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para as ciências químicas e biológicas RAYMOND CHANG 3a Edição VOLUME 1 Físico•Química FÍSICO-QUÍMICA PARA AS CIÊNCIAS QUÍMICAS E BIOLÓGICAS — Volume 1 ISBN 978-85-7726-062-1 A reprodução total ou parcial deste volume por quaisquer formas ou meios, sem o consentimento escrito da editora, é ilegal e confi gura apropriação indevida dos direitos intelectuais e patrimoniais dos autores. © 2009 by McGraw-Hill Interamericana do Brasil. Ltda. Todos os direitos reservados. Av. Brigadeiro Faria Lima, 201 – 17o andar São Paulo, SP, CEP 05426-100 © 2009 by McGraw-Hill Interamericana Editores, S.A. de C.V. Todos os direitos reservados. Prol. Paseo de la Reforma 1015 Torre A Piso 17, Col. Desarrollo Santa Fé, Delegación Alvaro Obregón México 01376, D. F., México Tradução do original em inglês Physical chemistry for the chemical and biological sciences © 2000 by University Science Books. ISBN da obra original: 1-891389-06-8 Coordenadora editorial: Guacira Simonelli Editora de desenvolvimento: Mel Ribeiro Supervisora de pré-impressão: Natália Toshiyuki Preparação de texto: Lumi Casa de Edição Editoração eletrônica: Crontec Ltda. Design de capa: megaart design Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB-10/Prov-009/10 A McGraw-Hill tem forte compromisso com a qualidade e procura manter laços estreitos com seus leitores. Nosso principal objetivo é oferecer obras de qualidade a preços justos e um dos caminhos para atingir essa meta é ouvir o que os leitores têm a dizer. Portanto, se você tem dúvidas, críticas ou sugestões entre em contato conosco – preferencialmente por correio eletrônico (mh_brasil@mcgraw-hill.com) – e nos ajude a aprimorar nosso trabalho. Teremos prazer em conversar com você. Em Portugal, use o endereço servico_clientes@mcgraw-hill.com. C456f Chang, Raymond. Físico-química para as ciências químicas e biológicas / Raymond Chang ; tradução técnica: Elizabeth P. G. Arêas, Fernando R. Ornellas. – Porto Alegre : AMGH, 2010. Editado também como livro impresso em 2008. ISBN 978-85-63308-49-8 1. Bioquímica. I. Título. CDU 541.3 228 Capítulo 7: Soluções não-eletrolíticas Agora, vamos supor que comecemos a resfriar a solução no ponto i. No ponto j, a solução começa a se congelar, e se forma o Pb sólido. Continuando o resfriamento, vamos chegar ao ponto k. Nesse ponto, a composição da solução é novamente dada pelo ponto e; portanto, esse é o ponto no qual o líquido está em equilíbrio com os dois sólidos. O ponto e é chamado ponto eutético. O ponto eutético significa o seguinte: (1) representa a temperatura mais baixa na qual uma solução líquida pode existir; (2) nele, o sólido que se separa da solução tem a mesma composição que a solução. Nesse particular, uma solução que tem uma composição eutética se comporta como um composto puro. No entanto, como a composição de uma mistura eutética depende da pressão externa, podemos distinguir rapidamente seu comportamento daquele de uma mistura estudando o fenômeno de congelamento à diferentes pressões. No ponto eutético, temos dois componentes (Pb e Sb) e três fases (Pb sólido, Sb sólido e a solução), de modo que o número de graus de liberdade, f, é dado por f = c − p + 2 = 2 − 3 + 2 = 1 Entretanto, esse único grau de liberdade é usado para especificar a pressão. Conseqüen- temente, no ponto eutético nem a temperatura nem a composição podem variar. Uma mistura eutética familiar é a solda usada na construção de placas de circui- tos eletrônicos. A solda tem cerca de 33% de chumbo e 67% de estanho e funde-se a 183 C. (O estanho funde-se a 232 C.) 7.7 Propriedades coligativas As propriedades gerais das soluções incluem abaixamento da pressão de vapor, a elevação no ponto de ebulição, o abaixamento no ponto de congelamento e a pressão osmótica. São comumente denominadas propriedades coligativas ou coletivas por- que estão ligadas umas às outras pela origem comum. As propriedades coligativas dependem somente do número de moléculas presentes do soluto, e não do tamanho ou da massa molar das moléculas. Para derivar as equações que descrevem esses fe- nômenos, vamos fazer três suposições importantes: (1) as soluções são um diluído ideal, portanto o solvente obedece à lei de Raoult; (2) as soluções são diluídas; (3) as soluções contêm não-eletrólitos. Como sempre, vamos considerar somente um siste- ma com dois componentes. Abaixamento da pressão de vapor Considere uma solução que contém um solvente 1 e um soluto não-volátil 2, como uma solução de sacarose em água. Por ser a solução um diluído ideal, a lei de Raoult se aplica: P x P1 1 1= * Como x1 = 1 − x2, a equação acima se torna P x P1 2 11= −( ) * O ponto eutético é 246 C. Reordenando essa equação, obtemos P P P x P1 1 2 1* *− = =D (7.33) em que DP, a diminuição na pressão de vapor relativa à do solvente puro, é direta- mente proporcional à fração molar do soluto. Por que a pressão de vapor de uma solução diminui na presença de um soluto? Podemos ser tentados a sugerir que isso acontece por causa de uma modificação nas forças intermoleculares. Mas essa idéia não está correta, porque o abaixamento na pressão de vapor ocorre igualmente em soluções ideais, nas quais não existe distinção entre interações soluto–solvente e entre solvente–solvente. Uma explicação mais con- vincente é fornecida pelo efeito da entropia. Quando um solvente se evapora, a entro- pia do universo aumenta porque a entropia de qualquer substância no estado gasoso é maior que aquela no estado líquido (à mesma temperatura). Como vimos na Seção 7.3, o processo de formação da solução em si é acompanhado por um aumento na entropia. Esse resultado significa que existe um grau extra de aleatoriedade, ou desor- dem, numa solução que não estava presente no solvente puro. Portanto, a evaporação do solvente de uma solução resultará num aumento menor na entropia. Conseqüente- mente, o solvente tem uma tendência menor de escapar da solução, e a solução terá uma pressão de vapor mais baixa que a do solvente puro (ver o Problema 7.40). Elevação no ponto de ebulição O ponto de ebulição de uma solução é a temperatura na qual sua pressão de vapor é igual à pressão externa. A discussão anterior pode tê-lo levado a esperar que a adi- ção de um soluto não-volátil, como reduz a pressão de vapor, deveria também au- mentar o ponto de ebulição de uma solução. É realmente esse o efeito. Para uma solução com um soluto não-volátil, a elevação no ponto de ebulição tem origem na variação do potencial químico do solvente por causa da presença do soluto. Da Equação 7.17, podemos ver que o potencial químico do solvente numa solução é menor que o potencial químico do solvente puro numa quantidade igual a RT ln x1. Pode ser visto na Figura 7.16 como essa variação afeta o ponto de ebulição da solução. As linhas sólidas se referem ao solvente puro. Figura 7.16 Gráfico dos potenciais químicos em função da temperatura para ilustrar as propriedades coligativas. A linha vermelha tracejada denota a fase solução. Teb e T ′eb são os pontos de ebulição do solvente e da solução, e Tc e T ′c são os pontos de congelamento do solvente e da solução, respectivamente. Temperatura cc eb eb 7.7 Propriedades coligativas 229 230 Capítulo 7: Soluções não-eletrolíticas Como é não-volátil, o soluto não se vaporiza; portanto, a curva para a fase vapor é a mesma para o vapor puro. Por outro lado, como o líquido contém um soluto, o poten- cial químico do solvente diminui (ver a linha tracejada). Os pontos em que a curva para o vapor intercepta as curvas para os líquidos (puro e solução) correspondem aos pontos de ebulição do solvente puro e da solução, respectivamente. Vemos que o ponto de ebulição da solução (T ′eb) é maior que o do solvente puro (Te b). Voltemos, agora, a um tratamento quantitativo do fenômeno da elevação do pon- to de ebulição. No ponto de ebulição, o vapor do solvente está em equilíbrio com o solvente em solução, de modo que mm m1 1 1 1( ) ( ) ( ) ln*g l l RT x= = + ou Dm m m1 1 1 1= − =( ) ( ) ln*g l RT x (7.34) em que Dm1 é a variação na energia de Gibbs associada com a evaporação de 1 mol de solvente da solução à temperatura T, seu ponto de ebulição. Assim, podemos es- crever Dm1 = DvapG. Dividindo a Equação 7.34 por T, obtemos DG T g l T R xvap = − = m m1 1 1 ( ) ( ) ln * Da equação de Gibbs-Helmholtz (Equação 6.15), escrevemos d G T dT H T ( )D D/ = − 2 (a P constante) ou d G T dT H T R d x dT ( ) (ln )D Dvap vap/ = − = 2 1 em que DvapH é a entalpia molar de vaporização do solvente a partir da solução. Como a solução é diluída, DvapH pode ser igualado à entalpia molar de vaporização do solvente puro. Reordenando essa última equação, obtemos d x H RT dTln 1 2= −Dvap (7.35) Para achar a relação entre x1 e T, integramos a Equação 7.35 entre os limites T ′ eb e Teb, os pontos de ebulição da solução e do solvente puro, respectivamente. Como a fração molar do solvente é x1 a T ′ eb e 1 a Teb, escrevemos d x H RT dT x T T ln ln ln 1 1 2 1 = − ∫ ∫ ′ Dvap eb eb ou ln x H R T T R T T T T 1 1 1 = ′ − = − ′ − ′ ∆ ∆ vap eb eb vap eb eb eb eb = −∆ ∆vap ebR T T 2 H H (7.36) em que DT = T ′eb−Teb. Duas suposições foram usadas para se obter a Equação 7.36, ambas com base no fato de que T ′eb e Teb diferem entre si somente em uma pequena quantidade (alguns graus). Primeiro, assumimos que DvapH é independente da tem- peratura e, segundo, que T ′eb ≈ Teb, de modo que T ′ebTeb ≈ T 2eb. A Equação 7.36 fornece a elevação do ponto de ebulição, DT, em razão da con- centração do solvente (x1). Como de costume, entretanto, expressamos a concentra- ção em razão da quantidade de soluto presente; portanto, podemos escrever ln ln( )x x H R T T 1 2 2 1= − = −D Dvap eb em que* ln( ) ( ) 1 2 3 1 2 2 2 2 2 3 2 2 − = − − − = − x x x x x x Agora, temos D D T RT H x= eb vap 2 2 Para converter a fração molar x2 em uma unidade de concentração mais prática, tal como a molalidade (m2), escrevemos x n n n n n n w n n2 2 1 2 2 1 2 1 1 1 2= + ≈ = / ( ) } em que w1 é a massa do solvente em kg e }1 é a massa molar do solvente em kg mol−1, respectivamente. Como n2/w1 dá a molalidade da solução, m2, segue-se que x2 = }1 m2 e, assim, D D T RT H m= eb vap 2 1 2 } (7.37) * Essa expansão em séries é conhecida como teorema de Maclaurin. Você pode verificar essa relação usando um pequeno valor numérico para x2 (≤ 0,2). 7.7 Propriedades coligativas 231 232 Capítulo 7: Soluções não-eletrolíticas Observe que todas as quantidades no lado direito da Equação 7.37 são constantes para um dado solvente; portanto, temos K RT eb eb vap = 2 1 D } H (7.38) em que Keb é chamada de constante de elevação do ponto de ebulição molal. As uni- dades de Keb são K mol −1 kg. Finalmente, DT = Keb m2 (7.39) A vantagem do uso da molalidade, como mencionado na Seção 7.1, está no fato de que ela é independente da temperatura e, assim, apropriada para estudos de elevação do pon- to de ebulição. A Figura 7.17 mostra diagramas de fase de água pura e de uma solução aquosa. Com a adição de um soluto não-volátil, a pressão de vapor da solução diminui a cada tempera- tura. Portanto, o ponto de ebulição da solução a 1 atm será maior que 373,15 K. Abaixamento do ponto de congelamento Um observador que não seja químico pode não ter consciência do fenômeno da elevação do ponto de ebulição, mas qualquer um que more num clima frio é testemu- nha de um exemplo de abaixamento no ponto de congelamento: no inverno, o gelo nas estradas e nas calçadas derrete-se prontamente quando se joga um pouco de sal sobre ele.* Esse método de derretimento abaixa o ponto de congelamento da água. Uma análise termodinâmica do abaixamento no ponto de congelamento é seme- lhante à feita para a elevação do ponto de ebulição. Se supusermos que, quando uma solução congela, o sólido que se separa da solução contém somente o solvente, então a curva do potencial químico do sólido não varia (ver a Figura 7.16). Conseqüente- mente, a curva contínua do sólido e a curva tracejada do solvente em solução agora se interceptam num ponto (Tc′) abaixo do ponto de congelamento do solvente puro (Tc). Seguindo exatamente o mesmo procedimento usado para o caso da elevação do ponto de ebulição, podemos mostrar que a queda no ponto de congelamento DT (que é Tc − Tc′, em que Tc e Tc′ são os pontos de congelamento do solvente puro e da solu- ção, respectivamente) é dada por DT = Kc m2 (7.40) em que Kc é a constante de abaixamento do ponto de congelamento molal dada por K RT c c fus = 2 1 ∆ � H (7.41) em que DfusH é a entalpia molar de fusão do solvente. O fenômeno de abaixamento do ponto de congelamento pode também ser enten- dido estudando a Figura 7.17. A 1 atm, o ponto de congelamento da solução se loca- liza no ponto de intersecção da linha tracejada (entre as fases sólido e líquido) e a linha horizontal a 1 atm. É interessante notar que, enquanto o soluto deve ser não- * Usualmente, o sal empregado é o cloreto de sódio, que ataca o cimento e é danoso para muitas plantas. Ver também OLSON, J. O.; BOWMAN, L. H. Freezing ice cream and making caramel topping. J. Chem. Educ. 53, 49, 1976. volátil no caso da elevação do ponto de ebulição,† tal restrição não se aplica ao abai- xamento do ponto de congelamento. Uma prova dessa afirmação está no uso do etanol (P.E. = 361,65 K) como anticongelante. Tanto a Equação 7.39 como a 7.40 podem ser utilizadas para determinar a massa molar de um soluto. Em geral, a experiência de abaixamento do ponto de congela- mento é muito mais fácil de se realizar. É comumente empregada em medidas de massas molares de compostos. A Tabela 7.4 lista os valores de Keb e Kc para vários solventes comuns. P re ss ão Ponto de congelamento da solução Ponto de congelamento do solvente Ponto de ebulição do solvente Ponto de ebulição da solução Figura 7.17 Diagramas de fases da água pura (linhas vermelhas contínuas) e da água numa solução aquosa com um solvente não-volátil (linhas vermelhas tracejadas). † Um componente soluto volátil pode, na realidade, abaixar o ponto de ebulição da solução. Por exemplo, 95% em volume de etanol em água (um azeótropo) entra em ebulição a 351,3 K. Solvente Keb /K . mol −1 . kg Kc/K . mol −1 . kg H2O 0,51 1,86 C2H5OH 1,22 C6H6 2,53 5,12 CHCl3 3,63 CH 3COOH 2,93 3,90 CCl4 5,03 — — — Tabela 7.4 Constantes de elevação do ponto de ebulição molal e de abaixamento do ponto de congelamento molal para alguns solventes comuns 7.7 Propriedades coligativas 233 234 Capítulo 7: Soluções não-eletrolíticas E X E m P L o 7.4 Para uma solução de 45,20 g de sacarose (C12H22O11) em 316,0 g de água, calcule (a) o ponto de ebulição; (b) o ponto de congelamento. R E S P o S T a (a) Ponto de ebulição: Keb = 0,51 K mol−1 kg, e a molalidade da solução é dada por m2 1 45 20 1 000 342 3 316 0 0 418= = − ( , )( ) ( , )( , ) , g g/1 kg g mol g mool kg−1 Da Equação 7.39 DT = = − −( , )( , ) , 0 51 0 418 0 21 1 1 K mol kg mol kg K Desse modo, a solução entrará em ebulição a (373,15 + 0,21) K, ou 373,36 K. (b) Ponto de congelamento: da Equação 7.40, DT = = − −( , )( , ) , 1 86 0 418 0 78 1 1 K mol kg mol kg K Assim, a solução congelará a (273,15 − 0,78) K, ou 272,37 K. c o m E N T Á R i o Para soluções aquosas de concentrações iguais, o abaixamento no ponto de congela- mento é sempre maior que a correspondente elevação no ponto de ebulição. A razão pode ser vista comparando-se as duas expressões seguintes (Equações 7.38 e 7.41): K RT K RT eb eb vap c c fus = = 2 1 2 1 D D }} H H Embora Teb > Tc, o valor de DvapH para a água é 40,79 kJ mol−1, ao passo que o valor de DfusH é somente 6,01 kJ mol−1. O maior valor de DvapH no denominador é que faz com que Keb e, conseqüentemente,DT sejam menores. O fenômeno de abaixamento no ponto de congelamento tem muitos exemplos na vida diária e em sistemas biológicos. Como foi mencionado, sais, como cloreto de sódio e cloreto de cálcio, são usados para derreter o gelo nas estradas e nas calçadas. O composto orgânico etilenoglicol [CH2(OH)CH2(OH)] é o anticongelante comum de automóvel. É também usado para remover camadas de gelo sobre aviões. Em anos recentes, tem havido muito interesse em se entender como certas espécies de peixe conseguem sobreviver nas águas geladas dos oceanos polares. O ponto de congela- mento da água do mar é aproximadamente −1,9 C, que é a temperatura da água ao redor de um iceberg. Um abaixamento no ponto de congelamento de −1,9 C corres- ponde a uma concentração de 1 molal, que é muito alta para o funcionamento fisioló- gico apropriado; por exemplo, ela altera o balanço osmótico (ver a seção sobre Pressão osmótica a seguir). Além dos sais dissolvidos e de outras substâncias que podem abai- xar o ponto de congelamento coligativamente, é encontrada no sangue dos peixes pola- res uma classe especial de proteínas que tem alguma espécie de efeito protetor. Essas proteínas contêm tanto unidades de aminoácidos como de açúcares e são chamadas glicoproteínas. A concentração de glicoproteínas no sangue dos peixes é bastante baixa (aproximadamente 4 × 10− 4 m), portanto sua ação não pode ser explicada por proprie- dades coligativas. Acredita-se que as glicoproteínas tenham a habilidade de se adsorver na superfície de cada cristal pequenino de gelo tão logo ele comece a se formar, impe- dindo-o de crescer a um tamanho que causaria dano biológico. Conseqüentemente, o ponto de congelamento do sangue desses peixes está abaixo de –2 C. Pressão osmótica O fenômeno de osmose está ilustrado na Figura 7.18. O compartimento da es- querda da aparelhagem contém solvente puro; o compartimento da direita contém uma solução. Os dois compartimentos são separados por uma membrana semiper- meável (por exemplo, de celofane), que permite que as moléculas do solvente pas- sem através dela, mas impede o movimento das moléculas do soluto da direita para a esquerda. Praticamente, então, o sistema tem duas fases diferentes. No equilíbrio, a altura da solução no tubo à direita é maior que a do solvente puro no tubo à esquer- da por uma diferença h. Esse excesso de pressão hidrostática é denominado de pressão osmótica. Agora, podemos derivar uma expressão para a pressão osmótica como se segue. Sejam m1E e m1D os potenciais químicos nos compartimentos da esquerda e da direita, respectivamente. No início, antes de o equilíbrio ser estabelecido, temos m m m 1 1 1 1 1 1 E * * = + = = RT x x ln ( ) Solvente Membrana semipermeável Solução Figura 7.18 Aparelhagem que demonstra o fenômeno da pressão osmótica. 7.7 Propriedades coligativas 235