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Prévia do material em texto

Atendimento Educacional de 
Alunos com Altas Habilidades / 
Superdotação
Professora Me. Fabiane Fantacholi Guimarães
Reitor 
Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
Diretor de Ensino
Prof. Ms. Daniel de Lima
Diretor Financeiro
Prof. Eduardo Luiz
Campano Santini
Diretor Administrativo
Prof. Ms. Renato Valença Correia
Secretário Acadêmico
Tiago Pereira da Silva
Coord. de Ensino, Pesquisa e
Extensão - CONPEX
Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza
Coordenação Adjunta de Ensino
Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman 
de Araújo
Coordenação Adjunta de Pesquisa
Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme
Coordenação Adjunta de Extensão
Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves
Coordenador NEAD - Núcleo de 
Educação à Distância
Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
Web Designer
Thiago Azenha
Revisão Textual
Beatriz Longen Rohling
Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
Kauê Berto
Projeto Gráfico, Design e
Diagramação
André Dudatt
2021 by Editora Edufatecie
Copyright do Texto C 2021 Os autores
Copyright C Edição 2021 Editora Edufatecie
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade 
exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permi-
tidoo download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem 
a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP 
G963a Guimarães, Fabiane Fantacholi 
 Atendimento educacional de alunos com altas habilidades: 
 superdotação / Fabiane Fantacholi Guimarães. Paranavaí: 
 EduFatecie, 2021. 
 
 104 p.: il. Color. 
 
 
 
1. Superdotados - Educação. 2. Educação especial. 
I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. 
III Título. 
 
CDD: 23 ed. 371.95 
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 
UNIFATECIE Unidade 1 
Rua Getúlio Vargas, 333
Centro, Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 2 
Rua Cândido Bertier 
Fortes, 2178, Centro, 
Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 3 
Rodovia BR - 376, KM 
102, nº 1000 - Chácara 
Jaraguá , Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
www.unifatecie.edu.br/site
As imagens utilizadas neste
livro foram obtidas a partir 
do site Shutterstock.
AUTORA
Fabiane Fantacholi Guimarães
● Mestre em Metodologias para o Ensino de Linguagens e suas Tecnologias
 (Universidade Pitágoras Unopar).
● Licenciatura e Bacharel em Pedagogia (CESUMAR).
● Especialista em Psicopedagogia Institucional (Faculdade Maringá)
● Especialista em Educação Especial (Faculdade de Tecnologia América do Sul)
● Especialista em EAD e as Novas Tecnologias Educacionais (UniCESUMAR).
● Especialista em Docência no Ensino Superior (UniCESUMAR).
● Especialista em Tecnologias Aplicadas no Ensino A Distância (UniFCV).
● Professora orientadora de trabalho de conclusão de curso da Pós-Graduação
 (UniFCV).
● Professora conteudista na área da Educação (UniFCV/UniFATECIE).
● Professora de disciplinas de Pós-Graduação na área da Educação (UniFEV).
● Coordenadora de cursos EAD de Pós-Graduação na área da Educação 
 (UniFCV).
● Supervisora de Cursos EAD de Graduação na área da Educação (UniFCV).
● Psicopedagoga do Núcleo de Atendimento Escolar (NEA).
● Experiência na Educação Básica há 9 anos.
● Experiência no Ensino Superior (presencial e a distância) desde 2012 até os 
dias atuais.
Acesse meu currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/7315666246327967 
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Olá, caro(a) acadêmico(a)! 
Seja bem-vindo(a) à disciplina de ATENDIMENTO EDUCACIONAL DE ALUNOS 
COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO, para o curso de Licenciatura em Educação 
Especial. Você já venceu algumas etapas de seu curso e chegou até aqui, meus parabéns! 
Os objetivos de aprendizagem da disciplina são: 
● Contextualizar historicamente inteligência.
● Conceituar altas habilidades/superdotação.
● Conhecer a classificação adotada pela literatura pertinente que caracteriza o 
aluno com AH/SD. 
● Estabelecer a importância da legislação direcionada ao atendimento das altas 
habilidades/superdotação no Brasil.
● Estudar as premissas básicas do currículo escolar.
● Analisar o currículo escolar pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
● Estudar as adequações de acesso ao currículo para a escola inclusiva. 
● Abordar as caracterização gerais dos alunos com Altas Habilidades/
 Superdotação (AH/SD).
● Compreender os tipos de especificidades das pessoas com Altas Habilidades/
Superdotação (AH/SD).
● Estudar as formas de atendimento educacional e a importância do 
 enriquecimento curricular.
● Abordar aspecto pessoal e social da pessoa com Altas Habilidades/
 Superdotação (AH/SD).
● Tratar o desenvolvimento de habilidades básicas da criatividade.
● Discutir o desenvolvimento cognitivo e emocional da pessoa com Altas 
 Habilidades/Superdotação (AH/SD).
Para compor este material, organizamos uma introdução, seguida de quatro unida-
des criteriosamente analisadas, selecionadas para dar sustentação à presente discussão, 
conclusão, referências, leituras complementares, indicações de livros, filmes, entre outros. 
● Unidade I, intitulada “Altas Habilidades/superdotação, com os subtópicos: his-
tórico, classificação e legislação”, com os subtópicos: Inteligência: o contexto 
histórico; Conceituando e classificando altas habilidades/superdotação; Legis-
lação direcionada ao atendimento das altas habilidades/superdotação no Brasil.
● Unidade II, intitulada “Adequações Curriculares’’, com os subtópicos: Premissas 
básicas do currículo escolar; Currículo escolar; Adequações de acesso ao currículo.
● Unidade III, intitulada “Altas Habilidades/Superdotação: caracterização, atendi-
mento educacional e enriquecimento curricular”, com os subtópicos: Caracteri-
zação geral dos alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD); Especifi-
cidades das pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD); Formas de 
atendimento educacional e enriquecimento curricular.
● Unidade IV, intitulada “Altas/Habilidades/Superdotação: promovendo poten-
cialidades, com os subtópicos: Aspecto pessoal e social da pessoa com Altas 
Habilidades/Superdotação (AH/SD); Desenvolvimento de habilidades básicas 
da criatividade; Desenvolvimento cognitivo e emocional da pessoa com Altas 
Habilidades/Superdotação (AH/SD).
Lembre-se, caro(a) estudante, que o texto apresentado não irá esgotar todas as 
possibilidades de pensar e refletir acerca das temáticas abordadas ao longo da disciplina, 
mas irá iniciar momentos importantes e oportunos para a compreensão das análises reali-
zadas acerca das temáticas propostas. 
Pensamos que, para além do texto em si, você, estudante, poderá explorar as 
sugestões de leitura sobre atendimento educacional de alunos com AH/SD. 
Bom estudo! Sucesso!
 Professora Mestre Fabiane Fantacholi Guimarães
SUMÁRIO
UNIDADE I ...................................................................................................... 4
Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e 
Legislação
UNIDADE II ................................................................................................... 26
Adequações Curriculares
UNIDADE III .................................................................................................. 51
Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento 
Educacional e Enriquecimento Curricular
UNIDADE IV .................................................................................................. 77
Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
4
Plano de Estudo:
● Inteligência: o contexto histórico.
● Conceituando e classificando altas habilidades/superdotação
● Legislação direcionada ao atendimento das altas habilidades/superdotação no Brasil.
Objetivos da Aprendizagem:● Contextualizar historicamente inteligência.
● Conceituar altas habilidades/superdotação e conhecer a classificação adotada pela 
literatura pertinente que caracteriza o aluno com AH/SD. 
● Estabelecer a importância da legislação direcionada ao atendimento 
das altas habilidades/superdotação no Brasil. 
UNIDADE I
Altas Habilidades / Superdotação: 
Histórico, Classificação e Legislação
Professora Me. Fabiane Fantacholi Guimarães
5UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
INTRODUÇÃO
Caro(a) acadêmico(a).
Seja bem-vindo(a) a Unidade I, intitulada “ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTA-
ÇÃO: HISTÓRICO, CLASSIFICAÇÃO E LEGISLAÇÃO”, da disciplina de Atendimento 
Educacional de Aluno com Altas Habilidades/Superdotação do Curso de Graduação em 
Educação Especial. 
Elaborar esta primeira unidade foi de extrema importância para a reflexão sobre al-
tas habilidades/superdotação (AH/SD), pois foi possível apresentar seus conceitos, contex-
tualizando historicamente inteligência e tratando de suas principais formas de classificação, 
bem como a evolução da legislação ao longo dos tempos no Brasil. 
Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema 
de nossa primeira unidade.
Boa leitura!
6UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
1. INTELIGÊNCIA: O CONTEXTO HISTÓRICO
Refletir sobre a inteligência humana é um assunto complexo, haja visto que a ca-
pacidade de compreender as ideias, adaptar-se ao meio ambiente e ao pensamento lógico 
difere-se entre os sujeitos. É válido salientar que o desempenho intelectual de um indivíduo 
também varia conforme a ocasião e os diferentes domínios e critérios. (FARIAS, 2020). 
Após esse preâmbulo, cabe ressaltar que inteligência é um vocábulo derivado do 
latim intelligentia, segundo o mini dicionário da língua portuguesa (FERREIRA, 2010, p. 432) 
significa: “1. Faculdade ou capacidade de aprender, compreender ou adaptar-se facilmente; 
intelecto, intelectualidade. 2. Destreza mental; agudeza, perspicácia. 3. Pessoa inteligente.”. 
Nessa perspectiva, “[...] a palavra inteligência nos remete ao conhecimento, à 
compreensão e ao entendimento, ou seja, indica a capacidade do sujeito de interligar as 
ideias que nem sempre estão explicitamente relacionadas”. (FARIAS, 2020, p. 17).
Caro(a) estudante para darmos continuidade ao nosso tópico retomaremos as prin-
cipais influências filosóficas, sendo elas do período grego, Império Romano, Idade Média e 
período do Renascimento sobre as questões relacionadas à mente e ao corpo, das quais 
deveria o interesse pela inteligência.
Os gregos foram um dos povos mais evoluídos de sua época. Foi um momento 
histórico em que ciências como a física, a geometria, a arquitetura e a agricultura evoluíram 
e permitiram ao homem deixar de se preocupar apenas com sua subsistência e passar a 
se ocupar com as “coisas do espírito”, como a filosofia e a arte (BOCK et. al.,1999 apud 
ROCHA, 2020). Assim, é neste período que encontram-se as primeiras tentativas de siste-
matizar o pensamento sobre o espírito humano ou sua interioridade.
7UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
Sócrates foi o primeiro filósofo que trouxe ideias mais consistentes sobre o mundo psi-
cológico, preocupando-se com o limite que separa o homem dos animais. Para o filósofo, razão 
seria a capacidade que permite ao ser humano sobrepor-se aos seus instintos, que seria a base 
da irracionalidade. Estas questões abrem espaço para debates acerca da consciência. Outro 
filósofo que trouxe contribuições importantes foi Platão, no qual procurou definir um “lugar” para 
a razão em nosso próprio corpo e concluiu que é na cabeça onde se encontra a alma/mente. 
Para o filósofo, a inteligência é a mais alta virtude da alma, portanto, ele adota uma concepção 
mais próxima do que entendemos hoje por sabedoria. (ROCHA, 2020).
Aristóteles, discípulo de Platão, adota a concepção de que corpo e alma são in-
dissociáveis, em que a alma era o princípio ativo da vida, presente em todos os vegetais, 
animais e seres humanos. Assim, os vegetais seriam dotados de uma alma vegetativa, cuja 
função é alimentação e reprodução. Já nos animais, a alma seria sensitiva, com a função 
de percepção e movimentação. E o ser humano seria compreendido com os dois níveis an-
teriores mais a alma racional, cuja principal função é o pensar, relacionado a característica 
de inteligência. (ROCHA, 2020).
No período seguinte, a Idade Média, fortemente marcado pelo cristianismo e pela 
dominação da Igreja, inteligência e racionalidade foram ligadas ao conhecimento religioso. 
Santo Agostinho e São Tomás de Aquino destacam-se neste período. Santo Agostinho, 
inspirado em Platão, acreditava que a alma (mente) não era apenas a sede da razão ou 
pensamento, mas a manifestação divina no homem. Assim, este foi um tema que despertou 
o interesse da Igreja, que passou a se preocupar com sua compreensão. São Tomás de 
Aquino viveu em um momento histórico diferente, de transição, quando os conhecimentos 
produzidos pela Igreja passaram a ser questionados. No entanto, o conhecimento científico 
não apresentou grandes avanços, e, em linhas gerais, os filósofos do período perceberam a 
inteligência como o julgamento das qualidades e virtudes de uma pessoa, ou seja, a pessoa 
inteligência seria aquela capaz de usar suas habilidades para tornar-se melhor, buscando o 
conhecimento e a verdade, características estas muito relacionadas aos valores e princípios 
do cristianismo. (ROCHA, 2020).
Foi no período do Renascimento, com as ideias de René Descartes (racionalismo), 
John Locke (empirismo) e Immanuel Kant (criticismo), que um avanço no conhecimento 
científico de fato aconteceu. Com a concepção de que o ser humano é composto de uma 
substância material, e também uma substância pensante, e, portanto, que o corpo despro-
vido do espírito é apenas uma máquina, avanços na anatomia foram possíveis. (BOCK et. 
al.,1999, apud ROCHA, 2020). 
8UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
Até então, pensamento e inteligência eram considerados inatos, concepção que 
apenas mudou após as ideias de Locke. Segundo o filósofo, a mente relaciona-se a uma 
tábula rasa, na qual as experiências do indivíduo ao longo da vida seriam responsáveis pela 
construção de seu conhecimento. A partir disso, então, houve maior enfoque nas categorias 
mentais que possibilitam o entendimento sobre a realidade, e uma nova forma de enten-
der os aspectos cognitivos surgiu, referindo-se à mente humana como um criador ativo 
de experiências, e não apenas um construto passivo dos sentidos. Assim, tal concepção 
despertou o interesse da comunidade científica, afinal, identificar e desenvolver o potencial 
intelectual possibilita avanços na área. (ROCHA, 2020). 
Até o século XIX, no quadro do domínio da escola filosófica empirista e associacio-
nista, “[...] à inteligência é atribuído o carácter de associação de ideias simples provenientes 
da experiência, e as diferenças que se observam na inteligência, como noutras faculdades 
humanas, são decorrentes do exercício ou da prática [...]. (AFONSO, 2007, p. 18).
A partir do século XIX, houve um aumento no interesse de desvendar os mistérios 
da inteligência humana e os precursores das teorias que surgiram sobre esse aspecto fo-
ram Herbert Spencer (1820-1903) e Francis Galton (1822-1911). O segundo defendia que 
a inteligência consistia no reflexo de habilidades sensoriais e perspectivas, as quais eram 
geneticamente transmitidas. O crédito por tal hipótese também deve ser atribuído a Raymond 
Bernard Cattell (1905-1998), que enfatizava que os testes baseados em habilidades simples 
eram importantes instrumentos para avaliar o desempenho acadêmico. (FARIAS, 2020).
No entanto, foi somente no século XX que surgiram as primeiras pesquisas signi-
ficativas sobre a inteligênciahumana, as quais foram realizadas em 1904 por Alfred Binet 
(1857-1911), pesquisador francês que tentou mensurar a inteligência como o Quociente 
Intelectual (QI) - (Caro(a) acadêmico(a) os testes de QI tinham como finalidade responder 
a indagações sobre sucesso ou fracasso escolar de crianças e funcionavam como um 
mensurador de atributos vinculados à inteligência.) -, por meio de testes que buscavam 
tecer relações entre a idade cronológica e a idade mental. (FARIAS, 2020). 
Com relação aos testes de inteligência, é necessário salientar que alguns utilizam 
apenas um único item ou pergunta, como o Peabody Picture Vocabulary Test (PPVT) - uma 
medida de inteligência verbal das crianças - que, no Brasil, ficou conhecido como Teste de 
Vocabulário por Imagens Peabody (TVIP), Raven’s progressive matrices (matrizes progres-
sivas de Raven) ou Escala Geral, como também é conhecida no Brasil - um teste não verbal 
que requer raciocínio indutivo sobre padrões perceptivos; e outros incluem vários tipos 
diferentes de itens, tanto verbais quanto não verbais, como o Wechsler e o Stanford-Binet. 
(FARIAS, 2020).
9UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
Apesar de terem exercido importante papel nos estudos iniciais da inteligência 
a partir do final do século XX, esses instrumentos psicométricos têm sido criticados por 
alguns pesquisadores que os consideram algo estanque desde o nascimento. Dentre os 
autores que contrapõem essa visão determinista, destacamos Jean Piaget (1896 - 1980), 
que afirma o seguinte:
A inteligência não é inata, depende da riqueza de estímulos presentes no 
meio físico, social e cultural no qual a criança vive. O conhecimento e a inte-
ligência são progressivamente aprendidos por meio do relacionamento que 
o ser humano constrói comparativamente a outras ideias e conhecimentos já 
adquiridos. (PIAGET, 1975, p. 273). 
Alencar e Fleith (2001, p. 52-53) também alertam sobre o uso dos testes de inteligência:
Sabemos que tradicionalmente os testes de inteligência não medem algumas 
operações presentes no pensamento criativo, e assim um indivíduo pode 
passar despercebido pelos testes de inteligência, apesar de ter um potencial 
criativo superior. O mesmo ocorre com diversos tipos de habilidades, que 
podem passar despercebidas se forem considerados apenas resultados em 
testes de inteligência. 
Para as autoras supracitadas não se admite mais no meio científico atribuir valor à 
inteligência como se ela fosse algo estático no tempo e no espaço, pois, conforme menciona 
Gottfredson (1997, apud FARIAS, 2020, p. 23):
Inteligência é uma capacidade mental muito geral que, entre outras coisas, en-
volve a capacidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de ma-
neira abstrata, compreender ideias complexas, aprender rapidamente e apren-
der com a experiência. Isso não é meramente um aprendizado pelos livros, 
uma habilidade acadêmica restrita ou uma execução de testes de inteligência. 
Pelo contrário, ela reflete uma capacidade mais ampla e profunda, que auxilia 
na compreensão de nosso entorno e no planejamento de nossas vidas. 
É importante frisar que vários outros estudiosos têm postulado suas teorias a 
respeito da inteligência, dentro os quais Joy Paul Guilford (1897-1987), para quem a inte-
ligência compreende 150 fatores, e Howard Gardner (1943- até dias atuais), o idealizador 
das inteligências múltiplas. Gardner (1995, apud FARIAS, 2020, p. 24) “identifica sete tipos 
de inteligência independentes entre si, isto é, que operam em blocos separados no cérebro 
como suas próprias regras”, sendo elas: “1) lógico-matemática, 2) linguística, 3) músical, 4) 
espacial, 5) corporal-cinestésica, 6) intrapessoal e 7) interpessoal”. 
Caro(a) estudante, como vimos o estudo da inteligência passou por importante am-
pliação da sua significação ao longo da história. Se inicialmente sua concepção era psico-
métrica e unidimensional, atualmente essa visão tornou-se multidimensional. (SAKAGUTI, 
2020).Mesmo assim, e apesar de contestada, a aplicação de testes de inteligência ainda é 
utilizada e considerada para identificar o sujeito com altas habilidades/superdotação.
10UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
Atenção! Caro(a) estudante, a testagem mental é extremamente prejudicial ao pro-
cesso, pois impede ou dificulta identificar e, consequentemente, valorizar o indivíduo que 
possui capacidades especiais em outras instâncias que não a acadêmica, como citamos 
anteriormente. 
SAIBA MAIS
Caro(a) acadêmico(a) você sabia que a Teoria das Inteligências Múltiplas tornou-se uma 
alternativa para redefinir a inteligência como uma capacidade inata de origem biológica 
que desenvolve habilidades para resolver problemas ou para elaborar produtos que são 
valorizados em um ou mais ambientes culturais ou comunitários. Para saber mais sobre 
a Teoria das Inteligências Múltiplas, indicamos a leitura da tese de doutorado em educa-
ção especial de Danitiele Maria Calazans Marques de 2017. 
Boa leitura!
Fonte: MARQUES, D. M. C. Aluno com Altas Habilidades/Superdotação: um estudo longitudinal a partir 
da Teoria das Inteligências Múltiplas. Tese (doutorado em educação especial). Universidade Federal de 
São Carlos, São Carlos, 2017. Disponível em https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/10162/
MARQUES_Danitiele_2018.pdf?sequence=6&isAllowed=y Acesso em maio de 2021. 
11UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
2. CONCEITUANDO E CLASSIFICANDO ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO
Altas habilidades/superdotação (AH/SD) é um tema estudado por diversas áreas 
do conhecimento, que o abordam sob suas perspectivas. Simonetti (2007, p.1), explica 
que enquanto “a neurobiologia valoriza os mecanismos cerebrais, a psicopedagogia social 
busca fatores psicológicos, educacionais e sociológicos que possam determiná-las e a 
genética ressalta o papel dos gens”.
Não há um conceito unificado para definir AH/SD, entretanto, é possível observar 
que, em alguns deles, destacam-se os aspectos intelectuais, em outros, os emocionais, 
mas em quase todos estão implícitos os termos inteligência, desempenho e potencialidade 
elevada. (FARIAS, 2020). 
As Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional aos Alunos Portadores de 
Altas Habilidades/Superdotação e Talentos, documento veiculado pela Secretaria de Edu-
cação Especial (SEESP) do Ministério da Educação, preconiza que “Altas Habilidades” 
referem-se aos comportamentos observados e/ou relatados que confirmam a expressão 
de ‘traços consistentemente superiores’ em relação a uma média (por exemplo: idade, 
produção, ou série escolar) em qualquer campo do saber ou do fazer”. (BRASIL, 1995, 
p. 13, grifo do original). Aqui caro(a) estudante, deve-se entender por “traços” as formas 
consistentes, ou seja, aquelas que permanecem com frequência e duração no repertório 
dos comportamentos da pessoa, de forma a poderem ser registradas em épocas diferentes 
e situações semelhantes. (BRASIL, 1995, p. 13, grifo do original). 
12UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
Isso mesmo caro(a) acadêmico(a), esse documento ainda adota o termo portador 
de necessidades especiais, o qual está em desuso desde 2007, em razão das discussões 
a respeito da inclusão educacional, o que culminou com a publicação da Política Nacional 
de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, em 2008 (BRASIL, 2008).
O Censo Escolar/Inep (apud BRASIL, 2015, p. 47) define estudantes com altas 
habilidades/superdotação como
[...] aqueles que demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguin-
tes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psico-
motricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na 
aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse.
Para Simonetti (2007, p. 1-2),“Superdotação é um conceito que serve para expres-
sar alto nível de inteligência e indica desenvolvimento acelerado das funções cerebrais [...] 
o talento indica destrezas mais específicas”.
Os aspectos emocionais são evidenciados no conceito atribuído por Silverman 
(apud VIRGOLIM, 2003, p. 16, grifo do original), para quem superdotação
[...] é um desenvolvimento assincrônico no qual habilidades cognitivas avan-
çadas e grande intensidade combinam para criar experiências internas e 
consciência que são qualitativamente diferentes da norma. Essa assincronia 
aumenta com a capacidade intelectual. A unicidade do superdotado os torna 
particularmente vulneráveis, e são necessárias modificações na educação 
parental, no ensino e no aconselhamento psicológico, a fim de que possam 
alcançar um desenvolvimento ótimo.
Assincronia não é sinônimo de precocidade, mas sim uma diferença existente na 
experiência interna e na consciência dos sujeitos, ou seja, ter um desenvolvimento desigual 
da idade mental com relação à idade cronológica, o que pode se dar tanto interna quanto 
externamente. (VIRGOLIM, 2019).
Segundo Villarraga, Martínez e Benavides (2004 apud FARIAS, 2020, p. 26), na 
literatura pertinente há mais de 100 definições para superdotação, as quais estão classifi-
cadas em quatro grupos não excludentes entre si, sendo eles: “1) genético e 2) cognitivo 
(construtos psicológicos); 3) interacionista (realização); e 4) meio ambiente (sistêmicos)”.
Sob a ótica inatista, a inteligência é geneticamente determinada e, nesse sentido, 
é considerada estável. No aspecto cognitivo, no qual as informações são processadas, os 
conceitos se referem aos processos da memória, do pensamento e de outras habilidades. 
(FARIAS, 2020). 
Na perspectiva interacionista, são os fatores genéticos que determinam as forças 
potenciais do sujeito e podem aparecer desde a tenra idade em que as aptidões, as habi-
lidades e as inteligências surgem como resultado das experiências, das motivações e da 
maneira individual como cada um aprende (FELDHUSEN, 1992). 
13UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
Já a perspectiva sistêmica é relacionada ao meio ambiente, ou seja, está centrada 
nos aspectos socioculturais e psicossociais, nos quais o desenvolvimento do talento de-
pende dos fatores “políticos, do período histórico e de uma atitude geral positiva frente ao 
superdotado” Villarraga; Martínez; Benavides (2004, apud FARIAS, 2020, p. 27).
Landau (2002) complementa que, na abordagem interativa, o meio tem o papel 
de estimular as habilidades internas, como a criatividade, a inteligência os talentos que 
fortalecem o eu do superdotado, pois apenas “[...] com a interação entre um ambiente que 
promova desafios emocionais e intelectuais e as capacidades da criança, a atualização da 
superdotação será real”. (LANDAU, 2002, p. 43).
De acordo com Mettrau e Reis (2007, p. 493), no campo educacional, o conceito 
de AH/SD perpassa por “uma definição conceitual associada a uma visão conservadora 
que inclui apenas áreas acadêmicas em detrimento de outras áreas, como música, artes, 
liderança, expressão criativa e relacionamento interpessoal”. 
Agora caro(a) estudante agora que já conhecemos os conceito de altas habilidades/
superdotação, que tal conhecermos a classificação adotada pela literatura pertinente que 
caracteriza o aluno com AH/SD? 
A Política Nacional de Educação Especial (BRASIL, 1994) reconhece como aluno 
com AH/SD aquele que apresenta considerável desempenho e elevada potencialidade em 
qualquer dos seguintes aspectos isolados ou combinados: 
FIGURA 1 - ASPECTOS ISOLADOS OU COMBINADOS 
DE ALUNOS COM AH/SD RECONHECIDO PELO BRASIL.
Fonte: Elaborado com base Brasil (1994, p. 13).
Mettrau e Reis (2007, p. 492) mencionam que seis dos tipos citados de AH/SD do 
documento oficial mencionado acima são reconhecidos pela literatura internacional, sendo eles: 
14UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
FIGURA 2 - ASPECTOS ISOLADOS OU COMBINADOS DE ALUNOS COM AH/SD 
RECONHECIDO NA LITERATURA INTERNACIONAL.
Fonte: Elaborado pela autora com base em Mettrau e Reis (2007, p. 492).
Tipo Intelectual – apresenta flexibilidade e fluência de pensamento; capacidade de 
pensamento abstrato para fazer associações; produção ideativa; rapidez do pensamento; 
julgamento crítico; independência de pensamento; compreensão e memória elevadas; e 
capacidade de resolver e lidar com problemas. 
Tipo Acadêmico – evidencia aptidão acadêmica específica, de atenção, de con-
centração, de rapidez de aprendizagem; boa memória; gosto e motivação pelas disciplinas 
acadêmicas de seu interesse; habilidade para avaliar, sintetizar e organizar o conhecimento; 
e capacidade de produção acadêmica. 
Tipo Criativo – relaciona-se às seguintes características: originalidade; imagina-
ção; capacidade para resolver problemas de forma diferente e inovadora; sensibilidade 
para as situações ambientais, podendo reagir e produzir diferentemente e até de modo 
extravagante; sentimento de desafio diante da desordem dos fatos; e facilidade de auto-ex-
pressão, fluência e flexibilidade. 
Tipo Social – revela capacidade de liderança e caracteriza-se por demonstrar sen-
sibilidade interpessoal; atitude cooperativa; sociabilidade expressiva; habilidade de trato 
com pessoas diversas e grupos para estabelecer relações sociais; percepção acurada das 
situações de grupo; capacidade para resolver situações sociais complexas; e alto poder de 
persuasão e de influência no grupo. 
15UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
Tipo Talento Especial – pode-se destacar tanto na área das artes plásticas e 
musicais como dramáticas, literárias ou técnicas, evidenciando habilidades especiais para 
essas atividades e alto desempenho. 
Tipo Psicomotor – destaca-se por apresentar habilidade e interesse pelas ativida-
des psicomotoras, evidenciando desempenho fora do comum em velocidade; agilidade de 
movimentos; força; resistência; controle; e coordenação motora.
Outra concepção comumente aceita é a proposta por Renzulli (1986 apud FARIAS, 
2020), denominada Modelo dos Três Anéis, segundo o autor, o comportamento do sujeito 
com AH/SD consiste na interação de três grupamento de traços:
FIGURA 3 - MODELO DOS TRÊS ANÉIS
Fonte: Elaborado pela autora com base Renzulli (1986 apud FARIAS, 2020).
Esse modelo, inclusive, embasa a definição que o Ministério de Educação (MEC) 
adotou nas Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional aos portadores de AH/SD e 
talentos. (BRASIL, 1995). 
De acordo com Renzulli (apud RODRIGUES, 2011, p. 162),
O comportamento superdotado consiste nos comportamentos que refletem 
uma interação entre os três grupamentos básicos dos traços humanos - sen-
do esses agrupamentos habilidades gerais ou específicas acima da média, 
elevados níveis de comprometimento com a tarefa e elevados níveis de cria-
tividade. As crianças superdotadas e talentosas são aquelas que possuem 
ou são capazes de desenvolver estes conjuntos de traços e que os aplicam a 
qualquer área potencialmente valiosa do desempenho humano. 
16UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
O desenvolvimento do aluno com AH/SD não é diferente dos demais que têm a 
mesma idade, entretanto, algumas características são mais comuns a esse grupo, pois, 
como menciona Guenther (2000, p. 44), ao falar em “crianças bem-dotadas e talentosas” 
não estamos falando em grupo único, parecido, homogêneo e facilmente reconhecível em 
qualquer situação. 
Ao contrário, como todas as pessoas que existem, cada criança traz em si 
uma combinação essencial e substancialmente única de traços, caracterís-
ticas e atributos, oriundos não somente de sua própria constituição e plano 
genético, como também derivados e absorvidos de muitas fontes de influên-
cia presentes no ambiente a que é exposta, dentro dos váriosgrupos a que 
pertence. (GUENTHER, 2000, p. 44). 
Diante do exposto, caro(a) estudante, é possível perceber que, além dos genéti-
cos, outros tantos determinam as características dos sujeitos com AH/SD, entretanto, é 
importante conhecê-los e/ou identificá-los, a fim, de estabelecer indicadores que auxiliem 
na construção da identidade dessas pessoas e dissipar os mitos e as crenças que existem 
ao redor delas. 
CURIOSIDADE
Muitas das dificuldades enfrentadas por crianças com altas habilidades/superdotação 
têm suas origens nos mitos e crenças populares. Eles são fortes empecilhos para for-
mação de uma identidade própria e, muitas vezes, contribuem para uma representação 
negativa ou, pelo menos, distorcida destas pessoas.
Entre eles podemos citar:
crianças com altas habilidades são o fruto de pais organizadores, que conduzem e re-
gram suas vidas;
 autossuficientes;
são egoístas e solitárias;
existem mais homens do que mulheres com altas habilidades
Fonte: (PANCHINIACK, 2011, p. 27). 
17UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
3. LEGISLAÇÃO DIRECIONADA AO ATENDIMENTO DAS ALTAS HABILIDADES/ 
 SUPERDOTAÇÃO NO BRASIL
No que concerne à educação, é possível afirmar que os direitos dos sujeitos com 
altas habilidades/superdotação (AH/SD) estão explicitados na Constituição Federal de 
1988, a qual dispões que:
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será 
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988).
Nesse sentido, é possível entender que todas as pessoas têm direito à educação, 
independentemente de suas características.
Mediante a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) – Lei 
n. 4.024, de 20 de dezembro de 1961 (BRASIL, 1961) -, a área de AH/SD teve seus direitos 
garantidos, os quais foram reafirmados nas LDBs subsequentes: Lei n. 5.692, de 11 de 
agosto de 1971; e Lei n. 9.394, de 10 de dezembro de 1996. (BRASIL, 1971, 1996).
Os autores Sant’Ana, Stadler, Deliberalli e Vestena (2015, p. 37.418) esclarecem que:
É apenas com a promulgação da Lei 5.692/1971, que definiu quais Necessi-
dades Educacionais Especiais deviam ser atendidas por essa modalidade de 
Educação, que aparecem as primeiras preocupações por parte do Estado em 
relação às Altas Habilidades/Superdotação, por influência de estudos tais como 
de Binnet, Sternberg, Thorndike e de estudos de cognitivistas como Piaget.
18UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
Os anos de 1970 três Pareceres do Conselho Nacional de Educação referir-se-ão 
também ao atendimento educacional dos superdotados. Aqui caro(a) estudantes estes 
documentos foram citados no capítulo II - Fundamentos Legais, do Documento Diretrizes 
gerais para o atendimento educacional aos alunos portadores de altas habilidades: super-
dotação e talentos. (1995, p. 9 - 11).
● O Parecer CFE n. 255, de 9 de março de 1972 (Documenta 136, março 1972): 
destaca que o progresso do estudante deve atender a ritmo próprio de aprendiza-
gem e a diversos interesses e aptidões. A frequência deverá ser “dispensável ante 
a evidência de aproveitamento excepcional”. Reconhece “alunos que revelam 
especial talento”, bem como defende a não existência de barreiras entre séries, 
ou seja, ano letivo independente de ano civil para que o progresso do estudante 
superdotado possa ser mais veloz, eliminando qualquer perda de tempo; 
● O Parecer CFE n. 436, de 9 de maio de 1972 (Documenta 138, maio 1972): 
admite matrícula condicional de aluno superdotado em curso superior, com prazo 
de até dois anos para apresentação de prova conclusão do ensino de segundo 
grau, desde que reconhecida sua superdotação antes da inscrição no vestibular;
● O Parecer CFE n. 681, de maio de 1973 (Documenta 150, item 3.7, maio 1973), 
que estabelece que o Conselho Federal de Educação “fixará o conceito e as 
formas de apurar o superdotado, a partir as normas sobre a matéria que os 
Conselhos de Educação baixariam para os seus sistemas estaduais de ensino.”
Digna de nota neste contexto é a criação, em 1973, do Centro Nacional de Educação 
Especial (CENESP), vinculado ao MEC, que desenvolverá ações educativas e financiará 
iniciativas de atendimento às pessoas com deficiência e com altas habilidades e superdo-
tação. (BRASIL, 1995). Esses estudos culminaram na elaboração de dois seminários sobre 
superdotados realizados em Brasília nos anos de 1974 e 1977, respectivamente, os quais 
determinaram:
[...] o respeito ao ritmo, aptidões e interesses dos alunos com AH/SD elimi-
nando barreiras entre anos letivos, o que representa a primeira possibilidade 
de aceleração do currículo, com intuito de atender as necessidades específi-
cas do aluno com Altas Habilidades/Superdotação; Admissão antecipada de 
alunos com Superdotação no Ensino Superior; Definição de conceitos para 
identificação de alunos com Superdotação. (SANT’ANA; STADLER; DELIBE-
RALLI; VESTENA, 2015, p. 37 - 419)
No entanto, o assunto ficou adormecido, apesar das bases lançadas na década de 
1970. Reynaud e Rangni (2017, p.72), ao descreverem a trajetória legal e a educação de 
pessoas com AH/SD, mencionam que durante muitos anos, principalmente nas décadas de 
19UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
1980 e 1990, políticas públicas significativas “[...] não foram implementadas e nem tampou-
co se tenha dado a elas a devida importância ou disseminado o conhecimento acerca da 
necessidade de identificação e atendimento educacional especializado para esse alunado”.
Na década de 80, já se podem constatar os novos termos de qualificação da pro-
blemática, na Portaria CENESP/MEC n. 69, de 28 de agosto de 1986, que assim define os 
superdotados:
Art. 3 [...] Superdotados: educandos que apresentam notável desempenho e/
ou elevada potencialidade nos seguintes aspectos, isolados ou combinados: 
capacidade intelectual, aptidão acadêmica, pensamento criador, capacidade 
de liderança, talento especial para artes, habilidades psicomotoras, necessi-
tando atendimento educacional especializado.
Observe-se ainda que em 1986 é criada, no âmbito do Ministério da Educação, 
a SESPE - Secretaria de Educação Especial -, que virá a substituir o CENESP. A nova 
Secretaria faz publicar o documento Subsídios para a Organização e Funcionamento de 
Serviços de Educação Especial (1986), com um volume dedicado à Área de Superdotação 
e altas habilidades, bem como edita as Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional 
aos Alunos Portadores de Altas Habilidades/Superdotação e Talentos (reeditados em 1995) 
como já citada anteriormente.
As políticas inclusivas no Brasil só se alteraram a partir da Declaração Mundial 
sobre Educação para Todos, realizada na cidade de Jomtien (Tailândia) em 1990, e da 
Declaração de Salamanca, ocorrida em 1994 na Espanha.
SAIBA MAIS
Caro(a) acadêmico(a) a Declaração Mundial sobre Educação para Todos foi um docu-
mento redigido durante a Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em 
Jomtien, na Tailândia, em março de 1990, com o intuito de estabelecer os compromissos 
mundiais relacionados à noção de que a educação é direito de todas as pessoas, a fim 
de que possam viver dignamente em uma sociedade mais justa e humanitária. 
Fonte: UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Declaração 
Mundial sobre Educação para Todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem - Jomtien, 
1990. 1998. Disponível em https://abres.org.br/wp-content/uploads/2019/11/declaracao_mundial_sobre_
educacao_para_todos_de_marco_de_1990.pdf Acesso em maio de 2021. 
https://abres.org.br/wp-content/uploads/2019/11/declaracao_mundial_sobre_educacao_para_todos_de_marco_de_1990.pdf
https://abres.org.br/wp-content/uploads/2019/11/declaracao_mundial_sobre_educacao_para_todos_de_marco_de_1990.pdf20UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
Entretanto, os maiores avanços na área da educação para superdotados – na le-
gislação e no atendimento - ocorrerão já no novo milênio, sobre a base da implementação 
da nova LDBEN (Lei n. 9394/1996), das Diretrizes Nacionais da Educação Especial na 
Educação Básica, editadas pelo CNE em setembro de 2001 e com a aprovação do Plano 
Nacional de Educação (PNE - Lei n. 10.172/2001), em janeiro de 2001. 
Como já mencionado, a Lei n. 9.394/1996, mais conhecida como LDBEN, que aludia 
no artigo 24 à “[...] possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do 
aprendizado”. Assim, entendemos que há possibilidade de aceleração escolar, mas não é 
possível saber para quem se destina; fica subentendido apenas a conclusão dos conteúdos 
escolares em menor tempo. Esse fato, só é explicitado mais adiante nessa mesma lei: 
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: 
(Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específi-
cos, para atender às suas necessidades;
II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível 
exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas defi-
ciências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar 
para os superdotados;
III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, 
para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular ca-
pacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;
IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na 
vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem 
capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os 
órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade 
superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora;
V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares dis-
poníveis para o respectivo nível do ensino regular. (BRASIL, 1996, grifo nosso).
A referida lei foi alterada pela Lei n. 12.976, de 4 de abril de 2013, na qual constam 
alguns itens que garantem o atendimento ao aluno com AH/SD e amparam legalmente o 
atendimento educacional a esses alunos:
Art. 4º. O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado me-
diante a garantia de:
 III. Atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com 
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou 
superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferen-
cialmente na rede regular de ensino;
[...]
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a mo-
dalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de 
ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvi-
mento e altas habilidades ou superdotação.
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação:
[...]
Art. 60.
Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa preferencial, a 
ampliação do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos glo-
bais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede 
pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições pre-
vistas neste artigo. (BRASIL, 2013).
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12796.htm#art1
21UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
A LDBEN n. 9.394/1996 foi novamente alterada por meio da Lei n. 13.234, de 29 
de dezembro de 2015, que estendeu o atendimento aos alunos com AH/SD também à 
educação superior, estabelecendo a necessidade de um cadastro nacional desses alunos, 
a fim de justificar a promoção de políticas públicas para eles. Vejamos:
Art. 59-A. O poder público deverá instituir cadastro nacional de alunos com 
altas habilidades ou superdotação matriculados na educação básica e na 
educação superior, a fim de fomentar a execução de políticas públicas desti-
nadas ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse aluno. (Incluído 
pela Lei nº 13.234, de 2015)
Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com altas habilidades ou 
superdotação, os critérios e procedimentos para inclusão no cadastro referi-
do no caput deste artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os 
mecanismos de acesso aos dados do cadastro e as políticas de desenvolvi-
mento das potencialidades do alunado de que trata o caput serão definidos 
em regulamento. 
Esse cadastro é de suma importância para a identificação da quantidade desses 
alunos efetivamente matriculados, a fim de que se estabeleçam políticas públicas dirigidas 
ao seu atendimento.
Retomando nossa reflexão sobre a legislação brasileira, outro fato relevante ocorreu 
em 2005, ano em que foi implantado em todos os Estados e no Distrito Federal os Núcleos 
de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), que tinham por intuito organizar
[...] centros de referência para o atendimento educacional especializado aos 
alunos com altas habilidades/superdotação, a orientação às famílias e a for-
mação continuada aos professores. [...] referenciais e orientações para orga-
nização da política de educação inclusiva nesta área, de forma a garantir esse 
atendimento aos alunos da rede pública de ensino. (BRASIL, 2008, p. 5).
Nessa trajetória sobre as legislações que amparam as pessoas com AH/SD é im-
portante citarmos a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação 
Inclusiva, que tem como objetivo
[...] o acesso, a participação e a aprendizagem dos estudantes com deficiên-
cia, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação 
nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover res-
postas às necessidades educacionais, garantindo: 
• Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a edu-
cação superior; 
• Atendimento educacional especializado; 
• Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; 
• Formação de professores para o atendimento educacional especializado e 
demais profissionais da educação para a inclusão escolar; 
• Participação da família e da comunidade; 
• Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, 
nos transportes, na comunicação e informação; e 
• Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. 
(BRASIL, 2008, p.10).
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm#art59a
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13234.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13234.htm#art2
22UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
O aluno com AH/SD também tem seus direitos assegurados na Resolução n.4, de 2 
de outubro de 2009, que institui as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional 
Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. Esse documento con-
sidera que alunos com altas habilidades/superdotação são “[...] aqueles que apresentam 
um potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, 
isoladas ou combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade”. (BRASIL, 
2009, art. 4, III). 
Já no art. 7 da referida resolução reafirma que: 
Os alunos com altas habilidades/superdotação terão suas atividades de enri-
quecimento curricular desenvolvidas no âmbito de escolas públicas de ensino 
regular em interface com os núcleos de atividades para altas habilidades/
superdotação e com as instituições de ensino superior de e institutos volta-
dos ao desenvolvimento e promoção da pesquisa, das artes e dos esportes. 
(BRASIL, 2009).
Conformeé possível percebermos caro(a) estudante, são inúmeras as leis que 
asseguram os direitos aos alunos com AH/SD. Entretanto, ainda há muito por fazer. Con-
forme alertam Maia-Pinto e Fleith (2004), se alunos com rendimentos abaixo da média são 
rapidamente identificados no ambiente escolar e recebem atendimento especializados, o 
mesmo não acontece com alunos com AH/SD. 
De acordo com as autoras, “[...] se a criança apresenta um desempenho acima 
da média, sobressaindo-se de alguma maneira, na maioria das vezes, o que acontece é o 
reconhecimento de que este é um ótimo aluno, com um futuro brilhante”. Todavia, “[...] são 
oferecidas, a este aluno, poucas oportunidades de incremento de suas habilidades”. (MAIA-
-PINTO; FLEITH, 2004, p. 55). Diante do exposto, é necessário estimular esses alunos em 
sala de aula, a fim de que possam desenvolver todas as suas potencialidades.
Assim, em linhas gerais, constata-se que aindam faltam no país instrumentos de 
diagnóstico precoce da superdotação e medidas de encaminhamento dos identificados; 
faltam professores especializados na área – praticamente não há formação inicial, em 
serviço e continuada, direcionada ao segmento; as pesquisas são escassas e não obstante 
os progressos reais, observados principalmente na última década, ainda há poucas políti-
cas públicas consistentes, articuladas e principalmente duradouras para este contingente 
populacional. (ANDRÉS, 2010). 
Em suma, o Brasil ainda carece de meios de identificação, de atendimento e 
promoção efetiva dos talentos nacionais. Pode-se dizer, então, que, em termos gerais, 
os professores, supervisores e outros dirigentes escolares não conseguem identificar a 
parcela de alunos superdotados que recebem e caso sejam identificados, não sabem o que 
fazer com eles (e portanto, nada de diferente lhes é reservado). (ANDRÉS, 2010). 
23UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) acadêmico(a).
Chegamos ao final de nossa unidade, no qual tivemos a oportunidade de refletir 
sobre o histórico e a classificação das altas habilidades/superdotação (AH/SD). Inicialmen-
te, perpassamos pelo conceito de inteligência e pudemos perceber que o vocabulário nos 
remete a conhecimento, compreensão e entendimento, ou seja, indica a capacidade do 
sujeito de interligar as ideias que nem sempre são explicitamente relacionadas. Vimos, 
ainda, que a história sobre a inteligência humana remota aos primórdios da humanidade. 
Em outro momento, indicamos os significados de AH/SD e esclarecemos que, na litera-
tura pertinente, há várias definições para ela, as quais são classificadas em grupos não 
excludentes entre si. Tivemos também a oportunidade de entender a classificação desses 
alunos. Constatamos além disso que os sujeitos com AH/SD se encontram amparados pela 
legislação, mas que, no Brasil, ainda há muito o que se fazer para que seus direitos sejam 
realmente assegurados. 
Assim, convidamos você, acadêmico(a) interessado(a), a consultar as indicações 
de leitura complementar, filmes e as referências, de modo a aprofundar seu conhecimento.
Boa leitura!
24UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
LEITURA COMPLEMENTAR 
Para nossa leitura complementar, indicamos ampliar os conhecimentos em relação 
à legislação direcionada aos alunos com AH/SD em países como América do Norte, Amé-
rica Latina, União Européia. No material de Aparecida Andrés, consulta legislativa da área 
XV, da Educação, Cultura e Desporto, capítulo II, páginas 26- 79. 
Fonte: ANDRÉS, A. Educação de alunos superdotados/altas habilidades, legislação e normas 
nacionais, legislação internacional. Câmara dos Deputados. 2010. Disponível em file:///C:/Users/agele/
Downloads/educacao_alunos_aparecida.pdf Acesso em maio de 2021. 
25UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Inteligências Múltiplas: A Teoria na Prática
Autor: Howard Gardner
Editora: Artmed
Sinopse: O autor explica as ideias fundamentais que desenca-
deiam uma revolução na aprendizagem e mostra como elas podem 
ser aplicadas em toda sala de aula onde se espera que os alunos 
pensem.
FILME / VÍDEO 
Título: Lucy
Ano: 2014
Sinopse: Quando a inocente jovem Lucy (Scarlett Johansson) 
aceita transportar drogas dentro do seu estômago, ela não conhece 
muito bem os riscos que corre. Por acaso, ela acaba absorvendo 
as drogas, e um efeito inesperado acontece: Lucy ganha poderes 
sobre-humanos, incluindo a telecinesia, a ausência de dor e a 
capacidade de adquirir conhecimento instantaneamente.
26
Plano de Estudo:
● Premissas básicas do currículo escolar.
● Currículo escolar.
● Adequações de acesso ao currículo.
Objetivos da Aprendizagem:
● Estudar as premissas básicas do currículo escolar.
● Analisar o currículo escolar pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
● Estudar as adequações de acesso ao currículo para a escola inclusiva. 
UNIDADE II
Adequações Curriculares
Professora Me. Fabiane Fantacholi Guimarães
27UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 27UNIDADE II Adequações Curriculares
INTRODUÇÃO
Caro(a) acadêmico(a).
Seja bem-vindo(a) a Unidade II, intitulada “ADEQUAÇÕES CURRICULARES”, da 
disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Altas Habilidades/Superdotação do 
Curso de Graduação em Educação Especial. 
Almejar uma escola melhor para todos implica em mudanças. As adaptações cur-
riculares têm sido tema de muitas discussões entre autores e pesquisadores, mas o que 
o professor entende por adaptações curriculares? Para responder esta e outras questões, 
nesta unidade iniciaremos estudando as premissas básicas do currículo escolar, no qual 
será necessário refletir o significado ou conceito de currículo; o que a escola precisa ensi-
nar; como deve ensinar; por que deve ensinar; bem como pensar no currículo; e por fim, 
como deve ser elaborado e estruturado.
Dando sequência à temática é considerável analisarmos o currículo escolar pela 
ótica da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os artigos que competem a esta 
discussão, uma vez que os currículos da educação básica devem ter uma base nacional 
comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e instituição escolar, por uma 
parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, 
da economia e da clientela. (BRASIL, 1996).
Para fecharmos a abordagem caminharemos para as adequações de acesso ao 
currículo para a escola inclusiva, em que será indispensável refletir o currículo flexível numa 
escola inclusiva; a adaptação do currículo sem perder qualidade; quando é necessário 
fazer adaptações curriculares, entre outros pontos. 
Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema 
de nossa segunda unidade.
Boa leitura!
28UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 28UNIDADE II Adequações Curriculares
1. PREMISSAS BÁSICAS DO CURRÍCULO ESCOLAR 
Caro(a) acadêmico(a) para iniciarmos o diálogo e o estudo sobre o currículo, preci-
samos refletir sobre seu significado ou conceito. Você já refletiu sobre isso?
A análise das diferentes terminologias relacionadas ao currículo pode ser iniciada 
pelos significados mais acessíveis em dicionários, nos quais encontraremos a referência à 
origem do termo currículo, no latim, curriculum, que significa “corrida, carreira”; curriculum 
vivendi, que significa “carreira de vida” e curricula mentis, que significa “caminhos da inteli-
gência”. (EYNG, 2012, p. 18). 
O currículo pode ser compreendido, ao mesmo tempo, como um conjunto de 
disciplinas, de forma restrita, e como uma trajetória histórica de um curso, programa ou 
indivíduo, de forma mais abrangente, indicando a dinâmica de sua constituição. 
Nesse sentido, no que se refere ao processo de aprendizagem, a autoraEyng 
(2012) propõe que a expressão currículo se refira aos caminhos que o aprendiz percorre 
em sua formação. O currículo também pode ser definido como uma solução prática para 
uma situação educativa específica, caracterizada pela provisoriedade, desafio que parece 
adequar-se às concepções que circulam no campo do currículo para o contexto atual.
O seu emprego no âmbito educacional, segundo Hamilton (1991, p. 197-205, apud 
SAVIANI, 2003), data o fim do século XVI, no contexto da Reforma Protestante, possivel-
mente na Universidade de Leiden (Holanda). Naquele momento, o termo curriculum teria 
sido empregado para imprimir maior rigor à organização do ensino, especialmente o univer-
sitário. Assim, a origem do currículo está associada ao controle do processo educacional e 
à ideia de formalização e eficiência do ensino. 
29UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 29UNIDADE II Adequações Curriculares
Ao recorrermos aos diversos autores e pesquisadores como: Candau; Moreira, 
(2007); Silva, (2010); Moreira; Silva, (2011) entre outros, que se dedicaram ao estudo do 
currículo, concluímos que esse termo recebeu diferentes conceituações e apreensões 
quanto ao seu significado ou função ao longo da história, os quais variam conforme os 
contextos históricos e culturais em que estão situados. 
Assim, segundo D. Paula e R. Paula (2016, p. 18) afirmam que o termo currículo é 
“polissêmico” e que, muitas vezes, “não há consenso entre tais conceituações, sendo que 
essas remetem a diferentes concepções, valores, interesses e intenções, os quais implicam 
diretamente na prática pedagógica”. 
Candau e Moreira (2007, p. 18) apresentam algumas das conceituações dadas 
ao currículo nas diferentes épocas e contextos: “listagem de conteúdos; experiências de 
aprendizagens escolares; planos pedagógicos; objetivos do processo de ensino; processos 
de avaliação que influem nos conteúdos e nos procedimentos metodológicos”. 
Dessa forma, cabe ao professor conhecer tais conceituações de maneira contex-
tualizada, não com a finalidade de elucidar o verdadeiro conceito de currículo ou de eleger 
o melhor conceito, mas compreender como o currículo tem sido definido pelos diferentes 
autores e teorias e, assim, ter condições para avaliar quais dessas conceituações melhor 
atendem às necessidades do contexto educativo em que está inserido. Para isso, faz-se 
necessário recorrer aos estudos desenvolvidos pelas teorias do campo do currículo. 
30UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 30UNIDADE II Adequações Curriculares
REFLITA
Caro(a) estudante, você já parou para refletir sobre as seguintes questões: O que a 
escola precisa ensinar? Como deve ensinar? Por que deve ensinar? Embora essas 
questões permeiem o contexto educacional atual, você sabia que elas não são novas? 
Tais questões desafiaram professores de outros momentos históricos, o que motivou a 
constituição de um campo de estudos específico para refletir sobre elas.
Professores de diferentes épocas e lugares sempre estiveram envolvidos com o currícu-
lo, antes mesmo de esse termo ser empregado. No entanto, estudos e pesquisas espe-
cializados e específicos sobre o currículo surgiram pela primeira vez nos anos de 1920, 
nos Estados Unidos, em um contexto caracterizado pela massificação da escolarização 
em decorrência do processo de industrialização e dos movimentos migratórios. 
A emergência do currículo como campo de estudos está diretamente ligada à constitui-
ção de um grupo de especialistas, de disciplinas e departamentos sobre currículo liga-
dos às universidades; à criação, pelo Estado, de setores especializados em currículo; a 
publicações, em revistas acadêmicas, sobre pesquisas e estudos a respeito da temática. 
Fonte: D. Paula e R. Paula (2016).
Mas, caro(a) estudante, pensando nas definições de currículo citadas, não podemos 
deixar de conhecer três aspectos relacionados à teorização e aplicação do currículo, se-
gundo Ângulo Rasco e Blanco Garcia (1994) citados por Eyng (2012), sendo: a) o currículo 
como conteúdo; b) o currículo como planificação; e c) o currículo como realidade interativa. 
1) O currículo como conteúdo - Entender o currículo como conteúdo é uma das 
formas mais usuais e historicamente mais relevantes que encontramos, no 
entanto, o entendimento do que seja o seu conteúdo tem uma variação muito 
grande. Pode significar o conteúdo da educação, isto é, o curso compreenden-
do a sequência e o conjunto de estudos que se há de seguir para adquirir uma 
educação. Também significa o conhecimento, o conteúdo de uma disciplina 
específica ou, ainda, o conteúdo da cultura socialmente construída. 
31UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 31UNIDADE II Adequações Curriculares
2) O currículo como planificação - Entender o currículo como planificação 
significa assumi-lo como algo que está estabelecido, indicando os marcos a 
partir dos quais se desenvolverá a atividade educativa de uma escola. Ainda ele 
pode ser entendido como um conjunto organizado de intenções educativas e de 
instruções e também como o documento onde se apresentam tanto o que há 
de ser aprendido e ensinado, como os materiais e métodos de ensino. Convém 
alertar que a clareza da intencionalidade educativa é fundamental.
3) O currículo como realidade interativa - Entender o currículo como realidade 
interativa é assumi-lo como ente que comporta todas as experiências educativas 
sob responsabilidade da escola. Ou seja, o currículo é uma construção realizada na 
interação entre professores e alunos, e em geral na criação ativa de todos aqueles 
que direta ou indiretamente participam da vida da escola. (Aqui caro(a) estudante, 
se assemelha à visão de elaboração participativa do projeto pedagógico curricular 
da escola prevista na Lei n. 9.394/96). Nenhuma dessas concepções citadas aci-
ma e suas correspondentes projeções nos âmbitos da racionalidade, para Ângulo 
Rasco e Blanco Garcia (1994) citados por Eyng (2012, p. 25) “[...] tem de ser a 
única legítima ou a única digna de ser considerada, pois teríamos de aceitar, pelo 
contrário, que a análise, teorização, inovação e discussão sobre o currículo não 
podem prescindir de considerar as diversas concepções e projeções”. Portanto, 
“a indagação e a melhora do currículo dependem tanto do aprofundamento de 
cada concepção separadamente como do aperfeiçoamento das interações em 
que uma se entrelaça com a outra”. 
Para fecharmos este tópico não poderíamos deixar de trazer as concepções do 
autor Gimeno Sacristán (1995 citado por EYNG, 2012) sobre o currículo:
4) Currículo como fenômeno prático complexo - o currículo se “plasma” dentro 
de um sistema escolar concreto, é direcionado a professores e alunos deter-
minados e é condicionado pelo contexto no qual é elaborado, desenvolvido 
e avaliado. São as múltiplas variáveis que interatuam no contexto que dão o 
significado ao currículo em termos de intenção, representação e ação. 
5) Currículo como práxis - significa que muitos tipos de ações intervêm em sua 
configuração, que o processo tem lugar dentro de condições concretas, que 
se configura dentro de um mundo de interações culturais e sociais, que é um 
universo construído, não natural, e que essa construção não é independente 
de quem tem o poder para construí-la. Aqui caro(a) estudante, o autor assinala 
ainda que a construção do currículo, nessa perspectiva, não pode ser entendida 
32UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 32UNIDADE II Adequações Curriculares
separada das reais condições de seu desenvolvimento, considerando os condi-
cionantes advindos dos contextos políticos, administrativos e pedagógicos.
6) Currículo como construção social - partir desse conceito que subsidia a 
escolaridade de conteúdos e orientações nos obriga a analisar os contextos 
concretosque lhe vão dando forma e conteúdo, antes de passar a ter alguma 
realidade como experiência de aprendizagem para os alunos. Essa análise 
deve, ainda, considerar a dinâmica do âmbito interno do sistema educativo com 
seus determinantes mais imediatos, até que seja convertido e “plasmado” de 
uma forma particular na prática pedagógica. 
7) Currículo como construção da cultura - não se trata de uma ideia abstrata, 
pensar o currículo não como um conceito, mas sim como uma construção cul-
tural que tem algum tipo de existência fora da experiência humana ou anterior a 
ela, mas sim de um modo de organizar uma série de práticas educativas. 
8) Currículo como campo de investigação - requer concebê-lo como algo que 
mantém certas interdependências com outros campos da educação, o que exige 
uma perspectiva ecológica na qual o significado de qualquer elemento deve ser 
visto como algo em constante reconfiguração, em função das interdependências 
com as forças às quais está relacionado. 
9) Currículo como guia de experiência - é entendido aqui como que o aluno ob-
tém na escola e como o conjunto de responsabilidades da escola para promover 
uma série de experiências. Essas são proporcionadas consciente e intencional-
mente, ou seja, são experiências de aprendizagem planificadas, dirigidas sob 
supervisão da escola, idealizadas e executadas na escola ou oferecidas por ela, 
com o intuito de se obter determinadas mudanças por ela, com o intuito de se 
obter determinadas mudanças nos alunos, ou, ainda, são experiências que as 
escolas utilizam com a finalidade de alcançar determinados objetivos. 
10) Currículo como definidor dos conteúdos - é entendido como conceituação da 
educação mediante planos ou propostas, especificação de objetivos, reflexo da 
herança cultural, mudança de comportamentos e atitudes, programa da escola 
que contenha conteúdos e atividades, soma de aprendizagens ou resultados, 
ou todas as experiências que o aprendiz pode obter. 
11) Currículo como conjunto de conhecimentos - é entendido ainda como con-
junto de matérias, os quais devem ser superados pelo aluno dentro de um ciclo, 
nível educativo ou modalidade de ensino, é a concepção clássica e difundida. 
33UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 33UNIDADE II Adequações Curriculares
Ainda segundo Sacristán citado por Eyng (2012) faz apontamentos muito importan-
tes para a construção de uma síntese reflexiva sobre a conceituação do currículo, indicando 
que devem ser considerados quatro aspectos em qualquer conceituação de currículo. 
Primeiro: o estudo do currículo deve servir para oferecer uma visão da cultura construída 
nas escolas, em sua dimensão oculta e manifesta, tendo em conta as condições em que 
se desenvolve. Segundo: trata-se de um projeto que só pode ser entendido como um pro-
cesso historicamente condicionado, pertencente a uma sociedade, selecionado de acordo 
com as forças nela dominantes, mas não só com capacidade de reproduzir, senão também 
de incidir sobre essa sociedade. Terceiro: o currículo é um campo no qual interagem ideias 
e práticas. Quatro: como projeto cultural elaborado, condiciona a profissionalidade do do-
cente e caracteriza-se como uma pauta com diferentes graus de flexibilidade, para que os 
professores possam intervir nele. 
34UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 34UNIDADE II Adequações Curriculares
2. CURRÍCULO ESCOLAR
O questionamento sobre o que ensinar nas escolas não é um debate que se limita 
aos muros da escola. Essa questão também está inserida nas políticas que direcionam e or-
ganizam a educação no Brasil. A Lei n. 9.394/1996 define as diretrizes e bases da educação 
nacional com base nos aspectos que devem ser seguidos por todas as escolas brasileiras. 
No que se refere ao currículo, podemos inicialmente pensar sobre o artigo 12 e 13, 
que enfatizam a responsabilidade dos estabelecimentos de ensino e dos professores em 
relação à elaboração e ao desenvolvimento das dimensões do planejamento educacional 
(proposta pedagógica e plano de trabalho), bem como os aspectos que organizam e defi-
nem o currículo escolar. Também destacam a participação de toda a comunidade escolar 
na construção, execução e avaliação das propostas pedagógicas. (BRASIL, 1996). 
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as 
do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica;
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas;
IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento;
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de inte-
gração da sociedade com a escola;
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, 
os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, bem 
como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; (Redação dada 
pela Lei nº 12.013, de 2009)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12013.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12013.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12013.htm#art1
35UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 35UNIDADE II Adequações Curriculares
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município a relação dos alunos que 
apresentem quantidade de faltas acima de 30% (trinta por cento) do percen-
tual permitido em lei; (Redação dada pela Lei nº 13.803, de 2019)
IX - promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a to-
dos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), 
no âmbito das escolas; (Incluído pela Lei nº 13.663, de 2018)
X - estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas. 
(Incluído pela Lei nº 13.663, de 2018)
XI - promover ambiente escolar seguro, adotando estratégias de prevenção 
e enfrentamento ao uso ou dependência de drogas. (Incluído pela Lei nº 
13.840, de 2019) 
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de 
ensino;
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do 
estabelecimento de ensino;
III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendi-
mento;
V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar 
integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao de-
senvolvimento profissional;
VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a 
comunidade (BRASIL, 1996). 
Aos analisarmos, caro(a) estudante, os arts. 12 e 13, podemos perceber que na lei 
garante maior autonomia aos docentes e às instituições na definição de seus currículos e 
nas formas de gestão escolar. 
Mas, caro(a) acadêmico(a) o que é proposta pedagógica? Libâneo (2004, p. 151) 
define o projeto pedagógico como aquele que se consolida em um “documento que detalha 
objetivos, diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola, expres-
sando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de ensino e os propósitos e 
expectativas da comunidade escolar”. De certo modo, o projeto pedagógico curricular é 
a expressão da cultura da escola. O projeto, portanto, orienta a prática de produzir uma 
realidade: “conhece-se a realidade presente, reflete-se sobre ela e traçam-se as coordena-
das para a construção de uma nova realidade, propondo-se as formas mais adequadas de 
atender às necessidades sociais e individuais dos alunos”. (LIBÂNEO, 2004, p. 151). 
A elaboração da proposta pedagógica é pontuada como tarefa dos professores que 
fazem parte do estabelecimento deensino. Muito embora cada escola possa elaborar sua pro-
posta, esta deve atender às exigências legais. Caro(a) estudante, que exigências são essas? 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN (BRASIL, 1996) define que: 
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do 
ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e 
conforme os seguintes princípios:
I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pe-
dagógico da escola;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13803.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13803.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13663.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13663.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13663.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13663.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13840.htm#art17
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13840.htm#art17
36UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 36UNIDADE II Adequações Curriculares
II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou 
equivalentes.
[...] 
Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos 
semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-
-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por 
forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de apren-
dizagem assim o recomendar.
[...] 
Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada 
de acordo com as seguintes regras comuns:
I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas para o ensino fun-
damental e para o ensino médio, distribuídas por um mínimo de duzentos 
dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames 
finais, quando houver; (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017)
[...] 
Art. 26. Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino 
médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada siste-
ma de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, 
exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da 
economia e dos educandos.(Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
§ 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, 
o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo 
físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil.
Na LDBEN (BRASIL, 1996) podemos identificar os delineamentos gerais 
para a organização do trabalho pedagógico nas escolas. No artigo 27 desta 
lei, que trata da educação básica, podemos destacar as seguintes diretrizes 
no que se refere aos conteúdos dos currículos escolares da educação básica. 
Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão, ainda, as 
seguintes diretrizes:
I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deve-
res dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática;
II - consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada esta-
belecimento;
III - orientação para o trabalho;
IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-
-formais. (BRASIL, 1996). 
“É possível observar o perfil de ser humano desejado na lei, um cidadão que atenda 
às necessidades da sociedade capitalista e que seja bem preparado para suprir as deman-
das do mercado”. (LIMA; ZANLORENZI; PINHEIRO, 2012, p. 166). 
A LDBEN, no artigo 30 (BRASIL, 1996) também define as orientações para a edu-
cação infantil, deixando claro que esta tem por finalidade o desenvolvimento integral da 
criança e será oferecida em creches, para crianças de até três anos de idade e pré-esco-
las, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade. Já no ensino fundamental, o 
objetivo é delineado para a formação do cidadão, com duração de 9 (nove) anos e com os 
seguintes objetivos: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13415.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12796.htm#art1
37UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 37UNIDADE II Adequações Curriculares
Art. 32. [...]
I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos 
o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecno-
logia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a 
aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade hu-
mana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
Já no que se refere ao currículo do ensino médio, a LDBEN (BRASIL, 1996) aponta 
as seguintes diretrizes: 
Art. 36. O currículo do ensino médio será composto pela Base Nacional Co-
mum Curricular e por itinerários formativos, que deverão ser organizados por 
meio da oferta de diferentes arranjos curriculares, conforme a relevância para 
o contexto local e a possibilidade dos sistemas de ensino, a saber: (Redação 
dada pela Lei nº 13.415, de 2017)
I - linguagens e suas tecnologias; 
II - matemática e suas tecnologias; 
III - ciências da natureza e suas tecnologias;
IV - ciências humanas e sociais aplicadas; 
V - formação técnica e profissional. 
Os aspectos gerais sobre a organização do currículo são apresentados na LDBEN 
(BRASIL, 1996), mas não é definida a forma como o currículo será organizado, muito me-
nos a teoria que fundamentará a prática pedagógica. Esse é o espaço que as instituições 
possuem para elaboração da proposta pedagógica, ou seja, para a possibilidade de formar 
alunos capazes de compreender e interferir na realidade. 
Para isso, a escola precisa garantir o acesso ao conhecimento de maneira signi-
ficativa e contextualizada, sem perder de vista os diferentes elementos que compõem o 
currículo. A LDBEN (BRASIL, 1996) define aspectos gerais para a elaboração da proposta 
pedagógica das escolas, que se apresenta como um documento de identidade do estabe-
lecimento de ensino. 
No entanto, caro(a) estudante, as respostas para as questões fundamentais para 
a concretização do currículo escolar, que são: O quê? Como? Para que ensinar?, são 
explicitadas na proposta pedagógica de cada escola.
Fica evidente na leitura dessa lei a defesa da escola como aquela instituição que 
vai possibilitar uma verdadeira cidadania para os alunos. No entanto, a efetiva cidadania 
ultrapassa as questões escolares. A escola, deve buscar a fundamentação teórica e legal 
para garantir um currículo que contemple o proposto em seu projeto pedagógico e atenda as 
necessidades dos alunos no atual momento histórico. Na lei não temos uma definição sobre 
que teoria pedagógica as escolas devem adotar, deixando a possibilidade de organização 
da proposta para os envolvidos no processo.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13415.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13415.htm#art4
38UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 38UNIDADE II Adequações Curriculares
FIGURA 1 - REPRESENTAÇÃO DO CURRÍCULO ESCOLAR
Fonte: a autora (2021). 
Portanto, o currículo escolar vai além da mera relação de conteúdos a serem cum-
pridos em determinado ano letivo, que vá além da matriz curricular. O currículo elaborado, 
pensado e construído com um arcabouço de fundamentos e orientações da prática escolar, 
a partir da dinâmica social, está formulando conhecimentos a partir de um conjunto de 
aprendizagens, está fazendo história.
Caro(a) estudante, contudo que já estudamossobre o currículo até o momento, 
finalizamos com a seguinte pergunta: como o currículo escolar deve ser elaborado e 
estruturado? 
Se concebemos que o currículo compreende os objetivos, os conhecimento, as 
metodologias, os métodos, as formas de gestão e de avaliação, etc. desenvolvidos pelos 
professores nas relações com os estudantes, sob uma determinada forma de organização 
escolar, a fim de promover a qualidade do ensino e da aprendizagem e, consequentemente, 
a formação integral e cidadã voltada à emancipação dos sujeitos, não é possível pensar 
num currículo elaborado exclusivamente por especialistas, externos à instituição escolar, na 
mera reprodução de currículos de outras instituições ou de maneira impositiva por órgãos 
responsáveis pelos sistemas ou redes de ensino. 
Na perspectiva, o currículo precisa ser elaborado no interior da escola, pelos 
seus sujeitos. Assim, professores, demais profissionais da escola, estudantes e famílias 
se tornam “produtores curriculares”. (VASCONCELLOS, 2011). A elaboração do currículo 
da escola, a cultura organizacional, a cultural local, as necessidades e os interesses dos 
estudantes e dos professores.
39UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 39UNIDADE II Adequações Curriculares
Vasconcellos (2011), ao refletir sobre o processo de construção do currículo, afirma 
que o ponto de partida dessa construção é a sensibilidade, a motivação, a necessidade 
por parte do coletivo, em realizá-la, advertindo, porém, que isso não é suficiente. É preciso 
domínio do conhecimento teórico-metodológico referente ao currículo, assim como conhe-
cimento dos sujeitos, do objeto do conhecimento, do contexto em que a escola está inserida 
e da diversidade de necessidades dos estudantes. 
Assim, a escola precisa ouvir, conhecer, acolher, respeitar e valorizar na construção do 
seu currículo as condições de vida, os valores, os hábitos, os saberes e a cultura dos estudan-
tes, bem como dos seus professores, além de verificar se estes estão na profissão “por inteiro”, 
se estão abertos ao diálogo, ao debate e à mudança. (D. PAULA; R. PAULA, 2016). 
Em relação ao objeto do conhecimento, o professor precisa dominar os conheci-
mentos que irá desenvolver em sala de aula e, ainda, conhecer as melhores maneiras de 
desenvolvê-los, estabelecendo relações com os conhecimentos prévios dos estudantes, 
despertando o interesse e a motivação destes. (D. PAULA; R. PAULA, 2016). 
Além disso, é fundamental conhecer o contexto em que se realiza a construção do 
currículo: a sala de aula, a escola, o bairro, a cidade etc., ou seja, os condicionantes que 
interferem no processo de ensino-aprendizagem. Quando esses condicionantes não são 
conhecidos profundamente, são utilizados para justificar o insucesso do trabalho escolar, 
sendo que o importante é conhecê-los, discuti-los e propor alternativas para superação. (D. 
PAULA; R. PAULA, 2016). 
Esse processo de construção coletiva precisa conhecer e contemplar espaços para 
a diversidade de necessidades dos estudantes: necessidade de se comunicar, de brincar, 
de se movimentar, de se sentir valorizado, entre outros. Se o currículo não satisfizer ou ca-
nalizar tais necessidades, dificilmente o professor conseguirá uma participação organizada 
e produtiva em sala de aula. (D. PAULA; R. PAULA, 2016). 
Vasconcellos (2011) indica que o processo de construção coletiva do currículo deve 
ser caracterizado por estudo e o respeito devem ser assegurados para que todos possam 
expressar suas ideias sem medo de serem criticados. Ressalta ainda que dificuldades e 
desafios surgem nesse processo, os quais só serão superados pela constituição de um 
grupo com os mesmos objetivos e polo processo contínuo de construção coletiva. 
Libâneo (2004) desta que o processo de construção do currículo ocorre em dois 
momentos inter-relacionados: um dos momentos diz respeito ao que analisamos até então, 
o currículo construído pela escola e o outro momento se refere ao planejamento do pro-
fessor para se desenvolver em sala de aula, ou seja, o plano de trabalho docente. (Aqui, 
caro(a) estudante utilizamos o termo “trabalho docente” para referirmos ao planejamento 
do professor, conforme redação utilizada no artigo 3, inciso II, da LDBEN. (BRASIL, 1996). 
40UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 40UNIDADE II Adequações Curriculares
Dessa maneira, todas as vezes que o professor se dedica a planejar suas aulas, 
definir quais serão os objetivos a serem alcançados, quais conhecimentos serão desen-
volvidos, quais procedimentos metodológicos e avaliativos serão empregados, ele (re)
constrói o currículo. 
41UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 41UNIDADE II Adequações Curriculares
3. ADEQUAÇÕES DE ACESSO AO CURRÍCULO
Caro(a) acadêmico(a) você sabe como se dá a estruturação do currículo flexível 
numa escola inclusiva? Uma vez que ele será a base para a organização das adaptações 
adequadas ao currículo.
Considerando que as adaptações são únicas para cada aluno, não poderemos 
apresentar algo que venha a ser uma “receita”, correto?! Que possa ser aplicada a todos os 
casos. O que abordaremos serão sugestões de como organizar as adaptações curriculares, 
de forma a oferecer subsídios que favoreçam as práticas inclusivas.
A organização de uma escola realmente inclusiva está retratada no seu currículo 
e na estruturação do projeto político-pedagógico (PPP), que deve ultrapassar a mera ela-
boração de planos e exigências burocráticas. O PPP caracteriza e identifica a escola, ou 
seja, é a “cara” da escola, por isso, deve acompanhar as modificações da sociedade, da 
história, de seus fatores, dos acontecimentos e das legislações, considerando aspectos 
sociais, políticos, culturais e antropológicos que a caracterizaram. Deve corresponder ao 
pensamento dos que estarão envolvidos nela. (MINETTO, 2008).
O currículo norteia a organização do PPP da escola. Aqui caro(a) acadêmico(a) 
utilizamos a palavra norteia, pois hoje o currículo é democrático, possibilitando que a co-
munidade escolar tenha certa autonomia para flexibilizar e definir prioridades, favorecendo 
assim a inclusão. Na verdade, as dificuldades podem começar aí, pois tanto o currículo 
fechado como o aberto terão vantagens e desvantagens. Os professores, em sua maioria, 
foram capacitados para atuar em um currículo fechado, e agora estão diante da possibili-
dade de flexibilização.
Agora caro(a) estudante vamos analisar vantagens e desvantagens de um currículo 
fechado e aberto.
42UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 42UNIDADE II Adequações Curriculares
FIGURA 2 - CURRÍCULO FECHADO
Fonte: Elaborado pela autora com base em Minetto (2008). 
FIGURA 3 - CURRÍCULO ABERTO
Fonte: Elaborado pela autora com base em Minetto (2008). 
43UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 43UNIDADE II Adequações Curriculares
Em suma, um currículo fechado, como podemos observar há vantagem de certa 
“comodidade” para o professor, sendo que este se limita a aplicá-lo, seguindo passo a pas-
so as programações, ou seja, independente do perfil do aluno, da turma ou da comunidade, 
segue-se a programação. Ainda nesse modelo há uma vantagem na “normalização”, dando 
uniformidade e coesão ao que é ensinado e avaliado. As suas desvantagens estariam em 
não se adaptar às características individuais, não acompanhando as particularidades de 
cada contexto. Já o currículo aberto por sua vez se adapta às particularidades do ambiente 
e dos alunos. Todos os alunos podem se beneficiar dele, pois é possível encontrar diferen-
tes formas de atender à diversidade. Ainda nesse modelo a principal desvantagem está na 
dificuldade de se manter uma homogeneidade no currículo, o que esperamos no ensino 
obrigatório básico. Além disso, exige muito mais do professor em termosde criatividade e 
organização de atividades diferenciadas, formação, atualização, dedicação, tornando-os 
co-responsáveis pelas programações e adequações necessárias. 
Mas caro(a) estudante até que ponto podemos “adaptar” o currículo sem perder 
qualidade? O professor tem autonomia para fazer o que quiser e como quiser?
A autonomia que o professor passou a ter com a flexibilização do currículo não 
deve nunca acabar em um trabalho isolado. Ter autonomia implica responsabilidade e 
comprometimento, sem perder a relação com o PPP e os objetivos da escola. Atender às 
necessidades individuais não significa mudar tudo, porque, se pensarmos, todos temos 
dificuldades específicas e, em alguma época de nossas vidas, podemos ter necessidades 
especiais mais significativas. Todas as adaptações precisam ser entendidas como necessá-
rias por uma equipe multiprofissional, incluindo aí a equipe da escola e, a partir da posição 
dessa equipe, é que se decide o que pode e deve ser feito. (MINETTO, 2008).
O currículo aberto e flexível exige objetivos bem definidos que representam as con-
cepções e os desejos de todos. Os professores, diretores e pais só conseguirão entender 
as adaptações se isso fizer parte de suas crenças. 
Para que uma escola consiga encontrar o ponto de equilíbrio para se beneficiar 
com as vantagens de um currículo flexível e assim construir adaptações curriculares 
adequadas, ela precisa estar atenta a alguns aspectos que podem ser muito significativos. 
São pontos que, se forem desprezados, impedirão que a instituição educacional obtenha 
sucesso nas suas tentativas de atender com qualidade à diversidade. (MINETTO, 2008).
É fundamental destacar que a flexibilidade deve ser constante. É necessário co-
memorar os sucessos e não paralisar com as dificuldades, além de sempre aprender com 
os desafios. Faz-se urgente reconhecer os progressos, mesmo que pequenos, e buscar 
entender o que contribuiu para que eles aconteçam. 
44UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 44UNIDADE II Adequações Curriculares
Para tanto, a estruturação adequada de um currículo flexível só trará benefícios 
quando todos entenderem sua razão e colaborarem com sua execução. O professor precisa 
contar com uma rede de apoio real e eficiente que lhe dê sustentação para a continuidade 
das modificações que, na maioria das vezes, ele é quem vai executar, mas que foram 
decididas pela equipe. De nada adiantaria metodologias inovadoras e materiais de apoio de 
última geração, se não houver um preparo dos colegas de sala e de todo o contexto escolar 
para a acolhida do aluno com necessidades especiais. 
Afinal, caro(a) estudante, você sabe o que são adaptações curriculares? Podería-
mos entender que as adaptações curriculares abrangem toda a organização de estratégias 
educativas que ajudem, facilitem e promovam a aprendizagem do aluno, por meio da flexi-
bilização do currículo, independente da dimensão. 
Qualquer modificação que necessite ser feita, por menor que seja, é considerada 
uma adaptação curricular. Assim, podem existir vários níveis de amplitude para favorecer as 
necessidades educativas especiais dos alunos. Contudo, o mais importante a destacar é que 
não se trata de elaborar programas paralelos, mas sim a introdução de medidas capazes de 
flexibilizar os currículos normais, estabelecidos no PPP da escola. São medidas que conver-
tem o currículo num instrumento útil para responder à inevitável diversidade que apresentam 
os alunos quanto aos seus interesses ou ritmos de aprendizagem. (MINETTO, 2008).
Mas, caro(a) estudante, quando é necessário fazer adaptações curriculares? A 
decisão de modificar ações pedagógicas e alterar o currículo deve ser tomada por uma 
equipe e nunca somente pelo professor. Cada caso deve ser considerado individualmente 
para que se chegue a uma conclusão das reais mudanças necessárias e, por isso, deve 
contar com a participação ativa de toda a equipe técnico-pedagógica da escola, assessoria 
externa e dos pais. 
As adaptações aconteceram somente nos casos em que a proposta geral não cor-
responde efetivamente às necessidades específicas do aluno. Somente em alguns casos 
teríamos a elaboração de planos verdadeiramente individuais. Mas precisamos tomar cuida-
do, pois não podemos criar dois currículos paralelos na escola, sendo o regular e o especial.
O currículo flexível que acolhe as adaptações curriculares tem na sua proposta 
pontos de destaque como, por exemplo, segundo Minetto (2008, p. 67) “[...] a compreen-
são de que a decisão da necessidade de adaptações não é individual (do professor ou 
do orientador), mas sim de responsabilidade de todos os envolvidos e, por isso, distribui 
responsabilidades, incluindo aí a família”. Portanto, o sucesso não depende somente de 
uma pessoa, mas da participação de todos. O aluno que está chegando não é “daque-
45UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 45UNIDADE II Adequações Curriculares
le”professor, mas de toda a escola. Isso implica cooperação e co-participação de todos 
e responsabilidades divididas. O professor não deve se sentir sozinho nessa caminhada. 
O aluno também precisa ser ouvido sempre que possível. Muitas vezes, ele sabe o que 
precisa e o que deseja. 
Logo, fazer adaptação curricular não é uma resposta automática diante da iden-
tificação de determinadas necessidades educativas especiais, mas um processo a ser 
pensado e programado, seguindo uma ordem que corresponde à organização do trabalho 
cooperativo com base no currículo regular. Somente a partir disso é que se pode determinar 
o tipo de adaptação mais adequada, podendo ser menos significativa ou mais significativa. 
(MINETTO, 2008).
SAIBA MAIS
Caro(a) acadêmico(a), você sabe por onde começar a organização das adaptações 
curriculares?
Num primeiro momento, é necessário conhecer o aluno para depois definir suas ne-
cessidades, observando-o em ambientes diferentes, como intervalo/recreio, na aula de 
educação física, perto da família. É necessário verificar o que ele consegue fazer sem 
auxílio e quais são os aprendizados que ele já tem, além de observar com calma seu 
desempenho, seu comportamento e suas potencialidades.
Após o conhecimento prévio, podemos definir os conteúdos programáticos a serem tra-
balhados e, a partir dos objetivos definidos, selecionar o que ensinar. Dos conteúdos 
que estão estruturados para uma determinada turma, analisar o que seria adequado 
para aquele determinado aluno, o que seria necessário ser acrescentado. 
Há necessidade de uma pesquisa metodológica minuciosa para fundamentar o sucesso 
do aprendizado de um aluno. Todo o trabalho anterior pode ser perdido se não for defi-
nido o método mais adequado para cada situação.
Avaliar todo o processo é tão importante quanto avaliar o desempenho do aluno. Com 
essa proposta temos a vantagem de distribuir responsabilidades, a avaliação vai identi-
ficar os pontos falhos para que possam ser repensados. 
Finalmente, o registro de tudo que foi feito, em outras palavras, um documento que re-
gistre todas as realizações, com resultados alcançados. O famoso portfólio. 
Fonte: Minetto (2008); Brasil (2003). 
46UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 46UNIDADE II Adequações Curriculares
Mas, caro(a) estudante, você deve estar se perguntando ao estudar até aqui, como 
podem ser as adaptações curriculares? 
De acordo com o Ministério da Educação e Secretaria de Educação Especial (BRA-
SIL, 2000a; BRASIL, 2000b), podemos efetivar adaptações curriculares de duas formas 
distintas, vide a figura 2: 
FIGURA 4 - TIPOS DE ADAPTAÇÕES CURRICULARES
Fonte: Brasil (2000a) e Brasil (2000b).
Estas adaptações curriculares, são como um conjunto de transformações nos 
elementos físicos e materiais do ambiente escolar, bem como os recursos preparados pelo 
professor no desenvolvimento do trabalhocom o aluno.
Considerando a diversidade das necessidades educativas especiais que o aluno 
pode apresentar, precisamos ter em mente que não podemos generalizar as adaptações, 
mas organizá-las de forma singular, por isso, elas podem ser simples e despender poucas 
modificações do currículo geral ou ser mais significativas e exigir muito mais do contexto, lem-
brando que, independente da dimensão, deve ser decidido pela equipe. (MINETTO, 2008). 
47UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 47UNIDADE II Adequações Curriculares
SAIBA MAIS
Caro(a) acadêmico(a) para saber mais sobre adaptações curriculares, acesse o material 
abaixo do Ministério da Educação e Secretaria de Educação Especial.
Nas cartilhas adaptações curriculares de pequeno e adaptações curriculares de grande 
porte, você irá encontrar discussões como: Adaptações de Acesso ao Currículo; Adapta-
ção de Objetivos; Adaptação de Conteúdos; Adaptações do Método de Ensino e da Or-
ganização Didática; Adaptação de Sistema de Avaliação; Adaptação de Temporalidade. 
Boa leitura! 
BRASIL. Projeto Escola Viva. Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos 
na escola. Alunos com necessidades educacionais especiais. Adaptações Curriculares 
de Pequeno Porte. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 
2000b. Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000449.pdf 
Acesso em maio de 2021. 
BRASIL. Projeto Escola Viva. Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos 
na escola. Alunos com necessidades educacionais especiais. Adaptações Curriculares 
de Grande Porte. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 
2000a. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/cartilha05.pdf Acesso 
em maio de 2021. 
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000449.pdf
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/cartilha05.pdf
48UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 48UNIDADE II Adequações Curriculares
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) acadêmico(a).
Chegamos ao final de nossa unidade, no qual tivemos a oportunidade de com-
preendermos que o termo currículo é polissêmico e que as diversas conceituações a ele 
atribuídas, muitas vezes, são divergentes e remetem a diferentes concepções, valores, 
interesses e intenções. Tivemos a oportunidade de analisar o currículo escolar pela ótica 
da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os artigos que competem a esta 
discussão, uma vez que os currículos da educação básica devem ter uma base nacional 
comum. Vimos ainda que o currículo pode ser flexível devido às adequações necessárias 
para uma escola inclusiva. 
Assim, convidamos você, acadêmico(a) interessado(a), a consultar as indicações 
de leitura complementar, filmes e as referências, de modo a aprofundar seu conhecimento.
Boa leitura!
49UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 49UNIDADE II Adequações Curriculares
LEITURA COMPLEMENTAR
Para nossa leitura complementar indicamos o material da Secretaria de Educação 
Especial/Ministério da Educação intitulado “Saberes e práticas da inclusão: desenvolvendo 
competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com 
altas habilidades/superdotação”, no qual nos capítulos de 5 a 7 irá tratar sobre as adequa-
ções curriculares.
Boa leitura!
Fonte: BRASIL. Saberes e práticas da inclusão: desenvolvendo competências 
para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com altas habili-
dades/superdotação. 2.ed. SEESP/MEC. Brasília: MEC, Secretaria de Educação Especial, 
2003. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/altashabilidades.pdf Aces-
so em maio de 2021. 
50UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 50UNIDADE II Adequações Curriculares
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Currículo na Educação Inclusiva: entendendo este desafio
Autor: Maria de Fátima Minetto
Editora: InterSaberes
Sinopse: Currículo na Educação Inclusiva: entendendo esse de-
safio, de Maria de Fátima Minetto, é uma obra voltada ao professor 
que deseja aprimorar sua atuação em sala de aula, trabalhando a 
realidade da inclusão. A obra chama a atenção para a compreensão 
do diferente e de suas particularidades. Aqui, o educador encon-
trará sugestões de atividades e de adaptação de conteúdos que 
podem ser fonte de inspiração para uma prática docente voltada 
ao diálogo e à inclusão.
FILME/VÍDEO 
Título: Cordas
Ano: 2014
Sinopse: O curta animado “Cordas” narra a amizade entre Maria, 
uma garotinha muito especial e Nicolás, seu novo colega de clas-
se, que sofre de paralisia cerebral. A pequena, vendo algumas 
das impossibilidades do amigo, não desiste e faz de tudo para 
que ele se divirta e consiga brincar. Reconfigurando e recriando 
jogos e atividades, Maria celebra a vida do colega, aprende ao 
passo que ensina e emociona a todos – inclusive os espectadores 
-, com as possibilidades do sonho e de uma amizade verdadeira.
Ao final, uma surpresa especial, que lembra a todos da impor-
tância do educar e da relação que se estabelece no ensino e 
aprendizagem.
51
Plano de Estudo:
● Caracterização geral dos alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD).
● Especificidades das pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD).
● Formas de atendimento educacional e enriquecimento curricular.
Objetivos da Aprendizagem:
● Abordar as caracterização gerais dos alunos com 
Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD).
● Compreender os tipos de especificidades das pessoas com
● Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD).
● Estudar as formas de atendimento educacional 
e a importância do enriquecimento curricular.
UNIDADE III
Altas Habilidades / Superdotação: 
Caracterização, Atendimento Educacional 
e Enriquecimento Curricular
Professora Me. Fabiane Fantacholi Guimarães
52UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
INTRODUÇÃO
Caro(a) acadêmico(a).
Seja bem-vindo(a) a Unidade III, intitulada “Altas habilidades/superdotação: 
caracterização, atendimento educacional e enriquecimento curricular”, da disciplina de 
Atendimento Educacional de Aluno com Altas Habilidades/Superdotação do Curso de 
Graduação em Educação Especial. 
Estudar sobre as pessoas com altas habilidades/superdotação é entender que elas 
não pertencem a um grupo homogêneo, isto é a um grupo semelhante, idêntico ou igual, 
mas sim ao contrário, com diferenças profundas e com diferentes níveis de potencialidade. 
Bem como entender, também, que não existe um padrão estabelecido para identificar o 
aluno AH/SD, mas tem como listar algumas das características comuns em indivíduos com 
diferente nível de desenvolvimento cognitivo. Em um segundo momento vamos especificar 
cada terminologia já apresentada ao longo dos tempos (crianças precoces, criança prodígio, 
criança com talento, criança gênio) para que você acadêmico(a) consiga distinguir quando 
alguma delas coexiste com a superdotação. E por fim, vamos estudar sobre os caminhos 
e possibilidades pedagógicas para o atendimento educacional com eficiência aos alunos 
identificados com altas habilidades/superdotação, partindo dos marcos legais referentes 
aos direitos dos alunos com AH/SD, bem como a regulamentação de ações voltadas para 
esse público, além de entender sobre o enriquecimento curricular, no qual é capaz de gerar 
motivação e inclusão ao aluno superdotado e, ao mesmo tempo, promover o desenvolvi-
mento e despertar o interesse dos demais alunos da sala onde esse indivíduo está inserido.
Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema 
de nossa primeira unidade.
Boa leitura!
53UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
1. CARACTERIZAÇÃO GERAL DOS ALUNOS COMALTAS HABILIDADES/
 SUPERDOTAÇÃO (AH/SD)
Caro(a) acadêmico(a) para iniciarmos o diálogo precisamos entender que as pessoas 
com altas habilidades/superdotação não pertencem a um grupo homogêneo, ao contrário, 
existem diferenças profundas que marcam esse grupo com diferentes níveis de potencialidade.
Geralmente, a criança AH/SD senta, engatinha e anda precocemente; adquire 
linguagem e conhecimento verbal precoce, aprende rápido com pouca instrução, possui 
curiosidade intelectual e constrói perguntas de nível superior ao de seus pares, além de 
demonstrar insistência na busca da informação que deseja. “Super-reatividade, sensibili-
dade e alto nível de energia também são características dessa criança que, por vezes, é 
considerada, precipitadamente, hiperativa”. (SAKAGUTI, 2020, p. 18). 
De forma geral, a população de alunos com altas habilidades/superdotação possui 
níveis de habilidade e multipotencialidades diferenciados, além de variarem também em 
seus interesses, estilos e ritmos. 
Para estabelecer que uma criança é superdotada, é preciso combinar três caracte-
rísticas, sendo elas, vide na figura 1. 
54UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
FIGURA 1 - CARACTERÍSTICAS PARA ESTABELECER A SUPERDOTAÇÃO NA CRIANÇA
Fonte: Winner (1998). 
Mas esses são apenas três aspectos em um universo bastante plural com possibi-
lidades de muitas características e com alta variação de presença e intensidade.
Para se ter ideia, a previsão da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que 3 
a 5% da população seja superdotada, mas, no Brasil, a proporção de alunos identificados 
não alcança essas marcas. Um dos motivos que dificultam essa identificação é justamente 
a dificuldade para encontrá-los por meio dos padrões de avaliação. 
Apesar da dificuldade de estabelecer esses padrões, a Secretaria de Educação 
Especial do Ministério da Educação – SEESP relacionou algumas características conside-
radas universais para identificação da criança AH/SD: 
[...] curiosidade e vivacidade mental, motivação interna, persistência na área 
de seu talento,facilidade de compreensão e percepção da realidade, capaci-
dade de resolver problemas, energia, senso de humor, habilidade em assu-
mir riscos, sensibilidade, pensamento original e divergente, conduta criativa. 
(BRASIL, 2006, p. 34). 
Lembre-se! Caro(a) estudante, que nem todas as crianças AH/SD apresentam a 
mesma intensidade e sistematização dos comportamentos. 
Alencar e Fleith (2001) acrescentam a essa lista de características algumas infor-
mações e afirmam que os sujeitos com altas habilidades/superdotação apresentam também 
alto grau de curiosidade; boa memória; atenção concentrada; persistência; independência 
e autonomia; facilidade de aprendizagem; criatividade e imaginação; iniciativa; liderança; 
vocabulário avançado para sua idade cronológica e riqueza de expressão verbal, além de 
outras características possíveis. 
55UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
Diante dessas informações, o documento da Secretaria de Educação Especial do 
Ministério da Educação – SEESP intitulado “Saberes e práticas da inclusão: desenvolvendo 
competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com 
altas habilidades/superdotação” aconselha que:
A identificação de alunos com superdotação, na escola, deve assim, se 
basear no programa a ser implementado para o atendimento de suas ne-
cessidades, a utilização de várias fontes de coleta de dados (entrevistas, 
observações, sondagens do rendimento e desempenho escolar, análise de 
produções e outros), no conhecimento das características específicas desse 
aluno e das diferentes fases de desenvolvimento pelas quais as pessoas 
passam em cada faixa etária. (BRASIL, 2006, p. 20).
E afirma que, aos serem identificados por seus professores, esses alunos provavel-
mente apresentarão ainda, vide figura 2: 
FIGURA 2 - ALGUMAS IDENTIFICAÇÕES DE ALUNOS COM SUPERDOTAÇÃO
Fonte: Brasil (2006, p. 21). 
Criatividade e liderança também são atributos considerados pelos especialistas 
para identificação da pessoa com altas habilidades/superdotação. Alencar e Fleith (2001) 
explicam que a incorporação dessas características na lista mudou o foco do indivíduo para 
a observação da relação dele com o meio. 
56UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
Assim, a identificação do sujeito AH/SD passa a envolver uma espécie de avaliação 
que considere e atenda às várias fontes de informação e também às diversas dimensões, 
lembrando sempre que o ser humano é complexo e existem muitas variáveis, e, por isso, 
não existem regras fixas ou dados absolutos na identificação das altas habilidades/super-
dotação. (CUPERTINO, 2008). 
Ainda, a família contribui com o processo de identificação, ao apresentar algumas 
características particulares de seu/sua filho(a), observado(a) durante o processo de de-
senvolvimento. Há que se observar algumas questões em relação ao desempenho que 
é exigido por alguns pais, que estimulam excessivamente seu filho para que este possa 
apresentar indicadores de superdotação. (BRASIL, 2006). 
SAIBA MAIS
Você sabia que as características do aluno superdotado podem desencadear alguns 
problemas emocionais? Como por exemplo, a facilidade de adquirir e reter informações 
com rapidez torna esse aluno impaciente com a demora de aprendizado dos seus ami-
gos, assim como o desmotiva de desenvolver tarefas repetitivas e rotineiras. A capaci-
dade de inventar e criar também pode trazer problemas, como jamais aceitar fazer as 
coisas da maneira considerada “comum”e, com isso, despertar a irritação dos colegas, 
dando a impressão de querer as coisas sempre “do seu jeito”. Outra característica, é 
a capacidade de interessar-se por diversos assuntos e temas, no qual pode levar esse 
aluno ao caos da desorganização ou à impressão de estar sempre “desligado”e desor-
ganizado para seus amigos de sala e também professores. Entre essas diferenças, no 
entanto, a sensibilidade é uma das que mais exige atenção dos pais e professores, já 
que, por ser diferente, o aluno AH/SD, quando se sente rejeitado ou não compreendido, 
costuma colocar altas doses de expectativa e frustração sobre a situação, sentindo-se, 
em muitos momentos, alienado. 
Fonte: (VIRGOLIM; KONKIEWITZ, 2014).
Em síntese, caro(a) estudante, existem muitas características comuns dos alunos 
com altas habilidades/superdotação, mas, justamente por não se tratar de um grupo homo-
gêneo, esses traços e características se apresentam de formas e intensidades diferentes, 
57UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
por isso, é grande o desafio de diagnosticar ou identificar esse aluno em sala de aula, 
mas a legislação brasileira, como vimos já estabeleceu algumas listas e característica para 
auxiliar os professores de todos o país a avaliarem e identificarem seus alunos com alto 
potencial de superdotação. Conforme pesquisadores/autores, entender as peculiaridades 
que caracterizam o aluno com altas habilidades/superdotação é necessário porque o de-
senvolvido dela, é influenciado por suas características físicas e psicológicas, mas também 
pelas interações sociais às quais essa criança é submetida. (SAKAGUTI, 2020). 
58UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
2. ESPECIFICIDADES DAS PESSOAS COM ALTAS HABILIDADES/ 
 SUPERDOTAÇÃO (AH/SD)
Conceitualmente, altas habilidades/superdotação não é o mesmo que precocidade 
ou genialidade. Mas ainda assim, a maneira como esses temas são propagados pela mídia 
e pelas redes sociais, é, por vezes, equivocada. Por sua vez, quanto mais esclarecedor e 
preciso for odiagnóstico e a conceituação de uma pessoa com altas habilidades/superdo-
tação, mais fácil será para a família providenciar o atendimento e a conduta adequados a 
esse aluno, por isso, caro(a) acadêmico(a), vamos especificar cada uma das terminologias 
para que você consiga distinguir quando alguma delas coexiste com a superdotação.
As terminologias: crianças precoces, criança prodígio, criança com talento, 
criança gênio. 
Ao buscar no dicionário da língua portuguesa a palavra precoce, encontramos, entre 
outras, as seguintes definições: “Prematuro, antecipado. Que tem determinadas faculdades 
prematuramente desenvolvidas”. (FERREIRA, 2010, p. 605). 
O termo precoce segundo Cupertino (2008) emprega-se a crianças que apresentam 
alguma habilidade específica muito desenvolvida, podendo aparecer em qualquer área do 
conhecimento, ou seja, na música, em disciplinas escolares, na linguagem, esporte ou leitura. 
Winner (1998) chama a atenção para o fato de que os precoces começam a dar 
os primeiros passos no domínio de alguma área em uma idade menor que a média, progri-
dem mais rapidamente, porque sua aprendizagem, na área escolhida, ocorre com grande 
facilidade. A autora refere-se ao conhecimento como uma área de reconhecido domínio 
humano, tais como a linguagem, a matemática, a música, as artes, o xadrez, o bridge, o 
balé, a ginástica, o tênis ou a patinação.
59UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
O aluno precoce “[...] é aquele que se destaca perante crianças da mesma idade, 
em razão habilidades que apresenta”, contudo, “[...] estas podem ter suas origens na sim-
ples prematuridade do desenvolvimento de aspectos cognitivos, que se normalizarão com 
o decorrer do tempo”. (MARTINS; CHACON, 2016, p. 190). 
Explicam Martins e Chacon (2016) que somente no final da infância será possível 
verificar se realmente existe uma configuração cognitiva superior ou se a performance 
apresentada é apenas uma prematuridade no desenvolvimento.
Gama (2006, p. 65), explica que “[...] a precocidade está sempre relacionada não 
ao comportamento ou forma de pensamento propriamente ditos, mas à idade em que esses 
são exibidos [...]”. Quando a criança se desenvolve com plenitude em variadas áreas do co-
nhecimento e chega ao nível de compreensão e capacidade de execução equivalentes ao 
de um adulto em idade muito inferior à esperada, então ela é chamada de criança prodígio.
Como já visto, só no final da infância será possível confirmar o diagnóstico, mas, seja 
precoce, seja superdotada, a criança deve receber todo suporte para desenvolver seu potencial. 
Além do suporte, a compreensão da família se faz necessária para evitar que tanto a criança 
quanto seus pais fiquem frustrados com o processo ou os resultados dele. (SAKAGUTI, 2020). 
A palavra prodígio segundo o dicionário da língua portuguesa, vem de verbo 
portento que significa: “Coisa ou sucesso maravilhoso. Pessoa de inteligência incomum”. 
(FERREIRA, 2010, p. 600). 
O termo prodígio segundo Cupertino (2008) sugere algo extremamente raro e 
único, melhor dizendo, fora do curso normal da natureza, e se tais indivíduos promoverem 
contribuições extraordinárias à humanidade, revolucionando suas áreas de conhecimento, 
passam a ser denominados gênios.
São consideradas crianças prodígio aquelas que apresentam habilidades e desem-
penhos diferenciados para a idade, ainda são consideradas crianças precoces com talento 
extraordinário em algum campo das artes ou domínio de temas do conhecimento, com nível 
de profissionais adultos. Um exemplo disso clássico é Wolfgang Amadeus Mozart, que 
mostrou uma habilidade musical prodigiosa desde sua infância. 
SAIBA MAIS
Caro(a) estudante, vamos conhecer alguns casos divulgados pela mídia brasileira e 
internacional sobre crianças prodígio? Vamos lá...
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2.2 Prodígio na Música
Um típico caso de criança prodígio é o pianista catarinense Pablo Rossi que, 
com apenas 11 anos de idade, gravou um CD com obras de Chopin, Bartók, Schumann, 
Tchaikovsky, Rachmaninov, Shostakovich e Nepomuceno, tendo sido também notícia 
na mídia impressa.3 Pablo toca com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e 
treina cinco a seis horas por dia. Considerado hoje o melhor pianista jovem do Brasil, este 
catarinense de 17 anos foi vencedor do 1º Concurso Nacional Nelson Freire de Novos 
Talentos Brasileiros e acumula premiações no Brasil e no exterior. 
Pablo Rossi nasceu em Florianópolis em 1989 e iniciou os estudos musicais aos 
seis anos. Aos sete ganhou o concurso para piano Jovens Intérpretes, de Lages, e passou 
a ter aulas em Curitiba com Olga Kiun, pianista russa naturalizada brasileira, ela própria 
uma criança prodígio que fez seu primeiro recital solo aos nove anos e aos doze realizou 
seu primeiro concerto como solista de orquestra. 
Pablo acumula diversos prêmios em sua curta carreira de pianista: já aos oito anos 
recebia o prêmio revelação no XXXII Festival de Inverno de Campos do Jordão e logo em 
seguida recebia o primeiro lugar nos seguintes concursos: Concurso de Piano Artlivre em 
1997 e em 2000; no VII Concurso Nacional Magda Tagliaferro; no IX Concurso Nacional 
de Piano em Governador Valadares; no XIII Concurso Internacional na cidade de Córdoba, 
Argentina; no XI Concurso Internacional de Piano ‘Perfecto García Chornet’, na Espanha; 
e no I Concurso Nacional Nelson Freire para Novos Talentos Brasileiros. Com o apoio do 
Governo do Estado do Paraná, Pablo conseguiu uma bolsa de estudos para cursar o Con-
servatório Tchaikovsky de Moscou, a convite da Sociedade Rachmaninov, em novembro de 
1999, quando tinha 10 anos, tendo então a oportunidade de participar das masterclasses 
de Alexander Mndoyants e Viktor Merdjanoff. O aclamado prodígio já se apresentou com a 
Orquestra de Câmara Solistas de Londrina, a Orquestra Sinfônica do Paraná, a Camerata 
Florianópolis, a Sinfônica de Santa Catarina, a Sinfônica de Ribeirão Preto, a Orquestra 
Sinfônica Brasileira, além de ter realizado recitais em cidades como São Paulo, São José 
dos Campos, Macaé e Curitiba. 
2.3 Prodígio Acadêmico
O americano Gregory Robert Smith tem feitos notáveis em sua biografia de apenas 
17 anos. Destacamos aqui algumas de suas realizações: 
Aos 13 anos recebeu seu diploma de graduação suma cum laude em Matemática 
na Randolph-Macon College, em Ashland, Virginia. 
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Em maio de 2006, aos 16 anos de idade, recebeu o título de Mestre em Matemática pela 
Universidade de Virginia, EUA. Recentemente revelou que pretende obter seu PhD em quatro 
diferentes áreas: matemática, engenharia aeroespacial, ciência política e engenharia biomédica. 
É fundador da International Youth Advocates, dedicada à defesa de jovens e crian-
ças carentes e à paz mundial. Em suas viagens ao exterior (já visitou nove países em 
quatro continentes, incluindo o Brasil) e dentro de seu próprio país, Gregory dá palestras 
sobre o fim do ciclo da violência e sobre a manutenção da paz. Já se encontrou com a 
rainha Noor, da Jordânia, com presidentes, como Bill Clinton e Mikhail Gorbachev, líderes 
religiosos como o Arcebispo Desmond Tutu da África do Sul, e educadores para discutir 
suas ideias para a educação e para a paz.
 Foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2002 (quando tinha 12 anos), continuando 
a concorrer nos anos posteriores (2003 a 2006). 
Quando terminou o Ensino Fundamental e o Médio em apenas cinco anos – em vez 
dos treze esperados de uma criança comum –, virou estrela de programas populares nos 
Estados Unidos.
Gregory foi precoce em muitas áreas e de uma forma qualitativamente diferente da 
grande maioria das crianças. Começou a falar muito mais cedo que o esperado para umbebê, aos 2 meses de idade. Com um ano e dois meses era capaz de nomear todos os 
tipos de dinossauros que já existiram e de resolver problemas simples de álgebra. Aos 2 
anos já lia e corrigia a gramática de adultos. Nesta idade ele também decidiu abandonar os 
sanduíches do McDonald’s e tornou-se vegetariano por conta própria. Aos 5 anos era capaz 
de recitar trechos de livros de memória – tinha na cabeça a coleção inteira de Júlio Verne 
e era capaz de discorrer sobre uma enorme gama de assuntos. Seus pais comentam que, 
nesta idade, sua capacidade mental, medida por testes de QI, ultrapassava os limites dos 
próprios testes. Gregory foi acelerado nos estudos e o currículo compactado para atender 
suas necessidades especiais únicas; assim, no período de um ano o menino cumpriu sete 
séries escolares (da segunda à oitava), pulando toda a terceira série e cumprindo um curso 
de Álgebra em 10 semanas. Ele tinha sete anos quando entrou para o Ensino Médio no 
Orange Park High School, na Florida. 
Em entrevista ao jornal Washington Post, em 1999, quando se formava com honras 
no Ensino Médio, dois dias antes do seu 10º aniversário, Gregory comentou: “Acredito que 
recebi um dom especial, mas não sei como ou porque ele me foi dado; apenas sei que 
quero usar o máximo de minhas habilidades para ajudar a humanidade.” Entre as suas 
metas, anunciou, está a de se tornar Presidente dos Estados Unidos.
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2.4 Prodígio na Pintura
Marla Olmstead, começou a pintar pouco antes de completar 2 anos, com o incen-
tivo de seu pai, também artista plástico. Usando pincéis, espátulas, seus próprios dedos e 
até tubos de ketchup, a menina cria telas de aproximadamente um metro e meio, que já lhe 
renderam mais de US$ 300 mil, tendo cerca de 200 compradores na lista de espera. 
Nascida no estado de Nova York, em Fevereiro de 2000, Marla começou a pintar 
antes de 2 anos. Seu pai, gerente de uma fábrica e pintor amador, no início achava que a 
pintura era apenas uma distração para a filha, mantendo-a ocupada enquanto ele próprio 
pintava. No entanto, logo passou a comprar telas e tintas quando observou o senso de 
equilíbrio, forma e composição presentes nos quadros abstracionistas da filha. A mãe, 
recepcionista em tempo parcial, conseguiu com um amigo que os trabalhos da criança 
fossem expostos em uma lanchonete local. 
O primeiro quadro, vendido por 250 dólares, foi logo sucedido por outros. Em 
Agosto de 2004 a galeria de artes Anthony Brunelli, de Nova York, atraiu mais de 2.000 
pessoas com a primeira exposição de Marla, cujos quadros foram vendidos por cerca de 
6 mil dólares cada. Marla gosta de usar tintas acrílicas coloridas e, diferentemente das 
crianças de sua idade, constrói suas pinturas em camadas e cobre toda a tela de tinta, 
não deixando espaços vazios. Inicialmente trabalha com largas pinceladas de tinta e com 
os dedos, e progressivamente outras ferramentas são incorporadas ao trabalho, como 
garrafas de plástico. O pai, atuando agora como seu assistente, incentiva a filha a produzir 
com regularidade e rapidez, pintando vários quadros por mês. Segundo o pai, Marla pinta 
regularmente, três vezes por semana, e em geral termina seu trabalho após três horas de 
grande concentração.
Atraindo a atenção da mídia, e tornando-se notícia no The New York Times, Time, 
CBS News e BBC News e em outras revistas, TV e jornais da França, Alemanha, Canadá, 
Inglaterra, Espanha, África do Sul, Austrália, Brasil e Itália, Marla tem sido comparada a 
grandes gênios do expressionismo abstrato, como Wassily Kandinsky e Jackson Pollock.
2.5 Prodígio na Literatura
Descrita como “uma pequena gigante literária” pela jornalista Diane Sawyer no 
programa de entrevistas Good Morning America, Adora Svitak, americana, filha de mãe 
chinesa e pai checo, de apenas 8 anos, surpreende por sua facilidade em escrever. No 
programa de televisão, Adora demonstrou sua capacidade de digitar setenta palavras por 
minuto em seu laptop, escrevendo textos com uma estrutura sofisticada para sua idade, 
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respondendo perguntas e demonstrando seu processo de escrita ao vivo, com a ajuda de 
um projetor. Seu primeiro livro , escrito aos 7 anos de idade, inclui nove histórias, poemas, 
e sua opinião sobre política, religião, mídia e educação. Sua mãe, Joyce Svitak, contribui 
no livro com dicas e estratégias de ensino para ajudar pais e professores em como ensinar 
a criança a escrever, ilustrando cada técnica ou exercício com as histórias escritas por Ado-
ra. Apaixonada por história medieval e contemporânea, filosofia e mitologia, seus contos 
traduzem sua paixão pela leitura e escrita. Adora entende que sua missão engloba ensinar 
outras crianças a ler e escrever, visitar escolas e repassar para os jovens o prazer que a 
leitura e a escrita podem proporcionar.
Fonte: Virgolim (2007, p. 25-27). 
SAIBA MAIS
Talento é um vocábulo derivado do latim talentum e significa “[...] Dom natural ou adqui-
rido. Inteligência excepcional. (FERREIRA, 2010, p. 725). Uma definição complementar 
do próprio dicionário é o adjetivo talentoso, isto é, uma pessoa “que tem muito talento, 
inteligência”. 
Mas, caro(a) estudante, relacionar talento e altas habilidades/superdotação não é uma 
tarefa simples ou simplista. Não existe unanimidade na atribuição e associação dos 
termos. Segundo a autora Anjos (2011) em sua tese de doutorado relata que alguns 
autores usam esses termos como “[...] sinônimos, em expressões do tipo: “os dotados 
e talentosos”.”. Mas, outros autores como Joseph Renzulli ou Robert Sternberg hesitam 
em usar o termo “talento” e “[...] focalizam a concepção de capacidade e desempenho 
superior no conceito único de dotação”. (ANJOS, 2011, p. 25).
Guenther (2011) também diferencia dotação e talento, após realizar sua pesquisa em 
grandes autores.
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FIGURA 3 - DIFERENÇA ENTRE DOTAÇÃO E TALENTO
Fonte: Guenther (2011, p. 85).
Em resumo, podemos entender que dotação é o domínio de pelo menos uma das 
capacidades humanas de forma natural, já o talento, no entanto, é a capacidade de realizar 
com maestria uma habilidade, e é desenvolvida por meio de treino sistemático ou por co-
nhecimento pleno de alguma área da atividade humana. 
Sobre desenvolver talentos, ainda Guenther (2011, p. 85) relata também que “[...] 
pode ser um processo relativamente simples, que alcança resultados em menor tempo, e 
depende essencialmente de um plano pedagógico-educacional claro e determinado, focali-
zado em ensino, exercício, treino”. Já desenvolver dotação, em outras palavras, o potencial 
sinalizado em um domínio de capacidade, é mais complexo, “[...] exige vivência em quantida-
de, qualidade, complexidade, profundidade, diversidade, por longos períodos de tempo, em 
condições configuradas por vias de educação informal”. Contudo, “considerando resultados 
em generalização e aprendizagem futura, desenvolver dotação é mais promissor para a 
pessoa, e para os objetivos da sociedade, que cultivar talentos”. (GUENTHER, 2011, p.85). 
Por fim, Anjos (2011) traz em sua tese a fala de Piirto (1999), no qual acredita “[...] 
que a construção da superdotação não é linear, mas uma esfera, um círculo, que envolve 
todos os tipos de talentos.”. Neste sentido, apresenta as seguintes características: “[...] ele-
vada inteligência, talentos acadêmicos, criatividade, talentos musicais, talentos mecânicos, 
talentos para o relacionamento, talentos religiosos”. (ANJOS, 2011, p. 22). 
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Gênio no dicionário da língua portuguesaestabelece que é a pessoa com “[...] 
Altíssimo grau de capacidade mental criadora, em qualquer sentido, Indivíduo de potência 
intelectual incomum. (FERREIRA, 2010, p. 376). Como por exemplo, Albert Einstein, o 
físico, ou Pablo Ruiz Picasso, o artista. 
Segundo Anjos (2011, p. 21, grifo da autora) gênio “[...] seriam aquelas pessoas que 
deram contribuições extraordinárias para a humanidade, que deixam marcas na história”. 
A Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, por meio de pu-
blicações oficiais, mostra o entendimento da distinção terminológica para genialidade e 
altas habilidades/superdotação. Esta se caracteriza por elevada potencialidade de apti-
dões, talentos e habilidades demonstradas por alto desempenho em diferentes áreas. Já a 
genialidade é o potencial superior para construção e que contribui de forma transformadora 
para o desenvolvimento da sociedade e da ciência, isto é, são considerados gênios apenas 
aqueles que deixam um legado à humanidade, pelas suas contribuições originais e de 
grande valor. (SAKAGUTI, 2020). 
Para fecharmos esta discussão não poderíamos deixar de retomarmos o que 
iniciamos na Unidade I da nossa apostila, a definição brasileira para pessoas com altas 
habilidades/superdotação, sendo a Política Nacional de Educação Especial (1994, p. 11), 
estudantes com AH/SD demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes 
áreas, isoladas ou combinadas: “intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e 
artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização 
de tarefas em áreas de seu interesse”. 
Completando o estudo sobre essas áreas citadas acima, utilizaremos para comple-
mentação Virgolim (2007, p. 28): 
a) Capacidade Intelectual Geral – Envolve rapidez de pensamento, compreen-
são e memória elevadas, capacidade de pensamento abstrato, curiosidade 
intelectual, poder excepcional de observação; 
b) Aptidão Acadêmica Específica – Envolve atenção, concentração, motivação 
por disciplinas acadêmicas do seu interesse, capacidade de produção acadêmi-
ca, alta pontuação em testes acadêmicos e desempenho excepcional na escola; 
c) Pensamento Criativo ou Produtivo – Refere-se à originalidade de pensamento, 
imaginação, capacidade de resolver problemas de forma diferente e inovadora, 
capacidade de perceber um tópico de muitas formas diferentes;
d) Capacidade de Liderança – Refere-se à sensibilidade interpessoal, atitude 
cooperativa, capacidade de resolver situações sociais complexas, poder de 
persuasão e de influência no grupo, habilidade de desenvolver uma interação 
produtiva com os demais; 
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e) Talento Especial para Artes – Envolve alto desempenho em artes plásticas, 
musicais, dramáticas, literárias ou cênicas (por exemplo, facilidade para expres-
sar idéias visualmente; sensibilidade ao ritmo musical; facilidade em usar gestos 
e expressão facial para comunicar sentimentos); e 
f) Capacidade Psicomotora – Refere-se ao desempenho superior em esportes 
e atividades físicas, velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, 
controle e coordenação motora fina e grossa.
Esta definição é vantajosa, segundo Virgolim (2007, p. 28), uma vez que chama a 
atenção para importantes aspectos, como: 
● a pluralidade de áreas do conhecimento humano em que uma pessoa possa se 
destacar, não se limitando à tradicional visão acadêmica da superdotação.
● o entendimento de que as altas habilidades se relacionam tanto com o de-
sempenho demonstrado quanto com a potencialidade em vir a demonstrar um 
notável desempenho. 
● a percepção de que a superdotação se modifica no decurso do desenvolvimento 
do indivíduo. 
Na Resolução CNE/CEB n. 2, de 11 de setembro de 2001, que Institui Diretrizes 
Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, no inciso III do artigo 5 expõe 
que os alunos com “altas habilidades/superdotação, grande facilidade de aprendizagem 
que os leve a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes”. (BRASIL, 2001).
Essa definição, segundo Virgolim (2019, p. 108), ressalta duas características 
marcantes da superdotação, que são: “a rapidez de aprendizagem e a facilidade com que 
esses indivíduos se engajam em sua área de interesse’’. Destaca também “a atitude diante 
da vida, que implica interesse, motivação e vontade de dominar uma determinada área, 
tópico ou disciplina”. Aqui caro(a) estudante, podemos facilmente perceber esses fatores 
nos comportamentos exibidos em sala de aula ou mesmo em situações familiares do dia a 
dia, o que pode facilitar aos professores a indicação de crianças com potencialidade para 
uma avaliação mais detalhada. 
67UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
3. FORMAS DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL E ENRIQUECIMENTO CURRICULAR 
Os alunos com AH/SD fazem parte do público-alvo da educação especial no Brasil, 
no entanto, nem sempre é reconhecida a condição desses alunos, que, muitas vezes, são 
negligenciados. Ocorre que, mesmo com habilidades e talentos acima da média, eles apre-
sentam dificuldades no processo de escolarização e nem sempre recebem o atendimento 
de acordo com suas necessidades. As dificuldades começam a se manifestar em cobranças 
excessivas de professores e da escola e na alta expectativa dos pais e familiares, o que 
causa angústia e sofrimento ao aluno, relacionamento difícil com colegas e professores, 
dificuldade em aceitar autoridade e cumprir regras e, por fim, problemas em aprender con-
ceitos relacionados às áreas que não apresentam habilidade. (FARIAS, 2020). 
Dessa forma, muitas vezes o aluno não é compreendido; não raro, é avaliado de 
forma errônea, como autista, hiperativo ou possuidor de outros distúrbios. Na verdade, o 
que poderia ser uma condição que viria a ajudar no processo de escolarização, acaba por 
tornar-se um impedimento. O processo inclusivo prevê a remoção de barreiras, sejam elas 
físicas, sejam atitudinais. (FARIAS, 2020). 
De acordo com Carvalho (2014), a educação inclusiva prevê a remoção dessas 
barreiras buscando formas de acessibilidade e assegurando o ingresso e a permanência 
bem-sucedida na escola. Os alunos com AH/SD não têm barreiras em seu ingresso, mas 
muitas vezes sua permanência e seu sucesso ficam comprometidos. 
68UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
A educação especial na perspectiva da educação inclusiva busca assegurar um 
atendimento não segregado na sala comum, bem como suportes para garantir não somen-
te o acesso, mas também a permanência na escola. Um desses suportes que tem sido 
decisivo no processo inclusivo é o Atendimento Educacional Especializado (AEE) realizado 
nas salas de recursos multifuncionais (SRM). 
O Parecer n. 17, de 3 de julho de 2001 do CNE/CEB aponta como deve se dar o aten-
dimento no AEE em relação aos alunos com AH/SD, no item 4.1, que trata da organização. 
Para atendimento educacional aos superdotados, é necessário: 
a) organizar os procedimentos de avaliação pedagógica e psicológica de alu-
nos com características de superdotação; 
b) prever a possibilidade de matrícula do aluno em série compatível com seu 
desempenho escolar, levando em conta, igualmente, sua maturidade socioe-
mocional; 
c) cumprir a legislação no que se refere:
● ao atendimento suplementar para aprofundar e/ou enriquecer o currículo;
● à aceleração/avanço, regulamentados pelos respectivos sistemas de en-
sino, permitindo, inclusive, a conclusão da Educação Básica em menor 
tempo; 
● ao registro do procedimento adotado em ata da escola e no dossiê do 
aluno; 
d) incluir, no histórico escolar, as especificações cabíveis; 
e) incluir o atendimento educacional ao superdotado nos projetos pedagógicos 
e regimentos escolares, inclusive por meio de convênioscom instituições de 
ensino superior e outros segmentos da comunidade. (BRASIL, 2001, p. 23). 
(FARIAS, 2020).
Vale mencionar ainda o Decreto n. 7.611, de 17 de novembro de 2011, que dispõe 
o atendimento educacional especializado, que assegura: 
Art. 5º A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de 
ensino dos Estados, Municípios e Distrito Federal, e a instituições comunitárias, 
confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com a finalidade de ampliar a 
oferta do atendimento educacional especializado aos estudantes com deficiên-
cia, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdota-
ção, matriculados na rede pública de ensino regular. (BRASIL, 2011). 
Tal decreto, regulamenta a distribuição dos recursos do Fundo Nacional de Desenvol-
vimento da Educação Básica (Fundeb), determinando no Art. 9º-A. “Para efeito da distribuição 
dos recursos do FUNDEB, será admitida a dupla matrícula dos estudantes da educação re-
gular da rede pública que recebem atendimento educacional especializado”. (BRASIL, 2011). 
Sendo assim, o aluno público-alvo da educação especial contará em dobro para 
efeitos de cálculo de distribuição do Fundeb quando tiver matrícula no AEE no contraturno 
escolar. A Resolução n. 4, de 2 de outubro de 2009, reafirma este princípio, em seu art.8: 
Parágrafo único. O financiamento da matrícula no AEE é condicionado à ma-
trícula no ensino regular da rede pública, conforme registro no Censo Esco-
lar/MEC/INEP do ano anterior, sendo contemplada:
matrícula em classe comum e em sala de recursos multifuncionais da mesma 
escola pública;
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matrícula em classe comum e em sala de recursos multifuncionais de outra 
escola pública;
matrícula em classe comum e em centro de Atendimento Educacional Espe-
cializado de instituição de Educação Especial pública;
matrícula em classe comum e em centro de Atendimento Educacional Espe-
cializado de instituições de Educação Especial comunitárias, confessionais 
ou filantrópicas sem fins lucrativos. (BRASIL, 2009). 
O AEE ocorrido nas salas de recursos multifuncionais (SRM) ou centros de atendi-
mento especializado tem por objetivo a identificação e a estimulação das potencialidades 
do aluno com AH/SD. É importante destacar que esses atendimentos devem ocorrer no 
contraturno para que se assegure o direito do aluno de estar no convívio da classe comum, 
pois se compreende que o AEE é um estímulo ao desenvolvimento das potencialidades 
do aluno. Essa compreensão tem como premissa o reconhecimento de que, mesmo com 
habilidades superiores, tais alunos necessitam de atendimento adequado para que desen-
volvam suas potencialidades. (FARIAS, 2020). 
REFLITA
Caro(a) acadêmico vamos refletir! Será que existe uma enorme distância entre a política 
educacional proposta pelo governo e a prática realizada nas escolas. Essa distância 
pode ser explicada por preconceitos sobre os alunos com AH/SD, recursos inadequados 
e mal utilizados, barreiras atitudinais e falta de compromisso na implantação das políti-
cas educacionais. 
Fonte: A autora (2021). 
É importante ressaltar ainda que existem diferentes programas voltados aos alu-
nos com AH/SD entre eles os de aceleração e os de enriquecimento curricular. Conforme 
Martins e Pedro (2013, p. 2909) o programa de aceleração “[...] consiste em pular etapas 
da formação regular, de modo a cumprir o programa em menor tempo”. Nesse programa, 
“[...] o aluno vivencia experiências com colegas mais velhos, deste modo, é indispensável 
certificar-se de que a criança possui as condições psicológicas e os conhecimentos neces-
sários para esta interação”. 
O programa prevê ainda, segundo os autores Martins e Pedro (2013, p. 2909), 
agrupamento que “[...] podem ocorrer em centros específicos, escolas e classes especiais 
ou mesmo nas classes regulares, em tempo parcial (agrupamento flexível)”. Embora 
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também chamados de “segregação”, “[...] os agrupamentos podem estar apartados da 
escolarização na forma de acampamentos temáticos, intercâmbios ou cursos específicos”. 
Embora de destinar-se a um grupo previamente escolhido, a heterogeneidade permanece 
sempre, assim como as diferenças individuais, o que não exclui a necessidade de algumas 
instruções individualizadas. Nestes agrupamentos, “a interação entre semelhantes é faci-
litada e gera ganhos acadêmicos substanciais, no entanto, podem ocasionar o isolamento 
do grupo selecionado”. 
SAIBA MAIS
Para saber mais sobre os programas e projetos de aceleração de estudos, trouxemos a 
leitura publicada no site Secretaria da Educação, Governo do Paraná. 
Programas e Projetos - Programa de Aceleração de Estudos - PAE
O que é?
As ações do Programa de Aceleração de Estudos consistem na reorganização da Pro-
posta Pedagógica e do trabalho docente tendo em vista a organização de turmas es-
pecíficas de alunos em situação de distorção idade/ano, respeitando os anos de matrí-
cula desses estudantes, conforme Parecer CEE/PR n.º 19/2015, visando aperfeiçoar o 
processo de utilização de recursos e materiais pedagógicos existentes na escola, as-
sim como diversificar os encaminhamentos metodológicos realizados pelos professores 
dessas turmas.
Qual o público alvo?
São considerados alunos com defasagem idade/ano, pelo programa, aqueles que ul-
trapassaram em dois anos ou mais a idade regular prevista para o ano em que estão 
matriculados.
Qual o objetivo?
A proposta tem como objetivo corrigir a distorção idade/ano dos alunos que estão cur-
sando os anos finais do Ensino Fundamental, assim como garantir qualidade no proces-
so de ensino-aprendizagem das turmas de aceleração de estudos.
71UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
Como são organizadas as turmas?
As turmas do Programa são compostas por no mínimo 15 e no máximo 20 alunos, a 
serem ofertadas em dois níveis, sendo a turma I para alunos matriculados no 6.º ano do 
Ensino Fundamental, com idade mínima de 13 anos, e a turma II para alunos matricula-
dos no 8.º ano do Ensino Fundamental, com idade mínima de 15 anos.
Qual a carga horária?
A carga horária destinada às disciplinas que compõem a matriz curricular das turmas de 
aceleração será de 25 horas-aula semanais, distribuídas conforme Instrução Normativa 
n.º 20/2012 Seed/Sued.
Quantos anos o aluno poderá acelerar ao participar do programa?
Os alunos participantes das turmas de aceleração de estudos poderão, ao final do ano 
letivo, acelerar até dois anos de estudos, ou seja, os alunos do 6.º ano do Ensino Fun-
damental poderão ser reclassificados para o 8.º ano do Ensino Fundamental, e os alu-
nos do 8.º ano do Ensino Fundamental, poderão ser reclassificados para a 1.ª série do 
Ensino Médio.
Fonte: BRASIL. Secretaria da Educação. Programas e Projetos - Programa de Aceleração de Estudos 
- PAE. Disponível em http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?-
conteudo=1599#:~:text=As%20a%C3%A7%C3%B5es%20do%20Programa%20de,.%C2%BA%20
19%2F2015%2C%20visando Acesso em maio de 2021. 
O enriquecimento resume-se como o oferecimento de experiências diversas das 
quais são proporcionadas por meio do currículo regular. “Dá-se através do acréscimo de 
conteúdos mais abrangentes e aprofundados, ou pela solicitação de projetos e seu ponto 
forte é não segregar ou retirar o aluno de seu ambiente”. As adaptações curriculares podem 
ser empregadas como uma estratégia de enriquecimento curricular onde se “[...] constrói 
um programa educacional individualizado que respeita o tempo de escolarização regular e 
possibilita alterar os objetivos, a metodologia, as atividades e a avaliação”, ou ainda somen-
te, “[...] realizar alteraçõesmenos abrangentes, como a ampliação de alguns conteúdos, 
o aprofundamento de determinadas disciplinas e a variação das atividades”. (MARTINS; 
PEDRO, 2013, p. 2909). 
http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1599#:~:text=As%20a%C3%A7%C3%B5es%20do%20Programa%20de,.%C2%BA%2019%2F2015%2C%20visando
http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1599#:~:text=As%20a%C3%A7%C3%B5es%20do%20Programa%20de,.%C2%BA%2019%2F2015%2C%20visando
http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1599#:~:text=As%20a%C3%A7%C3%B5es%20do%20Programa%20de,.%C2%BA%2019%2F2015%2C%20visando
72UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
Lembre-se! Caro(a) estudante, as pessoas com AH/SD não são iguais, mas guar-
dam singularidades a serem consideradas e respeitadas pelas escolas ao escolherem o 
programa mais adequado às suas necessidades. Além disso, os alunos com AH/SD pre-
cisam do AEE, indicando uma atenção específica a esses indivíduos. Nesse processo, é 
necessário o envolvimento da família, dos professores da classe comum, do professor da 
SRM e da escola. O trabalho articulado possivelmente resultará não só em um rendimento 
escolar satisfatório, mas também num desenvolvimento afetivo adequado. (FARIAS, 2020). 
Para fecharmos o estudo, não podemos deixar de complementar que os professo-
res precisam estar cientes da responsabilidade que têm junto a esse público, no entanto, 
é imprescindível a clareza de que o trabalho deve ser realizado de forma articulada entre 
família, escola e comunidade. Conforme Sabatella (2005, p. 120): 
a) A família - que precisa ser instruída para reagir positivamente ao descobrir 
a potencialidade da criança, apoiando, compreendendo, buscando maiores 
informações e ajuda técnica necessária;
b) A escola - que precisará ajustar-se às peculiaridades da superdotação e do 
talento, começando por vencer muitos preconceitos que ainda existem entre 
educadores. Necessita prover-se de meios de identificação para o reconheci-
mento do potencial de seus alunos;
c) A comunidade - que pode abrir espaços e oportunidades para favorecer a 
convivência e o desenvolvimento dos alunos. Quanto mais acolhidos eles se 
sentirem, mais rapidamente se tornarão líderes, conscientes de suas capacida-
des e do que deles se espera. 
Existem alternativas de atendimento, porém, há que se esclarecer que não é possí-
vel utilizar somente uma metodologia, já que as escolhas metodológicas devem basear-se 
na singularidade de cada aluno e na realidade da escola. Qualquer alternativa metodológica 
que atenda necessidades diversas e seja conduzida de forma adequada beneficia o aluno 
e capacita a escola no trato com a diversidade. (FARIAS, 2020). 
O enriquecimento curricular pode ser realizado, segundo Sabatella (2005, p. 124):
● Pelo professor da turma, em sala de aula, adotando estratégias e técnicas de 
ensino variadas;
73UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
● Por professor especialista, realizada em núcleo de recursos especiais, com 
atividades paralelas às desenvolvidas em classe;
● Pela montagem de um currículo totalmente enriquecido como consequência do 
conteúdo aprofundado, usado, individualmente, para os talentos específicos ou 
em classe comum, sem quebra da unidade do programa. 
Sabatella (2005) ressalta ainda que esses programas podem tomar formas varia-
das, como a inclusão de novas unidades de estudo, permitindo que o aluno acelere o 
currículo; o estímulo à pesquisa, por meio da utilização de mais fontes de informação e do 
desenvolvimento de projetos específicos para áreas de conhecimento diversas. 
No entanto, considerando a realidade das escolas públicas brasileiras, é possível 
reconhecer a dificuldade do professor da classe comum em realizar um programa de enri-
quecimento curricular. O que muitas vezes acontece é a utilização de uma maior quantidade 
de atividades ou o crescimento no conteúdo programático, sem levar em conta a qualidade 
do que se oferta. (FARIAS, 2020). 
Em um programa de enriquecimento, Farias (2020, p. 164) relata que “[...] é essen-
cial que o aluno tenha liberdade nas escolhas do que deseja estudar, de acordo com sua 
área de interesse, e que utilize o estilo de estudo que mais gosta e aprenda de forma muito 
mais independente”. Na perspectiva apresentada, o professor é o facilitador e o orientador 
do estudo e da pesquisa do aluno. 
Atenção! Caro(a) estudante, é interessante que o trabalho de enriquecimento cur-
ricular seja realizado de forma articulada entre o professor da classe comum e o professor 
da sala de recursos multifuncionais. 
SAIBA MAIS
Para saber mais sobre possibilidades pedagógicas e enriquecimento curricular, acesse 
a biblioteca virtual, indicamos a leitura do capítulo 5 do livro intitulado “Altas habilidades: 
superdotação”, de Paula M. Y. Sakaguti, de 2020, no qual a autora aborda os caminhos 
e possibilidades pedagógicas com eficiência nos alunos indicados com altas habilida-
des/superdotação. 
Fonte: SAKAGUTI, P. M. Y. Altas habilidades: superdotação. Curitiba: Contentus, 2020. https://plataforma.
bvirtual.com.br/ 
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/181948/pdf/0?code=fur0OKnJY5Z2Q8TijRhXhahu/T8zRLhFmeq43MTDNgBFQ015BcF5WirPgFt7iykcqJC7OlVYGVx9gxz63ZihJg==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/181948/pdf/0?code=fur0OKnJY5Z2Q8TijRhXhahu/T8zRLhFmeq43MTDNgBFQ015BcF5WirPgFt7iykcqJC7OlVYGVx9gxz63ZihJg==
74UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) acadêmico(a).
Chegamos ao final de nossa unidade, no qual entendemos que existem muitas 
características comuns nas pessoas com altas habilidades/superdotação, mas, justamente 
por não se tratar de um grupo homogêneo, esses traços e características se apresentam de 
formas e intensidades diferentes. Por isso, é grande o desafio de diagnosticar ou identificar 
esse aluno, mas a legislação brasileira já estabeleceu algumas listas e características para 
ajudar os professores de todo o país a avaliarem e identificarem seus alunos com alto po-
tencial de superdotação. Vimos ainda, que as diferenças entre alguns dos principais termos 
utilizados no ambiente do aluno especial, no qual foi possível entender as diferenças entre 
crianças precoces, criança prodígio, criança com talento, criança gênio. Tivemos também a 
oportunidade de estudar o processo de identificação do aluno com AH/SD que depende de 
muitos e variados fatores e conhecemos alguns dos esforços da Secretaria de Educação 
Especial do Ministério da Educação em sanar as lacunas para nomenclatura e identificação 
da pessoa com altas habilidades/superdotação. Constatamos além disso da importância do 
envolvimento da escola como um todo e, de modo especial, dos professores da classe comum 
e da sala de recursos multifuncionais em uma ação articulada, que visa ao atendimento às 
necessidades educacionais desse público, bem como entendemos como o enriquecimento 
curricular é atraente ao aluno superdotado, seja ele superdotado acadêmico escola, musical 
entre outro. Se corretamente atendidos, esses alunos ficarão motivados e utilizarão o máximo 
de seu potencial na construção e aquisição de informação e conhecimento. 
Assim, convidamos você, acadêmico(a) interessado(a), a consultar as indicações 
de leitura complementar, filmes e as referências, de modo a aprofundar seu conhecimento.
Boa leitura!
75UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
LEITURA COMPLEMENTAR
Para a nossa leitura complementar indicamos o material intitulado “Planejamento 
de ensino: estratégias estimulantes para o ensino do estudante com altashabilidades ou 
superdotação”, do governo do estado de São Paulo, cidade de Bauru. Disponível em 
http://ead.bauru.sp.gov.br/efront/www/content/lessons/68/Planejamento%20
de%20Ensino_PDF.pdf
Boa leitura!
http://ead.bauru.sp.gov.br/efront/www/content/lessons/68/Planejamento%20de%20Ensino_PDF.pdf
http://ead.bauru.sp.gov.br/efront/www/content/lessons/68/Planejamento%20de%20Ensino_PDF.pdf
76UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Altas Habilidades na Escola: Identificar para não discriminar.
Autor: Maria da Graça Rezende Mendes.
Editora: Appris.
Sinopse: No Brasil, um número muito pequeno de alunos é apon-
tado com perfil de altas habilidades, devido às dificuldades de 
identificação que ocorrem nas escolas. A falta de informação dos 
professores e de grande parte da sociedade provoca concepções 
errôneas , e produz alguns problemas pelas dúvidas acerca desta 
temática. Esse trabalho discute o papel do professor no contexto 
da educação atual, que deveria ser inclusiva, com ênfase nas 
altas habilidades, e destaca resultados de pesquisa que indicam, 
falta de conhecimento e/ou preparo do docente levando a não 
identificação da população que apresenta essas habilidades, e, 
consequentemente, ao desperdício de seu potencial.
FILME/VÍDEO 
Título: Uma Mente Brilhante
Ano: 2001
Sinopse: John Forbes Nash Jr. é reconhecido como gênio da 
matemática aos 21 anos. Cedo, casa-se com uma bela mulher, 
mas logo começa a dar sinais de esquizofrenia. Após anos de luta 
contra a doença, ele acaba ganhando o prêmio Nobel.
77
Plano de Estudo:
● Aspecto pessoal e social da pessoa com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD).
● Desenvolvimento de habilidades básicas da criatividade.
● Desenvolvimento cognitivo e emocional da pessoa com Altas Habilidades/
 Superdotação (AH/SD).
Objetivos da Aprendizagem:
● Abordar aspecto pessoal e social da pessoa com Altas Habilidades/
Superdotação (AH/SD).
● Tratar o desenvolvimento de habilidades básicas da criatividade.
● Discutir o desenvolvimento cognitivo e emocional da pessoa com 
Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD).
UNIDADE IV
Altas Habilidades / Superdotação : 
Promovendo Potencialidades
Professora Me. Fabiane Fantacholi Guimarães
78UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
INTRODUÇÃO
Caro(a) acadêmico(a).
Seja bem-vindo(a) a Unidade IV, intitulada “Altas habilidades/superdotação: pro-
movendo potencialidades”, da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Altas 
Habilidades/Superdotação do Curso de Graduação em Educação Especial. 
Nesta unidade, vamos abordar aspectos referentes ao desenvolvimento pessoal 
e social dos alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD), compreendendo que 
não se trata de um grupo homogêneo, como já apresentado anteriormente, mas singular. 
Portanto, não é possível assegurar que todos se desenvolvem da mesma forma. Também 
vamos tratar do desenvolvimento da criatividade, uma característica presente na maioria 
dos alunos com AH/SD, mas que, se não estimulada adequadamente, pode tornar esses 
indivíduos imperceptíveis. Sem dúvida, o desenvolvimento da criatividade tem representado 
um desafio para pais e professores. Vamos, ainda, discutir ainda os de desenvolvimentos 
cognitivo e emocional do indivíduo com AH/SD, provando que nem sempre eles ocorrem 
concomitantemente, inclusive apresentando descompasso na maioria dos casos, o que 
pode acarretar problemas emocionais e comportamentais na criança. 
Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema 
de nossa quarta unidade.
Boa leitura!
79UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
1. ASPECTO PESSOAL E SOCIAL DA PESSOA COM ALTAS HABILIDADES/ 
 SUPERDOTAÇÃO (AH/SD)
Os alunos com AH/SD não enfrentam barreiras ao ingressarem na escola comum, 
até porque, em alguns casos, a identificação só acontece na entrada da criança na escola. 
Muitas vezes, contudo, eles passam despercebidos, sem o atendimento de suas necessi-
dades. Não é incomum que esse aluno se desinteresse pela escola, por falta de motivação 
oriunda da forma como a escola organiza seu tempo e espaço. No imaginário popular, as 
crianças superdotadas não têm nenhuma dificuldade e sempre terão sucesso pela inteli-
gência privilegiada e pela rapidez no aprendizado. (FARIAS, 2020).
No entanto, a falta de atendimento adequado às suas necessidades pode atrapalhar 
o desenvolvimento dos aspectos cognitivos, psicológicos e sociais, porque tais crianças têm 
necessidades que precisam ser atendidas assim como qualquer outra de sua idade. Uma 
das exigências que impactam, de modo especial, é o sentimento de falta de pertença, já 
que muitas vezes são incompreendidas, pois percebem a diferença que têm em relação ao 
grupo. A superioridade que apresentam pode causar rejeição dos colegas por sentirem-se 
inferiores. (FARIAS, 2020).
Alencar (2007) alerta que os programas criados para o atendimento desse público 
enfatizam os aspectos cognitivos em detrimento do desenvolvimento emocional e social, 
que devem ser tratados para o ajustamento necessário ao ambiente e para o desenvolvi-
mento da autoestima do aluno. A autora assegura que “[...] uma atenção significativamente 
80UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
menor tem sido dirigida ao desenvolvimento afetivo, como sentimentos, valores, motivação, 
atitudes e autoconceito”. (ALENCAR, 2007, p. 371-372). A assincronia produzida pelo “[...] 
descompasso entre o desenvolvimento intelectual e o emocional é também fonte de tensões 
e origem de desajustamento e quanto maior o grau de assincronia, maior a probabilidade 
de problemas de ajustamento de ordem social e emocional”. (SILVERMAN, 2002 apud 
ALENCAR, 2007, p. 374).
Para Landau (1990 apud ALENCAR, 2007), é importante a compreensão e o tra-
balho com esse indivíduo, no sentido de ajudá-lo a enfrentar a irregularidade entre o seu 
progresso mental e sentimental, caso contrário, ele se sentirá mais solitário e dividido. As 
dificuldades de interação levam crianças e adolescentes com AH/SD a buscar parceiros 
entre pessoas mais velhas, com nível intelectual semelhante ou com o mesmo tipo de 
interesse. De modo especial na adolescência, o sentimento de não pertencimento ao grupo 
leva o indivíduo a isolar-se, realizando atividades individuais.
Diante de tantos enfrentamentos, não é incomum que alunos com AH/SD neguem 
suas habilidades e seu potencial para que possam ser menos diferentes diante do grupo e, 
consequentemente, mais aceitos. (FARIAS, 2020).
O comportamento dos superdotados pode também afetar seus relacionamentos, 
pois acaba por atrapalhar a aula em razão de suas experiências avançadas e seu conhe-
cimento superior. A forma como a escola se organiza não estimula a produção intelectual e 
criativa, mas perpetua a reprodução. Essa sistematização não respeita o estilo e a singula-
ridade de cada aluno. (FARIAS, 2020).
Diante do exposto, é necessário que família e escola proporcionem esforços no 
sentido de reconhecer, apoiar e estimular indivíduos com AH/SD. Para tanto, é necessário 
que sejam orientados a respeito das características desses indivíduos, no que diz respeito 
aos aspectos cognitivos, sociais e emocionais. Isso tem acontecido de forma muito limitada, 
tanto no Brasil quanto no contexto mundial.
Nesse ponto de vista, caro(a) estudante, compreender esses indivíduos é uma 
tarefa conjunta de pais e professores, para que os alunos com AH/SD se sintam aceitos e 
parte integrante da sociedade.
81UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
2. DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES BÁSICAS DA CRIATIVIDADE
O interesse pela investigação da criatividade é recente, considerando que muitos 
estudiosos a interpretavam como um traço inato, não passível de alteração. A carênciade análise dessa característica ocorreu em razão da ideia de que era uma particularidade 
que não representava problemas e, ao mesmo tempo, acreditava-se que, ao discutir a 
inteligência, também eram discutidos todos os aspectos do funcionamento mental. 
Já a inteligência é alvo de muitos estudos tempos antes de sequer se imaginar que 
a criatividade poderia ser pesquisada. Uma das razões atribuídas a isso, segundo Alencar 
(1986), era o entendimento de que a inteligência era atributo de qualquer pessoa - diferen-
temente da criatividade, que era prerrogativa de alguns poucos privilegiados e considerada 
até um dom. Assim, a criatividade era tida como um lampejo de inspiração não mensurável; 
e a inteligência, passível de ser medida. 
A partir da década de 1950, de acordo com Alencar (1986) o interesse pelas caracte-
rísticas dos indivíduos criativos começou a aumentar, de modo especial em relação a fatores 
ambientais e à criatividade, tanto na infância quanto na fase adulta. Os estudiosos da época 
já reconheciam a necessidade de condições favoráveis ao desenvolvimento da criatividade. 
Wechsler (1988) elenca oito abordagens pelas quais a criatividade teria passado, 
que podem ser conferidas no quadro 1, a seguir.
82UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
QUADRO 1 - ABORDAGENS CONCEITUAIS DA CRIATIVIDADE 
Abordagem Teórico de 
referência
Principais pressupostos
Filosófica Platão A criatividade era considerada um processo 
de inspiração ou de razão divinas. para os 
gregos também foi associada à loucura, o 
que por vezes ainda é considerada. 
Biológicas Darwin Influenciada pela teoria evolucionista, é 
considerada uma força inerente à vida, com 
forte componente hereditário.
Psicológica 1. Skinner 
(associativa)
2. Freud 
(psicanalítica)
3. Rogers 
(humanista)
4 Piaget 
(desenvolvimentista)
 
1. Processo de associação entre estímulos 
e respostas.
2. Forma inconsciente de solução de pro-
blemas.
3. As pessoas criativas possuem cinco ca-
racterísticas básicas: tolerância à ambigui-
dade; ausência de rigidez; confiança nos 
sentimentos e na intuição; procura de autor-
realização e, por fim; busca constante por 
aprimoramento da personalidade.
4. A criatividade se integra à inteligência no 
processo de acomodação.
Psicofisiológica Não informado A criatividade está atrelada ao funciona-
mento dos hemisférios cerebrais. Sabe-se 
hoje que ambos os hemisférios estão envol-
vidos na criatividade.
Sociológica Amábile Motivação intrínsecas e extrínseca são fato-
res determinantes da criatividade. 
Psicodélicas Khatema Enfatiza a importância da expansão da 
consciência, mediante o uso de psicotrópi-
cos, relaxamento, meditação e hipnose.
Instrumental Sternberg e Lubbart Analisa a criatividade como produto.
Fonte: Elaborado com base em Wechsler (1988).
Atualmente, compreende-se que a criatividade está comumente presente nas 
pessoas com AH/SD e, embora se reconheça que eles sejam um grupo heterogêneo, en-
contramos autores que concordam que algumas características são mais frequentemente 
encontradas neste grupo. Essas características podem ser divididas em: de comportamen-
to, de aprendizagem e de pensamento criativo. (FARIAS, 2020). 
Na figura 1 apresentamos cada característica apresentada por Faria (2020) presen-
tes nas pessoas com AH/SD: 
83UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
FIGURA 1 - CARACTERÍSTICA PRESENTES NAS PESSOAS COM AH/SD.
Fonte: Elaborado com base em Farias (2020, p. 179 - 180). 
Alencar (1986) elenca traços especiais em relação à criatividade, como espontaneida-
de, iniciativa, independência e curiosidade. A autora ressalta que o meio tem importância funda-
mental no desenvolvimento de tais traços e, quanto mais o contexto do indivíduo reforçá-los e 
cultivá-los, mais produções criativas ocorrerão. Alguns fatores facilitam, de modo especial, tanto 
o aprimoramento da criatividade quanto a aceitação desses indivíduos na sociedade. 
Farias (2020) afirma, que existe uma necessidade urgente de um ambiente mais 
favorável ao desenvolvimento da criatividade, mas, a organização da sociedade capita-
lista e, mais especificamente, da escola ainda privilegiam a perpetuação da repetição 
e do cumprimento de padrões estabelecidos que não têm como valores a liberdade, a 
autonomia e a independência. Sentir-se livre é essencial para os indivíduos criativos, as-
sim, eles não admitem a relação de dependência com as demais pessoas, pois precisam 
sentir-se donos de seus atos.
No entanto, é importante ressaltar que nem sempre essas características são bem 
aceitas pela sociedade; na verdade, os suportados vivem um constante enfrentamento com 
a desconformidade, oriunda da divergência, que se caracteriza pela capacidade de criar 
respostas novas, das diferentes soluções. (FARIAS, 2020). 
84UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
Logo, é necessário o aprendizado de como lidar com pressões sociais, consideran-
do a natureza inovadora e original inerente a esses indivíduos. Embora as características da 
pessoa criativa sejam benéficas para seu desenvolvimento, favorecendo a aprendizagem 
e as interações sociais, muitas vezes podem tornar-se um entrave no sentido da aceitação 
social, ou seja, se o ambiente for intolerante com o diferente, pode causar um isolamento 
social do aluno criativo e, muitas vezes, levá-lo ao abandono escolar. (FARIAS, 2020). 
Lembre-se! Caro(a) estudante, é importante ter claro que uma criança criativa 
ainda é uma criança e, portanto, precisa ser respeitada e valorizada em sua condição. Ela 
necessita de um ambiente acolhedor e incentivador, uma vez que, se não for atendida, 
pode desinteressar-se e inibir seu potencial criador. 
Mas caro(a) estudante, o que é criatividade? A criatividade é um fenômeno multifa-
cetado e, por isso mesmo, difícil de definir. A própria literatura sobre o tema aponta para a 
dificuldade de se obter uma definição única, que satisfaça esse amplo campo de pesquisa. 
Fayga Ostrower (1920-2001), renomada artista plástica brasileira, defende que a 
criatividade é inerente à condição humana; assim, todos nós somos criativos, embora em 
graus diferentes. Portanto, criar é basicamente dar forma a algo novo, o que pode acontecer 
em qualquer campo de atividade, e não apenas nas artes. (VIRGOLIM, 2019). 
Paul Torrance (1915-2003), da Universidade da Georgia, destaca o processo envol-
vido no ato de criar. Para Torrance a criatividade abrange todos os sentidos - visão, olfato, 
audição, sensação e paladar - e o próprio método científico na busca de informações, na 
avaliação, na testagem de hipóteses e na comunicação de resultados. (VIRGOLIM, 2019). 
Outra definição bastante interessante é a de Ruth Noller (1922-2008), pesquisa-
dora do Centro Internacional para Estudos em Criatividade, da Universidade de Buffalo. 
Ela afirma que a criatividade é uma atitude (ou seja, uma ação ou disposição em fazer, em 
perceber a vida) e se refere a um produto novo, relevante pelo menos para a pessoa que o 
cria. Nesse processo, estão envolvidos também o conhecimento (pois não se cria do nada, 
há sempre algum conhecimento anterior que dá a base à nova descoberta), a imaginação 
(essencial para a novidade do processo) e a avaliação (a crítica ajuda a refinar o produto 
final). (VIRGOLIM, 2019). 
Então… caro(a) estudante, quais são os componentes essenciais para que o 
ensino da criatividade seja efetivo? Para responder essa pergunta, utilizamos os autores 
Cray-Andrewes e Baum (1996 apud VIRGOLIM, 2019), no qual apontam três componentes: 
o ambiente, que deve estimular a criança a usar suas habilidades criativas de resolução 
de problemas; o indivíduo, que deve apresentar uma prontidão emocional para lidar com o 
desafio e para desenvolver os aspectos básicos da criatividade (fluência, flexibilidade, origi-
nalidade e elaboração); e o currículo, que permite ideias criativas, imaginativase originais. 
85UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
Assim, para um ensino mais criativo e estimulador, o professor precisa modificar sua 
postura autoritária para adotar uma atitude de facilitador. Wechsler et. al. (2007) apontam 
para onze características do professor nesse processo: 
1. Ser apaixonado por sua área de ensino.
2. Estar aberto a novas ideias.
3. Aceitar quebrar hábitos e tradições.
4. Ser uma pessoa ousada.
5. Confiar nas suas ideias
6. Descobrir seus próprios talentos.
7. Estar disposto a se divertir com seus alunos.
8. Permitir que sejam apresentadas ideias diferentes das suas.
9. Conseguir ser um bom ouvinte.
10. Priorizar os elogios às críticas.
11. Propor atividades que estimulem a imaginação.
No mesmo sentido, Amabile (1989 apud VIRGOLIM, 2019, p. 229) lista os aspectos 
de uma filosofia que encoraja a criatividade na sala de aula:
● Aprender é muito importante e pode ser muito divertido.
● A sala de aula deve ser um local no qual a criança se sinta confortável e estimu-
lada, sem tensão ou pressão.
● É melhor cooperar do que competir.
● A sala de aula é responsabilidade de todos e todos devem cooperar para sua 
organização.
● Limites são importantes. As regras em sala de aula devem ser estabelecidas 
conjuntamente entre alunos e professores, preservando a atmosfera criativa.
● Alunos devem respeitar seus professores, sentindo-se confortáveis em sua 
presença.
● O ambiente deve permitir que os alunos se sintam livres para discutir seus pro-
blemas com professores e colegas.
● O professor deve deixar muito claro as áreas nas quais não há respostas certas 
nem erradas e nas quais as opiniões diferentes, os estilos distintos de pensar e 
as abordagens diversas são igualmente válidos.
● Experiências de aprendizagem devem ser relacionadas ao mundo real sempre 
que possível, a fim de que faça sentido para a criança.
● A aprendizagem é mais fácil quando relacionada às áreas fortes de cada um.
● Cada aluno tem seu estilo preferencial de aprender; a tolerância à adversidade 
deve ser estimulada.
86UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
Em síntese, caro(a) estudante, educar com criatividade é fundamental, pois ter 
um ambiente estimulador e ideal para a aprendizagem seria aquele no qual as crianças 
procuraram, desde pequenas, estabelecer suas próprias metas, ultrapassar seus próprios 
limites, buscar satisfação em suas atividades diárias e aprender a assumir responsabilida-
des por suas próprias opções, fortalecendo sua autoestima num processo fluídico. 
87UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
3. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E EMOCIONAL DA PESSOA COM ALTAS 
 HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO (AH/SD) 
O conhecimento limitado que se tem acerca da pessoa com AH/SD contribui para a 
criação de mitos sobre eles, tornando-os invisíveis para a família e para a escola e, logo, sem 
atendimento às suas necessidades. Essa falta de reconhecimento influi de forma expressiva 
no desenvolvimento psíquico, emocional e social no decorrer de sua trajetória de vida.
Caro(a) estudante como sabemos a família, tem papel importante no desenvolvi-
mento emocional e social dos indivíduos com AH/SD. Em muitas situações, não se sabe 
como lidar com as crianças superdotadas, pois elas demonstram mais curiosidade, mais 
rapidez de pensamento, dificuldades em aceitar regras, entre outras características. Tais 
comportamentos causam dificuldades familiares na rotina diária e no convívio com amigos, 
parentes e pessoas das comunidades das quais participam. Frequentemente, esses indiví-
duos sentem-se entediados e não sabem como lidar com esse sentimento, já que não têm 
maturidade emocional, o que causa estresse na família. (FARIAS, 2020). 
A falta de regularidade entre o desenvolvimento intelectual e o emocional do indiví-
duo é chamado de assincronia e “[...] caracteriza-se por não estar em concomitância com os 
pares ou ainda ter um desenvolvimento desigual entre os aspectos intelectual e emocional, 
bem como entre a idade mental e a cronológica”. É muito provável que “[...] esse fator cause 
sofrimento, pois o indivíduo, mesmo que criança, pode pensar como adolescente ou adulto” 
e, apesar de em alguns momentos “[...] apresente muita maturidade, em outros, suas ações 
demonstram a idade real, como as outras crianças”. (FARIAS, 2020, p. 186-187). 
88UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
REFLITA
Deixamos aqui algumas reflexões para você acadêmico(a):
Será que as crianças superdotadas já nascem assincrônicas?
Será que a vulnerabilidade emocional é marcada fundamental e constituinte da super-
dotação? 
Fonte: Virgolim (2019, p. 197). 
SAIBA MAIS
Caro(a) acadêmico(a) vamos descobrir mais sobre assincronia.
O conceito de assincronia como parte integrante do indivíduo superdotado veio recente-
mente a ser debatido e criticado por duas pesquisadoras nacionais. 
Uma delas é Paula Mitsuyo Yamasaki Sakaguti (2017), que, ao pesquisar crianças su-
perdotadas e suas famílias, concluiu que o assincronismo se origina na falta de alterida-
de nas relações, que tratam o indivíduo como vulnerável, desajustado ou problemático. 
No seu estudo com famílias com interações qualitativamente positivas – onde predo-
minam indicadores de relações positivas, harmônicas, estáveis, plenas de confiança e 
manifestações de alteridade – preponderam o reconhecimento da heterogeneidade, das 
diferenças que constituem este grupo de pessoas com AH/SD e, sobretudo, da valida-
ção dos sentimentos dos filhos. 
Na mesma linha de pensamento e base teórica, temos Karina Inês Paludo (2018) pes-
quisou as relações ditas assincrônicas em um grupo de crianças superdotadas esco-
lhidas aleatoriamente em um programa especial para as altas habilidades, com foco 
nas relações de amizades que elas formavam na escola. Os dados dessa pesquisa-
dora também mostraram o assincronismo como um fator relacional, que era percebido 
apenas nas crianças que tinham dificuldade em fazer amizades (o que, na verdade, se 
constitui num grupo muito pequeno de sua amostra).
A grande maioria das crianças e dos adolescentes do seu estudo apresentavam bom 
ajustamento social e emocional, com fortes relações de amizade e com capacidade 
de estabelecer vínculos afetivos duradouros. Além disso, no estudo de Paludo (2018), 
ficou evidente que o contexto social funciona como uma fonte de aprendizagem, tanto 
89UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
de conhecimentos de mundo quanto de conhecimentos de si mesmo, o que demarca a 
identidade superdotada. Paludo (2018) conclui que a condição comumente denominada 
assincronismo pode existir em superdotados; porém, a causa dessa condição não pode 
ser previamente condicionada à identidade superdotada. Defende-se aqui ser neces-
sário considerar tal fenômeno a partir de um prisma interacional, contextual, no qual se 
crê que as manifestações do indivíduo estão sob influência histórica e social, da inter-
-relação das características individuais do sujeito superdotado com o meio no qual se 
está inserido. Infere-se que não são os atributos “per se” do superdotado que evocam 
o assincronismo; antes, a ineficiência do contexto de responder e interagir com suas 
características e suas necessidades. 
Fonte: Sakaguti (2017) e Paludo (2018). 
Virgolim (2019), expõe que o assincronismo fala da sensibilidade e da vulnerabilida-
de da criança ou do adolescente que não é aceito pela família, escola ou sociedade, cujas 
relações sociais são permeadas pelas disfuncionalidade e não aceitação dos traços de 
personalidade da pessoa AH/SD. Assim, seria a ineficiência do contexto social em atender 
às necessidades cognitivas, emocionais e sociais do AH/SD o verdadeiro fator responsável 
pela manifestação do assincronismo. 
Logo, o contexto no qual a criança vive exerce influência importante,pois é nele que 
ela se constitui como sujeito e se desenvolve em todos os aspectos. Um desses campos 
é o familiar e, como já vimos caro(a) estudante, a família tem uma atuação fundamental 
no equilíbrio desse indivíduo, pois “[...] o entorno familiar que enfatiza relações de apoio e 
abertura, com baixo conflito entre seus membros, é importante para autoestima e o ajuste 
geral das crianças AH/SD”. (CALLAHAN et al., 2004, p. 2 apud FARIAS, 2020, p. 187).
A escola é outro ponto importante, ou melhor, um lugar importante, pois se refere 
não só ao professor, mas também a todos que trabalham nela e aos colegas, bem como à 
forma como ela organiza seu tempo e espaço, ao currículo e às metodologias adotadas. Do 
mesmo modo que a família, já citada anteriormente, os professores precisam de informações 
e orientações, e, muitas vezes, não estimulam ou incentivam os alunos com AH/SD, negligen-
ciando o desenvolvimento de suas habilidades. Esse contexto induz o aluno à desatenção e à 
desmotivação. Muitas vezes, sua reação à forma precária como a escola conduz os processos 
formativos é mal interpretada, levando a diagnósticos equivocados de deficiência ou distúrbios 
de aprendizagem, como déficit de atenção, autismo, entre outras. (FARIAS, 2020). 
90UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
Para Farias (2020, p. 188), “[...] o nível elevado de habilidades e competências 
nem sempre indica sucesso profissional, porque a instabilidade emocional pode acarretar 
indecisão nas escolhas e insatisfação pessoal do indivíduo com AH/SD”. Além do mais, 
“[...] ainda existe a pressão exercida pela família e pela escola, que tem altas expectativas 
em relação ao sucesso desse indivíduo”. Portanto, as pessoas com AH/SD precisam se 
sentir apoiados na escolha da sua carreira, que deve ser feita com muito zelo, de modo que 
sua vida laboral possa satisfazer e proporcionar um desenvolvimento constante de suas 
habilidades e talentos.
Para tanto, o acompanhamento nos dois campos: familiar e escolar contribui para 
que o indivíduo tenha uma percepção melhor de si mesmo, identificando suas diferenças 
e as compreendendo; além do mais, sentir-se acolhido e respeitado fortalece sua perso-
nalidade e favorece o desenvolvimento de suas potencialidades, pois, ao estruturar-se 
emocionalmente, esse indivíduo estará preparada para enfrentar os desafios da sociedade 
e ter sucesso profissional. (FARIAS, 2020). 
Caro(a) estudante, este ponto é importante! Crianças com AH/SD podem se sentir 
inferiores quando não têm um conceito adequado de si mesmas e não entendem suas 
diferenças, então muita atenção neste ponto. 
De acordo com Mendaglio (2008 apud FARIAS, 2020, p. 189), “a construção da 
personalidade do indivíduo ocorre por meio das experiências que vivencia; não é um atribu-
to fixo, mas sim deve ser modelado pela pessoa, refletindo seu caráter único”, no qual essa 
construção se dá pela vivência de emoções positivas e negativas que surgem no cotidiano.
Sendo assim, Farias (2020) relata que o desenvolvimento do indivíduo evolui de 
um nível primitivo a um nível superior e avançado, o qual o sofrimento - que causa conflitos 
internos ajuda - a alcançar. Mas, há que se ressaltar a relevância dos auxílios de rede inter-
disciplinar de profissionais que facilitem o processo do indivíduo de vivenciar as emoções 
positivas e negativas, considerando sua imaturidade emocional. Nesse caminho, é impor-
tante estar atento a alguns recursos psicológicos que poderão ser úteis nesse processo, 
como o reconhecimento das habilidades e dos talentos especiais e a motivação individual 
para alcançar o ideal de personalidade.
Em síntese, caro(a) estudante, é importante que a família e a escola estejam 
abertas e atentas nesse processo de formação e, considerando que ele perdura por toda 
a vida, é importante que exista uma melhor compreensão do potencial do indivíduo e das 
características que envolvem seus aspectos cognitivos e emocionais no espaço laboral.
91UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
SAIBA MAIS
Para saber mais sobre a relação do desenvolvimento cognitivo, emocional e a vida 
profissional de uma pessoa com altas habilidades/superdotação, indicamos a leitura do 
artigo acadêmico científico dos autores Alberto Abad e Thaís Marluce Marques Abad, 
publicado em 2016, no qual o trabalho teve como objetivo analisar os fatores do de-
senvolvimento cognitivo, ajuste emocional do indivíduo AH/SD e seus impactos na vida 
profissional e laboral.
Boa leitura!
Fonte: ABAD, A.; ABAD, T. M. M. Altas Habilidades/Superdotação: um olhar para o desenvolvimento cog-
nitivo, ajuste emocional e seus impactos na vida profissional. Revista FOCO, v.9, n.2, p. 97-119, ago./
dez.2016. Disponível em file:///C:/Users/agele/Downloads/244-261-1-PB.pdf Acesso em maio de 2021. 
92UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) acadêmico(a).
Chegamos ao final de nossa unidade, no qual tivemos a oportunidade de estudar 
o desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos indivíduos com AH/SD, esclarecendo 
que ele não ocorre de forma concomitante na maioria das vezes, causando um desequilíbrio 
que precisa da atenção de pais e profissionais envolvidos no atendimento desses indiví-
duos, bem como a importância do desenvolvimento da criatividade, no qual é uma das ca-
racterísticas presentes na maioria dos alunos com AH/SD, por isso educar com criatividade 
é fundamental, ter a consciência do processo criador de cada um e entender a criatividade 
para além do âmbito da pessoa significam considerar o ambiente e as possibilidades de 
criação é de extrema importância para o sua aprendizagem. 
Assim, convidamos você, acadêmico(a) interessado(a), a consultar as indicações 
de leitura complementar, filmes e as referências, de modo a aprofundar seu conhecimento.
Boa leitura!
93UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
LEITURA COMPLEMENTAR 
Para a nossa leitura complementar indicamos o texto abaixo retirado do capítulo 
intitulado “Dificuldades emocionais e sociais do superdotado” de 1999.
Boa leitura!
A MULHER QUE SE DESTACA POR UM POTENCIAL SUPERIOR 
Os preconceitos com relação à mulher que se destaca por um potencial superior 
têm sido apontados desde longa data. Na primeira metade deste século predominava, por 
exemplo, na maior parte dos países, a crença de que o único papel apropriado para a mulher 
era a maternidade, que as mulheres eram menos capazes que os homens devido ao ciclo 
menstrual e que as mulheres eram geneticamente inferiores aos homens em inteligência 
(PETERS, 1994). Poucos aceitavam a ideia de que as limitações das mulheres eram mais 
de ordem sociológica e cultural do que biológica.
Dados recentes (REIS, 1987, LUBINSKI; BENBOW; SANDERS, 1993) continuam 
a chamar a atenção para os estereótipos culturais, para as expectativas com relação às 
mulheres e para as fortes pressões que ainda existem, dificultando e mesmo impedindo a 
mulher de ter um papel de destaque e dar contribuições significativas, especialmente em 
áreas tradicionalmente consideradas masculinas. 
Algumas das dificuldades enfrentadas pela mulher foram analisadas anteriormente 
(ALENCAR, 1994b) em um texto onde apontamos as forças sociais que influem no desen-
volvimento e expressão do talento e da produção criativa. Chamamos a atenção especial-
mente para o tratamento que se dá a homens e mulheres na sociedade ocidental, tendo o 
segundo grupo muito menos oportunidade e incentivo para desenvolver e se destacar por 
uma produção mais significativa. Lembramos ainda as forças sociais que operam desde 
o início da vida do indivíduo, ampliando ou limitando as possibilidades de crescimento e 
expressão, modelando os interesses do indivíduo desde os primeiros anos, determinando 
o grau de confiança que desenvolve em si próprio paraoperar em áreas diversas.
Destacamos também algumas exigências impostas pela sociedade que podem 
tornar as circunstâncias praticamente impossíveis para uma produção de alto nível, espe-
cialmente por parte da mulher. Apesar de os obstáculos que impediam a mulher de alcançar 
sucesso acadêmico e profissional estarem sendo progressivamente removidos, muitas das 
barreiras ainda podem ser observadas, como as relacionadas a seguir, que foram objeto de 
94UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
análise por parte de Fox (1979, p. 372). Estas persistem em muitos contextos e contribuem 
para explicar as oportunidades limitadas oferecidas à mulher para sua realização profissio-
nal e acadêmica: 
1. Estereótipos relativos ao papel sexual por parte da família, gerando expectativas 
e aspirações distintas com relação a filhos e filhas, e levando ao cultivo de traços de perso-
nalidade diversos para sujeitos do sexo masculino e feminino. 
2. Estereótipos com relação ao papel sexual por parte de professores, que também 
tendem a desencorajar comportamentos que favorecem o sucesso, como a propensão a 
correr riscos entre alunos do sexo feminino, e a desestimular o estudo avançado de deter-
minadas matérias por parte de amostras femininas. 
3. Estereótipos com relação ao papel sexual predominante na cultura ocidental e 
espelhados nos meios de comunicação e livros-textos. Estes tendem a apresentar a mulher 
como mais adequada para determinadas funções e profissões e apontar determinadas 
atividades como mais apropriadas para o sexo feminino. 
Estes estereótipos, uma vez internalizados, tendem a gerar barreiras internas à 
própria expressão do potencial superior, levando um maior número de mulheres a negar e a 
subestimar os próprios talentos e capacidades. Muitas vezes, para serem aceitas, passam a 
reprimir e a esconder as suas habilidades superiores, recusando oportunidades que lhes são 
oferecidas, o que, às vezes, é acompanhado de sentimentos de solidão, conflito e frustração. 
Sabe-se também que um fator importante para que a pessoa possa aproveitar de for-
ma plena o seu potencial superior em qualquer profissão diz respeito à possibilidade de ter o 
tempo disponível necessário para se dedicar a um projeto maior. Naturalmente, as condições 
diárias de trabalho, o grau de autonomia que se tem para perseguir um dado projeto, o apoio 
para alcançar as próprias aspirações profissionais afetam igualmente a homens e mulhe-
res. No caso das mulheres, entretanto, quando casadas e especialmente quando têm filhos 
pequenos, o encargo no lar é, de modo geral, muito maior, o que pode restringir em muito o 
seu tempo disponível para ocupar um maior número de horas em projetos que exigem uma 
intensa dedicação. Estas se sentem divididas e pressionadas a cumprir de forma adequada 
as responsabilidades domésticas primárias, sentindo-se culpadas quando se absorvem em 
atividades profissionais de forma antagônica às expectativas culturais.
Fonte: ALENCAR, E. M. L.; VIRGOLIM, A. M. R. Dificuldades emocionais e sociais 
do superdotado. In: NUNES SOBRINHO, F. P.; CUNHA, A. C. B. (Org.). Dos problemas 
disciplinares aos distúrbios de conduta: práticas e reflexões. Rio de Janeiro: Qualitymark, 
1999, p. 89-114.
95UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Altas Habilidades/Superdotação - Manual para Guiar o 
Aluno desde a Definição de um Problema até o Produto Final
Autor: Deborah E. Burns - Coordenação e Revisão: Angela Vir-
golim - Tradução: Danielle Lossio de Araújo e Luiane Daufenbach 
Amaral
Editora: Jaruá
Sinopse: Este é um livro essencialmente prático, que busca 
apresentar aos professores, em dez lições, formas, sugestões 
e trajetórias para desenvolver a capacidade de investigação em 
seus alunos, começando na sala regular e se estendendo à sala 
de recursos; e almeja propiciar aos alunos com altas habilidades/
superdotação um melhor entendimento do que se espera deles 
nesses contextos. O manual se encontra embasado no Modelo 
de Enriquecimento Escolar de Joseph Renzulli, que foi adotado 
no Brasil pelo MEC em 2005, quando o Ministério da Educação 
implementou os Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Super-
dotação (NAAH/S) em todos os estados brasileiros. Desta forma, 
as dez lições aqui apresentadas ajudam o professor da sala de 
recursos a desenvolver passo a passo um caminho que perpassa 
pelos interesses individuais do estudante, suas áreas fortes e áreas 
de motivação, para chegar, então, ao delineamento de um projeto 
de investigação, pautado em necessidades reais do mundo atual. 
O estudante é levado a compreender o que significam projetos do 
tipo I (Atividades Exploratórias Gerais), do Tipo II (Atividades de 
Treinamento) e do Tipo III (Investigação de Problemas Reais).
O livro conta ainda com um link com fotos, pôsteres e formulários 
de exercícios que auxiliarão o professor nessa tarefa inicial. 
FILME/VÍDEO 
Título: Mentes Que Brilham
Ano:1991
Sinopse: Mãe solteira de filho superdotado de sete anos, que tra-
balha como garçonete, luta para que o filho leve uma vida normal, 
mas não quer limitar seu potencial, e consente a aproximação de 
uma professora interessada nos talentos do filho.
96
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103UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades
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professores. Campinas: Lamp/PUC, 2007. 
104
CONCLUSÃO GERAL
Chegamos, caro(a) acadêmico(a), ao fim de mais uma pequena jornada, que teve 
como objetivo geral propiciar habilidades e competências para o atendimento educacional de 
alunos com altas habilidades/superdotação. Ao longo das quatro unidades, criteriosamente 
selecionadas para dar sustentação à presente discussão, autores que promoveram uma rica 
interlocução entre: altas habilidades/superdotação: histórico, classificação e legislação; ade-
quações curriculares; altas habilidades/superdotação: caracterização, atendimento educacio-
nal e enriquecimento curricular; altas habilidades/superdotação: promovendo potencialidades. 
Sendo assim, caro(a) acadêmico(a), alcançamos ao final dos nossos estudos rela-
cionados a essa temática, mas reforço o que disse inicialmente, o texto apresentado não 
esgota todas as possibilidades de pensar e refletir acerca das temáticas abordadas. Espero 
que tenha lhe oportunizado momentos importantes e oportunos para a compreensão das 
análises realizadas ao longo da disciplina. 
Desejo a você, estudante, sucesso e inúmeras realizações profissionais. 
Até breve!
 Professora Mestre Fabiane Fantacholi Guimarães
+55 (44) 3045 9898
Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro
CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR
www.unifatecie.edu.br
	UNIDADE I
	Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação
	UNIDADE II
	Adequações Curriculares
	UNIDADE III
	Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular
	UNIDADE IV
	Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades

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