têxtil na cidade de Brusque (SC), verificar sua intensidade, caracterizar os 
principais sintomas auditivos, observar a faixa etária mais acometida, identificar o setor 
de maior risco e relacionar com o tempo de exposição ao ruído. Foi realizado, um estudo 
transversal em amostra casualizada de 184 trabalhadores divididos proporcionalmente em 
cada setor, avaliados através de entrevista, exame otoscópico e audiometria ocupacional.
A prevalência de PAIR foi 28,3% PAIR, com predomínio de perdas auditivas de 
grau l (46,2%), segundo a classificação de Merluzzi. Os sintomas mais frequentes foram 
hipoacusia (30,8%), dificuldade de compreensão da fala (25%), zumbido (9,6%), plenitude 
auricular (5,8%), tontura (3,8%) e otalgia (3,8%). O setor com maior índice de PAIR foi 
engenharia industrial com 44,4%, seguidos da fiação com 38,9% e tecelagem com 38,8%, 
BET (beneficiamento, estamparia e tinturaria) com 23,8% e administração com 3,8%. A 
faixa etária mais acometida foi de 50 a 64 anos. Os trabalhadores com mais de 20 anos de 
empresa foram os mais afetados (42,9%).
A ocorrência de PAIR foi significativa no grau l, associada à hipoacusia. Os setores 
de maior risco na indústria são a engenharia, fiação e tecelagem. Houve um aumento dos 
casos com a idade e tempo de exposição. 
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
69
Fonte: CALDART, A. U; ADRIANO, C. F; TERRUEL, I; MARTINS, R. F; CALDART, 
A. U; MOCELLIN, M. Prevalencia da perda auditiva induzida pelo ruido em trabalhadores de 
indústria têxtil. Arq. Int. Otorrinolaringol. / Intl. Arch. Otorhinolaryngol., São Paulo, v.10, n.3, 
p. 192-196, 2006. Disponívelem: http://www.arquivosdeorl.org.br/conteudo/pdfForl/380.pdf 
Acesso em:10 ago. 2022.
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
http://www.arquivosdeorl.org.br/conteudo/pdfForl/380.pdf
70
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Surdez & Educação
Editora: Autêntica Editora.
Sinopse: Este livro faz parte da Série Temas & Educação, volta-
da para educadores, pesquisadores e estudantes. Sobre a pro-
posta deste livro, a autora diz: “Não nego a falta de audição do 
corpo surdo, porém desloco meu olhar para o que os próprios 
surdos dizem de si quando articulados e engajados na luta por 
seus direitos de se verem e de quererem ser vistos como su-
jeitos surdos, e não como sujeitos com surdez. […] Rompendo 
com as interpretações e os usos fundados em bases clínicas e 
em bases que a declaram uma anormalidade, a surdez, vista 
como presença de algo (e não a falta de algo), possibilita outras 
formas de significação e de representações de surdos.”
FILME / VÍDEO
Título: Perda auditiva induzida por ruído
Ano: 2021.
Sinopse: Vídeo curto e objetivo para melhor entendimento da PAIR. 
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=QzWgapMZyGo
UNIDADE 3 PATOLOGIAS
https://www.youtube.com/watch?v=QzWgapMZyGo
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Plano de Estudos
• Ototoxicidade;
• Deficiência auditiva na infância;
• Aparelhos auditivos e implante coclear;
• Fisiologia do labirinto;
• Labirintopatias;
• Reabilitação vestibular.
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar a fisiologia do labirinto;
• Contextualizar a deficiência auditiva na infância;
• Compreender os tipos de labirintopatias; 
• Estabelecer a importância da reabilitação vestibular. 
4UNIDADEUNIDADEMISCELÂNEAMISCELÂNEA Professor Dr. Frederico Miola Martinello
72
Nesta última unidade, abordaremos temas diversos da otorrinolaringologia. Vere-
mos quais substâncias e medicações são tóxicas para o ouvido, quais são as indicações 
atuais de implante coclear, contextualizar as diversas labirintopatias existentes. Sim, labi-
rintopatias, no plural. 
Pois bem, quando dizem que fulano (a) está com “labirintite”, provavelmente não 
é esse o diagnóstico, existem diversas patologias do labirinto e a mais comum não é a 
labirintite. Quero que você termine essa apostila com isso em mente. 
INTRODUÇÃO
UNIDADE 4 MISCELÂNEA
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 1 OTOTOXICIDADETÓPICO
UNIDADE 4 MISCELÂNEA
Ototoxicidade é o termo que define a perda da função auditiva e/ou vestibu-
lar, podendo ocorrer por lesões às estruturas da orelha interna, devido a substâncias 
químicas, sendo elas medicamentos ou outros produtos. A perda auditiva causada por 
estas substâncias é geralmente neurossensorial e acima de 25 dBNA em mais de uma 
frequência avaliada. 
Existem mais de 200 substâncias e medicações que podem causar ototoxicidade, 
muitas das quais são de uso terapêutico, como antibióticos e quimioterápicos. Podemos 
citar como exemplos os antibióticos aminoglicosídeos (amicacina, gentamicina, neomi-
cina), cloranfenicol, eritromicina, vancomicina, polimixinas B e E; os betabloqueadores 
(propranolol); os diuréticos de alça (furosemida); os anti-inflamatórios e analgésicos 
(indometacina, salicilatos, ácido acetilsalicílico, o quinino); antineoplásicos (cisplatina, 
ciclofosfamida); antivirais (Interferona α-2b/ribavirina). Devemos saber que a ingestão 
ou contato dessas substâncias, em nível tóxico na gestação, pode contaminar o feto e 
causar a ototoxicidade fetal ou congênita, dependendo da permeabilidade da substância, 
causando alteração auditiva na criança. 
Os aminoglicosídeos, como exemplo a estreptomicina, neomicina, gentamicina e 
amicacina, possuem ototoxicidade tanto no aparelho vestibular como no sistema auditivo. 
A gentamicina e a tobramicina afetam preferencialmente o sistema vestibular. Já a neomi-
cina e a amicacina afetam exclusivamente a audição. A prevalência da ototoxicidade dos 
aminoglicosídeos varia na literatura, mas pode chegar a 25%. Nos pacientes com perda da 
74UNIDADE 4 MISCELÂNEA
audição, a ototoxicidade dos aminoglicosídeos está relacionada à sua dose cumulativa. O 
mecanismo da ototoxicidade é um processo complexo e ainda não totalmente esclarecido. 
A hipótese mais aceita está relacionada com a formação de radicais livres e a apoptose 
celular. Os sintomas podem ser muito variáveis, de forma leve ou intensa, ou mesmo de 
forma aguda ou crônica. A cocleotoxicidade se apresenta geralmente como hipoacusia, 
zumbido e plenitude auricular. A vestibulotoxicidade se apresenta com vertigem, sintomas 
neurovegetativos, oscilopsia, ataxia, desequilíbrio e tontura ao movimento rotacional da 
cabeça. Para investigação e avaliação detalhada, podemos fazer uso da audiometria con-
vencional, de alta frequência, das emissões otoacústicas por produtos de distorção e o 
exame vestibular. A sugestão é de realização semanal ou quinzenalmente após o início do 
tratamento e prosseguir mensalmente até 6 meses após a suspensão do aminoglicosídeo. 
 A cisplatina é um quimioterápico utilizado no tratamento de vários tipos de tumores 
sólidos. Apresenta muitos efeitos colaterais, até mesmo muitas vezes graves, como oto-
toxicidade, alterações gastrointestinais, nefrotoxicidade, supressão medular e neuropatia 
periférica. A perda de audição quando ocorre é irreversível, mesmo com a interrupção do 
tratamento. Estes efeitos podem ocorrer horas ou dias após a administração da cisplatina. 
Os principais sintomas decorrentes da lesão auditiva são o zumbido e a perda de audição. 
Eritromicina, ao contrário das drogas anteriores, possui ototoxicidade reversível, 
caracterizada pela perda auditiva neurossensorial bilateral em todas as frequências, acom-
panhado de zumbido, porém após 3 dias da suspensão da medicação, há uma recuperação 
total da audição.
Em diuréticos de alça, tendo como medicamento mais conhecido a furosemida, 
apresenta prevalência da ototoxicidade baixa. Geralmente é transitória e reversível quando 
ocorre a suspensão da medicação.
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 2 DEFICIÊNCIA AUDITIVA NA INFÂNCIATÓPICO
UNIDADE 4 MISCELÂNEA
O impacto da alteração auditiva no desenvolvimento da criança e as consequências 
nas diversas etapas de sua vida, faz com que devemos valorizar não apenas as perdas 
auditivas bilaterais, mas qualquer alteração auditiva que possa prejudicar a aquisição 
das habilidades auditivas. A criança que não ouve bem, não aprende a falar, escrever ou 
apresentar um bom desenvolvimento social. Entre todas as doenças congênitas, a perda 
auditiva é a mais comum. Para cada criança que nasce, por exemplo, com fenilcetonúria há 
pelo menos 30 crianças com deficiência auditiva. 
Existem alguns indicadores de risco associados que devemos citar: 
 ● História familiar de deficiência auditiva permanente;
 ● Internação em unidade de terapia intensiva; 
 ● Oxigenação por membrana extracorpórea, ventilação assistida, exposição à 
medicação (gentamicina, tobramicina) ou diuréticos de alça (furosemida), e 
hiperbilirrubinemia;
 ● Infecções intra uterinas como citomegalovírus, rubéola, sífilis e toxoplasmose;
 ● Malformações craniofaciais;
 ● Infecções neonatais;
 ● Quimioterapia.
76UNIDADE 4 MISCELÂNEA
A triagem auditiva neonatal (TAN) é o principal instrumento para diagnosticar e 
tratar a deficiência nos primeiros meses de vida. Podemos utilizar testes não invasivos que 
medem a atividade fisiológica de estruturas do sistema auditivo como as emissões otoacús-
ticas (EOA) e o potencial evocado auditivo de tronco encefálico automático (PEATEa).
As emissões otoacústicas evocadas (EOE), são realizadas no conduto auditivo 
externo por meio de uma sonda que mede as respostas das células ciliadas externas 
da cóclea após sua estimulação por um estímulo sonoro (cliques ou tons puros). As 
emissões otoacústicas evocadas utilizadas são as transientes (EOE-t) e as por produto 
de distorção (EOEPD). 
O potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) é obtido, por meio de 
eletrodos de superfície que medem a atividade elétrica do nervo auditivo e das vias auditi-
vas de tronco encefálico em resposta a um estímulo sonoro. 
FIGURA 01 - BERA/PEATE 
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 405).
 
Em 2007, devido a iniciativa da Academia Brasileira de Audiologia, foi criado o 
Comitê Multiprofissional em Saúde Auditiva (COMUSA), formado por representantes da 
Associação Brasileira de Otorrinolaringologia – Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), So-
ciedade Brasileira de Fonoaudiologia, Sociedade Brasileira de Otologia, Sociedade Brasi-
leira de Pediatria e da própria Academia Brasileira de Audiologia, com o objetivo de elaborar 
um parecer sobre a Triagem Auditiva Neonatal, a fim de nortear as ações de profissionais 
envolvidos com essa atividade.
77UNIDADE 4 MISCELÂNEA
Conforme esse documento: 
 ● Todos os neonatos devem ter acesso à triagem auditiva realizada por meio de 
procedimentos fisiológicos até um mês de vida.
 ● Todas as crianças que apresentem resultado alterado na triagem auditiva 
neonatal (TAN), incluindo teste-reteste, devem ser submetidas às avaliações 
médica e audiológica para definir a existência de deficiência auditiva em até, no 
máximo, três meses de vida.
 ● O tratamento deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico da deficiência 
auditiva permanente ou, no máximo, até o sexto mês de vida.
2.1 TESTES DE RESPOSTAS NÃO CONDICIONADAS
Representado pela audiometria de observação comportamental. Consiste na ob-
servação das respostas da criança ao estímulo apresentado sob condições controladas. O 
teste é realizado em neonatos e crianças de até 2 anos de idade, sendo imprescindível o 
conhecimento do profissional sobre o processo maturacional do sistema auditivo normal. 
2.2 PROCEDIMENTOS DE RESPOSTAS CONDICIONADAS
A partir de 5 a 6 meses é possível produzir respostas auditivas confiáveis utilizando 
a técnica de condicionamento operante. Na audiometria de reforço visual, o comportamento 
condicionado é o reflexo de orientação. Reforçado por meio de estímulos visuais, como luz, 
desenhos animados ou brinquedos mecânicos que se movimentam. 
2.3 MEDIDA DA IMITÂNCIA ACÚSTICA
A medida da imitância acústica é um procedimento básico da audiologia pediátrica 
e de extrema importância Existe uma alta ocorrência de otite média serosa (OMS) na popu-
lação pediátrica. Mais de 50% das crianças podem apresentar essa alteração no primeiro 
ano de vida.
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 3 APARELHOS AUDITIVOSTÓPICO
78UNIDADE 4 MISCELÂNEA
A prevalência da perda auditiva na população geral é mais alta do que se imagina. 
Cerca de 10% da população em geral apresenta perda auditiva de graus leve a severa, e 
esse número sobe para quase 50% acima dos 65 anos de idade. 
O período de instalação da perda auditiva é de extrema importância para a inter-
venção. A habilitação é realizada nos casos de perdas auditivas congênitas ou que surgem 
antes da aquisição da linguagem, denominadas de deficiências auditivas pré-linguais. Já a 
reabilitação, ocorre quando se precisa restabelecer as qualidades e habilidades auditivas 
que o indivíduo possuía previamente, ou seja, deficiência auditiva pós-lingual.
O aparelho de amplificação sonora individual, é um equipamento que modifica 
e amplifica o som nas frequências em que a audição está comprometida, conduzindo-o 
para a orelha média. Um dos grandes desafios atuais é conseguir amplificar os sons 
desejáveis, por exemplo, a fala de uma pessoa em uma conversa e minimizar os ruídos 
ao fundo, o que é uma queixa muito comum entre os usuários de AASI. O sucesso da 
intervenção por meio do AASI, origina-se de boa orientação e com a confiança transmitida 
pelo otorrinolaringologista e fonoaudiólogo (a) sobre a possibilidade de melhora da 
audição e, muitas vezes, do zumbido associado. 
Todo paciente com perda auditiva teoricamente é um potencial candidato ao uso 
de AASI, porém há diferenças entre os tipos de perdas auditivas, e essas diferenças po-
dem facilitar ou dificultam o seu uso. As perdas auditivas condutivas são as mais fáceis de 
serem protetizadas. O mesmo não ocorre nas perdas neurossensoriais com importante 
79UNIDADE 4 MISCELÂNEA
diminuição da discriminação. Os pacientes com perdas neurossensoriais de grau leve a 
moderado são mais fáceis de serem protetizados, quando comparados aos com perdas 
de grau severo a profundo. Os pacientes mais difíceis de serem protetizados são os que 
apresentam perdas profundas, pois, mesmo com uma grande amplificação do som, estes 
pacientes não conseguem bons índices de compreensão da fala, devido ao já presente 
grande comprometimento da orelha interna.
Todos os aparelhos auditivos funcionam basicamente da mesma forma, servindo 
para amplificar o som. Podemos classificá-los em analógicos ou digitais, variado pelo pro-
cessamento do som no seu circuito.
Os aparelhos analógicos são constituídos basicamente por três componentes: o 
microfone, que capta o som; o amplificador que o amplifica; e pelo receptor (alto-falante). O 
microfone converte a energia sonora em eletricidade. Os aparelhos digitais são constituídos 
pelos mesmos componentes do aparelho analógico, adicionando mais três componentes 
em um chip, o conversor analógico/digital (A/D), uma unidade de processamento digital do 
sinal e o conversordigital-analógico. 
Hoje temos disponíveis aparelhos retroauriculares pré-fabricados, que são regula-
dos pelo fonoaudiólogo para as necessidades específicas de cada paciente. Existem outros 
modelos disponíveis (intra-auricular, intracanal e microcanal), que são feitos sob medida 
para cada paciente. 
FIGURA 02 - TIPOS DE APARELHOS AUDITIVOS. 
A.RETROAURICULAR. B RETROAURICULAR COM RECEPTOR NO CANAL. 
C INTRA-AURICULAR. D INTRACANAL. E MICROCANAL
Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 1225).
80UNIDADE 4 MISCELÂNEA
3.1 IMPLANTE COCLEAR 
É importante salientar que nem todos os pacientes com surdez se beneficiarão do 
implante coclear. A avaliação e a seleção de candidatos à cirurgia é um passo fundamental 
para o seu sucesso. Dados detalhados sobre o tempo de duração da surdez, a idade de 
início, pré ou pós-lingual, se tem caráter progressivo ou súbito, além de dados sobre esco-
laridade, desenvolvimento da linguagem oral e uso prévio de AASI, são fundamentais para 
avaliação do potencial benefício com uso de implante coclear. 
A Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, aprova a realização 
do implante coclear em crianças acima dos 12 meses de idade, e a tendência atual é a 
realização da cirurgia em menores de 2 anos, pois, quanto menor o período de privação 
auditiva, melhor será o desempenho da linguagem da criança. As diretrizes da Associação 
Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), consideram uma 
idade mínima de 6 meses na perda auditiva profunda e de 18 meses na perda auditiva 
severa. As crianças que recebem o implante coclear em idade precoce, apresentam melhor 
desempenho do que aquelas que o receberam com maior idade.
Um dos pilares para a avaliação do candidato à cirurgia de implante coclear é a de-
terminação precisa da audição residual e da resposta à amplificação sonora. Os principais 
fatores associados ao resultado do implante coclear, são o tempo de duração da surdez e 
o índice de reconhecimento da fala, os quais atuam como fatores preditivos significativos 
para o resultado pós-operatório. 
Uma decisão importante é a escolha da orelha para o implante. Atualmente, opta-
-se, em crianças com pouca idade, pela orelha de pior audição, principalmente em função 
do interesse na preservação auditiva. Além disso, realizar o implante coclear na orelha com 
pior desempenho auditivo permite a estimulação bimodal (implante coclear associado a 
aparelho auditivo contralateral). 
Citaremos a seguir as indicações de implante coclear conforme a idade e outros 
critérios: 
 ● Crianças de 4 a 7 anos de idade incompletos que apresentem perda auditiva 
neurossensorial bilateral de grau severo e/ou profundo, quando preenchidos os 
seguintes critérios:
a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em conjunto 
aberto com uso de AASI na orelha a ser implantada;
b) Presença de indicadores favoráveis para o desenvolvimento da linguagem oral;
c) Adequação psicológica, motivação e expectativa adequada da família.
81UNIDADE 4 MISCELÂNEA
 ● Crianças de 7 a 12 anos de idade incompletos que apresentem perda auditiva 
neurossensorial bilateral de grau severo e/ou profundo, quando preenchidos os 
seguintes critérios:
a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em conjunto 
aberto na orelha a ser implantada, com percepção de fala diferente de zero em 
conjunto fechado;
b) Presença de código linguístico oral em desenvolvimento. Devem apresentar 
comportamento linguístico predominantemente oral;
c) Adequação psicológica, motivação e expectativa adequada do paciente e da família 
para o uso do implante coclear e para o processo de reabilitação fonoaudiológica;
d) Uso de AASI contínuo e efetivo por pelo menos metade da sua idade.
 ● Adolescentes a partir de 12 anos de idade que apresentem perda auditiva 
neurossensorial pré-lingual bilateral de grau severo e/ou profundo, quando 
preenchidos os seguintes critérios:
a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em con-
junto aberto com uso de AASI na orelha a ser implantada, com percepção de fala 
diferente de zero em conjunto fechado;
b) Presença de código linguístico oral estabelecido;
c) Adequação psicológica, motivação e expectativa adequada do paciente e da famí-
lia para o uso do implante coclear e para o processo de reabilitação fonoaudiológica;
d) Uso de AASI efetivo por pelo menos metade da sua idade.
 ● Adolescentes a partir de 12 anos de idade que apresentem perda auditiva 
neurossensorial pós-lingual bilateral de grau severo e/ou profundo, quando 
preenchidos os seguintes critérios:
a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em conjun-
to aberto com uso de AASI na orelha a ser implantada;
b) Adequação psicológica, motivação e expectativa adequada do paciente e 
da família.
 ● Em adultos que apresentem perda auditiva neurossensorial pré-lingual unilateral ou 
bilateral de grau severo e/ou profundo, quando preenchidos os seguintes critérios:
82UNIDADE 4 MISCELÂNEA
a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em conjunto 
aberto com uso de AASI na orelha a ser implantada, com percepção de fala diferente 
de zero em apresentação em conjunto fechado na situação binaural;
b) Presença de código linguístico estabelecido e adequadamente reabilitado pelo 
método oral;
c) Adequação psicológica e motivação adequada do paciente para o uso do implante 
coclear e para o processo de reabilitação fonoaudiológica;
d) Nos casos de surdez bilateral, é necessário o uso de AASI efetivo desde o diagnós-
tico da perda auditiva severa a profunda.
 ● Em adultos que apresentem perda auditiva neurossensorial pós-lingual unilateral 
ou bilateral de grau severo ou profundo, quando preenchidos os seguintes critérios:
a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em conjunto 
aberto com uso de AASI na orelha a ser implantada;
b) Adequação psicológica e motivação do paciente.
 ● Cegueira associada a surdez:
a) Quando o paciente apresentar cegueira associada, independentemente da idade 
e da instalação da surdez, o implante coclear está indicado quando o resultado de 
reconhecimento de sentenças em conjunto aberto com uso de AASI for igual ou 
menor que 50% na orelha a ser implantada;
b) Adequação psicológica e motivação do paciente para o uso do implante coclear 
e para o processo de reabilitação fonoaudiológica.
 ● Contra Indicações ao implante coclear:
Portadores de patologia neurológica grave;
Comprometimento médico e psicológico que possa interferir no implante coclear;
Agenesia da cóclea e do nervo auditivo ou lesões centrais;
Infecções ativas do ouvido médio;
Expectativas irreais da família quanto aos benefícios, e resultados e limitações do 
implante coclear; 
Surdez pré-lingual em adolescentes e adultos não reabilitados por método oral 
(exceto nos casos de cegueira associada). 
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 4 FISIOLOGIA DO LABIRINTOTÓPICO
UNIDADE 4 MISCELÂNEA
O labirinto é a nossa orelha interna. É constituído por uma porção óssea e uma 
porção membranácea. Entre as duas estruturas encontra-se um líquido, a perilinfa, que é 
semelhante ao líquor. Dentro do labirinto membranáceo existe a endolinfa, líquido rico em 
potássio, semelhanteao líquido intracelular
Esse órgão é dividido em uma porção anterior (cóclea) e outra posterior (canais 
semicirculares e vestíbulo). Existem três canais semicirculares em cada labirinto, sendo 
2 verticais, o canal anterior ou superior e o canal posterior, e um canal horizontal ou 
lateral. Os canais laterais são sensíveis à movimentação cefálica em rotação horizontal. 
Já os canais anteriores e posteriores, são sensíveis à movimentação em rotação para 
cima e para baixo.
Cada canal semicircular possui em uma de suas extremidades uma dilatação 
chamada ampola. Dentro da ampola existe a crista ampular, onde estão situadas as célu-
las ciliadas com função sensitiva. Cada célula dessa apresenta vários estereocílios e um 
cinocílio, que estão envoltos por uma massa gelatinosa chamada cúpula. Esses cílios, ao 
se movimentarem, permitem a percepção dos movimentos rotatórios. O movimento dos 
estereocílios em direção ao cinocílio provoca alterações eletrolíticas que levam à redução 
do potencial de repouso da membrana da célula, causando a “excitação” da célula. Opos-
tamente, o movimento dos estereocílios em direção contrária ao cinocílio, leva à “inibição” 
celular por aumentar o potencial de repouso.
84UNIDADE 4 MISCELÂNEA
Nos canais laterais, quando há um movimento da cabeça no plano horizontal, a 
corrente endolinfática no canal do mesmo lado do movimento é ampulípeta, ou seja, na 
direção da ampola. Esse movimento promove a despolarização das células sensoriais pelo 
movimento dos estereocílios de cada célula na direção do respectivo cinocílio. 
Nos canais verticais ocorre o inverso, a corrente ampulífuga leva ao estímulo ex-
citatório e a corrente ampulípeta, ao inibitório. Isso ocorre pela diferente localização dos 
cinocílios, pois nos canais laterais, o cinocílio é proximal ao utrículo e nos canais verticais, 
o cinocílio é distal.
4.1 Sáculo e Utrículo
Essas estruturas também apresentam células ciliadas sensitivas. Encontradas nas 
máculas utriculares e saculares. 
Envolvendo as células ciliadas existe uma substância gelatinosa, a membrana 
otolítica, onde estão os otólitos. Os otólitos são cristais de carbonato de cálcio, que com 
a movimentação linear ou mudança de orientação com relação à gravidade, promovem 
deslocamento dos cílios das células sensitivas. 
As máculas utriculares e saculares estão espacialmente dispostas de forma que 
seja possível perceber quaisquer movimentos do corpo. 
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 5 LABIRINTOPATIASTÓPICO
UNIDADE 4 MISCELÂNEA
As tonturas e a vertigem estão entre as queixas mais comuns nos consultórios 
médicos. 
Citaremos alguns exemplos de vestibulopatias periféricas: 
Vertigem postural paroxística benigna (VPPB) é caracterizada pelo aparecimento 
de vertigem rotatória com duração de segundos, desencadeada por movimentos da cabeça, 
principalmente com hiperextensão cervical e lateralização. 
É considerada a vestibulopatia mais comum. A VPPB do canal semicircular poste-
rior (CSP) é a mais comum (90%). 
Fisiologicamente é causada por otocônias que se desprendem da mácula do utrí-
culo e flutuam em um canal semicircular. 
Todo o estímulo provocado por alterações na cúpula produz uma contração de 
pares de músculos oculares extrínsecos, gerando um nistagmo específico de acordo com 
o canal afetado. 
A intensidade do nistagmo é diretamente proporcional e a latência do nistagmo 
inversamente proporcional ao número e ao tamanho de partículas. 
O diagnóstico é realizado por meio de anamnese e exame físico. Utilizamos 
as manobras de Dix-Hallpike, manobra de girar de lado (head roll test) ou manobra de 
Pagnini McClure. 
Exames complementares geralmente não são necessários. 
86UNIDADE 4 MISCELÂNEA
As manobras de reposição canalicular apresentam eficácia entre 70%-100%. A 
manobra de Epley é realizada para reposição canalicular para os canais verticais. 
As manobras mais realizadas para a VPPB de Canais Horizontais são:
 ● VPPB CSL Canalitíase (Geotrópico) − Manobra de Lempert (barbecue ma-
neuver) ou manobra de Gufoni 
 ● VPPB CSL Cupulolitíase (Apogeotrópico) − Manobra de Gufoni para cupulo-
litíase e manobra de Zuma e Maia.
Sugiro que olhem vídeos de como se fazem essas manobras. Sendo mais fácil a 
sua compreensão. 
A fístula perilinfática é uma síndrome episódica caracterizada por vertigem recorrente. 
É uma comunicação entre o espaço perilinfático e a orelha média. 
As crises podem durar horas a dias. São desencadeadas por manobras de Valsalva 
como na tosse, nos espirros ou pressões externas no conduto auditivo. 
O fenômeno de Túlio consiste na observação de nistagmo, ocorrência de vertigem 
ou oscilopsia ao estímulo com sons de alta intensidade.
As deiscências de canais semicirculares são mais comuns no canal anterior/supe-
rior. A maioria dos pacientes apresenta nistagmo vertical e torsional provocado por estímulos 
sonoros intensos. Sintomas auditivos de deiscência do canal podem ser autofonia, plenitu-
de auditiva, perda auditiva e zumbido pulsátil. A alteração mais frequentemente encontrada 
na audiometria é perda auditiva condutiva ou mista, com GAP aéreo-ósseo de 5-10 dB 
em duas ou mais frequências, principalmente nas perdas graves, com reflexos acústicos 
preservados. O tratamento permanece controverso, podendo-se utilizar sintomáticos. 
A paroxismia vestibular é uma síndrome vestibular episódica. 2x mais prevalente 
em homens. Existem dois picos de incidência da doença em idade precoce, relacionado 
a anomalias vasculares vertebrobasilares e outro entre os 40 a 70 anos de idade, rela-
cionado à aterosclerose e à hipertensão arterial. Existem seis achados característicos na 
paroxismia vestibular: vertigem súbita de curta duração, ataques provocados por algumas 
posições da cabeça, hipoacusia ou zumbido contínuos ou durante as crises, déficit auditivo 
e/ou vestibular permanentes, resposta positiva ao tratamento com carbamazepina, quando 
excluídas as causas centrais de vertigem.
A etiopatogenia da paroxismia, ocorre quando compressão neurovascular da zona 
de entrada da raiz do oitavo nervo com desmielinização local, hiperatividade axonal pela 
artéria cerebelar anterior ou posterior, ectasia venosa, malformação arteriovenosa, tumores 
ou estruturas ósseas. 
87UNIDADE 4 MISCELÂNEA
A neurite vestibular tem etiologia desconhecida, podendo ter relação com acome-
timento viral agudo do nervo vestibular. A apresentação típica é de uma crise aguda de 
vertigem intensa, com piora nos movimentos da cabeça e associa-se a fortes sintomas 
autonômicos, como sudorese, palidez, náusea e vômitos. Não há sintomas auditivos na 
neurite vestibular. Os sintomas costumam durar dias ininterruptos. 
A doença de Ménière é uma alteração da orelha interna caracterizada por dois gru-
pos de sintomas: os sintomas vestibulares e os sintomas auditivos. Os sintomas clássicos 
como perda auditiva flutuante, zumbido, plenitude auricular e vertigem podem existir. 
A Vertigem Paroxística Benigna da Infância (VPBI), tem sido sugerida como a 
causa mais comum de tontura entre as crianças, quando excluídas as doenças da orelha 
média. Acomete mais frequentemente em crianças entre 3 e 8 anos. Para diagnóstico 
requer cinco episódios de vertigem súbita, sem desencadeantes, com resolução espon-
tânea em minutos ahoras, sem perda de consciência e acompanhada de pelo menos um 
dos sintomas: nistagmo, ataxia, vômito, palidez e medo. Durante os ataques, a criança 
suspende as atividades que está desempenhando naquele momento, ficando imóvel, sem 
conseguir ficar em pé, porém a consciência está sempre preservada, o que a diferencia 
de episódios convulsivos. 
As otites médias são consideradas por alguns autores, a causa mais frequente das 
vestibulopatias na infância. Dentre todas, a otite média com efusão ou otite média serosa 
pode ser a causa mais observada de tonturas ou vertigens na criança.
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 6 REABILITAÇÃO VESTIBULARTÓPICO
UNIDADE 4 MISCELÂNEA
Na reabilitação vestibular (RV) o estímulo à deambulação e ao movimento cefálico 
precoce são fundamentais para o alívio mais rápido da vertigem e redução da intensidade 
dos sintomas em caso de recorrência. O controle postural é uma associação de reflexos 
para o processamento do equilíbrio e também um sistema motor complexo derivado de 
múltiplos processamentos sensório-motores. 
Os programas básicos de RV são baseados em três elementos: 
 ● Exercícios de habituação que favorecem a compensação do sistema nervoso central;
 ● Exercícios de controle postural;
 ● Condicionamento das atividades gerais.
O mecanismo de compensação vestibular na recuperação crônica da função labi-
ríntica, inclui 4 conceitos importantes para o entendimento dos tipos dos protocolos espe-
cíficos para cada tipo de lesão: substituição, adaptação, habituação e restauração celular.
A intervenção terapêutica com os exercícios de RV direcionada para os sinais, sinto-
mas e limitações funcionais secundários aos déficits vestibulares têm sido comprovada como 
forma de diminuir a tontura, melhorar a estabilidade postural e reduzir o risco de quedas. 
A RV atual tem uma abordagem baseada em exercícios, que basicamente incluem 
a combinação de quatro tipos diferentes de estímulos para minimizar as deficiências: (1) 
exercícios que promovem a estabilização do olhar (adaptação e substituição do reflexo 
vestíbulo-ocular); (2) exercícios de habituação; (3) exercícios de equilíbrio e marcha, e (4) 
caminhada para resistência.
89UNIDADE 4 MISCELÂNEA
Os exercícios de estabilização do olhar (adaptação e substituição) são baseados 
na movimentação da cabeça durante a manutenção do foco num ponto fixo ou em movi-
mento. Na habituação, os exercícios envolvem a repetição dos estímulos provocativos, 
os quais podem causar leves e moderados sintomas de tontura. A repetição sistemática 
desses movimentos leva à redução dos sintomas no decorrer do tempo. Condicionamento 
geral, como a caminhada e exercícios aeróbicos, são elementos frequentes na reabilitação, 
porque indivíduos com disfunção vestibular geralmente limitam sua atividade física para 
evitar provocar os sintomas.
Vou comentar aqui alguns exercícios de reabilitação vestibular, sem esmiuçá-los. 
Exercícios de estimulação do RVO horizontal e vertical de Davis e O’Leary e Caovilla, 
Exercício para incrementar a adaptação vestibular de Herdmann, protocolo de Cawthorne 
e Cooksey, protocolo de exercícios da Associazione Otologi Ospedalieri Italiani. Outras 
opções são a reabilitação vestibular com realidade virtual e fisioterapia aquática
90UNIDADE 4 MISCELÂNEA
Sugiro a leitura desta diretriz especializada a pessoas com deficiência auditiva no SUS, disponível no link 
abaixo, pois, este documento visa estabelecer as orientações para o cuidado às pessoas com deficiência 
auditiva em nível nacional. É utilizado pelas Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios na regulação do acesso assistencial, autorização, registro e ressarcimento dos procedimentos 
correspondentes, e pelos Serviços de Saúde habilitados junto ao SUS.
O objetivo destas diretrizes é oferecer orientações às equipes multiprofissionais sobre o cuidado da pessoa 
com deficiência auditiva, em especial às que necessitam da cirurgia de implante coclear e prótese auditiva 
ancorada no osso.
Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. PORTARIA GM/MS Nº 2.776, de 18 de dezembro de 2014. Diretrizes 
Gerais para a Atenção Especializada às Pessoas com Deficiência Auditiva no Sistema Único de 
Saúde (SUS). Brasília – DF, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/
MatrizesConsolidacao/comum/241502.html Acesso em: 10 set. 2022.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/MatrizesConsolidacao/comum/241502.html
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/MatrizesConsolidacao/comum/241502.html
91UNIDADE 4 MISCELÂNEA
Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria. Surdo é aquele que não tem 
tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão.
Mario Quintana
Fonte: https://www.pensador.com/frase/NjU5MjEw/
https://www.pensador.com/autor/mario_quintana/
https://www.pensador.com/frase/NjU5MjEw/
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Concluímos a última apostila desse curso. Parabéns pelo empenho e dedicação. 
Seguindo as orientações dadas e estudando as leituras complementares sugeridas, 
você irá adquirir conhecimento para sua prática clínica e será um profissional diferenciado. 
Mas não pare por aqui, existem atualizações a todo momento, e novos artigos e publicações 
são lançados todos os anos nos diversos campos da otorrinolaringologia e fonoaudiologia. 
Seja um profissional atualizado ! 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
UNIDADE 4 MISCELÂNEA
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Sugiro a leitura na íntegra das diretrizes em triagem auditiva neonatal. Devido a 
grande prevalência de alterações auditivas infantis, é fundamental o nosso conhecimento 
em saber rastrear e em abordar as crianças com deficiência auditiva o mais precoce possí-
vel, a fim de minimizar os danos no desenvolvimento causados pela privação auditiva. 
Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. 
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção da Triagem 
Auditiva Neonatal / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento 
de Ações Programáticas Estratégicas e Departamento de Atenção Especializada. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/
diretrizes_atencao_triagem_auditiva_neonatal.pdf . Acesso em: 10 out. 2022.
LEITURA COMPLEMENTAR
UNIDADE 4 MISCELÂNEA
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_triagem_auditiva_neonatal.pdf
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_triagem_auditiva_neonatal.pdf
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MATERIAL COMPLEMENTAR
UNIDADE 4 MISCELÂNEA
LIVRO
Título: Cummings Otorrinolaringologia: Cirurgia de Cabeça e 
Pescoço
Autor: FLINT, Paul et al.
Editora: ELSEVIER. 
Sinopse: Em sua sexta edição, Cummings Otorrinolaringologia 
permanece sendo a fonte mais detalhada e confiável, servindo 
como um excelente guia para todos os aspectos da cirurgia de 
cabeça e pescoço. Totalmente atualizado com os mais recentes 
procedimentos minimamente invasivos, novas imagens clínicas 
e ilustrações da maior qualidade, esta edição prepara o profis-
sional para implementar as descobertas, técnicas e tecnologias 
mais atuais que estão delineando a evolução dos pacientes. 
Obtenha informações altamente especializadas, respostas con-
fiáveis e precisas para todas as fases da sua carreira a partir do 
textomultidisciplinar mais abrangente da especialidade.
FILME / VÍDEO
Título: The Sound of Metal
Ano: 2019.
Sinopse: Em Sound of Metal, um jovem baterista teme por seu 
futuro quando percebe que está gradualmente ficando surdo. 
Duas paixões estão em jogo: a música e sua namorada, que é 
integrante da mesma banda de heavy metal que o rapaz. Essa 
mudança drástica acarreta em muita tensão e angústia na vida 
do baterista, atormentado lentamente pelo silêncio. 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FLINT, P et al. Cummings Otorrinolaringologia: Cirurgia de Cabeça e Pescoço. 6. ed. 
[S. l.]: Grupo GEN, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/
books/9788595156005/pages/recent. Acesso em: 1 ago. 2022. 
PIGNATARI, S. S. N; LIMA, W. T. A. Otorrinolaringologia. Associação Brasileira D. Tratado 
de Otorrinolaringologia. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2017. Disponível em: https://integrada.
minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595154247/ Acesso em: 08 jul. 2022.
PILTCHER, O., et al. Rotinas em Otorrinolaringologia. Porto Alegre: Artmed, 2015. 
SANNA, Mario et al. Color Atlas of Endo-Otoscopy: Examination-Diagnosis-Treatment. 
[S. l.]: Thieme, 2017. Atlas.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595154247/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595154247/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595154247/
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Prezado(a) aluno(a), 
Nesta apostila fizemos uma abordagem ampla e resumida sobre os mais diversos 
temas da Otorrinolaringologia. Busquei resumir para você conceitos como anatomia, fisiolo-
gia e das principais patologias da orelha humana. A anamnese e um bom exame físico são 
cruciais para uma boa avaliação e para a formação de uma hipótese diagnóstica adequada. 
Apresentamos as diferenças entre otites e as diversas doenças da orelha média. 
Destacamos as diversas doenças que acometem a audição, os tipos de perdas auditivas 
existentes e por um uma miscelânea de temas, os quais estão presentes na prática clínica 
de todo profissional de saúde que possui abrangência em audição e aparelho vestibular. 
A ordem dos temas foi colocada de forma programada, a fim de trazer a você uma 
forma de aprendizado organizada e gradual. Alguns temas são difíceis e devem ser lidos 
de forma integral dentro das referências da apostila e além disso, sinta-se estimulado(a) a 
procurar outras referências para ampliar suas fontes de informação e conhecimento. 
Acredito que dessa forma você estará preparado(a) para ser um profissional dife-
renciado e poderá exercer fonoaudiologia de forma íntegra. Desejo a você um excelente 
curso. Muito sucesso! 
Um grande abraço. 
CONCLUSÃO GERAL
ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE
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 CEP 87702 - 320
 Paranavaí - PR - Brasil 
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