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1 PNEUMOLOGIA – 1º BIMESTRE – Dra Adriane Petruco ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO Anatomia Torácica Quando falamos de anatomia torácica, temos essa foto cheia de estruturas. Temos que ter em mente toda essa noção de caixa torácica, a parte óssea, muscular, vascular e de inervação e os órgãos internos que são principalmente os pulmões e o coração. Anatomia dos Pulmões O pulmão é um órgão duplo, temos o pulmão direito e o esquerdo. Os 2 pulmões são unidos através da via aérea, principalmente pela traqueia e pelos brônquios principais. Existe uma diferença básica na anatomia dos 2 pulmões: os lobos. No pulmão direito temos 3 lobos: lobo superior, médio e inferior, já no pulmão esquerdo temos 2 lobos: lobo superior e inferior. Há quem diga que na formação (embriogênese), o lobo médio do pulmão esquerdo é representado pela língula, que ficou unida ao lobo superior, por isso o lobo superior esquerdo é bem maior quando comparado com o lobo superior direito. Esses lobos são divididos por fissuras, que são formadas por uma dobra da pleura (a qual reveste o pulmão). No pulmão direito temos a fissura horizontal (a qual divide lobo superior direito do lobo médio) e a fissura oblíqua (que divide o lobo médio do lobo inferior direito). No lado esquerdo, como temos apenas 2 lobos, temos 1 fissura, que é a fissura oblíqua (divide o lobo superior esquerdo do lobo inferior esquerdo). Segmentos pulmonares Da mesma forma que existe uma diferença entre o pulmão esquerdo e direito, também existe uma diferença entre a subsegmentação dos 2 pulmões. Cada lobo é subdividido em um segmento guiado por uma segmentação da árvore brônquica, dessa forma, como no pulmão direito temos um lobo a mais, entende-se que também tenhamos mais segmentos. 10 segmentos a direita 9 seguimentos a esquerda 2 Isso é muito importante quando vamos fazer a localização das doenças, especialmente tumores pulmonares, porque dependendo da região onde está localizado, o cirurgião poderá fazer um planejamento cirúrgico e identificar quais são as margens cirúrgicas de segurança pra uma ressecção pulmonar. O paciente pode ser submetido a uma: Segmentectomia – retirada de um segmento; Lobectomia – retirada de um lobo; Pneumectomia – retirada de um pulmão. Árvore brônquica - o ramo primário esta dentro de cada pulmão e se divide em ramos secundários e depois em vários bronquíolos - brônquios se ramificam em diversos bronquíolos e vão perdendo cartilagem. - no espaço morto há o ar que não há troca gasosa - de acordo com a geração dos brônquios haverá transporte gasoso ou troca de gás, então conforme se ramifica vai ocorrendo a troca de gás. Vias Aéreas A entrada do ar se inicia nas narinas, ou seja, as vias aéreas começam desde a região das narinas, passando pela faringe, hipofaringe, traqueia e a subdivisão dos brônquios e seus subsegmentos. O que difere brônquio, bronquíolo terminal e bronquíolo respiratório é basicamente a anatomia. Brônquios – vias aéreas de maior calibre, que possuem cartilagem na sua parede. Região que advêm diretamente da traqueia. Temos o brônquio principal direito e esquerdo. Bronquíolos terminais ou membranosos – são ramos de menor calibre, divididos em primários, secundários e terciários. A diferença deles para os brônquios é que eles não possuem cartilagem na parede. Bronquíolos respiratórios – já são considerados propriamente alvéolos. É a região onde já temos a ocorrência da troca gasosa, porção final da via aérea juntamente com os alvéolos. Ácino pulmonar (bronquíolos + alvéolos) – local onde ocorre a real troca gasosa. Essas estruturas não conseguimos ver em uma radiografia ou tomografia de tórax, apenas em nível anatômico porque são regiões da microestrutura pulmonar. Circulação Pulmonar Arterial Circulação brônquica – origem da artéria aorta Circulação sistêmica – origem da artéria frênica, artéria esofágica e artéria gástrica Venosa Veias brônquicas drenam para veias pulmonares ou veias ázigos 3 Temos a circulação arterial e venosa dos pulmões. A circulação arterial é subdividida em dois tipos: circulação brônquica, cujos vasos tem origem no sistema da aorta e a circulação sistêmica, que provêm de alguns ramos da artéria frênica, esofágica e gástrica, as quais estarão irrigando mais a parte inferior dos pulmões, ou seja, as bases pulmonares, por continuidade anatômica. Basicamente a circulação arterial é provida da artéria aorta. O sistema venoso é feito através das veias brônquicas, as quais drenam para as veias pulmonares (desembocam no átrio esquerdo) ou veias ázigos (que drenam para veia cava). Na circulação brônquica, dentro da aorta, corre sangue arterial e é considerado um sistema de alta pressão. A circulação sistêmica que vem da frênica, esofágica e gástrica, por ter ramos menores é um tipo de circulação de menor pressão. Na circulação pulmonar, o átrio direito recebe sangue da veia cava inferior e superior, as quais trazem sangue rico em CO2 (sangue venoso). Do átrio direito, o sangue passa para o ventrículo direito, onde nasce a artéria pulmonar, que recebe esse sangue e leva para o pulmão para que ocorra a hematose (transformação do sangue venoso em sangue arterial). As veias pulmonares levam esse sangue rico em O2 (sangue arterial) para o átrio esquerdo, o qual passa para o ventrículo esquerdo e em seguida para a aorta, para que ocorra a circulação sistêmica. - sistema de baixas pressões - sistema de alta complacência vasos complacentes PP=25x8 mmHg PA= 120x80 mmHg Característica fisiológica da circulação pulmonar Sistema de baixas pressões Sistema de alta complacência Vasos complacentes Recrutamento vascular Zonas de West Existem algumas características fisiológicas dos vasos pulmonares que fazem com que ele consiga contemplar todo o volume de sangue que ele recebe através do coração. É um sistema que consideramos de baixas pressões e alta complacência, ou seja, os vasos pulmonares são muito complacentes, tem a capacidade de se distender e aumentar o seu calibre, aumentando a sua capacidade de reserva de sangue. Existe uma coisa chamada de recrutamento vascular. Existem micro ramos dos vasos pulmonares que podem se abrir como se fossem novos vasos para tentar receber todo esse sangue, com isso o sistema circulatório pulmonar consegue receber todo o volume sanguíneo periférico, realizar esse processo da troca gasosa e retomar esse sangue pro sistema arterial. Quando comparamos vasos pulmonares com os do miocárdio, os vasos pulmonares são mais complacentes e de baixa pressão, se você tem um sistema de baixa pressão é mais fácil o fluxo sanguíneo chegar até ele. Se fosse um sistema de alta pressão, dificultaria a chegada do sangue e não teríamos todo esse sistema capaz de comportar todo o volume sanguíneo. Zona 1 - P alvéolo > P arterial > P venosa Zona 2 – P arterial > P alvéolo > P venosa mais bem perfundida Zona 3 – P arterial > P venosa > P alvéolo 4 Considerem nesse esquema um pulmão em posição ortostática (em pé). Por ação da gravidade, temos alvéolos mais distendidos na região do ápice quando comparados na região da base. Isso significa que eu tenho uma ventilação melhor nos campos pulmonares superiores quando comparados com os campos pulmonares inferiores, tem maior passagem de ar. Quando estudamos circulação é o inverso, porque pela ação da gravidade a pressão exercida pelos vasos pulmonares na região apical é maior, então a circulação tem mais dificuldade de chegar até o ápice, ou seja, você tem menos circulação ou menos perfusão quando comparado na base pulmonar. Em resumo, isso quer dizer que quando consideramos um paciente em posição ortostática, a região do pulmão que temos maior perfusão/circulação pulmonar é na base e a maior ventilação pulmonar ocorre no ápice. Se eu tiver uma doençacuja via patogênica dela é inalatória, o ápice (campo superior) seria a região de maior preferência/localização dela, um grande exemplo é a tuberculose pulmonar. Se for uma doença de origem hematogênica, ou seja, que o microrganismo vem pela circulação pulmonar, a região de preferência dela seria na base, porque é onde ocorre a maior rede de vasculatura. Zonas de West são as subdivisões do pulmão: Ápice – zona 1 (maior ventilação e menor perfusão); Zona intermediária – zona 2 (ventilação e perfusão equivalentes); Zona basal – zona 3 (menor ventilação e maior perfusão sanguínea). Essa classificação ocorre para o paciente em pé, se ele estiver deitado isso muda. Por exemplo, se o paciente estiver deitado de costas, a zona 1 seria a região anterior e a zona 3 seria a região posterior, por ação da gravidade. Complacência Pulmonar Pressão transpulmonar – diferença entre a pressão pleural e alveolar Diferenças regionais de pressão – diferença nos volumes alveolares diferença na complacência pulmonar C = ΔV/ΔP Complacência pulmonar é a facilidade com que conseguimos inflar e desinflar o pulmão no processo de ventilação pulmonar, ou seja, na inspiração e expiração. Sabemos que existe uma fórmula na física que complacência é a proporção da variação de volume sobre a pressão, então para que você tenha uma situação de alta complacência, você tem que estar em uma situação de baixas pressões, gerando altos volumes. Quando você tem situações de altas pressões, gerando baixos volumes, você tem uma menor complacência pulmonar. As pressões que geram a complacência pulmonar são basicamente a pressão gerada entre a superfície da parede torácica em relação a superfície pulmonar, essa pressão é chamada de pressão transpulmonar, que é a diferença entre a pressão pleural, que é gerada pela superfície da caixa torácica, sobre a pressão alveolar, que é gerada pela superfície pleural ou superfície pulmonar. Então existe uma pressão que podemos medir da superfície da caixa torácica e uma pressão que podemos medir dentro do alvéolo. Essa diferença de pressão é o que chamamos de pressão transpulmonar. 5 Se temos uma situação de pressão pleural (na parede torácica) muito alta comparada com uma pressão alveolar muito baixa, essa pressão transpulmonar estará tendendo para o lado alveolar, isso faz com que o pulmão colapse (feche), e o inverso é verdadeiro. Para mantermos esses alvéolos abertos, é fundamental que a gente tenha uma pressão transpulmonar equilibrada ao longo de toda a caixa torácica, porque se faltar o equilíbrio entre a pressão pleural e alveolar, você sempre terá uma situação que vai levar ao colapso pulmonar, então essa pressão transpulmonar é fundamental para que tenhamos o pulmão aberto na medida certa. - a complacência relaciona-se com a elasticidade e tensão superficial - a complacência diminuída é caracterizada pelas seguintes condições pulmonares patológicas 1. cicatrizes no tecido pulmonar (tuberculose) 2. tecido pulmonar cheio de líquido (edema pulmonar) 3. produção deficiente surfactante 4. expansão impedida de alguma maneira (paralisia dos músculos intercostais) Causas de redução da complacência pulmonar: Edema pulmonar Fibrose pulmonar Preenchimento alveolar (sangue, fibrina) Atelesctasia Derrame pleural, pneumotórax Deformidade de caixa torácica Ascite, distensão abdominal Causa de aumento da complacência pulmonar: Enfisema Quando temos doenças ou situações que alteram essa complacência pulmonar, ou seja, interferem na pressão transpulmonar, teremos situações de maior ou menor complacência pulmonar. Um exemplo de doença em que temos uma complacência pulmonar aumentada é o enfisema pulmonar, porque nele temos uma destruição dos alvéolos pulmonares e bronquíolos (de menor e maior calibre), com essa destruição o parênquima pulmonar está com menos alvéolos, a arquitetura do parênquima está toda debilitada/destruída, nessa situação perdemos as estruturas alveolares, ou seja, perdemos pressão alveolar, o que facilita com que o pulmão fique insuflado ou desinsuflado. Já em um caso de fibrose pulmonar, temos depósito de colágeno no interstício pulmonar, fazendo com que ocorra um endurecimento do pulmão, a complacência pulmonar está diminuída, porque se temos o pulmão mais enrijecido pelo depósito de colágeno, está mais difícil insuflar e desinsuflar. Outro exemplo de baixa complacência pulmonar é a deformidade de caixa torácica, pacientes que possuem cifose ou escoliose congênita ou mesmo não congênita, mas de grande proporção, é difícil fazer expansão torácica pois a anatomia torácica dele não está permitindo que ele tenha todo o movimento da mecânica ventilatória. Edema pulmonar funciona da mesma forma que a fibrose pulmonar, mas ao invés de termos depósito de colágeno no interstício pulmonar, ele está repleto de líquido, dificultando então a movimentação do parênquima pulmonar. Pneumotórax é a presença de ar na cavidade torácica, então o pulmão fica colapsado, ou seja, não entra ar lá dentro, gerando uma menor complacência. Derrame pleural é a presença de líquido na caixa torácica, o pulmão também fica colapsado (fechado), ou seja, é difícil expandir o parênquima pulmonar e entrar ar nos alvéolos, tendo também uma menor complacência pulmonar. 6 Volumes Pulmonares Volume corrente é a quantidade de ar que entra e sai numa manobra inspiratória e expiratória. Quando fazemos um exame chamado espirometria, temos que lembrar desse esquema para entendermos o que é cada termo que falamos nesse exame. Em vermelho temos a curva que mostra mais ou menos as manobras de inspiração e expiração de uma pessoa. Então a pessoa está inspirando e expirando, inspirando e expirando, de forma normal, sem forçar respirar mais ou menos. Essa quantidade de ar que entra e sai numa manobra inspiratória e expiratória é chamada então de volume corrente. Você também pode pedir pro paciente fazer uma manobra de inspiração máxima (enche o ar o máximo que você pode) e expiração máxima (solta o ar o máximo que você pode). Essa quantidade de ar na inspiração máxima até a expiração máxima é chamada de capacidade vital, ou seja, a capacidade máxima que um indivíduo consegue inspirar e expirar em uma manobra forçada/voluntária. Porém sabemos que quando enchemos os pulmões de ar e soltamos o ar dos pulmões o máximo que podemos, não conseguimos tirar todo o ar presente neles, porque se não o eles colapsavam. Existe uma quantidade de ar que ficam dentro dos pulmões dentro das vias aéreas, brônquios, traqueia, que é a região superior, que é chamada de capacidade residual. Essa capacidade residual é a quantidade mínima de volume de ar que fica na parede respiratória mesmo após a manobra forçada de expiração. Dentro da capacidade residual existe o volume residual, que é um termo mais específico. O que temos que saber é a capacidade pulmonar total = capacidade vital + capacidade residual, ou seja, é a quantidade real de ar que o pulmão daquele indivíduo é capaz de comportar e pra cada indivíduo esse valor varia, pois depende do sexo, idade, altura e etnia, cada país tem seu valor de referência. De forma geral, pessoas mais altas terão pulmões maiores e, consequentemente, capacidade pulmonar maior, mas o normal de cada pessoa vai depender muito da natureza do lugar onde ela está. Volume residual é o volume que não sai do pulmão. A capacidade pulmonar total é calculada da capacidade vital até o volume residual. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Troca Gasosa Existe uma região anatômica que chamamos de membrana alvéolo-capilar. É uma região intersticial, de um lado vamos ter artéria pulmonar e do outro lado, o alvéolo. Na região do vaso pulmonar estará correndo sangue venoso, rico em CO2, e na região do alvéolo teremoso sangue rico em O2. Vai ocorrer a troca do oxigênio do alvéolo para o sangue e o CO2 que está no sangue vai para o alvéolo, isso é o que chamamos de hematose ou troca gasosa. Fatores determinantes Ventilação alveolar Ventilação alveolar é um fator determinante pois não adianta ter um alvéolo se ele não tiver O2, ou seja, se tiver alguma doença ou situação em que diminua a ventilação alveolar (diminua a quantidade de ar que está chegando nesse alvéolo), você terá uma menor troca gasosa. Situação em que podemos impedir a entrada do ar no alvéolo: sufocamento, pois de alguma forma a via aérea está sendo obstruída. Outra situação é estar num ambiente com baixa taxa de O2, então a troca gasosa será menor. Perfusão capilar Perfusão capilar, se pensarmos por analogia, se não tiver sangue chegando nessa região da membrana alvéolo-capilar para fazer a troca, não adianta ter um alvéolo rico de O2. Em situações que temos uma menor perfusão, ou seja, uma menor quantidade de sangue chegando, o paciente pode estar hipotenso, pode ocorrer casos de choques hemorrágicos, traumatismos com lesão no sistema arterial ou venoso-pulmonar e uma outra situação chamada tromboembolismo venoso, que é a presença de 7 coágulo no sangue do sistema arterial-pulmonar, impedindo a passagem do sangue. Situações em que teremos menor fluxo sanguíneo (com isso não teremos troca gasosa) é uma das causas de hipoxemia que o paciente vai apresentar. Transporte de gases (hemoglobina) No transporte de gases, o carreamento de CO2 depende da taxa de hemoglobina, então se o paciente estiver anêmico, mesmo que tenha um fluxo sanguíneo normal, teremos uma menor taxa de troca gasosa. Distúrbios de troca gasosa Desigualdade ventilação/perfusão Quando temos um déficit da ventilação ou perfusão capilar, chamamos isso de desigualdade de ventilação/perfusão, ou você não tem sangue oxigenado chegando na quantidade suficiente, ou você não tem o sangue chegando na circulação na quantidade suficiente. Shunt Os processos de Shunt, especificamente, são essas situações em que você não tem oxigenação, mas tem a circulação chegando. É bem específico, mas quando falarmos de embolia pulmonar voltamos nisso para explicar melhor. Distúrbio da difusão – alteração da membrana intersticial Existem algumas doenças ou algumas situações em que esse interstício pulmonar é afetado, por exemplo, quadro de edema pulmonar, onde ocorre um extravasamento de líquido nessa região que atrapalha a troca do CO2 e O2. Doenças onde tem a destruição dessa membrana intersticial, como enfisema pulmonar, em que ocorre a destruição da membrana alvéolo-capilar. Doenças intersticiais como na fibrose pulmonar idiopática, onde esse tecido fica todo endurecido e enrijecido pelo processo de fibrose, impedindo a passagem de O2 e CO2. São situações mais específicas, mas só pra vocês lembrarem quais são os mecanismos que vão interferir no processo de troca gasosa. São mecanismos básicos ou da oxigenação, ou da circulação, ou que estejam afetando essa membrana intersticial. Mecânica Ventilatória É basicamente o processo de expansão que temos na fase inspiratória e expiratória da ventilação pulmonar. Inspiração é um comando objetivo (conseguimos programar), mas a expiração não. Isso acontece porque para que ocorra o processo de inspiração, ou seja, a entrada do ar nos pulmões, precisamos do auxílio da musculatura da caixa torácica, são os músculos respiratórios (musculatura da cintura escapular superior, musculaturas intercostais, musculatura abdominal, diafragma e musculatura dorsal). Para que a gente consiga fazer esse processo ativo, vai ocorrer a contração muscular de forma ativa, fazendo com que tenhamos uma expansão da cavidade torácica na região anterior e lateral, consideramos esse movimento de alça ?. Na inspiração, aumentamos o diâmetro anteroposterior, as costelas se erguem, se alargam, permitindo a entrada do ar, então aumentamos o diâmetro torácico. Na fase expiratória, ocorre o relaxamento dessa musculatura, abaixamento dos arcos costais, diminuição do volume torácico e a saída do ar. Controle da Ventilação 8 Existem fatores neurais e bioquímicos que participam do controle da ventilação. Os fatores neurais são substâncias providas do sistema nervoso, normalmente atuam na frequência respiratória (número de movimentos inspiratórios e expiratórios durante um minuto, o valor normal em um adulto é de 15 a 20) e os fatores bioquímicos atuam no volume corrente (quantidade de ar que entra e sai do pulmão numa manobra inspiratória e expiratória). Em um aumento da frequência respiratória, o paciente irá respirar mais rápido. Já num aumento do volume corrente, ele irá inspirar mais profundo e expirar mais profundo para entrar uma quantidade de ar maior. Fatores neurais – atuam sobre frequência respiratória Estiramento do parênquima pulmonar Receptores na via aérea Barorreceptores nos vasos Impulsos nos músculos e articulações Fatores químicos – volume corrente Oxigênio CO2 (alta taxa dele leva a uma acidose) pH arterial Nos fatores neurais, sabemos que existem biomarcadores que atuam no estiramento do parênquima pulmonar, ou seja, eles vão entender o quanto o pulmão está insuflado ou não para tentar auxiliar a pessoa a respirar mais rápido ou mais devagar. Receptores nas vias aéreas, ou seja, na traqueia, nos brônquios e bronquíolos. Barorreceptores em alguns vasos, principalmente na carótida. Alguns impulsos de musculatura e articulações. São locais onde temos alguns receptores que podem sinalizar o cérebro para que ocorra liberação de substâncias, mediadores bioquímicos para levar a um aumento da frequência respiratória, ou seja, pro paciente respirar mais rápido. Nos fatores químicos temos a taxa de oxigênio, então se ela for mais baixa vai sinalizar pro cérebro para que a pessoa aumente o seu volume corrente. A taxa de CO2 é outro marcador e o pH arterial, em um ambiente mais ácido, quando o paciente tem uma acidose respiratória o pH encontra-se mais ácido e o metabolismo vai fazer com que você sinalize pro cérebro para que aumente o volume corrente, aumentando a quantidade de ar que entra e sai do pulmão, corrigindo essa acidose respiratória (caracterizada por pH baixo – abaixo de 7,2 – e alta taxa de CO2 – 80 a 100 –). ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- AVALIAÇÃO CLÍNICA Processo diagnóstico Queixa principal História clínica Exame físico Hipótese diagnósticas Investigação do problema. O paciente sempre irá chegar com uma queixa principal (EX: tosse) e através dessa queixa principal iremos desenhar uma história clínica (quanto tempo está com tosse? Como é a tosse? Tem catarro ou não? Qual o aspecto do catarro? Tem algum horário que tosse mais ou menos? Tem alguma coisa que você percebe que piora ou melhora a tosse? Já usou alguma medicação pra isso? História familiar? História de antecedentes pessoais? História ocupacional?). Depois disso, iremos analisar o paciente com o exame físico completo, focando principalmente na queixa principal (se ele está com tosse vamos caprichar no exame físico torácico). A partir daí geramos nossas hipóteses diagnósticas e planejamos nossa investigação do problema (pedir algum exame? Internar o paciente?). Principais queixas respiratórias Dispneia Tosse manifestação de várias doenças do trato superior ou inferior, inalação de poluente, infecções, diferença de temperatura, ar seco, refluxo gastroesofágico Expectoração (catarro) Dor torácica Chiado/roncos no peito Hemoptise (presença de sangue ao tossir) 9 Para cada uma precisamos fazer o detalhamento da queixa (EX: dispneia – como é? As vezes o paciente fala que não tem falta de ar mas fala que tem cansaço/canseira, então temosque cercar o paciente de todas as formas, perguntar de formas diferentes. Cansa para levantar? Cansa pra ir do quarto até a cozinha? Há quanto tempo começou? Acontece só quando se esforça ou até quando deita? Deita com um ou dois travesseiros? São detalhes que temos que puxar conforme o paciente vai contando, e aí vamos guiando a nossa hipótese diagnóstica). Achados no exame físico Inspeção/percussão/ausculta do tórax Sons pulmonares: estertores, sibilos, roncos Hipocratismo digital Quando fazemos o exame físico da caixa torácica, passamos por todas as fases: inspeção, percussão e ausculta do tórax. Temos os sons pulmonares, os principais: esterores, sibilos e roncos. Tem uma coisa que é bastante específica em pneumo, que é o hipocratismo digital (baqueteamento digital), encontramos ele em DPOC grave, caracterizada por hipoxemia crônica, que pode ocorrer por doença pulmonar/neurológica/cardiológica, em cardiopatia congênita também tem pacientes com baqueteamento digital (que ocorre então pela hipoxemia crônica). Por isso que é mais comum na DPOC grave, que tem uma baixa taxa da capacidade pulmonar e convive com a hipóxia crônica, levando ao desenvolvimento do baqueteamento digital. Exames diagnósticos Imagem Radiografia de tórax Tomografia computadorizada de tórax Cintilografia pulmonar de ventilação/perfusão Laboratoriais Gasometria arterial Invasivos Função pulmonar Espirometria Pletismografia Broncoscopia Radiografia de Tórax 2 incidências (PA e Perfil) Alterações mínimas ou diagnóstico Exames anteriores para comparação Quando falamos de radiografia de tórax, o conceito básico na pneumologia é: sempre tem que ter análise de duas incidências, ou seja, duas fotos. Quando você tira uma foto só em PA (posteroanterior), que é o mais comum, você não consegue ver o pulmão como um todo, você deixa de ver principalmente essa região dorsal do pulmão, que é a região de maior amplitude do pulmão, então podemos deixar de fazer diagnósticos porque o técnico de radiologia fez só a posição de PA e não fez de perfil (lateral). Você pode ter alterações mínimas no raio-X de tórax, ou seja, um raio-X normal e por ele as vezes já podemos dar o diagnóstico do paciente. Sempre que possível, dependendo do que estamos analisando, se dispormos de exames anteriores podemos comparar a lesão no paciente. 10 Em um raio-X de tórax, existem várias estruturas que temos que analisar no pulmão. Cada médico tem uma técnica de análise, existe a do ABCDE (analisa de fora pra dentro), a qual eu costumo utilizar. Vamos começar analisando as regiões periféricas na foto, então o que temos na periferia do tórax é: parede torácica (composta de pele, músculos e ossos), vamos enxergar tecido subcutâneo (paciente magrinho não conseguimos enxergar muita coisa – mas se tiver alguma tumoração ou baleamento conseguimos enxergar –), arcabouço ósseo (arcos costais, clavícula, escápula) vamos analisar se tem alguma fratura ou tumoração. Geralmente conseguimos ver os 12 arcos costais que possuímos (durante o exame devemos inspirar e segurar o ar para que o pulmão insufle e consigamos enxergar melhor). Consideramos que o paciente inspirou bem quando aparece de 8 a 10 arcos costais no exame, se não encontrarmos 8 arcos costais ou o paciente fez expiração ou estava tão dispneico que não conseguia segurar o ar na manobra inspiratória, isso as vezes falseia a análise do parênquima pulmonar, porque se você tem um pulmão expirado, ou seja, desinsuflado, as estruturas pulmonares (alvéolos e bronquíolos) estarão mais fechadas/colapsadas, então o parênquima pulmonar vai aparecer mais denso/branco no raio-X e pode causar uma falsa ideia de que ele esteja inflamado ou conjesto por esses motivos é importante analisar a técnica do raio-X, se ele foi bem feito ou não. Para analisar fratura de arcos costais devemos seguir um por um, da borda superior a borda inferior para saber se tem fratura ou não. Também enxergamos a coluna cervical (um pouquinho), a torácica e a lombar, o ideal é que não enxerguemos muito em cima, pois se enxergarmos toda a coluna significa que o raio-X foi mal feito, pois ele irradiou demais e estamos enxergando demais as estruturas ósseas e não estamos enxergando o parênquima em sua densidade normal. Após isso observamos o parênquima pulmonar. No raio-X, enxergamos o ar mais preto e o líquido (sangue, água, pus...) mais branco. No mediastino temos o coração, grandes vasos, esôfago e pericárdio e no raio-X aparece tudo isso, porém é difícil de enxergar. A área cardíaca engloba o coração e pericárdio. Existe um cálculo que fazemos para vermos se o tamanho da área cardíaca é normal. De forma geral, pegamos o maior diâmetro da borda lateral direita pra borda lateral esquerda e traçamos uma linha imaginária sobre a coluna torácica. Vamos pegar a medida lateral direita sobre essa linha imaginária e ver se a borda esquerda não ultrapassa a parede torácica a direita. Se esse diâmetro está dentro da cavidade torácica, é considerado uma área cardíaca normal. Se o ultrapassa, consideramos como cardiomegalia. Também temos a região dos hilos pulmonares: hilo pulmonar direito e hilo pulmonar esquerdo. Está contido nos hilos pulmonares os vasos e os brônquios (também é comum enxergarmos nos hilos pulmonares: linfonodos pulmonares mediastinais ou glânglios mediastinais; normalmente na radiografia de tórax não vamos enxergar nenhum linfonodo, apenas ramificações que são os vasos pulmonares principais saindo, se enxergarmos algo a mais é porque tem algo alterado). Vamos conseguir enxergar a coluna aérea, no ponto que ela bifurca vamos ver a traqueia dividida em brônquio principal direito e brônquio principal esquerdo, o ponto de bifurcação é chamado de carina. Também enxergamos diafragma direito e esquerdo, a diferença entre eles é que do lado direito temos o fígado então podemos observar o diafragma direito um pouquinho mais alto que o esquerdo, desde que não seja nada desproporcional, é normal. Bolha gástrica é um sinal que podemos observar principalmente se o paciente fez o raio-X em pé, pela ação da gravidade o ar fica pra cima. Se o raio-X é realizado deitado, você não vai enxergar a bolha gástrica, a não ser que o paciente esteja com o estômago distendido. Seio costofrênico é uma angulação pontiaguda feita pela ação do próprio diafragma. Quando temos líquido no pulmão, ou seja, derrame pleural, temos um apagamento desse seio costofrênico, porque por ação da gravidade os líquidos tendem a ficar nas bases. As vezes o paciente tem uma pequena quantidade de derrame pleural e não é tão sintomático mas você faz a radiografia de tórax e não enxgerga mais essa angulação do seio costofrênico, que pode ser uni ou bilateral. 11 No raio-X de perfil enxergamos quase tudo que descrevemos no de PA, só que ele é bem mais complexo. Então enfatizamos: tecido celular subcutâneo, parte óssea (pouco dos arcos costais, coluna – conseguimos ver fratura de vértebra –, se paciente tem esporões ósseos vertebrais também é possível ver, alguma listese de vértebra, esterno na região anterior), diafragma (sobreposto o direito com o esquerdo), área cardíaca e hilo pulmonar (brônquio, ramificações dos vasos pulmonares). Atrás mais escurinho, a traqueia, atrás dela temos o esôfago (enxergamos uma parte dele), aqui em baixo vemos um vaso que está chegando no átrio direito, que é a veia cava inferior. Essa região é o parênquima pulmonar da região de algum lobo inferior posterior, não consigo afirmar se é o direito ou esquerdo. Então as vezes se você tem alguma pneumonia ou tumor nessa região e não faz essa incidência, você perde o diagnóstico, por isso é importante fazer as 2 incidências. No perfil, área cardíaca, traqueia, arco aórtico, hilo pulmonar com os brônquios, artéria pulmonar esquerda, coluna, veia cava inferior, a região mais preta que vai do esternoaté o limite superior da borda cardíaca superior, é uma região onde temos parênquima pulmonar, é pulmão, ta preto então tem ar, chamamos de espaço retroesternal. Prof chama atenção nisso porque é um dos critérios para quando falarmos em DPOC, caracterizamos tórax em tonel quando temos um aumento desse espaço retroesternal, porque no tórax em tonel o esterno vai pra frente, isso acontece porque o pulmão esta cheio de ar e aumenta de tamanho, hiperinsufla e consegue empurrar o esterno pra frente, então quando fazemos o raio-X em perfil temos o aumento desse espaço retroesternal. Alguns exemplos de raio-X de tórax Pneumotórax – presença de ar no tórax; pulmão direito está praticamente todo colapsado. Derrame pleural – presença de líquido no tórax caracterizada pela linha curva. Entre a pleura visceral e pleura parietal existe um liquido que tem função de manter deslizante as duas pleuras. Quando há aumento da produção desse liquido ou deficiência na sua absorção, haverá o derrame pleural. Pneumonia – é um infiltrado alveolar, ou seja, compromete a parte que há troca gasosa. Consolidação do parênquima pulmonar. Congestão pulmonar (edema pulmonar) – parênquima mais esbranquiçado como um todo; muito difícil acontecer unilateralmente. 12 Tomografia de Tórax Nos ajuda muito na definição das doenças pulmonares. Hoje falamos que existem tomógrafos capazes de fazerem análises quase de um patologista dependendo da situação. Existem vários exemplos de alteração anatômica, eu trouxe algumas só pra vocês observarem, mas iremos falar de cada situação em sua respectiva aula. Em ordem: 1. Presença de coágulo dentro da artéria pulmonar direita, numa situação de embolia pulmonar aguda; 2. Cistos de bronquiectasia num paciente que está com fibrose cística; 3. Lesões pulmonares alveolares em pacientes com câncer metastático; 4. Cistos pulmonares difusos em pacientes com linfangioleiomiomatose; 5. Cavitação e nódulos satélites em pacientes com tuberculose pulmonar; 6. Paciente com hemorragia alveolar; 7. Cistos de faveolamento com bronquectasias infiltrado reticular bilateral em paciente com fibrose pulmonar idiopática; 8. Nódulos centrolobulares difusos em vidro fosco em pacientes com pneumocistose e HIV; 9. Bolhas e cistos de enfisema pulmonar em paciente com DPOC. Cintilografia pulmonar Fase inalatória Fase de perfusão A cintilografia de pulmão é um outro exame que quase ninguém ouve falar, onde usamos 2 marcadores/contrastes. Um contraste para marcar a fase inalatória e outro para marcar a fase de perfusão. Atualmente, temos usado esse exame basicamente em uma situação: suspeita de embolia pulmonar, pois a tomografia tomou o lugar dela, mas em pacientes que possuem alergia ao contrates endovenoso, eles não podem fazer a tomografia de tórax então lançamos mão da cintilografia pulmonar (prof disse que na aula de embolia explicará melhor). PET Scan – Positron Emission Tomography Utiliza radiofármaco fluordesoxiglicose (FDG) Captação por células com alta taxa metabólica Identificação de lesões neoplásicas primárias e secundárias Doenças inflamatórias e/ou infecciosas também podem captar FDG Modalidade nova de tomografia que usa um marcador diferente: o “fdg”, que é basicamente indicado para situações onde temos suspeita de lesões neoplásicas, ou seja, de câncer, para diagnóstico e estadiamento da situação da doença. 13 Exames Laboratoriais Gasometria arterial Análise de líquido pleural Análise do escarro (BAAR, fungos, celularidade) D dímero Provas reumatológicas, sorologias virais e fúngicas Dosagem de alfa 1 anti-tripsina Dosagem de cloro no suor Marcadores tumorais Dosagem de imunoglobulinas Prova de função pulmonar Diagnóstico de distúrbios ventilatórios (obstrutivo/restritivo/misto) Avalia gravidade e prognóstico Rastreamento de doenças pulmonares É a espirometria. Consideramos a espirometria como se fosse o eletrocardiograma da pneumologia, então para nós é muito importante que o paciente realize esse exame, porque é através dele que entenderemos como está a capacidade pulmonar do paciente em relação aos volumes pulmonares (é aquele gráfico que foi mostrado: volume corrente, capacidade vital, capacidade residual funcional), é um exame bastante simples, em que a pessoa faz uma manobra de inspiração e expiração forçada nesse aparelho espirômetro, ele tem um vocal onde a pessoa ficará respirando e o computador dará as curvas que vai identificar se o paciente tem ou não alguma anomalia, através disso vamos analisar se tem algum distúrbio ventilatório e se isso está associado ou não as queixas respiratórias dele. Vamos falar dos parâmetros de espirometria quando chegarmos nas doenças para não nos confundirmos. Broncoscopia Diagnóstico de lesões endobronquicas ou parenquimatosas (através da broncoscopia podemos fazer biópsias pulmonares também) Hemoptise (diagnóstico e tratamento – se você tem um sangramento pulmonar, através da broncoscopia você consegue chegar no local onde está sangrando e poder fazer o tratamento) Atelesctasias (diagnóstico e tratamento – fechamento do parênquima pulmonar) Coleta de lavado broncoalveolar (coleta das secreções pulmonares diretamente no brônquio para análise bioquímica, pesquisa de células neoplásicas, lipídios, bactérias, fungos, etc) Endoscopia do aparelho respiratório. Da mesma forma que temos a endoscopia digestiva alta ou baixa, temos a endoscopia pulmonar que chamamos de broncoscopia. Broncoscópio é um aparelho muito semelhante ao endoscópico, o médico utiliza as narinas ou a cavidade oral para visualização da árvore respiratória e o que ele enxerga dentro da tranqueia. Aqui temos uma visão direta na carina, o brônquio direito e o brônquio esquerdo. 14 Exames invasivos Toracocentese – retirada de líquido nas situações de derrame pleural; punção por agulha simples. Biópsia de pleura – retirada de um fragmento da pleura através da agulha de cope. Biópsia percutânea guiada por TC – biópsia com agulha guiada por TC (ajudou muito pois antigamente só existia esse tipo de biópsia por cirurgia). Drenagem do tórax – passagem do dreno na cavidade torácica seja para retirada de líquido em excesso ou retirada de ar em caso de pneumotórax . Polissonografia Exame é feito com o paciente dormindo a noite toda para tentarmos avaliar os distúrbios do sono. Por esse exame teremos análise do encefalograma (saber as fases do sono), análise do movimento ocular, análise do eletrocardiograma, da frequência cardíaca, frequência respiratória, dos roncos e da saturação. Por ele conseguimos analisar como o paciente dorme, quais são as fases do sono, se ele ronca ou não, como é o padrão respiratório do paciente, se ele faz apneia ou hipopneia, se isso é patológico ou não. É um exame novo que surgiu após as hipóteses das doenças do sono que até pouco tempo não eram muito faladas. Sabe-se que com o aumento da prevalência da obesidade no adulto, aumentou-se muito a síndrome da apneia do sono e a síndrome da hipoventilação alveolar, então através da polissonografia conseguimos identificar tudo isso e fazer o planejamento terapêutico e tratamento desses pacientes. Teste de exercício cardiopulmonar Avaliar causa de DISPNEIA Broncoespasmo induzido por exercício Identificação precoce de doença vascular Avaliação pré-operatória Determinar gravidade e prognóstico das doenças Teste onde submetemos o indivíduo ao esforço físico e fazemos análise da sua capacidade aeróbica, metabólica e cardiovascular. É um exame mais completo de esforço físico, na pneumologia ele é muito importante quando estamos avaliando causas de dispneia, aquela paciente jovem que chega com muito cansaço, não tem nenhuma doença pulmonar, não tem nenhuma cardiopatia e nenhuma deficiência motora,então pra você adivinhar que esse paciente realmente não tem nenhuma doença pulmonar cardíaca ou neuromuscular, fazemos o teste cardiopulmonar, se esse teste vem normal, você realmente afastou todas as outras causas de dispneia, você está apto a diagnosticar esse paciente com apneia psicogênica, que é aquele que o paciente possui por distúrbio neurológico. Além de identificarmos causa de dispneia, podemos analisar se o indivíduo tem broncoespasmo induzido por exercício, aquele paciente que tem asma induzida pelo esforço físico. Também conseguimos identificar precocemente doenças vasculares, especialmente cardiopatias hipertróficas e hipertensão pulmonar, as vezes o paciente não tem sintomas ao repouso mas quando você coloca ele no esforço físico máximo o sintoma vem, junto com alterações eletrocardiográficas ou alterações de troca metabólica aparecem. As vezes é utilizado em avaliação pré-operatória e hoje temos utilizado cada vez mais para determinar gravidade e prognóstico de algumas doenças, porque sabemos que quando colocamos o paciente no esforço físico máximo, as alterações que não aparecem no repouso, vão aparecer e conseguimos ter mais detalhes de como vai ser o andamento desse paciente, as vezes um tratamento mais agressivo e mais precoce que antes. Aqui em Maringá temos médicos que fazem esse teste com foco mais pra parte cardiovascular e muscular. A parte aeróbica, com análise de gases metabólica não tem nenhum lugar que faça e acabamos perdendo um pouco nisso. 15 AULA 2 ASMA Definição Asma é uma doença respiratória crônica caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas. É definida por história de sintomas respiratórios como chiado, dispneia e aperto no peito que variam ao longo do tempo e em intensidade, juntamente com a variabilidade ao fluxo expiatório de ar (GINA 2018). Heterogênea Aspectos clínicos Resposta ao tratamento Base genética Características imunopatológicas A asma é considerada uma doença respiratória crônica, ou seja, ela não tem cura (a gente sempre tenta buscar o controle dos sintomas) e que tem como característica principal a inflamação crônica das vias aéreas. Ela é definida pela história de sintomas respiratórios como chiado/sibilos, dispneia e aperto no peito, sendo esses os três principais sintomas observados na asma, os quais também têm como característica variar ao longo do tempo e na intensidade, ou seja, tem dias que o paciente tem ou não os sintomas e as vezes ao longo do dia esses sintomas tendem a piorar ou melhorar, juntamente com uma variabilidade do fluxo expiratório de ar. Resumindo: além da variabilidade/mudança dos sintomas ao longo do tempo (seja em quantidade ou intensidade), essa variabilidade dos sintomas se correlacionam com a variabilidade na função pulmonar, principalmente no fluxo expiratório de ar. A gente vai ver na fisiopatogenia que uma das principais alterações que a gente vê na asma é a dificuldade de exalar o ar. Hoje sabemos que a asma é uma doença heterogênea, ou seja, ela não tem um perfil único clinico ou padrão, ela varia muito em relação aos aspectos clínicos, ou seja, como esse paciente se comporta clinicamente. Então a asma varia em relação aos aspectos clínicos, resposta ao tratamento, fatores genéticos e características imunopatológicas que estão relacionadas a mediadores inflamatórios, relacionados a fisiopatogenia da asma. Sendo assim, falamos que a asma tem vários fenótipos, vários perfis de asmáticos, por isso hoje a gente busca sempre traçar esse perfil pra conseguir um fenótipo de tratamento diferente para cada paciente, a resposta ao tratamento desses pacientes é sempre distinta. Antigamente, asma era considerada uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por limitação ao fluxo respiratório de ar e o tratamento era baseado em corticoide e broncodilatador e ponto. Hoje sabemos que esse é o ponto principal sim, mas que cada paciente dita um comportamento diferente e, consequentemente, um tratamento diferente. Esse conceito de asma é o mais recente, porém ele tem mudado. O GINA (Global Initiative for Asthma) é um protocolo internacional da sociedade americana e europeia, cujo objetivo é trazer conceitos atualizados de asma tanto no adulto, quanto na criança. Se vocês pegarem minhas aulas anteriores, vão ver que mudou, então o que está aqui é o mais atual mesmo, procurando sempre mudar pra melhorar o combatimento da doença. O de 2019 ainda não saiu, mas com certeza vai mudar tanto o conceito quanto tratamento. Epidemiologia Doença comum com prevalência de 18% em diferentes regiões Prevalência de 10% no Brasil 2000 óbitos/ano no Brasil Entre as 5 causas mais frequentes de hospitalização no Brasil Elevado custo aos serviços de saúde, com impacto na vida ativa do indivíduo Como eu disse no começo da aula, a asma é muito comum, a prevalência dela gira em torno de 18 a 20% no mundo todo, mas claro que ela muda muito de região para região em virtude dos aspectos ambientais e genéticos. No Brasil, a prevalência média é 10%, muito semelhante aos países da América do Norte e Austrália e é uma doença que além 16 de ser muito prevalente, ela traz muitos prejuízos a saúde pública, principalmente em aspectos econômicos, porque é uma das maiores causas de morte no Brasil (2000 óbitos/ano) e é uma das 5 causas mais frequentes de hospitalização no Brasil, ou seja, o asmático que não é bem diagnósticos e não recebe o tratamento adequado, é aquele paciente que vive no pronto socorre e que vive internando, trazendo custos aos hospitais, além de prejuízos pra parte econômica, visto que a asma acomete adultos jovens, pacientes que trabalham, estudam, ou seja, que trazem a força econômica do país. Então ela gera altos custos aos serviços de saúde do país, tendo um impacto importante na vida ativa do individuo, por isso nós temos que saber diagnosticar a asma, que não é tão simples, porque é uma doença prevalente que mata e quando não bem tratada, vai levar o individuo para o hospital. (Prof perguntou se alguém era asmático e disse que quando o paciente não sai da crise inicial de broncoespasmo, ele é internado e vai pra UTI, então é uma doença que traz muitos sintomas mesmo). Fisiopatogenia FATORES DO HOSPEDEIRO EXPOSIÇÃO AMBIENTAL Imunidade inata: linfócitos T-helper Alergenos Diminuição de Th1 (imunidade celular – inibem a reação alérgica) Infecções respiratórias Aumento de Th2 (resposta humoral – favorecem a reação alérgica) Tabagismo Genética Poluição do ar Sexo Dieta Como já foi dito, a asma é uma doença inflamatória, então a cascata inflamatória vai estar toda ativada no paciente asmático, de forma geral, ela vai depender de fatores, tanto do hospedeiro/paciente quanto de fatores ambientais. Em relação ao paciente, a alteração principal está na imunidade inata, principalmente linfócito T, especialmente o T helper. A gente tem dois tipos de famílias de linfócitos T helper: tipo 1 (Th1) e tipo 2 (Th2). O tipo 1 ou Th1 está relacionado a imunidade celular, cujo papel é inibir a reação alérgica, de forma geral, pra todo mundo. Já o tipo 2 ou Th2, está relacionado com a resposta humoral, cujo papel é favorecer, ou seja, promover a resposta alérgica.Na asma ocorre um desbalanço desses dois linfócitos, mais especificamente, um aumento da ação de Th2 e uma diminuição da ação de Th1, ou seja, teremos mais linfócitos T tipo 2 levando a um processo alérgico/inflamatório. Aqui é a base do start da cadeia inflamatória na asma, claro que isso varia de acordo com fatores genético e ao sexo, existem algumas linhas que dizem que existe uma prevalência na mulher e outras no homem, então isso não é muito bem definido, mas os fatores de sexo influenciam sim na manifestação dos sintomas da asma. Em relação ao ambiente, ele é muito importante para as manifestações clinicas e desenvolvimento de asma, não sabemos até que ponto podemosdizer que ele causa a asma, mas sabemos que ele prejudica/piora a apresentação clinica e respostas ao tratamento dos pacientes. Existem varias alérgenos respiratórios ou inalatórios, em geral ácaros, poeira, mofo e alguns tipos de fungos, as infecções respiratórias também são starts, ou seja, desencadeantes de sintomas da asma e até mesmo de piora do paciente asmático, principalmente as infecções virais. O tabagismo que não é um fator causal, sabemos que é um fator que determina uma piora clinica desse paciente, um paciente asmático que fuma tem um perfil clinico totalmente diferente do paciente que não fuma e ele acaba desenvolvendo maiores riscos futuros de desenvolvimento de uma doença de sobreposição da asma como DPOC e tendo todos os riscos e inerências de pacientes com DPOC, especialmente desenvolver câncer de pulmão. A poluição do ar, cada vez mais presente nas grandes cidades, tem trazido prejuízos no desenvolvimento pra asma, ou seja, cidades com maior taxa de poluição de ar a gente vê que tem uma maior prevalência de asma. Também alguns fatores dietéticos que estão sendo estudados, tanto fatores protetores quanto prejudiciais na evolução da doença, alguns exemplos são pacientes que tem piora dos sintomas com a ingestão de leite (a lactose pode ser um fator de piora) e tem algumas pesquisas visando descobrir se a reposição da vitamina D tem algum beneficio na melhora dos sintomas da asma, mas isso tudo ainda esta em estudo. Fisiopatogenia da Asma Células participantes 17 Células dendríticas – captam o antígeno e apresentam aos linfócitos T, iniciando a cascata inflamatória Linfócitos T – produzem as citocinas Th2, levando a inflamação eosinofílica (hiper-responsividade) Mastócitos – liberam mediadores de broncoconstrição e pró-inflamatórios Eosinófilos – liberam enzimas pró-inflamatórias Neutrófilos – aumentam durante exacerbações Macrófagos – produzem citocinas inflamatórias Mediadores inflamatórios Interleucinas (IL-4, IL-5, IL-13) – formação da IgE IL-1β e TNFα – amplificam a resposta inflamatória GM-CSF (fator de estimulação de colônias de granulócitos – macrófagos) – prolongam a sobrevida dos eosinófilos nas vias aéreas Leucotrienos – mediadores broncoconstritores Imunoglobulina E – ativa a reação alérgica Processo inflamatório Processo inflamatório aumento da permeabilidade vascular; edema de mucosa; hipersecreção brônquica; contração do músculo liso broncoconstrição obstrução do fluxo aéreo. O que acontece na cascata inflamatória? De forma geral, esse é o esquema da fisiopatogenia da asma. Temos aqui várias células, aqui seria a via aérea (esse tubinho com o interno amarelo), aqui tem a parede da via aérea, do bronquíolo, células epiteliais, camada de mucosa e mais abaixo a camada de musculo liso das vias aéreas, do brônquio e do bronquíolo. Aqui é o alérgeno inalatório (estrelinha verde) que pode ser um fungo, ácaro ou poeira, que sempre vão estar presentes na asma, eles serão inalados e identificados pelas células que estão presentes na circulação da parede dos bronquíolos ou até mesmo na parede dos alvéolos, principalmente as células dendríticas, macrófagos e mastócitos, essas são as células que vão identificar a presença desses alérgenos dentro da via aérea. Uma vez identificado, vai ser acionada a cascata inflamatória, a gente vai perceber que quase todas as células que a gente conhece vão participar em maior ou menor grau dessa cascata que acontece na asma. Quais são os pontos principais? Os macrófagos e células dendríticas são as células principais que estarão reconhecendo os alérgenos e sinalizando principalmente para os linfócitos Th2, que promovem a resposta alérgica. Essa resposta alérgica ativada pelo th2 vai ativar uma célula chamada eosinófilo, o qual gera resposta exagerada ou amplificada porque além do estimulo do th2, ela também vai receber estímulos das células mastocitárias que vão atuar com ativação direta sobre eosinófilos e também na produção de imunoglobulinas E, que vão fazer um turn over positivo, 18 ou seja, vão promover mais ainda a resposta inflamatória dos mastócitos sobre os eosinófilos, por isso que a resposta inflamatória pelo eosinófilo na asma é tão exuberante, porque ela vai ter dois caminhos principais de ativação, seja diretamente pelo th2 ou mastócitos, seja pela ação da IgE que é uma imunoglobulina. De certa forma, também sabemos que existe ação de neutrófilos e de linfócitos tipo B. Depois que essas células são ativadas, vão ser liberadas várias substancias ou mediadores químicos que vão levar a produção de alterações principalmente na via aérea, tanto na parede da mucosa quanto na inervação e musculatura lisa que vão gerar os sintomas do asmático. Quais são esses pontos? Vai ocorrer um estimulo para hipersecreção de muco, ou seja, hiperplasia das células ciliadas (que compõem a parede da via aérea), as quais são responsáveis pela produção do muco, que é o catarro, presente em toda a arvore brônquica, mas vai ser em enorme quantidade, por isso que o paciente que tem asma ele tosse, porque ele tem uma produção alta de secreção de catarro, tendo que tossir para excretar esse muco. Além disso, teremos um estimulo de vasodilatação e angiogênese, então os vasos da parede do bronquíolo vão estar dilatados e terá a neoformação de outros vasos, aumentando a circulação sanguínea da parede dos brônquios ou bronquíolos, gerando um extravasamento de liquido intersticial que vai gerar um edema de mucosa e isso vai estimular ainda mais a produção de muco, então vai ter mais liquido na parede do bronquíolo produzindo mais secreção na parede da via aérea. Outro ponto que acontece, por meio dos mediadores bioquímicos, é a ativação direta da inervação presente na parede da via aérea, essa estimulação nervosa vai atuar principalmente nas células da musculatura lisa das vias aéreas. Na parede do bronquíolo temos essa camada epitelial, embaixo a membrana basal e embaixo dessa a camada de musculo liso, então essa inervação ativando as células da musculatura lisa ou dos miócitos, vai levar a broncoconstrição e a hipertrofia ou hiperplasia das células musculares. O que é broncoconstrição? A musculatura do miócito vai se contrair, gerando a constrição da camada muscular, diminuindo a luz do brônquio, diminuindo o diâmetro da luz do brônquio, o que vai dificultar a passagem do ar, levando o paciente a ter dispneia. Dependendo da gravidade dessa broncoconstrição, imaginem a redução do calibre do brônquio, se ele não fechar totalmente teremos a dificuldade da passagem de ar pelo menor tamanho. EX: um paciente dispneico vai estar respirando mais rápido, então estará taquipneico e essa broncoconstrição junto com a presença de muco vão gerar o som característico da ausculta pulmonar numa crise de broncoespasmo, que é o sibilo. E essa hipertrofia ou hiperplasia, ao longo do tempo, o que acontece? Essas células musculares lisas podem aumentar em tamanho ou se proliferar e isso vai gerar um aumento (hipertrofia) da camada de musculatura lisa, tendo um aumento da espessura da parede do bronquíolo, o que a longo prazo pode gerar um processo que chamamos de fibrose de parede de bronquíolo, o qual futuramente pode gerar alterações fixas no paciente (não vai ter mais reversibilidade), ou seja, a longo prazo ele não vai ter chance de melhora dessa hipertrofia, deixando os brônquios deformados pelo resto da vida. Além dessa questão de broncoconstrição, a ativação nervosa dessa parede também vai ativar alguns nervos sensoriais que vão atuar no comando central da respiração, fazendo com que o paciente tenha taquipneia, vai gerar também a ativação do reflexo colinérgico, aumentando ainda mais a produção de muco e contração do musculo liso e também ativação de células presentes nessa camada intersticial, chamadas de fibroblastos, responsáveis pela produção de colágeno (quanto mais colágeno, maiora chance de desenvolver fibrose nessa região). Então além da hipertrofia da musculatura lisa a gente também tem um aumento de fibroblastos, com maior deposito de colágeno na parede, gerando fibrose septal, ou seja, fibrose na parede do bronquíolo. Outra coisa perceptível em pacientes asmáticos é que, nessas células ciliadas presentes na parede da via aérea (que tem como função realizar os batimentos ciliares e levar a remoção de muco, sujeira ou qualquer tipo de partícula que não deveria estar nas vias aéreas), para manutenção da limpeza dos bronquíolos, esses cílios também estão comprometidos pela presença desses mediadores inflamatórios, ou seja, elas perdem a capacidade de gerar o batimento ciliar e promover a saída da secreção, por isso existe uma maior tendência do asmático reter secreção nos brônquios, por isso que ele tem a tosse crônica, além de produzir mais muco, ele tem dificuldade em eliminar esse muco. As células dendríticas, são responsáveis pela captação do antígeno e apresentação dele aos linfócitos T, dando início a cascata inflamatória, então é a primeira célula que vai atuar nesse ciclo da asma. Os linfócitos T, por sua vez, vão 19 produzir as citocinas do th2, levando a inflamação eosinofílica, tendo uma hiperresponsividade dos eosinófilos, que são as células principais atuante no processo inflamatório da asma. Os mastócitos, também vão liberar mediadores broncoconstritores e pró-inflamatórios, também com atuação direta nos eosinófilos. Por que esses eosinófilos são tão ruins? Eles que vão liberar as enzimas pró-inflamatórias em grande quantidade, como eles vão estar muito aumentados (em grande quantidade) essa enzima pró-inflamatória é que acabam tendo o principal papel patogênico na inflamação da via aérea na asma. Os neutrófilos e macrófagos vão atuar em menor grau, produzindo citocinas inflamatórias, principalmente as interleucinas, especialmente as tipo 4, 5 e 13, porque elas atuam diretamente na formação da IgE, a interleucina tipo 1 beta (IL-1 beta) e o fator de necrose tumoral tipo alfa (TNF-alfa) que são importantes marcadores importante de resposta inflamatória de forma geral, a gente também tem a atuação do GM-CSF que é o fator de estimulação de colônia dos granulócitos-macrófagos, porque eles vão estar ali fazendo com que os eosinófilos que foram estimulados a se proliferam, tenha uma maior sobrevida nas vias aéreas, ou seja, promovem maior permanência dos eosinófilos na parede do bronquíolo. Temos também os leucotrienos que atuam principalmente na broncoconstrição, então atuando sobre a musculatura lisa e a IgE que é o marcador principal de ativação da reposta alérgica, tanto que é um marcador que a gente dosa no sangue do asmático, então quanto maior a taxa de IgE, maior é a reação alérgica/inflamatória do paciente e esse individuo com taxa de IgE aumentada tem maior risco de outras manifestações alérgicas no corpo, como dermatite alérgica, quadros de rinosinusites crônicas que podem levar a formação de pólipose nasal. Aqui (última figura ali em cima) estão os mediadores bioquímicos, célula dendrítica identificando o antígeno dentro do brônquio, ativando os linfócito T, liberação das várias interleucinas, liberação da IgE, ativação dos mastócitos, os quais também estão gerando mais IgE, liberando substâncias atuantes na parede do bronquíolo para produção de muco, caindo na circulação sanguínea, ativando a medula a produzir mais eosinófilos, esses chegando na parede das vias aéreas, liberação de mediadores bioquímicos que vão atuar diretamente na destruição da parede dos brônquios com inflamação local, produção de muco e a broncoconstrição pela ativação da musculatura lisa. De de forma geral, eu quero que vocês guardem que a fisiopatogenia é um processo inflamatório que vai levar a um aumento da permeabilidade vascular com o edema de mucosa, por causa da vasodilatação das artérias e vênulas, aumento da secreção brônquica e contração do musculo liso, tudo isso culminando na broncoconstrição e levando a obstrução do fluxo de ar. Então aqui a gente tem um esquema de um brônquio normal, vemos o lúmen, a camada de muco, camada epitelial e espessura normal gerada pela musculatura lisa e camada mucosa. Quando você tem um processo inflamatório, no paciente asmático, a gente já tem um edema, aumentando a espessura da parede pelo edema, pontos de broncoconstrição, duração da contração da musculatura lisa e o aumento da produção de muco no interior do lúmen, diminuindo a luz desse bronquíolo. Em uma fase mais crônica, de um paciente mais grave ou numa crise de broncoespasmo, tudo isso é aumentado de proporção, então a gente tem uma maior broncoconstrição, a gente já pode ter também na musculatura lisa uma hipertrofia de células, tanto no tamanho e na quantidade, e o processo de fibrose na camada da parede de mucosa, pela ação dos fibroblastos e deposição do colágeno, aumentando ainda mais a espessura da parede do bronquíolo e diminuindo mais ainda a luz do bronquíolo, causando mais dificuldade para a passagem do ar. No paciente asmático que tem diagnóstico precoce e inicia o tratamento de forma correta, ao longo do tempo, essa alteração do bronquíolo pode retornar ao aspecto de via aérea normal (sendo esse um ponto que diferencia a asma do DPOC, porque quando você tem esse controle da cascata inflamatória na via aérea, sem ter a hipertrofia da musculatura lisa e fibrose na parede, na asma tudo isso pode ser revertido, isso não significa cura e sim controle dos sintomas). Em um paciente asmático grave, que já tem a doença a mais de 15 anos ou que nunca tratou de forma correta ou tem perfil de asmático grave, ele já vai ter essa alteração fixa no bronquíolo, com fibrose, a parede muscular lisa dele já vai estar totalmente hipertrofiada, a anatomia do bronquíolo não vai voltar ao que era antes, então esse paciente vai ser sintomático pra sempre, independente de estar ou não sobre tratamento, então o objetivo é fazer o diagnostico o quanto antes, fazer o tratamento correto para não chegar nessa fase, se ele chegar, esse paciente vai perder muita qualidade de vida, vai ter que usar oxigênio e tem muitas limitações por causa de seus sintomas. Entendendo, então, a fisiopatogenia do asmático, a gente já pode prever alguns dos sintomas que ele vai ter, então pro diagnóstico de asma, a gente se baseia em dois pontos: história clinica e função pulmonar. 20 Diagnóstico História clínica + função pulmonar. Sintomas respiratórios Chiado Dispneia Aperto no peito Tosse Limitação ao fluxo expiratório de ar Espirometria Pixo de fluxo expiratório Teste broncodilatador positivo Teste de broncoprovocação Na história clinica, a gente tenta identificar os sintomas respiratórios que são mais frequentes e algumas características especificas desses sintomas, como a asma é uma doença obstrutiva das vias aéreas cuja principal ponto é uma limitação ao fluxo expiratório do ar, a gente tem que identificar essa limitação ao fluxo de ar respiratório através da função pulmonar. Dos sintomas respiratórios, os principais, não são exclusivos e eles podem aparecer isolados ou associados ou até de forma aleatória no mesmo individuo: o chiado/sibilo, aquela sensação da ronqueira no peito, na dificuldade de respirar principalmente a noite, dispneia ou cansaço, sensação de aperto no peito ou até mesmo dor torácica, mimetizando uma dor anginosa e tosse, pela hiperprodução de muco nessa via aérea. Em relação aos exames de função pulmonar, os principais são: a espirometria, pico de fluxo expiratório e alguns testes mais específicos pra tentar analisar essa limitação ao fluxo de ar, como o teste broncodilatador positivo e o de broncoprovocação, falaremos de tudo mais pra frente. Mas a principal característica quando a gente fala de asma é a variabilidade, lembra lá no primeiro slide que eu falei que a asma é uma doença heterogênea, porque os sintomas respiratóriossão muito variáveis ao longo do tempo e em intensidade, eles corroboram (se associam) também com a variabilidade ao fluxo de ar, então pra ter um diagnostico firmado de asma, além dessa variabilidade dos sintomas, você também tem que identificar essa variabilidade ao fluxo de ar. Como faremos isso? Através de uma anamnese muito bem feita e uma analise muito criteriosa nos exames de função pulmonar porque quando a gente estudar DPOC, vocês vão ver que o diagnostico é muito semelhante, mas existem nuanças que fazem você realizar o diagnóstico diferencial de forma correta. História clínica Sintomas (dispneia, tosse, opressão torácica, chiado, frequência e intensidade) Fatores desencadeantes (alergenos ambientais, infecções respiratórias, droga, fumaça, produto químico) Comorbidades (rinite, eczema, refluxo gastroesofágico) Medicações em uso Alergias História ocupacional História ambiental História familiar Quando falamos em história clinica, nos sintomas e queixas principais, daqueles quatro principais (dispneia, tosse, chiado e aperto no peito), uma das coisas que chama mais atenção é na variabilidade desses sintomas, o que isso significa? Vão ter dias que o asmático vai estar ótimo e em outros dias ele não vai estar bem, então tem dia que ele vai ter muita tosse com chiado e dias que ele nem vai ter. Como você vai identificar isso? Pergunte ao paciente asmático a quanto tempo ele está com chiado, como ele percebeu que isso começou. É muito frequente o paciente falar que começou com um resfriado, uma gripezinha ou uma dor de garganta, normalmente associado a uma alteração climática. Então o paciente vem com tosse e chiado pra você, ai você faz o tratamento para aquela gripe ou 21 resfriado e o paciente melhora, ficando semanas e meses bem, daqui a pouco ele retorna pra você com as mesmas queixas, dai você vai ter que identificar novamente como que tudo isso começou e vem a mesma coisa, uma mudança climática, então tinha acabo de começar as frentes frias. Quando você consegue identificar nesse paciente que os sintomas desencadeados estão muito ligados aos fatores desencadeantes, vai te levantar a suspeita de que possa ser asma, porque você acha que aquele paciente que só chia no inverno, você acha que é por causa de uma gripe e todo inverno ele tem tosse, chiado e falta de ar, ou quando ele viaja pra um lugar frio ou fica em uma sala mais fria com ar condicionado ele tem crise de tosse, chiado e falta de ar. Então é essa variabilidade que vai te chamar a atenção, quando a gente for estudar DPOC, a gente vai ver que os sintomas são muito semelhantes, mas os pacientes com DPOC tem queixas constantes, que na verdade sempre pioram ao longo do tempo, já o asmático não, ele vai ter momentos que vai estar bem e outros mal. Por isso é muito importante identificar os fatores desencadeantes dos sintomas, tanto os que desencadeiam quanto os que melhoram, porque as vezes o paciente já chega falando que teve tosse com chiado no friozinho do final de semana, mas fez inalação com berotec e melhorou, ou seja, ele já usou um broncodilatador e teve melhora, esse também é um fator preditivo positivo para uma melhora da asma. Você vai tentar identificar alérgenos ambientais, se o paciente tem higiene adequada, se ele é fumante ou não, se ele tem animais domésticos como cão e gato, porque alguns pacientes tem alergia importante ao pelo de gato ou cão que geram sintomas respiratórios, se o paciente tem infecções respiratórias frequentes, se essas infecções estão associadas aos sintomas, uso de drogas como o cigarro e, principalmente aqui em maringá, o narguilé, muito comum adolescentes e adultos jovens virem com sintomas de tosse e broncoespasmo, além de outras drogas. Produtos químicos, principalmente em mulheres domésticas que fazem o uso, por exemplo, de hipoclorito, a famosa Qboa, que é um potente broncoconstrictor da via aérea, então até quem não tem asma, se inalar em grande quantidade, pode desencadear a broncoconstrição, geralmente o chiado, tosse e dispneia. Então além de identificar os sintomas, a gente tem que identificar esses fatores desencadeantes, ou seja, o que começou e piora a asma. Comorbidades, principalmente essas de natureza alérgica, como a rinite, eczema ou uma dermatite, porque a gente sabe que existe um papel atópico na fisiopatogênese da asma. Além disso, em adultos principalmente obesos, tentar identificar o refluxo gastroesofágico (RGE) que é uma comorbidade que a gente sabe que vai piorar os sintomas da asma, principalmente a tosse, em jovens não é tão comum, mas em adultos acima dos 40 anos e obesos, a prevalência de RGE é muito alta. Analisar as medicações em uso desse paciente, analisando a história ocupacional e ambiental desse paciente, porque não adianta perguntar só de como é a casa dele, vai que o seu paciente trabalha numa metalúrgica que tem muita presença de fumaça que ele passa 8hrs do dia nesse ambiente, você nunca vai descobrir da onde vem a persistência dos sintomas do asmático se você não perguntar como é o trabalho dele, nesse caso, a história ocupacional desse individuo, além dessa história, temos que perguntar dos medicamentos, porque certas drogas tem o potencial de broncoespasmo, como o acido acetilsalicílico, famosa aspirina, ela pode causar broncoespasmo, existe até um fenótipo, ou seja, um perfil de asmático que tem crise fatal por uso de ASS, ao ingerir essa droga, pode gerar até uma parada respiratória, é raro, mas existe, e o uso de antiinflamatórios não hormonais (nimesulida, diclofenaco, ibuprofeno) porque eles vão atuar principalmente naquela cadeia inflamatória desencadeada pelos leucotrienos, podendo gerar o broncoespasmo por mudança da cascata inflamatória, então normalmente, quando o asmático toma cataflan por exemplo, começa a ter um quadro de infecção de via aérea superior, com uma dor de garganta, tipo resfriado, ai vai na farmácia e o farmacêutico sugere o famoso cataflan, ai ele piora dos sintomas, pode ser porque ele é asmático e esse AINH gerou um maior processo inflamatório na via aérea, aumentando ainda mais os sintomas desse paciente, então tem que ficar muito alerta. E a história familiar, porque na asma a gente tem uma história genética, então existe aquela característica de hereditariedade da asma, ainda não se sabe que tipo de hereditariedade é essa, mas é muito comum que tenha um paciente trazendo histórias de que o pai tem sintomas asmáticos, ou do vô, mas pode ser também uma história de alergia, por exemplo, que a mãe teve um enfisema alérgico muito grave e a filha ter sintomas de asma, então a questão da história familiar também é bastante importante. Exame físico Pouco sensível Sibilos expiratórios Tempo expiratório prolongado Uso de musculatura acessória Tórax silencioso 22 Lesões de pele Polipose nasal No exame físico do paciente asmático, quais são os pontos principais? Dependendo de como o paciente está sintomático, ele vai ser pouco sensível, porque se o asmático chega pra você com os sintomas totalmente controlado, o exame físico pode ser totalmente normal, ausculta limpa, padrões respiratórios normais e oximetria normal. Se ele estiver sintomático, o principal achado vão ser os sibilos e aqui é importante porque os sibilos vão estar na fase expiratória da respiração, claro que se o paciente ta muito grave, com intenso broncoespasmo, que ele não consegue nem falar, os sibilos vão ser tanto na fase ex quanto na inspiratória, mas se você conseguir auscultar esse paciente de forma calma e clara, vocês vão perceber que vai estar na fase expiratória, por quê? Lembram da aula da mecânica respiratória, que eu falei que a gente consegue controla a fase inspiratória mas a expiratória não, é automática, então se o paciente está com broncoespasmo, dificuldade pra respirar ele vai forçar a entrada de ar que vai entrar, mas na hora de sair, como que o ar vai sair se o bronquíolo ta fechado?Ele não sai, então ai que está a dificuldade do paciente asmático, na fase expiratória. Por isso que a asma ela é considerada com limitação do fluxo expiratório do ar, ou seja, você tem menor quantidade de ar exalado e consequentemente, o pulmão desse paciente vai estar hiperinsuflado porque a cada ciclo respiratório você consegue entrar uma quantidade adequada de ar mas não tem a saída na mesma proporção, então a longo de cada ciclo vai sobrando ar no pulmão, por isso vai gerando a hiperinsuflação pulmonar. Então por isso a gente vai ter a ausculta os sibilos expiratórios, você também vai perceber que o tempo de expiração vai estar prolongado, porque ele vai forçar a saída de ar. Normalmente, a gente tem a proporção de tempo entre a inspiração e a expiração de 1:2, no asmático, essa proporção pode ser de 1:4 ou 1:5, na tentativa de exalar o ar, para isso, ele vai utilizar a musculatura acessória da respiração (abdominal, supraescapular) por isso que é muito comum a gente ver nas crianças, o uso da fúrcula, porque você ta forçando a respiração, tanto na inspiração, quanto na expiração, dependendo do grau dispneia nesse paciente. E quando a gente ausculta o tórax e não ouve nada, que é o chamado tórax silencioso, isso é bom ou ruim? É péssimo, porque se você não escuta nada, não entra nem sai ar, ou seja, o paciente vai estar em iminência de parada respiratória, então se você chega num paciente, muito dispneico, você faz a ausculta e não ouve nada, esse paciente tem que estar em alerta, porque ele esta em iminência de parada respiratória, é o chamado tórax silencioso. Além disso, na anamnese torácica, a gente sabe que esses pacientes podem ter outros distúrbios, relacionadas a alergias, vocês já podem identificar se existem lesões de pele, sugestiva de dermatite atópica e também os achados de polipose nasal, em pacientes com sintomas de rinosinusite crônica, aquele paciente que já tem a voz anasalada, que já tem aquele traço de rinite crônica, se vocês conseguirem fazer exame físico das fossas nasais e percebem a hipertrofia dos cornetos, vocês podem analisar aquele paciente com hipertrofia das amigdalas, que já tem uma orofaringe estreitada e inflamação crônica nas vias aéreas desses pacientes, então são outros achados do exame físico que podem ser usados para identificar a atopia desse paciente. Diagnóstico funcional Então você já tem uma história clínica compatível, achados clínicos que sugerem que o paciente tenha asma, só isso já é suficiente para você ter o diagnóstico final de asma? Não, é uma alta suspeita, mas a asma quando a gente considera como um diagnóstico clínico soberano, mas é muito importante que você tenha uma avaliação funcional desse paciente para que você tenha a certeza diagnóstica, então você tem que tentar identificar a limitação de ar ao fluxo expiratório, um dos exames que a gente mais usa pra isso é a espirometria ou prova de função pulmonar. Expirometria Confirmar o diagnóstico Avaliar a gravidade da broncoconstrição Monitorar evolução da doença e determinar modificações no tratamento Capacidade vital forçada (CVF) Volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) Obstrução ao fluxo aéreo = VEF1/CVF < 0,7 e VEF1 < 80¢ do valor predito Resposta broncodilatadora = aumento do VEF1 ≥ 7% do valor previsto e 200ml do valor absoluto É considerado o mais fácil e mais utilizado hoje em dia para confirmar o diagnóstico de asma. Além de dar o diagnóstico, a espirometria pode avaliar a gravidade da sua broncoconstrição, ou seja, o quanto esse paciente fica 23 obstruído e o quanto ele pode ter sintomas, e até tentar predizer o quanto ele vai responder ao tratamento para asma. Então é um exame simples, pode ser feito a qualquer momento e em qualquer lugar, ambulatório, hospital e clínica. O paciente vai fazer manobras de inspiração e expiração forçada num aparelho ligado a um programa no computador, normalmente vai respirar num bocal e nessas manobras vão gerar gráficos e a análises desses gráficos que vão me dar os valores da espirometria. Eu vou mostrar um exame de espirometria, mas os principais pontos que eu acho importante vocês gravarem, são esses três parâmetros que a gente vai ver que são: a capacidade vital forçada, ou chamada cvf, o volume expiratório forçado no primeiro segundo ou vef1 e a relação entre vef1 sobre cvf, também chamada, por alguns clínicos de índice de ?. A obstrução ao fluxo de ar é diagnosticada como? Quando a gente tem uma relação de vef1/cvf ≤ 0,7 e vef1 está abaixo de 80% do previsto. Vou exemplificar pra vocês entenderem melhor: além de a gente identificar a obstrução ao fluxo de ar na espirometria, a gente também analisa o que a gente chama de resposta broncodilatadora, então a gente pede pro paciente fazer uma manobra inicial de espirometria, aplica nesse individuo um broncodilatador inalatório, normalmente quatro doses de salbutamol e depois a gente repete o exame sobre o efeito do broncodilatador, se nessa segunda manobra a gente observa um aumento do valor do vf1 ≥ 7% do valor previsto e aumento de 200ml no valor absoluto a gente diz que esse paciente tem resposta broncodilatadora positiva, e a presença dessa resposta broncodilatadora também é um fator preditivo positivo pra diagnóstico de asma, por que? Lembra quando eu mostrei aqueles três bronquíolos e falei que quando a gente pega ele na fase inicial, a gente consegue fazer a reversão total dos sintomas e até mesmo das alterações anatômicas, isso seria mais ou menos identificar aqui, então o que isso significa? Que o brônquio ta inflamado, mas com a medicação, ele consegue voltar ao estado normal. No paciente com DPOC, a gente vai ver na próxima aula, tem aquele bronquíolo todo fibrosado, então mesmo sendo uma doença obstrutiva, quando a gente aplica esse broncodilatador, esse paciente não consegue reverter dessa forma tão exuberante, pode até ter um grau de reversão, mas não tanto quanto a gente observa lá na asma, então esse é um dos pontos que usamos pro diagnóstico diferencial entre asma e DPOC. PERGUNTA: em um paciente normal, sem asma, essa reversão obstrutiva pode acontecer? Sim, fazemos a espirometria e os parâmetros estarão normais, aplicando o broncodilatador ele melhora mais ainda, nesse caso, ele pode ser um paciente asmático que tem essa resposta broncodilatadora positiva, porém é um asmático leve, ou seja, ele ainda não tem sintomas mas tem um risco de desenvolve-los, se ele não tem sintomas, não há necessidade de tratar, porém, a gente deixa claro pra esse paciente o que ele pode desenvolver. A gente vê muito isso em atleta (prof conta que tinha um paciente nadador com uma capacidade respiratória pulmonar normal, como ele era grande, ele tinha volumes pulmonares bem altos, mas quando ele fazia esse teste broncodilatador ele ganhava mais função ainda, então como ele era atleta, ele usava medicação pra conseguir chegar ao máximo da capacidade respiratória dele, mas isso em situações específicas). Aqui é a nossa curva fluxo volume, gerada no exame da espirometria. O paciente fica inspirando e expirando no aparelho, ele vai gerar essa curva de fluxo pelo volume. Normalmente pedimos pro paciente começar fazendo uma manobra inspiratória e expiratória forçada, quando ele começa a expirar, ele começa a fazer essa curva aqui (a que sobe na parte de cima do gráfico), ele sopra sopra sopra até o pico de fluxo expiratório máximo, ou seja, é o máximo que ele conseguiu soprar no primeiro segundo, ele fica soprando até acabar todo o volume expiratório dele, até ele sentir que não tem mais ar pra tirar do pulmão, ai pedimos pra ele inspirar novamente, então essa curva que é gerada, na parte superior é a parte expiratória e na inferior a inspiratória. Pela curva, temos o pico de fluxo expiratório que é o máximo que ele gera no primeiro segundo, temos o tempo (linha horizontal do gráfico), ele fica um, dois, três, quatro e cinco segundos soprando. No primeiro segundonormalmente é onde ele alcança esse pico, a gente vai gerar a quantidade de ar que ele gerou nesse primeiro segundo, então é o volume expiratório forçado no primeiro segundo (vef1), normalmente é a quantidade máxima que ele consegue gerar, a capacidade vital forçada (cvf), vai se a quantidade total de ar exalado ao longo do tempo que ele conseguiu soprar, nesse caso 5seg, então esse volume total de ar vai ser a cvf que ele conseguiu exalar em 5seg. 24 Depois que o paciente faz as manobras que vemos as curvas, nós vamos ter valores gerados pelo programa de computador. Existem vários tipos de programas porque isso foi estudado no mundo todo, alguns lugares ainda usam programas americanos, mas aqui no Brasil a gente já tem programas brasileiros, com valores de referencia daqui. Normalmente, o que vamos ver numa tabela de espirometria? Nós teremos valores chamados previstos, que são os valores previstos normais para aquele individuo, as tabelas de espirometria vão se basear na etnia desse paciente (sabemos que um americano sopra diferente de um asiático), na altura (porque quanto maior, maior vai ser o pulmão e maior vai ser a capacidade pulmonar dele), idade (porque o idoso, adolescente, adulto jovem, criança tem proporções diferentes de tamanhos de pulmão) e o sexo (porque homens e mulheres têm diferenças anatômicas que diferenciam a capacidade pulmonar também), ou seja, os valores previstos são calculados de acordo com cada um desses fatores e a tabela traz o valor normal. Alguns programas também trazem o limite inferior da normalidade, ou seja, a gente espera que esse individuo tenha uma capacidade de 5.12L máxima, mas com o mínimo esperado de 4.15L. “Pré” é o que o individuo fez, quer dizer fase pré- broncodilatadora (é a primeira manobra do paciente), depois a gente vai ter a fase pós-broncodilatadora (BD), então a pré é a manobra que ele fez antes de usar a medicação e a pós, depois de usar a medicação. Temos aqui duas curvas, uma da fase pré e outra da pós, os três parâmetros que eu falei pra vocês fixarem e que eu acabo cobrando de vocês lá na frente são: capacidade vital forçada (cvf), que é aquela quantidade total que o paciente gera de volume de ar, o vef1 que é o volume expiratório forçado no primeiro segundo e a relação entre vef1/cvf, também chamada de índice de tiffeneau. Esse paciente fez 4,74L de cvf na manobra pré (93% do previsto para ele, sendo 100% = 5,12L), o vef1 dele foi 3,13L num previsto de 4,59L (68% do previsto dele) e a relação vef1/cvf foi de 0,66 (essa relação nada mais é pegar o valor de vef1 que ele fez e dividir pelo valor do cvf. Critérios de obstrução (falados anteriormente): relação de vef1/cvf ≤ 0,7 ou 70% com um vef1 menor que 80% do esperado pra esse individuo. Nesse caso, ele tem vef1/cvf menor que 70%, ele fez 66% e ele tem o vef1 menor que 80%, ele tem 68%, então essa espirometria é típica para obstrução de ar. Agora vamos analisar a fase pós broncodilatadora (pós bd). O paciente recebeu a medicação broncodilatadora e nós vamos repetir as manobras, a cvf dele era de 4,74 e aumentou para 5,03 chegando muito perto do normal pra ele (98% do previsto), o vef1 era de 3,13 e aumentou para 3,81 (chegando a 83% do previsto). A relação vef1/cvf era de 66 e foi para 76%, o que isso significa? Ele tem uma espirometria obstrutiva na fase pré, ele tem uma relação menor que 71 e um vef1 menor que 80, ai ele recebeu essa medicação broncodilatadora e melhorou, atingindo os critérios da resposta broncodilatadora (bd), aumento de 7% do valor previsto e aumento de 200ml no valor total, 3,81 menos 3,13 e mais de 7% também. Além dele ter melhorado com o broncodilatador, ele normalizou a função pulmonar dele. Se analisarmos apenas os parâmetros pós bd, a gente tem valores normais, ou seja, ele não tem uma relação menor que 70, o vef1 e cvf dele ta acima de 80%. Então essa é uma espirometria típica de um paciente asmático não complicado, porque é obstrutivo, tem resposta bd e ele normaliza a sua função pulmonar depois do broncodilatador. No asmático que já ta na fase de fibrose pulmonar a gente não consegue atingir esses parâmetros, nesse caso vai ser um asmático grave que precisa de acompanhamento de um especialista para o melhor manejo dos seus sintomas, mas vocês como clínicos gerais, vocês tem que aprender isso aqui. 25 Aqui vamos mostrar a resposta broncodilatadora. Essa curva verde seria de um individuo normal, no paciente asmático ele tem uma dificuldade na expiração, na exalação de ar, então quando a gente analisa a curva expiratória desse paciente, ele tem um pico e depois tem uma queda importante na quantidade de ar que ele vai exalando, a gente costuma chamar de barriguinha. O normal seria a curva verde, a do asmático é a vermelha. Com o uso do bd, ele tem um aumento dessa curva, podendo até chegar perto da normalidade, mas nem sempre ele atinge a normalidade. Ao lado temos outra curva que aparece na espirometria, que é a volume sobre tempo, aqui a gente vê só a quantidade de ar exalada no vef1, no individuo normal ele tem um pico, vai soprando até chegar num platô, por que? Ele chegou ao máximo de ar exalado nessa manobra forçada. No paciente asmático, ele não consegue chegar nesse pico normal, mas ele tem aqui nesse vermelhinho, ele vai soprando soprando soprando mas não consegue atingir esse platô porque ele tem ar aprisionado nos pulmões, ele tem limitação ao fluxo de ar, mesmo atingindo o máximo do esforço físico dele, essa curva ainda é crescente, ou seja, ele teria ainda mais ar pra soltar, então as vezes a gente consegue analisar também essa alteração na curva volume sobre o tempo no paciente asmático. Também vemos a resposta broncodilatadora, antes do bd esse tanto de volume e depois do bd ele aumenta essa capacidade de eliminação de ar dos pulmões. Então na espirometria a gente vai analisar tanto as curvas, quanto os valores. Sendo esse o exame mais utilizado, ele é bem simples e a gente consegue fazer várias analises de parâmetros, mas as vezes você não tem um espirômetro pra utilizar, em cidadezinhas pequenas não tem o espirômetro portátil pra fazer a espirometria, então existe um outro aparelho que é bem mais simples e você pode analisar essa limitação ao fluxo de ar que é o chamado pico de fluxo expiratório. Pico de fluxo expiratório Grande variação da medida do PFE diurna é indicativo de asma Variações > 20% são positivas Aumento ≥ 15% após inalação de broncodilatador ou uso de corticoide oral Para fazer o pico de fluxo expiratório precisamos de um aparelho que é um tubinho com um bocal que o paciente coloca na boca e sopra, enche o peito de ar e sopra, como se fosse apagar uma vela. Quando ele soprar vai ter um indicador que vai se movimentar conforme o fluxo de ar e esse marcador vai te quantificar a quantidade de ar em ml que foi exalado. Para cada individuo existe uma tabela indicando o normal, divida entre sexo, idade e altura, de acordo com cada paciente. EX: uma mulher de 40 anos com 1,70m de altura tem valor normal em 500ml e ela só conseguiu soprar 250, ela chegou a 50% do valor previsto pra ela. Normalmente, quando você tem valores menores que 70% significa alteração, está abaixo do normal, mas além de você identificar essa alteração, estando abaixo do 70%, na asma é muito importante que você consiga identificar essa variabilidade da limitação ao fluxo de ar, como a gente identifica isso? Você vai pedir pro seu paciente fazer várias medidas do pico de fluxo expiratório ao longo do dia e ao longo da semana, ou seja, ele vai fazer uma medida de manhã e outra no final da tarde para que você as compare, se ele não tiver nenhum distúrbio respiratório, se não tiver asma, a medida da manhã será proporcional a de tarde, se você ver uma diferença/discrepância entre as duas medidas, por exemplo, sabemos que os sintomas da asma pioram no finalzinho da tarde (ao anoitecer) ou de madrugada, então se você analisar as medidasseriadas do pico de fluxo expiratório desse paciente e constantemente tem medidas de manhã perto de 80% e de tarde perto dos 60%, significa que ele ta pior de tarde/noite, então essa é uma característica que leva a suspeita de asma, mas a gente tem um parâmetro que a variabilidade tem que ser maior ou igual que 20% pra gente ter um fator realmente positivo para asma, variabilidades menores que 20% as vezes pode ser apenas por esforço, por estar mais cansado de noite do que de manhã. Porque essa variabilidade maior que 20% acontece? Por ação hormonal, principalmente das catecolaminas, de manhã geralmente a gente tem um pico de cortisol e ao longo do dia ele vai diminuindo. Sobre a influência do cortisol os sintomas da asma tendem a piorar a noite e de madrugada, por isso o fluxo expiratório em um asmático vai ser menor nesse período, por isso que a gente tem essa variabilidade maior ao longo do dia. 26 A gente também pode fazer o teste de broncodilatação com pico de fluxo, você faz a medida inicial, aplica um bd, aguarda pelo menos uns 15min e faz uma nova manobra, nesse mesmo dia, se houver um aumento maior ou igual a 15%, também é um fator preditivo de variabilidade ao fluxo de ar, caracterizando asma. Em alguns casos a gente faz um terapia com corticoide oral, também é possível, você atende o paciente, suspeita que ele tenha asma, da corticoide pra ele tomar por 7 dias, na outra semana ele volta e faz outra manobra, e você tem um ganho de 15%, também pode sugerir que esse paciente seja asmático. Então o pico de fluxo é um exame muito simples, o aparelho é bem barato, tem em qualquer hospital, vocês podem fazer com pacientes que estão internados, que vem do pronto socorro, tem alguns protocolos de atendimento de asma no ps que a gente se baseia no pico de fluxo expiratório para avaliar a melhora do paciente, então é uma coisa super simples que vocês podem fazer para tentar chegar ao diagnóstico de asma. Teste de broncoprovocação Inalação de agentes broncoconstritores em doses crescentes, com medida seriada do VEF1 Metacolina, histamina, carbacol Querda do VEF1 ≥ 20% é positivo Alta sensibilidade e alto valor preditivo negativo Teste de broncoprovocação é outro teste que podemos usar quando a espirometria e o pico de fluxo não atingem parâmetros. É um exame que vamos induzir o broncoespasmo no paciente através de alguma medicação, o paciente vai inalar broncoconstritores em doses já estipuladas, geralmente crescentes e vamos fazer a medida seriada do vef1 através da espirometria. As substâncias mais utilizadas pra esse exame são: metacolina, histamina e carbacol, que são medicamentos que geram a contração da musculatura lisa, provocando a broncoconstrição nesse paciente. Após induzir a asma nesse paciente, quando a gente percebe uma queda do vef1 de 20% ou mais, a gente considera como um teste positivo, por que a gente tem uma queda do vef1? Se estamos causando a broncoconstrição, vamos ter uma queda na capacidade pulmonar, abaixando o vef1. Consideramos esse exame como o de maior valor preditivo negativo e com uma alta sensibilidade, ou seja, se ele vier positivo, muito provavelmente esse paciente é asmático e se vier negativo, esse paciente não tem asma. É um exame que não é feito em qualquer local porque você não consegue prever o grau de broncoespasmo desse paciente, então tem que ser acompanhado por um médico, juntamente com um carrinho de emergência, porque o paciente pode ter uma parada cardíaca (a gente até informa isso pro paciente porque alguns podem ter aquele broncoespasmo fatal que na primeira inalação o brônquio é totalmente fechado, gerando uma parada respiratória). Então esse é um dos testes mais específicos que não se faz em qualquer local, mas aqui em Maringá nós fazemos. Então a gente tem esses três exames para avaliar a limitação ao fluxo de ar: espirometria, pico de fluxo respiratório ou o teste de broncoprovocação, então pro diagnóstico de asma nós temos fatores clínicos e avaliação funcional, nós precisamos desses dois fatores pra fechar o diagnostico de asma. Prestem atenção que não falei em raio-x ou análise de sangue. Raio-x de tórax, hemograma ou taxa de eosinófilos não são necessários para o diagnóstico de asma. Em pacientes que você tem uma suspeita de associação de doenças ou você precisa fazer um diagnóstico diferencial, ai sim vocês vão lançar mão desses exames para uma melhor análise do seu paciente. Diagnóstico diferencial DPOC Bronquiectasias Bronquiolites Pneumonite de hipersensibilidade Aspergilose broncopulmonar alérgica Neoplasia de pulmão Disfunção de cordas vocais Embolia pulmonar Pneumonias eosinofílicas Obstrução mecânica de vias aéreas Reações alérgicas 27 Insuficiência cardíaca Quando pensarmos em um diagnóstico diferencial, no adulto, o principal deles é DPOC. É muito comum nós recebermos paciente com 40 anos de idade com historia de tosse, chiado no peito e cansaço, falando que a mãe falava que ele tinha bronquite quando criança e que ele fuma desde os 20 anos de idade. Só com esses dados você consegue fechar o diagnostico entre asma e DPOC? Não dá, você faz a espirometria e observa doença obstrutiva, característica das duas doenças, ou seja, também não fecha o diagnóstico. Aí que nós vamos precisar fazer a radiografia de tórax, um hemograma (procurar taxa de eosinófilos aumentados, porque no paciente asmático os eosinófilos chamam mais a atenção do que no paciente com DPOC). Na radiografia de tórax, o paciente com DPOC vai ter muito mais alterações que o asmático, então esses outros exames que eu falei agora pouco vão ser usados para diagnóstico diferencial, porque além do DPOC a gente tem outras doenças respiratórias e algumas delas vamos falar ao longo do ano, como bronquiectasias, bronquiolites, principalmente em crianças, bronquiolites virais e infecciosas, tem uma doença chamada pneumonia de hipersensibilidade que é um tipo de doença intersticial com fibrose causada por agente inalantes (muito comum no Brasil e aqui na nossa região, então ela causa fibrose – não tem nada a ver com a asma mas gera sintomas semelhantes a ela, esses pacientes podem ter sibilos na respiração pulmonar –), a aspergilose broncopulmonar alérgica (processo alérgico no pulmão), alguns casos de neoplasia pulmonar, disfunção das cordas vocais (disfunção anatômica congênita), alguns casos de embolia pulmonar, pneumonias eosinofílica (porque a gente vai ter uma taxa aumentada de eosinófilos no sangue), obstrução mecânica das vias aéreas por um corpo estranho (comum em crianças), algumas reações alérgicas e insuficiência cardíaca. Vocês já devem ter ouvido falar da asma cardíaca, é comum você ter um paciente com insuficiência cardíaca congestiva tendo os sintomas de dispneia e chiado e tentar mimetizar ou dar um diagnostico errado de crise de broncoespasmo, quando na verdade é só uma insuficiência cardíaca congestiva. Classificação da Asma Gravidade Intermitente Leve Moderada Grave Difícil controle Controle Controlada Parcialmente controlada Não controlada Antes de falar de tratamento, temos que saber classificar o paciente asmático para podermos indicar o melhor tratamento e prever o prognóstico dele. Classificamos o paciente com asma através de dois parâmetros, em relação a gravidade e ao controle dos sintomas, essa classificação tem mudado muito ao longo dos anos, a prof até mudou o slide esse ano pro GINA de 2018, se formos ler livros mais antigos, vamos ver que vai estar diferente do que ela falou na aula. Em relação a gravidade da asma usamos: leve, moderada e grave, tem também um subtipo de asma que é a de difícil controle que eu vou falar mais no finalzinho da aula. Em relação ao controle da doença, é baseado aos sintomas da asma, vamos classificar em: controlada, parcialmente controlada e não controlada. Classificação da Asma conforme a gravidade CLASSIFICAÇÃOTRATAMENTO NECESSÁRIO PARA SE OBTER O MELHOR CONTROLE Leve STEP 1 ou 2 Corticóide inalatório em dose baixa Moderada STEP 3 Corticóide inalatório em dose moderada ou alta e broncodilatador de longa duração Grave STEP 4 ou 5 28 Corticoide inalatório em dose alta e broncodilatador de longa ação e uso de corticoide oral em dose baixa ou outro tratamento suplementar A gravidade é baseada nas fases do tratamento da asma, então a gente só pode classificar o paciente asmático em relação a gravidade a partir do momento que você já tem esse diagnóstico e você já esta acompanhando esse paciente, ou seja, na primeira consulta você não vai conseguir classificar esse paciente de acordo com a gravidade, você só vai dar o diagnostico, porque ele não ta recebendo nenhum tipo de tratamento. O paciente com a asma leve tem sintomas controláveis e está bem com tratamento baseado na fase 1 ou 2 do tratamento, que são basicamente pacientes que estão usando corticoides inalatório em doses baixas e bd injetáveis, ele ta com pouco medicação. Asma moderada é aquele paciente que ta no step/fase 3 do tratamento, ou seja, corticoide inalatório em doses maiores e já associamos bd de longa ação como base do tratamento. Asmáticos graves são aqueles que já estão na fase 4 ou 5 de tratamento de asma e estão com todas as doses otimizadas de medicação, já estão utilizando corticoides orais sistêmicos e são candidatos a imunoterapia, sendo esses os pacientes mais sintomáticos, que internam mais, que usam mais medicação e mesmo assim, eles mantem os sintomas não controlados, então essa é a classificação pela gravidade. Classificação da Asma conforme o controle Últimas 4 semanas Sintomas de asma > 2x na semana Despertar noturno Uso de broncodilatador de alívio > 2x na semana Limitação devido a asma Bem controlada nenhum Parcialmente controlada 1-2 Não controlada 3-4 Escalas numéricas Asthma Control Questionnaire (ACQ): 0-6 (maior pior) Asthma Control Test (ACT): 5-25 (maior melhor) Fatores de risco para piora exacerbações Altas doses de SABA Uso inadequado de CI (aderência, uso do dispositivo) Elevada resposta broncodilatadora Problemas psicossociais Exposição ativa (tabaco, alergenos) Obesidade, rinossinusite crônica Eosinofilia Gravidez Internação prévia em UTI > 1 exacerbação grave nos últimos 12m Em relação ao controle dos sintomas, você vai se basear principalmente nos sintomas das ultimas 4 semanas, quais são eles? Os sintomas respiratórios da asma (tosse, chiado e dispneia) mais do que duas vezes nessas últimas 4 semanas, se ele teve algum despertar noturno, ou seja, se ele acordou alguma vez a noite com crise de falta de ar, porque o despertar noturno na asma é muito grave pelo fato da associação das catecolaminas (dos picos de cortisol, maiores concentrações de manhã e menores a noite), se ele teve que utilizar algum broncodilatador de alivio mais do que duas vezes nas ultimas 4 semanas, ou seja, mesmo utilizando a medicação recomendada, ele teve que usar outra medicação e se ele ainda tem limitações em razão dos sintomas asmáticos, ou seja, se ele deixa de ir pra escola, academia ou trabalho, em virtude dos sintomas da asma. São esses quatro parâmetros, se você não obtiver nenhum deles a gente considera esse paciente bem controlado; se ele tiver um ou dois esse paciente vai estar parcialmente 29 controlado; três ou mais, não controlado. Eles tentaram facilitar aqui para fazermos a analise do controle, porque antes era uma tabela enorme com varias perguntas que se não lesse no papel, não conseguiríamos lembrar, então são perguntas que a gente acaba fazendo mesmo pro paciente. EX: o senhor está bem? Teve alguma crise no ultimo mês? Teve alguma crise de ter que ir ao ps? Teve que usar a bombinha de alivio? Ta conseguindo fazer as suas atividades diárias? Acordou alguma vez com falta de ar, precisando usar a sua bombinha de asma? São perguntas que a gente faz para o paciente asmático normalmente, ficando muito mais fácil fazer essa análise dos controles. Vocês vão ler que ainda existem as escalas numéricas, ou seja, tabelas que você vai pontuar item a item de acordo com as perguntas, fazer uma somatória e dar um valor numérico, há quem diga que essas escalas numéricas são mais objetivas, ficando mais fácil e palpável pra você escolher um segmento pro seu paciente. Então tem lugares que o paciente chega e recebe uma folhinha com essas escalas numéricas pra ele preencher, ele mesmo pode preencher ou você preenche na consulta. Temos duas escalas americanas já traduzidas pro português, o ACQ (asma control questionare) que vai de 0 a 6 (quanto maior o resultado, pior o paciente está) e o ACT (asma control test) que a gente usa mais e vai de 5 a 25 (quanto maior melhor). É um processo muito trabalhoso, você tem que fazer questão por questão, então você vai ficar alguns minutinhos ali com o seu paciente pra fazer essa avaliação, mas é uma enumeração, você pode fazer numa consulta agora e daqui 6 meses você realiza outro ACT e vai acompanhando seu paciente durante o tratamento. Além de nós classificarmos esse paciente de acordo com os sintomas, se ele esta controlado ou não controlado, o GINA 2018 alerta pra você tentar identificar fatores de risco pra piora das exacerbações, ou seja, são algumas características que alertam pra você que mesmo que o paciente seja bem controlado dos sintomas, ele tem um risco maior pra ter uma piora clinica ou uma exacerbação que leve ele para o hospital, quais são esses pacientes? Aqueles que estão utilizando altas doses de broncodilatadores, ou seja, as vezes ele pode estar bem, mas ele está tendo que usar uma dose muito alta de medicação, então é um paciente que tem um maior risco de ter uma piora clinica. Aquele paciente que faz uso inadequado de seus corticoides inalatórios, ou mesmo dos broncodilatadores, ou seja, que não tem aderência ao tratamento, ou que não sabe usar as bombinhas ou dispositivos inalatórios. Pacientes que na espirometria tem uma alta taxa de resposta broncodilatadora (quando a gente faz a fase pré e a fase pós, as vezes ele tem ai um vef1 de 50% e após o broncodilatador ele chega a um vef1 de 80%, então ele teve uma resposta broncodilatadora de 30%, que é uma taxa muito alta, a gente considera 7% o mínimo pra ter resposta, se ele melhorou 30% é um preditor de que ele tem uma variabilidade muito alta na broncoconstrição dos seus brônquios, então ele é um paciente que tende a ter uma crise de exacerbação mais grave). Pacientes que tem problemas psicossociais, é muito alta a prevalência de ansiedade e depressão no paciente asmático e sabemos que os fatores psicológicos interferem muito na percepção dos sintomas, mas também na evolução clinica desse doente. Pacientes que tem exposição ativa a alérgenos ambientais ou mesmo ao tabagismo, obesos que tem sinusite crônica, que tem uma eosinofilia no sangue muito alta, grávidas (tem uma alta chance de ter exacerbações graves ao longo da gravidez), pacientes que já falam pra você que já tiveram uma internação previa na UTI, pacientes que tiveram mais de uma exacerbação grave nos últimos 12 meses, ou seja, no ultimo ano ele ficou internado 2 vezes, mesmo que hoje ele esteja bem, no ano passado ele ficou internado por duas vezes, então esse é um paciente que tem que ficar em alerta pro risco de exacerbação. Esses pacientes são aqueles que você vê novamente entre 3 ou 4 meses e não daqui 1 ano. Tratamento farmacológico Drogas de controle (anti-inflamatória) Corticoide inalatório Corticoide inalatório + β2-agonista de longa ação Corticoide sistêmico Modificadores de leucotrienos Xantina de liberação prolongada Anti-IgE Drogas de alívio ou resgate (broncodilatadora) β2-agonista de curta ação e início rápido β2-agonista de longa ação e início rápido Xantina 30 Se já temos o diagnóstico, já classificamos o paciente,iremos agora analisar o tratamento. O tratamento é baseado em dois sentidos: um tratamento farmacológico, que é baseado em drogas e um tratamento ambiental, que são os cuidados ambientais no controle dos desencadeantes das crises de broncoespasmo. No tratamento farmacológico também vamos nos basear em dois grupos de medicamentos, as drogas de controle (que tem um papel anti- inflamatório) e as drogas de alivio ou resgate (que tem papel fundamental de broncodilatação rápida). Das drogas de controle, a principal droga e a droga de primeira escolha são os corticoides inalatórios. Então diagnosticou asma e o paciente é sintomático, droga de escolha com papel anti-inflamatório é corticoide inalatório. É a primeira droga que vocês vão pensar. Vocês podem, ao longo do tempo ou ate na primeira consulta dependendo da gravidade do paciente já utilizar das associações de broncodilatadores com corticoide inalatório. Até hoje, ainda existe só a associação de corticoide inalatório com beta 2 agonista de longa ação, que é um tipo de broncodilatador, mas a gente também tem outras drogas broncodilatadoras como as xantinas e os antimuscarinicos que eu vou falar mais pra frente. Outras drogas antiinflamatórios são os corticoides sistêmicos, que a gente sempre vai tentar evitar pela gama dos seus efeitos adversos, também temos modificadores dos leucotrienos, o anti IgE e outros imunoglobuladores, a gente vai falar de um a um a seguir. As drogas de alivio ou resgate são os broncodilatadores de rápida ação e inicio rápido, então você usa a medicação, já faz a broncodilatação, só que o efeito da medicação é fugaz, não é prolongado, então a gente tem os beta2 agonistas de curta ação e inicio rápido, beta2 de longa ação, as xantinas e os antimuscarinicos. Corticoide inalatório (CI) Droga mais efetiva para o controle da asma persistente Reduz inflamação das vias aéreas Reduz intensidade das exacerbações Reduz mortalidade e melhora a função pulmonar Efeitos adversos em doses elevadas: perda de massa óssea, hiperglicemia, disfonia, tosse, monilíase oral Os corticoides inalatórios são as drogas de primeira escolha, por quê? São as que têm maior efetividade no controle da asma persistente, ela tem uma ação direta na inflamação das vias aéreas, aquela inflamação crônica, então ao longo do tempo a gente sabe que ela vai diminuir a intensidade das exacerbações e consequentemente você tem um impacto na mortalidade desses pacientes porque são as drogas que realmente melhoram a função pulmonar, podendo levar a reversibilidade total das alterações nas vias aéreas. É claro que se usarmos doses muito altas, podemos ter os efeitos adversos, como: perda de massa óssea, gerando osteopenia ou osteoporose; hiperglicemia; disfonia que é muito comum em pacientes que faz uso do corticoide inalatório; tosse por razão da disfonia e monilíase oral, esses últimos três são bem contornáveis se o paciente fizer uso da técnica inalatória da forma correta e fazer a higiene oral depois do uso (podemos pedir pro paciente fazer gargarejo com água após uso do corticoide inflamatório). Então o corticoide inalatório vai atuar principalmente na inflamação das vias aéreas, por isso que ele tem esse papel tão importante no tratamento da asma. Na tabela abaixo temos alguns exemplos dos corticoides inalatórios que temos no Brasil, os quais são os principais, são: budesonida, dipropionato de beclometasona, ciclesonida, mometasona e fluticasona. Esses corticoides vão variar na potência, ou seja, na capacidade anti-inflamatória de cada um e também na dosagem. Classificamos eles entre as doses alta, média e baixa para todos. Só pra vocês saberem: ainda não vou cobrar esse ano de vocês na prova, mas lembram de que eu falei pra vocês na classificação de asma leve, moderada e grave? Um dos principais parâmetros de classificação é na dosagem de corticoide inalatório, por isso que é importante pra vocês saberem sobre as doses baixa, moderada ou alta. 31 β2-agonista de longa ação (LABA) Uso isolado em asma é contra-indicado Uso associado ao CI tem efeito anti-inflamatório Efeitos adversos: taquicardia, tremor de extremidades, hipopotassemia Formoterol Salmeterol Outra classe de drogas são os beta agonistas de longa ação ou LABAS, o uso isolado deles na asma é totalmente contra indicado, porque apesar de ele apresentar efeito broncodilatador, a longo prazo, estudos mostraram que ele não teve efeito na taxa de mortalidade, na asma quem faz esse impacto na mortalidade é o corticoide inalatório. PROF DISSE QUE PERGUNTA TODOS OS ANOS NA PROVA E TODO MUNDO ERRA: Qual é a droga de escolha na crise de broncoespasmo em paciente com diagnóstico de asma? CORTICOIDE INALATÓRIO. A escolhe não é beta2 agonista e sim corticoide inalatório (vocês vão ver que no DPOC é o inverso). Quando você o usa associado com um corticoide inalatório aí tudo bem, ele vai ter o seu efeito antiinflamatório associado com o efeito broncodilatador. Como efeitos adversos teremos: taquicardia, tremor essencial nas extremidade e em alguns casos a hipopotassemia. As principais drogas dessa classe no Brasil, que são as mais utilizadas na asma são: formoterol e salmeterol, mas já temos outras drogas de LABA surgindo no mercado, sendo o formoterol mais comum porque é disponibilizado pelo sus. β2-agonista de curta ação (SABA) Drogas de alívio rápido dos sintomas Não há evidência da segurança no seu uso isolado como manutenção Salbutamol Fenoterol Terbutalina Além do beta 2 agonista de longa duração, a gente tem o de curta duração (SABA), que são drogas de alivio rápido dos sintomas, não tem evidencias de segurança no seu uso isolado, da mesma forma como os LABA, como tratamento de manutenção. São drogas de escolha para situações de resgate, temos no Brasil o salbutamol (faerolin), fenoterol (berotec) e terbutalina, que é um dos tipos de beta 2 agonistas injetáveis, uma injeção subcutânea (normalmente só se usa em hospitais). Antileucotrienos Reduz inflamação nas vias aéreas Opção aos medicamentos inalatórios Montelucaste sódico Os antileucotrienos são drogas que tem o papel diminuir a inflamação das vias aéreas, atuando principalmente naquela via dos leucotrienos, sendo uma medicação sistêmica. Ela é oral, é comprimido, então é uma opção para 32 pacientes que não sabem ou não conseguem utilizar os corticoides inalatórios, ou seja, as bombinhas. A opção que a gente tem no Brasil é o montelucaste sódico. Outra indicação para o uso de leucotrienos são crianças que possuem dificuldade de usar as bombinhas e em adultos que possuem asma e também tem o perfil de rinosinusite crônica, aparentemente, os antileucotrienos possuem grande papel na diminuição das sinusites crônica, então quando o paciente tem asma leve associada a uma rinite alérgica, você pode optar como droga de escolha os antileucotrienos. Xantinas Ação anti-inflamatória Indicada em associação aos CI/LABA Efeitos adversos: gastrintestinais, neurológicos e cardiovasculares Teofilina Aminofilina Bamifilina As xantinas são também outras drogas antiinflamatórias, mas ela não tem identificação de forma isolada e hoje ela é considerada uma droga de terceira linha, então usamos só em ultima opção. São as famosas aminofilinas que infelizmente ainda dispõe em postos de saúdes, então na rede publica as vezes vai ser o que você vai ter disponível pra usar, mas a gente tem também a teofilina e bamifilina. Elas são consideradas drogas de terceira escolha porque elas tem muitos efeitos adversos gastrointestinais, cardiovasculares e neurológicos, por isso sabemos hoje que o efeito dos corticoides inalatórios junto com os beta agonistas de longa duração são muito melhores que as xantinas, antigamente se usava muito a aminofilina, mas hoje em dia só se usa quando extremamente necessário. Imunobiológicos Indicado para Asma de difícil controle Anti-IgE(omalizumabe) Anti-IL-5 (mepolizumabe) Bloqueador do receptor de IL-5 (benralizumabe) Os imunobiológicos são as novas classes de medicamentos que a gente tem pra asma, mais especificamente para a asma de difícil controle, ou seja, um perfil de asmático grave que você já usou todas as suas opções de drogas inalatórias e o paciente não teve controle dos seus sintomas, então hoje a gente tem esses três opções de imunobiológicos que são injetáveis para tentar ter o controle da doença. Até pouco tempo a gente só tinha o anti-IgE, que é uma droga que vai atuar especificamente contra a imunoglobulina E que é o omalizumabe (Xolair), mas há dois anos mais ou menos a gente teve a liberação no Brasil de outras duas drogas que vão atuar na IL tipo 5 que é um dos mediadores bioquímicos liberados naquela cascata inflamatória. O mepolizumab vai atuar diretamente na IL-5 e o bentalizumab vai atuar no receptor do IL-5, todas essas medicações são injetáveis e possuem um preço enorme, nenhuma delas é disponibilizada pelo sus, nós já temos a liberação da anvisa para utilização dessas drogas, mas o acesso à elas é complicado, mesmo assim alguns pacientes já estão usando essas medicações, inclusive aqui em Maringá, em casos de asma de difícil controle. Tratamento da Asma – SBPT 2012 Aqui temos esqueminha das fases ou dos steps que foi falado lá trás. Essa é a proposta do tratamento de asma da sociedade brasileira de pneumologia de 2012, mas não mudou muita coisa desde então. Sempre vamos tentar buscar controlar os sintomas do paciente e baseado no controle desses sintomas que você vai percorrer as etapas do tratamento, que são 5 etapas. ETAPA 1 E 2: A etapa 1 é a baseada em uso de bd de curta ação por demanda, que é o bd de alivio, normalmente o SABA (beta2 agonista de curta ação) mas outra opção de medicamentos de controle dos sintomas poderiam ser os corticoides inalatórios, então na verdade, na etapa 1 você só tem pacientes que estão usando bd de curta, mais nada. Hoje em dia dizemos que esse paciente já não existe, era o que antigamente classificávamos como asma intermitente, porque abolimos essa classificação? Porque começamos a observar que esse paciente com asma intermitente que só usava o SABA quando tinha sintomas, era um paciente que estava sendo mal manejado, ele é um paciente de asma leve que deveria estar usando corticoide inalatório para controle além do SABA, ou seja, era aquele paciente que 33 mentia dizendo que só usava a bombinha uma ou duas vezes quando ia correr, mas na verdade usava mais, a gente observou que esses pacientes estavam sendo mais internados, estavam procurando mais o ps porque na verdade eles estavam sendo mal manejados. Por isso que lá o asmático leve estava escrito etapa 1 ou 2, é aquele paciente que ta com medicação de resgate + uma dose de corticoide inalatório baixa. Como opção a gente tem os antileucotrienos, aquilo que eu falei, o asmático leve especialmente aquele com rinite alérgica pode ter como primeira opção os antileucotrienos ao invés do corticoide inalatório, mas ainda fica como droga de segunda linha, sempre a primeira opção vão ser os corticoides inalatórios. Então asmático leve está na etapa 1 e 2. ETAPA 3: Na etapa 3 você já tem o paciente fazendo associação de corticoide inalatório + broncodilatador de longa ação (LABA), ou seja, já consideramos como asma moderada. Também tem a alternativa de dar uma maior dose de corticoide inalatório ou associar com outras drogas, mas aí já passa para um tratamento de terceira linha. Então etapa 3, primeira opção seria associar corticoide inalatório com LABA. ETAPA 4: Na etapa 4 você vai usar o corticoide inalatório + LABA em doses extremamente altas, podendo associar uma terceira droga, como o antileucotrienos, as xantinas e o tiotrópio (desde 2017). Tiotrópio é um bd de ação antimuscarínica de longa ação, antes de 2017 era utilizado apenas em pacientes com DPOC e depois disso, passou a ser usado em pacientes com asma grave a partir da etapa 4. ETAPA 5: Etapa 5 é o paciente que já está usando todas as drogas que o da etapa 4 + um corticoide oral e já é candidato para imunoterapia, seja com anti-IgE ou anti IL-5, aquelas duas drogas que foram lançadas ano passado. Então da pra entender que com o passar das etapas, a gente ta aumentando a medicação, por isso que o asmático leve é aquele que ta na etapa 1 ou 2, com pouca medicação, asmático moderado é aquele que ta no meio do caminho e asmático grave está com as doses otimizadas para o seu tratamento. Classificação da gravidade é por etapas, o controle dos sintomas é daquela tabelinha das 4 semanas e dos 4 parâmetros, são classificações diferentes. *Alguém fez uma pergunta que não da pra ouvir, mas a professora respondeu: sempre vocês terão a indicação da medicação de alivio que é o beta 2 agonista de curta ação que é aquela faixa de controle dos sintomas, essa fase aqui de baixo é o tratamento de manutenção das drogas antiinflamatórias, sempre a primeira escolha é o corticoide inalatório, as outras drogas, o LABA, a xantina, o antileucotrienos ou qualquer outra, eles vão ser associados ao corticoide inalatório, nunca você vai usar por exemplo o imunobiológico sozinho, normalmente quem ta com o imunobiológico ele também ta com corticoide inalatório em altas doses, você vai somando medicação, ok? 34 AULA 3 Continuação de Asma... Tratamento não farmacológico Controle ambiental A maioria dos pacientes com asma normalmente tem gatilhos, alérgenos ambientais que ajudam a desencadear as crise, causando a sintomatologia do paciente, então não basta ele usar o medicamento, ele pode estar com altas doses de corticoide inalatório, mas se ele mora/trabalha em um ambiente repleto de alérgenos (seja ácaro, poeira, fungos ou se ele fuma) ele vai manter os sintomas, vai ser classificado como um paciente não controlado ou parcialmente controlado. Então o controle ambiental é importante, não só da casa, mas aonde ele passa a maior parte do dia, seja o ar condicionado de onde ele fica, etc. Educação em asma – plano de ação Existe um plano de ação que falamos: pegar a receita que você fez para o seu paciente, orientá-lo se é um medicamento de manutenção (controle), como usar, quando usar, se é um medicamento de alívio (resgate). Em cada consulta você deve deixar bem claro para o paciente quando ele vai usar o medicamento de manutenção e o de resgate. Nesse plano de ação fazemos orientações de auto manejo, ou seja, quando o paciente começa a ter sintomas de broncoespasmo, aumenta dispneia, aumenta ?, você orienta-o como usar o seu medicamento de resgate até a sua dose máxima, além de ensiná-lo a identificar os sinais de alerta que é quando o paciente precisa procurar o pronto socorro, porque sabemos que ele pode entrar numa crise de broncoespasmo fatal em questão de minutos, então tentamos orientá-lo disso. Vacinas – influenza e pneumocócica As vacinas, tanto pra influenza, quanto pra pneumonia, são indicadas para todos os pacientes asmáticos, que sabemos que reduz as infecções respiratórias e consequentemente reduz o número de exacerbações e internações desses pacientes. Adesão ao tratamento Uso correto dos dispositivos inalatórios Alguns exemplos dos dispositivos que temos são: aerossol, capsula inalatória, turbohaler, diskus. Cada aparelho desse tem um jeito de usar, temos que escolher um aparelho, a medicação e ver a preferência do paciente, isso tem que ser checado sempre porque é muito comum que os pacientes estejam com as medicações mas não estejam fazendo o uso correto, isso é uma das principais causas da piora clínica do paciente asmático, não basta ensinar somente uma vez quando prescrevemos a medicação, temos que sempre relembrá-lo. As vezes escolhemos os melhores medicamentos broncodilatadores, os mais caros e mais modernos, mas o paciente não sabe usar, então temos que escolher a melhor opção para cada paciente. NoSUS, as vezes temos apenas uma opção de medicação inalatória, aí o paciente é obrigado a usar aquele dispositivo, então temos que ensiná-lo da melhor maneira possível para que ele fique medicado. Tratamento da Asma – GINA O gráfico de tratamento abaixo nos faz lembrar que em cada consulta temos que checar tudo novamente no paciente. Temos que analisar se fizemos o diagnóstico correto, se o paciente está com os sintomas controlados ou não, se a medicação prescrita pra ele está conforme aquela classificação das etapas 1, 2, 3, 4 e 5, se ele está usando adequadamente o seu medicamento, se ele está com uma boa aderência ao tratamento, se ele está fazendo o controle adequado do seu ambiente (não só da casa, mas de onde ele passa a maior parte do tempo, seja na faculdade ou trabalho), conforme sua classificação rever se precisa ajustar o tratamento, trocar a bombinha, medicação, aumentar/diminuir a dose, rever sempre a resposta do paciente. A cada visita, você vai reclassificar esse paciente. Falamos que o tratamento da asma é muito dinâmico, porque se na primeira consulta você recebe um paciente não controlado, você medica e ele tem uma boa resposta, daqui 3 meses quando ele retorna ele vai ser reclassificado para um paciente controlado, as vezes já podemos ajustar o tratamento. Se numa segunda consulta ele vem não controlado 35 novamente, você vai mexer de novo na sua prescrição. Então o paciente asmático não é aquele que vamos ver 1x no ano, ele precisa voltar no consultório frequentemente. Exacerbação da Asma Pode ocorrer em todo asmático (leve a grave) Aumento progressivo da dispneia Aumento da tosse, sibilância Opressão torácica Diminuição do fluxo expiratório (PFE ou VEF1) Pode evoluir com piora progressiva ou ser súbita A exacerbação da asma é diferente principalmente em relação ao tratamento, é a crise de asma/broncoespasmo. Ela pode acontecer em qualquer tipo de asma, independente da gravidade, desde o paciente leve até o asmático grave, é uma piora aguda dos sintomas, aumento progressivo de dispneia, tosse, chiado, sibilância, paciente pode ter dor torácica e normalmente observamos uma queda dos ductos respiratórios. Essa crise de broncoespasmo pode evoluir de forma bastante heterogênea, pode levar o paciente a ter uma piora progressiva ou pode ser súbita com parada respiratória e a necessidade de intubação orotraqueal. Ela também é classificada conforme a crise de exacerbação quando o paciente chega na sala de emergência com esse quadro de insuficiência respiratória aguda: leve a moderada, grave ou muito grave. Isso depende muito da apresentação clínica, na última diretriz da sociedade brasileira eles ainda trazem esses itens de classificação com dados de exames físicos, ausculta torácica, dados de sinais vitais e de gasometria arterial. Numa crise leve a moderada o paciente ainda consegue estar consciente, conversar, tem um padrão respiratório taquipneico mas é um esforço respiratório (ele usa muito a musculatura acessória), quando auscultamos o tórax dele conseguimos auscultar sibilos, ele ainda tem uma FC aumentada, saturação de O2 ainda preservada. Conforme essa crise vai se agravando, o paciente deixa de ter seu estado normal e fica sonolento, confuso, ele não consegue verbalizar com a gente ou só consegue falar algumas sílabas/poucas palavras, vemos com clareza o uso da musculatura acessória, fúrcula, musculatura abdominal, fica mais taquicárdico, taquipneico, oxigenação começa a ter uma queda, na gasometria começamos a perceber sinais de insuficiência respiratória, uma queda da PaO2, aumento PaCO2, quadro de hipercapnia, levando a uma acidose respiratória, que seria o pior cenário do paciente, ele está preste a ter uma parada respiratória, já está até cianótico. 36 Então essa é uma classificação conforme a gravidade dos sintomas, mas a professora disse que não precisa decorar cada item, é só tentar imaginar a cena como aconteceria (?). Isso é importante porque quando falarmos sobre tratamento vamos tratar conforme essa classificação. Manejo da Exacerbação Paciente chega no pronto socorro, asmático, não consegue falar, cansado, cianótico, sonolento, em crise grave, vamos encaminhar diretamente pra UTI. Vamos fazer uma rápida avaliação da gravidade, desde que ele não esteja no estágio grave vamos aplicar a medicação indicada na sala de emergência, que é o b2 agonista de curta ação, temos que escolher uma medicação que tenha efeito rápido e imediato, pois temos que abrir rapidamente os brônquios desse paciente para que ele consiga voltar a respirar. A indicação é de 3 doses desse b2, você pode fazer a cada 10 a 30 minutos e coloca-lo no oxigênio caso ele tenha uma saturação abaixo de 95%. Fez a medicação de b2, você vai avaliar em 30 minutos, você tem que ficar ao lado do paciente monitorizando a resposta dele. A resposta pode ser classificada entre boa, parcial, ausente ou pequena e o paciente pode piorar. Se ele piorar, ele vai pra UTI. Se ele tiver uma resposta boa, que vamos avaliar como melhora total dos sintomas, já está conversando, oxigenação está boa, não tem mais sinais de dispneia, frequência respiratória e cardíaca estão normal, podemos utilizar também a medida do pico de fluxo expiratório, se a medida deste estiver acima de 70% consideramos como normal, paciente pode receber alta (mas sempre com medicação e orientação, porque ele chegou no pronto socorro como paciente grave, ou ele é uma asmático não controlado ou é um asmático que não teve diagnóstico, então a orientação para os clínicos gerais é deixar sempre um b2 agonista de resgate, orientá-lo usar em aerosol ou inalação a cada mais ou menos 4 horas por pelo menos 48 horas e indicar um corticoide oral para garantir que ele tenha um efeito anti-inflamatório persistente e encaminhar esse paciente para uma reavaliação, ou para um clínico geral ou para um pneumologista). Se a resposta for parcial, ou seja, o paciente melhorou mas não muito, o pico de fluxo ainda não atingiu o valor esperado, vamos manter o paciente no pronto socorro, introduzir corticoide oral dentro do pronto socorro mesmo, ele vai continuar na sala de emergência. Aqui temos a opção de associar o ipratrópio que é um outro tipo de broncodilatador da classe dos antimuscarínicos que também tem ação rápida para o alívio dos sintomas. Na prática, acabamos pulando algumas etapas porque o paciente chega de uma forma tão desesperadora que queremos fazer 37 tudo de uma vez, então administramos b2 agonista e já associamos ipratrópio, aqui não está errado, foge um pouco do protocolo mas na prática está ok, mas o corticoide normalmente ele está indicado na reavaliação, porque o paciente pode sair só com o uso do broncodilatador, exceto esse paciente que já nem conversa com você, aí é um outro caso. Se o paciente depois de 1 ou 4 horas que está na sala de emergência melhora totalmente, ele ainda tem condições de alta, esse paciente que ficou mais tempo na sala de emergência com você tem que ir a um pneumologista, receber os broncodilatadores (esses de rápida ação) e sempre lembrar de dar o corticoide oral por pelo menos 7 dias para garantir que ele tenha um efeito profilático anti-inflamatório do corticoide. Aquele que não melhorou vamos internar e investigar a causa do broncoespasmo que fez com que ele ficasse com os sintomas persistentes no tempo que ele ficou na sala de emergência, ver se ele está com alguma infecção, sinusite, amigdalite, se precisa de antibiótico... Então esse cenário de atendimento é diferente do cenário que você fez o diagnóstico de asma e o paciente ta ali no seu consultório ou no ambulatório, são pacientes em caso de sala de emergência. Quais são as diferenças? A classificação da intensidade (leve a moderada, grave e muito grave) pra decidir se o paciente da sala de emergência vai pra UTI e a medicação de escolha, aqui é b2 agonista de curta ação, é a primeira medicação que você vaiusar na crise de exacerbação. No consultório, paciente asmático, você faz o diagnóstico, classifica ele, a medicação de escolha é corticoide inalatório como droga de profilaxia e manutenção, são prescrições diferentes (pergunta de prova, todo ano ela pergunta e alguém erra). Exacerbação da Asma Pacientes com alto risco para exacerbação: Exacerbação grave prévia com IOT ou internação em UTI Agudizações frequentes (≥ 2 internações ou 3 idas ao OS no último ano) Uso frequente de medicação de resgate (≥ 2 unidades de SABA/mês) Pacientes com pouca melhora da função pulmonar após uso de BD Doenças psiquiátricas, cardiovasculares Baixo grau de percepção dos sintomas indicativos de exacerbação Vamos falar rapidamente sobre a exacerbação de asma para aqueles pacientes que tem alto risco de ir pra UTI, que já foi comentado um pouco no começo da aula. Existem alguns dados de anamnese que podemos tentar identificar no paciente que tem maior risco de evoluir pra uma crise de asma, são aqueles que já foram internados na UTI com ou sem intubação orotraqueal, paciente que sempre está no hospital (no pronto socorro ou internado), paciente que usa muita medicação de resgate (isso indica que ele não está com os sintomas controlados, ele está com a bombinha de alívio toda hora, então ele continua muito inflamado), pacientes que não tem melhora da função pulmonar, mais que alivia após do uso do broncodilatador, paciente que sempre vai manter algum grau de obstrução de vias aéreas, pacientes psiquiátricos, com doenças cardiovasculares graves associadas mas aí por conta do aumento de comorbidades, pacientes que tem baixo grau de percepção dos sintomas, isso é muito importante falar porque sempre temos que checar o paciente no consultório se ele realmente entende o que é uma crise de asma, quando ele entra na crise de broncoespasmo, tem pacientes que falam que está tudo bem e quando você vai examiná-lo ele está sibilando constantemente, então esse é um paciente mal perceptor. Provavelmente ele está acordando, está cansando, mas ele não percebe. Alguns pacientes convivem a tanto tempo com a crise que acham que isso é normal, peito chiando, tosse, catarro, mas não é normal, então sempre temos que reforçar isso porque é através desses sinais que vamos orientar o paciente quando usar o b2 agonista de curta ação e livrar ele de ir pro pronto socorro. Asma de difícil controle 10% dos casos de asma Elevada mortalidade Fenótipos: ✓ Resistência aos corticoides ✓ Obstrução persistente ✓ Exacerbações frequentes (asma lábil) ✓ Idade de início tardio 38 ✓ Induzida por AAS ✓ Ocupacional ✓ Menstrual Quando falamos das etapas, quando chega na etapa 5, tem uma fase que colocamos uso do corticoide oral, quando você tem um paciente que já está usando toda a terapia inalatória utilizável, você já associou corticoide inalatório, b2 agonista de longa ação, antimuscarínico, etiotrópico que já está indicado na asma na etapa 4 ou 5 e esse paciente persiste com sintomas, você introduziu o corticoide oral, esse paciente é classificado com asma de difícil controle. Felizmente é uma porcentagem muito baixa, cerca de 10% dos casos de asma, mas é o tipo de paciente que tem uma alta mortalidade, paciente asmático que morre e morre rápido. Existem alguns fenótipos desses pacientes: possuem perfil de resistência ao corticoide, ou seja, apesar de sabermos que corticoide é droga de escolha pro tratamento de asma, independente da potência da via de administração desse corticoide, vemos que não funciona, paciente está ali medicado, mas não responde ao corticoide. Ele tem obstrução persistente a espirometria, que não tem resposta broncodilatadora, tem exacerbações frequentes da asma (consideramos como asma lábil, ou seja, hoje ele está bem e amanhã não, independente se ele foi exposto ou não a um fator desencadeante). Pacientes que tem asma de início tardio (paciente que inicia os sintomas depois dos 40 anos tem maior chance de desenvolver asma de difícil controle), asma induzida por AAS (é raro, é uma medicação que é muito utilizada, mas percebemos que ele evolui pra asma de difícil controle), asma ocupacional (causada pelo seu ambiente de trabalho) e tem uma muito rara que chama asma menstrual (acontece na mulher, com as crises de broncoespasmo associadas ao período do ciclo menstrual). Critérios maiores Corticoterapia contínua ou maior parte do tempo no último ano Necessidade de CI em doses elevadas Critérios menores Uso de medicação adicional Necessidade de SABA diária Obstrução persistente (VEF < 80%, PEF > 20%) 1 ou + visitas ao OS por ano 3 ou + cursos de CE oral por ano Piora com tentativa de redução de CI Episódio quase fatal Existem alguns critérios diagnósticos para facilitar e objetivamente fazermos o diagnóstico do paciente. Existem critérios maiores e menores, se tivermos pelo menos um menor e um maior estamos aptos a fazer o diagnóstico de asma de difícil controle. Entre os critérios maiores temos: pacientes que fazem uso de corticoide contínuo, que usa várias vezes ao longo do ano ou que está usando as doses máximas de corticoide inalatório, a dose de corticoide é o ponto chave, seja o oral ou inalatório. Critérios menores são pacientes que estão muito medicados, tem a prova de função ruim, vai muito ao pronto socorro, tem piora toda vez que tentamos diminuir a dose do corticoide ou que já traz um relato de um episódio quase fatal. Então é um perfil de paciente asmático mais grave, se tivermos um critério maior e dois menores podemos diagnosticar com asma de difícil controle. (Mandei e-mail pra prof perguntando se é necessário um ou dois critérios menores para fazer o diagnóstico, quando ela responder aviso vocês!) Tratamento Elevadas doses de CI + LABA Corticoide oral SABA Imunobiológicos 39 Inibidor da PDE-4 (roflumilaste) Imunossupressores Termoplastia brônquica Esse é o paciente que tem indicação dos imunobiológicos no tratamento, que foi citado anteriormente. Hoje temos 3 tipos de imunobiológicos no Brasil, são medicamentos injetáveis que o uso só está autorizado nesse tipo de paciente, mantemos todas as medicações inalatórias em doses altas, as vezes ainda temos que manter o corticoide sistêmico quando introduzimos o imunobiológico, o principal objetivo é retirar o corticoide oral, tentar diminuir a dose do medicamento inalatório e especialmente evitar que esse paciente interne. Os imunossupressores como azatioprina, metotrexato, ?, foram vetados no passado (uma frase que não entendi nada) imunobiológicos que são muito superiores aos imunossupressores e existe uma terapia chamada termoplastia brônquica, que é feita no BR mas só a nível de estudos/projetos científicos, que nada mais é que um procedimento endoscópico pela broncoscopia em que o cirurgião vai fazer uma cauterização do lúmem do brônquio (aquele brônquio todo inflamado, com a luz fechada por conta do edema de mucosa e hipertrofia da musculatura lisa, da fibrose de parede), ele vem com a pinça e faz uma cauterização dessa região tentando abrir a luz desse bronquíolo e aumentando a passagem do fluxo de ar, é um procedimento muito delicado, paciente é submetido a anestesia geral, imagina fazer isso em cada brônquio do seu pulmão, então tem altos riscos de complicação especialmente hemorragia, perfuração do pulmão (pneumotórax). No BR é feito em SP e Porto Alegre em nível de projeto científico, tiveram pacientes que evoluíram muito bem, estão em acompanhamento há pelo menos 10 anos e estão melhores e também tiveram pacientes que o processo de cicatrização, todo aquele edema, toda aquela hipertrofia voltou, então ainda não se descobriu qual é o perfil ideal do paciente que tem indicação pra termoplastia brônquica, por isso que ainda não está disponível para todos, além do custo que é extremamente caro. DPOC Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica Definição DPOC é uma doença comum, prevenível e tratável caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e obstrução ao fluxo de ar Obstrução aérea é causada por alterações nos bronquíolos e alvéolos provocado por substâncias tóxicas inaladas Comprometimento sistêmico Quando lemos a definição de DPOC acima, ela tem muitos dados semelhantes a definição de asma: é comum, traz sintomas respiratórios persistentes, caracterizada crônica, obstrução ao fluxo de ar, comprometimento de bronquíolos. Quais são as diferenças? Aqui também temos comprometimento de alvéolos e observamos que na fisiologia existe uma agressividade muito maior na DPOC, os bronquíolos e alvéolos sofrem um processo inflamatório tão agressivo que sofrem deformidade/destruição de sua anatomia normal. Na asma só observamos isso no asmático muito grave, que está super medicado, aquela asma de difícil controle, o asmático leve a moderado temos muita inflamação, mas não temos tanta alteração anatômica/destruição da parede alveolar ou da parede dos bronquíolos como vemos no DPOC. O ponto principal é que sempre vamos identificar o fator causal que é a substância tóxica inalada, por isso que consideramos DPOC como uma doença prevenível, porque temos um fator causal, é o paciente que fumou ou ainda fuma, paciente que teve exposição a fumaça do fogão de lenha ou de um ambiente de trabalho que tem fumaça... No asmático sabemos que esses fatores ambientais contribuem pra piora dos sintomas mas não são considerados como fator causal. Na DPOC sempre vamos identificar o fator causal, exceto numa situação de enfisema congênito que é uma doença genética e vamos falar depois. PERGUNTA: A asma pode evoluir pra DPOC? Não, são doenças diferenças que podem andar juntas. Aqui falamos do comprometimento sistêmico cada vez mais observado que é a inflamação nos pulmões, nas vias aéreas em especial, mas o paciente traz sintomas e outras manifestações sistêmicas especialmente no sistema cardiovascular que fazem com que consideramos a DPOC como uma doença sistêmica, talvez provocada por esse 40 agente causal, por exemplo: o cigarro é um fator de risco de DPOC, infarto, doença arterial periférica obstrutiva crônica, outros tipos de neoplasias (gástrica, de bexiga...). Então esse comprometimento sistêmico certamente deve estar associado a esse fator causal inalatório que ele não prejudica só o pulmão, mas também pro restante do corpo. Bronquite crônica – presença de tosse ou hiper-secreção brônquica por mais de 3 meses durante 2 anos consecutivos Enfisema – termo patológico para destruição da superfície alvéolo-capilar A professora comentou que gosta de mostrar esse slide porque isso gera muita confusão e no internato geralmente perguntam pra ela o que é bronquite crônica e o que é enfisema. Bronquite crônica por definição é a presença de tosse ou hiper- secreção brônquica por mais de 3 meses ao longo de 2 anos consecutivos, então é aquele paciente que fala que tosse, tem catarro há muito tempo e não melhora, não é aquele paciente que no inverno teve uma gripe, tomou antibiótico, melhorou e nunca teve mais, isso não é bronquite crônica, isso é bronquite aguda causada por uma infecção viral. A bronquite crônica possui sintomas persistentes, pode estar presente no contexto de várias doenças respiratórias, o asmático é um exemplo se não estiver bem medicado, porque se ele estiver com o seio inflamado, ele sempre vai falar pra você que tosse com catarro. O paciente com DPOC também, ele tem mais bronquite crônica do que o paciente asmático, porque a agressão da via aérea do paciente com DPOC é muito mais agressiva, ele produz mais muco que o paciente asmático. Enfisema é o termo patológico que define a destruição da superfície alvéolo-capilar. Aqui temos a imagem de um alvéolo normal (lado esquerdo) e um alvéolo com enfisema (lado direito), na segunda vemos que não tem mais parede, houve a destruição da membrana alvéolo-capilar por ação da substância tóxica inalada e do processo inflamatório que ele causou, então enfisema na verdade é um termo que poderíamos utilizar apenas no laudo de biópsia pulmonar. Acaba usando uma analogia disso no laudo de tomografia porque as vezes conseguimos mimetizar essa imagem de destruição alveolar nas imagens de tomografia, então lá também usa-se o termo enfisema pra descrição dessa destruição alveolar, mas hoje temos orientado que evitem esse termo porque ele tem confundido muito os pacientes. As vezes o paciente chega e fala que tem enfisema mas não precisa de tratamento e as vezes é verdade, porque aquele paciente fez tomografia, deu evidência de enfisema mas ele ainda não tem sintomas de DPOC, não tem alteração de ? então ele ainda não tem o diagnóstico de DPOC, mas isso confunde muito o paciente e as vezes o médico, porque as vezes o paciente deixa de ser tratado mas ele deveria ser tratado. Então o diagnóstico correto é DPOC e nele podemos ter bronquite crônica e enfisema. Epidemiologia 15% da população acima de 40 anos (PLATINO – SP/2005) 4ª causa de óbito no mundo e 5-7ª causa de óbito no Brasil Maior prevalência no sexo masculino (tabagismo) Falamos que DPOC é uma doença muito comum, no BR (cidade de São Paulo) ocorreu um estudo em 2005 chamado Platino, onde tivemos a prevalência da doença no adulto, foi estimada uma prevalência de cerca de 15% da população daqueles com idade acima de 40 anos. Considerada a 4ª causa de óbito no mundo e no Brasil ela fica entre a 5ª e a 7ª causa, existe uma estimativa de que no ano de 2022 ela seja a 3ª causa de óbito no adulto, então DPOC mata muito. Existe ainda uma maior prevalência no sexo masculino, teorias dizem ser por conta do tabagismo, mas com o aumento do tabagismo nas mulheres essa taxa está se igualando em todas as regiões do mundo. Fatores de risco Genética: fatores individuais ou familiares, deficiência de alfa-1 anti-tripsina 41 Idade: adultos ≥ 40 anos Tabagismo: ativo ou passivo Exposição ocupacional: sílica, carvão, poeira, fibra de vidro, solventes, fumaça de lenha Infecções respiratórias: infecções na infância, tuberculose De fatores de risco: tabagismo (seja o ativo ou passivo), também existem fatores genéticos que podem ser individuais ou familiares e existe essa deficiência da alfa-1 anti-tripsina que é a deficiência genética no enfisema congênito ou DPOC por deficiência de alfa-1 anti-tripsina (não tem associação com uma causa inalatória), então o indivíduo já nasce com essa deficiência genética, não tem esse enzima e aí ela evolui pra alterações anatômicas, especialmente aquela destruição da membrana alvéolo-capilar e por isso que ficou enfisema, porque ele tem uma extensão de enfisema pulmonar nisso pela tomografia ?, então esse paciente tem deficiência de autoconcepcia (?) e tem diagnóstico de DPOC mais jovem porque ele já nasceu com essa deficiência, ele desenvolve a doença precocemente, as vezes ele não tem 40 anos e não traz o histórico de ter alguma exposição a substância tóxica, ele não fuma, não tem contato com fumaça ou nenhum tipo de poeira específica. A apresentação clínica é a mesma do paciente com DPOC. Existem outras exposições ocupacionais especialmente a sílica (da areia, marmorarias, construção civil, indústrias de vidro), carvão, algum tipo de poeira específico, fibra de vidro, solventes e fumaça de lenha (muito importante pro nosso meio, especialmente quando vamos analisar DPOC em mulheres com 70 anos mais ou menos, é muito comum identificarmos que essas mulheres passaram muito tempo da sua infância e juventude na zona rural, pelo contato do fogão de lenha ou forno de lenha ou uma outra atividade que era muito comum de torrefação de café, eram exposta a essa fumaça como atividade do dia a dia, da casa, e agora na vida adulta depois dos 40 anos elas começam a manifestar sintomas de DPOC, típico: tosse, secreção, chiado, dispneia). As infecções respiratórias, seja na infância ou até mesmoa tuberculose ela não entra aqui especificamente como fator causal, mas existe uma linha que pacientes que tem histórico de muitas infecções na infância, que já tiveram tuberculose, se fumarem terão maior risco de desenvolver DPOC do que aquele paciente que não teve esse contexto na infância. Fisiopatologia Achados patológicos principais ✓ Inflamação crônica ✓ Remodelamento das vias aéreas periféricas ✓ Destruição do parênquima pulmonar ou enfisema Aqui vemos a musculatura lisa mais hipertrofiada/grossa, vemos bastante muco na luz do lúmen, bastante catarro, luz do bronquíolo está mais estreitada, nessa parede de bronquíolo já observamos uma capa de fibrose muito maior do que observávamos na asma, então ela tem como características principais a inflamação crônica, remodelamento das vias aéreas periféricas (deformidade dos bronquíolos que no DPOC é uma alteração persistente, não é reversível por conta dessa fibrose que se instalou na parede desse bronquíolo) e essa destruição do parênquima pulmonar ou enfisema, comprometendo principalmente os alvéolos que não vemos na asma, na asma o comprometimento maior é nas vias aéreas, os alvéolos são relativamente preservados, por isso que no DPOC temos uma maior prevalência de alteração de troca gasosa, levando a hipoxemia ou hipercapnia crônica porque aqui temos destruição da membrana alvéolo-capilar, que é aquela região onde ocorre a troca gasosa, na asma não falamos disso, por isso quando avaliamos o paciente asmático dificilmente ele tem hipoxemia, aqui no DPOC é mais comum observarmos. Inflamação crônica das vias aéreas ✓ Resulta da resposta anormal a substâncias inaladas nocivas (tabaco, fumaça, gases) 42 ✓ Aumenta o estresse oxidativo e liberação de proteinases no pulmão ✓ Proteinases degradação da elástica ✓ Células inflamatórias principais são os linfócitos T CD8+, neutrófilos e macrófagos ✓ Inflamação + fibrose + edema de parede das pequenas vias aéras obstrução ao fluxo de ar queda do VEF1 e relação VEF1/CVF ✓ Obstrução de pequenas vias aéreas dificulta a expiração completa hiperinsuflação pulmonar queda da CI e aumento da CRF ✓ Hiperinsuflação pulmonar aumenta o trabalho respiratório lesão dos músculos respiratórios inflamação e liberação de citocinas pro inflamatórias Essa inflamação resulta de uma reposta anormal a substâncias inaladas nocivas (tabaco, fumaça do fogão de lenha, alguns gases tóxicos), então é causada por essa inalação. Existe um aumento do estresse oxidativo no tecido pulmonar levando a liberação de proteinases no pulmão, essas proteinases são substâncias/enzimas que causam a degradação da elástica. A substância elástica é responsável por manter a arquitetura normal do parênquima pulmonar, ela está presente tanto no interstício alveolar, na parede alveolar, quanto na parede dos bronquíolos, então por ocorrer essa degradação/destruição da substância elástica, temos aquela deformidade mais agressiva no DPOC que não ocorre no paciente asmático, então essa é uma das diferenças da patogenia entre a asma e o DPOC. Esse aumento da proteinase é provocado por ação dessas substâncias tóxicas inaladas. As células inflamatórias que participam desse processo no DPOC basicamente são os linfócitos TCD8+, neutrófilos e macrófagos, na asma as células inflamatórias principais que participavam do processo patogênico eram os eosinófilos (aqui não temos participação importante dos eosinófilos, esse é outro ponto de diferença). Então a inflamação somada a fibrose que se instala no tecido, com o edema da parede das pequenas vias aéreas, tudo isso leva a obstrução ao fluxo de ar, porque você diminui a luz do lúmen do bronquíolo e essa obstrução ao fluxo de ar vai levar na função pulmonar desse paciente pela espirometria a queda do VEF1 e relação do VEF1/CVF, que eu não sei se vocês se recordam mas são os critérios diagnósticos na espirometria pra definição de distúrbio ventilatório obstrutivo. Então aqui está a resposta fisiológica do que observamos na espirometria, é a mesma coisa que acontece na asma, porém aqui o processo de fibrose e inflamação é muito mais agressivo do que ocorre no asmático. A obstrução das pequenas vias aéreas vai dificultar a fase expiratória no paciente, então no processo de ventilação temos a inspiração e a expiração, no paciente asmático e no paciente com DPOC, essa obstrução ao fluxo de ar dificulta a fase expiratória porque na inspiração ainda temos uma ajuda objetiva do processo, podemos forçar a inspiração, iniciar o processo de inspiração, mas a expiração normalmente é automática, não pensamos para expirar a não ser que estejamos com dificuldade pra soltar o ar, que é o que acontece com o paciente com DPOC ou asma. Então eles têm essa dificuldade na fase expiratória por conta dessa inflamação do bronquíolo, isso vai levar ao que chamamos de Hiperinsuflação pulmonar, que é quando o paciente vai acumulando ar dentro do tórax porque não consegue eliminar todo o ar que ele inalou na fase inspiratória. Imaginem a cada ciclo respiratório, por EX: o paciente inala 1L de ar mas ele elimina 800ml, sobrou 200ml, no próximo ciclo ele inala 1L e elimina 800, sobrou mais 200, ou seja, já são 400ml positivos dentro do tórax, isso com o tempo vai hiperinsuflando o pulmão, por isso que no DPOC vemos com mais frequência aqueles sinais de Hiperinsuflação pulmonar, paciente com tórax aumentado, em tonel que observamos no exame físico. Essa Hiperinsuflação pulmonar leva a longo prazo a uma queda da capacidade respiratória porque você tem a caixa torácica que vai limitar o volume pulmonar, então ele pode chegar a ganhar um certo volume mas tem uma limitação pela caixa torácica, essa Hiperinsuflação não é uma bexiga que vai aguentando até o infinito, vai chegar o momento que ele não consegue mais acumular ar dentro do tórax e isso diminui a sua capacidade respiratória, diminui a quantidade de ar que você consegue inspirar, por isso que paciente com DPOC grave tem taquipneia, porque ele tem que respirar mais rápido pra tentar suprir a quantidade de O2, porque o volume que ele inala não é suficiente. Essa queda da capacidade respiratória, ele tem um aumento da capacidade residual funcional, que era aquele volume total de ar que fica dentro do tórax após uma manobra de expiração forçada. Lembra que eu falei na primeira aula que se você tenta soltar todo o ar do tórax você não consegue eliminar tudo, então a gente sempre tem um volume residual final que chamamos de CRF. Nesse paciente que tem essa Hiperinsuflação pulmonar, provavelmente tem a CRF bem maior do que o normal. 43 Além disso, essa Hiperinsuflação pulmonar leva a um aumento do trabalho respiratório, porque? Voltando na queda da capacidade respiratória, se você tem menos capacidade de inalar, você está tentando respirar mais rápido, vai estar mais taquipneico, essa respiração mais rápida leva ao uso maior da musculatura respiratória, também da musculatura acessória, levando ao aumento do trabalho, do uso da musculatura, do gasto de energia para respirar, o que normalmente não gastamos tanto, mas no paciente que tem Hiperinsuflação pulmonar existe esse aumento do trabalho respiratório, existe esse aumento do gasto energético e isso leva a uma lesão do fluxo respiratório que causam o que falamos da inflamação sistêmica por liberação de citocinas pró inflamatórias por esses miócitos lesados e essas citocinas pró inflamatórias caem na circulação sanguínea e causam outros comprometimentos sistêmicos que vemos no paciente com DPOC. Paciente com DPOC grave é muito comum observamos atrofia muscular especialmente nos quadríceps e bíceps, são os nossos maiores geradores de energia pra produção de ATP, então esses pacientes acabam utilizando dessa musculatura pra tentar suprir a falta de ar, pra usar a musculatura acessória respiratória e esse comando pra utilizar a energia do quadríceps e bíceps vem da liberação dessas citocinas pró inflamatórias geradasinicialmente pelo processo de gasto energético da musculatura da respiração. Essa é uma das ideias que temos que faça com que o paciente tenha esse consumo periférico, veremos na prática que o paciente com DPOC grave é muito desnutrido por conta desse trabalho energético que ele precisa ter a mais. Na asma isso não acontece, vemos que num paciente com DPOC o processo de inflamação é muito mais agressivo, então esses pacientes são mais doentes mesmo. Hipoxemia/hipercapnia resultam de vários mecanismos ✓ Hipoventilação alveolar ✓ Limitação da difusão alvéolo-capilar ✓ Distúrbios de ventilação/perfusão Como já foi falado, no DPOC vemos com mais frequência a hipoxemia e a hipercapnia. Hipoxemia é a baixa quantidade de O2 e hipercapnia é a alta quantidade de CO2. Esses são dois mecanismos de troca gasosa que acontecem no paciente com DPOC, ele vai evoluir com a queda da PO2 e o aumento da PCO2 por vários mecanismos. Paciente com DPOC tem a hipoventilação alveolar, que é menos fluxo de ar passando pelos alvéolos, isso acontece porque ele tem uma baixa capacidade respiratória e menos ar entrando pelos bronquíolos, processo inflamatório dos brônquios porque ele já tem dificuldade de inalar um maior volume de ar. Ele tem limitação da difusão alvéolo-capilar, porque ele tem áreas de destruição da membrana alvéolo-capilar que são as áreas de enfisema pulmonar causada pela inalação de tabaco, fumaça e com isso temos áreas de distúrbios de ventilação/perfusão, que são áreas do pulmão em que podemos ter até certo grau de ventilação, ou seja, tem ar chegando ali mas não temos circulação passando, então não adianta ter o ar aqui com O2 se você não tiver a arteríola passando pra fazer a troca gasosa, isso ocorre por conta da membrana alvéolo-capilar destruída, chamamos de distúrbios de VP (ventilação/perfusão). Pra que ocorra a proporção correta de troca gasosa, temos que ter na mesma proporção o alvéolo ventilado e uma arteríola passando ali do lado pra fazer a troca gasosa, se algum dos lados falhar não teremos essa troca gasosa. É claro que tudo isso vai ocorrer em maior ou menor grau conforme a doença for mais grave, quando maior a destruição alveolar, menor a capacidade pulmonar, maior o risco de desenvolver a hipoxemia e hipercapnia, levando a acidose respiratória, então as características da acidose respiratória são: PH baixo, PCO2 alto, bicarbonato elevado. Hipersecreção brônquica aumento das células caliciformes (Goblet) e das glândulas submucosas Produção aumentada de catarro, secreção pulmonar, porque por ação das substâncias tóxicas, observamos que elas induzem a um aumento das células caliciformes (células de Goblet) e das glândulas submucosas, que são as estruturas responsáveis pela produção do muco dos brônquios normalmente. Então o paciente com DPOC ele tem uma taxa aumentada dessas células e glândulas, consequentemente levando a uma maior produção de muco, por isso esses pacientes possuem mais catarro e tosse. 44 Em resumo da fisiologia da DPOC, sempre vamos identificar o fator causal, é claro que fatores individuais vão promover a ocorrência desse processo inflamatório, vocês vêm todo paciente que fuma ter DPOC? Não. Tem pacientes que fumam por 80 anos e não possuem DPOC, por outro lado existem pacientes que fumam há 10 anos e já tem DPOC, a diferença são os fatores individuais, possivelmente fatores genéticos que ainda não conseguimos descobrir. Essa inflamação é caracterizada pelo aumento do estresse oxidativo e leva ao aumento da ação das proteinase, as quais levam a um dano pulmonar, principalmente lesando o tecido elástico do pulmão, gerando todas as alterações patológicas dos bronquíolos e alvéolos que observamos na DPOC e que não vemos tanto no paciente asmático. Os mecanismos que levam a obstrução ao fluxo de ar é a inflamação, fibrose de parede, presença de secreção e aumento da resistência das vias aéreas, a destruição do parênquima pulmonar, seja na parede do bronquíolo ou na parede do alvéolo, levando a diminuição do recolhimento elástico, isso tudo leva a obstrução do fluxo de ar. Diagnóstico Diagnóstico clínico e funcional Dispneia ✓ Progressiva (piora com tempo) ✓ Piora com esforço ✓ Carácter persistente Tosse crônica ✓ Produtiva ou seca ✓ Intermitente ou constante ✓ Secreção matinal Exposição a fator de risco ✓ Cigarro ✓ Maconha, fumo de corda, narguilé ✓ Fumaça queima lenha ✓ Sílica, carvão, gases Para o diagnóstico de DPOC vamos precisar de critérios clínicos e funcionais, muito parecido com a asma, onde tínhamos os sintomas clínicos, mas tínhamos que ter a evidência da obstrução ao fluxo de ar (espirometria, pico de fluxo expiratório e teste de broncoprovocação). No DPOC é bem parecido, temos que ter o quadro clínico, temos que observar a alteração funcional, ou seja, temos que tentar identificar a obstrução ao fluxo de ar e tem um outro ponto importante que é determinarmos a exposição ao fator de risco. Lembrar sempre: DPOC, exceto enfisema congênito, sempre teremos um fator de exposição. De sintomas, os principais e mais frequentes são dispneia e tosse crônica. No paciente com DPOC, a dispneia tem caráter progressivo, ela só piora com o tempo, sempre está ruim e sintomático (no asmático, desde que não seja o grave, ele tinha períodos de melhora, principalmente se não tivesse sido exposto ao fator desencadeante, EX: paciente que tem crises no inverno e no verão está ótimo), é uma dispneia que normalmente piora com esforço, paciente percebe que deixa de fazer algumas coisas por conta da dispneia, então tem caráter persistente. E a tosse crônica, tem mais de 3 meses de duração, normalmente é produtiva e constante e é muito comum o paciente definir a secreção matinal. Paciente com DPOC sempre fala que tem tosse e as vezes ela 45 piora com o esforço, esforço físico piora tanto a dispneia, quanto a tosse desse indivíduo. E de fatores de exposição o cigarro é o mais comum (seja o cigarro normal ou o fumo de corda/palha que é muito comum na nossa região, principalmente pacientes que vivem na zona rural), maconha, narguilé, fumaça da queima de lenha e também a sílica, carvão e gases. Em pequenas cidades é comum ter pequenas indústrias de carvoaria e indústrias de olaria (fábrica de tênis), produção de telhas, tijolos... então temos que conhecer muito bem o ambiente em que estamos para tentar identificar esses fatores de risco. História clínica Idade > 40 anos Sintomas progressivos Crises recorrentes de tosse produtiva e dispneia Identificação do fator de risco Outros dados importantes na história clínica: idade (DPOC é considerada uma doença de adulto, mas com o ato do tabagismo cada vez mais precoce não é incomum termos pacientes com DPOC com menos de 40 anos, existe uma ideia que quanto maior a exposição, maior a chance de ter DPOC, então existem pacientes mais jovens já com sintomas de DPOC), sintomas progressivos, crises de tosse geralmente produtivas e pioram a dispneia e sempre fazer a identificação do fator de risco. Exame físico Normal Murmúrio vesicular frêmito toracovocal reduzido Estertores finos teleinspiratórios Sibilos Aumento do diâmetro anteroposterior do tórax Hipertimpanismo a percussão O exame físico é muito variável, vai depender também da gravidade da doença. No DPOC leve, paciente mais jovem, está com os sintomas mais iniciais, o exame físico pode ser normal, ausculta limpa, sem alteração na oximetria, sem alteração da deformidade de caixa torácica. Em casos mais avançados teremos: presença do murmúrio vesicular e frêmito diminuído, porque o paciente tem o tórax hiperinsuflado, ele ta cheio de ar, então a hora que você ausculta o som é mais abafado, o frêmito – por a mão no tórax e pedir pra o paciente falar 33 também é diminuído porque com a caixa torácica muito cheia de ar o som ? (não entendi). Podemos auscultar estertores finos nas bases dessespacientes, sibilos com certa frequência, na expansão torácica se o paciente já tiver uma Hiperinsuflação do pulmão podemos observar um aumento do diâmetro anteroposterior do tórax (aspecto de tórax em tonel) e na percussão temos o Hipertimpanismo. Espirometria Diagnóstico de obstrução de fluxo de ar Relação VEF1/CVF <0,7 pós broncodilatador Queda do VEF1 Classificação da doença e prognóstico Classificação espirométrica pelo GOLD ✓ GOLD 1 – VEF1 ≥ 80% ✓ GOLD 2 – VEF1 ≥ 50% e < 80% ✓ GOLD 3 – VEF1 ≥ 30% e < 50% ✓ GOLD 4 – VEF1 < 30% Pra fecharmos o diagnóstico precisamos avaliar a obstrução ao fluxo de ar, o exame mais utilizado é a espirometria, assim como na asma. Os critérios para diagnóstico são os mesmos: relação VEF1/CVF < 0,7 e o VEF1 baixo, normalmente abaixo de 80%. Aqui no DPOC o VEF1 além de diagnóstico, ele é importante pois traz a classificação da doença e prevê o prognóstico desse paciente. Então temos uma classificação espirométrica chamada GOLD, que é baseada nos valores de VEF1, varia de 1 a 4, sendo o GOLD 4 o mais grave com VEF1 abaixo de 30%. Então a 46 espirometria além de dar o diagnóstico nos permite classificar o paciente pelo GOLD e te da um prognóstico no sentido de: quanto menor o VEF1, pior o prognóstico desse paciente. Normalmente ele é mais sintomático, mais grave clinicamente, ele tem um maior risco de mortalidade. Um resumo pro diagnóstico de DPOC, precisamos sempre desses 3 fatores: quadro clínico, fatores de risco e espirometria. Dificilmente teremos DPOC sem exposição ao fator de risco. Radiografia de tórax Sinais de Hiperinsuflação pulmonar: retificação de cúpulas diafragmáticas, aumento do diâmetro AP tórax, aumento dos espaços intercostais, alargamento do espaço retroesternal Hipertransparência dos campos pulmonares Pobreza da trama broncovascular Bolhas de enfisema Usamos os exames de imagem para nos ajudar no diagnóstico e também pra fazer o diagnóstico diferencial. Na asma, o raio-X também não entrava como método para definir o diagnóstico. Existem alguns sinais no raio-X de tórax que vão nos levar a uma suspeita de DPOC. Principalmente sinais da Hiperinsuflação pulmonar (tórax cheio de ar), pulmão vai estar aumentado de tamanho, tanto na base no raio-X em PA, quanto na região anterior-posterior no raio-X em perfil, esse diâmetro aumentado do tórax que é o que vemos no exame físico é o tórax em tonel. A coloração do parênquima pulmonar vai estar mais escura, mais preta, porque o ar enxergamos como preto no raio-X, então o pulmão ta cheio de ar, analisando é aquele pulmão preto. Densidade aumentada do parênquima pulmonar, outros dados que falam dessa Hiperinsuflação pulmonar, imaginem: se o pulmão está aumentado de volume, o que acontece com o diafragma? Vai ficar rebaixado, mais para baixo, as vezes até usamos o termo: diafragma retificado, ele fica mais reto, a anatomia comum é ele ser mais abaulado. As vezes os seios costofrênicos (angulações da pleura sobre a superfície do diafragma) também são perdidos por conta da retificação do diafragma. Os espaços intercostais entre uma costela e outra estão aumentados porque o pulmão hiperinsuflou, então o tórax abriu e o arcocostal dele ficou mais alargado e as vezes temos o aspecto de que ele está retilíneo. Na anatomia normal conseguimos enxergar aquela curvatura normal do arcocostal, conforme o pulmão vai ficando mais hiperinsuflado, a gente perde um pouco dessa angulação dos arcos costais por conta desse aumento do volume torácico. Um outro sinal é a área cardíaca, ela tem uma imagem reduzida por conta desse aumento do volume dos pulmões, proporcionalmente a área cardíaca é diminuída, não que o coração seja menor, mas é que o volume do pulmão está muito maior, então vemos uma área cardíaca numa proporção menor quando comparada aos pulmões. Aqui muitos pneumologistas usam o termo de coração em gota porque ele está menorzinho. Na incidência em perfil, também observamos que esse espaço aqui chamamos de espaço retroesternal, aqui é o esterno, região anterior do tórax, essa imagem aqui é a silhueta cardíaca, então a região que fica entre a região do esterno e a borda superior da silhueta cardíaca chamamos de espaço retroesternal, que é a presença de parênquima pulmonar, é a região anterior que está abraçando o tórax. Normalmente esse espaço é muito pequeno, em média de 1 a 2 cm, quando temos um aumento desse espaço significa que o pulmão está aumentado de volume então ele cresce, hiperinsuflou, por isso enxergamos maior e por isso também o esterno vai pra frente, porque o espaço que a caixa torácica tem pra aumentar é na região anterior. Não temos espaço na região posterior dorsal porque a coluna torácica é mais rígida, ela é mais fixa, então quando temos esse aumento de volume do pulmão, as estruturas ósseas que tem a possibilidade de mobilidade são na região anterior por conta dessas articulações costocondrais com a região do esterno. Então esses são os sinais que podem indicar a presença de DPOC no raio-X de tórax, isso aqui sugere diagnóstico de DPOC, mas não o define. Antes de darmos todas essas alterações faladas, temos que analisar a técnica radiológica. Se fizemos um raio-X com maior radiação, vamos enxergar tudo com menos densidade, vamos enxergar o pulmão mais preto, mas você não vai ver menos densidade só no pulmão, vai ter alterações em todas as outras estruturas. 47 Tomografia do tórax Diagnóstico diferencial Enfisema centrolobular, panlobular, parasseptal Traz vários dados que também nos auxilia no diagnóstico de DPOC, traz dados muito ricos, especialmente quando falamos de enfisema. Na radiologia ainda usamos o termo enfisema, então enfisema são aquelas áreas de destruição dos alvéolos por ação do tabaco e que microscopicamente só enxergaríamos numa lâmina de biópsia, enxergaríamos aquelas membranas e paredes alveolares todas destruídas. Quando fazemos a tomografia de tórax, observamos áreas que mimetizamos o que enxergamos nas lâminas de biópsia do parênquima pulmonar, são áreas do pulmão que não temos mais parênquima pulmonar, então aqui temos uma área que está toda enrijecida, toda pretinha, está diferente dessa outra área escura que ainda enxergamos alguns pontinhos/risquinhos brancos, aqui ainda temos parênquima pulmonar normal. Nessa área aqui, não temos mais parênquima pulmonar, é uma bolha de ar, é uma bolha de enfisema, são várias áreas de enfisema que foram se reunindo e ficou essa área maior que chamamos de bolha de enfisema. As áreas menores têm vários pontinhos/buraquinhos pretos e um tecido mais acinzentado, esses cistos menores chamamos de enfisema/cisto de enfisema que pela sua localização podemos facilitar radiologicamente com enfisema centrolobular, panlobular ou parasseptal. ✓ Enfisema centrolobular: são as bolhas ou pequenos cistos de enfisema que estão presentes na região do córtex pulmonar, que seria a região mais central do pulmão. ✓ Enfisema parasseptal: são as bolhas ou cistos de enfisema que estão presentes na periferia, nas bordas do pulmão. ✓ Enfisema panlobular: é o enfisema que ocupa um lobo inteiro, então temos o lobo pulmonar todo destruído. Imaginem o paciente deitado, nós fizemos um corte e estamos olhando a foto. Aqui seria a região anterior do tórax, a região posterior do tórax, coluna torácica, esterno, pulmão direito e pulmão esquerdo. Aqui a região do mediastino na crosta aórtica, a região da traqueia e atrás está passando o esôfago. Então quando nos deparamos com uma tomografia como essa que tem um enfisema extenso, provavelmente esse paciente tem DPOC, mas não adianta termos apenas tomografia e sintomas, ainda não define diagnóstico. Esse paciente deve ser reavaliado com a espirometria e, com isso, iniciar um tratamento. Isso é importante pois as vezes temos um paciente que fuma mas não é sintomático, fazemos uma tomografia que tem esse enfisema, mas se tivermos uma espirometria,ele não tem DPOC ainda, provavelmente é um indivíduo que ainda vai desenvolver os sintomas que vá alterar a espirometria, então é um paciente que vamos orientar em relação a isso e continuar avaliando até o momento em que tenhamos que intervir com as medicações. Se esse indivíduo ainda fuma, devemos fazer com que ele pare de fumar, porque se ele parar de fumar ele não vai ter os sintomas e não vai alterar os dados da sua espirometria. Gasometria arterial Avaliação dos gases (PaCO2 e PaO2) Indicado quando saturação < 92% Usada especialmente nos pacientes mais graves, em que queremos identificar alteração na troca gasosa, observar se o paciente já tem sinais de acidoses respiratórias, analisar o pH, taxa de PO2, PCO2, mas não é indicada para todos os pacientes, somente nos casos em que o paciente já tem uma oximetria ≤ 92%, limite da normalidade para um adulto. Então se ele tem uma oximetria normal, paciente não está dispneico, não tem piora clínica, não há necessidade de pedir gasometria pra ele. 48 Dosagem de Alfa-1 anti tripsina Pacientes com enfisema sem identificação de fator de risco, idade < 40 anos É a enzima que está presente nos casos de enfisema congênito, é uma enzima que pode ser medida no exame de laboratório, mas ela está indicada para os pacientes que tem enfisema, especialmente enfisema mesmo pela tomografia ou raio-X de tórax, pode ter aspectos clínicos de DPOC, tosse, secreção, dispneia, mas não identificamos o fator de risco externo, ele não fuma, não tem exposição a fogão de lenha, ou seja, não achamos nada. Normalmente esses pacientes são mais jovens, com idade abaixo de 40 anos, é nessa situação específica que vamos suspeitar de DPOC por deficiência de alfa-1 anti-tripsina ou enfisema congênito. Dignóstico diferencial Nos diagnósticos diferenciais existe uma lista enorme, principalmente: asma (durante a aula comparamos bem ela com DPOC porque é a doença principal que temos que fazer o diagnóstico diferencial, são doenças totalmente distintas cujo tratamento é totalmente diferente, então temos que ter certeza no diagnóstico) e também a insuficiência cardíaca (a prática clínica, quando lidamos com pacientes mais velhos, pelo risco cardiovascular que o cigarro também traz é muito comum haver uma confusão diagnóstica entre insuficiência cardíaca e DPOC). Escala de dispneia Medical Research Council Quando vamos classificar DPOC, um dos critérios que utilizamos é a escala de dispneia. A dispneia é um sintoma muito importante para avaliarmos o paciente com DPOC, é um dos dados que vamos utilizar pra saber se o paciente vai bem ou não. Existem várias escalas para a avaliação de dispneia, elas podem ser utilizadas na pneumologia, cardiologia, reabilitação... aqui no DPOC eu trouxe essa tabela pra vocês porque eu acho que é mais fácil (prof falando). Ela avalia de 0 a 4 e a pontuação maior seria o grau de dispneia mais grave. No mMRC0 é o paciente que tem falta de ar ao fazer exercícios intensos, então é aquele paciente que praticamente fala que não tem dispneia, porque é muito comum cansarmos por ex fazendo uma corrida. O mMRC1 é a falta de ar ao andar rápido ou em subida leve, tentamos na escala brasileira trazer alguns fatos que seja fácil de perguntar ao paciente. O mMRC 2 é quando ele anda mais devagar que pessoas da mesma idade por conta da falta de ar ou ele tem que parar pra respirar, ou seja, pra andar por exemplo esse corredor do nosso bloco ele tem que parar 4 vezes, mas ele consegue terminar. O mMRC 3 ele para pra respirar após andar curtas distâncias ou depois de alguns minutos de uma caminhada leve, é aquele que pra andar do quarto ao banheiro ele se cansa muito, mas ele ainda consegue chegar ao banheiro. Por fim, o mMRC 4 é aquele que tem falta de ar, não sai nem de casa ou tem falta de ar ao fazer pequenas 49 coisas como se vestir ou se alimentar. Essa escala de dispneia podemos utilizar até quando estamos fazendo uma anamnese num paciente asmático, paciente com pneumonia, paciente com suspeita de embolia pulmonar, até na insuficiência cardíaca, ela não é exclusiva do DPOC. Classificação do DPOC GOLD No GOLD, até 2016, usamos essa classificação em que tínhamos como critérios: gravidade da espirometria (GOLD espirométrico que foi passado anteriormente), escala de dispneia (podemos usar do mMRC) e risco de exacerbação ou história de exacerbação no último ano, baseado nesses 3 critérios, classificávamos o paciente como: GOLD A, B, C ou D, sendo GOLD A o paciente mais leve, com função pulmonar preservada, que não tinha tantos sintomas, que não exacerbava e era um paciente mais tranquilo e GOLD D que seria o extremo, paciente mais grave, dispneia ao repouso, internava várias vezes, função pulmonar muito ruim e ficava sob medicação de altas doses de broncodilatadores e corticoide inalatório. De 2017 pra cá tivemos uma mudança nessa classificação do DPOC, então hoje usamos esse esquema de classificação: primeiro fazemos a confirmação diagnóstica de DPOC pela espirometria, relação VEF1/CVF abaixo de 0,7, então definimos a DPOC por critérios clínicos e de espirometria. Vamos avaliar a gravidade da obstrução ao fluxo de ar pela classificação do GOLD espirométrico, baseado no valor do VEF1 (olhar na figura abaixo). Depois avaliar sintomas e riscos de exacerbação desse paciente baseado na história de exacerbação moderada ou grave nos últimos 12 meses e na escala de dispneia nesse indivíduo. Aí continuamos com GOLD A, B, C, D só que aqui tiramos a espirometria que tínhamos já na avaliação em conjunto, então desmembramos a espirometria dos sintomas clínicos. Se o paciente nos últimos 12 meses teve até 1 exacerbação no DPOC mas ele não ficou internado, ele vai ser GOLD A ou B. Se ele teve 1, 2 ou mais que 2 internações nos últimos 12 meses pelo DPOC ele vai ser classificado GOLD C ou D, que seriam os pacientes mais graves. Em relação a dispneia, vemos na coluna, se ele tiver o mMRC 0 ou 1, ou seja, paciente que não sente dispneia ou ele tem dispneia para esforços físicos grandes que é subir escada, correr... esse paciente seria classificado nessa coluna A ou C. Se ele tem uma dispneia com mMRC ≥ 2 que é aquela dispneia andando no plano, ele é classificado na outra coluna, como D ou B. Grau de dispneia nas colunas e grau de exacerbação nas linhas. 50 Imaginem um paciente que tem um VEF1 de 30% na espirometria e tem uma dispneia mMRC = 3 e traz o histórico de 2 exacerbações no último ano com internação e outro que não teve nenhuma exacerbação no ultimo ano, se formos considerar a classificação anterior ele estaria como GOLD D. Atualmente esse paciente continua classificado como GOLD D e GOLD 4, porque ele é um paciente com VEF1 menor que 30% (GOLD 4 pela espirometria), mas ele é um GOLD D porque teve mais que 2 exacerbações com internação no último ano então está na linha entre C e D e o mMRC dele é 3 então ele está na segunda coluna, ou seja, ele é um GOLD D4. Antigamente, ele era só GOLD D porque estava na linha de cima e na coluna da direita, porém vimos que existe um outro perfil de paciente que tem VEF1 de 30, dispneia mMRC 3 mas que não teve nenhuma exacerbação no último ano. Clinicamente esse paciente é diferente, então hoje é considerado como GOLD B4, qual a diferença? Ele continua na coluna do B e D porque tem a dispneia mMRC 3, mas ele está nessa coluna de nenhuma exacerbação no último ano e ele continua sendo 4 porque o VEF1 dele é 30%. Se a gente não tivesse desmembrado a espirometria, os dois pacientes, independente da exacerbação, seriam classificados como GOLD D, porque a orientação era se orientar pelo pior, o pior aqui era o VEF1 abaixo de 30%. Então na avaliação clínica percebemos que esses pacientes são diferentes, esse paciente que é GOLD D4 ele tem pior prognóstico, porque é um paciente grave que tem uma espirometria ruim, exacerba muito e tem muita dispneia, interna mais e morremais. O outro paciente tem melhor prognóstico, apesar dele ter espirometria muito ruim, ele não tem tantos sintomas de dispneia e ele não interna muito, provavelmente é um paciente que está muito bem manejado, esta recebendo a medicação correta, esta seguindo tratamento do médico e está sendo bem acompanhado, a chance dele de sobreviver é maior que o outro. Quando formos classificar o paciente com DPOC iremos usar o GOLD espirométrico 1, 2, 3, 4, e o GOLD clínico A, B, C, D que é baseado no número de exacerbações e no grau de dispneia. Essa classificação consideramos dinâmica assim como na asma, porque o GOLD B4 se ele parar de usar as medicações, abandonar o tratamento ele vai se tornar um GOLD D4 porque ele vai internar, exacerbar, vai perder pontuação e vai cair na coluna do GOLD D. AULA 4 Continuação de DPOC... Tratamento Medicamentoso ✓ Broncodilatadores ✓ Corticoides inalatórios ✓ Outros: reposição de alfa-1 antitripsina É baseado em broncodilatadores e corticoide inalatório. Naqueles casos que tem a deficiência da alfa-1 antitripsina existe a possibilidade de fazer a reposição dela sintética. Não medicamentoso ✓ Cessação do tabagismo ✓ Reabilitação pulmonar ✓ Educação da doença ✓ Vacinas (influenza e pneumococo) São as orientações de tabagismo para aquele paciente que ainda fuma, a reabilitação pulmonar (fisioterapia). Sempre fazer a educação da doença e as orientações de vacinas. BRONCODILATADORES 51 Medicamentos mais importantes para o tratamento da DPOC Via inalatória é a preferida ✓ B2 agonistas ✓ Anticolinérgicos ✓ Xantinas No DPOC são medicações de escolha no tratamento inicial, diferente na asma que o medicamento de escolha era o corticoide inalatório. Temos 3 classes de broncodilatadoes: beta 2 agonistas, anticolinérgicos e xantinas. B2 agonistas Relaxam o m. liso por ação nos receptores B2 Rápida ação: 4-6h de duração, alívio (fenoterol, sulbutamol) Longa: 12h de duração (formoterol, salmeterol) Ultra-longa ação: 24h de duração (indacaterol, vilanterol, oladaterol) Efeitos adversos: taquicardia, tremor, hipocalemia, arritmia OBS: Professora comentou que não irá cobrar o nome dos fármacos! Nos beta 2 agonistas temos 3 tipos baseados no seu tempo de reação. Eles atuam no relaxamento da musculatura lisa que está na parede dos bronquíolos, promovendo a broncodilatação. Existe os betas 2 agonistas de rápida ação, mas com curta duração (pra 6h) – eles acabam sendo usados para o alivio dos sintomas, da mesma forma que se passou na asma, EX: fenoterol, salbutamol. Os de longa ação com média de 12h de duração, EX: formoterol e salmeterol. Por último, existe o de ultralonga ação que dura 24h, então a posologia pode ser feita 1x por dia facilitando a vida do paciente, EX: indacaterol, vilanterol, oladaterol. Dentre os efeitos adversos dos broncodilatadores estão: taquicardia, tremores, podem induzir hipocalemia (queda do potássio sanguíneo) e arritmias cardíacas. Anticolinérgicos Bloqueiam os receptores muscarínicos e inibem a ação da acetilcolina ✓ Ipratrópio: ação curta (6-8h) ✓ Tiotrópio, glicopirrônio, umeclidínio: ação longa (24h) Efeitos adversos: boca seca, olho seco, sintomas prostáticos, midríase, aumento da pressão intra-ocular, arritmias Também são broncodilatadores que vão atuar em uma via distinta dos betas 2 agonistas. Eles atuam na via dos receptores muscarínicos, inibindo a ação da acetilcolina que também atua na musculatura lisa dos bronquíolos, levando ao efeito final da broncodilatação. Por isso podemos usar em associação os betas 2 agonistas e os anticolinérgicos, porque as vias de mecanismos das drogas são distintas apesar de atuarem na musculatura lisa. Os de ação curta duram de 6-8h, EX: ipratrópio e os de ação longa duram 24h, EX: tiotrópio, glicopirrônio e umeclidínio. Os efeitos adversos são: boca seca e olho seco, sintomas prostáticos (principalmente em idosos que podem fazer retenção urinaria), midríase, aumento da pressão intra-ocular (tomar cuidado com pacientes com glaucoma grave) e arritmias. Xantinas Antagonistas da adenosina e inibidores da fosfodiesterases Efeito broncodilatador e anti-inflamatório Ação ionotrópica cardíaca, estímulo ao centro respiratório e aumento da força da musculatura respiratória Efeitos adversos: intolerância gástrica, arritmias, cefaleia, convulsões ✓ Aminofilina ✓ Teofilina ✓ Bamifilina 52 São drogas sistêmicas e entram como drogas de terceira linha porque os efeitos adversos delas são muito comuns. Eles têm o efeito broncodilatador por acao da adenosina, também tem um certo efeito antinflamatorio, EX: aminofilina, teofilina, bamifilina. Todas são orais ou injetáveis, por isso elas acabam tendo muitos efeitos adversos também, que normalmente são gastrointestinais e cardiovasculares. O grande problema na asma é que a aminofilina é uma das drogas que ainda está disponível na rede pública, está a disposição assim como a dipirona. CORTICÓIDES INALATÓRIOS Anti-inflamatórios Associado ao B2 agonistas, NUNCA isolado VEF1 < 50% Paciente com muitas exacerbações Tem efeitos antinflamatórios. No DPOC a indicação deles é apenas pra pacientes que tem VEF1 baixo, especialmente abaixo dos 50% ou naqueles pacientes que tem muitas exacerbações ao longo do ano, acaba sendo para aquele paciente mais bronquítico, que tem muita tosse e faz muito broncoespasmo, muita inflamação das vias aéreas. Nunca a indicação de corticoides inalatórios é isolada, ele sempre vai ser associado a um broncodilatador (ou beta 2 agonista ou anticolinesterasico). Hoje o tratamento de DPOC é feito de acordo com uma nova classificação: Gold A – paciente com espirometria normal ou próxima do normal, pouca dispneia e não tem exacerbações nos últimos 12 meses; ele vai chegar quase sem nenhuma queixa. Então pra ele é uma prescrição de um broncodilatador, que pode ser de efeito rápido e curto (de alivio), podendo ser tanto beta 2 agonista quanto antimuscarínico. Ele não precisa ficar necessariamente com uma medicação de uso continuo. Gold B – é um paciente que tem mais sintomas de dispneia, mrc de 2 ou mais porém ele não está exacerbando e tem um VEF1 ainda preservado; ele já precisa de um broncodilatador de uso continuo pra controle, assim como na asma. Você deve optar ou pelo LABA (beta 2 agonista de longa duração) ou LAMA (antimuscarínico de longa ação – 24h). Gold C – é um paciente que não tem tanta dispneia, porém ele teve pelo menos uma internação no ultimo ano e tem risco de exacerbações frequentes. Aqui usa o LAMA, porque ele tem um efeito benéfico melhor em reduzir mortalidade. Uma outra opção é usar o LABA com o corticoide inalatório. Gold D – paciente mais sintomático, tem mais dispneia, exacerba muito e interna muito. Recomenda-se a associação de drogas: ✓ LAMA + LABA ✓ LABA + corticoide inalatórios ✓ LABA + LAMA + CI (terapia tripla em um paciente muito muito grave). OBS da professora: Roflumilaste – é um antileucotrieno com papel de diminuir as exacerbações infecciosas de paciente com DPOC. Ele tem um efeito antinflamatório e diminui a produção de muco nos brônquios no grupo D, mas é uma medicação muito cara e com muitos efeitos colaterais, principal a diarreia. Macrolídeo – são antibióticos (azitromicina) que usa 12 meses e vê se o paciente teve melhora nas exacerbações, o risco nesse tratamento é a formação de resistência bacteriana, mas normalmente esses pacientes do grupo D já tem bactérias Multirresistentes. Além de outros efeitos adversos como insuficiência renal, hepatopatia e gastrite medicamentosa. Tratamento não medicamentoso Cessação do tabagismo Reabilitação pulmonar Oxigenioterapia Educação da doença Vacinas (influenza e pneumococo) 53 Cessação do tabagismo, reabilitação pulmonar, oxigenioterapia, educação da doença, vacinas (influenza e pneumococo). Fisioterapiarespiratória cada vez mais precoce (reabilitação pulmonar) pra fazer o fortalecimento muscular dos pacientes com DPOC. Pra pacientes com DPOC mais leve, fazer cominhada já ajuda a fortalecer a musculatura. Na oxigenoterapia vai sempre observar a oximetria na consulta, porque alguns pacientes saturam apenas com o esforço e quando dormem. Educação da doença porque o paciente tem que entender o que ele tem e o manuseio das suas medicações, como usar e o que usar. Exacerbação da DPOC Definição: piora aguda dos sintomas respiratórios (aumento da dispneia, da tosse e da secreção brônquica) que leva a necessidade de mudança do tratamento e faz com que o paciente procure o médico Efeitos negativos – qualidade de vida, perda de função pulmonar, aumenta morbi/mortalidade Causas da Exacerbação Pulmonares ✓ Infecção respiratória ✓ TEP ✓ Pneumotórax ✓ Derrame pleural ✓ Trauma torácico ✓ Piora da DPOC Extra pulmonares ✓ Insuficiência cardíaca descompensada ✓ Síndrome coronariana aguda ✓ Arritmias ✓ Depressão/ansiedade ✓ Exposição aguda a poluição ou gases tóxicos A exacerbação da DPOC é o outro fator principal que leva aos efeitos deletéricos desse individuo, ele aumenta a morbimortalidade, o que leva a uma piora na qualidade de vida e a perda de função pulmonar. Por isso um dos focos do tratamento de pacientes com DPOC é a prevenção da exacerbação. Essas exacerbações podem ter gatilhos pulmonares ou extrapulmonares. Pulmonares: Infecção respiratória, TEP (embolia pulmonar aguda), Pneumotórax, Derrame pleural (pode ser secundário a uma pneumonia), Trauma torácico ou a própria piora da DPOC. Extrapulmonares: Insuficiência cardíaca descompensada, Síndrome coronariana aguda, Arritmias Depressão/ansiedade, Exposição aguda a poluição ou gases tóxicos. Tratamento da Exacerbação Avaliação da gravidade ✓ Oxigenoterapia com suplementação de oxigênio – manter SpO2 entre 90-92% e PaO2 entre 60- 65mmHg, evitar hipercapnia (esses pacientes têm mais chance de hipercapnia – altas taxas de CO2 com hiperventilação) ✓ Broncodilatadores (de ação rápida) ✓ Corticoides (sistêmicos) ✓ Antibióticos (com indicações para casos de infecção respiratória bacteriana) ✓ Ventilação mecânica não invasiva ou invasiva Critérios para admissão em UTI ✓ Dispneia intensa que não responde ao tratamento inicial ✓ Confusão, letardia ou coma ✓ Hipoxemia persistente ou em piora progressiva apesar do uso de VNI ✓ Instabilidade hemodinâmica ✓ Necessidade de ventilação mecânica invasiva