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Os patógenos mais frequentemente encontrados como agentes causadores de inflamações cérvico-vaginais são Trichomonas vaginalis, 
Candida albicans, Neisseria gonorrhoeae, Gardnerella vaginalis e Chlamydia trachomatis. 
Em serviços que atendem casos de IST, o corrimento vaginal é o principal sintoma referido,2-4 sendo também frequente 
entre gestantes 
processos infecciosos que acometem a vulva e a vagina, incluindo a ectocérvice. Vulvovaginite é toda manifestação 
inflamatória e/ou infecciosa do trato genital inferior — vulva, vagina e ectocérvice —, que se manifesta por meio de corrimento vaginal 
associado ou não a prurido, dor ou ardor ao urinar ou à relação sexual e sensação de desconforto pélvico 
De maneira geral, as vulvovaginites são representadas por três patologias principais: candidíase (Candida sp.), tricomoníase (Trichomonas sp.) 
e vaginose bacteriana — flora polimicrobiana com predomínio de Gardnerella vaginalis. Delas, a mais comum, atualmente, é a vaginose 
bacteriana, que corresponde a 40 a 50% das infecções vaginais, seguida da candidíase. A tricomoníase, por sua vez, é a única globalmente 
aceita como IST, tornando obrigatório o tratamento do parceiro sexual 
 
 Infecção sexualmente transmissível não viral mais comum no mundo, com incidência de 276 milhões de novos casos por ano 
e uma prevalência de 187 milhões de indivíduos infectados entre 15 e 49 anos, conforme relato da (OMS) Organização Mundial de Saúde. No 
Brasil, os dados divulgados pelo Sistema de informação do Câncer do colo do Ùtero (SISCOLO) registraram 22.851 casos de infecção por T. 
vaginalis identificados no exame de rotina do “Papanicolau”, desses, estavam na região Nordeste 11.288 pessoas infectadas. 
Trichomonas vaginalis, ele é um protozoário 
cosmopolita anaeróbio que exibe uma forma piriforme ou arredondada, 
provido de grande mobilidade devido aos seus quatro pares de flagelos 
e uma membrana ondulante anterolateral. O fluxo menstrual fornece 
nutrientes ao parasita como aumento do ferro na região, que é 
fundamental na sua regulação genética, possui capacidade de se 
preservar durante as alterações que podem ocorrer no ambiente 
vaginal utilizando o glicogênio que armazena. 
Esse parasita é transmitido principalmente, durante 
as relações sexuais desprotegidas. No entanto, como sobrevive em 
ambiente extravaginal, pode ser transmitido por toalhas, assentos 
sanitários, entre outros objetos compartilhados e que tiveram contato 
íntimo com as secreções contaminadas. 
O pH alcalino é ideal para o T. vaginalis produzir infecção. Durante a excitação e as relações sexuais, as secreções da mulher 
aumentam o pH do fluido vaginal, que normalmente apresenta-se ácido, a ejaculação do sémen, que é alcalino, também favorece a 
transmissão do parasita. O mecanismo de patogenicidade do T. vaginalis pode ser dividido em duas classes, ou seja, o mecanismo dependente 
de contato e o independente de contato. O tempo de incubação do protozoário varia de 3-28 dias, um terço das pacientes assintomáticas se 
tornam sintomáticas no período de seis meses. Um passo essencial para esta patogênese são as células epiteliais do trato urogenital, local 
onde ocorre a aderência do parasita, pois o T. vaginalis infecta principalmente o epitélio escamoso do trato genital 
 Mecanismo dependente de contato- a ligação entre o parasita e a célula epitelial, principalmente o epitélio escamoso do trato genital, 
ocorre através da interação com as proteínas. Após a adesão, o T. vaginalis adota uma forma que aumenta o contato com a célula, para 
a célula. Para uma adesão eficaz, encontram-se cicteína-proteinases na superfície do parasita, que são citotóxicas e hemolíticas e 
apresentam capacidade de degradar IgG, IgM e IgA presentes na vagina. O parasita eventualmente, se une a laminina e a fibronectina 
do epitélio vaginal. Além disso, o T. vaginalis apresenta-se recoberto de lipofosfoglicano (GLP), muito importante para a adesão celular. 
 Independente de contato- mediado pelo cell-detaching fator (CDF), secretado pelo parasita, e pela concentração do estradiol na vagina. 
Estudos demonstraram que o CDF causa efeitos citopatogênicos 
 
Baixo nível socioeconômico, baixo nível de 
escolaridade, sexo desprotegido, múltiplos parceiros sexuais, 
prostituição, uso abusivo de álcool e drogas, e outras IST’s associadas. 
Corrimento vaginal abundante, verde-
amarelado e bolhoso, o corrimento é amarelo ou amarelo-esverdeado, 
abundante, fluido, bolhoso e/ou fétidoque e pode estar acompanhado 
de irritação vulvar, prurido, dispareunia superficial, dor pélvica e 
sintomas urinários — disúria e polaciúria. A leucorreia pode ser 
fétida. Outra característica possivelmente presente é a colpite 
tigroide — colo “em morango” ou “em framboesa”. Os sintomas 
costumam se intensificar no período pós-menstrual. Observa-se, à 
microscopia das secreções — exame a fresco —, Trichomonas 
móvel e números aumentados de leucócitos, além de teste de aminas positivo. 
 Compõe-se de quadro clínico e exame a fresco. A cultura pode ser recomendada somente nos casos duvidosos. Como o 
quadro clínico costuma ser muito exuberante, a cultura é desnecessária na grande maioria dos casos. O exame a fresco do conteúdo vaginal 
evidencia meio rico em leucócitos, podendo também ser vistos protozoários com flagelos. Os protozoários costumam ser móveis no exame a 
fresco, e o aquecimento da lâmina pode aumentar essa movimentação. 
Estudos mostraram que há uma relação direta entre a infecção por tricomonas e o HIV. Em regiões onde o T. vaginalis é endêmico, 
existe um risco aumentado de infecção pelo HIV. Esta associação epidemiológica é biologicamente plausível, uma vez que a infecção por 
tricomonas induz uma resposta inflamatória que, em consequência, recruta as células susceptíveis ao HIV para o local de exposição. Além 
disso, a infecção pode causar microabrasões na vagina, assim facilitando o acesso do HIV à corrente sanguínea. 
Cerca de 80 a 90% dos casos de candidíase vulvovaginal são 
ocasionadas pela espécie Candida Albicans. No Brasil, o gênero Candida foi relatado como 
o sétimo agente etiológico causador das infecções sanguíneas, sendo C. albicans (34,3 
%) a espécie mais prevalente dessas infecções, seguida pela C. parapsilosis (24,1 %), C. 
tropicalis (15,3 %) e C. glabrata (10,2 %). 
Os micro-organismos do gênero Candida são encontrados 
convivendo de forma comensal colonizando a microbiota regular das mucosas oral, trato 
gastrointestinal e geniturinário em cerca de 50-70 % dos indivíduos saudáveis. Em 
contrapartida, esses micro-organismos podem se tornar patogênicos dependendo de fatores relacionados principalmente ao estado imunológico 
dos indivíduos, levando a uma infecção oportunista. 
São fatores associados ao desenvolvimento de candidíase o uso de antibióticos, gravidez, diabetes, corticoide, 
contraceptivo hormonal combinado, obesidade, hábitos de higiene e vestuário que aumentem a umidade da vagina, estresse e 
imunossupressão. 
 Indivíduos imunossuprimidos (pacientes acometidos por 
síndrome da imunodeficiência adquirida - SIDA, 
pacientes em uso de imunossupressores; câncer e 
diabetes); 
 Utilização de antibióticos de amplo espectro para 
tratamento e utilização preventiva, desequilibrando a 
microbiota; 
 Procedimentos cirúrgicos invasivos, uso prolongado de 
cateteres e hospitalização prolongada; 
 Cirurgias de transplantes; 
 Velhice, gravidez e crianças de nascimento prematuro; 
 Reposição hormonal e uso de hormônios esteróides. 
secreção de enzimas hidrolíticas, expressão de adesinas e invasinas, tigmotropismo, bomba de efluxo, formação 
de biofilme e morfologia celular. 
Normalmente, C. albicans coloniza a superfície epitelial (fase 1) e provoca infeções superficiais (fase 2), mas em condições em 
que o hospedeiro está comprometido, o fungo estabelece infeções profundas (fase 3), penetrando mais para o tecido epitelial. 
Ocasionalmente, C. albicans causa infeções disseminadas (fase 4), quepermitem o fungo colonizar e infetar outros tecidos do hospedeiro 
que podem ser fatais. Este processo infecioso envolve numerosos fatores de virulência, incluindo adesinas, produção de enzimas hidrolíticas 
(proteínas Sap, fosfolipases e lipases), formação de hifas e alternância fenotípica... A infeção do epitélio oral por C. albicans é dividida em 
três fases, a adesão, a invasão e a destruição do tecido. 
 Prurido vaginal, corrimento vaginal tipo “queijo cottage”, branco, grumoso, inodoro. Pode haver dispareunia, 
queimação vulvar e irritação, disúria externa ou terminal (ao final da micção) e prurido vulvar. As manifestações intensificam-se no período 
prémenstrual. Ao exame clínico, observam-se eritema e edema da pele dos lábios e vulvar, com possíveis fissuras e maceração da vulva, 
bem como corrimento esbranquiçado e aderido à mucosa, vagina eritematosa, colo do útero sem alterações, pH vaginal ácido (abaixo de 4,5), 
teste de aminas negativo e exame microscópico com evidência de elementos fúngicos.. 
 baseia-se no quadro clínico e no exame a fresco. O exame a fresco do conteúdo vaginal é feito por meio de microscopia 
óptica comum, com visualização dos filamentos do fungo — hifas. 
 
 
Vulvovaginites e vaginoses são as causas mais comuns da queixa de corrimento vaginal, as quais correspondem a 90% das 
vaginites. 
desequilíbrio da microbiota normal, com a redução 
acentuada dos lactobacilos e intensa proliferação de outros micro-
organismos. Ocorre tipicamente em pacientes submetidas a sucessivos 
episódios de alcalinização do meio vaginal, como coito frequente com 
ejaculação vaginal (o sêmen é alcalino), pacientes que costumam realizar 
duchas vaginais e pacientes que recebem sexo oral frequentemente, 
pois o pH da saliva é mais alcalino do que o da vagina. Muitas vezes, a 
alcalinização do ambiente vaginal ocorre sem nenhum fator 
predisponente. 
Fluido branco-acinzentado, de quantidade 
discreta a moderada, sem sinais inflamatórios em paredes vaginais, 
ectocérvice ou vulva, porém muito fétido — odor “de peixe podre”. Em 
alguns casos é possível identificar a presença de bolhas muito pequenas (microbolhas) na secreção. 
Características clínicas da secreção vaginal e pH alcalino associado à microscopia com leucócitos ausentes — não é vaginite, 
e sim vaginose; geralmente, não há sinais de irritação vulvar; realiza-se também o teste do KOH (teste das aminas ou de whiff), com 
liberação de odor de peixe semelhante ao das aminas. No teste das aminas positivo, coloca-se a secreção vaginal em uma lâmina e adiciona-se 
uma gota de KOH (hidróxido de potássio) a 10%, conseguindo a liberação das aminas voláteis (putrescina e cadaverina), que têm odor 
extremamente desagradável. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BEZERRA, ELIANDERSON LIRA. PRINCIPAIS ALTERAÇÕES CITOLÓGICAS, PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA INFECÇÃO POR 
Trichomonas vaginalis. Orientador: Dr. Gustavo Santiago Dimech. 2017. Monografia (Especialista em Citologia clínica) - INSTITUTO NACIONAL DE 
ENSINO SUPERIOR E PESQUISA CENTRO DE CAPACITAÇÃO EDUCACIONAL, 2017. 
KUMAR et al. Robbins & Cotran Patologia -Bases Patológicas das Doenças. Editora Elsevier, 2010 
FATORES RELACIONADOS A CANDIDÍASE VULVOVAGINAL NAS MULHERES EM SEU CICLO VITAL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA. RECIMA21 - 
Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, 3(10), e3102021.