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Aula 01 e 02 - Gastroenterites Bacterianas: A gastroenterite aguda é evacuações líquidas ou semilíquidas, várias vezes aos dias, que podem estar acompanhadas de febre, vômitos e desidratação. Por origem viral (rotavírus, adenovírus - manifestação no TRS), bacteriana, protozoários ou helmintos. A gastroenterite crônica pode evoluir com síndromes de má-absorção, doença celíaca, intolerância à lactose ou as proteínas do leite de vaca; podendo levar a uma situação de desnutrição. Tipos de comprometimento do TGI: - Osmótica → retenção de líquidos dentro do lúmen intestinal devido à presença de solutos osmoticamente ativos não absorvidos → carreiam a água para dentro da alça intestinal (Rotavírus). - Secretora → liberação de enterotoxinas que bloqueiam o transporte ativo de água e eletrólitos, com aumento das secreção intestinal, principalmente de cloretos e bicarbonato (E. coli enterotoxigênica). - Invasora → ocorre lesão das células epiteliais do intestino, o que impede a absorção de nutrientes. A mucosa invadida produz substâncias que estimulam a secreção de eletrólitos para o lúmem intestinal (histamina). Pode ocorrer a presença de muco e sangue nas fezes (Salmonella e Shiguella). - Pode ocorrer a presença de sintomas sistêmicos, com a invasão bacteriana e disseminação hematogênica (E. coli enterroinvasora e Salmonella). Complicações das gastroenterites: Choque hipovolêmico / Perda acentuada de eletrólitos / Síndrome Hemolítica Urêmica / Sepse. Características associadas às diarreias: a maioria dos casos são autolimitados (de acordo com o microrganismo envolvido); alguns microrganismos têm o potencial patogênico de invasão sistêmica (como sangue nas fezes); a reidratação oral é de extrema importância (evitar desequilíbrio eletrolítico). Prevenção: saneamento básico, tratamento de água e esgoto; evitar o consumo de carne crua ou malcozida, incluindo a carne de peixes e aves cuidado com derivados de maionese ou ovos e verduras e frutas mal lavadas; cuidado com águas contaminadas e com as mãos (podem gerar resistência aos antimicrobianos). Imunidade de mucosa: Ana Carolina R. Gualdi - Turma IX Aula 01 e 02 - Gastroenterites Bacterianas: - Cuidado com as toxinas → podem sobreviver a acidez estomacal. GALT → presença de microvilosidades; mucosa; submucosa (vasos sanguíneos); cápsula de tecido muscular. Não há espaço entre os enterócitos para proteger eles. - FAE (é uma região) → Área de Tecido Linfóide Organizado abaixo do Epitélio Folicular Associado → células M e Placa de Peyer (funciona como um linfonodo). - Células de Paneth → secretam peptídeos antimicrobianos no lúmen intestinal (alfa e beta defensinas + catelicidinas e mucina). 1) Funções / Imunidade de Barreira: Camada de células epiteliais altamente organizadas + conteúdo do lúmen intestinal (peptídeos antimicrobianos solúveis, macromoléculas, eletrólitos e microbiota). Junções oclusivas entre os enterócitos: barreira virtualmente impermeável (inata e impermeável a microorganismos) → ocludinas e claudinas e manutenção da polarizada das células. Camada de glicocálice e muco (constantemente secretado pelas células caliciformes). Peptídeos antimicrobianos (impedir infecções e manter a população da microbiota do TGI: α e ẞ - defensinas, mucinas, catelicidina) → secreção é contínua. 2) Estrutura placa de Peyer: Anatomia e histologia semelhante à outros tecidos linfóides secundários ou nódulos linfáticos. Localizadas na FAE (Epitélio Folicular Associado) → linfócitos intraepiteliais (TCD8+). Entre o Folículo Linfóide e FAE → camada subepitelial. Divisão em 3 grandes áreas: 1) Área de captura de antígeno: rica em células dendríticas e macrófagos; 2) Zona de células T; 3) Zona de células B (no centro germinativo (GC) onde ocorre interação entre APCs e LT e LB. Ativação de células imunes: LT e expansão de LB → produção de IgA de alta e indução de resposta de células T de memória. - A produção de IgA é intermitente, acontece a todo momento, sem ter ou não alimento. Funciona como linfonodo para ter resposta mais rápida, prontas porque já tem os linfócitos B e T (caminho mais curto): Ana Carolina R. Gualdi - Turma IX Aula 01 e 02 - Gastroenterites Bacterianas: 3) Células M: São distribuídas ao longo do tecido epitelial e após o início do reconhecimento do antígeno → aumentam em número. São morfologicamente diferentes (menores - aumenta a capacidade de captação de antígenos) para maximizar o reconhecimento dos antígenos e translocar os antígenos para as APCs → São consideradas as células iniciadoras da RI do TGI. O contato com o antígeno pode ser via célula M ou pelas células dendríticas na camada subepitelial podem formar longos dendritos para capturar diretamente o antígeno → linfócitos T e linfócitos B estão logo abaixo, ativando-os, logo após das APCs. 2 + 3) Placa de Peyer + células M: Divisão em 3 grandes áreas: 1) Área de captura de antígeno: rica em células dendríticas e macrófagos; 2) Zona de células T; 3) Zona de células B (no centro germinativo (GC) onde ocorre interação entre APCs e LT e LB. Ativação e proliferação → Sítio de indução → início da resposta imunológica (Placas de Peyer). Migração e atuação → Sítio efetor na Lâmina Própria. Após a ativação, DCs migram do FAE para a região interfolicular e apresentar antígeno para células Th. Alternativamente, eles migram para centros germinativos dentro das regiões foliculares da Placa de Peyer e apresentar antígeno para células B. 4) Participação das células de defesa: Células Dendríticas da Lâmina Própria: são capazes de induzir a tolerância imunológica e detectar/ diferenciar os PAMPs via Toll Like Receptor. Células Dendríticas ativadas → Placa Peyer ou órgãos linfoides. Linfócitos intraepiteliais: sentinelas e são diversas populações de LT circulantes para uma resposta imune precoce. São oligoclonais, com potencial para reconhecer vários antígenos (PAMPs e DAMPs) e sinalizar para o reparo do tecido. Diferenciação dos LB ocorre dentro dos centros germinativos na Placa de Peyer → IgA. NK: são as produtoras iniciais de citocinas e participam da resposta imune mediada pelo Th1 ou Th2. - Depende da dieta da pessoa; Enterobactérias: Bacilos gram-negativos; 40 gêneros e 170 espécies; Ana Carolina R. Gualdi - Turma IX Aula 01 e 02 - Gastroenterites Bacterianas: A maioria habita os intestinos do homem e dos animais; constituem a principal causa de infecção intestinal. Possui um ciclo de transmissão fecal-oral: - Disseminação por vetores mecânicos. Salmonella spp.: Bacilos Gram negativos, extremamente móveis por flagelos peritríqueos, produzem catalase e sulfeto de hidrogênio (H2S). Produzem sintomas que vão desde intoxicação alimentar leve (gastroenterite) para a febre tifóide fatal (TODAS AS SALMONELLAS SÃO PATOGÊNICAS - não tem quantidade tolerável). Quadro grave → anemia falciforme → hemolisina (chamado typholysin). Salmonella enterica e Salmonella typhimurium → Gastroenterite: febre aguda inicial, cólicas, dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia com ou sem sangue, associada com uma inflamação do intestino grosso. Fontes de infecção: solo contaminado, vegetação, água, carne, ovos e fezes de animais infectados – aves e repteis. Salmonella typhi e S. paratyphi → infecções sistêmicas e febre tifoide: febre, dor de cabeça, dor abdominal, diarreia transitória ou constipação e a infecção pode levar a danos respiratórios, hepáticos, no baço e/ou neurológicos fatais. Gastroenterite por Salmonella: Transmigração de neutrófilos e destruição das camadas superficiais da mucosa. Normalmente é autolimitada. Dose infectante: 1000 bactérias. Período de incubação de 12 a 36 horas. Na fase aguda da salmonelose – até 1 bilhão de salmonelas/grama de fezes.Mesmo após o término da gastroenterite a bactéria ainda pode ser identificada nas fezes (4 a 5 semanas). Taxa de mortalidade é baixa (gástrica ou câncer gástrico. 2) Patologia gástrica progressiva: Com o tempo (fatores epidemiológicos, nutricionais e imunológicos) → gastrite crônica ativa e superficial pode tornar-se atrófica (infiltração das células inflamatórias). Considerado uma bactéria carcinogênica. H. pylori produz grandes quantidades de uma urease → conversão da ureia em composto alcalino amônia, resultando em um pH localmente elevado na área de crescimento → Teste da Urease para diagnóstico. Transmissão: oro-fecal, contato direto com saliva, fezes, secreção, vômitos etc. Outras formas para o diagnóstico: - O teste de antígeno fecal usando anticorpos monoclonais; - O teste respiratório com ureia 13C; - Testes moleculares; - Testes sorológicos. Ana Carolina R. Gualdi - Turma IX Aula 01 e 02 - Gastroenterites Bacterianas: - Escherichia coli: Mais importante dos bacilos Gram Negativo; maioria das cepas não são patogências (comensais) / 4 cepas são patogênicas. Possui adesinas (fluxo urinário/ motilidade intestinal); É lactase +. Maioria das infecções são endógenas; as cepas que causam gastrenterite e meningite → adquiridas exógena. Podem causar doenças como: - Sepse/ ITU (infecção do Trato Urinário)/ Meningite/ Gastrenterite/ Colescistite (inflamação da vesícula biliar)/ Peritonite (perfuração intestinal). - E. coli ENTEROPATOGÊNICA (EPEC) → Não produz toxinas; Lesões A/E (“attaching and effacing” → alterações Estruturais no epitélio). - E. coli Produtora de Toxina Shiga (STEC) → E. coli Enterohemorrágica. 3 principais síndromes: - Colite Hemorrágica (CH) : fortes dores abdominais e diarreia sanguinolenta. - Síndrome Hemolítica Urêmica (SHU): definida pela tríade: anemia hemolítica, plaquetopenia ou trombocitopenia e insuficiência renal aguda. - Púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) : Anemia aguda e hemorragias → trombocitopenia e anemia hemolítica. - E. coli Enteroagregativa (EAEC): Encurtamento das vilosidades intestinais com aspecto de parede de tijolos e necrose hemorrágica. - E. coli Enterotoxigênica (ETEC): Enterotoxinas TERMOLÁBIL (LT) e TERMOESTÁVEL (ST). - E. coli Enteroinvasora (EIEC): Semelhante Shiguella spp. -> Invasão das células do cólon; Sintomas: Febre, Dor e câimbra abdominal, diarreia profunda, com muco e sangue e disenteria grave. - E. coli Patogênica Extraintestinal (ExPEC): ExPEC → infecção em todos os sítios extraintestinais: trato urinário (ITU); meningite neonatal (neonatal meningites E. coli-NMEC), septicemia (septicemic E. coli - SEPEC). Ana Carolina R. Gualdi - Turma IX