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DERMATOLOGIA VETERINÁRIA Função da pele: barreira/proteção, movimento e forma, produção de anexos, regulação de temperatura, estoque, indicador, imunorregulação, pigmentação, ação antimicrobiana, percepção sensorial, secreção/excreção, produção de vit D. O pH da pele tem fundamental importância na escolha de um xampu destinado à higienização ou nos ditos xampus terapêuticos. Um xampu é considerado neutro quando tem o mesmo pH da pele. A superfície cutânea dos mamíferos é, de maneira geral, levemente ácida. O pH cutâneo dos carnívoros domésticos varia de 5,5 a 7,5, na pele CICLO DO PELO Anágena: fase de crescimento, caracteriza-se pela intensa atividade mitótica da matriz. Catágena: durante a qual os folículos regridem a um terço de suas dimensões anteriores, interrompe-se a melanogênese na matriz e a proliferação celular interrompe-se até cessar. Telógena: fase final, a extremidade do pêlo assume a forma de clava, constituindo o "pêlo em calva", ainda aderido ao saco folicular por retalhos de queratina. Isto significa que o pêlo está prestes a se desprender O ciclo depende de vários fatores como temperatura, ambiente, nutrição, hormônios e genética. Em climas bem definidos ocorre maior queda de pelo no outono e primavera. Ocorre mudança sazonal e por fotoperíodo (hipotálamo, hipófise e pineal). Raças específicas Basenji: comportamento de se lamber como felinos. Chinese Crested Dog: não nasce pelo no corpo Bulldog Frances: problemas dermatológicos devido a rugas Classificação das doenças Infecto-contagiosas: doenças parasitárias, micoses (fungos profundos como esporotricose e superficiais microsporum e trichophyton) e piodermas. Enfermidades imunomediadas: alergias, autoimunes Endocrinopatias: transtornos da queratinização, outros (neoplasias, displasias) Os dois grandes sintomas na abordagem ao paciente dermatológico: diagnóstico ao animal com prurido e diagnóstico ao animal com alopecia. COMPONENTES DA FICHA DERMATOLÓGICA História: observar credibilidade do tutor; anamnese detalhada Ficha dermatológica Idade: demodicose geralmente em jovens. Alergia geralmente animais maduros, doenças hormonais (6-10 anos) e neoplasias normalmente idosos. Raça: Cocker Spaniels predisposição a seborréia primária. Chow chow (principalmente macho) tem problema de hipogonadismo por baixa produção de testosterona. Pomerania, desequilíbrios hormonais. Spitz, alopecia X. Sexo: adenomas perianais (machos), problemas relacionados a ciclo estral (fêmeas). Cadelas podem ter sintomatologia primária do cio, que é a queda de pêlo. Cor: dermatite solar e carcinoma de orelha em gatos brancos. Hemangioma ligado a luz solar, hemangiossarcoma e carcinoma (animais de pele branca e fina tem predisposição). PRURIDO OU COCEIRA Deve-se avaliar alguns parâmetros: se é uma doença específica ou generalizada, a intensidade, a manifestação e a localização do sintoma. O corticóide funciona para coceira porque durante esse processo de prurido liberam mediadores inflamatórios. Alergia a picada de pulga geralmente o animal coça mais a noite (pois é quando está com a mente menos ocupada). Lesão primária: Erupção inicial que se desenvolve espontaneamente como reflexo direto da causa. Ex.: pústula Lesão secundária: Evolução das primárias, ou são artefatos induzidos pelos pacientes ou fatores externos. Ex.: alopecia focal, colaretes (secundário a pústula) *Sarna demodécica= não provoca coceira (A não ser que o animal apresente, um quadro secundário que leve ao prurido) *Sarna sarcóptica= causa coceira. LESÕES PRIMÁRIAS Mácula: lesões com bordas delimitadas, que não se elevam do plano da pele com diâmetro < 1cm. Podem ser eritematosas, marrons ou escuras. Algumas causas são melanina, despigmentação, eritema, hemorragia focal, pós-inflamatória, hiperpigmentação e vitiligo. Pápula: elevação sólida de no máximo 1 cm de diâmetro (característico de hipersensibilidade tipo 1), pode evoluir para angioedema (cara inchada), podendo ocorrer edema na faringe e animal morrer sufocado. Trata com corticóide (dexametasona) e anti histamínico (prometazina). Pústula: área circunscrita pequena com acúmulo de pus. Comedão é o excesso de secreção sebácea no folículo piloso deixando pontinhas pretas, que pode levar a formação de pústula, é um processo comum em foliculite. Vesícula: elevação, com líquido claro (diferente da pústula). Pode ocorrer por doenças imunomediadas, congênitas, viral e dermatites irritantes. Atrofia da pele: geralmente causada por hiperadrenocorticismo. Nódulo e Tumor *Lesões maiores que 1 cm de diâmetro são chamadas de placas. Petéquia < 1 cm. Equimose > 1 cm. Casos primários ou secundários Descamação e caspa: Crostas podem ser primárias na seborréia idiopática ou necrose epidérmica. Pode ser secundária em uma variedade de doenças de pele. A alopecia primária pode ser provocada por distúrbio endócrino (poucos pêlos na fase anagênica, por estar formando pouco pelo), displasia. Ou pela alopecia secundária que se dá devido ao prurido, inflamações, infecções. Hiperpigmentação: pode ser primária em dermatoses endócrinas ou secundária por inflamação. Comedão: É quando a produção de matéria sebácea, em glândula excretora da pele, forma uma superfície dura de sebo dessecado. LESÕES SECUNDÁRIAS Fissura: pode ser apenas hiperqueratose por seborréia no nariz, cinomose, leishmaniose. Cicatriz Necrose e escara: pode ocorrer em casos de farmacodermia. Colarete: pústula que estourou. Mais provável infecção bacteriana. Ulceração: Liquenificação: doenças crônicas pruriginosas, pode ser por fricção, infecção, malassezia. Espessamento de pele com rachaduras. Pode passar algo que acelere a remodelação da pele (peroxydex- Peróxido de Benzoíla), porém avisar ao tutor que irá descamar para nascer outra (caso contrário, o tutor pode achar que está piorando o problema e parar o tratamento). EXAMES LABORATORIAIS 1-Exame direto dos pêlos e pele: Apesar das alopecias estarem mais intimamente ligadas às endocrinopatias, qualquer doença em que ocorra patologia folicular ou auto trauma pode gerar a alopecia. O hipotiroidismo e hiperadrenocorticismo, são doenças que apresentam sinais alopécicos de distribuição simétrica em ambos os lados. 2-Diascopia: procedimento para diferenciar alterações eritematosas da pele. 3-Exame de material escovado da pelagem: teste simples para detecção de fezes de pulga na pelagem. Irá colocar o animal sob um pano branco para escovar seus pêlos com um pente fino, fazendo os debris e sujidades caírem sobre o pano. Ao colocar algo úmido nas sujidades,se aparecer manchas de sangue o teste é positivo para fezes de pulga. 4-Tricograma: Fornece informações sobre a raiz, haste e ponta dos pêlos. Arranca a amostra de pêlo com pinça, sendo fixada com fita adesiva e colocada em lâmina de vidro. O exame microscópico é para identificação de ácaros, cascas de ovos ou aderÊncias, avaliação das relações anágeno/telógeno.Nos casos de alopecia felina quando não se sabe o motivo pela perda de pêlo (auto mutilação ou por patologia), avalia-se a extremidade distal da haste pilosa, na mutilação a ponta frequentemente está partida ou fraturada, enquanto que se for patológico pode-se encontrar grânulos de melanina anormalmente grandes e esparsamente distribuídos. 5-Coleta com fita adesiva: coleta direta de amostras de pelagem da superfície da pele. Na microscopia permite a identificação de descamações, ectoparasitos, bactérias e fungos. 6-Raspado de pele: Deve-se evitar áreas de crostas espessas e exsudatos. Raspados superficiais são indicados para Cheyletiella spp. e raspados mais profundos nas suspeitas de Sarcoptes Scabiei ou Demodex. 7.Citologia por impressão e aspiração: ambas as técnicas coletam amostras de células. Os de impressão são usados para coleta de amostras em erosões, úlceras e fístulas. A citologia por aspiração serve para coletar amostras no interior de pústulas e vesículas. 8-Amostra do canal auditivo externo: A amostra é coletada com swab de algodão, girado e retirado do conduto auditivo. O swab é esfregado em lâmina de vidroe secado ao ar. 9-Coleta de amostra para cultura fúngica: Retira pêlos em excesso da periferia da lesão a fim de evitar contaminação. Pode-se utilizar lâmpada de wood a fim de observar se é alguma linhagem de Microsporum canis que exiba fluorescência. A seleção de pêlos fluorescentes aumentará a possibilidade de uma cultura fúngica positiva. 10-Coleta de amostras para bactérias: Abre pústulas com agulha estéril coletando o pus. 11-Teste cutâneo intradérmico: utilizado na demonstração da presença de IgE alérgeno-específico nos mastócitos no local da injeção intradérmica. Normalmente usado nos casos de atopia para identificar partículas que os animais tem alergia (poeira, extrato de insetos, pólen) DERMATITES BACTERIANAS Dermatite de dobras cutâneas (intertrigo, piodermatite das dobras cutâneas): ocorre muito em animais da raça sharpei, Animal geralmente apresenta odor, eritema, seborréia e prurido (nem sempre). Diagnósticos diferenciais incluem, piodermatite superficial, demodicose, dermatofitose e malassezia. Tratamento é diminuir peso, e umidade do local, extirpação cirúrgica do excesso de dobras, tratar o que é secundário, xampu (clorexidina-possui ação residual longa, peróxido de benzoíla 2,5-3%), gel de acetato de alumínio, permanganato de potássio (utilizar para secar as dobras dos animais. Piodermatite mucocutânea: infecção bacteriana localizada em junções mucocutâneas, é rara. Lesões de edema, eritema e crostas mucocutâneas, as quais podem ser bilaterais e simétricas Dermatite piotraumática (dermatite úmida aguda, eczema úmido): secundária a automutilação, normalmente é um problema sazonal que ocorre em condições de clima quente e úmido. As principais causas são a parasitarias (dipillidium), hipersensibilidade, doença do saco anal, otite externa, foliculite, trauma, dermatite de contato. Nota-se prurido agudo, área de eritema que amplia, alopecia, transudato. Na citologia nota-se inflamação supurativa com diversas bactérias. Diagnóstico diferencial para demodicose, dermatofitose e piodermatite superficial. Tratamento, realizar tricotomia, acetato de alumínio 5% BID ou TID/ 7 dias de uso tópico, analgésico, solução corticosteróide BID ou TID/ 5 a 10 dias ou prednisona 0,5-1 mg/kg/SID 5-10 dias. Animais que têm problemas oculares como o glaucoma, não coçam o olho pois dói, então acaba coçando região de pescoço, podendo causar essas lesões. Impetigo (dermatite pustular superficial): infecção bacteriana superficial de pele glabra associada a doença predisponente, comum em cães jovens, antes da puberdade. Nota-se pápulas, pústulas não foliculares e pequenas crostas limitadas à pele das regiões inguinal e axilar. O tratamento consiste em limpeza das áreas atingidas, com xampu anti bacteriano contendo clorexidina, etil-lactato ou peróxido de benzoil (se precisar, quanto mais superficial a infecção, menos antibiótico), caso o uso de antibióticos tópicos não reduza lesões, administrar antibióticos sistêmicos de 2-3 semanas. Piodermatite superficial (foliculite bacteriana superficial): infecção que atinge folículos pilosos e a epiderme adjacente. Geralmente secundária com áreas focais, multifocais ou generalizadas, conteúdo pápulas,pústulas, escamas, crostas. Diagnósticos diferenciais, demodicose, dermatofitose e pênfigo foliáceo. Na citologia nota-se cocos bacterianos, cultura bacteriana (staphylococcus), histopatologia da pele. Deve administrar antibióticos sistêmicos (3-4 semanas), mantendo a medicação por mais uma semana após cura completa, banhos simultâneos com xampu antibacteriano. Piodermatite do queixo (acne canina): Traumatismo no queixo comum em cães grandes e pêlos curtos, especialmente jovens (3-12 meses de idade). Geralmente se dá por lesões devido a umidade após o animal beber água, ou sensibilidade a materiais como alumínio, plástico, etc. O tratamento casos discretos: limpar com xampu peróxido de benzoil e aplicar unguento ou creme de mupirocina ou gel de peróxido de benzoil a cada 24 horas até cura das lesões → manutenção com intervalos de 3-7 dias. Casos moderados a graves: tratamento tópico + antibiótico sistêmico (4-6 semanas) mantendo por mais 2 semanas após cura clínica. Pododermatite bacteriana: dermatite profunda localizada nos membros, quase sempre secundária. O tratamento se baseia em antibióticos sistêmicos (8-12 semanas, mantendo por 2 semanas após melhora clínica), imersão diária das patas em solução de clorexidina 0,0025%, ou sulfato de magnésio (30mg/L de água) ou solução de iodopovidona 0,4% durante 10-15 min por 5-7 dias Piodermatite profunda: geralmente se dá em consequência da dermatite superficial crônica. Deve-se identificar a causa primária, realizar tricotomia e limpeza do local e realizar limpeza com solução antisséptica. Tratamento: identificar causa primária → tricotomia e limpeza da região (clorexidina, acetato de alumínio…) → antibióticos sistêmicos 6-8 semanas por mais 2 semanas após melhora clínica. Abscesso subcutâneo: quando as bactérias presentes na boca são inoculadas na pele/pêlos, ocorre edema, abscesso, dor. O ideal é realizar lavagem do abscesso com solução de clorexidina 0,0025%-->, não fechar nem usar pomada na região para não impedir que o exsudato fique preso → Administração de antibióticos sistêmicos como amoxilina com clavulanato ou clindamicina durante 7-10 dias ou até remissão dos sintomas. MICOSES CUTÂNEAS 1.DERMATOFITOSE Infecção dos pêlos e estrato córneo causado por fungos ceratinofílicos (Microsporum, Trichophyton). A lesão pode ser localizada, multifocal ou generalizada. As lesões se manifestam como áreas circulares de alopecia, irregular ou difusa, com graus de descamação. A condição de assintomático é comum em gatos, principalmente de pelos longos. O fungo não manifesta coceira, o que causa é a infecção secundária. O diagnóstico feito com luz ultravioleta (lâmpada de Wood), apresenta amarelo-esverdeado. Microscopia de pêlos ou escamas (tricograma) em solução de hidróxido de potássio. Histopatologia (último caso) da pele e cultura fúngica. Tratamento lesão local: tricotomía→ antifúngico tópico a cada 12 horas (Unguento de clorexidina 1%; creme de enilconazol 2%, creme de cetoconazol 2%, creme de miconazol 1-2%). → Soluções para banho (clorexidina 0,05%; enilconazol 0,2%; óxido de enxofre 2%; iodopovidona 0,4%) 1-2 vezes por semana por 4-6 semanas. Os gatos geralmente não respondem apenas a tratamento tópico, tendo que usar tratamento sistêmico → (griseofulvina microsize 50mg/kg/dia junto a alimento gorduroso. Griseofulvina ultramicrosize 5-10 mg/kg/dia com alimento gorduroso. Cetoconazol 10mg/kg/SID. Itraconazol 10mg/kg/24h). Deve dar antifúngicos com alimentos (sachês, patÊs, pois potencializa remédio) 2.MALASSEZÍASE Fungo normalmente encontrado em pequena quantidade nos condutos auriculares externos, e outras regiões do corpo. Instala-se essa dermatite quando o fungo tem a chance de se proliferar como aumento de umidade, ou doença primária. Se apresenta com prurido moderado a intenso, alopecia focal ou generalizada, escoriação, eritema e seborréia. Nos casos crônicos, observa-se liquenificação, hiperpigmentação e hiperceratose. Em geral, possui odor corporal. O diagnóstico é realizado por citologia (fita adesiva, imprint), cultura fúngica, histopatologia. O tratamento é identificar e controlar a causa primária. Casos leves se faz uso tópico de xampu contendo cetoconazol 2% (cães), clorexidina 2%-4%, miconazol 2% em intervalos de 2-3 dias podendo após o banho aplicar óxido de enxofre 2%, mantendo o tratamento até 1 mês depois da cura das lesões. Em casos graves-moderados o tratamento indicado é o cetoconazol VO 5-10 mg/kg com alimentos podendo ser BID/SID ou itraconazol 5-10 mg/kg/VO com alimento SID/BID. 3.ESPOROTRICOSE Fungo causado por Sporothrix schenkii. A infecção ocorre quando o microrganismo penetra no tecido por meio de ferida penetrante. Em cães é caracterizado por lesões cutâneas com múltiplos nódulos, indolores, não pruriginosos e firmes que podem ulcerar e drenar exsudato. São mais comuns encontradasna região de cabeça, tronco e extremidades distais. Em gatos pode incluir lesões que não cicatrizam, abcessos, nódulos, ulcerações. O diagnóstico pode ser feito por citologia apresentando fungos intra e extracelulares com formato redondo oval e de charuto. Histopatologia de pele, Imunofluorescência para detecção de antígenos, cultura fúngica. Tratamento: longo e só deve parar após um mês de melhora clínica. Em cães geralmente utiliza iodeto de potássio supersaturado 40mg/kg VO com alimento em intervalos de 8 horas.Outras alternativas: cetoconazol 5-15 mg/kg/12h VO. Itraconazol 5-10 mg/kg, VO, SID/BID Para gatos, o de escolha é o itraconazol 5-10 mg/kg VO com alimento SID ou BID. 4.CRIPTOCOCOSE A doença ocorre caso os organismos inalados estabeleçam uma infecção na cavidade nasal, seios paranasais ou pulmão. Em gatos o TRS é mais comumente acometido com espirros, catarro, secreção nasal, massas nasais, edema subcutâneo. A lesão se caracteriza por pápulas e nódulos indoloros múltiplos que podem ulcerar. Em cães normalmente envolve doenças neurológicas, verificando úlceras no nariz, lábios, cavidade oral ou ao redor das unhas. Diagnóstico: citologia apresenta leveduras de parede fina e base estreita, com germinação envolvidas por cápsulas refratárias e claras de tamanhos variados. Histopatologia, Sorologia e Cultura fúngica. Tratamento: Quando possível realizar a extirpação cirúrgica. Administrar tratamento sistêmico, mantendo por um mês após melhorar dos sinais e até o que título de antígeno seja negativo. Itraconazol 5-10 mg/kg, VO com alimento em intervalos de 12-24 horas ou 5-15 mg/kg VO de fluconazol a cada 12-24 horas. O Cetoconazol em gatos pode ser realizado 5-10 mg/kg VO com alimento em 12-24 horas. DERMATITES PARASITÁRIAS 1.CARRAPATOS IXODÍDEOS Os principais sinais podem variar desde assintomáticos, a nódulos inflamados, sinais de doenças transmitidas pelos carrapatos. O tratamento deve ser realizado tanto no ambiente (K-Othrine) + sistêmico (fipronil) 2.DEMODICOSE CANINA LOCALIZADA Lesões se instalam quando tem excessiva demodex canis, geralmente associado a um fator primário. Nota-se áreas de alopecia localizadas em graus variáveis, eritema, hiperpigmentação e descamação. O diagnóstico é baseado em microscopia por raspado cutâneo profundo. Tratamento: identificar fator primário → tratamento tópico (xampu ou creme de peróxido de benzoil 2,5-3%) em intervalos de 24 horas → tratamento tópico alternativo com amitraz 0,03 a 0,05% SID. Deve manter tratamento até que o raspado seja negativo. 3.DEMODICOSE CANINA GENERALIZADA Identificar e corrigir a doença primária, castrar animais para não predispor recidivas, castrar os animais. Tratamento: -Piodermatite secundária com antibiótico sistêmico por (3-4 semanas, mantendo por 1 semana após a cura clínica). -Acaricida: tosa do pêlo → banho semanal com xampu de peróxido de benzoil 2,5-3% seguido de aplicação corporal de amitraz 0,025 a 0,05%. -Pododermatite demodécica: banhos semanais + banhar patas em solução de amitraz 0,125% em intervalo de 1-3 dias. -Tratamento alternativo: 0,6 mg de ivermectina / kg/VO 24h é frequentemente eficaz no tratamento de demodicose generalizada. Administra-se 0,lmg/ kg/ VO de ivermectina no primeiro dia e 0,2mg/ kg/ VO no segundo dia, continuando com aumentos diários de O,lmg/ kg até alcançar a dose de O,6mg/ kg/ dia, desde que não ocorra intoxicação. Outro tratamento alternativo é com milbemicina 2 mg/kg/SID/ VO. 4.DEMODICOSE FELINA Causada por sarna demodécica, os casos generalizados geralmente estão associados à imunossupressão. O diagnóstico também é realizado por microscopia. O tratamento para lesões localizadas consiste em identificar e corrigir a causa primária, que a própria lesão some com o tempo. Lesão localizada: Rotenona (Canex), ou solução de amitraz 0,025% em intervalos de 24 horas. Lesões generalizadas: solução de sulfeto de cálcio 2% aplicado por todo o corpo em intervalos de 7 dias, ou solução de amitraz 0,015-0,025% (não utilizar em diabéticos). Manter tratamento até cura das lesões e raspado negativo. 5.ESCABIOSE CANINA: Causado por sarna sarcóptica que provoca escavação superficial da pele. O parasito produz substâncias alergênicas causando reações de hipersensibilidade. O animal apresenta prurido intenso, não sazonal, que responde discretamente ao tratamento com corticosteróide. Cães muito afetados podem apresentar intensa descamação e crostas. A microscopia nos dá o diagnóstico através do raspado de pele superficial, podendo se apresentar um falso-negativo por dificuldade em encontrar a sarna. Tratamento: banho com xampuanti-seborréico para remover crostas em intervalos de 7 dias por no mínimo 5 semanas. Os produtos tópicos devem incluir: solução de sulfato de cálcio 2-3%; organoclorados; organofosforados. Tratamento alternativos: selamectina 6-12 mg/kg com intervalos de 1 mês. Solução de amitraz 0,025%, Fipronil Spray 6ml/Kg em intervalos de 2 semanas. Ivermectina 0,2-0,4 mg/kg SC 2-3 injeções a cada 2 semanas ou 3-4 doses VO, em intervalos de 1 semana. Para prurido intenso pode administrar VO prednisona 0,5-1 mg/kg/SID durante 2-5 dias de tratamento. 6.ESCABIOSE FELINA: É a sarna notoédrica, causada por Notoedres cati. As lesões apresentam prurido intenso, ressecamento e crostas em região de cabeça e orelhas. Diagnóstico: realizado por microscopia (raspado de pele superficial) Tratamento: tosa e banho com xampu anti-seborréico→ seguido de aplicação de sulfeto de cálcio 2-3% por todo o corpo em intervalo de 7 dias Tratamento alternativo:Doramectina 0,2-0,3 mg/kg SC. Ivermectina duas doses de 0,2-0,3 mg/kg, VO ou SC em intervalos de 2 semanas. Solução de amitraz 0,015% a 0,025%. 7.MIÍASE Infestações de animais vivos com larvas de moscas dípteras. As lesões consistem de úlceras de formato crateriforme a irregular. Diagnóstico realizado pela visualização das larvas. Deve-se realizar tricotomia, limpeza e remoção das larvas. Aplicação tópica cuidadosa de piretrina ou piretróide para larvas remanescentes (cuidado com a dose em animais debilitados]) REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE Hipersensibilidade tipo I: Animal tem uma predisposição genética, que ao entrar em contato com antígeno responde produzindo anticorpos IgE. O anticorpo produz mastócitos teciduais e basófilos sanguíneos → gera degranulação/mediadores inflamatórios → lesão tecidual. Os sintomas são: produção de muco; aumento da permeabilidade vascular; edema; broncoconstrição; prurido e rash; bem como anafilaxia sistêmica. O diagnóstico definitivo é laboratorial, pela avaliação da presença IgE total, ou em testes cutâneos. O tratamento é baseado em anti-histamínicos esteroides e não-esteróides. Ex.: urticária e angioedema, atopia em cães, hipersensibilidade alimentar em cães, dermatite alérgica a pulga, hipersensibilidade alimentar em gatos, hipersensibilidade a picada de mosquitos, dermatite de contato, furunculose eosinofílica da face Hipersensibilidade imediata de fase tardia: ocorre quando o animal é exposto, e após determinado tempo, começa a mostrar sensibilidade. Reações de hipersensibilidade tipo 2: Animal é exposto a antígeno, produzindo IgG e IgM provocando citotoxicidade ou citólise. Nesses casos ocorrem lesões. Reações de hipersensibilidade tipo III: A interação antígeno anticorpo atrai neutrófilos, que liberam enzimas proteolíticas e hidrolíticas causando lesão tecidual. Reações de hipersensibilidade tipo IV: animal entra em contato com antígeno → células de langerhans digerem o antígeno → processam ativando linfócitos T que irão produzir linfocinas causando lesão tecidual. A reações de 1-3 são imediatas de curto tempo produzem anticorpos. Já a do tipo IV é tardia, não é mediada por anticorpos e demora de 24-72 horas para o aparecimento de lesões. 1-URTICÁRIA E ANGIOEDEMA: Reações de hipersensibilidade cutânea a estímulos imunológicos e não imunológicos (drogas, vacinas, bacterianas, alimentos, etc). Incomum em cães e gatos, normalmente agudo, com formação de placas e prurido variável (urticária) ou grandes tumefaçõesedematosas (angioedema), em geral ocorre mais na região da cabeça enquanto a urticária é generalizada. Tratamento: administrar dose única de 2mg/kg VO IM de prednisona ou prednisolona. Administração simultânea de 2 mg/kg/ 8h VO IM de difenidramina por 2-3 dias ou PROMETAZINA. Em casos de dispnéia administrar dose única de 01,-0,5 ml epinefrina (1:1.000), SC/IM ou IV. 2.ATOPIA Dermatite alérgica por inalação, corresponde a uma hipersensibilidade do tipo 1. É comum em cães com início de 3 meses a 7 anos de idade, surgindo os sintomas normalmente entre 1-3 anos de idade. Os sintomas iniciam com eritema, prurido cutâneo, podendo ser sazonais. Normalmente o prurido acomete patas, flancos, virilha, axilas, face e ou orelhas. A piodermatite secundário e otite por malassezia são comuns. *Por ordem epidemiológica, o mais comum é ocorrer DAPE, atopia e alimentar, porém inverte a alimentação porque a atopia é mais difícil de diagnosticar. O diagnóstico é feito por eliminação das principais hipersensibilidades, teste alérgicos. No tratamento, deve-se retirar exposição a alérgenos, utilizar filtro de ar ou carvão para reduzir pólen, mofo e poeira na casa. Tratar infecções secundárias, estabelecer programa para controle de pulga (75% dos cães atópicos tem alergia a picada de pulga), controle do prurido, suplementos orais de ácidos graxos ajudam a controlar prurido produzindo efeito em 3-4 semanas (ocorre efeito sinérgico quando associado a glicocorticóides ou anti-histamínicos). Só se utiliza o antipruriginoso quando o animal está se mutilando, pois o seu uso pode atrapalhar o diagnóstico ou esconder. Vacina de dessensibilização (clemastina). Critérios de Farvot: Ter 3 anos de idade; Cão domiciliado; melhora com glicocorticóides; Prurido primário; Extremidades distais dos membros torácicos; Condutos auditivos com patologias; Pinas não afetadas (pontas de orelhas); Região dorsolombar afetada. Caso o animal apresente 5 desses, tem 90% de chance de ser atópico. 3.HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR Reação imunomediada a um alimento ou aditivo alimentar. Pode ocorrer em qualquer idade e é mais comum em cães. Ocorre prurido não sazonal, sendo localizado ou generalizado normalmente atinge orelhas, membros, região inguinal e axilar, face, pescoço. A pele geralmente apresenta eritema, podendo ocorrer erupção papular, o animal pode se automutilar e predispor a infecções secundárias (fúngicas/bacterianas). Diagnóstico se faz por excluir os diferenciais e história clínica. Troca de alimentação por uma hipoalergênica ou comida caseira, de modo que não tenha nutrientes antes ofertados, os sintomas melhoram podendo durar 10-12 semanas. Após a melhora, faz teste de desafio, reintroduz o alérgeno e dentro de 7-10 dias, o animal volta a ter alergia. Animais com parasitos intestinais podem piorar a sintomatologia. Tratamento consiste em eliminar ectoparasitos do animal e ambiente, tratar infecções secundárias (cefalexina/ itraconazol), evitar alérgenos dietéticos. Podendo em alguns casos como alternativa utilizar glicocorticóides, anti-histamínicos, ácidos graxos e medicação tópica (xampus de banho). 4.DERMATITE ALÉRGICA À PICADA DE PULGA OTITE *Demodex se manifesta em folículo piloso, podendo causar infecção bacteriana secundária ocorrendo foliculite. *Não utilizar pomadas em locais que têm chance de sair pus, a pomada impermeabiliza a pele, e impede a saída do pus podendo ocorrer infecção sistêmica. *Doxiciclina para micoplasma não cura, melhora o estado do animal. Por isso, é interessante associar outro antibiótico (marbofloxacina) *se não tem pus e já ta vendo tecido de granulação, não precisa mais de antibiótico oral *a medida q a infecção se aprofunda, a clorexidina tem q ter menor concentração por ser citotóxica