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Revolução 
Industrial
“Tudo que é sólido se desmancha no ar.”
Revolução
• A partir de 1789, analiticamente, a palavra “revolução”
entra na ordem do dia.
• As revoluções inglesas do século XVII e a Revolução
Americana, em 1776, já haviam mudado o mundo.
• Porém, somente a partir das duas revoluções de 1789,
a palavra se torna mote em vários momentos,
percorrendo os séculos XIX e XX, sob os mais diversos
matizes. No Brasil, aconteceram mais de uma dezena
de revoluções.
• Naturalmente, a partir da distinção marxiana entre
“revolução política” e “revolução social”, muitas dessa
revoluções tiveram seu nome colocado sob suspeita.
Revolução Industrial
• O significado da “Revolução Industrial”, por isso, deve ser
analisado com cautela.
• Em primeiro lugar, em que consistiria o fenômeno, já que,
uma vez instaurado o capitalismo, ele se revolucionou
permanentemente, entre crises, convulsões e longas fases
de prosperidade.
• “Tudo que é sólido se desmancha no ar”, já disse o principal
opositor do capitalismo.
• Se observarmos nosso modo de vida diante de nossos pais,
avós e antepassados, constatamos que as diferenças são
muito grandes. Mesmo em países centrais.
• Em segundo lugar, devemos investigar a razão do avanço da
Inglaterra e de alguns países em relação aos demais.
• Seja como for, a Revolução Industrial está associada a
grande progresso tecnológico, que passou a se confundir
com a própria formação do capitalismo.
• Há que se distinguir os dois fenômenos.
• O que se pode dizer, em verdade, é que a Revolução
Industrial moldou a face do capitalismo que, a partir dela,
sofreria uma grande aceleração, baseada na urbanização,
no desenvolvimento tecnológico e na internacionalização.
• Já apresentamos a distinção de Braudel entre uma
sociedade de mercado e uma sociedade capitalista, não
necessariamente idênticas.
• David Landes sumariza o conjunto de inovações em três,
maquinaria, energia e matérias-primas.
• Modernamente, graças às conquistas da teoria
econômica, a medida da aceleração tem sido
possível.
• O aumento na produtividade total de fatores
(TFP) e no próprio produto, entre 1750 e 1850 foi
da ordem, respectivamente, de oito e 2,5 vezes,
havendo estimações variadas para o problema.
• Como porcentagem do PIB, o investimento
passou de 7% para 14% anuais.
• Uma discussão muito frequente, ao longo da própria história do
capitalismo industrial, tem sido a questão do bem-estar.
• No século XIX, são inegáveis as condições precárias em que viveram
os trabalhadores, descritas por F. Engels em estudo de 1845.
• Além disso, há todos os registros dos debates no Parlamento
britânico, quando da aprovação da série de Factory Acts, que,
paulatinamente, restringiram a jornada de trabalho e suas
condições.
• De fato, índices de mortalidade aumentam a partir de 1810 até
1840. Porém, com a taxa de natalidade também em alta, houve
considerável aumento do desemprego.
• Na cidade de Bolton, chegava a 60% dos trabalhadores de fábrica e
mais de 80% na construção civil.
• Em Liverpool, mais da metade da PEA, na mesma época, estava
desempregada.
• Esse foi o pior momento econômico para o trabalho na Inglaterra.
• Esses números, via de regra apresentados por opositores do capitalismo,
são acrescidos de dados sobre consumo e renda per capita. Como a
Inglaterra não produziu estatísticas confiáveis, mediu-se o consumo a
partir de impostos e outros dados, para mostrar que a população
aumentou sobremaneira em relação ao aumento do gado bovino e ovino.
• Poderíamos acrescentar outros dados, todos a evidenciar que o consumo,
na primeira metade do século XIX, não acompanhou o crescimento da
população.
• Recentemente, a análise tem recaído mais nas “leis dos pobres” inglesas,
mostrando as vantagens comparativas de sua população pobre, menos
pobre, por exemplo, do que a China do mesmo período.
• A moderna teoria econômica, ao definir uma
função de produção, dá algumas pistas para
nossa investigação.
• O fenômeno tecnológico, como mostraram os
egípcios, maias etc. deve ser visto sob a
perspectiva da acumulação de capital e o
crescimento populacional, mais ainda, a oferta
de trabalho. Y = A.Kα Lβ
• A Inglaterra teria essas condições, maior
renda inicial e, uma vez desencadeado o
processo, grande acumulação de capital, o
que significa capacidade de investimento.
• Assim, devem ser desconsiderados, ou postos
sob perspectiva, o direito de propriedade em
vigor na Inglaterra no período.
• O fato é que a Inglaterra partiu na frente e,
por essa razão, continuou na frente durante
todo o século XIX.
• Sua população crescia mais aceleradamente e,
a despeito de todos os problemas
(contradições), pôde ser servida pela própria
produtividade do país.
Revolução Industrial: 
alguns comentários 
sobre a bibliografia
David Landes
• A Revolução Industrial consistiu na aplicação de inovações
em série na produção.
• As inovações não consistiram apenas nos inventos, mas nos
processos, nos novos usos de energia e matéria-prima.
• O principal efeito foi a aceleração da taxa de crescimento
da economia, com aumento sustentado da renda per
capita. Ou seja, a população cresceu, mas a economia
acompanhou e ultrapassou esse crescimento.
• O processo desencadeado significou a constante e
duradoura substituição de trabalho por capital, de força
física, natural, por maquinaria.
• O acesso à produção se desenvolveu por meio das barreiras
à entrada.
• Do ponto de vista empresarial, as origens do capitalista podem ser
detectadas em sua relação com o mundo exterior.
• Com efeito, as relações da produção local com o exterior são uma
das causas para o desenvolvimento de uma economia monetária.
• O comércio impulsionou as manufaturas e as organizou, para
atender uma demanda maior do que o mercado interno, local.
Landes observa que, contraditoriamente, a primeira indústria, a
têxtil, floresceu em regiões pouco desenvolvidas da Inglaterra, onde
havia abundante oferta de lã.
• Obs.: A Inglaterra, tal qual os EUA no século XX, percorreu longos
anos com sua estrutura econômica intocada por guerras e
convulsões.
• Do ponto de vista do trabalho, já mostramos a
precariedade da vida operária no primeiro século
industrial.
• A criação e desenvolvimento de uma economia
monetária, porém, implicou o imediato aumento da
capacidade de consumo do trabalhador assalariado em
relação ao restante da Europa.
• Sua despesa com necessidades básicas, desde o início,
foi relativamente menor face a sua renda.
• O aumento populacional, de todo modo, era
abastecido por uma rede de produtos de consumo,
razão pela qual as cidades puderam crescer.
• No caso das exportações, a vocação marítima inglesa foi
extremamente importante para favorecer suas exportações.
• O comércio interno e externo proporcionaram novas rodadas de
inovação, padronização e, finalmente, ganhos de escala e de
escopo.
• Outros fatores foram importantes no surgimento do empresário
inglês: o sistema de herança (primogenitura), a sociedade anglicana
solidária a empreendimentos dessa natureza.
• Também, as firmas inglesas eram mais abertas, passando de uma
atividade para outra (escopo).
• Segundo Landes, foi essa pressão por progredir, lucrar, que gerou as
inovações da Revolução Industrial.
• A evolução da indústria têxtil, da lã para o algodão, exigiu
maior desenvolvimento tecnológico, maior acesso à
matéria-prima (EUA) e fonte de energia.
• A indústria baseada no carvão serviu de modo exato à
demanda da nascente metalurgia britânica. Até a RI, a
Inglaterra produzia mais de 80% do carvão mineral.
• Num século, de 1740 a 1850, a Inglaterra passou de 17000
toneladas para 2700000 toneladas de ferro guza.
• No caso da indústria química, Landes enuncia a evolução
tecnológica em termos de substituições: de animais para
vegetais; de vegetais para minerais; aproveitamento de
resíduos; ferramentas.
Financiamento das inovações
• Outra questão relativa às inovações e ao avanço
industrial diz respeito ao seu financiamento: de
onde veio o capital necessário.• Para alguns, o capital necessário era reduzido,
não sendo um grande problema (M. M. Postan).
• Para Marx, a acumulação decorreu das guerras e
do protecionismo dos fins do século XVIII e início
de XIX.
• O comércio colonial é outra hipótese aventada.
• Finalmente, outra hipótese plausível seria a do sistema
financeiro avançado na Inglaterra (criação do Banco da
Inglaterra em 1694).
• Essas hipóteses podem ser corroboradas pela análise
da indústria têxtil, algodoeira. Foi a primeira indústria
em termos contemporâneos que conhecemos.
• David Landes mostra até a maior oferta de capitais no
continente.
• Essa indústria se financiava de modo simples, possuía
matéria-prima abundante vinda dos EUA, além de ser
tecnologicamente limitada.
• Esse foi o ponto de partida, o detonador.
• Por isso é mais importante, falarmos de várias revoluções
industriais, de várias fases, como veremos a seguir no
curso.
• Devemos, por ora, analisar os efeitos secundários.
• A urbanização é o primeiro deles.
• A explosão demográfica (50% na segunda metade do século
XVIII).
• Esse processo trouxe consigo outros elementos: novas
maneiras de viver, uma vida progressivamente urbana, com
consumo, lazer, educação.
• Naturalmente, esses elementos foram produto de uma
série de lutas por melhores condições.
A questão do financiamento (II)
• As pesquisas recentes sobre o financiamento da Revolução Industrial,
apontam para o fato de que teria papel importante. A hipótese do
“Prometeu acorrentado”.
• Apesar de toda a evolução do sistema financeiro britânico a partir do
século XVII, o sistema funcionou mais a favor do governo do que em
relação aos empresários.
• A Inglaterra teria mantido leis de usura até meados do século XIX. Em
segundo lugar, passou boa parte do século XVIII em guerras. O
fortalecimento do Estado teria implicado uma contração do mercado de
crédito, com pouco incentivo a emprestar a particulares.
• A tese do livro é a seguinte: a acumulação foi lenta, em razão do sistema
financeiro deficiente, enquanto o progresso tecnológico foi superlativo.
• Somente com o fim das guerras napoleônicas, a Inglaterra poderia,
progressivamente, liberar as amarras de seu sistema financeiro.
Hobsbawm
• A historiografia sobre a Revolução Industrial é marcada
pela presença do marxismo. Na verdade, ela ressurgiu, nas
últimas décadas, para tornar problemáticas as noções há
muito estabelecidas por essa corrente ideológica.
• A perspectiva marxista dominou os debates por mais de
século, sendo Eric Hobsbawm um dos principais analistas
da questão.
• Hobsbawm escreveu vários livros e artigos sobre o tema.
Apresentaremos aqui algumas de suas ideias contidas na
antologia “Sobre as origens da revolução industrial”,
publicada em 1971.
• Recomendamos também a leitura de seu livro “Os
Trabalhadores”, de 1963.
A hipótese
• O ponto de partida de Hobsbawm é afirmar que o século XVII foi
marcado por grande crise, com a desarticulação do comércio
mediterrâneo e a decadência da Península Ibérica. Até a
consolidação do poderio britânico, o século XVIII seria marcado por
um hiato e por uma crise em sua articução.
• Como já vimos, a Inglaterra apenas começava seu caminho para a
hegemonia sobre a economia mundial.
• Em toda a Europa, os governos conseguiram impor sua soberania
interna, financiar-se e manter exércitos.
• Isso também implicou a grande novidade do período, qual seja, a
concentração de poder econômico: terra, excedente (em dinheiro)
e formação de indústrias domésticas em detrimento de artesãos de
escala relativamente grande.
• A Revolução Industrial, ou o desenvolvimento
infinito do capitalismo, supõe o próprio
capitalismo. Porém, segundo Hobsbawm, não
pode ser considerada parte de um processo
contínuo.
• Em segundo lugar, o desenvolvimento industrial
da Inglaterra é um desenvolvimento,
inicialmente, particular.
• Essa particularidade, porém, fez da Inglaterra um
Império só superado pelos EUA no século
passado.
• Em seu artigo (o terceiro do livro citado) Hobsbawm enfatiza as
condições particulares para o início: bens de consumo padronizados
para população pobre.
• Toda tecnologia, como vimos, substitui trabalho por capital. Essa
substituição, porém, tem de diminuir os custos e não aumentá-los.
• Em segundo lugar, uma vez desencadeado o processo, o comércio
exterior britânico, favorecido pela sua rede de navegação, cumpriu
papel importante: importação de algodão das colônias americanas
e venda de tecidos em escala mundial.
• A visão de Hobsbawm acaba por enfatizar uma série de
determinações recíprocas: condições sociais, tecnologia, comércio
mundial, mediado pelas relações de poder na própria Inglaterra.
• Como costuma fazer, Hobsbawm conclui que o
comércio exterior inglês acabou por determinar o
sucesso do país.
• A Inglaterra estabeleceu no mundo uma presença que
teria implicado subdesenvolvimento para Índia e
América Latina, mantendo um saldo comercial mais do
que positivo durante boa parte do século XIX.
• Uma questão restaria insatisfatória: a expansão da
indústria de bens de capital.
• A resposta para essa e outras questões estará no meio
do século XIX, com as ferrovias.
• Para Hobsbawm, o sucesso da Revolução
Industrial se deveu a: 1) mercado exterior; 2)
mercado interno; 3) formação de novo
mercado de matérias-primas (periferia).
Referências
• LANDES, D. Prometeu Desacorrentado.
• HOBSBAWN, E. En torno a los origenes de la 
revolution industrial.
• HOBSBAWN, E. Os trabalhadores.
• TEMIN, P. VOTH, H.-J. Prometheus Shackled.
• VOIGTLÄNDER, N. VOTH, H.-J. Why England? 
(...)

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