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ROTEIRO SARAU LITERÁRIO – ENSINO MÉDIO NOSSOS DELÍRIOS POÉTICOS Cena I – Apresentação (Luzes se apagam, foco no púlpito). NARRADOR (Carla): Boa noite, senhoras e senhores. Antes de tudo, agradecemos a presença e esperamos que aproveitem ao máximo a experiência de nossas apresentações. Experiências que construímos no ano letivo de 2021, os NOSSOS DELÍRIOS POÉTICOS, aqueles que foram tomando forma em cada palavra, em cada verso, de cada estrofe, em cada período literário estudado. E que hoje, transformou-se em uma realidade palpável. (Luzes se apagam e entra vídeo no telão) VÍDEO – depoimento processo produção do livro. (Luzes no púlpito) NARRADOR (Carla): senhoras e senhores, escrever vai muito além de colocar palavras em um papel, de criar uma personagem, um cenário, um clímax. É entregar-se a um mundo imaginário da literatura, é ver o mundo com olhos mais atentos. É criar ARTE, a arte de escrever, de desenhar, de cantar. Chamo agora os alunos Isadora Tillmann Hass e Pedro Araújo Gagliardi Páez para interpretar a canção “Just the two of us”. (Entram Pedro e Isadora) CENÁRIO: palco em meia luz, banco e instrumentos (violão e caixa de som) posicionados para Pedro. Isadora posicionada no meio do palco. (Luzes apagam para a saída dos alunos) (Foco luzes no púlpito) CENA II – NARRADOR (Carla): O poema esteve presente no cotidiano, das mais variadas formas, com temas subjetivos, objetivos e com uma preocupação social. Chamo o aluno Gustavo Golin Sichinel para apresentar o Classicismo. GUSTAVO: Inserido no Renascimento Europeu, o movimento artístico e literário leva o nome "Classicismo" devido a retomada aos clássicos, a inspiração tida na cultura greco-romana. O Classicismo tinha como objetivo criar uma nova concepção de mundo e do homem. Apresenta um marco no que se refere à questões religiosas, já que seu enfoque é mais racional, tendo a busca pelo equilíbrio e perfeição formal caracterizando o estilo do movimento; O expoente do movimento mais conhecidos é: Luís de Camões, poeta português. (Durante a leitura da introdução, o elenco da encenação inicial se posiciona no palco Rafaella - Isabel; Beatriz - Amália; Julia M. - Teresa; Maria C. – Angelina) (Meia luz com foco central acende para focar as protagonistas) CENÁRIO: espelho, carteira coberta com um pano e cadeira. (As personagens estão se preparando para o Baile. Isabel aparece sentada em uma cadeira lendo uma carta. Enquanto Angelina está se penteando. Ela se levanta e começa a andar pelo palco, Angelina a segue). Isabel Estou preocupada Angelina… nossos maridos saíram em expedição sozinhos, quando voltarão? Angelina Fique calma, Isabel, logo estaremos junto a eles Teresa Isso mesmo, quem sabe o que nos espera! Isabel Mas vocês não acham que estamos esperando por tanto tempo para ter nossos clássicos costumes de volta? Agora eles estão a explorar novas terras... Angelina Exatamente! Ouvi dizer... Amália Isabel… está tudo bem, minha amiga! Vamos aproveitar nosso baile clássico esta noite! MÚSICA 1 - (Barulho de relógio, entra o mordomo (Gustavo)) Mordomo Senhoras, o baile começará em breve. Isabel, esta carta é para você. Angelina? Esta é sua. (Foco de luz no centro do palco) (As duas se posicionam para a leitura dos poemas. O cenário é desmontado). Ilusões (DUDA) Teus olhos azuis parecem o mar E são perfeitos tal como um jasmim Quero ter junto a ti um sonho pra sonhar Um lugar que só pertença a mim O poema é para assim ressignificar Sei que o coração fica num frenesim Tua formosura conquistou meu crescer Mesmo que quisesse não posso retroceder Beatriz Vicente do Nascimento Sentimentos (RAFA) Aquele sentimento, além do abstrato Nostalgia, do passaporte à saudade Sorrir chorando ao olhar para retrato Guardando memórias de liberdade O amor que fora prometido em trato Agora só tristeza e ociosidade Destrói, corrói, mas mantém aquecido Um amor íntimo, porém conhecido. Isadora Tillmann Haas Júlia Pollini Folletto Juliana de Oliveira Barboza Rafaella Pellegrin Rodrigues (Apaga as luzes) (Abre as luzes em todo o palco) MÚSICA 2- VALSA (A música começa. Inicia o baile. Entram os convidados). (Montam as duplas: Julia L. e Isa, Rafa e Duda, Bea e Gustavo, Julia F. e Juliana). (Dança: três valsas, reverência e três giros (3 tempos)) (Entra prof. Carla e cochicha para Julia e Isa entregando uma carta). (Luzes centralizadas) (As duas se posicionam na frente de palco para ler os poemas de Camões). (JULIA) Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói, e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; É um andar solitário entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É um cuidar que se ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? (ISA) Amor, que o gesto humano n'alma escreve, Vivas faíscas me mostrou um dia, Donde um puro cristal se derretia Por entre vivas rosas e alva neve. A vista, que em si mesma não se atreve, Por se certificar do que ali via, Foi convertida em fonte, que fazia A dor ao sofrimento doce e leve. Jura Amor que brandura de vontade Causa o primeiro efeito; o pensamento Endoudece, se cuida que é verdade. Olhai como Amor gera, num momento De lágrimas de honesta piedade, Lágrimas de imortal contentamento. (Luzes se apagam e todos saem do palco) MÚSICA: Can't help falling in love (apaga a luz) CENA III - Hamlet (Luzes no púlpito) NARRADOR (Carla): Chamo a aluna Marianna Fernandes Lima que apresentará uma esquete da obra Hamlet de Shakespeare. Marianna: Aqui está se passando o funeral do antigo rei da Dinamarca. Diz a lenda que quando morto por alguém infortuno o mesmo volta para assombrar os vivos e vingar-se de forma cruel a sua morte. (Luzes no centro do palco) MÚSICA 3 (música de funeral). Rosencrantz: O padre está atrasado né? (Fantasma entra e coloca o veneno nas taças, e sai). (Rainha começa a chorar). Ofélia: alguém mais viu uma garrafa flutuando? Rainha: Eu não esperava essa morte repentina, ele era tão saudável Claudio: Está tudo bem agora você tem a mim. Hamlet: Estou sem chão, ainda não consigo acreditar que isso aconteceu Ofélia: Meus pêsames, com certeza ele está em um lugar melhor. (Padre entra). Padre: Desculpa o atraso, agora podemos começar. Hamlet: Padre desculpe interromper, mas eu poderia ler uma homenagem que escrevi ao meu querido pai? Padre: Com certeza. Hamlet: Guiado pelas suas mãos, eu aprendi a andar, guiado pelos seus olhos, eu aprendi a ver o mundo. Na sua imensa generosidade e amor, você me acolheu em seus braços e em sua vida e doou-se a mim. Pai, você foi o meu porto seguro, a minha instância de paz, o meu ombro amigo, o meu maior mestre. Rainha: Eu também gostaria de prestar uma homenagem ao meu querido marido. Padre: Por favor. Rainha: Meu marido morreu, mas não o nosso amor. Quando nos casamos, pensei que nossa história de amor jamais conheceria o fim. Não imaginava que um dia teria de continuar a viver sem você, amado esposo. Claudio: (sussurrando) ainda bem que meu irmão morreu, agora ficarei com o trono e parte da herança. Rosencrantz: Que deus o tenha, amém. Todos: Amém. Padre: Pai santo, Deus eterno e Todo-Poderoso, nós Vos pedimos por Rei Hamlet, que chamastes deste mundo. Dai-lhe a felicidade, a luz e a paz. Que ele, tendo passado pela morte, participe do convívio de Vossos santos na luz eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência. Em nome do pai do filho do espirito santo amém. Todos:Amém. (Padre sai). Rosencrantz: O rei pediu que em seu funeral não ficássemos tristes, mas sim comemorarmos a vinda do próximo rei. Ofélia: Proponho um brinde em sua homenagem. Claudio: Tem razão. (Todos vão até as taças). Ofélia: Vida longa ao próximo rei. (Todos brindam e bebem). Claudio: Vamos nos despedir por uma última vez. (Todos voltam para o caixão). (Rainha chora). (Antigo rei levanta do caixão desesperado). Antigo rei: Onde eu estou, e o que está acontecendo? (Todos ignoram a pergunta, e ficam olhando apavorados) Antigo rei: isso não importa tenho pouco tempo, foi ele (aponta para o Claudio), foi ele o responsável pela minha morte. Claudio: Como ousa me acusar de tal feito. Rainha: Estou me sentindo meio tonta. (Rainha cai). Rosencrantz: Alguém ajuda ela. (Rosencrantz cai ao tentar ajudá-la). Claudio: Estou indo te salvar, minha querida. MÚSICA 4 – (som de relâmpago) (Luzes piscam) (Todos caem com som de relâmpagos). (Rei deita novamente). (Luz no púlpito) Marianna: E dessa forma o fantasma vingou sua morte, acabando assim em uma tragédia Dinamarquesa. (Luzes apagam para saída dos alunos) CENA IV – Arcadismo (Luz no centro do palco) MÚSICA 5 - DE NATUREZA (Hevelyn posiciona-se para a declamação) Campo da Paz Longe da confusão, aqui tenho paz Tenho o necessário para ser feliz Ficar nesse campo já me satisfaz Aqui não sinto que a minha vida está por um triz Pois me sinto seguro perto do mar A empolgação me contagia Há tantas coisas para se fazer quando se está perto da natureza O cheiro da mata me causa uma certa euforia Vejo que o azul do mar tem sua profundeza Posso passar horas sem parar de apreciar Daqui eu enxergo de longe o horizonte O suor daqueles que trabalham no campo Quando anoitece se enxerga o céu vasto e brando A luz da lareira iluminou o jantar abundante Ao amanhecer e a trilha percorrer O que era pesadelo se torna sonhos Você corre pelos campos de grama Até ouvir o sino tocar É meia noite agora? O luar consigo enxergar... Enquanto na cidade meu reflexo espelha sobre a lama. Laura Aparecida Santos Batista Hevelyn Leivas (Luz no púlpito) GUILHERME: O Arcadismo foi um movimento literário ocorrido em Portugal e no Brasil durante o século XVIII, também ficou conhecido como neoclassicismo, por retomar os ideais clássicos e grego-latinos dando ênfase em cenários naturais e temas pastoris. No contexto histórico brasileiro, o Arcadismo ocorreu em paralelo a Inconfidência Mineira, movimento separatista colonial da região onde hoje é o estado de Minas Gerais, estava diretamente ligado ao ciclo do ouro e foi influenciado pelo Iluminismo. Como principais características temos: pseudônimos, busca do equilíbrio/razão, valorização da natureza, crítica a vida urbana, pastoralismo, aproveitar o presente. MÚSICA 5 - DE NATUREZA (Após a leitura, começa a explicação sobre o período. Luz focando no narrador.) (Depois da introdução entra a Carolina no lado contrário e vai em direção ao púlpito, fazendo uma breve descrição sobre o ambiente. Uma ambientalização para os espectadores.) (vestida toda de branco e com flores no cabelo) Ouro Preto, pequena cidade no interior de Minas Gerais, campos cercam o pequeno povoado que se formou com a descoberta do ouro na região. Campos estes recobertos por brancas ovelhinhas cor de nuvem que pastam a grama mais verde que o próprio gramado do palácio real, serenas, só aguardando os próximos comandos de seu pastor. No povoado, uma belíssima praça recoberta por flores das mais diversas cores, tão amarelas quanto o Sol; rosas como o tecido do vestido de baile da realeza; vermelhas iguais o batom mais caro que poderia ser importado da Europa; laranjas igualmente a tangerina do melhor pomar da cidade; azuis da mesma forma que o mar da principal colônia portuguesa; roxas como os lábios de uma alemã na época de frio e cercada por árvores de troncos espessos, possuindo um charmoso chafariz em seu centro, é o ponto de encontro do amor à primeira vista da moça Marília com seu amado e experiente Dirceu. (luz abre no palco e entram os dançarinos da música inicial junto com Marília) MÚSICA 6 – Marília e Dirceu (Após a dança, dançarinos saem do palco e ficam apenas Marília e Dirceu. Nessa parte começa a atuação dos atores). Dirceu: O chamado Amor ou Cupido não possui arco, flechas e asas. Ora pois, vou descrever um retrato mais perfeito daquele que já feriu meu peito, sendo assim eu o conheço bem. (Luz foca na Marília.) Amor aquele de cabelos compridos, negros e ondeados, como o mar; junto com o rosto branco igual neve formam uma bela união; sobrancelhas arqueadas; testa lisa e redonda; e os olhos, ah Marília, são como Sóis; dentes delicados como pedaços de marfim; a face mistura purpúreas folhas de rosa e brancas folhas de jasmin. (Luz volta para Dirceu.) Mal olhei o rosto e dei logo um suspiro, sabia que o tal Amor já havia feito estrago em meu coração. Ouvindo este retrato, estás pensando ser seu, Marília minha estrela, sim, meu amor, se existe o tal Cupido ou o tal Amor, só pode ter a tua face, corpo e calor. (Luz foca em Marília.) Marília: Sinto seus olhos sobre mim, amado Dirceu, conheci o mesmo Cupido quando um par de olhos negros pousou sobre minha pele, se ainda não conheces o dono desse par de olhos, por favor me escute. Leva consigo os mais elegantes trajes europeus, com adereço único, um sorriso sereno nos lábios, dentes brancos como as margaridas do campo; cabelos castanhos sedosos que caem sobre os ombros, suas ondas acompanham o vai e vem da maré; os traços do rosto me fazem questionar por onde andou tão belo homem; os mesmos olhos que me apresentaram o tal Cupido carregam uma imensidão no olhar, me transmitem uma calmaria inexplicável e um arrepio diferente em meu corpo. Impossível não perceberes, meu amado, que este retrato és tu, em corpo, alma e olhos castanhos. (Ao final, atores saem e entra a Gabriela para ler o 2º poema) Afinal, o que é felicidade real? Além de tanta revolta É bonita a vida que venho protagonizando Campo infinito que ando Sem caminho de volta. Vejo a vida encantada, Com felicidade e alegria, Minha mente perturbada, Visualiza a ventania. Essa jornada de paixão e perdão Exploro sem destino Melancolia, passageiro clandestino No trem que é a vida. Vejo a vida encantada, Com felicidade e alegria, Minha mente perturbada, Visualiza a ventania. Vida perfeita, sei que não encontrarei Mas escolho ver beleza No mundo e na natureza Acreditando na felicidade de sorrisos reais! Vejo a vida encantada, Com felicidade e alegria, Minha mente perturbada, Visualiza a ventania. Quando menos se espera, a vida voou pra longe Vivo tranquila, sou alguém real Não espero a felicidade ao final Pois me aventurei… e a felicidade no caminho encontrei! Vejo a vida encantada, Com felicidade e alegria, Minha mente perturbada, Visualiza a ventania. Isadora Tillmann Haas Rafaella Pellegrin Rodrigues (As luzes apagam) CENA V – Romantismo Primeira Geração NARRADORA (Carla): Chamo a aluna Isabel Maciel Capela que apresentará a escola literária do Romantismo (Isabel lê a introdução enquanto passa várias nações no telão) (Os índios David e Marina passam caminhando no palco) (No telão paisagens históricas. Com a explicação do principal autor, Gonçalves Dias (Enzo) entra no palco e senta da cadeira, enquanto começa a declamação do poema Canção do Exílio) (Luz no púlpito) ISABEL: Primeira geração romântica no Brasil produziu obras de caráter nacionalista, indianista e histórica. Onde os índios eram idealizados como heróis. O principal representante dessa geração é Gonçalves Dias com sua obra "Canção do exílio" onde demonstra saudades do Brasil. (Luz no centro do palco) (Sentado em meio ao palco com cenário de natureza, com sua caneta de pena enquanto declama-se o poema) (Cenário: árvores no palco, luzes estilo entardecer, telão crepúsculo do entardecer) Canção do Exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores,Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar — sozinho, à noite — Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. (luz apaga) (Marina e Maria se posicionam no centro do palco) (luz no centro do palco) (Maria caminhando entre o cenário encontra Marina que se assusta com sua presença e sai de palco, Maria fica a sua procura em meio às árvores enquanto é declamado o poema) A bela ribeirinha A bela ribeirinha Na noite densa eu caminho Buscando o improvável É então que me aparece A mais bela ribeirinha. Às árvores ela canta e dança Que a acompanham nesse baile A natureza se curva à sua beleza Nesse momento então me apaixonei. Em um momento de descuido, sem querer a assustei E as árvores que cantavam e dançavam Agradeceram à moça de bom grado. Na noite densa eu caminho Buscando agora aquela índia Do cabelo negro esvoaçado. (Árvore no palco, luzes estilo lua iluminando, telão lua cheia refletindo em um lago, e máquina de fumaça estilo lembrança) (Luz apaga) __________________________________ (Uma tela virada sem o público ver (barquinho) em meio ao palco com o cenário de árvores com um tripé, coberta com uma lona, que Maria irá revelar enquanto declama o poema (mostra a tela final e sai)) Amor de perdição Bruxa conceição (Marina) Índio Peri (David ) Conceição e Peri encenam o poema enquanto ele é declamado Amor de perdição Minha ilha formosa Com sua lua charmosa Que espelha-se nas doces águas do Peri Índio apaixonado e destinado ao amor de Conceição O índio e a bruxa lançam a maldição Olhando Peri de cima vê-se o amor que tinha Em formato de coração Demonstrou seu amor por conceição Nesta ilha todos sabiam que as lagoas se veneravam Põe uma doce paixão Separados pela proibição Isabel Maciel Capela (Luz apaga) ______________________________________ (Luz no púlpito) ISABEL: Casimiro de Abreu é um escritor do Romantismo brasileiro. Suas obras apresentam a saudade da terra natal, apreço pela natureza, religiosidade, patriotismo e a nostalgia da infância. Convido Carla Dian e Isabela para declamar o poema Meus oito anos de Casimiro de Abreu. MÚSICA (luz no centro do palco) (Isabela brinca com uma flor e caminha pelo palco, senta da escada do teatro, balança as pernas. Carla termina o poema abraçando a Isabela). Meus oito anos Oh! Que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência! - Respira a alma inocência Como perfumes a flor (...) (Cenário: árvores no palco e flores no palco) (Filha da professora de química brincando com as plantas enquanto é declamado o poema) (Luz apaga) CENA VI – Segunda geração Romantismo (Luz aberta no palco - penumbra) (Era um poeta romântico de segunda geração, pobre e sem motivos para viver até que encontra (nome de interesse romântico), uma mulher que é vista como perfeita para quase todos à sua volta. A história é uma comédia trágica em que (nome do protagonista) tenta conquistar o coração de tal mulher perfeita até que ele descobre que ela é inalcançável, e morre seja suicídio ou talvez simplesmente morrer de desgosto). (A(s) primeira(s) cena(s) são focadas em introduzir ambos os personagens e demonstrar suas diferenças, com (nome do protagonista) sendo miserável e cheio de defeitos e (nome de interesse romântico) sendo representada de forma Angelical e perfeita. O segundo ato será focado no protagonista tentando conquistar o amor de sua vida e falhando miseravelmente. O terceiro ato será sobre a morte do personagem principal quando o mesmo descobre que seu amor seja inalcançável (talvez com a morte do interesse romântico ou com a revelação que ela tenha encontrado uma outra pessoa) ORTIZ: Conhecida como mal do século, o Romantismo de segunda geração é caracterizado pela sua natureza trágica, com amores inalcançáveis, melancolia, subjetivismo e fuga da realidade. (-Entra pp, é apresentado pelo narrador no meio do palco ( ORTIZ: Esse é (nome ppm), um jovem de 20 anos, amante do véu da noite e suas estrelas, das experiências que aquela vida outorgava a quem ousasse experimentar frequentemente este mundo triste e deplorável. (A dama entra, sem olhar para o amante e se posiciona na direita do palco entre os figurantes) ORTIZ: Estimado público aqui presente, está vendo aquela única luz neste fúnebre lugar? Eu sei que estão de olho naquela fina gota de orvalho desde que chegou no recinto. O nome? Não precisam se importar com tal coisa, tal ser angelical não mereceria a perturbação de coisa tão, tão, simplória. Mas eu não culpo vocês, mas também precisam entender, é como se tivessem voado a um mundo distante, e visto a maravilhosa luz de mil sóis, cegados por tal elegância que escolha teriam, a não ser, a escuridão do esquecimento? Parte 2 (Entra o amante, amada e narrador) (Amante começa a “escrever” sobre a amada, com a morte o observando e consolando ele no final do ato). O branco pérola Um colar de pérolas Branco, brilhante, belo Destoava em seus olhos cor de mel, Nem a mais bela joia se compara a teu sorriso O qual me trazia um pedacinho do paraíso De Deus, uma amostra do céu O saber que nunca te terei de novo, A grande dor no peito, A tantos outros sujeitos, viria eu a me apaixonar, Prefiro mil agulhas me perfurar A continuar com esse sentimento Sofreria do pior escárnio por você Da maior humilhação que fosse Da pior dor imaginável Só imploro que não vá Não me deixe nessa banda de corações perdidos. David Ingo Vieira de Souza Parte 3 ORTIZ: Aproveitando o fechamento do bar, a nossa pobre alma tenta num último, porém desesperado ato, conversar com aquela mulher que a muito lhe roubava o sono. (ele puxa ela pelo braço, girando ela). (ele toma uma facada de um figurante) (a morte observa tudo) (os figurantes cobrem ela com um manto preto e se retiram com ela, ficando somente a morte e o amante) (A morte começa a se aproximar devagar do Amante, o amante começa a encarar suavemente a morte, entendendo que ela estava com ele este tempo todo, e começa a conversar com ela, recitando um poema enquanto a morte lhe coloca um manto branco) Delírios De Uma Noite Sem Fim Me sinto cada vez mais ao fundo Desde a dor no coração que me causou Quando irei partir deste mundo? Deixo-o entrar para apenas aceitar O vazio que preenche minha alma Nunca, jamais poderei me livrar De que me serve lutar? Já não quero, nem desejo me salvar Irás algum dia acabar, Com a agonia que continua a falar? Se o amor para mim não existe Não há felicidade que surja Sem imaginar a vez que sorriste Não há alegria que surja O frio que contorna as extremidades A vida se vai, cada vez mais E então só restam as saudades De quando não era tarde demais! Ivana Broering Sencion (luz apaga) CENA VII – Terceira geração Romantismo NARRADOR (Carla): Eu chamo agora a aluna Paula Ferreira Ciello para falar sobre as características da terceira geração do Romantismo. ALUNA: A terceira geração romântica brasileira, também é conhecida como “Geração Condoreira", uma vez que esteve marcada pela liberdade e uma visão mais ampla, características da ave que habita a Cordilheira dos Andes: Condor. A geração em que o amor passa a ganhar uma conotação mais realista e menos idealizada, marcando um período de denúncia social. Chamo a Fernanda para declamar um trecho do poema Navio Negreiro de Castro Alves''. IMAGEM 2 (Entra uma imagem no telão de dois braços acorrentados ou mãos clamando aos céus) (leitura do poema do púlpito) III Desce do espaço imenso, ó águia do oceano! Desce mais ... inda mais...não pode olhar humano Como o teu mergulhar no brigue voador! Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras! É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ... Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror! (Trecho do poema Navio Negreiro – Castro Alves) (Luzes se apagam) (fechar as cortinas do telão) (Luzes abrem no palco) (Entram figurantes de um lado ao outro mexendo no celular, enquanto o grupo entra pela plateia declamando o poema). O ato da inclemência: Intolerância, incomplacência, intransigência, falta de benevolência, daqueles que A resiliência, a persistência, a insistência, permanece em reticências; A insurgência da nova década. A nova e mais silenciosa guerra, que cancela, esfacela, cega, segrega, desagrega... A grande cela que perdura fora de nossas terras, e dentro de nossas telas. A comoção publicada pelos corações mais odiosos, revoltosos, criminosos, impetuosos... A falta de identidade que perdura em anonimato. Até o Grandioso já foi apagado. (Figurantes caem). VÍDEO - (luzes apagam) CENA VIII – Modernismo (Fernando Pessoa e heterônimos) FINAL PRONTO – Poema “Sonhar’’ NARRADOR (Felipe): Bráulio Bessa Uchoa é um poeta e cordelista da atualidade, nasceu em 23 de julho em 1985 na cidade de Alto Santo, Ceará. NARRADOR (Gabriel): Sonhar é verbo, é seguir, é pensar, é inspirar, é fazer força, insistir, é lutar, é transpirar. São mil verbos que vêm antes do verbo realizar. NARRADOR (Thiago H.): Sonhar é ser sempre meio, é ser meio indeciso, meio chato, meio bobo, é ser meio improviso, meio certo, meio errado, é ter só meio juízo. NARRADOR (Igor): Sonhar é ser meio doido é ser meio trapaceiro, trapaceando o real pra ser meio verdadeiro. Na vida, bom é ser meio, não tem graça ser inteiro. NARRADOR (Pedro H.): O inteiro é o completo, não carece acrescentar, é sem graça, é insosso, é não ter por que lutar. Quem é meio é quase inteiro e o quase nos faz sonhar. NARRADOR (Guilherme): O quase é estar tão perto, é quase encostar a mão, todo quase é quase lá, todo lá é direção, é a vida quase dizendo e você quase entendendo, basta ver com o coração. NARRADOR (Felipe): É amigo e inimigo… quase agi, quase tentei, quase achei que era possível, quase ouvi, quase falei e, claro, o principal quase que é o quase acreditei. NARRADOR (Igor): Acredite que sonhar também é compreender que nem sempre o que se sonha é o melhor pra você e que não realizar nem sempre será sofrer. NARRADOR (Gabriel): Sonhe sempre e seja grato pelo sonho que já tem, repare cada detalhe das coisas que fazem bem, o pouco que hoje é seu é o muito pra alguém. NARRADOR (Thiago H.): Ter um chão para pisar, um sol pra lhe dar calor, ter o ar pra respirar, ter saúde, ter amor, ter tudo isso já faz de você realizador. NARRADOR (Guilherme): Seja sempre inquieto e vez por outra paciente. Parece contraditório, soa meio diferente, às vezes pisar no freio também é andar pra frente. NARRADOR (Gabriel): A vida não é tão simples, NARRADOR (Thiago H.): viver não é só sorrir, NARRADOR (Igor): a lagarta que rasteja NARRADOR (Pedro): rasteja pra evoluir, NARRADOR (Guilherme): se transforma em borboleta, NARRADOR (Felipe): depois voa por aí… (Todos os alunos entram no palco com punhados de papéis picados na mão e assoprarão) (Luzes piscam e no telão aparece a imagem da capa do livro SOPROS DA IMAGINAÇÃO)