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Geovana Sanches, TXXIV ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SISTEMA VISUAL GLOBO OCULAR O globo ocular fica localizado na órbita, envolvo por gordura e por seis músculos extra- oculares que lhes dá sustentação. Relações anatômicas da órbita A órbita é composta por 7 ossos: maxilar, zigomático, frontal, lacrimal, esfenoide, palatino e etmoidal. Apesar do osso nasal estar muito próximo a região, ele não faz parte da órbita. No ápice orbitário, representado em roxo no desenho, encontra-se a fissura orbitária superior, fissura orbitária inferior e o canal óptico. Essas estruturas são de extrema importância para a fisiologia do globo ocular e o processamento visual, tendo em vista que por elas passam estruturas nervosas (nervo óptico, III, IV e VI NC) e vasculares (artérias e veias). Suprimento arterial do globo ocular A irrigação do globo ocular inicia-se na artéria carótida interna, sendo seu primeiro ramo a artéria oftálmica. Desta, saem ramos que irrigam o nervo óptico, retina e demais estruturas oculares. O ramo superior da artéria oftálmica caminha no meio do nervo óptico e forma a artéria central da retina. Ela também forma as artérias ciliares posteriores, as quais irrigam o nervo óptico. É importante ressaltar, dessa forma, que a irrigação do nervo óptico é diferente da irrigação da retina. Isso pois, podemos ter afecções que cursam com isquemia da retina sem acometimento do nervo óptico e vice-versa. Geovana Sanches, TXXIV Drenagem venosa do globo ocular A drenagem venosa do globo ocular acompanha a irrigação arterial. Assim, temos a artéria central da retina drenando pela veia central da retina, a artéria lacrimal drenando para a veia lacrimal e assim por diante. Toda a drenagem conflui para o seio cavernoso, sendo drenada para os seios petrosos e, por fim, para a veia jugular interna. Essa relação da drenagem venosa com estruturas cerebrais é importante pois, quando temos alterações na drenagem cerebral ou no seio cavernoso, isso pode repercutir com alterações oftalmológicas, as quais são sugestivas de ingurgitamento venoso. MÚSCULOS EXTRA-OCULARES Os músculos extra-oculares consistem em quatro músculos retos (superior, inferior, lateral e medial) e dois músculos oblíquos (inferior e superior). Eles são responsáveis por toda a movimentação extrínseca ocular. Origem • Músculos retos: originam-se do anel de Zinn, estrutura tendinosa localizada na porção posterior da órbita • Músculo oblíquo superior: origina-se no forame óptico, próximo ao nervo óptico • Músculo oblíquo inferior: origina-se no osso maxilar Inervação • OS4REL6REST3 • Músculo oblíquo superior: é inervado pelo IV NC (nervo troclear) • Músculo reto lateral: é inervado pelo VI NC (nervo abducente) • Músculo reto medial, lateral e inferior e Músculo oblíquo inferior: são inervados pelo III NC (nervo oculomotor) Ação primária • Músculo reto superior: eleva e inclina o olho para fora • Músculo reto lateral: abdução do olho • Músculo reto inferior: infra versão (vira o olho para baixo) e adução • Músculo reto medial: adução • Músculo oblíquo inferior: eleva o olho e faz abdução Ação secundária e terciária Todos os músculos apresentam ações secundárias e terciárias, mas estas são menos relevantes do que as primárias. Condições nas quais estão afetados O conhecimento da ação primária desses músculos é importante para que sejamos capazes de identificar qual músculo ou nervo está afetado em determinadas condições, tais quais: Geovana Sanches, TXXIV • Esotropia (estrabismo convergente): desvio do olhar para dentro o Alteração do M. reto lateral • Exotropia (estrabismo divergente): desvio do olhar para fora o Alteração do M. reto medial • Hipertropia: desvio do olhar para cima • Hipotropia: desvio do olhar para baixo PÁLPEBRAS • Fenda palpebral o Comprimento: 27 a 30mm o Largura: 8 a 11mm o Essas medidas são importantes para avaliação de pacientes com queixa de ptose palpebral • Cílios • Glândulas o Meibomius: produz gordura constantemente, a qual é eliminada na borda palpebral § É passível de inflamação, gerando o hordéolo (terçol) – há obstrução dessas glândulas, de forma que a gordura fica acumulada, gerando hiperemia e edema palpebral o Zeiss e Moll: produzem gordura o Células caliciformes: responsáveis pela produção de muco Filme lacrimal O filme lacrimal é composto por 3 camadas: lipídica, aquosa e mucina. Ele tem extrema importância como meio óptico, de forma que quando não há um equilíbrio entre as camadas ou estas são de baixa qualidade, pode ocorrer prejuízo na acuidade visual – especialmente perda qualitativa. Camada lipídica • Superficial • Produzida pelas glândulas de Meibomius Camada aquosa • Intermediária • É a maior das camadas • Produzida pelas glândulas lacrimais Camada de mucina • Intern • Produzida pelas células caliciformes • Responsável por manter o filme lacrimal aderido ao globo ocular Fluxo lacrimal O principal componente da lágrima é a porção aquosa, produzida pelas glândulas lacrimais que estão localizadas na região temporal e superior do globo ocular. A partir daí, a lágrima é drenada e passa por toda a superfície ocular, Geovana Sanches, TXXIV dirigindo-se para os pontos lacrimais inferior e superior, localizados no canto medial das pálpebras. A partir do ponto lacrimal, é drenada pelos canalículos lacrimais e chega ao saco lacrimal. No saco lacrimal existe uma pressão negativa, a qual faz com que a lágrima seja aspirada para o canal lacrimal e ducto nasolacrimal, chegando até a cavidade nasal. Para que a drenagem seja eficaz, é importante que haja uma boa elasticidade na pele e que a bomba funcione continuamente. Pacientes que apresentam frouxidão e flacidez palpebral, portanto, possuem dificuldade na drenagem da lágrima, levando a queixa de lacrimejamento. Essa condição é comum com o passar da idade. Glândula lacrimal à pontos lacrimais inferior e superior à canalículos lacrimais à saco lacrimal à canal lacrimal à ducto nasolacrimal à cavidade nasal CONJUNTIVA A conjuntiva é a membrana transparente e bem vascularizada que recobre a superfície anterior do globo ocular e a região interna da pálpebra (a partir do fórnice conjuntival). Apresenta três camadas: bulbar/ocular, fórnice e palpebral/tarsal. Ela é preenchida por lágrima e não possui comunicação com a parte posterior do globo ocular. Essa estrutura é importante, por exemplo, para pacientes que utilizam lente de contato. Isso pois, com a presença do fórnice não há comunicação entre as regiões anterior e posterior do globo ocular, impedindo que a lente “atravesse” o olho. CÓRNEA A córnea é uma estrutura totalmente transparente e avascular, constituindo o principal meio dióptrico. Quando há perda dessa transparência ou uma vascularização, o paciente apresenta embaçamento visual. Camadas • Epitélio o É a camada mais superficial, estando em contato com o filme lacrimal e o meio externo o Suas células se regeneram a cada 24h a 48h – as células mais profundas superficializam e as mais superficiais são eliminadas o Quando ocorre um trauma com desepitalização da córnea, basta esperar, tendo em vista que ela irá se regenerar automaticamente • Membrana de Bowman • Estroma o É a camada mais espessa da córnea o Deve ser transparente para uma acuidade visual preservada. § A cirurgia refrativa a laser para correção das ametropias (erro refrativo) ocorre nessa camada • Membrana de descemet • Endotélio o É a camada mais interna, estando em contato direto com o humor Geovana Sanches, TXXIV aquoso e com a porção interna do globo ocular § Impede que o humor aquoso penetre no estroma corneano § Humor aquoso: é um fluido transparente que preenche a câmara anteriore posterior do olho. Tem como função nutrir a córnea e o cristalino, além de manter uma pressão hidrostática conveniente para o olho. o Não tem capacidade de regeneração, de forma que lesões podem resultar na necessidade de um transplante de córnea o Com o passar da idade, há perda de células endoteliais Microscopia especular do endotélio corneano A imagem superior é um endotélio normal, repleto de células endoteliais (estruturas acizentadas). Já na imagem inferior encontramos diversas áreas escuras, as quais representam regiões em que não há célula endotelial. Com isso, podemos admitir que o paciente apresenta algum grau de edema corneano (presença de humor aquoso no estroma), com perda da transparência da córnea. ESCLERA A esclera consiste na estrutura branca que dá forma ao globo ocular. Localiza-se posteriormente à conjuntiva e é delimitada pelo limbo. É composta por fibras colágenas e fibrina – as mesmas que compõem a córnea, porém com uma organização distinta. Ela é praticamente avascular, contendo apenas plexos venosos e esclerais superficiais. Numa visão posterior, observa-se a inserção dos músculos extra-oculares, além do nervo óptico, vasos e nervos ciliares. LIMBO O limbo é a zona de transição entre córnea e esclera (anel acizentado que separa essas duas estruturas). Consiste no provedor de células epiteliais para a córnea, de forma que sua avaliação é de extrema importância nos casos de lesão ocular – quando o limbo está preservado, é possível a reepitelização; caso contrário, o prognóstico do paciente é ruim. CÂMARA ANTERIOR A câmara anterior é preenchida por cerca de 200 µL de humor aquoso, líquido produzido e drenado diariamente. Apresenta como limites a córnea (anteriormente) e a íris (posteriormente). A junção entre essas duas estruturas (íris + córnea) na região lateral delimita o ângulo da câmara anterior (CA). Essa região é importante Geovana Sanches, TXXIV pois contém a malha trabecular (ou trabeculado), estrutura repleta que orifícios pelos quais ocorre drenagem do humor aquoso até o seio cavernoso. Quando temos o ângulo aberto, a drenagem do humor aquoso é facilitada. Já quando o ângulo é fechado, há maior resistência à drenagem, de forma que a pressão intraocular tende a aumentar. Essa classificação do ângulo da câmara anterior se relaciona muito com o glaucoma, o qual pode ser de ângulo aberto ou fechado. ÚVEA A úvea é a principal estrutura vascular do olho, podendo ser dividida em três porções: íris, corpo ciliar e coróide. Ela recobre tanto a parte posterior do globo ocular, quanto a parte anterior, e é responsável por formar a segunda túnica ocular. Todas as doenças que chegam aos olhos estão de certa forma relacionadas com a úvea, de forma que ela pode ser considerada uma “porta de entrada”. Íris A íris divide o olho entre a câmara anterior e a câmara posterior. Trata-se de uma estrutura altamente vascularizada, composta por tecido conectivo (conjuntivo), vasos sanguíneos e melanócitos. A depender da quantidade de melanócitos, ela pode ser mais clara ou mais escura. É possível identificar a presença das sardas de íris (áreas de hiperpigmentação), além das criptas (depressões). Pupila • Delimita a região central da íris • Funciona como um diafragma de uma câmera fotográfica, ou seja, controla a quantidade de luz que entra no globo ocular • Controlada pelo Sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático. Quando os dois sistemas estão em equilíbrio, temos uma resposta pupilar normal • Musculo esfíncter da pupila o Fibras circulares o Próximo a margem pupilar o Inervação parassimpática o Promove a contração da pupila (miose) • Músculo dilatador da íris o Fibras radiais o Inervação simpática o Promove a dilatação da íris (midríase) Geovana Sanches, TXXIV Corpo ciliar O corpo ciliar está localizado abaixo da íris. Trata-se de uma estrutura triangular, dividida entre a pars plana e pars plicata, com dois componentes principais: • Músculo ciliar o Responsável pela acomodação (capacidade de foco) • Processos ciliares o Pars plicata o Local de produção do humor aquoso (HA) Além dessas duas estruturas principais, temos as fibras zonulares, as quais se inserem entre os processos ciliares unindo o corpo ciliar ao ciristalino. Quando estão tracionadas ou relaxadas, participam do processo de acomodação. Presbiopia A presbiopia, popularmente denominada “vista cansada”, consiste em uma perda da capacidade de foco para perto (perda da capacidade de acomodação). Inicia-se a partir dos 40 anos de idade e é facilmente corrigida por lentes positivas, as quais aumentam a capacidade de convergência. Coróide A coróide possui uma espessura de 0,25mm e reveste toda a superfície interna do globo ocular. Possui três camadas: coriocapilar, média (vasos pequenos) e externa (vasos maiores). É basicamente formada por vasos sanguíneos e melanócitos, sendo uma das suas funções a nutrição da retina. Além disso, os pigmentos absorver a maior parte da luz, evitando sua dispersão e o ofuscamento por excesso de reflexão. Por ter essa vascularização rica, muitas vezes é porta de entrada para infecções sistêmicas (coriorretinites infecciosas, vasculites). CRISTALINO O cristalino é uma lente biconvexa 20D transparente. Localiza- se na câmara posterior e é avascular, sendo nutrido pelo humor aquoso (HA) e humor vítrio (HV). Camadas • Cápsula do cristalino o Porção mais externa o Recobre todo o cristalino • Epitélio o Localizado logo abaixo da cápsula o Acompanha a cápsula anterior o Células equatoriais § Mitoses § Fibras corticais § Aumento do cristalino • Córtex o Fibras adicionadas durante a vida o Há aumento de sua densidade com o passar dos anos, o que Geovana Sanches, TXXIV naturalmente ocasiona uma perda de transparência do cristalino (catarata) § Faz parte da senescência • Núcleo do cristalino o Suturas em Y • Zônula o Inserem-se no equador do cristalino VÍTREO O vítreo está localizado atrás do cristalino. É totalmente transparente e ocupa a parte interna posterior do globo ocular, correspondendo a 4/5 do volume do olho (4mL). Apresenta consistência de gelatina, sendo 99% de água e ácido hialurônico (viscosidade). É responsável pela nutrição e metabolismo do cristalino, corpo ciliar e retina. Não é incomum que restos celulares descolem e fiquem “boiando” no vítreo. Isso é percebido pelos pacientes como se fossem moscas passando (moscas volantes ou floaters). Trata-se de um achado benigno. RETINA A retina é uma das estruturas mais nobres do globo ocular, onde se inicia o processo da visão. Trata-se de uma membrana formada por células fotossensíveis e neurônios (estrutura neurossensorial). Fundo de olho O nervo óptico, visualizado no fundo de olho, origina-se a partir de um conglomerado de fibras que nascem das células ganglionares da retina. A partir da cabeça do nervo óptico saem as artérias retinianas, juntamente com as veias (arcada retiniana superior e inferior). Na região à esquerda encontra-se a fóvea, região mais importante da retina. Trata-se da área com maior densidade de fotorreceptores e, consequentemente, a região que melhor nos dá a capacidade de visão. Camadas da retina No total, a retina apresenta 10 camadas. Todavia, duas são as mais importantes: Geovana Sanches, TXXIV • Camada mais externa: formada por fotorreceptores (cones e bastonetes), células ciliares modificadas fotossensíveis. • Camada mais interna (inferior): formada pelas células ganglionares, cujos axônios irão formar o nervo óptico. Processamento visual O sistema visual humano é sensível a uma faixa específica do espectro eletromagnético, contemplando comprimentos de onda entre 400nm e 700nm. Abaixo desse valornão temos sensibilidade (como para raio-X, ultravioleta e raio-g) e acima também não (como para infravermelho e ondas de rádio). Células fotossensíveis Os cones são células fotossensíveis. Existem três tipos no nosso sistema: cone do azul (short-wave), cone do verde (middle-wave) e cone do vermelho (long-wave). Cada um deles possui pico de sensibilidade para uma faixa de comprimento de onda, de forma que ele responderá melhor a cor vermelha, azul ou verde. São nessas células, portanto, que se inicia o processamento visual das cores. Os bastonetes, por sua vez, respondem as variações de luminância entre claro e escuro. Fototransdução A fototransdução diz respeito ao início efetivo do processamento visual. Os fotorreceptores são sensíveis à luz devido a presença de uma proteína transmembrana (rodopsina) que funciona como um fóton-receptor. Quando a luz incide sobre a rodopsina, ela sofre uma transformação de 11cis para 11trans, iniciando o processo da fototransdução. Quando a retina está no escuro (imagens A e B1), o fotorreceptor se encontra despolarizado. Nessa condição, os canais de Sódio e Potássio estão abertos, permitindo o influxo de íons (Na+) que deixam o meio intracelular mais positivo. Assim, há liberação do glutamato, um neurotransmissor inibitório. O glutamato é responsável por manter a retina inibida, ou seja, há inibição nos neurônios da retina, nas células bipolares e células ganglionares e não ocorrem sinapses. No momento em que um fóton atinge a rodopsina (imagens C e B2), ela sofre transformação estrutural e dá início à cascata de fototransdução. Nessas condições, os canais de sódio e potássio são fechados, de forma que o meio intracelular fica negativo. O fotorreceptor, então, fica hiperpolarizado, inibindo a secreção de glutamato. Sem o glutamato, a retina deixa de ser inibida e inicia-se a transmissão de impulsos nervosos entre as camadas da retina, desde as células ganglionares até o nervo óptico. CORRELAÇÃO CLÍNICA Deficiência de vitamina A retinal A rodopsina, proteína transmembrana responsável por dar início à cascata de foto- Geovana Sanches, TXXIV transdução na presença de luz, tem a vitamina A como sua precursora. Assim, quando um paciente apresenta déficit de vitamina A, há uma alteração da fototransdução pela redução das moléculas de rodopsina. Essa alteração faz com que o fotorreceptor seja menos sensível, de forma que o paciente terá queixa de cegueira noturna – pois a ausência de luz exige maior sensibilidade dos fotorreceptores. Causas • Déficit nutricional • Pós-cirurgia bariátrica Tratamento • Reposição de vitamina A Daltonismo O daltonismo é uma alteração hereditária na qual há mudança no pico de sensibilidade espectral dos fotorreceptores. Trata-se de uma mutação do cromossomo X, o qual contém os genes do cone vermelho e amarelo; ou, menos frequentemente, do cromossomo 7, no qual está o gene do cone azul. Por ser comumente uma alteração no cromossomo X, é mais comum em homens, sendo que 8 a 10% deles apresentam algum grau de daltonismo. Tipos Existem basicamente quatro tipos de daltonismo, sendo que o protanópico e o deuteranópico são os mais frequentes. • Protanópico: ausência ou alteração no cone do vermelho – dificuldade de diferenciação entre os comprimentos de ondas mais longos • Deuteranópico: ausência ou alteração no cone do verde – dificuldade de enxergar comprimentos de ondas médias e curtas • Tritanópico: ausência ou alteração no cone do azul – confusão nos comprimentos de onda mais curtos • BCM (monocromatismo do azul): é uma condição rara na qual o paciente nasce com cone sensível a apenas 1 comprimento de onda. Como não há outros cones para comparação das respostas aos comprimentos de onda, o paciente enxerga o mundo em preto e branco. NERVO ÓPTICO O nervo óptico é formado pela convergência entre os axônios das células ganglionares, as quais constituem a última camada celular da retina. Em sua região central caminham a artéria e a veia central da retina. Geovana Sanches, TXXIV Ele caminha pela órbita e passa no meio dos quatro músculos extraoculares. Deixa essa estrutura através do forame óptico e junto ao nervo óptico do outro lado forma o quiasma óptico. No quiasma ocorre a decussação das fibras nasais, o que faz com que cada hemisfério cerebral receba informações dos dois olhos. A partir do quiasma, forma-se o trato óptico, o qual segue via núcleo geniculado lateral – local em que ocorre a 1ª sinapse dos axônios provenientes das células ganglionares da retina. Há, então, radiações ópticos que circundam todo o sistema ventricular cerebral, chegando ao córtex visual primário no lobo occipital. O quiasma óptico está localizado acima da sela turca. Por isso, adenomas hipofisários podem gerar compressão do quiasma, levando a perda do campo visual periférico Vias retino-corticais Através dos nervos ópticos, as células neurais levam informações para o hipotálamo, carregando a informação do dia/noite e indicando a regulação do relógio biológico e ritmo circadiano. Devido a isso, não é raro que pacientes com doenças do nervo óptico apresentem associadamente distúrbios do sono. O lobo occipital contém o córtex visual primário, local que recebe todas as informações originadas na retina. A partir daqui saem informações para as regiões temporais e parietais superiores, nas quais ocorre a interpretação da imagem. O OLHO COMO SISTEMA ÓPTICO Para uma visão satisfatória, faz-se necessário que as vias visuais e os meios ópticos estejam íntegros. Quanto aos meios ópticos, devemos interpretar o olho como um sistema óptico: Geovana Sanches, TXXIV • Objeto à os raios que refletem nele são transmitidos por estruturas como a córnea, cristalino, humor aquoso e humor vítreo à imagem invertida é projetada na retina o Para que a imagem seja nítida, faz- se necessário que ela seja projetada em cima da retina Erros de refração Os erros de refração consistem na principal queixa dos pacientes ao buscaram um médico oftalmologista. São três os principais: miopia, hipermetropia e astigmatismo. Miopia Na miopia, a imagem é projetada antes da retina, no humor vítreo. Isso faz com que a imagem que chega na retina seja de um “borão”. Quanto mais distante o objeto se encontra, mais afastada. Assim, esses pacientes têm queixa de visão borrada de longe, mas nítida de perto. Causas • Globo ocular maior (mais comprido) do que o normal • Sistema óptico com maior poder de convergência do que o normal Correção A correção da miopia é realizada com lente divergente (negativa), a qual diminui a capacidade de convergência do sistema óptico e faz com que a imagem do objeto seja posicionada na retina. Hipermetropia Na hipermetropia, a imagem é projetada depois da retina. Quanto mais o paciente aproxima o objeto do olho, mais distante da retina a imagem será projetada. Assim, esses pacientes apresentam queixa para enxergar de perto, não tendo grandes dificuldades para longe. Causas • Globo ocular com comprimento menor (menos comprido) do que o normal • Sistema óptico com menor capacidade de convergência do que o normal Correção A correção da hipermetropia é realizada com lente convergente (positiva), a qual aumenta a capacidade de convergência do sistema óptico, trazendo o ponto focal que esta posteriorizado até a retina. Importante A hipermetropia é diferente da presbiopia, apesar do sintoma ser semelhante. Na presbiopia, o paciente possui mais de 40 anos e apresenta dificuldade de foco devido a insuficiência do músculo ciliar. Na hipermetropia, por sua vez, esse músculo encontra-se preservado. AstigmatismoO astigmatismo ocorre quando o paciente apresenta mais que um ponto focal, o que faz com que a imagem não seja projetada de forma nítida na retina. Isso se dá, por exemplo, por irregularidades na córnea ou cristalino. Geovana Sanches, TXXIV Existem diversos tipos de astigmatismo, podendo ser dois pontos focais projetados antes da retina, dois pontos focais projetados após a retina, ou mesmo um ponto focal antes e outro após a retina. Clinicamente, o paciente pode apresentar embaçamento tanto para perto, quanto para longe, a depender do local em que se encontram os pontos focais. Além disso, pode haver queixa de diplopia. Correção A correção do astigmatismo é feita com o uso de lentes cilíndricas - combinação de convergentes/positivos e divergentes/negativos – para correção dos pontos focais (vale ressaltar que isso NÃO é uma lente bifocal). é possível, ainda, corrigir a condição com cirurgia refrativa. Em resumo...