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Conjunto de técnicas e procedimentos que utilizamos para fazer crescer o microrganismo em laboratório (cultivo), isolá-los um dos outros e definir as características dos mesmos. Fazemos isso porque quando é coletada uma amostra ela é polimicrobiana. Isso faz parte de um processo maior que seria o diagnóstico da doença que está acometendo o paciente, juntamente com os sinais e sintomas que o mesmo apresenta. Nos ambientes naturais, os microrganismos são geralmente encontrados na forma de comunidade microbianas (mistura de população). Estão presentes em ambiente aquático, na terra, na cavidade oral... Giovanna Lopes Fotomicrografia microbiana aquática (cocos, bacilos...) Se uma amostra tem contato com o meio externo provavelmente ela tem mais de uma espécie de microrganismo. Já amostras de órgãos internos (isolados) são isentas de microrganismos. Se, nesses casos, forem encontrados algum microrganismo, este é um possível caso de infecção. A microbiota presente naturalmente em tecidos e órgãos (pele, vagina, cavidade oral, cavidade nasal = MICROBIOTA NORMAL/NATURAL/INDÍGENA = primeira linha de defesa do organismo onde estão presentes, impedindo que substâncias nocivas entrem em contato com o corpo. MEIO DE CULTURA (na Placa de Petri) = gel onde se coloca nutrientes que favorecem o crescimento desses microrganismos. Neste gel é possível observar as COLÔNIAS (massas celulares advindas de uma célula precursora chamada de UNIDADE FORMADORA DE COLÔNIAS). Essas colônias são milhões de células que crescem juntas e se tornam visíveis a olho nu. Para serem estudadas, é necessário que as espécies sejam separadas – uma para cada Placa (isoladas). Se não forem separadas, não é possível estudar as características morfológicas, nem genéticas, nem fisiológicas de cada uma. Partimos de uma CULTURA MISTA, fazemos o ISOLAMENTO e chegamos em uma CULTURA PURA. A partir daí é feito a CARACTERIZAÇÃO (determinação de diversas características morfológicas, genéticas...) para, por fim, fazer a IDENTIFICAÇÃO. A CULTURA PURA é a cultura celular onde todas as células são idênticas por toda a Placa de Petri. Na CULTURA MISTA existem células muito diferentes e de diferentes espécies. Para se estudarem as propriedades de um microrganismo em particular, deve-se primeiramente isolá-lo em uma CULTURA PURA no laboratório. Para continuar o estudo em laboratório, o primeiro passo é o ISOLAMENTO (obtenção de culturas puras) e depois a CARACTERIZAÇÃO (determinação das características morfológicas, fisiológicas e genéticas do organismo isolado). Essas etapas são necessárias para a IDENTIFICAÇÃO do microrganismo, que é o objetivo final de tudo isso. Para isso, precisamos fazer CRESCER esse organismo antes de caracterizar. Para crescer, precisamos entender que existem os fatores QUÍMICOS (nutrientes), fatores FÍSICOS (ambientais) e os MEIOS DE CULTURA (veículos onde coloco os fatores químicos e onde posso ajustar os fatores físicos). Existem alguns microrganismos que não são passíveis de cultivo em laboratório (em torno de 50% dos que colonizam o ser humano, em razão de existirem interações entre a microbiota que é impossível de serem replicadas em laboratório = um microrganismo contribui pro crescimento um do outro, cadeia metabólica). Nos casos dos microrganismos ambientais, estima-se que nem 10% deles são passíveis de cultivo em laboratório. FATORES QUE INFLUENCIAM O CRESCIMENTO BACTERIANO: FATORES NUTRICIONAIS (QUÍMICOS): MACRONUTRIENTES: são elementos necessários em grandes quantidades, podendo ser componentes orgânicos (C, H, O, N, P, S) ou metais (K, Mg, Na, Ca, Fe) MICRONUTRIENTES: são elementos traços ou oligoelementos necessários em pequenas quantidades e são metais (Cr, Co, Cu, Mn, Mo, Ni, Se, W, V, Zn) FATORES DE CRESCIMENTO: são apenas compostos orgânicos necessários em pequenas quantidades (vitaminas, aminoácidos, purinas e pirimidinas) FATORES AMBIENTAIS (FÍSICOS): são fatores ambientais fornecidos ou ajustados aos microrganismos através de equipamentos, como uma incubadora. No entanto, existem alguns fatores que dá pra ajustar no próprio meio de cultura, como o pH. Temperatura; Tensão de oxigênio e demais gases; pH; Pressão osmótica (salinidade); Incubadora de Anaerobiose (é colocado os microrganismos em condições específicas para o crescimento ajustando a pressão parcial de gases, colocando CO2, N, reduzindo O2, favorecendo o crescimento de microrganismos anaeróbicos). Nesse momento não é necessário uso de luva pois estes meios de cultura estão totalmente estéreis. TEMPERATURA: é um requisito físico importante para o crescimento dos microrganismos, os quais são classificados em 4 grandes grupos quanto à faixa de temperatura de crescimento. Cada espécie cresce em uma temperatura mínima, ótima e máxima. PSICRÓFILOS: crescem em baixas temperaturas (-15 a 20ºC): ambientes abissais marinhos, alpinos e polares. MESÓFILOS: crescem em temperaturas moderadas (20 a 45 ºC): microrganismos utilizados em biotecnologia e patógenos animais e humanos. São as bactérias de maior interesse para a área médica. TERMÓFILOS: crescem em temperaturas elevadas (45 a 60ºC): fontes hidrotermais. HIPERTERMÓFILOS: crescem em temperaturas extremamente elevadas (60 a 122ºC): geisers e correntes hidrotérmicas profundas. Os hipertermófilos são microrganismos chamados de ARCHEAS (muito parecidos com bactérias) e crescem sempre em ambientes extremos (seja de temperatura, pressão, salinidade...). Este microrganismo é capaz de sobreviver aos processos de esterilização (autoclavagem), mas não é preocupante durante a rotina clínica em razão de habitar lugares profundos e por não causarem doenças aos humanos. Também não se preocupam com os príons (proteínas infecciosas), já que também sobrevivem à autoclavagem, apenas em casos de pandemias. TEMPERATURA MÍNIMA DE CRESCIMENTO: Menor temperatura em que as células se dividem; TEMPERATURA ÓTIMA DE CRESCIMENTO: Temperatura em que as células se dividem mais rapidamente (tempo de geração mais curto) TEMPERATURA MÁXIMA DE CRESCIMENTO: Temperatura mais alta em que as células se dividem. SALINIDADE (Na+): Classificação em termos de concentração de íons Na+ (sódio) = Halófilos/Halotolerantes (tolerantes ao sódio) NÃO HALÓFILOS: crescem na presença de concentrações de sal abaixo de 1,8% (concentração em % significa gramas de sódio por 100ml de solução) HALÓFILOS LEVES: crescem na presença de concentrações de sal entre 1,8 e 4,7% (água do mar = 3,5%) HALÓFILOS MODERADOS: crescem na presença de concentrações de sal entre 4,7 e 20%. HALÓFILOS EXTREMOS: crescem na presença de concentrações de sal entre 20 e 30%. INFLUÊNCIA DA PRESSÃO OSMÓTICA CONCENTRAÇÃO DE Na+: A. ISOTÔNICA: concentração de sódio no meio é igual à concentração de sódio na célula, ocorre o processo onde a quantidade de água que entra na célula é igual à quantidade de água que sai da célula. Taxa de osmose igual para ambas. Não há alteração de volume em nenhum. B. HIPOTÔNICA: concentração de sódio é menor no meio e é maior na célula. Assim, a taxa de água que entra na célula é maior do que a que sai da célula, ocorrendo a turgescência da célula, seguida da citólise (rompimento da célula). No caso da bactéria, a parede externa é protegida pela parede celular, então mesmo no caso hipotônico, essa parede impede com que haja a turgescência da bactéria, evitando também o processo de citólise. C. HIPERTÔNICA: concentração de sódio é maior no meio e é menor na célula. Assim, a taxa de água que sai da célula é maior do que a que sai da célula, deixando a mesma murcha, processo que chamamos de plasmólise (é como se a membrana celular se soltasse da parede). Tanto no caso dos microrganismos alcalifílicos quanto dos acidófilos, o pH intracelular permanece próximo ao neutro (7).Portanto, existem mecanismos de regulação que conseguem manter o pH próximos da neutralidade, como as bombas de prótons, potenciais de membranas citoplasmáticas invertidos, membranas altamente impermeáveis e uma alta predominância de transportadores secundários.