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1 GOVERNO DO ESTADO DO ACRE SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO, CULTURA E ESPORTE. COLÉGIO MILITAR ESTADUAL DOM PEDRO II CADERNO COMPONENTE CURRICULAR: HISTÓRIA – 9ºano ESTUDANTE:________________________________________________________Nº__ TURMA:____ PROFESSOR: JEFTER DA CUNHA NASCIMENTO REFERÊNCIA: 3º Bimestre AULA 01 Neocolonialismo A industrialização do continente europeu marcou um intenso processo de expansão econômica. O crescimento dos parques industriais e o acúmulo de capitais fizeram com que as grandes potências econômicas da Europa buscassem a ampliação de seus mercados e procurassem maiores quantidades de matéria-prima disponíveis a baixo custo. Foi nesse contexto que, a partir do século XIX, essas nações buscaram explorar regiões na África e Ásia. Gradativamente, os governos europeus intervieram politicamente nessas regiões com o interesse de atender a demanda de seus grandes conglomerados industriais. Distinto do colonialismo do século XVI, essa nova modalidade de exploração pretendia fazer das áreas dominadas grandes mercados de consumo de seus bens industrializados e, ao mesmo tempo, polos de fornecimento de matéria-prima. Além disso, o grande crescimento da população europeia fez da dominação afro- asiática uma alternativa frente ao excedente populacional da Europa que, no século XIX, abrigava mais de 400 milhões de pessoas. Apesar de contarem com grandes espaços de dominação, o controle das regiões alvo da prática neocolonial impulsionou um forte acirramento político entre as potências europeias. Os monopólios comerciais almejados pelas grandes potências industriais fizeram do século XIX um período marcado por fortes tensões políticas. Em consequência à intensa disputa dos países europeus, o século XX abriu suas portas para o primeiro conflito mundial da era contemporânea. Somado aos interesses de ordem político-econômica, a prática imperialista também buscou suas bases de sustentação ideológica. A teoria do darwinismo social, de Hebert Spencer, pregava que a Europa representava o ápice do desenvolvimento das sociedades humanas. Em contrapartida, a África e a Ásia eram um grande reduto de civilizações “infantis” e “primitivas”. Influenciado por esse mesmo conceito, o escritor britânico Rudyard Kipling defendia que o repasse dos “desenvolvidos” conceitos da cultura europeia aos afro-asiáticos representava “o fardo do homem branco” no mundo. 2 Com relação à África, podemos destacar a realização da Conferência de Berlim (1884 – 1885) na qual várias potências europeias reuniram-se com o objetivo de dividir os territórios coloniais no continente africano. Nessa região podemos destacar o marcante processo de dominação britânica, que garantiu monopólio sob o Canal de Suez, no Norte da África. Fazendo ligação entre os mares Mediterrâneo e Vermelho, essa grande construção foi de grande importância para as demandas econômicas do Império Britânico. Na região sul, os britânicos empreenderam a formação da União Sul-Africana graças às conquistas militares obtidas na Guerra dos Bôeres (1899 – 1902). Na Índia, a presença britânica também figurava como uma das maiores potências coloniais da região. Após a vitória na Guerra dos Sete Anos (1756 – 1763), a Inglaterra conseguiu formar um vasto império marcado por uma pesada imposição de sua estrutura político-administrativa. A opressão inglesa foi alvo de uma revolta nativa que se deflagrou na Guerra dos Sipaios, ocorrida entre 1735 e 1741. Para contornar a situação, a Coroa Inglesa transformou a colônia indiana em parte do Império Britânico. Resistindo historicamente ao processo de ocupação, desde o século XVI, o Japão conseguiu impedir por séculos a dominação de seus territórios. Somente na segunda metade do século XIX, que as tropas militares estadunidenses conseguiram forçar a abertura econômica japonesa. Com a entrada dos valores e conceitos da cultura ocidental no Japão, ocorreu uma reforma político-econômica que industrializou a economia e as instituições do país. Tal fato ficou conhecido como a Revolução Meiji. Com tais reformas, o Japão saiu de sua condição econômica feudal para inserir-se nas disputas imperialistas. Em 1894, os japoneses declararam guerra à China e passaram a controlar a região da Manchúria. Igualmente interessados na exploração da mesma região, os russos disputaram a região chinesa na Guerra Russo-Japonesa, de 1904. Após confirmar a dominação sob a Manchúria, os japoneses também disputaram regiões do oceano Pacífico com os EUA, o que acarretou conflitos entre essas potências, entre as décadas de 1930 e 1940. Outras guerras e conflitos foram frutos do neocolonialismo. Entre elas, podemos inclusive destacar a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Por fim, percebemos que a solução obtida pelas nações industriais frente à questão de sua superprodução econômica teve consequências desastrosas. O imperialismo foi responsável por uma total desestruturação das culturas africanas e asiáticas. Na atualidade vemos que as guerras civis e os problemas socioeconômicos dessas regiões dominadas têm íntima relação com a ação imperialista. Referências: SOUSA, Rainer Gonçalves. "Neocolonialismo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/neocolonialismo.htm. Acesso em 19 de janeiro de 2023. AULA - 02 Primeira Guerra Mundial: os conflitos europeus tomam o globo Forças italianas ao longo do perímetro defensivo no rio Piave (Foto: Exército Italiano | Wikimedia). 3 A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi um conflito iniciado por países europeus que atingiu uma proporção até então inédita: uma guerra global. Além de países de vários continentes – incluindo o Brasil – terem se envolvido na disputa, as batalhas também se espalharam para além do continente europeu. É sobre a Grande Guerra, suas causas e consequências, Antecedentes da Primeira Guerra Mundial A Primeira Guerra Mundial foi fruto de numerosas tensões europeias herdadas do século XIX. Para compreender o conflito, algumas dessas disputas devem ser destacadas: Revolução Industrial e Imperialismo A Segunda Revolução industrial, iniciada em 1870, elevou a competição entre empresas – e também entre os Estados – a um novo nível. Pequenas indústrias faliam ou eram compradas por empresas muito maiores do mesmo ramo, formando os trustes. Os trustes buscavam monopolizar a produção, o preço e o mercado de determinado produto. Contudo, para uma indústria crescer tanto, algumas coisas eram necessárias: mercado consumidor, mão de obra e matéria-prima. Eventualmente, esgotaram-se esses fatores na Europa, o que levou os países do Velho Mundo a ter que buscar por novas colônias a fim de ter mercado consumidor, mão-de-obra e matéria-prima, gerando uma corrida imperialista. Além disso, essa corrida conferiu uma nova importância aos antigos territórios europeus na África e na Ásia, já ocupados séculos antes. A partir de então, ter colônias era essencial para alimentar a Segunda Revolução Industrial. Com as colônias se tornando mais essenciais aos europeus no fim século XIX, alguns países passaram a questionar a forma que esses territórios foram divididos entre as potências. Aqui destaca-se a Alemanha, que havia se unificado tardiamente (1871) e ficado de fora da partilha das colônias. Como forma de “acalmar os ânimos”, os países europeus reuniram-se no encontro conhecido como Conferência de Berlim (1884-85). Assim, estabeleceram-se as regras para a colonização do continente africano e foram distribuídas as terras entre os participantes da conferência. Corrida armamentista e paz armada A disputa entre os países não ficou apenas no setor econômico. Como o crescimento de um Estado gerava desconfiança em seus vizinhos, que temiam perder seus territórios para a expansão imperialista do outro, os países passaram a fortalecerseu estoque de armas. Foi a Segunda Revolução Industrial, com suas máquinas elétricas e motores a combustão, que permitiu o crescimento da produção bélica em uma escala inédita. Isso culminou em um fenômeno conhecido como “paz armada”, que durou de 1871 até o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Ou seja, conforme a Alemanha crescia, por exemplo, a desconfiança por parte da Inglaterra aumentava. Buscando garantir sua segurança, os ingleses fortaleciam suas Forças Armadas para estarem preparados caso os alemães agissem de forma prejudicial a seus interesses. Consequentemente, a Alemanha também se sentia ameaçada e acabava fortalecendo seu arsenal bélico. A lógica da paz armada é bem representada pela frase “se queres a paz, prepare-se para a guerra”. Assim, com os Estados cada vez mais armados, as relações internacionais na Europa mantiveram-se consideravelmente estáveis. Contudo, mesmo sem esses países entrarem em guerra, diversos ressentimentos foram acumulados e, eventualmente, culminaram na Primeira Guerra Mundial. Alemanha colecionava inimigos 4 O período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial também foi marcado por um antigermanismo generalizado. Em outras palavras, muita gente não estava gostando da ascensão política e econômica que a Alemanha vinha conquistando desde sua unificação. A França, que perdeu a Guerra Franco-Prussiana (1870-71) e teve que entregar a região da Alsácia- Lorena – rica em minério de ferro – aos alemães, cultivava um sentimento de revanche. Por sua vez, os russos não reagiram bem à tentativa alemã de construir uma estrada de ferro ligando Berlim a Bagdá, capital do Iraque. A insatisfação era justificada pelo fato de a estrada cortar regiões ricas em petróleo, sobre as quais a Rússia pretendia estender sua influência. Já os ingleses não estavam contentes com a concorrência industrial alemã, que ameaçava o monopólio da Inglaterra em diversos mercados. Os Estados Unidos também compartilhavam dessa visão, pois viam a influência política e econômica da Alemanha se espalhar por importantes países da América, como o Brasil. Tensões no Império Austro-Húngaro A Áustria-Hungria, fundada em 1867, era um império multinacional que sofria para manter-se unificado. Por ser composto por muitas nações, o Império Austro-Húngaro lidava constantemente com movimentos separatistas. Mesmo já passando sufoco com nacionalismos exaltados, os austro-húngaros não deixavam de anexar novos territórios. Foi o caso da Bósnia, ocupada desde 1878 e definitivamente anexada ao Império em 1908. Essa anexação, no entanto, desagradou aos sérvios e russos, que também tinham interesses na região. Assim, a inimizade entre a Áustria-Hungria e a Sérvia aprofundou-se significativamente. A partir daí, diversas guerras internas esquentaram os ânimos na região. Será que já dava para sentir o cheiro de Primeira Guerra Mundial no ar? [H3] Alianças militares Em meio a tantas tensões, as potências europeias firmaram alianças políticas e militares para buscar garantir sua segurança mútua. Em 1882, Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha formaram a Tríplice Aliança. Posteriormente, em 1907, foi a vez de França, Rússia e Reino Unido juntarem-se na Tríplice Entente. Ambas as coalizões comprometiam-se a apoiar seus aliados em caso de ataque, tendo assim caráter de tratados de defesa. Estoura a Primeira Guerra Mundial Lembra da Bósnia? Então, os bósnios não gostaram muito de serem anexados ao Império Austro-Húngaro e, buscando apaziguar a situação, o herdeiro do trono austríaco – Francisco Ferdinando – e sua esposa fizeram uma visita à região. Nessa visita, em 28 de junho de 1914, houve um passeio em carro aberto que não acabou bem: Ferdinando e sua esposa, Sofia, foram assassinados. O culpado? Um estudante bósnio conectado com a Mão Negra – uma organização nacionalista sérvia adepta ao terrorismo. Aí as coisas pioraram de vez. Após o atentado, a Áustria-Hungria enviou uma carta à Sérvia demandando que representantes do Império participassem do tribunal que julgaria Gavrilo Princip, autor do ataque. Outra exigência feita era de que os ministros suspeitos de participarem no crime fossem demitidos. Como a Sérvia não atendeu às exigências, os austro-húngaros declaram guerra ao país. O que poderia ter sido apenas mais uma das muitas guerras europeias toma proporções gigantescas. A Rússia, que tinha tratados de amizade e defesa com a Sérvia e cultivava inimizades com 5 o Império Austro-Húngaro, partiu em socorro de seu aliado. Assim, iniciou-se um efeito dominó que acionou as principais alianças militares do continente: Tríplice Entente e Tríplice Aliança. Portanto, o assassinato de Francisco Ferdinando é considerado a “gota d’água” que fez as inúmeras tensões acumuladas entre as potências europeias transbordarem na Primeira Guerra Mundial. O decorrer da Primeira Guerra Mundial Pouco mais de um mês depois do assassinato de Ferdinando, no dia 3 de agosto de 1914, França, Rússia, Áustria-Hungria e Alemanha já estavam em guerra. Depois que a Alemanha marchou sobre a Bélgica – desrespeitando a neutralidade do país – o Reino Unido, que também estava neutro até então, entrou no conflito. A Turquia aliou-se à Tríplice Aliança e o Japão, interessado em domínios germânicos no Extremo Oriente, juntou-se à Entente. O Japão não foi o único país a reforçar o bloco inimigo à Alemanha. Outras 24 nações juntaram-se à Tríplice Entente, formando uma grande coalizão que recebeu o nome de Aliados. Abaixo, o Politize! preparou uma lista com o posicionamento dos países na Primeira Guerra Mundial: A Primeira Guerra Mundial, então, desenrolou-se em dois grandes momentos: a guerra de movimento e a guerra de trincheiras. Guerra de movimento Durante o primeiro estágio da guerra, as potências envolvidas ainda acreditavam que o conflito seria resolvido rapidamente. Na guerra de movimento, os países mobilizavam seus exércitos em direção às fronteiras. Esse momento da Primeira Guerra Mundial durou até a Batalha de Marne, em setembro de 1914, confronto no qual tropas alemães, que buscavam continuar avançando sobre a França, foram interrompidas pelos franceses. Quatro dias depois do início da batalha, ajuda britânica chegou, reforçando a resistência ao avanço alemão. Acuada, as tropas da Alemanha buscaram saída em direção ao Oceano Atlântico, próximo ao Reino Unido, mas foram novamente impedidos de avançar, dessa vez pela Bélgica. Essa e outras batalhas da guerra de movimento também foram caracterizadas pelos altos custos materiais e muitas mortes. Como a tentativa de avanço das tropas era – além de cara – inútil, os países mudaram a estratégia. Guerra de Trincheiras Como havia um equilíbrio de força entre as Tríplices Entente e Aliança no início da Primeira Guerra Mundial, os exércitos cavaram trincheiras de forma a manter terreno e aguardar a chance de 6 atacar para conseguir avançar. O espaço entre as duas trincheiras inimigas era conhecido como “terra de ninguém” e qualquer um que pisasse ali tornava-se alvo de disparos de todos os lados. Essas valas tinham cerca de dois metros de profundidade e tornaram-se complexos onde soldados podiam descansar e feridos podiam receber atendimento médico. Em locais chuvosos, como nos terrenos da França e da Bélgica, a água acumulada nas trincheiras facilitava a transmissão de doenças. Além de ter que lidar com as más condições físicas dessas valas, os soldados também se viam em meio a uma guerra psicológica. Isso porque o combate não era constante. Na verdade, a maior parte da ação consistia em vigiar os movimentos inimigos. Antes de os soldados efetivamente avançarem sobre a “terra de ninguém”, aviões e canhões entravam em ação, atacando a fronteira inimiga. Armas químicas, apesar de proibidas, também eram amplamente usadas, como o gás de cloro e o gás mostarda. Só depois de todo esse ataque é que osexércitos procuravam avançar. Esse estágio da Primeira Guerra Mundial durou até 1918. Estima-se que 400 km de trincheiras tenham sido cavados na frente de batalha ocidental. Esse front, que se estendia desde o Canal da Mancha (Bélgica) até a fronteira da Suíça tinha, ao todo, cerca de 645 km de extensão. Na figura abaixo é possível visualizar o posicionamento das trincheiras. Os Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial Como a Primeira Guerra Mundial durou muito mais tempo do que o esperado pelos países envolvidos, diversos Estados abandonaram o conflito. Alguns não tinham mais condições sociais e econômicas de permanecerem na guerra devido aos altos custos e inúmeras perdas. Outra alteração nas alianças deveu-se ao fato de a Itália mudar de lado em 1915 e passar a combater a Alemanha. A Rússia, importante membro da Tríplice Entente, após ser derrotada pelos alemães no front oriental, assinou um tratado de paz com a Alemanha em março de 1918 e se retirou do conflito, devido às pressões da Revolução Russa. Com os russos fora da Primeira Guerra Mundial e o risco de a Alemanha conseguir avançar para o Ocidente, já que não precisava mais dividir seu exército para travar batalhas no Oriente, os Estados Unidos ficaram preocupados. Não era do interesse dos norte-americanos que a Alemanha saísse vitoriosa do conflito, já que os países eram ferrenhos concorrentes comerciais. Além disso, os Estados Unidos forneciam armas aos países da Entente em um sistema de crédito, que permitia aos países compradores pagar suas dívidas após a guerra. Caso esses Estados fossem derrotados, os norte- americanos teriam prejuízo. Em 1917, sete navios estadunidenses foram atacados pelos alemães e descobriu-se que o governo da Alemanha tentava convencer o México a atacar os Estados Unidos. Assim, os norte- americanos finalmente entraram na Primeira Guerra Mundial, ficando conhecidos como a “Potência Associada” à Tríplice Entente. O Brasil na Primeira Guerra Mundial Entretanto, os Estados Unidos não foram o único país da América a entrar na guerra. Neutros desde 1914 por conta de parcerias com a Alemanha e da significativa parcela de imigrantes alemães no sul do país, o Brasil mudou de posição em 1917. Relações diplomáticas foram cortadas quando navios brasileiros foram atacados por alemães no litoral da Europa. O ataque não agradou a opinião 7 pública brasileira e, como resposta, o governo confiscou mais de 40 navios alemães ancorados no Brasil. Posteriormente, a Alemanha atacou outro navio brasileiro, o Macau. Assim, em outubro de 1917 o país declarou guerra aos alemães, sendo o único país da América do Sul a efetivamente envolver-se no conflito. A contribuição do Brasil foi modesta e consistiu no envio de enfermeiros e medicamentos à Tríplice Entente. Pequenas tropas do Exército Brasileiro e da Marinha também foram adicionadas às forças britânicas. Contudo, o episódio mais significativo da participação brasileira na Primeira Guerra Mundial foi protagonizado pela esquadra naval enviada para patrulhar a costa noroeste da África e o Mediterrâneo. Em novembro de 1918, em Gibraltar, a tropa brasileira pensou ter avistado um submarino alemão. Com a possibilidade de serem atacados, os marinheiros abriram fogo contra os supostos submarinos, descobrindo que na verdade tratava-se de um cardume de toninhas (animais semelhantes aos golfinhos). Apesar de não ser um erro tão incomum durante batalhas navais, o episódio repercutiu e ficou conhecido como a Batalha das Toninhas. Fim da Primeira Guerra Mundial Em julho de 1918, tropas britânicas, francesas e norte-americanas mobilizaram-se para o que seria o ataque definitivo, conhecido como Ofensiva dos Cem Dias. Com uma série de ataques rápidos e eficientes, os Aliados levaram Bulgária, Turquia e Áustria-Hungria à rendição. Mesmo assim, os alemães não se rendiam. A fome e as condições sociais precárias na Alemanha levaram o país à beira de uma revolução. Os soldados alemães também ameaçavam realizar motins contra a recusa dos seus líderes de assinar a rendição, mesmo após as seguidas derrotas e inúmeras mortes. O kaiser (imperador) alemão se viu forçado a renunciar e um governo provisório foi responsável por se render. No dia 11 de novembro de 1918 acabava a Primeira Guerra Mundial. Referências: Morais, Pâmela. Primeira Guerra Mundial: Os conflitos europeus tomam o globo. Politize. Disponível em: https://abrir.link/SICBJ acesso em 19/01/2023 AULA 03 Revolução Russa A Revolução Russa, considerada um dos maiores acontecimentos do século XX, vai além do fim do czarismo. Seu legado esteve presente em diversos fatos históricos posteriores. https://abrir.link/SICBJ%20acesso%20em%2019/01/2023 8 Cabeça da estátua de Alexandre III derrubada durante a Revolução Russa de 1917. A Revolução Russa, de 1917, foi a concretização de uma série de revoltas pelas quais o país passava desde 1905 e que tiveram várias consequências, como o fim do czarismo (monarquia) e a tomada de poder pelos socialistas. Naquele contexto, a Rússia poderia ser chamada de atrasada, pois, em pleno XX, preservava práticas ainda feudais, era agrária e dominada por czares (imperadores). As primeiras revoltas, que antecederam a revolução, foram contra os privilégios da nobreza e clero, mas também contra gastos de guerra (contra o Japão, batalha que a Rússia perdeu). Vemos as consequências da Revolução Russa como fato histórico até, no mínimo, 1989, com a queda do Muro de Berlim, já que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), formada depois da revolução, existiu até a década de 1990 e, em anos anteriores, confrontou os EUA, dividindo o mundo entre socialistas e capitalistas na Guerra Fria. A Revolução Russa data de 1917, mas pelo menos desde 1905 existiam manifestações no país que culminaram na tomada do poder pelos sovietes. A Rússia antes da revolução era agrária, “feudal”, dominada por clero (Igreja Ortodoxa), nobreza e czares (imperadores). A população se revoltou contra essas camadas sociais que tinham privilégios sociais enquanto passava fome. Somou-se a isso a perda da guerra para o Japão, em 1905. Diante dos grandes gastos bélicos, a população continuava à míngua. Assim, aconteceu a Revolução de 1905. A população revoltosa estava organizada no Partido Operário Social-Democrata, que, por sua vez, era dividido entre mencheviques e bolcheviques (minoria e maioria, respectivamente). Uns pensavam que deveriam acontecer reformas burguesas antes da revolução, e outros queriam a revolução proletária prontamente. Em 1914, na I Guerra Mundial, a Rússia esteve na Tríplice Entente, junto da Inglaterra e França, porém, perdeu importantes batalhas. Em fevereiro de 1917, após grandes rebeliões, aconteceu a renúncia do czar, que assumiu um governo provisório. Em outubro de 1917, os bolcheviques realizaram a tomada do Palácio de Inverno, e aconteceu a Revolução Russa, de fato, tendo Lenin como primeiro governante. Várias medidas foram adotadas na economia. A Rússia também se retirou da I Guerra Mundial, porém, os opositores da revolução organizam um exército, e ocorreu uma guerra civil na Rússia. Após a guerra civil, visando à unificação e coesão, foi formada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que perdurou até 1991, porém, já com ideais muito diferentes dos revolucionários de 1917. Antecedentes históricos da Revolução Russa A Rússia no início do século XX era o que o restante da Europa poderia considerar “atrasada”, já que era majoritariamente rural, e seus poderes, ainda divididos quase como na Idade Média: entre nobreza (no caso, proprietários rurais) e clero (nesse caso, a Igreja Ortodoxa). Foram vãs as tentativas, ainda no século XVIII, do czar Pedro, O Grande de modernizar o país, que adotou novos modelos de educação e administração, transferiu a capital de Moscou para São Petersburgo para torná-lauma “janela para a Europa” — enfim, ele desejou ocidentalizar a Rússia. 9 Somente em meados de XIX começaram os primeiros movimentos no sentido da industrialização e modernização, que sempre se chocavam com a estagnação rural comandada pelos grandes proprietários de terra, chamados boiardos. A Rússia era governada pelos czares (o mesmo que “imperadores”). Lá, uma mesma dinastia estava no poder desde 1613: os Romanov. A burguesia, vendo o que acontecia na Europa, almejava o mesmo: industrializar-se para também obter dividendos e não continuar servindo ao Estado, como sempre fora. Os últimos czares antes da revolução começaram a se preocupar com a modernização russa, mas já era tarde demais. Alexandre II aboliu a servidão e eliminou dívidas, mesmo assim, acabou assassinado por revolucionários. Alexandre III, seu herdeiro, reprimiu anarquistas e marxistas e, finalmente, conseguiu impulsionar a indústria, porém, com capital francês, inglês, belga e alemão. A Rússia passou a ter, então, por um lado, alguns elementos modernos e, por outro, a oligarquia agrária. Nicolau II, o último czar, não fugindo à tradição (que também incomodava o povo: os altíssimos gastos em guerras), disputou e desta vez perdeu a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). Nicolau II — o último dos czares. Mencheviques e bolcheviques Como vimos, os czares tinham muitos opositores. Entre esses, alguns se organizaram por seus ideais políticos, como os niilistas (anarquistas defensores das ideias de Bakunin), socialdemocratas (acreditavam na social-democracia, mas não como é hoje, já que incorporavam alguns ideais marxistas), narodnikis (a tradução literal é “ir ao povo”, logo, eram populistas) e os que mais se destacaram: os mencheviques e os bolcheviques. Esse destaque veio com o Congresso do Partido Socialdemocrata (POSDR), em 1903, que dividiu ambos em lados diferentes de acordo com o que pensavam sobre o desenvolvimento da Rússia. Assim: Mencheviques: eram os minoritários. Achavam que primeiramente seria necessário que o capitalismo russo se desenvolvesse para depois lutarem pelo socialismo. Para isso, eram necessárias reformas progressistas, feitas na Duma (Parlamento), que seriam lideradas pela burguesia (Revolução Burguesa) contra o czarismo. Bolcheviques: eram majoritários. Defendiam que a Revolução Socialista ocorresse de forma imediata, com a instalação da Ditadura do Proletariado e a aliança entre operários e camponeses. Seu https://brasilescola.uol.com.br/historiag/socialismo.htm 10 líder era Lenin e tinham o apoio dos sovietes, conselho de trabalhadores e soldados que, a partir da Revolução de 1905, obteve poderes executivos e legislativos, com representantes advindos de quartéis e fábricas. Revolução de 1905 A Revolução de 1905 foi, na verdade, uma série de movimentos da população russa, faminta, contrária às medidas czaristas, à crise econômica que enfrentava e à participação da Rússia em uma guerra contra o Japão, que gerou enormes gastos bélicos. A Guerra Russo-Japonesa foi uma disputa imperialista (ou seja, por mais terras) da Rússia e do Japão pela Crimeia e a Manchúria. O estrondoso fracasso do czar estimulou as forças de oposição, que, como vimos, já eram muitas. Nicolau II, percebendo tal movimentação, passou a conter, com muita violência, atos que seriam até então pacíficos. Como foi o caso do que depois ficou conhecido como “Domingo Sangrento”, quando pessoas, mesmo cantando o hino “Deus salve o czar”, foram exterminadas, apenas por apresentarem, também, algumas queixas. Com isso, Nicolau II caiu mais ainda em descrédito e se viu obrigado a assinar o Tratado de Portsmouth, que acabou com a guerra, em 5 de setembro de 1905, entregando ao Japão partes importantes de seu território — entre eles, a Coreia. Os sovietes foram criados nesse contexto, quando o czar lançou o Manifesto de Outubro, em que prometia uma monarquia constitucional e parlamentar. Assim, não só os sovietes passaram a existir, como também a Duma (Parlamento, também já mencionado). O problema era que Nicolau II não largaria o poder tão facilmente e lançou decretos que o colocavam acima da Duma. Parlamentares não satisfeitos protestaram, ao passo que o czar dissolveu a instituição, colocando em seu lugar outro Parlamento, agora censitário, ou seja, com base em quem tinha posses. Esse sistema perdurou até 1911, sob a liderança de Stolypin, que, mais tarde naquele ano, foi assassinado por forças opositoras Todo esse período, desde 1905, é considerado por alguns como um “ensaio da Revolução Russa”. Quais as causas da Revolução Russa? A Rússia seguia, como vimos, um modo de produção bastante atrasado. Era majoritariamente rural e se encontrava em um regime ainda feudal. As tentativas de industrialização, ao longo da história, várias vezes não deram certo, o que fez com que a aristocracia, ou seja, os nobres, concentrasse toda a riqueza, enquanto o restante do povo vivia na miséria e na fome. Com o tempo, várias ideias contrárias à monarquia absolutista foram surgindo, algumas delas revolucionárias, como as dos mencheviques e bolcheviques, por exemplo. Essas ideias ganharam adesão junto ao povo que passava fome. As repressões do czar, como a do Domingo Sangrento, foram o estopim para a Revolução de 1917. Estouro da Revolução Russa https://brasilescola.uol.com.br/historiag/vladimir-lenin.htm https://brasilescola.uol.com.br/guerras/o-domingo-sangrento-russo.htm https://brasilescola.uol.com.br/guerras/o-domingo-sangrento-russo.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/o-ensaio-revolucionario-1905.htm 11 O que chamamos de Revolução Russa, de fato, foi o estopim, ou seja, a tomada de poder pelos sovietes, em outubro de 1917, que vinham se organizando com a população desde pelo menos 1905, em protesto contra os czares e seus privilégios, a fome e a repressão. Assim como a Guerra contra o Japão foi um gatilho em 1905, a partir de 1914, a Primeira Guerra Mundial também mexeu com a conjuntura interna russa — sendo inclusive apontada por muitos como um dos motivos da revolução —, pois a Rússia fez parte da Tríplice Entente (junto da Inglaterra e França) e, como era um país atrasado, não possuía os mesmos meios tecnológicos das demais nações, o que fez com que perdesse diversas batalhas, inclusive algumas importantíssimas para a Alemanha, que conquistou parte de seu território. Como sabemos, a I Guerra Mundial teve objetivos imperialistas e, no que tange especialmente a Rússia, havia o temor da ascensão alemã e invasão de territórios, pois ela havia passado recentemente por unificação e ameaçava outras nações. O fim do czarismo estava próximo, com os problemas econômicos, a repressão e, agora, mais uma derrota militar, e aconteceu em fevereiro de 1917, como veremos a seguir. Revolução de Fevereiro (Revolução Branca) Em fevereiro de 1917, o czar abdicou de todo o seu poder, após tantos problemas, como crise econômica, derrotas em batalhas importantes e reiteradas manifestações da população durante anos. Assumiu, então, o Governo Provisório, que funcionou como um Parlamento liberal europeu. À frente desse governo estava Alexander Kerenski, que era socialista, porém, reformista (menchevique, como vimos). Esse período é chamado de República da Duma, Revolução de Fevereiro, Revolução Branca ou ainda Revolução Menchevique. Entretanto, a Rússia não tinha saído da guerra, e as pessoas ainda passavam fome, logo, seriam necessárias outras mudanças. Com isso, a oposição bolchevique se fortaleceu nos sovietes. Liderada por Lenin e Trotsky, sob o lema “pão, paz e terra”, indicava, além da saída da guerra, a redistribuição (expropriação e divisão) das grandes propriedades de terra, a fim de ajustar o fornecimento interno de comida para a população. Paralelamente, a Guarda Vermelha ia sendo formada por Trotsky. Posteriormente, essa guarda passou a se chamar Exército Vermelho,pós-revolução. Até então, ela era um grupo revolucionário e armado dos bolcheviques, que visava à tomada do poder. Revolução de Outubro (Revolução Vermelha) Vladimir Lenin foi um dos líderes da Revolução de Outubro https://brasilescola.uol.com.br/historiag/leon-trotsky.htm 12 Em 7 de novembro de 1917 ou 25 de outubro no calendário juliano (que a Rússia ainda usava), os Bolcheviques tomaram o Palácio de Inverno, bombardeando-o, e depois todos os outros prédios públicos russos, que passaram a ser chamados de Conselhos de Comissários do Povo. Kerensky, menchevique que estava à frente do Governo Provisório, fugiu, e assim teve início o governo bolchevique, cuja primeira publicação oficial foi o “Apelo aos trabalhadores e camponeses”, de Lenin, primeiro governante revolucionário. Por meio dela, foi dado “todo o poder aos sovietes”. Uma das primeiras medidas foi também retirar o país da I Guerra Mundial. Quais as consequências da Revolução Russa? A Revolução Russa não é um fato histórico que possa ser explicado apenas pela sucessão de acontecimentos, pois vemos suas consequências até, no mínimo, 1989, com a queda do Muro de Berlim ou, para alguns, até hoje. Mas, se quisermos considerar as consequências imediatas, temos: nacionalização de todas as indústrias e bancos russos; saída da guerra, com a perda de territórios como a Letônia, Lituânia, Estônia, Finlândia, Ucrânia e Polônia; redistribuição das terras no campo. Guerra Civil Russa Claro que tantas mudanças assim não agradaram a todos. Dessa forma, houve a oposição ao governo de Lenin, formada por antigas forças czaristas e mencheviques, que se uniram também aos países que não aceitaram a saída russa da guerra. Esses contrarrevolucionários se organizaram com armas no Exército Branco (em contraposição ao Vermelho) e promoveram uma verdadeira guerra civil, em 1918, que durou até 1921, quando os bolcheviques, mais uma vez, saíram vitoriosos. A saída da Rússia da guerra só foi possível por meio da assinatura de um acordo com a Alemanha, chamado Tratado Brest-Litovsk. Os opositores acreditavam que essa aliança havia prejudicado muito os russos, que perderam territórios e reservas de carvão. Por outro lado, Trotsky, comandante do Exército Vermelho, percebia o quanto este estava enfraquecido para mais batalhas. Lenin, por sua vez, entendia que a guerra era impopular entre o povo desde o começo. Além dos dois exércitos internos, soldados estrangeiros invadiram a Rússia, almejando ajudar a restaurar a monarquia e instabilizar os bolcheviques. Ao longo de três anos, muitos foram mortos em batalhas — estima-se que de quatro a dez milhões de pessoas. Os opositores se enfraqueceram após a vitória final bolchevique, em 1921. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi criada após a Guerra Civil Russa, em 1922, como forma de reunificar o país e outras nações após tantos confrontos. REFERENCIAS: BARBOSA, Mariana de Oliveira Lopes. "Revolução Russa"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/revolucao-russa.htm. Acesso em 21 de janeiro de 2023. AULA 04 REGIMES TOTALITÁRIOS https://brasilescola.uol.com.br/historiag/queda-muro-berlim.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/queda-muro-berlim.htm 13 Ao longo do século XX, uma série de regimes totalitários surgiu, sobretudo no continente europeu. Os regimes totalitários destacados foram: nazismo, fascismo e stalinismo. Durante o auge do totalitarismo (décadas de 1920 e 1930), uma série de regimes democráticos ruiu para o autoritarismo. O totalitarismo é um sistema político caracterizado pelo domínio absoluto de uma pessoa ou partido político sobre uma nação. Dentro do totalitarismo, a pessoa ou partido político no poder controla todos os aspectos da vida pública e da vida privada por meio de um governo abertamente autoritário. O totalitarismo também é marcado pela forte presença de um militarismo na sociedade e é acompanhado por ações do regime com o objetivo de promover sua ideologia por meio de um sistema de doutrinação da população. Os regimes totalitários utilizam-se do terror como arma política para conter e perseguir seus opositores políticos, e a propaganda política é usada de maneira consistente para que a população seja convencida das medidas extremas tomadas por esses regimes. O totalitarismo foi um sistema político que esteve no auge durante as décadas de 1920 e 1930. Seu surgimento aconteceu após a Primeira Guerra Mundial e é considerado pelos historiadores como um reflexo causado por toda a destruição causada por esse conflito. Assim, o autoritarismo começou a ganhar força como solução política para as crises que o mundo enfrentava no pós-guerra, conseguindo adeptos mundo afora. A ascensão do autoritarismo marcou a queda dos valores do liberalismo, que são definidos, da seguinte maneira, pelo historiador Eric Hobsbawm: Esses valores eram a desconfiança da ditadura e do governo absoluto; o compromisso com um governo constitucional com ou sob governos e assembleias representativas livremente eleitos, que garantissem o domínio da lei; e um conjunto aceito de direitos e liberdades dos cidadãos, incluindo a liberdade de expressão, publicação e reunião.|1| O termo “totalitarismo” surgiu durante a década de 1920 para referir-se ao fascismo italiano. Esse sistema político, inclusive, surgiu com o próprio fascismo italiano, regime que alcançou o poder na Itália em 1922, quando Mussolini tornou-se primeiro-ministro do país. Ao longo da década de 1920, a tendência política mundial pendia para o autoritarismo, e o totalitarismo ganhou considerável força após a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha. https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/primeira-guerra-mundial.htm 14 Características dos regimes totalitários Alemães realizando a saudação nazista “Heil Hitler”. O culto ao líder é uma das características de regimes totalitários.* O consenso entre os historiadores determina que as características básicas do totalitarismo inspiram-se em três regimes: fascismo, nazismo e stalinismo. Existe um intenso debate entre esses profissionais sobre se outros regimes, como o Khmer Vermelho, no Camboja, e o atual regime norte- coreano, encaixam-se dentro do conceito de totalitarismo. Apesar desse debate, neste texto levaremos em consideração apenas o nazismo, o fascismo e o stalinismo. As características básicas do totalitarismo são: • Culto ao líder: Os três regimes possuíam um forte culto ao líder, e sua imagem era espalhada em todos os locais possíveis, como escolas, por exemplo. • Unipartidarismo: Todos os totalitarismos suprimiam a existência dos partidos, e somente o partido do governo tinha a permissão de funcionar. • Doutrinação: A população dos regimes totalitários era alvo de intensa doutrinação, que se iniciava com o ensino infantil. Essa doutrinação visava propagar a ideologia do governo. • Centralização do poder: O poder político no totalitarismo é centralizado no líder e/ou no partido. • Uso do terror: O terror era uma arma dos regimes totalitários para amedrontar seus opositores e perseguir grupos enxergados como “inimigos do Estado”. • Censura: A censura era uma prática comum a jornais e à população em geral. Regimes totalitários não aceitavam críticas, denúncias e não aturavam a existência de uma oposição. • Militarização: Exaltação do exército e militarização da sociedade. • Criação de inimigos internos e/ou externos: Esse mecanismo era utilizado como distração ou justificativa para explicar as ações e o autoritarismo do regime. https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/genocidio-cambojano.htm 15 • Nacionalismo exacerbado: O nacionalismo no totalitarismo assumia um viés extremista que pregava a exclusão e perseguição de outros povos ou etnias. Regimes totalitários na Europa Como mencionado, destacaremos neste textoas principais experiências totalitárias que existiram na Europa durante o período entreguerras. Na extrema-direita do espectro político, estão o fascismo italiano e o nazismo alemão, e na extrema-esquerda, está o stalinismo soviético. • Nazismo O Partido Nazista surgiu na Alemanha em 1919 e assumiu o poder do país em 1933, quando Hitler foi nomeado primeiro-ministro alemão.* O nazismo surgiu na Alemanha, com o nome de Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, em 1919. O grande líder do partido foi Adolf Hitler, austríaco nomeado primeiro-ministro da Alemanha em 1933. O crescimento do Partido Nazista na Alemanha foi resultado da crise que se instalou no país após a Primeira Guerra Mundial e a Grande Depressão. Os nazistas organizaram tropas de assaltos (SA) que atuavam para intimidar os opositores do partido, principalmente, os social-democratas e os comunistas. A ideologia do nazismo foi articulada por Hitler em um livro chamado Minha Luta (Mein Kampf, em alemão), escrito durante o período em que esteve preso. A ideologia nazista incorporava elementos como o antissemitismo, isto é, o ódio aos judeus que foi manifestado durante o Holocausto, genocídio responsável pela morte de, aproximadamente, seis milhões de judeus. Além do antissemitismo, outras características do nazismo eram o nacionalismo extremado e o racismo que deram origem à ideia dos germânicos como raça “pura” e “superior” (chamados pelos nazistas de “arianos”). O nazismo também incorporava o antimarxismo, o antiliberalismo, o militarismo, a exaltação da guerra etc. O nazismo governou a Alemanha de 1933 a 1945, período no qual conduziu esse país à guerra. Nesse momento, uma verdadeira ditadura foi instalada, e Hitler preparou seu país, que havia sido derrotado na Primeira Guerra Mundial, para uma guerra contra as potências europeias que haviam participado do combate anterior e vencido a Alemanha. Ao longo da década de 1930, esse último país 16 desrespeitou os termos do Tratado de Versalhes e foi expandindo seu território pela Europa. Para saber mais sobre o nazismo. Fascismo Benito Mussolini e Adolf Hitler, líderes do fascismo e nazismo, respectivamente.* O fascismo surgiu na Itália em 1919, quando Benito Mussolini criou a Fasci Italiani di Combattimento, grupo que, posteriormente, passou a chamar-se Partido Nacional Fascista. A ascensão do fascismo ao poder na Itália aconteceu em 1922, quando foi organizada a Marcha sobre Roma. Durante esse evento, milhares de fascistas de toda a Itália marcharam em direção à Roma, capital do país, para pressionar o rei Vitor Emanuel III a fim de que ele nomeasse Benito Mussolini como primeiro-ministro italiano. A nomeação de Mussolini aconteceu e, em 1925, o primeiro-ministro italiano autoproclamou-se ditador da Itália. O fascismo italiano é considerado o precursor do nazismo na Alemanha e, por conta disso, existem inúmeras semelhanças entre essas duas vertentes totalitárias. Entre as características do fascismo italiano estão: 1. Antiliberalismo; 2. Imposição de um sistema unipartidário no país; 3. Desprezo pelo marxismo; 4. Exaltação de valores tradicionais; 5. Negação de valores modernos; 6. Controle total do Estado sobre a economia, política e cultura. O fascismo governou a Itália de 1922 e 1945 e, durante o período entreguerras, aliou-se com a Alemanha. Quando a Segunda Guerra Mundial iniciou-se, em 1939, italianos e alemães fizeram parte do Eixo, grupo que lutou contra os Aliados. Para saber mais sobre o fascismo Stalinismo https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/benito-mussolini.htm https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/segunda-guerra-mundial.htm 17 Josef Stalin foi líder da União Soviética entre 1924 e 1953.** O stalinismo é usado para referir-se ao período em que a União Soviética foi governada por Josef Stalin. A aplicação da noção de totalitarismo para o stalinismo também é alvo de debates, pois historiadores, como Eric Hobsbawm|2|, afirmam que esse não foi um regime totalitário, enquanto outros, como Hannah Arendt|3| e Timothy Snyder|4| |5|, afirmam o contrário. Josef Stalin assumiu o poder da União Soviética logo após o falecimento de Vladimir Lênin em 1924, mas considera-se o ponto de partida para o stalinismo o ano de 1929, momento em que Stálin tornou-se líder supremo da União Soviética. Manteve-se no poder de maneira tirânica até 1953, quando acabou falecendo. O governo de Stálin é entendido como a experiência totalitária da extrema-esquerda e ficou marcado por perseguições de opositores, expurgos, crise de fome etc. Entre as características do stalinismo, estão: 1. Exclusão da religião da vida pública; 2. Coletivização da economia; 3. Fim da propriedade privada; 4. Censura; 5. Unipartidarismo; 6. Centralização do poder; 7. Perseguição de opositores; 8. Militarização da sociedade etc. Ao longo dos anos em que esteve no poder, o governo de Stalin foi responsável pela execução de milhares de pessoas enxergadas como inimigas do Estado. Além disso, milhões de pessoas foram enviadas para gulags — campos de trabalho forçados —, e milhões também morreram de fome durante o processo de coletivização da terra que ocorreu na década de 1930. Regimes totalitários no Brasil No Brasil não existiu nenhum governo totalitário, mas existiram governos autoritários. Entre os governos autoritários que estiveram no poder em nosso país, estão o Estado Novo, que aconteceu entre 1937 e 1945 https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/estado-novo-1937-1945.htm 18 Ditadura Militar, que aconteceu entre 1964 e 1985. Os dois períodos ficaram marcados pela ausência de liberdades individuais, censura, perseguição, tortura, execução de opositores etc. REFERÊNCIA: SILVA, Daniel Neves. Totalitarismo, História do Mundo. Disponível em: https://shre.ink/1WzP acesso em: 21/01/2023 Aula 05 Movimentos de resistência ao neocolonialismo na África O processo de neocolonialismo iniciou uma violenta ocupação do continente africano, o que foi respondido por movimentos de resistência surgidos em toda a África. Com a chegada dos europeus, movimentos de resistência surgiram em diversas partes do continente africano A partir da segunda metade do século XIX, iniciou-se o neocolonialismo, no qual as nações industrializadas da Europa passaram a ocupar e dominar o continente africano, implantando um grande processo de exploração da África. Esse processo – que está relacionado com o desenvolvimento do capitalismo – encontrou grande resistência em todo o continente africano. Na segunda metade do século XIX, a Europa sofreu intensas transformações que resultaram em grandes avanços tecnológicos. A indústria europeia passou por um crescimento agudo em decorrência da utilização de novas fontes de energia. Houve avanços também na química, na tecnologia de comunicação, nos meios de transporte etc. Esse desenvolvimento tecnológico ficou conhecido como Segunda Revolução Industrial. O desenvolvimento industrial desse período contribuiu para o crescimento e fortalecimento do capitalismo. Uma consequência direta desse processo foi o neocolonialismo, no qual as nações europeias, para dar suporte ao seu crescimento industrial, partiram para a ocupação dos continentes africano e asiático para obter fontes de matérias-primas e novos mercados consumidores. Assim, foi iniciada uma verdadeira corrida pela ocupação do território africano. Essa ocupação foi justificada pelas nações europeias como uma missão civilizatória, no entanto, esse discurso tinha como objetivo mascarar o real objetivo, que era impor uma intensa exploração econômica na África. Uma das consequências desse interesse pelo território africano foi a realização da Conferência de Berlim, reunião que impôs as regras de ocupação e determinou algumas questões relativas ao domínio belga sobre o Congo e sobrea navegação dos rios Congo e Níger. Após a Conferência de Berlim, quase todo o continente africano havia sido ocupado (com exceção de Libéria e Etiópia). Movimentos de resistência A ocupação do continente africano pelas nações europeias não aconteceu pacificamente. Em todo o continente, explodiram movimentos de resistência que enfrentaram a dominação europeia. A https://shre.ink/1WzP 19 vitória dos europeus sobre esses movimentos africanos ocorreu, principalmente, em decorrência de sua tecnologia superior, que lhe permitiram facilidades de comunicação e armamentos mais modernos. A seguir, destacamos algumas informações sobre os movimentos de resistência em diferentes partes do continente africano. Egito Na década de 1880, o Egito possuía um governo alinhado com os interesses otomanos (turcos) e britânicos. O governo liderado pelo quediva (governante instituído pelos otomanos) Tawfik enfrentou, a partir de 1881, uma revolução encabeçada pelo exército que visava libertar o Egito da crescente influência britânica. A chamada Revolução Urabista foi liderada pelo coronel Ahmad Urabi. Esse movimento conseguiu destituir o quediva Tawfik. No entanto, Urabi não sabia que Tawfik havia solicitado ajuda aos britânicos. Pouco tempo depois, os britânicos invadiram o Egito (a invasão aconteceu em 1882), atacaram a cidade de Alexandria e derrotaram o movimento liderado por Urabi. A partir dessa derrota, a resistência egípcia foi enfraquecida e o Egito foi ocupado pelos britânicos até a década de 1950. Somália A Somália passou a ser disputada por Reino Unido, França e, posteriormente, Itália na segunda metade do século XIX. O interesse pelo país era, principalmente, pela sua proximidade com a Índia e outras regiões importantes da Ásia. Os chefes somalis realizaram uma série de acordos com os europeus com o objetivo de reduzir a influência europeia, no entanto, essa estratégia fracassou e os países europeus estenderam seu domínio sobre o interior da Somália. Tempos depois, um movimento de resistência relacionado com o conceito de Jihad (guerra santa do Islã) surgiu sob a liderança de Sayyid Muhammad Abdullah Hassan. A luta de Hassan pela libertação da Somália do domínio europeu permaneceu até sua morte, em 1920, e serviu de inspiração patriótica para movimentos de independência que ocorreram mais tarde. Líbia Segundo Valter Roberto Silvério|1|, na Líbia, o movimento de resistência contra a presença europeia teve maior duração. Esse país estava ocupado pelos otomanos quando foi repentinamente invadido pelos italianos em 1911. Os italianos exerceram um domínio precário sobre algumas cidades líbias e enfrentavam grande resistência no interior. O controle da Itália sobre a Líbia somente foi completamente estabelecido em 1932, durante o governo fascista de Benito Mussolini. Madagáscar O Reino de Madagáscar era independente até a década de 1880 e, liderado pelo primeiro- ministro Rainilaiarivony, passava por um processo de modernização. A intenção de Rainilaiarivony era garantir a independência e a soberania de Madagáscar ao transformá-la em um Estado “civilizado” aos moldes ocidentais. Contudo, os interesses franceses sobre a ilha e a procura por eliminar a influência britânica na região levaram o governo francês a optar por invadir Madagáscar em 1883. O governo de Rainilaiarivony e o processo de modernização do país foram desmantelados pela colonização francesa. As intensas transformações que a sociedade malgaxe enfrentava acabaram por facilitar o domínio francês sobre esse território. Madagáscar tentou garantir sua independência em duas guerras travadas contra os franceses, porém foi derrotada. Movimentos de resistência pipocaram na sociedade malgaxe constantemente até a década de 1920. A independência de Madagáscar só foi obtida oficialmente em 1960. Referência: 20 SILVA, Daniel Neves. "Movimentos de resistência ao neocolonialismo na África"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/movimentos-resistencia-ao-neocolonialismo- na-africa.htm. Acesso em 21 de janeiro de 2023. Aula 06 Segunda Guerra Mundial A Segunda Guerra Mundial foi o conflito mais sangrento da nossa história. De 1939 a 1945, milhões de pessoas perderam suas vidas no campo de batalha. A política expansionista e militarista do nazifascismo provocou um novo conflito mundial. Aliados e Eixo disputaram durante seis anos a vitória na guerra. O Brasil também participou de forma efetiva com as tropas aliadas. O final da Segunda Guerra Mundial trouxe grandes consequências para o mundo. Causas da Segunda Guerra Mundial Para compreender as causas da Segunda Guerra Mundial, é preciso resgatar a forma como terminou a Primeira Guerra Mundial, em 1918. O Tratado de Versalhes, assinado no ano seguinte, impôs severas sanções à Alemanha, que foi considerada a culpada pela guerra. Os alemães saíram derrotados e humilhados do conflito. Além disso, a crise econômica de 1929, originada nos Estados Unidos, rapidamente se espalhou pelo mundo, aprofundando ainda mais os países europeus, que, a muito custo, tentavam reerguer-se dos escombros da guerra. Esse cenário catastrófico, de crise política, social e econômica, fez surgir grupos radicais que prometiam resgatar a grandeza do império alemão de séculos anteriores, vingando a humilhação que o Tratado de Versalhes promoveu ao povo alemão. Adolf Hitler, com seu Partido Nazista, ganhava espaço na política da Alemanha. Em 1933, Hitler foi aclamado como chanceler e tinha em suas mãos todos os poderes para governar os alemães. O Führer, o “líder”, era aclamado por onde passava, e a ele o seu povo prestava juramento de lealdade. A partir desse momento, Hitler tratou de expandir o domínio alemão sobre a Europa, reivindicando territórios que pertenceram ao império alemão. Ele estava disposto a tudo para construir o Terceiro Reich. A Itália também atravessava processo semelhante. Os italianos, assim como os alemães, saíram humilhados da Primeira Guerra Mundial e, durante a década de 1920, enfrentaram uma crise geral, com greves e desemprego. Benito Mussolini liderou o Partido Fascista e foi alçado ao poder em 1922, tornando-se o Il Duce, o grande líder do povo italiano. Com tantas semelhanças entre alemães e italianos, não demorou para que Hitler e Mussolini se aproximassem e fizessem alianças políticas e militares. Pouco antes de começar a guerra, os dois líderes aproximaram-se do Japão, dando início ao Eixo, que lutaria contra os Aliados na Segunda Guerra Mundial. Ao perceber o avanço de Hitler, primeiro na política interna da Alemanha e depois, externamente, ao procurar anexar países, Inglaterra e França decidiram não intervir nas decisões nazistas. Tratava-se da política de apaziguamento. Em vez de atacar o inimigo e provocar outra guerra, os líderes britânicos e franceses decidiram conversar, fazer um acordo com Hitler. Winston Churchill, que, em 1940, seria o premier britânico durante quase toda a guerra, disse uma frase que resumiu essa política: “Entre a desonra e a guerra, vocês escolheram a desonra e terão a guerra.” Ao permitir que Hitler mantivesse o seu expansionismo para evitar uma nova guerra, Inglaterra e França estavam entrando em outro conflito. Hitler também fez um acordo com Josef Stalin, líder da https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/josef-stalin.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/josef-stalin.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/josef-stalin.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/josef-stalin.htm 21 União Soviética, o Pacto Molotov-Ribbentrop, um tratado de não agressão entre os dois países. Hitler não cumpriria esse pacto e, em 1941, invadiria a URSS. O expansionismo nazista, as anexações de territórios e a não intervenção das grandes potências europeia acabaram levando o mundo para outro conflito mundial sem precedentesem nossa história. Em 1º de setembro de 1939, as tropas alemãs invadiram a Polônia. Apesar das inúmeras exigências para que se retirassem do território polonês, elas permaneceram. Com a recusa alemã em cumprir as exigências, Inglaterra e França declararam guerra contra a Alemanha, desencadeando a Segunda Guerra Mundial. Combatentes da Segunda Guerra Mundial Os países que lutaram durante Segunda Guerra Mundial agruparam-se em Aliados e Eixo. Os Aliados eram: Estados Unidos Inglaterra França União Soviética Enquanto o Eixo era formado por: Alemanha Itália Japão Fases e acontecimentos da Segunda Guerra Mundial Primeira fase (1939-1942) Nessa fase, as tropas do Eixo avançaram rapidamente pela Europa. Em 1940, as tropas nazistas já ocupavam grande parte da França. Hitler fez questão de que a rendição francesa fosse assinada no mesmo vagão de trem que, em 1918, os alemães renderam-se logo após a derrota na Primeira Guerra Mundial. A Inglaterra foi atacada por aviões alemães. Em 1940, Winston Churchill foi eleito primeiro- ministro e iniciou a reação inglesa contra o ataque inimigo. Essa fase favorável ao Eixo encerrou-se em 1941, quando as tropas nazistas foram derrotadas na União Soviética, após invasão ordenada por Hitler. Em dezembro do mesmo ano, os Estados Unidos foram atacados por kamikazes japoneses em sua base aérea de Pearl Harbor, no Oceano Pacífico. Os norte-americanos, com esse ataque, entraram na guerra. Segunda fase (1943-1945) A segunda fase da guerra foi definitiva para o término do conflito. Com a entrada dos Estados Unidos e da União Soviética no confronto, ingleses e franceses contaram com ajudas importantes para responder aos ataques nazifascistas. As tropas aliadas iniciaram o contra-ataque e reverteram o avanço do Eixo obtido na primeira fase. Do lado oriental, as tropas soviéticas; do lado ocidental, as tropas americanas, inglesas e francesas. Na Europa, o Eixo foi perdendo espaço e sendo encurralado pelos Aliados. Benito Mussolini foi o primeiro líder a ser derrotado. Um dos dias mais marcantes para os Aliados na Segunda Guerra Mundial foi o dia 6 de junho de 1944, que entrou para a história como o Dia D. Nessa ocasião, ocorreu o desembarque dos aliados na Normandia, norte da França, ato que foi decisivo para encaminhar o Eixo à derrota ao iniciar a libertação francesa do domínio nazista. A Itália foi o primeiro país do Eixo a se render, em 1943. Dois anos depois, veio a derrota nazista. Percebendo que a vitória dos Aliados era uma realidade, o Führer suicidou-se. Logo em seguida, os alemães renderam-se aos aliados, em 8 de maio de 1945. Esse dia foi comemorado como o Dia da Vitória. A Segunda Guerra na Europa já tinha terminado, mas, no Pacífico, os japoneses não assinaram a rendição e continuaram o combate, principalmente contra as tropas norte-americanas. Bombas atômicas A recusa do Japão em render-se e a vingança ao ataque a Pearl Harbor fizeram com que os Estados Unidos lançassem duas bombas atômicas nas cidades japonesas de Hiroshima, em 6 de agosto 22 de 1945, e Nagasaki, dois dias depois. A destruição foi enorme e o imperador Hirohito não teve alternativa senão a rendição. Bomba atômica lançada pelos Estados Unidos em Nagasaki (Japão), em agosto de 1945. Brasil na Segunda Guerra Mundial No começo da Segunda Guerra Mundial, o Brasil optou pela neutralidade. Getúlio Vargas governava o país como ditador desde 1937, quando deu o golpe do Estado Novo. Apesar da simpatia que ele e integrantes do governo tinham pelo nazifascismo, no primeiro momento, a neutralidade prevaleceu. O Brasil tinha acordos econômicos com potências europeias, e qualquer posicionamento brasileiro poderia comprometê-los. A situação mudou a partir de 1942. O presidente norte-americano Franklin Roosevelt visitou o Brasil e teve um encontro com Vargas em Natal (RN). A base aérea da capital potiguar era estratégica para os aviões aliados deslocarem-se pelo Atlântico e atacarem o Eixo no norte da África e, em seguida, no sul europeu. O Brasil cederia a base aérea de Natal e, em troca, os Estados Unidos concederiam empréstimos para Vargas continuar sua política de investimento na indústria de base. Assim, o Brasil rompeu relações diplomáticas com os alemães e declarou guerra ao Eixo. Ao contrário do que ocorreu na Primeira Guerra Mundial, o Brasil enviou tropas para a guerra na Europa. Em 1944 foi criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que foi lutar contra as tropas nazistas na Itália. Apesar da rendição italiana no ano anterior, o país ainda tinha muitas tropas alemãs por lá. A participação da FEB foi vitoriosa, pois derrotou várias tropas inimigas. A vitória mais conhecida foi a conquista de Monte Castelo. A Força Expedicionária Brasileira teve papel fundamental na vitória sobre as tropas nazistas na Itália. Fim da Segunda Guerra Mundial A Segunda Guerra Mundial terminou em 1945, deixando como saldo uma Europa devastada, o mundo horrorizado com a abertura dos campos de concentração e duas superpotências surgindo: Estados Unidos, capitalista; União Soviética, comunista. 23 Em Londres, a família real e o premier Winston Churchill acompanham as comemorações do Dia da Vitória, em 8 de maio de 1945. Consequências da Segunda Guerra Mundial É claro que o mundo não seria o mesmo depois do final da Segunda Guerra Mundial. A Europa não teria mais a força política, econômica e cultural que teve durante séculos. As potências europeias, tanto as que venceram como as que perderam, não tinham condições de manter suas colônias na Ásia e na África. Esse enfraquecimento da Europa abriu espaço para o processo de descolonização, ou seja, a independência dessas colônias. A Alemanha teve seu território e sua capital, Berlim, dividida em zonas de influência dos países vencedores. Iniciava-se o processo de desnazificação do país ao se destruir os símbolos ligados ao nazismo e a Adolf Hitler. As propagandas que exaltavam o Füher foram banidas. Nazistas foram julgados e condenados à morte no Tribunal de Nuremberg. Pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética já esboçavam suas diferenças sobre o mundo a ser formado após o conflito. Em 1947, começava a Guerra Fria, na qual americanos e soviéticos entrariam em conflito ideológico, o que não significou que não houve momentos em que as duas superpotências, por pouco, não entraram num confronto direito. As armas nucleares tornaram-se objetos de disputas diplomáticas e de intimidação. Se elas fossem utilizadas, o mundo inteiro poderia ter sido destruído. Apesar do fracasso da Liga das Nações, órgão internacional criado logo após o final da Primeira Guerra Mundial, em garantir a paz mundial e evitar uma nova guerra, ainda se manteve a esperança de uma instituição mundial que tivesse o mesmo objetivo. Em 1945, foi criada a Organização das Nações Unidas, que, além de evitar outra guerra mundial, buscava (e ainda busca) garantir a defesa e o cumprimento dos Direitos Humanos. No Brasil, a volta dos soldados da FEB expôs uma contradição. Ao mesmo tempo que brasileiros lutaram na guerra contra a ditadura nazifascista, o Brasil era governado por um ditador autoritário. Os militares voltaram da Europa com a popularidade alta e desejosos de participar da vida política. Em novembro de 1945, Getúlio Vargas foi deposto por militares, encerrando-se a ditadura do Estado Novo. Referências: HIGA, Carlos César. Segunda Guerra Mundial. Mundo Educação. Disponível em: https://shre.ink/1Wzj acesso em 21/01/20023. Aula 07 Globalização O que é globalização? https://shre.ink/1Wzj%20acesso%20em%2021/01/20023 24 Foto: Pixabay A globalização é um processo de expansão econômica, política e cultural a nível mundial. Sua origem remete ao período das Grandes Navegações no século XVI, momento em que as trocas comerciais se ampliarampara outras nações. No último século, o processo de globalização se acelerou bastante devido à Terceira Revolução Industrial (ou Revolução Técnico-Científico-Informacional). Ela promoveu a evolução das tecnologias de transporte e comunicação, de modo que a distância e as fronteiras geográficas se tornam cada vez menores. Isso contribuiu diretamente para o aumento das trocas comerciais entre os países, sobretudo para a velocidade em que essas trocas acontecem. Quer entender melhor o processo de globalização? PRIMÓRDIOS DA GLOBALIZAÇÃO: AS GRANDES NAVEGAÇÕES As Grandes Navegações talvez tenham sido o primeiro passo para o mundo se tornar globalizado. Foi um período de procura por novos locais para fazer comércio e explorar territórios que aconteceu entre os séculos XV e XVII. Era o início da construção de um comércio global, além do continente europeu, com as trocas comerciais se expandindo internacionalmente, principalmente para as Américas e para a África. Naquela época, a Itália tinha o monopólio da rota pelo Mar Mediterrâneo para a Índia, grande fornecedora de especiarias (produtos utilizados para temperar e conservar alimentos, elaborar medicamentos, cosméticos e outros produtos de farmácia). Dessa forma, os italianos cobravam o preço que desejassem para revender tais mercadorias. Por isso, havia a intenção, por parte de outros países como Espanha e Portugal, de romper com o monopólio, encontrando um novo caminho para as Índias Orientais (sudeste asiático). Além disso, existia o interesse por descobrir novas terras com o objetivo de encontrar, possivelmente, metais preciosos, produtos agrícolas ou pessoas para catequizar a religião católica nas regiões descobertas. Dava-se início à chamada “Era dos Descobrimentos”, financiada pelas coroas portuguesa e espanhola, em aliança com suas respectivas burguesias. Esse período levou ao desenvolvimento da cartografia, à mudança do eixo do comércio mundial do Mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico, à chegada dos europeus na América, incluindo o Brasil, e à evolução do comércio a nível internacional. Apesar do aumento das trocas comerciais, os recursos disponíveis nos séculos XV a XVII eram muito diferentes dos que surgiram com a Terceira Revolução Industrial no século XX. Na Era das Navegações, tecnologias como caravelas, bússolas, pólvora e a invenção da imprensa foram importantes para as conquistas. A partir do século XX, surgem contextos político-econômicos, culturais e tecnológicos mais favoráveis à globalização. Entenda a seguir. AS CARACTERÍSTICAS ECONÔMICAS DA GLOBALIZAÇÃO Um dos principais elementos da globalização é a expansão do comércio mundial, sendo que a busca por vantagens competitivas traz como consequências quatro principais fatores econômicos: Aumento da concorrência entre os mercados; Com as trocas comerciais acontecendo entre diferentes 25 países, a concorrência aumentou a nível mundial e teve reflexos na economia e na política e Grande circulação no mercado financeiro O mercado financeiro é constituído por bancos e bolsas de valores, que são instituições que negociam as ações das empresas. Assim, faz a ligação entre empresas e pessoas com capital sobrando e as sem capital. Através das bolsas de valores, é atraído o capital especulativo, também denominado “capital volátil”, isto é, um dinheiro que pode entrar ou sair com facilidade naquele mercado. As principais bolsas de valores hoje são as de Nova York, Tóquio, Londres, Frankfurt e São Paulo (Bovespa). Existência de empresas transnacionais É muito comum ocorrer fusão entre o capital bancário e a produção industrial, o que gera a concentração e centralização de capitais. Essa é uma característica do capitalismo financeiro e permite a formação de empresas com grande poder econômico, capazes de produzir e vender em regiões distantes entre si. Tais empresas são chamadas de transnacionais porque transpõem as fronteiras originais em que foram criadas. Assim, possuem fábricas em diferentes países e são consumidas no mundo todo. Em 2017, por exemplo, algumas empresas mundialmente influentes no setor de alimentos são Nestlé, Pepsi e Coca- Cola. Presença de blocos econômicos Reunião do Mercosul em 2010. Foto: Leo La Valle/EFE Os países perceberam que a formação de blocos econômicos pode trazer vantagens competitivas em um cenário de ampla concorrência, além de garantir maiores ganhos econômicos. Tais grupos se tornaram uma prática comum a partir da década de 1990, após o fim da Guerra Fria. Os blocos econômicos normalmente se iniciam através de acordos que estabelecem zonas de livre comércio (ZEEs), lugares onde não são cobradas tarifas alfandegárias, como o NAFTA (Tratado de Livre Comércio das Américas). Os blocos econômicos podem adicionar também ao seu acordo uma união Aduaneira, ou seja, o estabelecimento de uma tarifa externa comum. Isso significa que todos os países que compõem o bloco irão aplicar a mesma taxação em relação à importação de bens de países fora do bloco. Um exemplo de união aduaneira é o Mercosul. Hoje, um dos maiores e mais complexos blocos econômicos é a União Europeia. Além de se configurar como uma zona de livre comércio e possuir uma união aduaneira, ela também se estabelece como um mercado comum, isto é, permite a livre circulação de pessoas, capital e trabalho entre os países pertencentes ao bloco. Além disso, ele também padroniza as legislações econômica, trabalhista, fiscal e ambiental. 26 Por fim, a União Europeia também possui uma política monetária unificada. Em 1998, o bloco iniciou o processo de adoção de uma moeda única (euro), fato que exigiu a convergência das políticas econômicas entre os países pertencentes à união. A POLÍTICA MULTIPOLAR NO MUNDO GLOBALIZADO Com o fim da União Soviética o mundo deixa de ser caracterizado pela sua bipolaridade – dois extremos de força política/econômica/militar representados pelos Estados Unidos da América e a União Soviética – e adquire um caráter multipolar, ou seja, mais de dois países com uma dimensão de poder internacional significativo (como a Alemanha, China, Inglaterra, dentre outros). A expansão da economia no contexto multipolar fez surgir a necessidade de políticas reguladoras, a fim de facilitar as trocas comerciais entre diferentes países e solucionar possíveis conflitos de interesse. Dessa forma, os países buscaram, através de instituições internacionais, formas de delimitar regras comuns sobre as trocas comerciais e um espaço formal para a resolução de possíveis conflitos econômicos entre dois ou mais países. Primeiramente, nasceu o acordo geral de tarifas e comércio (GATT) em 1947, que buscava estabelecer as premissas básicas para o comércio internacional. Com o passar do tempo e o surgimento de regras mais fortes, o GATT evoluiu para a Organização Mundial do Comércio (OMC), na década de 1990. Uma das principais temáticas atuais da OMC, representada pela chamada Rodada de Doha, é a prática de subsídios agrícolas, ou seja, a existência de incentivos fiscais por parte de países desenvolvidos. Outro grupo importante no mundo globalizado é o G-8, constituído por Estados Unidos, Canadá, Itália, França, Alemanha, Inglaterra, Japão e Rússia. Essas potências econômicas se reúnem quase todos os anos e têm a capacidade de influenciar os rumos da economia no mundo. Há também o G-20, que busca políticas que pautam também os países emergentes. Ele é formado por países desenvolvidos e países emergentes: Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina, África do Sul, México, Rússia, Índia, Indonésia, China, Japão, Coreia do Sul, Turquia, Alemanha, França, Itália, Rússia, Reino Unido, Austrália e União Europeia. A GLOBALIZAÇÃO CULTURAL A cultura é outra dimensão do processo de globalização. A troca de cultura entre diferentes países, independentemente da fronteira física entre eles também foi intensificada e aceleradapela Terceira Revolução Industrial. Podemos definir cultura como o conjunto de conhecimentos, crenças, lei, moral, arte e costumes de uma sociedade. Os avanços em tecnologias de comunicação, especialmente o maior acesso à internet nos últimos anos, permitem a disseminação e o compartilhamento de ideias em tempo real. Entretanto, esse processo de compartilhamento cultural é desigual. As potências econômicas possuem maiores recursos para a produção e disseminação cultural. Isso significa que determinados países exercem uma maior influência cultural sobre outros. Um exemplo disso é a predominância de filmes, seriados e músicas produzidos por países com os maiores recursos econômicos, como os EUA. Tal fato foi observado no século XX, quando o rádio e a televisão, meios de comunicação de massa, começaram a ser um artigo comum nas residências das pessoas. Isso possibilitou que a cultura estrangeira, como por exemplo a norte-americana, influenciasse o consumo de produtos culturais na maioria dos países no mundo. Assim, a cultura se transformou em uma “coisa”, isto é, uma mercadoria padronizada, segundo Theodor Adorno. Esse fenômeno é conhecido como indústria cultural. Ele ainda é observado no século XXI, e também muito criticado na atualidade. O MILITARISMO NO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO 27 A Terceira Revolução Industrial também afetou diretamente o setor militar. O século XX foi marcado por duas guerras mundiais e mais de quarenta anos de Guerra Fria. Nesse sentido, o poder econômico foi diretamente relacionado também com o poder militar. Isso significa que além de um país almejar o sucesso econômico, ele também tem como objetivo garantir um crescimento de sua tecnologia militar para garantir sua segurança e posição de poder na política internacional. Os Estados Unidos são o país que mais gasta com militarismo. Possui bases militares espalhadas entre o hemisfério norte e sul, do Ocidente ao Oriente, exercendo grande influência militar sobre a geopolítica mundial. Também há frotas navais dos EUA em diversas regiões no mundo. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) surgiu após a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de os países se protegerem mutuamente contra uma ameaças externas. Ela é formada por Estados Unidos, Canadá e países da Europa ocidental e oriental. A organização é um exemplo das instituições militares internacionais criadas no contexto da Guerra Fria, mas que existem até hoje. Ainda sobre o militarismo, é importante falar em armas nucleares. Em 1968, foi firmado o Tratado de Não Proliferação (TNP) pelos países que tinham bombas atômicas, a fim de restringir outras nações a terem tal tecnologia. Esse assunto tem particular relevância nos últimos anos devido a nações que não assinaram o tratado e afirmam possuir bombas nucleares, como a Coreia do Norte. A GLOBALIZAÇÃO ECONÔMICA E O BRASIL O Brasil é um dos principais exportadores de laranja, açúcar, soja e café. Respectivamente, o país representa 85%, 50%, 40% e 27% do comércio destes alimentos no mundo. Também somos um dos principais produtores de minerais metálicos, como Ferro, Manganês e Bauxita. Além disso, exportamos produtos manufaturados (automóveis, aviões, eletroeletrônicos) e celulose (que é semimanufaturada). O Brasil é um grande importador de combustíveis fósseis, e maquinários. Porém. é exportador de produtos agrícolas, que possuem baixo valor agregado. Por isso, manter a balança comercial positiva é um desafio. Ela é o cálculo que representa o valor das exportações menos o das importações. Os maiores parceiros comerciais do Brasil atualmente estão localizados na Ásia, ou pertencem ao Mercosul. Um dos fatores que dificultam o avanço do comércio brasileiro para outros países são as barreiras comerciais internacionais. Alguns países impedem a entrada de produtos brasileiros para evitar a concorrência com a produção nacional. Dessa forma, o Brasil possui uma presença importante em fóruns internacionais como a OMC para reivindicar, em parceira com outros países, condições iguais de concorrência internacional. Referências: GONÇALVES, João; LOPES, Karina. Oque é a Globalização?. POLITIZE!. Disponível em: https://shre.ink/1Wyy acesso em: 21/01/2023. Aula 08. Crise de 1929. A Crise de 1929 foi a maior crise econômica da história dos Estados Unidos e do capitalismo. Foi iniciada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York. https://shre.ink/1Wyy 28 Acionistas norte-americanos desesperados tentando vender suas ações durante a quebra da Bolsa de Nova York em 1929. A Crise de 1929 foi a maior crise econômica da história dos Estados Unidos e do capitalismo, causada pela superprodução da indústria norte-americana, falta de regulamentação da economia, excesso de crédito e especulação na Bolsa de Valores. Essa crise fez com que milhares de empresas falissem e milhões de trabalhadores perdessem os seus empregos. Resumo sobre a Crise de 1929 • A Crise de 1029 foi a maior crise econômica da história do capitalismo. • Foi causada pela superprodução, falta de regulação da economia, excesso de crédito e pela bolha de especulação. • Teve início com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de 1929. • Fez com que milhares de empresas falissem e milhões de trabalhadores ficassem desempregados. • O principal produto do Brasil a ser afetado foi o café, produzido principalmente para ser exportado. Contexto histórico da Crise de 1929 A década de 1920 ficou marcada como a que deu início à maior crise econômica da história dos Estados Unidos e do capitalismo. Entretanto, antes dessa crise de grandes proporções, essa década havia se destacado como um período de euforia e de prosperidade sem limites na memória norte- americana. Nos Estados Unidos, a década de 1920 ficou conhecida como roaring twenties, termo que foi traduzido para o português como “loucos anos vinte”. Essa expressão foi usada para definir o clima da sociedade norte-americana na década de 1920. Isso porque os Estados Unidos viviam um ciclo de prosperidade jamais visto na história do país. A economia norte-americana estava em crescimento desde antes da Primeira Guerra Mundial, mas com o término do conflito, os Estados Unidos assumiram indiscutivelmente a posição de maior potência econômica do planeta. Isso porque o país prosperou bastante com a guerra, não tendo sido atingido pelo combate. Assim, a indústria norte-americana passou a ser responsável pela produção de grande parte das mercadorias que eram consumidas no planeta. Além disso, o país tornou-se credor das nações europeias que se recuperavam da guerra. Isso significa que os Estados Unidos passaram a importar mercadorias e a emprestar dinheiro em grandes volumes para a Europa, principalmente. O avanço da economia e da indústria norte-americana estabeleceu o que ficou conhecido como american way of life, o “modo de vida norte-americano”. Esse modo de vida era baseado em um alto consumo de mercadorias, muitas delas desnecessárias. Entre os principais bens consumidos na época estavam os eletrodomésticos. 29 Essa euforia fez com que a indústria norte-americana começasse a produzir mercadorias desenfreadamente, sem se importar se o mercado teria condições de absorvê-las. Além disso, o clima de entusiasmo econômico também fez com que os bancos passassem a realizar uma grande quantidade de empréstimos, sem se atentar se haveria retorno e também sem regulamentação sobre estes. Por fim, a excitação econômica incentivou milhares de pessoas a investirem o seu capital em ações na Bolsa de Valores. A grande quantidade de pessoas investindo em ações fez com que o valor destas disparassem, reforçando a sensação de prosperidade. Causas da Crise de 1929 Levando em conta esse contexto, alguns pontos podem ser destacados em relação aos fatos que motivaram a Crise de 1929: • aumento da produção sem que o mercadopudesse absorver as mercadorias produzidas; • realização de um elevado número de empréstimos; • falta de regulação sobre as transações; • recuperação da economia europeia; • especulação monetária. Vamos entender esse cenário. Primeiramente, o aumento da produção norte-americana não foi acompanhado por medidas que permitiriam a absorção dessas mercadorias. No pós-guerra, boa parte delas eram consumidas pelo mercado europeu, mas a recuperação econômica da Europa fez com que a demanda por produtos norte-americanos diminuísse. Além disso, havia um fato importante no próprio território norte-americano. Os trabalhadores do país, isto é, consumidores em potencial, não obtiveram conquistas salariais. Assim, o poder de compra dos trabalhadores continuava o mesmo e, naturalmente, eles não tinham condição de consumir tudo o que era produzido. Ademais, a quantidade de crédito que estava sendo disponibilizada esbarrou em um fator: muitos não pagaram os empréstimos que haviam pedido. As mercadorias empacadas e o calote nos bancos afetaram a euforia do mercado e suas consequências chegaram à Bolsa de Valores de Nova York. No dia 24 de outubro de 1929, o clima de desconfiança fez com que 12 milhões de ações fossem colocadas à venda. Isso colocou o mercado em pânico, e o quadro se manteve no dia 28, quando 33 milhões de ações foram colocadas à venda. No dia seguinte, 29 de outubro de 1929, a bolsa quebrou e o valor das ações despencou. Imediatamente, ações que valiam milhares de dólares passaram a valer absolutamente nada, e diversas empresas norte-americanas que tinham o seu capital investido na Bolsa de Valores foram à falência. Muitas das empresas que não faliram perderam parte de seu patrimônio e precisaram demitir funcionários. As demissões aumentavam à medida que as empresas iam falindo. Tudo isso fez com que os empréstimos dos bancos não fossem pagos. Além disso, o pânico criado por essa situação fez com que milhares de pessoas fossem aos bancos sacar seu dinheiro para se resguardar. Isso levou centenas de bancos à falência, pois todos os fundos foram retirados pelos clientes. 30 Consequências da Crise de 1929 Com a Crise de 1929, milhões de norte-americanos perderam os seus empregos e as suas casas, sendo obrigados a viver na rua. A quebra da Bolsa de Nova York deu início ao período da Grande Depressão. De 1929 a 1933, os Estados Unidos viveram o pior momento da crise econômica. Porém, a partir de 1933, uma gradual recuperação começou a acontecer no país. De forma geral, os efeitos da Crise de 1929 foram sentidos até meados da Segunda Guerra Mundial. Entre as consequências da Crise de 1929 destacam-se o enorme número de falências que aconteceram nos Estados Unidos, além do aumento exponencial na taxa de desempregados no país. O desemprego nos Estados Unidos saltou de 4%, antes da crise, para 27% da população depois da quebra da Bolsa de Valores. O PIB do país diminuiu, a quantidade de importações e exportações teve decréscimo, a produção industrial foi reduzida e o salário dos trabalhadores decaiu. Além disso, os efeitos da Crise de 1929 não ficaram restritos aos Estados Unidos e se espalharam por diferentes países, sobretudo os europeus. Lá na Europa, o número de desempregados aumentou consideravelmente, e as consequências da crise econômica serviram de impulso para o crescimento de movimentos totalitaristas, como o nazismo, na Alemanha, o fascismo, na Itália. Os efeitos da Grande Depressão só começaram a ser contornados a partir de 1933, quando o governo norte-americano implantou o New Deal (Novo Acordo), um programa de intervenção do Estado na economia. O objetivo desse programa era reaquecer a economia dos Estados Unidos. Entre as ações realizadas, destaca-se, por exemplo, a criação de obras públicas para garantir emprego aos cidadãos norte-americanos. Crise de 1929 no Brasil Aqui no Brasil, o maior impacto da Crise de 1929 se deu nas exportações que o país realizava. O Brasil era o grande produtor internacional de café e os Estados Unidos eram o maior consumidor desse produto brasileiro. Com a crise, o movimento do café brasileiro empacou, pois o volume das importações norte-americanas foi reduzido drasticamente. Assim, o preço do café despencou no mercado internacional. Os cafeicultores pressionaram o governo brasileiro para que uma ação fosse tomada em relação a essa situação. Em 1930, Getúlio Vargas assumiu a presidência e decidiu que o governo compraria as sacas de café dos cafeicultores e as queimaria. 31 Assim, o Brasil assumiria o prejuízo dos cafeicultores e ainda destruiria o café para garantir o preço da mercadoria no mercado internacional. Além disso, foi criado um órgão responsável por cuidar dos negócios do café no Brasil. Esse órgão ficou conhecido como Conselho Nacional do Café. Referências: SILVA, Daniel Neves. Crise de 1929. Disponível em: https://escolakids.uol.com.br/historia/crise-de- 1929.htm acesso em: 22/01/2023. Aula 09 Guerra Fria A Guerra Fria foi responsável pela polarização mundial e, entre 1947 e 1991, desencadeou uma série de pequenos conflitos como resultado da disputa entre EUA e URSS. Durante a Guerra Fria, URSS e EUA disputaram a hegemonia mundial. A Guerra Fria aconteceu entre 1947 e 1991 e marcou a polarização do mundo em dois blocos: um liderado pelos americanos e outro pelos soviéticos. Essa polarização gerou um conflito político- ideológico entre as duas nações e seus respectivos blocos, cada qual defendendo os seus interesses e a sua ideologia. A Guerra Fria nunca gerou um conflito armado direto entre Estados Unidos (EUA) e União Soviética (URSS), mas o conflito de interesses entre os dois países resultou em conflitos armados ao redor do mundo e em uma disputa que ocorreu em diversos níveis como a economia, a diplomacia, a tecnologia etc. O que causou o início da Guerra Fria? O discurso de Harry Truman, em 1947, marcou o início da Guerra Fria. A Guerra Fria foi iniciada logo após a Segunda Guerra Mundial, conflito que aconteceu entre 1939 e 1945. Ao final desse conflito, EUA e URSS saíram como as duas grandes potências mundiais e https://escolakids.uol.com.br/historia/crise-de-1929.htm https://escolakids.uol.com.br/historia/crise-de-1929.htm 32 essa situação contribuiu para o surgimento de um cenário de polarização. O início da rivalidade entre americanos e soviéticos no pós-guerra é debatido pelos historiadores. Considera-se que a Guerra Fria iniciou-se por meio de um discurso realizado por Harry Truman, no Congresso americano, em 1947. Nesse discurso, o presidente americano solicitava verba para combater o avanço do comunismo na Europa e alegava que era papel do governo americano combater o avanço da influência soviética. Com isso, iniciou-se a Doutrina Truman, ideologia que englobou as medidas realizadas pelo governo americano para conter o avanço do comunismo na Europa. Uma das etapas dessa doutrina foi o Plano Marshall, o plano de recuperação da Europa destruída pela guerra. O objetivo desse plano era aumentar a influência americana na Europa, e os soviéticos percebendo isso proibiram os países de seu bloco a aderirem ao Plano Marshall. O discurso praticado pela Doutrina Truman utilizava de um discurso alarmista que colocava o governo soviético como um governo expansionista. O governo americano, no entanto, sabia que a postura dos soviéticos era uma postura defensiva, porque o país estava destruído pela guerra e buscava garantir seus interesses apenas na sua zona de influência. Além disso, outro ponto importante é que as dificuldades econômicas que os países europeus enfrentariam no pós-guerra poderiam abrir espaço para o avanço do comunismo e isso preocupava os americanos. Assim, os americanos desenvolveram um discurso maniqueísta, que foi responsável por polarizar a relação entre as duas nações. Os soviéticos, que, a princípio,interessavam-se apenas em garantir o controle sobre sua zona de influência, acabaram incorporando o discurso maniqueísta, o que concretizou a polarização que marcou a Guerra Fria. Características Dentre as características da Guerra Fria (1947-1991), destacam-se: Polarização: por meio de dois blocos, um sob influência americana e outro sob influência soviética, foi a grande marca da Guerra Fria. Com isso, americanos e soviéticos possuíam uma retórica agressiva contra seu adversário e tinham aliados estratégicos. Houve uma tentativa de alguns países de realizarem uma política externa independente, sem que fosse necessário aliarem-se a algum dos dois países. Corrida armamentista: a disputa entre as duas nações e a procura por mostrar-se como força hegemônica motivaram ambos a investirem pesadamente no desenvolvimento de armas de destruição em massa, as bombas nucleares e termonucleares. Corrida espacial: a disputa entre as duas nações manifestou-se também na área tecnológica e, entre 1957 e 1975, concentrou-se na exploração do espaço. Interferência estrangeira: os dois países realizaram, ao longo dos anos de Guerra Fria, uma série de interferências em nações estrangeiras como forma de garantir seus interesses. O Brasil, por exemplo, foi alvo disso quando os americanos apoiaram o golpe militar de 1964. Acontecimentos mais importantes da Guerra Fria 33 A tensão gerada pela Guerra Fria repercutiu de inúmeras maneiras no mundo ao longo da história humana. Destacaremos algumas informações desses acontecimentos abaixo: Revolução Chinesa A China foi um dos locais influenciados pela ideologia comunista e, desde a década de 1920, o país vivia uma guerra civil travada por nacionalistas (apoiados pelo EUA) e comunistas (apoiados pela URSS). Depois do fim da 2ª Guerra, a guerra civil retomou, e os comunistas conseguiram se impor e conquistaram o poder do país em 1949. O avanço do comunismo pela China alarmou os americanos e fez com que pesados investimentos dos EUA fossem destinados a locais como Japão e Coreia do Sul. Guerra da Coreia Esse foi o primeiro grande conflito, depois da Segunda Guerra Mundial, e aconteceu entre 1950 e 1953. Esse conflito foi resultado da divisão da Península da Coreia, feita por americanos e soviéticos, em 1945. O norte, governado por comunistas, e o sul, governado por um governo capitalista. A tensão desenvolvida entre os dois lados, entre 1945 e 1950, levou os norte-coreanos a invadirem a Coreia do Sul. O objetivo era reunificar a Coreia sob um governo comunista. Os soviéticos participaram do conflito às escondidas, e os americanos entraram no conflito já em 1950. O conflito foi encerrado sem vencedores e a península permanece dividida até hoje. Crise dos Mísseis em Cuba O momento de maior tensão em toda a Guerra Fria ficou conhecido como Crise dos Mísseis e aconteceu em Cuba, em 1962. Cuba havia passado por uma revolução nacionalista, em 1959, e um tempo depois aliou-se com os soviéticos por causa dos embargos americanos. Em 1962, os soviéticos resolveram instalar uma base de mísseis em Cuba e deu início à crise diplomática. Os mísseis instalados em Cuba não representavam séria ameaça aos americanos, mas prejudicavam a imagem do presidente John F. Kennedy. Com isso, o governo americano ameaçou os soviéticos de guerra, caso os mísseis soviéticos não fossem retirados. Duas semanas depois, os soviéticos retiraram os mísseis de Cuba e, em troca, os americanos retiraram mísseis da Turquia. Guerra do Vietnã A Guerra do Vietnã aconteceu entre 1959 e 1975 e foi um dos momentos mais tensos dos EUA na Guerra Fria. Nessa guerra, Vietnã do Norte e Vietnã do Sul travavam um conflito aos mesmos moldes do que havia acontecido na Coreia. Os americanos, em socorro aos sul-vietnamitas, invadiram o país e passaram a lutar contra o Vietnã do Norte. A Guerra do Vietnã foi cara para a economia americana e custou milhares de vidas ao seu exército, que se retirou do país, em 1973, derrotados. Em 1976, o país foi unificado sob domínio do governo do Vietnã do Norte. Guerra do Afeganistão de 1979 Esse é o conhecido “Vietnã dos soviéticos”. Os soviéticos invadiram o Afeganistão, em 1979, em apoio do governo comunista daquele país contra os rebeldes fundamentalistas islâmicos que atuavam, sobretudo, no interior afegão. Ao longo de dez anos de conflito, os soviéticos lutaram em vão 34 contra as forças rebeldes. Exauridos economicamente, os soviéticos retiraram-se do Afeganistão, em 1989. Alemanha na Guerra Fria A Alemanha foi um local de extrema importância durante a Guerra Fria, porque ali a polarização manifestou-se de forma intensa. O país foi dividido em zonas de influência, no fim da 2ª Guerra, e elas resultaram no surgimento de duas Alemanhas: a Alemanha Ocidental, aliada dos EUA, e a Alemanha Oriental, aliada da URSS. Essa divisão também foi refletida em Berlim que, a partir de 1961, foi dividida por um muro construído pelo governo da Alemanha Oriental, em parceria com a União Soviética. Os comunistas queriam colocar fim a evasão de população da Alemanha Oriental para Berlim Ocidental. O Muro de Berlim permaneceu de pé por 28 anos e foi o símbolo da polarização causada pela Guerra Fria. Cooperação política e militar Ao longo dos anos da Guerra Fria, americanos e soviéticos procuraram garantir sua influência sobre seu bloco e para isso criaram grupos que realizaram a cooperação econômica, política e militar entre seus aliados. Plano Marshall e Comecon: o Plano Marshall, como citado, foi criado pelos EUA para financiar a reconstrução da Europa e conter o avanço do comunismo. Os soviéticos, em represália, criaram o Conselho para Assistência Econômica Mútua, o Comecon, que garantia apoio econômico aos países do bloco comunista. Otan e Pacto de Varsóvia: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foi criado como uma aliança militar entre os países alinhados aos Estados Unidos, em 1949. O Pacto de Varsóvia, por sua vez, criado em 1955, visava a garantir a segurança dos países do bloco comunista. Fim da Guerra Fria A abertura da URSS aconteceu durante o governo de Mikhail Gorbachev.** A partir da década de 1970, a economia da União Soviética começou a entrar em crise. A crise foi resultado da falta de ações do governo soviético para dinamizar a economia do país, que já demonstrava estar em atraso tecnológico e econômico em relação às grandes potências mundiais, e os indicadores sociais do país começaram a cair. A disparada no valor do petróleo criou um clima de falsa prosperidade, que impediu que reformas na economia soviética acontecessem. O envolvimento do país na Guerra do Afeganistão e 35 o acidente nuclear que aconteceu em Chernobyl, em 1986, contribuíram para o fim da URSS, pois impuseram pesados gastos a um país com uma economia já fragilizada. O último presidente soviético, Mikhail Gorbachev, começou a realizar reformas (Glasnost e Perestroika) de abertura do país para o Ocidente, sobretudo na economia, e essas levaram ao desmantelamento da União Soviética. Quando Gorbachev renunciou, em 25 de dezembro de 1991, a URSS foi dissolvida e isso marcou o fim da Guerra Fria. Referências: SILVA, Daniel Neves. "Guerra Fria"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/guerra-fria.htm. Acesso em 23 de janeiro de 2023.