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Dermatologia – M7 Ana Laura Coradi T.XXII 
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Dermatite atópica 
Introdução 
É uma doença crônica de pele mais comum. Tem 
evolução crônica e ou recidivante. 
Apresenta etiologia multifatorial: componente 
genético + gatilhos ambientais (poluição, 
exposição precoce a antibióticos) que levam a 
disfunção da barreira epidérmica. 
Tem o prurido e a coceira como sintomas 
marcantes. 
Ocorre associação com outras doenças atópicas 
como asma, rinoconjutivite alérgica. O conceito é 
chamado de marcha atópica: ocorre o surgimento 
de Dermatite atópica na infância precoce, ocorre 
aparecimento de asma na infancia mais tardia e 
rinite na adolescencia e vida adulta, podendo 
coexistir em alguns casos essas 3 patologias. 
Fatores genéticos 
Histórico familiar: é importante fator de risco para 
desenvolvimento da DA 
Existem 2 grandes grupos de genes que podem 
estar associados:sendo o primeiro o gene da 
filagrina envolvido no processo da dermatite 
atópica, são eles que codificam as proteínas de 
barreira da epiderme e temos mutação nos genes 
que codificam as proteínas com função 
imunológica na pele. 
Disfunção da barreira epidermica 
Ocorre perda de água transepidérmica, o que 
leva a xerodermia, isso leva a maior exposição 
de alérgenos, irritantes e micrrorganismos. 
Assim como pode ser gerado um processo de 
inflamação crônica da pele. 
Outra implicação da doença é o desequilíbrio da 
microbiota normal da pele devido aumento do S. 
aureus. 
Epidemiologia 
Mais comum em área urbana e em países de alta 
renda, com prevalência igual em ambos os 
sexos. 
Mais comum em crianças, sendo 46% dos casos 
nos primeiros 6 meses de vida e 90% dos casos 
são manifestados até os 5 primeiros anos de 
vida, mas pode acometer adultos ou idosos (isso 
é explicado devido a criança ter tido DA e 
persistiu ate a vida adulta ou a dermatite que 
surgiu tardiamente). 
Clínica 
Doença crônica, porém as lesões são divididas 
em: 
• Aguda 
• Subagudas 
• Crônicas 
As manifestações também irão depender da faixa 
etária (localização é diferente). 
Lesões agudas: pápulas e placas eritematosas, 
podem apresentar vesículas (resultado do 
edema) e crostas serosas (transudato resultante 
do edema – a olho nu tem aspecto brilhoso) são 
comuns. 
Lesões subagudas: placas eritematosas 
descamativas e pápulas. As crostas podem estar 
presentes. Lesão com aspecto mais seco, 
chamando atenção para a descamação. 
Lesões crônicas: placas espessas com 
liquenificação. Pele fica espessa devido a coceira 
recorrente do paciente. 
 
Manifestações por faixa etaria 
Pacientes menores que 2 anos: lesões em face, 
principalmente nas bochecas, pescoço, faces 
extensoras e tronco. Geralmente poupa a região 
de fralda. 
Pacientes de 2 anos-12 anos: lesões em 
regiões flexoras, pescoço, fossa antecubital, 
punhos, tornozelos e fossa poplítea. 
Pacientes adolescente e adultos: predomínio 
de lesões liquenificadas, também em regiões 
flexoras. 
Estigmas atópicos 
Queratose folicular: Pápulas ou micropápulas que 
podem ser eritematosas ou na mesma cor da 
pele, em região de glúteos, coxas e posterior do 
braço. 
Dermatologia – M7 Ana Laura Coradi T.XXII 
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Pitiriase alba: manchas e máculas hipocrômicas 
que podem descamar e aparecem na pele. 
Dupla prega de Denni- Morgan: é um indicativo 
de alergia no paciente, pode ser acompanhado 
de prega nasal devido coçar o nariz. 
Hiperlinearidade palmar e plantar: é um 
transtorno que pode ser hereditário ou adquirido, 
tem como característica principal a 
hiperqueratose (espessamento da parte mais 
externa da epiderme), de pele na palma das 
mãos e na palma dos pés. 
Xerodermia e dermogramismo branco: atrito 
contra a pele e leva ao branqueamento seguindo 
o trajeto do atrito, devido a vasoconstrição 
intensa no local. 
Diagnóstico 
Sempre avaliar a historia clínica, exame físico e 
história familiar. 
Biópsia: apenas em casos duvidosos. 
 Dosagem de IgE sanguínea: vai estar 
aumentada na maioria dos casos. 
Complicações 
Infecções bacterianas – pela própria flora 
bacteriana que vai sofrer um desequilíbrio, como 
impetigo, abscessos e infecção de corrente 
sanguínea. Lesão com crosta melicérica – pus, 
indica presença de infecção secundária. 
Infecções virais – eczema herpético, é uma 
complicação rara, são vesiculas e erosão na pele 
em cima de uma base eritematosa espalhada 
pelo corpo. 
Redução de qualidade de vida, trabalho e de 
sono. 
Tratamento 
Recuperação da barreira da pele. É um 
tratamento complicado pois é de dificil aderência. 
É baseado na hidratação com cremes 
emolientes, banhos curtos sem esponja e bucha, 
com água morna e sabonete de glicerina (mais 
neutro). 
Uso de corticoides tópicos – depende da 
extensão, usado para quebrar o ciclo de 
aparecimento das lesões. 
Lesões mais agudas é indicado dexametazona, 
na área de face evitar uso de corticóides devido o 
risco de glaucoma. 
Uso crônico de corticóides também não é 
indicado pois causa atrofia cutânea. 
Para lesões de pele em face: Inibidores de 
calcineurina tópico – tacrolimus. O uso crônico 
deles não leva a atrofia cutânea e nem risco de 
glaucoma. 
Tratamento de infecções secundárias: 
dependendo da gravidade podendo ser tópico ou 
sistêmico 
Descolonização – feita com ácido fusidico, é feita 
aplicação dessa pomada do umbigo, axila, virilha 
e narinas 2x ao dia por uma semana, usando 
também sabonetes assepticos em região de 
dobras. 
Corticoides sistêmicos: usados em exacerbações 
graves, não é utilizado como manutenção do 
tratamento. 
Imunossupressores são receitados em casos 
graves: ciclosporina, metrotrexato, azatioprima e 
micofenolato. 
Imunobiológicos: usados em casos graves e 
refratários. 
Prognóstico 
Melhora com o passar da idade, a maioria 
melhora até os 10 anos de idade.

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