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Autor: Prof. Livaldo dos Santos Colaboradoras: Profa. Cláudia Roberta Carneiro Leão Profa. Christiane Mazur Doi Profa. Teresa Dias de Toledo Pitombo Fundamentos da Administração Professor conteudista: Livaldo dos Santos Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Guarulhos (2000). Foi coordenador do curso de Administração presencial nos campi Cidade Universitária e Pinheiros e professor adjunto da UNIP em cursos de graduação. Administrador profissional pela Faculdade de Administração e Ciências Contábeis Tibiriçá (1993). Professor há mais de 25 anos em cursos de graduação, tendo atuado em cursos de pós-graduação por oito anos em instituições de primeira linha. Consultor de empresas há 27 anos, atuando em assessorias nas áreas organizacionais, gestão de processos, gestão estratégica e sistemas de informação em empresas diversas e instituições financeiras. Foi professor supervisor/orientador de estágios do curso de administração da UNIP, campus Cidade Universitária. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. U514.19 – 22 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) S237 Santos, Livaldo dos Fundamentos da Administração. / Livaldo dos Santos - São Paulo: Editora Sol, 2022. 108 p. il. Notas: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. 1. Administração 2. Administrador 3. Teorias I. Título CDU 658.01 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Profa. Sandra Miessa Reitora em Exercício Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez Vice-Reitora de Graduação Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini Vice-Reitora de Administração Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia Vice-Reitor de Extensão Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades do Interior Unip Interativa Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Vannini Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático Comissão editorial: Profa. Dra. Christiane Mazur Doi Profa. Dra. Angélica L. Carlini Profa. Dra. Ronilda Ribeiro Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista Profa. Deise Alcantara Carreiro Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Vitor Andrade Alessandro de Paula Sumário Fundamentos da Administração APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 ADMINISTRAÇÃO: CONCEITOS E IMPORTÂNCIA ................................................................................ 11 1.1 Definição .................................................................................................................................................. 11 2 O PROCESSO EMPRESARIAL ....................................................................................................................... 12 2.1 A empresa ................................................................................................................................................ 13 2.2 História das organizações ................................................................................................................. 14 2.3 Os níveis organizacionais .................................................................................................................. 16 2.4 As grandes áreas funcionais da empresa .................................................................................... 17 2.5 Organização, direção e controle ..................................................................................................... 18 2.6 Papel social das organizações ......................................................................................................... 19 2.6.1 Empresas para um mundo futuro .................................................................................................... 20 2.6.2 Sustentabilidade, responsabilidade corporativa e responsabilidade social ..................... 23 Unidade II 3 O ADMINISTRADOR ........................................................................................................................................ 30 3.1 Conceituação e caracterização do agente da ação administrativa ................................. 30 3.2 Perfil do administrador ...................................................................................................................... 32 3.3 Competências pessoais do administrador .................................................................................. 34 4 OS DEZ PAPÉIS DO ADMINISTRADOR SEGUNDO HENRY MINTZBERG ..................................... 35 4.1 Papéis interpessoais ............................................................................................................................. 36 4.2 Papéis informacionais......................................................................................................................... 37 4.3 Papéis decisoriais .................................................................................................................................. 38 4.4 O futuro do administrador ............................................................................................................... 39 Unidade III 5 A ABORDAGEM CLÁSSICA E A HUMANÍSTICA .................................................................................... 46 5.1 Teoria científica da administração ................................................................................................ 46 5.1.1 O primeiro período de pesquisas de Taylor .................................................................................. 48 5.1.2 O segundo período de pesquisas de Taylor .................................................................................. 49 5.1.3 Os quatro princípios da administração científica ...................................................................... 52 5.2 Teoria clássica da administração .................................................................................................... 53 5.2.1 Os quatorze princípios gerais da administração ........................................................................ 54 5.2.2 Funções da organização ....................................................................................................................... 55 5.2.3 Funções administrativas....................................................................................................................... 56 5.3 Teoria das relações humanas ........................................................................................................... 56 5.3.1 Fases da análise do caso Hawthorne .............................................................................................. 57 5.3.2 Organização informal............................................................................................................................ 60 5.3.3 Estilos de liderança ................................................................................................................................. 61 5.3.4 Considerações e críticas à escola das relações humanas ....................................................... 62 6 DA TEORIA BUROCRÁTICA À TEORIA NEOCLÁSSICA ......................................................................... 63 6.1 Teoria burocrática ................................................................................................................................ 63 6.1.1 Característicasda burocracia ............................................................................................................. 64 6.1.2 Os tipos de poder .................................................................................................................................... 66 6.1.3 Pecado pelo excesso ou pela falta – disfunções burocráticas .............................................. 67 6.2 Teoria de sistemas ................................................................................................................................ 68 6.2.1 O sistema e seus elementos ................................................................................................................ 70 6.2.2 Dimensões dos sistemas....................................................................................................................... 71 6.2.3 Propriedades dos sistemas .................................................................................................................. 71 6.2.4 Sistema de informações gerenciais ................................................................................................. 72 6.3 Teoria neoclássica ................................................................................................................................. 73 6.3.1 Características da teoria neoclássica .............................................................................................. 74 Unidade IV 7 ADMINISTRAÇÃO POR OBJETIVOS E TEORIA COMPORTAMENTAL .............................................. 79 7.1 Administração por objetivos (APO) ............................................................................................... 79 7.2 Teoria comportamental ..................................................................................................................... 81 7.2.1 A motivação .............................................................................................................................................. 82 7.2.2 Teoria da hierarquia das necessidades de Maslow .................................................................... 83 7.2.3 Teorias motivacionais ............................................................................................................................ 85 7.2.4 Teoria dos dois fatores de Herzberg ................................................................................................ 88 7.2.5 Teorias X e Y de McGregor .................................................................................................................. 89 8 A ORGANIZAÇÃO – PARTE 1 ....................................................................................................................... 91 8.1 Projeto organizacional ....................................................................................................................... 91 8.1.1 Configuração organizacional ............................................................................................................. 92 8.1.2 Dimensões do projeto organizacional ............................................................................................ 92 8.2 Elaboração da estrutura organizacional ..................................................................................... 94 8.2.1 Fatores condicionantes da estrutura .............................................................................................. 95 8.2.2 Componentes da estrutura – sistema de responsabilidade ................................................... 98 7 APRESENTAÇÃO Olá, caros alunos! Esta disciplina lança a vocês, futuros profissionais, um desafio: o de apoderar-se, no que se refere ao ato de administrar, de suas bases histórica, teórica e prática. Pode soar aparentemente simples, mas se trata de tarefa que traz em si a complexidade de todo um universo de conhecimentos e posturas em cultura administrativa. Para possibilitar a vocês a apreensão bem-sucedida dos conteúdos, o curso se dispõe a tornar viável o entendimento do papel da administração e do profissional no contexto organizacional. Além disso, o curso busca suscitar a discussão, entre os alunos, da evolução do pensamento administrativo e suas características dentro de um contexto histórico social e econômico. O processo de ensino-aprendizagem é conduzido de forma que os alunos compreendam os diversos tipos de organizações existentes – organizações estas que são desenvolvidas para atender às necessidades organizacionais no decorrer do tempo. O curso possibilita a aquisição de uma visão mais integrada do processo gerencial e do papel dos dirigentes dentro do contexto das organizações, assim como é importante que haja o debate sobre cada prática administrativa descrita neste curso, de forma que os futuros profissionais estejam municiados de instrumentos para a prática administrativa. Destacam-se a seguir os principais objetivos desta disciplina: • Viabilizar o entendimento da função e do papel da administração e do administrador no contexto das organizações. • Levar os alunos a abordar e discutir a evolução do pensamento administrativo, suas características e contexto histórico, social e econômico. • Conduzir o processo de ensino-aprendizagem de modo que o aluno entenda os diferentes tipos de organizações existentes e desenvolvidas para atender às necessidades organizacionais no decorrer do tempo. • Possibilitar a aquisição de uma visão integrada do processo gerencial e do papel dos dirigentes dentro do contexto organizacional. • Permitir a discussão de práticas administrativas, visando instrumentalizar os futuros gestores de empresas. 8 INTRODUÇÃO Esta disciplina estabelecerá uma parceria entre o seu intelecto e as descobertas históricas sobre este fenômeno, que se iniciou quando o homem teve a necessidade de organizar o trabalho para lascar a pedra e construir uma “machadinha de pedra lascada”. Dizem que deve ter sido um pouco antes da elaboração da primeira organização, mas será que isso importa? Neste livro-texto, pretende-se que o futuro gestor, independentemente de sua área específica de atuação, tenha assimilado os conhecimentos que viabilizem o entendimento da função da administração, seus conceitos e definições. Vamos estudar como se dá o processo empresarial, bem como os tipos de empresas, a composição das áreas funcionais, a estrutura e seu papel social, sinalizando a perspectiva de liderança para os próximos anos e as políticas de sustentabilidade empresarial. Desde os primórdios da humanidade, existe a necessidade de planejar e alocar os recursos necessários para a realização de um trabalho e a consecução de objetivos humanos, por meio da liderança de pessoas que realizam os trabalhos necessários para alcançar aqueles resultados comuns. Acredita-se que os fundamentos da administração começaram a ser elaborados nesses tempos de trabalhos simples, recursos rudimentares e objetivos de curtíssimo prazo. Hoje, tais atividades atingiram uma complexidade incomensurável para poder atender às demandas das grandes corporações supranacionais, das redes flexíveis de empresas, bem como das grandes fusões e incorporações empresariais. Todos aqueles que necessitam atuar e interferir na condução dos trabalhos em uma organização, seja ela uma empresa privada ou pública, pequena ou grande, comercial ou religiosa, entre uma imensa gama de tipos existentes, deverão ser considerados gestores. Os gestores necessitam dos conhecimentos fundamentais para identificar, analisar e realizar os objetivos humanos que só são atingidos por meio de uma organização. Esta disciplina apresentará os seguintes fundamentos: A organização Fenômeno administrativo Planejamento empresarial Abordagens teóricas Ferramentas de gestão Figura 1 – Os fundamentos da administração 9 Ao estudar o conteúdo deste livro-texto, você poderá assimilar os principais conceitos do fenômeno administrativo – o perfil e as características determinantes do administrador – onteme hoje. Da mesma forma, permitirá obter uma visão completa da evolução das abordagens teóricas da administração que, juntamente com o entendimento do processo do planejamento empresarial e de ferramentas de gestão, irão permitir que você entenda e interfira de forma racional e objetiva na organização. Os gestores, sejam eles focados em logística, marketing, processos gerenciais, gestão de recursos humanos, da tecnologia da informação ou mesmo gestão financeira, necessitam desenvolver habilidades para enfrentar, segundo o Plano Pedagógico do curso, os grandes desafios dos países, que hoje estão intimamente relacionados com as contínuas e profundas transformações sociais ocasionadas pela velocidade com que têm sido gerados novos conhecimentos científicos e tecnológicos, sua rápida difusão e uso pelo setor produtivo e pela sociedade em geral. Verifica-se que as organizações produtivas têm sofrido impactos provocados pelo frequente emprego de novas tecnologias que, geralmente, alteram hábitos, valores e tradições que pareciam imutáveis. Os grandes avanços de produtividade são impulsionados pela melhoria da gestão empresarial, assim como pelo progresso científico e tecnológico. Aqui se encaixa a contribuição desta disciplina, que tem a importante missão de fornecer, para o seu curso, as bases para o entendimento do perfil ideal de um gestor, as teorias e técnicas administrativas para lidar de forma efetiva com os desafios empresariais enfrentados pelos gestores tecnólogos, bem como uma visão da organização: seu ambiente interno e o ambiente externo, com suas oportunidades e ameaças. Embora os cursos tendam a formar profissionais especializados em segmentos (áreas), tendo como foco um ramo específico, disciplinas como esta irão nivelar os profissionais das diversas áreas em sua capacitação para entender a organização como um todo e desenvolver o pensamento estratégico para conduzir os seus rumos e operacionalizar suas estratégias. Conheça-te a ti mesmo, ao terreno da batalha e aos seus oponentes, e não temerás por nenhuma batalha! (Sun Tzu) 11 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Unidade I 1 ADMINISTRAÇÃO: CONCEITOS E IMPORTÂNCIA 1.1 Definição Administrar vem do latim: ad significa “tendência para”, “direção para”; minister significa “subordinação ou obediência”, “aquele que realiza uma função sob o comando de outrem”, isto é, aquele que cumpre uma obrigação de trabalho a outro (CHIAVENATO, 2014). O conceito geral de administrar consiste em versões diversas, cada uma com um viés diferente, porém de forma convergente e complementar. São várias as definições de administração. Há quem a julgue uma ciência e quem a defina como arte. De modo geral, todas giram em torno do mesmo tema. Quadro 1 – Os conceitos de administração Autores Conceito Crounel Marins (2010) Administração é um conjunto de atividades organizacionais que têm como funções principais: a tomada de decisões baseada em técnicas específicas e interpretação pessoal das situações interiores e exteriores à organização; e a manipulação de conflitos de forma produtiva Jules Henri Fayol (1981); Ramos (2010) Administrar é prever, organizar, comandar, coordenar e controlar Antonio César Amaru e Maximiano (1997); Ramos (2010) A administração é o processo de tomar e colocar em prática decisões sobre objetivos e utilização de recursos Peter Ferdinand Drucker (1989); Ramos (2010) Administração é simplesmente o processo de tomada de decisão e o controle sobre as ações dos indivíduos para o expresso propósito de alcance de metas predeterminadas Idalberto Chiavenato (2021) Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso dos recursos e competências organizacionais para alcançar determinados objetivos de maneira eficiente e eficaz. Sem ela, as organizações jamais conseguiriam funcionar a contento Com base nos conceitos apresentados, pode-se perceber que eles convergem entre si, admitindo ser um processo para planejar, organizar, controlar. Nesse contexto, a administração pode ser simultaneamente uma ciência, uma tecnologia e uma arte. Ela é uma ciência com princípios bem definidos e um corpo de conhecimentos científicos e devidamente codificados; uma tecnologia que produz ferramentas de utilização para obter resultados; e uma arte em lidar com situações concretas e abstratas (CHIAVENATO, 2014, p. 4). 12 Unidade I A administração passa a ser considerada como uma ciência universal, pois todas as áreas do conhecimento fazem uso de conceitos para atingirem seus objetivos. Na figura a seguir encontramos a rosácea da administração, que ilustra a reunião das competências necessárias para o entendimento e a aplicação da gestão administrativa. Planejamento Organização Controle Direção – Proatividade e visão antecipatória – Foco em objetivos e estratégias – Visão de futuro – Visão sistêmica e holística – Convergência – Networking – Foco em resultados – Desempenho – Eficiência e eficácia – Liderança – Comunicação – Missão e valores Figura 2 – Rosácea da administração Fonte: Chiavenato (2014, p. 8). 2 O PROCESSO EMPRESARIAL Organização é um grupo de pessoas que trabalham em busca de objetivos comuns, e não necessariamente são empresas. Pode ser um time de futebol, um coral, uma equipe de voluntários, um grupo de jovens da igreja ou de uma empresa, enfim, são pessoas que trabalham em conjunto, todas focando o mesmo resultado. Então, quer dizer que toda empresa é uma organização, mas nem toda organização é uma empresa. Para compreendermos melhor o que são as organizações e em qual setor as empresas estão inseridas, precisamos entender que a sociedade civil é dividida em setores, os quais são: • 1° setor: é o que chamamos de iniciativa pública, caracterizada pelos governos municipais, estaduais e federais. Este setor é responsável por proporcionar às pessoas os serviços básicos e elementares para a vida em sociedade, como saúde, educação, transporte, segurança, habitação etc. A função primordial do Estado é promover o Welfare State – Estado do Bem-Estar Social. 13 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO • 2° setor: também chamado de iniciativa privada, representado pelas empresas que possuem fins lucrativos, podendo ser do setor agropecuário, industrial, comercial ou de serviços. Devemos compreender que as empresas podem ser: — Empresa individual: é aquela constituída por apenas um empreendedor; essa é uma forma de organização utilizada em pequenos negócios. — Sociedades anônimas: são empresas com capital aberto, ou seja, com a possibilidade de negociação de suas ações em bolsas de valores. — Sociedade limitada: também chamada de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, sendo utilizada quando a empresa é constituída por um número reduzido de sócios. • 3° setor: Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), conhecidas popularmente como ONGs (Organizações Não Governamentais), são entidades que defendem os interesses comuns, da sociedade ou de grupos sociais. As OSCIPs não são parte do governo e não possuem fins lucrativos. Por isso, chamamos de 3° setor da sociedade civil. Alguns exemplos são fundações, associações, cooperativas, igrejas, sindicatos e demais entidades filantrópicas. A Pastoral da Criança é uma das mais respeitadas organizações do 3° setor do Brasil. Lembrete Organização é um grupo de pessoas que trabalham em busca de objetivos comuns, e não necessariamente são empresas. 2.1 A empresa As empresas podem ser representadas como uma organização que foca o lucro. Elas podem ser semelhantes, mas nunca iguais, possuem suas características, diversidades, tamanho e estrutura. São dos mais diversos ramos de atividade e fazem uso de diversas tecnologias para produzir bens ou serviços dos mais variados tipos e são conduzidos e distribuídos aos diversos mercados (CHIAVENATO, 2014). Uma empresa, independentemente de seu porte, pode ser de um homem só, de várias pessoas, de um conjunto de empresas oude acionistas nominais ou anônimos, sem necessariamente ter um dono envolvido. Nesse caso, temos apenas o domínio, com maior ou menor participação societária (KWASNICKA, 2006). Observação Existem outros tipos de empresas, principalmente as não lucrativas, como ONGs, cooperativas, fundações, cujo regime jurídico difere do das demais, porém devem ser legalizadas e administradas segundo as regras específicas de cada uma. 14 Unidade I As formas de propriedade e de associação entre empresas podem ser consideradas de algumas maneiras. O significado de propriedade legal consiste no direito, instituído pela lei, de possuir um conjunto de bens que compõem a empresa. Dentro dos desígnios da lei, há um conjunto de direitos e um de deveres para a criação de uma empresa, os quais devem ser respeitados por todos os proprietários da empresa. Já a participação é o modo de envolvimento de cada indivíduo na forma de propriedade. Poderá ser uma única pessoa, ser um sócio majoritário e outros com participações menores, ou ainda ser uma participação igualitária. Dependerá do tamanho da participação, do poder de opinar e de influenciar nas decisões e na vida da empresa. A sociedade anônima é uma forma de associação particular que dispõe de uma lei própria que rege sua constituição. Essa forma de associação tem vida própria, independentemente de seus acionistas, pois eles podem ser muito pulverizados e anônimos. Em alguns casos, pode existir um sócio nominal majoritário e/ou existirem vários acionistas desconhecidos. Envolve principalmente as empresas de capital aberto, cujas ações são vendidas na Bolsa de Valores. 2.2 História das organizações Dos primórdios até meados do século XVII, as organizações cresceram lentamente, mas isso não significa que o trabalho não era organizado. Chiavenato (2014) aponta que a divisão da história das organizações acontece em seis fases: • Fase artesanal: origina-se na Antiguidade e sobrevive até 1780, início da Revolução Industrial; produção no artesanato rudimentar das pequenas oficinas e da mão de obra não qualificada na agricultura; resquício do feudalismo e o sistema comercial – troca de mercadorias. • Fase de transição do artesanato a industrialização: ocorreu entre 1780 e 1860. Marca o início da Era Industrial, com mecanização e industrialização das oficinas e da agricultura, com destaque para o carvão e para o ferro. Desenvolvimento do tear hidráulico, tear mecânico. Máquina a vapor tanto na área fabril como nos transportes (navio e locomotiva) e a comunicação com o surgimento do telégrafo elétrico e o selo postal. • Fase do desenvolvimento industrial: período de 1860 a 1914, com destaque para o aço e para a eletricidade. Grande desenvolvimento da maquinaria e a substituição do ferro pelo aço e do vapor pela eletricidade. O capitalismo industrial é substituído pelo capitalismo financeiro, com o aparecimento de grandes bancos e instituições financeiras. Crescimento das empresas bem-sucedidas. • Fase do gigantismo industrial: fase situada entre as duas Guerras Mundiais (1914 e 1945), cujo desenvolvimento industrial foi pautado em objetivos bélicos. Neste período temos também a Grande Depressão (crise em 1929 do sistema financeiro dos EUA, o que gerou uma crise 15 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO mundial). As empresas nesta fase atingem proporções enormes, atuando no âmbito internacional e multinacional. Expansão nos transportes (aéreo, terrestre e marítimo) e a comunicação torna-se mais rápida com o telégrafo sem fio, o telefone, o rádio e a televisão. • Fase moderna: período que compreende o pós-Guerra (1945) até 1980, quando se percebe uma cisão entre os países desenvolvidos (industrializados) e os subdesenvolvidos (não industrializados) e dos países em desenvolvimento. Grande avanço tecnológico. Novos materiais básicos (plástico, alumínio, novas fibras têxteis sintéticas), novas fontes de energia (nuclear, solar, eólica). Aparecem novas tecnologias como: TV em cores, som de alta definição, computador, comunicação telefônica e transmissão de TV por satélite, popularização do automóvel. Surgem problemas como escassez de recursos, inflação, juros e custos altos. Todas essas maravilhas trazem complexidade e a imprevisibilidade do que poderá acontecer. • Fase da globalização: é a fase após 1980, cheia de desafios, dificuldade e ameaças. As empresas lutam e enfrentam a grande concorrência e o desafio para entender o mercado. Esta fase é marcada pela revolução do computador, a internet, ou seja, pode-se denominar como a Era da Informação, que veio substituir a Era Industrial. Transição para a industrialização Crescimento industrial Gigantismo industrial Fase moderna Globalização Fase artesanal 1780 1914 Era da Agricultura Era Industrial Era da Informação 19801860 1945 1990 Figura 3 – As fases da história das empresas Fonte: Chiavenato (2014, p. 43). Tanto a Era Industrial como a Era da Informação tiveram importância significativa no desenvolvimento das empresas. 16 Unidade I Quadro 2 – Características da Era Industrial e da Era da Informação Era Industrial Era da Informação Fábrica – empresa física e tangível Empresa virtual e em rede Empresa de cimento e concreto Empresa de bits e bytes Máquinas e equipamentos Computadores e terminais Estabilidade e permanência Mudança e instabilidade Manter o status quo Mudar e inovar Mão de obra braçal – trabalho muscular Conhecimento – trabalho cerebral Emprego único, tradicional e presencial Atividade compartilhada, engajada e virtual Trabalho individual, isolado e solitário Trabalho em equipe, participativo e solidário Gerência tradicional Liderança, coaching e mentoring Impor ordens e comandos Conquista e colaboração Obediência cega às regras e aos regulamentos Empreendedorismo e intraempreendedorismo Especialização e foco em uma única atividade Flexibilidade, multifuncionalidade e polivalência Capital financeiro Capital intelectual Fonte: Chiavenato (2014, p. 44). 2.3 Os níveis organizacionais Na visão de Chiavenato (2014), as empresas podem ser inseridas em três tipos de níveis: • Nível institucional: nível estratégico composto pelos diretores, proprietários ou acionistas. Neste nível são decididos os objetivos e as estratégias empresariais e globais. • Nível intermediário: está entre o institucional e o operacional, por isso também é chamado de mediador ou gerencial. Cuida da articulação interna entre os dois níveis e lida com os problemas de adequação das decisões tomadas. Envolve a média administração, ramo em que as estratégias são transformadas em ação. • Nível operacional: conhecido também como nível técnico. É nele que as tarefas e operações realizadas, com destaque para os maquinários e equipamentos em geral. 17 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO – Estabelece objetivos empresarias – Verifica e analisa alternativas estratégicas – Toma decisões globais – Elabora planejamento estratégico e políticos – Avalia resultados globais – Estabelece objetivos departamentais – Verifca e analisa alternativas básicas – Toma decisões departamentais – Elabora e implementa planejamento tático – Avalia resultados táticos – Estabelece objetivos operacionais – Verifica e analisa alternativas operacionais – Toma decisões operacionais – Avalia, planeja e replaneja a operação do dia a dia – Avalia resultados cotidianos Nível institucional Nível intermediário Nível operacional Compara com objetivos empresariais Compara com objetivos departamentais Compara com objetivos operacionais Figura 4 – A atuação nos níveis organizacionais Fonte: Chiavenato (2014, p. 56). 2.4 As grandes áreas funcionais da empresa Ao analisar uma organização e suas principais funções, iremos utilizar a teoria de sistemas. Essa teoria permite um melhor entendimento das várias funções da empresa, bem como dá uma visão global da organização e suas inter-relações com o ambiente externo. Para entender o funcionamento de cada área, devemos identificar queexiste uma hierarquia a que cada uma está ligada. O nível de decisão define as prioridades e as ênfases nas atividades decorrentes da decisão, bem como cada atividade será efetuada e a execução da tarefa sem si. Cada um desses níveis poderá ser estudado isoladamente, porém não sobrevive sem os demais, pois existe uma relação muito estreita entre eles. Os ambientes organizacionais, que se dividem em internos e externos, são vitais no processo organizacional. Eles exercem uma influência muito grande, com o poder de alterar as ações já definidas para que haja uma adaptação às mudanças do ambiente. Alguns fatores do ambiente externo não podem ser controlados pela empresa, restando apenas se adaptar a eles. Estar atento ao que ocorre fora das paredes da empresa pode dar vantagens competitivas sobre seus competidores (KWASNICKA, 2006). Observe com atenção as funções destacadas a seguir. 18 Unidade I Função produção Produzir é transformar insumos disponíveis em insumos desejáveis: matéria-prima em bens finais ou semifinais, ou ainda prestar serviços a partir do conhecimento de uma técnica ou do desenvolvimento de uma tecnologia. Essa função foi a que mais sofreu modificação ao longo dos anos, talvez influenciada pela evolução da ciência e pela busca de métodos melhores de desempenho operacional. Função financeira Sempre foi e será a mais delicada no cenário dos negócios. As atividades mais importantes dessa função são a captação e a aplicação de recursos financeiros, que exigem atenção constante. Função marketing Consumir, consumismo e consumidor são as “palavras mágicas” de qualquer empresa produtora de bens e serviços. O maior objetivo do marketing e vendas é conquistar a maior fatia de mercado e superar a concorrência. No marketing, o planejamento estratégico torna-se muito importante, pois planeja a função em si, sabe quais as atividades terão mais ênfase dentro da função e como ocorre o planejamento de cada produto em si. Função recursos humanos/administração de pessoas As pessoas sempre foram muito importantes na empresa. Desde Taylor a preocupação era com os operários, e hoje a questão se ampliou e o foco também. As decisões de RH devem ser dirigidas aos negócios para tornar a empresa mais competitiva. É impossível renovar uma empresa sem revitalizar as pessoas, reconhecer e aperfeiçoar suas capacidades e habilidades. Essa área dá suporte a todas as demais áreas da organização, funcionando, executando e aconselhando nos problemas relacionados ao quadro de pessoal (KWASNICKA, 2003). 2.5 Organização, direção e controle A menos que você seja o criador da empresa, dificilmente terá oportunidade de propor uma estrutura desde o início. Em geral, você deve adaptar-se a uma estrutura existente ou adaptar a estrutura que traga o melhor resultado para a empresa. Organizar é coordenar diferentes atividades de pessoas com a finalidade de executar tarefas planejadas. Essa organização consiste em uma rede de relacionamentos específicos entre indivíduos, posições e tarefas. Existem muitas formas de agrupamentos de tarefas e posições, dando diferentes formatos ao desenho estrutural. Não existe uma forma correta ou errada, depende das características e das necessidades da empresa, entretanto alguns conceitos devem ser observados: autoridade, responsabilidade, amplitude de controle e unidade de comando. 19 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Dirigir uma organização é conduzi-la ao cumprimento dos objetivos estabelecidos, para a finalidade para a qual ela foi criada, ao sucesso. Esse ato está diluído em toda a empresa, em qualquer nível hierárquico. Dentro do conceito de direção estão inseridos outros, como: poder, autoridade, liderança, responsabilidade, delegação, enfim, tudo que se relaciona com a interação entre pessoas e entre atividades funcionais. O ato de controlar tem vários significados, tanto quantos forem seus objetivos. Na empresa significa saber se o que foi planejado foi obtido com qualidade e custo desejável. Falando dessa forma parece simples, mas não é, há uma forte conotação comportamental inserida nos atos de controlar, pois o ato em si está sempre envolvendo alguém ou um grupo. A questão da qualidade já teve uma ênfase muito grande na década de 1980, com o surgimento dos modelos japoneses de eficiência na produção; hoje, o controle está mais para resultado global da organização do que limitado a subsistemas como fianças e produção. 2.6 Papel social das organizações A inter-relação da empresa com o seu ambiente nunca foi tão intensa como hoje. A questão social, não só internamente, como também com a sociedade na qual a empresa está inserida, deve fazer parte dos objetivos da organização. A sociedade tem ficado atenta às ações de empresas e como isso pode afetar a vida de cada um, seja em poluição de ar e água, seja na questão de esgoto, lixo e crescimento desordenado. As empresas podem envolver-se em quase todos os tipos atividades sociais: educação, moradia, lazer e saúde, podendo contribuir direta ou indiretamente. Elas podem participar ativamente em ações que venham a ajudar o setor público ou ajudando ONGs, financiando projetos sociais. Isso traz uma imagem muito positiva para a empresa e influência em sua posição favorável de mercado. Observação Algumas empresas não têm preocupação com a poluição do ar, do solo e da água, emitindo poluentes sem controle. Não seria necessário o Protocolo de Kyoto se houvesse mais consciência das empresas com isso. A saúde da população também é afetada pela falta de cuidado de algumas empresas com essa questão. Hoje o setor social está atuante e organizado para cobrar posições das empresas. As ONGS ajudam muito nessa questão, principalmente as ambientalistas. As associações de classe, de bairro e outras entidades de classe são as mais ativas no processo. 20 Unidade I 2.6.1 Empresas para um mundo futuro O cenário no século XXI tem exigido a reflexão e a discussão sobre como se pretende minimizar os impactos produzidos pelos negócios para que as próximas gerações não tenham ônus. Recentes proposições de alguns estudiosos e empresários trouxeram o tema “capitalismo consciente”. Os autores Mackey e Sisoda (2013) apontam a importância de se pensar em uma maneira de conduzir o lucro das organizações com uma visão mais holística, e não apenas na única proposição da organização, que era gerar lucro, defendida por Milton Friedman. Mota (2013) afirma que existem vários tipos de capitalismo e que este dependerá da dinâmica própria desse sistema econômico no tempo e no espaço. O capitalismo do século XIX era caracterizado pela lógica de exploração e de inexistência, de certa forma, de proteção social. Já na Era do Estado do Bem-Estar Social, o capitalismo vai adquirir uma face mais humana, quando adota a política do Welfare State. Mudanças significativas ocorreram desde o fordismo até aos dias de hoje. O capitalismo consciente, na percepção de Mackey e Sisoda (2013), consiste em romper com paradigmas existentes e propor novas maneirar de desenvolver um negócio em que este poderá criar vários tipos de valor e de bem-estar para todas as partes envolvidas, como: financeiro, intelectual, físico, ecológico, social, cultural, emocional, ético. Trata-se de uma maneira mais completa de pensar o negócio. Os autores ainda asseveram que o capitalismo consciente está sustentado em quatro princípios: propósito maior; integração com os stakeholders; liderança consciente; e cultura e gestão consciente. Não são princípios isolados, mas sim interligados, eles se reforçam mutuamente, como mostrado na figura a seguir. Liderança consciente Cultura e gestão consciente Integração com os stakeholders Propósito maior e valores centrais Figura 5 – Os quatro princípios do capitalismo consciente Fonte: Mackey e Sisoda (2013, p. 36). 21 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Propósito maior Ser mobilizador, proporcionando um grau de engajamento entre todos os públicos de interesses e catalisara criatividade, a inovação e o comprometimento organizacional. Tal quesito está no centro da figura 5 porque é nesse aspecto que as organizações devem estar centradas. Integração de stakeholders São as entidades, ou seja, os públicos de interesse das organizações que de uma maneira ou outra serão ou terão grandes efeitos nos relacionamentos, compondo uma rede de criação de valor. Liderança consciente O comando das organizações é imprescindível para que o negócio seja consciente, ou seja, com uma liderança visionária e apurada em que esteja sustentada na inteligência analítica, emocional e espiritual, compreendendo e analisando a teia de relacionamentos entre todos os stakeholders. Cultura e gestão consciente Tais aspectos garantem a sustentação dos valores e propósitos de uma organização consciente. Se perdurarem, vão suportar as adversidades de liderança e os problemas que poderão surgir ao longo do tempo. Empresas com esses propósitos possuem uma gestão compatível com a cultura, baseando-se na descentralização, na autonomia e na colaboração, ampliando a capacidade de inovação e criando vários tipos de valores para os stakeholders internos. As organizações que adotam tais proposições creem que o sucesso dos negócios está atrelado à criação de valor para todos os stakeholders, entre eles a sociedade e o meio ambiente. Gerar valor para a sociedade e para o meio ambiente está diretamente relacionado à política e à cultura de qualquer empresa consciente. Em contraponto às proposições apontadas, Mackey e Sisoda, (2013 p. 41) acentuam que “companhias prioritariamente orientadas para o lucro tendem a enxergar programas sociais e ambientais em seu modelo de negócio tradicional no intuito de melhorar sua reputação ou defender-se das críticas”. Na verdade, o que se propõe é uma abordagem ampla, que contemple o comportamento responsável de todas as partes interessadas, que esse seja o elemento central da filosofia e da estratégia da empresa. Lembrete Os autores Mackey e Sisoda (2013) apontam a importância de se pensar em uma maneira de conduzir o lucro das organizações com uma visão mais holística, e não apenas na única proposição da organização, que era gerar lucro, defendida por Milton Friedman. 22 Unidade I E como seria essa empresa para as próximas décadas? Pensando nessa questão, Sukhdev (2013) aponta alguns aspectos que precedem as empresas para as próximas décadas. Ele destaca que existem três motivos: o primeiro é de que as coisas não acontecerão de modo simples ou repentinamente; o segundo é que não há soluções elegantes ou fáceis; e o terceiro é apresentado como sendo um desafio de natureza ambiental ou de justiça social, ou até mesmo de ambas. O grande desafio está centrado na mudança, na transformação para a própria sobrevivência das organizações. Sukhdev (2013) ainda acentua que a empresa para as próximas décadas deverá sustentar-se nos seguintes elementos: • Metas alinhadas aos objetivos da sociedade: sinergia com os propósitos da empresa aos da comunidade, levando ao aumento de bem-estar, diminuição na escassez de recursos naturais e de riscos ambientais. Neste elemento, percebe-se uma parte da essência do que a responsabilidade social corporativa propõe. • Visão da organização como uma fábrica de capital: a organização não é somente uma empresa geradora de produtos e serviços. Percebe-se que na composição dessa organização alguns paradigmas necessitam ser modificados, no sentido de a organização ser vista de maneira holística, no aspecto econômico e social, ou seja, nas palavras de Sukhdev (2013, p. 288), “reconhece-se que o capital humano, o capital social e o natural conseguem produzir da mesma forma que o capital financeiro”. Esse tipo de organização não considera que o capital humano e o natural são acessórios do capital financeiro. • Entendimento do papel da organização como uma comunidade: a organização pode ser vista como uma comunidade, unida pela cultura compartilhada, criada pelos valores, missão, visão, metas, objetivos e governança. A organização direcionada para o futuro reconhece a comunidade como fonte de criação das redes de relacionamentos, reforçando a natureza comunitária. A procura por modificações empresariais criará as circunstâncias para o desenvolvimento de um novo tipo de organização. Para essa “nova organização”, pode-se apontar que uma das propostas de modificação consiste que a organização esteja alicerçada na política de sustentabilidade. Saiba mais Para aprofundar seu conhecimento, leia: BEGNINI, S. et al. Capitalismo consciente: uma análise netnográfica em grupos da rede social LinkedIn. Cad. EBAPE.BR, v. 17, n. 2, abr./jun. 2019. Disponível em: https://bit.ly/3oYQEWE. Acesso em: 26 nov. 2021. 23 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO 2.6.2 Sustentabilidade, responsabilidade corporativa e responsabilidade social Foi necessário adotar uma corrente de pensamento em função da imprecisão e confusão que cercam os conceitos de sustentabilidade. Assim, será utilizada a que é pautada no desenvolvimento sustentável, a qual procura se relacionar por meio do equilíbrio entre as três dimensões: econômica, social e ambiental. Sachs (2009) aponta que a sustentabilidade não dever se resumir à questão ambiental ou ecológica, mas sim levar em conta os aspectos éticos, ambientais, econômicos etc. A proposta básica do desenvolvimento sustentável coloca a responsabilidade em cada membro da sociedade, que deve adotar práticas que venham a contribuir significativamente em suas áreas de atuação. O mesmo ocorre com outros conceitos relacionados à sustentabilidade, como a filantropia e a responsabilidade corporativa. A filantropia está sustentada em ações assistencialistas que objetivam contribuir para a sobrevivência de grupos sociais desfavorecidos assumidos pelas empresas por meio de ações de doação a grupos e entidades. É possível afirmar que a filantropia é apenas um tipo de ação ou até um estágio preparatório para o contexto mais amplo da responsabilidade social. Dessa forma, percebe-se que o fato de a empresa realizar ações sociais não a caracteriza como uma organização socialmente responsável (PITOMBO; PIZZINATTO; GIULIANI, 2014). Muitas vezes, esse tipo de ação é confundido com a responsabilidade social. Por sua vez, a responsabilidade corporativa é o envolvimento permanente das organizações com a qualidade ética nas relações da empresa com os seus stakeholders. Trata-se de um processo contínuo que visa alcançar um desenvolvimento socialmente responsável, econômica e ambientalmente sustentável, denominado triple botton line. Isso significa trabalhar com ética nos negócios, responsabilidade social e responsabilidade ambiental. A figura a seguir ilustra essas dimensões. Responsabilidade corporativa Responsabilidade social Responsabilidade econômica Responsabilidade ambiental Triple Botton LineTriple Botton Line Figura 6 – Dimensões da responsabilidade corporativa Fonte: Pitombo, Pizzinatto e Giuliani (2014, p. 344). 24 Unidade I A avaliação da responsabilidade corporativa embasa-se em três dimensões: • Dimensão ética: é a análise referente ao comportamento da empresa (quais valores adota e como os promove e os difunde perante seus vários públicos). • Dimensão pragmática: como a empresa desenvolve suas ações sociais (qual é o foco, seus beneficiários, total de investimentos, retorno obtido e resultados alcançados). • Dimensão político-institucional: é a análise de como a empresa se relaciona com os seus diversos públicos-alvo (empregados e dependentes, fornecedores, distribuidores, acionistas, comunidade e sociedade). Em suma, quanto maior for a participação da empresa nessas três dimensões, maior e melhor será a sua gestão de responsabilidade corporativa. Pode-se dizer que uma empresa é socialmente responsável pela análise holística do padrão de comportamento social, econômico, cultural e político adotado. A sustentabilidade é vista como uma abordagemde negócios. Como tal, assume sua condição de fator estratégico na condução de negócios empresariais. Daí ser possível falar em estratégias empresariais sustentáveis no contexto atual das empresas. A sustentabilidade está alicerçada na corrente de pensamento do desenvolvimento sustentável em que se procura relacionar por meio do equilíbrio entre as dimensões econômica, social e ambiental. Barbieri e Cajazeira (2009, p. 24) definem empresa sustentável como aquela “que procura incorporar os conceitos e objetivos relacionados com o desenvolvimento sustentável em suas políticas e práticas de modo consciente”. Para a empresa, a incorporação dos objetivos relacionados ao desenvolvimento sustentável significa adotar estratégias de negócios e atividades que atendam às necessidades das empresas e de seus stakeholders enquanto protegem, sustentam e aumentam os recursos humanos e naturais. Ou seja, a empresa torna-se responsável por essas dimensões organizacionais, como mostrado na figura a seguir. Responsabilidade corporativa Sustentabilidade organizacional Responsabilidade social Responsabilidade econômica Responsabilidade ambiental Triple Botton LineTriple Botton Line Figura 7 – Dimensão da sustentabilidade organizacional Fonte: Barbieri e Cajazeira (2009, p. 71). 25 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Na proposição da gestão da sustentabilidade empresarial, a gestão das empresas deve também estar direcionada para a forma pela qual estabelece seus relacionamentos com as organizações. Empresas sustentáveis são reconhecidas por seus valores, materializados em ações, projetos e proposições evidenciados por meio de estratégias de comunicação e marketing, com o objetivo de proporcionar visibilidade, credibilidade e, consequentemente, uma boa reputação na percepção de seus públicos de interesse, sejam eles consumidores ou não dessa empresa. Pode-se dizer que, se as empresas não buscarem as três responsabilidades como base da sustentabilidade em uma maneira operativa, poderá, como consequência, comprometer o negócio, afetando sua capacidade para: • Manter a sua reputação. • Atrair e reter os colaboradores e clientes. • Manter o trabalhador e a produtividade dos recursos. • Atrair investimentos e outros recursos para melhorar a vantagem competitiva. • Lidar eficazmente com os reguladores e com as companhias de seguros. A sustentabilidade organizacional é o equilíbrio entre a orientação interna por resultados e a pressão externa por minimização dos impactos sociais e ambientais e por um comportamento ético, estabelecendo fronteiras para a atuação da organização, definindo princípios e gerando padrões de estruturação, processos e gestão, todos orientados para a perenidade dos relacionamentos, a harmonia, a justiça social e para a preservação do ecossistema. Ou seja, as respostas serão voltadas para as ações estratégicas em direção ao mercado. As organizações sustentáveis devem orientar suas ações para alcançar os objetivos atendendo simultaneamente aos critérios da equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica. Em outras palavras, tanto as ações das organizações sustentáveis quanto as dos agrupamentos sociais e dos projetos sociais da economia solidária devem convergir para o tripé do desenvolvimento sustentável. Saiba mais Assista ao vídeo indicado a seguir para entender melhor o exposto. PAINEL de cases – sustentabilidade organizacional. 2020. 1 vídeo. (1:51:40). Publicado por Aberje. Disponível em: https://bit.ly/3FJjpxw. Acesso em: 7 jan. 2021. 26 Unidade I Resumo Iniciamos nosso estudo acentuando que o conceito geral de administrar consiste em versões diversas, cada uma com um viés diferente, porém de forma convergente e complementar. Vimos nesta unidade que a administração passa a ser considerada como uma ciência universal, pois todas as áreas do conhecimento fazem uso de conceitos para atingirem seus objetivos. Em seguida, ao destacar o processo empresarial, entendemos que organização é um grupo de pessoas que trabalham em busca de objetivos comuns, e não necessariamente são empresas. Também foi apresentado um panorama com a história das organizações. Nesse contexto, foi ilustrado um quadro comparativo entre a Era Industrial e a Era da Informação. Outro tema relevante desta unidade foi o papel social das organizações. A questão social e a inter-relação da empresa com o seu ambiente nunca foi tão intensa como hoje. As empresas podem envolver-se em quase todos os tipos de atividades sociais: educação, moradia, lazer e saúde, podendo contribuir direta ou indiretamente. Elas podem participar ativamente em ações que venham a ajudar o setor público ou ajudando ONGs, financiando projetos sociais. Isso traz uma imagem muito positiva para a empresa e influência em sua posição favorável de mercado. 27 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir. Planejar, organizar, dirigir e controlar O planejamento é considerado o alicerce da atividade empresarial. É por intermédio do planejamento que são estabelecidos os objetivos a serem atingidos e as ações que serão essenciais para alcançá-los. Em outras palavras, ao planejar, a empresa define o que tem como propósito e por quais meios se chegará até eles, com o intuito de diminuir as incertezas e guiar as decisões corporativas. Além do planejamento, a organização, a direção e o controle formam o processo administrativo, sendo que cada função compreende um conjunto de ações que se destinam a conduzir a empresa para o alcance de seus objetivos. Disponível em: https://bit.ly/3GHBrk8. Acesso em: 11 dez. 2021 (com adaptações). Conforme o texto, além do planejamento, existem as funções administrativas: • organização; • direção; • controle. Em relação a essas funções administrativas, avalie as descrições a seguir. Descrição I. Implica saber se o que foi planejado foi alcançado com qualidade e custo desejáveis. Descrição II. Implica coordenar atividades de pessoas e alocar recursos para a consecução das tarefas planejadas. Descrição III. Implica conduzir a organização para a finalidade para a qual ela foi criada, com o cumprimento dos objetivos definidos. As descrições I, II e III referem-se, respectivamente, às funções administrativas: A) Organização, direção e controle. B) Direção, organização e controle. C) Organização, controle e direção. D) Controle, organização e direção. E) Controle, direção e organização. Resposta correta: alternativa D. 28 Unidade I Análise da questão A função controle tem a finalidade de garantir e assegurar que as ações e tarefas sejam executadas conforme os padrões e princípios estabelecidos. É a função responsável por identificar desvios em relação ao que foi planejado. Para isso, compara o resultado obtido com os padrões convencionados e sugere ações corretivas, se necessário. A função organização propõe-se a colocar em prática o resultado do planejamento, mediante a alocação de recursos humanos, materiais e financeiros. Para isso, define como as atividades e tarefas devem ser realizadas, de acordo com as características e necessidades da empresa. A função direção está relacionada à liderança, à interação entre pessoas, sendo que essa função se dilui em toda a empresa, nos diversos níveis hierárquicos. Baseia-se também na capacidade de influenciar os funcionários de modo positivo, de maneira a coordenar as ações e os esforços para a realização das atividades e das tarefas empresariais. Em suma, trata-se da condução da empresa para o cumprimento dos objetivos estabelecidos. Questão 2. Leia a declaração de Visão do Instituto Ethos. As empresas são importantes agentes de promoção do desenvolvimento econômico e do avanço tecnológico e têm importante influência nas transformações do planeta. Por isso, sua participação e engajamento são cruciais para a construção de um mundo melhor, ao lado dos esforços do Estado e da sociedade civil. As ações cooperativas – tanto em âmbito local quantoregional, nacional ou internacional – são cada vez mais necessárias para a manutenção do bem-estar da humanidade. A consciência global é fundamental no processo de preservação do meio ambiente e do patrimônio cultural, na promoção dos direitos humanos e na construção de uma sociedade economicamente próspera e socialmente justa. As empresas, adotando um comportamento socialmente responsável, são poderosos agentes de mudança para, juntamente com os Estados e a sociedade civil, construir um mundo melhor. Ao adicionar às suas competências o comportamento ético e socialmente responsável, a iniciativa privada conquista o respeito das pessoas e das comunidades que são impactadas por suas atividades, e o resultado é o reconhecimento da sociedade às suas atitudes. A responsabilidade social está se tornando cada vez mais fator de sucesso empresarial, o que cria novas perspectivas para a construção de um mundo economicamente mais próspero e socialmente mais justo. Disponível em: https://bit.ly/3yqCVMK. Acesso em: 11 dez. 2021 (com adaptações). Considerando o exposto e seus conhecimentos, avalie as afirmativas. 29 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO I – A ética, uma das três dimensões da responsabilidade corporativa, tem como foco o relacionamento da empresa com os seus vários públicos-alvo, como funcionários, fornecedores, acionistas, comunidade, entre outros. II – A dimensão político-institucional na análise da responsabilidade corporativa avalia o comportamento da empresa e seus valores. III – O desenvolvimento das ações sociais da empresa é analisado pela dimensão pragmática da responsabilidade corporativa: são avaliados o foco, os beneficiários, os investimentos e os resultados alcançados. É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) III, apenas. C) I e II, apenas. D) II e III, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa B. Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: a dimensão ética da responsabilidade corporativa se refere ao comportamento da empresa propriamente dito; ela compreende os valores adotados pela corporação e sua promoção e difusão perante seus diferentes públicos. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: a dimensão político-institucional analisa como a empresa se relaciona com seus diversos públicos-alvo: funcionários, clientes, acionistas, distribuidores e comunidade. III – Afirmativa correta. Justificativa: a dimensão pragmática da responsabilidade corporativa tem como objeto avaliar o desempenho das ações sociais realizadas pela empresa no que se refere ao seu desenvolvimento e à obtenção de resultados. 30 Unidade II Unidade II 3 O ADMINISTRADOR Os administradores gerais atuam em micro e pequenas empresas, sendo responsáveis por todas ou, pelo menos, por um grupo de áreas funcionais da empresa, bem como por todas as equipes alocadas para essas funções. Eles têm uma atuação mais generalizada, que implica muita especialização, grande vivência e formação eclética. Considerando o nível de atuação na organização, os gestores de primeira linha situam-se no plano base da pirâmide organizacional, o nível mais baixo de gerência. Normalmente são identificados como supervisores e gerenciam apenas trabalhadores operacionais. Já os gestores médios estão localizados no nível intermediário da pirâmide e são responsáveis pelos gestores de primeira linha e, eventualmente, pelo comando direto de trabalhadores operacionais. Por fim, os altos gestores, denominados pelo termo inglês CEO (Chief Executive Officer), também podendo ser chamados de presidentes ou vice-presidentes, ocupam o cargo mais alto na pirâmide, são responsáveis pelo direcionamento estratégico global da organização e por seus recursos disponibilizados. Quando se visualizam as atividades atribuídas, pode-se identificar os administradores funcionais, que são responsáveis por uma área funcional e pelos colaboradores que a compõem. Exemplos: gerente comercial, gerente de produção, gerente de recursos humanos, diretor de recursos humanos, entre outros. 3.1 Conceituação e caracterização do agente da ação administrativa O administrador, no exercício da sua profissão e em virtude dos diversos tipos de organização, definirá as estratégias, elaborará pareceres, relatórios, planos, projetos, arbitragens e laudos em que se exija a aplicação de conhecimentos inerentes às técnicas de organização. Além desses procedimentos, realizará pesquisas, estudos, análises, interpretação, planejamento, implantação, coordenação e controle dos trabalhos nos campos de administração geral, como: administração e seleção de pessoal, organização, análise, métodos e programas de trabalho, orçamento, administração de material e financeira, administração mercadológica, administração de produção, relações industriais, além de outros campos em que estes se desdobrem ou com os quais sejam conexos. Essas atividades são abrangidas legalmente pelo administrador profissional, conforme a Lei n. 4.769 (BRASIL, 1965). De acordo com pesquisa realizada em empresas, essas são algumas características vistas como fundamentais para o perfil de um bom administrador moderno: [...] as organizações desejam profissionais de administração com as seguintes características: capacidade de identificar prioridades; capacidade de operacionalizar ideias; capacidade de delegar funções; habilidade para 31 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO identificar oportunidades; capacidade de comunicação, redação e criatividade; capacidade de trabalho em equipe; capacidade de liderança; disposição para correr riscos e responsabilidade; facilidade de relacionamento interpessoal; domínio de métodos e técnicas de trabalho; capacidade de adaptar-se a normas e procedimentos; capacidade de estabelecer e consolidar relações; capacidade de subordinar-se e obedecer à autoridade (MEIRELES, 2003, p. 34 apud SILVA, 2015, p. 14). São características desafiadoras. Não é fácil desenvolvê-las. E sustentá-las é ainda mais complicado. Essa é exatamente a missão do administrador, vencer todos os seus desafios e mostrar sua capacidade de se manter e crescer nos mais diferentes cenários. Somente assim o administrador será considerado capaz de administrar. Quanto mais treinadas essas habilidades, melhores serão os resultados alcançados pelo profissional e sua organização. Todo gerente realiza uma série de tarefas. Ele planeja, organiza, preenche vagas, coordena, motiva, controla e lidera. Entre essas atividades, a mais importante talvez seja o planejamento, pois, antes de planejar, o gerente precisa definir seu objetivo, montar a equipe ideal para atingi-lo, determinar as tarefas e os responsáveis por elas e os procedimentos esperados de cada um. Somente a partir dessas ações poderá controlar e liderar o processo. Segundo Katz (1986 apud CHIAVENATO, 2014), o administrador de sucesso depende de como consegue lidar com as situações negociais, a compreensão dos ambientes externos e internos da organização, da forma como lida com as pessoas em todos os níveis de atuação organizacional, assim como de sua compreensão e capacidade de lidar com o trabalho a ser realizado. Deve desenvolver a capacidade de transformar os conhecimentos teóricos e situacionais em ações nos níveis estratégico, tático e operacional. O nível estratégico relaciona-se à atuação institucional, que abrange decisões e ações que envolvem a empresa como um todo. Compreende a definição e o monitoramento dos objetivos organizacionais globais, que vão direcionar a organização como um todo em busca de atingir grandes alvos, geralmente de longo prazo. Por exemplo, a empresa pode definir como um objetivo estratégico: atuar significativamente no mercado exterior, iniciando-se pela União Europeia (UE). O nível tático está associado à atuação de cada área funcional (comercial, produção, financeira etc.) e à definição das contribuições de cada uma para a consecução dos objetivos estratégicos estabelecidos no nível imediatamente superior. Exemplo deobjetivo tático: a área comercial define como um dos seus objetivos “pesquisar e definir novos nichos de mercado no continente europeu”. Outro objetivo pode ser o de “analisar as necessidades não satisfeitas dos europeus referentes aos produtos e serviços oferecidos pela empresa”. O nível operacional compreende o nível de execução existente em todas as áreas funcionais da organização. Neste estágio, cada objetivo tático das áreas será transformado em diversos objetivos operacionais e convertido em metas operacionais. 32 Unidade II Observação Objetivo: corresponde ao alvo que se quer atingir, uma posição estratégica a ser obtida ou um propósito a ser satisfeito por uma operação. Ou seja, o alvo compartilhado, consciente ou inconscientemente, pelos membros de uma organização. Metas: fins a que se dirigem as ações ou os pensamentos de alguém. Resultados sucessivos a obter na programação (plano) de um trabalho. Viabilizam a consecução dos objetivos. Lembrete Quando se visualizam as atividades atribuídas, pode-se identificar os administradores funcionais, que são responsáveis por uma área funcional e pelos colaboradores que a compõem. 3.2 Perfil do administrador Para um bom desempenho como gestor, o administrador deve desenvolver habilidades necessárias para o trato organizacional e negocial. De forma geral, as características básicas de um bom administrador são: • Liderança: aptidão para influenciar outros na realização de tarefas. • Auto-objetividade: habilidade de se avaliar de modo realista. • Pensamento analítico: capacidade para interpretar e explicar padrões nas informações. • Comportamento flexível: habilidade para modificar o comportamento pessoal para atingir um objetivo. • Comunicação oral: competência para se expressar claramente em apresentações orais. • Comunicação escrita: aptidão para expressar com clareza as próprias ideias ao escrever. • Impacto pessoal: capacidade para transmitir uma boa impressão e infundir confiança. • Resistência ao estresse: habilidade para bom desempenho sob condições de forte pressão psicológica. 33 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Conforme Katz (1986 apud CHIAVENATO, 2014), as três categorias de habilidades imprescindíveis para o bom desempenho do administrador são: técnicas, humanas e conceituais. Estratégico Tático Operacional Níveis organizacionais Habilidades do administrador Conceituais Humanas Técnicas Figura 8 – Habilidades do administrador De acordo com as posições que ocupar na empresa, o administrador deverá desenvolver essas habilidades acentuadas na figura anterior. As habilidades técnicas são as habilidades ligadas à execução do trabalho e ao domínio do conhecimento específico para executar seu trabalho operacional. Estão relacionadas ao “saber fazer”. Trata-se do trabalho de manuseio físico, de transformação, bem como o tratamento de números, dados e medições de processos materiais. São exigidas em grande escala no nível operacional da organização, devido à sua abrangência de tarefas e atividades de execução do trabalho. A exigência técnica diminui, mas continua presente no nível tático, devido ao relacionamento direto com o nível operacional, de forma a instruir e transmitir as diretrizes para o estabelecimento de objetivos e metas. Ainda envolve o acompanhamento e o controle das execuções desse nível. Já no nível estratégico, como se pode notar na figura anterior, a necessidade de habilidade técnica é quase inexistente, dada a distância administrativa desse nível e a execução direta do trabalho operacional. Segundo Chiavenato (2004, p. 3), a habilidade técnica “[...] consiste em utilizar conhecimentos, métodos, técnicas e equipamentos necessários para o desempenho de tarefas específicas, por meio da experiência e educação. É muito importante para o nível operacional”. Saiba mais Para estudar melhor a administração, leia: CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processos e prática. 5. ed. Barueri: Manole, 2014. 34 Unidade II As habilidades humanas estão afeitas ao trabalho com pessoas e às relações interpessoais e grupais. Respondem pela integração e interação da equipe de trabalho, facilitando o clima de cooperação e participação. Os líderes com boas habilidades humanas desenvolvem boas equipes e atuam de maneira eficiente e eficaz. Segundo Chiavenato (2004, p. 3), habilidade humana “[...] consiste na capacidade e facilidade para trabalhar com pessoas, comunicar, compreender suas atitudes e motivações e liderar grupos de pessoas”. Essas habilidades são exigidas em todos os níveis da organização, pois o gestor precisa de eficiência nas relações interpessoais com a sua equipe, desde a necessidade de estimular a participação de todos os colaboradores, no estabelecimento de objetivos e estratégias organizacionais, bem como na discussão com a equipe operacional sobre uma necessidade técnico-operacional que irá viabilizar uma meta fabril. Por sua vez, as habilidades conceituais representam as capacidades de compreensão mais sofisticadas do gestor. Abrangem a competência para entender as relações inter-organizacionais, bem como a de planejar o futuro, enunciar a missão e analisar os ambientes internos e externos, identificando oportunidades de negócio onde normalmente não são vistas. São muito necessárias à alta administração da empresa. Já no nível tático, essas habilidades têm uma importância relativamente menor. Porém, ainda muito significativa, devido à necessidade de entendimento, pelos gestores funcionais, do conteúdo do planejamento estratégico da organização, bem como de sua participação em sua elaboração. Depois de pronto, deve-se estabelecer os objetivos táticos de cada área e sua transformação e acompanhamento dos objetivos operacionais. Quando se analisa o nível operacional, as habilidades conceituais são muito pouco utilizadas, restringindo-se ao necessário para a eventual participação dos colaboradores com contribuições e informações para o pensamento estratégico e o entendimento de diretrizes específicas para a viabilização de sua execução. Segundo Chiavenato (2004, p. 3), a habilidade conceitual consiste na capacidade de compreender a complexidade da organização como um todo e o ajustamento do comportamento de suas partes. Essa habilidade permite que a pessoa se comporte de acordo com os objetivos da organização total, e não apenas de acordo com os objetivos e as necessidades de seu departamento ou grupo imediato. 3.3 Competências pessoais do administrador Costuma-se afirmar que o bom gestor tem que ter atitude. Isto é, ele tem que ser um agente de mudança na organização e estar à frente do desenvolvimento da organização nos aspectos relacionados a estratégia, processos, cultura, criatividade e inovação, de forma a aumentar ou manter a competitividade diante do conturbado, dinâmico e volátil ambiente corporativo. Segundo Chiavenato (2004), a atitude representa o estilo administrativo. Ou seja, a forma adotada para liderar, comunicar e motivar as pessoas para fazer acontecer o que for necessário. Em poucas palavras, ter atitude significa “saber fazer acontecer”. Diante do exposto, deduz-se que, para ter atitude, o gestor necessita adquirir primeiro o conhecimento, que é o “saber”. Compreende a complexa postura de aprender a aprender. É o conjunto de experiências aprendidas, ideias, informações e conceitos negociais a serem utilizados no exercício da 35 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO profissão. A atualização e reciclagem constantes são a normalidade para o administrador que não quer ter conhecimentos ultrapassados diante das constantes, intensas e grandes mudanças que ocorrem no ambiente empresarial. O conhecimento conceitual é imprescindível, mas não é garantia de sucesso profissional. Além deste, o profissional deve ter uma boa educação geral e formação cultural abrangente. Não basta ter o conhecimento, pois existem muitos profissionais com uma bagagem invejável que não sabem ou não conseguem transformá-lo em açõesefetivas. O conhecimento consiste no know-how, ou “saber como” ou “saber”. Para completar a trilogia que forma as competências pessoais do administrador, deve-se cuidar para desenvolver a perspectiva. Ou seja, a competência de “saber fazer”. Consiste em conseguir transformar o conhecimento em ação. Realizar a potencialidade do conhecimento disponível por meio da visualização de oportunidades, transformando-as em resultados concretos para o negócio. São produtos, serviços, soluções criativas para problemas e o desenvolvimento e aplicação de inovações tecnológicas. A capacidade de analisar as situações problemáticas, observar, identificar as causas, planejar e controlar a execução dos procedimentos para solucioná-las viabiliza a atuação do profissional à frente das organizações. Competências pessoais Perspectiva Atitude Conhecimento Figura 9 – Competências do administrador Lembrete Segundo Chiavenato (2004, p. 3), habilidade humana “[...] consiste na capacidade e facilidade para trabalhar com pessoas, comunicar, compreender suas atitudes e motivações e liderar grupos de pessoas”. 4 OS DEZ PAPÉIS DO ADMINISTRADOR SEGUNDO HENRY MINTZBERG Mintzberg (2010) estudou e definiu o que pode ser chamado de papéis dos administradores nas empresas, divididos em três categorias: papéis interpessoais, papéis informacionais e papéis decisoriais. São os papéis desempenhados, cotidianamente, pelos administradores profissionais. 36 Unidade II Categorias de papéis Interpessoais Decisoriais Informacionais Figura 10 – Os papéis do administrador segundo Mintzberg 4.1 Papéis interpessoais Envolvem a categoria de papéis relativos ao relacionamento interpessoal e a construção conjunta dos resultados almejados. Representam o modo como os gestores interagem e influenciam seus subordinados diretos. São divididos em três papéis: símbolo, líder e ligação. Símbolo Representa a função de estar presente em locais e em momentos importantes, basicamente, tarefas cerimoniais, comparecer a casamentos e outros eventos. O administrador representa a organização, portanto ele é um símbolo, e ela será conceituada a partir do administrador. Líder Papel inerente à função básica do administrador, representado a todo o momento, pois ele é responsável por seus atos e de todos seus subordinados. A liderança deve exercer sua influência para direcionar os esforços de forma sinérgica, motivando a equipe por meio de aconselhamento, treinamento, orientação e uma comunicação eficiente e eficaz. Elemento de ligação Possibilita os relacionamentos que são necessários para o desenvolvimento de toda a empresa e com equipes de outras empresas parceiras. Intercâmbio interpessoal que estreita as parcerias e gera novos negócios ou mantém os negócios existentes. 37 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Interpessoais Símbolo Elemento de ligação Líder Figura 11 – Os papéis interpessoais segundo Mintzberg 4.2 Papéis informacionais Compreendem a manutenção e o desenvolvimento de uma rede de informações, pois os gestores investem a maior parte do seu esforço planejando, captando, processando e aplicando informações em suas decisões. Todos, na sociedade moderna, vivem em função de um fluxo intenso e contínuo de informações. Para atingir a excelência na gestão das empresas, os administradores precisam saber receber, tratar e repassar essas informações. Na categoria informacional, destacam-se três importantes papéis: monitor; disseminador e porta-voz. Monitor Utiliza-se de fontes de informações como pessoas, banco de dados, revistas e relatórios. Capta informações dentro e fora da empresa, procura quantidade e qualidade para se informar o máximo possível nas mais variadas fontes de informação. A gama, continuidade e confiabilidade das informações disponibilizadas é que determinarão a efetividade desse papel. Disseminador Consiste na distribuição das informações em todos os níveis de atuação organizacional: estratégico, tático e operacional. É o papel que o administrador representa ao estabelecer um bom fluxo de informações internas e ao comunicar as informações à sua equipe para mantê-la atualizada e em sintonia com a empresa. Da mesma forma, a definição de um fluxo eficiente de troca de informações com parceiros externos tem uma importância inegável para o desenvolvimento do negócio. Os meios a serem utilizados são memorandos, mensagens eletrônicas, relatórios, telefonemas, contatos pessoais e disponibilização de conteúdos em sites na intranet, extranet e mesmo a internet. Porta-voz Um papel de grande representatividade empresarial, responsável pela consolidação de parceiros de negócios e pela manutenção da imagem da empresa. O administrador deve ser um porta-voz quando 38 Unidade II se faz necessário comunicar informações, por meio de mensagens formais ou conversas, para outras organizações e pessoas que se localizam fora da organização. A sensibilidade para discernir entre o que pode ou não ser comunicado é vital para a fluência das informações estratégico-empresariais. Informacionais Monitor Porta-voz Disseminador Figura 12 – Os papéis informacionais segundo Mintzberg 4.3 Papéis decisoriais São tangentes às análises dos dados e informações disponíveis e das escolhas que os gestores devem fazer. Como se costuma dizer, “administrar é tomar decisões”, e os papéis desta categoria respondem pela função central do administrador. Para a devida representação, o gestor deve desenvolver as suas habilidades interpessoais para motivar e comprometer os colaboradores para que participem do processo decisório, bem como as habilidades conceituais, que o subsidiarão com análises do ambiente, o entendimento global do negócio e o pensamento estratégico empresarial necessário. Com todos os dados e informações disponíveis, cabe aos gestores tratarem, analisarem e tomarem as suas decisões. Como têm responsabilidade integral, é necessário cautela e preparo para tomá-las. Nesta categoria, são quatro os papéis decisórios: os de empreendedor, solucionador de problemas, alocador de recursos e negociador. Empreendedor Tem fé inabalável e, por isso, concebe e cria novas possibilidades de negócios para a empresa. Elabora projetos, cria empreendimentos e novos produtos, assumindo riscos calculados e desenvolvendo a sua equipe ao propiciar que desenvolvam suas novas ideias. Papel que o administrador assume ao tentar melhorar seus negócios propondo maneiras inovadoras ou novos projetos que aumentem a competitividade da empresa. Solucionador de problemas Atuando em um ambiente instável e suscetível a um variado leque de problemas, deve desenvolver a capacidade de identificar, analisar e solucionar problemas e conflitos. Deve mediar as crises internas 39 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO entre os próprios subordinados e com seus pares, bem como externamente, quando deve assimilar e nortear a atuação diante de mudanças externas críticas. Alocador de recursos Inserido em um cenário de necessidades sempre crescentes, contando com recursos escassos, o gestor deve tomar decisões para buscar equilíbrio na alocação e no controle da quantidade e qualidade dos recursos e de sua aplicação. Negociador A utilização de boas técnicas de negociação é uma constante na sua prática profissional. Devido às urgências de disputas e compartilhamento dos recursos, deve negociar interna e externamente para a obtenção dos melhores resultados para sua empresa e seus parceiros de negócio em geral. Empreendedor Negociador Solucionador de problemas Alocador de recursos Decisoriais Figura 13 – Os papéis decisoriais segundo Mintzberg 4.4 O futuro do administrador Fatores da modernidade, como globalização, descentralização de poder nas organizações, downsizing, avanços da tecnologia da informação, terceirização, entre outros, têm exigido grandes mudanças no entendimento sobre a organização do trabalho, dos empregos e, consequentemente, do papel dos gestores à frente das organizações. Os administradoresdevem se voltar para o conhecimento, preparando-se para os novos desafios e habilidades a desenvolver para atuar nesse novo cenário. Observação O downsizing é uma estratégia que usa a redução temporária ou permanente da força de trabalho de um ou mais níveis hierárquicos. 40 Unidade II A globalização e a internacionalização dos recursos econômicos elegeram a competitividade como o tema principal no contexto estratégico das empresas. Para sobreviver nesse tumultuado e volátil mundo corporativo, passou-se a usar de forma intensa e progressiva automação das operações produtivas e administrativas, visando ao aumento da efetividade, eficácia por meio da eficiência, ao longo do tempo. Essas mudanças refletem o aumento do número de desempregados, estimado em 800 milhões em todo o mundo, no início do século XXI, havendo uma desproporção negativa em relação aos países mais pobres e subdesenvolvidos. Nos países subdesenvolvidos, a situação é ainda pior. É longo o caminho que precisam percorrer para alcançar o nível de automação do Primeiro Mundo e, além disso, amargam com frequência dois tipos de desemprego: conjuntural, causado pelo arrocho no crédito e taxa de câmbio que limita as exportações; e estrutural, provocado pela mudança no processo de produção ou no mix de bens e serviços produzidos em certos momentos; este último é resultante da substituição do homem pelas máquinas. Para agilizar o processo de enxugamento das organizações, em busca do aumento da eficiência, as decisões em diminuir os cargos de chefia e achatamento da pirâmide hierárquica estão cada vez mais presentes. A terceirização é utilizada como válvula de escape para o atendimento das demandas por trabalho e resultados. A subcontratação de serviços não essenciais custa menos e promove resultados de maior qualidade, permitindo à gestão empresarial focar prioritariamente as suas atividades e os processos essenciais e críticos para o sucesso do negócio. As necessidades profissionais das organizações mudaram de empregados concentrados na tarefa e na superespecialização técnica para colaboradores voltados para desenvolvimento e aplicação de conhecimentos direcionados para análise ambiental, interpretação e planejamento das transformações necessárias. Este profissional deve ter visão holística, economicamente globalizada, ser autodidata, responsabilizar-se pelo próprio desenvolvimento profissional (o “aprender a aprender”), educar-se contínua e objetivamente, praticar a autogestão e estar pronto a assimilar, antecipar e produzir as mudanças. Observação A palavra autodidata vem do grego autodidatas. Significa pessoa que ensina dirigindo livremente o processo de ensino; pessoa que se instrui por si mesma, sem professores. A gestão de recursos humanos adquire uma importância nunca antes obtida, devido à necessidade de qualificação dos profissionais, por meio de oferta de treinamentos, cursos de informática, línguas estrangeiras, promoção de seminários internacionais e contínuo desenvolvimento pessoal e profissional. 41 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Os profissionais atuais foram forjados em um ambiente permeado de pressões constantes, exigências de respostas rápidas, prazos exíguos, níveis crescentes de eficiência, conhecimentos complexos e voláteis e surgimento de novos negócios e modalidades profissionais a todo instante, além da competitividade em níveis inimagináveis há poucas décadas. Em uma consideração dos estudos sobre a sociedade do conhecimento e suas implicações nas mudanças no perfil do administrador profissional, Wick e León (1997 apud SILVA; ARIEIRA, 2006) comparam características do administrador do passado com as do administrador do terceiro milênio. O futuro administrador não está distante, permanece em constante evolução e está atuando nas organizações enquanto completa o desenvolvimento de suas futuras habilidades e características profissionais. Quadro 3 – Os perfis de administradores do passado e do futuro Ontem Amanhã Iniciativa do aprendizado dependente de terceiros Proatividade e deliberação em aprender Aprendizado eminentemente formal (sala de aula) Poder do aprendizado vivencial (experiência de trabalho) Carreira dependente do chefe Responsabilidade pela própria carreira Desenvolvimento pessoal dependente de terceiros Responsabilidade pelo próprio desenvolvimento Crença na plenitude da sua educação e preocupação apenas com pequenas reciclagens Prática da educação continuada (atividade permanente para a vida toda) Pouca inter-relação entre o conhecimento obtido e os resultados profissionais Total percepção e intensificação da aplicação do aprendizado para influir e transformar os negócios Aceitação e conformação com o aprendizado institucional Decisão intencional e objetiva sobre o que deve aprender Adaptado de: Wick e León (1997 apud SILVA; ARIEIRA, 2006). Saiba mais Para conhecer mais sobre as expectativas a respeito do papel do administrador do futuro, leia: GUIMARÃES, V. O. S.; MOURA, M. H. C.; OLIVEIRA, A. G. (orgs.). Os novos desafios da administração: contextos e aplicações práticas para o século 21. Pedro & João Editores, 2020. 42 Unidade II Resumo Independentemente da área de especialização, para o exercício da profissão de gestor de empresas, é vital entender que administrar é o ato de tomar decisões relativas ao estabelecimento de objetivos estratégicos, táticos e operacionais, elaboração de estratégias de curto, médio e longo prazos e criação de sinergia entre as partes organizacionais, visando atingir os objetivos organizacionais. As estratégias consistem na alocação dos recursos necessários: recursos humanos, materiais e tecnológicos, que serão comandados por pessoas de forma a atingir a eficácia, alcance dos objetivos, por meio da eficiência e da aplicação racional dos recursos. O administrador, seja de micro, seja de pequena empresa, ou mesmo atuando em grandes corporações, é o profissional que possuirá as habilidades completas para exercer essas atividades. Hoje, de modo cada vez mais intenso, todos os profissionais que atuam em organizações devem adquirir conhecimentos básicos de administração e da dinâmica estratégica das empresas, de forma a viabilizar uma atuação eficiente no ambiente de negócios. Para a formação dos conhecimentos e por meio da prática e do desenvolvimento das habilidades administrativas, foram obtidas contribuições das mais diversas áreas do conhecimento, partindo das contribuições dos grandes filósofos, preocupados com as diversas formas de organização humana: políticas, militares, sociais, econômicas, estatais, científicas, entre outras. Nesta unidade, foram percebidos aspectos como a importância do administrador, o entendimento de como a empresa está posicionada e adequando-se aos momentos de mudança da sociedade, buscando adaptação ao modo de liderança e das políticas envolvendo a sustentabilidade empresarial. 43 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir. O que é ser um administrador de empresas? O administrador de empresas é responsável por gerenciar os recursos de uma organização, visando à redução dos gastos e à maximização dos lucros, além do bom funcionamento dos processos. Esse profissional, portanto, exerce um papel significativo na saúde financeira dos negócios e no andamento das operações. O profissional de administração deve ser capaz de olhar o negócio como um todo e tomar decisões assertivas que impactam os resultados futuros da companhia e, sobretudo, deve ter visão estratégica. Disponível em: https://bit.ly/3oUd3Wv. Acesso em: 11 dez. 2021 (com adaptações). Considerando o exposto e seus conhecimentos, avalie as afirmativas. I – O administrador, para atuar de modo consistente, deve desenvolver habilidades técnicas, que são aquelas que abrangem a capacidade de compreender a organização como um todo, bem como entender as relações interorganizacionais. II – Uma habilidade imprescindível para o administradoré a humana, uma vez que liderar, motivar, comunicar e solucionar conflitos pessoais são atuações inerentes à atividade de administrar. III – As habilidades conceituais que devem ser desenvolvidas pelo administrador dizem respeito ao conhecimento especializado para a execução de seu trabalho e são especialmente importantes para o nível operacional. É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) II, apenas. C) I e II, apenas. D) II e III, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa B. 44 Unidade II Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: as habilidades técnicas que devem ser desenvolvidas pelo administrador são aquelas ligadas à execução do trabalho operacional e referentes ao domínio de conhecimento específico. São habilidades exigidas de acordo com a abrangência de tarefas e atividades pertinentes à função. II – Afirmativa correta. Justificativa: as habilidades humanas que devem ser desenvolvidas pelo administrador são aquelas referentes ao relacionamento interpessoal e em grupo, uma vez que líderes com boas habilidades humanas facilitam a integração das equipes de trabalho, motivam, incentivam e promovem um clima de participação e de colaboração. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: as habilidades conceituais que devem ser desenvolvidas pelo administrador são aquelas relacionadas à capacidade de visão holística da organização e ao âmbito das ideias e estratégias. Essas habilidades se relacionam com as capacidades de diagnosticar situações e de formular soluções para problemas, características dos profissionais da alta administração da empresa. Questão 2. Avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I – Um dos papéis do administrador nas empresas é o informacional, uma vez que esse profissional necessita de informações para poder tomar decisões. porque II – O administrador controla o fluxo de informação; ele é o responsável por obter informações e utilizá-las para identificar problemas e oportunidades. É correto afirmar que: A) As duas asserções são verdadeiras, e a segunda asserção justifica a primeira. B) As duas asserções são verdadeiras, e a segunda asserção não justifica a primeira. C) A primeira asserção é verdadeira, e a segunda asserção é falsa. D) A primeira asserção é falsa, e a segunda asserção é verdadeira. E) As duas asserções são falsas. Resposta correta: alternativa A. 45 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Análise da questão A primeira asserção é verdadeira, pois o administrador dispende grande parte de seu tempo recebendo, captando, tratando e disseminado informações. A segunda asserção é verdadeira e justifica a primeira, pois o administrador, em seu papel informacional, utiliza informações captadas como subsídio ao processo decisório, além de estabelecer o fluxo de informações (internas e externas) para as equipes. 46 Unidade III Unidade III 5 A ABORDAGEM CLÁSSICA E A HUMANÍSTICA 5.1 Teoria científica da administração Frederick Winslow Taylor é considerado o precursor da eficiência na indústria, chamado de “pai da organização científica do trabalho”. Seus estudos foram primordiais para o desenvolvimento industrial no início do século XX. Nasceu em Germantown, na Filadélfia, estado da Pensilvânia, em março de 1856. Aos 20 anos, quando era capataz, iniciou-se na aplicação de processos científicos e elaborou um novo método de corte rápido de aço, resultando no aumento da vida útil de ferramentas de corte por pelo menos três vezes mais tempo do que nos processos antigos. Ele apresentou os primeiros trabalhos para a American Society of Mechanical Engineers (Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos) em 1893. O estudo, que durou nove anos, chamava-se “A note on belting” (“Notas sobre correias”). Figura 14 – Frederick Winslow Taylor (1856-1915) Disponível em: https://bit.ly/3xAyKxt. Acesso em: 26 nov. 2021. 47 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Taylor teve uma carreira vertiginosa na indústria, galgando, em seis anos de profissão, o cargo de engenheiro-chefe. Partia da premissa de que o homem deveria ser persistente e realizar os serviços, mesmo que não o agradasse. Como exemplo, obrigou-se a aprender contabilidade, um trabalho que desgostava muito, porém ele o entendia como imprescindível para a eficiência de uma operação industrial. Em 1911, publicou a obra Principles of scientific management (Princípios da administração científica), título que rapidamente ganhou fama mundial, sendo traduzido em diversas línguas poucos anos após a sua publicação. Saiba mais Na década de 1930, Charles Chaplin, consagrado diretor da era do cinema mudo, criou essa contundente e ainda atual crítica aos ditames da teoria científica. TEMPOS modernos. Direção: Charlie Chaplin. EUA: United Artists, 1936. 87 min. Observação A administração científica baseia-se na aplicação do método científico na administração a fim de garantir a melhor relação de custo-benefício aos sistemas produtivos. Com o surgimento das máquinas e da linha de produção, as organizações passaram a buscar formas eficientes de controle e produção. No contexto de aumentar a produtividade do trabalho, surgiu o método de administração científica de Frederick Winslow Taylor, que se tornaria mundialmente conhecido como taylorismo. Para ele, o grande entrave das técnicas administrativas existentes consistia no desconhecimento, pela gerência e pelos trabalhadores, dos métodos ótimos de trabalho. A busca dos métodos ótimos seria efetivada pela gerência, por meio de experimentações sistemáticas de tempos e movimentos. Uma vez descobertos, os métodos seriam repassados aos trabalhadores, que se transformariam em executores de tarefas predefinidas. No começo do século XX, a escola da administração científica foi essencial para Taylor, considerado como o fundador da moderna teoria geral da administração. A contribuição de Taylor foi estudar as várias atividades e dividi-las em tarefas menores, determinando a maneira mais eficiente de realizá-las. Taylor teve os seguintes seguidores: Gantt, Gilbreth, Emerson, Ford, Barth e inúmeros outros. Sua preocupação original foi tentar eliminar o fantasma do desperdício e das perdas sofridas pelas indústrias americanas e elevar os níveis de produtividade pela aplicação de métodos e técnicas da engenharia industrial. 48 Unidade III Taylor defendia cinco princípios básicos: • Transfira toda a responsabilidade da organização do trabalho dos trabalhadores ao gerente. Este deve pensar a respeito de tudo o que se relaciona com o planejamento e a organização do trabalho, deixando para aqueles a tarefa de implementar isso na prática. • Use métodos científicos para determinar a forma mais eficiente de fazer o trabalho; planeje a tarefa do trabalhador de maneira correta, especificando com precisão a forma pela qual o trabalho deve ser feito. • Selecione a melhor pessoa para desempenhar o cargo assim especificado. • Treine o trabalhador para fazer o trabalho eficientemente. • Fiscalize o desempenho do trabalhador para assegurar que os procedimentos apropriados de trabalho sejam seguidos e os resultados adequados sejam atingidos. Ao aplicar esses princípios, Taylor defendeu o uso de estudos de tempos e movimentos como meio de analisar e padronizar as atividades de trabalho. O seu enfoque administrativo solicitava observação detalhada e mensuração do trabalho, mesmo do mais rotineiro, para descobrir o melhor modo de atuação. Sob o sistema de Taylor, atividades simples como carregadores de barras de ferro e remoção de terra tornaram-se objetos de ciência. Ele aconselhou a implantação do sistema de pagamento por quantidade produzida e do “salário-incentivo” para os trabalhadores mais produtivos. A aplicação dos métodos da administração científica trouxe enorme aumento na produtividade, o que contribuiu para sua rápida utilização. Ainda hoje, diferentes organizações aplicam os preceitos de Taylor. Como exemplo, podemos citar a cadeia de lanchonetes McDonald´s.Esta empresa padronizou todos os procedimentos de produção do lanche, de modo que um produto consumido em Pequim seja absolutamente similar ao consumido em Fortaleza. Seus funcionários da linha de frente são treinados para ser parte de uma estudada engrenagem. Assim, quem frita o hambúrguer segue alguns passos predeterminados, como colocá-lo na chapa, acionar um botão que soará um apito indicando a hora de virá-lo; outro apito indicará a hora de retirá-lo da chapa e colocá-lo no pão, no qual já estarão os outros componentes etc. É uma perfeita linha de montagem, com a mínima interferência do funcionário. Esse modelo de produção procura automatizar o trabalho humano. 5.1.1 O primeiro período de pesquisas de Taylor As pesquisas de Taylor começaram por abordar o trabalho do operário. Aos 22 anos, ele trabalhava na Midvale Steel Company. Em dois anos, tornou-se gerente da fábrica e começou a realizar suas pesquisas na empresa, onde permaneceu até 1889. Depois entrou para a Bethlehem Steel Works, onde deu continuidade aos seus estudos. Registrou suas patentes de máquinas, ferramentas e métodos de trabalho. Mais de 50 registros, afirma Chiavenato (2004). 49 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Lembrete No começo do século XX, a escola da administração científica foi essencial para Taylor, considerado o fundador da moderna teoria geral da administração. A contribuição de Taylor foi estudar as várias atividades e dividi-las em tarefas menores, determinando a maneira mais eficiente de realizá-las. Taylor começou a ganhar notoriedade ao publicar em 1903 a obra Shop management (Administração de oficinas), abordando que o trabalho, para ser bem realizado, deveria contemplar certos requisitos: • Preocupar-se em pagar salários altos e ter baixos custos unitários de produção. • Introduzir métodos científicos de pesquisa e experimentação e, consequentemente, formular princípios e implantar processos padronizados que facilitem o controle das operações de manufatura. • Selecionar cientificamente os operários a serem alocados em postos de trabalho, também, cientificamente planejados, com materiais metodologicamente escolhidos. • Treinar ao extremo os funcionários, beirando o “adestramento”, para aperfeiçoar suas aptidões e desenvolver habilidades para a execução eficiente do trabalho. • Criar um ambiente de cooperação entre a chefia e os trabalhadores, de forma a facilitar a aplicação de novos procedimentos e a continuidade dos processos de trabalho (TAYLOR, 1903 apud CHIAVENATO, 2014). Nessa fase, Taylor preocupou-se exclusivamente com o time-motion study (estudos de tempos e movimentos), decompondo as tarefas executadas no “chão de fábrica” e racionalizando o trabalho. Ele percebeu que uma injusta distribuição do trabalho, pelo desnível de produtividade entre os operários e a igualdade de remuneração, desestimulava os melhores e mais produtivos trabalhadores, pois estes se sentiam injustiçados em produzir mais e receberem a mesma quantia que os colegas. 5.1.2 O segundo período de pesquisas de Taylor Este período iniciou-se com a publicação da obra The principle of scientific management (Princípios de administração científica) em 1911, que tratou da racionalização do trabalho operário e da devida estruturação geral da empresa, incluindo a administração geral, também denominada administração científica, em seus estudos. 50 Unidade III Lembrete Objetivos gerais de Taylor: • Eliminação do desperdício de esforço humano. • Adaptação dos operários à própria tarefa. • Treinamento para atendimento das exigências do trabalho. • Maior especialização nas atividades. • Normas de trabalho bem detalhadas. Segundo Taylor (1990 apud CHIAVENATO, 2004), pode-se identificar três anomalias na administração industrial da época: • Vadiagem sistemática por parte dos operários. Os operários diminuíam a produção à proporção de um terço de suas reais potencialidades, tentando evitar a redução da remuneração. Entre as causas desse fenômeno, apontavam-se: — O pensamento errôneo e equivocado, da parte dos trabalhadores, de que a maior produtividade do homem e da máquina resultará no desemprego generalizado. — O sistema de gestão que força os operários à ociosidade no trabalho, de forma a proteger os seus próprios interesses. — Os trabalhos e escolhas efetuadas de forma empírica, por tentativa e erro, que, devido à ineficiência, levam o operário a desperdiçar esforços e tempo. • Falta de comprometimento com estudos e análises, por parte da gerência, afetando o conhecimento das rotinas de trabalho e o tempo necessário para a execução. • Não padronização dos procedimentos, técnicas e métodos. Conforme Taylor (1990 apud CHIAVENATO, 2004), a administração científica ampara-se em quatro princípios fundamentais, ou seja: • Substituição do critério individual do operário por uma ciência – empirismo versus ciência. • Seleção e aperfeiçoamento científico do trabalhador, que é estudado, instruído, treinado e experimentado, em vez de escolher ele próprio os processos e aperfeiçoar-se por acaso – desenvolvimento do homem, para alcançar maior eficiência e prosperidade. 51 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO • Cooperação íntima da administração com os trabalhadores, de modo que façam conjuntamente o trabalho – cooperação versus individualismo. • Solução dos problemas de acordo com as leis científicas desenvolvidas, em lugar de deixar a solução de cada problema a critério do operário – harmonia versus discórdia. Verifica-se também a divisão equânime das tarefas diárias entre a direção e os trabalhadores, cada um com as suas atribuições para as quais estaria mais aparelhado – rendimento máximo versus produção reduzida (CHIAVENATO, 2004). O resultado desses estudos e trabalhos no intuito de racionalização dos processos de trabalho foi o que, para alguns, passou a denominar-se organização racional do trabalho ou ORT. A ORT pauta-se em aspectos básicos e bem identificados. Observe o quadro a seguir: Quadro 4 Estudos de tempos e movimentos Análise criteriosa do trabalho, de modo a decompô-lo, estudá-lo e racionalizá-lo, resultando no planejamento da forma mais econômica e mais eficiente de executá-lo. Estudo do movimento dos braços, posição de pernas, tempos de espera e suas respectivas cronometragens. Definição do tempo padrão para cada tarefa Fadiga humana Estudos que visavam eliminar os movimentos inúteis, aprimorar econômica e fisiologicamente os movimentos, o arranjo físico, as ferramentas e os materiais adequados. Evitar o desgaste desnecessário e conservar a funcionalidade do operário Divisão e especialização do trabalho Reestruturação e decomposição do trabalho em tarefas bem descritas e restritivamente atribuídas. Especialização do operário na execução de uma única tarefa de forma a ajustar-se a um padrão de desempenho descrito em normas Desenho de cargos e tarefas Com base na menor unidade de trabalho identificável na organização, a tarefa, Taylor realizou o trabalho germinal de descrer racionalmente os cargos. Entende-se por cargo o conjunto de trabalhos, identificados por tarefas, a serem realizados repetidamente Incentivos e prêmios A remuneração era entendida como motivação primeira para o trabalho humano. Deveria basear-se em produção, e não no tempo de dedicação. O incentivo privilegiava os trabalhadores que ultrapassassem os tempos-padrão de produção, assim, por meio dos prêmios de produção, ganharia mais quem produzisse mais O homo economicus O homem não gostava do trabalho, procurava-o por recompensas salariais e materiais, para satisfazer suas necessidades de sobrevivência. Com a remuneração ligada à eficiência, procura-se estimular o operário a produzir o máximo de sua capacidade Condições ambientais Para aumentar a produtividade, era necessária uma preocupação com o projeto de ferramentas e equipamentos, de seu arranjo físico, além da preparação e melhoria do ambiente físico em geral, ruídos, resíduos no ar, iluminação e circulaçãode ar Padronização de métodos e máquinas A racionalização dos processos de trabalho e a padronização de máquinas, materiais e ferramentas aumentavam a eficiência e as possibilidades de treinamento e especialização dos operários Supervisão funcional A distribuição de autoridade de acordo com a especialização de cada supervisor. Todos da linha respondiam, eram acompanhados e orientados pelo supervisor que detivesse expertise naquela determinada especialidade. Exemplos: supervisor mecânico, eletricista, de montagem e qualidade, entre outros 52 Unidade III Gerente de produção Supervisor de mecânica Supervisor eletricista Supervisor de montagem e qualidade Operário Operário Operário Operário Figura 15 – Diagrama de supervisão funcional Saiba mais Leia a seguinte reflexão sobre o período taylorista e a teoria da administração científica, disponível em: BARRETO, A. Tempos modernos!? Uma reflexão sobre a administração científica e suas consequências. Administradores.com, 24 ago. 2010. Disponível em: https://bit.ly/3CXtXak. Acesso em: 26 nov. 2021. 5.1.3 Os quatro princípios da administração científica • Princípio do planejamento: promover a substituição da improvisação e da atuação empírico-prática e individualizada do operário por meio da utilização de métodos científicos. Eliminação da improvisação em função do planejamento sistemático dos procedimentos. • Princípio do preparo: partir da seleção científica dos trabalhadores, considerando as suas habilidades e as necessidades das tarefas a serem executadas. Preparar e treinar para que produzissem mais e melhor, de acordo com o método planejado. Preparar máquinas e equipamentos de produção e buscar o melhor arranjo físico (leiaute). • Princípio do controle: elaborar o relatório de três gerações do controle, ou seja, o que foi planejado e executado (passado), situação atual do trabalho, o que está certo e o que está errado (presente) e identificar o que está para executar e as devidas correções de curso (o futuro). Verificar se o trabalho está sendo executado de acordo com o plano estabelecido. • Princípio da execução: atribuir tarefas e responsabilidades, de forma equânime, almejando a disciplina e eficiência na execução do trabalho. 53 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Princípio do controle Princípio do preparo Princípio da execução Princípio do planejamento Figura 16 – Princípios da administração científica 5.2 Teoria clássica da administração O grande precursor dessa teoria foi o francês Henri Fayol, seguido pelo americano F. W. Mooney e o inglês Lyndall Urwick. Eles estudaram e sistematizaram as experiências bem-sucedidas nas organizações, e sua crença é de que a administração é um processo de planejamento, organização, direção, coordenação e controle. São deles as bases técnicas e modernas de administração. Durante a 2ª Revolução Industrial, no ano de 1916, o engenheiro Henri Fayol, nascido em Constantinopla (atual Istambul, Turquia) e naturalizado francês, enunciou a proposta da doutrina administrativa, que passou a ser denominada administração clássica. Na ocasião, a intenção era facilitar a gerência de empresas, sejam industriais, militares ou de qualquer índole. Seus princípios, suas regras e seus processos devem, pois, corresponder tanto às necessidades do exército como às da indústria (CHIAVENATO, 2004). Figura 17 – Jules Henri Fayol (1841-1925) Disponível em: https://bit.ly/3E1NVSJ. Acesso em: 26 nov. 2021. 54 Unidade III Em sua obra Administration industrielle et générale (Administração industrial e geral), foram compilados os resultados de suas experiências na Camambault, indústria metalúrgica e carbonífera onde desenvolveu a sua carreira. De forma a tornar a administração impessoal, instituiu a hierarquia funcional, que elevava a função e a capacidade administrativa aos mais altos postos da pirâmide organizacional. As conclusões sobre a hierarquia funcional e o estudo das capacidades evidenciam-se pela afirmação de que a capacidade central dos colaboradores dos níveis inferiores é a profissional e de execução, enquanto a dos grandes líderes de altos gestores é a capacidade administrativa, delineando-se a pirâmide populacional, representativa da distribuição quantitativa e funcional das pessoas na organização. 5.2.1 Os quatorze princípios gerais da administração Esses princípios, muitos dos quais foram anteriormente utilizados por Frederico, o Grande, e outros especialistas militares para transformar os exércitos em “máquinas militares”, representam o fundamento da teoria administrativa na primeira metade do século XX. A sua utilização, atualmente, acha-se muito difundida em diversos setores. O conceito central da teoria é de que a administração é um processo de planejamento, organização, direção, coordenação e controle. • Unidade de comando: um empregado só deve receber ordens de um único superior. • Hierarquia: a autoridade do superior sobre o subordinado caminha do topo à base da organização; essa cadeia, resultante do princípio da unidade de comando, deve ser usada como canal de comunicação e tomada de decisão. • Amplitude de controle: o número de pessoas que se reportam a um superior não deve ser tão grande a ponto de criar dificuldades de comunicação e coordenação. • Assessoria e linha: o pessoal de assessoria pode oferecer importante ajuda de orientação, mas deve ter cuidado para não violar a linha de autoridade. • Iniciativa: deve ser encorajada em todos os níveis da organização. • Divisão do trabalho: a administração deve buscar atingir um grau de especialização, a fim de atingir os objetivos da organização de maneira eficiente. • Autoridade e responsabilidade: deve-se considerar o direito de dar ordens e exigir obediência, chegando a um bom equilíbrio entre autoridade e responsabilidade. Não há sentido dar a alguém a responsabilidade por um trabalho se essa pessoa não possui a adequada autoridade para executar tal função. • Centralização da autoridade: deve variar periodicamente, para permitir a máxima utilização das capacidades do pessoal. 55 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO • Disciplina: obediência, empenho, energia, comportamento e atitudes de respeito devem ser adaptados aos regulamentos e hábitos da organização. • Subordinação dos interesses individuais aos interesses gerais: pela firmeza, pelos exemplos, acordos justos e constante supervisão. • Equidade: tem base na amabilidade e justiça para encorajar o pessoal nas suas responsabilidades; remuneração justa, a qual leve a um bom moral, sem ocasionar gastos excessivos. • Estabilidade e manutenção do pessoal: para facilitar o desenvolvimento das habilidades. • Espírito de união: para facilitar a harmonia como uma base de fortificação da organização. • Ordem: estruturação da organização, definição de um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar. 5.2.2 Funções da organização Essa escola também inovou, em sua época, ao estabelecer as diversas unidades de trabalho que uma organização comum poderia ter. Essas unidades passaram a ser denominadas funções da organização, que fundamentaram e deram origem às divisões organizacionais e, mais tarde, formaram a base para a departamentalização funcional. Administrativas (Gestão empresarial) Técnicas (Produção) Comerciais (Marketing) Financeiras Contábeis Segurança Figura 18 – Simulação do organograma de funções de uma organização • Funções administrativas: ligadas à integração das outras cinco funções. Coordenam as demais funções da empresa, posicionando-se sempre acima delas. • Funções técnicas: associadas com a produção de bens ou serviços da empresa. • Funções comerciais: relacionadas com a compra e venda e permutação. • Funções financeiras: ligadas à captação, aplicação e gestão de recursos econômico-financeiros. • Funções contábeis: associadas com inventários, registros das variações econômicas-financeiras, balanços e custos. • Funções de segurança: relacionadas com a proteção e preservação dos bense das pessoas. 56 Unidade III 5.2.3 Funções administrativas As funções administrativas, que devem ser exercidas por especialistas em administração, envolvem o exposto na figura a seguir: Funções administrativas Prever Coordenar Comandar Organizar Controlar Figura 19 – Simulação do organograma de funções administrativas As funções administrativas são aplicadas para viabilizar o funcionamento das demais funções da organização. Hoje essas funções permeiam as atividades de todas as unidades organizacionais. Cada uma cumpre um papel determinante no exercício da gestão, a saber: • Prever: atividade de planejar, de antever as situações futuras desejadas pela organização. Com base na análise do ambiente externo (oportunidades e ameaças) e do interno (pontos fortes e fracos), definem-se os objetivos e as estratégias da empresa. • Coordenar: sinônimo de gerar sinergia entre as partes. Interligar, integrar e harmonizar os esforços e trabalhos das áreas funcionais da empresa, de sorte a direcioná-las para contribuir efetivamente para a consecução dos objetivos organizacionais. • Comandar: liderar a organização e suas áreas, de forma a estabelecer unicidade de direcionamento. Não necessariamente por meio da centralização, a gestão organizacional não deve permitir direcionamentos diversos, que podem estabelecer confusão e decisões contraditórias. • Organizar: a organização formal tem base na divisão racional do trabalho, definição de níveis hierárquicos de atuação, estabelecimento do sistema de decisões e comunicação da organização, conjunto de regras e normas que balizarão o funcionamento da empresa. • Controlar: após a conclusão do planejamento e a definição das regras e normas e a tomada de decisões, passa a existir a necessidade de verificar se o que é estabelecido e especificado está acontecendo. Por meio do controle, identificam-se as ações corretivas a serem implementadas para a correção das não conformidades, bem como dos reforços para os resultados positivos que atendam o especificado. 5.3 Teoria das relações humanas A escola das relações humanas enfatiza a melhoria da eficiência do trabalhador por meio da compreensão dos trabalhadores, e não do trabalho. Essa teoria nasceu de experiências feitas por Elton Mayo na fábrica de relés Hawthorne, da Western Electric Company, em Chicago, em 1927. 57 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Figura 20 – George Elton Mayo (1880-1949) Disponível em: https://bit.ly/3HWX4hO. Acesso em: 26 nov. 2021. 5.3.1 Fases da análise do caso Hawthorne Primeira fase (1927) Mayo e sua equipe separaram dois grupos de trabalhadoras em dois ambientes diferentes e variaram a intensidade da luz para determinar a iluminação ideal para a produtividade. As operárias passaram a responder de acordo com as suas suposições pessoais. Ou seja, entendiam que a sua produção deveria ser maior se a intensidade de iluminação fosse maior e vice-versa. O fato foi comprovado quando as lâmpadas, em determinados períodos, foram trocadas por outras da mesma potência, sem que as operárias soubessem. O nível de rendimento passou a ser proporcional à intensidade de luz que as operárias supunham trabalhar. Prevaleceu o fator psicológico, em detrimento ao efeito fisiológico da iluminação. O resultado demonstrou que não importava a intensidade da luz, a produtividade sempre aumentava. Por meio de entrevistas, descobriu-se que elas também trabalharam melhor por que: • A sala de teste era agradável para trabalhar. • O relacionamento das trabalhadoras com a supervisão foi mais descontraído. 58 Unidade III • As trabalhadoras reagiram à consciência de que estavam participando de uma experiência importante. • A participação na experiência criou um sentimento de identidade de grupo. Segunda fase (abril de 1927) Seis operárias foram submetidas a condições especiais de trabalho, como variações de períodos de descanso e horários flexíveis. Em uma sala de montagem de relés, foram selecionadas e convidadas seis moças, nem novatas nem peritas, constituindo-se o grupo experimental. Características do experimento: • Cinco moças montavam, enquanto a sexta fornecia as peças necessárias. • A sala de provas era separada fisicamente do restante do departamento. • O equipamento de trabalho era idêntico ao usado no departamento. • Foi incluído um contador de peças individual que marcava a produção de cada moça em uma fita perfurada. • O grupo constituído pelo restante do departamento continuava a trabalhar nas mesmas condições anteriores. • O grupo experimental tinha um supervisor comum, como no grupo de controle. • Além disso, havia um observador que permanecia na sala, examinava e ordenava o trabalho, assegurando o espírito de cooperação da equipe. • As moças escolhidas não foram intimadas, mas convidadas para participar na pesquisa. • Foram esclarecidas quanto aos objetivos da pesquisa, que era: “determinar o efeito de certas mudanças nas condições de trabalho – períodos de descanso, lanches, redução no horário de trabalho etc.”. • Estabeleceu-se um processo de feedback pelo qual as participantes eram sempre informadas sobre as modificações e os respectivos resultados. • Até a anuência das moças foi requisitada quanto às modificações que seriam feitas. 59 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Quadro 5 – O passo a passo da segunda fase do experimento de Hawthorne 1 Registrada a produção de cada operária, ainda no seu local original de serviço, sem que soubessem. A média era de 2.400 unidades semanais por moça 2 Isoladas e mantendo-se as condições e o horário de trabalho, mediu-se o ritmo de produção durante cinco semanas, o que serviu para verificar o efeito da mudança de local de trabalho 3 Apartou-se a medição para pagamento das moças do grupo experimental do grupo geral. Devido ao grupo ser menor, verificou-se que elas perceberam que seus esforços individuais repercutiam diretamente no seu salário. Esse período durou oito semanas. Verificou-se o aumento de produção 4 Introduziu-se um intervalo de cinco minutos de descanso no meio da manhã e no meio da tarde. Verificou-se novo aumento de produção 5 Foram aumentados os intervalos de descanso para dez minutos cada, verificando-se novo aumento de produção 6 Três intervalos de cinco minutos na manhã e outros três à tarde. Queixas das moças quanto à quebra do ritmo de trabalho. Não houve aumento da produção 7 Voltou-se a dois intervalos de dez minutos, incluindo, em um deles, um lanche leve. A produção aumentou novamente 8 Mantidas as condições. Antecipou-se o horário de saída para 16h30. Antes era às 17h. Acentuado aumento da produção 9 Antecipou-se mais ainda o horário de saída, para 16h. Produção estacionária 10 O horário retornou para 17h. Produção aumentou acentuadamente 11 O período de trabalho passou para a semana de cinco dias, com o sábado livre. A produção diária das moças continuou a subir 12 Foram retirados todos os benefícios, com concordância das moças. Durante doze semanas, apurou-se um índice de produção diária jamais alcançado do experimento: 3 mil unidades semanais por moça Terceira fase (setembro de 1928) Iniciou-se o programa de entrevistas, por meio das quais pretendiam obter mais conhecimentos sobre as atitudes e os sentimentos dos trabalhadores. Em 1931, foi adotada a entrevista “não diretiva”, mediante a qual o operário expressava-se livremente. Revelou-se a existência de grupos informais. Quarta fase (novembro de 1931 – maio de 1932) O objetivo foi analisar a organização informal dos operários e sua relação com a organização formal da empresa. Conclusões do caso Hawthorne: • O trabalho é uma atividade grupal: o nível de produção tem maior influência das normas do grupo que dos incentivos físicos ou fisiológicos. • O comportamento dos empregados sofre uma enorme influência das normas e dos valores desenvolvidos pelo grupo. 60 Unidade III • Quanto maior a integração social dentro do grupo de trabalho, maior a disposição de produzir. • Mais importanteque o incentivo econômico é a necessidade de reconhecimento e aprovação social, que influenciam decisivamente na motivação do trabalhador. • A disposição do trabalhador é influenciada pelo conteúdo e pela natureza do trabalho. • O administrador deve ser treinado para desenvolver sensibilidade e percepção, para compreender as pessoas. • A empresa passou a ser vista como um conjunto de grupos sociais informais. • Surgiu o papel do “líder”, que facilita a relação das pessoas e orienta o grupo para alcançar os objetivos da organização. 5.3.2 Organização informal Segundo Dubin (1998), a organização informal surge das relações humanas. Basta a existência de duas pessoas para formar um grupo social e estabelecer as relações interpessoais de associação e cooperação, bem como de conflitos e antagonismos. Como características da organização informal, pode-se destacar: • Períodos de lazer: os “tempos Iivres” possibilitam uma intensa interação entre as pessoas e fortalecem as inter-relações. Nos tempos em que o indivíduo não trabalha, permanece no seu local de trabalho e mantém contato com seus colegas, desenvolvendo relacionamentos duradouros. • Relação de associação ou dissociação: por meio da relação pessoal com indivíduos de diferentes níveis, geram-se associações pessoais por simpatia e identificação, ou mesmo antagonismos e conflitos por diferenças insuperáveis no convívio. • Status: no grupo informal, o indivíduo passa a gozar de certo prestígio decorrente de sua participação e integração com os demais componentes do grupo social. Esse status depende da sua influência nos destinos da vida grupal e independe de sua posição ou cargo formal na estrutura organizacional. • Colaboração espontânea: os grupos sociais existem em toda a organização e em seus respectivos níveis. Os relacionamentos resultam em um clima de colaboração efetiva de pessoal, que deve ser potencializada e utilizada em favor das estratégias organizacionais. • Oposição à organização formal: conduzida inadequadamente, a organização informal pode se desenvolver em sentido contrário aos ditames da organização formal, gerando conflitos e barreiras aos objetivos e estratégias da empresa. A causa pode ser uma liderança equivocada, que desfavoreça um clima adequado para boas relações sociais. 61 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO • Padrões de comportamento: os grupos sociais desenvolvem padrões de comportamento aceitos e assimilados pelos membros por traduzirem os valores e as expectativas do grupo. • Alterações nos grupos informais: a flutuação pelos níveis funcionais na organização formal exige que o indivíduo, ao ingressar em um novo nível, restabeleça novas relações sociais no novo grupo em que ingressou. As alterações na organização formal tendem fortemente a modificar os grupos informais. • Transcendência da organização informal sobre a formal: por ser mais fluídica e não delimitada por horários, locais físicos e normas preestabelecidas, a organização informal funciona como uma “liga” social para a estrutura formal da organização. Dizem os estudiosos que a organização formal não consegue prever e prescrever todas as situações possíveis do cotidiano empresarial. Assim, seu funcionamento está diretamente ligado a providências e procedimentos adotados na estrutura informal existente. • Padrões de desempenho nos grupos informais: o grupo informal define os seus próprios padrões de desempenho e de trabalho, que podem diferir daqueles estipulados pela organização formal. Enquanto aqueles se baseiam nos padrões de reconhecimento, valores e interesses do grupo informal, os primeiros derivam dos objetivos e metas fixados em decorrência do planejamento estratégico da instituição. O desempenho informal é avaliado, recompensado ou punido de acordo com as regras de cada grupo social. 5.3.3 Estilos de liderança Como decorrência da teoria humanística, surgiram os estudos sobre os tipos de liderança possíveis de serem adotados, e entre eles pode-se citar três estilos de liderança: autocracia, democracia e liberal (WHITE; LIPPITT, 1975 apud POSSI, 2006). A liderança autocrática ou autoritária utiliza-se do poder de coerção, exercendo o maior controle possível sobre as ações e reações dos subordinados que, em geral, comportam-se passivamente. As ameaças, punições e pressões são os meios de controle aplicados. Mantém atenção total para evitar desvios de procedimento. Determina e forma a equipe, atribui as atividades e participa decisivamente das questões técnicas. Centralizado e presente, o líder usa a autoridade direta para fazer cumprir os seus ditames. Na liderança democrática, o líder exerce um controle brando sobre os liderados. A sua presença entre os subordinados é constante, dando espaço à participação nas decisões a serem tomadas. É permitido que o grupo defina a distribuição das atividades, com o acompanhamento e posterior anuência da liderança. O grupo é incumbido das discussões mais técnicas, que são acompanhadas pelo líder, ficando a equipe comprometida com a obtenção dos resultados. As normas, regras e procedimentos rotineiros são reduzidos, a prática de autogestão e autocontrole é incentivada pelo líder, liberando-o da necessidade de exercer um controle maior sobre o liderado. 62 Unidade III Na liderança liberal (laissez-faire), o líder dá liberdade total, não participando das decisões, exercendo sua liderança somente por meio da disponibilização de recursos para o grupo. A liderança não costuma tomar conhecimento da divisão e atribuição do trabalho, omitindo-se também da avaliação do desempenho e consequente responsabilidade pelo trabalho realizado. 5.3.4 Considerações e críticas à escola das relações humanas Essa escola acentuou os elementos emocionais não planejados e irracionais do comportamento na organização e descobriu o significado, para a organização, da amizade e do agrupamento social dos trabalhadores. A seguir, apresentam-se mais algumas considerações sobre a teoria humanística: • Indicou a importância da liderança, da comunicação e da participação emocional na organização. • A partir de suas pesquisas, criou-se o conceito de organização informal. • Mayo considerou a formação de grupos e as relações informais como um modo de protesto contra a sociedade, que tratava as pessoas como máquinas insensíveis e voltadas apenas para os interesses econômicos, na qual o trabalho era altamente rotineiro. • Concluiu que os trabalhadores não podiam ser tratados, um a um, isoladamente, mas sim como membros efetivos de grupos de trabalho sujeitos à influência destes grupos e de toda a estrutura da organização. • A pesquisa ateve-se ao ambiente restrito das fábricas, deixando de verificar outros tipos de organizações. • Trouxe vários abusos e desvios, como manipulação humana por meio de táticas sutis de comunicação e dinâmica de grupo. • O cientista social passou a ser um solucionador de problemas, e não um crítico independente das relações sociais. • Não reconhecimento das condições socioeconômicas ou políticas da sociedade (não consideração da realidade da sociedade). Observação Segundo Chiavenato (2004), Mayo denominou esses tópicos fatores de relações humanas e os considerou fundamentais para a produtividade no trabalho. Para Mayo, os gerentes devem não só dominar as técnicas da ciência do trabalho e do aumento da produtividade, mas também as habilidades de relações humanas. 63 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO 6 DA TEORIA BUROCRÁTICA À TEORIA NEOCLÁSSICA 6.1 Teoria burocrática Figura 21 – Maximilian Weber (1864-1920) Disponível em: https://bit.ly/3rmLyX0. Acesso em: 26 nov. 2021. Weber foi um cientista social e jurista alemão que se dedicou ao estudo de inúmeros aspectos da sociedade humana. O seu legado de pensador e estudioso foi chamado processo de racionalização. Além disso, fez contribuições fundamentais em sociologia da religião e administração pública. Na década de 1920, foram publicados os seus estudos sobre o que é chamado de “tipoideal de burocracia”. A partir da década de 1940, nos EUA, com a tradução de suas obras para a língua local, sociólogos americanos deram prosseguimento aos seus estudos e à teoria da burocracia, que deram origem, posteriormente, à teoria estruturalista. A teoria da burocracia estabeleceu uma forma de organização humana do trabalho que tem base na racionalidade. Propõe a adequação dos recursos materiais, humanos e tecnológicos e dos meios às metas organizacionais – ou seja, os fins – de forma a aumentar ao máximo o aproveitamento desses recursos no trajeto em direção aos objetivos com eficiência máxima. Ganhou grande impulso a partir da década de 1940, devido a causas gerais, como: • Inconsistências da teoria clássica e da teoria das relações humanas. • Aumento da complexidade das empresas. 64 Unidade III • Necessidades de um modelo organizacional racional. • Evidência da sociologia da burocracia. • O modelo da economia monetária. • Expansão em volume e complexidade das tarefas administrativas. • Desenvolvimento tecnológico. Devido à banalização do termo, existe sempre uma conotação negativa na interpretação da burocracia. Popularmente, é sempre relacionada a ineficiência, papelório e demora. Porém, a essência do termo burocracia identifica características importantes e imprescindíveis da organização formal, como a racionalização, a eficiência, a elaboração de normas e regras, a padronização de procedimentos (por exemplo, as normas ISO), entre outras. 6.1.1 Características da burocracia A organização é um conjunto de atividades, contínua e intencional, que tem personalidade jurídica e individualidade socialmente reconhecida. Segundo Weber (apud CHIAVENATO, 2004), o tipo ideal de burocracia apresenta dimensões que a tornam funcional e eficaz: • Formalização: normas e regras escritas para delinear as atividades e descrever os procedimentos que devem ser cumpridos. A organização deve funcionar de acordo com um conjunto de instruções previamente estabelecidas: regras e regulamentos, regimento interno e estatutos. Tenta-se contemplar todos os casos gerais e particulares, sem exceção. • Caráter formal das comunicações: as comunicações horizontais, verticais e nos demais sentidos devem ser formalizadas seguindo o planejamento de comunicação no que tange ao que comunicar, para quem, como, quando, onde, para que comunicar formalmente. • Divisão do trabalho: os cargos e postos de trabalho são definidos conforme a necessidade e os objetivos organizacionais, de forma a atender às especificações do trabalho a ser realizado. As instruções são impessoais e orientam as ações, sendo que sua obediência faz cumprir as atividades da melhor forma possível. Cada função mais baixa está sob controle e supervisão da mais alta, assegurando unidade de controle por meio da subordinação a um único chefe. • Princípio da hierarquia: a hierarquia de autoridade é bem definida. Os níveis hierárquicos são criados de acordo com as análises de necessidade relativas à amplitude de controle de cada cargo e sua relação com o aumento de subordinados diretos. 65 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO • Impessoalidade: o relacionamento entre os funcionários deve ser impessoal, de cargo para cargo, de acordo com as regras de comunicação formal. A ênfase da burocracia não é nas pessoas, mas sim nos cargos planejados e descritos. Existe um fluxo de entrada e saída de pessoas do quadro da empresa, porém os cargos permanecem e perpetuam a organização. • Qualificação e competência técnica: principal critério para recrutamento e seleção dos participantes. Prevalece a competência e qualificação em detrimento de preferências de ordem pessoal no que diz respeito à escolha dos candidatos. Elas tornam-se necessárias para o exercício da meritocracia, base central do modelo burocrático, por isso são aplicados testes e concursos para o preenchimento das vagas ou para promoções. A habilidade de julgamento do superior hierárquico é sempre requisitada para a decisão sobre promoções, quer sejam por antiguidade, quer sejam por mérito funcional. • Separação entre propriedade e administração: o capital investido na organização não é de propriedade dos gestores burocratas. A administração está separada da propriedade dos meios de produção e, consequentemente, o capitalista cada vez mais afastado da gestão do seu próprio negócio. O gestor é um profissional especializado em administração. • Profissionalização do funcionário: como decorrência da própria divisão do trabalho, os funcionários são profissionais especializados, remunerados em escala proporcional aos cargos, funções e nível hierárquico que ocupam. Os cargos definem a sua atuação dentro da organização; são nomeados pelo superior imediato por tempo indeterminado. • Previsibilidade do comportamento: o arcabouço de regras, regulamentos e normas pretendem aumentar consideravelmente o grau de previsibilidade das ações e dos resultados da operação. Os procedimentos e decisões tomadas, pelas diretrizes e regras estabelecidas, seguem um ritual padronizado, que direciona os resultados para um espaço comum, previamente delineado. Para Weber (apud CHIAVENATO, 2004), é válida a analogia da organização burocrática com uma máquina fria, impessoal, programada por regras racionais e lógicas, desconsiderando os interesses pessoais e estruturando, desse modo, a organização formal. Saiba mais Para um melhor aprofundamento no tema da burocracia, é recomendada a leitura do seguinte texto: WOOD JUNIOR, T. A burocracia está morta. Viva a burocracia! Exame, ed. 708, 11 fev. 2001. Disponível em: https://bit.ly/3FVfdKW. Acesso em: 26 nov. 2021. 66 Unidade III 6.1.2 Os tipos de poder As relações de autoridade-subordinado mereceram uma especial atenção da teoria burocrática e permanecem em destaque nas análises e considerações nas organizações modernas. Quadro 6 – Os tipos de autoridades segundo Weber Tipos Sociedades Exemplos Poder Legitimação Aparato Tradicional Patriarcal e patrimonialista. Conservadorismo Clã, tribo, família, sociedade medieval Não é racional. Poder herdado ou delegado, com base no senhor Tradição, hábitos, usos e costumes Forma patrimonial e forma feudal Carismática Personalista, mística e arbitrária. Revolucionária Grupos revolucionários, partidos políticos, nações em revolução Não é racional, nem herdada, nem delegável, com base no carisma Características pessoais carismáticas do líder (heroísmo, magia, poder mental) Inconstante e instável. Escolhido pela lealdade e devoção ao líder, e não por qualificações técnicas Racional legal Racionalidade dos meios e dos objetivos Estados modernos, grandes empresas, exércitos Leal, racional, impessoal, formal. Meritocrática Justiça da lei. Promulgação e regulamentação das normas legais previamente definidas Burocracia Poder tradicional Repousa nas tradições existentes desde os tempos antigos e na legitimidade dos indicados pela tradição para exercer autoridade. Obediência pautada na família, nos feudos, nas tribos e em certos tipos de sociedades. Poder carismático No caso da autoridade carismática, a obediência é devida ao líder pela devoção e confiança pessoal em sua revelação, heroísmo, dentro do círculo dos que acreditam em seu carisma. Sua descrição se ajusta à imagem do grande líder religioso, social ou político, do grande condutor de multidões de adeptos. A ideia de carisma, porém, está associada a qualquer tipo de influência que dependa de qualidades pessoais. Poder racional Fundamentado em leis e regras que ditam os direitos e deveres para os integrantes de uma sociedade ou organização. A autoridade formal em uma sociedade, organização ou grupo que depende de leis lógicas tem estrutura burocrática: a empresa. 67 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO 6.1.3 Pecado pelo excesso ou pela falta – disfunções burocráticas Disfunções por ausência Ausência versus excesso de burocracia Características Disfunçõespor excesso Não especialização Desordem Divisão do trabalho Superespecialização Insubordinação Hierarquia Autocracia Autoritarismo Liberalidade Regras e regulamentos Excesso de disciplina Rigidez Falta de registros Informalidade Formalização das comunicações Formalismo Papelório Pessoalismo Critérios subjetivos Impessoalidade Relação entre cargos Frieza Q.I. - quem indica Nepotismo Seleção e promoção do pessoal Exigências utópicas Barreiras excessivas Figura 22 Quando a burocracia é utilizada de forma inadequada, quer pelo uso abusivo de seus princípios, devido à não atualização dos procedimentos ou erro gerencial, quer pela falta de regulamentação, resultando na liberalidade, gera disfunções graves e difíceis de lidar e contornar no dia a dia das empresas. Quadro 7 – As disfunções burocráticas em uma organização Despersonalização do relacionamento O relacionamento deixa de ser interpessoal e passa a ser de cargo a cargo. Exemplo: do diretor financeiro para o diretor de produção Internalização das diretrizes As regras e normas tornam-se fins em si mesmas. Em vez de meios, passam a se apresentar como objetivos. Exemplo: o funcionário que se preocupa mais em cumprir a norma do que em prestar um bom atendimento Uso da categorização como técnica Passa a decidir o funcionário que tem maior posição ou cargo mais elevado em vez do funcionário mais qualificado tecnicamente, porém inferiorizado hierarquicamente. Exemplo: o gerente que toma a dianteira em uma questão técnica e, à revelia dos especialistas, isoladamente delibera e negocia. Diretor comercial que, sem consultar os técnicos de produtos, negocia e fecha o negócio e depois... Excesso de formalismo Geração de papelório, principalmente quanto às comunicações internas, uso excessivo de CIs (comunicados internos), ofícios, memorandos e outros documentos. Exemplo: comunicação de antecipação do horário do almoço, por escrito, ao chefe do departamento Exibição de sinais de autoridade Dada a ênfase nas posições hierárquicas e nas posições ocupadas, passa a existir reservas especiais em estacionamentos, elevadores, acessos a espaços específicos, bem como roupas e outros símbolos de autoridade. Exemplo: “Você sabe com quem está falando?” 68 Unidade III Superconformidade A supervalorização dos regulamentos e normas passam a balizar o desempenho e limites das ações dos colaboradores, que não se preocupam mais com a superação de seus próprios limites. Exemplo: o funcionário, ao preparar um documento importante, verifica que chegou o fim do expediente, 18h, e literalmente desliga o computador, independentemente do andamento ou do quanto faltava para a conclusão da tarefa Burocracia como escudo de defesa A tendência de se defender contra qualquer tipo de influência externa conduz fatalmente a dificuldades no atendimento aos clientes e usuários, tomados como estranhos ameaçadores, com suas indesejadas pressões. Exemplo: por trás de um péssimo atendimento, o funcionário público aponta para a placa com aqueles dizeres “Desacatar um funcionário, durante o exercício de suas funções...” Resistência à mudança Dada certa acomodação e especialização na atividade desempenhada, depois de longo tempo de experiência, o funcionário começa a visualizar a mudança como uma grande ameaça à sua zona de conforto. Exemplo: “revolução” e boicote funcional à implantação de um novo sistema de informações 6.2 Teoria de sistemas Em 1950, o austríaco Karl Ludwig von Bertalanffy (1901-1972) enunciou nos EUA a teoria dos sistemas como resultado de seu trabalho de pesquisa científica. Estudioso da biologia, examinou intensamente os organismos vivos. Desde a década de 1920, desenvolveu a aborgagem orgânica, em contraponto à visão cartesiana e mecânica dos sistemas sociais. Na análise da sociedade, adicionou o raciocínio sinérgico de que o todo do sistema torna-se maior que a soma das partes que o compõem. Ele formulou a teoria de sistemas como a ciência das ciências, ao propor que, em vez de serem analisadas isoladamente as ciências – como física, matemática, biologia e outras –, deveriam ser integradas, destacando as suas interdependências e aproveitando as qualidades holísticas do todo, pois não seriam identificadas em sua abordagem isolada e independente. Durante o século XVII, houve um grande desenvolvimento das ciências exatas, nos campos de estudos das ciências relacionadas com a física, a mecânica e a matemática. Os pressupostos (métodos, conceitos e suposições) dessas ciências valorizaram-se muito diante da humanidade e passaram a ser usados na análise dos fatos sociais, em detrimento de outros conhecimentos: teologia, misticismo e outras formas de interpretação. Com base nessa abordagem, surgiu o modelo mecânico de interpretação social, que visualizava a sociedade como uma máquina complexa, cujos resultados e processos eram relacionados por uma ação recíproca das causas naturais. Foram identificados os seus elementos componentes, suas inter-relações, bem como a relação de causas e efeitos entre as entradas e saídas. Com o progresso das ciências biológicas, alguns séculos à frente, tomou forma o modelo orgânico da sociedade, que apresentava o princípio da interdependência das partes, analisando a sociedade como um organismo complexo e vivo. A partir daí, pode-se verificar as diversas diferenças características dos dois sistemas: 69 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Quadro 8 – Comparação dos sistemas Mecânico Orgânico Foco nos indivíduos e nos seus cargos Ênfase nos relacionamentos entre e dentro dos grupos Prevalência da autoridade e dependência Confiança e crença recíprocas Rígida adesão à autoridade e responsabilidade dividida Interdependência e responsabilidade compartilhadas Divisão do trabalho e supervisão rígida Participação e responsabilidade grupal Processo decisório centralizado Processo decisório descentralizado Controle rigidamente centralizado Compartilhamento de responsabilidade e de controle Solução de conflitos por meio de repressão e/ou hostilidade Solução de conflitos por meio de negociação ou solução de problem Em sua obra General system theory (Teoria geral dos sistemas), Bertalanffy procurou, por meio da proposição da denominada teoria dos sistemas, uma conceituação geral que unisse e fundamentasse os diversos campos da ciência, apresentando os pressupostos básicos de sua teoria: • Há uma tendência para a integração das várias ciências naturais e sociais. • Tal integração parece orientar-se para uma teoria dos sistemas. • Esta teoria pode ser um meio importante de objetivar os campos não físicos do conhecimento científico, especialmente nas ciências sociais. • Desenvolvendo princípios unificadores que atravessam verticalmente os universos particulares das diversas ciências, esta teoria se aproxima do objetivo da unidade da ciência, o que pode levar a uma integração muito desejada e necessária na educação científica. Essa abordagem não lançou novos elementos formadores de uma ou de diversas ciências, mas sim uma nova abordagem para tratá-las conjuntamente, o enfoque sistêmico. Esse raciocínio não as modifica, resume-se a observá-las sob um mesmo prisma. Segundo Oliveira (1992), o “moderno enfoque de sistemas” procura desenvolver: • Uma técnica para lidar com a amplitude das empresas. • Um enfoque interativo do todo, que não permite a análise de aspectos isolados de um sistema em virtude das intrincadas inter-relações das partes entre si e com o todo, as quais não podem ser tratadas fora do contexto total. • O estudo das relações entre os elementos componentes, em preferência ao estudo dos elementos entre si, destacando-se o processo e as possibilidades de transição especificados em função dos seus arranjos estruturais e da sua dinâmica. 70 Unidade III 6.2.1 O sistema e seus elementos Um sistema pode ser definido de diversas formas. Porém, neste livro-texto partiremos da definição de que o sistema é um conjunto de partesinteragentes, interdependentes e integradas, que formam um todo unitário com determinado objetivo e que cumprem determinada função. Objetivos Entradas Saídas Processo Feedback Controle e Avaliação Figura 23 – Elementos do sistema • Objetivos: razão da existência do sistema, isto é, a finalidade para a qual o sistema foi criado. • Entradas: recursos materiais, tecnológicos e humanos provenientes do ambiente externo, que caracterizam as forças que fornecem ao sistema o material, a energia e a informação para a sua operação e processo de transformação. • Processo: o processo de transformação do sistema, que é definido como a função que possibilita a transformação de um insumo (entrada) em um produto, serviço ou resultado (saída). Esse processador é a maneira pela qual os elementos componentes interagem no sentido de produzir as saídas desejadas. • Saídas: resultados preestabelecidos, gerados pelo sistema e que devem estar em sintonia com os seus objetivos. São representadas por produtos, serviços e informações destinados a satisfazer o cliente, que pode ser interno ou externo. • Controles e avaliações: é preciso verificar se as saídas estão coerentes com os objetivos estabelecidos. Para realizar o controle e a avaliação de maneira adequada, são necessários indicadores de desempenho do sistema, com base nos padrões de desempenho especificados. • Retroalimentação: a retroalimentação, realimentação ou feedback do sistema corresponde à reintrodução de informações decorrentes dos controles sobre as saídas. A realimentação é um processo de comunicação que reage a cada entrada de informação incorporando o resultado da “ação-resposta” desencadeada por meio de nova informação, a qual afetará seu comportamento subsequente e assim sucessivamente. Essa realimentação é um instrumento de regulação retroativa ou de controle, cujas informações realimentadas são resultado das divergências verificadas entre as respostas de um sistema e os parâmetros previamente estabelecidos. Portanto, o objetivo do 71 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO controle é reduzir as discrepâncias ao mínimo, bem como propiciar uma situação em que esse sistema se torne autorregulador. 6.2.2 Dimensões dos sistemas Na aplicação do enfoque sistêmico, o entendimento do ambiente do sistema-empresa é de suma importância estratégica e negocial. Por ambiente de um sistema entende-se o conjunto de elementos que não pertencem ao sistema, mas qualquer alteração no sistema pode mudar os seus elementos e qualquer alteração em seus elementos pode mudar o sistema. Empresa Governo Mercado Mão de obra Concorrência Consumidores Comunidade TecnologiaSindicatos Sistema financeiro Fornecedores Figura 24 – Composição do ambiente do sistema Os sistemas são compostos de partes que se interligam e cumprem, cada uma delas, uma função específica. Os sistemas são abordados de acordo com a sua posição e função em relação aos outros sistemas com os quais se relacionam. Por sistema entende-se sempre aquele que é o foco das atenções e estudo no momento. Ao analisar o ambiente onde está inserido, localiza-se o macrossistema ou ecossistema. Da mesma forma, se a análise tender para as partes que o compõem, identificar-se-ão os subsistemas, responsáveis em cumprir funções no seu âmbito, viabilizando a consecução de seus objetivos. Macro ou ecossistema Sistema Subsistema Subsistema Figura 25 – Macro ou ecossistema 6.2.3 Propriedades dos sistemas Os sistemas são municiados com propriedades que decorrem do seu funcionamento e da busca do atendimento das necessidades de seus clientes. 72 Unidade III A propriedade da equifinalidade, segundo a qual um mesmo estado final pode ser alcançado partindo de diferentes condições iniciais e por maneiras diferentes, não possui uma única forma e caminho para atingir o mesmo resultado. Assim que o sistema entra em funcionamento, as suas partes ou subsistemas, até então bem organizados, tendem a desarranjar-se e direcionar o sistema para a disfunção e o caos, caracterizando-se a entropia do sistema. O processo entrópico decorre de uma lei universal da natureza, na qual todas as formas de organização se movem para a desorganização e morte. Existe, também, o empenho dos sistemas para se organizarem para a sobrevivência, por meio de maior ordenação e dispositivos de controle e ajustes (homeostasia). Os sistemas abertos podem gerar entropia negativa, por intermédio da maximização da energia importada, o que pode ser obtido via maximização da eficiência com que o sistema processa essa energia. 6.2.4 Sistema de informações gerenciais Entende-se por dado qualquer elemento identificado em sua forma bruta que, por si, só não conduz a uma compreensão de determinado fato ou situação. Exemplo: um nome qualquer, “Jurandir Barbosa”, inserido em um registro de banco de dados de assinantes de serviço telefônico. Já a informação é o dado tratado por meio de filtros e interpretação que permite ao executivo tomar decisões. Exemplo: consultor “Jurandir Barbosa”, especialista em desenvolvimento de sistemas de informações executivas e inteligência de negócios. Processo gerencial é o processo administrativo (planejamento, organização, direção e controle) voltado para resultados. Então, sistema de informações gerenciais (SIG) é o processo de transformação de dados em informações que são utilizadas na estrutura decisória da empresa, de forma a proporcionar a sustentação administrativa para a otimização de resultados esperados. Lembrete Sistema é um conjunto de partes interagentes e interdependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função. Entre os objetivos do estudo de sistemas na empresa, podem ser citados: • Identificar todos os sistemas que ocorrem na empresa, definindo de forma objetiva as entradas, as operações e as saídas, que devem estar sempre em sintonia com os objetivos preestabelecidos. • Canalizar todas as forças e energias que ocorrem no sistema para os objetivos fixados. 73 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO • Estabelecer sistemas de controle e avaliação permanentes em todas as fases do sistema (entradas, processos, saídas e retroalimentação), visando acompanhar o desempenho em relação aos objetivos. • Criar sistemas de retroalimentação que sejam verdadeiras reintroduções no processo, para que este não perca o seu movimento dinâmico, não haja “estrangulamentos” no sistema de comunicações da empresa, autorregulando os sistemas. • Delimitar e estruturar os dados operacionais e as informações transacionais. • Estabelecer a estruturação das atividades dos sistemas de informação para integração e planejamento das informações gerenciais. • Definir e estruturar as informações, visando proporcionar flexibilidade, adaptabilidade, apoio e respostas rápidas à tomada de decisões. 6.3 Teoria neoclássica Nascido em Viena, na Áustria, Peter F. Drucker foi um filósofo e economista que, a partir de seus estudos sobre os efeitos da globalização na economia e nas organizações empresariais, é considerado o pai da administração moderna. O mais reconhecido dos gurus da administração, foi um dos precursores da teoria neoclássica e participou do enunciado da teoria da administração por objetivos. Entendia que a administração moderna correspondia à ciência que trata de pessoas enquanto atuantes nas organizações. Figura 26 – Peter F. Drucker (1909-2005) Disponível em: https://bit.ly/3FWviAh. Acesso em: 26 nov. 2021. 74 Unidade III 6.3.1 Características da teoria neoclássica As principais características básicas da teoria neoclássica derivam de uma análise dos acontecimentos nas empresas, no intuito de detectar o que efetivamente funciona e o que não funciona dos postulados teóricos enunciados até a sua época. Destacaremos a seguir algumas de suas principais características. A prática da administração A teoria neoclássica se apresenta com forte pragmatismo e ênfase na busca por resultados práticos na administração.Sem se descuidar do trato com os conceitos teóricos, os autores neoclássicos procuram desenvolver os seus conceitos de forma prática e utilizável. O enfoque principal é a instrumentalização da gestão, fornecendo ferramentas aplicáveis pelos gestores à frente das organizações. A ação administrativa corresponde a toda atividade conjunta, organizada e arranjada de modo a atingir objetivos preestabelecidos, otimizando os recursos disponibilizados. Utiliza-se do mínimo de tempo, recursos materiais, humanos e tecnológicos. Os objetivos gerais comuns a esse tipo de ação são os comerciais, culturais, religiosos ou políticos. Essas atividades compreendem dirigir, comandar, coordenar e controlar ações em entidades públicas ou privadas e representam a essência da administração. Postulados teóricos clássicos Reagindo ao movimento behaviorista na sociedade e nas organizações, voltou-se para os aspectos econômicos e negociais das organizações. Os conhecimentos existentes foram retomados e reestruturados, o que resultou numa configuração mais ampla e flexível. A abordagem estende-se pela estrutura organizacional e seus diversos tipos: linear, funcional e linha-staff, além dos problemas relacionados com os subsistemas de autoridade e responsabilidade, incluindo-se a departamentalização. Princípios gerais de administração Preocupando-se prescritivamente com as normas de comportamento administrativo, os neoclássicos retomam os princípios administrativos clássicos, mas com critérios mais elásticos para a busca de soluções administrativas práticas. Pesquisadores como Koontz e O’ Donnell passam a rediscutir princípios gerais, mas imprescindíveis para a gestão de quaisquer negócios, como planejar, organizar, dirigir e controlar. 75 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Resumo O conhecimento das teorias reforça o valor do saber, visando desenvolver as habilidades para atuar na gestão das empresas por meio das práticas administrativas adequadas. A evolução das teorias administrativas deixa clara a mudança de enfoques e abordagens conceituais, de acordo com as necessidades apresentadas nos contextos históricos, econômicos, culturais, tecnológicos, entre outros aspectos envolvidos. A teoria científica preocupava-se com a tarefa e o trabalho a ser realizado da melhor forma possível na produção, e a teoria clássica tinha as mesmas preocupações ao analisar a divisão do trabalho e a especialização na organização como um todo. Ambas as teorias são prescritivas e tentam estruturar o trabalho para que este seja feito de forma racional e inteligente. A teoria de relações humanas muda o foco do trabalho para as pessoas envolvidas em sua realização. Trata prioritariamente as relações interpessoais e seus efeitos na organização, identificando o surgimento da estrutura informal e da necessidade de diversos tipos de liderança para conduzir grupos de pessoas cada vez mais complexos e versáteis. Em uma abordagem estruturalista, a teoria burocrática tenta, por meio da estrutura formal, racionalizar o trabalho e as relações profissionais dentro das organizações. Essa postura visa tornar mais previsíveis os resultados operacionais produzidos pelas diversas áreas funcionais da empresa. As normas e regras passam a nortear as decisões e ações em todos os níveis hierárquicos existentes. Vale ressaltar a nova exigência de que os especialistas sejam disponibilizados para conduzir os rumos da organização, salientando-se a exigência da especialização para quem atua na administração profissional da empresa. A teoria de sistemas surge como a ciência das ciências, habilitada para lidar com todos os conhecimentos existentes simultaneamente. Para as organizações, essa alternativa possibilitou o desenvolvimento da visão sistêmico-empresarial, na qual a consideração do todo não poderia ser desconectada da consideração de cada uma das partes que o compõem. Da mesma forma, a análise de qualquer parte não poderia ser realizada a contento se não considerasse, simultaneamente, a visão holística da organização. A retomada dos postulados clássicos, traduzidos resumidamente pelo processo administrativo, apresentou-se na teoria neoclássica como uma alternativa moderna e pragmática ao mosaico de teorias desenvolvidas até a época. 76 Unidade III Exercícios Questão 1. (Enade 2018, adaptada) Leia o texto a seguir. As organizações, como fenômenos complexos que representam, são influenciadas por alterações que ocorrem ao longo do tempo em função das demandas sociais, políticas, econômicas, culturais e, mais precisamente no contexto atual, tecnológicas. Tais alterações demandam entendimento dos processos que envolvem o ciclo de vida dessas entidades e as formas pelas quais elas devem ser gerenciadas, considerando a articulação entre os elementos de seu planejamento estratégico. Além de se tornar substancial para o fomento e a formulação de estratégias, compreender os aspectos históricos, econômicos, contextuais e políticos de uma organização é fator preponderante para o seu sucesso. JUNQUEIRA, E.; FREZATTI, F. Perfil do sistema de controle gerencial das empresas brasileiras. Disponível em: https://bit.ly/3DV1Hpp. Acesso em: 10 jul. 2015 (com adaptações). A partir das ideias apresentadas no texto, assinale a alternativa que descreve a corrente teórica mais adequada à interpretação do cenário apresentado. A) Escola burocrática, que postula a necessidade de modelos racionais para criação da estrutura organizacional, à luz do planejamento estratégico da organização. B) Abordagem das relações humanas, que postula que a estrutura da organização se fortalece com a criação de sistemas organizacionais interdependentes, cuja principal característica é a competência técnica. C) Escola comportamentalista, que prevê a adaptação organizacional associada à classificação dos profissionais por aspectos relacionados à motivação, o que torna a mudança organizacional independente das pessoas. D) Escola clássica da administração, que propõe que a mudança organizacional se estabeleça por meio de métodos e técnicas que busquem a máxima eficiência das atividades organizacionais e, assim, constitua-se como organização racional de trabalho. E) Abordagem contingencial, que propõe a possibilidade de adaptação das organizações frente às alterações contextuais que as acometem, permitindo que possam utilizar modelos, ferramentas e instrumentos adequados às suas demandas. Resposta correta: alternativa E. 77 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Análise da questão As características da escola burocrática são o princípio da hierarquia, a formalização, a divisão do trabalho, a impessoalidade e a previsibilidade do comportamento. A abordagem das relações humanas ou teoria das relações humanas tem como características a consideração de que o ser humano tem sentimentos, que não pode ser reduzido a um comportamento simples e mecânico, e que é necessário o seu reconhecimento e sua aprovação social. Há a preocupação com a valorização dos funcionários e o seu bem-estar. A escola comportamentalista traz como características a ênfase nas pessoas e em suas necessidades, motivação, relacionamento e crescimento. Diferentemente da abordagem das relações humanas, a teoria comportamental enfatiza as pessoas. No entanto, apresenta uma abordagem mais ampla e holística do ambiente organizacional. A escola clássica da administração privilegia a ênfase na estrutura organizacional e a busca pela eficiência máxima por meio da especialização das atividades e dos funcionários. Caracteriza-se também pelo emprego da autoridade e, como resultado esperado, a obediência, a disciplina e o comprometimento. A abordagem contingencial ou teoria da contingência baseia-se na mudança constante do ambiente externo à organização. Dessa forma, a empresa necessita se adaptar e se ajustar às constantes alterações ambientais e tecnológicas e não se baseia apenas em um modelo de organização. Questão 2. Leia o texto a seguir. Teoria burocráticada administração Para se entender a teoria burocrática da administração é preciso, primeiro, entender o que é burocracia. Não estamos falando do conceito popular de burocracia, que se refere a uma estrutura emperrada, geralmente encontrada em instituições públicas. Aqui, apresentamos outro conceito: o da burocracia como solução para que as organizações evitem arbitrariedades. Estamos nos referindo ao termo cunhado pelo sociólogo, cientista político e economista Max Weber (1864-1920). Weber define a burocracia como a estruturação formal da organização, permitindo, dessa forma, organizar as atividades humanas para a realização de objetivos comuns no longo prazo. Disponível em: https://bit.ly/30rvRCX. Acesso em: 11 dez. 2021 (com adaptações). Considerando o exposto e seus conhecimentos, avalie as afirmativas. I – A divisão do trabalho é uma das dimensões que tornam a burocracia funcional e eficaz, uma vez que os postos de trabalho são definidos e criados conforme a necessidade e os objetivos da organização. II – Sob a burocracia de Weber, a organização deve funcionar conforme regras, regulamentos, regimentos e estatutos, ou seja, existe uma formalização delineada e estabelecida. 78 Unidade III III – A impessoalidade é característica da burocracia, que precisa garantir a sua continuidade. Desse modo, as pessoas são passageiras, meras ocupantes de cargos, mas os cargos e as funções permanecem. É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) II, apenas. C) I e II, apenas. D) II e III, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa E. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: segundo Weber, os cargos e postos de trabalho são definidos para atender aos requisitos do trabalho a ser desenvolvido. A intenção é delimitar as funções e, dessa forma, dinamizar o processo produtivo para que todo o sistema funcione de forma eficiente e eficaz. II – Afirmativa correta. Justificativa: a formalização para Weber implica a definição das regras, dos regulamentos e das decisões, que devem ser especificados em documento pertinente para adquirir validade formal. A organização, portanto, deve funcionar conforme instruções previamente definidas. III – Afirmativa correta. Justificativa: conforme os preceitos da impessoalidade da teoria da burocracia, a ênfase é atribuída aos cargos, e não às pessoas. O relacionamento entre os funcionários deve ser impessoal, obedecendo às regras de comunicação formal, e a empresa considera os funcionários segundo suas atitudes, competências e habilidades. 79 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Unidade IV 7 ADMINISTRAÇÃO POR OBJETIVOS E TEORIA COMPORTAMENTAL 7.1 Administração por objetivos (APO) A teoria neoclássica da administração discorre sobre a gestão centrada em resultados. Ela alterou o foco das atividades-meios para as atividades-fim da organização, bem como para os seus objetivos e alvos estratégicos. A questão da administração mudou do “Como administrar?” para o “Por que administrar?”. A primeira questão prevalecia nos postulados clássicos, teoria científica e teoria clássica, que enfatizavam em como fazer corretamente o trabalho (the best way de Taylor), porque essas teorias almejavam alcançar a eficiência. Com a APO, passou-se a dar ênfase em fazer o trabalho certo, ou seja, o trabalho mais relevante para se alcançar os objetivos da organização, em outras palavras: para alcançar a eficácia. A execução tomou a posição que sempre deveria ter tido: a de meio para o alcance dos fins organizacionais, em vez de ser considerado um fim em si mesmo. Observação A APO é identificada pelo seu pragmatismo e constitui um modelo de gestão muito difundido. Surge em 1954, quando Peter F. Drucker lança o livro The practice of management (Prática de administração de empresas), onde é caracterizada pela primeira vez esta abordagem. A teoria direciona os esforços dos gestores para a solução de problemas, pois entende-se que os fundamentos da administração estão enraizados nos métodos a serem adotados para identificar e solucionar problemas – dos mais simples e cotidianos até os mais complexos – que podem envolver todas as áreas da organização. O relacionamento entre os subordinados e as chefias mudou da prevalência hierárquica para um relacionamento de parceria. Esse relacionamento mais equilibrado foi alcançado por meio da definição de objetivos e metas de forma conjunta e, ao mesmo tempo, do aumento do comprometimento de ambos para a consecução desses resultados. O nível de envolvimento das equipes passou a ser imprescindível para a eficiência e eficácia gerencial. O envolvimento deve aumentar e se intensificar até se tornar um comprometimento pessoal, com a eficiência nas atividades e com a eficácia na realização dos objetivos estabelecidos. 80 Unidade IV Saiba mais Leia o texto a seguir para ampliar seu conhecimento. LÍRIO, A. B.; SEVERO, E. A.; GUIMARÃES, J. C. F. A influência da qualidade de vida no trabalho sobre o comprometimento organizacional. Revista Gestão e Planejamento, Salvador, v. 19, p. 34-54, v. 19, jan./dez. 2018. Disponível em: https://bit.ly/315chwa. Acesso em: 26 nov. 2021. Como as metas são definidas conjuntamente entre chefes e subordinados, faz-se necessário definir meios para monitoramento do desempenho tanto de um como de outro. Os indicadores de desempenho de produtividade, custos, qualidade, rapidez, confiabilidade e flexibilidade devem ser aplicados com precisão e permitir o acompanhamento e embasamento da tomada de decisões, ajustando-se, assim, os procedimentos em todos os níveis hierárquicos. O principal é que os resultados estejam sempre sendo buscados. E por todos! A APO integra todos os níveis de objetivos organizacionais, desde os objetivos estratégicos, que são globais e envolvem a organização como um todo, passando pelos objetivos táticos, que focalizam o planejamento, ações no âmbito das áreas funcionais da organização, e finalizando com os objetivos operacionais, que são transformados em metas e planos de ação, viabilizando a realização ordenada do trabalho necessário. O planejamento participativo, coordenado pela alta administração e com o comprometimento e a participação de todos os colaboradores, produz uma vantagem muito flagrante, relativa à clara comunicação e ao fácil entendimento dos objetivos e estratégias que devem ser levados a cabo por todos os funcionários-parceiros. Evitam-se, dessa forma, desentendimentos e interpretações distorcidas das políticas, diretrizes e estratégias organizacionais, bem como dos procedimentos derivados dos planos que deverão ser implementados. Lembrete APO: sistema de administração que relaciona as metas organizacionais com o desempenho individual em todos os níveis administrativos. O processo da APO pode ser uma operação de guerra para ser implantado e operado no cotidiano da empresa. Para facilitar o seu entendimento, pode-se resumi-lo a: • Estabelecimentos de metas e objetivos organizacionais. • Desenvolvimento do plano de ação. 81 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO • Revisão periódica. • Avaliação periódica. A administração por objetivos é de natureza mais pragmática e voltada para resultados. Isso condiciona os colaboradores a pensar e agir em função de fatos, dados reais e sem perder o foco de suas metas. Os procedimentos convergentes para o alvo estratégico tornam a atuação na empresa muito mais satisfatória. E se os objetivos individuais estiverem alinhados com os objetivos organizacionais, o nível de comprometimento e motivação dos colaboradores torna-se incomensurável. As principais vantagens apresentadas pelo método resumem-se a: • Concentração de esforços na eficácia organizacional. • Controle do desempenho e identificação de oportunidades de melhorias. • Dinâmicas organizacionais especificando as responsabilidades. • Melhoria da comunicação e identificação de necessidades de treinamentos. • Aperfeiçoamento do sistema de avaliação, além de promoção e remuneração mais equitativas,com base no desempenho. Saiba mais Na obra indicada a seguir, o guru da administração Peter Drucker previu os desafios que surgiriam para o século XXI. Leitura essencial para quem pensa hoje a administração, assim como para os que começam a trilhar os caminhos desta área de atuação. DRUCKER, P. F. Desafios gerenciais do século XXI. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 1999. 7.2 Teoria comportamental Representante, com galhardia, da área de psicologia, Abraham Maslow foi um norte-americano que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da corrente behaviorista, que influenciou todas as áreas de estudos da época. Na década de 1930, ele desenvolveu a pirâmide das necessidades humanas, que resultaram na conhecida “pirâmide de Maslow”. Foi defensor da ideia de que as necessidades humanas deveriam ser satisfeitas em ordem crescente na hierarquia estabelecida. Primeiro, deveriam ser satisfeitas as necessidades fisiológicas, as mais básicas. Obtido esse resultado, seria preciso satisfazer às de segurança e assim sucessivamente. 82 Unidade IV Ele foi influenciado por grandes pensadores, como Peter Drucker e McGregor, voltando-se para o estudo das organizações empresariais. Maslow foi escolhido o “humanista do ano” no final da década de 1960 pela Associação Americana de Psicologia. A teoria comportamental (ou teoria behaviorista) da administração, em contrapartida aos preceitos das teorias normativas e prescritas anteriormente enunciadas (a teoria clássica, a teoria das relações humanas e a teoria burocrática), passou a dar ênfase às pessoas, mas não com uma visão restritiva, e sim com uma abordagem ampla e holística do ambiente organizacional, bem mais próxima da realidade das empresas. 7.2.1 A motivação A teoria comportamental apresenta estudos voltados a compreender o comportamento humano dentro das organizações, ou seja, o que leva o colaborador a agir de uma forma ou de outra. O estudo da motivação é a base para o entendimento de uma força significativa que influencia o comportamento humano. A motivação pode ser entendida pela vontade e pelo desejo de imprimir esforços voltados para a conquista de objetivos e resultados. Esses objetivos ou metas podem ser individuais ou organizacionais e se dispõem a atender expectativas e a satisfazer certas necessidades. É um fenômeno individual, cada um tem suas características próprias e assim deve ser tratado. A cada estímulo, o indivíduo escolherá um comportamento a ser empregado. Com isso, cabe ao gestor criar condições favoráveis para que os seus colaboradores se sintam motivados a agir em prol da consecução dos objetivos estabelecidos. Não se pode mensurar a motivação, não como ela ser objeto de instrumentos de medição. Sendo assim, mede-se o comportamento motivado, a ação e as forças internas e externas que influenciam na escolha do procedimento. Quando está relacionada a recompensas emocionais e psicológicas como posição social e respeito, a motivação está muito ligada ao resultado da interação com os superiores hierárquicos e é denominada motivação intrínseca. Já a motivação extrínseca é identificada quando impulsionada por recompensas tangíveis como remuneração, benefícios, melhoria de cargo e está mais ligada ao contexto do ambiente de trabalho. Denomina-se ciclo motivacional o processo de estímulo que é encabeçado pelo superior hierárquico, que tem o papel de encaminhar o indivíduo na direção do alcance dos resultados planejados. Há um estímulo inicial, que pode derivar do líder hierárquico ou de outras condições favoráveis. Recebido o estímulo, esse impulso será utilizado como propulsão pelo indivíduo, de forma a fazer frente às suas necessidades identificadas, gerando-se uma tensão e uma grande vontade de atuar. A partir desse ponto, assume-se uma atitude proativa diante dos problemas já delimitados e tomam-se as decisões necessárias. Contudo, somente a decisão não é suficiente: é preciso muito esforço, persistência 83 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO e dedicação para agir e fazer acontecer. A vontade é determinante para que os procedimentos definidos sejam levados a cabo, custe o que custar. De outra forma, os efeitos desejados só serão alcançados ao acaso. Esse ciclo se divide em seis etapas, iniciando-se nas necessidades individuais não satisfeitas, o que gera uma procura de alternativas para satisfazê-las; escolhe-se então uma das alternativas para se alcançar o objetivo desejado e toma-se uma atitude. Ou seja, parte-se para a ação propriamente dita. Por último, avalia-se cada ação praticada e verificam-se as medidas corretivas a serem tomadas, da mesma forma que se apontam as ações efetivas que lograram êxito na empreitada. Dessa forma, o ciclo motivacional fecha-se e repete-se, sendo realimentado pelos êxitos e pelos ajustes necessários em forma de novos estímulos motivacionais. Espera-se que haja mais positivos que negativos. Estímulo Necessidade Tensão Vontade Atitude Postura Decisão Ação Esforço Avaliação Comportamento motivado Figura 27 – Ciclo motivacional 7.2.2 Teoria da hierarquia das necessidades de Maslow Os estudos de Abraham Maslow direcionaram as atenções para o comportamento humano com base na motivação. A partir de um escalonamento das necessidades, estruturou a sua conhecida pirâmide das necessidades humanas. 84 Unidade IV Autorrealização Estima Sociais Segurança Fisiológicas Figura 28 – Pirâmide de necessidades de Maslow Segundo Maslow, as necessidades humanas são a manifestação dos estímulos internos que demonstram as tendências do indivíduo em atuar ou se retrair diante de determinadas situações ou mesmo interessar-se por um bem ou para a realização de um trabalho. Elas foram hierarquicamente ordenadas e abrangem cinco níveis distintos. Os níveis servem como referência para as prioridades de necessidades a serem satisfeitas de baixo para cima. Ao atingir um nível, passa-se automaticamente a ansiar pela satisfação das necessidades do próximo nível. No primeiro nível, depara-se com as necessidades fisiológicas, que correspondem às necessidades mais básicas do ser humano, as de sobrevivência. Elas incluem alimento, água, oxigênio, sono, sexo, entre outras. Nascem com o ser humano, portanto, são instintivas. Exemplo: as primeiras comunicações de um bebê com a mãe são por meio do choro, demonstrando suas necessidades de alimento, calor etc. No nível acima, surgem as necessidades de segurança. O indivíduo busca proteção contra ameaças e privações. Estabelecem-se as relações com a empresa, família e com outras pessoas, gerando uma dependência em função da manutenção da estabilidade e sensação de segurança. Exemplo: o homem não consegue pensar claramente se não tiver o mínimo de certeza de como vai manter-se na semana ou nos meses seguintes. Por isso, é muito importante a estabilidade no emprego, como condição mínima para o acesso à vida e poder ter outras aspirações. Para tanto, o indivíduo deve sentir-se seguro no trabalho. Já as necessidades sociais, ou de pertencer, atendem a uma característica humana de compor um grupo social. Fazer parte, conviver e relacionar-se socialmente também é uma questão de sobrevivência humana. O homem é um ser social. A partir do momento em que o homem é aceito socialmente em diversos grupos sociais, a próxima etapa a cumprir é a da necessidade de estima. Nesta fase, não basta pertencer ao grupo, é preciso resgatar a sua individualidade dentro do grupo. Procura-se o destaque individual, seja por uma virtude, característica física, uma destreza motora ou intelectual. A aquisição do status dentro do grupo se torna 85 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO indispensável para contentar o ego humano. A não obtenção dessa posição reconhecida pelo grupo causa frustrações e sentimentos de inferioridade diante dos demais membros. No topo da pirâmide estão as necessidades de autorrealização. Em um processo de internalização da busca por satisfação, o ser humano encontra o desejo de explorar e demonstrarsuas potencialidades humanas. Trata-se de expressar sua potencialidade por meio de uma obra própria e exclusivamente arquitetada. Exemplo: transmissão de seus conhecimentos, por meio do ensino ou preparação de um substituto, projeto e construção da casa dos sonhos, aquisição e velejamento em embarcação própria, elaboração e publicação de um livro e outras realizações. Quando um gestor consegue identificar em que estágio de necessidade está o seu colaborador, terá mais possibilidades de descobrir quais as condições de trabalho, estímulos pessoais e clima profissional deverão ser criados e ofertados para influenciar positivamente o seu comportamento. O acerto nas escolhas propiciará condições para o colaborador assumir um comportamento motivado, de forma evolutiva e intensa. 7.2.3 Teorias motivacionais Teoria ERC de Alderfer A sigla ERC apresentada por Alderfer advém das palavras norteadoras das ações motivacionais que são: Existência (E – Existence); Relacionamento (R – Relationship) e Crescimento (G – Growth). Com base na teoria de necessidades de Maslow, o psicólogo Clayton Alderfer reforçou que a motivação humana pode ser calibrada de acordo com uma hierarquia de necessidade. Contudo, não de forma linear e progressiva, como afirma o primeiro. As pessoas oscilam aleatoriamente entre as camadas da pirâmide e a qualquer momento uma delas pode sair do topo e retornar para as necessidades da base da pirâmide. Alderfer (2011) apresenta três fatores essenciais para a motivação humana: Quadro 9 – Os fatores essenciais de Alderfer Necessidades existenciais Correspondentes às necessidades básicas de Maslow, ou seja, instintivas e relacionadas à sobrevivência do indivíduo Necessidades de relacionamento Necessidade social do ser humano. Estabelecimento dos relacionamentos interpessoais, ou seja, pertencer aos grupos sociais e prática da sociabilidade Necessidades de crescimento Necessidade do ser humano em se destacar pelas suas potencialidades, criando, sugerindo, participando e colaborando com o grupo social e com a humanidade Acrescentam-se mais alguns aspectos da flexibilidade do indivíduo ao transitar pelos níveis de necessidades. Existe uma frustração quando o indivíduo não consegue vencer as dificuldades para satisfazer-se em determinado nível, o que pode ocasionar um movimento regressivo para o nível imediatamente inferior. Da mesma forma que mais de um nível de necessidades pode ser almejado e buscado, simultaneamente, por quaisquer indivíduos. 86 Unidade IV Teoria da realização ou das necessidades adquiridas de McClelland Trata as necessidades de forma emergente. Ou seja, entende-se que as necessidades humanas podem ser aprendidas ou socialmente adquiridas, de acordo com as experiências do indivíduo durante sua vida. A partir da sua interação com os ambientes físico e social, possibilita uma curva de experiência, em que se acumulam conhecimentos e evoluem as suas necessidades. A seguir, apresentam-se as necessidades identificadas por McClelland (1961 apud VIDAL; SANTOS FILHO, 2004): • Necessidade de realização: aspirações de se destacar pelas suas potencialidades. Prevalece o desejo de ser o melhor, mais eficiente e buscar a excelência no que faz. Necessidade de empreender, correndo riscos calculados, assumindo responsabilidade e estabelecendo e alcançando os seus objetivos. • Necessidade de poder: necessidade de fazer prevalecer a sua vontade em detrimento da dos outros. Vontade de assumir o controle das situações, influenciando os demais para a consecução dos resultados desejados ou comuns. Desenvolver e exercitar um grande poder pessoal de persuasão, destinando-se à assunção de postos de liderança. • Necessidade de afiliação: necessidade social humana. Desejo de relacionamento social, interpessoal, de amizades. Nesta fase, os relacionamentos são duradouros e muitas vezes priorizados em excesso, deixando em segundo plano a realização do trabalho. O que importa é o relacionamento intenso e satisfatório com os demais membros do grupo. Para a efetiva gestão do processo de satisfação de suas necessidades, o indivíduo precisa de muitos e confiáveis feedbacks, para que haja um reforço positivo em prol de sua busca pela plenitude. Nesse processo, o importante é a definição de objetivos e metas desafiadoras e que estimulem e motivem o indivíduo a enfrentar as barreiras, conquistar e, a partir daí, sentir-se pleno e satisfeito. Teoria da expectação de Victor Vroom A teoria da expectação, desenvolvida em 1964, baseia-se na visão econômica do ser humano. Destacam-se os interesses envolvidos nas escolhas dos indivíduos em relação às suas atividades, de acordo com o que for prioritário no momento da escolha. Algumas afirmações sobre o comportamento do homem na organização são fundamentais para o entendimento dessa teoria. São elas: • A combinação de influências do íntimo do indivíduo e do ambiente onde convive determina o seu grau de motivação. • Os indivíduos tomam decisões sobre seu comportamento na organização. • Os desejos e objetivos são diferentes para cada um dos indivíduos. 87 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO • A decisão sobre as alternativas oferecidas baseia-se nas expectativas sobre o resultado que o comportamento escolhido vai gerar. Motivação Força do desejo de alcançar objetivos individuais Expectativas Relação percebida entre produtividade e alcance dos objetivos individuais Valência Capacidade percebida de influenciar o próprio nível de desempenho Instrumentalidade Figura 29 – Modelo motivacional de Vroon Os componentes principais da teoria da expectação se esboçam por meio de três categorias, a saber: expectativa, valência e instrumentalidade. A expectativa consiste nos esforços reunidos no intuito de conduzir o colaborador aos resultados almejados. É a crença do colaborador na efetividade desses esforços que o induz a continuar e a perseverar. Valência é a intensidade do desejo de um indivíduo, em função do alcance de resultados específicos, no que tange ao valor percebido por ele, pela relação entre a sua produtividade e os incentivos e recompensas aferidos. Já a instrumentalidade refere-se ao desempenho que se pode imprimir e à grandeza proporcional da recompensa percebida. Se a dedicação for devidamente remunerada, a relação é positiva e incentivadora; caso contrário, não. Embora não devidamente testada, a teoria apresentou um jogo de interesses em que o indivíduo vai continuar se empenhando cada vez mais se perceber que seus esforços estão sendo recompensados. Por um excesso de racionalidade, o indivíduo sempre vai pesar a relação custo-benefício antes de decidir qual alternativa de comportamento irá escolher. Teoria da equidade de Stacy Adams Comparando as recompensas com as dos seus colegas de trabalho, os trabalhadores almejam a justiça de tratamento nas organizações. Essa justiça denomina-se equidade de tratamento. Corresponde à relação entre a produção de trabalho que o indivíduo oferece, em comparação e com as devidas recompensas recebidas, e a situação equivalente de seus outros colegas. 88 Unidade IV Saiba mais Leia o texto indicado a seguir. AGUIAR, C.; MARTINS, E. Benefícios da gestão de desempenho o seu impacto nas organizações modernas. In: ENCONTRO CIENTÍFICO DA UNIDADE DE INVESTIGAÇÃO & DESENVOLVIMENTO DO ISLA, 7., Santarém, 2021, ISLA. Anais [...]. Santarém, 2021. Disponível em: https://bit.ly/3cRJUnY. Acesso em: 26 nov. 2021. A relação de comparação social inversa é a inequidade, que ocorre quando o sentimento de desigualdade e diferença de tratamentos que a empresa dispensa aos diversos colaboradores gera uma sensação de frustração e desmotivação naqueles que se sentem injustiçados. Teoria do reforço de Skinner A teoria do esforço está fundamentada no princípio dos reforços positivo e negativo. Para estimular comportamentos considerados bons, que surtem efeitos positivos, o gestor deve utilizar-se de reforços positivos para estimular a intensificaçãoe continuidade desses comportamentos. Existem diversas formas de distribuir o reforço positivo: premiações, promoções, um elogio a um trabalho bem feito e o reconhecimento manifestado, oral ou por escrito, de uma ação bem realizada. São os motivadores flagrantemente apresentados, expostos e publicados que incentivam o colaborador e o induzem à atitude de alto desempenho. Essa teoria prega que o reforço condiciona o indivíduo, afetando o seu comportamento. De acordo com a experimentação de prazer e dor, positivo e negativo, o colaborador responderá aos estímulos fornecidos pelo gestor: terá o comportamento ruim desencorajado pelo reforço negativo e vice-versa. 7.2.4 Teoria dos dois fatores de Herzberg Partindo dos estudos da teoria da hierarquia de necessidades de Maslow, Herzberg discordou de vários aspectos enunciados. Quando Maslow afirmou que as necessidades humanas são internas, Herzberg concordou. Porém, ele iria discordar da afirmação de que a insatisfação humana provém de fatores extrínsecos do trabalho e que a satisfação provém dos fatores intrínsecos. Quadro 10 – Os dois fatores de Herzberg Fatores motivacionais Fatores higiênicos Trabalho em si Condições de trabalho Realização Administração da empresa Reconhecimento Salário Progresso profissional Relações com o supervisor Responsabilidade Benefícios e serviços sociais 89 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Os fatores de higiene são fatores ambientais extrínsecos que evitam a insatisfação e estão relacionados com aspectos externos ao conteúdo do cargo, ou seja, ao contexto do cargo. São eles: o ambiente empresarial, as condições de trabalho, salários, prêmios, benefícios, vida pessoal, status e relacionamentos sociais. Por sua vez, os fatores de motivação são intrínsecos ao cargo, sendo associados a sentimentos positivos relacionados com o conteúdo do cargo, por exemplo, o sentimento do colaborador em relação ao cargo, o trabalho em si, realização pessoal, reconhecimento e nível de responsabilidades. Observação Para Herzberg (1968 apud PILATTI, 2012), a insatisfação não é a mesma coisa que a não satisfação, uma vez que é possível não estar insatisfeito e, ao mesmo tempo, também não estar satisfeito. A metodologia empregada nessa teoria é muito criticada por ser muito restrita ao modelo adotado. Quando tudo é reconsiderado fora desse modelo, surgem muitas discrepâncias. As suposições de que dois conjuntos de fatores operam primariamente em uma única direção fazem muito pouco sentido. A chave da motivação, segundo Herzberg, está na reestruturação e no enriquecimento dos cargos, quer seja horizontalmente, ao atribuir responsabilidades que antes pertenciam a um superior hierárquico e conjuntamente redistribuir responsabilidades menores aos cargos no nível inferior da escala, quer seja verticalmente, quando se agrega ao cargo tanto atribuições do posto de trabalho que antecede ao seu, no processo de atividades, quanto do posto que está à sua frente, aumentando o seu nível de responsabilidade. 7.2.5 Teorias X e Y de McGregor Grande pensador, Douglas McGregor era economista e foi professor de Harvard. Foi PHD em psicologia social e também atuou como professor do Massachussets Institute of Tecnology (MIT). Em 1960 ele escreveu The human side of enterprise (O lado humano das organizações) e definiu as teorias X e Y, por meio das quais procurou nortear as relações entre as empresas e seus trabalhadores. Segundo a teoria X, as pessoas não gostam do trabalho e o evitariam se pudessem. Já a teoria Y defende que o esforço físico e o mental são naturais para o ser humano, considerando que o ser humano é proativo no trabalho. As teorias comportamentais primam por abordar diversos estilos administrativos, moldados de acordo com as características do corpo da equipe liderada. A contribuição de McGregor foi analisar dois tipos de equipes a serem gerenciadas e, com base nelas, desenvolveu as teorias X e Y. 90 Unidade IV A teoria X parte do princípio de que o homem não é afeito ao trabalho. Em uma visão muito próxima da teoria científica de Taylor, bem como da teoria clássica de Fayol, o trabalho deveria ser muito bem planejado e acompanhado de perto pelos gestores – senão, não seria realizado. Ou, então, seria realizado de forma insatisfatória. Quadro 11 – A teoria X de McGregor Indivíduos Liderança ideal Indolente e preguiçoso por natureza Rígida e autocrática Não gosta de assumir responsabilidade Acompanhamento passo a passo do trabalho. Supervisão acirrada Egocêntrico. Seus objetivos pessoais opõem-se aos da organização Direção dos esforços individuais em prol dos objetivos organizacionais Prefere ser dirigido Controle minucioso das ações Resiste a mudanças Persuasão e modificação de comportamentos Dependente ao extremo Prática da remuneração como motivação A teoria Y trata da moderna concepção de administração. Fundamenta-se na eliminação de preconceitos e na assunção da complexidade e boa intenção natural da personalidade humana. Quadro 12 – A teoria Y de McGregor Indivíduos Liderança ideal Têm prazer em trabalhar Flexível e participativa Comprometidos com as necessidades da empresa Preocupado em compartilhar os objetivos individuais e organizacionais Motivados e com comportamentos adequados. Responsáveis Descentralizador. Prática do empowerment Têm autocontrole e são autodirigidos Liberal e democrático Aceitam os desafios da mudança. Flexíveis Informa e toma conhecimento das mudanças necessárias Independentes e empreendedores Incentivador e comprometido com o desenvolvimento das pessoas Saiba mais Nessa sopa de letrinhas, ainda cabe a teoria Z, de William Ouchi. Para conhecê-la, leia o texto indicado a seguir: GARCIA, F. C. Entregando a alma ao capital: a propósito da teoria Z de William Ouchi. Revista de Administração, São Paulo, v. 19, n. 3, p. 67-71, jul./ set. 1984. Disponível em: https://bit.ly/3HYSAHl. Acesso em: 26 nov. 2021. 91 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO 8 A ORGANIZAÇÃO – PARTE 1 8.1 Projeto organizacional A organização da empresa é definida como o agrupamento das funções e recursos, de forma a alcançar os objetivos e resultados estabelecidos. Organizar consiste em uma atividade administrativa voltada para a obtenção da otimização dos recursos humanos (RH), recursos materiais (RM) e recursos tecnológicos (RT). Para tal, utilizam-se técnicas científicas envolvendo aspectos comportamentais e instrumentais dos ambientes interno e externo da entidade. A estrutura organizacional é o conjunto ordenado de responsabilidades, autoridades, comunicações e decisões das divisões da organização. O termo organização tem sido empregado como sinônimo de arranjo, sequenciamento e eficiência. Porém, nesse aspecto, a organização deve ser compreendida não apenas pela visão estrutural e seus cargos definidos pelos respectivos títulos; atribuições básicas; responsabilidades; relações formais; nível de autoridade e aspectos culturais. Segundo Daft (2002, p. 11), “as organizações são entidades sociais que são dirigidas por metas, são desenhadas como sistemas de atividades deliberadamente estruturados e coordenados e são ligados ao ambiente externo”. Daft (2002) acentua que a importância das organizações consiste em: • Aportar recursos para alcançar metas e resultados desejados. • Gerar bens e serviços com eficiência. • Promover a inovação. • Aplicar tecnologia avançada de fabricação e de informação. • Adaptar-se e influenciar o ambiente turbulento e em transformação constante. • Agregar valor para os acionistas, clientes e colaboradores. • Enfrentar os crescentes desafios da diversidade, ética, motivação e sinergia entre os colaboradores. As organizações são tratadas, também, como sistemas-empresas, e Daft (2002) distingue o estudo das organizações entre sistemas abertos e fechados. Por sistemas fechados entende-se aqueles que não dependeriam de seu ambiente; eles seriam autônomos, encerrados e isolados do mundo externo. Esse tipo de sistema é umaficção, não sendo 92 Unidade IV viável sua existência. A única maneira de encará-lo é mantendo apenas uma relação restrita com o seu ambiente. Já os sistemas abertos tangem às organizações que devem interagir intensamente com o ambiente para sobreviver. Importam e exportam recursos para o ambiente, modificando-o e devendo se modificar continuamente para se adaptar a esse ambiente dinâmico e mutável. 8.1.1 Configuração organizacional Em uma estrutura proposta por Henry Mintzberg (apud DAFT, 2002), sugere-se que a organização possua os seguintes componentes: o núcleo técnico, o suporte técnico, o suporte administrativo e a administração. O núcleo técnico corresponde ao nível operacional da organização, abrangendo o pessoal que realiza o trabalho básico, desempenhando o papel do subsistema da produção. São responsáveis pela geração dos produtos e serviços, por meio do processamento de matérias-primas e insumos. O suporte técnico atende à necessidade de atualização de conhecimentos, informações e mudanças de expectativas dos clientes e do mercado em geral. Responde pela flexibilidade diante do ambiente externo, por meio do acompanhamento das mudanças e inovações tecnológicas e identificação de oportunidades e ameaças. Participam dessas atividades os técnicos e pesquisadores da empresa. Já o suporte administrativo cuida da padronização das atividades e da manutenção dos níveis de funcionamento da operação. Conserva a organização, incluindo os seus elementos físicos e humanos, as atividades ligadas à gestão de recursos humanos, finanças, gestão de serviços, entre outras. Por sua vez, a administração, que se apresenta como um subsistema distinto dos demais, abrange a alta e a média gestão da empresa. Coordena e integra as outras áreas por meio da definição, da implementação e do controle das políticas, diretrizes e estratégias organizacionais. Estratégica e principal usuária dos resultados dos sistemas de informação da organização, dimensiona e controla os objetivos e estratégias da corporação como um todo. 8.1.2 Dimensões do projeto organizacional Ao projetar uma organização, deve-se definir regras e normas de funcionamento para prever acontecimentos futuros e municiar os colaboradores, supervisores e gestores de instrumentos para atuarem formalmente e enfrentá-los. Diversas dimensões são consideradas, pois os acontecimentos exigirão um bom entendimento das forças e fraquezas internas, bem como das regras e normas, que não podem ser muito rígidas para não “engessar” a organização nem muito “elásticas” ao ponto de impossibilitar o controle e a definição clara dos procedimentos a serem adotados. Outro aspecto importante envolve a divisão do trabalho e a atribuição de responsabilidades, que possibilitarão a profissionalização e especialização dos agentes que decidirão, planejarão e executarão o trabalho para o qual se destina a organização. 93 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Quadro 13 – As dimensões estruturais do projeto organizacional Formalização Volume de documentação escrita da organização. Procedimentos, descrições de cargos, manuais e normas. Nível de burocracia da organização Especialização Divisão do trabalho, nível de separação das tarefas na organização do trabalho. Se a especialização for intensa, o funcionário desempenhará um leque estreito de tarefas, porém, com mais domínio. Ao contrário, os funcionários desempenharão um número maior de tarefas, podendo não ter um domínio maior Hierarquia de autoridade Define quem se reporta a quem. A hierarquia é retratada nas linhas verticais da organização. Quanto mais estreitos forem os limites de controle, mais alta será a hierarquia. Se forem mais amplos, a hierarquia será mais baixa Centralização Refere-se ao nível hierárquico que terá a autoridade para a tomada de decisão. Se há centralização, os níveis mais altos deterão o poder de decidir. Se não houver centralização, o poder será distribuído proporcionalmente pelos níveis hierárquicos inferiores. Centralizar ou descentralizar depende da situação e do contexto em que se encontra a empresa, sendo melhor descentralizar, de forma geral Profissionalismo Nível de educação formal e de treinamento dos funcionários. Considera-se o número médio de anos de formação dos funcionários Relações (taxas) de pessoal As taxas incluem o grau administrativo, o grau de assessoria profissional, o grau burocrático, a proporção de mão de obra direta e de mão de obra indireta As dimensões estruturais fornecem rótulos para descrever as características internas de uma organização, criando bases para medir e comparar as organizações. As dimensões contextuais caracterizam toda a organização, inclusive seu porte, tecnologia, ambiente e metas. Descrevem o ajuste organizacional que influencia e molda as dimensões estruturais. Compreendem um conjunto de elementos superpostos subjacentes à estrutura e aos processos de trabalho de uma organização. Quadro 14 – As dimensões contextuais do projeto organizacional Tamanho Magnitude da organização em termos do número de pessoas na organização, tamanho da instalação, volume produzido, faturamento, lucro. A ênfase maior aqui é dada ao número de pessoas na organização Tecnologia organizacional Ações técnicas e conhecimentos utilizados nas operações da organização. Relaciona-se à fabricação dos produtos ou serviços da organização. São os sistemas de informação (ERP, CRM, outros), automação (industrial, de varejo, de serviços) e robótica. Natureza do subsistema de produção Ambiente Entre os elementos principais estão: indústria, governo, clientes, fornecedores, sociedade em geral, concorrentes, não concorrentes e empresas parceiras. Instituições que não pertencem à organização, mas que têm uma intensa interação com ela, afetando e sendo afetadas pelas alterações que nela ocorrem Metas e estratégias Definem o propósito e as técnicas competitivas que as distinguem das outras organizações. A estratégia pode ser traduzida em um plano de ação. As metas e estratégicas definem o escopo das operações e o relacionamento com os clientes, fornecedores e funcionários Cultura Conjunto de valores, crenças, conhecimentos e normas essenciais compartilhados pelos funcionários da organização. Manifestam-se no comportamento ético, no compromisso com e dos funcionários, na eficiência e na eficácia nos serviços. A cultura não é escrita, mas pode ser identificada em histórias, slogans, cerimônias, maneiras de vestir e leiaute dos escritórios 94 Unidade IV Se forem considerados corretamente esses termos, viabilizar-se-ão as funções básicas de uma organização, bem como o estudo cuidadoso da estrutura organizacional da empresa, para que seja bem definida e possa atender às necessidades reais e aos objetivos definidos de forma integrada com a organização informal e as estratégias fixadas pelos gestores. 8.2 Elaboração da estrutura organizacional Segundo Oliveira (1992), a estrutura organizacional é o conjunto ordenado de responsabilidades, autoridades, comunicações e decisões das unidades organizacionais de uma empresa. A estrutura organizacional é dinâmica, e não estática, principalmente quando são considerados os seus aspectos informais provenientes da caracterização das pessoas que fazem parte de seu esquema de trabalho. A estrutura organizacional deve ser elaborada considerando as funções de administração como um instrumento para facilitar o alcance dos objetivos estabelecidos. De acordo com Ackoff (1981), o planejamento organizacional deveria estar voltado para os seguintes objetivos: • Identificar as tarefas físicas e mentais que precisam ser desempenhadas. • Agrupar as tarefas em funções que possam ser bem desempenhadas e atribuir sua responsabilidade a pessoas ou grupos, isto é, organizar funções e responsabilidades. • Proporcionar aos empregados de todos os níveis: — Informação e outros recursos necessários para trabalhar de maneira tão eficaz quanto possível, incluindo feedback sobre o seu desempenhoreal. — Medidas de desempenho que sejam compatíveis com os objetivos e metas empresariais. — Motivação para desempenhar tão bem quanto possível. Segundo Oliveira (1992), o desenvolvimento da estrutura deve considerar os fatores condicionantes externos que vão afetar a configuração dos seus componentes, bem como os níveis de atuação dos gestores e de tomadas de decisões, que são denominados níveis de influência. Na implantação integral ou de alterações pontuais, é essencial a participação de todos os funcionários da empresa no processo. Com isso haverá mais comprometimento, integração e motivação dos colaboradores. Faz-se muito necessária a avaliação da estrutura organizacional implantada, considerando-se o alcance dos objetivos estabelecidos, bem como as influências dos aspectos formais e informais. 95 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Existem importantes fatores internos que influenciam a natureza da estrutura organizacional da empresa. Segundo Peter Drucker (apud OLIVEIRA, 1992), destacam-se: • Os tipos de objetivos estabelecidos: organizacionais e individuais. • Atividades e estratégias necessárias. • Ordenamento dos procedimentos para gerar os bens ou serviços que satisfaçam membros e clientes. • As funções administrativas. • O nível de habilidades dos colaboradores. • Limitações tecnológicas. • As necessidades sociais dos membros da empresa. • O porte da empresa. De acordo com Drucker (apud OLIVEIRA, 1992), os elementos e as mudanças no ambiente externo, forças poderosas que dão forma à natureza das relações externas, devem ser considerados. Apresenta-se agora um método para o estabelecimento de uma estrutura organizacional que considera como mais adequado a análise de seus fatores condicionantes, elementos componentes e níveis de influência, conforme apresentado a seguir. Segundo Vasconcelos (1972), para o delineamento da estrutura organizacional, deve-se considerar e desenvolver os seguintes aspectos: • Componentes da estrutura organizacional. • Condicionantes para a formação e adaptação. • Níveis de influência existentes na estrutura. 8.2.1 Fatores condicionantes da estrutura De acordo com Oliveira (1992), existem diversos fatores que condicionam o estabelecimento de uma estrutura organizacional, formatando o seu perfil, tamanho, nível de complexidade, flexibilidade necessária para enfrentar os desafios externos, bem com os tipos de departamentalização a serem adotados para melhor atender às demandas do mercado. 96 Unidade IV Recursos humanos Ambiente externo Sistema de responsabilidades Departamentalização Linha e assessoria Atribuição de atividades Sistema de autoridade Amplitude e controle Níveis hierárquicos Delegação Centralização/Descentralização Níveis de influência Estratégico, tático, operacional Sistema de decisões Dados Informações Decisões Ações Resultados Sistema de comunicação O quê? Como? Quando? Por quê? Quanto? De quem/Para quem? . . . comunicar! ! Objetivos Estratégias Recursos tecnológicos Figura 30 – Estrutura organizacional Fator humano O ser humano é um elemento especial a ser considerado, pois é interno e externo ao mesmo tempo, representando o aspecto social da organização e tornando-a imprevisível. Por mais cuidado que se tenha para elaborar as normas, os processos e a estrutura, o ser humano, ao ser inserido, desestabiliza-se e se torna um foco de falhas e erros, ao mesmo tempo que pode modificar, ajustar e criar soluções que perpetuam a organização. O gestor administra com e por meio de pessoas. As pessoas realizam os trabalhos necessários para o alcance dos objetivos definidos. A eficácia e eficiência, ou seja, a efetividade de uma estrutura, dependem de sua qualidade intrínseca, pertinente aos seus componentes e características internas, bem como do valor e da integração dos homens que nela atuam. Portanto, no desenvolvimento de uma estrutura organizacional eficiente, o importante é o comportamento e os conhecimentos das pessoas que desempenharão as suas funções. O coeficiente humano, que atribui a qualidade, flexibilidade e capacidade inovativa da estrutura, é um produto dos seguintes fatores: • Valor dos homens agregáveis às organizações. 97 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO • O conhecimento que eles possuem da estrutura. • A sua motivação, com a qual fazem a estrutura funcionar da melhor forma possível. O precursor clássico, Henri Fayol, apresentou as qualidades humanas necessárias para atuar como gestor nas organizações, cuja importância aumenta à medida que a pessoa sobe na hierarquia. Consideram-se as seguintes capacidades: Técnicas De cooperação De integração AdministrativaDe comando Figura 31 – As capacidades do administrador Fator ambiente externo A análise do ambiente externo é uma questão básica para o desenvolvimento de qualquer pensamento estratégico empresarial. Por meio dessa análise, identificam-se as oportunidades que se podem aproveitar, bem como as ameaças a serem enfrentadas para o crescimento organizacional e, até mesmo, para a sobrevivência da organização. Aplicável na fase inicial de criação da organização e da sua estratégia à época do seu nascimento, mas também à avaliação contínua das constantes mudanças no ambiente, que devem ser consideradas como relevantes para efeito de uma reestruturação ou aos ajustes necessários às demandas do ambiente. Organização Governo Fornecedor Cliente Microambiente Concorrente Legislação Cultura Política Natureza Economia Demografia Ambiente Macroambiente Tecnologia Figura 32 – Representação gráfica de fatores de ambiente externo à organização 98 Unidade IV Outro aspecto a considerar, relacionando o fator ambiente externo e a estrutura organizacional, é o da análise do fluxo de decisões, na qual são identificadas as decisões administrativas necessárias para se dirigir uma empresa e as relações entre todos eles. Russel L. Ackoff (1981) apresenta o seguinte roteiro para análise: • Determinar de quais pessoas, na sociedade, são as necessidades e os desejos que a empresa tenta atender. • Definir como essas necessidades ou desejos são comunicados à empresa. • Estipular como a informação necessária é administrada, registrada e transmitida a outras pessoas na empresa. Fator sistema de objetivos e estratégias Os objetivos são os alvos que a organização pretende atingir a curto, médio ou longo prazos, sendo que serão atingidos mediante o estudo e a definição das estratégias, ou seja, os caminhos a trilhar para, a partir da situação onde se encontra, seguir rumo aos objetivos definidos. O fator sistema de objetivos e estratégias tem influência na estrutura organizacional à medida que, quando os objetivos e estratégias estão bem definidos e claros, é mais fácil organizar, pois se sabe o que esperar de cada membro do grupo que compõe a empresa. Fator tecnologia Segundo Vasconcelos (1972), o fator tecnológico corresponde ao conjunto de informações e conhecimentos a serem absorvidos e armazenados pela organização e que serão utilizados para operacionalizar as atividades da empresa de forma a atingir os objetivos fixados. Em razão do avanço e da constante evolução dos conhecimentos, esse fator ganha vulto e exige um dinamismo maior da organização para acompanhar os incrementos tecnológicos, avaliá-los e internalizar aqueles que farão a diferença na operacionalização eficaz que se pretende desempenhar. 8.2.2 Componentes da estrutura – sistema de responsabilidade Os componentes do macrossistema que compõe a estrutura organizacional são os sistemas encarregados pela sua montagem e funcionamento. Os quatro elementos da estrutura organizacional distribuem e organizam o trabalho, definem as normas que atribuirão poder e serão alçadas pelos níveis hierárquicos, da mesma forma que delineiam e estabelecem os modos da comunicação formal e as linhas gerais do processo decisório de certa organização. Ao analisar o sistema de responsabilidade, deve-se considerar, primeiramente, que a organização éum termo utilizado de forma abreviada para designar organização do trabalho, resultado da alocação de atividades e constituído por: 99 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO • Departamentalização. • Linha e assessoria. • Atribuições das atividades das unidades organizacionais. Entende-se por responsabilidade as obrigações que uma pessoa tem de fazer, alguma tarefa, e prestar conta a alguém. Sendo assim, o sistema de responsabilidade refere-se à alocação das atividades inerentes a essa obrigação (VASCONCELOS, 1972). Portanto, quando um subordinado assume determinada obrigação, deve prestar contas à pessoa que lhe atribuiu a responsabilidade. A quantidade de responsabilidade pela qual o subordinado terá de prestar contas determina a quantidade de autoridade delegada. Outro aspecto é que a obrigação permanece na responsabilidade do indivíduo a quem ela foi atribuída. Ou seja, a responsabilidade não se delega. Departamentalização Os tipos de estrutura organizacional são resultantes da departamentalização. Esta última pode ser considerada o subcomponente mais conhecido pelos funcionários da empresa. É o agrupamento, de acordo com um critério específico de homogeneidade, de atividades e recursos (humanos, materiais e tecnológicos) em órgãos da estrutura. O organograma é a representação gráfica de determinados aspectos da estrutura organizacional, embora essa representação gráfica não simbolize todos os aspectos da estrutura organizacional, apenas os mais visíveis e palpáveis. Existem algumas formas de a empresa departamentalizar as suas atividades. As mais tradicionais são a departamentalização: • por quantidade; • funcional; • territorial (ou geográfica); • por produtos (ou serviços); • por clientes; • mista. Entre as adaptativas e inovativas, encontramos a departamentalização por projeto e a matricial. 100 Unidade IV Departamentalização por quantidade As pessoas são agrupadas em funções não diferenciadas, bastando nominar a função e quantificar os membros alocados. Esses colaboradores alocados têm obrigação de executar tarefas sob as ordens de um superior. A sua aplicabilidade é muito restrita e limitada a atividades no nível operacional. Sua utilidade tem diminuído, principalmente, em razão dos seguintes aspectos: • Desenvolvimento dos recursos humanos. • Trabalhos de equipe especializada são mais eficientes que os que se baseiam em número de pessoas. • Não atender às exigências dos níveis intermediários e superiores da organização. Até nos níveis inferiores da hierarquia a sua validade se restringe a determinados setores do processo produtivo. Supervisão 13 Supervisão 8 Supervisão 9 Diretoria de produção Gerência de usinagem Gerência de montagem Gerência de materiais Figura 33 – Representação gráfica de departamentalização por quantidade • Vantagem — A simplicidade para entendimento, elaboração, alteração e implementação. • Desvantagem — A simplicidade, não podendo ser implementada em níveis mais elevados da estrutura, devido às complexidades e especificidades, ficando legada ao nível mais básico e operacional. Departamentalização funcional O agrupamento baseia-se nas funções criadas pelo teórico clássico Henri Fayol, as quais originalmente foram designadas como: técnicas (produção), comerciais, financeiras, contábil, segurança e administrativas. O agrupamento predomina nas estruturas organizacionais até hoje devido ao seu bom resultado em situações estáveis e ao nível de especialização que é proposto para os colaboradores que ocupam os postos de trabalho. Fundamentado na divisão do trabalho e especialização, é comum mesmo mesclado a outras departamentalizações mais flexíveis e versáteis. 101 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Diretoria geral Gerência de produção Gerência de vendas Gerência financeira Figura 34 – Representação gráfica de departamentalização funcional • Vantagens — Maior estabilidade, segurança. — Especialização do trabalho. — Otimização dos recursos empresariais, por serem utilizados por peritos em suas áreas específicas. • Desvantagens — Não apropriada para situações que exijam mudanças constantes e complexas. — Comunicação deficiente entre as áreas. — Formação de “feudos”, o que dificulta o relacionamento entre as áreas. — Visão parcial da empresa devido à concentração em áreas específicas. Departamentalização territorial/geográfica Quando o aproveitamento das oportunidades regionais está acima das questões funcionais e de outras questões organizacionais, a departamentalização geográfica assume um papel estratégico incomensurável. Usada em empresas territorialmente dispersas, baseia-se no princípio de que todas as atividades que se realizam em determinado território devem ser agrupadas e colocadas sob as ordens de um administrador. A equipe deve ser recrutada e selecionada na região para preservar as facilidades culturais e de costumes regionais, que facilitarão a interação e integração com o mercado local. Justifica-se a sua adoção pela compensação dos custos estruturais com a maior proximidade, em todos os aspectos, com as oportunidades e os nichos de mercados especialmente distribuídos nas regiões espalhadas pelo país e pelo mundo globalizado. Diretoria comercial Gerência 13. Leste Gerência 25. Norte Gerência 01. Norte Figura 35 – Representação gráfica de departamentalização geográfica/territorial 102 Unidade IV • Vantagens — Exploração e aproveitamento das operações e oportunidades locais ou regionais. — Ação e reação imediata diante de desafios e problemas regionais. • Desvantagens — Duplicação de instalações, a qualquer descuido de planejamento. — Especialização regional à custa da integração corporativa. Resumo Nesta unidade, vimos que a administração por objetivos (APO) coroou os postulados neoclássicos. Pelo seu pragmatismo, alterou o relacionamento entre os subordinados e as chefias para um relacionamento de parceria. Esse relacionamento mais equilibrado foi alcançado por meio da definição de objetivos e metas de forma conjunta e, ao mesmo tempo, o aumento do comprometimento de ambos para a consecução desses resultados. Alterou-se, também, o nível de envolvimento das equipes, tornando-o mais intenso, até se tornar um comprometimento pessoal com a eficiência nas atividades e com a eficácia na realização dos objetivos organizacionais fixados. O behaviorismo, por meio da teoria comportamental, tem uma importância fundamental para entender o envolvimento individual com os ditames coletivos e organizacionais. O estudo da motivação humana a compreende pela vontade e pelo desejo de imprimir esforços voltados para a conquista de objetivos e resultados. Esses objetivos ou metas podem ser individuais ou organizacionais e se dispõem a atender expectativas e satisfazer certas necessidades. Diversos autores abordaram a motivação humana como a mola propulsora do indivíduo nas organizações. Iniciando por A. Maslow e a pirâmide de necessidades humanas, analisada de forma mais simples e direta por Herzberg, esse estudo permitiu a estratificação e a hierarquização das necessidades humanas. Quando se trata de organização, refere-se ao conjunto de regras, previamente estabelecidas, que definem o funcionamento da organização, abrangendo: as responsabilidades, a autoridade, o sistema de decisões e o sistema de comunicação. O resumo ou síntese do que é a organização é o organograma, que apresenta graficamente aspectos principais da instituição, dentre eles a departamentalização adotada. A departamentalização é 103 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO arquitetada para atender às necessidades mercadológicas, processuais, hierárquicas ou mesmo organizacional da empresa, podendo se apresentar de forma funcional, por quantidade, por clientes, por produtos, regional, por projetos ou mesmo de modo matricial. Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir. Conhecendo as teorias de X e Y de McGregor Também conhecida como as teorias que trabalham com base em suposiçõesrelacionadas à motivação de profissionais de uma determinada empresa, as teorias X e Y foram desenvolvidas pelo professor de psicologia e economista McGregor, no final da década de 1950, e levaram o nome de seu criador. Há quem diga que são algumas das teorias mais proeminentes de toda a história da administração. Basicamente, essas teorias tratam de dois perfis de personalidade e de comportamento de funcionários quanto a características que, muitas vezes, os próprios indivíduos não percebem que têm. Em uma delas, o colaborador é tido como relaxado, preguiçoso e gosta pouco de trabalhar. Já na outra, o seu perfil é o de quem gosta das responsabilidades e da busca dentro da empresa. O primeiro questionamento referente à teoria é por conta do nome que foi dado a elas: teorias X e Y. Mas por qual motivo McGregor preferiu mantê-las sem nenhuma outra denominação? O psicólogo não tinha pretensão alguma em nomear as teorias pelo simples motivo de que ele não queria julgamentos que demonstrassem mais ou menos valor aos grupos que pertencessem a uma das teorias. Outra razão é que ele desejava que não surgissem quaisquer expressões de preferência em cima de ambas as teorias. Por esse motivo, os nomes permaneceram teorias X e Y. A diferença considerável entre as duas teorias refere-se às crenças de cada uma sobre a natureza humana na situação de trabalho. Distintas visões geram atitudes e comportamentos distintos. Determinam discursos e lógicas distintas de argumentação, de negociação e de administração do conflito e solução das divergências, de intermediação de interesses, de interlocução. Disponível em: https://bit.ly/3GMyDCe. Acesso em: 11 dez. 2021 (com adaptações). Considerando o exposto e seus conhecimentos, avalie as afirmativas. I – Ao comparar dois estilos distintos, McGregor estabeleceu que os indivíduos que condizem com a teoria Y são aqueles que preferem uma liderança autocrática, com um acompanhamento passo a passo do trabalho realizado. II – Funcionários alinhados com a teoria X de McGregor colocam seus objetivos pessoais em oposição aos da organização, por isso são considerados independentes e empreendedores. III – Indivíduos que se comportam segundo os parâmetros da teoria Y aceitam os desafios da mudança, são flexíveis, motivados e comprometidos com as necessidades da empresa. 104 Unidade IV É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) III, apenas. C) I e II, apenas. D) II e III, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa B. Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: os indivíduos que condizem com a teoria Y de McGregor são aqueles que têm preferência por uma liderança flexível e participativa e são comprometidos com as necessidades da empresa. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: segundo a teoria X de McGregor, os funcionários são egocêntricos, ou seja, seus objetivos pessoais são opostos aos da empresa. São resistentes a mudanças e dependentes ao extremo. III – Afirmativa correta. Justificativa: os indivíduos alinhados com os princípios da teoria Y são ambiciosos, gostam de assumir responsabilidades e atendem às necessidades da empresa com mais exatidão, além de se dedicarem com maior comprometimento e motivação. Questão 2. Henry Mintzberg, renomado acadêmico canadense, propôs uma estrutura organizacional composta de seis elementos interligados e que devem se manter em conexão para que a empresa alcance a produtividade esperada. Dentre eles temos: • cúpula estratégica; • núcleo operacional; • assessoria de apoio. Em relação a esses elementos, avalie as descrições a seguir. 105 FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO Descrição I. Trata-se de área específica e especializada de prestadores de serviço fora do foco principal da organização. Descrição II. Trata-se de órgão encarregado de formular e garantir que as diretrizes da organização sejam cumpridas. Descrição III. Trata-se de área que realiza o trabalho de transformar as matérias-primas em produto final. As descrições I, II e III referem-se, respectivamente, aos elementos: A) Cúpula estratégica, núcleo operacional e assessoria de apoio. B) Núcleo operacional, cúpula estratégica e assessoria de apoio. C) Assessoria de apoio, cúpula estratégica e núcleo operacional. D) Cúpula estratégica, assessoria de apoio e núcleo operacional. E) Assessoria de apoio, núcleo operacional e cúpula estratégica. Resposta correta: alternativa C. Análise da questão A assessoria de apoio é a área especializada (terceirizada ou não) que dá suporte às operações da organização e que não se relaciona com a produção ou o produto. A cúpula estratégica é formada pelos dirigentes da organização, que são os gestores responsáveis pela empresa e que devem assegurar que a corporação atinja seus objetivos. O núcleo operacional é o responsável pela realização da produção. Ele responde pela entrada das matérias-primas, pela sua transformação e pela distribuição das saídas, ou seja, dos produtos acabados. 106 REFERÊNCIAS Audiovisuais PAINEL de cases – sustentabilidade organizacional. 2020. 1 vídeo. (1:51:40). Publicado por Aberje. Disponível em: https://bit.ly/3FJjpxw. Acesso em: 7 jan. 2021. TEMPOS modernos. Direção: Charlie Chaplin. EUA: United Artists, 1936. 87 min. Textuais ACKOFF, R. L. Planejamento empresarial. Rio de Janeiro: LTC, 1981. AGUIAR, C.; MARTINS, E. Benefícios da gestão de desempenho o seu impacto nas organizações modernas. In: ENCONTRO CIENTÍFICO DA UNIDADE DE INVESTIGAÇÃO & DESENVOLVIMENTO DO ISLA, 7., Santarém, 2021, ISLA. Anais [...]. Santarém, 2021. Disponível em: https://bit.ly/3cRJUnY. 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