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Geovana Sanches, TXXIV 
ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SISTEMA VISUAL 
 
GLOBO OCULAR 
 O globo ocular fica localizado na órbita, 
envolvo por gordura e por seis músculos extra-
oculares que lhes dá sustentação. 
 
 
 
Relações anatômicas da órbita 
 A órbita é composta por 7 ossos: maxilar, 
zigomático, frontal, lacrimal, esfenoide, palatino e 
etmoidal. Apesar do osso nasal estar muito 
próximo a região, ele não faz parte da órbita. 
 
 No ápice orbitário, representado em roxo 
no desenho, encontra-se a fissura orbitária 
superior, fissura orbitária inferior e o canal óptico. 
Essas estruturas são de extrema importância para 
a fisiologia do globo ocular e o processamento 
visual, tendo em vista que por elas passam 
estruturas nervosas (nervo óptico, III, IV e VI NC) e 
vasculares (artérias e veias). 
 
 
Suprimento arterial do globo ocular 
 A irrigação do globo ocular inicia-se na 
artéria carótida interna, sendo seu primeiro ramo 
a artéria oftálmica. Desta, saem ramos que irrigam 
o nervo óptico, retina e demais estruturas 
oculares. 
 
 O ramo superior da artéria oftálmica 
caminha no meio do nervo óptico e forma a artéria 
central da retina. Ela também forma as artérias 
ciliares posteriores, as quais irrigam o nervo 
óptico. 
 
 É importante ressaltar, dessa forma, que a 
irrigação do nervo óptico é diferente da irrigação 
da retina. Isso pois, podemos ter afecções que 
cursam com isquemia da retina sem 
acometimento do nervo óptico e vice-versa. 
 
Geovana Sanches, TXXIV 
Drenagem venosa do globo ocular 
 A drenagem venosa do globo ocular 
acompanha a irrigação arterial. Assim, temos a 
artéria central da retina drenando pela veia 
central da retina, a artéria lacrimal drenando para 
a veia lacrimal e assim por diante. 
 
 Toda a drenagem conflui para o seio 
cavernoso, sendo drenada para os seios petrosos 
e, por fim, para a veia jugular interna. Essa relação 
da drenagem venosa com estruturas cerebrais é 
importante pois, quando temos alterações na 
drenagem cerebral ou no seio cavernoso, isso 
pode repercutir com alterações oftalmológicas, as 
quais são sugestivas de ingurgitamento venoso. 
 
 
MÚSCULOS EXTRA-OCULARES 
 Os músculos extra-oculares consistem em 
quatro músculos retos (superior, inferior, lateral e 
medial) e dois músculos oblíquos (inferior e 
superior). Eles são responsáveis por toda a 
movimentação extrínseca ocular. 
 
Origem 
• Músculos retos: originam-se do anel de 
Zinn, estrutura tendinosa localizada na 
porção posterior da órbita 
• Músculo oblíquo superior: origina-se no 
forame óptico, próximo ao nervo óptico 
• Músculo oblíquo inferior: origina-se no 
osso maxilar 
Inervação 
• OS4REL6REST3 
• Músculo oblíquo superior: é inervado pelo 
IV NC (nervo troclear) 
• Músculo reto lateral: é inervado pelo VI NC 
(nervo abducente) 
• Músculo reto medial, lateral e inferior e 
Músculo oblíquo inferior: são inervados 
pelo III NC (nervo oculomotor) 
Ação primária 
 
 
 
• Músculo reto superior: eleva e inclina o 
olho para fora 
• Músculo reto lateral: abdução do olho 
• Músculo reto inferior: infra versão (vira o 
olho para baixo) e adução 
• Músculo reto medial: adução 
• Músculo oblíquo inferior: eleva o olho e faz 
abdução 
Ação secundária e terciária 
 Todos os músculos apresentam ações 
secundárias e terciárias, mas estas são menos 
relevantes do que as primárias. 
 
 
 
Condições nas quais estão afetados 
 O conhecimento da ação primária desses 
músculos é importante para que sejamos capazes 
de identificar qual músculo ou nervo está afetado 
em determinadas condições, tais quais: 
Geovana Sanches, TXXIV 
• Esotropia (estrabismo convergente): 
desvio do olhar para dentro 
 
o Alteração do M. reto lateral 
• Exotropia (estrabismo divergente): desvio 
do olhar para fora 
 
o Alteração do M. reto medial 
• Hipertropia: desvio do olhar para cima 
 
• Hipotropia: desvio do olhar para baixo 
 
 
PÁLPEBRAS 
 
• Fenda palpebral 
o Comprimento: 27 a 30mm 
o Largura: 8 a 11mm 
o Essas medidas são importantes 
para avaliação de pacientes com 
queixa de ptose palpebral 
• Cílios 
• Glândulas 
o Meibomius: produz gordura 
constantemente, a qual é 
eliminada na borda palpebral 
§ É passível de inflamação, 
gerando o hordéolo (terçol) 
– há obstrução dessas 
glândulas, de forma que a 
gordura fica acumulada, 
gerando hiperemia e edema 
palpebral 
o Zeiss e Moll: produzem gordura 
o Células caliciformes: responsáveis 
pela produção de muco 
Filme lacrimal 
 O filme lacrimal é composto por 3 
camadas: lipídica, aquosa e mucina. Ele tem 
extrema importância como meio óptico, de forma 
que quando não há um equilíbrio entre as 
camadas ou estas são de baixa qualidade, pode 
ocorrer prejuízo na acuidade visual – 
especialmente perda qualitativa. 
 
Camada lipídica 
• Superficial 
• Produzida pelas glândulas de Meibomius 
Camada aquosa 
• Intermediária 
• É a maior das camadas 
• Produzida pelas glândulas lacrimais 
Camada de mucina 
• Intern 
• Produzida pelas células caliciformes 
• Responsável por manter o filme lacrimal 
aderido ao globo ocular 
Fluxo lacrimal 
 O principal componente da lágrima é a 
porção aquosa, produzida pelas glândulas 
lacrimais que estão localizadas na região temporal 
e superior do globo ocular. A partir daí, a lágrima 
é drenada e passa por toda a superfície ocular, 
Geovana Sanches, TXXIV 
dirigindo-se para os pontos lacrimais inferior e 
superior, localizados no canto medial das 
pálpebras. 
 A partir do ponto lacrimal, é drenada pelos 
canalículos lacrimais e chega ao saco lacrimal. No 
saco lacrimal existe uma pressão negativa, a qual 
faz com que a lágrima seja aspirada para o canal 
lacrimal e ducto nasolacrimal, chegando até a 
cavidade nasal. 
 Para que a drenagem seja eficaz, é 
importante que haja uma boa elasticidade na pele 
e que a bomba funcione continuamente. Pacientes 
que apresentam frouxidão e flacidez palpebral, 
portanto, possuem dificuldade na drenagem da 
lágrima, levando a queixa de lacrimejamento. Essa 
condição é comum com o passar da idade. 
 
Glândula lacrimal à pontos lacrimais inferior e 
superior à canalículos lacrimais à saco lacrimal 
à canal lacrimal à ducto nasolacrimal à 
cavidade nasal 
 
CONJUNTIVA 
 A conjuntiva é a membrana transparente e 
bem vascularizada que recobre a superfície 
anterior do globo ocular e a região interna da 
pálpebra (a partir do fórnice conjuntival). 
 Apresenta três camadas: bulbar/ocular, 
fórnice e palpebral/tarsal. Ela é preenchida por 
lágrima e não possui comunicação com a parte 
posterior do globo ocular. 
 
 Essa estrutura é importante, por exemplo, 
para pacientes que utilizam lente de contato. Isso 
pois, com a presença do fórnice não há 
comunicação entre as regiões anterior e posterior 
do globo ocular, impedindo que a lente 
“atravesse” o olho. 
 
CÓRNEA 
 A córnea é uma estrutura totalmente 
transparente e avascular, 
constituindo o principal 
meio dióptrico. Quando 
há perda dessa 
transparência ou uma 
vascularização, o paciente 
apresenta embaçamento 
visual. 
Camadas 
 
• Epitélio 
o É a camada mais superficial, 
estando em contato com o filme 
lacrimal e o meio externo 
o Suas células se regeneram a cada 
24h a 48h – as células mais 
profundas superficializam e as mais 
superficiais são eliminadas 
o Quando ocorre um trauma com 
desepitalização da córnea, basta 
esperar, tendo em vista que ela irá 
se regenerar automaticamente 
• Membrana de Bowman 
• Estroma 
o É a camada mais espessa da córnea 
o Deve ser transparente para uma 
acuidade visual preservada. 
§ A cirurgia refrativa a laser 
para correção das 
ametropias (erro refrativo) 
ocorre nessa camada 
• Membrana de descemet 
• Endotélio 
o É a camada mais interna, estando 
em contato direto com o humor 
Geovana Sanches, TXXIV 
aquoso e com a porção interna do 
globo ocular 
§ Impede que o humor 
aquoso penetre no estroma 
corneano 
§ Humor aquoso: é um fluido 
transparente que preenche 
a câmara anteriore 
posterior do olho. Tem 
como função nutrir a 
córnea e o cristalino, além 
de manter uma pressão 
hidrostática conveniente 
para o olho. 
o Não tem capacidade de 
regeneração, de forma que lesões 
podem resultar na necessidade de 
um transplante de córnea 
o Com o passar da idade, há perda de 
células endoteliais 
Microscopia especular do endotélio corneano 
 
 
 
 A imagem superior é um endotélio normal, 
repleto de células endoteliais (estruturas 
acizentadas). Já na imagem inferior encontramos 
diversas áreas escuras, as quais representam 
regiões em que não há célula endotelial. 
Com isso, podemos admitir que o paciente 
apresenta algum grau de edema corneano 
(presença de humor aquoso no estroma), com 
perda da transparência da córnea. 
 
ESCLERA 
 A esclera consiste na estrutura branca que 
dá forma ao globo ocular. Localiza-se 
posteriormente à conjuntiva e é delimitada pelo 
limbo. É composta por fibras colágenas e fibrina – 
as mesmas que compõem a córnea, porém com 
uma organização distinta. 
 Ela é praticamente avascular, contendo 
apenas plexos venosos e esclerais superficiais. 
Numa visão posterior, observa-se a inserção dos 
músculos extra-oculares, além do nervo óptico, 
vasos e nervos ciliares. 
 
 
LIMBO 
 O limbo é a zona de transição entre córnea 
e esclera (anel acizentado que separa essas duas 
estruturas). Consiste no provedor de células 
epiteliais para a córnea, de forma que sua 
avaliação é de extrema importância nos casos de 
lesão ocular – quando o limbo está preservado, é 
possível a reepitelização; caso contrário, o 
prognóstico do paciente é ruim. 
 
 
CÂMARA ANTERIOR 
A câmara anterior é preenchida por cerca 
de 200 µL de humor aquoso, líquido produzido e 
drenado diariamente. Apresenta como limites a 
córnea (anteriormente) e a íris (posteriormente). 
A junção entre essas duas estruturas (íris + 
córnea) na região lateral delimita o ângulo da 
câmara anterior (CA). Essa região é importante 
Geovana Sanches, TXXIV 
pois contém a malha 
trabecular (ou 
trabeculado), 
estrutura repleta 
que orifícios pelos 
quais ocorre 
drenagem do humor aquoso até o seio cavernoso. 
Quando temos o ângulo aberto, a 
drenagem do humor aquoso é facilitada. Já 
quando o ângulo é fechado, há maior resistência à 
drenagem, de forma que a pressão intraocular 
tende a aumentar. 
Essa classificação do ângulo da câmara 
anterior se relaciona muito com o glaucoma, o 
qual pode ser de ângulo aberto ou fechado. 
 
 
ÚVEA 
 A úvea é a principal estrutura vascular do 
olho, podendo ser dividida em três porções: íris, 
corpo ciliar e 
coróide. Ela 
recobre tanto a 
parte posterior 
do globo ocular, 
quanto a parte 
anterior, e é 
responsável por 
formar a segunda 
túnica ocular. 
 Todas as doenças que chegam aos olhos 
estão de certa forma relacionadas com a úvea, de 
forma que ela pode ser considerada uma “porta de 
entrada”. 
Íris 
 A íris divide o olho entre a câmara anterior 
e a câmara posterior. Trata-se de uma estrutura 
altamente vascularizada, composta por tecido 
conectivo (conjuntivo), vasos sanguíneos e 
melanócitos. A depender da quantidade de 
melanócitos, ela pode ser mais clara ou mais 
escura. É possível identificar a presença das 
sardas de íris (áreas de hiperpigmentação), além 
das criptas (depressões). 
 
Pupila 
• Delimita a região central da íris 
• Funciona como um diafragma de uma 
câmera fotográfica, ou seja, controla a 
quantidade de luz que entra no globo 
ocular 
• Controlada pelo Sistema nervoso 
autônomo simpático e parassimpático. 
Quando os dois sistemas estão em 
equilíbrio, temos uma resposta pupilar 
normal 
• Musculo esfíncter da pupila 
o Fibras circulares 
o Próximo a margem pupilar 
o Inervação parassimpática 
o Promove a contração da pupila 
(miose) 
• Músculo dilatador da íris 
o Fibras radiais 
o Inervação simpática 
o Promove a dilatação da íris 
(midríase) 
 
Geovana Sanches, TXXIV 
Corpo ciliar 
 O corpo ciliar está localizado abaixo da íris. 
Trata-se de uma estrutura triangular, dividida 
entre a pars plana e pars plicata, com dois 
componentes principais: 
• Músculo ciliar 
o Responsável pela acomodação 
(capacidade de foco) 
• Processos ciliares 
o Pars plicata 
o Local de produção do humor 
aquoso (HA) 
Além dessas duas estruturas principais, 
temos as fibras zonulares, as quais se inserem 
entre os processos ciliares unindo o corpo ciliar ao 
ciristalino. Quando estão tracionadas ou 
relaxadas, participam do processo de 
acomodação. 
 
Presbiopia 
 A presbiopia, popularmente denominada 
“vista cansada”, consiste em uma perda da 
capacidade de foco para perto (perda da 
capacidade de acomodação). 
Inicia-se a partir dos 40 anos de idade e é 
facilmente corrigida por lentes positivas, as quais 
aumentam a capacidade de convergência. 
 
Coróide 
 A coróide possui uma espessura de 
0,25mm e reveste toda a superfície interna do 
globo ocular. Possui três camadas: coriocapilar, 
média (vasos pequenos) e externa (vasos 
maiores). 
 
É basicamente formada por vasos 
sanguíneos e melanócitos, sendo uma das suas 
funções a nutrição da retina. Além disso, os 
pigmentos absorver a maior parte da luz, evitando 
sua dispersão e o ofuscamento por excesso de 
reflexão. 
Por ter essa vascularização rica, muitas 
vezes é porta de entrada para infecções sistêmicas 
(coriorretinites infecciosas, vasculites). 
 
CRISTALINO 
 O cristalino é uma lente biconvexa 20D 
transparente. Localiza-
se na câmara posterior 
e é avascular, sendo 
nutrido pelo humor 
aquoso (HA) e humor 
vítrio (HV). 
Camadas 
• Cápsula do cristalino 
o Porção mais externa 
o Recobre todo o cristalino 
• Epitélio 
o Localizado logo abaixo da cápsula 
o Acompanha a cápsula anterior 
o Células equatoriais 
§ Mitoses 
§ Fibras corticais 
§ Aumento do cristalino 
• Córtex 
o Fibras adicionadas durante a vida 
o Há aumento de sua densidade com 
o passar dos anos, o que 
Geovana Sanches, TXXIV 
naturalmente ocasiona uma perda 
de transparência do cristalino 
(catarata) 
§ Faz parte da senescência 
• Núcleo do cristalino 
o Suturas em Y 
• Zônula 
o Inserem-se no equador do 
cristalino 
 
 
 
VÍTREO 
 O vítreo está localizado atrás do cristalino. 
É totalmente transparente e ocupa a parte interna 
posterior do globo ocular, correspondendo a 4/5 
do volume do olho (4mL). 
 Apresenta consistência de gelatina, sendo 
99% de água e ácido hialurônico (viscosidade). É 
responsável pela nutrição e metabolismo do 
cristalino, corpo ciliar e retina. 
 
 Não é incomum que restos celulares 
descolem e fiquem “boiando” no vítreo. Isso é 
percebido pelos pacientes como se fossem moscas 
passando (moscas volantes ou floaters). Trata-se 
de um achado benigno. 
 
RETINA 
 A retina é uma das estruturas mais nobres 
do globo ocular, onde se inicia o processo da visão. 
Trata-se de uma membrana formada por células 
fotossensíveis e neurônios (estrutura 
neurossensorial). 
 
Fundo de olho 
O nervo 
óptico, visualizado 
no fundo de olho, 
origina-se a partir de 
um conglomerado 
de fibras que 
nascem das células 
ganglionares da 
retina. A partir da cabeça do nervo óptico saem as 
artérias retinianas, juntamente com as veias 
(arcada retiniana superior e inferior). 
Na região à esquerda encontra-se a fóvea, 
região mais importante da retina. Trata-se da área 
com maior densidade de fotorreceptores e, 
consequentemente, a região que melhor nos dá a 
capacidade de visão. 
Camadas da retina 
 
 No total, a retina apresenta 10 camadas. 
Todavia, duas são as mais importantes: 
Geovana Sanches, TXXIV 
• Camada mais externa: formada por 
fotorreceptores (cones e bastonetes), 
células ciliares modificadas fotossensíveis. 
• Camada mais interna (inferior): formada 
pelas células ganglionares, cujos axônios 
irão formar o nervo óptico. 
Processamento visual 
 O sistema visual humano é sensível a uma 
faixa específica do espectro eletromagnético, 
contemplando comprimentos de onda entre 
400nm e 700nm. Abaixo desse valornão temos 
sensibilidade (como para raio-X, ultravioleta e 
raio-g) e acima também não (como para 
infravermelho e ondas de rádio). 
 
Células fotossensíveis 
 Os cones são células fotossensíveis. 
Existem três tipos no nosso sistema: cone do azul 
(short-wave), cone do verde (middle-wave) e cone 
do vermelho (long-wave). Cada um deles possui 
pico de sensibilidade para uma faixa de 
comprimento de onda, de forma que ele 
responderá melhor a 
cor vermelha, azul ou 
verde. São nessas 
células, portanto, que 
se inicia o 
processamento visual 
das cores. 
 Os bastonetes, por sua vez, respondem as 
variações de luminância entre claro e escuro. 
 
Fototransdução 
 A fototransdução diz respeito ao início 
efetivo do processamento visual. Os 
fotorreceptores são sensíveis à luz devido a 
presença de uma proteína transmembrana 
(rodopsina) que 
funciona como um 
fóton-receptor. 
Quando a luz incide 
sobre a rodopsina, 
ela sofre uma 
transformação de 
11cis para 11trans, 
iniciando o processo da fototransdução. 
 
Quando a retina está no escuro (imagens A 
e B1), o fotorreceptor se encontra despolarizado. 
Nessa condição, os canais de Sódio e Potássio 
estão abertos, permitindo o influxo de íons (Na+) 
que deixam o meio intracelular mais positivo. 
Assim, há liberação do glutamato, um 
neurotransmissor inibitório. 
O glutamato é responsável por manter a 
retina inibida, ou seja, há inibição nos neurônios 
da retina, nas células bipolares e células 
ganglionares e não ocorrem sinapses. 
No momento em que um fóton atinge a 
rodopsina (imagens C e B2), ela sofre 
transformação estrutural e dá início à cascata de 
fototransdução. Nessas condições, os canais de 
sódio e potássio são fechados, de forma que o 
meio intracelular fica negativo. O fotorreceptor, 
então, fica hiperpolarizado, inibindo a secreção de 
glutamato. 
Sem o glutamato, a retina deixa de ser 
inibida e inicia-se a transmissão de impulsos 
nervosos entre as camadas da retina, desde as 
células ganglionares até o nervo óptico. 
 
CORRELAÇÃO CLÍNICA 
Deficiência de vitamina A retinal 
 A rodopsina, proteína transmembrana 
responsável por dar início à cascata de foto-
Geovana Sanches, TXXIV 
transdução na presença de luz, tem a vitamina 
A como sua precursora. Assim, quando um 
paciente apresenta déficit de vitamina A, há 
uma alteração da fototransdução pela redução 
das moléculas de rodopsina. 
 Essa alteração faz com que o fotorreceptor 
seja menos sensível, de forma que o paciente 
terá queixa de cegueira noturna – pois a 
ausência de luz exige maior sensibilidade dos 
fotorreceptores. 
Causas 
• Déficit nutricional 
• Pós-cirurgia bariátrica 
Tratamento 
• Reposição de vitamina A 
 
Daltonismo 
 O daltonismo é uma alteração hereditária 
na qual há mudança no pico de sensibilidade 
espectral dos fotorreceptores. Trata-se de uma 
mutação do cromossomo X, o qual contém os 
genes do cone vermelho e amarelo; ou, menos 
frequentemente, do cromossomo 7, no qual 
está o gene do 
cone azul. Por ser 
comumente uma 
alteração no 
cromossomo X, é 
mais comum em 
homens, sendo 
que 8 a 10% 
deles apresentam algum grau de daltonismo. 
Tipos 
 Existem basicamente quatro tipos de 
daltonismo, sendo que o protanópico e o 
deuteranópico são os mais frequentes. 
• Protanópico: ausência ou alteração no 
cone do vermelho – dificuldade de 
diferenciação entre os comprimentos de 
ondas mais longos 
• Deuteranópico: ausência ou alteração 
no cone do verde – dificuldade de 
enxergar comprimentos de ondas 
médias e curtas 
• Tritanópico: ausência ou alteração no 
cone do azul – confusão nos 
comprimentos de onda mais curtos 
• BCM (monocromatismo do azul): é uma 
condição rara na qual o paciente nasce 
com cone sensível a apenas 1 
comprimento de onda. Como não há 
outros cones para comparação das 
respostas aos comprimentos de onda, o 
paciente enxerga o mundo em preto e 
branco. 
 
 
 
 
NERVO ÓPTICO 
 O nervo óptico é formado pela 
convergência entre os axônios das células 
ganglionares, as quais constituem a última camada 
celular da retina. Em sua região central caminham 
a artéria e a veia central da retina. 
 
Geovana Sanches, TXXIV 
 Ele caminha pela órbita e passa no meio 
dos quatro músculos extraoculares. Deixa essa 
estrutura através 
do forame óptico e 
junto ao nervo 
óptico do outro 
lado forma o 
quiasma óptico. 
No quiasma ocorre 
a decussação das fibras nasais, o que faz com que 
cada hemisfério cerebral receba informações dos 
dois olhos. 
 A partir do quiasma, forma-se o trato 
óptico, o qual segue via núcleo geniculado lateral 
– local em que ocorre a 1ª sinapse dos axônios 
provenientes das células ganglionares da retina. 
Há, então, radiações ópticos que circundam todo 
o sistema ventricular cerebral, chegando ao córtex 
visual primário no lobo occipital. 
 
O quiasma óptico está localizado acima da 
sela turca. Por isso, adenomas hipofisários podem 
gerar compressão do quiasma, levando a perda do 
campo visual periférico 
Vias retino-corticais 
 
 Através dos nervos ópticos, as células 
neurais levam informações para o hipotálamo, 
carregando a informação do dia/noite e indicando 
a regulação do relógio biológico e ritmo 
circadiano. Devido a isso, não é raro que pacientes 
com doenças do nervo óptico apresentem 
associadamente distúrbios do sono. 
 O lobo occipital contém o córtex visual 
primário, local que recebe todas as informações 
originadas na retina. A partir daqui saem 
informações para as regiões temporais e parietais 
superiores, nas quais ocorre a interpretação da 
imagem. 
 
 
 
O OLHO COMO SISTEMA ÓPTICO 
 Para uma visão satisfatória, faz-se 
necessário que as vias visuais e os meios ópticos 
estejam íntegros. Quanto aos meios ópticos, 
devemos interpretar o olho como um sistema 
óptico: 
 
Geovana Sanches, TXXIV 
• Objeto à os raios que refletem nele são 
transmitidos por estruturas como a 
córnea, cristalino, humor aquoso e humor 
vítreo à imagem invertida é projetada na 
retina 
o Para que a imagem seja nítida, faz-
se necessário que ela seja 
projetada em cima da retina 
Erros de refração 
 Os erros de refração consistem na principal 
queixa dos pacientes ao buscaram um médico 
oftalmologista. São três os principais: miopia, 
hipermetropia e astigmatismo. 
Miopia 
 Na miopia, a imagem é projetada antes da 
retina, no humor vítreo. Isso faz com que a 
imagem que chega na retina seja de um 
“borão”. 
 
 Quanto mais distante o objeto se 
encontra, mais afastada. Assim, esses pacientes 
têm queixa de visão borrada de longe, mas 
nítida de perto. 
 
Causas 
• Globo ocular maior (mais comprido) do 
que o normal 
• Sistema óptico com maior poder de 
convergência do que o normal 
Correção 
 A correção da miopia é realizada com 
lente divergente (negativa), a qual diminui a 
capacidade de convergência do sistema óptico e 
faz com que a imagem do objeto seja 
posicionada na retina. 
 
 
Hipermetropia 
 Na hipermetropia, a imagem é projetada 
depois da retina. Quanto mais o paciente 
aproxima o objeto do olho, mais distante da 
retina a imagem será projetada. Assim, esses 
pacientes apresentam queixa para enxergar de 
perto, não tendo grandes dificuldades para 
longe. 
 
 
Causas 
• Globo ocular com comprimento menor 
(menos comprido) do que o normal 
• Sistema óptico com menor capacidade 
de convergência do que o normal 
Correção 
 A correção da hipermetropia é realizada 
com lente convergente (positiva), a qual 
aumenta a capacidade de convergência do 
sistema óptico, trazendo o ponto focal que esta 
posteriorizado até a retina. 
 
Importante 
 A hipermetropia é diferente da presbiopia, 
apesar do sintoma ser semelhante. Na 
presbiopia, o paciente possui mais de 40 anos e 
apresenta dificuldade de foco devido a 
insuficiência do músculo ciliar. Na 
hipermetropia, por sua vez, esse músculo 
encontra-se preservado. 
AstigmatismoO astigmatismo ocorre quando o paciente 
apresenta mais que um ponto focal, o que faz 
com que a imagem não seja projetada de forma 
nítida na retina. Isso se dá, por exemplo, por 
irregularidades na córnea ou cristalino. 
Geovana Sanches, TXXIV 
 Existem diversos tipos de astigmatismo, 
podendo ser dois pontos focais projetados 
antes da retina, dois pontos focais projetados 
após a retina, ou mesmo um ponto focal antes e 
outro após a retina. 
 
 
 Clinicamente, o paciente pode apresentar 
embaçamento tanto para perto, quanto para 
longe, a depender do local em que se 
encontram os pontos focais. Além disso, pode 
haver queixa de diplopia. 
 
 
Correção 
 A correção do astigmatismo é feita com o 
uso de lentes cilíndricas - combinação de 
convergentes/positivos e divergentes/negativos 
– para correção dos pontos focais (vale ressaltar 
que isso NÃO é uma lente bifocal). é possível, 
ainda, corrigir a condição com cirurgia refrativa. 
 
Em resumo...

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