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PERFORMANCE – VELOCIDADES DE DECOLAGEM A VS é proporcional à raiz quadrada do fator de carga. A VS aumenta quanto maior a altitude, o fator de carga, peso e o posicionamento do CG (muito à frente) de uma acft. INTRODUÇÃO Nesse documento, veremos, na ordem: a) abreviaturas das velocidades de decolagem; b) velocidades associadas à decolagem; c) definição de pista balanceada; d) efeitos de uma rotação antecipada/atrasada; e e) resumo das velocidades de decolagem. ABREVIATURAS: VELOCIDADES DE DECOLAGEM VELOCIDADES ASSOCIADAS À DECOLAGEM. → VMCG (velocidade mínima de controle no solo; minimum control speed on the ground; 150 libras e 30ft de deviation)- é a velocidade mínima na qual é possível retomar o controle do avião apenas com os recursos aerodinâmicos (no caso, leme de direção) em caso de assimetria de potência causada por um motor inoperante (engine failure). OBS: A força no comando de leme de direção não pode superar 150 libras. OBS: A acft pode desviar-se, no máximo, 30ft a partir do eixo da pista, mas a acft pode continuar a decolagem paralela ao eixo, não sendo necessário retornar ao eixo. OBS: A quantidade de guinada gerada quando um motor falha durante a decolagem é relativa ao empuxo do(s) motor(es) restante(s). OBS: VMCG ≤ V1 Densidade muito baixa → VMCG é mínimo CG à frente Densidade muito alta → VMCG é máximo CG atrás → VEF (Velocidade de falha do motor crítico; engine failure airspeed) - é aquela que tem o maior impacto na performance, não podendo ser inferior à VMCG. OBS: Estudos apontam que os pilotos levam cerca de 1s para reconhecer a falha do motor. Portanto, a Vef deve ocorrer ao menos 1s antes da V1 → V1 (velocidade de decisão; decision speed) - é a velocidade máxima de decisão na qual o piloto, percebendo a falha do motor crítico, optará por continuar a decolagem ou abortá-la dentro da distância restante de aceleração ou parada (ASDA). OBS: a V1 não é a velocidade para se começar a tomar uma decisão. A decisão deverá ser tomada antes do avião atingi-la. Ela pode ser entendida como a velocidade de recolhimento da falha do motor crítico. A melhor decisão na V1 é PROSSEGUIR DECOLAGEM! RELAÇÃO ENTRE V1 E AS VARIÁVEIS DA DECOLAGEM: OBS: TUDO QUE FAZ COM QUE A TODR (Take Off Distance Required) AUMENTE, AUMENTA A V1: Densidade baixa Peso elevado Sem flaps → V1 é maior Vento de proa Aclive (upslope) Densidade alta Peso baixo Flaps acionados → V1 é menor Vento de cauda Declive (downslope) RELAÇÃO DA V1 ENTRE Vmcg, Vr e Vmbe: VMCG ≤ V1 VR ≥ V1 VMBE ≥ V1 Por quê a V1 não deve ser inferior a Vmcg? R: Porque, na V1, o avião tem que parar ou continuar a decolagem; mas, com a V1 abaixo da Vmcg, é impossível continuar a decolagem com segurança por falta de controle direcional do leme de direção. IMPOSSIBILIDADE DE CONTINUAR A DECOLAGEM POR FALTA DE CONTROLE DIRECIONAL, SENDO, NESSE CASO, MANDATÓRIO ABORTAR A DECOLAGEM. Por quê a V1 não deve ser maior que a Vmbe? R: Porque, na V1, o avião tem que parar ou continuar a decolagem; mas, com a V1 acima da Vmbe, é impossível parar o avião com segurança. IMPOSSIBILIDADE DE ABORTAR A DECOLAGEM POR FALTA DE SEGURANÇA NA FRENAGEM, SENDO, NESSE CASO, MANDATÓRIO CONTINUAR A DECOLAGEM. OBS: Temos uma pista balanceada quando a distância de decolagem (TODA) for igual à distância de aceleração e parada (ASDA). → VR (velocidade de rotação; rotation speed) - é definida como a velocidade na qual a rotação é iniciada durante a decolagem para atingir a V2 no screen height (35ft AGL). A ação do piloto em cabrar (puxar o profundor; eixo lateral da acft) quebra a sustentação da cauda, criando uma força aerodinâmica descendente (ou negativa) nessa região. OBS: A VR não deve ser inferior a 105% da VMCA. RELAÇÃO ENTRE Vr E AS VARIÁVEIS DA DECOLAGEM: OBS: TUDO QUE FAZ COM QUE A CORRIDA DE DECOLAGEM AUMENTE, AUMENTA A Vr: Densidade baixa Peso elevado Sem flaps → Vr é maior Vento de proa Aclive (upslope) Densidade alta Peso baixo Flaps acionados → Vr é menor Vento de cauda Declive (downslop) → VMU (velocidade mínima com manche livre; minimum unstick speed) - é a velocidade mínima na qual o avião poderá deixar o solo e continuar a decolagem com segurança. OBS: A VMU é definida quando o profundor produz força suficiente para a aeronave atingir uma atitude em que possa decolar → VLOF (velocidade de despegue; lift off speed) - é a velocidade no exato momento em que o avião deixa o solo, relacionando-se intimamente com a VR. OBS: a acft percorre ainda alguns metros no solo com os pneus do trem de pouso principal até a separação completa, que ocorrerá na Vlof. OBS: Com todos os motores funcionando, a Vlof não poderá ser inferior a 110% da VMU; e com um motor inoperante, não poderá ser inferior à 1,05 da VMU. OBS: O Tyre Speed Limit é determinado pela VLOF. → V2 (velocidade de segurança na decolagem; take off safety speed) - é a velocidade mínima de segurança a ser atingida a 35ft AGL. Ela (a v2) garante que a acft, mesmo com o motor crítico inop, suba acima dos gradientes mínimos de subida aplicáveis até o 400ft. OBS: A V2 deve ser igual ou maior que 120% da VS e 110% da VMCA. → VMBE (velocidade de máxima energia no freio; maximum brake energy speed) - é a velocidade máxima no solo em que uma acft pode parar com segurança dentro da capacidade de energia dos freios. OBS: TUDO QUE SE EXIJA MAIS ENERGIA DOS FREIOS PARA PARAR A ACFT DURANTE A CORRIDA DE DECOLAGEM TRADUZ NA DIMINUIÇÃO DA VMBE Densidade baixa → VMBE é maior (menos energia dos freios p/ parar a acft) Peso baixo Vento de proa Aclive (upslope) Densidade alta → VMBE é menor (mais energia dos freios p/ parar a acft) Peso elevado Vento de cauda Declive (downslope) → VMCA (velocidade mínima de controle no ar; air minimum control speed) - é a velocidade mínima de controle direcional no ar, com no máximo 5° de bank/inclinação, quando o motor crítico subitamente se tornar inop, considerando os demais motores restantes na decolagem. A Vmca está relacionada com a assimetria de potência (causada pelo motor inop) e garante o controle direcional da acft sempre que a velocidade da mesma for igual ou maior que a Vmca. A Vmca tem que ser igual ou menor à V2 para garantir que a acft possa sempre manter o controle direcional. V2 ≥ VMCA Densidade muito baixa → VMCA é mínima CG à frente Densidade muito alta → VMCA é máxima CG atrás PISTA BALANCEADA As situações em que resultarão numa pista desbalanceada são: V1 maior que Vr; V1 menor que Vmcg V1 maior que Vmbe ATITUDE/VELOCIDADE RESUMO VELOCIDADES DE DECOLAGEM VMCG ≤ V1 VR ≥ V1 VMBE ≥ V1 VR ≥ 105% VMCA V2 ≥ 110% VMCA ou 120% VS VLOF ≥ 110% VMU VLOF mono ≥ 105% VMU VREF ≥ 130% VSO ou 123% da Vsr VAPP ≥ 150% VSO (approach climb) VLC ≥ 130% VSO (landing climb) EXERCÍCIO VELOCIDADES DE DECOLAGEM Durante uma decolagem, estabelecem-se certas velocidade, baseadas na perda do motor crítico (VEF), que é o que tem o maior impacto na performance e controlabilidade do avião. A perda de outro motor produzirá menores impactos, e, portanto, devemos manter as velocidades sem alterações. A existência de um stopway melhora as condições de decolagem de um avião em relação à distância de aceleração e parada. A existência de um clearway permite decolagem com maior peso desde que o fator limitante tenha sido distância de aceleração e decolagem. A V2 mínima muda com a variação de VSe VMCA. A VREF é a velocidade mínima de cruzamento de cabeceira durante o pouso. A VREF deve ser maior ou igual a 1,3 VSO. (configuração de pouso; suja) → Field Limit: Cruzar a cabeceira a 50 pés. Esta é a VREF que deverá ser igual a 1,3 VSO. A VSO deverá ser na configuração de pouso. → VAPP = VREF + 5 knots (vento calmo) → VAPP = VREF + metade do vento de proa + rajada de no máximo 20 nós → A distância demonstrada (parada completa com cruzamento de cabeceira a 50 pés) de pouso não pode exceder 60% da distância disponível. O comprimento deve ser aumentado em 15% se a pista estiver molhada. A velocidade utilizada na aproximação final para pouso e cujo valor depende do peso da aeronave e da posição do flape é a VREF. Stopway é um recurso utilizado para aumentar o peso de decolagem limitado pela função da distância de aceleração e parada. Com o aumento do peso a V1 aumenta. Uma pista terá maior comprimento retificado quando tiver vento de proa e gradiente negativo e menor comprimento retificado quando tiver vento de cauda e gradiente positivo. A VR depende da densidade e peso. Quanto maior a altitude pressão, menor o PMD. É errado dizer que nos gráficos de PMD, devemos considerar o componente de vento de través. Quanto maior o atrito com o solo, menor a aceleração do avião e maior a pista necessária para a decolagem. A VMCA é a velocidade calibrada na qual, quando o motor falhar inesperadamente, é possível recobrar o controle do avião e manter o vôo na direção pretendida, podendo ser empregada uma inclinação lateral de até 5º. Será possível aumentar o PMD com flap de 5º se o PMD com flap de 15º for limitado pela trajetória de subida (pista de decolagem em excesso). Será possível aumentar o PMD com flap 15º se o PMD com flap 5º for limitado pelo comprimento da pista. Os fatores que podem reduzir o PMD são 2º segmento da trajetória de decolagem. O comprimento efetivo de uma pista será igual ao seu comprimento retificado quando não houve vento e a pista tiver gradiente nulo. Logo após a V1 uma aeronave a jato perde o motor na decolagem, o piloto deve prosseguir a decolagem como previsto. No cálculo da acelerate-stop distance para decolagem de aeronaves turbinadas utiliza- se do comprimento da pista mais a stopway. Tão logo uma aeronave consiga sair do solo, perde-se um dos motores. Nesse caso a inclinação máxima da asa será de até 5º. A VMCG será máxima na condição de CG no limite traseiro. O uso de flapes na decolagem aumenta o peso limitado pela pista, porém diminui o peso limitado pela trajetória de decolagem. No PMD o efeito que se dá com um gradiente positivo (subindo ladeira) é PMD diminuído, pois aumenta a distância para decolagem. No PMD o efeito que se dá com um gradiente negativo (descendo ladeira) é PMD aumentado, pois reduz a distância de decolagem. É errado dizer que o gradiente máximo de subida de um bimotor no 2º segmento vale tal valor, pois não existe gradiente máximo, somente mínimo. Uma pista com comprimento de 4.000 metros, a maior diferença permissível de altura de suas cabeceiras será de 80 metros, ou seja, 2%. Se o comprimento de uma pista é de 4.000 metros, o comprimento efetivo poderá ser ≤ 4.000 metros. Um avião tem a VMCA = 100kt e VS = 95kt. A velocidade V2 mínima deverá ser de 114kt. (V2 ≥ 110% VMCA / V2 ≥ 120% VS) A velocidade que deve ser menor ou igual a VR, igual ou maior a VMCG e igual ou menor que a VMBE é a V1. A velocidade mínima de controle no solo (VMCG) diminui com o aumento da altitude. A velocidade de rotação não pode ser inferior a 1,05 da VMCA. A velocidade inicial de subida (V2) não pode ser inferior a 1,10 VMCA e 1,20 VS. A trajetória de decolagem se estende do ponto de 35 pés de altura até o ponto de 1.500 pés de altura. A distância de decolagem (TOD) é a distância do inicio da corrida até o ponto de 35 pés de altura. A distância de aceleração e parada (ASD) é a soma da distância de aceleração até a V1 e da V1 até a parada total da aeronave. Com o anti-skid inoperante, a distância requerida para acelerar e parar na decolagem abortada será aumentada. O segmento no qual se aumenta a velocidade é no 3º segmento. O comprimento máximo da clearway disponível é 50% do comprimento de pista disponível. O balanceamento é feito igualando a TOD à ASD requerida. Selecionando um valor menor para V1 a ASD diminuirá e a TOD aumentará. Com o freio inoperante a distância de parada a partir da V1 aumentará. O segmento do trem estendido se estende do ponto de 35 pés ao ponto onde o trem de pouso está recolhido. As condições no 2º segmento de subida são velocidade constante e flapes na posição de decolagem. No 3º segmento ocorrem recolhimento do flape e aumento da velocidade. O segmento final de decolagem se estende do ponto onde se alcança a velocidade final de decolagem e recolhimento do trem do flape até o ponto de 1.500 pés de altura. As condições no segmento final de decolagem são flapes recolhidos e potência máxima continua. Mudando o flape de decolagem de 15º para 5º, resultará em um comprimento de pista maior para a decolagem e uma subida melhor. Quando a V1 for menor que a VMCG teremos que usar a V1 = VMCG. Se uma pista mede 4.000 pés e tem um gradiente de 2%, a diferença de alturas entre suas cabeceiras é de 80 pés.