Prévia do material em texto
1 SUPERVISÃO DE CASOS CLÍNICOS 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre- sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade ofere- cendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a partici- pação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber atra- vés do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Sumário SUPERVISÃO DE CASOS CLÍNICOS .......................................................................... 1 NOSSA HISTÓRIA ......................................................................................................... 2 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 4 SUPERVISÃO CLÍNICA ................................................................................................ 7 Vantagens das Modalidades de Supervisão .................................................................... 10 Desvantagens das Modalidades de Supervisão .............................................................. 13 Sugestões para Melhorar as Supervisões ........................................................................ 16 ESTILOS DE APRENDIZAGEM ................................................................................. 19 O Educador Clinico ....................................................................................................... 22 O Modelo continuum de Supervisão .............................................................................. 23 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................ 30 file:///D:/Para%20Enviar/apostilas%20para%20envio/SUPERVISÃO%20DE%20CASOS%20CLINICOS/SUPERVISÃO%20DE%20CASOS%20CLINICOS.docx%23_Toc56460109 4 INTRODUÇÃO A supervisão como um processo entre dois indivíduos, um educador clí- nico com maior experiência que orienta o aluno com menos experiência. É uma relação estruturada entre os dois com o objetivo de o aluno adquirir conhecimen- tos, competências e atitudes, para futuramente vir a ser um profissional. É o pro- duto de uma ação conjunta e participada dos seus elementos em que cada um deles desempenha um papel, tendo como objetivo principal a eficácia e a efici- ência do processo de ensino/aprendizagem (Queiroga, 2007). Tal objetivo só pode ser levado a cabo se o processo respeitar e promover o desenvolvimento dos seus intervenientes como profissionais e como pessoas. A supervisão deve proporcionar condições para a utilização do desenvolvimento pessoal multidimensional do aluno, como instrumento formativo na aquisição de competências profissionais. Para tal o educador clínico deve entender o grau de desenvolvimento do aluno, tendo em conta os seus conhecimentos, sentimentos e objetivos. Segundo Russel-Chapin e Chapin (2011) o domínio da supervisão abrange o desenvolvimento de competências clínicas, de comportamentos éti- cos e profissionais, o crescimento pessoal do aluno em nível da autonomia e confiança e por fim a monitorização e avaliação do aluno. Para além do desen- volvimento das capacidades dos alunos, tem como objetivo desenvolver as ca- pacidades pedagógicas do educador clínico. A American Speech-Language He- aring Association (ASHA), em 2008, refere à importância de formação dos edu- cadores clínicos sobre os processos de supervisão, pois conduz à aprendizagem de estratégias, comportamentos e à utilização de diferentes estilos de supervi- são. Na área de terapia da fala não existem muitos estudos relativos à meto- dologia de estágios de supervisão, daí recorrer-se a outras áreas como a psico- logia, a educação, a enfermagem entre outros profissionais de saúde que utili- zam o estágio no seu plano de estudos. Os modelos de supervisão clínica que 5 têm em conta o desenvolvimento cognitivo e progressivo das capacidades dos alunos melhoram e desenvolvem a aprendizagem e o desempenho. Estes mo- delos preconizam o desenvolvimento dos alunos através das experiências que vão adquirindo ao longo da educação clínica e que aumentam o nível de enten- dimento sobre as situações clínicas observadas. A aquisição de saberes teórico e a sua transferência para o contexto real de trabalho, com os saberes práticos, devem favorecer a aquisição do saber, saber fazer, saber ser e estar ao futuro aluno (Carvalhal & Gomes, 2003). É no ensino clínico que o aluno começa a compreender a causa de certos saberes teóricos pela experiência que vai adquirindo. Segundo McLeod, Romanini, Cohn e Higgs (1997) existem várias categorias para classificar os modelos. Estes po- dem ser descritivos, integrativos, de desenvolvimento, interativos e colaborati- vos. O conhecimento dos educadores clínicos sobre os modelos melhora a adequação das suas necessidades, das necessidades dos alunos e dos utentes e serve como orientação para o decorrer do estágio. No entanto, os modelos de supervisão não devem ser aplicados de forma rígida ou delimitados (Queiroga, 2007). Quem supervisiona, deve selecionar um modelo que tenha por base a experiência e necessidade do aluno, que sirva de base teórica para o desenvol- vimento da planificação do estágio que deve ser realizada entre o educador clí- nico e o aluno. Os modelos de desenvolvimento preconizam o contínuo crescimento do aluno com diferentes necessidades e diferentes estilos de aprendizagem. Assim, Russel-Chapin e Chapin (2011) referem que um dos maiores objetivos é desco- brir as necessidades pessoais de cada aluno, para potencializar ao máximo as suas capacidades e minimizar os seus pontos mais fracos. Estes modelos des- crevem quais os estilos de supervisão a usar nas diferentes fases, como forma de facilitar e desenvolver competências profissionais (McLeod et al., 1997). O educador clínico deve escolher o modelo de supervisão tendo em conta a sua filosofia de ensino e as políticas das organizações onde se desen- volve o estágio, pois como referem McCrea e Brasseur (2003) estas podem in- fluenciar o estilo de supervisão. 6 Mesmo Anderson (1988) assume que o modelo Continuum de supervi- são não é a única forma de supervisão, reconhecendo o mérito de outras abor- dagens. McCrea e Brasseur (2003) referem também que a utilização de um único modelo é impossível, mas, à medida que se vão identificando as situações, de- senvolvem-se as metodologias mais apropriadas. 7 SUPERVISÃO CLÍNICA Um dos momentos mais importantes de aprendizagem da prática psico- terápica ocorre durante o estágio clínico supervisionado, que visa o desenvolvi- mento de competências profissionais na formação do aluno. Por ser um pro- cesso educativo, as supervisões devem promover odesenvolvimento de habili- dades da supervisão clínica necessárias para a intervenção clínica, bem como os aspectos éticos e interpessoais do papel do profissional (Bitondi & Sétem, 2007; Honorato & Barletta, 2016; Prasko, Vyskocilova, Slepecky, & Novotny, 2012). Além de formativa, a supervisão deve apoiar os alunos, valorizando suas respostas cognitivas e emocionais, e suas opções técnicas e críticas às questões profissionais. Outro aspecto é a qualidade gerencial que garanta a qualidade do pro- cesso, minimizando as dificuldades (como falta de experiência clínica e teórica) Figura 1 8 e favorecendo os pontos fortes, a partir da definição das funções e responsabili- dades de cada participante (Vec, Vec, & Zorga, 2014). Alguns aspectos que interferem no processo de supervisão são: a rela- ção supervisor-supervisionado, a quantidade de alunos por grupo e a abordagem teórica do profissional (Barreto & Barletta, 2010). Nesse sentido, a escolha do supervisor faz parte do processo educativo. Essa escolha é importante, pois a relação estabelecida entre supervisor e aluno é semelhante a que acontece no setting terapêutico entre terapeuta e paciente e, da mesma forma, pode promover mudanças e desenvolvimento (Prasko, 2012). Outro fator importante é a estratégia de ensino. Segundo Bitondi e Sétem (2007), a forma mais utilizada para as supervisões é o relato verbal do aluno sobre seu atendimento, sob o qual o supervisor faz suas orientações, porém vá- rias outras estratégias podem ser utilizadas (Department of Health, 2011). Por exemplo, o uso de técnicas de TCC de forma auto experiencial, com o objetivo de auxiliar os alunos a refletirem sobre suas habilidades, limitações, senso de auto eficácia e crescimento pessoal. A leitura e a reflexão também são pontos importantes no desenvolvimento de competências clínicas (Bennett- Levy, McManus, Westling, & Fennell, 2009; Honorato & Barletta, 2016). Além disso, o supervisor e o grupo de alunos devem ser cuidadosos e proporcionar um ambiente acolhedor e amistoso na supervisão, para não prevalecerem con- tingências de aprovação ou punição. Por sua importância na formação profissional, este tema tem chamado a atenção de diversos pesquisadores que elaboraram estudos sobre as compe- tências a serem desenvolvidas até as estratégias de ensino para desenvolver tais competências durante a supervisão clínica em TCC, incluindo o formato da supervisão e aspectos sobre o papel do aluno e do supervisor (Barletta, Fonsêca, & Delabrida, 2012; Bennett-Levy et al., 2009; Padesky, 2004; Prasko, 2012). Porém, observa-se que as publicações sobre o assunto têm sido reali- zadas com supervisões na modalidade presencial e pouco foi encontrado sobre a supervisão de estágio clínico online. Um exemplo é o estudo de Velasquez, 9 Thomé e Oliveira (2015) que buscou compreender a oferta da prática clínica su- pervisionada nos cursos de especialização em TCC no Brasil e encontraram 15 cursos, todos com supervisão na modalidade presencial. Apesar disso, sabe-se que a prática de supervisão online tem sido utili- zada por cursos de TCC, em especial fora do Brasil, e por psicólogos especiali- zados que oferecem esse serviço virtual para profissionais que buscam o aper- feiçoamento (Rousmanieri, 2014). Por exemplo, instituições como o Beck Institute (http://www.beckinsti- tute.org/) e a National Association of Cognitive-Behavioral Therapists (http://na- cbt.org/cbt_ supervision.htm) oferecem supervisão online ou via telefone. O Con- selho Federal de Psicologia (CFP, 2012), por meio da Resolução nº 011/2012, regulamenta os serviços psicológicos realizados por TIC à distância. O sigilo profissional deve ser preservado e que o psicólogo deve atuar com responsabilidade. São reconhecidos os seguintes serviços psicológicos re- alizados a distância: orientações psicológicas em até 20 encontros virtuais, pro- cessos de seleção de pessoal, aplicação de testes, supervisão profissional e, de maneira eventual, atendimento terapêutico. A supervisão profissional pode ocorrer desde que seja eventual ou quando é um complemento ao processo de formação profissional presencial. O CFP sugere o uso do Skype e do Messenger para a prestação de serviços psi- cológicos online, porém deixa em aberto o uso de outras ferramentas eletrônicas desde que não firam a ética e a resolução supracitada. 10 Vantagens das Modalidades de Supervisão A supervisão clínica promove crescimento profissional, facilita o desen- volvimento de habilidades terapêuticas relevantes (Barletta et al., 2012; Bitondi & Sétem, 2007; Honorato & Barletta, 2016; Prasko et al., 2012), qualquer moda- lidade de supervisão (presencial ou via Skype) deve ser capaz de proporcionar tais aspectos. A vantagem na supervisão presencial é o contato pessoal e direto. “As vantagens são o contato pessoal com o supervisor e os demais colegas. Acredito que a supervisão presencial facilita a interação entre todos durante a supervisão”. Esse aspecto é entendido como uma maneira importante de poten- cializar o desenvolvimento profissional do aluno, em detrimento de como ocorre na EaD, o que sugere que os participantes mantêm o preconceito de que o en- contro virtual desfavorece a troca conjunta ou mesmo a interação do grupo, tor- nando difícil de participar “no grupo e com o grupo”, bem como prejudicando o aprendizado. Acredita-se que esse raciocínio explica o motivo pelo qual o contato pes- soal fora identificado como a principal vantagem da supervisão presencial. O contato pessoal permite maior acesso ao supervisor, ao material do supervisor, controle de sigilo e aprendizado. 11 Em contrapartida, a literatura indica que as diversas ferramentas e re- cursos da TIC facilitam a interação no ciberespaço, incluindo encontros síncro- nos e assíncronos (Lima & Oliveira, 2011). Esses autores reforçam que as co- munidades virtuais de aprendizado fortalecem a construção conjunta, o compar- tilhamento de conhecimentos e experiências, bem como o alcance de metas co- muns. Nesse sentido, pode-se entender um grupo de supervisão online como uma comunidade virtual de aprendizado, com um objetivo comum claramente estabelecido e com uso de várias ferramentas que permitem manter a comuni- cação. Entre as diversas ferramentas, pode-se citar o Skype, o e-mail e o grupo de WhatsApp, que permitiram o acesso e a interação em qualquer momento. Reforçando essa ideia, não foi verificada nenhuma queixa quanto a esse aspecto no que se refere aos alunos que vivenciaram a modalidade via Skype, mas o contrário. Os meios de comunicação virtuais existentes supriram a necessidade de acesso e aproximação ao supervisor. Mill (2011) sustenta que toda a diversidade da EaD favorece a intensidade da relação entre professor/supervisor e aluno. Figura 2 12 Esse entendimento é fortalecido pelas duas vantagens indicadas da supervisão via Skype nesta pesquisa: mantém as mesmas qualidade e regras que a super- visão presencial, bem como exige o aumento da união grupal para alcançar bons resultados. Essas respostas sugerem que, na supervisão clínica via Skype, há um ambiente de aprendizagem colaborativa em que a construção de significados é feita pelo conjunto dos participantes e que o envolvimento do grupo contribui para que os objetivos sejam alcançados. Na adequabilidade permitiu a participação de alunos de diferentes loca- lidades e com dificuldade de horáriosem função do trabalho. “Vantagens é que poderíamos remarcar com mais facilidade e fazer fora do horário comercial, pois muitos trabalham nesse horário”. Assim, entende-se que as possibilidades de ajuste, seja de horário e de locomoção por questões econômicas e geográficas, potencializam o acesso a diversos públicos. Uma vez que a supervisão aqui discutida faz parte de um curso de espe- cialização, portanto, de um processo educacional aprofundado, acredita-se que o uso do AVA em conjunto às ferramentas já utilizadas poderia potencializar o ensino, fortalecer a interação e a execução de atividades. Entende-se que o uso de vários recursos e estratégias permite alcançar as necessidades para o desenvolvimento clínico, aproximando supervisor, su- pervisionando e o grupo em si (Barreto & Barletta, 2010), mantendo o relato ver- bal (Bitondi & Sétem, 2007), auxiliando a reflexão das habilidades e limites de cada um, a leitura e a construção do conhecimento e da competência (Bennett- Levy et al., 2009). Dessa forma, poderiam ser mantidos os encontros síncronos via Skype, bem como os demais recursos eletrônicos já utilizados, e ser adicionadas outras ferramentas que permitam momentos assíncronos como fóruns de discussão para o estudo de técnicas, de intervenções, de protocolos e os diários de pro- cessos (Mill et al., 2008; Rousmanieri, 2014). Acredita-se que o uso de uma pla- taforma específica, com atividades programadas, possa aumentar a sensação de responsabilidade e a participação do aluno no seu próprio desenvolvimento. 13 Desvantagens das Modalidades de Supervisão Mas queixas específicas dos tipos de supervisão que os alunos vivenci- aram também apareceram. Na supervisão via Skype, as desvantagens percebi- das pelos alunos que participaram da modalidade online foram: a supervisão depender da qualidade da internet, a necessidade de equipamento específico, a dificuldade apresentada pelo aluno poder ser facilmente disfarçada e a falta de contato presencial aumentar a percepção de falta de cobrança. Sobre esta última desvantagem, só poderia ser uma questão particular. Outra desvantagem apontada que também foi entendida como uma questão individual diz respeito à falta de motivação, que favoreceu o uso da in- ternet como desculpa para não participar da supervisão. Um ponto importante dos resultados, que converge com a literatura, diz respeito à qualidade do ins- trumental tecnológico para permitir que a EaD ocorra de maneira satisfatória. Entende-se que a internet, o computador, o som e a versão atualizada do Skype são aspectos fundamentais para que a supervisão no formato online proposto aconteça com qualidade. Uma das respostas exemplifica essa preocu- pação: “O que atrapalha um pouco a supervisão é a conexão da internet. Os serviços de banda larga no nosso país são precários, então muitas vezes a co- nexão falha e dificulta manter um bom contato”. É interessante notar que os par- ticipantes da pesquisa indicaram as questões técnicas tanto como vantagem da Figura 3 14 supervisão presencial (não ter risco de ficar sem supervisão por conta de proble- mas técnicos) quanto como desvantagem da supervisão online (depender da qualidade da internet). Porém, Van der Linden e Assis (2008) ressaltam que o aluno de EaD de- veria estar preparado para lidar com as dificuldades tecnológicas e não se sentir prejudicado ou desmotivado com problemas de TIC. A adaptação à tecnologia também é um fator que foi citado pelos participantes desta pesquisa. Isso implica repensar, não apenas as habilidades para manusear a tecnologia, mas também o perfil do aluno de EaD. Ainda que o ensino a distância se utilize de uma série de ferramentas que potencializam a troca, a dinâmica virtual requer maior envol- vimento de todos os que participam do processo de ensino-aprendizagem. Ter autodisciplina, motivação e determinação permite que o aluno esta- beleça um ambiente propício ao aprendizado, esteja disponível nos horários dos encontros preestabelecidos, tenha providenciado equipamento e condições viá- veis para a atividade, bem como ter garantido uma conexão de internet de qua- lidade. Segundo Azevedo (2007) e Van der Linden e Assis (2008), o aluno de EaD deve ter um comportamento autônomo e assumir para si a responsabilidade da sua formação. Pode-se dizer que essa nova exigência de um repertório es- pecífico do aluno é um desafio de superação das limitações pessoais. Isso por- que se trata de uma modalidade na qual o aluno pode facilmente se autos sabo- tar, fazendo uso de desculpas e desses pré-requisitos para se esquivar das res- ponsabilidades, o que acaba comprometendo o aprendizado. Esses autos sabotagem foram percebidos por alguns alunos, os quais relataram: “Percebi falta de sinceridade de alguns participantes, que usavam a desculpa da internet para não participar da supervisão” e “a supervisão via Skype não tem o mesmo nível de cobrança de uma supervisão presencial. Talvez essa comodidade deixe os participantes mais relaxados quanto ao cumprimento dos prazos. Mas isso pode ser algo particular”. Logo, o uso inadequado da tecnologia como forma de disfarçar as difi- culdades, como desculpa para não participar da supervisão ou mesmo para jus- tificar a falta de implicação na própria aprendizagem, sugerindo que a cobrança deve vir do outro e não de si mesmo, pode ser um complicador para o desenvol- vimento de habilidades clínicas. 15 Tais posturas apontam para a falta de comprometimento pessoal com o próprio desenvolvimento profissional, talvez por que tais participantes da pes- quisa não têm o perfil para um treinamento a distância (Azevedo, 2007; Van der Linden & Assis, 2008) ou talvez por imaturidade do aluno (Barletta et al., 2012; Barreto & Barletta, 2010), o que gera prejuízo para o processo de aprendizagem. No entanto, ressalta-se que a supervisão, independentemente da moda- lidade, deveria ser capaz de incentivar e motivar o aluno a ser sujeito do próprio desenvolvimento (Prasko et al., 2012) e que, neste caso, houve falha nesse pro- cesso. Esses autores reforçam que a relação estabelecida na supervisão é simi- lar à que ocorre no processo terapêutico. Dessa forma, outro fator que pode ter tido influência negativa foi que tal- vez a relação supervisor aluno não tenha sido adequada para formar a aliança necessária para mudança e desenvolvimento, favorecendo a desmotivação e até o abandono do processo (Martins et al., 2013). Em relação à supervisão presen- cial, as desvantagens percebidas pelos alunos que participaram dessa modali- dade foram: pouco tempo, necessidade de um ambiente adequado para super- visão, deslocamento e impossibilidade de estender o horário preestabelecido por questões de segurança. A indicação de que o ambiente adequado é um requisito e uma neces- sidade para a supervisão presencial, a fim de não se tornar uma desvantagem desse tipo de supervisão, foi uma resposta considerada inesperada. No entanto, como já foi descrito anteriormente, o ambiente foi considerado um motivo para não escolher esse tipo de supervisão na modalidade online, sendo identificado como um aspecto que pode facilitar a interrupção e, por conseguinte, ter alguma falha no sigilo. Na prática das autoras, a interrupção é um fator presente, bem como a falta de critérios para escolher ambiente privativo por parte do supervisionando. A partir desses achados e reflexões, entende-se que, independentemente da modalidade de supervisão, a adequação do local em que a supervisão ocorre merece maior atenção, tanto do supervisor (no caso da supervisão presencial) quanto do aluno (no caso da modalidade online). 16Sugestões para Melhorar as Supervisões Algumas sugestões para melhorar a supervisão foram relacionadas a ambos os tipos (via Skype e presencial), quais sejam: menor número de alunos, maior número de encontros ou de horas de supervisão. Ainda que o menor número de alunos ou maior número de encontros ou de horas pudessem melhorar a qualidade das supervisões (Barreto & Barletta, 2010), verifica-se que as supervisões em ambas as modalidades estão de acordo com o encontrado em outros cursos (Velasquez et al., 2015). Esses autores identificaram que os cursos de especialização de TCC no Brasil oferecem a supervisão da prática clínica no formato grupal, com 5 a 10 alunos por supervisor e uma carga horária que varia de 50 a mais de 100 horas. As sugestões específicas para o aprimoramento da modalidade presencial fo- ram: usar vivência de técnicas ao longo das supervisões; ter um modelo de su- pervisão que proporcione um conhecimento mais homogêneo aos alunos; ter mais detalhamento e explicação sobre o que é exigido; ter maior contato com o supervisor em espaços além da supervisão, incluindo ferramentas online; e tor- nar as supervisões mais informais. Figura 5 17 Bitondi e Sétem (2007) sugerem que a dramatização e a modelação são estratégias educacionais importantes no ensino da prática clínica, bem como a leitura e reflexão da prática (Bennett-Levy et al., 2009). Outras estratégias en- contradas na revisão de literatura de Honorato e Barletta (2016) foram à auto aplicação de técnicas e o desenvolvimento de conceptualização de casos de qualidade. Por sua vez, a literatura aponta a falta de sistematização do processo supervisionado, o que leva a uma falta de modelo específico para essa atividade (Barletta et al., 2012; Barreto & Barletta, 2010; Padesky, 2004). Acredita-se ser utópico que as supervisões com diferentes professores, cada um com suas ex- periências e características peculiares, construam um conhecimento homogê- neo entre os alunos que, por sua vez, também têm uma história de aprendiza- gem individual, além de outros aspectos idiossincráticos. Entretanto, a sugestão de promover outros espaços de encontro para o grupo de supervisão presencial pode contribuir para a integração do grupo e fa- vorecer um melhor rendimento do processo de supervisão. Entre as sugestões, foi indicado o uso dos espaços virtuais para essa finalidade, fortalecendo a ideia de que as TIC podem intensificar a proximidade entre supervisor e aluno (Alves, 2011; Mill, 2011). Para a supervisão via Skype, especificamente, foram recomendadas: internet de qualidade, melhor escolha do aluno sobre o ambiente para supervisão, maior cobrança do supervisor e pro- porcionar um trabalho para aumentar a interação grupal antes da supervisão. Entre as sugestões, foram vistos alguns aspectos já discutidos ao longo do texto e que estão ligados a fatores de responsabilidade do próprio aluno, do supervisor ou mesmo da instituição de ensino. O aspecto gerencial do processo supervisionado, que apareceu nas sugestões, pode ser fortalecido, com o intuito de aumentar a qualidade da supervisão nessa modalidade (Vec et al., 2014). A sugestão de uma atividade inicial a fim de aumentar a interação grupal na modalidade online pode ser interessante, mesmo que não seja possível em todos os contextos de EaD. Esse tipo de atividade pode facilitar a segurança do aluno no início do processo supervisionado: “Fazer algum trabalho com o grupo antes de começar a supervisão, presencial ou não, para ficarmos mais relaxadas em falar sobre nossas dificuldades [...]. Eu senti dificuldade no início em me sen- tir à vontade no grupo”. 18 Essa proposta sugere que possa haver uma mescla de ferramentas e atividades virtuais e presenciais. Uma proposta de uso dos diversos recursos também foi feita por participantes da supervisão presencial: “Para aprimorar a supervisão presencial, acho que é sempre bom ter mais contatos com o super- visor, o que pode ser feito por e-mail, mas também por Skype”. Essas falas sugerem que usos da tecnologia e de atividades presenciais são bem-vindos, benéficos e podem fazer parte tanto da supervisão na modali- dade presencial quanto na online. 19 ESTILOS DE APRENDIZAGEM A definição de estilo de aprendizagem é citada na literatura pedagógica por alguns autores (De Vita, 2001; Dreyer, 1998; Eliason, 1995; Ellis, 1994; Nel- son, 1995, citados por Young, 2010) como “as características do comportamento cognitivo, afetivo e psicológico, indicativos de como os alunos aprendem, intera- gem e respondem ao meio envolvente”. A partir dos anos 80, com o desenvolvimento das teorias pedagógicas da aprendizagem, foi dada ênfase ao aluno: como é, o que quer o que pensa e quais os seus necessidades. Isto implica uma mudança de atitude por parte do educa- dor, que necessita de observar o aluno e reconhecer as características individu- ais de aprendizagem e as estratégias eficazes de aprendizagem. Segundo o mesmo autor, o aluno é o produto das suas experiências e conhecimentos pas- sados e futuras potencialidades. Os alunos encontram-se num processo de formação e como tal, desejam tomar decisões por si próprias, ficando motivados quando a formação vai ao en- contro das suas necessidades, baseando a aprendizagem na realidade e na ex- Figura 6 20 periência. Esta tem que ser uma abordagem centrada no aluno, levando em con- sideração as suas motivações, interesses e experiências anteriores segundo a United Nations Educational, Scientific and Cultural Organizational (UNESCO) (1980, citado por Carvalhal & Gomes, 2003). Assim, a aprendizagem não pode ser realizada só pelos conteúdos, mas pelos diferentes ritmos e interesses dos alunos. Existem diversas investigações sobre os estilos de aprendizagem, selecionamos os estilos de aprendizagem apresentados por Honey e Mumford (1992, citado por Miranda & Morais, 2008) que consideram que os indivíduos podem ser integrados em quatro estilos de aprendizagem: ativo, reflexivo, teórico e pragmático. Cada indivíduo pode apresentar caraterísticas dos vários estilos de aprendizagem, embora possuam um estilo dominante. Segundo estes autores, as principais caraterísticas dos estilos de aprendizagem são: no estilo ativo, “têm uma mente aberta, entusiasmam-se com qualquer coisa nova, são sociáveis e envolvem-se constantemente com os outros, procuram ser o centro de todas as atividades, interessam-se por desafios e situações problemáticas, manifestam forte implicação na ação”. No estilo reflexivo “dão prioridade à observação antes da ação, gostam de observar as experiências de diversas perspectivas, centram- se na reflexão e na construção de significados, recolhem informações tanto da sua própria experiência como da experiência dos outros, preferem pensar antes de chegarem a qualquer conclusão, gostam de observar os outros em ação e de perceber o sentido geral da discussão antes de dizerem o que está na sua pró- pria mente”. No estilo teórico, “tendem a estabelecer relações, deduzir, integrar os factos em teorias coerentes, tendem a ser perfeccionistas, gostam de analisar e de sintetizar. A sua abordagem aos problemas é consistente e lógica. Procuram a racionalidade e a objetividade, sentem-se desconfortáveis com conclusões subjetivas, pensamentos laterais ou qualquer aspeto superficial”. Por fim no es- tilo pragmático “gostam muito de experimentar ideias, teorias e técnicas para ver se funcionam na prática”. O seu ponto forte é a aplicaçãodas ideias. Gostam de atuar de uma forma confiante e rápida sobre as ideias e os projetos que os atraem, tendem a evitar a reflexão e ficam impacientes com discussões sem fim. “Essencialmente, são pessoas práticas, terra a terra, que gostam de chegar a conclusões práticas 21 e de resolver problemas”. O questionário de Honey e Mumford (1992, citado por Miranda & Morais, 2008) tem como objetivo ajudar os alunos a identificar os seus pontos fortes e fracos dos estilos de aprendizagem. Pfister e Tennent-Ponterio (2000) referem que todos os intervenientes no processo de supervisão têm ex- petativas conscientes ou inconscientes e necessidades quando integrados no local de estágio. Quando essas necessidades não são tidas em consideração, pode re- sultar em desmotivação e fraca eficiência. Cada indivíduo tem uma forma inata de reagir ou demonstrar comportamentos característicos numa determinada si- tuação, a que se pode chamar estilo comportamental. Determinados comporta- mentos característicos podem favorecer ou entravar o processo de supervisão: a forma como cada um reage a situações novas, e o grau de intensidade com que o faz, o grau de adaptação às mudanças, a persistência na execução das tarefas e o grau de reações positivas ou negativas, têm implicações diretas nas situações clínicas. Quando existe um conhecimento do próprio estilo de comportamento, permite modificar a forma como esses traços são expressos e levar a que não interfiram de forma ativa no processo de supervisão. Os sentimentos e formas de comportamento mantêm-se, mas pode-se aprender a controlar a expressão dos mesmos dados uma determinada situação clínica. Para haver adaptação e aceitação de ambos os intervenientes no processo de supervisão dos estilos comportamentais é necessário existir flexibilidade, postura, confiança, respeito, suporte e gestão de conflito (Pfister & Tennent-Ponterio, 2000). A interação entre o aluno e o contexto de estágio, interiorizando os ele- mentos socioculturais do meio, integrando-os na estrutura da sua personalidade por influência das experiências realizadas, facilitam a adaptação ao meio e assim ultrapassam as dificuldades (Carvalhal & Gomes, 2003). 22 O Educador Clinico Para Rogers (2010) a aprendizagem pode ser facilitada se o educador for congruente, o que implica ser a pessoa que é e que tenha consciência das atitudes que assume. Ser congruente significa ser autêntico nos seus sentimen- tos. Assim, tem maior probabilidade de ser verdadeiro na relação com os seus alunos. Segundo Carvalhal e Gomes (2003), o educador clínico deverá ser uma pessoa bem formada, manifestando atitudes adequadas para com os alunos. O ensino é um processo humano de interação, na qual as relações in- terpessoais são um elemento fundamental. Há sempre uma dimensão pessoal na ação do educador clínico, tanto o seu estilo próprio como a sua maneira de estar no mundo tem grande influência na forma do seu desempenho. Segundo o mesmo autor, as relações interpessoais por parte do educador clínico são es- senciais numa relação eficaz de ajuda, comunicando abertamente e apoiando os alunos na partilha de sentimentos e pensamentos. Só aplicando os princípios básicos de uma relação de ajuda, os educa- dores clínicos poderão fortalecer as competências interpessoais dos alunos, que são importantes para o desenvolvimento de relações terapêuticas com os uten- tes. Autonomia, identidade, relações interpessoais, emoções, linhas de atuação e integridade, são qualidades que devem ser desenvolvidas sob a orientação de educadores ou outros profissionais de saúde. O respeito pela individualidade e carácter único do aluno é fundamental para que se estabeleça uma relação em- pática potenciada a de uma relação de ajuda. Figura 7 23 Na opinião do autor, a observação por parte do educador clínico da prá- tica clínica do aluno, pode desencadear uma atitude de controlo face ao aluno e dificultar o estabelecimento de confiança e de ajuda entre educador e aluno, po- dendo levar o aluno a certa dependência do educador, e por outro lado, que o medo de errar seja um constrangimento. Ser educador clínico implica várias tarefas, entre as quais, assegurar profissionalismo por parte dos alunos em relação aos utentes, tendo em consi- deração as normas da instituição e a confidencialidade dos documentos e infor- mações do utente. O aluno deve seguir todos os procedimentos terapêuticos dentro de uma prática clínica baseada na evidência e atualizada, orientado pelo educador clínico que serve como modelo (ASHA, 2010). Deve igualmente escolher o modelo de supervisão que melhor se adapte às caraterísticas do aluno e promover auto avaliações e reflexões de forma a desenvolver o potencial dos mesmos. A avaliação de todo o processo é um fator fundamental no processo de supervisão (McLeod et al., 1997). O Modelo continuum de Supervisão O modelo Continuum de supervisão foi proposto por Anderson (1988) com o principal objetivo de fomentar a independência profissional dos alunos para a sua própria supervisão. De acordo com este modelo os alunos vão de- senvolvendo o seu crescimento profissional, podendo em alguns aspetos evi- denciar dificuldades devendo os educadores clínicos ajustar continuamente o estilo de supervisão às necessidades do aluno, podendo ambos visualizar o pro- cesso de supervisão de forma conjunta. O modelo permite que o aluno e o educador examinem as suas filosofias acerca da supervisão, identifiquem os seus comportamentos e imprimam mu- danças se necessário (McCrea & Brasseur, 2003). A ASHA (2005) refere que este modelo é único no facto de todos os alunos se movimentarem ao longo do Continuum, avançando e recuando, mediante novas práticas clínicas, novos utentes ou procedimentos. 24 O modelo de Anderson (1988) preconiza a partilha de entendimento do processo de supervisão entre os intervenientes, o planeamento de todas as ati- vidades realizadas ao longo do estágio, a recolha de dados objetiva através da observação, a análise dos dados recolhidos e a integração das aprendizagens que poderá ser facilitada através de reuniões. O sucesso do processo de supervisão deve iniciar-se pela partilha de informação entre o educador clínico e o aluno para a elaboração dos objetivos (ASHA, 2005). A articulação, o envolvimento e a participação ativa tanto do edu- cador clínico como do aluno é o aspeto principal deste modelo. Segundo Ander- son (1988, citado por McLeod et al., 1997) o tempo e a experiência são fatores determinantes na progressão ao longo do Continuum dependendo do seu nível de conhecimento e da capacidade relativa às tarefas de aprendizagem solicita- das. O modelo é constituído por três fases: a) avaliação/feedback b) transição e c) auto avaliação Figura 8 25 Na fase inicial os alunos são predominantemente passivos e necessitam de observação e feedback do educador clínico para modelar procedimentos e técnicas específicas. O educador clínico é dominante e diretivo na supervisão do aluno. Iniciar o estágio nesta fase é mais confortável para o aluno dado o apoio que tem do educador clínico, mas, no entanto, pretende-se que o aluno passe para a fase seguinte rapidamente. Na fase de transição, o aluno necessita de refletir sobre os seus conhecimentos na área do estágio e também no feedback dado pelo seu educador e ir progredindo na forma de intervenção com a população do estágio, necessitando cada vez menos de diretrizes por parte do supervisor. O edu- cador clínico colabora no planeamento das avaliações, na melhoriados planos de intervenção e procedimentos. Fornece os dados relativos ao utente e dá feedback, mas a relação de supervisão nesta fase já é um projeto mais conjunto entre os dois (Newman, O’Connor & Victor, 2006), enfatizando as necessidades específicas de cada aluno tanto individuais como profissionais, fomentando a independência do aluno nas competências clínicas e profissionais (Russel-Chapin & Chapin, 2011). Este participa ativamente em todas as atividades com o utente (avaliação, intervenção e análise de resultados) e inicia o seu processo de autoanálise do seu desem- penho profissional. A responsabilidade partilhada está dependente de uma relação equili- brada entre aluno e educador. Lincoln et al., (1997) refere que o feedback dado ao aluno, tem como objetivo que este compreenda a visão do educador clínico sobre a sua intervenção com os utentes no contexto clínico, o tipo de interação entre utente e aluno, o ensino de estratégias e melhoria das competências co- municativas, os progressos conseguidos pelos alunos e ainda fornecer informa- ções sobre técnicas específicas e dados científicos para a prática clínica. O feedback ajuda o aluno a entender a especificidade de cada utente e promover a responsabilidade pelo seguimento terapêutico de excelência do utente. É importante para o aluno dar feedback sobre o educador clínico, para compreender melhor a reciprocidade da relação de supervisão. Se os alunos simplesmente recebem feedback dos educadores sem terem oportunidade de 26 emitir a sua opinião relativa às aprendizagens efetuadas, vão sentir o feedback mais como uma forma de julgamento em vez de uma forma de partilha da apren- dizagem assim como também pode ser interpretado como uma forma de poder por parte do educador clínico relativo ao aluno. Na passagem para a fase de auto avaliação deve existir maior autonomia por parte do aluno para que este consiga funcionar como par do educador clí- nico. Poderá colaborar na resolução de problemas ou procedimentos mais com- plexos. O aluno nesta fase consegue planear e programar a intervenção só com alguma orientação. É o responsável pelos casos, atribuídos no processo de re- abilitação. O educador clínico tem um papel mais colaborativo, ouvindo o aluno e orientando-o na resolução de problemas. Existe aprendizagem por parte de ambos os intervenientes. Este modelo não tem prazos definidos para os alunos adquirirem as com- petências e transitarem de fase. Em certas competências podem estar na última fase e noutras estarem na fase inicial. É importante reconhecer os pontos fortes e os pontos fracos de cada aluno pelo educador clínico e pelo aluno. Alguns autores referem que à medida que vão avançando as competências do aluno, deve ser fomentada a auto avaliação do mesmo (Mandy, 1989; Anderson, 1988; citados por Joffe, 2005). Sendo o Continuum de supervisão um modelo de de- senvolvimento aproveita aspetos de outros modelos de desenvolvimento para facilitar a aprendizagem como o modelo de aprendizagem reflexiva. Segundo este modelo, McCrea e Brasseur (2003) afirmam que quando existe imaturidade em relação a determinada tarefa, o educador deve dar orientação. A partir do momento em que o aluno evidência maior maturidade em relação às tarefas, o educador vai diminuindo a sua participação e o aluno vai realizando a tarefa de forma mais independente. Figura 9 27 Para Carvalhal e Gomes (2003) a reflexão é o conceito mais relevante para as novas tendências do papel de orientador clínico, na dimensão pedagó- gica do seu papel. Para uma atividade reflexiva implica escutar e respeitar dife- rentes perspectivas, observar todas as alternativas, questionar a possibilidade de erros, examinar as razões do que se passa no processo de formação, inves- tigar evidências conflituosas, procurar várias respostas para a mesma pergunta e refletir sobre formas de melhorar o que já existe. Refere ainda o mesmo autor que o ensino clínico é, cada vez mais, um processo formativo complexo, exigindo às orientadoras competências pedagógi- cas, profissionais e pessoais, necessárias na relação de ajuda para a progressão do aluno na aprendizagem. O desenvolvimento da aprendizagem clínica através do processo reflexivo, com base na experiência, deve ter ligação ao contexto profissional. Os alunos que preferem um modelo de supervisão marcadamente re- flexivo entendem a supervisão como um processo de desenvolvimento das com- petências profissionais a partir de um diálogo constante entre a teoria e a prática, fazendo desta um campo de reflexão teórica estruturadora da ação, como refe- rem Viveiros e Medeiros (2005). Esta ideia é corroborada por vários autores em estudos realizados so- bre o desenvolvimento cognitivo do estudante do ensino superior, onde se afirma que o jovem adulto se encontra numa fase de desenvolvimento, quer do seu pensamento crítico e reflexivo, quer da sua autonomia, quer ainda da sua dimen- são interpessoal e psicossocial (Chickering, 1969; Chickering & Reisser, 1993; Ferreira et al., 1997, citados por Viveiros & Medeiros, 2005). Num estudo realizado por Huet e Tavares (2005) sobre o envolvimento do professor universitário no processo de ensino-aprendizagem, verifica-se que é necessário que o professor reflita sobre a sua prática pedagógica, pois servirá como ferramenta para a mudança das teorias do ensino. Para isso é necessário auto avaliação, avaliação pelo aluno e se possível pelos pares, como fatores para a promoção da qualidade do ensino. 28 A corresponsabilidade do educador e do aluno na aprendizagem implica a participação no processo de avaliação, transformando o educador no coavali- ador em parceria com o aluno. Também, em estudos realizados por Aziz, Teck e Yen (2011) referem que o trabalho em equipas multidisciplinar, constituído por profissionais de saúde e disponíveis em alguns contextos de estágio, promove a aprendizagem dos papéis e responsabilidades das diferentes profissões, favore- cendo uma prática colaborativa para a melhoria dos cuidados de saúde. Segundo Insalaco, Ozkurt e Santiago (2007) se os estudantes conhece- rem o trabalho de equipa nos locais onde fazem estágio fica com competências para uma melhor integração, nos futuros locais de trabalho. A relação entre o educador clínico e o aluno é o centro de qualquer modelo de supervisão clínica usado, como tal é necessário existir diretrizes claras, de preferência um contrato informal que regule a forma de condução do processo (Bishop, 2007). O estabe- lecimento do contrato de aprendizagem é uma forma de orientar o processo de aprendizagem, no sentido de atingir os objetivos de aprendizagem. Devem ser negociados entre educador clínico e aluno (Lincoln et al., 1997). Promove a participação ativa do aluno na programação dos seus objeti- vos e na sua clarificação e requer que os intervenientes do processo estejam em permanente comunicação (Kennedy-Jones, 2005). Existem várias formas de contrato, no essencial devem conter informações relevantes tais como: tempo de duração, marcação de reuniões semanais, objetivos comuns, aspetos éticos Figura 10 29 da profissão e da instituição, regras gerais de funcionamento, formas de avalia- ção e de feedback e os deveres do aluno e do educador (Ford & Jones, 1987; Bishop, 2007). 30 BIBLIOGRAFIA Beirão, D. A. T. (1998). Locus de controlo em estudantes de fisioterapia. Mono- grafia final do curso superior de fisioterapia. Alcoitão: Escola Superior de Saúde do Alcoitão. Carmo, H. & Ferreira, M. (1998). Metodologia da investigação: Guiapara auto-aprendizagem. Lisboa: Universi- dade Aberta. Colaço, G. (1993). Locus de controlo em estudantes de fisioterapia. Monografia de final de curso de Post graduação em reabilitação. Lisboa: Instituto de Psicologia Aplicada. Cruz, E. J. B. C. (1997). Abordagem à aprendizagem dos alunos do curso superior de fisioterapia. Dis- sertação de mestrado em Psicologia Educacional. Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Draper, M. & Faulkner, G. (2009). Counseling a student presenting borderline personality disorder in the small col- lege contexto: Case study and implications. Journal of College Counseling, 12, 85-96. Ghiglione, R. & Matalon, B. (2001). O Inquérito: Teoria e prática. Oeiras: Celta Editora. Iskender, M & Akin, A. (2010). Social selfefficacy, academic locus of control, na internet Addiction. Computers & Education, 54, 1101-1106. McAllister, L. (1997). Na adult learning Framework for clinical education. In L. McAllister, M. Lincoln, S. McLeod, D. Maloney (Eds.), Facilitating Learning in Clinical Settings (cap. 1, pp. 1-26). London: Nelson Thornes Ltd, United Kingdom. Pinto, E. M. C. P. S. (2004). 31 Abordagem à aprendizagem e resultados escolares obtidos nos alunos dos cur- sos de terapia ocupacional e fisioterapia. Dissertação de mestrado em Psicologia Educacional. Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Relvas, J.; Serra, A.; Saraiva, C. & Coelho, I. (1984). Resultados da aplicação da Escala IPC de Levenson a estudantes universitários. Psiquiatria Clínica, 5, (3), 119-124. Seabra, A. (1999). O técnico, a pessoa,…e o burnout no hospital Dr. José Maria Antunes Junior – Estudo exploratório. Dissertação de mestrado em Psicologia da Saúde. Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Veríssimo, R. (1996). Expectativas de controlo no contexto da personalidade. Acta Médica Portuguesa, 9, 21-28. Yilmaz, A. & Kaya, H. (2010). Relationship between nursing student’s epistemological beliefs and locus of control. Nurse Education Today, 30, 680-686 Alves, L. (2011). Educação à distância: Conceitos e história no Brasil e no mundo. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Educação a Distância. Recuperado de: http://www.abed.org.br/revistacientifica/ Revista_PDF_Doc/2011/Artigo_07.pdf Azevedo, D. R. (2007). O aluno virtual: Perfil e motivação. Monografia (Especialização em Metodologia da Educação a Distância). Universidade Sul de Santa Catarina, Florianópolis. Barletta, J. B., Fonsêca, A. L. B., & Delabrida, Z. N. C. (2012). A importância da supervisão de estágio clínico para o desenvolvimento de com- petências em terapia cognitivo-comportamental. Psicologia: Teoria e Prática, 14(3), 153-167. Barreto, M. C., & Barletta, J. B. (2010). A supervisão de estágio em psicologia clínica sob as óticas do supervisor e do supervisionando. Cadernos de Graduação: Ciências Biológicas e da Saúde, 12(12), 155-171. Belloni, M. L. (2002). 32 Ensaio sobre a educação à distância no Brasil. Educação e Sociedade, 23(78), 117-142. Bieling, P. J., McCabe, R. E., & Antony, M. M. (2008). Terapia cognitivo- -comportamental em grupos. Porto Alegre: Artmed. Bitondi, F. R., & Sétem, J. (2007). A importância das habilidades terapêuticas e da supervisão clínica: Uma revisão de conceitos. Revista Uniara, 20, 203-212. Bennett-Levy, J., McManus, F., Westling, B. E., & Fennell, M. (2009). Acquiring and refining CBT skills and competencies: which training methods are perceived to be most effective? Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 37, 571-583. Borba, A. G., Rangé, B. P., & Elia, M. F. (2007). Disciplina de psicoterapia baseada na WEB: Uma estratégia de ensino-aprendi- zagem-avaliação. Anais do XXVIII Congresso da SBC: WIE – Workshop de In- formática na Escola, 1, 396-404. Borba, A. G., Rangé, B. P., & Elia, M. F. (2011). Treinamento via web de psicólogos do brasil no protocolo de terapia cognitivo- comportamental vencendo o pânico. In B. Rangé (Org.), Psicoterapias cognitivo- comportamentais: Um diálogo com a psiquiatria (2. ed., pp. 760-781). Porto Ale- gre: Artmed. Conselho Federal de Psicologia (CFP). (2012). Resolução CFP n° 011/2012. Recuperado de: http://site.cfp.org.br/wp-con- tent/uploads/2012/07/Resoluxo_CFP_nx_011-12.pdf Department of Health. (2011). IAPT Supervision guidance: Revised. Recuperado de: http://www.iapt.nhs.uk/silo/files/iapt-supervision- -guidance-revised-march- 2011.pdf Honorato, A. R. R., & Barletta, J. B. (2016). Estratégias de ensino e competências desenvolvidas na supervisão clínica em terapia cognitivo-comportamental: Uma revisão integrativa da produção nacio- nal. In A. L. B. Fonsêca, M. S.S. Mariano, & J. B. Barletta (Orgs.), Comporta- mento, desenvolvimento e cultura: Análise de contexto (pp. 125- 147). São Paulo: Novas Edições Acadêmicas. Lima, V. S., & Oliveira, M. R. G. (2011). 33 A importância da comunidade virtual de aprendizagem para o aluno da EaD. In J. Otsuka, M. R. G Oliveira, V. S. Lima, D. Mill, & C. Magri (Orgs.), Educação à distância: Formação do estudante virtual (pp. 75-93). São Carlos: EdUFSCar. Martins, C. A. S., Pergher, G. K., & Araújo, R. B. (2013). Aplicações da terapia cognitivo-comportamental nas modalidades de psicotera- pia a distância. In: R. B. Araújo, N. M. Piccoloto, & R. Wainer (Orgs.). Desafios clínicos em terapia cognitivo-comportamental (pp. 77-90). São Paulo: Casa do Psicólogo. Mill, D. (2011). Educação à distância contemporânea: Noções introdutórias. In J. Otsuka, M. R. G Oliveira, V. S. Lima, D. Mill, & C. Magri (Orgs.). Educação à distância: Forma- ção do estudante virtual (pp. 15-30). São Carlos: EdUFSCar. Mill, D., Abreu-e- Lima, D., Lima, V. S., & Tancredi, R. M. S. P. (2008). O desafio de uma interação de qualidade na educação à distância: O tutor e sua importância nesse processo. Cadernos da Pedagogia, 2(4), 112-127. Oliveira, D. C. (2008). Análise de conteúdo temático-categorial: Uma proposta de sistematização. Re- vista de Enfermagem da UERJ, 16(4), 569-576. Padesky, C. A. (2004). Desenvolvendo competências do terapeuta cognitivo: Modelos de ensino e su- pervisão. In P. M. Salkovskis (Org.), Fronteiras da terapia cognitiva (pp. 235- 255). São Paulo: Casa do Psicólogo. Prasko, J., Vyskocilova, J., Slepecky, M., & Novotny, M. (2012). Principles of supervision in cognitive behavioural therapy. Biomedical Papers, 156(1), 70–79. Rousmanieri, T. (2014). Using technology to enhance clinical su- pervision and training. In C. E. Watkins Jr., & D. L. Milne (Eds.), The Wiley inter- national handbook of clinical supervision (pp. 203-237). Oxford: Wiley Blackwell. Van der Linden, M. M. G., & Assis, C. F. C. (2008). 34