Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Febre Reumática 
• A febre reumática (FR) e a cardiopatia reumática 
crônica (CRC) são complicações não supurativas da 
faringoamigdalite causada pelo estreptococo beta-
hemolítico do grupo A e decorrem de resposta 
imune tardia a esta infecção em populações 
geneticamente predispostas. 
• Pode acometer articulações, coração e SNC. 
• É uma doença que está frequentemente associada à 
pobreza e às más condições de vida. 
• Houve redução da incidência da FR nas últimas 
décadas nos países desenvolvidos, com consequente 
redução da prevalência da CRC. 
• FR permanece como um grande problema de saúde 
pública, principalmente nos países em 
desenvolvimento. 
 
Febre reumática – OMS-2005 
➢ Cardite reumática – 300.000 novos/anos 
➢ Brasil (ministério da saúde, 2004) – 
subdiagnosticado 
➢ Amigdalites – 10 milhões por ano 
➢ FR – 30.000/ano 
➢ Cardiopatia reumática – 1-7/1000 
➢ (EUA – CR 0,1-0,4/1000) 
-A FR possui uma distribuição universal, mas com 
marcada diferença nas taxas de incidência e prevalência 
entre os diversos países, constituindo a principal causa 
de cardiopatia adquirida em crianças e adultos jovens 
nos países em desenvolvimento. Estimativas da OMS 
registraram no ano de 2005 cerca de 15,6 milhões de 
portadores de CRC; cerca de 300.000 novos casos/ano; e 
233.000 mortes diretamente atribuíveis à CRC a cada ano 
no mundo. Na Índia, a prevalência da FR/CRC varia de 0,5 
a 11/1000. 
-Os dados disponíveis no Brasil a partir do sistema 
DATASUS informam basicamente sobre internações 
hospitalares e intervenções, não correspondendo à 
totalidade dos casos diagnosticados no país. Estudos 
realizados na população de escolares em algumas 
capitais brasileiras estimaram a prevalência de CRC em 
1-7 casos/1.000, o que é significativamente maior do que 
a prevalência da doença em países desenvolvidos, como 
os Estados Unidos, onde varia entre 0,1-0,4 casos/1.000 
escolares. 
-A frequência da FR aguda no Brasil difere de acordo com 
a região geográfica, porém em todas as regiões observa-
se uma redução progressiva do total de internações por 
esta doença. A taxa de mortalidade por CRC em 
pacientes internados pelo SUS foi de 6,8% em 2005 e de 
7,5% em 2007, com gasto aproximado no tratamento 
clínico de 52 milhões de reais em 2005 e de 55 milhões 
em 2007. Gastos de cerca de 94 milhões de reais em 
2005 e de 100 milhões em 2007 em procedimentos 
intervencionistas, cirurgias e valvotomias percutâneas 
também foram direcionados ao tratamento das sequelas 
cardíacas da FR. 
 
Risco moderado/alto e risco baixo 
 
➢ Risco moderado/alto: 
• Incidência de FR aguda > 2/100.000 crianças 
escolares/ano 
• Prevalência de cardiopatia reumática > 1/1000 
pessoas/ano 
-Figure 1 | The global burden of RHD. Number of 
prevalent cases of rheumatic heart disease (RH D) in 
2013 by country, as well as the change in age-
standardized RHD prevalence from 1990 to 2013. 
Fatores de risco para FR 
• FR: maior prevalência entre 5-15 anos 
• Cardiopatia reumática: entre 25-45 anos 
• Acomete igualmente os sexos 
• Cardite: F:M=2:1 
• Fatores ambientais relacionados à pobreza 
• Aglomeração familiar, favelas, acesso precário a 
cuidados de saúde 
• Susceptibilidade genética 3-6% da população 
• HLA classe II, alelo DR7 
Agente etiológico 
➢ Estreptococo -hemolítico do grupo A Lancefield 
➢ Streptococcus pyogenes 
➢ Proteína M é o principal antígeno relacionado à 
patogenia da doença 
 
Mimetismo molecular entre EGA e hospedeiro 
→ resposta imune cruzada 
 
• Etiopatogenia da febre reumática: 
O desenvolvimento da FR está associado à infecção de 
orofaringe pelo EBGA, principalmente em crianças e 
adolescentes. Fatores ambientais e socioeconômicos 
contribuem para o aparecimento da doença, uma vez que 
alimentação inadequada, habitação em aglomerados e 
ausência ou carência de atendimento médico constituem 
fatores importantes para o desenvolvimento da 
faringoamigdalite estreptocócica. Paralelamente, fatores 
genéticos de suscetibilidade à doença estão diretamente 
relacionados ao desenvolvimento da FR e de suas sequelas. 
Vários sistemas com polimorfismo genético foram e estão 
sendo estudados com o intuito de elucidar o desencadeamento 
da FR e, talvez, futuramente, auxiliar sua prevenção em 
famílias com casos da doença. 
Desde o início do século XX, os grupos sanguíneos, o estado 
secretor e não secretor e os alelos do sistema principal de 
histocompatibilidade HLA de classe I foram estudados e não 
mostraram correlação com a doença. Em 1979, identificou-se o 
antígeno denominado 883, presente em linfócitos B de 
pacientes com FR, que se constituiu no primeiro marcador de 
suscetibilidade descrito para a febre reumática. A partir desses 
dados, foram produzidos anticorpos monoclonais contra o 
antígeno 883 e o anticorpo monoclonal denominado D8/17 
passou a ser considerado marcador genético. No entanto, esse 
marcador não foi evidenciado em pacientes de vários países. 
Posteriormente à descoberta do antígeno 883, na década de 
1980, foram descritos os antígenos HLA de classe II e passou-
se a pesquisar a associação destes antígenos com FR. Os 
antígenos HLA de classe II também estão presentes nos 
linfócitos B, como o antígeno 883. Esse fato pode indicar que o 
antígeno 883, na realidade, seria uma molécula de classe II 
(HLA-DR), até então não identificada. 
Hoje se sabe, por estudos populacionais, que há uma 
associação da doença com os antígenos de classe II e que 
cada população tem seu próprio marcador (HLA-DR) para 
suscetibilidade à FR. É interessante notar que o alelo 
encontrado com mais frequência, independentemente da 
origem étnica, é o HLA-DR7. Esse achado, de diferentes 
marcadores para cada população, é corroborado pela 
observação de que a incidência de FR após faringoamigdalite 
estreptocócica é praticamente a mesma em todo o mundo 
(entre 1%-5%), não variando em populações diferentes. É 
possível que diferentes cepas de estreptococos estejam 
envolvidas e que as diversas moléculas HLA de classe II 
reconheçam peptídeos antigênicos diferentes. Outros 
marcadores genéticos associados ao desenvolvimento da FR e 
relacionados com a resposta inflamatória foram identificados, 
recentemente, por metodologias de biologia molecular, como 
alelos que codificam para a produção de proteínas pró-
inflamatórias, como TNF-α e o alelo responsável pela 
deficiência na produção da lecitina ligadora da manose (MBL), 
que tem a função de eliminar a bactéria pela ativação do 
complemento na fase inicial da infecção. 
A resposta imune na doença reumática 
A existência de processo autoimune na FR foi postulada após 
a observação de que as lesões no coração estavam associadas 
a anticorpos que reconheciam tecido cardíaco por mimetismo 
molecular, cujos dados foram experimentalmente confirmados 
por Kaplan. Assim, anticorpos e linfócitos T do hospedeiro 
dirigidos contra antígenos estreptocócicos também 
reconhecem estruturas do hospedeiro, iniciando o processo de 
autoimunidade. A resposta mediada por linfócitos T parece ser 
especialmente importante em pacientes que desenvolvem 
cardite grave. Os anticorpos na FR são importantes durante sua 
fase inicial e, provavelmente, pelas manifestações de poliartrite 
e coreia de Sydenham. 
Na cardite reumática, anticorpos reativos ao tecido cardíaco, 
por reação cruzada com antígenos do estreptococo, se fixam à 
parede do endotélio valvar e aumentam a expressão da 
molécula de adesão VCAM I, que atrai determinadas 
quimiocinas e favorecem a infiltração celular por neutrófilos, 
macrófagos e, principalmente, linfócitos T, gerando inflamação 
local, destruição tecidual e necrose. 
Estudos histológicos de pacientes com cardite e CRC 
mostraram células plasmáticas cercadas por linfócitos T CD4+ 
próximos a fibroblastos, sugerindo interação entre a célula 
plasmática (linfócito B) e o linfócito T. Os nódulos de Aschoff, 
considerados patognomônicos da doença e compostos por 
agregados de células semelhantes a macrófagose monócitos, 
exercem a função de células apresentadoras de antígeno para 
as células T. Várias citocinas pró-inflamatórias são produzidas 
nas diversas fases evolutivas dos nódulos de Aschoff. Dessa 
forma, além da reação cruzada inicial, há apresentação 
continuada de antígenos no sítio da lesão, o que amplificaa 
resposta imune e a ativação de grande número de clones 
autorreativos de linfócitos T. 
A presença de linfócitos T CD4+ no tecido cardíaco foi 
demonstrada em grande quantidade em pacientes com CRC e 
sugere papel direto destas células na patologia da doença. O 
papel funcional desses linfócitos foi demonstrado a partir do 
isolamento de clones de linfócitos T infiltrantes do tecido 
cardíaco (miocárdio e valvas), provenientes de pacientes 
submetidos à cirurgia para correção valvar e capazes de 
reconhecer tanto antígenos da proteína M do estreptococo 
quanto antígenos cardíacos, evidenciando pela primeira vez o 
mimetismo molecular que ocorre entre o tecido cardíaco e o 
estreptococo, com ativação de linfócitos T CD4+ levando a 
processo de autoagressão. 
A produção de citocinas influencia de forma decisiva a resposta 
imune nos pacientes com FR. O número aumentado de 
linfócitos T CD4+ no sangue periférico de pacientes com cardite 
está ligado ao aumento de IL-1, TNF-α e IL-2 no soro. No tecido 
cardíaco de pacientes com cardiopatia reumática grave há 
predomínio de células mononucleares secretoras de TNF-α e 
IFN-γ (padrão Th1), enquanto raras células mononucleares 
infiltrantes das válvulas produzem IL-4 e citocina reguladora da 
resposta inflamatória. Portanto, a baixa produção de IL-4 está 
correlacionada com a progressão das lesões valvares na CRC, 
enquanto no miocárdio, onde há grande número de células 
produtoras de IL-4, ocorre cura da miocardite após algumas 
semanas. 
Com base nesses dados, postula-se que a produção de 
citocinas direciona para uma resposta celular (Th1), causando 
quadros de cardite grave e sequela valvar e, provavelmente, 
para uma resposta predominantemente humoral (Th2), que 
causaria quadro clínico com coreia e artrite. Essa diferença de 
resposta é vista também na apresentação clínica, pois se 
observou que apenas 5% dos pacientes com cardite grave 
cursaram com coreia, enquanto a incidência entre os pacientes 
com cardite leve foi de 65%. 
Patogênese da cardite 
 
*Nódulos de Aschoff ou lesões granulomatosas. 
Cardite reumática 
➢ 40-70% - 1º surto 
➢ Precoce 
➢ Dividida em: 
• Endocardite – 100% 
-Mitral > aórtica > tricúspide > pulmonar 
• Miocardite 
• Pericardite 
-Mais raras 
➢ Categorias: subclínica, leve, moderada, grave 
➢ Duração: até 6 sem 
➢ Evolução: cura, estacionária ou progressão 
 
A cardite é a manifestação mais grave da FR, pois é a única 
que pode deixar sequelas e acarretar óbito. A doença 
cardíaca reumática crônica é a maior causa de doença valvular 
adquirida no mundo, sendo responsável por cerca de 25% das 
insuficiências cardíacas em países endêmicos. 
A manifestação ocorre entre 40%-70% dos primeiros surtos, 
embora séries mais recentes, em que a ecocardiografia foi 
utilizada para avaliação, demonstrem prevalências mais 
elevadas. A cardite tende a aparecer em fase precoce e, mais 
frequentemente, é diagnosticada nas três primeiras semanas 
da fase aguda. O acometimento cardíaco é caracterizado pela 
pancardite, entretanto são as lesões valvares as responsáveis 
pelo quadro clínico e pelo prognóstico. A endocardite está 
presente em 100% dos casos seja o sopro audível ou não. Já 
a pericardite e a miocardite são manifestações mais raras e 
sempre ocorrem associadas à endocardite. 
O acometimento pericárdico não é comum, não ocorre 
isoladamente e não resulta em constrição. A pericardite está 
sempre associada à lesão valvar e é diagnosticada pela 
presença de atrito e/ou derrame pericárdico, abafamento de 
bulhas, dor ou desconforto precordial. Nos casos leves, o 
acometimento pericárdico é um achado exclusivo do estudo 
ecocardiográfico. Grandes derrames pericárdicos e 
tamponamento cardíaco são raros. 
A miocardite tem sido diagnosticada com base no abafamento 
da primeira bulha, no galope protodiastólico, na cardiomegalia 
e na insuficiência cardíaca congestiva. Apesar das evidências 
histológicas e imunológicas do envolvimento do miocárdio, a 
insuficiência cardíaca é causada pela lesão valvar (valvite) e 
não pelo acometimento miocárdico. Os índices de função 
sistólica do ventrículo esquerdo estão geralmente preservados 
nos surtos iniciais. 
O acometimento do endocárdio (endocardite/valvite) constitui a 
marca diagnóstica da cardite, envolvendo com maior frequência 
as valvas mitral e aórtica. Na fase aguda, a lesão mais 
frequente é a regurgitação mitral, seguida pela regurgitação 
aórtica. Por outro lado, as estenoses valvares ocorrem mais 
tardiamente, na fase crônica. Vale ressaltar que a regurgitação 
de valva mitral tem maior tendência para regressão total ou 
parcial do que a regurgitação aórtica. 
Três sopros são característicos do primeiro episódio e podem 
não representar disfunção valvar definitiva: sopro sistólico de 
regurgitação mitral, sopro diastólico de Carey Coombs e sopro 
diastólico de regurgitação aórtica. A ausência de sopro não 
afasta a possibilidade de comprometimento cardíaco. 
Semiologicamente a endocardite manifesta-se por sopro 
orgânico da válvula comprometida e que por ordem de 
frequência é: mitral, aórtica, tricúspide e excepcionalmente a 
pulmonar. Sopro de estenose mitral pode estar presente em 
crianças, indicando a existência de surto anterior. 
Cardite leve, não acompanhada de outros sintomas da doença, 
pode passar despercebida. A cardite reumática pode evoluir 
para a cura, permanecer estacionária ou sofrer calcificações 
progressivas. Alteração cardíaca permanente depende 
primariamente da gravidade da valvulite. 
Cardites discretas não acompanhadas de outros sintomas da 
doença podem passar despercebidas, e a lesão valvar pode 
somente ser evidenciada em exames médicos de rotina ou por 
ocasião de surtos subsequentes. 
A cardite subclínica é encontrada em pacientes com artrite 
isolada e/ou coreia pura, sem achados auscultatórios de lesão 
valvar, mas com um padrão patológico de regurgitação ao 
dopplerecocardiograma. É importante utilizar critérios rígidos 
para diferenciar a regurgitação patológica da fisiológica. 
A cardite recorrente é suspeitada por meio da detecção de um 
novo sopro ou pelo aumento da intensidade de sopros 
previamente existentes, atrito ou derrame pericárdico, aumento 
de área cardíaca ou insuficiência cardíaca associada à 
evidência de infecção estreptocócica anterior. 
Na cardite indolente, as manifestações clínicas são discretas e 
o quadro clínico tem evolução prolongada. 
A gravidade da cardite, na dependência do grau de 
envolvimento cardíaco, varia desde a forma subclínica até a 
fulminante. De acordo com os achados clínicos, radiológicos, 
eletrocardiográficos e dopplerecocardiográficos, a cardite pode 
ser classificada nas seguintes categorias: 
• Cardite subclínica: exame cardiovascular dentro dos limites 
normais, associado a exames radiológicos e 
eletrocardiográficos normais, com exceção do intervalo PR; 
exame dopplerecocardiográfico identificando regurgitação 
mitral e/ou aórtica em grau leve, com características 
patológicas diferenciadas das regurgitações fisiológicas. 
• Cardite leve: presença de taquicardia desproporcional à febre, 
abafamento da primeira bulha, sopro sistólico mitral, área 
cardíaca normal, exames radiológico e eletrocardiográfico 
normais, com exceção do prolongamento do intervalo PR; 
regurgitações leves ou leves/moderadas ao 
dopplerecocardiograma, com ventrículo esquerdo de 
dimensões normais. 
• Cardite moderada: dados clínicos mais evidentes do que na 
cardite leve, com taquicardia persistente e sopro de 
regurgitação mitral mais intenso, porém sem frêmito, associado 
ou não ao sopro aórtico diastólico; sopro de Carey Coombs 
pode estar presente;sinais incipientes de insuficiência 
cardíaca, aumento leve da área cardíaca e congestão pulmonar 
discreta podem ser encontrados no raio-x de tórax; 
extrassístoles, alterações de ST-T, baixa voltagem, 
prolongamento dos intervalos do PR e QTc podem estar 
presentes ao eletrocardiograma; ao dopplerecocardiograma, a 
regurgitação mitral é leve a moderada, isolada ou associada à 
regurgitação aórtica de grau leve a moderado e com aumento 
das câmaras esquerdas em grau leve a moderado. 
• Cardite grave: além dos achados da cardite moderada, 
encontram-se sinais e sintomas de insuficiência cardíaca; 
arritmias, pericardite e sopros relacionados a graus mais 
importantes de regurgitação mitral e/ou aórtica podem ocorrer; 
no exame radiológico, identificam-se cardiomegalia e sinais de 
congestão pulmonar significativos; o eletrocardiograma 
demonstra sobrecarga ventricular esquerda e, às vezes, direita; 
ao dopplerecocardiograma, estão presentes regurgitação mitral 
e/ou aórtica de grau moderado/importante, e as câmaras 
esquerdas mostram, no mínimo, aumento moderado. 
 
Artrite da FR 
 
Artrite típica da FR***: 
• Frequência: 53-64% 
• Início: 2-3 semanas após infecção da orofaringe 
• Características: poliartrite aguda, migratória, 
assimétrica, grandes articulações (joelhos, 
tornozelos, cotovelos e punhos), dor importante 
• Duração: 2-5 dias em cada articulação 
• Total: 1-3 semanas 
• Evolução: Ótima resposta a AINH, sem sequelas 
 
Artrite - Dentre os sinais maiores de febre reumática é o que 
envolve maior dificuldade diagnóstica quando se apresenta 
isoladamente. Classicamente é caracterizada por uma 
poliartrite migratória de grandes articulações, tais como joelhos, 
tornozelos, cotovelos e punhos, sendo pouco frequente o 
envolvimento das coxofemorais, coluna e pequenas 
articulações de mãos e pés. A dor articular pode ser intensa e 
limitar a mobilização. A duração do surto articular não excede 
duas a três semanas e evolui para a cura completa, raramente 
com sequelas. A síndrome de Jaccoud, isto é, desvio ulnar e 
subluxação das articulações metacarpo-falangeanas sem 
destruição óssea, pode aparecer, decorrente de surtos 
repetidos da FR. 
Artrite atípica da FR 
➢ Frequência – 36 a 47% 
➢ Características (43/92 – 47%): 
• Aditiva 
• Local (pequenas articulações, coluna cervical e 
coxofemoral) - (74%) 
• Monoartrite (3%) 
• Duração > 3 sem (61%) 
• Má resposta ao AAS (42%) 
O quadro articular pode ser incaracterístico, ou seja, com artrite 
aditiva, duração mais prolongada, sendo o diagnóstico 
realizado pela presença concomitante de cardite e/ou coreia. 
 
Coreia (inflamação dos núcleos da base) 
 
 
Coréia de Sydenham 
• Frequência 4-45% (sexo feminino) 
• Forte associação com cardite 
• Início – até 6 meses após infecção da orofaringe 
• Características – movimentos involuntários, 
incoordenados, cessam com o sono, associados a 
hipotonia, labilidade emocional, alteração da escrita, 
tiques, disartria, disfagia, alteração da marcha. 
• Duração – semanas até 6 meses (média 3 meses), 
mas pode durar até 2 anos 
• Laboratório – PFA normais, anti-estreptolisina O 
(ASLO) normal 
A presença de movimentos coreicos em crianças é altamente 
sugestiva do diagnóstico de FR. Por apresentar um período de 
latência prolongado (um a seis meses) entre a infecção 
estreptocócica e o início das manifestações clínicas, é comum 
não serem observadas na coreia, alterações das provas de fase 
aguda, nem evidências da infecção estreptocócica anterior. 
Clinicamente caracteriza-se por movimentos bruscos 
involuntários uni ou bilaterais arrítmicos, rápidos, 
desordenados, que desaparecem com o sono. São mais 
evidentes nas extremidades e podem ser acompanhados de 
dificuldade de concentração e escrita, voz arrastada, disartria, 
fraqueza muscular, cefaleia e labilidade emocional. Pode haver 
fasciculação da língua e o “sinal da ordenha” (aumento e 
redução alternada na tensão do punho, como uma ordenha 
manual). O surto de coreia geralmente é autolimitado, tem 
duração variável de uma semana a dois anos, com média de 
dois a três meses. 
Nos casos em que a coreia é a única manifestação da FR ou é 
acompanhada somente por artrite, deve ser solicitado, se 
possível, o anticorpo antinúcleo para descartar a possibilidade 
de lúpus eritematoso sistêmico. Anticorpos anticardiolipina têm 
sido descritos em pacientes com CS. 
As recorrências tendem a mimetizar o quadro inicial, ou seja, 
caracterizam-se por quadros coreicos isolados ou associados a 
outras manifestações. Em alguns casos, a dificuldade em 
associar as recorrências com a infecção estreptocócica levanta 
a possibilidade de que outros estímulos possam desencadear 
os novos episódios. 
➢ Sintomas obsessivo-compulsivos (Swedo et al, 1989) 
➢ 30 FR com coreia 
• 21 (70%) - SOC nos primeiros 2 meses 
• 6 (29%) - SOC após 6 meses 
➢ Coréia X FR – depressão, tiques, déficits de atenção e 
hiperatividade 
Nódulos subcutâneos e eritema marginatum da 
FR 
 
Nódulos subcutâneos da FR 
• Frequência: 2-10% 
• Tardio (1-2 semanas após outras manifestações) 
• Características: duros, indolores, número variável, 
0,5 a 2cm, proeminências ósseas (superfícies 
extensoras de articulações, proeminências ósseas 
em região occipital) 
• Duração: alguns dias até 1 mês 
• Evolução: fugazes, associados a cardite 
Nódulos subcutâneos – é uma manifestação rara, ocorrendo 
em menos de 3%, em geral associada à cardite. Aparecem 
várias semanas após o início do surto, localizados nas 
superfícies das articulações, sobre proeminências ósseas e no 
couro cabeludo; de consistência endurecida, indolores e 
imóveis. 
• Nódulos subcutâneos 
• Os nódulos subcutâneos são raros, presentes apenas em 
2%-5% dos pacientes, e estão fortemente associados à 
presença de cardite grave. São múltiplos, arredondados, 
de tamanhos variados (0,5-2 cm), firmes, móveis, indolores 
e recobertos por pele normal, sem características 
inflamatórias. Localizam-se sobre proeminências e 
tendões extensores, sendo mais facilmente percebidos 
pela palpação do que pela inspeção. Ocorrem 
preferencialmente em cotovelos, punhos, joelhos, 
tornozelos, região occipital, tendão de Aquiles e coluna 
vertebral. O aparecimento é tardio (uma a duas semanas 
após as outras manifestações), regride rapidamente com o 
início do tratamento da cardite e raramente persiste por 
mais de um mês. Os nódulos não são patognomônicos de 
FR, já que estruturas semelhantes podem ser encontradas 
em outras doenças reumáticas, tais como artrite idiopática 
juvenil poliarticular, lúpus eritematoso sistêmico e doença 
mista do tecido conjuntivo. 
 
Eritema marginado da FR 
• Frequência: 1-3% 
• Características: máculas róseas evanescente com 
bordas serpiginosas e centro claro, indolores, não 
pruriginosas, em tronco e raiz de membros. 
• Evolução: fugaz, recidivante e associa-se com cardite 
Eritema Marginado – apresenta associação frequente com 
cardite, caracterizando-se por lesões de bordas nítidas 
avermelhadas, serpiginosas, com centro claro, não 
pruriginosas e de localização preferencial em tronco e porções 
proximais dos membros. Geralmente são evanescentes, com 
duração de horas ou mesmo minutos. Está fortemente 
associado à cardite e pode ocorrer m qualquer momento no 
curso da FR. Ocorrem geralmente no início da doença, porém 
podem persistir ou recorrer durante meses. 
 
 
Evolução dos sinais maiores na FR 
 
Exames complementares na FR 
-Hemograma – anemia, leucocitose 
-Provas de fase aguda → 1 a 3m 
→Aumento de VHS, de PCR, de alfa-1-glicoproteína ácida 
e aumento de alfa-2 e gama0globulina na EFP 
-RX de tórax – seguimento da área cardíaca 
-ECG - PR 
-ECO – comprometimento valvular, função miocárdica, 
pericardite 
Não há alterações laboratoriais patognomônicas para o 
diagnóstico da FR. Os exames laboratoriais têm por 
finalidade demonstrar a reação inflamatória aguda, 
evidenciar a infecçãoestreptocócica anterior e auxiliar na 
exclusão de outras doenças. 
Dentre as provas de fase aguda, destacam-se a velocidade de 
hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa (PCR). 
Apesar de não específicas, estas alterações estão presentes 
em todos os pacientes com processo reumático agudo não 
suprimido pelo uso de anti-inflamatórios. A coreia pura e 
ocasionalmente o eritema marginatum persistente são 
exceções a esta regra. 
Para auxílio na exclusão de outras patologias, hemograma, 
complemento, Fator antinúcleo (FAN) podem ser úteis. 
Alterações eletrocardiográficas são comuns e quando isoladas 
tem bom prognóstico. Apesar de considerado um sinal menor, 
o alargamento do espaço P-R não é específico da FR, podendo 
ocorrer em outras doenças e mesmo em crianças normais. 
Ecocardiograma com doppler deve sempre ser solicitado na 
suspeita de FR por ser um exame útil no diagnóstico de 
valvulopatias discretas, de disfunção miocárdica e pericardite. 
A radiografia de tórax pode evidenciar um aumento da silhueta 
cardíaca. 
Evidência estreptocócica na FR 
 
Três parâmetros são utilizados como evidência de infecção 
estreptocócica anterior: escarlatina recente, cultura de 
orofaringe positiva para Streptococcus ß hemolítico do grupo A 
e aumento de títulos dos anticorpos específicos. 
É conveniente lembrar que cerca de 50% das amigdalites 
estreptocócicas dos pacientes com FR são assintomáticas 
ou leves e cerca de 1/3 destes pacientes não recordam de 
ter tido doença no mês anterior à instalação da FR. 
A cultura da orofaringe pode ser útil, apesar da tipagem do 
Streptococcus não ser feita de rotina e de não distinguir o 
estado de portador de infecção. Esta apresenta taxa de 
positividade, em torno de 20% se colhida no momento dos 
primeiros sintomas de FR (duas a três semanas após a infecção 
estreptocócica). 
O teste rápido do antígeno estreptocócico tem especificidade 
de >95% e sensibilidade entre 65 e 90%. 
As determinações dos anticorpos antiestreptocócicos 
(antiestreptolisina O, anti-hialuronidade, antiestreptoquinase, 
anti-DPNase e anti-DNAse B), deverão ser sempre realizadas, 
lembrando-se que pelo menos 80% dos pacientes terão 
antiestreptolisina O (ASLO) elevadas durante o curso da 
doença e todos apresentarão alterações, quando três ou mais 
anticorpos forem dosados. 
Quando os títulos iniciais de ASLO não estiverem aumentados, 
recomenda-se a repetição do exame em duas a três semanas, 
pela possibilidade de detectar-se ascensão dos valores prévios. 
Níveis de ASLO entre 200 - 300 e mesmo 500 U são comuns 
em crianças escolares, especialmente nas de níveis 
socioeconômico mais baixo. Os títulos de anticorpo atingem um 
pico cerca de 4 a 5 sem após a infecção e declinam ao longo 
dos próximos 6 meses. 
A dosagem dos títulos de ASLO confirma apenas a presença 
de infecção estreptocócica anterior. A elevação dos títulos se 
inicia por volta do 7º dia após a infecção e atinge o pico entre a 
4a e a 6a semana, mantendo-se elevada por meses, às vezes 
até por um ano após a infecção. Recomenda-se a realização 
de duas dosagens de ASLO com intervalo de 15 dias (IB). 
Recomenda-se a utilização dos limites-padrão de cada 
laboratório para a análise dos resultados. 
Diagnósticos diferenciais das principais 
manifestações da FR 
Diagnóstico da FR – Critérios de Jones 1992 – 
antigo 
MAIORES: 
• Cardite 
• Atrite 
• Coréia 
• Eritema Marginatum 
• Nódulos Subcutâneos 
MENORES: 
• Febre 
• Artralgia 
 PFA 
 PR 
-EVIDÊNCIA DE ESTREPTOCOCCIA: cultura de orofaringe 
ou anticorpos anti-estreptococos 
Exclusão de outras causas 
FR – Critérios de Jones 2015 
 
-EVIDÊNCIA DE ESTREPTOCOCCIA: cultura de orofaringe 
ou anticorpos anti-estreptococos 
FR – Critérios de Jones 2015 
-Diagnóstico primeiro surto: 
2 critérios maiores ou 1 maior e 2 menores 
-Diagnóstico recidiva: 
2 critérios maiores ou 1 maior e 2 menores ou 3 critérios 
menores 
-OBS: coreia não necessita de evidência de infecção 
pelo EGA 
Critérios Menores 
Os sinais menores abrangem características clínicas e 
laboratoriais inespecíficas que, em conjunto com as 
manifestações maiores e com a evidência de estreptococcia 
prévia, ajudam a estabelecer o diagnóstico de FR. 
Artralgia 
A artralgia isolada afeta as grandes articulações e se 
caracteriza pela ausência de incapacidade funcional, cuja 
presença distingue a artrite. A presença de artralgia com 
padrão poliarticular migratório e assimétrico envolvendo 
grandes articulações é altamente sugestiva de febre reumática 
e frequentemente é associada à cardite38. A presença de 
artrite como critério maior não permite a inclusão da artralgia 
como critério menor. 
Febre 
A febre é frequente no início do surto agudo e ocorre em quase 
todos os surtos de artrite. Não tem um padrão característico. 
Em geral, cede espontaneamente em poucos dias e responde 
rapidamente aos anti-inflamatórios não hormonais. Pacientes 
com cardite não associada à artrite podem cursar com febre 
baixa, enquanto os que se apresentam com coreia pura são 
afebris. 
Intervalo PR 
O intervalo PR pode estar aumentado em pacientes com febre 
reumática, mesmo na ausência de cardite, assim como em 
indivíduos normais. O eletrocardiograma deve ser solicitado em 
todos os pacientes com suspeita de FR e repetido para registrar 
o retorno à normalidade. Na criança, considera-se o intervalo 
PR aumentado quando apresenta valores acima de 0,18 s e, 
nos adolescentes e adultos, acima de 0,20s 35. 
Reagentes de fase aguda 
As provas de atividade inflamatória ou reagentes de fase aguda 
não são específicas da FR, porém auxiliam no monitoramento 
da presença de processo inflamatório (fase aguda) e da sua 
remissão. 
A velocidade de hemossedimentação (VHS) se eleva nas 
primeiras semanas de doença. Ressalte-se que, na presença 
de anemia, a VHS pode estar superestimada, bem como 
subestimada, nos pacientes com insuficiência cardíaca. 
A proteína C reativa (PCR) se eleva no início da fase aguda e 
seus valores diminuem no final da segunda ou da terceira 
semana. Sempre que possível deve ser titulada, sendo mais 
fidedigna que a VHS. 
A alfa-1-glicoproteína ácida apresenta títulos elevados na fase 
aguda da doença, mantendo-se elevada por tempo mais 
prolongado. Deve ser utilizada para monitorar a atividade da 
FR. 
Na eletroforese de proteína, a alfa-2-globulina se eleva 
precocemente na fase aguda e pode ser utilizada também para 
o seguimento da atividade da doença. 
É importante ressaltar que qualquer combinação das provas 
laboratoriais de fase aguda deve ser considerada como apenas 
uma manifestação menor da FR. 
Profilaxia da FR 
-Importância: 
➢ Endêmica → 1 a 3% 
➢ Risco de recorrência no primeiro ano → 50% 
➢ Risco de recorrência após 5 anos → 10% 
Profilaxia primária 
-Diretrizes brasileiras para o diagnóstico, tratamento e 
prevenção da febre reumática, 2009. 
http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2009/diretriz_f
ebrereumatica_93supl04.pdf 
Profilaxia secundária
http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2009/diretriz_febrereumatica_93supl04.pdf
http://publicacoes.cardiol.br/consenso/2009/diretriz_febrereumatica_93supl04.pdf
 
 Tratamento da artrite 
➢ Artrite – 1 a 4 semanas 
• AAS – 100mg/Kg/dia, 6 /6 horas 
• Naproxeno – 10 a 20 mg/Kg/dia, 12/12 horas 
Tratamento da coreia 
➢ Coréia - 1 a 3 meses 
• Haloperidol - 1 a 2mg/dia, 2X/dia, máximo 4 
mg/dia—5mg/dia 
• Ácido valpróico - 20 a 40mg/Kg/dia, 3 a 4X/dia 
• Carbamazepina 7-20mg/kg dia VO 
➢ Coréia – Prednisona por 1mês 
• 1mg/Kg/dia - 3X/dia por 1 semana 
• 1mg/Kg/dia - 1X/dia por 1 semana 
• Redução em 2 semanas 
Tratamento da Cardite 
• Prednisona 1-2mg/kg/dia (máx. 80mg por dia) por 2-
3 semanas. 
• Redução gradual 20-25% da dose por semana por 12 
semanas em casos graves e moderados e 4-8 
semanas em cardite leve. 
• Pulsoterapia com metilprednisolona 30mg/kg/dia 
em ciclos semanais em casos graves refratários ao 
tratamento. 
• Cirurgia cardíaca:cardite refratária ao TTO inicial, 
lesão de mitral grave de rupturas de cordas 
tendíneas ou perfuração de cúspides. 
 
 
 
Highlight

Mais conteúdos dessa disciplina