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OTORRINOLARINGOLOGIA Professor Dr. Frederico Miola Martinello REITOR Prof. Ms. Gilmar de Oliveira DIRETOR DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Ms. Daniel de Lima DIRETORA DE ENSINO EAD Prof. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIRETOR FINANCEIRO EAD Prof. Eduardo Luiz Campano Santini DIRETOR ADMINISTRATIVO Guilherme Esquivel SECRETÁRIO ACADÊMICO Tiago Pereira da Silva COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Prof. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Prof. Ms. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Ms. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE GESTÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS Prof. Dra. Ariane Maria Machado de Oliveira COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE T.I E ENGENHARIAS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE SAÚDE E LICENCIATURAS Prof. Dra. Katiúscia Kelli Montanari Coelho COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Kauê Berto Marcelino Fernando Rodrigues Santos PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO André Dudatt Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos Pedro Vinícius de Lima Machado FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP M385o Martinello, Frederico Miola Otorrinolaringologia / Frederico Miola Martinello. Paranavaí: EduFatecie, 2023. 96 p. 1. Otorrinolaringologia. 2. Ouvidos - Doenças. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 617.51 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas dos bancos de imagens Shutterstock , Pexels e Freepik . 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. https://www.shutterstock.com/pt/ https://www.pexels.com/pt-br/ https://br.freepik.com/ 3 AUTOR Professor Dr. Frederico Miola Martinello ● Sou Frederico, médico otorrinolaringologista, residindo e atuando em Maringá- PR, fellowship em Plástica Facial. ● Sou médico formado em 2015 pela Fundação Universidade Regional de Blumenau, em Santa Catarina. ● Realizei residência médica de Otorrinolaringologia pelo Hospital Otorrinolaringológico de Sorocaba e por fim realizei fellowship em Plástica Facial em Uberlândia-MG no Uberlândia Medical Center (UMC). ● Atualmente sou co-orientador na residência médica da cadeira de plástica facial do Hospital Otorrinolaringológico de Sorocaba, orientando os residentes na realização de rinoplastia e outros procedimentos estéticos faciais. ● Sou membro da equipe de otorrinolaringologistas do Hospital São Marcos em Maringá-PR. ● Atuo no pronto-atendimento em otorrinolaringologia OPAH em Maringá-PR e em consultório. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/4896066675300729 http://lattes.cnpq.br/4896066675300729 4 É um prazer ter você aqui. Separei e preparei um material de fácil leitura, com temas importantes para o seu curso e para a sua formação acadêmica. Sugiro sempre as leituras extras que eu indicar e espero contribuir para o seu crescimento profissional. Estarei disponível para conversar e esclarecer dúvidas. Sinta-se à vontade para me procurar nas redes sociais que irei responder quando possível. Bom, vamos lá. Na unidade I, nós iremos abordar temas mais básicos e de início de curso, como anatomia e fisiologia da orelha, exame físico e anamnese do paciente auditivo. Na unidade II, abordaremos as doenças. Separei algumas patologias da orelha externa e média para você ter conhecimento e domínio sobre elas. Na unidade III, também abordaremos doenças, mas nesta unidade serão mais específicas e detalhadas a cada patologia. Por fim, na última unidade, a unidade IV, nós abordaremos temas diversos, deixei como uma miscelânea de assuntos importantes e que contribuirão para a sua formação na fonoaudiologia. No próprio texto da apostila deixarei dicas de prova. Leiam com atenção e bons estudos. APRESENTAÇÃO DO MATERIAL SUMÁRIO 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • A otologia no contexto da Fonoaudiologia; • Anatomia e fisiologia da orelha; • Anamnese e exame otológico. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar a anatomia e fisiologia da orelha externa, média e interna; • Estabelecer a importância do conhecimento otológico na Fonoaudiologia. 1UNIDADEUNIDADEANATOMIA,ANATOMIA,FISIOLOGIA FISIOLOGIA E SEMIOLOGIAE SEMIOLOGIA Professor Dr. Frederico Miola Martinello 7 Olá, neste primeiro módulo, veremos alguns conceitos básicos em anatomia, fisio- logia e semiologia da orelha humana. Este tema foi colocado no primeiro módulo de forma objetiva e proposital, pois para entendermos as doenças e alterações da orelha, devemos dominar este primeiro módulo. Não tenha preguiça em ler as referências bibliográficas e aprofundar seus conhe- cimentos nesta parte. Este início é muito importante para o andamento do curso. Tome uma xícara de café e boa leitura. INTRODUÇÃO UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Para todo profissional da saúde, o conhecimento básico do corpo humano é funda- mental. Para nós aqui neste curso, abordaremos uma região em especial, a orelha humana. Todo otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo (a) deve ter um bom otoscópicoe saber fazer uma otoscopia. Diversas vezes recebi encaminhamento de outros colegas mé- dicos com dúvida em otoscopia, descrição errada do exame, por exemplo, descrito como membrana timpânica perfurada, porém ao avaliar está totalmente íntegra, sem alterações. Antes da realização de audiometria e imitanciometria deve-se obrigatoriamen- te avaliar o conduto auditivo do paciente. Uma rolha de cerume pode interferir no resultado audiométrico. Ao final do curso, quero que você tenha segurança em realizar uma otoscopia básica, saber dizer se tem alguma alteração no exame físico do seu paciente e ter o conhe- cimento das diversas patologias da orelha humana. 8 1 A OTOLOGIA NO CONTEXTO DA FONOAUDIOLOGIATÓPICO UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A orelha externa inclui o pavilhão auricular e o conduto auditivo externo (CAE). O pavilhão é o que vemos como orelha, sendo constituído por cartilagem e pele. O conduto auditivo externo é o túnel que comunica o ambiente externo até o nosso tímpano, é por meio da otoscopia que avaliamos o CAE. O comprimento médio do CAE é de 2,5 centímetros, pois é bem curto, por isso toda manipulação desta região deve ser bem cuidadosa e com instrumentos delicados, a fim de evitar lesões no tímpano. Isso inclui o risco no uso de cotonete, qualquer movimento mais forte e profundo, pode causar alguma perfuração timpânica. 9 2 ANATOMIA E FISIOLOGIA DA ORELHATÓPICO UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA FIGURA 01 - ANATOMIA DA ORELHA Podemos dividir o CAE em 3 partes, as 2 partes mais internas (mediais) são forma- das por parede óssea e o terço externo (lateral) possui um esqueleto cartilaginoso. É nesse 1/3 lateral que encontramos glândulas sebáceas e folículos pilosos e é nessa porção em que é fabricado o cerume. O cerume é uma substância hidrofóbica (repele água) e um pouco ácida (pH 6 a 6,5), formada por secreções glandulares e epitélio descartado do conduto auditivo. A membrana timpânica forma a parede medial ou o fundo do CAE e ao mesmo tempo é a parede lateral da orelha média. É uma estrutura côncava e contém 3 camadas de células (externa, intermediária e interna) Para a fisiologia da audição, a orelha externa serve como um meio de condução sonora. Guarde bem esse conceito. A frequência de ressonância do som é determinada pelo comprimento do tubo. Assim, para um tubo de 2,5 cm a frequência de ressonância é de aproximadamente 3.5KHz. Nessa frequência os sons chegam a ter um ganho de 15 dB na membrana timpânica. 10UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA 2.1 Anatomia Da Orelha Média A orelha média é um espaço preenchido por ar, o qual possui os 3 ossículos da audição. Martelo, bigorna e estribo. Grave essa sequência, pois deixei ela da forma como eles estão posicionados anatomicamente de externo para interno. FIGURA 02 - OSSÍCULOS DA ORELHA MÉDIA É com a orelha média que temos uma comunicação com a cavidade nasal. Faça um teste: pressione o nariz com os dedos e tente suavemente assoar o nariz. Sentiu algo no ouvido? Pois bem, você acabou de jogar ar para dentro da orelha média. Como isso é possível? Por meio da tuba auditiva. A tuba auditiva é um túnel que comunica a cavidade nasal com a orelha média. Tem como função equalessizar a pressão da orelha média com o ambiente. A orelha média serve como meio de amplificação sonora. Guarde também esse conceito. Mas porque amplificação? É por meio da cadeia ossicular que temos a amplificação sonora, pois com o siste- ma de alavanca dos ossículos e a diferença de área entre a membrana timpânica e a janela oval, conseguimos ter um ganho sonoro de até 25dB. Temos 2 músculos na orelha média, o tensor do tímpano e o estapédio. Estes são os menores músculos do corpo humano. 11UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA O músculo tensor do tímpano está ligado ao ossículo martelo, o qual está intima- mente encostado ao tímpano. O músculo estapédio está ligado ao estribo, o ossículo mais interno/medial, o qual está encostado na janela oval. Curiosidade: Em sons a partir de 80dB ocorre reflexo de contração do músculo estapédio bilateralmente, isso ocorre para proteger a orelha interna da exposição sonora muito alta. Esse é o reflexo estapediano. 2.2 Anatomia da Orelha Interna Embriologicamente a orelha interna é a primeira a se formar durante a nossa for- mação como embrião. A orelha interna é constituída pela cóclea, vestíbulo e os canais semicirculares. A porção da orelha interna que é responsável pela audição é a cóclea e a porção que lida com a manutenção do equilíbrio são os canais semicirculares. O osso que forma a cóclea e o labirinto vestibular é o osso mais duro do corpo humano. É aqui que a audição é processada e codificada como nós ouvimos os sons que conhecemos. Portanto, quero que você anote o terceiro conceito a ser gravado: a orelha interna serve como um meio de codificação sonora. É nesse local que se converte a energia mecânica do som em impulsos elétricos ao nervo auditivo. Onde isso é feito? Na cóclea. Imagine a cóclea como um caracol com líquido dentro e células ciliadas em seu interior, a entrada desse caracol é a janela oval (onde o estribo está encostado) e a saída desse caracol é a janela redonda, a qual é uma saída fechada, maleável e permite com que o líquido dentro do caracol possa se movimentar para frente e para trás. Deixa eu te explicar como isso funciona: quando o som chega ao tímpano, o movimento do tímpano faz com que movimente os ossículos dentro da orelha média, e o movimento do estribo sob a janela oval faz com que empurra o líquido dentro da cóclea, e esse líquido promove o movimento de células ciliadas dentro da cóclea, o movimento dessas células ciliadas é que vai codificar o som para o nervo auditivo. Complexo né? 12UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA FIGURA 03 - ORELHA INTERNA Então, é na cóclea que há a formação dos impulsos elétricos da audição que serão levados pelo nervo auditivo ao nosso cérebro e este por último irá interpretar o som. Nós temos 2 tipos de células ciliadas dentro da cóclea, as externas e as internas. Os estereocílios das células ciliadas internas são os verdadeiros receptores auditivos. Ano- te isso, será questão de prova. Elas estão localizadas no órgão de Corti, que é a principal estrutura sensorial da cóclea. Todo esse complexo está localizado dentro da rampa média do labirinto. 13UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA FIGURA 04 - ANATOMIA COCLEAR 14UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA Nós temos 3 rampas labirínticas, a rampa vestibular, a rampa timpânica e a rampa média. A movimentação do líquido dentro do caracol, a onda hidromecânica coclear que comentei anteriormente, ocorre da rampa vestibular em direção a rampa timpânica, preen- chidas por perilinfa e essa movimentação repercute na rampa média, a qual é preenchida por endolinfa. FIGURA 05 - FLUXO DA PERILINFA COCLEAR Esta fisiologia da audição é muito importante e somente foi abordado resumida- mente para você entender com mais facilidade o tema. É necessário você aprofundar sua leitura dessa fisiologia com os livros da referência bibliográfica. Faça isso em uma leitura à parte, em um dia tranquiloe com um café ao lado. 15UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A perda auditiva é a redução da audição em qualquer grau que reduz a inteligi- bilidade da mensagem falada ao som. A redução de audição pode diminuir o bem-estar emocional, físico e social do indivíduo e ter prejuízo na qualidade de vida, levando o pa- ciente ao isolamento. Pessoas com redução auditiva são mais propensas a ter sintomas de depressão e transtorno de ansiedade. A alteração auditiva, quando não identificada na infância, pode comprometer o de- senvolvimento da fala, linguagem, e também o desempenho escolar da criança, bem como prejudicar o desenvolvimento social e emocional. Então tenha isso em mente, em toda criança com atraso de fala ou linguagem, alteração no desenvolvimento escolar, devemos sempre investigar perda auditiva. A anamnese deve iniciar-se com a história informada pelo próprio paciente ou por seu acompanhante, devendo ser guiada por um interrogatório dirigido aos sintomas auditi- vos pelo profissional da saúde. Dados como idade, gênero, etnia e profissão, devem ser usados para iniciar o raciocínio clínico. Por exemplo, em recém-nascidos, devemos investigar a presença de infecção perinatal, possibilidade de surdez genética, ototoxicidade com uso de medica- ções e a anóxia sem sofrimento no momento do parto, pois estas são causas comuns de perda auditiva. Nas crianças pré-escolares e escolares, há uma maior prevalência de otite média, muitas vezes com hipertrofia de adenoide, levando a obstrução da tuba auditiva e prejuízo auditivo. No adulto, podemos encontrar a otosclerose, doença autoimune, doença de Ménière, otite média crônica, os distúrbios vasculares ou metabólicos como causas comuns. Nos idosos inicialmente devemos sempre suspeitar de presbiacusia. 16 3 ANAMNESE E EXAME OTOLÓGICOTÓPICO UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA A perda auditiva é a principal queixa relacionada à audição. Esse sintoma deve ser bem detalhado: quando foi o início da perda auditiva e duração, lateralidade, intensidade, tipo de instalação (lenta, progressiva ou súbita), frequência (estável, progressiva ou flutuan- te), se existem sintomas associados, como zumbido, tontura, plenitude aural, hiperacusia, ou alguma distorção auditiva. O zumbido pode ser a primeira manifestação da perda auditiva. Quando presente, devemos avaliar a lateralidade, intensidade, tipo de instalação, duração, frequência, ca- racterística, se existem fatores de piora e/ou melhora. Sempre na avaliação de zumbidos, precisamos questionar o abuso dos derivados de chás, café, cola, guaraná, também abuso de açúcares, hábitos de tabagismo e etilismo, doenças atuais, antecedentes cirúrgicos e medicações de uso atual, pois muitas medicações podem levar ao surgimento de zumbido. A tontura também pode ser um sintoma que eventualmente acompanha a quei- xa de hipoacusia, principalmente em vestibulopatias periféricas, como na doença de Ménière, nas labirintopatias metabólicas ou vasculares, na otosclerose e na presença de substâncias ototóxicas. Devemos lembrar que algumas doenças relacionadas à audição podem ter herança familiar, como disacusias genéticas, otosclerose, osteogênese imperfeita, presbiacusia, tem geralmente uma história familiar correlacionada. Sendo assim, é de grande importância ques- tionar ao paciente quanto à presença de familiares acometidos por alguma perda auditiva. 3.1 Exame Físico No exame físico devemos avaliar o CAE, a membrana timpânica, a aparência da cavidade timpânica e também a sensibilidade auditiva. FIGURA 06 - OTOSCOPIA 17UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA Em recém-nascidos, podemos avaliar a audição por meio do reflexo cocleopalpe- bral, realizado por meio de instrumentos musicais ou ao bater palmas atrás do paciente. Ao realizar esta ação, devemos observar a presença ou ausência do reflexo de piscar em resposta ao som abrupto emitido. Na inspeção do pavilhão auricular, devemos observar a forma, tamanho e coloração da pele. Qualquer malformação de orelha externa, pode também estar correlacionada com outras malformações. FIGURA 07 - INSPEÇÃO DO PAVILHÃO AURICULAR No CAE, devemos observar coloração da pele, edema, presença de tumorações (osteomas, exostoses), descamações, vesículas, secreções, cerume, sangue, corpos estranhos, escoriações ou outras alterações. Deve-se valorizar a presença de dor à intro- dução do espéculo auricular ou manipulação do pavilhão auricular durante o exame, pois se presente, pode indicar que exista inflamação local. Para a completa visualização do CAE, deve-se obrigatoriamente realizar a remoção de cerume ou de secreções. Podemos fazer uso de cureta, estilete, pinça ou até mesmo com aspirador auricular, sempre com muito cuidado e delicadeza. A membrana timpânica normal possui formato arredondado, semelhante a um cone. Possui coloração perolácea, e durante a otoscopia possui uma região anterior que reflete a luz do otoscópio, chamada de triângulo luminoso de Politzer. A presença desse reflexo luminoso garante uma membrana timpânica saudável. Por sua transparência, podemos visualizar alguns elementos da cadeia ossicular da orelha média, como o cabo do martelo, 18UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA ramo longo da bigorna, parte do estribo e nicho da janela redonda. O cabo do martelo está disposto no sentido vertical e com a sua porção inferior ligeiramente inclinada para trás, terminando no umbo ou umbigo, a qual é a parte mais côncava da membrana timpânica. O ramo longo da bigorna encontra-se paralelo e posterior ao martelo. Dica de prova e de vida: Como saber qual orelha estou avaliando somente pela foto de uma membrana timpânica? Pois bem, você acabou de ler que o cabo do martelo tem sua porção inferior inclinada para trás, pense nisso como se fosse a haste dos óculos de leitura ou de sol, a semelhança em direção do ossículo e a haste dos óculos vai te dizer em qual orelha estamos avaliando. Se você entendeu isso, nunca mais vai errar qual orelha estamos avaliando somente olhando a foto de uma otoscopia. FIGURA 08 - MEMBRANA TIMPÂNICA A palpação do pavilhão auricular e da região retroauricular é útil na avaliação de tu- morações, linfonodos, cistos, osteomas, displasias fibrosas, oto-hematomas ou abscessos na região. O diapasão é um instrumento utilizado na avaliação da audição. É uma ferramenta de aço, magnésio ou alumínio, de forma semelhante à da letra “Y”. Cada diapasão emite som de acordo com o número de ciclos por segundo. Existem diapasões de 128, 256, 512, 1.024 e 2.048 Hz, porém os mais utilizados são utilizados os de frequência 256, 512 e 1.024 Hz. 19UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA FIGURA 09 - DIAPASÃO São descritos alguns testes com o diapasão para podermos avaliar o tipo de perda auditiva e também o lado acometido. Esses testes são de fácil execução e baixo custo, po- dendo ser realizado já no momento da consulta, mas embora sejam fáceis, não substituem os testes de avaliação objetiva da audição. Os testes com diapasões são divididos em teste por via aérea, por via óssea e testes mistos. No teste por via aérea, o diapasão é percutido e colocado a aproximadamente 1,5 cm do trago, sem encostar o aparelho na pele do paciente.As hastes são mantidas livres e paralelas ao plano coronal. Durante a avaliação o paciente deve informar em qual dos lados escutou melhor. Em testes por via óssea, o teste de Weber é muito utilizado, sendo altamente sen- sível para perdas auditivas condutivas, porém é pouco sensível para as perdas auditivas neurossensoriais leves. É mais útil na perda auditiva unilateral, sendo o objetivo identificar em qual orelha o paciente ouviu melhor. O diapasão é colocado na linha média do crânio do paciente, na testa, glabela ou entre incisivos superiores e inferiores. O paciente deve informar se escutou o som na linha média, ou teve lateralidade para a orelha direita ou esquerda. Em pacientes com via óssea normal, a vibração do diapasão é percebida igual- mente em ambas as orelhas, mas, quando se trata de perda auditiva unilateral, a vibração pode se lateralizar para um dos lados. 20UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA No caso de perda auditiva neurossensorial unilateral, a sensibilidade da vibração sonora é reduzida na orelha afetada, logo será mais bem percebida pela orelha sadia. Já nas perdas auditivas condutivas, isso se inverte e a vibração sonora é melhor percebida pela orelha afetada, pois com a vibração direta na via óssea, anula-se o fator auditivo condutivo problemático. Em testes mistos (via óssea e via aérea) o Teste de Rinne é muito utilizado. É uma ferramenta para diferenciar perda auditiva, condutiva e neurossensorial. Nesse teste, iniciamos com a avaliação da via óssea, o diapasão é colocado na apófise da mastóide do paciente e aguardamos o desaparecimento da percepção sonora, quando o paciente relatar que não está mais ouvindo a vibração, colocamos o diapasão na região anterior ao trago, sem tocá-lo a pele do paciente, avaliando então a via aérea. Nos indivíduos com audição normal, a via aérea é sempre mais sensível à percep- ção sonora do que a via óssea. Logo a percepção do som ainda estará presente quando o diapasão estiver posicionado à frente do trago (via aérea). Essa condição é denominada Rinne positivo. Observação: Não confunda, neste teste, um resultado positivo, significa que a audição está íntegra e normal. Veja bem, nas perdas auditivas neurossensoriais, o teste de Rinne também será positivo, pois existe um rebaixamento tanto da via aérea quanto da via óssea, porém ape- nas o limiar de percepção será mais baixo que o normal, denominado assim, teste de Rinne positivo patológico. Por fim, nos casos de perdas auditivas condutivas, a percepção auditiva por via óssea passa a ser melhor do que pela via aérea, assim o paciente escuta melhor o som com o diapasão apoiado na mastóide do que quando colocado próximo ao trago. Esse resultado caracteriza o teste de Rinne negativo. 21UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA 22UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA A otite média na infância ocorre em maior prevalência nos meninos. A presbiacusia ocorre mais em homens. A otosclerose, as doenças autoimunes e os paragangliomas são mais frequentes no gênero feminino. Pacientes de etnia branca apresentam maior prevalência de otosclerose do que os das etnias negra ou amarela. Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 746). Aquele que sabe falar, é aquele mesmo que, antes de saber falar soube ouvir. Alexandre K. Ono Fonte: https://dicionariocriativo.com.br/citacoes/oral/citacoes/voz/19277-aquele-sabe-falar-que-saber-falar-soube https://dicionariocriativo.com.br/citacoes/oral/citacoes/voz/19277-aquele-sabe-falar-que-saber-falar-soube 23 Ao final deste módulo, vimos a anatomia da orelha externa, média e interna. Aborda- mos a fisiologia básica da audição e orelha interna. Você aprendeu que é na cóclea que há a formação dos impulsos elétricos para o nervo auditivo e por fim interpretados no cérebro. Sugiro você a ver no Youtube alguns vídeos de otoscopia e treinar esse exame com seus familiares em casa. Observar o reflexo luminoso na membrana timpânica, visualizar os ossículos por meio da transparência. Eventualmente você poderá visualizar uma mancha branca na membrana timpânica de algum familiar, não se assuste, isso pode ser o que chamamos de timpanoesclerose, nada mais é do que uma cicatrização de uma perfuração timpânica prévia. O mecanismo de onda e a fisiologia da orelha interna está bem resumido neste módulo, para ser mais fácil o seu entendimento, mas você deverá se aprofundar na leitura desse tema e absorver informações mais detalhadas que estão contidas nas referências bibliográficas, isso ajudará muito no seu entendimento das doenças da audição. Procure por vídeos na internet dos testes de Weber e Rinne, vendo a execução do teste, fica mais fácil a sua compreensão. CONSIDERAÇÕES FINAIS UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA 24 DESENVOLVIMENTO DA CÓCLEA A cóclea, uma estrutura enrolada localizada na região ventral do ouvido interno, atua como estrutura primária para a percepção do som. Ao longo do comprimento da espiral coclear está o órgão de Corti, um epitélio sensorial altamente derivado e rigorosamente padronizado que atua para converter estímulos auditivos em impulsos neurais. O desenvol- vimento do órgão de Corti requer uma série de eventos indutivos que especificam caracte- rísticas celulares únicas e identidades axiais ao longo de seus três eixos principais. Aqui, revisamos estudos recentes dos processos celulares e moleculares que regulam vários aspectos do desenvolvimento coclear, como padrão axial, crescimento coclear e diferen- ciação celular. Destacamos como a coordenação precisa de múltiplas vias de sinalização é necessária para a formação bem sucedida de um órgão de Corti completo. Fonte: DRIVER, E. C; KELLEY, M. W. Desenvolvimento da Cóclea. The Com- pany of Biologists Ltd, 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/ PMC7327997/ Acesso em: 10 jul. 2022. LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7327997/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7327997/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7327997/ 25 LIVRO Título: Tratado de Otorrinolaringologia Autor: Shirley Shizue Nagata Pignatari; Wilma Terezinha Anselmo-Lima. Editora: Grupo Editorial Nacional. Sinopse: Trata-se de uma ferramenta moderna e prática de aperfeiçoamento e atualização para todos os profissionais, sejam eles mais experientes ou jovens especialistas que se pre- param para a prova de especialidade. Além disso, é uma fonte de suporte e informações pertinentes para casos do dia a dia. O Tratado abrange toda a especialidade: oferece capítulos com- pletos sobre cada área da otorrinolaringologia e é ricamente ilustrado com fotos e vídeos. Escrito por especialistas de cada subárea, apresenta conhecimento especializado e referências relevantes nacionais e internacionais na prática da otorrinola- ringologia. FILME / VÍDEO Título: O Funcionamento do ouvido humano - Legendado em Português Ano: 2012. Sinopse: Neste vídeo, você observará o mecanismo da audição em imagens e comentários. A fisiologia auditiva está bem re- presentada. Observe os detalhes e tente processar o que foi lido anteriormente na apostila. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=84MSmSObgvQ MATERIAL COMPLEMENTAR UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA https://www.youtube.com/watch?v=84MSmSObgvQ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Doenças do ouvido externo; • Doenças do ouvido médio. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar as patologias mais comuns na clínica otológica; • Compreender os tipos de otites; • Estabelecer a importância do diagnóstico e avaliação correta. 2UNIDADEUNIDADEDOENÇASDOENÇASCOMUNS COMUNS DO OUVIDODO OUVIDO Professor Dr. Frederico Miola Martinello 27 Nesta unidade você irá aprender sobre os diversos tipos de otites, saber diferenciar uma otite média de uma otite externa e ter conhecimento sobre patologias comuns do ouvido. Deixei o material bem resumido e de fácil leitura, com os tópicos mais importantes de cada item. Boa leitura !!! INTRODUÇÃO UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 Neste tópico iremos abordar as patologias mais comuns da orelha externa na prática clínica. 1.1 Otite Externa Aguda A otite externa pode ser definida como, uma inflamação do conduto auditivo externo (CAE), mas pode atingir também o pavilhão auricular e a membrana timpânica. Geralmente está associado a banhos de mar, piscina, manipulação ou trauma do CAE, com cotonetes, grampos, unha etc. Os principais sintomas são dor (70%), prurido (60%), plenitude auricular (22%) e perda auditiva (32%). A dor à palpação do tragus, podendo ser intensa, faz o diagnóstico diferencial com a otite média aguda, a qual esta última não tem dor a palpação do tragus. Existem três estágios da otite externa: o pré inflamatório, o inflamatório agudo e o inflamatório crônico. A bactéria mais frequentemente encontrada, é a Pseudomonas aeruginosa (38%), seguida do Staphylococcus epidermidis (9,1%), Staphylococcus aureus (7,8%). Para o tratamento local, devemos usar preparações tópicas de antibiótico de am- plo espectro, porém devem ser ativos contra a Pseudomonas aeruginosa. Considera-se suficiente o uso de de gota otológica por sete dias e duas a três vezes ao dia, para as quinolonas e aminoglicosídeos. 1 DOENÇAS DO OUVIDO EXTERNOTÓPICO UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO Quando a membrana timpânica não está íntegra, devemos usar drogas não ototó- xicas e que não contenham álcool ou baixo pH, devido ao risco de dor e ototoxicidade. Antibióticos de uso oral não são comumente utilizados para otite externa aguda. 1.2 Otite Externa Fúngica São mais comuns em regiões tropicais, devido ao calor e umidade, predispondo a maior ocorrência da otomicose. A diminuição das barreiras de defesa do conduto auditivo, como o uso constante de cotonetes, gotas otológicas, inflamação crônica, estenoses do CAE, facilitam as infecções por fungos. É importante salientar, que pacientes diabéticos ou com imunodeficiências apresentam uma maior predisposição a infecções fúngicas na orelha externa. Dentre os fungos existentes, o Aspergillus é o agente etiológico mais frequente, em segundo lugar encontramos a Candida. O paciente com otite externa fúngica, geralmente se queixa de um prurido intenso, sensação de ouvido tampado e otorreia. Na otoscopia revela-se um conduto hiperemiado, sendo possível visualizar os micélios fúngicos, que apresentam diversas colorações. Nas infecções por Candida, os micélios são semelhantes a fibras de algodão. FIGURA 01 - OTITE EXTERNA FÚNGICA Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 673). 29UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO O tratamento da otite fúngica primariamente é a limpeza delicada do CAE, con- sistindo na remoção completa dos fungos e do macerado epitelial. O uso de antifúngicos tópicos específicos pode ser utilizado. Nos casos de perfuração da membrana timpânica ou cavidade mastóidea aberta após cirurgia, devem ser utilizados medicamentos que não são ototóxicos como o miconazol, clotrimazol, tolnaftato e nistatina. 1.3 Condrite Ou Pericondrite Pericondrite e condrite auricular, é a inflamação do pericôndrio e da cartilagem do pavilhão auricular. Podem ser causados por extensão de processos infecciosos ou por trauma local acidental, cirúrgico e uso de piercing. O uso de piercing na cartilagem da orelha é uma causa muito frequente de pericondrite. A presença de hematoma pós trauma, pode se tornar infectado e evoluir para um quadro de pericondrite. A bactéria Pseudomonas aeruginosa é o microrganismo mais encontrado. Nos estágios iniciais, o uso de antibióticos orais pode ser suficiente para a resolução do quadro. Quando existem coleções purulentas, o tratamento cirúrgico deve ser instituído, uma vez que os abscessos devem ser drenados e o material geralmente enviado para cultura. Se não resolvido com certa urgência o processo, pode causar deformidade total e permanente da orelha (orelha de couve-flor ou de boxeador). FIGURA 02 - PERICONDRITE CRÔNICA E DEFORMIDADE DO PAVILHÃO AURICULAR Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 676). 30UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO 1.4 Fístula Pré-Auricular Também chamado de coloboma auris ou sinus pré-timpânico. A localização dessas fístulas, geralmente, é na margem ascendente da hélice, caracterizado por um “furinho” local. O trajeto da fístula é geralmente tortuoso e muitas vezes forma prolongamentos, po- dendo alcançar a parótida, pescoço ou passar sob o periósteo do osso temporal atrás da orelha. Geralmente são sítios de infecção local e que se manifesta pela saída de pus no orifício da fístula ou então, pela formação de abscesso local. Nesses casos, está indicado tratamento cirúrgico da fístula pré-auricular. 1.5 Malformação do Ouvido Externo As malformações de orelha externa, são divididas em malformações do pavilhão da orelha e malformações do conduto auditivo externo. Das malformações do pavilhão, a orelha de abano é a alteração estética mais co- mum e caracteriza-se pelo aumento da distância entre a mastoide e a hélix. Outra patologia, são as orelhas constritas e que podem ser classificadas em leve (pequena alteração do contorno superior da hélice), moderada (alteração envolvendo a hélice e parte da escafa) e grave (envolve o terço superior e outros segmentos da orelha). FIGURA 03 - ORELHA CONSTRITA Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 574). 31UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO Para algumas malformações, podemos lançar mão de tratamento não cirúrgico em casos selecionados. Moldes em orelha constrita ou de uma orelha de abano, podem ser usados nas primeiras 96 horas após o nascimento da criança, no intuito de ser tentada a sua correção, com o molde preso na orelha por uma fita adesiva e que será mantida no local por duas semanas. Os apêndices pré-auriculares são tumefações congênitas cutâneo cartilaginosas, situadas geralmente em frente ao tragus. Elas podem estar relacionadas à surdez neuros- sensorial ou a algumas síndromes genéticas. FIGURA 04 - APÊNDICE PRÉ-AURICULAR Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 575). A estenose denomina-se, um estreitamento congênito ou adquirido do CAE que, em condições normais, tem diâmetro aproximado de 5,5 mm. A estenose pode ser leve, quandotem um diâmetro de conduto igual ou maior que 2 mm, ou severa, quando o diâmetro é menor que 2 mm. Nos casos leves, a estenose deve ser cuidada com limpezas frequentes e pouco contato com água. Já as estenoses severas, devem ser tratadas cirurgicamente por canaloplastia para evitar a formação de colesteatoma de conduto auditivo. 32UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 2.1 Perfuração Timpânica As perfurações timpânicas são definidas, como qualquer quebra na integridade da membrana timpânica. Podem ser classificadas em centrais, quando observamos a presença de bordo remanescente timpânico ao redor da perfuração, ou marginais, quando houver ausência de bordo em algum ponto. A avaliação audiométrica é mandatória nos casos de perfuração timpânica. Na grande maioria das vezes, a audiometria revelará uma perda auditiva condutiva de grau variável, dependendo do tempo de evolução e da severidade do caso. Pode existir o aco- metimento da orelha interna, nos casos de perfuração timpânica crônica e, dessa forma, apresentará na audiometria a queda da via óssea, em especial nas altas frequências. A impedanciometria poderá ser utilizada nos casos de perfuração timpânica para o estudo da permeabilidade tubária, com a avaliação da pressão necessária para a abertura da tuba. 2 DOENÇAS DO OUVIDO MÉDIOTÓPICO UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO FIGURA 05 - PERFURAÇÃO TIMPÂNICA CENTRAL Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 780). FIGURA 06 - PERFURAÇÃO TIMPÂNICA MARGINAL Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 775). 2.2 Otite Média Aguda A otite média aguda (OMA), é caracterizada pela inflamação do mucoperiósteo da orelha média com etiologia viral ou bacteriana. É caracterizada, como uma das patologias infecciosas mais prevalentes na pediatria. O pico de incidência da OMA ocorre entre 6 e 12 34UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO meses de idade, diminuindo conforme o crescimento da criança. Estudos mostram, que aos 12 meses até 62% das crianças já apresentaram pelo menos um episódio de OMA. Até 3 anos de idade, esta incidência pode chegar a níveis próximos de 84%. Os fatores de risco são infecções de vias aéreas superiores, frequentar creche/ escola, tabagismo passivo, uso de chupeta, ausência de aleitamento materno, idade, anormalidades craniofaciais, predisposição genética, alergia, refluxo gastroesofágico, gênero. O aleitamento materno exclusivo durante os 6 primeiros meses de vida, reduz 43% a chance de OMA nos primeiros 2 anos de vida. Existem diferenças importantes entre a tuba auditiva da criança e do adulto, isso favorece com que a OMA seja mais comum em crianças. Nas crianças, a tuba auditiva é mais curta e mais horizontalizada, o que facilita a progressão de vírus e bactérias da nasofaringe para a orelha média. Frequentemente, a OMA é precedida de 3 a 4 dias por um quadro de IVAS. Os vírus mais encontrados na OMA são os vírus sinciciais respiratórios (15%), influenza A e B (5%) e adenovírus (5%). Em relação à infecção bacteriana, atualmente a frequência de Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae é igual. Não existe sintoma patognomônico de OMA. Otalgia é um sintoma frequente e es- pecífico, porém, pode não estar presente em uma pequena porcentagem dos pacientes. A febre, que pode estar presente em metade dos casos, não é um bom indicador da etiologia da OMA. Sintomas como irritabilidade, redução do apetite, vômitos, diarreia e fadiga podem estar associados à OMA na criança. A OMA é diagnosticada pela otoscopia. As alterações da membrana timpânica encontradas na OMA são as mudanças de translucidez, forma, cor, vascularização e integridade. O achado de maior poder no diagnóstico de OMA, é o abaulamento da mem- brana timpânica, com sensibilidade de 67% e especificidade de 97%. Quando existe a presença de otorréia no conduto auditivo, significa que houve drenagem espontânea por uma perfuração timpânica do processo da orelha média. Nesse caso o que podemos visualizar é um exsudato pulsátil. É importante lembrar, que a otorreia pode ocorrer tam- bém em casos de otite externa, portanto, somente a presença de otorréia não é possível diferenciar uma patologia de outra. 35UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO FIGURA 07 - ABAULAMENTO DA MEMBRANA TIMPÂNICA Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 724). A grande maioria das crianças apresenta uma evolução favorável no quadro de OMA. Não se observa diferença na frequência de complicações entre crianças tratadas com antibióticos e aquelas sem antibióticos, porém, deve-se salientar a importância deste acompanhamento, pois, se houver falha de resolução no período de observação, deverá ser iniciado antibiótico. Existem algumas situações em que não podemos optar por observação inicial: crianças menores de 6 meses de idade, presença de otorréia, OMA com sintomas de gravidade, OMA bilateral em crianças menores de 2 anos de idade, falhas no tratamento da OMA, recidiva de OMA em menos de 30 dias do primeiro episódio, crianças com imuno- deficiências, presença de anormalidades craniofaciais, outra infecção bacteriana associada como tonsilite ou sinusite. Se for optado pelo uso de antibiótico, a amoxicilina é recomendada como tratamen- to de primeira escolha na OMA. 36UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO 2.3 Otite Média Serosa Define-se otite média serosa, a presença de fluido na orelha média na ausência de quaisquer sinais ou sintomas de infecção aguda. A presença de líquido na orelha média, reduz a mobilidade da membrana timpânica, formando uma barreira na condução da onda sonora e dificultando a audição. A otite média serosa apresenta diversos sinônimos como otite média secretora, otite média mucóide, otite média catarral, otite média crônica com efusão, otite média não supurativa. Podemos classificar a otite serosa em: aguda (meenos de 3 semanas), subaguda (3 semanas a 3 meses) ou crônica (mais de 3 meses). A otite serosa crônica pode atra- palhar no desenvolvimento da linguagem e da fala da criança, com potenciais alterações irreversíveis na orelha média. Mais da metade dos lactentes apresentam um episódio de otite serosa no primeiro ano de vida, ultrapassando 60% aos 2 anos. Até 90% das crianças apresentam otite serosa antes da idade escolar, ou seja, é muito comum. Essa patologia pode ocorrer pelo mau funcionamento da tuba auditiva, mas ocorre principalmente após quadros de otite média aguda (OMA) e infecções de vias aéreas superiores (IVAS). Temos como fatores de risco: infecções de vias aéreas superiores, frequentar creche/escola, tabagismo passivo, ausência de aleitamento materno, idade, presença de anormalidades craniofaciais. Devemos suspeitar o diagnóstico em crianças com falta de atenção, alterações comportamentais, dificuldade em acompanhar uma conversa em volume normal ou uso de aparelhos com som excessivamente alto, redução do desempenho escolar, atraso no desenvolvimento de fala ou linguagem, referir sensação de ‘’ouvido tapado’’ ou estalidos, problemas de equilíbrio, falta de coordenação ou atraso no desenvolvimento motor. Na otoscopia, a membrana timpânica pode apresentar diminuição da transparên- cia, tornando-se mais opaca, e a efusão da OM, geralmente uma coloração âmbar, que pode variar de acordo como tipo e a consistência do líquido. A visualização de bolhas na secreção ou presença de nível hidroaéreo, está associada a uma fase de resolução do processo, indicando que a tuba auditiva está pérvia. 37UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO FIGURA 08 - OTITE MÉDIA COM EFUSÃO Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 746). A timpanometria comparada à miringotomia (padrão-ouro), no diagnóstico da otite serosa, apresenta sensibilidade de 81% e especificidade de 74%. Um teste auditivo é recomendado quando presente a otite serosa crônica (acima de 3 meses) ou em qualquer momento em que se suspeite de atraso de linguagem, problemas de aprendizado ou deficiência auditiva significativa na criança. Sabemos que as conse- quências da efusão sobre a audição são variáveis, podendo provocar perdas condutivas de até 55 dB. Em média, a perda auditiva condutiva é de 25 dB e essa redução já pode atrapalhar no desenvolvimento da linguagem da criança. A resolução espontânea da otite serosa é favorável, ocorrendo em 75% a 90% das crianças até três meses de seguimento. Apesar dessa porcentagem, a taxa de recorrência também é alta, ficando próximo de 65% em dois anos de seguimento. Na decisão por cirurgia, a timpanotomia para inserção de tubo de ventilação é o procedimento de escolha. O tubo de ventilação pode permanecer em média, 8 a 14 meses na membrana timpânica e na maioria dos casos tem saída espontânea pelo conduto auditivo. 38UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO 2.4 Otite Média Crônica Simples É caracterizada pela perfuração timpânica cronicamente instalada. A perda auditiva associada a essa patologia é do tipo condutivo e pode variar consi- deravelmente quanto à intensidade. Esta variação, correlaciona-se ao tamanho e posição da perfuração timpânica, grau de fixação da membrana e ossículos da orelha média, presença de erosões ossiculares maiores ou menores e presença de disjunção da cadeia ossicular Eventualmente existe o envolvimento da orelha interna, que se mostrará pela queda da via óssea, em especial nas altas frequências. O tratamento das otites médias crônicas, deve envolver 3 etapas igualmente impor- tantes e complementares, com controle clínico pré-operatório; tratamento cirúrgico, quando necessário, e acompanhamento pós-operatório a longo prazo. Nas situações nas quais a perfuração timpânica permanece seca a longo prazo e a função auditiva não se apresenta comprometida, a cirurgia perde sua indicação, podendo ser optado apenas pela observação periódica se o paciente assim o desejar. 2.5 Otite Média Crônica Supurativa Nesses casos, encontram-se biofilmes bacterianos na mastóide e mucosa da orelha média de pacientes. Caracterizada por otorréia persistente e edema de mucosa de orelha média. Em recente estudo com pacientes que foram submetidos à cirurgia otológica, identificaram-se biofilmes bacterianos em 85% dos pacientes com colesteatoma, em 92% daqueles que apresentavam otite média crônica supurativa e em 16% dos pacientes com perfuração de membrana timpânica. 2.6 Otite Média Colesteatomatosa O colesteatoma é o espectro mais agressivo da otite média crônica. É uma patologia progressiva que causa perda auditiva e otorreia, recorrente nos pacientes acometidos. Alguns pacientes podem apresentar complicações clínicas, devido ao crescimento do colesteatoma ou sua infecção, como formação de fístulas perilinfáticas, paralisia facial e até mesmo infecções do sistema nervoso central. As otites médias crônicas colesteatomatosas, são as otites de maior risco para complicações, devido ao seu potencial destrutivo e invasivo. Na otite média crônica colesteatomatosa, a erosão óssea é muito mais frequente e severa do que a presente na otite média crônica não colesteatomatosa. A destruição dos ossículos é observada em cerca de 80% dos pacientes com colesteatoma. 39UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO A patogênese do colesteatoma adquirido da orelha média ainda é controversa. Existem quatro principais teorias: metaplasia (transformação da mucosa da orelha média inflamada em epitélio escamoso queratinizado), migração (crescimento do epitélio esca- moso através de uma perfuração periférica preexistente), invaginação (retração progres- siva da membrana timpânica devido à disfunção crônica da tuba auditiva) e proliferação papilar (infecção que levou à proliferação de cones epiteliais nas camadas basais da pars tensa ou pars flaccida). A perda auditiva é um dos sintomas mais evidentes em pacientes com colesteato- ma, devido à presença da lesão e sua destruição local. Dentre as complicações, a fístula labiríntica é a mais frequentemente associada a colesteatoma. O colesteatoma congênito é um tipo raro de queratoma. A incidência do colesteato- ma congênito na infância, é estimada em 3 a 6 em 100.000 pessoas. O tratamento de escolha para o colesteatoma congênito é cirúrgico. 40UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO 41UNIDADE 1 ANATOMIA, FISIOLOGIA E SEMIOLOGIA A perda auditiva mais frequentemente observada durante episódios agudos de otite média aguda, é a perda auditiva do tipo condutiva. Alguns estudos recentes demonstraram também, diversos graus de sequela auditiva neurossensorial após episódios de otite média, especialmente nas frequências agudas (2 - 8 kHz) e altas frequências, principal- mente em pacientes com história de otite média recorrente. Fonte: KASEMODEL, A. L. P., et al. Sensorineural hearing loss in the acute phase of a single episode of acute otitis media. Universidade Federal de São Paulo – UNIDESP, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ bjorl/a/ZJcmSS6gRrNWbT7g5wyhdwC/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 10 mai. 2022. https://www.scielo.br/j/bjorl/a/ZJcmSS6gRrNWbT7g5wyhdwC/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/bjorl/a/ZJcmSS6gRrNWbT7g5wyhdwC/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/bjorl/a/ZJcmSS6gRrNWbT7g5wyhdwC/?format=pdf&lang=pt 42UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”. Fernando Pessoa Fonte: PESSOA, F. Às vezes ouço passar o vento. Pensador, 2022. Disponível em: https://www.pensador.com/frase/MzMz/ Acesso em: 10 jun. 2022. https://www.pensador.com/autor/fernando_pessoa/ https://www.pensador.com/frase/MzMz/ https://www.pensador.com/frase/MzMz/ 43 Encerramos mais um módulo. Aqui vimos os principais acometimentos da orelha. O profissional de saúde que atende audição, deve saber avaliar a presença de efusão em orelha média, diagnosticar um quadro de otite média aguda e ter em mente que uma criança com perda auditiva, não se desenvolve bem. Em toda criança com atraso no desenvolvimento de fala e linguagem, devemos realizar otoscopia e avaliar perda auditiva, em muitos casos podemos diagnosticar otite média serosa crônica presente. Você deve saber que a otorreia pode ocorrer, em otite média aguda ou otite externa aguda. Ou seja, vazamento de secreção purulenta no ouvido não é patognomônico de nenhuma patologia. CONSIDERAÇÕES FINAIS UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO 44 Impacto das otites médias na aquisição da linguagem em crianças Cerca de 80% das crianças têm pelo menos um episódio de OMS até os oito anos de idade, aproximadamente 55% têm perda auditiva leve nas frequências da fala. O caráter flutuante da perda auditiva nas otites médias, leva a uma estimulação sonora inconsistente do sistema nervoso auditivo central, dificultando a percepção dos sons da fala pela criança, a presença de fluido na orelha média pode provocar ruído junto à cóclea, distorcendo a percepção sonora e prejudicando o desenvolvimento de linguagem da criança. Fonte: BALBANI, A. P. S; MONTOVANI, J. C. Impacto das otites médias na aqui- sição da linguagem em crianças. Jornal de Pediatria, Vol. 79, Nº5, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jped/a/cpHs4wv9vZ7KBPgvPtK4KLg/?format=pdf&lang=pt . Acesso em: 10 jul. 2022. LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO https://www.scielo.br/j/jped/a/cpHs4wv9vZ7KBPgvPtK4KLg/?format=pdf&lang=pt 45 LIVRO Título: Color Atlas of Endo-Otoscopy Autor: Mario Sanna et al Editora: Thieme Publishers Sinopse: Livro atlas para visualização das diversas patologias encontradas em orelha externa e orelha média. FILME / VÍDEO Título: Otite - causas, sintomas e tratamento | Sua Saúde na Rede Ano: 2019. Sinopse: Neste vídeo você irá revisar com a especialista Cleonice Hirata todos os detalhes sobre as otites. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=9yjvCOPXOyw MATERIAL COMPLEMENTAR UNIDADE 2 DOENÇAS COMUNS DO OUVIDO https://www.youtube.com/watch?v=9yjvCOPXOyw . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Otosclerose; • Zumbido; • Doença de Meniére; • Presbiacusia; • Perda auditiva induzida por ruídos; • Surdez súbita; • Surdez de origem infecciosa; • Surdez hereditária; • Schwannoma vestibular. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar as diversas patologias da orelha humana; • Compreender os tipos de surdez; • Estabelecer a importância da história e anamnese no diagnóstico das diversas patologias. 3UNIDADEUNIDADEPATOLOGIASPATOLOGIAS Professor Dr. Frederico Miola Martinello 47 Olá querido (a) aluno (a), nesta unidade abordaremos algumas patologias da orelha humana. Estudaremos doenças comuns e ao final, vocês estarão aptos a reconhecer essas alterações e situações na prática clínica de vocês. Assim como nas unidades anteriores, o conteúdo está resumido e com os principais tópicos de cada patologia apontados no texto. Bons estudos !!! INTRODUÇÃO UNIDADE 3 PATOLOGIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 A otosclerose é uma doença do metabolismo ósseo, caracterizada também como uma desordem da remodelação óssea, como vemos na osteoporose, na hiperostose e a também com displasia fibrosa. É a causa mais comum de perda auditiva condutiva progressiva em adultos. Con- sideramos como um processo patológico primário da cápsula ótica, mas que raramente acomete os ossículos da orelha média, podendo gerar perda auditiva, zumbido e vertigem. A localização inicial mais comumente encontrada é anterior à janela oval, local conhecido como fissura ante fenestram. A presença de história familiar positiva e predisposição racial sugerem a participa- ção de fator genético na etiologia da otosclerose, sendo caracterizada por ser de herança autossômica dominante e de penetração variável, entre 25% e 40%. É mais comum em individuos caucasianos, raramente encontrado em negros. Tam- bém é mais frequente em mulheres. A otoscopia na otosclerose é frequentemente normal, em raros casos podemos visualizar uma mancha avermelhada retro-timpânica, caracterizada por anastomoses entre o foco de otosclerose e vasos da submucosa do promontório, este é o sinal de Schwartze. 1 OTOSCLEROSETÓPICO UNIDADE 3 PATOLOGIAS FIGURA 01 - SINAL DE SCHWARTZE Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 888). O envolvimento do osso temporal é bilateral na maioria dos casos, logo as manifes- tações clínicas são bilaterais (70%). O início dos sintomas surgem em média aos 30 anos de idade. Zumbidos estão presentes em cerca de ¾ dos pacientes. A perda de audição pode ser condutiva, mista ou neurossensorial, sendo a perda condutiva a forma mais comum. Na maioria das vezes a perda condutiva é mais evidente em frequências graves, podendo também exibir um pequeno entalhe na via óssea, em 2.000 Hz, sinal este conhe- cido como entalhe de Carhart. O reflexo estapediano estará ausente, mesmo em estágios iniciais da doença. FIGURA 02 - AUDIOMETRIA COM PERDA CONDUTIVA NA ORELHA DIREITA, COM PRESENÇA DO ENTALHE DE CARHART EM 2.000 HZ Fonte: Piltcher (2015, p. 69). 49UNIDADE 3 PATOLOGIAS Inicialmente na timpanometria, pode-se apresentar curva tipo A, porém ao evoluir da doença, teremos no exame curva tipo As. A tomografia computadorizada geralmente demonstra alterações de desmineraliza- ção. A otosclerose provoca uma redução da densidade da cápsula ótica ou até mesmo um espessamento de contorno e irregularidades. O tratamento tem como objetivo principal melhorar ou manter os limiares auditi- vos do paciente, associado ao controle de zumbidos. As opções terapêuticas disponíveis podem ser classificadas como cirúrgicas ou não cirúrgicas, como expectante, medica- mentosa e a utilização de aparelhos de amplificação sonora individual. Quando indicada, a cirurgia é a estapedotomia. 50UNIDADE 3 PATOLOGIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 O zumbido é um sintoma que pode estar associado a diversas doenças, sendo a maioria delas da via auditiva. O zumbido é definido como uma sensação de som na ausência de um estímulo sonoro externo correspondente. Sabemos que a prevalência do zumbido aumenta com a idade, chegando a prevalência de 30% na população idosa. Didaticamente, o zumbido é dividido em rítmico e não rítmico. Outra classificação muito utilizada separa o zumbido em objetivo e subjetivo. O zumbido objetivo é muito raro e é definido como a percepção de sons pro- venientes do próprio corpo. Algumas vezes o zumbido objetivo pode ser percebido por outras pessoas. Já o zumbido subjetivo é o mais prevalente, associado à perda auditiva em até 90% dos casos. Cerca de 6%-20% dos adultos apresentam zumbido crônico, sendo incapaci- tante em 1%-3% deles. O zumbido rítmico, corresponde a 4% dos casos, ocorre por origem muscular ou vascular. As alterações de células ciliadas internas e externas é uma das teorias mais aceitas para a origem do zumbido. Atualmente a hipótese mais aceita, é que mecanismos centrais desempenham um importante papel na etiologia do zumbido, ou seja, são altera- ções de percepção cerebral. 2 ZUMBIDOTÓPICO UNIDADE 3 PATOLOGIAS Diversas patologiaspodem estar associadas ao surgimento de zumbido, como otite média, presença de cerume, alterações de cadeia ossicular, otosclerose, doença de Ménière, presbiacusia, schwannoma vestibular, perda auditiva induzida por ruído, trauma acústico, ototoxicidade, gravidez, menopausa, alterações de tireoide, AVC, traumas, menin- gite, neurossífilis, entre outros. Algumas medicações também podem induzir zumbido, como salicilatos, antimaláricos, anti-inflamatórios não hormonais, aminoglicosídeos, diuréticos de alça, quimioterápicos e antidepressivos. Na anamnese devemos caracterizar o zumbido, se é único ou múltiplo, se é tipo chiado, apito, cigarra, ou mesmo contínuo ou intermitente. A existência de fatores agravan- tes, como silêncio, exposição a ruído intenso, jejum prolongado, uso de cafeína, álcool, devem ser questionados. A avaliação audiológica do paciente com zumbido é essencial e inicialmente inclui audiometria tonal, vocal e imitanciometria. Alguns estudos demonstraram que em pacientes com audiometria convencional normal, é provável que haja perda nas frequências acima de 8 kHz. Nesses casos, a audiometria com avaliação das frequências ultra-altas pode ser útil na investigação. O primeiro passo no tratamento do paciente com zumbido crônico é a orientação. Possíveis medidas preventivas devem ser erxplicadas. Medos e preocupações a respeito do zumbido devem ser abordadas e esclarecidas. O paciente deve ser instruído quanto à existência de várias opções de tratamento, muitas delas voltadas para a redução da percepção e do incômodo, e que a abolição completa do sintoma ocorre em raros casos. O tratamento da doença que provoca o zumbido é imprescindível. Preconiza-se o uso de aparelhos de amplificação sonora individual nos pacientes que apresentam perda auditiva. Além do efeito mascarador que exerce sobre o zumbido, o aparelho amplifica os sons existentes no ambiente, podendo atuar também na plasticidade cerebral que envolve a geração desse sintoma. A TRT (tinnitus retraining therapy), é uma modalidade terapêutica que utiliza mecanismos de plasticidade cerebral que ocorrem naturalmente, para que a habituação a estímulos sensoriais repetitivos aconteça. Consiste em dois componentes: aconse- lhamento e enriquecimento sonoro. A terapia sonora é feita em nível inconsciente com a utilização de um som neutro de menor intensidade que o zumbido, de modo que os dois possam ser percebidos pelo paciente. Após meses, o paciente percebe melhora considerável do zumbido. 52UNIDADE 3 PATOLOGIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 A doença de Ménière é uma patologia crônica degenerativa da orelha interna. Caracterizada clinicamente por uma tétrade sintomática: 1) Ataques de vertigem; 2) Perda auditiva sensorioneural flutuante; 3) Tinnitus na orelha afetada; 4) Plenitude aural na orelha afetada. Os critérios para o diagnóstico da síndrome de Ménière definida são: dois ou mais episódios de vertigem espontânea, com duração entre 20 minutos e 12 horas, associado a exame audiométrico comprovando perda auditiva sensorioneural em frequências graves e médias (segundo a Bárany Society, perda auditiva em frequências graves é definida como perda nos limiares de condução aéreo-óssea de pelo menos 30dB em duas frequências sequenciais abaixo de 2000 Hz), em pelo menos uma orelha, ocorrida antes, durante ou após um episódio de vertigem, com sintomas auditivos flutuantes como zumbido e plenitude aural na orelha afetada e nenhum outro diagnóstico que justifique tais sintomas. O início do quadro ocorre entre a terceira e quinta décadas de vida, em 70% dos casos são unilaterais. É mais predominante em mulheres. O primeiro aspecto que devemos considerar no tratamento da síndrome de Ménière é que até o momento não há consenso internacional. 3 DOENÇA DE MÉNIÈRETÓPICO UNIDADE 3 PATOLOGIAS Medidas comportamentais devem ser oferecidas aos pacientes, evitando possí- veis fatores de gatilho como estresse, desidratação, mudanças de pressão barométrica, privação de sono, fadiga e ingesta excessiva de sódio, açúcares refinados, carboidratos em excesso, álcool e tabaco. Uma orientação oferecida a muitos pacientes é o aumento da ingestão hídrica ao longo do dia, isso parece auxiliar muito em evitar crises. Dentre as diversas drogas utilizadas para tratamento, a mais utilizada em todo o mundo é a betaistina. 54UNIDADE 3 PATOLOGIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 É a diminuição da acuidade e capacidade auditiva conforme o avançar da idade. É um processo multifatorial. A presbiacusia é considerada a causa mais comum de surdez progressiva no ser humano. FIGURA 03 - ASPECTO AUDIOMÉTRICO COMUM DE PRESBIACUSIA Fonte: Piltcher (2015, p. 84). 4 PRESBIACUSIATÓPICO UNIDADE 3 PATOLOGIAS Classifica a presbiacusia em quatro tipos: ● Estrial (Metabólica): degeneração da estria vascular. Todas as frequências são afetadas, sendo observada perda auditiva com traçado audiométrico plano. ● Sensorial: atrofia do órgão de Corti. Observado no traçado audiométrico com queda abrupta em altas frequências. ● Mecânica ou presbiacusia condutiva coclear: ocorre por enrijecimento da membrana basilar. Observa-se traçado audiométrico descendente com lenta progressão nas baixas frequências. ● Neural: atrofia dos neurônios cocleares. Manifesta-se audiometricamente por uma perda auditiva decrescente, semelhante à que ocorre na presbiacusia mecânica, porém ocorre um grande comprometimento do índice de reconheci- mento da fala. No envelhecimento, podem ocorrer diversas alterações em toda a via auditiva, desde a orelha externa até o córtex cerebral, que podem ser exacerbadas por fatores de riscos acumulados durante a vida, como infecções virais e bacterianas, exposição ao ruí- do, comorbidades e alterações metabólicas, uso de medicações ototóxicas, barotraumas e traumatismos. A etnia negra está associada à menor probabilidade de presbiacusia quando comparada com indivíduos brancos. Alguns autores afirmam que a presbiacusia é pior em homens do que em mulheres. Fumantes também são mais susceptíveis à perda auditiva. O alcoolismo assim como o sedentarismo pode afetar a função auditiva periférica e central. As queixas são escassas. Geralmente o paciente inicia com a queixa “eu escuto mas não entendo”. Relata-se maior dificuldade de entender a voz de mulheres e crian- ças, conversar ao telefone, de localizar a fonte sonora e de escutar uma campainha, por exemplo. Geralmente a perda auditiva é progressiva, insidiosa, lenta, bilateral e simétrica, iniciando nas frequências altas, a partir dos 40 anos. A otoscopia é normal, podendo ser observadasalterações próprias do envelheci- mento, como membrana timpânica mais espessada e discretamente retraída. A perda auditiva neurossensorial é bilateral e simétrica, com queda além de 25 dBNA nos limiares tonais, pelo menos na frequência de 8 kHz evoluindo lenta e progressi- vamente para as frequências médias. O tratamento medicamentoso das doenças como distúrbios cardiovasculares e metabólicos e orientações quanto à relação destes com a audição, devem ser reforçados. Tratar a presbiacusia consiste primeiramente na aceitação da surdez a sua evolução na- tural, posteriormente na adaptação do aparelho auditivo de amplificação sonora individual (AASI). O estímulo auditivo pode reduzir a deterioração da função auditiva. 56UNIDADE 3 PATOLOGIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 A surdez profissional (PAIR) é uma alteração coclear irreversível, provocada pela exposição prolongada a níveis sonoros elevados, resultante do exercício da profissão. O diagnóstico de surdez profissional é realizado na maioria das vezes em triagem, em um paciente sintomático, nos exames periódicos, ou diante de uma queixa auditiva que surge. O exame audiométrico revela a presença de perda auditiva neurossensorial pura, bi- lateral, simétrica, com predomínio sobre as frequências agudas inicialmente, com um entalhe característico, centrado em uma das frequências agudas 3, 4 ou 6 kHz. Conforme se mantém a exposição sonora lesiva, o entalhe vai aumentando. Esta audiometria tonal liminar, que é o exame de referência, deve ser realizada 24 a 48 h após cessar a exposição ao ruído. O exame audiométrico tonal é o meio mais simples e confiável para realizar uma triagem precoce da surdez profissional. 5 PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDOSTÓPICO UNIDADE 3 PATOLOGIAS FIGURA 04 - PAIR Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 1060). FIGURA 05 - EVOLUÇÃO DA PAIR Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 1061). 58UNIDADE 3 PATOLOGIAS A surdez é de aparecimento insidioso e só manifesta clínica após vários meses ou anos. Os zumbidos são encontrados em um terço dos pacientes. O déficit auditivo aparece nitidamente mais importante, quando os zumbidos estão presentes. A surdez é irreversível, porém não evolui por si só após cessação definitiva da exposição ao ruído. É importante salientar, que qualquer posto de trabalho com níveis de ruído iguais ou superiores a 85 dB é considerado patogênico, independente do tempo de exposição do trabalhador. O risco da PAIR aumenta com a idade, porém a idade é muitas vezes correlacio- nada fortemente à duração da exposição. O uso de protetores individuais limita as perdas auditivas e modera a marcha da evolução da surdez profissional. Por último, sabemos que os indivíduos negros apresentam menor chance de PAIR em relação aos individuos de cor branca. 59UNIDADE 3 PATOLOGIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 A perda súbita da audição é uma urgência médica. É definida como uma perda auditiva neurossensorial de pelo menos 30 dB em 3 frequências contíguas e instalada em até 72 h de evolução. A surdez súbita ocorre em qualquer idade, mas a maioria está acima de 45 anos, notando-se um pico de incidência na sexta década de vida. Em mais de 90% dos pacientes as perdas auditivas são unilaterais. Outros sintomas podem estar presentes na instalação da surdez súbita, como zum- bido, sensação de distorção auditiva, vertigem ou instabilidade, que sugerem uma lesão mais extensa da orelha interna. A perda auditiva neurossensorial na surdez súbita pode ser classificada quanto à forma da audiometria em frequências graves, agudas, plana e total. Em relação à intensidade, podemos utilizar a classificação em leve (30 a 40 dBNA), moderada (40 a 70 dBNA), severa (70 a 90 dBNA) e profunda (> 90 dBNA). Apesar de 25% a 50% dos pacientes apresentarem recuperação espontânea dos limiares auditivos, existe evidência clínica de que a surdez súbita deve ser tratada precocemente. ● Sinais de Bom Prognóstico: jovem, masculino, perda auditiva em graves; perda menor que 50 dB, início do tratamento precoce, detecção da onda V do potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) na primeira semana de evolução. 6 SURDEZ SÚBITATÓPICO UNIDADE 3 PATOLOGIAS ● Sinais de Mau Prognóstico: curvas audiométricas do tipo descendente (pior em agudos) ou plana, má discriminação vocal, perdas severas, profundas ou anacusia, demora na recuperação dos limiares tonais e dos potenciais evo- cados auditivos e vestibulares, acometimento em extremos de idade, ou seja, em crianças e idosos, crise vertiginosa, zumbido intenso e distorção auditiva associados. São três possibilidades de mecanismos fisiopatológicos descritos para a surdez súbita: distúrbios micro circulatórios, infecção viral inaparente e processo autoimune. As curvas audiométricas, são de forma plana em 41% dos casos, descendentes em 29%, ascendentes com queda em graves em 17% dos pacientes e anacusia em 13%. 61UNIDADE 3 PATOLOGIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 Agentes infecciosos, particularmente vírus e bactérias, são reconhecidos como causas de muitas alterações da orelha interna. Todo ano milhares de bebês nascem com algum grau de deficiência auditiva. Pelo menos 18% são causados por infecção congênita viral. Algumas etiologias virais de dsistúrbios da orelha interna estão mais bem estabele- cidas como rubéola, sarampo e infecção por citomegalovírus. O Citomegalovírus (CMV) é a causa infecciosa mais comum de surdez congênita nos Estados Unidos, com incidência de 1 a 2 casos por 100 nascimentos vivos. A perda auditiva nesses casos é bilateral, relati- vamente simétrica, e em geral, severa. A infecção materna pela rubéola, durante o primeiro trimestre de gestação, põe o feto em alto risco de infecção congênita e consequente, perda auditiva. 5 entre 10.000 pacientes com caxumba desenvolvem perda auditiva. O vírus do HIV também pode estar implicado em surdez neurossensorial. Outros agentes microbiológicos também podem atingir o labirinto ecausar altera- ções vestibulares e auditivas. Este é o caso das bactérias e dos fungos. Em até 1/3 dos casos, a meningite bacteriana pode levar a surdez neurossensorial adquirida após o nas- cimento. A sífilis na sua forma congênita ou adquirida pode levar à surdez neurossensorial, neste último caso nos estágios secundário e terciário da doença. 7 SURDEZ DE ORIGEM INFECCIOSATÓPICO UNIDADE 3 PATOLOGIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 A surdez é a mais comum das deficiências sensoriais do ser humano. Em países desenvolvidos cerca de 60% das perdas auditivas graves pré-linguais são genéticas. Saliente-se que em torno de 20% a 30% de todas as perdas neurossenso- riais presentes ao nascimento, são causadas por mutações em um único gene, o gene da conexina 26, geralmente segregando herança autossômica recessiva. A surdez é mais comum que qualquer das doenças pesquisadas no teste do pezi- nho, tendo uma frequência cerca de 50 vezes maior que a fenilcetonúria e 12 vezes maior que o hipotireoidismo, por exemplo. A surdez genética pode ser classificada em sindrômica, quando associada a outras alterações fenotípicas, e não sindrômica, quando isolada. As formas não sindrômicas são responsáveis pelos 70% dos casos. Aproximadamente 85% dos casos de surdez pré-lingual não sindrômica, se manifestam como formas autossômicas recessivas. Dentre as síndromes associadas com perda de audição temos, Alport, Branquio- -oto renal, Jervell e Lange- Nielsen, Norrie, Pendred, Stickler, Treacher Collins, Usher, Waardenburg. 8 SURDEZ HEREDITÁRIATÓPICO UNIDADE 3 PATOLOGIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 O VIII nervo craniano, ou nervo vestibulococlear, corresponde à origem de cerca de 80% dos tumores que acometem o ângulo pontocerebelar. Não se conhece inteiramen- te a etiopatogenia do schwannoma do VIII nervo. É certo que existe uma base genética para a sua origem. É um tumor benigno de crescimento lento que se origina, na maior parte das vezes, da divisão superior do nervo vestibular. Os sintomas iniciais são otoneurológicos, sendo a hipoacusia, o zumbido e a tontura as principais queixas. Hipoacusia é a queixa mais frequente, podendo chegar a 70% - 80% dos casos. Normalmente é uma queixa unilateral e progressiva. Não existe necessariamente uma relação direta entre o tamanho da lesão e o défi- cit auditivo. O tinnitus ou zumbido em geral, é agudo, contínuo ou flutuante, unilateral. É o segundo sintoma mais comum. Exames audiológicos representam o ponto de partida do protocolo de avaliação do paciente, suspeito de ser portador de Schwannoma do VIII nervo. A audiometria tonal limiar, mostra classicamente a perda auditiva do tipo neurossensorial unilateral. O achado mais característico na eletronistagmografia do indivíduo, é hipo ou arre- flexia labiríntica nas provas calóricas, do lado comprometido, sem nenhuma outra altera- ção. A sensibilidade da audiometria do tronco cerebral (BERA) no diagnóstico das lesões retrocoleares é de cerca de 95%. Os exames por imagem são, sem dúvida, a forma mais eficaz na propedêutica do schwannoma do VIII nervo. 9 SCHWANNOMA VESTIBULARTÓPICO UNIDADE 3 PATOLOGIAS 65UNIDADE 3 PATOLOGIAS Bom, sobre a PAIR, sabemos que exposições diárias de ruído em níveis acima de 80dB causam a perda auditiva, porém não temos ideia das situações diárias e seus riscos intrínsecos. Aqui temos uma tabela para te exemplificar. Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 1073). 66UNIDADE 3 PATOLOGIAS O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. Padre Antônio Vieira Fonte: https://www.pensador.com/frase/MzQwOQ/ https://www.pensador.com/autor/padre_antonio_vieira/ https://www.pensador.com/frase/MzQwOQ/ 67 Finalizamos mais uma unidade. Na unidade 3 você aprendeu algumas das patolo- gias mais comuns da clínica otológica. É extremamente importante para qualquer profissional de saúde que aborde audio- logia ou otologia que tenha o conhecimento sobre Meniére, PAIR, etc. Saber diferenciar ou ter a suspeita diagnóstica frente a anamnese e o exame complementar, diferencia o bom profissional dos demais. CONSIDERAÇÕES FINAIS UNIDADE 3 PATOLOGIAS 68 Sugiro a leitura deste breve artigo. O qual avalia a prevalência de PAIR em traba- lhadores da indústria têxtil. Vemos, que existe uma porcentagem importante de funcioná- rios acometidos. Não se pode negligenciar os danos auditivos causados pela exposição prolongada a ruídos. Isso não deve ser encarado apenas no ambiente de trabalho, mas lembre-se que o uso diário de fones de ouvido para música, filmes ou para outra função, pode provocar as mesmas lesões auditivas. Fique atento (a)! Leitura: Prevalência da Perda Auditiva Induzida pelo Ruído em Trabalhadores de Indústria Têxtil Na indústria têxtil, o trabalho das máquinas produz ruído que pode causar danos irreversíveis na audição dos trabalhadores. O objetivo do estudo é determinar a prevalência de PAIR em trabalhadores de uma indústria têxtil na cidade de Brusque (SC), verificar sua intensidade, caracterizar os principais sintomas auditivos, observar a faixa etária mais acometida, identificar o setor de maior risco e relacionar com o tempo de exposição ao ruído. Foi realizado, um estudo transversal em amostra casualizada de 184 trabalhadores divididos proporcionalmente em cada setor, avaliados através de entrevista, exame otoscópico e audiometria ocupacional. A prevalência de PAIR foi 28,3% PAIR, com predomínio de perdas auditivas de grau l (46,2%), segundo a classificação de Merluzzi. Os sintomas mais frequentes foram hipoacusia (30,8%), dificuldade de compreensão da fala (25%), zumbido (9,6%), plenitude auricular (5,8%), tontura (3,8%) e otalgia (3,8%). O setor com maior índice de PAIR foi engenharia industrial com 44,4%, seguidos da fiação com 38,9% e tecelagem com 38,8%, BET (beneficiamento, estamparia e tinturaria) com 23,8% e administração com 3,8%. A faixa etária mais acometida foi de 50 a 64 anos. Os trabalhadores com mais de 20 anos de empresa foram os mais afetados (42,9%). A ocorrência de PAIR foi significativa no grau l, associada à hipoacusia. Os setores de maior risco na indústria são a engenharia, fiação e tecelagem. Houve um aumento dos casos com a idade e tempo de exposição. LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE 3 PATOLOGIAS 69 Fonte: CALDART, A. U; ADRIANO, C. F; TERRUEL, I; MARTINS, R. F; CALDART, A. U; MOCELLIN, M. Prevalencia da perda auditiva induzida pelo ruido em trabalhadores de indústria têxtil. Arq. Int. Otorrinolaringol. / Intl. Arch. Otorhinolaryngol., São Paulo, v.10, n.3, p. 192-196, 2006. Disponívelem: http://www.arquivosdeorl.org.br/conteudo/pdfForl/380.pdf Acesso em:10 ago. 2022. UNIDADE 3 PATOLOGIAS http://www.arquivosdeorl.org.br/conteudo/pdfForl/380.pdf 70 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Surdez & Educação Editora: Autêntica Editora. Sinopse: Este livro faz parte da Série Temas & Educação, volta- da para educadores, pesquisadores e estudantes. Sobre a pro- posta deste livro, a autora diz: “Não nego a falta de audição do corpo surdo, porém desloco meu olhar para o que os próprios surdos dizem de si quando articulados e engajados na luta por seus direitos de se verem e de quererem ser vistos como su- jeitos surdos, e não como sujeitos com surdez. […] Rompendo com as interpretações e os usos fundados em bases clínicas e em bases que a declaram uma anormalidade, a surdez, vista como presença de algo (e não a falta de algo), possibilita outras formas de significação e de representações de surdos.” FILME / VÍDEO Título: Perda auditiva induzida por ruído Ano: 2021. Sinopse: Vídeo curto e objetivo para melhor entendimento da PAIR. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=QzWgapMZyGo UNIDADE 3 PATOLOGIAS https://www.youtube.com/watch?v=QzWgapMZyGo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Ototoxicidade; • Deficiência auditiva na infância; • Aparelhos auditivos e implante coclear; • Fisiologia do labirinto; • Labirintopatias; • Reabilitação vestibular. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar a fisiologia do labirinto; • Contextualizar a deficiência auditiva na infância; • Compreender os tipos de labirintopatias; • Estabelecer a importância da reabilitação vestibular. 4UNIDADEUNIDADEMISCELÂNEAMISCELÂNEA Professor Dr. Frederico Miola Martinello 72 Nesta última unidade, abordaremos temas diversos da otorrinolaringologia. Vere- mos quais substâncias e medicações são tóxicas para o ouvido, quais são as indicações atuais de implante coclear, contextualizar as diversas labirintopatias existentes. Sim, labi- rintopatias, no plural. Pois bem, quando dizem que fulano (a) está com “labirintite”, provavelmente não é esse o diagnóstico, existem diversas patologias do labirinto e a mais comum não é a labirintite. Quero que você termine essa apostila com isso em mente. INTRODUÇÃO UNIDADE 4 MISCELÂNEA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 1 OTOTOXICIDADETÓPICO UNIDADE 4 MISCELÂNEA Ototoxicidade é o termo que define a perda da função auditiva e/ou vestibu- lar, podendo ocorrer por lesões às estruturas da orelha interna, devido a substâncias químicas, sendo elas medicamentos ou outros produtos. A perda auditiva causada por estas substâncias é geralmente neurossensorial e acima de 25 dBNA em mais de uma frequência avaliada. Existem mais de 200 substâncias e medicações que podem causar ototoxicidade, muitas das quais são de uso terapêutico, como antibióticos e quimioterápicos. Podemos citar como exemplos os antibióticos aminoglicosídeos (amicacina, gentamicina, neomi- cina), cloranfenicol, eritromicina, vancomicina, polimixinas B e E; os betabloqueadores (propranolol); os diuréticos de alça (furosemida); os anti-inflamatórios e analgésicos (indometacina, salicilatos, ácido acetilsalicílico, o quinino); antineoplásicos (cisplatina, ciclofosfamida); antivirais (Interferona α-2b/ribavirina). Devemos saber que a ingestão ou contato dessas substâncias, em nível tóxico na gestação, pode contaminar o feto e causar a ototoxicidade fetal ou congênita, dependendo da permeabilidade da substância, causando alteração auditiva na criança. Os aminoglicosídeos, como exemplo a estreptomicina, neomicina, gentamicina e amicacina, possuem ototoxicidade tanto no aparelho vestibular como no sistema auditivo. A gentamicina e a tobramicina afetam preferencialmente o sistema vestibular. Já a neomi- cina e a amicacina afetam exclusivamente a audição. A prevalência da ototoxicidade dos aminoglicosídeos varia na literatura, mas pode chegar a 25%. Nos pacientes com perda da 74UNIDADE 4 MISCELÂNEA audição, a ototoxicidade dos aminoglicosídeos está relacionada à sua dose cumulativa. O mecanismo da ototoxicidade é um processo complexo e ainda não totalmente esclarecido. A hipótese mais aceita está relacionada com a formação de radicais livres e a apoptose celular. Os sintomas podem ser muito variáveis, de forma leve ou intensa, ou mesmo de forma aguda ou crônica. A cocleotoxicidade se apresenta geralmente como hipoacusia, zumbido e plenitude auricular. A vestibulotoxicidade se apresenta com vertigem, sintomas neurovegetativos, oscilopsia, ataxia, desequilíbrio e tontura ao movimento rotacional da cabeça. Para investigação e avaliação detalhada, podemos fazer uso da audiometria con- vencional, de alta frequência, das emissões otoacústicas por produtos de distorção e o exame vestibular. A sugestão é de realização semanal ou quinzenalmente após o início do tratamento e prosseguir mensalmente até 6 meses após a suspensão do aminoglicosídeo. A cisplatina é um quimioterápico utilizado no tratamento de vários tipos de tumores sólidos. Apresenta muitos efeitos colaterais, até mesmo muitas vezes graves, como oto- toxicidade, alterações gastrointestinais, nefrotoxicidade, supressão medular e neuropatia periférica. A perda de audição quando ocorre é irreversível, mesmo com a interrupção do tratamento. Estes efeitos podem ocorrer horas ou dias após a administração da cisplatina. Os principais sintomas decorrentes da lesão auditiva são o zumbido e a perda de audição. Eritromicina, ao contrário das drogas anteriores, possui ototoxicidade reversível, caracterizada pela perda auditiva neurossensorial bilateral em todas as frequências, acom- panhado de zumbido, porém após 3 dias da suspensão da medicação, há uma recuperação total da audição. Em diuréticos de alça, tendo como medicamento mais conhecido a furosemida, apresenta prevalência da ototoxicidade baixa. Geralmente é transitória e reversível quando ocorre a suspensão da medicação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 2 DEFICIÊNCIA AUDITIVA NA INFÂNCIATÓPICO UNIDADE 4 MISCELÂNEA O impacto da alteração auditiva no desenvolvimento da criança e as consequências nas diversas etapas de sua vida, faz com que devemos valorizar não apenas as perdas auditivas bilaterais, mas qualquer alteração auditiva que possa prejudicar a aquisição das habilidades auditivas. A criança que não ouve bem, não aprende a falar, escrever ou apresentar um bom desenvolvimento social. Entre todas as doenças congênitas, a perda auditiva é a mais comum. Para cada criança que nasce, por exemplo, com fenilcetonúria há pelo menos 30 crianças com deficiência auditiva. Existem alguns indicadores de risco associados que devemos citar: ● História familiar de deficiência auditiva permanente; ● Internação em unidade de terapia intensiva; ● Oxigenação por membrana extracorpórea, ventilação assistida, exposição à medicação (gentamicina, tobramicina) ou diuréticos de alça (furosemida), e hiperbilirrubinemia; ● Infecções intra uterinas como citomegalovírus, rubéola, sífilis e toxoplasmose; ● Malformações craniofaciais; ● Infecções neonatais; ● Quimioterapia. 76UNIDADE 4 MISCELÂNEA A triagem auditiva neonatal (TAN) é o principal instrumento para diagnosticar e tratar a deficiência nos primeiros meses de vida. Podemos utilizar testes não invasivos que medem a atividade fisiológica de estruturas do sistema auditivo como as emissões otoacús- ticas (EOA) e o potencial evocado auditivo de tronco encefálico automático (PEATEa). As emissões otoacústicas evocadas (EOE), são realizadas no conduto auditivo externo por meio de uma sonda que mede as respostas das células ciliadas externas da cóclea após sua estimulação por um estímulo sonoro (cliques ou tons puros). As emissões otoacústicas evocadas utilizadas são as transientes (EOE-t) e as por produto de distorção (EOEPD). O potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) é obtido, por meio de eletrodos de superfície que medem a atividade elétrica do nervo auditivo e das vias auditi- vas de tronco encefálico em resposta a um estímulo sonoro. FIGURA 01 - BERA/PEATE Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 405). Em 2007, devido a iniciativa da Academia Brasileira de Audiologia, foi criado o Comitê Multiprofissional em Saúde Auditiva (COMUSA), formado por representantes da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia – Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), So- ciedade Brasileira de Fonoaudiologia, Sociedade Brasileira de Otologia, Sociedade Brasi- leira de Pediatria e da própria Academia Brasileira de Audiologia, com o objetivo de elaborar um parecer sobre a Triagem Auditiva Neonatal, a fim de nortear as ações de profissionais envolvidos com essa atividade. 77UNIDADE 4 MISCELÂNEA Conforme esse documento: ● Todos os neonatos devem ter acesso à triagem auditiva realizada por meio de procedimentos fisiológicos até um mês de vida. ● Todas as crianças que apresentem resultado alterado na triagem auditiva neonatal (TAN), incluindo teste-reteste, devem ser submetidas às avaliações médica e audiológica para definir a existência de deficiência auditiva em até, no máximo, três meses de vida. ● O tratamento deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico da deficiência auditiva permanente ou, no máximo, até o sexto mês de vida. 2.1 TESTES DE RESPOSTAS NÃO CONDICIONADAS Representado pela audiometria de observação comportamental. Consiste na ob- servação das respostas da criança ao estímulo apresentado sob condições controladas. O teste é realizado em neonatos e crianças de até 2 anos de idade, sendo imprescindível o conhecimento do profissional sobre o processo maturacional do sistema auditivo normal. 2.2 PROCEDIMENTOS DE RESPOSTAS CONDICIONADAS A partir de 5 a 6 meses é possível produzir respostas auditivas confiáveis utilizando a técnica de condicionamento operante. Na audiometria de reforço visual, o comportamento condicionado é o reflexo de orientação. Reforçado por meio de estímulos visuais, como luz, desenhos animados ou brinquedos mecânicos que se movimentam. 2.3 MEDIDA DA IMITÂNCIA ACÚSTICA A medida da imitância acústica é um procedimento básico da audiologia pediátrica e de extrema importância Existe uma alta ocorrência de otite média serosa (OMS) na popu- lação pediátrica. Mais de 50% das crianças podem apresentar essa alteração no primeiro ano de vida. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 APARELHOS AUDITIVOSTÓPICO 78UNIDADE 4 MISCELÂNEA A prevalência da perda auditiva na população geral é mais alta do que se imagina. Cerca de 10% da população em geral apresenta perda auditiva de graus leve a severa, e esse número sobe para quase 50% acima dos 65 anos de idade. O período de instalação da perda auditiva é de extrema importância para a inter- venção. A habilitação é realizada nos casos de perdas auditivas congênitas ou que surgem antes da aquisição da linguagem, denominadas de deficiências auditivas pré-linguais. Já a reabilitação, ocorre quando se precisa restabelecer as qualidades e habilidades auditivas que o indivíduo possuía previamente, ou seja, deficiência auditiva pós-lingual. O aparelho de amplificação sonora individual, é um equipamento que modifica e amplifica o som nas frequências em que a audição está comprometida, conduzindo-o para a orelha média. Um dos grandes desafios atuais é conseguir amplificar os sons desejáveis, por exemplo, a fala de uma pessoa em uma conversa e minimizar os ruídos ao fundo, o que é uma queixa muito comum entre os usuários de AASI. O sucesso da intervenção por meio do AASI, origina-se de boa orientação e com a confiança transmitida pelo otorrinolaringologista e fonoaudiólogo (a) sobre a possibilidade de melhora da audição e, muitas vezes, do zumbido associado. Todo paciente com perda auditiva teoricamente é um potencial candidato ao uso de AASI, porém há diferenças entre os tipos de perdas auditivas, e essas diferenças po- dem facilitar ou dificultam o seu uso. As perdas auditivas condutivas são as mais fáceis de serem protetizadas. O mesmo não ocorre nas perdas neurossensoriais com importante 79UNIDADE 4 MISCELÂNEA diminuição da discriminação. Os pacientes com perdas neurossensoriais de grau leve a moderado são mais fáceis de serem protetizados, quando comparados aos com perdas de grau severo a profundo. Os pacientes mais difíceis de serem protetizados são os que apresentam perdas profundas, pois, mesmo com uma grande amplificação do som, estes pacientes não conseguem bons índices de compreensão da fala, devido ao já presente grande comprometimento da orelha interna. Todos os aparelhos auditivos funcionam basicamente da mesma forma, servindo para amplificar o som. Podemos classificá-los em analógicos ou digitais, variado pelo pro- cessamento do som no seu circuito. Os aparelhos analógicos são constituídos basicamente por três componentes: o microfone, que capta o som; o amplificador que o amplifica; e pelo receptor (alto-falante). O microfone converte a energia sonora em eletricidade. Os aparelhos digitais são constituídos pelos mesmos componentes do aparelho analógico, adicionando mais três componentes em um chip, o conversor analógico/digital (A/D), uma unidade de processamento digital do sinal e o conversordigital-analógico. Hoje temos disponíveis aparelhos retroauriculares pré-fabricados, que são regula- dos pelo fonoaudiólogo para as necessidades específicas de cada paciente. Existem outros modelos disponíveis (intra-auricular, intracanal e microcanal), que são feitos sob medida para cada paciente. FIGURA 02 - TIPOS DE APARELHOS AUDITIVOS. A.RETROAURICULAR. B RETROAURICULAR COM RECEPTOR NO CANAL. C INTRA-AURICULAR. D INTRACANAL. E MICROCANAL Fonte: Pignatari; Lima (2017, p. 1225). 80UNIDADE 4 MISCELÂNEA 3.1 IMPLANTE COCLEAR É importante salientar que nem todos os pacientes com surdez se beneficiarão do implante coclear. A avaliação e a seleção de candidatos à cirurgia é um passo fundamental para o seu sucesso. Dados detalhados sobre o tempo de duração da surdez, a idade de início, pré ou pós-lingual, se tem caráter progressivo ou súbito, além de dados sobre esco- laridade, desenvolvimento da linguagem oral e uso prévio de AASI, são fundamentais para avaliação do potencial benefício com uso de implante coclear. A Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, aprova a realização do implante coclear em crianças acima dos 12 meses de idade, e a tendência atual é a realização da cirurgia em menores de 2 anos, pois, quanto menor o período de privação auditiva, melhor será o desempenho da linguagem da criança. As diretrizes da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), consideram uma idade mínima de 6 meses na perda auditiva profunda e de 18 meses na perda auditiva severa. As crianças que recebem o implante coclear em idade precoce, apresentam melhor desempenho do que aquelas que o receberam com maior idade. Um dos pilares para a avaliação do candidato à cirurgia de implante coclear é a de- terminação precisa da audição residual e da resposta à amplificação sonora. Os principais fatores associados ao resultado do implante coclear, são o tempo de duração da surdez e o índice de reconhecimento da fala, os quais atuam como fatores preditivos significativos para o resultado pós-operatório. Uma decisão importante é a escolha da orelha para o implante. Atualmente, opta- -se, em crianças com pouca idade, pela orelha de pior audição, principalmente em função do interesse na preservação auditiva. Além disso, realizar o implante coclear na orelha com pior desempenho auditivo permite a estimulação bimodal (implante coclear associado a aparelho auditivo contralateral). Citaremos a seguir as indicações de implante coclear conforme a idade e outros critérios: ● Crianças de 4 a 7 anos de idade incompletos que apresentem perda auditiva neurossensorial bilateral de grau severo e/ou profundo, quando preenchidos os seguintes critérios: a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em conjunto aberto com uso de AASI na orelha a ser implantada; b) Presença de indicadores favoráveis para o desenvolvimento da linguagem oral; c) Adequação psicológica, motivação e expectativa adequada da família. 81UNIDADE 4 MISCELÂNEA ● Crianças de 7 a 12 anos de idade incompletos que apresentem perda auditiva neurossensorial bilateral de grau severo e/ou profundo, quando preenchidos os seguintes critérios: a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em conjunto aberto na orelha a ser implantada, com percepção de fala diferente de zero em conjunto fechado; b) Presença de código linguístico oral em desenvolvimento. Devem apresentar comportamento linguístico predominantemente oral; c) Adequação psicológica, motivação e expectativa adequada do paciente e da família para o uso do implante coclear e para o processo de reabilitação fonoaudiológica; d) Uso de AASI contínuo e efetivo por pelo menos metade da sua idade. ● Adolescentes a partir de 12 anos de idade que apresentem perda auditiva neurossensorial pré-lingual bilateral de grau severo e/ou profundo, quando preenchidos os seguintes critérios: a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em con- junto aberto com uso de AASI na orelha a ser implantada, com percepção de fala diferente de zero em conjunto fechado; b) Presença de código linguístico oral estabelecido; c) Adequação psicológica, motivação e expectativa adequada do paciente e da famí- lia para o uso do implante coclear e para o processo de reabilitação fonoaudiológica; d) Uso de AASI efetivo por pelo menos metade da sua idade. ● Adolescentes a partir de 12 anos de idade que apresentem perda auditiva neurossensorial pós-lingual bilateral de grau severo e/ou profundo, quando preenchidos os seguintes critérios: a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em conjun- to aberto com uso de AASI na orelha a ser implantada; b) Adequação psicológica, motivação e expectativa adequada do paciente e da família. ● Em adultos que apresentem perda auditiva neurossensorial pré-lingual unilateral ou bilateral de grau severo e/ou profundo, quando preenchidos os seguintes critérios: 82UNIDADE 4 MISCELÂNEA a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em conjunto aberto com uso de AASI na orelha a ser implantada, com percepção de fala diferente de zero em apresentação em conjunto fechado na situação binaural; b) Presença de código linguístico estabelecido e adequadamente reabilitado pelo método oral; c) Adequação psicológica e motivação adequada do paciente para o uso do implante coclear e para o processo de reabilitação fonoaudiológica; d) Nos casos de surdez bilateral, é necessário o uso de AASI efetivo desde o diagnós- tico da perda auditiva severa a profunda. ● Em adultos que apresentem perda auditiva neurossensorial pós-lingual unilateral ou bilateral de grau severo ou profundo, quando preenchidos os seguintes critérios: a) Resultado igual ou menor que 50% de reconhecimento de sentenças em conjunto aberto com uso de AASI na orelha a ser implantada; b) Adequação psicológica e motivação do paciente. ● Cegueira associada a surdez: a) Quando o paciente apresentar cegueira associada, independentemente da idade e da instalação da surdez, o implante coclear está indicado quando o resultado de reconhecimento de sentenças em conjunto aberto com uso de AASI for igual ou menor que 50% na orelha a ser implantada; b) Adequação psicológica e motivação do paciente para o uso do implante coclear e para o processo de reabilitação fonoaudiológica. ● Contra Indicações ao implante coclear: Portadores de patologia neurológica grave; Comprometimento médico e psicológico que possa interferir no implante coclear; Agenesia da cóclea e do nervo auditivo ou lesões centrais; Infecções ativas do ouvido médio; Expectativas irreais da família quanto aos benefícios, e resultados e limitações do implante coclear; Surdez pré-lingual em adolescentes e adultos não reabilitados por método oral (exceto nos casos de cegueira associada). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 4 FISIOLOGIA DO LABIRINTOTÓPICO UNIDADE 4 MISCELÂNEA O labirinto é a nossa orelha interna. É constituído por uma porção óssea e uma porção membranácea. Entre as duas estruturas encontra-se um líquido, a perilinfa, que é semelhante ao líquor. Dentro do labirinto membranáceo existe a endolinfa, líquido rico em potássio, semelhanteao líquido intracelular Esse órgão é dividido em uma porção anterior (cóclea) e outra posterior (canais semicirculares e vestíbulo). Existem três canais semicirculares em cada labirinto, sendo 2 verticais, o canal anterior ou superior e o canal posterior, e um canal horizontal ou lateral. Os canais laterais são sensíveis à movimentação cefálica em rotação horizontal. Já os canais anteriores e posteriores, são sensíveis à movimentação em rotação para cima e para baixo. Cada canal semicircular possui em uma de suas extremidades uma dilatação chamada ampola. Dentro da ampola existe a crista ampular, onde estão situadas as célu- las ciliadas com função sensitiva. Cada célula dessa apresenta vários estereocílios e um cinocílio, que estão envoltos por uma massa gelatinosa chamada cúpula. Esses cílios, ao se movimentarem, permitem a percepção dos movimentos rotatórios. O movimento dos estereocílios em direção ao cinocílio provoca alterações eletrolíticas que levam à redução do potencial de repouso da membrana da célula, causando a “excitação” da célula. Opos- tamente, o movimento dos estereocílios em direção contrária ao cinocílio, leva à “inibição” celular por aumentar o potencial de repouso. 84UNIDADE 4 MISCELÂNEA Nos canais laterais, quando há um movimento da cabeça no plano horizontal, a corrente endolinfática no canal do mesmo lado do movimento é ampulípeta, ou seja, na direção da ampola. Esse movimento promove a despolarização das células sensoriais pelo movimento dos estereocílios de cada célula na direção do respectivo cinocílio. Nos canais verticais ocorre o inverso, a corrente ampulífuga leva ao estímulo ex- citatório e a corrente ampulípeta, ao inibitório. Isso ocorre pela diferente localização dos cinocílios, pois nos canais laterais, o cinocílio é proximal ao utrículo e nos canais verticais, o cinocílio é distal. 4.1 Sáculo e Utrículo Essas estruturas também apresentam células ciliadas sensitivas. Encontradas nas máculas utriculares e saculares. Envolvendo as células ciliadas existe uma substância gelatinosa, a membrana otolítica, onde estão os otólitos. Os otólitos são cristais de carbonato de cálcio, que com a movimentação linear ou mudança de orientação com relação à gravidade, promovem deslocamento dos cílios das células sensitivas. As máculas utriculares e saculares estão espacialmente dispostas de forma que seja possível perceber quaisquer movimentos do corpo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 5 LABIRINTOPATIASTÓPICO UNIDADE 4 MISCELÂNEA As tonturas e a vertigem estão entre as queixas mais comuns nos consultórios médicos. Citaremos alguns exemplos de vestibulopatias periféricas: Vertigem postural paroxística benigna (VPPB) é caracterizada pelo aparecimento de vertigem rotatória com duração de segundos, desencadeada por movimentos da cabeça, principalmente com hiperextensão cervical e lateralização. É considerada a vestibulopatia mais comum. A VPPB do canal semicircular poste- rior (CSP) é a mais comum (90%). Fisiologicamente é causada por otocônias que se desprendem da mácula do utrí- culo e flutuam em um canal semicircular. Todo o estímulo provocado por alterações na cúpula produz uma contração de pares de músculos oculares extrínsecos, gerando um nistagmo específico de acordo com o canal afetado. A intensidade do nistagmo é diretamente proporcional e a latência do nistagmo inversamente proporcional ao número e ao tamanho de partículas. O diagnóstico é realizado por meio de anamnese e exame físico. Utilizamos as manobras de Dix-Hallpike, manobra de girar de lado (head roll test) ou manobra de Pagnini McClure. Exames complementares geralmente não são necessários. 86UNIDADE 4 MISCELÂNEA As manobras de reposição canalicular apresentam eficácia entre 70%-100%. A manobra de Epley é realizada para reposição canalicular para os canais verticais. As manobras mais realizadas para a VPPB de Canais Horizontais são: ● VPPB CSL Canalitíase (Geotrópico) − Manobra de Lempert (barbecue ma- neuver) ou manobra de Gufoni ● VPPB CSL Cupulolitíase (Apogeotrópico) − Manobra de Gufoni para cupulo- litíase e manobra de Zuma e Maia. Sugiro que olhem vídeos de como se fazem essas manobras. Sendo mais fácil a sua compreensão. A fístula perilinfática é uma síndrome episódica caracterizada por vertigem recorrente. É uma comunicação entre o espaço perilinfático e a orelha média. As crises podem durar horas a dias. São desencadeadas por manobras de Valsalva como na tosse, nos espirros ou pressões externas no conduto auditivo. O fenômeno de Túlio consiste na observação de nistagmo, ocorrência de vertigem ou oscilopsia ao estímulo com sons de alta intensidade. As deiscências de canais semicirculares são mais comuns no canal anterior/supe- rior. A maioria dos pacientes apresenta nistagmo vertical e torsional provocado por estímulos sonoros intensos. Sintomas auditivos de deiscência do canal podem ser autofonia, plenitu- de auditiva, perda auditiva e zumbido pulsátil. A alteração mais frequentemente encontrada na audiometria é perda auditiva condutiva ou mista, com GAP aéreo-ósseo de 5-10 dB em duas ou mais frequências, principalmente nas perdas graves, com reflexos acústicos preservados. O tratamento permanece controverso, podendo-se utilizar sintomáticos. A paroxismia vestibular é uma síndrome vestibular episódica. 2x mais prevalente em homens. Existem dois picos de incidência da doença em idade precoce, relacionado a anomalias vasculares vertebrobasilares e outro entre os 40 a 70 anos de idade, rela- cionado à aterosclerose e à hipertensão arterial. Existem seis achados característicos na paroxismia vestibular: vertigem súbita de curta duração, ataques provocados por algumas posições da cabeça, hipoacusia ou zumbido contínuos ou durante as crises, déficit auditivo e/ou vestibular permanentes, resposta positiva ao tratamento com carbamazepina, quando excluídas as causas centrais de vertigem. A etiopatogenia da paroxismia, ocorre quando compressão neurovascular da zona de entrada da raiz do oitavo nervo com desmielinização local, hiperatividade axonal pela artéria cerebelar anterior ou posterior, ectasia venosa, malformação arteriovenosa, tumores ou estruturas ósseas. 87UNIDADE 4 MISCELÂNEA A neurite vestibular tem etiologia desconhecida, podendo ter relação com acome- timento viral agudo do nervo vestibular. A apresentação típica é de uma crise aguda de vertigem intensa, com piora nos movimentos da cabeça e associa-se a fortes sintomas autonômicos, como sudorese, palidez, náusea e vômitos. Não há sintomas auditivos na neurite vestibular. Os sintomas costumam durar dias ininterruptos. A doença de Ménière é uma alteração da orelha interna caracterizada por dois gru- pos de sintomas: os sintomas vestibulares e os sintomas auditivos. Os sintomas clássicos como perda auditiva flutuante, zumbido, plenitude auricular e vertigem podem existir. A Vertigem Paroxística Benigna da Infância (VPBI), tem sido sugerida como a causa mais comum de tontura entre as crianças, quando excluídas as doenças da orelha média. Acomete mais frequentemente em crianças entre 3 e 8 anos. Para diagnóstico requer cinco episódios de vertigem súbita, sem desencadeantes, com resolução espon- tânea em minutos ahoras, sem perda de consciência e acompanhada de pelo menos um dos sintomas: nistagmo, ataxia, vômito, palidez e medo. Durante os ataques, a criança suspende as atividades que está desempenhando naquele momento, ficando imóvel, sem conseguir ficar em pé, porém a consciência está sempre preservada, o que a diferencia de episódios convulsivos. As otites médias são consideradas por alguns autores, a causa mais frequente das vestibulopatias na infância. Dentre todas, a otite média com efusão ou otite média serosa pode ser a causa mais observada de tonturas ou vertigens na criança. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 6 REABILITAÇÃO VESTIBULARTÓPICO UNIDADE 4 MISCELÂNEA Na reabilitação vestibular (RV) o estímulo à deambulação e ao movimento cefálico precoce são fundamentais para o alívio mais rápido da vertigem e redução da intensidade dos sintomas em caso de recorrência. O controle postural é uma associação de reflexos para o processamento do equilíbrio e também um sistema motor complexo derivado de múltiplos processamentos sensório-motores. Os programas básicos de RV são baseados em três elementos: ● Exercícios de habituação que favorecem a compensação do sistema nervoso central; ● Exercícios de controle postural; ● Condicionamento das atividades gerais. O mecanismo de compensação vestibular na recuperação crônica da função labi- ríntica, inclui 4 conceitos importantes para o entendimento dos tipos dos protocolos espe- cíficos para cada tipo de lesão: substituição, adaptação, habituação e restauração celular. A intervenção terapêutica com os exercícios de RV direcionada para os sinais, sinto- mas e limitações funcionais secundários aos déficits vestibulares têm sido comprovada como forma de diminuir a tontura, melhorar a estabilidade postural e reduzir o risco de quedas. A RV atual tem uma abordagem baseada em exercícios, que basicamente incluem a combinação de quatro tipos diferentes de estímulos para minimizar as deficiências: (1) exercícios que promovem a estabilização do olhar (adaptação e substituição do reflexo vestíbulo-ocular); (2) exercícios de habituação; (3) exercícios de equilíbrio e marcha, e (4) caminhada para resistência. 89UNIDADE 4 MISCELÂNEA Os exercícios de estabilização do olhar (adaptação e substituição) são baseados na movimentação da cabeça durante a manutenção do foco num ponto fixo ou em movi- mento. Na habituação, os exercícios envolvem a repetição dos estímulos provocativos, os quais podem causar leves e moderados sintomas de tontura. A repetição sistemática desses movimentos leva à redução dos sintomas no decorrer do tempo. Condicionamento geral, como a caminhada e exercícios aeróbicos, são elementos frequentes na reabilitação, porque indivíduos com disfunção vestibular geralmente limitam sua atividade física para evitar provocar os sintomas. Vou comentar aqui alguns exercícios de reabilitação vestibular, sem esmiuçá-los. Exercícios de estimulação do RVO horizontal e vertical de Davis e O’Leary e Caovilla, Exercício para incrementar a adaptação vestibular de Herdmann, protocolo de Cawthorne e Cooksey, protocolo de exercícios da Associazione Otologi Ospedalieri Italiani. Outras opções são a reabilitação vestibular com realidade virtual e fisioterapia aquática 90UNIDADE 4 MISCELÂNEA Sugiro a leitura desta diretriz especializada a pessoas com deficiência auditiva no SUS, disponível no link abaixo, pois, este documento visa estabelecer as orientações para o cuidado às pessoas com deficiência auditiva em nível nacional. É utilizado pelas Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na regulação do acesso assistencial, autorização, registro e ressarcimento dos procedimentos correspondentes, e pelos Serviços de Saúde habilitados junto ao SUS. O objetivo destas diretrizes é oferecer orientações às equipes multiprofissionais sobre o cuidado da pessoa com deficiência auditiva, em especial às que necessitam da cirurgia de implante coclear e prótese auditiva ancorada no osso. Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. PORTARIA GM/MS Nº 2.776, de 18 de dezembro de 2014. Diretrizes Gerais para a Atenção Especializada às Pessoas com Deficiência Auditiva no Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília – DF, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/ MatrizesConsolidacao/comum/241502.html Acesso em: 10 set. 2022. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/MatrizesConsolidacao/comum/241502.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/MatrizesConsolidacao/comum/241502.html 91UNIDADE 4 MISCELÂNEA Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria. Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Mario Quintana Fonte: https://www.pensador.com/frase/NjU5MjEw/ https://www.pensador.com/autor/mario_quintana/ https://www.pensador.com/frase/NjU5MjEw/ 92 Concluímos a última apostila desse curso. Parabéns pelo empenho e dedicação. Seguindo as orientações dadas e estudando as leituras complementares sugeridas, você irá adquirir conhecimento para sua prática clínica e será um profissional diferenciado. Mas não pare por aqui, existem atualizações a todo momento, e novos artigos e publicações são lançados todos os anos nos diversos campos da otorrinolaringologia e fonoaudiologia. Seja um profissional atualizado ! CONSIDERAÇÕES FINAIS UNIDADE 4 MISCELÂNEA 93 Sugiro a leitura na íntegra das diretrizes em triagem auditiva neonatal. Devido a grande prevalência de alterações auditivas infantis, é fundamental o nosso conhecimento em saber rastrear e em abordar as crianças com deficiência auditiva o mais precoce possí- vel, a fim de minimizar os danos no desenvolvimento causados pela privação auditiva. Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas e Departamento de Atenção Especializada. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ diretrizes_atencao_triagem_auditiva_neonatal.pdf . Acesso em: 10 out. 2022. LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE 4 MISCELÂNEA https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_triagem_auditiva_neonatal.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_triagem_auditiva_neonatal.pdf 94 MATERIAL COMPLEMENTAR UNIDADE 4 MISCELÂNEA LIVRO Título: Cummings Otorrinolaringologia: Cirurgia de Cabeça e Pescoço Autor: FLINT, Paul et al. Editora: ELSEVIER. Sinopse: Em sua sexta edição, Cummings Otorrinolaringologia permanece sendo a fonte mais detalhada e confiável, servindo como um excelente guia para todos os aspectos da cirurgia de cabeça e pescoço. Totalmente atualizado com os mais recentes procedimentos minimamente invasivos, novas imagens clínicas e ilustrações da maior qualidade, esta edição prepara o profis- sional para implementar as descobertas, técnicas e tecnologias mais atuais que estão delineando a evolução dos pacientes. Obtenha informações altamente especializadas, respostas con- fiáveis e precisas para todas as fases da sua carreira a partir do textomultidisciplinar mais abrangente da especialidade. FILME / VÍDEO Título: The Sound of Metal Ano: 2019. Sinopse: Em Sound of Metal, um jovem baterista teme por seu futuro quando percebe que está gradualmente ficando surdo. Duas paixões estão em jogo: a música e sua namorada, que é integrante da mesma banda de heavy metal que o rapaz. Essa mudança drástica acarreta em muita tensão e angústia na vida do baterista, atormentado lentamente pelo silêncio. 95 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FLINT, P et al. Cummings Otorrinolaringologia: Cirurgia de Cabeça e Pescoço. 6. ed. [S. l.]: Grupo GEN, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/ books/9788595156005/pages/recent. Acesso em: 1 ago. 2022. PIGNATARI, S. S. N; LIMA, W. T. A. Otorrinolaringologia. Associação Brasileira D. Tratado de Otorrinolaringologia. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2017. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595154247/ Acesso em: 08 jul. 2022. PILTCHER, O., et al. Rotinas em Otorrinolaringologia. Porto Alegre: Artmed, 2015. SANNA, Mario et al. Color Atlas of Endo-Otoscopy: Examination-Diagnosis-Treatment. [S. l.]: Thieme, 2017. Atlas. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595154247/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595154247/ https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595154247/ 96 Prezado(a) aluno(a), Nesta apostila fizemos uma abordagem ampla e resumida sobre os mais diversos temas da Otorrinolaringologia. Busquei resumir para você conceitos como anatomia, fisiolo- gia e das principais patologias da orelha humana. A anamnese e um bom exame físico são cruciais para uma boa avaliação e para a formação de uma hipótese diagnóstica adequada. Apresentamos as diferenças entre otites e as diversas doenças da orelha média. Destacamos as diversas doenças que acometem a audição, os tipos de perdas auditivas existentes e por um uma miscelânea de temas, os quais estão presentes na prática clínica de todo profissional de saúde que possui abrangência em audição e aparelho vestibular. A ordem dos temas foi colocada de forma programada, a fim de trazer a você uma forma de aprendizado organizada e gradual. Alguns temas são difíceis e devem ser lidos de forma integral dentro das referências da apostila e além disso, sinta-se estimulado(a) a procurar outras referências para ampliar suas fontes de informação e conhecimento. Acredito que dessa forma você estará preparado(a) para ser um profissional dife- renciado e poderá exercer fonoaudiologia de forma íntegra. Desejo a você um excelente curso. Muito sucesso! Um grande abraço. CONCLUSÃO GERAL ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Site UniFatecie 3: Botão 11: Botão 10: Botão 9: Botão 8: Unidade 01: Unidade 02: Unidade 03: Unidade 04: