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1 Gabriela Adriana Gonçalves, Neivaldo Silva da Rosa, Uilian Henriques Rodrigues 2 Wagner da Silva Bonifácio Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLC4282GPI) – Prática do Módulo IV – 30/11/22 CONCEITUAÇÃO DO LEAN MANUFACTURING POR MEIO DA APLICABILIDADE DA DINÂMICA DO LEGO Gabriela Adriana Gonçalves¹ Neivaldo Silva da Rosa¹ Uilian Henrique Rodrigues¹ Wagner da Silva Bonifacio² RESUMO Este trabalho tem como objetivo apresentar o aprendizado do conceito sobre o Sistema Toyota de produção. Foram realizados testes com uma dinâmica através de blocos de montagem LEGO no laboratório virtual disponível na plataforma de estudo da faculdade. Esta dinâmica abordou os principais conceitos de produção, o sistema Toyota de produção, também os conceitos sobre Just-in-time (JIT), tempo de setup (ajuste), metodologia 5S e nivelamento de produção (Heijunka). Os testes foram realizados em quatro rodadas conforme os modelos citados anteriormente. Após a execução das rodadas, foram analisados os resultados e identificados os pontos fortes e fracos de cada etapa, sendo assim, conseguimos validar os melhores conceitos para o sistema de produção proposto. Palavras-chave: Dinâmica do LEGO, Sistema Toyota, Lean manufacturing, conceitos de produção 1. INTRODUÇÃO A dinâmica do LEGO tem como objetivo simular processos produtivos utilizando o Sistema Toyota de Produção. Foram utilizados os sistemas, empurrado, 5S, kanban e flex (puxado). LEGO são blocos de plásticos coloridos, montáveis, com possibilidade de criar objetos de diversas formas. Ao ser aplicado o sistema empurrado, verificamos que a produção fica em alta, mas sem saída garantida, pois depende da demando do mercado, a produção começa antes da ocorrência da demanda pelo produto. Com a utilização do método 5S a produção fica mais organizado, o processo fica mais limpo e de fácil percepção. O Kanban facilita o trabalho das pessoas envolvidas na produção, melhorando na comunicação e no entendimento de quais peças precisavam ser repostas, bem como a redução de desperdícios. Ao ser aplicado o sistema flex (puxado), foram obtidos resultados satisfatórios de produção e entregas dos produtos, porem com um diferencial positivo, o tempo. A produção puxada tem como princípio o fluxo de materiais e toda demanda de produção gerada pelo cliente, sendo possível identificar a quantidade de produtos que saem e são vendidos para os clientes, produtos que saem do estoque e planejamento para a produção. Ao final podemos visualizar as diferenças reais dos modos de sistema de produção, com dados e sentimentos de participação do processo de produção. 2 1 Gabriela Adriana Gonçalves, Neivaldo Silva da Rosa, Uilian Henriques Rodrigues 2 Wagner da Silva Bonifácio Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLC4282GPI) – Prática do Módulo IV – 30/11/22 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Produção Empurrada De acordo com Schonberger (1984) não adianta ter um estoque grande de componentes, pois sempre existirá a falta de alguns deles quando precisa ser montado. Isso retarda a produção, atrasa o carregamento e faz o cliente esperar. Os sistemas de empurrar o processo de fabricação para a frente baseiam-se simplesmente no programa montado para produção. Ou seja, prepara-se um esquema multiperiódico prevendo as demandas futuras dos produtos da empresa (o “programa mestre da produção”) esquema esse que o computador desdobra em programas detalhados para a fabricação ou compra dos respectivos componentes. É um sistema que empurra, no sentido de que a programação impele o pessoal da produção a fabricar o material para fora ou para frente. (SCHONBERGER, 1984, p.264). Metodologia 5S Segundo Osada (1992) pegar e guardar coisa pode ser um processo bastante demorado! Com a metodologia 5S podemos reunirmos essas coisas em grupo, assim realizamos as tarefas mais rápidas e de uma só vez. Portanto, nos casos em que devemos alimentar uma linha de montagem ou substituir uma ferramenta de forma frequente onde existe muitas possibilidades e vária coisas envolvidas, devemos sempre procurar uma forma rápida e sem erro, o ambiente deve estar organizado e limpo para execução desse processo. A metodologia 5S é representada por 5 sensos cuja a origem é japonesa, cada um deles possui o seguinte significado: - Seiri (utilização), tem como metodologia organizar o local de trabalho somente com aquilo que será utilizado, eliminando o que não é necessário. - Seiton (arrumação), tem como objetivo arrumar o local de trabalho colocando as coisas nos seus devidos lugares para que possam ser usadas prontamente, acabando com a procura de objetos. - Seiso (limpeza), seu objetivo principal é eliminar a sujeira no local de trabalho, mantendo as máquinas e equipamentos limpos. - Seiketsu (padronização), seu objetivo é garantir condições, padronizar e manter a limpeza assim como a organização do local de trabalho. - Shitsuke (disciplina), senso de treinamento e capacidade de fazer o que se deseja, mesmo quando é difícil. Sistema Kanban Conforme Schonberger (1984), a maior parte das industrias no mundo utiliza o sistema Kanban dentro das suas fábricas, porem de uma maneira livre, utilizando como um cartão- encomenda ou um cartão-entrega. A palavra Kanban (pronuncia-se cahn-bahn, com o agá aspirado) significa “registro visual” e se refere ao sistema de controle de manufatura desenvolvido e usado no Japão. O Kanban, ou cartão, como normalmente é chamado, é um mecanismo pelo qual um posto de trabalho informa sua necessidade de mais peças para a seção procedente. O tipo de sinal usado como kanban não é importante. Cartões, bolas coloridas, luzes e sistemas eletrônicos têm sido usados como sinais kanban. O único fato que separa o verdadeiro sistema kanban de outros sistemas de cartão, como as ordens de produção usadas na maioria das empresas, é a incorporação do sistema de produção “puxada”. (LUBBEN, 1989, p.11). 3 1 Gabriela Adriana Gonçalves, Neivaldo Silva da Rosa, Uilian Henriques Rodrigues 2 Wagner da Silva Bonifácio Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLC4282GPI) – Prática do Módulo IV – 30/11/22 Produção Puxada Produção puxada se refere a um sistema de demanda onde os produtos são produzidos somente de acordo com demanda do setor que vai utilizar, ou seja, produzimos somente o que é necessário, na quantidade necessária, no momento necessário, reduzindo ao máximo o estoque e produzindo somente o que o cliente comprou. Segundo Rother e Shook (1999), em um livro amplamente difundido sobre o Sistema Toyota de Produção, chamado Learning to See, dizem: “Faça fluir onde pode, puxe de onde vê”. Se você deseja criar sistemas enxutos, repita essa frase todos os dias quando levantar para começar o seu dia. Pode-se ir longe com esse princípio simples. Onde não é possível criar o fluxo unitário de peças, o melhor passa a ser o sistema puxado com algum estoque. 3. MATERIAIS E MÉTODOS Esse Paper foi realizado através da Dinâmica Lego seguindo as diretrizes do Seminário Interdisciplinar. Devido aos integrantes do grupo residirem em cidades distantes, chegamos a um consenso que o melhor método seria a dinâmica através do laboratório virtual. Para o desenvolvimento do seminário, todos os participantes do grupo realizaram a dinâmica através do laboratório, porem de forma individual. Os resultados das dinâmicas foram semelhantes para os três participantes. FIGURA 1: Planilha de resultado do laboratório virtual Fonte: Ava, Laboratório Virtual 2022 Os materiais necessários para o desenvolvimento da dinâmica no laboratório foram: - Um Desktop ou um Notebook; - Possuir o Google Chorme instalado na máquina; - Ter acesso ao AVA da UNIASSELVI;- Possuir roteiro com a instruções gerais do laboratório; - Uma planilha em Excel para anotações dos resultados; - Uma caneta; 4 1 Gabriela Adriana Gonçalves, Neivaldo Silva da Rosa, Uilian Henriques Rodrigues 2 Wagner da Silva Bonifácio Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLC4282GPI) – Prática do Módulo IV – 30/11/22 - Uma calculadora; - App Teams para discussão. O método utilizado foi baseado no manual conforme a descrição roteiro. Para cada rodada foi utilizado uma metodologia, na qual nós participantes fazíamos a comparação relacionando o processo com a literatura e o resultado. - Primeira rodada Produção livre; - Segunda rodada Metodologia “5S”; - Terceira rodada Sistema Kanban; - Quarta rodada Produção Puxada. FIGURA 2: Laboratório Virtual- Rodada 1 Fonte: Ava, Laboratório Virtual rodada 1. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Após concluir as quatros rodadas da dinâmica, observamos que os métodos utilizados em cada uma delas, apresentaram resultados com uma diferença significativa. Primeira rodada: Nessa rodada, foi utilizado o método livre levando em comparação a produção empurrada. O resultado não foi bom, as peças colocadas pelo operador “A” na esteira não seguiam uma ordem de cor ou montagem, essa falta de organização, acabou gerando uma quantidade excessiva de peças na esteira. Com o operador “B” não foi diferente, as peças também estavam desorganizadas, dificultando a montagem, como podemos observar na imagem a seguir. 5 1 Gabriela Adriana Gonçalves, Neivaldo Silva da Rosa, Uilian Henriques Rodrigues 2 Wagner da Silva Bonifácio Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLC4282GPI) – Prática do Módulo IV – 30/11/22 FIGURA 3: Laboratório Virtual Rodada 1 Fonte: Ava, Laboratório Virtual rodada 1. Ao final dessa rodada verificamos que as quantidades de peças produzidas foram baixas, onde não foi possível embarcar nenhum caminhão. Segue resultado na tabela abaixo. TABELA 1: Laboratório Virtual rodada 1 Fonte: Ava, Laboratório Virtual rodada 1. Segunda rodada Na segunda rodada, foi utilizado o método 5S, desenvolvido pelo Sistema Toyota de Produção. Ele é baseado em cinco sensos: Seiri (utilização), Seiton (organização), Seiso (limpeza), Seiketsu (padronização) e Shitsuke (disciplina). No desenvolvimento da dinâmica, observamos que foi aplicado dois sensos, o Seiri e o Seiton. No senso de utilização o critério foi separar o necessário do desnecessário, já no senso de organização foi levado em consideração a eficiência, onde relacionamos os tempos de retirada e de colocação de peças no seu devido lugar. Na Figura 4 podemos identificar esses dois sensos. 6 1 Gabriela Adriana Gonçalves, Neivaldo Silva da Rosa, Uilian Henriques Rodrigues 2 Wagner da Silva Bonifácio Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLC4282GPI) – Prática do Módulo IV – 30/11/22 FIGURA 4: Laboratório Virtual Rodada 2 Fonte: Ava, Laboratório Virtual rodada 2. Observamos que nessa rodada as peças que seriam utilizadas estavam separadas por cores e de forma organizada, facilitando a montagem. Dessa forma foi possível perceber que o operador “A” separou o que seria necessário para produção e organizou de forma que facilitaria a montagem das peças pelo operador “B”. Consequentemente tivemos uma melhoria significativa na produção, conforme os resultados da tabela 2. TABELA 2: Laboratório Virtual rodada 2 Fonte: Ava, Laboratório Virtual rodada 2. Terceira rodada Na terceira rodada foi utilizado o método Kanban para controlar o estoque das peças e a produção conforme sua montagem. Na dinâmica podemos observar que o operador “A” segue uma sequência de produção, enquanto o operador “B” monta somente a cor que está sendo solicitada no painel. Nesta rodada, a região onde fica os blocos para serem embarcados só é permitido um de cada cor, conforme a Figura 5. 7 1 Gabriela Adriana Gonçalves, Neivaldo Silva da Rosa, Uilian Henriques Rodrigues 2 Wagner da Silva Bonifácio Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLC4282GPI) – Prática do Módulo IV – 30/11/22 FIGURA 5: Laboratório Virtual Rodada 3 Fonte: Ava, Laboratório Virtual rodada 3. Isso é interessante pelo fato de diminuir os estoques e os desperdícios. Sendo assim, a produção ocorrerá de acordo com a demanda, reduzindo o tempo de produção, e assim obtendo resultados melhores, como podemos ver na Tabela 3. TABELA 3: Laboratório Virtual rodada 3 Fonte: Ava, Laboratório Virtual rodada 3 Quarta rodada Na quarta rodada foi utilizado o método de Produção Puxada. As peças já ficam separadas por cor na linha de produção do operador “A”, assim facilita a montagem do operador “B”. No painel as peças já estão organizadas conforme a demanda, o operador “B” só precisa pegar os blocos e montar com a cor referente. Nesta rodada tivemos um outro diferencial, o carregamento de várias cores, conforme mostra a Figura 6. 8 1 Gabriela Adriana Gonçalves, Neivaldo Silva da Rosa, Uilian Henriques Rodrigues 2 Wagner da Silva Bonifácio Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLC4282GPI) – Prática do Módulo IV – 30/11/22 FIGURA 6: Laboratório Virtual Rodada 4 Fonte: Ava, Laboratório Virtual rodada 4. Desta forma não produzimos um estoque excessivo e diminuímos os desperdícios, aumentando a produção e os lucros. Nesta etapa da dinâmica foi onde obtivemos resultados melhores, produzimos conforme a demanda e atingimos o nosso objetivo conforme a Tabela 4. TABELA 4: Laboratório Virtual rodada 4 Fonte: Ava, Laboratório Virtual rodada 4. 5. CONCLUSÃO Cada empresa tem as suas características para atingir a produção, seja por limites físicos, econômicos ou qualquer um outro, seja ele do mesmo ramo social, o processo produtivo não será igual. No processo Justin time a linha de montagem se torna mais rápida, sendo de fácil aderência para se atingir os objetivos, mas exige da empresa uma maior possibilidade de produção variada, deixando o processo produtivo com mais volume e consecutivamente necessitando de mais capital de investimento. Nos processos na qual é utilizado a metodologia 5S vimos uma melhor distribuição das tarefas, fazendo com que a empresa cumpra com os processos produtivos com menor dificuldade, tornando os processos mais claros para os funcionários e todos os envolvidos. No entanto, com a dinâmica Lego através do laboratório virtual o grupo chegou na mesma conclusão, que o Sistema de Produção Puxada era o mais eficaz para aquela linha de montagem, por 9 1 Gabriela Adriana Gonçalves, Neivaldo Silva da Rosa, Uilian Henriques Rodrigues 2 Wagner da Silva Bonifácio Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (FLC4282GPI) – Prática do Módulo IV – 30/11/22 que além da agilidade, evitava desperdício, atendia mais rápido o cliente e seus lucros eram maiores. Também concluímos que a dinâmica LEGO é um ótimo exercício para as empresas, pois facilita a visualização dos processos produtivos, sabendo assim qual a melhor forma de produzir seus produtos. A definição da filosofia da empresa visa trazer um ideal comum e possível de ser atingido. É necessário que a filosofia da empresa possa ser desdobrada num plano de doutrina a ser repassado a todas as pessoas da empresa e se constituir no seu ideal. A filosofia deve ser sustentada no dia a dia da organização até tornar-se a crença de todos. (CAMPOS, 1992, p.24). REFERÊNCIAS. CAMPOS, V.F., Controle da Qualidade Total (No Estilo Japonês). 2.ed.Belo Horizonte: DG Editores, 1990, 1992 e 1999. LIKER, Jeffrey K. Liker; O Modelo Toyota: 14 Princípios de Gestão do Maior Fabricante do Mundo. Porto Alegre: Bookman, 2005. LUBBEN, Richard T. Just-in-time; Uma Estratégia Avançada de Produção 2° Edição. São Paulo: Ed McGraw-Hill, 1989. OSADA, Takashi. House Keeping: 5S`s, seiri, seiton, seiso, seiketsu e shitsuke. São Paulo: Ed Instituto Imam, 1992. RODRIGUES, Douglas de Souza. Engenharia da Qualidade. Indaial; UNIASSELVI, 2021. SCHONBERGER, Richard J. Técnicas Industriais Japonesas: Nove Lições Ocultas Sobre a Simplicidade. São Paulo: Ed. Pioneira. 1984. RODRIGUES, Douglas de Souza. Engenharia da Qualidade. Indaial; UNIASSELVI, 2021.