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Matéria Saúde da criança e do adolescente II 
Tema: Infecções congênitas I 
Data: 9/08/2022 
Professor: Felipe 
Aula digitada por: Ana Carolina Gouveia 
 
INFECÇÕES CONGÊNITAS I 
SÍFILIS CONGÊNITA 
→ Introdução; 
• É o resultado da transmissão da espiroqueta do Treponema pallidum da corrente sanguínea da 
gestante infectada para o concepto por via transplacentária ou, ocasionalmente, por contato direto 
com a lesão no momento do parto (transmissão vertical) - mais raro, ocorre apenas se tiver lesão ativa 
(cancro duro) no canal do parto; 
• A OMS estima que a ocorrência de sífilis complica um milhão de gestações por ano em todo o mundo 
(WHO, 2014), levando a mais de 300 mil mortes fetais e neonatais e colocando em risco de morte 
prematura mais de 200 mil crianças; 
• No Brasil, vem sendo observado um aumento constante no número de casos de sífilis em gestantes, sífilis 
congênita e sífilis adquirida. 
• Dentre as infecções congênitas, a sífilis é a mais importante, pois além de ser muito prevalente, traz 
muitas complicações, aumentando o risco de abortamento, prematuridade, baixo peso a nascer, 
dentre outras. 
→ Diagnostico; 
• Como a maioria dos casos se apresenta de maneira assintomática, o rastreio deve ser realizado no 1º e 
3º trimestre e no momento do parto 
 
 
 
• Testes Não Treponêmicos (boa sensibilidade, mas pouca especificidade): Os testes não treponêmicos são 
inespecíficos e detectam a produção de anticorpos IgG e IgM contra a cardiolipina (anticardiolipina) 
liberada pelos treponemas. O exame de VDRL, é um teste não treponêmico, que, apesar de ter uma 
sensibilidade elevada, apresenta uma baixa especificidade, com resultados falso-positivos relacionados 
a vários interferentes. Quando positivo, demonstra atividade de doença, sendo utilizados no diagnóstico 
inicial e no controle de cura da sífilis, por meio de titulação 
• Testes Treponêmicos (específicos): Os testes treponêmicos utilizam o T. pallidum como antígeno e 
detectam anticorpos. Positivam mais precocemente que os testes não treponêmicos, porém, mantêm-se 
positivos por toda a vida, logo, não podem ser utilizados para acompanhamento da doença, mas são 
bons para o diagnóstico. FTA- Abs é utilizado para diagnósticos de sífilis na gestante (não é usado para o 
RN) Teste rápido (TR) também entra como teste treponêmico, mas é bem menos utilizado 
Sífilis recente; Infecção < 2 anos 
Sífilis tardia; Infecção > 2 anos 
Na gestante não vamos 
conseguir definir em qual estágio 
da doença ela se encontra. Pode 
ficar anos no período de latência, 
por isso diagnóstico é sorológico. 
Em qualquer estágio pode afetar 
o bebê, mas quanto mais recente 
maior a titulação e maior o risco 
de infecção do RN. 
 
 
 
 
 
→ Tratamento; 
• A Benzilpenicilina benzatina é o medicamento de escolha para o tratamento de sífilis, sendo a única 
droga com eficácia documentada durante a gestação. Não há evidências de resistência de T. 
pallidum à penicilina no Brasil e no mundo. 
• O fato de a gestante ter sido tratada ou não muda completamente a abordagem do RN. Logo, 
precisa estar muito bem documentado para considerarmos que foi tratada. 
• Na população geral o tratamento depende do estágio clínico. 
• Nas gestantes, colocamos como se fosse latente tardia: 3 doses de Benzetacil (penicilina benzatina) 
por 3 semanas (1 por semana) - 1.2 milhões UI em cada glúteo por semana 
 
 
 
 
 
Diagnóstico; Teste não treponêmicos + teste Treponêmicos 
Para fins diagnósticos, qualquer titulação de VDRL é considerado positivo. Excepcionalmente na gestante 
pode fazer diagnóstico com apenas um exame, treponêmico ou não treponêmico. Se VDRL positivo já 
iniciamos o tratamento da gestante e pedimos o FTA- Abs para confirmar o diagnóstico. 
→ Manifestações clínicas 
• Nas crianças com sífilis congênita, aproximadamente 60% a 90% dos recém-nascidos vivos são 
assintomáticos ao nascimento, só vemos alterações laboratoriais. Algumas crianças podem trazer 
manifestações clínicas como febre, esplenomegalia, linfadenomegalia generalizada, baixo peso ao 
nascer, alterações placentárias, edema, rinite sifilítica/corrimento nasal, rash maculopapular/pênfigo 
sifilítico (lesões vesiculases cheias de treponema e altamente contagiosas). 
• Manifestações ao nascer podem ocorrer caso a mãe não tenha se tratado e sua titulação de VDRL 
esteja muito elevada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sífilis precoce (antes dos 2 anos de idade) 
 
 
 
 
 
• As lesões no bebê estão lotadas de treponema e podem transmitir através do contato 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
→ Avaliação inicial da criança exposta ou com sifilis congenitas 
• Histórico materno de sífilis quanto ao tratamento e seguimento na gestação; 
• Sinais e sintomas clínicos da criança (na maioria das vezes ausentes ou inespecíficos); 
• Teste não treponêmico periférico da criança comparada com dá o mãe. 
→ Diagnóstico no RN 
• Toda criança que a mãe tiver VDRL positivo na maternidade é necessário uma avaliação clínica e 
laboratorial , além de avaliar o histórico da mãe (foi tratada de maneira adequada?) 
− Gestante adequadamente tratada 
• Administração de penicilina benzatina 
• Início do tratamento até 30 dias antes do parto 
• Esquema terapêutico de acordo com o estágio clínico da doença 
• Respeito ao intervalo recomendado das doses 
• Avaliação quanto ao risco de infecção 
• Diminuição da titulação e, duas diluições de testes não treponêmicos em 3 meses, ou 4 em 6 meses após 
o final do tratamento 
➢ Comparar o VDRL da mãe com o RN 
• Título do RN 2x maior que o da mãe = sífilis congênita 
• Título do RN < 2x VDRL da mãe + alterações no exame físico = sífilis congênita 
 
 
 
 
 
Sífilis tardia (após 2 anos de vida) 
VDRL do RN negativo, porém microcefalia e manchas no corpo – avaliar STORCHZ 
(toxoplasmose, rubéola, cmv, herpes e Zica) 
 
 
 
 
− Gestante não tratada adequadamente 
• Pedir (RN): HC, glicemia sempre que for coletar líquor (para comparar), raio x de ossos longos (avaliar 
periostite), coleta de líquor 
• Líquor alterado = neurossífilis 
• Considero o líquor alterado quando: aumento da celularidade, VDRL positivo ou aumento de proteínas 
→ Tratamento do RN 
• Penicilinna cristalina venosa ou penicilina procaína 
• Neurossífilis: penicilina cristalina IV 10 dias 
 
 
→ Exames Complementares para sífilis congênita 
• Teste não treponêmico – Coletar amostras de sangue periférico do RN e da mãe 
• Teste treponêmico – Não coletar na maternidade 
• Hemograma – Anemia hemolítica/ Leucopenia ou leucocitose/trombocitopenia 
• Transaminases e eletrólitos – Elevação das transaminases e distúrbios eletrolíticos 
• Liquor (LCR)- VDRL reagente no líquor/ pleocitose/ Proteína aumentada 
• Radiografia de ossos longos; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Risco de reinfecção; Aumento da titulação em 2 diluições Ausência de queda Persistência ou 
recorrência dos sintomas 
→ Seguimento; 
• Consultas: primeira semana de vida e nos meses 1, 2, 4, 6, 9, 12 e 18. 
• Avaliar PC, desenvolvimento neuropsicomotor, acuidade visual, triagem auditiva 
• Interrompo o VDRL e suspendo o seguimento quando tenho dois testes negativos seguidos ou queda de 
duas diluições 
Obs: espera-se que declinem aos 3 meses, devendo ser não reagente aos 6 meses 
 
CITOMEGALOVÍRUS 
→ Introdução; 
• Rastreio da gestante não faz parte do protocolo do SUS – pois não existe tratamento específico 
• Transmissão: placenta ou secreções maternas (leite, colo uterino) – infecção pode ser congênita ou 
perinatal 
• O aleitamento só é contraindicado no caso de prematuro < 32 semanas pesando < 1500g 
→ Diagnostico na gestante; 
• O IgM isolado não é um bom marcador, pois ele pode tanto sugerir que a infecção está ativa, quanto 
que ocorreu há mais de 6 meses – tem que avaliar se tem soro conversão (avalia sorologias em intervalos 
de 4 semanaspara ver se aumenta ou diminui) 
→ Diagnóstico no RN 
• Solicitar IgM no bebê – o problema é o IgM pode estar negativo, e mesmo assim ele estar infectado 
• O IgG não é um bom marcador nesse casos, pois passa pela placenta, ou seja, se encontrado no bebê, 
pode ser da mãe 
• Melhor padrão para avaliar: viriúria (vírus na urina) – Esse diagnóstico deve ser feito até 3 semanas de vida 
do bebê 
• Todo bebê com a mãe IgM positivo ou viriúria, é necessário fazer fundoscopia, TC de crânio, HC, provas de 
função hepática e LCR 
→ Manifestações clínicas; 
• Retardo de crescimento/prematuridade 
• Petéquias 
• Hepatoesplenomegalias 
• Icterícia 
• Microcefalia/convulsões 
• Calcificações periventriculares 
• Perda auditiva sensorial 
• Pneumonite intersticial 
→ Tratamento; 
• Visa diminuir sequelas 
• Ganciclovir 
• Tóxica 
• Medicação cara 
• IV por 6 semanas 
− Indicações para o tratamento 
• RN sintomático com evidências de envolvimento do SNC (qualquer alteração na TC ou qualquer 
alteração do líquor) e coriorretinite Ou RN com quadro de pneumonia intersticial por CMV ou sepse like 
viral, excluídas outras etiologias Além disso Idade < 1 mês e peso >1.200g

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