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AO DOUTO JUÍZO DE DIREITO DA ___ VARA DA FAMÍLIA E ÓRFÃOS DA 
COMARCA DE SÃO JOSÉ/SC 
 
 
SIMONE RODRIGUES DAZIO SOMMER, brasileira, casada, portadora da 
cédula de identidade nº 2.953.880-7, inscrita no CPF nº 910.445.299-20, faxineira 
autônoma, residente e domiciliada na Rua Joaquim Vieira Padilha, 817, bairro: Real 
Parque, CEP: 88113-480, no município de São José/SC, e-mail 
dsommer165@gmail.com, vem por meio do Núcleo de Prática Jurídica do Centro 
Universitário Estácio de Santa Catarina, representado pelos advogados; AUDREY 
VANESSA DE BARROS ALVES, brasileira, solteira, advogada, inscrita na OAB/SC 
sob nº 28.740, com CPF nº 028.471.349-05; ERALDO CONCENÇO, brasileiro, 
casado, advogado inscrito na OAB/SC sob o nº 28.908, com CPF nº 855.466.079-04 
e DOUGLAS DUTRA, brasileiro, solteiro, advogado, inscrito na OAB/SC sob o nº 
27.075, com CPF nº 017.294.949-19, todos com endereço profissional na Avenida 
Leoberto Leal, 431, Barreiros, São José/SC, que esta subscreve (procuração em 
anexo), e com base nos termos da Lei 6.858/80, diante do Nobre Julgador, 
respeitosamente, com fulcro no art. 226, § 6º, da CRFB/88, art. 731 do CPC e Lei nº 
6.515/77, propor: 
 
AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO C/C PARTILHA DE BENS, PRESTAÇÃO 
DE ALIMENTOS, ALTERAÇÃO DO NOME E PEDIDO DE CAUTELAR DE 
SEPARAÇÃO DE CORPOS 
 
 em face de ONESIO SOMMER, brasileiro, casado, pedreiro, inscrito no CPF nº 
707.594.219-00, residente e domiciliado na Rua Joaquim Vieira Padilha, 817, bairro: 
Real Parque, CEP: 88113-480, telefone (48) 98811-8728, consoante as razões fáticas 
e de direito que passa a aduzir. 
 
DA JUSTIÇA GRATUITA 
 
A Requerente pleiteia os benefícios da gratuidade da justiça, com fulcro no 
artigo 98 e seguintes do CPC e na lei 1.060/50, em virtude de ser pessoa pobre na 
mailto:dsommer165@gmail.com
 
 
 
 
 
 
acepção jurídica da palavra e sem condições de arcar com os encargos decorrentes 
do processo, sem prejuízo de seu próprio sustento e de sua família, conforme 
comprovante de rendimentos e declaração de hipossuficiência em anexos. 
 
I. DOS FATOS 
 
Os litigantes casaram-se em 12 de novembro de 1991 pelo regime de 
comunhão parcial de bens, sob a certidão de casamento matrícula nº 108712 01 55 
1991 3 00009 017 0002212 74 (documento em anexo). 
Permaneceram casados até 2020. 
Embora a separação de corpos tenha ocorrido, permaneceram coabitando 
a mesma residência, sem, entretanto, haver qualquer tipo de contato entre o ex-casal. 
A situação de coabitação vem se tornando insustentável, visto que o 
Requerido além de se recusar dissolver a união, ainda não tem contribuído com as 
despesas do lar, sobrecarregando a autora. 
A Autora teme por sua integridade psicológica e física, visto que a relação 
entre ambos se deteriora diariamente. 
O ora requerido recusa-se a dissolver a união amigavelmente, não tendo 
outra alternativa a autora senão propor na forma litigiosa. 
 
II. DO DIREITO 
II.1 DO DIVÓRCIO 
 
Nos termos do art. 226 § 6º, da Constituição Federal, cuja redação 
decorrente da Emenda Constitucional 66/2010 dispõe sobre a dissolubilidade do 
casamento civil pelo divórcio, suprimindo o requisito de prévia separação judicial por 
mais de 1 (um) ano ou de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) anos. 
 
 
 
 
 
 
 
Nesse sentido, não havendo a concordância do cônjuge varão, a 
requerente Maria da Graça, vem por meio da presente, manifestar a Vossa Excelência 
a intenção inequívoca de regularizar a sua situação civil através da presente ação. 
 
Desta feita, perfeitamente cabível a presente ação, pois o pedido está em 
plena conformidade com a legislação vigente. 
 
O Código Civil assim assevera: 
 
“Art. 1.571. A sociedade conjugal termina: 
(...) 
IV – pelo divórcio”. 
 
Nesse diapasão, o vínculo conjugal deve ser extinto, com decretação do 
divórcio, tendo em vista a impossibilidade da vida comum, diante da perda do affectio 
maritalis, ou seja, os sentimentos decorridos da convivência entre marido e mulher 
cessaram. 
 
II.2 DA MEDIDA CAUTELAR DE SEPARAÇÃO DE CORPOS 
 
Conforme é cediço, a orientação majoritária da doutrina e jurisprudência é 
no sentido que, requerida a separação de corpos, deve o julgador partir do princípio 
de que são verdadeiras as alegações da requerente, mostrando-se prudente a 
concessão, inaudita autera pars, da medida de afastamento do cônjuge do lar. A 
intenção é preservar a integridade física e moral do cônjuge solicitante da medida, 
além do que, por se tratar de decisão provisória, pode ser revista a qualquer tempo. 
 
Com efeito, a separação de corpos está prevista no § 1º, do artigo 7º, da 
Lei 6.515/77, que estabelece que “A separação de corpos poderá ser determinada 
como medida cautelar.” 
 
Outrossim, o artigo 1.562 do Código Civil aduz que “Antes de mover a ação 
de nulidade do casamento, a de anulação, a de separação judicial, a de divórcio direto 
 
 
 
 
 
 
ou a de dissolução de união estável, poderá requerer a parte, comprovando sua 
necessidade, a separação de corpos, que será concedida pelo juiz com a possível 
brevidade.” 
 
Nesta seara temos que requerente e requerido ainda coabitam, embora 
durmam eles em quartos separados, uma vez que o amor já não é mais recíproco, de 
modo que o requerido insiste em continuar o matrimônio mesmo contra a vontade da 
requerente. 
 
Assim, iniciar o processo de divórcio com os dois sob o mesmo seria 
temerário. Em casos como esse a jurisprudência nacional é uníssona em determinar 
a separação de corpos previamente, senão vejamos: 
 
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO C/C PENSÃO 
ALIMENTÍCIA E SEPARAÇÃO DE CORPOS. SENTENÇA DE PARCIAL 
PROCEDÊNCIA. RECURSO DA AUTORA. AGRAVO RETIDO. PEDIDO 
DE DESISTÊNCIA. ACORDO HOMOLOGADO EM AUDIÊNCIA. TESE 
ACOLHIDA. INSURGÊNCIA ACERCA DOS ALIMENTOS RESOLVIDA 
AMIGAVELMENTE. IMPOSITIVA HOMOLOGAÇÃO DA DESISTÊNCIA. 
PARTILHA DE BENS. PLEITO DE EXCLUSÃO DE IMÓVEL. AVENTADA 
AQUISIÇÃO ANTERIOR AO MATRIMÔNIO. ÍNFIMA CONTRIBUIÇÃO DO 
REQUERIDO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA INSURGÊNCIA. 
SENTENÇA QUE NÃO ANALISOU A DIVISÃO DO BEM. IMÓVEL 
ADQUIRIDO POR AMBAS AS PARTES, PORÉM, ANTES DO CASAMENTO. 
INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO ACERCA DE UNIÃO ESTÁVEL 
ANTERIOR. CONDOMÍNIO QUE DEVE SER DISCUTIDO EM AÇÃO 
PRÓPRIA. MATÉRIA ALHEIA AO DIREITO DE FAMÍLIA. SENTENÇA 
MANTIDA. HONORÁRIOS RECURSAIS DEVIDOS. RECURSO 
CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJSC, Apelação Cível n. 0006822-
88.2012.8.24.0018, de Chapecó, rel. Osmar Nunes Júnior, Sétima Câmara 
de Direito Civil, j. 03-09-2020). 
 
E, ainda: 
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO CAUTELAR DE SEPARAÇÃO DE 
CORPOS. PEDIDO DE SEPARAÇÃO DE CORPOS E DE AFASTAMENTO 
DO COMPANHEIRO DA MORADA COMUM DO CASAL. GUARDA DA 
FILHA. 1. Demonstrado o mau relacionamento existente entre o casal, que 
vive situação de beligerância e evidencia situação de ruptura da vida conjugal 
de fato, torna-se imperioso o afastamento de ambos. 2. Justifica-se o 
afastamento do companheiro da morada comum, a fim de que a filha lá 
permaneça residindo na companhia da mãe. RECURSO PROVIDO. (Agravo 
de Instrumento Nº 70068020775, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça 
do RS, Relator: Liselena Schifino Robles Ribeiro, Julgado em 20/01/2016). 
(TJ-RS - AI: 70068020775 RS, Relator: Liselena Schifino Robles Ribeiro, 
 
 
 
 
 
 
Data de Julgamento: 20/01/2016, Sétima Câmara Cível, Data de Publicação: 
Diário da Justiça do dia 22/01/2016) 
 
Além da farta narrativa dos fatos que corroboram para a concessão da 
separação de corpos, nos ensinamentos de CAHALI1, na cautelar de separação de 
corpos, a única prova necessária é a da existência do casamento: 
 
(...) na separação provisória de corpos, como processo cautelar, a única 
prova a ser examinada é a da existência do casamento, revelando-se 
inoportuna e impertinente qualquer discussão sobre os fatos que devam ser 
apreciados e julgados na ação de separação judicial. 
 
Diante de todoo exposto, fica evidente que a pretensão da requerente está 
amparada pela Lei, doutrina e jurisprudência, além dos fatos narrados explicitarem a 
necessidade da medida requerida. 
 
II.2.1 DA MEDIDA LIMINAR 
 
Pelo conteúdo da narrativa, é facilmente verificável a existência do direito 
ameaçado e a impossibilidade de se postergar a solução da questão ora trazida a 
Juízo. 
 
Aguardar a decisão da final da ação de divórcio seria prolongar o sofrimento 
da requerente, além de correr-se desnecessariamente o risco de que esta seja 
ofendida física ou moralmente. 
 
A medida liminar revela-se de suma importância no sentido de permitir o 
regular andamento do processo, no qual se discutirá os termos em que se dará o 
divórcio, a partilha de bens, a guarda do filho menor e os alimentos deste, além de 
resguardar a integridade física da requerente. 
 
É fundado, pois, o receio da requerente de que, se esperar pela tutela 
definitiva, com requerido e requerente morando sob o mesmo teto, esta possa vir a 
sofrer abusos e maus tratos. 
 
1 CAHALI, Yussef Said. Divórcio e Separação. 10ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, p. 455. 
 
 
 
 
 
 
 
Atente-se que o artigo 804 do Código de Processo Civil de 1973, conferia 
ao Juiz a possibilidade de conceder a liminar sem oitiva prévia do requerido. Apesar 
do novo Código não trazer dispositivo semelhante, não pode ser outra a solução 
adotada por este MM. Juízo, visto que a citação do réu certamente tornará ineficaz a 
própria medida pretendida, razão pela qual se requer, liminarmente, o afastamento do 
requerido do lar conjugal. 
 
Ora, a proteção do Estado deve ser completa, inclusive no que tange à 
preservação da vida dos jurisdicionados, a exemplo da medida cautelar de separação 
de corpos, que é deferida àqueles que se uniram pela instituição do matrimônio e se 
tornarão litigantes, quando presentes o periculum in mora e o fumus boni iuris. 
 
O periculum in mora no caso em tela é patente, pois caso não seja 
concedido o provimento preventivo, a tutela jurisdicional não poderá ser prestada 
conforme o almejado pela requerente, pois que certamente o requerido poderá 
concretizar as ameaças perpetradas. 
 
Diante do comportamento do requerido de não respeitar a requerente, bem 
como de não colaborar com as despesas do lar, nem com o sustento dos filhos, 
sobrecarregando a requerente, não há qualquer possibilidade de manutenção da vida 
em comum entre as partes, sendo perigosa a permanência dele junto ao lar conjugal 
durante o processo de divórcio. 
 
O fumus boni iuris também é claro, já que o réu está descumprindo um dos 
deveres primordiais da união afetiva, que é o dever de respeito. Outrossim, o relato 
apresentado pela requerente se demonstra altamente verossímil. 
 
Sobre o assunto, a doutrinadora Maria Helena Diniz2 nos esclarece: 
 
O juiz concederá, com a brevidade possível, a separação de corpos, que 
poderá ser requerida pela parte que, antes de mover a ação de nulidade ou 
de anulabilidade do casamento, de separação judicial, de divórcio direto ou 
 
2 Código Civil Anotado. 9ª Ed. Ver. e atual. São Paulo: Saraiva, 2003. P. 1055. 
 
 
 
 
 
 
de dissolução da união estável (RJTJSP, 136:216), comprovar a necessidade 
de afastar o outro do lar, por ser insuportável a convivência. 
 
Dessa feita, vê-se que a proteção da mulher deve ser garantida e efetiva, 
de forma que o Estado cumpra sua função ontológica – o papel que a Constituição 
Federal lhe incumbiu. 
 
A plausibilidade do direito prescinde de maiores esclarecimentos, pois se 
trata de garantir os direitos básicos da requerente, primordialmente a sua vida e 
integridade física. 
 
Com isso, faz necessário o afastamento do lar do Requerido de maneira 
antecipada, inaudita altera pars. 
 
II.3 DOS BENS 
 
As partes possuem o seguinte bem, adquirido na constância do matrimônio, 
a ser partilhado: 
 
a) Um imóvel de posse, situado no distrito de São José/SC, 
Rua Joaquim Vieira Padilha, 817, bairro: Real Parque, CEP: 88113-480. 
Sendo deste: 
• Terreno com edificação em alvenaria com 3 quartos, sendo 
uma suíte, 1 banheiro social, sala, cozinha e corredor, avaliado em R$ 
337.000,00 (Trezentos e trinta e sete mil reais). 
 
II.3.1 DA PARTILHA DOS BENS 
 
As partes são casadas em regime de comunhão parcial de bens e da 
constância do matrimônio foram adquiridos os bens retro citados. 
Comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do 
casamento, nos termos do Art. 1658 do Código Civil. 
 
 
 
 
 
 
Insta observar que ante a discordância do requerido quanto aos termos do 
divórcio, cabe a parte autora 50% (cinquenta por cento) de todo o patrimônio 
pertencente ao casal, nos termos do regime matrimonial a que estão submetidos. 
 
 
II.4 DA GUARDA E DOS ALIMENTOS DESTINADOS AO FILHO MENOR 
DE IDADE 
 
Do relacionamento, o casal teve três filhos Davi Rodrigues Dazio Sommer, 
maior, atualmente com 24 anos de idade, Douglas Rodrigues Dazio Sommer, 
atualmente com 19 anos de idade e Daniel Rodrigues Dazio Sommer, menor púbere, 
atualmente com 16 anos de idade. 
 
II.4.1 DA GUARDA DO FILHO MENOR 
Não obstante a obrigatoriedade da guarda compartilhada instituída pela Lei 
13.058/14, cabe ao Magistrado a sensibilidade de conceber que não se trata de uma 
regra absoluta, afinal, os interesses do menor devem prevalecer sobre qualquer ato 
normativo. 
Ao disciplinar sobre o tema, Rolf Madaleno destaca sobre as condições 
necessárias para o cabimento da guarda compartilhada3: 
"A guarda compartilhada depende da estabilidade emocional dos pais, 
que tenham boa comunicação entre si, pois sua aplicação está voltada a 
atender três pressupostos, a saber: a) o melhor interesse dos filhos; b) a 
paternidade e maternidade responsáveis; e c) a isonomia dos pais, que 
devem ficar em pé de igualdade para a determinação dos direitos e de suas 
responsabilidades parentais. 
Estando ausentes tais pressupostos, referem julgados e doutrina, a guarda 
conjunta só seria factível por acordo em processo amistoso de divórcio 
ou guarda, pois apenas por consenso e consciência dos pais seria possível 
aplicar a custódia compartilhada que se mostraria de todo inviável no litígio, 
com os pais em conflito, porque atentaria contra a saúde psíquica e 
emocional da prole,32 a qual perderia seus valores, seu rumo e suas 
referências, mantendo problemas reais de adaptação, perdidas num mundo 
de alucinada disputa da atenção dos filhos, (...)". 
 
3 MADALENO, Rodolfo. Manual de Direito de Família. São Paulo: Forense. 2017. Kindle edition. P. 3248 
 
 
 
 
 
 
No presente caso, não presentes os requisitos necessários à boa 
convivência familiar, não há que se falar em guarda compartilhada, devendo, com 
isso, a guarda permanecer com a mãe. 
II.4.2 DOS ALIMENTOS AO FILHO MENOR 
O dever alimentar dos pais está expressamente previsto na Constituição 
Federal, em seu artigo 229: 
 
“Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, 
e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou 
enfermidade.” 
 
Nessa linha o art. 22 da Lei nº 8.069/90 (Estatuto da Criança e do 
Adolescente) assim prescreve: 
 
“Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos 
filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e 
fazer cumprir as determinações judiciais." 
 
O Código Civil, por sua vez, confere a quem necessita de alimentos, o 
direito de pleiteá-los de seus parentes, em especial entre pais e filhos, nos termos do 
art. 1.694 e 1.696: 
 
“Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos 
outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a 
sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua 
educação. 
[...] 
Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, 
e extensivo a todos os ascendentes,recaindo a obrigação nos mais próximos 
em grau, uns em falta de outros.” 
 
In casu, o parentesco está verificado, pois as partes são pai e filho, 
conforme carteira de identidade anexa. A necessidade, igualmente, está plenamente 
configurada, vez que Daniel é menor e, obviamente, não pode arcar com seu sustento. 
 
 
 
 
 
 
 
Os tribunais pátrios sempre concordam no que tange à obrigação de 
alimentos de ambos os pais no sustento de sua prole, conforme a jurisprudência: 
 
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE GUARDA CUMULADA COM PEDIDO DE 
ALIMENTOS EM FAVOR DO FILHO MENOR. PROCEDÊNCIA PARCIAL NA 
ORIGEM APENAS PARA CONCEDER À GUARDA UNILATERAL DA 
CRIANÇA À GENITORA. RÉU QUE, INICIALMENTE, ENCONTRAVA-SE 
CUMPRINDO PENA NO REGIME FECHADO. 
INSURGÊNCIA DA PARTE AUTORA. NECESSIDADES PRESUMIDAS DO 
MENOR DE IDADE (SEIS ANOS). OBRIGAÇÃO DE PRESTAR ALIMENTOS 
QUE DECORRE DO VÍNCULO DE PARENTESCO EXISTENTE ENTRE PAI 
E FILHO. CUMPRIMENTO DE PENA NO SISTEMA PRISIONAL QUE NÃO 
EXIME O ALIMENTANTE DO ENCARGO. PROGRESSÃO DE PENA PARA 
O REGIME SEMIABERTO NÃO IMPUGNADA. ARBITRAMENTO DA 
OBRIGAÇÃO EM PATAMAR RAZOÁVEL PARA ATENDER ÀS 
NECESSIDADES DO INFANTE, SEM ONERAR DEMASIADAMENTE O 
GENITOR DEMANDADO. 
PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (RESP N. 
1886554/DF) E DAS CÂMARAS CÍVEIS DESTE 
TRIBUNAL. CONDENAÇÃO QUE SE IMPÕE. ALIMENTOS QUE DEVEM 
SER FIXADOS EM 30% (TRINTA POR CENTO) DO SALÁRIO-MÍNIMO, 
EM OBSERVÂNCIA AO TRINÔMIO NECESSIDADE, POSSIBILIDADE E 
ADEQUAÇÃO (ART. 1.694 DO CÓDIGO CIVIL). SENTENÇA REFORMADA, 
NO PONTO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. 
 (TJSC, Apelação n. 0301799-53.2018.8.24.0091, do Tribunal de Justiça de 
Santa Catarina, rel. Stanley da Silva Braga, Primeira Câmara de Direito Civil, 
j. 08-04-2021). 
 
Dessa forma, entende-se que o sustendo do filho menor do casal deve 
ser divido entre ambos os pais. 
 
II.4.3 DO VALOR DOS ALIMENTOS AO FILHO MENOR 
 
Os alimentos devem ser fixados na exata proporção do binômio 
necessidade da requerida e capacidade econômica do requerente, nos termos do § 
1º do art. 1.694: 
 
§ 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do 
reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. 
 
A necessidade, igualmente, está plenamente configurada, vez que a 
requerida é menor e, obviamente, não pode arcar com seu sustento. 
 
 
 
 
 
 
 
Em apoio, discorre a seguinte jurisprudência: 
 
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE GUARDA C/C REGULAMENTAÇÃO DE 
VISITAS E ALIMENTOS INTENTADA PELO FILHO MENOR EM FACE DO 
GENITOR. ACORDO HOMOLOGADO EM RELAÇÃO À GUARDA E ÀS 
VISITAS. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. PENSÃO 
ALIMENTÍCIA FIXADA EM 17,5% DOS RENDIMENTOS DO ALIMENTANTE 
E, EM CASO DE AUSÊNCIA DE TRABALHO FORMAL, EM 35% DO 
MÍNIMO NACIONAL. RECURSO DA PARTE AUTORA. 
1. TENCIONADA MAJORAÇÃO DO QUANTUM ALIMENTAR. 
1.1. CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO DA VERBA. OBSERVÂNCIA DO BINÔMIO 
NECESSIDADE E POSSIBILIDADE. EXEGESE DO ART. 1.694, § 1º, DO 
CÓDIGO CIVIL. 
1.2. NECESSIDADES PRESUMIDAS DO INFANTE, QUE CONTA 9 ANOS 
DE IDADE. 
1.3. ALIMENTANTE QUE SE FURTOU DE SUA OBRIGAÇÃO DE 
CARREAR AOS AUTOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS DAS SUAS REAIS 
CONDIÇÕES FINANCEIRAS. DESSARTE, DEVE ARCAR COM O ÔNUS 
DE SUA DESÍDIA. SITUAÇÃO QUE NÃO PODE OBSTAR O DIREITO 
ALIMENTAR DO MENOR. 
1.4. VALOR EQUIVALENTE A 60% DO SALÁRIO MÍNIMO, NO CASO DE 
DESEMPREGO OU TRABALHO AUTÔNOMO, E, NA HIPÓTESE DE 
VÍNCULO FORMAL DE EMPREGO, EM 20% DOS RENDIMENTOS 
LÍQUIDOS (DEDUZIDOS IR E INSS). PERCENTUAIS QUE MELHOR 
OBSERVAM AS PECULARIDADES DO CASO. 
1.5. MAJORAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA SUCUMBENCIAL PARA 15% 
SOBRE O VALOR DE UMA ANUIDADE DA PRESTAÇÃO ALIMENTÍCIA. 
1.6. HONORÁRIOS RECURSAIS. DESCABIMENTO. 
2. JUSTIÇA GRATUITA. PEDIDO FORMULADO PELO RÉU EM 
CONTRARRAZÕES. INEXISTÊNCIA DE INFORMAÇÕES A RESPEITO DA 
ALEGADA CARÊNCIA ECONÔMICA DO REQUERENTE. NÃO 
PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DA 
GRATUIDADE JUDICIÁRIA. BENESSE INDEFERIDA. CONDENAÇÃO AOS 
ÔNUS SUCUMBENCIAIS MANTIDA. 
3. RECURSO DO AUTOR CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 
 (TJSC, Apelação n. 0306032-29.2016.8.24.0038, do Tribunal de Justiça de 
Santa Catarina, rel. Raulino Jacó Bruning, Primeira Câmara de Direito Civil, 
j. 16-12-2021). (grifo nosso) 
 
Dessa forma, requer-se a Vossa Excelência a fixação de alimentos 
definitivos no valor importe de 50% (cinquenta por cento) do salário mínimo 
vigente a época, ou 30% (trinta por cento) dos rendimentos do requerido em 
caso de trabalho formal, com inclusão de 13º salário, férias e terço 
constitucional de férias, adicionais de qualquer espécie e verbas rescisórias, 
com desconto em folha de pagamento, e a título de despesas diversas, 50% 
(cinquenta por cento), das despesas médicas, odontológicas e exames, 
mediante a apresentação dos comprovantes, bem como uniforme e 100% (cem 
por cento) do material escolar no início de cada ano letivo, a partir de quando 
o menor começar a frequentar creches ou escolas. 
 
 
 
 
 
 
 
Para que o encargo não continue sendo apenas suportado pela genitora. 
Posto isto, faz jus a menor ao pagamento de alimentos. 
 
II.4.2 DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS AO FILHO MENOR 
 
A Requerente roga pela prudente decisão de Vossa Excelência, no que 
tange a concessão da fixação de alimentos provisórios, ao filho menor Daniel, a fim 
de que não seja cometida nenhuma injustiça. 
 
A lei 5.478/68 que dispõe sobre a Ação de Alimentos traz em seu texto 
defesa para o pedido de alimentos provisórios visto que, há provas contundentes de 
parentesco entre o menor e o Requerido. Tal ação tem como objetivo promover o 
sustento do filho na pendência da lide. Pode-se ver pelo art. 4º, caput e art. 13, § 3º: 
 
Art. 4º As despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios 
a serem pagos pelo devedor, salvo se o credor expressamente declarar que 
deles não necessita. 
 
Art. 13. O disposto nesta lei aplica-se igualmente, no que couber, às ações 
ordinárias de desquite, nulidade e anulação de casamento, à revisão de 
sentenças proferidas em pedidos de alimentos e respectivas execuções. 
§ 3º. Os alimentos provisórios serão devidos até a decisão final, inclusive o 
julgamento do recurso extraordinário. 
 
Como cediço, a fixação de alimentos provisórios exige observância ao 
binômio: possibilidade do alimentante e necessidade do alimentando, evoluindo, 
hodiernamente, doutrina e jurisprudência para se adotar o trinômio 
"proporcionalidade-possibilidade-necessidade". 
 
A jurisprudência ainda traz a defesa dos menores na fixação de alimentos 
provisórios: 
 
DIREITO CIVIL - FAMÍLIA - AÇÃO DE RECONHECIMENTO 
E DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL C/C GUARDA E ALIMENTOS - 
DECISÃO INTERLOCUTÓRIA - FIXAÇÃO DE GUARDA COMPARTILHADA 
COM A REGULAMENTAÇÃO DAS VISITAS PATERNAS E 
ARBITRAMENTO DE ALIMENTOS PROVISÓRIOS À MENOR - 
INSURGÊNCIA DA RÉ - 1. PLEITO DE ALIMENTOS COMPENSATÓRIOS À 
EX COMPANHEIRA - PRETENSÃO DIRECIONADA APENAS EM SEDE 
 
 
 
 
 
 
RECURSAL - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA - NÃO CONHECIMENTO - 2. 
FIXAÇÃO DE GUARDA UNILATERAL À GENITORA - ANIMOSIDADE 
ENTRE CASAL - GENITOR QUE TRABALHA EM MUNICÍPIO 
LONGÍNQUO - CIRCUNSTÂNCIAS QUE RECOMENDAM O ENCARGO 
UNILATERAL MATERNO 3. ALTERAÇÃO DO REGIME DE VISITAS 
PATERNAS - ELASTECIMENTO - AUSÊNCIA DE ELEMENTOS QUE 
JUSTIFIQUEM A MEDIDA POSTULADA - AFASTAMENTO - VISITAS 
ADEQUADAS AO CASO CONCRETO - 4. MAJORAÇÃO DOS ALIMENTOS 
PROVISÓRIOS FIXADOS À MENOR - NECESSIDADE EXCEPCIONAL 
NÃO DEMONSTRADA - AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO A CAPACIDADE 
FINANCEIRA ATUAL DO GENITOR PARA ARCAR COM VALOR 
SUPERIOR AO FIXADO - VERBA ALIMENTAR RAZOÁVEL E ADEQUADA 
EM ATENÇÃO AOS PARÂMETROS LEGAIS - RECURSO PARCIALMENTE 
CONHECIDO - DECISÃO, EM PARTE, REFORMADA - RECURSO 
PARCIALMENTE PROVIDO 
1. Cabe ao juízo ad quem a análise acerca do acerto ou desacerto da decisão 
agravada, sendo vedada a sua apreciação em matérias não discutidas no 
juízo de primeiro grau, sob pena de supressão de instância. 
2. Inexistindo consenso entre as partes para manter o compartilhamentoda 
guarda da infante, defere-se a guarda unilateral à genitora com quem a 
infante encontra-se adaptada atualmente e por apresentar 
melhores condições para criação e educação da filha comum. 
3. Mantem-se o regime de visitas que, atendendo às peculiaridades do caso 
concreto, assegura o direito do menor e ressalva o interesse paterno de 
participar da vida da filha. 
4. À majoração dos alimentos - provisórios ou não - é indispensável a prova 
da necessidade da alimentada e da possibilidade financeira do alimentante, 
sem o que improcede o reforço alimentar 
 (TJSC, Agravo de Instrumento n. 5021135-42.2020.8.24.0000, do Tribunal 
de Justiça de Santa Catarina, rel. Monteiro Rocha, Segunda Câmara de 
Direito Civil, j. 05-04-2021). 
 
 
Imperioso dizer que o requerido é pedreiro autônomo, portanto não possui 
vínculo empregatício. 
 
Sendo assim, entendendo ser o que está dentro de suas possibilidades no 
momento, e considerando ser inclusive uma obrigação também da genitora alimentar 
seu filho, requer-se a Vossa Excelência a fixação de alimentos provisórios, em caráter 
de urgência, no valor de 50% (cinquenta por cento) do salário mínimo vigente a época, 
ou 30% (trinta por cento) dos rendimentos do requerido em caso de trabalho formal, 
com inclusão de 13º salário, férias e terço constitucional de férias, adicionais de 
qualquer espécie e verbas rescisórias, com desconto em folha de pagamento; 
 
II.5 DA ALTERAÇÃO DO NOME 
 
 
 
 
 
 
 
 A autora manifesta, desde já, a intenção de voltar a usar seu nome de solteira, 
qual seja, SIMONE RODRIGUES DAZIO. 
 
 
III. DOS PEDIDOS 
 
Ante o exposto, REQUER a Vossa Excelência, o recebimento da presente 
Ação, determinando: 
 
1. seja concedido a Requerente, os benefícios da Assistência Judiciária, nos termos 
do art. 5º, inciso LXXIV, da CRFB/88, arts. 98 e 99, do CPC e Lei 1.060/50, em razão 
da hipossuficiência dos Requerentes; 
 
2. seja concedida liminar para o afastamento do lar do Requerido de maneira 
antecipada, inaudita altera pars; como medida de separação de corpos; 
 
3. requer-se a Vossa Excelência a fixação de alimentos provisórios, em favor do filho 
menor Daniel Rodrigues Dazio Sommer, em caráter de urgência, no valor de 50% 
(cinquenta por cento) do salário mínimo vigente a época, ou 30% (trinta por cento) dos 
rendimentos do requerido em caso de trabalho formal, com inclusão de 13º salário, 
férias e terço constitucional de férias, adicionais de qualquer espécie e verbas 
rescisórias, com desconto em folha de pagamento, a ser depositado na conta da 
Requerente, Banco NUBANK, agência 0001, conta corrente 43735794-7; 
 
4. Que seja citado o Requerido, no endereço mencionado, para responder a presente 
demanda e querendo contestar os fatos sob pena de revelia; 
 
5. em cumprimento ao que dispõe o art. 319, VIII, do CPC, opta a Requerente pela 
audiência de Conciliação; 
 
6. A concessão: 
a) da partilha dos bens, nos termos acima descritos; 
 
 
 
 
 
 
b) da alteração do nome da autora para o nome utilizado quando solteira; 
 
7. seja determinado ao cartório de Registro Civil competente a averbação do divórcio 
na forma da lei; 
 
8. seja deferido a prestação de alimentos definitivos ao filho menor no valor de 50% 
(cinquenta por cento) do salário mínimo vigente a época, ou 30% (trinta por cento) dos 
rendimentos do requerido em caso de trabalho formal, com inclusão de 13º salário, 
férias e terço constitucional de férias, adicionais de qualquer espécie e verbas 
rescisórias, com desconto em folha de pagamento, a ser depositado na conta da 
Requerente, Banco NUBANK, agência 0001, conta corrente 43735794-7; 
 
9. a guarda unilateral do filho Daniel Rodrigues Dazio Sommer, para a Requerente; 
 
10. a procedência do pedido, para extinguir definitivamente o vínculo conjugal 
mediante Sentença que decrete o Divórcio. 
 
11 a intimação do ilustre representante do Ministério Público, para que acompanhe o 
feito até o final, sob pena de nulidade; 
 
12. A condenação do Requerido em custas e honorários sucumbenciais; 
 
Protesta provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em 
direito, especialmente pela oitiva de testemunha que, sendo necessário, serão 
oportunamente arroladas e, a juntada de documentos e, tudo o mais que se fizer 
indispensável à demonstração dos fatos apresentados no presente exordial. 
 
Dá-se a causa, o valor de R$ 344.272,00 (trezentos e quarenta e quatro mil 
e duzentos e setenta e dois reais). 
 
Nestes Termos 
Deferimento. 
 
 
 
 
 
 
 
São José, 26 de janeiro de 2022. 
 
 
DOUGLAS DUTRA 
OAB/SC 27075 
Petição assinada digitalmente 
(Lei 11.419/2006, art. 1º, §2º, III, “a”) 
 
 
	II.4.2 DOS ALIMENTOS AO FILHO MENOR

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