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Atendimento Educacional de Alunos com Altas Habilidades / Superdotação Professora Me. Fabiane Fantacholi Guimarães Reitor Prof. Ms. Gilmar de Oliveira Diretor de Ensino Prof. Ms. Daniel de Lima Diretor Financeiro Prof. Eduardo Luiz Campano Santini Diretor Administrativo Prof. Ms. Renato Valença Correia Secretário Acadêmico Tiago Pereira da Silva Coord. de Ensino, Pesquisa e Extensão - CONPEX Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza Coordenação Adjunta de Ensino Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo Coordenação Adjunta de Pesquisa Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme Coordenação Adjunta de Extensão Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves Coordenador NEAD - Núcleo de Educação à Distância Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal Web Designer Thiago Azenha Revisão Textual Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Kauê Berto Projeto Gráfico, Design e Diagramação André Dudatt 2021 by Editora Edufatecie Copyright do Texto C 2021 Os autores Copyright C Edição 2021 Editora Edufatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permi- tidoo download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP G963a Guimarães, Fabiane Fantacholi Atendimento educacional de alunos com altas habilidades: superdotação / Fabiane Fantacholi Guimarães. Paranavaí: EduFatecie, 2021. 104 p.: il. Color. 1. Superdotados - Educação. 2. Educação especial. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III Título. CDD: 23 ed. 371.95 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 UNIFATECIE Unidade 1 Rua Getúlio Vargas, 333 Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 2 Rua Cândido Bertier Fortes, 2178, Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 3 Rodovia BR - 376, KM 102, nº 1000 - Chácara Jaraguá , Paranavaí, PR (44) 3045-9898 www.unifatecie.edu.br/site As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site Shutterstock. AUTORA Fabiane Fantacholi Guimarães ● Mestre em Metodologias para o Ensino de Linguagens e suas Tecnologias (Universidade Pitágoras Unopar). ● Licenciatura e Bacharel em Pedagogia (CESUMAR). ● Especialista em Psicopedagogia Institucional (Faculdade Maringá) ● Especialista em Educação Especial (Faculdade de Tecnologia América do Sul) ● Especialista em EAD e as Novas Tecnologias Educacionais (UniCESUMAR). ● Especialista em Docência no Ensino Superior (UniCESUMAR). ● Especialista em Tecnologias Aplicadas no Ensino A Distância (UniFCV). ● Professora orientadora de trabalho de conclusão de curso da Pós-Graduação (UniFCV). ● Professora conteudista na área da Educação (UniFCV/UniFATECIE). ● Professora de disciplinas de Pós-Graduação na área da Educação (UniFEV). ● Coordenadora de cursos EAD de Pós-Graduação na área da Educação (UniFCV). ● Supervisora de Cursos EAD de Graduação na área da Educação (UniFCV). ● Psicopedagoga do Núcleo de Atendimento Escolar (NEA). ● Experiência na Educação Básica há 9 anos. ● Experiência no Ensino Superior (presencial e a distância) desde 2012 até os dias atuais. Acesse meu currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/7315666246327967 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Olá, caro(a) acadêmico(a)! Seja bem-vindo(a) à disciplina de ATENDIMENTO EDUCACIONAL DE ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO, para o curso de Licenciatura em Educação Especial. Você já venceu algumas etapas de seu curso e chegou até aqui, meus parabéns! Os objetivos de aprendizagem da disciplina são: ● Contextualizar historicamente inteligência. ● Conceituar altas habilidades/superdotação. ● Conhecer a classificação adotada pela literatura pertinente que caracteriza o aluno com AH/SD. ● Estabelecer a importância da legislação direcionada ao atendimento das altas habilidades/superdotação no Brasil. ● Estudar as premissas básicas do currículo escolar. ● Analisar o currículo escolar pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. ● Estudar as adequações de acesso ao currículo para a escola inclusiva. ● Abordar as caracterização gerais dos alunos com Altas Habilidades/ Superdotação (AH/SD). ● Compreender os tipos de especificidades das pessoas com Altas Habilidades/ Superdotação (AH/SD). ● Estudar as formas de atendimento educacional e a importância do enriquecimento curricular. ● Abordar aspecto pessoal e social da pessoa com Altas Habilidades/ Superdotação (AH/SD). ● Tratar o desenvolvimento de habilidades básicas da criatividade. ● Discutir o desenvolvimento cognitivo e emocional da pessoa com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). Para compor este material, organizamos uma introdução, seguida de quatro unida- des criteriosamente analisadas, selecionadas para dar sustentação à presente discussão, conclusão, referências, leituras complementares, indicações de livros, filmes, entre outros. ● Unidade I, intitulada “Altas Habilidades/superdotação, com os subtópicos: his- tórico, classificação e legislação”, com os subtópicos: Inteligência: o contexto histórico; Conceituando e classificando altas habilidades/superdotação; Legis- lação direcionada ao atendimento das altas habilidades/superdotação no Brasil. ● Unidade II, intitulada “Adequações Curriculares’’, com os subtópicos: Premissas básicas do currículo escolar; Currículo escolar; Adequações de acesso ao currículo. ● Unidade III, intitulada “Altas Habilidades/Superdotação: caracterização, atendi- mento educacional e enriquecimento curricular”, com os subtópicos: Caracteri- zação geral dos alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD); Especifi- cidades das pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD); Formas de atendimento educacional e enriquecimento curricular. ● Unidade IV, intitulada “Altas/Habilidades/Superdotação: promovendo poten- cialidades, com os subtópicos: Aspecto pessoal e social da pessoa com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD); Desenvolvimento de habilidades básicas da criatividade; Desenvolvimento cognitivo e emocional da pessoa com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). Lembre-se, caro(a) estudante, que o texto apresentado não irá esgotar todas as possibilidades de pensar e refletir acerca das temáticas abordadas ao longo da disciplina, mas irá iniciar momentos importantes e oportunos para a compreensão das análises reali- zadas acerca das temáticas propostas. Pensamos que, para além do texto em si, você, estudante, poderá explorar as sugestões de leitura sobre atendimento educacional de alunos com AH/SD. Bom estudo! Sucesso! Professora Mestre Fabiane Fantacholi Guimarães SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 4 Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação UNIDADE II ................................................................................................... 26 Adequações Curriculares UNIDADE III .................................................................................................. 51 Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular UNIDADE IV .................................................................................................. 77 Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades 4 Plano de Estudo: ● Inteligência: o contexto histórico. ● Conceituando e classificando altas habilidades/superdotação ● Legislação direcionada ao atendimento das altas habilidades/superdotação no Brasil. Objetivos da Aprendizagem:● Contextualizar historicamente inteligência. ● Conceituar altas habilidades/superdotação e conhecer a classificação adotada pela literatura pertinente que caracteriza o aluno com AH/SD. ● Estabelecer a importância da legislação direcionada ao atendimento das altas habilidades/superdotação no Brasil. UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação Professora Me. Fabiane Fantacholi Guimarães 5UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação INTRODUÇÃO Caro(a) acadêmico(a). Seja bem-vindo(a) a Unidade I, intitulada “ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTA- ÇÃO: HISTÓRICO, CLASSIFICAÇÃO E LEGISLAÇÃO”, da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Altas Habilidades/Superdotação do Curso de Graduação em Educação Especial. Elaborar esta primeira unidade foi de extrema importância para a reflexão sobre al- tas habilidades/superdotação (AH/SD), pois foi possível apresentar seus conceitos, contex- tualizando historicamente inteligência e tratando de suas principais formas de classificação, bem como a evolução da legislação ao longo dos tempos no Brasil. Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema de nossa primeira unidade. Boa leitura! 6UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 1. INTELIGÊNCIA: O CONTEXTO HISTÓRICO Refletir sobre a inteligência humana é um assunto complexo, haja visto que a ca- pacidade de compreender as ideias, adaptar-se ao meio ambiente e ao pensamento lógico difere-se entre os sujeitos. É válido salientar que o desempenho intelectual de um indivíduo também varia conforme a ocasião e os diferentes domínios e critérios. (FARIAS, 2020). Após esse preâmbulo, cabe ressaltar que inteligência é um vocábulo derivado do latim intelligentia, segundo o mini dicionário da língua portuguesa (FERREIRA, 2010, p. 432) significa: “1. Faculdade ou capacidade de aprender, compreender ou adaptar-se facilmente; intelecto, intelectualidade. 2. Destreza mental; agudeza, perspicácia. 3. Pessoa inteligente.”. Nessa perspectiva, “[...] a palavra inteligência nos remete ao conhecimento, à compreensão e ao entendimento, ou seja, indica a capacidade do sujeito de interligar as ideias que nem sempre estão explicitamente relacionadas”. (FARIAS, 2020, p. 17). Caro(a) estudante para darmos continuidade ao nosso tópico retomaremos as prin- cipais influências filosóficas, sendo elas do período grego, Império Romano, Idade Média e período do Renascimento sobre as questões relacionadas à mente e ao corpo, das quais deveria o interesse pela inteligência. Os gregos foram um dos povos mais evoluídos de sua época. Foi um momento histórico em que ciências como a física, a geometria, a arquitetura e a agricultura evoluíram e permitiram ao homem deixar de se preocupar apenas com sua subsistência e passar a se ocupar com as “coisas do espírito”, como a filosofia e a arte (BOCK et. al.,1999 apud ROCHA, 2020). Assim, é neste período que encontram-se as primeiras tentativas de siste- matizar o pensamento sobre o espírito humano ou sua interioridade. 7UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação Sócrates foi o primeiro filósofo que trouxe ideias mais consistentes sobre o mundo psi- cológico, preocupando-se com o limite que separa o homem dos animais. Para o filósofo, razão seria a capacidade que permite ao ser humano sobrepor-se aos seus instintos, que seria a base da irracionalidade. Estas questões abrem espaço para debates acerca da consciência. Outro filósofo que trouxe contribuições importantes foi Platão, no qual procurou definir um “lugar” para a razão em nosso próprio corpo e concluiu que é na cabeça onde se encontra a alma/mente. Para o filósofo, a inteligência é a mais alta virtude da alma, portanto, ele adota uma concepção mais próxima do que entendemos hoje por sabedoria. (ROCHA, 2020). Aristóteles, discípulo de Platão, adota a concepção de que corpo e alma são in- dissociáveis, em que a alma era o princípio ativo da vida, presente em todos os vegetais, animais e seres humanos. Assim, os vegetais seriam dotados de uma alma vegetativa, cuja função é alimentação e reprodução. Já nos animais, a alma seria sensitiva, com a função de percepção e movimentação. E o ser humano seria compreendido com os dois níveis an- teriores mais a alma racional, cuja principal função é o pensar, relacionado a característica de inteligência. (ROCHA, 2020). No período seguinte, a Idade Média, fortemente marcado pelo cristianismo e pela dominação da Igreja, inteligência e racionalidade foram ligadas ao conhecimento religioso. Santo Agostinho e São Tomás de Aquino destacam-se neste período. Santo Agostinho, inspirado em Platão, acreditava que a alma (mente) não era apenas a sede da razão ou pensamento, mas a manifestação divina no homem. Assim, este foi um tema que despertou o interesse da Igreja, que passou a se preocupar com sua compreensão. São Tomás de Aquino viveu em um momento histórico diferente, de transição, quando os conhecimentos produzidos pela Igreja passaram a ser questionados. No entanto, o conhecimento científico não apresentou grandes avanços, e, em linhas gerais, os filósofos do período perceberam a inteligência como o julgamento das qualidades e virtudes de uma pessoa, ou seja, a pessoa inteligência seria aquela capaz de usar suas habilidades para tornar-se melhor, buscando o conhecimento e a verdade, características estas muito relacionadas aos valores e princípios do cristianismo. (ROCHA, 2020). Foi no período do Renascimento, com as ideias de René Descartes (racionalismo), John Locke (empirismo) e Immanuel Kant (criticismo), que um avanço no conhecimento científico de fato aconteceu. Com a concepção de que o ser humano é composto de uma substância material, e também uma substância pensante, e, portanto, que o corpo despro- vido do espírito é apenas uma máquina, avanços na anatomia foram possíveis. (BOCK et. al.,1999, apud ROCHA, 2020). 8UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação Até então, pensamento e inteligência eram considerados inatos, concepção que apenas mudou após as ideias de Locke. Segundo o filósofo, a mente relaciona-se a uma tábula rasa, na qual as experiências do indivíduo ao longo da vida seriam responsáveis pela construção de seu conhecimento. A partir disso, então, houve maior enfoque nas categorias mentais que possibilitam o entendimento sobre a realidade, e uma nova forma de enten- der os aspectos cognitivos surgiu, referindo-se à mente humana como um criador ativo de experiências, e não apenas um construto passivo dos sentidos. Assim, tal concepção despertou o interesse da comunidade científica, afinal, identificar e desenvolver o potencial intelectual possibilita avanços na área. (ROCHA, 2020). Até o século XIX, no quadro do domínio da escola filosófica empirista e associacio- nista, “[...] à inteligência é atribuído o carácter de associação de ideias simples provenientes da experiência, e as diferenças que se observam na inteligência, como noutras faculdades humanas, são decorrentes do exercício ou da prática [...]. (AFONSO, 2007, p. 18). A partir do século XIX, houve um aumento no interesse de desvendar os mistérios da inteligência humana e os precursores das teorias que surgiram sobre esse aspecto fo- ram Herbert Spencer (1820-1903) e Francis Galton (1822-1911). O segundo defendia que a inteligência consistia no reflexo de habilidades sensoriais e perspectivas, as quais eram geneticamente transmitidas. O crédito por tal hipótese também deve ser atribuído a Raymond Bernard Cattell (1905-1998), que enfatizava que os testes baseados em habilidades simples eram importantes instrumentos para avaliar o desempenho acadêmico. (FARIAS, 2020). No entanto, foi somente no século XX que surgiram as primeiras pesquisas signi- ficativas sobre a inteligênciahumana, as quais foram realizadas em 1904 por Alfred Binet (1857-1911), pesquisador francês que tentou mensurar a inteligência como o Quociente Intelectual (QI) - (Caro(a) acadêmico(a) os testes de QI tinham como finalidade responder a indagações sobre sucesso ou fracasso escolar de crianças e funcionavam como um mensurador de atributos vinculados à inteligência.) -, por meio de testes que buscavam tecer relações entre a idade cronológica e a idade mental. (FARIAS, 2020). Com relação aos testes de inteligência, é necessário salientar que alguns utilizam apenas um único item ou pergunta, como o Peabody Picture Vocabulary Test (PPVT) - uma medida de inteligência verbal das crianças - que, no Brasil, ficou conhecido como Teste de Vocabulário por Imagens Peabody (TVIP), Raven’s progressive matrices (matrizes progres- sivas de Raven) ou Escala Geral, como também é conhecida no Brasil - um teste não verbal que requer raciocínio indutivo sobre padrões perceptivos; e outros incluem vários tipos diferentes de itens, tanto verbais quanto não verbais, como o Wechsler e o Stanford-Binet. (FARIAS, 2020). 9UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação Apesar de terem exercido importante papel nos estudos iniciais da inteligência a partir do final do século XX, esses instrumentos psicométricos têm sido criticados por alguns pesquisadores que os consideram algo estanque desde o nascimento. Dentre os autores que contrapõem essa visão determinista, destacamos Jean Piaget (1896 - 1980), que afirma o seguinte: A inteligência não é inata, depende da riqueza de estímulos presentes no meio físico, social e cultural no qual a criança vive. O conhecimento e a inte- ligência são progressivamente aprendidos por meio do relacionamento que o ser humano constrói comparativamente a outras ideias e conhecimentos já adquiridos. (PIAGET, 1975, p. 273). Alencar e Fleith (2001, p. 52-53) também alertam sobre o uso dos testes de inteligência: Sabemos que tradicionalmente os testes de inteligência não medem algumas operações presentes no pensamento criativo, e assim um indivíduo pode passar despercebido pelos testes de inteligência, apesar de ter um potencial criativo superior. O mesmo ocorre com diversos tipos de habilidades, que podem passar despercebidas se forem considerados apenas resultados em testes de inteligência. Para as autoras supracitadas não se admite mais no meio científico atribuir valor à inteligência como se ela fosse algo estático no tempo e no espaço, pois, conforme menciona Gottfredson (1997, apud FARIAS, 2020, p. 23): Inteligência é uma capacidade mental muito geral que, entre outras coisas, en- volve a capacidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de ma- neira abstrata, compreender ideias complexas, aprender rapidamente e apren- der com a experiência. Isso não é meramente um aprendizado pelos livros, uma habilidade acadêmica restrita ou uma execução de testes de inteligência. Pelo contrário, ela reflete uma capacidade mais ampla e profunda, que auxilia na compreensão de nosso entorno e no planejamento de nossas vidas. É importante frisar que vários outros estudiosos têm postulado suas teorias a respeito da inteligência, dentro os quais Joy Paul Guilford (1897-1987), para quem a inte- ligência compreende 150 fatores, e Howard Gardner (1943- até dias atuais), o idealizador das inteligências múltiplas. Gardner (1995, apud FARIAS, 2020, p. 24) “identifica sete tipos de inteligência independentes entre si, isto é, que operam em blocos separados no cérebro como suas próprias regras”, sendo elas: “1) lógico-matemática, 2) linguística, 3) músical, 4) espacial, 5) corporal-cinestésica, 6) intrapessoal e 7) interpessoal”. Caro(a) estudante, como vimos o estudo da inteligência passou por importante am- pliação da sua significação ao longo da história. Se inicialmente sua concepção era psico- métrica e unidimensional, atualmente essa visão tornou-se multidimensional. (SAKAGUTI, 2020).Mesmo assim, e apesar de contestada, a aplicação de testes de inteligência ainda é utilizada e considerada para identificar o sujeito com altas habilidades/superdotação. 10UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação Atenção! Caro(a) estudante, a testagem mental é extremamente prejudicial ao pro- cesso, pois impede ou dificulta identificar e, consequentemente, valorizar o indivíduo que possui capacidades especiais em outras instâncias que não a acadêmica, como citamos anteriormente. SAIBA MAIS Caro(a) acadêmico(a) você sabia que a Teoria das Inteligências Múltiplas tornou-se uma alternativa para redefinir a inteligência como uma capacidade inata de origem biológica que desenvolve habilidades para resolver problemas ou para elaborar produtos que são valorizados em um ou mais ambientes culturais ou comunitários. Para saber mais sobre a Teoria das Inteligências Múltiplas, indicamos a leitura da tese de doutorado em educa- ção especial de Danitiele Maria Calazans Marques de 2017. Boa leitura! Fonte: MARQUES, D. M. C. Aluno com Altas Habilidades/Superdotação: um estudo longitudinal a partir da Teoria das Inteligências Múltiplas. Tese (doutorado em educação especial). Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2017. Disponível em https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/10162/ MARQUES_Danitiele_2018.pdf?sequence=6&isAllowed=y Acesso em maio de 2021. 11UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 2. CONCEITUANDO E CLASSIFICANDO ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO Altas habilidades/superdotação (AH/SD) é um tema estudado por diversas áreas do conhecimento, que o abordam sob suas perspectivas. Simonetti (2007, p.1), explica que enquanto “a neurobiologia valoriza os mecanismos cerebrais, a psicopedagogia social busca fatores psicológicos, educacionais e sociológicos que possam determiná-las e a genética ressalta o papel dos gens”. Não há um conceito unificado para definir AH/SD, entretanto, é possível observar que, em alguns deles, destacam-se os aspectos intelectuais, em outros, os emocionais, mas em quase todos estão implícitos os termos inteligência, desempenho e potencialidade elevada. (FARIAS, 2020). As Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional aos Alunos Portadores de Altas Habilidades/Superdotação e Talentos, documento veiculado pela Secretaria de Edu- cação Especial (SEESP) do Ministério da Educação, preconiza que “Altas Habilidades” referem-se aos comportamentos observados e/ou relatados que confirmam a expressão de ‘traços consistentemente superiores’ em relação a uma média (por exemplo: idade, produção, ou série escolar) em qualquer campo do saber ou do fazer”. (BRASIL, 1995, p. 13, grifo do original). Aqui caro(a) estudante, deve-se entender por “traços” as formas consistentes, ou seja, aquelas que permanecem com frequência e duração no repertório dos comportamentos da pessoa, de forma a poderem ser registradas em épocas diferentes e situações semelhantes. (BRASIL, 1995, p. 13, grifo do original). 12UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação Isso mesmo caro(a) acadêmico(a), esse documento ainda adota o termo portador de necessidades especiais, o qual está em desuso desde 2007, em razão das discussões a respeito da inclusão educacional, o que culminou com a publicação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, em 2008 (BRASIL, 2008). O Censo Escolar/Inep (apud BRASIL, 2015, p. 47) define estudantes com altas habilidades/superdotação como [...] aqueles que demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguin- tes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psico- motricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. Para Simonetti (2007, p. 1-2),“Superdotação é um conceito que serve para expres- sar alto nível de inteligência e indica desenvolvimento acelerado das funções cerebrais [...] o talento indica destrezas mais específicas”. Os aspectos emocionais são evidenciados no conceito atribuído por Silverman (apud VIRGOLIM, 2003, p. 16, grifo do original), para quem superdotação [...] é um desenvolvimento assincrônico no qual habilidades cognitivas avan- çadas e grande intensidade combinam para criar experiências internas e consciência que são qualitativamente diferentes da norma. Essa assincronia aumenta com a capacidade intelectual. A unicidade do superdotado os torna particularmente vulneráveis, e são necessárias modificações na educação parental, no ensino e no aconselhamento psicológico, a fim de que possam alcançar um desenvolvimento ótimo. Assincronia não é sinônimo de precocidade, mas sim uma diferença existente na experiência interna e na consciência dos sujeitos, ou seja, ter um desenvolvimento desigual da idade mental com relação à idade cronológica, o que pode se dar tanto interna quanto externamente. (VIRGOLIM, 2019). Segundo Villarraga, Martínez e Benavides (2004 apud FARIAS, 2020, p. 26), na literatura pertinente há mais de 100 definições para superdotação, as quais estão classifi- cadas em quatro grupos não excludentes entre si, sendo eles: “1) genético e 2) cognitivo (construtos psicológicos); 3) interacionista (realização); e 4) meio ambiente (sistêmicos)”. Sob a ótica inatista, a inteligência é geneticamente determinada e, nesse sentido, é considerada estável. No aspecto cognitivo, no qual as informações são processadas, os conceitos se referem aos processos da memória, do pensamento e de outras habilidades. (FARIAS, 2020). Na perspectiva interacionista, são os fatores genéticos que determinam as forças potenciais do sujeito e podem aparecer desde a tenra idade em que as aptidões, as habi- lidades e as inteligências surgem como resultado das experiências, das motivações e da maneira individual como cada um aprende (FELDHUSEN, 1992). 13UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação Já a perspectiva sistêmica é relacionada ao meio ambiente, ou seja, está centrada nos aspectos socioculturais e psicossociais, nos quais o desenvolvimento do talento de- pende dos fatores “políticos, do período histórico e de uma atitude geral positiva frente ao superdotado” Villarraga; Martínez; Benavides (2004, apud FARIAS, 2020, p. 27). Landau (2002) complementa que, na abordagem interativa, o meio tem o papel de estimular as habilidades internas, como a criatividade, a inteligência os talentos que fortalecem o eu do superdotado, pois apenas “[...] com a interação entre um ambiente que promova desafios emocionais e intelectuais e as capacidades da criança, a atualização da superdotação será real”. (LANDAU, 2002, p. 43). De acordo com Mettrau e Reis (2007, p. 493), no campo educacional, o conceito de AH/SD perpassa por “uma definição conceitual associada a uma visão conservadora que inclui apenas áreas acadêmicas em detrimento de outras áreas, como música, artes, liderança, expressão criativa e relacionamento interpessoal”. Agora caro(a) estudante agora que já conhecemos os conceito de altas habilidades/ superdotação, que tal conhecermos a classificação adotada pela literatura pertinente que caracteriza o aluno com AH/SD? A Política Nacional de Educação Especial (BRASIL, 1994) reconhece como aluno com AH/SD aquele que apresenta considerável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos isolados ou combinados: FIGURA 1 - ASPECTOS ISOLADOS OU COMBINADOS DE ALUNOS COM AH/SD RECONHECIDO PELO BRASIL. Fonte: Elaborado com base Brasil (1994, p. 13). Mettrau e Reis (2007, p. 492) mencionam que seis dos tipos citados de AH/SD do documento oficial mencionado acima são reconhecidos pela literatura internacional, sendo eles: 14UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação FIGURA 2 - ASPECTOS ISOLADOS OU COMBINADOS DE ALUNOS COM AH/SD RECONHECIDO NA LITERATURA INTERNACIONAL. Fonte: Elaborado pela autora com base em Mettrau e Reis (2007, p. 492). Tipo Intelectual – apresenta flexibilidade e fluência de pensamento; capacidade de pensamento abstrato para fazer associações; produção ideativa; rapidez do pensamento; julgamento crítico; independência de pensamento; compreensão e memória elevadas; e capacidade de resolver e lidar com problemas. Tipo Acadêmico – evidencia aptidão acadêmica específica, de atenção, de con- centração, de rapidez de aprendizagem; boa memória; gosto e motivação pelas disciplinas acadêmicas de seu interesse; habilidade para avaliar, sintetizar e organizar o conhecimento; e capacidade de produção acadêmica. Tipo Criativo – relaciona-se às seguintes características: originalidade; imagina- ção; capacidade para resolver problemas de forma diferente e inovadora; sensibilidade para as situações ambientais, podendo reagir e produzir diferentemente e até de modo extravagante; sentimento de desafio diante da desordem dos fatos; e facilidade de auto-ex- pressão, fluência e flexibilidade. Tipo Social – revela capacidade de liderança e caracteriza-se por demonstrar sen- sibilidade interpessoal; atitude cooperativa; sociabilidade expressiva; habilidade de trato com pessoas diversas e grupos para estabelecer relações sociais; percepção acurada das situações de grupo; capacidade para resolver situações sociais complexas; e alto poder de persuasão e de influência no grupo. 15UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação Tipo Talento Especial – pode-se destacar tanto na área das artes plásticas e musicais como dramáticas, literárias ou técnicas, evidenciando habilidades especiais para essas atividades e alto desempenho. Tipo Psicomotor – destaca-se por apresentar habilidade e interesse pelas ativida- des psicomotoras, evidenciando desempenho fora do comum em velocidade; agilidade de movimentos; força; resistência; controle; e coordenação motora. Outra concepção comumente aceita é a proposta por Renzulli (1986 apud FARIAS, 2020), denominada Modelo dos Três Anéis, segundo o autor, o comportamento do sujeito com AH/SD consiste na interação de três grupamento de traços: FIGURA 3 - MODELO DOS TRÊS ANÉIS Fonte: Elaborado pela autora com base Renzulli (1986 apud FARIAS, 2020). Esse modelo, inclusive, embasa a definição que o Ministério de Educação (MEC) adotou nas Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional aos portadores de AH/SD e talentos. (BRASIL, 1995). De acordo com Renzulli (apud RODRIGUES, 2011, p. 162), O comportamento superdotado consiste nos comportamentos que refletem uma interação entre os três grupamentos básicos dos traços humanos - sen- do esses agrupamentos habilidades gerais ou específicas acima da média, elevados níveis de comprometimento com a tarefa e elevados níveis de cria- tividade. As crianças superdotadas e talentosas são aquelas que possuem ou são capazes de desenvolver estes conjuntos de traços e que os aplicam a qualquer área potencialmente valiosa do desempenho humano. 16UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação O desenvolvimento do aluno com AH/SD não é diferente dos demais que têm a mesma idade, entretanto, algumas características são mais comuns a esse grupo, pois, como menciona Guenther (2000, p. 44), ao falar em “crianças bem-dotadas e talentosas” não estamos falando em grupo único, parecido, homogêneo e facilmente reconhecível em qualquer situação. Ao contrário, como todas as pessoas que existem, cada criança traz em si uma combinação essencial e substancialmente única de traços, caracterís- ticas e atributos, oriundos não somente de sua própria constituição e plano genético, como também derivados e absorvidos de muitas fontes de influên- cia presentes no ambiente a que é exposta, dentro dos váriosgrupos a que pertence. (GUENTHER, 2000, p. 44). Diante do exposto, caro(a) estudante, é possível perceber que, além dos genéti- cos, outros tantos determinam as características dos sujeitos com AH/SD, entretanto, é importante conhecê-los e/ou identificá-los, a fim, de estabelecer indicadores que auxiliem na construção da identidade dessas pessoas e dissipar os mitos e as crenças que existem ao redor delas. CURIOSIDADE Muitas das dificuldades enfrentadas por crianças com altas habilidades/superdotação têm suas origens nos mitos e crenças populares. Eles são fortes empecilhos para for- mação de uma identidade própria e, muitas vezes, contribuem para uma representação negativa ou, pelo menos, distorcida destas pessoas. Entre eles podemos citar: crianças com altas habilidades são o fruto de pais organizadores, que conduzem e re- gram suas vidas; autossuficientes; são egoístas e solitárias; existem mais homens do que mulheres com altas habilidades Fonte: (PANCHINIACK, 2011, p. 27). 17UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 3. LEGISLAÇÃO DIRECIONADA AO ATENDIMENTO DAS ALTAS HABILIDADES/ SUPERDOTAÇÃO NO BRASIL No que concerne à educação, é possível afirmar que os direitos dos sujeitos com altas habilidades/superdotação (AH/SD) estão explicitados na Constituição Federal de 1988, a qual dispões que: Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988). Nesse sentido, é possível entender que todas as pessoas têm direito à educação, independentemente de suas características. Mediante a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) – Lei n. 4.024, de 20 de dezembro de 1961 (BRASIL, 1961) -, a área de AH/SD teve seus direitos garantidos, os quais foram reafirmados nas LDBs subsequentes: Lei n. 5.692, de 11 de agosto de 1971; e Lei n. 9.394, de 10 de dezembro de 1996. (BRASIL, 1971, 1996). Os autores Sant’Ana, Stadler, Deliberalli e Vestena (2015, p. 37.418) esclarecem que: É apenas com a promulgação da Lei 5.692/1971, que definiu quais Necessi- dades Educacionais Especiais deviam ser atendidas por essa modalidade de Educação, que aparecem as primeiras preocupações por parte do Estado em relação às Altas Habilidades/Superdotação, por influência de estudos tais como de Binnet, Sternberg, Thorndike e de estudos de cognitivistas como Piaget. 18UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação Os anos de 1970 três Pareceres do Conselho Nacional de Educação referir-se-ão também ao atendimento educacional dos superdotados. Aqui caro(a) estudantes estes documentos foram citados no capítulo II - Fundamentos Legais, do Documento Diretrizes gerais para o atendimento educacional aos alunos portadores de altas habilidades: super- dotação e talentos. (1995, p. 9 - 11). ● O Parecer CFE n. 255, de 9 de março de 1972 (Documenta 136, março 1972): destaca que o progresso do estudante deve atender a ritmo próprio de aprendiza- gem e a diversos interesses e aptidões. A frequência deverá ser “dispensável ante a evidência de aproveitamento excepcional”. Reconhece “alunos que revelam especial talento”, bem como defende a não existência de barreiras entre séries, ou seja, ano letivo independente de ano civil para que o progresso do estudante superdotado possa ser mais veloz, eliminando qualquer perda de tempo; ● O Parecer CFE n. 436, de 9 de maio de 1972 (Documenta 138, maio 1972): admite matrícula condicional de aluno superdotado em curso superior, com prazo de até dois anos para apresentação de prova conclusão do ensino de segundo grau, desde que reconhecida sua superdotação antes da inscrição no vestibular; ● O Parecer CFE n. 681, de maio de 1973 (Documenta 150, item 3.7, maio 1973), que estabelece que o Conselho Federal de Educação “fixará o conceito e as formas de apurar o superdotado, a partir as normas sobre a matéria que os Conselhos de Educação baixariam para os seus sistemas estaduais de ensino.” Digna de nota neste contexto é a criação, em 1973, do Centro Nacional de Educação Especial (CENESP), vinculado ao MEC, que desenvolverá ações educativas e financiará iniciativas de atendimento às pessoas com deficiência e com altas habilidades e superdo- tação. (BRASIL, 1995). Esses estudos culminaram na elaboração de dois seminários sobre superdotados realizados em Brasília nos anos de 1974 e 1977, respectivamente, os quais determinaram: [...] o respeito ao ritmo, aptidões e interesses dos alunos com AH/SD elimi- nando barreiras entre anos letivos, o que representa a primeira possibilidade de aceleração do currículo, com intuito de atender as necessidades específi- cas do aluno com Altas Habilidades/Superdotação; Admissão antecipada de alunos com Superdotação no Ensino Superior; Definição de conceitos para identificação de alunos com Superdotação. (SANT’ANA; STADLER; DELIBE- RALLI; VESTENA, 2015, p. 37 - 419) No entanto, o assunto ficou adormecido, apesar das bases lançadas na década de 1970. Reynaud e Rangni (2017, p.72), ao descreverem a trajetória legal e a educação de pessoas com AH/SD, mencionam que durante muitos anos, principalmente nas décadas de 19UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 1980 e 1990, políticas públicas significativas “[...] não foram implementadas e nem tampou- co se tenha dado a elas a devida importância ou disseminado o conhecimento acerca da necessidade de identificação e atendimento educacional especializado para esse alunado”. Na década de 80, já se podem constatar os novos termos de qualificação da pro- blemática, na Portaria CENESP/MEC n. 69, de 28 de agosto de 1986, que assim define os superdotados: Art. 3 [...] Superdotados: educandos que apresentam notável desempenho e/ ou elevada potencialidade nos seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual, aptidão acadêmica, pensamento criador, capacidade de liderança, talento especial para artes, habilidades psicomotoras, necessi- tando atendimento educacional especializado. Observe-se ainda que em 1986 é criada, no âmbito do Ministério da Educação, a SESPE - Secretaria de Educação Especial -, que virá a substituir o CENESP. A nova Secretaria faz publicar o documento Subsídios para a Organização e Funcionamento de Serviços de Educação Especial (1986), com um volume dedicado à Área de Superdotação e altas habilidades, bem como edita as Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional aos Alunos Portadores de Altas Habilidades/Superdotação e Talentos (reeditados em 1995) como já citada anteriormente. As políticas inclusivas no Brasil só se alteraram a partir da Declaração Mundial sobre Educação para Todos, realizada na cidade de Jomtien (Tailândia) em 1990, e da Declaração de Salamanca, ocorrida em 1994 na Espanha. SAIBA MAIS Caro(a) acadêmico(a) a Declaração Mundial sobre Educação para Todos foi um docu- mento redigido durante a Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em Jomtien, na Tailândia, em março de 1990, com o intuito de estabelecer os compromissos mundiais relacionados à noção de que a educação é direito de todas as pessoas, a fim de que possam viver dignamente em uma sociedade mais justa e humanitária. Fonte: UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem - Jomtien, 1990. 1998. Disponível em https://abres.org.br/wp-content/uploads/2019/11/declaracao_mundial_sobre_ educacao_para_todos_de_marco_de_1990.pdf Acesso em maio de 2021. https://abres.org.br/wp-content/uploads/2019/11/declaracao_mundial_sobre_educacao_para_todos_de_marco_de_1990.pdf https://abres.org.br/wp-content/uploads/2019/11/declaracao_mundial_sobre_educacao_para_todos_de_marco_de_1990.pdf20UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação Entretanto, os maiores avanços na área da educação para superdotados – na le- gislação e no atendimento - ocorrerão já no novo milênio, sobre a base da implementação da nova LDBEN (Lei n. 9394/1996), das Diretrizes Nacionais da Educação Especial na Educação Básica, editadas pelo CNE em setembro de 2001 e com a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE - Lei n. 10.172/2001), em janeiro de 2001. Como já mencionado, a Lei n. 9.394/1996, mais conhecida como LDBEN, que aludia no artigo 24 à “[...] possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado”. Assim, entendemos que há possibilidade de aceleração escolar, mas não é possível saber para quem se destina; fica subentendido apenas a conclusão dos conteúdos escolares em menor tempo. Esse fato, só é explicitado mais adiante nessa mesma lei: Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específi- cos, para atender às suas necessidades; II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas defi- ciências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular ca- pacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares dis- poníveis para o respectivo nível do ensino regular. (BRASIL, 1996, grifo nosso). A referida lei foi alterada pela Lei n. 12.976, de 4 de abril de 2013, na qual constam alguns itens que garantem o atendimento ao aluno com AH/SD e amparam legalmente o atendimento educacional a esses alunos: Art. 4º. O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado me- diante a garantia de: III. Atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferen- cialmente na rede regular de ensino; [...] Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a mo- dalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvi- mento e altas habilidades ou superdotação. Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: [...] Art. 60. Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos glo- bais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições pre- vistas neste artigo. (BRASIL, 2013). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12796.htm#art1 21UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação A LDBEN n. 9.394/1996 foi novamente alterada por meio da Lei n. 13.234, de 29 de dezembro de 2015, que estendeu o atendimento aos alunos com AH/SD também à educação superior, estabelecendo a necessidade de um cadastro nacional desses alunos, a fim de justificar a promoção de políticas públicas para eles. Vejamos: Art. 59-A. O poder público deverá instituir cadastro nacional de alunos com altas habilidades ou superdotação matriculados na educação básica e na educação superior, a fim de fomentar a execução de políticas públicas desti- nadas ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse aluno. (Incluído pela Lei nº 13.234, de 2015) Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com altas habilidades ou superdotação, os critérios e procedimentos para inclusão no cadastro referi- do no caput deste artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os mecanismos de acesso aos dados do cadastro e as políticas de desenvolvi- mento das potencialidades do alunado de que trata o caput serão definidos em regulamento. Esse cadastro é de suma importância para a identificação da quantidade desses alunos efetivamente matriculados, a fim de que se estabeleçam políticas públicas dirigidas ao seu atendimento. Retomando nossa reflexão sobre a legislação brasileira, outro fato relevante ocorreu em 2005, ano em que foi implantado em todos os Estados e no Distrito Federal os Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), que tinham por intuito organizar [...] centros de referência para o atendimento educacional especializado aos alunos com altas habilidades/superdotação, a orientação às famílias e a for- mação continuada aos professores. [...] referenciais e orientações para orga- nização da política de educação inclusiva nesta área, de forma a garantir esse atendimento aos alunos da rede pública de ensino. (BRASIL, 2008, p. 5). Nessa trajetória sobre as legislações que amparam as pessoas com AH/SD é im- portante citarmos a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que tem como objetivo [...] o acesso, a participação e a aprendizagem dos estudantes com deficiên- cia, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares, orientando os sistemas de ensino para promover res- postas às necessidades educacionais, garantindo: • Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a edu- cação superior; • Atendimento educacional especializado; • Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; • Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar; • Participação da família e da comunidade; • Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e • Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. (BRASIL, 2008, p.10). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm#art59a http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13234.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13234.htm#art2 22UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação O aluno com AH/SD também tem seus direitos assegurados na Resolução n.4, de 2 de outubro de 2009, que institui as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. Esse documento con- sidera que alunos com altas habilidades/superdotação são “[...] aqueles que apresentam um potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade”. (BRASIL, 2009, art. 4, III). Já no art. 7 da referida resolução reafirma que: Os alunos com altas habilidades/superdotação terão suas atividades de enri- quecimento curricular desenvolvidas no âmbito de escolas públicas de ensino regular em interface com os núcleos de atividades para altas habilidades/ superdotação e com as instituições de ensino superior de e institutos volta- dos ao desenvolvimento e promoção da pesquisa, das artes e dos esportes. (BRASIL, 2009). Conformeé possível percebermos caro(a) estudante, são inúmeras as leis que asseguram os direitos aos alunos com AH/SD. Entretanto, ainda há muito por fazer. Con- forme alertam Maia-Pinto e Fleith (2004), se alunos com rendimentos abaixo da média são rapidamente identificados no ambiente escolar e recebem atendimento especializados, o mesmo não acontece com alunos com AH/SD. De acordo com as autoras, “[...] se a criança apresenta um desempenho acima da média, sobressaindo-se de alguma maneira, na maioria das vezes, o que acontece é o reconhecimento de que este é um ótimo aluno, com um futuro brilhante”. Todavia, “[...] são oferecidas, a este aluno, poucas oportunidades de incremento de suas habilidades”. (MAIA- -PINTO; FLEITH, 2004, p. 55). Diante do exposto, é necessário estimular esses alunos em sala de aula, a fim de que possam desenvolver todas as suas potencialidades. Assim, em linhas gerais, constata-se que aindam faltam no país instrumentos de diagnóstico precoce da superdotação e medidas de encaminhamento dos identificados; faltam professores especializados na área – praticamente não há formação inicial, em serviço e continuada, direcionada ao segmento; as pesquisas são escassas e não obstante os progressos reais, observados principalmente na última década, ainda há poucas políti- cas públicas consistentes, articuladas e principalmente duradouras para este contingente populacional. (ANDRÉS, 2010). Em suma, o Brasil ainda carece de meios de identificação, de atendimento e promoção efetiva dos talentos nacionais. Pode-se dizer, então, que, em termos gerais, os professores, supervisores e outros dirigentes escolares não conseguem identificar a parcela de alunos superdotados que recebem e caso sejam identificados, não sabem o que fazer com eles (e portanto, nada de diferente lhes é reservado). (ANDRÉS, 2010). 23UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) acadêmico(a). Chegamos ao final de nossa unidade, no qual tivemos a oportunidade de refletir sobre o histórico e a classificação das altas habilidades/superdotação (AH/SD). Inicialmen- te, perpassamos pelo conceito de inteligência e pudemos perceber que o vocabulário nos remete a conhecimento, compreensão e entendimento, ou seja, indica a capacidade do sujeito de interligar as ideias que nem sempre são explicitamente relacionadas. Vimos, ainda, que a história sobre a inteligência humana remota aos primórdios da humanidade. Em outro momento, indicamos os significados de AH/SD e esclarecemos que, na litera- tura pertinente, há várias definições para ela, as quais são classificadas em grupos não excludentes entre si. Tivemos também a oportunidade de entender a classificação desses alunos. Constatamos além disso que os sujeitos com AH/SD se encontram amparados pela legislação, mas que, no Brasil, ainda há muito o que se fazer para que seus direitos sejam realmente assegurados. Assim, convidamos você, acadêmico(a) interessado(a), a consultar as indicações de leitura complementar, filmes e as referências, de modo a aprofundar seu conhecimento. Boa leitura! 24UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação LEITURA COMPLEMENTAR Para nossa leitura complementar, indicamos ampliar os conhecimentos em relação à legislação direcionada aos alunos com AH/SD em países como América do Norte, Amé- rica Latina, União Européia. No material de Aparecida Andrés, consulta legislativa da área XV, da Educação, Cultura e Desporto, capítulo II, páginas 26- 79. Fonte: ANDRÉS, A. Educação de alunos superdotados/altas habilidades, legislação e normas nacionais, legislação internacional. Câmara dos Deputados. 2010. Disponível em file:///C:/Users/agele/ Downloads/educacao_alunos_aparecida.pdf Acesso em maio de 2021. 25UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Inteligências Múltiplas: A Teoria na Prática Autor: Howard Gardner Editora: Artmed Sinopse: O autor explica as ideias fundamentais que desenca- deiam uma revolução na aprendizagem e mostra como elas podem ser aplicadas em toda sala de aula onde se espera que os alunos pensem. FILME / VÍDEO Título: Lucy Ano: 2014 Sinopse: Quando a inocente jovem Lucy (Scarlett Johansson) aceita transportar drogas dentro do seu estômago, ela não conhece muito bem os riscos que corre. Por acaso, ela acaba absorvendo as drogas, e um efeito inesperado acontece: Lucy ganha poderes sobre-humanos, incluindo a telecinesia, a ausência de dor e a capacidade de adquirir conhecimento instantaneamente. 26 Plano de Estudo: ● Premissas básicas do currículo escolar. ● Currículo escolar. ● Adequações de acesso ao currículo. Objetivos da Aprendizagem: ● Estudar as premissas básicas do currículo escolar. ● Analisar o currículo escolar pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. ● Estudar as adequações de acesso ao currículo para a escola inclusiva. UNIDADE II Adequações Curriculares Professora Me. Fabiane Fantacholi Guimarães 27UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 27UNIDADE II Adequações Curriculares INTRODUÇÃO Caro(a) acadêmico(a). Seja bem-vindo(a) a Unidade II, intitulada “ADEQUAÇÕES CURRICULARES”, da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Altas Habilidades/Superdotação do Curso de Graduação em Educação Especial. Almejar uma escola melhor para todos implica em mudanças. As adaptações cur- riculares têm sido tema de muitas discussões entre autores e pesquisadores, mas o que o professor entende por adaptações curriculares? Para responder esta e outras questões, nesta unidade iniciaremos estudando as premissas básicas do currículo escolar, no qual será necessário refletir o significado ou conceito de currículo; o que a escola precisa ensi- nar; como deve ensinar; por que deve ensinar; bem como pensar no currículo; e por fim, como deve ser elaborado e estruturado. Dando sequência à temática é considerável analisarmos o currículo escolar pela ótica da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os artigos que competem a esta discussão, uma vez que os currículos da educação básica devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e instituição escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. (BRASIL, 1996). Para fecharmos a abordagem caminharemos para as adequações de acesso ao currículo para a escola inclusiva, em que será indispensável refletir o currículo flexível numa escola inclusiva; a adaptação do currículo sem perder qualidade; quando é necessário fazer adaptações curriculares, entre outros pontos. Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema de nossa segunda unidade. Boa leitura! 28UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 28UNIDADE II Adequações Curriculares 1. PREMISSAS BÁSICAS DO CURRÍCULO ESCOLAR Caro(a) acadêmico(a) para iniciarmos o diálogo e o estudo sobre o currículo, preci- samos refletir sobre seu significado ou conceito. Você já refletiu sobre isso? A análise das diferentes terminologias relacionadas ao currículo pode ser iniciada pelos significados mais acessíveis em dicionários, nos quais encontraremos a referência à origem do termo currículo, no latim, curriculum, que significa “corrida, carreira”; curriculum vivendi, que significa “carreira de vida” e curricula mentis, que significa “caminhos da inteli- gência”. (EYNG, 2012, p. 18). O currículo pode ser compreendido, ao mesmo tempo, como um conjunto de disciplinas, de forma restrita, e como uma trajetória histórica de um curso, programa ou indivíduo, de forma mais abrangente, indicando a dinâmica de sua constituição. Nesse sentido, no que se refere ao processo de aprendizagem, a autoraEyng (2012) propõe que a expressão currículo se refira aos caminhos que o aprendiz percorre em sua formação. O currículo também pode ser definido como uma solução prática para uma situação educativa específica, caracterizada pela provisoriedade, desafio que parece adequar-se às concepções que circulam no campo do currículo para o contexto atual. O seu emprego no âmbito educacional, segundo Hamilton (1991, p. 197-205, apud SAVIANI, 2003), data o fim do século XVI, no contexto da Reforma Protestante, possivel- mente na Universidade de Leiden (Holanda). Naquele momento, o termo curriculum teria sido empregado para imprimir maior rigor à organização do ensino, especialmente o univer- sitário. Assim, a origem do currículo está associada ao controle do processo educacional e à ideia de formalização e eficiência do ensino. 29UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 29UNIDADE II Adequações Curriculares Ao recorrermos aos diversos autores e pesquisadores como: Candau; Moreira, (2007); Silva, (2010); Moreira; Silva, (2011) entre outros, que se dedicaram ao estudo do currículo, concluímos que esse termo recebeu diferentes conceituações e apreensões quanto ao seu significado ou função ao longo da história, os quais variam conforme os contextos históricos e culturais em que estão situados. Assim, segundo D. Paula e R. Paula (2016, p. 18) afirmam que o termo currículo é “polissêmico” e que, muitas vezes, “não há consenso entre tais conceituações, sendo que essas remetem a diferentes concepções, valores, interesses e intenções, os quais implicam diretamente na prática pedagógica”. Candau e Moreira (2007, p. 18) apresentam algumas das conceituações dadas ao currículo nas diferentes épocas e contextos: “listagem de conteúdos; experiências de aprendizagens escolares; planos pedagógicos; objetivos do processo de ensino; processos de avaliação que influem nos conteúdos e nos procedimentos metodológicos”. Dessa forma, cabe ao professor conhecer tais conceituações de maneira contex- tualizada, não com a finalidade de elucidar o verdadeiro conceito de currículo ou de eleger o melhor conceito, mas compreender como o currículo tem sido definido pelos diferentes autores e teorias e, assim, ter condições para avaliar quais dessas conceituações melhor atendem às necessidades do contexto educativo em que está inserido. Para isso, faz-se necessário recorrer aos estudos desenvolvidos pelas teorias do campo do currículo. 30UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 30UNIDADE II Adequações Curriculares REFLITA Caro(a) estudante, você já parou para refletir sobre as seguintes questões: O que a escola precisa ensinar? Como deve ensinar? Por que deve ensinar? Embora essas questões permeiem o contexto educacional atual, você sabia que elas não são novas? Tais questões desafiaram professores de outros momentos históricos, o que motivou a constituição de um campo de estudos específico para refletir sobre elas. Professores de diferentes épocas e lugares sempre estiveram envolvidos com o currícu- lo, antes mesmo de esse termo ser empregado. No entanto, estudos e pesquisas espe- cializados e específicos sobre o currículo surgiram pela primeira vez nos anos de 1920, nos Estados Unidos, em um contexto caracterizado pela massificação da escolarização em decorrência do processo de industrialização e dos movimentos migratórios. A emergência do currículo como campo de estudos está diretamente ligada à constitui- ção de um grupo de especialistas, de disciplinas e departamentos sobre currículo liga- dos às universidades; à criação, pelo Estado, de setores especializados em currículo; a publicações, em revistas acadêmicas, sobre pesquisas e estudos a respeito da temática. Fonte: D. Paula e R. Paula (2016). Mas, caro(a) estudante, pensando nas definições de currículo citadas, não podemos deixar de conhecer três aspectos relacionados à teorização e aplicação do currículo, se- gundo Ângulo Rasco e Blanco Garcia (1994) citados por Eyng (2012), sendo: a) o currículo como conteúdo; b) o currículo como planificação; e c) o currículo como realidade interativa. 1) O currículo como conteúdo - Entender o currículo como conteúdo é uma das formas mais usuais e historicamente mais relevantes que encontramos, no entanto, o entendimento do que seja o seu conteúdo tem uma variação muito grande. Pode significar o conteúdo da educação, isto é, o curso compreenden- do a sequência e o conjunto de estudos que se há de seguir para adquirir uma educação. Também significa o conhecimento, o conteúdo de uma disciplina específica ou, ainda, o conteúdo da cultura socialmente construída. 31UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 31UNIDADE II Adequações Curriculares 2) O currículo como planificação - Entender o currículo como planificação significa assumi-lo como algo que está estabelecido, indicando os marcos a partir dos quais se desenvolverá a atividade educativa de uma escola. Ainda ele pode ser entendido como um conjunto organizado de intenções educativas e de instruções e também como o documento onde se apresentam tanto o que há de ser aprendido e ensinado, como os materiais e métodos de ensino. Convém alertar que a clareza da intencionalidade educativa é fundamental. 3) O currículo como realidade interativa - Entender o currículo como realidade interativa é assumi-lo como ente que comporta todas as experiências educativas sob responsabilidade da escola. Ou seja, o currículo é uma construção realizada na interação entre professores e alunos, e em geral na criação ativa de todos aqueles que direta ou indiretamente participam da vida da escola. (Aqui caro(a) estudante, se assemelha à visão de elaboração participativa do projeto pedagógico curricular da escola prevista na Lei n. 9.394/96). Nenhuma dessas concepções citadas aci- ma e suas correspondentes projeções nos âmbitos da racionalidade, para Ângulo Rasco e Blanco Garcia (1994) citados por Eyng (2012, p. 25) “[...] tem de ser a única legítima ou a única digna de ser considerada, pois teríamos de aceitar, pelo contrário, que a análise, teorização, inovação e discussão sobre o currículo não podem prescindir de considerar as diversas concepções e projeções”. Portanto, “a indagação e a melhora do currículo dependem tanto do aprofundamento de cada concepção separadamente como do aperfeiçoamento das interações em que uma se entrelaça com a outra”. Para fecharmos este tópico não poderíamos deixar de trazer as concepções do autor Gimeno Sacristán (1995 citado por EYNG, 2012) sobre o currículo: 4) Currículo como fenômeno prático complexo - o currículo se “plasma” dentro de um sistema escolar concreto, é direcionado a professores e alunos deter- minados e é condicionado pelo contexto no qual é elaborado, desenvolvido e avaliado. São as múltiplas variáveis que interatuam no contexto que dão o significado ao currículo em termos de intenção, representação e ação. 5) Currículo como práxis - significa que muitos tipos de ações intervêm em sua configuração, que o processo tem lugar dentro de condições concretas, que se configura dentro de um mundo de interações culturais e sociais, que é um universo construído, não natural, e que essa construção não é independente de quem tem o poder para construí-la. Aqui caro(a) estudante, o autor assinala ainda que a construção do currículo, nessa perspectiva, não pode ser entendida 32UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 32UNIDADE II Adequações Curriculares separada das reais condições de seu desenvolvimento, considerando os condi- cionantes advindos dos contextos políticos, administrativos e pedagógicos. 6) Currículo como construção social - partir desse conceito que subsidia a escolaridade de conteúdos e orientações nos obriga a analisar os contextos concretosque lhe vão dando forma e conteúdo, antes de passar a ter alguma realidade como experiência de aprendizagem para os alunos. Essa análise deve, ainda, considerar a dinâmica do âmbito interno do sistema educativo com seus determinantes mais imediatos, até que seja convertido e “plasmado” de uma forma particular na prática pedagógica. 7) Currículo como construção da cultura - não se trata de uma ideia abstrata, pensar o currículo não como um conceito, mas sim como uma construção cul- tural que tem algum tipo de existência fora da experiência humana ou anterior a ela, mas sim de um modo de organizar uma série de práticas educativas. 8) Currículo como campo de investigação - requer concebê-lo como algo que mantém certas interdependências com outros campos da educação, o que exige uma perspectiva ecológica na qual o significado de qualquer elemento deve ser visto como algo em constante reconfiguração, em função das interdependências com as forças às quais está relacionado. 9) Currículo como guia de experiência - é entendido aqui como que o aluno ob- tém na escola e como o conjunto de responsabilidades da escola para promover uma série de experiências. Essas são proporcionadas consciente e intencional- mente, ou seja, são experiências de aprendizagem planificadas, dirigidas sob supervisão da escola, idealizadas e executadas na escola ou oferecidas por ela, com o intuito de se obter determinadas mudanças por ela, com o intuito de se obter determinadas mudanças nos alunos, ou, ainda, são experiências que as escolas utilizam com a finalidade de alcançar determinados objetivos. 10) Currículo como definidor dos conteúdos - é entendido como conceituação da educação mediante planos ou propostas, especificação de objetivos, reflexo da herança cultural, mudança de comportamentos e atitudes, programa da escola que contenha conteúdos e atividades, soma de aprendizagens ou resultados, ou todas as experiências que o aprendiz pode obter. 11) Currículo como conjunto de conhecimentos - é entendido ainda como con- junto de matérias, os quais devem ser superados pelo aluno dentro de um ciclo, nível educativo ou modalidade de ensino, é a concepção clássica e difundida. 33UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 33UNIDADE II Adequações Curriculares Ainda segundo Sacristán citado por Eyng (2012) faz apontamentos muito importan- tes para a construção de uma síntese reflexiva sobre a conceituação do currículo, indicando que devem ser considerados quatro aspectos em qualquer conceituação de currículo. Primeiro: o estudo do currículo deve servir para oferecer uma visão da cultura construída nas escolas, em sua dimensão oculta e manifesta, tendo em conta as condições em que se desenvolve. Segundo: trata-se de um projeto que só pode ser entendido como um pro- cesso historicamente condicionado, pertencente a uma sociedade, selecionado de acordo com as forças nela dominantes, mas não só com capacidade de reproduzir, senão também de incidir sobre essa sociedade. Terceiro: o currículo é um campo no qual interagem ideias e práticas. Quatro: como projeto cultural elaborado, condiciona a profissionalidade do do- cente e caracteriza-se como uma pauta com diferentes graus de flexibilidade, para que os professores possam intervir nele. 34UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 34UNIDADE II Adequações Curriculares 2. CURRÍCULO ESCOLAR O questionamento sobre o que ensinar nas escolas não é um debate que se limita aos muros da escola. Essa questão também está inserida nas políticas que direcionam e or- ganizam a educação no Brasil. A Lei n. 9.394/1996 define as diretrizes e bases da educação nacional com base nos aspectos que devem ser seguidos por todas as escolas brasileiras. No que se refere ao currículo, podemos inicialmente pensar sobre o artigo 12 e 13, que enfatizam a responsabilidade dos estabelecimentos de ensino e dos professores em relação à elaboração e ao desenvolvimento das dimensões do planejamento educacional (proposta pedagógica e plano de trabalho), bem como os aspectos que organizam e defi- nem o currículo escolar. Também destacam a participação de toda a comunidade escolar na construção, execução e avaliação das propostas pedagógicas. (BRASIL, 1996). Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de inte- gração da sociedade com a escola; VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; (Redação dada pela Lei nº 12.013, de 2009) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12013.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12013.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12013.htm#art1 35UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 35UNIDADE II Adequações Curriculares VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de 30% (trinta por cento) do percen- tual permitido em lei; (Redação dada pela Lei nº 13.803, de 2019) IX - promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a to- dos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas; (Incluído pela Lei nº 13.663, de 2018) X - estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas. (Incluído pela Lei nº 13.663, de 2018) XI - promover ambiente escolar seguro, adotando estratégias de prevenção e enfrentamento ao uso ou dependência de drogas. (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019) Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; III - zelar pela aprendizagem dos alunos; IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendi- mento; V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao de- senvolvimento profissional; VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade (BRASIL, 1996). Aos analisarmos, caro(a) estudante, os arts. 12 e 13, podemos perceber que na lei garante maior autonomia aos docentes e às instituições na definição de seus currículos e nas formas de gestão escolar. Mas, caro(a) acadêmico(a) o que é proposta pedagógica? Libâneo (2004, p. 151) define o projeto pedagógico como aquele que se consolida em um “documento que detalha objetivos, diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola, expres- sando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar”. De certo modo, o projeto pedagógico curricular é a expressão da cultura da escola. O projeto, portanto, orienta a prática de produzir uma realidade: “conhece-se a realidade presente, reflete-se sobre ela e traçam-se as coordena- das para a construção de uma nova realidade, propondo-se as formas mais adequadas de atender às necessidades sociais e individuais dos alunos”. (LIBÂNEO, 2004, p. 151). A elaboração da proposta pedagógica é pontuada como tarefa dos professores que fazem parte do estabelecimento deensino. Muito embora cada escola possa elaborar sua pro- posta, esta deve atender às exigências legais. Caro(a) estudante, que exigências são essas? A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN (BRASIL, 1996) define que: Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pe- dagógico da escola; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13803.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13803.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13663.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13663.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13663.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13663.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13840.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13840.htm#art17 36UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 36UNIDADE II Adequações Curriculares II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. [...] Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não- -seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de apren- dizagem assim o recomendar. [...] Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas para o ensino fun- damental e para o ensino médio, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver; (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) [...] Art. 26. Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada siste- ma de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.(Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil. Na LDBEN (BRASIL, 1996) podemos identificar os delineamentos gerais para a organização do trabalho pedagógico nas escolas. No artigo 27 desta lei, que trata da educação básica, podemos destacar as seguintes diretrizes no que se refere aos conteúdos dos currículos escolares da educação básica. Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão, ainda, as seguintes diretrizes: I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deve- res dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática; II - consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada esta- belecimento; III - orientação para o trabalho; IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não- -formais. (BRASIL, 1996). “É possível observar o perfil de ser humano desejado na lei, um cidadão que atenda às necessidades da sociedade capitalista e que seja bem preparado para suprir as deman- das do mercado”. (LIMA; ZANLORENZI; PINHEIRO, 2012, p. 166). A LDBEN, no artigo 30 (BRASIL, 1996) também define as orientações para a edu- cação infantil, deixando claro que esta tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança e será oferecida em creches, para crianças de até três anos de idade e pré-esco- las, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade. Já no ensino fundamental, o objetivo é delineado para a formação do cidadão, com duração de 9 (nove) anos e com os seguintes objetivos: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13415.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12796.htm#art1 37UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 37UNIDADE II Adequações Curriculares Art. 32. [...] I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecno- logia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade hu- mana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. Já no que se refere ao currículo do ensino médio, a LDBEN (BRASIL, 1996) aponta as seguintes diretrizes: Art. 36. O currículo do ensino médio será composto pela Base Nacional Co- mum Curricular e por itinerários formativos, que deverão ser organizados por meio da oferta de diferentes arranjos curriculares, conforme a relevância para o contexto local e a possibilidade dos sistemas de ensino, a saber: (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) I - linguagens e suas tecnologias; II - matemática e suas tecnologias; III - ciências da natureza e suas tecnologias; IV - ciências humanas e sociais aplicadas; V - formação técnica e profissional. Os aspectos gerais sobre a organização do currículo são apresentados na LDBEN (BRASIL, 1996), mas não é definida a forma como o currículo será organizado, muito me- nos a teoria que fundamentará a prática pedagógica. Esse é o espaço que as instituições possuem para elaboração da proposta pedagógica, ou seja, para a possibilidade de formar alunos capazes de compreender e interferir na realidade. Para isso, a escola precisa garantir o acesso ao conhecimento de maneira signi- ficativa e contextualizada, sem perder de vista os diferentes elementos que compõem o currículo. A LDBEN (BRASIL, 1996) define aspectos gerais para a elaboração da proposta pedagógica das escolas, que se apresenta como um documento de identidade do estabe- lecimento de ensino. No entanto, caro(a) estudante, as respostas para as questões fundamentais para a concretização do currículo escolar, que são: O quê? Como? Para que ensinar?, são explicitadas na proposta pedagógica de cada escola. Fica evidente na leitura dessa lei a defesa da escola como aquela instituição que vai possibilitar uma verdadeira cidadania para os alunos. No entanto, a efetiva cidadania ultrapassa as questões escolares. A escola, deve buscar a fundamentação teórica e legal para garantir um currículo que contemple o proposto em seu projeto pedagógico e atenda as necessidades dos alunos no atual momento histórico. Na lei não temos uma definição sobre que teoria pedagógica as escolas devem adotar, deixando a possibilidade de organização da proposta para os envolvidos no processo. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13415.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13415.htm#art4 38UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 38UNIDADE II Adequações Curriculares FIGURA 1 - REPRESENTAÇÃO DO CURRÍCULO ESCOLAR Fonte: a autora (2021). Portanto, o currículo escolar vai além da mera relação de conteúdos a serem cum- pridos em determinado ano letivo, que vá além da matriz curricular. O currículo elaborado, pensado e construído com um arcabouço de fundamentos e orientações da prática escolar, a partir da dinâmica social, está formulando conhecimentos a partir de um conjunto de aprendizagens, está fazendo história. Caro(a) estudante, contudo que já estudamossobre o currículo até o momento, finalizamos com a seguinte pergunta: como o currículo escolar deve ser elaborado e estruturado? Se concebemos que o currículo compreende os objetivos, os conhecimento, as metodologias, os métodos, as formas de gestão e de avaliação, etc. desenvolvidos pelos professores nas relações com os estudantes, sob uma determinada forma de organização escolar, a fim de promover a qualidade do ensino e da aprendizagem e, consequentemente, a formação integral e cidadã voltada à emancipação dos sujeitos, não é possível pensar num currículo elaborado exclusivamente por especialistas, externos à instituição escolar, na mera reprodução de currículos de outras instituições ou de maneira impositiva por órgãos responsáveis pelos sistemas ou redes de ensino. Na perspectiva, o currículo precisa ser elaborado no interior da escola, pelos seus sujeitos. Assim, professores, demais profissionais da escola, estudantes e famílias se tornam “produtores curriculares”. (VASCONCELLOS, 2011). A elaboração do currículo da escola, a cultura organizacional, a cultural local, as necessidades e os interesses dos estudantes e dos professores. 39UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 39UNIDADE II Adequações Curriculares Vasconcellos (2011), ao refletir sobre o processo de construção do currículo, afirma que o ponto de partida dessa construção é a sensibilidade, a motivação, a necessidade por parte do coletivo, em realizá-la, advertindo, porém, que isso não é suficiente. É preciso domínio do conhecimento teórico-metodológico referente ao currículo, assim como conhe- cimento dos sujeitos, do objeto do conhecimento, do contexto em que a escola está inserida e da diversidade de necessidades dos estudantes. Assim, a escola precisa ouvir, conhecer, acolher, respeitar e valorizar na construção do seu currículo as condições de vida, os valores, os hábitos, os saberes e a cultura dos estudan- tes, bem como dos seus professores, além de verificar se estes estão na profissão “por inteiro”, se estão abertos ao diálogo, ao debate e à mudança. (D. PAULA; R. PAULA, 2016). Em relação ao objeto do conhecimento, o professor precisa dominar os conheci- mentos que irá desenvolver em sala de aula e, ainda, conhecer as melhores maneiras de desenvolvê-los, estabelecendo relações com os conhecimentos prévios dos estudantes, despertando o interesse e a motivação destes. (D. PAULA; R. PAULA, 2016). Além disso, é fundamental conhecer o contexto em que se realiza a construção do currículo: a sala de aula, a escola, o bairro, a cidade etc., ou seja, os condicionantes que interferem no processo de ensino-aprendizagem. Quando esses condicionantes não são conhecidos profundamente, são utilizados para justificar o insucesso do trabalho escolar, sendo que o importante é conhecê-los, discuti-los e propor alternativas para superação. (D. PAULA; R. PAULA, 2016). Esse processo de construção coletiva precisa conhecer e contemplar espaços para a diversidade de necessidades dos estudantes: necessidade de se comunicar, de brincar, de se movimentar, de se sentir valorizado, entre outros. Se o currículo não satisfizer ou ca- nalizar tais necessidades, dificilmente o professor conseguirá uma participação organizada e produtiva em sala de aula. (D. PAULA; R. PAULA, 2016). Vasconcellos (2011) indica que o processo de construção coletiva do currículo deve ser caracterizado por estudo e o respeito devem ser assegurados para que todos possam expressar suas ideias sem medo de serem criticados. Ressalta ainda que dificuldades e desafios surgem nesse processo, os quais só serão superados pela constituição de um grupo com os mesmos objetivos e polo processo contínuo de construção coletiva. Libâneo (2004) desta que o processo de construção do currículo ocorre em dois momentos inter-relacionados: um dos momentos diz respeito ao que analisamos até então, o currículo construído pela escola e o outro momento se refere ao planejamento do pro- fessor para se desenvolver em sala de aula, ou seja, o plano de trabalho docente. (Aqui, caro(a) estudante utilizamos o termo “trabalho docente” para referirmos ao planejamento do professor, conforme redação utilizada no artigo 3, inciso II, da LDBEN. (BRASIL, 1996). 40UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 40UNIDADE II Adequações Curriculares Dessa maneira, todas as vezes que o professor se dedica a planejar suas aulas, definir quais serão os objetivos a serem alcançados, quais conhecimentos serão desen- volvidos, quais procedimentos metodológicos e avaliativos serão empregados, ele (re) constrói o currículo. 41UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 41UNIDADE II Adequações Curriculares 3. ADEQUAÇÕES DE ACESSO AO CURRÍCULO Caro(a) acadêmico(a) você sabe como se dá a estruturação do currículo flexível numa escola inclusiva? Uma vez que ele será a base para a organização das adaptações adequadas ao currículo. Considerando que as adaptações são únicas para cada aluno, não poderemos apresentar algo que venha a ser uma “receita”, correto?! Que possa ser aplicada a todos os casos. O que abordaremos serão sugestões de como organizar as adaptações curriculares, de forma a oferecer subsídios que favoreçam as práticas inclusivas. A organização de uma escola realmente inclusiva está retratada no seu currículo e na estruturação do projeto político-pedagógico (PPP), que deve ultrapassar a mera ela- boração de planos e exigências burocráticas. O PPP caracteriza e identifica a escola, ou seja, é a “cara” da escola, por isso, deve acompanhar as modificações da sociedade, da história, de seus fatores, dos acontecimentos e das legislações, considerando aspectos sociais, políticos, culturais e antropológicos que a caracterizaram. Deve corresponder ao pensamento dos que estarão envolvidos nela. (MINETTO, 2008). O currículo norteia a organização do PPP da escola. Aqui caro(a) acadêmico(a) utilizamos a palavra norteia, pois hoje o currículo é democrático, possibilitando que a co- munidade escolar tenha certa autonomia para flexibilizar e definir prioridades, favorecendo assim a inclusão. Na verdade, as dificuldades podem começar aí, pois tanto o currículo fechado como o aberto terão vantagens e desvantagens. Os professores, em sua maioria, foram capacitados para atuar em um currículo fechado, e agora estão diante da possibili- dade de flexibilização. Agora caro(a) estudante vamos analisar vantagens e desvantagens de um currículo fechado e aberto. 42UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 42UNIDADE II Adequações Curriculares FIGURA 2 - CURRÍCULO FECHADO Fonte: Elaborado pela autora com base em Minetto (2008). FIGURA 3 - CURRÍCULO ABERTO Fonte: Elaborado pela autora com base em Minetto (2008). 43UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 43UNIDADE II Adequações Curriculares Em suma, um currículo fechado, como podemos observar há vantagem de certa “comodidade” para o professor, sendo que este se limita a aplicá-lo, seguindo passo a pas- so as programações, ou seja, independente do perfil do aluno, da turma ou da comunidade, segue-se a programação. Ainda nesse modelo há uma vantagem na “normalização”, dando uniformidade e coesão ao que é ensinado e avaliado. As suas desvantagens estariam em não se adaptar às características individuais, não acompanhando as particularidades de cada contexto. Já o currículo aberto por sua vez se adapta às particularidades do ambiente e dos alunos. Todos os alunos podem se beneficiar dele, pois é possível encontrar diferen- tes formas de atender à diversidade. Ainda nesse modelo a principal desvantagem está na dificuldade de se manter uma homogeneidade no currículo, o que esperamos no ensino obrigatório básico. Além disso, exige muito mais do professor em termosde criatividade e organização de atividades diferenciadas, formação, atualização, dedicação, tornando-os co-responsáveis pelas programações e adequações necessárias. Mas caro(a) estudante até que ponto podemos “adaptar” o currículo sem perder qualidade? O professor tem autonomia para fazer o que quiser e como quiser? A autonomia que o professor passou a ter com a flexibilização do currículo não deve nunca acabar em um trabalho isolado. Ter autonomia implica responsabilidade e comprometimento, sem perder a relação com o PPP e os objetivos da escola. Atender às necessidades individuais não significa mudar tudo, porque, se pensarmos, todos temos dificuldades específicas e, em alguma época de nossas vidas, podemos ter necessidades especiais mais significativas. Todas as adaptações precisam ser entendidas como necessá- rias por uma equipe multiprofissional, incluindo aí a equipe da escola e, a partir da posição dessa equipe, é que se decide o que pode e deve ser feito. (MINETTO, 2008). O currículo aberto e flexível exige objetivos bem definidos que representam as con- cepções e os desejos de todos. Os professores, diretores e pais só conseguirão entender as adaptações se isso fizer parte de suas crenças. Para que uma escola consiga encontrar o ponto de equilíbrio para se beneficiar com as vantagens de um currículo flexível e assim construir adaptações curriculares adequadas, ela precisa estar atenta a alguns aspectos que podem ser muito significativos. São pontos que, se forem desprezados, impedirão que a instituição educacional obtenha sucesso nas suas tentativas de atender com qualidade à diversidade. (MINETTO, 2008). É fundamental destacar que a flexibilidade deve ser constante. É necessário co- memorar os sucessos e não paralisar com as dificuldades, além de sempre aprender com os desafios. Faz-se urgente reconhecer os progressos, mesmo que pequenos, e buscar entender o que contribuiu para que eles aconteçam. 44UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 44UNIDADE II Adequações Curriculares Para tanto, a estruturação adequada de um currículo flexível só trará benefícios quando todos entenderem sua razão e colaborarem com sua execução. O professor precisa contar com uma rede de apoio real e eficiente que lhe dê sustentação para a continuidade das modificações que, na maioria das vezes, ele é quem vai executar, mas que foram decididas pela equipe. De nada adiantaria metodologias inovadoras e materiais de apoio de última geração, se não houver um preparo dos colegas de sala e de todo o contexto escolar para a acolhida do aluno com necessidades especiais. Afinal, caro(a) estudante, você sabe o que são adaptações curriculares? Podería- mos entender que as adaptações curriculares abrangem toda a organização de estratégias educativas que ajudem, facilitem e promovam a aprendizagem do aluno, por meio da flexi- bilização do currículo, independente da dimensão. Qualquer modificação que necessite ser feita, por menor que seja, é considerada uma adaptação curricular. Assim, podem existir vários níveis de amplitude para favorecer as necessidades educativas especiais dos alunos. Contudo, o mais importante a destacar é que não se trata de elaborar programas paralelos, mas sim a introdução de medidas capazes de flexibilizar os currículos normais, estabelecidos no PPP da escola. São medidas que conver- tem o currículo num instrumento útil para responder à inevitável diversidade que apresentam os alunos quanto aos seus interesses ou ritmos de aprendizagem. (MINETTO, 2008). Mas, caro(a) estudante, quando é necessário fazer adaptações curriculares? A decisão de modificar ações pedagógicas e alterar o currículo deve ser tomada por uma equipe e nunca somente pelo professor. Cada caso deve ser considerado individualmente para que se chegue a uma conclusão das reais mudanças necessárias e, por isso, deve contar com a participação ativa de toda a equipe técnico-pedagógica da escola, assessoria externa e dos pais. As adaptações aconteceram somente nos casos em que a proposta geral não cor- responde efetivamente às necessidades específicas do aluno. Somente em alguns casos teríamos a elaboração de planos verdadeiramente individuais. Mas precisamos tomar cuida- do, pois não podemos criar dois currículos paralelos na escola, sendo o regular e o especial. O currículo flexível que acolhe as adaptações curriculares tem na sua proposta pontos de destaque como, por exemplo, segundo Minetto (2008, p. 67) “[...] a compreen- são de que a decisão da necessidade de adaptações não é individual (do professor ou do orientador), mas sim de responsabilidade de todos os envolvidos e, por isso, distribui responsabilidades, incluindo aí a família”. Portanto, o sucesso não depende somente de uma pessoa, mas da participação de todos. O aluno que está chegando não é “daque- 45UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 45UNIDADE II Adequações Curriculares le”professor, mas de toda a escola. Isso implica cooperação e co-participação de todos e responsabilidades divididas. O professor não deve se sentir sozinho nessa caminhada. O aluno também precisa ser ouvido sempre que possível. Muitas vezes, ele sabe o que precisa e o que deseja. Logo, fazer adaptação curricular não é uma resposta automática diante da iden- tificação de determinadas necessidades educativas especiais, mas um processo a ser pensado e programado, seguindo uma ordem que corresponde à organização do trabalho cooperativo com base no currículo regular. Somente a partir disso é que se pode determinar o tipo de adaptação mais adequada, podendo ser menos significativa ou mais significativa. (MINETTO, 2008). SAIBA MAIS Caro(a) acadêmico(a), você sabe por onde começar a organização das adaptações curriculares? Num primeiro momento, é necessário conhecer o aluno para depois definir suas ne- cessidades, observando-o em ambientes diferentes, como intervalo/recreio, na aula de educação física, perto da família. É necessário verificar o que ele consegue fazer sem auxílio e quais são os aprendizados que ele já tem, além de observar com calma seu desempenho, seu comportamento e suas potencialidades. Após o conhecimento prévio, podemos definir os conteúdos programáticos a serem tra- balhados e, a partir dos objetivos definidos, selecionar o que ensinar. Dos conteúdos que estão estruturados para uma determinada turma, analisar o que seria adequado para aquele determinado aluno, o que seria necessário ser acrescentado. Há necessidade de uma pesquisa metodológica minuciosa para fundamentar o sucesso do aprendizado de um aluno. Todo o trabalho anterior pode ser perdido se não for defi- nido o método mais adequado para cada situação. Avaliar todo o processo é tão importante quanto avaliar o desempenho do aluno. Com essa proposta temos a vantagem de distribuir responsabilidades, a avaliação vai identi- ficar os pontos falhos para que possam ser repensados. Finalmente, o registro de tudo que foi feito, em outras palavras, um documento que re- gistre todas as realizações, com resultados alcançados. O famoso portfólio. Fonte: Minetto (2008); Brasil (2003). 46UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 46UNIDADE II Adequações Curriculares Mas, caro(a) estudante, você deve estar se perguntando ao estudar até aqui, como podem ser as adaptações curriculares? De acordo com o Ministério da Educação e Secretaria de Educação Especial (BRA- SIL, 2000a; BRASIL, 2000b), podemos efetivar adaptações curriculares de duas formas distintas, vide a figura 2: FIGURA 4 - TIPOS DE ADAPTAÇÕES CURRICULARES Fonte: Brasil (2000a) e Brasil (2000b). Estas adaptações curriculares, são como um conjunto de transformações nos elementos físicos e materiais do ambiente escolar, bem como os recursos preparados pelo professor no desenvolvimento do trabalhocom o aluno. Considerando a diversidade das necessidades educativas especiais que o aluno pode apresentar, precisamos ter em mente que não podemos generalizar as adaptações, mas organizá-las de forma singular, por isso, elas podem ser simples e despender poucas modificações do currículo geral ou ser mais significativas e exigir muito mais do contexto, lem- brando que, independente da dimensão, deve ser decidido pela equipe. (MINETTO, 2008). 47UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 47UNIDADE II Adequações Curriculares SAIBA MAIS Caro(a) acadêmico(a) para saber mais sobre adaptações curriculares, acesse o material abaixo do Ministério da Educação e Secretaria de Educação Especial. Nas cartilhas adaptações curriculares de pequeno e adaptações curriculares de grande porte, você irá encontrar discussões como: Adaptações de Acesso ao Currículo; Adapta- ção de Objetivos; Adaptação de Conteúdos; Adaptações do Método de Ensino e da Or- ganização Didática; Adaptação de Sistema de Avaliação; Adaptação de Temporalidade. Boa leitura! BRASIL. Projeto Escola Viva. Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola. Alunos com necessidades educacionais especiais. Adaptações Curriculares de Pequeno Porte. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2000b. Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000449.pdf Acesso em maio de 2021. BRASIL. Projeto Escola Viva. Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola. Alunos com necessidades educacionais especiais. Adaptações Curriculares de Grande Porte. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2000a. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/cartilha05.pdf Acesso em maio de 2021. http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000449.pdf http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/cartilha05.pdf 48UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 48UNIDADE II Adequações Curriculares CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) acadêmico(a). Chegamos ao final de nossa unidade, no qual tivemos a oportunidade de com- preendermos que o termo currículo é polissêmico e que as diversas conceituações a ele atribuídas, muitas vezes, são divergentes e remetem a diferentes concepções, valores, interesses e intenções. Tivemos a oportunidade de analisar o currículo escolar pela ótica da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os artigos que competem a esta discussão, uma vez que os currículos da educação básica devem ter uma base nacional comum. Vimos ainda que o currículo pode ser flexível devido às adequações necessárias para uma escola inclusiva. Assim, convidamos você, acadêmico(a) interessado(a), a consultar as indicações de leitura complementar, filmes e as referências, de modo a aprofundar seu conhecimento. Boa leitura! 49UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 49UNIDADE II Adequações Curriculares LEITURA COMPLEMENTAR Para nossa leitura complementar indicamos o material da Secretaria de Educação Especial/Ministério da Educação intitulado “Saberes e práticas da inclusão: desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com altas habilidades/superdotação”, no qual nos capítulos de 5 a 7 irá tratar sobre as adequa- ções curriculares. Boa leitura! Fonte: BRASIL. Saberes e práticas da inclusão: desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com altas habili- dades/superdotação. 2.ed. SEESP/MEC. Brasília: MEC, Secretaria de Educação Especial, 2003. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/altashabilidades.pdf Aces- so em maio de 2021. 50UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação 50UNIDADE II Adequações Curriculares MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Currículo na Educação Inclusiva: entendendo este desafio Autor: Maria de Fátima Minetto Editora: InterSaberes Sinopse: Currículo na Educação Inclusiva: entendendo esse de- safio, de Maria de Fátima Minetto, é uma obra voltada ao professor que deseja aprimorar sua atuação em sala de aula, trabalhando a realidade da inclusão. A obra chama a atenção para a compreensão do diferente e de suas particularidades. Aqui, o educador encon- trará sugestões de atividades e de adaptação de conteúdos que podem ser fonte de inspiração para uma prática docente voltada ao diálogo e à inclusão. FILME/VÍDEO Título: Cordas Ano: 2014 Sinopse: O curta animado “Cordas” narra a amizade entre Maria, uma garotinha muito especial e Nicolás, seu novo colega de clas- se, que sofre de paralisia cerebral. A pequena, vendo algumas das impossibilidades do amigo, não desiste e faz de tudo para que ele se divirta e consiga brincar. Reconfigurando e recriando jogos e atividades, Maria celebra a vida do colega, aprende ao passo que ensina e emociona a todos – inclusive os espectadores -, com as possibilidades do sonho e de uma amizade verdadeira. Ao final, uma surpresa especial, que lembra a todos da impor- tância do educar e da relação que se estabelece no ensino e aprendizagem. 51 Plano de Estudo: ● Caracterização geral dos alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). ● Especificidades das pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). ● Formas de atendimento educacional e enriquecimento curricular. Objetivos da Aprendizagem: ● Abordar as caracterização gerais dos alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). ● Compreender os tipos de especificidades das pessoas com ● Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). ● Estudar as formas de atendimento educacional e a importância do enriquecimento curricular. UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular Professora Me. Fabiane Fantacholi Guimarães 52UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular INTRODUÇÃO Caro(a) acadêmico(a). Seja bem-vindo(a) a Unidade III, intitulada “Altas habilidades/superdotação: caracterização, atendimento educacional e enriquecimento curricular”, da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Altas Habilidades/Superdotação do Curso de Graduação em Educação Especial. Estudar sobre as pessoas com altas habilidades/superdotação é entender que elas não pertencem a um grupo homogêneo, isto é a um grupo semelhante, idêntico ou igual, mas sim ao contrário, com diferenças profundas e com diferentes níveis de potencialidade. Bem como entender, também, que não existe um padrão estabelecido para identificar o aluno AH/SD, mas tem como listar algumas das características comuns em indivíduos com diferente nível de desenvolvimento cognitivo. Em um segundo momento vamos especificar cada terminologia já apresentada ao longo dos tempos (crianças precoces, criança prodígio, criança com talento, criança gênio) para que você acadêmico(a) consiga distinguir quando alguma delas coexiste com a superdotação. E por fim, vamos estudar sobre os caminhos e possibilidades pedagógicas para o atendimento educacional com eficiência aos alunos identificados com altas habilidades/superdotação, partindo dos marcos legais referentes aos direitos dos alunos com AH/SD, bem como a regulamentação de ações voltadas para esse público, além de entender sobre o enriquecimento curricular, no qual é capaz de gerar motivação e inclusão ao aluno superdotado e, ao mesmo tempo, promover o desenvolvi- mento e despertar o interesse dos demais alunos da sala onde esse indivíduo está inserido. Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema de nossa primeira unidade. Boa leitura! 53UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular 1. CARACTERIZAÇÃO GERAL DOS ALUNOS COMALTAS HABILIDADES/ SUPERDOTAÇÃO (AH/SD) Caro(a) acadêmico(a) para iniciarmos o diálogo precisamos entender que as pessoas com altas habilidades/superdotação não pertencem a um grupo homogêneo, ao contrário, existem diferenças profundas que marcam esse grupo com diferentes níveis de potencialidade. Geralmente, a criança AH/SD senta, engatinha e anda precocemente; adquire linguagem e conhecimento verbal precoce, aprende rápido com pouca instrução, possui curiosidade intelectual e constrói perguntas de nível superior ao de seus pares, além de demonstrar insistência na busca da informação que deseja. “Super-reatividade, sensibili- dade e alto nível de energia também são características dessa criança que, por vezes, é considerada, precipitadamente, hiperativa”. (SAKAGUTI, 2020, p. 18). De forma geral, a população de alunos com altas habilidades/superdotação possui níveis de habilidade e multipotencialidades diferenciados, além de variarem também em seus interesses, estilos e ritmos. Para estabelecer que uma criança é superdotada, é preciso combinar três caracte- rísticas, sendo elas, vide na figura 1. 54UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular FIGURA 1 - CARACTERÍSTICAS PARA ESTABELECER A SUPERDOTAÇÃO NA CRIANÇA Fonte: Winner (1998). Mas esses são apenas três aspectos em um universo bastante plural com possibi- lidades de muitas características e com alta variação de presença e intensidade. Para se ter ideia, a previsão da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que 3 a 5% da população seja superdotada, mas, no Brasil, a proporção de alunos identificados não alcança essas marcas. Um dos motivos que dificultam essa identificação é justamente a dificuldade para encontrá-los por meio dos padrões de avaliação. Apesar da dificuldade de estabelecer esses padrões, a Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação – SEESP relacionou algumas características conside- radas universais para identificação da criança AH/SD: [...] curiosidade e vivacidade mental, motivação interna, persistência na área de seu talento,facilidade de compreensão e percepção da realidade, capaci- dade de resolver problemas, energia, senso de humor, habilidade em assu- mir riscos, sensibilidade, pensamento original e divergente, conduta criativa. (BRASIL, 2006, p. 34). Lembre-se! Caro(a) estudante, que nem todas as crianças AH/SD apresentam a mesma intensidade e sistematização dos comportamentos. Alencar e Fleith (2001) acrescentam a essa lista de características algumas infor- mações e afirmam que os sujeitos com altas habilidades/superdotação apresentam também alto grau de curiosidade; boa memória; atenção concentrada; persistência; independência e autonomia; facilidade de aprendizagem; criatividade e imaginação; iniciativa; liderança; vocabulário avançado para sua idade cronológica e riqueza de expressão verbal, além de outras características possíveis. 55UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular Diante dessas informações, o documento da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação – SEESP intitulado “Saberes e práticas da inclusão: desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com altas habilidades/superdotação” aconselha que: A identificação de alunos com superdotação, na escola, deve assim, se basear no programa a ser implementado para o atendimento de suas ne- cessidades, a utilização de várias fontes de coleta de dados (entrevistas, observações, sondagens do rendimento e desempenho escolar, análise de produções e outros), no conhecimento das características específicas desse aluno e das diferentes fases de desenvolvimento pelas quais as pessoas passam em cada faixa etária. (BRASIL, 2006, p. 20). E afirma que, aos serem identificados por seus professores, esses alunos provavel- mente apresentarão ainda, vide figura 2: FIGURA 2 - ALGUMAS IDENTIFICAÇÕES DE ALUNOS COM SUPERDOTAÇÃO Fonte: Brasil (2006, p. 21). Criatividade e liderança também são atributos considerados pelos especialistas para identificação da pessoa com altas habilidades/superdotação. Alencar e Fleith (2001) explicam que a incorporação dessas características na lista mudou o foco do indivíduo para a observação da relação dele com o meio. 56UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular Assim, a identificação do sujeito AH/SD passa a envolver uma espécie de avaliação que considere e atenda às várias fontes de informação e também às diversas dimensões, lembrando sempre que o ser humano é complexo e existem muitas variáveis, e, por isso, não existem regras fixas ou dados absolutos na identificação das altas habilidades/super- dotação. (CUPERTINO, 2008). Ainda, a família contribui com o processo de identificação, ao apresentar algumas características particulares de seu/sua filho(a), observado(a) durante o processo de de- senvolvimento. Há que se observar algumas questões em relação ao desempenho que é exigido por alguns pais, que estimulam excessivamente seu filho para que este possa apresentar indicadores de superdotação. (BRASIL, 2006). SAIBA MAIS Você sabia que as características do aluno superdotado podem desencadear alguns problemas emocionais? Como por exemplo, a facilidade de adquirir e reter informações com rapidez torna esse aluno impaciente com a demora de aprendizado dos seus ami- gos, assim como o desmotiva de desenvolver tarefas repetitivas e rotineiras. A capaci- dade de inventar e criar também pode trazer problemas, como jamais aceitar fazer as coisas da maneira considerada “comum”e, com isso, despertar a irritação dos colegas, dando a impressão de querer as coisas sempre “do seu jeito”. Outra característica, é a capacidade de interessar-se por diversos assuntos e temas, no qual pode levar esse aluno ao caos da desorganização ou à impressão de estar sempre “desligado”e desor- ganizado para seus amigos de sala e também professores. Entre essas diferenças, no entanto, a sensibilidade é uma das que mais exige atenção dos pais e professores, já que, por ser diferente, o aluno AH/SD, quando se sente rejeitado ou não compreendido, costuma colocar altas doses de expectativa e frustração sobre a situação, sentindo-se, em muitos momentos, alienado. Fonte: (VIRGOLIM; KONKIEWITZ, 2014). Em síntese, caro(a) estudante, existem muitas características comuns dos alunos com altas habilidades/superdotação, mas, justamente por não se tratar de um grupo homo- gêneo, esses traços e características se apresentam de formas e intensidades diferentes, 57UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular por isso, é grande o desafio de diagnosticar ou identificar esse aluno em sala de aula, mas a legislação brasileira, como vimos já estabeleceu algumas listas e característica para auxiliar os professores de todos o país a avaliarem e identificarem seus alunos com alto potencial de superdotação. Conforme pesquisadores/autores, entender as peculiaridades que caracterizam o aluno com altas habilidades/superdotação é necessário porque o de- senvolvido dela, é influenciado por suas características físicas e psicológicas, mas também pelas interações sociais às quais essa criança é submetida. (SAKAGUTI, 2020). 58UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular 2. ESPECIFICIDADES DAS PESSOAS COM ALTAS HABILIDADES/ SUPERDOTAÇÃO (AH/SD) Conceitualmente, altas habilidades/superdotação não é o mesmo que precocidade ou genialidade. Mas ainda assim, a maneira como esses temas são propagados pela mídia e pelas redes sociais, é, por vezes, equivocada. Por sua vez, quanto mais esclarecedor e preciso for odiagnóstico e a conceituação de uma pessoa com altas habilidades/superdo- tação, mais fácil será para a família providenciar o atendimento e a conduta adequados a esse aluno, por isso, caro(a) acadêmico(a), vamos especificar cada uma das terminologias para que você consiga distinguir quando alguma delas coexiste com a superdotação. As terminologias: crianças precoces, criança prodígio, criança com talento, criança gênio. Ao buscar no dicionário da língua portuguesa a palavra precoce, encontramos, entre outras, as seguintes definições: “Prematuro, antecipado. Que tem determinadas faculdades prematuramente desenvolvidas”. (FERREIRA, 2010, p. 605). O termo precoce segundo Cupertino (2008) emprega-se a crianças que apresentam alguma habilidade específica muito desenvolvida, podendo aparecer em qualquer área do conhecimento, ou seja, na música, em disciplinas escolares, na linguagem, esporte ou leitura. Winner (1998) chama a atenção para o fato de que os precoces começam a dar os primeiros passos no domínio de alguma área em uma idade menor que a média, progri- dem mais rapidamente, porque sua aprendizagem, na área escolhida, ocorre com grande facilidade. A autora refere-se ao conhecimento como uma área de reconhecido domínio humano, tais como a linguagem, a matemática, a música, as artes, o xadrez, o bridge, o balé, a ginástica, o tênis ou a patinação. 59UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular O aluno precoce “[...] é aquele que se destaca perante crianças da mesma idade, em razão habilidades que apresenta”, contudo, “[...] estas podem ter suas origens na sim- ples prematuridade do desenvolvimento de aspectos cognitivos, que se normalizarão com o decorrer do tempo”. (MARTINS; CHACON, 2016, p. 190). Explicam Martins e Chacon (2016) que somente no final da infância será possível verificar se realmente existe uma configuração cognitiva superior ou se a performance apresentada é apenas uma prematuridade no desenvolvimento. Gama (2006, p. 65), explica que “[...] a precocidade está sempre relacionada não ao comportamento ou forma de pensamento propriamente ditos, mas à idade em que esses são exibidos [...]”. Quando a criança se desenvolve com plenitude em variadas áreas do co- nhecimento e chega ao nível de compreensão e capacidade de execução equivalentes ao de um adulto em idade muito inferior à esperada, então ela é chamada de criança prodígio. Como já visto, só no final da infância será possível confirmar o diagnóstico, mas, seja precoce, seja superdotada, a criança deve receber todo suporte para desenvolver seu potencial. Além do suporte, a compreensão da família se faz necessária para evitar que tanto a criança quanto seus pais fiquem frustrados com o processo ou os resultados dele. (SAKAGUTI, 2020). A palavra prodígio segundo o dicionário da língua portuguesa, vem de verbo portento que significa: “Coisa ou sucesso maravilhoso. Pessoa de inteligência incomum”. (FERREIRA, 2010, p. 600). O termo prodígio segundo Cupertino (2008) sugere algo extremamente raro e único, melhor dizendo, fora do curso normal da natureza, e se tais indivíduos promoverem contribuições extraordinárias à humanidade, revolucionando suas áreas de conhecimento, passam a ser denominados gênios. São consideradas crianças prodígio aquelas que apresentam habilidades e desem- penhos diferenciados para a idade, ainda são consideradas crianças precoces com talento extraordinário em algum campo das artes ou domínio de temas do conhecimento, com nível de profissionais adultos. Um exemplo disso clássico é Wolfgang Amadeus Mozart, que mostrou uma habilidade musical prodigiosa desde sua infância. SAIBA MAIS Caro(a) estudante, vamos conhecer alguns casos divulgados pela mídia brasileira e internacional sobre crianças prodígio? Vamos lá... 60UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular 2.2 Prodígio na Música Um típico caso de criança prodígio é o pianista catarinense Pablo Rossi que, com apenas 11 anos de idade, gravou um CD com obras de Chopin, Bartók, Schumann, Tchaikovsky, Rachmaninov, Shostakovich e Nepomuceno, tendo sido também notícia na mídia impressa.3 Pablo toca com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e treina cinco a seis horas por dia. Considerado hoje o melhor pianista jovem do Brasil, este catarinense de 17 anos foi vencedor do 1º Concurso Nacional Nelson Freire de Novos Talentos Brasileiros e acumula premiações no Brasil e no exterior. Pablo Rossi nasceu em Florianópolis em 1989 e iniciou os estudos musicais aos seis anos. Aos sete ganhou o concurso para piano Jovens Intérpretes, de Lages, e passou a ter aulas em Curitiba com Olga Kiun, pianista russa naturalizada brasileira, ela própria uma criança prodígio que fez seu primeiro recital solo aos nove anos e aos doze realizou seu primeiro concerto como solista de orquestra. Pablo acumula diversos prêmios em sua curta carreira de pianista: já aos oito anos recebia o prêmio revelação no XXXII Festival de Inverno de Campos do Jordão e logo em seguida recebia o primeiro lugar nos seguintes concursos: Concurso de Piano Artlivre em 1997 e em 2000; no VII Concurso Nacional Magda Tagliaferro; no IX Concurso Nacional de Piano em Governador Valadares; no XIII Concurso Internacional na cidade de Córdoba, Argentina; no XI Concurso Internacional de Piano ‘Perfecto García Chornet’, na Espanha; e no I Concurso Nacional Nelson Freire para Novos Talentos Brasileiros. Com o apoio do Governo do Estado do Paraná, Pablo conseguiu uma bolsa de estudos para cursar o Con- servatório Tchaikovsky de Moscou, a convite da Sociedade Rachmaninov, em novembro de 1999, quando tinha 10 anos, tendo então a oportunidade de participar das masterclasses de Alexander Mndoyants e Viktor Merdjanoff. O aclamado prodígio já se apresentou com a Orquestra de Câmara Solistas de Londrina, a Orquestra Sinfônica do Paraná, a Camerata Florianópolis, a Sinfônica de Santa Catarina, a Sinfônica de Ribeirão Preto, a Orquestra Sinfônica Brasileira, além de ter realizado recitais em cidades como São Paulo, São José dos Campos, Macaé e Curitiba. 2.3 Prodígio Acadêmico O americano Gregory Robert Smith tem feitos notáveis em sua biografia de apenas 17 anos. Destacamos aqui algumas de suas realizações: Aos 13 anos recebeu seu diploma de graduação suma cum laude em Matemática na Randolph-Macon College, em Ashland, Virginia. 61UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular Em maio de 2006, aos 16 anos de idade, recebeu o título de Mestre em Matemática pela Universidade de Virginia, EUA. Recentemente revelou que pretende obter seu PhD em quatro diferentes áreas: matemática, engenharia aeroespacial, ciência política e engenharia biomédica. É fundador da International Youth Advocates, dedicada à defesa de jovens e crian- ças carentes e à paz mundial. Em suas viagens ao exterior (já visitou nove países em quatro continentes, incluindo o Brasil) e dentro de seu próprio país, Gregory dá palestras sobre o fim do ciclo da violência e sobre a manutenção da paz. Já se encontrou com a rainha Noor, da Jordânia, com presidentes, como Bill Clinton e Mikhail Gorbachev, líderes religiosos como o Arcebispo Desmond Tutu da África do Sul, e educadores para discutir suas ideias para a educação e para a paz. Foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2002 (quando tinha 12 anos), continuando a concorrer nos anos posteriores (2003 a 2006). Quando terminou o Ensino Fundamental e o Médio em apenas cinco anos – em vez dos treze esperados de uma criança comum –, virou estrela de programas populares nos Estados Unidos. Gregory foi precoce em muitas áreas e de uma forma qualitativamente diferente da grande maioria das crianças. Começou a falar muito mais cedo que o esperado para umbebê, aos 2 meses de idade. Com um ano e dois meses era capaz de nomear todos os tipos de dinossauros que já existiram e de resolver problemas simples de álgebra. Aos 2 anos já lia e corrigia a gramática de adultos. Nesta idade ele também decidiu abandonar os sanduíches do McDonald’s e tornou-se vegetariano por conta própria. Aos 5 anos era capaz de recitar trechos de livros de memória – tinha na cabeça a coleção inteira de Júlio Verne e era capaz de discorrer sobre uma enorme gama de assuntos. Seus pais comentam que, nesta idade, sua capacidade mental, medida por testes de QI, ultrapassava os limites dos próprios testes. Gregory foi acelerado nos estudos e o currículo compactado para atender suas necessidades especiais únicas; assim, no período de um ano o menino cumpriu sete séries escolares (da segunda à oitava), pulando toda a terceira série e cumprindo um curso de Álgebra em 10 semanas. Ele tinha sete anos quando entrou para o Ensino Médio no Orange Park High School, na Florida. Em entrevista ao jornal Washington Post, em 1999, quando se formava com honras no Ensino Médio, dois dias antes do seu 10º aniversário, Gregory comentou: “Acredito que recebi um dom especial, mas não sei como ou porque ele me foi dado; apenas sei que quero usar o máximo de minhas habilidades para ajudar a humanidade.” Entre as suas metas, anunciou, está a de se tornar Presidente dos Estados Unidos. 62UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular 2.4 Prodígio na Pintura Marla Olmstead, começou a pintar pouco antes de completar 2 anos, com o incen- tivo de seu pai, também artista plástico. Usando pincéis, espátulas, seus próprios dedos e até tubos de ketchup, a menina cria telas de aproximadamente um metro e meio, que já lhe renderam mais de US$ 300 mil, tendo cerca de 200 compradores na lista de espera. Nascida no estado de Nova York, em Fevereiro de 2000, Marla começou a pintar antes de 2 anos. Seu pai, gerente de uma fábrica e pintor amador, no início achava que a pintura era apenas uma distração para a filha, mantendo-a ocupada enquanto ele próprio pintava. No entanto, logo passou a comprar telas e tintas quando observou o senso de equilíbrio, forma e composição presentes nos quadros abstracionistas da filha. A mãe, recepcionista em tempo parcial, conseguiu com um amigo que os trabalhos da criança fossem expostos em uma lanchonete local. O primeiro quadro, vendido por 250 dólares, foi logo sucedido por outros. Em Agosto de 2004 a galeria de artes Anthony Brunelli, de Nova York, atraiu mais de 2.000 pessoas com a primeira exposição de Marla, cujos quadros foram vendidos por cerca de 6 mil dólares cada. Marla gosta de usar tintas acrílicas coloridas e, diferentemente das crianças de sua idade, constrói suas pinturas em camadas e cobre toda a tela de tinta, não deixando espaços vazios. Inicialmente trabalha com largas pinceladas de tinta e com os dedos, e progressivamente outras ferramentas são incorporadas ao trabalho, como garrafas de plástico. O pai, atuando agora como seu assistente, incentiva a filha a produzir com regularidade e rapidez, pintando vários quadros por mês. Segundo o pai, Marla pinta regularmente, três vezes por semana, e em geral termina seu trabalho após três horas de grande concentração. Atraindo a atenção da mídia, e tornando-se notícia no The New York Times, Time, CBS News e BBC News e em outras revistas, TV e jornais da França, Alemanha, Canadá, Inglaterra, Espanha, África do Sul, Austrália, Brasil e Itália, Marla tem sido comparada a grandes gênios do expressionismo abstrato, como Wassily Kandinsky e Jackson Pollock. 2.5 Prodígio na Literatura Descrita como “uma pequena gigante literária” pela jornalista Diane Sawyer no programa de entrevistas Good Morning America, Adora Svitak, americana, filha de mãe chinesa e pai checo, de apenas 8 anos, surpreende por sua facilidade em escrever. No programa de televisão, Adora demonstrou sua capacidade de digitar setenta palavras por minuto em seu laptop, escrevendo textos com uma estrutura sofisticada para sua idade, 63UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular respondendo perguntas e demonstrando seu processo de escrita ao vivo, com a ajuda de um projetor. Seu primeiro livro , escrito aos 7 anos de idade, inclui nove histórias, poemas, e sua opinião sobre política, religião, mídia e educação. Sua mãe, Joyce Svitak, contribui no livro com dicas e estratégias de ensino para ajudar pais e professores em como ensinar a criança a escrever, ilustrando cada técnica ou exercício com as histórias escritas por Ado- ra. Apaixonada por história medieval e contemporânea, filosofia e mitologia, seus contos traduzem sua paixão pela leitura e escrita. Adora entende que sua missão engloba ensinar outras crianças a ler e escrever, visitar escolas e repassar para os jovens o prazer que a leitura e a escrita podem proporcionar. Fonte: Virgolim (2007, p. 25-27). SAIBA MAIS Talento é um vocábulo derivado do latim talentum e significa “[...] Dom natural ou adqui- rido. Inteligência excepcional. (FERREIRA, 2010, p. 725). Uma definição complementar do próprio dicionário é o adjetivo talentoso, isto é, uma pessoa “que tem muito talento, inteligência”. Mas, caro(a) estudante, relacionar talento e altas habilidades/superdotação não é uma tarefa simples ou simplista. Não existe unanimidade na atribuição e associação dos termos. Segundo a autora Anjos (2011) em sua tese de doutorado relata que alguns autores usam esses termos como “[...] sinônimos, em expressões do tipo: “os dotados e talentosos”.”. Mas, outros autores como Joseph Renzulli ou Robert Sternberg hesitam em usar o termo “talento” e “[...] focalizam a concepção de capacidade e desempenho superior no conceito único de dotação”. (ANJOS, 2011, p. 25). Guenther (2011) também diferencia dotação e talento, após realizar sua pesquisa em grandes autores. 64UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular FIGURA 3 - DIFERENÇA ENTRE DOTAÇÃO E TALENTO Fonte: Guenther (2011, p. 85). Em resumo, podemos entender que dotação é o domínio de pelo menos uma das capacidades humanas de forma natural, já o talento, no entanto, é a capacidade de realizar com maestria uma habilidade, e é desenvolvida por meio de treino sistemático ou por co- nhecimento pleno de alguma área da atividade humana. Sobre desenvolver talentos, ainda Guenther (2011, p. 85) relata também que “[...] pode ser um processo relativamente simples, que alcança resultados em menor tempo, e depende essencialmente de um plano pedagógico-educacional claro e determinado, focali- zado em ensino, exercício, treino”. Já desenvolver dotação, em outras palavras, o potencial sinalizado em um domínio de capacidade, é mais complexo, “[...] exige vivência em quantida- de, qualidade, complexidade, profundidade, diversidade, por longos períodos de tempo, em condições configuradas por vias de educação informal”. Contudo, “considerando resultados em generalização e aprendizagem futura, desenvolver dotação é mais promissor para a pessoa, e para os objetivos da sociedade, que cultivar talentos”. (GUENTHER, 2011, p.85). Por fim, Anjos (2011) traz em sua tese a fala de Piirto (1999), no qual acredita “[...] que a construção da superdotação não é linear, mas uma esfera, um círculo, que envolve todos os tipos de talentos.”. Neste sentido, apresenta as seguintes características: “[...] ele- vada inteligência, talentos acadêmicos, criatividade, talentos musicais, talentos mecânicos, talentos para o relacionamento, talentos religiosos”. (ANJOS, 2011, p. 22). 65UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular Gênio no dicionário da língua portuguesaestabelece que é a pessoa com “[...] Altíssimo grau de capacidade mental criadora, em qualquer sentido, Indivíduo de potência intelectual incomum. (FERREIRA, 2010, p. 376). Como por exemplo, Albert Einstein, o físico, ou Pablo Ruiz Picasso, o artista. Segundo Anjos (2011, p. 21, grifo da autora) gênio “[...] seriam aquelas pessoas que deram contribuições extraordinárias para a humanidade, que deixam marcas na história”. A Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, por meio de pu- blicações oficiais, mostra o entendimento da distinção terminológica para genialidade e altas habilidades/superdotação. Esta se caracteriza por elevada potencialidade de apti- dões, talentos e habilidades demonstradas por alto desempenho em diferentes áreas. Já a genialidade é o potencial superior para construção e que contribui de forma transformadora para o desenvolvimento da sociedade e da ciência, isto é, são considerados gênios apenas aqueles que deixam um legado à humanidade, pelas suas contribuições originais e de grande valor. (SAKAGUTI, 2020). Para fecharmos esta discussão não poderíamos deixar de retomarmos o que iniciamos na Unidade I da nossa apostila, a definição brasileira para pessoas com altas habilidades/superdotação, sendo a Política Nacional de Educação Especial (1994, p. 11), estudantes com AH/SD demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: “intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse”. Completando o estudo sobre essas áreas citadas acima, utilizaremos para comple- mentação Virgolim (2007, p. 28): a) Capacidade Intelectual Geral – Envolve rapidez de pensamento, compreen- são e memória elevadas, capacidade de pensamento abstrato, curiosidade intelectual, poder excepcional de observação; b) Aptidão Acadêmica Específica – Envolve atenção, concentração, motivação por disciplinas acadêmicas do seu interesse, capacidade de produção acadêmi- ca, alta pontuação em testes acadêmicos e desempenho excepcional na escola; c) Pensamento Criativo ou Produtivo – Refere-se à originalidade de pensamento, imaginação, capacidade de resolver problemas de forma diferente e inovadora, capacidade de perceber um tópico de muitas formas diferentes; d) Capacidade de Liderança – Refere-se à sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, capacidade de resolver situações sociais complexas, poder de persuasão e de influência no grupo, habilidade de desenvolver uma interação produtiva com os demais; 66UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular e) Talento Especial para Artes – Envolve alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou cênicas (por exemplo, facilidade para expres- sar idéias visualmente; sensibilidade ao ritmo musical; facilidade em usar gestos e expressão facial para comunicar sentimentos); e f) Capacidade Psicomotora – Refere-se ao desempenho superior em esportes e atividades físicas, velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora fina e grossa. Esta definição é vantajosa, segundo Virgolim (2007, p. 28), uma vez que chama a atenção para importantes aspectos, como: ● a pluralidade de áreas do conhecimento humano em que uma pessoa possa se destacar, não se limitando à tradicional visão acadêmica da superdotação. ● o entendimento de que as altas habilidades se relacionam tanto com o de- sempenho demonstrado quanto com a potencialidade em vir a demonstrar um notável desempenho. ● a percepção de que a superdotação se modifica no decurso do desenvolvimento do indivíduo. Na Resolução CNE/CEB n. 2, de 11 de setembro de 2001, que Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, no inciso III do artigo 5 expõe que os alunos com “altas habilidades/superdotação, grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes”. (BRASIL, 2001). Essa definição, segundo Virgolim (2019, p. 108), ressalta duas características marcantes da superdotação, que são: “a rapidez de aprendizagem e a facilidade com que esses indivíduos se engajam em sua área de interesse’’. Destaca também “a atitude diante da vida, que implica interesse, motivação e vontade de dominar uma determinada área, tópico ou disciplina”. Aqui caro(a) estudante, podemos facilmente perceber esses fatores nos comportamentos exibidos em sala de aula ou mesmo em situações familiares do dia a dia, o que pode facilitar aos professores a indicação de crianças com potencialidade para uma avaliação mais detalhada. 67UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular 3. FORMAS DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL E ENRIQUECIMENTO CURRICULAR Os alunos com AH/SD fazem parte do público-alvo da educação especial no Brasil, no entanto, nem sempre é reconhecida a condição desses alunos, que, muitas vezes, são negligenciados. Ocorre que, mesmo com habilidades e talentos acima da média, eles apre- sentam dificuldades no processo de escolarização e nem sempre recebem o atendimento de acordo com suas necessidades. As dificuldades começam a se manifestar em cobranças excessivas de professores e da escola e na alta expectativa dos pais e familiares, o que causa angústia e sofrimento ao aluno, relacionamento difícil com colegas e professores, dificuldade em aceitar autoridade e cumprir regras e, por fim, problemas em aprender con- ceitos relacionados às áreas que não apresentam habilidade. (FARIAS, 2020). Dessa forma, muitas vezes o aluno não é compreendido; não raro, é avaliado de forma errônea, como autista, hiperativo ou possuidor de outros distúrbios. Na verdade, o que poderia ser uma condição que viria a ajudar no processo de escolarização, acaba por tornar-se um impedimento. O processo inclusivo prevê a remoção de barreiras, sejam elas físicas, sejam atitudinais. (FARIAS, 2020). De acordo com Carvalho (2014), a educação inclusiva prevê a remoção dessas barreiras buscando formas de acessibilidade e assegurando o ingresso e a permanência bem-sucedida na escola. Os alunos com AH/SD não têm barreiras em seu ingresso, mas muitas vezes sua permanência e seu sucesso ficam comprometidos. 68UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular A educação especial na perspectiva da educação inclusiva busca assegurar um atendimento não segregado na sala comum, bem como suportes para garantir não somen- te o acesso, mas também a permanência na escola. Um desses suportes que tem sido decisivo no processo inclusivo é o Atendimento Educacional Especializado (AEE) realizado nas salas de recursos multifuncionais (SRM). O Parecer n. 17, de 3 de julho de 2001 do CNE/CEB aponta como deve se dar o aten- dimento no AEE em relação aos alunos com AH/SD, no item 4.1, que trata da organização. Para atendimento educacional aos superdotados, é necessário: a) organizar os procedimentos de avaliação pedagógica e psicológica de alu- nos com características de superdotação; b) prever a possibilidade de matrícula do aluno em série compatível com seu desempenho escolar, levando em conta, igualmente, sua maturidade socioe- mocional; c) cumprir a legislação no que se refere: ● ao atendimento suplementar para aprofundar e/ou enriquecer o currículo; ● à aceleração/avanço, regulamentados pelos respectivos sistemas de en- sino, permitindo, inclusive, a conclusão da Educação Básica em menor tempo; ● ao registro do procedimento adotado em ata da escola e no dossiê do aluno; d) incluir, no histórico escolar, as especificações cabíveis; e) incluir o atendimento educacional ao superdotado nos projetos pedagógicos e regimentos escolares, inclusive por meio de convênioscom instituições de ensino superior e outros segmentos da comunidade. (BRASIL, 2001, p. 23). (FARIAS, 2020). Vale mencionar ainda o Decreto n. 7.611, de 17 de novembro de 2011, que dispõe o atendimento educacional especializado, que assegura: Art. 5º A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados, Municípios e Distrito Federal, e a instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos estudantes com deficiên- cia, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdota- ção, matriculados na rede pública de ensino regular. (BRASIL, 2011). Tal decreto, regulamenta a distribuição dos recursos do Fundo Nacional de Desenvol- vimento da Educação Básica (Fundeb), determinando no Art. 9º-A. “Para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, será admitida a dupla matrícula dos estudantes da educação re- gular da rede pública que recebem atendimento educacional especializado”. (BRASIL, 2011). Sendo assim, o aluno público-alvo da educação especial contará em dobro para efeitos de cálculo de distribuição do Fundeb quando tiver matrícula no AEE no contraturno escolar. A Resolução n. 4, de 2 de outubro de 2009, reafirma este princípio, em seu art.8: Parágrafo único. O financiamento da matrícula no AEE é condicionado à ma- trícula no ensino regular da rede pública, conforme registro no Censo Esco- lar/MEC/INEP do ano anterior, sendo contemplada: matrícula em classe comum e em sala de recursos multifuncionais da mesma escola pública; 69UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular matrícula em classe comum e em sala de recursos multifuncionais de outra escola pública; matrícula em classe comum e em centro de Atendimento Educacional Espe- cializado de instituição de Educação Especial pública; matrícula em classe comum e em centro de Atendimento Educacional Espe- cializado de instituições de Educação Especial comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. (BRASIL, 2009). O AEE ocorrido nas salas de recursos multifuncionais (SRM) ou centros de atendi- mento especializado tem por objetivo a identificação e a estimulação das potencialidades do aluno com AH/SD. É importante destacar que esses atendimentos devem ocorrer no contraturno para que se assegure o direito do aluno de estar no convívio da classe comum, pois se compreende que o AEE é um estímulo ao desenvolvimento das potencialidades do aluno. Essa compreensão tem como premissa o reconhecimento de que, mesmo com habilidades superiores, tais alunos necessitam de atendimento adequado para que desen- volvam suas potencialidades. (FARIAS, 2020). REFLITA Caro(a) acadêmico vamos refletir! Será que existe uma enorme distância entre a política educacional proposta pelo governo e a prática realizada nas escolas. Essa distância pode ser explicada por preconceitos sobre os alunos com AH/SD, recursos inadequados e mal utilizados, barreiras atitudinais e falta de compromisso na implantação das políti- cas educacionais. Fonte: A autora (2021). É importante ressaltar ainda que existem diferentes programas voltados aos alu- nos com AH/SD entre eles os de aceleração e os de enriquecimento curricular. Conforme Martins e Pedro (2013, p. 2909) o programa de aceleração “[...] consiste em pular etapas da formação regular, de modo a cumprir o programa em menor tempo”. Nesse programa, “[...] o aluno vivencia experiências com colegas mais velhos, deste modo, é indispensável certificar-se de que a criança possui as condições psicológicas e os conhecimentos neces- sários para esta interação”. O programa prevê ainda, segundo os autores Martins e Pedro (2013, p. 2909), agrupamento que “[...] podem ocorrer em centros específicos, escolas e classes especiais ou mesmo nas classes regulares, em tempo parcial (agrupamento flexível)”. Embora 70UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular também chamados de “segregação”, “[...] os agrupamentos podem estar apartados da escolarização na forma de acampamentos temáticos, intercâmbios ou cursos específicos”. Embora de destinar-se a um grupo previamente escolhido, a heterogeneidade permanece sempre, assim como as diferenças individuais, o que não exclui a necessidade de algumas instruções individualizadas. Nestes agrupamentos, “a interação entre semelhantes é faci- litada e gera ganhos acadêmicos substanciais, no entanto, podem ocasionar o isolamento do grupo selecionado”. SAIBA MAIS Para saber mais sobre os programas e projetos de aceleração de estudos, trouxemos a leitura publicada no site Secretaria da Educação, Governo do Paraná. Programas e Projetos - Programa de Aceleração de Estudos - PAE O que é? As ações do Programa de Aceleração de Estudos consistem na reorganização da Pro- posta Pedagógica e do trabalho docente tendo em vista a organização de turmas es- pecíficas de alunos em situação de distorção idade/ano, respeitando os anos de matrí- cula desses estudantes, conforme Parecer CEE/PR n.º 19/2015, visando aperfeiçoar o processo de utilização de recursos e materiais pedagógicos existentes na escola, as- sim como diversificar os encaminhamentos metodológicos realizados pelos professores dessas turmas. Qual o público alvo? São considerados alunos com defasagem idade/ano, pelo programa, aqueles que ul- trapassaram em dois anos ou mais a idade regular prevista para o ano em que estão matriculados. Qual o objetivo? A proposta tem como objetivo corrigir a distorção idade/ano dos alunos que estão cur- sando os anos finais do Ensino Fundamental, assim como garantir qualidade no proces- so de ensino-aprendizagem das turmas de aceleração de estudos. 71UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular Como são organizadas as turmas? As turmas do Programa são compostas por no mínimo 15 e no máximo 20 alunos, a serem ofertadas em dois níveis, sendo a turma I para alunos matriculados no 6.º ano do Ensino Fundamental, com idade mínima de 13 anos, e a turma II para alunos matricula- dos no 8.º ano do Ensino Fundamental, com idade mínima de 15 anos. Qual a carga horária? A carga horária destinada às disciplinas que compõem a matriz curricular das turmas de aceleração será de 25 horas-aula semanais, distribuídas conforme Instrução Normativa n.º 20/2012 Seed/Sued. Quantos anos o aluno poderá acelerar ao participar do programa? Os alunos participantes das turmas de aceleração de estudos poderão, ao final do ano letivo, acelerar até dois anos de estudos, ou seja, os alunos do 6.º ano do Ensino Fun- damental poderão ser reclassificados para o 8.º ano do Ensino Fundamental, e os alu- nos do 8.º ano do Ensino Fundamental, poderão ser reclassificados para a 1.ª série do Ensino Médio. Fonte: BRASIL. Secretaria da Educação. Programas e Projetos - Programa de Aceleração de Estudos - PAE. Disponível em http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?- conteudo=1599#:~:text=As%20a%C3%A7%C3%B5es%20do%20Programa%20de,.%C2%BA%20 19%2F2015%2C%20visando Acesso em maio de 2021. O enriquecimento resume-se como o oferecimento de experiências diversas das quais são proporcionadas por meio do currículo regular. “Dá-se através do acréscimo de conteúdos mais abrangentes e aprofundados, ou pela solicitação de projetos e seu ponto forte é não segregar ou retirar o aluno de seu ambiente”. As adaptações curriculares podem ser empregadas como uma estratégia de enriquecimento curricular onde se “[...] constrói um programa educacional individualizado que respeita o tempo de escolarização regular e possibilita alterar os objetivos, a metodologia, as atividades e a avaliação”, ou ainda somen- te, “[...] realizar alteraçõesmenos abrangentes, como a ampliação de alguns conteúdos, o aprofundamento de determinadas disciplinas e a variação das atividades”. (MARTINS; PEDRO, 2013, p. 2909). http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1599#:~:text=As%20a%C3%A7%C3%B5es%20do%20Programa%20de,.%C2%BA%2019%2F2015%2C%20visando http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1599#:~:text=As%20a%C3%A7%C3%B5es%20do%20Programa%20de,.%C2%BA%2019%2F2015%2C%20visando http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1599#:~:text=As%20a%C3%A7%C3%B5es%20do%20Programa%20de,.%C2%BA%2019%2F2015%2C%20visando 72UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular Lembre-se! Caro(a) estudante, as pessoas com AH/SD não são iguais, mas guar- dam singularidades a serem consideradas e respeitadas pelas escolas ao escolherem o programa mais adequado às suas necessidades. Além disso, os alunos com AH/SD pre- cisam do AEE, indicando uma atenção específica a esses indivíduos. Nesse processo, é necessário o envolvimento da família, dos professores da classe comum, do professor da SRM e da escola. O trabalho articulado possivelmente resultará não só em um rendimento escolar satisfatório, mas também num desenvolvimento afetivo adequado. (FARIAS, 2020). Para fecharmos o estudo, não podemos deixar de complementar que os professo- res precisam estar cientes da responsabilidade que têm junto a esse público, no entanto, é imprescindível a clareza de que o trabalho deve ser realizado de forma articulada entre família, escola e comunidade. Conforme Sabatella (2005, p. 120): a) A família - que precisa ser instruída para reagir positivamente ao descobrir a potencialidade da criança, apoiando, compreendendo, buscando maiores informações e ajuda técnica necessária; b) A escola - que precisará ajustar-se às peculiaridades da superdotação e do talento, começando por vencer muitos preconceitos que ainda existem entre educadores. Necessita prover-se de meios de identificação para o reconheci- mento do potencial de seus alunos; c) A comunidade - que pode abrir espaços e oportunidades para favorecer a convivência e o desenvolvimento dos alunos. Quanto mais acolhidos eles se sentirem, mais rapidamente se tornarão líderes, conscientes de suas capacida- des e do que deles se espera. Existem alternativas de atendimento, porém, há que se esclarecer que não é possí- vel utilizar somente uma metodologia, já que as escolhas metodológicas devem basear-se na singularidade de cada aluno e na realidade da escola. Qualquer alternativa metodológica que atenda necessidades diversas e seja conduzida de forma adequada beneficia o aluno e capacita a escola no trato com a diversidade. (FARIAS, 2020). O enriquecimento curricular pode ser realizado, segundo Sabatella (2005, p. 124): ● Pelo professor da turma, em sala de aula, adotando estratégias e técnicas de ensino variadas; 73UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular ● Por professor especialista, realizada em núcleo de recursos especiais, com atividades paralelas às desenvolvidas em classe; ● Pela montagem de um currículo totalmente enriquecido como consequência do conteúdo aprofundado, usado, individualmente, para os talentos específicos ou em classe comum, sem quebra da unidade do programa. Sabatella (2005) ressalta ainda que esses programas podem tomar formas varia- das, como a inclusão de novas unidades de estudo, permitindo que o aluno acelere o currículo; o estímulo à pesquisa, por meio da utilização de mais fontes de informação e do desenvolvimento de projetos específicos para áreas de conhecimento diversas. No entanto, considerando a realidade das escolas públicas brasileiras, é possível reconhecer a dificuldade do professor da classe comum em realizar um programa de enri- quecimento curricular. O que muitas vezes acontece é a utilização de uma maior quantidade de atividades ou o crescimento no conteúdo programático, sem levar em conta a qualidade do que se oferta. (FARIAS, 2020). Em um programa de enriquecimento, Farias (2020, p. 164) relata que “[...] é essen- cial que o aluno tenha liberdade nas escolhas do que deseja estudar, de acordo com sua área de interesse, e que utilize o estilo de estudo que mais gosta e aprenda de forma muito mais independente”. Na perspectiva apresentada, o professor é o facilitador e o orientador do estudo e da pesquisa do aluno. Atenção! Caro(a) estudante, é interessante que o trabalho de enriquecimento cur- ricular seja realizado de forma articulada entre o professor da classe comum e o professor da sala de recursos multifuncionais. SAIBA MAIS Para saber mais sobre possibilidades pedagógicas e enriquecimento curricular, acesse a biblioteca virtual, indicamos a leitura do capítulo 5 do livro intitulado “Altas habilidades: superdotação”, de Paula M. Y. Sakaguti, de 2020, no qual a autora aborda os caminhos e possibilidades pedagógicas com eficiência nos alunos indicados com altas habilida- des/superdotação. Fonte: SAKAGUTI, P. M. Y. Altas habilidades: superdotação. Curitiba: Contentus, 2020. https://plataforma. bvirtual.com.br/ https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/181948/pdf/0?code=fur0OKnJY5Z2Q8TijRhXhahu/T8zRLhFmeq43MTDNgBFQ015BcF5WirPgFt7iykcqJC7OlVYGVx9gxz63ZihJg== https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/181948/pdf/0?code=fur0OKnJY5Z2Q8TijRhXhahu/T8zRLhFmeq43MTDNgBFQ015BcF5WirPgFt7iykcqJC7OlVYGVx9gxz63ZihJg== 74UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) acadêmico(a). Chegamos ao final de nossa unidade, no qual entendemos que existem muitas características comuns nas pessoas com altas habilidades/superdotação, mas, justamente por não se tratar de um grupo homogêneo, esses traços e características se apresentam de formas e intensidades diferentes. Por isso, é grande o desafio de diagnosticar ou identificar esse aluno, mas a legislação brasileira já estabeleceu algumas listas e características para ajudar os professores de todo o país a avaliarem e identificarem seus alunos com alto po- tencial de superdotação. Vimos ainda, que as diferenças entre alguns dos principais termos utilizados no ambiente do aluno especial, no qual foi possível entender as diferenças entre crianças precoces, criança prodígio, criança com talento, criança gênio. Tivemos também a oportunidade de estudar o processo de identificação do aluno com AH/SD que depende de muitos e variados fatores e conhecemos alguns dos esforços da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação em sanar as lacunas para nomenclatura e identificação da pessoa com altas habilidades/superdotação. Constatamos além disso da importância do envolvimento da escola como um todo e, de modo especial, dos professores da classe comum e da sala de recursos multifuncionais em uma ação articulada, que visa ao atendimento às necessidades educacionais desse público, bem como entendemos como o enriquecimento curricular é atraente ao aluno superdotado, seja ele superdotado acadêmico escola, musical entre outro. Se corretamente atendidos, esses alunos ficarão motivados e utilizarão o máximo de seu potencial na construção e aquisição de informação e conhecimento. Assim, convidamos você, acadêmico(a) interessado(a), a consultar as indicações de leitura complementar, filmes e as referências, de modo a aprofundar seu conhecimento. Boa leitura! 75UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular LEITURA COMPLEMENTAR Para a nossa leitura complementar indicamos o material intitulado “Planejamento de ensino: estratégias estimulantes para o ensino do estudante com altashabilidades ou superdotação”, do governo do estado de São Paulo, cidade de Bauru. Disponível em http://ead.bauru.sp.gov.br/efront/www/content/lessons/68/Planejamento%20 de%20Ensino_PDF.pdf Boa leitura! http://ead.bauru.sp.gov.br/efront/www/content/lessons/68/Planejamento%20de%20Ensino_PDF.pdf http://ead.bauru.sp.gov.br/efront/www/content/lessons/68/Planejamento%20de%20Ensino_PDF.pdf 76UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Altas Habilidades na Escola: Identificar para não discriminar. Autor: Maria da Graça Rezende Mendes. Editora: Appris. Sinopse: No Brasil, um número muito pequeno de alunos é apon- tado com perfil de altas habilidades, devido às dificuldades de identificação que ocorrem nas escolas. A falta de informação dos professores e de grande parte da sociedade provoca concepções errôneas , e produz alguns problemas pelas dúvidas acerca desta temática. Esse trabalho discute o papel do professor no contexto da educação atual, que deveria ser inclusiva, com ênfase nas altas habilidades, e destaca resultados de pesquisa que indicam, falta de conhecimento e/ou preparo do docente levando a não identificação da população que apresenta essas habilidades, e, consequentemente, ao desperdício de seu potencial. FILME/VÍDEO Título: Uma Mente Brilhante Ano: 2001 Sinopse: John Forbes Nash Jr. é reconhecido como gênio da matemática aos 21 anos. Cedo, casa-se com uma bela mulher, mas logo começa a dar sinais de esquizofrenia. Após anos de luta contra a doença, ele acaba ganhando o prêmio Nobel. 77 Plano de Estudo: ● Aspecto pessoal e social da pessoa com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). ● Desenvolvimento de habilidades básicas da criatividade. ● Desenvolvimento cognitivo e emocional da pessoa com Altas Habilidades/ Superdotação (AH/SD). Objetivos da Aprendizagem: ● Abordar aspecto pessoal e social da pessoa com Altas Habilidades/ Superdotação (AH/SD). ● Tratar o desenvolvimento de habilidades básicas da criatividade. ● Discutir o desenvolvimento cognitivo e emocional da pessoa com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD). UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades Professora Me. Fabiane Fantacholi Guimarães 78UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades INTRODUÇÃO Caro(a) acadêmico(a). Seja bem-vindo(a) a Unidade IV, intitulada “Altas habilidades/superdotação: pro- movendo potencialidades”, da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Altas Habilidades/Superdotação do Curso de Graduação em Educação Especial. Nesta unidade, vamos abordar aspectos referentes ao desenvolvimento pessoal e social dos alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD), compreendendo que não se trata de um grupo homogêneo, como já apresentado anteriormente, mas singular. Portanto, não é possível assegurar que todos se desenvolvem da mesma forma. Também vamos tratar do desenvolvimento da criatividade, uma característica presente na maioria dos alunos com AH/SD, mas que, se não estimulada adequadamente, pode tornar esses indivíduos imperceptíveis. Sem dúvida, o desenvolvimento da criatividade tem representado um desafio para pais e professores. Vamos, ainda, discutir ainda os de desenvolvimentos cognitivo e emocional do indivíduo com AH/SD, provando que nem sempre eles ocorrem concomitantemente, inclusive apresentando descompasso na maioria dos casos, o que pode acarretar problemas emocionais e comportamentais na criança. Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema de nossa quarta unidade. Boa leitura! 79UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades 1. ASPECTO PESSOAL E SOCIAL DA PESSOA COM ALTAS HABILIDADES/ SUPERDOTAÇÃO (AH/SD) Os alunos com AH/SD não enfrentam barreiras ao ingressarem na escola comum, até porque, em alguns casos, a identificação só acontece na entrada da criança na escola. Muitas vezes, contudo, eles passam despercebidos, sem o atendimento de suas necessi- dades. Não é incomum que esse aluno se desinteresse pela escola, por falta de motivação oriunda da forma como a escola organiza seu tempo e espaço. No imaginário popular, as crianças superdotadas não têm nenhuma dificuldade e sempre terão sucesso pela inteli- gência privilegiada e pela rapidez no aprendizado. (FARIAS, 2020). No entanto, a falta de atendimento adequado às suas necessidades pode atrapalhar o desenvolvimento dos aspectos cognitivos, psicológicos e sociais, porque tais crianças têm necessidades que precisam ser atendidas assim como qualquer outra de sua idade. Uma das exigências que impactam, de modo especial, é o sentimento de falta de pertença, já que muitas vezes são incompreendidas, pois percebem a diferença que têm em relação ao grupo. A superioridade que apresentam pode causar rejeição dos colegas por sentirem-se inferiores. (FARIAS, 2020). Alencar (2007) alerta que os programas criados para o atendimento desse público enfatizam os aspectos cognitivos em detrimento do desenvolvimento emocional e social, que devem ser tratados para o ajustamento necessário ao ambiente e para o desenvolvi- mento da autoestima do aluno. A autora assegura que “[...] uma atenção significativamente 80UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades menor tem sido dirigida ao desenvolvimento afetivo, como sentimentos, valores, motivação, atitudes e autoconceito”. (ALENCAR, 2007, p. 371-372). A assincronia produzida pelo “[...] descompasso entre o desenvolvimento intelectual e o emocional é também fonte de tensões e origem de desajustamento e quanto maior o grau de assincronia, maior a probabilidade de problemas de ajustamento de ordem social e emocional”. (SILVERMAN, 2002 apud ALENCAR, 2007, p. 374). Para Landau (1990 apud ALENCAR, 2007), é importante a compreensão e o tra- balho com esse indivíduo, no sentido de ajudá-lo a enfrentar a irregularidade entre o seu progresso mental e sentimental, caso contrário, ele se sentirá mais solitário e dividido. As dificuldades de interação levam crianças e adolescentes com AH/SD a buscar parceiros entre pessoas mais velhas, com nível intelectual semelhante ou com o mesmo tipo de interesse. De modo especial na adolescência, o sentimento de não pertencimento ao grupo leva o indivíduo a isolar-se, realizando atividades individuais. Diante de tantos enfrentamentos, não é incomum que alunos com AH/SD neguem suas habilidades e seu potencial para que possam ser menos diferentes diante do grupo e, consequentemente, mais aceitos. (FARIAS, 2020). O comportamento dos superdotados pode também afetar seus relacionamentos, pois acaba por atrapalhar a aula em razão de suas experiências avançadas e seu conhe- cimento superior. A forma como a escola se organiza não estimula a produção intelectual e criativa, mas perpetua a reprodução. Essa sistematização não respeita o estilo e a singula- ridade de cada aluno. (FARIAS, 2020). Diante do exposto, é necessário que família e escola proporcionem esforços no sentido de reconhecer, apoiar e estimular indivíduos com AH/SD. Para tanto, é necessário que sejam orientados a respeito das características desses indivíduos, no que diz respeito aos aspectos cognitivos, sociais e emocionais. Isso tem acontecido de forma muito limitada, tanto no Brasil quanto no contexto mundial. Nesse ponto de vista, caro(a) estudante, compreender esses indivíduos é uma tarefa conjunta de pais e professores, para que os alunos com AH/SD se sintam aceitos e parte integrante da sociedade. 81UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades 2. DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES BÁSICAS DA CRIATIVIDADE O interesse pela investigação da criatividade é recente, considerando que muitos estudiosos a interpretavam como um traço inato, não passível de alteração. A carênciade análise dessa característica ocorreu em razão da ideia de que era uma particularidade que não representava problemas e, ao mesmo tempo, acreditava-se que, ao discutir a inteligência, também eram discutidos todos os aspectos do funcionamento mental. Já a inteligência é alvo de muitos estudos tempos antes de sequer se imaginar que a criatividade poderia ser pesquisada. Uma das razões atribuídas a isso, segundo Alencar (1986), era o entendimento de que a inteligência era atributo de qualquer pessoa - diferen- temente da criatividade, que era prerrogativa de alguns poucos privilegiados e considerada até um dom. Assim, a criatividade era tida como um lampejo de inspiração não mensurável; e a inteligência, passível de ser medida. A partir da década de 1950, de acordo com Alencar (1986) o interesse pelas caracte- rísticas dos indivíduos criativos começou a aumentar, de modo especial em relação a fatores ambientais e à criatividade, tanto na infância quanto na fase adulta. Os estudiosos da época já reconheciam a necessidade de condições favoráveis ao desenvolvimento da criatividade. Wechsler (1988) elenca oito abordagens pelas quais a criatividade teria passado, que podem ser conferidas no quadro 1, a seguir. 82UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades QUADRO 1 - ABORDAGENS CONCEITUAIS DA CRIATIVIDADE Abordagem Teórico de referência Principais pressupostos Filosófica Platão A criatividade era considerada um processo de inspiração ou de razão divinas. para os gregos também foi associada à loucura, o que por vezes ainda é considerada. Biológicas Darwin Influenciada pela teoria evolucionista, é considerada uma força inerente à vida, com forte componente hereditário. Psicológica 1. Skinner (associativa) 2. Freud (psicanalítica) 3. Rogers (humanista) 4 Piaget (desenvolvimentista) 1. Processo de associação entre estímulos e respostas. 2. Forma inconsciente de solução de pro- blemas. 3. As pessoas criativas possuem cinco ca- racterísticas básicas: tolerância à ambigui- dade; ausência de rigidez; confiança nos sentimentos e na intuição; procura de autor- realização e, por fim; busca constante por aprimoramento da personalidade. 4. A criatividade se integra à inteligência no processo de acomodação. Psicofisiológica Não informado A criatividade está atrelada ao funciona- mento dos hemisférios cerebrais. Sabe-se hoje que ambos os hemisférios estão envol- vidos na criatividade. Sociológica Amábile Motivação intrínsecas e extrínseca são fato- res determinantes da criatividade. Psicodélicas Khatema Enfatiza a importância da expansão da consciência, mediante o uso de psicotrópi- cos, relaxamento, meditação e hipnose. Instrumental Sternberg e Lubbart Analisa a criatividade como produto. Fonte: Elaborado com base em Wechsler (1988). Atualmente, compreende-se que a criatividade está comumente presente nas pessoas com AH/SD e, embora se reconheça que eles sejam um grupo heterogêneo, en- contramos autores que concordam que algumas características são mais frequentemente encontradas neste grupo. Essas características podem ser divididas em: de comportamen- to, de aprendizagem e de pensamento criativo. (FARIAS, 2020). Na figura 1 apresentamos cada característica apresentada por Faria (2020) presen- tes nas pessoas com AH/SD: 83UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades FIGURA 1 - CARACTERÍSTICA PRESENTES NAS PESSOAS COM AH/SD. Fonte: Elaborado com base em Farias (2020, p. 179 - 180). Alencar (1986) elenca traços especiais em relação à criatividade, como espontaneida- de, iniciativa, independência e curiosidade. A autora ressalta que o meio tem importância funda- mental no desenvolvimento de tais traços e, quanto mais o contexto do indivíduo reforçá-los e cultivá-los, mais produções criativas ocorrerão. Alguns fatores facilitam, de modo especial, tanto o aprimoramento da criatividade quanto a aceitação desses indivíduos na sociedade. Farias (2020) afirma, que existe uma necessidade urgente de um ambiente mais favorável ao desenvolvimento da criatividade, mas, a organização da sociedade capita- lista e, mais especificamente, da escola ainda privilegiam a perpetuação da repetição e do cumprimento de padrões estabelecidos que não têm como valores a liberdade, a autonomia e a independência. Sentir-se livre é essencial para os indivíduos criativos, as- sim, eles não admitem a relação de dependência com as demais pessoas, pois precisam sentir-se donos de seus atos. No entanto, é importante ressaltar que nem sempre essas características são bem aceitas pela sociedade; na verdade, os suportados vivem um constante enfrentamento com a desconformidade, oriunda da divergência, que se caracteriza pela capacidade de criar respostas novas, das diferentes soluções. (FARIAS, 2020). 84UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades Logo, é necessário o aprendizado de como lidar com pressões sociais, consideran- do a natureza inovadora e original inerente a esses indivíduos. Embora as características da pessoa criativa sejam benéficas para seu desenvolvimento, favorecendo a aprendizagem e as interações sociais, muitas vezes podem tornar-se um entrave no sentido da aceitação social, ou seja, se o ambiente for intolerante com o diferente, pode causar um isolamento social do aluno criativo e, muitas vezes, levá-lo ao abandono escolar. (FARIAS, 2020). Lembre-se! Caro(a) estudante, é importante ter claro que uma criança criativa ainda é uma criança e, portanto, precisa ser respeitada e valorizada em sua condição. Ela necessita de um ambiente acolhedor e incentivador, uma vez que, se não for atendida, pode desinteressar-se e inibir seu potencial criador. Mas caro(a) estudante, o que é criatividade? A criatividade é um fenômeno multifa- cetado e, por isso mesmo, difícil de definir. A própria literatura sobre o tema aponta para a dificuldade de se obter uma definição única, que satisfaça esse amplo campo de pesquisa. Fayga Ostrower (1920-2001), renomada artista plástica brasileira, defende que a criatividade é inerente à condição humana; assim, todos nós somos criativos, embora em graus diferentes. Portanto, criar é basicamente dar forma a algo novo, o que pode acontecer em qualquer campo de atividade, e não apenas nas artes. (VIRGOLIM, 2019). Paul Torrance (1915-2003), da Universidade da Georgia, destaca o processo envol- vido no ato de criar. Para Torrance a criatividade abrange todos os sentidos - visão, olfato, audição, sensação e paladar - e o próprio método científico na busca de informações, na avaliação, na testagem de hipóteses e na comunicação de resultados. (VIRGOLIM, 2019). Outra definição bastante interessante é a de Ruth Noller (1922-2008), pesquisa- dora do Centro Internacional para Estudos em Criatividade, da Universidade de Buffalo. Ela afirma que a criatividade é uma atitude (ou seja, uma ação ou disposição em fazer, em perceber a vida) e se refere a um produto novo, relevante pelo menos para a pessoa que o cria. Nesse processo, estão envolvidos também o conhecimento (pois não se cria do nada, há sempre algum conhecimento anterior que dá a base à nova descoberta), a imaginação (essencial para a novidade do processo) e a avaliação (a crítica ajuda a refinar o produto final). (VIRGOLIM, 2019). Então… caro(a) estudante, quais são os componentes essenciais para que o ensino da criatividade seja efetivo? Para responder essa pergunta, utilizamos os autores Cray-Andrewes e Baum (1996 apud VIRGOLIM, 2019), no qual apontam três componentes: o ambiente, que deve estimular a criança a usar suas habilidades criativas de resolução de problemas; o indivíduo, que deve apresentar uma prontidão emocional para lidar com o desafio e para desenvolver os aspectos básicos da criatividade (fluência, flexibilidade, origi- nalidade e elaboração); e o currículo, que permite ideias criativas, imaginativase originais. 85UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades Assim, para um ensino mais criativo e estimulador, o professor precisa modificar sua postura autoritária para adotar uma atitude de facilitador. Wechsler et. al. (2007) apontam para onze características do professor nesse processo: 1. Ser apaixonado por sua área de ensino. 2. Estar aberto a novas ideias. 3. Aceitar quebrar hábitos e tradições. 4. Ser uma pessoa ousada. 5. Confiar nas suas ideias 6. Descobrir seus próprios talentos. 7. Estar disposto a se divertir com seus alunos. 8. Permitir que sejam apresentadas ideias diferentes das suas. 9. Conseguir ser um bom ouvinte. 10. Priorizar os elogios às críticas. 11. Propor atividades que estimulem a imaginação. No mesmo sentido, Amabile (1989 apud VIRGOLIM, 2019, p. 229) lista os aspectos de uma filosofia que encoraja a criatividade na sala de aula: ● Aprender é muito importante e pode ser muito divertido. ● A sala de aula deve ser um local no qual a criança se sinta confortável e estimu- lada, sem tensão ou pressão. ● É melhor cooperar do que competir. ● A sala de aula é responsabilidade de todos e todos devem cooperar para sua organização. ● Limites são importantes. As regras em sala de aula devem ser estabelecidas conjuntamente entre alunos e professores, preservando a atmosfera criativa. ● Alunos devem respeitar seus professores, sentindo-se confortáveis em sua presença. ● O ambiente deve permitir que os alunos se sintam livres para discutir seus pro- blemas com professores e colegas. ● O professor deve deixar muito claro as áreas nas quais não há respostas certas nem erradas e nas quais as opiniões diferentes, os estilos distintos de pensar e as abordagens diversas são igualmente válidos. ● Experiências de aprendizagem devem ser relacionadas ao mundo real sempre que possível, a fim de que faça sentido para a criança. ● A aprendizagem é mais fácil quando relacionada às áreas fortes de cada um. ● Cada aluno tem seu estilo preferencial de aprender; a tolerância à adversidade deve ser estimulada. 86UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades Em síntese, caro(a) estudante, educar com criatividade é fundamental, pois ter um ambiente estimulador e ideal para a aprendizagem seria aquele no qual as crianças procuraram, desde pequenas, estabelecer suas próprias metas, ultrapassar seus próprios limites, buscar satisfação em suas atividades diárias e aprender a assumir responsabilida- des por suas próprias opções, fortalecendo sua autoestima num processo fluídico. 87UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades 3. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E EMOCIONAL DA PESSOA COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO (AH/SD) O conhecimento limitado que se tem acerca da pessoa com AH/SD contribui para a criação de mitos sobre eles, tornando-os invisíveis para a família e para a escola e, logo, sem atendimento às suas necessidades. Essa falta de reconhecimento influi de forma expressiva no desenvolvimento psíquico, emocional e social no decorrer de sua trajetória de vida. Caro(a) estudante como sabemos a família, tem papel importante no desenvolvi- mento emocional e social dos indivíduos com AH/SD. Em muitas situações, não se sabe como lidar com as crianças superdotadas, pois elas demonstram mais curiosidade, mais rapidez de pensamento, dificuldades em aceitar regras, entre outras características. Tais comportamentos causam dificuldades familiares na rotina diária e no convívio com amigos, parentes e pessoas das comunidades das quais participam. Frequentemente, esses indiví- duos sentem-se entediados e não sabem como lidar com esse sentimento, já que não têm maturidade emocional, o que causa estresse na família. (FARIAS, 2020). A falta de regularidade entre o desenvolvimento intelectual e o emocional do indiví- duo é chamado de assincronia e “[...] caracteriza-se por não estar em concomitância com os pares ou ainda ter um desenvolvimento desigual entre os aspectos intelectual e emocional, bem como entre a idade mental e a cronológica”. É muito provável que “[...] esse fator cause sofrimento, pois o indivíduo, mesmo que criança, pode pensar como adolescente ou adulto” e, apesar de em alguns momentos “[...] apresente muita maturidade, em outros, suas ações demonstram a idade real, como as outras crianças”. (FARIAS, 2020, p. 186-187). 88UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades REFLITA Deixamos aqui algumas reflexões para você acadêmico(a): Será que as crianças superdotadas já nascem assincrônicas? Será que a vulnerabilidade emocional é marcada fundamental e constituinte da super- dotação? Fonte: Virgolim (2019, p. 197). SAIBA MAIS Caro(a) acadêmico(a) vamos descobrir mais sobre assincronia. O conceito de assincronia como parte integrante do indivíduo superdotado veio recente- mente a ser debatido e criticado por duas pesquisadoras nacionais. Uma delas é Paula Mitsuyo Yamasaki Sakaguti (2017), que, ao pesquisar crianças su- perdotadas e suas famílias, concluiu que o assincronismo se origina na falta de alterida- de nas relações, que tratam o indivíduo como vulnerável, desajustado ou problemático. No seu estudo com famílias com interações qualitativamente positivas – onde predo- minam indicadores de relações positivas, harmônicas, estáveis, plenas de confiança e manifestações de alteridade – preponderam o reconhecimento da heterogeneidade, das diferenças que constituem este grupo de pessoas com AH/SD e, sobretudo, da valida- ção dos sentimentos dos filhos. Na mesma linha de pensamento e base teórica, temos Karina Inês Paludo (2018) pes- quisou as relações ditas assincrônicas em um grupo de crianças superdotadas esco- lhidas aleatoriamente em um programa especial para as altas habilidades, com foco nas relações de amizades que elas formavam na escola. Os dados dessa pesquisa- dora também mostraram o assincronismo como um fator relacional, que era percebido apenas nas crianças que tinham dificuldade em fazer amizades (o que, na verdade, se constitui num grupo muito pequeno de sua amostra). A grande maioria das crianças e dos adolescentes do seu estudo apresentavam bom ajustamento social e emocional, com fortes relações de amizade e com capacidade de estabelecer vínculos afetivos duradouros. Além disso, no estudo de Paludo (2018), ficou evidente que o contexto social funciona como uma fonte de aprendizagem, tanto 89UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades de conhecimentos de mundo quanto de conhecimentos de si mesmo, o que demarca a identidade superdotada. Paludo (2018) conclui que a condição comumente denominada assincronismo pode existir em superdotados; porém, a causa dessa condição não pode ser previamente condicionada à identidade superdotada. Defende-se aqui ser neces- sário considerar tal fenômeno a partir de um prisma interacional, contextual, no qual se crê que as manifestações do indivíduo estão sob influência histórica e social, da inter- -relação das características individuais do sujeito superdotado com o meio no qual se está inserido. Infere-se que não são os atributos “per se” do superdotado que evocam o assincronismo; antes, a ineficiência do contexto de responder e interagir com suas características e suas necessidades. Fonte: Sakaguti (2017) e Paludo (2018). Virgolim (2019), expõe que o assincronismo fala da sensibilidade e da vulnerabilida- de da criança ou do adolescente que não é aceito pela família, escola ou sociedade, cujas relações sociais são permeadas pelas disfuncionalidade e não aceitação dos traços de personalidade da pessoa AH/SD. Assim, seria a ineficiência do contexto social em atender às necessidades cognitivas, emocionais e sociais do AH/SD o verdadeiro fator responsável pela manifestação do assincronismo. Logo, o contexto no qual a criança vive exerce influência importante,pois é nele que ela se constitui como sujeito e se desenvolve em todos os aspectos. Um desses campos é o familiar e, como já vimos caro(a) estudante, a família tem uma atuação fundamental no equilíbrio desse indivíduo, pois “[...] o entorno familiar que enfatiza relações de apoio e abertura, com baixo conflito entre seus membros, é importante para autoestima e o ajuste geral das crianças AH/SD”. (CALLAHAN et al., 2004, p. 2 apud FARIAS, 2020, p. 187). A escola é outro ponto importante, ou melhor, um lugar importante, pois se refere não só ao professor, mas também a todos que trabalham nela e aos colegas, bem como à forma como ela organiza seu tempo e espaço, ao currículo e às metodologias adotadas. Do mesmo modo que a família, já citada anteriormente, os professores precisam de informações e orientações, e, muitas vezes, não estimulam ou incentivam os alunos com AH/SD, negligen- ciando o desenvolvimento de suas habilidades. Esse contexto induz o aluno à desatenção e à desmotivação. Muitas vezes, sua reação à forma precária como a escola conduz os processos formativos é mal interpretada, levando a diagnósticos equivocados de deficiência ou distúrbios de aprendizagem, como déficit de atenção, autismo, entre outras. (FARIAS, 2020). 90UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades Para Farias (2020, p. 188), “[...] o nível elevado de habilidades e competências nem sempre indica sucesso profissional, porque a instabilidade emocional pode acarretar indecisão nas escolhas e insatisfação pessoal do indivíduo com AH/SD”. Além do mais, “[...] ainda existe a pressão exercida pela família e pela escola, que tem altas expectativas em relação ao sucesso desse indivíduo”. Portanto, as pessoas com AH/SD precisam se sentir apoiados na escolha da sua carreira, que deve ser feita com muito zelo, de modo que sua vida laboral possa satisfazer e proporcionar um desenvolvimento constante de suas habilidades e talentos. Para tanto, o acompanhamento nos dois campos: familiar e escolar contribui para que o indivíduo tenha uma percepção melhor de si mesmo, identificando suas diferenças e as compreendendo; além do mais, sentir-se acolhido e respeitado fortalece sua perso- nalidade e favorece o desenvolvimento de suas potencialidades, pois, ao estruturar-se emocionalmente, esse indivíduo estará preparada para enfrentar os desafios da sociedade e ter sucesso profissional. (FARIAS, 2020). Caro(a) estudante, este ponto é importante! Crianças com AH/SD podem se sentir inferiores quando não têm um conceito adequado de si mesmas e não entendem suas diferenças, então muita atenção neste ponto. De acordo com Mendaglio (2008 apud FARIAS, 2020, p. 189), “a construção da personalidade do indivíduo ocorre por meio das experiências que vivencia; não é um atribu- to fixo, mas sim deve ser modelado pela pessoa, refletindo seu caráter único”, no qual essa construção se dá pela vivência de emoções positivas e negativas que surgem no cotidiano. Sendo assim, Farias (2020) relata que o desenvolvimento do indivíduo evolui de um nível primitivo a um nível superior e avançado, o qual o sofrimento - que causa conflitos internos ajuda - a alcançar. Mas, há que se ressaltar a relevância dos auxílios de rede inter- disciplinar de profissionais que facilitem o processo do indivíduo de vivenciar as emoções positivas e negativas, considerando sua imaturidade emocional. Nesse caminho, é impor- tante estar atento a alguns recursos psicológicos que poderão ser úteis nesse processo, como o reconhecimento das habilidades e dos talentos especiais e a motivação individual para alcançar o ideal de personalidade. Em síntese, caro(a) estudante, é importante que a família e a escola estejam abertas e atentas nesse processo de formação e, considerando que ele perdura por toda a vida, é importante que exista uma melhor compreensão do potencial do indivíduo e das características que envolvem seus aspectos cognitivos e emocionais no espaço laboral. 91UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades SAIBA MAIS Para saber mais sobre a relação do desenvolvimento cognitivo, emocional e a vida profissional de uma pessoa com altas habilidades/superdotação, indicamos a leitura do artigo acadêmico científico dos autores Alberto Abad e Thaís Marluce Marques Abad, publicado em 2016, no qual o trabalho teve como objetivo analisar os fatores do de- senvolvimento cognitivo, ajuste emocional do indivíduo AH/SD e seus impactos na vida profissional e laboral. Boa leitura! Fonte: ABAD, A.; ABAD, T. M. M. Altas Habilidades/Superdotação: um olhar para o desenvolvimento cog- nitivo, ajuste emocional e seus impactos na vida profissional. Revista FOCO, v.9, n.2, p. 97-119, ago./ dez.2016. Disponível em file:///C:/Users/agele/Downloads/244-261-1-PB.pdf Acesso em maio de 2021. 92UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) acadêmico(a). Chegamos ao final de nossa unidade, no qual tivemos a oportunidade de estudar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos indivíduos com AH/SD, esclarecendo que ele não ocorre de forma concomitante na maioria das vezes, causando um desequilíbrio que precisa da atenção de pais e profissionais envolvidos no atendimento desses indiví- duos, bem como a importância do desenvolvimento da criatividade, no qual é uma das ca- racterísticas presentes na maioria dos alunos com AH/SD, por isso educar com criatividade é fundamental, ter a consciência do processo criador de cada um e entender a criatividade para além do âmbito da pessoa significam considerar o ambiente e as possibilidades de criação é de extrema importância para o sua aprendizagem. Assim, convidamos você, acadêmico(a) interessado(a), a consultar as indicações de leitura complementar, filmes e as referências, de modo a aprofundar seu conhecimento. Boa leitura! 93UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades LEITURA COMPLEMENTAR Para a nossa leitura complementar indicamos o texto abaixo retirado do capítulo intitulado “Dificuldades emocionais e sociais do superdotado” de 1999. Boa leitura! A MULHER QUE SE DESTACA POR UM POTENCIAL SUPERIOR Os preconceitos com relação à mulher que se destaca por um potencial superior têm sido apontados desde longa data. Na primeira metade deste século predominava, por exemplo, na maior parte dos países, a crença de que o único papel apropriado para a mulher era a maternidade, que as mulheres eram menos capazes que os homens devido ao ciclo menstrual e que as mulheres eram geneticamente inferiores aos homens em inteligência (PETERS, 1994). Poucos aceitavam a ideia de que as limitações das mulheres eram mais de ordem sociológica e cultural do que biológica. Dados recentes (REIS, 1987, LUBINSKI; BENBOW; SANDERS, 1993) continuam a chamar a atenção para os estereótipos culturais, para as expectativas com relação às mulheres e para as fortes pressões que ainda existem, dificultando e mesmo impedindo a mulher de ter um papel de destaque e dar contribuições significativas, especialmente em áreas tradicionalmente consideradas masculinas. Algumas das dificuldades enfrentadas pela mulher foram analisadas anteriormente (ALENCAR, 1994b) em um texto onde apontamos as forças sociais que influem no desen- volvimento e expressão do talento e da produção criativa. Chamamos a atenção especial- mente para o tratamento que se dá a homens e mulheres na sociedade ocidental, tendo o segundo grupo muito menos oportunidade e incentivo para desenvolver e se destacar por uma produção mais significativa. Lembramos ainda as forças sociais que operam desde o início da vida do indivíduo, ampliando ou limitando as possibilidades de crescimento e expressão, modelando os interesses do indivíduo desde os primeiros anos, determinando o grau de confiança que desenvolve em si próprio paraoperar em áreas diversas. Destacamos também algumas exigências impostas pela sociedade que podem tornar as circunstâncias praticamente impossíveis para uma produção de alto nível, espe- cialmente por parte da mulher. Apesar de os obstáculos que impediam a mulher de alcançar sucesso acadêmico e profissional estarem sendo progressivamente removidos, muitas das barreiras ainda podem ser observadas, como as relacionadas a seguir, que foram objeto de 94UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades análise por parte de Fox (1979, p. 372). Estas persistem em muitos contextos e contribuem para explicar as oportunidades limitadas oferecidas à mulher para sua realização profissio- nal e acadêmica: 1. Estereótipos relativos ao papel sexual por parte da família, gerando expectativas e aspirações distintas com relação a filhos e filhas, e levando ao cultivo de traços de perso- nalidade diversos para sujeitos do sexo masculino e feminino. 2. Estereótipos com relação ao papel sexual por parte de professores, que também tendem a desencorajar comportamentos que favorecem o sucesso, como a propensão a correr riscos entre alunos do sexo feminino, e a desestimular o estudo avançado de deter- minadas matérias por parte de amostras femininas. 3. Estereótipos com relação ao papel sexual predominante na cultura ocidental e espelhados nos meios de comunicação e livros-textos. Estes tendem a apresentar a mulher como mais adequada para determinadas funções e profissões e apontar determinadas atividades como mais apropriadas para o sexo feminino. Estes estereótipos, uma vez internalizados, tendem a gerar barreiras internas à própria expressão do potencial superior, levando um maior número de mulheres a negar e a subestimar os próprios talentos e capacidades. Muitas vezes, para serem aceitas, passam a reprimir e a esconder as suas habilidades superiores, recusando oportunidades que lhes são oferecidas, o que, às vezes, é acompanhado de sentimentos de solidão, conflito e frustração. Sabe-se também que um fator importante para que a pessoa possa aproveitar de for- ma plena o seu potencial superior em qualquer profissão diz respeito à possibilidade de ter o tempo disponível necessário para se dedicar a um projeto maior. Naturalmente, as condições diárias de trabalho, o grau de autonomia que se tem para perseguir um dado projeto, o apoio para alcançar as próprias aspirações profissionais afetam igualmente a homens e mulhe- res. No caso das mulheres, entretanto, quando casadas e especialmente quando têm filhos pequenos, o encargo no lar é, de modo geral, muito maior, o que pode restringir em muito o seu tempo disponível para ocupar um maior número de horas em projetos que exigem uma intensa dedicação. Estas se sentem divididas e pressionadas a cumprir de forma adequada as responsabilidades domésticas primárias, sentindo-se culpadas quando se absorvem em atividades profissionais de forma antagônica às expectativas culturais. Fonte: ALENCAR, E. M. L.; VIRGOLIM, A. M. R. Dificuldades emocionais e sociais do superdotado. In: NUNES SOBRINHO, F. P.; CUNHA, A. C. B. (Org.). Dos problemas disciplinares aos distúrbios de conduta: práticas e reflexões. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999, p. 89-114. 95UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Altas Habilidades/Superdotação - Manual para Guiar o Aluno desde a Definição de um Problema até o Produto Final Autor: Deborah E. Burns - Coordenação e Revisão: Angela Vir- golim - Tradução: Danielle Lossio de Araújo e Luiane Daufenbach Amaral Editora: Jaruá Sinopse: Este é um livro essencialmente prático, que busca apresentar aos professores, em dez lições, formas, sugestões e trajetórias para desenvolver a capacidade de investigação em seus alunos, começando na sala regular e se estendendo à sala de recursos; e almeja propiciar aos alunos com altas habilidades/ superdotação um melhor entendimento do que se espera deles nesses contextos. O manual se encontra embasado no Modelo de Enriquecimento Escolar de Joseph Renzulli, que foi adotado no Brasil pelo MEC em 2005, quando o Ministério da Educação implementou os Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Super- dotação (NAAH/S) em todos os estados brasileiros. Desta forma, as dez lições aqui apresentadas ajudam o professor da sala de recursos a desenvolver passo a passo um caminho que perpassa pelos interesses individuais do estudante, suas áreas fortes e áreas de motivação, para chegar, então, ao delineamento de um projeto de investigação, pautado em necessidades reais do mundo atual. O estudante é levado a compreender o que significam projetos do tipo I (Atividades Exploratórias Gerais), do Tipo II (Atividades de Treinamento) e do Tipo III (Investigação de Problemas Reais). O livro conta ainda com um link com fotos, pôsteres e formulários de exercícios que auxiliarão o professor nessa tarefa inicial. FILME/VÍDEO Título: Mentes Que Brilham Ano:1991 Sinopse: Mãe solteira de filho superdotado de sete anos, que tra- balha como garçonete, luta para que o filho leve uma vida normal, mas não quer limitar seu potencial, e consente a aproximação de uma professora interessada nos talentos do filho. 96 REFERÊNCIAS ANDRÉS, A. Educação de alunos superdotados/altas habilidades, legislação e normas nacionais, legislação internacional. Câmara dos Deputados. 2010. Disponível em file:///C:/ Users/agele/Downloads/educacao_alunos_aparecida.pdf Acesso em maio de 2021. ALENCAR, E. M. L. S. de; FLEITH, D. de S. Superdotados: determinantes, educação e ajustamento. 2 ed. São Paulo: EPU, 2001. AFONSO, M. J. Paradigmas diferencial e sistêmico de investigação da inteligência huma- na: perspectivas sobre o lugar e o sentido do construto. Tese (Doutorado em Psicologia Diferencial). Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. Universidade de Lisboa, Lisboa, 2007. 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Ao longo das quatro unidades, criteriosamente selecionadas para dar sustentação à presente discussão, autores que promoveram uma rica interlocução entre: altas habilidades/superdotação: histórico, classificação e legislação; ade- quações curriculares; altas habilidades/superdotação: caracterização, atendimento educacio- nal e enriquecimento curricular; altas habilidades/superdotação: promovendo potencialidades. Sendo assim, caro(a) acadêmico(a), alcançamos ao final dos nossos estudos rela- cionados a essa temática, mas reforço o que disse inicialmente, o texto apresentado não esgota todas as possibilidades de pensar e refletir acerca das temáticas abordadas. Espero que tenha lhe oportunizado momentos importantes e oportunos para a compreensão das análises realizadas ao longo da disciplina. Desejo a você, estudante, sucesso e inúmeras realizações profissionais. Até breve! Professora Mestre Fabiane Fantacholi Guimarães +55 (44) 3045 9898 Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR www.unifatecie.edu.br UNIDADE I Altas Habilidades / Superdotação: Histórico, Classificação e Legislação UNIDADE II Adequações Curriculares UNIDADE III Altas Habilidades / Superdotação: Caracterização, Atendimento Educacional e Enriquecimento Curricular UNIDADE IV Altas Habilidades / Superdotação : Promovendo Potencialidades