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AVC/AVE 1 🤕 AVC/AVE Quais são os tipos de AVCs? O acidente vascular cerebral (AVC) pode ser isquêmico ou hemorrágico. O AVC isquêmico pode ser: Trombótico Embólico Lacunar O AVC hemorrágico pode ser: Intraparenquimatoso subaracnóide. Epidemiologia dos AVCs Uma em cada 6 pessoas vai ter um AVC. O AVC pode ser evitado, tratado e manejado a longo prazo (diminuir sequelas). A cada 6 segundos, uma pessoa no mundo morre por causa de AVC. A cada outro segundo, uma pessoa tem um AVC. Quinze milhões de pessoas no mundo têm AVC a cada ano, e 6 milhões delas morrem. 400 mil casos e 150mil óbitos por ano nos EUA 3ª causa de morte no mundo e 1ª causa de morte no Brasil Gera grande morbidade devido a sequelas Alto custo socio-econômico Qual a principal causa de AVC? A principal causa de AVC no mundo é a hipertensão arterial. A melhor maneira de prevenir o AVC, portanto, é tratar a hipertensão arterial. (Principalmente AVC isquêmico) AVC/AVE 2 A redução da PA reduz em 46% o risco de AVC. É o risco mais prevalente e modificável. Qual a definição de AVC? É uma lesão vascular isquêmica ou hemorrágica provocando déficit circulatório agudo em determinada região encefálica. Déficit focal agudo que se instala abruptamente ou progressivamente em minutos ou horas. Quais os fatores de risco para o AVC? Os fatores de risco para o AVC são os mesmos para outras doenças vasculares. A primeira e mais importante é a hipertensão arterial, mas também diabetes, dislipidemias, tabagismo, doenças cardíacas (Fibrilação arterial→ AVC embólico) e vasculares, Álcool, drogas ilícitas, stress, ansiedade, depressão, obesidade/dieta. É muito importante tratar e evitar esses riscos→ Prevenção primária. Vascularização do Sistema Nervoso Central O encéfalo é irrigado pelas artérias carótidas internas e vertebrais. As artérias vertebrais direita e esquerda convergem no nível do sulco bulbo-pontino, e da ponte para cima temos a artéria basilar. A artéria basilar depois vai se dividir nas artérias cerebrais posteriores direita e esquerda. As vertebrais dão as artérias cerebelares posteriores inferiores (PICA – artéria que gera a síndrome de Wallemberg). A artéria carótida interna, no início do sulco lateral, se ramifica em artérias cerebrais média e anterior. AVC/AVE 3 AVC/AVE 4 A circulação posterior é formada pelas duas vertebrais, que formam a basilar. A basilar dá a artéria cerebelar superior antes de se dividir nas cerebrais posteriores. A cerebral posterior irriga a parte inferior do lobo temporal e o lobo occipital. Na circulação anterior, as carótidas dão as artérias cerebrais anteriores. As duas cerebrais anteriores se unem pela comunicante anterior, que é interhemisférica. A carótida continua como artéria cerebral média, que vai entrar entre os lobos frontal e temporal, irrigando a convexidade do hemisfério. Unindo a circulação anterior e a posterior existem as comunicantes posteriores. Unindo a direita com a esquerda existe a comunicante anterior. As artérias vertebrais dão origem, dentro do crânio, a duas artérias que se unem para formar a artéria espinhal anterior, que irriga a parte anterior da medula. As vertebrais dão origem também a duas artérias espinhais posteriores, que irrigam a parte posterior da medula. A cerebral anterior atravessa a parte medial do hemisfério, contornando o corpo caloso (por isso ela se chama pericalosa). A cerebral média, ao passar entre o frontal e o temporal, ela emite as artérias perfurantes (tálamo-estriadas e tálamo-geniculadas). Elas perfundem os núcleos da base. Em função da cabeça de pressão (a cerebral média é continuação da carótida, e recebe a maior parte da pressão dela), essas artérias perfurantes estão entre as que mais sofrem com a hipertensão arterial. AVC/AVE 5 Na imagem abaixo, o esquema de uma tomografia de crânio. A área em cinza mais escuro, acima, é a área da cerebral anterior. O cinza intermediário é área da cerebral média, e o cinza mais claro, embaixo, é a área da cerebral posterior. Na prática, prolongando uma linha a partir dos cornos dos ventrículos, delimitam-se essas 3 áreas. AVC/AVE 6 Classificação do AVC Quanto à topografia, pode-se classificar o AVC em: Síndrome da artéria cerebral anterior Síndrome da artéria cerebral média Síndrome da artéria cerebral posterior Síndrome das artérias de tronco. Quanto à patogênese: Isquêmico (80% dos casos): Alteração na demanda/oferta/consumo de oxigênio e glicose. Pode ter isquemia do déficit de oferta ou excesso de consumo, ou ambos Hemorrágico. (20% dos casos): Pode ser intraparenquimatoso ou subaracnóide (Neurocirurgia) Quanto ao caráter evolutivo, pode-se classificar em: AIT – ataque isquêmico transitório (conceitualmente, o déficit dura até 24 horas, mas a tendência é considerar até uma hora, pois a maioria regride nesse tempo.) AVC/AVE 7 AVC minor (o déficit regride ou fica muito pequeno, sem comprometimento funcional, mas dura mais que o tempo do AIT) AVC propriamente dito. AVC em progressão, em que o déficit vai progressivamente piorando. Acometimentos da Síndrome cerebral anterior Hemiparesia desproporcionada de predomínio crural → perna está na face medial do homúnculo → pode ter comprometimento do lobo frontal Acometimentos da Síndrome da cerebral média Hemiparesia desproporcionada de predomínio bráquio-facial → convexidade do homúnculo → afasia quando é o hemisfério dominante e heminegligência quando é o outro hemisfério (hemissomatoagnosia) e anosognosia (desconhecimento da doença). Acometimentos da Síndrome da cerebral posterior A cerebral posterior vai gerar distúrbios de campo visual→ Hemianopsias ou agnosia visual Acometimentos de AVC da artéria basilar Déficit motor ou sensitivo geralmente bilateral, rebaixamento do nível de consciência (FRAA → formação reticular ativadora ascendente) e alteração de par craniano mais alto (VI, VII, VIII → ponte; III e IV → Mesencéfalo). Acometimento de par craniano da sintoma homolateral Acometimento de AVC da artéria vertebral 4D's: diplopia, disfagia, disartria, dizziness (tonteira). Náuseas, vômitos, vertigem. Comprometimento de par craniano baixo (deglutição). Ataxia cerebelar. Como diferenciar um AVC de carótida do AVC de cerebral média? O primeiro ramo da carótida dentro do crânio é a artéria oftálmica. A cerebral média é continuação da carótida. Quando há comprometimento da carótida, a sintomatologia, portanto, é muito semelhante à da cerebral média. O que faz a diferença é a presença de amalrose fugaz (perda temporária da visão por falta de fluxo sanguíneo na retina). Quando o paciente tem amaurose fugaz é sinal de comprometimento de carótida homolateral. Ataque isquêmico transitório AVC/AVE 8 Dura menos que 24horas. Não altera imagem. Diagnóstico retrospectivo. Trombo branco, fragmenta fácil. Usa anti-agregante plaquetário. AVC trombótico AVC secundário a aterosclerose. Presença de placa ateromatosa. Com a hipertensão, ou alguma lesão endotelial na placa, há agregação plaquetária, formando um tampão na lesão. É o trombo branco. Posteriormente se forma uma rede de fibrina, gerando o trombo vermelho. Como a obstrução é progressiva (lesão, trombo branco, rede de fibrina, trombo vermelho), a perfusão vai diminuindo paulatinamente. Os sintomas, então, oscilam ou são progressivos (minutos a horas). Por isso se usa o antiagregante plaquetário. É o tipo de AVC mais frequente (40 a 60%). Aparece em paciente com passado de AIT (pode ser uma formação de trombo branco que se fragmentou e refez a perfusão). Pode ter sopro carotídeo (sopro indica presença de placa reduzindo o calibre de artéria). Tem predomínio noturno, porque à noite cai a pressão arterial, fisiologicamente. O tempo é importante em AVC, pois a trombólise deve ser feita até 4,5 horas após o início do episódio. AVC embólico Êmbolo é algo que se desloca dentro do vaso e vai obstruí-lo mais à frente. Há uma fonte emboligênica (na maioria das vezes,o coração→ IAM, FA) que solta um fragmento, que navega até chegar em um ponto de calibre menor que o dele. É um quadro súbito, no momento da obstrução. Pode haver uma embolia paradoxal, quando o paciente faz uma trombose venosa profunda, e esse trombo se desloca, formando um êmbolo que, pelo fato do paciente ter forame oval patente, passa do átrio direito para o esquerdo, e vai fazer embolia cerebral. O predomínio é diurno, porque é durante o dia que se fazem a maior parte das atividades, com maior tendência a deslocar êmbolo. AVC lacunar Hipertensivo. Artérias perfurantes (núcleos da base, tálamo, cápsula interna e tronco). Demência vascular por múltiplos infartos. Necrose hialinóide com espessamento de íntima. Lesões menores que 1cm. Déficits focais caprichosos localizados (monoparesias ou ataxias leves) corroborado por imagem. Hemiparesia direita sem afasia. Área de necrose + penumbra isquêmica (células em sofrimento mas ainda viáveis mas não funcionais). Se restabelecer fluxo, recupera penumbra mas não necrose. Diferença entre o AVC isquêmico do hemorrágico AVC/AVE 9 Não dá para diferenciar clinicamente o AVC isquêmico do hemorrágico. Por isso é importante fazer a tomografia. Não se tromboliza paciente sem a tomografia. Quando há isquemia, há uma área central de necrose. Na área perilesional, há a área de penumbra isquêmica, onde a perfusão está diminuída, mas mantém a viabilidade celular, sem manter a funcionalidade. É uma área viável, mas não funcional. Nessa área, o fluxo está diminuído. A célula se mantém viva, mas não tem energia para funcionar. Se reperfundir, ela volta a funcionar Investigação do AVC AVC em jovem → Sorologia pra HIV, Chagas, Sífilis TC inicial e após 48/72 horas (pois no começo pode não ter alteração no isquêmico) Ressonância → situações especiais Doppler de carótidas e vertebrais → placas ateroscleróticas ECO TransEsofágico e TransTorácico LCR → não é exame de rotina Angiografia - Doppler Transcraniano → feito por US, janela ocular, temporal, occipital pra ver fluxo em artéria intracraniana. SPECT → Tomografia por emissão de fóton único → pra ver perfusão Medidas terapêuticas no AVC Controle da PA Lembrar: Pressão arterial sobe reflexamente diante de um AVE agudo pra manter a PPC. NUNCA abaixar PA em vigência de AVC, exceto se estiver acima de 22x12 nas primeiras 24h. 50 a 80% chegam com HAS → decorre de stress, hipóxia, HIC e vasoreatividade cerebral. Outros: Dor, náuseas, vômitos, retenção urinária, etc. Quando se usa rTPA, quanto maior a PA, maior o risco de transformação hemorrágica. Hipotensão agrava o quadro pois aumenta a área de lesão. AVC/AVE 10 Em candidatos a uso de trombolítico: PAS>220mmHg ou PAD>140mmHg → Nitroprussiato PAS entre 180-220mmHg ou PAD entre 110-140mmHg → Metoprolol ou Enalapril EV! Controle da Glicemia Hiperglicemia aumenta morte neuronal Pesquisar diabetes em todo paciente que se detecte hiperglicemia Monitorar a glicemia por 48/72 horas de 6/6h Evitar solução glicosada Suporte nutricional oral ou enteral Evitar e tratar causas adicionais de hiperglicemia (corticóides e infecções) Evitar hipoglicemia Utilizar insulina conforme glicemia Controle da Temperatura Sempre utilizar medicamentos de controle da temperatura. O aumento da temperatura exacerba a lesão neurológica Aumento de 1 a 2 ºC da temperatura cerebral em relação a sistêmica. Hiperventilação Hemodiluição → não se faz mais, exceto em poliglobulia (HTC > 54) AVC/AVE 11 Antiagregante plaquetário AAS na fase aguda → 325 mg/dia por 30 dias Clopidroguel → 150-300mg primeira dose → manutenção 75mg/dia Anticoagulante Utiliza naqueles casos de AVC cardioembólico em que o risco de recidiva precoce é maior que o risco de sangramento. Não anticoagula paciente trombolisado. Manter RNI entre 2-3 Trombolítico Critérios de inclusão para fazer trombolítico: AVC em qualquer território vascular cerebral Possibilidade de estabelecer precisamente o horário do início dos sintomas Possibilidade em iniciar a infusão de rTPA dentro de 4h30 do início dos sintomas (quando sintomas surgirem ao acordar considerar o último horário acordado como o horário de início dos sintomas) TC crânio sem evidência de hemorragia ou outra doença de risco (tumor por exemplo) Idade superior a 18 anos Critérios de exclusão para fazer trombolítico: Uso de anticoagulantes orais Uso de heparina nas últimas 48hras AVC ou TCE grave nos últimos 3 meses História pregressa de hemorragia cerebral TC crânio evidenciando hemorragia ou edema cerebral em desenvolvimento. PAS>185 ou diastólica>110 em 3 ocasiões Sintomas regredindo rapidamente → pode ser AIT AVC/AVE 12 Déficits neurológicos leves e isolados (ataxia, disartria, fraqueza mínima) Coma ou estupor → sinal de mau prognóstico Cirurgia de grande porte ou procedimento invasivo nas duas últimas semanas Hemorragia TGI ou TGU nas últimas 3 semanas Punção arterial não compressível ou biópsia na última semana (A punção é periférica!) Coagulopatia ou plaquetas < 100.000 Glicemia <50 ou >400 → hipo ou hiperglicemia pode simular déficit focal Crise convulsiva precedendo ou durante a instalação do AVC Abuso de álcool ou drogas → fisiopatologia diferente Neuroproteção → não existe droga com esse fim Antiedematosos Condutas importantes no AVC AVC → urgência médica Janela terapêutica → fator temporal Viabilidade da zona de penumbra Uso de rTPA (trombólise) → primeiras 4h30min ACM hiperdensa → pode afirmar que está trombosada Reconhecimento precoce Transporte imediato Equipe treinada Investigação e tratamento Checar critérios de inclusão e exclusão Controle rigoroso da PA Dois acessos venosos periféricos AVC/AVE 13 Evitar (antes e até 24h depois): punção venosa central, punção arterial, cateterismo vesical, sonda naso entérica ou gástrica Dose rTPA: 0,9 mg/kg até um total de 90mg, 10% da dose em bolus EV e o restante em 60 minutos (bomba de infusão). Durante a infusão monitorar mudanças no quadro neurológico, sinais vitais e evidências de sangramento em UTI por 24h Não deve receber heparina, heparinóides ou antiagregantes plaquetários Prosseguir com investigação diagnóstica Complicações hemorrágicas → CESSAR INFUSÃO de rTPA imediatamente