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Sistema Sensorial 
e Motor
Radharani Benvenutti
Sistema Sensorial e Motor
2
Introdução
Olá! Boas-vindas!
Neste conteúdo, vamos compreender a anatomia do sistema sensorial e motor. Discutiremos 
também a fisiopatologia das principais síndromes relacionadas a esse sistema.
Objetivos da Aprendizagem
Ao final do conteúdo, esperamos que você seja capaz de:
• Compreender a anatomia e a organização do sistema sensorial e motor; 
• Estudar as vias aferentes e eferentes.
• Conhecer a fisiopatologia das síndromes piramidais e extrapiramidais.
• Entender a fisiopatologia das síndromes cerebelares.
3
O sistema Sensorial e Motor
É pela ação do sistema motor que somos capazes de nos movimentar, ou seja, esse 
sistema regula tanto nossos movimentos mais básicos, como andar e mastigar, 
quanto movimentos complexos, como dançar uma coreografia. O sistema motor é 
complexo e envolve diversas regiões do sistema nervoso central e diversos nervos do 
sistema nervoso periférico.
Além disso, nós, seres humanos, estamos constantemente nos comunicando com o 
ambiente ao nosso redor (e também com o ambiente interno). O sistema sensorial 
processa diferentes estímulos e é formado basicamente pelo sistema visual, auditivo, 
somatossensorial e pelos sentidos químicos (gustação e olfato).
O Sistema Motor
O sistema motor é composto de todos os músculos do corpo humano e dos neurônios 
que controlam a ação desses músculos. Precisamos ter em mente que esse sistema é 
incrivelmente complexo, já que nós possuímos quase 700 músculos em nosso corpo, e muitos 
movimentos requerem a ação coordenada de centenas de músculos ao mesmo tempo.
Sistema Nervoso Somático
Encéfalo
Neurônios Motores Superiores
Núcleo Motor Somático
do Tronco Encefálico
Neurônios Motores
Inferiores
Músculo Esquelético
Neurônios Motores
Inferiores
Núcleo motor somático
da medula espinhal
Músculo Esquelético
Medula
Espinhal
Figura 1 – O controle espinhal e encefálico do movimento.
Fonte: Shutterstock (2023).
#PraTodosVerem: A imagem é um esquema de um encéfalo conectado a uma medula espinhal. Grupos de neurô-
nios se projetam do encéfalo e passam pela medula espinhal e se projetam para inervar músculos esqueléticos.
4
De forma geral, podemos falar de dois tipos gerais de controle do movimento:
• Controle espinhal do movimento: é o comando e controle do movimento exe-
cutado por circuitos neuronais na medula espinhal (sob comando do encéfa-
lo). Esses circuitos regulam a ação dos neurônios motores que estimulam a 
contração muscular coordenada. Em especial, movimentos estereotipados ou 
repetitivos, como aqueles associados à locomoção (andar, correr) são muitas 
vezes controlados por circuitos na medula espinhal, independentes do contro-
le do encéfalo.
Figura 2 – O córtex motor.
Fonte: Shutterstock (2023).
#PraTodosVerem: A imagem é uma representação 3D de um encéfalo dentro do crânio de uma pessoa com a 
área do córtex motor primária em cor laranja.
• Controle do movimento pelo encéfalo: é o comando e controle do movimento 
pelo encéfalo, composto de diversas regiões do encéfalo que enviam neurô-
nios motores para a medula espinhal. O controle do movimento é realizado 
por diversas regiões com funções diferentes:
1. Os tratos espinhais descendentes
São formados pelos neurônios que transmitem os comandos do encéfalo para 
a medula espinhal.
2. O córtex motor
É a região onde ocorre o planejamento consciente do movimento.
5
3. Os núcleos da base
É um circuito complexo onde ocorre o processamento das informações 
referentes ao movimento. Essa região também serve como um filtro de 
movimentos desnecessários.
4. O cerebelo
É uma região importante que executa ajustes corporais durante os movimentos, 
como a manutenção do equilíbrio e do tônus muscular. O cerebelo também é 
importante durante o aprendizado de novos movimentos.
A via motora que se projeta do córtex cerebral para a medula espinhal e para o tronco 
encefálico é chamada de sistema piramidal, sendo diretamente responsável pelos 
movimentos voluntários. Já as regiões relacionadas ao processamento mais complexo, 
que é automático e não depende do nosso controle voluntário consciente, são chamadas 
de controle extrapiramidal, envolvem o tálamo, os núcleos da base e o cerebelo.
Para saber mais sobre o sistema motor e o sistema sensorial, 
leia a parte dois do livro “Neurociências: desvendando o sistema 
nervoso”. Nesse livro, você poderá ler e estudar mais sobre esses 
temas tão interessantes.
Saiba mais
Lesões em qualquer uma dessas regiões podem resultar em consequências graves, 
como diminuição ou mesmo perda de movimentos. Veremos mais sobre as patologias 
que afetam o sistema motor nos próximos tópicos.
O Sistema Sensorial
Nós estamos sempre percebendo informações e estímulos que determinam o que 
é a realidade. O sistema responsável por perceber esses estímulos e levar essas 
informações até que tenhamos consciência delas é o sistema nervoso sensorial.
6
As divisões do sistema nervoso sensorial são:
• sistema visual;
• sistema auditivo;
• sistema somatossensorial;
• sentidos químicos: gustação e olfato.
Atenção
O sistema sensorial é formado por um conjunto de neurônios sensoriais e estruturas 
especializadas em captar determinados sinais. Cada classe de sistema sensorial tem 
suas próprias divisões, características fisiológicas e funções específicas no nosso 
sistema nervoso.
Figura 3 – Regiões corticais relacionadas ao processamento sensorial
Fonte: Shutterstock (2023).
#PraTodosVerem: A imagem é um esquema das regiões corticais relacionadas ao processamento sensorial. 
Em vermelho, na região central do córtex, está a área motora suplementar, e, em verde, logo ao lado, o córtex 
somatossensorial e o córtex auditório. No lobo occipital, está o córtex visual, e, na região inferior do encéfalo, 
estão áreas de processamento da gustação e do olfato.
7
Lesões em qualquer um desses sistemas sensoriais, sendo nos neurônios que 
transduzem o sinal inicial, sendo nos centros que processam os estímulos, podem 
resultar em consequências graves, como a perda da capacidade de perceber sinais 
sensoriais. Alguns exemplos são as perdas da visão, da audição, do olfato, da gustação 
ou a incapacidade de perceber estímulos táteis. Essas lesões podem ocorrer por diversos 
motivos, como trauma, acidente vascular encefálico, tumores ou síndromes genéticas.
Síndromes Piramidais e Extrapiramidais
As síndromes piramidais e extrapiramidais são caracterizadas por uma série de 
patologias que afetam os circuitos neuronais relacionados ao controle do movimento. 
Basicamente, o sistema piramidal é responsável pelos movimentos voluntários mais 
refinados, enquanto o sistema extrapiramidal está relacionado ao controle do suporte 
postural automático necessário para que ocorram os movimentos voluntários. Sendo 
assim, dependendo do sistema afetado, denominam-se patologias motoras de 
síndromes piramidais ou extrapiramidais. 
Síndromes Piramidais
As síndromes piramidais são caracterizadas por alterações patológicas envolvendo 
os neurônios motores superiores, ou seja, as vias piramidais que controlam o sistema 
motor. Lesões no sistema piramidal são caracterizadas por causarem paralisias 
(incapacidade de realizar movimentos e perda total da força) ou paresias musculares 
(dificuldade para realizar movimentos e perda parcial da força).
Síndromes Extrapiramidais
As síndromes extrapiramidais englobam todas as disfunções e patologias que 
envolvem o sistema de controle motor extrapiramidal. Os sintomas mais comuns 
dessas síndromes são o tremor de repouso, a acinesia e a hipertonia.
8
Sintoma Características
Tremor de 
repouso
É um tipo de tremor que ocorre quando o corpo está relaxado, sem se movimentar, 
desaparecendo com ato motor voluntário.
Acinesia Ausência ou diminuição dos movimentos involuntários.
Hipertonia Aumento excessivo do tônus muscular.
Distonia Contrações musculares involuntárias e prolongadas.
Quadro 1 – Os sintomas mais comuns das síndromesextrapiramidais.
Fonte: elaborado pela autora (2023).
A doença de Parkinson é a patologia extrapiramidal mais comum. Como já vimos em 
outra unidade, a patofisiologia da doença de Parkinson está relacionada à degeneração 
dos neurônios dopaminérgicos da via nigroestriatal, uma importante via que faz parte 
dos núcleos da base. 
Núcleos da Base
Seções horizontais através do encéfalo
Núcleo
lentiforme
Putame
Globo
pálido
Claustro
Terceiro
ventríloco
Tálamo
Pléxo
coróide
Substância branca
do córtex
Hemisférios
cerebelares
Cauda do
núcleo caudado
Cabeça do
núcleo caudado
Substância cinzenta
do córtex
Figura 4 – Núcleos da base.
Fonte: Shutterstock (2023).
#PraTodosVerem: A imagem é uma representação de um encéfalo em corte transversal, onde estão apresenta-
dos os núcleos da base, regiões mais escuras localizadas nas regiões mais centrais. Na parte superior, estão o 
caudado e o putame, e, na região mais central, está o núcleo caudado.
9
Existem outras patologias associadas ao sistema extrapiramidal e que apresentam 
sintomas semelhantes, sendo frequentemente chamadas de distúrbios extrapiramidais 
não parkinsonianos.
Discinesia tardia: A discinesia tardia é uma patologia causada por 
utilização de medicamentos neurolépticos, como os antipsicóticos, 
por um longo período. Os sintomas da discinesia tardia são 
principalmente movimentos involuntários repetitivos, como fazer 
caretas e piscar os olhos.
Glossário
Os distúrbios extrapiramidais não parkinsonianos mais comuns são: as reações 
distônicas agudas, a acatisia, o pseudoparkinsonismo e a discinesia tardia.
Síndromes Cerebelares
As síndromes cerebelares são caracterizadas por diversas alterações motoras, 
principalmente relacionadas a prejuízo de processamento e planejamento motores e 
equilíbrio.
Estrutura do Cerebelo
O cerebelo está localizado na parte posterior do encéfalo e pode ser dividido em 
três porções: o vermis (ou verme), localizado centralmente, e os dois hemisférios 
cerebelares direito e esquerdo.
As funções do cerebelo são:
• planejamento do movimento;
• controle e correção do movimento;
• controle do equilíbrio;
• controle da postura;
• aprendizagem motora por repetição.
Atenção
10
Além disso, existe uma região de transição denominada paraverme, e, na superfície do 
cerebelo, existem fissuras que delimitam lóbulos.
Síndromes Cerebelares
O cerebelo pode ser dividido em três divisões funcionais. No centro, está a região 
espinocerebelar, dos lados esquerdo e direito estão as regiões cerebrocerebelares e, 
na parte inferior do cerebelo, está a região vestibulocerebelar. A figura subsequente é 
uma representação da localização e função de cada região do cerebelo.
Espinocerebelar
(execução motora)
Cerebrocerebelar
(planejamento motor)
Vestibulocerebelar
(equilíbrio e movimentos
do globo ocular)
Figura 5 – As divisões funcionais do cerebelo.
Fonte: Shutterstock (2023).
#PraTodosVerem: A imagem retrata um esquema das três regiões funcionais do cerebelo. No centro, está a 
região espinocerebelar, dos lados esquerdo e direito estão as regiões cerebrocerebelares. Na parte inferior do 
cerebelo, está a região vestibulocerebelar.
As síndromes cerebelares são divididas em três grupos, de acordo com o circuito que 
elas afetam.
Síndromes vestibulocerebelares
Caracterizadas por lesões que promovem a perda de equilíbrio, ataxia e nistagmo.
11
Síndromes espinocerebelares
Caracterizadas por erros na execução motora, com dismetria, tremores, 
nistagmo e disartria.
Síndromes cerebrocerebelares
Caracterizadas por rechaço, decomposição de movimentos articulares, 
disdiadococinesia e tremores.
Patologia Características
Ataxia
• Falta de coordenação de diferentes movimentos entre diferentes partes 
do corpo que fica evidente durante a marcha; é caracterizada por base 
alargada, andar incerto e perda de equilíbrio (muito semelhante a uma 
pessoa embriagada).
Dismetria e 
tremores
• Execução defeituosa de movimentos como resultado da incapacidade de se 
efetuar movimentos com a distância apropriada. 
• O paciente não consegue prever a quantidade de movimentos necessários à 
realização de uma determinada tarefa. 
• Esse quadro geralmente se manifesta junto com tremores. 
• Pode ser avaliado pedindo para o paciente colocar o dedo na ponta do nariz.
Disartria • Dificuldade de articular as palavras usando os músculos da face e da boca.
Disdiadococinesia
• Dificuldade em realizar movimentos rápidos e alternados. 
• Pode ser verificado ao se pedir para o paciente tocar a ponta do polegar 
com os dedos mínimo e anelar rápida e alternadamente.
Nistagmo • Caracterizado por uma série de movimentos rápidos, trêmulos e não 
intencionais do globo ocular.
Rechaço 
ou rebote
• Incapacidade de controlar corretamente o tônus dos músculos e, 
consequentemente, os movimentos deles.
Quadro 2 – Os tipos mais comuns de síndromes cerebelares.
Fonte: elaborado pela autora (2023).
Essas síndromes podem ter diversas causas, como, por exemplo, lesão, trauma, 
degeneração ou etiologia multifatorial.
12
Conclusão
Neste conteúdo, estudamos conceitos e aspectos fundamentais do sistema nervoso 
motor e do sistema nervoso sensorial. Vimos, ainda, os principais componentes e as 
divisões anatômicas de cada sistema, além de discutir as suas funções mais relevantes.
Conhecemos os principais aspectos fisiopatológicos de patologias comuns que afetam 
o sistema nervoso motor e sensorial. Por fim, abordamos os sintomas e as principais 
características das síndromes piramidais e extrapiramidais e das síndromes cerebelares.
Referências
AFIFI, A. K. Neuroanatomia funcional: texto e atlas. São Paulo: Roca, 2008.
BEAR, M. F.; CONNORS, B. W.; PARADISO, M. A. Neurociências: desvendando o sistema 
nervoso. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
CROSSMAN, A. R. Neuroanatomia: um texto ilustrado em cores. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2002.
MACHADO, Â. B. M. Neuroanatomia funcional. Rio de Janeiro: Atheneu, 2006/2014.
MOORE, K. L. Anatomia orientada para clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2007/2011.
ROHEN, J. W.; YOCOCHI, C. Anatomia humana: atlas fotográfico de anatomia sistêmica 
e regional. São Paulo: Manole, 2007.

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